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Índice

6 Entrevista 10 Editorial 14 Política 18 Economia 24 Saúde 26 Capa 32 Comportamento 36 Cidades 38 Esportes 42 Moda&Beleza 44 Cultura 48 Gastronomia

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Brás Marinho antecipa fortalecimento do PT em SBC

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A corrida pelo governo do estado já começou

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O melhor caminho para uma aposentadoria com realizações pessoais

Colunistas 16

Wallace Nunes 4

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As principais queixas e o monitoramento aos convênios médicos da região

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Marcos Cazetta

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Luiz Paulo Bellini Jr.

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Tamyres Barbosa

Celso Pavani

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Ana Teresa Cury


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Metrô no ABC deve chegar em 2016 e transportar 400 mil usuários por dia

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Santo André e São Bernardo somam mais de 400 mil assentamentos precários

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As campanhas problemáticas dos times regionais

Entenda o que é transtorno bipolar e como pode ser controlado

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Discretas ou descoladas, tatuagens funcionam como identidade pessoal

Chefs garantem: ceia natalina também pode fugir do tradicional

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Entrevista

“Minha missão é atrelar o PT às realizações feitas pelo Marinho em SBC”

N

a política, o sobrenome Marinho não está ligado apenas ao prefeito de São Bernardo. Agora, o irmão mais velho, Brás, deixa os bastidores para atuar na linha de frente. Eleito presidente do PT da cidade com maior número de habitantes da região, o novo dirigente tem como missão dar mais visibilidade à legenda, treinar os correligionários, afinar o discurso com os diretórios regionais e do estado, que também tem novo comandante, o ex-prefeito de Osasco Emídio de Souza. Brás Marinho refuta a ideia de refundação da legenda e destaca a importância do diretório de São Bernardo para o Brasil. “Aqui, temos um ilustre filiado, o ex-presidente Lula, que ainda tem um papel ativo. Por isso, é preciso saber ser dirigente”, afirma. Para ele, o PT de SBC não terá como fantasma o governo do irmão Luiz. “Até porque ele age de forma independente. Mas garanto que não serei subserviente”, assegura. Wallace Nunes - wallace@leiaabc.com

Leia ABC – Qual é o balanço que o senhor faz desse pleito interno e a expectativa para presidir um importante diretório? Brás Marinho (B.M.) – A eleição foi uma grande festa entre os militantes do PT. É o único partido no Brasil que tem esse tipo de eleição. É o PED (Processo de Eleição Direta), é um processo eleitoral que atinge todos os níveis do partido. Foi uma confraternização da família petista, uma eleição tranquila, com um nível de respeito excelente entre os candidatos. Minha expectativa de estar à frente da legenda é das maiores possíveis, haja vista que a responsabilidade também é grande. Leia ABC – E quais serão os seus próximos passos? B.M. – Dentro do meu programa de campanha, todas as áreas serão importantes. No penúltimo PED, a composi6

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ção dos filiados eram 70% masculino e 30% feminino. Hoje, o número de correligionários está em 50% para cada lado. É por causa dessa paridade que existe a necessidade de investir em formação dos companheiros. Leia ABC – De que maneira? B.M. – Qualificando-os para tudo. Para os debates políticos sobre todas as questões internas e também eleitorais de um modo geral. Para isso, é preciso investir nos núcleos. É um “braço” do PT que fica próximo das comunidades e dos bairros. Pretendo levar a formação para os núcleos, porque é lá que as coisas realmente acontecem. Leia ABC – O diretório do partido em SBC deixou de lado o treinamento e a qualificação pessoal nos últimos anos? B.M. – Não só o de São Bernardo, mas em muitos outros diretórios. Ao vencermos as eleições, municipais, estaduais ou federais, os quadros

mais qualificados foram cuidar das gestões. Isso é um processo natural. E hoje falta quadro, faltam cabeças pensantes. A ideia é retomar isso. Como nunca disputei nada e não tenho a intenção, vou dispensar toda a minha energia para o PT. Se o partido estiver forte, bem organizado e preparado, teremos uma garantia de disputas com qualidade e com quadros que possam satisfazer a população. Leia ABC – Por que o seu antecessor, Wanderlei Salatiel, não o apoiou nessa eleição? B.M. – Ele teve os motivos dele para não me apoiar. Montou uma chapa junto com o Toninho da Lanchonete (atual vereador na cidade), fizeram uma executiva e apoiaram outro candidato. Mas isso já passou. O Wanderlei é meu amigo, até que se prove o contrário, e conto com a experiência dele para presidir o partido na cidade. O próprio me reafirmou que quer ajudar e participar. Quero ser presidente para todos os petistas. Leia ABC – No ano que vem o PT de SBC terá três candidatos: Ana do Carmo, Luiz Fernando Teixeira e Teonilio (Barba). Isso não pode resultar em conflitos? B.M. – Não, não vejo isso. A companheira Ana tem muito espaço na periferia. O Luiz Fernando tem uma linha mais de classe média, o que é uma candidatura estratégica e importante para o PT e para a região, pois atinge uma parcela que a Ana do Carmo quase não atinge. Já o Barba deve trilhar o caminho que o Carlos Grana (atual


Camila Bevilacqua

B.M. – Não. Estou muito tranquilo em relação a isso. Tenho convicção de que vamos eleger os três. Repito: é preciso ter disciplina e trabalhar, o que não pode é um dar cotovelada no outro. Um pouco do meu papel frente ao partido é ajudá-los. É provável que em algum momento um entre no “espaço” do outro, mas isso é normal. Não dá para cercar a cidade e dizer este espaço é meu e aquele é seu. Cuidaremos disso com responsabilidade e acompanhando de perto o processo. Leia ABC – Que avaliação o senhor faz do pleito do PED nos planos estadual e federal? B.M. – É com muita satisfação que parabenizo os eleitos Emídio de Souza e Rui Falcão. Eles não serão candidatos no ano quem e só vão cuidar do partido, o que é importante. Isso é um marco para a renovação da legenda. Leia ABC – E que avaliação o senhor faz da prisão dos políticos envolvidos na AP 470, mais conhecida como mensalão? B.M. – Sou cuidadoso quando falo de uma execução da Justiça porque sempre a respeitei. Como disse o ex-presidente Lula, nós precisamos aguardar o fim de todas as pendências desse processo para nos posicionarmos. Eu também sigo essa linha. Quando encerrar esse julgamento e não nos der mais espaço para recorrer, aí eu, já como presidente do PT de SBC, falarei sobre isso com tranquilidade. Eu conheço o José Genoíno e o Zé Dirceu e digo com toda a tranquilidade: eles não fizeram nada mais do que aquilo que era obrigação deles.

prefeito de Santo André) trilhou, um viés mais sindical. O que precisamos é de muita disciplina e voltar a trabalhar. Feito isso, não tenho nenhuma preocupação em ter três ou mais candidatos. Temos chances reais de

eleger os três. Assim, facilitamos a nossa discussão de associação com o companheiro Marinho. Leia ABC – Mas o senhor não acha que será um páreo duro?

Leia ABC – Agora falando dos governos, o PT retomou prefeituras importantes das sete cidades, como São Bernardo e Santo André, e tem formado um arco de alianças com partidos coligados. Essas alianças são de fato importantes ou só são atitudes momentâneas para que o PT volte a ter a hegemonia na região? Dezembro de 2013 |

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Entrevista B.M. – Não tem como você pensar hoje em um partido sozinho fazendo a gestão de uma cidade, como, por exemplo, SBC. Lógico que tem muita gente no PT que não gosta das coligações, isso surge nos debates. Mas eu particularmente vou continuar seguindo a orientação do nosso grande comandante, o ex-presidente Lula, que foi o nosso grande professor nessa área. Fez as coligações, valorizou e respeitou os parceiros, e estes respeitaram nosso programa de governo. Dentro do nosso projeto, hoje comandado pela CNB (Construindo um Novo Brasil), a corrente majoritária dentro partido, e da qual eu, o Lula e o Marinho participamos, essas coligações são muito respeitosas. Aquilo que combinamos, cumprimos. Leia ABC – Muitos afirmam que São Bernardo do Campo mudou. Você acha que o PT é responsável por essa mudança? B.M. – É responsabilidade de a sigla dar

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sustentação aos governos e aos gestores eleitos. Nosso papel é colaborar para que os governantes tenham tranquilidade para exercer sua política e dar sustentação a elas. Neste sentido, cada dia mais nos aproximamos do governo. Juntos, vamos fazer com que as políticas do nosso plano de governo atendam a todos os segmentos, da periferia ao centro. A parte do PT, que é a minha missão, é fazer com que a sociedade de SBC veja, sim, as mudanças ocorridas no município, pois quem traça e dirige as políticas de governo é o partido. Leia ABC – Então, o senhor avalia como positiva a posição do prefeito Luiz Marinho à frente da prefeitura de SBC? B.M. – Claro, muito positiva. Basta dar uma olhada nas grandes intervenções que estão acontecendo na cidade. Por exemplo, na habitação. O Marinho construiu mais casas nos últimos cinco anos de governo do

que nos últimos 30 anos da história da cidade. Na infraestrutura, há projetos de grande importância, como o Drenar, que tem como objetivo acabar com as enchentes e valorizar a região central da cidade. Para a melhoria da mobilidade urbana está chegando o metrô, que vai atender a toda população de SBC. Os maiores investimentos desta gestão estão na mobilidade e na saúde. Em dezembro, o governo vai inaugurar a primeira fase do Hospital de Clínicas, no bairro do Alvarenga, que é o mais moderno da América Latina. Também tem tantos outros trabalhos que posso ficar horas lhe dizendo. Leia ABC – Como será seu envolvimento como irmão do prefeito? B.M. – Em alguns debates o pessoal pergunta: você vai ser subordinado ao Luiz só porque é irmão do prefeito. Minha reposta é que vou trabalhar com total independência ao governo, mas com responsabilidade.


Expediente/ Editorial Diretor Executivo

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Diretor Administrativo Giancarlo Frias giancarlo@leiaabc.com

Diretor Comercial

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Revisão

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Camila Bevilacqua e Shutterstock

Relações Comerciais

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digital

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Colaboradores

Marcos Cazetta, Tamyres Barbosa, Ana Teresa Cury, Celso Pavani, Luiz Paulo Bellini Jr. e Mohammad Waleed

A tiragem da revista é devidamente auditada pela

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LEIA ABC é uma publicação mensal produzida pela Editora Sustentabilidade Editorial.

Suor, talento e gratidão Heróis. Este é o adjetivo que seguramente posso dar às pessoas envolvidas na volta da Leia ABC ao mercado. Trata-se de exaltar quem acredita, de fato, que o ABC é uma região que requer muita atenção. Aqui nasceram ideias que ganharam respeito no plano nacional. Entre os anos de 1970 e 1980, por exemplo, entrou no imaginário brasileiro através da intensa atividade industrial e da forte atuação sindical. Em muitos casos, os movimentos sociais começaram nas sete cidades da região e ganharam escala. Com as mudanças na economia mundial na década seguinte, que não é preciso esmiuçar, houve uma alteração econômica na região. Praticamente todos os municípios passaram da predominância no setor secundário (indústria) para o setor terciário (comércio e serviços). É possível que esta realidade tenha contribuído de alguma maneira para mudar a “cara” do ABC – com redução do operariado e a ampliação da classe média –, que agora apresenta características peculiares e que só quem vive na região pode identificar. É preciso informar tudo o que se passa, mas também relembrar fatos como os citados acima, utilizando-os como inspiração para que os envolvidos na publicação se dediquem de corpo e alma para que a Leia ABC cresça como uma revista de respeito e de qualidade. Sabemos que a batalha é dura, mas a vontade de informar é tamanha e nos move de tal maneira que é preciso agradecer sempre. Também digo obrigado a você, leitor, por compartilhar sua opinião conosco e conclamo mais uma vez a continuar fazendo. Feliz Natal e próspero 2014. Boa leitura!

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Mirante A telefonia no ABC é ruim Impressiona a péssima qualidade do sinal da telefonia móvel no ABC. As quatro operadoras – Vivo, TIM, Claro e Oi – têm problemas, que vão de queda de sinal no meio da ligação, chiados, zumbido ou simplesmente nada completa. As inúmeras reclamações dos usuários não têm recebido atenção efetiva das empresas prestadoras de serviços. Minha pergunta: onde estão os políticos com suas respectivas influências para poder resolver este problema? Wallace Nunes Jornalista wallace@leiaabc.com

Fotos: Divulgação

Secoli: copiloto com muita experiência

O comandante do Boeing – 1 Tarcísio Secoli, secretário de Obras de SBC e fiel escudeiro do prefeito Luiz Marinho têm seu nome muito comentado nas rodas de apoiadores e também na oposição ao governo. “Falam dele em todas as circunstâncias. Dá até raiva”, disse um político que pede anonimato. Na certa, todos sabem que o “piloto” Luiz Marinho pode vir a passar o “comando do avião” para seu copiloto no próximo pleito municipal.

O comandante do Boeing – 2 Uma das tarefas delegadas ao secretário Secoli é supervisionar a candidatura à reeleição da deputada Ana do Carmo. Ela, por sua vez, tem tentado expandir seus horizontes eleitorais para que não perca votos do também candidato petista Luiz Fernando Teixeira, presidente do São Bernardo Futebol Clube.

