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A moeda que nasceu em meio a grande euforia completa uma década de vida sendo rejeitada (países ensaiam deixar a zona do euro) e precisando de fortes corretivos contra a crise – a ponto de o presidente francês defender, entre apelos generalizados por austeridade, uma CPMF europeia. Os problemas começaram na Grécia, arrastaram Portugal e Irlanda e ameaçam a Itália. Pág. 14

CAIXA 1 A bolsa volta a subir em 2012? Pág. 11

Adriano Lima/AE

Conclusão: 23h10

Ano 87 - Nº 23.532

www.dcomercio.com.br

MAX.

São Paulo, sábado, 31 de dezembro de 2011, domingo e segunda-feira, 1 e 2 de janeiro de 2012

R$ 1,40

Jornal do empreendedor

Euro, 10 anos: uma criança problemática.

ACSP abre o ano com dois novos conselhos

Hay que implodir, pero sín demolir.

Cerca de 300 líderes de entidades de classe de todo País entrarão na disputa por prefeituras este ano. PSD e PSDB tentam atrair para seus quadros sindicalistas até então sob as asas do PT. Pág. 5

O Edifício Moinho, no Centro, foi implodido com 800 kg de dinamite. Dos 6 andares, 4 resistiram (à dir.), mas os trens da CPTM poderão voltar a circular. "Esse era o principal objetivo", afirmou o prefeito Kassab. Pág. 8 Lilo Clareto/Luz

Eleições 2012: abram alas para sindicalistas.

Felix Lima/Folhapress

Fóruns sobre terceiro setor e ambiente ampliam participação política e social da entidade. Pág. 6

E-commerce: hora de micros e pequenos.

Ebrahim Noroozi/AFP

Empresários do varejo precisam aproveitar tanto a visibilidade das redes sociais quanto a onda do comércio eletrônico, que tem crescido de 30% a 40% ao ano. Pág.15

60 mil balões de Ano Novo Festa no Pátio do Colégio no último dia útil de cada ano é promovida pela ACSP desde 1992. Pág. 7 HOJE

ISSN 1679-2688

9 771679 268008

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Pancadas de chuva à tarde e à noite. Máxima 27º C. Mínima 18º C.

AMANHÃ Pancadas de chuva à tarde e à noite. Máxima 29º C. Mínima 17º C.

Irã lança desafio nuclear Irã lança mísseis no Estreito de Ormuz, anuncia a produção da 1ª barra nuclear e exercício militar no estreito (por onde passam 40% do petróleo consumido no mundo). Pág. 9

A selva dos impostos em guia para estrangeiros Livro do advogado David Roberto Soares – somente na versão em inglês e já vendido na Amazon.com – destrincha para investidores de fora como funciona a complicada legislação tributária brasileira. Pág. 13


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sábado, 31 de dezembro de 2011, domingo e segunda, 1 e 2 de janeiro de 2012

Hoje, CNJ analisa 503 processos sobre irregularidades e corrupção relacionadas a magistrados. Jorge Maranhão

pinião André Dusek/AE

PAULO SAAB

DESEJOS PARA UM REAL ANO NOVO

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André D

Ministro Cezar Peluso, do STF, e a corregedora-geral do CNJ, Eliana Calmon: polêmica tem como pano de fundo a falta de transparência e o corporativismo do Supremo.

Igualdade diante da lei

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pesar do recesso, a polêmica continua. A liminar que suspende na prática todas as ações investigatórias do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), decidida monocraticamente pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, tem sido repelida pela consciência jurídica nacional. Vários constitucionalistas se manifestaram, uma vez que não havia urgência imprescindível para a concessão da liminar no último dia antes do recesso do STF. Questionado pela AGU (Advocacia-Geral da União) o próprio presidente do CNJ e do Supremo, Cezar Peluso, confirmou a liminar, transferindo para a volta do recesso, em fevereiro de 2012, o julgamento definitivo pelo pleno da corte. Ministros do STF, como o atual presidente interino, Ayres Britto, já se declararam muitas vezes, publicamente, pela competência investigatória concorrente e não subsidiária do CNJ, em face dos procedimentos investigatórios inócuos das corregedorias dos tribunais estaduais. Ato contínuo, as três maiores entidades de membros da magistratura conseguiram do ministro Ricardo Lewandowski outra liminar para impedir que a corregedora-geral do CNJ, ministra Eliana Calmon, promova investigações na vida de 231 mil pessoas, entre juízes, familiares e servidores de 22 tribunais.

JORGE MARANHÃO beu do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), ligado ao Ministério da Fazenda, a pedido do corregedor Gilson Dipp, seu antecessor.

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oje, a CNJ analisa um total de 503 processos sobre irregularidades e corrupção relacionadas a magistrados. E, mais uma vez, setores da magistratura reagem com veemência às tentativas de dar transparência a um poder que historicamente tem sido o mais opaco e corporativista diante da crescente exigência de clareza da administração pública pelas organizações da sociedade civil. Peluso afirmou que "nos termos expressos da Constituição, a vida funcional do ministro Lewandowski e a dos demais ministros do Supremo Tribunal Federal não podem ser objeto de cogitação, de investigação ou de violação de sigilo fiscal e bancário por parte da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça".

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ministra Eliana havia requisitado, através de ofício, a análise das declarações de bens e rendimentos apresentados por magistrados e servidores, principalmente nos casos com movimentação acima de R$ 500 mil durante o período de 2006 a 2010. Como justificativa, a ministra citou material que rece-

Por que não pode, se todos os cidadãos são iguais perante a lei? Cabe aqui esclarecer que o sigilo fiscal é tão somente a proteção às informações fiscais prestadas por todos os cidadãos contribuintes. Ou seja, sua quebra se dá apenas quando da divulgação desses dados por um órgão que detenha direito a eles. No caso do CNJ, como expresso no Artigo 4º, item XV, de seu regimento, pode, sim, "requisitar das autoridades fiscais, monetárias e de outras autoridades competentes informações, exames, perícias ou documentos, sigilosos ou não, imprescindíveis ao esclarecimento de processos ou procedimentos de sua competência".

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ale lembrar que a divulgação destes dados sigilosos constitui crime previsto no artigo 325 do Código Penal. Em sua defesa, a ministra Eliana Calmon não fez por menos, acusando de mentirosas e maledicentes as entidades de juízes e suspeitando

Diferentemente do que pensam esses setores da magistratura que se mostram tão incomodados com o CNJ, juízes e desembargadores são também servidores públicos.

que elas próprias podem ter vazado os dados à imprensa. Diferentemente do que pensam esses setores da magistratura que estão tão incomodados com o CNJ, juízes e desembargadores são também servidores públicos. Tanto quanto os outros servidores, estão sujeitos ao Artigo 37 da Constituição Federal, que determina que "a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência".

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olêmicas deste tipo, além de soarem meramente corporativistas para a sociedade, só contribuem para denegrir a imagem do poder mais importante para a democracia, que é o Judiciário, responsável pelas garantias fundamentais dos cidadãos. Agora é a vez dos setores éticos e transparentes da magistratura se manifestarem e de nossos parlamentares agilizarem a tramitação da lei proposta pelo senador Demóstenes Torres sobre a competência investigatória do CNJ. É um instrumento de controle externo da magistratura, conquista de décadas de lutas da sociedade civil, a exemplo de todas as demais funções públicas providas de conselhos de controle externo e corregedorias. A cidadania aguarda ansiosa que nossos magistrados deem o bom exemplo da vida republicana de que todos os cidadãos são iguais e ninguém pode estar acima das leis. JORGE MARANHÃO É DIRETOR DO INSTITUTO DE CULTURA DE CIDADANIA A VOZ DO CIDADÃO. JORGE@AVOZDOCIDADDAO.COM.BR

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cláudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

audando o leitor neste primeiro contato em 2012, ano em que esta coluna completa 30 anos de publicação ininterrupta neste espaço do Diário do Comércio (são cerca de oito mil colunas no período), faço uma lista de desejos, a seguir, que gostaria de ver realizados ao longo do novo exercício. Caso o leitor tenha outros aqui não contemplados, favor enviarme pelo e-mail abaixo. Afinal, desejar não custa nada. Algo alcançado valerá muito. Então, desejo que neste ano que se inicia: G Os ministros do governo Dilma, os membros do Congresso Nacional e os demais políticos, parlamentares e integrantes de todas as esferas do poder público se comportem de forma honesta, sem desvios ou roubos. G Os governadores de estados e os prefeitos de cidades em todo o País, bem como seus colaboradores, entendam que o dinheiro público não é deles e não pratiquem atos impróprios. O mesmo vale para o Executivo Federal. G Os integrantes do Poder Judiciário atuem de forma acelerada, imparcial e ilibada, dando vazão ao atraso de apreciação de processos, o que maltrata a população em busca de justiça. G As chuvas e outros fenômenos da natureza sejam piedosos para com os habitantes das áreas de risco de todas as cidades. G A população não ocupe áreas de risco. Não jogue lixo nem objetos como sofás, pneus, geladeiras velhas, em córregos, bocas de lobo e rios. G As autoridades ao menos não sejam demagógicas diante de calamidades para as quais contribuíram por sua ineficiência na prevenção. G As coberturas de carnaval, festas populares e futebol, sejam mais inteligentes, racionais e menos apelativas. G As decisões econômicas dos governantes sejam mais realistas, eficientes e menos fantasiosas. G O ano eleitoral transcorra com tranqüilidade. G As campanhas eleitorais sejam respeitosas para com a inteligência do eleitor. G Os candidatos sejam honestos, competentes e dedicados à causa pública. G As filas diminuam nos bancos. G As estradas melhorem. G Os hospitais e centros de saúde funcionem

decentemente. G Haja investimentos na infraestrutura do País e não somente em propaganda enganosa. G Os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 avancem com o máximo de eficiência e o mínimo de roubalheira. G Os técnicos e jogadores do futebol brasileiro amadureçam, evoluam e redescubram esse esporte, em que já fomos os melhores. G Os serviços de atendimento ao cliente de fato atendam, funcionem e não torrem a paciência do consumidor. G Os mesmos não fiquem ligando para vender serviços ou "grandes ofertas" à noite e em finais de semana.

G Os espertos da iniciativa privada parem de corromper os corruptíveis encalacrados no poder público. G Os níveis de corrupção baixem a limites toleráveis, já que nunca desaparecerão. G Os cargos e funções públicos sejam preenchidos por critérios de competência e não por apadrinhamento político. G O fluxo de veículos volte a funcionar nas capitais de todo o país. G O trânsito não pare definitivamente, sem saída, em São Paulo. G A polícia seja eficiente, gentil e sem corruptos. G O respeito ao contribuinte, ao cidadão em geral, exista na pratica e não somente no discurso. G Os bandidos, ladrões, corruptos, degenerados, assassinos, ladrões de galinha e de colarinho branco, sejam presos e a Justiça não os solte. G O leitor tenha paciência neste ano, como tem há 30 anos (a serem completados em junho) com este colunista.

PAULO SAAB É JORNALISTA E ESCRITOR. PSAAB@INSTITUTOCIDADANIA.

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Edi tor - Ch e fe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Chefia de Reportagem: Teresinha Leite Matos (tmatos@acsp.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), Estela Cangerana (ecangerana@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Fernando Porto (fporto@dcomercio.com.br), Kleber Gutierrez (kgutierrez@dcomercio.com.br), Ricardo Ribas (rribas@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Marcus Lopes e Rejane Aguiar Redatores: Adriana David, Darlene Delello, Eliana Haberli e Evelyn Schulke Repórteres:Anderson Cavalcante (acavalcante@dcomercio.com.br), André de Almeida, Fátima Lourenço, Ivan Ventura, Karina Lignelli, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Mário Tonocchi, Paula Cunha, Rafael Nardini, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sergio Leopoldo Rodrigues, Sílvia Pimentel, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente PL Arthur Gebara Jr. (agebara@acsp.com.br) Gerente Executiva Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estado, Folhapress, Efe e Reuters Impressão OESP GRÁFICA S/A Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, 31 de dezembro de 2011, domingo e segunda, 1 e 2 de janeiro de 2012

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NÃO HÁ SOLUÇÃO FÁCIL PARA A COREIA DO NORTE, MAS ISOLAMENTO NÃO É EF IC IE NT E.

pinião

Uma nova chance para a Coreia do Norte?

NICHOLAS D. KRISTOF

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urante minha primeira viagem à Coreia do Norte, em 1989, cometi o incômodo de entrar aleatoriamente nas casas das pessoas. Eu queria ver como os norte-coreanos comuns viviam de fato. Eles ficavam assustados, mas eram hospitaleiros. O mais surpreendente que descobri foi o alto-falante fixado numa parede em todas as casas. O alto-falante é como um rádio, mas sem o dial e sem o botão de desligar. Toda manhã, ele acorda a casa com propaganda (em sua primeira partida de golfe, o camarada Kim Jong il realizou cinco holesin-one!). Ele anuncia coisas desse tipo o dia todo. O alto-falante acentua que a Coreia do Norte não é só outra ditadura, mas talvez o país mais totalitário que já existiu. Stalin e Mao eram assassinos, mas eram artesãos; a família Kim acrescentou sistemas complexos de repressão ao processo. Qualquer deficiência, por exemplo, é considerada uma monstruosidade. Assim, os deficientes são geralmente expulsos da capital, Pyongyang. A propaganda do governo não tem vergonha. Durante um período de fome no país, a mídia nortecoreana alertou aos cidadãos famintos sobre o exagero nas refeições, contando a história de um homem que comeu até se saciar e depois explodiu.

