Page 1

Conclusão: 23h50

www.dcomercio.com.br

Jornal do empreendedor

R$ 1,40

Tudo passa, dizia Nelson Ned. Márcio Fernandes/AE

Ano 90 - Nº 24.034

São Paulo, sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014 Max Rossi/Reuters

Pedro Nunes/Efe

Tudo passa foi o maior sucesso de Nelson Ned na América Latina. Ele passou ontem, aos 66 anos. Pág. 10

Terra Santa espera o Papa e a paz Brendan Smialowski/Pool/Reuters

O papa Francisco anunciou para 24 de maio uma visita a Belém, Amã e Jerusalém.

Sauditas apoiam o pacificador

Adeus ao 'Pantera Negra', o mito.

Secretário Kerry obtém o aval do rei Abdalla (foto) e volta à negociação Pág. 7

Eusébio, o grande craque português, morreu aos 71 anos. O futebol e Portugal estão de luto. Pág. 10

Ano de Copa, economia na reserva. Especialistas advertem: nem Copa nem eleições devem evitar que o ano seja quase uma cópia de 2013, com crescimento baixo, inflação ainda alta e deterioração das contas externas. Pág. 13

/Zoran Milich/Reuters

Michael Nagle/The New York Times

Recorde de frio nos EUA. E ainda vai piorar. As temperaturas, as menores em 20 anos, devem cair ainda mais nos próximos dias, afetando 140 milhões de pessoas. Pág. 7

Página 4

Em ação, os espiões da criatividade. O escritor Arnon Grunberg é monitorado por eletrodos enquanto produz um livro. Como funciona o seu processo criativo? Pág. 9


DIÁRIO DO COMÉRCIO

2

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

Qualquer não-petista eleito presidente terá de dançar conforme a música ou sofrer o destino de Collor de Mello Olavo de Carvalho

A QUESTÃO NÃO

UMA OBSERVAÇÃO

É SÓ SALÁRIO

E DUAS NOTAS

stamos todos em busca da excelência. É um objetivo comum. Quando reparamos nas peripécias das correções das provas do Enem, por exemplo, ficamos um pouco assusta dos. Estaríamos chegando próximos ao estágio em que o escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez (prêmio Nobel de Literatura) pediu para aposentar a gramática? Segundo ele, "é o terror dos seres humanos desde o berço." Não é exatamente a nossa opinião, mas devemos ter maiores cuidados com as avaliações em curso. Resolver a questão do magistério entre nós não é tão simples como parece. Parte da opinião pública está convencida de que tudo se resume em pagar melhor aos professores, mas quem dera que fosse só isso. Os mestres reclamam muito das chamadas condições de trabalho – e com toda razão. Sobretudo nas escolas públicas, há um desleixo fenomenal. É difícil caracterizar de quem é a culpa. Posso lhes dar um exemplo: quando assumi a Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Rio de Janeiro, em 1979, visitei a cidade de Campos dos Goitacazes (RJ). Havia uma greve ilegal, mas justa. Estive na Escola Estadual Antonio Sarlo, uma das maiores da região, e fiquei horrorizado com as condições de insalubridade do estabelecimento de ensino. Banheiros fétidos, paredes rachadas, pintura completamente envelhecida. Determinei uma ampla reforma. A escola transformou-se num belo modelo de educação rural.

SXC

E

É melhor falar com um freio na boca do que não falar de maneira alguma

té hoje ninguém respondeu satisfatoriamente – nem responderá jamais – à minha observação de que o socialismo-comunismo é a fusão de poder político e poder econômico, portanto um acréscimo formidável dos meios de controle social e opressão. Já ouvi tudo quanto é xingamento quando digo isso, mas nenhuma refutação. Também ninguém responderá à constatação de HansHermann Hoppe de que a passagem das antigas monarquias para o republicanismo democrático trouxe a deterioração da vida social, o aumento exponencial da criminalidade e a escalada sem fim do intervencionismo estatal. Não há um só advogado da democracia contra o socialismo que não esteja consciente de defender nada mais que um mal menor. Alguns, no fundo, reconhecem até que o mal menor é apenas um caminho mais longo para o mal maior.

A

sso coloca-os numa posição de desvantagem no confronto com os socialistas e comunistas, que não têm satisfações a prestar à realidade histórica e que em geral são mesmo psicopatas insensíveis a quaisquer escrúpulos de consciência. Mas em todo caso é melhor falar com um freio na boca do que não falar de maneira alguma. O problema, no fundo, é que tanto a democracia quanto o socialismo são filhos da mentalidade revolucionária, isto é: ambos consistem essencialmente em fazer promessas que não podem cumprir. Ambos rejeitam categoricamente a antiga noção de que o curso das coisas depende de

I

OLAVO DE CARVALHO fatores incontroláveis e proclamam que "o homem" deve tomar nas mãos o seu próprio destino – esquecendo que, na prática, isso invariavelmente resulta em que alguns poucos homens passarão a decidir o destino dos outros. m grande parte, o crescimento dos meios de opressão não depende de nenhuma escolha política, mas do simples progresso da ciência e da técnica. O grampo generalizado que tanto escandaliza o público, os aviões teleguiados com câmeras que vasculham o interior das casas, os simples arquivos eletrônicos de informações que colocam todos à mercê da chantagem governamental são avanços técnicos formidáveis, cuja criação custou tão caro que só o Estado poderia financiá-los, o que faz do cidadão a vítima inerme da aliança inevitável entre conhecimento científico e poder, transmutando em piada macabra a promessa iluminista de que a ciência libertaria a humanidade da opressão e das trevas. Nenhum desses processos, que superam infinitamente as mais loucas ambições de poder absoluto de Hitler e Stálin, depende de uma adesão ideológica ao socialismo ou à democracia capitalista. Onde quer que haja um Es-

E

tado, ele tem a seu serviço as tecnologias mais caras e a própria complexidade crescente da administração pública o forçará a utilizá-las mais dia, menos dia. Por toda parte continua a cumprir-se assim, mesmo depois da extinção dos dois grandes regimes totalitários, a profecia de Jacob Burckhardt, enunciada no umbral do século 20: "A autoridade reerguerá a cabeça, e será uma cabeça temível." ais claramente ainda, é o progresso mesmo da tecnologia que viabiliza o controle do fluxo de informações, reduzindo a massa popular a um estado de ignorância por vezes completa do real estado de coisas. Com ou sem este nome, a censura, a supressão dos fatos indesejáveis, tornou-se a rotina da grande mídia internacional democrática como outrora o foi na URSS e ainda é no comunismo chinês. Dificilmente a KGB terá algum dia empreendido uma "operação abafa" tão vasta e bem sucedida quanto a ocultação dos documentos falsos de Barack Hussein Obama pela mídia americana ou o completo sumiço do Foro de São Paulo, por nada menos que dezesseis anos, nos jornais e canais de televisão do Brasil. Enquanto a humanidade não entender que aqueles que a estimulam a "tomar nas mãos as rédeas do seu próprio destino" estão somente sugerindo que ela entregue essas rédeas nas mãos deles, as perspectivas da liberdade no mundo continuarão se estreitando cada vez mais, e a própria liberdade de percebê-lo será exercida por um número

M

cada vez menor de pessoas. *** migos e leitores perguntam-me sobre as próximas eleições. Elas não me interessam de maneira alguma. Por meio do funcionalismo público e da rede de "movimentos sociais", o PT e os partidos de esquerda seus aliados controlam o Estado, não somente o governo. Qualquer não-petista que seja eleito presidente terá de dançar conforme a música ou sofrer o destino de Fernando Collor de Mello.Eleger um presidente não é prioridade. A prioridade é criar uma militância e um esquema de poder, fora do governo, para dar sustentação a um presidente antipetista no governo quando for possível e conveniente elegê-lo. Um presidente que tem somente o apoio do eleitorado difuso, sem uma militância organizada por perto, pronta para o que der e vier, é um pato de barro sentado num estande de tiro.

A

m outra ocasião, de volta da Região dos Lagos, li no jornal O Fluminense , que a E.E. Leopoldo Froes estava em petição de miséria. Pedi ao motorista que desviasse o caminho e fomos parar em Pendotiba (Niterói – RJ), para conhecer a escola. Que decepção! Uma sujeira imensa, escadas quebradas, lousas partidas, carteiras semidestruídas. Mandei chamar a diretora. Não estava. Tinha ido resolver problemas particulares, o que, aliás, fazia sempre. Pedi que fosse substituída. Depois de seis meses de reforma, a escola ficou um brinco. Mas a comunidade não se integrou ao projeto.

ARNALDO NISKIER

Passou-se um tempo e tudo foi novamente destruído, sobretudo nos fins de semana, quando o espaço era aberto aos vizinhos, para a prática desportiva. Aprendi a lição de que se deve trabalhar sempre intimamente com a comunidade circundante. gora, em Búzios, balneário fluminense, que ficou famoso internacionalmente por causa da temporada lá vivida por Brigitte Bardot, estive na bem sucedida I Feira Literária. Ao falar para professores e alunos, um dia depois de Maurício de Sousa, tive o prazer de participar de um proveitoso debate, em que ocorreu um fato interessante Contei sobre a surpresa da visita feita há tempos a uma escola do interior, em lugar bem pobre. Ao chegar, na comitiva oficial, fui à sala da diretora, mulher simples, que tinha a sala limpa e uma flor vermelha na janela. Felicitei-a e a resposta veio pronta: "Não sei trabalhar em ambiente diferente. Aprendi a gostar de flores com a minha mãe."

A

SXC

E

*** ma pesquisa recente mostrou que só oito por cento dos estudantes do ensino fundamental adquirem os conhecimentos adequados. Pois bem: enquanto existir um Ministério da Educação essas coisas continuarão acontecendo. A idéia de que a educação é incumbência do Estado, e não da sociedade, é uma das mais destrutivas que já passaram pela cabeça humana.

U

OLAVO DE CARVALHO É JORNALISTA, ENSAÍSTA E PROFESSOR DE FILOSOFIA

ma professora de Búzios, ao ouvir a história, alteou a voz e disse: "Faço isso sempre. Os alunos gostam." Vejam, pois, que as condições da escola podem também depender do capricho da direção, que dá o melhor exemplo. É um recado importante. ARNALDO NISKIER É MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, VICEPRESIDENTE DO CIEE NACIONAL E PROFESSOR DE HISTÓRIA E FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

U

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cesário Ramalho da Silva Edy Luiz Kogut João Bico de Souza José Maria Chapina Alcazar Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Miguel Antonio de Moura Giacummo Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Renato Abucham Roberto Mateus Ordine Roberto Penteado de Camargo Ticoulat Sérgio Belleza Filho Walter Shindi Ilhoshi

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, Marcel Solimeo Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Editor-Chefe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br). Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br). Editores Seniores: chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), José Roberto Nassar (jnassar@dcomercio.com.br), Luciano de Carvalho Paço (luciano@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Marcus Lopes (mlopes@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br). Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Heci Regina Candiani (hcandiani@dcomercio.com.br), Tsuli Narimatsu (tnarimatsu@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br. Subeditores: Rejane Aguiar e Ricardo Osman. Redatores: Adriana David, Evelyn Schulke, Jaime Matos e Sandra Manfredini. Repórteres: André de Almeida, Karina Lignelli, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Paula Cunha, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibellis e Sílvia Pimentel. Editor de Fotografia: Agliberto Lima. Arte e Diagramação: José dos Santos Coelho (Editor), André Max, Evana Clicia Lisbôa Sutilo, Gerônimo Luna Junior, Hedilberto Monserrat Junior, Lino Fernandes, Paulo Zilberman e Sidnei Dourado. Gerente Executiva e de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estadão Conteúdo, Folhapress, Efe e Reuters Impressão S.A. O Estado de S. Paulo. Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

FALE CONOSCO E-mail para Cartas: cartas@dcomercio.com.br E-mail para Pautas: editor@dcomercio.com.br E-mail para Imagens: dcomercio@acsp.com.br E-mail para Assinantes: circulacao@acsp.com.br Publicidade Legal: 3180-3175. Fax 3180-3123 E-mail: legaldc@dcomercio.com.br Publicidade Comercial: 3180-3197, 3180-3983, Fax 3180-3894 Central de Relacionamento e Assinaturas: 3180-3544, 3180-3176 Esta publicação é impressa em papel certificado FSC®, garantia de manejo florestal responsável, pela S.A. O Estado de S. Paulo.

REDAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Boa Vista, 51, 6º andar CEP 01014-911, São Paulo PABX (011) 3180-3737 REDAÇÃO (011) 3180-3449 FAX (011) 3180-3046, (011) 3180-3983 HOME PAGE http://www.acsp.com.br E-MAIL acsp@acsp.com.br


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

3

QUEM ENXERGA O QUE VEM PELA FRENTE COM MAIS CLAREZA TEM UM DIFERENCIAL DECISIVO.

O resgate da contabilidade CHARLES HOLLAND Daniel Pangbourne/Image Source

ontabilidade gerencial significa prestação de contas estratégicas inteligentes, retrospectivas e prospectivas (o que no Brasil é muito raro) para os públicos internos. Veja-se que existem duas contabilidades: geral e gerencial. A contabilidade geral é, principalmente, aquela destinada para os públicos externos das entidades. A mesma segue as normas técnicas emitidas pelo CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Todas as entidades que se reportam a públicos externos precisam necessariamente obedecer às normas de registro e de divulgação ditados nas normas do CPCs, sempre com o respaldo do Conselho Federal de Contabilidade e da lei federal em vigor. Já a contabilidade gerencial – que muitos confundem com contabilidade de custos (um modulo da contabilidade geral e da gerencial),– assume conhecimentos amplos de negócios, economia, matemática, estatística, capacidade de comunicações segmentadas para públicos alvos etc. É uma atividade estratégica que estimula criatividade e inovação para trazer luz e fundamentos para os empresários nas tomadas de decisões.

Prestação de contas daquilo que já aconteceu é commodity – vale pouco, quando comparado ao valor de previsões confiáveis do que vem pela frente.

C

om o advento da Lei 11.637/ 2007 que sancionou a adoção obrigatória das normas internacionais de contabilidade em todas as entidades no Brasil, privadas e publicas, a maioria dos profissionais brasileiros passaram a concentrar tempo e esforço para absorver e implantar as novas normas. Os avanços têm sido notáveis, e elogiados no mundo inteiro. Estamos na vanguarda mundial em termos qualitativos na prestação de contas pa-

C

maioria dos empresários já está colocando – no sentido figurado –, em suas empresas, os faróis de iluminação nos fundos e as lanterninhas de ré na frente. Isto é, possuem relatórios retrospectivos para públicos internos e externos, e nada em termos prospectivos para públicos internos. Afinal, quando escurece ou há tempestades, a opção é dirigirmos devagar. Nestas circunstâncias, quem enxerga o que vem pela frente com mais clareza e com menos expectativas de surpresas, tem um diferencial competitivo significativo e decisivo. Entendemos que em decorrência de quatro décadas com altos índices de inflação, a prestação de contas perdeu importância, sendo a partir de 1996, com a redução destes índices a patamares razoáveis, as demonstrações financeiras passaram a ter melhor significado, mas sem a qualidade prospectiva almejada.

A

ra públicos externos. Agora, passado seis anos, é necessário resgatar a importância da contabilidade gerencial nas empresas. As faculdades e cursos de graduação voltados para negócios precisam valorizar contabilidade gerencial. Temos carência de profissionais e de conhecimentos nesta área. grade de ensino das entidades mais qualificadas deveria dar prioridade a esta demanda. E aquelas que saírem na frente certamente vão ter vantagens competitivas Em todos os países desenvolvidos –e também em des e n v o l v i m e nt o –, que pos-

A

suem ambições de crescimento sustentado, os profissionais interessados estão aumentando a procura pela certificação de reconhecimento global CMA-Certified Management Accountant –que difunde e monitora as técnicas de informes inteligentes e estratégicos para os públicos internos

das entidades. Para ser um CMA com reconhecimento global é essencial passar em um exame, o qual testa os conhecimentos do candidato no campo de ética empresarial, planejamento, orçamentos e técnicas de previsão, gestão de performance, contabilidade de custos,

Aqui no Brasil, prestar contas do que vem pela frente é raro. Mas os administradores de empresas precisam se preocupar mais com o que vem adiante. Afinal, é o nosso futuro.

analise financeira, finanças corporativa, análise de decisão e gestão de riscos e de decisões de investimento. Para manter a validade da certificação é necessário comprovar, anualmente, educação continuada de 40 horas de créditos de educação qualificada. E destaque-se que uma das prioridades da contabilidade gerencial é prestação de contas prospectivas. qui no Brasil, prestar contas do que vem pela frente é raro, na verdade quase um tabu! A realidade é que os administradores de empresas precisam se preocupar mais com o que vem pela frente. É o nosso futuro.