Ana do Carmo não se abala com fofocas

O time que inspira o candidato O São Bernardo Esporte Clube, mais conhecido como Tigre, se classificou para disputar a Copa do Brasil no apertado calendário de 2014. A conquista da vaga inspirou ainda mais o presidente do Clube, Luiz Fernando Teixeira, que é pré-candidato à Assembleia Legislativa. “Estou feliz por mais essa vitória. E tudo vai melhorar no ano que vem”, diz o dirigente, filiado ao PT

O prefeito que não quer exclusividade

Michels é amigo de Orlando Morando

Lauro Michels (PV), prefeito de Diadema, vai dividir seu apoio na campanha para deputado estadual no ano que vem. Orlando Morando (PSDB) e Regina Gonçalves (PV) receberão apoio por uma vaga na Assembleia Legislativa. “Há espaço para eleger os dois. Basta trabalhar, e é o que vamos fazer”, resume. “O Morando hoje é o principal amigo e aliado da cidade, ele tem nos ajudado bastante”, elogia o prefeito. A aliança incomodou o grupo de Regina, que reivindicava o apoio do governo por ser da cidade e do mesmo partido do prefeito.


Baixa popularidade A manutenção dos baixos índices de popularidade do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, preocupa a cúpula do PT, o governo Dilma e a equipe que cuida da campanha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo paulista. Em conversas reservadas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva critica a “teimosia” de Haddad em fazer um governo “eminentemente técnico” e o PT pressiona o prefeito a mudar a equipe. Pesquisa Datafolha mostrou que Haddad não recuperou nenhum ponto da popularidade perdida nos protestos de junho – tem 18% de aprovação (ótimo ou bom), mesmo índice que tinha no auge das manifestações.

A vez de São Caetano

Um comunista no governo

O secretário de Governo de São Caetano, Marco Antônio Santos Silva, foi escolhido pelo Conselho Curador para ser o próximo presidente da Fundação ABC, pelo rodízio entre as cidades responsáveis pela Fundação – Santo André, São Bernardo e São Caetano. Com a posse de Marco Antônio, a partir de janeiro, o prefeito Paulo Pinheiro (PMDB) deverá fazer a sexta modificação em seu secretariado.

O vereador Eder Xavier (PCdoB) é o mais novo secretário de Esportes do governo Paulo Pinheiro. “Avaliei com o meu grupo político e chegamos à conclusão de que o melhor agora será atuar no Executivo”, afirma. Ele se mostrou contente por entender que “em 2014 a cidade terá seu primeiro ano com um orçamento definido” pelo prefeito Paulo Pinheiro. “Acho que posso contribuir com a administração”, completa.

Vereador vai ajudar o prefeito

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Política

Corrida eleitoral para o Palácio dos Bandeirantes começa com articulações partidárias, mas os candidatos já estão definidos e mostram que a disputa será acirrada em 2014

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Wallace Nunes - wallace@leiaabc.com

corrida para quem vai sentar na cadeira do Palácio dos Bandeirantes, a mais importante do estado, começou. Em meio à disputa que se inicia, o grande desafio é saber quem poderá bater o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que ensaia ser uma das maiores de todos os tempos. “A batalha será dura. Tenho plena ciência disso”, resume o ex-prefeito da capital Gilberto Kassab. Considerado homem de forte atuação nos bastidores – um exemplo é a fundação em tempo recorde da legenda na qual foi artífice –, Kassab tem aproveitado a experiência como chefe do Executivo municipal para conversar com lideranças políticas de todo o estado e ainda fortalecer a sigla nas cidades grandes. Como trunfo para eleição do ano que vem, Kassab tem as benfeitorias feitas na maior cidade da América Latina e o bom relacionamento com os prefeitos dos mais de 50 municípios espalhados pelo estado. Entre suas medidas mais conhecidas e elogiadas, está o “Cidade Limpa,” projeto que proibia anúncios em

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Fotos: Divulgação

Quatro homens e um destino Alckmin: altos e baixos

outdoors dentro da capital paulista, como forma de conter a poluição visual. Engenheiro, economista, solteiro e são-paulino, Gilberto Kassab começou na vida pública aos 25 anos, no Fórum de Jovens Empreendedores da Associação Comercial de São Paulo. Com uma carreira que soma cargos políticos a atividades empresariais, este filho de um imigrante libanês ainda estudou ciência política na Universidade de Brasília e fez cursos de especialização em comércio exterior e mercado imobiliário. Como prefeito da capital paulista, realizou leilões públicos de créditos de carbono, através da Bolsa de Mercadorias e Futuros de São Paulo. O “calcanhar de aquiles” de seu governo é ter saído com uma forte rejeição e tentar se distanciar das denúncias de corrupção recém-divulgadas por seu sucessor, o petista Fernando Haddad. Muitos paulistanos o rejeitam porque ele tomou medidas tão impopulares quanto inócuas, como proibir a venda de pratos em restaurantes com ovo de gema mole, comidas de rua em geral e o uso de molho vinagrete em bares e lanchonetes da cidade. Mais seguro e experiente, no entanto, a carreira do político não apenas teve sobrevida como ganhou dimensões nacionais. Mesmo sem ser um grande orador ou um político carismático, Gilberto Kassab é, em uma palavra, eficiente. Costura arranjos políticos e atua nos bastidores

Padilha: Lula como padrinho

da política com discrição e eficiência. E é desta maneira que ele planeja governar o estado. “Quero estar habilitado para ser eleito governador em 2014.”

Paulo Skaf, o homem do vice-presidente

Uma das condições básicas apara ser governador de São Paulo é entender as peculiaridades do estado e não ser o chamado “político de carteirinha”. Este último argumento Paulo Skaf não tem, mas se diz escolado no primeiro quesito. Empresário do ramo têxtil, Paulo Antônio Skaf é novo no cenário. Com fama de conciliador, ele distribui críticas, mas é bem recebido em diferentes ambientes. Assim, tem conseguido se manter influente entre empresários e ainda ganhar espaço no ambiente político. Defensor das condições de igualdade para que as indústrias brasileiras tenham força para competir com o capital estrangeiro, ele se apresenta como porta-voz do capitalismo nacional. É o presidente da poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que representa por volta de 130 mil empresas e um nicho superior a 20% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Além disso, também é presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), do Serviço Social da Indústria (Sesi-SP), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP) e do Instituto Roberto Simonsen (IRS).


Kassab: mais seguro e experiente

Antes de seguir a carreira de homem público, sua fábrica enfrentava dificuldades cada vez maiores. Em 2000, decidiu fechar a indústria por considerá-la sem condições de competir. Anos depois, em 2009, integrou-se ao cenário político brasileiro. Um ano depois, lançou-se para o cargo de governador de São Paulo, ficando em quarto lugar, com 4,5% dos votos. Agora quer ser novamente candidato, pois diz estar mais experiente na política. “Estou ciente de todos os assuntos relativos ao país e, sobretudo, a São Paulo. Aqui há problemas crônicos sempre presentes em debates eleitorais, como saúde e violência, que é preciso pôr um fim”, declara o peemedebista.

O novo PT em São Paulo

“Com a liderança do presidente Lula, o papel decisivo da presidente Dilma, temos ótimos nomes para concorrer ao governo de São Paulo.” Esta frase mostra o que o ex-presidente tenta esconder há tempos, mas praticamente todos sabem: na reforma ministerial que a presidente Dilma Rousseff fará ainda neste mês, Alexandre Padilha, ministro da Saúde, vai disputar pelo PT a vaga pela cadeira do Palácio dos Bandeirantes. Alexandre Rocha dos Santos Padilha nasceu no dia 14 de setembro de 1971. Formou-se em medicina pela Universidade Estadual de Campinas. Em 1990, sua atuação no movimento estudantil levou-o a ser coordenador geral da Direção

Skaf: fama de conciliador

Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina. Um ano depois, ingressou no diretório estadual do PT, no qual permaneceu até 1993. Destacando-se na vida partidária, foi convidado para trabalhar na coordenação nacional das campanhas à Presidência da República de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989 e 1994. Depois de passar quatro anos no Pará como coordenador de Projetos de Pesquisa, Vigilância e Assistência em Doenças Tropicais, em 2004, durante o primeiro mandato do presidente Lula, assumiu o cargo de diretor de Saúde Indígena, na Fundação Nacional de Saúde. No ano seguinte, foi conduzido para a Secretaria de Relações Institucionais, ligada à Presidência da República, onde permaneceu até 2010, primeiro como assessor e depois como secretário com status de ministro. Assumiu a pasta no fim de 2009, após José Múcio Monteiro ter sido indicado pelo presidente Lula à vaga aberta no Tribunal de Contas da União. Desde então, tem feito política ao extremo, mas ainda assim continua a negar uma possível candidatura. “O processo eleitoral nem começou ainda”, diz.

Alckmin: forte, mas perseguido

Um dos políticos mais influentes do Brasil atual, o tucano Geraldo Alckmin sabe que 2014 será decisivo para suas pretensões políticas. Candi-

dato à reeleição, emergiu na política brasileira com o estilo daqueles que conduzem a vida com a leveza de comerciante sem pressa. Críticos o cobram por um estilo mais agressivo, apoiadores acham que a tática é inteligente. O governador revela-se um corpo aparentemente estranho num partido habituado a produzir personagens cosmopolitas, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Alckmin parece ser o avesso do avesso de tal estilo do fenótipo e da genética do tucanato. A frase contra seus críticos está na ponta da língua: “Não sou de fazer show para o eleitor. Se me acham insosso, levo no bom humor”, diz. Na prática, iniciou a carreira na vida pública como vereador em sua cidade natal, com surpreendentes 19 anos. Quatro anos depois, em 1976, foi eleito prefeito de Pindamonhangaba, tornando-se o mais jovem da história da cidade a ocupar o cargo. Em 1982, foi eleito deputado estadual e, em 1986, deputado federal constituinte. Chegou ao governo de São Paulo como vice de Mário Covas, nas eleições de 1994. Foi um dos principais articuladores do governo no interior paulista, principalmente no Vale do Paraíba, o que, de certa forma, garantiu a reeleição da dupla em 1998. Já foi candidato a presidente e a prefeito da capital, sendo eleito governador novamente em 2010.

Excesso de exposição

Para Alckmin, este foi um ano difícil – para dizer o mínimo. Sua administração enfrentou greves na educação e na saúde e teve de lidar com a onda de protestos devido ao reajuste das passagens no metrô e trens metropolitanos. O PSDB ainda está envolvido em denúncias de prática de cartel em cinco licitações do Metrô e da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM), ocorridas entre 1998 e 2007. Resta saber se de agora em diante seu talento de político ganhará ainda mais vigor como lenitivo contra tais crises. Como se viu até aqui, o histórico lhe confere alguns créditos nesse quesito. Dezembro de 2013 |

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Seu bolso

Saiba qual o melhor destino para o seu 13º

Divulgação

Marcos Cazetta Economista e especialista em finanças pessoais marcoscazetta@hotmail.com

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nfim, chegamos ao fim do ano. É grande de aplicação do dinheiro for de até doze meses, o número de pessoas que destinam gran- como para a compra de um carro novo, a melhor de parte ou até mesmo todo o 13º salário aplicação hoje será a poupança, pois não existe a em compras de produtos diversos, mui- cobrança de Imposto de Renda e seu rendimento tas vezes não tão essenciais ao seu dia a dia. E está em torno de 6% ao ano. você, onde usará o seu? Se o objetivo é de médio prazo, ou seja, o peTalvez este seja um ótimo momento para ríodo em que o dinheiro ficará aplicado será de até colocar em prática uma daquelas promessas três anos, você terá mais opções, mas elas irão vaque fazemos todo fim e começo de ano: guardar riar de acordo com sua disponibilidade em correr dinheiro. O momento é propício, então, para riscos. Se você tem um perfil mais conservador, avaliar os melhores investimentos e começar a uma boa opção são as letras de crédito do Tesouro poupar. Pensando nisso, segue algumas opções Direto, que podem estar atreladas a índices como para seu novo plano. o IGP-M (que mede a inflação) e podem lhe traEm primeiro lugar, livre-se das dívidas. Com zer rentabilidade de até 7,17% ao ano. certeza, qualquer taxa de empréstimo ou finanSe você tem um perfil mais ousado, com ciamento seu tem uma taxa muito maior do que maior disponibilidade ao risco, vale a pena proqualquer novo investimento. Assim, se tem dívi- curar uma corretora para iniciar investimentos em das no cartão de crédito, financiamento de veículo fundos de ações. Neste caso, fica difícil projetarou empréstimo pessoal, procure o gerente de sua mos uma taxa média anual, mas os números ao conta e peça para que ele atualize seu saldo de- longo da história mostram que a valorização das vedor. Você verá que vale a pena antecipar estes ações ao longo do tempo sempre foi maior que pagamentos. Além do desconto por antecipação, a rentabilidade dos investimentos em renda fixa. haverá um novo fôlego no seu orçamento mensal. Basta que você tenha paciência e estômago para Se este não for o seu caso, ótimo! Você já está ver as ações oscilarem. pronto para o plano de começar a poupar. A partir Caso o objetivo seja de longo prazo, isto é, daí, é só procurar o melhor investimento e pronto? por um período superior a três anos – com objeDe forma alguma. O primeiro passo é pensar em tivos como complementar sua aposentadoria ou qual será o objetivo desta poupança. Qual o moti- pagar a faculdade dos filhos –, vale a pena iniciar vo deste investimento? Certamente você não vai uma previdência privada. Para isso, basta propoupar apenas por achar bacana ter um dinheiro curar o gerente de sua conta bancária para que guardado no banco. Por isso, o primeiro passo é ele indique quais planos seu banco oferece. Há muito importante. Considere isso principalmente alguns pontos importantes a serem observados, se estiver pensando em trocar de carro, comprar a como a taxa de administração ou recarga, além casa própria, ter um fundo de emergência ou uma da forma de pagamento do Imposto de Renda poupança para a faculdade dos filhos. (alguns planos possuem incidência de Imposto Objetivo definido, de Renda sobre o valor podemos passar para o total aplicado). Portanto, segundo passo. Como fique atento. Compare as já tem ideia de quanto Espero que as dicas tempo precisará para ajudem você a utilizar seu oportunidades chegar ao seu objetivo, 13º salário para iniciar sua para aplicar este agora podemos iniciar nova poupança. E lembrea nossa procura pelo -se: ter uma vida financeira dinheiro extra e melhor investimento. saudável também é qualicomece o ano com Nos casos em que dade de vida. o objetivo for de curto Ótimas festas e um feum bom investimento prazo, ou seja, o prazo liz 2014!