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erta vez, parei numa área rural do país para entrevistar duas estudantes do ensino médio, que escolhi ao acaso. Elas foram amistosas, mas se mostravam espantadas. Assim como eu fiquei quando começaram a falar simultaneamente e a repetir frases políticas em perfeito uníssono. Elas poderiam ser robôs. Quando vídeos (de filmes, música ou religião) começaram a ser contrabandeados da China, a polícia começou a desligar a eletrici-

país, e o regime permaneceu incólume. Nossos fracassos na Coreia do Norte são evidentes. Em 1994, chegamos perto de uma guerra na Península Coreana, evitada com um acordo nuclear que se baseava em uma falsa esperança: o governo Clinton pensava que o governo cairia antes de o Ocidente ter de entregar reatores nucleares civis como sua parte no acordo. Confrontado com indícios de trapaças da Coreia do Norte, o governo Bush desfez o acordo. O resultado foi ainda mais desastroso: a Coreia do Norte acelerou sua linha de produção nuclear e acumulou plutônio suficiente para, possivelmente, oito armas.

A dade de prédios inteiros. Depois, os policiais iam de porta em porta examinar qual vídeo estava dentro dos players. Uma fita contrabandeada poderia significar o envio de uma família inteira para um campo de trabalho. O que fazemos com esse país? Para os norte-americanos, um ponto de partida seria reconhecer algumas falhas da política dos Estados Unidos. Algumas lições: Não supor que o fim do regime é iminente. Tenho acompanhado a Coreia do Norte, de dentro e de fora, desde 1987 e observadores sempre estão sussurrando sobre supostas revoltas ou sugerindo que o governo está dando seus últimos passos. Sim. O regime da Coreia do Norte pode cair amanhã – ou pode cambalear por mais 20 anos. O "Grande Sucessor" Kim Jong Un pode sobreviver ao presidente Barack Obama.

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Não supor que todo mundo odeia o regime. Todos esses norte-coreanos estão chorando por causa da morte de Km Jong il? O sofrimento deles provavelmente é sincero. Em conversas com desertores norte-coreanos, eu fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que criticam o regime Kim, mas completam que seus parentes deixados para trás ainda acreditam nele – porque não conhecem mais nada. Muitos também são naciona-

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listas apaixonados, preferindo um déspota caseiro a qualquer insinuação de colonialismo econômico estrangeiro. Fé e medo se unem para manter o povo na linha. Em um livro sobre a Coreia do Norte, Bradley Martin conta como um dos assessores de Kim Jong il disse à sua esposa que o chefe era mulherengo. Ela acreditava piamente na decência básica do sistema norte-coreano e escreveu à lide-

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O isolamento da Coreia do Norte tem se revelado um tiro pela culatra. Em parte, é uma das coisas que mantém a família Kim no poder.

rança para protestar contra a devassidão. A carta foi repassada para Kim Jong il, que levou a mulher diante de uma multidão e a denunciou. Seu próprio marido deu um passo à frente, pedindo para que ele mesmo tivesse permissão de executá-la. A licença foi concedida e então o marido matou a esposa a tiros. Não tentem isolar a Coreia do Norte. O Ocidente tem reagido ao programa nuclear norte-coreano impondo sanções e isolando o país. Mas o isolamento em grande parte tem sido um tiro pela culatra. É uma das coisas que mantém a família Kim no poder, e estamos ajudando que ela continue assim. Além disso, o sofrimento econômico não vai destruir o regime. Em meados dos anos 1990, possivelmente um milhão de pessoas morreram de fome no

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utoridades dos EUA culpam a China por paparicar a Coreia do Norte, mas pelo menos Pequim tem uma estratégia. Trata-se de encorajar o regime Kim a copiar as politicas de abertura e reformistas que transformaram a China. Atualmente, vendedores chines e s c o m t e l e f o n e s c e l u l a re s , DVDs e CDs já são comuns na região da fronteira com a Coreia do Norte, fazendo mais para minar o governo Kim do que qualquer política dos Estados Unidos. Não há nenhuma solução boa. Mas vamos aproveitar a transição de liderança para tentar uma dose de ousadia. Se conseguirmos avançar um pouco nas relações diplomáticas, no comércio e nos contatos povo a povo, não estaremos recompensando um regime monstruoso. Poderemos estar simplesmente cavando sua cova.

NICHOLAS D. KRISTOF É COLUNISTA DO NEW YORK TIMES

TRADUÇÃO: RODRIGO GARCIA

O VOO DA LIBERDADE

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mbora o tempo forme somente um "continuum", no universo humano, finitos que somos, temos a percepção da divisão do tempo em "passado/presente/futuro". No calendário gregoriano ora adotado, temos 12 meses num ano e, depois de dezembro, eis que surge a face do deus Janus (janeiro) voltada para o futuro, enquanto sua outra face contemplará para todo o sempre os dezembros que ficaram no ontem. Eis então um "novo" ano. O que devemos celebrar verdadeiramente? Por que não a liberdade humana? Mas será que de fato somos mesmo livres? Depois do dom da vida como o maior bem de todas as pessoas, é a liberdade – na modesta visão deste escrevinhador – o outro bem de magnitude ímpar. Não seria a saúde um bem maior do que a própria liberdade? – uma vez me perguntaram. É claro que a saúde, como condição basal ligada à qualidade de vida, sem dúvida é também um bem de extremo valor; mas ainda assim, como seres dotados de racionalidade, a dimensão da liberdade humana possui valor absoluto para que, de fato, seja viável dizer: posso escolher como viver a minha vida! mbora possa soar um tanto estranho – e, reconheçamos, nem sempre isto pode ser possível na prática – escolher como morrer

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LUIZ OLIVEIRA RIOS também é uma forma de exercer a liberdade. Mas isso é tema para outra abordagem. Mesmo que as escolhas feitas sejam eventualmente erradas – e quem nunca errou feio em algumas escolhas que dê o primeiro coice –, como seres livres devemos assumir a responsabilidade pelas consequências dessas escolhas de mau jeito e tocarmos a vida em frente, com novas escolhas e novos erros. as será que somos livres mesmo? A liberdade que hoje quero abordar não está ligada aos direitos constitucionais de qualquer cidadão, garantidos pela democracia plena. Quero tratar da liberdade mais profunda do ser-existente-no-mundo (todos nós) conectada ao chamado livrearbítrio de cada indivíduo. Não vamos aqui entrar em filigranas filosóficas, mas há pensadores que juram de pés juntos que não temos livre-arbítrio coisa nenhuma: todas as escolhas que fazemos, conscientes

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ou inconscientes, já são predeterminadas. Nós, sublimes ignorantes de nós mesmos, é que achamos que "somos" de fato livres. E agora, José?. em, quando colocamos a cachola para pensar, descobrimos que várias coisas em nossa vida – ou em nossa existência, melhor dizendo –, possuem um link com o determinismo. Em outras palavras, existem algumas algemas invisíveis que nos tolhem a liberdade. Essas algemas invisíveis, pois, ocorrem por fenômenos, digamos assim, deterministas, dos quais não podemos fugir. Mas bem pior do que isso é quando essas algemas são construídas por nós mesmos através de nossas atitudes deliberadas e erráticas diante da vida. A pior prisão é aquela cujas grades a nos cercear foram construídas por nós mesmos. Grosso modo, no âmbito do determinismo, estamos presos, por exemplo: G Ao nosso corpo;

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G Ao tempo histórico e cultural no qual vivemos; G A um dado laço consanguíneo familiar, que será perene; G A uma origem geográfica (nascemos em algum lugar na Terra); G A uma espécie (Homo Sapiens). De fato, é impossível a gente escolher, por exemplo, não pertencer à espécie humana – embora certos atos possam colocar em dúvida os princípios de humanidade que se supõem inatos; e é até possível a pessoa estar profundamente desgostosa com ela mesma a ponto de não se aceitar (e somente os seres humanos são livres inclusive para negar sua própria humanidade), mas todos nós estamos presos à condição humana. Ponto final.

ssa imutabilidade pétrea, digamos assim, foi um princípio defendido por Parmênides, filósofo pré-socrático, que arrumou a maior encrenca com Heráclito, outro pensador dessas priscas eras, que defendia a tese de que tudo muda. Aliás, o "tudo muda/nada muda" é um dilema que já dura uns vinte e cinco séculos. Ora, se a liberdade é também poder mudar, há que se admitir que, nos casos aludidos acima, a liberdade é inexistente em termos reais; mas, no entanto, eu e você temos a liberdade de fantasiar a realidade – e não raro o fazemos, até para mitigar sofrimentos para os quais precisamos

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momentaneamente buscar um "escape emocional" (fuga mesmo!). Caso contrário, certamente enlouqueceríamos. O problema, diga-se de passagem, não está na fuga em si mesma, porém no modo como elas são praticadas e na sua duração. liberdade, no entanto, é tão estupenda que, embora estejamos presos a certos fenômenos deterministas, podemos escolher modular nossa reação a eles – ou, conforme paráfrase a pensamento de William Shakespeare, não podemos evitar muitos sofrimentos na vida, mas está em nosso poder escolher o grau do sofrimento que queremos suportar. Na escala humana, já estamos num ano "novo". Que fiquemos atentos à natureza das nossas escolhas neste ano, pois se somos em parte livres para escolher, podemos ficar para sempre aprisionados pelas consequências das nossas escolhas. De repente, embora aparentemente livres, podemos estar presos por algemas invisíveis que nos impeçam de viver a vida na sua plenitude. Que neste ano novo a liberdade plena abra as suas asas sobre todos nós.

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LUIZ OLIVEIRA RIOS É PROFISSIONAL DE MARKETING E VENDAS E COLUNISTA DO

DIÁRIO DO COMÉRCIO. OLIVEIRA.RIOS@HOTMAIL.COM


DIà RIO DO COMÉRCIO

sĂĄbado, 31 de dezembro de 2011, domingo e segunda, 1 e 2 de janeiro de 2012

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, 31 de dezembro de 2011, domingo e segunda, 1 e 2 de janeiro de 2012

5 NOVA TURMA Partidos querem romper o cerco do PT no meio sindical

olítica

NOVA POLÍTICA A presidente Dilma vai dar prioridade às agendas sociais neste ano

300 sindicalistas serão candidatos do PSD e PSDB Eduardo Knapp/Folhapress

Agora, uma organizada e fartamente financiada rede de difamação dedicou-se a propalar infâmias intensamente através de um livro e pela internet. Para atingir meu pai, buscam atacar a sua família com mentiras e torpezas. Verônica Serra, filha de José Serra, em nota desmentindo qualquer participação sua no processo de privatização das telecomunicações brasileiras . O livro "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Jr., aponta supostas irregularidades nas privatizações e envolve parentes e amigos de José Serra. Tenho material para mais um livro. Amaury Ribeiro Jr., que diz ter mais documentos contra integrantes do PSDB.

Quem rouba patrimônio público tem que ficar preso, sim. Senador Pedro Taques (PDTMT), autor do projeto que prevê a prática de corrupção como crime hediondo.

Nós só vamos lá cortar a fita. Geraldo Alckmin (PSDB-SP), governador de São Paulo, ao explicar a participação do governo na concessão do trecho leste do Rodoanel. Dida Sampaio/AE

Entro aqui no final da fila como um recruta que se apresenta para colaborar com os projetos fundamentais para o País. Senador Jader Barbalho (PMDB-PA), ao explicar seu retorno à Casa, dez anos depois de renunciar ao mandato, sob acusação de corrupção.

Luiz Prado/Luz – 2/12/2011

Sérgio Guerra aprovou o núcleo sindical tucano

Gilberto Kassab fez a proposta mais atraente

L.C.Leite/Luz – 26/5/2010

porcentual será maior, segundo promessas feitas por Kassab ao líder da UGT. A corrida pelos sindicalistas tem boas razões. Uma delas é a excelente relação entre o PT e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior e mais influente, com 3.438 entidades filiadas. Mesmo independentes oficialmente, as duas organizações quase sempre funcionam, na bonança e na crise, sincronizadas como se fossem uma só máquina. Centrais e eleição – O PT também é mais hábil e convincente no diálogo com outras correntes. Na eleição presidencial de 2010, para citar um caso, nenhuma central apoiou o tucano José Serra. As seis ficaram ao lado de Dilma Rousseff. "Esse apoio foi fundamental para a vitória de Dilma, da mesma maneira que antes havia garantido a vitória de Lula", assegura Antonio de Souza Ramalho, presidente do Sindicato da Construção Civil de São Paulo e vice-presidente da Força Sindical – a segunda maior do País, com 2.675 entidades filiadas. Antigo militante do PSDB, Ramalho foi convidado no iní-

Patah: controle da fundação do partido.

cio do ano para uma conversa com Alckmin. "Depois de ver o resultado da Dilma, ele me perguntou: o que o partido deve fazer para se aproximar dos sindicatos? Respondi que o último líder tucano que deu atenção ao sindicalismo foi Mário Covas. Ele ia sempre ao nosso sindicato. Depois que ele morreu, ninguém mais." Ramalho também disse a Alckmin que os tucanos, embora tenham feito muito pelos trabalhadores, não conseguem deixar isso claro. "Não sabem

se comunicar com o peão lá da base. Para isso, tem que chamar o sindicalista do baixo clero, o sujeito da mão grossa." Núcleo tucano – Depois da conversa com Alckmin, Ramalho foi chamado por Sérgio Guerra, em Brasília. No encontro conseguiu convencê-lo da necessidade de montar um núcleo sindical tucano e, no embalo, ganhou a missão de levar a tarefa adiante. Até agora já foram montados núcleos regionais em 20 estados. A meta é chegar aos 27 até março, quando ocorre em Brasília o primeiro congresso sindical do PSDB. "Desde o ano passado, quando decidimos reestruturar o partido, sabíamos que precisávamos recuperar a base sindicalista", contou Guerra. "Mas não tivemos bons resultados, porque quem cuidava do setor era um parlamentar. Agora temos um sindicalista." A meta, garantiu Guerra, não é uma central controlada pelo PSDB. No PSD, Patah também enfatiza que a UGT não será instrumentalizada. "O partido e a central podem se alinhar em torno de questões políticas, mas permanecem independentes." (AE)

D Fred Amorin/Ag. Câmara

Você quer ouvir o que faz um deputado? Trabalha muito e produz pouco. Deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o Tiririca, que durante sua campanha eleitoral perguntava: Você sabe o que faz um deputado federal?

