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JULIO MESQUITA 1891 - 1927

25 DE JULHO DE 2010 R$ 4,00*

RUY MESQUITA Diretor

ANO 131. Nº 42649

EDIÇÃO DE 0h15

estadão.com.br

DOMINGO TV

Programa de Tony Bellotto é exemplo de vida inteligente na televisão

C2DOMINGO

Festival de música de Campos do Jordão une pedagogia e ação social

Cantinho da leitura. Aos 3 anos, Beatriz já tem 43 livros

Bebês precisam de contato com livros Quem convive desde cedo com eles se sai melhor na escola. Pág. A26

aliás, O Brasil precisa redefinir o papel da escola, afirma o físico alemão Andreas Schleicher LEONARDO SOARES/AE

MARCOS ARCOVERDE/AE

Lobão montou esquema para reabrir e explorar Serra Pelada Ex-ministro atuou para costurar contrato sobre a mina e controlar grupo de garimpeiros associado ao negócio DIDA SAMPAIO/AE

Uma operação articulada pelo senador e candidato à reeleição Edison Lobão (PMDB-MA) está por trás do projeto de retomada da exploração de ouro no garimpodeSerraPelada(PA).Oempreendimento ganhou força quando Lobão era ministro de Minas e Energia, entre janeiro de 2008 e março passado, informamLeonencioNossaeRodrigo Rangel. A exploração será feita por associação criada a partir de contrato entre a desconhecida empresa canadense Colossus com a Coomigasp, cooperativa dos garimpeiros que detém direitos sobrea jazida.Lobãoatuou em váriasfrentes e conseguiu que o governo convencesse a Vale a abrir mão de Serra Pelada – que tem de 20 a 50 toneladas de ouro. Amineradoradiznãojustificaroinvestimento. Além disso, um ex-assessor de Lobãocosturou o contrato entre Colossus e Coomigasp. E garimpeiros ligados ao senador tomaram o controle da Coomigasp. O ex-ministro não comentou o caso. NACIONAL / PÁGS. A4 e A8

Serra e Dilma empatados. Alckmin lidera em SP José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT)permanecemtecnicamenteempatados na corrida à presidência da República,segundopesquisaDatafolha realizada entre 20 e 23 de julho. O tucano aparece com 37% das intenções de voto, e Dilma com 36%. Marina Silva (PV) tem 10%. A margem de erro é de dois pontos porcentuais e foram ouvidos 10.905 eleitores. Para o governo de São Paulo,GeraldoAlckmin (PSDB)lidera a disputa com 49%. NACIONAL / PÁG. A10

10 % é a parcela de eleitores indecisos; 4% declaram voto em branco ou nulo

Frigoríficos terão R$ 18,5 bi do BNDES

Para o governo, acordo prejudica garimpeiros ● O governo avalia que o acordo com a

Colossus é prejudicial aos garimpeiros e mandou ajustar o contrato, o que ainda não foi feito. Por duas vezes, o presidente Lula programou visita a Serra Pelada para anunciar a reabertura, mas cancelou na última hora. NACIONAL / PÁG. A4

Exploração manual. O garimpeiro Adenésio da Silva Alves carrega balde com cascalho em Serra Pelada

Mano Menezes: ‘Muitos queriam estar no meu lugar’

Cresce extravio de bagagens em voos

Tumulto em festival faz 19 mortos na Alemanha

A estratégia oficial de turbinar frigoríficos brasileiros para transformá-los em gigantes mundiais está prestes a consumir R$ 18,5 bilhões do BNDES. A maior parte desse dinheiro vem sendo aplicado no JBS e no Marfrig para financiar aquisições de concorrentes no Brasil e no exterior. ECONOMIA / PÁG. B1

Crise complica a vida do sucessor de Uribe

INTERNACIONAL / PÁG. A23

Novo técnico da seleção brasileira, Mano Menezes faz amanhã a primeira convocação pós-Copa. ESPORTES / PÁGS. E1e E2

Adilson Batista assume o Corinthians.

PÁG. E3

A Anac recebeu no primeiro semestre do ano 3.518 manifestações sobre bagagensemvoos.Onúmeroequivale ao verificado em todo o ano passado (3.572). METRÓPOLE / PÁGS. C1 e C3

DORA KRAMER Falta de segurança? Não é comum alguém em situação não consolidada, em cenário de equilíbrio com o adversário, abrir mão espontaneamente dos debates.

SERGIO FAUSTO Modernidade ilusória Quem precisa tomar um trem-bala é a educação brasileira. E o embarque já está muito atrasado, já que sobram deficiências.

SUELY CALDAS O limite da irresponsabilidade Com tanta interferência do governo em sua gestão, a Petrobrás tem perdido valor patrimonial e a boa imagem conquistada desde FHC.

NACIONAL / PÁG. A8

ESPAÇO ABERTO / PÁG. A2

ECONOMIA / PÁG. B2

7 8 9 10 11 12

Os riscos dos planos de saúde coletivos VIDA / PÁG. A24

Tempo na capital

25˚ Máx. Nuvens diminuem; 11˚ Mín. sem chuva 248 PÁGINAS * VER TABELA NA PÁG. A3 TIRAGEM: 317.241

ESTADO SOB CENSURA HÁ 359 DIAS. PÁG. A16

O incidente com a Venezuela expôs as diferençasentreopresidente daColômbia, Álvaro Uribe, e seu sucessor, Juan Manuel Santos – que trilha caminho independente. INTERNACIONAL / PÁG. A17

NOTAS & INFORMAÇÕES

Brasil e investimento direto País precisará de dinheiro especulativo para fechar as contas externas sem queimar reservas. PÁG. A3


A2 Espaço aberto %HermesFileInfo:A-2:20100725:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

PUBLICAÇÃO DA S.A. O ESTADO DE S. PAULO

Fundado em 1875

Av. Eng. Caetano Álvares, 55 - CEP 02598-900 São Paulo - SP Caixa Postal 2439 CEP 01060-970-SP . Tel. 3856-2122 (PABX) Fax Nº (011) 3856-2940

Julio Mesquita (1891-1927) Julio de Mesquita Filho (1927-1969) Francisco Mesquita (1927-1969) Luiz Carlos Mesquita (1952-1970)

Modernidade ilusória ✽ ●

SERGIO FAUSTO Brasil tem paixão por projetos que nos remetam sem escala à modernidade que invejamos nos países desenvolvidos. Uma modernidade materializada em coisas que só de serem imaginadas já nos fazem sentir como se tivéssemos alcançado uma etapasuperiordenossodesenvolvimento.Brasíliafoiisso:umacidade modernista rasgada no meio do nada. Dinheirão gasto num paísemqueàépoca50%das pessoas eram analfabetas. Agora se fala no trem-bala, cujo edital foi lançado em clima de comício eleitoral faz poucos dias. Levitará sobre os trilhos? Correrá a 300 km por hora, Vale do Paraíba afora? Ainda não se sabe, pois nem sequer o traçado da ferrovia está definido, muito menosocustodaobra,quepoderá superar os R$ 31 bilhões hoje estimados. Uma coisa, porém, é certa: muitos recursos públicos serão consumidos, na forma de aportesdecapitalefinanciamento subsidiado ao consórcio vencedor do leilão marcado para dezembro próximo. Por trás da paixão por projetos vistosos há sempre muitos interesses. O trem-bala não foge à regra. Com tamanha disposição estatal,grandes companhias nacionaiseestrangeirasmovimentamse em torno do projeto, apesar de todasasincertezassobreasuaviabilidade econômico-financeira. O Brasil não é mais um país com 50% de analfabetos (o porcentual reduziu-se para cerca de 10%). A qualidade da educação, porém,ésofrível.Vemmelhorando,masaorimodetrenzinhocaipira,comoindicamosúltimosresultadosdoÍndicedeDesenvolvimento da Educação Básica (Ideb).Éverdade queentre2005 e 2009 cresceu a pontuação dos alunos das escolas públicas nas provasdePortuguêseMatemática: significativamente nas séries iniciais, pouco nas séries finais do ensino fundamental e nada ou quase nada no ensino médio. Tomaraqueatendênciaobservada nas séries iniciais se acelere e seestenda às demais. Agora, nesse ritmo, quando tempo levará paraqueosalunosbrasileirossaibamrealmenteinterpretareredigir textos e usar a Matemática com competência? Hoje eles estão longe disso. É o que revelam os dados do Programme for International Student Assessment (Pisa), cujos testes são aplicados no Brasil. O último, de 2006, mostra que mais de 70% dos alunos com 15 anos de idade nem sequer dominam os conhecimentos básicos

O

em Matemática, 61% estão abaixo do nível mínimo aceitável em Ciências e 55% não vão além de uma leitura mecânica de textos. Enormeéadistânciaqueossepara dos estudantes da mesma idade nos países desenvolvidos, querse compare o porcentual de alunos nos níveis mais baixos ou nosníveismaisaltos daescalade avaliação utilizada pelo programa. Tome-se Matemática, por exemplo, área na qual menos de 1%dosalunosbrasileiros atingiu níveis de excelência. Nos países desenvolvidos o porcentual supera os 10%. Tal quadro não se alterou desde que os testes do Pisa passaram a ser aplicados no Brasil, em 2000. Ou seja, quem precisa tomar umtrem-balaéaeducaçãobrasileira.E o embarquejá está muito atrasado. Quando Brasília foi construí-

Quem precisa tomar um trem-bala é a educação brasileira e o embarque já está muito atrasado da, crianças e jovens até 14 anos representavam 40% da população brasileira. A partir dos anos 70, com a diminuição do número de nascimentos e o prolongamento do tempo de vida, a pirâmide etária começou a adquirir nova forma: a base (população entre 0 e 14 anos) passou a diminuir e o meio (população entre 15 e 59 anos) a se alargar, sem, no entanto, ocorrer alteração significativa no vértice (população acimade60anos).Veiocrescendo desde então o número de adultos em idade ativa (não suficientemente escolarizados) em comparação com o de crianças e idosos, reduzindo o que o jargão técnico denomina “relação de dependência”. Chama-se“janeladeoportunidade demográfica” o período em que essa relação, que foi alta enquanto a sociedade era “jovem”, se mantém baixa, antes de voltar a subir, quando a sociedade se torna“velha”.Quantoàcomposição etária, dizem os especialistas, esse é o período em que o potencial produtivo da sociedade se encontra no auge. No Brasil, estima-se que a tal “janela de oportunidade demográfica” se fechará em 2030. Quão mais alto o nível de educação da sociedade nesseaugedemográfico,quenão se repetirá no futuro, maiores as chancesdedarumsaltoemmatéria de desenvolvimento. Na educação brasileira sobram deficiências. Destaco uma delas, pela conexão estreita que temcomodesenvolvimentotecnológico,queotrem-balanossugere. Faltam professores especialistas para ensinar Matemática, Física e Química, as chamadas “ciências duras”. A esse respeito chamam a atenção os da-

José Vieira de Carvalho Mesquita (1959-1988) Julio de Mesquita Neto (1969-1996) Luiz Vieira de Carvalho Mesquita (1959-1997)

Américo de Campos (1875-1884) Nestor Rangel Pestana (1927-1933) Plínio Barreto (1927-1958)

A democracia no balcão dos do último Censo Escolar do Ministério da Educação. Eles mostramque,dos448milprofessores do ensino médio da rede pública, apenas 22% têm formaçãosuperiornessasáreas,aopasso que 60% têm diploma universitárionasáreasdehumanas.Esse desequilíbrio aponta para um déficit significativo de professoresespecialistasem“ciênciasduras” no ensino médio. Sem falar na questão da qualidade. É uma realidade quase invisível, mas que cobra um preço alto ao País. Um de seus reflexos aparece nas estatísticas sobre a formação de engenheiros no ensino superior. Formamos cerca de 30 mil deles anualmente. A China forma mais de 600 mil e a Índia, cercade 300 mil.Pergunto como vamos responder ao desafio de dotaroPaísdeumainfraestrutura moderna e tornar realidade o nosso potencial de crescimento futuro,senãoformarmosnaqualidade e na quantidade necessárias os profissionais para tanto. Questões como essa – que começam a ser respondidas nas salas de aula do ensino básico da redepública–nãomobilizamtanta paixão no Brasil. Afinal, quem se interessa pelo árduo esforço deaprendizadoepelosucessode milhões de alunos da rede pública? Bom mesmo é viajar num trem-bala movido a recursos públicos,aoladodegentebemvestida, no eixo Rio-São Paulo! ✽ DIRETOR EXECUTIVO DO IFHC, É MEMBRO DO GACINT-USP E-MAIL: SFAUSTO40@HOTMAIL.COM

✽ ●

GAUDÊNCIO TORQUATO uantocustaademocracia? Depende. Numa sociedade de cultura política desenvolvida o custo é diferente do de nações onde as instituições políticas e sociais ainda estão em processo de consolidação. O grau de desenvolvimento deumpovo éboa régua paraaferiraqualidadedeumsistemademocrático.Sobessahipótese,pode-se garantir que quanto mais elevado o grau civilizatório de umpovo,maisforteemenoscustosa será sua democracia. Na ciênciadoscomportamentospolíticos e sociais, porém, as questões não podem ser simplificadas. Não se pode esquecer que a novadisposiçãodomundo,abrigando amplas conexões e integração de interesses, passa a ser fatoressencialnaavaliaçãodaordem democrática de países centraiseperiféricos.Osnorte-americanos, por exemplo, quando avaliam a eficácia de sua democracia,levamemcontaainfluência que gera em outros espaços, conformando-se até com o fato de que ela começa a corroer o bolso. Veja-se a conta que pagam: US$ 1,15 trilhão para arcar comoscustosdasguerrasnoAfeganistão, no Iraque e em outras regiões do mundo. A fabulosa quantia só é menor que os US$ 4,1 trilhões gastos na 2.ª Guerra.

Q

SINAIS PARTICULARES LOREDANO

Mano é o homem

E quanto custa a democracia brasileira? Impossível fechar a planilha. É razoável apontar uma tendência a partir de dados que se conhecem: nossa democracia vemsubindodepreço.Comonão somos uma nação-império, que tem de arcar com as despesas de outros (excetuando-se o perdão concedidoadébitosdepaísesafricanoseumououtronasproximidades), a conclusão é de que os buracos no tecido democrático são feitos aqui mesmo e por contadosnossospadrõesdemocráticos. Há maneiras diferentes de avaliar o rombo. Dentre elas estão gastos excessivos com estruturas públicas nas três instâncias da Federação; o adensamento dasmassasfuncionais;amultiplicação de municípios; a sempiterna disposição de expandir o número de Estados (tramitam projetos para a criação de mais três

A bolsa da política incorpora práticas do mercado de compra e troca de mercadorias entes federativos); os excessivos dispêndioscomaburocraciainoperante; o superfaturamento de obras, ilícito banalizado que já se encaixounarotinadaadministração; a ausência de planejamento commetasparaosserviçospúblicos... Não é de admirar que esse conjunto mal-ajambrado se reflita no desenvolvimento do País, a partirdadistorçãonataxadepoupança nacional em relação ao PIB, que em 2009 foi de apenas 14,6%,baixaemcomparaçãocom outros países. Basta lembrar que a taxa de poupança da China é de 40% do PIB. Anote-se ainda que os chineses não são bom exemplo de democracia. Há,porém,emnossoterritório um nicho que faz relação direta comoideáriodemocrático.Tratase do sistema eleitoral. O escopo dademocraciapodesersintetizado pelo famoso dito de Lincoln: a democracia é o governo do povo, pelopovoeparaopovo.Opovoé, portanto, fonte primária do poder,deconformidadecomoprincípiodasoberaniapopular,oqual está bem explícito no preâmbulo e artigo 1.º da Constituição de 1988.Pararepresentaropovo políticos se engalfinham numa disputaquesetornaacadacicloeleitoralmaisacirradaecompetitiva. Assim, a escolha da representação, que constituía dever de honra no berço da democracia, a velha Grécia dos grandes filósofos, transforma-se em negócio dos maisrentáveis.Abolsadapolítica impõe novos métodos de ação e incorporapráticasusadasnomercado de compra e troca de bens e mercadorias. Torna-se tão atraente que este ano juntará na arena eleitoral cerca de 20 mil candidatos para disputar o voto de 135 milhões de eleitores.

Poressatrilhapodemosacompanhar a evolução contínua do custodaoperaçãopolíticaessencial à oxigenação da democracia. Trata-se do custo do voto, que sobe às alturas. Vejamos. Na campanha presidencial de 2002 o então candidato José SerradespendeuR$18.177.712 eLuiz Inácio gastou até mais, R$ 26.589.234. Este ano Serra gastaráR$180milhões,quesignificam umaumentode890,22%emrelação a 2002 e de 119,78% em relaçãoaogastodeR$81.900.000feitoporGeraldoAlckminem2006. JáacandidataDilmaRousseffpoderá gastar este ano R$ 157 milhões,representandoumacréscimode490,46%emrelaçãoaogasto porLula na campanhade 2002 ede50,52%emrelaçãoaosgastos da campanha de 2006, quando o PTgastouR$104.300.000.Tratase de extraordinário aumento do custo do voto, principalmente quando se consideram as proibições feitas pelo Tribunal Superior Eleitoral, como brindes, camisetas promocionais, outdoors e showmícios com artistas. Se a campanhadesteanoémaisreduzida,abriuoutrasdireções(edespesas), a partir da logística, cujo suporte nos deslocamentos é dado por modernas aeronaves. Asubstancialexpansãodecustos tem que ver também com a profissionalizaçãodeestruturas, nas quais se abrigam institutos depesquisas,agências demarketing, comitês e exércitos bem treinadosnastécnicasdecooptação. A formatação global do pleito em São Paulo, que abriga mais de 30 milhões de eleitores, desce ao microcosmo e chega ao menor dos Estados, onde o custo do voto vai aos píncaros. O voto em Roraima, com cerca de 270 mil eleitores, chega a R$ 116,72. A equação leva em conta as densidades eleitorais: quanto maior o númerodeeleitores,maisbarato ovoto.EmSãoPaulo,maiorcolégio eleitoral, o custo por eleitor é de R$ 6,51, mas na campanha de 2002erametadedisso. Oassombro é maior quando se pinçam exemplosdeoutrospaíses.Nofinalde2005AngelaMerkelderrotouGerhardSchroder,naAlemanha, tornando-se chanceler, em campanha em que gastou o equivalenteaR$134milhões.Nomesmoano,naGrã-Bretanha,oPartido Trabalhista e o Partido Conservador gastaram cerca de R$ 144 milhões, valores inferiores ao que se gasta por aqui. OmineiroMiltonCampos,democrata e liberal, pregava um “governo mais das leis que dos homens”.Infelizmente,oqueestamosaassistirnoPaíséàinstalação de umgoverno cadavez mais dos homens e menos das leis. ✽ JORNALISTA, É PROFESSOR TITULAR DA USP E CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO

Fórum dos Leitores VENEZUELA X COLÔMBIA Criança birrenta

Hugo Chávez não pode ser levado a sério, suas atitudes mais parecem coisa de criança birrenta. Já foi admoestado antes: “Por qué no te callas?” A Colômbia e os demais países latino-americanos deviam pô-lo no “gelo”, ignorar seus rompantes, em respeito ao povo venezuelano, que é quem mais sofre. Infelizmente, na região ele tem alguns admiradores – e a foto na capa do Estado de 23/7 é bem representativa do ridículo a que se expõem. ALVARO SALVI alvarosalvi@hotmail.com Santo André

Riso de perdedor

O que aproxima Diego Maradona de Hugo Chávez? Ambos são perdedores. O primeiro levou a

Argentina a uma humilhante derrota na Copa. Mesmo assim, gargalha com seu amigo bolivariano, que, sem dúvida, com suas trapalhadas, perderá as eleições em setembro, porém ainda lhe sobra tempo para endossar seu apoio a uma das nossas candidatas à Presidência da República. É assim que se constrói um Mercosul! VIVIANO FERRANTINI engferrantini@ig.com.br São Paulo

Formas impuras

Segundo Aristóteles, a demagogia e a tirania configuram-se como formas impuras de governo. O rompimento de relações entre Venezuela e Colômbia nada mais é que um ato de demagogia do déspota Hugo Chávez, pois afirmou em várias ocasiões que os “soldados” das Farc não são guerrilheiros, e sim “insurgentes”. Mais uma estratégia ludibriadora

do ditador para tentar desviar as atenções do povo venezuelano do fracasso de seu plano ambicioso de implantar o funesto “socialismo ou muerte” no país. FRANCISCO ZARDETTO fzardetto@uol.com.br São Paulo

Pretensões descabidas

Psicopatas sonham alucinadamente e costumam, inconformados, contestar a História. Esse negócio de bolivarianismo é pura cortina de fumaça para encobrir pretensões descabidas. Chávez, na verdade, sonha com uma saída para o Pacífico para se libertar dos EUA como principais compradores do petróleo produzido por sua PDVSA. Sonha em reduzir o frete para entregar óleo a preço competitivo a Pequim. SERGIO S. DE OLIVEIRA marisanatali@netsite.com.br Monte Santo de Minas (MG)

Cortina de Ferro

Caminhamos a passos largos para nova Cortina de Ferro, agora no continente americano. Lula e sua turma querem tirar os EUA da intermediação do impasse Colômbia-Venezuela-Farc e interferir, novamente, de forma desastrada e contra a vontade dos brasileiros. Parece que veremos boicote americano aos Jogos Olímpicos de 2016, como o ocorrido em Moscou em 1980, nos “melhores” tempos da guerra fria. RICARDO A. ROCHA rochaerocha@uol.com.br Belo Horizonte

Isenção

Com negociadores do tipo Celso Amorim, Paulo Vannuchi e Marco Aurélio Garcia, todos identificados com as Farc e ministros petistas, será que Lula espera mes-

mo que a Colômbia considere o Brasil isento numa eventual mediação? É desconsiderar a inteligência dos colombianos.

sentante das Farc pretende ensinar é aquela que estabelece quanto pedir de resgate quando algum peixe grande cai na rede?

NILSON OTÁVIO DE OLIVEIRA noo@uol.com.br São Paulo

AMÂNCIO LOBO amancio lobo@uol.com.br São Paulo

Apoio perigoso

Pescaria indesejável

Parabéns à Colômbia e ao presidente Álvaro Uribe por não se curvarem ao terror promovido pelas Farc, denunciando Hugo Chávez à OEA pelo abrigo e ajuda financeira que o déspota oferece à pior espécie de terroristas. Motivo de vergonha é a serventia que esses facínoras encontram no Brasil. Por exemplo, quando ao chegarem aqui foram imediatamente requisitados pela candidata do PT à Presidência para ocuparem lugar no Ministério da Pesca. Será que os nossos pescadores precisam saber mais sobre o ofício, ou a pesca que o repre-

Realmente, a última travessura do grande democrata venezuelano foi romper relações com a democrática Colômbia pelo fato de o governo de Álvaro Uribe tê-lo denunciado por dar abrigo a 1.500 terroristas das Farc, fato que por lá até as pedras sabem. Mesmo assim o déspota é tido por Lula como um grande democrata. Até dá para entender as razões de tão nobre afirmação quando se leva em conta que a candidata do noço guia empregou no Ministério da Pesca representante desse grupo criminoso, provavelmente para ensinar co-


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Conselho de Administração Presidente

Membros

Aurélio de Almeida Prado Cidade

Fernão Lara Mesquita, Francisco Mesquita Neto, Júlio César Mesquita, Patricia Maria Mesquita e Roberto C. Mesquita

Notas e Informações A3

Opinião

Informação

Administração e Negócios

Diretor de Opinião: Ruy Mesquita Editor Responsável: Antonio Carlos Pereira

Diretor de Conteúdo: Ricardo Gandour Editor-Chefe Responsável: Roberto Gazzi

Diretor Presidente: Silvio Genesini Diretor de Mercado Leitor: João Carlos Rosas Diretor Financeiro: Ricardo do Valle Dellape Diretora Jurídica: Mariana Uemura Sampaio

estadão.com.br A versão na Internet de O Estado de S. Paulo

Notas & Informações

Brasil e investimento direto A remessa de lucros e dividendos vai superar neste ano, pela primeira vez, o ingresso líquido de investimento direto no Brasil, segundo projeção da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet). O Brasil vai precisar, portanto, de dinheiro especulativo, aplicado em bolsas ou no mercado de renda fixa, para fechar as contas externas sem queimar reservas. Não há crise à vista, mas haverá uma queda de qualidade no balanço de pagamentos e o País ficará um pouco mais vulnerável às mudanças bruscas de humor no mercado internacional. A tendência não é nova. A margem de segurança das contas externas começou a diminuir sensivelmente em 2008, quando as importações de bens começaram a crescer bem mais

acentuadamente que as exportações – mudança provocada em grande parte pela aceleração do crescimento econômico. A conta de comércio melhorou em 2009, com a recessão, mas o investimento direto diminuiu e ao mesmo tempo as empresas estrangeiras começaram a remeter mais lucros e dividendos para ajudar as matrizes a enfrentar os tempos difíceis, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Pelas contas da Sobeet, o investimento direto líquido – entradas menos saídas – ficará em US$ 30 bilhões. O déficit na conta corrente ficará em US$ 49 bilhões, segundo o Banco Central (BC). O mercado financeiro estima em US$ 47,5 bilhões para este ano e US$ 60 bilhões para o próximo. A remessa de lucros aumentou desde o começo da crise e está embutida nessas previsões. Em qualquer caso, o investimento direto – destinado à atividade empresarial e não ao

mercado financeiro – ficará muito abaixo do necessário para cobrir o buraco. A diferença será coberta por dólares aplicados em negócios de curto prazo. As projeções da Sobeet reforçam expectativas formadas com base nos cálculos do BC e do mercado financeiro. Mas foram apresentadas juntamente com o relatório anual de investimentos elaborado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Segundo esse relatório, o Brasil caiu da 10.ª para a 14.ª posição na lista de receptores de investimento estrangeiro direto. O valor líquido recebido passou de US$ 45,1 bilhões em 2008 para US$ 25,9 bilhões em 2009. A redução – de 42,4% – foi bem maior que a observada na América Latina (19,35%), nas economias em desenvolvimento (22,9%) e no mercado global (34,4%). Em conjunto, os países em desen-

volvimento continuaram no ano passado conquistando espaço no mercado, não só como receptores, mas também como fontes de investimentos diretos. Em 2000, só 11,1% desses investimentos se originaram nas economias em desenvolvimento. No ano passado essa participação chegou a 20,8%. O Brasil tem acompanhado esse movimento com a crescente internacionalização de suas maiores companhias. A importância dos emergentes no movimento de capitais tem acompanhado sua participação cada vez maior no comércio internacional. O Brasil se mantém como um dos países mais atraentes para o investimento direto estrangeiro. Perdeu participação nos fluxos, no ano passado, mas subiu da 4.ª para a 3.ª posição entre os países citados como destinos para aplicações de recursos até 2012. Ficou atrás da China e da Índia e logo à frente dos Estados Unidos, Rússia e México.

Mas a concretização dos negócios seria mais garantida, segundo dirigentes da Sobeet, se o Brasil participasse de acordos internacionais de investimento – importantes para a segurança de quem aplica o dinheiro. Entre 2000 e 2009 foram concluídos 1.004 tratados. Países europeus participaram de 509 e países em desenvolvimento, de 829. Latino-americanos assinaram 131. A China, 48; a Índia, 43; e até a Venezuela assumiu compromissos (6). As economias em transição (ex-socialistas) entraram em 253 pactos desse tipo. O Brasil não assinou nenhum, assim como não concluiu nenhum acordo de livre comércio com parceiros de primeira linha. Essa é uma das mais estranhas peculiaridades brasileiras. Se acordos de investimentos podem ser bons para países tão diferentes quanto os Estados Unidos, o Chile, a China, a Áustria, a África do Sul e o Vietnã, por que não servem para o Brasil?

Informalidade em queda

As mudanças do ensino privado

ontinua alto, no Brasil, o índice que mede a atividade econômica exercida fora do controle do governo – a economia subterrânea, que não paga impostos e, assim, concorre deslealmente com aqueles que trabalham de acordo com as normas legais – quando comparado com os índices dos países industrializados, embora nos últimos anos ele venha caindo de maneira contínua, ainda que lenta. Este é o quadro revelado pela mais recente pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizada a pedido do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), sobre as atividades que não recolhem impostos no País. Com nova metodologia de apuração – baseada em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio sobre o trabalho informal, isto é, sem registro em carteira, e em estimativas de valores de transações monetárias que não são relatadas ao governo, entre outras informações –, o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), órgão da FGV que desenvolveu o novo índice, acredita ter chegado a um resultado bem mais confiável sobre a economia subterrânea no Brasil. A estimativa é de que, no ano passado, o PIB da “economia subterrânea” alcançou 18,4% do PIB brasileiro, ou R$ 578 bilhões. Esse valor é maior do que o PIB da Argentina. Considerando-se a carga tributária atual, pode-se estimar em R$ 200 bilhões os impostos que deixam

uas vultosas operações marcaram o setor do ensino privado este mês. A primeira foi a aquisição do Grupo Anglo pela Abril Educação, numa acirrada disputa com a Editora Santillana, vinculada ao conglomerado espanhol Prisa, que edita o jornal El País, e com a Pearson Education Brasil, pertencente ao conglomerado britânico que editaoFinancialTimeseTheEconomist. Realizada dez dias depois, a segunda operação foi a compra, pela Pearson Education, de parte do controle acionário do Sistema Educacional Brasileiro (SEB), controlador do COC, Pueri Domus, Dom Bosco e Name. Os acionistas da SEB não queriamvenderaempresa nemdividirocontrolecom sóciosestrangeiros. Mas, depois da venda do Anglo para a Abril, com receio de não ter condições de manter a posição relativa num mercado cada vez mais disputado, eles mudaram de opinião. “Vimos que era preciso um parceiro estratégico”, disse o controlador Chaim Zaher. O valor da primeira operação não foi anunciado, mas os especialistas estimam que ele tenha ficado entre R$ 450 milhões e R$ 600 milhões. A segundaoperação,amaiorjárealizada no setor educacional brasileiro, foi de R$ 888 milhões. Em 2009, outro grupo educacional nacional – o Kroton, dono da rede Pitágoras, que tem 43 mil alunos no ensino superior e 226 mil no ensino básico – já havia vendido 50% do controle acionáriopara oAdvent,umfun-

C

mo se pescam militantes que poderiam transformar o Brasil numa República socialista, conforme as diretrizes do Foro de São Paulo. Aí me pergunto: pessoas que apoiam terroristas devem participar do processo eleitoral? PETER CAZALE pcazale@uol.com.br São Paulo

COPA 2014 Novo técnico da seleção

O homem da CBF já deu um nó no sogro, no Dunga, na SEP, no SPFC, no Lula, no Kassab, no Goldman e pensava que iria dar um no povão. Quer dizer que o técnico escolhido não pôde aceitar por não ter sido liberado e, então, convidou o Mano Menezes? Oh, oh, oh... Que os dirigentes do Fluminense tenham participado da farsa me parece normal, mas será que o Muricy também? Ou entrou de gaiato? E o Big Phil per-

de ser recolhidos anualmente. As empresas que pagam impostos são prejudicadas, pois as sonegadoras podem oferecer o mesmo produto a preços menores. Perde também o País, pois a informalidade gera um mau ambiente para negócios, o que inibe os investimentos. A economia subterrânea é definida pela FGV como toda produção de bens e serviços não reportada ao governo para não pagar impostos e tributos em geral, encargos trabalhistas e outros custos. Ela inclui também as atividades francamente ilegais, como venda de produtos roubados, contrabando,

O Instituto Brasileiro de Economia, da FGV, apura o modo de avaliar a economia subterrânea venda de drogas, jogo, fraude e prostituição. A aplicação da nova metodologia a dados de anos anteriores mostra um constante declínio da economia subterrânea. Em 2003, quando a FGV fez o primeiro levantamento desse tipo de atividade no Brasil, seu volume era de 21% do PIB. O índice atual é bem inferior ao de outros países em desenvolvimento, nos quais pode chegar a 40% do PIB. Entre os principais fatores que levam à queda do índice da economia subterrânea, o responsável pelo estudo da FGV, professor Fernando de Holanda Barbosa Filho, aponta o crescimento e a modernização da economia formal. Com o crescimento da produção, cres-

cebeu antes ou deu sorte? MANOEL MENDES DE BRITO brito.voni@terra.com.br Bertioga

Maldição da Jules Rimet

Nem bem terminou a Copa da África e já começou a bagunça para organizar o nosso Mundial de 2014. E sabem por quê? É a maldição da Jules Rimet. Afinal, essa que foi a mais bonita e mais importante taça a ser disputada por todos na história do futebol mundial, conquistada em definitivo, com muito orgulho, pela nossa maravilhosa seleção de 1970, foi estupidamente roubada e derretida em 1983 por brasileiros que, mais uma vez, denegriram a imagem do nosso país. Como castigo por essa horrível ocorrência, não merecemos realizar o Mundial. JULIO SIMI NETO j.simi@terra.com.br São Bernardo do Campo

ce também a oferta de crédito e, para ter acesso a ele, as empresas e os trabalhadores precisam comprovar que têm condições depagar as prestações, o que estimula a formalização. “O crescimento do PIB é um santo remédio”, observou o diretor do Ibre, Luiz Schymura. A modernização da economia, por sua vez, melhora o ambiente para os negócios, reduz as exigências burocráticas para a legalização de um empreendimento, facilita o recolhimento de tributos e aumenta a eficiência dos órgãos de fiscalização e de combate à sonegação. O diretor técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, lembraqueosestímulosàformalizaçãoprevistosnaLeiGeraldasMicroePequenasEmpresaseacriação da figura do empreendedor individual também ajudam a reduzirovolumedaeconomiasubterrânea.“Essesavançosnormativos estão mudando a face da economia brasileira”, diz Santos. “Os estímulos são tantos que, dentro de alguns anos, só permanecerãonainformalidade aqueles que trabalham por conta própria e auferem rendimentos esporádicos muito pequenosouaquelesligadosàsatividades ilegais, como a pirataria.” Mas isso, certamente, não ocorrerá tão cedo. A queda do volume da economia subterrânea ainda é lenta, nunca maior do que 0,7% do PIB de um ano paraoutro.Porisso,oíndicebrasileiro ainda é muito mais alto do que o da média dos países que compõem a OCDE, de cerca de 10% do PIB. Ainda há muitoaserfeitoparareduzirainformalidade no País.

“Tanto na política como no futebol os iguais se atraem” PAULO R. KHERLAKIAN / SÃO PAULO, SOBRE O ABRAÇO DE CHÁVEZ E MARADONA paulokherlakian@uol.com.br

“Bola fora: Maradona não se deu conta de que la mano de Diós pôs o dedo no gatilho” A. FERNANDES / SÃO PAULO, IDEM standyball@hotmail.com

D

do financeiro internacional. Essas operações consolidam no campo da educação as mesmas transformações já ocorridas em outros setores da economia brasileira. Com a integração dos mercados em escala mundial, vários grupos nacionais perderam escala e competitividade,oqueoslevouaservendidos a conglomerados estrangeiros.Aconcentraçãoeconômicaéumadas consequênciasdesse processo. Outra é a internacionalização de setores econômicos inteiros, como aconteceu nas áreas de autopeças, eletrodomésticos e lojas de departamento. Na área educacional, es-

O encontro do ensino privado com o big business chega um tanto atrasado ao Brasil sas mudanças começaram em 2005,quando a Laureate Education – um conglomerado que atua em 15 países e fatura US$ 648 milhões por ano – comprou aAnhembi-Morumbi. Dois anos depois,foramrealizadas25aquisições – 14 delas negociadas por conglomerados que levantaram R$ 1,3 bilhão em oferta primária de ações na Bovespa. A expansão do ensino superior brasileiro começou nas décadasde1970,comatransformação de instituições isoladas em universidades particulares e confessionais. Elas passaram de 20, em 1985, para 85, em 2000. A partirdaí,comaexpansão doensino básico, essas universidades abriram novos campi e diversificaram suas atividades, criando cursos de educação continuada

e investindo em produção de material pedagógico para todos os ciclos de ensino. As universidades privadas hoje controlam 75%do ensinosuperior doPaís– e5%delasdetêmmetadedaoferta de matrículas. A venda dos Grupos Anglo e SEB é o desdobramento do processo de concentração do setor educacional. Com a compra do Anglo, que tem 211 mil alunos em 484 escolas localizadas em 316 municípios, a Abril Educação passa a ser a segunda maior rede de ensino particular do País e espera faturar R$ 500 milhões em 2010. E, com a aquisição de parte do controle acionário da SEB, a Pearson pretende passar dos atuais 450 mil alunos para mais de 1 milhão, em cinco anos.Alémdisso,osdoisconglomerados vão passar a disputar acirradamente o mercado de “sistemasdeensino”,queenvolve produção de apostilas, manuais e livros didáticos e comunicação via internet para ensino a distância. Nesta área, restam apenas dois grandes grupos brasileiros, o Positivo e o Objetivo. A legislação não proíbe a concentração no ensino particular. Há alguns meses, sem esconder a aversão à iniciativa privada e alegando que educação é “bem público estratégico”, o governo pensou em fixar limites para as empresas de ensino. Mas recuou, com receio de que o mercado educacional brasileiro fosse colocado pela OMC na mesa de negociações do Acordo Geral para o Comércio de Serviços. Na realidade, o problema não é de imposição de limites, mas de controle da qualidade do ensino ministrado por essas empresas.

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Por que comemos mal e pagamos tanto?

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Jornalista do ‘Paladar’ compara a relação custo-benefício entre os restaurantes de SP e Europa ● “Sinto que em São Paulo falta conteúdo gastronômico, que é, então, substituído pelo luxo e pela excentricidade.” MARIA TEREZA CURY

“Genéricos, FAT, etc. e tal têm vários pais e mães, o que é lógico. Já o trem-bala tem só a mamãe e por isso está atrasado tantos anos”

● “Chega de pagar couvert de R$ 10 ou R$ 15 por pessoa para comer pão com manteiga e água a R$ 6 ou R$ 7 a garrafinha.”

ANDRÉ C. FROHNKNECHT / SÃO PAULO, SOBRE A CAMPANHA ELEITORAL anchar.fro@hotmail.com

● “A cultura brasileira prefere frufru e acho que muitos críticos e blogueiros também, mas acredito que isso começa a mudar.”

RONALDO OLIVEIRA

FERNANDA CORVO

As cartas devem ser enviadas com assinatura, identificação, endereço e telefone do remetente e poderão ser resumidas. O Estado se reserva o direito de selecioná-la para publicação. Correspondência sem identificação completa será desconsiderada. Central de atendimento ao leitor: 3856-5400 – falecom.estado@grupoestado.com.br Central de atendimento ao assinante Capital: 3959-8500 Demais localidades: 0800-014-77-20 www.assinante.estadao.com.br Classificados por telefone: 3855-2001 Vendas de assinaturas: Capital: 3950-9000 Demais localidades: 0800-014-9000 Central de atendimentos às agências de publicidade: 3856-2531 – cia@estado.com.br Preços venda avulsa: SP: R$ 2,50 (segunda a sábado) e R$ 4,00 (domingo). RJ, MG, PR, SC e DF: R$ 3,00 (segunda a sábado) e R$ 5,00 (domingo). ES, RS, GO, MT e MS: R$ 5,00 (segunda a sábado) e R$ 6,50 (domingo). BA, SE, PE, TO e AL: R$ 6,00 (segunda a sábado) e R$ 7,50 (domingo). AM, RR, CE, MA, PI, RN, PA, PB, AC e RO: R$ 6,50 (segunda a sábado) e R$ 8,00 (domingo) Preços assinaturas: De segunda a domingo – SP e Grande São Paulo – R$ 64,90/mês. Demais localidades e condições sob consulta.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Nacional

estadão.com.br Portal. Todas as viagens dos candidatos à Presidência estadao.com.br/e/mapa

Investigação. Projeto de retomada da exploração do garimpo ganhou força quando senador esteve no comando do Ministério de Minas e Energia, e envolve um emaranhado de empresas abertas no Brasil e no Canadá, além de pagamentos suspeitos a cabos eleitorais

Lobão e aliados montam esquema para ter domínio sobre Serra Pelada DIDA SAMPAIO/AE

Leonencio Nossa Rodrigo Rangel BRASÍLIA

Uma operação articulada pelo senador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão está por trás do projeto de retomada da exploração de ouro no lendário garimpo de Serra Pelada, no sul doPará. A operação envolve pagamentos suspeitos a cabos eleitorais de Lobão e um emaranhado de empresas – algumas de fachada – abertas no Brasil e no Canadá. O projeto de retomada da exploraçãodogarimpo ganhouforça quando Lobão esteve no comando do ministério, de janeiro de 2008 a março deste ano. Com aval dogoverno, a exploração seráfeitapelaSerraPeladaCompanhia de Desenvolvimento Mineral, empresa criada a partir de um contrato entre a desconhecida Colossus Minerals Inc., com sede em Toronto, no Canadá, e a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), que reúne 40 mil garimpeiros e detém os direitos sobre a mina. Esteano,porduasvezesopresidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a programar visita a Serra Pelada para anunciar a reaberturadogarimpo. Masas duasviagens foram canceladas de última hora. Nas palavras de um auxiliar do presidente, a desistência se deu porque o Planalto avaliou que o acordo com a Colossus é prejudicial aos garimpeiros. “Os leões querem ficar com todo o ouro”, disse o assessor. Por ordem da Presidência, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e o ministério tiveram de firmar um termo de compromisso com a Colossusemqueaempresacanadense se compromete a ajustar cláusulas do contrato com potencial de prejuízo aos garimpeiros. Até o fechamento desta edição nada havia mudado. Comosenador e depois como ministro, Lobão atuou pessoalmente em várias frentes, dentro

Fração. Garimpeiro exibe pedras de ouro retiradas de Serra Pelada: pelo contrato entre a cooperativa e a Colossus, eles ficam com fatia menor do lucro e fora do governo, para possibilitar o negócio. Primeiro, operou para formalizar a Coomigasp como proprietária do garimpo. Nos bastidores, ainda em 2007, como senador, Lobão atuou para conseguir que o governo federal convencesse a Vale,até entãodetentora da mina, a transferir à cooperativa seus direitos de exploração de ouro e outros metais nobres em Serra Pelada. A Vale submeteu a propostaa seu conselhode administração, que concordou em atender ao pedido de Brasília e, em fevereiro de 2007 assinou um “termo de anuência” repassando à cooperativa dos garimpeiros o direito de explorar a mina principal.

Investir no garimpo não compensava, diz Vale BRASÍLIA

JoséAlbertoAraújo,gerentejurídico da Vale para a área de mineração, afirma que a empresa não se interessou em exercer seu direito de explorar ouro na região por ter avaliado, com base em es-

OURO PARA POUCOS

tudos geológicos, que os ganhos financeiroscomoprojetonãoseriam suficientes para justificar o alto investimento. “A extração em profundidade exigiriaumprocessodeengenhariadegrandeportee,considerandoaquantidadedeouroaserreti-

mente o direito da Coomigasp deoperarnogarimpo,Lobãolançououtraofensiva.Desta vez,pa-

ratomarocontroledacooperativa. Num processo conturbado, marcadoporaçõesjudiciaiseviolência, garimpeiros do Maranhãoligadosao ex-ministroconseguiram assumir a Coomigasp. É justamente nessa época que surge a Colossus. A proposta de contrato com a empresa foi aprovada a toque de caixa pelos associados da cooperativa. Pelo acerto, a Colossus entra com capital e tecnologia e a cooperativa cede seus direitos sobre a mina. Pesquisas autorizadas pelo DNPM indicam haver pelo menos 20 toneladas de ouro no subsolo de Serra Pelada. Geólogos com acesso às sondagens mais recentes afirmam, porém, que a quantidade pode pas-

rada, para a Vale não interessava”, disse. Segundo ele, o governo pediu e a Vale aceitou destacar de seu título minerário a área que interessava à Cooperativa dosGarimpeiros deSerraPelada. A portaria que efetivou a cessão do direito foi publicada em fevereiro de 2007, quando o contrato com a Colossus estava em fase final de negociação pelo grupo do senador Edison Lobão. Em 2009, já com Lobão no comando do Ministério de Minas e Energia, por meio do Ofício 262,

de 20 de agosto, o secretário de Geologia e Mineração, Claudio Scliar, pediu que a Vale cedesse à cooperativa os direitos minerários de outra área, de 700 hectares, contígua aos 100 hectares da cava principal de Serra Pelada. No documento, o secretário alegava que a cessão atenderia a açõesde“inclusãosocial”promovidas pelo governo na região. A Vale novamente aceitou o pedido e autorizou a cooperativa e, por tabela, a Colossus, a realizarem pesquisas na área. / L.N. e R.R.

Noanopassado,jácomLobão ministro, o governo fez nova gestão em favor do negócio e obteve da Vale os direitos sobre mais 700 hectares de Serra Pelada. Ao Estado, o secretário de Geologia e Mineração, Claudio Scliar, que elogia o desempenho deLobãonaconduçãodareabertura de Serra Pelada, admitiu ser amigo de geólogos brasileiros que integram o comando da Colossus, como Pérsio Mandetta, Darci Lindenmeyer e Augusto Kishida. “O Darci chegou a ser meu chefe no passado”, diz. Controle. Garantido formal-

sar de 50 toneladas. O potencial de sucesso damina é a principal razão da trama. Um ex-funcionário do gabinete deLobão noSenadoencarregouse de articular e defender o contrato com a Colossus. Antonio Duarte, que se apresenta como assessor do ex-ministro, chegou a criar uma entidade, a Associação Nacional dos Garimpeiros de Serra Pelada (Agasp-Brasil), para funcionar como linha auxiliar da Coomigasp na defesa do consórcio. No escritório em Brasília que serve como sede da Agasp e sucursal da Coomigasp, fotos de Lobão na parede evidenciam a relação de proximidade entre o ex-ministro e os encarregados de tocar o negócio com a empresa canadense. “Quem é contra esse projeto écontraosgarimpeiros”, dizRaimundo Nonato Ramalho, de 77 anos, vice-presidente da Agasp, apontando para um dos quadros de Lobão. “Esse aí é o nosso patrono, o melhor ministro de Minas e Energia que o Brasil já teve porque conseguiu reabrir Serra Pelada.” Antônio Duarte, o presidente da associação, não é o único egresso do Senado. Na joint venturesurgidadaassociaçãodaColossus com a Coomigasp, há outro ex-funcionário da Casa, o ad-

JAN/2007

FEV/2007

AGO/2009

MAIO/2010

Senador Lobão pressiona Vale a ceder mina no local

Vale repassa os seus direitos à Coomigasp

Com Lobão ministro, Vale cede mais 700 hectares

Lobão em Curionópolis: Colossus obtém concessão

ANDRE DUSEK/AE - 19/11/2007

Portaria de concessão de lavra foi assinada perante centenas de garimpeiros em Curionópolis SERRA PELADA BRASÍLIA

Aconcessãodelavraquepermite à Colossus iniciar a exploração em Serra Pelada saiu em maio passado. A portaria foi assinada diante de centenas de garimpei-

“O senhor conhece, o senhor tem sido nosso patrão”, disse. E Lobão faturou diante da pequena multidão: “Eu fui a dez ministrosdeMinaseEnergiaenãoconseguiaresolveroproblemadevocês. Até que eu fui nomeado ministro.Chameitodomundoedisse: ‘Agora, vamos resolver’.” Ocontrato com aColossus havia sido aprovado três anos antes. À assembleia de garimpeiros que avalizou o negócio, em 2007, a empresa foi apresentada como

Lama. Apesar do discurso de

que o consórcio com a Colossus traria bons resultados, o texto inicial do contrato firmado entre a cooperativa e a empresa canadense já indicava prejuízo para os garimpeiros: eles ficam, literalmente, com a lama da mina e com uma fatia menor do lucro. AColossus já entrou na sociedade com 51% de participação na nova empresa. A Coomigasp ficou com 49%. Pouco depois, semprecoma anuência dos diretoresdacooperativaligadosaLobão, a Colossus conseguiu ampliar sua participação para 75%. Gigantismo da Colossus se limita ao papel e aos discursos

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JORNAL DE CURIONÓPOLIS/REPRODUÇÃO

Na festa, senador é saudado como ‘patrão’ ros reunidos em praça pública em Curionópolis, cidade vizinha ao garimpo. A solenidade se transformou num comício. Lobão, que já não era mais ministro,estavalá,aoladodagovernadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT). O atual ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, atribuiu ao antecessor o esforço pela reabertura da mina. GesséSimão,oatualpresidente da cooperativa dos garimpeiros, agradeceu ao ex-ministro.

vogado Jairo Oliveira Leite. Também ligado a Lobão, Leite representa a cooperativa de garimpeiros na direção da companhia. Além de facilitar o negócio a partir do cargo, o ex-ministro e candidato à reeleição ao Senado chegoua participar pessoalmente das articulações em torno do negócio. O Estado teve acesso a um vídeo que mostra Lobão, no ministério, reunido com representantes da Colossus e da Coomigasp para tratar da parceria.

umagigantedamineraçãonoCanadá. Até a Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral, a joint venture originada da associação da Coomigasp com a Colossus, não é exatamente o quesediz.Denovaaempresanão tem nada. Ela foi aberta em 2001, com o nome de Caiçara Minérios e Participações. Seu proprietário, à época em que o contrato com a cooperativa foi assinado, era Pérsio Mandetta, geólogo com passagem pelo DNPM que

participoudamontagemdonegócio com a Coomigasp e cuidou das tratativas com os dirigentes da cooperativa ligados a Lobão. Comopartedoacordo,aColossusconcordouempagarasdespesas operacionais da Coomigasp. Gessé diz que os repasses da empresapara acooperativatêmsido regulares – e volumosos. Em entrevista gravada pelo Estado, ele afirmou que, só em abril, foram remetidos R$ 400 mil. Documentos obtidos pelo Estado mostram que a administraçãododinheirobeiraainformalidade. Basta o pedido de um dirigente da cooperativa para que a liberação dos repasses. Há uma sequência de recibos datados de

2008 cujo total passa de R$ 1,2 milhão. Gessé é um dos destinatáriosdosrecursos.Nãohánecessidade de prestação de contas. Ninguém fala. Ao longo das duas últimas semanas, o Estado tentou falar com Lobão. Uma assessora afirmou que tentaria localizá-lo, mas até o fechamento desta reportagem ele não havia respondido ao contato. Mandetta não foi localizado nem em sua residência nem em seu suposto endereço comercial. O diretorgeral do DNPM, Miguel Nery, não quis dar entrevista. Por meio da assessoria, disse que o órgão selimitouaprovidenciaratramitação dos processos. / R.R. e L.N.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

DORA KRAMER ✽ ●

dora.kramer@grupoestado.com.br

Cada um por si

R

ezaa regra mor dosespecialistasempropagandaeleitoral que quem está na frente naspesquisasou nãodeveir a debates com os adversários ou pelos menos deve reduzir sua presença ao mínimo indispensável. Sobessaóticaatéfazsentidoadecisão de um candidato à reeleição como o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (43%, segundo Ibopedoiníciode junho),quejámandou avisar que no primeiro turno não vai a nenhum. InclusiveporquecomasaídadeAnthony Garotinho (21%) da disputa, a expectativadeCabral é ganharde primeira sem abrir espaço para Fernan-

do Gabeira (12%) crescer na contenda. A despeito do desrespeito que esse tipo de atitude denota com o espírito da coisa (democrática) e principalmente em relação ao eleitor, tratado como mera massa votante enquanto ao marqueteiro com seus trackings, suas “qualis e quantis” se confere total reverência, a prática da ausência do favorito está consagrada. Oquenãoécomuméalguémemsituaçãonãoconsolidada,emcenáriodeequilíbriocomoadversário,abrirmãoespontaneamente de espaços de embate para marcar suas posições, tentar conquistar mais eleitores e, quem sabe, mostrar que os oponentes não lhe fazem sombra em matéria de atributos para ocupar o

cargo pretendido. A menos que esse alguém de um lado não se sinta suficientemente seguro paraenfrentar tantas e repetidas refregas e de outro tenha segurança de que o desempenho de outrem lhe dará as garantias necessárias. É o caso da candidata Dilma Rousseff, cujos estrategistas decidiram que só vai aquatro debates de televisão. Comonão podem dizer a verdade, tergiversam fazendo candidata alegar “problemas de agenda” para não comparecer. Difícil imaginar quais problemas de agenda seriam tão ou mais importantes que o comparecimento ao maior número possível de mesas de discussões razoavelmente espontâneas entre os can-

didatos. Que não possa ir a um ou outro é normal. Mas que se restrinja ao que seria impossível recusar, apenas para não caracterizaraausênciacomopadrão,dárazão à oposição quando diz que o governo tem receio de que sua candidata não estejaà altura das exigências da exposição. Leva o eleitor também a suspeitar que assim seja. E, para usar uma expressão queMarinaSilvaeFernando Gabeiraestão usando para reclamar dessas ausências,“empobrece”acena,queficalimitadaaosnúmerosdepesquisas,aocotidiano de frases de efeito, gestos de impacto oudesaforostrocadosentrecandidatos, vices,presidentedaRepúblicaerespectivas assessorias. Muitomaisinteressantequeessarotina de futricas de vizinhança mal-afamada – à qual se junta a partir de 17 de agosto o espetáculo amestrado conduzido por marqueteiros no horário eleitoral – seria um embate, digamos, semanal temáticocomregrasmínimasparaassegurar a civilidade, com os pretendentes a presidente discutindo livremente. Um tema de cada vez, até esgotar o assunto. Hoje sobre segurança pública, semana que vem sobre visão de democracia, na seguinte tudo sobre saúde ou

educação, na outra política externa poderiaser o tema e assim até o dia da eleição. Cada um por si, sem urdiduras, falsidades ideológicas, apropriação de personalidades, cada qual por conta de seu conhecimento e de sua capacidadedeargumentareconvenceropúblico. Com a realização de vários debates a avaliação seria mais justa para eleitorecandidato:quemnãocomparecer a algum ou não for bem poderia se recuperar adiante e alcançar boa média. Ou não. Cansaria o eleitor tanta profundidade? Pode até ser, mas quem disse que hoje o artificialismo, a ligeireza, a transgressão e o bate-boca nem sempre digno de sala de visitas entretêm o eleitorado? Falso brilhante. O PMDB inventou

para si o papel de “poder moderador” entre o PT e vários setores da sociedade, empresários inclusive. Que o partido queira se livrar da pecha de fisiológico de alguma maneira, entende-se. Mas que as pessoas acreditem e embarquem é realmente de boquiabrir.

DIDA SAMPAIO/AE

Colossus, uma ‘gigante’ estranha e sem rosto Nem o presidente informa direito quem é quem na empresa. E no Canadá os responsáveis não aparecem para ninguém. Rodrigo Rangel ENVIADO ESPECIAL BELO HORIZONTE Alessandra Cayley TORONTO

O gigantismo empresarial da Colossus se limita ao papel e aos discursos dos defensores do projeto em Serra Pelada. A empresa foi aberta em 2006, especialmente para o projeto de extração de ouro no Sul do Pará.Na prática,ela é controlada por um grupo de brasileiros bem relacionados no Ministério das Minas e Energia e com ligações estreitas com o próprio Edison Lobão. No papel, o presidente da empresa é o geólogo Heleno Costa. Mas são tantas as pessoas jurídicas envolvidas no negócio que mesmo os diretores se confundem. O próprio Heleno diz não ter relação com a Colossus Brasil. “Eu sou vice-presidente da Colossus Internacional”, afirmoueleao Estado naquarta-feira, por telefone. Recém-saído de um modesto projeto de mineração no interior do Tocantins, o geólogo demonstra que não conhece a fundooconfusoemaranhadodepessoas jurídicas que orbitam o negócio do qual, em tese, é um dos responsáveis. Perguntado, por exemplo, sobre do ano de criação da empresa no Canadá, ele não soube res-

ONDE FICA 0 km

200

OCEANO ATLÂNTICO

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Belém

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Serra Pelada

MA

PA MT

TO INFOGRÁFICO/AE

ponder. “Não sei dizer”, admitiu. Também não sabia o nome do presidente da empresa, que afirmou ser “um inglês”. Foi preciso que uma voz feminina, ao fundo, soletrasse: “R-a-n-d-y R-e-i-c-h-e-r-t”. Endereço canadense. Há outros pontos nebulosos na história. Em Toronto, o Estado visitou o endereço da Colossus. No escritório, num prédio comercial encravado no coração finan-

● Bloqueio

As contas da Coomigasp, a cooperativa dos garimpeiros, estão bloqueadas pela Justiça. O dinheiro é depositado na conta da tesoureira, Antonia Alves Silva, que mora em Imperatriz (MA).

ceiro da cidade, apenas uma secretária dava expediente. A reportagem tentou falar com os dirigentes canadenses da empresa. Em vão. “Não tem nenhum diretor aqui hoje”, adiantou a secretária. Ela se comprometeu a agendar uma entrevista com os diretores, o que nunca aconteceu. O Estado também tentou contato com Kristen Le Blanc, apresentada no site da Colossus como relações-públicas da empresa. Também sem sucesso. Àsautoridadesfiscais brasileiras, a Colossus canadense informou outro endereço: uma sala no número 130 da King Street West, onde funciona a Bolsa de Valores de Toronto. O prédio é o mesmo onde deveria estar outra empresa, a Maple Minerals, que até pouco tempo atrás aparecia na sociedade da Colossus. No lugar, porém, não há nenhum vestígio das duas empresas. Pela caixa postal informada, uma pista: é a mesma da PinetreeCapital,umfundodeinvestimentosque já esteve sob investigação da Ontario Securities Comission(OSC),órgãoequivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), encarregada de fiscalizar o mercado de ações no Brasil. No Brasil, o braço local da Colossus funciona num escritório no bairro Funcionários, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Pátio de manobras. Máquinas de empresas terceirizadas no garimpo Serra Pelada O endereço é o mesmo da Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral, a joint venture formada em sociedade com os garimpeiros, e da Mineração Fazenda Monte Belo, que nos registros da Junta Comercial mineiraaparececomosóciaminoritária da empresa. Na pequena placa dependurada na porta, porém, só há referência à Colossus. A recepcionista diz que nunca ouviu falar da Monte Belo. “Eu sou nova aqui”, desconversa. Ações. Sabe-se que, para arrecadar dinheiro a ser investido no projeto Serra Pelada, a Colossus canadense abriu seu capital na Bolsa de Toronto. Com a promessadesucesso emsuasoperaçõesembuscadeouronaAmazônia brasileira, a empresa passou a oferecer suas ações no mercado. O dinheiro arrecadado já começou a desembarcar por aqui, mas por enquanto seu destino principal têm sido as contas da cooperativa de garimpeiros controlada pelos aliados de Lobão.

CARLOS CHICARINO/AE – 26/8/1982

No antigo Eldorado, garimpeiros vivem do Bolsa-Família Entregue à pobreza, a serra de onde saíram 13 toneladas de ouro abriga hoje 7 mil garimpeiros que sonham com fortuna Leonencio Nossa ENVIADO ESPECIAL SERRA PELADA

A história de Serra Pelada teve início em 1980, quando um grupodegarimpeirosencontrououro na superfície de uma grota na Fazenda Três Barras. Logo uma multidãocombateiasseacotovelava na áreaem busca defortuna. Não demorou para aparecer no

garimpo o oficial do Exército SebastiãoCurióRodriguesdeMoura, veterano dos combates à Guerrilha do Araguaia, liquidada cinco anos antes a 100 quilômetros dali. Enviado pelo governo federal, Curió controlou a mina com mão de ferro, proibindo a entrada de mulheres, bebidas e armas. O ouro extraído era vendido para a Caixa Econômica Federal e para a Docegeo, subsidiária da Vale. O auge da produção ocorreu em 1983, quando foram retiradas oficialmente 13,9 toneladas de ouro. À época, órgãos oficiais chegaram a contar 67 mil garimpeiros na mina. Em 1984, com a queda na pro-

Formigueiro. Sonho do ouro chegou a reunir 67 mil pessoas dução e o aumento do número de acidentes e desmoronamentos na cava que se transformou em formigueiro humano, o go-

verno ordenou o fechamento do garimpo. A Vale detinha, desde então, os direitos sobre a área. Mas os milhares de garimpeiros

Detalhes. Pontos do contrato da Colossus com a Coomigasp

resistiam a abrir mão do ouro, fincaram pé no local e conseguiram prorrogar, sucessivas vezes, o direito de permanecer na mina. Em troca, a Vale chegou a receber do governo uma indenização de R$ 59 milhões. Em 1992, com Fernando Collor presidente, o garimpo foi de fato fechado. Hoje,SerraPeladaéumpovoado entregue à pobreza. Muitos de seus 7 mil habitantes vivem do Bolsa-Família. A promessa de reabertura do garimpo e o anúncioda chegadada Colossusrenovaram as esperanças de parte da população. Outra parte, liderada por opositores dos “maranhenses” que estão no comando da cooperativa, promete resistir. A Colossus chegou com mãoforte. Até a chácara a partir da qual Curió controlou a massa de garimpeiros, após o declínio da mina, foi comprada pela empresa, que ali montou o seu QG. Presidentes. Um de seus diretores, Heleno Costa, passou a ocupar o lugar. Não fosse cance-

lada por duas vezes, a visita de Lulaa Serra Peladaseria asegunda de um presidente da República ao antigo garimpo. Em 1982, o general João Batista Figueiredo foi carregado nos ombros de garimpeiros e até tirou fotos com a roupa suja de melexete, a lama vermelha saída dos buracos da mina. Como agora, em 2010, naquele ano os brasileiros iam às urnas para eleger governadores, senadores e deputados. Figueiredo estava no garimpo para pedir votos para os candidatos do PDS do Pará. Quase 30 anos depois, a viagem de Figueiredo ainda é lembrada pelos garimpeiros. Eles associam o nome do último presidente do regime militar à liberação do garimpo para a categoria. Lula, o mais novo depositário da confiança dos garimpeiros, chegou a receber em audiência dirigentes da Coomigasp. Na ocasião, afirmou ser questãode honra paraseu governoautorizar a sonhadareabertura da mina.


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DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Nacional A9

INFORME PUBLICITÁRIO

Objetivo cria escola só para bons alunos Grupo diz que escolheu alunos entre os mais estudiosos, que podem assim ter mais chance de se desenvolver FABIANA REWALD DE SÃO PAULO

O Objetivo criou uma escola apenas para bons alunos. O Colégio Integrado Objetivo tem o mesmo endereço da tradicional unidade Paulista (avenida Paulista, 900) (...) A mensalidade (cerca de R$1.600) e a carga horária obrigatória também não mudam. A diferença é que no Colégio Integrado, criado em 2008, só entra aluno com nota alta. Além disso, ele oferece aulas extras para os alunos no período da tarde e os professores são „especiais‰.

“A média dos alunos do Colégio Integrado Objetivo no Enem foi 749,67, ou seja, é o 2º colocado em todo o país.”

(...) A divulgação das médias no Enem por escola, desde 2006, tem grande impacto no mercado da educação. Alguns colégios chegaram a aumentar o valor de suas mensalidades após aparecer no topo do ranking. O Objetivo diz que, se não fosse uma falha do MEC, a nova escola já teria aparecido em segundo lugar no país. Isso porque, segundo o grupo, os 42 alunos do terceiro ano do novo colégio tiraram notas altas. Por seus cálculos, a escola teve média 749,67. O primeiro colocado, o Vértice (zona sul de São Paulo), tirou 749,70. No entanto, o Colégio Integrado ficou sem média e não foi incluído no ranking. Segundo o MEC, o colégio, por ser recém-criado, ainda não tinha um número de registro no momento em que começou a inscrição para o exame. (...) O Inep (órgão do MEC responsável pelo Enem) confirma que os dados serão retificados, mas não diz quando. (...)

Quisemos montar um colégio onde esses [melhores] alunos tivessem condições de desenvolver o que eles querem [estudar] e colocando professores especiais para eles. Na maioria, são alunos que ganharam medalhas em olimpíadas JO‹O CARLOS DI GENIO

um dos diretores do Colégio Integrado Objetivo

Grupo afirma que criou escola para os mais aplicados DE SÃO PAULO

O Objetivo afirma que criou o Colégio Integrado para os alunos que gostam de estudar mais e que já estavam acostumados a passar as tardes na escola. Segundo um dos diretores, João Carlos Di Genio, foram chamados aqueles que sempre conseguiam as melhores colocações em olimpíadas de diferentes áreas, como astronomia. (...) Di Genio acredita que o colégio possa até alcançar a primeira colocação no país. Isso porque a nota da redação de uma aluna está sendo questionada.

“O colégio pode até alcançar a primeira colocação no país. Isso porque a nota da redação de uma aluna está sendo questionada.”

O Ministério da Educação, no entanto, não confirma que possa haver retificação em nota individual. Apenas diz que a escola terá uma média calculada. Lucas Tafner Zahed, 18, que prestou a edição 2009 do Enem, diz que valeu muito a pena ter estudado no Colégio Integrado, formado pela turma mais forte. Ele cursa hoje medicina (...)

PARABÉNS ALUNOS E PROFESSORES DO COLÉGIO INTEGRADO OBJETIVO PELO ¯XITO NO ENEM Trechos de matéria publicada na edição de 20 de julho de 2010, na Folha de S. Paulo


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Eleições

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

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Vídeo no portal @

FINANCIAMENTO

10% da renda

Sidney Beraldo comenta campanha de Alckmin em SP (estadao.com.br/e/alckmin)

bruta é o limite permitido por lei para doações de pessoas físicas para campanha

Datafolha dá Serra e Dilma empatados

A CORRIDA ELEITORAL l Evolução dos três principais candidatos à Presidência nas últimas pesquisas Datafolha MARGEM DE ERRO DE 2 PONTOS PORCENTUAIS PARA MAIS OU PARA MENOS

EVOLUÇÃO NAS ÚLTIMAS PESQUISAS

EM PORCENTAGEM

37

40

JOSÉ SERRA (PSDB)

35

36

30

DILMA ROUSSEFF (PT)

25

20

Resultado difere da pesquisa Vox Populi, que indicou petista oito pontos à frente; institutos adotam metodologias distintas

15

10

10

Daniel Bramatti

José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estão em situação de empate técnico na corrida presidencial, segundo o instituto Datafolha. O tucano tem 37% das intenções de voto, e a petista, 36%. O resultado difere de pesquisa Vox Populi divulgada na sextafeira, que apontava oito pontos de vantagem para Dilma (41% a 33%). Os dois institutos adotam metodologias distintas (leia texto abaixo). Em relação à pesquisa anterior do Datafolha, divulgada no iníciode julho,o quadroficou estável. Serra e Dilma apenas oscilaram dentro da margem de erro do levantamento (de 39% para 37% e de 37% para 36%, respectivamente). Marina Silva, do PV, passou de 9% para 10%. O empate persiste em uma simulação de segundo turno entre PTePSDB:Dilmacom46%eSerra com 45%. Só há diferenças entre os dois ● Dados técnicos

A pesquisa foi feita entre os dias 20 e 23, com 10.905 eleitores de 379 municípios. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais. O levantamento está registrado no TSE com o número 19890/2010.

principaisadversários napesquisa espontânea e no quesito rejeição. Na modalidade em que os eleitoresmanifestam suaspreferênciasantes deler alista decandidatos, a candidata do PT lidera por21%a16%– napesquisaanterior, a diferença entre os dois era de três pontos porcentuais. Ainda há 4% de eleitores que citam o presidente Luiz Inácio Lula da Silvacomoseucandidatopreferido,apesardeele não estar nadisputa. Convidados a indicar em quem não votariam de jeito nenhum, 26% dos entrevistados citaram o candidato do PSDB. Em relação à representante do PT, 19% deram a mesma resposta. A divisão geográfica do eleitorado mostra que Serra lidera nas regiões Sudeste e Sul, por 40% a 33% e 45% a 32%, respectivamente.No Nordestee no Norte/Centro-Oeste, é Dilma quem está à frente, com 41% a 29% e 40% a 33%, respectivamente. Estados. A amostra da pesqui-

sa, de 10.905 entrevistas, permitiu que o Datafolha detalhasse a situação da corrida presidencial em oito unidades da Federação. Osdados mostramque asituação de Serra é melhor em São Paulo, sua base política, e no Paraná. Nos dois Estados, a vantagem do tucano sobre a principal adversáriaéde14e15pontos por-

Análise: José Roberto de Toledo

A diferença de resultados entre os dois institutos

A

diferença nos resultados entre as pesquisas Vox Populi e Datafolha está além da margem de erro de ambas. No cenário com os candidatos dos pequenos partidos,DilmaRousseff(PT)tem41%noinstituto mineiro contra 36% no paulista. Aplicada a margem deerro de 2 pontos porcentuais, ela teria

centuais, respectivamente. Em São Paulo, o maior colégio eleitoraldoPaís,cada pontoporcentual de vantagem equivale a cerca de 300 mil votos. Dilma se destaca na Bahia, onde lidera por 43% a 32%, e em Pernambuco, onde vence por 46% a 36%. Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País, há um empate técnico: Serra tem 38% e Dilma, 35%. No Rio de Janeiro, que tem a terceira maior concentração de eleitores, a ex-ministra da Casa Civil está à frente(37% a 31%). No Rio Grande do Sul, quinto maior colégio eleitoral, o ex-governador de São Paulo tem 12 pontos de vantagem (46% a 34%). Lula. O Datafolha também avaliou o grau de aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para 77%, a administração do petista é ótima ou boa – na pesquisa anterior, esse índice era de 78%. A taxa de aprovação se mantém em nível recorde – nenhum presidente foi tão bem avaliado desde que o instituto passou a medir o grau de satisfação da população, em 1985. A nota média atribuída ao governo foi 8, em uma escala de zero a 10. No Nordeste, a nota chegou a 8,7.

no mínimo 39% no Vox, ainda um ponto além do máximo a que chegaria no Datafolha (38%). Com José Serra (PSDB), os dois institutos estão no limite de um empate técnico. Os 33% do tucano no Vox Populi poderiam ser no máximo 35%, somada a margem de erro. Feita a conta inversa com os 37% que Serra tem no Datafolha, ele chegaria a no mínimo 35%. Não se trata de um desencontro episódico. Há meses que os resultados do Vox Populi têm sido consistentemente diferentes dos do Datafolha, e têm contado uma história com final distinto. O instituto mineiro identificou uma aceleração mais acentuada de Dilma e sua ultrapassagem sobre Serra no final de junho, enquanto o Datafolha desde meados de maio vem mostrando um empate técnico persistente entre os dois

MARINA SILVA (PV)

5 24 E 25/ FEV/2010

25 E 26/ MAR

SERRA

DILMA

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Em campanha no interior do Paraná, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, evitou comentaras últimaspesquisaseleitorais. “Saem pesquisas quase que a cada dois dias e se eu tiver que comentar cada uma delas...”, disse o tucano ontem, durante entrevista em Paranavaí, a 520 quilômetros de Curitiba. Serra prometeu, para o caso de ser eleito, investir no ensino técnico, criando o Programa do EnsinoTécnico(Protec),eabrindo 1 milhão de vagas em quatro anos. O ensino técnico, destacou, “é vital para o desenvolvimento do Brasil”.

(TSE) aplicou na noite de ontem multa de R$ 5 mil a José Serra, por campanha eleitoral antecipada em evento de 1º de maio em Camboriú (SC). Também ontem o TSE suspendeu o direito de resposta do PT às declarações do candidato a vice na chapa de Serra, Índio da Costa (DEM-RJ), associando o PT ao narcotráfico e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. / VANNILDO MENDES E ANDREA JUBÉ VIANNA

O Protec seguiria o modelo do ProUni, pelo qual universidades particulares oferecem bolsas subsidiadas pelo governo para os estudantes sem recursos.

Vera Rosa / BRASÍLIA

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, recebeu ontem o apoio de representantes de 15 igrejas evangélicas, durante ato em Brasília. Como ela não deu entrevista, coube ao deputado José Eduardo Martins Cardoso, secretário-geral do PT e um dos coordenadoresda campanha,falar das últimas pesquisas. “Não temos preocupação com pesquisas. Elas revelam alguma oscilação, mas o importante é que há empate técnico em todas”,destacou.“Oslevantamentos demonstram que na votação espontânea Dilma está na frente. É um quadro favorável de crescimento da candidatura.” O encontro com os evangéli-

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40

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35

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33

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12

15 10 5 24 E 25 FEV/ 2010

15 E 16 ABR

20 E 21 30 JUN 20 A 23 E 1º JUL JUL MAI .

9 15 E 16 ABR

Norte/Centro-Oeste 50

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20 E 21 30 JUN 20 A 23 E 1º JUL JUL MAI .

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15 E 16 ABR

20 E 21 30 JUN 20 A 23 E 1º JUL JUL MAI .

FONTE: DATAFOLHA

4 Ótimo/ bom

Regular

Ruim/ péssimo INFOGRÁFICO/AE

líderes da corrida presidencial. Tudo indica que o motivo dessa divergência seja a maneira como os dois institutos abordam e entrevistam os eleitores. Enquanto o Vox Populi faza pesquisa na casadas pessoas, o Datafolha faz a abordagem nos chamados pontos de fluxo. Seus críticos dizem que assim o Datafolha não atinge o eleitor rural. Mas quem mora no campo também vai à cidade. Por si só, a diferença de tipo de abordagem não deveria levar a uma divergência tão consistente nosresultados.OsnúmerosdoDatafolhanaspesquisas mais recentes têm se aproximado dos do Ibope, que, como o Vox Populi, aplica 85% dos questionários nas casas dos entrevistados. A grande diferença está na ordem e na formulaçãodasperguntasno questionário.Antesde inda-

cos ocorreu dois dias depois da polêmica envolvendo o bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, que pregou o boicote dos católicos à candidatura de Dilma, alegando que ela defende a descriminalização do aborto. “Eu sou a favor da vida em todas as suas manifestações e seus sentidos”, afirmou a petista, na sede da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil. Ela citou passagens do Evangelho nas quais Jesus fala da vida em abundância. Depois, lembrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prometeu “cuidar do povo” como ele. “Quero pedir a vocês que orem por mim.” Na chegada, Dilma foi saudada por obreiras. Passou perto de uma faixa de protesto estendida por dois evangélicos, na qual se lia “Apoiar Dilma é negar a Bíblia”. “Aborto não”, gritou um homem.OpastoredeputadoManoel Ferreira (PR-RJ), presidente do Ministério de Madureira, pregou o voto na petista.

Avaliação do governo

26

10

25 E 26 MAR

Marina

33

30

5 24 E 25 FEV/ 2010

Serra

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Dilma

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20 E 21 30 JUN 20 A 23 E 1º JUL JUL MAI .

Nordeste

35

Serra

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Dilma

Rejeição

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30

25

Dilma, em encontro com evangélicos, prefere não falar dos levantamentos, mas Martins Cardozo vê ‘quadro favorável’

● O Tribunal Superior Eleitoral

20 A 23/ JUL

Segundo turno Sul

Em viagem ao interior do Paraná, Serra promete criar 1 milhão de vagas para ensino técnico, além de 154 AMEs ESPECIAL PARA O ESTADO PARANAVAÍ

30/JUN E 1.º/JUL

MARINA

Sudeste

PT diz que pesquisa não preocupa

José Antonio Pedriali

20 E 21/ MAI

O voto nas diferentes regiões

Tucano evita comentar números TSE pune Serra pela 3ª vez por campanha ilegal

15 E 16/ ABR

gar a intenção de voto estimulada, o Vox Populi pergunta o grau de conhecimento que o eleitor tem de cada um dos três principais candidatos, citando seus nomes duas vezes, e assim, estimulando a memória dos entrevistados. Em seguida, o pesquisador do Vox Populi pergunta em qual dos candidatos o eleitor votaria e mostra uma cartela em que, ao lado dos nomes dos presidenciáveis, está escrito o partido de cada um deles. São duas informações que não necessariamente estavam associadas na cabeça do eleitor e que, juntas, podem levá-lo a optar pelo candidato do partido A ou do partido B. ✽ É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM ESTATÍSTICA

Marina cita pororoca e aposta em ‘virada’ Em São Paulo, candidata do PV diz que pesquisas são apenas ‘momento’ e afirma não haver mais polarização na disputa Julia Duailibi

Aocomentaroresultadodasúltimaspesquisasdeintençãode voto,acandidata doPV,Marina Silva, disse que a polarização entre JoséSerra (PSDB)eDilmaRousseff(PT)estáquebrada, falou sobre a “pororoca” e citou o escritor e poeta francês Victor Hugo. “Apesquisaéum momentoregistrado pelos institutos, mas existe outro no mundo real, que é a mobilização feita pela sociedade”, disse. Questionada, então, sobre a polarização entre Serra e Dilma, completou: “Essa dicotomia já foi quebrada. Conseguimos reverter muitas coisas. As propostas passaram a ser debatidas,antes era apenasadisputa entre currículo e história”.

Segundo as pesquisas Vox Populi e Datafolha, divulgadas sexta e sábado, respectivamente, Marina continua no terceiro lugar na corrida, variando entre 8% e 10% das intenções de voto. Indagada sobreo curto espaço de tempo para reverter o quadro atéa eleição,Marina citouVictor Hugo: “Nada é mais potente que uma ideia cujo tempo chegou”. “Você acha que a pororoca não seforma rapidamentequandoas águas se juntam? Isso é um encontro de muitas águas de muitasnascentes daboapolíticadesse País”, declarou ao sair de um café na zona oeste paulistana. Marinadissejátertido“decepção”compesquisas no passadoe afirmouacreditarqueamobilização da sociedade pode fazer uma “virada”. Criticou mais uma vez os adversários por não irem a debate da internet semana que vem. Disse que querem produzir um “anonimato eleitoral”. “Vou levar um bóton com duas cadeiras vazias”, brincou a candidata.


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Eleições

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TV Estadão @ Confira as entrevistas com os presidenciáveis dos partidos menores (estadao.com.br/e/nanicos)

Na boca maldita

DIRETO DE BRASÍLIA JOÃO BOSCO RABELLO ✽ ●

joao.bosco@grupoestado.com.br

Polarização segue

A

mais abrangente até aqui, a pesquisa Datafolha divulgadaontem,queregistraascandidaturasprincipais nosmesmos patamares da consulta anterior, foi bem recebida pelo PSDB, que vê na repetição do empate técnico um sinal de que o rompimento gradual de José Serra com a estratégia de candidato pós-Lula foi um passo acertado. A lógica tucana é a de que o fator Lula, responsável direto pelo crescimento gradual e firme de Dilma Rousseff, pode estar no limite de sua eficácia,namedida em queseusíndicespermanecem inalterados.

Pela mesma lógica, a pesquisa frustrou o PT, que comemorara internamente o resultado do Vox Populi, feito para a TV Bandeirantes, e que registrou um crescimento de oito pontos para Dilma Rousseff. Cliente do mesmo instituto, o PT soube do resultado informalmente, antes de sua divulgação pela emissora. Por esse raciocínio, a postura mais agressiva de Serra nas últimas semanas pode ter contido o crescimento de sua adversária. Ao privilegiar na campanhatemasda vida real,comoasinergia perversa entre drogas, saúde e educação, trazendo as duas últimas para o

contexto de uma política de segurança, o PSDB acredita ter atingido um flanco sensível do PT. A nova crise entre Venezuela e Colômbia dá visibilidade ao papel ativo dasFarc nonarcotráfico eexpõe atolerância do governo do PT ao movimento – que resiste a admitir como criminoso –, justificando a cobrança que o candidato do PSDB faz nesse sentido. O rompimento entre os dois países servirá à continuidade da exploração do tema pelos tucanos, embalados pela convicção de que a tese seduz parcela do eleitorado que ainda está indecisa. estadão.com.br Blog.Relação com PT dá às Farc abrigo no governo blogs.estadao.com.br/joao-bosco/

A pesquisa Datafolha mostra que José Serra mantém a liderança no sul e Dilma Rousseff tem apoio dos dois maiores colégios eleitores do Nordeste. A maior vantagem de Serra é no Paraná, onde tem 45% das intenções de voto, e a petista, 30%. Por isso, Lula aterrissa em Curitiba no próximo sábado com Dilma Rousseff a tiracolo. O candidato a governador do PSDB, Beto Richa, também está na frente: ele tem 43% das intenções de voto, contra 38% de Osmar Dias (PDT). Lula e Dilma desembarcam no marco zero da política paranaense: a Boca Maldita, ponto tradicional de encontro dos curitibanos. “É um ponto tradicional de fofocas e futricas políticas”, define um político paranaense.

Nova tribuna Fora da disputa eleitoral, Ciro Gomes virou comentarista político da TV Cidade de Fortaleza (afiliada da Rede Record). Por ora, promete não girar a metralhadora contra Dilma e

Reportagem Especial ✽

o governo, por fidelidade ao PSB, mas avisa que a mágoa continua.

Voto feminino A pesquisa Band/Vox Populi mostrou que tem sido bem-sucedida a ofensiva de Dilma Rousseff (PT) sobre o voto feminino. Nas últimas aparições, ela foi enfática nas declarações endereçadas às mulheres. O Vox Populi mostrou que, pela primeira vez, ela ultrapassou José Serra na preferência das mulheres. No levantamento, Dilma aparece com 38% das intenções de voto entre as mulheres e Serra, com 32%.

Herança maldita Herança do governo Arruda, 11 mil estabelecimentos comerciais em Brasília funcionam com alvarás provisórios. A Justiça impôs o fechamento de centenas deles, entre os quais a PUC-DF, com 22 mil alunos, em provas finais de semestre, mais sete faculdades, colégios de ensino médio, postos de gasolina e cinemas.

Disputa interna

Criado por dissidentes do PT, o PSOL elegeu três deputados federais em 2006. O novo partido chegou dividido à eleição deste ano, pois Heloísa Helena defendia o apoio a Marina Silva

EXTREMA-ESQUERDA

A DURA VIDA DE EX-RADICAL DO PT

putou, se colocar como alternativa de esquerdaenãotemdemonstradoviabilidade eleitoral”, disse. A cisão interna, acrescenta ele, tende a enfraquecer ainda mais a sigla. O PSOL segue a lógica da origem petista deformaçãode“tendências”e,paraTeixeira, está fadado a repetir “velhos jargões da esquerda”, com bandeiras e sem projeto real.

● Dilemas

CHICO ALENCAR DEPUTADO FEDERAL DO PSOL

“O PSOL não pode ser um novo PSTU e também não pode seguir o caminho do PT, que se tornou anódino”

HELOÍSA HELENA EX-SENADORA DO PSOL

Diante de cisões internas e especulações sobre o ocaso do PSOL, Plínio de Arruda define sua candidatura como ‘tentativa heroica’ Malu Delgado / TEXTO Epitacio Pessoa / FOTO

E

nquanto saboreia um suco de beterraba com laranja em sua casa em São Paulo, o suave e radical Plínio de Arruda Sampaio define sua candidatura à Presidência pelo PSOL como uma “tentativa heroica”. Aos 80 anos, completadosnestesábado,oex-petistasocialistaaindanãopontuanaspesquisas. Perde até para José Maria Eymael, candidato do nanico PSDC, queatingiu1%napesquisaVoxPopuli divulgada sexta-feira. “E ainda tenho Arruda no nome. Pode coisa pior que isso?”, brinca. A candidatura de Plínio, anunciada após uma série de divergências internas – entre elas, a oposição da presidente da sigla, a ex-senadora Heloísa Helena–,catalisaaencruzilhadapolítica do partido e alimenta especulações sobre o ocaso do PSOL. Marina. Em 2006, com Heloísa He-

lena candidata, o recém-criado PSOL chegou ao fim da disputa presidencial com 6,8% dos votos e a simpatia de mais de 6,5 milhões de eleitores. Agora, Heloísa defendeu união com o PV de Marina Silva, mas a direção do PSOL constatou que a aliança seria inviáveldiantedacontinuidadedapolítica macroeconômica pregada pela ex-ministra do Meio Ambiente. Depois de decidida a candidatura própria,Heloísarecusou-seaconcorrer mais uma vez à Presidência e não apoiou a candidatura de Plínio. Recentemente,apósavisitadapresidenciável verde a Maceió, Heloísa derramou-se em elogios à colega de Senado. Em seguida, mandou um emissário a São Paulo para explicar a Plínio queelarespeitaráasdecisõespartidárias. Porém, o PSOL ainda não tem certeza se a ex-candidata à Presidência da República gravará programas de TV pedindo votos para Plínio. Quando questionado se a colega se empenhará na campanha, ele é sincero: “Acho que não. Mas não fará campa-

Bandeira. ‘O importante para nós é o debate’, diz Plínio, que fez 80 anos nha para Marina.” Para o cientista político Marco AntônioCarvalhoTeixeira,professordaFundação Getúlio Vargas, Plínio poderia ser

uma provável alternativa para um grupo de eleitores caso não houvesse a candidatura de Marina Silva. “Mas o partido nãoconseguiu,nasduaseleiçõesquedis-

Matemática. “Sobre o resultado eleito-

ral, estou entre aqueles que preferem a qualidade dos nossos representantes que a medíocre matemática eleitoralista”, disse Heloísa Helena em e-mail enviado ao Estado, quando questionada sobre o futuro do partido. Sem comentar suas divergências com Plínio,avereadora,que tentarávoltarao Senado, definiu assim essa disputa: “Eleição é processo complexo que sofre influências das condições objetivas, como as engrenagens do poder político, econômico e midiático.” A vontade do povo, continuou a ex-senadora, é “muitasvezesbaseadanacomplexasubjetividade humana e, portanto, a simbologia às vezes está muito acima da ideologia”. Plínio simplifica o que Heloísa parece querer dizer. Para ele, o governo Lula “surfou” numa relativa tranquilidade do cenário econômico, fez o “assistencialismo demagógico”, criando nas pessoas de baixa renda a sensação falsa de bem-estar. O pobre pode comprar uma televisão, mas tem que esperar seis mesespor uma consulta médica no SUS, e o filhodelereceberáumaeducaçãodepéssima qualidade que inviabiliza a verdadeira mobilidade social. É esse o discurso que Plínio quer usar na campanha. “Existe de fato um vácuo na esquerda noBrasilenomundo,sobretudoseinterpretarmos que há uma migração do PT ao centro. Por outro lado, o sistema eleitoralbrasileiroe asregras do jogoeleitoral diminuem muito as chances de o PSOL crescer”, afirma a cientista política e professora da Universidade Federal de São Carlos, Maria do Socorro Souza Braga. Segundo a professora, sem investiremum projeto alternativoconsistente e factível e na formação de quadros, “o PSOL não conseguirá fazer o link entre o que é possível dentro da lógica da esquerdaesetornaráumpartidovazio”. Origem. Criado e composto basicamentepelosradicaisdoPT,oPSOLconseguiu eleger três deputados federais – Chico Alencar (RJ), Ivan Valente (SP) e Luciana Genro (RS) – não apenas pela ondaHeloísa,mas,sobretudo,pelosfrutos das biografias que construíram no partido do presidente Lula. Agora,aexpectativaotimistaéquePlínio termine o pleito com 3% dos votos e o partido eleja uma bancada federal de cinco deputados federais e apenas uma senadora, Heloísa Helena. “NinguémdiziaqueZapateroseelegeria na Espanha. Não pense que estou alimentando expectativas. O importante para nós nesta eleição é o debate”, diz Plínio, com lucidez e racionalidade. OcandidatodoPSOLdizqueJoséSerra (PSDB), de quem se diz “muito ami-

“Sobre o resultado eleitoral, estou entre aqueles que preferem a qualidade dos nossos representantes que a medíocre matemática eleitoralista”

go”, e “essa moça Dilma (Rousseff, do PT), que é uma incógnita total, porque na hora em que ela largar da mão do Lula ninguém sabe o que vai ser”, disputam a Presidência como um “projeto pessoal de poder”. Todos, inclusive Marina (PV), segundo ele, estão cumprindo o script da política brasileira que dá mais possibilidade de poder pela direita que pela esquerda. “Suponhamos que eu tenha êxito nos debates e que exista no Brasil umamassacríticadepessoas.Selocalizarmos essas pessoas, nuclearmose as transformarmos em militantes, e se tivermos a capacidade de montar um partido nacional neste próximo período, aí o momento será nosso”, profetiza Plínio. História. O desafio do PSOL, segun-

do o deputado Chico Alencar, que “bravamente”tentaareeleição,évencer o sectarismo. “O PSOL não pode ser um novo PSTU, no sentido de ser extremamente doutrinário, o que temum valor,masnão podelevar isolamento total. E também não pode seguir o caminho do PT, que silenciosamente se tornou um partido adaptado, anódino, peemedebizado.” O PSOL, completa o deputado, é uma necessidade histórica de haver no Brasil um polo de esquerda. Diante da decisão do PSOL de não aceitar financiamento privado nem estatal, o deputado Ivan Valente se sente “uma espécie em extinção”. “Como o partido não apela para o pragmatismo e não faz alianças que nãosejamprogramáticas,nossasdificuldades são reais”, diz ele. Para eleger um deputado em São Paulo, por exemplo, a legenda precisa reunir pelo menos 310 mil votos. Ofimda“eraLula”,segundoValente, aumentará as possibilidades do PSOL. “O Brasil é um dos países com a pior distribuição de renda do mundo. Isso é sintoma de que as coisas não mudaram muito”, argumenta o deputado, otimista. Como afirmam os membros do Partido do Socialismo e da Liberdade, Marx dizia que a história só se repete como farsa ou tragédia. Por enquanto, o PSOL repete um caminho feito pelo PT na década de 80, mas um outro momento bem distinto da história.


