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Conclusão: 23h50

Jornal do empreendedor

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São Paulo, sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

SAI O BLOCO DOS AMOTINADOS Os policiais grevistas desocuparam a Assembleia em Salvador (BA) e voltaram a negociar com o governo, mas a paralisação continua. Págs. 5 e 6 Lúcio Távora/Ag.A Tarde/Folhapress

Thais Ribeiro/News Free/Folhapress

Raul Spinassé/Folhapress

Ano 87 - Nº 23.560

Christophe Simon/AFP

Mestre Sala evolui na cadeia

Ala das baianas desfila pela paz

Líder dos grevistas, Prisco é preso por incitar violência. Pág. 5

"Estarrecida" no camarote

Na 107ª Lavagem de Itapuã, em devoção a N. Sra. da Conceição e Iemanjá.

Presidente Dilma critica vandalismo planejado. Pág. 6

Vencedores do leilão, apertem o cinto. Destino: o Senado. O senador Dornelles, do PP-RJ, acusa "inversão de fases", sem exigência de índices financeiros mínimos e sem qualificação técnica. Daí ele prevê "resultados indesejados". Pág. 13 Paris Filmes/Divulgação

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cultura

O terceiro coreano flex

O pesadelo de Marta: acordar com Kassab. Divulgação

Senadora Marta Suplicy teme aliança que pode levar prefeito a palanque do PT. Pág. 8

Reprodução

Com dez indicações para o Oscar, o O Artista estreia hoje na Cidade e chama você para uma divertida viagem sem palavras ao mundo do espetáculo. Na foto, Jean Dujardin e Bérénice Bejo: tributo sedutor ao cinema.

AMANHÃ Nublado com chuva Máxima 25º C. Mínima 19º C.

ISSN 1679-2688

23560

9 771679 268008

Rejane Tamoto/DC

HOJE Sol com pancadas de chuva Máxima 30º C. Mínima 23º C.

O ARTISTA DO OSCAR

Kia apresenta o Sportage bicombustível. Pág.19

Passeio precioso pelo rio da Prata E em Sacramento, no Uruguai, descobre-se uma Paraty. Pág. 20

Formas da loucura A psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999) mostra como a arte dos loucos derrota o horror da lobotomia. Ao lado, a divisão entre homem e animal, pintada por Otávio Inácio. Mais: Kafka no teatro, 100 anos de música em SP. E Roda do Vinho...


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A ideia da finitude de recursos, em especial dos naturais, é das mais arraigadas no imaginário humano. Roberto Fendt

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Recaída malthusiana

EYMAR MASCARO

HORA DE TUCANO ESTICAR A CORDA

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uando sequer é possível equacionar satisfatoriamente o menor dos problemas da zona do euro, com as demandas do governo grego para chegar a um acordo entre as partes, é salutar ouvir que existe quem se debruçe sobre o problema e busque alternativas. Foi o que procurou fazer André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Cruzado, em artigo recente publicado no jornal Valor Econômico e em entrevista ao jornal O Globo. Logo de início, Resende afirmou que já não é mais possível procurar retomar o crescimento, através de gastos públicos e estímulos ao consumo, para superar a crise e o elevado endividamento público. Esse foi o remédio sugerido pelo economista inglês John Maynard Keynes em meio à Grande Depressão da década de 1930. O remédio, aplicado originalmente nos Estados Unidos durante o governo Roosevelt, tornou-se a ortodoxia da política econômica até pelo menos a década de 1970. Indicativo da dominância das ideias – embora algo deturpadas – de Keynes, dominantes nas políticas econômicas dos países desenvolvidos, foi atribuída em 1965 a Milton Friedman – que viria a receber o prêmio Nobel de economia por sua contribuição à contrarrevolução keynesiana – a afirmação de que "somos todos keynesianos hoje". Embora Friedman tenha desmentido a afirmação, dois meses depois de publicada na revista Time, não deixou de todo de dar a tônica dos tempos, ao corrigir a afirmação a ele atribuída para: "em certo sentido, somos todos keynesianos hoje; em outro, ninguém é mais keynesiano". O que está sendo descartado são os resquícios do intervencionismo contido nas tentativas de reativar as economias em crise simplesmente produzindo déficits fiscais – sem atentar que são problemas de outra ordem que impedem a retomada do crescimento. Esses problemas estão na raiz da falta de dinamismo das economias europeias e estão relacionados justamente com o intervencionismo estatal e a rigidez dos mercados, especialmente dos mercados de trabalho. Infelizmente, a primeira afirmação de Lara Resende, correta, é complementada por outra, que diz que não temos mais a capacidade de continuar a crescer nos padrões habituais para uma população de mais de sete bilhões de pessoas. Tentar proporcionar a todos o padrão de vida dos mais bem aquinhoados esbarraria "nos limites físicos do planeta". Se assim for, haverá somente duas alternativas: ou os benefícios da civilização material ficarão restritos a poucos, ou a produ-

(até agora) da história da humanidade, com a maior expectativa de vida de nossa espécie em todos os tempos, sentimos falta de quase tudo que desejamos. É a percepção da escassez que nos induz à ideia da finitude dos recursos. Contudo, a mesma escassez tem sido, ao longo da história humana, a chave para a superação da "finitude" dos recursos. Dizemos que algo se torna "escasso" quando aumenta seu custo. O petróleo tornou-se a mais importante fonte de energia fóssil quando o custo de extração e de transporte do carvão tornou mais econômico o uso do petróleo.

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oje ficou mais caro obter petróleo do que no final do século 19, quando ele praticamente brotava do chão no Oriente Médio. Por essa razão, tornou-se econômico introduzir alternativas, como os biocombustíveis. Veículos elétricos ainda não são economicamente competitivos com os que usam combustíveis líquidos, mas logo o serão. Do ponto vista relevante, o econômico, o que importa não são os recursos, mas os serviços demandados pelos consumidores, que utilizam recursos em sua produção. Demandamos transporte e, em razão disso, combustíveis. Se uma determinada fonte de energia tornou-se mais cara ("escassa", "finita"), buscamos alternativas – quer já disponíveis, quer fruto da criatividade humana via progresso tecnológico. Diante da nossa dificuldade em diagnosticar as causas da persistência da crise e em encontrar até agora solução satisfatória para ela, muitas vezes temos uma "recaída malthusiana".

ROBERTO FENDT ção existente será distribuída igualmente a todos. A primeira opção provocará a revolta dos despossuídos; a segunda matará os incentivos para produzir mais e estender os benefícios do progresso a todos. Não haveria uma terceira opção?

A ideia da finitude de recursos, especialmente dos recursos naturais, é das mais arraigadas no imaginário humano. O tempo nos parece escasso e a própria vida de cada um nos parece lamentavelmente curta. A despeito de vivermos no melhor momento

É a percepção da escassez que nos induz à ideia da finitude dos recursos. Mas a mesma escassez, ao longo da história, tem sido a chave para a superar a "finitude" dos recursos.

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elembrando: Thomas Malthus (1766-1834) publicou em 1798 e 1803 seus dois Ensaios sobre o princípio da população. Neles, afirmava que a população crescia em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética. Somente o aumento da mortalidade poderia compensar o descompasso entre as duas taxas de crescimento. A história encarregou-se de mostrar que a inventividade humana criou tecnologias que permitiram superar essa previsão. A produção de alimentos hoje está limitada pela demanda, não a demanda pela oferta de alimentos. O mesmo se aplicará a todos os demais recursos "esgotáveis", que deixarão de ser utilizados muito antes do esgotamento de suas reservas físicas, substituídos que serão por outros recursos. Afinal, a idade da pedra não acabou por falta de pedras. ROBERTO FENDT É ECONOMISTA

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Claudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

Há dias, emissários do Palácio dos Bandeirantes tentaram, pela milésima vez, convencer Serra a se candidatar à sucessão de Kassab. Mas não ouviram o esperado "sim".

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esmo que considere o dito pelo não dito e acabe aceitando a candidatura à prefeitura de São Paulo, depois de tantos apelos, não será fácil para José Serra ganhar a eleição. Apesar de liderar as pesquisas, o tucano ainda amarga uma taxa de rejeição considerada perigosa. A história tem revelado que candidatos que carregam um grau de rejeição acima de 30%, acabam empacando no 2º turno. Ninguém de bom senso tem dúvida de que Serra é, disparado, o melhor candidato de que o PSDB dispõe. Sua passagem para o 2º turno, se vier a ser candidato, é líquida e certa. Há dias, emissários do Palácio dos Bandeirantes tentaram, pela milésima vez, convencer Serra a aceitar a candidatura à sucessão de Gilberto Kassab. Em nenhum momento ouviram o esperado "sim". Serra mantém a disposição de não disputar a eleição municipal em outubro próximo. Sua pretensão é concorrer pela terceira vez à presidência da República em 2014, mas encontra um sério obstáculo: a legenda presidencial do PSDB está caindo no colo de Aécio Neves. Pelo menos, por enquanto. O PSDB insiste em convencer Serra a disputar a eleição de prefeito e sonha com uma resposta positiva sua até 4 de março, para evitar que o partido promova as prévias entre quatro pré-candidatos pretendentes à legenda, os secretários Bruno Covas, José Aníbal e Andrea Matarazzo e o deputado Ricardo Trípoli. lckmin pressiona Serra porque os précandidatos ainda aparecem timidamente nas pesquisas. O governador precisa reconquistar a prefeitura paulistana para o seu partido para facilitar sua campanha à reeleição. Se vier a convencer Serra a mudar de ideia, o governador evitaria também que um de seus principais aliados, o PSD de Kassab, lançasse candidato próprio. O prefeito reitera que só apoiaria o tucano se o candidato for José Serra. Do contrário, o PSD está na fita para disparar com a candidatura do vicegovernador Guilherme Afif Domingos, ou, então, pode se aliar ao PT e indicar o vice na chapa de Fernando Haddad, que seria o secretário de Educação, Alexandre Scheneider. Além de sonhar com o Planalto, Serra está ao mesmo tempo diante de um dilema: se viesse a perder a eleição de prefeito, se "queimaria" na vida pública. Ele já perdeu duas eleições para dois candidatos desconhecidos dos eleitores:

Celso Pitta e Dilma Rousseff. E, na hipótese de se eleger, ficaria preso à prefeitura, impedido de renunciar outra vez ao cargo para concorrer em outra eleição. ua situação política é delicada. Ele está sem mandato e, não sendo candidato a prefeito, só pode disputar nova eleição em 2014. Na hipótese de perder a legenda presidencial do PSDB para o senador Aécio Neves, restaria a Serra concorrer à vaga que se abrirá no Senado com o término do mandato de Eduardo Suplicy (PT), que já deu a entender que será candidato à reeleição. Seria um osso duro de roer para o tucano.

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PT espera que os médicos liberem Lula para a campanha em março. O partido sabe que seu candidato à Prefeitura, Fernando Haddad, depende da força eleitoral do ex- presidente para crescer nas pesquisas, como ocorreu com Dilma Rousseff. Por enquanto, Haddad corre atrás de outros pré-candidatos, como Gabriel Chalita (PMDB), Celso Russomano (PRB), Netinho de Paula (PC do B) e Soninha Francine (PPS). Serra, mesmo negando a candidatura, é o tucano que mais pontua nas pesquisas. Lula, mesmo em tratamento da doença, tem comparecido no Instituto que leva seu nome para tentar convencer PMDB, PRB e PC do B a desistir de lançar candidatos próprios. O ex-presidente sonha com o apoio desses partidos a Fernando Haddad.

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EYMAR MASCARO É JORNALISTA E COMENTARISTA POLÍTICO MASCARO@BIGHOST.COM.BR

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Editor-Chefe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Chefia de Reportagem: Teresinha Leite Matos (tmatos@acsp.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), Estela Cangerana (ecangerana@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Fernando Porto (fporto@dcomercio.com.br), Ricardo Ribas (rribas@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Marcus Lopes e Rejane Aguiar Redatores: Adriana David, Darlene Delello, Eliana Haberli e Evelyn Schulke Repórteres Especiais: Fernando Gabeira, Kleber Gutierrez (kgutierrez@dcomercio.com.br), . Repórteres: Anderson Cavalcante (acavalcante@dcomercio.com.br), André de Almeida, Fátima Lourenço, Ivan Ventura, Karina Lignelli, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Mário Tonocchi, Paula Cunha, Rafael Nardini, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sergio Leopoldo Rodrigues, Sílvia Pimentel, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente PL Arthur Gebara Jr. (agebara@acsp.com.br) Gerente Executiva Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estado, Folhapress, Efe e Reuters Impressão OESP GRÁFICA S/A Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

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I N T E L E C T U A I S : O C A M I N H O É C U R T O E N T R E A A F E TA Ç Ã O E A E M P U L H A Ç Ã O

pinião

Reprodução/Google Maps

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esde logo, informo que jamais escreveria sobre tipos deprimentes como os srs. Emir Sader, Vladimir Safatle, Sidney Silveira, Júlio Lemos, Eduardo Wolff e similares se não julgasse haver nisso uma dupla utilidade. De um lado, serve para esclarecer e documentar o presente estado de coisas no Brasil mental. Foi com esse intuito que em 1995 comecei a publicar O Imbecil Coletivo, série de apontamentos sobre uma derrocada cultural jamais vista antes em qualquer país medianamente civilizado e digna, portanto, de ser anotada para auxílio dos futuros historiadores, se algum houver ainda, os quais terão muita dificuldade em enxergar nas trevas deste período, tal como o homem caído temporariamente em estado de inconsciência patológica mal consegue colar as duas pontas da sua biografia, cortadas e separadas por uma faixa de negrume impenetrável. Se hoje prossigo redigindo essas notas, é para dar ciência de que o estado de coisas ali apontado não cessou de piorar, por inverossímil que pareça, tendo extravasado dos círculos letrados para a sociedade em geral, imersa hoje na barbárie cotidiana de um carnaval sangrento e de uma abjeção moral tão funda que as palavras falham em descrevê-la. De outro lado, fornece aos meus estudantes e leitores, a título de alerta, um mostruário dos riscos de alienação e de corrupção interior que, nesse quadro, ameaçam roer as mais promissoras sementes de uma vida intelectual nascente. Serve, nesse sentido, para ilustrar um capítulo de metodologia filosófica que assimilei desde a mais remota juventude, que retomei e reaprendi mil vezes ao longo das décadas, que se incorporou à minha mente ao ponto de se tornar quase uma segunda natureza, e que eu desejaria ardentemente repassar a todos os que me leem e ouvem. Devo o aprendizado desse capítulo a muitos mestres, especialmente (sem desdouro de quaisquer outros) Sócrates, Santo. Agostinho, Montaigne, Kierkegaard, Ortega, Julián Marías, Alain, Louis Lavelle, Eric Voegelin e Paul Friedländer,

DUPLA UTILIDADE OLAVO DE CARVALHO menos signicativo o mau gosto, o estilo ao mesmo tempo entojado e capenga da sua escrita. O sr. Júlio Lemos, por exemplo, cujo talento inato para os estudos filosóficos eu seria o último a negar, estraga tudo quando tenta compensar o seu parco domínio do idioma com o apelo reiterado a expressões inglesas perfeitamente desnecessárias, só para se dar ares de professor da Ivy League.

L Oráculo de Delfos, onde está inscrita a frase "Conhece-te a ti mesmo" : um marco da humanidade rumo ao autoconhecimento mas, antes de todos eles, ao oráculo de Delfos, que o resumiu, histórica ou mitologicamente, no lema: "Conhece-te a ti mesmo." Esse mandamento significa que toda investigação filosófica deve tomar raiz numa consciência muito clara da nossa própria situação existencial, da nossa condição pessoal e sócio-histórica, das nossas contradições interiores e das motivações dos nossos atos, mesmo as mais secretas, ruins e decepcionantes.

desprezível e infame, irrisória, mesquinha, afastada de tudo quanto pode haver de grande e sublime no mundo, tanto mais obrigatório se torna aquele exame de consciência, para não corrermos o risco de buscar em estudos nominalmente nobres e elevados um mero anestésico de ocasião contra a realidade da nossa miséria. Tal é, na verdade, a mais sedutora e letal das tentações para o intelecto

jovem na atmosfera opressiva de uma nação culturalmente atrofiada. Que reconforto entorpecente, que satisfação deleitosa não sente o estreante que, marcando seu contraste com a incultura ambiente, pode exibir ante o público estupefato o seu domínio das técnicas intelectuais mais requintadas, a atualização do seu espírito com os debates mais complexos que se travam nos "grandes centros" universitários da

Toda investigação filosófica deve ter raiz na consciência da nossa própria situação existencial, da nossa condição pessoal e sócio-histórica, e das motivações dos nossos atos.

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ó daí deve elevar-se, pouco a pouco, às grandes especulações abstratas que, sem isso, se tornarão fetiches intelectuais, mecanismos de alienação ou, na melhor das hipóteses, puros exercícios escolares sem genuína substância intelectual, por elegantes e sofisticados que pareçam. Se, por mal dos pecados, nossa situação pessoal e social se revela

Europa e dos EUA! Não há nada de mau em aprender essas coisas. Em certos momentos, é até obrigatório. Mas, quando essa escalada aos altos píncaros se faz saltando sobre a exigência preliminar do arraigamento consciente na realidade pessoal e histórica imediata, o resultado é aquela mistura indigesta de requinte aparente e tosquice profunda, que tão bem caracteriza o pseudo-intelectual do Terceiro Mundo.

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artindo dessa falsificação de base, o que parecia uma estreia promissora vai aos poucos se corrompendo e se prostituindo até descer à vigarice ostensiva, que mesmo os leitores sem muita cultura acabam notando. Esse mal, que afeta até os mais inteligentes e esforçados, se exterioriza em mil e um sintomas, dos quais não é o

eiam e verifiquem. O homem não tem sentimentos mesclados, tem mixed feelings. Não tem uma questão a resolver, tem uma issue. E assim por diante. Termos estrangeiros usamse quando têm uma conotação inimitável em vernáculo ou quando são expressões técnicas consagradas, como "habitus" ou "Dasein". Fora disso, são pura frescura, coisa de subdesenvolvido. Falo do modo de escrever porque nada revela melhor o estofo interior de uma alma. A matéria pode ser colhida em leituras, às vezes em qualquer manual ou dicionário de filosofia, mas o estilo, doa a quem doer, é o homem. Também não me refiro ao sr. Lemos em particular; há centenas como ele. O sujeito começa com esses vícios e uns anos depois está pronto para aprender a se esconder pelos cantos, como um rato, sempre que comete alguma asneira que não é homem bastante para confessar. Da afetação à empulhação o caminho é bem curto. OLAVO DE CARVALHO É ENSAÍSTA, JORNALISTA E PROFESSOR DE FILOSOFIA

PAC2: PROGRAMA DE AMPLIAÇÃO DA CRACO(LU)LÂNDIA

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cende-puxa-prendepassa. Kassab não dá nó sem ponto; pensou com a cabeça do bandido e deu um nó górdio no lulo-petismo. O ponto foi de placa, no jogo que suas ambições políticas jogam, ao assentar a pedra fundamental da Craco(Lu)lândia, obra do PAC 2. Bêbado equilibrista, tento explicar o que consigo enxergar, mesmo com a cabeça obnubilada pela maresia."Maresia, sente a maresia/ Maresia uhuh/ Acende-puxa-prende-passa". Quando Gabriel o Pensador

Jovem viciada em uma das ruas da cracolândia paulistana

Ayrton Vignola/AE

lançou "Cachimbo da Paz", a molecada que lotava seus shows cantava em êxtase, como se aquelas cabecinhas todas estivessem embevecidas pelo fumacê. Estavam. O refrão grudou nos ouvidos, a memória mastigou-o como se fosse chiclete. Os profissionais do jingle, que passam dias e noites de trabalho insano procurando chicletes parecidos, raramente alcançam essa glória suprema, talvez uma ou duas vezes na vida, se tanto. Gabriel o Pensador conseguiu colocar no momento certo o refrão certo

NEIL chapado

Ferreira nas cabecinhas certas. Os adolescentes, seu público, talvez se sentissem reprimidos por pais e mães, que gozaram de total liberdade na juventude. Queriam romper as amarras. Quais amarras ? Se eu soubesse, engarrafava a sabença e vendia nas drogarias, daria mais grana do que o Facebook. ilho não vem com Manual do Proprietário.Acho que eram as amarras de pais caretas, que tinham queimado tanta erva lá atrás, nos bons tempos da revolução dos costumes dos anos sessenta, e agora véideguerra ficam descomendo regras pra riba dos seus rebentos. "Cachimbo da Paz" é um jingle da maconha e contém um pouco de crítica ao cigarro e álcool, drogas permitidas e usadas sob a proteção da lei. "Apaga a fumaça do revólver e da pistola / Manda a fumaça pra cachola" dá cana; transportou-vendeucomprou-acendeu-puxouprendeu-passou, teje preso. O "Cachimbo da Paz" (& Amor, Bicho) é um fora da lei. O fumito deixa um perfuminho que é a maior bandeira. Uzômi vinham farejando e rosnando e nada achavam. A molecada

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descolada – naquele tempo ainda não havia essa palavra (nem “imperdível”, a língua era tipo mais manera de escrever e de falar, meu – estava sempre cheirosinha do inocente patchuli, colocado nas gavetas das blusas, cuecas, calcinhas, meias, bermudas, camisetas. heirou a patchuli, tá marcando presença mermão. Mas não há bem que sempre dure, uzômi se tocaram também nessa. Aí, acendepuxa-prende-passa-cheirou-apatchuli, teje preso mano. Jogo de gato e rato; esquecer, quem há de. "Aviõezinhos" aterrisam nas escolas e fornecem a carga aos colegas de classe. Depois do tapa no banheiro, é ir comer uma coisinha no carrinho ali no portão, que poderia ostentar o sugestivo nome de "larica". Depois... nada; vida adulta careta, trampo, uma chatice; cadê a vida bandida cheia de graça, o senhor é conosco, vinde a nós as vossas meninas de minissaias... cadê a mesada ?

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Formados em cigarrinho e cervejinha no Fundamental e em fumito no Colegial, a impressão é que se parava por aí. A fumaça do fumito já é quase aceita; tem até passeata de maconheiros exigindo a legalização da diamba. Não é o que os traficantes querem. Ao perder o sabor da ilegalidade, perde metade do sabor, perde metade dos usadores. Adeus metade do lucro. cachimbo, porém, continuou sua carreira vertiginosa, passou pelo Vestibular, Curso Superior, Mestrado, PhD e Pós-Doc, graduando-se em Arma de Suicídio – é Cachimbo de Crack Magna Cum Laudae. Os viciados atiram-se ao crack como se fosse a última coisa que fazem na vida; e é. Traficantes e viciados invadem pontos da cidade, que se transformam nas cracolândias. E você conhece a lei fundamental do capitalismo selvagem: "Enquanto houver um otário comprando, haverá um esperto vendendo". A cracolândia de Sumpólo há pouco tempo recebeu as atenções da prefeitura e do governo do Estado. Houve uma gritaria histérica do lulopetismo, acusando de "ação arbitrária e violenta" a prisão dos traficantes pela PM e a

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Kassab deu um terreno de 4.400 metros quadrados, no coração da cracolândia, para um improvável Instituto Lula. Com isso, calou a boca dos petistas que criticavam a ação da PM na região.

oferta de apoio aos viciados. Ocuparam as tevês, rádios, jornais e blogs amansados da internet com a sua pregação; parecia que a cracolândia é um gueto de resistência e o viciado, um herói antifacista. Duas coisas aconteceram, inesperadas para quem queria transformar os viciados em assunto da campanha do brimo Haddad: (1) uma pesquisa mostrou que 84% da população apoiavam a ação da PM; e (2) Kassab deu um terreno de 4.400 metros quadrados no coração da cracolândia, para um improvável e inexistente Instituto Lula, de não sei qual finalidade. Seria, digamos, a Craco(Lu)lândia. assab deu um cala-boca nos lulo-petistas, que poderiam atrapalhar suas ambições políticas. As bocas calaram-se. Nem as hordas do padre Lancellotti são vislumbradas de novo nas ruas. O PT, quem diria, virou base alugada do Kassab. Ao Cara, resta fazer o que sempre fez na vida, dar mais um golpe de marketing e anunciar que vai construir no local as tais Clínicas de Reabilitação, tão prometidas na campanha que elegeu o Poste. Só anunciar como sempre fez; nada fará, como nunca fez. O cachimbo continuará fumegando altaneiro, acendendo-puxandoprendendo-passando – e matando. Quem duvidar, que fume a primeira pedra. "STONED, EVERYBODY MUST GET STONED" (Bob Dylan

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NEIL FERREIRA É PUBLICITÁRIO


4 -.GERAL

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

CHARGE DO DIA


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5 PELOS FUNDOS A epopéia de Marco Prisco. Da Assembleia direto para o presídio.

olítica

PEGA OU LARGA Governo baiano avisou que não vai fazer novas propostas

Lunae Parracho/Reuters

Antes do dia amanhecer, manifestantes vão deixando o prédio da Assembleia. Cercados pelo Exército e revistados pela Polícia Federal, quem não tinha mandado de prisão foi sossegadamente para a casa.

PM e governo retomam negociação Depois da desocupação da Assembleia Legislativa, grevistas e autoridades estaduais voltaram a conversar, mas a greve na Bahia continua. Moacyr Lopes Junior/Folharess

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re u n i ã o d e p e l o menos três das entidades que representam os policiais militares da Bahia terminou ontem sem um acordo para encerrar a paralisação, depois que os manifestantes deixaram a Assembleia Legislativa. O ex-policial militar Marco Prisco, considerado o líder da greve, e o policial Antônio Paulo Angelim foram presos durante a desocupação. De acordo com o sargento Jackson Carvalho, presidente da Associação de Sargentos e Subtenentes de Polícia Militar, foi elaborada e encaminhada nova proposta ao governador Jaques Wagner (PT) para que seja aberta uma negociação. No documento enviado ao governador, os policiais querem que a Gratificação de Atividade de Polícia (GAP) 4 comece a ser paga em março, em vez de novembro, como propôs o governo, com um percentual agora e o restante no fim do ano. Fica por conta do governo a divisão dos valores. Sobre a GAP 5, outro benefício específico da classe, o sargento relatou que eles querem a redução do prazo para o início de março do ano que vem.

O governo prometeu quitar a GAP 5 entre 2012 e 2015. Depois da desocupação da Assembleia, o reajuste salarial dos policiais será discutido com a Secretaria de Segurança Pública. O presidente da instituição, deputado estadual Marcelo Nilo (PDT), anunciou que "as gratificações vão ter um aumento muito bom, mas parcelado". Garantiu ainda que assim que o projeto chegar na Casa, será votado em regime de urgência. Mesmo assim, Nilo lembrou que a Assembleia está em recesso e que os deputados estaduais só retornam ao trabalho no dia 15. "Acredito que a votação do aumento só deve acontecer depois do carnaval". Uma nova assembleia está marcada para hoje no Sindicato dos Bancários da Bahia, a partir das 16 horas, para avaliar a continuidade da greve, mas o movimento dá sinais de que começa a enfraquecer. Pelo menos sete cidades do interior do estado voltaram ontem a ter segurança feita pela Polícia Militar, de acordo com o comandante da 34ª Companhia Independente da Polícia Militar de Brumado, major Arthur Mascarenhas. (Agências)

Prisco preso, prédio vazio e greve fragilizada

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divulgação de gravações telefônicas, nas quais o líder da ocupação da Assembleia Legislativa da Bahia, o presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e seus Familiares da Bahia (Aspra), Marco Prisco, e outras lideranças da Polícia Militar incitam à violência, acabaram precipitando, ontem pela manhã, o fim da ocupação do prédio por cerca de 300 policiais. De acordo com um dos examotinados próximos a Prisco, ele teria avaliado que os áudios vazados seriam a justificativa para a invasão. "A greve precisa continuar, mas não quero que ninguém morra", teria afirmado. Segundo seu advogado Rogério Andrade, Prisco decidiu se entregar por conta da "inflexibilidade do governo para negociar", acrescentando que a rendição inviabilizava a continuidade da greve. "Na teoria acabou, porque o comando é retirado do movimento que está fragilizado". Durante a madrugada, o principal entrave da negociação de retirada era a exigência que Prisco fazia de sair pela porta dos fundos e evitar as imagens do constrangimento. Ele acabou atendido e retirado

com outra liderança, o policial Antônio Paulo Angelim. Os dois são acusados de roubo do patrimônio público, incitação à violência e formação de quadrilha. Prisco e Angelim saíram algemados e já foram encaminhados para a Cadeia Pública de Salvador, onde estão presos em celas individuais. Numa rápida avaliação feita pelo presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo (PDT), havia muita sujeira no local, além de alguns vidros quebrados e de fechaduras danificadas. Para sair, os manifestantes passaram por um cordão de isolamento formado por homens do Exército e em seguida foram revistados por policiais federais, para verificação de mandados de prisão emitidos em seus nomes. Dos 12 mandatos expedidos pela Justiça ainda restavam 8 a ser cumpridos. Ao sair do prédio, os policiais que não tinham prisão decretada foram embora em seus carros. Os militares fizeram uma varredura e, em seguida, os acessos ao Centro Administrativo da Bahia, onde está localizada a Assembleia, foram liberados e as últimas tropas do Exército deixaram o local. (Agências)

Um onda de violência calculada

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As mulheres de policiais militares foram as primeiras a sair da Assembleia Legislativa de Salvador Lúcio Távora/Folhapress

Raul Spinassé/Folhapress

número de homicídios registrados na região metropolitana de Salvador, desde o início da greve da Polícia Militar, no dia 31, já chega a 146. O dia mais violento foi a sexta-feira passada, com 32 pessoas mortas. O governo não descarta a participação de grupos de extermínio formados por policiais militares nesses crimes. Além disso, relaciona PMs a ataque de ônibus. Em áudio divulgado, Marco Prisco, líder dos grevistas, ordena uma "missão lá na feijoada". Feijoada, no caso, é um código para ocultar ação criminosa. Logo depois da conversa, um ônibus foi incendiado. Em outra conversa, a soldado Jeane Souza passa informações para Prisco invadir o Batalhão de Guardas, onde Jeane é lotada. "Quinze homens armados rendem a guarnição". (Agências)

A deputada, o cabo e a nova versão. Prisco foi preso e saiu pela porta dos fundos da AL

Muito lixo na Assembleia, o que sobrou da greve.