Heuler Andrey/AE

Patrícia Cruz/Luz – 6/4/2006

Dilma volta dia 10, com agenda social.

Isso vai dar muito problema. Senador Valdir Raupp (RO), presidente do PMDB, prevendo como será a discussão do projeto do Pré-Sal, em 2012, no Congresso.

O ambiente no Legislativo é muito maçante. Deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ)

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recém-criado PSD e o veterano PSDB estão mobilizando forças para conquistar espaço no mundo sindical, antigo e influente reduto do PT. O primeiro teste desse esforço está marcado para as eleições municipais deste ano. De acordo com o presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), os tucanos vão lançar nestas eleições, em todo o País, cerca de 200 candidatos originários de sindicatos de trabalhadores. A maior parte deve concorrer a cargos em câmaras municipais, mas o grupo também reunirá pretendentes aos cargos de prefeitos e vice-prefeitos. Mesma trilha – O partido presidido pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, seguindo a mesma trilha, contabiliza quase 90 pré-candidatos sindicalistas. "O número, porém, deve aumentar", anunciou, entusiasmado com a ideia, Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), uma das seis centrais legalmente constituídas no Brasil, com cerca de mil sindicatos filiados. Desde que preencheu a ficha de filiação ao PSD, em setembro, Patah articula a base e as candidaturas sindicalistas do partido. Antes de ser convidado por Kassab, ele foi procurado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB). Também preocupados em romper o cerco do PT no meio sindical, os dois manifestaram desejo de ter a UGT próxima de seus partidos. Poder e promessa – Kassab chegou por último, mas com propostas atraentes. Além de garantir aos sindicalistas dois cargos na direção executiva nacional e em cada uma das executivas estaduais, ofereceu a Patah o controle da futura fundação do partido – o que não é pouco. Destinadas teoricamente à formação de quadros políticos, as fundações recebem, por lei, 20% de todos os recursos públicos destinados à legenda. No caso do PSD esse

Este é o caminho da prosperidade, que está sendo construído por nós e para nós, sustentado numa forte democracia. Dilma Rousseff, em seu discurso de final de ano, ao anunciar que o Brasil encerra 2011 com crescimento econômico e distribuição de renda.

entro de oito dias, a presidente Dilma Rousseff retoma suas atividades políticas, com o retorno a Brasília no dia 10, depois de passar duas semanas na Base Naval de Aratu, na Bahia, com a filha, Paula, e o neto, Gabriel. As questões sociais devem dominar em boa parte a agenda de Dilma neste ano. Já no final de janeiro, a presidente deve ir ao Fórum Social Mundial, que será realizado do dia 23 a 29, em Porto Alegre. Em pauta, a crise econômica internacional e as prioridades da Conferência Rio+20, em junho, no Rio, entre outros temas. E entre 25 e 29, Dilma deve ir ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, acompanhada do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Para 2012, estão programadas várias conferências setoriais envolvendo distintos segmentos da sociedade. A presidente pretende participar de todos os encontros, envolvendo desde questões relacionadas a crianças e adolescentes até as que tratam de emprego e trabalho decente e desenvolvimento rural e sustentável. Rio+20 – A agenda internacional da presidente inclui

Na praia de Inema, um muro e uma cerca, que entra pelo mar, impedem a passagem de cidadãos comuns, frequentadores do local, para a área de uso exclusivo da Marinha, onde Dilma passa as férias.

Lúcio Távora/Ag. A Tarde/Folhapress

Que venham os processos! Luís Fernando Emediato, editor do livro "A Privataria Tucana".

Michel Filho/Agência O Globo

Vamos para cima deles. O livro está repleto de mentiras. Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB.

Os dois partidos lançam a mesma estratégia para as eleições municipais: ganhar o apoio dos sindicatos.

eventos em todos os continentes. A preocupação do governo, contudo, está voltada para a Conferência Rio+20, que ocorrerá no Rio de Janeiro, de 28 de maio a 6 de junho de 2012. Será a maior conferência mundial sobre preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e economia verde, definindo um novo padrão para o setor. Mais de cem presidentes e primeirosministros estarão presentes. Neste ano, a presidente pretende também retribuir as visitas que recebeu em 2011. Um dos convites é para que Dilma

vá aos Estados Unidos. Ano-novo – Dilma comemorou a passagem de ano na casa do comando da base naval de Aratu (BA), onde descansa desde 26 de dezembro, mas não participou da festa à beira-mar para os moradores da vila militar na praia de Inema. O acesso à base, que já era restrito, teve a vigilância redobrada desde a chegada da presidente. A área, cercada por muros com arame farpado e protegida por militares, teve também o acesso pelo mar fechado com cercas e boias. Lan-

chas e jet skis da Marinha impedem a aproximação de pessoas e embarcações. A Marinha divulgou nota negando que esteja fechando o tráfego noturno de embarcações regularizadas na região da base naval de Aratu, o que estaria acarretando transtorno a moradores da região. Informou ainda que a residência oficial não foi reformada para receber a presidente. Na nota, explica que a obra começou há mais de um ano, em outubro de 2010, e não tem vínculo com a agenda presidencial. (Agências)


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As ações que a gente executa na ACSP, na maioria, são derivadas das comissões e dos conselhos. Rogério Amato, presidente da ACSP

olítica

Luiz Prado/Luz – 13/9/2011

ACSP cria dois novos conselhos: terceiro setor e ambiente. Com a iniciativa, a entidade amplia sua participação política e social. Mário Tonocchi

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A s s o c i a ç ã o C omercial de São Paulo (ACSP) vai ampliar sua participação política e social por intermédio de conselhos, com a implementação de dois novos fóruns de discussão e geração de propostas: o do terceiro setor e o socioambiental, voltado para o desenvolvimento sustentável. Para Rogério Amato, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), "os conselhos são muito importantes para a casa, pois eles são integrados pelo melhor que temos na inteligência paulista e do Brasil", afirmou. "Por isso, além de trazer enorme prestígio para a Associação, também dá uma contribuição efetiva, porque as ações que a gente executa na ACSP, na maioria, são derivadas das comissões e conselhos", disse o presidente da ACSP. O coordenador do Conselho Político e Social (Cops/ ACSP), o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM-SC), confirmou que o cronograma foi cumprido em 2011. "Seguimos as diretrizes da diretoria da Associação Comercial, procurando trazer aqui ilustres palestrantes", afirmou, acrescentando que "tivemos excelentes debates, com os mais variados temas que nos possibilitaram trazer uma colaboração efetiva aqui para a Associação Comercial". Segundo Bornhausen, "o encerramento foi coroado com a exposição do governador Geraldo Alckmin, que mostrou a pujança de São Paulo e a sua ação administrativa", observou o coordenador. O ano de 2011 começou no Cops com a palestra "A crise e os rumos do Brasil", proferida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Também passaram pela mesa o ex-governador José Serra, analisando o programa de investimentos do governo paulista, e o ministro Gilmar Mendes, com a palestra "A modernização do

Poder Judiciário". O ex-ministro Nelson Jobim debateu a segurança nacional e o prefeito Gilberto Kassab apresentou os desafios da administração municipal de São Paulo. Internacional - Para 2012, segundo Bornhausen, os trabalhos começam com a presença do ministro adjunto dos assuntos parlamentares de Portugal, Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas, que falará a respeito das privatizações que estão em andamento em seu país. "E também para que os empresários brasileiros possam acompanhar e, eventualmente, se interessar e participar dos leilões de privatização em 2012", comentou. O co-

Os conselhos são muito importantes para a casa, pois são integrados pelo melhor que temos na inteligência paulista e do Brasil. ROGÉRIO AMATO ordenador lembrou ainda que em 2011 o Cops recebeu o exprimeiro-ministro da Espanha José Maria Aznar. Bornhausen, que foi um dos grandes expoentes do Democratas (DEM), reafirmou que deixou definitivamente a política partidária e que, agora, vai se dedicar exclusivamente ao Cops na área política. Conselhos – Somados o Cops e os dois novos grupos que serão implantados em 2012, a ACSP tem 14 conselhos, além de dois comitês, um fórum de jovens empreendedores e a São Paulo Chamber of Commerce. O Conselho de Economia, criado em junho de 2009, tem atualmente a coordenação-geral do conselheiro Roberto Macedo. Sua orientação é acompanhar a implementação de políticas governamentais na área econômica,

para assessorar a presidência e a diretoria da ACSP no assunto. Criado no dia 23 de outubro de 1925, o Conselho de Câmaras Internacionais de Comércio é o mais antigo no quadro de conselhos da ACSP. Foi fundado com o nome de Conselho de Representantes das Câmaras de Comércio Estrangeiro de São Paulo. Tem como meta fazer a interlocução das câmaras com o governo e promover eventos junto com outras câmaras, como debates e missões comerciais. Atualmente não tem coordenador-geral. Outro grupo ainda sem coordenador é o Conselho Socioambiental. Nomes – Há ainda o Conselho Cívico e Cultural, coordenado por Francisco Giannoccaro, e o de Comércio Exterior, coordenado por Roberto Penteado de Camargo Ticoulat. Este conselheiro também comanda o Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras. Antonio Carlos Pela é o coordenador do Conselho de Política Urbana; José Maria Chapina Alcazar, do Conselho do Setor de Serviços; e Nelson Felipe Kheirallah coordena o Conselho do Varejo. O Conselho de Altos Estudos de Finanças e Tributação, coordenado por Luís Eduardo Schoueri, também acompanha as políticas governamentais da área, para formular propostas e sugestões vinculadas às diretrizes da ACSP. No Conselho da Mulher, a coordenadora é Marly Meirelles Breves Baruffaldi; no de Infraestrutura está Luiz Gonzaga Bertelli; e no de Terceiro Setor, a titular é Marília de Castro. O Comitê de Avaliação da Conjuntura é coordenado pelo vice-presidente Edy Luiz Kogut. E o Comitê dos Usuários dos Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo está sob o comando de José Cândido de Almeida Senna. Carolina de Castro coordena o Fórum de Empreendedores; e a São Paulo Chamber of Commerce tem Alfredo Cotait Neto e Luiz Roberto Gonçalves como coordenadores.

Rogério Amato, presidente da ACSP, cria novos conselhos; e Jorge Bornhausen confirma agenda para 2012. Chico Ferreira/Luz – 28/11/2011

Tivemos excelentes debates, com os mais variados temas que nos possibilitaram trazer uma colaboração efetiva aqui para a Associação Comercial de São Paulo. JORGE BORNHAUSEN

Andrei Bonamin/Luz

Mobilidade urbana é o maior problema de SP, diz Rodrigo Garcia. Candidato do DEM não descarta aliança com o PSDB Mário Tonocchi

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secretário estadual de Desenvolvimento Social e pré-candidato à prefeitura de São Paulo pelo Democratas (DEM) Rodrigo Garcia diz que sua missão é manter uma atuação forte do partido no território paulista, difundindo os ideais e as teses democratas e liberais, como a luta contra o aumento de impostos e contra a corrupção. Para Garcia, no entanto, uma coligação com o PSDB para a composição da chapa não pode ser descartada, já que a ligação entre os dois partidos é histórica. Em entrevista ao Diário do

Comércio, o pré-candidato diz que, apesar da divisão do partido, com a criação do PSD pelo prefeito Gilberto Kassab, o DEM continua vivo em São Paulo. Leia abaixo os principais trechos da entrevista. Diário do Comércio – Qual é sua grande preocupação em relação aos problemas da cidade e quais soluções o senhor apresenta para ela? Rodrigo Garcia – É a questão da mobilidade urbana. Acho que a prefeitura acerta ao fazer parcerias com o estado, investindo também no Metrô, mas acho que temos de executar nossos planos para o

Garcia apresenta seu currículo como um trunfo na disputa eleitoral

transporte público. A prefeitura precisa, sim, investir em corredores de ônibus, para que tenhamos uma melhor fluidez do tráfego. DC – O senhor crê que o Democratas vai conseguir manter sua candidatura? Garcia - Depois de tudo o que passamos, da saída do prefeito [com a criação do PSD, Gilberto Kassab levou consigo centenas de políticos e colaborado-

res do DEM], ainda nos mantemos fortes em São Paulo. Ainda somos o maior diretório do DEM no Brasil, instalado no estado paulista e na cidade de São Paulo. Temos mais de 60 prefeitos, 18 deputados estaduais, quatro deputados federais e dezenas de vereadores. É um diretório que, apesar das perdas, se manteve forte e enxerga atualmente um grande espaço para a candidatura, tanto no âmbito municipal como no estadual.

