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DESMASCARADOS Reprodução

Humberto Caporalli (o Humberto 'Baderna' do Facebook) e Luana Lopes são acusados de vandalismo. Dizem que filmavam o quebra-quebra. J.Duran Machfee/Futura Press

Adriano Lima/Brazil Photo Press

BALA DE BORRACHA PARA APAGAR VANDALISMO Ano 90 - Nº 23.975

Conclusão: 23h55

Jornal do empreendedor

www.dcomercio.com.br

R$ 1,40

São Paulo, quarta, 9 de outubro de 2013

Jorge Silva/Reuters

Vândalos de manifestações terão agora tratamento especial: se depredarem, serão alvo de balas de borracha; se presos, Lei de Segurança Nacional neles. "Passaram dos limites", diz o governador Alckmin. Pág. 9 Sérgio Lima/Folhapress

A agora socialista Marina Silva: defesática A ex-senadora explica sua adesão ao PSB. Diz não ser "vingança" por uma suposta sabotagem contra a sua sigla, a Rede. "Foi um ato em legítima defesa da esperança, a esperança de ver que é possível fazer uma aliança programática". Pág. 5

Superpoder a Maduro para caçar "corruptos" Corruptos, para Maduro (foto), são alguns opositores. Caça e eleição coincidem. Pág. 8

Leonardo Soares/Folhapress Marcos Brindicci/Reuters

Din-don. Olha o chocolate!

Ore por mim, Argentina Cirurgia de Cristina bem-sucedida. Pág. 8

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Tem Volpi no MAC-USP O museu recebeu quatro obras de Alfredo Volpi. Entre elas, Nu de Judite (foto). Pág. 11

A campainha é a mesma, mas os 15 mil vendedores agora entregam em domicílio produtos da multinacional Nestlé. Pág. 13


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Quase tudo que se possa dizer agora, com relação ao futuro, são apenas conjeturas ou sentimentos. José Márcio Mendonça

PODE SER QUE SIM, PODE SER QUE NÃO. :Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

uem, como bom engenheiro de obras feitas, tenha dito ou venha a dizer que sabia ou sequer desconfiava que o governador Eduardo Campos e a ex-senadora Marina Silva iriam fazer o que fizeram sábado, unindo suas forças para a disp uta presidencial de 2014, é porque estava muito mal informado. E quem, neste primeiro momento, disse ou está dizendo o que vai acontecer na corrida presidencial a partir dessa realidade, quem ganhou e quem perdeu inicialmente, quem ganhará ou perderá no mais longo prazo, é porque está ainda mais mal informado. Por ser um fato inesperado, surpreendente, absolutamente implausível até se tornar plausível, a aliança do PSB com o Rede – na definição de Marina o "primeiro partido clandestino no Brasil criado na democracia" – foi um terremoto que demorará algum tempo a acomodar as forças políticas nacionais que abalou.

ta, não se dará em um prazo muito curto, logo nas primeiras pesquisas. Por isso, a única coisa que realmente se pode afirmar com alguma segurança, agora é que estão em avaliação praticamente todas as alianças que estavam mais ou menos acertadas para 2014. No momento, com devidas vênias, ninguém é de ninguém no território da formação dos palanques de 2014. O que leva a uma outra afirmação que se pode fazer com alguma segurança: não dá para saber como isso afetará a candidata Dilma Rousseff, porém ele não foi nada bom para a presidente Dilma Rousseff. Ela terá partidos mais exigentes (mais do que já estão) em seus calcanhares, sempre acenando com a possibilidade de se bandearem para uma outra candidatura, saída do próprio mundo governista. Entrementes, Dilma também poderá precisar refazer suas composições, a conformação de seu governo de agora em diante e repensar como serão suas novas alianças – a nacional e as regionais.

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uase tudo que se possa dizer agora, com relação ao futuro, são apenas conjeturas e especulações ou desejos e sentimentos. Por exemplo: será que Aécio Neves - ou os tucanos, se se pensar que José Serra ainda pode concorrer no lugar do mineiro- são os que mais vão perder, pois Campos e Marina vão ocupar agora o chamado campo da oposição? Pode ser que sim, pode ser que não. A maior prejudicada é, Dilma, porque terá dois adversários unidos que saem do campo governista e vão reforçar o lado oposicionista? Pode ser que sim, pode ser que não. Até a afirmação de que com

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JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA

os principais partidos estão definidos: lá estará o PT, lá estará o PSDB e lá estará, sem volta, a dupla PSB-Rede. O resto é uma incógnita. político brasileiro – e os seus partidos de modo geral, exceções que quase não existem são como mariposas que gravitam em torno do poder - de quem estiver no poder. Nas fases iniciais de uma administração, eles estão, na sua maior parte, com aquele que está de plantão, no momento, no palácio governamental. Nas fases finais, eles já começam a se dividir, a serem atraídos, não mais pelo poder que se extingue, mas pela melhor perspectiva de poder que se lhes apresente. Como mariposas, começam a fugir da luz que está se tornando fugaz para a que pode começar a piscar mais na frente. Dessa maneira, só depois que todo o processo de assimilação da aliança Campos-Marina se consolidar, que os seus efeitos sobre o eleitorado puderem ser mais bem avaliados, é que se poderá saber como os palanques serão formados, qual o tempo de televisão cada aliançadeverá ter e tudo o mais. E este ciclo de consolidação, até pela surpresa que foi a união sonhática-socialis-

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Os resultados da aliança Marina Silva-Eduardo Campos ainda são impossíveis de avaliação. a formação da dupla socialista-sonhática está definitivamente assegurada a realização do segundo turno presidencial, jogando por terra o sonho do ex-presidente Lula de evitar uma disputa mais prolongada, é prematura. Afinal, com quatro e não três candidatos de peso dividindo o eleitorado, parecia mais difícil alguém conseguir metade mais um dos votos válidos logo na primeiro rodada.

caminhão lotado de legendas que formam a atual base de sustentação do governo. Mas também não se deve apostar nesta conformação. O terremoto marineirocampista abriu tantas dúvidas

e perspectivas que não se pode afirmar hoje quem vai casar com quem até que, em meados do ano que vem, as candidaturas estejam registradas definitivamente na Justiça Eleitoral. Certo, apenas, é que

O político brasileiro - e seus partidos de maneira geral - são como mariposas que gravitam em torno do poder, seja quem for que estiver no poder.

á-se como certo que o jogo de 2013 será jogado pelo PSDB, aliado ao DEM e alguma outra legenda; pela nova aliança, talvez com o amparo do PPS; e pelo PT e o

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que será daqui para frente, não se sabe. Só se sabe, como na famosa canção, que “nada será como antes amanhã”. A política no Brasil tem lá os seus defeitos, cada vez maiores, porém, uma coisa é certa: nela não se morre de tédio. Agora, bom mesmo seria que este movimento todo servisse para fazer a nossa política um pouco melhor. Mas disso não se pode também ter nenhuma certeza.

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JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA É JORNALISTA E ANALISTA POLÍTICO

DESASTRES DO ANALFABETISMO cada vez menor, no mundo, o número de pessoas que lêem um texto de mais de vinte linhas por dia. O prestígio e o predomínio da imagem são tão grandes que já é possível imaginar um mundo futuro que ignore totalmente a linguagem escrita, aos poucos restrita a um pequeno grupo de especialistas que um dia serão comparados a museólogos. As crianças de então talvez um dia perguntem aos pais porque no passado se dava tanta importância àqueles símbolos estranhos e complicados que se chamam letras". A voz de Sólon Correia tinha aquele tom que convence os ouvintes e remove as dúvidas. Suas espessas sobrancelhas completavam nele uma aparência que fazia calar os teimosos e convencia os incrédulos. Agora ele falava do Brasil. "Tivemos um presidente que se orgulhava

de ter chegado ao mais alto cargo do País sem que tivesse lido muito em sua vida”, dizia ele no seu timbre soturno: "Esse presidente propunha indiretamente aos ávidos leitores que deixassem de lado os livros para ligar a televisão". ra verdade que no mundo as pessoas liam cada vez menos, graças aos milagres da cibernética que tornam o homem mais preguiçoso. Mas no Brasil aquela apatia em relação à palavra escrita era muito anterior à maravilha

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eletrônica, e aquele presidente de que Sólon falava era apenas um homem justificando seu visível desconforto com a instrução. Professores, técnicos, estudiosos e todos os curiosos do mundo não passavam para ele de pedantes, de teóricos com a mania de humilhar quem não teve possibilidade de estudar. Enfim, a ideia fixa da luta de classes. ólon fazia palestras e redigia panfletos sobre a morte da palavra escrita desde a sua juventude, desde o tempo em que ela ainda não morria. Para ele, o argumento segundo o qual ninguém deve humilhar o próximo com seus conhecimentos, longe de ser uma defesa da modéstia, era de fato um disfarce da ignorância que não quer ser percebida. A palavra escrita fora inventada pelo homem como uma necessidade, mas através dos séculos foi abusada para fins

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mesquinhos e ilícitos. Uma retórica sinuosa foi usada em todos os tempos para convencer pessoas honestas a agir desonestamente. ólon Correia tinha a obsessão da palavra que esclarece o pensamento e revela as intenções do seu usuário. Por tudo isso, abominava o discurso obscuro que um dia no Brasil foi chamado por um homem público inteligente de “emaranhado profundo”. Esse era o escudo atrás do qual se escondia o demagogo, o vendedor desonesto e o fanático religioso, lembrava ele nas suas falas, feitas para aqueles que viam nelas clarões da realidade. "O analfabetismo é uma forma de cegueira", dizia ele em palestra feita em Caxias do Sul, que nós preservamos num gravador para fazer chegar aos iletrados, que para ele eram como cegos. "E há uma doença paralela nessa deficiência: o desinteresse. Quem não lê

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LUIZ CARLOS LISBOA tem reduzido o seu campo de atenção, porque não visita mentalmente assuntos diferentes e não descobre coisas que lhe dizem respeito. Quem não lê ignora perigos e advertências que são grafados na língua local. Não descobre nos jornais pequenas notícias que contribuiriam para preservar sua vida e sua saúde se tomasse conhecimento delas. A televisão é apressada demais para substituir bem a miudeza impressa que é colhida pelo leitor habilitado, e que no cotidiano o protege pela advertência".

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as as comunicações na

vida moderna nos avisam de tantas coisas que algumas passam inalcançadas pela nossa atenção. Até algumas muito importantes, de que dependem nossas vidas. Foi assim com Sólon Correia, que por ironia dedicou-se a alertar seus contemporâneos para os riscos da inadvertência, para os perigos da desinformação do perigo, para os desastres que ameaçam os iletrados, mais do que aos leitores comuns. Ele morreu há cerca de dez anos, num pântano próximo de Vacaria, onde havia entrado para salvar um cavalo que afundava. Na pressa de resgatar o animal, passou por um aviso à beira da estrada que anunciava a presença de areias movediças no local. Não lhe foi bastante ser letrado. A pressa e a generosidade também podem ser perigosas. LUIZ CARLOS LISBOA É JORNALISTA E ESCREVE DE PRINCETON (EUA) Algute22@gmail.com

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cesário Ramalho da Silva Edy Luiz Kogut João Bico de Souza José Maria Chapina Alcazar Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Miguel Antonio de Moura Giacummo Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Renato Abucham Roberto Mateus Ordine Roberto Penteado de Camargo Ticoulat Sérgio Belleza Filho Walter Shindi Ilhoshi

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, Marcel Solimeo Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Editor-Chefe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br). Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br). Editores Seniores: chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), José Roberto Nassar (jnassar@dcomercio.com.br), Luciano de Carvalho Paço (luciano@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Marcus Lopes (mlopes@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br). Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Heci Regina Candiani (hcandiani@dcomercio.com.br), Tsuli Narimatsu (tnarimatsu@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br. Subeditores: Rejane Aguiar e Ricardo Osman. Redatores: Adriana David, Evelyn Schulke, Jaime Matos e Sandra Manfredini. Repórteres: André de Almeida, Karina Lignelli, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Paula Cunha, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibellis e Sílvia Pimentel. Editor de Fotografia: Agliberto Lima. Arte e Diagramação: José dos Santos Coelho (Editor), André Max, Evana Clicia Lisbôa Sutilo, Gerônimo Luna Junior, Hedilberto Monserrat Junior, Lino Fernandes, Paulo Zilberman e Sidnei Dourado. Gerente Executiva e de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estadão Conteúdo, Folhapress, Efe e Reuters Impressão S.A. O Estado de S. Paulo. Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

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HÁ UMA GRANDE VA R I E D A D E DE INSTRUMENTOS JURÍDICOS PARA UTILIZAR O USUFRUTO.

IVONE ZEGER

xiste o jeito certo de compartilhar bens sem que a segurança esteja em risco. Adquirir bens, segurança financeira, prosperidade, todos querem atingir essa meta. E, uma vez conquistada, devese garantir que ela seja mantida, ou que aqueles que julgamos merecedores possam compartilhar do fruto do nosso trabalho. Mais acertadamente podemos nos perguntar: como usufruir de maneira proveitosa – e justa – o que foi conquistado? A lei oferece inúmeras possibilidades. E então voltamos ao tema já abordado aqui, mas que nunca se esgota: o usufruto. Já tenho comentado bastante acerca do uesufruto de imóveis, mas esse instrumento jurídico pode também recair sobre numerosos outros itens que compõem um patrimônio, de bens móveis a bens imóveis, empresas, ações, dividendos e pertences. E, o que pouca gente sabe, é que há um verdadeiro kit de modalidades de usufruto para dar conta de atender às necessidades e objetivos dos que pretendem compartilhar seus bens. Esse kit de modalidades é importante porque qualquer usufruto só é válido quando colocado no papel. Promessas apalavradas, mas sem documentação específica que possa ser utilizada juridicamente, não valem muita coisa. Por exemplo, no caso de imóveis o usufruto é discriminado na escritura; para outros bens, pode-se utilizar contratos. Assim, há diversas formas de se disponibilizar um bem para o usufruto de outro.

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cerca do usufruto vitalício, é bom rememorar: como o próprio nome diz, é aquele em que se dispõe um bem em usufruto até o falecimento do beneficiado, o usufrutuário. Eu explico: o proprietário de um imóvel pode doá-lo – aos filhos, parentes, ou a quem quiser – e determinar o usufruto para si. Dessa forma, indica a sucessão do bem, mas ao mesmo tempo garante que esse mesmo imóvel sejautilizado por ele para morar ou compor renda por emeio de aluguel ou demais

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Existe um verdadeiro kit de modalidades de usufruto para atender às necessidades e aos objetivos daqueles que pretendem compartilhar os seus bens.

