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UMA BIOGRAFIA INESQUECÍVEL QUE TE VAI EMOCIONAR.

Robert John Downey Jr. nasceu a 4 de abril de 1965, em Manhattan, Nova Iorque, e é um ator norte-americano. É o mais novo de dois filhos. O seu pai, Robert Downey Sr., era um ator e cineasta, enquanto a sua mãe, Elsie Ann, era uma atriz que participava nos filmes de Downey Sr. O pai de Downey era meio judeu lituano, ou seja, era judeu húngaro e irlandês, enquanto a mãe de Downey tinha ascendência escocesa, alemã e suíça. Ele e a sua irmã mais velha, Allyson, cresceram em Greenwich Village. Em criança, Downey estava “rodeado de drogas”. Downwy Sr., um viciado em drogas, permitiu que Downey usasse maconha aos seis anos de idade, um incidente do qual seu pai disse mais tarde se arrepender.

Downey declarou mais tarde que o uso de drogas se tornou um vínculo emocional entre ele e seu pai: “Quando o meu pai e eu consumíamos drogas juntos, era como se ele estivesse a tentar expressar o seu amor por mim da única forma que sabia”. Eventualmente, Downey começou a passar todas as noites a abusar do álcool e a fazer chamadas telefónicas para obter drogas. Durante a sua infância,

Downey teve pequenos papéis nos filmes do seu pai.

Estreou-se como ator aos cinco anos, interpretando um cachorrinho doente na comédia absurda Pound em 1970, e aos sete anos apareceu no western surrealista Greaser’s Palace em 1972. Aos 10 anos, vivia em Inglaterra e estudava ballet clássico como parte de um currículo mais vasto.Frequentou o Stagedoor Manor Performing Arts Training Center no norte do estado de Nova Iorque quando era adolescente. Quando

Em criança, Downey estava “rodeado de drogas”.

seus pais se divorciaram em 1978, Downey mudou-se para a Califórnia com seu pai, mas em 1982, ele abandonou a Santa Monica High School, e voltou para Nova York para seguir uma carreira de ator a tempo inteiro. De 1996 a 2001, Downey foi preso várias vezes por acusações relacionadas com drogas, incluindo cocaína, heroína e marijuana. Passou por programas de tratamento de drogas, explicou a 1999 a um juiz: “É como se tivesse

uma caçadeira na boca, com o dedo no gatilho, e gosto do sabor do metal da arma”. Disse que era viciado em drogas desde os oito anos de idade, devido ao facto do seu pai, também ele viciado, lhas ter dado.

Em abril de 1996, Downey foi detido por posse de heroína, cocaína e uma pistola Magnum .357 descarregada, quando seguia em excesso de velocidade pela Sunset Boulevard. Um mês mais tarde, enquanto estava em liberdade condicional, invadiu a casa de um vizinho sob a influência de uma substância controlada e adormeceu numa das camas. Recebeu três anos de liberdade condicional e foi obrigado a submeter-se a testes de despistagem de drogas. Em 1997, faltou a um dos testes de despistagem de drogas ordenados pelo tribunal e teve de passar seis meses na cadeia do condado de Los Angeles. Depois de Downey ter falhado outro teste de despistagem de drogas em 1999, foi novamente detido. Apesar do advogado de Downey, Robert Shapiro, ter reunido a mesma equipa de advogados que tinha defendido com sucesso O. J. Simpson durante o seu julgamento por homicídio, Downey foi condenado a uma pena

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fig 2. 1985 fig 3. 1992 fig 6. 2001 fig 9. 2020 fig 8. 2018 fig 4. 1996 fig 7.2006 fig 10. 2022 fig 5. 1999
Foi condenado a uma pena de prisão de três anos no Centro de Tratamento de Abuso de Substâncias da Califórnia e na Prisão Estadual em Corcoran, Califórnia.

de prisão de três anos no Centro de Tratamento de Abuso de Substâncias da Califórnia e na Prisão Estadual em Corcoran, na Califórnia.

Na altura da detenção, todos os projectos cinematográficos de Downey tinham sido concluídos e estavam prestes a ser lançados.

Foi contratado para fazer a voz do diabo na série televisiva de animação da NBC God, the Devil and Bob, mas foi despedido quando não compareceu aos ensaios.

