Issuu on Google+

%HermesFileInfo:A-1:20100808:

JULIO MESQUITA 1891 - 1927

8 DE AGOSTO DE 2010 R$ 4,00*

RUY MESQUITA Diretor

estadão.com.br

ANO 131. Nº 42663 EDIÇÃO DE 0h15

DOMINGO C2DOMINGO

Classificados

Adélia Prado lança A Duração do Dia após jejum de 11 anos

13.286 ofertas Muito além da 81 páginas WILTON JUNIOR/AE

Casa Criações de Ross Lovegrove evocam estruturas da natureza

Ganhe o álbum de figurinhas do Campeonato Brasileiro

TV

imaginação

Sobrenatural marca A Cura, série da Globo com Andréia Horta e Selton Mello RENATO ROCHA MIRANDA

Lula deixará para sucessor conta de até R$ 90 bilhões

A 90 dias do Enem, governo ainda não fechou contrato

Valor refere-se à projeção de restos a pagar de 2010 para 2011; até junho, o volume era de R$ 53,7 bilhões

AtrêsmesesdarealizaçãodoExameNacional do Ensno Médio (Enem), o contrato com as instituições que organizarão a prova ainda não foi assinado. Sem esse acordo formal, não é possível iniciar as atividades, como a contratação de fiscais. Mesmo assim, o Instituto NacionaldeEstudosePesquisasEducacionais (Inep) garante que tudo está de acordocomocronograma. VIDA/ PÁG.A24

O presidente Lula deixará a seu sucessor pagamentos pendentes de R$ 90 bilhões, segundo a área técnica. Será um novo recorde, batendo os R$ 72 bilhões que passaram de 2009 para 2010. O dado de 2010, até junho, é de R$ 53,7 bilhões, informa a repórter Lu Aiko Otta.

Essas despesas são os restos a pagar e ocorrem porque os ministérios às vezes contratam um serviço, mas ele não é concluído até dezembro. A existência dessa conta é rotineira na administração pública, mas virou uma bola de neve por causa do PAC. Os restos a pagar

já são quase iguais aos investimentos previstos noano. “O gestorpúblico acaba ficando numa escolha de Sofia: ou pagaos restos do ano anteriorou executa o orçamento do ano”, diz Gil Castello Branco, do Contas Abertas. “Não tem dinheiro para os dois.” ECONOMIA / PÁG. B1

● Metas

para ministérios

O governo estuda fixar metas de desempenho para ministérios. No modelo, os que falham sofrem redução no orçamento. ECONOMIA / PÁG. B3

SERGIO NEVES/AE

Escândalos não tiram políticos da eleição

Popularidade de Chávez resiste à crise

A eleição de outubro expõe uma contradição. Será a primeira disputa com a aplicação da Lei da Ficha Limpa, mas terá personagens dos maiores escândalos políticos dos últimos 20 anos concorrendo a deputado, senador ou governador. Além de não terem se afastado da política, muitos são favoritos. NACIONAL / PÁGS. A4 e A6

A Venezuela vive a maior recessão dos últimos anos. Apesar disso, a popularidade de Chávez se mantém, relata a enviada especial Patrícia Campos Mello. “A situação está difícil, mas não é culpa do Chávez”, resumiu um morador da maior favela de Caracas. Ele se alimenta de graça em “comedor” mantido pelo governo. INTERNACIONAL / PÁG. A16

aliás,

Presidente da Colômbia quer diálogo com vizinhos

PERFIL DO CRIME

INTERNACIONAL / PÁGS. A18 e A19

O grau de articulação do crime organizado no País não é tão forte quanto se pensa, diz o cientista político Guaracy Mingardi.

Cantareira terá cinco hidrelétricas da Sabesp METRÓPOLE / PÁGS. C1, C3 e C4

Sem medicamento. João Petrika, de 12 anos, com os pais, Tania e Antonio: mudança de escola fez milagres

Corinthians revê seu rival da Libertadores

Hiperativos: a moda do remédio

Time pega Flamengo, no Pacaembu, e não fala em revanche, mas na vitóriaquepodelevá-lodevoltaàliderança do Brasileiro. ESPORTES / PÁG. E1

O medicamento usado no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) está entre as substâncias controladas mais consumidas no País. Entre 2000 e

J. R. MENDONÇA DE BARROS Revisão de cenário O crescimento mundial no primeiro semestre foi melhor do que o esperado. Confirmou-se a expansão dos emergentes e melhora na Europa.

VISÃO GLOBAL Mundo perdido A fronteira entre EUA e México está associada a fatos medonhos, escreve Marc Lacey.

RENATO JANINE RIBEIRO Precisamos de vices? Temos de avaliar bem se o vice merece o nosso voto porque estamos votando, sempre, em dois nomes. E o reserva pode virar titular.

ECONOMIA / PÁG. B6

INTERNACIONAL / PÁG. A22

ESPAÇO ABERTO / PÁG. A2

7 8 9 10 11 12

2008,onúmerodecaixasvendidaspassou de 71 mil para 1,147 milhão. A alta no consumo vem acompanhada de questionamentos sobre a banalização douso doremédioentre criançaseado-

lescentes.Paraalgunsespecialistas,havia demanda reprimida. Para outros, a causa seriam diagnósticos malfeitos. A dificuldade de detecção do TDAH alimenta a polêmica. VIDA / PÁG. A26

Tempo na capital 27˚ Máx. 8˚ Mín.

Sol e tempo firme, frio na madrugada 222 PÁGINAS. * TABELA NA PÁG. A3 TIRAGEM 312.991

ESTADO SOB CENSURA HÁ 373 DIAS. PÁG. A15

Morre o historiador Tony Judt, autor de ‘Pós-Guerra’ VIDA / PÁG. A24

AMANHÃ, CADERNO ESPECIAL

NOTAS & INFORMAÇÕES

Prejuízos à vista na Venezuela Empresas brasileiras poderão pagar caro por haver acreditado no presidente Hugo Chávez. PÁG. A3


A2 Espaço aberto %HermesFileInfo:A-2:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

PUBLICAÇÃO DA S.A. O ESTADO DE S. PAULO

Fundado em 1875

Av. Eng. Caetano Álvares, 55 - CEP 02598-900 São Paulo - SP Caixa Postal 2439 CEP 01060-970-SP . Tel. 3856-2122 (PABX) Fax Nº (011) 3856-2940

Julio Mesquita (1891-1927) Julio de Mesquita Filho (1927-1969) Francisco Mesquita (1927-1969) Luiz Carlos Mesquita (1952-1970)

Precisamos de vices? ✽ ●

RENATO JANINE RIBEIRO erá que precisamos de vice-presidente, vice-governador, vice-prefeito? A dificuldade na escolha dos vices de Dilma Rousseff e José Serra suscita essa pergunta. Um vice pode tornarse presidente: dos sete presidentes civis eleitos desde 1950, quatro não terminaram o mandato, tarefa que foi repassada a seus vices–CaféFilho,JoãoGoulart,José Sarney e Itamar Franco. Dessesquatro vices, aliás, osdois primeirosforamdepostos.Pode,então, um vice ser escolhido sem muito cuidado? Mais que isso, um vice é útil, é necessário? Os regimes democráticos, hoje,dividem-seempresidencialistas, a maioria deles no continente americano, e parlamentaristas,estesespecialmentenaEuropa, na Oceania, na Índia e no Japão. No parlamentarismo, como diz o nome, quem compõe o governo é o Parlamento – e por isso mesmo ele pode ser dissolvido quandonecessário,convocandosenovas eleições. Assim, no regime parlamentar o deputado não é eleito para um mandato fixo, mas máximo, que pode ser abreviado pela dissolução do Parlamento.ObomnoparlamentarismoéqueadissoluçãodoLegislativo, longe de ser um problema, é muitasvezesumasolução.Oque nopresidencialismoseriaumgolpe de Estado, traumático, é no governo de Gabinete uma saída institucional regular. Ora, neste regimeo chefedeEstado nãoimportamuito. Pode serum rei.Pode ser um presidente com funçõesquasecerimoniais.Seelerenunciar oufalecer, será sucedido por outro, que começará um novomandatointeiro.Nãoseprecisa de vice. E nada disso constitui problema. Jáopresidencialismoébemdiferente. Ele exige um equilíbrio entre o presidente e o Parlamento,amboseleitos,mas compoderes distintos e que se contrapõem, justamente para que não haja nem tirania nem desgoverno. Todos os mandatos são fixos. O Parlamento não pode ser dissolvido. Sabe-se quando uma legislaturacomeçaequandoterminará.Ébomqueomandatopresidencial coincida, em certa medida,comolegislativo,masodecisivo é que ele seja, também, um mandatofixo.Paraissoocorrer,a figuradoviceéquaseindispensável. Assim, se o presidente (ou o governador ou o prefeito) morrer,renunciaroufor destituído,o vicecompletaráseumandato.Casoiniciasseumnovomandatointegral, perder-se-ia o equilíbrio entre os dois Poderes eleitos. Daí a importância do vice. Além dis-

S

so, ele deve ser eleito, dado que pode vir a exercer o cargo mais importante do país (ou Estado ou município). Um vice nomeado, como na Venezuela, pode substituir, não pode suceder. Mas o vice traz problemas. Primeiro: é frequente ele ser uma figura apenas decorativa. O titular não lhe confia papéis importantes. Ele é um zero que pode,deummomento parao outro, tornar-se tudo. Vejamos os nomes acima. Em 1950, Café Filho foi uma escolha quase fortuita. Em 1960, Goulart elegeu-se vice deJânioQuadrosporqueestedisputou a Presidência tendo dois candidatosavice(naépoca,eram eleições separadas, sem vinculação de chapa). A opinião pública, queem1985apoiouTancredoNevesparasairmosdaditadura,tolerou o nome de Sarney como vice, mas nunca o aceitaria como can-

Temos de conhecer o que eles pensam e avaliar bem o nosso voto, pois o reserva pode virar titular

José Vieira de Carvalho Mesquita (1959-1988) Julio de Mesquita Neto (1969-1996) Luiz Vieira de Carvalho Mesquita (1959-1997)

Américo de Campos (1875-1884) Nestor Rangel Pestana (1927-1933) Plínio Barreto (1927-1958)

Não matem Sakineh alguns minutos na televisão? O que fazer, então? Suprimir o vice exigiria novas eleições, o que, por sinal, não é impossível: poderiam ser eleições diretas, se avacânciasedernosdoisprimeiros anos de mandato, ou indiretas, nos últimos. As novas eleições teriam de ser realizadas com rapidez – mas em qualquer regime parlamentarista um pleitoéconvocadocom30ou40dias deantecedência.TemosumaJustiça Eleitoral enorme, cara – e mais lenta que os órgãos eleitorais de qualquer país europeu. Ela poderia ser mais ágil. Mas, mesmo assim, um sistema desses deixaria ao acaso – a morte, a renúncia – o poder de desorganizar todo o equilíbrio entre os Poderes, que é essencial no presidencialismo. Morre ou renuncia opresidente,emudaporcompleto o Poder Executivo. A saída menos ruim talvez seja manter as coisas como estão. Tem funcionado bem a ideia de dar ao vice um cargo de ministro ou de secretário. Assim, ele não é esterilizado. Claro que, se o titularsedesentendercomovice,comosucedeu coma prefeita Luiza Erundina ou com o presidente Collor, haverá problemas. E por isso mesmo temos de avaliar bemseovicemerece nossovoto. Porque estamos votando, sempre, em dois nomes, e o reserva podevirartitular.Precisamosconhecer o que pensam. Afinal, se têm tanta chance de assumir o cargo, precisamos conhecê-los e levaremcontaasaliançasquerepresentam na hora de votar. Isso a imprensa deveria cobrar.

didato ao cargo titular. Itamar Franco, que foi o mais providencialdos vices que nosso país já teve, estava semirrompido com o titular,FernandoCollor,jánocomeçodeseugoverno,etalvezdesde a campanha de 1989. Assim, umpolíticoéneutralizado, quase liquidadoe,derepente, adquireo maior poder do País, por mera obra do acaso. Isso é bom? Segundo: o vice muitas vezes apenas agrega apoio eleitoral. Ele não é da confiança do titular. Foi o caso de Orestes Quércia, vice de Franco Montoro, na elei- ✽ ção para governador de São Pau- PROFESSOR TITULAR DE ÉTICA lo em 1982. Ou comparemos os E FILOSOFIA POLÍTICA DA USP três vices de José Serra. Seu vice-prefeito, Gilberto Kassab,praticamentelhefoiimposto, mas mostrou-se leal SINAIS PARTICULARES aele–embora,nasuareeleição, tenha agravado o racha entreasduasprincipaislideranças tucanas paulistas, o ex-governador Geraldo AlckmineopróprioSerra.Seu vice no governo, Alberto Goldman, foi o nome certo, tanto que foi seu secretário deEstadoehojedácontinuidade ao que ele fez – só que nãosomouvotos.Finalmente, seu candidato a vice-presidente, Índio da Costa, é um desconhecido. Parece que quem é leal não traz votos e quem soma votos traz problemas. Para terosminutosdoPMDBDilma precisa de Michel Temer, para ter o tempo do DEM Serra necessita de Índio – mas eles são apenas um complemento da candidatura principal. Seria bom para o País ter como presidente da República alguém Os Flintstones cujo principal trunfo foram

