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Jornal do empreendedor

Ano 90 - Nº 24.118

Conclusão: 00h15

www.dcomercio.com.br

Alívio para micro e pequenas empresas

R$ 1,40

São Paulo, quinta-feira, 8 de maio de 2014 Masao Goto Filho/e-SIM

Ailton de Freitas/Ag. O Globo

Projeto do ex-senador Cotait (foto) já foi aprovado no Senado. Pág. 13

Simples fácil, unânime: 417 a 0. O projeto que atualiza a lei das MPEs passou na Câmara sob aplausos ao ministro Afif Domingos (foto). Faltam 19 emendas e debate no Senado. Pág. 13

As novas figurinhas para a Copa Jô, Fernandinho, Henrique, Maicon, Maxwell, Victor e Jefferson não estavam no álbum oficial da Copa, mas estão entre os 23 convocados ontem, no Rio, pelo técnico Felipão. O grupo já estava praticamente definido, com a base do que foi campeão da Copa das Confederações no ano passado. Veteranos como Kaká e Ronaldinho Gaúcho ficaram de fora. Pág. 10 Sergei Karpukhin/Reuters

Ele não foi chamado para a Seleção, mas ficará para a história no álbum de figurinhas, ao lado de Neymar.

À beira da guerra, Putin ordena: meia volta, volver!

ISSN 1679-2688

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9 771679 268008

Robinho, só no jogo de bafo.

Página 4

As tropas russas, porém, não começaram a se retirar da fronteira ucraniana, deixando no ar a dúvida: será mais uma estratégia do judoca Putin? Outro golpe-surpresa: a Rússia diz que vai aceitar a eleição presidencial na Ucrânia. Pág. 8

Sem pressa, Renan pede nomes para CPI. Líderes terão até 5 sessões para indicações da CPI da Petrobras. Leitura de requerimento do PT cria a CPMI do metrô de SP. Pág. 5


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Becker foi pioneiro na introdução do valor do tempo em um grande número de decisões das pessoas Roberto Fendt

NOSSA POSIÇÃO

Educação e produtividade iversos estudos demonstram que o Brasil vem perdend o e s p a ç o n o c omércio internacional devido ao crescimento menor de sua produtividade quando comparado ao dos demais países com os quais compete, tanto no mercado externo como no interno. De acordo com uma pesquisa do Boston Consulting Group (BCG) que analisa a competitividade em 25 economias exportadoras, a do Brasil foi a que mais perdeu na última década. O estudo mostra que os custos da indústria brasileira em 2004 eram 3% menores do que os da indústria americana e hoje são 23% maiores. O BCG considera quatro fatores: os níveis salariais dos trabalhadores, o preço da energia, os índices de produtividade e as taxas de câmbio, considerando que mudanças nesses fatores alte-

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ram drasticamente a estrutura de preços das indústrias. Pelo estudo, os salários no Brasil quase dobraram entre 2004 e 2014 e o real se valorizou em 20% frente ao dólar. O preço da eletricidade também subiu (em torno de 90%) e o do gás natural aumentou cerca de 60%, enquanto a produtividade dos trabalhadores cresceu apenas 3%. os fatores apontados pelo Boston Consulting Group, tivemos algum avanço no tocante ao câmbio, com a desvalorização do real nos últimos meses. O custo da energia, depois de uma queda artificial que não beneficiou todos os setores, voltou a subir. E os salários continuaram a aumentar, embora de forma mais moderada. O crescimento da economia brasileira nos últimos anos se deveu, em grande parte, ao

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bônus externo representado tam uma perspectiva favorápela elevação dos preços in- vel para a melhora da produternacionais das matérias pri- tividade. Os custos decorrenmas e alimentos; ao bônus de- tes da burocracia, da alta trimográfico, que aumentou a b u t a ç ã o e d a e x c e s s i v a oferta de mão de obra incorpo- intervenção regulatória – esrada ao mercado interno; e a pecialmente na área ambienuma política de crédito a cus- tal – poderão ser reduzidos em prazo curto, tos menores e praisso se houver dezos mais longos de Principal fator terminação do financiamento. para elevar a Executivo e do Esses fatores se esgotaram, ou tivecompetitividade, Legislativo. Essas medidas ram seu impacto rena perspectiva são importantes. duzido no período de médio e Mas o principal mais recente, indifator para elevar cando que o crescilongo prazos, é o a competitividam e n t o d a e c o n ocapital humano. de, em uma persmia depende agora pectiva de médio de outras fontes de dinamização dos investimen- e longo prazos, é o capital hutos e da atividade econômica. mano, pois este é relevante para o processo de inovação s gargalos da infraes- e absorção de tecnologia e trutura têm sido ata- para o aumento da eficiência cados pelo governo. da mão de obra. Vai demorar para que sejam Quanto mais depressa se superados, mas represen- caminha para a economia do

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conhecimento, a educação passa a fazer mais diferença no ritmo de desenvolvimento das nações, além de responder também pelo aumento das desigualdades de renda no mercado interno. Quanto maior for o fosso educacional entre as várias camadas da população, maior será a desigualdade, uma vez que os retornos econômicos do estudo, em termos salariais, no Brasil, se destacam como dos mais elevados do mundo, o que se explica pelo grande desnível educacional ainda existente no País. problema mais urgente a ser atacado, portanto, para aumentar a competitividade do Brasil no mercado internacional e, sobretudo, reduzir a pobreza e incrementar a igualdade de oportunidades, é o da qualidade da educação.

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ão se trata, a priori, de aumentar o volume dos recursos dirigidos ao setor educacional, mas de sua melhor distribuição e utilização. O principal aspecto a ser combatido está no ensino fundamental: sem uma boa base durante essa fase, é difícil obter bom rendimento nos demais degraus da escolaridade. E, assim, será difícil também preparar o trabalhador para se inserir no imenso mundo da informação propiciado pela internet e para um mercado de trabalho que exige flexibilidade e atualização permanentes. Essa pode ser uma tarefa que demande tempo para obter avanços significativos. Mas, sem iniciar com determinação as mudanças necessárias, as camadas mais baixas de renda da população estarão condenadas a uma perspectiva negativa do futuro.

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GARY BECKER

Divulgação

1930-2014

rofessor de economia e de sociologia da Universidade de Chicago e Prêmio Nobel de Economia de 1992, Gary Becker faleceu no último fim de semana, aos 83 anos. Tive a ventura de ter sido seu aluno no meu curso de doutorado em Chicago e dele guardo minhas melhores lembranças. Seus ensinamentos ampliaram enormemente minha capacidade de entender o mundo, não apenas o mundo econômico, mas o comportamento humano em muitas de suas dimensões. Por suas contribuições, Becker foi um dos mais importantes economistas do século passado e do início deste. Certamente foi o mais criativo de todos e quem estendeu os limites da análise econômica para muito além do que geralmente a ciência até então abordava.

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eu interesse e profundo conhecimento dos princípios da análise econômica, junto com uma capacidade única de aplicá-los a outros campos, permitiram que temas do dia a dia de todos nós pudessem ser friamente analisados. Esses temas são variados e díspares – como a decisão de casar e formar uma família, os incentivos para que alguns se envolvam em atividades ilícitas, a discriminação

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ROBERTO FENDT

racial (tema importante nos Estados Unidos de seu tempo) – e foram, objeto da aplicação do instrumental econômico. untamente com dois outros professores do Departamento de Economia de Chicago, ambos laureados com o prêmio Nobel, Milton Friedman (1976) e George Stigler (1982), Becker tinha uma profunda convicção dos benefícios, para a sociedade, do Estado de Direito e da economia de mercado. Suas aulas de teoria dos preços e de tópicos especiais de teoria econômica eram dadas em um anfiteatro na faculdade de direito da universidade, dado o grande número de alunos que a ela acorriam. Eram principalmente estudantes de doutorado de economia, mas também de sociologia, direito, antropologia e ciência política. Embora teoria dos preços fizesse parte dos cursos iniciais da formação do doutorado, alunos que já estavam mais avançados na formação assistiam as

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aulas por prazer, dado o enfoque especial que Becker conferia a suas aulas. Sua contribuição maior foi no campo da aplicação do instrumental econômico a áreas anteriormente cativas de outras disciplinas. Foi, por conta disso, acusado por alguns de praticar um "imperialismo cultural" nas áreas da sociologia e do direito. Nessas áreas, lançou um novo e original olhar sobre a forma de melhor entender as motivações e consequências da ação humana em geral e dos incentivos e restrições dos diferentes diplomas legais sobre o comportamento das pessoas. iferentemente de outras análises, para Becker o comportamento humano é sempre racional e as pessoas, ainda que não se deem conta disso, avaliam todo o tempo os custos e benefícios de suas ações. Em um famoso artigo, "Crime e castigo", Becker mostra que a prática de atividades ilícitas depende tanto da

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Becker não se ateve aos assuntos "econômicos", abordando também o comportamento humano. penalidade correspondente como da probabilidade de ser detectado na prática do ilícito – mostrando que essa última revela-se mais importante, na maioria dos casos, do que a primeira. Sua análise, com aplicação empírica à realidade americana, aprofunda estudos pioneiros de Cesare Beccaria sobre o tema no século 18. Becker foi pioneiro na introdução do valor do tempo em um grande

Becker foi um dos mais importantes economistas do século passado e do início deste. Criativo, estendeu os limites da análise econômica para muito além do que se abordava então.

número de decisões das pessoas. Essa análise mostrou porque famílias de renda mais alta e em que a esposa trabalha tende a ter menos filhos e dar maior qualidade de vida à sua prole. ua longa carreira acadêmica –trabalhou até os oitenta anos – e os inúmeros trabalhos e pesquisas realizados para corroborar ou desacreditar suas conclusões o levou a favorecer diversas políticas públicas, como o fim do serviço militar obrigatório (que foi posto em prática depois da guerra do Vietnã); bolsas escolares universais em escolas privadas; penas criminais mais severas e a abolição do salário mínimo por seus efeitos negativos sobre as oportunidades de emprego (nos Estados

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Unidos) dos menos qualificados e dos mais jovens e idosos. Faço esse registro para divulgar os feitos desse notável economista que não se ateve aos assuntos "econômicos". Para ele, havia uma ciência do comportamento humano a ser desenvolvida e a ela dedicou sua vida. Todos os que tiveram o privilégio de com ele conviver passaram um fim de semana de luto – pelo grande mestre, pelo pesquisador comprometido com o desenvolvimento de uma nova ciência e pelo transmissor de conhecimento duro nas avaliações, preocupado que sempre estava com o desenvolvimento profissional daqueles que com ele aprendiam. ROBERTO FENDT É ECONOMISTA

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cesário Ramalho da Silva Edy Luiz Kogut João Bico de Souza José Maria Chapina Alcazar Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Miguel Antonio de Moura Giacummo Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Renato Abucham Roberto Mateus Ordine Roberto Penteado de Camargo Ticoulat Sérgio Belleza Filho Walter Shindi Ilhoshi

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, Marcel Solimeo Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Editor-Chefe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br). Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br). Editores Seniores: chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), José Roberto Nassar (jnassar@dcomercio.com.br), Luciano de Carvalho Paço (luciano@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Marcus Lopes (mlopes@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br). Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Heci Regina Candiani (hcandiani@dcomercio.com.br), Tsuli Narimatsu (tnarimatsu@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br. Subeditores: Rejane Aguiar e Ricardo Osman. Redatores: Adriana David, Evelyn Schulke, Jaime Matos e Sandra Manfredini. Repórteres: André de Almeida, Karina Lignelli, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Paula Cunha, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Sílvia Pimentel e Victória Brotto. Editor de Fotografia: Agliberto Lima. Arte e Diagramação: José dos Santos Coelho (Editor), André Max, Evana Clicia Lisbôa Sutilo, Gerônimo Luna Junior, Hedilberto Monserrat Junior, Lino Fernandes, Paulo Zilberman e Sidnei Dourado. Gerente Executiva e de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estadão Conteúdo, Folhapress, Efe e Reuters Impressão S.A. O Estado de S. Paulo. Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

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DIREITISTA PADRÃO NUNCA DIZ NADA COM QUE A MÍDIA JÁ NÃO TENHA CONCORDADO.

O direitista ideal E ntre os direitistas chiques no Brasil de hoje, a maior das virtudes é a pusilanimidade: nunca diga nada com que a mídia já não tenha concordado, nunca cite o Olavo de Carvalho ao repetir o que ele dizia dez anos antes, e sobretudo capriche na moderação ao ponto de não parecer mais direitista do que o compatível com a admiração pelas grandes figuras do esquerdismo internacional, especialmente Barack Hussein Obama. Nelson Mandela, então, nem se fala. Afinal, quem sintetiza melhor os ideais da "zélite" do que um comunista vendido aos Rockefellers? (Melhor que isso, só o Lula, homenageado na mesma semana, em Davos e em Havana, por sua conversão ao capitalismo e por sua fidelidade ao comunismo.) Sem dizer pelo menos umas quinze palavrinhas em louvor desse grande homem, ninguém no Brasil adquire o salvo-conduto para ser um direitista de respeito. Se ao criticar alguma idéia do Frei Betto você puder chamá-lo de "meu querido", você será, no consenso da mídia, o direitista perfeito. Afinal, só pessoas de mentalidade truculenta, reencarnações talvez do nefando Dr. Fleury, podem imaginar que os comunistas têm más intenções.

ssegure a seus leitores e ouvintes que a diferença entre esquerda e direita é só a preferência pelo intervencionismo estatal ou pela economia de mercado; e, quando um comunista aparecer fazendo a apologia do livre comércio – como, em seu tempo, já o fizeram Karl Marx e Lê-

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OLAVO DE CARVALHO

nin, sem que você o saiba –, elogie-o por ser um esquerdista esclarecido, "aberto à modernidade". E nunca esqueça de dizer que quem não foi comunista aos dezoito anos não tem coração. Mediante essa frase maravilhosa, você provará superior moderação e equilíbrio, dividindo o universo em duas partes iguais e concedendo ao comunismo o monopólio da virtude moral, ao capitalismo o da eficiência econômica. Se puder, cite em apoio dessa tese a Fábula das Abelhas de Bernard de Mandeville ou alguma coisinha de Ayn Rand. obretudo, nunca tenha a menor consciência de que, ao fazer isso, você é o bilionésimo que consagra como uma fatalidade metafísica o abismo entre o ideal e o real, o qual um século e meio atrás Karl Marx já identificou como um chavão infalível do pensamento burguês. Em suma: seja um burguês, pense como um burguês, fale como um burguês. Seja aquele adversário padrão do qual a esquerda jamais tem de esperar alguma surpresa. Ah, em tempo: ao falar do PT, chame-o de "jurássico". Isso não pode faltar. O primeiro a chamar a esquerda de "jurássica" foi Roberto Campos, nos anos 70 do século 20. Naquele momento, foi um achado. Entre os meus modestos títulos de glória literária, está o de jamais ter copiado essa express ã o. M a s h á p e s s o a s q u e , quando a empregam hoje em dia, sentem um orgasmo de originalidade estilística. E seus leitores acreditam piamente que aí reside o argumento mais devastador con-

Direitista chique é aquele adversário padrão do qual a esquerda jamais tem de esperar uma surpresa.

rior tranquilidade olímpica, que nada disso existe, que o terrorismo islâmico é puro atraso cultural e fundamentalismo religioso, coisas já superadas no nosso mundo de progresso científico-tecnológico.

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se algum engraçadinho vier lembrar que em 2002 você assegurou que a vitória do PT era impossível; que você um dia jurou que o Foro de São Paulo não existia; que uns anos atrás você dizia que a ligação PT-Farc era invencionice de adeptos da ditadura; que você acreditou que Barack Hussein Obama era a salvação dos EUA; que a idéia de a Rússia invadir países em torno sempre lhe pareceu loucura de saudosistas da Guerra Fria; e que, em suma, você nunca acertou uma previsão ou análise política ao longo de toda sua porca vida, faça como todos os seus iguais. Diga: "o que vem de baixo não me atinge", e continue, impávido colosso, treinando diante do espelho essa esplêndida aparência de normalidade, maturidade e equilíbrio, que tem sido o segredo do seu sucesso na existência.