Raul Spinassé/Folhapress

Os policiais militares que não tinham mandado de prisão saíram sem problemas

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deputada estadual Janira Rocha (PSol-RJ), a mulher que conversava com o cabo Benevenuto Daciolo, em gravação divulgada pela mídia, afirmou ontem que pretendia garantir a anistia dos líderes grevistas na Bahia. No diálogo divulgado, Janira afirmava que era "errado fechar a negociação na Bahia agora, antes da greve no Rio". Segundo justificou, uma greve no Rio mudaria a "correlação de forças" e obrigaria os governos a anistiarem os militares que iniciaram a paralisação. Na sua versão, "eu disse a ele que, se o objetivo é garantir os dirigentes, o que está certo, não é a melhor coisa negociar neste momento". A deputada afirmou que é favorável ao direito de greve dos policiais, mas disse que ainda não há organização nacional da categoria. "Se num ensaio de mobilização que agora aconteceu houve uma crise institucional, imagine se houvesse organização", afirmou. Ela disse também que vai exigir explicações sobre as gravações. Daciolo foi preso administrativamente, na quartafeira à noite, ao desembarcar no Rio de Janeiro, acusado de incitar o movimento. Depois foi transferido para o presídio de Bangu 1. (Folhapress)


p No Rio, militares e civis dão ultimato. DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Estão botando na conta dele [Benevenuto Daciolo] uma crise que está instaurada no Estado. Cristiane Daciolo, mulher do bombeiro preso.

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O governador Sérgio Cabral teria até às 23h59 de ontem para responder às propostas das forças de segurança do Estado. A tendência é de paralisação. Fabio Motta/AE

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s bombeiros deram ontem um ultimato ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). Ele teria até às 23h59 de ontem para aceitar as reivindicações da categoria e evitar uma greve geral no setor de segurança pública do estado. É que policiais militares, civis e agentes penitenciários também pretendem iniciar uma paralisação. Cerca de 2,5 mil manifestantes, entre policiais civis, militares, bombeiros e agentes penitenciários, estiveram reunidos na Cinelândia para definir a ação conjunta que vai marcar o início da greve. Segundo Paulo Nascimento, sargento do Grupo de Socorro e Emergência, "o governador tem até um minuto antes da meia-noite para fazer com que a gente não tome esta atitude", disse. "Tudo está nas mãos dele". De acordo com o sargento, a ideia dos grevistas é a de "evitar o pânico". Por esse motivo, os manifestantes pedem que a população "evite transitar pelas ruas" a partir de hoje. "Essa medida é para evitar acidentes ou colisões; a gente não quer criar pânico", afirmou Nascimento. "Acendemos um pavio e, se tiver explosão, é culpa do governador", alertou. Nascimento afirmou ainda que não tem medo de ser preso, a exemplo do cabo Benevenuto Daciolo, líder do movi-

mento S.O.S Bombeiros, por incitar a greve. "Nosso movimento não tem uma só liderança", afirmou. "Na verdade, nós somos líderes das nossas famílias, e por elas que estamos lutando", acrescentando que "perdemos o medo há muito tempo, desde o dia em que invadiram o quartel e nós não desmobilizamos", finalizou. Durante a assembleia, o momento de maior comoção entre

A medida é para evitar acidentes, não queremos criar pânico. Acendemos um pavio e, se tiver explosão, a culpa é do governador. SARGENTO PAULO NASCIMENTO

os manifestantes foi quando uma das lideranças anunciou que todo o efetivo do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar foi proibido de deixar os quartéis. Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Rio, Sérgio Simões, os militares estão em "regime de prontidão e não de aquartelamento", garantiu. Pe di do s – De acordo com Nascimento, as principais reivindicações das quatro forças

da segurança pública são: piso salarial de R$ 3.500, auxílio-alimentação de R$ 350 (e fim dos ranchos nos quartéis), e uma jornada de trabalho de 40 horas semanais. Os militares aceitam uma carga horária maior do que a reivindicada, desde que o governo do Rio pague hora extra. O governo já descartou o piso de R$ 3.500 e garantiu ontem a aprovação de projeto de lei que trata do reajuste. Entre as mudanças, as 11 parcelas do aumento previstas para este ano serão aplicadas já neste mês, e o piso salarial chegará a R$ 2.077,00 considerando o adicional do auxílio-moradia (R$ 551,36). Policiais civis e agentes penitenciários não recebem o benefício. Em reunião no Palácio Guanabara, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o comandante do Comando Militar do Leste, general do Exército Adriano Pereira, e o governador do Rio, Sérgio Cabral, firmaram um plano para a atuação dos militares, caso a greve no Rio seja deflagrada. No caso de uma greve com pequena adesão, a Força Nacional de Segurança será mobilizada. Se a adesão dos policiais for maior, o governador do Rio vai solicitar auxílio ao Ministério da Defesa. O Exército colocou à disposição do governo 14 mil homens, para ação imediata. (Agências)

Rio prende líder dos bombeiros que queria boicotar o carnaval

Guto Maia/Folhapress –16/12/2011

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governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), enviou ao colega e aliado Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ) cópias das gravações feitas pela polícia baiana em que líderes do movimento grevista conversam e combinam atos de vandalismo. Essas conversas vazaram para o Jornal Nacional, da Rede Globo, ontem. As gravações traziam processos contra 12 líderes grevistas, e reproduziam conversas em que um bombeiro fluminense falava em inviabilizar o Carnaval no Rio com uma paralisação. A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligaram para elogiar Wagner.

Daciolo: preso ao chegar no Rio.

O deputado federal Anthony Garotinho (PP-RJ) conversou ontem com o cabo Daciolo, líder do movimento dos bom-

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO COMISSÃO PERMANENTE DE LICITAÇÃO PREGÃO PRESENCIAL nº 06/SME/2012 - 2011-0.341.843-9 - REGISTRO DE PREÇOS PARA FORNECIMENTO DE MOBILIÁRIO ESCOLAR PARA CEI CONJUNTO DE MESA E CADEIRAS E CONJUNTO REFEITÓRIO COM BANCO. Acha-se aberta a licitação em epígrafe à Rua Dr. Diogo de Faria 1247 - sala 318 Vila Clementino. O credenciamento e os envelopes nº 01 (proposta) e envelopes nº 02 (documentação) deverão ser entregues até às 10:30 horas do dia 28/02/2012, na sala 318 A, situado na Rua Dr. Diogo de Faria, 1247 - 2º andar - Vila Clementino. O Edital e seus Anexos poderão ser obtidos, até o último dia que anteceder a abertura, mediante recolhimento de guia de arrecadação, ou através da apresentação de CD ROM gravável no Setor de Licitação - CONAE 151 - sala 318, ou no site http://e-negocioscidadesp.prefeitura.sp.gov.br, bem como, as cópias do Edital estarão expostas no mural do Setor de Licitação.

SECRETARIA DA SAÚDE DIVISÃO TÉCNICA DE SUPRIMENTOS - SMS.3 ABERTURA DE LICITAÇÕES Encontram-se abertos no Gabinete, os seguintes pregões: PREGÃO ELETRÔNICO 037/2012-SMS.G, processo 2012-0.024.115-7, destinado ao registro de preços para FORNECIMENTO DE HEPARINA EM SOLUÇÃO INJETÁVEL, para a Divisão Técnica de Suprimentos - SMS.3/Grupo Técnico de Compras/Área Técnica de Medicamentos, do tipo menor preço. A sessão pública de pregão ocorrerá a partir das 09 horas e 30 minutos do dia 27 de fevereiro de 2012, a cargo da 4ª Comissão Permanente de Licitações da Secretaria Municipal da Saúde. RETIRADA DE EDITAIS Os editais dos pregões acima poderão ser consultados e/ou obtidos nos endereços: http://e-negocioscidadesp.prefeitura.sp.gov.br; www.comprasnet.gov.br, quando pregão eletrônico; ou, no gabinete da Secretaria Municipal da Saúde, na Rua General Jardim, 36 - 3º andar - Vila Buarque - São Paulo/SP - CEP 01223-010, mediante o recolhimento de taxa referente aos custos de reprografia do edital, através do DAMSP, Documento de Arrecadação do Município de São Paulo. DOCUMENTAÇÃO - PREGÃO ELETRÔNICO Os documentos referentes às propostas comerciais e anexos, das empresas interessadas, deverão ser encaminhados a partir da disponibilização do sistema, www.comprasnet.gov.br, até a data de abertura, conforme especificado no edital.

beiros no Rio. Garotinho diz que não incentivou a greve no estado: "Queria saber do risco de greve no Rio". Habeas corpus negado – A Justiça do Rio negou o pedido de habeas corpus do cabo Benevenuto Daciolo. Ele foi preso administrativamente na noite de ontem, assim que desembarcou no Rio de Janeiro, vindo da Bahia, pela Corregedoria do Corpo de Bombeiros, acusado de incitar o movimento grevista baiano. A Defensoria Pública, que solicitou o habeas corpus, considera a prisão ilegal, já que não se instaurou inquérito policial militar ou boletim com prazo para defesa. Para o juiz Paulo Cesar Vieira de Carvalho Filho, a prisão tem natureza cautelar e estaria vinculada a inquérito policial militar no qual seria assegurado o direito a defesa e ao contraditório. Após a prisão, o cabo foi foi transferido para o presídio de Bangu 1. Segundo bombeiros, a medida foi tomada para evitar possível invasão da quartel-general da corporação, para onde o cabo havia inicialmente sido levado. Versão feminina – A mulher do cabo Benevenuto Daciolo, do Corpo de Bombeiros do Rio, afirmou ontem que seu marido estava na Bahia a pedido da Justiça Militar, mas para ajudar a negociar o fim da greve dos policiais. Segundo Cristiane Daciolo, Benevenuto atendeu a um pedido do juiz da Auditoria Militar José Barroso Filho. O Jornal Nacional m o s tro u parte do áudio das gravações em que o cabo define como "importantíssimo" a possibilidade de a PEC 300 – proposta de emenda constitucional que fixa piso salarial nacional para policiais civis e militares, inclusive bombeiros – ser aprovada em 2º turno. Cristiane jura que o marido não cometeu crime de incitamento. "Estão botando na conta dele uma crise que está instaurada no Estado. Ele não tem nada a ver com isso. Fizeram essa prisão arbitrária, e a gente ficou sem saber o que fazer com essa covardia". (Agências)

Bombeiros, policiais civis, militares e agentes penitenciários participaram de assembleia na Cinelândia.

Dilma ficou "estarrecida" com planejamento de vandalismo

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presidente Dilma Rousseff afirmou ontem em Pernambuco que ficou "estarrecida" com o diálogo, em uma conversa gravada pela polícia da Bahia, em que o líder da greve da PM baiana, o ex-policial Marco Prisco, combina ato de vandalismo com outro grevista. E acrescentou que é contra a anistia de policiais militares que praticaram crimes durante a greve na Bahia. Na noite de quarta-feira, o "Jornal Nacional" divulgou o áudio da conversa. O interlocutor de Prisco diz que vai "queimar viatura" em rodovia. O líder responde: "Fecha a BR". Prisco alegou que a conversa é uma montagem e o objetivo era "lotar" a estrada com manifestantes. "Por reivindicação eu não acho que as pessoas têm que ser presas, nem condenadas. Agora, por atos ilícitos, por crimes contra o patrimônio, crimes contra as pessoas e crimes contra a ordem pública não podem ser anistiados", afirmou Dilma durante visita a obras da Transnordestina. Sem regra – "Se você anistiar [todos os casos], vira um país sem regra", completou. A presidente argumentou que reivindicações devem ser consideradas legítimas, "mas há formas de reivindicar". "Nós

Não concordo com processo de anistia que parece sancionar qualquer ferimento da legalidade DILMA ROUSSEFF não consideramos que seja correto instaurar o pânico, instaurar o medo, criar situações que não são aquelas compatíveis com a democracia", afirmou. "Não concordo em alguns casos, de maneira alguma, com processo de anistia que parece sancionar qualquer ferimento da legalidade. Não concordo, não vou concordar", disse a presidente. "Vai chegar um momento que vão anistiar antes do processo grevista começar." Firmeza – Documento elaborado pelo comando do PT, reunido ontem em Brasília, elogia a firmeza do governo Dilma Rousseff na operação para conter a greve dos policiais na Bahia, rebate a declaração do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso sobre as privatizações e ainda defende a atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Entre os tópicos abordados no texto, a sigla diz que a oposição fracassou na tentativa de desestabilizar o governo e que não é verdade a declaração de FHC de que acabou a disputa ideológica sobre as privatizações. O documento petista afirma que, antes, as empresas eram usadas para o pagamento de dívidas, e agora ficam na mão do poder público. "As empresas eram torradas nas bacias das almas a preços de compadre, agora os ganhos para o poder público são enormes e aplicadas para o desenvolvimento do país." Sobre a greve em Salvador, o documento afirma que o PT sempre apoiou e continua apoiando o movimento de greve, desde que pacífico, mas que no caso dos policiais, foi violento. O texto ainda faz críticas à atuação do governo de São Paulo na reintegração de posse da favela do Pinheirinho, em São José dos Campos. "Condenamos a atuação do governo de São Paulo em Pinheirinho, em que as pessoas foram brutalmente despejadas de suas casas. Muito diferente tem sido a posição do governo federal. Policiais baianos entraram em greve, muitos deles munidos de arma, indo além do pacífico direito de greve que o PT sempre defendeu." (Agências)

Bobby Fabisak/Folhapress

A presidente Dilma Rousseff prometeu terminar as obras da Transnordestina até o final de 2014

Preço de ferrovia não sobe mais

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antendo seu discurso de gerente, a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que o governo federal "não pretende ficar elevando indefinidamente" o preço da Ferrovia Transnordestina. "A gente sabe que uma obra desse tamanho, dessa dimensão, tem sempre coisas não planejadas que ocorrem, mas hoje temos certeza de que o orçamento está bem próximo da realidade", disse ela, ao ver a colocação de dormentes nos trilhos da ferrovia no município de Parnamirim, a 561 quilômetros do Recife, onde os trabalhos avançam.

"O governo quer a obra realizada sem interrupções, e o objetivo é concluir essa obra até o final de 2014", disse ela, bem humorada, depois de distribuir sorrisos, apertos de mão e posar para fotos ao lado de populares que assistiram ao evento. "Não há limites para o que faremos", prometeu ela, ao reforçar que o governo tomará todas as medidas para cumprir o prazo. O prazo de conclusão da ferrovia era dezembro de 2012, e o valor orçado em R$ 4,5 bilhões em 2007, quando teve seu início. Sofreu aumento de R$ 3,2 bilhões e dois anos de atraso. A ferrovia terá 1,7 mil quilôme-

tros de extensão e vai ligar o interior do Nordeste aos portos de Pecem (CE) e Suape (PE). São 10 lotes em Pernambuco, 11 no Piauí e 12 no Ceará. Com 35% do total da obra pronta, todos os lotes dos dois primeiros Estados (PE e PI) estão contratados. No Ceará, dois estão contratados e 10 em contratação. Em Salgueiro (PE), a presidente foi alvo de protesto de estudantes que reclamavam contra a falta de repasse de recursos federais às instituições que oferecem o curso Procampo – Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo. (Agências)


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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

7 Temos maioria para votar o Fundo [Funpresp] antes do carnaval. Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara.

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Ed Ferreira/AE

Oposição quer investigar Casa da Moeda O ministro deve se explicar, diz oposição, pois não é possível que ele se cale diante da gravidade da denúncia.

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Maia pediu e não foi atendido. Agora, revida à sua moda.

Maia desafia governo. Funpresp não é votado.

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presidente da Câma- de apoio na Câmara na votara, Marco Maia (PT- ção do projeto que cria o fundo RS), entrou em rota complementar para os servide colisão com o Palácio do dores. Determinara a aprovaPlanalto, na terça-feira. O mo- ção da proposta. Mas o projeto tivo foi o preenchimento de enfrenta resistências junto aos cargo na cúpula do Banco do aliados e, segundo líderes parBrasil. Apesar das promessas, tidários, a presidente avisou o Planalto voltou atrás e não que queria saber "quem realescolheu o apadrinhado de mente está com o governo". O recado do Planalto foi Maia para BB. Diante disso, ele encerrou transmitido pelo líder do goabruptamente a sessão da Câ- verno na Câmara, Cândido mara e não pôs em votação o Vaccarezza (PT-SP): "Temos projeto que cria o Fundo de maioria para votar o Fundo anPrevidência Complementar tes do carnaval". Finda a sessão, sem votação, dos Servidores Públicos Federais (Funpresp). A previsão Vaccarezza foi chamado ao é de que a proposta só seja vo- Planalto para explicar o acontecido. Em detada na próxizembro, o ma terça-feira, Funpresp dia 14. também não Maia ficou Esse projeto traz foi votado – p a r t i c u l a rdanos para os Maia adiou a mente irritado com a confuturos servidores. análise da proposta para fet r a p ro p o s t a Não é consenso do governo – na base do governo vereiro. Depois da o f e re c e r u m essa questão do recusa do gocargo a seu Funpresp. verno em noa pa dr in ha do mear seu apano BB de AnANDRÉ FIGUEIREDO drinhado, gola. Aliados Maia não fez c on fi de nc iaram que Maia teria considera- qualquer esforço para que a do a proposta "uma ofensa". proposta fosse votada. Alegou Em uma conversa áspera pelo que o acordo com os líderes telefone com a ministra-chefe partidários anteontem só prede Relações Institucionais, via a votação do fundo depois Ideli Salvatti, ele expressou do carnaval. Partidos aliados estão diviseu descontentamento com o Planalto e o modo como era didos em relação ao projeto tratado pelo governo. Aborre- que cria o Funpresp. O líder do cido, Maia desligou o telefone PDT, André Figueiredo (CE), disse: "Esse projeto traz danos na cara da ministra. Além do cargo no BB, Maia para os futuros servidores. também estaria empenhado Não é consenso na base do goem nomear para uma posição verno essa questão do Funna área de saúde um indicado presp". O PDT espera nomear do ex-líder do PT na Câmara o futuro ministro do Trabalho, cargo ocupado por Carlos LuPaulo Teixeira (SP). A presidente Dilma Rous- pi, presidente do PDT, que saiu seff estava decidida a fazer um em meio a denúncias de irreteste anteontem em sua base gularidades (AE)

STF muda Lei Maria da Penha

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Supremo Tribunal Federal aprovou ontem, por 10 votos a um, que, nos casos de agressão física leves previstos na Lei Maria da Penha, o processo judicial deve ser iniciado independentemente da vontade da mulher. O voto divergente foi do ministro Cezar Peluso, presidente do tribunal. Relator do caso, Marco Aurélio Mello citou dados estatísticos segundo os quais 90% das mulheres que são agredidas acabam desistindo da ação quando têm de comparecer à Justiça para a chamada "audiência de confirmação", na

qual expressam a vontade em processar o agressor – o próprio marido, companheiro ou ex. "E normalmente [a renúncia ao processo] deve-se ao fato de a vítima vislumbrar uma possibilidade de evolução do agressor, quando na verdade o que acontece é a reiteração da violência", afirmou Mello. A senadora Marta Suplicy e a ministra Iriny Lopes (Mulheres) se irritaram com o advogadogeral do Senado, Alberto Cascais, que defendeu a necessidade da reclamação formal da mulher, o que contraria a tese do relator. (Folhapress)

PPS ingressou ontem com pedido de investigação no Ministério Público sobre suposto esquema de corrupção na Casa da Moeda. O PPS pede abertura de inquérito para investigar se Luiz Felipe Denucci, ex-presidente da estatal, cometeu crime de corrupção passiva. A representação tem como base reportagens da Folha de S. Paulo mostrando que Denucci teria movimentado US$ 25 milhões no exterior por meio de "offshores". Relatório da empresa londrina WIT Money Service Express aponta que o dinheiro vem de fornecedoras da Casa da Moeda. A empresa diz que foi contratada por Denucci para administrar o dinheiro. O ex-presidente da Casa da Moeda confirma ter constituído duas offshores em paraísos fiscais, mas nega que tenham movimentado dinheiro ou contratado a WIT. Ontem, a Folha revelou que o

Diogo Xavier/Ag. Câmara - 14/12/2011

Rubens Bueno: "É preciso explicar o que aconteceu na Casa da Moeda".

procurador de Denucci cobrou dessa empresa dinheiro devido a uma das "offshores" ligadas ao suposto esquema. Em resposta, o procurador, Jorge Gaviria, afirmou que as "offshores" do seu cliente não fizeram "nenhuma transferência substancial" de dinheiro. "O documento traz evidencias claras de que precisa de investigação do MP para mostrar claramente para a sociedade o que aconteceu na Casa da

Moeda, a extensão disso, as relações do governo com isso", afirmou o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), para quem esta é mais uma razão para o Congresso aprovar a convocação do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Crise – Denucci foi demitido do cargo após informar ao Ministério da Fazenda que a Folha publicaria reportagem envolvendo-o em supostas irregularidades na estatal.

Mantega admitiu que sabia de irregularidades envolvendo Denucci, mas alegou que o manteve no cargo por considerá-las inconsistentes. Assim que o caso veio à tona, o ministro mandou abrir uma sindicância para investigar as denúncias. Ele também afirmou que a indicação para o cargo partiu do PTB, provocando crise com o partido que diz só ter respaldado um nome. A oposição tenta convocá-lo no Congresso para falar sobre o assunto. A base aliada trabalha para blindá-lo. "O ministro deve se explicar porque não é possível que ele não vá explicar uma denuncia dessa gravidade", afirma Bueno. Inquéritos – Ministério Público do Rio informou que Luiz Felipe Denucci já é investigado em outros inquéritos – nada a ver com a atual denúncia. A Polícia Federal também investiga Denucci por remessa de recursos para o Brasil sem comprovar a origem do dinheiro. (Folhapress)


p PSD adia negociações de petistas e tucanos em SP DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Preciso ser muito cuidadosa, senão corro o risco de acordar num palanque de mãos dadas com Kassab. Senadora Marta Suplicy (PT)

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Prefeito diz que apoiaria incondicionalmente o PSDB, se o candidato fosse Serra. Como este não se mexe, Kassab acena ao PT com uma chapa encabeçada por Afif, em troca do apoio à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições de 2014.

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impasse em torno pois somos a terceira opção", do eventual apoio lembrou um petista. do PSD na disputa As lideranças do PSD insispela Prefeitura de tem em uma composição com São Paulo causa reflexos tam- o PSDB antes das prévias para bém nas negociações que lide- escolher o candidato à sucesranças do PT e PSDB fazem pa- são da Prefeitura, em março. ra formar as alianças de suas Sob a ordem de Alckmin, o colegendas nesse pleito. Mesmo mando municipal do PSDB recom o anúncio do prefeito Gil- siste às investidas e reafirma berto Kassab, um dos funda- que um acordo agora só acondores do PSD, de abrir oficial- teceria sem a definição do canmente diálogo com o PT e en- didato a prefeito em eventual cerrar as conversas com o composição. PSDB, tucanos e petistas A precaução do PSDB diante aguardam com cautela seus do PSD levou os tucanos a freapróximos passos. rem as negociações com o O comando do PT em São DEM. O comando municipal Paulo, incentivado pela presi- tucano decidiu esperar a movidente Dilma Rousseff e pelo mentação de Kassab antes de ex-presidente Luiz Inácio Lula firmar parceria que possa mida Silva, estanar um evenria disposto a tual acordo se aproximar entre PSDB e do prefeito, PSD. "O partimas teme que d o a c h a m eO prefeito está ele volte atrás, lhor trabalhar jogando com a caso o ex-gocom uma marvernador de gem de manogente. Kassab está São Paulo José bra; é melhor esperando a Serra decida esperar o quamovimentação do ser candidato dro se tornar ex-governador pelo PSDB. Já mais claro anJosé Serra. no ninho tucates de compor no, as declaraalianças", avaDIRIGENTE PETISTA ções do viceliou cacique governador tucano. de São Paulo, Guilherme Afif O grande receio do PT é iniDomingos (PSD), de que pre- ciar um diálogo com Kassab, fere uma aliança de sua legen- assumir o ônus de desagradar da com o PSDB, é vista com res- a militância e, em seguida, vêsalvas, diante dos acenos pú- lo apoiar Serra. "Imagine a desblicos ao PT feitos por Kassab. moralização que seria se a genO prefeito disse que apoiaria te estabelecesse uma negociaincondicionalmente o PSDB, ção e o Serra vem? Aí a gente fise o candidato fosse Serra. Co- ca sem o discurso e sem a alianmo este não lança seu nome pa- ça", apontou uma liderança ra a disputa municipal, Kassab municipal. "Não podemos fiacena com uma chapa encabe- car pendurados na brocha", çada por Afif, em troca do emendou outro petista. Para alguns líderes petistas, apoio à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) os passos de Kassab nos bastinas eleições de 2014. Ao PT, dores visam paralisar o PT. Kassab tem oferecido apoio ao "Ele está jogando com a gente", ex-ministro da Educação Fer- critica um dirigente. O PT ainnando Haddad e à indicação da não está inteiramente conde um vice – um dos nomes é o vencido de que Serra não será do ex-presidente do Banco candidato pelo PSDB. "O preCentral Henrique Meirelles –, feito Kassab está esperando a em eventual chapa. "Essa defi- movimentação de Serra", avanição deve levar algum tempo, liou a mesma fonte. (AE)

PSDB-SP convoca filiados para prévias pelo Diário Oficial

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O pesadelo de Marta: Kassab.

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senadora Marta Suplicy (PT-SP) considera um "pesadelo" a possibilidade de aliança, em São Paulo, entre o candidato petista Fernando Haddad, e o PSD do prefeito Gilberto Kassab. Ela desistiu da disputa em São Paulo, a pedido do próprio Lula, mas até agora não entrou na campanha de Haddad. "Eu tenho o direito de não mergulhar de cabeça e aguardar a decisão do meu partido sobre a aliança. Preciso ser muito cuidadosa, porque senão corro o risco de acordar num palanque de mãos dadas

com Kassab. Estou vendo um esforço grande para a coligação, mas isso me parece muito complicado." A senadora participou ontem da primeira parte da reunião do Diretório Nacional do PT, em Brasília, na véspera do aniversário dos 32 anos do PT. Na saída, não escondeu o malestar com as conversas a respeito de uma dobradinha com Kassab, defendida por Lula. A proposta de aliança, feita por Kassab, divide os petistas, mas, se for levada adiante pelo PSD, deve ser aprovada pelo Diretório Municipal do parti-

do. O argumento é que todo o sacrifício deve ser feito para conquistar São Paulo. Ex-secretário de Marta quando prefeita, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), discordou dela. "Se Kassab fizer autocrítica, não vejo problema na aliança. Acho um pressuposto muito ruim a ideia de recusar apoio". Tatto pediu "muita paciência" ao PT, disse que nada está fechado e defendeu parceria com o PMDB para vice na chapa de Haddad. O pré-candidato do PMDB à sucessão de Kassab é o deputado Gabriel Chalita. (AE)

Lula não irá ao aniversário do PT

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evido ao tratamento contra o câncer na laringe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai participar do aniversário de 32 anos da fundação do PT, que será realizado amanhã. Ele irá enviar uma carta que deve ser lida durante o ato que acontecerá em um centro de eventos de Brasília. Na avaliação dos médicos, embora Lula esteja reagindo bem ao tratamento e apresente regressão do tumor, a exposição neste momento é "expressamente proibida". Nos últimos dias, o efeito da radioterapia, que termina no próximo dia 17, tem impedido o petista de ir a seu escritório no Instituto Lula, que fica no bairro do Ipiranga (zona sul de SP). Desde que começou a radioterapia, Lula já perdeu cerca de 9 quilos. De acordo com petistas, ele tem aproveitado o tempo para ler biografias, dentre elas a do presidente americano Franklin Roosevelt (1882-1945) e a do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela. Depois da radioterapia, Lula deve passar por uma bateria de exames para avaliar sua recuperação do câncer, diagnosticado em outubro. O último exame detalhado feito por Lula, em dezembro,

Sebastião Moreira/EFE

Participação de Lula no desfile da Gaviões ainda não está definida

apontou uma redução do tumor de 75% em relação ao seu tamanho inicial, de 2,5 centímetros de diâmetro. Carnaval – Embora a Folha de S. Paulo tenha informado que a equipe médica que trata do câncer de Lula, no hospital Sírio-Libanês, tenha proibido sua participação no desfile da escola de samba paulistana Gaviões da Fiel, que o homenageia neste carnaval, a assessoria de comunicação da instituição hospitalar, assim como a do Instituto Lula, negaram a notícia. Segundo a assessoria do Sírio-Libanês, não houve informação oficial do hospital e da equipe médica a respeito do estado de saúde do ex-presidente. E acrescentou que solta-

rá um comunicado nesse sentido, avisando inclusive se ele estará ou não autorizado a participar do desfile carnavalesco, que coincide com o final do tratamento, dia 17 ou depois, quando também termina a fase de novos exames. Seja como for, a Gaviões da Fiel informou, na terça-feira, que até o dia 17 estará contando com a participação de Lula no desfile. Caso ele não possa comparecer por ordens médicas, só no dia seguinte, quando entrar no Sambódromo, é que a diretoria da escola vai decidir o que fazer em relação à ausência do ex-chefe de Estado em seu desfile. A Gaviões da Fiel já preparou uma alegoria especialmente para a presença de Lula na folia. (Folhapress)

Romário reclama de lentidão

O

deputado federal Romário (PSB-RJ) reclamou, na madrugada de ontem, pelo Twitter, da morosidade em votar matérias na Câmara. "Têm três semanas que venho a Brasília para trabalhar e nada acontece. E olha que estamos em ano de eleição", exclamou. "E espero que na minha próxima vinda a Brasília tenha alguma porra pra fazer. Ou será que o ano só vai começar depois do Carnaval?" Indignado, Romário afirmou ainda que a culpa pela demora nas votações de matérias

Leonardo Prado/Ag. Câmara – 1/6/2011

importantes é dos políticos. "A PEC 300 também não foi votada. Tem greves acontecendo, pessoas morrendo e lojas sendo saqueadas. Nós políticos somos culpados mesmo!" Ele disse acreditar que seja por "falta de objetividade e de sensatez que algumas coisas lamentáveis" acontecem no P a í s . " Te m c o i s a s q u e s ó acontecem na política. E hoje, mais do que nunca, tenho certeza disso." A PEC 300 fixa um piso salarial nacional para policiais civis e militares, inclusive bombeiros. (Folhapress)

Romário está decepcionado

presidente do PSDB paulistano, Júlio Semeghini, convocou oficialmente para o dia 4 de março, das 9 horas às 15 horas, as prévias que vão definir o candidato do partido para a disputa à Prefeitura de São Paulo, nas eleições municipais deste ano. Segundo o comunicado, publicado ontem, no Diário Oficial do Estado, as prévias ocorrerão em 58 locais da capital paulista e a escolha será feita pelos "eleitores filiados" e por "voto direto e secreto". A decisão de Semeghini, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Regional de Geraldo Alckmin, foi tomada logo após o governador paulista pedir ao ex-governador José Serra que reavalie a posição de não disputar a sucessão de Gilberto Kassab (PSD). Alckmin queria fechar acordo em torno do nome de Serra, provocando críticas de alguns pré-candidatos do PSDB à prefeitura, como o deputado federal Ricardo Tripoli e o secretário de Energia, José Aníbal. Tripoli afirmou ser "impossível" eliminar as prévias, e Aníbal considerou a consulta aos filiados como "irreversível". Além deles, são pré-candidatos do PSDB à sucessão de Kassab os secretários estaduais do Meio Ambiente, Bruno Covas, e o da Cultura, Andrea Matarazzo. O prazo para a inscrição às prévias termina na próxima terça-feira, dia 14. O anúncio oficial das prévias tucanas, no Diário Oficial do Estado, ocorre também no

A eleição interna no partido (PSDB) acarreta riscos enormes de derrota na disputa municipal de São Paulo. JOSÉ HENRIQUE REIS LOBO momento em que o grupo político ligado ao ex-governador José Serra ainda insiste em um acordo com o PSD. Por esse acordo, os tucanos abririam mão da candidatura própria nessas eleições e indicariam o vice para compor a chapa encabeçada pelo vice-governador do estado, Guilherme Afif Domingos (PSD). Sem riscos – Os pré-candidatos tucanos à prefeitura (Andrea Matarazzo, Ricardo Trípoli, Bruno Covas e José Aníbal) uniram-se ontem para defender as prévias que definirão o nome do candidato e rebateram a avaliação do ex-presidente do PSDB de SP, José Henrique Reis Lobo, de que a eleição interna acarreta "riscos enormes de derrota" na disputa. O secretário de Cultura do Estado de São Paulo, Andrea Matarazzo considerou "inoportuna" a avaliação de Lobo. "Ele errou na dose e no momento". Para o deputado federal Ricardo Trípoli, "Lobo está há muito tempo fora da sigla, ele é da época em que os caciques decidiam". O secretário do Meio Ambiente de São Paulo Bruno Covas disse que a avaliação de Lobo é pessoal e que não compartilha dela. O secretário estadual de Energia, José Aníbal nada disse. Lideranças estaduais e municipais do PSDB também criticaram o teor do artigo publicado por Reis Lobo. (AE)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

9 IRÃ ATÔMICO NBC: Israel ajuda terroristas a matar cientistas nucleares, dizem fontes dos EUA.

nternacional

BARRADO Itália acha 40 quilos de cocaína em maleta diplomática do Equador

A OFENSIVA VIRTUAL DE ASSAD

YouTube/AFP

E

nquanto forças sírias mantêm sua ofensiva em Homs, o presidente do país, Bashar al-Assad, mira os ativistas no mundo virtual. Ontem, ele aprovou uma lei que pune conteúdos online que incitarem a crimes contra o Estado e a ordem pública, em uma tentativa de controlar as informações divulgadas online pelos movimentos opositores. A internet é o meio mais utilizado pelos ativistas opositores ao regime de Assad para denunciar as ações repressoras contra os civis desde o início dos protestos populares, em março do ano passado. Redes sociais como Facebook, Twitter e YouTube se transformaram no alto-falante desses grupos, tanto para se organizar como para informar ao mundo sobre a situação político-social na Síria. O decreto para "combater o crime eletrônico", publicado pela agência oficial de notícias Sana, estipula multas e penas de prisão a quem cometer, na internet, atos de propaganda e incitação a delitos, especialmente quando se atentar contra o Estado e a ordem geral. A condenação geral é de mais de um ano de prisão e multa superior a 250 mil libras sírias (cerca de R$ 7,4 mil), mas a sanção é mais dura caso a ação prejudique o Estado ou se o crime for cometido por um grupo organizado ou se afetar menores de idade. Além disso, a medida prevê a punição de qualquer servidor online que não responder à obrigação de guardar uma cópia do conteúdo armazenado e a identificação das pessoas que divulgarem dados na internet. A pena é uma multa de 100 mil a 500 mil libras (entre R$ 3 mil e R$ 15 mil).