A

endo isso em vista, vale dizer que a apresentação de contas via contabilidade gerencial significa tomar um pouco das "rédeas" na tomada de decisão, compreendendo o negócio e apontando escolhas que promovam o crescimento e o retorno às partes interessadas, principalmente proprietários. Estamos esperando o que para acontecer? CHARLES HOLLAND É CONTADOR, DIRETOR EXECUTIVO DA ANEFAC, MEMBRO DO INSTITUTE OF MANAGEMENT ACCOUTANTS - IMA, E CONSELHEIRO INDEPENDENTE DE EMPRESAS.

T

A POLÍTICA DO MAIS DO MESMO Reprodução

a base do "quem avisa amigo é", quero desde já lembrar ao leitor que corremos, todos nós brasileiros, neste ano de 2014, o risco elevado de termos mais do mesmo. Ou seja, este ano que está apenas começando pode se tornar uma repetição desalentadora, monótona, daquilo que temos visto nesta pouco mais de uma década em que o País se encontra sob o domínio do PT e seus aliado$ de oca$ião. Socorro-me de feliz frase de J.R. Guzzo na revista Veja da última semana de dezembro passado, para seguir no raciocínio: "Quando o PT foi para o governo, o filho de pai rico, que podia pagar-lhe uma educação de primeira, tinha muito mais chance de dar certo na vida do que o filho de um pai pobre, que não podia pagar nada. E hoje, o que mudou? Zero." A frase, contida numa análise intitulada "A cara} do Brasil", é um retrato do que o País é realmente nos dias de hoje. Não me acanho em citar o texto, citando a fonte, por respeito ético (embora muitos por aí usem análises minhas, como se deles fossem, depois que publiquei). Mas o que importa mesmo é termos consciência de que se a opção da maioria for seguir o mesmo caminho que se tem seguido, pouco ou nada mudará para melhor. Ao contrário. A tendência

N

PAULO SAAB

é piorar, pelo entendimento equivocado dos detentores do poder federal de que{ uma nova vitória é sinal de aprovação e estímulo ao jeito pernicioso de governar. Já se disse que quando se faz tudo do mesmo jeito, o resultado obtido também será o mesmo. E o Brasil precisa mudar seu estilo de gestão. emos vivido nos últimos anos uma mistura de paternalismo-populismo distanciado das regras modernas de gestão. O Brasil ainda é, e mesmo que se trate de governo tido como "popular", um arremedo de casa grande e senzala, sendo que os moradores da senzala (é apenas o uso de liberalidade

T

poética na construção do texto) passaram a governar a casa grande, sem mudar o estilo anterior de trato do coletivo. A não ser por acentuar a corrupção e o melado do doce. Quem não come doce, quando come se mela todo. Não estou sendo preconceituoso, apenas realista. No mundo atual, a gestão das nações deve se assemelhar em suas boas práticas de governança àquilo que se aplica no meio empresarial. O Brasil, estacionado no tempo (ou regredindo, querendo fazer da Nação – propaganda que vende na publicidade milionária paga com dinheiro público – é na verdade um atraso só, em termos de eficiência,

eficácia e modernidade. Não se busca a igualdade de oportunidade para todos. Não se busca que todos tenham as mesmas condições de competição, o que estimula a criatividade, o impulso, a produtividade. O Brasil da era lulopetista-dilmista segue na contramão da História, buscando agradar aos pobres com favores e esmolas, com um discurso agressivo de progresso e políticas voltadas para a dominação e permanência no poder – e nunca para políticas públicas desenvolvimentistas de interesse da nação. écio Neves repetiu (por mera coincidência, claro) o que esta coluna tem

A

reiterado ao longo do tempo: Dilma vive numa Ilha da Fantasia. Ela e seus aliado$s de interesses, acreditam que o Brasil é uma Ilha da Fantasia onde tudo vai bem, em progresso e eles estão acima das críticas. O cidadão desavisado dorme tarde, levanta de madrugada, demora de duas a três horas para ir e vir do trabalho, morre nas macas de corredores fétidos de hospitais, recebe bolsas que desestimulam seus filhos de estudar e evoluir, são vítimas da violência fácil, da bandidagem desenfreada, por aí afora, e ainda é convencido pela propaganda petista (muito bem feita sempre, com dinheiro público) de que

está melhorando de vida. A senzala quer que o seu eterno morador ocupe a casa grande, ande de charrete de luxo, tenha dentro da casa objetos de desejo de consumo, mas não lhe dá condições de aprender, crescer, educar-se, aprimorar-se e conquistar isso tudo por si só, sabendo se manter. Sei que faço a festa dos ideólogos do falido socialismo, por dar-lhes munição discursiva, mas pouco importa quando se vê que a prática de suas perorações são voltadas, como já citei aqui, para que eles, sim, façam parte de uma classe acima das demais. A "nomeklatura" que põe na opulência, com recursos de todos, os que dominam o partido e a política. E agridem os que defendem o direito à igualdade para todos patrocinada por ações governamentais acima dos interesses eleitorais. Brasil de Lula-Dilma está longe disso. É a antítese disso. Eles precisam ser os "salvadores da pátria" para a massa ignara. E, mesmo dandolhes acesso à casa grande, os mantém cativos na senzala da ignorância, da incapacidade de progredir por eles mesmos, sem os favores das bolsas escravistas. Vamos ter mais do mesmo em 2014? PAULO SAAB É JORNALISTA

O

E ESCRITOR


DIÁRIO DO COMÉRCIO

4

)KDC7O

A cantora Alaíde Costa, MAIS: João pediu R$ 50 78 anos, queria colocar uma foto dela com João Gilberto em sua biografia Faria Tudo De Novo.

mil de direitos e ela quase caiu da cadeira. "É quase dez vezes o que eu ganho em um único show!"

WALCYR CARRASCO // autor de Amor à Vida, preocupado com os feios do horário eleitoral.

Desafios e conquistas

gibaum@gibaum.com.br

2 “Alguém já viu um político bonito?” Fotos: Mert Alas / Marcus Piggott

Filme triste O início de 2014 não foi nada alegre para o ex-bilionário Eike Batista que, em 2012, era considerado o oitavo homem mais rico do mundo e agora não aparece na lista da Bloomberg dos 300 donos das maiores fortunas do planeta. Eike, contudo, lidera a lista dos que mais perderam dinheiro no ano passado: ficou com US$ 12 bilhões a menos, com a OGX em recuperação judicial. No Natal, Eike não deu presentes para nenhum dos familiares, nem para o pequeno Balder, filho que teve com Flávia Sampaio, hoje ex-namorada dele.

SEM DECOTE Fernanda Lima, a musa da Copa, está passando as festas emendadas com toda a família na Califórnia e dia 13, apresenta em Zurique, na Suíça, a entrega do prêmio Bola de Ouro 2013 da Fifa. Fernanda já prometeu evitar decotes para não criar problemas nas transmissões de países como o Irã, como aconteceu no sorteio das chaves da Copa. Até pode usar vestido de estilista nacional para prestigiar o bloco.

Ela faturou US$ 80 milhões no último ano, perdendo apenas para Madonna, com US$ 125 milhões, segundo o ranking da Forbes. E agora, mesmo com o novo álbum Artpop vendendo menos do que as estimativas, Lady Gaga, transformada em garota-propaganda da Versace, protagoniza a nova campanha da grife, de bolsas e acessórios, fotografada pela dupla Mert Alas-Marcus Piggott, do jeito que ela gosta: com pouca roupa. Os longos cabelos são uma homenagem da cantora a Donatella Versace, a comandante-em-chefe da marca.

Estilo Donatella

Balanço feito no final do ano passado revela que os cargos de confiança, também chamados de cabides, correspondem a mais de 55% de todos os empregos do Poder Legislativo (Câmara e Senado Federal). Dos 15,9 mil servidores ativos na Câmara, 12,4 mil cargos são comissionados sem vínculos e de livre nomeação entre parlamentares. No Senado, são 3,3 mil comissionados para 6,2 mil funcionários. Para comparar: a soma dos cargos comissionados nos 39 ministérios de Dilma equivale a menos da metade dos comissionados da Câmara. Um deputado federal pode contratar até 25 pessoas com a verba de gabinete que chega a R$ 78 mil mensais. Mais: para cada um dos 513 deputados federais existem 30,4 cargos comissionados na Câmara.

Festival do cabide

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, estava na festa do Copacabana Palace, no réveillon, com sua mulher Cristine, quando chegou o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que já defendeu diversos políticos acusados de corrupção, inclusive Waldomiro Diniz (absolvido). Aí, Paes apresenta o advogado para sua mulher: “Amor, esse é o Kakay, um cara bom para gente conhecer, mas não para precisar dele. Espero nunca precisar!”.

“Somos poderosas!”. Era Ivete Sangalo saudando Anitta (as duas à esquerda) no show que fizeram juntas, na praia de Jatiúca, em Maceió: era a generosidade da bispa do axé e a emoção da funkeira em se apresentar ao lado dela. Ivete fazia o segundo show da virada lá e acha que “Alagoas dá sorte”. A direita, Vanessa Giácomo e Daniele Winits, as duas vilãs de Amor à Vida, em outra festa de réveillon animada, no Rio, no Royal Tulip, em São Conrado, o antigo Intercontinental.

Ainda a Virada

A mesma camisa Amigos de Paulo Coelho e sua mulher, Cristina Oiticica, que estão em temporada européia, contam que o casal passou a virada do ano no lago Neuchâtel , na Suíça. Os dois usavam preto e o escritor, por baixo, usava a mesma camisa azul que coloca no réveillon há nada menos do que 40 anos. Já Cristina contou que dormiria com uma camisola dourada. A tradição de usar branco na virada é muito brasileira. Nas grandes festas de réveillon nos Estados Unidos, por exemplo, a maioria usa preto, como em alguns países europeus.

/ IN

Janeiro em Nova York.

OUT

Janeiro no Rio.

Contra o Porta Entidades religiosas católicas e evangélicas estão fazendo grande movimento nas redes sociais contra o especial de Natal do Porta dos Fundos, que resolveu fazer graça com Jesus, Maria e José. Muitos planejam denunciar o grupo ao Ministério Público, argumentando que os humoristas não podem “invadir as comemorações da data máxima da Cristandade” e os mais ortodoxos gritam “Blasfêmia!”.

A âncora do Bom Dia, Brasil, Ana Paula Araújo, que acaba de se apresentar no Projeto Aquarius, foi convidada pelo maestro João Carlos Martins para participar de um concerto em fevereiro, em São Paulo, com a Orquestra Maré do Amanhã, formada por adolescentes do Complexo da Maré. Pouca gente sabe que Ana Paula é formada em piano pelo Conservatório Público estadual de Juiz de Fora, cidade onde nasceu. Queria ser concertista

MISTURA FINA LETÍCIA Birkheuer, três meses depois de anunciar o fim de seu relacionamento com Alexandre Furmanovich (eles tiveram um filho, João Guilherme), já está circulando com novo titular: ele é Rodolfo Kouri, diretor da construtora Graúna, do Paraná. Os dois passaram o réveillon em Trancoso.

A ATRIZ Claudia Jimenez é mais do que guerreira: depois do Natal, implantou um marcapasso e sua recuperação está sendo acompanhada. Não voltará às gravações de Além do Horizonte (transmissões magnéticas no estúdio podem interferir no funcionamento do marcapasso). Em 1999, ela colocou cinco pontes de safena, depois de sofrer um infarto. Em 2012, quatro stents e também substituiu uma válvula aórtica.

/

APRESENTAÇÃO

PIANISTA

PESQUISA da Crowley, especializada em monitoramento do mercado, revela que a música Vidro Fumê, de Bruno e Marrone, foi a mais tocada no Brasil, no ano passado, com 36,9 mil execuções. Em segundo, Te Esperando, de Luan Santana (32,2 mil) e em terceiro, Show das Poderosas, de Anitta (25,5 mil).

B.L. em St. Barth Milionário emergente é outra coisa: Marcos Ribeiro Leite, fundador da processadora de cartões CSU Cardsystem, contratou dois promoters que saíram em campo convidando figuras conhecidas – entre outras, Isis Valverde, Thaila Ayala e Ildi Silva – para passar o réveillon em St. Barth, com tudo pago (passagem, estadia, alimentação e transportes). Ele adora reunir famosos em suas festas. Já contratou até Roberto Carlos para cantar em seu aniversário e pagou R$ 3,5 milhões.

O ex-deputado Roberto Jefferson, que delatou o esquema do mensalão, passou o réveillon com a família, no interior do Rio de Janeiro. E não dirige mais o PTB que tem um colegiado formado por Benito Gama (presidente em exercício), Jovair Arantes (líder na Câmara), Gim Argello (líder no Senado) e Campos Machado, que controla, há anos, a diretoria paulista do partido. Na passagem do ano, Jefferson postou mensagem em seu blog onde afirma “estar certo de que 2014 nos trará novos e grandes desafios, mas também muitas conquistas”.

E o Lula, fala? Vira e mexe, José Maria Marin, que é tratado com descaso pelo governo, pela Fifa e por manifestantes de rua, é ironizado porque não fala uma palavra sequer em inglês, o que seria fundamental na condição de presidente da CBF e mais ainda no ano em que a Copa do Mundo acontece no Brasil. Aos chegados, Marin sacode os ombros: “O que esse pessoal quer? Que eu estude inglês aos 81 anos? O Lula foi presidente e não fala inglês! Nem a Dilma!”. Detalhe: dependendo da situação, a presidente até que sabe se virar em inglês e francês.

O CORRIERE della Sera, o jornal de maior circulação da Itália, acaba de publicar um artigo de página inteira de Diogo Mainardi, escrito em italiano, fazendo um retrato do Brasil. Mainardi mora em Veneza, é de lá que participa do Manhattan Connection e para bem resumir o país, usou frase famosa de Ivan Lessa: “Os brasileiros têm os dois pés no chão... e as duas mãos também!”.

DANILO Gentili, ex-Band, fará um talk-show diário no SBT, entrando no ar perto da meia-noite. E no meio da semana, sai da grade Gabi Quase Proibida, com Marília Gabriela, que não tem audiência, nem faturamento. Contudo, De Frente com Gabi, aos domingos, permanece.