Depois de passar quase um ano no Centro de Tratamento de Abuso de Substâncias da Califórnia e na Prisão Estatal, Downey, sob condição de pagar uma fiança de 5.000 dólares, foi inesperadamente libertado quando um juiz decidiu que o seu tempo coletivo em instalações de encarceramento, desde as detenções iniciais de 1996, o tinha qualificado para uma libertação antecipada.

Uma semana após a sua libertação em 2000, Downey juntou-se ao elenco da série televisiva de sucesso Ally McBeal, interpretando um novo interesse amoroso. Foi nomeado para o Prémio Emmy do Primetime para Melhor Ator Coadjuvante numa Série de Comédia e ganhou o Prémio Globo de Ouro para Melhor Ator Coadjuvante - Série, Minissérie ou Filme de Televisão.Também

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apareceu como escritor e cantor no álbum Ally McBeal: For Once in My Life, e cantou com Sting um dueto de “Every Breath You Take” num episódio da série. Apesar do aparente sucesso, Downey afirmou que o seu desempenho na série foi sobrevalorizado e disse: “Foi o meu ponto mais baixo em termos de vícios. Nessa altura, estava-me nas tintas para o facto de voltar a representar.” Em janeiro de 2001, Downey foi escalado para desempenhar o papel de Hamlet numa produção teatral de Los Angeles dirigida por Mel Gibson. Antes do final da sua primeira temporada em Ally McBeal, durante o feriado de Ação de Graças de 2000, Downey foi preso quando o seu quarto no Merv Griffin’s Hotel and Givenchy Spa em Palm Springs, Califórnia, foi revistado pela polícia, que respondia a uma chamada anónima para o 112, Downey estava

“Foi o meu ponto mais baixo em termos de vícios. Nessa altura, estava-me nas tintas para o facto de voltar a representar.”

sob a influência de uma substância controlada e na posse de cocaína e Valium. Apesar do facto de que, se fosse condenado, teria enfrentado uma pena de prisão de até quatro anos e oito meses, ele assinou para aparecer em pelo menos mais oito episódios de Ally McBeal. Em abril de 2001, enquanto Downey estava em liberdade condicional, um agente da polícia de Los Angeles encontrou-o a vaguear descalço em Culver City. Foi detido por suspeita de estar sob o efeito de drogas, mas foi libertado algumas horas mais tarde, apesar de os testes terem

revelado que tinha cocaína no seu sistema. Após esta última detenção, os executivos de Ally McBeal ordenaram reescritas e refilmagens de última hora e despediram Downey, apesar de a personagem de Downey ter ressuscitado as audiências de Ally McBeal.Num artigo de 18 de dezembro de 2000, para a revista People, intitulado “Bad to Worse”, a madrasta de Downey, Rosemary, disse ao autor Alex Tresnlowski que Downey tinha sido diagnosticado com perturbação bipolar “há alguns anos” e acrescentou que esta era “a razão pela qual ele tem dificuldade em manter-se sóbrio. O que não foi tentado foi medicação e psicoterapia intensiva”. No mesmo artigo, a Dra. Manijeh Nikakhtar,

Downey tinha sido diagnosticado com perturbação bipolar
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psiquiatra de Los Angeles e coautora de Addiction or Self-Medication: The Truth, afirmou ter recebido uma carta de Downey em 1999, durante o seu tempo em Corcoran II, pedindo conselhos sobre o seu estado. Descobriu que ninguém lhe tinha feito uma avaliação psiquiátrica completa, “Perguntei-lhe diretamente se ele achava que era bipolar, e ele respondeu: “Ah, sim. Há alturas em que gasto muito dinheiro e estou hiperativo, e outras em que estou em baixo”. Após cin-

Descobriu que ninguém lhe tinha feito uma avaliação psiquiátrica completa, “Perguntei-lhe diretamente se ele achava que era bipolar, e ele respondeu: “Ah, sim.