Imagem do YouTube mostra momento após explosão em frente a uma mesquita no bairro de Bab Amro, em Homs. Imagens como esta serão punidas a partir de agora pelo regime.

Segundo o decreto, se a ação tiver o propósito de barrar a investigação de um crime, a punição prevista será uma pena de três meses a dois anos de prisão e uma multa de até 1 milhão de libras (cerca de R$ 30 mil). A nova lei prevê uma multa de até 1 milhão de libras (cerca de R$ 30 mil) a qualquer pessoa que oferecer serviços online e se recusar a responder à ordem da autoridade judicial de retirar de circulação uma parte do conteúdo armazenado ou modificá-lo. Homs - Os bombardeios com tanques, morteiros e foguetes das forças sírias continuam em Homs, que virou símbolo

de resistência ao regime. O sexto dia de ofensiva militar matou, pelo menos, 110 civis, de acordo com relatos de ativistas. Eles estimam que, desde o sábado passado, já morreram entre 300 e 400 pessoas na cidade. Os opositores denunciam que a situação humanitária se aproxima do colapso porque, entre outras razões, os hospitais e centros de atendimento médico se tornaram alvos das forças de segurança leais ao regime. "Os hospitais de campanha foram bombardeados. Agora estamos tratando os feridos nas casas e mesquitas com remédios insuficientes", declarou à agência Efe por telefone o ativista Salim al-Homsi, que está escondido no bairro de Bab Amro, um dos mais castigados pela ação do regime.

O médico Ali al-Hazuri disse à agência EFE que não é possível identificar muitos dos mortos porque têm o rosto totalmente desfigurado. A situação foi criticada ontem pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), que denunciou que Damasco usa o direito ao tratamento médico como uma "arma de perseguição" a seus inimigos políticos. Brasileiros - O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, afirmou ontem que a situação na Síria é "gravíssima" e "preocupante", inclusive para os 3.000 brasileiros que vivem no país. Segundo Patriota, o governo brasileiro acompanha a situação, e uma família já entrou em contato com a embaixada brasileira no país pedindo para ser repatriada ao Brasil. (Agências) Philippe Wojazer/Reuters

BATE-BOCA NA ONU Henrik Montgomery/Reuters

Argentina tenta obter apoio internacional na questão das Malvinas

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Funcionários da usina de Fessenheim, na França, olham pela janela enquanto aguardam Sarkozy.

Sim à energia nuclear

O

acidente nuclear em Fukushima, no Japão, não aposentou as ambições atômicas de algumas potência ocidentais. Enquanto a Alemanha anunciou o fim definitivo ao uso de energia nuclear até 2022, países como os Estados Unidos e França disseram que seus programas nucleares vão continuar. Pela primeira vez em mais de 30 anos, os EUA aprovaram ontem a construção de dois novos reatores na usina nuclear de Votgle, a cerca de 275 quilômetros de Atlanta (Geór-

O britânico Cameron diz que vai defender os moradores das ilhas

coincidindo com a data de aniversário dos 30 anos da Guerra das Malvinas, em 2 de abril. A exploração de petróleo por empresas britânicas nas ilhas também reavivou a disputa sobre o controle da região. A presidente argentina criticou os planos britânicos de enviar um de seus navios destróiers mais modernos, o HMS Dauntless, para a região. Ela ainda questionou a recente chegada às Malvinas do príncipe William, que realiza tarefas de instrução militar nas ilhas ocupadas pelos britânicos desde 1833 e cuja soberania é reivindicada pela Argentina. A governante assegurou que a Argentina continuará "pela via diplomática" com suas exigências para que Londres se sente para negociar sobre a soberania das Malvinas, tal como

propuseram as Nações Unidas. Essa estratégia será seguida hoje, quando o chanceler argentino, Héctor Timerman, entregar ao presidente do Conselho de Segurança da ONU, Kodjo Menan, a denúncia da Argentina contra o Reino Unido pela militarização das Malvinas e do Atlântico Sul. O ministério de Relações Exteriores argentino disse ainda que o chanceler vai informar ao presidente da Assembleia Geral da ONU, Nassir Abdulaziz AlNasser, e ao secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon, "sobre a violação do Reino Unido das cerca de 40 resoluções das Nações Unidas, que convocam ao diálogo entre o país e a Argentina para resolver pacificamente o conflito iniciado em 1833 com a invasão militar das ilhas Malvinas". (Agências)

Reuters - 17/01/12

Argentina apresenta hoje denúncia formal na Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Reino Unido pela militarização das ilhas Malvinas (ou Falkland, para os britânicos), mas a iniciativa parece não intimidar as autoridades britânicas. Em tom de provocação, o primeiro-ministro David Cameron afirmou que, ao entregar o documento, a Argentina vai lembrar de uma das principais regras da organização: o respeito à autonomia dos povos. "A Argentina vai descobrir, quando for à ONU, que é uma parte absolutamente fundamental da carta da ONU o apoio à autonomia e o povo das ilhas Falkland quer manter seu status e quer manter sua conexão com o Reino Unido", disse Cameron, em entrevista coletiva após encontro com líderes nórdicos e bálticos em Estocolmo. "Enquanto as pessoas das ilhas Malvinas quiserem manter seu status, vamos garantir que elas possam e vamos defender as ilhas Malvinas adequadamente para garantir que esse seja o caso", disse ele em seus primeiros comentários sobre a ameaça da presidente argentina, Cristina Kirchner, de levar a questão à ONU. O Reino Unido travou uma guerra com a Argentina pelo controle das ilhas em 1982. Londres recusa-se a iniciar negociações com os argentinos sobre a soberania do arquipélago, a menos que os 3.000 moradores da região desejem passar para o controle do país sul-americano. Agora, os dois governos realizam uma guerra de palavras,

gia, sul do país), que já abriga dois reatores nucleares. O único voto contrário foi do presidente da Comissão Reguladora Nuclear dos EUA, Gregory Jaczko, que citou o acidente de Fukushima para justificar sua decisão. Os EUA, maiores fornecedores de energia nuclear do mundo, possuem 104 reatores que operam em 65 usinas e geram, combinados, quase 20% da eletricidade do país. Resistência - Na França, o presidente Nicolas Sarkozy se recusa a fechar uma antiga usi-

na nuclear que se tornou um símbolo da crescente resistência à energia atômica no país. Ao visitar a instalação em Fessenheim, ele afirmou que seria um grande erro e um "escândalo" fechá-la e demitir os trabalhadores. Ele insistiu que não há dúvidas sobre a segurança do local. A instalação, que foi aberta em 1978 no nordeste da França, é a mais antiga do país. A França depende de energia nuclear mais do que qualquer outra nação, com cerca de 75% de sua eletricidade vindo de reatores nucleares. (Agências)

DA FAMA À LAMA

P Garzón: fim da linha para o juiz.

or unanimidade, o Supremo Tribunal da Espanha condenou ontem o juiz Baltasar Garzón por abuso das suas funções em uma investigação sobre corrupção nas administrações públicas de Madri e Valência e o afastou da sua carreira jurídica pelos próximos 11 anos. A decisão põe fim à carreira do magistrado espanhol mais conhecido no mundo.

O juiz de 56 anos estuda recorrer da decisão no Tribunal Constitucional do país. A idade de aposentadoria sendo 70, restarão a ele apenas três anos de profissão após a suspensão. Conhecido por perseguir ditadores como o chileno Augusto Pinochet, Garzón ganhou inimigos, especialmente entre colegas e políticos, que dizem que ele se interessa mais por fama do que por justiça. (Agências)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

SINTONIA Comissão formada por jurados com deficiência visual será responsável pela análise do som da bateria das agremiações dos Grupos I, II, III, IV e Blocos Especiais do carnaval de São Paulo.

idades

Paulo Pampolin/Hype

A partir da esquerda, Carlos Alexandre Campos, Giovanna Maira, Camilo Augusto Neto (professor) e Ubirajara Alves Domingos: grupo de deficientes vai analisar o desempenho da bateria Werther Santana/AE - 05/03/2011

Jurados cegos vão julgar a bateria das escolas de samba Deficientes visuais estarão no sambódromo do Anhembi para analisar o ritmo do desfile dos grupos de acesso do carnaval paulistano

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em mesmo a mais bela mulher que venha desfilar seminua pelo sambódromo do Anhembi vai tirar a concentração no novo júri que irá avaliar o quesito bateria neste ano. Os cinco jurados que examinarão a qualidade do ritmo e da percussão são cegos. Trata-se de uma experiência inédita que, por enquanto, atenderá apenas as escolas da União das Escolas de Samba de São Paulo – UESP –, aquelas que vão do primeiro ao quarto grupo e que desfilam no domingo e na segunda-feira. As do Grupo Especial e do grupo de acesso receberão notas pelo sistema convencional. Além do caráter inclusivo, a novidade busca um aprimoramento técnico no sentido de julgar com mais rigor (e merecimento) a performance das baterias, particularmente em tópicos como a capacidade de sustentação do ritmo, a retomada nos breacks ou a cadência no enredo. Dispersão – A escolha dos deficientes visuais faz sentido, pois eles possuem a audição extremamente apurada e não dispersarão a atenção, atraídos por recursos de cores e movimentos. Enfim, irão assistir com os ouvidos e criar na imaginação a paisagem sonora do samba passando na avenida. Pertencem ao mundo das sensações que modelam formas, cores e ritmos. A iniciativa foi inspirada no projeto “Carnaval Paulistano: Só Não vê Quem Não Quer’, que levou pessoas com deficiência visual para acompanhar de perto os ensaios, a con-

Robson Rodrigues centração e os desfiles do carnaval no ano passado. A ideia deu tão certo que, em 2012, a União das Escolas de Samba Paulistanas (Uesp), em parceria com a São Paulo Turismo (SPTuris), criaram o primeiro curso denominado “Jurado Deficiente”. Júri – O grupo de jurados é formado por cinco componentes: Giovanna Maira, 25; Diego Luciano de Castro, 25; Carlos Alexandre Campos, 37; Ubirajara Alves Domingos, 48, e Airton Luiz Rio Branco, 62. Podese dizer que são pessoas que enxergam a vida de outra maneira. Todos eles são coordenados pelo professor Camilo Neto, que idealizou o projeto e treinou a equipe.

Com exceção da Giovanna, que perdeu a visão com um ano de idade, os outros perderam a luz na vida adulta, a maioria por glaucoma, e tiveram de aprender a lidar com a escuridão. "Em baixo do escuro existe muito amor", conta Airton. Para Giovanna, a falta de visão não impediu que ela sentisse a música. "Tenho em mim o som que contagia. Meus sentidos permitem sentir o que há de profundo nas

vibrações musicais". Camilo faz questão de frisar que o maior beneficiado pela participação dos jurados é a festa na avenida, já que “a deficiência deles os tornam mais eficientes para a avaliação do carnaval”. A comissão será responsável pela análise das notas dos Grupos I, II, III, IV e Blocos Especiais do Carnaval de São Paulo. Como não podem ver, também não serão influenciados pela fantasia ou pela evolução que possa ser feita. Podem eles mesmos construir, com ouvidos e imaginação, um carnaval particular. Treinamento - Para dois deles, será um pouco mais fácil julgar devido à proximidade com a música. Giovanna é musicista profissional formada pela USP e o Ubirajara – ou mestre Bira – é mestre de bateria desde os 14 anos em diversas escolas de samba de São Paulo. Mas os outros também não ficam atrás. Tiveram aulas por seis meses de teórica musical e de percussão. Depois partiram para as aulas práticas em que aprenderam técnicas para avaliação que serão usadas durante os desfiles. “O professor colocava uma bateria para tocar e, em determinado momento, tirava um dos instrumentos e nós tínhamos que detectar qual era”, conta Airton. Carlos completa. “Além de dar a nota, aprendemos a justificar”, conta o jurado que também atua como advogado no Memorial da América Latina. Avaliação – “No carnaval de 2011, notamos que alguns jurados de bateria estavam sendo influenciados por questões visuais como, por exemplo, co-

Deficiência visual impede que a análise dos jurados seja influenciada pelas cores e imagens

Tenho em mim o som que contagia. Meus sentidos permitem sentir o que há de profundo nas vibrações musicais. GIOVANNA MAIRA reografias, rainhas entre outras. O quesito bateria é essencialmente e 100% auditivo. Por isso, tivemos que vedar as cabines”, diz o professor Camilo. Mestre Bira acrescenta: “Nós estamos imunes dessas influências”. Conforme explica Camilo,

os desfiles de escolas de samba são geralmente lembrados pelos espetáculos de cores e os carros alegóricos gigantescos e luxuosos das escolas de samba. Mas, em meio aos estandartes, fantasias e alegorias, os deficientes se deixaram conduzir apenas pelos instrumentos musicais. “Este ano pensamos: por que não usar deficientes visuais que já têm a audição aguçada? Todos os presidentes, a Uesp e a SPTuris aprovaram” lembra o coordenador. “A bateria é o coração da escola de samba. Temos sempre que trabalhar para um julgamento justo”, diz Camilo. Para o presidente da Uesp, Kaxitu Ricardo Campos, a iniciativa tem tudo para fazer

acreditamos que, em breve, os deficientes visuais estarão presentes nos desfiles de todo o Brasil. KAXITU RICARDO CAMPOS história no carnaval brasileiro. “A Uesp, com quase 40 anos de existência, tem um trabalho constante de aprimoramento do carnaval e acreditamos que, em breve, os deficientes visuais estarão presentes nos desfiles de todo o Brasil”, prevê Campos.


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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

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11 Até amanhã será possível recarregar o Bilhete Único com os valores antigos.

idades

Divulgação

Divulgação

AQUELE BRAVO E...

É

Sabiá-pardão-da-Bahia

divertido imaginar que, se o Barão do Rio Branco, aliás, José Maria da Silva Paranhos Júnior (1845-1912), não tivesse existido, Chico Mendes, Marina Silva e tampouco Adib Jatene seriam brasileiros. Também não teríamos a Usina de Itaipu, as Cataratas do Iguaçu e, por consequência, as dilatadas fronteiras de hoje. Esses pensamentos, aparentemente de gente que não tem o que fazer, vêm a propósito do centenário de sua morte, que transcorre exatamente hoje. Portanto, há cem anos, ao lado do pai – José Maria da Silva Paranhos, Visconde do Rio Branco – ele descansa no Cemitério do Caju, no Rio, das suas difíceis batalhas diplomáticas . Nosso breve aprendizado a seu respeito na escola não dá a dimensão das suas glórias, que lhe valeram a inclusão no Livro dos Heróis, José Maria da Silva Paranhos depositado no Panteão da Júnior, o Barão de Rio Branco. Pátria, em Brasília.

Rodrigo Baleia/Folhapres-23/09/2007

Sabiá-laranjeira

SUA MAJESTADE, O SABIÁ.

É

possível que, se fossem brasileiros, os diretores da Fifa pudessem ficar divididos na definição do mascote da Copa das Confederações, a ser realizada no Brasil em 2013. Prevaleceu o sabiálaranjeira, aliás, já eleito a avesímbolo do País. É que o sabiácoleira também seria uma boa opção por ser o personagem do poema Canção do Exílio, que todo brasileiro sabe de cor, do maranhense Gonçalves Dias. "Além de exibir palmeiras, o Maranhão é um dos principais habitats desse passarinho. O poeta só pode ter se inspirado no seu canto", afirma o ornitólogo Dalgas Frisch, 80 anos. Dalgas garante que, apesar de ser mais conhecido, o sabiá-laranjeira deve ser colocado em terceiro lugar no quesito qualidade de canto entre os mais de cem sabiás. "O primeiro é o pardão-da-Bahia e o segundo, o sabiá-coleira. Ambos vivem nas matas do Norte-Nordeste."

...HEROICO BIGODE!

E

ntre suas inúmeras vitórias em favor do País, destacam-se três. A primeira, conhecida como a Questão de Palmas, se deu em 1895, na qual, por decisão do presidente norteamericano Grover Cleveland, escolhido como árbitro pelos dois litigantes, o Brasil preservou o vasto território do oeste catarinense e paranaense, até as margens do Rio Paraná, reclamado pela Argentina. Se não fosse assim, as cataratas seriam denominadas apenas em castelhano – Iguazu! Idem para Itaipu, caso os argentinos viessem erigir algo parecido. A segunda se refere ao Amapá, em 1900. Desta vez, Rio Branco convenceu o governo suíço, eleito juiz da disputa, que as terras pertenciam ao Brasil e não à França. Caso tivesse perdido, nós jamais iríamos usar a expressão "do Oiapoque ao Chuí", pois o Oiapoque rolaria suas águas com sotaque parisiense. Finalmente, por ação de Rio Branco, o Acre passou a fazer parte do território brasileiro em 1903, após rumoroso contencioso com a Bolívia. E quem sabe onde andariam os ilustres brasileiros citados acima?

ADORÁVEL FANTASMA

É

igualmente instigante imaginar que a atriz Mary Pickford (1892-1979) possa, por artes de forças do "Além", ressurgir em todo seu esplendor na tela e surpreender as plateias do filme O Artista – do diretor francês Michel Hazanavicius –, que tem 10 indicações ao Oscar deste ano. Ela encontraria seu sonho perdido, pois a película, como já foi fartamente divulgado, é um filme mudo que homenageia o cinema dos primeiros tempos. Nele, Mary era uma rainha, seria uma mistura de Julia Roberts com Merryl Streep. Porém, o advento do cinema falado, em 1927, desmanchou seu reinado. Ela esforçou-se para se adaptar aos novos tempos e, inclusive, ganhou um Oscar de melhor atriz com Coquette, em 1929. Mas parece que a nostalgia foi mais forte. Até sua morte, Mary se isolou na sua casa em Beverly Hills. Ao longo dessas décadas, abria suas portas para as visitas, mas somente conversava com elas pelo telefone interno.

Tarifa do metrô vai a R$ 3 no domingo O bilhete dos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) sofrerá reajuste idêntico. Até amanhã será possível carregar o bilhete único com o valor antigo.

A

No Rio, falha em trem de subúrbio provoca conflito

U André Vicente/Folhapress - 17/02/2011

s tarifas do metrô de São Paulo e dos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) serão reajustadas em 3,45% a partir do próximo domingo. Com o aumento, elas passarão dos atuais R$ 2,90 para custar R$ 3. Os usuários que recarregarem o Bilhete Único até amanhã poderão pagar o valor atual da passagem unitária, de R$ 2,90, até que os créditos do bilhete se esgotem. O mesmo ocorre com os demais cartões, como o Escolar e o Fidelidade. De acordo com a SPTrans (a empresa que gerencia o transporte coletivo na cidade), no bilhete único comum, por exemplo, é possível carregar até R$ 200 em créditos de uma só vez. As empresas justificam que o reajuste de tarifa é necessário para manter o equilíbrio financeiro, já que seus custos - alegam - foram aumentados nos últimos 12 meses. Segundo informações prestadas pelas empresas, o bilhete Madrugador Exclusivo não terá aumento e continuará com o mesmo valor, de R$ 2,50. Ele vale das 4h40 às 6h15 nas composições do metrô e das 4h às 5h35 nas linhas da CPTM. Já o Bilhete Único Integrado Comum passará de R$ 4,49 para R$ 4,65, um índice de aumento de 3,56%. (Folhapress)

A tarifa do bilhete simples do metrô paulistano passará de R$ 2,90 para R$ 3 a partir do próximo domingo

ma falha operacional em um trem da concessionária SuperVia que operava no subúrbio do Rio gerou protestos na manhã de ontem. Um problema no sistema de frenagem da composição, que seguia do município de Queimados (Baixada Fluminense) para a Central do Brasil, levou à interrupção da viagem nas proximidades da estação Sampaio (zona norte), por volta das 7h10. Os passageiros foram obrigados a desembarcar na linha férrea e uma locomotiva foi deslocada até o local para rebocar a composição com defeito. Houve tumulto entre usuários e agentes da concessionária. O Núcleo de Polícia Ferroviária (NPFer) foi acionado. Policiais foram apedrejados e alguns passageiros ficaram feridos. Os trens que usavam a mesma conexão foram impedidos de rodar e milhares de passageiros ficaram sem transporte. Por meio de nota, a SuperVia afirmou que "um grupo de passageiros ameaçou o maquinis-

ta, obrigando-o a seguir viagem até a Central do Brasil, impedindo que o procedimento fosse realizado com segurança". Durante o trajeto de quase 9 km entre as estações Sampaio e Central do Brasil, a locomotiva trafegou superlotada e com as portas abertas, e muitos passageiros realizaram a viagem do lado de fora dos vagões. De acordo com a SuperVia, as estações Méier, Engenho Novo, Sampaio e Riachuelo foram fechadas por medida de segurança. A interrupção do serviço gerou protestos e confusão também em outras estações. Na estação Deodoro, foram registrados atos de vandalismo e painéis foram depredados. Na Central do Brasil, o tumulto levou comerciantes a fecharem as portas e o Batalhão de Choque foi acionado. Policiais utilizaram pistolas de choque elétrico e lançaram bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes. Um homem foi detido, acusado de furtar uma TV de LCD usada para divulgação de publicidade na estação. (AE)

Carlos Trindade/AE

É o novo valor das tarifas do metrô paulistano e dos trens da CPTM. Elas passam a vigorar a partir do próximo domingo.

Márcio Fernandes/AE - 07/07/2011

R$ 3 Passageiro do trem de subúrbio irrita-se com a falha no sistema O Bilhete Único Integrado Comum passará de R$ 4,49 para R$ 4,65, um índice de aumento de 3,56%


DIÁRIO DO COMÉRCIO

12 -.LOGO

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

MAHATMA GANDHI

BARACK OBAMA

STEVE JOBS

MADRE TERESA DE CALCUTÁ

Palavra é imagem Criar retratos compostos de palavras, frases ou apenas letras é um tipo de "especialidade" a que vários artistas se dedicam. Mesmo com propostas e estilos diferentes, há algo em comum entre todos eles: a busca por uma fonte que seja versátil o suficiente para permitir a criação, e que se adapte bem a diversos tamanhos e formatos, No site abaixo você encontra uma seleção de obras criadas por 80 artistas diferentes. Algumas delas são as que ilustram esta página. http://bit.ly/eUdBpl

www.dcomercio.com.br

De motocicleta Tron Lightcycle é daqueles veículos para amantes ou colecionadores de motocicletas. motor Suzuki, corpo em fibra de vidro e design exclusivo e moderno. http://bit.ly/zFeDBB

A RQUIVOS R ECICLAGEM

Steve Jobs, drogas e comunismo FBI divulgou ontem um arquivo com 191 páginas O com dados que coletou sobre o

O indiano Haribaabu Naatesan transformou 2805 pedaços de metal descartado em um carro com as formas do Beetle, da Volkswagen. Veja o vídeo. http://bit.ly/Aj49KJ

M ÚSICA

O documento também afirma que "de acordo com os antecedentes proporcionados pelo senhor Jobs, ele não tem parentes próximos que residam em países controlados por comunistas". Segundo o FBI, alguns dos entrevistados colocaram em dúvida a integridade do empresário e disseram que era difícil trabalhar com ele. O arquivo deixa claro que o fundador

da Apple nunca foi condenado por nenhum delito, mas questiona a honestidade do gênio da informática. Apesar dessas dúvidas, os autores do relatório disseram que não viam razões para que empresário não assumisse o cargo oferecido por Bush. Para realizar o documento, o FBI entrevistou trinta pessoas, entre elas vizinhos e colegas de trabalho de Jobs. (EFE)

Betina Humeres/ARBS/AE

O lixo que virou Beetle

fundador da Apple, Steve Jobs. O documento, divulgado de acordo com a Lei de Liberdade de Informação (FOIA, por sua sigla em inglês), foi feito durante a presidência de George Bush, pois o então líder pensava em nomear Jobs como presidente do Conselho de Exportações do país.

Em 1985, segundo o FBI, alguém tentou chantagear o empresário ao exigir US$ 1 milhão para não explodir bombas colocadas em sua casa e na de outros três funcionários da Apple. Em relação ao consumo de drogas, Jobs admitiu que dias antes de seu casamento provou haxixe e LSD. "Várias pessoas falaram sobre o uso de drogas de Jobs no passado", diz o relatório.

As canções favoritas de Obama A equipe da campanha de reeleição do presidente dos EUA, Barack Obama, fez uma lista pública com algumas das canções que o líder gosta na plataforma Spotify. Na lista, amplamente divulgada ontem, está a canção de Al Green, Let's stay together, que Obama cantou há semanas em um ato democrata e multiplicou as vendas do single em 490% nos dias seguintes. Entre as 30 canções que compõem a lista se encontram

clássicos como Aretha Franklin, com The Weight, e grupos mais populares entre os setores mais jovens, como Wilco. A participação latina chega com o porto-riquenho Ricky Martin, mas com uma canção em inglês intitulada The best thing about me is you, que canta acompanhado da cantora britânica de soul Joss Stone. Outras da lista são Keep on pushing, do The Impressions, Raise up, da Ledisi e Stand up, do Sugarland.

I TÁLIA Antonio Parrinello/Reuters

L

Imagem mostra a lava expelida pelo Etna, ontem. O Etna é o vulcão mais alto e ativo da Europa.

RUMO À LIBERDADE - Depois de uma semana em observação no Projeto Tamar, uma tartaruga verde foi devolvida ao mar em Florianópolis (SC). O animal havia sido capturado acidentalmente por uma rede de pesca.

A beleza das teias de aranha

Espécie produz seda de cor naturalmente dourada

P OLÍTICA

"Arte de furtar" Arte de Furtar, uma das obras clássicas da prosa barroca está disponível na biblioteca do Museu da Corrupção (MuCo) para download. Escrito no século XVII, o livro descreve formas de desvio do dinheiro público praticadas por funcionários da coroa portuguesa. Veja mais no site.

