Issuu on Google+

Pelé procura uma camisa listrada por aí

Ano 87 - Nº 23.622

Conclusão: 23h40

Arquivo/AE

Falta essa 10 do Santos para completar a coleção do museu do rei. Metrópole. Pág. 11 Jornal do empreendedor

www.dcomercio.com.br

R$ 1,40

São Paulo, sexta-feira, 11 de maio de 2012

Mais de 80 nomes na teia de Cachoeira Para ser mais preciso, 82 pessoas conversaram ou foram citadas em conversas com Cachoeira nas gravações da Operação Monte Carlo. Foi o que disse ontem na CPI o delegado da PF Matheus Rodrigues. Ele afirmou também que 28 malotes lotados de fitas e documentos ainda sequer foram abertos. Segundo relatos, o governador de Goiás, Marconi Perillo, aparece mais de 200 vezes nas ligações.

Cada vez mais gente quer ouvir Gurgel Vital do Rêgo, presidente da CPI, diz que as declarações do procurador-geral fizeram crescer a pressão para que ele explique a demora em abrir investigações sobre o senador Demóstenes. Págs. 5 a 7

Clóvis Ferreira/AE

J.J.Leister/

AE

Reprodução

Khaled al-Hariri/Reuters

Alvarenga e Ranchinho; Pena Branca e Xavantinho; Tonico e Tinoco: versos chorados na voz e nas cordas da viola.

d

cultura

Um dedo de prosa e um mundo de saudade

Tinoco, como se diz na roça, foi embora mas continua vivo para quem é fã da autêntica moda de viola. Com o irmão Tonico, fez história, deixou belo legado e lições às duplas sertanejas do mundo eletrônico. Leia ainda: Mia Couto, lendas e contos; Sinfônica Alemã de Berlim toca de graça no Ibirapuera; a arte múltipla do suíço Alberto Giacometti. E Roda do Vinho.

Síria em cacos: 2 carros-bomba, 55 mortos e 372 feridos.

Newton Santos/Hype

HOJE

Divulgação

Divulgação

No dia mais sangrento em 14 meses de revolta contra o governo de Bashar al-Assad, bombas explodiram em Damasco (foto), perto de instalações militares. Pág. 9

Parcialmente nublado Máxima 27º C. Mínima 16º C.

ISSN 1679-2688

23622

AMANHÃ

8ª geração do Audi chegou

Um paraíso na roça

O A4, campeão de vendas da marca, chega na versão Ambiente.

Hotel-fazenda perto de Buri, a 230 km de São Paulo, é puro charme. Boa Viagem. Pág. 20

FELIZ DIA DAS MÃES! Págs. 10, 13, 15, 22 e 23.

Sol com pancadas de chuva Máxima 26º C. Mínima 18º C.

9 771679 268008


DIÁRIO DO COMÉRCIO

2

o

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A economia deixou de ser uma questão meramente econômica no Brasil. É um componente da política. José Márcio Mendonça

pinião

EYMAR MASCARO

COMO ESCAPAR DO OLHO DO FURACÃO

Q

A economia como política

E

m recente artigo no jornal Valor Econômico, o experiente e muito ouvido pelo governo hoje economista Delfim Netto, também colaborador deste jornal, fez um discreto alerta às autoridades brasileiras, sem explicitar naturalmente o endereço do recado. Dizia o exministro da Fazenda, do Planejamento e ex-deputado, um insuspeito fã dos governos petistas e Lula e Dilma: "Devido à finitude dos fatores de produção internos e do limite do crédito para financiar as importações, não é permanentemente possível maximizar, ao mesmo tempo, o crescimento econômico e a inclusão social sem produzir ou um aumento da taxa de inflação, que anula e torna uma ilusão a inclusão social, ou um déficit em conta corrente não financiável, que acaba matando ao mesmo tempo o crescimento e a inclusão. O problema é físico e não ilidível por mágicas monetárias, fiscais ou cambiais". É básico explicar que em economia os números de um determinado levantamento periódico é indicativo de uma tendência – uma andorinha só, diz o popular, não faz verão. Mas há indícios de que a política econômica que a presidente Dilma Rousseff está levando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o Banco Central a administrarem pode estar levando o governo a cair na armadilha apontada por Delfim Netto. O sinal mais evidente está na surpreendente – para todos os analistas privados e mais ainda para o governo – inflação oficial (IPCA do IBGE) de abril. Ela praticamente triplicou de março para o mês passado, saltando de 0,21% para

JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA 0,64%. Os números, segundo a medida do instituto, foram influenciados negativamente pelos alimentos, empregos domésticos, cigarros e remédios, estes dois últimos controlados pelo governo.

A

s autoridades de Brasília e os analistas não oficiais esperavam um soluço dos preços em abril, não, porém, tamanho susto. De maio em diante, pelo menos por uns meses, acreditase numa acomodação. Contudo, para este mês alguma inflação já está contratada, ainda por culpa dos preços administrados – energia elétrica, água, esgoto e táxis em várias cidades pesquisas tiveram reajustes que vão bater no IPCA de maio. Na conta de abril ainda não entraram, de acordo com especialistas, repasses da elevação do dólar sobre os importados. Em pouco mais de um

mês a moeda americana saltou de uma média de R$ 1,70 para o nível de R$ 1,90. Anteontem, pela primeira desde junho de 2009, quando a economia estava sob os efeitos da crise financeira internacional desencadeada no fim de 2009, o dólar passou dos R$ 1,95. E sem nenhuma ação do Banco Central para desvalorizar o real, coisa que ele andou fazendo até recentemente.

D

esde anteontem, quando o IBGE informou o repique inusitado da inflação, alguns analistas do mercado começaram a balançar a certeza que demonstravam desde a última ata do Copom e principalmente desde a mudança nas regras de remuneração das cadernetas de poupança, de que o Banco Central puxará a taxa básica de juros para um mínimo de 8% até o fim do ano, com chances de deixar a Selic até abaixo disso

As autoridades de Brasília e os analistas não oficiais esperavam um soluço dos preços em abril, não, porém, tamanho susto.

para começar com dias de ouro 2013. Já se especula que o BC deve por um freio nesse movimento de baixa no fim de maio, parando nos 8,5%.

É

possível, mas não muito provável, se outras "circunstâncias" como este IPCA mais alto de abril não vierem atropelar os plano da presidente Dilma. Como está visível e ensinou quase didaticamente o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, em entrevista ao jornal Brasil Econômico, "não ter inflação é um pressuposto para o crescimento, mas este não pode ser só o fim. Aí eu não faço mais nada? Agarro a meta de inflação e fico por ali". Ou seja, em livre e objetiva tradução: a política monetária deve mirar o crescimento, não a inflação. A meta oficial é de inflação, a real, de Dilma é o PIB – não inferior a 4% e bem próximo de 4,5% este ano; em dezembro crescendo no ritmo anualizado de 5%. Todas as medidas adotadas nos últimos meses, em especial o ataque aos juros altos, têm este objetivo. A presidente precisa sustentar sua popularidade e acredita ela e acreditam seus consultores políticos que só esse caminho garante isso. Teme-se que se a economia ratear, o emprego e a renda comecem também a patinar – e a presidente comece a enfrentar dificuldades políticas no Congresso e insatisfações na sociedade. A economia deixou de ser uma questão meramente econômica no Brasil no momento. É um componente da política. JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA É JORNALISTA E ANALISTA POLÍTICO

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Claudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

uando a CPI do Cachoeira estiver pegando fogo no Congresso, a campanha para a Prefeitura de São Paulo estará no auge, com um adendo: será nessa fase que os candidatos José Serra, Fernando Haddad e Gabriel Chalita terão de dar explicações sobre o envolvimento de seus partidos –PSDB, PT e PMDB – com os negócios ilegais do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Os três partidos têm entre os envolvidos três governadores, o tucano Marconi Perillo, o petista Agnelo Queiroz e o peemedebista Sérgio Cabral. Prevendo consequências negativas nas campanhas de seus candidatos, PSDB, PT e PMDB procuram uma brecha para evitar que os governadores que tiveram seus nomes citados nas gravações de Cachoeira ou seus prepostas com o pivô do escândalo, o senador Demóstenes Torres, sejam ouvidos na CPI. Os telefonemas de Cachoeira para Demóstenes visavam encontrar facilidade para fechar negócios pouco éticos na área de governo ou com empresários comprometidos com a bandalheira, que atuavam nas empresas que executavam obras públicas. Além de Demóstenes, as gravações desmascaram também outros parlamentares.

S

erra, Haddad e Chalita já estão em campanha disfarçada para evitar encrenca com a legislação eleitoral e estão convictos de que podem chegar ao segundo turno. O candidato tucano continua liderando as pesquisas de intenção de voto, enquanto o petista ainda convive com baixo índice de conhecimento do eleitor. A liderança de Serra, caso seja mantida, pode colocar o PSDB no segundo turno, mas a perspectiva dos partidos é que Haddad cresça a partir de junho, mês em que os médicos devem liberar Lula para ser o carro-chefe da campanha de seu candidato. A cúpula do PSDB tem esperança de que a tradição nas eleições municipais em São Paulo não mude, torcendo para que o PT não eleja o

Na campanha, Serra, Haddad e Chalita terão de dar explicações sobre o envolvimento de seus partidos – PSDB, PT e PMDB – com os negócios ilegais do bicheiro Cachoeira. prefeito paulistano, em que pese a significativa popularidade de Lula e o prestígio da presidente Dilma Rousseff. PT e PSDB alimentam o sonho da reconquista da Prefeitura da Capital , considerada peça importante nas campanhas de governador e presidente em 2014. Se Haddad vai contar com o peso do apoio de Lula e Dilma, Serra responderá que terá a seu lado as forças eleitorais do governador Geraldo Alckmin, do vicegovernador Guilherme Afif Domingos e do prefeito Gilberto Kassab.

N

os bastidores de outros partidos, como PRB, PCdoB e PPS, que também pretendem lançar as candidaturas a prefeito de Celso Russomano, Netinho de Paula e Soninha Francine, a preocupação é encontrar um meio de evitar que a eleição seja polarizada pelos candidatos Serra e Haddad. Mas, as candidaturas de Russomano e Netinho estão ameaçadas porque seus partidos continuam sendo assediados por PT e PSDB, que procuram alianças para ampliar o tempo de campanha de seus candidatos na televisão. Lula, por exemplo, tem conversado com o ex-ministro Orlando Silva para alcançar a adesão do PCdoB, ao mesmo tempo em que cerca o partido de Celso Russomano. EYMAR MASCARO É JORNALISTA E COMENTARISTA POLÍTICO MASCARO@BIGHOST.COM.BR

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Ed i to r - Ch e fe : José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), Estela Cangerana (ecangerana@dcomercio.com.br), Luciano de Carvalho Paço (luciano@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Fernando Porto (fporto@dcomercio.com.br), Ricardo Ribas (rribas@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Marcus Lopes e Rejane Aguiar Redatores: Adriana David, Darlene Delello, Eliana Haberli e Evelyn Schulke Repórter Especial: Kleber Gutierrez (kgutierrez@dcomercio.com.br), . Repórteres:André de Almeida, Fátima Lourenço, Ivan Ventura, Karina Lignelli, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Mário Tonocchi, Paula Cunha, Rafael Nardini, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sergio Leopoldo Rodrigues, Sílvia Pimentel, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente Executiva e de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estado, Folhapress, Efe e Reuters Impressão OESP GRÁFICA S/A Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

FALE CONOSCO E-mail para Cartas: cartas@dcomercio.com.br E-mail para Pautas: editor@dcomercio.com.br E-mail para Imagens : dcomercio@acsp.com.br E-mail para Assinantes: circulacao@acsp.com.br Publicidade Legal: 3244-3175. Fax 3244-3123 E-mail: legaldc@dcomercio.com.br Publicidade Comercial: 3244-3197, 3244-3983, Fax 3244-3894 Central de Relacionamento e Assinaturas: 3244-3544, 3244-3176 , Fax 3244-3355

REDAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Boa Vista, 51, 6º andar CEP 01014-911, São Paulo PABX (011) 3244-3737 REDAÇÃO (011) 3244-3449 FAX (011) 3244-3046, (011) 3244-3983 HOME PAGE http://www.acsp.com.br E-MAIL acsp@acsp.com.br


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

3

o E era o Serra que ia mexer na poupança pinião

SOMOS UM PAÍS RODOVIARISTA E, NO ENTANTO, TEMOS APENAS 1,5 MILHÃO DE QUILÔMETROS DE RODOVIAS.

Q

uem tem 28 anos acompanhou a propaganda gratuita e votou em três eleições presidenciais, se começou aos 16 como é do seu direito, mas não da sua obrigação – depois dos 16, votar é obrigação legal e moral. O candidato Geraldo foi acusado pelo lulo-petismo de ser ameaça às estatais, iria "piratizá-las" – Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Ecônomica Federal, Correios e outras joias da Coroa, sendo coroa a Viúva que paga as contas dos seus gigolôs; sabemos quem são a Viúva e os gigolôs. "Vai piratizar as empresas do povo", acusavam mentirosamente. "Piratizar" é um verbo da Novilingua, colocado no lugar de "Privatizar", criado por um jornalista hoje corajosamente isento a favor de quem está no poder. Metiam o pau na "piratização" do sistema telefônico e sacavam dos seus celulares, produtos da "piratização", vangloriando-se com seus cúmplices: "Dei um cacete nesses neoliberais". Nunca perdoaram o sucesso da "piratização" do sistema telefônico nem o da Vale. Você pensa que o indigitado que colou o verbo "piratizar" na falação lulo-petista é o Pulha, mas não é; é o Puro, alegadamente escriba dos press-releases que o general Golbery, o Fazedor de Reis, "vazava" para manipular o noticário, em plena censura da ditadura militar. O general Golbery cozinhava as ideias e o jornalista Puro, mais porta-voz do que jornalista, seria o teclado de aluguel, suando a camisa para, qual o Demóstenes do Cachoeira, tapear os leitores inocentes e a não tão inocente cumpanherada das redações, fingindo ser o que não era, ou que era o que nunca foi. Geraldo caiu na esparrela e

NEIL durango

Ferreira tomou a ridícula decisão de aparecer na TV com uma vestimenta com os logotipos das estatais; quis desmentir o que não mentiu. Ao verem Geraldo cometer essa besteira, os marqueteros du Roi Louis 51 saíram gritando: "Vestiu a carapuça! Vestiu a carapuça !". Geraldo perdeu, não só por causa disso, ou também por causa disso. Embora tenha currículo impecável e pertença ao partido que colocou o país no rumo, não teve competência para transmitir suas qualidades ao "país dos mais de 80%", que é quem decide as eleições.

O

utro jornalista aplicoulhe o codinome de "picolé de chuchu", para dar à sua imagem o sabor de sensaborona, em contraste com o saboroso carisma da imagem populista do seu adversário. "Imagery is all, Reality is nothing". A Imagem venceu, a Realidade perdeu. A Realidade é muito chata. Derrota política não tem uma causa única, tem um conjunto delas. Se fosse doença, diria que é uma síndrome, mas é pior do que

doença; perder eleição é pior do que morrer; pior só é perder para o córintcha. Derrota é orfã de pai e mãe. Da vitória duvida-se até da honestidade da mãe, tantos são os pais que aparecem e aceitam a paternidade coletiva, sem ir no Ratinho pedir DNA. "Us mano pede / As mina dá / Dispois vão no Ratinho pedir

DNA". Não vão. "É a minha cara", afirmam; "São os meus olhos", dizem; "O joelho é meu", alegram-se. Quando entregou a Filha para salvação da humanidade dos "mais de 80%" – os demais não são humanos, são asseclas do Barzebu – Deus Pai Todo Poderoso passou – lhe deu as Tábuas da Lei para

"Repita a mentira mil vezes que ela vira verdade", ensinou Goebbels. A mentira "Serra vai mexer na poupança" foi repetida milhões de vezes, ou mais, e colou.

ensinar o caminho das pedras. Primeiro Mandamento: acusar, gritar, amaldiçoar com as palavras mágicas "O Serra vai mexer na poupança ! O Serra vai mexer na poupança !". "Repita a mentira mil vezes que ela vira verdade", ensinou Goebbels. A mentira "Serra vai mexer na poupança" foi repetida milhões de vezes, ou mais, e colou. O crédulo povo do país "dos mais de 80%" caiu como um patinho.

Q

uem mexeu na poupança foi a Filha du Ômi. Se fosse o Serra, ainda que fosse para o bem, o mundo desabaria na careca dele. Como foi a Filha du Ômi, ainda que fosse para o mal, é o

milagre de fazer cego ver e defunto ressuscitar. Mexer na imexivel é a chave para o bem estar dos "mais de 80%", rezam seus apóstolos. PS: Vi a Dieckmann pelada na internet. Cito Shakespeare: "Much ado about nothing". Outro PS: nossos Direitos Democráticos estão cada vez mais tortos. Mais um PS: Errata – já escrevi que os 3 Poderes da República são 5, não são. Acertata: Os 3 Poderes da República são 6: Executivo, Legislativo, Judiciário, Zé Dirceu, Cachoeira e Camila Pitanga. Desculpe nossa falha. A imexível foi mexida, “Duela a quien duela”. NEIL FERREIRA É PUBLICITÁRIO

LOGÍSTICA, TRANSPORTES E O FUTURO. Eduardo Nicolau/AE

T

emos pensado muito no futuro da logística e dos transportes no Brasil. E imaginando como será daqui a 22 anos. Estamos pensando em 22 por ser este é o período que já se passou desde a his tórica abertura econômica. Analisando hoje, com os olhos de ontem, que foi o que fizemos em 1990 para olhar para o futuro, pensamos que em cerca de uma ou duas décadas teríamos um sistema logístico de fato, excelente. Hoje, olhando para o passado, o que conseguimos ver? O avanço que imaginamos? Infelizmente não foi o que ocorreu. E, hoje, renovando nossas esperanças – um pouco sem esperança –, voltamos a imaginar o que poderemos ter em 2034. Partindo do que temos agora, do que conseguimos, os leitores entenderão nossas reduzidas esperanças. Só conseguimos imaginar que, lá na frente, ao pensarmos em 44 anos, poderemos ter que renovar por outros tantos anos. Antes de sermos tachados de pessimistas, o que jamais fomos, vamos ver o que temos. Nem todos conseguem compreender que realismo nada tem a ver com pessimismo. Nem

tampouco com otimismo. Realismo é um conceito único, se relaciona com fatos.

T

odos sabemos que o Brasil é um País rodoviarista. Que sua matriz de transportes, a pior que poderíamos ter, é baseada no transporte rodoviário, com 60%. Somos um País rodoviarista e, no entanto, temos apenas 1,5 milhão de quilômetros de rodovias, sendo apenas cerca de 170.000 asfaltadas. Os EUA, segundo estatísticas, têm mais de 6 milhões de quilômetros, com pelo menos uns 70% asfaltados. Nossa ferrovia pode ser considerada a pior do mundo. Em que evoluiu para 28.000 quilômetros entre 1854 e 1920, subindo a 36.000 em 1948, para 32.000 em 1964 e para pouco mais de 28.000 atualmente. Em que, em termos relativos, temos 3,4 quilômetros lineares de ferrovia para cada 1.000 quilômetros quadrados de território. A Argentina tem 12, a Inglaterra, 60; a França, 70; e a Alemanha, 130. Em termos absolutos, a Alemanha tem 45.000 quilômetros de ferrovias. O Japão, 23.000. Os EUA têm uma ferrovia total de

BR-230, a Rodovia Transamazônica. 300.000 quilômetros, ou 32 para cada mil quilômetros quadrados de território.

O

País tem uma quantidade enorme de rios, talvez a maior do mundo, com cerca de 42.000 quilômetros. Mas apenas 13.000 são hidrovias, com uso de 8.000, e meros 2% da carga circulante. Nossa costa marítima é de 7.500 quilômetros, e mal aproveitados. O tempo médio de permanência de um container no porto, segundo a Santos Brasil, é de 17 dias. A média mundial é de cinco dias. O Fórum Econômico Mundial, na análise da qualidade da infraestrutura, nos coloca, segundo seus

estudos relativos a 2011, nas seguintes posições: 104ª na média geral; individualmente, temos a 91ª posição em ferrovia, a 110ª em rodovia, a 122ª em aerovia e a 130ª em portos. E isso, pasmem, na análise de 142 países.

C

onsiderando que somos a sexta economia do mundo em termos absolutos – embora esse tipo de análise seja falso – podemos nos dar conta da vergonha que isso representa. Se considerarmos nossa real posição econômica no mundo, pela análise da renda per capita, muito mais realista, já que considera a produção total (PIB – produto interno bruto) em relação aos habitantes que

produziram sua riqueza, também nos colocamos muito abaixo do que deveríamos – já que nela estamos pouco acima da 50ª posição. O investimento na infraestrutura brasileira explica tudo. Dizem que pertencemos ao BRIC – sempre contestamos e dissemos que isso não existe, existindo apenas RIC. Neste quesito também estamos fora da realidade deles. A Índia investe por ano 4% do seu PIB. A Rússia e a China investem 5% cada. O Brasil investe meros 0,49%. Qualquer empresário, economista, cidadão de bom senso e com alguns parcos conhecimentos econômicos sabe que isso é uma tragédia.

A

ssim, não há como ter um sistema logístico, produtividade e competitividade adequados. De modo a concorrer em condições de igualdade com o mundo. Sem contar as nossas cargas tributárias recordes, taxas de juros e muitos outros problemas. Resultando em baixíssimos investimentos de cerca de 18% em toda a economia. Pouco mais de um terço da taxa da China. E, pior que isso, nos damos

SAMIR KEEDI ao luxo de criticar a China pelos nossos problemas. Que seriam muito mais graves sem ela.

É

representativo e importante destacar, para reflexão, que no ranking internacional de educação de 2011, em leitura, matemática e ciências nos colocamos, respectivamente, nas 53ª, 57ª e 53ª posições. A Rússia na 43ª, 38ª e 39ª. A China, considerando Shangai e Hong Kong, na 1ª e 3ª em todos os quesitos. SAMIR KEEDI É PROFESSOR DA ADUANEIRAS E DE PÓS-MBA, BACHAREL EM ECONOMIA, AUTOR DE VÁRIOS LIVROS EM COMÉRCIO EXTERIOR, TRANSPORTE E LOGÍSTICA. SAMIR@ADUANEIRAS.COM.BR


DIÁRIO DO COMÉRCIO

4 -.GERAL

GibaUm

3 A Duloren lançou em

2010 uma linha de lingerie com as cores da bandeira por ocasião da Copa do Mundo. E repete a dose.

gibaum@gibaum.com.br

k Nós conversamos muito sobre física quântica.

MARTIN MICA // modelo argentino, 27 anos, que passou duas noites em São Paulo com Sharon Stone, atriz, 54 anos.

Fotos: Paula Lima

sexta-feira, 11 de maio de 2012

3 MAIS: agora, calcinhas, sutiãs e até cuecas verdeamarelo para uma torcida nacional íntima nos Jogos Olímpicos de Londres.

Lanterninhas 333 Gabriel Chalita (5%) e Fernando Haddad (3%) aparecem na nova pesquisa Ibope como os lanterninhas na corrida pela prefeitura de São Paulo. É um resultado muito semelhante ao da Datafolha de março. Para a maioria dos petistas, a posição de Haddad não chega a surpreender: acham que só com a entrada de Lula em cena é que o panorama pode mudar. O vice Michel Temer, contudo, ficou decepcionado: achava que Chalita já estaria encostando em dois dígitos.

FALA SÉRIO! O juro médio para pessoas físicas caiu 6,33% ao mês (108,87% ao ano) em março para 6,25% (106,99% ao ano). A queda foi de 0,08%. São dados da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Em 2012, foi a terceira redução das taxas para pessoas físicas, que atingiu seu menor nível desde 1995. Ou seja: para uma inflação perto de 5% ao ano, o brasileiro, na menor taxa desde o Plano Real, arca com juros de 106,99% ao ano. Como diria Bussunda: “Fala sério!”.

333

Mega-dívida no ar 333 A União acaba de registrar na dívida ativa a Vale S.A., a maior produtora de minério de ferro do mundo, por supostos débitos fiscais de R$ 30 bilhões. Ao mesmo tempo, o ministro Marco Aurélio Mello defere liminar que garante que a empresa não pode ser cobrada pela Fazenda Nacional pela mega-dívida referente às seus lucros no Exterior. Como o caso está na justiça, não cabe a Receita analisar o assunto. Na esfera administrativa, a falta de tributação era justificada com base em tratados internacionais; na esfera judicial, com base nas leis brasileiras. A dívida da Vale diz respeito a não tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido.

QUEM APROVA A presidente Dilma Rousseff agora quer aprovar (e controlar os gastos) todas as campanhas publicitárias do governo,incluindoministérios e, dependendo, até estatais (na gestão Graça Foster, as novas campanhas da Petrobras estão sendo exibidas, previamente, a ChefedoGoverno).Edeterminou a Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, que tenha também controladas as verbas utilizadas por diversos setores na propaganda,operandoaoladoda ministra Helena Chagas, que está retornando de rápidas férias.

333

Fashion tea beneficente

333 Marca de moda conhecidas, socialites e figuras do showbiz estiveram unidas, nos salões do Copacabana Palace, no Rio, na 16ª edição do Fashion Tea, desfile que, desta vez, arrecadava fundos para o Instituto Pró-Criança Cardíaca. Entre as famosas que prestigiaram o evento (e até desfilaram) estavam, da esquerda para direta, Leticia Spiller, Gloria Maria, Luiza Brunet, Flávia Sampaio e Mila Moreira, além de outras. No bloco das grifes, Victor Dzenk, Verde Bandeira, Carmen Steffens, Francesca Romana Diana, Meire Bonadio e outras. 333 De um lado, o Google avisa que é uma ferramenta que procura conteúdos disponíveis na internet e por isso, não tem como tirar do ar as fotos intimas de Carolina Dieckmann; de outro, com a proximidade do Dia das Mães, o site de relacionamentos extraconjugais AshleyMadison fez uma pesquisa com 893 homens infiéis brasileiros que elegeram a mesma Carolina como “a mãe mais desejada”, seguida de Claudia Leite e Adriane Galisteu. Mais: se o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, quiser tentar tirar as fotos do ar, terá de ir atrás de milhares de sites e o estrago – se é que houve – já estará feito. A propósito: estudo feito por entidades de psicanálise de São Paulo, revela ser cada vez maior o número de brasileiras que se fotografam sem roupa e arquivam em seus computadores.

Mãe mais desejada

ANTES de reclamar na polícia e de contratar Antonio Carlos de Almeida Castro para tentar tirar suas fotos intimas da internet, Carolina Dieckmann, foi orientada pelo “consultor de segurança” Rodrigo Pimentel, comentarista da própria Globo e ex-policial do Bope que inspirou o personagem Capitão Nascimento em Tropa de Elite. A idéia era armar um flagrante: só que não deu certo.

SINAL DO CÉU Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, que continua em guerra com Edir Macedo e que vem salvando a Rede TV! com novos horários comprados (ele já gasta R$ 6 milhões para usar o Canal 21, da Band), quer alugar um espaço analógico na Star One, empresa de satélites da Embratel. Ele já tem um sinal digital no satélite C2, que lhe permite acessar 2 milhões de parabólicas. Se consegue o analógico, multiplicará seu alcance dez vezes, pagando R$ 2 milhões de aluguel. Mais: há quem aposte que ele e Paulinho Pereira da Silva (PDT-SP) estão pensando em fundar um partido. 333

O GOVERNADOR Sérgio Cabral, que vinha se submetendo, semanalmente, a duas sessões de terapia, desde os tempos da queda do helicóptero e a revelação de sua amizade com Fernando Cavendish, resolveu reforçar o tratamento. Agora, são três sessões por semana. É que nessa onda Cachoeira-Cavendish fantasmas voltam à tona, o que conturbam seu universo doméstico. 333

Antigo sonho

333 “Ser Trip Girls aos 38 anos é um presente que me dou, em nome dos velhos tempos, quando sonhava em ser amplamente desejada, pelada em capa de revista, fetiche total”. É Thalma de Freitas, atriz e cantora, posando nua (e de cabeça raspada) por causa da peça Adeus á Carne, do diretor Michel Melamed na nova trip, onde faz confissões intimas. Uma delas: perdeu a virgindade aos 15 anos. Já atou nas novelas Cacos de Família, O Clone, Começar de Novo , Caras e Bocas , Malhação e outras, cinema e, de quebra, é crooner da Orquestra Imperial.