Colaboração:

Paula Rodrigues / Alexandre Favero

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014


DIÁRIO DO COMÉRCIO

Joel Rodrigues/Estadão Conteúdo

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

Sob o pretexto das festas de fim de ano, a presidente volta à tevê para fazer autoelogio e campanha eleitoral. Aécio Neves, pré-candidato à Presidência e senador pelo PSDB-MG

Bruno Alencastro/Agência RBS

O Brasil passa por um momento de descrédito interno e externo enquanto a presidente doura a pílula com um discurso para lá de ufanista. Rubens Bueno, líder do PPS A guerra psicológica pode inibir investimentos e retardar iniciativas. Dilma Rousseff, presidente da República

Haverá tempo de percorrer todo o País. Eduardo Campos, pré-candidato à Presidência pelo PSB, sobre seu desconhecimento em grande parte do Brasil Uma coisa é dizer que libera, outra é empenhar os recursos. Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara em protesto por mais verba federal para municípios Beto NOciti/ Futura Press/ Folhapress

Sei que 2014 será um grande ano para o Brasil, e não só por causa da organização da Copa do Mundo de futebol. O país colherá os frutos que a presidente Dilma semeou. Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente

Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados

Ameaçadas, aéreas juram fazer bonito na Copa. Abear diz que dá conta do recado e pede: nada de empresas estrangeiras operando no País no mundial. s empresas aéreas brasileiras divulgaram nota ontem rebatendo a possibilidade, anunciada em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, de permitir às empresas estrangeiras a operação de voos dentro do País durante a Copa do Mundo. Segundo a ministra, "nós não deixaremos de avaliar todas as possibilidades, inclusive abrir o mercado", disse, acrescentando que a ideia em estudo é "autorizar que elas (as companhias estrangeiras) operem dentro do Brasil". A medida seria uma f o rm a d e c o n t e r u m eventual "aumento abusivo" no preço das passagens durante a Copa do Mundo. "O setor aéreo brasileiro tem mantido diálogo constante com o governo federal", afirma a nota. Para a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), a melhoria das operações aéreas domésticas envolve, não apenas os esforços das companhias, "mas o avanço da infraestrutura aeroportuária e a revisão do sistema de tributação do combustível, 30% mais alto do que em outros países". A associação "ressalta tam-

A

bém que a oferta de voos durante a Copa ainda está em discussão". Em dezembro, as companhias aéreas enviaram à agência reguladora do setor, a Anac, propostas para atender à demanda no período, com

p r evisão de aumento de voos para as cidades-sede. A agência afirmou que pretende atender a todos os pedidos, a depender das limitações dos aeroportos. A decisão sobre o aumento

de voos deve sair este mês e, segundo a nota da Abear, "terá impacto na quantidade e preço das passagens". A associação não informou até a tarde de ontem, se as empresas esperam redução dos preços nem de quanto será essa redução. A expectativa do governo é que a Copa atraia 600 mil estrangeiros e 3 milhões de brasileiros, o que deve afetar preços de passagens e hotéis. (Agências)

O calendário do IPTU Jorge Araújo/Folhapress

om o veto da Justiça ao aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) acima da inflação em 2014 na cidade de São Paulo, a Prefeitura paulista publicou na sexta-feira, 3, as datas de entrega e pagamento dos carnês que vencem neste ano. Segundo o edital divulgado no Diário Oficial da Cidade, os boletos vencem entre os dias 1º e 28 de fevereiro, conforme o cadastro do imóvel, e começam a ser enviados no dia 16 de janeiro. O limite para o recebimento das notificações vai do dia 21 de janeiro ao 17 de fevereiro, de acordo com o cronograma de pagamento de IPTU do imóvel. Quem não receber o talão até essas datas, poderá pedir segunda via em uma subprefeitura ou imprimi-la pela internet. A cobrança do imposto para este ano foi reajustada apenas com a correção da inflação já que uma liminar (a decisão ainda é provisória) do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que, em dezembro suspendeu a lei aprovada na Câmara Municial que prevê uma alta de até 20% para imóveis residenciais e 35% para imóveis comerciais em 2014. Assim, os carnês terão au-

C

Ele não tem o traquejo. Não creio que ele tenha as características necessárias para conduzir o Brasil de maneira a não provocar grandes crises no País. Fernando Henrique, ex-presidente, sobre uma possível candidatura do ministro do STF, Joaquim Barbosa, à Presidência da República

Os deputados ficam na via crucis para tentar alguma raspa de tacho. José Guimarães, líder do PT na Câmara em protesto por mais verba federal para Estados e municípios

Índios estão acuados e relegados à própria sorte diante dos ataques sofridos por moradores. Marília Gurgel, juíza federal, ao determinar proteção aos índios Tenharim

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, bem que tentou impor nova taxa de IPTU mas a sociedade reagiu.

mento de cerca de 5,6%. A Prefeitura perdeu dois recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF), que se negaram a reverter a liminar dos desembargadores paulistas. Após as duas decisões negativas, a Prefeitura anunciou que não fará segunda cobrança de IPTU em 2014, se a ação for julgada em seu favor. O Órgão Especial do Tribunal de Justiça, que decidirá o mérito sobre o aumento do IPTU, só volta a se reunir a partir de fevereiro. A discussão sobre o valor

TJ: ponto final no cartão de Natal. Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Lamentável o oportunismo político do governador de Pernambuco Eduardo Campos em usar momentos de desgraça para tentar se promover. Tudo que foi proposto pelo Ministério da Integração para agilizar socorro nos desastres naturais foi encaminhado. Ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, rebatendo as críticas de Campos sobre socorro às vítimas das chuvas no Espírito Santo.

5

desembargador José Renato Nalini, novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, deu o primeiro passo para o fim da papelada na rotina da Corte. Sexta feira, ele decretou o uso exclusivo da comunicação eletrônica – inclusive para cumprimentos e convites. Até os cartões de Natal e de aniversário estão vetados no papel. "Chega de cartões e envelopes", disse Nalini, que

O

do IPTU em 2014 começou com uma ação civil pública do Ministério Público Estadual (MPE), em novembro, que questiou a forma como a lei que reajusta a Planta Genérica de Valores (PGV) da cidade foi votada. Esse processo não prosperou, depois que o então presidente do Tribunal de Justiça Ivan Sartori negou uma liminar concedida em primeira instância que suspendia a lei. Em 12 de dezembro, 22 dos 25 desembargadores que compõem o Órgão Espe-

considera o Judiciário o "mais antiecológico dos Poderes". Além da economia que a medida propiciará, servidores que se dedicavam a produzir cartões pessoais agora poderão voltar a cuidar da atividade fim do Judiciário, ou, na definição de Nalini, "produzir decisões para resolver os conflitos humanos". O TJ-SP, maior tribunal estadual do País – 55 mil servidores, 360 desembargadores, 2,4 mil juízes de primeiro grau – não tem um levantamento sobre gastos com a impressão de cartões de festas. "Somos pobres nesse tipo de

cial do TJ decidiram a favor dos argumentos d e duas ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) movidas separadamente pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e pelo PSDB. É essa a liminar que travou neste ano o reajuste acima da inflação proposto pela Prefeitura de São Paulo. As entidades alegaram que o processo legislativo foi violado na votação da lei proposta pelo prefeito Fernando Haddad (PT) e que a correção foi abusiva, além da capacidade contributiva da população. Quando as entidades entraram com a Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o aumento, o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Rogério Amato, disse que ela era " um grito da população para todos os governantes" mostrando que não é possível aumentar mais impostos. "É a resposta da sociedade, representada democraticamente pelas entidades." De acordo com Rogério Amato, a ADI movida pela ACSP e por outras 38 entidades não é contra a Prefeitura nem contra o imposto, mas contra um aumento que fere o princípio da capacidade contributiva.

apuração, mas é sempre uma economia", destaca o desembargador, que tomou posse administrativa na Presidência do TJ na última quinta feira. O orçamento da Corte é de R$ 6,8 bilhões para 2014. Desse montante R$ 6,5 bilhões são destinados à folha dos magistrados e dos servidores. Sem contar as gratificações e o impacto das 4 mil nomeações de 2013. "Só posso economizar nas pequenas coisas", observa Nalini. Para dar o exemplo, ele vetou convite escrito para sua posse solene, dia 3 de fevereiro. (Estadão Conteúdo)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

6

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

Vitória sobre os planos de saúde ANS obriga planos de saúde a cobrir 37 drogas contra o câncer. A partir de maio, entra em vigor lei que determina a cobertura total. Victória Brotto

A

senadora do PP falou em "projeto mais importante do mandado" e a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), representante institucional das Seguradoras Especializadas em Saúde, falou em "impacto" para o setor, mas disse, em nota, que este impacto "só poderá ser medido a partir do ano subsequente, com o acompanhamento da execução dos novos procedimentos." Até 2020, o Brasil terá 500 mil novos casos de câncer, segundo artigo da revista especializada Lancet Oncology. Os 70 especialistas que assinam as projeções dizem que, em 2009, foram 366 mil brasileiros diagnosticados com a doença, em quase uma década, o número crescerá 38%. A ANS listou a maioria dos medicamentos usados hoje no País para combater a doença, e cerca de 25% deles foram planejados para ser via oral, sen-

do que 36 substâncias contra o câncer aparecem em forma de comprimidos e podem ser tomados em casa. O tratamento via oral – uma alternativa à quimioterapia – acontece no Brasil há mais de dez anos. Para a assessora jurídica do Onco guia, a advogada Cássia M ontouto ele é visto pelos planos de saúde como "simples comprimidos": "E eles dizem que não são obrigados a bancar comprimidos". A professora Denise Freire Machado, de 32 anos, foi diagnosticada com câncer de mama em 2008 e, depois de ter feito quimioterapia e radioterapia, precisou seguir com tratamen-

to doméstico, a chamada hormonioterapia. Esse tipo de terapia é preventivo e deve ser feito pela maioria das pacientes com câncer de mama após a rádio e a quimioterapia. Mas quando Denise solicitou o remédio ao seu plano de saúde, ele foi negado por que não estavam no "hall dos medicamentos ambulatoriais". O Aromasin não é vendido em farmácias nem é fornecido pelo governo, como alguns outros medicamentos preventivos. Ele só pode ser comprado diretamente do lab o rat ó ri o p o r R$ 314. Denise precisa tomá-lo todos os dias. "Com a dose diária, o frasco dura um mês. Preciso tomá-lo por cinco anos." A professora entrou na Justiça contra o plano pedindo o ressarcimento dos custos com o Aromasin, que chegam

Hugo Lenzi/ Divulgação Projeto De Peito Aberto

Agência Nacional de Saúde (ANS) se adiantou ao determinado pela lei 12.880/13 e passou a incluir no hall de obrigatoriedades, no último dia 02, dos Planos de Saúde, a cobertura de 37 medicamentos orais para tratamento domiciliar em 56 tipos de câncer. Mas, mesmo adiantada, a ANS deixou de lado todos os outros medicamentos que, pela lei federal, deverão ser pagos pelos planos. Estes remédios que ficaram de fora nas novas regras da ANS devem ser incluídos em maio deste ano, quando a determinação entra em vigor. As regras da ANS são atualizadas a cada dois anos. A cobertura de tratamentos domiciliares por parte dos planos é uma demanda antiga de médicos e pacientes por serem mais baratos e terem menos efeitos colaterais. A lei 12.880, por exemplo, ficou dois anos em trâmite no Congresso e integra um conjunto de leis federais que determina, por exemplo, que as operadoras de saúde sejam rápidas na aprovação de tratamentos de câncer, podendo demorar no máximo 21 dias para autorizá-lo. Até agora, segundo a autora da lei, a senadora Ana Amélia (PP- RS), os planos só eram obrigados a arcar com os custos ambulatoriais. Com a lei sancionada, além do chamado tratamento antineoplásico oral – o tratamento domiciliar que funciona como uma quimioterapia – , os planos deverão cobrir procedimentos radioterápicos e de hemoterapia. "Desde que estejam relacionados à continuidade da assistência prestada na internação hospitalar", explicou Amélia. As novas regras da ANS já abarcam esses procedimentos, entre eles, a radioterapia IMRT, em que o feixe de l u z é m o d u l a d o e at i n g e apenas as células doentes, preservando as sadias. Os exames genéticos para detectar doenças hereditárias ou de câncer também serão pagos pelos planos. O Instituto Oncoguia, que auxilia pacientes com câncer no País e que sugeriu o projeto de lei durante audiência pública em 2011 no Senado, alertou para o que chama de "falta de infraestrutura do País" em garantir direitos. A

DE PEITO ABERTO

a mais de R$ 1,2 mil – daqui cinco anos, ela terá gasto mais de R$ 18 mil. Planos e pacientes

M

uitas pacientes com câncer de mama aguardam até dois anos para fazer a cirurgia de extração – cirurgia que, pela lei, deve ser autorizada em no máximo 21 dias. É o que diz Vera Golik, Embaixadora Global do Câncer para o Brasil pela American Cancer Society. Desde 2006 ela sai pelo País com o projeto De Peito Aberto, junto com seu marido Hugo Lenzi, fotografando e ouvindo os relatos de centenas de mulheres, entre 18 e 70 anos, diagnosticadas com câncer no Brasil. "Todas as mulheres que conversamos para o projeto tinham problemas com o plano de saúde. Inclusive com os planos TOP", diz Vera. Segundo ela, as pacientes contam que os planos tentam induzi-las a fazer o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou protelam o pagamento até dois anos. "Eles não falam 'não' direto, eles começam a exigir perícias, avaliações e sempre os resultados são inconclusivos", conta Vera. O que vemos acontecendo é gente contratando advogado, para entrar com liminar e aí o juiz autoriza a cirurgia", conta Hugo. "Não pense que um plano melhor paga rápido e fácil um tratamento de câncer." Segundo o casal, as leis brasileiras e o SUS são bons 'no papel'. "Quais países têm um sistema de saúde público? E ainda mais um país enorme como o Brasil?", indaga Hugo. A questão, para ambos, resvala não só na demora dos planos de saúde e nas brechas que as agências de saúde encontram para burlar a lei, mas no que chamam de "falta de humanização da medicina". "Os médicos são treinados nas universidades para cuidar da doença e não das pessoas, ão enxergam o ser humano", diz Hugo. "Uma das moças que fotografou para nós, que teve a cor dos olhos mudada pelo câncer, ia casar. Sabe o que o médico, o chefe da Oncologia de um grande hospital particular em São Paulo, disse a ela? ‘Filho não serve para nada. Eu tenho três, você pode escolher um.'" De Peito Aberto, além de exposição fotográfica, virou livro, site e tem página nas redes sociais. "Tanto no texto quanto na foto, abordamos quatro momentos na vida de cada uma: o choque diante do diagnóstico, o medo da perda dos símbolos femininos, o apoio familiar e a superação", explica Vera. O projeto chegou até Nova York, em 2011, quando Vera foi convidada pela ONU para expor a situação do câncer de mama no Brasil.

Além do tratamento oral, as operadoras detentoras dos planos de saúde devem cobrir custos ambulatoriais e autorizar o tratamento num prazo máximo de 21 dias. A Resolução 259 da ANS, de 2009, diz que "procedimentos de alta complexidade", como os tratamentos contra o câncer, "devem ser garantidos pelas operadoras de saúde em até 21 dias úteis, assim como o atendimento em regime de internação eletiva." O paciente com câncer, se constatar irregularidade pode ligar para a ANSe e fazer reclamação administrativa. Se comprovada a irregularidade, a operadora será multada e pode ser proibida de comercializar o plano.

Dalva Sandes, para o projeto De Peito Aberto, comemorando sua cura de câncer.

D paciente com câncer pode, segundo prevê a Constituição, retirar o seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o seu PIS/PASEP e requerer carro especial para levá-lo até o hospital. Caso não dirija, pode indicar três condutores. Se a pessoa não conseguir trabalhar devido à doença, ela

O

I

tem o direito de requerer o seu auxílio-doença em qualquer posto da Previdência Social. Também tem direito à aposentadoria por invalidez pelo INSS, desde que seja segurado. Os impostos que, pela lei, a pessoa com câncer está livre de pagar são: IPI, IOF, ICMS e o IPVA. Tanto para pedir o carro especial quan-

R

E

to para a isenção dos tributos o paciente ou o seu representante legal deve ir à Secretaria da Receita Federal de sua cidade com três vias do requerimento de isenção preenchido (disponível no site www.receita.fazenda.gov.br e com o laudo m é d i c o c o m p ro v a n d o a doença e, caso necessário, a deficiência.

I

T

Direitos como quitação de financiamento de imóvel, passe livre interestadual e andamento judicial prioritário também são previstos pela lei. Para o passe livre, o paciente precisa ter alguma deficiência física resultante da doença e comprovar baixa renda. Para prioridade em processos judiciais, bas-

O

S

ta indicar nos autos a sua doença. O Código Civil prevê a prioridade baseado na expectativa de vida e, segundo a assessoria jurídica do A.C.Camargo, "uma pessoa portadora de câncer, pelos princípios da analogia, da equidade e da isonomia, também deve ser contemplada com maior celeridade da Justiça", conforme

explica a assessora do departamento jurídico do A.C. Camargo, a advogada Ana Camila Lima dos Anjos. Para a quitação do imóvel, ele deve ter feito, antes de assinar o contrato, o Seguro Habitacional. Assim que constatada a doença, ele pede ao Seguro a quitação que fará a análise do caso. (VB)


sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

DIÁRIO DO COMÉRCIO

7

O papa Francisco na Terra Santa O papa Francisco anunciou ontem que viajará para Israel, Cisjordânia e Jordânia entre os dias 24 e 26 de maio. Será sua primeira visita à Terra Santa e ocorrerá em meio às novas tentativas dos Estados Unidos de fe-

char um acordo de paz entre Israel e os palestinos. A viagem celebrará o 50º aniversário da reunião entre o papa Paulo VI e o então líder dos cristãos ortodoxos, o patriarca Atengoras, em Jerusalém. (Estadão)

Kerry: um otimista entre os céticos.

