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MAIS 0,5 PONTO, SELIC VOLTA A 2 DÍGITOS. Copom eleva a taxa básica de juros de 9% para 9,5% ao ano – é o 5º aumento consecutivo. E Mantega diz que governo não descuidará da inflação. Págs. 11 e 13

Jornal do empreendedor

São Paulo, quinta-feira, 10 de outubro de 2013

R$ 1,40

Taba Benedicto/Futura Press/Estadão Conteúdo

Ditadores da USP protegidos pela Justiça

Conclusão: 00h10

Ano 90 - Nº 23.976

www.dcomercio.com.br

Novo pedido de reintegração de posse da USP, invadida a marretadas há 8 dias, foi negado pelo juiz Adriano Laroca, para quem a luta dos estudantes "é democrática". A USP? "Intransigente". Pág. 8

Uéslei Marcelino/Reuters

Egito: militares sem 'munição' dos EUA. Lewy Moraes/Folhapress-1988

Protejam o espião! Dupla Glenn e Miranda falou à CPI da Espionagem que a fonte vazante, Snowden, precisa de proteção. Pág. 5

Zilbeman

Obama corta ajuda financeira e militar aos golpistas egípcios, às vésperas do julgamento do presidente deposto Morsi. Pág. 7

Da cabeça de Bill Gates: energia feita de lixo atômico. Fundador da Microsoft quer desenvolver um reator alimentado com lixo nuclear. Daria para gerar toda a energia que os EUA precisam, durante 800 anos! Pág. 18

Divulgação

A desejada do Brasil nos deixou. Adeus La Bengell! Aécio casa em silêncio. Primeira-dama? Gaúcha, modelo, Letícia Neves foi com o marido Aécio para NY. Só íntimos viram o casamento, no civil. Pág. 6

Página 4

Famosa tanto pela beleza que lhe abriu portas quanto pelas polêmicas que fecharam várias, a atriz, cineasta e cantora Norma Bengell, 78, morreu ontem, no Rio, vítima de câncer. Pág. 9


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Estaríamos vivendo no melhor dos mundos possíveis? Ou somos felizes e não estamos nos dando conta? Roberto Fendt

PARADOXO NO MELHOR DOS MUNDOS lgumas querelas são paroquiais e suscitam nosso interesse pela natural inclinação humana de saber da vida dos outros. São assuntos que somente dizem respeito aos personagens e seus desfechos em nada afetam nossa vida. É a origem das tramas de muitas novelas, quase sempre vazias de qualquer outro tipo de conteúdo. Com outro tipo de querelas ocorre o inverso. Embora pareçam paroquiais e que não nos comprometem, seus desfechos deveriam ser de nosso maior interesse. Se por elas não nos interessamos, deveríamos. Já o recente embate entre o ministro Marcelo Neri, secretário de Assuntos Estratégicos do governo, o economista Edmar Bacha, diretor da Casa das Garças, e o colunista Vinicius Torres Freire, da "Folha de S. Paulo", pertence à segunda categoria.

últimos anos. Tudo isso é verdadeiro, mas nenhum desses argumentos explica a diferença entre as medidas do PIB real e da renda na PNAD. Nas contas nacionais, o PIB mede o valor adicionado de todas as atividades econômicas em um determinado período. Essa soma corresponde ao valor da produção de cada empresa, descontados os valores utilizados dos insumos utilizados na produção.Por seu lado, os valores adicionados pelas empresas distribuem-se sob a forma de salários, juros, alugueis, lucros distribuídos acrescidos dos lucros retidos e os valores para depreciação dos ativos das empresas.

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questão que os divide é a incompreensível pelo menos até agora discrepância entre o crescimento da renda média dos brasileiros medida pela Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílios (PNAD) e o número do crescimento real do PIB no ano passado. Vamos à origem dos fatos. Em 27 de setembro, Marcelo Neri anunciou que o rendimento das famílias em 2012 tinha aumentado quase 8%. Isso colocaria o ganho de renda brasileiro acima do crescimento do PIB per capita chinês, um feito. As boas notícias não ficaram por aí. A "melhor PNAD dos últimos 20 anos", no dizer de Neri, mostrou que 3,5

alvez, como sugere Bacha, a simples comparação do crescimento do “pibinho” com o aumento da renda, medido pela PNAD, não faça muito sentido. Quem sabe, como a maior parte do rendimento dos trabalhadores se destine ao consumo, não seria melhor comparar esse com a renda. Pode ser que essa comparação traga alguma luz nova ao debate, uma vez que é fato estabelecido que existe uma relação estável entre consumo e renda. O fato é que ainda não se encontrou uma resposta satisfatória para o paradoxo do aumento da renda em um país com o crescimento estagnado. Não há exemplos históricos de um fenômeno dessa natureza, exceto em períodos curtos de tempo. É ingênuo imaginar uma discrepância crescimento sustentável da renda média da população sem que concomitantemente

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milhões de brasileiros ultrapassaram a linha da pobreza. Estaríamos vivendo no melhor dos mundos possíveis? Ou, parodiando outro economista, somos felizes e não estamos nos dando conta? Nem todos concordam. Na coluna que publicou no dia 6 deste mês, Vinicius Torres Freire questiona o clima otimista das conclusões tiradas dos microdados da PNAD. Como explicar que a renda média dos brasileiros medida pela PNAD possa ter crescido 8% se, no

ano passado, a renda per capita brasileira medida pelo IBGE cresceu praticamente zero? ampouco parece pouco convincente atribuir o crescimento da renda média dos brasileiros aos persistentes aumentos do salário mínimo por cima da inflação. O aumento da renda real média dos 5% mais ricos foi da ordem de 15%, quase o dobro do aumento da renda real média da população. Vamos convir que o aumento do rendimento real

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desse grupo de pessoas do topo da pirâmide de renda do país tem pouco a ver com reajustes do salário mínimo. Há dois dias, Edmar Bacha meteu sua colher no debate. Para ele, o aumento da renda real média dos brasileiros tem muito a ver com a estabilização pós-Plano Real de 1994, com o fim da erosão do poder de compra da população de mais baixa renda. Igualmente, teria contribuido para a melhoria da renda a bonança externa experimentados nos

ROBERTO FENDT

Não há resposta para o paradoxo do aumento da renda num país com o crescimento estagnado.

cresça a produção que gera esse aumento de renda. Não se trata de um debate ocioso entre dois economistas profissionais competentes e de reconhecida capacidade pela profissão. Ainda que corretos os números discrepantes, falta explicar a natureza dessa diferença. Haverá algum erro de que não nos apercebemos na apuração do PIB que estaria subestimando seu real crescimento? Ou, ao revés, o erro estaria nas respostas à PNAD? Ou ainda, estaríamos comparando laranjas com bananas? Por fim, se não encontrarmos uma resposta adequada para o paradoxo, corremos o risco de imaginar que tudo vai muito bem, a despeito do desempenho pífio de nosso PIB, da inflação que teima em não cair e da deterioração de nossa balança comercial. ROBERTO FENDT É ECONOMISTA

uem são, o que querem, quem instrui esses grupos de pessoas vestidas de preto e encapuzadas, cuja presença tem sido marcante nos episódios de violência e vandalismo noticiados nos últimos dias ? São perguntas até agora sem respostas. Dizem por aí que estão sendo influenciados pela tática de manifestação dos "Black Bloc", movimento que se autodenomina anarquista e prega a desobediência civil nas redes sociais. Entre os preceitos pregados, estão a destruição de propriedades como forma de protesto e chamar a atenção para suas posições. Como a sociedade e os governos, quer no âmbito nacional, quer no estadual, podem aceitar estes atos de vandalismo cuja finalidade é a desestabilização social e política do País? resposta é: não podem. Pelo contrário, a sociedade exige que estas pessoas sejam recolhidas e investigadas pelos órgãos de segurança, por meio de seus departamentos de inteligência, a fim de que se identifiquem não somente quem são os ativistas, como também de onde vem a orientação para essa atuação tão danosa. Nós, cidadãos, comerciantes, empresários em geral, sentimo-nos absolutamente inseguros pelos sucessivos, e cada vez mais ferozes atos de violência. Não apenas por conta da perda de patrimônio privado e público, mas corremos também o risco de ferir fatalmente os princípios básicos que regem a democracia, conquistada recentemente e a tão duras penas.

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Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

BLACK BLOCS, ORIENTADOS POR QUEM?

ALENCAR BURTI

Nós, cidadãos, comerciantes, empresários em geral, sentimo-nos absolutamente inseguros pelos sucessivos e cada vez mais ferozes atos de violência e vandalismo.

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Manifestação no Centro de São Paulo: violência gera insegurança na população e no empresariado. Acreditamos que todos têm liberdade de se expressar, desde que não afetem de forma degradante o direito à vida do outro. Por isso, somos totalmente favoráveis à ação forte e efetiva dos governos, responsáveis pela segurança de todos os cidadãos (e não apenas a de alguns).

Que nossos representantes no Executivo, seja na Presidência da República, seja nos governos estaduais, não meçam esforços no sentido de manter a ordem, identificar e punir os responsáveis. Somente com esta forte resposta à sociedade, incentivaremos a manifestação corajosa, e vital,

dos movimentos legítimos de defesa dos cidadãos, os verdadeiros construtores das pontes que ligam a vontade com a possibilidade. ALENCAR BURTI É EMPRESÁRIO, VICE PRESIDENTE SECRETÁRIO DA FACESP E PRESIDENTE DO CONSELHO DELIBERATIVO DO SEBRAE-SP

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cesário Ramalho da Silva Edy Luiz Kogut João Bico de Souza José Maria Chapina Alcazar Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Miguel Antonio de Moura Giacummo Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Renato Abucham Roberto Mateus Ordine Roberto Penteado de Camargo Ticoulat Sérgio Belleza Filho Walter Shindi Ilhoshi

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, Marcel Solimeo Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Editor-Chefe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br). Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br). Editores Seniores: chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), José Roberto Nassar (jnassar@dcomercio.com.br), Luciano de Carvalho Paço (luciano@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Marcus Lopes (mlopes@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br). Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Heci Regina Candiani (hcandiani@dcomercio.com.br), Tsuli Narimatsu (tnarimatsu@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br. Subeditores: Rejane Aguiar e Ricardo Osman. Redatores: Adriana David, Evelyn Schulke, Jaime Matos e Sandra Manfredini. Repórteres: André de Almeida, Karina Lignelli, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Paula Cunha, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibellis e Sílvia Pimentel. Editor de Fotografia: Agliberto Lima. Arte e Diagramação: José dos Santos Coelho (Editor), André Max, Evana Clicia Lisbôa Sutilo, Gerônimo Luna Junior, Hedilberto Monserrat Junior, Lino Fernandes, Paulo Zilberman e Sidnei Dourado. Gerente Executiva e de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estadão Conteúdo, Folhapress, Efe e Reuters Impressão S.A. O Estado de S. Paulo. Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

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SEPULTARAM A MODERNIDADE MAS NÃO CESSAM DE INVOCAR O SEU FANTASMA.

Modernidade real e imaginária história das origens da modernidade está entremeada de mitos e lendas que os historiadores já demoliram faz tempo, mas que constituem ainda a substância do que se transmite a respeito nas escolas, na mídia e no show business. Tão forte é a impregnação dessas balelas na mente popular – incluída aí a classe dos cientistas profissionais sem especial cultura histórica –, que a simples iniciativa de informar ao público o estado atual das pesquisas historiográficas sobre aquele período é recebida com ataques apopléticos e ainda acusada de ser uma tentativa maligna de "desmoralizar a ciência" em nome de algum "fundamentalismo religioso".

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ue essas reações sejam elas mesmas fundamentalistas no mais alto grau, é algo cuja evidência salta aos olhos e não necessita de nenhuma prova suplementar. A fé na “ciência” como fonte de toda autoridade é um dogma inabalável até mesmo entre os que se impregnaram de desconstrucionismo na universidade e teriam todas as razões para abandoná-la por completo. É que aí não se trata da ciência no sentido efetivo, seja do método experimental, seja, mais genericamente, da busca sistemática do conhecimento, e sim se um símbolo aglutinador destinado a infundir um senso de identidade e autoconfiança nos grupos sociais empenhados em espalhar a ideologia do anticristianismo militante. Desses grupos não se pode esperar nem um mínimo de racionalidade, mas sim o uso descarado de rotulagens pejorativas e, em casos extremos, o apelo à intervenção da autoridade policial.