DC - Qual é a inspiração de sua DC - Porque o senhor acha candidatura? que pode comandar a cidade Garcia – O DEM, único parti- de São Paulo? Garcia - Tive várias expedo a que fui filiado em toda a minha vida, já governou São riências no Legislativo. Estou Paulo com o atual prefeito Gil- no meu quarto mandato coberto Kassab, que saiu do parti- mo deputado. Tive vários cardo por questões políticas. O gos relevantes no próprio Leque me foi pedido pelo presi- gislativo, como presidente da As se m b le i a dente nacioLegislativa nal do meu de São Paulo partido, senae como líder dor Agripino A prefeitura do meu parMaia, pelos líprecisa investir tido. No Exederes na Câcutivo, tammara Federal, em corredores de bém tive a deputado ônibus, para que oportuniACM Neto, e tenhamos uma dade de parn o S e n a d o, melhor fluidez do ticipar de váD emóstenes tráfego. rios cargos Torres, foi que públicos... tivéssemos RODRIGO GARCIA Fui secretáuma candidario da Desbutura própria, para justamente defendermos rocratização da cidade de São os ideais do Democratas. O par- Paulo, secretário de Gestão e tido defende muito os interes- agora secretário de Desenvolses da classe média. É o único vimento do Estado de São partido que tem combatido o Paulo. Toda essa vivência me aumento de impostos, que co- dá segurança para me candibra ética na política e ações datar. Também conheço bem contra a corrupção e aponta os nossa cidade, com meu trabalho na prefeitura. erros do governo federal.


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7 Agliberto Lima/DC

O INÍCIO O evento surgiu com os office-boys da ACSP, em 1992, quando resolveram soltar 100 balões em vez de jogar papéis picados pelas janelas do prédio, como era a tradição.

idades Lilo Clareto/LUZ

O espetáculo dos balões já é uma tradição no Centro Velho de São Paulo. Com o evento, a Associação Comercial de São Paulo homenageia o ano que se acaba e saúda o Ano Novo.

2012 chegou com festa e 60 mil balões Na tarde de sexta-feira, no Pátio do Colégio, ACSP voltou a saudar o Ano Novo com a soltura de balões coloridos. Desta vez foram 60 mil, todos biodegradáveis Fotos de Chico Ferreira/Luz

André de Almeida

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a última sexta-feira, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mais uma vez coloriu o céu da cidade com 60 mil balões biodegradáveis que comemoraram o término de 2011 e saudaram o início de 2012. O clima estava perfeito e uma multidão acompanhou a festa, que já virou tradição e é promovida pela entidade desde 1992 sempre no último dia útil do ano. As bexigas, biodegradáveis e cheias com gás hélio para não poluirem o meio ambiente, foram soltas no Pátio do Colégio, no Centro Velho de São Paulo, por volta das 12h30. Juntas, elas trouxeram a mensagem "Feliz 2012!", além de "ACSP" e "Facesp", referindo-se também à Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo. Na abertura da festividade, o padre Carlos Contieri agradeceu a presença de todos e pediu para que "os balões sejam o símbolo do nosso agradecimento a Deus por tudo o que foi recebido em 2011 e de nossa súplica para que em 2012 todos possamos nos empenhar para construir um mundo pautado pela justiça e paz". De acordo com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que abriu oficialmente a soltura dos balões, o evento traz consigo um importante simbolismo de encerramento do ano. "Por meio das bexigas gostaríamos de desejar a todos os paulistanos e brasileiros um feliz Ano Novo. Trata-se de uma tradição anual da ACSP muito relevante para a cidade", disse Gilberto Kassab. A importância da festa também foi ressaltada pelo economista e superintendente institucional da ACSP, Marcel Solimeo. Ele lembrou que o evento surgiu com os office-boys da entidade, em 1992, quando resolveram soltar 100 balões em vez de jogar papéis picados pelas janelas do prédio, como era tradição. Dessa forma, contribuíram para a preservação do meio ambiente. O número de bexigas foi aumentando anualmente. Em 1994, por exemplo, foram soltos cinco mil balões. Mas o melhor ainda estava por vir. Em 2008, ano em que a Associação Comercial comemorou 114 anos de existência, foram soltas 114 mil bexigas. A ação, inclusive, colocou a entidade no Livro dos Recordes, o Guinnes Book. "Estamos coroando um ano de muitas realizações e conquistas. As perspectivas para 2012 são as melhores possíveis. Nosso País está melhorando e, como trata-se de um ano eleitoral, esperamos que os brasileiros votem com consciência nas eleições", afirmou o superintendente geral da ACSP, Márcio Aranha.

O público aguardou a lões soltura dos ba fim o para celebrar a e de 2011 12 chegada de 20

Agliberto Lima/DC

No Pátio do Colégio, onde nasceu São Paulo, a expectativa er a grande

Os balões biodegradáveis coloriram mais uma vez o céu do Centro Velho da cidade, em tradicional festa realizada pela Associação Comercial de São Paulo. No Pátio do Colégio, o prefeito Gilberto Kassab; o superintendente geral da ACSP, Márcio Aranha; o padre Carlos Contieri e o superintendente institucional da ACSP, Marcel Solimeo.

12h30 Finalmente, às lões ba il os 60 m veis dá ra biodeg ndo da s, lto so foram ao as boas vindas Ano Novo


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A circulação dos passageiros e do transporte de cargas será restabelecida e esse era o principal objetivo. Gilberto Kassab

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Ayrton Vignola/AE

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Ayrton Vignola/AE

A operação de implosão do Edifício Moinho, no Bom Retiro, na região central de São Paulo, foi realizada às 17h30. Antes disso, prédios localizados num raio de 500 metros do epicentro da operação foram esvaziados e seus moradores só puderam voltar 30 minutos após os trabalhos.

Ayrton Vignola/AE

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Para a implosão do edifício, os técnicos contratados pela Prefeitura de São Paulo utilizaram cerca de 800 kg de dinamite. O prédio teve sua estrutura abalada pelo incêndio que destruiu a favela do Moinho, no dia 22 de dezembro. No acidente duas pessoas morreram e outras três ficaram feridas.

Adriano Lima/AE

A explosão da dinamite levantou uma densa nuvem de poeira que tomou parte do Bom Retiro, na área central da cidade. Desde o incêndio, os sistemas de trens entre as estações Luz e Barra Funda da linha 7Rubi e entre as estações de Barra Funda e Julio Prestes da linha 9-Diamante estavam interrompidos.

DURO NA QUEDA O

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Mesmo antes de a poeira baixar, os técnicos perceberam que parte da estrutura do edifício Moinho permaneceu de pé. Ontem à noite, o prefeito Gilberto Kassab disse que não esperava ver o prédio no chão e que o mais importante era o restabelecimento das linhas da CPTM, a partir de amanhã.

lhapress

Felix Lima/Fo

Edifício ao lado de favela incendiada cai parcialmente. Trens voltam a funcionar amanhã.

Edifício Moinho, atingido por um incêndio em dezembro, ao lado da favela do Moinho, em Campos Elíseos (região central), foi implodido parcialmente ontem, por volta das 17h30. Apesar da operação, no entanto, parte do imóvel permaneceu de pé. Dos seis andares do edifício, apenas dois foram eliminados. O restante da estrutura será demolida. Foram usados cerca de 800 kg de dinamite e os responsáveis pela implosão ainda não deram detalhes sobre os trabalhos. O prédio teve a estrutura abalada pelo fogo, no dia 22 do mês passado. Para a operação de implosão, ruas no entorno foram interditadas e moradores foram obrigados a

deixar suas casas, por medida de segurança. Na última sexta, a Prefeitura obteve uma ordem judicial para tomar posse do imóvel, o que permitiu à administração municipal dar início ao processo de demolição. Os barracos da favela do Moinho foram erguidos ao lado da linha de trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Desde o acidente, os sistemas entre as estações Luz e Barra Funda da linha 7-Rubi e entre as estações de Barra Funda e Julio Prestes da linha 9-Diamante estavam interrompidos. Mesmo com o sucesso parcial da implosão, a CPTM crê que os trens voltem a operar normalmente a partir de amanhã, tão logo seja efetuada a limpeza do local.

Em entrevista concedida na noite de ontem, o prefeito Gilberto Kassab disse que não esperava ver o prédio no chão. Ele afirmou que os objetivos da operação foram atingidos e que, agora, os trens da CPTM poderão voltar a circular. "A avaliação foi positiva. Os objetivos foram atingidos. A circulação dos passageiros e do transporte de cargas será restabelecida e esse era o principal objetivo", afirmou o prefeito Kassab. Nesse sentido, a Prefeitura de São Paulo reiterou as previsões da CPTM e informou que o transporte de passageiros será restabelecido amanhã e que o transporte de cargas na quinta-feira, com possibilidade de antecipação. Prédios localizados num raio de 500 metros do local da implo-

Parte da estrutura do prédio permaneceu de pé

são tiveram de ser desocupados duas horas antes. Os moradores só puderam voltar aos imóveis depois de meia hora da implosão. Desde as 15h de ontem, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) monitorava o

trânsito na região do Bom Retiro. Foram feitos bloqueios na região da favela, entre a linha da CPTM e as imediações da rua Anhaia, Rua Silva Pinto e alameda Eduardo Prado. O edifício estava desocupado

há mais de 30 anos. Sua estrutura era antiga e, segundo a Defesa Civil, ficou comprometida depois do incêndio. No incêndio de dezembro duas pessoas morreram e três ficaram feridas. (Agências)

Eduardo Anizelli/Folhapress

Volta do litoral foi lenta e prejudicada pela chuva

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Na Rodovia dos Imigrantes, a neblina, a chuva fina e o tráfego intenso exigiu atenção redobrada dos motoristas que voltavam à Capital

viagem com partida do litoral norte até a capital paulista levava, por volta das 17h de ontem, duas horas e um minuto, de acordo com o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) do Estado. Na Rodovia dos Tamoios, que liga Caraguatatuba a São José dos Campos, a chuva e a neblina em alguns trechos atrapalhavam os motoristas, que normalmente levariam 44 minutos para fazer a viagem. Na Rodovia Oswaldo Cruz, que liga Taubaté a Ubatuba, o trânsito era intenso no fim da tarde e havia pontos de lentidão e neblina no trecho de serra. Na Rodovia Dom Paulo Rolim Loureiro, entre Mogi das Cruzes e Bertioga, o trânsito era intenso no sentido Mogi, segundo o DER. O tempo estava chuvoso e havia trechos

isolados com neblina. Na Rodovia Rio-Santos, entre Ubatuba e São Sebastião, o tempo era instável e o trânsito estava intenso nos dois sentidos. Na Rodovia Manoel Hyppolito Rego, entre São Sebastião e Guarujá, havia chuva e o trânsito era lento entre os km 211 e 213 no sentido Guarujá. Apesar do tempo encoberto e das chuvas em pontos isolados, o tráfego era bom para os motoristas que viajavam do litoral sul em direção a São Paulo. A Ecovias, concessionária que administra o sistema Anchieta-Imigrantes, implantou a Operação Subida (subida pela rodovia dos Imigrantes e pela pista norte da rodovia Anchieta, descida por duas pistas da Anchieta). Para os motoristas que desciam a Serra do Mar, o tráfego era lento no km 43 da Anchieta devido a um acidente. (Agências)


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nternacional

JOGOS DE GUERRA Nunca antes na história deste país: Irã testa mísseis de médio alcance e barras de combustível nuclear. Fabricados por iranianos.

ontem, com sucesso, um míssil de médio alcance durante os exercícios navais na região. "Este míssil de alcance médio terra-ar está equipado com a mais moderna tecnologia de combate contra alvos com capacidade para evitar radares e sistemas inteligentes que tentam interferir na navegação dos mísseis", afirmou Moussavi. Segundo ele, esta foi a primeira vez que o Irã testou este tipo de míssil, que foi "projetado e fabricado no Irã." O Irã já possui sistemas de mísseis de longo alcance, incluindo o Shahab-3, que pode alcançar Israel e bases norteamericanas no Oriente Médio. Vara atômica - O Irã ainda se gabou ontem de outro feito: os cientistas do país conseguiram fabricar o combustível atômico, que contém urânio natural, e inseri-lo no reator nuclear de pesquisas de Teerã, disse a TV estatal iraniana. A vara de combustível nuclear exibida ontem é uma espécie de tubo que contém urânio enriquecido. Ela é a responsável por fornecer energia a reatores nucleares. "Essa grande conquista deixará o Ocidente perplexo, porque os países ocidentais contavam com um possível fracasso do Irã na produção de combus-

Até os árabes criticam monitores na Síria

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Fotos: Ebrahim Noroozi/Jamejamonline/AFP

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nabalado com a adoção de novas sanções contra seu programa nuclear, o Irã resolveu desafiar o Ocidente ontem ao lançar mísseis no Estreito de Ormuz e anunciar a produção da primeira barra de combustível nuclear do país, façanha de engenharia que as potências mundiais duvidavam que Teerã fosse capaz de realizar. E promete mais: para hoje, está prevista uma simulação de bloqueio do estratégico estreito, por onde passa cerca de 40% do petróleo do mundo. O teste de bloqueio faz parte das manobras navais que o Irã vem realizando nos últimos dias. "Segundo este teste tático o tráfego de qualquer tipo de embarcação pelo Estreito de Ormuz será impossível", disse o porta-voz militar, Mahmoud Moussavi, à agência Irna. O Irã ameaçou fechar esta via estratégica para o abastecimento de petróleo, por onde transita cerca de 40% do tráfego marítimo petroleiro mundial, em caso de novas sanções contra suas exportações do combustível. A ameaça aumentou a tensão entre o Irã e o Ocidente. A Quinta Frota dos EUA disse que não vai permitir nenhuma interrupção do tráfego na rota. Foguetes - As Forças Armadas iranianas ainda testaram