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Economia

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escolha da posentadoria

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Camila Bevilacqua – camila@leiaabc.com

arar de trabalhar antes dos 60 anos de idade com tempo e disposição para realizar projetos pessoais como viagens, hobbies ou cursos, e ainda contar uma renda mensal fixa, é o sonho de muitos brasileiros. O grande problema – que tem sido o principal empecilho para quem se planeja – é saber exatamente qual o melhor caminho para garantir de fato uma boa aposentadoria. No Brasil, há duas formas de obter o benefício: pela previdência social ou por meio da previdência privada. Como cada uma tem vantagens e desvantagens, é importante considerar as diferenças entre as duas, segundo Andreia Tassiane Antonacci, advogada e consultora especialista em direito trabalhista e previdenciário, de São Caetano do Sul. A previdência social é compulsória, possui limites de recolhimento mínimo e máximo e a renda deve ser, exceto no caso do contribuinte facultativo, decorrente do trabalho. Já na previdência privada, os valores são estabelecidos pelo beneficiário. “Existe a possibilidade de recolher independentemente de trabalho, de deixar de recolher a qualquer momento e de adesão por qualquer empresa que apresente uma boa proposta.” No caso da previdência social, o segurado poderá recorrer à aposentadoria por tempo de contribuição, por idade ou

invalidez. A aposentadoria por tempo de contribuição se subdivide em integral, ou seja, para os homens que tenham contribuído por 35 anos e para as mulheres que tenham contribuído por 30 anos, não sendo necessária idade mínima. “Na subdivisão proporcional os homens que tenham contribuído durante 30 anos e com idade mínima de 53 e as mulheres que tenham contribuído durante 25 anos e com idade mínima de 48 podem requerer o benefício”, explica Eliane Lago Mendes Pereira, advogada previdenciária e empresarial, de São Bernardo do Campo. Nesse tipo de aposentadoria há a exigência do chamado “pedágio”, um adicional de 40% sobre o tempo que falta para completar 30 anos de contribuição. Quando se trata da aposentadoria por idade, os trabalhadores urbanos têm direito ao benefício quando completam 65 anos (homens) ou 60 anos (mulheres), mediante comprovação. “Os trabalhadores rurais podem pedir aposentadoria com cinco anos a menos: a partir dos 60 (homens) ou 55

(mulheres). Para ambos, é necessário o tempo mínimo de 15 anos de contribuição”, diz a advogada. Para solicitar a aposentadoria por invalidez, o segurado deve provar a incapacidade laborativa e somente um médico perito poderá atestar e conceder o benefício. Quando a causa do pedido for uma doença comum, existe carência de 12 meses de contribuição, mas, se a invalidez for consequência de um acidente, a única exigência é que o trabalhador esteja inscrito no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Elaine alerta que trabalhadores autônomos, ou os chamados facultativos (como estudantes e donas de casa), também devem se inscrever na previdência social. “O trabalhador deverá preencher a Guia de Recolhimento da Previdência Social (GRPS) com o valor que deseja contribuir e pagar mensalmente. Para os autônomos, a contribuição é de 20% sobre a remuneração recebida no mês. Caso preste serviços a uma empresa, esta é obrigada a recolher para o INSS 11% sobre o valor pago”, informa.

Fotos: Camila Bevilacqua

Planejar-se com antecedência e conhecer bem as diferenças entre previdência social e previdência privada é fundamental para garantir uma velhice tranquila

Andreia, advogada e consultora

Eliane, advogada previdenciária

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Economia

Fiscalizada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão do governo federal, a previdência privada é uma forma de aposentadoria que não está ligada ao INSS, mas pode ser complementar à pública, por isso também é chamada de previdência complementar. A principal característica dessa modalidade é que ela depende basicamente da disponibilidade de renda de cada um, e não necessariamente do tempo de trabalho. O valor a receber também é diretamente proporcional ao contribuído. Os economistas alertam que é necessário analisar diversos aspectos antes de iniciar um plano de previdência, tendo em vista que o rendimento futuro dependerá de vários fatores que podem mudar ao longo dos anos, como a taxa básica de juros. Para programar um plano deste tipo é preciso procurar as empresas privadas que oferecem este benefício, como os bancos. Ao contrário da social, a previdência privada disponibiliza planos nos quais é possível escolher o valor da contribuição e a periodicidade com que ela será realizada. Pode-se contribuir com R$ 100 uma vez ao ano, por exemplo. Há ainda a vantagem de poder resgatar o montante antes de se aposentar. Para Elaine, a previdência privada é uma espécie de “poupança” de longo prazo que tem como principal objetivo evitar a redução drástica de renda depois que a pessoa para de trabalhar. “Existem dois tipos de previdência privada: Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL). Ambos proporcionam benefícios tributários e fiscais. A diferença é que o usuário do sistema PGBL pode abater as contribuições até o limite de 12% no Imposto de Renda. Por isso, o PGBL é mais indicado ao contribuinte que opta pela declaração de rendimentos pelo modelo completo e para aquele que possui renda mais alta”. No momento da contratação do plano, o contribuinte deve projetar 20

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Fotos: Camila Bevilacqua

Sistema privado é mais flexível

Krempel: Quanto antes, melhor um valor a ser recebido e uma data para o benefício. Assim, é feito um cálculo de quanto ele terá que contribuir mensalmente para alcançar o montante desejado. Quanto antes iniciado o plano, menor será o valor das parcelas mensais. O resgate do recurso é feito na data de saída do plano, que pode ser total ou parcial. O saldo também pode ser revertido em uma das formas de renda mensal disponíveis, vitalícia ou temporária. Cabe ressaltar que também podem ser realizados resgates ao longo do período de acumulação. As empresas cobram até três tipos de taxa dos participantes: carregamento (sobre cada contribuição), gestão (anual) e saída (no momento do resgate). Já a previdência social não cobra qualquer taxa. “A previdência social é paga de forma vitalícia, o que nem sempre ocorre com a privada. A previdência social paga a aposentadoria por toda a vida do segurado, independentemente de quanto tempo ele viver. Já na previdência privada, o usuário para de receber quando o valor que conseguiu acumular ao longo dos anos termina”, aponta Elaine. De acordo com Luiz Krempel, planejador financeiro do site de gestão e controle de finanças pessoais Guia Bolso, quanto mais cedo começar a pagar a previdência social e/ou

Gilda: cursos e viagens a privada, melhor para o contribuinte, especialmente porque a expectativa média de vida do brasileiro aumentou. Se o objetivo é ter tranquilidade financeira na velhice, algumas metas devem ser traçadas, o que significa que aos 50 anos a pessoa deve ter recursos para viver como aposentado pelos próximos 25 anos. “O ideal é separar uma pequena parte do orçamento a partir dos 25 anos de idade. Quanto mais velho, maior será o esforço para manter o padrão de vida depois. Ao separar 10% da renda para este fim aos 25 anos, por exemplo, pode garantir seu estilo de vida. Se você começar aos 50, deverá poupar próximo a 35% da renda, um valor muito mais alto”, esclarece. Krempel ressalta que para quem ganha acima do teto previdenciário, atualmente de R$ 4.159,00, a previdência privada é a melhor alternativa para manter o padrão de vida. Para os que pecam na organização dos gastos, o planejador financeiro aconselha a não perder o foco, destinando parte do que é recebido para uma poupança de longo prazo. “Se isso for muito difícil, uma boa estratégia é programar aplicações automáticas para o dia em que receber o salário, antes mesmo de pagar as demais contas. Isso evitará que gaste esse dinheiro no decorrer do mês.”


Existe vida após a aposentadoria

Algumas pessoas aguardam ansiosamente o momento de se aposentar, mas quando chega a hora acabam se sentindo perdidas. Com Gilda Napoleão, 55, de Santo André, foi diferente. Professora e advogada aposentada desde 2012, ela conseguiu seu benefício depois de 40 anos de contribuição. “Aposentar para mim sempre foi um objetivo, pois sabia que teria a sensação de dever cumprido. Não tive nenhum problema quanto a isso, como ficar doente ou deprimida. Pelo contrário, aguardei ansiosamente”, conta. Mesmo depois de aposentada como funcionária pública estadual pela São Paulo Previdência (SPPREV), Gilda continua trabalhando na área de educação, mas sem o compromisso de um emprego fixo. “Supervisiono cursos de qualificação profissional, ministro aulas em curso

preparatório para concurso público de professores, coordeno provas do Enem e aplico a Prova Brasil. Acho importante ter alguma atividade para não ficar no ostracismo e continuar me atualizando”, afirma ela, que também foi reeleita presidente do Conselho Municipal de Educação de Santo

Os especialistas indicam que trabalhadores autônomos e facultativos (estudante e donas de casa) também devem inscrever-se na previdência social

André para o biênio 2013/2014. Apesar de continuar trabalhando, Gilda conseguiu realizar alguns sonhos. A fim de conhecer neve e a cordilheira dos Andes, viajou para o Chile, e em 2012 foi a Paris com o marido. Bem-humorada, ela conta que em visita ao antigo emprego, na diretoria de ensino, os ex-colegas elogiaram a aparência descansada e o ar rejuvenescido. “Meus planos incluíam cursos de teologia, inglês, história da arte e dança, mas nunca tinha tempo. Depois da aposentadoria, fiz o curso de teologia. O de inglês e história da arte farei no início do ano que vem. Meu grande sonho mesmo é me mudar para a praia”, revela Gilda, garantindo que o aspecto mais importante a ser considerado antes de aposentar-se é planejar. “O trabalhador que pensa na aposentadoria com antecedência tem mais chances de ter uma vida digna e sem sobressaltos”, conclui.

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Em forma

Os efeitos das dietas Tamyres Barbosa Nutricionista tatatri@gmail.com

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azer dieta não é um sofrimento. Não Quando se trata de nutrientes, a reeducação encare sua reeducação alimentar como alimentar não deve ser eliminar nenhum grupo uma ditadura. Para se adequar ao seu de alimentos. Devemos seguir as recomendaplano alimentar, basta ter informações ções da pirâmide alimentar adaptada à populacorretas para não escorregar na escolha dos ção brasileira, que indica que devemos ingerir alimentos e seguir com disciplina o cardápio. seis porções do grupo de cereais, tubérculos Sabemos que toda dieta, toda reeducação e raízes (pão, arroz, macarrão, batata, aveia), alimentar funciona, porém muitas pessoas en- três porções de verduras e legumes, três porcontram dificuldade em manter-se no seu pla- ções de frutas, três porções de leite e derivados no alimentar no longo prazo. Isso pode ocorrer (leite, queijo, iogurte), uma porção de carne, devido a compromissos sociais, dificuldade uma porção de leguminosas (feijão, ervilha, em resistir a alimentos que estão fora da dieta soja, lentilha), uma porção de óleos e gorduras ou mesmo em incorporar novos alimentos que (óleo, azeite, margarina) e uma porção de açúnão são habituais ao seu dia a dia. cares e doces, todos os dias. O grupo dos cerePara ajudar a seguir seu planejamento ali- ais (carboidratos) é o mais importante da nossa mentar, vamos entender o que ocorre em nosso alimentação, pois dele deriva a energia que nuorganismo quando iniciamos uma dieta. Nos- tre nosso cérebro e músculos. Uma dieta sem so estômago é um órgão elástico. Cada pessoa alimentos dessa fonte prejudica o sistema nertem uma capacidade de volume de alimentos voso, e logo a pessoa que não o consome fica que cabe em seu estômago. Quando nos ali- irritada, nervosa, sonolenta. mentamos e ficamos saciados, significa que Outro hábito que devemos adotar é o de atingimos o volume máximo dele. Se ingerir- NÃO excluir nenhum alimento de nossa alimos um volume maior que a capacidade do es- mentação diária. Em vez disso, devemos ser tômago, ele estica, aumentando seu tamanho, radicais por um tempo, pois isso fará com e na próxima refeição teremos que comer uma que nosso cérebro se acostume com os noquantidade maior para saciá-lo. vos alimentos saudáveis. Isso não quer dizer Aqui, é importante ressaltar que o líquido que você deixará de gostar de pizzas, doces ingerido durante a refeição também estica o e frituras, tampouco fará com que salada de estômago, mesmo sendo ele água ou chá. Por tomate e alface, arroz integral e peito de franisso, deve-se evitar ingerir líquidos juntamen- go cozido se tornem seus pratos prediletos. te com as refeições. Quando começamos uma Você vai perceber que, com o tempo, comer dieta e restringimos a quantidade de alimen- os alimentos que estão na dieta não causa intos, consequentemente diminuímos o núme- cômodo e ficar sem comer os que estão fora ro de calorias ingeridas. Aí vem a “fome”, o não te deixará triste. “ronco” do estômago. Entretanto, da mesma Devemos entender que estamos há muito maneira que o estômatempo dentro de um pago aumenta, ele tamdrão e é necessário fazer bém diminui, e essa sacrifícios para mudá-lo. fome inicial passa no Com o tempo, porém, Para perder período de quatro dias a ingestão de alimentos peso, reeducação a uma semana. A esse diferentes daqueles aos fenômeno denominaquais se estava acostualimentar é mais mos de reeducação alimado torna-se um hábito eficiente do que mentar: seu estômago natural e, com novos háestá reeducado em rebitos de vida, o corpo e a a restrição lação à quantidade de saúde ficam muito mais alimentos ingeridos. bem cuidados.