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tra o petismo. Use esse termo repetidamente e obterá um lugar no conselho consultivo de alguma entidade liberal. Quando alguém lhe mostrar algum sinal patente da hegemonia gramsciana nas univer-

sidades ou no show business, responda que isso é paranóia, já que indícios similares aparecem de montão nos EUA, país onde, como todo mundo sabe, não existem comunistas. Afinal, o ex-ou-futuro-pre-

sidente Lula já não nos ensinou que (sic) "Não existe nada de mais anticomunista do que o cinema americano"? Se por acaso ouvir falar da invasão muçulmana no Ocidente, diga, com ares de supe-

OLAVO DE CARVALHO É JORNALISTA, ENSAÍSTA E PROF. DE FILOSOFIA

REFÉNS DA IGNORÂNCIA É

ssa parcialidade, portanto, é instintiva. Encontra-se entranhada em nosso código genético sendo muito difícil, salvo em casos excepcionais, submetê-la à nossa vontade racional. Quando uma pessoa atira uma pedra na direção de outra, a tentativa de desvio é

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instintiva. O sujeito não realiza testes lógicos, em frações de segundo, concluindo que a pedrada é nociva e que, por conta disso, deve desviá-la. Ele simplesmente desvia. Da mesma forma e, talvez, como uma projeção desse traço evolutivo no plano de nossas inclinações pessoais, temos dificuldade de nos livrar dos inúmeros preconceitos de que nos investimos ao longo da existência.São preconceitos que em geral nos chegam por meio da educação recebida no prelúdio de nossas vidas e que, pois, guardam uma quase inquebrantável relação de ternura e nostalgia com aquilo que nos é mais caro. ndubitavelmente, as forças militares sofreram e ainda sofrem um deliberado e sistemático processo de demonização. Processo este, em grande parte, capitaneado pelas classes artística e jornalística, que se utilizam do seu poder de influência para incutir nas mentes menos criteriosas

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Muitas das características utilizadas para denegrir ética militar são exatamente aquelas mesmas que as pessoas tomam por ideais quando aplicadas à vida particular.

ALEXANDRE PAZ GARCIA

uma verdade unilateral. Uma verdade pequena, sórdida, revanchista, amargurada. Uma verdade deliberadamente preconceituosa. Esse preconceito esconde uma contradição escandalosa. Porque muitas das características utilizadas para denegrir ética militar são exatamente aquelas que as pessoas tomam por ideais quando aplicadas à vida particular. uerem um exemplo? Condena-se o rigor e a intimidação física inerente às forças militares, mas rejeita-se veementemente uma lei que proíbe o castigo físico aos filhos. Afinal, poder de coerção física é bom ou ruim? Outro exemplo? Hierarquia e disciplina. Palavrinhas que causam arrepios aos críticos dos militares. Conceitos sobre os quais se esteia toda a ética militar e que normalmente são vislumbrados sob um viés ditatorial e antilibertário. Mas que são exatamente os valores que materializam a forma como, normalmente, as pessoas se relacionam com os filhos.

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Quem determina a hora de tomar banho, de fazer o tema de casa e o tempo para brincar na rua? O que acontece quando o filho desobedece a uma orientação dada pelos pais? Respondo. Quem manda são os pais. Quem desobedece, recebe castigo. Hierarquia e disciplina, para quem ainda não percebeu. uando não nos despimos dos nossos preconceitos, vemo-nos impossibilitados de enxergar um lado bom em coisas que aprendemos ser essencialmente más. O militarismo não é essencialmente mau. Muito pelo contrário. A caserna talvez seja o último lugar em que ainda se cultiva o patriotismo, se pratica a renúncia ao conforto pessoal, bem como o único lugar onde, de fato, o interesse coletivo sempre prevalece sobre o individual. A vida, de forma geral, tem uma dimensão dúplice. E o equilíbrio

necessário para que o sistema não entre em colapso demanda que saibamos transitar com serenidade ao longo das inúmeras dicotomias que encontramos ao longo do caminho. Preconceitos conduzemnos, invariavelmente, no sentido oposto. Nossos preconceitos são nossas

verdades supremas até que evidências as revelem equivocadas. Se não pudermos nos livrar de suas amarras estaremos eternamente condenados a ser reféns de nossa própria ignorância. ALEXANDRE PAZ GARCIA É GAÚCHO, ANALISTA JUDICIÁRIO DO

TRT DA 4ª REGIÃO (RS)

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Divulgação

notória a má vontade e o desprezo com que a maioria das pessoas vislumbra as ações das instituições militares, de maneira geral, no Brasil. E não me refiro aos excessos evidentemente cometidos, que devem, sim, ser expostos e condenados. Minha reflexão diz respeito ao tom pejorativo que reveste, a priori e de maneira genérica, toda e qualquer iniciativa perpetrada por nossas Forças Armadas e polícias militares, vistas por quem as julga através das lentes da parcialidade ideológica e da superficialidade intelectual. É impossível, claro, ser indefectivelmente imparcial. A parcialidade é um traço natural do ser humano; algo arraigado de maneira indelével em nosso DNA por ação dos mecanismos evolutivos. O objetivo, como tudo que orbita a lógica darwiniana, é a seleção natural e a perpetuação da espécie. Ou seja, sem a parcialidade com que inegavelmente tratamos nossa prole e, por óbvio, com que lidamos com nossos interesses pessoais, é inviável, num cenário de competição, que logremos vingar como indivíduos.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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gibaum@gibaum.com.br

Quem diria: Tom Cavalcanti, de volta ao Brasil, vai fazer um siticom no SBT ao lado do veterano Carlos Alberto de Nóbrega.

2 “Meu Deus, quem disse que nós vamos privatizar a Petrobras? Nós vamos é reestatizá-la.”

AÉCIO NEVES // rebatendo Dilma, que diz que os candidatos da oposição vão privatizar a estatal.

Fotos: Paula Lima

Sem pressa Grande bloco do PP defende rompimento com Dilma Rousseff e uma aliança com Aécio, com a recomendação de que a senadora Ana Amélia (RS) forme na vice. Ela é candidata ao governo gaúcho. O ministro vai conversar com a senadora. Já a idéia da vice, empurrará com a barriga. O tucano não tem pressa para fechar logo o nome do candidato à vice em sua chapa e começa a ficar entusiasmado com a possibilidade de José Serra topar. Ele seria a chave para transferir votos dos paulistas.

ASSIM NÃO DÁ A Eletropaulo está lançando mão de ações pouco sérias para aumentar seu faturamento. Amiga desta coluna tem um pequeno escritório, três computadores e sempre pagou consumo de energia entre R$ 130 e R$ 180 mensais. De repente, desembarcou uma conta de R$ 480. Reclamou, esperneou, a Eletropaulo respondeu que não havia erro, que a energia consumida havia sido registrada por seus funcionários (e ninguém aparecera no prédio). E ficou por isso mesmo: se não pagar, a energia é cortada.

As admiradoras de Wagner Moura, que ainda guardam sua imagem como o famoso Capitão Nascimento , certamente irão se surpreender com as cenas íntimas dele com o ator alemão Clemens Schick no filme Praia do Futuro , de Karim Aïnouz. É a primeira vez que o baiano encara um personagem gay. Em São Paulo, no Shopping Iguatemi, o filme ganhou movimentada première , com muitas famosas na platéia. Entre outras, Tainá Müller (está no elenco), Luana Piovani, Helena Ranaldi, Maria Eduarda Carvalho (é a assistente da fotografa Marina na novela Em Família) e Nanda Costa.

Noite de première

Nem só com figurinhas da Copa, que coleciona para o neto Gabriel, Dilma Rousseff ocupa suas noites mais solitárias no Alvorada: ela está encantada com a série americana Game of Thrones (HBO), baseada na série de livros A Song of Ice and Fire, de George R.R. Martin, em quarta temporada. Quando não pode assistir algum capítulo, pede para alguém gravar. Na série, tem de tudo: assassinatos, disputa de poder, estupros, cenas de sexo – e dragões. Ela gosta muito da rainha Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), que tem vários títulos e é chamada de mãe dos dragões porque tem três deles à disposição, soltando fogo sempre que necessário. Aos mais chegados, brinca: “Já pensaram eu na presidência com dragões me ajudando? Aprovava tudo”.

Mãe dos dragões

Museu do Copa Inaugurado em 1923, o Copacabana Palace foi palco de muitas histórias. E muitas delas foram documentadas, como festas inesquecíveis, visitas de celebridades internacionais e alguns episódios mais do que surpreendentes, como o protagonizado por Ava Gardner que jogou uma cama pela janela. Agora, o hotel prepara o Museu Copacabana Palace para contar sua história. Deverá ocupar grande área no primeiro andar e será inaugurado até o final do ano.

A atriz Letícia Lima, quase completando 30 anos de idade, assume seu lado sensual na nova Playboy: ela é uma das integrantes do canal de humor Porta dos Fundos (é a primeira da troupe a tirar a roupa na revista). E brinca: “Para fazer humor debochado e sem censura, só mesmo sendo uma desavergonhada. Sou totalmente despudorada. Eu era uma das feias do colégio, por isso precisava ser engraçada”. Ela é de Três Rios, interior do Rio, foi casada oito anos e avisa que não teria problema algum em mostrar mais em Playboy.

Na Porta dos Fundos

PURO GOLPE

Banana na moda

As operadoras de telefonia móvel garantiram a entrada da banda de 4G no Brasil para a Copa: agora, às vésperas do campeonato, a informação é que tudo foi uma jogada de marketing e só estará disponível para 105 municípios, cobrindo 37,2% da população, contra 3.598 cidades atendidas pelo 3G, equivalendo a 90,8% dos brasileiros.

Por conta de banana jogada por um torcedor e comida pelo jogador Daniel Alves, surgiu a campanha Somos Todos Macacos, com repercussão internacional, mesmo condenada por entidades da raça negra. Na carona, com muita velocidade – quem diria – já surgiram diversas peças usando a banana como tema, até ditando uma nova moda. Já tem lenços, camisas, shorts, meias, bolsas e até sapatos com desenhos ou fotos da fruta, que, no Brasil, teve aumento de 10% - e antes mesmo da campanha.

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Coletes coloridos.

Golpe no caixa dois Em São Paulo, a Polícia Federal deflagrou a Operação Mala Preta e prendeu uma quadrilha que aplicava golpes em políticos que eram atraídos pelas facilidades de dinheiro não contabilizado. No caso, contudo, parte do dinheiro era falso. A quadrilha prometia recursos de sobra para campanhas, em troca de dólares, com cotação mais alta do que a oficial. A PF chegou a gravar encontros entre os criminosos e conhecidas figuras da política que, agora, estão em pânico. E como vem procedendo habitualmente, há quem aposte que os federais irão deixando vazar as informações, à base do conta-gotas.

CONFIANÇA Os brasileiros estão confiando mais na internet para suas compras. No ano passado, chegaram a quase US$ 30 bilhões, 28% a mais do que em 2012, segundo consultorias do mercado. A previsão para este ano é de US$ 34 bilhões. As empresas acham que quanto mais seus sites inspirarem confiança, maior faturamento terão. Além disso, estão se esmerando em criar facilidades para as navegações. O objetivo é fazer compras com três cliques.

MISTURA FINA A NOVA Playboy reproduz trechos de entrevista dada pelo goleiro Bruno, preso desde 2010 e condenado pela morte da exnamorada, feita pela revista Placar , onde ela fala de sua performance com mulheres. Um trecho: “Dormi com várias mulheres, várias na mesma noite. Não falo para me engrandecer. Eu acho isso uma vergonha”. Outro: “A imprensa bagunçou minha vida dizendo que eu era cheio de mulheres. Nunca tive três mulheres ao mesmo tempo”.

SÃO PAULO prepara programação especial para a Semana Nacional dos Museus, de 12 a 18 próximos: a partir deste mês, todos os museus paulistas terão entrada gratuita aos sábados. A iniciativa pretende atrair número de visitantes para a reinauguração do Museu da Imigração, na capital e no Museu Casa de Portinari, em Brodowski. Essas instituições voltam a abrir as portas ainda este mês, depois de terem sido investidos mais de R$ 22 milhões em reformas.

THOR Batista, filho do exbilionário Eike Batista, já estava pensando até em casamento com a jornalista Paola Leça. De repente, ela voltou aos braços do advogado Antonio Junior.

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MAIS: serão dois separados vivendos juntos num apartamento às voltas de diversos problemas. Nada de casal gay, não!

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Coletes comportados.

O CANDIDATO Aécio Neves, que já convidou Arminio Fraga para ser ministro da Fazenda em seu governo, caso se eleja, também convidou o economista José Roberto Mendonça de Barros para a Pasta do Desenvolvimento.

Quem vem Agentes britânicos circularam, nesses dias, nas cidades onde a seleção britânica irá jogar: estavam preparando a vinda do príncipe Harry para a Copa. François Hollande, presidente da França, convidado de Dilma, só virá se a seleção de seu país chegar às quartas de final. Já o russo Vladmir Putin não virá: a situação com a Ucrânia não permite.

A nova Dilma A presidente Dilma Rousseff ficou entusiasmada não apenas com a conversa direta com internautas (eles perguntam e ela responde só as que quer), mas também com o almoço com editores de esportes de jornais e emissoras de TV, quando adotou tom mais coloquial. Nas conversas pela internet, sabe que o que fala será publicado pelos jornais e até aproveitados nos noticiosos de TV, ou seja, é de duplo resultado. Já com jornalistas, a proximidade desfrutada, com direito a comentários até divertidos, é uma maneira de abrir caminho à sua maneira. Esse tipo de ação estava reservado a Lula: ela atropelou.

A NOVA coleção da Daslu (depois da inauguração da loja no Rio, colocou o plano de expansão para outros Estados em compasso de espera) manterá influência dos anos 70 e terá um apelo ligado à arte. Tecidos terão estampas inspiradas na pop art de Roy Lichtenstein, nas pinceladas de James Nares e no degradê das polaroides de Hiroshi Sugimoto.

Colaboração:

Paula Rodrigues / Alexandre Favero

quinta-feira, 8 de maio de 2014


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CHINAGLIA É VICE O ex-líder do governo na Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) foi eleito ontem vicepresidente da Casa, posto que era ocupado pelo deputado licenciado André Vargas (sem partido-PR), acusado de ligação com o doleiro Alberto Youssef, preso desde março e investigado pela Polícia Federal. Vargas renunciou ao cargo.

Petrobras: Renan pede nomes para CPI. Em sessão do Congresso, presidente criou CPI mista do Metrô e solicitou indicações para a comissão mista que investigará a estatal. Andrea Coelho/Ag. O Globo

presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), pediu ontem que os líderes partidários da Câmara e do Senado apresentem as indicações dos parlamentares que integrarão a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar a Petrobras. Os líderes terão prazo de cinco sessões ordinárias da Câmara para fazer as indicações. Serão 16 deputados e 16 senadores, conforme a Secretaria da Mesa do Congresso. Renan Calheiros também determinou a leitura do requerimento apresentado pelo PT de criação de outra CPMI, essa destinada a investigar suposta prática de cartel em licitações do metrô de São Paulo durante governos do PSDB e do Distrito Federal. Com a leitura, o colegiado fica formalmente criado, mas o efetivo início dos trabalhos ainda dependerá da indicação dos integrantes. Renan ainda respondeu a quatro questões de ordem sobre a abrangência das investigações da CPMI que foram apresentadas na última sessão do Congresso, em 15 de abril. A exemplo do que fez no Senado, Renan posicionou-se favoravelmente à investigação ampla, que contemplaria, além da Petrobras, denúncias de suposto cartel no metrô de São Paulo e na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Ele afirmou que a CPMI ampla, por contemplar a Petrobras, deve prevalecer em relação à comissão restrita, entendimento seguido pelos parlamentares governistas. O presidente do Congresso remeteu sua decisão à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, medida que ele já havia tomado em relação à CPI do Senado. "A fim de garantir o maior debate possível sobre o tema, permitindo a outros parlamentares a discussão da matéria, recorro de ofício, a exemplo do que já fiz no Senado, de minha decisão e solicito au-

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Aécio assina pedido de CPMI do Metrô de SP senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, rebateu as críticas da base aliada sobre o "uso político" da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. O tucano disse que a iniciativa dos aliados do governo de instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar a suposta formação de cartel no Metrô de São Paulo acontece de forma tardia. Segundo o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), Aécio foi o único senador da oposição a assinar o requerimento de criação da CPMI do Metrô paulista, que deveria ser protocolada na noite de ontem. Para o tucano, os governistas têm maioria no Congresso e já poderiam ter pedido a CPMI do Metrô de São Paulo antes. "A base aliada tem toda legitimidade para pedir a CPMI do Metrô. Lamento até que venha com enorme atraso. Se essas denúncias que estão aí há a no s i nc o mo da s se m rea lmente o PT, já poderia ter feito isso", disse Aécio, acrescentando que é favorável a qualquer investigação.O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), acusou a oposição de buscar "palco" para fazer acusações políticas durante as eleições. Costa acrescentou: "Se é justo investigar a Petrobras a partir Congresso, é justo investigar também outros casos". (Estadão Conteúdo)