Norte-americano vê 'progresso' no Oriente Médio

Sopro polar nos EUA Te m p e r a t u r a s q u e n ã o eram vistas há 20 anos devem alcançar recordes de baixa nos próximos dias nos Estados Unidos, criando condições difíceis para viagens e motivando escolas a fecharem as portas. Pelo menos 140 milhões de pessoas devem sofrer com a chegada do chamado "vórtice polar", que trará temperaturas abaixo de zero ao centrooeste e nordeste do país. "As temperaturas mais baixas em quase duas décadas vão se espalhar para o norte e

centro dos EUA hoje diante de uma frente fria do Ártico", disse o Serviço Nacional de Meteorologia, em um comunicado publicado em seu site ontem. "Combinadas com rajadas de vento, estas temperaturas resultarão em ventos frios com temperaturas de risco de vida tão baixas quanto 60 graus abaixo de zero", declarou, acrescentando que, até quarta-feira, metade do país estará enfrentando temperaturas abaixo de zero. Especialistas alertaram

que, num tempo com essa temperatura tão fria, o congelamento pode ocorrer na pele descoberta em questão de minutos. "É um frio perigoso", advertiu Butch Dye, do Serviço Nacional de Meteorologia. A expectativa é que a temperatura chegue a -35ºC em Minnesota, -31ºC na Dakota do Norte e -26ºC em Illinois. A onda de frio não virá, necessariamente, acompanhada de nevascas, mas o mau tempo de ontem foi responsável pelo cancelamento de

2.700 voos nos EUA. Na manhã de ontem, o aeroporto JFK, o maior de Nova York, ficou fechado por duas horas após um avião a serviço da Delta, vindo de Toronto, derrapar na pista. Não houve feridos. O fechamento do JFK (abaixo) resultou em atrasos de até duas horas em voos ao Brasil, mas nenhum foi cancelado. Em Aspen, no Estado de Colorado, um, acidente com um pequeno avião que pousava deixou ao menos um morto e dois feridos. (Agências) Jason Szenes/EPA/EFE

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou ontem que israelenses e palestinos estão avançando nos diálogos para chegarem à paz na região, embora haja grande ceticismo em relação a um acordo entre as partes. Em discurso antes de voar para a Jordânia e a Arábia Saudita, e no qual detalhou aos jornalistas a 10ª sessão de encontros com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, Kerry assegurou que ambos os lados já têm uma ideia clara dos compromissos a serem adotados para alcançarem um denominador comum no conflito do Oriente Médio. "Foram dias produtivos", disse o secretário após três Brendan Smialowski/Reuters

Justiça com as próprias mãos Um grupo formado por moradores armados tomou a Prefeitura de Parácuaro, no Estado de Michoacán, no oeste do México, no sábado. Durante a semana, prefeituras de outros dois povoados da região, uma das principais áreas produtoras de drogas do país, foram tomadas da mesma forma. As chamadas autodefesas, ou polícias comunitárias, são formadas por grupos de cidadãos que, desde o começo de 2013, passaram a se armar para defender suas cidades da ação do crime organizado, de cartéis de narcotraficantes e até de policiais que não cumprem seu dever. Esse tipo de ação está presente em vários municípios dos Estados de Michoacán (oeste) e Guerrero (sul). Em Michoacán, as polícias comunitárias já controlam dez municípios, o que equivale a 20% do território estadual. Elas se espalharam em uma subregião conhecida como Tierra Caliente, marcada pela pobreza e pela presença do cartel Cavaleiros Templários. Esse grupo controla a produção de maconha, conta com laboratórios que produzem

drogas sintéticas e seus membros praticam crimes como extorsão, sequestro e exploração ilegal de minas de ferro. O cartel acusa as forças de autodefesa de serem financiadas pelo grupo rival, chamado Nova Geração. Em vídeo divulgado em fevereiro passado, o líder José

Manuel Mireles explicou o surgimento da milícia: além das extorsões, os Cavaleiros realizavam assassinatos e violentavam as mulheres. Mireles (acima, de camisa azul) ainda acusou as autoridades locais de proteger as máfias. Acidente - Mireles foi vítima de um acidente aéreo na noite

Jorge Dan Lopez/Reuters - 29/12/13

de sábado. Ele e outras quatro pessoas ficaram feridas após a aeronave fazer um pouso forçado. Uma pessoa morreu. As autoridades dizem ser prematuro considerar que houve uma tentativa de atentado e, a princípio, apontaram uma falha mecânica como a causa do acidente. (Agências)

dias de negociações. "Nossa conversa foi muito positiva, ainda que muito séria, muito intensa", declarou. Segundo ele, assuntos-chave como as fronteiras, a segurança, o destino dos refugiados palestinos e a condição de Jerusalém estiveram todos em pauta. "O caminho está ficando claro e o imbróglio está sendo resolvido aos poucos. Para todo mundo, está ficando evidente as opções restantes a serem tomadas", afirmou Kerry. "Mas não sei dizer quando as últimas peças deste imbróglio irão se encaixar, ou se cairão no chão e deixarão o quebra-cabeças incompleto." Kerry fez uma pausa nas conversas ontem para se encontrar com os reis da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdulaziz al-Saud (acima), e da Jordânia, Abdullah II, com o objetivo de conquistar o apoio árabe para o acordo. Antes das reuniões, Kerry declarou que o acordo será "justo". "Eu posso garantir a todos os lados que o presidente (Barack) Obama e eu estamos comprometidos em levar adiante ideias que são justas e equilibradas e para melhorar a segurança de todas as pessoas", disse. Condições - Em um sinal de que Kerry estaria intensificando a pressão, uma fonte palestina confirmou que o secretário norte-americano pediu a Abbas que reconheça Israel como a terra dos judeus. O presidente da ANP já rejeitou di-

versas vezes essa demanda israelense, alegando que isso comprometeria os direitos dos refugiados palestinos e da minoria árabe em Israel. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu acusou líderes palestinos ontem de "incitar o ódio". "Os palestinos continuam sua campanha de incitar o ódio como temos visto nos últimos dias com sua recusa em reconhecer Israel como o Estado do povo judeu", disse Netanyahu. Já membros linha-dura da coalizão de Netanyahu aumentaram a pressão sobre o primeiro-ministro israelense, ameaçando derrubar o governo se ele ceder às pressões norte-americanas para aceitar as demandas palestinas. Ontem, Israel rejeitou a proposta de Kerry sobre a segurança no Vale do Jordão a p ó s u m eventual acordo de paz com os palestinos. "A segurança deve ficar em nossas m ã o s . Q u a lquer um que proponha uma solução no Vale do Jordão com a ajuda de uma força internacional, a polícia palestina ou meios tecnológicos não compreende realmente a situação no Oriente Médio", disse o ministro de Assuntos de Inteligência israelense, Yuval Steinitz, ontem. O futuro do Vale do Jordão, território na fronteira com a Jordânia ocupado por Israel desde 1967 e considerado por este último parte de sua fronteira estratégica, é um dos temas mais espinhosos que Kerry aborda em suas reuniões com israelenses e palestinos. Kerry acredita ser possível uma solução que, por um lado, devolva a soberania aos palestinos e garanta, ao mesmo tempo, a segurança de Israel, mediante ações militares não visíveis, com avançados dispositivos eletrônicos de vigilância. A presença militar israelense durante algum tempo também é considerada. Os palestinos exigem a total retirada das forças israelenses da região e estariam dispostos a aceitar a participação de forças internacionais como garantia, mas Israel quer permanecer na fronteira para impedir o acesso de extremistas à Cisjordânia. No fim de semana, o ex-chefe do Mossad (serviço de inteligência de Israel) Meir Dagan minimizou a importância das reivindicações israelenses e assegurou, em uma conferência privada em Kfar Saba, que "se trata mais de uma decisão política". (Agências)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

8

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

Em busca de virais, verdade é esquecida. Na competição acirrada por leitores, alguns portais, como BuzzFeed e Huffington Post, estão apagando com cada vez mais frequência os limites entre fato e ficção. Hiroko Masuike/The New York Times

Ravi Somaiya e Leslie Kaufman verdade nunca foi um ingrediente essencial para o conteúdo viral na internet. Entretanto, nessa competição acirrada na busca por leitores, portais jornalísticos estão apagando com cada vez mais frequência os limites entre fato e ficção, e afirmando que tudo isso faz parte dos negócios no mundo complicado do jornalismo online. Revelou-se que muitas histórias recentes que passaram como um relâmpago pela internet, angariando milhões de visualizações, eram falsas ou exageradas: a história narrada pelo Twitter de uma disputa em uma avião no Dia de Ação de Graças, mais tarde descrita pelo autor como um conto; a carta de uma criança para o Papai Noel em que detalhava um link para o site da Amazon com giz de cera, mas que na verdade havia sido escrita por um comediante em 2011; e um ensaio sobre a pobreza que gerou US$ 60 mil em doações, até que o autor revelasse que o texto se baseava em impressões pessoais, ao invés de ser estritamente factual. Os criadores descrevem os textos basicamente como arte performática online, sem a intenção de serem vistos como uma verdade factual. Porém, para os veículos que os publicam, esses textos representam uma série de emoções e de entretenimento concentrado que atrai leitores e propagandas lucrativas. Quando revelam que as histórias são todas falsas, as modestas demonstrações de vergonha que se seguem são acompanhadas pela admissão de que elas são realmente falsas – e pouco mais é feito, desde que os cliques continuem a vir. "Você vê a mídia dizendo que isso apareceu na internet e que a culpa não é deles", afirmou Joshua Benton, diretor do Laboratório de Jornalismo Nieman, em Harvard. "O passo seguinte, que é descobrir se isso realmente aconteceu, cabe a outras pessoas." A diferença parece ser que as empresas que publicaram esses artigos nos últimos tempos – Gawker, BuzzFeed, The Huffington Post e Mashable, entre outros – não acreditam que as histórias virais inventadas sejam tão diferentes do conteúdo sério que publicam ao lado delas. O The Huffington Post faturou um Prêmio Pulitzer em 2012, o Gawker esteve entre um dos primeiros jornais a reportarem o uso de cocaína por parte do prefeito de Toronto, Rob Ford, e o BuzzFeed está montando uma equipe de repórteres investigativos e correspondentes internacio-

A

John Cook, editor-chefe do Gawker: "lidamos com um volume de informações que é incapaz de aceitar os padrões estritos de precisão de outras empresas." nais. Naturalmente, sites co- carta ao Papai Noel e o ensaio mo esses não são os únicos sobre a pobreza. "Se você coveículos midiáticos seduzidos loca na internet alguma coisa por histórias boas demais pa- sem checar a origem, mas é o ra serem verdadeiras. Nas úl- primeiro a fazer isso, você retimas semanas, o venerável cebe milhões e milhões de vi"60 Minutes", da CBS, teve sitas e, mais tarde, caso fique que pedir desculpas por levar provado que tudo não passou a sério demais as afirmações de uma mentira, você contide um agente de segurança nua com essas visitas. Isso é sobre o ataque de 2012 à mis- um problema. Os incentivos são diplomática americana estão todos errados". em Benghazi, Porém, Cook na Líbia. afirma acrediNa verdade, tar que os leitoos editores res são capaQueremos ver uma zes de distindesses jornais reconhecem coisa nova, que nos guir os conteúfra ncame nte dos sérios dos ajude a fugir de que existem tirados da web nossas realidades concessões sem avaliação. MELANIE C. GREEN, PSICÓLOGA que são feitas "Pressupomos SOCIAL DA UNIVERSIDADE DA quando se tenum certo nível ta equilibrar a de sofisticação CAROLINA DO NORTE a u t e n t ic i d a d e e ceticismo por e a ação rápida parte de nosnecessária na era da hiperco- sos leitores", afirmou. nexão. "Lidamos com um voluElan Gale, de 30 anos, prome de informações que é inca- dutor de TV e autor do artigo inpaz de aceitar os padrões estri- ventado sobre a briga no avião, tos de precisão de outras em- afirmou que não está convenpresas", afirmou John Cook, cido disso. Sua história ficcioeditor-chefe do Gawker, que nal no Twitter entre a troca de deu destaque ao ensaio sobre comentários cada vez mais a pobreza escrito por uma mu- hostis entre os passageiros se lher chamada Linda Tirado. espalhou rapidamente – uma "Esse metabolismo mais rá- compilação dos posts de Gale pido deixa pessoas acostuma- recebeu 5,6 milhões de clidas a checarem os fatos em ques. O BuzzFeed percebeu o uma posição desvantajosa", tremor na Web e postou a hisafirmou Ryan Grim, chefe da tória, atraindo quase 1,5 miredação do The Huffington lhão de visitas ao site. (A seção Post em Washington, que re- de viagens do blog do The New postou a série ficcional de twe- York Times também publicou ets no Dia de Ação de Graças, a um link para a história, que de-

signou como imaginária, após descobrir que não era verdadeira.) Por fim, Gale revelou que a conversa toda era falsa e o BuzzFeed postou uma atualização afirmando que a história era mentirosa, ou hoax, na linguagem da internet. "Eu não gosto nem um pouco da palavra hoax", afirmou Gale, que afirmou que ninguém ligou para ele para confirmar a história. "Eu estava enviando mensagens para meus seguidores, que sabem muito bem o que eu faço. As pessoas que divulgaram a história é que estão enganando o público, não eu". BuzzFeed – O BuzzFeed argumenta que Gale atiçou o fogo quando o post passou a ser divulgado, ao invés de desmentir a história, e que um repórter do BuzzFeed tentou contatá-lo via Twitter. O BuzzFeed, assim como alguns outros sites, contou com updates e notícias para corrigir a reportagem anterior sobre a história de Gale. (Somente a correção atraiu mais de 400.000 visitas). Todavia, o site precisa continuar a cobrir a conversa animada das mídias sociais, afirmou Lisa Tozzi, diretora de notícias do BuzzFeed e antiga editora do Times. Isso acontece porque "é lá que os l e i t o re s v i v e m " , a f i rm o u . "Nossos leitores veem todas essas coisas e acredito que haja uma expectativa de que façamos reportagens sobre a cultura em que vivem". Benton, do Laboratório Nie-

man, diz o seguinte: "Isso é um tipo de jornalismo que funciona como um dedo duro – 'Olhe para cá, isso é interessante'". Segundo ele, é improvável que a incerteza sobre a veracidade das histórias impeça os editores de postá-las. "Acredito que o BuzzFeed provavelmente fique um pouco chateado por revelarem seus erros, mas eles não vão começar do dia para a noite a pedir três fontes diferentes", afirmou. Fascinante – Não se sabe até que ponto os leitores se preocupam com o fato de uma história fascinante ser verdadeira ou não, ao menos quando se trata de clicar nela. Melanie C. Green, psicóloga social da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, afirmou que embora as pessoas digam que se importam muito, suas reações emocionais continuam a ser as mesmas em ambos os casos. "É a mesma coisa com filmes e livros", afirmou. "Queremos ver uma coisa nova, que nos ajude a fugir de nossas realidades". A maioria das histórias exageradas tem poucas consequências na vida real, mas não todas. As pessoas doaram US$ 60 mil a Tirado com base em sua descrição vívida de uma vida de pobreza, até que ela parou de aceitar doações (o Gawker também sugeriu que as pessoas parassem de dar dinheiro para ela). Em uma entrevista recente por e-mail, Tirado recomen-

As pessoas que divulgaram a história é que estão enganando o público, não eu ELAN GALE, AUTOR DO ARTIGO INVENTADO SOBRE A BRIGA NO AVIÃO

dou que o repórter procurasse os registros de seus pedidos de assistência pública e afirmou que achava que as pessoas estavam "usando isso como uma oportunidade para evitar conversas sobre essas questões". Ela não manifestou qualquer intenção de devolver o dinheiro. Zach Poitras, comediante do Brooklyn que enviou a carta para o Papai Noel, afirmou que acreditava ter sido injustamente classificado como mentiroso. "Detesto fazer pegadinhas", comentou. Papai Noel – Poitras e seus amigos começaram a ligar para alguns dos sites que exibiam a carta ao Papai Noel tão logo a viram na internet. "A pegadinha real", afirmou, é que alguns sites jornalísticos são extremamente preguiçosos. "Ninguém me ligou. Eles esperaram os fatos virem à tona para corrigirem seus erros", desabafou. The New York Times Reginaldo Pupo/Estadão Conteúdo

.Ó..RBITA

ÔNIBUS É INCENDIADO EM PROTESTO

U

m grupo de moradores protestou e colocou fogo em um ônibus, na madrugada de ontem, na região do Jabaquara, na zona sul de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, o ato ocorreu após uma criança ser atingida por uma bala perdida. Os moradores fecharam vias e apedrejaram o coletivo, que também acabou incendiado. Com isso, policiais da Força

Tática foram encaminhados para o local e tiveram que usar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo. Ninguém foi ferido ou detido. Segundo a polícia, os moradores apontam que a criança foi atingida por um tiro na perna durante um tiroteio envolvendo bandidos e policiais militares. Não foi informado, porém, o detalhes da ação e o estado da criança. (Folhapress)

SAIDEIRA – Os turistas aproveitaram ontem o último dia do feriado

prolongado de fim de ano. Em Ubatuba, as praias ficaram lotadas na parte da manhã. À tarde, foi a vez das estradas ficarem cheias e houve lentidão nas principais rodovias de acesso à Capital.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

9

Cinema na TV Clint Eastwood dirige e é o astro de Rota Suicida (1977). Ele protagoniza um policial íntegro que protege uma testemunha para um julgamento. Nesta segunda (6). TCM. 22h. 14 anos.