Um tecido de quatro metros de comprimento foi confeccionado com a seda das teias de mais de um milhão de aranhas douradas. É o maior tecido já produzido a partir de seda da espécie, que é conhecida também como tecedeira dourada. A seda foi colhida em Madagascar e pedaços do tecido, bem como roupas feitas com ele, estão em exposição no Museu Victoria & Albert, em Londres. A cor dourada do tecido pe natural e a peça levou quatro anos para ser criada em tear manual. As roupas foram criadas pelos estilistas Simon Peers e Nicholas Godley.

http://bit.ly/yZofiY

L OTERIAS Concurso 712 da LOTOFÁCIL 01

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Acesse www.dcomercio.com.br para ler a íntegra das notícias abaixo:

A TÉ LOGO

Romário assumirá o posto de embaixador mundial do futevôlei

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Cientistas estudam na Antártida o impacto da atividade solar no clima

"Guerra nas Estrelas" retorna aos cinemas dos EUA, agora em 3D Zsa Zsa Gabor comemora 95 anos em festa cheia de celebridades

Concurso 2820 da QUINA 06

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Yasuyoshi Chiba/AFP

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Senado vai discutir a concessão dos aeroportos de Guarulhos (SP), Campinas (SP) e Brasília (DF), após o leilão que foi realizado na última segunda-feira (6). A Comissão de Infraestrutura aprovou o convite para o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, o presidente da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), Marcelo dos Guaranys, e o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, falarem da operação. O leilão rendeu R$ 24,5 bilhões, valor 347% superior aos R$ 5,482 bilhões de lance inicial pelos três aeroportos. A ideia da audiência partiu do presidente do PP, senador Francisco Dornelles (PP-RJ), aliado do Palácio do Planalto. Na avaliação de Dornelles, o fato pode "trazer resultados indesejados". O motivo, segundo o parlamentar, é que o procedimento licitatório foi realizado com inversão de fases, sem exigência de índices financeiros mínimos e sem qualificação técnica – diferente do

Apesar do arremate dos três aeroportos por R$ 24,5 bilhões, fato pode trazer 'resultados indesejados'

Senado chama governo para 'explicar' leilão Processo de licitação teve "inversão de fases", disse Francisco Dornelles, do PP

normalmente adotado por qualquer país do mundo. "Há o entendimento de que ativos tão relevantes e estratégicos devem ser entregues a empresas com competência comprovada e capacidade financeira", disse Dornelles. O senador questiona a capacidade de investimento das empresas vencedoras da licitação. "Como resultado, o concessionário de Guarulhos pagará ao governo 97% da receita líquida, e o de Brasília 94% da receita líquida. Com o que sobra é possível entregar qualidade desejada? Difícil. Difícil até mesmo operar com os baixos níveis atuais, pois sobrará para as concessionárias muito menos dinheiro do que a Infraero tem hoje", afirmou. Para Dornelles, o governo federal poderá ficar refém destes concessionários no momento em que as dificuldades de cumprir os compromissos aparecerem. "(O governo) poderá ter que aceitar mudanças nos contratos firmados, ou até mesmo possível aumento de tarifas", destacou. (Folhapress)

País deve equilibrar retorno e preços razoáveis, diz The Economist

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té que ponto a privatização dos três aeroportos brasileiros beneficiará o País – e, principalmente, os usuários do sistema? É a pergunta que fica após a leitura da reportagem "Fasten your seat belts – sky-high prices raise the prospect of more sell-offs" (ou, Apertem os cintos – altíssimos preços e a perspectiva de mais liquidações), publicada pela revista britânica The Economist desta semana. A matéria começa relembrando flashes do leilão realizado na última segundafeira na BM&F Bovespa, que diz que a multidão "engasgou" com o anúncio do lance mais

alto: do Aeroporto Internacional de Guarulhos, de R$ 16,2 bi – ou R$ 12,8 bilhões acima do mínimo especificado pelo governo brasileiro. Inclusa, uma oferta, de 51% de parceria público-privada com a Infraero. O texto também lembra da necessidade de "encontrar" dinheiro para investir mais de R$ 4,5 bilhões em "estruturas decrépitas e terminais superlotados". Sem contar que, um terço do montante deve ser gasto antes que "hordas de fãs de futebol cheguem à Copa de 2014." A oferta de participações para controlar mais dois dos 66 aeroportos da Infraero

também foram citadas. Viracopos, em Campinas, por necessitar de investimentos para lidar com o excesso de Guarulhos, sem espaço para crescer. Já o de Brasília deve ser ampliado como hub para voos domésticos. Dito e feito, o governo embolsa a bagatela de R$ 24,5 bilhões pelos aeroportos, considerados pela reportagem "minas de ouro", já que cerca de 30% dos passageiros do País e 57% da carga aérea passam pelos três. Dúvidas – O número de passageiros no Brasil dobrou em uma década, e espera-se que o crescimento continue. Mesmo assim, o lance

ganhador para Guarulhos deixou atônitos especialistas como Eduardo Padilha, do Insper. "Eles devem ter planos que ninguém mais tenha pensado. Talvez de fazer hotéis e centros de conferências", disse ele, em dúvida. Céticos se perguntam se o preço era tão alto porque o governo estava lidando com ele mesmo: o consórcio que venceu Guarulhos é liderado por fundos de pensão da Petrobras e do Banco do Brasil, controlados pelo Estado. Sem contar que o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) financia o negócio. Se os operadores têm

Privatização poderá elevar as tarifas das passagens Renato Carbonari Ibelli

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David Neeleman, da Azul: "Concessão deve encarecer custos das aéreas, e ônus chegaria ao passageiro."

Lucro pela primeira vez na Azul

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companhia aérea Azul deve encerrar 2012 com lucro. A expectativa é de David Neeleman, fundador e presidente do conselho de administração da empresa. "No ano passado tivemos alguns meses positivos, outros não,

tura Aeroportuária (Infraero), a tarifa de embarque é a única que onera passageiros, e custa R$ 16,23 em Viracopos para voos domésticos. Já as companhias são submetidas a diversas, como tarifa de pouso, permanência, armazenagem e a nova tarifa de conexão. Indiretamente, são repassadas no valor final das passagens. Pelas regras do leilão, as vencedoras devem manter tarifas congeladas por dois anos. O receio de Neeleman é o que vem depois. Por isso, ele prefe-

mas o último trimestre foi positivo e nossas margens foram mais altas que as da concorrência. Em 2012 devemos fechar o ano com lucro", afirmou. A Azul foi fundada há pouco mais de dois anos. Na manhã de ontem, a empresa comemorou no aeroporto de Campinas (SP), seu principal ponto de operação, a marca de 15 milhões de passageiros transportados desde dezembro de 2009. Até o fim deste ano, a expectativa é praticamente dobrar esse número. De acordo com Neeleman, a

re o modelo estatal dos EUA. "Não há lucro. Tudo o que se arrecada nos aeroportos, por lei, tem de ser revertido em benefício do próprio aeroporto." Ainda assim, Neeleman disse estar satisfeito com as vencedoras do leilão de Viracopos, e acredita que elas cumprirão o contrato em termos e prazos. Como prioridades, uma nova pista, ampliação de pátio de manobra e um novo terminal. Para Gianfranco Beting, diretor de comunicação da Azul, embora a privatização não seja

empresa deve transportar entre 14 e 15 milhões de pessoas ao longo de 2012, ante os 9 milhões de passageiros transportados no ano passado, o que representa um aumento em torno de 65%. Para dar conta desse salto, a frota, que hoje soma 49 aeronaves, crescerá significativamente. "Vai depender da confirmação da demanda, mas o número deve ficar entre 60 e 70 aviões", afirmou o diretor de Comunicação da A zul, Gianfranco Beting. (AE)

o melhor caminho, pode garantir eficiência às demandas de Viracopos. "Exigências legais para contratar serviços pelo poder público criam entraves desnecessários", frisou. O diretor da Azul lembrou que, em 2010, 20 ônibus novos para translado de passageiros do terminal às aeronaves ficaram encostados por meses, à espera da conclusão da licitação da empresa que disponibilizaria motoristas. "A situação deve ser agilizada com iniciativa privada na administração."

reportagem cita que Wagner Bittencourt, o ministro da aviação, anunciou que já planeja leiloar mais dois aeroportos. "Só a perspectiva de colapso total durante a Copa forçou essa mudança", completou Castellini. O texto termina dizendo que "o Brasil está se deteriorando nas emendas": com baixo investimento público, dinheiro privado é necessário para atualizar não só aeroportos, mas estradas e portos também. A esperança, diz a Economist, é que o sucesso dessa privatização faça com que o governo tenha mais pragmatismo no futuro.

'O passageiro não tem que pagar o pato'

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Danilo Verpa/Folhapress

concessão de aeroportos para a iniciativa privada poderá elevar as tarifas aeroportuárias, encarecendo os custos de operação das companhias aéreas. A opinião é de David Neeleman, fundador da Azul Linhas Aéreas que diz que, evidentemente, algum ônus chegaria aos passageiros. Ele compara o modelo de concessão brasileiro à privatização dos aeroportos mexicanos que, segundo o executivo, "são os mais caros do mundo para se operar". O México iniciou o processo de privatização de seus aeroportos em 1998. O modelo de concessão mexicano destoa um pouco do adotado no Brasil. Por lá, aeroportos não rentáveis foram incluídos em “pacotes” com aeroportos lucrativos. Aqui, só os potencialmente lucrativos foram leiloados. Mas, para o fundador da Azul, o fato relevante é que em ambos os casos a iniciativa privada fez ofertas agressivas para ter o controle. "Isso indica que os investidores também serão agressivos para ter retorno daquilo que investiram", disse. No caso de Viracopos, aeroporto com maior impacto nas operações da Azul, a oferta do vencedor do leilão foi de R$ 3,8 bilhões, valor 159,8% acima do mínimo pedido pelo governo. "O risco de se ter aeroportos caros é que eles espantam passageiros", comentou Neeleman em evento realizado ontem no aeroporto, em Campinas. Contras e prós – Entre as taxas hoje reguladas pela Empresa Brasileira de Infra-Estru-

mesmo fins puramente lucrativos, o tamanho de sua oferta traz riscos ao governo, bem como recompensas. Poderiam alegar pobreza e exigir condições favoráveis no futuro, renegociação comum em países da América Latina. A maior preocupação para o consultor André Castellini, da Bain & Company, é que os passageiros vão pagar mais por isso. "O regulador terá que encontrar equilíbrio entre os 'caras' que pagaram R$ 25 bilhões e querem retorno, e os passageiros, que querem melhor serviço a preços razoáveis", destacou. E vem mais por aí: a

eficiência da gestão dos aeroportos privatizados será fundamental para os passageiros não serem onerados. É o que pensa Paulo Resende, especialista em planejamento de Transportes e Logística da Fundação Dom Cabral. Em entrevista ao Diário do Comércio, o especialista aponta que alguns aeroportos podem ser lucrativos mesmo reduzindo tarifas, se forem bem gerenciados. Para tanto, será preciso "paciência" para ajustar o modelo brasileiro, além de "cobrança e fiscalização" sobre as novas operadoras. A concessão para a iniciativa privada era inevitável? Paulo Resende – Sem dúvida foi necessária. Apesar da resistência ideológica do governo, ao olhar números do setor aéreo chega-se a conclusões dramáticas que levaram à decisão. Nos últimos 10 anos, o Brasil teve crescimento médio de 17% no total de passageiros. No período, os investimentos não chegaram a 20% do necessário para atender à alta da demanda. Para o governo, foi uma decisão a contragosto? Resende – Não havia saída. Era pressão demais. As torneiras para investimentos nos aeroportos estavam fechadas há 20 anos. No período, o Brasil cresceu, assim como a cobrança interna por serviços melhores. Sua imagem lá fora poderia sofrer impacto negativo grande, com picos de demanda nos aeroportos em 2014 e em 2016. A iniciativa privada visa o lucro. Os passageiros serão onerados

nesse processo? Resende – No mundo todo não ocorreu, e aqui não podemos fazer o passageiro pagar o pato. Experiências em aeroportos privatizados no mundo mostram que o aumento da demanda gerada por melhorias fez por si só os lucros aumentarem, sem necessidade de elevar tarifas. Acredito que aqui Guarulhos, Galeão, Santos Dumont, Confins e Brasília podem dar lucro com redução de tarifas. Isso ocorreu em Frankfurt, onde a iniciativa privada adotou uma gestão mais eficiente. Mas e os casos do México, Argentina e Inglaterra, que depois de privatizados de tornaram os mais caros? Resende – Problema de má gestão. Temos de nos preocupar principalmente em não repetir os erros do México. Lá, os gestores não souberam respeitar limites de responsabilidade dos diferentes entes que operam um aeroporto. No Brasil, a Anac tem de atuar de maneira parecida à Aneel: mais que regular o setor, garantir bom convívio entre quem opera. Os vencedores dos leilões serão capazes de fazer uma boa gestão de aeroportos? Resende – Ainda não analisei as empresas. Mas adianto que não há no mundo empresa apropriada para gerir aeroportos brasileiros. Entramos no desconhecido. População e governo terão de fiscalizar as empresas para que sigam o modelo e sejam duramente punidas se desrespeitarem. É um aprendizado. Precisamos ser pacientes.


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15 Segundo a Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip), setor precisa qualificar melhor o profissional.

conomia Vera Gonçalves/Folhapress

Bom fermento: nova classe média emergente exige das padarias mais do que o tradicional pãozinho. Segundo entidade do setor, estabelecimentos têm de se modernizar. Hoje, são 63 mil em todo o País, e empregam 800 mil pessoas.

Setor de padarias cresce 12% em 2011 O segmento de panificação do País não tem do que se queixar. As vendas apresentam crescimento de dois dígitos e 21 mil empregos foram criados em 2011. Paula Cunha

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segmento de panificação do País apresentou faturamento de R$ 62,99 bilhões em 2011, cifra 11,9% superior ao resultado de 2010. Além disso, sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,53% para 1,66%. O setor criou no ano passado 21 mil vagas de trabalho, elevando para 800 mil o total de empregos diretos nas padarias – no segmento os empregos indiretos são 1,8 milhão. Com tantos bons resultados, o desafio do setor neste momento é qualificar a mão de obra para atender a uma clientela cada vez mais exigente, em razão do aumento do poder aquisitivo, e modernizar parte dos estabelecimentos que ain-

da não oferecem produtos e serviços diferenciados. Classe média – Os números do setor foram divulgados ontem, em São Paulo, pela Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip). Seu presidente, Alexandre Pereira, considerou positivo o desempenho, impulsionado pela nova classe média brasileira e pelo aumento do tempo de permanência dos consumidores fora do lar. Entretanto, Pereira ressaltou a necessidade urgente de um programa intensivo de qualificação profissional, já que existe carência de 10 mil profissionais apenas no mercado do Estado de São Paulo. Segundo Pereira, a Abip e outras entidades estabeleceram parcerias com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e universi-

dades para melhorar a mão de obra do setor e desta forma enfrentar as grandes redes de supermercados, que instalaram em suas unidades padarias de grande porte. Talentos – O desafio, neste momento, disse Pereira, é descobrir, treinar e reter talentos. O segmento quer incentivar os jovens que cursam Nutrição e Engenharia de Alimentos a trabalharem em padarias e mostrar a eles que este é um bom campo de atuação. Ao mesmo tempo, existe a necessidade de reciclagem constante dos empreendedores. Hoje, segundo levantamento da Abip, 25,8% dos 63 mil estabelecimentos do País contam com sistema de gestão desenvolvido com processo de produção e controle totalmente informatizados, outros 22,2% adotaram sistemas de

administração e produção com capacidade própria de inovação, além de produtos, atendimento e serviços diferenciados, 5% têm gestão altamente sofisticada e 27% apresentam bom desempenho, mas precisam modernizar suas instalações, diversificar o mix de itens e qualificar melhor os funcionários. Segundo a entidade do setor, há uma estagnação do consumo do pão, fato que já é observado há cinco anos. Ele resulta do crescimento do poder aquisitivo da população, que optou por ampliar a cesta de consumo. Assim, estabelecimentos que oferecem apenas itens tradicionais correm mais riscos de perder sua clientela para supermercados. Os dados da Abip comprovam esta transformação, já que a partir de 2006 foi observado

crescimento de dois dígitos no faturamento das padarias decorrente do aumento da oferta do chamado food service. Este serviço cresceu 11,3% em 2011 frente ao ano anterior, superando taxas de outros ramos, como o das confeitarias, que foi de 5,4%. bilhões de reais foi o Para enfrentar esfaturamento total do ses desafios e crescer 10% em 2012, o setor segmento de aposta em ações para panificação do País reduzir a carga tributária que inside sobre no ano passado, o ele e pretende exigir que representa do governo a desone1,66% do PIB. ração dos impostos federais que incidem sobre o pão. Há no momento, em Brasília, dois projetos de lei sobre o assunto que tramitam na Câmara e no Senado.

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Alessandro Shinoda/Folhapress

Chuva e seca reduzem safra de grãos

O Consumidor gastou em média no ano passado R$ 22,37 com refeição

Preço de almoço com cafezinho sobe 5,97%

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trabalhador brasileiro gastou em 2011, em média, R$ 22,37 para consumir fora de casa prato principal, sobremesa, bebida não alcoólica e cafezinho, segundo uma pesquisa divulgada ontem pela Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert). O estudo do ano anterior indicou valor médio nacional de R$ 21,11, portanto alta de 5,97% no período. "O item alimentação fora do lar retém mais de 30% do orçamento familiar", disse ontem Artur Almerida, presidente da Assert. Na divisão por região do País, as refeições mais caras (média local) estão na Sudeste ( R $ 2 3 , 9 7 ) , C e n t ro - O e s t e ( R $ 2 3 , 2 9 ) e re g i ã o N o r t e (R$ 22,49). Em seguida aparecem a Sul (R$ 21,45) e a região Nordeste (R$ 19,30). Já entre os locais mais caros,

se destacam a Grande São Paulo (R$ 26,80), São José dos Campos (R$ 26,34), Rio de Janeiro (R$ 26,17) e a cidade paulista de Campinas (R$ 25,73). O levantamento foi realizado entre os dias 20 de outubro a 30 de novembro de 2011 em todo o País. Foram entrevistados cerca de 4 mil proprietários ou responsáveis por informações sobre preços. A realização do levantamento da Assert envolveu locais que servem refeições do tipo prato feito (comercial), selfservice (quilo ou preço fixo), executivo e à la carte. Algumas curiosidades chamam atenção na pesquisa. Em Porto Alegre, o prato comercial, com bebida, sobremesa e cafezinho custa R$ 19,69, bem abaixo de Brasília, onde um almoço modesto chega a ter o preço de R$ 24,94. Um dos locais mais em conta é Fortaleza, com a refeição oferecida pelo preço de R$ 17,01. (Folhapress)

fenômeno La Niña deve ser o grande vilão da safra de grãos neste ano, que vai cair para 158,7 milhões de toneladas, 0,7% inferior a de 2011. A redução seria mais forte, não fosse projeção de área plantada recorde para este ano, de 50,6 milhões de hectares. Problemas de estiagem no Sul e chuvas fortes no Nordeste, causadas pela forte alteração climática do La Niña, vão atingir em cheio as produções de soja e de milho, mais de 80% do total da safra, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A soja deve atingir 70 milhões de toneladas neste ano, 6,4% abaixo de 2011. Já a estimativa de milho pri-

meira safra é de 34,2 milhões de toneladas, apenas 0,2% acima de 2011, mesmo com área plantada 7,8% superior. A seca no Sul foi tão intensa que a produção de soja no Rio Grande do Sul deve cair 28,9% em 2012 ante o ano passado. O milho, por sua vez, deve ter produção 45% inferior no Rio Grande do Sul na comparação com 2011. "A seca afetou mais o milho do que a soja", ressaltou o gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE, Mauro Andreazzi. Isso deve abrir espaço para outros estados. Os produtores do Mato Grosso, após colheita da soja, normalmente plantam milho segunda safra – e utilizam em torno de 30% do total de área destinada à

soja, para tal. "Neste ano, eles devem plantar 50% da área da soja (com milho)", afirmou Andreazzi, acrescentando que há uma corrida no Mato Grosso por sementes, que começam a faltar. A reversão da queda na estimativa de safra para este ano não é impossível, na análise de Andreazzi. Muitas culturas ainda estão por vir, como as de segunda e terceira safras. "Não estamos muito longe do patamar do ano passado", comentou. Mas além de soja e de milho, outras culturas prosseguem com sinais negativos. Com menor produção, influenciada por preços em baixa, arroz e feijão devem ficar mais caros neste ano no mercado doméstico. (AE)

Jonas Oliveira/Folhapress

Colheita de soja no Brasil prejudicada pelas alterações climáticas do La Niña

Exportação de carne deve aumentar

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ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, afirmou que 2012 será um ano bom para as exportações brasileiras de carnes. Segundo ele, há expectativa de abertura de novos mercados, retomada dos antigos e ampliação do volume embarcado. O ministro considerou importantes as conversas entre governo e o setor privado para discutir possíveis entraves e avançar em determinados mercados. China – Ele citou o caso da China, que no curto prazo pode autorizar embarques de 9 a 16 unidades de bovinos, além de mais 41 em aves. O ministro também comentou que no dia 30 de março irá de novo para a Alemanha, quando espera se reunir com autoridades europeias na tentativa de incluir mais fazendas na lista de exportadores brasileiros para a região. No momento, o Brasil possui 2 mil estabelecimentos credenciados na Europa com um rebanho de cerca de 4,3 milhões de cabeças. (AE)


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O iPad 3 (da Apple) terá um formato semelhante ao do iPad 2, mas contará com processadores mais rápidos e uma tela com maior resolução. John Paczkowski, do site "AllThingsD"

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Fotos: Divulgação

LANÇA PERFUME os salões, o lançaperfume rolou solto, até que foi proibido. Mas tinha espaço garantido na folia e os fabricantes destacavam seus atributos em jornais e revistas. E a Colombina não ficava triste nunca. Coisas do passado...

N NAS RUAS o Rio de Janeiro dos anos 1920 e 1930, o carnaval de rua era tão intenso quanto o dos corsos que desfilavam pela Avenida Rio Branco. Para deleite dos nostálgicos e provocação dos mais novos, o carnaval de rua daquela época não precisava ter abadás nem jogar para escanteio o povo como pipocas humanas. Pobre Salvador deste ano de 2012. Que a paz dos Filhos de Gandhi invada as ruas da Bahia, como naqueles velhos tempos de Rio.

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NOVOS PERFIS

Envie informações para essa coluna para o e-mail: carlosfranco@revista publicitta. com.br

identidade é resultado do uso da tecnologia; ferramentados, que fazem uso dela para facilitar tarefas, mas não são dependentes; fascinados, querem parecer modernos e tecnológicos e consomem as novidades em velocidade; emparelhados, a tecnologia é uma extensão do corpo, que potencializa as suas capacidades; e os evoluídos, que já nasceram no mundo digital e este está integrado às suas atividades. Independentemente desses perfis e do uso ou não de plataformas tecnológicas, o que quer o consumidor quando o assunto é publicidade e propaganda? Quer o que não chega a ser novidade, o homem quer o reconhecimento e precisa para tal da conexão com o outro, é o outro que vai destacálo da multidão, complementá-lo. É nesse objetivo que produtos e serviços entram na vida do consumidor, como facilitadores dessas conexões. E, é também por isso, que compramos roupas novas, nos submetemos – eu não, mas conheço muitos – às cirurgias reparadoras e plásticas ou de redução de peso, tudo em função do outro, de um conceito que não se pode, e é verdade, ser feliz sozinho. A essência da felicidade pode ser bem mais simples e até ingênua como as campanhas de antigos carnavais, os reclames, que ilustram essa página e convidam para um mundo feliz seja ele virtual e, melhor ainda, real. Nas novas plataformas ou nas antigas o que se busca é ser feliz. Evóe, Momo!!!!! Aqui, abrimos ala ao seu reinado.

O CORDÃO

AVENIDA Paulista, em São Paulo, durante o carnaval de 1931.

VENDA Ford, como já sabia desde os anos de 1920 que o homem compra o carro para ganhar mais que mobilidade, respeito dos outros e arrancar suspiros, aproveita o carnaval para dar uma demonstração de que seus carros garantem a presença, forte, nos corsos. Está aí a campanha para vender os carrões da época, com o atributo da alegria. O reclame é de 1926.

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Cordão do Bola Preta sempre encheu de alegria as ruas do Rio. Em São Paulo, décadas depois, artistas e intelectuais lançaram a Banda Redonda. O objetivo é o mesmo: espalhar alegria. Conexões sempre renovadas no virtual e mais ainda no mundo real. O cartaz do Bola Preta sempre foi obra de arte desde 1918, quando o bloco ainda era improvisado.

O O CORSO desfile de carnaval automotivo era uma forma também de mostrar poder. Na Avenida Paulista, dos antigos casarões, os carros desfilavam com foliões fantasiados. Mario de Andrade e a turma da Semana de Arte Moderna de 1922 adoravam essa folia, enquanto na periferia o que prevalecia era o entrudo, o sair vestido de mulher, e

jogar confete e farinha no outro. Uma farra carnavalesca invadindo as ruas, como nessa imagem de 1931 (acima).

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INSPIRAÇÃO nos carnavais medievais

A MÁSCARA nspirada nos carnavais medievais de Veneza, a máscara mais disputada este ano é a usada pelo grupo de hackers autointitulados Anonymous, que estão invadindo endereços eletrônicos de bancos e governos em protesto contra a corrupção. A máscara já começou a aparecer nos blocos e os fabricantes comemoram vendas. É o mundo digital saltando carnavalescamente para o real.

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RECLAME da Ford de 1926 aproveita o carnaval para vender

CARTAZ do Bola Preta sempre foi obra de arte

Apple deve apresentar iPad 3 no começo de março Divulgação

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DM9DDB, agência comandada por Sergio Valente, decidiu entender quem é o brasileiro que consome as ferramentas da era digital e, com isso, oferecer soluções mais eficazes aos seus anunciantes. Com entrevistas e o registro do dia a dia de brasileiros das diferentes classes sociais, dos 8 aos 60 anos, e em diferentes regiões, acopladas à opinião de especialistas, a agência chegou à conclusão de que as mudanças implementadas a partir da digitalização da sociedade, por meio da internet, pouco ou nada têm a ver com sexo, idade ou classe social. O "X" da questão são três novos critérios: quanto e como as pessoas usam a tecnologia em suas vidas, quais as suas intenções e, por fim, até que ponto as novas ferramentas moldam a sua personalidade. Esses critérios relacionados às quatro esferas do uso das plataformas digitais: do indivíduo, dos outros, das instituições e do contexto, resultaram na formalização de perfis digigráficos, mais que perfis demográficos ou psicográficos, estes procuram traçar a identidade do brasileiro diante do uso da tecnologia e sua ingerência no modo de ser e agir. Foi assim que a DM9DDB chegou a cinco perfis: imersos, aqueles cuja

A resolução da tela do iPad 3 é um dos aspectos mais comentados sobre o novo modelo. Muitos se referem a sua tela como "retina display".

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iPad 3 será apresentado pela Apple em um evento na primeira semana de março, em San Francisco. O tablet terá um formato semelhante ao do iPad 2, mas contará com processadores mais rápidos e uma tela com maior resolução. As informações sobre o tablet da Apple foram divulgadas por John Paczkowski, do site "AllThingsD". Ele relata que a tela do iPad 3 terá resolução de 2.048x1.536 pixels "ou algo próximo a isso" – a do iPad 2 tem 1.024x768 pixels – e que tanto o processador principal quanto o chip gráfico serão mais rápidos do que os da versão atual do tablet. O site "The Verge" acrescenta

que o novo modelo será cerca de um milímetro mais espesso e que o chip A6 terá processador de dois núcleos – assim como o A5, que equipa o iPad 2 e o iPhone 4S –, e não quatro. A resolução da tela do iPad 3 é um dos aspectos mais comentados sobre o novo modelo. A versão atual do tablet tem 1.024x768 pixels em 9,7 polegadas – cerca de 132 pixels por polegada. Uma tela do mesmo tamanho e com resolução de 2.048x1.536 pixels teria 264 pixels por polegada, o que, em tese, resultaria em imagens muito mais nítidas – por isso, muitos se referem a ela como "retina display" – termo usado pela Apple para a tela do iPhone 4

e do iPhone 4S (960x640 pixels, 3,5 polegadas, 326 pixels por polegada). O "AllThingsD" tem um bom histórico de divulgação de informações sobre futuros aparelhos da Apple,

diz o site "Redmond Pie" – ele acertou, por exemplo, o mês em que seria apresentado o iPhone 4S. A Apple não confirmou as informações, diz o "AllThingsD". (Folhapress)

Kodak vai deixar captura de imagem

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Eastman Kodak Co. planeja sair do negócio de equipamentos de captura de imagem, que inclui câmeras digitais, câmeras pocket de vídeo e molduras de fotografias digitais, durante o primeiro semestre deste ano, para se focar em seus negócios de impressão de fotos para o consumidor. O movimento deverá resultar em uma economia de mais de US$ 100 milhões por ano, e a Kodak prevê registrar um encargo US$ 30 milhões com a retirada do negócio.

A empresa entrou com um pedido de concordata no mês passado, após ficar sem o dinheiro necessário para financiar uma longa e trôpega reviravolta. Junto com a incapacidade para atrair compradores para suas patentes, a carga de benefícios de aposentadoria, uma economia fraca e movimentos de fornecedores para cortar relações com a companhia, foram citados como as causas do pedido de concordata. (AE)


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ECONOMIA/LEGAIS - 17

e Graça Foster é confirmada na Petrobras Graça Foster é a primeira mulher a chegar à Presidência de uma empresa petrolífera no mundo.

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Eleita pelo Conselho de Administração da estatal, a executiva substituirá o atual presidente, José Sergio Gabrielli. A posse será na próxima segunda-feira.

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Sergio Lima/Folhapress

Petrobras informou que seu Conselho de Administração elegeu ontem Maria das Graças Silva Foster para presidente da Petrobras em substituição ao atual presidente, José Sergio Gabrielli de Azevedo. O atual presidente permanece no cargo até a próxima segunda-feira, quando ocorrerá a posse da nova presidente. Gabrielli também está se desligando do conselho de administração da companhia, que elegeu Graça Foster como nova conselheira. A Petrobras informa que a eleição, conforme dispõem a Lei das Sociedades Anônimas e o Estatuto Social da Petrobras, é válida até a próxima Assembleia Geral de Acionistas. Engenheira química de formação, Graça – como gosta de ser chamada – tem 58 anos. Ela entrou na Petrobras no dia 30 de março de 1981 e passou por vários cargos até atingir o topo da empresa. Primeira mulher a chegar à Presidência de uma empresa petrolífera no mundo, foi também a primeira diretora da Petrobras e uma das pioneiras a trabalhar embarcada em uma plataforma de petróleo no País. Além disso, foi a

Executiva passou por vários cargos na estatal

primeira nas presidências da BR Distribuidora, Petroquisa e Gaspetro, além de ter ocupado cargos de gerência em outras áreas da empresa. A proximidade com a presidente Dilma Rousseff é apontada como um dos pontos positivos da nomeação de Graça, após anos de conflito entre Gabrielli e Dilma por discordarem da maneira de conduzir a empresa em alguns setores. Por enquanto, Graça deverá manter a atual diretoria. A única substituição prevista é a do diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrella.