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Cerveró rejeita ser 'bode expiatório', diz advogado. ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró começou a elevar o tom que adotou até agora em sua defesa no caso Pasadena. Na última segunda-feira, discretamente, ele prestou depoimento à comissão interna criada pela presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, para apurar supostas irregularidades na aquisição de 50% da refinaria americana, em 2006. Cerveró indicou que não vai aceitar assumir sozinho a responsabilidade pelos prejuízos. Na linha do expresidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, ele cobrou, indiretamente, a responsabilidade da presidente Dilma Rousseff, que na época presidia o Conselho de Administração da estatal, ao mencionar o parecer jurídico que subsidiou a aquisição. Cerveró passou oito horas depondo na sede da estatal, no Rio, onde foi ouvido por uma comissão de oito funcionários indicados por Graça Foster, presidente da Petrobras. E repetiu que as cláusulas são recorrentes em contratos similares, não sendo essencial a citação delas no resumo, e que os documentos complementares, inclusive a íntegra do contrato, estavam à disposição do conselho. No fim, redigiu e entregou defesa por seu advogado, Edson Ribeiro. (Ag. O Globo)

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Sessão do Congresso Nacional para implantação da CPI Mista da Petrobras no plenário da Câmara dos Deputados diência da CCJ." Embora tenha recorrido de sua decisão à CCJ, Renan pediu a indicação dos integrantes da comissão em cumprimento a uma decisão liminar (provisória) da ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber, que determinou abertura de uma comissão exclusiva para o caso Petrobras. O recurso do presidente à CCJ não suspende o andamento da instalação da CPMI. "Considerando que o recurso que acabo de formular não tem efeito suspensivo no âmbito do Congresso Nacional, e ainda embora mantenha minha convicção da juridisdicionalidade da decisão que acabo de proferir, comunico ao Congresso Nacional que pedirei às lideranças partidárias da Câmara e do Senado a indicação dos nomes dos membros que deverão compor a CPMI". REBELDES – O PMDB definiu

durante a tarde três dos quatro nomes que apresentará para compor a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigará as denúncias de irregularidades na Petrobrás. Dois dos escolhidos têm histórico de atritos com o governo. Além do líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que será titular na CPMI, a legenda designou em reunião os deputados Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e Sandro Mabel (PMDB-GO) também como integrantes. Cunha ainda não decidiu qual dos dois também será titular, tampouco o quarto nome. Líder do PMDB na Câmara, Cunha foi o comandante de uma rebelião aberta contra o Planalto no início de 2014 e chegou a impor duras derrotas à administração federal em plenário. Já Lúcio Vieira Lima é irmão do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Ged-

del Vieira Lima, rompido com a gestão do PT e que deve uma vaga no Senado na chapa adversária à petista do governador Jaques Wagner (PT). Segundo Cunha, 16 peemedebistas pediram para fazer parte do grupo. A justificativa para a escolha do deputado do PMDB da Bahia para compor a CPMI é que ele já faz parte de comissão externa que investiga acusações de irregularidades na estatal. Já Mabel não deve disputar um cargo eletivo e teria mais tempo para se dedicar ao trabalho na CPMI. FORNECEDORES – Na Câmara, 96 dos deputados eleitos receberam dinheiro de empresas investigadas pela Operação Lava-Jato. Senado tem 25 integrantes com contribuições de campanha feitas por companhias ligadas ao doleiro Alberto Youssef. As informações são do site da revista Veja. Dos parlamentares da atual

legislatura, pelo menos 121 receberam dinheiro como doação de campanha de empresas investigadas pela operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Um levantamento feito pelo site de Veja nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que 96 deputados e 25 senadores estão na lista de beneficiados por repasses feitos por fornecedores da Petrobras sob suspeita. Algumas dessas empresas são investigadas por terem comprovadamente depositado recursos na MO Consultoria, empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef, ou são suspeitas de colaborar para o esquema de coleta de recursos tocado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. O grupo de congressistas recebeu, ao todo, R$ 29,7 milhões de 18 grupos empresariais sob suspeita. (Agências)


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Estarmos juntos nessa campanha é sim uma possibilidade. Não vejo nada que impeça a coligação. Paulo Skaf, Pré-candidato ao governo paulista pelo PMDB. Agliberto Lima/DC

Pastoral roga por abrigo para haitianos Vindos do Acre, eles chegam às dezenas todos os dias e não existem alojamentos suficientes. Prefeitura prometeu inaugurar um abrigo no glicério. Tina Cezaretti/Hype

Victória Brotto om alojamentos acima da capacidade, a Pastoral do Migrante pediu urgência à Prefeitura de São Paulo para abertura de abrigo aos haitianos vindos do Acre, que chegam às dezenas todos os dias na Cidade. Segundo Márcia Araújo, coordenadora da Casa do Migrante, o abrigo da Pastoral que recebe haitianos está lotado, mesmo com a saída dos que conseguiram trabalho. "Se eu te falar agora quantos têm na Casa do Migrante, o número já estará defasado até o final do dia, entra muito mais do que sai", explicou Márcia Araújo. A estimativa é de que, em média, trinta haitianos são encaminhados para abrigos, alguns vão para a Casa do Migrante outros para o abrigo improvisado no auditório da Igreja Nossa Senhora da Paz, no bairro do Glicério. Segundo a assessora da Pastoral, Sônia Maria Nunes, o pedido por um abrigo específico para migrantes é feito há 11 anos à Prefeitura. Desde 2010, o Ministério da Justiça concede vistos humanitários para os haitianos que foram afetados pelo terremoto de 2010 no Haiti. Desde então, um fluxo migratório grande chega ao Brasil pela fronteira do Acre. O governo acriano os abrigou até o mês passado, quando, devido aos efeitos das cheias do Rio Madeira, o governador, Tião Viana, desativou o abrigo em Brasiléia e passou a custear o transporte desses imigrantes para São Paulo – valend0-se, inclusive, de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).

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PROVIDÊNCIAS O prefeito Fernando Haddad falou, na última terça (06), que iria inaugurar um abrigo específico para os haitianos vindo do Acre no bairro

Acima, refugiados haitianos, vindos do Acre, estão acampados na Paróquia Nossa Senhora da Paz, no Glicério. À esquerda, Seminário sobre Migrações, Refúgio e Tráfico Internacional de Pessoas.

do Glicério, na zona leste de São Paulo, a 200 metros da Igreja Nossa Senhora da Paz, onde eles estão dormindo provisoriamente. A capacidade máxima do abrigo, segundo Haddad, será de 120 pessoas – dez leitos a mais do que a da Casa do Migrante. O Diário do Comércio conversou com duas representantes da Pastoral e ambas disseram que até ontem não tinham recebido nenhuma informação de transferência de haitianos da Igreja para o suposto abrigo. “Estava marcada

Ministros vão depor sobre mortes de agricultores Cardozo e Carvalho foram convocados por comissão da Câmara ntegrantes da Comissão de Agricultura da Câmara aprovaram ontem a convocação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, para prestarem esclarecimentos sobre os assassinatos de produtores rurais no Rio Grande do Sul. Os autores do requerimento são os deputados Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Giovanni Queiroz (PDT-PA). O dia da audiência ainda não foi marcado. Por se tratar de uma "convocação" os dois ministros devem comparecer na Câmara assim que o presidente do colegiado agendar uma data. "O que vínhamos alertando ao governo há vários meses, infelizmente, aconteceu. Dois jovens produtores rurais, dois homens trabalhadores foram covardemente assassinados por índios caingangues no dia 28 de abril. Os agricultores Alcemar, de 41 anos, e Anderson de Souza, de 26 anos, que já eram prisioneiros, foram atingidos por tiros disparados pelos índios. Primeiro foram atingidos nos órgãos genitais, de-

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pois nos joelhos e, ainda vivos, foram brutalmente espancados até a morte", afirmam os autores da convocação em trecho do requerimento. MOTIVAÇÃO "Os índios, de posse de um documento assinado pelo ministro José Eduardo Cardozo, garantem que a tragédia foi motivada porque o titular da pasta da Justiça não cumpriu um acordo firmado. No documento, datado de 19 de março, o ministro Cardozo assume o compromisso de receber as lideranças indígenas para dar prosseguimento às negociações sobre a requerida demarcação, em uma nova reunião que seria realizada no dia 5 de abril e que poderia ser transferida para o dia 12", acrescentam os parlamentares. Segundo eles, o governo é "conivente" e "incentivador" do conflito no Estado. "Quando deveria usar a força do Estado para mediar o conflito e buscar soluções negociadas, os ministros, Gilberto Carvalho e José Eduardo Cardozo, insuflam a guerra e a discórdia", criticam Heinze e Queiroz.

NOTA Após a convocação do ministro da Justiça, o ministério divulgou nota sobre os conflitos no município de Faxinalzinho (RS). A pasta afirma que é preciso buscar o diálogo e que isso está sendo feito no estado. O Ministério da Justiça afirmou que os representantes dos agricultores do estado e lideranças indígenas foram convocadas para reunião em em Brasília, no dia 22 de maio, quando serão apresentadas propostas de reassentamento e compensações. "Reiteramos a avaliação de que o equacionamento dos conflitos fundiários envolvendo terras indígenas no estado somente será possível por meio do diálogo e pela busca por consensos que possibilitem a composição de direitos e as garantias de dignidade e respeito aos direitos humanos. Enfatizamos que o modelo de Mesa de Diálogo adotado no estado do Mato Grosso do Sul mostra-se como a melhor alternativa que se apresenta, e que pode ser adaptado à realidade do estado do Rio Grande do Sul", afirma a nota.

uma reunião hoje à tarde, mas ainda não tivemos nenhuma informação”, disse Márcia, a coordenadora da Casa do Migrante, que abriga alguns haitianos. ACIMA DA CAPACIDADE A assessora da Pastoral, Sônia Maria, informou a estimativa é de que tenham 196 haitianos abrigados no auditório da Igreja Nossa Senhora da Paz e, na Casa do Migrante, 20 deles. A Casa do Migrante está operando, desde a che-

gada dos haitianos, acima de sua capacidade. "A capacidade é de 110 pessoas, hoje estamos com 120", afirmou Márcia Araújo, coordenadora da Casa. Muitos haitianos, segundo explica Sônia, conseguiram emprego após a cobertura massiva da imprensa sobre o caso. "Muitas construtoras, metalurgias, granjas quiseram absorver essas pessoas", afirma. Mas acrescenta: “Mesmo assim, o número de haitianos que chegam é muito maior do que os que saem".

Tráfico de pessoas: crime hediondo. Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) d a C â m a r a a p ro v o u , simbolicamente, projeto de lei que inclui, no rol de crimes hediondos, o tráfico interno e internacional de pessoas para fim de exploração sexual. O projeto terá que ser votado pelo plenário da Câmara, antes de ir para o Senado. Hoje, o Código Penal prevê penas de reclusão que variam de 3 a 8 anos para o tráfico internacional de pessoas para fim de exploração sexual. A pena pode ser aumentada se a vítima for menor de 18 anos, se o agente que praticou for parente ou empregador da vítima, entre outros agravantes. No caso do tráfico interno de pessoas, a pena de reclusão varia de 2 a 6 anos, mas também pode ser ampliada se houver agravantes. Com o projeto, quem for pego cometendo esse tipo de crime será enquadrado nas penas dos crimes hediondos. (AG)

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MALUF QUER PAGAR US$ 1 MILHÃO

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s advogados do deputado Paulo Maluf (PP-SP) em Nova York propuseram um acordo à Promotoria daquela cidade, pelo qual Maluf pagaria uma multa de US$ 1 milhão (R$ 2,2 milhões), para se livrar de uma ordem de prisão preventiva decretada em 2007. Maluf quer voltar a viajar para o exterior sem correr o risco de ser preso. Na proposta de Maluf, ele também entregaria um anel de sua mulher, Sylvia Maluf,

avaliado em US$ 250 mil (R$ 557 mil). Maluf foi incluído na lista de procurados, em 2010, a pedido da Promotoria de NY, após investigação de promotores brasileiros e americanos, iniciada no País em 2001. Em 2007, a justiça americana determinou a prisão de Maluf pelos crimes de conspiração, auxílio na remessa de dinheiro ilegal para Nova York e roubo de dinheiro público em São Paulo.

SKAF PODE APOIAR CAMPOS

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ré-candidato ao governo paulista pelo PMDB, Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), disse em Campinas ontem que a partir do dia 2 de junho vai a campo em busca de partidos que se unam à sua candidatura, para vencer as eleições ao governo do Estado neste ano. Skaf disse que vê a coligação com o PSB, de Eduardo Campos e Marina Silva, como possível. "Estarmos

juntos nessa campanha é sim uma possibilidade. Não vejo nada que impeça a coligação. Mas conversaremos também com o maior número possível de partidos". Em sua visita a Campinas, o Skaf falou sobre crise hídrica, segurança e educação. Para ele, as políticas adotadas pelos tucanos nesses 20 anos de gestão têm sido responsáveis por grande parte das dificuldades atuais.


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Presidente Dilma: desabafo entre mulheres.

Marcos Arcoverde/Estadão Conteúdo

Roberto Stuckert Filho/PR

Paulo Malhães ganha promotoria de Adriana Lucas Medeiros

Caso Malhães ganha defensora pública defensora pú b l ic a da 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, Raquel Ayres, foi nomeada ontem para acompanhar o processo e os depoimentos prestados pelo caseiro Rogério Pires, acusado de participar do assalto que culminou com a morte do coronel da reserva do Exército Paulo Malhães. O pedido foi protocolado na tarde de ontem, na Defensoria Pública do Rio, pelo presidente da Comissão da Verdade, Wadih Damous. A promotora Adriana Lucas Medeiros, da 7ª Promotoria de Investigação Penal de Duque de Caxias, autorizou a quebra de sigilo de dados dos envolvidos no caso. Ela também aguarda a conclusão dos laudos periciais, de necropsia e de local para decidir se outras medidas serão necessárias. Torturador confesso de presos políticos durante a ditadura militar, Malhães foi assassinado no dia 24 de abril, no sítio onde morava, na zona rural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo a Polícia Civil, Pires confessou ter facilitado o acesso e passado informações sobre a rotina da

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A presidente Dilma Roussef com grupo de jornalistas no Palácio da Alvorada: "O Brasil vai bombar", disse. pesar de o Palácio do Planalto ser acusado pela oposição de tentar dificultar a instalação da CPI que vai apurar as denúncias de irregularidades em contratos na Petrobrás, a presidente Dilma Rousseff afirmou, terça-feira à noite, em jantar com jornalistas, que não vê problema na instalação. "Não temo nada de CPI. Não devo nada e, portanto, não tenho temor nenhum", disse a presidente, acrescentando que o governo age com "absoluta transparência". Mas, para Dilma, o foco da CPI é ela. "O interesse todo nessa história sou eu", desabafou, dizendo que não há intenção de atingir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli. "Não tem dúvida que tem um componente político nisso aí", disse. E emendou: "Sempre é muito contraditório o tratamento que se dá no Brasil às

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investigações sobre qualquer coisa. Investigações que só atingem o governo federal". Dilma assegurou que "não se arrepende" de ter dito ao em nota ao Estado que não teria votado a favor da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, se conhecesse as cláusulas de put option e marlim, consideradas desfavoráveis à empresa e que foram omitidas do resumo técnico apresentado a ela e à toda a diretoria da estatal, em 2006, na reunião que definiu a compra da refinaria belga. A presidente Dilma afirmou que não estava ali para julgar nem Nestor Ceveró, ex-diretor da área internacional da Petrobrás, responsável pelo resumo técnico, e nem Sérgio Gabrielli. Para a presidente, a omissão das cláusulas no resumo entregue aos conselheiros que serviu de base para aprovar a compra da refinaria pode ter sido "um equívoco", mas disse que não "houve má-fé".

QUEDA Em queda nas pesquisas, a presidente atribuiu o mau humor da população ao fato de os bens e a renda terem crescido muito além dos serviços nos últimos anos. Ela reconheceu que "não está tudo bem" em relação aos preços, mas reiterou que a inflação está sob controle. No jantar, Dilma demonstrou grande disposição para "ir à luta" na disputa por um segundo mandato. "A única pessoa que te derrota é você mesma" . Sobre as perspectivas econômicas para 2015, a presidente rechaça a ideia de que o Brasil pode "explodir". "O Brasil vai bombar". "O efeito da inflação não explica o mal-estar. Não está tudo bem, mas está sob controle. Uma coisa que explica é a taxa de crescimento de bens e de serviços. Melhorou a renda, eu quero mais. A população quer mais e melhores serviços. O estoque de bens é de agora, mas de serviços é do passado", afirmou.