Delação premiada Malgrado alguns chegados ao ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, que defende Carlinhos Cachoeira, garantam que o contraventor preso não quer fazer nenhum acordo de delação premiada, há quem aposte que a alternativa ainda não foi descartada pelo chefão da organização. Já o ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Nunes, o Dadá, que está preso, já estaria negociando delação premiada junto ao Ministério Público Federal. E também o contador (foragido) de Cachoeira, Giovani Pereira da Silva, estaria igualmente negociando condições semelhantes. Hoje, há quem aposte que Giovani está em Miami. 333

h

Quem diria: até o Financial Times acaba de dedicar, em sua edição online , uma matéria sobre a ascensão das vendas de acessórios sexuais, os famosos brinquedinhos à disposição nas sex shops do planeta. As estimativas indicam que, em 2012, as vendas atingirão R$ 15 bilhões, podendo alcançar em 2020, perto de R$ 120 bilhões, mesmo valor estimado para os smartphones. No Brasil, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual, esse mercado movimenta até R$ 1 bilhão por ano e as feiras do segmento auxiliam lançando novidades, como em qualquer outra área.

A PRESIDÊNCIA da República vai gastar R$ 1,5 milhão para substituir tubulações e demais estruturas responsáveis pela irrigação de 344 mil metros quadrados da área externa do Palácio da Alvorada. É uma área totalmente dominada pelo gramado, que não deveria estar tão verdinho quanto merece a ilustre hóspede.

333

333

Brinquedinhos 333

MISTURA FINA

h IN

OUT

Anos 90.

Anos 80.

Marin no ataque José Maria Marin, novo presidente da CBF, que acaba de voltar de Zurique, vai fazendo aos poucos, uma espécie de operação-faxina na entidade, afastando diversos auxiliares que eram muito próximos de Ricardo Teixeira. O presidente da FPF, Marco Polo del Nero, vai operando ao lado de Marin. Um dos sobreviventes, contudo, é Alexandre da Silveira, que foi durante mais de dez anos, secretário de Teixeira (ele foi com Marin a Zurique). Agora, o presidente da CBF quer tirar Andres Sanchez do cargo de diretor de seleções e também deverá substituir, antes do que se imagina, Mano Menezes. O homem de comunicação de Marin tem sido Fausto Camunha, ex-secretário de Esportes da prefeitura. 333

333 A ATRIZ Carol Castro e o diretor Mauro Lima formam o novo par que circula pela noite carioca. Ele já foi casado com a também atriz Rafaela Mandeli e é o diretor de Meu Nome Não é Johnny, que conta a vida de João Guilherme Estrela, baseado no livro de Guilherme Fiúza.

333 A NEXTEL está negociando um acordo com a Sky para a oferta conjunta de pacotes de telefonia, internet e TV por assinatura. Quer reduzir a desvantagem em relação às empresa de telefonia que vendem esses serviços num só embrulho.

333 AS NEGOCIAÇÕES, desde o começo, num apartamento em São Paulo, para a venda da Delta para o grupo JBS, foram e continuam sendo feitas diretamente por Fernando Cavendish e Joesley Batista. Há muito tempo, a propósito, Joesley quer entrar na área da construção pesada.

Colaboração: Paula Rodrigues / A.Favero

CHARGE DO DIA


p

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

5 DOR DE OUVIDO A Operação Monte Carlo já interceptou 250 mil horas de gravação telefônica

olítica

DOR DE CABEÇA Defesa tem acesso a sessão secreta e parlamentares batem boca

Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

O

delegado da Polícia Federal, Matheus Mella Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, revelou ontem, durante a sessão secreta da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a CPMI do Cachoeira, que 28 malotes lotados de documentos, fitas e arquivos virtuais apreendidos pela PF ainda não foram analisados. O material, segundo o delegado, foi apreendido em 80 endereços diferentes no dia 29 de fevereiro, quando foi deflagrada a operação da PF que prendeu Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O conteúdo ainda é um mistério até para o próprio Matheus, pois passa por perícia técnica no Instituto Nacional de Criminalística (INC), da direção-geral da PF, em Brasília. O lucro – Durante seu depoimento, Matheus contou que Cachoeira arrecadava R$ 1 milhão por mês, em média, com os 30 locais em que oper a v a m m á q u i n a s c a ç a - n íqueis. Desse total, 30% do ganho líquido era repassado para ele, o que projeta um valor de R$ 3,6 milhões por ano. Com tanta arrecadação, a quadrilha mantinha empresas no exterior para lavar o dinheiro do esquema. De acordo com relato do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o delegado citou uma empresa sediada no exterior e um bingo com endereço em uma das ilhas britânicas, a ilha de Curaçao, perto da costa da Venezuela. Teixeira contou ao G1 que, segundo Matheus, as empresas estavam em nome de laranjas. "Ele falou das empresas que atuam e atuavam co-

Ele falou das empresas que atuam e atuavam como fachada para limpar o dinheiro, operadas por laranjas. DEPUTADO PAULO TEIXEIRA

Delegado Matheus Mella Rodrigues, da Polícia Federal, explicou como o governador de Goiás, Marconi Perillo, vendeu a sua casa para Carlinhos Cachoeira e juntos foram jantar na casa de Demóstenes Torres.

Delegado da PF alerta: tem mais 28 malotes cheios. O conteúdo desse material ainda é um mistério, mas o que ele confirmou ontem na CPMI já foi chocante.

mo fachada para limpar esse dinheiro. Falou do nome das empresas, quem operava e que eram todas operadas por laranjas, com procuradores que podiam movimentar essas contas", afirmou Teixeira. Dinheiro no Palácio – Para o deputado, o depoimento do delegado mostrou que a quadrilha de Cachoeira era "muito sofisticada e com operações internacionais". Teixeira disse também que a Delta Construções realizou depósitos em outras empresas de fachada do grupo de Cachoeira. O delegado confirmou também, segundo Teixeira, que uma caixa de computador contendo R$ 500 mil foi entre-

gue a um assessor especial do governador Marconi Perillo (PSDB) dentro do Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás. Matheus deu ainda detalhes da venda da casa do governador para Cachoeira. O imóvel foi negociado para o sobrinho de Carlinhos Cachoeira, Leonardo de Almeida Ramos, que pagou com dois cheques no valor de R$ 400 mil cada um e mais um outro de R$ 600 mil. Nessa casa, Cachoeira foi preso no dia 29 pela PF. A informação da venda da casa foi confirmada pelo senador Randolfe Rodrigues (PSolAP), que acompanhou o depoimento de Matheus e do qual o senador depreendeu que a re-

lação de Perillo com Cachoeira era "muito próxima". Tanto que a Operação Monte Carlo flagrou mais de 200 citações do nome do governador nas gravações telefônicas da quadrilha interceptadas pela PF. (Leia mais na página 6). Encontros – Além disso, os federais gravaram diálogos de Perillo com Cachoeira e identificou dois encontros entre eles, inclusive um durante jantar na casa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Em função das suas relações com o contraventor, o parlamentar responde a processo por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado. Cachoeira e Demóstenes, in-

clusive, estão convocados para depor. O primeiro no dia 23 e o segundo no dia 28. A Operação Monte Carlo, associada à Operação Vegas, vem embasando as investigações da CPMI. Entre as denúncias apuradas pelos dois inquéritos estão a de que Cachoeira atuava também como sócio da construtora Delta e agia para fraudar licitações públicas garantindo contratos para a companhia. O empresário também é acusado de corromper diversos agentes públicos e de utilizar a influência de Demóstenes para conseguir vantagens com outras autoridades. Segundo os números apre-

Pelo depoimento do delegado dá para dizer que a relação do governador Perillo com Cachoeira era muito próxima. SENADOR RANDOLFE RODRIGUES sentados pelo delegado, a Operação Monte Carlo já interceptou 260 mil ligações, entre 2010 e 2012. Desse total, 17 mil foram consideradas importantes para a investigação da PF. (Agências)

Defesa acompanha a sessão secreta Presidente da CPMI libera a entrada de advogados dos acusados, pede desculpas, mas não evita bate-boca e protestos dos parlamentares.

O

s advogados de defesa do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e de Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta Construções, puderam acompanhar ontem a sessão secreta da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Tranquilamente ouviram o depoimento do delegado da Polícia Federal, Matheus Mella Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, que levou Cachoeira e integrantes do esquema para a prisão e resultou na CPMI do Cachoeira. A presença dos advogados foi autorizada pelo presidente da CPMI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), sem consultar os demais parlamentares e

Advogados da defesa sem o nosso conhecimento, faz dessa comissão não apenas secreta, mas com presença secreta. SENADOR CÁSSIO CUNHA LIMA sem levar em consideração que um dos argumentos para que a sessão fosse reservada era evitar que a defesa dos envolvidos conhecesse as novas linhas da investigação. A descoberta dos advogados provocou um bate-boca protagonizado pelo senador Humberto Costa (PT-PE) e o

deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Ao questionar a presença dos advogados, Lorenzoni disse que a CPMI "estava virando um circo". Ao que Costa respondeu: "Está virando, não. Já virou", em referência à interrupção prolongada do depoimento do delegado. O deputado, então, rebateu dizendo que Costa era "um sanguessuga". O senador reagiu chamando Lorenzoni de "leviano" e "desinformado". As versões foram confirmadas pelos protagonistas, que só não contaram que foi preciso a intervenção de outros parlamentares para evitar a briga física. Costa disse apenas que deixou a sala. Sanguessuga é o nome dado à quadrilha que desviava dinheiro da compra

Dida Sampaio/AE

Oposição: deputados discutem a presença de advogados da defesa liberados para acompanhar sessão secreta da CPMI.

de ambulâncias pelo governo federal. O escândalo estourou em 2006, quando Costa era ministro da Saúde. Ele jamais foi citado na investigação. Depois do tumulto e cobrado pelos congressistas, Vital

justificou que o Supremo Tribunal Federal (STF) autoriza advogados acompanharem CPMI, mesmo em sessões secretas. O senador Cassio Cunha Lima (PSDB-PB) ironizou a presença dos advogados, "o

que faz dessa comissão não apenas secreta, mas com presença secreta". A senadora Katia Abreu (PSD-TO), completou: "Eu estou me sentindo agredida, isso não poderia ter ocorrido". (Agências)


p

DIÁRIO DO COMÉRCIO

6

sexta-feira, 11 de maio de 2012

As declarações (do procurador-geral, Roberto Gurgel) dão fogo à discussão na CPMI. Vital do Rêgo, presidente da CPMI do Cachoeira.

olítica

Presidente da comissão diz que procurador-geral aqueceu ainda mais os trabalhos de investigação da influência do bicheiro Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados. Roberto Gurgel disse que é criticado por "pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do Mensalão".

Vital do Rêgo: declarações de Gurgel 'dão fogo' à CPMI

Antonio Cruz/ABr

O

Combustão: Vital do Rêgo diz que "o foco da CPMI nesta semana foi mais ardido em relação ao MP"

'Afirmações não têm sentido'

R

elator do processo contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) no Conselho de Ética do Senado, o senador Humberto Costa (PT-PE) disse ontem que as declarações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foram "totalmente sem sentido" – mas ainda assim defende que o

procurador não não seja convocado a falar na CPMI do Cachoeira por enquanto. Anteontem, Gurgel disse que as críticas que recebe por ter demorado a abrir investigação contra Demóstenes e outros parlamentares partem de "pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão" – o que irritou

SECRETARIA DA SAÚDE AUTARQUIA HOSPITALAR MUNICIPAL Torna público que realizará no dia e hora a seguir determinado: Pregão Presencial nº: 058/2012 - Processo nº 2012-0.054.488-5 Objeto: AQUISIÇÃO DE EQUIPOS MACROGOTAS E MICROGOTAS, PARA USO NAS UNIDADES DA AUTARQUIA HOSPITALAR MUNICIPAL. Data Abertura:24/05/2012 - às 10:00 horas Endereço: Rua Frei Caneca nº 1398/1402, 2º andar - Consolação - São Paulo Capital. Custo do Edital: R$ 5,70 O edital de pregão poderá ser consultado e/ou obtido no site: http://e-negocioscidadesp.prefeitura.sp.gov.br ou no Núcleo de Licitações da Autarquia Hospitalar Municipal, situada na Rua Frei Caneca, 1398/1402 - 9º andar Consolação - São Paulo - Capital das 09:00 às 16:00 hs ou mediante depósito em nome da Autarquia Hospitalar Municipal - Conta Corrente: 5415-1 - Agência: 1897-X (Banco do Brasil) - (apresentar comprovante do depósito).

segmentos do PT. "A reação ontem foi totalmente sem sentido, mas acho que não existem razões ainda para a vinda dele" afirmou Costa. "Esse não é o centro da CPMI", argumenta. O petista, que também é integrante da CPMI do Cachoeira, disse que a comissão de inquérito não pode perder o seu foco de investigações para centralizá-las em Gurgel. "Não vamos transformar a CPMI do Cachoeira na CPMI do procurador-geral", protestou. Em 2009, durante a Operação Vegas, a Polícia Federal disse ter encontrado indícios de irregularidades, mas Gurgel desconsiderou e nada fez até fevereiro de 2012, quando estourou outra operação envolvendo Demóstenes, a Monte Carlo, que prendeu o bicheiro Carlos Cachoeira. Só então Gurgel mandou abrir um inquérito. (Folhapress)

SECRETARIA DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 1ª VARA DE REGISTROS PÚBLICOS 1ª VARA DE REGISTROS PÚBLICOS PRAÇA JOÃO MENDES S/Nº 1ª VARA DE REGISTROS PÚBLICOS 1ª VARA DE REGISTROS PÚBLICOS 1ª VARA DE REGISTROS PÚBLICOS 1ª VARA DE REGISTROS PÚBLICOS COMARCA DE SÃO PAULO FORO CENTRAL CÍVEL 1ª VARA DE REGISTROS PÚBLICOS Praça João Mendes s/nº, Sala 2200/2208, Centro - CEP 01501-900, Fone: (11) 2171-6353, São Paulo-SP - E-mail: sp1regpub@tjsp.jus.br EDITAL DE NOTIFICAÇÃO Processo nº: 0065981-74.2003.8.26.0000 Classe - Assunto: Retificação de Registro de Imóvel - REGISTROS PÚBLICOS Requerente: Municipalidade de São Paulo 1ª Vara de Registros Públicos EDITAL DE NOTIFICAÇÃO - PRAZO DE 20 DIAS, expedido nos autos da Ação de Retificação no registro Imobiliário, PROCESSO Nº 0065981-74.2003.8.26.0000 CP-465 O(A) Doutor(a) Gustavo Henrique Bretas Marzagão, MM. Juiz(a) de Direito da 1ª Vara de Registros Públicos, do Foro Central Cível, da Comarca de de São Paulo, do Estado de São Paulo, na forma da Lei, etc. FAZ SABER a Amaro Pedro da Silva, Fausto da Cunha Semedo e sua mulher Tereza Fernandes Semedo, Sebastião Pereira de Lima, Apparecida Rahal, Geraldo Bento, bem como seus cônjuges se forem casados, seus herdeiros ou sucessores, que a Municipalidade de São Paulo ajuizou Pedido de Retificação no Registro Imobiliário com Abertura de Matrícula, referente ao imóvel localizado na Rua Revolução Nativista nº 1817, Subdistrito do Tatuapé, inscrito sob nº 188 no 9º Registro de Imóveis. Estando em termos, expede-se o presente edital para citação dos supramencionados para, no prazo de 15 (quinze) dias, a fluir após o prazo de 20 dias, impugnem o feito, sob pena de presumirem-se aceitos como verdadeiros os fatos articulados pela requerente. Será o presente edital, por extrato, afixado e publicado na forma da lei. São Paulo, 02 de março de 2011.

veram problemas com o ministério Público ao longo da carreira, numa referência indireta ao senador Fernando Collor (PTB-AL). "As declarações dão fogo à discussão na CPMI", disse o presidente da comissão, referindo-se à possibilidade de convocação de Gurgel para depoimento. "A pauta hoje, prioritaria-

O foco da CPMI nesta semana foi mais ardido em relação ao Ministério Público. VITAL DO RÊGO mente, vai ser essa questão do Ministério Público", antecipou-se Rêgo, ontem à tarde. O senador disse que luta para que a CPMI não "perca o foco", mas não pode deixar de considerar o papel de Gurgel em todo o caso e os reclames de parlamentares que querem ver Gurgel na lista dos depoentes, principalmente após as declarações de anteontem.

Demora – O senador disse que o foco das dúvidas da CPMI é a "questão administrativa", não o mérito das investigações. A CPMI, segundo Rêgo, quer entender "a demora do processo entre a Vegas e a Monte Carlo". "O foco da CPMI nesta semana foi mais ardido em relação ao Ministério Público", reconheceu o senador. Vital do Rêgo e o relator, Odair Cunha (PT-MG), vinham se esforçando para impedir a vinda de Gurgel, e por isso foram criticados por Collor. Na sessão secreta da CPMI, na terça-feira, Collor disse que Gurgel estava pedindo ajuda à CPMI para não ser convocado e disse que o comando da comissão precisa deixar os parlamentares a par das conversas de bastidores. A hipótese de convocação de Gurgel para depoimento só será definida no próximo dia 17. Até lá, todos os requerimentos apresentados pelos parlamentares não estão sendo colocados em votação, para que a CPMI se concentre na tomada de depoimentos de outros personagens da investigação. (Folhapress)

José Cruz/ABr - 11.07.11

Inflamável: declarações de Gurgel sobre acusados no Mensalão incendiaram ânimos na CPMI.

Perillo vai ter que depor

SECRETARIA DA SAÚDE DIVISÃO TÉCNICA DE SUPRIMENTOS - SMS.3 ABERTURA DE LICITAÇÕES Encontram-se abertos no Gabinete, os seguintes pregões: REABERTURA - PREGÃO PRESENCIAL 327/2011-SMS.G, processo 2011-0.270.819-0, destinado à CONTRATAÇÃO DE EMPRESA ESPECIALIZADA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA PATRIMONIAL ARMADA E DESARMADA, COM INSTALAÇÃO DE SISTEMA DE CFTV COM MANUTENÇÃO PREVENTIVA E CORRETIVA DO SISTEMA E MONITORAMENTO DE IMAGENS E RONDA ELETRÔNICA PARA AS UNIDADES PERTENCENTES AO GABINETE DA SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE, do tipo menor preço. A sessão pública de pregão ocorrerá a partir das 14 horas do dia 24 de maio de 2012, a cargo da 3ª Comissão Permanente de Licitações da Secretaria Municipal da Saúde. PREGÃO PRESENCIAL 148/2012-SMS.G, processo 2011-0.216.822-6, destinado à contratação de empresa especializada na prestação de serviços de gerenciamento de frota para transporte de pessoas e cargas, mediante a disponibilização de veículos com e sem motorista, com fornecimento de combustível, sem limite de quilometragem, destinado a atender às demandas da Secretaria Municipal de Saúde. A sessão pública de pregão ocorrerá a partir das 10 horas do dia 23 de maio de 2012, a cargo da 4ª Comissão Permanente de Licitações da Secretaria Municipal da Saúde. RETIRADA DE EDITAIS Os editais dos pregões acima poderão ser consultados e/ou obtidos nos endereços: http://e-negocioscidadesp.prefeitura.sp.gov.br; www.comprasnet.gov.br, quando pregão eletrônico; ou, no gabinete da Secretaria Municipal da Saúde, na Rua General Jardim, 36 - 3º andar - Vila Buarque - São Paulo/SP CEP 01223-010, mediante o recolhimento de taxa referente aos custos de reprografia do edital, através do DAMSP, Documento de Arrecadação do Município de São Paulo. DOCUMENTAÇÃO - PREGÃO PRESENCIAL Os documentos referentes ao credenciamento, os envelopes contendo as propostas comerciais e os documentos de habilitação das empresas interessadas, deverão ser entregues diretamente ao pregoeiro, no momento da abertura da sessão pública de pregão.

presidente da CPMI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse ontem que as declarações feitas na quarta-feira pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, botaram "fogo" na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito e fizeram também aumentar muito as chances de que ele seja convidado a se explicar. Gurgel é criticado na CPMI por demorar a abrir investigação contra o senador Demóstenes Torres (sem partidoGO) e outros parlamentares. Em 2009, durante a Operação Vegas, a Polícia Federal disse ter encontrado indícios de irregularidades, mas Gurgel considerou o contrário, e nada fez até março de 2012, quando estourou outra operação também envolvendo Demóstenes – a Monte Carlo. Só então é que Gurgel mandou abrir inquérito. Na quarta-feira, Gurgel disse que as críticas que recebe partem de "pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do Mensalão". Afirmou ainda que essas críticas são apoiadas por pessoas que ti-

Confirmações da PF reforçaram pedido do senador Randolfe Rodrigues. "É urgente".

O

senador Vital do Rego (PMDB-PB), presidente d a C o m i s s ã o P a r l amentar Mista de Inquérito, a CPMI do Cachoeira, admitiu ontem que o colegiado poderá mudar e incluir o depoimento do governador Marconi Perillo (PSDB-GO). A decisão será tomada na reunião marcada para o dia 17. Nesse mesmo dia será colocado em votação requerimento que pede a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Muito próximos –A convocação de Perillo praticamente passou a ser inevitável após as revelações feitas pelo delegado da Polícia Federal, Matheus Mella Rodrigues, ontem na CPMI (detalhes na página 5).O responsável pela Operação Monte Carlo, que investigou o esquema criminoso comandado por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, deixou claro em seu depoimento que Perillo e Cachoeira eram "muito próximos". O senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP) defendeu a convocação "urgente" de Perillo. De acordo com o parlamentar, os detalhes apresentados pelo delegado indicam loteamento de órgãos públicos e "participação direta da organização criminosa dentro da estrutura do governo de Goiás", afirmou Randolfe. "No meu entender, a convocação do governador é urgente". Sempre ele –O delegado informou que a Polícia Federal interceptou mais de 200 citações do nome de Perillo nas gravações, além de ligações do governador para o contraventor. Randolfe revelou que

"há ligações do próprio gover- assessoria de Perillo justificou nador para Cachoeira para dar que o governador, na época da parabéns pelo aniversário". E venda, não identificou o autor a PF confirmou que Perillo teve dos cheques "O governador dois encontros recebeu os checom Cachoeira. q u e s , d e p o s iNum deles na catou-os nas datas sa do senador combinadas e só Demóstenes escriturou o imóNo meu Torres (sem parvel após a comentender, a tido-GO). O delepensação de togado confirmou dos os cheques. convocação ainda que Perillo do governador Na época, o govendeu a sua cavernador não é urgente. sa para Cachoeiobservou o noRANDOLFE RODRIGUES ra e quem negome do emitente, ciou foi o sobripois a casa só senho do contraventor, Leonar- ria escriturada após a devida d o A l m e i d a R a m o s . E l e quitação", alegou a nota. repassou três cheques que toA versão de Perillo é a de que talizaram, R$ 1,4 milhão. a casa foi vendida a Walter Em nota, ontem à noite, a Paulo, dono da Faculdade PaAndré Dusek/AE - 24.04.12

Perillo, em nota, explicou que vendeu a sua casa, pegou os cheques e não viu de quem era o R$ 1,4 milhão.

drão, por R$ 1,4 milhão em 2011. A negociação, segundo ele, foi intermediada pelo exvereador Wladimir Garcez, apontado pelo Ministério Público como membro do esquema de Cachoeira. Ainda segundo a nota, "trata-se de patrimônio pessoal do governador e foi vendida dentro da lei e declarada no IR, em uma transação que nada tem a ver com a atividade pública do governador", disse a assessoria. A nota informou também que Perillo não sabia nem sabe quem é Leonardo Almeida Ramos. Investigações – O relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que a comissão precisa "aprofundar as investigações" sobre a participação do grupo de Cachoeira nos governos de Goiás e do Distrito Federal. "Há uma impregnação muito forte dessa organização no governo de Goiás. Temos que aprofundar as investigações. O governo do Distrito Federal também merece nossa investigação", disse Cunha. Venda da Delta – O senador Randolfe disse que pretende analisar a possibilidade jurídica de vetar a venda da Delta. "Vamos estudar uma forma de barrar. Há de ter instrumentos jurídicos. Porque estão vendendo a empresa agora? Estranho negociar agora, vender agora, muito estranho", reafirmou Randolfe. Por se tratar de um campo minado, o governo federal tenta manter distância da operação, apesar do BNDES ser sócio da JBS, o frigorífico que está comprando a empreiteira. (Agências)


p Com quantos nomes se faz uma lista? DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

7

As informações podem caracterizar que a relação de Cachoeira e Demóstenes não se restringe à amizade. Senador Humberto Costa (PT-PE)

olítica

Delegado que coordenou a Operação Monte Carlo fala em 82, mas nem todos que figuram nessa relação – que inclui até o a presidente Dilma Rousseff – são suspeitos. Antonio Cruz/ABr

E

m depoimento sigiloso à CPMI do Cachoeir a , o d e l e g a d o M at h e u s M e l a R o d r igues, que coordenou a Operação Monte Carlo, citou uma lista com 82 nomes que tiveram relações ou foram apenas citados em conversas de Carlos Augusto Ramos, O Carlinhos Cachoeira. A lista inclui os nomes de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), de governadores, de senadores, de deputados federais, de prefeitos, de jornalistas e, quem diria, até mesmo da presidente Dilma Rousseff. O presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), fez um apelo aos parlamentares para que não comentassem com a imprensa os nomes da lista, uma vez que o fato de estarem citados em conversas do grupo não significa que tenham envolvimento com o esquema de Cachoeira. Os nomes podem ter sido usados pela quadrilha sem conheci-

mento dos citados, daí o cuidado de não mencioná-los. O delegado Matheus Mela Rodrigues cuidou da Operação Monte Carlo, deflagrada em novembro de 2010, e que resultou na prisão do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira e membros de seu grupo, em fevereiro deste ano. Os 82 nomes citados na lista se referem a esta operação, e não à Vegas, ação policial semelhante encerrada em 2009. O jornal Folha de S.Paulo teve acesso à lista dos nomes citados pelo delegado. Dela constam três ministros do STF – Gilmar Mendes, Luiz Fux e Dias Toffoli; quatro governadores – Antonio Anastasia (PSDBMG), Marconi Perillo (PSDBGO), Beto Richa (PSDB-PR) e Agnelo Queiroz (PT-DF). O nome do presidente do Senado, José Sarney também está lá. A CPMI no Congresso investiga as relações do grupo de Cachoeira com agentes públicos e privados. (Folhapress)

Integrantes da CPMI: conversas durante reunião, antes do depoimento sigiloso do delegado Matheus Mela Rodrigues.

Cachoeira deve falar no dia 23 Ele é obrigado a comparecer ao Conselho de Ética, mas pode ficar calado para não produzir provas contra si.

O

Conselho de Ética do Senado aprovou ontem o cronograma de depoimentos no processo que investiga a quebra de decoro parlamentar do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, vai prestar depoimento ao conselho no dia 23 de maio. Demóstenes Torres será o último a ser ouvido, no dia 28 deste mês. Cachoeira foi arrolado no processo como testemunha de defesa do senador Demóstenes. Segundo o relator, senador Humberto Costa (PT-PE), o contraventor é obrigado a comparecer ao Conselho de Ética, porém ele pode recorrer ao direito de ficar calado para não produzir provas contra si. Demóstenes Torres será o último a ser ouvido porque, de acordo com Costa, já houve anulação de um processo no Conselho de Ética da Câmara por ouvir primeiro os depoimentos da defesa, e não os solicitados pelo relator. No dia 22 de maio, será ouvido o advogado Ruy Cruvinel, citado em um dos grampos da Polícia Federal na Operação Monte Carlo. Ele é a segunda testemunha de defesa do senador. Os primeiros depoimentos do conselho solicitados pelo relator começam na semana que vem – com os dois

Evaristo SA/AFP - 13.07.05

Cachoeira, preso e mudo no xadrez: convocação definida. delegados e os dois procuradores responsáveis pelas investigações das Operações Vegas e Monte Carlo, da PF. Os quatro estão sendo ouvidos esta semana pela CPMI e, a exemplo da comissão de inquérito, vão falar sigilosamente ao Conselho de Ética.