Saúde

Fotos: Camila Bevilacqua

Convênios sucateados Waldir David: falta investimento

Barroca, da ANS: agência definiu padrões

Rosana: aumentos são abusivos

Convênios médicos somam mais de seis mil reclamações no estado só no primeiro semestre

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Lívia Sousa - livia@leiaabc.com

ma avalanche de reclamações tomou conta dos serviços privados em todo o Brasil nos últimos anos. Em vez de retorno positivo, quem busca por comodidade e agilidade no atendimento particular muitas vezes ganha “dor de cabeça” e passa a fazer parte da extensa lista de queixas da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon). De acordo com Waldir Tadeu David, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Privados de Saúde e Empresas que Prestam Serviços de Saúde e Atividades Afins do ABCMRP (Sindsaúde ABC), a saúde privada nacional atende em torno de 47 milhões de usuários. “O restante é público, sistema que não tem estrutura para toda a população e é penalizado por isso. O curioso é que o setor privado diz não ter lucro atendendo 47 milhões de pessoas”, analisa. David acredita que, de um modo geral, os convênios particulares locais oferecem um serviço de qualidade, mas alerta para a falta de investimento das empresas no próprio ABC. “Além dos hospitais Santa Helena e Cristóvão da Gama – este segundo construiu um anexo e aumentou o número de funcionários –, grande parte dos convênios busca os clientes aqui, mas os atendimentos acabam sendo feitos em São Paulo. Um prejuízo local, porque também não gera emprego. Mas eles não querem saber, o importante é que estão ganhando dinheiro”, diz. Para que o segmento comece a

apresentar uma melhora significativa nos próximos anos, o presidente aponta para a criação de Conferências e Conselhos Municipais, Estaduais e Nacionais direcionadas à saúde suplementar com a participação de pessoas físicas, jurídicas, empresários, operadoras e governo. Segundo ele, seria a maneira ideal para se chegar a um acordo entre a demanda dos clientes e o serviço oferecido pelos planos. “Temos que começar a entender que, apesar de sermos a favor da saúde pública, a saúde suplementar está aí, não podemos escondê-la e a tendência é de que cresça ainda mais. Se a deixarmos continuar crescendo sem a intervenção de políticas, as operadoras e os planos de saúde irão fazer o que querem”, finaliza.

Abusos e reclamações

Segmento que ocupa a sexta posição deste ranking no Estado de São Paulo, a insatisfação com os planos de saúde reuniu 6.550 atendimentos no primeiro semestre de 2013. A demora na autorização de procedimentos e exames, assim como o cancelamento do plano sem aviso prévio, erros no boleto e a negativa de cobertura ou reembolso de intervenções e medicamentos exigidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estão entre as maiores reclamações dos consumidores não só no Procon da capital paulista, mas também em outras unidades e junto aos profissionais de direito. “Segundo os clientes que nos procuram, a alegação das seguradoras e dos planos é de que determinados procedimentos, exames e medicamentos não


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constam na lista de cobertura da ANS ou ainda que alguns deles são experimentais e, portanto, também não encontram amparo da agência. Isto cai por terra quando suscitadas em nosso judiciário”, diz Rosana Torrano, advogada especialista em direito médico e hospitalar. O aumento abusivo da mensalidade para clientes com 60 anos ou mais (proibido pelo Estatuto do Idoso, pelo Código de Defesa do Consumidor, pela Lei dos Planos de Saúde e pela própria ANS, mas adotado por algumas empresas para forçar os consumidores a desistirem do convênio) é outro item apontado pela profissional. “O processo em si leva em torno de um a dois anos para ter resolução definitiva, mas tanto a questão de negativa de cobertura quanto a do aumento abusivo por faixa etária são ações do mesmo grau de complexidade, assim não existe uma mais fácil ou mais difícil de ser resolvida”, esclarece. O consumidor cobrado fora dos padrões estabelecidos pela ANS pode procurar ainda a própria instituição e fazer sua denúncia, exigindo inclusive uma justificativa por escrito da operadora. “Além dos idosos, o reajuste indevido também é válido para deficientes ou pessoas com doenças graves. Nesses casos, a operadora poderá ser multada em R$ 50 mil e punida caso se verifique que ela dificulta este acesso”, explica José Luís Barroca, diretor-adjunto de produtos da ANS.

Autoridades estão de olho

Em atividade desde 2000, a ANS teve como desafio regulamentar um mercado que, mesmo em atividade há cinco décadas, ainda não contava com regras específicas. Para avaliar se o atendimento e o acesso oferecidos pelas empresas contratadas seguem as exigências da legislação, a entidade monitora diversos aspectos, como o cumprimento dos prazos máximos de atendimento. “Se os beneficiários não conseguirem agendar os atendimentos nos prazos estabelecidos pela norma – incluindo consultas, exames e internações –, a operadora poderá ter a comercialização de planos suspensa e sofrer punições mais severas, como a instauração de Regime Especial de Direção Técnica e até mesmo o seu cancelamento de registro”, alerta Barroca. Recentemente, 150 convênios médicos de 41 operadoras tiveram a comercialização suspensa pela entidade pelos próximos três meses em razão de reclamações assistenciais. Sendo uma das áreas de maior insatisfação no país, o consumidor deve analisar diversos fatores antes de escolher um serviço individual ou coletivo, como a relação de profissionais de saúde, laboratórios, clínicas e hospitais credenciados e se o atendimento prestado pela empresa conta com restrição geográfica ou abrange todo o território nacional. “Essas variáveis, combinadas com

a idade do beneficiário, definirão o valor da mensalidade do plano”, lembra o diretor-adjunto, completando que a decisão deve envolver não apenas a situação financeira do usuário, mas também suas reais necessidades e as condições do plano oferecido. “O portal da ANS mostra um comparativo com a média de outras operadoras do mesmo porte. Dessa maneira, diminuímos a assimetria de informação e o consumidor tem formas de fazer uma escolha consciente.” É importante verificar ainda se a operadora contratada tem planos de saúde com comercialização suspensa, bem como a posição que ocupa no Índice de Reclamações e seu desempenho no Programa de Qualificação, informações também disponíveis no portal da ANS. Por outro lado, para que o consumidor conheça todo o conteúdo do contrato antes da adesão, as seguradoras e os planos de saúde têm a obrigação de entregar, no momento da inscrição, a cópia do documento, do regulamento ou das condições gerais do plano ou do seguro, além de material explicativo. Se ainda assim houver dúvidas, a advogada Rosana Torrano afirma que o cliente pode procurar o Procon mais próximo ou até mesmo um profissional de direito, que poderá esclarecer o documento a ser assinado. “Assim, ele não será pego de surpresa quando mais necessitar do convênio ou do seguro-saúde”, garante. Dezembro de 2013 |

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Capa

Enfim, transporte F

Wallace Nunes - wallace@leiaabc.com

ormada por ônibus, trens e metrôs, a rede de transporte público brasileira ainda é considerada um dos grandes gargalos do país, principalmente nas regiões mais populosas. As tentativas de melhorar a qualidade do serviço têm sido infrutíferas, esbarrando em planejamentos falhos e investimentos insuficientes. Quem sofre com isso é a população, obrigada a lidar diariamente com problemas como superlotação e impossibilidade de locomoção. Para fugir do trânsito caótico, os brasileiros investiram maciçamente na compra de automóveis e motocicletas, incentivados pela facilidade de crédito e aumento do poder aquisitivo. O problema é que o número crescente de carros nas ruas contribui para piorar ainda mais os já lendários congestionamentos. Considerado uma das soluções para a

mobilidade urbana, o metrô acabou sendo um privilégio da capital. Nas regiões metropolitanas como o ABC paulista, parte dos moradores mantém a rotina diária atrelada à região, mas muitos trabalham em São Paulo e têm que enfrentar uma rotina diária de conexões. Como agravante, hoje a região metropolitana é três vezes maior do que na década de 1970, tanto em território quanto em população, o que aumenta a necessidade de investimentos em transportes. Atualmente, os sete municípios da região ABC concentram 2,7 milhões de habitantes, distribuídos em 825 quilômetros quadrados e concentrando mais de 50% do PIB do Estado. Região pujante, classe média atuante e grande poder aquisitivo foram requisitos básicos para que os técnicos do governo do estado avaliassem com mais atenção a implantação de uma rede de transporte público de qualidade na região, que se traduz na chegada da Linha Bronze do metrô e extensão da Linha Ouro (Jabaquara-Morumbi), que será prolongada até Diadema. A primeira linha do ABC vai unir a capital a São Caetano, Santo André e São Bernardo do Campo. O trajeto irá da estação Tamanduateí (Linha 2 – Verde do

O incentivador e o executor: Governador Geraldo Alckmin e o deputado Orlando Morando são as pessoas que devem ver o projeto se concretizar em 2016

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Fotos: Divulgação/Governo do Estado

Com as linhas Bronze e Ouro, pela primeira vez metrô sai da capital e vem para o ABC, facilitando o deslocamento de mais de dois milhões de pessoas


transporte de qualidade

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Fotos: Camila Bevilacqua

Capa

EMTU e CPTM já fazem a conexão com o Metrô da Capital e transportam diariamente mais de 500 mil pessoas metrô e Linha 10 Turquesa da CPTM) até o Paço Municipal de São Bernardo, interligando a região ao sistema metroferroviário da região metropolitana de São Paulo. A infraestrutura abrange ainda um pátio de manutenção e manobras. Operando no sistema de monotrilho, usado em outras grandes metrópoles do mundo como Nova York, Chicago, Sydney e Osaka, o objetivo da obra é facilitar a locomoção de pessoas que se deslocam de um município para outro diariamente e reduzir o número de conexões feitas diariamente pelos moradores para chegar ao destino. A construção dos mais de 14 quilômetros de extensão do trajeto está prevista apenas para a primeira etapa da obra. Ao todo, o metrô do ABC terá 13 estações e transportará cerca de 400 mil usuários por dia, sendo composto por 23 trens. O projeto está orçado em R$ 4 bilhões, sendo que R$ 1,2 bilhão será proveniente da Caixa Econômica Federal, R$ 400 milhões do Orçamento Geral da União e R$ 2,4 bilhões do governo estadual.

ABC é uma realidade. As expectativas para a implantação do projeto de mobilidade urbana que contempla o metrô na região são ainda melhores”, diz o deputado Orlando Morando (PSDB), que é um dos maiores incentivadores para vinda e a consequente melhoria do transporte público na região. Segundo o governador Geraldo Alckmin (PSDB), essa é a alternativa de custo mais baixo para a expansão da rede do Metrô em São Paulo. “A implantação, operação e manutenção ficarão a cargo de uma concessionária patrocinada nos termos do modelo de Parceira Público-Privada (PPP)”, explica. “Os investimentos são da ordem de R$ 3,01 bilhões, sendo 55% de aportes públicos e 45% aplicados pelo setor privado”, completa o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, Julio Semeghini. A concessão patrocinada, com prazo previsto para 25 anos, já passou por audiência pública para tornar disponível ao

Investimentos e otimismo

O projeto está orçado em R$ 4 bilhões e conta com recursos dos governos federal e estadual

O primeiro passo para a concretização do projeto foi a divulgação do edital, ocorrida no início de novembro. A assinatura do contrato está prevista para ocorrer ainda em dezembro e o início das obras, para o mês seguinte. “O metrô no 28

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mercado o modelo de PPP e dar suporte às empresas interessadas nas informações do projeto, esclarece o secretário. “Em razão do convênio com o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), haverá desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em obras civis, sistemas e material rodante”. Titular da pasta de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes (PSDB) enfatizou, em entrevista à Leia ABC, que pelo menos quatro grupos já manifestaram desejo de participar da concorrência. “A avaliação do governo é que as chances de que a licitação fique esvaziada é remota. Quem ganhar a concorrência vai ficar responsável pela construção e operação da linha. As desapropriações serão bancadas pelo governo do estado.” As discussões sobre a chegada do metrô ao ABC foram iniciadas em 2009 e despertaram o interesse voraz de lideranças políticas da região pela realização da obra. O peemedebista Paulo Pinheiro, prefeito de São Caetano do Sul, foi o primeiro a exaltar o projeto. “Para São Caetano, este é um fato de grande destaque. A cidade ganhará acesso rápido a São Paulo, Santo André e São Bernardo, além da integração com outras das principais cidades da Grande São Paulo. É um fato histórico para a nossa região.” Pinheiro explica que cinco estações serão erguidas em São Caetano, todas ao


Trânsito na região fica mais caótico a cada dia longo da avenida Guido Aliberti. São elas: Goiás, Espaço Cerâmica, Estrada das Lágrimas, Praça Regina Matiello e Instituto Mauá. “Será propulsor de um desenvolvimento diferenciado para o eixo Guido Aliberti, que possui helipontos, o Espaço Cerâmica e o Instituto Mauá de Tecnologia”, reforça o prefeito. Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo e presidente do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, também demonstra empolgação. “Temos que comemorar esta obra, que será estruturante do ponto de vista do transporte para o ABC, mas beneficiará toda a região metropolitana”, diz. Responsável pelo investimento em 2009 de R$ 1,3 milhão para a elaboração do projeto funcional do monotrilho, Marinho alerta que, com a concretização do projeto, há a necessidade de o Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana retomar a discussão sobre a mobilidade urbana com foco no transporte público. “Nós temos que pensar na necessária integração do transporte na região metropolitana para responder às manifestações populares, que pedem não só a redução das tarifas, mas também a eficiência do transporte.” Na esteira do otimismo está o também petista e mandatário de Santo André, Carlos Grana, que em seu primeiro ano de mandato tem tudo para assistir à inauguração das estações que vão passar por sua cidade. “É muito bem-vindo e temos que estar atentos para melhorar o transporte público no município. Uma obra de altíssimo impacto para a melhoria dos projetos de mobilidade urbana em toda a região”, resume. Por ser a maior cidade do ABC, a partir do próximo ano São Bernardo apresentará um conjunto de obras de mobilidade urbana que devem desembocar nas futuras estações do metrô. Segundo Oscar José Gameiro Silveira Campos, secretário de Transportes e Vias Públicas do município, São Bernardo é uma cidade importante e precisa de um replanejamento urbano a partir da melhoria da mobilidade urbana. “Já não é mais possível gastar tempo enfrentando congestionamentos”, admite.