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m daqueles mitos é que o advento da ciência moderna substituiu, ao puro raciocínio silogístico, o método indutivo. Joseph de Maistre demonstrou a completa absurdidade dessa alegação no seu Exame da Filoso-

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fia de Bacon, obra póstuma publicada em 1836, mas ninguém lhe prestou muita atenção, porque de Maistre, um esquisitão de marca, tinha a especial capacidade de desagradar aos maçons e progressistas por ser católico e aos católicos por ser maçom. David Hume, sem tocar na questão histórica, já havia feito picadinho das pretensões da indução, mas, como não colocava nada no lugar dela, foi recebido com desconversas piedosas da parte daqueles que, sem ela, se sentiam nus e desamparados. Foi só no século 20 que, juntas, a confiança na indução e o empenho de fazer dela a marca distintiva da ciência moderna foram sepultados de vez no melhor livro de Sir Karl Popper, A Lógica da Pesquisa Científica (1934), onde ele demonstrou que a indução nada vale sem um raciocínio silogístico prévio que a sustente, que portanto o método da ciência era ainda, no fundo, o bom e velho silogismo analítico de Aristóteles. Mas, popularmente, o mito continua vivo e passa bem,

e não só se mostra duro de matar como alimenta e reforça, por contágio, a subsistência de outros tantos mitos irmãos

e congêneres, que às vezes saltam as fronteiras da cultura de massas e penetram nas altas esferas do pensamento. No seu estudo sobre Bacon em On Modern Origins. Essays in

Early Modern Philosophy (Lexington Books, 2004), Richard Kennington falha à sua habitual competência ao escrever esta monstruosidade: “A filosofia e a ciência pré-modernas... não produziram nenhuma tecnologia significativa. Ao contrário, os expoentes do racionalismo no século 17 – Bacon, Descartes, Hobbes e Locke – são unânimes em declarar que ele pretende dominar a natureza, e portanto criar uma ‘infinidade de artifícios’, para usar a expressão de Descartes, que vão aliviar a condição humana. Seguramente, pode-se dizer que a razão, na sua formulação pós-cartesiana, cumpriu sua promessa.” A escolha desses pioneiros da tecnologia não poderia ter sido pior. John Locke não fez descoberta nenhuma nas ciências físicas, Hobbes criou uma série de teorias falsas que só são úteis para a comunidade dos humoristas, e Bacon, do qual se pode também dizer coisa idêntica, acabou demonstrando completa ignorância e incompreensão até mesmo da ciência existente no seu tempo, da qual ele fala com o desprezo característico do apedeuta presunçoso. homas Bodley, o fundador da célebre biblioteca de Oxford, escreveu-lhe a respeito: “Não posso compreender as vossas queixas. Jamais se viu mais ardor pelas ciências do que nos nossos dias. Censurais aos homens o negligenciar as experiências, e no globo inteiro não se fazem senão experiências.” Dos quatro, só Descartes fez alguma coisa pelo progres-

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OLAVO DE CARVALHO

so da tecnologia, sobretudo com a criação da geometria analítica, mas, no campo estrito das matemáticas, não se pode dizer que tenha superado espetacularmente seus antecessores Viète, Kepler, Galileu, Tycho de Brahe e tantos outros. também um tanto ridículo depreciar a tecnologia pré-moderna diante das prodigiosas realizações da arquitetura gótica ou diante do fato de que até hoje a ciência do Egito antigo espanta e desnorteia os investigadores. Mais inexplicável ainda, nessa perspectiva, é que toda a fundamentação teórica da moderna economia capitalista já estivesse pronta entre os escolásticos, alegadamente os piores inimigos da modernidade, dois séculos antes que Adam Smith arranhasse as primeiras noções a respeito. A relação de causa-e-efeito entre a filosofia racionalista e o progresso tecnológico parece cada vez mais evanescente e subsiste antes como slogan de propaganda do que como realidade histórica. O mais curioso, para não dizer doentio, é que esse slogan seja brandido como arma até mesmo pelos mais ferozes anti-racionalistas, como os discípulos de Nietzsche, de Paul Feyerabend ou de Jacques Derrida. Sepultaram a modernidade mas não cessam de invocar o seu fantasma para assustar cristãos.

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OLAVO DE CARVALHO É JORNALISTA E PROFESSOR DE FILOSOFIA .

O BRASIL, SEMPRE UMA INCÓGNITA. emos visto os mais diversos economistas, órgãos de imprensa – brasileiros e estrangeiros – falando sobre o Brasil que nunca chega lá. Até a The Economist percebeu os erros brasileiros, e os seus próprios, ao achar, em 2009, que o Brasil agora iria E mesmo dentro do povo, muitos já perceberam o engodo Brasil. Agora, muitos já acham que o Brasil não tem futuro, pelo menos a curto e médio prazo. Nossos alunos, amigos, leitores, participantes de nossas palestras, que nos acompanham há pelo menos dez anos, nunca se iludiram. E caso o tenham feito, foi por conta própria. Sempre falamos, escrevemos, ensinamos, tentando evitar que se enganassem. Quem nos ouviu sabe tudo isso há no mínimo uma década. Quem achou que estávamos errados, que éramos pessimistas, devem estar, talvez, arrependidos.

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ão somos pessimistas nem otimistas. Somos realistas, como poucos. A verdade é uma só, não comporta variações, desvios, subterfúgios. A verdade é ou não é, ponto final. Nós nos orgulhamos disso. Alguns poucos tinham que ver, e estamos nesse meio. Temos absoluta certeza de que sempre mostramos o caminho. Demos as ferramentas. Dissemos como fazer. Nossos artigos costumam ser didáticos e de solução, não

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apenas constatamos os problemas. Quem já leu nossos artigos “Brasil: Buraco 2020”; “Marolinha ou marolona”, o primeiro e o retorno; “Destruição do Brasil”; “Combustível e incompetência”; “Quem sou eu?” “Emprego sem crescimento?”; “No tempo dos Faraós”; “Judiciário e os ministros”; “Porto de Santos 2024”, o primeiro e o retorno, e dezenas, quiçá centenas de outros, não está nem um pouco surpreso. Já sabia tudo com o qual a Economist acaba de se surpreender e se decepcionar. Em 2004 e em 2007, em entrevistas a jornalistas sul-coreanos, já havíamos falado sobre os crassos erros cometidos e a serem cometidos no nosso país. Eles ficaram surpresos. Não acreditaram. Pedimos tempo e que ficassem atentos e no futuro reavaliassem a situação. . Devem estar também pasmos. E, como dissemos, estão porque quiseram. Os brasileiros idem. emos um país e um governo que valoriza a bolsa-esmola. Que valoriza o baixo estudo. Eles dão votos. Mantêm na coleira os eleitores. Com a maior carga tributária do planeta, nominal }de 37%, mas real, segundo sempre dissemos, de 50% a 60% , o governo não dá estudo adequado. Muito menos saúde. Segurança nem pensar. Só

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serve, conjugada com a eterna maior taxa de juros do mundo, para sustentar a máquina pública, desvios de conduta e pagamento do serviço da dívida interna. Enquanto isso, apenas cerca de 5% dessa astronômica carga tributária recolhida, de R$ 1,6 trilhão, é colocada a serviço real e físico do povo brasileiro. Quando falamos em carga tributária real de 50-60% queremos dizer que se paga essa enormidade de recursos, mas todos têm que pagar ainda pelo estudo, pela saúde, pela

segurança. Isso é imposto disfarçado, que ninguém percebe. Pagamos uma imensidão de impostos gerais. Pagamos altos impostos sobre a compra de nossos carros, pagamos IPVA (antiga TRU- Taxa Rodoviária Única) , e temos que pagar pedágios. Esse é o povo que defende seus direitos? Quando e onde? claro que é melhor andar em estrada boa. Mas não temos que pagar mais por isso. Já pagamos e muito. E quem se

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tocou com isso? Quem já protestou ou escreveu? Se já pagamos por tudo que citamos acima, o SAMIR KEEDI Estado tem que nos dar estrada boa. E se ele quer terceirizar, para andarmos naquilo que já como é o caso pagávamos, começou a haver dos pedágios, contestação. Já que era uma que ele então Taxa Rodoviária Única, e isso e pague aos os impostos gerais já nos davam concessionários.o direito de utilizar as vias É uma públicas, por que tínhamos que terceirização pagar adicionais? Aí os espertos da de plantão mudaram a TRU para administração IPVA – Imposto sobre Veículos de suas Automotores. Pronto, já não SXC estradas. Se era mais uma taxa para as vias for para nós públicas, mas para ter o carro. pagarmos, Não era mais um tributo temos que ser livres dos dobrado. E aí, brejeiro? Para impostos que deveriam ter o carro já não o pagamos? sustentar as estradas. Ou um ou E não pagamos também outro. Perguntamos novamente, substanciosos tributos na esse é o povo que defende seus sua compra? direitos? Quando e onde? Brasil, até quando serás um país que anda de quatro? E ó para relembrar um pouco e de quarto mundo, que muitos mostrar que somos um país ainda consideram de terceiro? sem memória, sem defesa de Até quando? direitos, vamos relembrar a SAMIR KEEDI É BACHAREL EM TRU citada acima. No passado, ECONOMIA, CONSULTOR E PROFESSOR a TRU era a anuidade que DA ADUANEIRAS E DE MBA EM VÁRIAS pagávamos no licenciamento UNIVERSIDADES, E AUTOR DE VÁRIOS de nosso carro. Quando se foi LIVROS DE COMÉRCIO EXTERIOR. criando mais despesas para nós, SAMIR@MULTIEDITORAS.COM.BR

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TERRA INDÍGENA X RURALISTAS A bancada ruralista no Congresso pressiona governo sobre demarcação de terras indígenas e aprova convocação do ministro da Fazenda para dar explicações

Brasil deveria proteger Snowden É o que disse o jornalista norte- americano Glenn Greenwald no Senado ontem: 'Se o governo quer mais informações, deve protegê-lo'. Uéslei Marcelino/Reuters

jornalista norteamericano Glenn Greenwald afirmou ontem que podem existir mais documentos de ações de espionagem do governo norte-americano contra o Brasil. Em audiência à CPI da Espionagem do Senado, Greenwald disse que todas as informações que ele dispõe das ações contra a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia já foram publicadas. Mas ele destacou que há limitações para analisar os documentos entregues pelo ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Americana (NSA, sigla em inglês). "Infelizmente eu não sei tudo sobre este programa (usado pela agência dos EUA para espionar), mas o que eu sei eu já publiquei", afirmou ele, que é correspondente do jornal britânico The Guardian e mora no Rio. Greenwald, ao falar que tem mais informações sobre outras espionagens envolvendo o Brasil, foi questionado pelo senador Pedro Taques (PDTMT) se poderia entregar os documentos que dispõe para a CPI ajudar nas investigações. O jornalista respondeu que não. "O governo e o jornalismo são separados e precisam ser separados", disse. "Eu já mostrei que estou sob alto risco ao publicar todas as informações que estou publicando", completou ele, ao destacar que trabalha com profissionais da imprensa do Brasil e de outros países na publicação de reportagens a fim de ter uma "imagem completa" do que está acontecendo. Companheiro – Presente à audiência pública, o companheiro do jornalista, David Miranda, falou que seria "um ato de traição" entregar documentos secretos dos EUA ao governo brasileiro. "Estaremos entregando um documento dos Estados Unidos ao governo de outro país, e isso

Kassab afirma: 'Nossa aliança nacional é com o PT'.

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riador do PSD, partido que preside, o ex-prefeito Gilberto Kassab deixa claro, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que vai caminhar com o PT no cenário nacional e apoiará a reeleição de Dilma Rousseff. A adesão de Marina Silva à possível candidatura de Eduardo Campos (PSB), o que "dá musculatura" ao governador – segundo ele mesmo admite –, não reverte o quadro, ainda que o pernambucano tenha sido aliado de primeira hora do PSD. Convidado a teorizar sobre um cenário hipotético com reviravoltas no PT, PSDB e PSB, em que os candidatos seriam o ex-presidente Lula, o ex-governador José Serra – seu padrinho político – e a ex-ministra Marina Silva, Kassab é direto: "Nossa aliança é com o PT. Apoiaria Lula". Em São Paulo, Kassab será o candidato do PSD – "aceito a missão", diz ele – e oferecerá o palanque a Dilma. O governador Geraldo Alckmin não será atacado diretamente (esse é o plano por ora), mas o argumento para o confronto com os antigos aliados tucanos está posto: "É evidente que, depois de 20 anos, as pessoas vão ficando cansadas. O governador Alckmin vai pagar um preço alto por integrar um governo tão longo." Sobre ser ou não candidato ao governo estadual, Kassab garantiu que o PSD vai ter candidato próprio. " Gostaria muito que fosse o Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, mas ele resiste. Existe uma tendência grande de que a escolha caia no meu nome. Se isso acontecer, aceito a missão." (Estadão Conteúdo)

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Jornalista americano (à dir.) e seu companheiro (à esq.) disseram que têm mais informações, mas seria "traição" dar os documentos ao governo. seria traição". Ele também explicou que parte dos dados de Snowden é de apresentações e de documentos que dizem respeito a ações diretas a serem executadas pela NSA. Miranda chegou a ser detido por autoridades britânicas no aeroporto de Londres, com documentos que iria trazer para Glenn no Brasil. David Miranda sugeriu que se a CPI quiser "informações reais" e "detalhes", o governo brasileiro poderia trazer Snowden ou até conceder asilo político a ele. "Se o governo quer informações, deve proteger ele [Snowden] para que ele tenha liberdade para trabalhar. Ele está muito limitado para falar e corre o risco de os Estados Unidos o capturarem. Os governos estão se dizendo gra-

tos por terem essas informações, mas não se dispõem a proteger quem passou esses dados", disse. Edward Snowden é procurado pelos EUA e recebeu asilo político da Rússia em agosto, depois de passar mais de um mês na área de trânsito do aeroporto de Moscou. O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), relator da CPI da Espionagem, disse que gostaria muito e destacou que, em julho, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou uma moção de apoio para que o governo brasileiro concedesse asilo ao ex-prestador de serviços da NSA. Snowden recebeu em agosto um asilo provisório do governo russo por um ano. Glenn Greenwald disse que conversa praticamente todos os dias com ele.