Após cinco

anos de abuso de substâncias, detenções, reabilitação e recaídas,

Downey estava pronto para trabalhar para uma recuperação total das drogas e regressar à sua carreira.

co anos de abuso de substâncias, detenções, reabilitação e recaídas, Downey estava pronto para trabalhar para uma recuperação total das drogas e regressar à sua carreira. Ao falar das suas tentativas falhadas de controlar o seu comportamento viciante no passado a Oprah Winfrey, em novembro de 2004, acrescentou que, após a sua última detenção em abril de 2001, quando sabia que provavelmente teria de enfrentar

“A forma como ele o interpreta é fantástica”.

outra pena de prisão ou outra forma de encarceramento, como a reabilitação ordenada pelo tribunal, “disse: ‘Sabem que mais?Acho que não consigo continuar a fazer isto”. E pedi ajuda, e fui em frente. Podemos pedir ajuda de uma forma um pouco hesitante, obtê-la e não tirar partido dela. Não é assim tão difícil ultrapassar estes problemas aparentemente terríveis... o que é difícil é decidir fazê-lo.” Downey conseguiu o seu primeiro trabalho como ator após a reabilitação em agosto de 2001, fazendo sincronização labial no vídeo do single de Elton John “I Want Love”.

O realizador do vídeo, Sam Taylor-Wood, fez 16 takes do vídeo e utilizou o último porque, segundo John, Downey parecia completamente descontraído e “A forma como ele o

Acho que não consigo continuar a

fazer isto”.

E pedi ajuda, e fui em frente. Podemos pedir ajuda de uma forma um pouco hesitante, obtê-la e não tirar

partido

dela. Não é assim tão difícil ultrapassar estes problemas apa-

rentemente terríveis... o que é difícil é decidir fazê-lo.”

interpreta é fantástica”. Ao longo dos anos Robert John Downey Jr. consegiu subir na sua carreira e acumular sucesso, ganhou reconhecimento mundial, e é um dos atores mais bem pagos de todos os tempos.

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“Nunca tivemos tanta droga a chegar ou produzida na UE”

Diretor do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência explica, em português fluente, como o mundo todo está a ser alvo dos narcotraficantes, até a Europa, que importa cocaína da América Latina e novas substâncias químicas da Ásia e é o maior produtor de ecstasy. Alexis Goosdeel, belga e psicólogo clínico de formação, participa hoje em Lisboa, na Casa da América Latina, às 11 horas, num debate com os embaixadores do Brasil, da Colômbia e do México intitulado “América Latina: Impacto do crime organizado na violência e insegurança dos cidadãos e seus efeitos na política regional”.

“América Latina: Impacto do crime organizado na violência e insegurança dos cidadãos e seus efeitos na política regional”.

Quando se fala do consumo de drogas na Europa, de onde é que vem essa droga, maioritariamente?

Para caracterizar a situação da droga na Europa, são três as palavras em inglês. Everywhere, Everything, Everyone. Vou traduzir: em todo o lado, todas e todos. Em todo o lado, porque hoje temos drogas por todas as partes na União Europeia. Aliás, nunca tivemos tanta droga como a que temos hoje. Nunca tivemos tanta droga a chegar de todas as partes do mundo.

E há a parte da droga produzida no território da UE. Por exemplo, a UE, tornou-se o único produtor mundial de ecstasy, o que significa que até o ecstasy consumida na Nova Zelândia é produzido no território da UE. A segunda característica, quando digo todas, é que hoje não serve mais a antiga distinção entre droga dura e leve, ou droga de origem vegetal e química, ou lícita e ilícita. Porquê? Porque são muitas as substâncias, inclusive as que ninguém pensava que algum dia poderiam ser o objeto de uma conduta aditiva.

E a terceira palavra, todos, ilustra que hoje somos todos nós que podemos encontrar, conhecer ou viver uma experiência de um episódio crónico ou momentâneo de conduta aditiva, com várias substâncias, inclusive o álcool. E por outro lado, o que é ainda mais novo, é que hoje todos podemos conhecer, diretamente ou indiretamente, os efeitos da violência

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E por outro lado, o que é ainda mais novo, é que hoje todos podemos conhecer, diretamente ou indiretamente, os efeitos da violência relacionada com a produção, o tráfico ou o consumo de drogas.

relacionada com a produção, o tráfico ou o consumo de drogas. Há dez anos, quando ajudámos a Comissão Europeia a definir a sua estratégia sobre a violência relacionada com as drogas, estávamos a falar da América Latina.