"Falar sigilosamente é uma demanda deles próprios. Eles têm a preocupação de serem processados por violação de sigilo funcional", diz Costa. Provas – No total, o Conselho de Ética aprovou ontem 13 requerimentos com pedidos de documentos e os depoimentos solicitados pelo

Integrantes cobram mais acesso Parlamentares reclamam que arquivos disponíveis da CPMI estão incompletos

M

esmo após o aumento da estrutura da sala de acesso restrito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, os deputados continuam reclamando da dificuldade de pesquisar os inquéritos das operações Monte Carlo e Vegas, disponíveis nos dez computadores da CPMI. As duas operações investigaram o contraventor goiano, Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de envolvimento em jogos ilegais e de comandar uma organização, com a participação de agentes públicos e privados, en-

Foram gravadas mais de mil horas de conversas a partir de 2009. Só encontrei degravações de 2011. CARLOS SAMPAIO (PSDB-SP) tre eles, políticos, como o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). De acordo com o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), os documentos da Operação Monte Carlo, fornecidos pela

11ª Vara Federal, em Goiânia, estão dispostos em formato de imagem, impedindo as buscas de nomes. O deputado disse ainda que, ao analisar os arquivos da Operação Vegas, que chegaram à CPMI por meio do STF, não achou as degravações das interceptações telefônicas citadas na quarta-feira pelo delegado Raul Alexandre Marques de Souza na CPMI. "Foram gravadas mais de mil horas de conversas a partir de 2009. Só encontrei degravações de 2011. Se estão em anexo, esse documento não foi disponibilizado", afirmou Sampaio. (Agências)

relator. Costa solicitou uma série de informações a órgãos públicos e empresas de telefonia para tentar reunir provas conta Demóstenes. Costa quer ter acesso, por exemplo, ao número do aparelho Nextel cedido por Cachoeira a Demóstenes, assim como as ligações efetuadas do aparelho que flagram conversas entre os dois, as transcrições das conversas e os responsáveis pelo pagamento da linha. O relator também pede ao Senado os registros de entrada e de saída na Casa de Cachoeira e pessoas ligadas ao contraventor, citadas no inquérito da Polícia Federal. Outro pedido é o registro de voos realizados pelo senador Demóstenes, com o nome de seus acompanhantes, pelas empresas de taxi-aéreo Voar e Sete, de Goiás. "Todos sabem que o senador disse em seu discurso no plenário do Senado que ele defendeu que sua relação com o Cachoeira era puramente de amizade. Essas informações podem caracterizar que a relação não se restringe à amizade", afirmou o relator. Humberto Costa pretende encerrar o processo no Conselho de Ética até junho, para que até o final do primeiro semestre o plenário da Casa analise a penalidade que será determinada pelo colegiado. (Folhapress)

Para Aécio, Leréia é decisão do PSDB.

S

em emitir posição sobre a situação do deputado federal Carlos Alberto Leréia (GO) no PSDB, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que caberá à direção nacional da sigla decidir o destino partidário do deputado. Envolvido nas investigações da Polícia Federal devido às relações com o contraventor Carlinhos Cachoeira, o tucano Leréia será ouvido por uma comissão de ética do partido, que depois tomará uma decisão, segundo Aécio. "Essa comissão de ética vai analisar e ouvir o deputado Leréia. A informação que eu tenho é que esta é uma decisão da direção do partido", informou o senador mineiro. Aécio defendeu ainda que "tudo o que diz respeito ao sr. Carlos Cachoeira e às suas re-

lações promíscuas com agentes públicos e privados deve ser investigado". O senador atacou o PT por tentar "estabelecer dois alvos para a CPMI": atacar o Ministério Público Federal e a impren-

sa. Segundo ele, ao focar as investigações no procuradorgeral da República, Roberto Gurgel, "o PT tenta desqualificá-lo, já que ele é o advogado de acusação do processo do Mensalão". (Folhapress)

Leo Fontes/O Tempo/AE

Aécio: "Tudo que diz respeito a Cachoeira deve ser investigado".


p Manifestantes não aceitam doação de terreno para Lula

DIÁRIO DO COMÉRCIO

8

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Encontramos indícios de aliciamento de trabalho e a fiscalização provou que houve irregularidades na vinda destes homens. Assessoria do MPT de Campinas

olítica

Tércio Teixeira/Futura Press/AE

Eles ocuparam a Câmara contra cessão de espaço para memorial do ex-presidente

C

erca de 50 pessoas representando ao menos cinco movimentos sociais protestaram ontem na Câmara Municipal de São Paulo contra a cessão de um terreno na região da Cracolândia, centro da capital, para a construção do Memorial da Democracia, a ser administrado pelo Instituto Lula. Apesar de convidado, o Instituto Lula não enviou representante para o início da audiência pública da Comissão Permanente de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente. Segundo o representante do movimento Revoltados Online, Marcos Mahen, não estão claras quais serão as contrapartidas do memorial a ser criado pelo instituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Dizem que farão cursos. Cursos para quem? Ninguém é contra a memória do presidente, somos contra a cessão de um espaço público", disse. O manifestante lembrou que

não houve concessão de terreno público para a criação do Instituto Fernando Henrique Cardoso. A representante do movimento N a s R u as , Carla Zambelli, que afirma representar mais de 70 mil pessoas que

Ninguém é contra a memória do presidente, somos contra a cessão de um espaço público. MARCOS MAHEN aderiram ao protesto, leu trechos de um e-mail que lhe teria sido enviado pelo jurista Ives Gandra Martins, comparando a doação do terreno aos Fuscas com que o então prefeito Paulo Maluf presenteou os jogadores campeões da Copa do Mundo de 1970. "Kassab e o próprio Lula podem vir a ter problemas legais", teria escri-

to Martins no e-mail. O clima esquentou quando o vereador José Américo (PT) afirmou que os argumentos daqueles contrários à cessão do terreno soavam como de defensores da ditadura militar. "Vocês estão associados ao golpe de 1964", disse, sob vaias. "Existe uma política pública de concessão. Transformar o Memorial da Democracia no substituto de todas as creches que não temos tem viés ideológico", afirmou. Representante da Prefeitura, o procurador Henrique Fugaya afirmou que a concessão do terreno – de cerca de 4 mil metros na Rua dos Protestantes – é importante porque o acervo documental dos dois mandatos do ex-presidente Lula é um patrimônio a ser conservado. "O acervo do FHC é particular, mas merece ter um apoio público", afirmou. A Câmara já aprovou o projeto em 1ª votação no dia 18. Foram 37 votos a favor, 10 contra e 1 abstenção. (AE)

Inconformismo: representantes de movimentos sociais levam faixas e cartazes ao plenário. Tércio Teixeira/Futura Press/AE

Insatisfação: Marcos Mahen expõe no blusão o desagrado pela iniciativa municipal.

'Minha Casa, Minha Senzala'

Viagens melhoraram imagem do Rio, diz Cabral.

MP flagra trabalho análogo à escravidão em obra do programa Minha Casa, Minha Vida

Governador explica assim as 37 missões ao exterior

C

erca de 90 operários de uma obra do Minha Casa, Minha Vida foram encontrados em condições de trabalho análogas à escravidão por agentes do Ministério Público do Trabalho de Campinas. De acordo com o MP, um inquérito foi instaurado para investigar o caso e a obra está embargada até que todas as irregularidades sejam solucionadas. Na última sexta, trabalhadores da obra em questão realizaram uma denúncia no Ministério Público do Trabalho de São José do Rio Preto, pasta que atende a região de Fernandópolis, onde a construção é realizada. De acordo com informações da assessoria de imprensa do MPT, fiscais foram enviados ao local e constaram diversas irregularidades, entre elas trabalho análogo à escravidão, péssimas condições do canteiro de obra e do alojamento. A pasta informa que o programa Minha Casa, Minha Vida é sustentado com verbas do ministério das Cidades e da Caixa Econômica Federal (CEF). Neste caso, assim que a verba destinada é aplicada, cabe ao município ou cidade contratar uma empresa terceirizada capaz de for-

Divulgação

Como antes: para MPT, as irregularidades são flagrantes. necer mão de obra capacitada para as construções. A assessoria de imprensa do MPT afirma que, no entendimento da pasta, cabe à CEF fiscalizar a regularidade do trabalho antes de liberar a verba. Conta-gotas – O trabalho similar à escravidão foi apurado quando os operários afirmaram trabalhar 15 horas por dia na obra, sem o pagamento salarial – segundo informações do MPT, o pagamento estava sendo feito aos poucos, por meio de vales de R$ 100, R$ 200 e R$ 300, nunca no valor integral do salário. Outra denúncia investigada é a condição dos alojamento nos quais os operá-

rios moravam. "As questões sanitárias destes alojamentos são lamentáveis. Os banheiros devem ser usados por, no máximo, 20 trabalhadores, e não foi isso que a perícia presenciou", conta a assessoria da pasta. Os agentes do MPT de Campinas, órgão que conduz as investigações do caso, efetuaram o resgate dos 90 trabalhadores no início desta semana e foi determinada a rescisão do contrato de todos. "Conforme determina a lei", informa a assessoria de imprensa, "os homens têm direito a receber as verbas rescisórias: o seguro desemprego, salário e 13º salário, férias e fundo de garantia".

Aliciamento – "Todos os operários são migrantes do nordeste do País, a maioria deles veio do Piauí e do Maranhão para trabalhar nesta construção", afirma o MPT. A pasta esclarece que, na maioria dos casos, há irregularidades inclusive na arregimentação da mão de obra. "Esses operários são buscados por meio de empreiteiras terceirizadas, contratadas pela construtora", explica a assessoria de imprensa do MPT. "Essa empreiteira busca os trabalhadores no nordeste e geralmente eles chegam ao destino em ônibus clandestinos. Em certas situações, eles mesmos chegam a pagar a passagem", diz. Muitos operários são aliciados e chegam a trabalhar sem registro de trabalho ou carteira assinada. "Encontramos indícios de aliciamento de trabalho e a fiscalização provou que houve irregularidades na vinda destes homens para São Paulo", afirma a assessoria. A pasta informa que a mão de obra tem que ser contratada perante o ministério do Trabalho da cidade do contratado. O registro é feito e o pagamento das passagens também deve ser aprovado pelo ministério. (AE)

U

m Sérgio Cabral Filho (PMDB) abatido e de poucas palavras pronunciou-se ontem pela primeira vez sobre a polêmica em torno de suas 37 missões oficiais ao exterior desde que assumiu o governo do Rio em 2007 – até então, ele se manifestara apenas por meio de notas oficiais. Depois de participar da inauguração da ampliação do Museu Ciência e Vida, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o governador defendeu suas viagens internacionais, mas não se aprofundou em detalhes sobre quanto gastou na ida a Paris em setembro de 2009, na qual recebeu, em diárias, em valores da época, R$ 6.384,00, de acordo com a Secretaria da Fazenda.

A capital francesa foi a cidade mais visitada oficialmente pelo peemedebista – foram cinco viagens em cinco anos. Nova York e Londres vieram em segundo lugar, com quatro visitas cada. "Essa viagem (setembro de 2009 a Paris) serviu para melhorar a imagem do Rio lá fora. Internacionalmente, a cidade tinha uma imagem de decadência, e nós revertemos isso", afirmou o governador. Na viagem, foram feitas imagens de secretários e empresários com guardanapos na cabeça, brincando e dançando. Em fotos, o governador aparece com o amigo e empresário Fernando Cavendish, controlador afastado da Delta , empreiteira sob investigação da CPMI do Cachoeira. (AE)

Frame/Folhapress - 26.04.12

Cabral: "A cidade tinha uma imagem de decadência". Diogo Moreira/Futura Press/AE

Celso Daniel: três condenados Faltam ser julgados mais três, inclusive o mandante do crime.

O

Júri em Itapecirica: com base nas respostas dos jurados, o juiz determinou a pena de cada um dos acusados.

Tribunal do Júri condenou ontem três réus acusados pela morte de Celso Daniel. Ivan Rodrigues da Silva, conhecido como "Monstro", foi condenado a 24 anos de prisão. José Edison da Silva, a 20 anos, e Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o Bozinho, a 18 anos. Os réus negaram envolvimento no crime. A tese do MP é que Daniel foi morto porque queria impor limites a um esquema de corrupção dentro da prefeitura de Santo André, cujo objetivo era arrecadar dinheiro para financiar campanhas do PT.

Segundo a Promotoria, o exprefeito sabia e participava do esquema, mas quis impor limites ao perceber que os envolvidos estavam desviando dinheiro para contas pessoais. Os jurados responderam a seis quesitos sobre o crime, que questionavam se eles concordavam que Daniel foi morto a tiros, se os réus tiveram participação na morte, se o crime foi encomendado e se houve emprego de recursos que impediram a defesa da vítima. Baseado nas respostas, o juiz Antonio Augusto Hristov determinou a pena de cada um deles.

Os réus Elcyd Oliveira Brito, o “John”, e Itamar Messias da Silva, que também deveriam ter sido julgados, tiveram seus julgamentos transferidos para 16 de agosto deste ano, após seus advogados abandonarem a tribuna, antes do início do júri, alegando que não conseguiriam exercer plenamente a defesa dos réus. A expectativa da Promotoria é que a condenação influencie no julgamento de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, amigo de Daniel, acusado pelo MP de ser o mandante. O júri de Sombra deve ocorrer ainda neste ano. (UOL/Folhapress)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

9 ESTADOS UNIDOS Governo Obama quer 50% mais turistas nos próximos dez anos

nternacional

CANADÁ Bombas de fumaça paralisam diversas estações de metrô em Montreal

Fotos: Sana/Reuters

Damasco em chamas

A capital síria amanheceu com um grande estrondo provocado por dois carros-bomba: 55 mortos e 372 feridos.

A

capital da Síria viveu ontem seu dia mais sangrento em 14 meses de revolta contra o presidente Bashar al-Assad. Pelo menos 55 pessoas morreram e outras 372 ficaram feridas em um duplo atentado a bomba em Damasco. Ninguém assumiu a autoria dos ataques, o que levou o governo sírio a afirmar que terroristas, e não simples dissidentes, estão por trás da onda de violência. As explosões ocorreram com apenas um minuto de diferença no bairro de Al-Qazaz, próximo à sede de um edifício militar, às 7h50 locais (1h50 de Brasília), em um momento em que muitos sírios seguiam ao trabalho. O primeiro carro-bomba trafegou por uma movimentada avenida e atingiu o muro do prédio que abriga a maior base da inteligência militar do país, responsável por coordenar a repressão a opositores. Já o segundo carro-bomba provocou uma explosão bem maior perto do local da primeira, incendiando automóveis e levantando uma enorme nuvem cinza. O militar brasileiro Alexandre

Jogos de Inverno na mira do terror Rússia desmantela ataques de rebeldes chechenos

A

Uma das explosões abriu uma cratera de 10 metros no solo. O governo culpou 'terroristas' pelos ataques. Feitosa, da missão de monitores da Organização das Nações Unidas (ONU), sentiu o estrondo causado pelos ataques, apesar de estar a mais de cinco quilômetros de distância do local. "Foi impressionante. Parecia que havia sido aqui do lado", disse o capitão da Mari-

nha à Folh apr ess. "Acho que Damasco inteira sentiu." Os ataques salientam ainda mais a complexidade da missão da ONU, que está no país para inspecionar o frágil cessar-fogo em vigor há um mês. "Os atentados não mudarão os planos da missão", garantiu

Feitosa à Folhapress. "Trabalharemos como antes." A equipe da ONU chegará hoje a 150 observadores, incluindo sete militares enviados pelo Brasil, disse Feitosa. Mais quatro brasileiros chegarão na próxima semana. A meta é atingir 300 monitores. (Agências)

Rússia informou ontem ter frustrado um suposto plano de nacionalistas chechenos para realizar ataques durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 em Sochi e no período que antecede o evento na cidade do sul do país. O Comitê Nacional AntiTerrorismo declarou que os serviços especiais russos c o n f i s c a r a m a r m a s , i ncluindo bombas de morteiro, lança-granadas e mísseis portáteis durante operações em 4 e 5 de maio na república separatista da Abkházia, na Geórgia, exrepública soviética contra a qual a Rússia lutou uma breve guerra em 2008. A região é bem próxima de Sochi. "Os combatentes planeja-

vam mover as armas para Sochi de 2012 a 2014 e utilizá-las para cometer atos de terrorismo antes e durante os Jogos", disse o comitê. A agência de inteligência russa FSB, sucessora da KGB, suspeita que os ataques eram planejados pelo líder rebelde checheno Doku Umarov. Segundo a agência, ele coordenou o transporte das armas e arrumou esconderijos para o arsenal. Umarov é o autor confesso do atentado que deixou 35 mortos em um aeroporto de Moscou no ano passado. O Comitê Olímpico Internacional (COI) não fez comentários sobre o caso, mas afirmou em comunicado que "segurança é uma prioridade". (Agências)

Beawiharta/Reuters

Sobrou para os parentes

O garoto do tempo

O

dissidente chinês cego Chen Guangcheng, personagem central de uma crise diplomática entre Pequim e Washington, acusou ontem o governo da China de perseguir seus familiares na sua província natal de Shandong, em retaliação por ele ter escapado da prisão domiciliar. "Eu sinto que a retaliação de Shandong contra mim já começou", lamentou Chen, ao revelar que seu irmão e cunhada estão em prisão domiciliar e seu sobrinho foi detido no vilarejo de Dongshigu, de onde o ativista fugiu no mês passado. (AE)

R

ajadas de vento frio, neve e muita chuva. Esse foi o anúncio que o príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, deu ontem aos seus súditos como "garoto do tempo" por um dia do canal BBC, em Glasgow, na Escócia. No teleprompter, o roteiro estava escrito especialmente

para o colaborador ilustre, com referências às propriedades da monarquia por toda a Escócia. Com desenvoltura, Charles gesticulou e fez piadas: "Quem escreveu esse roteiro?", improvisou ele, ao concluir a previsão, que não era animadora. E exclamou: "Graças a Deus não é feriado!". (Agências)

Reuters

Indonésios enfrentam terreno difícil para chegar ao local do acidente

Resgate frustrado

E

quipes de resgate encontraram ontem vários corpos e nenhum sobrevivente entre os destroços de um avião russo que caiu na véspera em uma montanha indonésia, durante um voo de exibição, com pelo menos 46 pessoas a bordo.

Autoridades disseram que o avião Sukhoi sumiu dos radares após 50 minutos do que deveria ser um voo para mostrar a aeronave para interessados. O fabricante tinha a intenção de vender até 42 aparelhos para a Indonésia. (Agências)

Príncipe Charles na TV: imagem mais acessível ao público britânico.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

10

c

sexta-feira, 11 de maio de 2012

BONS EXEMPLOS Filhos adotados dão exemplos de boa convivência com suas mães adotivas. Alguns deles partem em busca de suas mães biológicas.

idades Fotos de Newton Santos/Hype

da D s M ia ãe s

Fischer, de abandonado a um aglutinador Foto: Acervo pessoal

Lúcia Pedrosa dos Santos cercada pelos seus dois filhos adotivos, Cláudia e Mauro: "Somos filhos dela e ponto final".

Filhos adotados revelam amor multiplicado por dois Eles amam suas mães adotivas e alguns até procuram suas mães biológicas. Nesta página, alguns exemplos tocantes. Ivan Ventura

N

um certo dia chuvoso de 1973, Lúcia Pedrosa dos Santos notou a chateação do filho Mauro Sérgio Norberto dos Santos, então com quatro anos, por não poder brincar fora de casa. Ela então aproveitou o aquele momento a sós com o filho para com ele ter uma conversa séria. A mais difícil de sua vida. Em vez de ir direto ao assunto, Lúcia preferiu contar a história de uma cachorrinha que foi obrigada a abandonar o filhote. Por sorte, o cãozinho achou um novo lar. Desconfiado, Mauro olhou para a mãe e perguntou: "Eu sou igual a esse cachorrinho?" De modo terno e olhando nos olhos do filho, ela respondeu: "Sim, é o seu caso". Mauro respondeu com um simplório "tá bom" e deu de ombros para o assunto. Lúcia acabara de dar a Mauro a notícia de que ele era seu filho adotivo. O menino reagiu com naturalidade e cresceu sem traumas. O mesmo aconteceu com Cláudia Pedrosa dos Santos, filha caçula de Lúcia, também adotada. Neste próximo domingo, Mauro e Cláudia (além de Fábio, o único filho biológico), passarão mais um Dia das Mães ao lado de Lúcia. "Somos filhos dela e ponto final", diz Cláudia. A história de Lúcia e o desejo em ter filhos adotivos começou ainda bem jovem, durante uma caminhada pelo centro de São Paulo, dois anos antes da chegada de Mauro - o filho mais velho. "Eu trabalhava na rua 25 de Março. Um dia, voltando para casa, reparei em crianças pobres que trabalhavam em troca de alguns trocados. Fiquei muito triste e, naquele momento, decidi que um dia eu adotaria uma criança. Mas só depois do primeiro filho biológico", disse. Por várias vezes, Lúcia tentou engravidar, mas não conseguiu pelos meios naturais. Foi então que o planejamento familiar mudou radicalmente. Ela soube de uma mulher, em São Caetano do Sul, que acabara de ter um filho, mas que não poderia ficar com ele. Lúcia quis adotar essa criança. "Era uma mulher muito bonita, que saiu da Bahia com destino a São Paulo em busca de trabalho. Um dia, decidiu voltar, mas havia um problema: ela era casada e o marido, que era muito ciumento, morava na Bahia com os filhos do casal. Mauro surgiu de um caso que ela teve em São Paulo e não poderia voltar com ele", relembra. Lúcia queria a criança, mas não queria separar o bebê da mãe biológica. Então, pediu ao marido que fosse a São Caetano e adotasse a criança. "Quando ela entregou o Mauro ao meu marido, ela colocou a cabeça entre as duas pernas e chorou muito", disse. Já em casa, Lúcia se apaixonou pela

Mauro e Cláudia foram registrados como filhos biológicos: "Hoje, as pessoas nos olham e dizem que somos parecidos", diz Mauro. Na foto acima, Mauro ainda criança. Ele teve uma infância sem traumas. criança. Com o passar dos anos, Mauro foi paparicado com muitas fotos, presentes e a natural proteção familiar, especialmente quando alguém ousava reparar nas diferenças físicas entre mãe e filho. "Uma vez, uma mulher da família o chamou de 'negrinho' durante uma festa. Eu olhei para ela e disse que o nome dele era Mauro e ele era meu filho. A mulher se desculpou na hora", lembra a mãe. Quatro anos depois de Mauro chegar ao lar de dona Lúcia, veio Fábio, seu único filho biológico. No entanto, Lúcia ainda queria uma menina, mas recebeu a notícia de que nunca mais conseguiria engravidar. Era a hora de pensar em outra adoção. "Eu comentei com uma vizinha sobre o desejo de ter uma menina. Tempos depois, essa minha vizinha foi informada sobre uma menina recém-nascida apta para ado��ão. Minha vizinha preferiu não adotá-la, mas disse que conhecia outra mulher que talvez se interesse pela adoção da menina. Essa outra mulher era eu", lembra. A bebê foi levada à casa de Lúcia. Ao pegá-la no colo, recebeu um sorriso. "Lembro daquele sorriso até hoje", disse Lúcia. Cláudia também cresceu sem traumas, mas, ao contrário de Mauro, não deseja conhecer a mãe biológica. Mauro quer, por mera curiosidade. "Tenho interesse em descobrir o meu passado. Quero saber sobre a vida da minha mãe, dos meus irmãos e se eles precisam de ajuda", diz Mauro. Mauro e Cláudia foram registrados como filhos biológicos: "Hoje, as pessoas nos olham e dizem que somos parecidos. Alguns até falam que pareço com a minha mãe, mas acham que o meu pai é negro", disse Mauro, aos risos. "A convivência fez com que eles se parecessem comigo. Eu acredito nisso", disse Lúcia.

Famílias lamentam a burocracia

N

o próximo domingo, quase cinco mil crianças abandonadas pelos pais biológicos em todo o Brasil, todas aptas a serem adotadas pelas vias judiciais, passarão mais um Dia das Mães sem um novo lar. A causa, segundo as famílias, é o sistema de adoção em vigência no País, por vezes muito demorado e burocrático. De acordo com o mais recente Cadastro Nacional de Adoção (CNA), do Conselho Nacional de Justiça, há 4.856 crianças para adoção no Brasil, sendo 2.133 do sexo feminino e 2.733 do masculino. Interessados em adotar não faltam. São 27.264 pretendentes ou famílias estão na fila da adoção e à espera de um sinal verde da Justiça. No entanto, esse universo da adoção pode ser ainda maior, se forem considerados os dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que registrou oito milhões de crianças abandonadas no País. (I.V.)

S ERVIÇO A ONG Filhos Adotivos do Brasil corre risco de fechar suas portas por falta de recursos. Os interessados em ajudar a manter esse inédito serviço no País podem entrar em contato com a entidade. Para ajudar, basta acessar o site www.filhosadotivosdobrasil.com.

Ricardo Fischer e Ana, sua mãe biológica

A

história do empresário Ricardo Fischer não é muito diferente da de outras narrativas de filhos adotivos que reencontram suas mães biológicas. No início, uma mágoa com a primeira mãe. Com o passar dos anos, a dor some e se transforma em busca e descoberta. No caso de Fischer, a diferença foi o que ele fez logo após descobrir os motivos de seu abandono e de sua adoção por outra família. O empresário fundou a ONG Filhos Adotivos do Brasil, entidade gaúcha nascida em 2007 e que já reaproximou 450 filhos adotivos de suas mães biológicas. Desse total, cerca de 300 reencontros ocorreram em São Paulo. A ONG ainda atua em pouco mais de 1.400 investigações e tem uma fila de espera de aproximadamente quatro mil pessoas. “Verificamos que quase 90% dos casos de abandono se devem a motivos fortes e não fúteis. É algo forte”, diz Fischer. A descoberta de que era adotado aconteceu aos 10 anos de idade. Ele passou a suspeitar disso depois de ouvir repetidas brincadeiras sobre as diferenças físicas que tinha em relação aos pais. Tempos depois, Fischer reconheceu essas diferenças e decidiu investigar os motivos ainda na adolescência. Com a ajuda do irmão, Fischer revirou a casa à procura de provas. No quarto dos pais, em meio a documentos antigos, o empresário localizou a certidão de nascimento que confirmou sua suspeita: fora adotado ainda pequeno. “Minha mãe não gostava de falar, mas depois de descobrir tudo, ela finalmente abriu o jogo. Foi o ponto de partida para uma investigação que completou 20 anos”, disse Fischer. Ele começou a procurar informações sobre o paradeiro da mãe em hospitais, delegacias e órgãos públicos. Aos poucos, começou a desvendar seu passado, com mais e mais informações. “Cheguei ao telefone de minha avó biológica e, finalmente, encontrei minha mãe”. No reencontro, choro, abraço e juras de amor eterno entre mãe e filho. As conversas avançaram até chegar ao ponto crucial: o motivo do abandono. Para surpresa do empresário, a mãe, Ana Molarinho, pertencia a uma família de classe média alta de Porto Alegre. Ocorre que a gravidez de Ana aos 17 anos desagradou sua família: ela teria de interromper a gravidez. Ana não concordou e foi embora de casa com a criança. Por quase um ano perambulou pelas ruas de Porto Alegre, ficou sem dinheiro e se viu obrigada a deixar o filho em um abrigo para crianças abandonadas. Fischer tinha um ano e meio na época. Ana voltou para a casa dos pais. O menino Ricardo Fischer foi adotado após passar um ano no abrigo em Porto Alegre. “Foi um alívio descobrir que a minha mãe tentou ficar comigo até as últimas consequências. Só quando não tínhamos o que comer, ela tomou essa decisão. Foi uma grande alegria saber que não fui rejeitado”, disse. Hoje, as duas mães se desdobram em atenções para com o filho. Para o empresário, a investigação pessoal lhe rendeu o amor incondicional de não apenas uma, mas de duas mães. Elas, porém, não se falam. “As duas têm ciúmes de mim e não se dão muito bem”, diz, rindo, o empresário. No entanto, ainda falta um longo caminho para o final feliz na vida do empresário. Falta-lhe o irmão, o mesmo que perambulou com ele pelas ruas de Porto Alegre e que dele foi separado na infância. “Esse, agora, é o meu objetivo. Quero saber onde ele está e se está bem. Por enquanto, não tenho nenhuma informação, mas continuarei procurando até o fim”, disse. (I.V.)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

c

11 Me emocionei ao poder pegar nas mãos das pessoas. Charles Heitor Barbosa

idades

DC

n Pedro/

Sonaira Sa

AE-08/11/1965

DE VOLTA À REALIDADE

Oswaldo José dos Sanots/USP

UMA CIDADE PROIBIDA AQUI

A

U

T

rês soldados do Corpo de Bombeiros bombeiros foram mantidos como reféns por cerca de três horas ontem em Manguinhos, zona norte do Rio de Janeiro. Eles foram capturados por traficantes da região no período da manhã, quando passavam de carro pela avenida Leopoldo Bulhões. Armados de fuzis e pistolas, cerca de dez criminosos retiraram o trio do carro. Fardados, todos foram levados para o interior da favela, uma das mais violentas da cidade. Segundo testemunhas, eles foram agredidos com tapas pelos criminosos. A Polícia Militar realizou uma operação para resgatar os bombeiros. A ação contou com a ajuda de um veículo blindado e de um helicóptero da polícia. Depois de três horas, eles foram resgatados na Mandela, uma das favelas da região. Os três bombeiros faziam em Manguinhos um trabalho de prevenção da dengue na área. Segundo a assessoria da corporação, eles passam bem. Na operação, um homem foi preso. Uma testemunha confirmou a agressão aos bombeiros: “Eles retiraram dois militares de um Gol cinza. A abordagem foi violenta. Eles chegaram a agredir os militares com tapas”, contou a testemunha, que pediu para não ser identificada. (Agências)

A

para permitir o som metálico quando tocados. A terra removida na construção propiciou uma colina artificial que se ergue ao norte dos palácios. Na Cidade Proibida só entravam as figuras reais e funcionários especiais. Do contrário, a condenação era a morte supliciada. Espera-se não se pense em algo semelhante para os intrusos motorizados da Cidade Universitária.

té prova em contrário, Neymar teve sua primeira vantagem sobre Pelé nos frequentes cotejos que a mídia vem fazendo entre ambos: acaba de receber o título de Cidadão Paulistano, algo que ainda não consta no currículo do Rei. Segundo os registros, Pelé se aproximou da láurea em 1963, quando um projeto a respeito, embora tenha tido um trâmite regular, jamais chegou ao fim. Talvez tenha havido obstrução de vereadores corintianos, pois naquela época o craque era o maior algoz do Parque São Jorge. O seu desfecho, considerando as dezenas de legislaturas e o tempo decorridos, exigirá prolongados levantamentos nos arquivos da Câmara Municipal. Por ironia, justamente pela condição de esposa do craque, a homenagem foi oferecida à sua ex-mulher Assíria – com quem ele foi casado de 1994 a 2008 – no ano de 2004. Essas informações nasceram das pesquisas feitas para organizar o acervo do futuro Museu Pelé, a ser instalado num casarão centenário no centro histórico de Santos, cuja inauguração está prevista para dezembro. Mas Pelé não tem do que se queixar no capítulo de comendas.