Ricardo Ferraço sugeriu que a CPI aprovasse dois requerimentos. O primeiro, endereçado ao advogado de Snowden, para que o cliente pudesse participar de uma teleconferência com os senadores. O segundo, ao governo da Rússia, para saber se o exprestador de serviços da NSA poderia participar dessa interlocução com a comissão. Itamaraty decepciona – O companheiro brasileiro de Greenwald criticou o Itamaraty na audiência no Senado quando disse que ficou "decepcionado" com a atuação do governo brasileiro no episódio em que foi detido por mais de nove horas no aeroporto de Heathrow. "Eu fiquei decepcionado com a resposta de imediato que a gente teve do Itamaraty,

porque foi rápida, mas não foi suficiente. E até agora não vi nenhuma resposta concreta para que isso não se repita com outro brasileiro". Ele chegou a dizer que acredita que ficou tanto tempo detido porque era brasileiro. "Ainda existe essa mentalidade de que os brasileiros são colônias. Eles acharam que não ia ter nenhuma consequência", comentou Miranda. Na época, o então ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, telefonou para o ministro de Relações Exteriores britânico,William Hague, para cobrar explicações. Em uma conversa de dez minutos, o ministro disse que não se deve subestimar o apego brasileiro pelos direitos civis e liberdades individuais. (Agências)


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Quem acha que sabe o que vai acontecer no ano que vem não está compreendendo nada. José Serra (PSDB)

Dilma, dia de beija-mão no baixo clero. A presidente, que esteve na Câmara em cerimônia dos 25 anos da Constituição, se dispôs a ouvir conversas ao pé do ouvido e tirar fotos para álbuns de família. Uéslei Marcelino/Reuters

m sua segunda passagem pelo Congresso neste ano, a presidente Dilma Rousseff enfrentou ontem um verdadeiro "beijamão" de parlamentares, especialmente do baixo clero, o grupo sem muita expressão na Casa. Dilma esteve na Câmara para participar de sessão em comemoração aos 25 anos da Constituição e receber a Medalha Assembleia Nacional Constituinte. Bem-humorada, circulou depressa pelo plenário antes do início da cerimônia e distribuiu vários cumprimentos. Sentada ao lado do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a petista não se livrou de congressistas que tentavam tirar uma foto com ela. Alguns a a procuravam na mesa para entregar projetos e outros conseguiram ter uma conversa ao pé do ouvido. Eles aproveitaram o discurso do deputado Mário Benevides (PMDB-CE), vice-presidente da Constituinte, para buscar a aproximação. "Essa foto é importante até para marcar o momento. Tem seis anos que estou tentando buscar a construção da BR-226 e incluí-la no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas o projeto está parado no Ministério do Planejamento", contou o deputado professor Sétimo (PMDB-MA). O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) disse que foi cumprimentar a presidente e aproveitou para lembrar das discussões e dos embates que travou durante a elaboração da Constituição.

a presidente Dilma afirmou: "Estou numa fase de beijos. Só beijos." Foi indagada se os beijos também eram para o Congresso Nacional. E respondeu: "Os beijos são para o Brasil." Questionada sobre a aliança entre o governador Eduardo Campos (PSB-PE) e Marina Silva (PSB-AC), ela silenciou. Ao deixar o Congresso, Dilma saiu acompanhada pelo presidente da Câmara, Henrique Alves que, no trajeto, explicou que havia, além das medalhas de ouro, outras 600 medalhas de prata, informação que provocou uma reação de surpresa por parte da da presidente. "Seiscentas?", reagiu Dilma. Nesse curto percurso, a presidente reforçou a Alves que ficou "muito satisfeita" com a aprovação da MP dos Mais Médicos. Segundo o presidente da Câmara, a presidente também revelou ter grande admiração pela obstinação de Ulysses Guimarães, que foi presidente da Assembleia Nacional Constituinte, entre 1987 e 1988.

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OURO E PRATA Dilma nãodiscursou. Elarecebeu medalha de ouro, assim co-

Dilma encara o baixo-clero em dia de homenagens e diz que está em fase de amor. Amor com o Brasil. mo Renan Calheiros, Henrique Eduardo Alves e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Além deles, também foram homenageados alguns deputados constituintes, como o atual senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG), o senador e imortal ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), além dos ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Wellington Moreira Franco (Aviação Civil). Outras 50 autoridades, em especial parlamentares da Constituinte, receberam medalha de prata. Entre os homenageados

Serra: 'Governo é cúmplice de mercado partidário'. Cristiane Moreira/Estadão Conteúdo

José Serra : "Não é fácil" ser oposicionista no País". ex-governador José Serra (PSDB) classificou ontem as trocas de partidos das últimas semanas de "mercado partidário" e disse que o governo Dilma Rousseff é "cúmplice" dessa prática. O tucano afirmou que "não lembra" de nada parecido com a situação ocorrida antes do último sábado, quando terminou o prazo para filiações visando as eleições de 2014. Com os registros obtidos pelos partidos Solidariedade e PROS (Partido Republicano da Ordem Social), dezenas de deputados trocaram de legenda na semana passada. "Tempo de televisão no Brasil e verba do fundo partidário viraram mercadoria. É um acinte à nossa democracia", disse a jornalistas. Serra está em Porto Alegre (RS), onde ministrou uma palestra em uma federação de comércio. Questionado sobre a possibilidade de concorrer à Presidência em 2014, Serra citou o exemplo do ex-presidente

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francês Nicolas Sarkozy, que definiu sua candidatura meses antes da votação em 2007, para afirmar que não vê necessidade de precipitação. Disse ainda que o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, já declarou que a decisão sobre a candidatura tucana só será em março e criticou a antecipação da corrida eleitoral. "No Brasil, virou doença. O primeiro vírus quem botou foi o Lula. É uma tremenda antecipação (da campanha)." Serra afirmou que a oposição "não merece" a nota máxima, mas ressalvou que "não é fácil" ser oposicionista no País. "Não dou nota 100. E não estou me excluindo." Sobre a ida da ex-senadora Marina Silva para o PSB de Eduardo Campos, ele disse que o movimento foi extremamente inesperado. "Quem acha que sabe o que vai acontecer no ano que vem não está compreendendo nada. As coisas estão realmente bastante indefinidas." (Folhapress)

estava o deputado licenciado José Genoino (PT-SP), condenado no julgamento do Mensalão. Genoino não compareceu. Está de licença médica. O irmão do petista e líder do PT, José Guimarães (CE), recebeu a comenda. Alves ressaltou que a Carta estabeleceu que os poderes da República são independentes e harmônicos e estabeleceu austeridade fiscal. "Ela desenhou o sistema federativo, que precisa ser readequado hoje." MAIS MÉDICOS Dilma disse que está numa "fase de beijos com o Brasil" ao

ser questionada se seu relacionamento com o Congresso estava em boa fase. É que na madrugada de ontem, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da medida provisória que cria o programa Mais Médicos – considerado a "prioridade das prioridades" pelo Planalto. Depois de intensas negociações com parlamentares e entidades do setor, o governo conseguiu preservar o principal ponto do projeto: a permissão para que o Ministério da Saúde – e não mais os Conselhos Regionais de Medicina – dê registro especial para os profissionais formados

no exterior. A aprovação foi considerada uma vitória do Palácio do Planalto, que cedeu ,na segunda-feira passada, e determinou a votação da minirreforma eleitoral defendida por parte da base aliada. O texto, no entanto, ainda pode ser modificado pela Casa. Ficou para ontem a votação de mais de 13 destaques apresentados. O Mais Médicos é uma das mais importantes bandeiras de Dilma, já mirando sua campanha de reeleição. FASE DE AMOR Na saída, abordada para que desse entrevista aos jornalistas,

STF abre prazo para novos recursos

Carlos Humberto/STF - 19.09.2013

presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, disse ontem que após a análise do segundo lote de recursos que será apresentado por parte dos réus do Mensalão é "essa é a tradição do tribunal" encerrar o processo – o que culminará na execução das penas contra os condenados. Nesta fase do julgamento, há dois grupos de réus. O primeiro – onde estão o delator do esquema, Roberto Jefferson, e os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT) – deve ver seus processos concluídos ainda neste ano. O outro, em que estão réus do núcleo político – como o ex-ministro José Dirceu, o expresidente do PT José Genoino e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha – só devem ter seus casos encerrados no ano que vem. Na prática, o primeiro grupo só tem direito a um recurso conhecido como embargo declaratório. Ele serve para esclarecer pontos da sentença, mas não tem o poder de reverter as condenações. Com a publicação inicial, ontem, no Diário da Justiça Eletrônico, do documento que resume o que foi decidido no julgamento do primei-

INFLAÇÃO A presidente evitou fazer comentários sobre os mais recentes dados sobre a inflação. Preferiu comemorar o resultado da votação do Mais Médicos. "Fiquei muito animada com a votação do Mais Médicos", respondeu Dilma, ao ser questionada sobre como avaliava os rumos da inflação. Conforme divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação medida pelo IPCA ficou em 0,35% em setembro, ante 0,24% em agosto. Até setembro, o IPCA acumula altas de 3,79% no ano e 5,86% em 12 meses. (Agências)

Aécio se casa e m cerimônia reservada no Rio Divulgação

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Aécio e a mulher Letícia

Joaquim Barbosa:"Recursos devem ser julgados ainda neste mês". ro lote de recursos, as defesas terão cinco dias, contados a partir de amanhã, para apresentar os novos embargos de declaração. Segundo Barbosa, estes novos recursos devem ser julgados ainda neste mês. Com a conclusão da análise, será possível se determinar a prisão dos condenados. O outro grupo, que conta 12 réus tem direito ao recurso conhecido como embargo infringente. Eles podem reverter as condenações por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro para alguns dos condenados. O prazo para a apresentação dos infringentes, contudo, é mais longo. São 30 dias, também a contar a partir

desta sexta-feira. O Ministério Público ainda terá outros 30 dias para se posicionar sobre os recursos. Só depois dessas etapas é que o relator, ministro Luiz Fux, poderá produzir seu voto e pedir a inclusão do caso na pauta do plenário. Devido a isso, a expectativa é que o julgamento se dê o ano que vem. Julgamento rápido – Ontem, ao chegar ao STF, o ministro Gilmar Mendes disse acreditar que o julgamento do novo lote de recursos – no caso, os embargos declaratórios – não deve se alongar muito. "Não vai demorar muito tempo para uma definição. O processo tem que andar pra frente", afirmou. (Agências)

senador Aécio Neves (PSDB), provável candidato tucano à Presidência da República, casou-se na última sexta-feira, no Rio de Janeiro, com a gaúcha Letícia Weber. O casal está junto há cinco anos. Segundo a assessoria dele, o casamento foi no civil e houve uma cerimônia pequena só para parentes e amigos. Aécio quis manter o mesmo tom dado à relação até agora: pouca divulgação sobre eles e suas relações sociais. Aécio, 53, é divorciado de Andréa Falcão, com quem tem uma filha, Gabriela, de 21 anos. Letícia tem 34 anos. Depois do casamento, o casal embarcou para Nova York, onde, na terça-feira, ele fez palestra para investidores. A viagem foi um misto de lua de mel e trabalho. Na palestra ele já exibia a aliança na mão esquerda. (Folhapress)

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NYTimes fala dos desafios do País ditorial publicado ontem pelo New York Times, intitulado 'Próximas etapas do Brasil', destaca os atuais desafios a serem enfrentados pela presidente Dilma Rousseff para retomar o caminho do ritmo acelerado de crescimento econômico. "Após uma década de rápido crescimento e aumento da renda, o Brasil atingiu uma fase difícil, que testa a capacidade de seu governo administrar

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a economia e satisfazer as crescentes aspirações de seu povo. A presidente Dilma Rousseff, que enfrenta eleições no próximo ano, precisa ir adiante com as reformas políticas e com projetos de investimento público para retomar o crescimento e manter a inflação sob controle", diz a abertura do artigo. O baixo investimento privado é um dos obstáculos a serem ultrapassados pelo go-

verno, opina. O crescimento de 0,9% em 2012 resultaria, portanto, do fraco ímpeto do empresariado – a ausência do tal "espírito animal" tão falado pela presidente Dilma. Para este ano e 2014, o FMI projeta crescimento de 2,5%. Os protestos de junho são lembrados como reflexo dos gargalos a serem resolvidos. Embora tenham tido início por causa do aumento das tarifas e do custo de vida; in fraestrutura defi-

ciente; corrupção política; e gastos com a Copa, lembra o jornal, tomaram lugar da primeira reclamação. "Em resposta aos protestos, Dilma disse que pressionaria por reformas políticas e investimentos em infraestrutura, mas seu governo ainda não cumpriu essas promessas", opina. Mas nem tudo são críticas. A publicação reconhece os avanços em questões sociais. (Estadão Conteúdo)


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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

7 Reuters

TRAGÉDIA EM ALTO-MAR Cartazes com críticas à política imigratória europeia são vistos na ilha de Lampedusa, na Itália, onde o naufrágio de um navio matou 297 imigrantes africanos.

Egito fica sem a ajuda bilionária dos EUA

Divulgação/EFE - 07/10/13

O corte de verba seria uma resposta ao afastamento do presidente Mohammed Morsi. Mas Washington ainda recusa a chamar o incidente de 'golpe'. governo dos Estados Unidos suspendeu formalmente ontem a maior parte da bilionária assistência militar ao Egito em resposta ao golpe militar que derrubou o primeiro presidente democraticamente eleito da história do país árabe. O anúncio foi feito no mesmo dia em que a Justiça egípcia declarou que Mohammed Morsi será julgado em novembro, sob acusação de incitar a violência. A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, disse que Washington suspenderá a entrega de "sistemas militares" e da ajuda em dinheiro até que seja observado algum "progresso confiável" na direção de eleições livres e justas no Egito. A chancelaria norte-americana não entrou em detalhes sobre os números. Desde 1979, no entanto, os EUA enviam em média US$ 1,5 bilhão por ano ao Egito. Desse total, US$ 1,3 bilhão é dedicado a ajuda militar. Fontes próximas ao governo norte-americano revelaram que as autoridades estudam suspender uma transferência de US$ 260 milhões à vista e outros US$ 300 milhões em garantias de empréstimo. Também será suspensa a entrega de helicópteros Apache e caças F-16, além de mísseis Harpoon anti-navios e peças de tanques. Psaki especificou apenas que será mantido o fluxo de dinheiro dedicado a investimentos em saúde e educação, assim como ajuda para que o Egi-

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to controle suas fronteiras, combata o "terrorismo" e garanta a segurança no Sinai. "Os Estados Unidos continuam apoiando uma transição democrática e se opõem à violência como meio para resolver as diferenças dentro do Egito. Continuaremos revisando periodicamente as decisões sobre nossa assistência, e continuaremos trabalhando com o governo interino" para completar as metas compartilhadas "em um ambiente livre de violência e intimidação", acrescentou ela. Washington analisava a possibilidade de suspender a ajuda desde o golpe militar de 3 de julho, que culminou na qieda do presidente Mohammed Morsi e deu início a uma brutal campanha de repressão à Irmandade Muçulmana, grupo ao qual o mandatário deposto é ligado. Desde a deposição de Morsi, o governo de Barack Obama estudava uma forma de punir o Egito sem classificar a ação dos militares como um golpe -- o que implicaria, pela lei norte-americana, na suspensão total da ajuda. Obama evitou usar o termo, mas foi minando o apoio aos

Autoridades do governo interino do Egito, apoiadas pelos militares, são punidas por Washington por causa da 'violência e intimidação' no país.