Hoje falamos da Europa. Em todos os países da União Europeia, quase todos os dias.

Mas muitas vezes, quando vemos as notícias das apreensões recordes de cocaína, associamos que a cocaína é ainda a grande droga e a América Latina ainda o grande fornecedor da Europa. Há ainda uma parte de verdade nisto?

Há uma parte de verdade. Falamos muito de cocaína hoje. E temos boas razões. Só que é um pouco como a árvore que está a esconder a floresta.

Falamos muito de cocaína, porque há muita cocaína chegando na Europa, mas isso não pode nos deixar esquecer dos problemas com outras drogas, como a canábis.Só em 2022, as apreensões de canábis na Europa alcançaram 816 toneladas de haxixe. É muitíssimo. Vem da África do Norte, essencialmente de Marrocos.

Também temos grandes quantidades de drogas sintéticas, parte delas produzidas sobre o território da UE, e outras, as novas substâncias, que estão a vir da China, e, nos últimos anos, também da Índia.

As redes criminosas envolvidas especializam-se num tipo de droga?

Não, isso tem mudado completamente.

Traficam todo o tipo de droga?

Sim. Mas voltemos à cocaína. A cocaína tem só uma origem vegetal, não há origem puramente química.

E para produzir cocaína são precisas as folhas de coca.

os três maiores cultivadores de coca são o Peru, a Bolívia e a Colômbia.

Por isso, os três maiores cultivadores de coca são o Peru, a Bolívia e a Colômbia.

As folhas de coca são transformadas com o uso de alguns produtos químicos para produzir a pasta base e, depois, noutra etapa de transformação química, produz-se o que chamamos de cloridrato de cocaína ou cocaína.

E desde que o governo colombiano iniciou as negociações de paz com os FARC, a produção de coca, e logo de cocaína, aumentou mais ou menos 35% a 38%.

Quando o então presidente Juan Manuel Santos lançou essas negociações, e até ganhou o Nobel da Paz

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de 2016, para que os guerrilheiros marxistas se reintegrassem na vida da sociedade, muitos deles estavam envolvidos no narcotráfico. São os grupos dissidentes das FARC que continuam na selva a fazer o narcotráfico os responsáveis por esse crescimento?

Acho que o que tem acontecido é que antes, obviamente, havia uma pressão das forças armadas - também com consequências negativas para os direitos humanos em alguns casos - mas havia uma pressão militar, não só da polícia, e essa pressão desapareceu para permitir o diálogo de paz, e isso foi considerado uma oportunidade pelos grupos criminosos organizados, dissidentes das FARC ou não, que aproveitaram

Demorou quase 25 anos para vermos esta quantidade enorme de cocaína chegar à Europa. Há uma enorme disponibilidade de produto, uma oferta enorme, e se um mercado fica saturado, procuram outros mercados para desenvolver. Por isso temos muito mais cocaína a chegar à Europa.

Os preços vêm baixos?

Os preços vêm baixos, sim. E a pureza alta. Então, o motor principal do aumento do consumo da cocaína na União Europeia é a pressão da oferta sobre o mercado. É um processo classicamente capitalista.

Falou do ecstasy fabricado na Europa. As drogas químicas competem no mesmo mercado que a cocaína Ou funciona como se fossem dois mercados diferentes?

Depende dos grupos de substâncias também. Fa-

para desenvolver mais produção.

Ou seja, aproveitaram o processo de paz para, com menos pressão militar, fazer o negócio. É isso que explica esse aumento da produção na Colômbia?

Explica uma parte significativa do aumento da produção, pelo menos na Colômbia, sim.

Explica também esta invasão da Europa por cocaína?

Demorou quase 25 anos para vermos esta quantidade enorme de cocaína chegar à Europa. Em países que, desde sempre, têm uma tradição de consumo de ecstasy, como a Holanda ou a Bélgica, estavam a consumir essa substância. Nos países bálticos era um pouco diferente e, depois, a República Checa.

Em parte, sim. Mas aconteceu também o seguinte. Quando começou o aumento da produção de coca, e logo de cocaína, o mercado da cocaína estava quase saturado nos Estados Unidos.