... PARA SUA MAJESTADE

A

té agora foram arrolados mais de 30 títulos, entre cidades brasileiras, e outros cerca de 40 no Exterior. Alguns chamam a atenção pela singularidade, como o da pequenina cidade de Tomé-Açu (PA) ou de Atlanta, capital da Geórgia (EUA). "Entre títulos e certificados, temos até agora 189 diplomas", informa o museólogo Rogério Zilli, que, há 10 anos, procura ordenar o vasto patrimônio que passa de 2.500 peças. Rogério é recatado em discorrer sobre o acervo. Mas a coluna pode garantir que, entre elas, há um par de chuteiras de ouro e uma coroa de platina cravejada de brilhantes, frutos das variadas vezes em que Pelé foi consagrado rei do futebol pelo mundo afora. No entanto, existe um item essencial que está sendo exaustivamente procurado. Pelé não guardou sequer uma camisa 10 com as listras verticais pretas e brancas – o segundo uniforme do Santos – dos seus anos de jogador. Um velho admirador que deve tê-la ganhado após algum jogo, atreveu-se a ofertá-la pela extorsiva quantia de R$ 27 mil. Levou um não para casa.

Tubarões: Justiça ordena a Pernambuco pagar prótese. Ex-surfista conquistou o direito de ganhar mãos biônicas que custaram R$ 654 mil, valor a ser pago pelo Estado.

C

harles Heitor Barbosa Pires, 34 anos, exsurfista que teve as duas mãos arrancadas por um tubarão, há 13 anos, na praia de Boa Viagem, no Recife, conseguiu, na Justiça, o direito de ter duas próteses biônicas custeadas pelo Estado de Pernambuco, que irão ser utilizadas no lugar das mãos, encaixadas nos pulsos. Importadas da Escócia por meio de uma fornecedora do Rio Grande do Sul, as próteses custaram R$ 654 mil e irão permitir a Charles todos os movimentos dos dedos. Nos primeiros testes realizados com as próteses, o exsurfista já comemorou: "Me emocionei ao poder pegar nas mãos das pessoas", afirmou ele, que também sentiu a alegria de colocar alimentos na boca. "O comando é meu, através do pensamento". Devido à necessidade de ajustes, ele viaja ainda neste mês para o Rio Grande do Sul. Sua expectativa é retornar ao Recife com total controle sobre suas mãos biônicas, podendo mexer todos os dedos e com capacidade de suportar até 90 quilos. Charles perdeu as mãos ao tentar se defender do tubarão que o atacou no dia 1 de maio de 1999. Tinha 21 anos. Casou, tem dois filhos e no próximo ano conclui o curso de Direito. Foi na faculdade, ajudado pelo professor de Direito Constitucional, Marconi Barreto Junior – que tornou seu advogado –, que decidiu entrar, em 2010, com um processo judicial contra o Estado, com base no artigo 196 da Constituição Federal que

Charles Heitor Barbosa Pires, que perdeu as mãos em um ataque de tubarões em praia do Recife: após conquistar as novas próteses, ex-surfista já pensa em fazer estágio em escritório de advocacia.

press - 30/01/2004

Rio: bombeiros viram reféns de traficantes.

FALTA UM TÍTULO...

Alexandre Belem/Folha

ma facção de professores e alunos da Cidade Universitária pretende proibir o acesso de carros forasteiros ao campus. Somente seriam permitidos os deles, como se fossem autóctones. Motivo: usuários do Metrô no Terminal Butantã, ali perto, estão deixando seus automóveis lá, alterando a despreocupada rotina. Caso a xenofobia automobilística venha a vingar, São Paulo ganhará uma versão tropical da Cidade Proibida, de Pequim, construída pelo imperador Zhu Di, dito Yongle, da dinastia Ming, entre 1406 e 1420 para abrigar apenas gente de sangue azul. Sobreviveu por cinco séculos, até a queda do império em inícios do século 20. São 720 mil m² de área, com 8.707 cômodos. As enciclopédias ensinam que contou com o suor de 100 mil artesãos e cerca de um milhão de trabalhadores. Os tijolos amarelos passaram por repetidos e prolongados cozimentos na sua fabricação

afirma o direito de reinclusão social do deficiente físico. Em outubro do ano passado, o juiz José Marcelon Silva, da 3. Vara da Fazenda Pública, concedeu a liminar. As próteses chegaram em abril.

Mesmo sem prótese, Charles trabalhou como auxiliar administrativo em uma empresa por sete anos. Ele consegue usar o computador e realizar tarefas com a ajuda de uma tala. Atualmente, já pen-

sa em fazer estágio em um escritório de advocacia. Quando sofreu o ataque, as praias do Recife ainda não expunham as placas de proibição de surfe na área devido à presença de tubarões. (AE)

imprensa francesa, às vezes irreverente, noticiou fartamente que o presidente Nicolas Sarkozy, derrotado nas recentes eleições, volta ao mundo dos mortais com direito a um escritório, secretária, carro com motoristas, um par de guarda-costas e salário de seis mil euros mensais – cerca de R$ 14 mil – por conta do Estado. Também recebe passagens gratuitas em classe executiva, tanto na Air France como na Sociedade Nacional de Ferrovias, ambas estatais. O Brasil é mais econômico para com seus expresidentes: José Sarney, Collor de Mello, Fernando Henrique e Lula têm direito a quatro seguranças, dois carros com motoristas e dois assessores – mas nada de salário. Porém, se o ex vier a falecer, a viúva tem direito a uma pensão vitalícia de R$ 26.500.

Turista tenta dar golpe em hotel no Rio

A

pós gastar R$ 14.468,61 em um hotel do Rio de Janeiro, dos quais R$ 6 mil em caipirinhas, o norteamericano Robert Scott Utley, de 63 anos, tentou embarcar para os Estados Unidos, quartafeira, sem pagar a conta. Ele permaneceu hospedado por 13 dias no hotel Porto Bay, de frente para a praia de Copacabana, e informou que deixaria o hotel na manhã de quinta-feira. Mas na noite de quartafeira desapareceu do hotel. A gerência acionou a polícia, que encontrou Utley no Aeroporto Internacional Tom Jobim, prestes a viajar para os Estados Unidos. Detido e conduzido à 12ª DP (Copacabana), Utley afirmou que seu cartão de crédito foi cancelado e que por isso não pôde pagar a conta. Ele disse também que precisou antecipar a saída do hotel por conta de problemas cardíacos. O norte-americano foi indiciado pela fraude prevista no artigo 176 do Código Penal ("tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor de recursos para efetuar o pagamento"), que prevê prisão de 15 dias a 2 meses ou multa. O consulado dos EUA no Rio foi acionado e intermediou o contato entre o hotel e a família de Utley, que se comprometeu a pagar a dívida. O turista foi liberado e embarcaria ontem para casa. (AE)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

12 -.LOGO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Logo Logo www.dcomercio.com.br

Treino puxado, tatuagem e criançada A campeã mundial do salto com vara Fabiana Murer durante treino, ontem, em São Paulo. Fabiana, que participará da Olimpíada de Londres, conversou com as crianças e exibiu sua tatuagem. Fotos: Paulo Whitaker/Reuters

C IÊNCIA L EILÃO Valentin Flauraud/Reuters

É o fim do fim do mundo

P

esquisadores norteamericanos anunciaram ontem a descoberta do calendário maia mais antigo já documentado até o momento. Datado do século IX, o calendário está pintado nas paredes de um habitáculo encontrado na cidade de Xultún, na Guatemala. O calendário documenta ciclos lunares e o que poderiam ser também ciclos planetários, explicaram os arqueólogos William Saturno, da Universidade de Boston, e David Stuart, da Universidade do Texas-Austin. A descoberta, que será publicada pela revista Science, desmonta a teoria de que os

Broche de rubi e anéis de diamantes e pedras preciosas da coleção de Lily Safra serão leiloados na Christie's de Genebra em 18 de maio.

EFE

maias previam o fim do mundo para 2012. Isso porque essa teoria é baseada em uma versão do calendário maia com

13 ciclos, conhecidos como "baktun". Mas o sistema possui, na verdade, 17 "baktun". "Isto significa que há mais

períodos que os 13 (conhecidos até agora)", ressaltou Stuart, para quem o conceito foi "manipulado". Ele disse que o calendário maia continuará com seus ciclos por mais milhões de anos. Stuart destacou ainda que se trata das primeiras pinturas maias encontradas nas paredes de um habitáculo. As pinturas encontradas agora, acreditam os cientistas, estariam em um templo da megacidade de Xultún, na região guatemalteca de Petén, e são vários séculos mais antigas que os Códices Maias escritos em livros de papel de crosta de árvore do período Pós-clássico tardio. (EFE)

Mike Segar/Reuters

E SPAÇO

'Anti-Facebook' fechará as portas

Nasa terá serviço de táxi espacial

A Anybeat, rede social lançada em 2011 com a intenção de se tornar um "anti-Facebook", foi vendida e fechará em duas semanas. O principal diferencial da rede era que os membros podiam se cadastrar com pseudônimos, preservando suas identidades, o que daria mais privacidade aos usuários. O serviço foi criado por Dmitry Shapiro, que também foi responsável pelo Veoh e é ex-CEO do Myspace. A mídia norte-americana afirma que Shapiro será o novo responsável pela rede social do Google, o Google+. A empresa que adquiriu a Anybeat não teve o nome divulgado, mas deve dar um rumo totalmente diferente à rede social. Também não foi informado o número de usuários cadastrados no serviço.

Dois dos principais empreiteiros contratados da Nasa estão se unindo com a europeia Astrium para desenvolver um táxi espacial comercial a partir de foguetes propulsores de ônibus espacial e de um protótipo de nave originalmente concebido como uma alternativa para a cápsula espacial Orion. Desde a aposentadoria dos ônibus espaciais, no ano passado, os EUA dependem da Rússia para levar astronautas à Estação Espacial Internacional, um laboratório de US$ 100 bilhões que está a cerca de 386 quilômetros acima da Terra. A tarifa é de mais de US$ 60 milhões por pessoa. Com o táxi espacial, a Nasa espera que os parceiros comerciais reduzam esse custo a partir de 2017.

Sua casa encaixotada

L

I NTERNET

TRADIÇÃO MILENAR - Judeus ortodoxos dançam perto do fogo enquanto celebram o Lag BaOmer no lugarejo de Kiryas Joel, estado norte-americano de New York. O Lag BaOmer marca o aniversário da morte do sábio talmúdico Rabi Shimon Bar Yochai há aproximadamente 1900 anos. D ECORAÇÃO

"Bedroom in a Box" leva ao extremo o conceito de móveis compactos para ambientes compactos. A ideia de "fechar" a cama quando não está sendo usada foi estendida a outros itens da decoração e transpôs os limites do quarto. A ideia é do designer Rolands Landsbergs, da Boxetti, que garante ser possível colocar em quarto tudo o que você precisa na casa toda. http://www.boxetti.com/en/#home

A Boxetti tem também móveis compactos para todas as áreas da casa: salas, cozinhas e escritórios cabem, todos, em algumas "caixas", integrando os ambientes.

L OTERIAS Concurso 2893 da QUINA 14

42

53

59

69

Balanço com mais conforto Uma cadeira de balanço diferente, bem mais moderna do que a da vovó, e aparentemente mais confortável. Assim é a Mama Chair, do estúdio de design Paratoner, da Turquia. O móvel aposta em formas e materias simples, cores sóbrias e almofadas tão fofas que convidam ao relaxamento e à preguiça. www.paratoner.com.tr


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

e

13 PESQUISA 74,2% dos paulistanos vão dar presentes de valor superior a R$ 70.

conomia

Zilberman

Dia das Mães, o 'Natal' dos restaurantes. Homenagens às mamães no domingo deve aumentar em até 30% o movimento nos estabelecimentos. É a melhor data do ano para o setor. Sílvia Pimentel

A

Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) projeta um aumento de 30% no movimento do setor no Dia das Mães deste ano em relação a um domingo normal. Para o segmento, essa comemoração familiar equivale ao Natal do comércio varejista, superando o Dia dos Namorados em faturamento. Diferentemente desta segunda data, a homenagem às mães costuma reunir famílias inteiras nas mesas dos restaurantes. "O faturamento só não é maior por uma questão de espaço físico. Nessa data, é comum a superlotação dos estabelecimentos", afirma o presidente da entidade, Joaquim Saraiva. Não sem razão, a maioria dos restaurantes da Capital, sobretudo os maiores, trabalha

com reservas de mesas. Atentos ao grande movimento, muitos estabelecimentos preparam cuidadosamente o cardápio e a decoração. É o caso da Di Cunto, que possui dois restaurantes na Mooca e elaborou duas sugestões de pratos para o próximo domingo. O sócio da empresa, Marco Alfredo Di Cunto Júnior, estima alta de até 15% no movimento. "É uma data forte porque o tíquete médio costuma ser mais alto. Além disso, sempre há o consumo de pelo menos uma garrafa de vinho", afirma. Gerações – O Dia das Mães sempre foi preparado de forma especial na Di Cunto. De acordo com o sócio, o restaurante localizado na Rua Borges de Figueiredo, na Mooca, tradicionalmente recebe gerações de famílias para comemorar a data. "Somos uma

empresa familiar e, portanto, trabalhamos muito o conceito família, que tem a mãe como figura central", diz. No próximo domingo, o restaurante da Di Cunto localizado no Plaza Shopping Mooca vai receber pela primeira vez famílias para comemorar a data. Haverá duas sugestões de cardápio. A primeira tem posta de bacalhau, arroz com

amêndoas e batalha palha, ao preço de R$ 58 o prato individual. A segunda é escalope com molho de shitake, arroz branco e batata-palha, que vai custar R$ 42. O Restaurante Família Mineira, no Itaim, não preparou cardápio especial para a data, que é bem variado, mas vai modificar o ambiente. No próximo domingo, a casa abrirá

com música ao vivo e vai brindar as mães com um chocolate. A chef e proprietária, Andrea Carneiro, estima aumento de 20% no movimento. "A data supera o Dia dos Namorados", confirma. Os preços dos pratos variam de R$ 66,50 a R$ 85,85, e servem duas pessoas. O restaurante tem 120 lugares e trabalha com reservas.

S ERVIÇO Di Cunto Rua Borges de Figueiredo, 61/103 (unidade Mooca) Plaza Shopping Mooca Rua Capitão Pacheco e Chaves, 313. Reservas: 2081-7100 Família Mineira Rua Manoel Guedes, 436 - Itaim Reservas: 3071-3672 Mais dicas de bons restaurantes no DCultura

Setor de comidas prontas em alta Redes de supermercados e rotisseries oferecem cardápio de pratos e sobremesas já preparados para as famílias que vão comemorar a data em casa.

Varejo sofistica cardápio

A

Fátima Lourenço

A

Longe do fogão: a rede Pão de Açúcar criou um almoço completo para os clientes (acima). A Vania Rotisserie vende pratos especiais para a data (ao lado).

Fotos divulgação

s pessoas que optarem, no próximo domingo, por reunir a família em um tradicional almoço em casa para comemorar o Dia das Mães ainda têm tempo para encomendar a refeição. Há muitas opções em estabelecimentos como a paulistana Vania Rotisserie e até em grandes redes de autosserviço – Pão de Açúcar, Carrefour, Sonda e Covabra são algumas das possibilidades. A Vania Rotisserie, no bairro da Vila Nova Conceição, oferece cerca de 50 opções de cardápio, a serem conferidas no s i t e w w w . v a n i a r o t i s s erie.com.br. A empresa informa que aceitará encomendas para o Dia das Mães até às 15 horas de sábado. Os atrasadinhos, no entanto, ainda podem se abastecer no domingo. A empresa divulgou que abrirá entre 9h e 13h30, com oferta do cardápio normal. As opções especiais para a data custam entre R$ 29,50 e R$ 97 por quilo. O Pão de Açúcar recebe pedidos de encomendas até 48 horas antes da necessidade de entrega ao cliente. A empresa divulgou que a rotisserie da marca oferece 23 opções para

o Dia das Mães, com entradas, pratos principais e sobremesas, além de dois "kits especiais" para servir seis ou oito pessoas. A expectativa da empresa é de que as vendas da rotisserie cresçam 15% neste Dia das Mães, na comparação com igual data em 2011. Entre os pratos principais estão bacalhau à Gomes de Sá, galeto assado, salmão ao molho de alcaparras e filé mignon com brie ao molho funghi. As encomendas devem ser feitas diretamente nas lojas. O Carrefour também pro-

mete um cardápio especial para a data. Frango xadrez, estrogonofe de carne e peixe assado com molho de coco são algumas das alternativas. Os preços variam de R$ 12,90 a R$ 45,90 por quilo. As encomendas serão aceitas até este sábado nas lojas Pinheiros, Imigrantes, Pamplona, Butantã, Brooklin, Santo André, Rebouças, Vila Lobos, São Caetano e Cidades Jardim. A rede Covabra aceitará pedidos para o almoço de domingo nas unidades das cidades de Campinas, Itatiba, Pirassu-

nunga, Leme e Limeira, localidades que já contam com serviço de rotisserie da marca. "Aceitaremos novos pedidos até esta sexta-feira", afirma a gerente comercial de padaria e rotisserie da rede, Maria Estela Basso Bozza. Especiais – O serviço de rotisserie, diz Maria Estela, cresceu 15% em faturamento, no ano passado. E a expectativa é de que cresça entre 20% e 30% em 2012. "Todos os pratos são fabricados no dia", garante a gerente, prometendo desde pratos convencionais

proliferação das rotisseries nos supermercados faz parte de uma tendência já observada por quem acompanha o segmento de food service. A antropóloga Lívia Barbosa, da Socius Consultoria, afirma que nos fins de semana e nas datas-festivas – em rituais coletivos, como é o caso do Dia das Mães, ou individuais, como aniversários –, o menu tende a se alterar, em relação aos hábitos adotados ao longo da semana. Nessas ocasiões, as pessoas buscam uma comida diferenciada, mais próxima daquela que se faz em casa. As rotisseries são vistas como uma

(como arroz e feijão) até os especiais (como massas recheadas). Na Covabra, o cliente deve retirar o pedido na loja. A bandeira Sonda, com unidades no interior e na Capital paulista repete, pela segunda vez no Dia das Mães, a experiência de criar cardápio especial para a data. "Fizemos isso na Páscoa e foi muito bom", afirma o supervisor de rotisserie da rede, Antonio Moral Gil. Nas lojas do Sonda, as encomendas serão aceitas até o meio-dia de hoje. É possível montar um almoço para cinco pessoas, ao custo individual de R$ 16, com um quilo de comida por convidado. O cardápio pode incluir salada ratatouille, arroz com passas e castanhas, filé de saint Peter ao molho quatro queijos e uma torta de morango. Gil estima, para o Dia das Mães, receber entre 100 e 150 encomendas por unidade Sonda. Atualmente, o movimento das rotisseries da empresa responde por 5% do faturamento.

alternativa para essas ocasiões, diferentemente dos pratos congelados. Lívia comenta que pesquisa da Toledos & Associados, atualizada a cada cinco anos, mostra crescimento dos pratos congelados, mas como uma alternativa associada à praticidade, "um quebra galho" para suprir as necessidades durante semana. Os congelados, segundo ela, não são vistos como saudáveis ou gostosos pelos consumidores", justifica a pesquisadora. Já a rotisserie, compara Lívia, é vista como mais saudável, com aspecto próximo do apresentado pela comida caseira, com aparência de frescor e sabor semelhantes. (FL)

Paulistanos vão gastar mais com presentes

P

esquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostra que a parcela dos paulistanos que têm expectativa de gastar mais de R$ 70 com presentes no Dia das Mães subiu de 72,5% para 74,2%. Os entrevistados que pretendem gastar entre R$ 21 e R$ 50 somaram 14,3%, seguidos pelos que querem gastar entre R$ 51 e R$ 70 (10,7%) e pelos que devem comprar algo inferior a R$ 20 (0,8%). Segundo a pesquisa da FecomercioSP, no ano passado, 2,3% dos entrevistados pensavam em gastar menos de R$ 20. (AE)


14 -.ECONOMIA

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

e

15 A produção industrial registrou queda de 0,3% em São Paulo

conomia

Presente gourmet volta à cena Antigos "presentes para o lar" agora se tornaram objetos de desejo, modernos e com design arrojado. Karina Lignelli Fotos: Divulgação

Q

uem pensa que mães não gostam de ganhar presentes que remetem às famigeradas obrigações "do lar" engana-se. Os utensílios gourmets – famosos pela funcionalidade, praticidade e design –, têm atraído cada vez mais a atenção de mulheres de todas as idades. Em lojas especializadas, como Spicy e Doural, a venda desses itens representa uma fatia que varia entre 25% e 30%. "Itens gourmets são peças incríveis, e muitas vezes decorativas. Hoje há uma tendência muito forte de receber em casa, e tudo o que é bonito, funcional e tem design se torna um belo presente", diz o diretor da Doural, Fernando Assad Abdalla. A expansão no segmento de utensílios gourmets, como itens para churrasco e vinhos, porcelanas, taças, baixelas, eletroportáteis, máquinas de café expresso e de refrigerante começou há cerca de dez anos como uma espécie de hobby masculino. No entanto, passou a despertar também o interesse das mulheres – e das mães, claro. O diretor de operações da Spicy, Jean Paul Rebetez, explica esse interesse. O que faz a cabeça desse público que cuidou muito da casa por obrigação, segundo ele, são elementos com um quê de decoração, que ajudam a receber e compor uma mesa bonita, com copos e louças estilizadas, máquinas de café ou chaleiras elétricas. Já jovens mães preferem panelas e faqueiros diferenciados, além de itens para sommelliers, como taças, decanters e abridores elétricos. "Apesar de o homem ter sido o grande descobridor e apoiador desse formato, a variedade e as novidades trazidas por esses itens atraíram essas mulheres, que tinham se afastado da cozinha. Agora, virou 'terra dos dois gêneros', que se divertem com aquilo tudo, e imaginam como fi-

caria em sua casa, quando vão à loja", afirma Rebetez. Ele aposta em crescimento na casa de 14% para a data, com foco na maior procura de present e s c o m o a p a r e l h o s d e f o ndue/racletes, faqueiros alemães e travessas e refratários italianos, entre outros itens. Camila Marzochi, da área de marketing e comunicação do Grupo Santa Helena (que engloba a Cleusa Presentes, Suxxar e o Espaço Santa Helena), é da mesma opinião. De acordo com ela, enquanto homens procuram itens com maior apelo gourmet, mulheres preferem produtos utilitários e que simplificam o processo, utilizados para o momento "servir". Porém, se ainda há filhos que resistem em presentear as mães com itens que "não são para ela, mas para a casa", vale lembrar que, mais do que um item funcional, o produto servirá como facilitador do dia a dia: já que cozinhar tornou-se um hobby, presentes assim são "super bem aceitos", acredita Camila. " H o j e e m d i a , a s m u l h eres/mães não são, na maioria, donas de casa, mas profissionais atuantes no mercado de trabalho, que prezam por momentos de convívio no lar. Ou seja, a cozinha deixou de ser obrigação, e passou a ser uma experiência de convivência", afirma Camila.

Utensílios gourmet da Doural (acima), Spicy e Grupo Santa Helena encantam as mães que apreciam produtos para cozinhar e servir. Participação da venda desses itens no faturamento dessas lojas representa entre 25% e 30%.

ACSP estreita laços com EUA e Paraguai Paula Cunha

Fotos: L.C.Leite/LUZ

E

streitar relações, estimular a troca de informações e aumentar o comércio entre o Brasil e os países de toda a América é um dos objetivos da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) ao se relacionar com os consulados e embaixadas destes países. Para alcançar esse objetivo, a entidade recebe seus representantes e apresenta sua estrutura e atividades que estimulam o comércio e o empreendedorismo no estado de São Paulo. Ontem, o cônsul geral do Paraguai, Oscar Rodolfo Benítez Estragó e o ministro da Casa Civil do Paraguai, Miguel Angel López Perito reuniram-se com Rogério Amato, presiden-

Amato (entre representantes dos EUA): fortalecimento das relações comerciais e diplomáticas com os americanos. Perito (dir.): contatos. te da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). Durante o encontro, Perito ressaltou a postura de seu país de intensificar os contatos tanto com representantes do

governo brasileiro quanto com a iniciativa privada. "Por isso, estamos muito interessados em criar uma agenda de encontros com a ACSP e seus afiliados para iniciar conversações", disse Perito.