O iraniano não aguentou o estresse Principal negociador nuclear é hospitalizado às vésperas da reunião chanceler do Irã e prin- derado, e Zarif, que estudou cipal negociador nu- nos EUA, lideraram uma camclear do país, Moham- panha para dissipar a desconmad Javad Zarif, foi hospitali- fiança a respeito do Irã na zado com dores, segundo ele, ONU, no mês passado. provocadas por uma reportaO líder supremo do Irã, aiagem de um jornal linha-dura tolá Ali Khamenei, visto como afirmando que ele considerou um linha-dura, apoiou a aberum erro a conversa por telefo- tura diplomática, mas disse ne do presidente iraniano, que algumas medidas eram Hassan Rohani, com o presi- "inadequadas" -- numa possídente dos Estados Unidos, Ba- vel referência ao telefonema. rack Obama -- a primeira de alLogo a seguir, o jornal linhato nível desde a Revolução Is- dura Kayhan declarou na terlâmica de 1979. ça-feira que Zarif disse, numa A breve hospitalização de sessão a do Parlamento, que a Reuters - 26/09/13 Zarif é um sinal do possível rancor dentro do Irã sobre a velocidade e a extensão com que a República Islâmica tenta resolver suas disputas com o Ocidente. O ministro Zarif é criticado por se reaproximar com o Ocidente vai liderar as conversas nucleares do Irã conversa de Rohani com Obacom seis potências em Gene- ma tinha sido um erro. bra, na próxima semana, a priZarif, porém, negou veemeira rodada desde a eleição mentemente ter dito isso, e de Rohani, em junho. afirmou que a reportagem O presidente do Parlamento prejudicou sua saúde. iraniano, Ali Larijani, descre"Esta manhã, depois de ver veu a reunião como uma "ja- a manchete de um jornal, senti nela de oportunidade", e disse fortes dores na perna e nas ainda que o Irã tem mais urâ- costas. Não conseguia nem nio enriquecido do que precisa andar ou sentar", disse Zarif e planeja utilizá-lo como moe- em sua página no Facebook, da de troca nas negociações. na terça-feira. Ele cancelou Rohani, relativamente mo- vários eventos. (Agências)

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militares. Em agosto, Washington já havia cancelado exercícios militares conjuntos com o Egito e adiado a entrega de quatro caças F-16. Repercussão - O anúncio traz tensão no Oriente Médio porque Israel vê a ajuda norteamericana como parte de seu acordo de paz com o Egito, firmado em 1979 e importante para a estabilidade da região. Os israelenses também temem que, ao demonstrar perda de confiança nos militares egípcios, os EUA possam indiretamente insuflar os simpatizantes de Morsi e o extremismo islâmico no vizinho Sinai. A decisão desagrada ainda à Arábia Saudita e a seus parceiros do Golfo, que promete-

ram US$ 12 bilhões ao Egito se os EUA cortassem o auxílio. Julgamento - Ontem, a Justiça egípcia marcou para 4 de novembro o início do julgamento de Morsi e de 14 líderes da Irmandade Muçulmana. O presidente deposto é acusado de incitar os seus apoiadores a assassinar os oponentes ao repreender as manifestações de forma violenta em seu primeiro ano no cargo. Líderes da Irmandade Muçulmana negaram o uso da violência e disseram que seus partidários estavam defendendo o palácio presidencial. Eles acusaram os adversários de iniciar os confrontos e afastar à força os agentes da polícia do local. (Agências)

David Fernández/EFE

Inspetores pedem trégua na Síria s inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) pediram ontem um cessar-fogo na Síria para concluir sua missão de desarmar o arsenal de armas químicas do governo de Bashar al-Assad. Segundo os inspetores, a trégua temporária é necessária para garantir que possam destruir as armas químicas até meados do ano que vem -conforme prazo acertado em acordo entre os EUA e a Rússia, aliada de Assad, após o ataque químico de 21 de agosto, quando mais de 1.400 pessoas morreram nos arredores de Damasco. (Agências)

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Cartazes de apoiadores de Cristina Kirchner enfeitam a entrada do hospital onde a presidente foi operada na terça-feira

Na Argentina, S solidariedade e bom humor.

impatizantes de Cristina Kirchner mantêm a vigília diante do hospital, em Buenos Aires, onde a presidente argentina foi operada para a retirada de um coágulo na cabeça na terça-feira.

Ontem, eles receberam com aplausos a notícia de que ela evolui "sem complicações" e com os sintomas vitais normais. "Seu estado de ânimo é muito bom e hoje começará com a dieta via

oral", informou o boletim médico divulgado ontem. Cristina deve permanecer internada até o fim da semana e depois seguir para repouso de, no mínimo 30 dias, em casa. (Agências)

Greenpeace: piratas e traficantes. resos na Rússia desde o dia 19 por pirataria, a bióloga brasileira Ana Paula Maciel e outros 29 ativistas do Greenpeace agora podem sofrer a acusação de transportar drogas no navio. O porta-voz do Comitê de Investigação do caso, Vladimir Markin, afirmou que substâncias ilícitas, tais como morfina e bulbos de papoula, foram encontradas no Arctic Sunrise. O Greenpeace nega a alegação. "O barco se encontra há muito tempo sem tripulação e sob controle de gente desconhecida", disse o advogado Mikhail Kreindlin. (Folhapress)

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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

USP: Juiz nega reintegração de posse. Na sentença, magistrado nega liminar e afirma que a desocupação forçada do prédio da reitoria, invadido por alunos, poderia trazer mais prejuízos à universidade. Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo

Justiça negou ontem o segundo pedido de reintegração de posse da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), ocupada por estudantes há oito dias. Após o fracasso da audiência de conciliação entre representantes da USP e dos alunos na terça-feira, o juiz Adriano Laroca, da 12ª Vara da Fazenda Pública da Capital, reprovou ontem a possibilidade de usar força policial para retirar os alunos. A universidade deve recorrer da decisão. De acordo com o magistrado, o Judiciário não pode absorver conflitos negados pela postura antidemocrática de outros poderes, "sem o risco de ele próprio praticar o mesmo autoritarismo (repressão)". Laroca ainda argumentou que a retirada de alunos pela Tropa de Choque traria mais danos à imagem da universidade do que a paralisação parcial da instituição por causa do protesto. No fim do dia, os estudantes fizeram um protesto na Avenida Paulista a favor de maior democratização nas eleições da USP. Alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) organizaram uma caravana para reforçar a manifestação, que seguirá até a Assembleia Legislativa. A reitoria da Unicamp também está ocupada por alunos, que são contra a presença da Polícia Militar no câmpus. Os alunos reivindicam a eleição direta para reitor da universidade e o fim da lista tríplice. Hoje, o governador do Estado escolhe um entre os três candidatos mais votados por uma "assembleia eleitoral" formada por cerca de 2 mil pessoas - 86% das quais são docentes. Recentemente, a

Protestos: casal baderna é solto.

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Alunos da USP e da Unicamp fizeram passeata pacífica ontem à tarde na Avenida Paulista: impasse sobre a ocupação da reitoria continua. USP perdeu o posto que ocupava entre as 200 melhores universidades do mundo. O prédio na Cidade Universitária foi ocupado no dia primeiro deste mês. Antes, os estudantes tentaram invadir uma reunião do Conselho Universitário que ocorria no horário de forma violenta, utilizando até marretas e placas de trânsito para arrombar a porta e entrar na reunião. Estupro – As câmeras de segurança do prédio da Engenharia de Produção da Politécnica da USP, onde uma estudante sofreu uma tentativa de estupro na manhã de terçafeira, não estavam funcionan-

do no momento da agressão. O diretor da Poli, José Roberto Cardoso, afirmou que há câmeras espalhadas no interior do prédio e nas saídas, o que significa que o agressor "seria identificado de qualquer forma". Uma sindicância será instaurada para apurar o caso. A segurança no câmpus é privada, mas no interior dos prédios a vigilância é de responsabilidade de cada unidade. Cardoso também defendeu a instalação de catracas nos prédios. "Nós fizemos um projeto há uns sete anos, mas, na época, a comunidade estudantil foi visceralmente contra", afirmou. (Agências) Divulgação

A ocupação de bem público, como forma de luta democrática, para deixar de ter legitimidade, precisa causar mais ônus do que benefícios à universidade e, em última instância, à sociedade. (...) Desta forma, havendo a possibilidade de retomada do prédio sem o uso da força policial, bastando a cessação da intransigência da Reitoria em dialogar, de forma democrática, com os estudantes, e, ainda, considerando que, nesse momento, a desocupação involuntária, violenta, causaria mais danos à USP e aos seus estudantes do que a decorrente da própria ocupação, indefiro, por ora, a liminar. TRECHO DA SENTENÇA QUE NEGOU A REINTEGRAÇÃO DE POSSE NA USP

Prefeitura desarma acampamento de sem-teto na Sé. Até quando? Prefeitura realizou ontem uma operação na Sé, no Centro, para retirar os moradores de rua e viciados em drogas que vivem na praça, marco zero de São Paulo. Eles foram encaminhados para um espaço no Parque Dom Pedro II e, em breve, devem receber auxílio-aluguel. Inicialmente houve um trabalho de convencimento por parte da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e das secretarias de Assistência Social, Saúde e Habitação, que abordavam os sem-teto na tentativa de recolhimento das barracas. Apesar de a maioria não ter resistido à operação, no fim da tarde ainda restavam dez barracas para serem retiradas. Segundo um guarda, que preferiu não ser identificado, os moradores “provavelmente

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Seringueira sexagenária foi derrubada para dar lugar a obras do Metrô. Outras árvores estão ameaçadas.

Luto pelas árvores da Santo Amaro Mariana Missiaggia ma seringueira de 60 anos que ficava a poucos metros do cruzamento das avenidas Santo Amaro e Roberto Marinho, na zona sul de São Paulo, foi removida totalmente por obras do Metrô. Ambientalistas, moradores e comerciantes da região se mobilizaram para impedir a retirada da árvore. Sem sucesso. Um abaixo-assinado com quase 10 mil assinaturas e a mobilização de dois grupos de moradores não foram suficientes para impedir a decisão de derrubar o pau-ferro, a paineira e a seringueira de mais de 60 anos. A árvore, que ficava no canteiro central, deu lugar a mais de 30 cruzes de madeira, elaboradas pelo acupunturista Alexandre Chut, 47

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Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu ontem soltar o casal Luana Bernardo Lopes, 19 anos, e Humberto Caporalli, 24, conhecido nas redes sociais como "Humberto Baderna". Os dois foram presos na segunda-feira durante protesto no Centro. Eles foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional, que prevê pena de três a dez anos a quem praticar crimes como sabotagem contra instalações militares, meios de comunicações, estaleiros, portos e aeroportos. A polícia afirma que eles foram presos com latas de spray, uma bomba de gás lacrimogêneo "aparentemente utilizada" e uma cartilha de como se portar em protestos. Policiais afirmaram que eles picharam prédios, incitaram a violência e ajudaram um grupo a virar um carro da Polícia Civil de ponta-cabeça. A defesa diz que eles estavam no ato, mas não participaram de nenhum ato de vandalismo. E que a bomba apreendida na mochila do rapaz era apenas um "souvenir". "Humberto Baderna" usa o apelido em referência à anarquista italiana Marietta Baderna (18281870), exilada no Brasil alegando perseguição política. (Folhapress)

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anos, e outros cinco amigos, para simbolizar a morte destas árvores. Outras 22 espécies foram removidas na região. “Não tem justificativa. Todos os exemplares estavam saudáveis, sem cupim. Minha crítica não é somente para um órgão especifico do governo, mas para o conjunto. Existe tecnologia para manter um espaço permeável e fazer da futura obra um símbolo de interdependência. Temos que preservar a função da natureza”, observou Chut. Foram necessárias oito noites para a remoção total da seringueira que tinha 30 metros de altura. O trabalho começou na madrugada do último dia 31, quando frequentadores do endereço começaram a se dividir em turnos aos pés da árvore para frear a remoção. Mesmo com a mobilização, eles agora vivem sob a expec-

tativa de uma futura remoção em massa de outros exemplares na Avenida Santo Amaro, até o final deste ano. "O Plano Diretor Estratégico foi elaborado com foco no transporte e no impulsionamento do mercado imobiliário. E deixaram de lado a criação de parques e florestas urbanos e as árvores que nos restam estão sendo removidas”, disse Chut. De acordo com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, a remoção da seringueira foi "necessária em função do projeto de edificação da futura Estação Campo Belo do metrô linha-5" e informou que está prevista a compensação ambiental. Procurado, o Metrô não informou se existe algum projeto de transferência desses exemplares e se outras árvores da região serão removidas pelo projeto.

voltarão para a Sé ainda nessa madrugada (hoje)”. Pertences como colchões e cobertores eram colocados para fora das moradias improvisadas e retirados em um caminhão. Os objetos seriam levados, pela Prefeitura, para o espaço intersetorial “Braços Abertos”, localizado perto do Terminal Parque Dom Pedro II, local onde funcionava a antiga “tenda”, um espaço destinado a moradores de rua. Os acampados eram encaminhados para o mesmo endereço, onde tomariam banho, se alimentariam, fariam um cadastro e montariam seus “acampamentos” novamente por um mês. A previsão é que , após esse período, as famílias recebam o auxílio-aluguel de R$ 300 por três meses como uma forma de incentivo para a

saída das ruas. Isabel Bueno, coordenadora de proteção especial da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, diz que as pessoas não ficarão desamparadas. "A ideia é dar uma qualidade de vida melhor para eles", afirma. De acordo com o padre Júlio Lancelotti, líder da pastoral dos moradores de rua, a ação é "higienista" e não foi apresentada nenhuma alternativa para os moradores de rua. Segundo ele, há uma grande concentração de usuários de crack no local que migraram da Cracolândia, também na região central. "Essa é uma ação desarticulada e higienista onde querem retirar os usuários de droga, mas sem apresentar, por exemplo, uma proposta de tratamento", afirmou. (M.M.) Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

Prefeitura diz que grupo de sem-teto não ficará desamparado. Júlio Lancelotti chama ação de higienista.