VOTORANTIM CIMENTOS S.A. CNPJ/MF 01.637.895/0001-32 - NIRE 35.300.370.554 ATA DE ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA EM 23 DE DEZEMBRO DE 2011. 1. DATA, HORÁRIO E LOCAL: 23 de dezembro de 2011, às 12:00 horas, na sede social da Companhia situada nesta Capital, na Praça Profº José Lannes, nº 40, 9º andar, bairro Cidade Monções, São Paulo, Estado de São Paulo. 2. PRESENÇA: Acionistas representando a totalidade do capital social, conforme assinaturas lançadas no livro “Presença de Acionistas”. 3. MESA DIRIGENTE: Marcelo Chamma, Presidente e Walter Schalka, Secretário. 4. CONVOCAÇÃO: Dispensada em virtude da presença da totalidade dos acionistas, conforme facultado pelo § 4º do art. 124 da Lei n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976, conforme alterada (“Lei das Sociedades por Ações”). 5. ORDEM DO DIA: Deliberar sobre (I) a aprovação da 4ª (quarta) emissão, pela Companhia, de debêntures simples, não conversíveis em ações, em duas séries, da espécie quirografária, com garantia fidejussória, para distribuição pública com esforços restritos de colocação, com valor nominal unitário de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) (“Valor Nominal Unitário”), no montante total de até R$1.000.000.000,00 (um bilhão de reais) (“Emissão” e “Debêntures”, respectivamente), em consonância com a Instrução da Comissão de Valores Mobiliários – CVM nº 476, de 16 de janeiro de 2009, conforme alterada (“ICVM 476”), bem como sobre os seus termos e condições, nos termos do artigo 59 da Lei das Sociedades por Ações, e (II) a autorização a ser concedida aos diretores da Companhia para que estes adotem todas as medidas necessárias para a formalização da Emissão. 6. DELIBERAÇÕES: Os acionistas presentes, por unanimidade de votos e sem quaisquer restrições, aprovaram: (I) a Emissão, pela Companhia, de até 1.000 (mil) Debêntures, nos seguintes termos e condições: (a) Valor Total da Emissão: O valor total da Emissão será de até R$1.000.000.000,00 (um bilhão de reais); (b) Quantidade e Séries: A Emissão será realizada em até 2 (duas) séries, sendo até 500 (quinhentas) debêntures da 1ª série (“Debêntures da 1ª Série”) e até 500 (quinhentas) debêntures da 2ª série (“Debêntures da 2ª Série”); (c) Valor Nominal Unitário: O Valor Nominal Unitário das Debêntures será de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) na data de emissão; (d) Forma e Emissão de Certificados: As Debêntures serão emitidas na forma nominativa e escritural, sem a emissão de cautelas ou certificados; (e) Espécie e Conversibilidade: As Debêntures serão simples, não conversíveis em ações de emissão da Emissora, e serão da espécie quirografária, com garantia fidejussória, sem garantia real, nem preferência; (f) Prazo e Data de Vencimento: O vencimento final das Debêntures ocorrerá em 31 de maio de 2018 (“Data de Vencimento”), ressalvadas as hipóteses de resgate antecipado ou de vencimento antecipado a serem previstas no “Instrumento Particular de Escritura da 4ª (Quarta) Emissão de Debêntures Simples, não Conversíveis em Ações, em Duas Séries, da Espécie Quirografária, com Garantia Fidejussória, para Distribuição Pública, com Esforços Restritos de Colocação, da Votorantim Cimentos S.A.” (“Escritura de Emissão”); (g) Remuneração: As Debêntures da 1ª série farão jus ao pagamento de juros remuneratórios equivalentes à variação acumulada de 100% (cem por cento) das taxas médias diárias dos DI - Depósitos Interfinanceiros de um dia, Over Extra-Grupo, expressas na forma percentual ao ano, com base em 252 (duzentos e cinquenta e dois) dias úteis, calculada e divulgada diariamente pela CETIP no informativo diário, disponível em sua página na Internet (http://www.cetip.com.br) (“Taxas DI”), acrescida de uma sobretaxa de 1,09% (um inteiro e nove centésimos por cento) ao ano, com base em 252 (duzentos e cinquenta e dois) dias úteis, calculados de forma exponencial e cumulativa, pro rata temporis, incidentes sobre o Valor Nominal Unitário de cada Debênture a partir da data de emissão ou na data prevista do pagamento dos Juros Remuneratórios das Debêntures da 1ª série imediatamente anterior e pagos ao final de cada Período de Capitalização (conforme definido na Escritura de Emissão) (“Juros Remuneratórios das Debêntures da 1ª Série”). As Debêntures da 2ª série farão jus ao pagamento de juros remuneratórios equivalentes à variação acumulada de 111,00% (cento e onze inteiros por cento) das Taxas DI, calculados de forma exponencial e cumulativa pro rata temporis, incidentes sobre o Valor Nominal Unitário de cada Debênture a partir da data de emissão ou na data prevista do pagamento dos Juros Remuneratórios das Debêntures da 2ª série imediatamente anterior e pagos ao final de cada Período de Capitalização (“Juros Remuneratórios das Debêntures da 2ª Série” e, em conjunto com Juros Remuneratórios das Debêntures da 1ª Série, apenas “Juros Remuneratórios”); (h) Pagamento de Remuneração: Os Juros Remuneratórios correspondentes ao Período de Capitalização serão pagos semestralmente, conforme detalhado na Escritura de Emissão; (i) Prazo de Subscrição: As Debêntures serão subscritas e integralizadas, em uma única data, a qualquer tempo, no prazo a ser previsto na Escritura (“Data de Subscrição”); (j) Preço de Subscrição e Integralização: As Debêntures da 1ª série serão subscritas pelo seu Valor Nominal Unitário acrescido dos Juros Remuneratórios das Debêntures da 1ª Série, calculada pro rata temporis desde a data de emissão até a Data de Subscrição, podendo ser colocadas com ágio ou deságio, a ser definido, se for o caso, no ato de subscrição das Debêntures da 1ª Série e as Debêntures da 2ª série serão subscritas pelo seu Valor Nominal Unitário, acrescido dos Juros Remuneratórios das Debêntures da 2ª série, calculados pro rata temporis desde a data de emissão até a Data de Subscrição; (k) Garantia Fidejussória: Para assegurar o cumprimento das obrigações pecuniárias, principais e acessórias, assumidas pela Companhia na Escritura em decorrência da Emissão, a Votorantim Participações S.A. e a Votorantim Industrial S.A. prestarão fiança em favor dos Debenturistas (“Fiança”), representados na Escritura pelo agente fiduciário, obrigando-se como fiadoras e principais pagadoras dos valores devidos nos termos e condições da Escritura; (l) Atualização do Valor Nominal Unitário: Não haverá atualização do Valor Nominal das Debêntures; (m) Repactuação: Não haverá repactuação das Debêntures; (n) Aquisição Antecipada Facultativa: A Companhia poderá, a qualquer tempo, observadas as restrições impostas pela ICVM 476 e demais disposições aplicáveis, adquirir Debêntures em circulação no mercado, por preço não superior ao de seu Valor Nominal, ou por preço superior ao valor nominal unitário, desde que observadas as regras expedidas pela CVM nesse sentido, acrescido dos Juros Remuneratórios e dos encargos moratórios, se for o caso, observado o disposto no artigo 55, §3º, da Lei das Sociedades por Ações. As Debêntures objeto deste procedimento poderão (i) ser canceladas, devendo o cancelamento ser objeto de ato deliberativo da Companhia, (ii) permanecer em tesouraria, ou (iii) ser novamente colocadas no mercado, sendo que as Debêntures adquiridas pela Companhia para permanência em tesouraria, se e quando recolocadas no mercado, farão jus à mesma remuneração das demais Debêntures que ainda estiverem em circulação; (o) Resgate Antecipado Facultativo: A partir do 25º (vigésimo quinto) mês de vigência das Debêntures, a exclusivo critério da Companhia, as Debêntures poderão ser facultativamente resgatadas, total ou parcialmente, a qualquer momento, por meio de envio ou de publicação de comunicado aos Debenturistas, nos jornais usualmente utilizados pela Companhia para suas publicações legais, bem como mediante envio de comunicação escrita ao Agente Fiduciário com antecedência mínima de 10 (dez) dias úteis, informando: (i) a data do resgate; (ii) a quantidade e série de Debêntures que serão resgatadas; e (iii) qualquer outra informação relevante aos Debenturistas. O valor de resgate será equivalente ao Valor Nominal ou saldo do Valor Nominal, acrescido dos Juros Remuneratórios e dos encargos moratórios, se for o caso, devidos desde a data do último pagamento de juros remuneratórios ou amortização até a data do resgate e acrescido de prêmio sobre o valor de resgate a ser estabelecido na Escritura; (p) Amortização: Valor Nominal Unitário das Debêntures será amortizado em 1 (uma) única parcela na Data de Vencimento das Debêntures; (q) Vencimento Antecipado: Por meio do Agente Fiduciário, os titulares das Debêntures poderão declarar antecipadamente vencidas todas as obrigações objeto da Escritura e exigir o imediato pagamento, pela Companhia, do Valor Nominal Unitário das Debêntures ou do saldo do Valor Nominal Unitário das Debêntures acrescido dos Juros Remuneratórios e dos encargos moratórios, se houver, calculados pro rata temporis a partir da Data de Subscrição das Debêntures até a data do efetivo pagamento, na ocorrência de quaisquer dos eventos de inadimplemento a serem definidos na Escritura; (r) Procedimento de Distribuição: As Debêntures serão objeto de distribuição pública, com esforços restritos de distribuição, sob o regime de garantia firme, com intermediação de instituições financeiras integrantes do sistema de distribuição de valores mobiliários, por meio do módulo SDT, administrado e operacionalizado pela CETIP; (s) Registro para Distribuição e Negociação: As Debêntures serão registradas (i) para distribuição no mercado primário através do SDT – Módulo de Distribuição de Títulos (“SDT”), e (ii) para negociação em mercado secundário através do SND – Módulo Nacional de Debêntures (“SND”), ambos administrados e operacionalizados pela CETIP, sendo a custódia eletrônica das Debêntures e a liquidação financeira realizadas através da CETIP; (t) Distribuição Parcial: Não haverá distribuição parcial das Debêntures, uma vez que os Coordenadores prestarão garantia firme de subscrição e integralização da totalidade das Debêntures, de forma individual e não solidária; e (u) Destinação dos Recursos: Os recursos captados através da presente Emissão serão destinados para investimentos em ativos fixos e em capital de giro. (II) autorizar a Diretoria da Companhia a contratar uma ou mais instituições financeiras autorizadas a operar no mercado de capitais para a distribuição pública das Debêntures e a praticar todos os atos necessários à efetivação das deliberações acima, incluindo, mas não se limitando a celebração, em nome da Companhia, de todos e quaisquer documentos necessários à efetivação da Emissão, bem como de quaisquer aditamentos, termos, anuências e/ou notificações previstos ou necessários, e à adoção, junto a órgãos governamentais e entidades privadas, das providências que se fizerem necessárias à efetivação das medidas aprovadas nesta Assembleia. 7. ENCERRAMENTO: Nada mais havendo a tratar, encerrou-se a sessão da qual se lavrou a presente ata, que lida e aprovada, segue assinada pelos acionistas presentes. (a.a.) Marcelo Chamma e Walter Schalka, respectivamente, Presidente e Secretário. p. VOTORANTIM INDUSTRIAL S.A.: Alexandre Silva D’Ambrosio e João Carvalho de Miranda, diretores; p. INECAP INVESTIMENTOS S.A.: Raul Calfat e Gilberto Lara Nogueira, diretores; p. LATIN AMERICA CEMENT INVESTMENTS LIMITED.: Marcus Olyntho de Camargo Arruda e Nelson Koichi Shimada, diretores. São Paulo, 23 de dezembro de 2011. SECRETARIA DA FAZENDA – JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CERTIDÃO – Certifico o Registro sob o nº 516.376/11-1 em 29.12.2011 (a) Kátia Regina Bueno de Godoy, Secretária Geral.

FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 09 de fevereiro de 2012, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial: Requerente: Rogério Ferreira. Requerido: Bertel Empresa de Segurança Industrial e de Estabelecimentos de Créditos Ltda. Rua da Mooca, 418 - Mooca - 2ª Vara Falências.

Recuperação Judicial Requerente: TR Viagens e Turismo Ltda. Requerido: TR Viagens e Turismo Ltda. Rua Emilio Mallet, 935 - Tatuapé - 1ª Vara de Falências.

Balanço – A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 5,05 bilhões no quarto trimestre de 2011, queda expressiva ante os R$ 10,6 bilhões no mesmo período do ano anterior, informou a empresa ontem. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 14,05 bilhões, ligeira baixa ante os 14,34 bilhões de reais do quarto trimestre de 2010. Sondas – O Conselho de Administração da Petrobras também aprovou ontem a contratação de 26 sondas para perfu-

ração em águas profundas, com prioridade para a região do pré-sal. Segundo uma fonte envolvida no assunto, 21 sondas serão encomendadas à Sete Brasil e cinco à Ocean Rig. A estatal havia aberto a licitação das 21 sondas em junho do ano passado, e apenas a Sete Brasil e a Ocean Rig, do empresário German Efromovich, foram qualificadas. Na reunião de ontem, decidiu aumentar a encomenda. A Sete Brasil é uma empresa formada pelos fundos de pensão Petros, Previ, Funcef e Valia, além dos bancos Santander, Bradesco e Caixa Econômica Federal. A Petrobras tem 10% do capital. A primeira licitação, para um lote de sete sondas, foi vencida pela Sete Brasil, que está construindo as sondas no Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco. O valor de cada unidade atingiu US$ 662,4 milhões – a previsão é de que entrem em operação em 2015. O arrendamento terá custo de cerca de US$ 475 mil por dia para a Petrobras. As sondas terão que ser construídas no Brasil e terão capacidade para perfuração a 3 mil metros de profundidade. (Agências)

Abraham Kasinsky será enterrado hoje

O

corpo do empresário Abraham Kasinsky está sendo velado no Cemitério Israelita do Butantã, onde será sepultado às 12h. Fundador da empresa de autopeças Cofap e da fabricante de motocicletas Kasinski, ele morreu de parada cardíaca, na manhã de ontem na cidade de São Paulo, aos 94 anos. Kasinsky manteve-se na atividade empresarial até os 92 anos, quando, já debilitado, vendeu a indústria de motos mantida em Manaus. Quando decidiu fabricar motos no País em 1999, o empresário, então com 82 anos, foi visto como excêntrico. Na época, recém-saído da Cofap – empresa fundada por ele que chegou a ocupar o posto de maior fabricante latino-americana de

autopeças – o executivo decidiu voltar a apostar no setor produtivo. O raro exemplo de persistência em um ramo similar de atividade aliou-se ao desafio de lançar modelos nacionais em um mercado dominado pelas japonesas Honda, com quase 90% de participação, e Yamaha. Classificado por seus funcionários de workaholic, Kasinsky não conseguia ficar parado. Tocava os negócios de seu quartel-general, na Avenida Pacaembu, em São Paulo. "Ele trabalha o dia todo e ainda leva a mulher para passear à noite", contou uma assessora. Fundador e Conselheiro Emérito do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), ele deixou a viúva, dona Ivone, e dois filhos. (AE)

BNT S.A. C.N.P.J. 60.780.038/0001-56 Relatório da Administração Senhores Acionistas: Em cumprimento às disposições legais e estatutárias, submetemos a vossa apreciação o Balanço Patrimonial, a Demonstração de Resultados, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e a Demonstração dos Fluxos de Caixa, compreendendo o período de 1º de Janeiro a 31 de dezembro de 2011. Em 1º de novembro de 2011, a Companhia alienou para a BMX Realizações Imobiliárias e Participações S.A., o imóvel localizado na Avenida das Nações Unidas, s/nº, objeto da matrícula n.º 345.445, do 11º Registro de Imóveis da Capital do Estado de São Paulo. A referida alienação, juntamente com a remuneração das aplicações financeiras da Companhia, proporcionaram um Resultado Líquido do Exercício no valor de R$ 5.912.932,98. Do resultado líquido obtido em 2011 e após absorção dos prejuízos acumulados no valor de R$ 108.096,50, foi destinada a quantia de R$ 69.840,00 para a constituição da reserva legal (atingindo o limite legal de 20% sobre o capital social). O saldo remanescente será distribuído pela Companhia como dividendos aos seus acionistas. A Administração Demonstração do Resultado em 31 de dezembro de 2011 Balanço Patrimonial Encerrado em 31 de dezembro de 2011 2011 2010 2011 2010 2011 2010 R$ R$ R$ R$ Ativo R$ R$ Passivo Circulante 5.937.802,24 224,42 Receita Operacional Bruta 6.500.000,00 – Circulante 6.692.139,23 576.233,38 0,00 65,76 Impostos Faturados e Outros (237.250,00) – Disponível 6.691.705,92 553.175,41 Contas a Pagar Obrigações Tributárias 201.285,65 55,13 Receita Operacional Líquida 6.262.750,00 – Caixas 7.286,36 189,72 48,00 48,00 Custo dos Imóveis Vendidos (21.411,38) – Bancos 1.527,57 574,32 Obrigações Previdenciárias Obrigações Sociais 1.472,11 55,53 Lucro Operacional Bruto 6.241.338,62 – Aplicações Financeiras 6.682.891,99 552.411,37 Dividendos a Pagar 5.734.996,48 0,00 Despesas Administrativas (163.054,38) (81.085,80) Créditos 433,31 1.646,59 Patrimônio Líquido 754.336,99 576.400,49 Outras Receitas e Despesas 46.427,19 (8.488,41) Impostos a Compensar 433,31 1.646,59 Capital Social (23,60) 181.549,29 349.200,00 349.200,00 Resultados Financeiros Líquidos Estoques 0,00 21.411,38 Reservas de Capital 6.124.687,83 91.975,08 335.296,99 335.296,99 Resultado antes do IRPJ e CSLL Terrenos e Edificios 0,00 21.411,38 Reservas de Lucros: Provisão para IRPJ e CSLL (211.754,85) (54.745,73) Não Circulante 0,00 391,53 Reserva Legal 5.912.932,98 37.229,35 69.840,00 - Lucro Líquido do Exercício Investimentos 0,00 391,53 Prejuízos Acumulados – (108.096,50) Demonstração dos Fluxos de Caixa 6.692.139,23 Total do Ativo 6.692.139,23 576.624,91 Total do Passivo 576.624,91 2011 2010 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido em 31 de dezembro de 2011 R$ R$ Reservas de Capital Reserva de Lucro Resultados Acumulados Fluxo de Caixa das Ativ. Operacionais: Capital Corr. Monetária Outras Reserva Prejuízos Lucros Do Patrimônio Lucro Líquido do Exercício 5.912.932,98 37.229,35 Mutações Do Patrimônio Líquido Social Do Capital Reservas Legal Acumulados Exercício Líquido Baixa de Investimentos 391,53 – Saldo em 31/12/2009–R$ 349.200,00 1.265,56 334.031,43 – (145.325,85) – 539.171,14 Aumento (Red.) nos Ativos Operacionais: Resultado Líquido do Exercício – – – – 37.229,35 – 37.229,35 Contas a Receber 1.213,28 (79,13) Saldo em 31/12/2010–R$ 349.200,00 1.265,56 334.031,43 – (108.096,50) – 576.400,49 21.411,38 – Resultado Líquido do Exercício – – – – – 5.912.932,98 5.912.932,98 Estoques Absorção de Prejuízos Acumulados – – – – 108.096,50 (108.096,50) -– Aumento (Red.) nos Passivos Operacionais: 201.230,52 (112,73) Reserva Legal – – – 69.840,00 – (69.840,00) – Tributos a Pagar 1.416,58 3,30 Distribuição de Dividendos – – – – – (5.734.996,48) (5.734.996,48) Salários, Provisões e Contribuições Sociais Saldo em 31/12/2011 - R$ 349.200,00 1.265,56 334.031,43 69.840,00 – – 754.336,99 Contas a Pagar (65,76) – Notas Explicativas: A elaboração, forma de apresentação e conteúdo seguinte, são demonstrados como Circulante. Os estoques estão avaliados Caixa Gerado pelas Ativ. Operacionais 6.138.530,51 37.040,79 das Demonstrações Financeiras estão em acordo com as disposições da pelo custo de aquisição. c:– Ativo não circulante: Os valores registrados Fluxo de Caixa das Ativ. de Investimento Lei 6404/76 e com as novas práticas contábeis introduzidas pelas Leis como investimentos, são compostos de participações societárias e sua atu- Fluxo de Caixa das Ativ. de Financiamento 11.638/07 e 11.941/09, conforme regulamentadas pelo Comitê de Pronun- alização monetária até o momento de suas baixas. 2–Capital Social:–É Variação no Caixa e Equivalentes 6.138.530,51 37.040,79 ciamentos Contábeis. 1–Principais Práticas Contábeis: a:–Regime de representado por 970.000 ações ordinárias, no valor nominal de R$ 0,36 Saldo Inicial de Disponibilidades 553.175,41 516.134,62 escrituração: É adotado o regime de competência para o registro das muta- cada uma, totalmente integralizado, somando R$ 349.200,00. Saldo Final de Disponibilidades 6.691.705,92 553.175,41 ções patrimoniais ocorridas no exercício. b:–Ativo e Passivo Circulantes: Os Flávio Elias Jabra - Diretor Superintendente Variação no Caixa e Equivalentes 6.138.530,51 37.040,79 ativos realizáveis e os passivos exigíveis, com prazo até o final do exercício Flávia Costa Luz Rodrigues - Téc. Contab. CRC-1SP235117/O-6

PREFEITURA MUNICIPAL DE PEREIRA BARRETO/SP Chamada Pública nº 001/2012 - Processo: 835/2012 RESUMO DE EDITAL Arnaldo Shigueyuki Enomoto, Prefeito de Pereira Barreto, faz saber que se acha aberta a partir das 14:00 horas do dia 13 de fevereiro de 2012, a CHAMADA PÚBLICA nº 001/2012, que tem por objeto a aquisição de gêneros alimentícios da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural, destinados ao atendimento do Programa Nacional de Alimentação Escolar, com dispensa de licitação, lei nº 11.947 de 16/07/2009, resolução nº 38 do FNDE de 16/07/2009. Para maiores informações, os interessados poderão procurar o Dep. de Licitações desta Prefeitura, na Av. Jonas Alves de Mello nº 1.947, pelo fone/fax (18) 3704-8505, ou ainda o Edital completo e seus anexos no site www.pereirabarreto.sp.gov.br. Pereira Barreto-SP, 09 de fevereiro de 2012. Arnaldo Shigueyuki Enomoto - Prefeito.

VOTORANTIM INDUSTRIAL S.A. CNPJ/MF Nº 03.407.049/0001-51 - NIRE 35.300.313.216 ATA DE REUNIÃO DOS MEMBROS DA DIRETORIA, REALIZADA EM 23 DE DEZEMBRO DE 2011 1. DATA, HORÁRIO E LOCAL: 23 de dezembro de 2011, às 10:00 horas, na sede social da Companhia situada na Rua Amauri, nº 255, 13º andar, Cj. “A”, na Capital do Estado de São Paulo. 2. PRESENÇA: A totalidade dos Membros da Diretoria. 3. COMPOSIÇÃO DA MESA: Raul Calfat, Presidente e João Carvalho de Miranda, Secretário. 4. ORDEM DO DIA: (i) aprovar a concessão de garantia fidejussória por meio de fiança da Companhia em favor de sua controlada Votorantim Cimentos S.A., sociedade por ações de capital fechado, com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Praça Prof. José Lannes, nº 40, 9º andar, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 01.637.895/0001-32 (“Votorantim Cimentos”), no âmbito da 4ª (quarta) emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, em até duas séries, da espécie quirografária, com garantia fidejussória, para distribuição pública com esforços restritos de colocação, da Votorantim Cimentos, no montante de até R$1.000.000.000,00 (um bilhão de reais) (“Emissão” e “Debêntures”, respectivamente); bem como (ii) autorizar os diretores da Companhia a tomarem todas as medidas e a praticarem todos os atos necessários à formalização da Emissão, em especial da garantia objeto desta reunião. 5. DELIBERAÇÕES: Após discussão da ordem do dia, que era de prévio conhecimento de todos os presentes, os membros da Diretoria da Companhia decidiram, por unanimidade de votos e sem quaisquer ressalvas e/ou restrições: (i) aprovar, nos termos do artigo 9º, parágrafo 3º, do Estatuto Social da Companhia, no âmbito da Emissão, a concessão de garantia fidejussória pela Companhia à Votorantim Cimentos por meio de fiança, por considerar que a Emissão e a concessão desta garantia em nome da Votorantim Cimentos são de interesse da Companhia; e (ii) autorizar os diretores da Companhia a tomarem todas as medidas e a praticarem todos os atos necessários à formalização da Emissão, em especial da garantia objeto desta reunião, incluindo, mas não se ç da Emissão,, à constituição ç da limitando à celebração dos documentos, contratos e certificados necessários à formalização garantia e à renúncia aos benefícios de ordem e outros previstos na legislação pertinente. 6. OBSERVAÇÕES FINAIS: Nada mais havendo a tratar, foi lavrada a presente ata, que lida e achada conforme, vai assinada pelo Presidente, Raul Calfat; Secretário, João Carvalho de Miranda; e demais Diretores presentes. (a.a.) Raul Calfat, Alexandre Silva D’Ambrosio e João Carvalho de Miranda, Diretores. São Paulo, 23 de dezembro de 2011. SECRETARIA DA FAZENDA – JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CERTIDÃO – Certifico o Registro sob o nº 516.375/11-8 em 29.12.2011 (a) Kátia Regina Bueno de Godoy, Secretária Geral.

T.M. COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA. - CNPJ nº 01.995.614/0001-13 Comunicado de Extravio de Documentos A empresa T.M. Comércio de Informática Ltda., inscrita no CNPJ sob nº 01.995.614/0001-13 e com cadastro na Prefeitura de São Paulo sob nº 2.619.421-0, comunica o extravio dos documentos: a) talonários de 001 a 1.000; b) AIDFs para emissão das Notas, incluindo a AIDF nº 691 de 10/2006; c) Livro de Registro de Recebimento de Impressos Fiscais e Termos de Ocorrências (modelo 57) da Prefeitura de São Paulo; d) Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados (modelo 51) da Prefeitura de São Paulo; e) Documentos diversos relativos à prefeitura de São Paulo e da Receita Federal. São Paulo, 10 de fevereiro de 2012.

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: TOMADAS DE PREÇOS A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para execução de Obras: TOMADA DE PREÇOS Nº - OBJETO - PRÉDIO - LOCALIZAÇÃO - PRAZO - ÁREA (se houver) - PATRIMÔNIO LÍQUIDO MÍNIMO P/PARTICIPAR - GARANTIA DE PARTICIPAÇÃO - ABERTURA DA LICITAÇÃO (HORA E DIA) 70/00046/12/02 - Reforma de Prédios Escolares e Construção de Ambientes Complementares - EE Barão Homem de Mello - Rua Alfredo Pujol, 1555 - Cep: 02017-013 - Vila Bianca - São Paulo/SP - 44,66; EE Rui Bloem - Rua dos Bogaris, 244 Cep: 04047-020 - Mirandópolis - São Paulo/SP - 210 - R$ 120.579,00 - R$ 12,057,00 - 09:30 - 28/02/2012. 70/00107/12/02 - Reforma de Prédio Escolar - EE Amos Meucci - Av. Rui Barbosa, 1628 - Cep: 06311-001 - Vila Caldas - Carapicuíba/SP - 180 - R$ 104.796,00 - R$ 10.479,00 - 10:00 - 28/02/2012. 70/00109/12/02 - Construção de Cobertura de Quadra em Estrutura Mista e Reforma de Prédio Escolar - EE Carlos Roberto Guariento - Rua dos Colibris, 27 - Cep: 09450-000 - Vila Niwa - Rio Grande da Serra/SP - 150 - R$ 40.439,00 - R$ 4.043,00 - 10:30 - 28/02/2012. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital e o respectivo Caderno de Encargos e Composição do BDI, na SEDE DA FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP ou através da Internet pelo endereço eletrônico www.fde.sp.gov.br. Os interessados poderão adquirir o Edital completo através de CD-ROM a partir de 10/02/2012, na SEDE DA FDE, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, mediante pagamento não reembolsável de R$ 40,00 (quarenta reais). Todas as propostas deverão estar acompanhadas de garantia de participação, a ser apresentada à Supervisão de Licitações da FDE, conforme valor indicado acima. Os invólucros contendo a PROPOSTA COMERCIAL e os DOCUMENTOS DE HABILITAÇÃO deverão ser entregues, juntamente com a Solicitação de Participação, a Declaração de Pleno Atendimento aos Requisitos de Habilitação e a garantia de participação, no Setor de Protocolo da Supervisão de Licitações - SLI na SEDE DA FDE, até 30 minutos antes da abertura da licitação. Esta Licitação será processada em conformidade com a LEI FEDERAL nº 8.666/93 e suas alterações, e com o disposto nas CONDIÇÕES GERAIS PARA A REALIZAÇÃO DE LICITAÇÕES E CONTRATAÇÕES DA FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE. As propostas deverão obedecer, rigorosamente, ao estabelecido no edital. JOSÉ BERNARDO ORTIZ Presidente

VOTORANTIM PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ/MF Nº 61.082.582/0001-97 - NIRE 35300023714 ATA DE REUNIÃO DOS MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, REALIZADA EM 23 DE DEZEMBRO DE 2011 1. HORÁRIO E LOCAL: às 09 horas, na sede social da Votorantim Participações S.A. (“Companhia”), situada na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Rua Amauri, n.º 255, 10º andar. 2. PRESENÇA: a totalidade dos Membros do Conselho de Administração. 3. MESA DIRIGENTE: José Roberto Ermírio de Moraes, Presidente; Marcus Olyntho de Camargo Arruda, Secretário. 4. ORDEM DO DIA: A ordem do dia da presente Reunião dos Membros do Conselho de Administração compreende a deliberação para (i) aprovar a concessão de garantia fidejussória por meio de fiança da Companhia em favor de sua controlada Votorantim Cimentos S.A., sociedade por ações de capital fechado, com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Praça Prof. José Lannes, nº 40, 9º andar, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 01.637.895/0001-32 (“Votorantim Cimentos”), no âmbito de sua 4ª (quarta) emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, em até duas séries, de emissão da Votorantim Cimentos, da espécie quirografária, sem garantia real e sem preferência, com garantia fidejussória, para distribuição pública com esforços restritos de colocação, no montante de até R$1.000.000.000,00 (um bilhão de reais) (“Emissão”); bem como (ii) autorizar os diretores da Companhia a tomarem todas as medidas necessárias à formalização da garantia objeto desta reunião. 5. DELIBERAÇÕES: Após discussão da ordem do dia, que era de prévio conhecimento de todos os presentes, os membros do Conselho de Administração da Companhia decidiram, por unanimidade de votos e sem quaisquer restrições: (i) aprovar, nos termos do inciso XI do artigo 8º do Estatuto Social da Companhia, no âmbito da Emissão, a concessão de garantia fidejussória pela Companhia à Votorantim Cimentos por meio de fiança, por considerar que a concessão desta garantia é de interesse da Companhia; e (ii) autorizar os diretores da Companhia a tomarem todas as providências e a praticarem todos os atos necessários relacionados à concessão da garantia anteriormente mencionada, incluindo, mas não se limitando, a celebração dos documentos, contratos e certificados necessários para a sua formalização, à constituição e à renúncia aos benefícios de ordem e outros previstos na legislação pertinente. 5. OBSERVAÇÕES FINAIS: Nada mais havendo a se tratar, foi lavrada a presente ata, que lida e achada conforme, vai assinada pelo Presidente, José Roberto Ermírio de Moraes; Secretário, Marcus Olyntho de Camargo Arruda; e demais Conselheiros presentes. (a.a.) José Roberto Ermírio de Moraes, Presidente do Conselho de Administração; Carlos Eduardo Moraes Scripilliti, Cláudio Ermírio de Moraes, Clóvis Ermírio de Moraes Scripilliti, Fábio Ermírio de Moraes, José Ermírio de Moraes Neto, Luis Ermírio de Moraes, Conselheiros. São Paulo, 23 de dezembro de 2011. SECRETARIA DA FAZENDA – JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CERTIDÃO – Certifico o Registro sob o nº 516.374/11-4 em 29.12.2011 (a) Kátia Regina Bueno de Godoy, Secretária Geral.