Usufruto: um kit de modalidades possibilidades, até seu falecimento. Assim, esses que receberam o bem se tornam, na linguagem jurídica, os nu-proprietários;e aquele que era proprietário e doou o imóvel se torna o usufrutuário. Também se pode indicar um filho como usufrutuário, por exemplo. Dessa forma, ainda que o pai venha a falecer e a sucessão de bens se encaminhe, o filho permanece como usufrutuário. Entretanto, repare: este filho permanece com o direito de usufruir do imóvel, mas pode não ser seu único herdeiro. Se não houver testamento, o processo de sucessão apontará os herdeiros da propriedade do imóvel. O filho perde o direito de usufruir do imóvel? Não! Os herdeiros terão de se submeterà clausula de usufruto, ou seja, não poderão tirar do usufrutuário nesse exemplo, o filho - a pos-

sibilidade de morar, alugar ou dispor do bem como lhe convier, exceto venda, obviamente, até o seu falecimento. porque a vida dá muitas voltas, por vezes o usufruto temporário é mais indicado. Vou usar como exemplo o caso até bem simples, mas chocante, de uma cliente, já relatado em artigo anterior. Em união estável, ela acertou com seu companheiro, por meio de acordo entre as partes, que organizariam seus bens a partir de um regime equivalente ao de separação de bens. Isso significa que os bens não se comunicam. Minha cliente comprou um imóvel. Ela era, portanto, a única proprietária. Apaixonada e preocupada com o futuro do companheiro, acabou por dispor de cláusula de usufruto vitalício em favor dele. Mas ele

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se apaixonou por outra. Já imaginou o que aconteceu? Sim, ele está morando com a outra na casa da minha cliente. E ela está procurando um imóvel para alugar. Situação das mais complicadas! que ela poderia ter feito? O usufruto temporário é aquele em que se estipula um prazo para a sua vigência. Assim, ela poderia ter determinado esse prazo, pelo menos um tempo suficiente para, talvez, descobrir o quanto vitalício, ou não, era o sentimento entre eles. Ou simplesmente, a partir da sua preocupação com o futuro do companheiro, poderia ter feito um testamento legando o imóvel, ou seu usufruto, a ele. Inclusive, quem faz um testamento pode simplesmente anulá-lo. Já o usufruto, não; pelo menos, não é possí-

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vel que ele se extingua sem a renúncia do usufrutuário. Há outras palavras que quando acrescidas podem configurar melhor o usufruto, no extenso rol de possibilidades do mundo jurídico. Por exemplo, todos os episódios citados acima - o pai dispôs o imóvel em usufruto para si ou para o filho, a companheira dispôs ao companheiro etc. se enquadram na denominação do usufruto voluntário. Isso significa que o usufruto foi instituído por livre vontade do proprietário do imóvel e não por uma imposição legal. E mais: as situações mencionadas também se configuram como usufruto convencional, aquele em que a instituição se dá entre pessoas vivas, e não por meio de testamento. Continuando, há mais um tipo de usufruto que pode perfeitamente caracterizar, mais

uma vez, os casos acima: usufruto beneficiário. Por quê? Porque os imóveis foram dispostos ao usufrutuário sem que haja qualquer relação com algum tipo de remuneração, proveniente de negócio ou fato sucedido entre proprietário e usufrutuário. então pode acontecer de você se perguntar: Mas será que eu posso remunerar alguém por meio de usufruto? Sim, você pode, se quiser ou precisar, por meio do usufruto remuneratório. Assim como pode beneficiar vários usufrutuários ao mesmo tempo, providenciando dessa forma um processo sucessório justo – de seu imóvel, empresa ou outros bens - e que renda frutos a todos os que merecem recebê-los. Quer conhecer essas modalidades? Então vamos a elas no próximo artigo. Até lá!

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IVONE ZEGER É ADVOGADA ESPECIALISTA EM DIREITO DE

FAMÍLIA E SUCESSÃO, AUTORA DOS LIVROS "HERANÇA: PERGUNTAS E RESPOSTAS" E "FAMÍLIA: PERGUNTAS E RESPOSTAS", DA MESCLA EDITORIAL WWW.IVONEZEGER.COM.BR

OS VELHOS E OS NOVOS FATOS assunto praticamente se esgotou. No velho fato e no novo fato. Mas sempre, há o que dizer, em razão do dinamismo da vida pública, notadamente num país onde o poder público domina a vida dos cidadãos quando deveria deles ser o serviçal tutelado. No caso velho, mas ainda novo sob a luz da História, refiro-me aos 25 anos de existência da Constituição promulgada em outubro de 1988, pelo então deputado federal e presidente da Câmara e da Constituinte, de saudosa memória, Ulysses Guimarães. Como decaiu, aliás, a qualidade de nossos parlamentares depois da geração capitaneada pelo deputado paulista! A Constituição, sem ser um fato novo, permanece na linha de frente dos interesses nacionais, uma vez que toda a funcionalidade e mesmo a existência da democracia brasileira estão nela contidas. Bem ou mal, a

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Constituição que Ulisses chamou de "Cidadã", é a nossa garantia - ainda que alguns, como Lula e petistas em geral nela vejam só um documento a ser usado na hora necessária e rasgado quando é conveniente. Muito mais voltada para um sistema de governo parlamentarista, fixou-se como presidencialista, dando poderes enormes ao Executivo, além de conter pérolas corporativistas jamais vistas numa Carta Magna. xemplo típico é o artigo 242, parágrafo 2º: "O Colégio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, será mantido na órbita federal." Isto está na Constituição brasileira! Sem contar que mais de 100 dispositivos da própria Constituição aguardam, nesses 25 anos, regulamentação para deixarem de ser letra morta. É preciso, todavia, lembrar que é esta é a Carta que temos e precisamos lutar por ela, pelo seu aperfeiçoamento não casuístico, e pela perenização dos dispositivos já consagrados,

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de país democrático, em todos os sentidos libertários. A ameaça existente nas intenções malévolas dos "bolivarianos" (seja lá o que isso signifique) de plantão dentro do governo petista e seus aliado$, visando transformar o Brasil numa Venezuela, segue no ar. outro fato novo, já ficando velho, é a adesão da ex-senadora Marina Silva ao PSB de Eduardo Campos. Confesso não ter entendido ainda a reação da "Folha de São Paulo", muito mais estridente em seus articulistas do que o próprio governo do PT e aliado$. A estupefação geral, mais contra do que a favor, no Brasil todo, revela uma grave

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petistas, de forma virulenta.Se não é do PT, se não é a favor do PT, não presta. Brasil, que um dia no slogan publicitário chamaram de "um país de todos" e virou "um país de tolos" na era Lulilma, é só deles. E assim será se conseguirem, como querem, rasgar a Constituição para impor a vontade de seus próceres como absoluta, divina. Nenhum fato novo, nenhuma composição, pode acontecer se não estiver nos planos do grande timoneiro, o que nunca deixou de ser presidente. Brasil seg ue anestesiado pela brutalidade do volume de dinheiro público que o PT e aliado$ descarregam onde e como podem. Inclusive, na mídia pátria, com raras exceções, que tem na Caixa, no BB, Petrobras, BNDES, e outros cofres oficiais, os mais atuantes agentes de patrocínio de que se tem notícia. Até onde enxergo, a "Folha" sempre teve alguma independência em relação a isso. Não sei. Mas ficou nervosa com a aliança de Marina e Eduardo Campos.

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tendência de se imaginar que só quem tudo pode em matéria de articulações, arranjos, manipulações, acertos, são os atuais detentores do poder federal. Qualquer movimento que não seja articulado no Planalto ou, principalmente, no Instituto Lula, dando as cartas da vida do País, é rechaçado, como sempre fazem muitos importantes

PAULO SAAB

ma coisa é certa: basta um movimento fora das previsões do jogo da política, e parece um terremoto. A mínima possibilidade de ameaça ao sossego do desfrute da turma Lulilmista sobre o orçamento nacional, provoca chiliques. Estão certos de que o Brasil é de fato deles.Em todos os sentidos. Vamos, então, em vez de saudar um fato novo no cenário brasileiro, que impeça a mesmice de prevalecer, defenestrá-lo para deixar a cumpanheirada nadando de braçadas, com o apoio até do STF, chafurdando na tacanhice que virou governar o Brasil.

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PAULO SAAB É JORNALISTA E ESCRITOR


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DIÁRIO DO COMÉRCIO

quarta-feira, 9 de outubro de 2013


DIÁRIO DO COMÉRCIO

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

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PPS FAZ PARÓDIA Preterido por Marina Silva, o PPS fez uma paródia da música Eduardo e Mônica, clássico da Legião Urbana, para satirizar a filiação dela ao PSB. Confira abaixo:

Marina diz que não se vingou, só revidou. Marina Silva falou pela primeira vez à imprensa depois de sua inesperada filiação ao PSB ex-senadora Marina Silva se pronunciou ontem pela primeira vez à imprensa depois que surpreendeu a todos com sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Ela disse que o que fez não foi "por vingança" por uma suposta sabotagem em relação à criação da sua sigla, a Rede. Mas foi uma "legítima defesa da esperança e da democracia". "Muita gente me pergunta: 'Senadora, isso foi uma vingança?' Eu digo: foi um ato em legítima defesa da esperança, a esperança de ver que é possível fazer uma aliança programática". Marina também disse que a sua visão política, traduzida no projeto da Rede, está sendo muito incompreendida. E comparou essa incompreensão à mesma que o ex-presidente Lula sofreu quando comandou as greves do ABC nos anos 70 que culminaram na criação do Partido dos Trabalhadores. "Quando o Lula fez o movimento no ABC e quis transformar aquele movimento em um partido político foi muito incompreendido. E de uma forma diferente, sem a força do Lula, a estrutura sindi-

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cal, de repente eu me vi numa dência da República. Marina situação de alguma forma pa- afirmou que eventual ingresrecida". Para ela, os julgamen- so no PPS, o que chegou a ser tos sobre a Rede são muito negociado, seria incoerente precipitados. Ela defendeu o com o discurso de que a Rede que chamou de "aliança pro- estava sendo montada não gramática" com o PSB. " A Re- como um projeto "de poder de não está se fundindo com o pelo poder", mas como um PSB, está fazendo uma aliança projeto "de país". programática." "Diriam: 'Foram para o PV Ao reconhecer que sua deci- [partido pelo qual Marina dissão abriu conflito dentro da putou a Presidência em 2010], própria Rede Sustentabilida- não deu certo, tentaram um de, Marina disse partido, não que não é "Deus" Muita gente me deu certo, e que os que di- pergunta se foi agora foram vergem têm o di- vingança, eu digo para outro reito de não con- que foi um ato de partido para cordar, de não voter o candidalegítima defesa tar nela. to. Eu acho "Aqueles que da esperança. que tendo redivergirem têm o MARINA SILVA, EX-SENADORA PELO cebido uma direito de não vo- PV, ATUALMENTE FILIADA AO PSB ogiva [do Tritar, têm o direito bunal Supede não concordar, rior Eleitoral ], isso é democracia. Eu não sou isso significaria escapar viva Deus e nem Deus todo muito por alguns dias para ir sangrar concorda com Ele. E nem por incoerente na coxia." isso Ele dá um raio na cabeça Ela reafirmou que considera das pessoas porque discor- posta a candidatura de Camdam Dele", disse Marina, que pos, mas que os dois combinaprofessa a fé evangélica. ram tratar desse assunto só A decisão pegou de surpre- em 2014. "Já estava posta a sa inclusive integrantes de candidatura do Eduardo, ele sua legenda, que defendiam sinalizando o compromisso de sua filiação a outro partido pa- aprofundar a agenda. Se isso ra que ela disputasse a Presi- prospera, ótimo, teremos ali a Sérgio Lima/Folhapress

aliança programática e a aliança fática. Se não prospera, valeu a intenção da semente. O que não podia é não ter nenhuma semente de esperança", disse a ex-ministra do Meio Ambiente. Marina também disse que as divergências com o PSB não devem impedir a aliança nacional, mas se mostrou incomodada com eventual aliança entre o PSB de Goiás e o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM), defensor das teses ruralistas. Segundo ela, ambos são "coerentes" o suficiente para saber que se ela estiver na aliança nacional, "ele mesmo vai pedir para sair, se é que já não saiu". Ao ser questionada se desistira de sua candidatura, Marina perguntou qual seria o problema nisso e explicou que ela não deseja destruir ninguém. "Na conversa com o Eduardo, era muito claro para nós dois, eu não quero destruir ninguém, quero construir". Sobre a possibilidade de sair como cabeça de chapa, falou: "Se para ter um País melhor for necessário ser presidente da República, serei com a mesma alegria que faço como professora de história." (Agências)

Senado inibe criação de siglas Se a presidente Dilma sancionar o projeto, a criação da Rede de Marina Silva ficará 'insustentável'. Senado aprovou ontem projeto de lei que inibe a criação de novos partidos e evita o troca-troca partidário. O texto irá a sanção presidencial, mas as regras não valem em 2014 para os partidos criados neste ano. O projeto prejudica candidaturas de novos partidos porque restringe o acesso ao dinheiro do fundo partidário e ao tempo de propaganda na TV --mecanismos vitais para o funcionamento de uma sigla. O fundo partidário e o tempo de TV são calculados a partir do número de parlamentares eleitos pelos partidos. Pela regra atual, os deputados que migram para um partido novo levam os votos, para cálculo de tempo de TV e fun-

O Roberto Freire, por enquanto indefinição: "Temos vários nomes".

PPS ainda não define quem vai apoiar em 2014 A meta pode ser uma robusta bancada de deputados eunida em Brasília na manhã e tarde de ontem, a Executiva Nacional do PPS não definiu apoio a nenhum dos candidatos de oposição – o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador Eduardo Campos (PSB-PE) – , e reabriu a discussão sobre candidatura própria à Presidência em 2014. A tese, defendida entre outros pelo líder da bancada do partido na Câmara, Rubens Bueno (PR), será levada à consulta aos diretórios regionais da sigla. Entre os nomes defendidos na reunião está o da ex-vereadora paulistana Soninha e o do presidente do partido, Roberto Freire. Na oposição ao governo Dilma Rousseff, o PPS tentou atrair para ser o candidato a presidente da sigla o ex-governador de São Paulo José Serra, que preferiu ficar no PSDB, e a ex-senadora Marina Silva, que após flertar com a

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Desde que saiu do PT, não vejo a Marina Silva sendo uma pessoa que confronta o governo do PT como o PPS faz. SONINHA FRANCINE

legenda acabou aderindo ao projeto eleitoral de Campos. "Vários se pronunciaram dessa forma (defendendo candidatura própria), e temos vários nomes, como Roberto e Soninha, que é mulher e é de São Paulo, Estado que não terá candidato, é preparada e oferece uma convergência com tudo o que está saindo das ruas, já que é um nome descolado de tudo o que está aí na política", disse Bueno. "Até outro dia eu só dava risada [com a possibilidade de se candidatar à Presidência], até começar a me imaginar indo aos debates", diz Soninha, que disputou a Prefeitura de São Paulo em 2008 e 2012. "Nosso temor é o de que os candidatos que não são do governo não façam as críticas que devem ser feitas ao governo. Desde que saiu do PT [em 2009], não vejo a Marina sendo uma pessoa que confronta o governo do PT como o PPS faz. Nem o PSDB faz a oposição que o PPS faz", disse ela. A consulta às bases do partido será feita pelo ex-ministro Raul Jungmann. Além da candidatura própria, o partido tem duas opções: apoiar Campos ou Aécio. Para Freire o objetivo principal do partido em 2014 pode ser formar uma bancada de deputados federais mais robusta. Soninha é candidata a deputada federal. (Agências)

do partidário. Assim, os novos partidos ganham mais dinheiro e tempo, mesmo sem ter disputado eleições. Pelo texto aprovado, o partido novo não recebe os votos de deputados que decidiram aderir à nova legenda. O projeto de lei, que já havia sido aprovado pela Câmara e tramitava no Senado, foi suspenso pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) em abril. Era acusado de ser casuístico por ter como único propósito dificultar a criação da Rede, de Marina Silva. Agora que a Rede ficou sem registro para 2014 e outros dois partidos foram criados (PROS e Solidariedade), o projeto ganhou fôlego. O presidente do Senado, Renan Ca-