As Forças Armadas iranianas realizam exercícios navais no Estreito de Ormuz, rota estratégica do petróleo.

tível nuclear", disse o jornal iraniano Tehran Times. O anúncio foi feito depois que o Irã disse estar determinado a fabricar barras de combustível, uma vez que as sanções internacionais proibiram o país de comprá-las em mercados estrangeiros. O Ocidente teme que o programa de enriquecimento de urânio do Irã tenha o fim de fabricar armas atômicas, acusa-

ção negada por Teerã. Pressão - A resistência iraniana levou os EUA a aprovarem novas sanções contra contra o Banco Central iraniano no sábado passado. A União Europeia também estuda adotar punições mais severas até o final de janeiro. O governo iraniano minimizou o potencial impacto das sanções impostas pelos EUA, embora tenha reconhecido

que as medidas existentes contra a economia local já resultaram em altos custos. "Apesar das sanções elevarem os custos das transações... elas não têm efeito sobre o comportamento político do Irã", disse o presidente da Câmara de Comércio iraniano, Mohammad Nahavandian. "O Irã vai encontrar alternativas para atender a suas necessidades", acrescentou. (Agências)

O ADVERSÁRIO DE OBAMA

Partido Republicano dos EUA inicia amanhã corrida para decidir seu candidato presidencial para as eleições de novembro

Chip Somodevilla/AFP - 29/12/11

Scott Olson/AFP - 29/12/11

Jeff Haynes/Reuters - 30/12/11

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pós a ressaca de ano novo, os Estados Unidos se preparam para decidir quem disputará com Barack Obama as eleições presidenciais de 6 de novembro. Nesta terça-feira, o Partido Republicano dará início à escolha de seu candidato com as votações preliminares no Estado de Iowa. Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, é considerado o favorito, mas detém apenas uma pequena vantagem em relação aos demais concorrentes e pode perder a liderança caso os indecisos decidam votar contra a maré. Uma pesquisa realizada pelo jornal Des Moines Register entre terça-feira e sexta-feira passada mostrou que 24% dos que pretendem comparecer às urnas votarão em Romney. Em segundo lugar, está o deputado ultraliberal Ron Paul, com 22% das intenções de voto. O ex-senador da Pensilvânia Rick Santorum vem em seguida, com 15% do total. Cerca de 41% dos entrevistados, no entanto, disseram ainda estar indecisos e podem mudar de ideia. (Agências)

A largada: os pré-candidatos favoritos fazem campanha em Iowa. Na liderança está Mitt Romney (acima), mas Ron Paul (acima, à esq.) e Rick Santorum (à esq.) correm logo atrás. No entanto, o alto número de indecisos pode mudar o panorama eleitoral.

m órgão consultivo da Liga Árabe pediu ontem a retirada imediata de sua missão de observação na Síria, afirmando que ela acabou dando permissão a Damasco para encobrir a contínua violência e os abusos no país. O Parlamento Árabe, um comitê de 88 membros de delegados de cada um dos paísesmembros, disse que a violência ainda atinge muitos sírios. "O fato de isso ter acontecido na presença de observadores árabes enfureceu as pessoas e acabou contradizendo o propósito de se enviar uma missão", afirmou o presidente do Parlamento, Ali al-Salem al-Dekbas. "Isso dá ao regime sírio uma proteção árabe para que ele continue cometendo suas atitudes desumanas sob os olhos e ouvidos da Liga Árabe", opinou. Os comentários foram feitos enquanto a Liga Árabe se prepara para enviar uma nova equipe à Síria amanhã. "Cerca de 20 observadores se dirigirão para Damasco a partir da Arábia Saudita, Bahrein e Tunísia", afirmou Adnan al-Khodeir, diretor de operações da Liga. P o l ê mi c a - Uma primeira equipe de 50 monitores chegou à Síria na segunda-feira passada, como parte de um plano árabe endossado pela Síria que exige a saída do Exército do regime de Bashar al-Assad de cidades e distritos residenciais, a suspensão da violência contra civis e a libertação de pessoas detidas. Segundo ativistas sírios, mais de 150 pessoas foram mortas no país desde que os observadores da Liga Árabe começaram sua missão na semana passada. No total, 5.862 pessoas morreram desde que os protestos começaram em março, disseram os Comitês de Coordenação Local. Além disso, muitos ativistas pedem a demissão do chefe da missão, o general sudanês Mohamed Mustafa al-Dabi, que nos anos 1990 comandou a inteligência do Sudão e foi acusado de violações aos direitos humanos. Al-Dabi é partidário do ditador sudanês, Omar alBashir, procurado por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) na Holanda. O general também enfureceu alguns ativistas ao sugerir que ficou tranquilizado pelas suas primeiras impressões de Homs, um dos principais focos de conflitos. (Agências)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sábado, 31 de dezembro de 2011, domingo e segunda, 1 e 2 de janeiro de 2012

Ari Versiani/AFP

Casal comemora a chegada de 2012 na praia de Copacabana, Rio.

Zanone Fraissat/Folhapress

John Kolesidis/Reuters

Fogo de artifícios explodem por cima do Parthenon, em Atenas. Tobias Schwarz/Reuters

Sob chuva, cerca de 2 milhões de pessoas acompanharam a virada do ano na avenida Paulista, em São Paulo. Finbarr O'Reilly/Reuters

Portão de Brandemburgo: Réveillon em Berlim, na Alemanha.

Anp Robin Utrecht/AFP

Fogos iluminaram a roda gigante London Eye e o Big Ben.

Logo Logo

Mergulho de Ano Novo: 10 mil pessoas entraram no mar, na Holanda.

Banana Sam foi levado de volta são e salvo para o Zoológico de São Francisco (EUA), no sábado à noite, dois dias depois de ter sido roubado do local. O macaco-esquilo chegou a ganhar um perfil no Twitter em que narrava suas aventuras pela cidade.

www.dcomercio.com.br

I NCÊNDIO J ORNALISTA

R ALI DACAR

Torres del 'Fuego'

Daniel Piza é enterrado em SP

T RÂNSITO

Mãe e bebê morrem em batida

ocorrido durante uma entrevista à rádio do exército israelense. "É importante que eu diga que não fui eu. Eles colocaram a culpa em mim", disse. Caso seja condenado, Singer pode ser obrigado a pagar uma

multa e a permanecer de 41 a 60 dias na prisão, embora a lei chilena permita que sentenças curtas sejam cumpridas em regime aberto, desde que a pessoa apareça regularmente para prestar contas às autoridades. (AE)

C A R T A Z

A TÉ LOGO

O argentino Jorge Marínez Boero, 38, morreu no primeiro dia de Rali Dacar. O piloto de moto sofreu um acidente na metade da primeira etapa, entre Mar del Plata e Santa Rosa, na Argentina. O piloto ainda foi socorrido e levado de helicóptero ao hospital, mas não resistiu ao traumatismo no tórax e a uma parada cardíaca. Esta era a segunda participação de Boero na prova. Em 2011, ele também sofreu um acidente e demorou oito horas para ser resgatado. Esta é a 62ª morte no Dacar, iniciado em 1979. Desde 2009, por motivos de segurança, a prova deixou de ser disputada entre a Europa e a África e se transferiu para a América do Sul. Este ano, a largada foi na Argentina e a chegada é no Peru. M EGA SENA DA VIRADA

88 mi de apostas, 5 novos milionários.

Mostra Matéria dos Sonhos exibe gravuras de Marcello Grassmann. Espaço Cultural Citi. Av. Paulista, 1111, térreo, tel.: 4009-3000. Grátis. Acesse www.dcomercio.com.br para ler a íntegra das notícias abaixo:

Grupo tenta arrombar caixa eletrônico durante queima de fogos em São Paulo

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Embrapa desenvolve bebida instantânea para quem evita produtos lácteos

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também estava no carro no momento do acidente, foi hospitalizado em estado de choque. A filha do casal, de 8 anos, e uma sobrinha não tiveram ferimentos graves. O condutor do outro automóvel, Carlos Alberto de Souza Dias, de 29 anos, foi levado para o prontosocorro Santa Cruz. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), ele apresentava sinais de embriaguez. No carro dele foram encontradas latas e garrafas de bebidas alcoólicas. A Polícia Militar disse que após o atendimento médico, ele foi encaminhado ao 16º DP, na Vila Clementino, onde o caso foi registrado. Além dele, havia outras duas pessoas dentro do carro. Nenhuma delas se feriu. O motorista do Peugeot será indiciado sob suspeita de embriaguez ao volante, homicídio doloso, lesão corporal e lesão corporal grave. (Agências)

Cerca de 12,5 mil hectares já foram queimados em parque no Chile

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O bebê que nasceu em um parto de emergência após um acidente de trânsito no bairro Jardim da Saúde, na zona sul de São Paulo, morreu na tarde de ontem. Segundo o Hospital São Paulo, onde a criança estava internada desde a madrugada, o recém-nascido estava na Unidade de Terapia Intensiva neonatal em estado grave. A mãe do bebê, Lilian Maria dos Santos, de 30 anos, estava grávida de sete meses e morreu no acidente. A colisão aconteceu por volta da 1h20. Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), um Peugeot seguia pela Professor Abraão de Morais quando bateu no Fiat Idea, onde estava Lilian, no cruzamento com a avenida Bosque da Saúde. Lilian foi socorrida ao prontosocorro São Paulo, onde foi realizada uma cesária de emergência. O marido dela, que

E M

GRASSMANN

Herman Melville e Henry James e organizou seis outros, nas áreas de jornalismo cultural e literatura brasileira. Fez também os roteiros dos documentários São Paulo – Retratos do Mundo e Um Paraíso Perdido – Amazônia de Euclides. Daniel Piza deixa mulher, Renata Gonçalves Piza, e três filhos.

ministro de Interior do Chile, Rodrigo Hinzpeter, divulgou que os bombeiros do país estão conseguindo conter o avanço de um incêndio que atinge o parque nacional Torres del Paine desde terça-feira. Três das seis áreas em chamas foram controladas, mas cerca de 12,5 mil hectares já foram queimados. Mais de 500 bombeiros trabalham no combate às chamas. As autoridades do país acusam o israelense Rotem Singer, de 23 anos, de ter iniciado o incêndio, afirmando que ele não teria extinguido completamente uma fogueira num acampamento. Hoje, ele negou responsabilidade pelo

Francisco Quiroz/AFP

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Paulo Giandalia/AE

O corpo do jornalista Daniel Piza foi enterrado ontem no Cemitério de Congonhas, em São Paulo. Piza, de 41 anos, morreu na noite de sextafeira após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Ele estava em Gonçalves (MG), onde passava as festas de fim de ano com a família. Chegou a ser socorrido pelo pai, que é médico, mas não resistiu. Paulistano e corintiano fanático, Piza era colunista do jornal O Estado de S. Paulo, onde começou a carreira em 1991. Escrevia aos domingos no Caderno 2 e, desde 2004, assinava também uma coluna sobre futebol, além de manter um blog no portal estadão.com.br. Advogado, formado no Largo de São Francisco, era escritor, com 17 livros publicados, entre eles Jornalismo Cultural (2003), Aforismos sem Juízo (2008) e os contos de Noites Urbanas (2010). Traduziu títulos de autores como

Acidente mata piloto argentino

Proposta cria banco nacional de DNA para investigação de crimes violentos

A Caixa divulgou na noite de sábado os números do concurso número 1350, da Mega Sena da Virada. As dezenas sorteadas foram: 03, 04, 29, 36, 45 e 55. O prêmio, de R$ 177,6 milhões, superou as expectativas. Cinco vencedores de cinco Estados diferentes dividirão o prêmio recorde, levando cerca de R$ 35 milhões cada. De acordo com a Caixa, 88 milhões de bilhetes foram vendidos. Os R$ 177,6 milhões, se aplicados em uma poupança, renderiam cerca de R$ 35 mil por dia. Segundo a Caixa, as apostas vencedoras são de Russas, no Ceará, Mauá, em São Paulo, Belém, no Pará, Carmo do Cajuru, em Minas Gerais, e Brasília, no Distrito Federal. Outras 954 apostas acertaram 5 dezenas na Mega da Virada. O prêmio para a quina é de R$ 33.711,30. Para as 85.852 apostas que acertaram 4 dezenas, o prêmio é de R$ 536,83.


e CAIXA 1 conomia

O seu consultor financeiro

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sábado 31 de dezembro de 2011, domingo e segunda, 1 e 2 de janeiro de 2012

Com forte queda de 18,11% – a terceira maior desde o início do Plano Real – Ibovespa perdeu até da poupança em 2011. Mas essa desvalorização expressiva pode facilitar a recuperação dos papéis de empresas no Brasil. Tudo vai depender do desenrolar da crise na Europa, que ainda deve provocar muita volatilidade nos mercados ao longo dos próximos meses.