E os Estados Unidos tinham vindo a alertar outros países de que isso ia acontecer um dia.

lando da cocaína, há oito ou 10 anos, identificámos a existência de um mercado europeu de estimulantes. Então, quais são os estimulantes? Cocaína, sim. Mas em alguns países pode ser ecstasy, ou anfetaminas.

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E numa muito pequena minoria de países era metanfetamina. Historicamente esse consumo era só na República Checa e, um pouco por contágio, na Eslováquia. Essa era a situação.

E este mercado dos estimulantes, como funciona? Ou funcionava? Pois a gente que gostava, preferia consumir substâncias estimulantes, fazia-o em consonância com a disponibilidade. Quer dizer, os países da frente atlântica, por onde estava a chegar a cocaína, andavam a consumir cocaína.

Em países que, desde sempre, têm uma tradição de consumo de ecstasy, como a Holanda ou a Bélgica, estavam a consumir essa substância. Nos países bálticos era um pouco diferente e, depois, a República Checa. Essa era a situação até há quatro ou cinco anos, para os estimulantes.

E, obviamente, ecstasy, anfetamina, metanfetamina, a produção é química. Agora, há outro grupo de substâncias químicas são o que chamamos de novas substâncias psicoativas, NPS.

E por que chamamos de novas substâncias?

Porque não são aquelas que já vêm mencionadas nas listas anexas nas convenções da ONU. Portanto, ainda não são oficialmente ilegais.

Temos enormes quantidades de substâncias químicas vindas da China ou da Índia e muitas vezes com grande potência. Muitas vezes substâncias que nunca tinham aparecido no mercado europeu.

Temos enormes quantidades de substâncias químicas vindas da China ou da Índia e muitas vezes com grande potência

E também se desconhecem, em muitos casos, as próprias propriedades e os riscos, por exemplo, em termos de toxicidade.

Por isso temos um sistema de alerta europeu de que somos responsáveis nós aqui na agência, um sistema de alerta rápido. Hoje, detetamos uma nova substância cada semana.

Isso significa que essas NPS são criadas em laboratório especificamente para o mercado dos consumidores de drogas europeus?

Para qualquer mercado de consumidores.

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Nunca tiveram uma utilização medicinal prévia?

A maioria delas não. Algumas têm. Por exemplo, a ketamina, que é também um anestésico que se pode utilizar em medicina veterinária, mas também que se usa como anestésico barato na África.

É uma das drogas da moda neste momento?

A droga da moda depende do país e depende do grupo de consumidores.

A UE também é afetada pelo fentanil que tanto preocupa os Estados Unidos?

O fentanil é um opioide sintético usado principalmente como analgésico. É extremamente potente e representa um risco de intoxicação e de morte (50 vezes mais potente que a heroína e 100 vezes mais potente que a morfina).

O fentanil é um opioide sintético usado principalmente como analgésico. É extremamente potente e representa um risco de intoxicação e de morte (50 vezes mais potente que a heroína e 100 vezes mais potente que a morfina).

Mesmo se a heroína continua a ser o opiáceo ilícito mais consumido na Europa, existe também uma preocupação crescente com o consumo de opiáceos sintéticos tais como o fentanil.

São necessárias apenas pequenas quantidades para produzir milhares de doses, o que torna estas substâncias muito mais lucrativas para os grupos do crime organizado.

Em comparação com a América do Norte, os novos opiáceos sintéticos (por exemplo, os derivados do fentanil e os nitazenos) desempenham atualmente um papel relativamente pequeno no mercado de droga europeu.

Este facto pode ser atribuído a fatores de proteção, tais como práticas de prescrição rigorosas, disposições sociais em matéria de cuidados de saúde na maioria dos países e serviços de tratamento e redução de danos bem desenvolvidos para os utilizadores de opiáceos existentes.

No entanto, estas substâncias desempenham um papel proeminente em alguns Estados-membros da UE, em especial nos países nórdicos e bálticos, e a análise apela à adoção de medidas para aumentar o grau de preparação em toda a UE.

Entre os dois grandes mercados, a Europa e os Estados Unidos, há diferenças de consumo?