Muita reclamação, algumas melhorias

O país, sobretudo São Paulo, está longe de ter transporte de qualidade, mas a chegada do metrô no ABC evidencia que é possível fazer Dezembro de 2013 |

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Capa muito com um pouco de boa vontade e sem pensar em direcionamento político. De acordo com a Constituição Federal, o serviço deve ser administrado e mantido pelos municípios, mas os investimentos devem ser realizados também pelos estados e pelo governo federal. É importante ressaltar que, quando se refere ao transporte público, convém avaliar não apenas os meios em si, mas também questões referentes à mobilidade urbana e à infraestrutura existente, como estações e terminais. “A ideia de elevar o sistema é defendida por conta da redução dos custos da obra. Hipoteticamente, enquanto o metrô de superfície custa um, o elevado custa dois e o de túnel, modelo mais utilizado em São Paulo, custa de seis a dez vezes mais. Por isso é tão difícil fazê-lo chegar ao ABCD”, avalia Creso Peixoto, especialista em transportes e professor da FEI. Outros meios de transporte que podem levar a região ao futuro são o Veí-

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-culo Leve sobre Trilhos (VLT) – que chegou a ser avaliado como alternativa no ABCD, mas foi substituído pelo metrô leve –, o ônibus por telefone (um tipo de lotação que funciona em Londres, mais caro que um ônibus comum, mas mais barato que um táxi) e a boa e velha magrela. “A bicicleta é a verdadeira alternativa do futuro”, garante Peixoto. O transporte público não está isolado da lógica urbana, sobretudo das grandes metrópoles, que concentram a maior parte da população do país. Cidades maiores e com grande quantidade

Maior cidade do ABC, São Bernardo apresentará conjunto de obras de mobilidade envolvendo o metrô a partir de 2014

de zonas segregadas necessitam de um transporte público mais amplo e massificado para evitar ônibus lotados e insuficientes para atender à população. O déficit de mobilidade urbana na capital e na região metropolitana, que engloba as sete cidades do ABC, é um assunto que vem sendo discutido com mais força nos últimos anos. Aspectos


Secretário de SBC, Oscar Campos, quer replanejamento urbano

como trânsito carregado, cujos congestionamentos beiram o caos, dificuldades de aplicação de planos diretores que possam beneficiar todos os envolvidos geram incertezas quanto à melhoria da qualidade de vida, tornaram o transporte público um dos principais itens das pautas dos gestores e prioridade na agenda.

A iniciativa do metrô no ABC chega num momento em que a avaliação positiva da população sobre a qualidade dos transportes públicos na região metropolitana de São Paulo é posta novamente em xeque. Segundo uma sondagem realizada pela Associação Nacional de Transportes Públicos, entre 2011 e 2012 o único meio de transporte que teve uma melhora em sua avaliação foi o metrô. Todos os outros – trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), os ônibus da capital paulista e da Grande São Paulo e até mesmo os corredores exclusivos para coletivos – tiveram queda, segundo a Pesquisa de Imagem dos Transportes na Região Metropolitana de São Paulo. Dos oito itens avaliados, apenas três apresentaram melhora em sua avaliação, sendo que o Expresso Tiradentes (antigo fura-fila) é o meio que teve o

maior aumento positivo em sua aprovação, passando de 74% em 2011 para 85% em 2012. Os microônibus da capital paulista, que passaram de 39% para 41%, e o metrô, cuja aprovação subiu de 74% para 75%, aparecem na sequência. O corredor metropolitano ABCD (São Mateus/Jabaquara), gerenciado pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), foi o que registrou maior queda na avaliação. Em 2011, 79% dos entrevistados consideravam o sistema excelente ou bom, número que passou a 67% em 2012, registrando queda de 12 pontos percentuais. Para a pesquisa foram entrevistadas 2,3 mil pessoas, que atribuíram a má qualidade do transporte coletivo da região metropolitana de São Paulo a problemas como falta de linhas, veículos e maior frota nos finais de semana, entre outros problemas. Ainda assim, admitiram que houve melhora nos últimos anos e que mantêm expectativas otimistas quanto aos avanços.

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Comportamento

O ardiloso

transtorno bipolar

Doença crônica que afeta diretamente o cotidiano do portador, o transtorno bipolar pode ser controlado, mas ainda não tem causas esclarecidas pelos cientistas 32

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Lívia Sousa - livia@leiaabc.com


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ais do que conselhos, há quem garanta que o melhor caminho para a evolução pessoal é experimentar o lado doce e amargo da vida. Protagonizar os dois, no entanto, pode passar de aprendizado natural à doença crônica para quem sofre de transtorno bipolar (TB), uma oscilação de humor que leva o indivíduo da euforia à depressão em curtos períodos. Mesmo sem causas esclarecidas cientificamente, os especialistas afirmam que fatores ambientais e biológicos como estrutura psicológica e inserção em rede sociofamiliar e produtiva, além de componentes genéticos, podem contribuir para o surgimento do problema. “Quem tem um familiar bipolar é mais vulnerável ao transtorno do que a população geral, mas não há uma média definida das chances de se desenvolver o problema, somente cálculos especulativos”, explica Luis Pereira Justo, médico-psiquiatra e vice-presidente da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata). Ao contrário da depressão – duas vezes mais frequente entre as mulheres –, o transtorno bipolar atinge igualmente ambos os sexos e aparece em momentos variáveis na vida do indivíduo, como na infância e no início da terceira idade. Mas é no adulto jo-

vem, na faixa dos 20 anos de idade, que a patologia se manifesta pela primeira vez e com mais frequência. A Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB) aponta que 4% dos adultos de todo o mundo são bipolares, percentual que também se estende para o Brasil e representa cerca de seis milhões da população adulta nacional. E.P., morador do bairro Terra Nova, em São Bernardo do Campo, faz parte desta estatística. Com irmãos bipolares, o operador de fotocomposição, que optou pelo anonimato, convive com o transtorno desde 1995. “Tenho consciência de que a doença é crônica e que terei de fazer tratamento por minha vida inteira”, diz. Aos 62 anos, hoje é acompanhado por profissionais de um dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) de São Bernardo.

Tratamento inadequado, negação do portador e falta de apoio podem levar o bipolar ao suicídio

Sintomas e consequências

Os sinais do transtorno variam de acordo com cada portador, mas, segundo Justo, o bipolar enfrenta na maior parte quadros depressivos, momento em que pode ficar sem energia e ter desânimo, pessimismo, falta de interesse e prazer, diminuição de concentração e atenção e dificuldade em cumprir tarefas. “Em casos graves, ele não consegue levantar da cama e exercer atividades básicas”, explica o médico. O problema não é caracterizado somente pela depressão, sendo que alguns portadores também passam por episódios de mania (ataques de euforia, que podem culminar em agressividade) e hipomania (comportamento que pressupõe a mania). Nestes casos, as interferências ficam com o aumento da atividade motora, diminuição do sono e de crítica, dificuldade na conclusão de tarefas e adequação às necessidades cotidianas, além da propensão à explosão e irritabilidade. “O E.P. é uma pessoa totalmente culta, autônoma e autossuficiente. Consegue gerir o recurso financeiro e a vida social, mas quando entra em crise se desestrutura por conta da alta ansiedade”, revela M.H., psiquiatra e funcionária do Caps, que cuida do paciente. “Quando um candidato de seu partido simpatizante concorre a

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Comportamento algum cargo importante, a expectativa exagerada tira o sono dele e o faz ficar agitado e agressivo. Nas eleições recentes, teve uma das piores crises. Jogos decisivos de seu time de futebol também desencadeiam atitudes semelhantes”, completa a profissional, que, assim como o bipolar, pediu para não ter o nome divulgado. A descoberta do transtorno não é feita a partir de sintomas isolados, mas sim com a análise de um conjunto de características envolvendo desde episódios de depressão até mania, hipomania e às vezes mistos. Apesar de alguns pacientes registrarem casos mais agudos, o psiquiatra Justo diz ser difícil predefinir os níveis de gravidade do transtorno bipolar, já que a intensidade da doença varia ao longo da vida de cada pessoa. Em todos eles, porém, são os estabilizadores do humor (como o lítio e os anticonvulsivos), as intervenções psicossociais, as psicoterapias e os grupos de ajuda mútua que aparecem como intervenções mais utilizadas. Como apenas um psiquiatra é capaz de identificar se as oscilações de humor são patológicas ou comuns, muitas vezes pode ocorrer tratamento inadequado ou mesmo a falta de ajuda especializada, já que o preconceito

Camila Bevilacqua

Diagnóstico e tratamento

Justo: intensidade da doença varia ao longo da vida de cada pessoa impede a procura de um psiquiatra. Nestes casos, os desfechos podem ser trágicos. Segundo a ABTB, entre 30% e 50% dos brasileiros portadores da doença tentam suicídio e 20% deles chegam à morte.

TRATAMENTO GRATUITO NO ABC Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Núcleos de Atenção Psicossocial (Naps) Santo André NAPSad Santo André - Rua Gertrude de Lima, 488 - Centro - (11) 4992-3668

CAPS III Centro - Rua Pedro Jacobucci, 470 - Vl. Euclides - Telefones: (11) 43481636 / 4348-1600

NAPS Praça Chile - Praça Chile, 140 - Parque das Nações - (11) 4997-6768

CAPS III Farina - Rua Vicente Galafassi, 110 - N. Petrópolis - Telefone: (11) 4330-3208 / 4330-3114

NAPSI Santo André - Rua Correia Sampaio, 35 - Vl. Vitória - (11) 4975-7545 / 4972-6570 São Bernardo CAPS II Alvarenga - Estr. dos Alvarengas, 3268 - Alvarenga - Telefone: (11) 43571072 / 4121-7342

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CAPS Infantil - Rua Warner, 300 - Jardim Hollywood - Telefone: (11) 4365-2411 Mauá CAPSI Flore-Ser - Rua Vitorino, 37 - Centro - (11) 4516-3600

A negação do problema – e o consequente desconhecimento da doença e possibilidade de tratamento – e a falta de apoio de terceiros (especialmente da própria família) também servem como impulso para a adoção da postura extrema. “A família e os amigos devem fazer com que o paciente leve o tratamento e a medicação a sério. Há pessoas que começam a tomar os remédios, mas após um mês notam uma melhora e interrompem o ciclo. Isso pode ser maléfico, pois contribui para o surgimento de novos episódios em períodos mais curtos, muitas vezes em uma intensidade ainda maior”, frisa o médico. As pessoas próximas ao bipolar devem ainda reduzir o estigma de loucura e culpa do paciente pelo seu comportamento. “A compreensão, acolhimento e suporte são preciosos. Com tratamento adequado, quem tem o transtorno pode viver normalmente”, conclui o especialista.