RN Bens Serviços de Administração de Bens e Participações Ltda CNPJ Nº 07.344.236/0001-94 Extrato da ata de reunião dos sócios realizada em 26/12/2011 Em reunião realizada em 26 de dezembro de 2011, às 10:00 horas, na sede da sociedade, sita na Avenida Dr. Yojiro Takaoka nº 4.384, Sala 408 AM – Alphaville - Centro de Apoio 1 - Santana de Parnaíba-SP, CEP 06542-001, decidiram os sócios, representando a totalidade do Capital Social, reduzir o Capital de R$ 2.540.000,00, para R$ 10.000,00. A presente redução é feita de conformidade com o art. 1082, inciso II, da Lei 10.406 de 10 de janeiro de 2002. Santana de Parnaíba, 26 de dezembro de 2011. SERVIÇO AUTÔNOMO DE ÁGUA E ESGOTO DE SÃO PEDRO TOMADA DE PREÇOS 03/2012 O SAAESP - Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Pedro, com sede à Avenida Ângelo Franzin, 25, Bairro Santa Cruz, São Pedro/SP, CEP: 13.520-000, torna público, para conhecimento de interessados, que se acha aberta a Tomada de Preços 03/2012, que objetiva a aquisição de materiais hidráulicos, por fornecimento parcelado e a pedido. O edital completo poderá ser retirado das 8:00 às 11:30 e das 13:00 às 16:00 horas, de segunda a sexta-feira. Será exigido cadastramento prévio. Não serão enviados editais pelo correio ou por e-mail. Os envelopes com a documentação e a proposta deverão ser protocolados até às 13:30 horas do dia 01/03/2012, sendo que a abertura dos mesmos será neste mesmo dia, às 14:00 horas. São Pedro/SP, 09/02/2012. Dr. Jorge Eduardo Vasconcellos Zangarini - Presidente.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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e Grécia fecha acordo, mas enfrenta greve geral.

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Recebi um telefonema do primeiro-ministro da Grécia dizendo que o acordo foi alcançado e que foi endossado pelos principais partidos. Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE)

conomia

Olivier Hoslet/EFE

Governo grego atende condição para obter resgate de 130 bilhões de euros da UE e do FMI partidos de coalizão e com inspetores-chefe da UE e do FMI, que deixaram uma questão sensível – o corte de pensões – sem resolução. O f i ci a l – Porém, ontem, após outras negociações, o acordo foi fechado. Venizelos pode informar o fato diretamente para a a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. A confirmação oficial ocorreu na Alemanha: "Há alguns minutos eu recebi um telefonema do primeiro-ministro da Grécia dizendo que o acordo foi alcançado e que foi endossado pelos principais partidos", afirmou o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, em entrevista realizada em Frankfurt. Os detalhes do acordo devem ser votados, a partir de hoje, pelo Parlamento grego. O documento prevê cortes de mais de 3 bilhões de euros em gastos do governo, redução do salário-mínimo em 22% e de benefícios previdenciários. É o preço a ser pago na estratégia de reduzir a dívida do país pa-

Economia da Inglaterra recebe 50 bi de libras

O

Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) decidiu injetar mais 50 bilhões de libras no sistema financeiro, como parte de seus esforços para estimular a frágil recuperação da economia, que continua em risco de voltar à recessão. O banco central manteve a taxa básica de juros na mínima recorde de 0,5% e, como esperado, informou que comprará mais 50 bilhões de libras em ativos – a maioria de bônus governamentais – com o dinheiro novo. O estímulo monetário será uma boa notícia para o governo, que está sob pressão novamente para relaxar um pouco o rigor fiscal após a contração da economia no fim de 2011. Na época, o desemprego chegou ao maior nível em mais de 17 anos. "A política monetária continua tendo um papel crucial para ajudar a economia enquanto o governo cumpre seu compromisso de consolidação fiscal. Ela continua sendo a ferramenta principal para responder às mudanças no cenário econômico", destacou o

ministro das Finanças britânico, George Osborne, em carta ao presidente do banco central, Mervyn King. O BoE surpreendeu os mercados em outubro ao decidir recomeçar seu programa de compra de ativos mais cedo que o esperado, somando 75 bilhões de libras por quatro meses para proteger a Grã-Bretanha da crise da zona do euro. Desta vez, a maioria dos analistas ouvidos pela Reuters previa a injeção de 50 bilhões de libras na economia por um período de três meses. A recuperação britânica, a partir de uma profunda recessão durante a crise financeira de 2008 e 2009, tem sido fraca até agora, e a contração da economia no último trimestre de 2011 gerou temores da chegada de uma nova recessão. Pesquisas recentes, porém, indicaram que as empresas manufatureiras e de serviços começaram o ano com uma força inesperada, e dados mostraram nesta quinta-feira que a produção industrial já se recuperou em dezembro, após a queda dos meses anteriores. (Reuters)

Geoff Caddick/AFP Photo

Estímulo do Banco da Inglaterra busca evitar recessão no país

John Kolesidis/Reuters

Manifestantes convocam para hoje greve contra as medidas de austeridade, firmadas pelo ministro grego Evangelos Venizelos e Christine Lagarde, do FMI.

ra 120% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2020, índice ainda alto, mas que segundo autoridades o governo grego deve ser capaz de suportar. Greve – Começa também hoje uma greve geral de 48 ho-

ras convocada pelas principais centrais sindicais do país em protesto contra as medidas de austeridade. Os novos cortes apoiados pelos líderes políticos gregos deixaram os sindicatos em pé

de guerra. Ilias Iliopoulos, um alto funcionário da central sindical Adedy, que representa o setor público, disse que as manifestações serão realizadas nas proximidades do Parlamento, em Atenas, até domin-

go. Isso deverá colocar uma pressão considerável sobre os parlamentares, que justamente nesses dias deverão analisar e votar as novas medidas de austeridade. Iliopoulos disse que a decisão foi tomada em conjunto com a GSEE, central sindical que representa o setor privado. "Nós realizaremos uma greve geral junto com os funcionários públicos", confirmou uma porta-voz da GSEE. "Nós queremos ver uma implementação real das medidas necessárias pelo governo grego e também o completo compromisso de todos os líderes da Grécia", disse o ministro de Finanças da Holanda, Jan Kees de Jager. A produção industrial grega caiu 11,3% em dezembro, em relação a igual mês do ano anterior, segundo novos dados. (Agências)

Thomas Peter/Reuters

O

s líderes da Grécia chegaram ontem a um acordo sobre reformas e medidas de austeridade para assegurar o resgate e evitar um calote desordenado, segundo fontes do governo. O acordo foi concluído horas antes de apoiadores financeiros da Grécia se encontrarem em Bruxelas. Os parceiros de Atenas na União Europeia (UE) e no Fundo Monetário Internacional (FMI) chegaram a ficar irritados com a falta de um acordo das lideranças gregas sobre os sacrifícios que eles pedem em troca de um resgate de 130 bilhões de euros. As negociações ocorreram intensamente desde a última segunda-feira, com o tempo se esgotando para a Grécia, que tem resgate de títulos do país marcado para 20 de março. O ministro das Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, foi para Bruxelas na noite de quarta-feira sem um acordo completo, após longas negociações com líderes dos três

VITÓRIA DE ANGELA MERKEL – A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, avisou no início da semana que estava perdendo a paciência com os líderes gregos. O recado surtiu efeito e, ontem, acordo entre representantes de partidos foi fechado com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Merkel, porém, não estava em Bruxelas nesta hora, mas apresentando em Berlim a moeda comemorativa de dois euros "Bavaria".

Obama anuncia sanções a bancos

O

presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou que o governo do país fechou um acordo com cinco bancos norte-americanos que estavam sendo investigados por práticas abusivas em relação à execução de hipotecas. As instituições financeiras envolvidas aceitaram sofrer sanções que devem somar cerca de US$ 26 bilhões entre pagamentos em dinheiro e reestruturações de empréstimos. "Chegamos a um acordo histórico com os maiores bancos do país que vai acelerar uma solução para os proprietários mais prejudicados e para algumas das práticas mais abusivas da indústria de hipotecas", disse Obama.

Fa mí li a – Ele acrescentou que o acordo é um bom começo, mas assumiu o compromisso de continuar as investigações sobre abusos na cobrança de hipotecas. "Quero ser claro. Nenhuma compensação, dinheiro ou medida da justiça é suficiente para corrigir o fato de uma família ter seu pedaço do sonho americano retirado por engano de suas mãos." Obama também reconheceu que o acordo não vai solucionar inteiramente os problemas do mercado de moradia, que continua sendo o principal obstáculo à recuperação da economia dos EUA. Os bancos que aceitaram as sanções – Ally Financial, Bank of America, Citigroup, JPMorgan Chase e Wells Fargo – ge-

renciam o pagamento de 55% de todos os empréstimos imobiliários em aberto nos EUA, ou 27 milhões de hipotecas, segundo informações do Inside Mortgage Finance. A maioria dos recursos obtidos com o acordo – cerca de US$ 20 bilhões – será usada para reduzir o montante das dívidas de mutuários cujas hipotecas correm o risco de ser executadas e também para refinanciar os vários empréstimos imobiliários daqueles que estão devendo mais do que o valor de suas próprias casas. O pacto também prevê multas em dinheiro no valor de US$ 5 bilhões, aproximadamente, que devem ser pagas a mutuários, aos estados e ao governo federal dos EUA. Desse

total, US$ 1,5 bilhão deve ser destinado àqueles cujas hipotecas foram executadas entre setembro de 2008 e dezembro de 2011. Segundo informações divulgadas, o Bank of America será o mais afetado, respondendo por US$ 11,8 bilhões das sanções. Em segundo lugar vem o Wells Fargo, que terá de pagar US$ 5,4 bilhões, seguido pelo JPMorgan (US$ 5,3 bilhões), Citigroup (US$ 2,2 bilhões) e Ally (US$ 310 milhões). O Bank of America chegou a acordo paralelo de US$ 1 bilhão com a promotoria de Nova York após ser acusado de ter feito alegações falsas sobre empréstimos garantidos pela Administração Federal de Habitação dos EUA. (AE)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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Nº 404

DCARR

Na próxima semana, a Chevrolet apresentará a nova S10 em Indaiatuba (SP). Enquanto isto, em Ouro Preto (MG), será lançado o novo Peugeot 308.

SPORTAGE FLEX Divulgação

A flexibilização dos coreanos A Kia apresentou seu terceiro modelo bicombustível. O Sportage agora chega por aqui pronto para ser abastecido com etanol ou gasolina. ANDERSON CAVALCANTE

D

epois de alcançar sucesso com a tecnologia Flex nos modelos Soul e Picanto, a Kia Motors do Brasil traz agora o SUV Sportage com motor bicombustível, acreditando que suas vendas apresentarão alta em 2012. A confiança é tanta que já acertaram um contrato de compra de mais unidades para este ano. Além do Sportage, outros modelos da marca registraram filas de espera no ano passado, a do SUV chegou a ser de até 120 dias. Em 2011 foram comercializadas 8.379 unidades do Sportage no Brasil, mas com a novidade apresentada, a marca espera vender 14.200 veículos que já estão acertados com os fornecedores coreanos. O otimismo se justifica já que o Kia Soul qua-

se dobrou suas vendas após receber a tecnologia Flex Fuel. Externamente o Sportage mudou pouco. Basicamente a alteração se resume às novas rodas de liga leve 18 polegadas e ao sistema de LEDs utilizados nas lanternas – menos nas duas versões de entrada. Uma das novidades aplicada no Sportage foi a substituição da direção hidráulica por uma elétrica progressiva. O SUV Flex passa a utilizar o novo motor 2.0 16V com dual CVVT – comando de válvula variável – que entrega 178 cavalos de potência com etanol e 169 cv com gasolina a 6.200 rpm. No modelo anterior, só a gasolina, a potência máxima era de 166 cv. O torque é de 21,4 kgfm se abastecido com etanol e 20,0 kgfm com gasolina, ambos a 4.700 rpm. O Sportage Flex será comercializado em cinco diferentes versões. A de entrada, P525, chega com câmbio manual de seis velocidades (o modelo anterior era de cinco marchas) e custa R$ 90.900. A partir da versão P575, todas têm transmissão automática, também de

seis velocidades. Esta custa R$ 95.400. A versão P586 custa R$ 109.300 e ganha vários mimos, e n t re e l e s , i g n i ç ã o c o m b o t ã o Start/Stop, câmera de ré com visor LCD de 3,5" e já com as luzes de LED nas lanternas. As versões top P587 e P685 ganham equipamentos mais caros. A primeira, com teto solar elétrico duplo panorâmico, custa R$ 114.600 e a outra, com tração 4x4 full-time, R$ 113.400. Rodando – Internamente, o Sportage continua oferecendo muito conforto, espaço e um acabamento bem feito e discreto. O porta-malas oferece espaço para 740 litros de bagagens, podendo chegar a até 1.547 litros com o rebatimento dos assentos traseiros. Sua visibilidade se manteve boa e, apesar de grandalhão, o utilitário é ágil mesmo em vias pequenas, apertadas e com trânsito carregado, comuns na cidade de São Paulo. Na estrada, os 178 cavalos e o bom torque ajudam

bastante, mas com uma ressalva, o motor "grita" muito conforme a aceleração cresce – se o câmbio automático fosse de quatro velocidades isto seria ainda pior, a escolha por seis marchas foi acertada. No mais, a posição de dirigir é alta e os ajustes facilitam para encontrar o melhor posicionamento ao volante.

Com poucas mudanças no design, a principal novidade do Sportage fica no novo motor 2.0 16V dual CVVT, com 178 cv de potência que agora passa a ser bicombustível.

DESAFIO Divulgação

AVENTURA COM O COBALT Nada de modernismos, apenas o que o consumidor precisa. E está dando certo.

E

ste carro, o Cobalt, não tem um design arrojado ou futurista; ao contrário, é conservador, puxado ao clássico, com a traseira deixando um pouco a desejar e as lanternas lembrando o Astra. Enfim, um automóvel médio que, em apenas quatro meses, assumiu seu lugar entre os dez mais vendidos do País e levou, junto com o Cruze, a GM à liderança do mercado nacional em janeiro, deixando na esteira Volks e Fiat. Se vende tanto, deve ter seus motivos. Vamos a eles. Primeiro uma aventura pela ex-rodovia Fernão Dias; agora apenas uma avenida de longa distância, na qual as ultrapassagens são quase impossíveis em vários trechos. Grande parte por causa de motoristas de caminhão, senhores de todas as pistas, trançando por elas com desenvoltura e respeito zero aos demais veículos. Em subidas longas, tomam as três pistas e disputam o posto de mais lento. Atrás, quilômetros de congestionamento. Quando com carrocerias vazias, praticam o automobilismo, como se estivessem no cockpit da Red Bull de Sebastian Vetell. Mas depois de Atibaia, Bragança e Extrema, já em Minas,as coisas melhoram um pouco; dá até para pisar mais fundo, fechar todos os vidros para testar seu silêncio (que é absoluto, não se ouve nem o ronco do motor); e em segundos se atinge velocidades aci-

Com motor 1.4 de 102 cv (etanol) e 97 cv (gasolina), bom espaço para bagagens e bom consumo de combustível, o Cobalt agrada nas ruas e estradas.

ma dos 120 km/h. E aí mora um perigo, convém se armar de cautela e caldo de galinha: pista perigosa. Nisto, a 120 por hora, somos ultrapassados por um Veloster prata, bem próximo de uma subida congestionada de caminhões. O motorista sai em ziguezague entre eles, usa o acostamento e faz ultrapassagens inimagináveis. Uma visão dantesca da irresponsabilidade. Leve e confortável – E agora, 300 quilômetros depois da partida, a estrada está mais livre para o Cobalt mostrar algumas razões de seu sucesso. É grande o prazer de dirigir, com os comandos à mão e pedais bem leves. O motor 1.4 de 102 cv (etanol) e 97 cv (gasolina) responde bem na estrada, o câmbio manual de cinco marchas tem uma relação curta e a sensação de leveza impressiona; parece que o carro flutua no

asfalto e vai decolar em instantes. Mas responde bem nas curvas mais fechadas. Entretanto, talvez a maior das razões esteja gravada no computador de bordo, quando termina a primeira etapa desta viagem de 600 quilômetros: 14.2 quilômetros por litro de gasolina, boa parte do percurso com o ar ligado. Sem dúvida, merece figurar entre os carros mais econômicos do mercado. Outro motivo de sucesso é o porta-malas, com seus 563 litros, o que joga o Logan (até então imbatível nesse quesito, com 510 litros) para o segundo lugar. Também é um carro confortável, com bancos anatômicos; três pessoas viajam com tranquilidade no banco traseiro. O acabamento poderia ser melhor; o excesso de plástico nas portas tira um pouco a nobreza do espaço interno. Outro defeito: o encaixe do

cinto de segurança do motorista é colado no freio de mão. Um incômodo. Mas é um automóvel com um bom custo/benefício, com preços atraentes e bem próximos da concorrência, em especial do Renault Logan e do Nissan Versa. A versão básica, a LS, custa R$ 39.980, já com arcondicionado e direção hidráulica de série. A intermediária, LT, vem com air bags frontais, freios ABS, vidros elétricos dianteiros e detalhes cromados no exterior por R$ 43.780. A top de linha, LTZ, de R$ 45.980, traz ainda rodas de liga leve, faróis de neblina e sistema de som com conexões bluetooth e entrada USB. Todos com câmbio manual. Continuemos então a aventura numa viagem em direção a uma parte da Estrada Real, cortada pelos colonizadores portugueses do Rio de Janeiro aos sertões de Minas Gerais em

busca de ouro, diamantes e outras riquezas. São 167 quilômetros de Belo Horizonte a Conceição do Mato Dentro, cidade histórica no caminho de Ouro Preto a Diamantina. O carro sobe com desenvoltura pela íngreme e linda Serra do Cipó (com seus picos de 1.600 metros) e os freios a disco com ABS respondem com precisão na longa descida. Em Conceição, outros desafios: a cidade é formada em grande parte por ladeiras muito íngremes. Fica nos contrafortes da serra e as ruas são calçadas de pedra (como nas demais cidades históricas). E em algumas delas o Cobalt não sobe; procura-se outro caminho mais suave. O motor mostrou pouca potência em Belo Horizonte, cidade também de sobe e desce. A segunda marcha não responde como deveria. O que prova que seu DNA urbano é para cidades mais planas. Será? Na sequência da viagem, de Conceição do Mato Dentro a Guanhães, ainda na Estrada Real, o Cobalt surpreende: ultrapassa com rara bravura o maior de todos os desafios,

aquele caminho de 71 quilômetros, no começo de asfalto, depois só de buracos e poeira vermelha, dessas que se depositam até na alma. Incrível como este carro, uma máquina de quatro rodas, passa valente por um caminho mais apropriado a quatro patas; e o governo de Minas ainda chama aquilo de estrada. De todo modo, a suspensão do Cobalt passou com méritos pelo pior teste. Ponto para o projeto. Na volta, um susto atrás do outro, pela BR-381 (trecho Belo Horizonte-Vitória), uma das mais perigosas do País. Mas o Cobalt mantém o bom desempenho na estrada e também na volta pela avenida Fernão Dias. Na cidade, um carro ágil, com uma direção hidráulica incrivelmente leve. Na volta a São Paulo, trânsito congestionado, o teste diário de paciência dos motoristas. O Cobalt encerra sua aventura: foram 1.760 quilômetros e o computador de bordo exibe a marca registrada do carro, com 13.8 quilômetros por litro de gasolina. É a soma da leveza com a economia. Luciano Ornelas


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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

tMontevidéu é uma viagem no tempo CAFÉ COM HISTÓRIA Na Ciudad Vieja de Montevidéu, o Café Brasilero foi inaugurado em 1877.

urismo

Com ar retrô e um centro histórico repleto de atrações, a capital do Uruguai merece a visita. Fomos conferir! Fotos: Rejane Tamoto

Rejane Tamoto

E

mbora Punta del Este seja o point no verão uruguaio, a escala Montevidéu também merece uma visita de pelo menos três dias. A capital uruguaia, fundada em 1726, tem carnaval até o começo de março e um ar retrô, com um centro histórico de ruas e praças agradáveis para caminhar, ótimos restaurantes, bares, museus e galerias de arte. A exploração começa pela "rambla", como é chamada a orla de 30 quilômetros do Rio da Prata, que os uruguaios chamam de “Mar del Plata”. É uma das primeiras imagens que se tem da cidade desde o aeroporto. Sempre que quiser caminhar ou sentar para

ver o pôr-do-sol pode ir à rambla. Em alguns trechos, como no badalado bairro de Pocitos, há uma praia onde os uruguaios aproveitam o banho de mar e de sol, praticam esportes e tomam mate. O movimento na rambla vai até o começo da noite no verão, quando o sol se põe às 21h. Durante o dia, reserve tempo para conhecer a cidade a pé. Primeiro, a Plaza Independência, que divide as partes nova e velha e foi inaugurada em 1923. De um lado fica a Avenida 18 de Júlio, que leva para a parte moderna de Montevidéu. De outro, a Ciudad Vieja, o centro histórico da capital uruguaia. Dali cruze o portal de La Ciudadela, erguido pelos espanhóis em 1724. Uma opção é se distrair nas lojas da Calle Sarandi e, depois, seguir até a Plaza da Constituicón (antigamente chamada de Plaza Matriz), onde ficam a Igreja da Matriz e uma feira de antiguidades. Nos arredores, visite as galerias de arte de artistas locais. Desça uma travessa, a Calle Ituzaingó, e entre no Café Bra-

A pé, rumo à Ciudad Vieja, cruze o portal de La Ciudadela e vá até o Teatro Solis (fotos acima, à dir.). Imperdível no centro histórico, o Mercado del Puerto (acima e ao lado) abriga diversos restaurantes.

silero, fundado em 1877, para tomar um expresso ou capuccino. Comer e beber – Também imperdível na Ciudad Vieja é o Mercado del Puerto, que fica na esquina da Perez Castellanos com a Piedras. Nele, há diversos restau-

rantes que servem a “parrilla”, uma mistura de carnes assadas como frango, cortes bovinos, linguiça e chorizo. Uma estratégia comum para atrair clientes é a cortesia de

uma dose de "medio y medio", mescla de espumante doce com vinho branco seco. Outro programa nos limites da Ciudad Vieja está bem ao lado da Plaza Independência, no Teatro Solis, inaugurado em 1856. Tente fazer uma visita guiada durante o dia e escolher um espetáculo para voltar à noite. De qualquer forma, fique para jantar no restaurante anexo, o Rara Avis, um dos mais requintados da cidade. A decoração interna remete a uma pequena versão do teatro, com lustres suntuosos, cortinas vermelhas e um palco onde ocorrem apresentações de jazz. Logo na entrada, o visitante é saldado com champanhe ou uísque de cortesia. Uma boa opção lá é o risoto de "mollejas y caracu" (tipo de glândula bovina), com molho de gorgonzola, ou o ravióli recheado de cordeiro. Tudo acompanhado do vinho da uva local, a tannat, um tinto seco mais encorpado.

Se o clima estiver mais para petiscar, se divertir e ouvir música uruguaia, o lugar certo é o bar Fun Fun, onde artistas locais tocam ao vivo. Aproveite e experimente a “uvita”, outro drinque que resulta da mistura de vinho tinto com vinho do porto e açúcar. Como o lugar enche rápido, é bom fazer uma reserva antes. Para ir à parte nova da cidade, há duas opções. A primeira, o táxi, que tem um custo bem menor em relação a São Paulo. A outra é fazer o city tour regular de três horas, que leva ao Palácio do Parlamento, e aos bairros mais nobres como Prado, Carrasco, Punta Gorda e com destino final o shopping em Punta Carretas. O passeio tem uma parada na Plaza de La Armada, em frente ao Rio da Prata. Uma dica para os fãs de futebol é ir de táxi ao Estádio Centenário, sede da primeira Copa do Mundo, em 1930, e passar umas horas no Museu do Futebol. Prepare as malas e boa viagem!

PARATY URUGUAIA Orla de 30 km é cartão-postal da cidade.

A

partir de Montevidéu são 176 quilômetros até Colônia del Sacramento, outra imersão na história. Fundada no século XVII e disputada durante muito tempo por portugueses e espanhóis, a cidade fica na margem oposta a Buenos Aires. O bom disso é que de Colônia é possível pegar um barco e percorrer 40 km pelo Rio da Prata para chegar à capital argentina. As casas de pedra, parte portuguesas e parte espanholas, foram preservadas e hoje são Patrimônio da Humanidade reconhecido pela Unesco. O charme das construções coloniais contrasta com a agitação de restaurantes, cafés, pousadas, lojinhas e museus que chegam a lembrar a nossa Paraty, no Rio de Janeiro. É possível ir de ônibus regular saindo de Montevidéu, ou contratar um passeio de um dia em uma agência de turismo – que inclui a visita a Colônia Suiza e ao hotel de campo Nirvana. No final, há uma parada no estabelecimento de

RAIO X

Fundada no século XVII, Colônia preserva construções e vielas.

Emílio Arenas, o maior colecionador de lápis do mundo (foto do detalhe), que tem mais de 11 mil unidades de todos os tamanhos e cores. Outra opção é dormir em

Colônia. Isso porque o roteiro de um dia é bem corrido e quase não sobra tempo para almoçar com calma. Se este for o caso, experimente o "chivito", o sanduíche típico uruguaio, com presunto, bacon, carne, queijo, acompanhado de batata bolinha frita. Muralha – O passeio começa quando se cruza a antiga muralha de Colônia del Sacramento em direção à Plaza Mayor. A partir daí, uma viela, a Calle dos Suspiros, convida a um exercício de imaginação porque há duas versões para a

origem de seu nome. Uma diz que os soldados suspiravam pelas prostitutas e outra, de que os suspiros eram de mortes, durante as batalhas. Outro ponto turístico local é a Igreja da Matriz. E se tiver fôlego, suba até o farol do antigo porto para fazer uma foto aérea de Colônia e, depois, compre um tíquete que dá direito a visitar oito museus. Vale a pena conhecer de perto as peças de época, quadros, armamentos, objetos e cenários. Isso, sim, é uma grande viagem no tempo. (RT)

COMO CHEGAR Pela Pluna (www.flypluna.com), bilhetes a partir de US$ 349 ida-evolta. Gol (www.voegol.com.br) e TAM (www.tam.com.br) também operam voos entre São Paulo e Montevidéu. Tarifas sob consulta.

café da manhã, aéreo, traslados, tíquete de ônibus semi-leito, visita das duas cidades, almoço no Mercado del Puerto (sem traslado e bebidas) e cartão de assistência. A partir de US$ 1.065 por pessoa, com saída em 29/3. Tel. (11) 4504-4500, www.flot.com.br.

ONDE DORMIR Radisson Montevideo Victoria Plaza Hotel: www.radisson.com. Localizado na Plaza Independencia e perto de tudo. Diárias para casal a partir de US$ 183,20. Sheraton: www.starwoodhotels.com/sheraton. Perto do shopping de Punta Carretas e com vista para o Rio da Prata. Diárias para casal a partir de US$ 195.

ONDE COMER Cabaña Veronica: Mercado Del Puerto (esquina da Perez Castellano com Piedras), tel. (598) 2915-1901. "Parrilla" e frutos do mar. Rara Avis: Buenos Aires, 652, tel. (598) 2915-0330, raraavis.com.uy. Para um jantar agradável com risotos e massas. De sobremesa, peça o telón de chocolate. Café Brasilero: Ituzaingó, 1447, tel. (598) 2917-2035, www.cafebrasilero.com.uy. Na Ciudad Vieja é a sugestão para um capuccino antes ou depois de visitar galerias de arte e a feira de antiguidades da Plaza Constituicón. Bar Fun Fun: Ciudadela, 1229, tel. (598) 2915-8005, www.barfunfun.com. Para petiscar e tomar a “uvita” enquanto ouve os ritmos uruguaios.