✽ ●

GAUDÊNCIO TORQUATO akineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos,mãededoisfilhos, aguarda o momentode ser enterradaatéopescoçoe apedrejada. Condenada pelo artigo 83 do Código Penal do Irã (Lei de Hodoud), que prescreve a lapidação por adultério, a iraniana da etnia azeri confessou sob chicote ter mantido relaçõesilícitas.Dascemchicotadas preconizadaspelasharia(lei),recebeu “apenas” 99 por “senso humanitário”dojuiz.Nosábado 31/7, Luiz Inácio, amigo do líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, foi impelido a sugerir, em praça pública, a acolhida da condenada entre nós. Depois da decisão de colocar o Brasil, juntamente comaTurquia,nadefesadoprograma nuclear do Irã, nosso presidente não esperava receber o troco em forma de deboche: “Pessoa humana e emotiva, que provavelmente não recebeu informaçõessuficientessobreocaso.”Entreahumanidadedojuiz, dispensando a última chicotada em Sakineh, a da Corte Suprema,quepodedemonstrar“sensibilidade” e transformar o apedrejamentoemenforcamento,e o toque sentimental de Lula, em seu esforço para evitar o “açoite”sobreoIrã,materializadoem sanções impostas pela ONU àquelepaís,desenrola-seofiode concepções relativas sobre vida, culturas e sistemas políticos. A comovente história da iranianaserveparaescancararahipocrisia de nações e a lógica que

S

move seus interesses e trocas. Nem sempre se paga a solidariedadedeumpaísaoutrocomreciprocidade. A fraternidade demonstrada por Lula para com o Irã acabou sendo correspondida com desdouro. O Brasil nem se recuperadoimpactonegativosofridopeladecisãodeapoiaroprogramanucleariranianoevêoapelodeseumandatário,mesmofeito informalmente, ser transformado em bobagem, coisa ingênua de pessoa desinformada. O queasautoridadesiranianaspossivelmente pretendem transmitir é a feição dogmática de sua cultura: o apedrejamento tem o amparo do Hadith, a palavra sagradado profetaMaomé, eé acolhidopelaJustiça.Aquestão,ampla, envolve o conflito entre o Islã e o Ocidente, que tem como pressuposto fundamental a intransigente defesa de seus siste-

Se Lula der o dito pelo não dito, esquecendo o apelo que fez, imitará os três macaquinhos

mas. O islamismo não recua em sua disposição de se impor como guia cultural, religioso, social e político no mundo moderno. EssepanodefundoabrigaoantagonismohistóricoIslã-Ocidente, centrado menos em posições territoriais e mais em temáticas que ferem os modos civilizatórios, tais como a proliferação de armamentos, os direitos humanos, as liberdades individuais e sociais, as questões relacionadas à imigração, o terrorismo fundamentalista e as ameaçasde intervenção do Ocidente. Convém, aqui, avaliar a posição de certas nações,entreasquaisoBrasil,paraasquaisageopolíticacontemporânea deve pautar-se nopragmatismodeorientação econômica, cujo vetor apontaparaacomplementaLOREDANO ridade de seus nichos negociais. Sob este prisma, as relaçõescomerciaisentrepaíses importam mais que injunções de natureza social e política. Ora, a perspectiva queprivilegiaamatériaeconômica em detrimento dos valores éticos e morais não pode ser aceita nos moldes em que é argumentada pela diplomacia. É inconcebível quepaísesdetalhedemocrático, à moda dos três macaquinhos (fechando olhos, ouvidos e boca), se sintam confortáveis com afagos e abraços dados em déspotas de regimes ditatoriais. É bem verdade que boa parte do mundo frequenta a zona cinzenta de um relativismo moral e cultural. Sob esta pisada, sistemas fechados tentam legitimar a repressão. Não é esse o caso do Irã? Quando esse país diz

com todas as letras que o presidentebrasileiroestádesinformado, na verdade quer sugerir outrasrespostas:“Nãoseintrometa em nossos costumes, não dê palpites em nosso sistema judiciário, não bote o bedelho onde não é chamado.” Ou, de modo mais educado: “Nós apreciamos sua humanidade para defender nosso território no concerto das Nações,mas,porfavor,nãoausepara contrariar nossos códigos de conduta e justiça.” Se Luiz Inácio deroditopelonãodito,esquecendo o apelo que fez por Sakineh, imitará os três macaquinhos. Principalmente neste momento em que a defesa dos direitos humanos ganha relevo nos foros internacionais – basta olhar para a libertaçãode50prisioneirospolíticos de Cuba –, nosso presidente, pessoa afeita a lances de grande visibilidade, poderia ancorar a imagembrandindoasagradabandeira das liberdades. O Itamaraty, por sua vez, deve conter o ímpetodeconstruirpontesdefraternidade com qualquer pedaço do mundo a título de reforçar laços comerciais. Poderia dosar seu pragmatismo com pequena lição dos clássicos: “As culturas são relativas,masamoraldeveserabsoluta.” A fatia ética há de fazer parte do bolo que o Brasil busca extrair dos fornos do planeta. Com espaço continental, incomensuráveis riquezas, povo acolhedor,sentimental,alegreecriativo, o País terá voz mais elevada sedecidirintegraravanguardada luta pelos direitos humanos. Bastadetergiversação.Sobessacrença, e ante a confirmação da sentença pela Alta Corte do Irã, Lula poderia insistir, agora formalmente: “Sr. presidente Ahmadinejad, adicione uma pitada de grandeza ao Irã. Liberte Sakineh. O gesto abrirá espaços de solidariedade para sua nação. Entendemos a identidade cultural de seu povo.Nocampoéticoemoral,porém,nãodevehaverrelativismo.” Abro espaço para Marina Nemat, autora de Prisioneiros em Teerã, livro de memórias em que descreve a prisão Evin, em Teerã:“De1982a1984,aindaadolescente,presapolítica,fuialitorturada e estuprada. Vi meus amigos sofrerem e morrerem. Tantas vidas jovens e inocentes devastadasouperdidas.Masomundocontinuoucomosenadativesse acontecido.” Em tempo: as pedras para a lapidação não podem ser muito grandes, porque a ré deve sofrer o suficiente e não pode morrer logo;tampoucodevemserpequenas,porqueoslapidadoresdemorariam muito. Mas a humanidade dos juízes poderá “concederlhe” a morte por enforcamento. ✽ JORNALISTA, É PROFESSOR TITULAR DA USP E CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO

Fórum dos Leitores CALOTE BOLIVARIANO ‘Negócios são negócios’

Lula é o melhor exemplo de garoto-propaganda: financiou projeto milionário para o metrô de Caracas, incentiva os nossos empresários a investirem na Venezuela, como se Hugo Chávez fosse um parceiro confiável, tachando-o ainda de grande democrata. Se, como presidente da República, Lula merecesse todo o crédito pelo que declara, muitas empresas brasileiras estariam em via de quebrar, como a Braskem na Venezuela, que, na melhor das hipóteses, levará calote, ou, como é de praxe, será simplesmente tomada, como a Petrobrás na Bolívia. Assim mesmo, Chávez é tido por Lula como o melhor presidente dos últimos cem anos, mesmo à beira de levar seu país à falência. Aí me pergunto: será que foi essa visão de negócios que recentemente fez o petista Celso

Amorim afirmar que “negócios são negócios”? AMÂNCIO LOBO amânciolobo@uol.com.br São Paulo

AINDA O DEBATE Samba de uma nota só

Piano de quatro teclas apenas, duas afinadas entre si, uma dissonante e outra completamente desafinada. Esta última, a leveza do musical monocórdico, monótono, antigo disco de vinil, a girar repetitivo numa vitrola dos anos 60/70. Por conta disso, a agulha gasta, arranhando a “bolacha”, impede a audição de sons inovadores, inexistentes, por parte dos ouvintes que, cansados da longa jornada de trabalho, pegam em profundo sono e sonham com um país melhor... CACILDA AMARAL MELO cacilda09@uol.com.br São Paulo

Nada de novo

Frustrante o primeiro debate para quem esperava acirramento, desmascaramento entre os presidenciáveis. Sobrou diplomacia. Abordaram o que já cansamos de saber e se ativeram ao saturado tripé dos discursos politiqueiros, saúde, educação e violência, realçando alguns projetos, mas sem apresentar soluções factíveis e em quanto tempo seriam implantadas. Plínio, mesmo lúcido, tentou jogar para a plateia, com perguntas capciosas e gracinhas. Política é coisa séria, sr. Plínio! Marina nada acrescentou, tentou definir seu programa, mas sem aprofundamento, e transpareceu ainda continuar no PT quando em defesa do governo a que pertenceu. Dilma desconversou, mostrou-se hesitante e agiu como procuradora de Lula ao enaltecer seus feitos em relação ao governo anterior, o que nada acrescen-

ta de proveitoso para o País, sabendo-se que um deu seguimento ao outro. É o hoje e o amanhã que nos interessa! Não assumiu que é dela que o eleitor quer ouvir proposições: “Eu, se eleita, farei!” Serra fez média, foi moderado nas provocações aos opositores, embora tenha demonstrado mais firmeza nas suas ponderações. É o mais experiente, sem dúvida, não sei se o melhor. Boechat saiu-se melhor entre todos!

Dilma critica FHC porque acha que assim atinge Serra. Eles deveriam é dizer o que vão fazer e como. Mas os dois insistem em tentar “derrubar” o outro. Algumas crianças, até os, digamos, 10 anos de idade, acham que derrubar o outro é legal. Mas com o crescimento percebem que isso não leva a nada. Eles pararam nos 10 anos. Suas estratégias são infantis. O pior é que um deles vai governar o Brasil... por oito anos.

significante. E pode ser posta em destaque a observação do candidato Plínio de Arruda Sampaio ao qualificar Serra de “hipocondríaco”, pois deu ênfase à área da saúde, mostrando pouca criatividade em termos de propostas e críticas ao atual governo. É a confirmação de que efetivamente ele não se considera oposição? URIEL VILLAS BOAS urielvillasboas@yahoo.com.br Santos

HILDEBERTO AQUINO hildebertoaquino@yahoo.com.br Russas (CE)

FELIPE ALBANO felipe@albano.adm.br Rio de Janeiro

Temas perigosos

Erros estratégicos

Pouca criatividade

No debate vimos que nem Dilma nem Serra conseguiram entender nada. Uma pena. Serra critica o governo Lula, como se não percebesse que seus 80% de aprovação claramente demonstram que a crítica não vai levá-lo a nada. O povo está gostando do que vive.

O primeiro debate entre presidenciáveis na TV por certo aumentou as preocupações do candidato Serra, que se julgava o mais competente, capaz e, sobretudo, com grande domínio desse importante veículo. Deu tudo errado. O debate teve audiência in-

Certamente a candidata Dilma “Silva” condicionou sua presença no primeiro debate televisivo à proibição de perguntas relacionadas à política externa, Hugo Chávez, mensalão e corrupção deslavada. Nenhum dos debatedores falou sobre isso, nem mesmo os repórteres da emissora. Ficamos sem saber se, eleita, continuará tomando atitudes dúbias e


%HermesFileInfo:A-3:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Conselho de Administração Presidente

Membros

Aurélio de Almeida Prado Cidade

Fernão Lara Mesquita, Francisco Mesquita Neto, Júlio César Mesquita, Patricia Maria Mesquita e Roberto C. Mesquita

Notas e Informações A3

Opinião

Informação

Administração e Negócios

Diretor de Opinião: Ruy Mesquita Editor Responsável: Antonio Carlos Pereira

Diretor de Conteúdo: Ricardo Gandour Editor-Chefe Responsável: Roberto Gazzi

Diretor Presidente: Silvio Genesini Diretor de Mercado Leitor: João Carlos Rosas Diretor Financeiro: Ricardo do Valle Dellape Diretora Jurídica: Mariana Uemura Sampaio

estadão.com.br A versão na Internet de O Estado de S. Paulo

Notas & Informações

Prejuízos à vista na Venezuela Empresas brasileiras poderão pagar caro por haver acreditado no presidente Hugo Chávez e, mais que isso, por ter levado a sério o entusiasmo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao companheiro bolivariano, grande arauto do socialismo do século 21. A Braskem já sabe onde se meteu e retirou 25 das 30 pessoas que mantinha na Venezuela para tocar dois projetos no valor de US$ 3,5 bilhões. O investimento seria realizado em associação com a estatal Pequiven, mas o governo venezuelano descumpriu sua parte, segundo uma fonte conhecedora do assunto, citada por nossa enviada a Caracas, Patricia Campos Mello. Companhias exportadoras descobriram bem mais cedo o risco enorme dos negócios com o mercado venezuelano. Já ocorreram

muitos atrasos de pagamento e o perigo do calote é considerável, porque os importadores dependem de um sistema de câmbio sujeito a controle oficial e a decisões arbitrárias. Empresas brasileiras ficariam livres do risco de estatização, segundo prometeu o presidente Hugo Chávez a seu amigo Lula. A promessa foi feita logo depois da desapropriação de uma indústria de capital argentino. E foi recebida sem sinal de indignação pela presidente Cristina Kirchner. Ela e seu marido também têm sido aliados muito próximos do chefão bolivariano. Mas parte do empresariado argentino teve uma reação à altura do ultraje e acusou seu governo de usar a parceria com Chávez para se vingar de desafetos. Agora é a vez de brasileiros perderem o sono por causa da ameaça de desapropriação. Uma nova lei permitirá ao governo venezuelano confiscar equipamentos e apropriar-se de obras públicas

paralisadas ou atrasadas. O projeto foi aprovado pela Assembleia Nacional em primeiro turno e deverá ser aprovado também no segundo, porque o Legislativo é controlado pelo governo. “Se for aprovada, a lei poderá ser um enorme problema para empreiteiras brasileiras”, disse o diretor da Câmara de Comércio e Indústria BrasilVenezuela, Fernando Portela. Empreiteiras brasileiras, como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, estão envolvidas em grandes empreendimentos na Venezuela e sujeitas, portanto, às variações de humor de um chefão autoritário. Mesmo agora, a única segurança dessas empresas é a proximidade entre os presidentes Chávez e Lula. Mas o mandachuva bolivariano poderá investir contra empresas brasileiras, a qualquer momento, quando julgar necessário para manter a ascendência sobre uma população cada vez

mais sacrificada pela inflação, pela escassez de comida, pelos apagões e por uma prolongada crise econômica. Neste ano, só dois países da América Latina e do Caribe devem permanecer em recessão. Um deles é o Haiti, muito pobre e ainda sob os efeitos de um devastador terremoto. O outro é a Venezuela, nação rica em petróleo e com grande potencial de desenvolvimento, mas devastada por um governo irresponsável. No ano passado o PIB venezuelano diminuiu 3,3% e a inflação ficou pouco acima de 25%. Os preços continuam subindo aceleradamente e a economia encolhe. O governo desviou os petrodólares ganhos em tempos de prosperidade para armar o país, transferir renda sem criar empregos produtivos e distribuir favores a aliados estrangeiros. Nesse jogo, negligenciou a produção de petróleo e destruiu boa parte da economia. Foi preciso aumentar a

importação de alimentos, mas nem o produto importado chega aos consumidores. Neste ano, milhares de toneladas de comida – algumas estimativas indicam 130 mil – apodreceram em contêineres. Enquanto o país afunda, Chávez continua tentando criar inimigos externos. Ao mesmo tempo, recorre a truques macabros, como a exumação e a exibição dos ossos de Simón Bolívar, numa tentativa, talvez, de vincular sua morte – possivelmente por envenenamento – a uma conspiração da oligarquia colombiana do século 19. Se o país de Chávez se tornar sócio pleno do Mercosul, como deseja o amigão Lula, o chefão bolivariano poderá ampliar o alcance de sua ação desagregadora. Mas alguns empresários brasileiros – poucos, é verdade – também apoiam essa insensatez. Talvez os novos desmandos cometidos na Venezuela possam mostrar-lhes o tamanho desse erro.