Acho que hoje todos os países e todas as regiões do mundo potencialmente são mercados. E há uma parte da cocaína que está a chegar à União Europeia que só está a transitar, antes de continuar para outras regiões do mundo.

Estamos a falar de que zonas do mundo?

Qualquer zona, o Meio Oriente, os Balcãs, a Europa do Leste, mas também há circuitos de tráfico que podem seguir para a África ou a Ásia. De qualquer forma, a mudança que foi acelerada pela pandemia de covid, é o facto da maioria das drogas hoje serem transportadas por contentores em grandes barcos, por grandes linhas de transporte marítimo comercial.

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Portefólio

As drogas de adição também alteram alguns processos de comunicação entre os neurónios, e quanto mais duradoura for essa alteração, maior é o grau de dependência.

“Para cada droga que se possa imaginar, se ela tem uma acção sobre o cérebro há sempre uma molécula endógena que está a fazer qualquer coisa, e como costumo dizer, a natureza é muito poupada, portanto não vai produzir moléculas que não sejam úteis ao funcionamento do cérebro (...) o que o nosso cérebro

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Portefólio

produz é com alguma utilidade, até pode ser para matar neurónios que é importante remover muitas vezes aquilo que já não está a funcionar, mas tem alguma utilidade e portanto, cada droga que altera o funcio-

namento do cérebro tem uma molécula no cérebro a que se liga e que é útil para o cérebro. A cocaína, o ecstasy e a heroína acabam por lesar e matar neurónios porque hiper-estimulam o cérebro”.

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A Cannabis é uma espécie nativa da Ásia Central e Meridional. Os asiáticos cultivaram cannabis a partir de pelo menos 6.000 anos atrás, mas apenas para consumir as sementes oleosas das plantas e fazer roupas e cordas de fibras de cannabis.

Evidências da inalação de fumaça de cannabis são encontradas desde o terceiro milênio a.C., como indicado por

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sementes carbonizadas de cannabis encontradas em um braseiro usado em rituais em um antigo cemitério na atual Romênia.

Fumar maconha em cerimônias do lado da sepultura era provavelmente parte do processo de enterro.

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A Cannabis é uma espécie nativa da Ásia Central e Meridional. Os asiáticos cultivaram cannabis a partir de pelo menos 6.000 anos atrás, mas apenas para consumir as sementes oleosas das plantas e fazer roupas e cordas de fibras de cannabis.

Evidências da inalação de fumaça de cannabis são encontradas desde o terceiro milênio a.C., como indicado por sementes carbonizadas de cannabis encontradas em um braseiro usado em rituais em um antigo cemitério na atual Romênia.

Fumar maconha em cerimônias do lado da sepultura era provavelmente parte do processo de enterro. A cannabis também era conhecida pelos antigos assírios, que descobriram as suas propriedades psicoativas por intermédio dos povos arianos. Ao usá-la em algumas cerimônias religiosas, eles a chamavam de qunubu (que significa “caminho para a produção de fumo”), provável origem da palavra moderna “cannabis”.

A planta também foi introduzida pelos arianos aos povos citas, trácios e dácios, cujos xamãs (que eram conhecidos como kapnobatai — “aqueles que andam no fumo/nuvens”) queimavam flores de cannabis para alcançar um estado de transe.

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Quando a adição está instalada é bastante comum que a pessoa deixe de ser capaz de cumprir as suas responsabilidades sociais de forma eficaz. É comum que a pessoa falte a compromissos familiares e sociais, falte ao trabalho, isto é, seja menos eficiente no cumprimento das suas funções ou surjam conflitos nas relações com colegas, familiares e amigos.

Apesar de a adição ser uma perturbação que traz muito sofrimento, com o tratamento pode alcançar-se de novo uma vida saudável e feliz. Pedir ajuda é importante neste processo e demonstra a capacidade de reconhecer limitações, aceitá-las e estar preparado para mudar.

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Breves Notícias

Influencers espanhóis presos por drogarem e violarem seguidoras menores de idade

Os homens usaram a fama nas redes sociais para atrair menores de idade a uma casa, onde eram drogadas e violadas. Pelo menos uma das agressões foi filmada.