Serra acha 'surpreendente' a aliança da nova dupla ex-governador José Serra (PSDB) classificou ontem como surpreendente a aliança entre a ex-senadora Marina Silva (AC) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e afirmou que não é possível prever como ficará o cenário eleitoral em 2014. "É surpreendente e ainda vai ter muita coisa variável daqui até a eleição", afirmou. "Se alguém disser que sabe o que vai acontecer é porque está por fora. É porque não está entendendo o que está acontecendo." Serra apareceu de surpresa na manhã de ontem em uma visita do governador Geraldo Alckmin (PSDB) a uma unidade da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) no Tatuapé, bairro da zona leste da capital. A declaração dada à imprensa foi rápida e ele não quis fazer mais comentários sobre a disputa da eleição presidencial do ano que vem. Serra foi convidado para a vi-

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sita pelo diretor-superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP), Bruno Caetano, que também participou do evento. Antes de percorrerem as instalações da Fatec, Serra e Alckmin permaneceram reunidos por cerca de 15 minutos em uma sala a qual a imprensa não teve acesso. Depois da visita, os dois fizeram uma breve caminhada pelo bairro e tomaram café. Já o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, disse que a filiação de Marina ao PSB é uma "resposta às ações autoritárias do PT", especialmente aos "membros do partido que chegaram a comemorar antecipadamente a exclusão da ex-senadora do quadro eleitoral do próximo ano, com a impossibilidade de criação da Rede". Ele diz que a decisão de Marina "fortalece o campo político das oposições e contribui para o debate de ideias e propostas". (Agências)

lheiros (PMDB-AL), garantiu que a lei não valerá para os recém criados. A Rede, contudo, será atingida, quando for criada. "Tentamos votar no passado, mas infelizmente fomos vítimas das ligeirezas das interpretações. Essa lei não vai retroagir, mas daqui para frente vai valer essa regra", disse. A votação foi simbólica, mas três senadores se manifestaram contra: Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Pedro Simon (PMDB-RS) e Lídice da Mata (PSB- BA). Simon afirmou que o projeto deveria ser revisto. "Estranho muito. Não sei qual é a razão que de repente faz aparecer esse projeto. O equívoco que se comete é que passou o prazo. A etapa negra passou. Esse projeto deveria ser discutido dentro de uma

nova realidade. Ele veio para cá de maneira casuística. " Senadores classificam o atual modelo de "leilão". "Ele [deputado] leva consigo o tempo de televisão e o fundo partidário, penalizando duas vezes a representação partidária e a democracia brasileira. Temos que aprovar essa regra para, a partir de 2014, não ver se repetir esse tipo de leilão que assistimos nas últimas semanas envolvendo a criação de partidos", disse o líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM). Para o senador e presidente do DEM, Agripino Maia (AL) –cujo partido perdeu diversos deputados para o PSD – a partir de agora acabará o "leilão de legendas de aluguel". (Estadão Conteúdo)

Para Ciro, haverá recuo na candidatura de Campos. esfiliado do PSB por discordar da candidatura presidencial do governador de Pernambuco e presidente nacional do partido, Eduardo Campos, o secretário de Saúde do Ceará, Ciro Gomes, não acredita que Campos seja candidato à sucessão da presidente Dilma Rousseff (PT), no ano que vem. "Eu não creio que o que está sendo dito seja verdadeiro. O Eduardo percebeu que o egotrip dele e a viagem pessoal ia afundar o partido e ele convidou a Marina Silva para ser candidata e pediu a ela uma transição retórica para preparar esta transição". Ciro chamou a atenção de Dilma sobre os movimentos

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de seus adversários nas eleições de 2014. "Essa nova condição obriga a presidenta Dilma a prestar atenção no serviço. E isso é bom para a política, mas para este gesto surpreendente eu tenho a leitura de que Eduardo não é candidato e sim Marina." Há uma semana, Ciro veio a público para dizer que Eduardo Campos "é um zero completo, um oportunista puro e simples". Para Ciro, Campos "controla a burocracia do partido como uma capitania hereditária que ele herdou do avô (Miguel Arraes, 19162005). Eu acho que ele está em uma aventura pessoal, vai afundar o PSB nisso, mas é problema dele." (Agências)


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O País vem vivendo avanços, como o poder transformador da literatura. Luiz Ruffato, escritor mineiro Daniel Reinhardt/EFE

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DÍVIDA

BADERNA

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ma discussão acalorada no plenário da Câmara quase levou o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS) às vias de fato com o colega Ivan Valente (PSOL-SP). Motivo: a suspensão do debate sobre proposta que transfere do Executivo para o Legislativo a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas. Integrante da bancada ruralista, Heinze tomou as dores do colega Alceu Moreira (PMDB-RS), partiu para cima de Valente e teve que ser contido. O tumulto começou depois que Moreira disse: "Preparem-se: a forma de vencer no Congresso é pela baderna". Valente pediu que o discurso fosse retirado dos autos. Houve troca de insultos.

PUNIÇÃO DO TRE

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Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro puniu o vice-governador do Estado, Luiz Fernando Pezão, por propaganda eleitoral antecipada. A decisão proíbe o PMDB-RJ de promover nesta semana o pré-candidato ao governo estadual em seus programas de TV e rádio. É a quarta sanção aplicada a Pezão desde março. Caso descumpra a ordem judicial, que atendeu à representação da Procuradoria Regional Eleitoral, o partido será multado em R$ 50 mil por cada inserção. Em trecho da última veiculação, Pezão se responsabilizou por obras públicas do governo em Manguinhos.

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governo aceitou trocar o indexador da dívida de Estados e municípios com a União, retroativamente, o que vai gerar desconto em parte dos valores devidos. Segundo o secretário-executivo interino da Fazenda, Dyogo de Oliveira, a pauta será levada à votação hoje no plenário da Câmara. A União é a principal credora dos Estados e municípios. Diante do descontrole das dívidas dos governos regionais, os débitos foram assumidos pelo governo federal no final dos anos 90, que passaram a ser corrigidos pelo índice de inflação IGP mais 6%, 7,5% ou 9%. A proposta é que o valor da dívida contraída na época seja corrigida pela taxa Selic.

Michel Temer, deixa a política um pouco de lado e vai para Frankfurt. Lá, na abertura da Feira do Livro, afirma: "Jamais abandonei a literatura".

Temer é alvo de vaias

PEC MENSALEIROS

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Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou ontem proposta de emenda à Constituição que torna imediata a perda de mandato de congressistas condenados em definitivo por algumas modalidades de improbidade administrativa e por crimes com pena superior a quatro anos de cadeia. A proposta, que já foi aprovada pelo Senado, segue para análise de uma comissão especial que será criada para discutir o mérito texto. Não há prazo para a instalação dessa comissão. O texto determina que nesses casos cabe ao Congresso Nacional apenas homologar a decisão judicial.

Vice-presidente vai à Frankfurt, para a Feira de Livros onde discursa, troca cargo de Marta Suplicy abertura da participação brasileira na Feira do Livro de Frankfurt na tarde de ontem foi marcada por um discurso forte do escritor Luiz Ruffato e por uma explicação amena do vice-presidente da República, Michel Temer. O primeiro foi aplaudido. E o segundo, vaiado. Ruffato defendeu que o Brasil nasceu sob a égide do genocídio, que a chamada democracia racial do País foi feita com estupros, e afirmou que no Brasil reinam a impunidade e a intolerância. O discurso do

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romancista mineiro, na sala principal do evento de livros mais importante do mundo, diante de 2.000 pessoas – entre eles lideranças políticas alemãs – ressaltou ainda os 37 mil assassinatos anuais do País, os 550 mil presos e a alta taxa de analfabetismo. Antes de concluir, Ruffato disse que nos últimos anos o País vem vivendo alguns avanços e salientou o "poder transformador da literatura", exemplificando o exemplo com sua trajetória: ele afirmou que é filho de uma lavadeira analfabeta e de um pipoqueiro semianalfabeto. Seu denso discurso, de cerca de 10 minutos, foi ovacionado e aplaudido de pé. Entre os presentes, o diretor do Sesc-SP Danilo Santos Miranda e escritores brasileiros, como o romancista Paulo Lins e o poeta Age de Carvalho. Em um trecho de sua fala, o escritor afirmou que somos um país paradoxal. "Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas, florestas edênicas, carna-

val, capoeira e futebol; ora como um lugar execrável, de violência urbana, exploração da prostituição infantil, desrespeito aos direitos humanos e desdém pela natureza". "Ora festejado como um dos países mais bem preparados para ocupar o lugar de protagonis-

As leituras aguçaram meu raciocínio. Graças a isso cheguei a este palco. Não recebi elogios, também não recebi críticas. MICHEL TEMER

ta no mundo, ora destinado a um eterno papel acessório, de fornecedor de matéria-prima e produtos fabricados com mão de obra barata, por falta de competência para gerir a própria riqueza." As críticas arrancaram uma reação exaltada do cartunista

Ziraldo. "Não tem que aplaudir! Que se mude do Brasil, então!", disse de pé. No encerramento da cerimônia, depois do discurso de políticos como o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle – que elogiou a fala de Ruffato e pediu lugar permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU – , Michel Temer fez um discurso que foi concluído com vaias da plateia. Temer começou chamando a ministra da Cultura, Marta Suplicy, de "ministra da Educação" e fez declarações elogiosas à sua participação na Constituinte, que resultou na Constituição de 1988. Em seguida falou de sua relação com as letras. "Jamais abandonei a literatura. As leituras aguçaram meu raciocínio. Graças a isso cheguei a este palco", disse, antes de fazer propaganda de seus próprios poemas, publicados recentemente no livro Anônima Intimidade. "Não recebi elogios, mas também não recebi críticas", disse. (Agências)

TROCA-TROCA É hora de contabilizar a dança das cadeiras nos partidos temporada de trocas de partidos terminou no sábado passado com a mudança de 139 deputados estaduais e distritais, que se filiaram às legendas pelas quais pretendem disputar as eleições de 2014. O número representa 13% dos 1.059 integrantes dos Legislativos nos Estados e no DF. Os recém-criados Partido Republicano da Ordem Social (PROS) e Solidariedade (SDD) foram os que mais atraíram deputados, com 32 e 21 filiações, respectivamente. Quem chega a um novo partido não corre o risco de cassação por infidelidade partidária. A exemplo do Congresso Nacional, nos Estados as trocas foram motivadas por divergências com os partidos de origem e pela expectativa de ocupar cargos de maior destaque nas novas siglas. Apesar do risco de perda do mandato, 85 deputados se filiaram a um partido antigo. Para tentar escapar da cassação, muitos deles afirmam que foram alvo de discriminação pessoal e que houve justa causa para a saída. É o caso do deputado estadual Rogério Nogueira, de São Paulo, que trocou o PDT pelo

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DEM. Ele afirma ter sido perseguido pelo partido que integrava desde que seu irmão, o prefeito de Indaiatuba (SP), Reinaldo Nogueira, trocou o PDT pelo PMDB, levando também muitos aliados. No início do ano, o deputado perdeu a liderança do PDT na Assembleia para o major Olímpio Gomes. O PDT nega retaliação ou perseguição. Diz que a substi-

O PMDB do Rio, que tinha 11 deputados estaduais, perdeu 4, ganhou 8 e ficou com 15. Superou o PSD, que tinha 12 e ficou com 9.

tuição na liderança foi legítima e vai pedir na Justiça o mandato de Nogueira. Na maioria dos Estados, a dança das cadeiras não alterou o partido de maior bancada na Assembleia. São exceções Rio de Janeiro, Tocantins e Rio Grande do Norte. No Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB), alvo de protes-

tos desde junho, saiu fortalecido e conseguiu reunir a maior bancada na Alerj. O partido, que tinha 11 deputados estaduais, perdeu 4, ganhou 8 e ficou com 15. Superou o PSD, que tinha 12 e ficou com 9. No Tocantins, o novo Solidariedade já chegou como a maior bancada da Casa, com 7 deputados, após articulação do governo tucano de Siqueira Campos. No Rio Grande do Norte, o PROS empata com o PMDB, com 5 representantes cada um. O troca-troca também envolveu cinco presidentes dos Legislativos estaduais. Enquanto Minas Gerais, Ceará e Tocantins teve mudanças na base governista, no Rio Grande do Norte e em Roraima os presidentes das Assembleias romperam com o governo do Estado e migraram direto para a oposição. Com 21 baixas, o PSB foi o partido que mais perdeu deputados estaduais. Oito dessas mudanças ocorreram no Ceará, Estado do governador Cid Gomes – que anunciou na semana passada a saída do PSB, de Eduardo Campos, com destino ao PROS, levando consigo seu grupo político no Nordeste. (Folhapress)


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Em um ano, de 2011 a 2012, reduzimos em 15% o trabalho infantil. Dilma Rousseff, presidente Uéslei Marcelino/ Reuters

'Desde a posse são 4,7 milhões de novos empregos' Presidente abriu ontem a 3ª Conferência Global sobre Trabalho Infantil. Para ela, principais efeitos da crise internacional recaem sobre os jovens. presidente Dilma Rousseff disse ontem que são necessárias "ações firmes" para o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes e da pornografia infantil. Ela abriu a 3ª Conferência Global sobre o Trabalho Infantil, em Brasília, este ano presidida pelo governo brasileiro em conjunto com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e com participação de 153 países. "Merece nossa especial atenção uma das piores formas de trabalho infantil que atinge milhões de crianças em todo o mundo. Refiro-me a exploração sexual e a pornografia infantil, que estão entre as mais abomináveis e perversas violações dos direitos humanos de crianças e adolescentes. O enfrentamento desses crimes só terá êxito com ações firmes de todos nós.", Para ela, os principais efeitos da crise econômica mundial recaem sobre crianças e adolescentes, "justamente a quem devemos nossos maiores esforços de proteção". "A situação da economia mundial continua frágil e uma das demonstrações dessa fragilidade são os altos níveis de desemprego. Os dados da OIT mostram 200 milhões de de-

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Dilma : "Principais efeitos da crise tendem a recair sobre crianças e jovens, a quem devemos proteção."

MENSALÃO

Recursos serão analisados esse mês, diz Barbosa. presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, disse ontem que o lote de novos recursos que serão apresentados por parte dos réus do Mensalão deve ser analisado ainda neste mês. Com isso, 13 dos 25 condenados poderão começar a cumprir penas. Nesta fase do julgamento, há dois tipos de réus: os que ainda têm direito ao embargo infringente, que levará à reanálise das condenações; e os que só poderão apresentar o embargo declaratório, que serve para esclarecer pontos da sentença. Com a publicação do acórdão – documento que resume o que foi decidido no julga-

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mento – os 13 que não têm direito aos infringentes, entre eles o delator do esquema, Roberto Jefferson, e os deputados Valdemar Costa Neto (PRSP) e Pedro Henry (PP-MT), ficarão na iminência do início do cumprimento das penas. No STF, há ministros que defendem a prisão imediata dos réus que não têm direito aos infringentes. Entendem que o primeiro lote de recursos apresentado só serviu para adiar o momento da prisão, por isso, não seria necessário se analisar o segundo lote. Na manhã de ontem, o presidente sinalizou que pretende aguardar o novo lote de recursos antes de determinar a execução das penas. Ao responder perguntas de jornalis-

tas, Barbosa disse que espera julgar este mês eventual lote de novos recursos. Ao deixar a sessão, ainda disse que o acórdão relativo aos réus que não têm direito aos embargos infringentes poderia ser publicado ontem. Caso atrase, não passará desta semana. "Deu um probleminha em sete documentos. Eu espero que saia hoje (ontem), fique pronto. O problema foi resolvido na segunda-feira e estão conferindo um a um, problema de data, coisinha boba", disse. Em relação aos 12 réus, como o ex-ministro José Dirceu, que têm direito aos chamados embargos infringentes, a expectativa é que o julgamento dos recursos só aconteça no ano que vem. (Folhapress)

Juiz quase escapa do CNJ Ex-presidente do TJ-PR será investigado por fraudes; ele queria aposentadoria. Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou de suas funções e abriu um processo disciplinar contra o ex-presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná Clayton Camargo. Ele será investigado por tráfico de influência e venda de sentenças durante seu magistrado. A decisão também mantém suspensa – até o término do processo – o pedido de aposentadoria feito por Camargo que, na visão do Ministério Público, tentou se aposentar para escapar de uma eventual punição pelo CNJ. De acordo com o corregedor nacional de Justiça, Francisco Falcão, Camargo teve, entre 2006 e 2009, uma evolução patrimonial não justificada, o que fez necessária a abertura de investigação.