Triangulação de importações

Efeitos da estabilidade

lgo de muito estranho está ocorrendo no comércio exterior brasileiro. Países dos quais o Brasil pouco importava passaram, de repente, a figurar entre nossos maiores fornecedores. É, por exemplo, o caso de Taiwan, de onde o Brasil importou US$ 1,41 bilhão no primeiro semestre deste ano, 43,54% a mais que no mesmo período de 2009. Causam espanto também os aumentos das importações da Tailândia (US$ 828,71 milhões, mais 69,31%), da Malásia (US$ 828,54 milhões, aumento de 74,83%) e da Indonésia (US$ 657,06 milhões, mais 52,22%) na primeira metade deste ano, sempre em comparação com igual período de 2009. Como tais países não são grandes exportadores de manufaturados, o crescimento súbito das importações deles procedentes pode ser resultado da triangulação, ou seja, eles podem estar sendo usados para exportar produtos que, na verdade, são originários de um terceiro país, como forma de burlar as leis antidumping. Não se trata apenas de uma conjectura. Na semana passada, Roberto Giannetti da Fonseca, diretor da Fiesp, encaminhou ao Ministério da Fazenda um estudo comprovando que países asiáticos estão utilizando uma técnica batizada com o neologismo de circunvenção para exportar para o Brasil produtos fabricados na China. Isso ocorre porque o governo ainda não regulamentou a lei que impede o uso de terceiros

ão notáveis os efeitos sociais da estabilidade econômica, do crescimento e de algumas políticas públicas. Há tempos vêm sendo publicados estudos, baseados em dados do IBGE, que mostram uma intensa migração de brasileiros das classes de renda mais baixa para estratos de renda mais alta. Foram milhões de cidadãos que ascenderam socialmente nos últimos anos, em razão da melhoria de sua renda, e que passaram a demandar mais e mais variados produtos. Pesquisas recentes mostram uma novidade nesse processo. A ascensão para classes de renda mais alta não é condição obrigatória para a melhora do padrão de consumo e das condições de vida. Mesmo não tendo conseguido passar para as classes de renda superior, as famílias de renda mais baixa passaram a ganhar proporcionalmente mais, em média, fato que tem resultados impressionantes sobre o consumo interno. Embora a classe D venha diminuindo em número, por causa da migração para a C, neste ano a massa de renda disponível das famílias com renda mensal de R$ 511 a R$ 1.533 (ou seja, entre um e três salários mínimos) vai ultrapassar a das famílias da classe B (renda entre R$ 5.110 e R$ 10.220), como mostrou reportagem de Márcia De Chiara publicada segundafeira, dia 2, pelo Estado. Da renda total de R$ 1,38 trilhão neste ano, a classe C ficará com a maior fatia, de R$ 427,8

A

países para contornar restriçõesaimportaçõesapreçosartificiais, que atuam em detrimento da produção nacional. Como noticiou o jornal Valor (2/8), a Fazendapreferenãosemanifestar por enquanto porque está criando um grupo de trabalho para estudar o assunto. OobstáculomaisfortenoBrasil é sempre a burocracia. Como assinalaaFiesp, diversos países, entre os quais a própria China, já adotaram legislações contra a triangulação e têm o direito reconhecidopela OMCde fazê-lo, depois de procederem a investigações relativas a cada produto. Nos Estados Unidos, por exem-

O Brasil precisa ser mais ágil e firme para barrar essas operações de ‘circunvenção’ plo, normas para evitar esse tipo de distorção se aplicam até mesmoacomponentesimportadosparaaproduçãofinalemterritório americano e, dependendodascircunstâncias,podemestarsujeitosadireitoscompensatórios. A União Europeia adota política semelhante. Não se trata de protecionismo, mas de legítima defesa comercial. O governo reconheceu, pela Lei 9.019/95, alterada em setembro de 2008, que “as medidas antidumping e compensatórias poderão ser estendidas a terceiros países, bem como a partes, peças e componentes dos produtos objeto de medidas vigentes, caso seja constatada a existência de práticas elisivas (sic) que frustrem a sua aplicação”. Mas, pas-

convenientes apenas aos que estão dentro e nas periferias do poder. Nos três temas abordados – segurança, saúde e educação – disse que continuará fazendo o melhor. Pergunta-se: por que não o fez, chefe que era do gabinete mandatário da Nação?

a cidadania em suas músicas o tempo todo, não apenas em épocas de eleição. Numa delas, Adoniran falou das mariposas que davam “vorta em vorta da lâmpida pra si isquentá”. É só lembrar que a “lâmpida” fica num poste que o quadro se completa.

J. TREFFIS jotatreffis@hotmail.com Rio de Janeiro

HERMÍNIO SILVA JÚNIOR hsilvajr@terra.com.br São Paulo

Adoniran e o ‘debaute’

SAKINEH A primeira pedra

Não assisti ao debate da Band, mas esse humor de encomenda do candidato Plínio de Arruda Sampaio chamando Serra de “hipocondríaco” e Marina de “ecocapitalista” é típico de candidatos de aluguel. Sua veia humorística não encontrou nada de “engraçado” para dizer da candidata Dilma? Felizmente, estamos comemorando o centenário de Adoniran Barbosa, um brasileiro autêntico, que fazia humor e praticava

Imaginem o que seria de nós, ocidentais, se certo judeu não tivesse dito há 2 mil anos: “Aquele de vós que estiver sem pecado que atire a primeira pedra” (Jo 8,7). Eis um ponto em que muitos de nós já teríamos de estar agradecidos ao cristianismo. Faz falta ainda captar o resto da mensagem. RAFAEL DE FREITAS SARTORI rafaelfsartori@gmail.com São Paulo

sados quase dois anos, falta esclarecer o que são “práticas elisivas” ou lesivas, bem como os procedimentos a adotar em uma investigação. Como resultado, barrou-se a entrada de produtos chineses vendidos a preços baixíssimos e muitas vezes de qualidade inferior, mas permaneceu aberta a porta para outros países, que podem funcionar como simplesentrepostoschineses. ACâmara de Comércio Exterior (Camex), por exemplo, aprovou a cobrança de uma sobretaxa de US$ 12,47 sobre cada par de calçados importado da China, para restabelecer uma concorrência em condições normais com o similar nacional, mas as importações não cessaram, só tiveram de dar uma voltinha. As compras de sapatos da Malásia aumentaram de 11 mil pares no primeiro semestre de 2009 para 2,5 milhões nos primeiros seis meses de 2010. As compras do produto procedente do Vietnã aumentaram 109% e da Indonésia, 55%. A triangulação não se restringe a bens de consumo, mas atinge também aparelhos, máquinas e equipamentos diversos. Os empresários não defendem a instituição de nada parecido com o certificado de existência de similar nacional ou de licença de importação. Antes de impor sobretaxas, pedem uma investigaçãoparaapurarseospreços dos bens importados são condizentes com os praticados no mercado internacional. E que isso seja feito de acordo comregrascriteriosasetransparentes, as quais, inexplicavelmente, ainda estão por definir.

“Tranquilizem-se as empresas credoras, o ‘cara’ vai lá e, possuidor das chaves do nosso farto Tesouro, certamente socorrerá o companheiro Hugo” ANTONIO WUO / MOGI DAS CRUZES, SOBRE O CALOTE BOLIVARIANO wuo.antonio@gmail.com

“No socialismo bolivariano, o que é da Venezuela é tudo do Chávez e o que é dos outros ele quer a metade”

S

bilhões, ou 31% do total, conformecálculosdaempresaDataPopular. A classe D ficará com R$ 386,4 bilhões, ou 28% do total, uma fatia maior do que a da classe B (de 24%), que até o ano passado estava em segundo lugar. A classe A ficará com 16% e a E, com1%. A participação da classe E, a de renda familiar mais baixa (atéumsaláriomínimo),vemdiminuindo ininterruptamente nos últimos anos, por causa do processo de ascensão social. Outra pesquisa – da financeiraCetelem, ligadaaogrupofrancês BNP Paribas, divulgada em abril – confirma a melhora da renda das Classes D e E, o que

Migração entre faixas de renda e maior ganho dentro da mesma faixa estimulam o consumo temmudadoseuperfildeconsumo. Com renda maior, seus gastos não se restringem mais a bens de consumo não-duráveis. Elas compram serviços aos quais até há pouco não tinham acesso, como ensino particular. Não é um fenômeno recente. A intensa e contínua melhora do padrão de renda e de vida das camadasmaispobres dapopulação começou em 1994, no início doprimeiromandatodeFernandoHenriqueCardoso,comoPlano Real. A estabilidade monetária eliminou o grande fator de corrosão da renda dos brasileiros – particularmente dos mais pobres, que não dispunham de meiospara evitaressa perdafurtiva –, que era a inflação. Ao preservar a estabilidade da moeda, o governo Lula preser-

Avenida Engenheiro Caetano Álvares, 55 6º andar, CEP 02598-900 Fax: (11) 3856-2920 E-mail: forum@grupoestado.com.br

VOCÊ NO ESTADÃO.COM.BR TEMA DO DIA

TOTAL DE COMENTÁRIOS NO PORTAL:

Sonhar faz reter o que se aprende dia a dia

1.009

Estudos mostram que sonho atua como ferramenta cognitiva para fixar memórias e informações ● “Sempre que algo é muito difícil de resolver, eu sonho e, normalmente, na manhã seguinte, eu vejo uma solução.” FELIPE UEHARA

A. FERNANDES / SÃO PAULO, IDEM standyball@hotmail.com

“Quem venceu o debate? Ora, foi o futebol” ROBERTO TWIASCHOR / SÃO PAULO / SOBRE A AUDIÊNCIA REGISTRADA PELO IBOPE rtwiaschor@uol.com.br

vou também esse processo socialdemelhoriagradualdascondições de vida dos brasileiros em geral. O crescimento econômico dos últimos anos abriu novas oportunidades de trabalho, reduzindo o desemprego, que afetava mais duramente as camadas mais pobres, e, assim, estimulando ainda mais o aumento da renda dessa faixa social. O aumento real do salário mínimotevepapel importantenesse processo. Entre abril de 2003 e janeiro de 2010, o salário mínimo teve aumento real de 53,7%. “Nenhuma categoria teve esse ganhoderendanomesmoperíodo”,observouaoEstadooassessordoDepartamentoIntersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos(Dieese), Sérgio Mendonça. A renda da classe Dé fortemente atrelada ao salário mínimo. Só em janeiro deste ano, a entrada em vigor do novo salário mínimo propiciou a injeção de R$ 26,6 bilhões na economia, e boa parte desse valor representou aumento de renda das famílias mais pobres. Programas de distribuição de benefíciossociais,comooBolsaFamília, e a geração de grande número de empregos formais, além da expansão do crédito consignado, estão também estimulando o potencial de consumo da classe D. “Trata-se de uma combinação virtuosa para o consumo”, diz o assessor do Dieese. Estima-se que hoje as classes DeEincluem60 milhõesdebrasileiros e a classe C, 93 milhões. Seoempregoearendacontinuarem a crescer, mais intensa será a migração da D e E para a C.