Sobre fato de que a Bolsa sobe quando a presidente cai nas pesquisas, ela lamentou: "Sinto muito. Não tenho do que me queixar de ninguém, não tenho o que falar de ninguém, só sinto muito". Dilma negou que estude aumentar impostos para garantir o superávit das contas públicas em 2014, se necessário, como disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Não vai ter aumento de imposto. Passamos três anos reduzindo impostos. Ele estava falando em tese". No encontro, que durou mais de quatro horas, com um grupo de jornalistas mulheres dos principais veículos de mídia do país, Dilma estava descontraída, falante. Conduziu o grupo para um "tour" pelo Palácio da Alvorada, mostrando detalhes da biblioteca, da capela e dos amplos salões. Pousou para fotos e selfies com as convidadas. A política e a economia dominaram a conversa. (Agências)

casa aos criminosos. Os irmãos dele, Anderson e Rodrigo Pires, são apontados como os mandantes do crime junto com um homem encapuzado que ainda não foi identificado. Na terça-feira passada, três integrantes da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado estiveram no Rio para colher informações sobre a investigação. Ac o m p a n h a d o s p o r D amous, eles conversaram com o caseiro na carceragem da Divisão Antissequestro (DAS), no Leblon, e depois seguiram para reunião com a cúpula da Polícia Civil e os delegados responsáveis pelo caso. Os senadores consideraram "muito estranho" o fato de os três depoimentos de Pires, que disse ser analfabeto, terem sido prestados sem um advogado. Em resposta o delegado titular da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), Pedro Henrique Medina, afirmou que "todo regulamento do código de processo penal foi seguido". "Pode ser feito um depoimento e uma confissão sem o advogado desde que haja testemunhas de leitura." (Estadão Conteúdo)


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MAR DO SUL DA CHINA Navios da China disparam canhões d'água e colidem com barcos do Vietnã em águas disputadas

TAILÂNDIA Tribunal determina destituição de primeira-ministra por abuso de poder

Kim Ludbrook/EFE

Fila da democracia na África do Sul Sul-africanos enfrentaram filas ontem para participar das primeiras eleições gerais desde a morte do "pai" da democracia sul-africana, o ex-presidente Nelson Mandela, em dezembro do ano passado. A expectativa é de vitória do partido governista - que Mandela liderou no passado -, o Congresso Nacional Africano (CNA), apesar dos escândalos de corrupção e de abuso de poder contra o atual presidente, Jacob Zuma. (Agências) EFE

US$ 300 mil pelas meninas nigerianas A polícia da Nigéria ofereceu ontem uma recompensa de 50 milhões de nairas (US$ 300 mil) a quem der informações que levem ao resgate de mais de 200 estudantes sequestradas por rebeldes islâmicos. O rapto no último mês pelo Boko Haram provocou clamor internacional e protestos na Nigéria (foto), aumentando a pressão sobre o governo para trazer as meninas de volta. EUA, Canadá, Reino Unido e China ofereceram ajuda nas buscas. (Agências)

O QUE FEZ PUTIN MUDAR DE IDEIA? Após reunião com presidente da Suíça, líder russo aceita a realização de eleições ucranianas, retira tropas na fronteira e pede aos separatistas que adiem referendo. Andrew Kravchenko/Reuters

Sergei Karpukhin/Reuters

presidente russo, Vladimir Putin, surpreendeu a comunidade internacional e os ucranianos ontem ao anunciar a retirada das tropas russas da fronteira com a Ucrânia, aceitar as eleições presidenciais e pedir aos separatistas pró-russos que adiem seu referendo independentista, marcado para este domingo. "Pedimos aos representantes do sudeste da Ucrânia, aos partidários da federalização do país, que adiem o referendo previsto para o próximo dia 11 de maio", declarou Putin, ao explicar que com isso se criariam "as condições necessárias para o diálogo" com o governo ucraniano. O líder do Kremlin foi além ao aceitar pela primeira vez as eleições presidenciais que as autoridades de Kiev programaram para 25 de maio. Segundo ele, o pleito "é um passo em uma boa direção". A afirmação contrasta com declarações anteriores de Moscou, que havia considerado a eleição um "golpe de Estado anticonstitucional" convocado pelos opositores que derrubaram o presidente Viktor Yanukovich em fevereiro.

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O premiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, apoia ação militar no leste.

Putin (à dir., ao lado do suíço Burkhalter) defende diálogo entre separatistas e Kiev. Putin também anunciou que as tropas de seu país deixaram as regiões na fronteira com a Ucrânia. "Sempre nos dizem que nossas forças na fronteira ucraniana são uma preocupação. Nós as retiramos. Hoje elas não se encontram na fronteira ucraniana, estão em locais onde conduzem suas ati-

vidades regulares em campos de treinamento", disse. No entanto, um alto funcionário da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse à Reuters que a aliança militar não identificou nenhum sinal de uma retirada russa da fronteira. O anúncio de Putin foi feito após discussões com o chefe

da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Didier Burkhalter, que também é presidente da Suíça. Burkhalter disse ainda que o órgão apresentaria um "roteiro" para resolver a crise ucraniana no futuro próximo. O sinal verde da Rússia foi dado após intensa pressão da União Europeia e dos Estados

Unidos nos últimos dias. Ontem, Washington anunciou que vai retirar a Rússia do programa de benefícios comerciais especiais, conhecido como Sistema Geral de Preferências (SGP). Reação - Um líder separatista pró-Rússia disse que os dissidentes levariam o pedido de Putin sobre o adiamento do referendo a uma reunião de sua autoproclamada Assembleia Popular prevista para hoje. "Temos o maior respeito pelo presidente Putin. Se ele considera isso necessário, claro que vamos debater (o pedido)", dis-

se Denis Pushilin à Reuters em Donetsk, cidade de 1 milhão de habitantes que os separatistas proclamaram capital da chamada "República Popular de Donetsk" independente. Moradores em áreas controladas por rebeldes pró-Moscou ficaram surpresos com as declarações de Putin, depois de uma semana sangrenta de confrontos com as forças de Kiev. "Talvez Putin não entenda a situação? Não há chances desse referendo não acontecer", disse Natalia Smoller, u m a p e n s i o n i s t a d e S l ovyansk, à Reuters. (Agências)

Cai Homs, a 'capital da revolução' síria. Sitiados e sem suprimentos, rebeldes começam a se retirar da cidade. George Ourfalian/Reuters

ebeldes sírios começaram a se retirar ontem do centro da cidade de Homs, símbolo da resistência contra o regime de Bashar alAssad, dando ao presidente uma vitória simbólica menos de um mês antes de sua provável reeleição. Dois ônibus carregando os primeiros combatentes deixaram a cidade sitiada, após acordo acertado entre insurgentes e forças leais ao governo sírio. Segundo o Assad, o pacto faz parte do processo de "reconciliação nacional" para deter o derramamento de sangue. O líder se mostrou convencido que os sírios são capazes de encontrar soluções para seus próprios problemas e rejeitou que o conflito seja resolvido por "partes estrangeiras", informou a agência oficial Sana. O acordo também inclui a li-

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Soldados sírios cumprimentam oficiais libertados em Aleppo bertação de pessoas capturadas por rebeldes nas províncias de Aleppo e Latakia, e o afrouxamento de um cerco dos insurgentes a duas cidades xiitas no norte da Síria. Os rebeldes, em sua maioria muçulmanos sunitas, tinham conseguido manter suas posi-

ções no centro antigo de Homs e em distritos vizinhos apesar de estarem com poucos suprimentos e sujeitos ao cerco e bombardeamento pelas forças de Assad por mais de um ano. Um vídeo mostrou rebeldes entrando em um ônibus, observados por cerca de uma dúzia

de homens em uniforme com a inscrição da polícia. Em frente ao ônibus estava um carro branco da Organização das Nações Unidas (ONU), que ajudou a fiscalizar a operação. Ativistas disseram que 1,9 mil pessoas, principalmente insurgentes, estavam sendo retiradas da cidade, a começar por 600 soldados feridos e p a re n t e s c i v i s - e m b o r a a maior parte das pessoas entrando no ônibus, pelo vídeo, parecesse estar saudável. A retirada final rebelde do centro de Homs, conhecida como "capital da revolução" quando os protestos contra Assad começaram, em 2011, pode consolidar seu controle militar antes da eleição presidencial de 3 de junho. Há ampla expectativa de vitória de Assad nas eleições, e os opositores alegam falta de seriedade no sufrágio. (Agências)

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uba prendeu quatro exilados cubanos de Miami suspeitos de planejar ataques às instalações militares do país, disse o Ministério da Justiça ontem. Chamando os suspeitos de "terroristas", o ministério afirmou que eles seriam ligados a Luis Posada Carriles, um exilado cubano e ex-agente da CIA que vive em Miami. Havana declarou que entrou em contato com os Estados Unidos sobre a investigação, e que os quatro suspeitos admitiram planejar os ataques. Três deles estavam viajando pela ilha comunista desde meados de 2013 para planejar a execução. (Reuters)

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governo cubano analisa 23 projetos de investimentos para a Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel, a primeira obra de seu tipo na ilha e que contou com investimento do governo brasileiro. Os projetos pertencem aos setores de biotecnologia, farmacêutica, logística, automotiva e agroalimentar. Segundo Havana, os principais países que se interessaram em investir no Porto de Mariel são Brasil, Espanha, França, Itália, Rússia, China e Holanda. A modernização do porto exigiu investimentos de US$ 957 milhões, sendo US$ 682 milhões financiados pelo Brasil. (EFE)


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Cidade tenta tudo por um lugar ao sol Rjukan, na região central da Noruega, instalou grandes espelhos para captar a luz solar e iluminar a praça central da cidade. Medida divide opiniões da população. Kyrre Lien/The New York Times

Suzanne Daley New York Times desejo de sentir o calor da luz do sol há tanto tempo faz parte da vida de Rjukan, antiga cidadezinha fabril, na região central da Noruega, que já ninguém lembra mais. Aqui, ele se esconde por trás das montanhas durante seis meses por ano. É pior para quem acaba de chegar, é claro, como Martin Andersen, artista conceitual que se mudou há doze anos e vivia andando de lá para cá, perseguindo os últimos raios para se esquentar. E foi em uma dessas caminhadas que teve a ideia de instalar espelhos imensos contra a face da montanha, ao norte, para jogar um pouco de luz sobre Rjukan. A cidade acabou concordando com o experimento e, no fim do ano passado, três espelhos movidos à energia solar e eólica para seguirem a trajetória do sol começaram a refletir seus raios na praça central. Centenas de pessoas fizeram questão de conferir a inauguração, usando óculos escuros e com cadeiras de praia a tiracolo. E, segundo garantem os moradores, depois disso a vida mudou. O ambiente se tornou mais social. Depois do culto dos domingos, agora o pessoal fica na praça, conversando, rindo e bebendo, tentando não olhar diretamente para as superfícies refletoras. Não faz muito tempo vi Anette Oien sentada em um dos bancos recém instalados na praça, olhos fechados, o rosto virado para cima. Esperava o marido, que tinha ido ao banco, e a ideia de sentar-se na luz lhe pareceu muito mais atraente do que esperar no carro. "Melhorou muito a vida por aqui", afirma ela. Rápido – Só que o sol, pálido e fraco, não durou muito. De fato, durante quase três meses de 25 de dezembro a 15 de março o céu ficou tão nublado que os espelhos produziram apenas 17 horas de luz na praça, reforçando os argumentos daqueles que achavam o projeto um desperdício. É verdade que, durante a maior parte do tempo, a praça continua parecendo o estacionamento vazio que costumava ser. Um vento gélido bate ali constantemente que, para piorar, traz um pouco da areia que foi usada nas estradas cheias de neve e que hoje se amontoa no asfalto. A luz foi tão fraca que o mecanismo solar que movimenta os espelhos parou e tudo voltou à escuridão por um bom tempo. Um gerador e um pouco de combustível tiveram que ser levados montanha acima, por uma moto de neve, para fazer a coisa voltar a funcionar. A maioria dos moradores, po-

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Espelhos instalados na montanha captam a luz solar e desviam para a praça central de Rjukan, na Noruega: vida social ao ar livre mudou para melhor após a novidade. Kyrre Lien/The New York Times

Martin Andersen, morador da cidade que teve a ideia dos espelhos rém, não parece se incomodar com esses reveses. Certamente o prefeito, Steinar Bergsland, não parece muito preocupado. Para ele, a recusa em viver nas sombras atraiu a atenção do mundo para Rjukan, fundada por um industrial que abriu aqui a primeira fábrica de fertilizantes em larga escala, que funcionou de 1905 a 1916. Nas décadas que se seguiram, Samuel Eyde, conhecido por aqui como Tio Sam, construiu praticamente tudo que existe em Rjukan hoje: os gerentes ficaram com as casas onde mais batia sol. Já os operários ficaram com os apartamentos no vale, mas todas foram construídas com tecnologia de ponta. Ele também tinha consciência do problema da falta de sol. Em 1913, um de seus contadores escreveu para o jornal local

sugerindo a instalação de um espelho gigante, mas Eyde, que se fixou na cidade porque uma cachoeira próxima lhe garantia a geração fácil de eletricidade, preferiu construir um bondinho para que seus empregados subissem a montanha para tomar sol no inverno que, aliás, ainda existe. Loucura – Porém, os fãs da ideia queriam mais. "Já éramos uma cidadezinha high-tech há cem anos, embora só agora tenha dado certo o uso da tecnologia para iluminar o vale", afirma Bergsland. "É claro que muita gente condenou, dizendo que era loucura, mas também muitos gostaram da ideia". E o resultado é que os turistas começaram a chegar, inclusive de Oslo, a cerca de 3,5 horas de carro dali. O comércio registrou um crescimento discreto e se Rjukan for declarada mesmo

Kyrre Lien/The New York Times

Devido à localização, cidade sofre com a falta de iluminação natural. Patrimônio da Humanidade pela Unesco no ano que vem, como se espera, a situação vai ficar melhor ainda. Veto – Apesar disso, nem todo mundo se convenceu com a ideia dos espelhos. Nessa cidadezinha de seis mil habitantes, cerca de 1.300 fizeram um abaixo-assinado para vetar o projeto, mas houve também críticos, como o universitário Robert Jenbergsen, que mudaram de ideia. "No começo achei que seria um desperdício porque o tempo por aqui é muito ruim, mas quando veio o sol, a felicidade foi geral. Nunca tinha visto nada parecido antes. Passei a achar ótimo". E há também aqueles que não ficaram nem um pouco impressionados, como Annar Torresvold, de 77 anos, e sua mulher, Anne-Lise Odegaard, de 70, que ainda acham que os cin-

co milhões de coroas (aproximadamente US$ 840 mil) gastos nos espelhos poderiam ter sido aplicados em outro lugar. Eles estão mais interessados no possível fechamento do hospital, no nível da educação nas escolas e no sistema de saúde pública oferecido aos idosos. Quando o casal quer tomar sol, pega o carro e vai até a cidade vizinha ou sobe as montanhas, onde ficam as estações de esqui. "Um lugarzinho ao sol bem caro, esse", reclama Annar Torresvold, que se mudou para Rjukan depois de se aposentar como funcionário de uma fábrica de papel. "Agora ficou bem claro o que as pessoas comuns acharam: que era um desperdício de dinheiro". E ele acha que a cidade vai acabar tendo que gastar ainda mais para manter o funcionamento dos espelhos. "Não ve-

jo benefícios a longo prazo. É só uma febre do momento". Levou quase uma década para os espelhos serem instalados. Andersen foi quem começou o projeto, pesquisando os aspectos técnicos, fazendo desenhos que incluíam espelhos redondos e assim que garantiu às autoridades que daria certo, elas imediatamente acionaram os engenheiros. No fim das contas, as superfícies refletoras cada uma medindo 17 metros quadrados chegaram de helicóptero e foram instaladas a 450 metros acima da praça da cidade, com os movimentos controlados por computadores. O próximo passo é reformar a praça. Quem sabe um chafariz não seja uma boa ideia? "Não dá para fazer o sol brilhar em um espaço aberto com cara de estacionamento", opina o prefeito Bergsland. Andersen, que ganha a vida com os empregos mais estranhos (atualmente é salva-vidas na piscina municipal) reclama porque os espelhos são quadrados e nada foi feito para torná-los esteticamente bonitos. Ve rn e – Agora quer pintar u m a f r a s e d e J ú l i o Ve r n e "Olhem com todos os seus olhos, olhem!" em letras gigantescas no acostamento da estrada que leva à entrada da cidade. O escritor, aliás, visitou Rjukan em 1861, conta Andersen que não se mostra muito otimista. "É um projeto simples e barato, mas a Prefeitura já rejeitou. Diz que não quer nem ouvir falar", disse, irritado.