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"Existe um fato que, por si só, justifica o aprofundamento das investigações por parte desta Casa correcional. Tratase da evolução patrimonial injustificada do magistrado com altos valores a descoberto, por vários anos seguidos". Segundo Falcão, também há indícios de que Camargo teria realizado negócios simulados para fraudar o Fisco e para lavar dinheiro. "Há fortes indícios de que o magistrado teria realizado negócios jurídicos aparentemente simulados, com o objetivo de fraudar o Fisco e, até mesmo, para possível branqueamento de capitais, condutas que, consideradas em seu conjunto, indicam perfil de comportamento que não é o esperado de magistrado, mormente em se tratando de

presidente de Tribunal de Justiça, gestor de recursos públicos por excelência", disse. Outro lado – O advogado de Camargo, João dos Santos Goes Filho, disse que o CNJ não poderia ter aberto processo contra o desembargador uma vez que ele pediu sua aposentadoria no mês passado. "Tudo o que aconteceu é fruto de uma violência originária. O desembargador estava aposentado. O que aconteceu é como se tentasse interromper uma gravidez após o bebê já ter nascido", disse. Ele ainda falou que irá recorrer ao STF por ter sido uma decisão política. "Acredito que foi uma medida de caráter político, populista, não administrativa fincada na lei. Vou recorrer dessa decisão ao Supremo Tribunal." (Folhapress)

Combater o trabalho infantil é talvez uma das grandes tarefas morais, éticas, sociais, econômicas que nos cabe. DILMA ROUSSEFF

sempregados em todo o mundo. Os principais efeitos da crise tendem a recair sobre crianças e jovens, justamente a quem devemos nossos maiores esforços de proteção." Dilma voltou a defender discurso que vem adotando desde a eclosão da crise. "A saída não virá pela redução da renda do trabalhadores, pela diminuição do emprego ou pela degradação das políticas sociais." "O Brasil tem sofrido também as consequências da crise, mas nós geramos mais de 1 milhão de empregos formais e, desde que tomei posse em 2011, geramos 4,7 milhões de empregos." Trabalho infantil – Segundo o último relatório da OIT, de setembro, há 168 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil. De 2000 a 2012, a

incidência mundial de trabalho infantil entre 5 e 14 anos caiu 36% e, no Brasil, 67%. Dilma comentou os números da OIT. "Combater essa chaga é talvez uma das grandes tarefas morais, éticas, sociais, econômicas que nos cabe. É um imperativo mundial sim, pois as crianças são o segmento mais vulnerável e indefeso a nossa sociedade." Em 2012, o Brasil registrava 1,4 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho: 81 mil crianças de 5 a 9 anos; 473 mi, de 10 a 13 anos e 875 mil, de 14 ae 15 anos, conforme dados do Pnad 2012. De 2000 a 2012, segundo ela, a quantidade de crianças de 5 a 14 anos envolvidas em trabalho caiu em 67%. "Esse ritmo de redução foi mais intenso do que a redução na média global, que foi de 36%." Dilma atribuiu a queda nos números à "rede de proteção social do governo, em especial ao programa Brasil Sem Miséria", que ela lançou. "Se a miséria não é o único determinante do trabalho infantil, ela é um dos principais determinantes. Em um ano, de 2011 a 2012, reduzimos em 15% o trabalho infantil na faixa de 5 a 15 anos, o que coincide com o Brasil Sem Miséria." (Agências)


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TURQUIA Após 90 anos, país revoga proibição a véu islâmico em órgãos públicos.

ITÁLIA Mortes em naufrágio de imigrantes africanos sobem para 287 Martin Quintana/EFE - 07/10/13

presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi submetida a uma cirurgia bemsucedida para a drenagem de um hematoma cerebral, ontem, mas a sua ausência do governo suscitou críticas da oposição, que pede transparência sobre a saúde da mandatária e o afastamento do presidente em exercício, o atual vice Amado Boudou, que tem o nome envolvido em vários casos de corrupção. Segundo boletim médico do hospital Fundação Favarolo, a cirurgia para a retirada de um coágulo na cabeça de Cristina durou quase duas horas e ocorreu sem complicações. O coágulo foi causado por uma pancada na cabeça sofrida em uma queda em meados de agosto. O acidente havia sido mantido em segredo e os detalhes sobre ele continuam desconhecidos. No início da tarde de ontem, o porta-voz da Presidência, Alfredo Scoccimarro, apareceu na porta do hospital e anunciou que a cirurgia foi "satisfatória" e que a presidente de 60 anos já estava no quarto. "Ela está animada e mandou saudações a todos. Agradeceu à equipe médica e a todos que rezaram por ela. Ela está de muito bom humor", disse ele perante a multidão de militantes e repórteres. Cristina deverá ficar internada nos próximos cinco dias. Vigília - Na entrada do hospital, cerca de 200 apoiadores da presidente cantavam hinos políticos e seguravam cartazes como "Força, Cristina" e "Coágulo gorila", termo usado pelos kirchneristas para referir-se a opositores. "Viemos dar força à presidente para que saia tudo bem", disse o militante Eduardo Arizaga. Críticas - Enquanto simpatizantes rezavam pela pronta recuperação da presidente, políticos opositores criticavam a falta de informação sobre o estado de saúde de Cristina, e pediram "maior seriedade institucional". A desinformação chegou inclusive ao próprio governo, afirmou ontem o jornal La Nación, segundo o qual a presidente "pediu que seja restringida ao máximo a informação à imprensa e ao público, e também aos ministros e secretários de Estado". Além disso, dirigentes de diferentes partidos da oposição questionaram a lisura de Boudou, que responde a acusações de corrupção e enriquecimento ilícito, e que assumiu a

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Na porta do hospital em Buenos Aires, simpatizantes rezam, cantam e seguram cartazes de apoio à presidente argentina. Ela deve ficar internada por cinco dias.

Cristina vai bem. O governo, nem tanto. A cirurgia para a retirada de um coágulo na cabeça da presidente argentina ocorreu sem complicações. Os militantes comemoram, mas a oposição critica a falta de informação oficial e a idoneidade do vice. Divulgação/Reuters - 07/10/13

Boudou responde a acusações de corrupção e enriquecimento ilícito

presidência interina até que Cristina se recupere. "Boudou não tem estatura moral para liderar o governo", opinou o deputado opositor Juan Carlos Juárez, da Frente Ampla Progressista. Mas o presidente da Câmara dos Deputados, Julián Domínguez, saiu em defesa de Boudou, ao afirmar que as críticas "expressam imaturidade republicana", pois é a Constituição que "estipula o mecanismo para garantir o efetivo exercício presidencial" em caso de doença. (Agências)

Londres e Teerã, reatando laços. Mohamed Abd El Ghany/Reuters

Reino Unido e o Irã deram início a um processo que pode levar à reabertura de suas embaixadas, fechadas desde que os países romperam relações diplomáticas em 2011. O secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague, explicou ontem que, perante a mudança de "tom" positivo do novo governo iraniano de Hassan Rohani, Londres adotará medidas destinadas a melhorar as relações bilaterais com Teerã. "Ambos os países vão agora indicar um encarregado de negócios não-residente que terá a tarefa de implementar a promoção das relações, incluindo etapas interinas no caminho para a eventual reabertura de ambas as embaixadas", declarou Hague ao Parlamento. Ao anunciar as discussões para a reabertura da missão britânica, ele revelou que os contatos entre diplomatas dos dois países ainda estão se desenvolvendo e observou que há diferentes polos de poder político lutando para se impor no Irã atualmente.

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Hague argumentou que, diante da postura conciliadora de Rohani, "é pertinente testar em sua plenitude a sinceridade do governo iraniano" e manter abertos os canais de comunicação. Ao se pronunciar sobre o controverso programa nuclear iraniano, Hague disse que Teerã precisa fazer "mudanças substanciais", se quiser que o Ocidente alivie as sanções impostas ao país, e disse ainda que o futuro das relações bilaterais iria depender de medidas tangíveis. "O Irã continua desafiando seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU.. e está instalando mais centrífugas em suas instalações nucleares", disse Hague. A representação britânica em Teerã foi fechada em 2011, depois que o local foi invadido por manifestantes iranianos durante protestos ocorridos em meio a rumores de planos de uma ação militar preventiva contra o Irã. O Reino Unido fechou então sua embaixada e expulsou os diplomatas iranianos de Londres. (Agências)

Universitários e islamitas protestam contra o governo egípcio

Nas ruas do Cairo, jovens contra o Exército. os gritos de "abaixo o governo militar", centenas de seguidores da Irmandade Muçulmana protestaram ontem diante da Universidade do Cairo, em desafio às autoridades egípcias apoiadas pelo Exército. Partidários do presidente deposto Mohamed Morsi instaram os estudantes a protes-

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tar contra o Exército, depois que 57 pessoas morreram nas manifestações de domingo. A Irmandade acusa o governo de adotar medidas repressivas para eliminar a entidade. Ontem foi revogado o registro como organização nãogovernamental, obtido pelo grupo em março para operar legalmente. (Agências)

Jorge Silva/Reuters - 02/10/13

Líder enfrenta inflação alta e escassez de alimentos e bens

O presidente da Venezuela quer ser superpoderoso Maduro pede ao Parlamento autorização para governar por decreto. Falta apenas um voto. presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, solicitou ontem à Assembleia Nacional poderes especiais para governar por decreto, em um discurso marcado por críticas às raízes históricas da corrupção no país. "Vim pedir poderes para aprofundar, acelerar e batalhar por uma nova ética política", afirmou o mandatário pouco depois de começar seu discurso. Os poderes especiais são concedidos por meio da chamada Lei Habilitante, um mecanismo constitucional que permite ao chefe de Estado legislar sem controle parlamentar. O chavismo tem 98 dos 99 deputados necessários para a aprovação. A oposição advertiu que não reconhecerá a lei se ela não for aprovada por esse quórum. Rodeado por seus ministros, Maduro defendeu construir uma "nova ética socialista" e reverter "a lógica que faz com que a corrupção se reproduza a cada dia", após dizer que a economia venezuelana está sendo golpeada por uma série de dificuldades. "Convém ressaltar que a economia venezuelana atravessa uma conjuntura especial, que a produção do país está sendo impactada de maneira muito aguda por uma série de distorções

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como a especulação, o monópolio, o contrabando, o mercado de câmbio ilegal." O presidente venezuelano diz necessitar dos superpoderes para legislar em matéria econômica no momento em que o país enfrenta crise inflacionária e deve crescer 1% em 2013, segundo previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgada ontem. Maduro gastou boa parte do discurso descrevendo as raízes históricas da corrupção na Venezuela, que ameaça "engolir a pátria" se não for atacada. Ele ainda ensaiou uma autocrítica por não ter conseguido impedir a especulação com a Comissão de Administração de Divisas, que determina a taxa de câmbio oficial em US$ 1 para 6,3 pesos, valor que chega a se multiplicar por sete no mercado paralelo. "O Estado nacional bolivariano... não foi eficiente o tanto necessário para fechar os caminhos dos que vivem da apropriação de dólares baratos", disse. O discurso incluiu também críticas ao setor privado "que pretende obter lucro sem produzir" e referências à cultura do rentismo, já que o país historicamente teve altas exportações petrolíferas que deram lugar a uma "burguesia parasitária". (Agências)


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Protestos: bala de borracha é liberada. Governo promete linha dura e volta a autorizar a bala de borracha para reprimir atos de vandalismo em manifestações. Detidos podem ser enquadrados na LSN. Robson Fernandjes/Estadão Conteúdo

secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella Vieira, autorizou a volta do uso de bala de borracha pela Polícia Militar em casos de vandalismo em manifestações. A medida foi anunciada ontem à tarde, um dia após a onda de depredação que tomou o Centro da capital paulista na noite de segunda-feira, após um protesto pacífico de professores e estudantes. No total, oito agências bancárias tiveram vidraças quebradas, duas lanchonetes foram invadidas e um carro da Polícia Civil foi destruído. Grella fez o anúncio ao lado do procurador-geral do Ministério Público Estadual (MPSP), Márcio Fernando Elias Rosa. Segundo o secretário, já existem inquéritos, boletins de ocorrência, fotos e filmes para subsidiar os promotores em futuros processos contra manifestantes que abusam da violência em protestos. Ele também informou que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo fará uma força-tarefa com o MP para a criação de uma via rápida que permita identificar e processar aqueles que pratiquem atos de vandalismo durante as manifestações. Segundo o secretário, a PM deve voltar a usar bala de borracha em ocorrências mais graves, como os episódios registrados na segunda-feira, quando foram lançados coquetéis molotov e esferas de metal contra a polícia. "Tem um tenente que corre o risco de perder a visão porque foi atingido por uma esfera de aço. Em casos como esse, a bala de borracha é justificável", disse Grella. Mais cedo, o governador Geraldo Alckmin disse que as manifestações com violência ocorridas anteontem, na região da Praça da República, "passaram do limite" e que "tomará medidas enérgicas" contra atos de vandalismo. "Isso afasta manifestações legítimas como as que ocorreram em julho. É um absurdo", disse o governador. Detidos – Até o fim do dia, dois dos onze detidos anteontem – um casal de namorados – permaneciam presos acusados de depredação do patrimônio. Eles vão responder inquérito por infringir a lei nº 7.170, conhecida como Lei de Segurança Nacional (LSN), de acordo com o delegado Antônio Luis Tuckumantel, titular do 3º Distrito Policial, para onde eles foram encaminhados. A LSN ficou conhecida na época da ditadura militar por ser utilizada em represália a manifestantes que organiza-

Black bloc: manifestação com violência

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Kety Shapazian uem tem acompanhado os protestos em São Paulo e no Rio de Janeiro notou um novo denominador em comum: manifestantes vestidos de preto, usando máscaras e formando uma linha de frente – sempre de braços entrelaçados. Geralmente os atos acabam em violência, com depredação contra o patrimônio público e privado. Na atual fase de protestos, com manifestações esvaziadas, a moda da violência e do vandalismo atrai uma parcela cada vez maior de jovens, como se verificou esta semana. Para se ter uma ideia, discussões virtuais e presenciais sobre o uso da violência como estratégia política nas manifestações de rua já são feitas em 23 Estados. Por enquanto, apenas Amapá, Tocantins, Sergipe e Acre ainda não têm fóruns online dos black blocs. Segundo a página Black Bloc Rio, com mais de 46 mil curtidas no Facebook (a de São Paulo tem 20 mil 'likes'), a "substância do black bloc muda de ação para ação, mas os objetivos principais como mostrar solidariedade frente à violência do Estado policial e dirigir uma crítica do ponto de vista anarquista, continuam os mesmos." Inspirada inicialmente em ativistas alemães, que atuavam de preto e com máscaras de gás em manifestações nos anos 1990, a tática black bloc se fortaleceu principalmente depois de ganhar os Estados Unidos. Atos de depredação em Seattle, em 1999, que impediram diversos delegados de chegarem à reunião da Organização Mundial do Comércio, conseguiram provocar o debate sobre o papel da violência nas manifestações. Mas a tática caiu em desgraça durante o Occupy Wall Street, quando foi acusada de esvaziar o movimento. Mas nem todos os jovens concordam com os mascarados. O cartunista João Montanaro, 17, cujo trabalho já foi tema de matéria no Washington Post, debocha regularmente do bb em sua conta no Twitter, chamando aqueles que participam do coletivo de "anarquista adolescente de boutique" ou desdenhando da tática – "black bloc, porque jogar videogame encheu o saco...".