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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

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Eu sou uma mulher que nunca fica fora de moda, porque eu não sou estrela, eu sou atriz." Norma Bengell

Renato Mangolin/Divulgação

ÚLTIMO ATO Norma Bengell, a 'inspiradora de praias, sertões e amazônias', morre aos 78. ai ficar saudade. Era insubstituível. Ela que sociedade brasileira. Sua atuação no premiado O Pagaabria todas as passeatas contra a ditadu- dor de Promessas (62) a levou a ser contratada pelo prora. Foi revolucionaria", disse Ney Latorra- dutor italiano Dino de Laurentis, que a levou para atuar ca, citado por Luciane Marques, amiga, cuidadora e em produções italianas e francesas, como Mafioso procuradora da atriz Norma Bengell, no velório da atriz, (1962), de Alberto Lattuada, e La Constanza della Ragioontem à tarde, no Cemitério São João Batista, em Bota- ne" (1964), de Pasquale Festa Campanile. De volta ao Brasil, atuou em Noite Vazia (1964), de fogo. A cremação está marcada para hoje, às 14h, no Cemitério do Caju. As cinzas devem ser jogadas na Pe- Walter Hugo Khoury, e, durante as filmagens, se cadra do Arpoador, em Ipanema, conforme desejo de Nor- sou no estúdio da Vera Cruz com o ator Gabriele Tinti, em altar improvisado pelo diretor. ma revelado por seu primo Egberto Guimarães Costa. Banida de Belo Horizonte, em 1966, pela Associação Norma, "inspiradora de praias, sertões e amazônias", segundo Glauber Rocha, morreu por volta das de Donas-de-Casa de Minas Gerais, por conta do nu de 3h de ontem, vítima de câncer no pulmão. Ela estava Os Cafajestes, a "mulher mais desejada do Brasil" nos internada no Hospital Rio-Laranjeiras, em Botafogo. anos 60 – nas palavras de Jece Valadão – também foi seSegundo amigos e familiares, Norma, que tinha 78 questrada, parceira sexual de Mick Jagger em videoclianos, estava lúcida, embora tivesse dificuldades pa- pe She's the Boss . Em 68, ano em que encenou a peça Cordélia Brasil, de ra reconhecer algumas pessoas. Ela sofria com problemas de saúde desde 2010, quando uma série de Antônio Bivar, em São Paulo, foi levada ao Rio por três quedas em sua casa provocou um problema na colu- homens do 1º Batalhão Policial do Exército, onde foi interrogada por cinco horas sobre "a subversão na classe na que dificultava sua locomoção. A atriz não quis tratar o câncer, descoberto seis meses atrás, segundo contou seu primo. Ele disse que ela teve qualidade de vida em casa nesses últimos meses e só foi internada no último sábado, quando o quadro se agravou. "Eu não sei dizer o porquê da decisão. Ela estava triste. Não quis se submeter a qualquer tratamento e foi respeitada. Foi muito digna. Quis ficar em seu apartamento, em Copacabana, entre suas foNorma no 1º nu frontal do cinema brasileiro e na peça Vestido de Noiva tos. Nunca quis morar no Retiro dos Artistas, por teatral". Atriz de filmes que exemplo. Para sair era costumavam cair no radar uma dificuldade, por da censura, Norma se exilou conta da cadeira de rona França em 1971.Em 84 a das, mas costumava coatriz afirmou ter feito 16 mer o seu sushi aos doabortos por ser "um saltimmingos." banco por escolha". Filha única de um imiSeu retrato com outras grante alemão que traatrizes na Passeata dos balhava como afinador Cem Mil, no centro do Rio, de pianos e de uma moem 26 de junho de 1968, foi ça de família rica que foi usado pela campanha da deserdada após o casaentão candidata Dilma mento, Norma nasceu Rousseff. A atriz se envolno Rio e passou a infânveu num imbróglio jurídico cia em Copacabana. Aos relacionado a prestação 10 anos, seus pais sepade contas de O Guarani, que raram-se e ela foi viver produziu e dirigiu. Fracascom os avós paternos. so de público e crítica, o filAdolescente rebelde, foi me teve autorização do Miexpulsa de um internato nistério da Cultura para de freiras alemãs e abancaptar, via leis de renúncia donou os estudos. Cofiscal, R$ 3,9 milhões. Lemeçou a trabalhar no inívantou R$ 2,9 milhões. O cio dos anos 1950, priMinC achou notas frias na meiro como modelo e, depois, como vedete do teatro prestação de contas e passou o caso ao Tribunal de de revista – trabalhou por muitos anos com o empresá- Contas da União, que também acusou retirada de rio Carlos Machado (1908-1992), nas boates Casablan- "pró-labore" em valor superior ao permitido. ca e Night and Day, como cantora e "showgirl". Ela foi indiciada pela Polícia Federal por lavagem O convite para fazer cinema veio aos 23 anos, quan- de dinheiro, evasão de divisas e apropriação indébido contracenou com Oscarito na chanchada O Homem ta. "Tenho a consciência limpa. Sei onde ponho meu do Sputnik (1959), de Carlos Manga, fazendo uma paró- nariz, de onde pego minhas coisas. Seria incapaz de dia de Brigitte Bardot. No mesmo ano, lançaria seu pri- mexer no que não é meu", disse em 2007. meiro LP, OOOOOOh! Norma, com canções como Fever Segundo advogados da atriz, foram abertos três (sucesso na voz de Peggy Lee) e Eu Sei que Vou te Amar processos criminais contra ela. Dois foram arquiva(Tom Jobim). O álbum chamou a atenção por sua capa, dos e o terceiro não tinha tido decisão. Seus últimos na qual Norma parecia estar nua. trabalhos foram no seriado de TV da Globo Toma Lá, Dois anos depois, sua nudez no longa Os Cafajestes Dá Cá, em 2008 e 2009, onde interpretava a homos(1961), de Ruy Guerra, seria o primeiro nu frontal do ci- sexual Deyse Coturno. Norma também preparava nema nacional e causaria escândalo, tornando-a alvo uma autobiografia, Coisas que Vivi. O lançamento esde críticas violentas dos setores mais conservadores da tava previsto para o ano que vem. (Agências)

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Foi pensando na semana das crianças que o Sesc Pompéia apresenta duas sessões extras da peça Experiência, no sábado (12) e domingo (13). A história gira em torno de três cientistas, que ao som de Mozart, apresentam os princípios da básicos da ciência de uma forma lúdica, utilizando jogos de palavras, dança, teatro e vídeo. Experiência. Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93. Até 3 de nov. 12h. Sessões extras às 16h.

Marília Pêra, atriz. Reprodução/Canal Brasil

Valéria Gonçalves/Estadão Conteúdo-04/02/08

Pequenos grandes cientistas

Grande atriz, grande cantora, grande diretora, uma pessoa muito importante para o nosso País (...) A Norma foi ficando... não abandonada, porque muitos amigos continuaram com ela, mas foi se sentindo abandonada, desprotegida, doente. Uma mulher muito talentosa, muito intensa. Eu fazia uma peça em 1971 no teatro, A Vida Escrachada de Joana Martini e Baby Stompanatto, do Bráulio Pedroso, e havia um momento em que a gente brincava de briga com uma pessoa da plateia, era uma coisa combinada com um ator que estava na plateia. E a Norma estava na plateia nesse dia e acreditou que o ator na plateia estava me desrespeitando. Ela tirou o sapato e jogou nele, pegou ele pelo colarinho e queria bater nele. Ela era muito intensa, não admitia que alguém desrespeitasse um colega.

Estou triste. Sempre admirei a coragem de Norma e a ousadia que ela tinha na carreira. Não apenas por ter sido a primeira mulher com nudez frontal no cinema brasileiro, mas depois ter se enveredado na carreira de diretora. Na época em que ela fez O Guarani, ela juntou uma turma legal e o cinema brasileiro não tinha tanta força quanto hoje. Foi muito corajosa. Deu para notar que era uma pessoa com muita vontade de enfrentar todas as dificuldades. Marcio Garcia, ator de "O Guarani" (1997).

Eu tô muito comovido porque não sabia. Eu trabalhei até tarde e me disseram. Eu trabalhei com ela no Toma Lá Dá Cá. Ficamos muito amigos. Ela me contava essa história dela, que foi uma atriz que teve uma carreira internacional. Eu lembro de adolescente, ela fazia teatro na França. É uma atriz que divulgou muito a cultura brasileira e era uma mulher que responde sobre a liberdade na arte através do filme dela. Ela teve esse legado da liberdade. Eu acho que isso é uma coisa que o artista conquista com muita dificuldade. É uma vencedora. Era uma pessoa diferente, introspectiva, carinhosa. Diogo Vilela, ator.

Camila Pitanga durante a peça O Duelo da mundana companhia

TEATRO DUELO AO SOL Sérgio Roveri ssim que decidiram adaptar para o teatro a novela O Duelo, escrita em 1891 pelo russo Anton Tchekhov, os atores da mundana companhia (assim mesmo, em letras minúsculas) fecharam questão em torno da necessidade de encontrar, no Brasil, um território tão quente e inóspito quanto o litoral do Mar Negro, na região do Cáucaso, onde se passa a história original. A paisagem escolhida para os ensaios foi o sertão cearense. Mas quando a trupe de 21 pessoas, entre atores e técnicos, chegou a Arneiroz, a cinco horas de ônibus de Fortaleza, alguém olhou para a dureza do ambiente em volta e exclamou: de quem foi mesmo a brilhante ideia de vir parar aqui? Recuperados do susto inicial, os atores passaram seis semanas entre as minúsculas Arneiroz, Lavras da Magabeira e Iracema, também no sertão cearense, envolvidos em ensaios que contaram com a participação dos moradores locais. O resultado desta espécie de Projeto Rondon teatral pode ser conferido a partir de amanhã, 11, com a chegada a São Paulo da peça O Duelo, que já teve 27 apresentações em Estados do Nordeste. A montagem, de 3h20 de duração, com intervalo, estreia no Espaço Ademar Guerra do Centro Cultural São Paulo, para uma temporada de dois meses. "Não estávamos interessados em buscar afinidades entre o Cáucaso e o sertão, e sim em produzir atrito entre as duas regiões", diz o ator Aury Porto, que divide com Camila Pitanga o palco e a produção do espetáculo. "Aquelas seis semanas não foram importantes apenas para a peça, elas foram essenciais para as nossas vidas. Foi um desafio pessoal

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Comida especial, e deliciosa, para a criançada. Divulgação

o dia das crianças, nada mais justo do que, além de ganhar presentes, comer o que mais gosta. Reunimos algumas sugestões de restaurantes, lanchonetes e lojas que oferecem cardápios especiais, promoções e mimos para os pequeninos. A lanchonete Milk & Mellow com sedes no Itaim e na Granja Viana aposta no Menu Kids, servido com hambúrguer de carne (R$23,60) ou frango, o Frango Burger (R$24,70) ou hot dog (R$20,70). Acompanha batata frita smiles e suco de laranja. Para sobremesa, a sugestão é a Banana Split (R$29,30), servida com três bolas de sorvete e banana, cobertos por chantilly, fa-

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Mille: minipizza no formato de flor ou bonequinho, um suco e a sobremesa Zucot -- sanduíche doce feito de bolacha recheada com sorvete de creme ou chocolate. Seis endereços na Cidade. www.1900.com.br Oficina de pizza na Esperança, no Itaim. A festa fica mais divertida com a mão na massa. rofa de castanha de caju, caldas Na pizzaria Esperança do Itaim, a de chocolate e caramelo, criançada pode montar a prómarshmallow e canudinhos. pria pizza. A oficina acontece no www.milkmellow.com.br sábado (12), a partir das 18h, e Até domingo (13), na 1900 Pizserá uma cortesia. Os pais pozeria, crianças até 12 anos dem degustar a pizza Parma acompanhadas de um adulto (R$67,50), uma das mais vendipagante ganham o Super Trio

das em toda a rede. www.pizzariaesperanca.com.br Quem não dispensa uma carne, pode levar os pequenos à Figueira e Baby Beef Rubaiyat. Os restaurantes presenteiam as crianças com kit cupcake para decorar no sábado (12). A casa oferece ainda brinquedoteca, monitores e tablets com jogos educativos e desenhos animados. O menu infantil (até 12 anos) tem bifinho de filé mignon com batatas palito ou purê (R$39 no Baby Beef e R$45 na Figueira) e o penne com molho branco, manteiga ou ao sugo (R$35 no Baby Beef e R$39,50 na Figueira). www.rubaiyat.com.br

para cada um de nós. Na novela de Tchekhov, todos os personagens são estrangeiros no Cáucaso, e nós éramos estrangeiros naquele sertão nordestino." O Duelo, novela e peça, sustenta-se no incorpado debate de ideias entre dois personagens. De um lado, Von Koren (papel de Paschoal da Conceição), defensor da polêmica teoria de que os homens fracos devem ser eliminados da sociedade. O contraponto a ele é feito por Laivski (Aury Porto), que pelo fato de beber, jogar e levar adiante uma relação problemática com a amante Nadiejda (Camila Pitanga) é visto como o mais bem acabado exemplo de fraqueza da região. Em uma de suas incontáveis crises histéricas, Laivski desafia Von Koren para um duelo de espadas. "A luta entre eles realmente ocorre nos momentos finais do espetáculo", diz Aury. "Mas como estamos falando de Tchekhov, a tragédia anunciada não se concretiza. O desfecho aponta para algo que beira o patético. Independente disso, esta história de certa forma antecipou as inúmeras ações de extermínio dos mais fracos ou dos apenas diferentes que marcaram todo o século 20." Com a estreia de O Duelo, a mundana companhia põe fim à tetralogia que teve início com O Idiota, de Dostoiévski, e Tchekhov – Uma Experiência Cênica, ambos de 2010, e prosseguiu com o espetáculo Pais e Filhos, a partir do romance de Ivan Turguêniev, em 2012. O Duelo. Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1000. Sala Ademar Guerra. Estreia sexta (11). Tel.: 3397-4002. Quinta a domingo. 19h30. R$ 20.

Música infantil brasileira no CCBB No sábado (12) e domingo (13) acontece o Festival CCBB de Música Infantil Brasileira. O evento será gratuito e terá como convidados Zé Renato cantando sucessos como Arca de Noé; a banda Pequeno Cidadão ; e o grupo Patu Fu,que aprensenta show em que todos os instrumentos são brinquedos. CCBB. Rua Álvares Penteado, 112 . Sáb. (12) e Dom. (13). 15h. Gratuito.