Para Rogério Amato, a tradição da entidade em atividades de comércio internacional favorece a criação de vínculos. Ele lembrou que a Associação conta com a SP Chamber of Commerce, encarregada de

Produção da indústria recua

A

produção da indústria brasileira registrou baixa em cinco das 14 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março, conforme levantamento divulgado ontem. No mês anterior, a produção havia crescido em metade dos locais. Considerando todas as regiões, a atividade, no período, diminuiu 0,5%. Em abril, os recuos acima da média nacional foram observadas na Bahia (queda de 1,3%), Minas Gerais (baixa de 0,7%) e Santa Catarina (retração de 0,7%). Os outros recuos foram registrados em

São Paulo (redução de 0,3%) e na região Nordeste (diminuição de 0,5%). Por outro lado, mostrou resultado positivo a atividade industrial do Paraná (9,8%), Goiás (6,7%) e Amazonas (6,5%), Rio Grande do Sul (2,6%), Rio de Janeiro (2,5%), Ceará (1,9%), Pará (0,9%), Pernambuco (0,4%) e Espírito Santo (0,3%). Evolução – Na comparação de março com o mesmo período do ano passado, metade das regiões pesquisadas tiveram recuo na produção, com destaque para São Paulo (queda de 6,2%) e Santa Catarina (baixa de 6%). Entre os locais onde a

produção caiu estão Rio de Janeiro (redução de 2,4%), Espírito Santo (diminuição de 2,4%), região Nordeste (declínio de 1,4%), Minas Gerais (retração de 0,7%) e Bahia (recuo de 0,7%). Na contramão, a atividade industrial apontou as maiores altas em Goiás (24,7%) e no Paraná (15%), "refletindo a maior produção do setor de produtos químicos, no primeiro local, e de edição e impressão, no segundo", de acordo com o IBGE. Na sequência, estão Pará (5,5%), Rio Grande do Sul (1,5%), Ceará (1,3%), Amazonas (0,3%) e Pernambuco (0,1%). Nos três primeiros meses

de 2012, houve redução na produção de oito dos 14 locais. Tiveram baixas Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Ceará, Espírito Santo, Amazonas, Minas Gerais e Pará. Os maiores avanços foram vistos em Goiás (18,8%), Bahia (8%) e Paraná (7,4%), devido a "maior produção de medicamentos, no primeiro local, de resinas termoplásticas, no segundo, e de livros e impressos didáticos no último". Também com resultados positivos estão Pernambuco (5,6%), região Nordeste (4,0%) e Rio Grande do Sul (2,1%). (Agências)

receber delegações de diversos países durante todo o ano. A instituição apresenta a elas representantes do empresariado paulista do comércio, da indústria e de serviços. O presidente da Associação e da Fa-

cesp explicou à delegação paraguaia que a posição de independência política e econômica da entidade permite levar aos governos brasileiros de todos os níveis as causas desses segmentos. Ainda ontem, a Associação Comercial recebeu o Cônsul Geral dos Estados Unidos, William Popp. O presidente da Associação Comercial ressaltou a importância da reunião para fortalecer o relacionamento com o seu consulado. "A ACSP realizou um convênio com a Fundação Getúlio Vargas para a convenção de varejo da qual a associação participará. Com isso, queremos ampliar as relações comerciais e diplomáticas com os norte-americanos", concluiu o presidente Rogério Amato.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

16

e

sexta-feira, 11 de maio de 2012

É hora de os grandes supermercados olharem o interior de outra forma. Mariana Andrade, analista de mercado da Nielsen

conomia

Fotos: Divulgação

A

linguagem chula do economistachefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, o dizer que "alguém pode levar um cavalo até a beira de um rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber água", em resposta à pressão do Palácio do Planalto para o aumento do crédito pelos bancos a taxas menores, revela o quanto o País ainda está longe da civilidade bancária internacional. E nesse item, a publicidade e propaganda são os melhores indicadores. Na maioria dos países, mesmo os de uma Europa hoje combalida pela crise, o que os bancos ainda oferecem a empresas e a trabalhadores são créditos reduzidos em uma competição que ocorre também nos Estados Unidos, no Canadá, no Oriente, na Ásia e na Oceania. O spread brasileiro, a diferença entre o custo de captação do dinheiro pelos bancos e o seu repasse aos tomadores, é gigantesco e o governo e o Banco Central, ainda que tardiamente, parecem ter acordado para essa realidade. As alegações para mantê-lo alto são todas questões menores, como risco de inadimplência e a dificuldade de tomada do bem financiado, como se o setor financeiro institucionalmente constituído fosse avesso a riscos. Uma consistência inacreditável, pois o risco é inerente à atividade e o papel dos bancos, mais que guardar o dinheiro, é aplicá-lo, e em crédito. Baixa bancarização – Até em mercados pouco desenvolvidos do ponto de vista bancário, como o da Índia, as operações de crédito e seguros são bem mais simples, se resolvem em aparelhos celulares. No Brasil, onde a tecnologia resultante dos períodos de inflação alta aprimorou os mecanismos de extratos e inúmeras operações de crédito, aplicações e fundos, o acesso mais facilitado e competitivo por novos canais ainda patina. Cerca de 40% da população ainda não tem conta em banco – percentual que assusta até princesas, como Máxima Zorreguieta, dos Países Baixos, da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Desenvolvimento Financeiro Inclusivo. Direta, ela disse nesta semana, em passagem por Brasília, que, embora o Brasil tenha avançado muito nos últimos

O CAVALO E A PRINCESA

PELO MUNDO Até a princesa Máxima, dos Países Baixos, diz que Brasil podia avançar. E amostras da publicidade no exterior. anos, ainda há muito o que fazer para incluir todos no sistema financeiro. A intenção é que o cidadão consiga acesso ao crédito e, de fato, contribua para o crescimento sustentável da economia, assegurando o que todos almejam e está estampado nas campanhas de bancos: qualidade de vida. Seguros – No mundo, a publicidade tem dado, ao longo do tempo, o devido respaldo à inclusão e à proteção bancária por meio do seguro. Todos os anos, o Festival Internacional de Publicidade de Cannes exibe rolos de filmes publicitários com campanhas do mercado financeiro. Nelas, os destaques são as promoções e

também a proteção oferecida pelos produtos. Os brasileiros assistem a esses filmes sem esconder uma ponta de inveja do que veem. Até países como a Índia têm peças criativas. Naquele país, é comum se fazer seguro de vida por morte acidental via SMS (a popular mensagem de celular). E muitos fazem isso porque são ainda mais comuns os descarrilamentos de trens, especialmente nas grandes festas que levam multidões às cidades sagradas do rio Ganges, como Varanasi. Feito o seguro, caso ocorra alguma coisa, a família tem como custear as caríssimas cerimônias de cremação, sem que nenhum familiar precise gastar dinheiro com esse custo doloroso. Seguros para viagens nos Estados Unidos, onde se inclui até os de saúde por curto período, também são contratados por celular, assim como na Europa. Aqui há sempre anúncios, mas nada ainda definido e em grande escala. Mas inveja maior dos brasileiros, sobretudo dos publicitários em Cannes, aparece quando surgem nas telas do Palais do Festival campanhas onde crédito farto para a realização dos sonhos é ofertado a juros baixíssimos. E, ainda que este seja um ano eleitoral e essa seja uma das bandeiras nas mãos da presidente Dilma, a Febraban, transformada em haras de cavalos arredios, é algo que vai contra o que ocorre no mundo, onde crédito, clientes e o dinheiro capaz de fazer girar a economia são assuntos mais sérios. Sem uma farta e barata oferta de seguros populares, muitos países estariam mergulhados hoje em situação mais dramática. Sem crédito, varejo e indústria vão para o ralo e aí, não adianta cavalos gordos no Jockey sem plateia. É hora de a realidade selá-los. A publicidade será, como em todo o mundo, um bom termômetro.

Envie informações para essa coluna para o e-mail: carlosfranco@revista publicitta. com.br

Receita cresce mais no interior Estudo da Nielsen mostra que, em 2011, as vendas aumentaram 13,3% nos supermercados fora de capitais. Rafael Hupsel/Folhapress – 18/11/08

Sílvia Pimentel

O

faturamento dos supermercados do interior cresceu mais do que o registrado pelos estabelecimentos localizados nas capitais, de acordo com estudo da consultoria Nielsen. As vendas nas cidades médias e pequenas cresceram 13,3% no ano passado. Nas capitais, a expansão foi de 7,8%. Com isso, as cidades maiores vêm perdendo participação no Índice de Potencial de Consumo (IPC), que passou de 35% para 33% entre 2010 e 2011. Na outra ponta, cidades interioranas abocanham fatia maior do faturamento total do setor, com participação de 48%. Na divisão por localidades, o destaque nas vendas das cidades do interior ficou com a Região Centro-Oeste, que apresentou expansão de 25%, seguida da região Sudeste, com 16,1% entre 2010 e 2011. "Há uma desconcentração do consumo nas capitais e um crescimento mais acelerado nas pequenas e médias cidades. Esse fenômeno já vinha ocorrendo, mas no ano passado ficou mais evidente", afirma Mariana Andrade, analista de mercado da Nielsen. A pesquisa também mostrou que houve avanço de 13% no número de novos supermercados no interior paulista, ante expansão de 8% nas capitais. Oportunidades – A analista da Nielsen chama a atenção para as oportunidades de negócios nas cidades menores,

Supermercados das capitais tiveram faturamento 7,8% maior em 2011 do que no ano anterior onde o consumo está mais acelerado em decorrência de aumento do crescimento demográfico, mais investimentos do setor privado, industrialização e maior geração de empregos nessas localidades. "É hora de as grandes cadeias de varejo, ainda concentradas

nas capitais, olharem o interior de outra forma." A pesquisa também mostrou tratar-se de um crescimento de consumo qualitativo. Ou seja, os moradores das cidades menores começam a optar por categorias de produtos mais sofisticados.

Abílio Diniz mostra otimismo com rumo da economia

economia brasileira. "Acho que o governo está tomando a direção certa", disse, durante palestra no Congresso Apas, da Associação Paulista de Supermercados. Diniz afirmou que não se preocupa com questões relacionadas ao

O

presidente do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, afirmou ontem que continua otimista com a

Destacam-se as vendas de pratos semiprontos, molhos especiais, sorvetes, queijos cremosos, geleias e cereais em barra. O estudo foi apresentado nesta semana durante a Feira da Associação Paulista de Supermercados (Apas), que terminou ontem.

endividamento, que afetam muito pouco o negócio do varejo de alimentos. "O crescimento das vendas nos supermercados está muito relacionado à distribuição de renda e estímulos ao consumo. Vamos fazer o brasileiro consumir mais." (AE)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

e

Um mês depois do lançamento da segunda fase do Plano Brasil Maior, a presidente volta a insistir que é preciso avançar na redução da carga tributária.

conomia

Venda do etanol sobe 66%

A

ECONOMIA/LEGAIS - 17

s vendas internas de etanol hidratado pelas unidades produtoras do centro-sul do Brasil atingiram 847,56 milhões de litros em abril, alta de 66% na comparação com o volume verificado em igual mês de 2011, informou ontem a União da Indústria de Cana-deaçúcar (Unica). O volume do etanol hidratado (utilizado nos veículos flex) vendido cresceu 48,6% na segunda quinzena de abril, para 449,8 milhões de litros. O aumento nas vendas do biocombustível ocorreu por conta de preços mais competitivos na comparação com igual período do ano passado, disse a Unica. A cotação do etanol hidratado no final de abril estava em R$ 1,14 por litro (preço médio na usina em São Paulo, sem imposto), contra um pico de R$ 1,40 o litro registrado no mesmo mês do ano passado, segundo pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).(Reuters)

Dilma exige corte de impostos Presidente pede que equipe econômica estude uma nova rodada rápida de redução de tributos para garantir o crescimento do País

A

presidente Dilma Rousseff pediu à equipe econômica que procure espaço para novas desonerações tributárias. O crescimento mais lento da economia brasileira renovou no governo a discussão em torno da necessidade de adoção, o mais rápido possível, de uma nova rodada de corte de impostos. A expansão da atividade econômica no segundo trimestre deste ano continua s u r p r e e n d e n d o n e g a t i v amente o governo e já se projeta internamente o risco real de um crescimento anual inferior aos 3,5% previstos pelo Banco Central (BC) no relatório trimestral de inflação. Um mês depois do lançamento da segunda fase do Plano Brasil Maior, a presidente voltou a insistir que é preciso avançar na redução da carga tributária. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo apurou, à medida que novos indicadores econômicos são divulgados, ganha espaço a percepção de que as ações tomadas nestes últimos meses para estimular a indústria e, mesmo os efeitos da queda mais forte da taxa básica de juros (Selic), não serão suficientes para colocar a atividade econômica na velocidade desejada no segundo semestre do ano. Dólar – A desvalorização do real em relação ao dólar, com a política de intervenção do

Roberto Stuckert Filho/ PR - 20.04.12

Presidente Dilma Rousseff quer ampliar o Plano Brasil Maior e beneficiar setores que não foram contemplados

BC, ajuda a reduzir as importações e fortalece o produto nacional, mas por outro lado o crédito não reage. Os dados da economia no primeiro trimestre vieram muito aquém do esperado e os sinais neste início do segundo trimestre revelam um quadro também de dificuldades. A "conta" do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2012 já não é mais a projetada no início do ano pelo governo, quando se esperava alta em torno de 4,5%, com a

economia ao final do segundo semestre girando a uma velocidade de 5% a 5,5%. Agora, todos os esforços do ministro da Fazenda, Guido Mantega, são no sentido de tentar mexer nas expectativas e garantir pelo menos um crescimento entre 3,5% e 4% neste ano. Desonerações – As perspectivas ruins para o cenário externo, com desaceleração econômica na Europa, reforçam o debate de que é preciso reduzir a carga tributária. Se-

DOMMO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S.A.

São Eutiquiano Participações S.A. CNPJ/MF nº 12.125.536/0001-12 – NIRE 35.300.417.577 Ata da Assembleia Geral Ordinária realizada em 19 de abril de 2012 1. Data, Hora e Local: Aos 19/04/2012, às 12 hs., na sede da Sociedade, situada na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, nº 110, Cond. Edif. JK Tower, conjs. 21 e 22, parte, São Paulo-SP. 2. Convocação: Convocação efetuada em conformidade com o art. 124 da Lei nº 6.404/76, publicada no DOE-SP e no Diário do Comércio nos dias 10, 11 e 12 de abril de 2012. 3. Presenças: Acionistas representando 93,85% do capital social, conforme assinaturas lançadas no Livro de Presença de Acionistas 4. Mesa: Roberto Oliva de Mesquita – Presidente; Nelson Magalhães Graça – Secretário. 5. Ordem do Dia: (a) prestação de contas dos Administradores, exame, discussão e deliberação sobre as demonstrações financeiras relativas ao exercício de 2011; e (b) deliberação sobre a destinação do lucro líquido. 6. Deliberações: Os acionistas presentes, com abstenção dos legalmente impedidos, deliberaram, por unanimidade, (a) aprovar, sem qualquer restrição ou ressalva, o relatório da administração e as demonstrações financeiras referentes ao exercício social encerrado em 31/12/2011, acompanhados do parecer da KPMG Auditores Independentes Ltda., documentos estes que foram publicados no DOE-SP, que circulou no dia 13/04/2012, e no Diário do Comércio, que circulou no dia 13/04/2012; e (b) aprovar, sem restrições ou ressalvas, a proposta da administração para a destinação do lucro líquido do exercício social encerrado em 31/12/2011, no montante de R$57.879.100,68, da seguinte forma: (i) constituição de Reserva Legal no montante de R$2.893.955,03 milhões, equivalente a 5% do lucro líquido do exercício, nos termos do art. 193 da Lei nº 6.404/1976; (ii) constituição de reserva estatutária no montante de R$51.194.456,86; (iii) ratificação da distribuição de dividendo obrigatório relativo ao exercício de 2011, no montante de R$13.746.286,41, à razão de R$27,49 para cada ação ordinária, conforme aprovação da Diretoria nas Reuniões datadas de 30/12/2011 e 31/01/2012, (iv) ratificação da distribuição de dividendo adicional relativo ao exercício de 2011, no montante de R$82.146,57, à razão de R$0,16 para cada ação ordinária, conforme aprovação da Diretoria nas Reuniões datadas de 30/12/2011 e 31/01/2012. O pagamento dos dividendos referentes aos itens “iii” e “iv” acima será feito ate o dia 31/05/2012. 7. Lavratura da Ata e Encerramento: Nada mais havendo a tratar e ninguém tendo pedido a palavra, determinou o Sr. Presidente suspendeu os trabalhos até que fosse lavrada, na forma de sumário dos fatos ocorridos, esta ata, a qual, após lida, foi achada conforme e assinada. Acionistas: Roberto de Oliva Mesquita; Suzana de Oliva Mesquita; Lucia de Mesquita Nunes e Paulo Roberto Nunes. São Paulo, 19/04/2012. Certifico que a presente é cópia fiel da ata lavrada em livro próprio. (ass.) Roberto de Oliva Mesquita – Presidente; Nelson Magalhães Graça – Secretário. Acionistas: Roberto de Oliva Mesquita, Suzana de Oliva Mesquita, Lucia de Mesquita Nunes, Paulo Roberto Nunes. Junta Comercial do Estado de São Paulo. Certifico o registro sob o nº 188.344/12-3 em 04/05/2012. Gisela Simiema Ceschin – Secretária Geral.

Maringá S.A. Cimento e Ferro-Liga CNPJ/MF nº 61.082.988/0001-70 –NIRE 35.3.0001745-5 Ata da Assembleia Geral Ordinária realizada em 19 de abril de 2012 1. Data, Hora e Local: Aos 19/04/2012, às 11 hs., na sede da Sociedade, situada na Rua Leopoldo Couto de Magalhães, nº 110, Cond. Edifício JK Tower, conjs. 21 e 22, parte. 2. Convocação: Convocação efetuada em conformidade com o art. 124 da Lei nº 6.404/76, publicada no DOE-SP e no Diário do Comércio nos dias 10, 11 e 12/04/2012. 3. Presenças: Acionistas representando mais de 92% do capital social, conforme assinaturas lançadas no Livro de Presença de Acionistas e o Sr. [...], representante da KPMG Auditores Independentes Ltda 4. Mesa: Roberto Oliva de Mesquita – Presidente; Nelson Magalhães Graça – Secretário. 5. Ordem do Dia: (a) prestação de contas dos Administradores, exame, discussão e deliberação sobre as demonstrações financeiras relativas ao exercício de 2011; e (b) deliberação sobre a destinação do lucro líquido. 6. Deliberações: Os acionistas presentes, com abstenção dos legalmente impedidos, deliberaram, por unanimidade, (a) aprovar, sem qualquer restrição ou ressalva, o relatório da administração e as demonstrações financeiras referentes ao exercício social encerrado em 31/12/2011, acompanhados do parecer da KPMG Auditores Independentes Ltda., documentos estes que foram publicados no DOE-SP, que circulou no dia 13/04/2012, e no Diário do Comércio, que circulou no dia 13/04/2012; e (b) aprovar, sem restrições ou ressalvas, a proposta da administração para a destinação do lucro líquido do exercício social encerrado em 31/12/2011, no montante de R$32.428.814,82 da seguinte forma: (i) constituição de Reserva Legal no montante de R$1.621.440,74, equivalente a 5% do lucro líquido do exercício, nos termos do art. 193 da Lei nº 6.404/1976; (ii) constituição de reserva estatutária no montante de R$10.299.674,00; (iii) ratificar a distribuição de dividendo obrigatório relativo ao exercício de 2011, no montante de R$6.626.220,41, à razão de R$0,04 para cada ação ordinária, aprovada nas Reuniões de Diretoria datadas de 20/09/2011, 30/12/2011 e 31/01/2012; (iv) ratificar a distribuição de dividendo adicional relativo ao exercício de 2011, no montante de R$15.373.779,59, à razão de R$0,09 para cada ação ordinária, aprovados nas Reuniões de Diretoria datadas de 20/09/2011, 30/12/2011 e 31/01/2012; 7. Lavratura da Ata e Encerramento: Nada mais havendo a tratar e ninguém tendo pedido a palavra, determinou o Sr. Presidente suspendeu os trabalhos até que fosse lavrada, na forma de sumário dos fatos ocorridos, esta ata, a qual, após lida, foi achada conforme e assinada. Acionistas: São Eutiquiano participações S.A. São Paulo, 19/04/2012. Certifico que a presente é cópia fiel da ata lavrada em livro próprio. (ass.) Roberto de Oliva Mesquita – Presidente; Nelson Magalhães Graça – Secretário. Acionistas: São Eutiquiano Participações S.A. Junta Comercial do Estado de São Paulo. Certifico o registro sob o nº 188.258/12-7 em 04/05/2012. Gisela Simiema Ceschin – Secretária Geral.

FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL NOS TERMOS DO PROVIMENTO CSM CXC/84, INFORMAMOS QUE NO DIA 10/05/2012 NÃO HOUVE PEDIDO DE FALÊNCIA NA COMARCA DA CAPITAL.

CNPJ/MF nº 04.034.792/0001-76 - NIRE nº 35.300382161 Companhia Aberta EXTRATO DO ITEM I DA ATA DA REUNIÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, REALIZADA EM 23 DE FEVEREIRO DE 2012. Na qualidade de secretária da reunião do Conselho de Administração, realizada nesta data, CERTIFICO que o item I da Ordem do Dia, que trata de “Apreciar o pedido de renúncia do Sr. Maxim Medvedosky ao cargo de suplente do Sr. João de Deus Pinheiro de Macedo, no Conselho de Administração e consolidar a composição do Conselho de Administração”, da Ata de Reunião do Conselho de Administração da Dommo Empreendimentos Imobiliários S.A., realizada em 23 de fevereiro de 2012, 15 horas, na sede social da Companhia, localizada na Avenida das Nações Unidas, 12.901, 27º andar, cidade do São Paulo, Estado de São Paulo, tem a seguinte redação: “Quanto ao item “1” da Ordem do Dia, os Srs. Conselheiros nomearam, em complementação ao mandato em curso, ou seja, até a primeira reunião do Conselho de Administração que ocorrer após a Assembléia Geral Ordinária de 2014, para o cargo de suplente do Sr. João de Deus Pinheiro de Macedo, no Conselho de Administração, o Sr. Luiz Francisco Tenório Perrone, brasileiro, casado, engenheiro, portador da identidade nº 003.259.885-6, expedida pelo IFP/RJ, inscrito no CPF/MF sob o nº 008.719.406-63, com endereço na Rua Humberto de Campos nº 425, 8º andar, Leblon, Rio de Janeiro/RJ. O conselheiro eleito declara não estar incurso em nenhum dos crimes previstos em lei que o impeça de exercer o cargo para o qual foi indicado. Os senhores conselheiros decidiram fazer o registro da consolidação da composição do Conselho de Administração da companhia que, a partir desta data, fica integrado pelos seguintes membros: (1) Como efetivo o Sr. José Mauro Mettrau Carneiro da Cunha, brasileiro, casado, portador da Carteira de Identidade nº 02.549.734-8, expedida pelo IFP/RJ, inscrito no CPF/MF sob o nº 299.637.297-20, residente e domiciliado na cidade do Rio de Janeiro/RJ, com endereço comercial na Rua General Garzon nº 22, sala 508, tendo como suplente o Sr. José Augusto da Gama Figueira, brasileiro, divorciado, engenheiro, portador da carteira de identidade nº M-8.263.413, SSP/MG, inscrito no CPF/MF nº 242.456.667-49, residente e domiciliado na Cidade do Rio de Janeiro/RJ, com endereço comercial à Praia de Botafogo nº 300, 11º andar, sala 1101; (2) como efetivo o Sr. Francis James Leahy Meaney, irlandês, solteiro, economista, portador da carteira de identidade RNE nº V218988-N, expedida pela CIMCRE/CGPMAF, inscrito no CPF/MF sob o nº 054.404.117-80, com endereço profissional na Rua Humberto de Campos, nº 425, 8º andar, Leblon, Rio de Janeiro/RJ, tendo como suplente (vago); (3) como efetivo o Sr. João de Deus Pinheiro de Macedo, brasileiro, casado, engenheiro, portador da carteira de identidade nº 0056006420, expedida pelo SSP/BA, inscrito no CPF sob o nº 060.055.275-68, com endereço comercial na Rua Humberto de Campos 425, 8º andar, Leblon, Rio de Janeiro - RJ, tendo como suplente o Sr. Luiz Francisco Tenório Perrone, brasileiro, casado, engenheiro, portador da identidade nº 003.259.885-6, expedida pelo IFP/RJ, inscrito no CPF/MF sob o nº 008.719.406-63, com endereço na Rua Humberto de Campos nº 425, 8º andar, Leblon, Rio de Janeiro/RJ; (4) como efetivo o Sr. Júlio César Fonseca, brasileiro, separado judicialmente, psicólogo, portador da carteira de identidade nº M-1.367.001, expedida pela SSP/MG, inscrito no CPF/MF sob o nº 318.103.906/30, com endereço profissional na Rua Humberto de Campos, nº 425, 8º andar, Leblon, Rio de Janeiro/RJ, e, como seu suplente (vago), todos com mandato até a AGO de 2014. VII. ENCERRAMENTO: Nada mais havendo a tratar, foi lavrada a presente Ata que, lida e achada conforme, foi aprovada e assinada por todos os presentes. São Paulo, 23 de fevereiro de 2012. ASS.: Daniella Geszikter Ventura - Secretária. Conselheiros: José Mauro Mettrau C. da Cunha - Presidente da Mesa; João de Deus Pinheiro de Macêdo; Francis James Leahy Meaney e Julio Cesar Fonseca. Certifico que a presente é cópia fiel da ata lavrada em Livro próprio. Daniella Geszikter Ventura - Secretária. JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO - JUCESP. Certifico o registro sob o nº 133.224/12-0 e data de 28/03/2012. Gisela Simiema Ceschin - Secretária Geral.

São Eutiquiano Participações S.A. CNPJ/MF nº 12.125.536/0001-12 – NIRE 35.300.417.577 Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada em 20/04/2012 1. Data, Hora e Local: Realizada no dia 20/04/2012, às 12 hs., na sede da Cia., na Rua Leopoldo Couto de Magalhães, nº 110, São Paulo-SP. 2. Convocação: Edital de Convocação publicado no “DOE-SP” e no jornal “Diário do Comécio” nos dias 12, 13 e 14 de abril. Todos os documentos e as informações referidos nesta Ata foram disponibilizados previamente aos acionistas. 3. Presença: Acionistas representando mais de 93% do capital social votante e total da Cia., conforme assinaturas constantes do Livro de Presença de Acionistas. 4. Mesa: Roberto Oliva de Mesquita – Presidente; Nelson Magalhães Graça – Secretário. 5. Ordem do Dia: (a) análise e deliberação sobre proposta de aquisição de ações de emissão da própria Cia. para permanência em tesouraria e posterior alienação ou cancelamento. 6. Deliberações: Após o exame e discussão das matérias constantes da Ordem do Dia e dos respectivos documentos, os acionistas presentes, com abstenção dos legalmente impedidos, deliberaram, por unanimidade, (a) aprovar, com base no disposto na aliena “b”, §1º, do art. 30 da Lei nº 6.404/76, o Plano de Recompra de Ações de emissão da Cia., nos termos da Proposta da Diretoria, para fins de permanência em tesouraria para posterior alienação ou cancelamento, sem redução do capital social, observado o limite do saldo de lucros e reservas disponíveis, exceto a legal, nos seguintes termos e condições: (i) a Cia. poderá adquirir até 1.457.845.510 ações ordinárias de sua emissão, a um valor patrimonial de R$0,014 por ação; (ii) o período para a recompra se inicia nesta data e deverá se encerrar até 20/05/2012, a critério da Diretoria; (iii) O valor total do Plano de Recompra de Ações é de até R$20.000.000,00. O preço de cada ação a ser adquirida será de R$0,014, o qual foi fixado com base no seu valor patrimonial contábil, de acordo com o balanço levantado em 31/03/2012. O pagamento das ações a serem adquiridas será feito, preferencialmente, mediante a dação em pagamento de um ou mais bens constantes do ativo da Cia., por seu valor patrimonial contábil determinado no referido balanço levantado em 31/05/2012. ou, alternativamente, em moeda corrente nacional a critério da Diretoria.Todos os acionistas da Cia. poderão participar do Programa de Recompra de Ações, na proporção das suas respectivas participações no capital social da Cia., sendo permitida a cessão do direito entre os acionistas. Os acionistas interessados deverão manifestar sua intenção mediante carta enviada à Diretoria da Cia., indicando a quantidade de ações a serem alienadas. No caso de cessão de direito, o acionista cedente deverá enviar carta à Diretoria indicando (i) o percentual de sua participação que será cedido e (ii) o nome do acionista cessionário. A Diretoria da Cia. fica autorizada, neste ato, a praticar todos os atos e firmar todo e qualquer documento necessário à execução do Plano de Recompra de Ações ora aprovado. 7. Documentos: Os documentos pertinentes à Ordem do Dia estão arquivados na sede da Cia. e foram colocados à disposição para consulta dos acionistas. 8. Lavratura da Ata e Encerramento: Nada mais havendo a tratar e ninguém tendo pedido a palavra, determinou o Sr. Presidente suspendeu os trabalhos até que fosse lavrada, na forma de sumário dos fatos ocorridos, esta ata, a qual, após lida, foi achada conforme e assinada. Acionistas: Roberto de Oliva Mesquita, Suzana de Oliva Mesquita, Lucia de Mesquita Nunes e Paulo Roberto Nunes. São Paulo, 20/04/2012. (ass.) Roberto de Oliva Mesquita – Presidente; Nelson Magalhães Graça – Secretário. Junta Comercial do Estado de São Paulo. Certifico o registro sob o nº 188.263/12-3 em 04/05/2012. Gisela Simiema Ceschin – Secretária Geral.

tores que não foram beneficiados na segunda fase do Brasil Maior poderão ser atendidos. Os ministros do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e do Planejamento, Miriam Belchior, já vêm defendendo o avanço no corte de tributos nos últimos dias, o que revela que o tema vem sendo sistematicamente tratado nos bastidores do governo. Inicialmente, a ideia da equipe econômica era deixar novas desonerações somente para o ano que vem, mas o

quadro, segundo fontes, deve exigir uma ação mais rápida. Técnicos do Ministério da Fazenda dizem que o problema será encontrar espaço fiscal, pois num cenário de crescimento econômico lento o desempenho da arrecadação também enfraquece. Mas, com as despesas com juros menores e a dívida líquida do setor público em trajetória de queda, há quem defenda também uma flexibilização da política fiscal para estimular o crescimento. (AE)