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Prédio do Masp, na Avenida Paulista, amanheceu pichado ontem após as manifestações ocorridas na segunda-feira: polícia será mais enérgica. Adriano Lima / Brazil Photo Press

Armando Paiva / Fotoarena

No total, 11 manifestantes foram detidos pela PM por vandalismo. vam a participavam de atos políticos contra o regime. O advogado do casal afirmou à imprensa que Humberto Caporalli, de 24 anos, e Luana Bernardo Lopes, 19 anos, negam os crimes dos quais foram acusados pelas polícias Militar e Civil. Ele afirmou que Humberto, que se define "Humberto Baderna" nas redes sociais, e a namorada Luana estavam apenas filmando as manifestações. Porém, segundo a polícia, as próprias imagens gravadas pelo casal de Mogi Guaçu (SP) são provas de que eles participavam e incitavam depredações. Além do quebra-quebra em São Paulo, eles teriam imagens gravadas de protestos realizados no Rio, dias antes. Com o casal foram apreendidos uma mochila, sprays e um bomba de gás lacrimogêneo que, segundo o advogado, seria "um souvenir" que eles pegaram na rua durante o protesto. (Agências)

Oito agências bancárias do Centro tiveram vidraças quebradas.

Rio contabiliza prejuízos epois de uma noite de vandalismo no centro do Rio, bancos, prédios comerciais e lojas da avenida Rio Branco remediavam ontem os danos causados pela depredação, especialmente nas proximidades da Cinelândia. O principal foco de confronto foi o Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara de Vereadores da capital fluminense. Na lateral do prédio, na Rua Evaristo da Veiga, mascarados identificados com a tática black bloc danificaram um portão e lançaram bombas incendiárias contra vidraças. O fogo chegou a janelas e cortinas e só não se alastrou porque guardas municipais apagaram o foco de incên-

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dio do lado de dentro do prédio. Os black blocs atuaram por cerca de 20 minutos no local, sem que policiais militares, que estavam a cerca de 200 metros, avançassem para coibir a violência. Enquanto São Paulo quer que a polícia endureça sua reação, no Rio a Polícia Militar deve manter a mesma postura das manifestações anteriores. A ideia da cúpula da PM é evitar os confrontos contra os "black blocs". Apesar do rastro de destruição, a avaliação de setores do governo do Rio foi de que os PMs seguiram o plano estabelecido de retirar a corporação do foco das críticas de prática de truculência contra manifestantes. Para a PM, a atuação "evi-

tou danos ainda maiores". A ideia da PM era não criar um clima de desafio aos manifestantes. Os policiais ainda foram a orientados a não cair em provocações. O comandante José Luís Castro reforçou a proibição do uso de balas de borracha. Também exigiu em boletim da corporação que os casos de PMs envolvidos em abusos em protesto sejam solucionados em 15 dias. Ontem, o governador Sérgio Cabral (PMDB) elogiou a corporação. "A PM primeiro se posicionou de maneira correta garantindo a manifestação tranquila. O que estamos assistindo no Rio e em São Paulo são grupos que querem gerar o caos", disse Cabral. (Agências)

Ricardo Cardoso/Frame

JOCKEY CLUB

O .Ó..RBITA

MEGA-SENA

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m apostador que acertou as seis dezenas da Mega-Sena em julho e ganhou R$ 22.933.056,04 ficou sem a quantia porque não resgatou o prêmio até o prazo máximo, expirado ontem. Com isso, segundo a Caixa Econômica Federal, o valor será aplicado no Fundo de Financiamento Estudantil. Os apostadores têm 90 dias para resgatar o dinheiro em uma das agências da Caixa. Em 10 de julho, os números sorteados foram: 01 - 08 - 17 - 44 - 46 - 53. (Folhapress)

Jockey Club de São Paulo não poderá mais receber em seu terreno uma megacasa de shows que ficaria ao lado da pista de turfe. A decisão foi tomada pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental), que alega estar defendendo um bem tombado. A arena, projeto da empresa XYZ Live, estava com sua construção parada há quatro meses, quando o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico) rejeitou o projeto arquitetônico apresentado e pediu alterações. O Jockey foi tombado em definitivo pelo órgão de patrimônio municipal neste ano e pelo estadual em 2010. (Folhapress)

ESTUPRO

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ma aluna de Engenharia de Produção, de 23 anos, sofreu uma tentativa de estupro ontem no campus da USP (Universidade de São Paulo), na zona oeste da cidade. O crime ocorreu por volta das 8h dentro de um banheiro feminino da Escola Politécnica. Segundo o delegado Celso Lahoz Garcia, titular do 93º DP (Jaguaré), um homem agarrou a garota por trás e tentou levá-la até uma das cabines do banheiro. A estudante contou em depoimento à polícia que lutou com o suspeito, que acabou fugindo. A polícia pediu perícia para o banheiro na tentativa de encontrar alguma impressão digital que levasse ao agressor, mas nenhum suspeito tinha sido identificado ou detido até o fim da noite. (Folhapress)

USP – Não houve acordo na audiência feita ontem entre representantes da USP e os estudantes que ocupam o prédio da reitoria há uma semana. Agora, o juiz Adriano Laroca tem 48 horas para analisar o pedido de reintegração de posse do prédio. Os alunos marcaram um protesto para hoje à tarde na Avenida Paulista.


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Apostas para o Nobel da Literatura O escritor japonês Haruki Murakami, a americana Joyce Carol Oates e o húngaro Peter Nádas estão entre os favoritos para ganhar o Premio Nobel da Literatura, que será entregue amanhã, em Estocolmo. Este é o terceiro ano consecutivo que Murakami é o mais indicado pela casa de apostas inglesa Ladbrokes. No ano passado, o chinês Mo Yan ganhou. O prêmio deste ano chega a R$ 2,8 milhões. Será que Murakami leva? Fotos: Lonardo Soares/Folhapress

Um centenário que diverte milhões Renato Pompeu os anos 1920, o grande ensaísta alemão Walter Benjamin, no artigo A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica, argumentou que as obras de arte, antes apenas apreciáveis na sua imediaticidade, por serem únicas, cada obra única produzida uma única vez por um único artista, tinham perdido quase toda a sua "aura" sagrada por terem passado a poder ser reproduzidas ao infinito pelos novos meios tecnológicos. Do mesmo modo, o também grande ensaísta espanhol Ortega y Gasset, na mesma época, postulou que o quadro Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, do século 16, tinha deixado de ser uma obra de arte para se tornar uma vulgaridade ao alcance das "massas ignaras", por aparecer até em anúncios de azeite na publicidade em bondes. Quase cem anos depois, as obras de arte ganharam uma nova "aura": quanto mais milhões de exemplares vendem, mais veneradas ficam. É o caso desse divertido romance O ancião que saiu pela janela e desapareceu, de 2009, do sueco Jonas Jonasson, agora lançado pela Record, em primorosa tradução, a partir do original, de Bodil Margareta Svensson. O livro é admirado não só pelas suas qualidades, mas também por já ter tido mais de 6 milhões de exemplares vendidos em 40 países (as cifras constantes da capa da Record, de 4,5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, já foram em muito superadas desde que a edição brasileira foi impressa). Trata-se das aventuras vividas por um ancião que mora num sanatório sueco, e que não fica contente com os preparativos entusiasmados das atendentes para comemorar o seu centésimo aniversário, festa que contaria até com a presença do prefeito e outras autoridades da cidadezinha em que fica o sanatório. Irritado com esses preparativos espalhafatosos, e descontente com a vida no sanatório – afinal, o de que ele gosta mesmo é de beber vodca – o ancião foge pela janela com algum dinheiro no bolso do pijama e consegue comprar uma passagem de ônibus na rodoviária. Ele pega a bagagem de um jovem que tinha ido ao banheiro, sem saber que ela continha uma fortuna em milhões de coroas suecas, e passa a ser seguido pela polícia e pelos traficantes de drogas "donos"

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Tadeu Chiarelli, diretor do MAC-USP, e Pedro Mastrobuono, do Instituto Volpi, observam as obras recém-chegadas ao museu.

R$ 12 milhões de Volpi no MAC-USP de matar". Tadeu Chiarelli, o diretor do MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea da USP), não se conteve e soltou um palavrão ao receber quatro obras do artista Alfredo Volpi (1896-1988), depositadas em comodato no museu, na última segunda-feira. Apreendidas pela Justiça, no final do ano passado, as pinturas, estimadas agora em R$ 12 milhões, permaneceram na antiga casa de Volpi, onde atualmente reside sua neta, Mônica Volpi. No entanto, por iniciativa do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna, elas foram transferidas para o museu. "Solicitamos à Justiça essa medida porque as obras estavam em um local sem seguro e sem preservação adequada", disse o advogado Pedro Mastrobuono, pelo Instituto. Há cerca de um mês, no dia 4 de setembro, os herdeiros do artista se reuniram com a juíza Vivian Wipfli, responsável pelo espólio do artista e, por consenso, aprovaram a transferência. A reportagem da Folha de S.Paulo acompanhou, com exclusividade, a abertura das embalagens com as obras no MAC. "É muito importante o que está acontecendo. A proposta do comodato era para apenas um ano, nós convencemos a Justiça que o melhor seria estender para

cinco, assim vamos ter tempo para expor e estudar as obras", disse Chiarelli. Desde que Volpi morreu, há 25 anos, essas obras não eram vistas. Duas delas são consideradas obras-primas: Nu de Judite (abaixo), uma espécie de versão da Maja desnuda, de Goya, com a mulher do próprio artista, e Retrato de Hilde Weber, em um estilo bem próximo a Matisse. "Estou totalmente seduzido por essa obra", derretia-se Chiarelli referindo-se ao Retrato. Cada uma vale cerca de R$ 5 milhões.

o que também aconteceu com a quarta pintura, uma representação de leques. Assim, ambas foram encaminhadas à higienização, e o Nu, ironicamente, foi substituído por D. Bosco. Em novembro, as duas telas a serem restauradas devem participar de outra mostra no museu. "Isso comprova a importância de nossa iniciativa", afirmou Mastrobuono, ao constatar a deterioração das duas telas. Com o comodato dos quatro Volpis, o MAC recebe uma terceira remessa de obras

A partir de hoje, Retrato e uma pintura de dom Bosco já estarão em exibição no MAC, como um preâmbulo à mostra com 18 obras de Volpi do acervo do museu, organizada por Paulo Pasta. A ideia original não era expor a pintura com temática religiosa, mas o Nu de Judite. Contudo, enquanto desembalava a obra, a conservadora do MAC, Márcia Barbosa, identificou nela sinais de cupim,

envolvidas em litígio. A primeira é a coleção que pertenceu ao exbanqueiro Edemar Cid Ferreira, parcialmente em exposição, e a segunda, um depósito da Receita Federal de uma tela do alemão Gerhard Richter, que vale cerca de R$ 20 milhões e também se encontra em exibição. "Acho que isso vem acontecendo porque se sabe que aqui as obras são estudas, mantidas e, com o novo espaço, exibidas", avalia Chiarelli.

A disputa pela herança de Volpi – Em fevereiro de 2010, a juíza Viviam Wipfli, que cuida do inventário de Alfredo Volpi, destitui Maria Eugênia Volpi Pinto, uma das quatro filhas legítimas do artista como inventariante e nomeia em seu lugar o advogado Guilherme Santana. O motivo é que ela estaria cometendo irregularidades no espólio. Em maio do ano passado, Wipfli publicou em despacho no Diário Oficial do Estado de SP que mais de R$ 1,2 milhão foi desviado do espólio de Volpi, por conta de um contrato firmado em 2004 pela então inventariante Maria Eugênia. Em dezembro, a Justiça apreendeu nove telas e cerca de 3.000 gravuras de Volpi: quatro que estavam com sua filha, Maria Eugênia, uma com Patrícia Volpi, neta do artista, e quatro com terceiros, que se manifestaram espontaneamente. Todas as obras foram mantidas com os proprietários, até que seja determinado pela Justiça se irão a leilão. No mês passado, em audiência com os inventariantes do espólio de Volpi, a Justiça determinou que o MAC-USP recebesse em comodato, por cinco anos, as quatro telas que estavam com Maria Eugênia, por risco à segurança. E agora o MAC-USP recebe as quatro obras e passa a exibir duas delas. (Folhapress)

Festival da inclusão Divulgação

omeça amanhã a décima edição do festival internacional Assim Vivemos, o maior evento cultural do País sobre deficiência e inclusão. Serão exibidos 28 filmes de 17 nacionalidades diferentes sobre o tema, além de palestras e debates relacionados – esta edição prioriza longas sobre autismo e surdez. Destaque para As Sessões, com John Hawkes e Helen Hunt, história real de Mark O'Brien, homem tetraplégico que começa a frequentar

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uma terapeuta sexual. Todos os filmes serão exibidos com audiodescrição e catálogos em Braille para os deficientes visuais. Além disso, as legendas Closed Caption – sistema que inclui informações extradiálogo – garantem a inclusão dos deficientes auditivos. Assim Vivemos. CCBB. Rua Álvares Penteado,112. Até Sáb. (12). A partir das 13h. Gratuito. Distribuição de senha 01 hora antes do evento.