KARINA LIGNELLI

Será que a bolsa

VOLTA A SUBIR NESTE ANO? O

ano de 2011 foi muito ruim para o investidor em ações, mas exatamente por causa da baixa expressiva de 18,11% registrada nos últimos 12 meses existe a expectativa de recuperação ao longo de 2012, afirmam analistas de mercado. A bolsa brasileira teve a terceira maior queda anual desde o início do Plano Real. Entre as principais aplicações financeiras, o Ibovespa foi o único a perder para a inflação de 2011 (leia mais em texto nesta página), ficando atrás até da caderneta de poupança. O administrador de investimentos Fabio Colombo não descarta, no entanto, a manutenção da volatilidade, em especial nos primeiros seis meses do ano. Há diversas projeções para a alta do índice, mas parte do mercado aposta em um número em torno de 70.000 pontos, o que representa uma valorização de pouco mais de 20% em relação ao fechamento de 2011. A melhora do Ibovespa, observa Colombo, depende de alguns fatores fundamentais. "Entre eles está a solução para a crise fiscal e a dívida soberana dos países europeus, as projeções sobre desaceleração da economia europeia e suas consequências, dados reais sobre crescimento das economias da China, dos Estados Unidos, da Europa e do Japão e o preço das commodities agrícolas e minerais para países emergentes", enumera o especialista. O economista-chefe da Corretora Souza Barros, Clodoir Vieira,

70 mil pontos é a projeção de analistas para o Ibovespa no fim de 2012, alta de 20% em relação ao fechamento de 2011.

Como este ano é de eleições, a presidente Dilma vai fazer de tudo para aquecer a economia. CLODOIR VIEIRA, DA SOUZA BARROS

tem opinião semelhante. Para ele, mesmo com perspectivas boas de retomada da economia mundial no segundo semestre, os primeiros seis meses serão difíceis e "de muitos ajustes" para os mercados financeiros. Isso porque a situação europeia não está bem resolvida – principalmente na zona do euro. "Mas para que a retomada no

segundo semestre aconteça, as autoridades deveriam tomar algumas atitudes o quanto antes, como criar um fundo especial voltado para a Europa, fazer um pacto fiscal com governantes locais e aumentar recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a região. O que temos visto são intenções de fazer algo. Só que de intenções o investidor está cheio", afirma.

Mercado interno em destaque No caso do Brasil, o nível de crescimento, a política de redução de juros do governo e o aumento da inflação também serão determinantes para o desempenho do mercado, destaca Colombo. "Mas as aplicações deverão proporcionar juro real na faixa de 3% a 5% ao ano, consi-

derados bem baixos para o padrão histórico do País." Mesmo assim, o investidor brasileiro que se voltar para a economia interna pode ter bons rendimentos em 2012, lembra Vieira. "Os estrangeiros estão de olho no Brasil desde 2008, época do auge da crise financeira. Mas

nós saímos do risco. Como este ano é de eleições, a presidente Dilma Rousseff vai fazer de tudo para aquecer a economia e não deixar a peteca cair", diz. O ano de 2011 começou com um otimismo que levou os analistas a estimarem Ibovespa de 85 mil pontos no fim do ano

(o indicador terminou o período em 56.754 pontos), mas o agravamento da crise europeia pegou muitos de surpresa. "A bolsa brasileira apresentava alta probabilidade de mau resultado, em função da fortíssima alta em 2009 (82,66%) e da estabilidade em 2010 (1,04%), como de fato ocorreu", observa Colombo. "As projeções estavam muito elevadas. Duvido que alguém tenha acertado", diz. De qualquer maneira, 2011 foi um ano difícil para as previsões econômicas. Os analistas erraram prognósticos para muitas variáveis – casos da taxa básica de juros (projetada em 12,2% ao ano para dezembro, ficou em 11%), do dólar (de R$ 1,76 para R$ 1,87), entre outras. Mas nem todos perderem dinheiro na bolsa no ano passado. Segundo Vieira, quem comprou ações de empresas que são boas pagadoras de dividendos – como Eletrobras, Cielo, Redecard e Ambev, por exemplo – tiveram excelentes retornos. "Em vista do cenário, o mercado interno foi o melhor para investir."

EM ANO TURBULENTO, OURO FOI O DESTAQUE. A bolsa decepcionou, mas os outros investimentos tiveram resultados bastante positivos no ano passado, gerando boas expectativas para 2012, afirma o administrador de investimentos Fabio Colombo. O ouro, que fechou em alta de 16,46%, variação próxima às do dólar (12,62%) e do euro (9,59%), pode ser,

em alguns casos, uma opção conservadora atraente para diversificação de carteira em 2012. "Como é usual em momentos de crise, a cotação do metal tende a se valorizar no exterior", diz. Os fundos cambiais (de dólar e de euro), segundo ele, podem ser boas opções para variar as aplicações, pois fun-

cionam como seguro de parte do patrimônio caso a crise volte e o pessimismo se instale, diz. "Dependendo do perfil do investidor, manter de 10% a 20% nesses investimentos é per feitamente aceitável", destaca. Já os fundos DI terão desempenho mediano, com juro real bruto entre 3% e 5%

dependendo do conservadorismo da política econômica do governo, avalia Colombo. "Assim como os fundos de Renda Fixa, que dependem da política de juros do Banco Central e participação de títulos prefixados nas carteiras", afirma Colombo. A poupança, que fechou o ano de 2011 com rendimento

líquido de 7,45%, ficará cada vez mais competitiva em 2012 em relação aos fundos DI, com a continuidade da política de redução da taxa básica de juros (Selic). Títulos indexados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou ao Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) também continua-

rão sendo opções interessantes de longo prazo, pois rendem entre 4% e 6% ao ano. "Já os investimentos em imóveis comerciais para locação, com a queda da taxa de juros, ainda se tornam atrativos como alternativa para aplicadores conservadores e moderados", acrescenta o administrador. (KL)


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R$ 622,00

sábado, 31 de dezembro de 2011, domingo e segunda, 1 e 2 de janeiro de 2012


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, 31 de dezembro de 2011, domingo e segunda, 1 e 2 de janeiro de 2012

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Quis ajudar a criar uma literatura acessível ao estrangeiro que não é familiarizado com a área tributária e a legislação brasileiras. David Roberto R. Soares da Silva, advogado e escritor

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País é 2º melhor mercado para negócios com imóvel comercial

Guia para estrangeiros sobre impostos do Brasil

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Livro do advogado David Roberto R. Soares da Silva busca explicar para os investidores do exterior como funciona a complicada legislação tributária brasileira

stabilidade econômica, classe média emergente, sede de grandes eventos esportivos como Copa e a Olimpíada... Por esses e outros motivos o Brasil vem se tornando, cada vez mais, o destino certo para empresas estrangeiras. Por outro lado, a complexidade da legislação tributária deixa inseguros ou até mesmo afasta investidores que pretendem fazer negócios no País. Baseado em sua experiência de 16 anos com clientes internacionais, o advogado especialista em direito tributário David Roberto R. Soares da Silva acaba de lançar Brasil Tax Guide for Foreigners, ou algo como Guia Tributário do Brasil para Estrangeiros (2011, Editora Eskalab, SP, 356 páginas). Apenas com versão em inglês e à venda na Amazon.com e no site da publicação, o livro é uma forma de "explicar para a gringolândia a bagunça do sistema tributário no Brasil", segundo brinca o especialista. Como exemplo das diferenças, destaca-se os Estados Unidos, onde só existe o Salestax (ou Imposto sobre Vendas). Ou a Europa, onde há só o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). "Aí, em vez de um, o estrangeiro chega aqui e encontra IPI, PIS, Cofins... Enfim, um tributo diferente para cada tipo de atividade. Já o IVA, que é parecido com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), se diferencia porque se aplica a qualquer tipo de operação. Sem contar que lá não existe a tal guerra fiscal", disse. Além de explicar a hierarquia

Divulgação

Karina Lignelli das normas tributárias, o livro procura traduzir e esclarecer de forma simples as siglas mais comuns dos impostos brasileiros, como IRPJ, IPTU, ISS, IPVA e outros, e como se interpõem. Aborda também questões como quebra de sigilo bancário, conflitos entre leis brasileiras e internacionais e a já citada guerra fiscal, assim como informa regras

para empréstimos, registro de capital estrangeiro para investimento direto e para mercados financeiro e brasileiro de capitais. Palestrante há mais de 15 anos em direito tributário e investimentos estrangeiros no Brasil e no exterior, Silva, que também escreve semanalmente para revistas norteamericanas sobre impostos, tem mais de 1,2 mil artigos publicados sobre o tema. "Quis ajudar a criar uma literatura acessível ao estrangeiro que não é familiarizado com a área tributária nem a legislação brasileira. E que não fosse exaustivo, para explicar de forma objetiva como funcionam os impostos." Baixo risco – Projeção da Sociedade Brasileira de Estudos e Empresas Transnacionais (Sobeet) aponta que, hoje, o Brasil

A obra é uma forma de explicar para a 'gringolândia' a bagunça do sistema tributário no Brasil. DAVID ROBERTO R. SOARES DA SILVA, AUTOR DO GUIA

atrai 5% do fluxo global de investimentos produtivos. Isso porque há baixo risco para entrada de capital estrangeiro em comparação com outras economias, afirma Silva, que também é sócio do escritório Batella, Lasmar e Silva Advogados. "O Brasil vive um momento bom, tem moeda forte e projetos em andamento. E saber como funcionam os impostos é essencial para os novos investidores." Ao comentar a alta carga tributária registrada pelo Impostômetro, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Silva afirma que, mais do que o valor dos impostos, o que mais assusta o investidor estrangeiro é a complexidade das operações tributárias e obrigações acessórias (declarações federais, estaduais e municipais). "Muitas vezes, o empresário incorre em multas por desconhecimento, já que o custo de manter essas obrigações é alto." Se, por um lado, ele se recorda de um caso concreto – um cliente seu da área de tecnologia, que desistiu de fixar atividades por aqui em menos de um ano devido à complexidade tributária para desenvolver suas operações –, Silva cita outros que estão de olho no Brasil. Como uma empresa espanhola, que considera o País "a salvação dos negócios", estagnados na Europa, e uma outra, finlandesa, para quem o Brasil é a prioridade número um. "Entre os quatro Brics (o bloco formado pelos emergentes Brasil, Rússia, Índia e China), por exemplo, somos os mais próximos da cultura e da economia ocidental. Além de uma das poucas opções onde é menos arriscado investir", afirmou.

s Estados Unidos continuarão sendo a primeira escolha da maioria dos investidores do setor de imóveis comerciais em 2012, mas o país perdeu espaço para o Brasil, que se tornou o número dois, segundo pesquisa divulgada ontem. Os imóveis comerciais no Brasil, com sua economia efervescente e seu ambiente mais seguro de investimentos, se tornaram um ponto chamativo para investidores globais, segundo a 20º pesquisa anual dos membros da Associação de Investidores Estrangeiros em Imóveis (Afire, na sigla em inglês). São Paulo saltou da vigésima sexta melhor cidade para investir em imóveis no ano passado para a quarta em 2012. Os EUA perderam espaço para o Brasil, com 18,6% dos entrevistados afirmando que o mercado imobiliário brasileiro oferece a melhor oportunidade de valorização para seus investimentos em dólares. China – Isso representa uma alta de 14,2 pontos percentuais, levando o Brasil da quarta para a segunda posição e fazendo a China cair para o terceiro lugar, mostrou a pesquisa. Embora os EUA sejam a opção mais estável e segura em imóveis comerciais, investidores afirmaram que um aumento dos aluguéis e o crescimento da taxa de ocupação, assim como o fato de um imposto de 1980 sobre investimentos estrangeiros ter sido evitado, terão impacto mais significativo sobre suas decisões, diz o resultado da pesquisa. A pesquisa destaca que os EUA ainda são muito almejados e foram o segundo país, depois da Grã-Bretanha, a atrair mais investimentos estrangeiros em 2011, segundo dados preliminares da Real Capital Analytics. Valorização – "O ponto baixo é que o país não promete muita valorização de capital, pois os maiores mercados já estão com preços altos", disse o presidente-executivo da Afire, James Fetgatter. "Mas, de nenhuma forma, o Brasil substituirá os Estados Unidos, pelo menos não em um futuro previsível. O Brasil é considerado agora um lugar mais seguro para investir, onde você pode ter capital valorizado a um bom rendimento". Os participantes da pesquisa da Afire detém mais de US$ 874 bilhões em imóveis no mundo, incluindo US$ 338 bilhões no mercado dos EUA. Cerca de 42,2 % dos entrevistados pela pesquisa afirmaram que os EUA oferecerão a melhor oportunidade de investimento em 2012, uma queda em relação aos 64,7 % registrados na pesquisa do ano passado. (Reuters)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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e Incertezas marcam o aniversário do euro Começamos 2012 com perspectivas muito difíceis para a zona do euro, com a possibilidade crescente de que países deixem o bloco. Peter Sands, presidente-executivo do banco Standard Chartered

conomia

Comemoração dos dez anos da introdução da moeda comum na Europa é abalada pela crise econômica, e tem pedidos de austeridade aos países do bloco.