● “Ao me deitar, sempre penso no que vou fazer no outro dia em relação ao trabalho. Isso tem me ajudado muito.” APARECIDO FERREIRA

● “Sonhar com algo que estudei é um pesadelo. Só ao dormir se é livre para não pensar em nada sério e descansar a mente.” THOMAS SANTOS DA COSTA

As cartas devem ser enviadas com assinatura, identificação, endereço e telefone do remetente e poderão ser resumidas. O Estado se reserva o direito de selecioná-la para publicação. Correspondência sem identificação completa será desconsiderada. Central de atendimento ao leitor: 3856-5400 – falecom.estado@grupoestado.com.br Central de atendimento ao assinante Capital: 3959-8500 Demais localidades: 0800-014-77-20 www.assinante.estadao.com.br Classificados por telefone: 3855-2001 Vendas de assinaturas: Capital: 3950-9000 Demais localidades: 0800-014-9000 Central de atendimentos às agências de publicidade: 3856-2531 – cia@estado.com.br Preços venda avulsa: SP: R$ 2,50 (segunda a sábado) e R$ 4,00 (domingo). RJ, MG, PR, SC e DF: R$ 3,00 (segunda a sábado) e R$ 5,00 (domingo). ES, RS, GO, MT e MS: R$ 5,00 (segunda a sábado) e R$ 6,50 (domingo). BA, SE, PE, TO e AL: R$ 6,00 (segunda a sábado) e R$ 7,50 (domingo). AM, RR, CE, MA, PI, RN, PA, PB, AC e RO: R$ 6,50 (segunda a sábado) e R$ 8,00 (domingo) Preços assinaturas: De segunda a domingo – SP e Grande São Paulo – R$ 64,90/mês. Demais localidades e condições sob consulta.


A4 %HermesFileInfo:A-4:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Nacional

Vídeo

Eleições

@

Coordenador da campanha de Dilma comenta situação em SP (estadao.com.br/e/altimari)

estadão.com.br

Eleição terá líderes de escândalos Leandro Colon / BRASÍLIA

ersonagens de todos os grandes escândalos políticos dos últimos 20 anos estão mais uma vez concorrendo a uma vaga de deputado, senador ou governador. Não houve lei, punição, investigação ou processo que afastasse essas pessoas da política. Ao contrário, elas são favoritas na eleição deste ano, a primeira disputada sob a Lei da Ficha Limpa, aprovada

P

para barrar candidatos condenados pela Justiça. O Estado levantou as principais crises ligadas à corrupção desde a eleição de Fernando Collor à Presidência em 1989. O próprio Collor, candidato a governador de Alagoas, abre essa lista. Ganha a companhia de figuras carimbadas dos escândalos das duas últimas décadas, entre elas Jader Barbalho, Paulo Maluf, Orestes Quércia, Renan Calheiros, os “mensaleiros” de PT, PSDB e DEM, além de An-

thony Garotinho, José Carlos Gratz e os governadores cassados Jackson Lago, Marcelo Miranda e Mão Santa. Juntos, somam pilhas de processos na Justiça e R$ 200 milhões de patrimônio declarado nesta campanha eleitoral. Três deles já conheceram de perto as celas policiais: Jader, Maluf e Gratz. Outros fugiram de processos de cassação ou foram absolvidos pelos colegas. E todos têm uma folha corrida nos tribunais. Mais na pág. A6

DUAS DÉCADAS DE DENÚNCIAS Escândalo

Personagem e cargo que disputa este ano

O que aconteceu

Em que pé está

1

CASO COLLOR

FERNANDO COLLOR (GOVERNADOR DE AL)

O Congresso cassou o mandato de presidente sob a acusação de corrupção

O Supremo absolveu Collor em 1994. Ainda é réu em duas ações penais _ uma por corrupção e peculato em relação a contratos de publicidade na época em que era presidente e outra por crime tributário

2

CASO SUDAM

JADER BARBALHO (SENADOR)

A Justiça decretou sua prisão em 2002 por envolvimento em fraudes (desvio de dinheiro público) na Sudam

A ação penal corre desde 2004 no STF e não há previsão de julgamento. Já são 11 volumes e 47 apensos. No dia 6 de julho, os autos foram remetidos à Procuradoria

3

PROPINODUTO

ANTHONY GAROTINHO (DEPUTADO FEDERAL)

Fiscais e auditores do governo do Rio foram acusados de enviar ao exterior US$ 8,9 milhões oriundos de propinas pagas por empresas

Os fiscais foram condenados por lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Garotinho, no entanto, ficou livre de processo. Ele aparece ainda num caso de compra de votos, num inquérito parado no STF

4

CASO RENAN

RENAN CALHEIROS (SENADOR)

Foi acusado de receber ajuda de um lobista para pagar despesas pessoais

Três anos depois, o inquérito tem 43 volumes e ainda tramita no STF. Em abril, a Procuradoria devolveu os autos ao Supremo

5

CASO DA BEZERRA

JOAQUIM RORIZ (GOVERNADOR DO DF)

Renunciou ao mandato de senador sob suspeita de usar o Banco de Brasília para simular uma transação e sacar R$ 270 mil

A denúncia saiu só em abril deste ano, quase três anos depois, e aguarda tramitação na Justiça. O TRE-DF impugnou sua candidatura ao governo, mas Roriz ainda pode recorrer e disputar a eleição

6

MALUF E DESVIOS DE VERBA

PAULO MALUF (DEPUTADO FEDERAL)

É acusado de provocar um rombo de R$ 1,2 bilhão aos cofres da Prefeitura de São Paulo, além de evasão de divisas e compras e contratos superfaturados

A lentidão da Justiça só o favorece. Uma das ações no Supremo, que trata do rombo na Prefeitura, se arrasta desde 2001 e ficou parada três anos só para depoimemtos

7

CORRUPÇÃO NO ESPÍRITO SANTO

JOSÉ CARLOS GRATZ (SENADOR)

Ex-presidente da Assembleia do ES, foi preso em 2003 sob a acusação de envolvimento em um esquema de cobrança de propina e compra de votos

Em uma das dezenas de ações a que responde, foi condenado por improbidade. Em outra, recebeu a punição de 15 anos de prisão, mas a pena foi reduzida a 10 anos. Ele recorreu e responde em liberdade

8

MENSALÃO

JOSÉ GENOINO, JOÃO PAULO CUNHA E VALDEMAR COSTA NETO (DEPUTADO FEDERAL) PAULO ROCHA (SENADOR)

Os quatro são personagens do escândalo de pagamento de mesadas pelo governo Lula a parlamentares aliados

Os três últimos escaparam da cassação na Câmara. São todos réus no STF, mas a previsão é de que a tramitação seja longa, sem perspectiva de punição a curto prazo. Processos na esfera cível também estão parados

9

MENSALÃO MINEIRO

EDUARDO AZEREDO (DEPUTADO FEDERAL)

É acusado de montar um esquema de desvio de recursos em 1998 para financiar sua campanha à reeleição

O Supremo aceitou a denúncia em dezembro, mas o processo está apenas no começo, sem previsão de punição a curto prazo

10

MENSALÃO DO DF

GERALDO NAVES, BENÍCIO TAVARES E BENEDITO DOMINGOS (DEPUTADO DISTRITAL)

Em novembro de 2009, foi revelado um esquema no DF de cobrança de propina de empresas e pagamento de mesada a políticos aliados

Deputados escaparam de punição na Câmara Distrital. A investigação ainda segue no Ministério Público Federal

11

SANGUESSUGAS

NILTON CAPIXABA (DEPUTADO FEDERAL)

Em 2006, envolveu-se com a máfia que desviava dinheiro público por meio de emendas parlamentares e compra de ambulâncias superfaturadas

O Ministério Público denunciou pelo menos 285 pessoas, entre eles ex-deputados federais como Capixaba. Os processos se arrastam na Justiça e estão em fase de instrução

12

ANÕES DO ORÇAMENTO

GENEBALDO CORREIA (DEPUTADO FEDERAL)

Renunciou em 1993 no rastro do escândalo de desvio de dinheiro público por meio de emendas da Comissão de Orçamento. US$ 1,6 milhão foi encontrado em sua conta

Foi denunciado em 1994 ao STF, mas em 1999 o processo foi enviado à Justiça Federal depois que ele deixou de ser deputado. Responde por improbidade. Não passou um dia sequer preso

13

OPERAÇÃO SANTA TEREZA

PAULO PEREIRA DA SILVA (DEPUTADO FEDERAL)

Seu nome apareceu na operação da PF que investigou o desvio de dinheiro público e o uso fraudulento de recursos do BNDES

O inquérito foi enviado ao STF em maio de 2008 e ainda tramita na corte. No dia 25 de junho, os autos, de 35 volumes, foram remetidos para a Procuradoria

14

FRAUDE ELEITORAL

JACKSON LAGO (GOVERNADOR DO MA) CÁSSIO CUNHA LIMA, MÃO SANTA E MARCELO MIRANDA (SENADOR)

Os quatro foram acusados de abuso de poder econômico durante a campanha

Foram cassados pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico, mas não ficaram proibidos de disputar eleição

15

CASO BANESPA

ORESTES QUÉRCIA (SENADOR)

Investigações apontaram Quércia como um dos responsáveis por um rombo de R$ 2,8 bilhões no antigo banco público do Estado

Uma ação foi proposta pelo Ministério Público de SP em 1996. Quércia ganhou no Tribunal de Justiça. Procuradores recorreram ao STJ, onde o caso está parado

16

CASO LUNUS

ROSEANA SARNEY (GOVERNADORA DO MA)

Em 2002, pré-candidata à Presidência, Roseana teve R$ 1,3 milhão, sem origem, apreendido em escritório dela e do marido

O STF arquivou o caso em 2003 por considerar que não havia elementos contra Roseana

17

ATOS SECRETOS

AGACIEL MAIA (DEPUTADO DISTRITAL)

O ex-diretor-geral do Senado é apontado como mentor do esquema de edição de boletins sigilosos para nomear parentes e aliados de senadores

Recebeu apenas uma suspensão do Senado e o inquérito ainda tramita no Ministério Público Federal

INFOGRÁFICO/AE


%HermesFileInfo:A-5:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Nacional A5


%HermesFileInfo:A-7:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

Eleições

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

}

iPhone Todas as pesquisas eleitorais atualizadas no aplicativo do ‘Estado’ (estadao.com.br/e/iphone)

Supremo deve protelar decisão da Ficha Limpa Mesmo que a lei entre na pauta do plenário da corte, o julgamento deve ser interrompido por pedido de vista, dado como certo entre os ministros Felipe Recondo / BRASÍLIA

Amenosde dois meses daseleições são cada vez mais reduzidas as chances de o Supremo Tribunal Federal derrubar a Lei da Ficha Limpa ainda neste ano. Não há nenhuma expectativa de que um processo referente à nova legislação seja julgado. E mesmo que entre na pauta do plenário é dado como certo um pedido de vista que interromperia o julgamento. O tribunal está com um ministro a menos, com a aposentadoria do ministro Eros Grau. Isso abreapossibilidade paraumempate em plenário num eventual julgamento. Se isso ocorrer, o presidente do STF, Cezar Peluso, terá de desempatar o placar, votando duas vezes. De acordo com alguns ministros, não seria a melhor solução para um caso polêmico como este. Além disso, até agora, nenhum processo foi protocolado no tribunal para contestar a constitucionalidade da lei. Se os ministrosquisessemanteciparessadiscussão, teriam de se valer de um caso pontual – o julgamento de umaliminarouagravo,porexemplo – para analisar a constitucionalidade de toda a lei. E como há diversos pontos sendo criticados, os ministros precisariam de tempo para fazer seus votos. Nesse cenário, uma provável

● Advertência JF DIORIO/AE-24/9/2009

EROS GRAU EX-MINISTRO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

“Políticos corruptos pervertem, são terrivelmente nocivos. Mas só podemos afirmar que este ou aquele político é corrupto após o trânsito em julgado, em relação a ele, de sentença penal condenatória. Sujeitá-los a qualquer pena antes disso, como está na Lei Complementar 135 (Ficha Limpa), é colocar em risco o estado de direito”

resposta do tribunal só seria dada ao fim do ano, ou, eventualmente, em 2011. A lei valeria para estas eleições, mas poderia ser derrubadaparaas eleiçõesmunicipais de 2012. As negociações internas para deixar o assunto em banho-ma-

ria já começaram. Os principais articuladores desse adiamento são os ministros favoráveis à lei, como o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, e o ministro Carlos Ayres Britto. Polêmicas. O ponto mais polêmico da nova lei é o que veda a candidatura de políticos condenados por colegiado de juízes em processos que ainda não terminaram de tramitar. Ministros argumentam que essa condição deinelegibilidadeviolariaoprincípio da presunção de inocência. Em entrevista ao Estado, Eros Grau afirmou que essa regra contrariaoestadodemocráticodedireito. “Políticos corruptos pervertem, são terrivelmente nocivos.Massópodemosafirmarque este ou aquele político é corrupto após o trânsito em julgado.” Outroquestionamentoreferese à aplicação da lei para políticos condenados no passado ou querenunciaramaomandatopara evitar cassação. O candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC) teve o registroimpugnado porquerenunciou ao mandato de senador para evitar um processo que poderia levar à perda de seu mandato. Naquele momento, não havia previsão para que essa conduta fosseconsiderada razão paraimpugnação da candidatura.

Nacional A7


A8 Nacional %HermesFileInfo:A-8:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Eleições

}

Prestação de contas

DESPESAS

Já está disponível para consulta pública, no site do Tribunal Superior Eleitoral, a primeira prestação de contas de todos os candidatos inscritos para as eleições deste ano (www.tse.jus.br)

R$ 15,4 milhões já foram gastos pelos três principais candidatos à Presidência – Dilma, Serra e Marina

Moral Média

DIRETO DE BRASÍLIA JOÃO BOSCO RABELLO ✽ ●

joao.bosco@grupoestado.com.br

Lei produz eleito sub judice uma peça de ficção. Como o julgamento definitivo, especialmente de políticos não acontece, o princípio constitucional da inocência até uma condenação definitivatransforma-seeminstrumento de defesa do transgressor. Não é imprescindível para uma decisão de méritodoSTFumaprovocaçãoexterna,através de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), mas dificilmente o STF se mobilizará sem ela. E os interesses em jogo indicam que nenhum dos atores envolvidos arriscará a entrar com essa ADI: nem os partidos políticos, que preferem o cenário sub judice à possibilidade de um revés definitivo, nem instituições como a OAB, que se posicionam pela vigência imediata da lei, que não querem pôr em riscoaconquistajá consagradapeloTribunal Superior Eleitoral (TSE).