Tech

O avanço do m-commerce Luiz Paulo Bellini Junior bellini@awdigital.com.br

O

comércio eletrônico pelo celular, Enquanto isso, no Brasil, o comércio mais conhecido como m-commer- eletrônico pelo celular representa algo em ce, está crescendo a uma veloci- torno de 3,6% do total, ou aproximadadade de dois dígitos nos Estados mente R$ 1 bilhão. Sim, o m-commerce Unidos. A tendência é fechar 2013 com um está engatinhando no nosso país. Mas o faturamento total de US$ 41,68 bilhões, acelerado crescimento do uso de celulares 68,2% a mais que no ano passado. inteligentes pelos brasileiros e o amaduO volume total do e-commerce nos Esta- recimento do comércio eletrônico em gedos Unidos é de impressionantes US$ 262,3 ral estão gerando oportunidades para uma bilhões. Em 2017, este montante deve atin- evolução vertiginosa nos próximos anos. gir quase US$ 440 bilhões, segundo a eMar-keter, ficando o m-commerce com uma par- Obstáculos e oportunidades No início deste ano, o Google divulticipação de 26% de todas as vendas on-line, gou uma pesquisa sobre os principais ou seja, US$ 113 bilhões. Para termos uma pequena noção da rá- entraves à evolução do m-commerce no pida expansão do m-commerce nos gran- Brasil. O motivo mais citado (32,1%) foi des varejistas americanos, o faturamento a velocidade de carregamento das páginas pelo celular no eBay cresceu 90% em um das lojas virtuais no celular. Na segunda ano, enquanto o e-commerce tradicional posição de reclamação, mencionada por 29,2% dos entrevistados, ficou a ausênevoluiu 20%. Andrew Lipsman, da comScore, afir- cia de um formato para telas pequenas ma que estamos vivendo um ponto de – maioria dos smartphones brasileiros, inflexão, com muitos consumidores uti- principalmente na classe C. Mas estes empecilhos são de fácil solizando as funções mais avançadas de seus smartphones, incluindo transações lução, pois basta que os varejistas criem comerciais. Segundo Lipsman, um de uma versão mobile, de adaptação autocada 10 dólares do comércio eletrônico mática (responsiva) para os dispositivos nos EUA é proveniente da compra pelo móveis. Estamos vivendo uma mudança no celular. O ritmo está evoluindo mais rápido do que seu predecessor, o e-commerce comportamento do consumidor brasileitradicional. A previsão é que em 2017 o ro, impulsionado principalmente pelos m-commerce represente 25% das vendas jovens entre 15 e 35 anos e pelo crescimento das vendas dos smartphones em totais do varejo on-line naquele país. Do outro lado do mundo, no Japão, os todo o Brasil – 110% de aumento de vendas jovens consumidores usam como meio em um ano, conquistando 54% do mercado de celulares –, que atupreferencial de comalmente soma pouco pra seus telefones mais de 260 milhões celulares, o que tem de aparelhos. chamado a atenção Ainda pequeno no Brasil, O que era uma de investidores. No comércio pelo celular promessa, atualmenpaís, o m-commerce é te é uma das maiores o segmento que mais deve fechar o ano com oportunidades para cresce no setor de efaturamento de US$ 41 os varejistas on-line, -commerce, represendespontando como tando praticamente bilhões só nos EUA uma das grandes ten50% de todas as comdências para 2014. pras on-line. Dezembro de 2013 |

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Cidades

Nem tão assim

rico

Um em cada quatro dos mais de 2,4 milhões de habitantes da região do ABC vive em situação de penúria afofo, casebre, periferia, bairro de lata ou favela. São muitos os nomes com o mesmo significado que, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), definem uma área degradada da cidade, com falta de infraestrutura e sem regularização fundiária. Tais espaços por vezes se formam em encostas de maneira ilegal, resultantes de invasões e são formados por moradias modestas, habitações improvisadas e assentamentos precários e/ou irregulares. Entre 1990 e 2005, a população das favelas diminuiu em 10% no mundo, mas o número de moradores nessas áreas ainda é crescente. No último mês, foi divulgado o Levantamento de Informações Territoriais (LIT) com base no Censo Demográfico de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com a pesquisa, a região Sudeste reúne aproximadamente metade dos domicílios em comunidades carentes do Brasil (49,8% do total). No Grande ABC, a situação é igualmente preocupante e as moradias em áreas irregulares são um problema de longa data. Cerca de 620 mil pessoas moram em situação de penúria, o que equivale a um em cada quatro dos mais de 2,4 milhões de habitantes da região (população estimada pelo Censo 2010). Luci Praun, mestra em sociologia e especialista em história, sociedade e cultura, explica que toda a área passou por um boom de crescimento na década de 1950, período que coincide com o processo de industrialização intensa e urbanização do País. “Foi nesse con-

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Fotos: Camila Bevilacqua

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Camila Bevilacqua - camila@leiaabc.com


texto que a região, particularmente São Bernardo do Campo, recebeu parte das fábricas do ramo automobilístico, que foram responsáveis pelo nascimento de uma série de outras fábricas do ramo de autopeças”, revela. Este processo gerou uma demanda maior de trabalhadores que vieram morar na região. Para se ter ideia, em 1950 São Bernardo contava com 45 mil habitantes. No fim da década, somente a base metalúrgica já era de quase 40 mil operários. Claro que a chegada desses trabalhadores se deu de forma desordenada e o resultado mais direto desse processo foi a formação de parte significativa das favelas. Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá foram as quatro cidades do ABC analisadas na pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com base na amostra chegou-se a algumas conclusões como a de que apenas 1,06% da população que vive em favelas havia completado o ensino superior em 2010. De acordo com a socióloga, as razões são variadas. Uma delas está relacionada ao baixo poder aquisitivo da população dessas áreas. “Inserir-se no meio universitário, mesmo com bolsas de estudo, requer condições financeiras para transporte, alimentação, compra de livros e outros materiais didáticos. Não basta a bolsa”, explica Luci.

Projetos existem, mas são insuficientes

Atualmente, há 149 assentamentos precários em Santo André, com cerca de 117 mil pessoas e 46 áreas instáveis. De acordo com Paulo Piagentini, secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação da cidade, há um projeto para iniciar a regularização fundiária a partir de 2014 de pelo menos 15 mil moradias urbanizadas no município. O Programa Cidade Legal abrange núcleos públicos e privados, reconhecidos como de interesse social ou ocupados predominantemente por população de baixa renda. “Os 150 núcleos e conjuntos inicialmente indicados para a regularização com o apoio do programa foram divididos em quatro módulos de trabalho com cerca de 30 assentamentos cada um. Assim, serão

adotadas medidas para simplificar o registro em cartório das escrituras de cada imóvel”, conta Piagentini. Em 2011, havia 16 projetos que beneficiavam oito áreas irregulares da cidade, onde vivem aproximadamente 25 mil pessoas, com investimento de R$ 220 milhões. As obras previam a construção de dez conjuntos habitacionais e, de acordo com o secretário, tudo está em andamento. Neste ano já foram entregues 386 unidades habitacionais e ainda há a previsão de entrega de mais 414. “Outras 1.312 unidades, que já se encontram com obras iniciadas, serão entregues em 2014. Para o ano seguinte, também já temos obras iniciadas para mais 352”, diz. Além dos recursos próprios para as ações em andamento, há verbas provenientes do governo federal no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras de urbanização. Já a Prefeitura de São Bernardo do Campo desenvolveu estudos em 2009 e 2010, e identificou 90.437 domicílios localizados dentro de assentamentos precários e/ou irregulares, o que corresponde a 34% do total de casas do município. De acordo com a secretária de Habitação, Tássia de Menezes Regino, são 261 assentamentos mapeados, sendo 155 favelas e 106 loteamentos irregulares. “Mais de 50% desses domicílios estão construídos na Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais Metropolitanos da Billings (APRM-B) e há mais 11 conjuntos habitacionais públicos que ainda são irregulares”. Com o estudo foi elaborado um diagnóstico e definidas ações estratégicas. Hoje, a secretaria já está trabalhando diretamente em 68 áreas com mais de 20 mil famílias. “Nos Programas de Urbanização Integrada e Produção Habitacional temos hoje 27 áreas com obras asseguradas através de 14 contratos assinados com o governo federal, no âmbito do PAC”, explica Tássia, revelando que os acordos somam um investimento de R$ 756,3 milhões. Em paralelo, o município elaborou projetos e apresentou pleito de recursos do governo federal para execução de mais 21 obras no valor de R$ 30,6 milhões.

Luci Praun, especialista em sociedade e cultura

Paulo Piagentini, secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Sto. André

Tássia Regino, secretária de Habitação de São Bernardo Dezembro de 2013 |

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Esportes

Futebol de momento

Clubes do ABC apontam o calendário como o problema para driblar má campanha, mas planejamento das agremiações ainda é superficial

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Wallace Nunes - wallace@leiaabc.com

Shutterstock

s clubes do ABC estão prontos para 2014, mas, pelo que tudo indica, apenas para mudar de ano. Se no futebol planejar é uma arma fundamental para obter bons resultados, as quatro agremiações da região – os tradicionais Santo André e São Caetano e os “novos” São Bernardo e Água Santa de Diadema – optam por caminhos diferentes para se manterem ou alcançarem a glória no esporte mais amado do país. Se em grandes empresas é preciso trabalhar arduamente para obter conquistas, em uma agremiação os obstáculos para elaborar um bom planejamento são ainda maiores. Ser presidente de uma companhia implica muitos anos de estudos e outros tantos de trabalho. Já para ser presidente do time do coração são necessários apenas alguns fatores, como ser um torcedor apaixonado ou se declarar como tal, ter tato político para transitar pelas diferentes alas de “conselheiros” e, por último, ser bem visto pela torcida ou parte dela, principalmente das organizadas. Esta admiração muitas vezes se dá por troca de favores duvidosos. O planejamento de uma companhia deve incluir visualização do cenário presente, projeção de aonde se quer chegar no curto, médio e longo prazos. No futebol, o objetivo é o mesmo para todas as equipes: ser campeão das competições em disputa – e para isso geralmente se olha apenas o curtíssimo prazo. A fórmula para conseguir títulos basicamente consiste em montar um grupo de atletas capazes e competitivos – e vale ser observado aqui que nem sempre é o poder financeiro que faz a diferença. Em 2013, os novos entrantes do ABC, São Bernardo e Água Santa, estão fazendo a lição de casa. Planejam 38

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Fotos: Divulgação

e executam com organização britânica cada passo, cujos resultados podem ser verificados em campo e também fora dele. Fundado em outubro de 1981em Diadema, o Água Santa é o grande destaque da região. Criado por migrantes nortistas, nordestinos e mineiros, era a única forma de lazer quando estes chegaram a estas paragens em busca de trabalho, numa época em que a cidade era conhecida pela alta taxa de densidade demográfica e pela violência. Nos poucos campos existentes em Diadema, o time construiu sua história disputando e vencendo degrau a degrau as categorias de acesso no município, posteriormente na região do ABCDMRR e por último no estado. A equipe se profissionalizou em dezembro de 2011, mês em que se comemora o aniversário da cidade e também no dia (8) da padroeira, Nossa Senhora da Conceição. Para crescer, teve que contar com experientes jogadores, como Claudecir, Zinho Capixaba, Capitão, Dinei. Em seu primeiro ano no grupo profissional, o time tem o que comemorar. Numa ascensão rápida, faturou o título do Paulista da Segunda Divisão. “Nós temos um planejamento. Nosso sonho é conquistar um acesso a cada ano e estar na elite em 2016, mais ou menos nos moldes do que o São Caetano fez. Porém, ainda temos muito a melhorar. O

Estádio Giglio Portugal Pichinin, Baetão, em São Bernardo: casa do Tigre primeiro passo foi conquistar o acesso à Série A3. Agora, precisamos aumentar a capacidade de público do estádio, trazer jogadores com a cara de cada divisão, além de patrocínio e mais investidores”, afirma Capitão, ex-volante da Portuguesa e do São Paulo. O Tigre, como é apelidado o São Bernardo Esporte Clube, tem o pensamento imediato: disputar a Série D do Brasileiro já no ano que vem. Para isso, vem planejando a ascensão há anos, com times que mesclam jovialidade e experiência. Entretanto, não basta apenas ter a ambição há muito divulgada pelo seu presidente, Luiz Fernando Teixeira, pois é preciso organizar. Dinheiro e apoio para isso não faltam. A cidade de São Bernardo quer ver o time do coração do seu cidadão maior, o ex-presidente Lula, nas fileiras dos grandes times do estado. A ideia é ser no século XXI o que o Juventus da capital fora no passado. “Um pequeno que sempre incomoda”, explica o vice-presidente, Edson Azarias.

Dias difíceis

Ao contrário do que se falava na última década, hoje o São Caetano enfrente dias de problemas. Rebaixado para a série C do Campeonato Brasileiro, o Azulão também vai disputar em 2014 a segunda divisão do Campeonato Paulista. Há questionamentos e é fácil descobrir os motivos. Primeiro, em 2005, perdeu o patrocínio do seu principal anunciante. No ano seguinte os dirigentes do clube brigaram com o então prefeito, José Auricchio Jr., e isso findou a parceira com o município. Como resultado, a derrocada

São Caetano: briga com o ex-prefeito e rebaixamento

por causa da montagem de times fracos. A diretoria atual, que já está há bastante tempo no comando do time, apostou em medalhões para tentar se manter na elite do futebol nacional, como o jogador Rivaldo, aposta que não deu certo. O clube fez outras apostas no meio do campeonato, desrespeitando por completo o planejamento há muito contestado pela mídia, e trocou de técnico na tentativa de se salvar na série B. Errou novamente. Procurada pela reportagem da Leia ABC para explicar esse troca-troca, a diretoria de futebol do Azulão não se manifestou até o fechamento desta edição. Situação parecida vive o Santo André Esporte Clube, apelidado carinhosamente de Ramalhão. É o segundo time do coração de muitos moradores do ABC, mas tem deixado a desejar em campo e também na memória das equipes. Com um número ainda reduzido de atletas, o Santo André vai se reforçar para a disputa da série A2 do Campeonato Paulista. “Temos que ter pelo menos 25 jogadores no grupo. Vamos buscar em torno de dez atletas até o final da preparação”, afirma o diretor de futebol, Juraci Catarino. O discurso dos membros do grupo continua o mesmo: mudar para renovar, embora os resultados ainda não tenham chegado. O time foi eliminado na Série D do Brasileirão e ainda disputa a A2 do Paulistão. Planejar de verdade a equipe não faz há anos. Ensaiou uma entrada no profissional com a criação de uma parceria com um grupo de empresários da cidade, que naufragou após a constatação de que todos visavam apenas o lucro e nada mais. “Era história para boi dormir”, resume um dirigente que pediu anonimato. “Temos que remar sem ajuda. Os tempos mudaram e hoje estamos sozinhos, mas vamos vencer”, conclui. Dezembro de 2013 |

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Esportes

Em busca

São Bernardo inaugura pista de atletismo de nível internacional para estimular a prática da modalidade na cidade e ainda manter a ascensão

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Wallace Nunes - wallace@leiaabc.com

o país da monocultura esportiva, cuja base é o futebol, o atletismo volta a ganhar espaço em grandes centros econômicos. No ABC, o novo passo para fazer a modalidade crescer é a inauguração de uma pista de nível internacional em São Bernardo do Campo. Ao custo de R$ 30 milhões, o complexo esportivo nasce no terreno do antigo clube da Volkswagen, no Jardim Farina. A ideia, segundo o secretário de Esportes da cidade, é trazer os melhores atletas nacionais para treinar, realizar competições e ainda estimular os jovens na prática da modalidade. “A partir do ano que vem, teremos um local de qualidade para prática desse esporte e que vai gerar interesse em muitos jovens”, diz Jose Alexandre Pena Devesa. A verba empreendida é parte da prefeitura e também do governo federal através do Programa Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2). “O piso alemão é de borracha inteiriça, chumbada no cimento. Fica sem emendas, como um asfalto de borracha”, explica o secretário. Segundo o técnico de atletismo Ézio Magalhães, hoje muitas das placas da pista estão soltas e o risco de os corredores se lesionarem é grande. Um dos benefícios da nova pista é justamente a diminuição do risco de lesões. Outro aspecto positivo é que em uma pista de boa qualidade os velocistas poderão 40

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treinar mais e de forma mais intensa. “Assim, pelo menos teoricamente, o desempenho deles nas provas será melhor. Com isso, poderão trazer mais medalhas para o Brasil”, prevê o docente e treinador dos medalhistas.