A polícia identificou cinco vítimas. Conhecidos no TikTok e no Instagram como Los Petazetaz, dois influenciadores digitais espanhóis foram presos por supostos crimes de agressão sexual, exibicionismo, pornografia infantil e prostituição de menores, de acordo com o ABC.

Detido na Terceira passageiro de voo transatlântico com droga no organismo

O homem de 36 anos viajava num voo de origem na Europa e destino nas Caraíbas quando o avião foi forçado a aterrar no aeroporto das Lajes, “devido a distúrbios provocados pelo suspeito”.

Um passageiro de um voo transatlantico foi internado no Hospital da Terceira, nos Açores, devido a uma alegada intoxicação e depois detido pela Polícia Judiciária (PJ), por ter sido detetada droga no interior do seu organismo, foi anunciado esta terça-feira.

Em comunicado, a PJ explicou que o homem, de 36 anos, viajava na quarta-feira num voo com origem na Europa e destino nas Caraíbas quando o aparelho foi forçado a aterrar no aeroporto das Lajes, na ilha Terceira, “devido a distúrbios provocados pelo suspeito“.

GNR deteve oito suspeitos de tráfico de droga e apreendeu 8.000 doses no Grande Porto

Em comunicado, o Comando Territorial do Porto da GNR referiu que a ação decorreu entre o dia 20 e sábado, nos concelhos do Porto, Matosinhos e Paredes.

“No âmbito de uma investigação por tráfico de estupefacientes, que durava há cerca de dois anos, os militares da Guarda realizaram diversas diligências de investigação que permitiram desmantelar uma rede de tráfico de estupefacientes e duas estufas de grande dimensão, uma em armazém e outra em residência“, explicou. Os oito suspeitos de tráfico de droga têm idades compreendidas entre os 36 e os 50 anos. Foram ainda apreendidos 2.755 euros em dinheiro.

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Mike Tyson pede a Biden que liberte milhares de pessoas presas por causa da canábis

O antigo campeão de boxe Mike Tyson exortou o presidente dos EUA, Joe Biden, a cumprir o seu compromisso de “corrigir a abordagem falhada em relação à marijuana” e a conceder clemência aos milhares de infratores não violentos que ainda se encontram nas prisões federais norte-americanas. Está na altura de o presidente conceder clemência aos presos e “acabar com a proibição da canábis de uma vez por todas”. O apelante considera a “fracassada guerra às drogas um erro”, referindo que “ninguém deveria estar preso por causa da canábis”. De acordo com o jornal inglês, a venda legal de marijuana nos EUA atingirá em breve 40 mil milhões de dólares anuais.

Mulher detida com 22.000 doses de droga no bairro da Pasteleira no Porto

Na sequência de uma busca domiciliária, no bairro da Pasteleira, no Porto, a PSP encontrou 22.000 doses individuais de heroína, cocaína e haxixe e confiscou ainda 170 euros.

Uma mulher de 47 anos foi detida na quarta-feira, no bairro da Pasteleira, no Porto, na posse de 22.000 doses de droga, adiantou, esta quinta-feira, a PSP. Em comunicado, a PSP do Porto especificou que das 22.000 doses individuais de droga, 13.178 eram de heroína, 9.452 de cocaína e 100 de haxixe.

Além da droga, apreendida na sequência de uma busca domiciliária, os agentes policiais confiscaram ainda 170 euros, sublinhou. Esta operação da PSP visou o combate ao crime de tráfico de droga.

Ativar alertas Violência Doméstica: PSP do Porto apreende 15 mil doses de cocaína

No âmbito de um inquérito por violência doméstica, a PSP do Porto deteve um homem e apreendeu 15 mil doses de cocaína.

Entre outros artigos, apreendeu ainda uma arma de fogo e 4.500 euros. A PSP do Porto anunciou esta quinta-feira a apreensão de três quilos de droga, designadamente cocaína suficiente para cerca de 15 mil doses, e a detenção de um homem, numa operação desencadeada no âmbito de um inquérito por violência doméstica. Nesta operação, segundo a PSP, foram também apreendidos 4.500 euros, arma de fogo, munições, objetos utilizados na preparação e venda direta de estupefacientes, nomeadamente prensa e macaco hidráulico, balanças de precisão, entre outros artigos, refere o comando metropolitano da PSP em comunicado.

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