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DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

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O ‘Estado’ acompanha semanalmente as promessas que os principais candidatos à Presidência da República vêm fazendo durante a campanha eleitoral

Candidatos disputam distribuição de remédio Todas as campanhas prometem ampliar ou melhorar programa que garante medicamentos de graça para os mais pobres Lucas de Abreu Maia

Enquanto disputam a paternidade dos medicamentos genéricos, os três principais candidatos à sucessão presidencial reforçam uma série de propostas para a distribuição de remédios à parcela mais pobre da população. Na segunda-feira, José Serra (PSDB) prometeu em seu site criar uma cesta com cerca de 80 remédios que seriam distribuídosgratuitamentepelos municípios. A candidata petista, Dilma Rousseff, já afirmou que pretende dar continuidade ao programa Farmácia Popular, do governo federal – que oferece remédios subsidiados para diabetes e hipertensão. Marina Silva (PV), por sua vez, deverá investir em tratamentos pouco ortodoxos e que não dependam de medicamentos alopáticos, como acupuntura e homeopatia. O Farmácia Popular tem, hoje, poucomenosde13milunidades– na maior parte, parcerias do governo com estabelecimentos privados.Noprograma,oMinistério daSaúdesubsidiaaté 90%do medicamento. Os 10% restantes são pagos pelo paciente. Tanto Serra quanto Marina prometem dar continuidadeao programa, maso tucano critica o governo ao afirmar que a parcela mais pobre da populaçãocontinua desatendida. “OFarmáciaPopularnãoéparte do SUS”, opina Renilson Rehem, que contribui com o plano de governo de Serra. “A iniciativa atende bem às classes C e D, que podem pagar ao menos um poucopelosremédios.Masquem estáabaixodissonãoéatendido.” Os medicamentos a ser distribuídos pela cesta ainda não foram determinados. De acordo com Rehem, serão sobretudo remédios de uso prolongado. Hoje, o SUS já fornece vários medicamentos gratuitamente, por meio do programa Farmácia Básica. “A ideia é garantir uma quantidade maior de medicamentos”, diz. Para o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, responsável pelosetor noprogramadegoverno petista, o Farmácia Popular

PRINCIPAIS PROMESSAS DA SEMANA

8

4

● Distribuir cesta com cerca de 80

● Criar o ProMédio, programa de bolsas para alunos carentes em escolas particulares, nos moldes do ProUni ● Garantir linha de financiamento para instalação de salas de cinema em cidades do interior ● Reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia e em 40% o desmatamento no Serrado ● Instalar polos de desenvolvimento econômico nos Estados do Nordeste

José Serra

de remédios gratuitos ● Construir centros de excelência em esportes olímpicos ● Criar um conselho de desenvolvimento para a Amazônia ● Tornar a Zona Franca de Manaus permanente ● Construir a Arena de Parintins, com espaço para o espetáculo dos bois, museu e shopping ● Tocar grande obras no Norte, como a ampliação do aeroporto de Manaus e a modernização dos portos de Manaus, Belém e Porto Velho ● Fazer a duplicação das rodovias BR-101 e BR-480 ● Criar o Ministério da Segurança Pública (promessa já feita na précampanha)

Marina Silva

Responsável pelas propostas para asaúdeno programa de governo de Marina Silva, o secretário municipal do Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, afirmaqueumadasdiretrizesdotextotratadacontinuidade dosprogramas de distribuição de medicamentos. “Osprogramasdeacessoamedicamentos serão mantidos e ampliados”,diz ele. “Mas aMarina tem falado em associar isto a tratamentos como acupuntura e homeopatia.Nãodáparaficarescravo do que já é oferecido.” Na opinião do médico sanitarista e pesquisador do Instituto Pólis, Jorge Cayano, a proposta do candidato tucano à Presidência, José Serra, de criar uma cesta gratuita de remédios implica em mais custos para a saúde. “Pode até ampliar o acesso, mas implica em mais gastos. Os recursos atuais são totalmente insuficientes”, opina. Para ele,

1

● Oferecer subsídios para produtores rurais e madeireiros que trabalhem de acordo com a legislação ambiental

permite acesso a medicamentos por pessoas que não usem o SUS. “É outra forma de garantir acessopara tratamentodedoençascrônicas”,defende.“O governo já aumentou muito o investimento na distribuição de remédios – de R$ 1,9 bilhão em 2003 para R$ 6,4 bilhões em 2009.” NasdiretrizesparaasaúdeDilmaincluiampliaçãodaofertagratuita de remédios e incentivos à vendadosgenéricos.Oex-ministroadmitesernecessárioaumento dos recursos direcionados à área, mas não fala no retorno da CPMF: “A Dilma tem falado que isso virá como consequência do crescimento econômico.”

Marina promete unir medicamentos à acupuntura Responsável pela área de saúde no programa do PV, Eduardo Jorge diz que governo deve ‘manter e ampliar’ acesso a remédio

Dilma

Serra “rigorosamente não está propondo nada de novo”. Cayano ressalta que o FarmáciaPopulartemumenfoquediferente do SUS. “Os medicamentos mais complexos, como para o tratamento de Aids e tuberculose, já são fornecidos pelo SUS. OFarmáciaPopularcobreosmedicamentosquenãosãoconsiderados essenciais.” De acordo com ele, o fato de o paciente ter de pagar, ainda que pouco, pelos remédios evita o desperdício e a automedicação. O pesquisador não faz ressalvas à proposta de Marina de investir em tratamentos pouco ortodoxos.“Issojáexiste,sãotratamentos reconhecidos. Não tem novidade nenhuma.” Promessas. Nesta semana, os

principais candidatos fizeram 12 novas promessas de campanha. O tucano José Serra aparece em primeiro no ranking, com sete, enquanto a petista Dilma assumiuquatrocompromissos.Marina Silva fez apenas uma promessa. O levantamento do Estado levouemconsideraçãoosdiscursos dos candidatos, além de entrevistas e material publicado em seus sites na internet. / L.A.M.

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DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Eleições

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● Na estrada

PAULO SKAF: “De Ribeirão a Franca gasta-se mais com pedágios que com combustível” CANDIDATO DO PSB AO GOVERNO DE SÃO PAULO

Alckmin deixa ataque ao PT com ‘3 mosqueteiros’ Ofensiva contra o petista Mercadante fica por conta de Afif, vice do tucano, e de Quércia e Aloysio Nunes, candidatos ao Senado na mesma chapa Roberto Almeida

A campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), principal adversário de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, está nas ruas colada à disputa presidencial. Em vantagem nas pesquisas, o tucano mantém perfil discreto e, em vez de atacar os petistas em seus discursos, prefere tecer elogios e pedir votos para o candidato ao Planalto, José Serra. Apesardadiscriçãoqueocapacita a dizer que faz uma “campanha limpa”, porém, Alckmin dispõe de três porta-vozes encarregados de destilar ataques ao PT no front da batalha eleitoral. São eles o candidato a vice Guilherme Afif Domingos (DEM) e os

candidatos ao Senado Orestes Quércia (PMDB) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB). Afif,alémde aparararestas entre o PSDB paulista e o DEM, que correram separadamente nas eleiçõesmunicipaisde2008, trabalha na articulação de uma “infantaria”decandidatos,vereadores, militantes e simpatizantes da aliança. “Agora não existe mais partido. Agora nós somos unidos por São Paulo e pelo Brasil”, afirma o candidato a vice. Ele foi, segundo tucanos, elemento crucial para a entrada do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), na campanha. Tornou-secoordenadordaestratégia do PSDB na capital paulista e tenta, com uma série de eventos, mobilizar ações de porta em

porta e contra-atacar as investidas do PT, especialmente na zonasuldeSãoPaulo, devototradicionalmente petista. Infantaria. Segundo Afif, que

temapostadoem metáforas militares, militante na rua, tratandodefazer campanhabocaa boca, é essencial para que a “artilharia aérea” da propaganda eleitoral – no rádio e na TV – traga dividendos nas urnas. Como mestre de cerimônias dos encontros do partido realizados na capital, de microfone na mão, Afif tem municiado a “infantaria” com o argumento dequeacandidatadoPTà Presidência, Dilma Rousseff, é inexperiente,razãopelaqual,segundoele, nãotem condiçõesdego-

vernar o País. “Quem nunca se candidatou não pode ser presidente da República”, comentou Afif durante a inauguraç��o do comitê de campanha, na semana passada. Sarrafo. Orestes Quércia, por

sua vez, não poupa palavras, mesmo dizendo não ter nada “pessoalmente” contra a candidata Dilma, “É até boa pessoa”, gosta de afirmar. O postulante ao Senado discursa normalmente de forma enfática. A estratégia é a mesma usada por Afif: tratá-la como inexperiente. Mas, ao mesmo tempo, Quércia tem subido o tom contra os petistas. “Vamos descer o sarrafo no PT”, afirmou o ex-governador durante a inauguração do comitê. Seu colega de chapa, Aloysio Nunes Ferreira, concordou. “É um recado político perfeito”, disse após a fala de Quércia. O candidato tucano ao governo de São Paulo, sob o manto da discrição, contemporiza. Perguntado sobre os “militarismos” da campanha e sobre o “sarrafo” ventilado por Quércia, Alckmin vê as palavras apenas como “força de expressão”.

NA PERIFERIA

PETISTA TOMA A PARA VIRAR ‘MA

Na caça aos votos, Mercadante cola no apresentador N ao Senado, treina sorrisos e discursos mais simples e at Adriana Carranca

“L

iiindooo! Maravilhoosooo!” Vozes femininas ecoam na multidão, mãos esticadas abanam canetas à espera de um autógrafo, câmaras digladiam em busca de um espaço vazio entre as cabeças. No calçadãodocentrode Carapicuíba,entre cotoveladas e empurrões, o personagem principal deveria ser Aloizio Mercadante, o candidatodoPTaogovernodeSãoPaulo. Mas os gritos são para Netinho de Paula (PC do B), o ex-pagodeiro, candidato ao Senado e

seu companheiro de chapa. “Não que a mulherada não ache ele (Mercadante) lindo, é que Netinho é cantor, é outro tipo de sucesso”, explica “seu” Getúlio, de 47 anos, que passou os últimos 24 anos atrás do balcão da Lanchonete Carolina, na Cohab 2. “Aqui na comunidade, todomundovotano Netinho.O povo gosta de artista, sabe? ” A equipe de campanha de Mercadantesabe. Aimagemdocandidato ao governo tem sido colada à do apresentador de TV – desde oiníciodacampanhaosdoiscumprem intensa agenda juntos. Em cidadescomoRibeirãoPreto,Ser-

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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Agenda

UNIVERSO

O candidato ao governo de SP, Celso Russomanno (PP), faz carreata hoje na zona leste da capital paulista

de eleitores estão cadastrados no Estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do País

30,3 milhões

MARCIO FERNANDES/AE

WERTHER SANTANA/AE

EVELSON DE FREITAS/AE

AULAS ANO’

Netinho, candidato té canta nos palanques

tãozinho,Jales,Araraquara,Votorantim e Osasco, a dupla desfilou,acenou para o povo em carretas. Lado a lado, os dois discursaram juntos em comícios. A estratégia por trás disso tudo é clara: Aloizio Mercadante é um nome muito conhecido, “mas grande parte do eleitorado ainda nãoligaonomeàpessoa”,esclarece o marqueteiro Augusto Fonseca,responsávelpelacampanhavitoriosa de Marta Suplicy (PT) para a Prefeitura de São Paulo, em 2000. Ao contrário do principal adversário,GeraldoAlckmin(PSDB), governador em dois mandatos,odesafiodeMercadanteétor-

Nacional A15

Na terra do pagodeiro. Mercadante faz campanha no centro de Carapicuíba, ao lado de Netinho nar a sua imagem conhecida. “É evidente que Netinho tem um perfil popular. E é evidente que issoajudaaspessoasareconhecêlo em público e a verem Mercadante ao seu lado”, diz Fonseca. Imagem. Duas empresas cuidam da imagem dos dois – a MPB, de Fonseca, e a Nova Estratégia. “Atuar juntos é bom para os dois, Mercadante aprende com Neti-

nho a ser popular, a estar à vontade nas ruas. E Netinho ganha com a experiência de Mercadante na política”, diz o publicitário. A equipe conseguiu convencer o acadêmico Mercadante a amaciar o vocabulário “para melhor entendimento da população”. A preocupar-se menos com números e mais com “a situação das pessoas”. Em vez de críticas ao adversário, tem sido orientado a

perguntar aos eleitores se estão satisfeitos com a escola dos filhos, a clínica médica, o pedágio. Na semana que vem, quando começa a gravar o programa eleitoral gratuito, Mercadante mergulha em uma tarefa ingrata: abrir mão do palavreado técnico, que encorpou em seus tempos de professor da Unicamp, do politiquês dos oito anos no Senado e do negro bigode que, de tão lon-

go, já lhe cobre os lábios superiores. “Aquele bigode vai ter de ser ajustado, porque dificulta a compreensão da fala”, ameaça o marqueteiro. Também invadiram seu guarda-roupa, decretando ternos escuros para palestras e entrevistas na TV e camisas mais despojadas para o corpo a corpo nas ruas. Já há sinais de progresso. O senador anda mais solto e sorridente.Em Jacareí,elee Netinhorezaram juntos a missa dominical diante de mais de 15 mil fieis, na 28ª Feira Agropecuária. Na quinta-feira, em Votorantim, o músico puxou o samba, o senador acompanhou no batuque e até se atreveu a tocar berimbau. Em Carapicuíba, a carreata dos dois pelo reduto do “mano” expagodeiro durou quase duas horas. Visitaram a Cohab 2 – onde Netinho formou com amigos a banda Negritude Junior –, a antiga padaria ondeo grupo ensaiava, a escola onde o músico estudou. No centro comercial, foram empurrados pela multidão, fizeram uma confusa caminhada – quase umcooper.Marta Suplicy espera-

va, quase esquecida, no carro de som. Foi um dos poucos compromissos em que ela e Mercadante saíram juntos. Nos bastidores do PT, diz-se que o ciúme de Marta, que já era conhecido, só fez aumentar – a ponto de o jingle da campanha da petista excluir Mercadante. O coordenador da campanha, Emídio de Souza, nega o mal-estar. Garante que os dois têm tido agendas diversificadas para aumentar o alcance da campanha. “Elatem seconcentradoem lugares onde ele não precisa ir agora. Mas, quando Marta está sozinha, divulga o nome de Mercadante”, afirma Emídio. Diante da tietagem, ele não esconde a força de Netinho. “Claro que ele traz votos. A força dele é incrível, tanto na Grande São Paulo como no interior”. Ao lado do músico, Mercadante canta e dança o jingle de Netinho. Sorri mais e parece à vontade no meio das eleitoras. Que, alheias aos seus cálculos políticos, mandam bala no refrão: “Netinho, cadê você? Eu-vim-aquisó-pra-te-ver!”


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Eleições

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RESULTADO

Nova enquete

81% dos internautas

@

Você acha que os candidatos deveriam participar de todos os debates? (estadao.com.br/e/enquete)

que participaram de enquete disseram se lembrar em que deputado votaram nas eleições de 2006

PAULO PINTO/AE –6/5/2010

CORRIDA EM SÃO PAULO

Alckmin venceria já no 1º turno

EM PORCENTAGEM 30 DE MARÇO GERALDO ALCKMIN (PSDB)

52

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem 49% das intenções de voto e venceria no primeiro turno se a eleição fosse realizada hoje, segundo o instituto Datafolha. Oprincipaladversáriodotucano é o petista Aloizio Mercadante, que tem 16%. Celso Russomano, do PP, aparece com 11%. A vantagemdeAlckminsobreMercadante é de 33 pontos porcentuais– napesquisaDatafolha fei-

ALOIZIO MERCADANTE (PT)

CELSO RUSSOMANNO (PP)

PAULO SKAF (PSB)

16

ANAÍ CAPRONI (PCO)

*

IGOR GRABOIS (PCB)

*

PAULO BÚFALO (PSOL)

10

11 2

ta em junho, a diferença entre os dois era de 39 pontos. O tucano, que já governou o Estado entre 2001 e 2006, colhe seus melhores resultados no interior, onde venceo petistapor 53% a14%. Na capital, sua vantagem cai para 48% a 19%. Mercadante não supera o rival mesmo entre os simpatizantes da presidenciável do PT, Dilma Rousseff. Em São Paulo há 30% de“dilmistas”,eelesestãodivididosnasucessãoestadual: umterçooptaporMercadanteeumterço, por Alckmin.

FABIO FELDMAN (PV)

49

13

Mercadante está 33 pontos porcentuais atrás do candidato tucano em São Paulo Daniel Bramatti

21 E 23 DE JULHO

2

3

MANCHA (PSTU)

1

* *

1

*

1 1

*Não apareceram na pesquisa FONTE: DATAFOLHA

INFOGRÁFICO/AE

Rio, Minas, Pernambuco, Bahia e DF podem decidir em 3 de outubro Além de São Paulo, outros cinco colégios eleitorais avaliados pelo Datafolha podem ter a eleição paragovernadordecidida no primeiro turno. No Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição, lidera com 35 pontos porcentuais de vantagemsobreFernando Gabeira,do PV, seu adversário mais próxi-

mo (53% a 18%). Em Minas Gerais, o governador e candidato Antonio Anastasia (PSDB) perderia para o peemedebista Hélio Costa no primeiro turno se a eleição fosse realizada hoje. Costa, apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem 44% das intenções de voto. Anastasia, que tem no ex-governador Aécio Neves seu

principal cabo eleitoral, registra 18%daspreferênciasdoeleitorado mineiro. Em Pernambuco e na Bahia, outros dois candidatos à reeleição,EduardoCampos(PSB)eJaquesWagner(PT),têmmaiseleitores do que a soma dos adversários somados. No Distrito Federal, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) lidera com 40%. Em segundo lugar aparece o petista Agnelo Queiroz, com 27%. A candidatura de Roriz, porém, ainda depende do aval da Justiça Eleitoral –

Reduto. Tucano vence no interior por 53% a 14%

ele é um dos ameaçados pela Lei da Ficha Limpa. A disputa está mais acirrada em outros dois Estados onde o Datafolha fez pesquisas. No Paraná, há um empate técnico entre o tucano Beto Richa e o pedetista Osmar Dias. O primeiro tem 43% das intenções de voto e o segundo, 38% – a margem de erro da pesquisa é de três pontos porcentuais para mais ou para menos. No Rio Grande do Sul, o petista Tarso Genro (35%) está à frente do peemedebista José Fogaça (27%).

CORRIDA ESTADUAL l As intenções de votos em seis unidades da Federação, segundo a Datafolha EM PORCENTAGEM

BAHIA

MINAS GERAIS

PARANÁ

PERNAMBUCO

RIO GRANDE DO SUL

RIO DE JANEIRO

DISTRITO FEDERAL

JAQUES WAGNER (PT)

44

HÉLIO COSTA (PMDB)

44

BETO RICHA (PSDB)

43

EDUARDO CAMPOS (PSB)

59

TARSO GENRO (PT)

35

SÉRGIO CABRAL (PMDB)

53

JOAQUIM RORIZ (PSC)

40

PAULO SOUTO (DEM)

23

ANTONIO ANASTASIA (PSDB)

18

OSMAR DIAS (PDT)

38

JARBAS VASCONCELOS (PMDB)

28

JOSÉ FOGAÇA (PMDB)

27

FERNANDO GABEIRA (PV)

18

AGNELO QUEIROZ (PT)

27

GEDDEL VIEIRA LIMA (PMDB)

12

LUIZ CARLOS (PSOL)

YEDA CRUSIUS (PSDB)

15

CYRO GARCIA (PSTU)

2

PAULO SALAMUNI (PV)

1

SERGIO XAVIER (PV)

1

3

3

TONINHO DO PSOL (PSOL)

FONTE: DATAFOLHA

INFOGRÁFICO/AE

‘Estado’ está sob censura há 359 dias Desde o dia 29 de janeiro, o Estado aguarda uma definição judicial sobre o processo que o impede de divulgar informações a res-

peitodaOperaçãoBoiBarrica,pela qual a Polícia Federal investigouaatuaçãodoempresário Fernando Sarney. A pedido do empresário, que é filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o jornal foi proibido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) em 31 de julho do ano passado de noticiar fatos relativos à operação da Polícia Federal. Nodia18dedezembro,Fernando Sarney entrou com pedido de desistênciadaaçãocontraoEstado. Mas o jornal não aceitou o arquivamento do caso. No dia 29 dejaneiro,oadvogadoManuelAlceu Affonso Ferreira apresentou ao TJ-DF manifestação em que sustenta a preferência do jornal peloprosseguimentodaação,para que o mérito seja julgado.

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Toda quinta no Estadão.

AMAZONAS

Liminar devolve cargo a vice-prefeito O desembargador Flávio Humberto Pascarelli concedeu liminar determinando a volta do vice-prefeito de Manaus, Carlos Souza (PP), e do vereador Fausto Souza (PRTB) aos respectivos postos. Para o desembargador, eles têm prerrogativa de função e não precisam deixar os cargos enquanto durar o processo em que são investigados por envolvimento com quadrilha ligada ao narcotráfico. SANTA CATARINA

Eleitor é condenado por falso testemunho O juiz Alex Péres Rocha condenou Antônio Renan Teles Filho, eleitor de São José do Cerrito, por falso testemunho em processo relativo ao pleito de 2008. Ele pagará multa de R$ 1.500 e terá de prestar serviços comunitários. Em 2009, Teles Filho fez ao Ministério Público afirmações falsas contra um vereador e o prefeito, a fim de levar à impugnação de ambos. ALAGOAS

Vereadores reduzem verba de gabinete A Câmara de Vereadores de Maceió aprovou, por unanimidade, a redução de R$ 27 mil para R$ 9 mil a verba de gabinete a que cada um dos vereadores tem direito de utilizar para cobrir despesas de custeio da atividade legislativa. A medida é uma iniciativa dos vereadores para melhorar a imagem do Poder Legislativo da capital, alvo de ações do Ministério Público em maio deste ano. PARÁ

Incra reconhece áreas quilombolas O Diário Oficial da União publicou portarias de reconhecimento e delimitação das comunidades remanescentes dos quilombos Saracura e Arapemã, em Santarém. As duas comunidades ocupam 2.889 e 3.828 hectares, respectivamente. As portarias foram assinadas pelo presidente do Incra, Rolf Hackbart.


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O ESTADO DE S. PAULO

Internacional ALTA TENSÃO. Rixa doméstica

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

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estadão.com.br Diplomacia. Veja histórico de tensão entre Bogotá e Caracas estadão.com.br/internacional

Reunião da Unasul deve resolver impasse. Pág. A18 }

Denúncia feita por líder colombiano na OEA contra a Venezuela faz crescer na Colômbia a impressão de que há diferenças e incompatibilidades no estilo do presidente e de seu herdeiro político; fontes do novo governo veem crise como oportunidade

Santos prepara-se para posse em meio a rumores de ruptura com Uribe Ruth Costas

O presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, já sabia que melhorar as relações com Caracas seria uma tarefa árdua quando fez dessa uma de suas promessas de campanha. O desafio multiplicou-se, porém, após Hugo Chávez romper relações diplomáticas com Bogotá, na quinta-feira, em resposta a uma denúncia feita na Organização dos Estados Americanos (OEA) pelo atual presidente colombiano, Álvaro Uribe. O incidente fez crescer na Colômbia aimpressão deque háfissuras na relação entre Santos e Uribe. Ou ao menos importantesdiferençaseincompatibilidades no estilo de ambos, apesar de Santos, ex-ministro da Defesa,servistocomoherdeiropolítico do atual presidente. Uribe apresentou na OEA as fotos que comprovariam a presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) naVenezuela16diasantesdedeixarocargo. Santostinhaaté convidado Chávez para a posse. Ele nomeou para a chancelaria a exembaixadora María Ángela Holguín, bem vista por Caracas, mas não por Uribe, porque renunciou a um cargo na ONU por discordar de suas indicações políticas. “Uribe certamente não pediu a aprovação de Santos para levar o caso à OEA. Ele informou seu sucessor, obviamente, mas não lhedeupoderdedecisão,atéporque será o presidente até o dia 7 e oseuestilosemprefoicentralizador e personalista”, disse uma fonte próxima a Santos. Na semana passada, a revista Semana, de Bogotá, publicou um artigo sobre a tensão entre Uribe e Santos, enumerando alguns sinais de que o presidente eleito quer seguir um caminho independente, o que não agrada a Uribe. Alguns indícios seriam nomeações,comoa deMaría Ángelaeado novoministro da Agricultura, Juan Camilo Restrepo, um duro crítico de Uribe. Além disso, Santos avalia a indicação de outro dissidente para a pasta do Interior: o ex-presidenciável Germán Vargas Lleras. Outro sinal de problemas seriam comentários feitos por Uribesobreosperigosdeumadiplomacia “cosmética” e “tola” com os vizinhos. “Uribe não escondeu seu aborrecimento com a mudança de rumos”, escreveu a Semana. Santos passou dois dias ao lado de Uribe para desfazer rumoresdeuma ruptura,masumacoisa é certa: ele acredita que seus 9 milhões de votos (mais do que Uribe já obteve no passado) lhe permitem governar de formaautônoma e promete adotar um estilopróprio. “Santos parece querer desmilitarizar as relações exteriores colombianas: deixar a defesa de lado para privilegiar a economia”,diz o cientistapolítico venezuelano Carlos Romero (mais informações na página 18). Assessores do novo presidente preferem ver o rompimento com a Venezuela mais como uma oportunidade do que um problema. Se, apesar de tudo, Santos conseguir retomar as relações, poderá ser visto como o “salvador da política externa” da Colômbia. Se a discussão sobre a presençadasFarcnospaísesvizinhos ganhar espaço em fóruns internacionais, o novo presidente ganharia crédito por resolver dois problemas sem o ônus de ter iniciado um conflito.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

ALTA TENSÃO. Importância regional Artigo

Crise pode ser oportunidade de recomeço Após posse de Santos, Colômbia e Venezuela poderão restabelecer laços sobre novas bases ✽ ●

ROBERTO ABDENUR ESPECIAL PARA ‘O ESTADO’

Santos mudará foco da defesa para economia Ruth Costas

A proposta do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos,derumos novosparaapolítica externa colombiana tem por base não convicções ideológicas, mas considerações pragmáticas. Em 2008, as exportações colombianas para a Venezuela chegaram a US$ 7 bilhões. Neste ano, se alcançarem US$2 bilhões será muito. Em última instância, pode-sedizerqueBogotáestápagando US$ 5 bilhõesanuais pelas disputas com o vizinho por causa das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Santos nem sempre defendeu odiálogocomCaracas.Nopassado foi um dos maiores críticos do venezuelano Hugo Chávez e em2008,comoministrodaDefesa, ordenou o ataque ao acampamentodasFarcnoEquador.Agora, está sendo pressionado pelos setores industriais do país – e tem novos desafios pela frente. A Colômbia tem os mais altos níveis de desemprego da América Latina e uma das maiores taxas de informalidade da região. A queda das exportações para a Venezuela é um dos fatores que deve limitar o crescimento do PIB em 2010 a apenas 2,5%, enquanto a média latino-americana será de 4%. “Chávez fez acusações pessoais contra Uribe, mas tomou o cuidado de não mexer com Santos – um sinal positivo para a resoluçãodacrise”,dizGabrielMurillo,cientistapolíticodaUniversidade dos Andes. Assessores do novo presidente explicam que ele quer marcar um estilo diferente de Uribe. “Emvezdecentralizarepersonalizar o poder, propõe que os ministrostenhammaisprotagonismo e haja espaço para diversidade política”, explicou um deles. Se para Uribe a disputa com as Farc é prioridade política e pessoal– seupai foiassassinado pela guerrilha –, a ideia de Santos, explicam assessores, é “desideologizar” as relações exteriores e mudarofocodadefesaparaaeconomia. Tanto que América LatinaeEuropaforamescolhidoscomoseusprimeirosdestinosinternacionais, não os EUA, que tinham a preferência de Uribe. Certamente, Santos só pode deixar de se preocupar tanto com a segurança porque seu antecessor acuou as Farc, desarmou20milparamilitaresefortaleceuo Estadocolombiano.Ninguém subestima seu legado. Mas há um reconhecimento de que ele precisa de retificações. Não surpreende que custe a Uribe entregar o poder até para um aliado. O atual presidente conseguiu o aval para concorrer ao segundo mandato em 2006 com a aprovação de uma emenda no Congresso, depois de perder um referendo popular sobre o tema. A possibilidade de um terceiro mandato só foi barrada em fevereiro, pela Justiça. “Uribe deveria prestar mais um grande serviço a seu país e deixar Santos governar ”, defendeuemumeditorial,arevistabritânica The Economist, sugerindo que o novo presidente desse a Uribe um cargo onde ele não pudesse se intrometer demais no governo: “Embaixador em Pequim, por exemplo.” / COLABOROU DENISE CHRISPIM MARIN

C

om perdão da sutileza: a situaçãoé séria, masnão chegaa ser grave. Em outras palavras, uma nova colisão política entre dois vizinhos nossos requer extremo cuidado da parte do Brasil e de nossos parceiros, sobretudo quando chegam à ruptura de relações. Mas parece fora de questão a eclosão de um conflito militar. Embora tanto Álvaro Uribe quantoHugo Cháveztenhamrazõespara mais uma vez trocarem desaforos, fatoresdomésticostendemaatuarnosen-

tido da moderação. Uribe faz questão de sair da presidência com um estrondo,colocandosobreamesanovasacusações contra Chávez. Mas Juan Manuel Santos assumirá com uma agenda pósUribe: em nada se arrefecerá o combate às Farc, mas a Colômbia precisa com urgência abordar outros de seus males, no plano social e econômico. Chávez,de seu lado, não pode ir longe demaisemsuasreações. Enfrentaa caótica situação econômica e forte perda de popularidade. Curiosamente, suas

estripulias provocam certa fadiga até mesmo entre os mais solícitos amigos – os quais estão agora a cuidar de seus próprios interesses. CubatentaobterganhosjuntoàEuropa e aos EUA na barganha em torno de presospolíticos.RafaelCorrea,doEquador,reaproxima-sedaColômbiadeSantos, deixando para trás as mágoas do bombardeioàbasedasFarcemseuterritório. A Argentina, com Néstor Kirchner à frente da Unasul e um novo chancelercomprometidocomosdireitoshu-

manos, não pode atuar simplesmente como “aliada” da Venezuela. José Mujica, no Uruguai, embora dizendo-se “amigo” de Chávez, apressa-se a entrar em campo como apaziguador – como, denossaparte, fazoutro decisivo ator,o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Só o boliviano Evo Morales, fiel escudeiro, solta diatribes contra a Colômbia e “o império”. Estacrisepode,sim,serumabem-vinda oportunidade: a de um recomeço do relacionamentoentreColômbiaeVenezuela. Chávez não poderá mais continuar a dar apoio – senão por ação, certamente por omissão – às Farc. Se antes nutria a ilusão de poder vê-las no poder,


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e com isso recompor a velha Nova Granada, certamente a esta altura percebe ser absolutamente fora de questão uma Colômbia “bolivariana”. O que se deu nesse país, ao impacto da violência da guerrilha e do narcotráfico, foi o extraordinárioamadurecimentodasociedadeefortalecimento dos valores einstituições democráticas. Chávez foi de certo modo hábil. Não deixou de proferir palavras tonitruantes contra Uribe, mas no mesmo fôlego tratou de indicar a disposição a um entendimento com Santos. E enquanto a Uribe faltou tato e diplomacia no plano regionaleinternacionalem geral,aSantos sobram visão e vivência no plano

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externo. A Colômbia de Uribe esteve demasiadamente acomodada na aliança com os EUA.A de Santos, semprejuízo do bom relacionamento com Washington, tenderá a melhor inserir-se no contexto sul – e latino-americano. Nos próximos dias, a questão deverá ser devidamente “esfriada” no âmbito da OEA. Dela não sairão acusações ou censuras contra a Venezuela. Tampouco é de supor que dela possa emanar a formaçãodeumacomissãoinvestigadora sobre a presença das Farc em terras venezuelanas. A sempre fértil ambiguidade diplomática será capaz de dar encaminhamento tranquilo ao assunto. Para isso, é de esperar que os EUA se

mantenham discretos. Não deve Washington abordar a questão em termos desuasprópriasdificuldadescomCaracas: deve perceber que o que está em jogo é a possibilidade de superação da etapa de preocupante tensão entre duas grandes nações sul-americanas. Que entre agora a Unasul em campo. Que atuem serena, equilibrada e construtivamenteatoresdecisivoscomoLula, Néstor (e Cristina) Kirchner, Mujica,ouruguaioFernandoLugo,omexicanoVicenteCalderóneatéopróprioCorrea, tão ligado a Chávez pessoalmente. Que se deixem de lado as preferências e preconceitos ideológicos, e as ilusões de uma América do Sul “de esquerda”.

O que interessa não é apenas apagar mais um incêndio entre Bogotá e Caracas. Está a nosso alcance contribuir para assentar, em novas bases de diálogo, respeitomútuoenão-ingerência,orelacionamento entre duas nações irmãs. Àdiplomaciabrasileiraoepisódiooferece a oportunidade de aprender valiosas lições e dar-se conta de que foi muito longe a confraternização com Chávez. O atropelo dos interesses do Estado em favor de empatias ideológicas de sentido autoritário e socializante não condiz com nossos interesses. E perceber, na mesma linha, o quão despropositadoe contraproducenteresulta, para nossos interesses econômi-

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cos de longo prazo, o empenho em forçar a introdução no Mercosul de governo como o de Chávez, declaradamente antinômico em relação às premissas daquele projeto como espaço de economia de mercado, livre comércio e regionalismo aberto. Dito isto, uma palavra de otimismo: mal ou bem, com se viu nos últimos dias, com Maradona ao lado de Chávez, la manita de Dios estará conosco,abençoados sul-americanos, e tudo acabará bem. ✽ É EX-EMBAIXADOR DO BRASIL EM WASHINGTON

Acuadas, Farc viram tema de política externa Na Colômbia que o novo presidente Juan Manuel Santos receberá de Álvaro Uribe no dia 7, a guerrilha não é mais um grave problema de segurança interna. Mas o recente conflito diplomático com Caracas deixou claro que, paradoxalmente, ela tornou-se um importante problema de política externa. Em 2002, quando Uribe assumiu o poder, as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc) controlavam um quarto dos municípios do país. Há indícios de que, conforme o Exército colombiano apertou o certo ao grupo, os guerrilheiros começaram a cruzar as fronteiras em todas as direções, seja para fugir dos ataques das forças oficiais, comprar drogas ou se abastecer. No Brasil, por exemplo, a Polícia Federal desativou em maio uma base das Farc em Manaus. Ementrevista ao Estado naépoca,umcomandantedesmobilizado da guerrilha contou que nos últimos anos o grupo está ampliando os negócios da droga com facções criminosas do Rio e São Paulo, do qual recebe armas e insumos. Com a Venezuela, o primeiro conflito diplomático por causa da guerrilha ocorreu ainda em 2005, depois que Rodrigo Granda, conhecido como chanceler das Farc, foi sequestrado em Caracas,apedidodainteligênciacolombiana. Em 2008, a Colômbia bombardeou um acampamento dasFarcnoEquadornoqualestava o porta-voz da guerrilha, Raúl Reyes. E com base em informações de seus dois computadores acusou uma série de figuras políticas da região de ligações com a guerrilha. A decisão do governo Uribe de entregaràOrganizaçãodosEstados Americanos (OEA) fotos de guerrilheiros em praias supostamentevenezuelanasfoi umatentativa de colocar o tema da ação das Farc fora das fronteiras colombianas em discussão em organismosinternacionais. Segundo especialistas, sem cooperação dos vizinhos é difícil que a Colômbia resolva o problema. “O argumento do governo colombiano é que só agora ele teve acesso às fotos e Uribe tinha de deixar o cargo com esse assunto resolvido”, diz o cientista político Gabriel Murillo, da Universidade dos Andes, em Bogotá. “Mas da maneira como tudo foi feito, ele acabou criando outro problema,cuja soluçãoficarápara seu sucessor”, / R.C.

PARA LEMBRAR

Em 2008, tensão quase causou guerra Em 1.º de março de 2008, o Exército colombiano, sob ordens do então ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, atacou um acampamento das Farc no Equador, matando Raul Reyes, número 2 da guerrilha. A tensão cresceu. Bogotá e Caracas mobilizaram suas tropas na fronteira e chamaram de volta seus embaixadores.


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MARIO VARGAS LLOSA ✽ ●

e-mail: llosa@estado.com.br site: www.llosa.com.br

Os reais heróis do nosso tempo EMILIO MORENATTI/AP–13/7/2010

É

muito bom que 20 presos políticos cubanos tenham sido libertados e ido para a Espanha com suas famílias. É bom que o governo de Raúl Castro tenha prometido libertar mais algumas dezenas nos próximos meses. Devemos nos alegrar por isto. A primeira coisa que cabe perguntararespeito dessepunhado deexilados é quem são. Nenhum deles pertence ao antigo regime, todos nasceram e foram formados pela revolução e, portanto, sua dissidência não nasce da nostalgia de um passado que não conheceram, mas do repúdio de uma ditadura da qual padeceram de dentro, que despertou neles um anseio de liberdade. Por suas profissões, eles representam todo o leque social: operários, artesãos,ex-soldados,jornalistas,ex- Libertados. Dissidentes em Madri: presos por defender direitos humanos funcionários. Que crimes foram esses pelos quais foram condenados a do governo espanhol, segundo a fórmuPara a ditadura cubana, que vive uma penas duras de 12, 15, 20 anos de pri- laempregada pelo chancelerMiguel An- situação econômica crítica da qual não são? Assinar petições, escrever arti- gel Moratinos? Tenho a impressão, ao sabe como sair porque teme que a abergos, ter uma máquina de escrever, contrário, de que o governo cubano, turaaosinvestimentos privados ealibeconstituir um grupo dedefesa dos di- vendo-se numa situação difícil depois ralizaçãodomercadoadebilite,acoopereitos humanos ou escritórios de in- da morte do dissidente Orlando Zapata, ração e a ajuda externa são o balão de formação independentes, atividades após 86 dias de uma greve de fome que oxigênio indispensável para prolongar pacíficas e alheias a qualquer tipo de provocou condenações em todo o mun- sua vida. É ingênuopensar que alibertasubversão ou violência. do, e da morte iminente de Guillermo çãode dezenasde presospolíticosconsSe somarmos a isso as infinitas hu- Fariñas, que estava havia cerca de 130 tituaumareforma substantivada polítimilhações , espancamentos, torturas dias em jejum, decidiu fazer um gesto e ca do regime contra a oposição. e castigos de que foram vítimas, não serviu-se de ambos para seus próprios Um dos traços mais repugnantes da há dúvida de que cada um deles é fins. Quais são eles? ditaduracaribenha foiseu hábitodepreuma testemunha viva da brutalidade Primeiro, esvaziar a campanha no ex- sentear com presos os políticos os ociirracional aplicada pelo regime cas- terior contra o regime e melhorar um dentais que faziam o beija-mão ao ditatristacontra os que não se submetem pouco sua desprestigiada imagem insti- dor, para que ganhassem bônus em seus com total servidão e do heroísmo ne- tucional. Segundo, o mais importante, países como “salvadores” e dessem seu cessário para enfrentar, ainda que da conseguirqueaUniãoEuropeiaabando- testemunho de quão flexível o regime maneira mais benigna, uma ditadura ne a posição comum que suspende toda podia ser quando tratado com comtotalitária como a cubana. a colaboração econômica com o regime preensão. Por que puderam sair da ilha? Pe- enquantonãohouver umamelhoraconSomente uma tirania cuja reserva de los bons ofícios da Igreja Católica e creta dos direitos humanos na ilha. prisioneiros políticos é um saco sem

fundo pode se permitir, sem nenhum risco,esse abjetotráficodecarne humananas relaçõespúblicas,podendosubstituir à vontade os presos que oferece a seus hóspedes importantes. Por enquanto, nada mudou, exceto quealgunsheróisdo nossotempo puderam sair de Cuba com seus familiares para o difícil caminho do exílio e continuar lutando, no exterior, pela democratização do seu país. Os meios de comunicação cubanos não disseram uma palavra do que ocorreu, com exceção da reprodução no Granma de um comunicadodo arcebispado,quedeve terdeixado seus leitores sem entender coisa nenhuma. Não há uma única disposição, regulamento ou lei que serviu para mandar para a prisão os dissidentes que tenha sido suspensa, abolida ou corrigida, nem a menor promessa do governo cubano que permita supor que a libertação seja o início de uma política de tolerância com os presos de consciência. Ogovernosocialistaespanhol acredita que seja isto o que está ocorrendo. Esse é o argumento com o qual Moratinos procurará convencer a União Europeia para que suspendam a posição comum, substituindo-a por uma política de reconciliação, amizade e “diplomacia silenciosa”. Confesso que nunca entendi por que motivo um governo democrático, no qual há um grande número de opositores do franquismo, que viveram na própria carne o que significa uma ditadura totalitária, adota em relação a Cuba uma política que, em termos práticos serve apenas para prolongar, há mais de meioséculo,aexistênciadeuma ditadura atroz. E, o que é pior, que constitui uma hostilidade flagrantes contra uma oposição que, jogando com a própria vida e expondo-se a abusos e represálias, lutapara que Cubaalcanceo que aEspanha tem desde a morte de Franco.

Espero que a União Europeia não recue e mantenha a pressão sobre Cuba Muitas vezes, fiz a mim mesmo essa perguntaecadavez meparecemais difícil encontrar uma resposta que não implique numa patética falta de visão, pequenez e cegueira. A aproximação do governo espanhol com a ditadura cubana será simplesmente uma maneira de mostrar uma mudança radical da política em relação à do governo de José María Aznar, que convenceu a Europa a

adotar a posição comum? Se for assim, a política externa da Espanha não passa de um joguete desorientado a serviço de mesquinhas querelas partidárias, sem continuidade, horizonte geopolítico e nem moral. Talvez, a explicação seja outra. O socialismo espanhol, felizmente para a Espanha, de socialismo tem só o nome.Como todosospartidossocialistas do Ocidente, o espanhol se modernizoueabandonouosvelhosparadigmas ideológicos, a luta de classes, o estatismo, o coletivismo, o dirigismo econômico. Assim, acabou se conformando a realidades que antes combatia com rancor: empresa privada, mercado, investimentosestrangeiros. Eleéhoje um baluarte do capitalismo e da democracia liberal. Suas diferenças em relação aos partidos conservadoressãopequenasenadatranscendentes, salvo na retórica de seus dirigentes, na qual, às vezes, emergem os antigos clichês da ideologia ultrapassada. Eu me pergunto se a política imoraldogoverno espanhol,decolaboração com o castrismo, não seria uma maneira de seus dirigentes demonstrarem a si mesmos que não deixaram de ser socialistas, que fazem de tudo para salvar a Revolução Cubana, que é ainda o emblema daquele socialismo que eles abraçaram quando eram jovens. Talvez isto acalme sua consciência e, fugazmente, os isente da tristeza de comprovar, a cada passo, que em toda parte, menos em Cuba, deixaramdeser “revolucionários” etornaram-se pragmáticos. Que pena que toda essa operação de declaração de inocência de um governo, que deveria liderar o apoio dospaíseslivresaosheróisdaliberdade em Cuba, se dê às custas de 11 milhões de cubanos submetidos, há mais de meio século, a um regime que disputa com a Coreia do Norte o privilégio de ser a última ditadura comunista do planeta. Faço votos para que, atendendo ao pedidodospresos políticosdesterrados de Cuba, a União Europeia não cometaa imprudência de renunciar à posição comum e a mantenha até que o regime dos irmãos Castro dê passos concretos rumo à democratização. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA ✽ É ESCRITOR PERUANO

ENTREVISTA CELSO JUNIOR/AE-7/7/2010

Jerry Dávila, historiador especializado em Brasil

● Esse “tripé” ainda existe? O sr. aponta que Fernando Henrique Cardoso e Lula, embora brancos, reivindicaram uma herança simbólica negra.

‘Como Jânio e Geisel, diplomacia de Lula vê África imaginária’ Para historiador, mito de afinidade racial e política faz País encarar africanos como ‘nova fronteira’ para exercer influência Roberto Simon

Em nome do elo “Sul-Sul”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é, de longe, o líder brasileiro que mais países africanos visitou – 25 de 53, ao todo. Mas para Jerry Dávila, historiador da Universidade da Carolina do Norte e especialista na relação Brasil-África, esse esforço de aproximação está longe de ser inédito. Na retórica de Lula, existiriam ecos de dois momentos históricos do Itamaraty: a “política externa independente”, iniciada por Jânio Quadros, e o “pragmatismo responsável”, de Ernesto Geisel. “Em ascensão, o Brasil vê novamente a África como um lugar onde pode exercer sua influência, impulsionado por uma afinidade cultural e racial”, diz ao Estado Dávila, que lançará esta semana nos EUA um dos primeiros estudos am-

plos sobre a diplomacia do Brasil para a África, intitulado Hotel Trópico: Brazil and the challenge of African decolonization (Hotel Trópico: Brasil e o desafio da descolonização na África). O livro sai no Brasil em 2011 pela editora Paz e Terra. ● O sr. diz que essa “nova” política Sul-Sul do Brasil para a África tem raízes visíveis em governos anteriores – sobretudo de Jânio e Geisel. Por quê?

O teor e a linguagem da abertura de Lula na África são legados diretos das políticas de Jânio e Geisel. A aproximação atual é notável, mas faz parte de um ciclo que oscila entre o estreitamento com EUA e a Europa Ocidental, e momentos de abertura para países em desenvolvimento, numa procura por maior “autonomia”. A própria cultura do Itamaraty evoluiu por meio desse movimento pendular: foram jovens diplomatas da era janista que tomaram a liderança na articulação da política externa chamada de “pragmatismo responsável” de Geisel – como o ex-chanceler Mário Gibson Barbosa. E, agora, jovens diplomatas da

QUEM É ✽ Brasilianista, professor da Universidade da Carolina do Norte, foi orientandor do renomado historiador Thomas Skidmore. Especializou-se na questão racial e na política externa do Brasil, lecionou na USP e na PUC-Rio

época Geisel, como Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães, conduzem o barco. ● A imagem que a diplomacia brasileira tem da África também foi ‘herdada’ desses governos?

A percepção de uma África imaginária, como um lugar onde o Brasil pode exercer sua influência, impulsionado por uma afinidade racial, ainda é forte no Itamaraty. Aos olhos da diplomacia brasileira, países africanos – diferentemente dos latino-americanos – seriam uma nova fronteira, cujas potencialidades seguem quase inexploradas. ● Em seu livro, o sr. defende que a política para a África, em sua “idade de ouro”, apoiava-se em

Portugal, africanos “desmascaravam” os brasileiros.

Batuque. Lula em visita à Tanzânia: ‘primeiro presidente negro’ três preceitos. Primeiro, que a ascensão do Brasil era inevitável. Segundo, que a África, recém-libertada do jugo colonial, era um lugar ideal para exercer a influência brasileira. Terceiro, que o fato de o Brasil ser uma “democracia racial”, como teorizado por Gilberto Freyre, criava uma afinidade especial entre africanos e diplomatas brasileiros – mesmo que entre estes praticamente inexistissem negros. É isso?

Sim. Diplomatas brasileiros nem percebiam a contradição que você aponta por um motivo importante: no contexto, presumiam que a mestiçagem ente africanos e europeus no Brasil foi um processo tanto cultural quanto biológico – essa é uma

das lições fundamentais de Freyre. Com essa miscigenação cultural, acreditavam e projetavam a ideia de que o Brasil era uma democracia racial – um país de “africanos de todas as cores”, como dizia uma propaganda do Itamaraty na Costa do Marfim, nos anos 70. Para esses diplomatas, a cor da pele importava menos do que a atitude de ser miscigenado. Mas é claro que interlocutores africanos notavam a cor da pele. Em horas de tensão, especialmente sobre a questão da descolonização nos territórios portugueses, quando o Brasil geralmente apoiou

Para o estrangeiro, a elasticidade e multiplicidade de identidades da cultura brasileira é fascinante. Um brasileiro se define como africano, português ou japonês segundo o contexto. Essa elasticidade serve como uma base de articulação poderosa: seleciona-se essas identidades de maneira estratégica. Por exemplo, quando FHC disse ter “um pé na cozinha”, ao abrir um discurso sobre a desigualdade racial, estava ao lado do presidente sul-africano Thabo Mbeki. Acho também muito interessante quando Lula diz ser “o primeiro presidente negro do Brasil”. Diz algo sobre a relação entre raça e classe social. ● Por que o projeto de aproximação Brasil-África fracassou?

Encalhou na crise econômica dos anos 80, que abalou tanto a América Latina quanto a África. O intercâmbio comercial com países africanos culminou em 1984, quando 8% das exportações brasileiras foram consumidas na África. Mas não era uma presença com base segura. Deste lado do Atlântico, dependia de uma imensa intervenção do governo, que foi insustentável – por exemplo, a tentativa da Petrobrás de vender eletrodomésticos de companhias brasileiras sob a marca Tama, na Nigéria.

PONTOS-CHAVE ●

Lusotropicalismo

A convite de Lisboa, Gilberto Freyre faz em 1950 visita às colônias portuguesas na África (foto), onde vê uma “bastante avançada democracia étnica e social”. Freyre advogará, no Brasil, o colonialismo de Portugal

DIVULGAÇÃO

● Pragmatismo e recuo

Diplomacia ‘independente’

Jânio Quadros promete em 1961 romper apoio a Portugal e apoiar a descolonização. Abre 3 embaixadas na África e nomeia 1º embaixador negro do País, Souza Dantas (foto)

Geisel aproxima-se de africanos e Brasil é 1º país a reconhecer independência de Angola. Nos anos 80, crise econômica inviabiliza relação ARQUIVO AE


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Espiões ressurgem no xadrez diplomático Nas últimas semanas, vários casos evocaram métodos de inteligência da era da Guerra Fria Denise Chrispim Marin WASHINGTON

Gustavo Chacra

FORA DA SOMBRA

NOVA YORK ●

Tão atraente quanto nos velhos tempos da Guerra Fria, a espionagem ressurgiu nos EUA em episódios que mostram que os antigos métodos sobrevivemenquanto as ameaças avançam para o terreno da informática. A KGB da exURSS deu lugar para inimigos múltiplos que figuram também entre parceiros de Washington. Nenhum deles é mais temido que a China e seu vasto empenho para absorver segredos por eletrônicos. Osórgãosdeinteligênciaamericanos não têm dúvidas de que a China está por trás das intromissões nos sistemas mais seguros dos EUA nos últimos anos. O aparatochinêsdeespionagemcibernética ganhou prioridade em 2004, quando o presidente Hu Jintaodeterminouquefossemodernizado. Os investimentos anuais nessa área atingiram US$ 100 bilhões e envolveram a aquisição de empresas privadas, hoje em mãos do Exército. Nesse processo, o complexo militar da Província de Hainan, uma ilha no sul da China, ampliou seu escopo de ação para a área de espionagem cibernética, com o auxílio de um satélite. Se a regra é espionar e ser espionado, noanopassado,aMarinhachinesa interceptou o navio Impeccable, da Marinha americana, a 75 milhas do local. Deacordo comdadospublicados no McClatchy Newspapers por Richard Parker, especialista no tema, o custo para os EUA de combater a espionagem chinesa

Shahram Amiri – No dia 12, cientista iraniano entrou na embaixada do Paquistão em Washington e pediu para ser repatriado. Afirmou que fora sequestrado pela CIA e trazido aos EUA. Foi recebido como herói.

Walter Kendall Myers –

Aos 73 anos, analista aposentado do Departamento de Estado foi condenado a 81 meses de prisão no dia 16. Myers repassara informações a Cuba. ●

‘Vizinhos’ russos – FBI

prendeu 12 espiões a serviço da Rússia. Viviam como “americanizados” pacatos em bairros da classe média. ●

‘Pearl Harbour virtual’ –

Google e outras corporações americanas na China acusam hackers locais de invadir seus sistemas e acessar dados de clientes. O suposto assalto virtual seria a maior invasão da história da espionagem digital

supera US$ 200 bilhões ao ano. No primeiro semestre de 2009, o Departamento de Defesa americano sofreu pelo menos 43,8 mil tentativas de bisbilhotagem informática da China. Paralelamente,asvelhaspráticas de espionagem continuam tão presentes como há 50 anos. No mês passado, os EUA receberam de volta 14 de seus espiões que estavam presos na Rússia. A libertação foi o resultado de um acordode troca de presos – o FBI havia encarcerado 12 pessoas

Tecnologia faz Israel mudar estratégia de espionagem Agentes infiltrados dão lugar a informantes locais, mais discretos e dificilmente rastreados por autoridades inimigas NOVA YORK

Israel continua a ter os espiões mais temidos – e respeitados – do mundo, sobretudo em países árabes. Mas a inteligência israelensemudoudeestratégianasúltimas décadas: em vez dos agentes infiltrados, agora aposta-se em informantes locais. Na Cisjordânia e na Faixa de Gaza são usados palestinos, enquanto no Líbano, libaneses. A maioria trabalha em troca de dinheiro.Aaçãoisraelensequematou o xeque Ahmed Yassin, líder do Hamas, em 2004, é creditada a informações fornecida por um espião palestino dentro do grupo islâmico. Apesar de as informações serem dadas por nacionais, as megaoperações ainda são levadas adiante por agentes israelenses do Mossad. Algumas delas, porém,começaramaenfrentardificuldades com o avanço tecnológico nos países árabes, que coloca obstáculo nas ações. Em janeiro, agentes do serviço secreto israelense mataram um líder do Hamas em um hotel deDubai,masacabaram identifi-

cados. Scott Stewart, da consultoria de risco político Stratfor, explica que “dificuldade para a falsificação de passaportes, com o uso de chips e outros mecanismos modernos, afetou os serviços de inteligência, que são os melhores falsificadores. Por isso, vemos agências como o Mossad tentando clonar passaportes que possuem o mesmo nome e número do original”. A técnica, diz Stewart, acabou permitindo que agentes da operação de Dubaitivessem suasfotos estampadas em jornais de todo o mundo. Apesar do glamour envolvendo o Mossad, os israelenses não são os únicos a espionar na região. Em Damasco, membros do serviço de inteligência sírio circulam pelos lobbies dos principais hotéis e seguem jornalistas pelasruas dacapitalsíria.DuranteaocupaçãosíriadoLíbano,encerrada em 2005, estrangeiros muitas vezes precisavam mostrar os passaportes para agentes sírios no aeroporto de Beirute. O Hezbollah também montou uma rede de espionagem queatuaem paísesárabes. OEgito prendeu 26 agentes da organização libanesa, aliada do Irã, que operavamnoCairoenaPenínsula do Sinai. / G. C. e D. C.

que usavam práticas rudimentares de espionagem no país. Há dez dias, a CIA libertou o cientista iraniano Shahram Amiri, aparentemente depois de constatar que ele pouco poderia contribuir. Amiri acusou os EUA de o terem sequestrado em junho de 2009. Ao retornar a Teerã, foi aclamado pelo governo iraniano como seu espião. Assim como jovens americanos se deixaram aliciar por gruposextremistasislâmicosnosúltimos anos, pessoas maduras se revelaram espiãs de alto calibre. Neste mês, Walter Kendall Myers, um analista da área de inteligênciaepesquisado Departamento de Estado, foi condenado a quase 7 anos de prisão. Nos 30 anos de sua carreira, ele havia passado a Cuba informações secretas dos EUA. “Na época da Guerra Fria a espionagemexigia dinheiro,dominar o idioma russo e conhecer as pessoas-alvo”, afirmou Steven Clemons, diretor do Programa sobre Estratégia Americana da Fundação Nova América. “Hoje tudo é mais complexo, diversificado e fragmentado. Não basta falar outra língua, não há clareza sobre o que é ou não ameaça e de ondeelavem,e aespionagemenvolve também empresas privadase organizaçõesnão-governamentais”, completou. Boa parte desse oceano de dúvidas explica a monstruosa máquina levantada pelo governo de George W. Bush depois dos ataques terroristas do 11 de Setembro. Uma série de três reportagenspublicadasnestasemanapelo Washington Post mostrou que essaestruturaenvolve1.271organismos governamentais e 1.931 privados – dos quais 792 da área de tecnologia da informação. Concentrado especialmente emWashington, esseaparatoestáespalhadoem33edifícioseemprega 854 mil pessoas, todas munidas com os salvo-condutos concedidos a agentes secretos da área de segurança. De acordo com a reportagem, longe de resguardar o país, a magnitude dessa máquina expõe o país a vulnerabilidades na área de segurança. A duplicação de tarefas foi um dos problemas notados, além da produção de material em escala muito maior do que a capacidade de absorção das informações. “A obsessão pela informaçãotornaa atividadede inteligência impraticável e mina a própriasegurançadopaís. Esse é um problema que temos hoje”, afirmou Clemons. “Eu costumava ser mais otimista em relação à organização e ao foco da inteligência americana.”

Internacional A21 RAHEB HOMAVANDI/REUTERS–15/7/2010

Recepção de herói. Físico nuclear iraniano desembarca em Teerã após ‘cativeiro’ nos EUA

Nos países árabes, tramas de infiltrados e traidores são febre Clima de suspeita é generalizado em lugares como Beirute, onde sírios, iranianos e israelenses se confrontam há décadas NOVA YORK

EmBeirute,expatriadoselibaneses sempre brincam nos cafés da cidade ao dizer que desconfiam que o interlocutor com quem estão falando na verdade é um agente secreto do Mossad, o serviço secreto de Israel, ou da Mukhabarat, como são chamados os serviços de inteligência domundoárabe. A suspeita éóbvia, já que o Líbano, por ter um governo fraco e grupos ligados a

iranianos, sírios, americanos e sauditas, sempre foi um destino comum para espiões. Dependendo da aliança ou dos interesses, a Muhabarat síria, o Mossad, a CIA, ou mesmo agentes do Hezbollah, de grupos palestinosede facçõescristãsserãoacusadosdentrodasmaiselaboradas teorias da conspiração quecirculam primeiroemBeirute e depois se difundem pelo restante do mundo árabe. De todos, os únicosrealmente investigadossãoosespiões àserviço de Israel. No aeroporto de Beirute, ninguém entra se tiver um carimbo israelense no passaporte. Se o “r” no sotaque em inglês for muito forte, como o do hebraico, o estrangeiro pode ter problemas.

A desconfiança de espiões de Israel, que por muitos anos estavanoladodaconspiração,descobriu-se real com o desmantelamentodeumarede deinformantes no Líbano na semana passada. E, para a surpresa dos libaneses, formada por cidadãos do país, das mais diferentes religiões,incluindoxiitas,trabalhando para o Mossad em troca de dinheiro – o serviço secreto de Israel não confirma nem desmente o envolvimento destas pessoas em espionagem. Havia até generais da reserva e técnicosde uma companhia telefônica. Vinte já foram acusados e três condenados à morte. As pessoas costumam imaginar que os espiões e informantes no mundo árabe são israelenses que se camuflam de cidadãos nacionais, como no passado, na época de Eli Cohen. Símbolo de uma outra era, o espião israelense se tornou um herói em seu país ao conseguir ocupar o posto deconselheiro-chefedoMinistério da Defesa da Síria, principal inimigodeIsrael.Eleacabousendo desmascarado e executado pelos sírios. / G. C. e D. C M.


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VISÃO GLOBAL

estadão.com.br Radar Global. Leia no blog as principais notícias da semana blogs.estadão.com.br/radar-global

rio, talvez seja difícil encontrar um juiz imparcial para ouvir um caso referente ao petróleo.

Petróleo nem sempre traz prosperidade

Imparcialidade. Em outu-

No Estado da Louisiana, assim como na Nigéria, na Venezuela e no Iraque, o setor petrolífero favorece a dependência, a corrupção e a indiferença aos danos ambientais ✽ ●

STEVEN MUFSON m lugar de abençoar a Louisiana com a prosperidade, o setor petrolífero favoreceu a dependência, a corrupção e a indiferença pelos danos ambientais. As riquezas de petróleo e gás da Louisiana – assim como as do Delta do Níger, da Faixa do Orinoco na Venezuela e do Iraque – também frearam seu desenvolvimento, fazendo com que ela ficasse bem mais atrasada em comparação a países dotados de menos recursos naturais. Segundo dados do Departamento do Censo e da Universidade Harvard, a Louisiana está em 49.º lugar entre os Estados em expectativa de vida, tem a 2.ª maior taxa de mortalidade infantil, é o 4.º em crimes violentos, o 46º em porcentagem de pessoas acima dos 25 anos com formação universitária, e está empatado em 2.º em termos da porcentagem de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. Evidentemente, não foi a riqueza do petróleo que criou estes problemas, mas o que mais surpreende é que não os tenha sanado. “Sempre fomos o Estado das plantações”, disse Oliver Houck, professor de direito do meio ambiente da Universidade Tulane. “O que petróleo e gás fizeram foi substituir a cultura das plantações agrícolas por uma cultura da produção de petróleo e gás.” A produção de petróleo e gás da Louisiana atingiu seu pico na década de 70 e muitas companhias transferiram seus escritórios para Houston. Entretanto, as refinarias, as instalações para a importação de petróleo na costa e uma rede de milhares de quilômetros de dutos petrolíferos continuam tornando o setor uma poderosa força no Estado. O setor petrolífero está profundamente arraigado na infraestrutura mental e econômica da Louisiana, e continua sendo um dos seus principais empregadores. O recente desenvolvimento do gás de xisto, no norte, a região mais pobre do Estado, aumentará ainda mais a sua influência. “Não existem maneiras de produzir a energia da qual hoje dependemos isentas de risco”, escreveu a senadora Mary Landrieu, democrata da Louisiana, em uma carta de

E

junho em que pedia ao presidente Barack Obama que levantasse a moratória da perfuração em águas profundas. Ela afirmava que deixar ociosas plataformas de exploração em alto-mar equivalia “fechar 12 grandes montadoras de veículos, de uma vez”. Moratória. Também o governador republicano Bobby Jindal e o senador David Vitter, republicano da Louisiana, pediram o fim da moratória. E Vitter advertiu que a interrupção da exploração “poderá acabar com milhares de empregos na Louisiana”. Este argumento goza de um raro consenso em ambos os partidos, em um momento de profundas divisões. Uma pesquisa realizada pela Resmussen Report, no mês passado, mostrou que 79% dos eleitores do Estado acham que as perfurações em altomar deveriam continuar, muito acima dos 60% dos que afirmam o mesmo em todo o país.

Os próprios moradores de Louisiana não trataram de diversificar sua economia e criar novas fontes de receitas Como nos países estrangeiros produtores de petróleo, os bilhões do petróleo provocaram discussões quanto à receita fiscal e aos royalties. Quando Harry Truman era presidente, os que controlavam o poder político na Louisiana rejeitaram um acordo de divisão da receita do petróleo de alto-mar extraído em águas federais; depois de uma prolongada batalha judicial, o Estado acabou sem nada. Portanto, a Louisiana acreditava conseguir finalmente o que lhe era devido quando obteve um acordo semelhante ao que o Estado rejeitara meio século atrás. Em 2006, em negociações a respeito da exploração em um novo setor das águas federais do Golfo, Landrieu conseguiu que o governo federal repassasse 37,5% dos royalties aos Estados do Golfo para a preservação e manutenção dos hábitats costeiros. Dessa vez, foram os parlamentares de outros Estados que ficaram revoltados pelo fato de o governo abrir mão de bilhões de dólares de futuras receitas. A questão das receitas era uma repetição, de uma maneira mais civilizada, das disputas ocorridas entre os

Uma oportunidade de reconciliação Há sinais de que é hora de Síria e Israel tentarem obter um acordo de paz, que poderia pôr fim a um conflito maior ✽ ●

NICK BUNZL LOS ANGELES TIMES

o Oriente Médio, rumores de guerra e boatos de paz costumam caminhar juntos. Infelizmente, nos últimos meses, o primeiro tipo foi mais ouvido na frente síria-israelense. Relatos de um sistema avançado de radar entregue pelo Irã à Síria, a transferência de mísseis Scud sírios ao Hezbollah, e a reunião de cúpula tripartite realizada em fevereiro entre o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente sírio, Bashar Assad, e o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, são indício de uma parceria militar revigorada. Mas, nos últimos tempos, Assad enviou também sutis sinais de que estaria preparado para conver-

N

sar com Israel. Trata-se de uma oportunidade que Israel e Estados Unidos não podem se dar ao luxo de desperdiçar. Desde o incidente com o comboio humanitário que seguia para a Faixa de Gaza, em maio, Assad transmitiu mensagens pragmáticas apoiando uma renovação no diálogo. Em reunião com o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, Assad lamentou a recente cisão entre Israel e Turquia e o seu significado para o papel de mediação entre Israel e Síria desempenhado pelos turcos. A mediação turca “decorre do relacionamento da Turquia com Israel e do relacionamento da Turquia com a Síria. Um mediador precisa manter boas relações com ambos os lados envolvidos”, disse ele.

Estados do Delta do Níger e o governo central da Nigéria, ou entre curdos, xiitas e sunitas sobre a divisão das receitas petrolíferas no Iraque. Embora o setor petrolífero tenha uma influência enorme na economia da Louisiana, o dinheiro que ele representa andou se reduzindo nos últimos anos, e o Estado luta para cobrir o déficit resultante. A Louisiana Mid-Continent Oil and Gas Association afirma que o setor representa 13% da receita estadual, em comparação com 40% quando a produção de petróleo e gás era maior. E, ao contrário de nações ricas em petróleo como a Noruega, que reservou cerca de US$ 437 bilhões das vendas de petróleo em fundos de pensão e em fundos de riqueza soberana, a Louisiana não dispõe de uma reserva para investimentos em épocas de dificuldades financeiras. Por outro lado, os próprios moradores do Estado não cuidaram de diversificar sua economia. Nesta parte do país não há um Vale do Silício, ou um corredor de tecnologia como o da Virginia. Na década de 90, quando a Louisiana se deu conta de que precisava de novas fontes de receitas fiscais para compensar o declínio das receitas do petróleo, a melhor ideia foi a expansão dos cassinos de apostas no litoral. A riqueza econômica do setor petrolífero permitiu-lhe conquistar o establishment político do Estado, que o apoiou e por sua vez recebeu seu apoio. O ex-senador John Breaux, democrata da Louisiana, diz que o relacionamento não é diferente do que se estabeleceu entre os políticos do Michigan e as grandes fabricantes de veículos ou os políticos da Califórnia e os setores do entretenimento ou de alta tecnologia. “Nós os apoiamos e eles nos apoiaram”, afirmou. Depois que deixou o cargo, em 2005, Breaux montou uma empresa de lobby com o republicano Trent Lott. Em 2009, a companhia recebeu US$ 530 mil da Chevron, US$ 330 mil da Royal Dutch Shell e US$ 600 mil da Plains Exploration and Production, uma petrolífera independente. Como as holdings de energia são uma presença muito comum nas carteiras de investimentos dos mais importantes cidadãos da Louisiana, até mesmo membros do JudiciáEm dezembro de 2008, os esforços de mediação da Turquia pareciam estar avançando até que Israel lançou na Faixa de Gaza a Operação Chumbo Fundido. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, sentiu-se traído ao ver seus esforços ruírem diante da ofensiva israelense. Os laços entre Turquia e Israel deterioram-se desde então, atingindo seu ponto mais baixo quando comandos israelenses assassinaram nove cidadãos turcos num navio que fazia parte do comboio que ia para Gaza. O governo Barack Obama fez esforços no sentido de se aproximar da Síria, enviando uma delegação de executivos do setor de tecnologia e funcionários do Departamento de Estado, e nomeando um embaixador (que aguarda a confirmação do Senado). Mas, ao mesmo tempo, a Casa Branca renovou as sanções contra o país. Até o momento, os EUA dedicaram seus esforços de conciliação principalmente ao conflito entre israelenses e palestinos. Avanço. Relatos recentes de que o se-

nador democrata Arlen Specter, da Pensilvânia, teria sido procurado por Assad para ajudar na retomada das negociações com os israelenses sugerem que agora seria um bom momento para ver se o envolvimento da Casa Branca com a Síria pode ser direcionado para um avanço no acordo entre Síria e Israel. Nas estruturas israelenses de defe-

FARRELL/AE

THE WASHINGTON POST

bro do ano passado, os autores de uma ação inusitada sobre aquecimento global não conseguiram juízes de apelação suficientemente imparciais para ouvir sua ação, na qual alegam que, ao emitir os gases que produzem o efeito estufa as indústrias de energia e químicas aumentaram a “ferocidade” do furacão Katrina, causando danos ainda maiores às propriedades dos reclamantes. Oito dos 16 juízes do Tribunal de Recursos dos EUA da 5.a Circunscrição Judiciária de New Orleans recusaram por causa do conflito de interesses. Além disso, as informações referentes à transparência mostram que quatro dos juízes que não se recusaram tinham investimentos em sociedades ou companhias do setor energético. Um juiz tinha ações em cinco companhias: BP, Chevron, ConocoPhillips, Devon Energy e Diamond Offshore Drilling. Na década de 70, o ministro do petróleo da Venezuela previu que o petróleo, que ele chamou de “excremento do diabo”, levaria seu país à ruína. Mais de uma geração depois, a nação é governada por um líder volúvel que distribui gasolina barata na tentativa de eliminar uma persistente desigualdade social. “Temos inúmeras características dos países petrolíferos embora usemos este termo para os outros”, disse o economista Jeffrey Sachs. Ele se refere à excessiva dependência dos EUA do petróleo e de uma política fiscal que mantém o petróleo relativamente barato. Além disso, acrescenta: “um setor petrolífero muito grande influi de uma maneira pouco natural na nossa política... O petróleo elege presidentes, determina nossa política externa, nossa política interna, nossa política de mudanças climáticas... Nos levou a adotar terríveis políticas energéticas e a uma paralisação da regulamentação. Consideramos o Delta do Níger como um exemplo do que um Estado petrolífero faz ao seu ambiente, mas é precisamente isto que estamos fazendo ao nosso próprio ambiente.” / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

✽ É JORNALISTA ESPECIALIZADO EM QUESTÕES DE ENERGIA

sa e espionagem, é grande o número de vozes que defendem o avanço das negociações, entre elas a do ministro da Defesa, Ehud Barak. E como destacou Aluf Benn no jornal israelense Haaretz, Assad foi capaz de manter a “estabilidade interna” e, quando Israel bombardeou um suposto reator nuclear na Síria em 2007, ele mostrou ser “um líder racional e contido”. É claro que, para o estabelecimento de um diálogo significativo entre Israel e Síria, a mesa de negociações deve trazer a maior de todas as recompensas: as Colinas do Golan. Se as negociações fracassarem e a Síria insistir em promover um comportamento contraproducente na região, devemos considerar a possibilidade de recorrer aos porretes. Para Obama, as negociações entre Israel e Síria são uma forma indireta de promover o processo de paz entre israelenses e palestinos, e apresentam grandes méritos próprios. Um avanço entre Síria e Israel pode ser capaz de cumprir um objetivo americano tangível, afastar o clima sombrio que envolve a região e fortalecer a liderança americana. E, por meio de um esforço chefiado pelos EUA para selar um acordo entre Síria e Israel, os sírios podem ser encorajados a desempenhar um papel construtivo no Iraque enquanto a presença americana no país torna-se cada vez menor. Para Israel, um acordo com a Síria contendo as garantias necessárias re-

presentaria um grande fortalecimento da segurança em sua fronteira norte, diluiria substancialmente o apoio sírio ao Hamas e ao Hezbollah e mostraria uma nova disposição israelense para a normalização das relações com seus vizinhos por meio da troca de território por paz. Para a Síria, um acordo poderia levar o país a recuperar as Colinas do Golan e a uma reconciliação com os EUA. Além disso, um acordo entre Israel e Síria proporcionaria um útil contexto estratégico dentro do qual as iniciativas de paz com o mundo árabe poderiam ser retomadas como um amplo paradigma capaz de pôr fim ao conflito maior entre árabes e israelenses. Em todo cenário em que encontramos vencedores, há também perdedores. Neste caso, os principais derrotados seriam o Irã e sua cria libanesa, o Hezbollah. O Hamas, com sua base de apoio em Damasco, se veria submetido a novas pressões. Ainda assim, os EUA devem avançar no sentido de uma reconciliação entre Síria e Israel. Os ganhos potenciais superam em muito os possíveis riscos. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

✽ É DIRETOR EXECUTIVO DO FÓRUM DE POLÍTICAS PARA ISRAEL


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

F. LENOIR/REUTERS–10/5/2010

UE prepara um serviço diplomático unificado Bloco dá primeiro passo para uma política externa comum e cria um departamento de 7 mil funcionários que custará US$ 9 bilhões ao ano Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA

A corte do rei Luis XIV ficaria com inveja do tamanho do corpo diplomático que a Europa se prepara para criar. O primeiro serviço europeu de diplomacia está sendo estabelecido por Bruxelas para unificar sua política externa. Enquantoo serviçodiplomático britânico está cortando 40% deseuorçamentoeoutrosgovernos enfrentam dificuldades econômicas, a UE anuncia que a nova diplomacia terá um orçamento de US$ 9 bilhões por ano, além de 7 mil funcionários – os EUA gastam anualmente US$ 16,4 bilhões com cerca de 12 mil funcionários. A nova máquina será lançada em setembro, mas já é alvo de ataques. O sonho da política externa comum sempre mexeu com o humor de muitos países zelosos em abrir mão de sua so-

berania, mesmo após o fim das barreiras internas e da moeda única. O Tratado de Lisboa foi um grande passo e, rapidamente, a cúpuladaUEjácomeçou aentrevistar candidatos para postoschave, como embaixador nos EUA, China, Brasil e Japão. As nomeações devem ser anunciadas até setembro. Se a máquina diplomática está sendocriada,seu conteúdo éfrágil.FrançaeGrã-Bretanha divergem da Espanha em relação a comotratarCuba.OspaísesdoLeste Europeu tem uma relação com os EUA que incomoda al● Kosovo independente aproxima bloco da Sérvia

Bruxelas indicou que as chances de a Sérvia entrar na UE aumentarão se o país aceitar a independência de Kosovo. Tribunal da ONU deu aval à separação.

guns tradicionais membros da UE. O Oriente Médio é alvo de várias visões dentro da Europa. Henry Kissinger, nos anos 70, questionava para quem deveria ligar quando precisasse falar com a Europa. Hoje, o presidente Barack Obama cancelou sua participação em uma cúpula com os europeus alegando que a estruturadepoderdentrodobloco ainda não era clara e a reunião com todos os 27 países seria uma perda de tempo. Por enquanto, há dois presidentes, José Manuel Barroso e Herman Rompuy, 27 chanceleres e uma chanceler continental, a baronesa Catherine Ashton de Upholland – sem contar os países que assumem a presidência do bloco a cada seis meses. Os 27 membros da UE já contamcomsuasrespectivas embaixadas pelo mundo, enquanto a ComissãoEuropeia tem suas delegações. Agora, com a política externa comum exigirá também

Estreia. Catherine Ashton: chefe da nova diplomacia um corpo diplomático próprio. Ao criar o serviço de diplomacia continental, Bruxelas garantiu que a estrutura não custaria umcentavoamaisdocontribuinte,jáincomodadocomaburocracia do bloco. A promessa era a de que os funcionários viriam da própria estrutura da Comissão Europeia e de diplomatas cedidos pelos governos. Mal começaram os trabalhos e

a chanceler já disse que precisarádeumorçamento extra de€55 milhões este ano para pagar funcionários, o que irritou o Comitê de Orçamento do Parlamento Europeu. “Só Papai Noel acreditaria que esse serviço não custaria mais dinheiro”, afirmou Inge Grassle, deputada alemã. Ela lembra que, apenas na criação do novo serviço diplomático, foram gastos € 65 milhões com a

Internacional A23 construção dos novos escritórios da UE em Adis-Abeba, na Etiópia, sede da União Africana. Os custos vão além. Cada um dos 736 deputados europeus terão € 20 mil a mais por ano para acompanharem os trabalhos da diplomaciaeuropeia.OnovoDepartamento de Estado Europeu terá 136 embaixadas da UE pelo mundo, muitas das quais já existem na forma de delegações da Comissão Europeia. No orçamento de € 7 bilhões estão não só os custos com funcionários, mas os gastos com operações de paz, contribuições para entidades internacionais e programasdecooperação.“Estamosconscientesdoclimaeconômico na Europa e da pressão de governos e cidadãos. Não queremos criar um peso a mais para os contribuintes”, garantiu a chanceler. Os eurodeputados, porém, insistem em questionar os custos. Catherine tem um salário de € 321milporano. Onovoembaixador em Washington ganhará € 188 mil por ano. O do Brasil, € 147 mil. Além dos custos, os governos nacionais devem começaruma brigadefoiceparagarantirque possam ocupar postos estratégicos. Parasetembro,oblocopromete entrar em um duro debate sobre o orçamento geral para 2011. A proposta da Comissão Europeia é de gastos de € 113 bilhões, 6% a mais que em 2010.

● Gastos da diplomacia

€ 7 bilhões

COREIA DO NORTE LEE JIN-MAN/AP

ao ano será o orçamento da diplomacia da União Europeia

US$ 16,4 bi

são gastos anualmente pelos EUA com 12 mil funcionários

40%

Pyongyang ameaça Seul com ‘guerra santa’

será o corte do orçamento do serviço diplomático britânico

A Coreia do Norte afirmou ontem que usará um “dissuasor nuclear” em resposta ao exercício militar conjunto da Coreia do Sul e dos EUA, marcado para hoje (foto). Segundo a agência estatal de notícias norte-coreana KCNA, o país está pronto para lançar uma “guerra santa” retaliatória a qualquer momento. Washington e Seul justificaram os exercícios afirmando que foram convocados para deter a agressão norte-coreana. A tensão entre as duas Coreias aumentou desde o afundamento de um navio de guerra sul-coreano, em março.

€ 20 mil

receberão a mais ao ano os deputados europeus

PARA ENTENDER

Tratado de Lisboa mudou corpo da UE Desde 1.º de janeiro, a União Europeia (UE) tem três presidentes: a Bélgica, que assumiu formalmente o cargo rotativo até o fim do ano, o presidente permanente, o belga Herman van Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Barroso. Isto sem contar a nova ministra das Relações Exteriores, Catherine Ashton. A complicada arquitetura foi fruto do Tratado de Lisboa, que dá uma maior institucionalização para a Europa, mas não retira os governos nacionais da cena.

GUERRA AO TERROR

Ataques no Afeganistão matam 5 americanos A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) informou que cinco soldados americanos morreram ontem após explosões de bombas no sul do Afeganistão, onde forças internacionais intensificaram a luta contra os rebeldes do Taleban. Quatro das vítimas foram mortas na explosão de uma mina artesanal. O outro militar americano morreu em um ataque separado. Em julho, morreram 70 soldados da Otan no país.

ERIK WIFFERS/AFP PHOTO

Tumulto em festival de música eletrônica mata 19 na Alemanha Incidente durante a Love Parade, realizada em Duisburg, deixou ainda mais de 300 pessoas feridas

● Números

Berlim

1,4 milhão

Estima-sequepelomenos19pessoas morreram pisoteadas e mais de 300 ficaram feridas ontem no festival de música eletrônica Love Parade, na cidade alemã de Duisburg, a cerca de 470 km de Berlim. Ainda não se sabe ao certo as causas do tumulto, mas segundo testemunhaso incidenteaconteceu enquanto a polícia tentava impedir o acesso ao túnel de entrada do festival por causa da superlotação. De acordo com o co-

1989

Criada há 21 anos, a Love Parade é um dos maiores eventos de música techno do mundo

de pessoas estavam presentes no festival

missário de polícia Juergen Kieskemper, o tumulto aconteceu pouco após a polícia fechar umdosacessosàfesta,às17h(horário local). Com um megafone, policiais orientaram as pessoas a voltar paracasa,poisjánão seriapermitida a entrada de mais ninguém. Testemunhas disseram que,

apesar do túnel estar fechado, muitaspessoascontinuaramcorrendo ao local. Dezenas acabaram amontoadas umas sobre as outras. “As pessoas foram empurradas até tropeçarem. Algumas foram espremidas contra a parede”,disseumdosparticipantes. Em pânico, muitos acabaram escalando grades e derrubando cercas, na tentativa de fugir da aglomeração. O cenário caótico tornou ainda mais complicado o trabalhado dos socorristas. Equipes de resgate tiveram dificuldade para atravessaro túnelde 600metros para chegar até as vítimas do pisoteamento. Temendo novos tumultos, os organizadores decidiram não evacuartodoofestivaldeimediato. A orientação era para que todos deixassem o local tranquila-

Pânico coletivo. No momento do tumulto, participantes foram pisoteados pela multidão mente. Uma hora depois, muita gente continuava dançando. Considerado um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo, o Love Parade deste ano

reuniucercade1,4 milhãodepessoas.Amaiorpartedelasnãosoube do incidente no túnel. A chanceler alemã Angela Merkel expressou consterna-

ção: “Estou horrorizada com a dor e o sofrimento”, disse. O novo presidente alemão, ChristianWulff,considerouoincidente “uma catástrofe”. /AP


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Vida

estadão.com.br

/ AMBIENTE / CIÊNCIA / EDUCAÇÃO / SAÚDE / SOCIEDADE

Leia. Nasa divulga o maior e mais completo mapa de Marte estadão.com.br/ciencia

Saúde. Reajuste de dois dígitos e rescisão inesperada do contrato estão entre os problemas que atormentam os clientes que deixaram de contratar um plano individual por causa do alto custo; regulamentação não abarcou essa categoria, que está desprotegida

Plano coletivo é aposta de risco para driblar preço Fabiane Leite Karina Toledo

Depois de ter a mão esquerda esfacelada em um acidente de carro, o consultor Wanderley de Oliveira, de 55 anos, precisou remarcar a cirurgia corretiva três vezes. Quando estava na última tentativa, a operadora do plano coletivo a que Oliveira havia aderido decidiu rescindir o contrato. Ele teve de recorrer à Justiça. Ao obter a ordem judicial, o consultor conseguiu realizar a operação, mas apenas um ano e sete dias após o acidente. A demora deixou sequelas. “O resultado não foi o mesmo que teria sido se tivesse feito a cirurgia há um ano. Alguns movimentos não consigo mais fazer”, relata Oliveira, associado da Amesp, comprada pela Medial. Esquecidos na regulamentação dos planos de saúde em 1998, os coletivos são motivo de desesperoparapequenosempresários e grupos que recorrem a eles para fugir dos altos preços dos individuais. Sem força para negociar com as operadoras do setor, os usuários se apavoram com reajustes de dois dígitos e rescisões de contratos inesperadas, como a de Oliveira. Os planos de saúde coletivos, que dominam o mercado brasileiro, são aqueles pagos pela empresa a funcionários. Há ainda os planos coletivos por adesão: entidades profissionais, como umconselhodeclasseou umsindicato, oferecem um plano para pessoas da categoria. Nos coletivos, as operadoras podem reajustar livremente as mensalidades, uma vez por ano, assim como rescindir contratos sem motivo. Basta uma carta de aviso. Por isso, entidades dos consumidoresdizemqueoscoletivos estão fora da lei dos planos. Mas muitos clientes não entendem issoao assinarum contrato. O próprio diretor-presidente daAgênciaNacionaldeSaúdeSuplementar(ANS), MaurícioCeschin, admite que os “pequenos” estãoemdesvantagemnomercado de “tubarões” dos coletivos. “O problema é quando o pool (de consumidores) é menor. Olhar isso de uma forma mais atenta é imprescindível. E criar mecanismosdeproteção”,declarou ao Estado. Em seguida, porém, admitiu que ainda não há discussões na agência para isso (mais informações na pág. A25). Hoje, só os planos individuais, acordados diretamente entre o cliente titular e a operadora de saúde,têmosreajustescontrolados pelo governo. Esses reajustes, porém, são baseados numa fórmula matemática que reflete

Amil/Medial alega que aumento está dentro da lei ● Em nota, a Amil/Medial, maior operadora de planos de saúde do Brasil, destacou que a legislação dos planos de saúde coletivos prevê reajustes com base no índice de sinistralidade do período (casos atendidos), na frequência e no perfil de uso. Enfatizou ainda que as cláusulas são de conhecimento das partes e de acordo com as determinações da ANS. Por fim, defendeu que “a responsabilidade das operadoras é manter a estabilidade econômica, para que a comunidade como um todo não seja prejudicada por causa de desequilíbrios financeiros

EPITACIO PESSOA/AE

● Realidade

“São quatro meses de sacrifício e luta. A primeira coisa que fiz foi enviar um fax do médico com o pedido do procedimento. Disseram para eu ir para casa e esperar, que em cinco dias me passariam um código. Nada. Mandei mais um fax. No local dos exames fui descobrir que, na verdade, não estavam mais atendendo.”

de determinados contratos”. Segundo José Cechin, superintendente do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), as novas regras para o setor de planos coletivos editadas pela ANS no ano passado trouxeram segurança, como a determinação de que apenas associações legalmente constituídas pudessem ter planos coletivos por adesão. Porém, admite que quem estava vinculado a planos de entidades ilegais ficou em situação frágil. Cechin destaca que muitas empresas aplicam a gestão conjunta de vários grupos de contratos coletivos para que exista diluição do risco. Segundo a ANS, está em discussão a possibilidade de usuários de planos por adesão poderem mudar para planos individuais de outras empresas sem restrições de cobertura. / F.L.

Sem médico. Isaura Pereira passou por cateterismo, mas não consegue agendar retorno a livre negociação de preços dos coletivos.Emrazão disso,os planos individuais tornaram-se um produto escasso e caro. Quem não consegue pagá-los vai atrás de um coletivo. Relação igualitária. O entendi-

mento do governo e dos órgãos reguladores desde a regulamentação é que as relações entre as partes são mais igualitárias nos coletivos,daíaliberdadeparanegociar preços. O problema é que, além de grandes empresas, eles também incluem grupos bem menores – como pequenos comerciantes. No fim de 2009, a ANS, órgão reguladordo setordeconvênios, trouxe algumas regras, como a dos reajustes anuais. Ficou em aberto, no entanto, qual seria o critério para considerar um plano como coletivo. Operadoras

Rescisões e aumentos surpreendem pacientes A lei é omissa, mas operadoras têm de comprovar a necessidade dos reajustes aplicados, lembram advogados A aposentada Isaura Pereira, de 67 anos, foi surpreendida com a rescisão do contrato que mantinha por meio de uma associação de guardas civis em Santo André, Grande São Paulo. A empresa, a Amesp, também comprada pela Amil/Medial, foi obrigada

PAULO PINTO/AE

ainda permitem, por exemplo, associações de três indivíduos e pessoas da mesma família, o que sujeita esses grupos a reajustes pesados se alguém adoecer. O empresário Oscar Noguchi, de 61 anos, que mantém um plano coletivo para quatro familiares, recebeu recentemente um aumento inesperado de 35% da Medial,empresadaqualeraassociado havia quatro anos. “Naquela época, o individual era muito caro e a corretora abriu a oportunidade de fazermos o coletivo. Os reajustes nos últimos anos tinham sido de 8%. Você não tem proteção, não tem nada”, diz Noguchi, que desistiu do plano. Ele lembra que no ano anterior ao reajuste havia feito uma operação para retirar pedra da vesícula.Outrofamiliar,umacintilografia. “É uma punição.”

via ordem judicial a manter o atendimento. Isaura conseguiu há duas semanas, após quatro meses de espera,realizarocateterismorecomendadoporseumédico,que vinha sendo negado mesmo antes darescisão.Masagoranãoconsegue nova carteirinha para voltar ao consultório . “É um desgaste. Seminhafilhanãotivessemeajudado, não sei o que seria.” Na semana passada, anúncio de uma reestruturação nos preços do plano de saúde coletivo do maior fundo de previdência

Demora. Wanderley de Oliveira conseguiu ter a mão operada após recorrer à Justiça, mas espera de um ano pela cirurgia deixou sequelas

da iniciativa privada, a Fundação Cesp, que beneficia eletricitários, revoltou parte dos 68 mil usuários. Um grupo chegou a fazer protesto na frente da fundação na terça. “Eram reajustes astronômicos,que podiam chegara200%”, afirmou Edmundo Benedetti Filho, da associação de eletricitáriosaposentados. O plano é gerido pela fundação, sem fins lucrativos. O presidente da fundação, Martin Glogowsky, disse que a reestruturação visa a prevenir desequilíbriosfinanceiros.Naúltima quinta-feira, os sindicatos acabaram concordando com um reajuste linear de 39%. Segundo Fernando Scaff, professor da Faculdade de Direito da USP e autor de Direito à Saúde no Âmbito Privado (Saraiva), ca-

Mais de 600 mil relatam dificuldades Estudo feito com dados do IBGE mostra que a falta de horário compatível é um dos principais problemas Avaliação do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, aponta que 638,3 mil usuários de planos de saúde tiveram algum tipodedificuldade em2008 para conseguiratendimentopelocon-

vênio médico. A falta de horário compatível e a de atendimento quando solicitado foram os motivos mais frequentes para a dificuldade de acesso, com, respectivamente, 26% e 17% das respostas. No Sistema Único de Saúde (SUS), falta de dinheiro e de atendimento foram os motivos mais frequentes para as dificuldades de assistência, manifestadas por 4,2% dos entrevistados na Pnad. Dados da própria Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)sobrea qualidadedos planos apontavam dificuldades das

operadoras para garantir redes de atendimento suficientes para os usuários. Um estudo apontou que, das 35maioresoperadorasdomercado em número de clientes, 71% tinham deficiência na oferta garantida pelo contrato de consultórios, hospitais e laboratórios, conforme revelou o Estado em reportagem publicada em abril. A avaliação do IESS, porém, quantificou quanto seriam os usuários de planos com acesso prejudicado à saúde em um ano. José Cechin, superintendente do IESS, entidade mantida por

● Panorama

1,3%

dos usuários de planos tiveram dificuldades de acesso em 2008

26%

deles disseram não encontrar horários compatíveis

4,2%

dos usuários do SUS também tiveram dificuldades de acesso

so o titular do contrato pague individualmente o plano coletivo, há jurisprudência favorável em casode rescisão, istoé, provavelmente a Justiça obrigará o restabelecimento do contrato. Ele destaca que é direito das operadorasbuscaroequilíbriofinanceiro, mas diz que na legislação brasileira também é ônus da empresacomprovaranecessidade de reajuste. “Muitas não conseguem”, afirma. Deacordocom aadvogada Rosana Chiavassa, especialista em defesa do consumidor, as rescisõesrepentinasdecontratosempresariais ou coletivos e aumentos são hoje o maior problema dos usuários do sistema de saúde suplementar. “A lei é omissa nessas situações e há armadilhas.” / F.L. E K.T.

operadoras de plano, destaca que os 638,3 mil usuários com problemas de acesso são uma parcela ínfima do universo de 49,1 milhões de usuários de planos apurados pela Pnad. “Apenas 1,3% teve problemas de acesso e os planos tiveram 80% de bom e ótimo. São casos isolados,masqueganham destaque na imprensa”, apontou. “Tudo isso?”, questionou o diretor-presidente da agência, Maurício Ceschin, ao comentar os números durante entrevista ao Estado. “É significativo.” A agência iniciou análises sobre abrangência da rede das operadoras e tempo de espera, atrelados ao desenvolvimento de indicadores sobre quais períodos

DIFERENÇAS ●

Plano individual

É aquele pago diretamente pelo usuário à operadora do plano de saúde. ● Plano coletivo empresarial

O plano é fornecido pela empresa. Pode ser pago inteiramente pela empresa ou parte pelo empregador, parte pelo empregado. ● Plano coletivo por adesão

Ofertado por entidades de classe, sindicatos e associações legalmente constituídas, permitem a livre adesão dos interessados.

seriam aceitáveis. “Não é razoável você ter alguém que paga um plano e não consegue acesso. Não basta ter um bom livro de rede referenciada se não estiver atrelado à qualidade e acesso”, disse Ceschin. “Isso desmascara e reafirma um problema do qual tanto falamos”,afirma a advogada Daniela Trettel, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. OlevantamentodoIESS apartir da Pnad reforça ainda o domínio dos planos coletivos no mercado brasileiro. Mostra que, em 2008, 58,1% dos planos eram coletivos, contra 56,1% em 2003. Dos planos coletivos, segundo dados da ANS, 7 milhões são por adesão. / F.L.