CRIATIVIDADE

Está nascendo uma novela Jennifer Schuessler, NYT Michael Nagle/NYT

scritores que trabalham em livros novos costumam reclamar da pressão. Porém, certa noite, o romancista holandês Arnon Grunberg estava sentado a uma mesa atulhada em seu pequeno apartamento novaiorquino, com mais motivos para resmungar do que a maioria. Primeiro, havia a novela que ele estava tentando fazer decolar, obra mais nova em uma série que ultrapassa uma dúzia de livros que o tornaram, aos 42 anos, talvez o romancista mais célebre do seu país e um astro literário na Europa. Mais pressão, no entanto, e ao pé da letra, vinha da espécie de touca de banho com 28 eletrodos plantados em sua cabeça. "Depois de uma meia hora, a cabeça começa a doer", disse Grunberg enquanto um técnico de uma empresa de software holandesa despejava cuidadosamente água sobre um dos eletrodos para melhorar a condutividade. Grunberg passou várias horas por dia escrevendo sua novela, enquanto uma bateria de sensores e câmeras acompanhavam as ondas cerebrais, batimentos cardíacos, resposta galvânica da pele (mensuração elétrica de empolgação emocional) e expressões faciais. No próximo outono do Hemisfério Norte, quando o livro estiver publicado, 50 pessoas na Holanda vão lê-lo em circunstâncias igualmente controladas, com sensores e tudo.

jornal famoso, realiza entrevistas públicas regulares com políticos, cientistas e artistas proeminentes, e chegou a emprestar o nome a uma vinícola (seu primeiro produto: Freud). Ele também pode dar a impressão de estar em outros lugares, graças a artigos para jornais baseados nas experiências com os militares no Afeganistão, com garçons do vagão restaurante em um trem suíço, com massagistas em um resort romeno, com pacientes em uma ala psiquiátrica belga (onde ele disse ter recebido a maioria dos tratamentos) e até mesmo com uma família holandesa comum de férias. Segundo o escritor, o experimento atual brotou do desejo de brincar com as possibilidades sombrias da tecnologia dos livros eletrônicos. Grunberg imaginou que se a Amazon pode rastrear onde o usuário do Kindle para de ler, de que outras formas um autor pode conseguir espionar seu público?

E

TR ANSFORMAÇÃO

ELOS A seguir, os pesquisadores vão destrinchar os dados na esperança de encontrar padrões que possam ajudar a esclarecer os elos entre a forma com que a arte é criada e desfrutada, e possivelmente a natureza da criatividade em si. "Será que os leitores do texto de Arnon vão sentir que compreendem ou personificam as mesmas emoções que ele sentiu enquanto escrevia ou ler é um processo completamente diferente?", indagou Ysbrand van der Werf, pesquisador do Instituto Holandês de Neurociência e do Centro Médico da Universidade VU, Amsterdã, que criou o experimento com Jan van Erp, da Organização Holandesa para Pesquisa Científica Aplica-

Escritor holandês Arnon Grunberg: cabeça coberta de eletrodos para analisar seu processo criativo. da. "Essas são algumas das perguntas que queremos responder." Este experimento está ligado ao campo florescente da neuroestética, que na última década tentou descobrir as bases neurais de nossa experiência de música e arte visual, usando a tecnologia da imagiologia cerebral. Lentamente, um número pequeno, mas crescente de pesquisadores também passou a usar ferramentas similares para examinar a experiência mais evasiva e, quem sabe, mais ameaçada da leitura literária. Recentemente, um estudo publicado em New School for Social

Research demonstrou que os leitores de ficção literária tinham pontuação mais alta em testes de empatia do que os de ficção comercial, uma descoberta saudada com satisfeitos "eu te disse" de muitos leitores e escritores. Grunberg, no entanto, parece ser o primeiro romancista a submeter não apenas sua obra como também o próprio processo criativo a exame científico direto. E ele afirma não ter nenhum outro interesse na ideia de que suas sátiras sombrias e livros cheios de compaixão – incluindo o recentemente traduzido Tirza, elogiado no New York Times Book Review como "nunca menos do que fascinante"

se "não sempre agradável" – sejam mostrados como edificantes social ou moralmente.

PERIGO "Não creio que esse experimento necessite provar que a literatura pode ser boa para você. Às vezes, a literatura pode ser perigosa, se for levada a sério", diz Grunberg. Filho de alemães sobreviventes do Holocausto, Grunberg se tornou uma celebridade na Holanda precisamente por tratar o fato de ser escritor como uma espécie de brincadeira, afirmam seus admiradores. O primeiro romance, Blue Mon-

days, escrito depois que ele largou o ensino médio, fracassou como ator e foi à falência como editor, virou best-seller e ganhou um famoso prêmio holandês como melhor livro de 1994. Seis anos mais tarde, aconteceu um pequeno escândalo depois que ele ganhou o prêmio novamente com The Story of My Baldness, escrito sob o pseudônimo Marek van der Jagt, autor inventado que fez críticas contundentes a Arnon Grunberg. Embora o autor tenha morado a maior parte do tempo em Nova York desde 1995, ele pode parecer onipresente na Holanda, onde escreve uma coluna de 150 palavras para a capa de The Volkskrant, um

Sua editora holandesa, Nijgh & Van Ditmar, o convenceu a participar da experiência. E assim que ele se conectou com os neurocientistas, a transformação de provocador em porquinho-da-índia foi completa. "Eu era só o objeto. É como ter outra pessoa embutida dentro do meu próprio cérebro." Porém, a ciência quantitativa real virá mais tarde, explicou van der Werf, quando os pesquisadores mensurarem o efeito da novela em 50 leitores. Eles pediram a Grunberg para tentar manter cada trecho de texto limitado a uma emoção dominante, e rastrearam onde seu cursor estava em vários pontos de cada sessão de escrita, para combinar suas palavras com os dados psicológicos. Os 50 leitores vão ler a novela em um livro digital, para permitir um acompanhamento similar. Grunberg estimou levar mais cinco meses para finalizar o livro. De acordo com ele, os sensores interferiram menos com o processo criativo do que temia, mas permitiu que o experimento em si terminasse aparecendo no livro, o qual o autor contou que abordaria questões de privacidade e segurança cibernética.

CD

Boca mais Livre do que nunca Aquiles Rique Reis esde 1995, quando gravou Americana, o Boca Livre não lançava um disco com um repertório inédito para suas quatro vozes. Pois eles estão de volta, dessa vez com Amizade (MP,B discos, distribuição da Universal Music). Mais Boca Livre do que nunca, Maurício Maestro, seu arranjador vocal e instrumental, vai fundo em criações sem nenhum ranço de dogmatismo harmônico e, ora com o contrabaixo, ora com o violão, enquanto arredonda o vocal na quarta voz, acrescenta genialidade ao som que cria. David Tygel, seja bem cantando a terceira voz consciente de sua importância no

D

vocal, seja com a viola brasileira, está mais criativo do que sempre. Lourenço Baeta, enquanto mostra plena sabedoria para cantar a segunda voz, acentua com a flauta o molho que dá sabor a muitos dos arranjos concebidos por Mauricio Maestro. E Zé Renato, solista de agudos certeiros, com seu violão tem o dom de ser único e, por isso, brilhar, além de integrar solidariamente o vocal, vendo no todo o seu maior fulgor. Oito as músicas, uma verdadeira aula de como sacar um repertório que permita a um grupo vocal ser virtuoso e contagiante, esbanjando jovialidade. Com solos vo-

cais reduzidos a poucos versos em cada música, o canto impera com enorme afinação. A mixagem reforça os harmônicos vocais. de Acordar ( N ovelli). O contrabaixo inicia. Logo vem a bateria, seguida pelos violões e pelo piano. O canto surge em uníssono. Aos poucos o vocal vai se abrindo. Após cantar a música inteira, vem um intermezzo em uníssono que fica ainda melhor quando abre em quatro vozes

e acentua os acordes junto com a marcação do tempo forte pela bateria. Volta o tema da introdução, c o m e l e s u rg e o cello de Jaques Morelenbaum. O vocal retoma o protagonismo. As v o z e s s e s o b r ep õ e m , o i n s t r umental volta e, com o cello, todos ralentando, vão ao final. Rio Amazonas (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro) tem introdução de percussão, violão e bateria. O canto vem

em uníssono. Logo o arranjo abre o vocal. Maurício Maestro sola alguns versos. O vocal retoma. A melodia em uníssono tem coro também em uníssono a acompanhá-la. A melodia ganha vocal, o coro se mantém uníssono. Flautas e baixo improvisam. Segue o voc a l . O c l i m a é i n t e n s o. . . M e u Deus! Paixão e Fé (Tavinho Moura e Fernando Brant) é um golaço. A versão do Boca para o sucesso gravado por Milton Nascimento no disco Clube da Esquina 2 é de arrepiar: um sino toca. O acordeom de João Carlos Coutinho inicia. O violão ponteia. O baixo puxa a melodia

em uníssono. Agora seja o que Deus quiser. O arranjo cresce. O vocal aberto é intercalado por terças e uníssonos. Os tambores marcam. A guitarra de Jr. Tostoi cria efeitos mágicos. O acordeom segue sempre enriquecendo a tudo. A voz aguda de Zé Renato chega num breve solo, seguem-se as quatro vozes... Épicas! Não se ouve o Boca Livre impunemente, há que se deixar contagiar por sua jovialidade. O que resta é uma vontade enorme de seguir ouvindo tudo outra vez.

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

10

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

Quando o mundo fica ainda menor "This world is tiny" é o título da série de miniaturas humorísticas que trazem uma visão sarcástica sobre a vida cotidiana. Na série, artistas reproduzem cenas do cotidiano em esculturas miniaturizadas colocadas em vidros transparentes. Para ver mais peças da série, acesse o blog.

.C..RIATIVIDADE

www.thisworldistiny.blogspot.pt

Caminhão feito de gelo

.F..UTEBOL

O adeus a um mito

Para mostrar como suas baterias funcionam no frio, a empresa Canadian Tire criou um caminhão todo de gelo. O veículo, totalmente funcional em locais de clima frio, foi montado pela empresa Iceculture. goo.gl/F4fbXS

.V..ÍDEO

Schumi não estava em alta velocidade Um vídeo com imagens do acidente de Michael Schumacher gravado por um esquiador com um smartphone mostraria que o ex-piloto de Fórmula 1 não estava em grande velocidade quando caiu fora das pistas demarcadas na estação de Méribel, nos Alpes franceses. A informação foi publicada pela revista Der Spiegel, segundo a qual, além do vídeo captado pela câmera que Schumacher levava

incorporada ao capacete, havia estas imagens gravadas por um turista alemão no momento da queda. A revista relata que o autor das imagens entrou em contato com sua redação na sexta-feira e explicou que o esquiador acidentado era Schumacher, que estava em uma "velocidade moderada", de "no máximo 20 km/h". O promotor de Albertville, Patrick Quincy, já solicitou uma cópia do vídeo.

Daniel Karmann/EFE

.E..SQUI

José Sena Goulao/EFE

Antonio Cotrim/EFE

usébio, o grande craque do futebol português, morreu na madrugada do domingo em Portugal. Ele tinha 71 anos e teve uma parada cardiorrespiratória por volta das 4 horas, horário local, em sua casa em Lisboa. Em homenagem ao craque, o presidente Aníbal Cavaco Silva fez um pronunciamento à nação ontem. Ele lamentou a perda do ex-jogador e decretou luto oficial por três dias. Nascido em 1942, na colônia África Oriental Portuguesa, na região hoje conhecida como Moçambique, Eusébio surgiu para o futebol no Sporting Lourenço Marques. Em 1960, chegou ao Benfica, onde atuou por mais de 600 vezes, se tornando o grande nome da história do clube e ídolo maior do futebol português. Apelidado de "Pantera Negra", ele se aproximou da marca de um gol por jogo durante a carreira, encerrada aos 38 anos, num périplo por clube menores nos EUA, México, Canadá e Portugal, entre 1975 e 1980, recusando-se a parar apesar das seguidas operações no joelho esquerdo. Pela então fraca seleção portuguesa, Eusébio só teve chance de disputar uma Copa do Mundo, em 1966. Na Copa da Inglaterra, comandou um time histórico, que eliminou o então bicampeão mundial

E

No alto, fãs colocam flores em estátua de Eusébio em Lisboa. Ao lado, abraço em Pelé em 2002.

Brasil e chegou até o terceiro lugar, melhor posição já conquistada por Portugal num Mundial. Ele foi o artilheiro da competição, com nove gols. Com a camisa do Benfica, conquistou 11 títulos do Campeonato Português e levou o clube a ser campeão europeu

em 1962, porém, não conseguiu ganhar o Mundial, ao perder para o Santos de Pelé. Nos últimos tempos, Eusébio vinha sofrendo com a saúde debilitada. No ano passado, foi internado algumas vezes por causa de problemas respiratórios e cardíacos.

Mesmo assim, mantinha o papel de embaixador do futebol português, acompanhando a seleção do país nas principais competições, e foi símbolo para a geração de Portugal que hoje faz sucesso sob o comando do astro Cristiano Ronaldo. (Estadão Conteúdo)

.M..ÚSICA

s

O pequeno gigante da canção se despede

O esquiador norueguês Anders Bardal salta durante a prova de classificação para a etapa final do torneio Four Hills, na localidade de Bischofshofen, na Áustria. Apesar do salto belíssimo, o atleta não conseguiu a classificação.

Kátia Lombardi/Folhapress

.E..SPAÇO

EFE

Índia lança foguete de alta tecnologia A Índia lançou ontem com sucesso um foguete de propulsão criogênica. O foguete, de 415 toneladas, decolou da base de Sriharikota, em Andhra Pradesh, com o objetivo de colocar em órbita um satélite de comunicação. Os motores criogênicos funcionam com hidrogênio e oxigênio líquidos a temperaturas extremamente baixas. A tecnologia permite fazer a propulsão de satélites mais pesados. Rússia, França, Japão, China e agora a Índia são os únicos países a deter essa tecnologia.

cantor Nelson Ned morreu na manhã de ontem, aos 66 anos, devido a complicações de um quadro de pneumonia que o levou a ser inter-

O

nado no Hospital Regional de Cotia. O corpo do cantor foi velado ontem no cemitério Horto da Paz em Itapecerica da Serra, e cremado.

Nelson Ned foi internado com um quadro de infecção respiratória aguda, pneumonia e problemas na bexiga. Desde o último dia 24 de dezembro, Ned estava registrado na casa de repouso Recanto São Camilo, na Granja Viana, onde recebia diariamente a visita da irmã e do cunhado. Foi na casa de repouso que a ambulância o socorreu, rumo ao hospital. Carreira - Nelson Ned nasceu em Ubá, em Minas Gerais, em 2 de março de 1947. Nos anos 60, iniciou carreira e gravou discos que repercutiram em toda a América Latina. Seu maior sucesso é a canção Tudo Passar á, de 1969, que teve mais de 40 regravações. Em 1996, Ned lançou a biografia O Pequeno Gigante da Canção, referência à sua condição de anão. O artista sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2003. Como consequência, perdeu a visão de um olho e

precisou se locomover com a ajuda de cadeira de rodas. Ele também sofria de diabetes, hipertensão arterial e mal de Alzheimer em fase inicial. A morte do cantor repercutiu em países como Colômbia, Venezuela e México. Entre os inúmeros fãs que Ned teve na América Latina, um deles ocupa lugar especial: o escritor colombiano Gabriel García Márquez, vencedor do Nobel de Literatura. A TV venezuelana Globovisión, por exemplo, destacou em seu site que Ned foi o primeiro latino-americano a vender um milhão de discos nos Estados Unidos. O jornal venezuelano El Mundo, disse que Nelson Ned "se consagrou na década de 1960 como uma das vozes românticas mais famosas do Brasil". O mexicano El Universal, lembrou que uma decepção amorosa levou Ned a escrever canções. (Folhapress)


CAIXA 1 O seu consultor financeiro

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

11

É hora de desenhar o próprio mapa do tesouro Começo de ano é oportunidade para começar um novo orçamento, rever o existente e fazer planos. Veja as dicas de autor de um romance sobre finanças.

Rejane Tamoto Divulgação

om os pais atolados em dívidas, o garoto Lucas, de 14 anos, quase viu sua família perder o apartamento. O amigo da escola, Vini, acreditava que seus sonhos só seriam concretizados se ele tivesse muito dinheiro. Curiosos, os dois meninos, personagens do livro Sociedade da Fortuna (Editora Mais Ativos), conduzem o leitor para uma jornada rumo à educação financeira. Como em um j ogo cheio de mistérios, os dois jovens são desafiados a cumprir provas, nas quais aprendem a fazer um orçamento, organizar as contas e sair das dívidas. Por meio das experiências de outros personagens da narrativa, Lucas e Vini adquirem consciência sobre os conceitos de finanças e os colocam em prática. O autor do livro, Fabio Araujo, analista do Banco Central (BC) e educador financeiro, conta que queria escrever esse livro – lançado oficialmente em dezembro – desde quando tinha 17 anos. O resultado foi um romance juvenil, voltado para adolescentes que estão cursando o ensino médio. "Mas pode ser lido por qualquer pessoa que se interesse por finanças pessoais", afirma. Aos 35 anos, Araujo utilizou sua experiência no mundo dos cálculos para escrever o livro: trabalhou em banco, gestora de recursos, hoje trabalha no BC e ministra cursos de educação financeira. Na sua trajetória, também estudou psicologia econômica. Entre os especialistas que referendaram o livro de Araujo estão a psicóloga econômica Vera Rita de Mello Ferreira e o matemático José Dutra Vieira Sobrinho. Na entrevista a seguir, o especialista fala sobre o que é mais importante no campo das finanças pessoais e dá dicas para começar bem 2014.