“O pronunciamento do tribunal implicaria a encomenda de uma missa de sétimo dia da lei.” Marco Aurélio Mello, sobre o julgamento da Lei da Ficha Limpa

CELSO JUNIOR/AE

A

decisão sobre o mérito do projeto Ficha Limpa virou umimpassedeprazoimprevisível. Dividido sobre o tema, o Supremo Tribunal Federal (STF)temproduzidosentenças diferentes para casos iguais. Uma decisão sobre o mérito – que divideo própriotribunal – pareceimprovável antes das eleições, inclusiveporquealgunsministrosanteciparamquepodempedir vistadoprocesso logo que iniciado o julgamento. O que projeta o cenário de eleitos sub judice, sustentados em liminares. A Lei da Ficha Limpa, não obstante seu fator saneador, expõe o colapso do sistema judicial, materializado na disposiçãodosjuízesdasupremacorte de agir de forma protelatória firmando o “trânsito em julgado” como

Um curioso debate em torno da lei da Ficha Limpa. O ex-ministro do STF Eros Grau a considera inconstitucional, por condenar antes que a sentença transite em julgado e por fazer com que a lei retroaja para punir. Diz que mesmo a causa da moralidade pública não pode servir de pretexto para tal transgressão, até porque é o direito que estabelece seus fundamentos. “Não fosse assim, cada qual teria sua moral e sairia defendendo-a com porretes”. Outra parte do STF pensa diferente, mas o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, ao discordar, produziu uma tese, no mínimo, polêmica: diz que há “uma moral média” na sociedade. É a primeira vez que a estatística é posta a serviço da compostura. Um ministro ironizou: moral média deve ser assim, de um lado, um bandido; de outro, um sacerdote. Tira-se a média e tem-se uma sociedade mais ou menos comportada. No contexto de colapso do sistema judicial, o critério estatístico para aferir condutas, é mais conflitivo do que decisões por clamor popular, caso da Ficha Limpa, que se impôs à inoperância do Judiciário e ao espírito corporativista do Congresso Nacional.

Por temas José Serra vai insistir com as TVs que promoverão debates com os presidenciáveis para que os próximos sejam divididos por temas para o aprofundamento dos mesmos. Serra está convencido de que perde com o formato atual, que favorece a abordagem rápida e desordenada de assuntos escolhidos de forma aleatória. Também acha que facilita o tangenciamento de temas quando é da conveniência dos candidatos.

Debate morno O debate da TV Bandeirantes foi tão morno que produziu um consenso entre os candidatos nesse sentido. Todos confirmaram suas expectativas, ainda que elas sejam distintas. O PT comemorou a superação de Dilma que, em dado momento, parecia que não chegaria ao fim, tão tensa estava. A campanha de Serra acha que ele poderia ter ido além, mas considera que sua performance o mostrou com o perfil de gestor mais experiente. estadão.com.br Blog. MP investiga campanha contra carne brasileira blogs.estadao.com.br/joao-bosco/

ENTREVISTA CLAYTON DE SOUZA/AE

Boris Fausto, historiador e ex-professor de Ciência Política da USP

‘Há naturalização da corrupção’ No próximo domingo, Boris Fausto estreia como articulista no caderno Aliás, do Estado; foco inicial será eleição Ivan Marsiglia

Entender o Brasil de hoje seguindo as linhas do processo histórico. Essa é a proposta da série de artigos que o historiador paulista Boris Fausto, de 79 anos, publica no Estado, a partir da semana que vem. As reflexões, enfocando as transformações pelas quais passa a sociedade brasileira em suas conexões com o mundo, frequentarão uma vez por mês as páginas do caderno Aliás, que sai aos domingos. Na entrevista a seguir, o historiador fala de seu novo projeto no Aliás e discute a sucessão presidencial. Para ele, saem da órbita do eleitor temas como corrupção e inflação para dar lugar à política externa. A esse respeito, vê “megalomania” do Itamaraty na proposta de acordo com o Irã, considera “oportunista” o convite do presidente Lula para acolher a iraniana condenada à morte e diz haver “um clima de pressões contra a livre expressão” na América Latina. ● Qual será o mote da série de artigos?

As pessoas em geral têm atração por história, mas a conhecem muito pouco. A coluna pode contribuir para a sua divulgação. Eu não diria que se entende o presente a partir do passado: dificilmente a história se presta para explicar diretamente o presente. Mas não há dúvida de que as linhas básicas do processo histórico ajudam a entender o mundo onde vivemos. ● Que temas serão tratados?

Nos próximos meses, pretendo escrever sobre o processo eleitoral. Há grandes temas que permanecem ao longo da história e podem ser tratados em perspectiva comparada: como o eleitorado brasileiro viu a questão da corrupção em diferentes momentos da história? Ou a cor-

QUEM É ✽ Autor do clássico A Revolução de 30 – Historiografia e História, é bacharel em direito pela Faculdade do Largo de São Francisco e mestre em história pela USP. Professor aposentado do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, ganhou o Prêmio Jabuti de 1995 na categoria livro didático com História do Brasil

ma que o Estadão conhece bem. Há um clima na América Latina, naturalmente não em toda, mas a Venezuela é um exemplo claro disso, de pressões contra a livre expressão. Esse é um tema que merece ser posto com clareza nos debates eleitorais. O que é “controle social da mídia”? A gente quer uma pluralidade de jornais, certamente. Mas os jornais controlados, não. No terreno da economia se chegou a um razoável consenso e a situação é boa. No passado, falar da inflação era inevitável. Agora não é mais. Ameaças. ‘A democratização avançou muito, mas ela não se completa’, diz Boris Fausto ● Um tema que não fazia parte

rupção, hoje, ainda importa ao eleitor? ● Como o sr. responderia à ques-

tão?

Essa agenda sumiu porque, embora a corrupção tenha crescido nos últimos anos – essa é a minha opinião –, o fato é que houve um momento estratégico no qual ela foi muito importante, na crise do mensalão. Ali, ela fez cair muito a popularidade de Lula e do governo, mas por várias razões esse momento muito agudo passou. E o tema esvaziou-se. Em paralelo, vinham vindo o Bolsa-Família, as políticas de crédito, de aumento real do salário mínimo... Hoje, o que importa na decisão do eleitor é quais ganhos materiais e pessoais ele teve. E, quanto aos políticos, cristalizou-se a opinião de que todos roubam. Houve uma naturalização da corrupção. ● Pode-se notar certa semelhan-

ça nas plataformas dos dois principais candidatos à sucessão de Lula, em que ambos evitam tocar em temas sensíveis. O debate nacional empobreceu ou isso é consequência da conclusão da transição democrática do País, que tem hoje economia e instituições mais estáveis?

Uma coisa é o que os candidatos fazem, outra é o que viriam a representar no poder. A democratização avançou muito, mas ela não se completa. Não só pela desigualdade, que continua, mas também por ameaças à liberdade de imprensa – um te-

das campanhas até este ano é diplomacia. Ele será decisivo?

Ainda não sabemos o peso que a discussão sobre política externa terá nos debates eleitorais. O tema apareceu porque o Brasil ganhou outra dimensão como emergente, potência média, o nome que se queira dar. E ganhou dimensão porque, aos olhos do governo, o presidente Lula tem prestígio externo – e Dilma deve explorar isso –, embora tenha perdido parte dele em seus últimos posicionamentos. Do ponto de vista da oposição – e concordo com isso –, um dos pontos fracos do governo Lula é a política externa. Ela está presente quando ele apoia o “companheiro Ahmadinejad” ou diz que vai salvar aquela moça, se ela estiver causando algum “incômodo”. É uma piada. ● Como o sr., autor de um ensaio sobre história comparada na América do Sul, vê a situação no continente? O Brasil conseguiu se firmar como potência regional?

O Brasil tem plenas condições de ser uma potência regional, mediar conflitos e conduzir negociações. Agora, para isso, seria necessária uma política de Estado diferente da que se está fazendo. Apoiar a Venezuela em circunstâncias tão difíceis, e é sabida a simpatia que os dirigentes do PT têm pelo país, é algo que perturba o papel mediador para a nossa diplomacia. Quem tem simpatia por uma figura como Hugo Chávez está ameaçado de escorregar seriamente. E a pretensão muito grande do Brasil

faz com que o foco na região venha em segundo lugar. ● Por outro lado, empenhou-se em uma negociação com o Irã e a Turquia e entrou na polêmica sobre a iraniana condenada à morte, Sakineh Ashtiani.

O conflito no Oriente Médio é tão antigo e complexo que foi uma espécie de megalomania supor que o Brasil de repente desatasse esse nó. Já no caso de Sakineh, eu diria que o comportamento do Brasil é errático e oportunista. Primeiro, Lula disse que intervir a favor da moça seria “uma avacalhação”. De repente descobriu que os direitos humanos eram algo importante? Não dá para acreditar nisso. Em plena campanha eleitoral, diante da pressão interna e externa em defesa dessa pobre moça, o presidente se oferece para recebê-la. Alguém deve ter dito a ele, e o ministro Franklin Martins é um bom palpite: “Presidente, já imaginou a cena? A iraniana descendo do avião abraçada ao senhor?” (risos). ● No livro O Poder e o Sorriso o sr. analisa a construção do mito Getúlio Vargas. Quando assumiu a Presidência, Fernando Henrique manifestou explicitamente o desejo de superar o modelo getulista. Hoje, vê-se Lula exaltar a Era Vargas. Em que nível essa herança permanece viva?

Seria preciso fazer uma pesquisa para saber a que está associado o nome Getúlio Vargas para a população. Suponho que esteja ligado à legislação trabalhis-

ta, mas posso estar errado. Já ouvi uma pessoa simples dizer, quando perguntei quem era Getúlio, “é aquele que foi ditador?”. Muita água passou debaixo da ponte e o Brasil do tempo do Getúlio era muito diferente do que existe hoje. O PTB, que era tributário da herança política de Vargas, hoje tem muito pouco a ver com ela. A própria construção do Partido dos Trabalhadores, em seus anos de postura radical, esvaziou a herança getulista. Mas resiste um traço, quando uma figura personalista ao extremo, com um prestígio enorme, se projeta... E diria que se pode ver hoje também uma presença grande do Estado não na economia, mas na tentativa de modelar a cultura: um certo dirigismo ideológico que encontra resistência em uma sociedade mais complexa como a brasileira hoje. ● Há quem identifique uma tendên-

cia ao estatismo no atual governo.

Depois de falarem em “privataria” e em uma porção de outras coisas antes de chegarem ao governo, a verdade é que vemos hoje o mundo da grande empresa no Brasil mais vigente e sem controles ou regulamentação do que em qualquer outro momento. É como disse Lula: “Eu ensinei capitalismo aos capitalistas”. O que é, em boa medida, uma verdade. Na área econômica, a empresa privada avançou muito em associação com pedaços do Estado, partidos, PT, fundos de pensão e formou uma nova configuração. Mas

que o Brasil vá se lançar à estatização novamente não acredito. ● Se nos últimos anos, políticas de redução da miséria e a expansão do crédito proporcionaram um crescimento de setores médios, por outro, relatório da ONU mostrou que o Brasil tem o terceiro pior índice de desigualdade do mundo. O que falta fazer?

Lembro-me de um artigo do Wanderley Guilherme dos Santos dizendo que é tão difícil reduzir a desigualdade, que talvez fosse melhor insistir em estratégias de desenvolvimento para que todo o mundo cresça. ● Que tema o sr. pretende tratar no artigo de estreia?

Quero escrever sobre estilos de campanha do passado e de hoje, algo que mudou mais do que permaneceu. No fim dos anos 40, início dos 50, para começar não existia a televisão, não havia pesquisa eleitoral e nem a massa de votantes que temos hoje. A oratória e o palanque pesavam bastante, bem mais do que hoje – quando os candidatos vão às ruas apenas para proporcionar “imagens de cobertura” aos telejornais. A diferença para o eleitor, já que a metáfora do futebol se tornou constante no Brasil, seria entre o cidadão que assistia ao jogo no estádio e o torcedor de televisão. Naquele tempo, o público discutia a partida com o cidadão ao lado, discordando, concordando, dando sua opinião. Hoje, o sujeito olha, liga ou desliga a TV, mas não participa.


%HermesFileInfo:A-9:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

Eleições

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

}

Virada no Rio Grande do Sul Pesquisa do Ibope no RS indica Dilma Rousseff (PT) com 42% e José Serra com 40% das intenções de voto. Em julho Serra tinha 46% e Dilma, 37%. A pesquisa foi registrada no TRE (nº 35.561/2010) e TSE (21.914/2010).