O

décimo aniversário de introdução do euro, comemorado ontem, foi marcado por pedidos dos formuladores de políticas da Europa para que os governos do bloco monetário façam economias e consolidem suas finanças para superar a crise da dívida. Embora o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, tenha afirmado que o euro é uma "clara história de sucesso" e prometido que a moeda permanecerá estável, ele também incitou os Estadosmembros deficitários a seguir um duro percurso de poupança em 2012, aumentar sua competitividade e trabalhar para reconquistar a confiança do mercado. "Isso não é uma crise do euro, mas uma crise de dívida em alguns membros do bloco", disse Schaeuble ao jornal alemão Bild. A crise começou na Grécia há mais de dois anos e, desde então, forçou Irlanda e Portugal a buscarem resgates. Agora, ela ameaça os esforços da terceira maior economia do bloco, a Itália, de levantar 450 bilhões de euros (US$ 580 bilhões) para financiar sua dívida neste ano. O presidente-executivo do banco Standard Chartered, Peter Sands, disse a um jornal inglês que líderes políticos ainda precisam oferecer uma solução significativa para a crise. "Começamos 2012 com perspectivas muito difíceis para a zona do euro... com uma possibilidade crescente de que países deixem o bloco", disse Sands ao Sunday Telegraph. Superação – A própria chanceler da Alemanha, Angela Merkel, alertou que 2012 será mais difícil que 2011 e que a Europa ainda tem um longo caminho a percorrer na superação da crise. "A Europa passa pelo mais duro teste em décadas", disse Merkel. "Sem dúvida, 2012 será pior."

Kai Pfaffenbach/Reuters

Os primeiros dias: festa de lançamento da moeda na cidade de Frankfurt, em 17 de dezembro de 2001. Odd Andersen/Reuters

Charles Platiau/Reuters

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel: arquiteta da estratégia de recuperação.

Na Itália, o presidente Giorgio Napolitano pediu sacrifícios. "Ninguém pode se esquivar hoje em dia de sua responsabilidade de contri-

buir para por as contas públicas em ordem e evitar o colapso financeiro da Itália", disse Napolitano em um pronunciamento transmitido por re-

O presidente da França, Nicolas Sarkozy: o fim do euro seria o fim da Europa.

des de televisão no sábado. "É difícil reconquistar credibilidade após tanto terreno perdido, e os títulos de nossa dívida – apesar de alguns si-

nais encorajadores nos últimos dias – permanecem sob ataque nos mercados financeiros", disse o presidente. Na França, o presidente do

Conselho Executivo do Banco Central Europeu, Christian Noyer, defendeu a união monetária, afirmando que o euro ainda pode se tornar a principal moeda do mundo caso os líderes do bloco de 17 Estadosmembros tenham sucesso em reforçar a integração fiscal. Novo tratado – Líderes da União Europeia (UE) concordaram em realizar uma cúpula de emergência em 9 de dezembro para esboçar um novo tratado para maior união econômica. A Grã-Bretanha foi o único país entre os 27 membros da UE a se recusar a participar da iniciativa. "Se implementarmos todas as decisões tomadas na cúpula em Bruxelas, sairemos mais fortes", disse Noyer em um artigo para o Journal du Dimanche marcando o aniversário do euro. As notas e moedas do euro foram introduzidas em 2002, três anos após começarem a ser negociadas eletronicamente. Imposto – O presidente da França, Nicolas Sarkozy, voltou a defender no último sábado a necessidade de criar um imposto sobre transações financeiras para fazer com que os participantes do mercado paguem por seu papel na atual crise de dívida soberana da zona do euro. "Precisamos fazer com que os participantes do sistema financeiro consertem o dano causado por eles. Isso é uma questão de eficácia. É uma questão de moral", afirmou Sarkozy durante sua saudação de fim de ano ao povo da França. Ele já havia defendido sua ideia de um imposto sobre transações financeiras e propôs sua implementação em toda a União Europeia, mas ainda não conseguiu convencer todos os parceiros. Sarkozy informou que seu governo vai tomar "importantes decisões" no final de janeiro para expandir o crescimento do país e sua competitividade de forma a reduzir o desemprego. (Agências)

Moeda foi adotada por 17 países

O

aniversário da moeda comum europeia em nada lembra a euforia que tomou conta dos governos e das pessoas no dia 31 de dezembro de 2001, quando foi lançado o euro, com 14,9 bilhões de notas e 52 bilhões de moedas, introduzidas de um dia para outro, em 12 países. De qualquer forma, será emitida uma moeda comemorativa, a partir de hoje nos 17 países que integram no momento a zona do euro. No último dia de cotações cambiais de 2011, a sexta-feira 30 de dezembro, porém, o euro esteve pela primeira vez em muito tempo abaixo dos 100 ienes japoneses e a US$ 1,29 dólar norte-americano. Doloroso presente de aniversário. Em Frankfurt, o Banco Central Europeu (BCE) divulgou ontem em seu site um vídeo para recordar os benefí-

cios do euro que, "durante a década passada, foi símbolo de integração e cooperação", segundo o presidente do BCE, Mario Draghi. "Apesar dos desafios que a Europa e o mundo enfrentam atualmente, os cidadãos europeus podem estar certos de que o BCE continuará fiel a sua atribuição de manter a estabilidade dos preços", afirmou Draghi. As empresas foram as primeiras a destacar os benefícios do euro, sobretudo na Alemanha. A poderosa indústria automotiva economiza entre 300 e 500 milhões de euros nos gastos de transações devido à entrada em vigor da moeda única, segundo Jurgen Pieper, analista do banco alemão Metzler. Hoje, a zona do euro abrange 332 milhões de pessoas em 17 países.

Grécia – Foi a economia da Grécia que primeiro sinalizou, em 2010, os problemas que ameaçam o euro: a crise da dívida pública. No período de dois anos, a dívida de 12 dos 17 países do euro encareceu e, além dos casos extremos de Grécia e Itália, a situação afeta seriamente a Espanha, país que também está pagando a taxa de juros mais alta para bônus a dez anos desde que o euro foi adotado. A crise derrubou governantes poderosos como o ex-primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi, que teve de renunciar no final de 2011 e foi substituído por Mario Monti. Segundo analistas, o fim do euro seria uma catástrofe para os bancos europeus e faria com que, por sua vez, a inflação e o desemprego disparassem nos países do bloco. "O fim do euro seria o fim da Europa", advertiu o presidente francês, Nicolas Sarkozy. (Agências)

Vez da Dinamarca defender a UE

Embraer vende para os EUA

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fabricante brasileira de aeronaves Embraer vai fornecer o avião A-29 Super Tucano para a Força Aérea dos Estados Unidos, em um contrato no valor de US$ 355 milhões, informou a companhia em um comunicado no final da sexta-feira. Vinte aeronaves serão fornecidas, assim como apoio terrestre para treinamento de pilotos, manutenção e outros serviços requeridos. "Nosso compromisso é avançar com a estratégia de investimentos nos Estados Unidos e entregar o Super Tucano no prazo e conforme o orçamento contratados", disse o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar, em comunicado da companhia. As aeronaves serão fornecidas em parceria com a norte-americana Sierra Nevada Corporation (SNC) e serão utilizadas para treinamento avançado em voo, reconhecimento e operações de apoio aéreo. O A-29 Super Tucano foi projetado para missões contra insurgência e atualmente é empregado por seis forças aéreas e possui encomendas de outras, de acordo com a Embraer. (Reuters)

inamarca, país que não faz parte da zona do euro, assumiu ontem a presidência rotatória da União Europeia (UE) reunindo esforços para superar a crise na região e conseguir o consenso entre os estadosmembros. Embora a capacidade de ação da Dinamarca seja limitada, os próximos seis meses serão dedicados para "unir os países que estão dentro e fora da zona do euro", afirmou recentemente o ministro dinamarquês para Assuntos Europeus, Nikolai Wammen. "O trabalho da presidência dinamarquesa será reforçar a UE por meio de resultados concretos. E vamos demonstrar aos cidadãos o valor e a necessidade de uma cooperação europeia. Temos que sair da crise e precisamos fazer isso juntos", anunciou o recém criado site da presidência. Esta será a sétima ocasião na qual o país escandinavo assumirá o comando da UE. Em 11 de janeiro, comissários europeus viajarão para Copenhague para conversar sobre as prioridades dos próximos meses. (Reuters)

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sábado, 31 de dezembro de 2011, domingo e segunda, 1 e 2 de janeiro de 2012

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15 A grande vantagem é o baixo custo da vitrine virtual. Arnaldo Korn, do Pagamento Já

conomia Fotos Paulo Pampolin/Hype

E-commerce é forte filão para pequenas Crescem oportunidades de vendas online para micro e pequenas empresas Karina Lignelli

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stimativa da consultoria e-bit aponta que o comércio eletrônico faturou R$ 18,7 bilhões no ano de 2011 – número 26% maior do que o de 2010. Se é fato que os consumidores foram conquistados pela facilidade, comodidade e conforto de comprar pela internet, especialistas garantem: o micro, pequeno ou médio empresário que apostar no e-commerce e na visibilidade da sua marca nas redes sociais encontrará grandes oportunidades para alavancar os negócios. "É um mercado que cresce em torno de 30%, 40% ao ano. Não dá para desmerecê-lo", diz Othavio Parisi, superintendente comercial da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Além das iniciativas para impulsionar o segmento na internet – como o Ciclo mpe.net, realizado pela Câmara e-Net, ferramenta de inclusão das MPEs no comércio eletrônico, e a ACSP Shop, plataforma da associação destinada à hospedagem de lojas virtuais de seus associados -, ferramentas de e-commerce focadas nas redes sociais são fundamentais para entrar definitivamente nesse universo e ganhar dinheiro. Arnaldo Korn, diretor-presidente do portal Pagamento Já, lembra que, além de dominar novas formas de marketing e propaganda, as redes sociais adquiriram um caráter de ecommerce livre. Promoções de livros, CDs, DVDs e jogos no Twitter, assim como fanpages no Facebook, dominam o mercado de compras online. "É o 'Facecommerce' da internet, ou o 'Twitcommerce' do planeta, em que o consumidor não precisa sair da página para comprar o que quiser. E a grande vantagem para quem vende é o baixo custo da vitrine virtual", destaca. Rede social – Para reforçar a ideia, Gerson Rolim, coordenador de comitês da Câmara eNet, destaca o lançamento da plataforma de comércio eletrônico do Facebook em janeiro quando efetivamente surgiu o conceito do "social commerce" – e sua entrada no Brasil em novembro. "Hoje é possível vender pelas redes sociais ou montar uma loja dentro do Facebook, que já passou de 800 milhões de usuários no mundo. Vale lembrar

que são nas comunidades virtuais que nichos de consumidores se encontram, baseados em interesses comuns. Ou seja: o social commerce é mais que tendência, é realidade." Pé direito - Entrar é fácil, mas fazer os negócios ficarem cada vez mais promissores na internet, contando com a força das redes sociais, requer muito mais dos micro e pequenos empresários. "A loja virtual não tem fachada, como a loja física. Quem não aparece no Google ou no Facebook não existe. É essencial planejamento offline e online para entrar com pé direito, ou não há como fazer sucesso na área",

O comércio eletrônico cresce em torno de 30%, 40% ao ano. Não dá para desmerecê-lo. OTHAVIO PARISI, SUPERINTENDENTE COMERCIAL DA ACSP

alerta Rolim, da Câmara e-Net. Entre os pilares essenciais que as MPEs têm que se apoiar para aproveitar as oportunidades na internet, a reserva de orçamento específico para o negócio virtual e o desenvolvimento de ferramentas de web marketing são fundamentais. Explorar nichos de mercado, focando o trabalho dentro de seu segmento, é a dica de Othavio Parisi, da ACSP. Segundo ele, isso evita concorrência grande e ajuda a se posicionar nas buscas como a melhor loja, com produtos que só existem lá. "Mas é preciso ficar atento para não misturar a administração da loja virtual com a da loja física: tudo tem que ser diferente. Ou não dá para atender bem nenhum dos públicos", ensina. Outra vantagem de entrar na

web, segundo Rolim, é a possibilidade dos MPEs de entregarem produtos personalizados a um preço compatível. "É uma demanda que grandes empresas não possuem flexibilidade para atender", explica. Lo gís tic a – Criar logística adequada para entrega de produtos, com pelo menos duas operadoras para não frustrar expectativas dos clientes, além de um sistema de pagamento por cartão de crédito seguro que minimize fraudes são outros pontos que merecem destaque. "O e-consumidor é muito exigente. E o empreendedor que não se ater a esse fato tem vida curta na internet. O que mais pesa é prazo de entrega: cumpra ou surpreenda, entregue antes. Caso contrário, adeus cliente", alerta Rolim. A implantação de um SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) é fundamental para os MPEs, não só para as gigantes do varejo virtual. "Isso ajuda e ter segurança e concretizar o negócio", completa Parisi. Fo rm al id ade – Arnaldo Korn, do portal Pagamento Já, chama a atenção para a importância de manter sua empresa virtual sempre legalizada e longe da informalidade. De acordo com ele, a inviabilidade tributária faz com que cada dia surjam mais candidatos a empresários informais – principalmente entre os micro e pequenos empresários. "Falta incentivo (do governo), que acaba inviabilizando o negócio – principalmente quando se fala de produtos. A opção (de entrar na internet) é muito interessante, mas o correto é ter o negócio sempre legalizado, com contrato social e CNPJ. Tudo isso transmite credibilidade", explica, lembrando que qualquer empresa que se aventure na internet deve ficar sempre atenta para não cair negativamente nas comunidades virtuais – o novo "SAC" das companhias.

Laísa Ferreira: reclamação direta.

Varinha do Harry Potter: Marcel Figueiredo largou o emprego e agora ganha dez vezes com seu site.