Companhia Canavieira de Jacarezinho CNPJ/MF nº 49.648.587/0001-39 – NIRE 35.300.090.934 Ata Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária de 19/04/2012 Data, Hora e Local: Aos 19/04/2012, às 09 hs., na sede da Sociedade, situada na Rua Leopoldo Couto de Magalhães, nº 110, Cond. Edif. JK Tower, conjs. 21 e 22, parte, São Paulo-SP. 2. Convocação: Convocação efetuada em conformidade com o art. 124 da Lei nº 6.404/76, publicada no DOE-SP e no Diário do Comércio nos dias 11, 12 e 13/04/2012. 3. Presenças: Acionistas representando mais de 99% do capital social, conforme assinaturas lançadas no Livro de Presença de Acionistas e o Sr. [...] , representante da KPMG Auditores Independentes Ltda 4. MESA: Roberto de Oliva Mesquita – Presidente; Nelson Magalhães Graça – Secretário. 5. Ordem do Dia: Em AGO (a) prestação de contas dos Administradores, exame, discussão e deliberação sobre as demonstrações financeiras relativas ao exercício de 2011; (b) deliberação sobre a destinação do lucro líquido; (c) eleição da Diretoria; e em AGE (a) deliberação sobre a proposta de aumento do capital social da Cia.; e (b) deliberação sobre alteração do Art. 5° do Estatuto Social da Cia.. 6. Deliberações: Os acionistas presentes, com abstenção dos legalmente impedidos, deliberaram, por unanimidade, em AGO (a) aprovar, sem qualquer restrição ou ressalva, o relatório da administração e as demonstrações financeiras referentes ao exercício social encerrado em 31/12/2011, acompanhados do parecer da KPMG Auditores Independentes Ltda., documentos estes que foram (i) colocados à disposição dos acionistas em 19/03/2012 e (ii) publicados no DOE-SP e no Diário do Comércio, no dia 13/04/2012, atendendo, portanto, ao disposto no Art. 133, §§ 1º e 3º da Lei nº 6.404/76; (b) aprovar, sem restrições ou ressalvas, a proposta da administração para a destinação do lucro líquido do exercício social encerrado em 31/12/2011, no montante de R$11.644.600,00, valor integralmente utilizado para compensação de prejuízos acumulados, relativos a exercícios anteriores, passando a conta de prejuízos acumulados de R$ 46.247.138,88 para R$ 34.602.538,88 (c) eleger a Diretoria, conforme segue: o Sr. Roberto de Oliva Mesquita, portador do RG nº 11.462.182-2 SSP/SP e do CPF/MF nº 023.114.848-85, para o cargo de Diretor Presidente; e o Sr. Eduardo Lambiasi, portador do RG nº 13.860.921-4 e do CPF/MF nº 034.293.678-67, ambos com mandato de 03 anos, nos termos do Art. 8° do Estatuto Social da Cia., que se encerrará em abril de 2015. Os Diretores eleitos assinaram, neste ato, o Termo de Posse e a Declaração de Desimpedimento, constantes do Anexo I à presente Ata. A remuneração global anual dos Diretores é fixada em até R$ 241.000,00, relativamente ao presente exercício fiscal; ficando a cargo da Diretoria a distribuição entre seus membros; em AGE: (a) aprovar o aumento de capital da Cia. em R$32.146.314,40, com a emissão de 369.453.433 novas ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal. Em razão do aumento de capital ora aprovado, este passará de R$39.500.000,00, dividido em 497.308.005 ações ordinárias nominativas e sem valor nominal, para R$71.646.314,40, dividido em 866.761.438 ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal. O preço de emissão de cada ação ordinária é de R$0,0870, fixado de acordo com o Art. 170, § 1º, inciso II, da Lei nº 6.404/76. As novas ações ordinárias emitidas serão subscritas neste ato pela São Eutiquiano Participações S.A. e integralizadas mediante a capitalização de crédito por ela detido contra a Cia., no mesmo valor do aumento ora aprovado, na forma do Boletim de Subscrição constante do Anexo II à presente Ata, sem prejuízo de eventual exercício do direito de preferência pelos acionistas da Cia.. As novas ações ordinárias terão os mesmos direitos das ações atualmente existentes e farão jus, em igualdade de condições, a todos os benefícios, inclusive a dividendos e eventuais remunerações de capital que vierem a ser aprovados pela Cia. no exercício de 2012. Considerando que a totalidade das ações ora emitidas foi subscrita pela São Eutiquiano Participações S.A., o aumento de capital ora aprovado está, desde já, consumado, não havendo necessidade de posterior homologação pela Assembleia Geral. Fica aprovada ainda a fixação do prazo de 30 dias, a contar da publicação da presente Ata, para exercício do direito de preferência das ações ora emitidas em razão do aumento de capital aprovado, na proporção da quantidade de ações de emissão da Cia. de que os acionistas forem titulares. Por se tratar de aumento de capital mediante capitalização de crédito, as importâncias pagas pelos acionistas que exercerem o direito de preferência serão entregues ao titular do crédito a ser capitalizado, conforme previsto no § 2º do Art. 171 da Lei nº 6.404/76; e (b) aprovar, em razão do aumento de capital aprovado no item “a” acima, a alteração do caput do Art. 5° do estatuto social da Cia., que passará a ter a seguinte redação: “Art. 5° – O Capital Social é deR$ 71.646.314,40, dividido em 866.761.438 ações ordinárias nominativas e sem valor nominal. § 1º – As ações são indivisíveis em relação à Cia. e nominativas, sendo facultada adoção de forma escritural, mediante prévia deliberação da Diretoria, em conta corrente de depósito, mantida em nome de seus titulares junto à instituição financeira indicada pela Diretoria, podendo ser cobradas dos acionistas a remuneração de que trata o § 3º, do Art. 35 da Lei 6.404/1976”. 7. Lavratura da Ata e Encerramento: Nada mais havendo a tratar e ninguém tendo pedido a palavra, determinou o Sr. Presidente suspender os trabalhos até que fosse lavrada, na forma de sumário dos fatos ocorridos, esta ata, a qual, após lida, foi achada conforme e assinada. Acionistas: São Eutiquiano Participações S.A.; Cia. Agrícola Usina de Jacarezinho. Certifico que a presente é cópia fiel da ata lavrada em livro próprio. São Paulo, 19/04/2012. (ass.) Roberto de Oliva Mesquita – Presidente; Nelson Magalhães Graça – Secretário. Diretores Eleitos: Roberto de Oliva Mesquita – Diretor Presidente; Eduardo Lambiasi – Diretor sem Designação Específica. Junta Comercial do Estado de São Paulo. Certifico o registro sob o nº 188.262/12-0 em 04/05/2012. Gisela Simiema Ceschin – Secretária Geral.

Companhia Agrícola Usina de Jacarezinho CNPJ/MF nº 61.231.478/0001-17 – NIRE 35.300.011.350 Ata da Assembleia Geral Ordinária realizada em 19 de abril de 2012 1. Data, Hora e Local: Aos 19/04/2012, às 10 hs., na sede da Sociedade, situada na Rua Leopoldo Couto de Magalhães, nº 110, Cond. Edif.JK Tower, conjs. 21 e 22, parte, São Paulo-SP. 2. Convocação: Convocação efetuada em conformidade com o art. 124 da Lei nº 6.404/76, publicada no DOE-SP e no Diário do Comércio nos dias 11, 12 e 13/04/2012. 3. Presenças: Acionistas representando mais de 98% do capital social, conforme assinaturas lançadas no Livro de Presença de Acionistas 4. Mesa: Roberto Oliva de Mesquita – Presidente; Nelson Magalhães Graça – Secretário. 5. Ordem do Dia: (a) prestação de contas dos Administradores, exame, discussão e deliberação sobre as demonstrações financeiras relativas ao exercício de 2011; e (b) deliberação sobre a destinação do lucro líquido, (c) eleição dos membros da Diretoria. 6. Deliberações: Os acionistas presentes, com abstenção dos legalmente impedidos, deliberaram, por unanimidade (a) aprovar, sem qualquer restrição ou ressalva, o relatório da administração e as demonstrações financeiras referentes ao exercício social encerrado em 31/12/2011, acompanhados do parecer da KPMG Auditores Independentes Ltda., documentos estes que foram publicados no DOE-SP, que circulou no dia 13/04/2012, e no Diário do Comércio, que circulou no dia 13/04/2012; e (b) aprovar, sem restrições ou ressalvas, a proposta da administração para a destinação do lucro líquido do exercício social encerrado em 31/12/2011, no montante de R$39.321.899,45, sendo a sua totalidade utilizada para a compensação de prejuízos acumulados, referentes a exercícios anteriores, passando a conta de prejuízos acumulados de R$ 114.470.588,66 para R$ 74.548.689,21 (c) eleger a Diretoria, conforme segue: o Sr. Roberto de Oliva Mesquita, portador do RG nº 11.462.182-2 SSP/SP e do CPF/MF nº 023.114.848-85, para o cargo de Diretor Presidente; e o Sr. Eduardo Lambiasi, portador do RG nº 13.860.921-4 e do CPF/MF nº 034.293.678-67, ambos com mandato de 03 anos, nos termos do Art. 8° do Estatuto Social da Cia., que se encerrará em abril de 2015. Os Diretores eleitos assinaram, neste ato, o Termo de Posse e a Declaração de Desimpedimento, constantes do Anexo I à presente Ata; Fixar a remuneração global dos Diretores em até R$ 241.000,00, relativamente ao presente exercício fiscal; 7. Lavratura da Ata e Encerramento: Nada mais havendo a tratar e ninguém tendo pedido a palavra, determinou o Sr. Presidente suspendeu os trabalhos até que fosse lavrada, na forma de sumário dos fatos ocorridos, esta ata, a qual, após lida, foi achada conforme e assinada. Acionistas: São Eutiquiano Participações S.A. São Paulo, 19/04/2012. Certifico que a presente é cópia fiel da ata lavrada em livro próprio. (ass.) Roberto de Oliva Mesquita – Presidente; Nelson Magalhães Graça – Secretário. Acionistas: São Eutiquiano Participações S.A. Diretores Eleitos: Roberto de Oliva Mesquita, Eduardo Lambiasi. JUCESP – Certifico o registro sob o nº 188.261/12-6 em 04/05/2012. Gisela Simiema Ceschin – Secretária Geral.

GBM BRASIL - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. DECLARAÇÃO DE PROPÓSITO Andrés Medina Mora Viramontes, passaporte mexicano nº 07340012004, CPF/MF nº 235.405.648-61. Declara sua intenção de exercer cargo de administração na GBM Brasil - Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. e que preenche as condições estabelecidas no art. 2º da Resolução 3.041, de 28/11/2002. Esclarece que, nos termos da regulamentação em vigor, eventuais objeções à presente declaração devem ser comunicadas diretamente ao Banco Central do Brasil, no endereço abaixo, no prazo de quinze dias contados da data da publicação desta, por meio formal em que os autores estejam devidamente identificados, acompanhado da documentação comprobatória, observado que os declarantes podem, na forma da legislação em vigor, ter direito a vistas do processo respectivo. Banco Central do Brasil - Av. Paulista nº 1.804, 5º andar, CEP 01310-922, São Paulo, SP.

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO CARLOS SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE - FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE PREGÃO ELETRÔNICO FMS Nº 057/2012 - PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 1139/2012 Faço público, de ordem do Senhor Secretário Municipal de Saúde, que se encontra aberto o Pregão Eletrônico FMS nº 057/ 2012, tendo como objeto o registro de preço de medicamento não padronizado, para atender processos autorizados, incluindo demandas administrativas para Defensoria Pública e processos judiciais, conforme especificações e quantidades constantes nos Anexos II e V. O Edital na íntegra poderá ser obtido nos sites: www.licitacoes-e.com.br e www.saocarlos.sp.gov.br, opção Licitações. O recebimento e a abertura das propostas dar-se-ão até às 8 horas e 30 minutos do dia 23 de maio de 2012, e o início da sessão de disputa de preços será às 9 horas e 30 minutos do dia 23 de maio de 2012. Maiores informações pelo telefone (16) 3362-1350. São Carlos, 10 de maio de 2012. Chayana Antonio de Moura - Pregoeira.

TECNICOM COMÉRCIO E SERVIÇOS DE PRODUTOS ELETRO-ELETRÔNICOS LTDA-EPP EXTRAVIO DE DOCUMENTOS A empresa TECNICOM COMÉRCIO E SERVIÇOS DE PRODUTOS ELETRO-ELETRÔNICOS LTDA-EPP, CNPJ nº 02.252.887/000130, inscrição Estadual 115.390.593.114, NIRE 35214875945, com sede à Rua Tapes, nº 330 – São Paulo – SP, declara o extravio dos Livros Diário Geral nº 04, e Razão Analítico nº 04 de 2011, já registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo. FUNDAÇÃO SABESP DE SEGURIDADE SOCIAL AVISO DE LICITAÇÃO Objeto: Prestação dos serviços de monitoramento e manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos de alarme e cftv, CONVITE Nº 004/12, tipo menor preço. Os envelopes deverão ser entregues no dia 28/05/12, às 15h. Edital completo através do site www.sabesprev.com.br/compras.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

18

sexta-feira, 11 de maio de 2012

e Mantega evita falar de próximos passos Primeiro, o BB reduziu os juros no crédito, agora agiu em relação aos fundos. Dan Antonio Marinho Conrado, vice-presidente de Varejo do BB

conomia

Ministro da Fazenda apenas garante que o Brasil vai crescer mais de 2,7% este ano. Para ele, alta do dólar frente ao real e a inflação não são motivo de preocupação.

O

ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi evasivo ontem ao ser questionado se o governo poderia reduzir o compulsório dos bancos ou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) como forma de estimular a economia. Mas garantiu que o Brasil vai crescer neste ano mais do que a taxa de expansão de 2,7% registrada em 2011. "Posso assegurar isso", declarou. Atualmente, a previsão do Ministério da Fazenda para o crescimento deste ano é de 4,5%, bem acima dos 3,2% de expansão estimados pelo mercado financeiro. "O Brasil tem muita política monetária para fazer, muito lastro. Essa é a nossa diferença. E usando os instrumentos que nós temos, podemos assegurar que a economia vai crescer neste ano mais que no ano passado", afirmou Mantega a jornalistas, acrescentando que não mencionaria "medidas específicas". "Vocês mesmos falam na imprensa todo dia. Várias daquelas medidas podem ser tomadas e nós estaremos tomando", disse. Pela manhã, o secretárioexecutivo da Fazenda, Nelson Barbosa, foi mais categórico ao sofrer o mesmo questionamento, dizendo que a elevação do compulsório e do IOF "são iniciativas que no momento não estão sendo consideradas". Dólar – Mantega fez questão de ressaltar que a alta do dólar frente ao real e a inflação não são motivo de preocupação. De acordo com o ministro, o câmbio vai beneficiar a indústria brasileira à medida que di-

Prévia do IGP-M de maio: alta de 0,89%.

A

primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de maio subiu 0,89% após uma alta de 0,50% em igual prévia do mesmo índice no mês passado. A informação foi divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Projeções de analistas do mercado financeiro apontavam uma elevação entre faixa entre 0,54% e 1,07%, mas acima da mediana das expectativas (0,75%). A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem a primeira prévia do IGP-M de maio. O índice do atacado, o IPA-M, teve alta de 1,15% na primeira prévia do índice este mês, em comparação com a alta de 0,47% na primeira prévia de abril. Já o índice do consumidor, IPC-M, apresentou alta de 0,29% na prévia anunciada, após subir 0,47% na primeira prévia de abril. E o índice da construção civil, INCC-M, teve elevação de 0,61% na primeira prévia deste mês, após registrar aumento de 0,76% na primeira prévia de abril Até a primeira prévia de maio, o IGP-M acumula aumentos de 2,37% no ano, e de 4,12% em 12 meses. O período de coleta de preços da prévia do IGPM de maio foi do dia 21 a 28 de abril. (AE)

Márcio Fernandes/AE - 04.05.12

O Brasil tem muita política monetária para fazer, muito lastro. Essa é a nossa diferença. GUIDO MANTEGA, MINISTRO DA FAZENDA

ficulta a entrada de produtos estrangeiros, e o que mais preocupa é o cenário externo. O ministro não quis associar o comportamento da moeda norte-americana à alta recente da inflação, ao afirmar que os preços subiram por conta de outros itens. O dólar aproximou-se do patamar de R$ 2 nos últimos dias, diante das preocupações com o cenário externo após as eleições na Grécia e na França. Falando sobre a situação internacional, Mantega afirmou que só medidas de austeridade não são suficientes.

Inflação – Nos últimos dias, a divulgação de dados piores sobre a inflação no Brasil passou a chamar a atenção do mercado, criando temores em torno da política do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros. Ao ser questionado sobre a elevação dos índices inflacionários, Mantega afirmou que a alta de 0,64% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em abril não é preocupante porque a inflação vai continuar em uma trajetória menor do que no ano passado. No ano, o IPCA acumula alta de 1,87%,

e, nos 12 meses encerrados em abril, a variação acumulada é de +5,10%. O ministro destacou que houve fatores específicos responsáveis pela elevação do IPCA na comparação com os meses anteriores, como a alta de 15% no preço do cigarro, "que foi o maior vilão da inflação", segundo o ministro, além do aumento do feijão e do custo de empregados domésticos. "Tivemos uma elevação em relação ao mês passado, mas ela foi inferior ao mesmo mês do ano passado. Nada preocupante. Continuamos com in-

flação muito menor que 2011", disse o ministro. Mantega afirmou também que não há previsão de reajuste dos combustíveis, mas não deu mais detalhes. Cenário externo – O que mais preocupa o governo brasileiro neste momento , segundo Mantega, é a situação internacional, em especial dos países europeus, "que estão se defrontando com um agravamento da crise". "O Brasil, é claro, tem impacto do que acontece lá fora, principalmente do lado da indústria, porque os mercados

continuam encolhidos. Os Estados Unidos não estão dando sinais de um dinamismo, então isso nos afeta. Mas temos condições para um crescimento maior, porque nós dependemos do nosso mercado interno", declarou ele. "Está agora sendo demonstrado que a estratégia de só fazer ajuste fiscal não funciona", afirmou Mantega. Mantega citou que o presidente eleito na França, François Hollande, está com uma posição correta, pois até agora "a austeridade fiscal só levou a mais austeridade". Mas ele lembrou que "é preciso também dar estímulos à economia". Segundo ele, os governos europeus vão ter de rever essa estratégia no curto prazo, sob pena de afetarem a si próprios. "Temos de novo problemas na Espanha e na Grécia", reforçou o brasileiro. Quanto à discussão sobre crédito, o Mantega reconheceu que há escassez e que as taxas de juros ainda estão elevadas, mas que o governo vê "boa vontade" da parte dos bancos para melhorar essa situação. (Agências)

CEF reduz juros e divulga aumento do lucro

A

Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou ontem mais uma redução dos juros no crédito para pessoas físicas e empresas, em linhas como financiamento de veículos, penhor e cheque especial. O banco público também informou que registrou aumento de 39% na concessão de empréstimos nas linhas em que reduziu os juros. No caso de veículos, a redução vale apenas para compra de carros novos e com cota de financiamento de até 70% do valor do bem. Além disso, o produto é restrito a correntistas com pelo menos 90 dias no banco. A taxa máxima caiu de 1,55% para 1,26% ao mês. A linha para compra de materiais de construção ou reforma saiu de 2,40% para a faixa de 1,96 a 2,35% mensais. E na linha com oferta de penhor, o preço do empréstimo sai de 2,00 a 2,4% para 1,7%. As novas taxas para o penhor e financiamento de veículos passam a vigorar a partir de hoje. No Construcard, as taxas entram em vigor a partir do dia 21 de maio. Para empresas, foram cortados os juros em cheque es-

pecial e antecipação de recebíveis de cartões de crédito. Na primeira modalidade, o juro máximo cobrado caiu de 7,95% para 4,27% ao mês. Essa é a quarta redução de juros do banco público desde o início de abril, quando lançou o programa "Caixa Melhor Crédito". O Banco do Bra-

sil já fez três cortes e ontem anunciou redução das taxas de administração em fundos de investimento (leia abaixo). As reduções de juros nos bancos públicos fazem parte de uma estratégia do governo para forçar a queda do spread bancário, a diferença entre o custo que o banco paga para

captar recursos e a taxa que ele cobra no empréstimo do cliente final. O objetivo é que os bancos privados façam o mesmo movimento que Caixa e BB. Lucro recorde – A CEF registrou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre deste ano, alta de 46% na comparação com o mesmo período de 2011. O retorno sobre o patrimônio foi de 25,3%, o mais alto já divulgado para o período entre os grandes bancos brasileiros. O crescimento do lucro foi puxado pela expansão do crédito. A carteira total de empréstimos do banco encerrou março em R$ 270 bilhões e cresceu 41% em 12 meses e 7,7% no primeiro trimestre ante o quarto período do ano passado, também a maior expansão entre os grandes bancos brasileiros. Com isso, a CEF elevou para 13% sua participação no mercado brasileiro de crédito, aumento de 2,1 ponto percentual em apenas um ano. Com a alta mais forte das operações de crédito, o índice de Basileia do banco, que mede a capitalização, ficou pressionado, fechando março em

12,8%, próximo do mínimo exigido pelo Banco Central, de 11%. Dentro da carteira de crédito, as operações com pessoas físicas registraram saldo de R$ 40,7 bilhões em março, e tiveram crescimento de 11,1% no trimestre e de 44,7% em 12 meses. O crédito para empresas cresceu, respectivamente, 7% e 39% nos dois períodos. O índice de inadimplência caiu no primeiro trimestre, ao contrário dos grandes bancos que já divulgaram balanço. O indicador fechou março em 2,07%, ante 2,14% no mesmo mês de 2011. A alta do lucro também foi impulsionada pelas receitas com operações de crédito e com prestação de serviços a clientes, que cresceram 32% e 18,6%, respectivamente. O total de ativos administrados pelo banco público atingiu R$ 1,1 trilhão, dos quais R$ 558 bilhões são ativos próprios e tiveram aumento de 29,4% em 12 meses. Outros R$ 300,7 bilhões são referentes a recursos do FGTS e o restante de fundos de investimento. (AE)

BB mexe nas taxas de administração O

Banco do Brasil anunciou ontem um corte de até 40% nas taxas de administração de seus fundos de investimento e ainda a redução da aplicação mínima em 18 produtos. Dois fundos, um de renda fixa e outro DI, tiveram aplicação inicial baixada de R$ 50 mil para R$ 1, com taxa de 1% ao ano. As novas taxas e valores de aplicação valem a partir do dia 21 de maio, de acordo com a assessoria de imprensa do BB. "As medidas decorrem do novo cenário de taxas de juros e spreads reduzidos",

informou o banco em comunicado. Para ter direito a investir nos dois fundos com aplicação mínima reduzida para R$ 1, o cliente precisa aderir ao programa Bompratodos, lançado em 8 de abril e que baixou os juros em vários segmentos de crédito, como consignado e financiamento de veículos. O BB estima que, desde o lançamento, mais de 150 mil pessoas já aderiram ao programa. "Primeiro, o banco fez um movimento de reduzir juros no crédito, agora foi em relação aos fundos", disse Dan Antonio Marinho

Conrado, vice-presidente de Varejo, Distribuição e Operações do BB, destacando que o banco também pode fazer ações de redução de taxas e tarifas em outros produtos bancários. Ao todo, nove fundos tiveram corte nas taxas de administração. Em uma delas, o BB Referenciado DI Social 50, a taxa caiu de 3,5% ao ano para 2,6%. Até um fundo multimercado, aplicação de maior risco, que aplica em vários segmentos, como bolsa, câmbio e ações, teve corte na taxa, de 2,5% para 1,5%.

Nas aplicações iniciais, 18 carteiras tiveram os valores reduzidos. No BB Multimercado Conservador LP Mil, o valor mínimo necessário para aplicar no fundo caiu de R$ 1 mil para R$ 200. A redução ocorreu inclusive em carteiras voltadas para pessoas de alta renda. No BB Renda Fixa LP VIP Estilo a aplicação inicial caiu de R$ 500 mil para R$ 200 mil. A Caixa Econômica Federal havia feito a maior redução em taxas e aplicação mínima de fundos. O banco criou um carteira que permite investimentos a partir de R$ 10. (AE)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012 Nº 416

19 Que feio - Crianças não gostam de ver os pais discutindo, falando ao celular ou praguejando no volante. É o que mostra pesquisa da Continental Pneus. Entre os pequenos, 17% se sentem envergonhados com os hábitos dos pais ao dirigir. Mais detalhes em www.conti-online.com/generator/www/com/en/continental/ pressportal/themes/press_releases/1_topics/conticompact/ pr_2012_04_23_elternfahrverhalten_en.html, em inglês.

DCARR O RECORDISTA

A4: o campeão da Audi chegou. Já está disponível a versão Ambiente do mais vendido da alemã. Custa R$ 149.700. Em julho, por R$ 183.500, chegará a Ambition. ANTÔNIO FRAGA/CHICOLELIS

P

raticamente desconhecida da maioria dos brasileiros, a Audi chegou ao mercado nacional pelas mãos dos irmãos Senna (Leonardo e Ayrton), nos anos 90. Depois de um processo de transformação na Alemanha, após a aquisição pela Volkswagen AG, os modelos Audi ganharam muito luxo, motores competentes, design diferenciado e status. Começou pelos A80 e A100, os primeiros a ganharem a nova imagem e os primeiros a chegar ao Brasil, com nova nomenclatura, passando para A4 e A6. Ao longo dos anos, a marca vem se aperfeiçoando e hoje figura num patamar onde se destacam principalmente a Mercedes-Benz e a BMW, também alemãs. A oitava geração do Audi A4, o modelo mais vendido da marca em todo o mundo (mais de dez milhões de unidades), que chega agora ao Brasil, é um refinamento da geração anterior, com poucas mudanças estéticas e mais aprimoramentos tecnológicos. Duas máquinas - São dois os modelos do A4 para o nosso mercado. Primeiro, a versão Ambiente. Ela tem 180 cv de potência a 4.000 rpm, índice que se mantém até os 6.000 rpm. O torque é de 320 Nm, disponíveis entre 1.500 e 3.900 rpm e custa R$ 149.700. O outro motor, que equipará a versão Ambition, vem com 211 cv de potência de 4.300 rpm a 6.000 rpm. O torque é de 350 Nm na faixa entre 1.500 rpm a 4.200 rpm. Esta versão chegará aqui apenas em junho, por R$ 183.500. Tanto as curvas de potência quanto as de torque desses motores são quase planas e indicam disposição para acelerar desde as baixas rotações, proporcionando prazer ao dirigir e rápidas respostas. O A4 Ambiente equipado com motor 2.0 TFSI de 180 cv acelera de 0 a 100 km/h em apenas 8,2 segun-

Fotos: Divulgação

De frente ou de traseira, o novo A4 mostra beleza. Mas foi por dentro que ele mudou mais.

dos e atinge velocidade máxima de 226 km/h, segundo o importador. Mudando marchas - As caixas de câmbio variam de acordo com a versão. O A4 Ambiente, com o motor de 180 cv, utiliza câmbio Multitronic (continuamente variável). No modo automático, o motorista pode pisar até o fim do acelerador e observar o conta-giros: como num avião, a rotação se mantém

praticamente estável, enquanto a velocidade aumenta sem que o motorista sinta qualquer tranco. Para quem preferir o sistema tradicional, o Multitronic permite a simulação de oito marchas. A tração é dianteira. Melhor que piloto - O A4 Ambition utiliza câmbio S-Tronic, automático sequencial de dupla embreagem e sete marchas. Essa caixa troca a s m a r c h a s m a i s r a p i d a-

mente do que um piloto profissional, aumentando ainda mais o prazer ao dirigir. Junto com a caixa S-Tronic vem a tração Quattro como item de série. Um arraso! O A4 com tração dianteira tem ESP (controle de estabilidade) com diferencial de deslizamento limitado. As rodas disponíveis de série terão aro 17 com pneus 225/50. A versão Ambiente vem equipada tam-

dor, o carro "freia" pelo motor, como se fosse um carro mecânico. Isto reduz consumo de combustível e do freio. E passa também uma ótima sensação de controle da máquina. Por dentro, conforto total, até mesmo para quem tem mais de 1,80 metro e vai sentado no banco traseiro. Para os motoristas, a tela que oferece

todas as informações necessárias para um dirigir tranquilo, incluindo o GPS, pode ser ajustada, eletricamente, em três posições para que se tenha boa visibilidade. Os bancos são em couro, o ar condicionado, bi-zone e o teto solar completam o charme interno. No porta-malas, 526 litros, um dos maiores da categoria. E os

sensores de distância ajudam nas manobras. Mas cuidado, ele não detecta o ciclista com 1,5 metro como manda a lei que protege as duas rodas, que pode continuar surpreendendo os motoristas ao andar na contra-mão. Mas isto não é um defeito, é falta de regulamentação do uso da bicicleta. chicolelis

PEUGEOT 408 THP

O

charme da "voiture", automóvel na terramãe da Peugeot, está na capacidade de reunir um desenho extremamente agradável, interior confortável e moderno, e motor turbo (pulsante), que permite boas emoções com a garantia do sistema de segurança que tem ABS, REF, que equilibra eletronicamente o freio, dividindo sua força entre as rodas, conforme a necessidade de cada uma. E conta também com frenagem de emergência, ESP, que corrige perda de aderência, ASR, antipatinagem e CDS, o controlador de estabilidade. Dá para "abusar" um pouco. São 165 cv do mesmo motor 1.6 THP (Turbo High Pressure) desenvolvido em conjunto com a BMW, que equipa o esportivo da marca, o RCZ e da SUV 3008, com 24,5 mkgf de torque. Máxima, 213 km/h e 0 a 100 km/h em 8.3s. O preço é outra atração do 408: R$ 81.490, seja versão manual ou na automática, de seis velocidades. Atenção para o efeito freio motor gerado pela transmissão automática. Quando se tira o pé do acelera-

bém com bancos dianteiros com ajustes elétricos, piloto automático, sensor de luz e chuva, teto solar, espelhos retrovisores externos elétricos, air bag lateral dianteiro e de cabeça, direção eletromecânica, faróis b i - x e n ô n i o , f r e i o d e e s t acionamento eletromecânic o , s e n s o r d e e s t a c i o n amento traseiro, rádio Symphony, Audi Music Interface e Bluetooth.