Em artigo, Dilma deu aval à tese acadêmica de Serra Para economistas, os presidenciáveis – com formação na desenvolvimentista Unicamp – não têm diferença significativa na forma que veem o papel do Estado Julia Duailibi

Hoje eles divergem, ou dizem divergir, em praticamente todasasáreas.Masapesardosembates e das críticas, os candidatosàPresidênciaDilmaRousseff (PT) e José Serra (PSDB) já viramomundocomcoresparecidas. Tanto que a petista citou trechos da produção acadêmica do tucano em artigo sobre a crise econômica em 1993. Emtexto chamado Crise noEstado e Liberalismo, publicado pela revista Executivo, da Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos, do Rio Grande do Sul, Dilma cita Serra duas vezes e reproduz trechos da obra do maior adversário político. No artigo, a petista analisa a “proposta neoliberal” e a crise social e econômica do Brasil à época. Numa primeira parte, relacionao fortalecimento do neoliberalismoao “fracasso”das políticas keynesianas e ao questionamento do estado de bem-estar social. Na segunda, na qual fala do tucano, trata do papel do Estadonoprocesso deindustrializaçãoe da“falênciadomomento desenvolvimentista”. Dilma cita Serra pela primeira vez ao analisar o papel do Estado. “Como mostra José Serra, afora suas funções de gestor das políticas monetária e fiscal, de tutorda políticasalariale deprovedordosserviçospúblicos,opapel do Estado será decisivo pela ‘(...) definição, articulação e sustentação financeira dos grandes blocos (...) e criação da infraestrutura e produção direta de insumos intermediários’”, disse Dilma, na época no PDT. Na conclusão do texto, de três páginas,criticaas“elitesbrasileiras”porapoiaremumEstadomínimo e volta a citar o adversário. “Nessequadro,comoregistraJosé Serra, caímos num estruturalismo às avessas ‘onde o estruturalismo identificava falhas de mercado e propunha intervençõesdoEstado,passa-seaidentificar falhas do Estado e propõese mais liberdade de mercado’.” Citações. Dilma publicou o arti-

goquandoerapresidentedaFundação de Economia e Estatística (FEE) em Porto Alegre. O texto fala duas vezes de José Serra e uma vez do polonês Adam Pr-

Arquivo. Texto assinado por Dilma faz várias citações a Serra

zeworsky, cientista político da Universidade de Chicago. Economistas dizem que Serra eDilmanãoapresentam diferenças significativas na forma como veem o papel do Estado. Ambos têmformação acadêmicana Unicamp, universidade tida como desenvolvimentista, que defende um Estado atuante. Em1993,quandootextofoipublicado, Serra era deputado pelo PSDB. Dilma assumiu naquele ano a Secretaria de Minas e Energia, no governo gaúcho de Alceu Collares (PDT). O texto de Serra queDilmausoufoiproduzidoem 1982 e chama-se Ciclos e mudanças estruturais na economia do pós-guerra. Consta do livro Desenvolvimento Capitalista no Brasil, organizado por Luiz Gonzaga Belluzzo e Renata Coutinho.

Em MG, tucano Dilma duvida critica Lula por de promessa relação com Irã de adversário Marcelo Portela

Luciana Nunes Leal / RIO

CORRESPONDENTE / BELO HORIZONTE

O candidato à Presidência José Serra (PSDB) atacou ontem, na capital mineira, a aproximação do governo Lula com o regime iraniano de Mahmoud Ahmadinejad.“OBrasiltemumasecretaria especial da mulher. Acho uma ironia o governo ter isso e considerar amigo um regime que enterra e apedreja a mulher até a morte”, disse o tucano, citando a polêmica em torno da condenação à morte por apedrejamento de Sakineh Mohammadi Ashtiani por adultério.

Em comício na Cidade de Deus, ontem,acandidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) duvidou da promessa de José Serra (PSDB) de ampliar os programas sociais do governo Lula. “Não adianta dizer que vão dobrar o Bolsa-Família porque quando estiveram nogovernoreduziramosprogramas que tinham”, disse Dilma, que ainda atacou o DEM por ter entradocomaçãocontraapolítica de cotas nas universidades.

DIA DOS PAIS BALCÃO IGUATEMI

Tels.: 3815-3523 EXCEPCIONALMENTE NESTE DOMINGO DIA 08/05 NÃO HAVERÁ EXPEDIENTE

O ESTADO DE S. PAULO

Nacional A9


A12 Nacional %HermesFileInfo:A-12:20100808:

}

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

● Votos em disputa O Estado de Pernambuco tem 6,2 milhões de eleitores, o que representa 4,6% do eleitorado brasileiro

Reportagem Especial ✽ A CAMPANHA EM PERNAMBUCO

FOTOS: GUALTER NAVES/AE

PMDB “autêntico”. O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), é candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff, e praticamente todo o partido aderiu ao governo. Estrutura. A diferença de estrutura

Na luta. Pausa durante caminhada de campanha no Recife: Jarbas fuma uma carteira e meia de cigarros por dia e já perdeu 4 quilos na campanha

JARBAS, UM ESTRANHO NA PRÓPRIA CAMPANHA Lourival Sant’Anna / ENVIADO ESPECIAL / RECIFE

Acostumado a vencer, senador tem como adversário governador com maior taxa de aprovação do País, está em desvantagem nas pesquisas e enfrenta boicote do PSDB epois de duas horas de gravação, Jarbas Vasconcelos finalmente sai do estúdio, numa produtora de TV num bairro central do Recife. Tira a gravata e a camisa branca, que troca por uma xadrez, e mantém a calça jeans e o sapatênis com que já estava. Caminha para a bancada com panelas no refeitório dos fundos: “Tem a quantia certa?”, pergunta antes de se servir de cuscuz com carne, preocupado com os cabos eleitorais, que já estão jantando. São 18h30, e Jarbas ainda não almoçou. Nesse ritmo, e fumando uma carteira e meia de cigarro por dia (seu normal é uma), ele já perdeu 4 kg desde que se lançou ao governo de Pernambuco, no dia 6 de maio. “Já gostei mais de campanha”, confessa o senador, conhecido pela sua franqueza. “Hoje isso tem se prostituí-

D

do muito. Não tem mais coisas espontâneas, ir para a rua. Agora, o camarada pede emprego, dinheiro”, diz ele, referindo-se aos cabos eleitorais. “Antes tinha gente que ia na base do amor febril.” Retraído, Jarbas não gosta de gravar:“Você não fica à vontade.O texto não é seu. Grava, regrava, tem de olhar assim, está ruim, tem de sorrir”. Mas sabe que nessas gravações está a sua chance de reverter uma situação extremamente desfavorável. Jarbas terá 6 minutos e 35 segundos no programa eleitoral, apenas 10 segundos a menos do que seu adversário, o governador Eduardo Campos (PSB); e 198 inserções na TV, ante 203. “Este é o momento crucial”, avalia. “Quem está em grande desvantagem numérica, como eu, tem de fazer programas de excelente qualidade e conteúdo.” Ao longo de 40 anos de carreira, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-

‘LULA NÃO SABE O DANO QUE CAUSOU AO PAÍS’ O senador Jarbas Vasconcelos costumava ter um bom relacionamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também pernambucano. Como deputado federal atuante na área dos direitoshumanos,foio primeiroparlamentar a visitar Lula quando o então líder sindical saiu da prisão, em 1978. Lembra-se do sobrado modesto em São Bernardo, de Lula tapando um buraco no sofá com uma almofada, e da barata que matou na parede. O afastamento – “ruptura não houve” – aconteceu quando assumiu sua cadeira no Senado, em 2007. “Eu me decepcionei muito no Senado”, recorda. “Achei que funcionava melhor. No primeiro ano peguei o rolo do (senador) Renan (Calheiros, acusado de aceitar propina de uma empreiteira). Bati de frente. Não há constrangimento maior do que assistir às sessões do Senado olhando para (José) Sarney (presidente da Casa), como se nada tivesseacontecido”,acrescenta, referin-

do-se às acusações de envolvimento em irregularidades. Renan e Sarney pertencem à fatia do PMDB que apoia o presidente Lula. “Lula e o PT não inventaram a corrupção, mas ele foi conivente”, afirma Jarbas. “Não sabe o dano que causou ao Brasil. As pessoas aqui no terceiro, quarto escalão, dizem: ‘Se lá em Brasília o PT está roubando, não vou fazer o mesmo aqui?’”. Em contraste, Eduardo Campos, exministro de Ciência e Tecnologia de Lula, gaba-se da gratidão que o presidente tem por ele pelo apoio que lhe deu durante o escândalo do mensalão, quando era líder do PSB na Câmara. A amizade traz dividendos. Numa pesquisa realizada pelo Datafolha no fim do mês, 52% dos entrevistados disseram que votariam num candidato a governador de Pernambuco indicado por Lula; outros 26% responderam “talvez” e apenas 15%, “não”. Dos cerca de 3 milhões de famílias de Pernam-

PE) se acostumou com o gosto da vitória. Já começou a carreira como deputado estadual mais bem votado, em 1970, e elegeu-se deputado federal, duas vezes prefeito, duas governador e senador – seu mandato atual, até 2014. A pedidos. Prestes a completar 68

anos, no dia 23, Jarbas vive uma situação inusitada. A última pesquisa do Ibope atribui 60% das intenções de voto a Eduardo Campos, candidato à reeleição, e 24% ao senador. Pelo Datafolha, a vantagem é de 59% a 28%. Jarbas não pretendia entrar na disputa com Eduardo Campos, que completa 45 anos na terça-feira, o governador com a maior taxa de aprovação do País – 62% dos pernambucanos consideram seu governo ótimo ou bom, segundo o Datafolha. Mas cedeu aos pedidos insistentes do candidato José Serra, que queria seu apoio em Pernambuco. En-

buco, 1,1 milhão recebe o benefício do Bolsa-Família. Ironia. Ironicamente, o primeiro cargo de Eduardo Campos foi o de chefe de gabinete do secretário de governo deJarbas,FernandoCorrea,noseuprimeiro mandato de prefeito do Recife, em 1985 (embora isso não conste de seu currículo no seu site de campanha). Jarbas era aliado de Arraes, o avô de Eduardo, que governou o Estado três vezes. O pivô da ruptura foi justamente Eduardo, conta Jarbas, por causa de uma discordância em torno da formação de uma chapa para a prefeitura do Recife, em 1988. Arraes lançou Eduardo a prefeito, que ficou em quinto lugar. Jarbas se reelegeu no primeiro turno. Em 1998, Jarbas desafiou Arraes, então candidato à reeleição, na disputa pelo governo de Pernambuco. Ganhou por mais de 1 milhão de votos de diferença. A derrota humilhante praticamente selou o fim da carreira de Arraes, que depois teria só mais um mandato de deputado federal. Agora, o senador Jarbas Vasconcelos teme que Eduardo pretenda vingar seu avô nas urnas. COLABOROU ANGELA LACERDA

tretanto, dos 17 prefeitos do PSDB, 14 debandaram para o governador. Isso, apesar de o presidente nacional do PSDB e coordenador da campanha de Serra ser de Pernambuco, o senadorSérgio Guerra,queem2006 queria ser candidato à sucessão de Jarbas, mas o então governador escolheu seu vice, Mendonça Filho, do DEM. “Não sou coronel para obrigar os prefeitos a apoiar Jarbas”, defende-se Guerra. “Não tenho tempo nem para cuidar da minhacandidatura.Porisso saíadeputado federal. Não teria a mínima chanceasenador.” Àperguntasobreseassegurar o apoio dos prefeitos tucanos não é sua função como coordenador de Serra, ele responde: “Todos os prefeitos do PSDB apoiam Serra. Eles estão com Eduardo e com Serra”. Jarbas não pode contar nem com o partido que o levou a candidatar-se nem com o próprio partido, no qual é um dissidente, remanescente do

das duas campanhas é impressionante. Eduardo é acompanhado em suas caminhadas por dezenas de carros da campanhadeleedoscandidatosasenadores, deputados federais e estaduais que o apoiam, além de vários ônibus lotados de cabos eleitorais remunerados. Jarbas conta com alguns poucos carros de candidatos a deputados. “Já ingressei nessa disputa sabendo que ia enfrentar uma luta muito dura, muito desigual”, diz ele. “Isso não mexe com a minha cabeça. Vivo bem com omundo.Não procuroestarnacontramão.” Jarbas diz que o futebol é sua “válvula de escape”. Ele costuma ir ao estádio prestigiar o seu Sport Club do Recife, mas não está lhe servindo de consolo. Campeão da Copa do Brasil de 2008, o Sport está na série B nacional, beirando a zona de rebaixamento. Suanamorada,aex-missemodeloMeirielle Abrantes, completa 28 anos na sexta-feira, 13. Jarbas brinca com ela: “Seeusoubesse, nãoteriaficado contigo”. “Em toda eleição, entramos para ganhar ou para perder”, continua. Mas reconhecequeasoutrasforamdiferentes: “Sempre entrava em eleições em condição mais tranquila, bem avaliado, com mais apoios”. Eduardo Campos “abusa da máquina”, acusa ele. “O governador faz cooptação de prefeitos e até de candidatos.” Eduardo nega. “A gente colhe o que planta”, diz, insinuando que Jarbas também cooptou quando foi candidato à reeleição, em 2002. “Estão nos apoiando pelas ações domeu governo.Recebo apoiodosque apoiavammeuavô”, acrescentaEduardo, neto do ex-líder socialista Miguel Arraes, morto em 2005. Jarbas faz uma pausa. “Não adianta eu estar me lamuriando para você, como se eu fosse um despreparado. Eu sabia que as dificuldades se avolumariam. Não posso estar exteriorizando isso,comodesculpaoupretexto”,repete ele, como que para si mesmo. “Eu sabia que o estilo do governo era esse, agora é lutar, mostrar determinação, fazer isso (os filmes para a TV).” Jarbasexplicaqueosempresárioslocais preferem ajudar o governador. “Acho profundamente constrangedor pedir dinheiro, principalmente para gente com quem não tenho intimidade.” Ele nega que tenha ido a São Paulo reclamar mais ajuda a Serra, como saiu publicadona imprensa. “Serra ficou de me ajudar e (a ajuda) tem chegado aqui. Eu sou daqueles que fazem campanha com o que têm. Só contratei o que estava previsto arrecadar.” Embora a campanha de Serra seja em grande medida a razão de ser e o cordão umbilical da sua, Jarbas às vezes passa vários dias sem falar com o tucano. “Serra liga muito para saber como está.” Mas não todos os dias. Às vezes passa quatro, cinco dias sem ligar.Jarbas nãotomaa iniciativa.“Sempreimagino queumapessoacomo Serra, no papel que está exercendo..., fico constrangido de ligar, a não ser que seja uma coisa premente”, diz com simplicidade. “Sou tímido. Estranho, para um político, não?”

