DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira, 3 de setembro de 2013
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Balé do Uruguai
d
cultura
O Ballet Nacional de Sodre se apresenta no Auditório Ibirapuera. Parque do Ibirapuera. Portão 2. Tel.: 3629-1075. Sexta (6) e sábado (7). 21h. R$ 20. Livre.
Celebração da Nouvelle Vague O
Olimpo da Nouvelle Vague era a revista Cahiers Du Cinema. Nela, escreviam Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol, Eric Rohmer e Agnès Varda. A Europa encarava, então, as décadas de 1950-60, ainda marcada pela Segunda Guerra Mundial. Enquanto na Itália o cinema havia produzido obras-primas cuja essência fluía do neo-realismo (Humberto D (1951) e Ladrões de Bicicletas (1948), de Vittorio de Sica, são belos exemplos), o cinema francês, fascinado pelo poder narrativo de mestres como De Sica, militava em outro patamar. O gurus da Nouvelle Vague propunham filmes intelectualizados, de teor literário-filosófico, em contraposição ao sensorialismo italiano. Enquanto De Sica comovia ao flagrar dramas cotidianos do povo, Godard mergulhava em indagações sobre o alcan-
ce de certas teorias sócio-políticas. Enfim, aqueles jovens cinéfilos e críticos do C a hi er s queriam restabelecer o conceito de cinema de autor que vigorara nos anos de 1930. O marco inaugural da Nou vel le Vague é o filme Nas Garras do Vício (Le Beau Serge/1958), de Claude Chabrol. Na sequência, surgiram ícones como O Acossado (A Bout de Souffle/1959) e Alphaville (1965), de Godard, e Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups/1959) e Jules Et Jim (1962), de Truffaut. No MIS É esse clima que o Museu da Imagem e do Som pretende reviver a partir de hoje na Mostra Nouvelle Vague, que vai até domingo (8). Ficará evidente que o que marcou aquele momento cultural foi propor a Nouvelle Vague não como uma escola, mas como um movimento que usava o cinema para falar dele mesmo. O elemento psicológico dos personagens se sobre-
punha, muitas vezes, à lógica das cenas (nisto Godard era expert). A Nouvelle Vague produziu admiradores até em Hollywood. Cineastas como Robert Altman, Francis For Coppola, Brian de Palma, Martins Scorsese e George Lucas lhe renderam justo tributo. Na programação da mostra, está prevista a exibição de clássicos como Trinta Anos Essa Noite (1963), de Louis Malle; Minha Noite Com Ela (1969), de Eric Rohmer; Paris nos Pertence (1961), de Jacques Rivette; Uma Mulher É uma Mulher (1961), de Jean-Luc Godard; O Ano Passado em Marienbad (1961), de Alain Resnais; e Beijos Proibidos (1968), de François Truffaut. Nesta terça (3), o destaque é Os Incompreendidos, de Truffaut. Sessão às 18h30. 14 anos.
MIS - Avenida Europa, 158. Tel.: 2117-4777. R$ 6.
O Incompreendidos, de Truffaut.
Semana de encontros e reencontros André Domingues Folhapress uivo DC
Fotos: Arq
Jards
N Pixinguinha e Louis Armstrong: encontro histórico.
O
Com a merecida reverência
disco Mundo de Pixinguinha, que o bandolinista brasiliense Hamilton de Holanda lança neste domingo, é um daqueles feitos que não podem passar em branco. Aproveitando o prestígio que rapidamente alcançou no cenário internacional de música instrumental, ele convidou uma seleção de craques de diversos países para, em formato de
duos, revisitar a rica obra de Pixinguinha. Estão ali, por exemplo, o acordeonista francês Richard Galliano, o pianista italiano Stefano Bollani e o pianista cubano Omar Sosa, que participam do show. Além deles, há faixas com o cubano Chucho Valdez, o americano Winton Marsalis, o português Mário Laginha, os brasileiro André Mehmari e Carlos Malta e a france-
sa radicada no Brasil Odette Ernest Dias. O mérito de Hamilton não se restringe ao de reunir gente tão boa, mas, sobretudo, ao de entabular um diálogo musical de igual para igual com rigorosamente todos eles, tal como se pode ouvir na interpretação de 1x0, dividida com o consagrado trompete de Marsalis. Nesta, não cabe outra palavra senão genial.