Ressurgimento

O atletismo na região já foi forte e começou a ganhar reputação nos anos 1980/90, onde o Sesi de Santo André – que tinha parceria com a empresa de tintas Coral – dispunha de uma pista feita de resíduos de carvão. Naquele local, atletas de alto nível, como o ex-velocista André Domingos e a agora aposentada arremessadora Elizangela Adriano, treinavam exaustivamente. O tempo passou e os dirigentes perceberam que para ver a categoria crescer era necessário ter uma melhor infraestrutura. São Caetano do Sul foi a segunda cidade a perceber os benefícios de uma infraestrutura adequada para fazer nascer bons atletas. Em 2001, o então prefeito Auricchio Junior estabeleceu uma parceira com a maior equipe de atletismo do país, da BMF&Bovespa, para a reforma da pista localizada no bairro da Vila São José. Ali, nomes como Fabiana Murer treinam diariamente quando está no Brasil. “É uma pista boa para treinar”, resume o técnico e marido da saltadora Fabiana

Parte dos R$ 30 milhões gastos na construção do centro de treinamento saiu dos cofres da cidade

Fotos: Camila Bevilacqua

de talentos

Murer, Elcio Miranda. Segundo ele, com uma pista moderna é possível ter mais capacidade para inovar nas técnicas dos treinos e fincar “raízes” no país. “Viagens são desgastantes. Quanto mais tempo ficamos, mais tempo podemos dispor aos treinamentos.” O secretário de Esportes de São Bernardo, José Alexandre Devesa, explica que a cidade não pretende aumentar a verba para a modalidade porque ainda há um déficit de pessoal para treino, o que torna a pista suficiente. “A inauguração desta pista vai aumentar a vontade dos técnicos da equipe em criar novos talentos”, destaca. Assim, mesmo o complexo esportivo servindo como base, dificilmente terá condições de formar dezenas de talentos a tempo de disputar os Jogos Olímpicos de 2016, na avaliação de Devesa. Elizangela Adriano, vice-presidente da Federação Paulista de Atletismo, comemora a construção de uma pista de qualidade na região. “É sempre bom ter infraestrutura com condições. Isto fará com que competidores internacionais não tenham medo de dar seu máximo”, diz. No país, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBA) tem estimulado a criação de centros de treinamento para criar uma base de novos atletas. De acor-


A boa qualidade da pista ajuda a diminuir os riscos de lesões nos atletas

do com o superintendente da entidade, Martinho Nobre dos Santos, São Paulo já está inserido no cenário nacional do atletismo de ponta. “A Confederação Brasileira têm quatro centros de excelência em todo o país. Com esse de São Bernardo, que falta a aprovação oficial por parte do ministério, teremos o quinto e um dos melhores de acordo com a proposta apresentada”, declara Santos. O atletismo nacional vive momentos de renovação. Atletas que frequentam as primeiras posições do ranking internacional estão em via de se aposentar e, com a

construção de novos centros, é possível que se aumente a expectativa para a chegada outros talentos.

Em busca da hegemonia

A inauguração da pista são-bernardense acontece num momento em que a cidade vive uma curiosa ascensão esportiva em diversas modalidades. Líder nos Jogos Regionais e campeã dos Jogos Abertos do Interior, o município não aumentou a verba para o esporte, apenas manteve o dinheiro gasto na gestão Luiz Marinho. A liderança esportiva da maior

cidade do ABC está em contraponto à outrora campeã São Caetano, que diminuiu seus investimentos na área e viu sua hegemonia esfacelar. Para o professor Fernando Franco, do Centro de Estudos de Atletismo, o crescimento da modalidade é interessante, mas ainda reflete um retorno abaixo do esperado para o incentivo financeiro que o esporte vem recebendo, seja através do patrocínio da Caixa Econômica Federal à CBA ou dos clubes mantidos por empresas como a BMF&Bovespa.

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Moda&Beleza

Antes de fazer sua tatuagem Tatuagens saem da penumbra, driblam o preconceito e tornam-se símbolo de identidade cool e cheia de atitude

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Ana Teresa Cury – anateresacury@leiaabc.com

e no século XVIII o navegador inglês James Cook ficou impressionado com o costume dos polinésios de marcar a pele com tinta, hoje já dá quase para dizer que exótico mesmo é quem não tem nenhuma. Como as listras das zebras ou as pintas das onças que jamais seguem um mesmo padrão, aderir à tatuagem parece ter se tornado, cada vez mais, uma maneira de delinear a identidade pessoal. Ainda que existam desenhos iguais ou semelhantes, a composição é sempre única. As motivações podem ser as mais diversas e nenhuma teoria psicanalítica, religiosa, antropológica ou médica apre42

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senta uma explicação conclusiva do que leva um indivíduo a se tatuar. O que se percebe é que, de modo geral, parece haver uma combinação entre os desejos de modificação estética e de perpetuação da história individual. Uma circunstância ou sentimento vivido tão literalmente “na pele” pode ser, sim, o estopim para o desejo de transformar o corpo em tela. As preferências quanto ao assunto também variam. Há quem tenha uma ou duas, pequenas e escondidas, só expostas diante de olhos escolhidos. Existe também quem faça muitas e enormes, tornando o próprio corpo quase um livro, cheio de capítulos. Tem a turma “exibidinha” que gosta de mostrar e também aqueles que as têm tão integra-

– Verifique se o estúdio escolhido segue as normas de segurança determinadas pela Anvisa, através do site www.portal. anvisa.gov.br. Contar com um ambiente higienizado e com a utilização de materiais descartáveis é imprescindível. – Caso decida fazer a tatuagem no verão, saiba que a exposição a sol, piscina e mar é contraindicada durante todo o período de cicatrização. – O preço de uma tatuagem é algo extremamente relativo, pois varia de acordo com o tamanho e o grau de dificuldade do desenho, além da fama e experiência do tatuador. Em média, os valores começam em R$100, podendo ultrapassar R$1.500, de acordo com o grau de dificuldade e do tempo despendido na execução do trabalho. – Que dói ninguém discorda, mas a intensidade da dor varia de pessoa para pessoa e também de acordo com a região do corpo a ser tatuada. E da felicidade que proporciona ante a arte finalizada, claro.

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Arte na pele


das que mal lembram que estão ali. Talvez porque, de certa forma, até a alma já tenha sido “tatuada”. Tatuador e morador de São Caetano do Sul, Raphaëll Rotten tem 26 tatuagens pelo corpo. “Fiz a primeira com 19 anos. Sempre admirei como expressão artística, me riscava de canetinha, era viciado em tatuagens autocolantes desde criança. Tenho uma de estimação feita na mão que é quase invisível e reage à luz negra”, conta entusiasmado. Embora quase todos sejam unânimes em dizer que o ato de se tatuar ultrapassa os limites da moda, é perceptível que há modismos entre os adeptos, de acordo com a época. Se em Tatuagem Chico Buarque falava em “corações, arpões, sereias e serpentes”, hoje, quais são os ornamentos mais pedidos? “Na década de 90 eram comuns o desenho tribal e o arame farpado em volta do braço. No início do século 21, os pedidos eram por fadinhas, golfinhos, dragões e magos;

Fotos: Camila Bevilacqua

Para Michelle Christão, tatuagens representam estilo de vida e não apenas simples acessórios

hoje em dia, novidade é ter uma maori, desenho tribal originário dos nativos da Oceania. Há ainda um forte movimento de volta à chamada old school, as tattoos mais tradicionais, como aquelas dos marinheiros”, explica Raphaël. Fato é que as tatuagens viraram mania também no mundo fashion. Para Michelle Christão, fotógrafa e produtora de moda, além de arte, elas podem ser consideradas importantes instrumentos de marketing dentro da indústria da moda contemporânea. “Há muitas marcas consagradas que fazem estampas inspiradas nessa arte e outras tantas que contratam modelos e celebridades tatuadas para fa-

zer a divulgação de suas coleções. Acho que a tatuagem faz parte do indivíduo, do estilo de vida de cada um e não deve ser considerada simples acessório, vai muito além. Tira-se ou troca-se um adereço, mas suas tattoos permanecem com você”, completa.

Arte democratizada

Antes vista como símbolo de rebeldia e até mesmo de marginalidade, a tatuagem encontra progressivamente mais e mais adeptos, dentro das mais diferentes classes, idades, profissões e estilos de vida. A tendência contemporânea de aceitação, e até mesmo de celebração das diferenças, tem corroborado isso. Na opinião da jornalista Marina Nabarrete, ainda que existam pessoas que não gostem, o respeito aumentou e a confusão entre aparência e competência vem se dissipando. “Eu trabalho numa empresa liberal e muitos dos meus colegas também têm tatuagem.” Ela acredita, inclusive, que deixar os desenhos à mostra em lugares e situações que pedem trajes mais formais contribui para a dissipação do preconceito. “A tatuagem pressupõe que, se você foi livre para marcar o corpo, também é livre para usar a roupa que quiser, sem medo de parecer um outdoor”, observa. Vale lembrar que tal liberdade tem seu preço, já que a marca é praticamente eterna. Embora exista, a possibilidade de apagar um desenho ainda é custosa, dolorosa e quase sempre imperfeita. Bom mesmo é entregar-se às mãos do tatuador-artista, aquele que você pesquisou bastante a respeito, para fazer a tattoo.

Marina: relação aparência e competência está se dissipando Dezembro de 2013 |

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Cultura

Dicas Cinema

Fotos: Divulgação

Câmera tensa, nervos de aço Uma história real, um drama relativo à sobrevivência em condições extremas e um thriller na máxima tensão. A mistura desses ingredientes em Capitão Phillips só precisava de uma direção firme para não desandar. E não é que o britânico Paul Greengrass, consagrado com um cinema nervoso e interessado em capturar instantes da história recente, era a mão apropriada para não deixar o episódio da tomada de um cargueiro americano por piratas somalis se transformar em mera propaganda do heroísmo? Bônus: Tom Hanks mostra, na última cena, por que merece sua sexta indicação ao Oscar.

nítida busca por desvendar caminhos inexplorados, sem descaracterizar a trama.

Vai lá: Vestido de Noiva, Teatro do Núcleo Experimental, rua Barra Funda, 637, Barra Funda, São Paulo. Tel.: (11) 3259-0898. Até 15/12/2013. Sexta e sábado, 21h; domingo, 19h. Ingressos: R$ 30,00

livro

A estreia de Fernanda Em seu primeiro romance, Fernanda Torres consolida sua transição para o universo das letras narrando a história de um grupo de cinco amigos cariocas que rememoram as passagens marcantes de suas vidas – festas, casamentos, separações, manias, inibições, arrependimentos. Ao redor deles, pairam as neuroses femininas. Há graça, sexo, sol e praia nas páginas de Fim. Mas são a resignação e a melancolia que deixam suas marcas.

Leia: Fim, Fernanda Torres, 208 páginas. Preço médio: R$ 34,90

DVD

teatro

A atualidade do anjo pornográfico Impressiona ver como Vestido de Noiva – que completa 70 anos em dezembro – continua em forma. Marco do teatro brasileiro moderno, o texto de Nelson Rodrigues transformou-se em desafio para os diretores, sobretudo pela dificuldade de levá-lo ao palco com criatividade e clareza. Eric Lenate traz renovações à dramaturgia aliadas a um visual contemporâneo. A principal qualidade da peça, no entanto, é a 44

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Chinelo velho para pé cansado Pat Solatano (Bradley Cooper) perdeu tudo que tinha: sua casa, seu emprego e sua esposa. Ele voltou a morar com seus pais (Jacki Weaver e Robert De Niro), depois de passar oito meses em um sanatório, cumprindo um acordo judicial. Quando Pat conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma garota misteriosa que também tem seus próprios problemas, suas rotinas tomam um rumo diferente e imprevisível. Um laço inesperado se forma entre eles e mudanças positivas começam a acontecer na vida dos dois.

Compre: O lado bom da vida. Preço médio: R$29,90

Exposições

Arte naif no Sesc Santo André Termos como “ í n s i t a ” , “primitiva” e “popular” costumam fazer parte da gama de designações que definem a arte naif. A mostra traz ao público uma seleção de obras pertencentes ao Acervo Sesc de Arte Brasileira, cuja temática perpassa as manifestações populares e festividades tradicionais e regionais.