Vida A25

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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

ENTREVISTA

Maurício Ceschin, diretor-presidente da ANS

cuidado.

‘A compra do plano ainda é emocional’

● O que a ANS tem em mente?

O diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Maurício Ceschin, reconhece que faltam informações ao usuário na hora de assinar um plano coletivo. “A compra de um plano ainda é emocional.” Destacou que pequenos grupos estão sujeitos a riscos maiores nessa modalidade, mas não são alertados. Leia trechos da entrevista concedida ao Estado anteontem, uma semana depois de o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lhe dar posse para cinco anos de mandato. ● Os planos coletivos foram esquecidos na legislação. Como resolver principalmente os problemas dos pequenos usuários dessa modalidade?

Teremos de rever, de alguma forma. Por que você se sente mais protegido em um plano coletivo de uma grande empresa? Porque há uma população grande, capacidade de diluição do risco. O princípio básico do seguro: à medida que você aumenta a população objeto do benefício, a capacidade de diluir os riscos e tornar o custo mais homogêneo é maior. Pode sofrer influencia de reajustes, mas você tem capacidade de diluir, o que não dá nos pequenos. Mas a agência tem a prerrogativa de fazer normas de reajuste só para planos individuais.

estoura.

Eu concordo. A gente vai precisar revisitar isso. Por outro lado, para muitos outros usuá-

● O senhor vê possibilidade de controlar o preço dos coletivos?

rios, isso foi um ganho; para os que não tiveram a avó. Mas eles ainda estão sujeitos a um risco maior.

Do ponto de vista de pequenos grupos, precisamos olhar com

Não sei, mas acho que tem de ficar claro o risco. É opinião pessoal, não está sendo discutido na agência ainda. A compra de um plano ainda é emocional – e precisa ser técnica. E a gente tem de olhar isso com carinho,

no sentido de que, quer queira ou não o corretor, tem de haver clareza. Vantagens e desvantagens, tudo isso tem de ficar muito claro. ● Cartilhas?

Mais que isso: documentação, alertas para situações de mais risco de reajuste. / FABIANE LEITE

Viaje em agosto Promoções especiais em até 10x sem juros. Viagens Internacionais

Viagens Nacionais

Buenos Aires 4 dias/3 noites

Incluídos nos roteiros: passagem aérea ida e volta, hospedagem em hotéis selecionados com café da manhã, transporte aeroporto/hotel/aeroporto, passeios, assistência de guias especializados CVC.

10x sem juros e sem entrada...........................................................R$

101,90

À vista R$ 1.019, Base US$ 548, Preço p/ saídas até 15/agosto. Incluídos nos preços: passagem aérea de ida e volta em voo exclusivo CVC, hospedagem em hotel de categoria turística, café da manhã, passeio aos principais pontos turísticos da cidade, transporte de chegada e saída e seguro-viagem.

Porto Seguro 8 dias, 7 noites Hotel Casablanca. ...........................................................................À vista R$ 558, ou 10x R$ Preço p/ saídas 28 e 29/agosto.

Natal 8 dias, 7 noites

Bariloche 8 dias/7 noites

241

Saídas 31/julho e 1º, 7, 8, 14, 21 e 28/agosto e 4/setembro. 10x sem juros e sem entrada...........................................................R$ ,40 À vista R$ 2.414, Base US$ 1.298, preço para saída 14, 21 e 28/agosto no hotel Villa Sofia. Incluídos nos preços: passagem aérea, 7 noites de hotel categoria turística com café da manhã, 6 dias de roupa especial para neve, passeios ao Circuito Chico (com ingresso ao teleférico do Cerro Campanário), ponto panorâmico e Cerro Catedral (sem ingresso aos meios de elevação), seguro-viagem. A maior e mais completa infraestrutura espera por você em Bariloche. Equipe de guias especializados, frota própria de veículos para transportes e passeios.

Hotel Residence. ..............................................................................À vista R$ 898, ou 10x R$ Preço p/ saídas 28 e 29/agosto.

Fortaleza 8 dias, 7 noites Hotel Iracema Travel......................................................................À vista R$ 898, ou 10x R$ Preço p/ saídas 28 e 29/agosto.

Porto de Galinhas 8 dias, 7 noites Pousada Lusitana. ................................................................. À vista R$ 1.098, ou 10x R$

● O problema principal é dos planos coletivos por adesão.

Os planos coletivos por adesão sem sombra de dúvida funcionaram como alternativa aos individuais. Uma saída do ponto de vista do preço. Ao juntar pessoas da mesma atividade em um pool, você tem uma capacidade de diluição do risco melhor. Qual a tendência? A precificação inicial é mais baixa e os reajustes ocorrem como os de uma grande empresa. Protege as associações com um número grande de beneficiários. O problema é quando o pool é menor. Olhar isso de uma forma mais atenta é imprescindível – e criar mecanismos de proteção. O problema é que é vantajoso no preço (inicial), mas tem o peso do reajuste. Isso tem de estar claro. Em um processo associativo ou em um processo que você socializa o risco em um pequeno número de pessoas, você está sujeito a variações de custo muito grandes.

À vista R$ 2.448, Base US$ 1.318, Preço para saídas 2,3, 4, 5,9, 10, 11,12,16,17,18 e 19/agosto. Incluídos nos preços: Passagem aérea em voos exclusivos, transporte de chegada e saída, hospedagem no maravilhoso Hotel Marriott Casamagna categoria 5 estrelas, de frente ao lindo mar azul de Cancún, com café da manhã, passeio pela cidade, seguro-viagem e assistência da equipe CVC.

Maceió 8 dias, 7 noites

St. Maarten 9 dias/7 noites - Saídas aos sábados.

Pousada Casa Branca. ..................................................................À vista R$ 898, ou 10x R$

● Nem no site da ANS há isso bem explicado. Não é claro para o leigo?

Não. Acho que precisamos melhorar a comunicação com os consumidores. O site é para o setor e, do ponto de vista de entendimento, precisa ser aprimorado. Parte do que os órgãos de defesa entendem como fragilidade do consumidor está ligada a uma falta de informação organizada. ● Quando vocês votaram a ultima resolução sobre planos coletivos, ainda ficou uma brecha para que quatro pessoas se unam, uma família, e façam um plano coletivo. As operadoras e corretoras fecham os olhos. Até que um idoso, uma avó, adoece e o preço

8x sem juros e sem entrada .............................................................R$

8x sem juros e sem entrada .............................................................R$

306,00

348,00

À vista R$ 2.784, Base US$ 1.498, Preço para saídas em agosto. Incluídos nos preços: hospedagem no Sonesta Great Bay Resort e Cassino com café da manhã, de frente ao lindo mar azul caribenho.

Barbados 9 dias/7 noites - Saídas aos sábados.

248

8x sem juros e sem entrada .............................................................R$ ,00 À vista R$ 1.984, Base US$ 1.068, preço para saídas de 31/julho a 28/agosto. Passagem aérea, transporte de chegada e saída. Incluídos nos preços: hospedagem no hotel Coconut Court Beach Hotel, com café da manhã, seguro-viagem e assistência da equipe CVC.

10x sem juros e sem entrada...........................................................R$

520,40

À vista R$ 5.204, Base US$ 2.798, Preço para saídas 5 e 12 /agosto. Incluídos no preço: passagem aérea, sala vip no aeroporto, 9 noites de hospedagem com café da manhã, traslado e ingressos para os parques Magic Kingdom, Epcot, Disney´s Hollywood Studios, Animal Kingdom, Universal Studios, Islands of Adventure e Sea World, passeios noturnos em CityWalk e Downtown Disney (sem ingressos), tour para compras, 1 jantar no Planet Hollywood, acompanhamento de guia desde o Brasil e seguro-viagem.

Nova York 7 dias/4 noites 5x sem juros ..............................................................................................R$

89,80

Gramado 8 dias, 7 noites Preço p/ saída 29/agosto.

Salvador 8 dias, 7 noites Hotel Sol Plaza. .................................................................................À vista R$ 838, ou 10x R$ Com passeio a Praia do Forte. Preço p/ saídas 28 e 29/agosto.

Itacaré 8 dias, 7 noites Pousada Raisis. .................................................................................À vista R$ 898, ou 10x R$ Preço p/ saída 28/agosto.

Cataratas do Iguaçu 4 e 5 dias Preço p/ 5 dias com saídas 1º, 8, 15, 22 e 29/agosto.

Caldas Novas 5 dias, 4 noites Hotel Hot Star. ...................................................................................À vista R$ 568, ou 10x R$ Preço p/ saída 22/agosto.

Bonito 8 dias, 7 noites Pousada Água Azul. ................................................................À vista R$ 1.198, ou 10x R$

85,80 89,80 83,80 89,80 59,80 56,80

119,80

598,00

À vista R$ 2.990,Base US$ 1.608, Preço para saídas em agosto. Incluídos nos preços: passagem aérea, 4 noites de hospedagem sem café da manhã , traslado, passeio pela cidade e seguro-viagem.

Resorts e Hotéis selecionados

Incluídos nos roteiros: passagem aérea ida e volta, hospedagem com café da manhã, transporte aeroporto/ hotel/aeroporto, assistência de guias CVC.

Costa Brasilis Resort 8 dias, 7 noites

Viagens Rodoviárias

Praia de Santo André - Bahia .................................................. À vista R$ 998 , ou 10x R$ Com meia pensão. Preço p/ saídas 7, 14, 21 e 28/agosto.

Em ônibus especial de turismo, passeios completos, hospedagem em hotéis selecionados, refeições em restaurantes selecionados, café da manhã diário e acompanhamento permanente de guias CVC.

Iberostar Bahia 8 dias, 7 noites Na Praia do Forte - Bahia.....................................................À vista R$ 2.698, ou 10x R$ Com sistema all inclusive. Preço p/ saída 28/agosto.

Gramado e as maravilhas da Serra 7 dias/7 refeições. Hotel Alpenhaus no centro de Gramado. Passeios em Gramado, Canela, Bento Gonçalves, Garibaldi, Caxias do Sul, Nova Petrópolis, Lages e Curitiba.

Radisson Hotel Maceió 8 dias, 7 noites

10x sem juros e sem entrada........................................................... R$

Preço para saídas 28 e 29/agosto.

À vista R$1.498, Preço para saída 15/agosto.

149,80

Em Maceió - Alagoas. ............................................................ À vista R$ 1.498, ou 10x R$

Salinas do Maragogi Resort 8 dias, 7 noites Em Maragogi - Alagoas .......................................................À vista R$ 1.898, ou 10x R$

Curitiba com Ilha do Mel 5 dias com 4 refeições - Slaviero Palace. Passeios em Curitiba, Ilha do Mel em barco, Paranaguá, Morretes e passeio pela Serra do Mar em trem turístico. (Inclui ingressos: Barco para Ilha do Mel e passagem de trem pela Serra do Mar).

10x sem juros e sem entrada.................................................................R$ À vista R$ 698, Preço para saídas 12 e 19/agosto.

69,80

Com sistema all inclusive. Preço p/ saídas 28 e 29/agosto.

Riu Enotel Porto de Galinhas 8 dias, 7 noites Em Porto de Galinhas - Pernambuco...........................À vista R$ 2.498, ou 10x R$ Com sistema all inclusive. Preço p/saídas 28 e 29/agosto.

Parque da Costeira 8 dias, 7 noites Na via Costeira - Natal.............................................................À vista R$1.398, ou 10x R$ Com meia pensão. Preço para saída 28/agosto.

6 dias com pensão completa.

A falta de recursos está dificultandoaretiradadas 1.500toneladas de petróleo que vazaram no litoral de Dalian, na China, após a explosão de um oleoduto no dia16.Pescadoreschegaramarecolher óleo com as mãos, segundo o jornal oficial China Daily. A mancha já tem 430 km². No Golfo do México, as operações de contenção do vazamento da BP foram suspensas por causa da tempestade Bonnie, que passou ontem pela região. Navios chegaram a ser recolhidos,masatempestadeenfraqueceu e a frota retornaria ontem mesmo ao trabalho. / EFE e AP

Preço p/ saídas 28 e 29/agosto.

Preço p/ saída 29/agosto.

Hotel Fazenda Vale da Mantiqueira

China e EUA ainda tentam limpar óleo

Hotel Marinas Maceió. .................................................................À vista R$ 858, ou 10x R$

Hotel Turrance Green. .................................................................. À vista R$ 598, ou 10x R$

Orlando Reino da Magia 11 dias/9 noites

89,80

109,80

Cancún 8 dias/6 noites - Saídas diárias.

Preço p/ saídas 28 e 29/agosto.

55,80

10x sem juros e sem entrada.................................................................R$ À vista R$ 698, Preço para saída 1º/agosto.

69,80

Pirâmide Natal 8 dias, 7 noites Em Natal - Rio Grande do Norte ...................................... À vista R$1.498, ou 10x R$ Preço para saída 28/ agosto.

Blue Tree Park Lins Águas Termais

*

Beach Park 8 dias, 7 noites

5 dias. Com pensão completa. Localizado no coração do interior paulista é considerado hoje um dos melhores hotéis de lazer do estado com parque aquático de 2.800 m2.

Em Fortaleza - Ceará ............................................................. À vista R$2.898, ou 10x R$

10x sem juros e sem entrada................................................................ R$

Serrano Resort & SPA 8 dias, 7 noites

À vista R$ 968, Preço para saída 1º/agosto. * 2 crianças de 10 anos grátis na hospedagem.

96,80

99,80

269,80 149,80 189,80 249,80 139,80 149,80 289,80

Com pensão completa. Preço para saídas 28 e 29/agosto. Inclui Ingresso ilimitado para o parque aquático.

Em Gramado - Rio Grande do Sul. ..................................À vista R$1.668, ou 10x R$ Preço para saída 29/agosto.

166,80

Plantão hoje: das 9 às 14 horas, ligue 2146-7011, 3074-3500 e 5532-0888. Após as 12 horas, atendimento nos melhores shoppings. São Paulo Capital: Centro-Consolação ..............2103-1222 9 de Julho/Rua Amauri........3074-3500 Alto da Lapa..........................2594-5758 Anália Franco Shop. ............2108-5300 Boavista Shop. .....................5547-6477 Bourbon Shop. .....................3892 6868 Brás-Mega Polo ................... 2886-3800 Butantã Shop. ...................... 3722-1188 Cursino.................................. 5058-8999 Freguesia do Ó-Extra............3932-0740 Frei Caneca Shop. ............... 3472-2010 Hiper Carrefour Ipiranga......2062 3922 Ibirapuera Shop. ..................2107-3535

Indianópolis-Walmart...........2578-1969 Interlagos Shop. ..................5563-6300 Itaim-Extra ........................... 3078-6443 Itaquera Shop. .................... 2026-6200 Jaguaré-Extra........................3297-8282 Liberdade ............................. 3209-0909 Limão....................................3858-6405 Mooca Shop. Capital.......... 2068-1000 Morumbi Shop. ....................2109-4300 Paulista-Top Center..............3266-7202 Real Parque-Pão de Açúcar .3755-0070 Santana Shop. .....................2208-2470 Santana-Voluntários da Pátria ..2367-1774 Santo Amaro-Cenesp............3747-7122

Socorro-Extra Fiesta............5524-9222 Shopping Paulista................ 3286-0500 Tatuapé Shop. Metrô........... 2094-5888 Villa-Lobos Shop. ................ 3024-0088 Vila Mariana......................... 2372–2284 Vila Olímpia Shop .................3045 8677 Grande São Paulo: Granja Viana..........................4702-0306 Guarulhos Shop. Inter ..........2086-9720 Guarulhos-Poli ......................2475-0321 Mauá Plaza Shop. ................4519-4700 Mogi das Cruzes Shop. ........4799-2166 Mogi-Extra Mogilar...............4790-2050 Osasco-Continental Shop....3716-3300

Osasco-Super Shop............. 3653-5300 Sto. André-ABC Plaza Shop. 4979-5006 Sto André – Carrefour Oratório .4997-6880 Sto. André-Rua das Figueiras....4432-3288 São Caetano-Av Goiás......... 3636-3450 S.B Campo-Extra Anchieta .4368-0440 S.B Campo-Metrópole .........2191-3500 Taboão Shop. ....................... 4787-8212 Tamboré Shop. .....................2166-9797 São Paulo Interior: Americana .............................3645-1210 Araçatuba.............................. 3621-2575 Araçatuba Shop. ..................3607-4080 Araraquara Jaraguá Shop.. ..3331-3858

Araras ....................................3541-4484 Atibaia.................................... 2427-6597 Barretos.................................3321-0320 Bauru Shop. ..........................2106-9494 Birigui..................................... 3211-2050 Campinas-D. Pedro Shop.....2102-0199 Campinas-Iguatemi Shop.... 2117-3500 Campinas-Jardim Chapadão ...3396-7002 Caraguá Praia Shop..............3882-2004 Catanduva Shop. .................3525-2097 Franca Shop. ........................ 3707-0700 Guarujá-La Plage..................3347-7000 Itatiba....................................4524-5536 Itu - Plaza Shopping ............4022-7275

Jundiaí....................................4521-9288 Jundiaí Maxi Shop. ............. 2136-0800 Louveira.................................3878-4030 Mogi Guaçu...........................3818-6993 Olímpia ..................................3281-4200 Paulínia Shop. .....................3833-5544 Pindamonhangaba ..............3642-9432 Pirassununga ........................3561-9661 Poços de Caldas ................... 2101-8100 Porto Ferreira ...................... 3585-6551 Rib. Preto - Independência..2101-0048 Ribeirão-Santa Úrsula..........2102-9646 Ribeirãoshopping. ...............4009-1403 Ribeirão Preto - Fiúsa...........3516-4000

Condições gerais: os preços publicados são por pessoa, com hospedagem em apartamento duplo ou quádruplo quando mencionado, com saídas de São Paulo. Preços, datas de saída e condições de pagamento sujeitos a reajuste e mudança sem aviso prévio. Oferta de lugares limitada e reservas sujeitas a confirmação. Parcelamento promocional em até 10x sem juros, sendo a 1a parcela no ato da compra e as demais mensais com cheque ou cartão. Passeios não incluem ingressos. Ofertas válidas para compras realizadas até um dia após a publicação. Preços calculados com base no câmbio do dia 16/7/2010: US$ 1,00 = R$ 1,86, e € 1,00 = R$ 2,40,estando, portanto, sujeitos a variações e serão recalculados na data da compra. Taxas de embarque cobradas pelos aeroportos não estão incluídas nos preços. Crédito sujeito a aprovação. As crianças não pagam hospedagem, desde que acompanhadas de 2 adultos pagantes e acomodadas no mesmo apartamento triplo ou quádruplo. Consulte condições e validade.

Rio Claro Shop. ....................3525-6262 Rio Preto-Walmart................ 2137-7000 Santos.................................... 3257-7000 Santos-Balneário..................3281-9000 São Vicente-Extra.................3579-9000 Sorocaba-Esplanada ........... 3414-1000 S. J. Campos-Colinas............3913-6700 S. J. Campos-Vale Sul...........3878-7000 São João da Boa Vista ......... 3631-1109 Tatuí ......................................3259-3999 Tiête .......................................3282-8501 Valinhos Shop. .....................3929-7700

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A26 Vida %HermesFileInfo:A-26:20100725:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

LEONARDO SOARES/AE

Estímulo precoce. Beatriz Koike, de 3 anos, ganhou seu primeiro livro ainda na barriga da mãe, Taís; hoje, ela tem o seu cantinho da leitura, com 43 títulos, e cobra que a mãe leia

Bebê que convive com livros vai melhor na escola Especialistas indicam contato com publicações desde os primeiros meses de vida; ONG vai lançar guia com indicação de 600 títulos Karina Toledo

Ler para um bebê que ainda não fala nem entende o que é falado pode parecer perda de tempo, mas diversos estudos mostram que, a longo prazo, a prática pode beneficiar o desempenho escolar. Além de adquirir gosto pela leitura, as crianças que têm contato com livros desde o berço chegam ao ensino fundamental com vocabulário mais rico e maior capacidade de compreensão e de manter a atenção nos estudos. Para ajudar na escolha do título mais adequado para cada idade e no desafio de manter as crianças pequenas entretidas, o Instituto Alfa e Beto (IAB) apresenta na próxima Bienal do Livro de São Paulo a Biblioteca do Bebê. Além de vários livros divididos por faixa etária, o localterá voluntários que ensinarão aos paistécnicasdeleitura.Asprincipais dicas estão reunidas em uma cartilha que será distribuída aos visitantes (mais informações nesta página). “Não se trata de ler um conto de fadas para um bebê com menos de 1 ano. Os primeiros livros devem ter apenas imagens e o

● Cultivando o hábito

DAVID DICKINSON PROFESSOR DA UNIVERSIDADE VANDERBILT

“É por volta dos 2 anos que as crianças começam a se interessar por narrativas com personagens e ação.” “Estudos mostram que só o fato de dar livros a famílias com crianças pequenas já impacta no desenvolvimento da linguagem.”

tempo para folheá-los deve ser breve”,explica David Dickinson, especialistaemalfabetizaçãopelaUniversidade Harvard.Durante a bienal, ele apresentará estudosque relacionam a leitura precoceaummaiordesenvolvimento da linguagem. Uma dessas pesquisas mostra que as crianças de 3 anos que possuem o hábito de leitura em família apresentam, aos 10, desempenho escolar superior ao daquelas que não leem com frequência. “O importante é ler com regularidade, de preferência todos os dias, e tornar a experiência agra-

dável”, afirma Dickinson. Os pais, diz ele, devem usar as imagens do livros como base para iniciarumaconversacomacriança. “Faça perguntas sobre a figuraousobreahistória.Nãoselimite a ler as palavras e virar a página”, explica. Esculpindo mentes. A interação com os adultos é fundamental para o desenvolvimento da linguagem e o aprendizado se dá pela imitação, diz o presidente do IAB, João Batista Oliveira. “Mas a linguagem oral tem um vocabuláriorestrito e uma sintaxe simplificada. Olivro, por mais simples que seja, obedece as regras da linguagem escrita, que é amesmaqueacriançavai encontrar na escola.” Se o vocabulário é o tijolo do pensamento, afirma Oliveira, a sintaxe é a argamassa. “Quanto maior o vocabulário e mais articulada a sintaxe, mais temos sobre o que pensar.” Essa maior capacidade de raciocínio e compreensão favorece tanto o desempenho em disciplinas como português e matemática como nas demais. A capacidade de se manter focada em uma atividade também

SAIBA MAIS ●

Por que ler?

O que ler?

Para desenvolver atenção, concentração, curiosidade, criatividade, raciocínio, vocabulário e memória. Para perceber os próprios sentimentos, os de outras pessoas e lidar com emoções e estresse. Para ter um tempo especial de diálogo com os pais.

Até 12 meses: livros com fotos de bebês e com caras e expressões.

Dos 24 aos 36 meses: obras com veículos, animais e natureza. Livros com ou sem palavras, com sons, rimas e onomatopeias. Pequenas histórias, com personagens divertidas.

Como ler?

Leia exatamente o que está escrito, com atenção, entusiasmo e entonação adequada ao texto. Imite os sons, fazendo barulhos divertidos. Leia conversando com a criança. Explore os sentimentos e as emoções. Diga o que você sente e estimule a criança a dizer o que ela também está sentindo. Deixe a criança pensar, falar e perguntar. Estimule-a a observar as imagens e, aos poucos, também as palavras. Deixe que ela pegue no livro e vire as páginas do jeito dela. Faça perguntas e ouça as respostas da criança. Esteja preparado para ler e reler os mesmos livros; as crianças adoram repetições.

é beneficiada pelo hábito de leitura, afirma Dickinson. “Quando assistimos à TV ou usamos o computador, a tecnologia prende nossa atenção. Já quando lemos um livro, precisamos fazer esse trabalho sozinhos.” Beatriz Koike, de 3 anos, parece fazer esse trabalho muito bem.“As professorassemprecomentam como ela presta atenção em sala e elogiam sua desenvoltura com as palavras”, conta a mãe, Taís Borges. Beatrizganhouseuprimeirolivroquandoaindaestavana barriga de Taís. “Aos 3 meses, comprei um livrinho de plástico para

Dos 12 aos 24 meses: livros que descrevem objetos familiares, rotinas do dia e cenas familiares.

Dos 3 aos 5 anos: livros com aventuras, contos, fábulas, explicações sobre o funcionamento das coisas e informativos. ●

Dicas adicionais

Tenha sempre livros e material de leitura em sua casa. Guarde os livros em um local que a criança possa alcançar quando quiser. Frequente bibliotecas, livrarias e salas de leitura. Coloque os livros e a leitura no dia a dia de sua família.

ela brincar na banheira. Depois, um de pano, com texturas diferentes. Aos 2 anos, ela começou ademonstrarinteresseemhistóriasmaiscomplexas.”Hoje,amenina tem seu cantinho da leitura com 43 títulos. “Umas três ou quatro vezes por semana leio para ela à noite. Quando não faço, ela me cobra”, conta Taís. O IAB vai lançar na bienal um guiacom umapropostaambiciosa: Os 600 Livros que Toda Criança Deve Ler Antes de Entrar para a Escola. Isso dá uma média de dois livros por semana entre 0 e 6 anos. Quem quiser cumprir a meta não pode perder tempo.

Projeto associa obras infantis a brinquedos Outra iniciativa para estimular a leitura entre crianças de 0 a 6 anos é o projeto Ler é Saber, do Instituto Brasil Leitor (IBL), que já implantou 48 bibliotecas para a primeira infância em hospitais,clínicasmédicaseodontológicas, creches e escolas públicas e particulares. Os espaços são especialmente planejados para as crianças pequenas, com móveis coloridos e semquinaeprateleiras tão baixinhas que até um bebê é capaz de alcançar. “Cada livro possui um brinquedo correspondente, que se relaciona com o conteúdo das páginas”, explica Ivani Capelosa, idealizadora do projeto. Fantoches, marionetes, bonecos, jogos e instrumentos musicais fazem parte do acervo da biblioteca e ajudam a tornar mais envolvente e dinâmica a narraçãodehistórias.Entreumadiversão e outra, explica Ivani, os livros acabam se tornando tão atraentes quanto os próprios brinquedos. Além de conceber o projeto das bibliotecas, o IBL treina professores e monitores para trabalharem com todo o material. “É comum ver crianças ouvindo ou lendo uma história com um brinquedo embaixo do braço ou no colo”, relata Luzia Fagundes, professora da Unidade Modelo de Ensino Luiza Cortez da Silva, de Cubatão. “As crianças estão muito mais interessadas nos livros bem como em outros materiais escritos. Notamos maior desenvolvimento, principalmente no vocabulário”, conta a educadora. / K.T. EPITACIO PESSOA/AE

Bom começo

‘É A MINHA COISA FAVOLITA’, DIZ BERNARDO, DE 4 ANOS A mãe, Marina, solta a imaginação quando lê para o filho e encarna os personagens

Q

uando aprendeu a falar, o primeiro presente que Bernardo Falsetti, hoje com 4 anos, pediu à mãe foi um livro. “É minhacoisafavolita”,dizele,trocando o ‘r’ pelo ‘l’, como o Cebolinha da Turma da Mônica. Se não fosse esse pequeno detalhe na pronúncia, brinca a mãe, Marina Falsetti, ele poderia ser confundido com um anão,tamanhoéseuvocabulário e a destreza com que articula as palavras. Com menos de 1 ano, Bernardo se divertia com livrinhos de plástico e de pano.

Aos 2, tornou-se frequentador assíduo da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional. E hoje seu acervo conta com mais de 160 títulos. ���Quando a gente não tem dinheiro para comprar um novo, ficamos lendo por lá mesmo”, conta Marina. Nomomento, suasobrasfavoritassãoContosdeEnganaraMorte e No Meio da Noite Escura Tem um Pé de Maravilha, ambos do autor Ricardo Azevedo e indicados por uma amiga da família que é professora de literatura. “Desde segunda-feira, quando ganhou esses livros da avó, não se desgruda deles”, diz a mãe. Quando se senta para ler com

Pequeno leitor. Bernardo Falsetti frequenta livrarias com a mãe, Marina, desde os 2 anos; quando era bebê, brincava com obras de plástico e de pano o filho, Marina solta a imaginação e encarna os personagens. “Isso ajuda muito a prender a atenção”, revela. Essa também é a técnica que a geóloga Liza Polo usa para conquistar o interesse da filha Lau-

ra, de quase 3 anos. “Faço a voz do Lobo Mau, pulamos quando o personagempula,damoscambalhotas, encenamos a Branca de Neve morrendo engasgada e caindo no chão e eu a encho de beijos quando o príncipe beija a

princesa.Issotornaaleituramuito gostosa e atrativa”, afirma. Laura também começou com livros de pano e de encaixe. Logo passou para livros com figuras e palavras, apenas para ensinar o nome das coisas. “Passei a com-

prar livrinhos com histórias quando percebi que ela tentava conectar um desenho ao outro”, conta Liza. “Quando via que ela estava dispersa, mudava a história, tornando-a mais curta.” / K.T.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

PLANETA

}

SOB RISCO

Vida A27

estadão.com.br

A onça-pintada (Panthera onca) era uma das vítimas de quadrilha investigada pela Polícia Federal. Dez pessoas foram presas na semana passada, acusadas de organizar safáris de caça no Pantanal.

Leia. Flor fedorenta de 1,5 m atrai multidão no Japão estadão.com.br/planeta AYRTON VIGNOLA/AE EDUARDO PERINI

Eduardo Fischer, Fundador do Grupo Totalcom e criador do Festival SWU

1.

Como a sustentabilidade passou a fazer parte de sua empresa?

Tivemos uma consultoria do José Pascowitch, da Visão Sustentável, e aos poucos fomos mudando. Trocamos as lâmpadas amarelas por fluorescentes, colocamos descanso de tela permanente nos computadores. Acabamos com o uso de copos plásticos – hoje as pessoas usam garrafas (squeezes). Muitos iam embora do escritório e deixavam os computadores ligados. Agora, temos

uma espécie de “xerife” ou “ombudsman da sustentabilidade” que, entre outras coisas, coloca bilhetinhos na mesa de quem continua fazendo isso.

rios levem essas questões para casa, por isso vamos fazer uma campanha e premiar quem conseguir reduzir a conta de energia, por exemplo.

2.

3.

E qual foi a consequência disso?

No “esquenta”, o momento descontraído antes da reunião de segunda, antes falávamos sobre futebol e depois passamos a ter ideias de ações sustentáveis. Não sei explicar a conexão, mas as pessoas passaram a render melhor na empresa. Queremos que os funcioná-

E qual é o objetivo do festival SWU, em outubro?

Admiro as ONGs que protegem as baleias. Mas somos um grupo de comunicação. Então, tentamos fazer uma grande plataforma de conscientização. Chamamos bandas engajadas para o festival e queremos que o movimento não tenha barreiras, por isso o nome em inglês (Starts With You, Começa com Você).

TAILÂNDIA

Tanques ao mar para criar recifes artificiais

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Raro. Filhote (à esq.) será monitorado por biólogos no Pará

O exército da Tailândia vai jogar ao mar 25 tanques de guerra antigos. O objetivo é criar recifes de corais artificiais e recuperar populações de peixes na província de Narathiwat, a 750 km da capital, Bangcoc. A região perdeu parte da biodiversidade marinha por causa da pesca predatória com explosivos. /AFRA BALAZINA, ANDREA VIALLI e

CONSERVAÇÃO

Urubu-rei se reproduz em cativeiro Biólogos do Parque Zoobotânico Vale, em Parauapebas (PA), conseguiram fazer a reprodução natural em cativeiro do urubu-rei (Sarcoramphus papa), ameaçado de extinção. Foi pre-

parado um ambiente semelhante ao hábitat natural, onde o casal de aves ficou isolado. A fêmea e o macho se alternaram por dois meses para chocar o ovo. “Em geral, os ovos vão para incubadora e são chocados artificialmente. Aqui, conseguimos pelas vias naturais”, diz o supervisor do parque, André Mourão.

CLARISSA THOMÉ, com EFE

Faça a sua parte

Nos dias mais quentes, regule o chuveiro na posição verão, que consome até 30% menos de energia elétrica que a posição inverno.

PERFIL EVELSON DE FREITAS/AE

Norman Gall, jornalista e diretor executivo do Instituto Fernand Braudel

50 anos dedicados à América Latina Colaborador do ‘Estado’ ganhou, na semana passada, o Maria Moors Cabot, um dos principais prêmios do jornalismo José Maria Mayrink

São 76 anos de idade e 50 de jornalismo profissional – ou 61, se for contar a estreia no jornalzinho do colégio e as andanças por cidadezinhas do interior da Nova Inglaterra, escrevendo como freelancersobreoquelhecheirava a notícia. Foi cronista de esportes e crítico de música clássica, antes de se tornar correspondenteestrangeiro,em1961, abraçando então uma carreira que lhe deu, na semana passada, o Prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia, por 50 anos de serviço à América Latina e ao Caribe. NormanGall,quese especializouemeconomiaepolíticainternacional com reportagens e ensaiospublicadosnosmaisimportantes jornais do mundo – entre osquaiso Estado, doqualé colaborador –, comemora o prêmio como uma deferência dos amigos que indicaram seu nome e reconhecimento de sua dedicação à pesquisa. “Tive muita sorte, pois sempre soube o que queria fazer”, disse Gall na tarde de quarta-feira, mergulhado entre as centenas de livros, quadros, estatuetas e fotografias que enchem seu apartamento. Como sabia que queria ser jornalista, dedicou-se para valer à profissão,apósvenderdiscosnuma loja de Nova York, sua cidade natal, e de trabalhar na campanha presidencialde John Kenne-

Instituto faz defesa da educação O Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial tem esse nome em homenagem ao historiador francês que, em sua passagem pelo Brasil na década de 30, participou da criação da Universidade de São Paulo (USP), sob a coordenação do jornalista Julio de Mesquita Filho. Em sua obra, Braudel destacou o mercado como força de desenvolvimento humano – ideia que coincide com a proposta do instituto. Fundado em 1987 e hoje presi-

dy, em 1960. “Eu cuidava do registro de eleitores porto-riquenhos”, lembra. No ano seguinte foi contratado como repórter porumjornaldePortoRico.“Comecei uma noite antes do assassinato do ditador Rafael Trujillo e, por isso, fui enviado para cobrir a crise política na República Dominicana. Cobri em seguida a campanha presidencial de Juan Bosh, o que me levou à fronteira do Haiti. Aí comecei minhas romarias na América Latina, como freelancer do Washington Post.” Em 1964, Gall foi a Cuba para as comemorações do 26 de Julho, tomada do quartel de Moncada, na cidade de Santiago. Conheceu Fidel Castro e todo o comando da Revolução de Sierra Maestra.“Oslíderescubanosdesafiaram os jornalistas americanos para uma partida de beisebol e perdemos feio. Joguei contra Fidel, seu irmão Raúl e Ramiro Valdez, chefe do serviço de inteligência,queatualmenteseencontranaVenezuelaparasustentar Hugo Chávez no poder.” Foi sua única viagem a Cuba. “Não me deram mais visto porque perguntei a Fidel se havia provascontraosfuncionáriosdo governo fuzilados sob acusação de cooperação com a CIA (agência de inteligência dos EUA).” Antes de vir para o Brasil, em 1977, o jornalista percorreu vários países sul-americanos para cobrir golpes militares e guerrilhas. “Descobri minha vocação detrabalhar nos sertões da América Latina”, lembra Gall, citandoPerueBolívia.Excelentefotógrafo, ele montou um precioso acervo de imagens de personagens e cenas dos países por onde andou. “Tive o privilégio de ser contratado por um grupo de uni-

No Brasil. A convite da Fundação Carnegie, o jornalista escreveu sobre a emergência do Brasil na economia do hemisfério. Fez reportagens sobre o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha e sobre a ocupação de Rondônia, na Amazônia. A vinda para São Paulo, onde foi editor correspondente da revista Forbes, não lhe impediu de continuar escrevendo sobre o desenvolvimento da economia na Europa, Japão, EUA, México, Chile, Peru, Venezuela e Argentina. Seus artigos foram reproduzidos por jornais como The New York Times, Wall Street Journal e Washington Post nos EUA, Times Literary Supplement em Londres, Le Monde em Paris e Die Zeit em Hamburgo, na Alemanha. Norman Gall continua fazendo aquilo que gosta, publicando agora seus artigos e ensaios no Braudel Papers, jornal bimestral de pesquisa do Instituto FernandBraudeldeEconomiaMundial, do qual é o diretor executivo e foi um dos fundadores. “O Instituto Fernand Braudel sobrevive graças a pequenos milagres”, comenta o pesquisador, grato à generosidade de parceiros que lutam a seu lado para levar a obra adiante. “As pesquisas que faço não são financiadas ou são marginalmente financiadas”, observa ele, sem esconder

didopelojornalistaAntônioCarlos Pereira, editor de Opinião do Estado, o instituto tem se preocupado com a qualidade do ensino público. Em 2007 e 2009, seus pesquisadores viajaram a Nova York, Chicago, Washington e Baltimore para estudar as reformas de ensino em escolas em situação crítica. A primeira viagemresultou em uma série de artigos, publicada pelo Estado, comoobjetivodeestimularadiscussãode comoenfrentar as dificuldades na área. Em 2008, o instituto, em parceria com o Itaú Social e a Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, começou a desenvolver um projeto em dez escolas públicasda capital com ospiores desempenhos no Índice de De-

senvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp). Com medidas simples e de baixo custo– ofereceututoriaaprofessores de matemática e português e criou o cargo de “coordenador de pais”–, o projeto está conseguindo melhorar o ensino. Ele deve ser sistematizado, com o objetivo de ser replicado em outras escolas. Com a Faculdade de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), cujo diretor é o embaixador Rubens Ricupero, o Instituto Fernand Braudel promove pesquisas e debates públicos sobre crises financeiras, comércio, energia e a expansão da democracia na América Latina. Em 20 anos, foram mais de 160 seminários.

versidades para fazer pesquisas no continente. Não me pagavam muito,masconseguiaviajaretrabalhar onde queria, com o compromisso apenas de produzir.” Em 1967, escreveu um longo ensaio, O Legado de Che Guevara, quando o líder revolucionário foi morto. Nessa época, morou seis anos na Venezuela.

Cidadão do mundo. Nova-iorquino, Gall adquiriu cidadania brasileira e vive no País há 33 anos uma ponta de mágoa. “No Brasil, é fácil fazer seminários, mas é muito difícil financiar pesquisas.” Artigos e ensaios de Gall têm sido reunidos em livros, como Lula e Mefistófeles (A Girafa Editora) e O Terremoto Financeiro (Elsevier Editora). Dificuldades à parte, o trabalho no Fernand Braudel dá satis-

fação e alegria. “Temos no instituto o projeto Círculos de Leitura,que é o encantode minha vida atualmente”, entusiasma-se, ao descrever o encontro com jovens da periferia de São Paulo que se reúnem para ler e comentar clássicos da literatura. ApaixonadopeloPaís, ondevive há 33 anos, Gall se naturalizou

brasileiro, sem renunciar à cidadania norte-americana, já que os EUA passaram a admitir a dupla cidadania. “O Brasil tem sido generoso para comigo.” Ele avalia que o País está muito melhor do que quando veio para São Paulo. “Apesardehavermuitanegligência, o Brasil está se realizando; o desafio é vencer a negligência.”

São Luís Uma ilha,muitas paixões.

A única capital brasileira fundada por franceses, colonizada por portugueses e invadida por holandeses, São Luís apresenta características singulares. Rica em diversidade, as belezas se refletem nas brincadeiras típicas e da tradição secular no São João, na variedade rítmica do Carnaval, nas belezas das praias, na culinária marcante e no acervo arquitetônico histórico internacionalmente reconhecido.

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O ESTADO DE S. PAULO

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Transporte caro

Gastos com ginástica

Força dos trabalhadores

Custo do trem-bala daria para pagar 300 km de metrô

Com elevação da renda, classes C e D lotam as academias

Bruna integra a base sindical no ABC que chega a 100 mil metalúrgicos

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MARCOS DE PAULA/AE

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Economia estadão.com.br

Aposta de R$ 18,5 bilhões do BNDES em frigoríficos assusta concorrentes JBS e Marfrig receberam cerca de 25% de tudo que o banco investiu na compra de participações em empresas nos últimos quatro anos SALLY RYAN/THE NEW YORK TIMES--237/2/2009

Raquel Landim David Friedlander

A estratégia oficial de turbinar frigoríficos para transformá-los em gigantes mundiais está prestes a bater a marca de R$ 18,5 bilhões recebidos do BancoNacional de Desenvolvimento e Econômico e Social (BNDES). A maior parte desse dinheiro vem sendo aplicado no JBS e no Marfrig para financiar uma campanha agressiva de aquisições de concorrentes no Brasil e no exterior. Até agora, o banco estatal já desembolsou R$ 16 bilhões com osetor–R$6bilhõesemempréstimos e R$ 10 bilhões na aquisição de participação acionária. Outros R$ 2,5 bilhões foram prometidos na semana passada ao Marfrig, para financiarmais uma compra: a da americana Keystone Foods. A política do governo de criar grandes multinacionais brasileiras voltou ao debate com a campanha eleitoral e a discussão sobre o papel do BNDES no próximo governo. Nos frigoríficos, a táticade“engorda” começa a entusiasmar os investidores, que enxergam oportunidades de lucro com os papéis dessas empresas. Mas incomoda concorrentes menores e pecuaristas, aborrecidos com a concentração de poder nas mãos de JBS e Marfrig (leia abaixo). Uma das críticas é que o BNDES estaria subsidiando empresáriosquepoderiamsevirarsozinhos. O banco, porém, afirma que a maior parte do dinheiro investidonosfrigoríficosnãoésubsidiado pelo Tesouro Nacional, nem sai do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT). São recursos captados com investidores

PARA ENTENDER

Com aquisições, JBS se tornou líder mundial O JBS começou sua expansão internacional em 2005, com a aquisição da filial da Swift na Argentina. Em maio de 2007, a empresa abriu seu capital no mercado brasileiro e partiu para seu grande salto. Adquiriu a matriz da Swift nos Estados Unidos por US$ 1,4 bilhão. No ano passado, comprou a também americana Pilgrim’s Pride, em um negócio de cerca de US$ 2,4 bilhões (incluindo dívidas) e incorporou a rival Bertin. Com o movimento, superou a americanas Tyson Foods se tornou a maior processadora de carnes do mundo. Todo esse processo de expansão foi em boa parte financiado pelo BNDES. Expansão. Unidade da americana Swift, comprada pelo JBS em 2007: empresa fez mais de 30 aquisições nos últimos anos pela BNDESPar, subsidiária do banco,e repassadosaos frigoríficos a custos de mercado. Empresários do setor, que pedem anonimato por medo de contrariar o governo, questionam a escolha dos parceiros do BNDES. Cerca de três anos atrás,outrofrigoríficoimportante, o Minerva, procurou o banco na tentativa de conseguir apoio para sua expansão. Saiu de mãos vazias. Enquanto isso, apoiado pelo banco estatal, o JBS tornouseomaiorprodutordecarneprocessada do mundo. No setor, circula a versão de

Pecuaristas dizem estar sendo sufocados pelo JBS A região de Barra do Garça, em Mato Grosso, já foi o melhor lugar do Estado para vender gado. Apresençadeunidadesdosfrigoríficos Independência, Margen, Bertin e JBS garantia competição entre eles e a oferta dos preços mais altos para os pecuaristas. De dois anos para cá, Independência e Margen quebraram e o Bertin foi comprado pelo

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JBS, que ficou sozinho na região e amassou o preço da arroba. “O JBS é o dono do pedaço e paga quanto quer. Barra do Garça agora paga um dos piores preços do Estado”, diz Luciano Vacari, superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), o Estado que temo maiorrebanho degado bovino do País.

que um dos pontos fortes de JBS eMarfrigsãosuasconexõespolíticas. Líderes num setor que exibe margens de retorno baixas e riscos altos, a avaliação do mercado é que essas empresas não teriam ido tão longe sem o BNDES – já que os investidores passaram a olhar os frigoríficos com mais interesse há pouco tempo. Executivos da área também questionam o perfil das aquisições internacionais – boa parte sãocompanhias em dificuldades financeiras. Há dúvidas sobre a capacidade dos brasileiros de operar as novas aquisições e ga-

Osoutrosfrigoríficos,concorrentes de JBS e Marfrig, também reclamam. “Queremos igualdade”, afirma Péricles Salazar, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos. “Tudo bem apoiaroFriboieMarfrig,masoutros frigoríficos precisam de financiamento e o BNDES só tem dinheiro para os grandes.” De acordo com José Vicente Ferraz, analista da consultoria Agra FNP, a política de criação de grandes frigoríficos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu ao JBS – e em menor escala, também ao Marfrig – uma força

nhardinheirocom elas. Procurados, JBS, Marfrig e BNDES não deram entrevista. Até2007,quandoessasempresas abriram o capital em bolsa, osfrigoríficoserampoucoprofissionalizados. Diferentes pecuaristas relataram ao Estado que já foram “roubados na balança” (os bois pesavam menos na balança do frigorífico que na fazenda) e que o uso de caixa dois era uma prática comum. Cartel. O setor já foi investiga-

do por prática de cartel. Em 2007, o Conselho Administrati-

● Queixa

LUCIANO VACARI SUPERINTENDENTE DA ACRIMAT

“O JBS é o dono do pedaço e paga quanto quer. Barra do Garça agora paga um dos piores preços do Estado”

desproporcional em relação aos pecuaristas e mesmo a frigoríficos menores. “Isso provoca um desequilíbrio na cadeia produtiva. É perigoso”, afirma Ferraz. Para José Carlos Hausknecht.

vo de Defesa da Concorrência (Cade) condenou os frigoríficos Bertin, Minerva, Franco Fabril e Mataboi por manipularem os preços pagos aos pecuaristas. O Friboi ( atual JBS) selou acordo para encerrar as investigações e pagou R$ 13,7 milhões de multa. O Bertin foi incorporado pelo JBS no ano passado. Nosúltimosquatroanos,aBNDESPar investiu mais de R$ 40 bilhões na compra de participações em empresas de setores como telecomunicações, celulose e energia. Cerca de 25% disso foi pararem apenas quatro frigorífi-

sócio da consultoria MB Agro, a estratégiado BNDESéequivocada. “Pelas nossas contas, o JBS hoje tem 80% de seu faturamento no exterior. Por que o BNDES precisa financiar a produção em outros países?”, questiona. O consultor cita como exemplo a compra da Pilgrim’s Pride, uma das líderes no abate de frangos nos Estados Unidos, pelo JBS,comapoiofinanceirodoBNDES. “Além de gerar empregos lá fora, vão usar dinheiro do BNDES para fortalecer a exportação americana de frangos, que vaicompetircomaproduçãobrasileira.” / D. F.

cos. A instituição tem 21% do capitaldo JBS, 14% do Marfrig, 22% doIndependência(emrecuperação judicial) e uma pequena fatia, de 2,6%, na Brasil Foods (fusão de Sadia e Perdigão). Os R$ 10 bilhões que o BNDES gastou em compra de participações nos frigoríficosequivalem à metade do valor de mercado do JBS. É também o dobro do que o frigorífico dos irmãos Batista – José, Joesley e Wesley – valia quando abriu o capital, em 2007. O BNDES diz ter escolhido o setor porque o Brasil é altamente competitivo. Aposta que, com destaque lá fora, JBS e Marfrig vãogerarremessasdelucroeempregos qualificados no País. Nos últimosanos,oJBScomprouempresas como as americanas Swift e Pilgrim’s Pride. O professor Sérgio Lazzarini, do Insper, entende que o País teria mais benefícios se, em vez de capitalizar os frigoríficos, aplicasse mais dinheiro em infraestrutura. “O setor de frigoríficos époucodinâmico.Seépara escolher, faria mais sentido investir em tecnologia de ponta”. Para analistas, ações dos frigoríficos estão mais atrativas

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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

CELSO MING celso.ming@grupoestado.com.br

Pajelança

N

a semana passada, Ben Bernanke,opresidentedoFederal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), pisou em ovos no seu depoimento no Congresso. Foi surpreendentemente mais pessimista do que o esperado a respeito do comportamento futuro da economia americana, mas não conseguiu avançar nenhuma providência a seu alcance que pudesse virar o jogo. Bernanke admitiu que, se não houver recuperação, o Fed terá de voltar a despejar recursos para ativar o crédito e o consumo e, assim, acionar a produçãoeacontrataçãode pessoal.Masadvertiu que não seria coisa para já. O problema está no que fazer. Os grandes bancos centrais são hoje leões desdentados.Nãoconseguemmaispilotar seu quase único instrumento, a políticamonetária.Nãoconseguemre-

tirar ou injetar dinheiro no mercado para combater a inflação e, no caso do Fed, para tentar reativar a economia. Osjurosbásicosdeterminadospelapolítica monetária estão ao redor de zero porcentoaoano.Nãopodemcairmais.O sistemajá está abarrotadode recursos.Se o preço do dinheiro (os juros) se arrasta pelo chão, isso quer dizer que o dinheiro estátãoabundantequeseuvaloréinsignificante.Nessascondições,oqueseriainjetar mais recursos na economia? Hoje os especialistas se empenham num debate sobre como enfrentar essa encrenca. Dinheiro sobrando e juros pertodozeropormuitotempotendemaproduzir bolhas. Um dosprincipais causadores da crise financeira que estourou em 2008foiapersistência, porlongoperíodo (de junho de 2003 a dezembro de 2004), de juros básicos ao redor de 1% ao ano. O Fed, então dirigido por Alan Greenspan,

ALEX WONG/AFP

RALPH ORLOWSKI /REUTERS

Bernanke e Trichet. Divergências não via ameaça de inflação a combater e deixouacordasolta.EssaéaprincipaladvertênciaquevemsendofeitapelostécnicosdaOCDEedoBIS.Nãosepodedeixar os juros tão deprimidos por tanto tempo porqueissoteráconsequência,advertem. Dooutrolado,oFMIavisaqueoproblema central dos países ricos é o excesso de

despesas e de dívidas públicas. Portanto, éprecisootrancodoajustefiscalparaque serestabeleça acredibilidade.Na semana passada, o presidente do Banco Central Europeu(BCE),Jean-ClaudeTrichet,em flagrante contraste com o que disse Bernanke, defendeu esse ponto de vista no Financial Times. Mas, afinal, independentemente dessas divergências, como é que os grandes bancoscentraispoderiaminjetarmaisrecursos na economia? Em princípio, teriamde atuaraindamaisno varejodocrédito, que é a área dos bancos. O emperramento do sistema produtivo tem como uma de suas principais causas o bloqueio docrédito.Eocréditoestábloqueadoporque, numa crise de confiança, os bancos deixam de fazer empréstimos. Seobancocentralinjetarmaisdinheiro (afrouxamento quantitativo) ou estará comprando mais uma batelada de títulos do Tesouro ou estará comprando títulos de empresas privadas. É um mecanismo fora das regras e de eficiência duvidosa, umavezqueelegeprivilegiados.Alémdisso, tende a minar a credibilidade da instituição na medida em que é obrigado a incorporaraobalançoativosde retornoduvidoso, como acontece na União Europeia,ondeoBCEcomproutítulosdaGrécia, Espanha e Portugal, cujas dívidas estãosobriscodecalote.Mas,quandoamedicinajánãofunciona,queméquevaicondenar o doente que recorre à pajelança?

CONFIRA ● Contra

e a favor

Quem se queixa da competição desleal da China no mercado americano são apenas os líderes sindicais e alguns analistas econômicos. As grandes empresas, que contam na tomada de decisões em Washington, estão satisfeitas com o que acontece na economia chinesa. ● De

vento em popa

Sexta-feira, o New York Times publicou matéria mostrando que a GM, que está capengando nos Estados Unidos, é enorme sucesso na China. Nada menos que um quarto de suas vendas globais é realizado lá. ● As

bases na China

As grandes empresas do mundo mantêm linhas de produção na China. Estão tirando proveito da mão de obra mais barata, das quase inexistentes pressões sindicais e dos impostos baixos. De quebra, são grandes exportadores (não é o caso da GM da China) para os Estados Unidos. Assim, quem compra um made in China muito possivelmente está comprando um produto de uma multinacional americana ou europeia.

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Editorial econômico

Opinião

Navios brasileiros feitos com o aço barato da China

O limite da irresponsabilidade

A estatal Transpetro, subsidiária da Petrobrás, construirá navios no Brasil com aço importado da China, informou o presidente da empresa, Sérgio Machado, conforme o Estado de quinta-feira. Os chineses ofereceram o preço mais baixonuma concorrência de queparticiparam 15 siderúrgicas, de 8 países. Mas a operação contraria o propósito da Petrobrás e do governo de comprar o mais possível no País. Entre 2003 e 2010, segundo informe da Petrobrás, o conteúdo local nas suas compras passou de 57% para 77%. Para cumprir o Programa de ModernizaçãoeExpansãodaFrota(Promef), a Transpetro terá de encomendar a construção de 49 navios, quase dobrando a frota atual de 52 navios. Também contratará a construção de 20 empurradores e 80 barcaças para operarem na Hidrovia Tietê-Paraná. Vários estaleiros foram reabertos para atender à demanda. A Transpetro pretende comprar um total de 710 mil toneladas de aço, das quais 150 mil já foram adquiridas – apenas 1/3 de siderúrgicas locais. Mais50 miltoneladas deverãoser adquiridas pela empresa até o final do ano. O mercado internacional do aço se recuperou, no primeiro semestre,

✽ ●

com crescimento de 27,9% em relaçãoaomesmoperíodode2009,quando a indústria global estava em recessão. Mas desde maio voltou a dar sinais de queda. Em junho, a produção global cresceu 18% em relação a junho de 2009, mas caiu 4,4% em relação a maio. Houve desaceleração na China, na Ásia e na Europa, segundo a World Steel Association. Embora as siderúrgicas brasileiras operem em ritmo semelhante ao de 2008, há ociosidade nas linhas de fabricaçãodechapasgrossas,empregadas na construção de navios. As empresas atendem aos mercados internoeexterno.Asexportaçõesdesemimanufaturados de ferro e aço cresceram 67%, no primeiro semestre, e 170%, entre junho de 2009 e 2010. Diantedoaçochinês,acompetitividade do aço brasileiro é baixa, em razão de tributos e custos elevados de mão de obra, além do real valorizado. Enquanto a China prefere importar e processar o minério de ferro, exportando o aço para o Brasil e o mundo, o Brasil exporta mais minério de ferro (US$ 9,5 bilhões, no primeiro semestre) do que produtos siderúrgicos. O aço chinês é produzido por estatais e subsidiado pelo governo, o que aTranspetro não reconhece. O resultado final da compra do insumo da China será uma diminuição de conteúdo local nos navios encomendados pela Transpetro, pois o aço tem peso expressivo nas embarcações.

SUELY CALDAS

“C

hegamos ao limite da nossa irresponsabilidade.”Gravadaporarapongasemconversatelefônica reservada, a advertência foi feita em 1998 pelo ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio ao ex-ministro das Comunicações Luis Carlos Mendonça de Barros.Osdoiscombinavamaparticipação dos fundos de pensão de estatais na privatização da Telebrás. Fundos também usados na compra da Vale do Rio Doce, um ano antes. Incansavelmente reprovada pelo PT, a frase era reveladora de como gestores públicos acertam nosbastidoresomanejodedinheiroparaalcançarumobjetivo.Nocaso,oobjetivo era privatizar a Telebrás. Doze anos depois a história se repete no governo de Lula e do PT, que tanto condenaram os métodos tucanos de buscarrecursoseagorarecorrem aartifícios piores. Sustentados pela expansãoexcessiva de dívidas, esses artifícios comprometem o futuro da Petrobrás, doBNDES, dosfundosdepensãode estataisedadívidapúblicadoPaís.Naverdade,seogovernoFHCbeirou,odeLulaultrapassouo“limitedairresponsabilidade”. A privatização foi até benéfica paraosfundos,quelucrarameaumentaram seu patrimônio ao se tornarem sóciosdaValeedeempresasdetelecomu-

nicações. Agora é diferente, o futuro é preocupante. Aos fatos: Petrobrás – O governo fez tudo errado com o petróleo do pré-sal. Em vez demanteralegislaçãoeatrairempresas privadas para, junto com a Petrobrás, investir capital no pré-sal, mudou as regras.Confiouàestatalaresponsabilidadedeexploração,obrigando-aprimeiro atomarváriosempréstimos,endividarse,paragarantirinvestimentosdoPAC; e quando a dívida cresceu e se aproximou do nível de 35% em que o risco de inadimplência aumenta, a saída foi fazer uma capitalização confusa, tardia e até agora emperrada. Hoje a empresa estáameaçadadeperderograudeinvestimentonaclassificaçãoderiscoepagar juros mais altos em novos empréstimos.Comtantainterferênciadogovernoemsuagestão,aPetrobrástemperdido valor patrimonial e a boa imagem conquistada desde o governo FHC é abaladaacadadia.SuasaçõesnaBovespajá caíram 25%esteano einvestidores têm fugido de seus papéis. BNDES – Para quem acredita que o governo Lula transfere renda dos ricos paraospobresperdeacrençaeoencantoaoconheceragenerosatransferência de dinheiro dos impostos – pagos tambémpelospobres–paragrandesempresasprivadasamigas,emoperaçõesintermediadas pelo BNDES. Funciona assim:ogovernocaptadinheironomercado pagando juros de 10,75%, empresta ao BNDES, que repassa para empresas amigascobrando6%dejuros.Adiferença é bancada pelo Tesouro com receita de tributos. Ou seja, o pobre que paga

imposto subsidia créditos para os ricos. OsdoisúltimosempréstimosdoTesouro ao BNDES, que totalizaram R$ 180 bilhões, geram subsídios de quase R$ 8 bilhões. Créditos bilionários para dois frigoríficos – JBS Friboi (R$ 7,5 bilhões) e Marfrig (R$ 2,5 bilhões) – comprarem empresasnoexteriorcustamaproximadamente R$ 450 milhões em subsídios bancados pelo contribuinte brasileiro. Será que transferir capital para empresaprivadainvestirnoexteriorémais prioritário do que aplicar dinheiro em saúde, educação e saneamento? Concentrar enormes quantias nessas empresas sem controlar sua aplicação não eleva o risco de inadimplência no futuro?Ébrincarcomoperigo,éultrapassar o “limite da irresponsabilidade”. Fundos de estatais – O governo orientouosfundosPrevi(BancodoBrasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica Federal) – sempre os mesmos–asubstituíremempresasprivadas que desistiram de investir no capital da Usina de Belo Monte, por não confiarem na rentabilidade do empreendimento. Nascida majoritariamente privada, a Usina de Belo Monte vai acabar mais de 70% estatal, dos quais 27,5% do capital é integralizado pelos três fundos de pensão. Não importa a incerteza quanto à rentabilidade do projeto. Importa é viabilizá-lo na campanhaeleitoral,mesmorompendo o “limite da irresponsabilidade”. ✽ JORNALISTA E PROFESSORA DA PUC-RIO E-MAIL: SUCALDAS@TERRA.COM.BR

Panorama Econômico SERGIO NOBRE

NILSON TEIXEIRA

EDMAR BACHA

PRESIDENTEDOSINDICATODOSMETALÚRGICOS

ECONOMISTA-CHEFE DO CREDIT SUISSE

ECONOMISTA

“Se uma categoria vive em greve, é porque ela vive tendo seus direitos desrespeitados.”

“Não ouvi ninguém falando que a vitória de candidato ‘x’ ou ‘y’ trará algum problema importante (para a economia).”

“O Brasil tem estrutura suficientemente diversificada para não se preocupar com a concentração de sua pauta de exportações.”

FALÊNCIAS

PETRÓLEO

Mais sete bancos quebram nos EUA

BP vai perfurar poços na costa da Líbia

Outros sete bancos locais e regionais anunciaram falência nos Estados Unidos. Com isso, de acordo com a Corporação Federal de Seguro de Depósito Federal (FDIC, na sigla em inglês) já são 103 as quebras de bancos somente este ano no país. Segundo FDIC, na mesma época do ano passado, apenas 64 bancos haviam falido.

O grupo britânico BP, acusado de causar o maior desastre ambiental da história, no Golfo do México (EUA), anunciou que em algumas semanas vai começar a perfurar o Mar Mediterrâneo, ao norte da costa da Líbia. Um porta voz da BP lembrou que em virtude de um acordo firmado em 2007 com as autoridades da Líbia a empresa está

“Até agora, não conseguimos responder se vale a pena ou não construir um Trem de Alta Velocidade (TAV, o trem-bala).” Paulo Fleury PRESIDENTE DO INSTITUTO DE LOGÍSTICA E SUPPLY CHAIN (ILOS)

autorizada a fazer cinco perfurações na região.

JOHN KOLESIDIS/REUTERS

● Redução

do déficit

AJUDA INTERNACIONAL

A Rússia planeja a maior venda de ativos estatais desde 1990. Objetivo é cobrir déficits

Grécia receberá mais recursos do FMI e UE

US$ 29 bi

A Grécia vai receber a segunda parcela do pacote de ajuda oferecido pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). De acordo com o ministro das Finanças grego, George Papaconstantinou, o desembolso da segunda

parcela (de € 9 bilhões) depende do cumprimento das metas estabelecidas para a liberação da primeira parcela, de € 110 bilhões, entre elas o corte de despesas públicas e aumento de receitas.

é o volume de recursos que o país espera levantar com a venda de ativos de estatais

US$ 80 bi é o tamanho do déficit orçamentário da Rússia


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

DIVULGAÇÃO

Apoio do BNDES começa a fazer efeito Dinheiro do banco melhora perfil da dívida de frigoríficos e atrai investidores Raquel Landim

Os “anabolizantes” do BNDES estão fazendo efeito e os frigoríficos brasileiros começama cair nas graças do mercado internacional. O suporte do banco melhorou o perfil da dívida das empresas e deixou os investidores mais seguros. Duas importantes agências de risco melhoraram a classificação do JBS. A Fitch Ratings deixou as ações a três passos do graude investimento, que éo patamar que o mercado considera que não há risco de calote. Para a Standard & Poor’s, o risco oferecido pelo JBS hoje é o mesmo da americana Tyson Foods. É uma mudança significativa de percepção, porque os investidores enxergavam JBS e o concorrente Marfrig com desconfiança. As principais preocupações são o alto nível de endividamentoea consolidaçãodas aquisições. O JBS comprou mais de 30 empresas nos últimos anos, enquanto o Marfrig adquiriu 14 companhias fora do País. Para a analista sênior da Fitch Ratings, Gisele Paolino, a compra da Pilgrim’s Pride, uma das maiores produtoras de carne de

frango dos EUA, diversificou os negócios da JBS. “É um ramo com risco alto, porque existem restrições sanitárias e surtos de doenças.Aoatuaremcarnebovina e carne de frango, o JBS minimiza esse problema”, explica. A atuação do BNDES, no entanto, tem sido fundamental. O banco estatal comprou quase todas as debêntures lançadas pelo JBS para adquirir a Pilgrim’s. As debêntures são títulos de dívida, mas o mercado não interpretou como uma pressão sobre o fluxo de caixa da empresa. “Consideramos como emissão de capital, porque são papéis ● Riscos

GISELE PAOLINO ANALISTA DA FITCH RATINGS

“É um ramo com risco alto, porque existem restrições sanitárias e surtos de doenças.”

CAUÊ PINHEIRO ANALISTA DA SLW CORRETORA

“O BNDES é um parceiro importante, porque as empresas não correm o risco do apetite do mercado.”

Economia B3

Foco. Sede do frigorífico Pilgrim’s, comprado pelo JBS com o apoio do BNDES, que ficou com as debêntures emitidas pelo grupo das. O JBS ainda não conseguiu conversíveis em ações. Foi um abrir o capital de sua filial nos veículo para que o BNDES enEstados Unidos. trasse comosócio da filialameri- A FATIA DO BNDES A empresa já adiou duas vezes cana do JBS, que tem capital feaempreitada.Naprimeiratentachado”, disse Gisele. l Participação e investimentos do banco estatal nos frigoríficos tiva,alegouqueo mercadoexterCauê Pinheiro, analista da no estava ruim, mas prometeu a SLW Corretora, explica que a Desembolsos Participação oferta para o primeiro semestre operaçãodoBNDES reduza des- EM BILHÕES DE REAIS JBS Marfrig desteano.Na divulgaçãomaisrepesa financeira e melhora a mar6,2 TOTAL 20,62% 13,89% cente de resultados, descartou gem de lucro da empresa, pois o qualquerpossibilidadedaoperabanco empresta dinheiro a um ção ocorrer antes de 2011, mas custo que o mercado não estaria 4,3 não revelou os motivos. disposto a oferecer. “O BNDES é Outro ponto de desconfiança um parceiro importante, porque BRFoods Independência é o motivo de o mercado não as empresas não correm o risco 2,2 2,55% 21,81% comprar as debêntures dessas do apetite do mercado”, disse. 1,7 1,6 empresas. O BNDES subscreveu As duas companhias estão to99,2% dos R$ 3,5 bilhões em demando recursos no mercado inbêntures do JBS e se comprometernacional. O JBS está em pro2007 2008 2009 2010* 2006 teu a adquirir os R$ 2,5 bilhões cesso de captar US$ 700 milhões, enquanto o Marfrig con- Carteira do BNDESPAR Evolução dos investimentos do Marfrig. Em nota enviada pela assessoria de imprensa, o BNcluiu em abril uma oferta de bôno setor de alimentos DES afirma que esse tipo de paEM PORCENTAGEM EM PORCENTAGEM nus de US$ 500 milhões. Os investidores locais tam- Mineração 8,50 pel é para “investidor qualifica26,1 9,00 do” e que “os fundos de investibém avaliam que existe uma boa 8,00 24,2 mento não estão autorizados a oportunidade de lucro no curto Petróleo e gás 7,00 subscrever títulos híbridos”. prazo. Segundo Rafael Cintra, Energia elétrica 14,8 6,00 Outrofatorqueexplicariaodeanalista da Link Investimentos, 5,00 8,5 sinteresse é a liquidez. O prazo asaçõesestãorelativamentedes- Alimentos 4,00 das debêntures é de cinco anos, valorizadas, porque foram afeta- Papel e celulose 5,7 3,00 enquanto as ações podem ser das pela crise na Europa. 2,00 Telecomunicações 5,0 vendidas qualquer dia. “As de1,00 Dúvidas. A lua de mel entre o bêntures fazem mais sentido pa15,7 Outros 0 mercado e os frigoríficos, contura investidorescom visãodelon2005 2010** do, é recente e persistem dúvi- *Janeiro a maio de 2010 **Primeiro trimestre go prazo”, diz o BNDES.

16

FONTE: BNDES

INFOGRÁFICO/AE


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DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Reportagem Especial ✽

● No poder

“O sindicalismo do ABC, que tanto criticou a velha CGT, hoje tem um vínculo muito forte com o Estado”, diz Ricardo Amorim, da Unicamp

O NOVO SINDICALISMO

FILIPE ARAUJO/AE–10/9/2009

Profissionalização. Sérgio Nobre, em campanha salarial em 2009: presidente do Sindicato dos Metalúrgicos é formado em relações internacionais

BASE SINDICAL NO ABC É A MAIOR EM 15 ANOS

Renovação. Não apenas as relações

Marcelo Rehder

Geração que não viveu sob a ditadura e com maior grau de escolaridade reforça o Sindicato do ABC, agora ligado ao poder

s metalúrgicos do ABC paulista já somam100,8 mil trabalhadores na base sindical de São Bernardo do Campo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Só no primeiro semestre, 3,5 mil metalúrgicos foram contratados pelas empresas na região. O número de postos de trabalho já colou no recorde de 102,9 mil vagas registrado em 2008, antes de encolher no ano passado, por causa da crise. Mantido o ritmo atual, o número de 2010 será o maior em 15 anos. A base sindical da região, que parecia minguar nos anos 80 e 90, voltou a crescer e o perfil dos sindicalistas e dos trabalhadores que formam o sindicatomaisimportantedoBrasilmudou radicalmente. Hoje, ele é muito diferentedostemposemqueLulacomandou as greves históricas contra o regime militar e o arrocho salarial no fim dos anos 70 e início dos 80. Amarcaéaindamaisrelevanteporque, nas últimas décadas, todas as montadoras e autopeças investiram na modernização das fábricas e no aumentode produtividade.Alémdisso, para fugir do custo elevado da mãodeobranoABC, algumasmonta-

O

doras instalaram novas fábricas em outros Estados, enquanto outras empresas deixaram a região. Tanto que boa parte dos analistas do setor automotivo duvidava que as montadoras continuariam no ABC. Eles argumentavam que as fábricas eram muitoantigas,nãotinhamcomofazeratransição para os padrões modernos de produção, e que o sindicato dos metalúrgicos era muito forte e iria resistir. “A negociação coletiva é que resolveu o problema”, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sergio Nobre. “Foi a criatividade dos trabalhadores e a negociação que tornaram essas empresas uma referência mundial em termos de produtividade.” Agora, o emprego volta a crescer porque as empresas pegaram carona na expansão da economia desencadeada pelos incentivos fiscais promovidos pela política anticrise do governo federal. “A recuperação começou quando o governo trouxe para si a responsabilidade de sero indutordodesenvolvimentobrasileiro”, diz Nobre. Pressão sindical. O negociador profissional Drausio Rangel, que atua no lado dos sindicatos patronais há 50 anos, vê o dedo sindical nas medidas anticíclicas adotadas pelo governo para manter o

RECUPERAÇÃO l O número de metalúrgicos da base sindical do ABC volta a crescer*

1989 fim do governo Sarney 160.000 150.000

2010 - PIB do primeiro trimestre tem crescimento de 9% em relação a igual período do ano anterior

1990 Posse de

Fernando Collor de Mello

140.000

1993 Início do governo Itamar Franco

130.000

1995 Início do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso

120.000 110.000

2003 Primeiro

100.000

100.845

mandato de Lula

90.000

2009 Crise financeira mundia

80.000 70.000 1989

2010**

*Municípios de São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra **Até junho FONTE: CAGED. ELABORAÇÃO: SUBSEÇÃO DIEESE NO SINDICATO DOS METALÚRGICOS DO ABC

exerceram tantos cargos e tiveram tanta influência no governo como no Brasil atual. Para o professor titular de sociologia do trabalho do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ricardo Amorim, isso tornaosindicalismo doABC maisburocrático e institucionalizado do que no passado. “O sindicalismo do ABC, que na sua origem tanto criticou a velha CGT(CentralGeral dosTrabalhadores) e o sindicalismo que tinha relação política com o presidente GetúlioVargas ecom o governo João Goulart, hoje tem um vínculo muito forte com o Estado”, diz o professor. Amorim ressalta ainda que o sindicalismo de confronto que existiu na época do regime militar deu lugar a um sindicalismo negocial. “Não é maisdeconfronto,porqueossindicalistasreconhecemuma parceriacapital-trabalho, onde os trabalhadores ganham na medida em que as empresas ganham.” “Eu não vejo diferença”, rebate o deputado federal Vicente Paulo da Silva,oVicentinho (PT-SP),ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. “Uma coisa é a luta contra a ditadura, e outra é viver num período de democracia”, argumenta.

INFOGRÁFICO/AE

sindicais evoluíram no ABC, como também mudou o perfil dos metalúrgicos. Quase 30% dos profissionais têm hoje entre 18 e 29 anos, segundo umlevantamentodasubseção doDepartamento de Estatística e Estudos Intersindicais(Dieese) no Sindicato. Issosignificaquase umterçoda categoria dominada por uma geração que não cresceu no contexto do regime militar. Foi naquela época que surgiram as grande lideranças sindicais da região, começando por Luiz Inácio Lula da Silva. Depois vieram Jair Meneguelli, Vicentinho e Luiz Marinho. Todos forampresidentesdoSindicatodosMetalúrgicos e hoje estão no poder – no Executivo e no Legislativo. Além disso, no espaço de dez anos, a escolaridade deu um salto de qualidade.Em2006,dadomais recentedo Dieese, 40,9% da categoria tinha ao menos o segundo grau completo, contra 13,5% em 1996. O número de trabalhadores com ensino superior também subiu, de 8% para 14%. “Hoje, há no ABC paulista um trabalhador jovem que é incentivado a fazer universidade e a aprender inglês para poder ter domínio maior dasinformaçõestecnológicasdas novas máquinas, que são mais informatizadas”, comenta o professor Ricardo Amorim. O exemplo vem do próprio presidentedosindicato.Com 45anos,Sergio Nobre concluiu o curso universitário de relações internacionais no ano passado. E tem planos de fazer pós-graduação na mesma área em 2011. No mês que vem, a nova geraçãodemetalúrgicos doABCvai participar d a realização de um sonho de mais de 23 anos de luta da categoria. O sindicato e a Fundação Sociedade, Comunicação, Cultura e Trabalho vãocolocar no ar a primeira emissora de televisão do trabalhador. A TVT será transmitida pelo canal 46 UHFMogi das Cruzes.

consumo aquecido no período mais duro da crise mundial. “A gente sabe que teve a força de uma pressão do movimento sindical sobre o governo, porque tudo isso gera empre-

gos”,diz Rangel.Osetor maisbeneficiado foi o automotivo, principal motor da economia do ABC. O fato é que o sindicalismo deve muito a Lula. Nunca tantos sindicalistas

gociações permanentes. Por isso, é muito importante ter uma relação de respeito. Até porque não há negociação quando não existe respeito.

DO ESCRITÓRIO PARA A LINHA DE PRODUÇÃO

ENTREVISTA

Sergio Nobre, Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

‘NÃO MEXAM NOS DIREITOS DA CATEGORIA’ Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sergio Nobre, o movimento sindical tem de ser forte, não para fazer greve, mas para evitar que os direitos dos trabalhadores sejam desrespeitados. ● As grandes greves no ABC pertencem ao passado?

Elas aconteciam com grande facilidade porque não havia nenhum canal de negociação. Os trabalhadores faziam greve para serem ouvidos. Hoje, os conflitos trabalhistas continuam a existir, mas a situação é outra. Hoje, se negocia todo santo dia no âmbito das empresas. Nosso sindicato deixou de ser um sindicato de data-base, que só conversa com as empresas uma única vez por ano,

na renovação da convenção coletiva de trabalho, como diz a lei. ● Alguns sindicalistas dizem que greve é sinal de modernidade.

Muito ao contrário. O sindicato deve ser forte, não para fazer greve, mas para que não se atrevam a mexer nos direitos da categoria. Se uma categoria vive em greve, é porque ela vive tendo seus direitos desrespeitados. ● Como é sua relação com os empresários?

É de seriedade e respeito. Como se sabe, trabalhadores e empresários têm uma relação difícil, porque quem paga o salário, acha que é caro. Agora, quem recebe, acha pouco. Essa contradição só pode ser resolvida por meio de ne-

● Lula foi um exemplo?

Nunca me passou pela cabeça ser dirigente de sindicato, muito menos presidente. Mas foi um discurso de Lula, que eu ouvi quando tinha 14 anos (hoje, tem 45) e ainda era um aprendiz na Scania, que despertou meu interesse para a vida sindical. Ele disse que o povo brasileiro trabalhava demais, acorda às quatro da manhã, pega três ônibus para ir para o trabalho, chega em casa à noite e ainda encontra tempo para cuidar do filho. Mas observou que o povo brasileiro tinha um defeito: ele produz riqueza, mas não discute o que está sendo feito com a riqueza que ele gera. E afirmou que isso só poderia ser feito por meio de uma organização, e não de forma individual. E eu comecei a compreender o papel do sindicato. ● Seu mandato termina em julho de 2011. Quais sãos seus planos?

Se a categoria considerar que fiz um bom trabalho, a intenção é ter um novo mandato. / M.R.

Formada em administração de empresas, Bruna Levitzchi Natal, de 25 anos, trabalha na linha de montagem final de caminhão pesado da Mercedes-Benz, emSão BernardodoCampo.Ex-estagiária da área administrativa da montadora,Brunatrocouo escritóriopela produção desde maio do ano passado. “No começo, foi meio esquisito, porque só trabalhavam homens na linha de produção”, conta ela. “Mas durou pouco, porque logo eu conquistei a confiança deles com o meu trabalho.” Na semana passada, Bruna participou da primeira aula de sindicalismo prevista no acordo da convenção coletivaassinado pelo Sindicatodos Metalúrgicos do ABC e as montadoras e fabricantes de autopeças da região, em outubro do ano passado. A Mercedes foi a primeira fabricante a ratificar o acordo, concordando em liberar seus funcionários para um dia de curso. “A imagem que eu tinha dos sindica-

EPITACIO PESSOA/AE

Visão. Bruna associava sindicatos a greves e esquerdistas tos era associada à greves e a esquerdistas. Agora, eu sei que não é esse bichodesetecabeçasqueeuimaginava, e sim uma organização muito bemestruturada.Curti muitoconhecer as lutas e tudo o mais”, contou a metalúrgica. / M.R.


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WERTHER SANTANA/AE–4/6/2010

Compensação. Linha de montagem de motores da MWM, empresa que vai pagar aos funcionários os dias parados em 2009, quando a jornada foi reduzida em 20% e os salários em 17,5%

Empresa recupera vendas e paga dias parados na crise Indústria MWM volta ao ritmo de 2008 e paga adicional de 52,5% nos salários conforme acerto feito no auge da crise mundial Paula Pacheco

Célio Dias Guimarães, 24 anos, e Valter Lima das Flores, de 43 anos, souberam da crise econômica mundial pelo noticiário. Mas rapidamente o problema cruzou os portões da MWM International (pertencente a americana Navistar), fabricante de motores instaladana zonasul de São Paulo,onde os dois trabalham. Flores, técnico de operação, casado e pai de três filhos, tinha acabado de comprar uma casa financiada quando recebeu a notícia, em fevereiro do ano passado, de que a empresa precisaria reduzir a jornada de trabalho. Durante três meses, sempre às sextas-feiras, os empregados ficariam em casa, com redução de 20% da jornada. O problema estava no fato de que teriam de

abrir mão de 17,5% do salário. “Cortei despesas porque tinha assumido a responsabilidade de pagarofinanciamento.Nãoatrasei nenhuma prestação.” A situação do montador Guimarães era menos desconfortável. Como morava com os pais, ele tinha uma sobra de caixa e costumava aplicar pelo menos 50% do salário na caderneta de poupança.Aquedanorendimento o obrigou a reduzir gastos e umpoucodasaplicações.E,éclaro, alimentou um clima de incertezas. “Só se ouvia falar de crise o tempo todo, seja no noticiário, seja entre amigos e parentes que perderam o emprego, como o meu irmão”, lembra. Recentemente, a crise voltou a ter destaque nas conversas. Mas desta vez a notícia era boa. Flores, Guimarães e outros 3.300 trabalhadores consegui-

ram bater a meta acertada entre a empresa, a Força Sindical, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e os sindicatos dos metalúrgicos de São Paulo e de Canoas (RS), onde está a outra fábrica da empresa. Como resultado, uma remuneração extra. O combinado era que, se os níveis de vendas voltassem à média do período pré-crise ao longo de seis meses, a contar de novembro de 2009 (início do ano fiscal), a empresa pagaria metade do que foi descontado da fo●

Empurrão

A redução do IPI para caminhões, dada pelo governo à compra de caminhões novos, estimulou a recuperação das vendas e ajudou na retomada de empresas como a MWM

lha de salários durante a redução de jornada. Mais seis meses de meta cumprida (entre maio de 2010 e outubro) e os trabalhadores receberiam os outros 50%. Se o funcionário ganhasse R$ 1 milpormês,receberiaumadicionalde R$525ao salário.Alémdisso, ficou acertado que não haveria demissões durante 45 dias. Grana extra. No fim de abril,

os empregados da MWM começaram a ser informados que haviam cumprido a primeira parte da meta. E acabam de saber que muito provavelmente baterão a metaporcompleto.Seissoacontecer, em janeiro de 2011, mês emqueépagooProgramadeParticipação nos Resultados Operacionais (PRO), os funcionários embolsarão um adicional de 52,5% sobre o contracheque (soma dos três meses em que foram descontados os 17,5%). Segundoconta MichaelKetterer, diretor de Vendas e Marketing da MWM, a palavra de ordem durante o período de recessão era “vamos fazer motor”. “O ano de 2008 havia sido o melhor da história, com a produção de 141 mil motores. No ano passado, caímos para 112 mil. Mas neste ano a previsão é chegar a 144 mil unidades”, comemora. Graças a atual boa fase foi preciso contratar 360 empregados, distribuídos entre as plantas de São Paulo e do Rio Grande do Sul. A situação vivida pelos funcionários da MWM foi generalizada. A necessidade de adequar a produçãoàdesaceleraçãoeconômica levou muitas empresas e

at@attglobal.net

É proibido investir no Brasil

A

novidade parecia muito boa para a economia e a indústria brasileira, mas ficou a meio caminho. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou em entrevista ao Estado, nesta quinta-feira, que o governo vai reduzir impostos que incidem sobre investimentosprivadosde longoprazo. O objetivo é atrair recursos para obras de infraestrutura, como as hidrelétricas de Belo Monte e do rio Madeira. A proposta tem o teor de uma promessa, mas será cumprida nos próximos meses, ainda neste governo, afirma o ministro. A ideia foi

Investimento. O ritmo de cres-

cimento do mercado demotores está tão forte que a MWM fará o maior investimento da história. Serão US$ 345 milhões de 2010 a 2015 para, entre outras demandas, atender ao início da produção de motores da Man, dona da Volkswagen Caminhões e Ônibus, e a dois contratos de exportação fechados recentemente: um com a sul-coreana Daewoo e outro com a turca Otokar. Ketterer acreditava que, apesar da instabilidade, o consumo de motores retomaria o ritmo pré-crise: “O pior que poderia acontecer era que a crise levasse mais tempo para acabar”. Agora,comacertezadodinheiro extra, os trabalhadores fazem planos. Flores promete finalmente investir na reforma da casa.Já Guimarãesplanejafazer faculdade e se tornar engenheiro. “Agora é só alegria”, comemora.

pouco. Não dá para aumentar a produção industrial, já no limite, nem equilibrar a conta externa, que caminha para um déficit de R$ 50 bilhões. É mais delicadoporquetambémnãoseesperaqualquer superávit comercial significativo. Se não houver déficit comercial está bom até demais.

ALBERTO TAMER ✽ ●

sindicatos a negociar a redução de jornada e de salários. Em janeiro de 2009, no auge das incertezas, cerca de 130 indústriase9sindicatos(representando 532 mil metalúrgicos) negociavam para minimizar os estragos da crise. Naquele mês, o mercado de trabalho formal perdeu 101.748 postos, primeiro resultado negativo para o mês desde 1999. Havia uma sucessão de más notícias, como o corte de 20% no quadro da Embraer. Mas,segundoosprincipaissindicatos de metalúrgicos do País, não se tem notícia de casos como o da MWM, que repôs aos funcionários a redução salarial.

recebida com ressalvas. No fundo, o governo pretende atenuar as criticas crescentes à concentração no BNDES de investimentos alimentados por títulos do Tesouro e da dívida interna. Tudo bem, mas, como dizia Keynes, “a longo prazo, estaremos todos mortos”. Não há nada em relação ao presente. A indústria e a economia precisam no momento, de financiamentos desonerados. Nada de impostos de mais de 30%. Se acrescentarmos os juros, só falta uma placa: “ Proibido investir”. Todos concordam, mas... É estranho

que todos, economistas e governo, con-

cordam que se investe pouco no país, não mais que 18% do PIB, quando seria precisono mínimo25%para sustentaro crescimento sem distorções. Em Brasília, informam à coluna que esse é “assunto do BNDES...” Mas o BNDES também pensa mais num futuro de 20, 30 anos, quando “todos estaremos mortos...” Os números divulgados pelo Banco Central deveriam preocupar a equipe econômica. Os investimentos externos, diretos, até maio, estão em apenas US$ 11,4 bilhões. São inferiores às remessas para o exterior. Com muito otimismo, chegarão a US$ 30 bilhões. É

Por quê? Há varias explicações, como

o câmbio e o real valorizado. Mas o que falta mesmo é estímulo a financiamentos de curto e médio prazo. Somem juro e impostos e pode-se concluir como será difícil aumentar investimentos em produção. Houve a crise internacional, sim, mas os investimentos diretos estrangeiros caíram42%% emrelação a2008!A grandeverdadeéque não há incentivopara o capital externo investir na produção.

PARA LEMBRAR

Flexibilizar virou a palavra da moda Um dos setores mais afetados na crise econômica, entre 2008 e 2009, foi o ligado à indústria automobilística – resultado da queda brusca da venda de carros nos mercados interno e externo. As siderúrgicas, como CSN e Usiminas, passaram por problemas semelhantes. Na época, houve uma sucessão de anúncios de demissões e de férias coletivas. Naquele momento, pipocaram manifestações de metalúrgicos nas portas das fábricas com o objetivo de garantir benefícios acertados em acordos coletivos anteriores. O termo do momento entre os empresários era a flexibilização das leis trabalhistas. Um dos primeiros empresários a falar abertamente sobre o assunto foi Roger Agnelli, presidente da Vale, em entrevista ao Estado. A mais representativa federação das indústrias do País, a Fiesp, foi além ao propor que, para minimizar os efeitos da crise, se incluísse a flexibilização do pagamentos de direitos como férias, 13º salário e participação nos lucros.

quanto os investimentos diretos até maio chegavam a US$ 11,4 bilhões, as aplicações financeiras e em títulos do governo somavam U$$ 12,4 bilhões. Mas não é só isso. Se acrescentarmos o que se aplicou em bolsa, (US$ 8,1 bilhões), temos o dobro dos investimentos diretos destinados à indústria e à produção. A comparação parece forçada. Nem sempre quem aplica em renda fixa e bolsa está decidido a investir emprojetos queexigem planejamento.Muitos buscam primeiro obter lucro em um mercado para depois financiarooutro,quandonãoseconjugam. Mas a realidade inegável que os númerosdoBCregistraméqueoBrasil está deixando de atrair investimentos diretos. Há projetos prontos. O que não existe são condições favoráveis para executá-los.

Mas está entrando dinheiro! Sim, pa-

ra aplicações financeiras, como renda fixa, títulos do Tesouro, que são seguros e oferecem o dobro do rendimento no mercado externo. ( O ex-ministro Delfim Neto costuma dizer que o real se transformou numa commodity....Invista nele que você ganha...). Exagero? Não. Basta ver os dados oficiais. En-

A culpa é dele! Fontes do governo

criticam a política tributária. Afirmam que é onerosa, complexa. Acusam a taxa de juros, a burocracia, mas...um joga a culpa para o outro. São unânimes num ponto: a necessidade urgente de reforma tributária. Ora, ora, ora pois então...

Bem-vindo ao comportamento digital. Tendências em tecnologia e últimos lançamentos.

Toda segunda no Estadão.