Cena do filme espanhol Cromossomo Cinco

do dinheiro. Em meio as suas andanças, ele tem, entre outros muitos encontros, contatos divertidos com um vendedor de cachorroquente e com uma elefanta. Mas estas não são as primeiras aventuras do ancião em sua vida. Ao longo de descrições de seu passado, se verifica que ele participou, desde jovem, dos episódios mais importantes do século 20. Por exemplo, especialista em munições, ele assistiu a explosões nas diversas guerras do século. Jantou com o presidente americano Harry Truman, passeou com o primeiroministro britânico Winston Churchill, andou de barco com a mulher do líder chinês Mao Tsé-Tung, atravessou o Himalaia a pé, se encontrou com o líder soviético Iussuf Stalin e com o general espanhol Francisco Franco, além de com o general francês Charles de Gaulle. Este best-seller em escala mundial, que deverá ser lançado como filme no Natal pela filial escandinava da Disney, é o livro de estreia de Jonas Jonasson, 52 anos. Filho de um motorista de ambulância e de uma enfermeira, ele nasceu em Växjö, no Sul da Suécia. Estudou letras suecas e castelhanas na Universidade de Gotemburgo, trabalhou como jornalista em sua cidade natal e em Estocolmo. Fundou sua empresa de mídia, que chegou a ter cem empregados. Trabalhando sete dias por semana, passou a sofrer em 2003 de fortes dores nas costas e de alto nível de estresse. Jogou tudo para o alto em 2005, vendeu sua empresa e passou a viver de renda num remoto lugar do litoral da Suécia, com seu gato Molotov, assim chamado em honra ao líder soviético cujo nome foi dado ao explosivo artesanal coquetel Molotov (uma garrafa cheia de gasolina a que se ateia fogo). Casou com uma mestiça norueguesa em 2007 e eles foram morar em Ticino, na parte italiana da Suíça, onde ele completou o livro sobre o ancião. Divorciado e com a custódia do filho de seis anos, ele está agora de novo na Suécia. Nos EUA, o livro tem sido apontado como um pastiche de Forrest Gump, mas não há dúvidas de que o sueco é mais divertido. Afinal, nestes tempos tenebrosos de crise econômica, é uma maneira amena e agradável de avaliar o século 20, o século das guerras mundiais, dos totalitarismos e dos genocídios.


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EFE

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As bicicletas de Ai Weiwei

A moeda do príncipe

O artista e ativista chinês Ai Weiwei montou em Toronto uma nova versão de sua famosa instalação Forever Bicycles. A obra foi elemento central da "noite branca" na cidade e foi montada com 3.144 bicicletas na praça Nathan Phillips. Como foi a primeira vez que a instalação foi apresentada a céu aberto, foi criada uma iluminação noturna especial em azul e rosa.

Para celebrar o batizado do príncipe George, no próximo dia 23, a Casa da Moeda Britânica lançou umamoeda de um quilo de ouro de 50 mil libras.

www.scotiabanknuitblanche.ca

.N..OBEL DE FÍSICA

.E..SPANHA

Premiados teóricos da partícula de Deus

EFE

Denis Balibouse/Reuters

creve quais as partículas elementares que compõem a matéria e a energia, e por meio de quais forças elas interagem. O bóson de Higgs normalmente não é detectável em sua forma de partícula. Ele é responsável pela criação de um "campo" que permeia todo

o espaço. As partículas que possuem mais massa são aquelas que mais interagem com esse campo. O efeito dessa interação é que passa a ser necessário usar mais energia para mover uma partícula maciça. Uma analogia comumente usada é

que o bóson de Higgs torna o espaço mais viscoso para um objeto com muita massa, e sua movimentação é mais trabalhosa, como se fosse um nadador fosse tirado da água e colocado para nadar na lama. A indicação para o Nobel, neste caso, foi um tanto quanto complicada porque o Englert e Higgs não foram os únicos participarem da descoberta. Robert Brout, morto em 2011, também deu contribuições fundamentais a teoria. E uma segunda geração de físicos -os americanos Dick Hagen e Gerry Guralnik e o britânico Tom Kibble- também tiveram contribuições importantes. A academia da Fundação Nobel que concede o prêmio atrasou o anúncio em mais de uma hora, pois a comissão que escolhe os nomes ainda estava reunida ontem de manhã.

Maciej Kulczynski/EFE

Os cientistas responsáveis pela teoria do bóson de Higgs, a partícula elementar que confere massa a outras partículas, são os vencedores do Prêmio Nobel de Física deste ano. O escocês Peter Higgs e o belga François Englert [na foto, da esquerda para a direita] dividirão o total de US$ 1,25 milhão concedido pela honraria. Apelidado de "partícula de Deus", o bóson de Higgs teve sua existência confirmada em julho do ano passado por experimentos no LHC, o maior acelerador de partículas do mundo, na fronteira da Suíça com a França. A descoberta era o que faltava para completar o Modelo Padrão, a teoria física que des-

Ópera com efeitos 3D Nadja Michael, soprano, interpreta o papel de Montezuma, durante ensaio geral da ópera A conquista do México, no Teatro Real, em Madri.

.H..OLLYWOOD

Segredos de Marilyn vão a leilão O prontuário médico de Marilyn Monroe, indicando que a atriz fez uma cirurgia plástica para implante de cartilagem no queixo, será leiloado no mês que vem, junto com radiografias dela. Os registros, datados

de 1950 a 1962, devem arrecadar entre US$ 15 mil e US$ 30 mil no leilão de 9 e 10 de novembro, na casa Julien's, de Beverly Hills. As anotações médicas são do cirurgião plástico Michael Gurdin, de Hollywood.

.R..ECICLAGEM

s

CONTAGEM REGRESSIVA - Pescadores puxam a rede no lago de carpas de Milickie Ponds, no povoado polonês de Grabownica. A data de ontem marcou o início da temporada de pesca carpas na região e também o começo da preparação para as celebrações do Natal.

A sala de concertos que vai onde o público está Mesa de garrafas de vidro Mesa feita com placa de vidro e 130 garrafas de refrigerante. http://goo.gl/1DNwoH

.L..OTERIAS Concurso 1218 da DUPLA-SENA

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Primeiro sorteio 09

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Segundo sorteio

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Concurso 3311 da QUINA 01

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Uma parceria entre o escultor Anish Kapoor e o arquiteto Arata Isozaki acabou em... uma sala de concertos inflável. A estrutura tem capacidade para uma orquestra completa e 500 espectadores. A estreia está prevista para a próxima segunda-feira no Festival de Lucerna. Chamada Ark Nova, a estrutura, depois, viajará para os locais devastados pelo tsunami no Japão. http://ark-nova.com/en/hall

.E..DUCAÇÃO

Malala Yousafzai lança autobiografia A paquistanesa Malala Yousafzai, de 16 anos, candidata ao Nobel da Paz, lançou ontem sua biografia I Am Malala: The Girl Who Stood Up for Education and was Shot by the Taliban. No livro, ela detalha o terror que sentiu quando levou um tiro de um talibã, dentro de um ônibus, no dia 9 de outubro de 2012.


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FEDERAL RESERVE O presidente dos EUA, Barack Obama, deve nomear amanhã Janet Yellen para substituir a partir de janeiro de 2014 Ben Bernanke no comando do Fed, o banco central norte-americano.

Gigante de alimentos põe uma tropa nas ruas O modelo de vendas porta a porta conquistou a multinacional Nestlé no Brasil. A empresa já tem 15 mil empreendedores neste negócio. Divulgação

Sílvia Pimentel gigante Nestlé abre as portas para os pequenos empreendedores. Atualmente, uma infinidade de produtos da empresa – os encontrados nas gôndolas e supermercados do País – é levada aos lares brasileiros por um contingente de vendedores de todas as idades dentro do projeto Nestlé Até Você. Trata-se de um modelo de negócio porta a porta que, embora não cause impacto expressivo no faturamento da companhia, faz diferença no orçamento dos pequenos empreendedores que buscam uma oportunidade de ter o próprio negócio, a liberdade para definir horários e aumentar a renda. O modelo está inserido na plataforma global de responsabilidade social da Nestlé, baseada na premissa de que tão importante quanto gerar valor para os acionistas é a geração de valor para a sociedade. Hoje, o projeto conta com mais de 15 mil revendedores e 260 microdistribuidores no País. O sistema funciona com distribuidores em bairros da periferia das cidades que recrutam revendedores nas comunidades para trabalhar com a venda porta a porta. YouTube – Interessante neste modelo de negócio é o fato de a companhia encontrar na internet recursos para estimular seu exército de vendedores porta a porta. A história de dezenas de empreendedores que mudaram suas vidas depois de ingressar no projeto está em vídeos no YouTube (www.youtube.com/12brasileiros). Os participantes selecionados atuam em várias regiões do Brasil, com idades entre 19 e 72 anos. Dona Penha, moradora de Guarulhos, é uma das mais antigas reven-

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Um ramo próspero com milhões de vendedores número de brasileiros que atuam com vendas no modelo porta a porta é maior do que a população do Uruguai. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), esses empreendedores somam mais de 4,3 milhões em todo o Brasil. No primeiro semestre deste ano, houve um aumento de 2,9% do número de profissionais na comparação com o mesmo período do ano passado. O volume de negócios no País atingiu R$ 18,4 bilhões, com crescimento de 5,9%. Segundo a presidente da ABEVD, Lucilene Prado, houve expansão de 2,87%, na produtividade dos revendedores autônomos quando comparamos às performances dos primeiros semestres de 2012 e de 2013. Números tão robustos levaram o Brasil a subir no ranking mundial de vendas diretas. No ano passado, os negócios movimentaram R$ 38,8 bilhões, valor 13,1% superior que o registrado em 2011, alçando o Brasil à quarta posição do ranking mundial da World Federation of Direct Selling Associations (WFDSA). (SP)

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Dona Penha, moradora de Guarulhos (acima, de óculos), faz as visitas "com prazer" e Daniel Joca, de Fortaleza, tornou-se um bem-sucedido distribuidor da Nestlé.

dedoras da empresa. Ela trocou a venda direta de livros, revistas, roupas e uniformes escolares por produtos da marca. As visitas que ela faz aos clientes são diárias e programadas com antecedência. Aos 72 anos, Dona Penha, às

vezes, toma dois ou três ônibus, contrariando a família, que insiste para que ela pare de trabalhar. "Faço com prazer meu trabalho e evolui muito, tanto no contato com os clientes quanto financeiramente", afirmou.

Outra história que foi parar na rede social é a do microdistribuidor Daniel Joca Farias, de 39 anos. Morador do bairro Quintino Cunha, na região de Fortaleza, o empreendedor estabeleceu sua empresa em 200 metros quadrados, um es-

paço que foi dobrado em pouco tempo. Atualmente, Farias tem 270 revendedores cadastrados e 12 funcionários contratados pelo regime CLT. Ambicioso, o empreendedor planeja ter 400 revendedores ativos até junho do próximo ano. "Ainda há espaço para crescer", comemorou. Para manter a motivação dos vendedores e evitar a rotatividade em seu quadro de colaboradores, ele promove campanhas com direito a sorteios, prêmios e bonificações em dinheiro. A Nestlé tem 31 unidades indústrias no Brasil e está presente em 1.500 municípios com distribuidores. A primeira fábrica foi instalada em 1921, em Araras, interior de São Paulo, para a produção do leite condensado Milkmaid, conhecido como Leite Moça.

Um consumidor menos empolgado Índice Nacional de Confiança do Consumidor, da ACSP, mostra ligeira queda em setembro passado. L.C.Leite/LUZ

Karina Lignelli autela ainda foi a palavra de ordem para o consumidor em setembro – assim como nos três meses anteriores a esse. Dados do Índice Nacional de Confiança do Consumidor (INC), medido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) em parceria com o Instituto Ipsos, revelam que o indicador registrou 135 pontos no mês passado, ante 139 em agosto, 138 em julho e 137 em junho. "A confiança do consumidor permanece no campo otimista (acima de 100 pontos), mas ele está cauteloso porque a economia não apresentou uma recuperação mais consistente. Esse cenário exige maior atenção na condução da política econômica para não comprometer a retomada", diz Rogério Amato, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). Comparado a igual mês de 2012, a queda de setembro foi bastante significativa, de 23 pontos. No mês de 2012, o INC registrou 158 pontos. Segundo Emilio Alfieri, economista da ACSP, há um ano atrás as expectativas futuras de recuperação econômica eram

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Comércio popular da rua 25 de Março: movimento ainda é alto, mas retomada da confiança do consumidor está atrelada ao crescimento do País.

mais otimistas pela ótica do consumidor. Porém, elas acabaram sendo frustradas quando saiu o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado (de 0,9%). "Era um otimismo infundado, que hoje justifica essa grande diferença na confiança em termos anuais. E a partir da ocorrência das manifestações populares em junho, o

consumidor tomou consciência que a situação não é tão otimista quando ele pensava", afirma Alfieri. No recorte por classes sociais, a classe C continuou em setembro como a mais otimista, apesar do declínio do INC para 140 pontos ante 144 em agosto. Já as classes D e E registraram leve baixa, de 128 para 126 pontos, e as classes A

e B permaneceram estáveis, com 125 pontos. Quanto às regiões, apesar de o Norte e o Centro-Oeste continuarem na liderança, houve uma queda expressiva de 27 pontos no INC em setembro, que registrou 163 pontos. O recuo provavelmente foi puxado pela base forte de comparação com agosto, quando o índice subiu de 179 para 190

pontos devido aos bons resultados das safras nessas regiões, explica Alfieri. No Sudeste, houve queda de 139 para 136 pontos, e no Nordeste o recuo foi de 134 para 131. Mesmo mantendo a posição habitual como último do ranking, o Sul, porém, foi o único a registrar alta, de 126 para 130 pontos. Já nas áreas analisadas pela

pesquisa ACSP/Ipsos, as 70 cidades do Interior foram as únicas que em setembro apresentaram INC estável na média, com 136 pontos. Já nas capitais, houve queda de cinco pontos (144 para 139), e nas Regiões Metropolitanas, de 135 para 125 pontos. "Onde a atividade ainda está ligada ao agronegócio a confiança se mantém. Já nas demais, não melhorou", afirma Alfieri. Quando se fala em percepção sobre a situação financeira atual, a pesquisa mostra estabilidade, já que 44% dos consumidores a consideraram boa em setembro, ante 45% em agosto. Assim como na situação financeira futura, considerada estável (por 49% dos entrevistados). Mas outro indicador pode sinalizar um alerta: em setembro, apenas 36% dos consumidores afirmaram se sentir seguros no emprego, ante 39% em agosto e 42% em setembro de 2012. Já os favoráveis à compra de eletrodomésticos foram 42% do total, ante 45% em agosto e 48% em igual período do ano passado. "Apesar de permanecer otimista, o consumidor reavaliou suas expectativas quando a recuperação da economia não ocorreu, por isso está mais cauteloso", completa o economista da ACSP.


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Inflação alta reduziu a renda real e pode pesar sobre o consumo (no Brasil) Do relatório do FMI

FMI empata com o Banco Central: PIB a 2,5%.