CENÁRIO EM PERNAMBUCO l Candidato à reeleição e apoiado por Lula, o governador Eduardo Campos

tem fatia próxima à de Dilma, assim como seu rival em relação à de Serra Intenção de votos no Estado

Governador

Presidente

60%

59%

34% 26%

24% 8% EDUARDO CAMPOS

JARBAS VASCONCELOS

INDECISOS

Avaliação do governo de Eduardo Campos 18%

26% Regular FONTE: IBOPE

2% Ruim

DILMA ROUSSEFF

JOSÉ SERRA

MARINA SILVA

INDECISOS

Avaliação do governo Lula 48% Boa

Ótima

2%

3% Péssima

57% Ótima

36% Boa

6% Regular

1% Ruim 1% Péssima INFOGRÁFICO/AE


%HermesFileInfo:A-13:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

Eleições

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

}

Nacional A13

Novas regras

CALENDÁRIO

Além do título, o eleitor terá de apresentar um documento com foto na hora de votar, em outubro

15 de agosto

23 de setembro

é o prazo para eleitores se cadastrarem para votar fora do domicílio eleitoral em outubro

é o prazo para os eleitores pedirem a segunda via do título de eleitor

Reeleição mistura agenda oficial de governadores com atos de campanha Pedir votos no horário do expediente não é ilegal, mas em muitos casos os candidatos avançam sinal e usam a máquina pública Já assimilada pela sociedade brasileira, a reeleição é reavaliada em cada disputa eleitoral, quando se tornam evidentes incongruências que podem minar a premissa básica da democracia de garantir competição em condições de igualdade entre todos os candidatos. O Estado acompanhou a agenda e a rotina dos 10 governadores que disputam a reeleição. A constatação é que há uma

mistura generalizada da rotina de candidato à de titular do cargo, e boa parte deles se vale do horário de trabalho para fazer campanha.Nãohá,na LeiEleitoral, nenhum dispositivo que impeça um governador candidato à reeleição de fazer campanha durante o expediente. O que a lei proíbe é que o governadoruseamáquinaadministrativa, como carros oficiais e funcionários, em favor da sua campanha. Se o uso da máquina

écomprovado,podeserdeterminada até a cassação do eventual novo mandato conquistado. “É difícil e complicado definir quandoum candidatoagovernador ou a presidente está agindo de forma ilegal ou deixando de cumprir suas obrigações, uma vez que a lei determina a possibilidade de reeleição sem deixar o cargo”, diz o advogado Fernando Neves, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral. “Cada um deles deve ter o bom senso de

evitar que as atividades de campanha prejudiquem o trabalho no cargo que ocupam.” Segundo Luiz Carlos dos SantosGonçalves,ex-procuradorregional eleitoral de São Paulo, a maior preocupação da Justiça Eleitoralé quandoos candidatos à reeleição não só misturam agendas, mas usufruem das estruturas administrativas, como pessoal e instalações para fazer campanha. Contra a reeleição, ele acredita que “é estranhíssi-

mo”aleiexigiradesincompatibilização somente quando o agente político disputar outro cargo. “É ruim (a mistura de agendas), mas não é ilícito. As pessoas se conformaram com a reeleição e com a não exigência de desincompatibilização. O único espaço que resta é a crítica cidadã”, afirma. Uma nova reforma eleitoral deve uniformizar as regras para a desincompatibilização, prega o advogado Silvio Salata, da Co-

missão de Estudos Eleitorais e de Valorização do Voto da OABSP. “Se um secretário tem que se desincompatibilizar, o mesmo deve ser exigido de um governador.” Infelizmente, completa ele, a emenda da reeleição “não definiu bem a questão do exercício do mandato na reeleição”. / WILSON TOSTA, ANGELA LACERDA, EDUARDO KATTAH, TIAGO DÉCIMO, CARMEN POMPEU, WILSON LIMA, FÁTIMA LESSA, ELDER OGLIARI E CARLOS MENDES

● Igualdade

● Grito contido

SILVIO SALATA

LUIZ CARLOS DOS SANTOS GONÇALVES

PRES. DA COMISSÃO DE ESTUDOS ELEITORAIS E VALORIZAÇÃO DO VOTO (OAB-SP)

EX-PROCURADOR REGIONAL ELEITORAL DE SÃO PAULO

“Na edição da emenda da reeleição, não ficou bem definida a questão do exercício do mandato na reeleição. Sou a favor da desincompatibilização de todos. É uma incongruência”

“Querer impedir um político de fazer campanha é o mesmo que impedir uma torcida de gritar na hora do gol. O único espaço hoje é a crítica cidadã, mas não é ilicitude”

● Multifunção

● Bom senso

ANTONIO ANASTASIA (PSDB)

FERNANDO NEVES, EX-MINISTRO DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

GOVERNADOR DE MINAS GERAIS

“O exercício do cargo e da autoridade de governador são permanentes, sem interrupção em nenhum momento. Estou acostumado a trabalhar muito, não me traz nenhum problema. Consigo conciliar as agendas”

“Cada um dos candidatos deve ter o bom senso de evitar que as atividades de campanha prejudiquem o trabalho no cargo que ocupam”

● 24 horas

CID GOMES (PSB)

● Estimulante

GOVERNADOR DO CEARÁ

ANA JÚLIA CAREPA (PT)

“Pela manhã faço visitas de campanha e organizo reuniões. À tarde, meu tempo é dedicado ao governo e é corrido, porque a agenda é intensa. À noite, aproveito para visitar cidades da Região Metropolitana”

GOVERNADORA DO PARÁ

“A intensa rotina de trabalho no governo do Estado me deixa exausta, mas o povo é o meu maior guaraná em pó”

● Pecado ● Paralelismo

ERNESTO MARQUES, COORDENADOR DE COMUNICAÇÃO DE JAQUES WAGNER (PT)

YEDA CRUSIUS (PSDB)

“A separação entre atos de governo e de campanha é bem definida. Preferimos pecar pelo excesso, para não dar margem a dúvidas”

“As duas atividades são absolutamente paralelas. Não misturo as agendas e faço uma campanha respeitando as regras”

GOVERNADORA DO RS

JORNADA DUPLA CONFUNDE ATÉ OS PRÓPRIOS ASSESSORES

● Pernambuco. O governador Eduardo Campos (PSB), que disputa a reeleição, prestigia, “como candidato”, a Missa do Vaqueiro, em Serrita, no sertão, a 544 quilômetros do Recife. A visita foi divulgada na sua agenda de governador. As fotos, distribuídas pela secretaria estadual de Imprensa. Para a Procuradoria-Geral do Estado, houve “um equívoco” e novos

exemplo, o governador iniciou sua a agenda de campanha às 9h. Cumpriu um único compromisso do Executivo: despachos internos, às 11h. Às 13h, retomou a agenda eleitoral, viajando com Aécio e o presidenciável José Serra.

to cansativo. “Estou até gripado. Tem que ter muito pique.” Ele pretendia concentrar a agenda de candidato só nos fins de semana e fora do expediente, mas acabou mudando de ideia. Os assuntos de governo acabaram espremidos no turno da tarde. De manhã e à noite, entra em cena o candidato. Os papéis se confundem e até os assessores não sabem quando Cid está governador ou candidato. Numa reunião com servidores estaduais em um hotel da orla de Fortaleza, Cid prometeu a eles aumento de 2% nos salários a partir de 2011, caso seja reeleito. Comprometeu-se ainda a mudar a data-base dos servidores para o mês de janeiro.

● Bahia. Virou tema recorrente nas aparições públicas do governador baiano, Jaques Wagner (PT), a “jornada dupla” de trabalho. À frente nas pesquisas, acostumou-se a dizer que está tendo mais trabalho que os concorrentes para disputar a vaga. “O bom é que o esforço está sendo reconhecido”, argumenta. Boa parte das noites e dos finais de semana do governador tem sido ocupada com compromissos.

Minas. O governador Antonio Anastasia (PSDB) cumpre diariamente atividades de governo, mas muitas vezes o tempo reservado a elas é menor do que à campanha, que inclui viagens pelo interior mineiro, sempre acompanhado do ex-governador Aécio Neves (PSDB), candidato ao Senado. Na última quarta-feira, por

● Ceará. Para Cid Gomes (PSB), conciliar a agenda de governador com a de candidato tem sido mui-

● Maranhão. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), já utilizou oito dias úteis de trabalho para viajar pelo interior do Estado em campanha à reeleição. Como candidata, já percorreu 40 municípios, sendo 29 deles durante dias úteis de trabalho. A coordenação de campanha de Roseana alega que a campanha não atrapalha as atividades de gabinete da governadora, que despacha de segunda a quarta-feira, no

Palácio dos Leões ou em sua casa. ● Mato Grosso. Na semana passada, Silval Barbosa (PMDB) manteve sua agenda de governador misturada à de candidato. A agenda antes recheada do governador ficou vazia. Já a do candidato foi diariamente divulgada. Na segunda-feira, passou toda manhã concedendo entrevistas como candidato. Às 12h, almoçou com empresários. Às 14h, participou da reunião do conselho político de campanha. Já às 18h visitou uma família de quem recebeu apoio político. Às 19h, teve reunião com militares e familiares, e às 20h45, mais entrevistas. ● Mato Grosso do Sul. Por duas vezes na semana passada a Justiça Eleitoral barrou atividades do governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB). Na condição de governador, ele visitou Corumbá, onde queria fazer propaganda institucional de inscrições para aquisição da casa própria. O pedido foi negado pelo TRE. Em seguida, alegou ser preciso “conscientizar as pessoas quanto ao uso correto da água e a necessidade de fazer ligação de esgoto”. O tribunal também barrou.

PAULO PINTO/AE

deslizes não mais acontecerão. Diariamente são divulgadas duas agendas de Campos, sendo os eventos institucionais normalmente ocorrem entre 8 e 18 horas. As de candidato antes ou depois deste horário e nos fins de semana. Mas as agendas se confundem. Dia 29 de julho, por exemplo, visitou um hospital em Petrolina como governador, mas viajou utilizando a estrutura da campanha porque depois cumpriu extensa programação de candidato.

DIDA SAMPAIO/AE

Rio de Janeiro. Segunda-feira, 2 de agosto, 13h55. O governador fluminense, Sérgio Cabral Filho (PMDB), candidato à reeleição, entra no auditório do Comitê Olímpico Brasileiro, na Barra da Tijuca, para evento de campanha ao lado de Dilma Rousseff (PT). Com a jaqueta do COB, discursou e deu entrevista no horário de trabalho. Um horário de almoço flexível, de duração incerta, e a inexistência de restrições legais é a justificativa para ocupar com campanha eleitoral parte do que deveria ser expediente de trabalho. Dias depois do evento do COB, às 10h de uma quarta-feira, Cabral estava na Capela São Pedro Príncipe dos Apóstolos, no Rio Comprido, assistindo à Solene Celebração Eucarística pelo Dia do Padre. A missa constava na agenda de candidato.

GUALTER NAVES/AE

● Rio Grande do Sul. A governadora Yeda Crusius (PSDB) deixou Porto Alegre no final da manhã de quarta-feira e desembarcou em Santa Rosa ao meio-dia. Como candidata, participou de um almoço com lideranças políticas. Como governadora, visitou obras nos hospitais Dom Bosco e de Caridade. Segundo fontes, a viagem oficial foi em avião do Estado e os deslocamentos em terra para atividades políticas foram em carros alugados pela coligação. ● Pará. A governadora Ana Júlia Carepa (PT) divide seu tempo entre despachos administrativos e atividade de candidata. E se queixa que a dupla rotina de trabalho a deixa “exausta”. Em seus diários de campanha, porém, demonstra satisfação: “O povo é o meu maior guaraná em pó”.


A14 Nacional %HermesFileInfo:A-14:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Eleições

}

MANUAL DO INSTITUTO ETHOS PARA DOAÇÕES

1.

Antes de doar, empresas devem cumprir integralmente a legislação eleitoral

2.

Não apoiar partidos ou candidatos com histórico de corrupção

3.

Tornar pública a postura da empresa em relação ao financiamento

4.