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Passeio em família Família de elefantes caminha depois de se refrescar em uma lagoa no Amboseli National Park, a 290 quilômetros da capital do Quênia, Nairobi. Os governos do Quênia e da Tanzânia estão realizando uma contagem aérea do número de elefantes e outros grandes mamíferos nas áreas de fronteira entre os dois países.

Thomas Mukoya/Reuters

Pedra e aço O artista John V. Wilhelm usa pedras em estado bruto e estruturas de aço para criar suas esculturas. Com solda e imaginação, ele cria figuras inspiradas em animais. http://goo.gl/GrQxCg

Esculturas de papel A reinvenção da cadeira de balanço

Combinando as técnicas de dobradura, colagem e modelagem e usando como ferramentas cola, papel e tesoura, os artistas russos Alexei Lyapunov e Lena Erlikh criaram diversas esculturas em papel para o site da empresa de serviços de computação Cubby. As obras exploram cenas do cotidiano de pessoas comuns, como situações de trabalho, lazer e transporte.

Cadeira Mamulengo, do designer Edoardo Baroni, foi destaque do site internacional Trendir, por sua beleza e modernidade.

http://goo.gl/Y5aYJ8

http://eduardobaroni.com

.N..OBEL DE QUÍMICA

.A..LEMANHA

Prêmio vai para trio que criou app

Tobias Schwarz/Reuters

O britânico Michael Levitt, da Universidade Stanford, o austríaco Martin Karplus, da Universidade Harvard, e o israelense Arieh Warshel, da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles [da esquerda para a direita, na foto] foram laureados com o Nobel de Química ontem. Eles criaram modelos de computador que prevêem como acontecem as reações químicas. A academia de ciências sueca comparou seus estudos a levar a química do tubo de ensaio ao ciberespaço.

As reações químicas acontecem muito rápido dentro do tubo de ensaio, por isso é difícil saber os detalhes do processo. As simulações em programas de computador permitem obter esses detalhes. Antes dos trabalhos dos lau-

reados, os químicos usavam ou a mecânica clássica, que dava a posição dos átomos nas substâncias químicas mas não previa seu comportamento durante as reações químicas, quando as moléculas estão cheias de energia e os áto-

Hélvio Romero/Estadão Conteúdo

VAZIO Depois que parte da cidade de Redenção da Serra (SP) foi alagada pela construção de uma hidrelétrica, o centro histórico foi abandonado pela população.

Festival de Luzes Público observa o show de abertura do Festival das Luzes, na Catedral de Berlim. O festival, que vai até 20 de outubro, iluminará diversos pontos turísticos da capital alemã.

.T..ECNOLOGIA

Controle remoto via Twitter A Comcast Corp anunciou ontem que desenvolveu um novo controle remoto em parceria com o Twitter que permite aos usuários sintonizarem um canal por meio de um tuíte. Ao clicar

no botão "see it" de um tuíte, os usuários poderão ver um programa ao vivo ou sob demanda no celular ou na TV. As empresas esperam que o recurso se torne tão popular quanto o botão "curtir" do Facebook.

Imagens rituais O artista ambiental Ahmad Nadalian faz impressões na areia usando cilindros de pedra esculpida em baixo relevo. Nas imagens, figuras de antigos rituais. Nadalian diz que sua arte, que é apagada pelas ondas, é um presente para a Terra e uma cura para o meio ambiente. www.riverar t.net

mos estão em "movimento", ou a mecânica quântica, que permite enxergar esses detalhes, mas requer computadores poderosos demais. Com os programas criados, o trio conseguiu combinar, para a análise da mesma molécula, a mecânica quântica para as partes cruciais das ligações químicas e a mecânica clássica para as partes menos importantes, que precisam de análises menos detalhadas. Os programas criados por eles são usados para desenvolver medicamentos. Os cientistas vão dividir o prêmio de US$ 1,25 milhão.

.L..OTERIAS Concurso 966 da LOTOFÁCIL 02

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PÃO DE AÇÚCAR O Grupo Pão de Açúcar (GPA) informou que Jean-Charles Naouri foi eleito ontem presidente do Conselho de Administração da companhia em assembleia geral.

Copom dá outro empurrão nos juros Como era esperado, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, a 9,5% ao ano, indicando que o ritmo de aperto monetário para combater a inflação continuará. Paulo Pampolin/Hype

m decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual ontem, a 9,5% ao ano, num movimento amplamente esperado e indicando que deve manter o ritmo de aperto monetário para combater a inflação ainda pressionada. "O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", informou o Copom em comunicado. "O BC não está dando nenhum indício de que vai parar com o aperto monetário, e eu achava que ele podia sinalizar no comunicado que poderia parar em breve" afirmou o diretor de Gestão de Recursos da corretora Ativa, Arnaldo Curvello. "Provavelmente, na próxima reunião teremos uma elevação de 0,50 ponto percentual, mas a dúvida de o que vem depois vai ficar no mercado". Na opinião dele, a Selic deverá chegar a 10,25 por cento. Cresce cada vez mais entre os agentes econômicos a expectativa de que a taxa voltará ao patamar de dois dígitos, algo que não se vê desde janeiro de 2012, por conta da inflação ainda elevada, e que este ciclo se estenda por mais tempo. A pesquisa Focus do BC mostrou no início dessa semana que as Top 5, instituições que mais acertam as estimativas, veem a Selic subindo a

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Rejane Tamoto

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om a taxa básica de juro em 9,50% ao ano, os fundos de investimentos de renda fixa ampliam sua competitividade em relação à caderneta de poupança, que voltou a ter rendimento fixo de 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR) desde 29 de agosto. Na estimativa para a TR de José Dutra Vieira Sobrinho, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais (Fipecafi), a poupança passa a render 0,5348% ao mês. Para o ano, ele projeta rendimento acumulado de 6,32% para a antiga caderneta (depósitos feitos até o dia 3 de maio) e de 5,80% para a nova (depósitos após o dia 3 de maio). Segundo Dutra, quem aplica valor menor continuará com melhor condição na caderneta, por ser isenta de Imposto de Renda (IR). "À medida que a taxa Selic aumenta, o fundo de renda fixa fica mais competitivo e começa a ganhar da poupança", afirma. Ele recomenda que o investidor de fundos de investimentos fique atento às taxas de administração e

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CONSENSO DE MERCADO - "Ao elevar a taxa Selic para 9,5%, com aumento de meio ponto

percentual, em linha com o consenso de mercado, o Banco Central parece continuar disposto a atuar para conter a alta da inflação – que, apesar de ter mostrado recuo, continua acima da meta anual (4,5%). Daqui para a frente, devido à fraca recuperação do nível de atividade econômica, num contexto de queda dos índices de confiança, e ao menor patamar alcançado pela taxa de câmbio, poderia ser conveniente dosificar o aumento dos juros. Porém, desde que a política fiscal implementada seja efetivamente neutra em termos de inflação”. Rogério Amato, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

10,5% ao ano até fevereiro de 2014, com uma elevação de 0,5 ponto em novembro e outras duas altas de 0,25 ponto em janeiro e em fevereiro. Mas, pelo menos por enquanto, a maior parte do mercado acredita que a Selic irá somente a 9,75% e ficará neste patamar ao longo de 2014. O IPCA fechou setembro com alta de 5,86% em 12 meses, no menor patamar desde dezembro passado, mas ain-

Fed dividido na questão do corte nas compras ivulgada ontem, a ata da reunião de política monetária do Federal Reserve norteamericano realizada em setembro mostra que os participantes estavam preocupados quanto a anunciar uma redução no programa de compras de títulos num momento em que a economia dos EUA ainda parecia frágil e novos riscos emergiam. Ainda assim, a maioria dos integrantes do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) foi favorável a reduzir o programa de estímulo até o fim deste ano. Segundo a ata, durante a reunião os participantes que defendem a manutenção do ritmo de compras de bônus inalterado argumentaram que anunciar até mesmo uma pequena redução levaria as taxas de juro de longo prazo a subir. A ala favorável à redução responde que "um adiamento poderia, potencialmente, minar a credibilidade ou a previsibilidade da política monetária". No final, a decisão de manter o ritmo das compras de bônus foi "relativamente apertada" para vários integrantes do Fomc, uma conclusão reforçada por declarações públicas feitas por vários membros do comitê nas semanas seguintes à reunião. A decisão de não reduzir o

Fundos de renda fixa ampliam competitividade

programa de estímulo em setembro surpreendeu muitos participantes do mercado. A ata mostra que os dirigentes do Fed reconheciam que havia uma expectativa ampla de que seria anunciada uma redução. A ata mostra que pesaram bastante nas deliberações "questões sobre os efeitos, no setor de imóveis residenciais e na economia como um todo, do aperto das condições financeiras nos últimos meses, assim como sobre os riscos consideráveis que cercam a política fiscal". O texto também sugere que havia divergência sobre os indicadores econômicos. "Decepcionantes", para os que querem manter o ritmo das compras de bônus; "consistentes", entre os que defendem a redução do estímulo. Nas projeções econômicas que cada um dos dirigentes ofereceu antes do início da reunião, a maioria dizia acreditar que seria apropriado começar a reduzir o programa de estímulo até o fim deste ano e encerrar o programa em meados de 2014. (Reuters)

"Excepcionalmente bem qualificada para o cargo", foi como Obama qualificou Janet Yellen

da longe do centro da meta de inflação do governo, de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. O próprio BC, em seu último Relatório Trimestral de Inflação, previu que a inflação não deve ceder tão cedo, ficando em 5,8% neste ano e 5,7% em 2014. Na ocasião, o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo, afirmou que ainda havia "bastante trabaKevin Lamarque/REUTERS

lho" para combater a inflação. O presidente do BC, Alexandre Tombini, vem reiterando que o objetivo é alcançar a meta de 4,5%, mas sem colocar prazos. A elevação dos juros para combater a inflação tem impacto negativo no crescimento econômico, justamente em um momento em que a economia brasileira não dá sinais consistentes de recuperação. (Reuters)

também ao prazo da aplicação, que define o quanto pagar de IR no resgate. Em aplicação com prazo de até seis meses, o fundo oferece maior rentabilidade na comparação com a poupança se a taxa de administração for de até 0,75%, ele calcula. Se o prazo da aplicação for de seis meses a um ano, o fundo ganha da poupança com taxa de administração de até 1%. Se for de um ano a dois anos, o fundo é competitivo com a taxa até 1,25%. Segundo Samy Dana, professor de finanças da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP-FGV), os fundos ficam mais competitivos em relação à poupança, mas se a taxa de administração for alta podem dar retorno menor que CDBs e títulos públicos. Dados de agosto da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), mostram a taxa de administração média cobrada por fundos referenciados DI para pessoa física em 1,22%, oscilando de 3,30% a 0,38%, conforme o tíquete de entrada na aplicação e o relacionamento com a instituição financeira.

Janet Yellen confirmada por Obama xcepcionalmente bem qualificada para o cargo. Não tem uma bola de cristal, mas tem aguda compreensão sobre como os mercados e a economia funcionam, não só na teoria mas também no mundo real". Assim o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, qualificou a vice-presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, ao anunciar, ontem, que a escolheu para assumir o comando do mais influente banco central do mundo. Ela sucederá Ben Bernanke, cujo segundo mandato termina em 31 de janeiro de 2014. Defensora de medidas agressivas para estimular o crescimento por meio de juros baixos e grandes compras de títulos públicos, Janet Yellen será a a primeira mulher a dirigir um banco central do G7, bloco das sete maiores economias industrializadas. Obama pediu que o Senado seja rápido no processo de sabatina de escolhida. A expectativa é de que ela seja confirmada, apesar da relutância de alguns republicanos. Analistas a veem como uma continuadora das políticas de Bernanke, e acreditam que agirá com cautela na retirada dos estímulos monetários adotados para tirar o país da recessão. Falando rapidamente depois de Obama, Janet Yellen disse que promoverá o pleno emprego e defenderá a estabilidade de preços e a solidez do sistema financeiro. Ela disse que há mais para ser feito para assegurar que os desempregados encontrem emprego. "Embora já tenhamos feito progressos, ainda podemos ir mais longe. O mandato do Federal Reserve é atender a todo o povo norte-americano, e muitos norteamericanos ainda não conseguiram encontrar trabalho e se preocupam com como irão pagar suas contas e sustentar suas famílias", disse ela. "O Federal Reserve pode ajudar se fizer seu trabalho efetivamente." (Reuters)

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No mês passado, também pesou sobre os preços a valorização do dólar em relação ao real.