Projeção do Citibank é parecida Rejane Tamoto

Na Perspectiva Econômica Mundial deste trimestre, o Fundo mantém a previsão de crescimento feita em julho. o relatório Perspectiva Econômica Mundial, divulgado ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) traz má notícia para o Brasil. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) baixou dos 3,2% do relatório anterior (de julho) a 2,5%. Para este ano de 2013 fica tudo igual, isto é o Fundo acredita em expansão de 2,5% – como em junho – no que, a propósito, empata com a última estimativa do Banco Central. Pela estimativa para 2014, apenas outro país da América do Sul crescerá menos que o Brasil: a Venezuela, com 1,7%. Ambos ficarão abaixo da média sul-americana, prevista em 3,2%. O FMI acentua que o Brasil, que cresceu 0,9% no ano passado, enfrenta inflação persistentemente alta, mesmo num momento em que a economia tem dificuldades para decolar. "A inflação mais alta reduziu a renda real e pode pesar sobre o consumo, enquanto restrições de oferta e incerteza política podem continuar a conter a atividade", informa o relatório. Nos cálculos da organização, a inflação brasileira fechará este ano a 6,3%. Em

N

2014 baixará um pouco, indo para 5,8%. Economistas de instituições financeiras nacionais opinam na pesquisa Focus do Banco Central, que o IPCA ficará em 5,8% e 5,9% para este ano e 2014, respectivamente. A meta de inflação do governo é de 4,5%, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Finalmente, a taxa de desemprego no Brasil estimada pelo Fundo ficará em 5,8% neste ano e em 6% no próximo. A América do Sul toda, na conta do FMI crescerá 3,2% neste ano o FMI, isto é, levemente acima do que se espera para 2014. Já para o México, as estimativas são pessimistas: expansão de 1,2% neste ano, ante projeção anterior de 2,9 em julho, devido à queda nos gastos públicos, recuo na construção e demanda fraca nos EUA por exportações locais. "Esperase que o crescimento recupere-se gradualmente e volte a 3¨% em 2014, à medida que a manufatura ganhe fôlego devido à recuperação da demanda dos EUA, os gastos públicos ganhem força e as reformas estruturais em vigor comecem a dar frutos", disse o FMI em seu relatório Perspectiva Econômica Mundial. (Reuters)

Expansão global continua lenta Shawn Thew/EFE

FMI reduziu também suas previsões para o crescimento da economia mundial. É a sexta vez desde o começo do ano passado; agora, cita que a maior expansão nas economias desenvolvidas não compensará a desaceleração nos mercados emergentes. Segundo o relatório divulgado ontem, para 2013, na nova previsão, a expansão global será de 2,9%, abaixo da estimativa de julho, de 3,1%. Se concretizado, este seria o ano mais lento de expansão desde 2009. Para o próximo ano, o FMI prevê aceleração modesta, de 3,6%, abaixo da estimativa de julho, de 3,8%. No mês passado, em Tóquio, a diretora-gerente do fundo, Christine Lagarde, antecipara isso, atribuindo a desaceleração à desconfiança dos investidores devido aos problemas na zona do euro e temores sobre a recuperação econômicados Estados Unidos. A perspectiva para países emergentes, que vinham sendo o motor da recuperação global, ficou um pouco mais obscura por fatores estruturais e cíclicos. As economias desses países devem crescer em ritmo aproximadamente quatro vezes mais rápido do que as economias desenvolvi-

O

Christine Lagarde: investidores temem problemas na zona do euro desconfiam da recuperação dos EUA. das. No entanto, os crescimentos impetuosos que alguns desses países desfrutaram nos últimos anos podem não se repetir no futuro, de acordo com o FMI. A China, em particular, deve desacelerar no médio prazo, a medida que faz a transição do investimento para o consumo como condutor da economia. Os mercados não têm mais a expectativa de que o governo chinês entre com estímulos se

om a inflação pressionada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual na reunião que termina hoje, segundo projeção de Hélio Magalhães, presidente do Citibank. Até o fim do ano a estimativa do banco é de que haverá mais um aumento de 0,25 p.p., com a taxa encerrando o ano em 9,75%. "A crise iniciada em 2008 ainda não terminou e vai impactar os emergentes", afirmou Magalhães durante o Seminário LIDE Mulher, em São Paulo. Longe de ser um pessimista, Magalhães disse que a situação também não está confortável para o País. "O Brasil não está em crise. Temos reservas internacionais de US$ 380 bilhões, enquanto nas crises anteriores não passavam de US$ 40 bilhões. Isso dá sustentação. O problema é que vivemos com uma inflação resistente, na faixa de 5%, investimento abaixo do necessário e crescimento econômico baixo. A combinação não é boa", avaliou. O executivo disse que no exterior ainda há dúvida sobre a intervenção do governo para a realização dos investimentos de longo prazo. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a projeção do Citibank é de crescimento de 2,6% este ano. A estimativa é ainda menor para 2014, ano de eleição: de 2%, com uma Selic acima de 10%. "O ano de 2015 tende a ser pouco saudável para os negócios, com a economia também crescendo 2%. Viveremos dois anos com as mesmas emoções. Isso porque o governo precisará continuar elevando os juros para controlar a inflação. Em um período de 18 a 24 meses a inflação tende a não cair porque o dólar não deixará", salientou Magalhães, lembrando que a moeda norte-americana pode voltar a subir quando o Federal Reserve (Fed) retirar os estímulos monetários, o que elevará a taxa de juros nos Estados Unidos. Ressaltou que 2015 ainda será um ano de ajustes para o governo eleito, seja o atual ou um novo. Magalhães aconselha a preservar o caixa para ter liquidez. "Quem tem uma reserva, garante o futuro e consegue encontrar oportunidades em períodos de crise. Quem precisar se endividar, precisará mitigar e gerenciar os riscos", diz. Outro conselho para as líderes que o ouviam foi o de aproveitar a crise para reduzir custos da empresa. "É muito importante porque o custo pode comer a receita", afirmou.

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o crescimento cair abaixo de 7,5%, informou o Fundo. O crescimento menor na segunda maior economia do mundo pode se espalhar para outros países, especialmente os exportadores de commodities que dependem da forte demanda chinesa por energia. O FMI também destacou o risco de condições financeiras mais apertadas, devido à preparação dos mercados para o fim da política monetária ul-

trafrouxa dos Estados Unidos. Segundo o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, é o momento de o banco central norte-americano se preparar para a saída de seu programa de compra maciça de títulos, mas alertou sobre a possibilidade de uma transição difícil para os mercados financeiros. Nos Estados Unidos, os cortes de gastos do governo federal em geral no início do ano

devem subtrair 2,5% da produção em 2013. Mas a recuperação no setor imobiliário deve contribuir para o crescimento econômico de 2,6% no próximo ano, impedindo qualquer crise financeira, informou o FMI. Os Estados Unidos estão conduzindo grande parte da recuperação global e a produção norte-americana deve acelerar mais no próximo ano -contanto que a política não atrapalhe, opina o Fundo, referindo-se ao prolongamento do impasse em relação ao teto da dívida do país de US$ 16,7 trilhões. Já a economia da zona do euro deve registrar recuar 0,4% neste ano, mas se recuperar em 2014 com crescimento de 1%, estima o relatório. Mas os países da zona do euro devem lidar com a fragmentação financeira, melhorar a condição dos bancos e promover uma união bancária, aconselha o FMI – como já fizera em relatórios anteriores. Não resolver os problemas da Europa e ter que enfrentar forte aperto das condições financeiras por causa da retirada do estímulo do Fed podem levar para crescimento global de médio prazo de apenas 3%, finaliza o Fundo.(Reuters)

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Magalhães: Brasil sem crise.


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José Carmo Vieira Sebrae-SP aconselha: o empreendedor deve manter um site, e sempre atualizado.

Sebrae ensina como turbinar vendas

Reprodução

Um guia orienta os lojistas a tomar certas providências, algumas delas simples, que podem estimular as vendas no Dia das Crianças. Paula Cunha s vésperas do Dia das Crianças, os lojistas ainda têm tempo para criar ações e alterar seu ponto de venda para estimular as vendas. Montar uma vitrine diferenciada ou dividir seu espaço em áreas destinadas a faixas etárias diferentes são providências simples de serem tomadas. É o que ensina a nova cartilha do Sebrae/SP "Aumentar suas vendas pode se tornar uma brincadeira de criança", disponível no endereço eletrônico http://sebrae/sp/vmd_criancas Nela são abordados os temas que fazem parte do cotidiano do varejista, mas que muitas vezes são negligenciados principalmente pelos pequenos empresários, que gerenciam sozinhos o empreendimento. Lojas especializadas em brinquedos ou outros produtos infantis podem atrair seus vizinhos distribuindo folhetos ou enviando e-mails para clientes já cadastrados com as principais promoções e novidades, exemplifica o consultor do Se-

À

brae-SP José Carmo Vieira Segundo Vieira, o visual da loja é essencial para atrair as crianças e seus pais. O lojista precisa escolher os brinquedos mais atraentes e os mais procurados e dar destaque a eles, rodeando-os com decoração em cores fortes e alegres. A vitrine deve ser decorada de acordo com a idade das crianças que se quer atrair e transmitir um conceito conectado com a data comemorativa. (Mais dicas no quadro 1.) A loja deve oferecer também um espaço lúdico para segurar meninos e meninas por mais tempo e, simultaneamente, dar mais tempo aos pais para decidir a compra. As crianças, hoje, influenciam os adultos muito mais na aquisição tanto de brinquedos quanto de muitos itens consumidos em casa, diz Vieira. Com a internet – O consultor chama a atenção também que a grande maioria dos consumidores, pesquisam, pela internet, os brinquedos e jogos mais modernos. Diante disso, o empreendedor deve

manter um site, e sempre atualizado, com ofertas e novidades divididas por faixa etária para facilitar a consulta. (Veja quadro 2) A cartilha ensina também que o comerciante deve equilibrar bem seu estoque, especialmente se o espaço da loja for maior, oferecendo tanto atrativos modernos quanto brinquedos tradicionais. De acordo com Vieira, muitos estabelecimentos perdem clientes porque são tão modernos que afugentam o pequeno consumidor ou porque são clássicos demais. Outras estratégias já são bastante conhecidas, mas nem por isso menos eficazes para atrair os pequenos clientes. Por exemplo, a distribuição de brindes na entrada da loja (balas, pirulitos e bexigas) ou a contratação de um carrinho de pipoca ou algodão doce. A decoração, os tradicionais papéis picados e uma trilha sonora com sucessos atuais podem contribuir

para criar um ambiente acolhedor para todas as faixas etárias, bem como para os pais. Cartazes e placas com preços e outras informações podem ajudar a destacar as famosas pilhas de jogos e outros itens que costumam ser distribuídas dentro da loja, especialmente as ofertas e os produtos apresentados em forma de promoções especiais. Atendimento – Um ponto nevrálgico é o treinamento dos funcionários. Eles devem conhecer muito bem todas as características dos brinquedos e jogos que estão vendendo e a faixa etária para as quais eles foram criados para transmitir estas informações

aos pais e aos pequenos compradores e evitar a famosa prática do "empurrômetro". Esse processo de orientação deve incluir as situações em que os pais agem como se estivessem comprando os brinquedos para eles próprios. O empresário precisa ter claro que isso não é verdade, mas deve respeitar a curiosidade do adulto que tanto quer conhecer as novidades quanto apresentar aos filhos os brinquedos de sua própria infância. Normalmente, quem está na linha de frente do atendimento no Dia das Crianças deve dar atenção diferenciada ao público-alvo, mas se os pais anteciparem as perguntas elas devem ser

respondidas aos dois. O lojista precisa se organizar para treinar os funcionários com antecedência, especialmente se contratar temporários para reforçar a equipe. Por isso, deve utilizar os dias que restam até sábado para reforçar alguns pontos deste treinamento de maneira rápida. Outro detalhe para facilitar o atendimento é providenciar todos os meios de pagamento existentes para o consumidor. Mesmo sabendo que quase ninguém mais utiliza cheques, se for essa a forma escolhida do cliente para pagar a conta, o empreendedor deve estar preparado, com o respaldo de um serviço de proteção ao crédito.

IGP-DI vai a 1,36% em setembro O índice, que subira,46% em agosto, foi puxado por preços de matérias-primas. Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGPDI) subiu 1,36% cento em setembro, ante elevação de 0,46% no mês anterior, puxado pelos preços de matérias-primas informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). Em 12 meses até agosto, o índice acumulou alta de 4,47%, ante 3,98% no mrdmo p´rtíofo do ano passado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI) subiu 1,90%, após alta de 0,58% em agosto. O IPA calcula as variações de preços de bens agropecuários e industriais nas transações em nível de produtor e responde por 60 por cento do IGP-DI. Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor

O

(IPC-DI), subiu 0,30%, ante avanço de 0,20% no mês anterior. O índice mede a evolução dos preços às famílias com renda entre um e 30 salários mínimos mensais e corresponde a 30% do IGP-DI. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI – que representa 10% do IGP-DI ) avançou 0,43 % em setembro, depois de ter aumentado 0,31% em agosto. O IGP-DI é usado como referência para correções de preços e valores contratuais. Também é diretamente empregado no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e das contas nacionais em geral. A principal preocupação atualmente em relação à inflação é o impacto

da recente valorização do dólar sobre os preços. Isso levou o Banco Central a adotar um programa de leilões cambiais diários para impedir maior turbulência nesse mercado. Na ata da reunião em que elevou a taxa básica de juros, a Selic, para 9% por cento, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC mostrou estar atento à alta do dólar e afirmou que a política monetária deve ser usada para conter os efeitos desse movimento sobre os preços. Hoje, o Copom se reúne novamente e, segundo grande parte do mercado, deve manter o ritmo de alta da taxa básica de juros e elevá-la para 9,5% ao ano. (Reuters)


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É mais uma operação financeira: vendemos o hotel, pegamos a renda e mantemos chance de voltar a comprá-lo no futuro. Pedro Reimão, diretor-presidente da Pestana no Brasil.

Hotéis, na hora da profissionalização. Abertura de capital, venda de prédios, cidades médias – o mercado hoteleiro busca a consolidação e a profissionalização para crescer sem sobressaltos. Divulgação

ontrolar todo o processo, buscar parceiros ou se concentrar no que se sabe fazer melhor? Essas são algumas das alternativas que grandes investidores do ramo hoteleiro estão encontrando para fazer frente à expansão e consolidação do setor no Brasil. Às vésperas da Copa do Mundo e das Olimpíadas e esperando um boom no número de quartos de hotéis nos próximos anos, empresas nacionais e estrangeiras adotam modelos distintos para financiar o crescimento, mas partilham a mesma percepção: embora ainda fragmentado, o espaço para amadores parece ficar cada vez menor. A BHG, que opera a marca Golden Tulip no país, prevê uma arrancada em aquisições com os recursos de sua oferta de ações. O grupo português Pestana negocia a venda de hotel no Rio de Janeiro para levantar recursos, copiando estratégia adotada no exterior. As sócias Hemisfério Sul Investimentos e WTorre usarão recursos próprios para levantar hotéis em cidades médias. A HotelPar quer o mesmo nicho, mas se associou a incorporadoras regionais para erguer hotéis de marcas norteamericanas. Segundo o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), a iniciativa privada investirá R$ 7 bilhões até 2015 em projetos de expansão, com apenas 5% disso liberado via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com pouco subsídio do governo, as empresas se apoiam em duas premissas para justificar o apetite pelo país: expansão contínua da renda das famílias, e consequente aumento dos gastos com turismo; e a crença no domínio das grandes redes no futuro, ante os muitos – e em geral pequenos – competidores de hoje. "Nossa tese de investimento é exatamente essa, de consolidação e profissionalização do setor", disse o presidenteexecutivo da BHG, Eduardo Bartolomeo, na primeira entrevista desde que assumiu o cargo, em agosto. "O hóspede vai querer hotel de marca em que confie e saiba o que vai encontrar." A empresa acaba de criar uma diretoria de "gente e gestão" para alinhar a equipe ao seu agressivo plano de crescimento, que ganhou fôlego após a BHG levantar R$ 355 milhões em abril com uma