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DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Economia B7 FOTOS: DIVULGAÇÃO

Trem-bala pagaria 300 quilômetros de metrô Custo de R$ 33 bilhões ainda é incógnita, assim como a demanda de passageiros Renée Pereira

Tão complexo e polêmico quanto a Hidrelétrica de Belo Monte, o trem-bala, entre São Paulo e Rio de Janeiro, ainda é um grande enigma. Embora o editalcom as condições do empreendimento já esteja na praça, ninguém consegue dizer ao certo quanto vai custar a obra, qual será o traçado da ferrovia e qual a demanda existente. Junta-se a essa lista a dúvida doscríticos em relação aosbenefícios que a obra trará para a sociedade, já que boa parte dos R$ 33,1 bilhões previstos para o projeto será financiado pelo Tesouro Nacional e terá participação societária do Estado. Cálculos feitos pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) mostram que o investimento do trem-bala daria para construir 300 km de metrôs em São Paulo (cinco vezes a malha da cidade hoje, de 62,3 km), o suficiente para transportar 15 milhões de pessoas por dia. O valor também daria para construir 11 mil km de ferrovias comuns, para carga ou passageiros. “Até agora não conseguimos responder se vale a pena ou não construir um Trem de Alta Velocidade (TAV)”, afirma o presidente do Ilos, Paulo Fleury. Na avaliaçãodele,aprincipal justificativa do governo para construir o trem-bala já caiu por terra: o projeto não ficará pronto para a Copa do Mundo de 2014 nem para os Jogos Olímpicos, de 2016. O cronograma oficial estipula 2017paraqueaobra sejaconcluída. Portanto, não seria alternativa para desafogar a ponte aérea Rio-São Paulo. Demora. Alguns exemplos no

mundo mostram que até mesmo esse cronograma pode não ser viável para tirar a obra do papel. O TAV coreano, um dos principaisinteressadosno projeto brasileiro, demorou 11 anos para ser

concluído. Por aqui, um dos maiores embates deve ficar por conta do licenciamento ambiental. O trem-bala passa pela Serra das Araras e poderá enfrentar resistência por parte ambientalistas, como tem ocorrido nas últimas obras de infraestrutura. “Mas não fizeram a nova Imigrantes, na Serra do Mar, por meio de túneis? Então não teremos problemas”, afirma o presidente da EDLP - Estação da Luz Participações, Guilherme Quintella, que está formando um fundo para disputar o leilão, marcado para dezembro. Odiretor-geraldaAgênciaNacional de Transportes Terrestres(ANTT),BernardoFigueiredo, completa que o traçado referencial (constante no edital) foi feito em conjunto com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), que já definiu áreas que não podem ser usadas. Ele completa que os estudos de impacto ambiental começarão a ser contratados em agosto. “Algumas coisas já podem ser adiantadas sem saber o traçado definido pelo vencedor do leilão”. A expectativa é de que a li-

Projeção de tráfego levanta dúvidas entre especialistas ● Os estudos da consultoria Hal-

crow, contratada pelo governo para estudar o Trem de Alta Velocidade (TAV), mostram que, em 2024, 50 milhões de pessoas vão usar o trem no trecho Rio-São Paulo. O problema é que não existe garantia de que esses números se tornarão realidade no futuro, questionam especialistas. A tarifa na classe econômica para uma viagem entre Rio e São Paulo será equivalente a R$ 199. Hoje o consumidor pode conse-

Polêmica. Trem alemão atinge 350 quilômetros por hora: no Brasil, especialistas acham velocidade exagerada para o trecho cença prévia saia no começo do anoquevem.Mas, pelaexperiência das últimas obras de infraestrutura, não é difícil o processo se complicar. Outro ponto de interrogação é o valor da obra. Começou com algo em torno de R$ 24 bilhões, subiu para R$ 34,6 bilhões e foi fixado em R$ 33,1 bilhões pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Agora já há investidores que calculam que a obra fique, pelo menos, 30% mais cara que a prevista no edital. Outros, mais radicais, apostam em R$ 50 bilhões ou até R$ 60 bilhões. Custos. Essa mudança pode ocorrer especialmente porque o governo não fez todas as sondagensgeológicasnecessárias,conforme o relatório do TCU. No mundo, a situação não é muito diferente. Um exemplo de como os custos podem estourar é o fa-

guir comprar uma passagem aérea entre as duas cidades por R$ 269, ida e volta. O benefício do TAV é não ter de passar pelo demorado processo de embarque e desembarque aéreo. O passageiro pode chegar cinco minutos antes de o trem partir. De acordo com as determinações do Tribunal de Contas da União (TCU), o tempo total gasto pelo passageiro numa viagem no trem-bala não poderá ultrapassar 1 hora e 33 minutos. Apesar de a viagem de avião entre o Rio e São Paulo ser de apenas 55 minutos, o embarque e desembarque eleva o tempo para 1 hora e 50 minutos, segundo a Halcrow. / R.P.

moso trem-bala que liga a França à Inglaterra, atravessando o Canal da Mancha por um túnel. A obra foi orçada em US$ 9 bilhões, mas custou US$ 19 bilhões. A empresa que administra a ferrovia até hoje luta para não ir à bancarrota. Figueiredo, da ANTT, diz que as sondagens feitas na área onde será construído o trem-bala são obrigação das empresas que vão construir a obra. Além disso, o valor doinvestimento é um risco do empreendedor e não terá impacto para o governo. No mercado, as empresas concordam que esse é um risco do investidor. Por isso, todas correm contra o tempo para concluir seus estudos antes da apresentação das propostas, em novembro. Demanda. A demanda tem sido tão forte que têm faltado empresasde sondagens desolono mercado para serem contratadas. O resultado, se o valor da obra ficar muito acima do previsto, é que a iniciativa privada não vai dar seus lances. Mas, como essa é uma obra prioritária para o governo, é possível que haja algum arranjo, a exemplo de Belo Monte, para viabilizar o projeto. Hoje há cinco consórcios sendo formados para disputar o empreendimento: o sul-coreano, o japonês, o chinês, o espanhol e o francês. Nas últimas semanas, além de intensificarem os estudos sobre o trajeto, eles também reforçaram a busca por parceiros. Por enquanto, as empreiteiras brasileiras estão tímidas nesse processo, apesar de a construção civil representar perto 50% dos investimentos do TAV. Elas temem que as previsões de demanda não se concretizem.

TECNOLOGIAS EM DISPUTA

Qual será a cara do brasileiro?

● Francês

● Canadense

Velocidade: até 380 km/h Produzido pela Bombardier, o Zefiro consome 50% menos energia do que os trens normais (metrôs) e 30% menos que os Trens de Alta Velocidade (TAV). A tecnologia usa tração distribuída. Ou seja, não há necessidade de locomotiva.

Velocidade: entre 350 km/h e 400 km/h O consórcio coreano pode apresentar dois tipos de tecnologias para o TAV brasileiro. O KTX II, que percorre até 350 km/h, é um avanço da tecnologia francesa de tração push-pull, com locomotiva e reboque. O outro é o Hemu 400x, com tração distribuída, de até 400 km/h.

TREM DE PRATA TINHA CONFORTO SEM PRESSA

O

Central do Brasil (RJ) e Companhia Paulista de Estradas de Ferro (SP) até as remotas Nazaré (BA) e Itabapoana (ES), destaca GersonToller,especialistanosetor. O número de passageiros chegou ao pico de 100 milhões em 1960 – próximo do número que hoje é transportado pelos ônibus em todo País, de 133 milhões.

Uma seleção de vinhos da nossa adega direto para suas taças.

Praticamente todos os serviços foram extintos no fim do século 20, com a decadência da Rede Ferroviária e da Fepasa. Antes disso, o brasileiro conheceu o glamour ferroviário do Trem dePrata, que fazia o trajeto que o trem-bala deve fazer no futuro, entre Rio e São Paulo. Com vagões aconchegantes e ambientes românticos, a composição

circulou entre dezembro de 1994 e novembro de 1998. A malha ferroviária entre os dois Estados foi construída em 1949 e se chamava Santa Cruz. Durante40 anos,ostrens daoperadora circularam pelo trecho, até a última viagem em fevereiro de 1991. O Trem de Prata foi uma tentativa de retomar o transporte de passageiros entre as duas

● Alemão

● Coreano

Memória

Brasil já foi um País sobre trilhos. No fim da Segunda Guerra Mundial, as ferrovias intermunicipais e interestaduais transportavam 70 milhões de passageiros por ano, sem contar os trens urbanos. Naquela época, o serviço era feito por 43 operadoras, que iam desde

Velocidade: 320 km/h Um dos modelos da francesa Alstom é o Duplex, que aumenta a capacidade de transporte em, pelo menos, 40%. Para cumprir as restrições de peso por eixo, o trem foi otimizado pelo uso intensivo de alumínio para compor a carroceria.

regiões. Em 1994, a Rede Ferroviária decidiu fazer uma parceria com a iniciativa privada e retomou o serviço. O Trem de Prata operava à noite e demorava 9h30 para chegar ao destino. Mas os passageiros não reclamavam. Em vagões-leito, com banheiro privativo, chuveiro e água quente, eles tinham direito até a um jantar francês, com som

Velocidade: até 350 km/h Fabricado para atingir a velocidade máxima de 350 km/h, o Velaro, da alemã Siemens, é baseado em um projeto de plataforma flexível. Os trens Velaro podem ser facilmente adaptados para funcionamento em diferentes redes ferroviárias e de acordo com as vontades específicas de cada cliente. Também tem baixo consumo de energia.

ambiente e luz de abajures. A composição, no entanto, sucumbiu à redução dos preçosdaspassagensaéreaseterminou a sua última viagem no dia 30 de novembro de 1998. Houveoutrastentativas deretomada, mas foram em vão. Hoje, o Brasil conta com poucas linhas ferroviárias de passageiros. Entre elas estão aEstradade FerroVitória-Minas e a Estrada de Ferro Carajás, ambas da Vale. Há ainda as ferrovias do Paraná. O númerodepassageirosnãoultrapassa 1,5 milhão por ano.

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B8 Economia %HermesFileInfo:B-8:20100725:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

ENTREVISTA MASAO GOTO FILHO/AE

Nilson Teixeira, economista-chefe do Credit Suisse no Brasil

QUEM É

‘Juro poderá cair no meio de 2011’ Leandro Modé

Antes mesmo de a atividade dar sinais de acomodação e a inflação mostrar arrefecimento, a equipe de economistas do banco Credit Suisse, liderada por

Nilson Teixeira, já antecipava ambos os movimentos. No início do mês, eles divulgaram um relatório que visava a explicar aos clientes por que tinham cenário mais positivo para o País do que a média do mercado.

No subtítulo, escreveram: “Aspectos estruturais e conjunturais explicam nossa leitura mais favorável para a dinâmica da economia brasileira no curto e médio prazos.” Apesar de uma forte dor no

✽ O carioca Nilson Teixeira é economista-chefe do Credit Suisse no Brasil. Ph.D em economia pela Universidade da Pensilvânia, ele lidera a equipe de analistas do banco, composta por cinco profissionais. Eles são conhecidos por produzir análises que, muitas vezes, vão na direção contrária da média do mercado.

Ritmo. Para Teixeira, economia cresce pouco abaixo de 8% este ano joelho direito, fruto de uma queda sofrida durante passeio de esqui nas recentes férias, Teixeira conversou com o Estado,

quinta-feira, por uma hora e meia. Falou sobre a conjuntura e comentou a decisão do Banco Central (BC) de diminuir o rit-

mo de alta da taxa básica de juros (Selic) de 0,75 para 0,50 ponto porcentual. A seguir, os principais trechos da conversa. ● A maior parte do mercado e o próprio Banco Central erraram na avaliação recente da economia, tanto do ponto de vista da inflação quanto da atividade?

A maioria dos participantes do mercado acreditava que a economia desaceleraria no segundo trimestre em relação ao forte crescimento do primeiro. Mas, de fato, a desaceleração foi mais forte do que se imaginava. Hoje, há maior clareza de que a atividade econômica vai ter ritmo mais gradual daqui para a frente. E a inflação tem sido um pouco mais benigna do que nós, o BC e os participantes do mercado imaginavam. ● A projeção de crescimento de vocês para este ano se mantém em 8% a despeito desse cenário?

O desempenho do segundo trimestre sinaliza que será um pouco abaixo de 8%, mais perto de 7,5%. ● O que significa para as pessoas o Brasil sair de uma expansão de 2,7% no 1º trimestre para algo em torno de 0,5% no 2º?

Como há crescimento, significa dizer que, no 2º trimestre, a atividade esteve mais forte do que no 1º. Não é que a economia ficou mais frágil. Só que o grau de crescimento da produção de bens e serviços diminuiu o seu ritmo. É muito difícil para a sociedade perceber se está crescendo a 1,5% ou 0,5% em um intervalo curto de tempo. É pouco provável que as pessoas, as indústrias percebam essa mudança significativa. ● Há chance de o centro da meta de inflação (4,5%) ser cumprido este ano?

Certamente. Se a inflação alcançar 0,30% ao mês nos próximos meses, chega muito próxima ao centro da meta. ● Como ficou o cenário para a taxa Selic?

Dependerá do que veremos na ata do Copom que sai quintafeira e dos indicadores das próximas semanas. Mas há chance de que o ciclo de altas tenha acabado. Acreditamos que já em meados de 2011 haverá espaço para o BC retomar o processo de redução da Selic para algo em torno de 10% no fim do ano. ● O sr. vê algum risco para a economia com base no que têm dito os candidatos?

Em 2002, havia incerteza sobre quais programas seriam seguidos pelos candidatos. Em 2010, a volatilidade que vem da campanha eleitoral é mínima. Não ouvi ninguém falando que a vitória de candidato ‘x’ ou ‘y’ trará algum problema importante. ● No mercado, acredita-se que o chamado PIB potencial varie de 4% a 4,5%. No relatório, vocês falam em 4,5% a 5,5%.

Se eu fosse um otimista nato, diria que está na faixa de 6%. Fosse um pessimista, falaria em 3% ou um pouquinho mais. Mas, considerando os variados métodos para calcular, ficamos entre 4,5% e 5,5%. ● Está mais para 4,5% ou 5,5%?

Diria que está um pouco acima do que abaixo de 5% para este e o próximo ano. ● Quais são os principais riscos para a economia brasileira hoje?

Os riscos de curto prazo vêm do exterior. Há incerteza sobre o grau de retomada da economia americana, sobre a situação da Europa e sobre o grau de desaceleração da China.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Economia B9 MARCOS DE PAULA/AE

Brasil só perde para EUA em número de academias Impulsionada pelo aumento da renda das classes C e D, quantidade de estabelecimentos dobrou de 2007 para cá no País

Uma combinação entre aumento da renda da população e disseminação de um estilo de vida saudável, aliada à definição do Brasil como sede dos dois mais importantes eventos esportivos do mundo está aquecendo negócios ligados a atividades físicas no País. De 2007 para cá, o número de academias no Brasil dobrou para 15.551, deixando o País atrás apenas dos Estados Unidos. O setor gerou receitas de US$ 1,11 bilhão no último ano. Osdados são doúltimo relatórioda IHRSA Association (International Health, Racquet & Sportsclub), entidade internacional do setor. A perspectiva é de que esse mercado continue avançando a passos largos, afirma Waldyr Soares, representante da entidade no País e presidente da Fitness Brasil, que atua

SEGUNDO LUGAR EM NÚMERO DE ACADEMIAS 30000 25000 20000

15.551

15000 10000 5000

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FONTE: RELATÓRIO IHRSA 2010

INFOGRÁFICO/AE

Na periferia, musculação por R$ 50 mensais Academias oferecem pacotes completos a preços populares para atrair cliente da baixa renda Enquanto as grandes redes de academias se preparam para entrar na periferia, negócios locais já movimentam esse mercado em favelas do País. Em uma das entradas da Rocinha, complexo de favelas mais conhecido do Rio, o prédio de três andares da R1Fitnesschama aatenção. Aestrutura, que inclui uma piscina, rivaliza com algumas academias da zona sul, região mais nobre do Rio. A diferença está na mensalidade: entre R$ 50 e R$ 75. Inaugurada em 2004 com apenas um andar, a academia se expandiu aos poucos e hoje tem 700 alunos. “A demanda superou a expectativa dos sócios”, conta Marco Antonio Costa, um dos sócios. Do último andar, equipado com ar-condicionado, pode-se malhar com vista para a Pedra da Gávea, que contrasta com o adensamento da favela. Subindoumpoucomaisafave-

la, está a academia RPM Fitness, aberta há menos de dois anos. O proprietário, Paulo Manso, não mora na Rocinha, mas decidiu abrir o negócio na comunidade porque o aluguel era mais barato. “O número de alunos varia de mês a mês, entre 80 e 150”, conta. Ele e a mulher, ambos formados em Educação Física, tocam juntos a academia, que tem vista para a praia de São Conrado. Na periferia de São Paulo, as academiastambémtêmsetornado um bom negócio. A rede Dandy está com cinco unidades na zona leste – com média de 900 alunos cada. A mensalidade de R$ 79 dá direito a frequentar as unidades todos os dias e fazer desdemusculaçãoanatação epilates. “A procura é tanta que reduzimos as salas de ginástica para ceder espaço aos equipamentos”, conta o dono José Barbagli. A telefonista Maria José Santos, de 59 anos, faz musculação na Dandy desde o início do ano. A filha dela se ofereceu para pagar as mensalidades. “Nunca tinhaentradonumlugardessesantes. Agora não quero mais sair.” /

● Mercado

R$ 1,11 bilhão

foi a movimentação registrada pelas academias brasileiras no ano passado

15.551

academias estão em operação hoje no Brasil. Só no Estado de São Paulo são 5 mil unidades

exercitar. As primeiras unidadesforam abertas em bairrosnobres como Copacabana, no Rio, e Morumbi, em São Paulo. Para Soares, da IHRSA, a estratégia da empresa é usar essas regiões como vitrines e depois se expandir pela periferia. A rede A!Body Tech, de academias voltadas para a classe A, também se prepara para entrar no segmento de baixo custo. A partir do ano que vem, as academias Fórmula, de São Paulo, adquiridas em 2008, funcionarão sob a bandeira BodyTech, e a marca paulista será usada em um projeto voltado para as classes B e C, conta Luiz Urquiza, um dos sócios. “A ideiaé desenvolverum produto com oferta de serviçossimplificada – atividade cardiovascular, musculação e pouca coisa coletiva, como spinning”. O modelo de negócios será o de franquias. Até o fim do ano, duas unidades piloto serão montadas na

Oportunidade. Paulo Manso abriu academia na Rocinha porque o aluguel era mais barato periferia do Rio e as primeiras franquias devem ser concedidas no segundo semestre de 2011. Financiamento. Os planos da A!Body Tech mostram que as grandes academias também têm espaço para expandir. Até junho de2010,a empresa inaugura sete novas unidades premium em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Vila Velha (ES) e Brasília. “Sairemos de 45 mil para 65 mil alunos”, diz Urquiza. Até o fim do ano, serão investidos R$ 67 milhões.

A estratégia da empresa é fazer sua oferta pública inicial de ações (IPO) em 2015. Do total a ser investido, R$ 26 milhões devem vir de um financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – em fase final de análise – por meio das linhas da Finame, direcionadas à aquisição de máquinas e equipamentos. O montante é elevado se comparado aos R$ 33,6 milhões desembolsados para 561 academias de 2007 a junho deste ano. Aeuforiadasacademiasconta-

Freelander 2 S

gia a indústria e o comércio de equipamentos. Em setembro, a IHRSAFitnessBrasil,feiradenegóciosdosetor,espera15 expositores estrangeiros que estão vindo ao País pela primeira vez. Neste mês, a Rio Sports Show, feira de negócios ligados a atividades físicas, mais que dobrou de tamanho ante a edição do ano passado. “Saímos de 60 para 140 expositores e a visitação saiu de 9.600 para quase 40 mil”, conta aorganizadoraAnaPaulaGraziano. “A Copa e a Olimpíada no Brasil contribuíram para isso.”

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SE BEBER, NÃO DIRIJA.

no mercado de fitness, saúde e bem-estar, no Brasil e na América Latina. “Nos próximos dez anos, seremos o grande país na área de atividade física, saúde e bem-estar. O segmento que mais vai crescer é o de academias de baixo custo, graças à ascensão das classes C e D.” É nesse mercado que a SmartFit está de olho. Lançada em agosto de 2009, a academia ofereceum número restritodeatividades a preços baixos. Já tem oito unidades em quatro capitais e planeja abrir dez academias por ano. O presidente, Edgard Corona, afirma que o objetivo é atrair um público que não estava sendo atendido. “Pessoas que queriam fazer só musculação ou esteira, tinham de pagar pela estrutura de uma grande academia.” SegundoCorona, 70%daspessoas que se inscrevem na SmartFit nunca tinham pago para se

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O Serviço Social do Comércio – Administração Regional no Estado de São Paulo, em obediência à Resolução nº 1.102/2006, de 20 de fevereiro de 2006, publicada no Diário Oficial da União em 23 de fevereiro de 2006, seção III, torna pública a abertura da seguinte licitação: 1.Modalidade: Pregão Presencial 2.Objeto: PP-S 32/10 – Impressão de Peças Gráficas Diversas para o SESC SP. 3. Instrumento Convocatório: de 2ª a 6ª feira, das 9h30 às 12h45 e das 13h45 às 17h, na Av. Álvaro Ramos nº 991 – São Paulo – Capital – Gerência de Contratações e Logística, ou através da Internet no site www.sescsp.org.br 4. Data da entrega dos envelopes de habilitação e proposta comercial no endereço estabelecido no item 3 acima: 03 de agosto de 2010: PP-S 32/10 às 10h.

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B10 Economia %HermesFileInfo:B-10:20100725:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Desemprego chega a 14% em parte dos EUA Apesar de o índice médio de desemprego estar em 9,5%, em 19 dos 51 Estados o problema é mais grave, especialmente nas regiões mais industrializadas SHANNON STAPLETON/REUTERS–29/6/2010

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE / WASHINGTON

A taxa de desemprego de 9,5% registrada nos Estados Unidos em junho oculta um dado ainda mais preocupante – a população sem trabalho supera essa média em 19 dos 51 Estados americanos e alcança 14% nas regiões mais industrializadas do país. Enquanto o desemprego em Dakota do Norte, um Estado eminentemente agrícola na fronteira com o Canadá, manteve-se em apenas 3,6% – taxa bem menor que a média do Brasil no período, de 7,0% –, Nevada apresentou um recorde de 14,2%. Segundo o economista Gary Burtless, do Brookings Institute, o desemprego atacou seriamente os Estados nos quais a indústria da construção civil se mostrava mais pujante até meados da década. Expansão exagerada. Junto

com o colapso da indústria da construção civil, decorrente da crise do subprime, em setembro de 2008, somou-se a expansão exagerada entre meados da década de 90 e 2006, que deixou um estoque de construções bem acima da demanda atual do mercado. Esses foram os casos de Nevada, da Califór-

Gastos públicos. Na opinião

Oportunidade. Fila de feira que reúne empresas e candidatos a vagas, em Nova York nia (12,3% de desemprego), da Flórida (11,4%) e do Arizona que, com 9,6%, está mais próximo da média nacional. Nesses Estados, a população economicamente ativa e a taxa de emprego vinham crescendo justamente em função do desenvolvimento da indústria da construção, que atraiu trabalhadores de outras regiões do

país e imigrantes. Nas contas de Burtless, 25% da mão de obra do setor está atualmente sem emprego. Indústria. Outros Estados afe-

tados gravemente foram os que dependem economicamente da indústria manufatureira. O vice-campeão do desemprego no país, Michigan, apresen-

Mercado de trabalho está no centro do debate político Obama dedica especial atenção às regiões com maior desemprego, às vésperas da eleição para renovação do Congresso WASHINGTON

Na quinta-feira, dia seguinte à assinatura da lei de reforma do sistema financeiro, o presiden-

te dos Estados Unidos, Barack Obama, sancionou a extensão dos subsídios aos desempregados até o fim de novembro. Resultado de um duro embate político no Congresso contra os republicanos, que se opunham ao benefício, sob a alegação de que expandirá em US$ 34 bilhões o rombo fiscal, a nova lei tenderá a aliviar a pressão sobre o Partido Democrata, de Obama, em um delicado perío-

do eleitoral. O desemprego elevado e persistente virou moeda política de alto valor nos Estados Unidos por causa da eleição no início de novembro. Como esse pleito sempre é organizado na metade do mandato presidencial, adquire um caráter de referendo do governo federal. Desta vez, serão escolhidos todos os 435 deputados federais e um terço do Senado (36 de 100 ca-

tou uma taxa de desemprego de 13,2% em junho. A capital do Estado, Detroit, é ainda o maior polo da indústria automotiva do país e superou a média de desemprego do próprio Estado, com 13,7%. Outro Estado dominado pela indústria e pelo setor financeiro, Illinois, apresentou taxa de 10,4%. Trata-se também do ber-

deiras), além de governadores de 37 Estados e de dois territórios. Nesse cenário, a adoção de uma lei que permitirá a 2,5 milhões de desempregados receber seus cheques até três semanas depois das eleições terá peso político inegável. Atenção especial. Desde o início do governo Obama, a Casa Branca vem dedicando especial atenção às regiões nas quais se prevê uma disputa difícil para o Partido Democrata em novembro. Na maior parte dos casos, elas coincidem com os Estados com taxas de desemprego acima da média nacional, de 9,5% em junho.

ETHEVALDO SIQUEIRA ✽ ●

esiqueira@telequest.com.br

Bresser, irreconhecível

E

ço político do presidente americano, Barack Obama. Nesses casos, segundo Burtless, o desemprego no setor manufatureiro já vinha assombrando desde o início dos anos 80, em função da transferência de investimentos produtivos para a Ásia – sobretudo, de setores intensivos em mão de obra, como têxtil e calçados. Hoje, 50% dos trabalhadores nos Estados industriais americanos está sem emprego. Mas, de acordo com Burtless, a perspectiva para essas regiões não é das piores. “A tendência é de recuperação mais rápida da indústria manufatureira, que responde mais facilmente à retomada do consumo, que da construção civil”, afirmou.

m geral, a idade madura traz mais equilíbrio e sabedoria aos homens. Isso não parece ter ocorrido com o professor Luiz Carlos Bresser-Pereira, a julgar por suas opiniões sobre a privatização das telecomunicações no Brasil, no artigo publicado na Folha de S. Paulo, no domingo passado, sob o título de “Menino Tolo”. Meupaicostumavadizer:“Esquerdismo radical nos jovens é idealismo. Nos velhos, é burrice. Ou malandragem”. Mesmo concordando, em essência, com esse ditado, eu não faria juízo tão severo sobre as distorções ideológicas de alguns intelectuais idososbrasileiros. Ébem maisprovável que eles, em telecomunicações, sejamapenasdesinformados.Oumovidos pela paixão ideológica. Digo-o porque tenho respeito e admiração pelo professor Bresser, mas que se tornou exemplo perfeito de xenófobo e esquerdista radical.

Supunha que o ex-ministro, como tucano que foi, conhecesse e concordasse com os argumentos do ex-ministro Sérgio Motta, tantas vezes anunciados para privatizar esse setor. E mais: esperava que, como economista culto que é, ele pudesse avaliar corretamente os resultados do novo modelo setorial. No artigo mencionado, ele cria a historinha de um menino tolo que troca seu pirulito por um jogo de armar. E resume sua mensagem nesta frase polêmica:“Sóum bobodáaestrangeirosserviços públicos como as telefonias fixa e móvel”. Nosso pirulito. Examine, leitor, os nú-

meros mais representativos do que ocorreu no Brasil nos últimos 12 anos, após a privatização da Telebrás (29-07-1998). A velha estatal nos legou uma rede de 24,5 milhões de telefones. Hoje o País tem mais de 230 milhões. Ou seja, quase 10 vezes mais. A penetração, que era de apenas 14 telefones por 100 habitantes,

é hoje de 128. Ou seja: o Brasil tem mais telefones do que gente. A aquisição do direito de uso de um telefone era altamente elitista porque exigia a compra de plano de expansão por valor equivalente a US$ 1.000 – sim, mildólares – que,em algumas oportuni-

A inglesa Vodafone está presente em dezenas de países europeus e asiáticos dades, chegou a US$ 3.000. O prazo de instalação era de 24 meses. Mas podia chegar a 4 ou 6 anos. No mercado negro, umalinha telefônicachegou aser vendida pelo equivalente a US$ 10.000, no bairro de Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo, em 1991. Um recorde mundial. A telefonia móvel saltou de 5,8 milhões de aparelhos há 12 anos para os atuais185 milhõesdecelularesem serviço. Desse total, mais de 100 milhões são telefonesutilizadosporcidadãosdebai-

de Burtless, a superação desse quadro vai exigir do governo Obama maior ousadia para ampliar investimentos do Estado em projetos de infraestrutura – desde escolas públicas a linhas de trem de alta velocidade. A receita, entretanto, é duramente criticada pela oposição republicana, seja pela ampliação do papel do Estado na economia como pelo aumento de despesas, em um momento em que o déficit fiscal é de 10% do Produto Interno Bruto (PIB).

● Campanha

172

foram as viagens feitas por altos funcionários do governo Obama nos últimos 18 meses para divulgar o pacote de recuperação econômica. Desse total, nada menos que 70 foram para seis Estados nos quais a disputa eleitoral está bastante acirrada

De acordo com o Wall Street Journal, não foi à toa a escolha dos destinos de 172 viagens de altos funcionários do governo para divulgar o pacote oficial de recuperação econômica nos úl-

xa renda, na maior inclusão digital da história deste País. E sem dinheiro público. Mesmo com todas as queixas dos usuários e com todos os problemas que tenho apontado nas telecomunicações brasileiras, não podemos subestimar os resultados do novo modelo, responsável por investimentos da ordem de R$ 180 bilhões na infraestrutura setorial nos últimos 12 anos. O sistema Telebrás em 25 anos investiu apenas R$ 60 bilhões. Absurdo no Brasil de hoje é manter tributos da ordem de 43% sobre o valor dos serviços. Graças a esse nível de tributação, os governos estaduais e o federal já arrecadaram uma média de R$ 30 bilhões por ano ao longo dos últimos 12 anos, ou um total de R$ 360 bilhões. Só defundossetoriaisconfiscados,ogoverno federal surrupiou mais de R$ 15 bilhões das telecomunicações. Sem nada investir no setor. Quantos tolos! Se olharmos para o

mundo, veremos que, pelo critério de meu amigo Bresser, quase uma centena depaísessão“meninostolos”.Umaúnica grande operadora de telefonia móvel, a Vodafone, inglesa, está presente em dezenas de países europeus e asiáticos. Durante quase 10 anos, essa empresa atuou no Japão, país que, no raciocínio deBresser,deveria seroutro “garotobobo”. A mesma Vodafone opera hoje, entre outros, nos seguintes países: Austrália, Alemanha, Espanha, Itália, Albânia, Turquia, República Checa, Egito, Grécia, Hungria, Índia, Irlanda, Portugal,

NÃO HÁ VAGAS Estados americanos com maior índice de desemprego EM PORCENTAGEM (%)

Nevada

14,2

Michigan

13,2

Califórnia

12,3

Flórida

11,4

Mississippi

11,0

Carolina do Sul

10,7

Oregon

10,5

Ohio

10,5

Illinois

10,4

Alabama

10,3

Tennessee

10,1

Indiana

10,1

Carolina do Norte

10,0

Kentucky

10,0

Georgia

10,0

New Jersey

9,6

Arizona

9,6

Pennsylvania

9,2

Missouri

9,1

Massachusetts

9,0

Washington

8,9

Idaho

8,8

Connecticut

8,8

Texas

8,2

Nova York

8,2

Novo México

8,2

Colorado

8,0

Alasca

7,9

Arkansas

7,5

Montana

7,3

FONTE: GOVERNO DOS EUA

timos 18 meses. Entre os protagonistas dessas jornadas estavam o próprio Obama e o vice-presidente, Joe Biden. Desse total de viagens, 70 foram destinadas a seis Estados nos quais o embate eleitoral se mostra acirrado e que serão, por isso mesmo, decisivos nas eleições presidenciais de 2012. Nesse grupo estão quatro Estados nos quais a taxa de desemprego supera a média nacional – Ohio, onde o índice chega a 10,5%; Flórida, com 11,4%; Califórnia, com 12,3%; e Michigan, onde a taxa já está em 13,2% – e dois com porcentuais levemente inferiores a essa média – Pennsylvania, com 9,2%, e Missouri, com 9,1%. / D.C.M.

Holanda, Nova Zelândia, Malta, Gana, Romênia, Catar e outros. Esses países seriam “guris beócios”? E os Estados Unidos, que permitem que uma T-Systems, subsidiária da gigante alemã, Deutsche Telekom, explore uma boa fatia de sua telefonia celular, seriam um “molecão estúpido”? Bresser citou as divergências entre Portugal e Espanha, para ressaltar o exemplo do “nacionalismo português” contra a possível venda à TelefônicadaparticipaçãodaPortugalTelecom na Vivo – vetada pelo governo português mediante o uso de uma golden share. Abrigaentreespanhóiseportugueses pela Vivo é uma história bem mais complexa do que a do seu menino tolo, meu caro Bresser. Tem raízes culturais, políticas e econômicas milenares, além de interesses locais recentes. Valelembrarqueaevolução tecnológica arrasou com a rentabilidade dasoperadorasfixas,abrindoalternativas como o Skype e de dezenas de opções de telefonia baseadas em voz sobre protocolo IP. Esse novo cenáriolevou a Telefônica abuscar a aquisiçãode operadora móvelparasobreviver. Comotodas as operadoras fixas do mundo, ela só será viável se for uma prestadora de multi-serviços, em telefonia móvel, internet em banda larga, comunicação de dados de alta velocidade, longa distância nacional e internacional,acessoaTVporassinatura, telepresença e outros.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Economia B11 TYRONE SIU/REUTERS-18/6/2010

China enfrenta a ‘revolta’ da mão de obra Greves cada vez mais frequentes e longas forçam o aumento dos salários nas fábricas Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE / PEQUIM

Nos últimos três meses, a Honda enfrentou quatro ondas de greves na China, que terminaram em aumentos de salários para milhares de operários de suas fábricas e de seus fornecedores. A Foxconn, maior fabricante deprodutoseletrônicosdomundo, anunciou em junho que elevaria em pelo menos um terço o pagamento de seu exército de 600 mil empregados chineses, depois que dez deles se suicidaram neste ano. E, no início deste mês, algumas regiões reajustaram em cerca de 20% o valor do salário mínimo, que não é unificado nacionalmente. A sucessão de manchetes sobre conflitos laborais, o aumento da remuneração e a escassez de operários desencadearam umacirrado debate, no qual economistas se dividem entre os que acreditam no fim da era da mão de obra barata e abundante e os que sustentam que ainda há umlongocaminhoaserpercorrido até que a China perca a vantagem comparativa dada por milhões de empregados mal pagos. Greves e protestos de operários não são um fenômeno raro no país, diz a economista brasileira Paula Nabuco, da Universidade Federal Fluminense, que elabora tese de doutorado sobre economia e relações de trabalho na China. A novidade agora é que as paralisações ganharam destaquena imprensa oficial, totalmentesujeita à censura dogoverno, e atingiram as grandes companhias multinacionais instaladas na China, especialmente japonesas. A montadora Honda foi alvo da mais longa greve registrada em empresas estrangeiras no país, que interrompeu por três

semanas sua linha de montagem em Foshan, na província sulista de Guangdong, a maior base exportadora chinesa. A paralisação terminou no início de junho, depoisque osoperáriosconquistaram reajuste salarial de 24%. A mais recente onda de greves enfrentadapelacompanhiajaponesachegouaofimnaquinta-feira na Atsumitec, que produz peças para os freios do Honda Accord. Os operários conquistaram aumento de 45%, o que elevou sua remuneração a 1.420 yuans mensais. Mesmo com o reajuste, os 1.420 yuans equivalem a R$ 370,00, pouco mais de dois terços do valor do salário mínimo brasileiro, de R$ 510,00. Prematuro. Stephen Roach, presidente do banco Morgan Stanley na Ásia, afirmou em artigo publicado no portal da revista The Economist que é “totalmente prematuro” sustentar que chegou ao fim a vantagem comparativa dos custos trabalhistas na China. O executivo observou que os operários chineses ganhavam US$ 0,81 por hora em 2006, o que correspondia a 2,7% do que trabalhadores norte-americanos recebiam. Mesmo se tivessem obtido reajustes anuais de 25% no período de 2007-2010 – hipótese descartada por ele –, a remuneraçãono país asiático seria hoje de US$ 1,98 a hora, ou 4% do que é pago nos Estados Unidos e metade do valor registrado no México. Ainda que não representem o fim da era da mão de obra barata e abundante, os recentes reajustes de salários são essenciais para o aumento do peso do consumo doméstico no PIB chinêseare-

Pressão. A fábrica da Honda em Foshan foi alvo da mais longa greve já registrada por uma empresa estrangeira na China

PARA ENTENDER

Além de greves, reclamações trabalhistas Não são apenas as greves que estão em alta na China. Os comitês de arbitragem e as cortes do país recebem um número crescente de casos trabalhistas, a maior parte dos quais relacionados ao não pagamento de salários, ao excesso de horas extras e à falta de indenização por acidentes ou resci-

são de contratos. O índice de sucesso dos que reclamam é bem mais baixo que no Brasil e há muitos que nem sequer conseguem que as ações sejam aceitas pelos juízes. Mas a mudança desse cenário se acelerou em 2008, com a aprovação da nova Lei de Contrato de Trabalho. Naquele ano, os Comitês de Arbitragem receberam 693 mil reclamações de trabalhadores, quase o dobro do que havia sido registrado no ano anterior – em 1996 foram 47,95 mil casos, de

acordo com o China Labor Bulletin, entidade com sede em Hong Kong. As disputas que não são resolvidas nessa etapa podem ser levadas ao Judiciário, que não tem independência e é subordinado ao Partido Comunista. No ano da aprovação da nova Lei do Trabalho, o número de ações deu um salto de 93,9%, para 286,2 mil. Em 2009, mesmo sob o impacto da crise econômica mundial, houve 317 mil queixas, alta de 10,8% em relação a 2008.

dução da dependência do país em relação às exportações, uma mudança estrutural que o governo de Pequim passou a perseguir com mais empenho depois da crise mundial iniciada em 2008. “Mais do que lamentar o fim do baixo custo do trabalho na China, o debate global deveria focar nas implicações construtivas desse desenvolvimento no tão esperado rebalanceamento da economia chinesa em direção ao consumo”, escreveu Roach. Com uma posição mais extrema, o economista-chefe do Cre-

dit Suisse na China, Dong Tao, acredita que o caso dos suicídios na Foxconn e os posteriores aumentos de salários marcam uma mudança no papel da China comoa“fábricado mundo”.Segundo ele, o modelo de crescimento baseado nas exportações está sendo desafiado pela elevação na remuneração dos operários e a escassez de mão de obra nas regiões da costa leste, onde se concentra o parque industrial. “O governo chinês está gradualmente mudando sua atenção do rápido crescimento econômico para a melhor distribuição da riqueza, o que é extrema-

mente importante para aumentar o consumo e, assim, favorecer o crescimento”, ponderou Dong. Desestímulo. É difícil acreditar que faltam trabalhadores em um país que ainda tem quase metade de sua população na zona rural. Mas uma série de fatores recentes passou a desestimular o abandono do campo para a busca de trabalho nas cidades. A principal fonte de mão de obra das linhas de montagem e dos canteiros de obra da China são os cerca de 150 milhões de migrantes rurais, que vagam pe-

lo país em busca de oportunidades de emprego. Na opinião de Yang Yao, professor do Centro Chinês de Pesquisa Econômica da Universidade de Pequim, entre os fatores que provocam aumento de salários nas cidades estão os subsídiosdadospelogovernoaoscamponeses e a abolição de tributos sobre a atividade agrícola, o que elevou a renda na zona rural. Outra razão é a inflação dos alimentos, que colocou mais dinheiro no bolso dos camponeses. Em 2007 e 2008, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) tevealtade4,8%e5,9%,respectivamente, enquanto os alimentos subiram 12,3% e 14,3%, lembrou Yang em artigo veiculado pela The Economist. No ano passado, o preço dos alimentos subiu 0,7%, enquanto o IPC caiu na mesma proporção. Com isso, os camponeses passaram a exigir remuneração mais alta para deixar a terra e buscar emprego nas cidades. Ao mesmo tempo em que a renda sobe no campo, o custo de vida urbano aumenta, especialmente com a forte especulação imobiliária, afirmou Li Yihui, da Academia Chinesa de Ciências Sociais. “A pressão sobre os salários tem origem no fato de que a ‘economia da bolha’ comeu e está comendo os dividendos dos trabalhadores chineses.”

PONTOS-CHAVE ●

Virada

Mão do governo

US$ 586 bi

Os suicídios na fabricante de componentes eletrônicos Foxconn e os posteriores aumentos de salários marcam uma mudança no papel da China como “fábrica do mundo”

foi o pacote de estímulo do governo anunciado em novembro de 2008 e boa parte foi para obras no interior que geraram emprego REUTERS

REUTERS

Estudiosos avaliam se modelo do salário baixo está esgotado Conhecido como ‘curva de Lewis’, modelo criado por economista se aplica a nações como a China, em desenvolvimento PEQUIM

A grande questão que mobiliza os especialistas na China é saber se o país alcançou ou não a “curva de Lewis”, modelo concebido pelo economista Arthur Lewis, (1915- 1991), para descrever o processopeloqualnaçõesemdesenvolvimentoesgotamsuaoferta de mão de obra barata. Ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1979, Lewis observou que a pressão por aumentos de salários começa a ocorrer no momento em que os países em desenvolvimento incorporam aos setores mais modernos e produtivos da economia as pessoas que antes se dedicavam a atividades tradicionais e relativamente improduti-

vas, como a agricultura de subsistência. Entre os que acreditam que a China já fez a “curva de Lewis” está o economista Cai Fang, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, instituição de pesquisa ligada ao governo. Segundo Cai, a população economicamente ativa da China cresceu apenas 1% na primeira década deste século, em razão da política de controle de natalidade e da menor inclinação da população a ter filhos. A partir de 2015, ela começará a encolher. A maior evidência de que o país atravessa uma mudança estrutural é a escassez de migrantes rurais dispostos a trabalhar nas cidades, afirma o economista. “Mesmo na crise financeira, os trabalhadores migrantes tiveram aumentos salariais de dois dígitos”, lembra Cai.

Pressão

O fim de tributos sobre a atividade agrícola e a inflação dos alimentos aumentou a renda do camponês e reduziu a migração de mão de obra para a cidade, pressionando os salários

há alguns indícios da chegada da “curva de Lewis” à China. Mas o economista ressalta que metade da população do país ainda vive na zona rural, onde a produção é manual e em pequenas extensões de terra. “Se ocorrer a mecanização, haverá aumento da produtividade, o que vai liberar muita gente para a economia urbana”, observa Chovanec. Pressão cíclica. Wang Tao, economista-chefe do banco UBS, acredita que a recente pressão sobre os salários é mais cíclica do que estrutural. Depois do colapso nas exportações provocado pela crise global no fim de 2008 e início de 2009, o governo estimulou os migrantes a retornarem e permanecerem em suas regiões de origem.

Para reforçar esse processo, Pequim destinou parte significativa do pacote de estímulo de US$ 586 bilhões anunciado em novembro de 2008 a obras no interior do país, que deram empregos aos camponeses que vol-

taram a suas vilas. Quando as exportações se recuperaram no começo de 2010, uma fatia dessa massa de operários não estava disposta a retornar à costa leste pelos mesmos salários que recebiam anterior-

mente, o que forçou as empresas a reajustarem a remuneração que ofereciam. Também existe diferença entre os jovens migrantes rurais que entraram no mercado de trabalho recentemente e as gerações anteriores. Mais bem educados e informados, eles exigem melhores condições de trabalho e salários mais elevados. / C.T.

GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO URBANO - SEDUR COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO URBANO DO ESTADO DA BAHIA - CONDER AVISO DE LICITAÇÃO A Comissão Permanente de Licitação - COPEL, avisa aos interessados que fará realizar licitação na MODALIDADE TOMADA DE PREÇOS / TÉCNICA E PREÇO, abaixo discriminada: Nº

Abertura

Hora

113/10

27.08.2010

11:00

OBJETO CONTRATAÇÃO DE EMPRESA ESPECIALIZADA PARA DESENVOLVIMENTO DE SISTEMA GIS WEB PARA GESTÃO DE INFORMAÇÕES GEOESPACIAIS, DE TURISMO E DO PATRIMÔNIO NATURAL E CULTURAL DOS MUNICÍPIOS BAIANOS.

O Edital, no valor de R$ 100,00 (cem reais), estará à disposição dos interessados na Sede da CONDER, a partir do dia 27.07.2010, das 14:00 às 18:00 horas. Salvador, 23 de julho de 2010. A COMISSÃO. CONDER

Zona rural. Patrick Chovanec,

professor da Universidade de Tsinghua, em Pequim, diz que

EDITAL "AVISO DE LICITAÇÃO - TP Nº 113/2010 - CONDER" REPUBLICADO DEVIDO A, POR FALHA TÉCNICA, TER SIDO VEICULADO NA EDIÇÃO DE ONTEM, DIA 24.07.2010, COM A MOLDURA EM DESACORDO COM A INSTRUÇÃO EXPRESSA DO ANUNCIANTE.


B12 Economia %HermesFileInfo:B-12:20100725:

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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

450 anos de Câmara

Cultura

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História do Legislativo revelada em atas que datam de 1560

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AEROPORTOS. Viagem frustrada

Nova lei prevê indenização em 12 horas e ressarcimento de até R$ 27 mil }

Em 6 meses, nº de problemas com bagagens já é igual ao do ano passado Aumento de passageiros e precariedade dos terminais fizeram as reclamações de furtos, danos e extravios de malas se multiplicarem JOSE PATRICIO/AE

Bruno Tavares Filipe Vilicic

Os brasileiros nunca voaram tanto. Mas, ao mesmo tempo em que descobrem as facilidadesdo transporte aéreo, passageirosse deparam comas agruras do setor. Mais do que aeroportos lotados e atrasos, são os problemas com bagagem que têm atormentado a vida de quem viaja de avião. Neste ano, tanto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) quanto o Procon-SP registraram aumento de queixas. Em 2009, o serviço de atendimento da Anac recebeu 3.572 “manifestações” sobre bagagens– amaioriadeextravio efurto de objetos de dentro das malas. Só nos seis primeiros meses deste ano, a agência já contabilizou quase a mesma quantidade: 3.518 – uma média de 500 por mês, ante as 300 registradas no anopassado. O item “bagagens”, que em 2009 era terceiro no ranking de queixas recebidas pela Anac, subiu para segundo. Só perde para as reclamações sobre o atendimento de funcionários públicos e empresas aéreas. Os atendimentos no ProconSP também dispararam. Em 2009, foram 30. Neste ano, já são 42. “Mas o baixo número não reflete nem de longe o problema”, assinala Valéria Cunha, do Procon-SP. Segundo ela, muitos recorrem ao órgão apenas para conseguirumarespostadascompanhias. “Há quem tenha a mala extraviadaepassediassemretorno.E,comoo ressarcimentooferecido pelas empresas costuma ficar aquém do prejuízo, a maioria vai à Justiça pedir reparação.” Os juizados especiais inaugurados na sexta-feira nos cinco maiores aeroportos do País – Cumbica, Congonhas, Santos Dumont, Galeão e JK – buscam

reverter esse quadro, mas têm prazo inicial de funcionamento de apenas seis meses. Perdas. Relatório de 2008 da

Sociedade Internacional de Comunicações Aeronáuticas (Sita, em francês) apontou que, no anoanterior,42 milhõesde bagagens haviam sido extraviadas ou ● Extravio

O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça contabilizou 608 queixas de extravio de bagagem no País entre 1º de julho de 2003 e 30 de junho de 2010.

danificadas no mundo. Dessetotal, 1,2 milhão – ou uma a cada 2 milpassageiros– jamaisfoirecuperado. A Sita estima que, pelo crescimento da procura por viagens aéreas (dobrou na última década),70milhões demalasdevem ter igual destino em 2019. No Brasil, além do aumento de passageiros há uma agravante: a precariedade dos aeroportos. O de Cumbica, em Guarulhos, terminal mais movimentado do País, é o melhor exemplo. “A estrutura é a mesma de 20 anosatrás”,afirmaRubensPereira Leitão Filho, gerente-geral da Orbital, empresa que transporta as bagagens nos terminais brasileiros. O Estado apurou que,

● Crescimento

20,2%

foi o aumento da demanda de voos no Brasil em maio deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Anac

nos horários de pico, bagagens de até 20 voos têm de ser triadas em apenas duas esteiras. “O riscodeumfuncionárioerrarémuito maior”, diz Leitão Filho. Emborajáexistatecnologiacapaz de rastrear bagagens, nenhum aeroporto ou companhia aérea nacional dispõe desses

equipamentos.Ointrincadoprocesso de triagem das malas, do check-in aos porões do avião, é feito manualmente. Se um dessesfuncionáriosfalha,umabagagem que ia para Recife acaba na Europa. Uma empresa aérea de grande porte gasta, em média, R$ 400 por voo com o manejo de bagagensemrotasdomésticas.Épouco perto dos cerca de R$ 2.700 desembolsados por companhias estrangeiras ou pelas nacionais que fazem voos internacionais. O motivo dessa discrepância estánasregrasaqueasestrangeiras são submetidas. Enquanto a legislaçãobrasileiradeixaoserviço a critério das companhias, em

Gargalo. Em Cumbica, nos horários de pico, bagagens de até 20 voos têm de ser triadas em apenas duas esteiras

outrospaíseso controleérigoroso. As malas têm de passar por raio X e todo o vaivém no aeroporto deve ser supervisionado para evitar furtos. “A bagagem é a coisa mais íntima que um passageiro carrega. Temos de tomar cuidado”, diz Mônica Thomaz Capelli, da Puma Air, que opera rotas a partir de Cumbica. TAM e Gol, líderes do mercadodoméstico, nãoquiserammanifestar-senemdivulgarseusdados (só mandaram, via e-mail, as regras que seguem).

● Dor de cabeça

CAMILA SERVENTI:

“O extravio das malas estragou minha viagem pela Europa”

REPRESENTANTE DE VENDAS QUE TEVE SUA MALA PERDIDA EM JANEIRO LEONARDO SOARES/AE

JF DIORIO/AE

‘Até devolveram. Mas ela chegou destruída, molhada e sem perfume’ Quem já teve a mala perdida conta o que é ter de passar dias com a roupa do corpo; maioria não recebe indenização Problemas com bagagens em voos não são apenas uma questãoburocráticaqueenvolveindenizações e processos. Extravios e furtos dão uma dor de cabeça muito maior. Há quemfique dias só com a roupa do corpo numa viagem – e executivos que quase perderam negócios porque os equipamentos sumiram entre uma parada e outra. Raramente as companhias aéreas indeni7 8 9 10 11 12

zam os prejudicados. O empresário paulistano Renato Araújo, que costuma viajar pelo menos três vezes por mês a trabalho, diz ter perdido a conta do quanto já sofreu com isso. “Em setembro, por exemplo, extraviaram equipamentos, como tripés,queeuusariaemumevento de um cliente em Salvador”, comenta. Araújoprecisoualugar, deúltima hora, o material. “Mas tive medodenãoencontraroqueprecisava, irritar quem me contratou e perder o negócio”, diz. Após a chegada a Salvador, a TAM, companhia aérea responsável pelo voo que fez de Guarulhos até a Bahia, achou o equipa-

mento e mandou para o hotel. “Mas muito depois de ter ocorrido o evento”, lembra. Araújo não foi indenizado pelo erro. “Agora, sempre que viajo com itenscarosfaçoumseguro”, afirma o empresário. Além de ter perdido o equipamento quando foi para Salvador, ele já teve malas extraviadas. “E quase sempre abagagemchegaamassada,aberta, com uma alça danificada.” Negócios. Contratempo prejudicou o trabalho de Araújo Consequências. Em janeiro,

duas malas extraviadas estragaram a viagem de férias da representante de vendas Camila Serventiedonamorado,oengenheiroDaniloSato. Porcausa doincidente, eles passaram 11 dias na

Europa sem as roupas da mala e produtos de higiene. “Ainda tínhamos levado documentos de amigos que moram em Portugal”, lembra Camila. “Não pudemos dar os papéis e eles também

saíram prejudicados.” As malas chegaram no décimo primeiro dia da viagem, que durou 20 dias. “Três meses depois, a companhia aérea reembolsou parte dos gastos que tivemos

com roupas durante o tempo sem malas”, recorda Camila. Pagaram cerca de R$ 2 mil – R$ 800 a menos que o desembolsado. O turismólogo Anderson Limatambém teveamala extraviada quando viajou para o México, no ano passado. “A companhia MexicanaAirlines até recuperou a bagagem”, diz. “Mas ela chegou destruída, molhada e sem um perfume.” Ele diz só ter conseguido o reembolso do item que sumiu porque conhece um executivo da empresa. Seguro. “De olho nesses problemas, decidimoster opçõesde seguros para a bagagem de nossos clientes”, afirma Fabiana Telles, gerente de Produto do Itaú-Unibanco. Há cartões de crédito que dão direito a reembolso e também um seguro viagem. Esse tipo de programa costuma indenizar extravios, furtos e atrasos na entrega de malas.” / B.T. e F.V.


C2 Cidades/Metrópole %HermesFileInfo:C-2:20100725:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

ALÔ, SÃOPAULO

crescente 18/07 (7h11)

PREVISÃO PARA HOJE EM SÃO PAULO As nuvens diminuem e não chove

25° 11°

0mm

minguante 3/08 (2h)

Probabilidade de chuva

0%

MANHÃ

Aracaju Belo Horizonte Brasília Boa Vista Belém Campo Grande Cuiabá Curitiba Florianópolis Fortaleza Goiânia João Pessoa Macapá

24°/27°

Abaixo de 19°

Votuporanga

Franca

16°/26°

24° 11°

0mm

TER 27/7

22° 10°

2mm

QUA 28/7

21° 10°

2mm

12°/24°

0%

Ribeirão Preto

S. J. do Rio Preto

15°/28°

16°/27°

80%

Araraquara 14°/27°

80%

Presidente Prudente 14°/26°

Bauru

Piracicaba

13°/25°

Sol/chuva Sol Sol Sol/chuva Sol/chuva Sol Sol Sol Sol/chuva Sol Sol Sol/chuva Sol/chuva

NO

Sorocaba

São Paulo 11°/25°

13°/23°

CP

SO

Guarujá Santos

11°/21°

16°/25° rente ria

Cananeia 16°/25°

Céu claro

Nublado

Parcialmente nublado

1m

S

16°/27°

www.estadao.com.br/sms

Pancadas de chuva

25 Domingo

26 Segunda

27 Terça

2h19 7h47 14h30 20h39

2h36 8h26 14h53 21h02

2h53 9h08 15h17 21h26

Chuva

1,2 0,0 1,3 0,5

1,3 0,0 1,4 0,5

Chuva com trovoadas

28 Quarta

1,4 -0,1 1,4 0,4

3h09 9h51 15h45 21h54

Cena da Cidade

que ele adora.

‘Adoro as lojas desta cidade’ Natural de Seattle, o DJ Larry Tee esteve no Brasil pela primeira vez há 15 anos. São Paulo foi uma das primeiras cidades onde tocou fora de casa. Hospedou-se na Bela Vista e ficou impressionado com o centro da cidade. “Percebi que era um lugar que eu naturalmente gostaria de visitar, não só a trabalho.” Por isso, tratou de fazer amigos e voltar à metrópole sempre que sai em turnê internacional. Nesta semana, fica hospedado nos Jardins, outra região

Point. “O Brasil está pegando

fogo lá fora. É o lugar da moda, todo mundo quer vir para cá”, diz Larry. O lado ruim? “Tudo ficou mais caro também. O câmbio já não é mais tão favorável assim!” Compras. Mesmo reclamando dos preços, o DJ vai passar a semana fazendo compras. “Adoro as lojas desta cidade. Sempre que uso minhas camisetas compradas aqui, perguntam de onde é e eu esnobo: ‘Ah, comprei em São Paulo!’ Todos ficam com cara de ‘Oooh!’”, diverte-se. Paulistanos. “Paulistanos, nova-iorquinos e londrinos são parecidos. Têm um ponto de vista diferente.” E, para Larry, os paulistanos “estão sempre um passo à frente do restante do mundo”. “Tudo que meus amigos americanos descobrem, paulistanos sabem há 1 ano!” / NATALY COSTA

NA TELINHA Igreja de São Pedro, em Sepetiba, região metropolitana do Rio, foi cenário da novela O Bem Amado, da Rede Globo ● FABIO MOTTA/AE

Seus Direitos ERRO EM DIVULGAÇÃO Ligações indesejadas

Sou proprietária de uma linha telefônica há mais de 20 anos, mas a rede de lojas Ponto Frio colocou meu número em seu site e passou a informá-lo como sendo de sua loja da Lapa (loja 42). Já faz alguns meses que meu telefone residencial toca durante todo o dia, inclusive nos fins de semana. São consumidores e fornecedores querendo se comunicar com a loja. Já liguei para o Ponto Frio, expliquei o problema, mas não obtive sucesso. Solicito ajuda, pois não sei mais o que fazer. REGINA ZIMMERMANN MARQUES / SÃO PAULO A rede de lojas Ponto Frio não respondeu.

A leitora complementa: Os telefonemas continuam. Sempre pergunto como conseguiram meu número e respondem que foi pelo site ou pedindo o telefone da loja 42 na Central de Atendimento. Análise: Evidentemente que a vi-

1˚ Prêmio 2˚ Prêmio 3˚ Prêmio 4˚ Prêmio 5˚ Prêmio

12.655 39.447 72.574 52.610 54.220

Informe-se

As cartas devem ser enviadas para consumidor. estado@grupoestado.com.br, pelo fax 3856-2940 ou para Av. Engenheiro Caetano Álvares, 55, 6˚ andar, CEP 02598-900, com nome, endereço, RG e telefone, e podem ser resumidas

que precisa ser operado com urgência. Ela possui convênio com a Associação Adcom e os atendimentos eram realizados pela Amesp. Desde 2009 ela tem feito exames para que a operação, marcada para o dia 3/7, fosse realizada. No dia 1.º/7 uma funcionária do Hospital Itacolomy, do Butantã, ligou dizendo que o contrato entre a Adcom e o convênio Amesp fora encerrado em 30/6, e que não realizaria a operação. Nós não recebemos nenhum tipo de comunicado e precisamos que essa operação seja feita nesse local, pois a médica que a acompanhou e faria a cirurgia é desse convênio. Tentei por diversas vezes falar com um responsável, em vão.

da pessoal da cidadã e de sua família virou um inferno, quando o seu telefone é divulgado no site de uma grande rede de comércio, como a Ponto Frio, como sendo de uma de suas lojas. E o fato piora ainda mais se a própria Central de Atendimento da rede informa ao público esse mesmo telefone residencial. A Justiça tem julgado, repetidamente, casos como esse e tem condenado os autores da divulgação errônea (empresas telefônicas e estabelecimentos comerciais que publicam incorretamente o telefone) a pagar pelo dano moral a quem sofre o incômodo, que parece nunca ter fim. A sra. Regina pode recorrer ao Juizado Especial Cível ou à Justiça comum estadual, a fim de obrigar o Ponto Frio a parar com a divulgação do telefone e lhe indenizar.

MAICON ALMEIDA / SÃO PAULO

Josué Rios, advogado, especialista em Defesa do Consumidor, é colunista do Jornal da Tarde

A Gerência de Atendimento ao Cliente da Amesp Saúde informa que entrou em contato com o sr. Almeida para lhe informar que o plano de saúde de sua avó integra um contrato coletivo por adesão, vinculado à Associação Brasileira dos Servidores Públicos Municipais, Estaduais e Federais (Abrasp). O contrato entre a Abrasp e a Amesp foi encerrado

SEM ASSISTÊNCIA Cirurgia desmarcada

Minha avó, de 72 anos, sofreu 3 AVCs, tem pressão alta e diabetes e descobriu, no final do ano passado, ter câncer de mama,

Loterias FEDERAL Nº 04469

em 30/6. A partir dessa data, a associação passou a oferecer a opção de adesão ao plano de saúde de outra operadora, sem a necessidade de cumprir carências.

O leitor diz: O problema não foi solucionado. Análise: Se o cancelamento do plano de saúde foi feito de comum acordo entre a Abrasp, entidade que firmou o contrato de assistência médica, e a operadora de saúde, de fato deixou de existir vínculo entre a avó do leitor e a empresa do plano. Tratando-se de contrato coletivo por adesão, todo e qualquer ajuste, continuidade ou rescisão de serviços, é acertado entre a empresa que contratou o plano e o convênio médico, sem que haja interferência do usuário. A manutenção da obrigatoriedade do atendimento só subsistiria se a avó do leitor estivesse internada no ato do cancelamento. No caso relatado, trata-se de cirurgia eletiva, não havendo que se falar em responsabilidade da operadora de saúde em virtude do cancelamento do contrato. É certo que a Abrasp deveria ter comunicado acerca da rescisão do contrato aos associados, para não deixá-

los desamparados. Outra alternativa seria a associação e o plano de saúde negociarem o custo da cirurgia, pois o procedimento já havia sido autorizado. Para minimizar os problemas, a consumidora pode exigir que a antiga empresa de plano de saúde lhe disponibilize contrato de assistência médica na modalidade individual, sem a imposição de prazos de carência ou de cobertura parcial temporária. É importante que essa transição seja feita de forma concomitante ao cancelamento do antigo contrato e sem que exista a interrupção de pagamento das mensalidades. Caso a empresa não aceite a contratação na forma individual, pode ser proposta uma ação judicial exigindo a continuidade dos serviços. A paciente pode, ainda, contratar novo plano de saúde coletivo por adesão e por intermédio da própria associação da qual faz parte, de forma a não se submeter a novos prazos de carência, sobretudo por ter doença preexistente. É importante que a consumidora se certifique de que não haverá nenhuma restrição ao tratamento oncológico. Julius Cesar Conforti, advogado, é membro da American Health Lawyers

ATENÇÃO: O quadro abaixo não deve ser usado para a conferência oficial das loterias. Dependendo do horário dos sorteios e do fechamento de edição, alguns resultados podem estar defasados. Confira os resultados oficiais no site www.caixa.gov.br

24/7/10 R$ 600.000,00 R$ 12.000,00 R$ 9.000,00 R$ 7.410,00 R$ 6.000,00

1,4 0,0 1,4 0,4

12°/22° 23°/37° 14°/27° 14°/21° 11°/19° 8°/11° 18°/24° 19°/24° 14°/20° 11°/19° 7°/19° 15°/23° 19°/33° 14°/21° 16°/30° 20°/33° 10°/20° 27°/31° 11°/12° 19°/36° 25°/30° 13°/21° 21°/29° 2°/12° 9°/14° 24°/32° 24°/28° 14°/25° 27°/33°

Volume de chuva (mm) Probabilidade de chuva (%)

Na Metrópole Larry Tee, DJ americano. Toca sábado no Clube Glória (Rua 13 de Maio, 380)

0 Assunção +6 Atenas +5 Barcelona +5 Berlim +5 Bruxelas Buenos Aires 0 -1,5 Caracas -2 Chicago +5 Estocolmo +5 Genebra Johannesburgo +5 Lima -2 Lisboa +4 Londres +4 Los Angeles -4 Madri +5 México -2 Miami -1 Montevidéu 0 Moscou +7 Nova York -1 Paris +5 Roma +5 Santiago -1 Sydney +13 Tel-Aviv +6 Tóquio +12 Toronto -1 Washington -1

L SE

17°/26°

Iguape

rente ria

Fuso Mín./Máx.

21°/28° 24°/32° 22°/28° 22°/34° 12°/24° 23°/34° 21°/28° 22°/33° 14°/29° 21°/27° 23°/32° 22°/35° 20°/28°

NE

15nós

O

Ubatuba 13°/23°

Itapeva

Sol/chuva Sol/chuva Sol/chuva Sol Sol/chuva Sol Sol/chuva Sol Sol Sol/chuva Sol/chuva Sol Sol

Maceió Manaus Natal Palmas Porto Alegre Porto Velho Recife Rio Branco Rio de Janeiro Salvador São Luís Teresina Vitória

N

14°/27°

Receba por sms a previsão de onde você está

22°/28° 11°/25° 11°/23° 25°/30° 23°/33° 13°/24° 16°/29° 13°/27° 16°/25° 22°/32° 14°/27° 22°/27° 25°/29°

Mín./Máx.

TÁBUA DE MARÉS: Porto de Santos

12°/23°

Ourinhos

ma frente fria se afasta de ão aulo para o oceano mas ainda nesta semana a chegada de mais duas frentes frias ao litoral paulista deia a tempera tura baia na capital e nas praias. a sol e calor no interior.

Tempo

7°/18°

13°/25°

S. J. dos Campos

TEMPERATURA SOBE

Mín./Máx.

C. do Jordão

Campinas

13°/23°

nova 10/08 (0h08)

Poente 17h42

NOITE

NO MUNDO

Tempo

28°/32°

19°/23°

SEG 26/7

TARDE

NAS CAPITAIS

Acima de 32°

PRÓXIMOS DIAS EM SP A temperatura fica agradável e durante a semana não teremos calor como na semana passada. Na capital

cheia 25/07 (22h37)

Nascente 6h45

Volume de chuva

MILIONÁRIA Nº 04461 1˚ Prêmio 2˚ Prêmio 3˚ Prêmio 4˚ Prêmio 5˚ Prêmio

83.488 42.773 34.723 57.431 76.637

26/6/10 R$ 1.000.000.00 R$ 32.000.00 R$ 27.000.00 R$ 14.300.00 R$ 12.720,00

QUINA Nº2354

24/7/10

Quina (Acumulou)

R$ 944.490,61

LOTOFÁCIL Nº550 22/7/10 Ninguém acertou as 15 dezenas e o prêmio acumulou em R$ 1.807.877,40 01 05 06 07 09

Quadra (130)

R$ 2.972,55

Terno (7.319)

R$ 75,42

10

11

13

14

16

72

17

18

20

21

22

09

18

25

65

MEGA SENA Nº1199 Sena (Acumulou)

24/7/10 R$ 18.200.523,70

Quina (71)

R$ 22.554,66

Quadra (5.692) 16

19

R$ 401,91 23

28

39

58

CORPO DE BOMBEIROS: 193 OU WWW.CCB.POLICIAMILITAR.SP.GOV.BR POLÍCIA MILITAR: 190 OU WWW.POLICIAMILITAR.SP.GOV.BR POLÍCIA CIVIL: 197 OU WWW.POLICIA-CIV.SP.GOV.BR DISQUE-DENÚNCIA: 181 (SP) OU (011) 3272-7373 SPTRANS: 0800-771-0118 (BILHETE ÚNICO E CARTÃO FIDELIDADE) ITINERÁRIOS DE ÔNIBUS: 156 DEFESA CIVIL: 199 PROCON: 151 SABESP: 195 AES ELETROPAULO: 0800-727-2196 COMGÁS: 0800-011-0197

Há um Século 25 de julho de

1910 (Santa Casa de São Paulo) O hospital que hontem completou 25 annos de existência não foi a primeira obra desse gênero levada a cabo pela benemérita aggremiação que o sustenta. Infelizmente, as informações de certa época para traz escasseiam, vão escasseando cada vez mais á proporção que avançam as pesquizas, até que chegam a estancar-se de todo.

estadão.com.br Blogs. Leia mais notas no blogs.estadao.com.br/cem-anosatras/

SERVIÇO: O Estado publica diariamente as loterias. Fique atento ao número e à data de realização dos sorteios.

DUPLA SENA Nº883

23/7/10

Sena (Acumulou)

01

06

R$ 6.829.825,84

12

32

Sena 2.˚ sorteio (1) Quina (66) Quadra (3.918)

08

09

11

38

50

R$ 264.229,62 R$ 3.002,61 R$ 48,17

15

18

38

LOTOMANIA Nº1056 24/7/10 20 acertos (Acumulou) R$ 1.070.162,83 01 02 06 08 13 19

23

26

30

31

36

46

66

67

71

84

86

89

95

98


%HermesFileInfo:C-3:20100725:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Cidades/Metrópole C3

AEROPORTOS. Viagem frustrada

Indenização vai chegar a até R$ 27 mil Revisão do Código Brasileiro Aeronáutico também prevê ressarcimento em 12 horas e na moeda local quando bagagem for extraviada O novo texto do Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA) prevê ressarcimento de até R$ 27 mil para cada passageiro em caso de extravio, perda ou dano da bagagem. O valor é bem superior ao estipulado hoje – 150 Obrigações do Tesouro Nacional (OTNs), índice extinto em 1989, mas que, atualizado pela inflação, não chega a R$ 2 mil. Além de não cobrir os prejuízos causados, a atual redação do CBA,de 1986, dá margem adupla interpretação. O artigo seguinte ao que estabelece o valor do ressarcimento abre a possibilidade de outro enquadramento, que limita a reparação a 3 OTNs (R$ 39) por quilo de bagagem extraviada, perdida ou furtada. “No item bagagem, a mudança do código foi nos marcos legais europeus. É pesado para a companhia aérea e benéfico parao passageiro”,assinalao depu-

rado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), relator do projeto de lei que atualiza o CBA. No mês passado, a comissão especialcriadapelaCâmara para analisar a reformulação da lei aprovou o texto substitutivo. Segundo Rocha Loures, o projeto deve ser levado para votação em plenárionasegundaquinzenadeoutubro ou no início de novembro. Se aprovado, terá ainda de passar pelo Senado. Outra novidade no texto em tramitaçãonaCâmaraéaobrigação do pagamento de uma indenização antecipada ao passageiroquetiver asbagagensextraviadas, perdidas ou danificadas. O valor deverá ser correspondente a 20% da indenização máxima, ou seja, R$ 5.400. A companhia aérea terá de providenciar a entrega dodinheiro ematé 12horas e o pagamento tem de ser feito namoedadopaísemqueopassa-

PRESTE ATENÇÃO...

1. 2.

Prefira malas feitas de material rígido e sem zíperes. Elas são menos suscetíveis a danos e

furtos.

Feche suas malas com cadeados. Se esqueceu, os guichês das companhias fornecem lacres. Além de etiqueta externa – com nome, endereço, telefones e e-mails para contato –, coloque uma segunda etiquegeiro se encontrar. Revisão. A Agência Nacional

de Aviação Civil (Anac) também pretende reformular a regulamentação que define as regras

ta com os mesmos dados na parte interna das bagagens.

3. 4.

Evite malas pretas. Elas são facilmente confundidas. Se não tiver escolha, coloque fitas coloridas em locais visíveis, como nos puxadores. Objetos de valor, como dinheiro, equipamentos eletrônicos e joias, devem ser sem-

para o transporte debagagens. O ponto mais falho da legislação atual, como reconhecem autoridades do setor aéreo, é o que dá prazo de 30 dias para que a bagagem permaneça na condição de

pre carregados na mala de mão.

5. 6.

Enquanto você estiver com a mala, não a perca de vista. Nas ocasiões de distração, os ladrões aproveitam para agir. O Procon recomenda que se faça seguro para as bagagens, principalmente em viagens internacionais. extraviada, quando só então a empresadeveoferecerumaindenização ao passageiro. De acordo com a Convenção de Montreal, redigida pela OrganizaçãodeAviação CivilInterna-

cional(Oaci)em1999,umabagagem deve ser considerada perdida após 21 dias. Embora o Brasil seja um dos signatários do acordo assinado na ocasião, a maior parte das normas que regem o contrato de prestação de serviço entre companhias e passageiros, incluindo as relativas às bagagens, ainda tem base na Convenção de Varsóvia, de 1929. A Anac prefere não fixar prazo paraconcluirarevisãodo capítulo da Portaria 676 dedicado às bagagens. Antes de aprová-la, a agência deve colocar o texto em consulta pública no seu site na internet, ocasião em que qualquer pessoa poderá encaminhar sugestões. A primeira fase das mudanças na norma entrou em vigornomêspassado,com asnovas regras de assistência aos passageirosemcasosdeatrasoecancelamento de voos. / BRUNO TAVARES e FILIPE VILICIC

O CAMINHO DAS MALAS ONDE PODEM OCORRER PROBLEMAS

1 Check in

EZS

O passageiro entrega as malas no balcão de check in. Algumas companhias aconselham a levar os bens valiosos na bagagem de mão. Se ele se recusar, pedem que assine uma declaração em que se responsabiliza pelos bens valiosos da mala

EZS

4 Embarque no porão

É colocada uma etiqueta com o código do aeroporto de destino. Há ainda o cuidado de por um lacre nas malas que não têm cadeado

As malas são embarcadas na parte da frente e de traz do porão O meio é reservado para combustível e outros materiais de funcionamento do avião

As companhias menores ainda colocam um selo para que seja mais facilmente identificada no meio das outras

Aqui também pode haver confusão do funcionário e acondicionar a bagagem na divisão errada

Divisórias separam as malas de acordo com o aeroporto de destino

2 Esteira

Atrás dos balcões de check in corre uma esteira que leva as malas até o pátio de triagem

O passageiro segue para o portão de embarque com a bagagem de mão

Nos aviões mais altos a bagagem é carregada dentro de contêineres erguidos por elevadores

5 No destino

Raio x para bagagens de voos internacionais

3 Triagem Funcionários de empresas terceirizadas separam as malas de acordo com o nº do voo e as colocam em carrinhos que as levarão aos aviões

As malas podem desembarcar na primeira escala ou seguir para o transfer

Seguranças e câmeras vigiam a área para evitar furtos

Funcionários podem se confundir e colocar malas no carrinho errado

Em Cumbica a esteira que leva ao pátio é em descida, as malas podem enroscar, cair e ficar no pátio e não embarcar no avião

No aeroporto de destino as malas são levadas para o setor de entrega de bagagens e retiradas pelo passageiro

Nos aviões maiores, as malas entram em pequenos contêineres

Aqui a bagagem pode ser colocada em destino errado ou ser desembarcada no primeiro aeroporto

Se o passageiro tiver uma conexão para outro destino as malas são transferidas por funcionários até o avião que fará o segundo trajeto

INFOGRÁFICO: WILLIAM MARIOTTO/AE

No exterior, empresas são obrigadas a fornecer dados No Brasil, as informações ainda são escondidas; média de extravio nos EUA é de 3,6 malas por mil passageiros Enquanto as companhias aéreas nacionais guardam a sete chaves seus números de problemas com bagagens, empresas dos Estados Unidos e da Europa são obrigadas a fornecer as informaçõestodososmeses.Apartirdesses dados, as agências de transporte aéreo elaboram rankings que servem de parâmetro para

medir a eficiência das companhias, a exemplo do que é feito comosnúmerosdeatrasosecancelamentos de voo. Omaisrecenterelatóriodivulgado pelo Departamento de Transportes dos Estados Unidos indica que, em maio, a média de problemas com bagagens das companhias americanas foi de 3,65 por mil passageiros. Juntas, as 18 empresas ranqueadas perderam, extraviaram ou danificaram 164 mil bagagens. Na Europa, o índice de extravio de bagagens foi de 13 por mil passageiros, segundo a última medição, entre novembro de

2008 e março de 2009, da Associação Europeia de Companhias Aéreas (AEA, na sigla em inglês). Ranking. Pelo ranking de maio,

acompanhiaamericanacommelhordesempenhoentreas18avaliadas foi a Airtran Airways, com índice de 1,52 problema com bagagens por mil passageiros. Entreasempresasqueoperaramrotas no Brasil, a melhor classificada foi a Continental Airlines (2,27), seguida pela United Airlines (3,05), Delta Airlines (3,50) e American Airlines (3,87). Na Europa, de acordo com relatório da AEA, a companhia que

apresentou melhor índice por milpassageiros foiaTurkish Airlines (4,5). Entre as que mantêm voos regulares para o Brasil, a SwissAirlinesteveamelhorcolocação, com índice de 9 extravios por mil passageiros. Na sequência estão a Lufthansa (10,9), a KLM (14,4), a British Airways (15,6), a TAP (17,3), a Air France (18,9) e a Iberia (19,2). OsdadosdaAlitalia,daAirLingus(da República da Irlanda), da JAT Airways (da Sérvia) e da Olympic Airlines (da Grécia) são os únicos que não constam do relatório. A última encerrou suas atividades em setembro do

ano passado. Reclamações. Assim como no Brasil,asreclamações sobre problemas com bagagens ocupam a segunda posição no ranking do Departamento de Transportes dos Estados Unidos. A diferença é que lá o item que engloba atrasos, cancelamentos e falhas em conexõesaparecenaprimeiracolocação – aqui, as queixas sobre mau atendimento são maioria. O órgão americano registrou 136 queixas sobre bagagens em maio deste ano, ante 95 no mesmo mês de 2009 – um aumento de 43%. / B.T. e F.V.

ONDE RECLAMAR ●

Anac

Brasília, Cumbica, Congonhas, Galeão, Curitiba, Porto Alegre, Confins, Salvador, Recife e Fortaleza. Site: www.anac.gov.br/faleanac. Tel.: 0800-725-4445 ●

Companhias aéreas

Todas mantêm guichês ou funcionários no desembarque ●

Procon-SP

www.procon.sp.gov.br; tel.: 151 ●

Juizados Especiais

Cumbica, Congonhas, Galeão, Santos Dumont e Brasília


C4 Cidades/Metrópole %HermesFileInfo:C-4:20100725:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Reportagem Especial ✽

Esta é a primeira das três reportagens do ‘Estado’ sobre a história revelada pelas atas do Legislativo paulistano

450 anos de Câmara Municipal

1562

COMEÇAM AS SESSÕES

ARQUIVO DA CÂMARA

PRINCIPAIS VEREADORES João Ramalho (1493-1580): Explorador português, foi um dos primeiros parlamentares da cidade

Antonio Raposo Tavares (1598-1659): Combateu as tentativas de espanhóis de dominarem o comércio local

Fernão Dias (1608-1681): Defendeu a expulsão dos jesuítas, que não deixavam escravizar os índios Brigadeiro Luís Antônio de Sousa (1746-1819): Forneceu verba para a criação do Jardim Botânico e da Santa Casa de Misericórdia

minuciosa transcrição das falas dos vereadores em mais de 27 mil sessões, está disponível para consulta na Biblioteca do Palácio Anchieta, no número 100 do Viaduto Jacareí. Pesquisar o acervo é oportunidade rara de entender como foi a transformação da pequena vila em cidade rica com influência europeia. Na sequência,surgeacapital modernaede trânsitocaótico.“Pelas atas épossívelconhecer até brigas de famílias mediadas pelos vereadores”, diz Benedito Lima de Toledo, historiador da USP. Regras e “degredo”. As primeiras

Primeiros anos. No século 16, as sessões eram feitas nas casas de vereadores, nas noites de sábado. E a maior preocupação da vila era a segurança

NA SP COLONIAL, O MAIOR CASTIGO ERA IR PARA BERTIOGA Diego Zanchetta

No início, o Legislativo paulistano tinha apenas cinco vereadores que percorriam quilômetros a cavalo para encontros à luz de velas; ‘degredo’ de criminosos para o litoral só foi abolido em 1795

ntes de completar três décadas e com menos de cem habitantes, o povoado que deu origem a São Paulo já tinha uma Câmara Municipal. Em 1560, as sessões, aos sábados à noite, eram realizadas à luz de velas, em casebres cobertos por palha e com chão de madeira. Os cin-

A

A CÂMARA NO PERÍODO COLONIAL

co vereadores percorriam quilômetros a cavalo para chegar aos encontros. Durante três séculos, até maio de 1828, a tarefa de fazer leis, mandar prender, julgar e criar taxas coube a um colegiado formado por um juiz, três vereadores e um procurador do conselho, todos eleitos no dia 1.º de janeiro de cada ano. Também eram nomeados um tesoureiro e um escrivão. Só podiam dis-

putar as eleições os “homens bons”, classe formada por fazendeiros e comerciantes portugueses, moradores das partes mais altas da Vila de Piratininga. Oito endereços. Ao longo dos seus 450 anos, o Legislativo paulistano teve os poderes reduzidos, ocupou oito endereços, teve mais de 1.800 represen-

1585

1619

Projeto de nova sede é cancelado

Primeira sede oficial, na Rua do Carmo

tantes, propôs 112 mil leis e caracterizou-se por ser palco dos debates sobre os problemas e anseios levados pelos cidadãos às autoridades. Da substituição do sapé pelas telhas de taipa à revisão do atual Plano Diretor, a “Casa de Leis” esteve no epicentro dos principais escândalos e polêmicas da metrópole. Cada capítulo dessa história, com a

regras do Município surgiram no início do período colonial, na casa do vereador português João Ramalho. No dia 24 de junho de 1562, após um acirrado debate de quase oito horas, Ramalho conseguiu apoio do juiz ordinárioAntonioBrásCubas,oequivalente hoje ao presidente da Câmara, para determinar a construção de um muro de taipa de 5 metros de altura ao redor da vila, que acabara de sofrer um novo ataque dos “selvagens índios carijós”. Para financiar a primeira grande obra da cidade, duas leis polêmicas foram estabelecidas: o dízimo doado aos jesuítas seria destinado agora ao novo muro e quem não ajudasse na construção seria multado em 50 cruzados e enviado para “degredo”, ou deportado, por um ano em Bertioga. Relatadoem32 sessões entre1561 e 1752, o “degredo” para um forte do litoralsul, onde havia um núcleoportuguês que assegurava a defesa da costa de São Vicente, ficou conhecido como a mais severa punição da vila. A norma foi aplicada a centenas de índios rebeldes e jesuítas que contestavam o poder dos vereadores. Tambémeraumaformaqueosportuguesesencontraramdemandar desafetos e a escória da vila (ladrões de gado e aventureiros espanhóis em busca de minas de ouro) para uma distância só acessível após 30 dias de trilhas pela Serra do Mar. O “degredo” foi escolhido, por exemplo,parapuniromaiorescândalo da vila na fase do País como colônia. Vinte “mancebos” portugueses acusados de pegar à força índias que lavavamsuasroupasnoRioAnhangabaú ficaram isolados no litoral por três anos, para desespero de suas mães.O mesmodestino teve umadezena de moradores que se recusou a trocar a cobertura de palha por telhas de taipa, o primeiro projeto de urbanização proposto pela Câmara. A pena só foi abolida em 1795.

1720

1770

1828

Novo Paço construído no Largo do Ouvidor

Câmara vai para atual Praça João Mendes

A Câmara perde o poder de Justiça

TIAGO QUEIROZ/AE

VEREADOR FALTOU? MULTA DE DEZ CABEÇAS DE GADO

Açougue funcionava no primeiro andar ● Em 1720, para combater o contra-

Era uma tarde chuvosa do dia 13 de março de 1621. Seria debatida na sessão da Câmara Municipal, na Rua do Carmo, a abertura de novas ruas na Vila de Piratininga. Mas o procuradordoconselho,vereadorefazendeiro João Rodrigues Moura se ausentou sem justificativa e a discussão sobre o “arruamento” foi suspensa. Seuspares, então, aplicaram pelaprimeira vez a pena prevista para a falta parlamentar: pagamento de um tostão ou dez cabeças de gado. Nos anos seguintes, até o início do século 19, era comum o vereador au-

sentedasessãosermultado.Algunsparlamentares, moradores da região onde hoje fica o distrito de Santo Amaro, tinham de percorrer três horas a cavalo para chegar ao centro e não aceitavam as justificativas de falta de quem morava na vila, perto do Paço Municipal. Foi o caso de Moura, que vivia num sobrado ao lado do Rio Anhangabaú. Outra punição aos parlamentares foi adotada na sessão do dia 14 de março de 1665: ao presidente da Câmara que andasse a cavalo sem a vara vermelha que distinguia sua posição caberia a multa de 2 tostões. / D.Z.

bando de carnes para a Vila de Santos, os vereadores estabeleceram que o açougue da cidade funcionaria dentro da nova sede da Câmara, construída no primeiro andar de um sobrado no Largo do Ouvidor, no cômodo ao lado da cadeia. Todo criador de gado teria de cortar suas carnes no local, sob vigilância de um mercenário contratado pelos parlamentares. E o “envio da carne para o mar”, segundo as atas da Câmara, tinha uma punição para o infrator: um ano na “Fortaleza de Bertioga”. / D.Z.

Século 17. Para ir de Santo Amaro ao Paço eram três horas de cavalgada


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DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Cidades/Metrópole C5 FABIO MOTTA/AE

Estrangeiros lotamos Bed &Breakfasts ‘àcarioca’ Modelo de hospedagem é aconchegante e não tem complicações de hotel. Gringos adoram Márcia Vieira / RIO

O brasileiro ainda não está muito acostumado ao sistema. Mesmo assim, o velho esquema Bed & Breakfast, tipo de hospedagem comum na Europa em que um morador aluga um ou dois quartos da casa para turistas, cresce no Rio. Na internet, em sites de turismo internacional, são dezenas de ofertas. Em Santa Teresa, “vendida” como uma espécie de Montmartre carioca, numa referência ao boêmio bairro parisiense cortado por ladeiras, uma associação chega a reunir 30 opções de “Cama e Café”. OTripAdvisor(www.tripadvisor.com), badalado site de turismo, lista outros 50 B&B na cidade. As ofertas são variadas. De suítes em coberturas sofisticadasaapartamentosmaisacanhados. A maioria fica na zona sul, área nobre da cidade. O aumento da oferta não atrai turistas brasileiros. “Pelo menos 90% dos hóspedes são estrangeiros”, conta o analista de sistemas João Valentim, de 38 anos. Há seis anos, ele aluga dois quartos no Castelo Valentim, prédio de 1879, construído pelo seu avô, no alto de Santa Teresa.

O apartamento, no quarto andar, tem uma vista de 270 graus da cidade. Da varanda é possível ver a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar ao fundo, o Parque do Flamengo com jardins de Burle Marx e a Serra dos Órgãos. A diária, nesta época do ano, é de R$ 220 o casal. Dá direito ao quarto com frigobar, acesso à internet e um farto café da manhã. Nocarnaval e no réveillon,o preçodobra. “Oshóspedes têm acabeça muito boa. Eles querem um tipo de turismo especial. Não querem a frieza de um hotel.” Conforto. Essa é a base da filo-

sofia do Bed & Breakfast. “Cama confortável, banho bom, café da manhã caprichado e um atendimento atencioso são importantes”,ensinaJoãoVergara,pioneiro no sistema. Há sete anos, Vergara e dois amigos recém-saídos da universidade perceberam um mercado promissor e abriram o grupo Cama e Café, primeira rede do setor do Brasil. No início, tiveram de bater na porta dos moradores de Santa Teresa, propondo a parceria. Agora, os moradores pedem parasecadastrar. “Oturista queescolhe esse tipo de hospedagem

Casa aberta. Vista de B&B em Santa Teresa. Construções antigas ganham nova vida ao receber turistas de todo o mundo ● Brasileiros

ANA DURÃES ARTISTA PLÁSTICA E ANFITRIÃ

“Alguns (brasileiros) são invasivos. Já tive um hóspede que entrou na cozinha para fazer sopa. No dia seguinte, já abriu o freezer para pegar um bife”

não faz uma visita contemplativa, não vai só aos pontos turísticos. Ele quer viver a cidade, quer semisturarcom oscariocas”, explica Vergara. A fama do Cama e Café veio rápido. Indicada pelo respeitado guia Lonely Planet como um dos cinco melhores lugares para se hospedar no Rio, a rede expan-

diu seus domínios e chegou também a Olinda, em Pernambuco. Ogrupodivulgaoserviçonasmelhores revistas de turismo mundo afora. Arpoador. Há anfitriões que preferem a carreira solo. Colocam um site na internet e graças ao boca-a-boca formam uma clientela fiel. Foi o caminho encontrado por Ínia Schoenwaelder, dona de um charmoso apartamento encravado entre Copacabana e Ipanema, a dois minutos da Praia do Arpoador. Ínia já conhecia o sistema graças ao périplo que fez nos últimos 40 anos: morou na França, em Portugal, nos Estados Unidos e na Alemanha. Há seis anos, com o marido alemão, resolveu ficar de vez no Rio. “Já não tenho mais nenhum dia livre para fevereiro de 2011”, diz, orgulhosa.

Sãodoisquartos,umdeles suíte com banheiro decorado com azulejos portugueses. Coisa fina. A diária é em dólar. Vai de US$ 100 a US$ 140 (R$ 180 a R$ 250, aproximadamente). No depoimento dos visitantes do Trip Advisor, coleciona elogios. O sucesso foi conquistado aolongodeseis anosdebonsserviçosprestadosaeuropeus, americanos, australianos. “Nunca tive problema com os estrangeiros.Sãoótimos. Entendemas regras, são gentis”, avalia Ínia. Já os brasileiros não gozam do mesmo prestígio. “Eles não estãoacostumadosaosistema. Começamsemprepedindodesconto. É uma choradeira. Dizem que vão fazer o depósito de reserva. Ficam enrolando, não fazem e também não aparecem na data combinada. Prefiro evitar.” Não é uma reclamação solitá-

ria.Háquatroanos,aartistaplástica Ana Durães abre sua casa, umsolar em Santa Teresa de690 metros quadrados construído em 1860, para o esquema Cama e Café. Nunca teve problemas com os hóspedes, mas reclama dos brasileiros. “Geralmente,elesqueremexigir mais do que o combinado. Não entendem que não estão em um hotel formal. Não tem serviço de bar, por exemplo.” Mas Anacontinuarecebendobrasileiros, sem preconceitos. A casa lembra uma fazenda. Tem fogão a lenha, passarinhos cantandonoquintal,jardimflorido e uma bucólica varanda. Como boa mineira, Ana oferece pão de queijo com café para o lanche da tarde. No dia da chegada, uma caipirinha brinda as boas-vindas.“Gostodereceber.Éumprazer ter pessoas em casa.”


C6 Cidades/Metrópole %HermesFileInfo:C-6:20100725:

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DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

HABITAT A VIDA NAS CIDADES

estadão.com.br

O POVO NO PODER A República como lugar onde se governa com aval da população surgiu no século 5º a.C., em Roma. Até o século 1º a.C., o Fórum (em ruínas ao lado), era o centro das discussões políticas.

Online. Siga o caderno Metrópole pelo Twitter twitter.com/metropole_oesp AGLIBERTO LIMA/AE

Cemitérios têm m² mais caro que apartamento É o que se verifica em pelo menos nove deles espalhados por diferentes bairros de São Paulo Felipe Oda / JORNAL DA TARDE

É caro viver em São Paulo. Morrer também. A “lógica” da valorização imobiliária, em que o preço cobrado é o que o mercado está disposto a pagar, prova isso. O metro quadrado de nove cemitérios da capital é tão ou mais caro do que o de casas e apartamentos em seus bairros. Quem pretende comprar umterrenooujazigonoCemitério Parque dos Girassóis, em Parelheiros, na zona sul, por exemplo, começa pagando R$ 9.403 pelo metro quadrado e pode chegar a R$ 25 mil, se quiser adicionais, como ossário ou maior número de gavetas. O metro quadrado em um imóvel da vizinhança custa quatro vezes menos. À procura de apartamento na região do Morumbi, na zona sul, onde estão três dos cemitérios mais caros da cidade, os recém-casados Andréia e Renato Malta, ambos de 26 anos, se surpreenderam mais com o valor dos jazigos do que com o dos imóveis. “É estranhoimaginarqueosnossosfuturos vizinhos, que nem podem aproveitar a estrutura do local, pagaram mais do que nós”, disse Malta.