O sucesso da bossa-nova boa-vida Quem acusava a bossa-nova de americanista deve estar com ar de bemque-eu-disse c o m a c o m emoração dos 50 anos de carreira de Marcos Valle (foto), feita ao lado de uma refinada cantora dos EUA, Stacey Kent. Juntos, e com participação do saxofonista Jim Tomlinson, marido da moça, eles lançam Marcos Valle & Stacey Kent Ao Vivo, composto por versões em inglês de algumas das suas canções mais famosas (em geral, compostas com o letrista e irmão Paulo Sérgio), como Preciso Aprender a Ser Só, A Resposta e o clássico mundial Samba de Verão. Nada mais coerente, irão dizer, já que a bossa-nova sempre quis atender ao mercado externo. Só um deta-
lhe deve desmentir essa visão: a estética sofisticada e despojada que Stacey defende tão bem é completamente forjada no Brasil. Sua deslumbrante versão de Os Grilos, por exemplo, vertida como The Crickets, é tocada com um suingue que, por mais que se tenha tentado, nunca se conseguiu imitar do lado de cima das Américas. Parece, assim, muito mais um símbolo do triunfo do que da submissão nacional. Marcos Valle talvez tenha sido o representante mais autêntico da bossa-nova do ponto de vista da experiência humana que o gênero consagrou: a boa-vida das areias e calçadas da Zona Sul carioca, na virada dos anos 50 para os 60. Jovem, culto, atlético, pioneiro no surf, ligado às novidades estrangeiras, ele encarnava como ninguém o ideal moderno,
harmonioso e fundamentalmente cosmopolita da bossa. Tanto é, que, dentre os grandes bossa-novistas, foi o mais atento às relações que a música brasileira podia firmar com o exterior: primeiro, foi o compositor mais jazzista, depois, o mais familiarizado com o pop internacional, mais tarde, o principal incentivador da renovadora onda de bossa eletrônica nascida em Londres. Tudo isso sem, nunca, deixar de por em cena o suingue e os contornos melódicos sentimentais da música brasileira. Celebrar sua carreira com um pé na cultura global, portanto, não é nada mais do que reafirmar o impulso original de assegurar no mundo moderno um lugar respeitável para a brasilidade. Impulso que, aliás, não foi só dele, mas de uma geração inteira de 50 anos atrás.
Alceu
Moraes
E a história continua
os anos 70, Alceu Valença, Jards Macalé e Moraes Moreira estiveram na ponta da inovação na música brasileira, anunciando um futuro libertário. Nesta semana, por coincidência, os três se apresentam em São Paulo, mas com vistas ao passado. Alceu e Jards recordam obras gloriosas, a exemplo de Tropicana e Coração Bobo, de um lado, e Vapor Barato e Hotel das Est r e la s , do outro. Moraes, por sua vez, também apresenta uma antologia pessoal, mas inclui um pequeno bloco de canções futebolísticas, como O que É, O que É e Sangue, Suingue e Cintura. Herdeiro direto dos três, o pernambucano Otto volta à Cidade para mostrar o repertório do disco The Moon 1111, segu-
ramente um dos melhores lançamentos do ano passado. Inspirado no célebre LP Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, o álbum trouxe canções brilhantes, como Ela Falava, Exu Parade e O Que Dirá o Mundo, além de uma versão visceral para um antigo sucesso de Odair José, A Noite Mais Linda do Mundo. Dessa vez, Otto terá a valiosa participação especial do Mestre Galo Preto, cantador pernambucano, especialista no coco, cujo talento foi reconhecido logo na infância por ninguém menos do que o poeta regionalista Ascenso Ferreira. Os rappers Criolo e Emicida também sobem ao palco para divulgar um importante lançamento recente: o DVD Criolo & Emicida ao Vivo. É uma obra significativa por reunir o me-
lhor da produção de dois nomes fundamentais no cenário do rap nacional, com boas faixas como Não existe Amor em S P, do primeiro, e Tr iu nf o, do segundo. O roteiro de shows paulistano traz, ainda, uma ótima atração internacional: o show do grupo vocal americano Take Five, em turnê de divulgação do seu disco mais recente, One, de 2012. Formados na vigorosa tradição do gospel, os seis competentes vocalistas difundem uma linguagem de arranjo que renovou o estilo dos conjuntos vocais no mundo todo, usando a voz para substituir os instrumentos comuns. Não tivessem eles uma generosa musicalidade, esse prodígio de técnica justificaria, por si só, o interesse do espetáculo.
GARGAREJO Seleção dos espetáculos da semana Alceu Valença Gênero: antologia pessoal Credicard Hall - Av. das Nações Unidas, 17955. Tel.: 4003-5588 Dia 7, às 22h R$ 60 - R$ 150 Criolo e Emicida - Criolo & Emicida Ao Vivo Gênero: rap-pop brazuca Sesc Santo André - Rua Tamarutaca, 302. Tel.: 4469-1200 Dia 7, às 20h R$ 30 Hamilton de Holanda, part. Richard Galliano, Stefano Bollani e Omar Sosa - Mundo de Pixinguinha Gênero: choro universal Teatro Alfa - Rua Bento Branco de Andrade Filho,
722. Tel.: 5693-4000. Dia 8, às 20h R$ 100 - R$ 120 Jards Macalé Gênero: antologia pessoal Teatro Sesc Ipiranga - Rua Bom Pastor, 822. Tel.: 3340-2000 Dias 4 e 5, às 21h R$ 18 Marcos Valle e Stacey Kent, part. Jim Tomlinson - Marcos Valle & Stacey Kent Ao Vivo Gênero: bossa-jazz Bourbon Street - Rua dos Chanés, 127. Tel.: 5095-6100 Dia 6, às 20h30 e às 23h R$ 190 Moraes Moreira Gênero: antologia pessoal Dias 6, às 21h, e 7, às 18h. Teatro Sesc Santo Amaro -
Rua Amador Bueno, 505. Tel.: 5541-4000 R$ 30 Otto, part. Mestre Galo Preto - The Moon 1111 Gênero: mangueprogressivo Choperia Sesc Pompeia - Rua Clélia, 93. Tel.: 3871-7700 Dias 5 e 6, às 21h30, e 7, às 19h. R$ 30 (ingressos esgotados para os dias 6 e 7) Take Six - One Gênero: gospel-pop vocalizado Hsbc Brasil - Rua Bragança Paulista, 1281. Tel.: 4003-1212 Dia 4, 21h30 R$ 90 - R$ 290 (Cotação AD)