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

O grande sonho do princesa O desconhecido Princesa do Solimões Esporte Clube (o único caso em que a filha do rei é utilizada no masculino) recebe hoje o Santos, pela Copa Brasil, na Arena Amazônia, em Manaus, às 21h50 – horário de Brasília, pois o fuso de lá indica uma hora a menos. Confira as peculiaridades desta partida em www.dcomercio.com.br

OS CONVOCADOS

O verdadeiro álbum da Copa - 1ª edição Luiz Felipe Scolari revelou nesta quarta-feira os 23 jogadores escolhidos para defender a Seleção brasileira na caminhada pelo hexacampeonato na Copa do Mundo Arte sobre o álbum de figurinhas 'Fifa World Cup', editado pela Panini

Único que está no álbum da Copa e não foi convocado por Felipão, Robinho não deverá ser 'substituído'. A Panini, que publica o álbum, não pretende atualizar a coleção. em surpresas, o técnico Luiz Felipe Scolari revelou ontem os 23 jogadores escolhidos para defender a Seleção brasileira na Copa do Mundo. O grupo já estava praticamente definido há algum tempo, com a base que foi campeã da Copa das Confederações no ano passado, mas faltava confirmar alguns nomes, como Victor, Maicon, Hernanes e Henrique, que entraram na lista anunciada numa casa de shows no Rio. Desde que assumiu o comando da Seleção no final de 2012, em substituição a Mano Menezes, Felipão testou diversos jogadores, inclusive craques veteranos como Kaká e Ronaldinho Gaúcho, que não conseguiram se firmar. Depois da vitoriosa campanha na Copa das Confederações, o treinador definiu a base da equipe com a qual o Brasil vai encarar a missão de disputar a Copa do Mundo em casa. No dia 13 de maio o treinador apresentará mais sete atletas que ficarão de sobreaviso, conforme manda a Fifa. Jogadores como Julio Cesar, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Marcelo, Luiz Gustavo, Paulinho, Oscar, Neymar, Hulk e Fred já sabiam que seriam convocados – esses 11 devem formar o time titular para a estreia na Copa, diante da Croácia, em 12 de junho, no Itaquerão. Outros nomes também estavam certos, como Jefferson, Dante, Ramires e Bernard. Restava, portanto, um certo mistério em apenas quatro vagas do grupo de 23. Felipão optou pelo goleiro Victor, pelo lateral-direito Maicon, pelo zagueiro Henrique e pelo volante Hernanes. Mesmo tendo sofrido uma contusão no joelho direito no domingo, durante jogo do Atlético-MG, o atacante Jô precisará de apenas 15 dias de recuperação e foi chamado para ser o re-

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serva de Fred. Grande astro da seleção, Neymar também está em tratamento após ter descoberto lesão no pé esquerdo, mas não será problema. Os 23 escolhidos por Felipão se reúnem a partir de 26 de maio, quando começa a preparação da Seleção na Granja Comary, em Teresópolis (RJ). Antes do Mundial, o Brasil ainda fará dois amistosos: enfrenta o Panamá, em 3 de junho, no Estádio Serra Dourada, em Goiânia, e a Sérvia, três dias depois, no Morumbi, em São Paulo. IN EXPE RIÊN CIA – Dos 23 convocados, só seis têm experiências anteriores em Mundiais. Maicon, Daniel Alves,

do Mundo", declarou. De fato, ele conta em sua comissão técnica, por exemplo, com Carlos Alberto Parreira, técnico tetracampeão mundial em 1994. O próprio Felipão também já faturou uma Copa pelo Brasil, a última levantada pela seleção, em 2002. O comandante confia que a bagagem adquirida nas disputas de campeonatos europeus seja suficiente para seus atletas. "Em 2002, os jogadores já tinham muito mais experiência em Copa do Mundo do que estes. Hoje, 17 jogadores não jogaram Copa. Mas o que esses jogadores estão ganhando nas competições que jogam me faz

Segundo Felipão, no entanto, a juventude de seus comandados também tem pontos positivos. "Como são jovens, jogam também por prazer. Não são apenas profissionais, eles gostam. É nossa missão desenvolver um pouco mais do gosto. Taticamente equilibrados, como equipe, mas com gosto porque estão ali jogando futebol e representando o País. Eles fazem isso no dia-a-dia. Temos que incentivar". 'VOU ATÉ O INFERNO' – O técnico minimizou o momento difícil vivido por alguns jogadores. Um deles é Oscar, titular do meio de campo da equipe, mas que sofreu com problemas físiSergio Moraes/Reuters cos e teve uma temporada irregular no Chelsea. "Na parte técnica ninguém perde, posso dizer que o Oscar é um dos melhores do mundo, sem observações minha ou de outros técnicos", disse Felipão. Assim, o treinador exibiu sua confiança nos jogadores e exaltou a relação que tem com eles. "Alguns já sabiam que estavam convocados, fiz questão de ir a Europa, conversar, e avisá-los. Por estarem passando por dificuldades, poderiam estar em dúvida. Mesmo os que estaFelipão com a lista de convocados vam em dúvida, poder Thiago Silva e Ramires estive- acreditar que não sentirão mui- ter certeza que vou até o inferram em 2010, Fred atuou em to a diferença. Jogam liga euro- no com eles." Principal esperança da Sele2006, enquanto que Julio Ce- peia, não devem sentir uma Cosar, o mais experiente, foi cha- pa do Mundo. Não acho que vá ção, o atacante Neymar passou mado para ambas. Mas isso não fazer tanta diferença, confio por uma temporada de dificuldades no Barcelona, com leassusta o treinador. Ele acredi- plenamente nesse grupo." ta que pode compensar a falta O primeiro jogo, contra a sões e questionamentos sobre de bagagem com o conheci- Croácia, deve ser o mais difícil, suas atuações, mas Felipão mento da própria comissão téc- prevê Felipão. "Se pergunta- destacou que ele desempenha nica, além de contar com a aju- rem como foi o início a jogado- funções diferentes pelo Brasil. da de ex-jogadores. res que já disputaram Copa, "O papel dele no Barça é do Tata "Vamos ter que passar nossa vão ouvir de todos que o pri- (o técnico Gerardo Martino). experiência, a da comissão, meiro jogo é diferente. O pri- Não tenho como me manifestar que já viveu Copa do Mundo. E meiro jogo dá o frio na barriga, sobre isso. Na Seleção, ele tem vamos chamar alguns ex-cam- a dúvida. Sempre tem a espera uma situação diferente, atua peões mundiais, que têm baga- do torcedor, que é muito maior. por determinados setores, tem gem em Copas, para que eles Então é uma série de situações responsabilidade maior. Não só venham e nos ajudem com pa- que fazem com que o primeiro pela criação, mas também pela lestras, em momentos com os jogo seja mais difícil. O primei- organização, de fazer algo que jogadores. Vão falar para eles ro jogo vai ser muito importan- outros jogadores não fazem". (Estadão Conteúdo) sobre como é jogar uma Copa te para a sequência."

Em detalhes JULIO CESAR - Goleiro do Toronto FC, é um dos homens de confiança da Seleção. Aos 34 anos, vai para a terceira Copa, a segunda como titular. JEFFERSON - É o reserva direto de Julio Cesar. Aos 31 anos, com passagens pelo Cruzeiro e pelo futebol turco, vive a melhor fase da carreira no Botafogo. VICTOR - Disputou posição com Diego Cavalieri até os últimos instantes, mas acabou prevalecendo graças, principalmente, à boa participação na temporada passada, quando levou o Atlético-MG ao título inédito da Copa Libertadores. DANIEL ALVES - Titular absoluto do Barcelona, Daniel Alves não vive grande fase, mas não deixa de ser um dos melhores laterais-direitos do mundo. Na Seleção desde 2007, mostrou bom futebol durante a Copa da África do Sul e assumiu a titularidade. MAICON - Na fracassada campanha de 2010, Maicon era o titular. Quando Mano assumiu a equipe, perdeu a posição para Daniel Alves. Reencontrou o bom futebol na Roma, ganhou chance nos amistosos contra Austrália e Portugal e convenceu Felipão. MARCELO - Apesar de ter apenas 25 anos, Marcelo é um dos mais experientes do grupo, sendo titular desde 2011. Nesta temporada, sofreu três lesões jogando pelo Real Madrid evai precisar mostrar que está em boa forma física. MAXWELL - Assim como Maicon, aproveitou bem as oportunidades que recebeu depois da Copa das Confederações. Titular no Paris Saint-Germain, fez Felipão esquecer do defensivo Filipe Luís. THIAGO SILVA - Sem nunca ter jogado uma partida de Copa do Mundo (foi reserva em 2010), o jogador formado pelo Fluminense chegará ao Mundial como capitão. Virou titular no começo do trabalho de Mano Menezes e não perdeu mais a posição. DAVID LUIZ - A não ser pela volta de Lúcio para jogar a Copa América de 2011, a zaga do Brasil durante os quatro anos de preparação para a Copa foi formada por Thiago Silva e David Luiz. O jogador do Chelsea, assim, não poderia ficar de fora. DANTE - Desconhecido do grande público até 2012, Dante teve uma evolução rápida. Aos 30 anos, é titular absoluto do Bayern de Munique. Zagueiro pela esquerda, deverá ser utilizado como reserva de Thiago Silva ou no caso de David Luiz ser deslocado para jogar como volante. HENRIQUE - A vaga mais concorrida na lista final de convocados era exatamente a do quarto zagueiro do elenco. E quem acabou levando a melhor foi Henrique, jogador que trabalhou com Felipão no Palmeiras - venceram a Copa do Brasil de 2012. PAULINHO - Peça-chave no esquema de Felipão, responsável não apenas por marcar, mas também para ser o homem surpresa que se aproxima dos jogadores de frente. Destaque no Corinthians e no Tottenham, fez grande Copa das Confederações. LUIZ GUSTAVO - O volante de 26 anos foi a grande aposta de Felipão. Fez uma grande Copa das Confederações. Volante marcador, ganhou a posição e se firmou como titular, ainda que tenha perdido espaço no Bayern e se transferido para o Wolfsburg. FERNANDINHO - O volante revelado pelo Atlético-PR fez a escolha certa ao trocar o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, pelo Manchester City por 40 milhões de euros.Como titular absoluto, mostrou futebol para ser convocado para o amistoso contra a África do Sul, em março. Fez gol e convenceu Felipão. HERNANES - Depois de atuar em todas as partidas da Copa das Confederações, Hernanes correu o risco de ficar fora da convocação final. Mas o volante de 28 anos, que também pode ser meia, voltou a jogar em alto nível pela Inter de Milão e ganhou nova chance. RAMIRES - Titular do Chelsea, Ramires vai para a segunda Copa. Um ponto positivo é o entrosamento com Willian, Oscar e David Luiz, todos também convocados. OSCAR - Sem muitos holofotes, mostrou para Mano Menezes e, depois, para Felipão que poderia fazer o papel de Kaká e Ronaldinho Gaúcho. Chega à primeira Copa, aos 22 anos, como titular absoluto do time. WILLIAN - Vai para a Copa sem nunca ter jogado um jogo como titular do Brasil. É alternativa a Oscar ou até mesmo a Hulk. HULK - Tem tudo para ser titular na Copa ao lado de Fred e Neymar. NEYMAR - Não havia a menor chance de não ser chamado por Felipão. FRED -Homem-gol de confiança de Felipão. Reserva em 2006, vai para o 2º Mundial. JÔ - Poucos acreditavam que o centroavante tinha nível para jogar na Seleção. Mas Jô foi deixando seus gols e se colocou como reserva direto de Fred. BERNARD - Com "alegria nas pernas", Bernard encantou Felipão. Aos 21 anos, será o mais jovem brasileiro na Copa.


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quinta-feira, 8 de maio de 2014

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TEATRO

NOEL COWARD

Simplesmente refinado ir Noël Pierre Coward (16 de dezembro de 1899 - 26 de março de 1973), autor da peça teatral Vidas Privadas, que estreia nesta semana na Cidade, foi um dramaturgo, ator e compositor britânico, incluído na seara de refinados intelectuais do século passado, cuja atuação abrangia produções de teatro, cinema e espetáculos musicais. Era um figurino que

S Fábio Messias/Divulgação

Comédia da vida privada Sérgio Roveri

o dia 13 de março de 1983, hospedado no Hotel Lombardy, em Nova York, o ator britânico Richard Burton, à época com 58 anos, fez o seguinte registro em seu diário: “O rosto de ET está ok, mas a silhueta estourando. Ela está bebendo e ainda não decorou a peça. Esta é a minha garota”. Quinze dias depois, também num domingo, o ator retomaria o assunto no diário: “ET tremendamente melhor no primeiro ato, ainda dura no segundo e lendo o texto no terceiro. Pela primeira vez nessa peça, eu tive prazer em ensaiar. Espero que continue assim”. ET, a quem Burton se referia, era simplesmente Elizabeth Taylor, e a peça que o casal mais emblemático do século XX ensaiava para uma montagem na Broadway era Vidas Privadas, comédia escrita pelo dramaturgo e ator inglês Noël Coward em 1930 – e que viria a ser o último trabalho de Burton nos palcos. Com esta e mais algumas heranças míticas nas costas, Vidas Privadas entra em cartaz em São Paulo no próximo sábado (10) dando provas de que o tempo não costuma ser empecilho para o humor inteligente. Dirigida por José Possi Neto, a montagem dispensou possíveis atualizações: figurinos, cenários e mesmo interpretações continuam leais ao refinamento proposto por Coward há 84 anos. Dividida em três atos, V idas Privadas mostra os percalços e a recaída afetiva de um casal divorciado há cinco anos que se reencontra em um hotel de Deauville, na Normandia, durante uma viagem de lua de mel, cada um agora tendo um novo parceiro. Esta reaproximação inesperada faz com que o casal perce-

N

ba que a história deles não havia t e m p o , c o m o s e u c o n t ex t o terminado – e que ela pode e de- imediato, mas os que conseve continuar, bastando para isso guem se alicerçar sobre bases que os dois concordem em fugir i m u t á v e i s s ã o c a p a z e s d e para Paris. Mas entre eles e a Tor- transcender, permanecer e rere Eiffel existe um desafio prati- verberar por mais tempo que camente intransponível: o que os demais. Acredito que Noël fazer com seus respectivos no- Coward atinge esta transcenvos parceiros? dência ao investir em situaO elenco de Vidas Privadas traz ções cômicas ainda muito recoos atores Lavínia Pannunzio, Da- nhecíveis e temidas pelo públiniel Alvim, Maria Helena Chira e co – mesmo 84 anos após terem José Roberto Jardim, que inter- sido escritas. preta o sedutor Elyot Chase, o personagem feito por Richard Nos últimos tempos, o Burton na Broadway e pelo pró- gênero comédia tem se prio Noël Coward revelado uns dos na estreia da pepreferidos do A palavra ça em Edimburpúblico. Mas ode go, em agosto de Vidas Privadas sofisticação p ta es a a d a 1930. A seguir, parece se afasta ci o ser ass o d trechos da entreum pouco da ta n co peça por vista concedida cartilha das o ic rg jogo dramatú por Jardim ao Diácomédias que Noël proposto por rio do Comércio. ocupam os

José Roberto Jardim- A palavra sofisticação pode ser associada a esta peça por conta do jogo dramatúrgico proposto por Noël Coward. A condução da história é feita a partir do embate de palavras, diálogos e circunstâncias, o que torna o texto rico em sutilezas e nuances que não passarão despercebidas pelos ouvidos e olhos mais atentos.

Sob quais aspectos o humor de Coward se revela mais resistente ao tempo no caso específico desta peça? Todo espetáculo de alguma forma comunica-se com o seu

um desafio encontrar o tom que faça desta peça uma comédia diferenciada?