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oferta subsequente de ações – a empresa é a única do setor listada na Bovespa. Com o dinheiro, a BHG deve fazer aquisições, construir hotéis e fechar novos acordos de administração até 2014. Sem considerar as "novidades", a empresa estima que seu número de quartos, atualmente de 8.539, suba cerca de 50% até 2015. Para ganhar musculatura, o Pestana optou por vender seu hotel no Rio de Janeiro e manter a administração do empreendimento, nos moldes do que já fez em Bogotá, na Colômbia; Barcelona, na Espanha; e em Cayo Coco, em Cuba. A empresa usará o dinheiro para ampliar as unidades geridas no país, disse o diretorpresidente da rede no Brasil, Pedro Reimão, além de destinar recursos para a expansão internacional. "É mais uma operação financeira: vendemos o hotel, pegamos a renda e mantemos chance de voltar a comprá-lo no futuro", disse. O modelo de separar propriedade e administração tem ganhado força num cenário econômico global ainda fraco, principalmente nos países desenvolvidos, afirmou Carolina de Haro, sócia-diretora da Mapie, consultoria especializada em hotelaria. "Em momentos em que a Europa ainda vive crise, capitalizar o ativo que é mais imobilizado permite ganhar liquidez para continuar fazendo aquilo que, em teoria, a empresa faz de melhor, que é administrar os hotéis", afirmou. A HotelPar, que anunciou neste ano o desenvolvimento de duas bandeiras econômicas estrangeiras no país, também escolheu dividir responsabilidades para tocar sua expansão. A empresa paga ao grupo norte-americano Wyndham Hotel para usar as marcas e recebe assessoria nos projetos. Para construir os hotéis, se associa a incorporadoras locais, que em média assumem 70% dos empreendimentos. Em estratégia distinta, a gestora de fundos de private equity Hemisfério Sul Investimentos (HSI) e a sócia WTorre lançaram uma joint venture hoteleira que controla toda a cadeia. A empresa é responsável pelo desenvolvimento da bandeira Zii, com diárias abaixo de R$ 200. Segundo o sócio-fundador da HSI Maximo Pinheiro Lima, o controle de marca, hotéis e operação é uma vantagem da

Divulgação

Recall para donos de Onix e Prisma GM anunciou ontem o recall de 2.683 veículos, entre os modelos Chevrolet Onix e Prisma 2013, fabricados de 20 a 23 de maio de 2013. O motivo é possível falha no encosto dos bancos dianteiros, que pode causar "movimentação involuntária" e, consequentemente, risco de acidente. De acordo com o comunicado, estão dentro deste chamado os proprietários dos modelos com chassi no intervalo de DG260034 a DG322859. Ao comparecerem na concessionária, haverá a inspeção e eventual substituição da estrutura do encosto. A empresa afirma ter constatado uma nãoconformidade no processo de soldagem entre o reclinador e a estrutura do encosto dos bancos dianteiros. Em caso de movimentação involuntária, há risco de "danos materiais e físicos aos ocupantes do veículo e a terceiros", diz o comunicado. Segundo a GM, o tempo previsto para a realização do serviço é de 1h50. A empresa disponibiliza o e-mail www.chevrolet.com.br e o telefone 0800 702 4200, para mais informações e agendamento do serviço. O Procon lembra que o consumidor não deve esquecer de solicitar o comprovante de que o serviço foi efetuado. O documento será importante no momento da venda do veículo. Além disso, o órgão destaca que mesmo que tenha sido comercializado mais de uma vez, o atual proprietário terá o mesmo direito ao reparo gratuito. (Folhapress)

A

O Pestana Atlântica, no Rio de Janeiro, teve o prédio à beira-mar vendido, mas a empresa manteve a administração do negócio. joint venture. "No longo prazo, eu consigo manter um padrão de excelência talvez melhor que a média, porque só dependo de mim mesmo", disse, descartando captar dinheiro no mercado. "Já temos uma estrutura de capital muito forte como gestora." Para Carolina, da Mapie, o maior controle sobre a marca também implica concentração de riscos. "Acredito que a separação entre gestão e propriedade aumentará, porque o país não tem grandes linhas

de crédito para a hotelaria", disse. "Essa é a forma que o mercado hoteleiro achou de financiar o crescimento." Seja qual for o modelo escolhido, as empresas parecem otimistas quanto à expansão do negócio. No fim de 2012, o Brasil contava com 313.833 quartos de hotel, segundo dados do Ministério do Turismo. Nas contas da consultoria Jones Lang LaSalle, 270.500 eram de estabelecimentos com mais de duas estrelas, sistema de reserva online e

acima de 25 apartamentos. Segundo a consultoria, a oferta de quartos com esse perfil deve subir 71% nos próximos 10 anos, o que justificaria a aposta das grandes do setor nesse segmento mais "qualificado". "É claro que há concorrência e investidores com diferentes perfis", disse Ricardo Mader, diretor na consultoria. "Mas não conheço ninguém que queira sair. Há consenso que ninguém pode deixar um mercado com 200 milhões de habitantes de lado." (Reuters)

Salão de Motos: contra a crise, otimismo. crise no setor de motos continua, mas o Salão Duas Rodas abriu ontem com otimismo. A exposição, até 13 de outubro no Anhembi, começa com a Abraciclo (associação dos fabricantes) divulgando os resultados do setor em setembro. Houve uma diminuição de produção de 4,7% em relação a agosto, em um ano que já acumula 6,9% de queda, quando comparado com 2012. Uma das principais razões, segundo a entidade, continua sendo a dificuldade de financiamento para motos pequenas e populares. Em contraste, a venda de moto grandes e lu-

A

xuosas (acima de 450cc) aumentou 2,4% no mesmo período. Uma solução, além do incentivo aos consórcios, seria a volta do leasing, mas com novas regras – ponto defendido também pelas montadoras de automóveis. Mesmo assim, existem bons resultados no setor de duas rodas, que já acumula uma frota de 21 milhões de veículos no Brasil, segundo Marcos Femanian, presidente da Abraciclo. Em dez Estados, localizados principalmente na região Norte, Nordeste e CentroOeste, a frota de motos já ultrapassou a de automóveis. Para Femanian, "a moto é um fator de inclusão social". (Folhapress)


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Ao falar das negociações no Congresso, presidente dos EUA critica partes extremas do Partido Republicano.

Barack Obama reclama de "extorsão" Shawn Thew/EFE

presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, intensificou ontem a pressão política sobre os republicanos, dizendo que só aceitará negociar uma solução para o impasse fiscal se a oposição aceitar reabrir os órgãos federais e elevar o limite da dívida pública sem pré-condições. Em entrevista coletiva, Obama se mostrou resoluto ao dizer que não irá negociar formas de tirar o país do impasse fiscal sob ameaça

O

"das partes mais extremas do Partido Republicano". Extorsão – "Se os republicanos razoáveis quiserem conversar sobre essas coisas novamente, estou pronto para ir até o Congresso e tentar", disse Obama. "Mas não vou fazer isso até que as partes mais extremas do Partido Republicano parem de pressionar John Boehner, presidente da Câmara, a fazer ameaças sobre nossa economia. Não podemos tornar a extorsão uma parte rotineira da nossa de-

mocracia." O republicano Boehner não fez ontem alusão às suas recentes exigências para que Obama adiasse parte da entrada em vigor do seu programa de saúde pública, em troca da aprovação do orçamento do governo para o ano fiscal iniciado em 1º. de outubro. Sem um orçamento aprovado, vários órgãos públicos estão fechados há mais de uma semana. O impasse orçamentário acabou contaminando a discussão sobre a elevação do

teto da dívida, que atualmente é de US$ 16,7 trilhões. O secretário do Tesouro, Jack Lew, identificou o dia 17 de outubro como prazo para essa elevação. O risco de uma moratória da dívida norte-americana gera temores de um caos financeiro global. "Se houver um problema em elevar o teto da dívida, pode acontecer de a atual recuperação econômica mundial se tornar uma recessão ou até pior", disse o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard. (Reuters)

Obama tem até o dia 17 de outubro para elevar o teto da dívida.


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O Tsukiji é uma marca mundialmente conhecida e um tesouro cultural. Por que jogar tudo isso fora? Makoto Nozue, há 60 anos negociando atum.

O reino do sushi vai virar condomínio O Tsukiji, o maior mercado de peixe do mundo, coração da cultura do sushi, está de mudança. Vai dar lugar a prédios de luxo e um túnel para a Olimpíada deTóquio. Fotos Ko Sasaki/The New York Times

Martin Fackler* odos os dias antes do amanhecer, o maior mercado de peixes do mundo, em Tóquio, ganha vida em uma atividade frenética – o último resquício de um Japão antigo e bizarro. Trabalhadores usando galochas caminham sobre 2,5 cm de água, enquanto outros pilotam carrinhos motorizados carregando caixas de isopor com todos os tipos de criaturas que podem ser rebocadas do mar, desde sardinhas em forma de punhal e caranguejos com cara de aranha, até manchas protoplasmáticas desinfladas de predadores misteriosos do fundo do mar. De um lado, leiloeiros vendem, com vigor, atuns enormes congelados, enfileirados no chão. Ali perto, vendedores de peixe em barracas a céu aberto cortam a carne do atum em tijolos vermelho-rubi para vender em sushi-bares e mercados. Em breve ele terá acabado. A cidade planeja investir US$ 4,5 bilhões para, dentro de três anos, realocar o mercado – apelidado de Tsukiji pelo bairro que o cerca – para um centro de distribuição moderno, com temperatura controlada, em uma ilha artificial. A mudança faz parte de uma repaginada mais abrangente planejada pelo Japão antes das Olimpíadas 2020. Para os muitos que se opuseram à mudança, a realocação trará não apenas a perda de um mercado histórico de 78 anos, mas também será outro sopro em um estilo de vida que está desaparecendo. O Tsukiji tem

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O atum retalhado para virar sushi e a confusão diária no apertado mercado de peixe: mudança controvertida para uma ilha artificial, num terreno antes contaminado. sido um lugar onde os comerciantes discutiam cara-a-cara, e onde até o vendedor mais humilde exibe sua obsessão pelo frescor que ajudou o Japão a levar o sushi para o mundo. Sua passagem é parte de uma transformação maior, longe das lojinhas de família especializadas em tudo, desde tofu até bolinhos de arroz, que têm sido,

cada vez mais, substituídas por supermercados de rede ou cadeias de fast-food. As autoridades dizem querer transformar os aproximadamente 20 hectares de terra do mercado – avaliados em bilhões de dólares – em apartamentos de luxo e em um túnel que conectará Tóquio às ilhas que deverão comportar novas

áreas para as Olimpíadas. As autoridades, e muitos que trabalham no mercado, também dizem que a mudança é necessária para acompanhar os novos tempos, conforme as cadeias de fast-food e supermercados que mudaram o cenário urbano de Tóquio têm, cada vez mais, excluído o Tsukiji, por ser muito caro e lento. Os opositores contra-atacam dizendo que a realocação é ainda outro exemplo das prioridades distorcidas dos burocratas japoneses felizes com o desenvolvimento, que querem destruir o que se tornou um dos destinos turísticos mais populares da cidade para enriquecer grandes companhias de construção e incorporadoras imobiliárias. "Tsukiji era o coração da cultura do sushi que se espalhou pelo mundo", disse Kazuki Kosaka, ex-membro da assembleia local, que se opõe à realocação. "E agora será transformado em condomínio." Quando houve a proposta de mover o Tsukiji, há 14 anos, ela gerou uma oposição generalizada, até mesmo provocando alguns protestos de rua. Eles foram liderados pelos médios atacadistas, os tradicionais revendedores que compram dos grandes atacadistas e vendem para restaurantes ou outros revendedores. Eles temiam que o novo mercado permitisse que os atacadistas de corporações os tirassem da jogada. Em 2011, o plano pareceu condenado depois da descoberta de contaminantes tóxicos no novo espaço, que havia abrigado uma refinaria que convertia carvão em gás natural. Todavia, autoridades da cidade foram implacáveis, desbastando a oposição ao oferecer subsídios para ajudar a pagar pela mudança. No ano passado, o sindicato dos médios atacadistas, que tem 700 membros, mudou sua posição e se saiu a favor da mudança, que já é considerada irreversível, salvo algum imprevisto de última hora. Depois de alguns atrasos, Tóquio diz estar no caminho certo para completar a limpeza, com duração de um ano, do novo espaço até março. Os trabalhadores dali agora passam seus dias raspando vários metros de superfície do solo contaminado para substituí-lo por terra limpa. Porém, os críticos temem que a limpeza não irá convencer os céticos

de que os frutos do mar cujo valor está, em grande parte, em sua limpeza, são seguros. "O governo de Tóquio está usando as Olimpíadas como desculpa para distrair as pessoas do problema de contaminação", disse Makoto Nozue, de 76 anos, que comprou e vendeu atum no mercado durante seis décadas. "O Tsukiji é uma marca mundialmente conhecida e um tesouro cultural. Por que jogar tudo isso fora?" Apesar das preocupações contínuas sobre os poluentes, muitos críticos dizem que eles já se redesenharam para a inevitável perda do mercado de peixe. Eles agora estão tentando descobrir como evitar que a realocação ocasione, também, a perda dos mais de 400 restaurantes e lojas do lado de fora da entrada do mercado. Conhecido como "Jogai" ou "lado de fora do mercado", esse movimentado labirinto de lojas também desabrocha às seis da manhã, quando uma multidão de asiáticos sonolentos e turistas ocidentais enchem os corredores estreitos. Donos das lojas gritam "irasshai" (bem -vindos) para atrair turistas para suas barracas apertadas que vendem facas para sushi e congeladores de peixe, olhos de atum e bacon de baleia-de-minke. Hiroyuki Ushioda, cuja loja é especializada em conserva de cavala e tainha desidratada, disse ter permanecido otimista de que Jogai tem nome o suficiente para prosperar mesmo sem o mercado. "Eu acho que é inevitável que o mercado deva mudar de tempos em tempos, mas isso não significa que o bairro irá desaparecer", disse Ushioda, de 33 anos. Comerciantes disseram que o bairro agora estava se preparando para a perda de um mercado que atraiu centenas de milhares de turistas por ano e alimentou em 2 trilhões de yen (ou US$ 20 bilhões) anuais a economia local, em grande parte, pelo turismo e pelo principal negócio do mercado: distribuir frutos do mar. Uzumi Yoshida, vice-chefe de Chuo, um distrito com ares de bairro em Tóquio, que inclui Tsukiji,

disse que Chuo gastaria US$ 23 milhões para construir um mercado substituto bem menor onde funciona hoje um estacionamento, com a esperança de persuadir alguns dos comerciantes a ficar. Mesmo com o novo, e menor, mercado, Yoshida admite que pode ser difícil conservar a atmosfera apertada e cheia de energia do bairro. Foi esse caos que levou Shintaro Ishihara, o carismático e obstinado ex-prefeito de Tóquio, a insistir em se livrar do mercado, que ele chamou de "sujo, pequeno e perigoso". Autoridades da cidade dizem que um dos maiores problemas do mercado é que foi construído em 1935 para acomodar trens, e não os caminhões de hoje em dia, provocando congestionamentos todas as manhãs, conforme centenas de veículos se alinham perto das ruas, espe-

rando abrir uma vaga em meio ao carregamento. Sem um novo mercado construído para acomodar mais caminhões, dizem eles, não haverá modo de reverter a paulatina queda na quantidade de frutos do mar passando pelo Tsukiji: de acordo com a cidade, o mercado movimentou 497 mil toneladas de frutos do mar em 2011, 15% menos que em 2006. O vice-presidente do sindicato dos atacadistas, Tadao Ban, disse que foi essa queda, e não os subsídios, que convenceu o sindicato de que era necessário um novo mercado para se sobreviver – e para manter viva outra tradição: a de passar os negócios para a próxima geração. "Sem o novo mercado, não teremos mais nossos negócios", disse Ban, de 68 anos, que herdou a companhia atacadista de atum de seu pai, e espera passá-la para o filho. "Eu cresci nesse mercado, e passei a vida aqui, mas eu também quero ter o sonho de, no futuro, repassar para meus filhos." *The New York Times


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