Aposentado tem renda extra como corretor funerário ● Aos 73 anos, João Batista pre-

fere dizer que é aposentado. Mas a maior parte da renda na casa do ex-vendedor não é da aposentadoria que recebe, mas dos “terrenos” que vende como corretor. “O dinheiro da aposentadoria é curto e precisei continuar na ativa”, diz. Por meio de conhecidos, Batista começou a vender jazigos em cemitérios particulares da cidade e hoje, apesar de não gostar da definição, é “corretor funerário”. Com a experiência de sete anos no setor, Batista afirma que a localização dos terrenos no cemitério é fundamental. “Quanto mais próximo de algum famoso ou da área do velório, mais nobre é o jazigo e maior a procura”, diz. Batista não revela quanto ganha. “Não seria ético.”

Ali, os Cemitérios Gethsêmani e Morumby refletem a valorização imobiliária do seu entorno: o preço do metro quadrado varia de R$ 2 mil a R$ 9.300. Isso

Mundo Urbano Por dentro da garagem ‘mais sexy’ dos EUA Quemdissequeumestacionamento para 300 automóveis precisa ser um grandeterreno vazio ou uma garagem cinza deconcretoeasfalto?EmMiami, um empreendedor investiunadamenosqueUS$65milhões para construir o que o está sendo chamado de “garagem mais sexy” dos Estados Unidos por veículos como o site da Bloomberg. Feito essencialmente de concreto e vidro, o prédio no

Hermínia dos Anjos Costa – Aos 89 anos. Filha de Antonio Augusto Pires e Maria Isabel Costa. Deixa filhos. O enterro foi no Cemitério de Congonhas. Juracy Barroso Vasconcellos – Aos 88 anos. Filha de José Alvim Barroso e Maria F. Barroso. O enter-

TERRA VALORIZADA l O valor médio do m2 de jazigos ou terrenos em nove dos 40 cemitérios da cidade supera o preço

do m2 de imóveis na mesma região 2

M ² IMOVEL

2

M ² JAZIGO

ZONA NORTE Jaçanã

Cemitério Parque dos Pinheiros

R$ 2.247

R$ 2.966

R$ 3.200

Cangaíba

ZONA LESTE

Cemitério da

R$ 1.952 Penha

Jaraguá

Cemitério Parque do Jaraguá

R$ 1.923

R$ 6.212,12

Itaquera

Tatuapé

R$ 3.173,78 Cemitério da

ZONA OESTE

Quarta Parada

Morumbi Vila Sônia

Cemitério Gethsêmani

Cemitério do Morumby

R$ 9.230,76

R$ 3.675,84

Cemitério do Carm Carmo

R$ 2.071

R$ 2.672

R$ 6.456,52 R$ 3.428

R$ 3.428

R$ 8.136,36 Jardim Marajoara

R$ 2.981

Cemitério Jardim Marajoara

ZONA SUL Parelheiros

Cemitério Parque dos Girassóis

OS LOCAIS COM M2 MAIS CARO DO MUNICÍPIO

R$ 9.403,40 R$ 2.485

R$ 11 mil

Higienópolis

R$ 10.900

Jardins

R$ 10 mil

Cidade Jardim

R$ 8.700

Ibirapuera

R$ 8.400

Itaim-Bibi

R$ 8 mil

Alto de Pinheiros

R$ 7 mil

Moema

R$ 6.800

Vila Nova Conceição

R$ 5.900

Vila Madalena

R$ 5.400

Real Parque

R$ 5.200

Campo Belo e Pinheiros

FONTES: SECRETARIA MUNICIPAL DE SERVIÇOS E EMPRESA BRASILEIRA DE ESTUDOS DE PATRIMÔNIO (EMBRAESP) E LOPES INTELIGÊNCIA DE MERCADO

INFOGRÁFICO/AE

Iuri Pitta

número 1.111 da Lincoln Road tem pisos com gabaritos variados: desde cerca de 2 metros a mais de 10 metros. Uma série de rampas e escadas ligam os andares,todoscercadosapenasdeparapeitos, propiciando uma vista geral da cidade. Praticamente não há paredes internas.Assim,oprojetoassinado pelo conceituado escritório suíço Herzog & de Meuron criou grandes áreas consideradas ideais para eventos como festas e casamentos ou mesmo lançamentos de filmes como Sex and The City 2. Fora isso, o prédio 1.111 também reúne apartamentos e escritórios num mesmo endereço, próximo de um dos principais centros de compras de Miami. Isso justifica o apelo “sexy” do empreendimento, não?

Falecimentos Olga Ribeiro Marini – Aos 99 anos. Filha de Francisco Demétrio Ribeiro e Anna Lataro Ribeiro. Deixa os filhos Alfredo e Antonio. O enterro foi no Cemitério de Santana.

é a lógica do mercado imobiliário, na visão do urbanista Renato Cymbalista. “Os cemitérios privados são um tipo específico de produção do solo imobiliário, que responde à lei de oferta e demanda, ou seja, o preço é o que o mercado se dispõe a pagar.” No caso dos cemitérios públicos, os valores são atribuídos também ao seu prestígio, afirma o geógrafo Eduardo Rezende, da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (Abec). “Alguns abrigam famílias célebres da cidade ou personalidades, como o Araçá, o São Paulo e do Morumby”, afirma. Pagar mais por esses locais tem a ver com a busca pela diferenciação. “Mesmo depois da morte, o ser humano quer ter ou manter o status”, diz. É o que faz ser tão caro o jazigo no Cemitério da Quarta Parada, na Água Rasa, zona leste, que é público. O metro quadrado ali custa cerca de R$ 3.173, enquanto o dos imóveis vizinhos, R$ 2.672. “Podemos pensar em mudar de ramo”, ironiza o corretor de imóveis Lauro Münggen. Também na zona leste, vizinhos do Cemitério do Carmo, em Itaquera, estranharam o fato de o metro quadrado dos imóveis, em média R$ 2 mil, de acordo com a Empresa Brasileira de Patrimônio (Embraesp), custar menos do que o do cemitério, em torno de R$ 3.700. “Pagar mais para comprar um jazigo do que uma casa? Bem estranho. Nunca soube disso! E o que o cemitério tem para custar tanto?”, questiona a dona de casa Eulália Figueira, de 45 anos. A resposta, mais uma vez, inspira-se nos recursos imobiliários para a valorização: enquantoosimóveissevalemdeinfraestrutura, como playground, espaçogourmetesegurança,oscemitérios também se valorizam com os serviços que oferecem – capela, fraldário, ambulatório. Hoje, quatro cemitérios na cidade oferecem jazigos gratuitos. DeacordocomoServiçoFunerárioda Prefeitura deSão Paulo, na Vila Formosa, Vila Nova Cachoeirinha, D. Bosco e São Luís, a única taxa cobrada é de R$ 59, pelo sepultamento.

ANDREW WINNING/REUTERS

CHINA

O dilema de crescer sem esquecer tradições

Feliz da vida Bastou o primeiro-ministro inglês, David Cameron, dar a Barack Obama uma pintura do artista de rua Ben Eine para imagens de seus grafites em Londres rodarem o mundo. Isso é que é garoto-propaganda!

A pujança da China tem transformado o horizonte de suas cidades. Para onde se olha, é quase impossível não ver canteiros de grandes avenidas ou modernos arranha-céus. Mas obras assim também fazem os chineses reverem seu passado – e travar o conhecido debate entre a promoção do desenvolvimento e a proteção das tradições. Um caso recente ilustra essa situação. O governo removeu comunidades seculares em Pequim para obras de reurbanização de um bairro que inclui um complexo turístico orçado em US$ 73 milhões (R$ 129 milhões). Os urbanistas chineses

temem o desaparecimento de hábitos e tradições do país. “Queremos preservar um modo de vida existente há séculos”, diz o professor de urbanismo Yao Yuan. NYT

INTERPRETAÇÃO “Todo grande arquiteto é um grande poeta. Ele tem de ser um intérprete de sua época” Frank Lloyd Wright (1867-1959) ARQUITETO AMERICANO QUE PROJETOU A SEDE DO MUSEU GUGGENHEIM, EM NOVA YORK

Para publicar anúncio fúnebre: Balcão Iguatemi – Shopping Iguatemi 1a - 04, tel. 3815-3523 / fax 3814-0120 – Atendimento de 2ª a sábado, das 10 às 22 horas, e aos domingos, das 14 às 20 horas. Balcão Limão – Av. Prof. Celestino Bourroul, 100, tel. 3856-2139 / 3857-4611 / fax 3856-2852 – Atendimento de 2ª a 6ª das 9 às 19 horas. Só serão publicadas notícias de falecimento/missa encaminhadas pelo e-mail falecimentos@grupoestado.com.br, com nome do remetente, endereço, RG e telefone

ro foi no Cemitério da Consolação. Philomena Caiat – Aos 88 anos. Filha de José Caiat e Josephina Santamaria Caiat. O enterro foi no Cemitério Gethsemani. Ignez Palermo Gabriel – Aos 80 anos. Filha de José Palermo e Palmyra Palermo. Deixa o filho Carlos José. O corpo foi transladado para o Crematório da Vila Alpina. Cenyra Rocha del Papa – Aos 77 anos. Filha de Francisco de Oli-

veira Rocha e Ophelia Vianna Rocha. Deixa as filhas Priscila e Monica. O corpo foi transladado para o Crematório da Vila Alpina. Armando Januário de Souza – Aos 67 anos. Deixa o filho Alex Januário. O enterro foi no Cemitério São Pedro. Bruno Rodrigues de Souza – Aos 66 anos. Filho de Francisco Justino de Souza e Laura Rodrigues de Souza. Deixa os filhos Abiano, Camila e Diogo. O enterro foi no

Cemitério da Vila Formosa. Armando Sergio Ludovico – Aos 63 anos. Filho de Dulce Vieira Ludovico, era casado com Alice Rocha de Azevedo Ludovico. Deixa os filhos Caio e Renata, a nora Luciana Del Chiaro Ludovico, o genro Marcel Costa Pereira, irmã e sobrinha. Paulo Victor Bustamante Rocca – Aos 46 anos. Filho de Joço Baptista Rocca Filho e Vera Regina de Vasconcellos Bustamante. Deixa as filhas Isabella e Daniela. O corpo foi transladado para o Crematório da Vila Alpina. Kurt F. Miller– Deixa a esposa Maria Theresia, os filhos Joerg e Andreas. O velório será hoje, das 8 às 11 horas, no Cemitério e Crematório Horto Paz. MISSAS

Saudosista da São Paulo de outros tempos Sérgio da Costa Lima foi diretor de Recursos Humanos do Banco do Commercio e IndústriadeSão Paulo,mas começou com office-boy, aos 14 anos, na mesma empresa. Maria Aparecida Cioffi Gomide – Amanhã, às 11 horas, na Igreja São José, na Rua Dinamarca, 32, Jardim Europa (7º dia).

Aprendeu tudo com os funcionários mais velhos, muito bem preparados, que lhe serviram como mestres. Entrou na faculdade deadministração somente aos 28 anos. Ele trabalhou por cerca de 30 anos no centro – no prédio onde depois seria a Bolsa de Valores – e era um saudosista da antiga São Paulo, quando as pessoas podiam andar sozinhas nas ruas à noite. Sempre atualizado, gostava do cotidiano da capital paulista eeragrandeconhecedorda história da metrópole. Dia 22, aos 68 anos. Wilson Marcelino da Silva – Hoje, às 18h30, na Igreja Assunção de Nossa Senhora, na Alameda Lorena, 665-A, Jardim Paulista.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Cidades/Metrópole C7 LEONARDO SOARES/AE

Identificação. Denise, no momento sem namorado, viu ‘Confissões das Mulheres de 30’ cinco vezes e já comprou ingressos para o fim de semana; leva os amigos para observar as reações

Universo feminino ganha palcos – e plateias – da cidade Nunca o circuito teatral paulistano teve tantas peças inspiradas no dia a dia das mulheres. Só nesta semana são nove em cartaz LEONARDO SOARES/AE

Nataly Costa Paulo Sampaio

O cabo da Polícia Militar Marcelo Bigon se apresentou ontem ao 23.º Batalhão de Polícia Militar, depoisdeteraprisãoadministrativa determinada pelo comandante da corporação, coronel Mário Sérgio Duarte. Bigon e o

LENISE PINHEIRO/ DIVULGAÇÃO

Mulheres Alteradas

Com: Luiza Tomé, Mel Lisboa, Daniele Valente e André Bankoff (foto). Teatro Procópio Ferreira, Rua Augusta, 2.823. Ingresso: R$ 50 (sex.), R$ 60 (dom.) e R$ 70 (sáb.). Sexta e sábado: 21h30. Domingo: 19h. Até 26/9. ● Confissões

das Mulheres de 30

Com: Juliana Araripe, Camila Raffanti e Patrícia Pichamone. Teatro Gazeta, Av. Paulista, 900. Ingresso: R$ 50 (sex. e dom.) e R$ 60 (sáb.). Sexta, às 21h. Sábado, às 20h. Domingo, às 18h. Até 8/8.

Casal TPM

Com: Paula Giannini e Amauri Ernani. Teatro Maria Della Costa, Rua Paim, 72. Ingresso: R$ 40 (sex. e dom.) e R$ 50 (sáb.). Sexta: 21h30. Sábado: 21h. Domingo: 19h30. Até 28/11. ●

Medeia, a Mulher Fera DIVULGAÇÃO

TPM Katrina

Com: Flávia Garrafa e Paulo Coronato. Teatro Folha, Avenida Higienópolis, 618. Ingresso: R$ 20 e R$ 30. Quarta e quinta: 21h. Até 29/7. ●

As Encalhadas

Com: Miriam Palma, Romana Vasconcelos e Liliana Lima. Teatro Ruth Escobar, Rua dos Ingleses, 209. Ingresso: R$ 40. Sábado: 19h. Até 28/8.

Ivan e Luciana. Entre os casais, a iniciativa é feminina ● Santa, Eu?! Com: Juliana Ayres. Teatro Bibi Ferreira, Avenida Brig. Luís Antônio, 931. Ingresso: R$ 40. Sextas: 23h59. Até 10/9.

Escolha. À propósito, o empre-

ramente feminino” de quase 1 milhão de pessoas. Explicação. Para a psicanalista

Dorli Kamkhagi, do Instituto de Psiquiatria da USP, a mulher de uma cidade caótica como São ● Expectativa de público

MARIA RITA SAYÃO NA PLATEIA DE TPM KATRINA “SP tem um nº de desesperadas suficiente para lotar esses espetáculos durante séculos”

Cabo que liberou carro de atropelador se apresenta Talita Figueiredo / RIO

ESCOLHA SUA PEÇA

sargento Marcelo Leal de Souza Martin são suspeitos de achacar o motorista Rafael Bussamra, que atropelou e matou o filho da atriz Cissa Guimarães, Rafael Mascarenhas, de 18 anos, quandoandavadeskatenotúnelAcústico, na Gávea, zona sul do Rio, na madrugada de terça-feira. Até as 13h de ontem, o sargento não havia se apresentado. Segundo nota da Polícia Militar, em depoimento na 15.ª Delegacia de Polícia, Roberto Bussa-

Pauloestá maisvulnerável àsolidão, ao desamparo, à competição, e lida com isso em regime de urgência.“Vivemosa200porhora,éprecisoserbonita,inteligente, independente, boa esposa. De repente, você vê tudo isso retratado com humor em uma peça. Só pode ser um sucesso”, diz. São Paulo tem cerca de 160 teatroseumaenormedisposiçãopara lotá-los, até mesmo nos horários “alternativos” (começo da semana). Quando o espetáculo é bom, vai para o “horário nobre”. TPM Katrina, que vem mantendo ocupados os 300 lugares do

sário Ivan Vale Ferreira, de 29 anos, conta na sessão de sexta feira de Confissões.. que a ideia de ir ao espetáculo foi de sua mulher, a professora Luciana Gomes, de 29. O casal confirma a teoriade MônicaMartelli.Lucianacontaque,antesdelevaromarido para assistir ao espetáculo, ouviu dele: “Mas não é peça de mulherzinha, né?” E: “Você tá me devendo essa. Vai ter de ir ao próximojogodoCorinthians comigo.” À saída do teatro, Ivan afirmou que “não foi uma tortura”.“Eu nãomeincomodo devir, até me divirto”, resigna-se.

mra, pai do atropelador, disse que o cabo e o sargento exigiram R$ 10 mil de Bussamra para deixar que ele fosse embora. Roberto Bussamra afirmou que, após o acidente, o filho ligou,dizendoquepoliciaismilitares exigiam dele R$ 10 mil para não levar o caso à delegacia. O pai entregou R$ 1 mil e, pela manhã, quando tentava sacar o restante,soubequeo atropeladoestava morto. Bussamra negou-se adarorestantedodinheiroeprocurou um advogado. Os dois agentes já haviam sido afastados e respondiam a inquérito policial militar. Prisão negada. Ontem, a Cor-

Justiça a prisão preventiva do sargento e do cabo, mas o pedido foi negado pelo juiz de plantão doTribunal de Justiça do Rio, Alberto Fraga. A negativa não invalida a prisão administrativa por 72 horas. Amanhã, o Ministério Público Militar deve pedir à Auditoria Militar novamente a prisão preventiva de ambos. O governador do Rio, Sérgio Cabral, disse ontem que a ProcuradoriadoEstadorecorrerá da decisão do juiz. “O que esses policiais fizeram é de umamarginalidadequeenvergonha”, disse Cabral. “Policial que age assim é bandido ao quadrado.” / COLABOROU

regedoria Interna da PM pediu à

MARCELO AULER

● Maternidades VIVIAN ABRAVANEL/ DIVULGAÇÃO

A engenheira eletricista Denise Límpias comprou ingresso para assistir neste fim de semana, pela quinta vez, ao espetáculo Confissões das Mulheres de 30. A caminho dos 31, Denise diz que entrou em crise no dia de seu aniversário. A angústia a levou a consumir literatura especializada. Começou a ler A Mulher de Trinta Anos, de Balzac, mas achou “chatíssimo”. “Morria de sono.” Moradora da Vila Nova Cachoeirinha (zona norte de São Paulo), ela descobriu no texto da peça algo mais próximo no tempo e no espaço. A obra fala de amor, sexo, casamento,“questõesdo universo feminino”, como resume a atriz e coautora Juliana Araripe, de 32 anos. Se Denise resolvesse frequentar com a mesma assiduidade todas as peças sobre o “universo feminino” em cartaz na cidade, teria programa garantido até o fim do ano. São nove. Especialistas tentam explicar o que faz de São Paulo uma hospedeira tão contumaz dessa temática. Quem é o público? “Teatro é coisa de mulher. Ela vai e arrasta o homem”, acha Mônica Martelli, autora de Os Homens São de Marte..E é pra lá que eu Vou!. Mônica fala com a autoridade de quem ficou cinco anos em cartaz e atraiu um público “esmagado-

Teatro Folha, em Higienópolis, será promovido. “Vamos levá-lo parao fimde semana”, diz odiretor artístico do teatro, Isser Korik. No espetáculo, o marido não abre a boca, apenas reage com os músculos do rosto às investidas histéricas da mulher. Os envolvidos nas produções de “temática feminina” não gostamdeexpressõescomo“fórmula” e “caça-níqueis”. Por mais que os espetáculos deem um bomretornofinanceiro, elespreferem dizer que o êxito se deve à “abordagem honesta”. “Não escrevo pensando em dinheiro, escrevo o que eu sei escrever”, diz Regiana Antonini, de 47 anos, que atualmente finaliza um texto chamada AMADAS – Associação das Mulheres que Amanheceram Despencadas. Carioca, ela já têmoutras trêspeçasprontaspara montar em São Paulo. “Aqui as pessoas têm o costume de ir ao teatro e são fiéis ao espetáculo, conhecem o autor, repercutem”,acredita. Nasemana passada, ela esteve na cidade para acompanhar a leitura de Chá das 5, em que nove homens fazem o papel de nove mulheres. Trará ainda Compulsão e O Filho da Mãe. Nesta última, a mãe é o ator Eduardo Martini, famosíssimo pelo monólogo I Love Neide - Manual de Sobrevivência de Uma Cinquentona Atrevida, visto por mais de100milpessoas.Outrossucessos dele são Até que o casamento nos Separe e As Dez Maneiras de Destruir Um Casamento.

Com: Amanda Acosta (foto). Teatro Imprensa, Rua Jaceguai, 400. R$ 30. Sábado: 21h. Domingo: 19h. Até 26/9.

Com: Adriano Merlini, Melany Kern e Rafael Tosta (foto acima). Espaço dos Satyros 2, Pça. Franklin Roosevelt, 134. Ingresso: R$ 5 (moradores da Roosevelt) e R$ 30. Sexta: 23h59. Até 30/07. ●

Terapia para Mulheres

Com: Paula Giannini, Amauri Ernani e Shirley Bonani. Teatro Maria Della Costa, Rua Paim, 72. Ingresso: R$ 10 (campanha Teatro É 10!) e R$ 40. Sábado: 22h40. Até 27/11.

Polícia ouve testemunhas de acidente com jet ski A polícia do Guarujá começa a ouvir esta semana os familiares da estudante Daniela Magela de Oliveira, de 17 anos, moradora da capital, morta no fim da tarde de quinta-feira, na Praia da Enseada, no Guarujá, após o jet ski que pilotava, alugado no local, bater em outro jet ski, comandadopelomilitardoExércitoRicardo Augusto dos Santos, de 28 anos.Nenhumdosdoistinhahabilitação para pilotar o veículo. DeacordocomodelegadoCar-

los Schneider, responsável pelo inquérito que apura o caso, serão ouvidos parentes da vítima, testemunhas e o piloto do outro jet ski. Santos foi indiciado por homicídio culposo – sem intenção de matar.Elefoiliberadonamadrugada de sexta-feira, após pagar fiançadeR$700edeverá responder ao inquérito em liberdade. A Capitania dos Portos do Estado deSão Paulo também investigao caso. / ZULEIDE BARROS


C8 Cidades/Metrópole %HermesFileInfo:C-8:20100725:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

PAULISTÂNIA UMA CIDADE E SUA GENTE

FRPÓ.RTER OTORRE

F

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ESPECIAL FÉRIAS As férias de inverno são tema do próximo FotoRepórter Especial. Mande sua foto até quinta-feira para o e-mail fr@estadao.com.br. As melhores serão publicadas no próximo domingo.

O PRODUTOR QUE CRIA A SÃO PAULO DOS FILMES Especialista em locações, Paulo ‘Punkadão’ acha mais fácil encontrar aqui do que em Paris seu cenário ideal, mas já teve de pagar aluguel até para bandidos

Paulo Sampaio

F

inalmente alguém encontrou uma serventia para a promiscuidade arquitetônica que forma a paisagem de São Paulo. O produtor de locações Paulo “Punkadão” Sakopniak, de 34 anos, há 12 na função, diz que é muito mais fácil encontrar o cenário ideal aqui do que, por exemplo, em Paris, onde“tudoélindo,masmuitoparecido”. “Em São Paulo você acha prédio neoclássico, moderno, galpão, barraco,mansão,fábricaabandonada,‘predinho europeu’, vila, casa geminada”,diz o responsávelpelaambientação de filmes como Linha de Passe, As Melhores Coisas do Mundo, Lula – O Filho do Brasil e O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias. Descendente de ucranianos, ele nasceu no ABC, fez metade do curso de publicidadee começou em produção de comerciais. Na ocasião, arrumou um estágio em um estúdio na Pompeia. “Varri chão, lavei banheiro, pagava pra trabalhar”, lembra. O primeiro longa foi Carandiru, de Hector Babenco, de quem ele não guarda boas lembranças. Babenco não quis comentar. De lá pra cá, Punkadão filmou com Laís Bodanzky, Walter Salles, Sérgio Bianchi, Cao Hamburger, Beto Brant, enfim, sem contar os filmes publicitários. “Não existem muitos produtores de locação”, explica. Com a cidade toda na cabeça – e emumHD com300milfotos de locações –, Punkadão elege a Liberdade como bairro favorito. Define a região como “uma salada de universos, com infinitas possibilidades”. Entre os locais mais filmados estão o Edifício Copan e o Parque do Ibirapuera. Em suas buscas, quando avista uma casa fotogênica, ele bate palmas à porta. Para o proprietário, pode ser um bom negócio. Segundo Punkadão, há quem viva do aluguel do imóvel para locação. O artista plástico Dudu Santos já locou o dele mais de 20 vezes. “Não é simples como se imagina.Eles fazemumabagunçadanada. Entram umas 70, 80 pessoas”, diz o artista, que mora em um casarão modernista no Morumbi e ganha

WHERTER SANTANA/AE

● Experiência

“Antes, eu fazia 300 fotos de uma locação para mostrar ao diretor. Hoje, já tenho o olhar de cineasta: quatro fotos bastam” “Em publicidade, o diretor presta mais atenção em detalhes. Às vezes, você demora uma semana para achar um banheiro” “Ajudei a negociar uma escada de incêndio num prédio atrás do Copan por R$ 50 mil. Era uma produção americana”

cerca de R$ 5 mil por dia de aluguel. Ele acredita que o interesse vem da versatilidade do lugar, que tem 600 metros quadrados,pé-direitode 8metros e pode funcionar como estúdio, casa ou prédio. Santos não teve “o menor interesse” em assistir aos filmes rodados na casa. “Eles gastam uma fortuna para produzir um comercial e, quando você vê na TV, se pergunta: ‘Precisava de uma casa premiada (pelo projeto arquitetônico) para isso?’” Faculdade ‘deletada’. Punkadão explica que, de fato, os diretores “pintam e bordam na hora da edição”. “O dia vira noite, o Minhocão fica bonito, o que não interessa simplesmente desaparece.” Recentemente, em um comercial de desodorante gravado com Felipe Massa no centrão velho de São Paulo, “deletaram” a Faculdade do Largo de São Francisco . “Colocaram uns predinhos franceses no lugar.” Filmar na rua custa dinheiro. “Você paga por hora (àCompanhia deEngenharia de Tráfego, CET). Parou a frota na calçada, paga; não pode dia de semana e à noite é mais caro.” A CET informa que, de acordo com a Lei de Eventos, os custos de filmagens podem ir de R$ 119,13 a R$ 1.634,18, dependendo da ocupação viária, do impacto no trânsito e dasnecessidadesoperacionais.Onúmero de solicitações para filmagens subiu de 186 para 419, desde janeiro de 2009. Para ajudá-lo com a burocracia, Punkadão conta com a ajuda de um setor da Prefeitura chamado “film comission”. Ainda assim, nada ocorre de um dia

Vila. Punkadão posa na locação de um comercial para TV na Barra Funda para o outro. Em caso de emergência, ele lança mão de boas locações de externas, como o Centro Empresarial, na zona sul. “Quem autoriza é o condomínio, não a CET”, diz. Outro curinga quando se precisa de um escritório elegante é a

sede da incorporadora Tibério, na Avenida Brasil. “A filmagem tem de ser das 17h às 6h, para não atrapalhar o expediente”,afirmaasecretáriaexecutivaJuliana Marques, quetrata doassunto. Ali, a locação sai por R$ 1.400 a hora.

Anegociaçãoéporconta de Punkadão. Para rodar uma minissérie em uma favela na Brasilândia, ele diz que precisou “pagar aluguel” para criminosos que dominavam a área. “Não dá pra ir entrando assim. Tudo tem um preço ”, explica. O dia de trabalho de Punkadão custa R$ 3 mil. Se aumentam as locações, em caso de comerciais, o cachê sobe. Ele diz que chegou a ganhar R$ 18 mil emuma semana.Eprefere cinema: dá estabilidade por um período maior. Desde o começo. O produtor de locação é um dos primeiros convocados pelo diretor. Ele recebe o roteiro, lê e tenta enxergar os ambientes. Nem sempre consegue. “Em Bruna Surfistinhaeuestavanomeiodoroteiro e não ‘via’ o filme. Precisei conversar com o Marcus (Baldini, diretor).” Em sua pesquisa dos ambientes frequentáveis por Surfistinha, ele percorreu “quitinetes, inferninhos, motéis cinco estrelas, clubes noturnos”. Mas o que Punkadão gosta mesmo éderealizar ideiasaparentementeestapafúrdias, como na vez em que alugou um lago, em São Bernardo do Campo,para ambientar uma enchente no filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Mandei tirar todosospeixes,esvazieiolago,aequipe de arte entrou e reconstituiu nossa locação na Vila Carioca (não era possível simular uma enchente no bairro).” Encheram de novo o lago de água e Glória Pires entrou no cenário inundado, para filmar. “Quando acabou, desmontamos tudo e devolvemos os peixes.” A conta: R$ 90 mil. Punkadão trabalha muito, mas também se diverte. A história mais engraçada de seu currículo é a de um filme que mostra um contrabandista oriental à solta pela cidade. A equipe veio da China disposta a transformar São Paulo na “Plastic City” do título. “Os personagens voavam de uma pilastra para outra das obras do Fura Fila. Tinha sangue esguichando para todo lado e até neve caía em São Paulo”, lembra. Destavez, acidade cenográfica não conseguiu salvar o estrepitoso roteiro. “O filme foi um fiasco de público e crítica”, diz Punkadão. OTÁVIO DE SOUZA

FOTOS DIVULGAÇÃO

Rua. ‘O ano em que os meus pais...’

Histórias da garoa HERANÇAS

Cantos e cartas de luso-paulistanos Há anos, viajando no interior de Portugal, encontrei no ambiente da fria Serra da Estrela um cenário de pequenas propriedades, com gente do campo vivendo em sítios cercados por muros de pedras. A bucólica paisagem pedrenta da bela região da Beira, que tem um parque nacional, levou-me a pensar nas dificuldades encontradas pelos desbravadores portugueses que aqui, no quinhentista planalto paulista, sem a abundância das pedras, tiveram de recorrer ao barro e às varas para erguer muros e paredes – na hoje escassa, porém famosa, engenharia da taipa. Aquela São Paulo aparece em diversas obras literárias, ensaios, pesquisas, pin-

Bola. ‘Linha de Passe’, feito em 2008

estadão.com.br

Pablo Pereira

turas ensinando como um punhado de aventureiros d’além-mar criou do nada as bases da metrópole. O Brasil não era Brasil e Portugal já tinha fronteira consolidada. Camões escrevia os cantos de seus Os Lusíadas mais ou menos nos mesmos dias, aí pelos 1550/70, nos quais Anchieta, por aqui, redigia suas cartas – que podem ser vistas no Mosteiro de São Bento. Pouco restou desse lastro português. Mas a São Paulo moderna soube conservar parte da gente ibérica, presente hoje menos na arquitetura e mais nos hábitos e costumes. Semana passada, “viajei” novamente a Coimbra e região, desta vez pelas páginas de 90 anos do Clube Português, de São Paulo, livro lançado na sexta-feira. E encontrei lá diversas pistas da herança portuguesa na cidade. O clube, que tem rico acervo, foi fundado em 14 de julho de 1920, em Perdizes, mas está na Liberdade. Conta histórias de ancestrais dos Er-

‘Lula’. Lago teve de ser refeito para o filme

blogs.estadao.com.br/blog-da-garoa

RELÍQUIAS

Obras raras no acervo português

Camões. Óleo de A. Neves e Souza

Arquiteto. Ricardo Severo

mírio de Moraes, e de outros luso-paulistanos, como o arquiteto Ricardo Severo (1869-1940). Nascido em Lisboa, criado no Porto, mas que morreu em São Paulo. “Queremos restaurar o clube”, diz o

advogado José de Oliveira Magalhães vice-presidente da entidade, ele próprio “um brasileiro nascido em Portugal”. Magalhães é de Cabeceiras de Basto, Braga.

Um rico acervo mora no Clube Português. São obras raras, relacionadas no livro organizado por João Alves das Neves. Há adornos, coleções de revistas e jornais, telas e livros centenários, como Vocabulário Portuguez e Latino, de Raphael Bluteau, publicado em Coimbra em 1712, e as Rimas várias de Luis de Camões, comentadas por Manuel de Farias y Souza, edição de 1685, de Lisboa. Ou, ainda, o Poema Épico A Liberdade de Portugal defendida pelo Senhor Rey D. João I, da Real Officina da Universidade, em 1782. Há lá a história de Inês de Castro, a rainha morta do d. Pedro I português – os túmulos estão lado a lado no belo Mosteiro de Alcobaça.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010 ANO XXIV – Nº 8072

Caderno2

Cinema

Jackie Chan, o ‘japa’ pop. Pág. D6

DOMINGO IN

http://www.estadão.com.br

ANDREA COMAS/REUTERS

FOTOS DE BRENO ROTATORI /DIVULGAÇÃO

FESTIVAL EM CONSTRUÇÃO

Ao ar livre. Concerto da Sinfônica de Santo André no palco montado na Praça do Capivari, no centro de Campos: com mais concertos, objetivo é dobrar público do ano passado, cerca de 50 mil pessoas

Entrando na última semana, a mostra de Campos do Jordão esboça proposta nova baseada no tripé pedagogia, música contemporânea e trabalho social João Luiz Sampaio CAMPOS DO JORDÃO

A pianista Maria João Pires é aguardada por olhos e mãos ansiosos. Mas, pequenina e tímida, é ela quem se surpreende ao entrar e constatar a classe cheia de estudantes. Ouve a primeira aluna, Érika Ribeiro: Beethoven, sonataOp.110.“Nãopensenatécnica, sinta seu corpo”, aconselha. A menina recomeça: outro som. “Não costumo gostar desse efeito,masvocêmeconvenceu,ficou bom, orgânico”, admite a mestra. “Mano,muitoloco.” Omenino de boné, calça jeans e moletom surrado deixa empolgado a Sala São Paulo. Acabara de ouvir Partiels, de Gérard Grisey, símbolo da vanguarda francesa, que se encerracomosmúsicosselevantando,limpandoosinstrumentos,sacudindo as partituras. “Doido foi aquela só com percussão”, diz o colega, se referindo a Peaux, de Iannis Xenakis. Oitoanosdeidade,ummenino correemdireçãoaopalcodoauditório de um antigo hospital do bairro da Abernéssia. Ao ouvir seu nome, quase tropeçando no tênis de velcro que se embanana na barra da calça, quer receber o livro que nas próximas semanas vaiajudá-loemsuaintroduçãoao mundo da música. Depois, com

os colegas, forma a roda, e canta e dança ao som de antiga melodia folclórica israelense, puxada por alunos de pedagogia e música. As três cenas, juntas, querem formar um roteiro novo para o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Ao longo de 40 anos de história, o evento se reinventou diversas vezes; agora, busca outra cara apoiado no tripé pedagogia, música nova e trabalho social, processo iniciado no ano passado, quando passou a ser comandado pela Santa Marcelina Cultura, organização socialquecontrolaaindaaEscola de Música do Estado de São PauloeboapartedoProjetoGuri,projeto de formação musical. Dois termos se adicionam à misturado“novoCampos”–integração e institucionalização. A Osesp, por exemplo – grupo ligadoaoEstado,aindaque controla-

do por outra fundação –, foi convocada como orquestra residente do festival, com temporada de concertos no alto da serra; e as crianças do Guri têm frequentado as apresentações realizadas em São Paulo. No que diz respeito à institucionalização, a saída do maestro Roberto Minczuk, diretoratéoanopassado,foi‘vendida’ como sinal claro de substituição de uma personalidade forte pela “força de um projeto”. “Estamos começando um processo”, diz a irmã Rosane Ghedin, diretora da Santa Marcelina, enquanto checa mensagens em seu iPhone e conversa com o Estado. “Entendemos que as instituições servem às necessidades daspessoase,porisso,sãoapolíticas. Nosso compromisso é com o sociale,paratanto,temcomoobjetivo fortalecer as instituições e, assim, criar uma nova cultura.” ● Futuro

Com projeto de MMBB Arquitetos, maquete de complexo que vai abrigar salas de aulas e alojamentos

No palco, a programação já se abre a novas possibilidades. Se medalhões como Nelson Freire, Antonio Meneses ou Maria João Pirescontinuamadarcoloridoespecial à agenda, artistas menos conhecidos têm saído do gueto – e nomes como os integrantes do QuartetoArdittiouopianistabrasileiroPaulo Álvares, especializados na música contemporânea, passam a atrair alunos e público. O compositor Silvio Ferraz, diretor artístico do festival, não esconde que também aqui está ainda se tateando. “Estamos atirando para vários lados e sentindo o que essa ampliação de leque nos oferece para os próximos anos”, diz. Paulo Zuben, diretor geral, vai além. “O grande sentido de atrair esses artistas a Campos é tê-los aqui para conviver com os bolsistas e não apenas para fazer umoudoisconcertos.”Outramudançafoiaformataçãodaorquestra acadêmica, que passa a ser integrada apenas por alunos, que, com o aumento em uma semana na duração do festival, não precisaram trocar aulas por ensaios – e os concertosdeencerramento no final desta semana pode-

precisa ser diminuído. “A música éuminstrumento”,diz.“Nãoapenaspodeservistacomoumcaminho profissional mas, também, como mote para um trabalho de cidadania.”

● Números

Valores sugerem ritmo de crescimento

170

músicos foram selecionados como bolsistas nesta edição

250

estudantes do Projeto Guri estiveram em cada concerto

R$ 6,5 mi

é o orçamento deste ano do festival, quase 50% maior do que em edições anteriores

rão servir de termômetro. Noorçamentodesteanodofestival, que gira em torno de R$ 6,5 milhões, o que significa cerca de 50% de aumento com relação aos anos anteriores, espaço foi dedicadotambémaumanovapolítica de contato com a cidade. No concerto de abertura, Irmã Rosane lembrou que se trata de uma das cidadesmais pobres doEstado – e que o contraste entre o glamour do festival e a realidade socioeconômica da região

Os locais. Para tanto, será preciso mexer em um problema antigo.Nascomunidadeslocais,apercepção é uma só: moradores não apenas não se sentem bem-vindosno festival,comoo quadroleva a um ressentimento com relação ao evento. Nem mesmo as conversas e os ingressos a R$ 5 foramsuficientespararedefiniro quadro. “É necessária uma mudançamaisampladecultura”,diz Irmã Rosane. “E isso se faz do começo, trabalhando com as crianças e professores da cidade. A capacitaçãotemcomoobjetivointegrarofestivalàcomunidadeetrabalhara artee seu poder detransformação”, completa Zuben. Além das aulas – e do acompanhamento de assistentes sociais do Projeto Guri –, um dos pilares da proposta é aconstrução de um novocomplexoaoladodoAuditório Claudio Santoro, que vai abrigar salas de aula, alojamento para bolsistas e salas de concerto, estruturaqueforadofestivalvaiservir a Campos. A princípio previsto para o começo do ano, o início das obras ficou para o segundo semestre. Segundo a secretaria de Cultura, ainda não há data ou mesmo um orçamento definido. Leia análise sobre os rumos do repertório do festival na Pág. D9

NO ALTO DA SERRA

Aula. Maria João Pires durante uma das 39 master classes programadas para este ano

7 8 9 10 11 12

Integração social. Crianças e professores da região ganharam projeto próprio de formação musical: vivências

Projeto. Aulas de música foram dadas para 250 crianças da rede pública local de ensino

Estrelas. Nelson Freire durante apresentação em Campos

}


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

seleção da semana* WILSON SANTOS/CPDO

C JB/DIVULGAÇÃO

UMA NOITE EM 67 Direção: Renato Terra, Ricardo Calil. Gênero: Documentário (85 minutos). Censura: Livre. Quando: Estreia prometida para sexta.

FELLINI Quando: Quinta-feira, às 23h. Onde: Comitê (700 lugares). Rua Augusta, 609, Centro, telefone: 3237-3068. Quanto: R$ 30. ARQUIVO/AE

UMA GUERRA MUSICAL Naatualondadedocumentáriosmusicaisqueassola o cinema brasileiro – com ótimas contribuições para o entendimento da cultura e a excelência da arte cinematográfica no País –, mais um título importante vem se somar a outro em cartaz. Estreia na próxima sexta, dia 30, Uma Noite em 67. O filme realizado em parceria por Ricardo Calil e Renato Terra reconstitui o clima de guerra no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967. Soma-se a Dzi Croquettes, de outra dupla, Tatiana Issa e Raphael Issa, já em exibição nos cinemas. Ambos passaram por festivais, colecionando prêmios. Dzi Croquettes retraça a trajetória do grupo de artistas libertários que afrontou – e enfrentou – a ditadura do regime militar com seu comportamento, sua simples presença cênica, mas cuja arte, mistura de canto, dança e performance, era também importante, vanguardística até. As vanguardas, no plural, também estão em cho-

que no documentário de Calil e Terra. Naquele ano, competiam duas tendências que não eramsó musicais, no Festivalda Record. Havia a canção de protesto, a música engajada de Geraldo Vandré e Chico Buarque, havia a experimentação de Edu Lobo e também a revolução dos baianos CaetanoVeloso eGilberto Gil, queintegravam a guitarra elétrica à MPB e colhiam todo tipo de reação. Houve até um protesto contra a guitarra, que reuniu nomes consagrados, todos protestan-

do contra o que parecia a invasão colonialista – imperialista? – da música popular no País. A guitarra vinha para alienar, ocupar corações e mentes nesta outra frente de batalha? O Festival da Record foi um embate ideológico, não apenas musical. Ricardo Calil e Renato Terra reconstituem aquela noite memorável de 1967. Ponteio, Domingo no Parque, Roda Viva e Alegria, Alegria faziam história. Talvez fosse difícil perceber, mas quem iria ganhar era a MPB. / LUIZ CARLOS MERTEN

KEITH HARING Quando: de 31/7 a 5/9. Onde: Caixa Cultural. Galeria Vitrine da Paulista. Av. Paulista, 2.083, Conjunto Nacional, 3321-4400. Quanto: Grátis.

RABISCO – UM CACHORRO PERFEITO Quando: Hoje, às 15h30. Onde: Sesc Santana. Teatro. Avenida Luís Dumont Villares, 579, 2971-8700. Quanto: R$ 5.

EMOÇÕES BARATAS Estreia: dia 29/7, às 21 h. Onde: Estúdio EMME (Av. Pedroso de Morais, 1.036, Pinheiros, tel. 3031-3290). Quanto: de R$ 50 a R$ 80.

Atitude. Sérgio Ricardo: vaias e violão na plateia

DIVULGAÇÃO

FELLINI VIVE DE NOVO Quem acha que a mistura de rock com MPB de Los Hermanos é muito original pode constatar que o Fellini já fazia isso antes até dos Paralamas do Sucesso. Os tropicalistas, Jorge Ben, Erasmo Carlos e Novos Baianos já tinham experimentado essas fusões, mas o Fellini deu uma nova cara ao estilo, ligando o gosto pela música brasileira às novidades do pós-punk, na base do ‘do it yourself’. Cadão Volpato e Thomas Pappon são nomes lendários dessa vertente e agora comemoram os 25 anos da banda. / LAURO LISBOA GARCIA

RE-UNIÃO Quando: Sexta-feira, à 0 h. Onde: Comitê (700 lugares). Rua Augusta, 609, telefone: 3237-3068. Quanto: R$ 30.

LUIZ TRIPOLLI/ DIVULGAÇÃO

COMITÊ CLUB/DIVULGAÇÃO

O CÃO MODERNINHO

ARTE DE KEITH HARING Seleção de 94 obras do artista americano Keith Haring (1958-1990), que ganhou projeção pelas criações que realizava nas ruas de Nova York, compõe a mostra que será aberta no sábado na Caixa Cultural da Avenida Paulista. / CAMILA MOLINA

Você tem mais uma chance de ver o criativo Rabisco – Um Cachorro Perfeito: hoje (domingo), às 15h30. É a atração infantil mais ‘contemporânea’ em cartaz, no que diz respeito à inovação de linguagem, ao uso de múltiplos recursos cênicos e audiovisuais. Mas não se assuste. Rabisco sabe tirar o melhor proveito da tecnologia, sem ser grosseiro ou estrambótico, sem deixar de ser poético e de emocionar. Inspirandose nos trabalhos do grupo holandês Hotel Modern, o diretor Sidnei Caria usa videocenários e os chamados puppet toys. / DIB CARNEIRO NETO

EM RITMO DE CABARÉ

GROOVERIA

Passados mais de 22 anos, José Possi Neto remonta um de seus espetáculos de maior sucesso: Emoções Baratas. No musical, que ficou em cartaz por mais de dois anos, o diretor recria o ambiente de um clube de jazz. / MARIA EUGÊNIA DE MENEZES

Freestyle. A face mais suingada do nosso hip-hop se reúne no Comitê Club. Os MCs cariocas Black Alien e BNegão e o DJ paulista Zegon fazem o show Re-União. Ex-Planet Hemp, misturam ragga, dancehall, samba. Laboratório de sons. / J.M.

MASAO GOTO FILHO/AE

mesa para dois Maria Eugênia de Menezes

BETE COELHO DEPOIS DE UM TEMPO NO PAPEL DE DIRETORA, ELA VOLTA AOS PALCOS EM CURTÍSSIMA TEMPORADA COM A PEÇA O TERCEIRO SINAL E PLANEJA OUTRAS DUAS NOVAS MONTAGENS ●O

QUE BEBEU

● Você disse que planeja uma temporada de O Homem da Tarja Preta na periferia. O que se pode fazer para que o teatro volte a ser popular?

A gente faz tudo dentro do circuitinho, queria movimentar esse padrão. Os teatros populares, os teatros das prefeituras, precisam ter condições de receber peças, porque geralmente não têm. Não têm refletor, não têm camarim. E existe também esse padrão – de gravar novela e vir aqui fazer teatro só no fim de semana – que é muito chato. O teatro encurtou muito. Sou de uma geração que se apresentava de segunda a segunda. ●O

● Mas você acha que a televisão pautou essa mudança?

Não sei o que começou primeiro. De qualquer maneira, as dificuldades de produção são imensas. Não se consegue pautar um teatro para ficar um ano, seis meses. Demora, às vezes, dois anos para levantar uma produção e depois faz uma temporada de dois meses. ● Você fez novelas muitas vezes, mas continua identificada essencialmente como uma atriz de teatro. Por quê?

Existem algumas alternativas. Ou eu não faço televisão bem ou é o meu amor pelo teatro. O

QUE COMEU

teatro me dá um cansaço que me revitaliza, que me faz virar madrugadas, ir atrás de coisas de produção. Essa identificação é um resultado disso, daquilo que a gente se propõe a fazer. E eu também não sei fazer outra coisa. Só posso fazer isso. ● Sua história está ligada a gran-

des grupos. Você passou pelo CPT, ajudou a fundar a Ópera Seca, com Gerald Thomas. Por que sentiu a necessidade de criar essa nova companhia, BR 116?

Senti vontade de preservar as boas parcerias que construí. Uma das coisas raras em teatro é você encontrar um parcei-

ro, alguém com quem você tem uma mesma linguagem, onde o jogo de vaidades está bem equilibrado. ● Além do espetáculo que você estreou neste fim de semana, O Terceiro Sinal, existem outros projetos em andamento, não é? Tem um Fausto sendo preparado?

Compramos os direitos de um texto inédito no Brasil, Cartas de Amor para Stálin, de um grande dramaturgo espanhol, Juan Mayorga. E o Contardo Calligaris está preparando uma versão de Fausto, deve ser uma produção grande, com vários atores. Devo fazer o Mefisto.

● ONDE

Vinho tinto

Filet au poivre

ICI Bistrô

Bete dispensou a carta de vinhos e pediu ajuda da sommelière para eleger um rótulo “pouco doce”. Tomou o tinto francês Les Traverses

Bete vasculhou o cardápio e até tentou variar, mas acabou repetindo o prato que costuma pedir no restaurante: filé com molho de pimenta verde

A atriz e diretora escolheu jantar no restaurante francês (Rua Pará, 36), que fica bem próximo de sua casa, em Higienópolis


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Caderno2 D3

Visuais. Lançamento Camila Molina

“Preciso respirar”, diz, sorrindo e com olhos fixos, Anna Maria Maiolino, em seu ateliê na Pompeia. Aos 68 anos, a artista se vê num momento especial de sua carreira: neste mesmo ano, depois de ter realizado mostra com vídeos e uma instalação escultórica no Camden Arts Centre de Londres, ela está presente, com obras de peso, em duas exposições do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York (Mind and Matter: Alternative Abstractions, que termina dia 16, e On Line, que será aberta em novembro). Tem mais ainda: Anna Maria prepara uma grande retrospectiva de sua produção, a ser inaugurada em 15 de outubro na Fundação Tàpies de Barcelona (Espanha); uma instalação inédita para a Fundação Eva Klabin do Rio; e é uma das criadoras consagradas a figurar na 29.ª Bienal de São Paulo, a partir de setembro, com obras políticas das décadas de 1970 e 80. “A obra de arte só existe quando é vista, quando tem o outro, o espectador.Seninguémaconhece, se ela não se comunica, perde asuafunçãoprimeira,queéafunção social”, afirma Anna Maria. Nessa razão simples cabem ainda as publicações, como meios importantes de exibição decriadoresedeseuspensamentos e de análises de suas obras. Nesse sentido, a artista ainda estará em mais duas “exposições”: no livro Anna Maria Maiolino – Order and Subjectivity (Editora Pharos, 200 págs., R$ 90, apenas em inglês), que ela lança no próximo dia 5, às 20 horas, na Galeria Millan (que a representa) e emedição(brasileira,pela Cobogó,segundoaartista)eestrangeiraaserfeitaapartirdesuaretrospectiva na Fundação Tàpies, com curadoria de Helena Tatay – depois a mostra viajará para a Santiago de Compostela (Espanha) e para a Suécia.

ANNA MARIA MAIOLINO A TODA É um ano agitado para a artista, que além da 29ª Bienal, faz mostras internacionais e lança livro EPITACIO PESSOA/AE

Preparativos. Anna Maria Maiolino em seu ateliê na Pompeia com o livro Order and Subjectivity, que perpassa momentos importantes de sua vasta trajetória

co,comoelaidentifica,daexposição A Life Line/Vida Afora, apresentada em 2002 no Drawing CenterdeNova York ecom curaProjeção. O livro Order and Sub- doria de Catherine de Zegher. jectivity (Ordem e Subjetivida“Foi essa mostra antológica de)é fruto da mostra de mesmo que fez meu trabalho ser visto lá título que a artista exibiu em fora e começar a circular a mi2007 no Pharos nha obra”, define Centre for ConAnna Maria. Entemporary Art de tretanto, mais AOS 68 ANOS, Nicosia, em Chique projeção pePREPARA GRANDE pre, ilha mediterla realização de rânea. “Foi uma uma antologia, RETROSPECTIVA seleção do curacomoaretrospecPARA BARCELONA dor Michael Astiva que já exibiu bury de trabalhos em 2005 na Pinados anos 1970, filmes super-8 da coteca do Estado e em 2006 no mesmadécada,desenhoseinsta- Miami Art Central, nos EUA, o lação de argila”, ela conta. processo de revisão de uma traTodaessaconfluênciadeexibi- jetória de mais de 40 anos é uma ções internacionais de Anna Ma- possibilidade de autorreflexão. riaMaiolinorepresenta,naverda- “Éum desgaste muito psicológide,a reverberação daprojeção de co por estar se revendo”, afirma sua produção a partir de um mar- Anna Maria, que vê a partir da

década de 1990 o amadurecimento em sua carreira. Plural. Anna Maria Maiolino

nasceu na Itália, em 1942, filha de pai italiano e de mãe equatoriana. Em 1954, sua família se mudou para a Venezuela – e até hoje a artista conserva certo sotaque espanhol em sua fala –, até, em 1960 ela se transferir para o Rio de Janeiro – naturalizou-se brasileira em 1968. Na década de 1960 – cursou na cidade carioca a Escola Nacional de Belas Artes –, a artista participou dos movimentos de seu tempo: do

grupo da Nova Figuração – integrou as emblemáticas mostras Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira (1967) – e esteve próxima de Hélio Oiticica e Lygia Clark; com a arte conceitual, o concretismo, a gravura, as novas mídias – com o vídeo e o filme super-8, na década de 1970, contemplou a possibilidade de trabalhar com liberdade na ditadura, como ela diz em passagem de Order and Subjectivity. “Eu sou o bolo fecal resultado do banquete antropofágico brasileiro: tornamonos Tupis eu e mi-

nha obra”, já escreveu a artista. Dentro de uma obra plural, de curiosidade em torno de linguagens tão distintas e de diálogo entre a ordem e a motivação emocional ou afetiva, Anna Maria Maiolino encontrou no fazer com as mãos, na criação de formas com argila – repetitivas e acumuladas – e nos desenhos “sobre” e “em” papel, “uma posição consciente” em sua obra, na década de 1990. “Sem dúvida, os anos 1980 foram para mim uma época de grande crise. Quando comecei o trabalho com acúmulos de formas na escultura moldada e nas instalações, era de certa maneira o querer driblar a pulverização da arte contemporânea. Me apegar ao gesto da mão que trabalha, sempre permanente e primordial, era querer me segurar, encontrar um caminho de restau-

ro. Tornou-se um trabalho solitário e ensimesmado, creio que um salto qualitativo em meu trabalho”, diz a artista, completando que vê na arte contemporânea “uma abertura para entender o mundo como um todo e para as pequenas coisas”. Na 29.ª Bienal de São Paulo, Anna Maria Maiolino foi convidada a exibir obras criadas em contexto político ditatorial e de resistência, trabalhos emblemáticos como as instalações Arroz e Feijão (1979) e Solitário e Paciência (1976) e as fotografias Por um Fio (1976) e Picolo Mondo (1982). “Depois de uma Bienal do Vazio (2008), entendi por que foram para o político: quando você está perdido, você volta para o ser humano, a si mesmo, e o ser humano não é além de mais nada um ser político, ele e os outros.”

TRÊS PASSAGENS NA TRAJETÓRIA DA ARTISTA ● Por Um Fio

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A obra da série ‘Fotopoemação’, de 1976, estará na 29.ª Bienal de São Paulo: durante sua trajetória, Anna Maria transita por diversas mídias

Referência à antropogafia, “de busca à comida”, está explícita na peça em acrílico e madeira de 1966: ato de deglutir e escatologia

Instalação criada originalmente em 1979, já montada nove vezes desde então, também estará na Bienal: fome vista num sentido amplo

Arroz e Feijão

Moda. Alfinetadas REPRODUÇÕES

UM SÓ VESTIDO EM 3 CAPAS?!! AINDA BEM QUE NÃO ERA FESTA... Imogen Fox THE GUARDIAN

Estampar uma mesma pessoa na capa das três revistas femininas mais famosas no mesmo mês é realmente uma façanha. Foi o queaconteceunaedição deagosto. Só que o sucesso não coube a uma estrela de Hollywood em buscadepublicidade,masaomodelo que foi apresentado. Um vestido de Miu Miu com aplicações, que custa entre 1.515

e 3.210 libras esterlinas, aparece nas capas de agosto da Vogue e da Elle da Grã-Bretanha e da superluxuosa W dos Estados Unidos. Para ser mais precisa, não se trata exatamente domesmo vestido nas três publicações. A versãotangerina que a modelo dinamarquesa Freja Beha Erichsen veste na Vogue tem aplicações nos ombros e dois bolsos na frente e a mesma que aparece também com a atriz Eva Mendes na capa da W, mas o vestido

da Vogue britânica é mais sofisticado, em renda lilás. Será como aparecer numa festa usando o mesmo modelo de outras pessoas? A Vogue não quis comentar o caso. Mas Lorraine Candy, editora da Elle deu prudentemente uma explicação filosófica. “É preciso encarar essas situações com muita calma”, ela ponderou, mas admite que “obviamente preferiria que não tivesse aparecido nas principais concorrentes”.

Saia-justa. Modelito Miu Miu pode custar umas 3.200 libras É surpreendente, mas esse tipo de multiplicidade de capas é raro.Osatoresmuitasvezes aparecem com trajes variados no mesmo mês, mas não em capas de revistas. Acontece que os editoresdemodaseesforçamaomáximo para conseguir um delica-

doequilíbriopolíticoentre as várias revistas para ter a certeza de que não haverá nenhuma repetição. “Em geral, os editores são particularmente espertos para não pegar o mesmo modelo da concorrente”, lembra Candy. Ao se levar isso em considera-

ção, seria muito difícil de prever o truque da Miu Miu. Uma foto de capa comporta sempre uma dose de sorte. São estudadas quantidades enormes de trajes – principalmente se há uma celebridade envolvida no processo, porque na realidade não há como saber o que a estrela em questão usará, se ela gostará do modelo ou se seu agente mentiu sobre o seu tamanho exato ou não. No entanto, é ainda mais improvável que a coincidência dos modelos da Miu Miu que acabaram saindo na capa se repita na vida real. Com esses preços é imprescindível ter a certeza de que isso nunca vá se repetir na rua. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Venha assistir, aprender e experimentar o melhor da cozinha brasileira no Grand Hyatt São Paulo, dias 30 e 31/7 e 1º/8.

PROGRAMAÇÃO SEXTA, DIA 30 Aulas

SÁBADO, DIA 31 Aulas

DOMINGO, DIA 1º Aulas

11h - DO CATETO À PACA – AS CAÇAS BRASILEIRAS Edinho Engel e Paulinho Martins

11h - COZINHA SEM VERGONHA: GALINHA DE CABO A RABO Mara Salles, Neide Rigo e Ana Soares

11h - O QUE SERÁ DO DOCE SEM O TACHO? Fabrice le Nud e Dona Gasparina de Resende

11h30 - PIMENTAS E OUTRAS CONEXÕES BRASIL-MÉXICO Lourdes Hernández e Cyro Abumussi

11h30 - NA ROTA CAIÇARA SULISTA Carla Pernambuco

11h30 - QUANDO O CAMPO VAI À MESA José Barattino e Dercílio Pupin

15h - NA ONDA DO RIO TEM PEIXE Ana Luiza Trajano e Rodrigo Oliveira

15h - OLEODIVERSIDADE BRASILEIRA – DO BURITI AO PATAUÁ Roberto Smeraldi, Roberta Sudbrack e José Barattino

15h - SORBETS DO CERRADO Rita Medeiros

15h30 - O ENCONTRO DO SURUBIM COM O DEFUMADOR Simon Lau

15h30 - O CRU E O CRU Helena Rizzo

15h30 - VERTICAL DE PORCO Jefferson e Janaina Rueda

16h30 - A MATA ATLÂNTICA CABE NUM VIDRO (de compota) Flavio Federico e Douglas Bello

16h30 - BRASPACHO, MOQUECA DE CARNE-SECA E OUTRAS INVENÇÕES Maurizio Remmert

16h30 - COMO NASCE UM CHOCOLATE FINO BAIANO Diego Badaró e Frederick Schilling

17h - ESTUDOS MONOGRÁFICOS: A BANANA DA VEZ Roberta Sudbrack

17h - O TRATAMENTO DO PEIXE Mara Salles

17h - MOCOTÓ 2.0 Rodrigo Oliveira

17h30 - CONEXÃO TÓQUIO-BELÉM: INGREDIENTE BRASILEIRO, TÉCNICA JAPONESA Mauricio Ganzarolli

17h30 - MINAS, DA TRADIÇÃO À TÉCNICA Elza Nunes e Felipe Rameh de Paula

17h30 - BANHO DE CHEIRO – AS ERVAS E AS SEMENTES AROMÁTICAS DA AMAZÔNIA Thiago Castanho

18h30 - MINAS D.O.C. Eduardo Maia

18h30 - TAPEAR À BRASILEIRA Sergio Torres

18h30 - O PEQUENO PRODUTOR POR TRÁS DO INGREDIENTE Alex Atala

Palestra

Palestras

Palestras

16h - TINHA UMA HORTA AQUI – DO JACATUPÉ AO JIQUIRI Neide Rigo

15h - A CONSTRUÇÃO DA BRASILIDADE Carlos Alberto Dória

15h - CERTIFICAÇÃO AGROPECUÁRIA Roberto Smeraldi

17h - O SERVIÇO À BRASILEIRA David Hertz

17h - QUEIJO CANASTRA DOCUMENTADO Helvécio Ratton e Rusty Marcellini

Degustações

Degustações

Degustações

14h30 - CAFÉ: café com queijo, harmonização à mineira Ensei Neto e Eduardo Maya

11h - CAFÉ: faça seu próprio blend (a lógica para compor uma “bebida pessoal”) Ensei Neto

14h30 - CERVEJA: cervejas extremas (mais amargas, mais alcoólicas, mais ácidas) Roberto Fonseca

14h30 - VINHO: degustação às cegas de vinhos da Serra Gaúcha, da Campanha, de Santa Catarina e de Pernambuco Manoel Beato (Fasano)

16h30 - CACHAÇA: Aguardentes – Um comparativo entre as de cana e as de frutas Pereira (Sub-Astor) e Márcio Silva

16h30 - CERVEJA: cerveja em barril Roberto Fonseca

18h30 - VINHO: vinhos de Santa Catarina João Lombardo

16h30 - VINHO: degustação de espumantes de Moscatel José Luiz Pagliari 18h30 - CACHAÇAS: cachaças envelhecidas em madeiras nativas Leandro Batista (Mocotó)

18h30 - VINHO: vertical de Pizzatto Merlot José Luiz Pagliari

Para aulas, palestras e degustações acesse

www.paladardobrasil.com.br Para reservas de almoços e jantares, ligue (11) 2838-3222. Vagas limitadas.

Realização:

Patrocínio:


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Caderno2 D5

Visuais. Arquitetura Jonathan Glancey THE GUARDIAN

O VERMELHO QUE BEIJA

O CÉU O aclamado arquiteto francês Jean Nouvel surpreende os ingleses com um pavilhão que brinca com a forma e a vibração da cor

LUKE MACGREGOR/REUTERS

Jean Nouvel está diante de sua primeira construção britânica, umachamativaestruturavermelha instalada em meio ao verde ensolarado de Kensington Gardensno centro de Londres,e diz: “Um transeunte passa pelo parque. Olha ao redor. Repara no vermelho em meio às árvores. O que é aquilo? Velas? Um circo? Não é possível saber do que se trata, e assim, o melhor é dar uma olhada mais de perto.” O arquiteto francês está falando do pavilhão de verão que criou para a Serpentine Gallery, recém-abertapara o público. Em que se inspirou para criar esta rapsódia em vermelho? “Foi aquele momento em que o sol de verão nos enche os olhos e, enquanto piscamos, o mundo se dissolve no vermelho”, conta ele. O pavilhão de Nouvel – o décimo a enfeitar este parque londrino – não é só vermelho do lado de fora. Sob a imponente estrutura vermelha de aço e a cobertura retrátil de tela vermelha, há um assoalho de borracha vermelha, ao redor do qual há mesas vermelhas de pingue-pongue, redes vermelhas para descanso, mesas e cadeiras vermelhas e tabuleiros vermelhos de xadrez.Atéoauditórioeacafeteria são vermelhos (assim como seus refrigeradores). E, para aquelesquenãoconseguiremenxergar o pavilhão de longe, logo ao lado dele há uma parede vermelha de vidro de 12 metros, erguendo-se da grama como um imenso ponto de exclamação. Este “imenso relógio de sol”, comoNouvelserefereaele,inclina-se num ângulo inquietante, dando a impressão de ameaçar o pavilhão e acrescentando certa dramaticidade,ouatéumasensação de perigo, a esta chamativa criação. “De certa forma, o pavilhão é um dispositivo solar, uma forma de redirecionar a luz do sol. Sob outro aspecto, é uma delicada flor que se ergue no parque sob o sol de verão, murcha no outono, e então desaparece. É claro que, de muitas maneiras,

Criador e criação. O arquiteto ao lado da galeria, cuja inspiração veio da luz do sol de verão o vermelho é também a cor de Londres – os ônibus, as caixas do correio, os soldados da rainha – mas a cor está relacionada principalmente ao sol.” Mas

Nouvel, que segue os passos de outros célebres arquitetos que já passaram pela Serpentine, como Oscar Niemeyer, Zaha Hadid, Toyo Ito e Rem Koolhaas,

A MAIS FINA TRADUÇÃO DA IMAGINAÇÃO POÉTICA ALBERT GEA/REUTERS

Os melhores projetos comerciais de Nouvel são a Torre Agbar, de 38 andares, em Barcelona, uma espécie de primo catalão do edifício Gherkin, de Norman Foster, concluída em 2004, ano de abertura do Gherkin, mas apresentando um efeito de mosaico, e não de diamante; sua proposta (infelizmente não construída) para a Tour Sans Fins, um arranha-céu esguio de 400 metros de altura que desapareceria no céu de Paris sobre ocomplexo de escritóriosLa Defense; e um hotel em Lucerna, aberto dez anos atrás, que revela novamente a obsessão de Nouvel com a imersão dos ocupantes de seus edifícios numa cor intensa, neste caso o preto. Certa vez me hospedei neste hotel: foi como ser Jean Nouvel Agbar Tower. Projeto por alguns dias, tamanha a pers- comercial em Barcelona pectiva do estilo (quase uma filosofia) do arquiteto que a expe- inesquecível e, sinceramente, riência me proporcionou. Mi- um pouco enlouquecedora. nha suíte – totalmente preta Ele é muito talentoso quando em uma das extrabalha com artremidades, e tote, artistas e contalmente branca HOTEL EM LUCERNA ceitos criativos. na outra, que se Seus dois granTAMBÉM MOSTRA A des projetos de abria inesperadamente para um arte estão no SUA OBSESSÃO POR jardim de bambu Oriente Médio: o CORES INTENSAS – ficava no fim de Louvre Abu Dabi um corredor pree o Museu Nacioto que tornava impossível dis- nal do Catar. Ambos são tentatitinguir entre dia e noite. vas de encontrar um projeto A atmosfera de confusão era que responda à paisagem desérsublinhada por um projetor oculto que lançava no teto do quarto cenas de Esse Obscuro Objeto do Desejo, de Luis Buñuel. A mesma cena era reproduzida de novo e de novo, e eu não podia desligar o projetor. A sensação transmitida era onírica,

tica, e ambos se situam sobre jardins d’água. “Parece que estamos nos primórdios do trabalho de arquitetos europeus no Oriente Médio”, diz ele. “Temos de apresentar algo melhor do que antes – precisamos encontrar formas de ajudar a moldar uma arquitetura verdadeiramente árabe, em vez de simplesmente jogar projetos prontos e inapropriados no meio do deserto.” Curingas. Nouvel é um arquite-

to cheio de curingas nas mangas deseusinseparáveis paletós pretos. Mas suas ideias podem ser tãoromânticasquantosãofilosóficas: a proposta Tour Sans Fins mostrou como até o mais pragmáticodostiposdeedifício(neste caso, um bloco de escritórios) pode se transformar numa obra de imaginação poética, finesse e ousadia estrutural. Enquanto o sol banha este pavilhão escarlate,édifícil nãopensar em Nouvel também como um otimista, dotado de uma visão bastante não francesa do clima britânico. Ele certamente teve sorte ao revelar seu “dispositivo solar” em meio a uma onda de calor. Nouvel poderia facilmente ter sido obrigado a explicar sua inspiração sob um guarda-chuva vermelho, enquanto o mundo se dissolvia no cinza. / TRADUÇÕES DE AUGUSTO CALIL

quer que o pavilhão seja mais do que um anteparo solar. “Quero que ele atraia e filtre as emoções, que seja um pequeno espaço de calor e deleite. Para

um arquiteto, é sempre um pra- tenha concluído ou construído zer trabalhar com um projeto uma obra na Grã-Bretanha. No sem maiores consequências; o entanto, o pavilhão de 2010 quapavilhão surge, e depois desapa- sefoge aessa tendência:nos prórece. Deixa uma impressão, ximos meses será inaugurado o ecos de uma emoção, nada mais. One New Change, controvertiAssim, o arquiteto tem liberda- do complexo de escritórios e lode para ser um artista. Não se jas ao leste da Catedral de St. trata de um exercício perfeito Paul. Trata-se de um projeto de de arquitetura, e sim de uma arquiteturaséria: opróprio Nouconstrução saída de um sonho vel disse que o edifício é como quenospermite teralgumas sen- um bombardeiro invisível; apesações, as quais espero que se- sar de imenso, seu revestimento jam felizes. É como se a arquite- édevidroopaco,como setentasse disfarçar seu volume. tura tirasse férias.” Em resumo, o projeto parece O pavilhão de Nouvel é uma construção simples que, quando tão brincalhão quanto um reator inspecionada de perto, mostra nuclear. O príncipe Charles tentouacabar com as ser muito mais do chancesdaindicaque uma mera esção de Nouvel, cultura de cores “QUERO QUE SEJA mas não consevibrantes. Partes UM PEQUENO guiu que seus arde suas superfíquitetos prefericiesvermelhasabESPAÇO DE CALOR dos fossem nosorvemaluz,eouE DELEITE” meados para o trasarefletem;alprojeto. Ao bringumas reluzem, outrassão translúcidas. Sob o te- car com a arquitetura, o pavilhão toretrátilpendemfotos deoutro nos proporciona uma espécie de grandeparquenumagrandecapi- balanço do que está por vir. tal: o Jardin du Luxembourg, de Paris – mas trata-se de um par- O melhor de Nouvel. Parece que formal, como a maioria dos uma pena que a primeira grande parques franceses, diferentes obra de Nouvel na Grã-Bretanha dosparquesbritânicos,maisrela- seja um gigante comercial. Sua xados e divertidos. As fotos são criatividadese prestamais a prode Jean Baudrillard, festejado fi- jetos como galerias de arte, salas lósofo francês que morreu três deconcerto emuseus. As melhoanosatrás;elefoiumadasprinci- res obras do arquiteto de 64 anos pais influências de Nouvel, além são o Institut du Monde Arabe, maravilhosa sede da fundação de ter sido amigo dele. culturalàsmargensdoSena,conBrinquedo. Com alguma ajuda cluída em 1987 como um dos de engenheiros da Arup coman- grandes projetos do presidente dados por David Glover e Cecil Mitterrand; a Fondation CarBalmond,o espaço foiclaramen- tier, de 1994, belo e discreto centeprojetadonaformadeumbrin- tro de artes parisiense que se requedo. É verdade que o auditó- vela por meio de camadas sucesrio abrigará debates sérios e sivas de imensos painéis de vieventos de todo tipo. Mas antes dro; e a Sala de Concertos de Coque as pessoas participem de penhagen, um cubo de tela que, tais ocasiões, elas podem se en- quando iluminado à noite, procontrar para conversar no bar duz um efeito encantador. Cada vermelho– oujogar pingue-pon- um desses edifícios enigmáticos guevermelho,ouchutarumabo- eatentamenteconstruídosseexla vermelha de futebol ou arre- pressanumacoloraçãodominanmessar um frisbee vermelho no te: prateado, branco, azul. parque. De onde vem tamanho “A arquitetura é diálogo”, diz espírito brincalhão? Nouvel. “Os arquitetos preciBem, o pavilhão da Serpentine samproporcionarumajanelapaé tradicionalmente projetado ra o futuro, mesmo quando a japor um arquiteto que ainda não nela se recusa a se abrir.”

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O Homem que Queria Ser Feliz Imagine descobrir que tudo que você acreditava saber sobre a felicidade está errado. O que você faria?

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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

JOÃO UBALDO RIBEIRO

SEGUNDA-FEIRA LÚCIA GUIMARÃES MATTHEW SHIRTS

TERÇA-FEIRA ARNALDO JABOR

QUARTA-FEIRA ROBERTO DAMATTA

QUINTA-FEIRA LUIS FERNANDO VERISSIMO

SEXTA-FEIRA IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO MILTON HATOUM

FABIO MOTTA/AE

O problema da agonia teórica

N

ormalmente,abancadeSalvatorenãoestámuitomovimentada, na hora em que chego para pegar os jornais e, logo depois, o pão na padaria. São mais ou menos cinco e meia e o dia parece amanhecer de mau humor, um friozinho penetrante emperrando juntas e fazendo Salvatore imprecar em calabrês. Na calçada da padaria,umgrupodemoçaserapazes,provavelmente saído de uma festa, toma o café da manhã em algazarra, sob os olhares invejosos dos coroas. Claro que também invejoso, percebo que um casal me acena, aceno de volta, sorrio para o grupo. Que beleza, só se tem 20 anos uma vez, penso, antecipando uma volta à casa imerso em filosofias de velho. Mas sacudo a cabeça para espantar bobagens e entro nabanca,ondeumasacolajámeespera, com os jornais de sempre. – Frio, hein? – digo eu, esfregando os braços. Só então percebo um senhor à minha frente, me encarando com ar sério, embora afável. – Está na época – disse ele, antes de eu lhe dar o bom-dia que tencionara. – Como? – Eu disse “está na época”. O senhor disse que está frio, eu estou dizendo que está na época, não pode-

mos nos queixar. Quando é inverno, faz frio. Às vezes mais, às vezes menos, mas sempre faz. Concordei com ele, eu falava só por falar. Mas ele não deu a conversa por encerrada. Ou muito se enganava ou eu era o escritor, não era, o que escreve em jornal? Muito prazer, muito prazer, mas não vá escrever nenhum artigo contra o inverno! – Éque os jornais reclamamde tudo e, na minha opinião, isso não é correto – acrescentou. – O senhor vê esse caso da

“Roubar eu considero uma expressão muito forte. Não vou dizer roubar, mas se fazer” Receita Federal? A imprensa toda está reclamando. – Mas tem de reclamar mesmo, isso é uma coisa muito grave. –Nãoseiqualéagravidade,éperfeitamentenormal.Sedáparasaberseoindivíduo tem rabo preso na Receita, por que não saber? Se interessa, se pode ajudar a ganhar eleição? É para essas coisas que o sujeito luta para chegar ao governo. Ia estar no governo pra que, pra ficar na mesma situação que quem não está? Onde é que isso entra na cabeça de alguém? – Mas aí há uma confusão, uma coisa é

o Estado, outra coisa é o governo. O Estadoédistinto doshomensqueoconduzem, Estado é uma coisa, governo é outra. O Estado não é de quem ocupa o governo. – Na teoria. Na prática, o senhor sabe que é. Fica aí essa teoria muito bonita e cheiadetermoscomplicados,masanossa realidade não é essa. Na minha opinião, muitos dos problemas que vivem preocupando as pessoas não existem, é tudo criação dessas teorias que a imprensa e os intelectuais adotam. – Mas que o Estado é diferente do governo não é uma teoria, está na Constituição. – Então? Teoria. A Constituição também é muito teórica, é por isso que em grande parte não é respeitada. – Eu não concordo, mas, em todo ca-

so, a Constituição prevê que os ocupantes do poder sejam renovados. –Issoéoutracoisa,issoéda democracia,deque ninguém podereclamardesã consciência, porque todos acabam tendo sua oportunidade e quem não se faz na política democrática é porque não quer ou então é burro e não tem competência. A não ser casos extremos, como os comunistas, que só querem pra eles e mais pra ninguém. – Eu não estou entendendo, o senhor acha que a pessoa deve entrar na política para roubar? – Para roubar eu considero uma expressão muito forte. Não vou dizer roubar,mas sefazer.Sefazeréperfeitamente normal. Anormal seria o sujeito entrar para uma carreira sem querer se fazer, um cara desses ou é santo ou tem

SÁBADO MARCELO RUBENS PAIVA MARIA RITA KEHL

DOMINGO LUIS FERNANDO VERISSIMO JOÃO UBALDO RIBEIRO DANIEL PIZA

que ser internado. Quando o sujeito resolve entrar, ele sabe e todo mundo sabe que é pra se fazer. Tanto assim que todos se fazem. E todo mundo já sabe que é para isso, está todo mundo acostumado, não há nada de mal, qualquer um pode chegar lá. Não é somente se elegendo, não, é conseguindo uma boa colocação, aproveitando bem o voto, sabendo mexer os pauzinhos, tem pra todo mundo e quem se queixa é porque não soube pegar o seu. – Eu não posso concordar com o senhor. Nem todo mundo que entra em política entra para se fazer. – Me aponte um. O senhor é capaz até de citar uma porção, mas isso é o que eles têm no papel, não de verdade. Até mais gordos todos ficam, é natural. – Eu acho que essa visão que o senhor tem é muito negativa, não se pode pensar desse jeito. – Claro que se pode, é só deixar dessa agonia teórica. Tudo bem que exista a teoria, eu compreendo, faz parte, o intelectual e o jornalista têm que procurar em que se ocupar. Eu só não compreendo é essa agonia teórica interferindo na normalidade das coisas. Agora mesmo eu li aí um crítico dizendo que nós não faturamos a Copa de 2010, mas vamos superfaturar a de 2014. Pra mim, isso não é razão de crítica é a realidade da oportunidade de quem se preparou para prosperar.Estácertíssimo,sóestáerrado na teoria. Eu acho que vocês da imprensa deviam se mirar no presidente, que não tem nenhuma dessas agonias teóricas. E quem é que está por cima da carne-seca, ele ou vocês?

Cinema. Personagem PAUL HACKETT/REUTERS

“AGUARDEM: AINDA VOU SER O DE NIRO DA ÁSIA” Jackie Chan comenta a estreia como ator dramático no novo Karate Kid, que chega ao Brasil em 27 de agosto Luiz Carlos Merten / CANCÚN

Seu personagem se chama Mr. Han no novo Karate Kid, que estreia dia 27 de agosto nos cinemas brasileiros, depois de arrebentar nos EUA. Justamente no fim de semana de lançamento, em primeiro lugar nas bilheterias, Jackie Chan e Jaden Smith, filho do astro Will Smith, foram divulgar o longa de Harald Zwart no Sony Summer, evento de verão com que a distribuidora divulgou, no México, suas atrações para 2010/11. Tiete que se preze estende o tapete vermelho para Jackie Chan. Seu nome virou sinônimo de violência cômica em filmes que rodam o planeta. Grande astro na Ásia, ele conquistou a ‘América’, mas ainda faltava uma coisa. Jackie Chan é um palhaço consumado. É impossível não rir durante uma entrevista com ele. “Estava em casa quando tocou o telefone. Era Will Smith querendo falar comigo. Disse que estava produzindo um novo Karate Kid e que gostaria de me ter no filme. De cara, perguntei – quem será Mr. Myiagi? ‘Você’, ele respondeu. No fundo,aindapensavaquepoderia fazer o discípulo, não o mestre.” Existempoucos astros docalibre de Jackie Chan no cinema atual. Iguais que ele, só Jet Li e, talvez, Mark Dacascos. O tempo está passando para esses monstros sagrados das artes marciais. Chan não tem mais idade para fazer Daniel-san, de Karate Kid, personagem que consagrou Ralph Macchio na série A HoradaVerdade,realizada por John G. Avildsen entre 1984 e 89. Mas, como ele admite, tomou um choque ao ser sonda-

do para fazer Mr. Han, o novo Mr. Myiagi. “Pensava em Noryiuki ‘Pat’ Morita, que fazia o papel, no original, e não conseguia me ver no lugar dele. Will (Smith) me convenceu. Me garantiu que o remake seria outro filme, diferente do original. Tenho de lhe agradecer. Durante muito tempo, tentei mostrar ao públicoquenãosousóumcomediante, ou um herói de ação. Sou um ator, capaz de representar. Mr. Han é o personagem mais dramático que já fiz. Marca uma mudança para mim.” Uma dupla mudança – por mais que o nome de Jackie Chan seja importante para fãs de artes marciais ao redor do mundo, o KarateKid de2010 foiformatado por seu produtores, o casal Will Smith/Jada Pinkett-Smith, para obrilhodofilhodeles.JadenSmith é Daniel-san, o astro de Karate ● Rambinho

Jaden Smith estreou, em dupla com o pai, Will Smith, no lacrimoso À Procura da Felicidade. Para o remake de Karate Kid, ele teve de fazer musculação e aprender luta

Kid. Chan é coadjuvante. “Will me provocava – ‘Jackie Chan sem ação? Faça!’ E eu fiz. Tenho poucas cenas de ação, só uma luta.Aguardem,aindavousero Robert de Niro da Ásia”, ele brinca. JadenSmithpassouportreinamento especial para fazer o filme. Abrir as pernas naquele ângulo, formando uma reta, foi o mais difícil. “Jackie foi muito bacana comigo”, ele conta. O próprio Chan diz que teve de encarnar o mestre em frente e atrás das câmeras. Terminou viajando nas lembranças. “Comecei com 7 anos e logo já estava adulto, masmeu pai acompanhava asfilmagens, preocupado de que algo me acontecesse. Tinha de aproveitar as ausências dele para fazer os stunts perigosos.” Jackie Chan ficou famoso por dispensar dublês. No início, foi por necessidade. “Os filmes eram tão pobres que não tinham dublês.Ouagentefazia,oudesistia da produção.” Ele confirma as lendas de que dublou Bruce Lee e também que quebrou todos os ossos fazendo filmes. Está mais prudente. A própria incorreção política está sendo reavaliada, mas não para atender a exigências de mercado (nos EUA). Os filmes de Jackie Chan raramente destilam pérolas de sabedoriaoriental.Sãopurapauleira, mas em Karate Kid Mr. Han nãobateporbateresimpara proteger Jaden Smith, que está sendo alvo de uma truculenta galeriade garotos.A moçadaé preparada por treinador inescrupuloso,acaradanovaChinacapitalista, que desperta neles o conceito de ‘no mercy’ para o adversário. Nos filmes antigos da série, Mr. Myiagi ficava exortando para Daniel as virtudes do caratê como disciplina de paz, mas o público só queria saber do desfecho, quando Ralph Macchio, en-

Honorável Mr. Chan. Ele é o novo Mr. Myiagi, antes vivido por Noryiuki ‘Pat’ Morita fim, aplicava seu corretivo, rebentando os adversários. O novo filme poupa o público desse tipo de cinismo. A história foi transposta para a China e, apesar do título, émais deartes marciais (tradicionais) que de caratê. Jackie Chan não superestima o sucesso em Hollywood. Ele já aprendeu que os filmes que mais fazem sucesso nos EUA não são, necessariamente, os

que agradam aos asiáticos. Chan criou uma fundação para ajudar crianças carentes em todo o mundo. É um homem de família e, pesquisando para um documentário, descobriu que temmeiosirmãoseirmãsnaAustrália e na China (vive em Hong Kong). Seu filho, Chan Cho Ming, preferiu ser músico para não competir com o pai. Seu novo CD é recordista na Ásia e ele

finalmente fez um filme, que estourouemHongKong.“Aproveite, porque quando estrear Karate Kid não haverá mais para você”, ameaçou papai. Mentirinha. A última coisa que Jackie Chan quer é competir com o filho. O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA DISTRIBUIDORA SONY


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

apresenta

Direção artística: Paulo Pederneiras

11 a 16 de agosto Teatro Alfa segunda, quarta, quinta e sábado, 21h | sexta, 21h30 | domingo, 18h R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro | www.teatroalfa.com.br Bilheteria (11) 5693 4000 e 0300 789 3377 | Ingresso Rápido 4003 1212 www.ingressorapido.com.br | Classificação livre

coreografia

Rodrigo Pederneiras música

+2

Moreno Domenico Kassin

Lecuona coreografia

Rodrigo Pederneiras música

Ernesto Lecuona Apoio

Patrocínio

Caderno2 D7


D8 Caderno2 %HermesFileInfo:D-8:20100725:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

DIRETO DA FONTE SONIA RACY

Colaboração Débora Bergamasco debora.bergamasco@grupoestado. com. br Gilberto de Almeida gilberto.almeida@grupoestado.com.br Marilia Neustein marilia.neustein@grupoestado. com. br Paula Bonelli paula.bonelli@grupoestado. com. br

estadão.com.br/diretodafonte

JUAN GUERRA/AE

JUAN GUERRA/AE

Magoou

Responsabilidade social

O PSDB está mergulhando no material de campanha dos 1.100 candidatos da coligação. Estão preparando um ranking dos “esquecidos” – aqueles que não pedem voto paraSerraeAlckminnossantinhos, sites, faixas, etc.

● Mara Gabrilli sugeriu e o Hospital das Clínicas aceitou ir além do que determina a legislação. Ampliará as vagas de estacionamento para portadores de deficiência de 18 para 27 vagas, em agosto.

Está identificado um omisso de peso: o site de Quércia. Gloria Kalil e Milú Villela estiveram na festa da Ti-Ti-Ti.

Rédeas

DENISE ANDRADE/AE

● A Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência fechou convênio com a Fundação Dorina Nowill. Editará dicionários para cegos que serão distribuídos para bibliotecas públicas do Estado.

Filhade Carolinede Mônaco, Charlotte Casiraghi participará do torneio internacional de hipismo Athina Onassis, entre os dias 26 e 28, no Rio. Prêmio? 1,6 milhão de euros.

Pelota Depois da traiçoeira Jabulani, a Federação Paulista de Futebol recomendou à Topper – há sete anos dona da bola do Paulistão – que a versão 2011 dagorduchinhatenhasuperfície mais aderente.

Jorge e Ana Maria Wilheim em coquetel de exposição. MARINA MALHEIROS/AE

Depois de recusar participação da Bienal de 2006 por causa do tratamentodadopelosbrasileiros aos índios, Jimmie Durham aceitou participar da próximaedição.Vemcominstalação-dicionário da língua dos krenak – tribo praticamente extinta – traduzido por sua mulher, Maria Thereza Alves.

Rosa May Sampaio vive um novo momento. Sem deixar de lado seus projetos de decoração em São Paulo e no Rio, tem dedicado parte da agenda para administrar sua fazenda em Pelotas, Rio Grande do Sul. Acostumada ao ambiente rural desde a infância, ela vai até lá

uma vez por mês e o restante resolve por telefone ou internet. “Adotei um controle empresarial que consigo acompanhar passo a passo a produção de arroz, soja e a criação de gado. Sei tudo o que acontece mesmo estando a 1300 km de distância”, resume.

● Drogaria Onofre promove ciclo de palestras sobre saúde para alunos de escolas públicas da periferia de SP.

Vera Ribeiro e Lu Alckmin na estreia de Zorro – O Musical.

JUAN GUERRA/AE

DENISE ANDRADE/AE

LUCIANA PREZIA

● O projeto Um Teto para o Meu País avança. Realiza hoje sua maior ação de construção de casas de emergência para famílias de baixa renda da Grande SP. Com 600 voluntários universitários. ●

A Vivo e Marcelo Rosenbaum se uniram para construir telecentro, com biblioteca, no Parque Sto. Antônio. O projeto pretende ainda mapear talentos da região e promover oficinas de capacitação.

Brasileiro ficou bonzinho?

Turbulência A ampliação do pátio de aeronaves do aeroporto de Congonhas,há trêsanos, deixoupara trás uma derrapada que carecedecorreção:duasmultasparaaInfraerodemais deR$300 mil.Pornãoplantar1.148árvores no entorno do terminal.

● A Santos Brasil e a Editora Neotropica inovam: levarão a história do Porto de Santos para 300 escolas da Baixada Santista. Com direito a exibição de documentário, manual e guia da região. ● O Grupo Cultural AfroReggae comemora. Acaba de ganhar um parceiro de peso: a Oi.

Sugere também que a costura dos 12 gomos continue a ser feita a mão.

Quem vem

● A Alcoa avisa: doou R$40 mil para as vítimas das enchentes de Pernambuco.

Joanna Trabulsi circulou Adriana Garambone depois de apresentar-se no musical Gypsy. João Carlos Martins regeu homenagem a Chitãozinho e Xororó. em noite de festa fashion.

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Detalhes

● Com apoio da Tilibra, 120 estudantes da rede pública de ensino apresentam concerto hoje. Eles formam a Orquestra Brasileira Auditório do Ibirapuera.

politicamente incorreto.

nem tão pequenos... 1. A carteira, além de moedas, guarda lembranças de outros tempos. 2. Capricho dos pés à cabeça para a caminhada até o altar.

4. Gentileza gera gentileza. 5. As voltas reluzentes tem objetivo exato: enrolar a presa. 6. Uh, Uh, Uh. 7. Em noite de moda, borboletas e caveiras desfilaram no salão.

basilecm.com.br

3. Longe do campo, a decoração silvestre é um consolo

Apresenta

GRANDES ENCONTROS 8 ANOS 2010 Realização

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LUCIANA PREZIA

Domingo - 25 de julho - 12h30

Lenine

Sempre aos domingos, meio-dia e meia, no Shopping Anália Franco. Entrada gratuita. Colabore doando 1 kg de alimento não perecível. Transmissão ao vivo pela ELDORADO FM 92,9 e, em áudio e vídeo, no site territorioeldorado.com.br. Para saber mais, acesse www.shoppinganaliafranco.com.br.


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DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

impressão digital*

estadão.com.br Siga-me: @link_matias http://blogs.estadão.com.br/alexandre-matias/

Aconteceu na redação. O mês de junho ainda não havia começado, era tarde da noite no jornal e, na calma noturna da quase meia-noite, uma pequena sanfoninha tocou a distância. E tocou. E tocou. Era o celular que alguém havia esquecido sobre a mesa enquanto ia tomar água, ao banheiro, fumar um cigarro. A sanfoninha tocava uma melodia simples e chorosa, quase um forrozinho, com um mínimo ritmo dançante, daquele de bater o pé e

só. Dada a época do ano, pensei que o dono do aparelho pudesse estar em clima de festas juninas. Vai saber. Até que comecei a ouvir aquela musiquinha repetidas vezes. Em situações diferentes, ela vinha aos poucos acrescida de uma batida de dance music (hã?) e um vocal sussurrado num inglês com sotaque, cantando uma letra genérica sobre amor. Sempre trechos, quase sempre iniciados pela sanfoninha brega, ouvidos a distância, de passagem – sempre ouvidos através do celular de alguém. Descubro, tardiamente, graças à repórter Ana Freitas, que trabalha comigo no Link, que Stereo Love foi o hit que lançou a carreira do DJ romeno Edward Maya no final do ano passado, em parceria com a DJ e vocalista russa Vika Jigulina.