Lucros no mundo virtual

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história de sucesso do empresário digital Marcel Figueiredo, 32, começou lá atrás, quando tinha cinco anos, ganhou o primeiro computador e passou a viver "no mundo da informática", segundo ele. Dono dos sites Varinha.com.br, de brinquedos temáticos personalizados, e do GBolso.com.br, de finanças pessoais, Figueiredo decidiu ser empreendedor nos tempos em que trabalhava com carteira assinada em uma grande empresa de tecnologia. Hoje, ele se orgulha de faturar dez vezes mais com seus sites do que quando era assalariado. Primeiro com o G.Bolso, em plena época de crise mundial, criado para dar dicas financeiras "apenas para familiares e amigos", e depois com o Varinha, que importa

Desafio agora é conquistar a Geração Y

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ais um desafio para gestores de marcas e produtos em tempos de e-commerce e redes sociais: atender aos anseios da "Geração Y". Conectados, bem informados, impacientes e imediatistas, esses consumidores (pessoas entre 20 e 29 anos) não querem ser tratados como "ingênuos". Mas, ao contrário do que se espera, preferem resolver problemas com produtos e serviços pelo tradicional atendimento telefônico. A pesquisa "Geração Y", da Bridge Research, feita com 672 pessoas na Grande São Paulo, mostra que jovens e altamente conectados consumidores brasileiros não têm paciência para usar chats ou emails para falar com Serviços de Atendimento ao Cliente (SAC) de empresas. Segundo Renato Trindade, presidente

da Bridge e coordenador da pesquisa, há uma espécie de "fina ironia" no fato de a geração da internet não dar preferência a esse canal para ser atendida por marcas e empresas. "É clara a insatisfação com a demora e a impessoalidade da internet para resolver questões relacionadas à insatisfação dos clientes", diz. Exemplo disso é a tosadora Laísa Ferreira Vilela Arruda, 22, braço direito da veterinária responsável do local onde trabalha. Apesar de Laísa ter perfil no Facebook – uma das comunidades virtuais usadas tanto para elogiar como para reclamar de marcas e produtos, iniciativa que vem ajudando a mudar estratégias de empresas – preferiu ligar diretamente para uma famosa loja e uma empresa de telefonia celular para cancelar uma com-

pra que demoraria quase um ano para ser entregue e o serviço ruim da internet. "Muita gente reclama no Facebook, mas sei que, no final, quando querem ver o caso resolvido, todos correm para o telefone. É melhor ligar, você sabe que fala diretamente com uma pessoa. Na internet, vai saber se realmente alguém vai olhar..." Trindade diz que, para essa geração, um dos aspectos mais relevantes é que a marca deve estar no mesmo nível do cliente. A demora para solucionar questões é a principal insatisfação – como se o problema inicial fosse menos importante que o tempo que levou para ser solucionado. "É uma geração que não está apegada à marca (assim como a geração anterior, a X), mas sim ao resultado." (KL)

artigos escolhidos a dedo por seus clientes (como a varinha oficial do Harry Potter ou réplicas de personagens de mangás), Figueiredo, ao completar três anos de atividades dos dois sites, acaba de lançar um piloto de suas lojas no Facebook. "Ainda estamos entendendo como funciona, mas temos um grupo de clientes que ajudam, dando dicas para melhorar." Exemplo de planejamento e estratégia nos negócios, Figueiredo, que tem três prestadores de serviços em seu empreendimento, destaca alguns pontos que foram fundamentais para entrar na internet como pequeno empresário. Se a parte financeira para iniciar não foi problema – já tinha reservado recursos próprios para o seu projeto digital —, ele dá uma dica que considera importante: não levar o negócio em paralelo com

o emprego. "Isso pode gerar dor de cabeça junto ao empregador", aconselha. Quanto às partes técnica, de desenvolvimento do site, de logística e de cobrança, não é preciso "inventar a roda", segundo ele: é possível hospedar a loja em plataformas virtuais préprontas (como a ACSP Shop, por exemplo), e aderir aos serviços de gateways, como os do Pag Seguro, ou dos Correios, para entregas. Mas o foco sempre será prestar o melhor atendimento ao cliente. "Quem está na internet já não vê o produto. Portanto, o ideal é usar o fato de ser pequeno a seu favor, e tratar seus clientes de forma personalizada", diz, lembrando aos pequenos empreendedores que o mercado digital ainda é incipiente. "Há muito espaço para todos crescerem", conclui. (KL)


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sábado, 31 de dezembro de 2011, domingo e segunda, 1 e 2 de janeiro de 2012

As empresas foram chamadas à responsabilidade e tiveram a oportunidade de monitorar e corrigir seus erros. Paulo Arthur Góes, diretor executivo do Procon-SP

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As seis empresas que assinaram o Termo de Compromisso com o Procon diminuíram em 45% o número de registro de reclamações feitas em Cartas de Informações Preliminares (CIPs).

Empresas cumprem metas de redução de CIPs Patrícia Cruz/LUZ

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oi-se o tempo em que as empresas com registro de reclamações nos Procons eram citadas apenas uma vez por ano, no dia 15 de março, quando são divulgados quase que simultaneamente em todo o país o Cadastro de Reclamações Fundamentadas, conforme determina o artigo 44 do Código de defesa do Consumidor (CDC). Hoje, como já mostramos aqui outras vezes, durante todo o ano os órgãos públicos de defesa do consumidor procuram alimentar de informação o consumidor sobre o comportamento das empresas, para que eles possam exercer seu direito de escolha ao adquirir produtos e serviços. Informado de que uma determinada empresa causa "danos" aos seus clientes, o consumidor tem a opção de retirar da lista de seus prováveis fornecedores aqueles que continuam usando de expedientes de má-fé. Diante desse novo procedimento das instituições públicas que defendem o consumidor, as empresas também precisam se reposicionar na forma pela qual atende seus clientes quando há algum conflito. A correção de rotas é um dos caminhos, mas se deseja ver seu nome estampado em notícias positivas, deve pensar em também aderir aos termos propostos pelo Procon-SP. M e t as – Essa mudança de comportamento nas empresas vem, inclusive, sendo instigada pelos Procons. Em São Paulo, além de divulgar periodica-

Procon-SP: novos procedimentos em relação às empresas.

mente o nome de empresas que criam atritos com os consumidores e colocam obstáculos na solução de conflitos, a

Indenização por cobrança indevida

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ma administradora de cartão de crédito foi condenada a pagar o valor de R$ 4 mil, por danos morais, a um cliente que foi inscrito no cadastro de inadimplentes pelo não pagamento da cobrança mensal de um seguro contra perda e roubo, no valor de R$109,16. O consumidor alega que não tinha contratado o seguro e, ainda, que desde agosto de 2008 tenta cancelar seu cartão sem obter resultados. A juíza Maria Cristina Barros Gutiérrez, da 3ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, além de determinar o pagamento da indenização, exigiu que a administradora

fornecesse ao consumidor declaração de inexistência de débito e efetuasse imediatamente o cancelamento do cartão de crédito. Fonte: Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ)

Loja é condenada por vender calçado com defeito

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Quarta Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Rio condenou uma loja de calçados a indenizar um cliente em R$ 3 mil por ter comercializado um par de tênis que descolou a sola depois de 20 dias de uso e pela recusa em trocá-lo sob o argumento de que não estava obrigada a promover a troca "diante do mau uso do produto".

Conforme o juiz Flávio Citro Vieira de Melo, "a indenização por danos morais é uma compensação pelo desconforto, desgaste, constrangimento e frustração experimentados pelo consumidor, uma vez que o tênis que não se prestou ao fim a que se destina". Fonte: Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ)

Fundação tem trabalhado um programa de metas objetivando reduzir o número de Cartas de Informações Preliminares,

as chamadas CIPs. Das 31 empresas convocadas para assinarem o Termo de Compromisso, em junho de 2010, seis toparam o desafio. Dessas, apenas duas não cumpriram com as metas: Eletropaulo e TIM. Ao divulgar os resultados dessa ação, o Procon-SP reafirmou sua posição de levar a conhecimento dos cidadãos como se comportaram as empresas. "Elas foram chamadas à responsabilidade e tiveram a oportunidade de monitorar e corrigir seus erros", afirmou Paulo Arthur Góes, diretor executivo do órgão em São Paulo. "Como órgão do Estado de defesa dos direitos do consumidor, mais do que punir, nosso papel é buscar a solução na raiz do problema. Portanto, agora é justo que o consumidor saiba como esses fornecedores se comportaram em s e u s c o m p ro m i ssos, para que exerça seu direito de escolha ao adquirir produtos e serviços, como garante o Código de Defesa do Consumidor."

Compromissos de melhoria serão renovados

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m número global, as seis empresas que assinaram o Termo de Compromisso com o Procon-SP de redução do número de Carta de Informações Preliminares (CIPs) cumpriram as metas. Elas prometeram reduzir de 43.494 para 30.787 (29%) as reclamações. O resultado final foi alentador: baixaram para 23.853 atendimentos (45%). A Telefônica foi a que mais surpreendeu. Sua meta era reduzir em 42%, alcançou expressivos 73%. Grupo Itaú-Unibanco anunciou, na época, redução de 20%; baixou em 23%. NET São Paulo, por sua vez, se comprometeu em diminuir as reclamações em 10%; chegou a 11%. Medial Saúde reduziu em 22%, quando o proposto era 5%. Eletropaulo que, junto com a TIM, integrou a lista de empresas comprometidas, chegou próximo do estabelecido. A meta da empresa era 10%; baixou em 6%. Mas a TIM, em vez dos 8% de redução, cresceu 1%. Outras 12 empresas que não assinaram o plano de metas, mas que se comprometeram informalmente, também reduziram as demandas, no geral, em 14%. O Grupo HSBC pretendia baixar o número de CIPs em 10%, chegou a 39%. Grupo Santander empatou nos 10% propostos. Já o Grupo

Bradesco chegou a 14%, quando se comprometeu em 10%. O Banco do Brasil, por sua vez, cresceu em 56% o número de reclamações abertas no Procon-SP, mas sua meta era reduzir em 10%. Outra empresa que também cresceu foi o Carrefour, que mesmo não assinando o compromisso estabeleceu como meta a redução em 15%, mas o resultado foi de crescimento, que chegou a 41%. Em contrapartida, a maioria das empresas (14) que se recusaram a fixar metas de redução teve aumento considerável de registros de CIPs. O pior índice foi a B2W (Americanas, Submarino e Shoptime), com aumento de 258% nas reclamações, seguida pela Tenda (102%). Grupo Oi registrou crescimento de 73% e Samsung de 72%. Conforme o Procon-SP, os compromissos firmados em 2010 serão renovados e ampliados. O objetivo de propostas continuadas de metas de redução e o monitoramento é fomentar atitudes e iniciativas por parte dos fornecedores comprometidos com seus consumidores, de forma que identifiquem os problemas geradores de reclamações e atuem rapidamente na correção e prevenção, assim como no aperfeiçoamento dos canais disponibilizados aos consumidores.

O QUE DIZ O CDC Artigo 22 Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos. Parágrafo único. Nos casos

de descumprimento, total ou parcial, das obrigações referidas neste artigo, serão as pessoas jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados, na forma prevista neste código. Artigo 23 A ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por inadequação dos produtos

e serviços não o exime de responsabilidade. Artigo 44 Os órgãos públicos de defesa do consumidor manterão cadastros atualizados de reclamações fundamentadas contra fornecedores de produtos e serviços, devendo divulgá-lo pública e anualmente. A divulgação indicará se a reclamação

foi atendida ou não pelo fornecedor. § 1° É facultado o acesso às informações lá constantes para orientação e consulta por qualquer interessado. § 2° Aplicam-se a este artigo, no que couber, as mesmas regras enunciadas no artigo anterior e as do parágrafo único do art. 22 deste código.

Fique por dentro

Número de recalls no Brasil dobra em oito anos

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m 2011 foram feitos recalls de 75 produtos no País. Veículos e motocicletas lideram a lista, com 41 e 14 campanhas, respectivamente. Os dados foram divulgados pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça. O número, conforme Juliana Pereira, diretora do DPDC, ainda é bem diferente de outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, foram anunciadas cerca de 60 campanhas de chamamento só em dezembro. “Quando há o reconhecimento de eventual risco para o consumidor, a realização da

campanha de chamamento elimina o risco e pode evitar acidentes de consumo”, avalia Juliana. Segundo ela, o mercado precisa compreender que realizar o recall, quando necessário, é uma demonstração de transparência e respeito ao consumidor. Ao longo dos últimos anos, o número de campanhas no Brasil aumentou. Em 2003, foram 33 campanhas de chamamento, número que subiu para 75 em 2011. Em 2011, o consumidor passou a contar com mais um canal de informação e controle de realização de recall, em razão

da entrada em vigor da portaria conjunta do Ministério da Justiça e do Denatran. Ela determina que as campanhas de recall de veículos não atendidas no prazo de um ano, a contar da data de sua comunicação, constarão no Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo. Veículos e motocicletas sempre estiveram no topo da lista, mas há recalls de vários outros tipos de produtos como alimentos, medicamentos e itens de informática, por exemplo. O Código de Defesa do Consumidor determina que o fornecedor do produto defeituoso faça uma ampla campanha de cha-

Angela Crespo é jornalista especializada em consumo. E-mail: doislados@dcomercio.com.br

mamento com divulgação em rádio, jornal e TV. Não pode haver custo para o consumidor. Além disso, é obrigatório comunicar o recall às autoridades de defesa do consumidor. A responsabilidade por danos causados aos consumidores em razão do uso de algum produto defeituoso é do fornecedor que o colocou no mercado. Caso o consumidor não obtenha a reparação junto a ele, poderá recorrer ao Judiciário para buscar o ressarcimento de danos morais e materiais. Fonte: DPDC, Ministério da Justiça

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02 jan 2012

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