C

DC – É difícil ensinar as pessoas a ter disciplina para fazer o orçamento, no qual é preciso anotar todas as despesas e receitas. No livro, você consegue destrinchar bem essa atividade e com certa leveza. Qual é o segredo? Fabio Araujo – Já dei aulas de finanças pessoais e percebi que, quando peço para o aluno fazer o próprio orçamento ele trava e se sente invadido. Ao elaborar um orçamento com o nome de outra família – que tenha uma realidade parecida com a do aluno – ele rompe a barreira com o tema, se solta e aprende a usar esse conceito de finanças pessoais para outra pessoa. Aprendi que um dos princípios é não dar um conselho direto.

DC – Que técnica o leitor pode utilizar para fazer um orçamento sem sofrimento? FA – Fazer orçamento é chato e trabalhoso, mas minha dica é começar fazendo um plano de ação de 30 dias, já que é um prazo determinado, com começo, meio e fim. Nesse período, a pessoa só vai anotar todos os gastos. A anotação pode ter como base os extratos bancários e faturas pagas, mas é a parte mais chata mesmo. É o momento em que só se coleta dados. A segunda parte é mais interessante, quando a pessoa classifica esses gastos e faz a análise. Nesta etapa, ela faz escolhas e pensa no que precisa, no que deseja e no que desperdiça. É o momento de parar para pensar se usa tudo o que consome. O ideal é fazer dois ciclos de 30 dias. Porque dá para ver o resultado dos esforços no segundo orçamento. Nem chamo de orçamento e sim de mapa, porque ajuda a tomar decisões práticas. É o mapa que conduz à realização de um sonho e de um objetivo. Por isso que, no livro, ele é o mapa do tesouro dos meninos.

Para o especialista em finanças pessoais Fabio Araujo, famílias devem dedicar mais tempo para organizar os gastos em 2014.

DC – Que conselho financeiro você pode dar para as famílias em 2014? FA – Será um ano atípico e de solavancos, com Copa do Mundo e eleições. Na minha opinião, as famílias não devem se preocupar tanto com o cenário macroeconômico e sim com o seu dia a dia, com o emprego, os estudos e a organização da casa e da família. Esse tipo de preocupação tem um impacto financeiro maior para a pessoa do que uma pequena mudança na taxa de juros ou de câmbio – assuntos sobre os quais elas não têm nenhum controle e, por isso, são de difícil leitura. DC – Por 2014 ser um ano de solavancos, é ainda mais importante ter uma reserva financeira? FA – Independentemente de como anda a economia, a reserva financeira é importante porque ajuda a pessoa a dormir tranquila caso ocorra uma emergência. Serve como um amortecedor. Formar uma reserva financeira de emergência seria um desafio interessante em 2014 para aqueles que estão endividados ou que não têm poupança.

segundo ponto é conhecer as característica de outros produtos existentes. Essas duas informações podem ajudar a fazer a melhor alocação. A ideia do livro é derrubar os mitos e mostrar que finanças e investimentos não são bichos de sete cabeças. Por mais que a gerente do banco fale palavrões como "alocação" e "liquidez", as pessoas precisam aprender a lidar com eles no dia a dia.

DC – Falando em poupança, como evitar a confusão entre poupar e investir? FA – No Brasil o principal produto é a poupança. E muita gente que coloca o dinheiro na caderneta acha que está fazendo investimento. O fato é que a poupança é a porta de entrada no mundo dos investimentos e não vejo problema no fato de um endividado conseguir se organizar e guardar dinheiro na caderneta. Não tem problema. Só é necessário entender as características da poupança e de outros produtos de investimento para tomar a melhor decisão. Depois de conhecer os próprios objetivos de investimento, o

DC – Um conselho que você dá para quem já tem investimentos é fazer o rebalanceamento da carteira. Por que isso é importante? FA – É um conceito interessante, mas difícil de colocar em prática. É o momento em que a pessoa revê a carteira e seus objetivos. Por exemplo, se um investidor tem 70% do dinheiro em renda fixa e 30% em ações, ele deve parar para ver como a carteira está andando. Às vezes a bolsa subiu e caiu e ele acabou chegando ao fim de um ano com 90% em renda fixa e 10% em ações. Se quiser manter o objetivo, deve vender renda fixa e comprar ações. É o conceito de comprar na baixa e vender na

alta. De tempos em tempos ele vende o que subiu mais e compra o que subiu menos. E de maneira passiva coloca esse conceito em prática, sem fazer uma análise aprofundada do mercado financeiro e sem precisar ser um especialista em análise de ações para fazer uma boa alocação na bolsa. O investimento no mercado de ações é de longo prazo e as empresas precisam de tempo para maturar, além de dependerem do cenário econômico para lucrar. A pessoa que coloca em prática esse conceito de rebalanceamento da carteira pode perder menos tempo pensando nisso e dedicar mais tempo para a carreira e à profissão. DC – A verdade é que dinheiro dá trabalho e é preciso cuidar dele. Mas, como você diz no livro, ele não é tudo, certo? FA – O dinheiro impacta nossa vida mas ele não é a nossa vida. Vale muito a pena dedicar um tempo para entendê-lo e administrá-lo. O dinheiro é uma ferramenta importante, que merece ser entendida e domada. Mais importante que dinheiro é ter carreira, família e amigos.

Estreia hoje o novo Ibovespa ntra em vigor hoje a nova carteira teórica do Ibovespa – o principal índice do mercado de ações. A novidade foi a inclusão das ações ordinárias da Tractebel, com peso de 0,647% e a exclusão das ações ordinárias da MMX. A nova carteira teve, ainda, a inclusão das ações ordinárias da BB Seguridade, EcoRodovias, Estácio, Even e Qualicorp. Foram excluídas B2W ON, Cteep PN, OI ON, Usiminas ON e Vanguarda ON, totalizando 72 ativos. As ações preferenciais da Petrobras aparecem como as de maior peso no Ibovespa, com participação de 8,147%, à frente dos papéis PNA da Vale, com 8,005%. Depois, vem Itaú Unibanco PN na terceira colocação entre os papéis

E

com maior peso na carteira, com 6,889%, seguida por Bradesco PN, com 5,305%, Petrobras ON, com peso de 3,995%, Vale ON, com 3,816% e Ambev ON, com 3,793%. Analistas destacam que este rebalanceamento do Ibovespa é particularmente importante porque traz algumas regras da nova metodologia. As mudanças serão implantadas escalonadas em duas etapas. Apenas a partir de maio de 2014, informa a Bolsa, a ponderação do Ibovespa será realizada exclusivamente com base na nova metodologia. As principais alterações na metodologia são: forma de ponderação, que passará a ser realizada pelo free float com cap de liquidez (IN) de 2 vezes; e

cálculo de índice de negociabilidade (IN), que passará a considerar 1/3 da participação no número de negócios e 2/3 da participação de volume financeiro. Também haverá mudanças nos critérios de inclusão e exclusão da carteira, bem como nos critérios de inclusão e permanência na carteira em caso de suspensão da negociação do ativo. A nova metodologia contará também com a introdução de limite de participação por empresa. Entre outras mudanças, a nova metodologia do Ibovespa prevê já para janeiro que as ações classificadas como penny stocks (que valem menos de R$ 1), no período de validade da carteira anterior ao rebalanceamento, não entram no índice. (AE)


12 -.ECONOMIA

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

13

Novo ano com poucas mudanças à vista na economia Apesar de fatores importantes como Copa e eleições, economia deve repetir, em 2014, desempenho regular que teve no ano passado. Rejane Aguiar Patrícia Cruz/LUZ

Leonardo Rodrigues/Digna Imagem

ão anda, mas também não desanda. A ex p re s s ã o re p resenta bem a perspectiva da maior parte dos analistas para a economia brasileira em 2014. Este ano deve ser quase uma cópia de 2013, com crescimento baixo, inflação ainda alta e deterioração das contas externas. É um cenário decepcionante em relação às expectativas que se tinha nos últimos anos em relação ao ano em que o Brasil sedia a Copa do Mundo – esperava-se uma economia pujante, cheia de oportunidades para vários tipos de empreendimento. Não vai ser assim. Nem mesmo o ano eleitoral deve impulsionar os investimentos do governo e a reativação da atividade. Os resultados das políticas macroeconômicas adotadas de dois anos para cá (em especial, a redução mais agressiva da taxa básica de juros sem que as condições permitissem, a persistente política de desonerações tributárias para incentivar o consumo e a desastrada “contabilidade criativa” na s contas públicas) deixaram o governo “amarrado”. A equipe econômica teme, afirmam os economistas, que o Brasil tenha a nota de crédito rebaixada pelas agências de classificação de risco, o que causaria prejuízos. Assim, o Ministério da Fazenda teria pouco espaço para manobras. “O ano de 2014 será de continuidade, talvez com um pouco mais de volatilidade dos mercados. Tenho a impressão de que o governo vai se dedicar à administração mais rígida das contas públicas e ao combate à inflação como forma de assegurar a estabilidade macroeconômica”, afirma o economista da Associação C o m e rc i a l d e S ã o Pa u l o (ACSP) Emilio Alfieri. “Na s condições atuais, o crescimento do Produto Interno Bruto dificilmente passa de 2%, 2,5% ao ano e, se passar disso, gerará desequilíbrios macroeconômicos”, destaca o sócio da Tendências Consultoria Maílson da Nóbrega. Maílson tem uma avaliação que vai além do economês. Segundo ele, apesar de a situação não ser das melhores, o Brasil não desanda (desandar, para ele, equivaleria a uma transformação em países como a Argentina e a Venezuela, que têm políticas econômicas bastante heterodoxas) por um motivo muito simples: a consistência de instituições como o Judiciário e a imprensa. “Podemos, felizmente, dizer que o País tem hoje instituições democráticas sólidas, o que inibe a perpetuação de políticas econômicas populistas. Além disso, a sociedade brasileira já se mostrou intolerante à inflação, o que é uma ótima notícia. Inflação agora destrói popularidade. Diferentemente do que acontecia no passado, os governantes agora pensam muitas vezes antes de tomar medidas que possam ameaçar a estabilidade dos preços. Hoje o Executivo tem limites, precisa lidar com um conjunto de instituições que impedem ações prejudiciais à economia do País”, pondera “Não existe razão para ser pessimista considerando a mudança da mentalidade da sociedade brasileira nos últimos 30 anos”, diz o ex-ministro da Fazenda. Esse novo desenho social, no entanto, não acaba com os problemas econômicos brasileiros, evidentemente. Um

N

Na avaliação de Alfieri (à esq.), da ACSP, foco de preocupação em 2014 está nas contas externas. Mailson destaca consolidação das instituições.

dos mais graves, em curto e médio prazos, é a piora contínua das contas externas, destacada por Alfieri. “As contas externas precisam parar de piorar. O ideal é que o déficit externo fique em torno de 2% do PIB, mas já estamos em 3,6%. É bom lembrar que, na crise cambial de 1997/1998, esse percentual era de 4%. É claro que hoje o governo pode contar com reservas cambiais muito maiores, mas não pode descuidar da área externa”,

diz Alfieri. Analistas viram na decisão do governo de elevar de 0,38% para 6,38% o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para as transações com cartões pré-pagos e de débito no exterior, anunciada na última semana de 2013, um sinal de preocupação com as contas externas (embora seu efeito sobre o balanço de pagamentos seja marginal). Um problema bem maior está na balança comercial, que teve no ano passado o menor su-

perávit em 13 anos, com as importações batendo recorde. Alfieri observa que a situação do Ministério da Fazenda neste ano é desconfortável. “Eles terão que fazer ajustes na economia em um ano eleitoral, o que eleva os riscos desse trabalho. Por outro lado, não podem deixar todos os ajustes para 2015, sob pena de repetir o que ocorreu no período 1997/1998: o governo Fernando Henrique preferiu deixar acertos necessários para depois e acabou encarando uma crise gigante em 1999”, afirma, referindo-se à crise que culminou com o fim, em janeiro de 1999, do regime de câmbio fixo adotado desde o início do Plano Real. Para Mailson, as mudanças hoje necessárias passam por melhora das condições para o

crescimento da indústria. “O problema do Brasil é de oferta e não de demanda, como acredita o governo. Não adianta insistir em políticas de incentivo ao consumo. A questão é muito mais complexa. A indústria tem problemas porque, nos últimos anos, sofreu com aumento de salários acima da produtividade – sob pressão da maior procura do setor de serviços por trabalhadores –, logística deficiente e excesso de tributos e burocracia.” O governo tenta reconquistar a confiança do mercado e do setor produtivo (leia nesta página), mas vai ter muito trabalho pela frente. Se as mudanças necessárias para garantir a retomada do crescimento com inflação controlada não forem feitas em 2014, de 2015 não devem passar.

Gesto para "acalmar os nervosinhos"

Ueslei Marcelino/Reuters

Ministro da Fazenda antecipou divulgação de superávit maior que a meta em 2013: foram R$ 75 bilhões de economia para pagamento de juros da dívida, em vez de R$ 73 bilhões da meta. Mas resultado foi alcançado com receitas extraordinárias.

governo federal abriu o ano de 2014 com um gesto político forte com o objetivo de "acalmar os nervosinhos" do mercado financeiro. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou na última sextafeira que a meta fiscal de 2013 de R$ 73 bilhões, foi cumprida pelo governo central (que consiste no Tesouro Nacional, do Banco Central e da Previdência). Mantega antecipou o anúncio, que normalmente ocorre no fim do mês, para "baixar a ansiedade" do mercado. "Como havia analistas dizendo que a meta não seria cumprida, não seria bom sustentar essa expectativa negativa até o fim do mês, então antecipamos para acalmar os nervosinhos", disse. O superávit primário – o nome dado à economia que o

O

governo faz para pagar os juros da dívida pública – de 2013 será detalhado dentro de três semanas, mas Mantega antecipou que "chegou a cerca de R$ 75 bilhões". Esse volume foi atingido sem manobras contábeis, segundo Mantega, diferentemente do expediente adotado com as contas no ano anterior, que tantos problemas causou à imagem do governo Dilma Rousseff frente aos mercados. Diante da falta de credibilidade da política fiscal e dos riscos colocados para 2014, que envolvem o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pelas agências internacionais de rating, o anúncio de Mantega ganhou contornos políticos. No intuito de mostrar apenas o lado bom da notícia, o ministro da Fazenda se esquivou de

questionamentos a respeito do curto prazo, isto é, quanto à meta fiscal de 2014, que costuma ser definida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aprovada pelo Congresso em junho do ano anterior. Dinheiro extra – O mercado vê com ceticismo a promessa de aperto fiscal no ano eleitoral, especialmente porque a meta de 2013 foi cumprida com forte ingresso de receitas extraordinárias – nada menos que R$ 35 bilhões, aproximadamente, entraram nos cofres federais somente em novembro e dezembro de forma atípica. O governo contou com o pagamento de R$ 15 bilhões pela Petrobrás e suas sócias no consórcio que arrematou o leilão do bloco de pré-sal no campo de Libra (SP), e outros R$ 20 bilhões, pelo menos, foram pagos por empresas e bancos por meio de programas especiais de parcelamento de débitos tributários atrasados. Em novembro, mesmo contra posicionamento da Receita Federal, o governo abriu três "Refis" – programas que concedem grandes descontos para as empresas

com débitos com o Fisco que pagarem à vista ou via parcelada. Despesas – Sem indicar qual será o esforço fiscal para 2014, que somente será definido em fevereiro quando o governo anunciar o decreto de execução orçamentária, Mantega voltou a repetir o mesmo compromisso feito pelo governo em 2012 e também em 2013: que as despesas com segurodesemprego e abono salarial devem ser reduzidas. "Estamos em trajetória positiva da economia brasileira, com a recuperação dos investimentos e com o início das concessões de infraestrutura. Teremos um 2014 melhor do que foi 2013, que foi um ano razoável, e muito melhor do que foi 2012", disse Mantega, destacando o fato de que, junto de uma atividade econômica mais aquecida, vem uma arrecadação maior da Receita. "Apesar das diversas desonerações fiscais que fizemos nos últimos três anos, a arrecadação está melhorando, e tende a aumentar ainda mais a partir de agora", disse. (EC)