CINEMA

Estreia o filme brasileiro Entre Vales

Lúcia Helena de Camargo lixo é o fim para alguns e começo para outros”. A frase, estampada em cartazes de divulgação do filme Entre Vales (Brasil / Uruguai / Alemanha, 2012, 98 minutos) que estreia nos cinemas nesta quinta (8), resume o argumento do longametragem. O filme é eficaz ao tocar as emoções do público, exibindo imagens de impacto, das montanhas de dejetos pelas quais trafega Vicente, o protagonista interpretado com fervor religioso por Ângelo Antônio. Ele nem sempre foi catador de lixo, porém. Economista, é pai do menino Caio e marido da dentista Marin. Uma derrocada insólita, que o faz perder tudo, vai dar origem à saga que se quer contar. Triste, sofrida, escura. A direção de

“O

Com certeza. Ao enveredar por um espetáculo que se apoia na comicidade da palavra e na sutileza das situações, o elenco notou o quanto este texto ainda é de difícil compreensão para quem está interessado num tipo de comédia de base mais simplista. É um texto que privilegia o bom gosto e o intelecto, que extrai seu humor de situações inteligentes . Não à toa ele continua a ser tão montado há mais de oito décadas. Vidas PrivadasEstreia no sábado (10). Teatro Jaraguá. Rua Martins Fontes, 71. Tel.: 3255-4380. Sexta, às 21h30; sábado, às 21h; domingo, às 19h. R$ 50 a R$ 60.

participou, como ator, de filmes como Around The World in 80 Days (A Volta ao Mundo em 80 Dias/1956) e Our Man in Havana (Nosso Homem em Havana/1959). Para o teatro, escreveu, entre numerosas obras, Blithe Spirit, transformado em filme por David Lean. Entre seu trabalhos musicais, destacase a montagem Sight No More (1945). (MMJ) Divulgação

Coward. palcos no rdim momento. É Ja to er ob R sé Jo

Diário do Comércio Sofisticação é o termo mais empregado para se referir a este espetáculo. O que define Vidas Privadas como uma comédia sofisticada?

encantava compositores como os americanos Cole Porter, George e Ira Gershwin, Coward conquistou um Oscar especial em 1942 pelo apoio oferecido aos Aliados com a realização do filme In Wich We Serve. Por ser um homossexual influente, Coward entrou no "livro negro" nazista, que reunia nomes de pessoas a serem presas e exterminadas caso a Alemanha rendesse o Reino Unido. Coward

Fotos: Reprodução

Philippe Barcinski (com roteiro escrito por ele mesmo juntamente com Fabiana Werneck Barcinski) e a fotografia comandada por Walter Carvalho se combinam para montar quadros aflitivos, dos quais se quer fugir no meio da projeção. É quase possível sentir o cheiro do lixo dos aterros sanitários e o odor que escapa de almas pútridas. Mas Vicente – cujo nome tem som de vivente, insistente, em semelhança que não soa casual – permanece vivo e mantém a cabeça erguida. Não deixa ninguém o definir como menor do que ele se sabe. Entre Vales parece defender a teoria de que é preciso chegar ao mais fundo do poço para que seja possível se reerguer e reinventar a própria vida. E que não há caos, mesquinharia, corrupção, mentiras ou desilusões que

sejam páreo para quem tem a certeza de estar fazendo aquilo que acredita certo. O elenco traz ainda Daniel Hendler, Melissa Vettore, Inês Peixoto, Matheus Restiffe e Edmilson Cordeiro. O longa-metragem foi filmado em 2011. E lançado em avantpremière no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, em setembro de 2012. Foi exibido depois no Festival de Cinema LatinoAmericano de São Paulo (Festlatino ) e no Festival Internacional de Cinema de Seattle, nos Estados Unidos. Em abril de 2013, aconteceu uma pré-estreia na cidade de Paulínia, cidade que serviu de locação para algumas sequências. Depois de diversas vezes postergado, o lançamento acontece agora no circuito comercial.

VIRADA CULTURAL ESTÁ CHEGANDO. PREPARE-SE. Dias 17 e 18 de maio. Programação completa: www.viraculturalpaulista.sp.gov.br

O melhor do blues A semana paulistana vive a alegria do Festival Best of Blues. Estão no programa Ana Popovic e Jonny Long (foto), na sexta (10), junto com Buddy Guy. Joss Stone e Céu têm performances no sábado (11), junto a Jeff Beck); no domingo (12), sobem ao palco Trombone Shorty, Marcelo D2 e Aloe Blacc. Programação do Best of Blues: www.bestofblues.com.br

Música de Câmara na Academia Experimental de Repertório Espetáculo da Orquestra Experimental de Repertório. Programa: Concerto para Piano em Lá Menor Op. 54, de Schumann, com solo de Cristian Budo (acima). E Sinfonia Nº 2 em Ré Menor Op. 36, de Beethoven. Regência de Carlos Moreno. Sala são Paulo. Praça Júlio Prestes, 16. Tel.: 3323-3966. Domingo (11) 11h. Grátis.

Trio Brasileiro e Luís Montanha (clarinete) fazem recital na Academia Paulista de Letras. Gilberto Tinetti (piano), Erich Lehninger (violino) e Watson (cello). Largo do Arouche, 324. Tel.: 33317222. Quinta (8). 19h. Grátis.


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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Energia solar portátil

EFE

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Anker Astro Mini é um pequeno bastão que armazena energia solar e pode ser levado a qualquer lugar. A ideia é que ele sirva como uma reserva extra de energia para celulares e gadgets. http://goo.gl/gRWHTm

Kubrick fotógrafo

Ovos gigantes

"Betsy von Fürstenberg lendo um roteiro" e "O engraxate Mickey e sua caixa", fotos expostas em Viena que revelam o talento de fotógrafo do cineasta Stanley Kubrick.

O que aconteceria se Deus jogasse ovos gigantes na Terra? O artista holandês Henk Hofstra se fez esta pergunta e ele mesmo deu a resposta, com esta divertida instalação. http://goo.gl/aZJNSj

Carros dos sonhos Conheça os 17 carros conceituais mais bonitos criados entre 1930 e 2000 no link abaixo. http://goo.gl/gMfMCW

.S..AÚDE

.S..OCIEDADE Gabriel de Paiva/ Agência O Globo

O ar que respiramos, ainda pior. m relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado ontem e baseado em levantamentos feitos em 1,6 mil cidades do mundo descobriu que a poluição do ar piorou desde 2011, especialmente nos países mais pobres ou em desen-

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volvimento. O estudo mostra que os habitantes de grandes c i d a d e s e s t ã o ex p o s t o s a maiores riscos de câncer, acidente vascular cerebral e doenças cardíacas. Em São Paulo, segundo o relatório, os índices de poluição são duas vezes superiores ao

valor considerado aceitável pela OMS. Para a OMS, o ar é "limpo" se tem, no máximo, 10 microgramas de partículas PM 2,5 (um dos tipos medidos) por metro cúbico. São Paulo tem 19 microgramas dessas partículas. Entre as cidades avaliadas no

.M..ODA Fotos: Marta Pérez/EFE

País, Salvador, na Bahia, foi aprovada com índice de 9 microgramas dessas partículas. A poluição do ar matou cerca de 7 milhões de pessoas em 2012 e é o maior risco ambiental à saúde no mundo, segundo documento da OMS divulgado em abril.

.T..ECNOLOGIA

Leiloa-se vaga para carros. Na rua.

Craques perdidos A ONG Rio da Paz fez ontem um protesto na praia de Copacabana, lembrando as mortes de crianças em ações policiais nas favelas cariocas.

Noivas na passarela

.L..OTERIAS Concurso 1052 da LOTOFÁCIL

Concurso 1449 da LOTOMANIA

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Concurso 3482 da QUINA

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Concurso 1597 da MEGA-SENA

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A semana de moda para noivas de Barcelona teve ontem o desfile da grife Yolan Cris. A grife levou à passarela do evento Pronovias uma coleção eclética, inspirada na vida boêmia das grandes cidades e também, como contraponto, em tecidos e motivos étnicos e tribais, presentes tanto em detalhes em crochê como na escolha de tecidos como o algodão e o guipir.

A cidade de São Francisco, na Califórnia, com grande volume de automóveis, tem um problema crônico: a falta de vagas para estacionamento nas ruas. Por isso mesmo, a cidade foi uma das primeiras a testar apps que apontam onde há vagas disponíveis. Agora, testa outra ideia: o app de leilão de vagas Moneyparking. Por ele, pessoas que estão prestes a liberar uma vaga fazem um anúncio para outros motoristas. Quem pagar mais, estaciona. Os criadores do aplicativo acreditam que essa é uma forma de estimular as pessoas a liberarem as vagas que conseguiram após muita procura e algum desperdício de combustível. monkeyparking.strikingly.com

www.pronovias.es

.C..RIATIVIDADE

Paisagens maquiadas O fotógrafo Juan Sánchez Castillo brinca com o rosto humano como se fosse uma topografia e, com maquiagem, compõe várias paisagens. www.juansanchezcastillo.com


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quinta-feira, 8 de maio de 2014

13 Luiz Macedo/Agência Câmara

oi aprovada ontem, na Câmara dos Deputados, por unanimidade, com 417 votos favoráveis, o texto básico do Projeto de Lei Complementar 221, que atualiza a lei das micro e pequenas empresas. A votação nominal do Projeto de Lei Complementar 221/12 começou no plenário pouco depois das 19h00. Para ser aprovado, o texto precisaria do voto favorável de 257 deputados. Por acordo entre os partidos, os destaques apresentados à matéria devem ser analisados na próxima semana. A universalização do Simples Nacional, que permitirá a entrada de 140 novas atividades, foi comemorada pelo relator da matéria, o deputado Cláudio Puty (PT-PA). O parlamentar ressaltou que a proposta garante avanços fundamentais, obtidos graças ao apoio irrestrito de entidades representativas, como o Sebrae, a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, representada pelo ministro Guilherme Afif Domingos, que acompanhou a votação, junto com o presidente do Sebrae, Luiz Barreto. “Ainda não atendemos aos grandes clamores das micro e pequenas empresas, mas avançamos muito”, destacou o ministro Afif Domingos. O texto aprovado, afirmou, restringe a “proliferação” do mecanismo da substituição tributária, que acabou tirando os benefícios de direito das micro e empresas. “Existe uma lista de produtos sujeitos a essa sistemática, que ainda é extensa, mas foi a possível de estabelecer devido à forte resistência das fazendas estaduais”, explicou. Sobre a nova tabela do Simples Nacional, que servirá de base para a tributação das novas atividades, o ministro reconheceu que as alíquotas não são as ideais, por ora, pois poderão ser revistas nos próximos meses. “Não é uma tabela favorável, mas avançamos no campo da simplificação e desburocratização de procedimentos e administração dos tributos”, disse o ministro Afif. No projeto de lei que será encaminhado pelo governo, que faz parte de um acordo, a ideia é criar um sistema que permita às micro e pequenas empresas crescere m s e m m e d o. “ S e r á u m Simples de transição, para

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Votação foi nominal; por acordo entre os partidos, os destaques apresentados ao projeto devem ser analisados na próxima semana.

SIMPLES APROVADO

Gabriela Korossy/Agência Câmara

Texto básico do projeto que atualiza a lei das MPEs passou na Câmara com 417 votos Silvia Pimentel

Benefícios para novos optantes a curto e médio prazo ovos optantes do Simples, como advogados, médicos, publicitários e jornalistas, serão incluídos numa tabela de recolhimento separada, calculada sobre o lucro presumido a partir de 2015. O próprio relator, deputado Cláudio Puty (PTPA), reconhece que a maior parte dos setores agora contemplados "não terá ganho tributário" imediato. A ajuda no curto prazo fi-

N

que a passagem da condição de micro para média empresa seja mais suave, evitando a morte súbita do empreendimento”, completou. Avanços importantes O relator Cláudio Puty, des-

ca por parte da desburocratização, uma vez que os novos setores abraçados pelo Simples poderão, caso a aprovação do texto seja concluída pelo Congresso, pagar oito impostos diferentes em uma única guia. Também fica criado um mecanismo facilitador para a abertura e o fechamento de micro e pequenas empresas, via internet. A estimativa do ministro Guil h e rm e Af i f D o m i n g o s é que a universalização do regime beneficiará cerca 450 mil empresas. ( Es tadão Conteúdo)

tacou que a aprovação da proposta é histórica. “Luta-se há sete anos pela inclusão de novos setores no regime tributário. A universalização do Simples vai garantir o ingresso de quase todas as empresas que faturarem até 3,6 milhões por

ano”, afirmou. Na próxima terça-feira serão votados os destaques ao texto, que recebeu 19 emendas. Para a entrada das novas atividades, foi uma criada uma nova tabela, com a l í q u o t a s e n t re 1 6 , 9 3 % e 22,45%. As novas regras da substituição tributária aplicada às micro e pequenas empresas, e o acordo fechado com o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), governo e Senado, segundo Puty, integram esse momento histórico. “A medida vai beneficiar 8,7 milhões de empresas”, calculou. O presidente da Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Campos (PSD-SP), destacou que o texto aprovado não é o ideal, mas traz avanços importantes. "Conseguimos uma vitória relativa, mas a luta não para por aq ui”, resumiu, ao lembrar que o Congresso será convocado ao longo do ano para apreciar a revisão de todas as

Para o relator Cláudio Puty, avanços foram obtidos graças ao apoio irrestrito de entidades representativas.

tabelas do Simples – agora serão seis – e dos sublimites estaduais. “Os valores e os critérios de inclusão serão analisados com base em estudos de instituições independentes, como a FGV-RJ e da Fundação Dom Cabral”. O deputado Pedro Eugênio (PT-PE) destacou que a aprovação é uma grande vitória para o segmento e que a proposta foi amplamente discutida em audiências públicas há mais de um ano. “Em três meses, vamos analisar projeto de lei que vai estabelecer novos e

justos parâmetros. O mais importante é que todos estão dentro do Simples”. A revisão das tabelas e dos sublimites estaduais será realizada no âmbito da Secretaria da Micro e Pequena Empresa. Para o deputado Afonso Hamm (PP-RS), a proposta cria o cadastro nacional único e acaba com a substituição tributária para alguns setores. "A mudança na substituição tributária é o caminho para desonerar a micro e pequena empresa", disse. (Com Agência Câmara)

Para Cotait, uma “grande conquista”. O vice-presidente da ACSP e ex-senador Alfredo Cotait Neto é autor do projeto que alivia a cobrança da substituição tributária Renato Costa/Frame/Agência O Globo

Karina Lignelli ão tem cabimento um optante do Simples, que tem vantagens tributárias justamente pelo seu porte, sofrer incidência de outro sistema de tributação”. A frase, do vicepresidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e ex-senador Alfredo Cotait Neto, dá uma ideia da necessidade de mudanças que contemplem as empresas enquadradas no regime (como o fim da cobrança do ICMS originado nas operações de substituição tributária), com a aprovação das modificações na Lei Geral do Simples (PLC 123/2006). O ex-senador é autor do PLS 323/2010, que alivia as micro e pequenas empresas dessa cobrança, aprovado no último dia 29 no Senado. Ontem, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), promoveu a cerimônia de assinatura do PLS 323. Estiveram presentes à solenidade o

“N

ministro Guilherme Afif; o relator, senador Armando Monteiro; o líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE); o vicepresidente da Confederação Nacional da Indústria, deputado Jorge Corte Real e o presidente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Luis Barreto. Líderes de entidades representantivas do setor também acompanharam a assinatura. “Do jeito que está hoje, as empresas perdem o efeito de estarem em um regime de tributação definida se forem impactadas por outro. É preciso consertar isso”, afirma. Cotait Neto. Por outro lado, ele lamenta que, ao contrário da ideia inicial de seu projeto – que se estenderia a todas as micro e pequenas, a proposta que foi votada na Câmara autoriza a aplicação da substituição a apenas 49 categorias de produtos e a uma modalidade de operação (porta a porta). Segundo o relator do PLS 323/2010, senador Armando Monteiro (PTB-PE), com a

Masao Goto Filho

Cotait (ao alto), destaca o empenho do ministro Afif "para mostrar a importância da tributação diferenciada para as micro e pequenas empresas".

mudança, de 1,5 milhão, apenas 300 mil empresas continuariam a sofrer incidência da substituição. “Algumas ficarem de fora é uma pena. Primeiro porque não é justo, e segundo porque esse seria o início de uma grande reforma tributária, que definiria que

quem está sob o regime do Simples é porque tem faturamento até tanto por ano, e seu imposto será auferido só dessa forma e ponto”, ressalta. De modo geral, o vicepresidente da ACSP considera todas as mudanças tramitando no

Congresso uma “grande conquista”: segundo ele, se for possível aprovar pelo menos boa parte delas, muitas empresas terão ao menos a chance de atuar dentro de sua verdadeira opção tributária. “Também temos que levar em conta o empenho do ministro Afif

para mostrar a importância da tributação diferenciada para as micro e pequenas empresas – o que deve aumentar sua capacidade de gerar negócios e se desenvolver ”, destaca, fazendo menção especial à ACSP, “já que essa luta nasceu em nosso bojo”.