PACOTES Visual Turismo: três noites em Montevidéu, com aéreo, traslados, hospedagem no Days Inn Montevidéu, café da manhã, city tour e cartão de assistência. A partir de US$ 635 por pessoa, com saída em 23/2. Tel. (11) 3235-2000, www.visualturismo.com.br. Flot Operadora: três noites em Montevidéu (London Palace) e duas em Colônia de Sacramento (Posada del Virrey), com hospedagem com

FAÇA AS MALAS Moeda: peso uruguaio. R$ 1 vale 10 pesos.


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A psiquiatra alagoana Nise da Silveira (1905/1999) estudou na cultura Faculdade de Medicina da Bahia. Graduou-se como única mulher entre 157 homens de sua turma e casou-se com o sanitarista Mario Magalhães da Silveira, colega de turma, que a incentivou a desenvolver pesquisas pioneiras no País. Nise tornou-se renomada médica psiquiatra, aluna do suíço Carl Gustav Jung (1875/1971), fundador da psicologia analítica. Enquanto viveu, ela batalhou para humanizar - pela ação da arte - o trabalho dos complexos psiquiátricos do Brasil. As sementes plantadas produziram frutos que continuam se multiplicando.

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Museus mostram vitória da arte contra lobotomia Fernando Gabeira unidade entre o que se fazia dentro e fora dos hospícios. A luta entre unidade e fragmentação é também uma presença constante na obra dos loucos. No pintor Otávio Inácio, um dos mais destacados entre os pacientes do Rio, é o tema central. Ele achava que o ser humano tinha uma parte animal e pintava figuras com patas e pés. Sentia-se dividido entre o lado masculino e feminino e pintava figura com duas faces. Otávio Inácio, segundo conta Luis Carlos Melo, tinha medo de expor suas obras porque achava que todos ressaltariam seu lado feminino, que tentou suprimir na vida cotidiana, casando e tendo filhos. Nise da Silveira não usava a arte apenas para ajudar aos pacientes. Ela gostava de animais e os acolhia, facilitando o contato dos loucos com cães e gatos. Ela recebeu um cachorro doente que foi adotado por um louco. Na medida em que o cachorro melhorava, seu dono também dava sinais de melhora. Num tempo de violência contra os pacientes, o carinho humano mostrou-se também inovador no caso de uma paciente considerada agressiva. No dia em que alguém foi buscá-la para as aulas de pintura, abriu um guarda chuva para protegê-la da garoa que caia. Não deu mais sinais de agressividade. Uma das estrelas do acervo no Rio é a pintora Adelina Gomes. Ela não cumprimentava Nise da Silveira. Mas alguém a viu jogando um beijo, quando a psiquiatra passou por ela. Nise soube da história e passou a beijar Adelina, ao invés de apenas cumprimentá-la. Isto contribuiu para que se expressasse melhor e pintasse quadros admirados em vários lugares do mundo. Quando Nise introduziu animais domésticos no tratamento, os adversários de seu método usaram até o envenenamento de cães, para sabotá-la. O caso mais conhecido de um louco que se tornou artista é o de Artur Bispo do Rosário. Ele era interno da Colônia Juliano Moreira, no Rio. Não teve a ajuda de médicos extraordinários como Nise ou Artur Osório. Sozinho, durante sete anos que estava trancado num cubículo, tentou reconstruir o mundo com materiais que obtinha ali. Desfiava uniformes dos internos e recompunha bandeiras e os lugares por onde passou. Sua obra mais conhecida é o

manto que teceu para usar quando entrasse no céu. O conheci na década de 80 e o entrevistei longamente. Nossa entrevista foi realizada ao longo de um tabuleiro de xadrez que ele mesmo concebeu, criando as figuras e as regras do jogo. Quando o entrevistei, não estava mais trancado. Podia sair para o pátio, onde desfilou com seu manto, diante de pacientes imersos no seu mundo, alheios ao homem de barbicha com a roupa pesada e colorida. O trabalho de Artur Bispo do Rosário é mantido à parte na Colônia Juliano Moreira e representa também uma nova frente das imagens da loucura. Não é aberto ao público mas já foi exposto na Bienal de São Paulo. Tanto os museus do Rio e de São Paulo, que levam o nome de Nise da Silveira e Artur Osório, artífices dessa revolução silenciosa, foram concebidos como museus vivos: os ateliês continuam a funcionar e a produção de obras de arte continua pelo Século XXI. Os adversários agora não são mais a coma insulínica, o choque elétrico e a lobotomia, mas o excesso de medicamentos que mantêm os pacientes dopados. A vitória nunca foi completa. Mesmo porque, no passado, alguns dos grandes artistas como o escultor Lúcio, no Rio, e a pintora Aurora, em São Paulo, foram lobotimizados, depois de revelarem seu talento. Novos artistas sugiram, alguns trabalham até hoje, como Enio Sérgio, cujas imagens serão usadas na camiseta do bloco de carnaval do Centro Psiquiátrico Nise da Silveira, que desfila todos os anos, mesclando pacientes enfermeiros e museólogos e amigos do Museu. Este ano, o desfile está marcado para 16 de fevereiro, no Rio. Há sempre o que comemorar, sobretudo depois dos tempos sombrios, descritos assim por Lúcio, o escultor lobotomizado: "Enfiaram uns ferros na minha cabeça e transformaram a luta do bem contra a mal numa luta de cachorro e gato". Nise da Silveira, morta em 1999, e Artur Osório, morto em 1980 conseguiram impedir que os grandes conflitos mentais se transformassem, pela cirurgia, numa luta entre gato e rato. Esses conflitos produziram museus vivos que, ao lado da obra de Artur Bispo do Rosário expressam um testemunho brasileiro do sofrimento humano e sua transfiguração em arte.

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Acima, a divisão na obra de Otávio Ignacio. As ambivalências humanas, que podem representar o ódio e o afago; o ataque e a conciliação. Meio: Enio Sérgio ainda produz e suas imagens vão animar o carnaval. Abaixo: quadro de Carlos Pertius, considerado um dos grandes artistas revelados.

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U

ma guerra silenciosa entre a expressão artística e a lobotomia percorreu todo o século XX no Brasil. Os troféus da vitória da arte serão mostradas ao público, no Museu Artur Osório, em São Paulo, a ser inaugurado no Complexo do Juqueri. Cerca de 360 mil obras já estão disponíveis, desde 1952, no Museu das Imagens do Inconsciente, no Rio, onde o combate foi comandado pela Dra. Nise da Silveira. Juntos, os dois acervos representam não apenas o registro vitorioso da batalha mas revelam ao mundo, artistas que, apesar da doença mental, impressionaram exigentes críticos de arte brasileiros, como o próprio Osório Cesar, que era psiquiatra, Mário Pedrosa e Ferreira Gullar. Osório Cesar começou seu trabalho em 1923 e se inspirou nas teorias do crítico Herbert Read sobre a educação pela arte. Nise da Silveira, uma estudante franzina, que veio de Alagoas começou em 1925 e foi interrompida por uma prisão durante a ditadura de Vargas. Ela se apoiou na psicanálise, através de seu contato com Carl Jung, ao lado de Freud, um dos nomes importantes na disciplina. Ao examinar os desenhos de seus pacientes, Nise encontrou um grande número de formas circulares. Escreveu para Jung, perguntando se essas formas não eram as mandalas, que, no universo simbólico, representam a unidade e o equilíbrio. A resposta chegou em menos de um mês. Sim havia forças de reconstrução no inconsciente

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Fotos: Reprodução

daqueles artistas e elas se manifestavam através das formas circulares. Nise sentiu-se fortalecida em seu caminho. No início da carreira, condenou as aulas de psiquiatria em que os pacientes eram exibidos como cobaias. E recusou-se a rodar a manivela do choque elétrico, comum na prática psiquiátrica. A pergunta que Nise da Silveira fez a Karl Jung é um bom roteiro, embora não o único, para se abordar o conjunto dessa obra inspirada pelo inconsciente dos loucos. Antes mesmo do encontro de Nise e Jung, o tema já era discutido na Europa. Luiz Carlos Melo, o sucessor de Nise da Silveira, no comando do museu do Rio, afirma num artigo que um novo modo de ver a loucura foi estimulado pelo romantismo, no final do Século XVIII. Na Inglaterra e Escócia os doentes desenhavam e pintavam, apenas para efeito de facilitar o diagnóstico. Segundo Melo, o surgimento do livro de Hans Prinzhorn, em 1922, falando das obras dos loucos de Heildberg, vislumbrou também o potencial estético de seus trabalhos. Artistas como Paul Klee concordaram com a tese. O nazismo, alguns anos mais tarde, por ordem de Joseph Goebels fechou a clínica, associando a produção dos loucos com a pintura moderna, como prova de decadência . Curiosamente, Artur Osório associou os loucos com o surrealismo para acentuar ao contrário de Goebels, a vitalidade da expressão artística dos internos do Juqueri. Os conhecimentos do psiquiatra paulista no campo estético permitiram estabelecer a

O manto tecido por Bispo do Rosário


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Bob Sousa/Divulgação

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cultura

Entenda e aprenda com o mundo obscuro e asfixiante de Kakfa. A peça A Construção, baseada na última obra do escritor checo, não perde a luz. E descarna conflitos do século XXI. Sérgio Roveri

ESCAVANDO TÚNEIS, UMA OBSESSÃO.

E

m uma de suas sessões semanais de terapia, o ator Caco Ciocler, 40 anos, recebeu do psicanalista uma indicação de leitura - o conto A Construção, o último escrito pelo checo Franz Kafka, em 1923, poucos meses antes de sua morte. O tradutor Modesto Carone, um dos maiores especialistas em Kafka no País, refere-se a esta obra como sendo o testamento literário do autor. A leitura do conto, que deveria servir apenas como instrumento de uma discussão limitada às paredes do consultório, evoluiu para algo muito maior e inegavelmente mais público. Nocauteado pelo texto logo em sua primeira leitura, Ciocler decidiu levar o livro para os palcos. Convocou Roberto Alvim, com quem havia trabalhado no monólogo 45 Minutos, para adaptar a obra e novamente dirigilo no espetáculo que entra em cartaz nesta sexta (10), no Espaço Cênico do Sesc Pompeia. No processo de adaptação, Alvim reduziu as mais de 20 páginas do conto original para apenas oito - o que deixou ainda

mais concentrada a sensação asfixiante transmitida por um personagem que, diante de sua obsessão em escavar túneis subterrâneos que lhe sirvam de morada e proteção contra o mundo exterior, tem sua humanidade confundida com a natureza de uma toupeira. "Existe uma grande simbiose entre a personalidade de Kafka e o personagem que ele criou neste conto", diz Ciocler. "Kafka tinha um trabalho burocrático, saiu muito pouco da sua cidade natal. Ele não teve uma vida rica em experiências, escrevia trancado no quarto, sozinho e escondido. Então, esse universo terrível que ele expressou em sua obra era, única e exclusivamente, a expressão de seu universo íntimo". Não é difícil localizar certa convergência entre o trabalho anterior de Ciocler, o monólogo 45 Minutos, e esta montagem atual. Os dois trazem personagens que, quer por suas atitudes provocativas, quer por sua aversão à sociedade, oferecem sérias barreiras ao convívio. Em 45 Minutos, um ator, em troca de teto

O CH

E

TR

A CONSTRUÇÃO QUE DESCONSTROI ... E não são apenas os inimigos externos que me ameaçam. Existem também os que vivem dentro do chão. Nunca os vi, ainda, mas as lendas falam a seu respeito e eu acredito nelas. São seres do interior da terra e nem a saga consegue descrevê-los. Até quem foi vítima deles mal pôde enxergá-los; eles chegam, ouve-se o arranhar das suas garras logo embaixo de si, na terra, que é seu elemento, e já se está perdido. Aqui não importa que se esteja na própria casa, pois o fato é que se está na casa deles.

e comida, se via obrigado a subir ao palco para entreter um público apático e indiferente. Agora, em A Construção, estamos diante de um homem (ou uma criatura?) que, tenso e amedrontado, passa os dias a cavar túneis e esconderijos, sem esconder sua preocupação com invasores, desmoronamentos e o ataque de animais. Mais do que com o corpo, é com sua paranoia que ele parece ocupar os buracos recém-abertos. "Eu sempre achei que as duas peças dialogavam de alguma maneira bastante íntima", diz Ciocler. "Muito provavelmente, o ator de 45 Minutos lia A Construção no camarim antes de entrar em cena. De certa forma, A Construção é uma das possíveis respostas às questões levantadas em 45 Minutos". Ainda que se trate de um monólogo, Caco Ciocler não está sozinho em cena. O diretor Roberto Alvim, com a finalidade de mostrar que a vida pessoal de Kafka e sua obra caminhavam juntas, coloca no palco um segundo ator que, de chapéu e sobretudo pretos, produz uma grande semelhança física com o autor. A peça, de econômicos 40

minutos, reproduz os momentos em que Franz Kafka, doente de tuberculose e internado num sanatório nas redondezas de Viena, se ocupava de escrever justamente A Construção - para conseguir este efeito Ciocler aparece de pijama, debilitado diante de uma escrivaninha e com lápis na mão. "Franz Kafka escrevia praticamente sem revisar seu texto. A própria escrita o conduzia a habitações insuspeitadas, ele não fazia um planejamento antes de escrever", diz o ator. "É isso que tento fazer em cena: deixar que a própria escritura/fala conduza igualmente o ambiente a habitações insuspeitadas. Em função disso, não houve uma grande preocupação em se fazer um estudo analítico ou biográfico de Kafka. Embora eu conheça muito da sua obra e da sua vida, não era isso que estava em jogo". A Construção. Sexta (10). Espaço Cênico do Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93. Tel.: 3871-7700. Sextas e sábados, às 21h. Domingo, 19h. R$ 16.

Fotos: Divulgação

André Domingues

Os gatinhos trágicos

o ano em que se comemora o centenário de Nelson Rodrigues, a obra sempre atual do dramaturgo tem sido motivo de uma série de encenações e releituras. Parte deste movimento tem como endereço o pequeno Teatro de Arena, na região central da Cidade, que vem apresentando, desde o ano passado, clássicos do autor pernambucano. No momento, podem ser vistas ali duas excelentes montagens: O Beijo no Asfalto, com direção de Marco Antonio Braz, nas noites de sexta, e, às quartas e quintas, 17 x Nelson Se Não é Amor Não é Eterno, colagem feita pelo diretor Nelson Baskerville a partir de pequenos trechos de peças de Nelson. A partir deste sábado, (11), mais um clássico de Nelson Rodrigues vem juntar-se a esta amostragem. Também sob a batuta de Baskerville, entra em cartaz Os Sete Gatinhos, texto de 1958 que já ganhou uma versão cinematográfica, em 1980, pelas

mãos do cineasta Neville d'Almeida. Na peça, uma família carioca de classe média baixa, sustentada por um pai que trabalha como contínuo (papel de Renato Borghi) é movida por um único objetivo: fazer com que a filha caçula, Silene, se case virgem em uma cerimônia memorável. Para manter a caçula estudando em um colégio interno, as quatro irmãs mais velhas se prostituem e guardam cada centavo para a festa do casamento. A rotina obsessiva desta família desmorona quando Silene, expulsa do colégio por matar uma gata preta e grávida, volta para casa e confessa que está grávida. (SR) Os Sete Gatinhos. Sábado (11). Teatro de Arena Eugenio Kusnet. Rua Doutor Teodoro Baima, 94. Tel.: 3256-9463. Sábado, 21h. Domingo, 19h. R$ 20.

PERFIL

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O que será que será

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ualquer trabalho biográfico sobre o reservadíssimo Chico Buarque é um feito. Méritos para a jornalista Regina Zappa, que acaba de encarar a tarefa pela segunda vez, no livro Para Seguir Minha Jornada, lançado no final do ano passado. Dessa vez, abriu mão do formato tradicional das biografias em favor de uma espécie de almanaque biográfico. Em vez de buscar grandes depoimentos e confrontar mil versões sobre cada fato, ela concentrou seu trabalho em contar algumas histórias dispersas e revirar um extenso material de antigas publicações sobre o artista, tais como reportagens, entrevistas, artigos, fotos e documentos diversos. A principal fonte consultada por Zappa foi a generosa coleção de publicações sobre Chico da falecida tia Cecília Buarque de Hollanda, que guardou tudo o que pôde entre as décadas de 60 e 80 do século passado. O bom uso desse material deu ao livro um forte sentido coletivo, na medida em que forçou a andarem lado a lado a obra artís-

tica e a sua assimilação pública. É algo semelhante ao que dizem as bem lembradas palavras do teatrólogo José Celso Martinez Correia a respeito da peça Roda Viva, de Chico: "No momento em que, como diretor, releio o texto do autor, este passa a ser meu texto, e o que encontro no texto, ou a propósito do texto, passa a ser do autor". A misteriosa recepção popular segue o mesmo caminho e resulta na mesmíssima conclusão de Zé Celso: "O espetáculo é de todos nós". O tipo de material escolhido por Zappa, somado à própria circunstância explosiva do aparecimento de Chico Buarque, leva a uma grande concentração do livro na década de 60. Os momentos em que esteve mais afastado da mídia, como o seu longo recolhimento após o fim do processo brasileiro de redemocratização política, tendem a continuar obscuros. Contudo, ali, na época em que ele mais produziu e apareceu, a proposta rende muito bem. Fica nítida a impressão de um artista e um país que caminham juntos.

Um grande exemplo disso é a ótima cobertura do vitorioso lançamento de A Banda, no II Festival de MPB da TV Record, em 1966. Entre inúmeros elogios e tentativas de interpretação, a canção ecoa em palavras de cronistas centrais da cultura nacional. Rubem Braga afirma que "A Banda é algo que todo mundo entende e que emociona todo mundo... é uma boa crônica, cheia de poesia". Já Carlinhos de Oliveira diz que "tudo nela é alegria, sensualidade, mas isso repassado de uma tristeza inexplicável". Nelson Rodrigues, por sua vez, literalmente se derrama, em seu estilo inconfundível, contando: "Imaginem vocês que um dia desses entro em casa e encontro minha mulher e minha filha Daniela com os olhos marejados. Acabavam de ouvir A Banda. Dias depois, eu próprio ouvi a marchinha genial. E a minha vontade foi de sair de casa, me sentar no meio fio e começar a chorar". A proposta arejada de Para Seguir Minha Jornada funciona bem, no geral, mas o velho rigor das bio-

grafias tradicionais faz falta em alguns momentos. Os problemas se dão, sobretudo, quando o assunto sai do núcleo central enfocado - e melhor dominado - por Zappa. Um caso claro é a sua descrição do surgimento do lendário samba Pelo Telefone, em 1916: "Quando Donga registrou seu samba Pelo Telefone na Biblioteca Nacional, convertendo-o na primeira música do gênero a nascer oficialmente, Ismael Silva contestou. Disse que a música de Donga era maxixe e não samba, e contra-atacou com Se Você Jurar". Nesse curto trecho, somam-se os equívocos de dizer que Pelo Telefone é o primeiro samba registrado, de esquecer o parceiro declarado de Donga, Mauro de Almeida, e, pior, de por na cena um Ismael Silva que, àquela altura, teria imberbes 11 anos de idade! São deslizes sérios, precisam ser corrigidos, mas, em função da estrutura flexível de almanaque, não arruínam o livro. Enfim, basta o leitor ter cuidado para seguir essa jornada de Chico Buarque com prazer.


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SP, 100 ANOS DE MÚSICA. d

cultura

Exposição traz a história da cidade ao som de sua trilha sonora Rita Alves

Fotos: Alexandre Nunis/Divulgação

Ambiente da mostra Roteiro Musical da Cidade de São Paulo. E os músicos Inezita, Vanzolini, Adoniran e Itamar.

O

luminoso vermelho colocado na Área de Convivência II do Sesc Santana é um convite até para os mais desatentos. A seta com os dizeres "Roteiro Musical da Cidade de São Paulo" aponta para o começo de uma viagem histórica, criada em mais de 100 anos de música composta para a cidade de São Paulo. A aventura pode ser vivida na mostra Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, em cartaz até o dia 1º de abril. Com curadoria do jornalista Assis Ângelo, estudioso da cultura popular, a exposição conta essa história por meio de depoimentos, canções, áudios, discos raros, partituras, fotografias, desenhos, letras, entrevistas e matérias de jornais, que integram o acervo do Instituto Memória Brasil.

22 anos. "São Paulo já foi cantada em três mil músicas e sete mil autores. E o Brás é o bairro mais cantado da cidade", informa. Já quem soltou mais vezes a voz para falar de Sampa foi o músico Itamar Assumpção. "Ele compôs e gravou 27 músicas e o Adoniran Barbosa 26, sendo duas delas para o time dele, o Corinthians", diz. "Na música, a gente encontra todo o comportamento e a vida da cidade." O espaço ainda abriga grandes cúpulas penduradas pelo teto, divididas por décadas. Além das informações contidas em seu interior, o visitante pode ouvir a trilha sonora de cada época. "As crianças saem felizes da exposição. Alguns adultos saem emocionados, chorando", conta Ângelo. "Dois momentos importantes de São Paulo estão na

Nas paredes, curiosidades. Uma delas questiona: "Você sabia que há 40 músicas que se referem ao metrô paulistano?". Outras informações estão guardadas em janelas especiais, localizadas em um ambiente ilustrado por partituras. Diante delas, não hesite em abri-las. Cada uma guarda personagens importantes da música, representados por fotos originais, reproduções de selos e capas de discos e revistas. A trilha sonora é executada assim que a janela é aberta. No interior, os artistas Alberto Marino, Paulo Vanzolini, Inezita Barroso, Zica Bergami, Adoniran Barbosa e Mário Albanese, além de Dionísio Barbosa, Tom Zé e Itamar Assumpção. Segundo o curador, a pesquisa que resultou na exposição já dura

mostra. Um deles trata da Revolução Constitucionalista de 1932. Outro sobre o IV Centenário, comemorado durante o ano inteiro de 1954." Além da exposição Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, é possível participar de bate-papos e shows incluídos na programação. Neste sábado (11), às 21h, e domingo (12), às 18h, a Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo e a Corporação Musical Operária da Lapa apresentam antigos dobrados, marchas e valsas, retrabalhadas sob a direção de Livio Tragtenberg. Sesc Santana. Avenida Luiz Dumont Villares, 579, Santana, tel.: 2971-8700. Terça a sábado, das 10h às 21h. Domingo, das 10h às 17h. Grátis.

No ritmo de inúmeras lembranças

CARISMA

Divulgação

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ma obra de arte inspirou o bailarino e coreógrafo Cristian Duarte a criar a sua própria. O ponto de partida aconteceu graças ao trabalho do escocês Peter Dars, autor da tela The Hot One Hundred, cujo conteúdo mostra uma lista de 100 artistas e obras de sua preferência. A partir daí, Duarte passou a buscar sua centena, exibida a partir desta sexta (10) no espetáculo Hot 100 The Hot Hundred Choreographers, com trilha sonora de Tom Monteiro. A coreografia, feita em parceria com o artista Rodrigo Andreolli, reúne uma série de 100 referências artísticas que marcaram a trajetória de Duarte, que vão do clássico ao pop. Mas não espere assistir e identificar tais influências. O bailarino explica que há apenas nuances do que foi listado. "Este espetáculo não é uma representação de trechos coreográficos de outros artistas, trata-se de um recorte das tendências artísticas que me acompanham. Mostro as nuances de passagem de uma referência à outra, uma certa negociação do corpo e sua memória, mas não as represento de forma figurativa." Vale ressaltar que grande parte das coreografias integrantes da lista foi vista pelo coreógrafo. O que Duarte não acompanhou de

perto, conseguiu conhecer por meio de vídeos disponibilizados na internet. "Trabalho árduo, pois em alguns casos, encontrávamos apenas o coreógrafo, mas não a obra que desejava para a 'hot-lista'. Quando isso acontecia, tínhamos as seguintes opções: escolher outro trabalho, retirá-lo da lista ou buscar o trabalho em outro tipo de acervo. Escolhemos a última opção", esclarece. E é também na rede que o espectador tem a chance de conhecer a lista criada por Cristian Duarte, disponível no site www.lote24hs.net/hot100. Já na sede do Teatro Cultura InglesaPinheiros, na quarta (15) e quinta (16), das 15h às 19h, estudantes de dança e interessados em criação que tenham o corpo como objeto de investigação poderão participar do workshop Lista de Referências – Um Exercício Crítico e Prático (R$ 10). Para participar do evento, o interessado deve enviar um currículo sucinto para o e-mail hot@lote24hs.net. (R A) Teatro Cultura InglesaPinheiros. Rua Deputado Lacerda Franco, 333, Pinheiros, tel.: 3814-0100. Sextas, sábados e domingos, às 20h30. R$ 5. Até 26 de fevereiro.

"Nós amávamos Gary Cooper, Clark Gable e Bing Crosby. Mas eles envelheceram. Cary Grant não."

Saudade do inventor da mocidade Fernando Luiz Mendes Pinheiro

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ssim David Shipman, renomado crítico americano de cinema, resumiu aquele que seduziu multidões durante 34 anos seguidos. Aos 29 anos de idade ele fazia Mãe West cair a seus pés; aos 51 era a vez da belíssima Grace Kelly sucumbir a seu charme e, aos 59, uma irresistível - e 25 anos mais jovem - Audrey Hepburn se derretia por ele no delicioso thriller Charada. Nascido Archibald Alexander Leach, em 18 de janeiro de 1904, na cidade inglesa de Bristol, foi para Hollywood e virou sinônimo de charme e sofisticação. Quando entrava em cena, sua classe fazia com que os demais atores parecessem ter nascido no Bronx. James Mason afirmava que Cary Grant foi o ator mais representativo da belle- époque de Hollywood. Não restam dúvidas. Sua carreira foi extremamente estável, embora ele tenha pensa-

do em encerrá-la no início dos anos 50, por estar desanimado com os papéis que havia feito nos últimos filmes e conjecturando que talvez obtivesse menos sucesso que antes perante o público. Pura bobagem. Desde 1944, o nome Cary Grant sempre foi o primeiro a surgir na tela, não importando quais fossem os atores ou atrizes com quem atuasse. Seu maior sucesso veio em 1959, com Anáguas a Bordo (Operation Pettico at ), mesmo ano do extremamente exitoso Intriga Internacional (North by Northwest), de Alfred Hitchcock. O talento deste grande ator foi se lapidando durante seus 34 anos de carreira. No início, Mr. Grant abusava das caretas e a partir delas construía interpretações onde o mérito se encontrava fundamentalmente no exagero. O amadure-

cimento veio gradativamente e, principalmente a partir dos anos 50, ele foi se tornando um ator quase perfeito e, em muitas ocasiões, um underplayer (termo utilizado quando uma representação é tão natural que parece transcender a ficção). O elo entre estes períodos, algo que o tornou inimitável e insubstituível, era seu maravilhoso senso de timing. Esta virtude, muito copiada mas jamais igualada, consistia no tempo certo entre olhares e falas, além de sutis expressões faciais, onde a popular "deixa" adquire papel fundamental. Assim, Cary Grant se tornou um ator extremamente versátil, com interpretações notáveis tanto em comédias - Levada da Breca (Bringing up Baby, 1938), Inventor da Mocidade (Monkey Business, 1952) -, quanto a dramas - Crise (Cris is ,1950) -, e filmes de suspen-

se/aventura - Interlúdio (Notorious, 1946), Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955). E Mr. Grant não envelhecia. Em Intriga Internacional, a atriz que faz o papel da mãe do personagem de Cary Grant, Jessie Royce Landis, tinha a mesma idade que ele. Absolutamente incrível. No ano de 1966, com o nascimento de sua única filha Jennifer, fruto de seu casamento com a atriz Dyan Cannon - o quarto -, Cary Grant decidiu parar. E jamais voltou. Ele se foi aos 82 anos (19041986). Pode-se desconfiar, no entanto, que São Pedro o chamou receoso de que ele comercializasse sua fórmula da mocidade, protelando por cerca de 20 anos a entrada de clientes no Paraíso.

Fernando Luiz Mendes Pinheiro é diretor da Souza Cruz


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As garrafas e os dias de Gerald Asher

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José Guilherme R. Ferreira

cultura

Salada caprese, na Soggiorno: rúcula, tomate caqui, mussarela de búfala e manjericão. Abaixo, bolinho de abóbora, para acompanhar a cerveja, na Melograno. Fotos: Divulgação

Fome antes e depois da folia Lúcia Helena de Camargo

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ara quem já está planejando o que fará nas folgas de Carnaval, reunimos algumas dicas de bares e restaurantes que oferecem pratos leves e porções para comer antes da balada, drinques refrescantes e algumas opções de sanduíches e pizzas para matar a fome depois da folia. Dupla carnavalesca A Jullia Pizza Bar, localizada na zona norte de São Paulo, inclui no cardápio de bebidas o que chamou de "dupla carnavalesca": caipirosca de uvas, feita de uvas rubi, Itália e Brasil e caipiroska de mexirica morgote com limão (R$ 17 cada). Entre as redondas, sugere para os dias de folia a carnavale, preparada com molho de tomate, mussarela, queijo caciocavallo, alho poró, tomate seco e carne seca (R$ 64 a grande e R$ 45 a pequena). A pizzaria Jullia faz entregas de segunda e terças-feiras até às 23h e de quarta a domingo até as 24h. Fica à Rua Francisca Julia, 465, Santana. Tel.: 2959-5077. Saladas e pizzas Outra pizzaria, a Soggiorno, sugere, para os foliões que querem se alimentar sem peso no estômago, a salada caprese (R$ 23), composta de folhas de rúcula, fatias de tomate caqui, mussarela de búfala fresca, manjericão, azeite e orégano. Se quiser adicionar um pouco de substância à salada, pode ir bem uma quiche Lorraine (R$ 28). Se a fome precisar de uma massa para ser aplacada, pode ser o caso de pedir uma pizza. Aquela que leva o nome do estabelecimento, Soggiorno, é coberta de peito de peru, catupiry, champignon, alcaparras e parmesão. Custa R$ 57 a grande e R$ 38 a pequena. A Originale (R$ 49 e R$ 40) leva mussarela de búfala, queijo brie e presunto cru. Com um

sabor diferente, a Do Chef (R$ 57 e R$ 38) tem como cobertura tomates italianos pelados, mascarpone, alho poró, tomate seco e parmesão. E se a ideia é manter a leveza, opte pela Light (R$ 57 e R$ 38), com finas fatias de carpaccio, alface americana, rúcula, cenoura ralada, palmito, parmesão e molho de carpaccio (à base de alcaparras e mostarda). Ou entre no clima de praia com a pizza Juquehy (R$ 57 e R$ 38), coberta por alface americana, queijo brie derretido, palmito, tomate cereja e molho de mel e mostarda. Há dois endereços da Soggiorno: rua Cerro Corá, 1841, Alto da Lapa. Tel.: 30228783. E Avenida Vênus, 92, Centro Apoio 2, Alphaville. Tel.: 4153-6453. www.soggiorno.com.br

carta de cerveja. Rua Aspicuelta, 436, Vila Madalena. Tel.: 3031-2921. www.melograno.com.br Repor energias Voltou cansado da folia e precisa repor as energias? A padaria Bella Paulista, localizada na Rua

N

enhuma das tendências do mundo do vinho dos últimos 40 anos passaram despercebidas pelo olhar crítico do escritor inglês Gerald Asher. É por isso que o lançamento de seu mais recente livro, A Carafe of Red (University of California Press/2012), está sendo comemorado entre os apreciadores de vinho em todo mundo. Os textos elegantes e antecipadores deA Carafe of Red foram publicados ao longo de sua carreira, principalmente na celebrada coluna Wine Journal, que manteve na revista Gourmet. Reunidos agora, juntamente com alguns ensaios de muita erudição, compõem um panorama dessa indústria que não dispensa emoções. Mesmo resistentes ao tempo, os textos foram devidamente atualizados. Asher, que nos anos 60 importava vinhos para sua Londres natal, continua na ativa, agora como colaborador das revistas Decanter e da The World of Fine Wine. "Lendo seus artigos, constatamos que pouca coisa é realmente nova no mundo do vinho", escreveu Don Winkler no blog i-winereview, querendo dizer que Asher foi pioneiro no registro acurado e na crítica de certas práticas atuais como, por exemplo, a do vinho biodinâmico, a do barricamento excessivo

empreendido por algumas vinícolas e os exageros dos jargões e da cruzada xiíta dos harmonizadores. O mais cativante nos textos de Asher, entretanto, é a maneira com que o vinho circunstancial abraça a perspectiva histórica. Como ele escreve: "A memória que alguém tem de um vinho raramente é um abstração de aroma e sabor. Quase sempre ele parece refletir tão bem um certo contexto que mais tarde nunca temos certeza se lembramos das circunstâncias por causa do vinho ou do vinho por causa das circunstâncias" em que foi apreciado.