Vai lá: Sesc Santo André – rua Tamarutaca, 302, Vila Guiomar, Santo André. Telefone: (11) 4469-1200. Até 22/12. Terça a sexta, das 10h às 21h30; sábado, das 10h às 20h. Grátis.

Cazuza mostra a sua cara Normalmente concentrado nos grandes escritores brasileiros, o Museu da Língua Portuguesa agora se dedica ao cantor com alma de poeta. Embalada por Ideologia e Exagerado, a exposição tem curadoria de Gringo Cardia e aposta em instalações audiovisuais para interagir com o público. A voz política do exlíder do Barão Vermelho também grita por lá.

Vai lá: Museu da Língua Portuguesa – Telefone: (11) 3322-0080. Até 23/2/2014. Terça-feira, das 10h às 22h; quarta a domingo e feriados, das 10h às 18h. Entrada: R$ 6,00 (a bilheteria fecha às 17h). Grátis aos sábados.


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Bastidores

Incentivo ou mise-en-scène? Ana Teresa Cury Especialista em cultura anatcury@gmail.com

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mbora alvejada por inúmeras crí- cro? Impossível é também afastar o pensaticas, os dados demonstram que os mento sobre quão mais próspera tornar-se-á mecanismos da Lei Rouanet incre- a “indústria de carteirinhas”. mentaram o volume de produções E o que falar do Vale-Cultura? Pela nova culturais no Brasil. Não obstante, é evidente lei, trabalhadores contratados com carteira que o aumento da oferta não é acompanhado assinada na faixa de até cinco salários mípela democratização do acesso. Em outras nimos (R$ 3.390,00) poderão receber um palavras, o país está gerando mais conte- voucher de R$ 50,00 mensais. Desse valor, údos artísticos e trazendo outros tantos de R$ 45,00 serão bancados pelo governo fedefora para aqui serem apresentados, ainda ral por meio de renúncia fiscal. A adesão das que os mesmos permaneçam restritos a um empresas não é obrigatória. seleto público. As dúvidas começam quando nos damos Voltando, inicialmente, nossos olhos às conta de que o orçamento do Ministério da camadas mais populares, o problema come- Cultura representa menos de um terço do ça já pelas questões estruturais. Um estudo que se pretende gastar com o vale. Parece da Fundação Perseu Abramo, por exemplo, óbvio que tal montante seria mais proveitosinaliza que 91% dos municípios brasileiros so se aplicado às atividades de formação e não têm salas de cinema, 79% não possuem àquelas com menor sustentação comercial. teatros ou salas de espetáculo, 70% não conFato é que todo e qualquer instrumento tam com centros culturais e apenas 28% dis- criado, a priori, com vistas à democratizapõem de ao menos uma livraria. ção do acesso da população à cultura só terá No que tange à escorchada classe média, efetividade se for acompanhado (melhor seresta a pergunta: quem dispõe de dinheiro ria, certamente, se tivesse sido precedido...) suficiente para consumir teatro, cinema, ex- pelos tais pilares fundamentais de sempre: posições, espetáculos de dança, literatura investimento em educação, infraestrutura, e shows musicais? Para citar um exemplo melhores salários, etc. prático, um casal paulista que quiser faPrecisamos discutir a elaboração de uma zer um programinha do tipo “teatro antes política para o setor cultural brasileiro vie restaurante depois” gastará, facilmente, sando, desde sempre, ao equilíbrio entre as R$ 300,00 de uma só tacada. Quer assistir funções do Estado, das empresas patrociao show do Cat Stevens no Credicard Hall? nadoras e do próprio mercado (produtores Prepare-se para desembolsar de R$180,00 a e consumidores). Afinal, uma coisa é certa: R$950,00. Que tal? enquanto os “atores” do cenário cultural não Instrumentos como a nova lei da meia- deixarem de lado interesses exclusivistas e -entrada para estudantes beneficiam uma egoísticos, não haverá avanço. Governantes parcela da população, e legisladores afeitos enquanto a outra... a práticas meramente bom, a outra arca com populistas e eleitoreiFalta uma política os custos! Entre os emras, público que compresários, a ideia é que pra carteirinha falsa específica para o a garantia do desconto e empresas mirando setor cultural, poderá provocar au– antropofagicamente mentos nos preços para – o lucro, certamente capaz de garantir quem paga o ingresso não corroborarão para a democratização inteiro. Alguém imagio implemento de uma na a iniciativa privada política cultural susdo acesso abrindo mão de seu lutentável e profícua. Dezembro de 2013 |

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Gastronomia

Ceia renovada

Apesar de as clássicas receitas natalinas ainda fazerem sucesso, vale a pena investir em um cardápio diferenciado

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ão parece que foi ontem que você estava na praia, pulando as sete ondas? Pois é, de repente a correria de dezembro já se anuncia novamente. Mês de atropelos, pelos motivos que todos sabemos como trânsito caótico e filas intermináveis. Um lugar no

Ana Teresa Cury – anateresacury@leiaabc.com

estacionamento do shopping é motivo de briga. Apesar do alvoroço típico de final de ano, este também é o período no qual sonhamos com as mais variadas e deliciosas guloseimas comuns nas ceias natalinas. Embora as ceias por encomenda sejam sempre uma

Chá gelado de hibisco Ingredientes 150 gramas de hibisco 1 pau de canela de 15 a 20 cm 2 colheres de sopa de pimenta-da-jamaica (esmagar um pouco os grãos antes de usar) 3 estrelas de anis 1 colher de chá de cravo-da-índia 2 litros de água Açúcar a gosto Como fazer Coloque todos os ingredientes numa panela e deixe levantar fervura. Abaixe o fogo e cozinhe por 15 minutos. Desligue o fogo e deixe descansar por 20 minutos. Coe em uma peneira bem fina, sem apertar. Sirva com gelo. É delicioso, tem cor de festa e ainda rende dois litros. Fonte: chef Arthur Baroni (98927-8616)

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Fotos: Arquivo Pessoal

opção bem prática, a Leia ABC resolveu convidar você, leitor, a encarar o fogão. Redescubra aquela receita esquecida ou invente uma nova, convide a família e os amigos mais próximos e usufrua da maravilha que é preparar a própria comida, com direito a todos os cheiros, sons e sabores transbordando de sua cozinha. Para encorajá-lo, consultamos dois chefs de cozinha experientes e que nos brindaram com dicas valiosas, além de duas receitas exclusivas. Na opinião do chef paulistano José Luis Fazzio, que alimenta um blog com receitas fáceis e incríveis, as ceias de final de ano pedem pratos mais leves, preparados com frutas, verduras, legumes e pescados. Segundo ele, a preferência familiar é sempre por receitas inéditas, o que instiga seu interesse por novos ingredientes. “Nos últimos dois anos só crio receitas que fogem do convencional. Faço um cardápio com muitas opções de entradas e comidinhas em ramequins ou copinhos, fáceis de degustar. Cada prato é sempre harmonizado com sucos e vinhos. Não copio nenhuma receita anterior. Só o ‘cuscuz de camarão do chef Fazzio’ virou tradição. Tenho amigos que fazem questão de dar uma passadinha lá em casa só para provar”, afirma.

Cuscuz de camarão Ingredientes 1/2 xícara (chá) de óleo 1 cebola picada 1/2 pimentão vermelho 1 xícara de ervilhas frescas 1 xícara de palmito picado 1/2 xícara (chá) de azeitonas pretas picadas 1 lata de sardinha grande com óleo 1 xícara de molho de tomate pronto 4 xícaras de caldo de peixe ou camarão 1/2 xícara (chá) de salsa e cebolinha Sal e pimenta a gosto 2 xícaras de farinha de milho ½ xícara de farinha de mandioca 3 colheres de sopa de azeite de dendê 1 xícara de leite de coco 1 xícara de camarões limpos sem cascas 2 ovos cozidos para decorar 1 tomate para decorar Como fazer Em uma panela, aqueça o azeite e refogue a cebola. Junte pimentão, ervilha, palmito, azei-

Chef José Fazzio tonas, sardinha com óleo, molho de tomate, caldo de peixe ou camarão, camarão, sal e pimenta. Cozinhe em fogo baixo por 12 minutos. Junte salsa, cebolinha e farinhas de milho e de mandioca. Misture bem, sempre mexendo para não empelotar. Desligue. Coloque a massa obtida em um refratário grande untado com óleo ou em forminha individuais. Desenforme e decore como preferir.

Fotos: Camila Bevilacqua

Fonte: chef José Fazzio (www.cheffazio.com)

Chef Arthur Baroni

Outra dica do chef é quanto ao planejamento. “Faço o cardápio com 30 dias de antecedência. É preciso respeitar a sazonalidade dos ingredientes e encontrar o melhor lugar para fazer as compra sem atropelos”, revela. O chef e banqueteiro Arthur Baroni – que já trabalhou em restaurantes badalados como o Dalva e Dito, de Alex Atala – há anos prepara deliciosas ceias natalinas sob encomenda, mas surpreende ao revelar que dentro de casa faz questão de tirar o avental e apreciar a tradição gastronômica dos mais velhos. O preparo das iguarias fica reservado aos muitos tios, tias, mães, pais, avôs e avós da família. São eles os responsáveis

pela condução dos preparativos e pela fartura da mesa. Nascido em berço mineiro, Baroni conta que, embora o indefectível leitão seja onipresente, a cada ano surge uma receita inusitada para surpreender os paladares. Pode ser uma farofa adocicada, um macio purê de batata-doce, uma travessa de perfumadas maçãs assadas. E completa: “Acho que valem mais os costumes e ritos de cada núcleo familiar. Além disso, não se pode esquecer do principal motivo das celebrações. O Natal e o ano-novo representam nossos votos de reencontro, de recomeço, verdadeiras pausas em nossas rotinas estafantes”. Dezembro de 2013 |

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Harmonizar

Borbulhas natalinas Celso Pavani celsopavani@ig.com.br

A

s festas de fim de ano estão chegando, e tradicionais cortes suínos, tender, lombo ou percom elas os presentes, Papai Noel, mui- nil, aves como peru, chester, frangos ou mesmo ta alegria e motivos para comemorar. As pratos com frutas secas. ceias de Natal e de ano-novo são cheias Convém tomar cuidado com espumantes de sabores, aromas, cores e tradições, cada qual mais doces como o Moscatel (preferência nacom suas receitas de família que muitas vezes nos cional) e mais sofisticados como Asti Perlino remete a nossas lembranças da infância e de al- ( produzidos somente na região de Asti, na Itágum ente querido. lia), que harmonizam superbem com panetones Seja qual for sua preferência de espumante, e sobremesas, mas que podem entrar em conna hora de harmonizar todas estas comemora- flito com outros pratos. Assim, prefira vinhos ções, o importante é a harmonia entre as pessoas tintos e brancos para os pratos principais e os que amamos e a gastronomia que adoramos, o demais para o brinde. que inclui, claro, os espumantes. Segundo pesPara os cervejeiros, existem edições sazonais quisa do Instituto Brasileiro do Vinho, em 2012 como a Samichlaus (Papai Noel), produzida só no foram consumidos mais de oito milhões de litros dia 6 de dezembro de cada ano; a Baden Baden de espumantes no Brasil. Christmas, cerveja de trigo tipo Ale, levemente Para que se possa entender um pouco desta frisante, que lembra champagne e é indicada para bebida sinônimo de brindes, cabe uma rápida ex- acompanhar perus, panetones, pratos com frutas plicação. O espumante foi criado no século XVI secas ou mais leves e suaves. e aperfeiçoado após dois anos pelo método chamNo mundo, existem alguns poucos rótulos penoise. É um vinho que passa por duas fermen- de cervejas champenoise, como as belgas DeuS tações, uma comum a todas as bebidas fermenta- e Malheur e as brasileiras Eisenbahn e Wäls. das (em que o açúcar da fruta se transforma em Muitas das que vemos nas prateleiras com garálcool), e outra induzida, em que são acrescen- rafas e rolhadas são, na verdade, feitas pelo métados leveduras e açúcares que produzem mais todo charmat. A LUST Cervejaria Sudbrack, de álcool e gás carbônico, elemento responsável por Blumenau (SC), passa três meses maturando dar ao espumante sua característica principal, as com ótimo perlage e carbonatação, e ainda tem borbulhas efervescentes. espuma alta, aroma cítrico e floral. Já a WÄLS, De acordo com a classificação, determinada da Wäls Cervejas Especiais, de Belo Horizonpela quantidade de açúcar acrescido na segunda te (MG), leva nove meses até ficar pronta. São fermentação, os espumantes dividem-se em Brut, produzidas apenas 200 garrafas e no aroma senDemi-sec e Doce, sendo o primeiro mais seco e te-se a ação da levedura de champagne, notas de o último bem açucarado. No entanto, não esque- malte adocicado e lúpulo delicado. ça: champagne é uma denominação apenas para A Lust Prestige, também da Cervejaria os espumantes criados na França, na região de Sudbrack, passa um ano maturando, evolução Champagne, elaborados pelo método denomina- que a deixou com um aroma espetacular que do champenoise. lembra balinhas de mel, Devido a estas variacom carbonatação exceções, os Demi-Sec e Brut lente. Além do toque de são muito versáteis, remel e gengibre, notas Além de espumantes, presentando verdadeiros cítricas e florais também festas de final de curingas nestas ocasiões são notadas. por harmonizarem com Portanto, não há moano também tipos diferentes de prativo para não comemorar. podem incluir cervejas tos, que podem acompaVista-se de branco, reúna nhar de forma elegante os amigos e familiares e levemente frisantes vários cortes de carnes celebre as coisas boas da do churrasco*, bacalhau, vida. Feliz 2014!



Revista Leia ABC - Dezembro 2013