REPRODUÇÃO

Alexandre Matias

“AQUELA DA SANFONINHA” STEREO LOVE, UM RINGTONE DO INFERNO

Caderno2 D9

Desliga! A russa Vika Jigulina, que canta Stereo Love

Tão sem graça quanto grudenta, a música tornou-se sucesso de downloads na França (justamente para se tornar ringtone de celular) e depois começou a crescer entre os países da Europa central – Bélgica e depois Suíça, para finalmente, em abril deste ano, ser lançada nos EUA e, finalmente, chegar aos ouvidos brasileiros. A música é sucesso nas rádios dance do Brasil e Vika Jigulina já até veio para cá, quando se apresentou em uma festa no Rio de Janeiro, no dia 10 deste mês. Três dias antes, o dono do perfil /konelindo no YouTube subia um vídeo que resumia o drama que eu havia começado a sentir. Sem imagens, o clipe apenas apresenta uma tela preta que mostra letras em branco que, aos poucos, formam a frase “eu odeio quem coloca essa

música como toque de celular”, seguida da infame sanfoninha de forró dos Bálcãs que vinha me perseguindo. Foi assim, através da Ana, que me passou o tal vídeo, que matei uma dúvida que eu nem sabia que tinha. Mas o ponto dessa história toda não diz respeito apenas a uma música semidesconhecida que virou sucesso de uma hora para outra, e sim ao fato desta ser usada como toque de celular. Se fosse apenas Stereo Love, já seria motivo para essa coluna. Mas não é só ela. Donos de celulares que permitem trocar o tom de chamada por músicas muitas vezes nem pensam ao escolher uma canção favorita para ser seu ringtone. Mas se esquecem que aquela música será tocada toda vez que seu celular for acionado – ou se lembram, mas esque-

cem que aquela música será repetida para todos os que estiverem ao seu redor. E não pense com os seus botões que a música que você escolheu é boa e que seus amigos não ligam. É bem provável que eles liguem sim e comentem sobre a música chata que toca toda vez que o seu telefone toca. Quer personalizar o toque do seu celular? Escolha uma música discreta e que não seja facilmente reconhecível – o telefone pode tocar em uma reunião com alguém que odeia aquela música, aí já viu... É só uma questão de etiqueta digital. Nem vou entrar no mérito daqueles que ouvem música no celular sem fone de ouvido (você já deve ter dividido o elevador com um tipo desses). Porque aí não é etiqueta – é só falta de noção mesmo.

Campos do Jordão. Festival BRENO ROTATORI/DIVULGAÇÃO

MONTANHAS, MÚSICAS E UMA UTOPIA POSSÍVEL Ainda faltam acertos, como olhar mais para as Américas e novas tecnologias ✽ Análise:

João Marcos Coelho

O modelo de Campos do Jordão é calcado no de Tanglewood, do qualEleazar de Carvalho participou como assistente de Sergei Koussevitzky, ao lado de Leonard Bernstein, nos anos 40. Lá conviviam concertos para turistas e atividade pedagógica. Foi com seu guru Koussevitzky que Eleazar aprendeu a lutar pela música contemporânea, que estranhamente marginalizou em Campos. Esperamos décadasparaos bolsistasterem formação musical de fato atual. Semdescuidar dobrilhoda grande música do passado, esta 41.ª edição leva para o palco a música contemporânea e a finca como núcleo da atividade pedagógica. Conquista inédita, funde aprendizado e concertos de modo admirável. Um reparo secundário mas importante: vem sendo excessivo o peso dado à “neue musik”, sempre com uma perspectiva afrancesada demais. Quem sabe em 2011 a programação olhe menos para a Europa e mais para as Américas – continenteao qual, aliás, pertencemose cuja produção atualprecisamos conhecer melhor. Outro acerto formidável é compreender 99,99% de nossas

escolas são viveiros de instrumentistas do século 19. Excelentes músicos brasileiros fracassam em concursos internacionais porque não encaram peças contemporâneas de confronto. Por isso, Campos tem de funcionar como proposta real, e radical, de formação estrutural de Camerata Aberta. Grupo permanente de música contemporânea prova que festival perdura além das quatro semanas de julho músicos no País. Felizmente, numa utopia com que ele semcomeça a fazer isso, guiado por vida de qualquer estudante as- público, ao ouvi-la, percebe alpre sonhou. Silvio Ferraz, direSilvio Ferraz. sistir a master classes de Maria go mágico e indefinível, que nos ● Mirem-se no exemplo tor artístico-pedagógico em A Camerata Aberta, criada no João Pires, Antonio Meneses e torna mais humanos. Nesse sen- O Festival de Lugano, capitaCampos, trabalhou com Toni início deste ano como grupo dos convidados internacionais. tido, existe um outro festival no neado por Martha Argerich, em Prados quando estudante. permanente de música contem- OFestival de Lugano, capitanea- País, também realizado em ju- disponibiliza seus concertos Por isso, ressalta que, felizmenporânea, é o sinal de que o festi- do por Martha Argerich, dispo- lho, que concretiza essa utopia em streaming desde 2002 te, na atual edição Campos volta val não mais se esgota nas qua- nibilizaseus concertos em strea- pacífica. Sem divulgação ou alar- (http://www.rsi.ch/argerich/ tro semanas de julho. ming desde 2002. de, um concerto de câmara no welcome.cfm?lng=0&ids=489) a dar atenção à educação musical da população de Campos. Faltam pequenos ajustes. PriErnst Bloch escreve, em O Es- auditório da Lira Ceciliana Quem sabe um dia não se repivilegiar estudantes brasileiros. píritodaUtopia, livro de1917, que abriu domingo passado a 33ª. Instituir outras amúsicaéaverda- edição do Festival de Música de tantes. A música flui o ano in- ta em Campos a utopia realizaatividades o ano deira linguagem Prados. Entre seus 8.000 habi- teiro em cada casa. Desde o da por Toni em Prados? Quando inteiro, como se da utopia, pois só tantes, não há família que não Brasil-colônia, músicos e can- chegou lá 33 anos atrás, a forte NO INTERIOR, promete. Os conelapermiteaante- possua um músico. Neste e em tores congregados na Lira Ce- presença da música sacra coloMOSTRA REPETE certos já são gracipaçãodeumavi- outros palcos, o maestro Oli- ciliana executam peças sacras nial e a musicalidade ativa em vadosetransmitiRITUAL PRATICADO da humana desa- vierToni e um grupo de estudan- de Lobo de Mesquita e Manoel cada família deram-lhe a ideia depromover o festival como fordos pela Rádio lienada. Isto é, tes de música da USP repetem, Dias de Oliveira. POR MORADORES Como a música clássica flui da ma de reforçar essa característiCultura FM. Mas “não somos ain- sem remuneração, o ritual da a internet é mal da nós mesmos”, prática musical comunitária na própria cidade, está no seu ca rara. Assim, mais do que o fesusada. Numa época em que o diz Bloch, mas na música anteci- pequenina cidade a 500 km de DNA, o trabalho é adequadíssi- tival acontecer em Prados, Pramaestro Michael Tilson Tho- pamos essa realização futura. O São Paulo e a 26 de São João del mo. O maestro Olivier Toni há dos é que faz pulsar uma música temposcostumacriticaraessên- local nos cursos e concertos. Ele mas ensaia via skype novas filósofofrancêsBernardSèveex- Rey, em Minas Gerais. ciadoFestivaldeCamposdoJor- sabe que não dá para multiplicar obras com seus músicos, o site plica isso numa frase clara: “A do Festival de Campos nem se- música não é umpedaço do futu- A missão. Em Prados, recaptu- dão:épostiçamentetransplanta- o formato de Prados. Mas tem quer transmite via internet sua ro já presente, mas uma força ra-se o originário sentido e mis- dopara aestância edeixa a popu- consciência de que agora Camprogramação e as master clas- que garante a possibilidade real são da música na comunidade. lação local à parte do evento, di- pos começa a colocar nossa reaPois lá ainda hoje se mantêm recionado para turistas. Este lidade musical no século 21 e ses ao vivo nem os coloca via do futuro esperado.” “streaming” ao alcance do interOs músicos talvez sintam es- inalterados os laços entre a mú- ano, porém, ele sorri satisfeito. tem tudo para concretizar outra nauta. Não é difícil. E mudaria a sa força em seu dia a dia. E o sica e o cotidiano de seus habi- Campos e Prados convergem, bela e urgente utopia.

Heidelberger Sinfoniker Thomas Fey, regente . Haiou Zhang, piano Franz Joseph Haydn . Sinfonias nº 82 em dó maior e nº 92 em sol maior “Oxford” Antonio Salieri . Abertura “Les Horaces” Wolfgang Amadeus Mozart . Concerto para piano nº 21, em dó maior, K 467 Informações e vendas (11) 3815.6377 www.mozarteum.org.br . Ingresso Rápido (11) 4003.1212 www.ingressorapido.com.br Atividades Educativas Gratuitas Clube do Ouvinte Uma introdução aos concertos . 20h . Auditório APOIO

APOIO INSTITUCIONAL

PATROCÍNIO ARTÍSTICO E EDUCATIVO

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2 e 3 de agosto . segunda e terça . 21 horas . Sala São Paulo


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Guia. Cinema ESTREIAS O Bem Amado ★★ Brasil/2010, 110 min. Comédia. Dir. Guel Arraes. Com Marco Nanini, José Wilker, Drica Moraes, Matheus Nachtergaele e Andréa Beltrão. Na cidadezinha de Sucupira, o prefeito corrupto Odorico Paraguaçu faz de tudo para que alguém morra e inaugure o cemitério local, grande obra de seu mandato. 12 anos. Anália Franco, Boavista, Bourbon, Bristol, Central Plaza, Cidade Jardim, Cine Bombril, Cine Sabesp, Cine TAM, Eldorado, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Iguatemi, Interlagos, Interlar Aricanduva, Jardim Sul, Kinoplex Itaim, Kinoplex Vila Olímpia, Market Place, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista Cinemark, Penha, Santana Plaza, Shopping D, SP Market, Villa-Lobos.

O Grão ★★★ Brasil/2007, 88 min. Drama. Dir. Petrus Cariry. Com Nanego Lira, Leuda Bandeira e Luís Felipe Ferreira. Perpétua sente que a morte se aproxima e decide preparar seu neto, Zeca, para a separação. Paralelamente, Damião e Josefa se esforçam para preparar o casamento da filha e sustentar a família. 10 anos. Belas Artes, Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Predadores ★★ Predators, EUA/2010, 107 min. Ficção Científica. Dir. Nimród Antal. Com Adrien Brody, Alice Braga e Laurence Fishburne. Royce é um militar que está um planeta estranho e precisa liderar grupo de pessoas pelas florestas perigosas, enquanto são caçados por predadores alienígenas. 16 anos. Campo Limpo, Central Plaza, Interlagos, Interlar Aricanduva, Metrô Itaquera, Metrô Tatuapé. LEGENDADO: Anália Franco, Boulevard Tatuapé, Bourbon, Bristol, Center Norte, Cidade Jardim, Eldorado, Iguatemi, Jardim Sul, Kinoplex Vila Olímpia, Marabá, Market Place, Metrô Santa Cruz, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista Cinemark, Plaza Sul, Santana Plaza, Shopping D, SP Market, Villa-Lobos.

Vincere ★★★★ Itália-França/2009, 128 min. Drama. Dir. Marco Bellocchio. Com Giovanna Mezzogiorno, Filippo Timi e Fausto Russo Alesi. Ida Dalser é deixada por seu marido, o líder italiano Benito Mussolini, que desaparece durante a I Guerra Mundial. Quando Ida o reencontra, descobre que ele está casado com outra – e renega a existência do filho de Ida. Mas ela irá lutar para que a criança seja reconhecida. 16 anos. Cinesesc.

EM CARTAZ 15 Anos e Meio 15 Ans et Demi, França/2008, 97 min. Comédia. Dir. François Desagnat e Thomas Sorriaux. Com Daniel Auteuil, Juliette Lamboley e François Damiens. O cientista Philippe Le Tallec tem de retornar à França para cuidar da sua filha adolescente, a quem não via há muitos anos. Ele descobre que precisará se esforçar para construir uma relação com a menina, que está mais interessada em festas e namoros. 14 anos. Espaço Unibanco.

Abraço Corporativo ★★★ Brasil/2009, 75 min. Documentário. Dir. Ricardo Kauffman. O consultor de RH Ary Itnem busca a divulgar a Teoria do Abraço na mídia. Segundo ele, ela foi criada para combater uma doença chamada ‘inércia do afastamento’, causada pelo uso em excesso de novas tecnologias. Livre. Belas Artes.

Almas à Venda★★

★ ruim

Cold Souls, EUA-França/2009, 101 min. Drama. Dir. Sophie Barth. Com Paul Giamatti, David Strathairn e Dana Korzun. O ator Paul está entediado e sem inspiração, enquanto tenta se preparar para uma peça russa. Ele tem esperança de melhorar quando seu agente lhe mostra um escritório misterioso, que pode ajudá-lo a aperfeiçoar sua atuação. 10 anos. Bourbon, Cine Bombril, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Reserva Cultural.

ADULTO TAMBÉM PODE ENTRAR DIVULGAÇÃO

O Profeta ★★★★ Un Prophète, França/2009, 155 min. Drama. Dir. Jacques Audiard. Com Tahar Rahim, Niels Arestrup e Adel Bencherif. Malik El Djebena é condenado a seis anos de prisão. Na cadeia, recebe ordens e missões do líder de uma gangue. Mas Malik não quer apenas obedecer e começa a bolar seus próprios planos. 18 anos. Reserva Cultural.

Aproximação ★★★★ Disengagement, Alemanha-Itália-Israel-França/2007, 115 min. Drama. Dir. Amos Gitai. Com Juliette Binoche, Liron Levo, Jeanne Moreau. Após a morte de seu pai, Ana decide tentar encontrar a filha, que abandonou quando era adolescente. A busca a leva a Israel, no momento em que as tropas do país se retiram da Faixa de Gaza. 12 anos. Belas Artes.

À Prova de Morte ★★★

Brilho de uma Paixão ★★★★ Bright Star, Austrália-França-Reino Unido/2009, 119 min. Drama. Dir. Jane Campion. Com Abbie Cornish, Ben Whishaw e Paul Schneider. Baseado em uma história real, o filme se passa em 1819 e narra a história de Fanny, uma garota que se apaixona pelo poeta John Keats. 12 anos. Bristol, Cine UOL Lumière, Gemini, Reserva Cultural.

Cartas para Julieta ★★ Letters To Juliet, EUA/2010, 105 min. Romance. Dir. Gary Winick. Com Amanda Seyfried, Gael García Bernal e Vanessa Redgrave. Em viagem à Itália, Sophie descobre que mulheres com problemas amorosos deixam cartas endereçadas a Julieta em um muro, pedindo conselhos. Sophie encontra uma mensagem escrita há cinquenta anos e decide ajudar sua autora a encontrar seu amor do passado. 10 anos. Gemini, Kinoplex Itaim.

Dzi Croquettes ★★★ Brasil/2009, 110 min. Documentário. Dir. Tatiana Issa e Raphael Alvarez. Com depoimentos de Liza Minnelli, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Miguel Falabella e Marília Pera. No período da Ditadura Militar no Brasil, o grupo de dança Dzi Croquettes, formado por homens que usavam vestidos e sapatos de salto alto, confrontou a repressão do governo. 10 anos. Belas Artes, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Reserva Cultural.

Em Teu Nome ★★ Brasil/2009, 100 min. Drama. Dir. Paulo Nascimento. Com Leonardo Machado, Fernanda Moro e Marcos Paulo. O filme retrata a Ditadura Militar brasileira através da história do estudante Boni, que decide se juntar à luta armada para protestar contra o regime opressor. 14 anos. Espaço Unibanco.

Encontro Explosivo ★★★ Knight and Day, EUA/2010, 110 min. Ação. Dir. James Mangold. Com Tom Cruise, Cameron Diaz, Maggie Grace e Peter Sarsgaard. A solitária June se interessa por Ray, um homem que conheceu em um avião. Mas ela descobre que ele é um agente secreto e é forçada a segui-lo em uma viagem pelo mundo – e tentar sobreviver às suas missões. 14 anos. DUBLADO: Boavista, Campo Limpo, Central Plaza, Continental, Interlagos, Interlar Aricanduva, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Shopping D, SP Market. LEGENDADO: Anália Franco, Boulevard Tatuapé, Bourbon, Bristol, Center Norte, Central Plaza, Cidade Jardim, Cine Tam, Eldorado, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Iguatemi, Interlagos, Interlar Aricanduva, Jardim Sul, Kinoplex Itaim, Kinoplex Vila Olímpia, Marabá, Market Place, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Pátio Higienópolis, Pátio

116 min. Aventura. Dir. Mike Newell. Com Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley e Alfred Molina. Injustamente afastado do trono, o Príncipe Dastan precisa recuperar o poder e proteger uma antiga adaga mágica, capaz de fazer o tempo retroceder. 12 anos. DUBLADO: Bourbon.

Duas sessões das 11. Boas opções matinais: A Viagem de Chihiro (E) hoje às 11 h no Cinesesc; e Barry e a Banda das Minhocas será exibido no mesmo horário no CCBB – tudo grátis Paulista Cinemark, Plaza Sul, Santana Plaza, Shopping D, SP Market, Villa-Lobos.

O Escritor Fantasma ★★★★ The Ghost Writer, Alemanha-EUA/2010, 128 min. Drama. Dir. Roman Polanski. Com Ewan McGregor, Pierce Brosnan e Tom Wilkinson. Um escritor é contratado para redigir um livro sobre as memórias de Adam Lang, primeiro-ministro da Inglaterra. Durante a pesquisa biográfica, contudo, ele descobre segredos do passado do político que podem colocar sua vida em risco. 12 anos. Belas Artes, Espaço Unibanco, Gemini.

A Fita Branca ★★★★

alegria o tempo que lhe resta. Um incidente muda o curso da história. 14 anos. Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Os Homens que Não Amavam as Mulheres ★★★ Män Som Hatar Kvinnor, Suécia/2009, 152 min. Suspense. Dir. Niels Arden Oplev. Com Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre. Baseado no best-seller de Stieg Larsson, o filme narra a história de um jornalista e uma detetive particular que precisam investigar o caso de uma garota que desapareceu há 36 anos. 16 anos. Belas Artes.

Das Weisse Band – Eine Deutsche Kindergeschichte, Alemanha-Áustria-França-Itália/2009, 144 min. Drama. Dir. Michael Haneke. Com Christian Friedel, Ernst Jacobi, Leonie Benesch. No ano de 1913, uma pequena cidade da Alemanha começa a presenciar estranhos eventos: um celeiro é incendiado, um médico cai em uma armadilha e duas crianças são sequestradas e torturadas. Cabe ao professor do coro infantil tentar entender esses mistérios. 16 anos. Belas Artes.

Ilha do Medo ★★★★

Flor do Deserto ★★★

A Jovem Rainha Vitória ★★★

Desert Flower, Alemanha-Áustria-Reino Unido/2009, 120 min. Drama. Dir. Sherry Horman. Com Liya Kebede, Sally Hawkins e Craig Parkinson. Baseado no best-seller ‘Desert Flower’, conta a trajetória da modelo Waris Dirie, desde sua infância sofrida na Somália até a carreira de sucesso nos Estados Unidos. 14 anos. Belas Artes, Reserva Cultural.

Shutter Island, EUA/2009, 148 min. Drama. Dir. Martin Scorsese. Com Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo. O detetive Teddy Daniels viaja até um hospital psiquiátrico – localizado em uma ilha – de onde uma perigosa assassina fugiu. Ao longo de sua investigação, porém, ele percebe que os médicos podem ser os verdadeiros vilões – e que ele pode ser uma vítima. E tem de tentar escapar (ou descobrir a verdade). 16 anos. Belas Artes.

The Young Victoria, EUA-Reino Unido/2009, 100 min. Drama. Dir. Jean-Marc Vallée. Com Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany. Vitória assume o trono da Inglaterra logo que atinge a maioridade. Como rainha, precisa enfrentar uma crise constitucional e lidar com seus sentimentos, divididos entre o príncipe Albert e o lorde Melbourne. 10 anos. Belas Artes, Kinoplex Itaim, Reserva Cultural.

O Golpista do Ano ★★ I Love You Phillip Morris, EUA/2008, 102 min. Comédia. Dir. Glenn Ficarra e John Requa. Com Jim Carrey, Ewan McGregor e Rodrigo Santoro. Steven Russel resolveu assumir sua homossexualidade. Ele começa a exigir uma vida de mordomias e, para consegui-la, passa a agir como um golpista. Quando é preso, conhece Philip Morris, por quem se apaixona. Steven descobre, então, que é capaz de fazer loucuras por amor. 16 anos. Bourbon, Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Hanami – Cerejeiras em Flor

★★★★ Kirschblüten – Hanami, Alemanha–França/2008, 127 min. Drama. Dir. Doris Dörrie. Com Elmar Wepper e Hannelore Elsner. Trudi fica sabendo que seu marido Rudi tem pouco tempo de vida. Mas, sem contar nada, ela decide fazer com que Rudi aproveite com

Mademoiselle Chambon ★★★ França/2009, 101 min. Drama. Dir. Stéphane Brizé. Com Vincent Lindon e Sandrine Kiberlain. Jean é um pai de família que tem uma vida tranquila. Mas isso muda quando ele se vê atraído pela professora de seus filhos, Mademoiselle Chambon. 12 anos. Reserva Cultural.

Mary e Max – Uma Amizade Diferente ★★★ Mary and Max, Austrália/2009, 93 min. Animação. Dir. Adam Elliot. A amizade entre Mary, uma menina solitária de oito anos, e Max, um homem de quarenta anos que vive sozinho em Nova York. Livre. Belas Artes.

Medos Privados em Lugares Públicos ★★★★

Coeurs, França-Itália/2006, 120 min. Drama. Dir. Alain Resnais. Com Sabine Azéma e Lambert Wilson. As carências e fantasias secretas de um grupo de personagens, entre eles um corretor de imóveis apaixonado por sua colega de trabalho, um ex-militar desempregado e em crise afetiva e uma jovem solitária adepta de encontros marcados por anúncios de jornal. 16 anos. Belas Artes.

Death Proof, EUA/2007, 114 min. Ação. Dir. Quentin Tarantino. Com Kurt Russell, Sydney Tamiia Poitier, Zoe Bell e Rosario Dawson. Dividido em dois momentos, o filme conta a história de um dublê psicopata que usa um carro indestrutível para perseguir e assassinar oito mulheres. 14 anos. Anália Franco, Belas Artes, Bourbon, Bristol, Cidade Jardim, Cine Bombril, Cine Uol Lumière, Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Jardim Sul, Kinoplex Itaim, Kinoplex Vila Olímpia, Marabá, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista Playarte, Reserva Cultural, Santana Plaza.

A Saga Crepúsculo: Eclipse ★★

Le Petit Nicolas, França/2009, 91 min. Infantil. Dir. Laurent Tirard. Com Máxime Godart, Valérie Lemercier e Kad Merad. Baseado na história de René Goscinny (criador de ‘Asterix’) e Jean-Jacques Sempé, conta a história de Nicolau, um menino que tem medo de ser ignorado pelos pais quando suspeita que eles esperam um outro bebê. Livre. DUBLADO: Belas Artes, Bourbon, Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Reserva Cultural. LEGENDADO: Bourbon, Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Reserva Cultural.

The Twilight Saga: Eclipse, EUA/2010, 135 min. Romance. Dir. David Slade. Com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner e Dakota Fanning. Bella precisa fazer escolher entre ficar com seu verdadeiro amor, o vampiro Edward, ou conservar a amizade com o lobisomem Jacob. As duas raças, porém, tem de esquecer suas diferenças para enfrentar a vampira Victoria e um exército de sanguessugas assassinos. 12 anos. DUBLADO: Anália Franco, Boavista, Bourbon, Butantã, Campo Limpo, Center Norte, Central Plaza, Continental, Eldorado, Interlagos, Interlar Aricanduva, Itaim Paulista, Jardim Sul, Kinoplex Vila Olímpia, Lapa, Marabá, Market Place, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Penha, Plaza Sul, Santana Plaza, Shopping D, SP Market, Villa-Lobos, West Plaza. LEGENDADO: Anália Franco, Boulevard Tatuapé, Bourbon, Bristol, Center Norte, Central Plaza, Cidade Jardim, Cine Tam, Eldorado, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Gemini, Iguatemi, Interlagos, Interlar Aricanduva, Jardim Sul, Kinoplex Itaim, Kinoplex Vila Olímpia, Market Place, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista Cinemark, Pátio Paulista Playarte, Penha, Plaza Sul, Santana Plaza, Shopping D, SP Market, Villa-Lobos.

Plano B ★★

O Segredo dos seus Olhos ★★★

The Back-Up Plan, EUA/2010, 106 min. Comédia Romântica. Dir. Alan Poul. Com Jennifer Lopez, Alex O'Loughlin e Michaela Watkins. Zoe cansou de esperar pelo homem perfeito e resolve fazer inseminação artificial. Mas, no mesmo dia que vai ao laboratório, ela conhece Stan e percebe que ele pode ser o homem por quem esperava. 12 anos. Bourbon, Cidade Jardim, Kinoplex Itaim.

El Secreto de sus Ojos, Argentina-Espanha/2009, 127 min. Drama. Dir. Juan José Campanella. Com Ricardo Darín e Soledad Villamil. Uma mulher é assassinada em Buenos Aires. Mas seu assassino é logo solto, por um erro da justiça. Vinte e cinco anos mais tarde, o policial Benjamín Espósito resolve retomar a investigação. 14 anos. Belas Artes, Gemini.

O Preço da Traição ★★★

Sempre Bela ★★★★

Chloe, Canadá-EUA-França/2009, 99 min. Drama. Dir. Atom Egoyan. Com Julianne Moore, Liam Neeson e Amanda Seyfried. O relacionamento de Catherine e David vai bem, até que ela passa a suspeitar de que o marido a trai. Catherine decide, então, contratar uma garota de programa para seduzir David e testar sua fidelidade. 16 anos. Gemini.

Belle Toujours, França-Portugal, 70 min. Drama. Dir. Manoel de Oliveira. Com Michel Piccoli e Bulle Ogier. Inspirado no livro de Joseph Kessel, o filme retoma os personagens Henri Husson e Séverine Serizy do longametragem ‘A Bela da Tarde’, de Luís Buñuel. Eles têm um encontro tenso anos depois de se conhecerem, devido a um segredo guardado por Henri. 14 anos. Frei Caneca Unibanco Arteplex.

As Melhores Coisas do Mundo

★★★★ Brasil/2009, 107 min. Drama. Dir. Laís Bodanzky. Com Francisco Miguez, Caio Blat, Paulo Vilhena e Denise Fraga. A história de Mano, um garoto que passa por experiências e confusões típicas da adolescência. Inspirado na série de livros de Gilberto Dimenstein e Heloisa Pietro. 14 anos. Frei Caneca Unibanco Arteplex.

O Pequeno Nicolau ★★★★

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo ★★★

Shrek para Sempre ★★

Prince of Persia: The Sands of Time, EUA/2010,

Shrek Forever After, EUA/2010, 93 min. Anima-

★ Iguatemi - Cinemark Av. Brig. Faria Lima, 2.232, Jd. Paulistano. 3815-8713. De R$ 18 a R$ 29. Poltronas numeradas. ● 1 (266 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h10 / 15h30 / 17h50. Legendado 20h00 / 22h00. ● 2 (129 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h30 / 15h00 / 17h40. Eclipse - 14a. 20h10. ● 3 (131 lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h40 / 15h20 / 18h00 / 20h30. ● 4 (140 lug.). Predadores - 14a. - 11h20 / 13h50 / 16h20 / 18h50 / 21h20. ● 5 (140 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h20 / 16h40. Encontro Explosivo - 14a. - 19h00 / 21h30. ● 6 (172 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h30 / 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30.

18h30. À Prova de Morte - 16a. - 20h50. ● 2 (125 lug.). Ponyo - dub. - L. - 15h00. Shrek Para Sempre - dub. - L. 17h20 / 19h30 / 21h40. ● 3 (144 lug.). Eclipse - dub. 14a. - 13h10 / 15h40. Legendado 18h20 / 21h00. ● 4* (176 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 14h40 / 17h00 / 19h10. Legendado 21h20. ● 5 (189 lug.). Predadores - 14a. - 14h10 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 6* (98 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h00 / 16h20 / 18h50 / 21h10. ● 7* (98 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 14h20 / 16h40 / 19h10 / 21h40.

Cine. Salas. Horários Esta programação é de responsabilidade exclusiva dos exibidores e pode ser alterada à última hora. Confira pelo telefone antes de sair de casa + = também e menos = não haverá sessão

CINECLUBES E SALAS ESPECIAIS ★ Centro Cultural Banco do Brasil (70 lug.). R. Álvares Penteado,112, Centro. 3113-3651. Grátis e R$ 4. Emoção e Poesia: O Cinema de Yasujiro Ozu. Até dom. Filmes e horários variados. ★Cinusp Paulo Emílio (100 lug.). Rua do Anfiteatro, 181,Colmeia, Favo 4, Cidade Universitária. 3091-3540.Mostra: Comédias Brasileiras. A partir de 2ª Filmes e horários variados. ★ Cine Segall - Museu Lasar Segall (100 lug.). R. Berta, 111, V. Mariana. 5574-7322. De R$ 5 a R$ 10.Chico Xavier - L. - 17h00. O Preço da Traição - 14a. - 15h00 / 19h20. ★ Cinemateca Brasileira - Sala Petrobrás (110 lug.), Sala BNDES (210 lug.). Lgo. Senador Raul Cardoso, 207, V. Clementino. 3512-6111. Grátis e R$ 8.Fábrica de Sonhos: 100 Anos de Cinema e Psicanálise (IPA). Filmes e horários variados. IV Mostra de Bollywood e Cinema Italiano. Filmes e horários variados. Dogma 95 - 15 Anos Depois. Filmes e horários variados. AUGUSTA, PAULISTA E JARDINS ★ Belas Artes R. da Consolação, 2.423, Cerq. César. 3258-4092. De R$ 8 a R$ 16. ● 1 (293 lug.). Aproximação - 12a. 15h40. Os Homens Que Não Amavam as Mulheres - 16a. 18h10. A Ilha do Medo - 16a. - 21h10. ● 2 (245 lug.). O Pequeno Nicolau - L. 14h00 / 18h30. O Segredo dos Seus Olhos 12a. - 16h00 / 20h30. ● 3 (163 lug.). À Prova de Morte 16a. - 14h00 / 18h00. O Grão 16h20 / 20h20. ● 4 (154 lug.). Mary e Max - 12a. - 14h00. O Escritor Fantasma 14a. - 16h10. Flor do Deserto - 14a. 18h30. Jovem Rainha Vitória - 10a. 21h00. ● 5 (97 lug.). A Fita Branca 12a. 14h00. Tudo Pode Dar Certo - 12a. - 16h50. Cineclube: A Fonte da Donzela 19h00. Medos Privados em Lugares Públicos 21h00.● 6 (88 lug.). Abraço Corporativo - L. 14h00. Dzi Croquettes - 10a. 16h00 / 18h10 / 20h20. ★ Bristol - Playarte Av. Paulista, 2.064. 3289-0509. De R$ 15 a R$ 27. ● 1 (444 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00. Legendado 20h00 / 22h00. ● 2 (144 lug.).Encontro Explosivo - 14a. - 12h45 / 15h00 / 17h15 / 19h30 / 21h45. ● 3 (144 lug.). À Prova de Morte 16a. - 14h00 / 16h20 / 18h40 / 21h00. ● 4 (177 lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h30 / 14h45 / 17h00 / 19h15 / 21h30. ● 5 (133 lug.). Brilho de Uma Paixão - 12a. 16h05 / 18h35 / 21h05. Ponyo - L. - 13h55. ● 6 (242 lug.). Predadores - 14a. - 13h10 / 15h20 / 17h30 / 19h40 / 21h50. ● 7 (115 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h10 / 14h25. Shrek Para Sempre - L. - 16h40. Eclipse - 14a. 18h40 / 21h20. ★ Cine Bombril Av. Paulista, 2.073. 3285-3696. De R$ 16 a R$ 18. 4ª R$ 12. Sessão Folha: De R$ 5 a R$ 10. Poltronas numeradas. ● 1 (300 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ● 2 (100 lug.). À Prova de Morte - 16a. 14h00 / 21h50. Almas à Venda - 10a. 16h10 / 19h50. Projeto Folha: Vittorio de Sica - Minha Vida, Meus Amores - 12a. 18h10. ★ Cinesesc (326 lug.). R. Augusta, 2.075, Jd. Paulista. 3087-0500. De R$ 8 a R$ 12.Vincere - 16a. - 14h30 / 16h50 / 19h10 / 21h30. Cine clubinho - 11h00. ★ Espaço Unibanco R. Augusta, 1.475, Cerq. César. 3288-6780. De R$ 12 a R$ 18. 5ª R$ 8. ● 1 (268 lug.). À Prova de Morte - 16a. 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ● 2 (240 lug.). O Profeta - 18a. - 14h00 / 18h20 / 21h10. Solo - L. 16h50.● 3 (189 lug.). O Pequeno Nicolau - dub. - L.- 14h00. Legendado

16h00 / 18h00. Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo - 14a. 20h00. Em Teu Nome - 14a. 22h00. ★ Espaço Unibanco R. Augusta, 1.470, Cerq. César. 3287-5590. De R$ 12 a R$ 18. 4 (107 lug.). Tudo Pode Dar Certo - 12a. - 14h00 / 18h00 / 22h00. O Escritor Fantasma - 14a. - 15h40 / 19h40. ● 5 (51 lug.). 15 Anos e Meio - 14a. - 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ★ Gemini Av. Paulista, 807. 3289-3566. De R$ 14 a R$ 16. ● 1 (379 lug.). Tudo Pode Dar Certo - 14a. - 14h10 / 19h50. O Preço da Traição - 16a. - 16h00. Cartas Para Julieta 17h50 / 21h40.● 2 (379 lug. ). Eclipse - 14a. - 14h10. O Segredo dos Seus Olhos 16h40. Brilho de Uma Paixão 19h00. O Escritor Fantasma 21h20. ★ Reserva Cultural Av. Paulista, 900. 3287-3529. De R$ 13 a R$ 20. ● 1 (190 lug.). O Pequeno Nicolau - dub. - L. - 15h30. Legendado 13h40 / 19h35 / 21h20. Brilho de Uma Paixão - 14a. 17h20. ● 2 (161 lug.). Ponyo - dub. - L. - 13h30. Mademoiselle Chambon - L. - 15h20. Almas à Venda - 10a. 17h20. À Prova de Morte - 16a. 19h20 / 21h30. ● 3 (120 lug.). Dzi Croquettes - 10a. 14h40 / 16h50 / 19h00 / 21h10. ● 4 (110 lug.). A Flor do Deserto - 14a. 14h20 / 18h40. A Jovem Rainha Vitória - 10a. 16h40. O Profeta - 18a. 21h00. CENTRO ★ Marabá Av. Ipiranga, 757, Centro. 5053-6881. De R$ 9 a R$ 16. ● 1 (430lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 12h40 / 14h40 / 16h40 / 18h40 / 20h40. ● 2 (122 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h00 / 14h15. À Prova de Morte - 16a. 16h30 / 19h00 / 21h20. ● 3 (133 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 13h20 / 15h40 / 18h00 / 20h20. ● 4 (161 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h00 / 14h40 / 17h20 / 20h00. ● 5 (176 lug.). Predadores - 14a. - 14h15 / 16h30 / 18h45 / 21h00. BAIRROS ★ Cine Sabesp (271 lug.). R. Fradique Coutinho, 361, Pinheiros. 5096-0585. De R$ 16 a R$ 18. 4ª R$ 12.O Bem Amado - 12a. - 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ★ Itaim Paulista Av. Marechal Tito, 7.579. Itaim Paulista. 2571-7649. De R$ 4 a R$ 8.● 1 (187 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h00. Eclipse - dub. - 14a. - 16h10 / 18h40 / 21h00. ● 2 (161 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ★ Kinoplex Itaim R. Joaquim Floriano, 466, Itaim Bibi. 3131-2006. De R$ 18 a R$ 23. 3D De R$ 26 a R$ 29. Poltronas numeradas. ● 1 (187lug.). Plano B - 12a. - 13h40 / 18h40. Eclipse 14a. - 16h00 / 21h00. ● 2 (161 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h20 / 16h40 / 19h10 / 21h20. ● 3 (184 lug.). Cartas para Julieta - 10a. - 13h50 / 16h10 / 18h30 / 20h50. ● 4 (158 lug.). A Jovem Rainha Vitória - 10a. - 14h10 / 16h20 / 18h50. À Prova de Morte - 16a. - 21h10. ● 5 (321 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 13h10 / 15h20 / 17h30. Legendado 19h40 / 21h50. ● 6 (319 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ★ Cine UOL Lumière - Playarte R. Joaquim Floriano, 339, Itaim Bibi. 3071-4418. De R$ 15 a R$ 19.● 1 (195 lug.). Brilho de Uma Paixão - 16a. 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 2 (170 lug.). À Prova de Morte - 16a. - 18h00 / 20h20. Ponyo - dub. - L. - 13h30 / 15h40. SHOPPINGS ★ Anália Franco - UCI R. Regente Feijó, 1.739, Tatuapé. 2164-7790. De R$ 11 a R$ 17. (*) 3D De R$ 19 a R$ 23 . ● 1 (382 lug.). O Bem Amado - 12a. - 13h30 / 15h50 / 18h05 / 20h30. ● 2 (308 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 13h10 / 15h30 / 17h50 / 20h10 / 22h30. ● 3 (242 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 12h40 / 14h45 / 16h50 / 18h55 / 21h00. ● 4 (120 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 13h20 / 15h25 /

17h30. À Prova de Morte - 16a. - 19h45 / 22h10. ● 5 (132 lug.). Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar - L. 16h20. Eclipse - 14a. - 18h30 / 21h10. ● 6 (239 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h10 / 14h35 / 17h00 / 19h25 / 21h50. ● 7* (418 lug.). Shrek para Sempre 3D - dub. - L. - 12h00 / 14h05 / 16h10 / 18h15 / 20h20. Legendado 22h25. ● 8 (295 lug.). Predadores - 14a. - 12h00 / 14h20 / 16h40 / 19h00 / 21h20. ● 9 (203 lug.). Eclipse - dub. 14a. - 12h20 / 15h00 / 17h40 / 20h20. ★ Boavista R. Borba Gato, 59, Santo Amaro. 5547-6060. De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (183 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h50 / 17h00 / 19h10 / 21h20. ● 2 (330 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h45 / 15h45 / 17h45 / 19h45 / 21h45. ● 3 (118 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 17h15. Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 15h00 / 19h30 / 21h50. ● 4 (95 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 14h45 / 16h45 / 18h45 / 20h45. ● 5 (95 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 14h15. Eclipse - dub. - 14a. - 16h30 / 19h00 / 21h30. ★ Bourbon - Espaço Unibanco R. Turiaçu, 2.100, Pompeia. 3673-3949. De R$ 16 a R$ 20. 4ª R$ 12. 3D R$ 22 a R$ 24. (*)Vip.● 1 (213 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. 13h40 / 16h10 / 18h40. Legendado 21h10. ● 2 (202 lug.). Predadores - 14a. - 13h10 / 15h20 / 17h30 / 19h40 / 21h50. ● 3 (202 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 4 (213 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h20 / 16h40 / 19h00 / 21h20. ● 5 (202 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 14h10 / 16h40 / 19h10 / 21h40. ● 6 (202 lug.). Eclipse dub. - 14a. - 13h00 / 15h30 / 18h00 / 20h30. ● 7 (122 lug.). À Prova de Morte - 16a. 13h00 / 15h10 / 17h20 / 19h40 / 22h00. ● 8 (121 lug.). Eclipse - 14a. - 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h30. ● 9 (122 lug.). Plano B - 12a. 13h00 / 17h30. Príncipe da Pérsia - 12a. - 15h10 / 19h40. Almas à Venda - 10a. 22h00.● 10* ( 62 lug.). Ponyo dub. - L. - 14h00. O Pequeno Nicolau - dub. - L. 16h00. Legendado 18h00. O Golpista do Ano - 16a. - 20h00 / 22h00. ★ Bourbon - Espaço Unibanco Imax (327 lug.) R. Turiaçu, 2.100, Pompeia. 3673-3949. De R$ 22 a R$ 34. Um Mar de Aventuras 3D - L. - 11h00. Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. 13h20 / 15h30 / 17h40 / 19h50. Legendado 22h00. ★ Butantã - Playarte Av. Prof. Francisco Morato, 2.718, Butantã. 5053-6938. De R$ 10 a R$ 14.● 1 (220 lug.). Shrek Para Sempre dub. - L. - 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 2 (211 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h00 / 15h40 / 18h20 / 21h00. ● 3 (140 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h20 / 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ★ Campo Limpo Estr. de Campo Limpo, 459 , 2º Piso. 5512-7596. De R$ 7 a R$ 14. (*) 3D De R$ 9 a R$ 18. ● 1 (238 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 15h00 / 17h15 / 19h30 / 21h45. ● 2 (298 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 3* ( 354lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 13h30 / 15h30 / 17h30 / 19h30 / 21h30.● 4 (356 lug.).Predadores - dub. - 14a. - 14h30 / 16h45 / 19h00 / 21h30. ● 5 (328 lug.).Shrek Para Sempre - dub. - L. - 14h00 / 15h50 / 17h40 / 19h30 / 21h20. ★ Center Norte - Cinemark Trav. Casalbuono, 127, V. Guilherme. 2252-2395. De R$ 14 a R$ 25. ● 1 (325 lug.).Shrek Para Sempre - 3D dub. L. - 11h00 / 13h10 / 15h20 / 17h40 / 20h00 / 22h20. ● 2 (256 lug.). Predadores - 14a. - 11h10 / 13h30 / 16h05 / 18h40 / 21h20. ● 3 (260 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 12h20 / 15h00 / 17h50. Eclipse - 14a. - 20h20. ● 4 (224 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h40 / 14h00. Eclipse - dub. - 14a. - 16h10 / 18h50 / 21h30. ● 5 (316 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h20 / 13h55 / 16h25 / 19h00 / 21h50. ★ Centerplex Lapa R. Catão, 72, Lapa. 4005-9080. De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (291 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 15h10 / 17h10 / 19h00 / 21h00. ● 2 (151 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h15 / 15h50 / 18h30 / 21h15. ● 3 (151 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h30 / 16h00 / 18h20 / 20h40.

★ Central Plaza - Cinemark Av. Dr. Francisco Mesquita, 1.000, Ipiranga. 2914-7859. De R$ 11 a R$ 23. ● 1 (320 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 11h05 / 13h45 / 16h25 / 19h10. Legendado 22h00. ● 2 (361 lug.). Predadores - dub. - 14a. - 11h15 / 13h40 / 16h15 / 18h40 / 21h10. ● 3 (152 lug.). O Bem Amado - 12a. 11h25 / 14h00 / 16h30 / 19h05 / 21h30. ● 4 (118 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h30 / 14h50 / 17h10 / 19h30. Eclipse - dub. - 14a. - 21h35. ● 5 (151 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h20 / 16h40 / 19h00. Eclipse - 14a. - 21h05. ● 6 (98 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h30 / 13h50 / 16h10 / 18h30. Legendado 20h50. ● 7 (270 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h45 / 14h05 / 16h35 / 19h05 / 21h30. ● 8(266 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h25 / 15h00 / 17h25 / 19h55 / 22h25. ● 9 (278 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h20 / 15h40 / 18h15 / 20h20 / 22h30. ● 10 (486 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 13h00 / 15h30 / 18h00 / 20h30. ★ Cidade Jardim - Cinemark - Salas Bradesco Prime Av. Magalhães de Castro, 12.000. 3552-1800. De R$ 37 a R$ 49. ● 1 (127 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h30 / 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 2 (97 lug.). Predadores - 14a. - 11h00 / 13h30 / 16h00 / 18h30 / 21h00. ●3 (72 lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h30 / 15h10 / 17h40 / 20h10. ●4 (82 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 12h00 / 14h10 / 16h40. À Prova de Morte - 16a. - 18h50 / 21h40. ★ Cidade Jardim - Cinemark Av. Magalhães de Castro, 12.000. 3552-1800 De R$ 18 a R$ 29.(*) 3D De R$ 25 a R$ 28. ● 5(181 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h20 / 15h00. Eclipse - 14a. - 17h30 / 20h20. ●6 (219 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h20 / 13h50 / 16h20 / 18h45 / 21h20. ●7*(274 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h05 / 13h15 / 15h25 / 17h35. Legendado 19h45 / 22h00. ★ Continental Av. Leão Machado, 100, Pq. Continental. 3765-3774. De R$ 8 a R$ 14. Sessão Pipoca: R$ 6. ● 1 (360 lug.).Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h30 / 15h30 / 17h30 / 19h30 / 21h30. ● 2 (380 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h00 / 19h00. Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 16h30 / 21h15. ★ Eldorado - Cinemark Av. Rebouças, 3.970, Pinheiros. 2197-7470. De R$ 15 a R$ 27. ● 1 (372 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h10 / 13h30 / 16h00 / 18h30 / 21h00. ● 2 (265 lug.). Eclipse dub. - 14a. - 11h05. Predadores - 14a. - 13h40 / 16h10 / 18h50 / 21h30. ● 3 ( 265 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 12h10 / 14h40 / 17h10 / 19h40 / 22h10. ● 4 (265 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h10 / 16h20 / 18h40 / 20h50. ● 5 (265 lug.). Shrek Para Sempre dub. - L. - 11h30 / 13h35 / 15h50 / 18h00. Eclipse - 14a. 20h30. ● 6 (265 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h20 / 15h00 / 17h25. Eclipse - 14a. - 19h55 / 22h30. ● 7 (187 lug.). O Bem Amado - 12a. - 13h00 / 15h40 / 18h10 / 20h40. ● 8 ( 297 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h10 / 15h20 / 17h30 / 19h50. Legendado 22h00. ● 9 (297 lug.). Toy Story 3 - 3D dub. - L. - 11h15 / 13h50 / 16h25 / 19h00 / 21h40. ★ Frei Caneca Shopping - Unibanco Arteplex R. Frei Caneca, 569, Cerqueira Cesar. 3472-2365. De R$ 16 a R$ 20. 4ª R$ 12. 3D R$ 22 a R$ 24. ● 1 (268 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. 14h00 / 16h00 / 18h00. Legendado 20h00 / 22h00. ● 2 (234 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 3 (181 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h30 / 16h50 / 19h10 / 21h30. ● 4 (103 lug.). O Pequeno Nicolau - dub. L. - 14h00 / 16h00. Legendado 18h00. O Golpista do Ano - 16a. - 20h00 / 22h00. ● 5 (103 lug.). Sempre Bela - 12a. 14h00. Dzi Croquettes - 10a. 15h30 / 17h40 / 19h50 / 22h00. ● 6 (125 lug.). À Prova de Morte - 16a. - 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ● 7 (103 lug.). As Melhores Coisas do Mundo - 14a. - 14h00. O Grão - 10a. - 16h00 / 19h30 / 21h10. Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo - 14a. 17h50. ● 8 (103 lug.). Hanami - Cerejeiras em Flor - L. 14h00. Almas à Venda - 10a. - 16h10 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 9 (125 lug.). Eclipse - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30.

★ Interlagos - Cinemark Av. Interlagos, 2.255, V. Inglesa. 5565-2570. De R$ 10 a R$ 15. (*) 3D De R$ 18 a R$ 21. ● 1 (201 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h15 / 13h45 / 16h25 / 18h50 / 21h20. ● 2* (294 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h10 / 15h25 / 17h50 / 20h05 / 22h20. ● 3 (207 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h30 / 14h40 / 16h50 / 19h00 / 21h15. ● 4 (208 lug.). Predadores - dub. - 14a. 11h25 / 14h00 / 16h30 / 19h05 / 21h30. ● 5 (161 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 10h55 / 13h15 / 15h40 / 18h20 / 21h00. ● 6 (201 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h20 / 15h00 / 17h25 / 19h55 / 22h25. ●7 (212 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 11h55 / 14h15 / 16h40 / 19h20 / 22h00. ● 8 (197 lug.).Shrek Para Sempre - dub. - L. 12h00 / 14h10 / 16h20 / 18h40. Eclipse - dub. - 14a. 21h10. ● 9 (125 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 11h30 / 13h40 / 15h50. Eclipse - dub. - 14a. - 18h00 / 20h40. ● 10 (119 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h20 / 16h00 / 18h55. Legendado 21h40. ★ Interlar Aricanduva - Cinemark Av. Aricanduva, 5.555, Aricanduva. 3444-2564. De R$ 10 a R$ 22. ●1 (176 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 11h00 / 13h05 / 15h10 / 17h10. Eclipse - dub. - 14a. - 19h15 / 21h50. ● 2 (177 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 11h30 / 13h35 / 15h40 / 17h45 / 19h50 / 22h10. ● 3 (192 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h05 / 16h10 / 18h15 / 20h20. ● 4 (133 lug.). Toy Story 3 - dub. L. - 12h35 / 15h00. Eclipse - dub. - 14a. - 17h40 / 20h25. ● 5 (134 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h15 / 15h50 / 18h25 / 21h00. ● 6 (206 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h15 / 13h45 / 16h15 / 18h40 / 21h05. ● 7 (117 lug.).Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h30 / 14h35 / 16h45 / 18h50 / 20h55. ● 9 (178 lug.). O Bem Amado 12a. - 12h15 / 14h45 / 17h15 / 19h40 / 22h05. ● 10* (520 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h25 / 13h40 / 16h00 / 18h20 / 20h50. ● 11 (239 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 12h50 / 15h15 / 17h50 / 20h15. ● 12 (237 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h05 / 14h40 / 17h20 / 19h55. Legendado 22h30. ● 13 (189 lug.). Predadores dub. - 14a. - 11h50 / 14h10 / 16h40 / 19h00 / 21h20. ● 14 (268 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h35 / 14h20 / 17h05 / 19h35 / 22h00. ★ Jardim Sul - UCI Av. Giovanni Gronchi, 5.830, Morumbi. 2164-7711. De R$ 15 a R$ 20. (*)3D De R$ 21a R$ 24 . Poltronas numeradas.1* (249 lug.). Shrek para Sempre 3D - dub. - L. 12h00 / 14h05 / 16h10 / 18h15 / 20h20. Legendado 22h25. ● 2 (165 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h00 / 14h40 / 17h20. Legendado 20h00 / 22h35. ● 3 (191 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h20 / 16h00 / 18h40. Legendado 21h20. ● 4 (239 lug.). O Bem Amado - 12a. - 13h30 / 15h50 / 18h10 / 20h30. ● 5 (228 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 13h50 / 16h10 / 18h30 / 20h50. ● 6 (228 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 13h10 / 15h15 / 17h20 / 19h25 / 21h30. ● 7 (177 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 12h40 / 14h45 / 16h50 / 18h55. Legendado 21h00. ● 8 (165 lug.). Ponyo - L. - 12h10 / 14h15 / 16h20 / 18h20. À Prova de Morte - 16a. - 20h30. ● 9 (413 lug.). Predadores - 14a. - 12h20 / 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ● 10 (191 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h30 / 15h00 / 17h30 / 19h50 / 22h15. ● 11 (235 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 13h00 / 15h20 / 17h40 / 20h05 / 22h25. ★ Kinoplex Vila Olímpia R. Olimpíadas, 360, V. Olímpia, 3131-2006. De R$ 18 a R$ 23. (*)3D De R$ 26 a R$ 29. (*) VIP De R$ 37 a R$ 49. ● 1 (125 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h40 / 16h00 /

★ Market Place - Cinemark R. Dr. Chucri Zaidan, 920, V. Cordeiro. 3048-7405. De R$ 15 a R$ 28. Poltronas numeradas. ● 1 (201 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 12h05 / 14h30 / 17h10 / 19h40 / 22h10. ● 2 (369lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h10 / 13h30 / 16h00 / 18h30 / 21h10. ● 3 (261 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h30 / 15h00. Eclipse - 14a. - 17h30 / 20h10. ● 4 (180 lug.). Predadores - 14a. - 11h55 / 14h20 / 16h45 / 19h10 / 21h30. ● 5 (180 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h05 / 13h35. Legendado 16h05 / 18h45 / 21h40. ● 6 (217 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h00 / 15h05 / 17h05 / 19h00. Legendado 21h00. ● 7 (134 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h20 / 13h50 / 16h10 / 18h25 / 20h50. ● 8 (219 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h35 / 13h40 / 15h45 / 17h50 / 19h55. Legendado 22h00. ★ Metrô Santa Cruz - Cinemark R. Domingos de Morais, 2.564, V. Mariana. 3471-8070. De R$ 13 a R$ 25. ● 1 (210 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 12h00 / 14h35 / 17h10 / 19h45 / 22h20. ● 2 (202 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h20 / 15h00 / 17h50. Legendado 20h30. ● 3 (268 lug.). Eclipse - 14a. - 11h05 / 13h40 / 16h20 / 19h00 / 21h40. ● 4 (206 lug.).Encontro Explosivo - 14a. - 10h55 / 13h20 / 16h10 / 18h50 / 21h20. ● 5 (203 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h10 / 13h35. Encontro Explosivo - 14a. - 16h10 / 18h50 / 21h20. ● 6 (206 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h30 / 13h30 / 15h40 / 18h00 / 20h20. Legendado 22h30. ● 7 (260 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h00 / 15h10 / 17h30 / 19h50. Legendado 22h00. ● 8 (230 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 12h40 / 15h05 / 17h40 / 20h10. ● 9 (173 lug.). O Bem Amado - 12a. 10h50 / 13h10 / 15h50 / 18h30 / 21h10. ● 10 (345 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h30 / 14h40 / 17h05 / 19h15 / 21h30. ● 11 (206 lug.). Predadores - 14a. - 11h40 / 14h10 / 16h40 / 19h30 / 21h55. ★ Metrô Boulevard Tatuapé - Cinemark Rua Gonçalves Crespo s/n, Tatuapé. 2295-4006. De R$ 10 a R$ 16. ● 1 (251 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 11h50 / 14h00 / 16h10 / 18h20 / 20h30. ● 2 (240 lug.). Predadores - 14a. - 12h10 / 14h35 / 17h05 / 19h35 / 22h05. ● 3 (373 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h15 / 13h50 / 16h30 / 19h10 / 21h40. ● 4 (240 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h30 / 15h00 / 17h40 / 20h20. ● 5 (193 lug.). Eclipse - 14a. - 15h30 / 18h10 / 21h00. Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h00 / 13h20. ★ Metrô Itaquera - Cine Box Av. José Pinheiro Borges, s/nº, Itaquera. 4005-9050.De R$ 9 a R$ 19. 3D R$ 21.● 1 (427 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 11h15 / 14h00 / 16h10 / 18h20 / 20h30. ● 2 (395 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h20 / 15h10 / 18h00 / 20h50.● 3 (322 lug.). Shrek para Sempre 3D - dub. - L. 12h15 / 14h30 / 16h40 / 18h50 / 21h00. ● 4 (294 lug.). Ponyo - dub. - L. - 11h20. Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 13h45 / 16h15 / 18h45 / 21h15. ● 5 (315 lug.). Predadores - dub. - 14a. - 12h00 / 14h20 / 16h50 / 19h15 / 21h40. ● 6 (164 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h40 / 14h10 / 19h10. Eclipse - dub. - 14a. - 16h30 / 21h45. ● 7 (208 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h50 / 14h15 / 16h45 / 19h00 / 21h20. ● 8 (254 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 12h50 / 15h00 / 17h10 / 19h20 / 21h30. ★ Metrô Tatuapé - Cinemark Av. Radial Leste, s/nº, Tatuapé. 2092-9237. De R$ 10 a R$ 23. ● 1 (273 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. 11h50 / 14h00 / 16h10 / 18h20 / 20h30. ● 2 (149 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h25 / 14h50 / 17h05 / 19h20 / 21h40. ● 3 (116 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h00 / 13h10 / 15h20. Encontro Explosivo - 14a. -


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O ESTADO DE S. PAULO CLASSIFICAÇÃO DOS FILMES

| ★★ regular | ★★★ bom | ★★★★ ótimo

ção. Dir. Mike Mitchell. Vozes de Mike Myers, Cameron Diaz, Antonio Banderas e Eddie Murphy na versão original. Shrek percebe que, ultimamente, tem sido um ogro muito inofensivo. Para reaver seu porte assustador, ele resolve firmar um acordo com o duende Rumpelstiltskin. Mas Shrek é enganado e transportado para uma dimensão onde ninguém o conhece – e todos estão diferentes. Livre. DUBLADO: Anália Franco (3D), Boavista, Boulevard Tatuapé, Bourbon (Imax – 3D), Bristol (3D), Butantã, Campo Limpo (3D), Center Norte (3D), Central Plaza (3D), Cidade Jardim (3D), Cine TAM (3D), Continental, Eldorado (3D), Frei Caneca Unibanco Arteplex (3D), Iguatemi (3D), Interlagos (3D), Interlar Aricanduva (3D), Itaim Paulista, Jardim Sul (3D), Kinoplex Itaim (3D), Kinoplex Vila Olímpia (3D), Lapa, Marabá (3D), Market Place (3D), Metrô Itaquera (3D), Metrô Santa Cruz (3D), Metrô Tatuapé (3D), Pátio Higienópolis (3D), Pátio Paulista Cinemark (3D), Pátio Paulista Playarte, Penha, Plaza Sul (3D), Santana Plaza (3D), Shopping D (3D), SP Market (3D), Villa-Lobos (3D), West Plaza. LEGENDADO: Anália Franco (3D), Bourbon (Imax – 3D), Bristol (3D), Cidade Jardim (3D), Cine Tam (3D), Eldorado (3D), Frei Caneca Unibanco Arteplex (3D), Iguatemi (3D), Jardim Sul (3D), Kinoplex Itaim (3D), Kinoplex Vila Olímpia (3D), Market Place (3D), Metrô Santa Cruz (3D), Pátio Hig. (3D), Pátio Paulista Cinemark (3D), Santana Plaza (3D), Villa-Lobos (3D).

Solo ★★★

Brasil/2009, 72 min. Drama. Dir. Ugo Giorgetti. Com Antonio Abujamra. Homem de meia idade reflete sobre a cidade de São Paulo e o mundo atual – lugares nos quais se sente deslocado. Livre. Espaço Unibanco.

Toy Story 3 ★★★★

EUA/2010, 113 min. Animação. Dir. Lee Unkrich. Vozes de Tom Hanks, Tim Allen, Michael Keaton e Joan Cusack na versão original. Quando o jovem Andy vai para a faculdade, decide doar seus brinquedos para uma creche. Woody, Buzz e os outros bonecos, então, têm de tentar escapar de um grupo de crianças destruidoras. Livre. DUBLADO: Anália Franco, Boavista, Boulevard Tatuapé, Bourbon (3D) ✺, Bristol, Butantã, Center Norte, Central Plaza, Cidade Jardim, Cine Tam, Eldorado (3D), Iguatemi, Interlagos, Interlar Aricanduva, Itaim Paulista, Jardim Sul, Kinoplex Vila Olímpia, Lapa, Marabá, Market Place, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista Cinemark, Penha, Plaza Sul, Santana Plaza, Shopping D, SP Market, Villa-Lobos. LEGENDADO: Bourbon (3D.

Tudo Pode Dar Certo ★★★ Whatever Works, EUA/2009, 92 min. Comédia. Dir. Woody Allen. Com Larry David, Evan Rachel Wood, Ed Begley Jr. e Patricia Clarkson. Boris é um velho mal-humorado e acostumado a insultar as pessoas. Mas isso muda quando ele resolve abrigar uma menina de 21 anos em sua casa. 14 anos. Belas Artes, Espaço Unibanco, Gemini.

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo ★★★★

Brasil/2009, 71 min. Drama. Dir. Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. Construido de forma experimental, o filme usa imagens do Nordeste registradas em formatos variados para contar a história de um geólogo que faz uma viagem de trabalho, enquanto relembra seu amor. 14 anos. Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Vittorio de Sica – Minha Vida, Meus Amores ★★★

Vittorio D, Itália/2009, 92 min. Documentário. Dir. Mario Canale e Annarosa Morri. Com depoimentos de Clint Eastwood, Mario Monicelli, Ken Loach, Woody Allen. O filme traça a trajetória do cineasta italiano Vittorio de Sica, por meio do making of de seus filmes e depoimentos de colegas. Livre. Cine Bombril.

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Guia. Teatro

Guia. Visuais MARINGÁ/DIVULGAÇÃO

ÚLTIMO DIA O Grande Cerimonial

A exposição tem 60 esculturas e 106 desenhos que revelam as figuras femininas retratadas pelo escultor. As peças foram feitas por Victor Brecheret (1894-1955) entre os anos 20 e 50, em materiais como mármore, bronze e terracota. MuBE. R. Alemanha, 221, 2594-2601. 10h/19h. Grátis.

Rubens e Seu Ateliê de Gravura

Navalha na Carne

As obras do artista barroco alemão Peter Paul Rubens são expostas pela primeira vez na cidade. São 56 gravuras pertencentes ao Museu Siegerland, situado em Siegen (Alemanha), cidade natal do artista. Caixa Cultural. Conj. Nacional. Av. Paulista, 2.083, 3321-4400. 10h/21h. Grátis.

O clássico de Plínio Marcos que põe em cena a tensa relação entre uma prostituta, seu cafetão e um amigo homossexual ganha uma roupagem focada na estilização corporal, aproximando a montagem da linguagem dos HQs. Dir. Monica Granndo. Com Grupo Livre Produção Cultural. 50 min. 15 anos. Studio 184 (112 lug.). Pça. Roosevelt, 184, 3259-6940. Dom., 18h. R$ 20.

Na sala de espera, pacientes com o transtorno obsessivo compulsivo aguardam sua vez. De Laurent Baffie. Dir. Alexandre Reinecke. Com Flavia Garrafa, Marat Descartes, Riba Carlovich. 90 min. 12 anos. Teatro Gazeta (640 lug.). Av. Paulista, 900, 3253-4102. Dom., 20h. R$ 60/R$ 70.

Um Dia a Menos Duas mulheres idênticas que não se conhecem vivem mergulhadas no cotidiano. Isoladas do mundo, elas encontram respostas para suas inquietações quando se deparam uma com a outra. De Clarice Lispector. Dir. Marcio Mehiel. Com Carol Scavone e Maria Stella. 65 min. 14 anos. Teatro Cacilda Becker (200 lug.). R. Tito, 295, V. Romana, 3864-4513. Dom., 19h. R$ 10.

EM CARTAZ A Alma Imoral O monólogo, baseado no livro homônimo, trata da necessidade humana de romper com os valores estabelecidos em busca do novo. O tema é denso, mas Clarice Niskier consegue tratá-lo com certa leveza. De Nilton Bonder. Dir. Amir Haddad. Adap. e interp. Clarice Niskier. 80 min. 18 anos. Teatro Augusta. Sala Nobre (302 lug.). R. Augusta, 943, Consolação, 3151-4141. 6ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 19h. R$ 50. Até 1/8.

EM CARTAZ Vida. Um mergulho teatral no mundo do poeta Paulo Leminski In On It Em uma cadeia de jogos internos, dois atores interpretam dez personagens, numa história ‘dentro’ da história: um dramaturgo tentando recriar um misterioso acidente de carro. De Daniel MacIvor. Dir. Enrique Diaz. Com Emilio de Mello e Fernando Eiras. 60 min. 16 anos. Livraria Cultura. Teatro Eva Herz (166 lug.). Av. Paulista, 2.073, 3170-4059, metrô Consolação. 6ª e sáb., 21h; dom., 18h. R$ 40/R$ 50. Até 1/8.

Maternidades Monólogo em que a atriz vive quatro mulheres com relações diferentes com a maternidade, transitando entre a comédia e o drama. Texto e dir. André Fusko. Com Amanda Acosta. 14 anos. 60 min. Teatro Imprensa. Sala Vitrine (48 lug.). R. Jaceguai, 400, Bela Vista, 3241-4203. Sáb., 21h; dom., 19h. R$ 30. Até 1/8.

Mulheres Alteradas As personagens femininas –e suas neuroses – dos famosos HQs da argentina Maitena ganham vida nesta montagem. Dramat. Andrea Maltarolli. Dir. Eduardo Figueiredo. Com Luiza Tomé, Mel Lisboa e

Guia. Infantil TEATRO O Astronauta Inspirado em músicas de David Bowie, o espetáculo conta as aventuras de Tom, um astronauta que tenta entrar em contato com a Terra. Com a Cia. ElasticaEspacial. 60 min. Rec. da produção: livre. Rec. do Divirta-se: a partir de 5 anos. Teatro Cleyde Yáconis (288 lug.). Av. do Café, 277, 5070-7018. Sáb. e dom., 16h. R$ 10. Até 8/8.

Beterrabas, Segredos e Patacoadas Um casal pede a ajuda de um Ar- lequim para contar ao pai da moça que eles desejam se casar. Com a Confraria do Beco. 55 min. Rec. da produção e do Divirta-se: a partir de 4 anos. Teatro João Caetano (436 lug.). R. Borges Lagoa, 650, V. Clementino, 5573-3774. Sáb. e dom., 16h. R$ 10. Até 1/8.

Branca de Neve Não Mora mais Aqui Após o casamento da Branca de Neve, os

PAULO GIANDALIA/AE

ÚLTIMO DIA Brecheret – Mulheres de Corpo e Alma

Cavanosa é um homem que sonha todas as noites com um ‘rito tresloucado de amor’, até que encontra a Mulher-menina. Uma história de amor altamente alegórica, com ares de teatro do absurdo. De Fernando Arrabal. Dir. Reginaldo Nascimento. Com Teatro Kaus. 100 min. 14 anos. Teatro Augusta. Sala Experimental (55 lug.). R. Augusta, 943, 3151-4141. Dom., 19h. R$ 30.

Toc Toc

Caderno2 D11

outros. 80 min. 12 anos. Teatro Procópio Ferreira (670 lug.). R. Augusta, 2.823, 3885-5056. 6ª e sáb., 21h30; dom., 19h. R$ 50/R$ 70. Até 3/10.

Vida Dois casais exilados em uma cidade imaginária, presos em uma sala para montar uma peça, é o mote para uma jornada pela obra do poeta Paulo Leminski. Texto e dir. Marcio Abreu. Com Cia Brasileira de Teatro. 115 min. 14 anos. Sesc Santana (349 lug.). Av. Luiz Dumont Villares, 579, 2971-8700. 6ª e sáb., 21h; dom., 19h30. R$ 20. Até 8/8.

MUSICAL Dr. Jekyll & Hyde – O Médico e o Monstro O médico Henry Jekyll cria uma fórmula para isolar o lado mau que existe em cada ser humano. Sem cobaias, ele mesmo testa sua invenção. O experimento não funciona e ele toma forma de Edward Hyde, seu alterego do mal. 150 min. 12 anos. De Robert Louis Stevenson. Dir. Fred Hanson. Com Nando Prado, Kiara Sasso. Teatro Bradesco (1.457 lug.). R. Turiaçu, 2.100, 4003-1212. 5ª, 21h; 6ª, 21h30; sáb., 17h e 21h; dom., 18h. R$ 80/R$ 190. Até 18/8.

De Arthur Friedenreich a Edson Arantes do Nascimento – O Negro no Futebol Brasileiro A exposição conta com fotografias, esculturas, caricaturas, textos e filmes sobre grandes jogadores, desde Arthur Friedenreich (que brilhou nos anos 20 e 30) passando por Didi, Garrincha e o ‘rei’ Pelé. Museu Afro Brasil. Pq. do Ibirapuera. Portão 10. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, 5579- 0593. 10h/17h (fecha 2ª). 12h. Grátis. Até 29/8.

Evandro Carlos Jardim Foi explorando caminhos da cidade a partir de seu ateliê, no bairro de Santo Amaro, que o gravador e pintor paulistano criou uma série de gravuras, exposta no Masp em 1973. Masp. Av. Paulista, 1.578, 3251-5644. 11h/18h (5ª, 11h/20h; fecha 2ª). R$ 15 (3ª, grátis). Até 15/8.

Guignard e o Oriente: China, Japão e Minas As influências orientais na cultura brasileira podem ser vistas nas pinturas de Alberto da Veiga Guignard (1896-1962). A mostra também tem obras do chinês Zhang Daqian e gravuras japonesas de Ukyio-e. Instituto Tomie Ohtake. Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, 2245-1900. 11h/ 20h (fecha 2ª). Grátis. Até 29/8.

Guia. Show anões tiram férias e deixam Dunga para cuidar da casa. Dir. Sebastião Apollonio. Com Marcio Rizzo. 55 min. Rec. da produção: a partir de 3 anos. Teatro Eva Wilma (690 lug.). R. Antonio de Lucena, 146, Tatuapé, 2090-1650. Sáb. e dom., 16h. R$ 30. Até 1/8.

A Caverna do Dragão – O Duelo Final Uma turma de heróis mirins perdidos em um universo mágico. Dir. Gilda Vendembrande. Com Bruno Matos e outros. 50 min. Rec. da produção e do Divirta-se: a partir de 4 anos. Teatro Silvio Romero (200 lug.). R. Coelho Lisboa, 334, Tatuapé, 2093-2464. Sáb. e dom., 16h. R$ 30. Até 19/9.

Magnelli A exposição reúne 64 pinturas do artista italiano Alberto Magnelli (1888-1971), um dos pioneiros da abstração, feitas entre 1912 e 1969. Magnelli flertou com o cubismo, o que levou à simplificação de sua obra e ao abstracionismo. A partir de 1917, ele experimenta figuras geométricas relacionadas ao cubismo sintético. MAC-USP Ibirapuera. Pq. do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3, 5573-9932. 10h/18h (fecha 2ª). Grátis. Até 12/9.

Rojo Nova - Cultura Contemporânea O projeto organizado pela Rojo, instituição cultural com sede em Barcelona (Espanha), propõe intervenções em todo o Museu da Imagem e do Som (MIS). Cerca de 50 artistas nacionais e internacionais se revezam para criar pinturas, esculturas e performances sob olhar do público. Entre os artistas selecionados, estão a brasileira Talita Hoffmann, com sua pintura de influência pop surrealista. MIS. Av. Europa, 158, 2117-4777. 12h/19h (dom. e fer., 11h/18h; fecha 2ª). R$ 4. Até 15/8.

Guia. Música

Arranco de Varsóvia

Patife Band

Coralusp

O talentoso grupo carioca lança o quinto álbum, ‘Pãozinho de Açúcar’, em homenagem ao cantor Martinho da Vila. No repertório, ‘Devagar, Devagarinho’ e ‘Nossos Contrastes’. Auditório Ibirapuera (800 lug.). Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Pq. do Ibirapuera, 3629-1014. Dom. (25), 19h. R$ 30.

O projeto de Paulo Barnabé faz diversas misturas sonoras, do jazz ao rock, e une o popular ao erudito. O músico apresenta ‘Veneno’, ‘Pesadelo’, ‘To Tenso’, entre outras. CCSP (631 lug.). R. Vergueiro, 1.000, Paraíso, 3397-4002. Dom. (25), 18h. R$ 20.

‘Exultate Deo’ (Scarlatti) e ‘Skyline Pigeon’ (Elton John) são algumas das composições que ganharam arranjos de André Juarez. Elas fazem parte do programa que o coral entoa na apresentação grátis intitulada ‘Volta ao Mundo em Quatro Vozes’. Regência de Tiago Pinheiro. Masp (374 lug.). Av. Paulista, 1.578, 3251-5644. Dom. (25), 11h. Grátis.

Carmen Letícia A cantora uruguaia apresenta repertório com músicas de tango. Neste show, ‘Che Bandoneon’, ‘La Última Copa’ e ‘Mi Vieja Viola’ fazem parte do programa. Sesc Vila Mariana. Praça (300 lug.). R. Pelotas, 141, V. Mariana, 5080- 3000. Dom. (25), 13h30. Grátis.

Pitty A roqueira baiana, que ficou conhecida após o single ‘Máscara’, faz show em homenagem ao mês do rock. ‘Me Adora’, ‘Na Sua Estante’ e ‘Equalize’ fazem parte do repertório. CCJ. Av. Dep. Emílio Carlos, 3.641, 3984-2466. Dom. (25), 15h. Grátis.

ESPECIAL

Zabumba Catirina e Bastião contam histórias de personagens folclóricos como a sereia, o sapo cururu e a caipora. O espetáculo ganha ritmo como se fosse uma festança de Bumba-meu-Boi. Com a Cia. da Tribo. 45 min. Rec. da produção: livre. Sesc Pinheiros. Praça de Eventos (250 lug.). R. Paes Leme, 195, 3095- 9400. Dom., 15h. Grátis. Até 1/8.

De Arthur Friedenreich... Mostra está no Afro Brasil

Manito & Mind Priority A banda belga se apresenta com o vocalista Manito, um dos primeiros roqueiros do Brasil. Com 67 anos de carreira, ele é homenageado no mês do rock. Biblioteca Pública Cassiano Ricardo (165 lug.). Av. Celso Garcia, 4.200, 2092-4570. Dom. (25), 18h. Grátis.

Orquestra Sinfônica de Santo André 'Sinfonia nº 5', de Gustav Mahler, é a única peça a que o conjunto se dedica nas duas apresentações. A regência fica por conta de Carlos Moreno. Teatro Municipal de Santo André (474 lug.). Pça. IV Centenário, s/nº, 4433-0789. Dom., 20h. Grátis.

Grandes Encontros Lenine participa apresenta composições do álbum ‘Labiata’. O show será transmitido ao vivo pela Rádio Eldorado FM (92,9 kHz) e pelo Território Eldorado (www.territorioeldorado.com.br). Shopping Anália Franco. Praça. Av. Regente Feijó, 1.739, 40034133. Dom. (25), 12h30. Grátis.

Quinta Essentia

12a. - 11h50 / 14h30 / 17h25 / 19h55 / 22h25. ● 10 (203 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h25 / 15h00 / 17h30 / 20h00.

★ Shopping Iguatemi - Cinemark Av. Iguatemi, 777, FEAC. (19) 3251-1122. De R$ 12 a R$ 21. ● 1 (271 lug.). Predadores - 14a. - 11h30 / 14h05 / 16h30 / 19h10 / 21h40. ● 2 (269 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 11h05 / 13h30 / 15h55 / 18h20 / 20h50. ● 3 (269 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h20 / 13h50 / 16h15 / 18h40 / 21h10. ● 4 (270 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 11h10 / 13h40 / 16h20 / 18h50 / 21h20. ● 5 (321 lug.). Shrek para Sempre 3D - dub. - L. - 11h00 / 13h00 / 15h05 / 17h05 / 19h00. Legendado 21h00. ● 6 (409 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h40 / 14h10 / 16h40 / 19h20 / 21h50. ● 7 (223 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 11h15 / 13h35 / 15h50 / 18h10. Eclipse - 14a. - 20h20. ● 8 (223 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h10 / 15h00. Legendado 17h40 / 20h30.

Formado por flautas doces, o quarteto musical executa composições de Bach, Georg Philip Telemann, Jan Pieterszoon Sweelinck, Tarquinio Meru-la e Diomedes Cato. Teatro do Sesi (456 lug.). Av. Paulista, 1.313, 3146-7405. Dom. (25), 12h. Grátis.

Cine. Salas. Horários 17h35 / 20h00 / 22h20. ● 4 (184 lug.). Predadores - dub. - 14a. - 12h10 / 14h30 / 16h50 / 19h10 / 21h30. ● 5 (107 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h35 / 15h00 / 17h25 / 19h50 / 22h15. ● 6 (103 lug.). O Bem Amado - 12a. 12h20 / 14h45 / 17h10 / 19h35 / 22h00. ● 7 (189 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h30 / 14h05 / 16h40 / 19h15. Legendado 21h50. ● 8 (252 lug.). Encontro Explosivo dub. - 14a. - 11h10 / 13h35 / 16h00 / 18h25 / 20h50. ★ Morumbi Cine TAM Av. Roque Petroni Junior, 1.089, Brooklin. 5189-4656. De R$ 16 a R$ 18. 4ª R$ 14. 3D De R$ 24 a R$ 26. ● 1 (248 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 14h10 / 16h40 / 19h10 / 21h40. ● 2 (207 lug.). O Bem Amado - 12a. 13h10 / 15h20 / 17h30 / 19h40 / 21h50. ● 3 (246 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. 13h20 / 15h30 / 17h40 / 19h50. Legendado 22h00. ● 4 (227 lug.). Eclipse - 14a. - 13h30 / 18h30 / 21h00. Toy Story 3 - dub. - L. - 16h00. ★ Pátio Higienópolis - Cinemark Av. Higienópolis, 646, Higienópolis. 3823-2875. De R$ 16 a R$ 27. ● 1 (113 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h05 / 13h30 / 15h55 / 18h20 / 20h50. ● 2 (116 lug.). Predadores - 14a. - 11h40 / 14h15 / 16h40 / 19h10 / 21h40. ● 3 (110 lug.). Eclipse - 14a. - 12h20 / 15h00 / 17h40 / 20h20. ● 4 (96 lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h00 / 14h30 / 17h10 / 19h40 / 22h05. ● 5 (208 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h20 / 13h45 / 16h25 / 18h50 / 21h15. ● 6 (217 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h05 / 15h15 / 17h20 / 19h30. Legendado 22h00. ★ Pátio Paulista - Cinemark R. Treze de Maio, 1947, Arco 501, Paraíso 3262-4065. De R$ 14 a R$ 27. ● 1 (216 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h15 / 15h35 / 17h50 / 20h05. Legendado 22h20. ● 2 (214 lug.). Predadores - 14a. - 11h40 / 14h10 / 16h40 / 19h20 / 21h55. ● 3 (214 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h15 / 16h30 / 19h00. Encontro Explosivo - 14a. - 21h10. ● 4 (214 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 13h20 / 15h50 / 18h20 / 21h10. ● 5 (214 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h50 / 14h20 / 16h50 / 19h30 / 22h10. ● 6 (178 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 12h25 / 15h00 / 17h40 / 20h15. ● 7 (158 lug.). Eclipse 14a. - 12h30 / 15h15 / 18h00 / 20h50. ★ Pátio Paulista - Playarte R. Treze de Maio, 1.974. Paraíso. 5053-6934 . De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (265 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00. À Prova de Morte - 16a. 20h00. ● 4 (186 lug.). Ponyo - dub. - L. - 13h00 / 15h20. Eclipse - 14a. - 18h20 / 21h00. ★ Penha R. Dr. João Ribeiro, 304, Penha. 2091-6300. De R$ 9 a R$ 14. ● 1 (120 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h30 / 16h50 / 19h20. Eclipse - 14a. - 21h40. ● 2 (92 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 15h00 / 17h15 / 19h30 / 21h50. ● 3 (166 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 4 (172 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 14h45 / 16h45 / 18h45 / 20h45. ● 5 (260 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h50 / 17h00 / 19h10 / 21h20. ● 6 (332 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 13h45 / 15h45 / 17h45 / 19h45 / 21h45. ★ Plaza Sul - Playarte Pça Leonor Kauppa, 100. - Jd. da Saúde. 5073-8642. De R$ 12 a R$ 22. ● 1 (140 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 15h00 / 17h40 / 20h20. Ponyo - dub. - L. - 12h50. ● 2 (263 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 3 (140 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ● 4 (140 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h20 / 14h35 / 16h50 / 19h05. Eclipse - 14a. - 21h20. ● 5 (140 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 12h45 / 15h00 / 17h15 / 19h30 / 21h45. ● 6 (234 lug.). Predadores - 14a. - 13h10 / 15h20 / 17h30 / 19h40 / 21h50. ★ Santana Parque Shopping - UCI R. Conselheiro Moreira de Barros, 2.780 - Lauzane Paulista. 3131-2211. De R$ 11 a R$ 15. (*) 3D De R$ 19 a R$ 21. ● 1 (327 lug.). O Bem Amado - 12a. - 13h00 / 15h25 / 17h50 / 20h10 / 22h30. ● 2 (167 lug.). Eclipse - dub. 14a. - 12h00 / 14h40 / 17h20. Legendado 20h00. ● 3 (140 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h50 / 15h15 / 17h40 /

20h05 / 22h30. ● 4* (217 lug.).Shrek para Sempre 3D dub. - L. - 12h00 / 14h05 / 16h10 / 18h15 / 20h20. Legendado 22h25. ● 5 (217 lug.). Shrek para Sempre - dub. L. - 12h30 / 14h35 / 16h40 / 18h45 / 20h50. ● 6 (140 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h20 / 16h00. Encontro Explosivo - 14a. - 18h40 / 21h00. ● 7 (167 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 13h10 / 15h15 / 17h20. À Prova de Morte - 16a. - 19h25 / 21h45. ● 8 (327 lug.). Predadores 14a. - 12h00 / 14h20 / 16h40 / 19h00 / 21h20. ★ Shopping D - Cinemark Av. Cruzeiro do Sul, 1.100, Ponte Pequena. 3326-9171. De R$ 12 a R$ 23. ● 1 (246 lug.). Encontro Explosivo 14a. - 11h50 / 14h25 / 16h50 / 19h15 / 21h45. ● 2 (291 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h30 / 14h50 / 17h05. Eclipse - 14a. - 19h40 / 22h20. ● 3 (298 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h30 / 13h50 / 16h10 / 18h30 / 20h50. ● 4 (351 lug.). Encontro Explosivo dub. - 14a. - 11h20 / 13h45 / 16h15 / 18h45 / 21h10. ● 5 (219 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h20 / 15h00 / 17h40 / 20h10. ● 6 (183 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h15 / 13h40 / 16h15 / 18h35 / 21h00. ● 7 (231 lug.). Predadores - 14a. - 11h40 / 14h10 / 16h35 / 19h05 / 21h30. ● 8 (130 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h20 / 16h40 / 19h00 / 21h20. ● 9 (116lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h25 / 13h55 / 16h25. Eclipse - dub. - 14a. - 18h55 / 21h40. ● 10 (146lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 11h00 / 13h20. Eclipse - dub. - 14a. - 15h30 / 18h15. Legendado 21h05. ★ SP Market - Cinemark Av. das Nações Unidas, 22.540, Jurubatuba. 5686-2595. De R$ 12 a R$ 24. ● 1 (163 lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h05 / 14h30 / 17h15 / 19h40 / 22h10. ● 2 (156 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h10 / 16h25 / 18h40 / 21h00. ● 3 (383 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 11h20 / 13h45 / 16h20 / 18h45 / 21h10. ● 4 (254 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 11h20 / 13h45 / 16h20. Legendado 19h00 / 21h30. ● 5 (128 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h00 / 13h15 / 15h30. Eclipse - dub. - 14a. - 17h40 / 20h20. ● 6 (127 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h20 / 15h00 / 17h30 / 20h00. Eclipse - 14a. - 22h30. ● 7 (227 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 11h05 / 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h20. ● 8 (328 lug.). Predadores - 14a. - 12h15 / 14h50 / 17h20 / 19h50 / 22h20. ● 9 (328 lug.).Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h30 / 13h40 / 16h00 / 18h10 / 20h30. ● 10 (160 lug.). Eclipse dub. - 14a. - 11h10 / 13h50 / 16h30 / 19h10 / 22h00. ● 11 (282 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h30 / 14h40 / 17h10 / 19h30 / 21h40. ★ Villa-Lobos - Cinemark Av. das Nações Unidas, 4.777, Alto da Lapa. 3024-3851. De R$ 15 a R$ 27. ● 1 (271 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h05 / 15h10 / 17h15 / 19h20. Legendado 21h25. ● 2 (105 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h40 / 14h20 / 17h10 / 19h50 / 22h10. ● 3 (129 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h50 / 14h00 / 16h30 / 18h40. Encontro Explosivo - 14a. - 21h00. ● 4 (163 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h10 / 13h30 / 16h00 / 18h30 / 21h00. ● 5 (163 lug.). Predadores - 14a. - 11h05 / 13h25 / 15h50 / 18h10 / 20h50. ● 6 (129 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 12h40 / 15h20. Legendado 18h00 / 20h40. ● 7 (122 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h20 / 15h00 / 17h40 / 20h20. ★ West Plaza - Playarte Av. Francisco Matarazzo, s/nº, Barra Funda. 5053-6935. De R$ 12 a R$ 16. ● 1 (175 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 2 (170 lug.). Eclipse dub. - 14a. - 13h00 / 15h40 / 18h20 / 21h00. GRANDE S. PAULO BARUERI ★ Shopping Tamboré - Cinemark Av. Piracema, 669 (Km 22 da Rod. Castelo Branco). 4193-1826. De R$ 13 a R$ 25.● 1 (163 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h30 / 13h40 / 16h10 / 18h20 / 20h50. ● 2 (220 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h50 / 14h20 / 17h15 / 19h45 / 22h10. ● 3 (327 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h10 / 15h45 / 18h00 / 20h10 / 22h15. ● 4 (260 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 11h05 / 13h30 / 16h00 / 18h40 / 21h20. ● 5 (131

lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h30 / 15h00 / 17h30 / 20h00 / 22h20. ● 6 (116 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h10 / 16h25 / 18h45. Eclipse - dub. - 14a. 21h05. ● 7 (116 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h10 / 13h50 / 16h30. Legendado 19h10 / 21h50. ● 8 (211 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h20 / 13h55 / 16h20 / 18h50 / 21h30. ● 9 (240 lug.). Predadores - 14a. - 12h10 / 14h40 / 17h10 / 19h35 / 22h00. DIADEMA ★ Praça da Moça - Playarte R. Manoel da Nóbrega, 712. 4044-5573. De R$ 12 a R$ 16. 3D De R$ 20 a R$ 22.● 1* (391 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00. Xuxa em o Mistério de Feiurinha - L. - 12h15. ● 2 (197 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h30 / 16h45 / 19h00. Eclipse - 14a. 21h20. Ponyo - dub. - L. - 12h20. ● 3 (198 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ● 4 (211 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. 14h00 / 16h15 / 18h30 / 20h45. ● 5 (211 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 12h45 / 15h00 / 17h15 / 19h30 / 21h45. ● 6 (252 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h20 / 15h00 / 17h40 / 20h20. ● 7 (261 lug.). Predadores - dub. - 14a. 12h50 / 15h00 / 17h10 / 19h20 / 21h30. EMBU ★ Cine Embu Plaza R. Domingos de Paschoal, 190, Centro. 4241-8623. De R$ 5 a R$ 10.● 1 (174 lug.). Shrek Para Sempre - dub. L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ● 2 (161 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h00 / 14h45. Eclipse - dub. 14a. - 16h30 / 18h45 / 21h00. GUARULHOS ★ Internacional Shopping - Cinemark Rod. Presidente Dutra, km 230 2425-0636. De R$ 11 a R$ 15. (*) 3D De R$ 19 a R$ 21. ● 1 (254 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h15 / 15h00 / 17h45 / 20h25. ● 2 (362 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 12h40 / 15h15 / 17h50 / 20h30. ● 3 (265 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 10h50 / 13h45 / 16h35 / 19h30 / 22h20. ● 4 (435 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 11h40 / 14h05 / 16h45 / 19h05 / 21h30. ● 5 (435 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. 12h25 / 14h45 / 17h05 / 19h25 / 21h55. ● 6* (407 lug.).Shrek para Sempre 3D - dub. - L. - 11h00 / 13h20 / 15h40 / 18h05 / 20h20. ● 7 (407 lug.). Predadores dub. - 14a. - 11h20 / 13h55 / 16h20 / 18h50 / 21h15. ● 8 (202 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 10h30 / 12h50 / 15h10 / 17h30 / 19h50 / 22h10. ● 9 (202 lug.). Encontro Explosivo -14a. - 13h30 / 16h05 / 18h40 / 21h10. ● 10 (202 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h05 / 14h50 / 17h35 / 20h15. ● 11 (202 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. 11h30 / 13h50 / 16h10 / 18h30 / 20h50. ● 12 (202 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h50 / 14h30 / 17h25 / 20h00. ● 13 (202 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 10h35 / 13h00 / 15h30 / 18h15. Eclipse - dub. - 14a. - 21h00. ● 14 (202 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h25. Predadores - dub. - 14a. 14h25 / 16h50 / 19h20 / 21h50. ● 15 (185 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h20 / 16h40 / 19h00. Legendado 21h20. ★ Bonsucesso Shopping Av. Juscelino Kubitschek de Oliveira, 429, Pimentas. 6484-9300. DeR$ 7 a R$ 10. ● 1 (181lug.). Eclipse - dub. 14a. - 12h50 / 15h30 / 18h20 / 21h10. ● 2 (178lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 14h30 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ● 3 (178lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 13h50 / 15h50 / 17h50 / 19h50 / 21h50. ● 4 (178lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h40 / 14h40 / 16h40 / 18h40 / 20h40. ● 5 (167lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 13h00 / 15h30. Eclipse - dub. - 14a. - 18h20 / 21h10. ● 6 (168lug.). Predadores - dub. - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h50. ITAPEVI ★ Centerplex Shopping - R. Leopoldina de Camargo, 260, Centro. 4005-9080. De R$ 5,50 a R$ 12. ● 1 (172 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 15h00 / 16h50 / 18h50 / 20h50. ● 2 (172 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 15h40 / 18h20 / 21h00. MAUÁ ★ Mauá Plaza Shopping Av. Antonia Rosa Fioravante, 3.270 - Lj. 127.