José Guilherme R. Ferreira é membro da Academia Brasileirade Gastronomia (ABG) e autor do livro Vinhos no Mar Azul – Viagens Enogastronômicas (Editora Terceiro Nome)

Para entrar no clima Para o "esquenta" antes do baile, a Forneria e Empório de Cervejas Melograno oferece uma respeitável carta de cervejas e porções para acompanhar. No cardápio, é sugerida a hamonização. Alguns exemplos: azeitonas chilenas temperadas vão bem com cervejas Pilsen, dunkel e stout; a copa lombo curado e defumado, com Munchen, weizenbock e rauchbier. Se pedir a porção de bolinha de queijo na cerveja, beba blond ale e pilsen. E para bolinhos de abóbora, pilsen, weizen e pale ale, as mesmas indicadas para bolinho de mandioca e bolinho de mortadela. Já se pedir o filé mignon aperitivo, peça no copo brown ale, dubbel, trapistas escuras. Se preferir o panini Zuchinno (mussarela de búfala, abobrinha grelhada, tomilho e pasta tomates frescos), as cervejas podem ser pilsen, lagers claras. A casa, premiada como a Melhor Carta de Cervejas de São Paulo, pela revista Veja São Paulo montou uma consultoria para estabelecimentos comerciais interessados em oferecer uma

Mergulho pro fundo Aquiles Rique Reis

A Haddock Lobo, na movimentada região da Paulista, pode ser a solução. Aberta 24 horas, oferece sanduíches, saladas, pratos rápidos, salgados, pães e doces. Por ali circulam seis mil de pessoas diariamente, o que garante não apenas o agito, mas também que a reposição dos alimentos é feita rapidamente. Entre os sanduíches, o Mooca (R$ 24,50), que leva peito de peru light, queijo gruyère, requeijão, alface e batata palha. Rua Haddock Lobo, 354, Cerqueira César. Tel.: 3214-3347. www.bellapaulista.com

música vive hoje o momento das vozes femininas. A sensação que se tem é que a cada dia surge outra moça que canta tão bem quanto a que ouvimos há uma semana. As cantoras se valem de seu arsenal de talento e buscam ampliá-lo por meio da busca do lugar incomum, da trilha ainda a ser aberta. Com atilamento feminino, movidas a música, vão à vida. Cantam temores. Demonstram fortalezas... Mulheres músicas, dignas de suas vozes que hão de distingui-las uma das outras. Escrevi este parágrafo ao comentar o CD anterior de Marianna Leporace – ela que agora lança Interior (Mills Records), de onde a água emerge como tema central, como um apelo para que ela conduza ao redescobrimento do desconhecido. Assim, cada canção deixa no ar o cheiro da maresia, o frescor da brisa matutina. É como se cada verso captasse a tensão do vento terral que sopra suave nas noites quentes, trazendo fogo e paixão à vida e ao ventre. No disco, Mariana é sereia perscrutando mistérios, e os instrumentistas, marinheiros enfeitiçados pelo seu canto, unidos na busca. Percebendo os rituais que se descortinam no horizonte, deixando-se banhar na espuma do fundo das marés, entregam-se à música na esperança de que respostas venham à tona. Interior teve direção, produção musical, programações, edição e mixagem a cargo de Paulo Brandão e Emerson Mardhine, assim como deles é a maioria dos arranjos. Um bom trabalho que resulta em alto poder de empatia com quem o escuta. Ar e Vendaval (Yuri Popoff e Alexandre Lemos). Os tambores ressoam nas mãos dos meninos d'A Parede. Alabês arretados trazem as

cordas para a fuzarca. Em meio à folia, Mariana flui serena. Gandaia das Ondas e Pedra e Areia (Lenine e Dudu Falcão). Unidas numa só faixa, têm belo arranjo vocal de Mauro Perelmann cantado pelo trio Folia de 3 (Mariana Leporace, Eliane Tassis e Cacala Carvalho). Ca rro sse l (Emerson Mardhine e Alexandre Lemos). Apenas uma clarineta (Andy Connell) e um violão (Emerson Mardhine) bastam para amplificar a quietude da melodia. Mariana desvela sua intenção em graves e agudos bem colocados. Água, Mãe e Água (João Bosco). A percussão (Murilo O'Reilly) impacta. O baixo (Paulo Brandão) pontifica. Mariana faz duo com ela mesma, arrasa. Convidado a cantar, João Bosco demonstra suas qualidades de cantor diferenciado, brilha. Sereia e Marinheiro (Emerson Mardhine e Etel Frota). Com arranjo de Marcos Alves, o acompanhamento do quarteto de violões Maogani dá força à melodia e sabor aos versos. Como uma irresistível sereia, Mariana canta suave. Perdido no Meio das Ondas(Daniel Gonzaga). O sax (Andy Connell) reforça as notas. A percussão e as programações refletem o brilho das águas navegadas por Mariana e sua voz. Ao final, Vento Bravo, clássico de Edu Lobo e Paulo César Pinheiro. Numa levada diferente da criada por Edu, o arranjo imprime ainda maior ansiedade à música. Ótimo! Em Interior, Mariana usa a voz para navegar na ousadia de se revelar. Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

JAZZ NA HEBRAICA Acima, sanduíche Mooca, da Bella Paulista; a capirirosca de frutas vermelhas da Jullia Pizza Bar. E panini Zuchinno, com abobrinha e mussarela de búfala, da Melograno.

Domingo (12) é dia do pianista Ari Borger subir ao palco com os músicos Humberto Zigler (bateria) e Rodrigo Mantovani (baixo acústico) para o evento Hebraica Meio-Dia. No Teatro Arthur Rubinstein. Clube A Hebraica. Rua Hungria, 1000. Tel.: 3818-8888/89. 12h. Grátis.


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cultura

Preconceito Contra os Brancos Carlos Celso Orcesi da Costa

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uando a lua-de-mel servia para alguma coisa, experimentei cerveja fria num bar ao ar livre no centro de Munique. Acreditava que o hábito alemão de não tomar cerveja estupidamente gelada fosse heresia, como se nós brasileiros tivéssemos mais tradição no assunto. Mudei de opinião e gosto. Por isso pergunto: você leitor, no auge do inverno, prefere degustar um branco recém sacado da geladeira ou um tinto perto da lareira? Vice-versa no verão, o que desce melhor? Na praia às 5 da tarde não desce um malbecão. Como escreveu Luis Ramos Lopes na Revista de Vinhos nº 260 julho/11, disseminou-se o "preconceito de que os conhecedores bebem tintos... começa a gerar-se agora outro ridículo preconceito oposto: o de que os verdadeiros conhecedores bebem brancos". Dialética a explicar: a tese é exagerada, a antítese mais ainda e a síntese deve evoluir. Os brancos estão bem melhores mas não têm a mesma estrutura tânica dos tintos. Acontece que há 20 anos a maioria era apenas bebível, tendia ao amargo (meu pai insistin-

do com o Porca de Murça), ou pior ao ferroso após dois anos de adega. Hoje não sei, preciso vencer a implicância, dizem que o Porca da Real Cia. Velha (R$ 25) é o 2º ou 3º mais consumido no Brasil depois do Periquita. Pelo preço não deve ser nenhum Corton Carlos Magno. Tudo para resumir que o gap de qualidade entre brancos e tintos diminuiu bastante. Relembro alguns degustados em 2010, deixando de lado os Pullignys e Charlemagne não por falta de mérito, mas porque já têm seu patamar... e preço! A lista abre com 1º - Chateauneuf-du-Pape Château La Nerthe 2005, que Fabio, Cesar, eu e esposas abrimos no Marius et Janette em Paris, para acompanhar o bar de ligne grillé en croute de sel, tipo de robalo, pescado na linha, grelhado divinamente em crosta de sal. O M&J na Av. Georges V é dos melhores de frutos do mar da cidade-luz. Naquela noite o respeitado gourmet Jacques Chirac ocupava mesa próxima. Conta-se que, na presidência, chegada a hora do almoço sem que a audiência terminasse, Chirac convidava personalidades e lá iam com os ba-

tedores às altas cozinhas. Coloco o La Nerthe (Roussane, Grenache Blanc, Clairette e Bourboulenc) entre os maiores do mundo, a Grand Cru o importa em pequenas quantidades, preço caro mas condizente com a qualidade (R$ 190). Sei que Marcio provou o bar de linha meses depois. Na sequência sem ordem de preferência: 2º -Angelica Zapata Chardonnay Alta 2008 (ou 2007, 2004 etc.), a grande uva branca mundial nas mãos exemplares del maestro Catena bate a maioria dos Borgonhas 1er. Cru, com perfeito equilíbrio entre fruta e madeira e bom custo benefício a R$ 85 na Mistral (a provar também: 3º o bom Catena simples a R$ 53); 4º - Rolan Alvarinho Colheita Selecionada 2008 (ou 2009), untuoso, cítrico na fronteira com a laranja e ao mesmo tempo complexo, boa surpresa ao preço de R$ 95* na Adega Alentejana. Bom também 5º - o Rolan reserva em torno de R$ 60* (* lembrança tênue; essa loja virtual tem o forte inconveniente de esconder o preço dos vinhos, afugentando o comprador sem tempo); 6º - Pulenta Estate VIII Chardonnay 2008, tomei com especial surpresa

porque já conhecia. Mais tarde li comentário que correspondia ao meu pensamento: "esse vinho melhora a cada ano, agora tem mais balanço e peso a partir do 2006" (saite inglês Berry Bros. & Rudd). Exato! A par do preço convidativo de R$ 58 na Grand Cru. Por fim 7º -Herdade do Esporão Reserva Private Selection 2008 e 2009, com uvas francesas de Bordeaux (Semillon) e Rhone (Marsanne, Roussane), resulta elegante com toque de fruta picante (tipo abacaxi), ótima acidez e estrutura (R$ 120 Qualimpor, R$ 119 Rei do Whisky). Opção mais em conta e recompensadora é o 8º Esporão Reserva da mesma casa do Alentejo, com uvas portuguesas (Antão Vaz, Arinto e Roupeiro), cristalino e cítrico com sutil carvalho e preço em torno de R$ 74. Qualquer desses brancos (não gelados demais), apetecem como bons tintos, se não mais, em razão do clima quente, seja agora no verão chuvoso, seja no verdadeiro verão que promete chegar logo mais no outono. O mundo dá voltas, desta vez são os brancos a reclamar contra o preconceito!

A mais antiga das bebidas Armando Serra Negra

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uer tomar uma boa cerveja? Outra melhor? E mais outra... Então vá ao Cerveja Gourmet várias vezes! Torne-se habituée, conheça-o devagarinho, não vá com muita sede ao copo. Iniciado ou não nos mistérios e segredos da mais antiga das bebidas, isso acontecerá de qualquer jeito. Tijolinho a vista, madeira claro, mesinhas altas e largo balcão, simpático é o que se interpõe entre o salão e a calçada, anteparo de comidinhas e bebidinhas em alegres conversas vis-à-vis. Ótimo para trocar as sensações experimentadas em goles, e até dividir mais opções (e a conta?) com quem acaba de conhecer... More perto, more longe, 250 rótulos esperam, alçados sensorialmente pelos proprietários às prateleiras de um grande e painel expositor, do melhor que 4.000 anos de evolução tecnológica conseguiu obter. O Código de Hamurabi (1700 a.C.) estabeleceu regras de comercialização, fabricação e consumo de cerveja na Mesopotâmia, cantada em hinos à deusa sumeriana Ninkasi mil anos antes, quando importada do Egito. Paradigma dos códigos de leis,

Fotos: Newton Santos/Hype

Cerveja Gourmet: 250 rótulos à espera para serem degustados em uma, duas, várias visitas.

como deveria servir a eloquência simples e criativa do cardápio elucidativo: Vivas / Suaves / Trigo / Sutilmente Doces / Amarguinhas / Escuras / Potentes. Enaltecendo as nacionais, surpreendem as "vivas" favoritas. Frescas e suaves como o chope (Bamberg, R$ 6,90; garotinho, R$ 4,60), a grande novidade é refermentada na própria garrafa, e não pasteurizada. "Chegam refrigeradas direto para a geladeira, e daí para a degustação",

apresenta o expert Fernando Fares. Coruja Extra Viva (R$ 35,80 /1 litro), Abadessa Export (R$ 27 / 750 ml), Opa Viva (R$ 16,90 / 600 ml); das mais pontentes, aponta a Wals Quadrupel (R$ 25,50 / 360 ml / 11º vol) com a porção de malte quadriplicada. Engarrafada, a pasteurização aquece a cerveja até uma temperatura muita alta, resfriando rapidamente em seguida: o choque térmico neutraliza a ação dos

fermentos e liofiliza a água, aumentando a validade em detrimento da consistência (fica mais espessa) e do sabor. As comerciais também reduzem a quantidade de cevada e malte, em prol de cereais não-maltados como o milho, barateando a produção. "O resultado são as fórmulas grosseiras a que estamos acostumados", sublinha Fares. Talvez o avanço das artesanais tenha contribuido para que o

crescimento de vendas das populares em 2011 tenha sido de apenas 2,3% em relação a 2010 segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) – quando o índice apresentado foi de 17,8% em relação a 2009 (Diário do Comércio, 01/02/12). Dessas, a única utilizada no Cerveja Gourmet, portanto, é a Malzbier, como base do molho dos bolinhos de carne na cerveja

Danuza Leão, tão simples assim? Renato Pompeu

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erto de completar 80 anos de idade no ano que vem, a jornalista da imprensa e da televisão e escritora capixaba radicada no Rio de Janeiro Danuza Leão, que na juventude foi modelo e atriz, e que viveu grande parte de sua vida entre o glamour proporcionado pela convivência com a irmã, a falecida cantora Nara Leão, e o ambiente de luxo e poder proporcionado pelo marido, o também falecido jornalista e empresário Samuel Wainer, agora, no recém-lançado livro É tudo tão simples, publicado pela Agir, divulga aforismos sobre o bem-viver e sobre a sensação de liberdade e de conforto desencadeada pela despreocupação em ostentar riqueza. Acima de tudo, ela mostra que tem luz própria, e não apenas por ser há décadas uma das mais bem conhecidas socialites do Brasil. Afinal, esse é o seu oitavo livro e, como colunista de jornal, ela se tornou uma das mais influentes formadoras de opinião do País, não só sobre etiqueta, ramo em que é a principal especialista brasileira, mas, principalmente, sobre a sabedoria de bem levar a vida. No novo livro, a partir de sua rica vivência de quem conviveu de perto com os bemnascidos, com os muitos ricos e com os poderosos, ela constata que o luxo e a badalação não trazem felicidade e, como comportamentos, são até mesmo vulgares. Como diz o próprio título da obra, hoje ela prega a mais extrema simplicidade em tudo na vida, desde os arranjos de mesa – para quê tanta prataria, ela pergunta – até o modo como um gay deve sair do armário. Mas será que o que ela aconselha é tão simples assim? "Ter cara de rica envelhece", diz Danuza Leão, mas como os recémchegados à classe alta e à classe média alta vão se sentir seguros nos novos meios sociais que frequentam sem que se imponham à admiração pública por ostentarem riquezas? Será que é tão simples

assim passar as horas de lazer simplesmente conversando na sala de estar com pessoas amigas sobre assuntos profundos ou mesmo banais, ao invés de viver noites extravagantes? A rigor, o aprendizado da simplicidade é muito difícil e complicado. Ela aconselha, por exemplo: "Num feriado chuvoso, tome coragem, abra todos os armários da cozinha e jogue fora, sem medo, tudo que você não usa, verdadeiramente, tipo aquele ralador de gengibre comprado em Los Angeles, durante a Copa nos Estados Unidos (...). Todos os eletrodomésticos que nunca foram usados, não são nem nunca serão, vão para o lixo, sem piedade, e os que estão quebrados e não têm conserto, também. Por que você, que mora só, tem de ter uma batedeira?" Isso é tudo muito importante para quem quer viver uma vida autêntica, não quer ser consumista e não quer causar danos desnecessários ao meio ambiente. Mas será que é assim tão simples para quem veio da classe média e acabou de ingressar na classe alta? Afinal, os próprios psiquiatras e psicoterapeutas afirmam que fazer compras é uma das atividades mais terapêutica e que mais proporcionam um bem-estar emocional, ainda que temporário e ilusório. As pessoas sabem que dinheiro e objetos de luxo não trazem felicidade, que só é proporcionada pelo amor, pela amizade, e por se estar bem consigo mesmo. Mas as pessoas também pensam que, para encontrar pessoas que as amem ou que dela sejam amigas, o dinheiro e os objetos de luxo são polos de atração. Assim, os conselhos que Danuza Leão dá, sobre como se levar uma vida realmente autêntica, proveitosa e satisfatória, não são tão simples quanto parece. Viver uma vida simples é uma tarefa complexa e, entre a maioria das pessoas, é uma aspiração que só se adquire com o tempo e com a maior experiência de

vida. Afinal, se tudo fosse tão simples, os conselhos de Danuza Leão não seriam tão necessários quanto são. Por tudo isso, o livro deve ser lido com atenção, especialmente pelas mulheres, como manual do bemviver que é. Senão, vejamos: "E vamos deixar claro: o dia da mulher – e só o dela – merecia ter quatro horas a mais, para dar tempo de ler os jornais, os e-mails, fazer esteira, caminhar, arrumar o cabelo, a maquiagem, tuitar, conversar com os filhos, fazer charme para o namorado ou o marido, até mesmo trabalhar, tudo sem angústia ou culpa. Que mundo mais injusto". Às vezes, até mesmo essa especialista em bem-viver tem dúvidas: "Em viagem, eu gosto de não 'ter que' nada, e sempre prefiro os bons momentos que tenho comigo a ver a mais fantástica obra de arte de um país remoto. Não sei se estou certa ou errada, e não estou dando conselhos. Cada um sabe o que privilegiar e fazer o que gosta de verdade, não indo nunca pela cabeça de ninguém, nem pela minha". Pois os antigos já diziam: "E isto acima de tudo: sê fiel a ti mesmo".

preta (R$ 17,50). Distinção às bolachas, tulipas, taças e copos com o leão rampante da casa impresso, detalhe mais e mais negligenciado pelos bares, na arte de bem receber. Cerveja Gourmet. Rua Tito, 400. Vila Romana. Tel.: 36750761. Horário: segunda a sexta, das 9h às 23h; sábado das 9h às 20h. Não aceita cheques. www.cervejagourmet.com.


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A sobrancelha que vale por mil palavras

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cultura

Fotos: Paris Filmes/Divulgação

Lúcia Helena de Camargo

OSCAR

Não será grande surpresa se o filme mudo O Artista for o grande ganhador nesta edição do Oscar, cujas estatuetas serão entregues na noite do domingo, dia 26. Os nove concorrentes a Melhor Filme, porém, têm chances reais de vencer, com a possível exceção de Árvore da Vida, um pouco rebuscado demais para o gosto da Academia de Hollywood.

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Coadjuvantes

O

cinco atores coadjuvantes concorrentes este ano não são iniciantes. O menos conhecido é Jonah Hill, que atua ao lado de Brad Pitt em Moneyball - O Homem que Mudou o Jogo. Os demais são veteranos: Kenneth Branagh, por Sete dias com Marilyn; Nick Nolte, por Guerreiro; Christopher Plummer, por Toda Forma de Amor e Max von Sydow, por Tão Forte e Tão Perto, cuja estreia está prevista para a sexta (24), na semana da festa do Oscar.

e O Artista, que nesta sexta (10) estreia no Brasil, fosse falado, provavelmente não estaria concorrendo ao Oscar de Melhor Filme, já que existe uma categoria específica para longas rodados em outros idiomas diferentes do inglês: a de filme em língua estrangeira. Mas em razão da ousada escolha do diretor Michel Hazanavicius – que além de mudo decidiu fazê-lo em preto e branco – está entre os favoritos para levar a premiação máxima da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e obteve o total de dez indicações, incluindo o de melhor ator para o protagonista, Jean Dujardin. A narrativa é descomplicada, como convém à ambientação no final dos anos de 1920, na cidade do cinema, Los Angeles. O ator de filmes mudos George Valentin (Dujardin) é a estrela da época – bonito, famoso, invejado pelos homens e cobiçado pelas mulheres. O acaso o leva a conhecer Peppy Miller (Bérénice Bejo), dançarina com aspirações a atriz. Uma foto de ambos juntos no jornal traz fama instantânea à moça. Naqueles tempos como hoje, aparecer na mídia ao lado da celebridade do momento pode ser útil à carreira artística do iniciante. E a moça acaba sendo contratada para atuar em um filme com Valentin. Há um certo encantamento de um pelo outro. Porém, não vão além da troca de olhares e uma dança. É a época do surgimento do cinema falado. Os estúdios começam a produzir filmes com diálogos. Enquanto Peppy cresce de importância em Hollywood, Valentin se recusa a embarcar no evento. Sempre na companhia de seu cão, ele vê seu nome cair no esquecimento do público. A cena emblemática se dá quando o melancólico ator, nas

Sons e efeitos Nas categorias técnicas, se sobressai Transformers: O Lado Oculto da Lua (foto), aventura adolescente com Shia LaBeouf, Rosie Huntington-Whiteley e Patrick Dempsey no elenco, que continua a saga dos robôscarros. O filme está na disputa por Melhor Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Visuais. Os Homens que Não Amavam as Mulheres; Drive; Planeta dos Macacos; A Invenção de Hugo Cabret e Cavalo de Guerra correm junto pelos mesmos prêmios.

de Melhor Filme - Musical ou Comédia, Melhor Ator (Musical ou Comédia) para Jean Dujardin e Melhor Trilha Sonora (de Ludovic Bource), O Artista está entre os favoritos para levar o Oscar este ano não apenas por ser absolutamente diferente de tudo que se viu nas telas nos últimos tempos, sem carecer de um único efeito especial, 3D ou qualquer parafernália. O principal talvez seja atender à expectativa de um público que hoje busca ver na sala escura somente uma bela história, quiçá de amor, bem contada. Bérénice Bejo concorre ao prêmio de atriz coadjuvante. Mas se Academia quisesse ir um pouquinho além na ousadia poderia indicar para ator coadjuvante Uggie, cão da raça

Jack Russel Terrier que contracena com Dujardin e é excelente ator. O simpático cachorrinho participou, juntamente com o elenco, de festas e foi das figuras mais fotografadas no tapete vermelho do Globo de Ouro. Nestes tempos em que grande parte dos animais nos filmes são criações de computação gráfica, a atuação de Uggie seria a oportunidade perfeita para a inclusão no Oscar da categoria de Melhor Animal em Cena. O Artista (The Artist, 2011, França/ Bélgica, 100 minutos). Direção: Michel Hazanavicius. Com Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Joel Murray, Bitsie Tulloch, Ken Davitian, Malcolm McDowell.

Jedis voltam à tela grande, agora em 3D.

Animações A disputa na categoria Melhor Animação, que a cada ano ganha mais prestígio em razão do aumento na sofisticação das produções, chega na reta final com cinco concorrentes: Rango (foto), o divertido filme sobre o pacato cowboy – na verdade um lagarto – que vira herói quase por acaso; a fraca continuação Kung Fu Panda 2; Gato de Botas, com voz de Antonio Banderas; o francês Um gato em Paris e o espanhol Chico & Rita, fábula sobre um pianista e uma cantora. As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne, de Steven Spielberg, que embora vencedor do Globo de Ouro, ficou de fora do Oscar por não se enquadrar exatamente em animação, segundo os critérios da Academia de Hollywood.

escadarias do cinema, é parado por uma senhora que está apenas interessada em ver o cachorro. A interpretação é o grande trunfo do longa. Dujardin consegue, com um arquear de sobrancelhas, transmitir mais expressão do que Arnold Schwarzenegger em toda a carreira. Em entrevistas que concede mundo afora, o ator costuma brincar que suas sobrancelhas "possuem vida própria". O que nem ele nem ninguém esperava era que a empreitada desse tão certo. A única vez que filmes mudos ganharam nas categorias de melhor filme e melhor ator no Oscar foi no primeiro ano da premiação, em 1927/1928. Vencedor do Globo de Ouro 2012

E

mbora não seja dos filmes da série mais admirados pelos fãs, Star Wars Episódio I - Ameaça Fantasma está sendo relançado, agora no formato 3D. No elenco estão Liam Neeson, Ewan McGregor, Natalie Portman, Jake Lloyd, Ian McDiarmid, Anthony Daniels, Kenny Baker, Terence Stamp, Samuel L. Jackson, Frank Oz, Ray Park, Ahmed Best, Keira Knightley. Um time de feras, reunido em 1999 pelo diretor George Lucas, criador da saga, para voltar no tempo e contar como tudo começou. Com 131 minutos de duração, o longa se situa 30 anos antes do filme original Star Wars, o Episódio I. Apresenta Anakin Skywalker, garoto que possui poderes especiais dos quais ainda nem suspeita. O rapaz depois se transformará no maligno Darth Vader (um dos personagens mais populares e imitados de todos os tempos, com sua voz de trovão que sai pela máscara). Já Obi-Wan Kenobi, o velho e sábio Jedi da série original, é um jovem e determinado aprendiz e Palpatine, conhecido como o maligno Imperador, é um ambicioso Senador da República Galáctica. Os Cavaleiros Jedi são os guardiões da paz numa galáxia turbulenta e a jovem Rainha (Portman) luta para salvar seu povo. Nas sombras, uma força maléfica está à espreita, esperando o momento certo para atacar. A despeito de críticas que vêm recebendo as produções adaptadas para o formato, o

estúdio Fox garantiu que o processo de conversão para o 3D foi feito "de forma meticulosa", supervisionado pela própria empresa de George Lucas, Industrial Light & Magic. Fenômenos paranormais Já os fãs de terror e suspense têm seu programa para o final de semana em O Despertar (The Awakening, 2011, Reino Unido, 107 minutos). Na direção, Nick Murphy. Com Rebecca Hall, Dominic West e Imelda Staunton no elenco. Em 1921, a Inglaterra sofre com as perdas e o luto deixados pela I Guerra Mundial. A cética Florence Cathcart (Hall), especialista em desvendar fenômenos paranormais, é chamada para visitar um pensionato e explicar as visões do fantasma de uma criança. O caso, porém, colocará em dúvida tudo aquilo em que acredita. Duas vezes Sandler Entra em cartaz também a comédia Cada um Tem a Gêmea que Merece (Jack and Jill, 2011, Estados Unidos, 91 minutos). Com direção de Dennis Dugan,

Fox Film/Divulgação

Fotos: Divulgação

Roteiros

A lista de filmes que disputam este ano na categoria de Melhor Roteiro Original reúne algumas das produções mais interessantes dos últimos tempos. Além do sucesso Meia Noite em Paris, de Woody Allen, estão Margin Call O Dia Antes do Fim, com Zachary Quinto (foto), sobre o início da crise financeira nos Estados Unidos. E o iraniano A Separação.

Jean Dujardin é a estrela de O Artista, filme mudo em preto e branco indicado em dez categorias do Oscar.

roteiro de Steve Koren e Robert Smigel, traz Adam Sandler como Jack Sadelstein, um publicitário de sucesso que mora em Los Angeles com sua bela esposa (Katie Holmes) e filhos. Ele possui uma irmã gêmea, cuja visita pode ocorrer em diversas ocasiões. E ele teme. Para seu alívio, ela fica vários anos sem aparecer. Até um certo dezembro. Jill (também Adam Sandler) vai passar o feriado de Ação de Graças com o irmão. A carência e a atitude passivoagressiva de Jill enlouquecem Jack, transformando sua vida, normalmente tranqüila, no mais completo caos. O longa é dos

mesmos produtores de Esposa de Mentirinha e Gente Grande.. No mesmo estilo. Documentários E o Cine Olido exibe, de terça (14) a quinta (16) uma seleção de documentários brasileiros que retratam as minorias formadas por grupos excluídos e marginalizados da sociedade. Abre a mostra o filme O Aborto dos Outros (dia 14, 17h), de Carla Gallo. O longa acompanha diversas situações de aborto, alguns previstos por lei ou autorizados judicialmente, feitos em hospitais públicos, e situações de abortos clandestinos. Galeria Olido. Av. São João, 473, Centro. Tel. 3331-8399. Ingresso a R$ 1. www.prefeitura.sp.gov.br/cultura

DC 10/02/2012  

Diário do Comércio

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