14 -.ECONOMIA/LEGAIS

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

Vendas de veículos chegam a 3,76 milhões em 2013

Ernesto Rodrigues/EC

Em 2014, comercialização de caminhões pode subir até 6,4%. s vendas de veículos novos no Brasil, que incluem carros, comerciais leves, ônibus e caminhões, foram de 3,767 milhões de unidades no ano de 2013. O resultado mostra vendas aquecidas no setor e foi ligeiramente inferior ao total de veículos vendidos no ano de 2012 – a queda foi de 0,91%. Os dados são da representante das concessionárias, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Em dezembro somente, as vendas recuaram 1,51% sobre igual mês de 2012. Em rel a ç ã o a n o v e m b ro , h o u v e avanço de 16,81%, a 353,86 mil unidades. O resultado do ano de 2013 veio abaixo das estimativas da entidade, que começou prevendo um crescimento de 3,48% para as vendas gerais de veículos, abaixo do avanço de 4,65% mostrado no ano anterior. Fatores como a elevação dos juros e diminuição das

A

Movimento nas lojas: o desconto do IPI ajudou, mas aumento dos juros no País prejudicou negócios. expectativas para o aumento do PIB fizeram a Fenabrave ajustar a previsão de alta anual para 1,53% em agosto. Para 2014, a Fenabrave prevê que a venda de carros e comerciais leves fique estável ou caia 3,5%, caso o ambiente seja de maior volatilidade no câmbio e na inflação. Já para o desempenho dos caminhões em 2014, a expectativa da Fenabrave é de um aumento de 2% num cenário mais negativo, ou avanço de 6,4% num cenário mais positivo. Mesmo com a prorrogação do desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até o fim de dezembro dando apelo extra ao consumo nos últimos meses do ano, o segmento de carros e comerciais leves, isoladamente, viu as v e n d a s c a í re m 1 , 6 1 % e m 2013, a 3,575 milhões de unidades. Por outro lado, a comercialização de caminhões e ônibus novos ajudou a diminuir a queda no resultado geral. En-

quanto as vendas de caminhões subiram 13,02% em 2013, a 155,7 mil unidades, as de ônibus cresceram 20,58%, somando 35,6 mil unidades. Montadoras – A Fiat encerrou o ano na liderança do mercado de carros e comerciais leves. No acumulado de 2013, foram 762,95 mil veículos vendidos pela montadora italiana, apontou a Fenabrave, correspondentes a uma fatia de 21,34% do mercado. A Volkswagen apareceu atrás, com participação de 18,64% e vendas de 666,7 mil unidades. Em terceiro lugar, ficou a norte-americana General Motors, com fatia de 18,17%, e 649,73 mil veículos vendidos. A Ford terminou o ano com participação de 9,37% e vendas de 335,02 mil unidades. A empresa foi seguida pela Renault, com fatia de 6,61% e 236,34 mil licenciamentos, e pela Hyundai, com 5,95% do mercado e vendas de 212,9 mil unidades.

Demissões – O diretor de Assuntos Institucionais da General Motors (GM), Luiz Moan, informou que a empresa desligou 1.053 trabalhadores da área de montagem e de manuseio da sua unidade fabril de São José dos Campos (SP). As demissões ocorreram na virada do ano e irritaram o governo federal. Na sexta-feira, Luiz Moan teve encontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em São Paulo. Perguntado se a GM não teria assinado uma cláusula de manutenção do emprego no âmbito do acordo que reduziu o IPI dos automóveis, Moan disse que sim e que não só o cumpriu como aumentou em 10 mil o total de trabalhadores da empresa. "A redução do IPI ocorreu em maio de 2012 e desde lá aumentamos o número de trabalhadores de 145 mil para 155 mil. Não só cumprimos o acordo como elevamos o total de trabalhadores", disse o diretor da GM. (Agências)


ECONOMIA/LEGAIS - 15

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

No programa de concessões, o grande trunfo do governo foi o sucesso dos leilões rodoviários.

Leilões: a vez das ferrovias e portos. Questões levantadas por investidores e pelo TCU, que travaram as concessões, estão afastadas, no caso das ferrovias e a caminho de solução, no caso dos portos. Fabio Motta/Estadão Conteúdo

Renato Carbonari Ibelli g o v e rn o f e d e r a l conseguiu encaminhar em 2013 parte dos leilões de infraestrutura previstos. As concessões de rodovias e aeroportos avançaram bem. Já aquelas de ferrovias e portos tiveram suas modelagens questionadas por in vestidores e pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e somente serão iniciadas neste ano. Os leilões fazem parte do Programa de Investimento em Logística (PIL), medida anunciada pela presidente Dilma Rousseff em 2012 com o objetivo de sanar os gargalos logísticos do País. O PIL exigirá investimentos de mais de R$ 200 bilhões. Desse total, R$ 91 bilhões serão alocados na construção de 10 mil quilômetros de linhas férreas. A modernização e ampliação do modal ferroviário são fundamentais para o desenvolvimento do País. O trem é o transporte mais adequado para deslocar cargas de grande volume e baixo valor agregado, caso dos grãos, categoria de produto que tem sustentado o crescimento da economia brasileira. O problema é que a malha ferroviária brasileira parou no tempo – 90% dela têm mais de 100 anos – e não acompanhou o desenvolvimento dos novos pólos econômicos do País, como a região Centro-oeste, que se destaca justamente pela produção de grãos. Um dos novos trechos de ferrovias considerados prioritários atravessa o estado do Mato Grosso, partindo do município de Lucas do Rio Verde e chegando a Campinorte, em Goiás. De lá é prevista a interligação com a Ferrovia NorteSul, o que facilitaria o escoamento da produção de grãos pelo tradicional porto de Santos, por exemplo. O trecho Lucas do Rio Verde/Campinorte deveria ter ido a leilão no ano passado. Seria o primeiro do modal ferroviário. Mas o TCU contestou o projeto do governo, apontando que poderia ser executado a um custo menor do que os R$ 6,3 bilhões previstos. O Tribunal também questionou o mo-

91

O

bilhões de reais serão alocados na construção de 10 mil quilômetros de linhas férreas, no Programa de Investimento em Logística (PIL).

Problema maior da malha ferroviária brasileira é ter parado no tempo e não ter acompanhado o desenvolvimento de novos pólos econômicos delo de concessão das ferrovias, que prevê que a estatal Valec compre dos concessionários toda a capacidade de carga, para então revender a terceiros. O TCU alegou que esta modelagem faria o governo assumir grandes riscos caso a demanda fosse menor do que a prevista. Entretanto, no final de dezembro, o tribunal acabou aprovando este modelo. Naquela altura, porém, era tarde para fazer as correções no projeto do primeiro trecho de ferrovias que iria a leilão. Como resultado, os leilões de ferrovias ficaram para este ano. O governo planeja fazer o primeiro em março. Além do trajeto entre Lucas do Rio Verde e Campinorte, são previstos para este ano a concessão do trecho entre Estrela D'Oeste (SP) e Dourados (MS), além do trecho entre Porto Nacional (TO), Anápolis (GO), Ouro Verde (GO) e Estrela D’Oeste. Portos – O TCU também interferiu nos leilões de portos públicos no ano passado. O governo até conseguiu aprovar a Lei dos Portos, que esta-

ANACONDA INDUSTRIAL E AGRÍCOLA DE CEREAIS S/A torna público que requereu na CETESB a Renovação de Licença de Operação para moagem de trigo e fabricação de derivados, sito à Avenida Venceslau de Queiros, nº 45 – Jaguaré, São Paulo/SP – CEP 05323-904 Abandono de Emprego - Conforme artigo 482 letra I da CLT, convocamos o Sr. Elvio Wilson Oliveira Silva, portador da CTPS nº 0066802 série 00218/SP, a retornar ao trabalho no prazo de 3 dias. Caso não compareça, será caracterizado Abandono de Emprego. (YOKI ALIMENTOS LTDA).

PREFEITURA MUNICIPAL DE PEREIRA BARRETO/SP

Tomada de Preço nº 009/2013 - Processo nº 4375/2013 RERRATIFICAÇÃO AO EDITAL A Prefeitura de Pereira Barreto-SP, leva ao conhecimento de quem possa interessar, que o Processo supra epigrafado sofreu a seguinte rerratificação: a) Fica redesignada para as 14h00min do dia 13 de janeiro de 2013 a Sessão Pública do Pregão em epígrafe; b) Demais cláusulas e condições permanecem inalteradas. Pereira Barreto-SP, 03 de janeiro de 2013. Arnaldo Shigueyuki Enomoto - Prefeito. BTG Pactual Scflor & São Lourenço Holding S.A. CNPJ/MF n.º 17.831.412/0001-76 – NIRE 35.300.451.422 Ata da AGE, Realizada em 22 de Novembro de 2013 Data, Horário e Local: 22/11/2013, às 10hs, na sede da BTG Pactual SCFlor & São Lourenço Holding S.A. (“Cia.”), na Av. Brigadeiro Faria Lima, n.º 3477, 14°, parte, Itaim Bibi, em SP/SP. Presença: Acionistas representando a totalidade do capital social da Cia.. Composição da Mesa: Bruno Duque Horta Nogueira - Presidente Bruno Alexandre Licarião Rocha - Secretário Convocação: Dispensada, tendo em vista a presença da totalidade dos acionistas, nos termos do § 4º do art. 124 da Lei n.º 6.404/76, conforme alterada (“Lei n.º6.404/76”). Ordem do Dia: (i) aprovar o aumento de capital da Cia.. Deliberações (tomadas por unanimidade de votos): 1. Os acionistas aprovaram o aumento de capital social da Cia., que passa dos atuais R$50.500,00 para R$10.430.450,06, um aumento, portanto, no montante de R$10.379.950,06, mediante a emissão de 103.799.500 novas ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal, a um preço total de emissão de R$103.799.500,62, calculado com base no inciso II do § 1º do art. 170 da Lei n.º 6.404/76, dos quais 10.379.950,06 serão destinados à conta de capital social da Cia. e R$ 93.419.550,56 serão destinados à conta de reserva de capital da Cia., na forma do artigo 182, parágrafo 1º, alínea “a”, da Lei n.º 6.404/76. 1.1. A totalidade das 103.799.500 novas ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal serão totalmente subscritas e integralizadas pelo acionista BTG Pactual Investimentos Florestais S.A., sociedade por ações com sede na Av. Brigadeiro Faria Lima, nº 3477, 14º, parte, Itaim Bibi, CEP 04538-133, inscrita no CNPJ/MF sob nº 17.831.443/0001-27, neste ato representado por Bruno Duque Horta Nogueira, cédula de identidade n° M8036395 SSP/MG e CPF n° 284.954.908-89 e Bruno Alexandre Licarião Rocha, cédula de identidade n°33400679 SSP/SP e CPF n° 278.107.688-08. 1.2. Em decorrência da deliberação 5ª acima, o Art 4º do estatuto social da Cia. passa a vigorar com a seguinte redação: “Art 4º - O capital social da Sociedade, totalmente subscrito e integralizado, é de R$10.430.450,06, dividido em 103.850.000 ações ordinárias, todas nominativas e sem valor nominal.” São Paulo, 22/11/2013. Bruno Duque Horta Nogueira - Presidente; Bruno Alexandre Licarião Rocha - Secretário. Jucesp nº 482.137/13-7 em 19/12/2013. Gisela S. Ceschin-Secretária Geral.

beleceu um novo marco regulatório para o setor. Entre outros pontos, a lei prevê que ganhará a concessão dos terminais à empresa que oferecer a menor tarifa e garantir

a maior movimentação. Entretanto, as obras dos novos cinco portos privados que seriam construídos (Manaus (AM), Porto Sul (Bahia), Águas Profundas (ES), Ilhéus (BA) e Imbi-

Orion S.A.

Eleições Sindicais – Edital de Convocação. Pelo presente Edital de Convocação, o Sindicato dos Trabalhadores, Empregados, Instrutores, Diretores em Auto Escola, Centro de Formação de Condutores A e B e Empregados em Despachante e em Empresas de Transporte Escolar do Município de São Paulo – SINTRADETE, faz saber a todos os associados (as) em gozo de seus direitos sociais que no dia 29/01/2014, no período das 09:00 horas às 17:00 horas, na sede da entidade Rua Tabatinguera, 221, Liberdade, São Paulo – Capital, serão realizadas as Eleições para composição da Diretoria, Conselho Fiscal, Delegado Federativo e os respectivos suplentes do Sindicato dos Trabalhadores, Empregados, Instrutores, Diretores em Auto Escola, Centro de Formação de Condutores A e B e Empregados em Despachante e em Empresas de Transporte Escolar do Município de São Paulo – SINTRADETE, ficando aberto o prazo de 5 dias para registro de chapas, que ocorrerá a partir da publicação deste Edital, afixado na sede do Sindicato. O requerimento do registro de chapas será dirigido ao Presidente do Sindicato, podendo ser assinado por qualquer um dos candidatos(as) da respectiva chapa. O protocolo do registro das chapas, será feito na sede do Sindicato no período destinado ao registro de chapas, no horário de 09:00 horas às 17:00 horas, onde estará à disposição dos interessados(as) pessoa habilitada para atendimento, prestação de informações, fornecimento do correspondente requerimento de inscrição das chapas, bem como para recebimento de documentação e fornecimento de recibo. A impugnação de candidaturas deverá ser feita no prazo de 4 dias, a contar da data de fixação da Ata de Registro de chapas. São Paulo, 03/01/2014. Valdir José Lima – Presidente.

CNPJ/MF nº 61.082.863/0001-40 Requerimento para Renovação de Licença de Operação Orion S.A. torna público que requereu na CETESB a Renovação de Licença de Operação para fabricação de artefatos de borracha para uso pessoal, não especificado e fabricação de artefatos de borracha para uso diverso, à Rod. Pres. Dutra, Km 135,1 - Eugênio de Melo - São José dos Campos - SP.

PREFEITURA MUNICIPAL DE BIRIGUI

EDITAL Nº 004/2014 – PREGÃO PRESENCIAL Nº 174/2.013 OBJETO:- Registro de preços para aquisição de tubos e conexões para extensão e manutenção da rede de água realizados pelo Depto. de ampliação, manutenção de rede de água e esgoto pelo período de 12 meses - Secretaria de Serviços Públicos, Água e Esgoto. Data da Abertura-: 17/01/2.014, às 13:30 horas. Melhores informações poderão ser obtidas junto a Seção de Licitações na Rua Santos Dumont nº 28, Centro, ou pelo telefone (018) 36436126. O Edital poderá ser lido naquela Seção e retirado gratuitamente no site www.birigui.sp.gov.br, Pedro Felício Estrada Bernabé, Prefeito Municipal, Birigui, 03/01/2014.

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA Pregão Eletrônico de Registro de Preços Nº 36/01405/13/05 OBJETO: AQUISIÇÃO FILMADORA DIGITAL – FL-01 A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para: AQUISIÇÃO FILMADORA DIGITAL – FL-01. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital a partir de 06/01/2014, no endereço eletrônico www.bec.sp.gov.br ou na sede da FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP, de segunda a sextafeira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, ou verificar o edital na íntegra, através da Internet no endereço: http://www.fde.sp.gov.br. A sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada no endereço eletrônico www.bec.sp.gov.br, no dia 20/01/2014, às 10:00 horas, e será conduzida pelo pregoeiro com o auxílio da equipe de apoio, designados nos autos do processo em epígrafe e indicados no sistema pela autoridade competente. Todas as propostas deverão obedecer, rigorosamente, ao estabelecido no edital e seus anexos e serão encaminhadas, por meio eletrônico, após o registro dos interessados em participar do certame e o credenciamento de seus representantes previamente cadastrados. A data do início do prazo para envio da proposta eletrônica será de 06/01/2014, até o momento anterior ao início da sessão pública. BARJAS NEGRI - Presidente

PREFEITURA MUNICIPAL DE PEREIRA BARRETO/SP Processo nº /2014 - Pregão Presencial nº 001/2014 RESUMO DE EDITAL ARNALDO SHIGUEYUKI ENOMOTO, Prefeito de Pereira Barreto - SP, faz saber que se acha aberto até as 14h30min do dia 16 de Janeiro de 2014, o Pregão nº 001/2014, do tipo menor preço global, objetivando a contratação de empresa especializada para operacionalização do evento denominado “CARNAPRAIA”, com fornecimento de toda a estrutura, equipamentos, materiais, mão de obra e outros, tudo conforme especificações contidas no Anexo I – Termo de Referência, que faz parte integrante do Edital. Maiores informações no Dep. de Licitações pelo fone/fax (18) 3704-8505, pelo email licitacao@pereirabarreto.sp.gov.br, ou ainda o Edital completo no website www.pereirabarreto.sp.gov.br. Pereira Barreto - SP, 03 de Janeiro de 2014. Arnaldo Shigueyuki Enomoto - Prefeito

tuba (SC) não foram autorizados. Também não foram relicitados os 159 terminais que têm a concessão vencida ou para vencer. Mais uma vez o TCU desta-

cou problemas no modelo proposto pelo governo. Messe caso, o tribunal condicionou a liberação dos primeiros leilões de terminais portuários – seriam 29 terminais nos portos de Santos e do Pará – à adoção de 19 “medidas saneadoras” que corrigiriam imperfeições nos estudos apresentados pelo governo. Com as condicionantes, os leilões de terminais portuários, que prevêem investimentos da ordem de R$ 54 bilhões até 2017, só devem ser iniciados neste ano. O governo federal deve encaminhar ao TCU pedido de revisão de algumas das exigências na tentativa de acelerar as concessões do setor. Rodovias – O grande trunfo do governo foi o sucesso dos leilões rodoviários. Embora apenas cinco trechos, dos nove previstos, tenham sido concedidos no ano passado, os leilões realizados foram considerados positivos principalmente pelos deságios nas tarifas iniciais dos pedágios. O último leilão de rodovias de 2013, do trecho da BR-040 que passa por Brasília, Goiás e Minas Gerais, o deságio foi de 61,13% Dos quatro trechos que não foram a leilão em 2013, provavelmente apenas um será concedido em 2014: o da BR153, que liga Goiás a Tocantins. Os outros três trechos (BR-101 (BA), BR-262 (ES-MG) e BR-116 (MG) não são considerados atrativos pela iniciativa privada e devem ser duplicados com recursos públicos.