4519-4099/4444. De R$ 8 a R$ 14. 3D R$ 8 a R$18. ● 1 (297 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 2 (297 lug.). Predadores - dub. - 14a. - 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 3 (228 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 15h00 / 17h15 / 19h30 / 21h45. ● 4 (294 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 14h00 / 15h50 / 17h40 / 19h30 / 21h20. ● 5 (297 lug.).Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 13h30 / 15h30 / 17h30 / 19h30 / 21h30. MOGI DAS CRUZES ★ Centerplex - Mogi Shopping Center Av. Ver. Narciso Yague Guimarães, 1.001, Socorro. 4005-9080. De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (154 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 13h50 / 16h30. Encontro Explosivo - 14a. 19h15 / 21h40. ● 2 (154 lug.). Eclipse - 14a. - 13h20 / 16h10 / 19h00 / 21h50. ● 3 (232 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 15h05 / 17h10 / 19h20 / 21h30. ● 4 (96 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h00 / 16h20 / 18h40 / 21h00. OSASCO ★ Kinoplex Supershopping Osasco Av. dos Autonomistas, 1.828. 3131-2006. De R$ 9 a R$ 16.(*) 3D R$ de 18 a R$ 22. ● 1 (248 lug.). Predadores dub. - 14a. - 14h30 / 16h50 / 19h10 / 21h30. ● 2 (165 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h10 / 15h40 / 18h20. Legendado 21h10. ● 3 (165 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h00 / 16h20 / 18h40 / 21h00. ● 4 (166 lug.). O Bem Amado 12a. - 14h20 / 16h40 / 19h00 / 21h20. ● 5 (459 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h20 / 15h20 / 17h30 / 19h40 / 21h50. ● 6* (337 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h10 / 19h20 / 21h30. ● 7 (248 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 14h10 / 16h40 / 19h10 / 21h40. ★ Osasco Plaza R. Antonio Agu, 300. 3682-3621. De R$ 8 a R$ 14. Sessão Pipoca: R$ 6. ● 1 (191 lug.). Shrek Para Sempre dub. - L. - 13h30 / 15h30 / 17h30 / 19h30 / 21h30. Toy Story 3 - dub. - L. - 11h15. ● 2 (136 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 13h45 / 16h15 / 18h45 / 21h15. Deu a Louca nos Bichos - dub. - L. - 11h15. ● 3 (192 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h00 / 15h45 / 18h30 / 21h15. Alice no País das Maravilhas - dub. - L. - 11h15. ● 4 (120 lug.). Predadores dub. - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h15. Percy Jackson e o Ladrão de Raios - dub. - L. - 11h15. ★ Shopping União de Osasco - Cinemark Av. dos Autonomistas, 1.400 3651-9280/3684-0151 De R$ 11 a R$ 17. (*) XD De R$ 22 a R$ 27. ● 1* (362 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h05 / 13h20 / 15h40 / 18h05 / 20h30. ● 2 (147 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h30 / 15h00 / 17h35 / 20h20. ● 3 (147 lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h10 / 14h40 / 17h05 / 19h40 / 22h10. ● 4 (191 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 12h00 / 14h20 / 16h40 / 19h00 / 21h30. ● 5 (191 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h50 / 14h30 / 17h15 / 19h50 / 22h20. ● 6 (140 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h00 / 13h40 / 16h25 / 19h10. Legendado 21h50. ● 7 (140 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h30 / 13h55 / 16h10 / 18h30. Eclipse - 14a. - 20h50. ● 8(247 lug.). Predadores - dub. - 14a. - 11h10 / 13h35 / 16h05 / 18h40 / 21h20. ● 9 (247 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h40 / 15h30 / 18h10 / 21h10. ● 10 (356 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. 11h20 / 13h55 / 16h30 / 19h05 / 21h40. SANTO ANDRÉ ★Grand Plaza Shopping - Cinemark Av. Industrial, 600. 4979-5078. De R$ 12 a R$ 22. ● 1 (245 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h30 / 13h50 / 16h10 / 18h30 / 20h50. ● 2 (152 lug.). Eclipse dub. - 14a. - 11h05 / 13h45 / 16h30 / 19h10. Legendado 21h50. ● 3 (152 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 12h00 / 14h20 / 16h40 / 19h00. Eclipse - dub. - 14a. 21h20. ● 4 (203 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. 11h40 / 14h25 / 16h50 / 19h20 / 22h05. ● 5 (203 lug.). Predadores - 14a. - 12h40 / 15h15 / 17h40 / 20h15. ● 6 (203 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h00 / 13h20 / 15h40 / 18h05 / 20h20. ● 7 (203 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h30 / 14h50 / 17h10 / 19h30 / 22h00. ● 8 (152 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 12h10 / 14h40 / 17h15 / 19h40 / 22h10. ● 9 (152 lug.). O Bem Amado -

★ Multiplex ABC - Playarte Av. Pereira Barreto, 42, Santo André. 5053-6936. De R$ 12 a R$ 22.● 1 (207 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 15h00 / 17h40 / 20h20. Ponyo - dub. - L. - 12h50. ● 2 (205 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 12h45 / 15h00 / 17h15 / 19h30 / 21h45. ● 3 (217 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 12h35 / 14h50 / 17h05 / 19h20 / 21h35. ● 4 (217 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 5 (206 lug.). Predadores - 14a. - 13h10 / 15h20 / 17h30 / 19h40 / 21h50. SÃO BERNARDO ★ Extra Anchieta - Cinemark R. Garcia Lorca, 301, Km 15,5 da Rod. Anchieta. 4362-4706. De R$ 11 a R$ 22. (*) 3D De R$ 19 a R$ 22 . ● 1 (137 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h30 / 15h00 / 17h30 / 20h00 / 22h30. ● 2 (143 lug.). O Bem Amado - 12a. 12h00 / 14h40 / 17h20 / 19h50 / 22h20. ● 3 (235 lug.). Predadores - dub. - 14a. - 11h40 / 14h15 / 16h40 / 19h15 / 21h50. ● 4* (292 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h30 / 13h55 / 16h05 / 18h20 / 20h30. ● 5 (264 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 11h50 / 14h30 / 17h15 / 19h55 / 22h25. ● 6 (224 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 11h10 / 13h50 / 16h30 / 19h10. Legendado 21h55. ● 7 (162 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 12h50 / 15h30 / 18h00 / 20h25. ● 8 (110 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 12h10 / 14h25 / 16h35 / 18h50. Eclipse - dub. - 14a. 21h00. ● 9 (167 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 12h40 / 14h55 / 17h10 / 19h25 / 21h40. ★ Metrópole - Playarte Pça. Samuel Sabatini, 200, São Bernardo. 5053-6937. De R$ 10 a R$ 14. ● 1 (117 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 12h20 / 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ● 2 (214 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h00 / 15h40 / 18h20 / 21h00. ● 3 (290 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. SUZANO ★ Centerplex - Shopping R. Sete de Setembro, 555 - Arco 99, Centro. 4005-9080. De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (211 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h30. ● 2 (212 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 15h05 / 17h05 / 19h00 / 21h00. ● 3 (208 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h20 / 15h20.Encontro Explosivo - dub. - 14a. 17h15 / 19h30 / 21h50. ● 4 (174 lug.). Predadores - dub. 14a. - 14h30 / 16h50 / 19h15 / 21h40. ● 5 (174 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h15. CAMPINAS ★ Box Cinemas R. Jacy Teixeira de Camargo, 940, Campinas Shopping. (19) 3268-2288 / 4005-1717. De R$ 9 a R$ 21. ● 1 (427 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h20 / 16h15 / 19h00 / 21h45. ● 2 (395 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. 11h00 / 14h00 / 16h10 / 18h20 / 20h30. ● 3 (322 lug.). Shrek para Sempre 3D - dub. - L. - 12h00 / 14h30 / 16h40 / 18h50 / 21h00. ● 4 (294 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 13h15 / 15h45 / 18h10 / 20h40. ● 5 (315 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h50 / 14h10 / 16h30 / 18h55 / 21h15. ● 6 (164 lug.). Encontro Explosivo - dub. 14a. - 14h15 / 16h45 / 19h10 / 21h40. ● 7 (208 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 12h50 / 15h00 / 17h10 / 19h20 / 21h30. ● 8 (254 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h15 / 15h15 / 18h00 / 20h45. ● 9 (122 lug.). Ponyo - Uma Amizade que veio do Mar - dub. - L. - 11h40. Toy Story 3 - dub. - L. - 13h50 / 16h20 / 18h45 / 21h10. ● 10 (132 lug.). Predadores - dub. - 14a. - 14h20 / 16h35 / 19h05 / 21h25. ★ Galleria Rod. D. Pedro I, km 131,5. (19) 4005-9040. De R$ 5a R$ 15. ● 1 (230 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 19h20 / 22h00. Legendado 14h00 / 16h40. ● 2 (230 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 14h20 / 17h10. O Escritor Fantasma - 14a. 21h45. À Prova de Morte - 16a. - 19h25. ● 3 (227lug.). Encontro Explosivo - 12a. - 14h05 / 16h35 / 19h05 / 21h35. ● 4 (227 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h10 / 16h30 / 19h00 / 21h20. ● 5 (270lug.). Shrek para Sempre 3D dub. - L. - 14h30 / 17h00 / 19h30 /21h50.

★Topázio Cinemas - Shopping Prado Av. Washington Luiz, 2.480, Pq. Prado. (19) 3276-3610.De R$ 8 a R$ 13.● 1 (85 lug.). Marmaduke dub. - L. - 15h10 / 17h10. O Pequeno Nicolau - L. - 19h05 / 21h05. ● 2 (110 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. 14h40 / 16h50 / 19h30 / 21h35. ● 3 (108 lug.). Mademoiselle Chambon - 12a. - 14h20 / 16h25 / 20h40. A Jovem Rainha Vitória - 10a. - 18h30. ● 4 (110 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 15h50 / 18h45 / 21h20. JUNDIAÍ ★Maxi Av. Antonio Frederico Ozanãn, 6.000. 4521-6069.De R$ 13 a R$ 15. ● 1 (236 lug.). Encontro Explosivo - 14a. 15h00 / 17h15 / 19h30 / 21h50. ● 2 (248 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h50 / 17h00 / 19h10 / 21h20. ● 3 (248 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h20 / 16h50 / 19h20. Eclipse - 14a. - 21h40. Partir - 14a. - 11h00. ● 4 (248 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 14h45 / 16h45 / 18h45 / 20h45. ● 5 (341 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. 13h45 / 15h45 / 17h45 / 19h45 / 21h45. ● 6 (229 lug.). Predadores - 14a. - 14h30 / 16h40 / 18h50 / 21h00. ● 7 (245 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. LITORAL SANTOS ★Praiamar Shopping - Cinemark R. Alexandre Martins, 80. (13) 3231-2889. De R$ 9 a R$ 20. ● 1 (235 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h50 / 14h20 / 17h10 / 19h40 / 22h05. ● 2 (215 lug.). Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 12h50 / 15h20 / 18h15 / 21h00. ● 3 (228 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 12h20 / 14h30 / 16h55 / 19h10. Legendado 21h20. ● 4(399 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 11h40 / 14h00 / 16h40 / 19h00 / 21h40. ● 5 (172 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 12h10 / 15h00. Legendado 17h40 / 20h30. ● 6 (171 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 14h10 / 16h30 / 18h45. Eclipse - dub. - 14a. - 11h30. Legendado 21h10. ● 7 (325 lug.). Shrek para Sempre 3D - dub. - L. - 11h20 / 13h40 / 16h00 / 18h20. Legendado 20h50. ● 8 (245 lug.). O Bem Amado - 12a. 12h25 / 14h45 / 17h05 / 19h30 / 21h50. ● 9 (289 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 15h10 / 17h30 / 19h50 / 22h00. ● 10 (237 lug.). Predadores - 14a. - 11h25 / 13h50 / 16h20 / 18h40 / 21h15. GUARUJÁ ★Cine 3 Ferry Boat's Plaza Pça. das Nações Unidas s/n. (13) 3348-4415. De R$ 6 a R$ 10. ● 1 (323 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. 15h00 / 16h45 / 18h30 / 20h15 / 22h00. ● 2 (162 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 15h15. Eclipse - dub. - 14a. 17h20 / 19h45 / 22h15. ● 3(158 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 15h45 / 18h00 / 20h00 / 22h15. ★ Cine La Plage Av. Marechal Deodoro da Fonseca, 885, Centro. Loja 230(13) 3355-9057. De R$ 6 a R$ 12. ● 1 (128 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h30 / 16h00. Eclipse - 14a. - 18h20 / 21h00. ● 2 (129 lug.). Encontro Explosivo - 12a. - 14h00 / 16h20 / 18h45 / 21h15. ● 3 (143 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 13h45 / 15h45 / 17h40 / 19h30 / 21h30. UBATUBA ★ Cine Porto (155 lug.). R. Milton Holanda Maia, 61, Praia do Itagua. (12) 3833-2066. De R$ 8 a R$ 10. ● 1 (155 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 15h40 / 17h30 / 19h20 / 21h10.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Astral

LEÃO 22-7 a 22-8

ESCORPIÃO 23-10 a 21-11

A eficiência será conquistada quando você permitir que o coração entre na jogada também. Enquanto pretender que só a razão seja firme e lúcida o suficiente para administrar a realidade, tudo continuará confuso e tumultuado.

Enquanto a disposição prazerosa para colocar todo o conhecimento a serviço do bem-estar geral de nossa humanidade não for o principal pensamento e desejo de todos os dias, continuaremos existindo infinitamente aquém de nossas reais possibilidades. É impossível organizar uma civilização que produza felicidade enquanto a maioria das pessoas continuar pretendendo ser maior e melhor do que o resto, já que para a correta organização da civilização são muito mais importantes as semelhanças do que as diferenças. Que cada pessoa restrinja suas peculiaridades e valorize mais o que tenha em comum com seus semelhantes é o maior serviço que se pode prestar para que a civilização inicie sua rota de ascensão, produzindo bem-estar geral.

É tentador distorcer os fatos para que se encaixem bem dentro de suas opiniões e visão. Porém, isso não será nada além de distorção e junto com essa você perderá toda a razão que poderia ganhar mudando de opinião.

Nada é certo nem tampouco seguro, você terá de acostumar-se a andar num terreno desconhecido, com a alma apertada de tanto duvidar. Porém, nada disso precisa ser encarado com temor, mas com divino atrevimento.

VISUAIS

MÚSICA

Passatempos

FAAP RECEBE INSCRIÇÕES PARA PROGRAMA DE RESIDÊNCIA EM SP

NATURA LANÇA EDITAL NACIONAL

Sudoku

PEIXES 20-2 a 20-3

Insistir em divertir-se não significa necessariamente que você evite enfrentar seus problemas e tarefas. Porém, há uma chance de isso ser verdade também, mas só você, na intimidade dos pensamentos, saberá disso.

Para jogar: Preencha com números de 1 a 9 os quadrados pequenos, as linhas verticais e horizontais. Não repita.

Nível Difícil

2

3 1 6

9 8

5

4

1 4 6

Solução

7 5 7 3

Você não precisa santificar-se, mas tirar a integridade da prateleira teórica e aplicá-la no mundo concreto, perante todas as tentações que se estenderem no caminho. Assuma sua vida, assuma ser quem você é.

4 5 3 8 1 6 7 2 9

Quadrinhos

Até dia 1.º de agosto estão abertas as inscrições para o Edital Natura Musical 2010, que vai destinar R$ 1 milhão para patrocínio de projetos. O programa, disponível no portal www.naturamusical.com.br, é dividido em duas categorias. A primeira, Turnê Nacional, contemplará trabalhos inéditos de artistas com trajetória reconhecida no cenário musical brasileiro, com shows de lançamento em todo o País. A segunda, Fomento à Música, é voltada a processos de criação, produção, circulação, documentação, pesquisa e ações educativas. Até hoje, o Natura Musical, criado em 2005, patrocinou 130 projetos por meio de edital público.

SAGITÁRIO 22-11 a 21-12

6003174

tas nos apartamentos individuais dotados de cozinha e banheiro privativos. Além disso, o Edifício Lutetia oferece infraestrutura necessária para os moradores e sala que pode ser usada como ateliê coletivo. Os candidatos devem encaminhar seu projeto artístico, ficha de inscrição preenchida, cópia de seus documentos, carta de recomendação, currículo e portfólio e a ficha de inscrição para a Faap. Informações sobre os requisitos, regulamento e sobre o processo seletivo estão disponíveis no site www.faap.br/residenciaartistica e também por meio do telefone (11) 3101-9492.

VIRGEM 23-8 a 22-9

Se as coisas não saem do jeito que você as planejou, veja isso com bons olhos em vez de forçar tudo para que retorne aos planos traçados. Permita-se a surpresa, deixe que o mistério da vida conduza os seus passos.

9 2 7 3 5 4 8 1 6

A Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) recebe até 15 de agosto inscrições de artistas estrangeiros ou residentes em outros Estados brasileiros que estejam interessados em desenvolver projetos de artes visuais em São Paulo, no primeiro semestre de 2011. A instituição abrigará os selecionados de seu programa de residências artísticas no Edifício Lutetia, no centro da capital paulista, do qual é proprietária. Concebida nos moldes da Cité des Arts, em Paris, que hospeda anualmente pessoas de todo o mundo, a Residência Artística da Faap tem capacidade para receber, simultaneamente, até dez artis-

GÊMEOS 21-5 a 20-6

AQUÁRIO 21-1 a 19-2

Ainda que sua presença seja rejeitada e criticada, continue apostando em seu taco, tendo fé na qualidade de seus sonhos. Paradoxalmente, quanto mais a alma se aproxima dos sonhos, mais ela é criticada também.

6 8 1 9 2 7 4 5 3

Você não apenas pode como deve confiar em sua intuição. Porém, para isso se converter numa regra infalível, você deverá treinar sua mente para saber discernir a ilusão da intuição, porque uma confunde e a outra esclarece.

Nada será demais, apesar de parecê-lo nos próximos tempos, que prometem ser muito intensos e profundos. Prepare a alma para trancos e solavancos de grande porte, mas enfrente tudo com absoluto destemor.

5 9 2 6 8 3 1 4 7

TOURO 21-4 a 20-5

CAPRICÓRNIO 22-12 a 20-1

1 7 8 2 4 9 3 6 5

O bem-estar geral Júpiter e Plutão em quadratura; Lua é Cheia no signo de Aquário.

Nada deve conduzir seus pensamentos ao tormento da culpa. Eventualmente, você deve ter lucidez suficiente para reconhecer que não cumpriu suas obrigações, mas a seguir deve cumpri-las e não atormentar-se.

3 6 4 1 7 5 2 9 8

astro@0-quiroga.com

LIBRA 23-9 a 22-10

A melhor forma de administrar seus recursos materiais deriva de seu talento de compartilhá-los, porque você só conseguirá reconhecer o valor do que possui através do espírito de solidariedade e companheirismo.

7 3 9 4 6 2 5 8 1

✽ ●

CÂNCER 21-6 a 21-7

8 4 5 7 9 1 6 3 2

QUIROGA

Aja com absoluta criatividade, procure não repetir nada hoje que já tiver feito em outros tempos. A criatividade, ainda que de difícil execução, revelará a você nuances que permanecem ocultas e que você precisa conhecer.

2 1 6 5 3 8 9 7 4

ÁRIES 21-3 a 20-4

6 7

8 2

4 5 7

9

Palavras Cruzadas Diretas

Minduim Charles M. Schulz

© Revistas COQUETEL — www.coquetel.com.br

Frank & Ernest Bob Thaves Veículo elétrico (bras.) Um de seus pratos tradicionais é o "coq au vin"

Agasalho Ícones do para vovós templo Goiás católico (sigla)

Tratamento popular dado a freiras

Amon-(?), divindade egípcia

Porção de pelos

Agência; comércio Ácido da hereditariedade

B Aquele que fala e anda dormindo

Curso d’água que corre por um vale

Vasilha de aduelas para líquidos

Prata (símbolo) A do lírio é branco

Teófilo Ottoni, político brasileiro Ancoradouro Nêutron (símbolo)

Reconhece como verdadeiro Enfeites de arraiás Ex-capital alemã

Situado no passado Brinquedo com corda

(?) Clayton, baixista do U2

Atentar em Localização de Cincinnati (EUA) Qualidade associada aos cães Argola

A conversa cara a cara (francês)

“Dr. (?) e as Mulheres”, filme

O melhor de Calvin Bill Watterson Fundo de agulha (fig.)

Letra que leva til no idioma espanhol

Adolfo Lutz, médico e sanitarista

Ulysses Cruz, diretor teatral

Mitologia (abrev.)

Carregador de armazém portuário

Arreios usados sobre a montaria

Duas vezes (?) Affleck, ator (Cin.)

Substância queimada no cachimbo Patente (abrev.) Vacina preventiva da tuberculose e tétano

FHC, em relação a Lula

Lasar Segall, pintor brasileiro

A mais letal das hepatites (Patol.)

N

3/ben. 4/píer — seat — xale. 5/coifa. 9/enfiadura — tête-à-tête. 11/bandeirolas.

BANCO

Medida que tem como base a mão

Órgãos deformados no Curupira (Folcl.)

Assento, em inglês

Recruta Zero Mort Walker

V

Aparelho instalado acima do fogão

SOLUÇÃO

A O P S

E T B U F T O O N OT E L I S N D U C S P C E

B A N D E I R O L A S X A L E

I G E M O A A G C R E O N N R S A A D E L A S M IT A V I F A U D L M O S O R

“Algumas pessoas querem que aconteça, outras desejam que aconteça, outras fazem acontecer.” Michael Jordan

E B

B I O R R N A M D Ã E R I D I O O T I D E O T B E F I A G T P E E A T N T E

● Bem pensado

C O Z I N H A F R A N C E S A

Turma da Mônica Mauricio de Sousa


O ESTADO DE S. PAULO %HermesFileInfo:D-13:20100725:

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

D13

Cinema. DVD Luiz Zanin Oricchio

Durantemuitos anos,Toby Dammit, de Federico Fellini, foi uma espécie de filme secreto. No mínimo, uma raridade. A filmografia do diretor de 8 ½ e A Doce Vida já era arroz de festa na videoteca dos cinéfilos, mas poucos conheciam esse episódio, adaptado de Edgard Allan Poe e parte do longa-metragem Histórias Extraordinárias junto com Metzengerstein, de Roger Vadim, e William Wilson, de Louis Malle. Agora, o filme, completo, pode ser encontrado em DVD, lançado pela Continental (R$ 54,40, preço sugerido). Os três episódios são adaptações livres dos relatos de Poe contidos no livro homônimo. São, de fato, histórias nada ordinárias, segundo o gosto e estética do autor norte-americano. Um caso de metempsicose ou transmigração de almas em Metzengerstein; o tema do duplo em William Wilson; o desafio às forças diabólicas em Toby Dammit que, aliás, em italiano se chama Tre Passi nel Delírio (Três Passos no Delírio), leitura felliniana do conto Nunca Aposte Sua Cabeça com o Diabo. Nos três casos, é interessante verificar como os relatos passam da literatura ao celuloide dos filmes seguindo a tendência de cada um dos realizadores. Metzengerstein reflete à perfeição a estética kitsch de Vadim e seu gosto pessoal pelas belas mulheres. Não é outro o motivo de transformar em feminino o personagem masculino de Metzengerstein e fazê-lo ser representado por uma então belíssima Jane Fonda, na época mulher do diretor. É a história de duas famílias rivais e próximas. Fonda apaixona-se por seu primo, que não liga para ela. Acaba vítima de um incêndio criminoso por ela própria encomendado. A insinuação é que forças sa-

E FELLINI LEU POE SÓ APÓS CONCLUIR SUA INVENÇÃO Ele dirige um dos três episódios reunidos em Histórias Extraordinárias REPRODUÇÃO

QUEM FOI FEDERICO FELLINI CINEASTA

Toby Dammit. Terence Stamp (D): a essência de Poe

tânicas levam à perdição uma personagem carregada de culpa. Já Louis Malle adapta William Wilson de maneira muito séria. Talvez até demais. O personagem-título é vivido por Alain Delon e conta, em retrospecto, como desde a infância se vê perseguido por um sósia, que, além do mais, porta o mesmo nome que ele. Um duplo, um döpplegange, essa obsessão, que acompanhou escritores co-

mo o próprio Poe, além de Dostoievski e Borges. Esse duplo se fará presente em momentos cruciais da vida do bon vivant maléfico (outra obsessão, vide o Dorian Gray, de Oscar Wilde, entre outros). Aparece, em especial, quando ele rouba nas cartas para ganhar uma aposta contra a bela jogadora vivida por Brigitte Bardot. O filme tem clima e, comparado ao texto original, mostra como se po-

Arte, Cultura e Lazer Shows e Espetáculos de Arte

JULHO

I TA I M

Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1830 Televendas: (11) 3258 3344 Vendas on line: www.culturaartistica.com.br

ARREBALDES/ARREDORES/CERCANIAS A exposição marca o começo da vida profissional de 14 artistas formados no 2º semestre de 2009 e mostra a bagagem adquirida ao longo dos anos de estudo na Faculdade de Artes Plásticas da FAAP.

Até 31 de Julho de 2010. MAB-Centro - Praça do Patriarca 78 - Sé Tel. 3101-1776 De 3ª a Sábado, das 10h00 às 20h00. ENTRADA FRANCA.

O Guia mudou de nome., mas continua garantindo bons programas para a semana toda. Divirta-se.

Toda sexta no Estadão.

de verter para a tela um relato literário sendo ao mesmo tempo fiel e inventivo. A sobriedade e integridade artística de Malle fazem aqui a diferença. Fidelidade e sobriedade são preocupações ausentes em Federico Fellini, que toma o texto de Poe apenas como ponto de partida e, em cima dele, põe-se a criar livremente. Lógico: dos três cineastas, Fellini é o inventor. Se no conto de Poe Toby

✽ Considerado um dos grandes artistas do cinema – seu nome originou o adjetivo felliniano, que designa algo extravagante, extraordinário –, Federico nasceu em Rimini, em 1920, e morreu em Roma, 1993. Ganhou cinco Oscars – um especial – e a Palma de Ouro. Principais filmes: Os Boas Vidas, A Estrada da Vida, As Noites de Cabíria, A Doce Vida, Oito e Meio, Amarcord, E la Nave Va.

Dammit é apenas um anônimo fanfarrão,emFelliniele se transforma em ator inglês de sucesso, que chega à Itália para fazer um filme, “o primeiro western católico da história”. Terence Stamp vive o personagem alcoólatra e suasensação deestranhezajá começa no aeroporto onde é recebido pela produção. Toda a atmosfera onírica se insinua e prossegue ao longo do relato, marcadopelo desejodo persona-

gem em pilotar uma Ferrari, a máquina dos sonhos de quem gosta de carros. O fellinimaníaco encontrará com facilidade em Toby Dammit elementos dos principais filmes anteriores do diretor, como os já citados A Doce Vida e o autobiográfico 8 1/2. O estilo visual é o que se espera de Fellini e o filme vibra com a sempre inspirada trilha musical de Nino Rota. ParecequeFellini,comseu gênio, é, dos três diretores, aquele quemelhorcaptouaessênciadelirantedotextodePoe.Algotambém os aproximava – o “subtexto”psicanalíticodaobradoescritor,queencontravaeco nummomento da vida de Fellini em que o inconsciente, os sonhos, os desejos reprimidos ganhavam particularimportância.Fellini aproximava-se da psicanálise, mas, ainda mais das teorias de Jung, com as quais dialogava com mais facilidade. Segundo o climada época,também se mostrava inclinado a experiências com drogas, em particular o LSD. Esse é o clima do filme – lisérgico, em todos os sentidos do termo. A então assistente de direção, Liliana Betti, escreveu um livro sobre Tre Passi nel Delirio, contando que, depois de terminada a filmagem, que durou quase um mês, Fellini convidou Nino Rotapara jantar. Durante a refeição, falou com grande entusiasmo de Poe e confessou que havia lido o conto apenas dois dias antes, quando o trabalho já havia terminado. Aparentemente, se o caso for verdadeiro (com Fellini, nunca se sabe), ele havia se baseado apenas em uma breve sinopse e criado em cima do resumo. A ideia de um blasfemo que evoca o demônio por qualquer motivo e acaba por encontrá-lo fora estímulo suficiente para sua imaginação visual. Baseada, claro, no texto de Bernardino Zapponi, que coassina o roteiro com o próprio Fellini.


D14 Caderno2 %HermesFileInfo:D-14:20100725:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

VERISSIMO

SEGUNDA-FEIRA LÚCIA GUIMARÃES MATTHEW SHIRTS

A língua materna

F

ranz Kafka escreveu no seu diário que nunca tinha amadoa sua mãe comoela merecia por causa da língua alemã. “A mãe judia não é uma ‘mutter’”, escreveu ele. “Chamá-la de ‘mutter’ é um pouco cômico. Para um judeu, ‘mutter’ é especificamente alemão. Portanto a mulher judia que é chamada de ‘mutter’ se torna não apena cômica como estranha.” *** Kafkaescreviaemalemão.A línguado seu cotidiano era o checo. A língua da sua mãe era o iídiche. Além de tudo o mais que representa para a literatura moderna, Kafka foi o primeiro a falar do estranhamento com a língua materna, que no fim é um estranhamento com toda linguagem, que acomete quem a abandona. Escritores escrevendo na língua que não era a da sua casa foi uma constante do século. Foi Kafkaquem, noséculo dosexílios, definiu uma das suas formas: o exílio em outra língua. Na qual ninguém se sentia em casa com sua “mutter” e talvez porissotenhamcriadooquecriaram. *** Falar e escrever em latim era comum

na Idade Média e na Renascença e, até há pouco tempo, em quem recebia uma educação clássica. Mas o latim era a língua universal do privilégio e da alta cultura, um pouco como foi o francês mais tarde. Um adendo, não uma alternativa. O primeiro notável a abandonar sua língua materna e adotar, e dominar totalmente, outra foi Joseph Conrad, o polonês que acabou como um dos grandes estilistas do idioma inglês. Muito depois, o exemplo mais notório desta migração foi o russo Vladimir Nabokov. *** Nabokov também é o melhor exemplo do estranhamento citado por Kafka e das suas consequências literárias. Talvez nenhum outro escritor do século tenha usado a linguagem com a sua destreza e inventividade, frutos do estranhamento. Só quem chega adulto numa língua estranha vindo de outra pode descobrir todas as suas possibilidades e brincar com todas as suas peculiaridades, como Nabokov fez com o inglês até beirar o preciosismo. No seu caso a língua abandonada, a língua da casa, era a de uma infância idílica na São Petersburgo pré-revolução, cujas

TERÇA-FEIRA ARNALDO JABOR

QUARTA-FEIRA ROBERTO DAMATTA

QUINTA-FEIRA LUIS FERNANDO VERISSIMO

SEXTA-FEIRA IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO MILTON HATOUM

SÁBADO MARCELO RUBENS PAIVA MARIA RITA KEHL

DOMINGO LUIS FERNANDO VERISSIMO JOÃO UBALDO RIBEIRO DANIEL PIZA

Família Brasil

lembranças só alimentavam a mordacidade da sua linguagem no exílio. *** Samuel Beckett era um irlandês que escrevia em francês. Como no caso de Nabokov, isso também lhe possibilitou escrever numa linguagem pura, no sentido de intocada pelas tradições e pelos vícios acumulados da língua da infância. Ele usou a linguagem como um jogo, como o máximo de liberdade e experimentação permitido longe da mãe. É verdade que levou a depuração da linguagem a tal ponto

que seu objetivo lógico parecia ser o silêncio, ou um exílio intelectual além do exílio em outra língua, ou a pureza no seu estado máximo. Para Beckett o estranhamento só trouxe a angústia da impossibilidade de nos comunicarmos, em qualquer língua. *** Jorge Luis Borges transitou por todas as línguas, por todas as literaturas e por toda a História, sem contar as partes que ele mesmo inventou. Dizem que seu primeiro texto, sobre os mitos gregos, foi escrito quando ele tinha 7 anos

de idade, em inglês. Depois, ninguém como ele brincou tanto com a linguagem, com a tênue linha que separa a erudição da paródia de erudição, a criação literária de outras formas de prestidigitação – enfim, com a linguagem como travessura. Mas escrevia na língua da sua infância. E depois da cegueira, quem lia para ele era sua mãe. Borges tinha a língua e a voz maternas com ele, portanto. O seu nãoera um exemplo de estranhamentokafkiano.Ou era um estranhamento que Kafka invejaria.

SINOPSE DANIEL PIZA ✽ ●

E-mail: daniel.piza@grupoestado.com.br

Site: www.danielpiza.com.br Blog: http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza

Diáspora das palavras BAPTISTÃO

N

o alto da montanha da bela Cidade do Cabo, quando se caminha para um de seus mirantes, vê-se o Cabo da Boa Esperança ao longe, lá onde o Atlântico faz a curva e se verte no Índico, e não dá para não lembrar os descobridores portugueses e o outro nomedoextremo, CabodasTormentas, com suas ressonâncias camonianas. Confesso que senti um enlevo lusófono, e me pus a meditar sobre as viagens que um idioma faz com seu povo, ou melhor, com seus povos. Na mesma semana fomos a Durban, na outra ponta do país, e para mim Durban sempre foi, antes de uma cidadesul-africana marcada pela presença de indianos muçulmanos e pelo calor litorâneo, a cidade onde Fernando Pessoa viveu quase dez anos, dos 8 aos 17, educado em inglês numa escola irlandesa. Pouco antes, morrera José Saramago, autor dos memoráveis O Ano da Morte de Ricardo Reis e História do Cerco de Lisboa, um ficcionista que também levou o vocabulário e a prosódia do português mundo afora. Quando volto, encontro alguns livros relacionados ao tema, em especial o Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português (coordenação Fernando Cabral Martins, editora Leya), e fico sabendo que a próxima Bienal do Livro de São Paulo, com início no próximo dia 12, trará o moçambicano Mia Couto e os angolanos Ondjaki e Agualusa para debater justamentealusofonia. Numdostextos desse ótimo dicionário (no qual senti falta apenas de, entre outros, um verbete sobre Camões, sobre a força e o peso de sua herança em Pessoa e companhia), leio que ele fez em quatro ocasiões a viagem pelo Cabo da Boa Esperança (hoje a 40 minutos de carro da Cidade do Cabo), tanto que num poema menciona a beleza da “Table Mountain”, que chama Montanha da Mesa, e a visão do Cabo “nítido ao sol da madrugada”. Esse poema, assinado por Alberto Caeiro, um de seus heterônimos, é o Passagem das Horas e tem um começo magistral: “Trago dentro do meu coração,/ Como num cofre que se não pode fechar de cheio,/ Todos os lugares onde estive,/ Todos os portos a que cheguei,/ Todas as paisagens que vi atravésdejanelasouvigias,/Oudetombadilhos, sonhando,/ E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.” (Bichoscarpinteiroscomoeudeveriam andar com esses versos no bolso.) Como já me acontecera em cima

da rosa dos ventos inscrita no chão ao lado da Torre de Belém, em Lisboa, também os versos do único livro em português publicado em vida por Pessoa, Mensagem, passaram a me seguir durante a Copa. Versos como: “O mar com fim será grego ou romano/ O mar sem fim é português.” Ou: “Jaz aqui, na pequena praia extrema,/ O Capitão do Fim. Dobrado o assombro,/ O mar é o mesmo: já ninguémo tema./ Atlas, mostra alto o mundo no seu ombro.” Este poema, ora, se chama EpitáfiodeBartolomeu Dias, o navegador que dobrou o

O Brasil, afinal, é o maior filho da diáspora portuguesa por ventos e verbos Cabo em 1487 e ali mesmo morreria mais tarde, em 1500, pouco depois de ter participado da descoberta do Brasil ao lado de Pedro Álvares Cabral. O Brasil, afinal, é o maior filho da diáspora portuguesa por ventos e verbos, e não por acaso Mia Couto e a dupla angolana reconhecem sempre a influência da literatura brasileira moderna, de nomes como Rosa e Amado. O equívoco de acordos ortográficos é querersermaisdo quesão,simples ajustes diplomáticos, e não as motrizes de uma aproximação entre os povos que falam a mesma língua (isso sem entrar no mérito dos critérios, que eliminaram acentos como em “voo” e mantiveram em “já”, como se houvesse outra pronúncia para a vogal senão a aberta). A línguaévivaenômade;está emconstante reinvenção pelo uso e, portanto, vai muito além dos dicionários; e é muito bom que seja assim, caso contrário se fixariaemorreria.Osescritoresquecaptam esse idioma móvel e poroso são os melhores. Como o poeta Ezra Pound

fez pela língua inglesa em ABC da Leitura, há um estudo a fazer sobre as contribuiçõesemutaçõesdoportuguêsdesde Camões até Drummond, que em alguns momentos parece influenciado por Pessoa, e desde Vieira, “o imperador da língua portuguesa”, segundo outro verso de Mensagem, até Machado, Euclides, Lima, Graciliano e tantos outros prosadores brasileiros. A língua inglesa, afinal, mudou muito antes e depois de Pessoa ter criado em Durban o heterônimo Alexander Search (e mais tarde ter encarado Shakespeare ao criar seus 35 Sonnets diretamente no idioma). Na África do Sul, como na China, ela é a língua oficial, comum aos meiosdecomunicaçãoesolenidadespúblicas, e cada habitante tem seu nome em inglês. Como é que um idioma não vai ser afetado por isso? Naturalmente, para o bem e/ou para o mal. O trabalho dos escritores entra aqui, também, na lutacontraoempobrecimento,odesgaste da diáspora, mas jamais no sentido purista. Machado, por exemplo, sempre repudiou o hábito brasileiro de abusar de hipérboles (cada vez mais, ninguém diz “o filme é bom”, e sim “o filme é sensacional, ma-ra-vi-lho-so”, etc.) e, em contraponto, refinou a ironia e pôs o melodrama em elipse. Pense ainda nas palavras que passam de um idioma para outro e mudam bastante de sentido, como “todavia” (em espanhol, “ainda”) ou esquisito (em inglês, “exquisite” é “primoroso”). Ou quemudamcomotempo,comooadjetivo “cool”, que um dia significou a atitude de ignorar a opinião alheia e hoje significa ser elegante, informalmente bem vestido; ou “cético”, agora usado para designarqualquer pessimista(como em “eurocéticos”); ou “pragmático”, que no futebol brasileiro virou sinônimo de “burocrático”. Nenhum bom escritor

usa essas palavras ingenuamente, sem se dar conta dessas reinterpretações. O aspecto mais importante do gênio de Shakespeare, aliás, é esse: sua consciênciadecomoamesmapalavraéacomodadaparadiferentes finspráticose/ou morais. Pessoa, em sua busca pela plenitudeperdida,comoumCamõespós-imperial, já via na própria palavra essa dissociação, já via no verbo a multiplicação que traduziu em heterônimos. Escrevi sobre Saramago, de quem admiromaisosromanceshistóricosdaprimeira fase, que ele era um escritor raro

Os escritores que captam o idioma móvel e poroso são os melhores por seu amor à palavra. Sim, o escritor que ama as palavras não é tão comum quanto se pode pensar. Sempre me espanto quando perguntam a profissionais do verbo qual a palavra mais bonita da língua portuguesa e eles respondem apenas uma, como “libélula” (a opção do filólogo Antonio Houaiss). São tantas! Num só livro de Mia Couto há um mar delas a pescar, e uma das características de Pessoa que mais aprecio é não ter medo de usar advérbios em “-mente” ou de repetir termos próximos – recursos que os pedagogos da área dizem ruins para o estilo, como se eles tivessem um. Todo dia me ocorre ao menos uma bela palavra que ainda não estava na minha hipotética lista de palavras mais bonitas; e hoje, por motivos evidentes, eu poderiaescolheradotítuloacima,“diáspora”. Como diria Pessoa, “o sentido que tem, os sentidos que evoca, e o ritmo que envolveesse sentidoe estes sentidos” – “diáspora” significa uma coisa e evoca muitas outras, envolvidas pela

mesma musicalidade – tudo isso lhe dá beleza. A diáspora das palavras é inevitável como o vento no barco. Cadernos do cinema. O filme Brilho de Uma Paixão (mais uma tradução tola, deveria ser Estrela Brilhante), de Jane Campion, é sobre o relacionamento entre o poeta John Keats (Ben Whishaw) e Fanny Brawne (Abbie Cornish). Campion novamente faz um trabalho visual apurado, esquecendo que cinema não é apenas uma sucessão de quadros. Keats, um dos poetas favoritos de Pessoa (e meus), é visto como um sujeito melancólico e frágil, que mal consegue conter seu invejoso e ciumento amigo e patrocinador, Charles Brown (Paul Schneider); Whishaw em nenhum momento parece saber que está representando um gênio, do qual logo no início se diz que pensa rápido. Assim, o filme começa espirituoso, com Fanny defendendo as roupas que cria e o estilo que adota e enfrentando Brown verbalmente, mas depois vai mergulhando no melodrama, sem o menor senso de ironia – item indispensável na poesia de Keats. Abbie Cornish dá alma ao filme, e chora de um modo tão intenso que nos dá vontade de consolá-la. A essa altura, porém, só nos apegamos à beleza das imagens pastorais da Inglaterra e aos versos que os atores dizem. “Tender is the night”, mas para Campion é um vale de lágrimas. Por que não me ufano. Se houvesse mais respeito pelas palavras, o candidato a vice de José Serra, Índio da Costa, não diria que o PT tem “ligação” com as Farc, mas simpatia ou qualquer outro sentimento que não sugira sem provas o apoio a tráfico e sequestros. A simpatiaéindiscutível, tanto que nos Fóruns Sociais sempre havia espaço para essas guerrilhas supostamente “de esquerda”. A verdade é que os candidatos a vice são ainda piores que os candidatos a presidente. De Índio da Costa não se sabia quase nada até ele começar a soprar esse apito desafinado. De Michel Temer, o vice de Dilma Rousseff, já se sabe mais do que se gostaria de saber. E olhe que Serra não é nenhum jovem e Dilma passou por doença séria. Toc, toc, toc.

● Aforismo

sem juízo

Batizar um sentimento não é o mesmo que defini-lo. E muito menos dominá-lo.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Missão complicada

Ferrari reage

Clássico da crise

Em Fortaleza, Palmeiras busca primeira vitória com Felipão

Red Bull faz nova pole com Vettel, mas Alonso é o 2º e Massa o 3º

Em má fase, o Santos de Neymar e o São Paulo jogam na Vila Belmiro

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JF DIORIO/AE-17/7/2010

Esportes estadão.com.br

Futebol ALEX SILVA/AE

Surpresa. Liderados por Ronaldo, jogadores do Corinthians foram dar um abraço em Mano

‘MUITOS QUERIAM ESTAR

NO MEU LUGAR’ Mano Menezes confirma ‘sim’ à seleção brasileira, é homenageado pelo grupo e se despede hoje do Corinthians, que acertou com Adilson Batista Fábio Hecico

ISTO É MANO

“Esperava um dia chegar na seleção, mas aconteceu mais rápido do que pensava” “Tenho por linha não fugir de convites importantes” 7 8 9 10 11 12

O relógio marcava 11h26 quando Mano Menezes confirmou que aceitou o convite do presidente Ricardo Teixeira, da CBF, e é o substituto de Dunga na seleção brasileira. O treinador de origem humilde, bastante vitorioso nos últimos cinco anos, será apresentado no Rio amanhã, às 16 horas, em entrevista na qual fará a primeira convocação pós Copa do Mundo. Enquanto isso, o Corinthians agiu rápido e acertou com Adilson Batista, com quem mantinha negociação desde terça-feira. Mano não escondia a satisfação. “Chego para ser o técnico da seleção brasileira com muito orgulho. A maioria dos técnicos do Brasil gostaria de estar no meu lugar, e isso dá a ideia do quão é importante”, afirmou o treinador. “Eu vinha escrevendo uma trajetória e pensava em um dia chegar na seleção, mas aconteceumaisrápido do queeupensa-

va. Tenho por linha não fugir de convites importantes, aceitar grandesdesafios,coisasgrandiosas. Essa é a mais grandiosa de todasemotivo degrandesatisfação e orgulho.” Um dia após estar visivelmente triste por não ter sido o escolhido – Muricy Ramalho, do Fluminense, chegou a ser anunciado no início da tarde, mas o Fluminense não o liberou –, Mano radiava alegria e jurou não ter ficado incomodado por ser o plano B. “Muito pelo contrário, me orgulhou muito. No futebol brasileiro, não posso precisar, mas existem 30, 40, 50 excelentes treinadores e, se sou o segundo, estou bem colocado. E sou o segundo atrás do Muricy (Ramalho) a quem admiro muito como pessoa”, discursou. No papo de meia hora com RicardoTeixeira, nanoite desextafeira, Mano combinou que só falaria dos detalhes de sua contratação para a seleção em sua apresentação oficial, amanhã. Por-

tanto, foram apenas três respostasnumcurto períododedez minutos. “Entendo a ansiedade e a curiosidade de todos (em saber como será a seleção), mas combinamos que só falo sobre os planos, na segunda-feira (amanhã). Atédomingo(hoje,diadojogocontra o Guarani), seguirei com o máximo respeito que tive até aqui com o Corinthians.” Fechou o pronunciamento com um “até amanhã.” Querido. Mano nem bem terminou a primeira resposta e se assustou com uma invasão na lotada sala de imprensa. Uma invasão do bem. Os jogadores Ronaldo, Dentinho, Roberto Carlos, Elias, Iarley, Júlio César e Alessandro fizeram questão de dar um abraço no chefe. Bastante querido no grupo e pela diretoria, Mano viu o diretor Mário Gobbi e o presidente Andrés Sanchez se emocionarem ao falar de sua nova empreitada. Andrés chegou a ficar com a voz

Primeira convocação não terá atletas de São Paulo e Inter Mano Menezes recebeu ontem os elogios de Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol. “Ele mostrou coragem e também orgulho por ter a oportunidade que todo técnico do mundo sonha, que é dirigir a seleção”, disse o dirigente em nota. “A seleção, como me disse o novo técnico, voltará a ter uma presença significativa de jogado-

embargada e brincou. “Sou o todo poderoso aqui e ainda não liberei”, arrancou risos. “Ou ganha amanhã (hoje), ou não libero.” Depois, mostrou o carinho que tem por Mano. “As portas estão abertas para você aqui. Em 2015 vou te demitir da seleção e conto com sua volta ao Corinthians. Obrigado e vá com Deus”, falou o presidente, quase às lágrimas ao lado do treinador.

res que atuam em clubes brasileiros”, contou. Mano viaja amanhã para o Rio, onde fará a 1ª convocação. A lista contará apenas com jogadores em atividade no País e não trará atletas de Internacional e São Paulo, já que um dos dois estará na decisão da Libertadores. O treinador estreia na seleção dia 10, em Nova Jersey, contra os EUA. / F.H.

“Mas que ele está ferrado assumindo a seleção, está.” Leia mais sobre a contratação do técnico Adilson Batista e a partida Corinthians x Guarani na página 3


E2 Esportes %HermesFileInfo:E-2:20100725:

O ESTADO DE S. PAULO

AnteroGreco

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Orelhas quentes

U

antero.greco@grupoestado.com.br

m punhado de técnicos de pontaestaráàbeirado gramado, neste final de semana, com cabeça e orelhas quentes. Uns estarão a perguntar-se por que seus destinos não tomaram determinado rumo. Outros sentarão no banco de reservascomreceiodequeofuturoimediato lhes reserve carta de demissão. UmdosmaisatordoadosdeveserMuricy Ramalho. Até um tempo atrás, estava no desvio, depois de sair desgastado do São Paulo e de não emplacar no Palmeiras. O Fluminense lhe acenou com a possibilidade de voltar à cena. O início não foi entusiasmante, mas na moita, sem alarde, ajustou o time e hoje topa com o Botafogo na condição de líder. O bom trabalho, aliado a currículo de respeito, lhe valeu na sexta-feira convite para assumir a seleção. Em geral, é o

topoda carreira, empregoque todo treinador deseja, independentemente das rugas a mais e dos fios de cabelos a menos. O sonho emperrou no momento em que o clube bateu pé e disse não. Muricy deve achar que perdeu o bonde da história passou e ele não subiu. ManoMenezeséoutroquetalvezestejacomcaraminholasaincomodá-lo.Durante asemana não se falou de outra coisa a não ser da iminente promoção a substitutodeseuconterrâneo Dungano comando da amarelinha. Não teve um meio de comunicação que não o apontasse como favorito ao cargo. De uma horaparaoutra,nasexta-feiravênatelevisão o colega Muricy ao lado de Ricardo Teixeira. Imagino o susto que levou e a baitafrustração que sentiu. Susto que se tornou maior ao ser convocado, no início da noite, para pegar o emprego que Muricy havia rejeitado pouco antes. Aceitou o desafio, se despede do Corinthians, mas será que não lhe vem a dúvida: “Ficarei mesmo até 2014?” Sei não. Luxemburgo não fica atrás em ansiedadeeexpectativa,poistambémsecogitou seu nome. Voltar à seleção seria o máximo para afagar o ego de quem foi defenestrado, no começo dos anos 2000, em meio a resultados oscilantes e

vida privada vasculhada. Levantaria a moral de um técnico que nas últimas temporadas busca retomar a rota das conquistas, mas que enfrenta dificuldades com um Atlético-MG inseguro. O melhor a fazer é concentrar-se no clube e recuperar a fama de vencedor. Imagino Felipão mais aliviado com o rumo que tomou a prosa da seleção. O campeão mundial chutou o balde, no meio da semana, ao garantir que ninguém da CBF o havia procurado para coisa alguma. O gaúcho subiu nas tamancas com a história de que perdeu terrenopor não abrir mãodo Palmeiras.

Muitos treinadores da elite nacional vivem agora fase turbulenta e de definição Ora, agiu bem: como dizer “topo” para algo que não existiu? Macaco velho, sabe que entraria em fria se se oferecesse. Gelada parece ser a tarefa de ajustar timemais instáveldoque tempo naInglaterra. O desafio hoje é o embalado Ceará, em Fortaleza. De qualquer forma, tem a vida feita e prestígio com os fãs. Dois jovens técnicos sentem o banco esquentar, e não será por causa da tem-

peratura sempre agradável na Baixada. O santista Dorival Júnior e o sãopaulino Ricardo Gomes nos últimos dias tiveram poucos motivos para dormir tranquilos. O primeiro vê esfacelar-se um belo projeto de time, já que o Santos dá sinais de que pode virar o fio – o que seria uma pena. O segundoestápelabola sete,paraficar em linguagem que o futebol importou da sinuca. Sua cabeça está a prêmio no Morumbi – os cartolas negam com veemência nada convincente. Situação idêntica envolve Silas. No ano passado, ganhou projeção ao guiar o Avaí numa arrancada deliciosa no Brasileiro. A campanha com time modesto lhe abriu as portas do Grêmio. A temporada vai pelo meio e o que mais se ouve, em Porto Alegre, é que Silas perderá o emprego, questão de mais dia menos dia. Pode ser hoje, se seu time, na zona de rebaixamento, sair machucado da trombada com o Cruzeiro, em Minas. Vida de técnico é dura, sabemos. O consolo é que, se perdem emprego, demoram pouco para arranjar nova colocação, ao contrário da maioria dos trabalhadores desta terra varonil. Para eles a fila anda bem rápido.

UM GAÚCHO ALEGRE E COMPETENTE 1

SERGIO CASTRO/AE-11/11/2007

2

JOSÉ PATRICIO/AE-7/8/2008

3

5

1. Primeiros passos. Ao lado do amigo Muricy Ramalho em jogo pelo Grêmio, que conseguiu reabilitar em 2005

JOSÉ PATRÍCIO/AE-3/5/2009

RBS

2. Moderno. Com Twitter e blog, soube usar a visibilidade que ganhou no Corinthians

3. Títulos. Em 2009, ganhou o Paulista e a Copa do Brasil pelo Corinthians

4

KEINY ANDRADE/AE-13/2/2010

6

4. Popular. Com apoio da torcida, Mano desfilou na Gaviões da Fiel no último Carnaval

PAULO LIEBERT/AE-21/3/2009

5. Início. Seu primeiro clube foi o Guarani-RS, de Venâncio Aires, de onde saiu em 2003

6. Fenômeno. Mano e Ronaldo trocaram farpas, mas também conquistaram títulos

MANO VAI GANHAR O MUNDO Graças ao pai, que o tirou das fábricas de fumo, gaúcho de 48 anos tornase o principal personagem do futebol brasileiro atual Bruno Deiro Fábio Hecico

Da pequena Passo do Sobrado (140 quilômetros de Porto Alegre),LuizAntônioVenkerMenezes vai ganhar o mundo, como um dia sonhou seu pai. Foi graças a seu Omar que o franzino Mano (apelido dado pela irmã mais velha) trocou na infância o trabalhoárduonasfábricasdefumo e erva mate da região pelo improvável futuro no futebol. Para incentivar o filho, seu Omarassumiuo comandodoEsporte Clube Rosário, o time da cidade, que treinava no campinho de terra batida ao lado de sua casa. Mano, que adorava exercícios(éformadoemEducação Física) e matemática (era o melhor aluno de sua turma), não decepcionou e assumiu a braçadeira de capitão do time. “Eu era umzagueiroconsciente”,sedefiniu numa entrevista ao Estado. Aos poucos, Mano tomou gosto pelo futebol. E a paixão pelas

peladas de fim de semana o fez pensar grande, num time profissional à várzea, a ponto de ele se aventurar na vizinha Venâncio Aires, a Capital Nacional do Chimarrão, para jogar no Guarani. Oempregodeauxiliardeescritório numa fábrica de fumo estava com os dias contados. Aos 20 anos,viviaaexpectativadesetornar “um jogar de verdade”. O ano era 1982. E a missão, nada ingrata: jogar na Terceira Divisão, então o Campeonato Amador Gaúcho. “Era uma espécie de várzea mais organizada.” Prestes a se casar com Maria Inês, o técnico já planejava cursar Educação Física. Sonho que concretizou anos mais tarde. Foram seis anos de batalhas, algumas vitórias e muitos tropeços. Atéo Guarani conseguir, em fim, chegar à decisão do Amador de 1988. O Rubro-Negro ergueria a taça nos pênaltis, com Mano anotando o gol decisivo. O título não significou o acesso por causa de um regulamento estranho. Veio em 90, mas ele já dava mostras que seu futuro estava em outra função: a de técnico. “O jogador tem de atuar de acordo com sua capacidade, saber o que pode fazer em campo.” Assumiu a baseem 92. Até 96 o pequeno rubro-negro escreveu

ASCENSÃO METEÓRICA ●

Guarani-RS (1997)

Campeão gaúcho 2002 ● ● ● ●

Brasil de Pelotas (2002) Iraty-RS (2003) Guarani-RS (2003) XV de Novembro-RS (2003)

Semifinalista da Copa do Brasil (2004) ● ●

Caxias-RS (2004) Grêmio (2005)

Campeão da Série B (2005) Bicampeão gaúcho (2006/7) Finalista da Libertadores (2007) ●

Corinthians (2008)

Finalista da Copa do Brasil (2008) Campeão da Série B (2008) Campeão paulista (2009) Campeão da Copa do Brasil (2009)

seunome entreosquatromelhores do Estado. No fim de 96, o trabalho no escritório já fazia parte do passado. Por um futuro melhor para dona Maria Inês e a pequena filha Camila, Mano se tornou Técnico em Lazer no Sesi. E o curso de Educação Física estava quase no fim. Começo de 97 e teve de fazer

umaescolha.Oumelhor,responder a um convite: viraria técnico profissional ou seguiria trabalhando? Optou pela bola e não se arrependeu. Veio o acesso à elite gaúcha,otítulode2002epropostas, muitas propostas. Acostumado a desafios. A mis-

são de reformular a seleção foi dada a um técnico pouco experiente, mas que sabe começar o trabalho do zero. Em cinco anos, Mano se projetou no cenário nacionalporsuapassagemporGrêmio e Corinthians, atuando por dois anos e meio em cada. Em ambos os casos, pegou equipes empéssimacondiçãoparadevolvê-las à elite do futebol do País. Logo na chegada ao Grêmio, em abril de 2005, dispensou 11 atletas. Começou mal a Série B e acertou o time aos poucos, apostando em jovens como Ânderson (hoje no Manchester United) e Lucas (atualmente, no Liverpool). No jogo final, provou que tem estrela. Classificou a equipe para a Primeira Divisão num vitória épica por 1 a 0 sobre o Náutico, em Recife, em jogo lembrado pelos gremistas como a “Batalha dos Aflitos”. Apoiadopelatorcida, conquistouo bicampeonatogaúcho pelo Grêmio em 2006 e 2007. Com

uma campanha irregular, levou o time à final da Taça Libertadores de 2007, mas sucumbiu diante do Boca Juniors, de Riquelme, que venceu em Buenos Aires (3 a 0) e Porto Alegre (2 a 0). Com o desgaste natural no Sul, Mano aceitou no fim de 2007 o desafio de assumir o rebaixado Corinthians. E novamente reformulou um elenco em frangalhos. Contratou 12 reforços e manteve três titulares do ano interior – destes, apenas o goleiro Felipe se firmou. Logo de cara, levou o time à decisão da Copa do Brasil, mas caiu diante do Sport na Ilha do Retiro. A campanha, porém, resgatou a confiança dos corintianos, que não tiveram qualquer dificuldade de retornar à elite do futebol. No fim do ano, com uma base montada, ainda ganhou o reforço de Ronaldo. Em 2009, Mano Menezes deslanchou. Ganhou a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista com um time bastante competitivo e consolidou seu nome como treinador de ponta. Com a vaga garantida para a Libertadores de 2010, jogadores importantes comoCristian,AndréSantoseDouglas foram vendidos e Mano se viu na obrigação de achar uma novaequipe.Destavez,noentan-

ISTO É MANO

“Não tenho a pretensão de que todos gostem do meu trabalho, não é assim que se faz” “Eu era um zagueiro consciente (nos tempos da várzea)” to, não teve o mesmo sucesso. À eliminação precoce para o Flamengo, nas oitavas de final da Libertadores, seseguiu a frustração e o desgaste no comando do Corinthians. Outra vez, porém, realizou bom trabalho de longoprazoecimentouseucaminho para a seleção brasileira.


Esportes E3

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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Campeonato Brasileiro ALEXANDRE GUZANSHE/FOTO ARENA

ADILSON ASSUME O CORINTHIANS Currículo. Adilson se destacou durante sua passagem de mais de dois anos pelo Cruzeiro. Nesse período à frente do clube mineiro ele foi bicampeão estadual em 2008 e 2009, além do vice da Taça Libertadores da América em 2009, quando viu o sonho frustrado em pleno Mineirão ao cairdiantedo Estudiantes,daArgentina. Também tem no currículo os estaduais de 2002, pelo América-RN, e o de 2006, pelo Figueirense.Émaisumprofissional que tem no Parque São Jorge achancedese fixarentreosgrandes nomes do País.

● Mano Menezes dirigiu o Corinthians, pela primeira vez, no dia 17 de janeiro de 2008, contra o Guarani. Hoje, às 18h30, no Pacaembu, o técnico se despede dos corintianos para assumir a seleção, diante do mesmo Guarani. Ganhar da equipe campineira significa brigar para recuperar a liderança, já que o Fluminense, desde a quinta-feira na liderança, não terá vida fácil no clássico com o Botafogo. O zagueiro e capitão William, que é braço direito do técnico e foi uma das primeiras contratações da era “Mano Menezes” diz que vencer hoje será a forma de dizer “obrigado.”

A dupla de ataque desta tarde será formada por Jorge Henrique e Dentinho, outros dois jogadores com muito a agradecer ao técnico. Jorge Henrique também desembarcou no clube pelas mãos de Mano. Com pinta de marrento, chegou sob o olhar desconfiado do torcedor, mas ganhou rapidamente a torcida comprovando que a escolha de Mano era acertada. Dentinho estava no grupo rebaixado em 2007 e na faxina realizada no Parque São Jorge ganhou voto de confiança do treinador. Hoje é o artilheiro desta fase, com 50 gols – mas 13 partidas seguidas de jejum. Nada melhor do que desencantar num dia de festa, de despedida, é bem verdade. Nesta última partida, no palco onde o Timão só venceu neste Nacional, Mano promove mudanças no time. Além das voltas de

Flu joga para dizer ‘obrigado’ a Muricy FELIPE DANA/AP-23/7/2010

Técnico dirige time na 1ª partida depois de preferir cumprir contrato com o clube em vez de assumir comando da seleção Bruno Lousada RIO

Paraumtécnicodefutebol,geralmente, não ser vaiado ou hostilizado por sua própria torcida, durante um jogo inteiro, já é ótimo sinal. Imagine ser aplaudido de pé e ter seu nome entoado em alto e bom som assim que pisar no estádio? Tanta devoção Muricy Ramalho vai viver hoje, às 18h30,noEngenhão. Alémda defesa da liderança no Campeonato Brasileiro contra o Botafogo, a torcida tricolor quer outra coi-

Dia do Fico. Muricy não foi para a seleção e estará no banco sa: dizer, mesmo à distância, um “muito obrigado” ao treinador. Querido pela torcida do São Paulo, clube pelo qual se sagrou tricampeão brasileiro, Muricy

chegou ao Fluminense há quase três meses, não conquistou nenhumtítulo,mas jáganhouorespeito de todos nas Laranjeiras. Seutrabalhoétãoelogiadoquan-

to a sua maneira de agir. Ao dizer “não” para a seleção na sexta-feira, deu esperança para aqueles que ainda acreditam no peso de uma palavra. Ao se comprometer a assinar um novo contrato até dezembro de 2012 com o Fluminense, deixou de ladoosonhodequalquerprofissional de sua área, o de comandar a equipe pentacampeã mundial, para honrar seu compromisso. “Pessoas do nível do Muricy são necessárias no esporte mundial”, disse o presidente do Fluminense,omédico RobertoHorcades, na sexta-feira. Ontem, cerca de 400 torcedores foram ao treino do time para festejar a permanência de Muricy. Em nota oficial, o treinador falou sobre sua decisão. “Quero nesse momento desejar sorte e sucesso ao técnico Mano Mene-

BOTAFOGO FLUMINENSE

BOTAFOGO Jéfferson Fahel Danny Morais Fábio Ferreira Alessandro Leandro Guerreiro Somália Lucio Flavio Marcelo Cordeiro Caio Herrera Técnico: Joel Santana

FLUMINENSE Fernando Henrique Gum Leandro Euzébio André Luis Mariano Diogo Diguinho Conca Carlinhos Rodriguinho (Alan) Fred Técnico: Muricy Ramalho

Juiz: Rodrigo Nunes de Sá (RJ) Local: Engenhão Horário: 18h30 Transmissão: Pay-per-view

zes no comando da seleção e agradecer ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, e ao assessor de comunicação, Rodrigo Paiva,

N

IF

UTEBO

CORINTHIANS GUARANI

11 .

Equipe quer vencer e agradecer ao mestre Mano

B C LU E

Adilson Batista foi o escolhido para assumir o lugar deixado por Mano Menezes no comando do Corinthians. A apresentação oficialdonovotreinadorseránaterça-feira.Adilsonassinarácontrato até dezembro de 2011 e chega acompanhado pelo auxiliar Ivair.Orestantedacomissãotécnica permanecerá o mesmo. A negociação começou na terça-feira, quando o nome de Mano ganhou força na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Nesse meio tempo, a diretoria corintiana ainda sondou Carlos Alberto Parreira, mas o técnico que dirigiu a seleção da África do

formas mirabolantes de jogar. Nem mesmo uma ação trabalhista que Adilson move contra o clube foi suficiente para esfriar o interesse. Segundo Sanchez, são duas questões separadas. “Primeiro vamos atrás do profissional. Depois analisamos essas pendênciasque podemserresolvidas”, explicou o presidente.

L

Fábio Hecico

Sul no último Mundial mandou o recado de que só deseja voltar ao futebol no final do ano, e não necessariamente à beira do gramado. Alguns aspectos na trajetória e no modo de agir de Adilson pesaram na decisão dos dirigentes. Entreelesdestacam-seaidentificaçãocomoclube,ondetevepassagem rápida, mas marcada pela conquista do Mundial de Clubes da Fifa, em 2000. Adilson, na época, era titular da zaga do Corinthians. Outro ponto analisado foi a performance à frente do Cruzeiro. Tanto o presidente Andrés Sanchezquantoodiretordefutebol, Mário Gobbi, concluíram que Adilson tem características que possibilitam a ele dar continuidade ao trabalho desenvolvido por Mano. A cúpula alvinegra concluiu que o time está acertado, segue na briga pela liderança doCampeonatoBrasileiroe,portanto, não é hora para inventar

.C

Com o objetivo de dar continuidade ao trabalho de Mano Menezes, diretoria alvinegra decide por ex-zagueiro do clube

G UA RA

O substituro. Ex treinador do Cruzeiro, a aposta da diretoria corintiana para assumir o comando do time no lugar de Mano Menezes, será oficialmente apresentado na terça-feira

AM PINAS . 19

CORINTHIANS Júlio César Alessandro Paulo André William Roberto Carlos Jucilei Elias Paulinho Bruno César Jorge Henrique Dentinho Técnico: Mano Menezes

GUARANI Douglas Rodrigo Heffner Ailson Rodrigão Márcio Careca Renan Paulo Roberto Preto Mário Lúcio Mazola Ricardo Xavier Técnico: Vágner Mancini

Juiz: Rodrigo G. Ferreira do Amaral (SP) Local: Pacaembu Horário: 18h30 Transmissão: Pay-per-view

William e Jorge Henrique, Jucilei e Paulinho entram no meio, nas vagas de Ralf e Danilo. /F.H.

pelo respeito a decisão que tomei”, escreveu. “Neste momento, estou focado no meu trabalho junto ao Fluminense.” Nas Laranjeiras, Muricy já fez valer o seu famoso lema: “Isso aqui é trabalho”. Exigente, cobra em todo treino seriedade, comprometimento e dedicação. Para jogar no seu time, só fama de craquenãogarantevagaentreostitulares.Épreciso suar acamisa. “Às vezesconfundemfutebolcomdiversão. Isso aqui é trabalho. Mas a disciplina não precisa ser uma loucura. Apenas é preciso cumpriroshoráriosesedoar nostreinos”, já afirmou o treinador. No Botafogo, hoje também é dia de festa. O meia Maicosuel, novoreforçodaequipe,seráapresentando oficialmente pela diretoriaantesdeabolarolar.Ojogador estava no futebol alemão, mas não vai enfrentar o Fluminense, já que sua documentação não chegou a tempo de registrálo na CBF. Outro desfalque é o atacante Jobson, suspenso.


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DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Boleiros

SEGUNDA-FEIRA PAULO CALÇADE

UGO GIORGETTI ugog@estadao.com.br

O Santos passou como uma miragem

H

avia um futebol antes da Copa. Era o praticado pelo Santos. Ficamos entusiasmados. Eu mesmo escrevi uma coluna a respeito pois, por momentos, tinha me reencontrado com o esporte que segui por tantos anos. Mas veio a Copa, e como se um mágico subitamente surgisse em cena e num truque de extrema habilidade transformasse tudo,

de repente nos vemos de novo diante do desolador futebol que havia primeiro. Talvez tenha sido a própria Copa a executar esse número de mágica. Quando se vê uma Holanda distribuindo pontapés por todos os lados, bufando e correndo como nunca, chegando junto da maneira mais grosseira e definitivamente abdicando do talento e do toque de classe que sempre a caracterizou, é porque alguma coisa

TERÇA-FEIRA LUIZ ZANIN

QUARTA-FEIRA DANIEL PIZA

acabou. E acabou pra sempre. Nos iludimos, nós, os veteranos, que nossos antigos ídolos, os Ademir da Guia, os Gerson, etc, jogariam no futebol de hoje. Confesso que tenho sérias dúvidas. Para não confessar de uma vez que algo me diz secretamente que não, não jogariam. O físico venceu, vamos reconhecer. Os velhos jogadores de outras épocas não teriam tempo nem sequer de levantar a cabeça antes de terem em cima dois ou três truculentos adversários, fortes, incansáveis, e sem nenhuma habilidade. A Copa foi a grande prova disso. O Brasil, até mesmo, jogou desse jeito. Pouco reconheci do velho jogador brasileiro naquele conjunto de atletas correndo e batendo como nunca se viu. É isso o novo futebol. Venceram os fisicultores, venceram os brancos. Os crioulos atrevidos, cheios de ginga e habilidade estão levando a lição que merecem. Precisavam ser contidos e foram. A vitória dos brancos vai até o ponto de transformar os próprios negros em brancos. O ala Maicon, por exemplo, me dá a impressão de ter se

SÁBADO MARCOS CAETANO

DOMINGO UGO GIORGETTI

transformado em branco e alemão. Parece que, ao contrário de qualquer jogador brasileiro do passado, prefere o corpo a corpo, se compraz nas divididas e ganha quase todas. Há alguma semelhança entre ele e, por exemplo, o velho Djalma Santos, só para ficar com alguém da posição? Por isso, estou convencido de que definitivamente um tipo de futebol está morto e enterrado.

André foi embora, Neymar não sabe o que fazer com as propostas e Ganso caiu muito Restam algumas visões fugazes do que ele foi e de quanto pode ser belo, quando, por instantes, surge um time como foi o do Santos de antes da Copa do Mundo. Como uma miragem ele passou por nós, como lembranças num filme de época. Agora parece não existir mais. André já foi embora, sabe Deus para onde. Neymar não sabe mais o que fazer com as propostas e, enquanto pensa, parou de jogar. Aliás, se for embora, quando regres-

sar será mais um jogador transformado em europeu e branco. O Ganso também caiu e o Santos caminha para, talvez, voltar a ser um time como os outros. Melancolicamente retomamos nosso Campeonato Brasileiro e a Libertadores, interrompidos pela Copa. E o desânimo vem da nossa participação pífia nesse torneio que fez com que voltássemos os olhos para dentro do país, à procura dos jogadores que o Dunga não levou. E verificamos que são poucos, muito poucos. Não sei se estou certo, mas vejo uma certa indiferença por aí, um ar de ressaca. A ressaca vai acabar, ela nunca dura muito, de qualquer modo. O país sempre supera suas crises e de uma maneira ou de outra vai em frente. Mas por agora leio nas caras dúvidas incômodas. “E agora, José? A festa acabou, a luz se apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José?”

Campeonato Brasileiro

Palmeiras entra como zebra no Ceará Time busca 1ª vitória com Felipão, mas não ganha fora, está desfalcado e encara rival em alta, que não levou gol no Castelão Bruno Deiro

O desafio de Luiz Felipe Scolari porsuaprimeiravitóriano retorno ao Palmeiras não é simples hoje, às 18h30, em Fortaleza. Com um time desfalcado, encara o confiante Ceará para encerrar jejum de 9 jogos sem vencer como visitante no Brasileiro – desde outubro do ano passado. Sem Pierre, Danilo, Marcos Assunção e Edinho, suspensos, Felipão terá de remontar a defesa. A opção é o zagueiro Leandro Amaro, que disputou o último Paulista pelo Botafogo de RibeiCLASSIFICAÇÃO J

V

E

D

1º Fluminense 22 10

PG

7

1

2

8

2º Corinthians

21 10 6

3

1

6

3º Ceará

19 10

5 4

1

5

4º Internacional 16 10

5

1 4

3

5º Flamengo

16 10 4 4

6º Avaí

16 11 4 4

3

2

7º Cruzeiro

15 10 4

3

2

3

2

SG

3

8º Vitória

14 11

3

5

3

0

9º Prudente

14 11

3

5

3

-1

10º Guarani

14 10

3

5

2

-2

11º Palmeiras

13 10

3 4

3

0 -3

12º Vasco

13 11

3 4 4

13º Santos

12 10

3

3 4

14º São Paulo

12 10

3

3 4

1

15º Goiás

12 10

3

3 4

-2

16º Botafogo

1

11 10

2

5

3

1

17º Atlético-MG 10 11

3

1

7

-7

18º Atlético-PR

10 10

3

1 6

-7

19º Grêmio

10 10

2 4 4

-3

2

-7

20º Atlético-GO

7 11

1 8

■ Vaga na Libertadores ■ Sul-Americana ■ Rebaixamento

PAULO PINTO/AE-8/7/2010

rão Preto e se recupera de lesão. Pode ser escalado num esquema com três zagueiros, ao lado de Léo e Maurício Ramos. Outra alternativa é lançar mão de atletas da base, que foram observados no últimos treinos. Entre os testados estavam o zagueiro Gualberto, de 19 anos, que fez pré-temporada no início do ano, sob o comando de Muricy Ramalho. Marcos, com dores no joelho, também desfalca o time. Um forte candidato a ganhar chance é o meia Tinga, de 19 anos, que tem entrado nas últimas partidas e até marcou gol. Destaque da Ponte Preta no último Estadual, ele pode atuar mais recuado, apesar de já ter dito que prefere a função ofensiva. “Para eles (jovens), é bom, pegam experiência. Temos de estar tranquilos e ajudá-los a fazer o melhor”, disse Ewerthon. Desde que chegou, Felipão tem prometido colocar em campo atletas da base. Um dos mais elogiados é Patrik, de 20 anos, revelado pelo clube. Encantado com o empenho do garoto nos treinos, o técnico deu chance ao atacante no empate com o Botafogo por 2 a 2, no Pacaembu. Ewerthon garante que, mesmo com o time descaracterizado, o Palmeiras pode sair com os três pontos do Estádio Castelão. “O Ceará está fazendo um grande campeonato, é um time que sofre poucos gols”, lembrouo atacante.“Em casa,é muito forte. Mas nosso pensamento é de buscar a vitória.” Ele admite que o longo período sem triunfo fora de casa incomoda. “A oportunidade (de encerrar o jejum) é domingo. Acreditamos no nosso trabalho para reverter isso.” A missão, porém, é das mais difíceis: em 10 jogos no Brasileiro, o Ceará ainda não sofreu gol jogando no Castelão.

CEARÁ PALMEIRAS

CEARÁ Diego Oziel Fabrício Anderson Ernandes Michel Careca João Marcos Tony Wellington Amorim Misael Técnico: Estevam Soares

PALMEIRAS Deola Leandro Amaro Léo Maurício Ramos Vítor Márcio Araújo Tinga Lincoln Armero Ewerthon Kléber Técnico: Luiz Felipe Scolari

Juiz: Pericles Bassols Pegado Cortez (RJ) Local: Castelão Horário: 18h30 Transmissão: SporTV

mosonhosmaisaltos:foramapenas três vitórias em 10 jogos. O Ceará, por outro lado, vem fazendocampanhasurpreendente. O rival de hoje, invicto jogando em seus domínios, perdeu apenas uma e tem a melhor defesa da competição, com só quatro golssofridos.Masainda nãovenceu desde o reinício do Brasileiro – empate com Corinthians e Guarani (0 a 0 e 1 a 1, respectivamente) e derrota para o Internacional (2 a 1, em Porto Alegre).

Esperança de gols. Kléber fez um contra o Botafogo e está se entrosando com os colegas Lei do silêncio. Após o empate com o Botafogo, Felipão proibiu os jogadores de dar entrevistas em campo – quem não obedecer, poderá levar multa de até R$ 10 mil. O técnico que evitar que de-

clarações feitas de cabeça quentetumultuemoambiente.Éaprimeira medida mais incisiva do treinador, que vem tentando não criar expectativas sobre uma equipe em formação.

Depois do jogo do Pacaembu, Felipão afirmou que nem pensa em título e que o trabalho é por uma vaga na Libertadores de 2011. O aproveitamento até agoranoBrasileironãopermitemes-

Rival embalado. O Ceará terá duas caras novas para receber o Palmeiras hoje no Castelão. Sem o meia Geraldo e o atacante Washington, suspensos, o treinador Estevam Soares escalou Tony e Wellington Amorim para asrespectivasposições.“Nãopodemos mais ceder empates como o do Guarani de Campinas. Temosdejogarparaganhar”,disse o volante Careca. A previsão é de um público superior a 20 mil torcedores no Castelão. / COLABOROU CARMEN POMPEU

22h / ESPORTE INTERATIVO

Inter poupa titulares de olho no São Paulo

Vasco vence duelo dos desesperados no Rio

Melhor na tv

AUTOMOBILISMO

FÓRMULA 1 GP da Alemanha

9h / GLOBO ● TÊNIS

PORTO ALEGRE

O Internacional usará time misto no jogo com o Flamengo, hoje, às 16 horas, no Beira-Rio. Celso Roth decidiu preservar sete de seus titulares de olho no confronto com o São Paulo, na quarta-feira, pela semifinal da Libertadores. Serão poupados o goleiro Abbondanzieri, os laterais Nei e Kleber, o zagueiro Bolívar, o volante Sandro, o meia D’Alessandro e o atacante Alecsandro. O Inter vem de uma série de três vitórias consecutivas, tem 16 pontos e pode entrar na briga pela liderança se vencer mais umapartida. Alémdisso, o público poderá conferir o primeiro jogo do volante Tinga no Beira-

Rio, depois de sua volta ao clube, e também a reestreia do goleiro Renan e do atacante Rafael Sóbis, outros repatriados. Depois do empate com o Avaí (1 a 1), no Maracanã, o Flamengo precisa da vitória no Sul para retornar ao G-4. O zagueiro Jean, que estava no futebol russo, fará sua estreia. Cruzeiro e Grêmio se enfrentam em Sete Lagoas (MG), às 16 horas. O técnico Cuca quer o time mineiro mais agressivo para se reabilitar da derrota para o Fluminense e, assim, encostar no G-4. Já Silas monta a equipe gaúcha com três zagueiros. A ideia é priorizar a defesa e apostar no contra-ataque para deixar a incômoda 17ª posição.

O Vasco cumpriu a obrigação e venceu o lanterna Atlético-GO por 2 a 0, ontem à noite, em São Januário. Os gols foram de NiltoneFumagalli,umemcadatempo. Na segunda etapa, o goleiro vascaíno Fernando Prass defendeu um pênalti cobrado por Robston. Com 13 pontos, o Vasco saiu da zona do rebaixamento. O Atlético-GO segue com sete. Na Ressacada, o Avaí não teve competência para vencer o Atlético-MG, que ficou com dois jogadores a menos no segundo tempo, e amargou um empate por 0 a 0. No primeiro tempo, o Avaí criou mais chances, mas parou nas boas defesas do goleiro Fábio Costa. Eltinho perdeu uma chance incrível à frente do

gol, errando o chute com o goleiro do time mineiro fora do lance. O goleiro Renan, do Avaí, também fez boas defesas. Na segunda etapa o jogo ficou mais equilibrado. Mas aos 10 minutos o meia Daniel Carvalho, que fazia sua estreia, recebeu o cartão vermelho e deixou sua equipe em situação complicada. O Atlético-MG, que voltara do intervalocom maior poder ofensivo, se recuperou e equilibrou. Mas aos 33 minutos o juiz LeandroVuadenexpulsououtrojogador do time, Neto Berola. Porém, a equipe visitante conseguiu segurar o empate. No outro jogo, em Presidente Prudente, Grêmio e Vitória também ficaram no empate sem gol.

● FUTEBOL CAMPEONATO BRASILEIRO Santos x São Paulo

16h/ GLOBO / BAND Cruzeiro x Grêmio, Internacional x Flamengo e Goiás x Atlético-PR

ATP - 500 Finais - Hamburgo

9h30 / SPORTV2 / BANDSPORTS WTA TOUR Semifinal - Eslovênia

13h / BANDSPORTS

16h / PAY-PER-VIEW

● VÔLEI

Ceará x Palmeiras

LIGA MUNDIAL Final

18h30 / SPORTV (exceto CE) Corinthians x Guarani Botafogo x Fluminense

21h / SPORTV

18h30 / PAY-PER-VIEW

CAMPEONATO RUSSO CSKA Moscou x Spartak Nalchik

TOUR DA FRANÇA 20ª volta

14h / ESPN BRASIL

11h / ESPN

TORNEIO INTERNACIONAL SUB-20 Argentina x Uruguai

20h / ESPORTE INTERATIVO

MUNDIAL JUNIOR - Canadá

Paraguai x Colômbia

15h45 / SPORTV2

CICLISMO

ATLETISMO


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Esportes E5

Fórmula 1

Ferrari desafia a soberana Red Bull e já sonha alto Vettel faz a pole, mas Alonso fica a apenas 2 milésimos de segundo, e até Massa, em 3º, está pronto para surpreender Livio Oricchio ENVIADO ESPECIAL HOCKENHEIM

Fernando Alonso afirmou surpreendentemente, quinta-feira, em Hockenheim: “A Ferrari não está fora da luta pelo título. Nosso carro evoluiu muito.” Ontem, na sessão que definiu o grid do GP da Alemanha, a sempre favorita Red Bull estabeleceu a pole position da 11.ª etapa do Mundial,destavezcomSebastianVettel, sexta dele no ano. Mas Alonso, segundo colocado, foi apenas 2milésimosdesegundomaislento, a menor diferença já registrada entre os dois primeiros. “Não estou chateado por não largar na pole. Até há pouco tempo éramos meio segundo mais lentos que a Red Bull”, disse o espanhol.Comoprovadoimportante avanço da Ferrari, Felipe Massa, companheiro de Alonso, larga na terceira colocação no grid. “Contentemesmo nãoestou,por não ter feito uma volta perfeita, masestardevoltaàsprimeirascolocações é sempre importante”, falou Massa. “Você vai com tanta vontade que às vezes compromete seu tempo”, explicou. Foi o caso também de Mark Webber, parceiro de Vettel, que da mesma forma reconheceu ter errado na última parte do treino classificatório. Ficou em quarto. A luta acirrada pela pole position não surpreendeu tanto Vettel. “Nós esperávamos uma disputa apertada aqui, talvez um pouco menos do que vimos”, falou. “A natureza da pista e sua curta extensão favorecem a que todos estejam próximos.” Mas Alonso considera que não são esses fatores, essencialmente, que levaram a Ferrari a ser mais competitiva.“Nós já po-

GRID COLOCAÇÃO/PILOTO

PAÍS

EQUIPE/MOTOR

1º Sebastian Vettel

ALE

Red Bull/Renault

2º Fernando Alonso

ESP

Ferrari

1min13s793

3º Felipe Massa

BRA

Ferrari

1min14s290 1min14s347

AUS

Red Bull/Renault

5º Jenson Button

ING

McLaren/Mercedes

1min14s427

6º Lewis Hamilton

ING

McLaren/Mercedes

1min14s566

7º Robert Kubica

POL

Renault

1min15s079

8º Rubens Barrichello

BRA

Williams/Cosworth

1min15s109

ALE

Mercedes

1min15s179

10º Nico Hulkenberg

9º Nico Rosberg

ALE

Williams/Cosworth

1min15s339

11º Michael Schumacher

ALE

Mercedes

1min15s026

12º Kamui Kobayashi

JAP

Sauber/Ferrari

1min15s084

13º Vitaly Petrov

RUS

Renault

1min15s307

14º Pedro de la Rosa

ESP

Sauber/Ferrari

1min15s550

15º Jaime Alguersuari

ESP

Toro Rosso/Ferrari

1min15s588

16º Sebastien Buemi

FRA

Toro Rosso/Ferrari

1min15s974

17º Jarno Trulli

ITA

Lotus/Cosworth

1min17s583

18º Heikki Kovalainen

FIN

Lotus/Cosworth

1min18s300

19º Adrian Sutil

ALE

Force India/Mercedes

20º Timo Glock

ALE

Virgin/Cosworth

21º Bruno Senna

BRA

Hispania/Cosworth

1min18s592

Em uma partida disputadíssima, o Brasil conquistou ontem sua

1min15s467 (pun.)

1min18s952

1min18s343

22º Vitantonio Liuzzi

ITA

Force India/Mercedes

23ºSakon Yamamoto

JAP

Hispania/Cosworth

1min19s844

24ºLucas di Grassi

BRA

Virgin/Cosworth

sem tempo

■ Bloco dos mais rápidos nas duas primeiras tomadas de tempo ■ Bloco dos melhores na primeira e dos piores na segunda tomada de tempo ■ Bloco dos piores na primeira tomada de tempo

díamos ter vencido no Canadá, quando estreamos nosso novo pacote aerodinâmico que, a cada etapa, recebe aprimoramentos. Mas sempre acontecia alguma coisa”, comentou o espanhol. “Aqui as coisas se encaixaram. Espero que amanhã (hoje), que é o que conta, continuem funcionando.” E o espanhol fez uma projeção ousada. “Se recuperar 25 pontos, estarei na briga pelo título. Com o carro que temos agora, considero bem possível.” Alonso ocupa o quinto lugar no campeonato, com 98 pontos. O líder é Lewis Hamilton, da McLaren, 145, que continua com dificuldades para desenvolver o novo pacote aerodinâmico da equipe, utilizado pela primeira vez há duas semanas, em Silverstone.Hojelargaemsextoeocompanheiro,atualcampeãodomundo, Jenson Button, em quinto.

Brasil derrota Cuba e vai jogar a final hoje

CÓRDOBA

TEMPO

1min13s791

4º Mark Webber

Liga Mundial de Vôlei

Seleção de Bernardinho vence e enfrentará a Rússia na grande decisão, podendo conquistar o nono título da competição

JENS MEYER/AP

vaga na final da Liga Mundial de Vôlei ao derrotar a equipe de Cuba por 3 a 1 (parciais de 21-25, 25-19, 25-21 e 25-20). A seleção comandada por Bernardinho vai buscar seu nono título no campeonato enfrentando a Rússia hoje, na decisão que será realizada às 21 horas (de Brasília). Mantendo a tradição de jogos difíceis entre as duas equipes, os pontos foram disputados um a

A previsão do tempo indica que não vai chover durante as 67 voltas da prova no traçado pouco desafiador de 4.574 metros, ondeodesgastedospneussupermacios poderá ser decisivo. Rubens Barrichello, da Williams, realizou outro excelente treino, oitavo. “Não dá para pensar, ainda, em entrar no bloco dos seis primeiros, mas demos um salto dedesempenhono últimomês.” Já a Mercedes não rendeu o equivalente ao elevado investimento no carro de Nico Rosberg e Michael Schumacher. Correndoemcasa,Rosberg larga emnono e Schumacher, em 11.º. Bruno Senna, da Hispania,foi 21.º.LucasDiGrassi,comproblemasno câmbio,sequer pôde participar da definição do grid. Larga em 24.º e último. A Rede Globo transmite o GP da Alemanha ao vivo a partir das 9 horas.

um. O time brasileiro começou perdendo e se manteve atrás no placar durante todo o primeiro set, com uma atuação irregular e muitos erros de ataque. Cresceu,econseguiu vencerospróximos três sets, aproveitando os erros de saque do adversário e garantindo importantes pontos com o bloqueio. Destaque para o líbero Mario Jr.eoponteiroDante,maiorpontuador da equipe, com 16 pontos. Amanhã, antes da grande final, será disputada a medalha de bronze, às 17h30. Com tranquilidade. Conquis-

tar a outra vaga da final da Liga foi tarefa fácil para a Rússia. A equipe bateu a Sérvia por 3 sets a

Ferrari mostra força. Alonso e Massa ficaram satisfeitos e confiantes com 2º e 3º lugares

Difícil destacar um favorito ao título HEIDELBERG

Depoisdacorridadehoje emHockenheim, na Alemanha, 11.ª do calendário, restarão oito etapas para o encerramento da temporada.Diantedanaturezadospróximos circuitos e do que cada equipe com chances de disputar o título apresentou até agora, o que a lógica sugere que deve acontecer na disputa? A 12.ª prova do Mundial será o GP da Hungria,dia1.º,emHungaroring, traçadodosmais lentos.A McLaren

0 na partida também realizada ontem, em Córdoba (com parciais de 26-24, 25-15 e 25-20). A disputa foi acirrada somente no primeiro set, mas a equipe errou menos e conseguiu fechar em 26 a 24. Nos dois outros sets, soberania absoluta da Rússia, que se destacou nos bloqueios – foram 16 pontos ao todo no jogo, contraapenasquatrodoadversário. O principal jogador do time na competição, Mikhaylov, foi tambémagrandeestreladapartida, marcando impressionantes 21 pontos. Uma das mais tradicionais seleções no vôlei, a Rússia não avançava à decisão da competição desde 2007, quando foi derrotada pelo próprio Brasil.

MP4/25-Mercedeséumcarroeficiente nessas condições e Lewis Hamilton, um piloto espetacular, embora aRed Bull tenha vencido sem dificuldades em Mônaco. A Ferrari transformou o F10 de Fernando Alonso e Felipe Massanummonoposto bemmelhor e pode entrar na briga. Já a prova seguinte, o GP da Bélica, em Spa-Francorchamps, dia29deagosto,éomelhorcenário possível para Sebastian Vettel e Mark Webber, da Red Bull. Há uma tendência de disporem de vantagem ainda maior que em Silverstone, na Inglaterra. Em Monza, 15 dias depois, e no GP de Cingapura, dia 26 de outubro, a concorrência entre Red Bull, McLaren e Ferrari volta a ser dura. Não é possível apontar um favorito destacado, embora

o conjunto da Red Bull seja o mais equilibrado da Fórmula 1. A exemplo da corrida em SpaFrancorchamps, Vettel e Webber só não vencem em Suzuka, no Japão, dia 10 de outubro, se tiverem um problema mecânico, errarem ou se envolverem num incidente. A 17.ª etapa marca a estreia da Coreia do Sul no campeonato. Com 5.621 metros, seu circuito apresenta uma sequência de curvas lentas impensável. Mais uma batalha entre Red Bull, McLaren e Ferrari. Webber venceu em 2009 o GP do Brasil e Vettel o GP de Abu Dabi, os dois últimos do ano. A vantagem agora é de novo da sua escuderia. São os concorrentes com maiores possibilidades de serem campeões. O que premiaria o melhor conjunto da F-1. L.O.

JUAN MABROMATALEO LA VALLE/AFP

Fôlego. Foi suado, mas seleção passou por Cuba e vai à final

Jogo Rápido CICLISMO

CHRIS TROTMAN/GETTY IMAGES

TÊNIS

NÚMEROS

Melzer: grande favorito ao título em Hamburgo

Contador perto do tri na Volta da França

O austríaco Jurgen Melzer, 15.º do mundo, passou por Andreas Seppi (6/4 e 6/2) ontem e é o favorito ao título do Torneio de Hamburgo. A final, hoje, às 10 horas (de Brasília), será contra a surpresa cazaque Andrey Golubev, 82.º do ranking.