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Ataques múltiplos à política energética Uma das críticas: governo apostou todas as fichas no Pré-Sal, ignorando o restante do setor de energia. Outra: faltou e falta planejamento. Agliberto Lima/DC

s ó c i o - d i re t o r d o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, afirmou ontem que o Brasil vive "a sua pior crise energética". Para ele, "o desmonte do setor de energia ocorreu nos últimos cinco anos". As declarações foram feitas durante palestra em seminário promovido pela Guarani, do Grupo Tereos, em São Paulo. De acordo com Pires, até 2008 os leilões de energia eram feitos dentro das regras previstas e o setor de biocombustíveis ia bem, em "uma época que o Brasil era chamado de Arábia Saudita verde". Porém, o desarranjo ocorreu com a descoberta das reservas de petróleo do Pré-Sal. A partir daí, os leilões perderam força, a geração de caixa pela Petrobras começou a minguar e o setor sucroalcooleiro perdeu competitividade, disse "Tudo isso causou um desmonte, e será uma tarefa árdua recompor o setor de energia. A Eletrobras, hoje, é uma empresa que, se fosse privada, estaria em recuperação judicial", afirmou o sócio-diretor do CBIE. Transparência – As críticas à conduta do governo para sanar os problemas de fornecimento de energia já tinham se intensificado na terça-feira, quando o Fórum das Associações do Setor Elétrico (Fase) divulgou um documento de 20 páginas criticando a política atual para o setor e pedindo “solução urgente” para questões que ameaçam o abastecimento. A carta foi entregue ao secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia

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Empresas de transmissão, geração e distribuição criticam a falta de transparência e a ausência de discussão pública nas decisões do governo. (MME), Márcio Zimmermann. O Fase reúne 15 associações das áreas de transmissão, geração, distribuição, comercialização e consumo. No documento entregue ao governo, as associações ressaltam que a estabilidade de regras é a “questão das questões”. O grupo critica a falta de transparência e a ausência de discussão pública prévia ou de respaldo de estudos técnico com divulgação geral antes da tomada de decisões. O texto ressalta dez pontos críticos e apresenta sugestões, que in-

cluem a construção de usinas hidrelétricas com reservatório e alterações na modelagem dos leilões de energia. O texto lembra que em 2015 vencem contratos de 37 das 64 concessionárias de distribuição que atuam no país, inclusive de empresas como Cemig e Copel. Há críticas ainda ao planejamento do governo. “Se por um lado os planos representam a visão do governo de política energética, por outro lado eles incorporam estimativas de custos, riscos e prazos que fre-

Bloqueio de bens na rota de Eike Adriano Ishibashi/Frame

Justiça Federal do Rio pediu o bloqueio dos bens do empresário Eike Batista até o valor de R$ 122 milhões a pedido do Ministério Público. Não há detalhes oficiais sobre o processo, que corre em segredo de Justiça na 3ª Vara Criminal, informa a Agência Estado. Mas, segundo a coluna Radar Online, de Veja, "o sequestro de bens" foi decretado ontem à tarde. Fonte ouvida pela Agência Estado informa que o empresário foi comunicado do congelamento de bens pelo Citibank, instituição em que é correntista. Do total, o banco só teria bloqueado R$ 4 milhões, cifra que correspondia ao saldo de Eike na data. Até a noite de ontem, os advogados do empresário não tiveram acesso à cópia do pedido do Ministério Público nem da decisão judicial. Desde 17 de abril, a Polícia Federal do Rio de Janeiro es-

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tá investigando a possibilidade de Eike ter cometido os crimes de manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e de uso de informações privilegiadas. O inquérito foi instaurado a pedido do Ministério Público Federal, com base nas conclusões do relatório elaborado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Na mira estão negociações de ações supostamente irregulares.

Embora as investigações da PF sejam preliminares, o MPF pode ter solicitado o bloqueio de bens de forma cautelar. A medida busca impedir que o empresário se desfaça de seu patrimônio antes que a Justiça determine o pagamento de credores e acionistas prejudicados. Eike, que já foi o homem mais rico do Brasil, viu sua fortuna ruir depois que a OGX não conseguiu cumprir as metas de produção. A crise de credibilidade e financeira afetou todo o grupo. Parte das empresas foi vendida a investidores estrangeiros. A OGX e a OSX estão em recuperação judicial. O grupo EBX informou ter apenas "notícia informal" sobre o caso. De acordo com o comunicado do grupo, o empresário Eike Batista tomará as providências cabíveis assim que tomar conhecimento do processo oficialmente. (Estadão Conteúdo)

Indústria cresce pouco no trimestre e já vê ano fraco p ro d u ç ã o i n d u s t r i a l brasileira recuou 0,5% em março em relação ao mês anterior e 0,9%, na comparação com o mesmo mês do ano passado; no acumulado no primeiro trimestre, avança 0,4%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado de março foi melhor que o esperado mas mostrou que os investimentos perderam força no final do trimestre, mantendo a perspectiva de performance fraca no ano. O recuo de março foi influenciado sobretudo pelo segmento de Bens de Capital, medida de investimento, cuja produção caiu 3,6% ante fevereiro e 8,4% sobre março do ano anterior. Nos primeiros três meses do ano, o segmento acumula queda de 0,9%

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quando comparado com o igual período de 2013. "Bens de capital começou a mostrar volatilidade forte e é um sinal amarelo porque antecipa investimentos. Começa a preocupar ver queda dessa magnitude e estar negativo no acumulado do ano é um sinal ainda pior", disse a economista do banco ABC Brasil Mariana Hauer. Segundo o IBGE, entre os 24 ramos de atividade pesquisados, 14 tiveram queda mensal em março, com destaque para veículos automotores, reboques e carrocerias (–2,9%) e máquinas e equipamentos (–5,3%). De acordo com o economista do IBGE, Andre Macedo, o setor de veículos automotores ainda sofre com estoques elevados, paradas e férias coletivas devi-

do à demanda menor. Nova metodologia A Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, mudou de nome, recebendo o acréscimo “de Produção Física” e a sigla PIMPF. Foi aperfeiçoado, com mudanças nas ponderações e na cesta de produtos, o que levou a uma atualização da série histórica. A metodologia passara por duas revisões anteriores, em 1991 e 2004. A reformulação tem por objetivo atualizar a classificação de atividades econômicas, segundo o IBGE, além de adotar critérios mais abrangentes. Pela metodologia anterior eram pesquisados 830 produtos e 3.700 unidades locais; na nova versão, a amostra tem 944 produtos em cerca de 7.800 unidades locais. (Agências)

quentemente não correspondem às percepções dos agentes e da sociedade”. Na carta, as associações reclamam dos fatores que inibem o desenvolvimento do setor. “Os elevados custos da energia e os riscos associados a sua contratação têm sido um grave fator de perda de competitividade da indústria nacional, além de inibir a atuação de potenciais investidores na expansão de nosso parque gerador ”. As entidades afirmam ainda que o aumento de custos para as distribuidoras

pode levar à “progressiva perda de qualidade dos serviços, com prejuízos para os consumidores e para o país”. Não é tão ruim – A questão é vista por um ângulo diferente pelo diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino. Ele descartou a possibilidade de falta de energia, inclusive durante os jogos da Copa do Mundo. "Não faltará energia nos estádios, com certeza. O que existe é algum atraso de alguma obra para dar uma segurança exigida pela Fifa. Está

atrasado, mas vai acontecer em tempo", afirmou ontem no 11.º Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico, realizado no Rio Segundo o diretor, a questão é fiscalizada e acompanhada pela agência. "Há algumas distribuidoras que têm tido dificuldades no cronograma de construção de empreendimentos. Isso tem sido fiscalizado pela Aneel, apontado, cobrado e o próprio governo tem fiscalizado isso Divulgação também". Um relatório de fiscalização publicado pela A n e e l m o strou que o órg ã o r e g u l ador identificou atrasos nas obras de metade das Se a 1 2 c i d a d e s - Eletrobras sede da Copa fosse uma do Mundo e se preocupa empresa com o forne- privada, cimento para estaria em pelo menos recuperação um estádio. O judicial. documento faz um alerta PIRES, SÓCIOsobre a prin- DIRETOR DA CBIE cipal fonte de abastecimento do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Questionado sobre a falta de energia no Beira-Rio, Rufino negou que isso irá acontecer. As empresas, diz, alegam dificuldades comuns em qualquer obra. "Às vezes, a empresa é estatal e tem que fazer licitação, às vezes, a empreiteira atrasa na execução do empreendimento". (Agências)


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Leroy lança cartão sem o nome da loja Rede francesa de material de construção quer que meio de pagamento seja usado no longo prazo também em estabelecimentos que aceitem a bandeira Visa Divulgação

Rejane Tamoto desafio do varejista que lança um cartão de crédito atrelado à própria empresa é mantê-lo em utilização pelo consumidor no longo prazo – seja em compras no seu estabelecimento ou em outros. E quem abraça esse desafio é a rede francesa de home center de material de construção Leroy Merlin, que lança o cartão de crédito Celebre! no próximo dia 16 nas lojas em território nacional. Nesta data, a rede também completa 16 anos no Brasil. O cartão não leva o nome da Leroy Merlin de propósito: para estimular o consumidor a usá-lo em compras nos outros estabelecimentos que aceitam a bandeira Visa. O plástico será emitido pelo banco HSBC e a sua financeira Losango. A parceria com o banco começou em dezembro de 2012, quando a Leroy começou a oferecer o CDC (Crédito Direto ao Consumo) para clientes. Não só o nome, mas também o limite de crédito para o consumidor será separado para o uso nas lojas da rede francesa e fora dela. Thomas Pillet, diretor contábil e financeiro da Leroy Merlin Brasil, explica que se um consumidor conseguir o limite de R$ 1 mil após passar pela análise de crédito, terá mais 80% desse valor, ou R$ 800 extras para gastar só nas lojas da rede. Além da segregação de limites e de uma identidade visual para estimular o cliente a usar o cartão de forma mais ampla, outro diferencial, segundo Pillet é a cobrança de anuidade apenas enquanto o consumidor utiliza o cartão. O valor será de R$ 79,90 e quem aderir pagará 50% deste valor no primeiro ano, dividido em parcelas mensais de R$ 3,33. "Quem não tiver parcelamento ativo não pagará anuidade. No dia em que voltar a utilizar, será cobrado pela anuidade, mas sem considerar parcelas não-

Líder de mercado traz inovação

O

www.agenda-empresario.com.br

Carla Ramos, diretora de comunicação da Leroy Merlin Brasil, projeta que 10 mil cartões sejam emitidos por mês. pagas", afirma Pillet. O executivo lembra que esse é mais um diferencial do cartão da rede em relação aos oferecidos por home centers concorrentes. Ele destaca que o produto não compete com cartões específicos para compra de materiais de construção, como o Construcard, da Caixa, que oferece prazos longos de pagamento. Para os consumidores que aderirem ao cartão, a rede oferecerá um parcelamento de 24 vezes a uma taxa de 1,99% ao mês, mas manterá o financiamento em até dez prestações sem juros. Carla Ramos, diretora de comunicação da Leroy Merlin Brasil, estima que, no médio prazo, 10 mil cartões sejam emitidos por mês. O plástico é voltado para as classes A, B e C, para as quais serão oferecidos benefícios e vantagens periodicamente. "É para a pessoa que tem vários cartões e para

ANO XXVIII

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Fundador: José SERAFIM Abrantes

QUINTA-FEIRA, 08 DE MAIO DE 2014

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segmento de lojas de materiais de construção investe na fidelização por meio de cartões dependendo do porte e do perfil de clientes. Quando se trata de home centers como a Leroy Merlin, a estratégia é a mais correta, segundo Cláudio Conz, presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção). "Nas lojas da rede circulam, todo mês, 1 milhão de pessoas. É um público potencial para o cartão ser oferecido. A empresa é a número um do ranking da Anamaco, sendo a líder de mercado. Se o cartão não está só vinculado à loja, é uma inovação", afirma o presidente da entidade. Segundo ele, as concorrentes da Leroy como C&C, Telha Norte e Dicico – que no ranking figuram como segunda, terceira e quarta, respectivamente – ta mbém tem estratégias de fidelização com cartões por meio de plásticos, mas bem atrelados às compras em suas lojas. "O cartão é um instrumento válido nas grandes redes. Só ainda não é nas pequenas e médias lojas de material de construção, onde a maioria dos clientes não são bancarizados", completa Conz. (RT)

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CANCELAMENTO DO RECEBIMENTO DO VALE-TRANSPORTE Funcionário com mais de 60 anos de idade, ganhou gratuidade no transporte público. A empresa pode cancelar o recebimento do V.T.? É necessárioassinaralgumadeclaraçãodandoconhecimentodasituação? Saiba mais acessando:[www.empresario.com.br/legislacao]. FÉRIAS PAGAS EM RESCISÃO DE EMPREGADO DOMÉSTICO É BASE PARA DESCONTO DO INSS? Informamos que férias indenizadas, mesmo que de empregado doméstico, pagas em rescisão não possuem incidência de INSS. Base Legal – Lei nº8.212/91, art.28, §9º. EMISSÃO DA NF-e DO MEI A legislação exige a emissão de Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) modelo 55 do Microempreendedor Individual (MEI)? Saiba mais acessando a íntegra no site:[www.empresario.com.br/legislacao]. ESTAGIÁRIO PODE SER TRANSFERIDO PARA OUTRA EMPRESA? Tendo em vista que o estagiário não tem vínculo empregatício, conforme lei nº11.788/08, entendemos não ser possível a transferência dele. PESSOA FÍSICA QUE CONTRATA UMA DIARISTA PODERÁ FIRMAR UM CONTRATO COM ELA DOCUMENTANDO OS SERVIÇOS QUE SERÃO PRESTADOS? ESSA AUTÔNOMA PRESTA SERVIÇOS DUAS VEZES NA SEMANA, SEM FIXAÇÃO DE DIA OU HORÁRIO. Informamos que poderá o tomador do serviço e o prestador firmarem um documento especificando a prestação de serviço. Orientamos que este contrato ao ser elaborado conste com clareza que se trata de um prestador de serviço autônomo,elaborado nos moldes do Código Civil. QUAL O PISO SALARIAL DO FUNCIONÁRIO DO MEI? O empregado do Microempreendedor Individual (MEI) não pode receber mais do que o piso da categoria do sindicato da paridade profissional da atividade do MEI. Portanto, o piso é aquele definido pelo sindicato ou o salário mínimo nacional, atualmente em R$ 724,00.FUNDAMENTO:Resolução CGSN 94/2011,artigo 96. ALTERAÇÃO DE TURNO DE TRABALHO Empresa pretende alterar o horário de turno, qual o procedimento correto? Saiba mais acessando:[www.empresario.com.br/legislacao]. AGENDA FISCAL® MAIO/ 14 Acesse a íntegra no site:[www.agenda-fiscal.com.br]. • MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM • ADMINISTRAÇÃO DO RH • CONTABILIDADE

CONTABILIDADE E ASSESSORIA

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quem o Celebre! será o primeiro", diz a executiva. Carla explica que inicialmente o cartão não terá um programa de pontuação e os clientes serão chamados a utilizar o plástico por meio de promoções exclusivas e vantagens. "Temos uma régua de relacionamento mensal com o cliente e optamos por não dar recompensas tradicionais", afirma a diretora. Pillet diz que uma parcela significativa do faturamento já era gerada no antigo Private Label (cartão da loja). "Vamos

avaliar o quanto o novo cartão vai elevar as vendas", afirma. Ele lembra que houve um movimento de retração grande no mercado de cartões de lojas no ano passado, depois de um boom de parcerias com os bancos. "Constatamos que os clientes sentiam falta. E pesquisamos o que eles estavam procurando para lançar esse cartão. Vamos ver como o produto vai se traduzir para o cliente e se ele está pronto para pagar mais por um cartão que permita o acúmulo de milhas", conclui o diretor.

Quem não tiver parcelamento ativo não pagará anuidade. THOMAS PILLET, LEROY MERLIN BRASIL

Pão de Açúcar, Via Varejo e Casino criam gigante do e-commerce. Grupo Pão de Açúcar (GPA) e a Via Vare j o a n u n c i a r a m que vão unir seus negócios de e-commerce com o grupo francês Casino. A proposta, que foi submetida aos conselhos de administração das respectivas empresas, prevê a criação de uma plataforma única que reunirá as atividades da Nova Pontocom no Brasil e do Cdiscount, que pertence ao grupo francês, na França, Colômbia e Ásia. Essa operação deverá resultar em uma das maiores companhias de comércio eletrônico do mundo, com receita líquida combinada de US$ 4,1 bilhões em 2013, e disputará mercado com gigantes como a Amazon. Nesse projeto levado aos conselhos, está prevista a criação de uma única sociedade holding internacional, a NewCo, que deverá abrir o capital nos Estados Unidos, onde estão listadas várias importantes companhias de tecnologia. Segundo analis-

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tas, o valor da nova companhia na Bolsa poderá chegar a R$ 25 bilhões.