O estilo - Com a enorme grade na dianteira, marca registrada da fábrica alemã, tem fortes linhas horizontais na dianteira. O capô recebeu vincos acentuados; a grade frontal, formada por uma única peça, tem novo formato, é pintada na cor cinza escuro e tem moldura cromada. Na parte inferior, as entradas de ar ficaram maiores e mais pronunciadas, assim como a moldura das luzes de neblina. O novo A4 ganhou novos faróis, com regulagem de altura automática, luzes de xênon, de série, assim como as luzes diurnas de LEDs, que são obrigatórias na Europa. Algumas marcas importadas põem em seus anúncios e catálogos as luzes diurnas como um item diferenciado de luxo, só que apenas estão cumprindo a legislação da Comunidade Europeia. Na parte traseira, o A4 ganhou novas lanternas, também com LEDs. O comprimento do A4 se manteve em 4,70 m. O interior no novo modelo reserva as maiores alterações, como o novo volante, com melhor empunhadura e mais esportivo, painel preto, com detalhes na cor cinza e apliques em alumínio e quatro combinações de cores para bancos, revestimentos de porta e forro de teto. Intuição - Os comandos multimídia, tanto no volante quanto no console, foram aprimorados e, ao mesmo tempo, ficaram mais simples e intuitivos de usar. A versão Ambiente pode contar com o opcional MMI (Multi Midia Interface), com sistema de navegação e comando de voz ativo (o veículo interage via voz com o condutor). É possível navegar pelas diversas mídias (jukebox, SD Card, CDs, rádio e sistema de navegação) sem deixar de estar atento ao trânsito, utilizando apenas a voz. Aperfeiçoamentos também foram aplicados no sistema de arcondicionado e na transmissão automática.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

20

t

sexta-feira, 11 de maio de 2012

ARTE DE BEM RECEBER O hotel Casa do Lago recebeu o primeiro 'Prêmio Qualidade' da Associação Roteiros de Charme

urismo

Evana Sutilo

Como sua casa no campo A 230 km de São Paulo, o hotel Casa do Lago é só prêmios. Mérito da anfitriã e chef Diva Nassar, que fez de sua antiga fazenda um paraíso na roça. Evana Sutilo

Fotos: Divulgação

O

contato com a natureza é, sem dúvida, uma das melhores maneiras de recuperar a energia despendida diariamente nas cidades grandes. Se esse contato for acompanhado de boa comida, boa prosa, variadas opções de atividades e/ou serenidade para descansar e pensar, melhor ainda. Pois tudo isso você vai encontrar no hotel Casa do Lago. Seja na companhia da família, namorado (a) ou amigos, a bela paisagem e a Diva (sem o dona, como gosta de ser chamada a proprietária), estarão ali para recebê-los como se aquela fosse sua casa de campo. Pequenos grupos de executivos dedicados a tratar de negócios também encontram ali o ambiente ideal, com conforto e segurança. A 230 km de São Paulo, entre Campina do Monte Alegre e Buri, a empresária Diva Nassar transformou sua centenária fazenda neste aconchegante hotel-fazenda onde ela é a anfitriã e a chef de cozinha. A Casa do Lago recebeu o primeiro "Prêmio Qualidade" da Associação Roteiros de Charme, entidade que reúne hotéis de alto padrão de hospitalidade com o compromisso diferenciado em bem receber. O reconhecimento pela gastronomia veio na forma de Selo Gourmet da Recantos & Requintes, outra associação que reúne só hotéis e pousadas de charme. A maioria dos alimentos é produzida na própria fazenda, de maneira natural, com competência e talento. A simples visão e o aroma dos pratos aguçam todos os sentidos. A t e n ç ã o e special ao cabrito assado, ao bacalhau, à feijoada, ao lagarto com damasco, ao churrasco na varanda, às vezes pratos árabes e mais uma extensa lista de caprichadas delícias como o cupim defumado com abacaxi e os doces e queijos de fabricação própria. A preocupação com o meio ambiente foi responsável este ano por mais um prêmio: o selo do Instituto Internacional de Pesquisa e Responsabilidade Socioambiental Chico Mendes. Nos 33 alqueires da fazenda, a casa-sede fica à beira de um grande lago – como sugere seu nome –, onde se pode pescar, e há cinco chalés. São só 15 apartamentos, sendo que dois ficam na sede. Todos são

Sempre gostei de receber. DIVA NASSAR

Pesca em um grande lago (acima), cavalgadas e o contato com animais da fazenda (abaixo) são algumas das atividades para turistas mirins.

decorados com muito bom gosto e equipados para oferecer o máximo em conforto: camas queen e king-size, televisão, sistema de vídeo, telefone, frigobar, cofre, aquecimento central, ventilador de teto e, em alguns, ar-condicionado. São muito espaçosos e com rede na varanda. A atenção está nos mínimos detalhes – desde o cuidado especial com lençóis e toalhas muito macias, as frutas frescas que se encontram nos quartos logo que se dá entrada, ao chá quentinho com bolachas que também estão nos esperando antes do merecido repouso noturno.

Lazer – O lago tem peixe em abundância, fazendo a alegria de pescadores mirins e adultos. Há trilhas ecológicas perfeitas para caminhadas, passeios a cavalo, de bicicleta ou charrete. Bosque, piscina, sauna, hidromassagem, quadra de tênis, campo de futebol, salão de jogos e uma charmosa sala de estar para adultos com mesas de carteado e outros jogos. Aparelhos de som com grande variedade de CDs estão disponíveis em várias salas. Da varanda da sede, o lago ao pôr-do-sol é uma visão à parte, com gansos, marrecos, garças brancas delgadas fazendo revoada e peixes saltando. Capivaras são vistas na outra margem, e se você tiver a mesma sorte da repórter do Diário do Comércio, enquanto leva uma gostosa prosa com a Diva, será alertada por ela para uma bela raposa vermelha

Produtos à mesa são produzidos lá, de forma natural. Na casa-sede, todo conforto e aconchego.

com seus olhos brilhantes passeando durante a noite. Logo pela manhã, leve as crianças para participar da ordenha. Mais tarde elas poderão ver o seu Zé fazendo o queijo com o leite que elas mesmas tiraram. Os porquinhos estarão logo ali para receber mamadeira. Festa junina – A Casa do Lago oferece pacote tentador de inverno para curtir o friozinho e fazer sua festa junina com bandeirolas enfeitando os passeios ao redor da casa-sede e guloseimas típicas da ocasião. Que tal aproveitar a charrete e levar os noivos para o casamento caipira? Será diversão na certa. Cansou só de ler tantas possibilidades? Pois então, se dê o direito de não fazer nada, curtindo a natureza de papo para o ar.

Casa do Lago: a 230 km de São Paulo, entre Campina do Monte Alegre e Buri, tels. (15) 32561385 e (15) 3546 1490, www.casadolago.com.br. Reservas em São Paulo pelos tels. (11) 4117-2019 e (11) 8456-0724. Diárias com pensão completa (bebidas à parte) a partir de R$ 780 duplo e R$ 658 individual. Pacote de sete noites nas férias de inverno (exceto feriados e datas festivas) a partir de R$ 4.280 duplo e R$ 3.424 individual.

Para relaxar, piscina e uma boa prosa. São só 15 quartos espaçosos, com rede na varanda.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

21

Afinando a saudade de Tinoco

d

cultura

Último representante da música sertaneja de raiz, Tinoco (com o irmão Tonico) representa uma era de poesia que o rádio fez chegar ao Brasil inteiro. Tinoco (e Tonico) deixou uma herança para cultivar. E que ninguém esquece. André Domingues

S

exta passada, o DCultura destacou o show do "mestre da moda-de-viola" Tinoco, que andava esquecido, na Virada Cultural. Seria, finalmente, uma apresentação digna da sua grandeza. Quando o jornal chegou aos leitores, contudo, já circulava na contramão a notícia do falecimento do artista, aos 91 anos, durante a madrugada. Parecia um daqueles causos de música sertaneja - como o Chico Mineiro, que ele tanto e tão bem cantou -, em que a morte chega de supetão para desmanchar a felicidade esperada. Restou um travo de amarrar a boca e cortar o coração. O botucatuense Tinoco (José Pérez) era o último grande representante da primeira geração de sertanejos formada no mundo do rádio e dos discos: urbana e midiatizada, mas ainda propagadora de uma herança rural folclórica. Acontece que, até

a juventude, música para ele era o que fazia com seu irmão, Tonico (João Salvador Pérez), sentado na porta de casa para ganhar um tostão dos homens que voltavam da roça. Ou os cantos das festas de dias santos, sobretudo as juninas. Ou as serenatas para que eram contratados quando algum amigo queria pedir uma menina em casamento. Somente aos 20 e poucos anos, já morando em São Paulo, os dois foram trabalhar em rádio para valer, a partir de um concurso de calouros vencido na extinta Difusora. Na ocasião, cantaram em trio com o primo Miguel, com o nome de Trio da Roça. Miguel, entretanto, ficou pouco tempo com eles. Quando iniciaram o contrato com a emissora, já eram, de novo, uma dupla, e receberam do lendário compositor, cantor e radialista Capitão Furtado o nome artístico definitivo de Tonico e Tinoco. Era, então, o começo de sucessos como Chico Mineiro,

Moreninha Linda, Caninha-Verde, Canoeiro, Rei do Gado e muitos outros. Nos anos de 1950, já tidos como a dupla sertaneja mais famosa do País, Tonico e Tinoco conseguiram o difícil feito de furar a rivalidade regional e se tornar uma atração fixa da poderosa Rádio Nacional do Rio de Janeiro, onde ficaram por 17 anos. Tiveram, ainda, diversas passagens pelo cinema e pela televisão. Foi o auge da glória. Comparar o brilho desses momentos com o enevoado final de vida que tiveram é de ficar avexado - para usar uma palavra do hábito de Tinoco. Muito, muito avexado.

Torres e Florêncio

Tonico e Tinoco

A

Pena Branca e Xavantinho admite, em função do tipo da peça a ser executada, uma razoável quantidade de ritmos, ou toques, e de formas de tocar. É nesse trato que Tião Carreiro se fez único, por exemplo, com seu singularíssimo pagode-de-viola. O canto caipira, por sua vez, também tem seus caprichos. É preciso bom senso e afinação para colocar as vozes nos tradicionais intervalos de terça, além de sensibilidade para conseguir um timbre agradável com o parceiro. O bom alcance de notas agudas, com a sonoridade cortante da vozde-peito, também costuma ser exigido. É preciso, ainda, ter a expressividade de um contador de causos, a fim de manter a atenção em canções narrativas e frequentemente longas. A soma desses elementos todos, aliás, foi um dos maiores motivos do destaque conseguido por Tonico e Tinoco. Já a composição das canções, especialidade de João Pacífico, por

exemplo, costuma ficar em torno de poucos e significativos temas, como causos espantosos, saudades da terra natal e dores de amor. As melodias costumam ter uma boa exploração de tessitura, com frequentes saltos passionais em direção aos sons mais agudos, ao passo que os versos tendem às métricas e rimas tradicionais da poesia oral. Restam, hoje, poucos conhecedores de todos os segredos da música caipira. Entre os mais velhos, o grande nome é a cantora e folclorista Inezita Barroso; numa faixa etária mais nova, o destaque fica com a geração intelectualizada de Renato Teixeira, Almir Sater, Ivan Vilela e Roberto Correia. Recentemente, registra-se um movimento renovador entre a juventude universitária, baseado em trabalhos sistemáticos de pesquisa. Seu modo de preparo não é aquele mesmo dos antigos, é verdade, mas ainda pode render receitas saborosas. (AD)

A levada dos eletrificados

A

Fotos: Reprodução

arte de Tinoco é como um daqueles doces caipiras em que o difícil não é conseguir ou quantificar os ingredientes, mas o próprio modo de fazer. É preciso ter mão boa. Exemplos disso foram os já falecidos Cornélio Pires (detalhe no texto acima), Torres e Florêncio, Alvarenga e Ranchinho, Zé Carreiro e Carreirinho , Tião Carreiro e Pardinho e Pena Branca e Xavantinho. Hoje, são raros. A moda-de-viola, em si, é algo muito simples. Primeiro, só requer violas (normalmente com cinco pares de cordas de aço) e vozes. Depois, exige um conhecimento musical muito básico e nenhuma erudição literária. Seu segredo está na sabedoria ao manipular tão poucos elementos. A viola caipira tem umas tantas afinações - Cebolão, Boiadeira, Rio Acima, Riachão... - que precisam ser bem conhecidas, pois dão coloridos sonoros diferentes para cada canção. O instrumento ainda

Edú Garcia/AE

Clóvis Cranchi Sobrinho/AE

COMO DOCE CAIPIRA

Cascatinha e Inhana

Alvarenga e Ranchinho

elasticidade que o termo sertanejo ganhou com os anos merece atenção. Por mais que haja uma longa distância de Tonico e Tinoco a Fernando e Sorocaba, todos ainda são identificados por esse mesmo nome, unidos pela função de expressar a sensibilidade interiorana do País. Há grandes diferenças entre eles, sem dúvida. Se nos anos 80 o que escandalizava os puristas eram o uso de instrumentos elétricos e a aproximação com a country music americana, por exemplo, hoje os vilões são as fusões insólitas com a axé music, o rock e até o funk carioca. Acontece que passou a se valorizar bastante nos rodeios e nas casas noturnas especializadas um espírito baladeiro, e os artistas se puseram a buscar re-

ferências mais dançantes e atuais. Há também, por outro lado, algumas permanências importantes na música sertaneja de hoje. As duas vozes, por exemplo, ainda estão lá, embora menos agudas (a dupla Bruno e Marrone (foto) foi marcante numa guinada para sons mais próximos do registro de fala) e com a segunda voz cada vez menos explorada. O sentimentalismo passional também perdura, apenas atualizando a figura idealizada da Cabocla Tereza com os contornos sensuais de uma moça como a Nega,

Nesta edição: mães à mesa e em DVDs; Guinga e Quinteto Villa-Lobos; concertos gratuitos com a Sinfônica Alemã de Berlim, sob a batuta de Vladimir Ashkenazy. E bela exposição de obras assinadas pelo suíço Alberto Giacometti.

de Luan Santana, que "chega junto e vem me amar". Sobrevive nos mais novos, igualmente, a primazia dos instrumentos de corda no acompanhamento. Ainda que as violas só apareçam de vez em quando, os violões elétricos e as guitarras funcionam como suas extensões simbólicas. É em função dessas constâncias preservadas que o termo sertanejo ainda tem fôlego. P o r m a i s q u e a lguns puristas prefiram ser chamados de caipiras e alguns modernos se identifiquem como pop, ainda podem andar todos na mesma comitiva. (AD)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

22

sexta-feira, 11 de maio de 2012

d

cultura

HOMENAGEM COM SABOR E MIMOS Lúcia Helena de Camargo

Dia das Mães é a data que mais lota restaurantes, já que ninguém deixa a mãe passar o dia na cozinha preparando a refeição da família. Portanto, faça sua reserva o quanto antes. Listamos aqui algumas sugestões de casas que criaram menus especiais ou dão pequenos mimos para a homenageada do dia. Na companhia dos filhos, não tem erro. A mamãe vai gostar do passeio e do cardápio.

O Via Castelli sugere para o almoço do domingo das mães fórmulas com couvert, bufê de saladas, frios e o prato. Entre as opções, risoto de frutos do mar (R$ 67) e medalhão de filé mignon com bacon, servido com molho ao vinho e risoto de aspargos verdes (R$ 65). Para sobremesa, pudim de tapioca (foto). Via Castelli. Rua Martinico Prado, 341. Higienópolis. Tel.: 3662-2999. www.viacastelli.com.br Divulgação

Fotos: Tadeu Brunelli/Divulgação

Sobremesa grátis no menu especial da comemoração opção vem sashimi de picanha e combinado com 42 itens composto por sashimis, sushis, enrolados, ovas, mini hot roll e harumakis, servido para até quatro pessoas (R$ 90). A casa, que possui unidades no Jardins e

na Vila Mariana. A sobremesa harumaki de banana é grátis. Kiichi. Alameda Lorena, 138. Jardins. Tel.: 3051-3330. E Rua Dr. Altino Arantes, 795. Vila Mariana. Tel.: 2577-2023. www.kiichi.com.br

Olhar de Fotógrafa/Divulgação

O restaurante japonês Kiichi montou duas opções de cardápios para as mães. Na primeira, a entrada é carpaccio de robalo e o prato principal, risoto japonês com lagosta (foto), a R$ 70 por pessoa. Na segunda

Adoçando a mãe: mil folhas com recheio de framboesa. quanto no jantar durante todo o final de semana. No domingo, o restaurante promete presentear as mães que estiverem ali (não divulga qual será o presente). Da cozinha saem massas feitas na hora e risotos. Entre as sugestões

da casa, pasta ao sugo de lingüiça, funghi e grana padano ou com galinha d’angola ao molho do assado e funghi. Italy. Rua Oscar Freire, 450. Jardins. Tel.: 3167-7489. www.italyrestaurante.com.br

em Peixe de a crost inha r caipi

Elas ganham uma taça de vinho para brindar

Divulgação

O Italy criou uma sobremesa exclusivamente para a data: a mil folhas (foto) com calda de violeta, receita que leva praline, creme com framboesa e massa folhada crocante (R$ 16). O prato pode ser pedido tanto no almoço

A celebração é à base de carne na churrascaria argentina La Caballeriza. O menu, a R$ 70 por pessoa, inclui bife de chorizo de 250 gramas (foto) acompanhado de risoto primavera e batata assada ao queijo roquefort. As mães ganham uma taça de vinho da casa. A decoração temática remete ao universo dos cavalos e ao pólo. O ambiente mais disputado é justamente aquele com as baias (caballerizas). La Caballeriza. Alameda Campinas, 530. Tel.: 3541-2220. www.lacaballeriza.com.br

Um bistrô para as fãs de comida francesa Servida nas delicadas panelinhas, a comida no bistrô La Coccote sai da cozinha comandada pelo chef Fred Frank. Para a festa do Dia das Mães, a sugestão da casa é a coxa de pato confit com risoto de baunilha ao perfume de menta (R$ 58). E, na sobremesa, o mil-folhas de baunilha e coulis de framboesa (foto), que custa R$ 17. Por trás do empreendimento do restaurante estão os empresários Juscelino Pereira e Pedro Sant’Anna. La Cocotte. Alameda Ministro Rocha Azevedo, 1153. Jardins. Tel.: 3081-0568. www.lacocotte.com.br

No elegante Cantaloup, entre as sugestões de entrada para o almoço do domingo está a salada de folhas verdes com flor de zuchine e queijo camembert ao vinagrete de ervas finas (R$ 36); e para prato principal, lasanha de pato com compota de pera ao vinho do Porto (R$ 60) e pirarucu em crosta de caipirinha de limão siciliano com quinua e brunoise de legumes (foto), a R$ 63. Na sobremesa, gateau de blueberry e limão (R$ 23). Cantaloup. Rua Manoel Guedes, 474. Itaim Bibi. Tel.: 3078-3445. www.cantaloup.com.br

Na página seguinte, mães são temas de filmes. Veja os que estão em DVDs.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

23

EM

A

N CI

Sony Pictures/Divulgação

animação Piratas Pirados! (Reino Unido, 2012, 93 minutos), que estreia nesta sexta (11), conta a história do capitão Pirata, no melhor estilo "terror dos sete mares". Porém, não muito bem-sucedido. Sua tripulação não é lá essas coisas. O Capitão tem um sonho: derrotar seus rivais Black Bellamy e Cutlass Liz e levar o cobiçado prêmio de Pirata do Ano. A busca leva a viagens pelas praias da exótica Ilha Sangrenta até as enevoadas ruas da Londres vitoriana. Eles lutam com uma rainha diabólica e se aliam a um jovem, apaixonado e desafortunado cientista. Dirigido por Peter Lord. No som original, a voz do pirata é feita pelo inglês Hugh Grant. E de Cutlass Liz, por Salma Hayek. Mas serão ouvidas por poucos nos cinemas brasileiros, já que por aqui a maioria das cópias se-

d

cultura

rá dublada em português. Adultos que apreciam animações e não têm paciência para dublagens terão que esperar o lançamento em DVD. Entra em cartaz o brasileiro Uma Longa Viagem (Brasil, 2011, 97 minutos). Direção e roteiro de Lúcia Murat. O filme foi o vencedor nas categorias de melhor filme, melhor ator, melhor direção de arte e ganhou o prêmio do júri popular e estudantil no Festival de Gramado, além de ter levado o prêmio da crítica no Festival de Paulínia. Conta a história de três irmãos. O caçula vai para Londres em 1969, mandado pela família para que não entrasse na luta armada, seguindo os passos da irmã. Durante os nove anos em que viaja pelo mundo, ele escreve cartas. O terceiro irmão morre. Caio Blat faz a narração. (LHC)

UIP/Divulgação

O PIRATA. E TRÊS BRASILEIROS.

A

BATALHA NAVAL Estreia também Battleship - Batalha dos Mares (EUA, 2012, 131 minutos). Peter Berg dirige e produz. Baseado no jogo Batalha Naval, da Hasbro, a aventura terá mais apelo aos adolescentes. A Terra luta pela sobrevivência contra uma força superior desconhecida. No elenco, Taylor Kitsch no papel do herói Sam. E ainda Brooklyn Decker, Alexander Skarsgård, Rihanna e Liam Neeson, como o Almirante Shane. (LHC)

Mãe é mãe. Na vida real ou sob o crivo das câmeras. Lúcia Helena de Camargo

Fotos: Divulgação

Meryl Streep como a animada mãe em Mamma Mia; John Travolta em Hairspray (à direita). Abaixo, Mark Ruffalo, em Minhas Mães e Meu Pai.

M

ãe é aquele ser abnegado, que ama incondicionalmente e perdoa tudo, certo? Nem sempre. Há também aquelas sem instinto materno, que anseiam por se ver livres dos filhos. E outras cujo amor é obsessivo e sufocam a prole. Já que domingo é Dia das Mães, reunimos aqui algumas dicas de filmes sobre mães de estilos diversos, para você assistir com a sua mãe, no sofá da sala, depois de levá-la para almoçar fora. Meryl Streep em Mamma Mia (2008) é Donna, tipo de mãe que todo mundo gostaria de ter. Ou quase. Alegre, determinada e companheira da filha Sophie (Amanda Seyfried), fez loucuras na juventude e tem dúvidas sobre quem seria o pai da moça, que agora está com 20 anos e vai se casar. Embalada por canções do grupo ABBA, a comédia musical coloca todos para cantar e dançar. Streep tira de letra. Seyfried também não faz feio. E cantam ainda os três possíveis pais, que aparecem, a convite da

noiva, para tentar resolver a questão da paternidade. Há o aventureiro Bill (Stellan Skarsgård), o certinho Harry (Colin Firth, de O Diário de Bridget Jones) e o arquiteto Sam (Pierce Brosnam, que já foi o agente 007), o pior dos três em termos musicais. O cenário é uma belíssima ilha grega. Não saber quem é seu pai pode levar a questionamentos, mas não a ponto de querer exterminar sua mãe. Por outros motivos, essa é a intenção de Owen Lift (Danny DeVito) em Jogue a Mamãe do Trem (Throw Momma From the Train, 1987). Dirigido por DeVito, o longa é uma espécie de paródia de Pacto Sinistro, de Alfred Hitchcock. Owen encontra Larry Donner (Billy Crystal), que sonha em ver morta sua exmulher. E eles vão combinar a troca de assassinatos. No suspense Herança Maldita (Baby Blues, 2008) ocorre ao contrário. Aquela que dá à luz é quem vai tirar a vida. Baseado em uma história real, o roteiro desse suspense dirigido por

Amardeep Kaleka e Lars Jacobson se sustenta sobre um caso grave de depressão pósparto. Já em Mamãe É de Morte (Serial Mom, 2006), a ira da mãe se volta contra os outros. Kathleen Turner vive Beverly Stuphin, mãe adorável e carinhosa. Seu marido, o dentista Eugene (Sam Waterston), seus filhos Misty (Ricki Lake) e Chip (Matthew Lillard) completam a cena feliz. Porém, quando o bem estar da família é posto em perigo, ela vira bicho e vai resolver os problemas de forma pouco convencional. Mais radical é a matriarca do longa sul coreano Mother – A Busca pela Verdade (2009, direção de Joon-ho Bong), que defende o filho autista até quando ele comete atos criminosos. A briga da mãe pela filha

no musical Hairspray: Em Busca da Fama (2008) é de outra natureza. O inimigo é o preconceito na Baltimore dos anos de 1960. A peculiaridade: a mãe é encarnada por John Travolta, caracterizado de maneira impecável. Com Amanda Bynes e Christopher Walken no elenco. Mãe obsessiva pelo bem estar do filho pode ser prejudicial. Em Minha Mãe Quer que Eu Case (Because I Said So, 2007), dirigido por Michael Lehmann, Diane Keaton é Daphne, mãe solteira que criou suas três filhas e agora decide escolher o marido para a caçula, Milly (Mandy Moore), colocando um anúncio em um site de encontros. E quando se da mãe do seu par? Bem, aí temos a controversa figura da sogra.

Malvistas na cultura popular, há casos confirmados de sogras bondosas, bem-intencionadas em relação às noras e genros. Mas dados do instituto DataSogra apontam a existência, para cada uma dessas, de dezenas de outras no estilo tradicional (principalmente quando se trata de filho homem): ferinas e prontas a combater quaisquer aproximações de mulheres que desejem espaço na vida de seus preciosos rebentos. Assim é Viola, mãe possessiva e neurótica vivida por Jane Fonda no filme A Sogra (Monster in Law, 2009). Ela se empenha em fazer com que seu filho Kevin (Michael Vartan) perca o entusiasmo pela namorada Charlotte (Jennifer Lopez). Vale tudo: difamação, humilhação, fingimento, chantagens emocionais. Até Charlotte decidir revidar e o duelo pegar fogo. Em inglês, sogra é chamada gentilmente de "mother in law" (mãe pela lei). O título original do filme faz o trocadilho que se traduz por "monstro pela lei".

Mãe demais atrapalha, como prova a história de Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right, 2010). Dois irmãos adolescentes, Joni (Mia Wasikowaska) e Laser (Josh Hutcherson), filhos do casal homossexual Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening), foram concebidos através de inseminação artificial de um doador anônimo, que se descobre ser Paul (Mark Ruffalo). Qual o papel de um pai biológico? Discussão dos novos tempos. E há as mães que, vendo-se sem estrutura para criar um filho, optam por abdicar dele. Em muitos casos, pode ser a decisão mais acertada, como em Juno. No roteiro genial escrito por Diablo Cody, Elle Page é Juno MacGuff, adolescente despachada que fica grávida do namorado esquálido e imaturo. Decide, então, doar a criança a algum casal que deseje ter filhos. O processo tem altos e baixos, mas a determinação da menina corre sem abalos, até o desfecho nada convencional. Aproveite a lista. Os filmes podem ser encontrados em DVD.

Adolescência

Pacto sinistro

Guerra em família

Mandando bala

Via internet

Coração de mãe

A Sogra (EUA, 2007). Direção: Robert Luketic. Jane Fonda é Viola, que atormenta a vida da nora Charlotte (Jennifer Lopez) na briga pelo amor do filho.

Mamãe é de Morte (EUA, 2006). Direção: John Waters. Com Kathleen Turner e Sam Waterston. Quem ameçar essa família pode sair perdendo...

Juno (EUA, 2008). Direção: Jason Reitman. Com Ellen Page, Michael Cera, J.K Simmons, Jennifer Garner. Adolescente fica grávida e quer doar seu bebê.

Jogue a Mamãe do Trem (EUA, 1987). Dirigido por DeVito. Com ele mesmo e Billy Crystal. Conhecidos fazem um pacto de trocar assassinatos, comédia baseada em Hitchcock.

Minha Mãe Quer Que Eu Case (EUA, 2007). Direção: Michael Lehmann. Com Diane Keaton, Mandy Moore, Gabriel Macht. A mãe busca marido para a filha, colocando anúncio em site de relacionamentos.