10

FÓRMULA TRUCK

SÉRIE B ORELI SILVA/DIVULGAÇÃO

de agosto é quando começa o primeiro turno do Campeonato Paulista masculino de basquete, a principal competição estadual do País. O jogo inicial será entre XV de Piracicaba e São Bernardo, às 20 horas.

40

O espanhol Alberto Contador deve fazer a festa hoje, na última etapa da Volta da França. Após o trajeto de 52 km ontem (vencida pelo o suíço Fabian Cancellara), o ciclista abriu 39 segundos de vantagem sobre Andy Schleck e está perto de conquistar seu terceiro título.

anos é a idade do goleiro Sérgio, ex-Palmeiras e Portuguesa, que estreia hoje no Marília, no jogo contra o Ituiutaba, às 16 horas, pela Série C do Campeonato Brasileiro. No mesmo horário, o Criciúma enfrenta o Brasil-RS. BODO MARKS /AFP

Caminhões agitam Interlagos O circuito de Interlagos recebe hoje, às 14 horas, a 5ª etapa da Fórmula Truck. Felipe Giaffone (foto) tenta roubar a liderança do campeonato de seu companheiro de equipe, Valmir Benavides.

Lusa fica no empate com o Guaratinguetá Ao ficar no empate por 1 a 1 com o Guaratinguetá, ontem à tarde no Vale do Paraíba, a Portuguesa perdeu a chance de ir ao G-4. Os gols saíram no primeiro tempo: Nenê (Guará) e Héverton. Lusa e Guará tem 17 pontos, cada. Já o líder Náutico (23 pontos) bateu o Bahia: 3 a 2, com gols de Giovanni, Geílson e Cristiano. Vander e Ávine fizeram os gols do time baiano, que tem 16 pontos. Já o São Caetano (18 pontos) bateu o Asa por 2 a 0, no ABC, gols de Everton Ribeiro e Fernandes. Também ontem, o Coritiba bateu o Sport por 2 a 1 e o Duque de Caxias venceu o Vila Nova por 1 a 0.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Campeonato Brasileiro

CLÁSSICO DA CRISE NA VILA ROBSON FERNANDJES/AE-24/5/2010

SANTOS SÃO PAULO

SANTOS Rafael Maranhão Edu Dracena Durval Pará Roberto Brum Wesley Marquinhos Paulo H. Ganso Neymar André Técnico: Dorival Júnior

SÃO PAULO Rogério Ceni Renato Silva Xandão Samuel Diogo Casemiro Cléber Santana Sergio Mota Jorge Wagner Fernandinho Marcelinho Paraíba Técnico: Ricardo Gomes

Juiz: Luiz Flavio de Oliveira (SP) Local: Vila Belmiro Horário: 16h Transmissão: Globo e Band Destaques

1 | Rafael Goleiro livrou o time de placar pior no Paraná

34 | Diogo Lateral estreia após briga judicial com o clube

Por dias melhores. Paulo Henrique Ganso volta ao Santos depois de ter cumprido suspensão contra o Atlético-PR com a obrigação de fazer o time jogar mais

Santos e São Paulo jogam sob pressão e a situação pode piorar para quem levar a pior no duelo de hoje Giuliander Carpes Sanches Filho

Treinadores à perigo. Jogadores contestados pela torcida. Dirigentes aflitos atrás de soluções. Este tem sido o cenário de São Paulo e Santos após o final da Copa do Mundo. Os dois clubes vivem crise após três tropeços seguidos no Campeonato Brasileiro. E hoje, às 16 horas, na Vila Belmiro, se enfrentam sob pres-

sãotrêsdiasantesdedecisõesimportantes para seu futuro. No Santos, Dorival Júnior sente que o seu índice de aprovação despenca e reconhece que o ambiente entre os jogadores mudou. Mas rebate os que dizem que o principal motivo de o time ter caído tanto depois da Copa do Mundo é ele ter perdido o comando dos garotos. “Não levo muito em conta isso aí. Tem muita maldade no nosso meio”, retruca o treinador ameaçado. “Falaram isso também antes da conquista do Campeonato Paulista.Émuitabalela.Oimportante é que eu tenho confiança no meu trabalho e certeza de que a recuperação do nosso futebol é só questão de tempo.”

Antes da paralisação do Brasileiro, Dorival Júnior culpava a maratona de jogos, em razão da disputa simultânea do CampeonatoPaulista e da Copado Brasil, pela queda de produção. Mas, ao contrário do que ele previa, depois de duas semanas de descanso e treinos, o time piorou. Para o comandante santista, os responsáveis por tudo o que está acontecendo de errado no futebol santista são os empresários. “Não vamos aqui justificar os maus resultados, mas hoje há um assédio muito grande em cima de vários jogadores do Santos. Isso desarticula qualquer equipe”,conta.“Os empresários fazem os clubes de reféns. São pessoas que cercam os jogado-

res e fazem de tudo para colocálos contra o clube. A situação está fugindo do controle. Os jogadores terão apenas hoje para tentar levantar o moral e embalar para a primeira partida da final da Copa do Brasil, quarta, diante do Vitória, na Vila Belmiro. Não há outra alternativa frente a rival também em crise. Planejamento mantido. Preo-

cupado com o futuro do time, mas não com sua permanência no cargo, Ricardo Gomes vai pouparpraticamentetodosostitulares do São Paulo no clássico. O foco está ajustado para a semifinal da Taça Libertadores, diantedoInternacional,projetoprioritário da equipe na temporada.

“Vive-se a Libertadores no São Paulo deforma diferente daquela de qualquer outro clube do Brasil”, justifica o treinador tricolor. “O torcedor só quer sa-

CONFIANÇA DORIVAL JÚNIOR Técnico do Santos

“A recuperação do nosso futebol é só questão de tempo. Não vamos justificar os maus resultados”

Em busca da confiança, Santos escala força total Dorival Júnior tem só dois desfalques por lesão e suspensão e espera ver time embalar antes da decisão da Copa do Brasil O primeiro jogo contra o Vitória será na quarta-feira, mas o Santos quer começar a conquistar a Copa do Brasil hoje. Enquanto o técnico do adversário, Ricardo Gomes, anunciou time de reservas, Dorival Júnior já avisou que vai escalar a força máxima. Dos

titulares, apenas Robinho, que aindanãoreadquiriuaformafísica depois da folga de uma semana, deve ser o único poupado. Também ficam fora Arouca (terceiro cartão amarelo) e Léo (lesão muscular na coxa esquerda). O técnico quer a vitória a qualquer custo para recuperar a confiança do campeão paulista. “Independentementedosúltimos resultados, São Paulo e Santos não esqueceram como se joga futebol. Por isso, qualquer que seja a formação de um e do outro, vão estar em campo as ca-

misasdo Santose do SãoPaulo e, com certeza, teremos um grande jogo”, previu o treinador. Pelasua avaliação, asequência de três derrotas não reflete o bom futebol que o seu time mostrou no primeiro tempo diante doFluminensee no equilíbrio da partida diante do Palmeiras. OSantos tem a pior campanha após a parada para a Copa do Mundo entre os 20 clubes da Série A, sem nenhum ponto ganho em três jogos disputados. Sofreu cinco gols e marcou apenas um. Antes da Copa, o time estava no

JF DIORIO/AE-5/7/2010

Preocupação. Dorival chamou até Pelé para animar os garotos

São Paulo utiliza reservas. Zagueiro Samuel estreia

Samuel tem 24 anos. Já não é qualquer novato no futebol. Mas só hoje terá sua primeira oportunidade num time de ponta – ou nem tanto, já que Ricardo Gomes poupará titulares. O zagueiro, que começou no Ituano e foi contratado do Joinville, estreará

no São Paulo logo contra o Santos. Logo em clássico onde os dois times penam em crise. A fogueira não assusta. “Só os grandes jogadores conseguem sedestacar também emmomentos de dificuldade”, filosofa o zagueiro. “Espero que esse seja o meu caso. Não tenho que escolher momento para jogar. Tenho vontade de estrear logo.” O zagueiro demonstra segurança, embora, durante a entrevista, repita os famosos bordões dos boleiros. “Estamos treinando bem”, “vou dar o meu máxi-

G-4 e depois da derrota por 2 a 0 contra o Atlético-PR, quarta-feira à noite, na Arena Baixada, com péssima atuação, despencou para o 12.º lugar na classificação, com 12 pontos. Decisão. A situação seria me-

ERNESTO RDORIGUES/AE-10/7/2010

Rogério Ceni e Xandão são os únicos titulares do tricolor paulista. Defesa tem desafio de evitar rotina de gols pelo alto

ber de Libertadores. Cheguei aqui para isso. Brigamos pelo título e o assunto, nestes últimos dias, mudou (rumores de sua demissão tiraram atenção da competição). Temos de voltar a nos focar na Libertadores.” Apenas o goleiro Rogério Ceni e mais um jogador do time titular – Xandão é o principal candidato – serão escalados. Chance para os jovens Diogo (lateral-esquerdo) e Casemiro (volante), que sequer estrearam na equipe principal ainda. “Não é fácil para eles uma oportunidade com a equipe tão reformulada”, explica Ricardo Gomes. “Não vou poder fazer uma avaliação final depois deste jogo. Não podemos ser muito duros.”

mo”. E é tudo isso que o técnico Ricardo Gomes esperava mesmo quando aprovou sua contratação durante a Copa do Mundo. Samuel chegou tímido. Continua de poucas palavras nos treinamentos, rachões e mesmo nos momentosqueosjogadoresdividem a concentração. Mas está confiante de que, apesar do momento de adversidade e do temido desentrosamento de uma equipe que não está acostumada a atuar junto, possa ganhar pontos com o chefe. “Medo, no futebol, não deve existir para quem

Samuel. ‘Temos de corrigir as falhas nas bolas aéreas’ quer ir longe”, diz, ambicioso. “O time de baixo tem treinado junto marcando jogadores donível do Fernandão, do Washing-

nos preocupante se o Santos não estivesse a três dias de iniciar a decisão da Copa do Brasil contra o Vitória. Dorival admitiu que o sinal amarelo está aceso. A sua preocupação chegou ao ponto de pedir socorro a Pelé. Anteontem, o Rei fez discurso de apoio, pediu dignidade ao time e avisou que estará no estádio hoje e na quarta-feira para levar bons fluidos e sorte ai grupo. / S.F.

ton, do Dagoberto. Então contra oSantosésófazermosoqueestamos executando nos treinamentos com esses atletas.” Se Samuel conseguir que a defesa acabe com a triste sina de tomar gols em jogadas aéreas, o zagueiro ganhará muitos pontos com o treinador. Esse é o problema que mais incomoda Ricardo Gomes ultimamente – foram três gols tomados assim em apenas dois jogos. A partir de uma defesa sólida, que levou apenas dois gols na Taça Libertadores, queoSãoPauloalcançouassemifinais da competição. “Todos os zagueiros aqui são muito bons”, faz média o novato da turma. “Gols de cabeça são uma questão de posicionamento da defesa. Então tudo que temos que fazer é corrigir.” / G.C.


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

aliás,

Endiabrado O jovem ladrão que mobilizou os EUA. Pág. J8

A SEMANA REVISTA estadão.com.br

THE NEW YORK TIMES SERGIO CASTRO/AE

A estreita passagem “Educar é uma experiência humana”, insiste o físico alemão Andreas Schleicher, perito em métodos de avaliação do ensino. Para ele, o Enem sinaliza o potencial do sistema educacional brasileiro, mas falta muito até o País chegar ao nível dos sistemas finlandês, japonês ou canadense. Falta qualificar o professor. Falta rever o papel da escola. Falta assumir o desafio de formar indivíduos até para carreiras que nem existem. E falta entender que nunca foi tão alto o preço de investir pouco em educação.

ENTREVISTA ❘ Pág. J4

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J2 aliás %HermesFileInfo:J-2:20100725:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

HUMOR TUTTY

tuttyvasques@estadao.com.br

ambulatório da notícia

Quando deram vez ao morro...

O

filme já começa enganando aplateia: jovem em desabalada carreira pela favela entra esbaforido em casa, bate a porta às suas costas e é logo inquirido pela mãe nervosa, diante do irmão ‘de menor’ assustado: “Fala, fala logo!” Os tirosnaporta parecem iminentes quando o rapaz, aparvalhado, desembucha de supetão: “Eu passeeeiii!!!” A explosão de felicidade no barraco pelaaprovaçãodoprimogênitodafamília no vestibular surpreende a plateia com uma sensação absolutamente nova na moderna dramaturgia do morro: alegria de pobre não dura pouco em 5 x Favela – Agora por nós Mesmos, o longa metragemquerepresentouo Brasil em Cannes e arrebatou nessa semana o Festival de Paulínia (SP). Se você é daqueles que, de tanto

TUTTY VASQUES ESCREVE TODOS OS DIAS NO PORTAL, DE TERÇA A SÁBADO NO METRÓPOLE E AOS DOMINGOS NESTE CADERNO.

ver gente furada à bala nos filmes de última geração do cinema brasileiro, já havia se dado por satisfeito com o gênero favela, vale a pena esperar mais um pouco. Quase tão bem feitinho quanto Cidade de Deus e Tropa de Elite, chega às telas no final de agosto um olhar bem-humorado e esperançoso sobre o cotidiano nas “comunidades”assentadasnoteatrodeoperações do tráfico de drogas carioca. Justo lá, onde não vale nada, a vida é uma festa, um traçado de graça na dramaticidadedaprecisão.Emcincoepisódios dirigidos – e em parte protagonizados – por artistas criados na perifa do asfalto, o longa-metragem produzido por Cacá Diegues e Renata Magalhães saiu melhor que a encomenda. Junto com o talento da equipe de iniciantes mesclada a técnicos experientes, faz estourar na tela a vida como ela é à margemdosestereótiposdosbolsõesdeviolência nas grandes cidades brasileiras. Tem criança brincando na rua, muito rolinho na cabeça, pipa, molecagem, conversa fiada, solidariedade, violino,lanhouse,amor,amizade,gargalhada, até final feliz pra batida errada de pobre tem. Não é mais um filmesobre favela. É um filme da favela! Chegamos, enfim, ao cinema novo!

Azarão

A que ponto chegamos!

Pelos últimos movimentos na dança das cadeiras dos chamados líderes globais, Nizan Guanaes vai disputar com Lula o cargo de secretário-geral da ONU. Ficou acertado entre eles que quem perder assume a presidência do Banco Mundial.

O senador Mão Santa trocou a atual suplente, sua mulher Adalgisa, pela filha Cassandra. É mais um duro golpe na instituição família!

Air Furto O caso da aeromoça da Air France que aproveitava o sono dos passageiros para roubá-los durante o voo pode ser fruto de uma nova estratégia de gestão das companhias aéreas em geral.

O vice versa Entreouvido num encontro casual no QG da candidatura José Serra: – Tudo bem?! – Tudo Indio!

Ser pai é... O que será que Dilma Rousseff vai dar pro Lula no Dia dos Pais? Nem o Sarney fez tanto pela filha!

Filho da mãe

Dupla de área

Tem coisas que só acontecem no Rio! Essa história do filho do Rei do Bacalhau que mandou matar, entre outros, o pai adotivo e o pai de santo, francamente, nem Édipo pegou tão pesado!

Silvio Berlusconi tem bons motivos para garantir a permanência de Ronaldinho Gaúcho no Milan. Se o craque deixar a Itália, o primeiro-ministro não vai dar conta da mulherada.

Bode expiatório Será o Benedito? O Vaticano está investigando a autenticidade de um suposto Caravaggio “não classificado” encontrado em seus domínios. Deus queira não tenha padre envolvido nisso!

Frases

Em sua última aparição pública em Havana, Fidel Castro vestia trajes civis sem logomarca Nike ou Adidas. Isso quer dizer o seguinte: o comandante perdeu patrocinador após a Copa do Mundo.

Semáforo FADI AL-ASSAAD/REUTERS

“Você pode explodir o país e eles vão dizer ‘obrigado, e leve um macaco para casa’” SYLVESTER STALLONE, ator americano, falando das vantagens de filmar Os Mercenários no Brasil. Depois, se desculpou: “Estava tentado fazer graça, mas meus comentários escaparam de maneira infeliz”

“Decidimos romper relações diplomáticas com a nossa irmã Colômbia. Isso produz uma lágrima no meu coração” HUGO CHÁVEZ, presidente venezuelano, após acusação do embaixador da Colômbia na OEA de que Caracas abriga militantes das Farc em seu território.

“Fui pescar” ANTÔNIO MONDIM, pedreiro, explicando por que fugiu com R$ 19 mil, um carro e uma moto da noiva, antes do casamento

“Todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc”

BAPTISTÃO/AE

Indio da Costa, vice de Serra na candidatura à Presidência, insistindo em associar o PT às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia

“Qualquer dia vão estar ligando o PT com os Cavaleiros do Apocalipse. Esse sujeito é um perturbado”. MARCO AURÉLIO GARCIA, assessor de Assuntos Internacionais do Palácio do Planalto, sobre as declarações do vice na chapa de José Serra, Indio da Costa

“Poderia me apaixonar por Brad Pitt. E aquele corpo é tipo – uau!” JAVIER BARDEM, ator recém-casado com a atriz Penélope Cruz, em uma entrevista à revista Elle

“Deus compreende que o homem cometa erros” PORTA VOZ DO CONSELHO DE ULEMÁS DA INDONÉSIA, o mais alto órgão islâmico do país, sobre o erro de cálculo que fez com que os fiéis rezassem na direção errada. Em vez de se voltarem para Meca, foram orientados a rezar voltados para oeste, em direção ao Quênia

“A guerra do Iraque deu a Bin Laden a sua jihad” ELIZA MANNINGHAM-BULLER, ex-diretora do serviço de inteligência interna britânica, o MI5, dizendo que as informações que ligavam o Iraque aos atentados do 11 de Setembro não eram “fortes o suficiente” para a invasão de 2003

EMERSON LEÃO TÉCNICO DO GOIÁS

Irritado depois do empate contra o Vitória, Leão bateu num jornalista que tentava gravar uma conversa sua com o juiz. Ele e quatro jogadores do Goiás foram indiciados por agressão leve.

POLÍCIA FEDERAL EMISSÃO DE PASSAPORTES A PF de São Paulo promete reduzir para 10 dias a espera por agendamento de emissão de passaportes – atualmente, a espera é de 20 dias. A demora para marcar horário começou no início do ano. THE NEW YORK TIMES

E-BOOKS LIVROS DIGITAIS

Cada vez mais populares, pela primeira vez as vendas de e-books para Kindle ultrapassam a de livros impressos no site da Amazon. Do início de 2009 até a semana passada, as vendas triplicaram.

O que passou SEG. 19/7 Gel vaginal reduz casos de aids em até 54% Pesquisadores do Centro de Pesquisas sobre Aids da África do Sul desenvolvem um gel de aplicação vaginal que se mostrou eficaz em reduzir em até 54% a incidência da infecção. O produto leva 1% do medicamento antirretroviral tenofovir e deve ser aplicado na vagina duas vezes: menos de 12 horas antes da relação sexual e no máximo 12 horas depois. Se a eficácia do gel se confirmar, apenas na África do Sul seu uso poderá salvar pelo menos 820 mil vidas em 20 anos. O gel está em período de testes e deve demorar ao menos dois anos para chegar ao mercado.

TER. 20/7 Filho de Cissa Guimarães morre atropelado Rafael Mascarenhas, de 18 anos, filho da atriz Cissa Guimarães com o músico Raul Mascarenhas, é atropelado duALESSANDRO COSTA/O DIA

rante a madrugada enquanto andava de skate próximo ao Túnel Zuzu Angel, em São Conrado, na zona sul do Rio. Rafael chegou a ser levado para o Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu. O motorista Rafael de Souza Bussamra, de 25 anos, que supostamente apostava um racha com outro quando o acidente ocorreu, alega que Rafael andava de skate no acostamento, mas fez uma manobra brusca sem que houvesse tempo de desviar.

Juiz reconhece mulher como filha de Alencar O juiz José Antônio de Oliveira Cordeiro, de Caratinga, concede à professora aposentada Rosemary de Morais (foto), de 55 anos, o direito de adotar o sobrenome do vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, em ação de investigação de paternidade. Rosemary alegou que a mãe, Francisca Nicolina de Moraes, conheceu Alencar em 1953, quando ambos moravam em Caratinga. O vice-presidente se recusou a fazer o exame de DNA, atitude que foi interpretada pelo juiz como presunção de paternidade. Os advogados de Alencar disseram que vão recorrer da decisão.

QUA. 21/7 EUA aprovam novas sanções à Coreia do Norte A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, apresenta um novo pacote de sanções econômicas contra a Coreia do Norte a fim de pressionar o país a desistir de seu programa nuclear. As sanções têm como alvo o comércio de armas. Em resposta, o governo norte-coreano disse que os EUA e a Coreia do Sul devem cancelar imediatamente os exercícios militares programados para este fim de semana e recuar das novas sanções contra o país, caso contrário, colocarão a região em perigo. A advertência foi feita num período no qual as tensões na península aumentaram por causa do naufrágio de um navio de guerra sul-coreano que matou 46 marinheiros. A Coreia do Norte nega responsabilidade no incidente.

Grupo caçava onças no Pantanal Quinze pessoas foram presas em Corumbá (MS) por organizar caçadas de onças no Pantanal e no Parque Iguaçu (PR). A prisão é fruto de dois anos de investigação da Operação Jaguar, da

Polícia Federal, e do Ibama. Um dos chefes da quadrilha era Antônio Teodoro Melo Neto, de 71 anos, o “Tonho da Onça”, que foi apontado como guia dos safáris. Neto trabalhava com fiscais do Ibama ajudando na localização dos felinos para fixação de aparelhos que permitem o monitoramento dos animais. Outro envolvido no esquema é Eliseu Augusto Sicoli, cirurgião-dentista e professor titular da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, que, de acordo com a PF, era o organizador dos safáris. Cada participante pagava US$ 1.500 por dia de caçadas. Seis turistas argentinos também foram presos na ação da PF.

QUI. 22/7 Corte ligada à ONU aceita a independência de Kosovo Declarada de forma unilateral em 17 de fevereiro de 2008 e reconhecida até agora por 69 países, a independência de Kosovo é considerada legal pela Corte Internacional de Justiça, de Haia, tribunal ligado à ONU. Instantes após a divulgação da sentença, a Sérvia declarou que não vai reconhecer a independência e insiste que Kosovo é parte de seu território. A Sérvia garantiu que levará a questão à Assembleia-Geral das Nações Unidas, em setembro. O tribunal havia sido acionado em outubro de 2008 pela Sérvia para que se posicionasse sobre a legalidade da inde-

DIMITAR DILKOFF/AFP

pendência. A sentença tem caráter apenas consultivo, mas serve como argumento para que outros países reconheçam a existência do Estado kosovar.

SEX. 23/7 Vox Populi aponta Dilma à frente de Serra por 8 pontos Pesquisa Vox Populi/Band/iG dá liderança de 8 pontos porcentuais à candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, em relação ao tucano José Serra. Dilma tem 41% das intenções de voto, enquanto Serra tem 33% e Marina Silva (PV), 8%. No segundo turno, Dilma aparece com 46% e Serra, com 38%. Dilma tem seu melhor desempenho na Região Nordeste, onde chega a 54% das intenções, para 24% de Serra e 5% de Marina. O ex-governador de São Paulo vai melhor naRegião Sul, com 39%, para 35% da petista e 7% de Marina. Ele também está na frente na Região Sudeste, com 36%, para 34% de Dilma e 10% de Marina.

EXPEDIENTE EDITORA EXECUTIVA: LAURA GREENHALGH. EDITORA: MÔNICA MANIR. EDITORES ASSISTENTES: CHRISTIAN CARVALHO CRUZ E IVAN MARSIGLIA. REPÓRTER ESPECIAL: FLAVIA TAVARES. REPÓRTER: CAROLINA ROSSETTI. PREPARADOR DE TEXTOS E REVISOR: ROBERTO MUNIZ. DIRETOR DE ARTE: FÁBIO SALES. EDITORA DE ARTE: ANDREA PAHIM. EDITOR ASSISTENTE DE ARTE: JAIRO RODRIGUES. DESIGNER: ADRIANO ARAUJO


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Em mãos afegãs

aliás J3

Forças afegãs assumirão o controle do país até o fim de 2014, prevê cúpula de chanceleres realizada em Cabul para discutir o fim da guerra. Europa, EUA e Afeganistão sofrem forte oposição doméstica ao conflito. Obama diz que a estratégia americana para o Afeganistão está correta.

TERÇA, 20 DE JULHO

Inveja de Vênus Europa e EUA vão precisar mais e mais um do outro. Eis um casamento tempestuoso tantes em seu influente ensaio Marte e Vênus, publicado em 2002 na Policy Review. “É hora de parar de fingir que europeus e americanos partilham de um mesmo ponto de vista em relação ao mundo, e até de que possam habitar o mesmo mundo”, disse. Um grupo habita a terra fantasiosa das leis, e o outro, uma terra governada pela lei da selva.

SIMON TISDALL FOREIGN POLICY

oube a Barack Obama, como de costume, identificar o problema. Mas, como de costume,elenão soube como solucionálo. Discursando em Estrasburgo,naFrança,nocoraçãodasterras subsidiadas da União Europeia em abril do ano passado, Obama se queixou da crescente antipatia mútua entre Europa e Estados Unidos, que já beirava a hostilidade aberta. Os europeus com frequência eram culpados de um “insidioso”antiamericanismo, enquanto osamericanos às vezes “se mostravam arrogantes, desmerecendoeaté ridicularizando” asconquistas da Europa. Para os ouvidos europeus, a análise do presidente Obama – uma peça característica de construção de consenso – soou plenamente razoável, até banal. Na quinta feira, José Barroso, presidente da Comissão Europeia, demonstrou concordar, dizendo ao jornal britânico The Times: “O relacionamento transatlântico não tem correspondido a seu potencial”. Mas, nos Estados Unidos, a crítica das atitudes americanas feita por Obama, sua humildade estudada e seu implícito pedido de desculpas pelo comportamento arrogante dogoverno deGeorge W.Bushforaminstantaneamente condenados por alguns comentaristas como uma traição extraordinária e sem precedentes, ainda mais grave por ter sido cometida em solo estrangeiro. Fora de si de tanta indignação, o colunista e guru Charles Krauthammer comandou o ataque na Fox News: “Obama diz que ‘há nos EUA uma incapacidade de reconhecer o papel de liderança desempenhado pela Europa no mundo’. Bem, talvez isso seja porque quando houve uma guerra civil bem diante dosnarizes europeus,nos Bálcãs,e umgenocídio, o continente nada fez até que surgisse a liderança americana. Talvez seja porque quando o Kuwait foi invadido o continente nada fez até que surgisse a liderança americana. Talvez seja porque, com os EUA gastando mais de meio trilhão de dólares por ano para manter abertas as rotas marítimas e defender o mundo, a Europa tenha começado a gastar alguns trocados com a defesa. É difícil reconhecer o papel de liderança mundial desempenhado por uma entidade quando esta passou os últimos 60 anos mamando em nossas tetas”.

Desprezo e amargura. Muitos americanos

partilham dessa fúria. Mas, na pressa decondenar a “turnê de desculpas” de Obama pela Europa (o nome foi posteriormente criado pelo ex-assessor de Bush Karl Rove), o iracundo Krauthammer revelou inadvertidamente sofrer justamente do problema que Obama tentava abordar. Afinal, uma coisa é discordar de um presidente e de suas políticas. Outra é demonstrar tamanho desprezo e amargura diante de todo um continente e seu povo, especialmente em se tratando de países que, bem ou mal, são aliados históricos e próximos, do ponto de vista político, étnico, cultural e linguístico. Sem saber se é melhor rir ou chorar, os europeus perguntam: isso deve ser levado a sério? O que está havendo? Sejamos honestos: Krauthammer tem algo de palhaço. E é dono de um sobrenome bastante europeu. Vistas a partir da Europa, da qual a GrãBretanha é (discutivelmente) parte, as raízes do antieuropeísmo americano parecem ser muitas e variadas. Numa das extremidades do espectro, há a popular opinião de que a Europa não é capaz de sustentar o próprio peso num mundo que Washington gostaria de moldar de acordo com seus desígnios. Na outraextremidade, temos o desagradável fato da ignorância generalizada dos americanos – exacerbada pela indiferença – em relação a tudo que é europeu. Não faltam exemplos dessa ignorância. Durante a cobertura do sítio aos membros do Ramo Davidiano em Waco, Texas, em 1993, um colega americano perguntou com toda sinceridade a um repórter europeu: “Suécia é um país ou uma cidade?” Em Richmond, Virgínia, um motorista de táxi parabenizou um turista britânico por não ter de se importar com eleições “porque vocês têm a rainha”. E houve também a garçonete de Arkansas que perguntou a um inglês desavisado: “Que

FARRELL

C

Inversão de papéis. Mas o resumo de Kagan se mostrou casual demais diante de um escrutínio mais rigoroso. Será que Kagan é capaz de explicar como exatamente os dois “lados” inconciliáveis descritos por ele conseguiram trocar de papel ao longo dos últimos cem anos? Assim como as potências europeias do século 19 usaram a força bruta para impor sua vontade e sua visão imperial enquantoosinsuportavelmenteconstitucionais Estados Unidos mantinham as mãos limpas e observavam impassíveis (enquanto se tornavam mais fortes e mais ricos sob a proteção de facto da Grã-Bretanha), agora os EUA brandem o martelo enquanto os europeus olham de soslaio, protegendo-se enquanto isso sob o guarda-chuva do sistema de defesa de Washington. Além disso, Kagan não foi capaz de prever as fraquezas inerentes à argumentação de cada um dos lados. O modelo coletivista europeu do soft power encontra-se diante de desafios graves após a quase implosão da tão elogiada Constituição da UE e em meio a amargosdebatessobre oresgate àfalidaGréalegria do outro lado do Atlântico com cia e o possível colapso do euro. O modelo americano do hard power viu-se prejudicao fracasso do Velho Continente. Nos EUA, o debate sobre a Europa ga- do pela incapacidade militar dos EUA de nhou e perdeu força ao longo da última “vencer” duas guerras importantes, no Iradécada, nunca chegando a uma conclu- que e no Afeganistão, e pela crise financeira são e sempre repleto de paixão e fúria. Em mundial, um ataque cardíaco capitalista do Os Últimos Dias da Europa: Epitáfio para qual o paciente ainda não se recuperou. Mas, no fim, as preferências da política um Velho Continente (2007), o historiador Walter Laqueur resumiu os argumentos ne- externa não são o principal catalisador do gativos. A Europa está “em vias de desapare- persistente choque cultural transatlântico. cimento” enquanto força no mundo, defen- De todas as diferenças enxergadas pelos de ele, pois a integração política por meio da americanos na Europa, é a decadência moUnião Europeia perdeu impulso, as políticas ral do Velho Continente a que mais os indigdebem-estar social são insustentáveis, as ta- na. Esse lamento ético é, das muitas cisões, xas de fertilidade estão abaixo do nível de a mais insuperável, pois não envolve um dereposição e a assimilação de populações de bate sobre políticas e medidas, e sim o staimigrantes muçulmanos cada vez mais hos- tus do modo de vida de uma civilização. Citis e raivosas fracassou. A Europa não pôde e tando conservadores como Richard Perle, não quis se defender, de acordo com La- quelamentou a“desorientação moral” euroqueur. Inspirado na obra de Gibbon, Decline peia e a perda de “fibra moral” na França, and Fall: Europe’s Slow Motion Suicide (Declí- Timothy Garton Ash resumiu, na New York nio e Queda: O Lento Suicídio Europeu), Review of Books, o estereótipo de covardes de Bruce Thornton, também traz uma com- sem deus que os americanos em geral projepilaçãodefatoresquesupostamenteexplica- taram para os europeus durante o processo que culminou com a riam a morte inevitável guerra do Iraque em do fracassado experi‘Suécia é país ou 2003. “Eles (os euromento utópico europeus) são fracos, petupeu: um crescimento cidade?’, perguntou o lantes,hipócritas,desueconômicolerdoeregurepórter americano a nidos, ambíguos e apalado pelo Estado, alto ziguadores que às vedesemprego, volumoum colega inglês zessemostram antissesos benefícios sociais, mitas e, com frequênuma deprimente cultura de museu e o abandono da cultura cristã, cia, manifestam seu antiamericanismo”, esqueestimulouo crescimento de“pseudo-re- creveu Garton Ash sobre o implícito desligiões” – entre elas o ambientalismo, o mul- dém dos americanos pelos seus aliados. As tendências sociais parecem reforçar consticulturalismo e o hedonismo. tantementeessa opinião. Na Europa, o avanTerra de leis x lei da selva. Houve nos EUA ço do secularismo e a difusão das atitudes uma reação correspondente, ainda que dis- sociais ultraliberais contrastam cada vez creta,contrao sentimentoantieuropeunati- mais com o novo puritanismo americano. vo. O livro de T. R. Reid, ex-correspondente Como disse Obama, é uma pena que não internacional do Washington Post, intitulado possamos viver em harmonia. Levando-se The United States of Europe (Estados Unidos em conta quanto o mundo globalizado está da Europa) e publicado em 2004, retratou desgastando cada vez mais a cooperação inesse outro lado. Reid elogiou especialmente ternacional, quanto o poder absoluto dos o advento da moeda comum – o euro – e a EUA está recuando com o fim do momento criação de uma Constituição Europeia, fato- unipolare quantoa China eas demais potênresque,naopiniãodele,seriamprovadacres- cias ascendentes do século 21 estão contescente influência da Europa no mundo. Ou- tando o equilíbrio de poder atual e os valores tros, como Jeremy Rifkin e Steven Hill, de- e crenças que estão por trás dele, parece inemonstraram entusiasmo semelhante vitável que Europa e EUA se vejam precisanquando escreveram sobre o advento da do cada vez mais um do outro. Trata-se de “Geração E” – jovens europeus que não um casamento turbulento, mas ainda um case importam com as fronteiras nacio- samento. E todas as alternativas são piores. nais e mergulham na autonomia de Mas acho que isso não passa da conversa uma cultura comum. mole de um europeu fracote e liberal, certo? O escritor americano Robert Ka- Eu consideraria este um ponto de vista praggan sintetizou de maneira mático sobre a Realpolitik, mas que poderia célebre esses pon- ser equivocadamente interpretado como tos de vista confli- tentativa de apaziguamento, coisa que jamais seria aceita nos EUA. Nas palavras contidas em um e-mail que certa vezrecebide umleitornova-iorquino: “Não esqueça quem foi que salvou seus traseiros duas vezes, meu chapa. Se não fossem pelos bons e velhos Estados UnidosdaAmérica,todosvocêsestariam falando alemão”. / TRADUÇÃO

idioma vocês falam no seu país?”. Mas, historicamente, o antieuropeísmo não é um fenômeno novo. O primeiro presidente americano alertoucontra“alianças permanentes”depois de uma bem-sucedida conspiração em aliança com os franceses contra os ingleses na Guerra Revolucionária. O presidenteJamesMonroedefiniusua famosa doutrina especificamente para manter as potências europeias fora de um Novo Mundo que Washington – na época, muito mais fraca – tinha a presunção de desejar para si (Moore se esqueceu de mencionar que a encarregadade garantir o respeito à sua doutrina seria a Marinha Real Britânica). Ruptura. Medo, inveja, anticolonialismo,

anti-imperialismo, complexos de superioridadeeinferioridadecultural,comércio, rivalidades políticas e militares e a busca americana por sua identidade foram fatores que alimentaramo sentimentoantieuropeuconforme o novo país buscou se diferenciar dos velhos países dos quais a maioria de sua populaçãoeraproveniente.Muitosdessesfenômenos continuam relevantes até hoje. “Paraos americanos, a expressão do sentimento antieuropeu pode ser uma forma de construir e demonstrar sua identidade e patriotismo”, disse Patrick Chamorel num estudo do Instituto Universitário Europeu publicado na Itália em 2004. “O antieuropeísmo sempre fez parte do diferencial americano, que se definiu pelo contraste em relação à história, política e sociedade da Europa.” Para os europeus, seria fácil desmerecer as generalizações eurofóbicas e os estereótipos se tais fenômenos se restringissem aos pseudointelectuais neoconservadores, aos evangélicos do Cinturão Bíblico e aos provincianos xenófobos do Meio Oeste. Mas, desde que a União Europeia deixou a peteca cair nos Bálcãs nos anos 90, uma poderosa mistura de influentes pensadores, governantes e comentaristas americanos conferiu ao antieuropeísmo uma respeitabilidade que não pode ser descartada imediatamente. Nosprincipaistemasquepreocupamos americanos–defesa,segurança,terrorismo, intervenção, livre comércio, soberania e nacionalismo –, o argumento de que a Europa perdeuo rumo ganhouforça. E, enquanto uma endividada União Europeia encara o abismo fiscal, é quase possível sentir a

DE AUGUSTO CALIL

✽ SIMON TISDALL É EDITOR ASSISTENTE E COLUNISTA DE THE GUARDIAN


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Ranking da desigualdade

No grupo das 30 escolas da capital de São Paulo mais bem avaliadas no Enem de 2009, cujos resultados foram divulgados na segunda-feira, os preços cobrados variam até 254%. Entre elas, apenas uma é federal (em 5º lugar) e uma é estadual (em 17º).

SEGUNDA, 19 DE JULHO

A equação do futuro A educação do amanhã substitui a padronização pela criatividade e troca o foco no currículo pela atenção ao aprendiz HÉLVIO ROMERO/AE

FLÁVIA TAVARES

A

no após ano, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) reprova o Brasil no quesito igualdade. O ranking das escolas com melhor desempenho reproduz o abismo da diferença entre a qualidade do ensino oferecido em instituições públicas e privadas. Assim, distancia ainda mais os alunos com a garantia de um futuro bemsucedido nas universidades dos que engordarão a massa de trabalhadores com escolaridade limitada. O teste final que as avaliações da educação brasileira propõe é como resolver um problema antigo com soluções diferentes e inovadoras. Para Andreas Schleicher, diretor de Programas de Análise e Indicadores em Educação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e responsável pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), os dados de verificações como o Enem podem sugerir alguns caminhos. Mas a resposta está mesmo na formulação de um novo modelo de educação, “menos centrado no currículo e mais no aprendiz”. “Precisamos entender que a aprendizagem não é um lugar, é uma atividade. Sistemas educacionais precisam reconhecer que os indivíduos aprendem de formas diferentes”, diz o físico alemão. Em entrevista por e-mail, Schleicher defende que, quanto mais autonomia a escola e os professores tiverem, maior será sua interação com os alunos. Além disso, os educadores terão de reinventar suas ferramentas para formar jovens preparados para problemas que nem sequer surgiram ainda. “No passado, professores sabiam que o que eles ensinassem duraria por toda a vida do aluno. Nos dias de hoje, a escola precisa preparar os estudantes para profissões que não foram criadas e tecnologias que não foram inventadas.” Schleicher faz ainda um alerta aos gestores de educação: “As nações que não têm bons fundamentos nunca pagaram um preço tão alto por essa deficiência”. ● Quais as razões para avaliarmos tanto os estudantes, com exames ao fim de cada nível de escolaridade? É para filtrar quem deve chegar ou não ao ensino superior?

O propósito das avaliações não é prioritariamente o de definir caminhos de entrada ou saída para os estudantes, mas sim o de identificar necessidades e melhorias no processo de ensino. Bons sistemas de avaliação reconhecem que um aprendizado de excelência abrange tanto o processo quanto seu conteúdo. O resultado dessas avaliações não produz apenas notas para as escolas, mas tenta fornecer uma compreensão abrangente sobre os estudantes e as estratégias conceituais que eles usam para resolver problemas. ● O que mais se aproveita do resultado des-

ses exames?

As verificações melhoram o aprendizado de alunos, professores, administradores de escolas e formuladores de políticas públicas. A partir delas, pode-se construir um quadro claro para atribuição de responsabilidades. Isso significa gerar informação que pode ser transformada em ação. Boas avaliações deixam professores mais conscientes de suas deficiências e isso normalmente resulta numa mudança de comportamento. Em vez de simplesmente selecionar e filtrar aqueles que parecem ser os alunos mais talentosos, escolas e professores competentes usam esses dados para distinguir os alunos extraordinários dos medianos, para estimular a capacidade individual. ● Qual a importância desse estímulo?

É simples: as oportunidades para aqueles bem educados nunca foram tantas, mas também os indivíduos – e as nações – que não têm bons fundamentos nunca pagaram tão caro for essa deficiência. Na verdade, o preço econômico e social que as sociedades pagam por não educar bem a totalidade de suas crianças é muito mais alto do que seria o investimento na própria educação. ● Números do Enem mostram que o Brasil ainda sustenta uma enorme diferença entre o ensino particular e o privado. Estamos investindo pouco em educação?

É importante analisar o contexto dos dados do Enem. Essa é outra lição que bons

Evolução. No passado, alunos diferentes eram ensinados da mesma forma. Hoje, o grande desafio é capitalizar a diversidade entre os estudantes DIVULGAÇÃO

Entrevista Andreas Schleicher FÍSICO, DIRETOR DE PROGRAMAS DE ANÁLISE E INDICADORES EM EDUCAÇÃO DA OCDE E RESPONSÁVEL PELO PISA

sistemas de avaliação nos dão: a comparação deve ser feita entre diferentes períodos da mesma escola, para se analisar quanto ela melhorou. O mesmo parâmetro é verdadeiro quando comparamos países. Não é possível comparar substancialmente países como Finlândia e Japão com o Brasil sem levar em conta o contexto socioeconômico. Na verdade, quando se considera esse pano de fundo, o Brasil está entre os mais bem-sucedidos em melhorar seu desempenho educacional e a igualdade. Sistemas educacionais sempre falam de igualdade e agora nós conseguimos medir seu sucesso nisso, na forma como as escolas conseguem moderar o impacto que o background social tem na educação.

acesso às melhores práticas profissionais nas escolas e ajuda os professores a expandir seu repertório de estratégias pedagógicas para personalizar o ensino para todos os alunos e adotar abordagens inovadoras. Os melhores sistemas educacionais do mundo escolhem as pessoas certas para se tornarem professores porque sabem que a qualidade de educação será proporcional à qualidade do corpo docente e porque a escolha errada desses profissionais pode resultar em 40 anos de ensino fraco. Países como a Finlândia e a Coreia do Sul recrutam seus professores entre os 10% dos que se formaram nos primeiros lugares. ● E com relação às escolas?

Na maioria dos países exemplares as escolas se tornaram um ponto chave na refornos ensinar? ma educacional, e elas são responsáveis peEducação de alta qualidade existe em todo los resultados que apresentam. Na Finlâno mundo. Na América do Norte, o exemplo dia, por exemplo, o planejamento estratégié o Canadá. Na Europa, a Finlândia. Na co acontece em todos os níveis do sistema. Ásia, temos Japão, Coreia do Sul e Cingapu- Cada escola discute a visão nacional do asra. Eles são diferentes entre si, mas têm sunto e, paralelamente, o que essa estratépontos em comum relevantes. Primeira- gia representam para ela. O mais impressiomente, onde estudantes atuam num am- nante nos ótimos resultados de países cobiente caracterizado pelas expectativas de mo Finlândia e Canadá não são apenas as um bom desempenho a relação com os pro- altas médias de desempenho, mas o fato de fessores melhora e o eles conseguirem que moral dos educadores todos os estudantes e aumenta. Muitos paí- ‘Sucesso em educação as escolas alcancem esses mudaram suas priosa média. A eventual iné a capacidade de ridades, saindo do simtervenção e apoio nas ples controle dos recur- aplicar o conhecimento escolas não é a aplicasos e do currículo para em situações inéditas’ ção de ideias pré-conum foco maior nos recebidas – ao contrário, sultados do processo trata-se de diagnostieducacional. Isso tem direcionado esforços car problemas em cada escola e desenvolno sentido de uma articulação das expecta- ver soluções personalizadas. Também se tivas que a sociedade tem e a tradução des- trata de garantir que as escolas que encasas expectativas em parâmetros e objetivos. ram os maiores desafios tenham acesso aos professores e diretores mais talentosos. ● O que países como Finlândia e Japão têm a

● O que esses parâmetros determinam?

Eles ajudam a estabelecer conteúdos rigorosos e coerentes em todos os níveis de escolaridade; reduzem as diferenças de currículos entre esses níveis; diminuem a variação desses currículos de classe para classe; facilitam a coordenação de formuladores de políticas públicas; reduzem a desigualdade de currículos entre diferentes grupos socioeconômicos. Muitos sistemas somaram o desenvolvimento desses parâmetros a uma maior atribuição de responsabilidades à linha de frente do ensino, encorajando escolas a dar respostas assertivas aos problemas locais e ajudando escolas e professores a fazer isso de forma significativa.

● Ou seja, profissionais do ensino têm mais responsabilidades.

● Como dar essa autonomia a escolas e professores?

● Como a tecnologia está transformando os antigos modelos de ensino?

Parâmetros claros e específicos permitem

Uma palavra-chave para o uso da tecnolo-

Exato. Em todos os países que se saíram bem no Pisa, é responsabilidade das escolas e dos professores se engajar na diversidade de interesses dos estudantes, em suas capacidades diferenciadas e em seus diversos contextos socioeconômicos, sem a alternativa de fazer o aluno repetir de ano ou se transferir para uma escola menos exigente – atalhos normalmente usados em países com desempenhos ruins, onde os diretores de escola e professores podem enganar a si próprios dizendo que fizeram a coisa certa, mas têm os alunos errados.

gia na educação costumava ser o aprendizado “interativo”. Agora, ele precisa ser “participativo”. E, embora a educação a distância seja uma peça importante da educação no futuro, o ensino permanecerá uma experiência humana. Nas gerações passadas, professores sabiam que o que eles ensinassem duraria por toda a vida do aluno. Hoje, a escola precisa preparar os estudantes para mudanças econômicas e sociais mais rápidas do que nunca, para profissões e tecnologias que não foram inventadas e problemas que ainda não sabemos se surgirão. Como podemos criar uma cultura de educação para a vida inteira e para todas as áreas da vida que atinja a todos? O dilema dos educadores é que as habilidades cognitivas rotineiras, aquelas fáceis de ensinar e de avaliar, são também as mais facilmente digitalizadas, automatizadas e terceirizadas. O sucesso em educação não é mais a reprodução de conteúdo e conhecimento, mas é a capacidade de aplicar esse conhecimento em situações inéditas. ● Dê um exemplo.

A questão não é se o ensino da matemática deveria ser mais ou menos rigoroso. O desafio é garantir que a matemática não se restrinja a um mundo de equações e teoremas, mas se transforme numa linguagem que permita aos alunos descrever, estruturar e compreender o mundo. O caminho até esse ponto é desafiador. ● Estamos nos preparando para esse desafio? Qual seria o modelo de ensino ideal para o século 21?

Num sistema educacional antigo e burocrático, professores eram deixados sozinhos nas classes com uma receita do que ensinar. O modelo moderno estabelecerá objetivos ambiciosos, será mais claro sobre o que os estudantes devem se tornar capazes de fazer, atribuirá responsabilidades e arregimentará professores com ferramentas para ensinar seus alunos individualmente. A educação do passado se resumia a um conhecimento despejado, a do futuro é um conhecimento gerado por professores e estudantes. No passado, alunos diferentes eram ensinados da mesma forma. Hoje, o desafio é incluir a diversidade no ensino. O objetivo do passado era a padronização. Agora, é a criatividade, a personalização das experiências. O passado era centrado no currículo, o futuro é no aprendiz. Nós também precisamos entender que a aprendizagem não é um lugar, é uma atividade. Sistemas educacionais precisam reconhecer que indivíduos aprendem de formas diferentes – inclusive, de formas diferentes ao longo de suas vidas.


O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

Função: multiplicação

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A Pearson, empresa do segmento editorial que controla o Financial Times, compra parte do Sistema Educacional Brasileiro (SEB), dono das marcas COC, Pueri Domus, Dom Bosco e Name. O negócio chega a R$ 900 milhões. Há duas semanas, a Abril anunciou a compra do Anglo.

QUINTA, 22 DE JULHO

VALÉRIA GONÇALVEZ/AE

Por um dia de felicidade Muitas escolas induzem os alunos a se preparar não para a vida, mas para comemorar a data em que saem os resultados dos exames vestibulares

JOSÉ DE SOUZA MARTINS

uase 14 mil escolas privadas e públicas do País obtiveram média acima do equivalente a 5,0 no desempenho de seus alunos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009.Apenasalgumasdezenasalcançaram nota igual ou superior a 7,0, inferior, porém, a 7,5. Na maioria, escolas privadas e caras. Tidas como o caminho seguro do êxito em exames vestibulares, suas notas estão apenas ligeiramente acima da nota mínima paraaprovaçãoemescolas superioresde países desenvolvidos, que é 7,0. Um número imenso de escolas igualmente privadas nem chegou a essa média. Há nas médias divulgadas indicações para acompreensãodosproblemasdonossoensinomédio.A primeiradelaséadaproblemática tendência de muitas escolas de se reduzirem à pobreza pedagógica de induzir crianças e adolescentes a passarem os melhores anos de suas vidas preparando-se para fazer o vestibular para o ensino superior. Em vez de se devotarem à preparação de seus alunos para a vida e para serem felizes, que é o que dá sentido à educação e à socialização dos imaturos, dedicam-se prioritariamente a prepará-los para um único dia de felicidade, o da divulgação dos resultados dos exames vestibulares. Inseguros quanto ao futuro dos filhos, os pais tornam-se cúmplices des-

Q

Beliscão, nem pensar QUARTA, 14 DE JULHO

Passando a régua. Dados do Enem revelam que pagar mais pela mensalidade não significa necessariamente comprar melhor sa deformação. Muitos desses alunos chegarão à universidade, até com as melhores notas de ingresso, mas não saberão nem o que fazer nela nem o que fazer com ela. Nem se pode dizer que o melancólico êxito nessas médias mais altas expresse a apropriada formação de quem as obtém. Ficou evidente que escolas que preparam seus alunos para a reflexão criativa e para a competênciainterpretativa, quese medenodesempenho em redação e interpretação de textos, têm menos visibilidade na avaliação oficial. De certo modo, as notas escondem um desencontro entre ensino predominantemente de formação e ensino predominantemente de informação. Matéria publicada em caderno especial deste jornal, aliás, mostra que as escolas da capital de São Paulo cujos alunos tiveram melhor desempenho são apenas 12% melhores do que as de desempenho menor, enquanto o preço das mensalidades é 254% maior. Os dados do Enem revelam que pagar mais não significa comprar melhor, até por-

que, em educação, comprar é pura ilusão. Nemporisso ficam asescolaspúblicasjustificadas no desempenho menor nessa avaliaçãonacional.Certamente,asescolas caríssimas,porqueapresentamdesempenhoinferior ao que delas se espera, não servem de parâmetro para medir o que deveria ser a escola pública. A escola pública, entre nós, deveria ser o instrumento de uma revolução naeducação,quenostrouxesseparaosrequisitos educacionais da sociedade moderna e seus valores referenciais, como a democracia, a liberdade, o conhecimento amplo e denso, a responsabilidade social de cada um. Há fatores extraescolares nos resultados das diferentes escolas. O que nelas se consegue está também relacionado com o modo de vida da família do estudante. Escolas com melhor desempenho têm majoritariamente alunos de alta classe média, cujos pais são usuários dos equipamentos culturais disponíveisnos seus respectivos ambientes. Atividades complementares às da sala de aula, no acesso aos equipamentos culturais externos

✽ JOSÉ DE SOUZA MARTINS É PROFESSOR EMÉRITO DA FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS DA USP E AUTOR, ENTRE OUTROS LIVROS, DE A APARIÇÃO DO DEMÔNIO NA FÁBRICA (EDITORA 34)

O presidente Lula encaminha ao Congresso lei que proíbe castigos corporais e “tratamento cruel ou degradante” contra crianças. O texto considera castigo corporal a ação dispiplinar ou punitiva que resulte em dor ou lesão. “Beliscão dói pra cacete”, disse Lula.

Tapa de amor também dói Como os adultos, as crianças têm o direito de ver respeitadas sua dignidade e integridade física e esse respeito precisa estar traduzido em lei. Não há desculpa para a ‘palmada’ ou a ‘palmadinha’ OTTO STUPAKOFF/ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES

PAULO SÉRGIO PINHEIRO

F

az séculos que as crianças mundo afora sofremcomo castigo corporal ou físico, aquele que recorre à força e inflige certo grau de dor, mesmo leve. Na maioria dos casos, trata-se de bater nas crianças (palmadas, bofetadas, surras) com a mão ou com objetos como chicote, vara, cinturão, sapato e colher de madeira. Mas pode consistir também em dar pontapés, empurrões, arranhá-las, mordêlas, obrigá-las a ficar em posturas incômodas, produzir queimaduras, obrigar a ingerir água fervendo, alimentos picantes ou a lavar a boca com sabão. Além desses há outros castigos que não são físicos, mas igualmente cruéis e degradantes, castigos em que se menospreza, se humilha, se denigre, se ameaça, se assusta ou se ridiculariza a criança. Agora que a escala e a dimensão dessas práticas de violência aqui descritas se tornaram mais visíveis, e conhecidas suas consequênciassociais, emocionaisecognitivasdevastadorasparao desenvolvimentoda criança e para seu comportamento como adulto, comoacelerar o processo desua eliminação? Políticos e organizações da sociedade civil e religiosasprecisamrejeitarclaramenteaviolência contra a criança. Governos devem revelar através de pesquisas o verdadeiro nível de violência contra a criança e combatê-la.

à escola, como museus, teatros, salas de concertos, excursões investigativas, poderiam dar ao estudante um apoio compensatório até melhor do que obtêm na própria família os alunos mais bem situados socialmente. O professor e o aluno de escolas públicas teriam que deixar de ser prisioneiros da sala de aula. Outra verificação recente mostra, ainda, que escolas de bom desempenho estão situadas em municípios menores, onde ainda há uma cultura comunitária, muito mais apreçopelo professore maiorintegração entre a família e a escola. O que assegura a boa formação escolar é, pois, também o tradicionalismo de um mundo em que ainda são comunitários, e afetivos, os valores de referência da educação.

Pequeno e só. Na bela foto de Stupakoff, a infância é vista de cara para a parede Felizmente, a luta contra as formas mais severas (e criminosas), como violência sexual, tráfico de crianças e prostituição infantil já conta com um consenso que as condena.Mas aviolência sistemática nos lares, nas escolas, nas instituições continua velada e disfarçada. Mesmo que as coisas sem dúvida comecemamudar,comodemonstraoprojeto delei apresentado pelo governo brasileiro proibindo o castigo corporal, continua a haverumaatitudeambíguaemrelação àviolência contra as crianças em todos os países. Pelas reações iradas em entrevistas e blogs na última semana, vários pais dizendo que iriam continuar a bater em seus filhos mesmo com a lei, especialistas palpiteiros proferindo que uma “palmadinha em bebês é útil”, dei-me conta de que a proibição a toda espécie de castigo corporal das crianças cau-

sa ainda enorme controvérsia. No entanto , ascrianças têm exatamente o mesmo direito de ver respeitadas sua dignidade humana e sua integridade física como os adultos, e esse respeito precisa estar traduzido em lei. Não pode haver desculpa para a “palmada” ou a “palmadinha” (termos doces para que osadultossesintammaisconfortáveis).Frequentementepolíticoseprofissionaistrivializam essa questão. Mas assim fazendo eles insultam as crianças e dão carta branca para osadultosas agrediremetorturarem. Asmulheres, na sua gloriosa luta pela igualdade, fizeram do enfrentamento da violência doméstica nas suas casas um componente vital de seu combate. Hoje em dia nenhum marido ou macho ousaria defender “tapas” nas suas mulheres ou companheiras. Claro que somente a lei não vai terminar

com a violência contra a criança. É um passo necessário, mas insuficiente. A reforma legal precisa ser precedida e acompanhada por intensa promoção de práticas de relações positivas com as crianças. Para tanto, já há um enorme conjunto de orientações e práticas de “disciplina positiva” que tenta entender o que as crianças pensam e sentem, definindo objetivos no longo prazo da educação e buscando resolver problemas nas relações entre pais e crianças. Aprender a ser tolerante e não autoritário: por mais irritante que seja, crianças tendem a repetir comportamentos que foram proibidos. Isso é normal e não deve ser tomado como “lesa majestade” ao pátriopoder. Não adianta sair proferindo castigos idiotas como imobilizar crianças num quartoescuro.Melhorseesforçarporestabelecer limites. Mas não adianta berrar contra as crianças, o que fará com que concentrem sua atenção mais na raiva que nos limites. Mas sobretudo não bater nas crianças. No final os pais estarão ensinando aos filhos que baixar o cacete resolve um conflito. Mas pais e mães não podem ser totalmente culpados por desconhecerem essas alternativas.Háenormeresponsabilidadedosgovernos em criar estruturas de formação dos pais, ajudando-os a superar a violência contra seus filhos. As raízes da violência nas crianças enos futuros adultos está naviolência sistemática dos adultos contra eles. Logo, é do maior interesse dos governos e de toda a sociedade que essa violência contra as crianças autorizada por lei seja eliminada. A combinação de investimento em prevenção, comoeducaçãodospaiseprofessores,mecanismos para ouvir as vítimas e as crianças e legislaçãoé a forma mais efetiva para reduzir e eliminar a violência contra a criança. Nenhumaviolência contraacriançapodecontinuar a ser justificada e disfarçada como amor, educação, disciplina. ✽ PAULO SÉRGIO PINHEIRO É COMISSIONADO E RELATOR DA CRIANÇA DA COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS DA OEA


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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

De mal, de novo

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anuncia o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia, depois de o embaixador de Bogotá na Organização dos Estados Americanos ter acusado Caracas de abrigar 1.500 guerrilheiros das Farc em seu território.

QUINTA, 22 DE JULHO

Rebeldes sem causa Especialista avalia: as Farc não estão aniquiladas. Mas estão empobrecidas, perderam combatentes, prestígio político e apoio na esquerda, além de terem sofrido um desgaste imenso com os sequestros FERNANDO LLANO/AP

Na fronteira do ostracismo

CAROLINA ROSSETTI

declaração do representante colombiano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Alfonso Hoyos, acusando a Venezuela deabrigaremseuterritório 1.500 guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), foi uma jogada de Álvaro Uribe para minar o governo de seu sucessor e ex-ministro da Defesa, Juan Manuel Santos. É essa a interpretação do sociólogo Daniel Pécaut, diretorda École des HautesÉtudesen Sciences Sociales, em Paris, e autor de As Farc – Uma Guerrilha sem Fins?, sobre a mais recentecrisediplomáticada América Latina deflagrada na quinta-feira com a decisão de Hugo Chávezde romper relações com a Colômbia. ParaPécaut,o episódio demonstrao racha interno na base governista colombiana. Na tentativa de preservar uma estrutura própria de apoio, Uribe fará de tudo visando a dificultar a vida de Santos, que nunca foi seu favorito para a sucessão, diz o sociólogo. “Acusado de manipular as Cortes Supremas de Justiça para tentar garantir um terceiro mandato, Uribe precisa mantersua força política para impedir que a Justiça não se meta demais em seus problemas.”

“As Farc não estão aniquiladas. Elas ainda fazem pequenas emboscadas e utilizam minas para matar membros das forças de segurança e funcionários, mas não têm nem a metadedoscombatentesquetinham.Perderamtambémboapartede suasfinançasdevido ao quase fim dos sequestros e à competição no narcotráfico de outros grupos ilegais, aliados aos paramilitares. As Farc já não ameaçam as grandes cidades nem têm homenssuficientespara pressionar asáreas urbanas. Elas se mantêm especialmente nas fronteiraspor ondepassam os corredores da droga.Tambémperderam todoprestígiopolítico. São poucos os membros da esquerda que seguem apoiando a ideia da combinação ‘de todas as formas de luta’.

A

O pedido de Ingrid

Ruptura. Crise com Colômbia seria jogada de Uribe para dificultar a vida de Santos, calcula sociólogo do, por meio do Fórum de Porto Alegre, quando havia no País uma visão um pouco idealizada das Farc, vistas como uma força revolucionária contra um governo direitista. Mas aos poucos esse relacionamento foi deixando de existir.

Relações perigosas

“A única relação importante que as Farc têm com partidos políticos de outros países da AméricaLatinaé como governodaVenezuela. Chávez nunca escondeu sua simpatia pelo grupo guerrilheiro. Após a morte de Manuel Marulanda, por exemplo, houve uma homenagem de um minuto de silêncio no Congresso venezuelano. Em 1988,Chávez promoveu umencontro oficial com o guerrilheiro Ivan Márquez. Sabe-se ainda que as Farc têm armamentos de origem venezuelana, que podem ser fruto de contrabando ou de apoio aberto por parte de setores militares venezuelanos. Com o Brasil o grupo não tem diálogo no momento. Até teve no passa-

de Justiça para tentar garantir um terceiro mandato e usar o serviço de inteligência colombiano contra os inimigos do governo, assim como de se relacionar com líderes locais que têm ligações com os paramilitares. A temperatura pós-eleição

Uma jogada de Uribe

“Quanto à ruptura da Venezuela com a Colômbia, foi uma jogada de Uribe para colocar Santos em situação difícil. É muito provável que Uribe torne a vida de Santos muito complicada para preservar uma estrutura própria de apoio. Há boatos, inclusive, de que o orçamento deste ano já foi gasto. Não creio que Uribe tenha intenção de voltar ao governo, mas os próximos anos serão difíceis para ele. Há muitas acusações contra o ex-presidente e seus aliados. Uribe precisa manter uma força política para impedir que a Justiça se meta demais nos seus problemas. Ele é acusado de manipular as Cortes Supremas

Um remix infeliz

“Juan Manuel Santos conta com a confiança do establishment e com o apoio dos militares. Mas foi possível notar na composição de seu governo a vontade de se diferenciar de Uribe. Para a pasta da Agricultura, por exemplo, Santos nomeou o ex-senador Juan Camilo Restrepo, crítico ferrenho de Uribe, que vê a necessidade de profundas mudanças no campo. Não há dúvida de que, para se afirmar, Santos manterá a princípio uma linguagem tão forte quanto a do seu predecessor em relação aos temas da segurança. Mas, caso consiga manter as Farc enfraquecidas,épossível que busqueumasolução política para o conflito.”

Paz, mas sem anistia

Trajetória. Lançado neste mês pela editora Paz e Terra, As Farc – Uma Guerrilha sem Fins narra a origem, expansão e recuo do grupo

CBSNEWS/AP

Reabilitada pela vítima Acusada de racismo, a negra Shirley Sherrod perde o emprego, mas quem a inocenta é o branco que teria sido prejudicado por ela

THE WASHINGTON POST

hirley Sherrod várias vezes se sentiu massacrada pelo sistema. Ela era uma estudante de 17 anos quando um branco matou seu pai, Hosie Miller, a tiros e pelas costas. Na ocasião, as acusações de assassinato foram rejeitadas pelo Tribunal. Vinte anos depois, Shirley e o marido, Charles, viram a cooperativa agrícola de 2.400 hectares que criaram no Condado de Lee, na Geórgia, sufocar sob o peso da discriminação sistemática das autoridades federais. Esta semana teve que suportar sua imagem falseada num canal de TV a cabo, no qualexibiram umclipeeditadodeumdiscurso proferido por ela em março. Shirley foi rotulada de negra racista e demitida das suas funções no Departamento de Agricultura e condenada pela NAACP (Associação Nacio-

S

“É preciso oferecer um acordo político à ala das Farc que ainda mantém uma identidade política.Nãoachoquereformaspolíticasconseguiriam mudar sua atitude, uma vez que a Constituição de 1991 já lhes ofereceu muitas garantias. As saídas são: reforma agrária (sua reivindicação mais antiga) e textos jurídicos quepermitamaosguerrilheirosevitarcondenações por crimes de guerra e de lesa-humanidade. Como são muitos os outros setores que correm o risco de condenações idênticas, é preciso haver textos que sirvam para a pacificação sem implicar anistia.

A Casa Branca pede desculpas a Shirley Sherrod, funcionária do Dep. de Agricultura demitida por acusação indevida de racismo. Em trechos de um vídeo com declarações editadas, ela parecia afirmar que não ajudaria uma família de agricultores pelo fato de eles serem brancos.

QUARTA, 21 DE JULHO

KRISSAH THOMPSON

“O desgaste político das Farc com a prática do sequestro foi imenso. Contribuiu para a consolidação de uma extrema direita paramilitarnopaís.Porisso, emborapoucosensíveis à opinião pública, as Farc tiveram de abandonar o uso sistemático do sequestro, assim como evitar que, durante ações em zonasurbanas,edifícios inteirosfossemdestruídos. Parece que têm procurado não golpeardemaneiraabertaasociedadecivil.Centenas de milhares de pessoas já foram de alguma forma vítimas das Farc. Mas acho absurda a atitude de Ingrid Betancourt, que recentemente pediu indenização ao Estado por conta do tempo que passou em cativeiro. O Estado colombiano não tem recursos suficientes para ressarcir todos.

nal para o Avanço das Pessoas de Cor), à qual se juntara para lutar pela igualdade racial. Aos 62 anos, assistiu a tudo isso em sua casa em Albany, na Geórgia. Então viajou para Atlanta, onde instantaneamente se transformou numa estrela da TV ao tratar o assunto com firmeza diante das câmeras da CNN, de manhã à noite. Shirley sorriu ligeiramente quando o assessor de imprensa da Casa Branca, Robert Biggs, apresentou suas desculpas. E respondeu com indiferença que precisava de alguns dias para pensar se retornaria ao trabalho no Departamento de Agricultura. O secretário Tom Vilsack ofereceu a ela um cargo não especificado para cuidar de assuntos ligados a direitos civis. Num trecho de seu discurso não mostrado pela TV Shirley se descreveu como uma menina do campo e relatou como, após a morte do pai, adquiriu aquela sensibilidade rural preconizada por Booker T. Washington, que dizia que todo mundo pode usar a terra para se erguer. Até essa época, estava certa de que deixaria o Sul. “Colher algodão e pepino, descascar amendoim, fazer todo esse trabalho que a

Dignidade. Shirley vai pensar se aceita voltar ao emprego vida no campo exige faz com que você queira ter uma educação mais do que qualquer coisa”, disse ela aos membros da NAACP reunidos num jantar em Douglas. “A discriminação que tínhamos que suportar despertava esse desejo de partir.” Ela, no entanto, ficou e se uniu à Comissão de Coordenação de Estudantes Não Violentos em 1965, comprometida com a integração e o direito de voto para os negros. Charles Sherrod, pastor, tornou-se diretor de campoda comissão paraosudoeste da Geórgia. Julian Bond, líder de campanhas pelos direitos civis e ex-presidente da NAACP, diz que Charles se embrenhava nos condados da zona rural fora de Albany, sempre com Shirley ao lado. Mais tarde, ela atuou em movimentos de luta pelo direito abenefícios sociais e passou a trabalhar com projetos comunitários, incluindo a New Communities, cooperativa para plantio de soja, milho, algodão e frutas.

que durante 15 anos, foi a maior organização agrícola de propriedade de negros no país. O sonho se transformou numa batalha por empréstimos junto ao Departamento de Agricultura, afirmou a advogada de Shirley, Rose Saunders. O governo negou o pedido dos Sherrods e eles perderam a terra. “Foi triste, mas na época era inevitável”, disse Joseph Pfister, amigo da família. Quatorze anos depois, o Departamento de Agricultura concordou em pagar à cooperativa US$ 13 milhões. Grande parte do dinheiro foi para uma entidade não lucrativa, cuja finalidade era comprar as terras de volta. Quanto a Shirley e o marido, receberam uma indenização no valor de US$ 330 mil pelo sofrimento que passaram. Quase dois anos depois, Shirley Sherrod entrou para a Cooperativa do Sul/Fundo de Assistênciaà Terra. Foi ali que ela encontrou Roger Spooner, um fazendeiro branco que recorreu à cooperativa em busca de ajuda. E era sobre Spooner que Shirley falava quando contava a história que acabou sendo uma isca para o blogueiro conservador Andrew Breitbart, que editou o clipe. A farsa montada por Breitbart, segundo a qual Shirley negara ajuda a Roger Spooner, foi revelada quando o fazendeiro apareceu na CNN para lhe dar apoio. “Eu lhes digo, jamais fui tão bem tratado por uma pessoa como por Shirley”, disse ele, enquanto sua mulher, Eloise, acenava com a cabeça, em sinal de concordância. OsamigosdeShirley,devoltaàcasa,destacaram que ela foi muito hábil quando apresentou seus argumentos. “Shirley demonstrou que você não deve ter medo. Tudo que deve fazer é agir corretamente”, disse Jerry Pennick, diretor da Cooperativa do Sul. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO


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DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

aliás J7

Imagem da semana

Tragado pelo mar de óleo Direito de família QUARTA, 21 DE JULHO

TERÇA-FEIRA, 20 DE JULHO. O Greenpeace China divulga fotos do bombeiro Zhang Liang, que, ao tentar reparar uma bomba

subaquática e conter um vazamento no porto de Dalian, acabou submergindo em petróleo. O óleo cru surgiu no Mar Amarelo depois da explosão

de dois oleodutos, que gerou uma mancha de centenas de quilômetros quadrados. Zhang Liang morreu.

A presidente argentina, Cristina Kirchner, promulga a lei já aprovada no Senado que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O primeiro casamento gay em Buenos Aires está marcado para 13/8 entre dois homens que vivem juntos há 34 anos.

MARCOS BRINDICCI/REUTERS

Iguais perante a lei Casamento no mesmo sexo derruba um dos últimos marcos que condenavam os gays à desigualdade, avalia LGBT argentino

FLAVIO RAPISARDI

O

movimento LGBT (lésbicas,gays,bissexuais e transexuais) na Argentinaévastoediversificado. Dentro dele convivem diferentes correntes políticas(peronistas, socialistas, cívicos, comunistas, trotskistas e organizações sem nenhuma filiação partidária). O primeiro grupo foi formado em 1967 e a partirdeentãoaagenda do movimentofoise transformando, desde as demandas por uma revolução sexual até as recentes reivindicações para se permitir o casamento entre pessoasdomesmosexo.Paraumleitordesavisado, essa transformação poderia ser vista comoumcaminho reformista. Contudo,quando assistimos aos debates que tivemos que suportar durante a aprovação do projeto, fica claro que a figura do matrimônio é revolucionária.Porque? Porqueconsagraaigualdade. Diante das propostas de “união civil”, “união de fato”, “pactos de solidariedade”, o fato de termos hoje a possibilidade do matrimônio significa derrubar um dos últimos obstáculos jurídicos que nos condenam a um horizonte de desigualdade. Muitos/as denós concordamos com o mo-

delodefamília“ocidentalecristão”,masninguém duvida que é injusto, inconstitucional e contrário às convenções internacionais o fato de pessoas do mesmo sexo não poderem se casar. Muito bem disse nossa presidente Cristina Fernández de Kirchner: “Após a sanção da lei, levantei-me e tinha os mesmos direitos. E outras centenas de milhares de pessoas tinham mais direitos”. Essa é a essência de um projeto antidiscriminatório como foi a reforma do Código Civil argentino: garantir a igualdade para todos e todas. Sabemos que essa igualdade é jurídica, ou seja, houve um pequeno avanço em termos de normas e fatos que no entanto deve ser acompanhado da consolidação da igualdade social, o que vai exigir políticas públicas, recursos, uma estrutura institucional adequada e um clima político no qual as forças progressistas imperem. Esse é o caso de muitos países latino-americanos atualmente: os governos progressistas do Mercosul, da Venezuela, Bolívia e Equador abriram espaços de diálogo político de onde as forças arcaicas e desgastadas neoconservadorasseafastaram,emborapermaneçam sempre prontas a limitar os direitos, única política que conhecem. O fato de no Mercosul existir um Grupo TécnicosobreOrientaçãoSexual e Identidade de Gêneros é um claro sinal dos governos da regiãode queé preciso avançarcom vistas a uma consagração de direitos como o que acabamos de conseguir em nosso país.

Na luta. Após duro e intenso debate legislativo, o casamento homossexual é aprovado na Argentina A luta não é fácil: existem preconceitos e forças político-culturais que sabem que perderão privilégios com a sanção de uma lei como a que foi promulgada pela nossa presidente. No entanto, perdem apenas isso: “privilégios” e não igualdade, porque a consagração de um direito não implica atropelar os direitos dos outros, mas somente (o que não é pouco) incluir na mesa da cidadania grupos sociais durante tanto tempo discriminados. Hoje a Argentina é um país um pouco mais igualitário do que semanas atrás. Sabemos queexisteumcaminhomuitolongoapercorrereporissonós,dosmovimentosdediversidadesexuale genérica,temosaresponsabilidade de saber competir politicamente. Durantemuitotemponossosmovimentosolhavam de longe a conjuntura eleitoral ou a participação em órgãos do Estado. Mas agora

sabemos que na América Latina estamos num embate duro – entre os que desejam a inclusão com igualdade da diversidade sexual, dos povos indígenas, dos afrodescendentes, dos imigrantes, e os que querem voltar a um modelo de país que tivemos que suportar na década de 90, quando se celebrou a destruição do Estado e de qualquer regulamentação que não fosse do mercado. Hoje, mais do que nunca, queremos viver na igualdade e conviver na diversidade. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

✽ FLAVIO RAPISARDI É SECRETÁRIO DA FEDERAÇÃO ARGENTINA DE LÉSBICAS, GAYS, TRANS E BISSEXUAIS E COORDENADOR DO INSTITUTO NACIONAL CONTRA A DISCRIMINAÇÃO – MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. É TAMBÉM PROFESSOR E PESQUISADOR DA UNIVERSIDADE DE BUENOS AIRES


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DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

ARREMATE

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No banco dos réus

O jovem americano conhecido como “Bandido Descalço” é transferido da Flórida para Washington – onde será levado a julgamento. Ele é acusado de crimes como invasão de residências e estabelecimentos comerciais, além do roubo de cinco aviões durante a fuga

QUINTA, 22 DE JULHO

AP

na propriedade ao lado. De acordo com registros e entrevistas, Harris-Moore era alvo de frequentes repreensões na escola. Uma colega do quinto ano, Mariah Campbell, lembrou que alguns meninos caçoavam das roupas sujas de Harris-Moore. E disse que ele às vezes maltratava os demais alunos da classe. “Como nunca fazia a lição de casa”, diz Mariah, “ele nunca tinha permissão de participar do horário livre e de atividades de lazer.” Perto de completar 12 anos, Harris-Moore já sofria de uma série de problemas psiquiátricos, entre eles, depressão, déficit de atenção e distúrbios explosivos intermitentes, de acordo com uma avaliação psiquiátrica posterior. Foram-lhe receitados antidepressivos e medicamentos contra distúrbios psicóticos. Ele abandonou a escola pouco depois de concluir a nona série. “Colton nunca queria voltar para casa”, contaChrista Postma, quedisse ter setornado amiga dele no fim do ensino fundamental porque os dois estavam “sempre metidos em encrencas”. Os crimes pelos quais Harris-Moore foi indiciado ou aqueles que são atribuídos a ele mostram um foco cada vez mais concentrado na tecnologia e no transporte, envolvendo o furto de laptops e mountain bikes, dispositivosGPSselanchas.Masédifícilencontrar no passado dele algo que sugira que um dia ele seria capaz de pilotar aviões e levá-los paraforadopaís semnuncaterrecebidotreinamento de piloto. Ele é suspeito de roubar pelo menos cinco aviões – um deles durante a Olimpíada de Invernode Vancouver– eimprovisaraterrissagens com eles. Em todas as ocasiões escapou sem ferimentos – do pouso ou causados pelas autoridades que o perseguiam. Por uma cheesecake. Os céus sobre o Ca-

Autodidata? Ninguém sabe como o trouble boy da Ilha Camano, filho de mãe encrenqueira e pai ausente, aprendeu a pilotar aeronaves sozinho

O fujão dos pés descalços Com 19 anos, Colton Harris-Moore roubou aviões, fez a polícia de boba e virou ídolo na internet

WILLIAM YARDLEY THE NEW YORK TIMES

andido Descalço” não foi o único apelido que Colton Harris-Moore recebeu em poucos anos de vida. Vizinhos dizem que a mãe gritava termos tão chulos contra o garoto que eles até se encolhiam quando as palavras ecoavam pelos amplos gramados que cobrem boa parte da Ilha Camano, no Canal Puget, em Washington. Colegas de escola dizem que ele era do tipo valentão – isso quando aparecia para estudar. Ainda assim, quem sabe o mais leve de todos os apelidos que já teve seja o que mais revela a respeito dele. Muito antes do roubo de barcos e aviões transformá-lo em um expert em escapadas e um anti-herói da internet, Harris-Moore, de 19 anos, foi considerado suspeito de roubar biscoitos e pizza congelada da família Kostelyk, a alguns quarteirões da imundície que ele chamava de lar – um trailer estacionado numa rua sem saída, a menos de uma hora de Seattle. Os Kostelyks moravam numa casa de frente para o mar e tinham um freezer cheio de comida. Ele estava sempre duro e morava afastado da costa. “Chamávamos ele de ‘Menino da Ilha’”, lembra-se Linda Johnson, cuja mãe, Maxine Kostelyk, parece ter sido uma das primeiras vítimas de Harris-Moore. “Sei que ele voltou várias vezes para surrupiar pizza congelada, biscoitos, sorvete. O menino era alto e estava em fase de crescimento.” Quandofoifinalmentecapturadonasemana passada – numa lancha roubada nas Bahamas, fugindo da polícia com a ousadia de quem o faz numa partida de vídeogame –, o jovem de mais de 1,95 m já tinha se tornado uma sensação nos EUA. Depois de escapar de uma instituição juvenil de reabilitação no Estado de Washington há cerca de doisanos, ele iludiu autoridades de todo o território americano usando a astúcia e os pés (às vezes descalços) de maratonista. A polícia diz que ele passava períodos curtos (dias ou semanas) morando em casas abandonadas e, de alguma maneira, aprendeu até a pilotar aviões, dominando a arte de improvisar uma aterrissagem sem se ferir. Parecia impossívellocalizar eidentificar Harris-Moore, uma mistura de criminoso engenhoso e Huck

“B

Finn da alta tecnologia. Entretanto, o exame de sua infância e de seusproblemassugere umquadromuitomenos cinematográfico. De acordo com documentosdotribunaledaadministraçãopública, além de dúzias de entrevistas, HarrisMoore não era herói nem sequer de si mesmo. Ao contrário: seja ao se esconder na casa da árvore de propriedade dos Kostelyks, esperando pela entrega da lanterna de alta potência que, segundo a polícia, ele encomendou com um cartão de crédito roubado, ou ao voar sozinho no início do mês em direção às Bahamas num Cessna que surrupiou, isolado no pequeno cockpit por mais de 1.500 km, Harris-Moore se viu sozinho e faminto durante a maior parte da vida. Isso não mudou – nem mesmo enquanto milhares de fãs o festejavam no Facebook. “Ele diz que não dá a mínima para isso”, disse Monique Gomez, advogada que representou brevemente Harris-Moore nas Bahamas. “Tudo que quer é deixar o episódio todo para trás.” A advogada ainda acrescentou um diagnóstico pessoal: “Acho que, se tivesse recebido uma orientação adequada na vida, não teria feito o que fez”. Garoto-problema. De fato, Harris-Moore teve uma infância volátil e se envolveu em conflitos frequentes com a mãe, Pam Kohler. Sofreu os danos da ausência de um pai. E, deacordocomdocumentospúblicos,funcionários do serviço de proteção à criança foram orientados a cuidar do caso da família em pelo menos 12 ocasiões antes de HarrisMoore completar 15 anos. O relatório de um funcionário do serviço social logo após a primeira detenção de Colton, aos 12 anos de idade, chega a uma rápida conclusão: “Colton quer que a mãe pare de beber e fumar, arrume um emprego e traga comida para casa. A mãe se recusa”. Quando Harris-Moore tinha apenas 4 anos, alguém denunciou Pam Kohler depois de testemunhar “uma mulher agarrar uma criança pequena pelos cabelos e bater na cabeça dela com força”, de acordo com um resumopsiquiátricomontado12anosmais tarde. Antes de ele completar 10 anos, uma investigação envolvendo “negligência e maustratos”tinha sidoiniciada. Aindaassim, Pam nãofoiacusadapornenhumcrimerelacionado a essas queixas. Agora com 59 anos, a mãe de Harris-Moore não quis dar entrevista. Uma advogada contratadapor ela para cuidar das investidas da imprensa e das propostas de livros e de filmes adaptados a partir da história de seu

STUART ISETT/THE NEW YORK TIMES

REPRODUÇÃO

AP

filho nega que haja nos registros públicos alegações de abuso envolvendo sua cliente. Em Haven Place, estrada de cascalho na extremidade sul da Ilha Camano, onde Harris-Moore cresceu e onde sua mãe mora até hoje, vários vizinhos dizem se lembrar dos gritos de mãe e filho, que atravessavam a noite. Todos eles solicitaram que seu anonimato fosse preservado por temerem a reação de Pam. Não por acaso. Uma placa pintada à mão no fim da cerca de madeira da casa da mulher alerta: “Não ultrapasse este ponto, ou eu atiro”. Indagado se essa ameaça deveria ser levada a sério, um vizinho não pestanejou: “Ela atira mesmo”. E se lembrou do caso de um topógrafo que afirmou ter ouvido disparos feitos em sua direção enquanto trabalhava

As cenas do crime. De cima para baixo, a vizinha Maxine Kostelyk, de quem o larápio ainda menino surrupiava biscoitos e pizzas, se espanta com a fama repentina; a camiseta da fuga, sucesso de vendas na internet; e o meliante, enfim capturado pelas autoridades americanas

nal Puget tremem com o intenso tráfego de pequenos aviões que circulam pelas ilhas locais. Pam Kohler disse uma vez aos repórteres que seu filho era capaz de identificar os diferentes modelos que sobrevoavam a região. A internet está repleta de especulações sugerindo que Harris-Moore teria aprendidoavoar utilizando programasdesimulação nos laptops que roubava. Mas não há indícios concretos sobre como ele teria de fato aprendido a pilotar. “Essa é a pergunta que todos farão a ele quando Harris-Moore começar a falar, caso decidafalar”, declarouEd Wallace, investigador do gabinete do xerife de Island County. O rótulo de “Bandido Descalço” é um apelido relativamente novo na região. Sua origem está nas pegadas que foram encontradas no ano passado durante algumas das investigações e nos desenhos de pegadas que a polícia acredita terem sido feitos pelo próprio Harris-Moore em lugares onde seus crimes ocorreram. “Ele vestiu a carapuça e usava o título com orgulho”, disse o xerife Bill Cumming, de San Juan County. Os vizinhos dizem se lembrar de ocasiões em que Harris-Moore aparecia descalço durante a infância. Na época, ele se queixava aos assistentes sociais de que sua mãe não o encorajava a ser mais responsável. Os assistentes apontaram mais de uma vez para o fato dea mãe de Colton se recusar a dar prosseguimento aos programas de acompanhamento e tratamento que eram prescritos para seu filho. Christa, a amiga problemática do oitavo anoquehojetrabalhanocontroledequalidade de uma empresa de pesca no Alasca, disse ter participado desses programas de acompanhamento e isso a ajudou muito. No bairro de Harris-Moore, muitos também dizem que ele dava a impressão de procurar substitutos para a figura paterna durante a infância – pedindo aos outros que fizessem sanduíches de pasta de amendoim para ele ou então observando-os cuidar das tarefas básicas do lar, para depois roubar suas caixas de correio ou seus computadores. Outros ressaltam que o tempo todo em que suas loucas escapadas tornavam-se cada vez mais espetaculares e estimuladas por amigos virtuais na internet ele manteve contato com a mãe. Harris-Moore foi trazido de volta ao Estado de Washington na quarta-feira para comparecer ao tribunal no dia seguinte. Ele enfrenta uma acusação federal por roubar um avião e transportá-lo de um Estado para outro e pode ser acusado de muitos outros crimes – tais como invasão de propriedade com o intuito de roubar, furto e fraude no cartão de crédito. E, se no final sua mãe o encorajou publicamente a fugir para um país que não tivesse acordo de extradição com os EUA, em vez disso, Harris-Moore foi parar nas Bahamas. “Ele não estava realmente tentando fugir”, diz Kyle Ater, que encontrou pegadas descalças desenhadas com giz no chão de sua loja de comida natural na ilha próxima de Orcas – depois de, segundo a polícia, o estabelecimento ter sido invadido por Harris-Moore, que destruiu o sistema de alarme apenas para comer uma cheesecake inteira guardada no refrigerador. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL


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CLASSIFICADOS

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2010

na internet: zap.com.br a e i o u

CONSELHOS PARA SE TORNAR...

2.3 65

Ofe rta Vej s de N a ín eg pág dice ócios. ina na 6

Um empreendedor de sucesso Após a Segunda Guerra Mundial o brasileiro César Yázigi, recém-chegado dos Estados Unidos, aproveitou o fluxo de investimentos no Brasil e começou a lecionar português para executivos estrangeiros que trabalhavam no País. Foi quando percebeu que poderia investir também no ensino de inglês para profissionais brasileiros. Assim nasceu o Instituto de Idiomas Yázigi,

oportunidades

uma parceria entre César Yázigi e os amigos Fernando Silva e Itamar Silva (foto). Atualmente, a escola tem 402 unidades e faturamento anual de R$ 212 milhões. O segredo do sucesso, para Itamar, “é identificar as necessidades do mercado e não apenas abrir um negócio para si.” Ele recomenda o sistema de franquias para quem não tem essa visão. “A franquia é a transferência teorizada e eficaz das práticas aplicadas a um negócio de sucesso”, diz.

Para anunciar ☎ (11) 3855-2001 DIVULGAÇÃO

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Experiência no setor moveleiro demonstra que fabricar peças estrangeiras de luxo no Brasil pode se tornar um bom negócio para empreendedores e compradores

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Dia: 31 de julho de 2010 às 10 horas • Local: Avenida Comendador Aladino Selmi, 2.500 - Campinas - SP Informações pelos Tels. (16) 3617-6464 | (11) 2464-6464 • sodresantoro.com.br José Eduardo de Abreu Sodré Santoro - Leiloeiro O cial - Jucesp nº 195

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Dia 2 de agosto de 2010 às 9:30 horas Bens em exposição no local do leilão: Eletrodomésticos: tvs, dvds, fogões, mini-systens, lavadoras de roupas, tanquinhos, refrigeradores e micro-ondas • informática: notebooks, impressoras, monitores lcd, cpus, fax scanners e outros materiais. Dia 3 de agosto de 2010 às 9:30 horas Bens em exposição na Rua Oswaldo Oscar Barthel, 31, Jd. Paulicéia - Campinas/SP - Agendar visitas de 26 à 30.07.10 e 02.08.10 Sr. Adriano (19) 9124-6397: grande quantidade de gaiolas metálicas diversos tamanhos. Bens em exposição na Av. Bandeirantes, 1801ª Vila Leila - Mogi-Guaçu – SP - agendar visitas de 26 à 30.07.10 e 02.08.10, com Sr. Vanildo (19) 3891-9026/3397-1742: Geladeira, lavadora de roupas, blu-ray, aparelhos de dvd, camisetas, sapatos, auto peças diversas, pneus p/ trator, etc. Bens em exposição na Avenida José Agostinho, 750 - Delta (MG) Agendar visita e retirada com o Sr. Marcelo Acuña Coelho - no TEL. (16) 3911-4578: micro trator Yanmar tc 14s • 2 carregadeiras Bell • trator Valtra BM 100 4x4 Bens em exposição no Setor Terminal Norte , Lote J - Asa Norte, Brasília - DF (Carrefour Brasília Asa Norte - BAN): 4 escadas rolantes Atlas Shindler. Bens em exposição no local do leilão: Eletrodomésticos: tvs, dvds, fogões, mini-systens, lavadoras de roupas, tanquinhos, refrigeradores e micro-ondas • informática: notebooks, impressoras, monitores lcd, cpus, fax scanners e outros materiais. Dia 4 de agosto de 2010 às 9:30 horas Bens em exposição no local do leilão: Eletrodomésticos: tvs, dvds, fogões, mini-systens, lavadoras de roupas, tanquinhos, refrigeradores e micro-ondas • informática: notebooks, impressoras, monitores lcd, cpus, fax scanners e outros materiais. Lances via internet a partir do dia 30/07/2010 • Visitas no dia dia útil anterior ao leilão, horário comercial. Relação detalhada, locais e fotos no site sodresantoro.com.br. As condições de venda constam no site e nos catálogos que serão distribuídos no leilão. Informações pelo Tel. (11) 2464-6464 - Fax: (11) 2464-6449 Luiz Fernando de Abreu Sodré Santoro - Leiloeiro O cial - Jucesp nº 192

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Dias 26, 27 e 28 de julho às 9:30 horas • Local: Marginal Via Dutra, Km 224 - Guarulhos - SP Dia 26 de julho de 2010 às 9:30 horas Bens em exposição no local do leilão: eletrodomésticos: fogões, lavadoras de roupas, micro-ondas, lava-louças, forno, multi-climatizador, tanquinho, depurador de ar e refrigeradores • condicionadores de ar • faqueiro • mochila de hidratação • bicicleta ergométrica • poltrona p/ auto • bicama • chopeira • adega e outros materiais. Dia 27 de julho de 2010 às 9:30 horas Bens em exposição na av. Waldyr Beira, 1000, Bairro da Figueira, Amparo/SP. Agendar visista e retirada com o sr. Geraldo no Tel: 19.3808.8033 (visita de 22, 23 e 26.07.10, horário comercial): aprox. 80 ton. de bra de a