O projeto será submetido à aprovação dos órgãos de governança das companhias

Abilio dá adeus ao grupo s ações vendidas pelo Grupo Diniz – que reúne membros da família que têm ações preferenciais do Grupo Pão de Açúcar – na BM&FBovespa eram de propriedade do empresário Abilio Diniz. Com a venda de 7,9 milhões de papéis, ou 3% do capital, ele deixa de vez de ser sócio do negócio fundado por seu pai em 1948. Outros membros da família Diniz continuarão a ser acionistas do GPA. Oficialmente, a empresa responsável pelos investimentos do empresário diz que a venda faz parte de um processo de "diversificação do portfólio" da família. A operação – que rendeu cerca de R$ 820 milhões ao empresário – deverá ser usada

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para reforçar a estratégia da Península de investir em novos negócios. Abilio estaria sendo auxiliado pela Tarpon Investimentos para definir onde aplicar o crescente volume de dinheiro disponível. A Tarpon e o empresário se aproximaram especialmente depois de a empresa ajudar Abilio a ganhar espaço na sociedade e nas decisões gerenciais da gigante dos alimentos BRF. Para analistas, a venda ocorreu em um momento que não é especialmente bom para as ações do GPA. No ano passado, os papéis chegaram a valer mais de R$ 110. A impressão é que a pressa em renovar o portfólio pode ter influenciado a decisão. (Estadão Conteúdo)

envolvidas. Em comunicado ao mercado, as companhias informaram que serão constituídos comitês especiais: um para a Via Varejo, outro para o GPA. Eles serão compostos, em sua maioria, por conselheiros independentes, que deverão discutir o projeto e emitir uma recomendação, inclusive sobre a participação que cada um dos sócios-fundadores terá no capital da NewCo. Do lado do Pão de Açúcar, participarão desse comitê os conselheiros Eleazar de Carvalho Filho, Luiz Aranha Corrêa do Lago e Maria Helena dos Santos Fernandes Santana. Os conselheiros Alberto Guth, Christophe Hidalgo e Renato Carvalho vão trabalhar do lado da Via Varejo. No ano passado, o e-commerce brasileiro faturou R$ 28,8 bilhões, um crescimento de 28% sobre 2012. A expansão do acesso à banda larga móvel, foi um dos fatores que contribuíram para isso. (Estadão Conteúdo)


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Crédito cresce, mas lucro do Banco do Brasil arrefece.

lucro líquido do Banco do Brasil no primeiro trimestre deste ano, de R$ 2,7 bilhões, foi 4,73% maior que os R$ 2,5 bilhões registrados um ano antes, mas caiu 11,5% quando comparado ao último trimestre de 2013. O crescimento forte da carteira de crédito foi contrabalançado por maiores despesas e pelo fraco avanço das receitas com tarifas.

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“De maneira geral, tivemos um primeiro trimestre positivo. O destaque do resultado é o financeiro, que ficou 8% maior no primeiro trimestre. A carteira de crédito cresceu 17% na visão anual. E o banco prioriza, há mais de cinco anos, as linhas de crédito de menor risco”, resumiu Ivan de Souza Monteiro, vice-presidente de Gestão Financeira do Banco do Brasil. A carteira de crédito da ins-

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tituição estatal fechou março em R$ 699,2 bilhões, avanço de 18,3% em 12 meses e de 0,9% sobre dezembro, ritmo ainda bastante superior ao de concorrentes privados e acima da própria previsão do BB para 2014, de crescimento de 14% a 18%. Olhando detalhadamente a carteira, o destaque ficou com os empréstimos para empresas, que evoluíram 16,9%, compensando a evolução no

crédito para pessoa física, de 8,6% em 12 meses (abaixo do ritmo da faixa prevista para o ano, de 12% a 16%). A carteira do agronegócio saltou 35,7%. Por outro lado, as receitas com tarifas avançaram apenas 6,6% ante o primeiro trimestre de 2013. Esse resultado difere dos bancos privados, que apostam no avanço dessa arrecadação para compensar perdas com a menor margem financeira do crédito. (AOG)


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Gráficas mais eficientes na era digital Empresas do setor na Grã-Bretanha se adaptam a uma nova realidade, mas ainda não conseguem acompanhar potências como EUA, China, Japão e Alemanha. Fotos: Tom Jamieson/The New York Times

Georgi Kantchev New York Times News m uma conferência de imprensa realizada há alguns anos, o editor do jornal The Guardian, ao refletir sobre o futuro do jornal impresso, mencionou a instalação das novas impressoras do jornal em 2005. "Sentia do fundo do coração que aquela seria a última vez que trocaríamos a impressora", afirmou o editor, Alan Rusbridger. As tentativas dos executivos da mídia impressa tradicional de tatear pelo caminho do futuro digital foram bem registradas. Mas o que falar dos executivos ainda mais dependentes das prensas – as pessoas que comandam as grandes gráficas? Ask Roy Kingston, de 55 anos, COO da Wyndeham, empresa de capital fechado que é uma das maiores gráficas da Grã-Bretanha, cujo portfólio inclui a edição britânica das re v i s t a s T h e E c o n o m i s t e Men's Health, é membro importante no mundo da impressão há 30 anos, e sentiu o baque das mídias digitais. Até o momento, ele sobreviveu para contar a história, embora nem todos do setor tenham tido a mesma sorte. "Essa sala de reuniões é basicamente a única coisa que não mudou por aqui", contou a um visitante, sentado em uma antiga mesa de reuniões no centro da gráfica da Wyndeham. "Todo o resto mudou. Todos os equipamentos foram trocados e o mesmo aconteceu com as pessoas". Sob muitos aspectos, a própria impressão se digitalizou. Impressoras a laser com poderio industrial permitem que as grandes gráficas façam edições pequenas e lucrativas por encomenda. Até mesmo as grandes máquinas de offset da Wyndeham – que imprimem usando placas litográficas criadas a partir de um arquivo digital – são tão automatizadas, que uma equipe de pouco mais de dez pessoas consegue fazê-las funcionar. "Agora a empresa não tem mais quase ninguém", afirmou Kingston enquanto caminhava pela enorme e quase deserta fábrica. "Houve uma época em que 350 pessoas trabalhavam na gráfica. Agora somos 114. Mas a quantidade de trabalho é duas vezes maior". Ainda nos anos 1990, afirmou Kingston, a gráfica contava com três impressoras que conseguiam fazer 20 mil cópias de uma publicação de 32 páginas por hora. Agora, há duas máquinas capazes de produzir três vezes mais do que isso no mesmo tempo. "As pessoas estão perdendo seus empregos e não há nada que se possa fazer para impedir isso", afirmou Kingston. "Agora é preciso ser simples, leve e

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A Wyndeham, uma das maiores gráficas da Grã-Bretanha, desenvolveu uma espécie de software de gestão de produção que as empresas de mídia podem utilizar para imprimir e fazer entregas online. Porém, a mão de obra altamente sindicalizada atrapalha a concorrência britânica na Europa.

agressivo para que os negócios sejam bem sucedidos". Em 2001, o setor possuía cerca de 200 mil funcionários. Atualmente, o número caiu para menos de 125 mil, de acordo com dados da Federação das Indústrias Gráficas Britânicas. O setor gráfico britânico, embora seja grande, não é o maior do mundo. Ele corresponde ao quinto maior faturamento, atrás dos Estados Unidos, da China, do Japão e da

EDITAL DE LEILÃO DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA 1º LEILÃO: 23 de maio de 2014 às 14h30min. 2º LEILÃO: 27 de maio de 2014 às 14h30min. Carlos Eduardo Luis Campos Frazão, leiloeiro oficial JUCESP nº 751, com escritório na Rua da Mooca, 3.508, Mooca, São Paulo/ SP, autorizado pelo credor fiduciário, levará a PÚBLICO LEILÃO de modo Presencial e On-line, nos termos da Lei nº 9.514/97, artigo 27 e parágrafos, devidamente autorizado pelo Credor Fiduciário BANCO SANTANDER BRASIL S/A, inscrito no CNPJ sob n° 90.400.888/0001-42, com sede na Cidade de São Paulo/SP, à Av. Presidente Juscelino Kubistchek, 2041/2235, Vila Olímpia, nos termos do Instrumento Particular firmado em 22/09/2011, na qual figura como Fiduciante CLAUDIA MORGANA PRADA, brasileira, solteira, comerciante, RG nº 36.247.032-7 – SSP/SP, CPF nº 902.642.909-68, residente em São Paulo/ SP, no dia 23 de maio de 2014 às 14h30min, em PRIMEIRO LEILÃO, com lance mínimo igual ou superior a R$ 229.284,22 (Duzentos e Vinte e Nove Mil Duzentos e Oitenta e Quatro Reais e Vinte e Dois Centavos), o imóvel matriculado sob o nº 57.134 do 17º Oficial de Registro de Imóveis de São Paulo, a seguir descrito, com a propriedade consolidada em nome do Credor Fiduciário, conforme Av.05, da referida matricula, constituído por “O apartamento nº 65, localizado no 6º andar da Torre 02, integrante do “Residencial Ravenna”, situado na Avenida José Maria Fernandes, nº 480, no 36º Subdistrito Vila Maria, contendo a área privativa de 62,370m², área comum de 43,589m² (sendo 27,005m² de área coberta e 16,584m² de área descoberta) com a área total de 105,959m² (sendo 89,375m² de área total construída), correspondendo-lhe uma fração ideal de 0,004446% no terreno condominial; cabendo-lhe o direito ao uso de 1 vaga de garagem com capacidade para estacionar 01 veículo. Contribuinte Municipal: 063.026.001-4 (área maior). Consta na referida matrícula conforme R.4/57134 a Alienação Fiduciária do referido imóvel em favor do Credor Fiduciário Banco Santander (Brasil) S/A. O Imóvel está ocupado. A venda será efetuada em caráter “ad corpus” e no estado de conservação em que se encontra. Caso não haja licitante em primeiro leilão, fica desde já designado o dia 27 de maio de 2014, às 14h30min, no mesmo local, para realização do SEGUNDO LEILÃO, com lance mínimo igual ou superior a R$ 173.963,13 (Cento e Setenta e Três Mil Novecentos e Sessenta e Três Reais e Treze Centavos). Os interessados em participar do leilão de modo on-line, deverão se cadastrar no site www.FrazaoLeiloes. com.br, encaminhar a documentação necessária para liberação do cadastro 24 horas do início do leilão e se habilitar, acessando a página deste leilão, clicando na opção “HABILITE-SE AQUI”, com antecedência de até 01 (uma) hora, antes do início do leilão presencial/online. O envio de lances on-line se dará através do site www.FrazaoLeiloes.com.br, respeitado o lance inicial e o incremento mínimo estabelecido, em igualdade de condições com os participantes presentes no auditório do leilão, de modo presencial, na disputa pelo lote do leilão. O arrematante pagará, no ato do leilão, o valor da arrematação e o valor da comissão do leiloeiro, correspondente a 5 % do lance vencedor. O valor da comissão do leiloeiro não compõe o valor do lance ofertado. Os pagamentos far-se-ão pela emissão de 02 (dois) cheques, sendo um de valor correspondente à comissão do leiloeiro e o outro referente à arrematação, que servirá como caução, para posterior pagamento de boleto bancário emitido pelo Credor Fiduciário. O arrematante vencedor por meio de lance on-line terá o prazo de 24 horas para efetuar o pagamento da totalidade do preço e da comissão do leiloeiro, conforme este edital. No caso do não cumprimento da obrigação assumida no prazo estabelecido, estará o arrematante, sujeito a sanções de ordem judicial, a título de perdas e danos. No 1º Leilão, o arrematante declara-se ciente e plenamente informado de que sobre o imóvel, podem pender débitos de natureza fiscal (IPTU e outros), se houver. No 2º Leilão, tais débitos gerados até a data da venda, são de responsabilidade do Credor Fiduciário, Banco Santander Brasil S/A. Correrão por conta do arrematante todas as despesas relativas á arrematação do imóvel, tais como, taxas, alvarás, certidões, emolumentos cartorários, registros e etc. e ainda, despesas com regularização e encargos da área construída a maior, junto aos órgãos competentes (se houver), bem como a desocupação, nos termos do art. 30 da lei 9.514/97. Outras informações no site do leiloeiro: www.FrazaoLeiloes.com.br ou pelo tel. 11-3550-4066.

Alemanha. Entretanto, seus desafios e oportunidades são emblemáticos. As vendas das gráficas britânicas estão em declínio constante há 20 anos, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas, e não há alívio à vista. O faturamento do setor deve encolher para 10 bilhões de libras até 2017, em vez dos 15 bilhões de libras dos anos 1990, de acordo com a Key Note, uma empresa de pesquisa de mercado. A indústria gráfica internacional, com faturamento estimado de US$ 880 bilhões no ano passado, continuará a crescer 2% ao ano até 2018, em grande parte graças aos países emergentes, segundo a Smithers Pira, outra empresa de pesquisa. A China provavelmente irá superar os Estados Unidos como o maior mercado de impressão do mundo este ano, ao passo que a Índia irá superar o quinto lugar, que pertence à Inglaterra, até 2018. As gráficas europeias passaram por um momento especialmente difícil, em vista da recessão na região. A recuperação gradual não se traduziu no aumento da demanda pela impressão na Europa, e a Smithers Pira afirmou que o que foi perdido não será recuperado. Algumas publicações, in-

cluindo a Maxim, uma revista masculina, e a Accountancy Age, um periódico comercial, foram totalmente tiradas de circulação do mercado britânico, sendo disponíveis apenas em versões online. A Grã-Bretanha, com sua mão de obra altamente sindicalizada, também é vulnerável à concorrência em outros países da Europa. "Os italianos oferecem impressões de alta qualidade, mas com preços mais baixos, por conta dos baixos custos trabalhis-

tas", afirmou Robert G. Picard, professor de economia das mídias, na Universidade de Oxford. "E a Alemanha e os países escandinavos possuem uma indústria gráfica muito eficiente, o que acaba com alguns dos problemas de preço", afirmou. "Portanto, para coisas que precisam ficar prontas na hora certa, como revistas, e que precisam ser feitos naquela região, o melhor negócio pode estar fora do Reino Unido – e os produtos podem chegar ao país do dia para a noite". As editoras, que não têm os mesmos problemas que os jornais e revistas, procuram seus fornecedores no oriente, com boa parte das impressões sendo feitas na Ásia, onde os custos da mão de obra são ainda mais baixos. "Tudo isso leva a um excesso de capacidade produtiva, retirando boa parte da margem de lucro das gráficas", afirmou Picard. Há ainda um outro indicador para o problema. A Ipex, convenção da indústria gráfica internacional realizada este ano no centro ExCeL em Londres, em março, utilizou apenas 30% do espaço de exposições de 2010, de acordo com a PrintWeek, uma publicação do setor. Kingston, da Wyndeham, que frequenta a Ipex desde os anos 1980, ficou impressionado com a mudança. "É uma exposição que quatro anos atrás demorava um dia inteiro para ser visitada, mas que agora pode ser vista em uma hora", afirmou. "Não dá tempo nem de esfriar o café". Os sobreviventes do setor estão se aguentando, em parte porque buscam ir além da publicação de mídia impressa, entrando no setor de embalagens e rótulos – área onde não é fácil criar um substituto digital. "Todos compramos coisas

em caixas de papelão ou em latas com algum tipo de rótulo", disse Picard, "de modo que a indústria gráfica está expandindo seus esforços na área". Kingston considera as embalagens "a maior área de crescimento para a indústria gráfica, sem sombra de dúvida". Ele citou um estudo sueco em que clientes de um supermercado muitas vezes consideravam o preço menos importante que a embalagem na hora de tomar decisões de compra. "A maioria das pessoas compra produtos que nem conhecem, com base apenas na embalagem, ou seja, na coisa que está bem na sua cara", comentou. A Wyndeham, assim como outras sobreviventes, já não se dedica mais exclusivamente ao papel e a tinta. A empresa desenvolveu um produto chamado "imagine", uma espécie de software de gestão de produção que as empresas de mídia podem utilizar para imprimir e fazer entregas online. A empresa também criou uma divisão que se concentra em aplicativos de mídia online, "seja em aparelhos móveis, smartphones, ou iPads", afirmou Paul Utting, executivo-chefe da Wyndeham. Sob medida As gráficas também estão reagindo aos novos desejos dos anunciantes, que se acostumaram a fazer campanhas sob medida para nichos muito específicos, graças às mídias online. Ou a versão profissional da impressão a laser ou jato de tinta – possibilita que varejistas imprimam catálogos feitos de acordo com as preferê n c i a s d e c o m p r a i n d i v iduais de cada cliente. O mesmo se aplica a livros e revistas, afirmou Kingston. "Agora é possível fazer edições diferentes de cada revista; é possível montá-las de formas diferentes e utilizar cores especiais. Podemos personalizar e enviar os exemplares. Agora existe muito mais valor agregado". Para a edição de abril da revista britânica de cinema Empire, para a qual a Wyndeham imprimiu as capas, a editora queria celebrar o lançamento do filme "Godzilla", colocando uma "megarrevista" nas bancas – quase 30% maior que o normal – que pudesse ser vendida como um item de colecionador. Graças às capacidades d e c u s t o m i z a ç ã o , a W y ndeham não teve dificuldades para se adaptar.

As pessoas estão perdendo seus empregos e não há nada que se possa fazer para impedir isso ROY KINGSTON, WYNDEHAM

Diário do Comércio  

Quinta-feira, 8 de maio de 2013

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