Mother (Coreia do Sul, 2008). Direção: Bong Joon-ho. Um rapaz autista pode ter cometido crimes. Mas a mãe não está ali para julgar.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

24

d

sexta-feira, 11 de maio de 2012

cultura

Rancheiros na Casa Branca

Contos (ou lendas) que vêm de Moçambique

José Guilherme R. Ferreira

Renato Pompeu

Fotos: Arquivo DC

W

ashington, Jefferson e Franklin, os pais mais famosos da nação americana, foram também responsáveis por certa revolução na cozinha dos Estados Unidos. Todos esses presidentes ligados ao campo eram grandes defensores da sua agricultura e já pensavam em plantios sustentáveis. Como bons "foodies", gostavam de comer e escreviam receitas próprias. Mas, graças à vivência internacional, passaram também a valorizar a importação de alimentos (azeite italiano, mostarda francesa, passas de Smirna, mortadela de Bolonha...) e a apreciação de vinhos (franceses, italianos, portugueses...). Essa invasão de ingredientes e artifícios da arte do bem viver e sua incorporação à cultura americana é contada em detalhes por Dave DeWitt em The Founding Foodies (Sourcebooks/2010). Washington escreveu sobre a importância do milho, tinha uma receita particular de cerveja; Franklin passou a apoiar a cruzada de Parmentier pela batata; Jefferson deixou para a posteridade até mesmo uma receita de sorvete. O amor de Jefferson pelos vinhos foi atestado não só pela recheada adega (não podiam faltar Bordeaux, Bor-

Mia Couto: a arte da cultura de Moçambique.

gonhas e Madeira), mas pela tentativa de cultivar seus próprios vinhedos no retiro em Monticello. Jefferson aprendeu a apreciar os bons vinhos na sua temporada como ministro plenipotenciário na França e nas visitas de estudo e prazer por vinhedos na Europa. Sobre os vinhos de Jefferson a literatura é farta, pois ele era um verdadeiro maníaco da escrituração da Casa Branca e suas anotações foram esmiuçadas pelos historiadores. DeWitt fala também dos vinhos de George Washington. No jantar de despedida do presidente, em 14 de setembro de 1787, 55 "gentlemen" sentaram-se à mesa na City Tavern para um jantar regado com 54 garrafas de Madeira, 60 de claret, 22 de porter (cerveja preta), 8 de cidra, 12 de cerveja e 7 grandes "baldes" de punch. Depois, Washington partiu para o rancho em Mount Vermont, onde passou a cultivar frutas.

José Guilherme R. Ferreira é membro da Academia Brasileira de Gastronomia (ABG) e autor do livro Vinhos no Mar Azul – Viagens Enogastronômicas (Editora Terceiro Nome)

Sucesso é... Aquiles Rique Reis

O

que define se uma música fará sucesso? Será uma coreografia criada especialmente para ela e executada por famosos jogadores de futebol, após um gol? Ou será que é quando ela é incluída na trilha de uma novela da TV Globo? Sem dúvida, são duas alternativas capazes de criar um sucesso tão instantâneo quanto fugaz. Apesar de limitadoras, não há como não concordar com tais possibilidades. Essa é a realidade do mercado vigente. Mas chegará o dia (será?) em que a nossa música, aquela que tem excepcional qualidade, poderá ser descoberta e ouvida em toda a plenitude de suas enormes qualidades e quantidade pelo grande público. Porque a este contingente (até quando?) não tem sido dado o direito de ouvir para escolher suas canções prediletas e, assim, levá-las a ser um tão grande sucesso quanto as coreografadas e as da novela. Mas vamos ao que interessa. Rasgando Seda - Guinga + Quinteto Villa-Lobos (SESCSP), é o CD que comemora cinquenta anos de carreira do Quinteto e o reúne a Guinga para interpretar doze músicas (parcerias com Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc e Sérgio Natureza) deste violonista que é um dos nossos maiores compositores. Não se pode falar do Quinteto sem falar daquele que foi o ideólogo do que o grupo traria à cena musical camerística nos anos 1960: o pernambucano Airton Barbosa (1942-1980). Tocando fagote como músico erudito, que ele de fato era; fazendo suingar seu instrumento como um chorão, que ele também era; mesclando a ginga do morro com a improvisação de Nova Orleans, sem muros entre o erudito e

o popular, como poucos se encorajavam a fazer na época, assim era Airton Barbosa, experimentalista, inovador. Com seu som de acentuada contemporaneidade, o Quinteto sempre deliciou quem o escutava e também rompeu barreiras que buscavam, e até hoje ainda tentam, emparedar a música. Para seus cinco componentes não existe gênero que não possa ser tocado por bons instrumentistas. E virtuosos os seus integrantes sempre foram - e ainda são na formação atual: Toninho Carrasqueira (flauta), Luis Carlos Justi (oboé), Paulo Sérgio Santos (clarinete), Philip Doyle (trompa) e Aloysio Fagerlande (fagote). Ao buscarem no repertório de Guinga a possibilidade de levar seus princípios musicais a extremos, o Quinteto Villa-Lobos criou um disco de rara sensibilidade. Com o compositor ao violão em oito faixas e cantando em uma, o grupo mostra excelência requintada. Suas interpretações, em arranjos de Vittor Santos, Paulo Aragão e Paulo Sérgio Santos, são dignas de representar a imagem sonorizada de algo sublime, de insuspeitada existência. A sonoridade dos instrumentos em solos, uníssonos e contrapontos é como o alvorecer saudado por pássaros soando em regozijo à natureza. Aí estão Guinga e o Quinteto demonstrando que sucesso também pode ser um grupo instrumental inovando aos cinquenta anos de carreira e um compositor ouvindo suas músicas em interpretações que só a ousadia do Quinteto Villa-Lobos pode dar.

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4.

BLUES No embalo de Buddy Guy O bluesman Buddy Guy, 75 anos, volta ao Brasil para um único (e precioso) show. Idolatrado pelos fãs do gênero, brilhava ao lado de Muddy Waters (1915-1983). Expectativa para ouvir I´ve Got the Blues, marca registrada de BG. Via Funchal. Rua Funchal, 65, Sábado (12). 22h. R$ 120 a R$ 300.

O

s contos, ou melhor, as mágicas histórias do livro Estórias Abensonhadas, do escritor moçambicano Mia Couto, lançado no Brasil pela Companhia das Letras, são uma boa oportunidade para os leitores brasileiros conhecerem melhor esse grande autor africano, bem como formarem uma ideia melhor da rica cultura do povo de Moçambique. O livro chega ao Brasil quase duas décadas depois de seu lançamento original em 1996, e foi escrito por Mia Couto nos dois anos anteriores, a partir de 1994, quando chegaram ao fim quarenta anos de guerra em Moçambique, primeiro pela independência em relação a Portugal, depois na forma de guerra civil. O livro respira lembranças da guerra tão próxima no tempo e tão presente no espaço, como no conto Nas Águas do Tempo, em que o avô contador de histórias pede ao neto que vá para o outro lado do rio, para encontrar os fantasmas da guerra. O universo de Mia Couto tem sido comparado ao realismo mágico do escritor colombiano Gabriel García Márquez e a espiritualidade primitivista do escritor brasileiro Guimarães Rosa. Mia Couto parece bastante preparado para narrar histórias de seu país. António Emílio Leite Couto, conhecido desde a infância como Mia, nasceu em 1955, em Beira, a segunda cidade em importância de Moçambique, logo depois de Maputo, a capital. Era filho de um administrador de ferrovia que também escrevia

poemas e dirigia um jornal. Foi estudar medicina em Lourenço Marques, nome colonial, usado sob o domínio português, de Maputo, mas interrompeu os estudos em 1975, para participar da reconstrução do país que havia recém-conquistado a sua independência. Tornou-se jornalista e, aos 22 anos, em 1977, chegou a chefe da agência moçambicana de informações. Na passagem dos anos 1970 para os anos 1980, dirigiu o semanário Tempo e o jornal Notícias. Retornando aos estudos, formou-se em biologia em 1989 e se tornou professor na Universidade Edmundo Mondlane. Publica poemas desde 1983 e prosa desde 1986, entre contos, romances e uma incursão pelo romance policial. De um lado, Mia Couto tenta dar uma forma a uma cultura nacional moçambicana, um empreendimento que nas suas mãos se torna paradoxal, pois ele quer ao mesmo tempo criar e refletir como cultura tipicamente moçambicana o que na verdade é uma realidade multicultural. Aos diferentes povos propriamente africanos de Moçambique, que falam formas de banto e de suaíli, se acrescentam, no amálgama ou cadinho moçambicano, populações árabes e indianas, estas principalmente de Goa, antigamente colônia portuguesa. De outro lado, ele procura dar

voz aos habitantes mais miseráveis de Moçambique, um dos países mais pobres do mundo. Como jornalista e diretor da agência nacional de informações, afinal de contas, Mia Couto conheceu de perto as populações paupérrimas de seu vasto país. Seu realismo mágico não foi uma opção puramente estética: ele descobriu que, aqueles que não têm nada, têm ainda a sua imaginação, e, se vivem numa realidade de miséria, também, espiritualmente, vivem num mundo rico de fantasias, de espíritos e de espiritualidade. Assim, seus personagens podem, por exemplo, como no conto O Cego Estrelinho, distinguir vários tipos de silêncio e de escuridão, ou, também, uma senhora pode falar com estátuas. Em relação à técnica literária, o grande feito de Mia Couto foi fundir o português culto com a oralidade africana, criando belos efeitos sonoros e semânticos por meio do aportuguesamento de expressões bantas e suaílis. Ao final, a edição de Estorias Abensonhadas tem um glossário explicativo de palavras como canganhiçar (ludibriar), nenecar (carregar um bebê às costas, embalar, fazer adormecer). Lendo esse livro, não estamos apenas fruindo as belezas da cultura moçambicana. Estamos também assistindo ao nascimento de uma cultura nacional, de uma nacionalidade nova.

Ashkenaky: espetáculos didáticos e obras emblemáticas.

Orquestra alemã no Ibirapuera. Grátis.

O

maestro e pianista russo Vladimir Ashkenazy (foto) dirige a Orquestra Sinfônica Alemã de Berlim em quatro espetáculos na Cidade, dois deles gratuitos. A turnê paulistana da OSAB, promovida pelo Mozarteum Brasileiro, seguirá um roteiro variado e didático, para jovens e para apreciadores tarimbados de música erudita. Sábado (12),

Ashkenazy regerá a Suíte Op. 71a de O Quebra-Nozes, balé de Tchaikovsky. Domingo (13), com participação da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, o conjunto alemão apresentará Príncipe Igor, de Borodin; abertura de Don Juan, poema sinfônico de Richard Strauss; Marcha de Rackoczi, de Berlioz; quadro sinfônico Finlândia, de Sibelius; e O Quebra-Nozes, de Tchaikovsky.

Segunda (14), Sinfonia Nº 6, Pastoral, de Beethoven; e Sinfonia Nº 10 Op. 93, de Shostakovich. Finalmente terça (15), Don Juan, de Strauss; e Sinfonia Nº 5, de Mahler. Dia 12: Auditório Ibirapuera (tel.: 3629-1075). 16h. Grátis. Dia 13: Auditório Ibirapuera (plateia externa). 11h. Grátis. Dias 14 e 15: Teatro Municipal (tel.: 3397-0327). 21h. R$ 110 a R$ 300. (MMJ)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 11 de maio de 2012

d

25

cultura

Porque o Bacalhau É Rei (1 e 2) Carlos Celso Orcesi da Costa

P

Bacalhau Secando ao Ar Livre rado a dois pelo rabo e posto sem sal em palafitas (hjell), para secagem ao ar marinho (foto 1). Sob a ação de bactérias o peixe é curado pelo frio natural, por 2 a 3 semanas até perder 1/5 do peso por desidratação natural (stockfish). Esse método fica a meio caminho entre o fresco (sem graça) e o salgado (clipfish). O jeito norueguês é ótimo, provei-o no Restaurante Enhjorningen (Unicórnio) no porto de Bryggen, assombrosamente bonito, em Bergen, patrimônio da humanidade Unesco (foto 2). Tenho o cardápio: "bacalaogryte gratinert med ost, servet med bacon og hokte poteter". Dá para puxar: gratinado com queijo servido com bacon e batatas... kokte. Vou ao Google... cozidas, kokte puxa pelo inglês cook!

Porto de Bryggen, Bergen, Noruega. Sjoboden (restaurante) Enhjorningen, unicórnio na fachada.

Minha teoria é de que os homens do norte já conheciam o peixe quando migraram da Escandinávia, até pelo fato de que mais tarde voltaram nas expedições de pesca. Sal e Descobrimento - Quem subiu ao Mar Ártico pela costa dos fiordes compreende a geografia. Não se vê uma única praia de areia, apenas pedras e mais pedras. Apenas 3% do território norueguês é propício à agricultura, daí o sistema de secagem ao vento. Há pouco sal na Noruega e, antes do descobrimento do caminho das Índias por Vasco da Gama, o sal era a principal especiaria. Até o século XVII não era barato. Quem introduziu o sal de Aveiro em Lofoten foram os lusitanos. Acostumados ao peixe-rei, e sain-

do ao mar cada vez mais longe, foram comerciar bacalhau em troca de sal. Para o peixe não estragar na viagem de volta passaram a salgá-lo nas pedras (comuns na Noruega), clips ou rochas, daí clipfish. Por volta do século X terá ocorrido aos lusitanos pescá-lo no Ártico sem as restrições do intercâmbio. Então construíram grandes pesqueiros para neles caber muito peixe e a viagem valer a pena, barcos que - aperfeiçoados pelo Infante D. Henrique - deram origem às caravelas que descobriram a Índia e o Brasil. De pescador es , com o passar das gerações, tornaram-se navegadores. Como vemos, o bacalhau se confunde com a própria história de Portugal e por tabela do Brasil.

Pesca e Salga - As expedições demoravam quatro meses sob as piores condições climáticas, pescando a linha em pequenos botes e à noite salgando o peixe com direito a 5 horas de sono. O bacalhau é atirado para dentro do pesqueiro com a ajuda de garfos ou forquilhas. Cabe ao troteiro a primeira degola e corte ao meio com o facão de dois gumes (trota). O peixe é passado ao quebra-cabeças que lhe retira as vísceras com uma pancada na espinha e como o nome indica termina de separar a cabeça (por isso se diz que ninguém vê a cabeça do bacalhau). Logo o empurra ao escalador, que separa o fígado e o coloca em barrica. Os fígados ficam decompondo para extração do óleo, que os norue-

gueses utilizam para complemento alimentar e remédio, rico em vitaminas A e D. Lá onde há longas noites de inverno diminui a produção de vitamina D pelo organismo. Cabe também ao escalador dar a forma plana e triangular, como vendido nos mercados, atirandoo ao porão para lavagem. Ao cair da noite, sob a luz de lanternas de petróleo... começa a pior parte, a salga do peixe. Com a escotilha quase fechada para proteger da chuva e do mar, cheiro insuportável e pouca luz, os salgadoresdeitam mãos cheias de sal sobre as carcaças que vão empilhando, sem poderem usar luvas, apenas tiras de couro protegendo as palmas das mãos que incham e rebentam em chagas. Isso das 5 da tarde à meia-noite, recomeçando a pescaria às 5 da manhã. Tudo isso vale a pena? É preciso concordar de início com a observação de Eduardo Miragaia na coluna Bon Vivant da revista Essência do Vinho: bacalhau fresco não é nada. Salgado dura muito tempo, tendo sido o principal alimento das viagens dos descobrimentos a partir do século XV. Mas para ser o peixe-rei há algo mais. Concluo na semana que vem, antecipando o porque: o bacalhau é denso, fibroso, adaptável a todas as receitas, além de conservar seus nutrientes no processo de salga. Uma trajetória cultural e culinária.

Armando Serra Negra

A garota do

orque há mais de 500 receitas de bacalhau apenas em Portugal, sem contar as variações quase infinitas? Porque comemos bacalhau na Semana Santa, no Natal e em datas festivas, ou mais comummente na maioria dos restaurantes e casas? Viria dele a expressão preço salgado com significado de caro? Porque afinal, apesar do preço o bacalhau é tão querido? História - O povo chamado lusita no que migrou a Portugal tem origem celta, advindo dos vikings (ou north-man, nor-mandos), que foram se fixando ao longo da costa, guerreando com os pastores iberos das montanhas, até que miscigenassem em tribos celtibéricas formando um núcleo único entre os Rios Douro e Minho ao norte. Vieram ao sul à semelhança do bacalao que, na época da procriação, migra de seu habitat gelado no Mar de Barents no extremo norte da Região Ártica, às águas quentes do Arquipélago de Lofoten, sob a influência da Corrente do Golfo que se dissipa na costa norte da Noruega. Fez 22º em Bergen e todos saíram à rua para tomar sol. Três dias depois, 1.500 kms. ao norte, à noite em Svolvaer, principal vila de Lofoten, nevou e a temperatura caiu para -2º à noite. No Restaurante Bauen provamos carne de... baleia! Na Noruega o bacalhau é amar-

João Caldas

Os Jorges da boemia Armando Serra Negra

Sérgio Roveri vivem mãe e filha para um ator (Hélio Garcia, papel de Edson Fieschi) que acaba de conseguir um papel numa montagem da tragédia Ricardo 3º, de Shakespeare. "O público assiste às peças de Neil Simon com um sorriso no rosto", diz a atriz. "Ele constrói personagens que dispensam o psicologismo. É um humor leve e fluente. Minha personagem é a personificação de muitas mulheres. A identificação é imediata". A relação entre Paula e seu novo hóspede não entra nos eixos tão facilmente. No início, ela o proíbe até de entrar no apartamento. Com o tempo, a jovem atriz percebe que as excentricidades do rapaz são fichinha perto do seu mau-humor crônico. É a partir destas diferenças, aparentemente irreconciliáveis, que nascem os momentos mais divertidos da história. A versão cinematográfica de A Garota do Adeus rendeu o Oscar de melhor ator de 1977 para Richard Dreyfuss, além de indicações aos prêmios de atriz (Marsha Mason), filme, roteiro e atriz coadjuvante.

ra morar na casa de um amigo de hábitos a anos-luz do seu. A partir desta sexta (11) é a atriz Gabriela Duarte que terá de aprender a viver com um visitante inesperado. Ela é a estrela da comédia A Garota do Adeus, que Neil Simon escreveu para o cinema em 1977 e que ganha agora a primeira adaptação para teatro no Brasil. Na peça, que entra em cartaz no Teatro Renaissance com direção de Elias Andreato, Gabriela Duarte interpreta uma atriz e dançarina, Paula Menezes, mãe de uma garota de dez anos, que acaba de ser abandonada pelo namorado: o rapaz viajou para a Espanha na esperança de conhecer o diretor Pedro Almodóvar. Antes de viajar, ele sublocou o apartamento onde

João Caldas/Divulgação

O

autor americano Neil Simon, de 87 anos, é um mestre em aproximar pessoas de gênios completamente distintos e fazer brotar humor de uma situação que tinha tudo para gerar apenas intolerância. Das incontáveis provas que ele deu desta habilidade, duas foram vistas nos últimos anos em São Paulo. Em As Mulheres da Minha Vida, Simon promovia um encontro conciliatório entre um escritor de sucesso (vivido por Antonio Fagundes) e as diversas mulheres que, por motivos os mais variados, cruzaram seu caminho ao longo do tempo. Mais recentemente, na peça Estranho Casal, ele transportou um recém-separado (Carmo Dalla Vecchia) pa-

A Garota do Adeus. Teatro Renaissance. Alameda Santos, 2233. Tel.: 3069-2286. Sexta (11). 21h30. Sábado (12). 21h. Domingo (13). 18h. R$ 70 a R$ 80.

A

mesma praça, o um toque impressivo de bistrô mesmo banco, as parisiense. Porções de carne mesmas flores, o de panela (R$ 29), mini mesmo jardim. O calabresa picada (R$ 18,80), antigo Largo do Rosário, hoje bolinhos de São Jorge (batata Praça Antonio Prado, temperada, recheio de homenageia um dos maiores, e calabresa, flambados na certamente mais longevo cachaça – R$ 25,80). prefeito paulistano (1900Encostadas aos altos e largos 1910), o cafeicultor, janelões, que se abrem para o banqueiro, jurista, jornalista e vai e vem apressado dos político, Antonio da Silva Prado passantes, e para o belo e (1840-1929). Precursor de imponente edifício fronteiriço, Francisco Prestes Maia (1896de fortunas feitas, ou perdidas 1965) e José Vicente Faria Lima diariamente. A quinta maior (1909-1969), traçou as bolsa do mundo ocupa o primeiras linhas urbanísticas, a primeiro prédio de escritórios serem seguidas, da moderna de Sampa, projetado em 1904 metrópole que nascia. Não à por Francisco de Paula Ramos toa, portanto, a pequena praça de Azevedo (1851-1928). atravessou o século, como um A elegância do prédio em que dos pontos mais agradáveis e ferve a happy hour no Salve bem preservados do Centro. Jorge não fica atrás, em estilo e Convidando a uma birita tempo. Recheada pela histórica no Bar Salve Jorge. decoração criativa, alegre e Boteco classudo, pequeno descomprometida dos hall de entrada é passagem melhores bares, os Jorges são a para duas grandes salas, uma temática. Um relógio de embaixo e outra em cima; itinerário e cobrança dos noite estrelada, 25 mesas bondes, que há muito pararam avançam para céu aberto. O de funcionar, não se importa local privilegiado dos Armando Serra Negra profissionais do mercado financeiro, principalmente, após o expediente na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Um papo mais íntimo, são as mesas do segundo andar, abertas para a praça,

com o número de passageiros dirigi1os ao piso inferior, quando os demais já lotaram. São 50 mesas extras, ambientadas com fotos de São Paulo antiga, um taxi Chevrolet pescando passageiros na Rua Barão de Itapetininga, casal namorando num raro Ford Thunderbird (T-Bird) conversível, e caminhões de cerveja sobressaem: chope Brahma (R$ 5,50), garotinho (R$ 3,50); uísque oito anos (R$ 17,80), doze anos (R$ 21) e refris (R$ 4,80). Sobem os degraus da "Rua Jorge Amado", como indica a placa esmaltada, para o salão nobre dos homenageados. Muitos deles figuram no bem humorado mural, pintado por Leandro Spetti – representando um boteco de estirpe – pano de fundo para Bossa Nova, Jazz e MPB às sextas-feiras, sambas antigos e chorinho aos sábados, a partir das 19h. O paredão lateral expõe outros 53 Jorges, nacionais e importados: Benjor, Dória, Mautner, Bush, Lucas, Borges etc; mas a grande Georgia Gomide (19372011) espera na fila... Salve Jorge!

Bar Salve Jorge Praça Antonio Prado, 33. Centro. Tel.: 3107-0123. www.barsalvejorge.com.br


DIÁRIO DO COMÉRCIO

26

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ao lado, Caroline Sentada, 1965, óleo sobre tela. E Cabeça de Mulher (Flora Mayo), 1926, gesso retrabalhado com canivete e pintado.

CARA A CARA COM GIACOMETTI

d

cultura

Rita Alves Fotos: Reprodução do livro Giacometti. Véronique Wiesinger (Org.)

Giacometti com as Mulheres de Veneza no pátio da Fondation Maeght, Saint-Paul-de-Vence, 1963 ou 64.

S

e você faz parte do pessoal que ainda não foi até a Pinacoteca do Estado contemplar as obras de Alberto Giacometti, aproveite este fim de semana. Em cartaz desde o dia 17 de junho, a mostra Alberto Giacometti: Coleção da Fondation Alberto et Annette

Giacometti, Paris é a primeira retrospectiva no continente sulamericano do escultor, pintor e desenhista suíço. A exposição, com curadoria de Véronique Wiesinger, diretora da Fundation Alberto et Annette Giacometti, Paris, apresenta cerca de

280 obras. Pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e artes decorativas, criadas pelo artista entre 1910 e 1960, ocupam as salas do 1º andar. Para aproveitar bem o passeio, vá sem pressa. Depois de localizar a sala 1, pegue o folder

da mostra com a planta da exposição e mergulhe no universo artístico de um dos grandes expoentes da arte do século XX. Os trabalhos de Giacometti foram selecionados pela curadora Véronique Wiesinger, que procurou reunir todas as linguagens exploradas pelo artista. "Trata-se de uma retrospectiva completa, que aborda todos os aspectos de sua arte, desde seus começos até a morte: escultura e pintura, mas também desenho, gravura e arte decorativa, acompanhados de numerosos documentos: livros, revistas, fotografias." A exposição está dividida em ordem cronológica e temática. No percurso é possível encontrar tanto as primeiras obras feitas no ateliê do pai de Giacometti quanto o monumento criado para uma praça em Nova York. "A exposição traz à baila os laços estreitos de Giacometti com a literatura e o mundo intelectual parisiense: André Breton e o surrealismo, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, Jean Genet." Cada sala se articula em torno de obras emblemáticas da produção de Giacometti. Na primeira sala (Uma juventude passada no ateliê),

por exemplo, o visitante encontra a primeira pintura e escultura do artista. A atração da sala seguinte (O encontro com as artes primitivas) são as esculturas Mulher-Colher e Casal, de 1927, expostas em 1927 no Salon de Tuileries. A sala 3 (A experiência surrealista) apresenta Cabeça que Olha e Mulher Caminhando, um dos primeiros manequins surrealistas.

Cópia dos Banhistas, de Cézanne. No total, a retrospectiva ocupa 12 salas. Vale também assistir na sala dedicada aos bustos, pintados ou esculpidos, o filme O que é uma cabeça? Ou a passagem do t em po (2001) sobre a trajetória de Giacometti.

Segundo a curadora, a leitura da arte de Giacometti não se esgota nunca. "Giacometti procurou em sua obra nos fazer partilhar suas descobertas: que o maravilhoso reside no ordinário e que é preciso manter o frescor do olhar fora das ideias preconcebidas; que qualquer coisa ou ser humano é fugaz e que sua representação não pode ser fixada de modo definitivo; que a aparência é feita de acúmulo daquilo que vemos e do que guardamos na memória; que qualquer coisa ou ser só existe em relação com o que o cerca." A mostra Alberto Giacometti: Coleção da Fondation Alberto et Annette Giacometti, Paris fica em cartaz na Pinacoteca até o dia 17 de junho. Em seguida, será a vez de o público do Rio de Janeiro contemplar a retrospectiva no Museu de Arte Moderna, de 17 de julho a 16 de setembro. A Fundación Proa, em Buenos Aires, fecha o ano com a mostra, programada entre 13 de outubro e 9 de janeiro de 2013.

Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2, Luz, tel.: 3324-1000. Terça a domingo, das 10h às 18h. R$ 6 (grátis aos sábados).

Crescendo e aparecendo Ana Barella

D

e 10 a 13 de maio os apreciadores de arte têm um encontro marcado no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera. Não por causa de alguma exposição, mas, sim, para visitar a SP-Arte, considerada a maior feira no gênero da América Latina. E se antes o evento já era grande, agora está gigantesco. Em sua oitava edição a SP-Arte ocupa três andares do pavilhão da Bienal do Ibirapuera, somando 15 mil m² de área de exposição repleto de telas, esculturas e fotografias. A estimativa é que cerca de 19 mil pessoas visitem o evento e contemplem as obras que serão expostas por 110 galerias diferentes, entre nacionais e estrangeiras. Um dos motivos dessa expansão é a isenção do IMCS. O tributo estadual que corresponde a 18% do valor das obras de arte comercializadas

Divulgação

não será cobrado nas negociações realizadas durante esta edição da feira. Segundo a organizadora do evento, Fernanda Feitosa, a medida penalizava os consumidores de arte. "A isenção foi ótima, pois viabilizou a participação de galerias de fora", comenta. Este ano a feira também conta com o dobro de galerias internacionais; em comparação com o ano passado, são 27 no total. Destacam-se a espanhola Elba Benítez e as inglesas White Cube e Sprovieri. A White Cube trará pela primeira vez ao Brasil o extravagante artista plástico, Damien Hirst. Já a galeria Sprovieri trouxe a exposição Fire Leap da fotógrafa Nan Glodin, que causou polêmica em Nova York após uma de suas fotos ser associada à pornografia infantil. Entre as nacionais, são presença marcante e tradicional Fortes Vila-

ça; a Choque Cultural e a Luisa Strina. Entretanto, a lista vai bem mais adiante. Parceria - Com o intuito de integrar o circuito das artes de São Paulo, a organização realizou uma parceria inédita com o MAM, MIS e a Pinacoteca. Quem visitar o evento ganhará entrada gratuita e transporte para os museus, válidos no período de duração da feira. Outra novidade é o chamado Laboratório Curatorial, seção especial destinada à exposição de quatro jovens curadores, que tiveram projetos selecionados pela organização.

Pavilhão Ciccillo Matarazzo Parque Ibirapuera. Acesso pelo Portão 3 - São Paulo. Quinta (10) e Sexta (11). 14h às 22h. Sábado (12) e Domingo (13). 12h às 20h. Inteira R$ 30; Meia Entrada R$ 15.

Fotografia Ava Twirling, da artista americana Nan Glodin, representada pela galeria Sprovieri no evento


DC 11/05/2012