Transportes e habitação puxam o IPCA Índice foi a 0,35% em setembro e acumula 5,86% nos 12 meses contados até o mês passado. É a primeira vez no ano que fica abaixo dos 6%. Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estad

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 0,35% em setembro, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, acumula 5,86% nos 12 meses contados até o mês passado. É a primeira vez no ano que fica abaixo dos 6%; a última foi em dezembro de 2012 (5,84%). No mês passado, a pressão sobre os preços veio das áreas de transportes e habitação e também em efeito da valorização do dólar em relação ao real. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ter ficado satisfeito com o resultado, mas que o governo não irá descuidar do controle da inflação. "O IPCA de 0,35% é menor que o registrado no mesmo período do ano passado e do ano retrasado. Isso significa que a inflação está sob controle", afirmou. "É claro que ela tem uma sazonalidade, no final do ano sobe um pouco, porque você tem entressafra e regime de chuvas. Mas vamos ficar dentro da normalidade". O grupo de habitação subiu 0,62% em setembro ante 0,57% em agosto, foi pressionado pelo preço do gás de botijão (+2,01%) e pelo aluguel residencial (+0,80%). Embora a maior alta, e consequentemente o maior impacto sobre o índice, tenha vindo desse grupo, a aceleração mais forte se deu no grupo Transportes, que passou de deflação de 0,06% para alta de 0,44%. "O impacto da redução na tarifa de ônibus definitivamente se esgotou", frisou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos, coordena-

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" Isso significa que a inflação está sob controle. No final do ano sobe um pouco, mas vamos ficar dentro da normalidade". MINISTRO GUIDO MANTEGA No mês, as tarifas do transporte urbanos estabilizaram, mas os preços das passagens aéreas subiram 16%. dora de Índices de Preços do IBGE. As tarifas do transporte urbano, de fato, ficaram estáveis; agora, foram as passagens aéreas que puxaram o índice, subindo 16,09% – alta não compensada pelos recuos dos preços do etanol e da gasolina, de 1,31%e 0,26% respectivamente. Alimentação e bebidas também registrou aceleração, avançando 0,14%, após variar 0,01% em agosto. Esse grupo foi o que mais refletiu em setembro a alta recente do dólar. Itens como carnes, frango, farinhas, massas e, principal-

Promessa de um novo recorde na agricultura

Indústria trabalha em patamar mínimo utilização da capacidade instalada da indústria brasileira chegou em agosto a seu menor patamar deste ano: 82%, informou ontem a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em julho, o percentual foi de 82,3% e, em agosto do ano passado, de 82,1%. Apesar dessa retração, o gerente executivo de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, afirmou que há "predominância de resultados positivos" nos indicadores industriais do mês de agosto. De acordo com a CNI, as vendas reais, que medem o faturamento do setor, subiram 3,4% em agosto ante julho e 1,3% na comparação com agosto do ano passado. As horas trabalhadas aumentaram 1,3% na comparação com julho deste ano e caíram 1,2% em relação a igual mês de 2012. O emprego, que a CNI aponta como o destaque do mês, subiu 0,8% em agosto ante julho e 2,0% ante agosto de 2012. "Esses dados estão dentro da tendência de crescimento, mas com oscilações, que tem marcado o ano de 2013. A atividade, na média, se mostra superior ao ano passado", afirmou Castelo Branco. Ele disse ainda que a expectativa para os últimos meses do ano é que as oscilações no desempenho da indústria percam a intensidade. (Estadão Conteúdo)

mente o pão francês, foram afetados pela alta da moeda norte-americana. Depois das passagens aéreas, o segundo principal impacto individual veio do pão francês, que ficou 3,37% mais caro no mês passado . Boa parte do trigo utilizado no Brasil é importada. A farinha de trigo teve alta de 2,61% em setembro. Pressão extra – O setor de vestuário também teve forte aceleração, saindo de um avanço de 0,08% em agosto para 0,63% em setembro. Além disso, o grupo de saúde e cuidados pessoais registrou

Dirceu Portugal/Estadão Conteúdo

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Bons preços internacionais estimulam produção de milho primeiro levantamento de intenção de plantio para a safra agrícola de 2013/14, divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê um novo recorde. A colheita deve ficar entre 191,9 milhões e 195,5 milhões de toneladas, volume superior em 2,6% a 4,5% respectivamente aos 187,1 milhões de toneladas estimados para a safra 2012/13. O levantamento da Conab destaca a expansão da soja e do milho – tanto em área quanto em produção – estimulada pelos bons preços no mercado internacional. A previsão da Conab é de que a produção de soja ficará entre 87,6 milhões e 89,7 milhões de toneladas. Se tais previsões se confirmarem, pela primeira vez a safra brasileira irá superar a norteamericana em ano de produção normal, sem fortes perdas provocadas pelo clima, como em 2012. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima a safra local em 85,7 milhões de toneladas. No caso do milho, a previsão da Conab é de produção entre 78,4 e 79,6 milhões de toneladas e área de 15,3 a 15,6 milhões de hectares. Quanto à área plantada , a Conab estima que passará dos

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54,1 milhões de hectares a 55,1 milhões, o que representa um aumento entre 1,6% e 3,5% em relação à área anterior, de 53,34 milhões de hectares. A Conab chama a atenção para a recuperação do plantio de algodão, que deve crescer entre 16,8% e 22,5%. A previsão para o trigo é de aumento de 15,1% na área plantada. Também divulgado ontem, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de setembro o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), projeta uma safra de 187 milhões de toneladas em 2013, com queda 0,2% ante as 187,3 milhões de toneladas do levantamento de agosto. Confirmada essa previsão, a safra será 15,5% superior à do ano passado, que foi de 163,7 milhões de toneladas. A pesquisa estima uma área cultivada de 52,7 milhões de hectares - uma queda de 11.749 hectares em relação à previsão do mês anterior. Entre as principais culturas do País, soja e milho tiveram crescimento na área a ser colhida de 11,2% e 7,7%, respectivamente, em relação a 2012. Juntas, as culturas representam 93% da produção nacional. Já o arroz, teve queda de 0,6%. (Estadão Conteúdo)

leve aceleração, de 0,45% para 0,46% na passagem de agosto para setembro. A inflação de serviços também voltou a subir em setembro com variação de 0,63% ante 0,60% em agosto; em 12 meses,atinge 8,73%, bem acima da variação do IPCA no período, segundo o IBGE. De agora para o fim do ano, podem surgir outras pressões sobre os preços, devido à alta do dólar e ao esperado aumento nos preços dos combustíveis, avalia o Credit Suisse. O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirma

que o governo continuará atento sobre o mercado de câmbio e reconhece que a alta do dólar também se refletiu nos preços. Particularmente em setembro, o impacto da alta do dólar sobre o IPCA ficou evidente, segundo o IGBE. "Já se fala em efeito dólar sobre as carnes, uma vez que a alta do preço estimulou as exportações", diz a economista Eulina. Em setembro, as carnes tiveram elevação de 0,88%, e o frango inteiro, de 3,04%. Como a venda para o mercado internacional ficou mais vantajosa, frigorífi-

cos tendem a diminuir a oferta no mercado interno, provocando alta do preço, diz a coordenadora. Os eletrodomésticos, por sua vez, refletem no preço o efeito do dólar, com alta de 2,03% em setembro, ante 1,43% em agosto. "Mas pode ter efeito de demanda, também, devido ao programa Minha Casa Melhor. Os R$ 5 mil concedidos em crédito às famílias para a compra de eletrodomésticos geram uma pressão de demanda que propicia o reajuste de preços", explica Eulina. (Agências)


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Fontes da agência Reuters garantem que a Telefônica, que poderá ser a maior acionista da Telecom Itália, concordaria com a venda da Tim brasileira.

Tim à venda (mas ainda é só boato). As ações da vendedora, a Telecom Itália, e da vendida, a Tim brasileira, dispararam, mas o negócio de R$ 27 bilhões não foi confirmado. E os envolvidos negam. Foto Fábio Motta/EC

s ações da Telecom Itália fecharam ontem em alta de 6,24% – e o motivo do salto ainda é uma especulação. Tudo começou com a informação veiculada pela conceituada agência de notícias Bloomberg dando conta de que a empresa estaria considerando vender sua participação de 67% na operadora de celular brasileira Tim. Como em qualquer grande – no caso, gigantesco – negócio, a repercussão foi imediata, e não só nas bolsas, mas nos noticiários de todo o mundo. De acordo com a Bloomberg, a fatia dos italianos na Tim brasileira renderia nada menos que 9 bilhões de euros – equivalentes a R$ 27 bilhões. Fazendo eco às notícias, no Brasil, durante a manhã, as ações da Tim Participações na Bolsa de São Paulo também disparavam até 10%, para fechar no fim da tarde a R$ 11,63%, com a maior alta do dia, de 6,7%. Diante de tal movimentação, a Tim brasileira resolveu consultar sua controladora Telecom Itália sobre o assunto, e distribuiu nota informando não haver “qualquer processo formal ou informal” em curso para alienação da participação na operadora brasileira. O que não foi o bastante para acalmar as especulaç��es. À tarde, a agência de notícias Reuters, citando “uma fonte próxima ao tema”, reafirmava a mesma notícia. “A altamente endividada operadora italiana, que teve sua nota de crédito rebaixada para o patamar especulativo pela agência de risco Moody's na terça-feira, pretende obter ao menos 9 bilhões de euros com a venda, afirmou a fonte”, segundo a agência. Ainda de acordo com a Reuters, a venda é uma opção analisada pelo novo presidente-executivo da Telecom Italia, Marco Patuano, que deverá apresentar sua estratégia ao Conselho de Administração da empresa em 7 de novem-

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Um só telefonema para cancelar qualquer assinatura eve entrar em vigor até fevereiro do ano que vem a norma da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que garante ao usuário cancelamento automático de todos os serviços – telefonia móvel e fixa, internet e TV por assinatura –, sem que seja necessário tratar o assunto com atendentes da empresa, segundo informou ontem o presidente da reguladora, João Rezende. "Devemos aprovar o regulamento em outubro. Daremos um prazo de 90 ou 120 dias para que as empresas adequem seus sistemas. Então, no máximo, até fevereiro do ano que vem estará valendo", disse Rezende. A ideia, segundo explicou o presidente, é de que os clientes possam entrar em contato com a empresa por telefone ou pela internet e selecionar a opção cancelamento. A operação terá de ser confirmada, em seguida, pelo usuário. O processo todo ocorrerá sem que seja necessário conversar com ninguém do atendimento ao consumidor. "A empresa terá um prazo de 48 horas para tentar recuperar esse usuário, mas ai já é problema da empresa", explicou o presidente. O regulamento que trata das regras de cancelamento e operações de cobrança do setor foi anunciado em março pelo governo, no bolo de medidas apresentadas para aumentar o direito do consumidor e para cobrir lacunas na legislação escancaradas com o aumento do consumo de massa no Brasil. O texto, que já passou por consulta pública e pela procuradoria da agência, será distribuído a um relator nos próximos dias. Em seguida, segue para a aprovação do conselho diretor. Além da medida sobre o cancelamento, a proposta também traz destaques para maior transparência da fatura e para coibir venda casada. No novo regulamento, a Anatel também pretende iniciar os procedimentos para repassar parte do custo de R$ 20 milhões anuais que o órgão arca com seu call center para as empresas do setor. Do total de ligações recebidas – cerca de 25 mil por dia –, 60% são de clientes sobre os serviços prestados pelas empresas de telecomunicações. A ideia da Anatel é que uma parcela do gasto seja paga pelas empresas – algo entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões. "Estamos discutindo no Conselho Diretor a possibilidade de que o gerenciamento e administração do call center continue com a Anatel, mas parte dos custos seja repassada às empresas", afirmou. Como o contrato com o call center só vence no fim de 2014, essa é uma discussão que deve levar mais tempo. (Agências)

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Um nó para a Anatel; se a Tim for vendida, quem poderá comprá-la? E quem herdará os seus assinantes? bro. Analistas dizem que Patuano precisa encontrar um jeito de reduzir a dívida e retomar sua vacilante operação doméstica de celular. Nenhum banco recebeu

mandato para o potencial negócio, disseram diversas fontes do setor. A Telefônica, que é a maior acionista da Telecom Italia, deve apoiar a venda da opera-

ção brasileira, disseram as fontes da Reuters. A Telefônica também está presente no mercado brasileiro de celular, com a Vivo – assim como a mexicana America Movil, com a

Claro –, e se beneficiaria da decisão, disseram analistas. Um porta-voz da Telefônica recusou-se a comentar a informação. A Telecom Italia não comentou.

Fusões ainda longe do Brasil presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), João Batista de Rezende, disse ontem que os casos de fusão de teles anunciados nas duas últimas semanas ainda não refletem em mudanças para essas empresas no Brasil. Na semana passada, foi anunciada fusão entre as operadoras Oi e Portugal Telecom e, na semana anterior, fusão entre a espanhola Telefónica e a controladora da Telecom Italia – as donas da Vivo e TIM no Brasil, respectivamente.

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"O caso da Oi e Portugal Telecom, pelos fatos relevantes apresentados até agora, é uma reorganização societária que não altera as condições regulatórias", disse. "Já o caso da Vivo e da TIM é uma outra questão. O processo ainda é muito inicial, porque ainda precisa ser resolvido lá na Itália", disse. Segundo ele, a primeira notificação feita pela Telefónica à agência reguladora mostra que não há alteração do controle acionário. "Portanto não há nenhuma implicação maior", afirmou.

"Segundo o fato relevante, ela poderá, no futuro, converter essas ações em ações com direito a voto. Ai sim terá impacto para o mercado brasileiro, mas precisamos esperar o protocolo oficial". O presidente evitou comentar, porém, as notícias veiculadas em jornais italianos, de que o parlamento do país não estaria confortável com as redes da Telecom Italia perdendo controle para espanhóis. "Esse assunto só diz respeito à Itália e Espanha. Não diz respeito à Anatel", afirmou Rezende. (Folhapress)

Dívidas? Resolva on line. Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), criou mais uma modalidade de renegociação de dívidas. Entre os dias 14 de outubro e 14 de dezembro, ela lançará o "Mutirão Online Acertando suas Contas". A empresa é a pioneira na realização desse tipo de iniciativa de promoção da sustentabilidade de crédito na modalidade presencial e, com essa nova variedade, pretende beneficiar um total ainda maior de consumidores. Para participar, o interessado deve acessar o portal

A

www.consumidorpositivo.com.brrenegociações , são realizadas efetuar seu cadastro e caso a caso, analisando-se consultar seu Cadastro de suas características. Por isso, Pessoa Física (CPF). Se em geral o consumidor houver dividas registradas consegue obter descontos em seu nome, ele terá acesso significativos nos juros e nas a propostas já disponíveis e a multas, condição ideal para canais exclusivos com o os que realmente buscam credor para realizar a solucionar satisfatoriamente negociação. suas pendências financeiras. O Mutirão Online contará Para Dorival Dourado, com a participação de presidente da Boa Vista empresas de diversos Serviços, "o Mutirão Online setores, como Acertando Suas Contas telecomunicações, bancos, alcançará um número ainda varejo e indústrias que maior de consumidores, estejam dispostas a principalmente em regiões renegociar débitos de seus em que os mutirões clientes e a oferecer boas presenciais ainda não condições para os chegaram". Ele lembra que a consumidores que buscam iniciativa acontece em um quitar seus débitos. Essas momento positivo, pois "a proximidade das festas de final de ano e o pagamento do 13º salário torna esse momento ainda mais propício ao esforço de empresas e consumidores para o acerto das contas, começando 2014 com o crédito em dia. É imprescindível que o consumidor faça um bom planejamento para cumprir o acordo firmado e se tornar um consumidor positivo".