PREFEITURA MUNICIPAL DE CASTILHO/SP

PROCESSO LICITATÓRIO Nº 100/13 - PREGÃO Nº 58/13 Objeto: Aquisição de pneus. Edital de Rerratificação. 1 – O critério de julgamento estabelecido no preâmbulo do edital, passa a ser: “do tipo menor preço, por lote”. 2 – Fica alterada a dimensão do pneumático no item 5 do lote 01 do Anexo I – Termo de Referência e na cláusula 1.1 da minuta do contrato, passando a ser: “215/75R17,5”. 3 - O prazo estabelecido no preâmbulo do edital, relativo à realização do certame, passa a ser às 09 horas do dia 16 de janeiro de 2014. 4 – As demais cláusulas e condições permanecem inalteradas. Joni Marcos Buzachero – Prefeito. A Debitar (04.01.14)

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE ANDRADINA

EXTRATO DO 5° ADITAMENTO CONTRATUAL. PROCESSO Nº 50/12 CONCORRÊNCIA Nº 03/12. Objeto: Contratação de empresa especializada para execução de obras de reforma e ampliação da E.M.E.F. Anna Maria Marinho Nunes. CONTRATANTE: Prefeitura do Município de Andradina. Contratado: CGPM ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. Fica ajustado entre as partes que o contrato em vigor será aditado no valor de R$ 318.681,25 (Trezentos e dezoito mil seiscentos e oitenta e um reais e vinte e cinco centavos). As demais cláusulas e condições dos contratos supra permanecem inalteradas. Data: 02 de janeiro de 2014. JAMIL AKIO ONO - Prefeito.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE ANDRADINA AVISO DE ABERTURA DE LICITAÇÃO. Processo nº 03/14 - Chamada Pública nº 01/14. OBJETO: Credenciamento de fornecedores para aquisição de gêneros alimentícios da Agricultura Familiar e do Empreendedor Familiar Rural, para atendimento ao Programa Nacional de Alimentação Escolar/ PNAE. VENCIMENTO: 10(dez) horas, do dia 21 de janeiro de 2014. RETIRADA DA PASTA: O Edital completo será fornecido aos interessados, na forma impressa ou por meio eletrônico através de solicitação a ser formalizada no endereço licita.andradina@hotmail.com, sem custo algum. Informações: Prefeitura - Rua Dr. Orensy Rodrigues da Silva n°341, Centro, fone/fax (18) 3702-1029, de 2ª a 6ª, das 08h30 às 16:30h. Andradina, 03 de janeiro de 2014. JAMIL AKIO ONO - Prefeito. BTG Pactual Investimentos Florestais S.A. CNPJ/MF Nº 17.831.443/0001-27 – NIRE 35.300.451.414 Ata de AGE realizada em 22 de Novembro de 2013 Data, Hora e Local: Aos 22/11/2013, às 11hs, na sede social da Cia., em SP/SP, na Av. Brigadeiro Faria Lima, nº 3.477, 14°, parte, Itaim Bibi. Presenças: Presente a totalidade dos acionistas da Cia., conforme assinaturas constantes do Livro de Presença de Acionistas. Convocação: Dispensada a convocação nos termos do artigo 124, § 4º, da Lei nº. 6.404/76 (“Lei das S.A.”), em decorrência da presença dos acionistas representando a totalidade do capital social da Cia.. Mesa: Presidente - Sr. Bruno Duque Horta Nogueira; Secretária - Sr. Bruno Alexandre Licarião Rocha. Deliberações tomadas por unanimidade: Após exame e discussão das matérias, as acionistas decidiram: (i) aprovar o aumento do capital social da Cia., passando de R$6.537,36 para R$ 19.280.021,04, um aumento, portanto, de R$ 19.273.483,68, mediante a emissão de 1 novas ação ordinária, nominativa e sem valor nominal, a um preço total de emissão de R$ 192.734.836,82, calculado com base no inciso II do parágrafo 1º do artigo 170 da Lei nº 6.404/76, dos quais R$ 19.273.483,68 serão destinados à conta de capital social da Cia. e R$ 173.461.353,14 serão destinados à conta de reserva de capital da Cia., na forma do artigo 182, parágrafo 1º, alínea “a” da Lei nº 6.404/76; (ii) A nova ação ordinária, nominativa e sem valor nominal serão totalmente subscritas e integralizadas pelo BTG Equity Investments LLC, sociedade constituída de acordo com as leis do Estado de Delaware, Estados Unidos da América, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 10.559.857/0001-08, representada por seus procuradores, Bruno Alexandre Licarião Rocha, RG nº 33400679 SSP/SP, CPF/MF sob nº 278.107.688-08 e Bruno Duque Horta Nogueira, RG nº M8036395 SSP/ MG, CPF/MF sob nº 284.954.908-89. Fica desde já claro e estabelecido que a subscrição e integralização de novas ações da Cia. ocorre com o devido consentimento dos acionistas The Timber Group LLC e Gerrity Livingston Lansing Jr., que não exercerão seu direito de preferência para subscrição de ações da Cia.. Em decorrência da deliberação (i) acima, o Art. 5º do Estatuto Social da Cia. passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 5º - O capital social é R$ 19.280.021,04 divididos em 10.000.001 de ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal.” Encerramento, Lavratura, Aprovação e Assinatura da Ata: Nada mais havendo a tratar, foram os trabalhos suspensos para lavratura desta ata. Reabertos os trabalhos, foi a presente ata lida e aprovada, tendo sido assinada por todos os presentes. São Paulo, 22/11/2013. (a.a.) Mesa: Bruno Duque Horta Nogueira - Presidente; Bruno Alexandre Licarião - Secretária. Acionistas: BTG Equity Investments LLC, The Timber Group LLC e Gerrity Livingston Lansing Jr. São Paulo, 22/11/2013. Mesa: Bruno Alexandre Licarião Rocha - Secretário. Jucesp nº 482.138/13-0 em 19/12/2013. Gisela Simiema Ceschin-Secretária Geral.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

16

sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

Responsabilidade de corrigir eventuais falhas nas transações, como saques ou compras não reconhecidas, é de quem fornecer o cartão.

A EXPECTATIVA É DE CRESCIMENTO NO USO DESSE TIPO DE CARTÃO, MAS O VAREJO NÃO TEM A OBRIGAÇÃO DE RECEBÊ-LO

Comerciantes devem se preparar para receber cartão pré-pago o m a publicação pelo Banco Central, no início de novembro, da regulamentação de pagamentos por cartão pré-pago e por telefone celular, a expectativa é que os brasileiros passem a adotar cada vez mais esses novos meios de pagamentos, principalmente os “não bancarizados”, que representam cerca de 50 milhões de pessoas, conforme dados do Banco Central. As administradoras de cartões, as instituições financeiras e não financeiras já estão ofertando os cartões pré-pagos aos consumidores, que funcionam como o de débito, isto é, as compras não podem ser parceladas e o cartão não possui limite máximo de recarga, tampouco data de validade. Entretanto, o consumidor precisará ter disponível o dinheiro, uma vez que o plástico é carregado por meio de boleto bancário. A vantagem para o consumidor é o controle dos gastos. Já os fornecedores têm a garantia do recebimento, uma vez que os valores são transferidos automaticamente de uma conta para a outra.

Já é possível dividir valor da compra em até 15 cartões

C

Crescimento Conforme o Grupo Setorial de Pré-Pagos (GSPP), que reúne as empresas não financeiras que atuam no segmento de cartão prépago, o uso dessa nova modalidade de plástico alcançará a cifra de R$ 117 bilhões em 2017, aumento considerável em relação aos R$ 84,6 bilhões transacionados em 2012. A explicação para esse crescimento, dada por Antonio Jorge de Castro Bueno, presidente do GSPP, é “a segu-

rança na preservação dos dados do usuário, que certamente fará com que os pré-pagos tenham um peso cada vez maior no faturamento, principalmente do comércio eletrônico”. Como funciona Os cartões pré-pagos podem ser abertos (open loop), ou seja, aceitos em vários estabelecimentos, ou fechados (closed loop), quando só podem ser usados em determinada rede, como os gift cards. “No s dois casos, eles recebem uma quantidade de dinheiro que pode ser usada em compras na internet ou no mundo real. No caso do cartão de uso em uma só rede, há a vantagem adicional de que cada cartão pode ser usado em uma compra, eliminando o armazenamento e o hackeamento de dados”, explica o GSPP.

Não tinha fileira 13 no avião da Gol Gol Linhas Aéreas foi condenada pelo 4º Juizado Especial Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro a pagar R$ 5 mil, a título de danos morais, a cada um dos dois passageiros que compraram bilhetes de viagem para assentos que não existiam na aeronave. A empresa pode recorrer. Os autores da ação informaram que, ao embarcarem não encontraram a fila, de número 13, conforme informado no cartão de embarque. A empresa se defendeu imputando a responsabilidade do erro a funcionários terceirizados, mas não conseguiu explicar por que a fileira de assentos pulava do número 12 para o 14. Na audiência, a Justiça tentou a conciliação das partes, mas não houve acordo. Fonte: Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ)

A

s novidades quando o assunto é o uso de plástico como meio de pagamento não se restringem aos cartões prépagos. No ano passado foi lançado o “rache aqui”, “startup que viabiliza uma ideia pioneira em todo o mundo: dividir o valor das compras em até 15 cartões de crédito”. A intenção da iniciativa, segundo Lucas de Faria, administrador de empresas, é facilitar as compras de itens de maior valor e a organização financeira de quem tem mais de um cartão de crédito. “Para as empresas de ecommerce, a ferramenta significa maior potencial, tanto de volume de vendas quanto do ticket médio por operação”, ressalta Faria. A solução é especialmente atraente para as compras em família ou de bens de maior valor. "É o caso da compra de um presente de casamento ou um bem para uso em conjunto, como uma geladeira. Com a “rache aqui!” é possível fechar a compra online e dividir o valor total entre os cartões de cada um", explica Faria. "A divisão dos valores não precisa ser igual e quem quiser pode optar por parcelar sua parte da compra, mesmo que os demais não escolham isso", diz. Em uso desde julho em sites de e-commerce, a solução também atende aqueles que têm ganhos variáveis ou recebem seus rendimentos em dois momentos do mês e querem aproveitar os diferentes vencimentos de faturas. Além disso, a ferramenta aumenta os ganhos das lojas de ecommerce, uma vez que muitos clientes acabam não fechando a compra de itens de alto valor por falta de limite no cartão.

A

Aceitação Para quem está do lado de dentro do balcão, conhecer todas as regras de como funcionam esses novos meios de pagamentos é fundamental inclusive para evitar conflitos. De acordo com o Procon-SP, “apesar de em alguns casos não ser necessário possuir conta corrente para adquirir um cartão pré-pago, isso não elimina a responsabilidade de quem o fornecer corrigir as falhas nas transações, como de saques ou compras não reconhecidas”. Embora haja uma grande expectativa de crescimento dos cartões pré-pagos pelas administradoras, cabe ao varejo decidir se aceitará ou não essa nova modalidade de pagamento. Isso porque, quem decide de que forma quer receber de seus clientes (dinheiro, cheque, cartões ou celular)

é quem vende. A única determinação do Código de Defesa do Consumidor, conforme o inciso IX do artigo 39, é que o comerciante não pode “recusar a venda de bens ou a prestação de serviços a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento”, ou seja, em moeda. Se a opção do fornecedor for só dinheiro, o consumidor não tem direito de reclamar nem mesmo nos órgãos de defesa do consumidor, mas diante de tantas novidades no mercado é indispensável que a empresa informe seus clientes por meio de plac a s e m s e u e s t a b e l e c imento quais as formas de pagamento aceitáveis ali. As empresas devem também observar com atenção a questão da segurança em razão de fraudes, informando-se bem

FIQUE POR DENTRO RANKING m 18 de janeiro entra em vigor a Lei Estadual nº 15.248, que obriga as empresas que estão no Cadastro de Reclamações Fundamentadas do Procon-SP a divulgar essa informação nos estabelecimentos comerciais e na internet, em locais de fácil visualização. A norma depende de regulamentação, que definirá o padrão, os dizeres, forma, localização e tamanho de divulgação das informações. A empresa que descumprir a obrigação está sujeita à fiscalização do Procon e multa.

E

TROCO s órgãos de defesa do consumidor do Rio de Janeiro alertam que é ilegal dar troco em balas ou arredondar o preço para cima quando o varejo (de todo o país) não tem troco. O uso desse expediente é considerado prática abusiva e que fere o Artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor. A obrigação do comerciante é devolver o troco em dinheiro e arredondar a diferença para baixo. A multa para quem for enquadrado vai de R$ 400 a R$ 7 milhões.

O

ESTACIONAMENTO s shopping centers, supermercados, aeroportos, rodoviárias e hospitais podem ficar proibidos de cobrar tarifa de estacionamento em alguns casos. A medida, conforme informa a Agência Câmara, está prevista no Projeto de Lei 5130/13, do deputado Marcio Bittar (PSDB-AC), que limita a gratuidade a três horas de estacionamento. Pela proposta, os clientes que apresentarem nota fiscal de compra no shopping no dia do estacionamento ficarão livres da tarifa. Já nas rodoviárias e nos aeroportos, o benefício será garantido àqueles que apresentarem cartão de embarque ou desembarque referente ao mesmo dia. Os estacionamentos de hospitais serão gratuitos para aqueles que comprovarem consulta, exame ou visita a enfermo. Após as três horas gratuitas, os estabelecimentos poderão cobrar normalmente pelo uso do estacionamento.

O

Angela Crespo é jornalista especializada em consumo; e-mail: doislados@dcomercio.com.br

sobre as formas de comprovação do pagamento e sobre como as informações serão armazenadas para que, caso haja problemas com consumidores que questionarem a cobrança, possam ter provas. Isso porque, 33% dos brasileiros já foram vítimas de fraudes em cartões de crédito, débito e pré-pagos nos últimos cinco anos, conforme pesquisa realizada no ano passad o p e l a AC I Wo r l d w i d e , empresa que produz sistemas de prevenção a fraudes bancárias. Conforme o estudo, o Brasil ocupa a sétima posição no ranking da empresa, que lista 17 nações. Considerando somente os cartões de crédito, o Brasil chega à quinta posição, uma vez que 30% dos consumidores informaram terem sido vítimas de fraude.

O QUE DIZ O CDC Artigo 39 É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: (Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994) I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos; II - recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida de suas disponibilidades de estoque, e, ainda, de conformidade com os usos e costumes; III - enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou fornecer qualquer serviço; IV - prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços; V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva; VI - executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização

expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as partes; VII - repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo consumidor no exercício de seus direitos; VIII - colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro); IX - recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento, ressalvados os casos de intermediação regulados em leis especiais; (Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994) X - elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços. (Incluído pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994)

Diário do Comércio  

Ano 90 - Nº 24.034 - Sábado, domingo e segunda-feira, 4, 5 e 6 de janeiro de 2014

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you