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O "Round Effect" permite que o usuário veja informações como horário, ligações perdidas e nível de bateria apenas ao inclinar o smartphone sobre uma superfície plana.

Chega o primeiro celular com tela curva É o Galaxy Round, da Samsung, que abre caminho para os aparelhos 'vestíveis'. Samsung Electronics lançou ontem uma versão do popular smartphone Galaxy Note com uma tela curva, chegando um passo mais perto de apresentar dispositivos vestíveis com telas flexíveis. A tela de 5,7 polegadas (14,4 centímetros) do Galaxy Roundtem uma leve curva horizontal e o aparelho pesa me-

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nos que o Galaxy Note 3, permitindo maior conforto ao segurar o smartphone do que outros modelos de tela plana no mercado. O Round tem o sistema operacional Android 4.3 e conta 3 GB de memória RAM, 32 GB de memória de armazenamento, processador quad-core de 2,3 GHz, câmera de 13 MP e bateria de 2.800 mAh.

A tela é Super AMOLED, com resolução de 1080p. O smartphone tem 7,9 milímetros de espessura, com o peso de 154 gramas. Um dos destaques do aparelho, além da tela curva, é o "Round Effect". Essa funcionalidade permite que o usuário veja informações como horário, ligações perdidas e nível de bateria apenas ao inclinar o

smartphone sobre uma superfície plana. As telas curvas abrem possibilidades para designs dobráveis que podem eventualmente transformar o mercado de smartphones de ponta, por permitir que dispositivos móveis e vestíveis assumam novas formas. A LG Electronics, a concorrente coreana da Samsung, também planeja apresentar um smartphone com uma tela curvada verticalmente em novembro, disse nesta semana uma fonte familiar com o assunto. O novo celular da Samsung, disponível por meio da sul-coreana SK Telecom, a maior operadora de telefonia móvel do país, custa 1,089 milhão de won (equivalente a US$ 1 mil). (Reuters) O Round tem o sistema operacional Android 4.3 e 3 GB de memória RAM

Divulgação


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A paralisação dos serviços federais tem impedido o governo de pagar passagens aéreas para que os parentes de militares mortos no exterior possam ir para a Base da Força Aérea em Dover.

Obama tem hoje encontro decisivo A partir desta quinta-feira, os Estados Unidos têm uma semana para resolver impasse político e elevar o teto do endividamento do país. Jason Reed/Reuters

presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deverá se reunir hoje com uma comissão de 18 membros do Partido Republicano, em meio ao impasse fiscal no Congresso, que mantém o governo federal paralisado há nove dias e ameaça levar o país ao default, caso o teto da dívida não seja elevado até a quintafeira, dia 17. Antes disso, Obama se encontra ainda hoje com deputados democratas. Segundo comunicado divulgado pelo escritório do presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, um grupo de líderes do partido vai se encontrar com Obama para tentar um acordo. "Com o governo federal paralisado há nove dias e faltando uma semana para atingirmos o teto da dívida, uma reunião só vale a pena se for focada em encontrar uma solução", diz o comunicado. Vão participar do encontro Boehner, o líder da bancada republicana na Câmara, Eric Cantor, o presidente do Comitê de Orçamento, Paul Ryan, entre outros. O presidente Barack Obama vem tentado convencer os republicanos moderados a romper com os conservadores do Tea Party e forçar Boehner a permitir uma votação de um projeto de lei de gastos de curto prazo para acabar com a paralisação do governo dos EUA e retirar a ameaça de uma moratória na semana que vem.

Adrees Latif/Reuters

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Senador democrata Harry Reid faz apelo à oposição: pagar as contas e negociar. Bolsa – Os principais índices acionários de Nova York fecharam em direções divergentes ontem. Apesar da continuação do impasse fiscal no Congresso, alguns sinais encorajadores, como a reunião do presidente Obama prevista para hoje com líderes republicanos, animaram os investidores. Mas a Nasdaq fechou no negativo. O índice Dow Jones ganhou 26,45 pontos (0,18%), fechando a 14 802,98 pontos. O S&P 500 avançou 0,95 ponto (0,06%), terminando a sessão a 1.656,40 pontos. Já o Nasdaq caiu 17,05 pontos (0,46%), encerrando o dia a 3.677,78 pontos. "Foi uma sessão volátil. Os investidores estão preocupados e tentam proteger os ga-

nhos que tiveram no ano", comenta Jeffrey Yu, diretor do UBS. Ontem, membros de ambos os partidos no Congresso cogitaram a possibilidade de um aumento de curto prazo no teto da dívida, o que daria tempo para negociações mais amplas sobre o Orçamento. A leve mudança de tom teve a ajuda de um artigo do presidente do Comitê de Orçamento da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, de Wisconsin, que pediu uma solução negociada para o impasse, mas não mencionou as exigências dos republicanos de relacionar o custeio do governo com mudanças na lei federal da saúde. "Agora, nós precisamos en-

Bolsa de Nova York: mercado volátil por causa da crise política.

contrar um ponto em comum", escreveu Ryan, candidato a vice-presidente pelo partido em 2012 e que vinha permanecendo de modo geral em silêncio no confronto, em artigo publicado no jornal Wall Street Journal. "Nós precisamos abrir o governo federal. Nós precisamos pagar nossas contas hoje -- e nos certificarmos de que podemos pagar nossas contas amanhã. Portanto, vamos negociar um acordo para fazer reformas modestas nos programas sociais e no código tributário", disse. Clima tenso – Em um momento de tensão, o presidente Barack Obama repreendeu os republicanos na terça-feira por ameaçarem levar o caos à

economia, mas disse que conversaria sobre qualquer coisa, incluindo a lei de saúde, se os republicanos pusessem fim à paralisação no governo e elevassem o teto de endividamento para um curto prazo. O presidente da Câmara, John Boehner, rejeitou essa ideia como "rendição incondicional", mas outros republicanos mostraram interesse em considerar um acordo de curto prazo, se houver uma plataforma para negociações. Militares – A Casa Branca e o Congresso dos Estados Unidos chegaram a um acordo ontem para permitir a retomada dos pagamentos de pensões para famílias de militares que morreram em serviço, que es-

tavam interrompidos em função da paralisação do governo. O Pentágono fez um acordo com uma organização filantrópica, que vai pagar os benefícios e depois será ressarcida pelo governo quando o Congresso aprovar o novo Orçamento. A paralisação dos serviços federais também tem impedido o governo de pagar passagens aéreas para que os parentes de militares mortos possam ir para a Base da Força Aérea em Dover, por onde os corpos de soldados mortos no exterior voltam ao país. Os corpos de quatro militares mortos no Afeganistão chegaram ontem aos Estados Unidos. (Agência)


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A esperança é de que encontraremos um país, sendo a China o mais provável, que seja capaz de construir a unidade experimental. Bill Gates, fundador da Microsoft

Mais uma ousadia de Bill Gates: energia do lixo nuclear. O fundador da Microsoft quer desenvolver um reator capaz de se alimentar das sobras das usinas nucleares. A invenção garantiria energia a menor custo no futuro. Matthew L. Wald* Matthew Ryan Williams/ NYT

Tecnologia de ponta: reunião da equipe da TerraPower na sede da empresa, em Washington, nos Estados Unidos.

m um prédio térreo sem maiores atrativos, situado entre um clube de tênis coberto e um showroom de utensílios para casa, dezenas de engenheiros, físicos e especialistas em energia nuclear estão correndo atrás de um sonho radical de Bill Gates, o fundador da Microsoft: um novo tipo de reator nuclear que seria alimentado pelo lixo nuclear de hoje em dia, fornecendo toda a eletricidade nos Estados Unidos pelos próximos 800 anos e, possivelmente, cortando o risco da proliferação de armas nucleares pelo mundo. As pessoas que desenvolvem o reator trabalham em uma empresa novata, TerraPower, comandada por Bill Gates e Nathan Myhrvold, colega bilionário da Microsoft. Até agora, a firma arrecadou dezenas de milhões de dólares para o projeto, mas construir o protótipo do reator custaria US$ 5 bilhões – motivo pelo qual Gates está procurando um endereço para a unidade experimental na China, rica e faminta por energia. (Gates, é claro, tem bastante dinheiro seu. Neste ano, a "Forbes" o listou como o segundo homem mais rico do mundo, com uma bolada de US$ 67 bilhões.) "A esperança é de que encontraremos um país, sendo a China o mais provável, que seja capaz de construir a unidade experimental", Bill Gates declarou no ano passado durante conversa com Daniel Yergin, especialista em energia. "Se isso acontecer, então a parte econômica será um pouco melhor do que as usinas que temos agora." Talvez um dos argumentos mais intrigantes que os defensores fazem a respeito do reator de Gates seja o fato de que ele poderia eliminar várias rotas para a proliferação de armas. O Irã, por exemplo, diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos, mas está enriquecendo muito mais urânio do que precisa para gerar energia. Há muito tempo os EUA têm dito que o Irã está enriquecendo urânio para fabricar uma bomba atômica. Os reatores nucleares de hoje em dia operam com concentrações de três a cinco por cento de urânio 235, combustível enriquecido que descarta o urânio 238,

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refugo puro e praticamente natural. (Uma bomba de urânio funciona com mais de 90% de urânio 235.) Nos reatores de agora, urânio 238 é convertido em plutônio que é usado como pequeno combustível suplementar, mas a maior parte do plutônio é rejeitada como refugo. Reator – Em contrapartida, o reator da TerraPower faz mais plutônio com o urânio 238 para utilizar como combustível e, assim, vai operar basicamente com ele. O reator somente necessitaria de uma pequena quantidade de urânio 235, que funcionaria como fluido de isqueiro fazendo uma churrasqueira a carvão pegar fogo. A esperança dos defensores Jim Lo Scalzo/EFE

ríamos de vê-los construir algo que nos permita dormir à noite". Ninguém discute que se trata de uma aposta a muito longo prazo. Até mesmo os otimistas dizem que demoraria até pelo menos 2030 para a comercialização dessa tecnologia. Ainda não se sabe como seria a concorrência então, se eólica, solar, gás natural ou alguma outra tecnologia. Se a ideia puder ser comercializada, nem sequer está claro se a TerraPower seria a primeira. Os engenheiros trabalhando para Gates reconhecem os desafios enormes, mas afirmam estar convencidos de que eles estão em busca da solução não apenas para a energia e a proliferação de

presidente sênior de operações da TerraPower, Gates tinha "uma avaliação muito humanitária e fria" a respeito da energia nuclear e do que ela poderia fazer. Segundo ele, o que o atrai à energia nuclear são as questões: "o que temos e o que se pode fazer para elevar o padrão de vida de um monte de pessoas". Apesar das dificuldades, especialistas externos aplaudem Gates pela tentativa. "Se você tem uma montanha de dinheiro, seja lá por qual motivo for, e está disposto a fazer uma aposta a longo prazo, o que não é típico para capitalistas de risco, merece elogios", disse Burton Richter, vencedor do Nobel de física. "É difícil

tro das patentes porque compra grandes carteiras de patentes tecnológicas e as usa para processar projetistas de software e fabricantes de smartphones, entre outros. Mosquitos – Os funcionários da TerraPower trabalham em um prédio que abriga a Intellectual Ventures, que inclui uma câmara para criar mosquitos, uma cozinha experimental para desenvolver novas maneiras de preparar e conservar comida e instrumentos de alta precisão, construídos à mão, para medir detalhes minúsculos do protótipo de combustível nuclear. A TerraPower quer um reator que transforme urânio descarta-

Matthew Ryan Williams/ NYT

O bilionário Bill Gates procura um local para construir seu reator de US$ 5 bilhões. O funcionário de sua nova empresa, Ted Ellis, ajusta equipamentos.

da TerraPower é que, em resultado, os países não necessitariam enriquecer urânio na quantidade enriquecida agora, destruindo argumentos segundo os quais eles têm de possuir amplos estoques à mão para os programas civis. O conceito da empresa também enfraqueceria a lógica por trás de uma segunda rota para a bomba: recuperar plutônio do combustível gasto pelo reator, que agora é como as armas nucleares são construídas. De acordo com a TerraPower, como tanto urânio 238 está disponível, não haveria motivos para empregar esse plutônio. Países que não têm armas atômicas ainda precisarão de muita eletricidade, disse John Gilleland, CEO da TerraPower, e "nós gosta-

armas, mas também para mudança climática e a pobreza. "Se fosse possível escolher só uma coisa para se reduzir o preço – para conter a pobreza – de longe se escolheria a energia", declarou Gates ao apresentar a ideia do reator durante discurso em 2010. "Energia e clima são extremamente importantes para essas pessoas, na verdade, mais importantes para elas do que para ninguém mais no planeta", ele acrescentou, mencionando inundações assassinas, secas e quebras de safra motivadas pelo dióxido de carbono liberado na produção de energia. Ele ilustrou a palestra com a foto de uma criança fazendo a lição de casa sob a luz de postes da rua. Segundo Doug Adkisson, vice-

arrancar uma coisa de 20 anos do mundo do capital de risco padrão", acrescentou, e disse que financiar projetos como o da TerraPower era mais típico de governos e fundos soberanos. Segundo os envolvidos, as reuniões de uma hora com Gates sobre a TerraPower podem virar encontros de cinco horas. Em Bellevue, a TerraPower é um desdobramento da Intellectual Ventures, empresa que tem Myhrvold como um dos fundadores e que se concentra em inventar novos produtos e técnicas, entre eles sementes aprimoradas para agricultura de subsistência e métodos para manter vacinas frias durante semanas em lugares sem energia elétrica. Para os críticos, no entanto, é um mons-

do em energia e, se tal conceito puder ser comercializado, Gates talvez não seja o primeiro a fazêlo. A General Atomics, que conta com décadas de experiência em energia nuclear, mas é mais conhecida por produzir o teleguiado Predator, procura algo a que chama de módulo de reator "multiplicador de energia" baseada no mesmo princípio geral. Com sede em San Diego, a General Atomics usaria hélio e não sódio, potencialmente simplificando alguns problemas. "Você prepara, deixa queimar e a coisa vai", disse John Parmentola, vice-presidente sênior da empresa. A exemplo da TerraPower, a General Atomics também está cortejando os chineses. *The New York Times


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