Cobrar do candidato apoiado compromisso com as propostas

Longe do gol

ARTILHEIRO ROMÁRIO MOSTRA TIMIDEZ NA CAÇA AO VOTO A menos de 2 meses das eleições, o ex-jogador que era conhecido por não gostar de treinar ainda tenta se acostumar à rotina de candidato

Presidenciáveis fazem apenas sete promessas na semana do debate FOTOS: ERNESTO RODRIGUES/AE

Bruno Boghossian / RIO

A

os fãs que se aglomeravam e causavam alvoroço em um shopping da zona norte do Rio, o exjogador Romário de Souza Faria falava pouco, não fazia promessas e evitava pedir votos. Terceiro maior artilheiro da seleção brasileira, com 71 gols marcados, atrás somente de Pelé e Ronaldo, ele se mostra tímido nos eventos de sua campanha para deputado federal e ainda aparenta desconforto em sua nova função, como se jogasse

PROMESSAS José Serra ● Universalizar a banda larga

no País ● Converter regiões pobres das

grandes cidades em bairros

Dilma Rousseff ● Criar uma rede nacional de

Debate. Presidenciáveis participaram do primeiro confronto Na semana do primeiro debate na TV, os candidatos à Presidência desaceleraram a agenda a fim de se preparar para o encontro. Afastados dos comícios e de grandes aglomerações, os presidenciáveis prometeram menos. Foram feitas, na semana passada, apenas sete novas promessas de campanha. Dilma Rousseff (PT) foi responsável por cincodelas.José Serra(PSDB) assumiu apenas dois novos compro-

missos. Já Marina Silva, não fez promessas. Dilma foi a única candidata que trouxe uma proposta inédita no debate de quinta-feira: disse que irá criar, se eleita, 500 novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para a consulta com médicos especialistas. O levantamento feito pelo Estado leva em consideração discursos, entrevistas e material divulgado nos sites.

treinamento de atletas, além de centros olímpicos nacionais ● Elevar os investimentos em pesquisa e inovação de 1,34% do PIB para 1,8% até 2014 ● Implantar a Rede Cegonha, para tratamentos de mães e bebês com até um ano ● Construir 500 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Criar o ministério das Micro e Pequenas Empresas

Marina Silva Não fez promessas na semana

improvisado em um time que mal acabou de chegar. Mas o Baixinho garante que quer ser tratado como mero “puxador de votos” ou candidato-celebridade. “Eu não quero ser como os outros políticos, que ficam pedindo voto pra todo mundo em todos os lugares. Eu tenho propostas e só peço votos pra quem realmente acredita no que eu tenho a dizer”, explica o ex-atacante, de 44 anos, que disputa uma vaga na Câmara dosDeputados pelo PSB com uma plataforma baseada na criação de projetos sociais para crianças ca-

rentes e no apoio a portadores de deficiências. A menos de dois meses das eleições, o atleta que era conhecido por não gostar de treinar tenta se acostumar à rotina de candidato. Em uma viagem entre o centro da cidade e a zona norte em um vagão lotado do metrô carioca, Romário olhava para o chão, apoiava a cabeça nos braços e quase não falava – sem a desenvoltura que o tornou famoso dentro e fora de campo. Na quinta-feira, no shopping da zonanorte,sorriuaoaceitarcente-

nas de pedidos de fotos, autógrafos, beijos e abraços de fãs, mas evitouodiscursopolíticoeselimitou a entregar alguns cartões com onúmerodacandidatura eseuslogan: “Ele é o cara!”

Bandeiras de campanha são educação, saúde para crianças com deficiência e projetos sociais no esporte “No começo, fiquei com muito receiodenãoentenderemessaminha transição de ídolo para políti-


O ESTADO DE S. PAULO

Eleições

co”, admite o jogador, referindose à reação dos eleitores. “Depois que a campanha começou, vi que mais de 90% das pessoas que vêm falar comigo em todos os lugares aprovamessetrabalhoqueeuquero fazer.” ‘Puxador’. Apesar da resistência, Romárioéconsideradoumdosnomes fortes do PSBdo Rio na tentativa do partido de eleger até quatro deputados federais no dia 3 de outubro. Commais tempona propaganda eleitoral da TV que seus companheirosde legenda,o ex-jo-

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

}

Doações para campanha

Pesquisas à vista

O TSE mudou a regra que impedia o estorno por fraude nas doações por cartão de crédito destinadas a campanhas eleitorais. Segundo as operadoras, esse era o principal entrave para o início das doações por esse sistema

gador aceitou a função de “puxador de votos” – papel comumente atribuídoaartistas,atletasefamosos em geral. Mas ele exige que sua imagem não seja o único conteúdo da campanha. “Muitagentepensavaquebastaria apresentar o Romário fazendo embaixadinhas, cobrando pênaltis e fazendo o ‘V’ da vitória, mas não queremos despolitizar o processo”, afirma o sociólogo Marcio Saraiva, um dos coordenadores da campanha. “Romário tem horror a essas candidaturas caricatas, de personagens folclóricos. Ele

não se compara a isso e não quer ser confundido.” Pai de Ivy, de 5 anos, que tem síndrome de Down, Romário adotou como proposta de campanha oinvestimentoemeducaçãoesaúde para crianças com deficiência, além da criação de projetos sociais baseados no esporte. “Eu vou ser o mesmo Romário do futebol, que fez um montão de coisas pelo Brasil com a minha profissão”, diz o candidato. “Já me envolvi em projetos sociais por conta própria, mas agora eu quero ter a chave da porta.”

Nacional A15

De 31 de julho até sexta-feira foram registradas 22 pesquisas eleitorais no Tribunal Superior Eleitoral

PAULO VITOR/AE

Corpo-a-corpo. Em shopping, Romário deu autógrafos, mas evitou discurso político

Plínio não tem imóvel de R$ 1 milhão O candidato Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, considerou “injuriosa”ainformaçãodivulgada na sexta feira pelo Estado, segundoaqualele“moranumapartamento de um milhão de reais”. No pedido de retificação enviado ao jornal por seu advogado, afirma-se que “essa informação é falsa, pois o candidato reside

comsuafamíliaemuma casaalugada no bairro do Alto de Pinheiros, em São Paulo”. Ainformaçãoapareceu nasexta-feira, em reportagem na qual três cientistas políticos analisaram o debate entre os presidenciáveis na TV Bandeirantes. Um deles mencionou o valor procurando mostrar incoerência en-

tre as propostas socialistas de Plínio e o modo como vive. No registro da candidatura no TSE, Plínio apresentou declaração de bens no valor de R$ 2,1 milhões. Desse total, R$ 1,7 milhão estaria aplicado no mercado financeiro. Seu patrimônio imóvel seria formado por um apartamento, um sítio e um lote. Os valores declarados de cada uma deles são R$ 115 mil, R$ 153,8 e R$ 3,6 mil, respectivamente.

‘Estado’ está sob censura há 373 dias

peito da Operação Boi Barrica, pela qual a Polícia Federal investigou a atuação do empresário Fernando Sarney. A pedido do empresário, que é filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o jornal foi proibido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) em 31 de julho do ano passado de noticiar fatos relativos à operação da Polícia Federal.

No dia 18 de dezembro, Fernando Sarney entrou com pedido de desistência da ação contra o Estado. Mas o jornal não aceitou o arquivamento do caso. No dia 29 de janeiro, o advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira apresentou ao TJ-DF manifestação em que sustenta a preferência do jornal pelo prosseguimento da ação, para que o mérito seja julgado.

Desde o dia 29 de janeiro, o Estado aguarda uma definição judicialsobre o processo que o impede de divulgar informações a res-


A16 %HermesFileInfo:A-16:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Internacional

estadão.com.br Gráfico. Veja cronologia dos 8 anos de Uribe na Colômbia estadão.com.br/internacional

Reportagem Especial ✽ CRISE BOLIVARIANA

VENEZUELA: FALTAM COMIDA, LUZ E OPOSIÇÃO A CHÁVEZ Alternativas políticas ao ‘Socialismo do Século 21’ não chegam a redutos governistas Patrícia Campos Mello ENVIADA ESPECIAL CARACAS FOTOS: AYRTON VIGNOLA/AE

Propaganda eleitoral. Em Caracas, na favela Petare, a maior da América Latina, paredes recém-pintadas pedem votos para o governo Chávez e seus aliados nas eleições de setembro

● O ESTADO

NA VENEZUELA

osé Antonio Sánchez tem poucos dentes, trabalha como sapateiro semana sim, semana não, e vive em Petare, a maior e mais perigosa favela de Caracas – 1 milhão de habitantes. Em sua casa, a água chega de vez em quando, amarela. O posto de saúde que frequenta, com seus médicos cubanos, tem uma fila enorme e só abre até meio-dia. No

J

mercadinho socialista de Hugo Chávez, o Mercal, falta frango, carne, margarina e papel higiênico. Apesar disso, Sánchez não pensa em votar na oposição em 26 de setembro. Não sabe quem a representa. A Venezuela vive a maior recessão dos últimos anos. Sua inflação deve ficar em 35%, a mais alta do mundo. O desempregoestáem8,5%.Enquanto toda a América Latina cresce, o PIB da Venezuela vai encolher 4,4%, depois de ter recuado 3,3% no ano passado. A produção de petróleo, arrimo do país, deve cair 1%. O racionamento de energia deixa milhões de venezuelanos até 6 horas por dia sem luz. Mesmoassim,apopularidadede Chávez está em 47%, segundo pesquisa de

ECONOMIA EM APUROS l Desde o lançamento do

socialismo do século XXI a economia venezuelana está em declínio – e Chávez aperta a repressão EM PORCENTAGEM CRESCIMENTO DO PIB

INFLAÇÃO

MAIO CHÁVEZ TIRA RCTV DO AR

Implementa ção do socialismo do século 21

SETEMBRO HUMAN RIGHTS WATCH É EXPULSA DA VENEZUELA OUTUBRO EX-MINISTRO DA DEFESA RAÚL BADUEL É PRESO ACUSADO DE CORRUPÇÃO

MARÇO DECRETADA PRISÃO DE LÍDER OPOSITOR MANUEL ROSALES, QUE FOGE PARA PERU

ABRIL CRIADAS “GUERRILHAS COMUNICACIONAIS” CONTRA “MÍDIA CAPITALISTA”

AGOSTO EX-GOVERNADOR DE ARAGUA DIDALCO BOLÍVAR SE ASILA NO PERU

JUNHO DECRETADA PRISÃO DE DONO DA GLOBOVISIÓN

35

30

26,2*

25 20 15 10 5 0

-5,8* -5 -10 2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

*1º trimestre (último número divulgado) FONTE: BANCO CENTRAL VENEZUELANO E MINISTÉRIO DO PODER POPULAR PARA ENERGIA E PETRÓLEO

INFOGRÁFICO/AE

julho da Datanalisis. Está em queda, se comparadaà de2006, quando71,5% dos venezuelanos o apoiavam. Mas ainda é maiorque apresidenteamericano Barack Obama, que está com 44%, segundo Gallup desta semana. Apesar de todas as más notícias que cercamo governantebolivariano,aoposição da Venezuela não engrena. A poucomaisde um mêsdaseleições legislativas, quando serão eleitos 165 deputados para a assembleia nacional, a oposição ainda luta para se articular. Nas previsões mais otimistas, conseguirá no máximo a metade dos assentos da assembleia. Os chavistas do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) devem manter a maioria. A oposição venezuelana é fragmentada e carece de um projeto que vá além do “fora Chávez”, dizem analistas. Em 2005, os oposicionistas boicotaram as eleições legislativas, em uma estratégia que deu a Chávez poder absoluto na assembleia para passar suas leis de concentração de poder. Só há quatro meses houve uma tentativa de coalizão. Formou-se a Mesa da Unidade Democrática, que agrega cerca de 30 agremiações contra Chávez. A população está cada vez mais descontente por causa da falta de segurança e a inflação. Boa parte dos venezuelanos dizem sem travas que Chávez“anda muito radical” e gostariam de alternânciadepoder.Masestesmesmosidentificamaoposiçãocom umavoltaaumpassado pré-chavista. “Há um problema de ver a oposição como restauração, uma volta ao que havia antes de Chávez, e as pessoastampouco querem isso”,diz JoséAlbornoz,secretário-executivodoPátria Para Todos, partido que tenta ser uma terceira via. De acordo com a empresa de pesquisas Hinterlaces, os “nini”–nem Chávez,nemoposição–representam 48% do eleitorado da Venezuela. Entre eles, os que apoiam a ideia de “socialismo do século 21” são 27%, enquanto 21% são a favor da oposição. A oposição tem dificuldade em conquistar os votos mesmo de quem não se considera chavista. “O descontenta-

● Retrato chavista

JOSÉ ANTONIO SÁNCHEZ SAPATEIRO SEMANA SIM, OUTRA NÃO

“A situação está difícil, mas não é culpa do Chávez. A oposição deixaria tudo como era antes, seria pior. Vou seguir votando no meu comandante. Com ele, os pobres da Venezuela vão vencer os Estados Unidos”.

mentocom Cháveznãonecessariamente se traduz em votos para opositores – a oposição precisa ir às ruas, às favelas, para mostrar que é uma alternativa”, diz Omar Noria, professor da Universidade Central da Venezuela. Segundo a Hinterlaces, o trunfo de Chávez é que oposição “não apresenta alternativas concretasque garantamà população repostas para seus problemas sociais.” “O único projeto da oposição é tirar Chávez do poder – mas daí, o que eles vão fazer? Será que vai melhorar mesmo?”, questiona o taxista Jefry Tovar. Há poucos nomes capazes de enfrentar o carisma de Chávez. Quando surgem, Chávez trata de “desabilitá-los”, usando fatores técnicos para impedilos de concorrer a eleições. Leopoldo Lopez,porexemplo,ex-prefeitodeChacao, era um nome forte e foi desabilitado pelas autoridades eleitorais. Antonio Ledezma, prefeito de Caracas, teve seu poder reduzido por manobras de

Chávez para transferir parte de suas atribuições para conselhos comunitários. Além disso, Chávez redesenhou as leis eleitorais para reduzir as chances de avanço de seus opositores.Mudouas regrasde proporcionalidade.Hoje, estados pobrese chavistas têm muito mais peso do que as grandes cidades, onde Chávez perde popularidade. Chávez usa a máquina do governo como nunca – funcionários fazem campanha, TVs e jornais estatais também. E à medida que a economiacambaleia, a pressão sobre meios de comunicação e organizações de defesa dos direitos humanos aumenta (ver quadro). “A oposição precisa parar com o discurso ideológico, de se opor ao comunismo e exaltar a propriedade privada, e se focar em coisas práticas – mostrar como o metrô de Caracas era ótimo e agora é uma porcaria, falar da falta de segurança, da falta de eletricidade e racionamento de água”, diz o analista político Fausto Masó. “Senão, a população não vai ver na oposição uma alternativa concreta para seus problemas. Vai continuar seduzida pelo discurso Robin HooddeChávez, achandoqueos problemas do país não são culpa dele, massim dos especuladores capitalistas.” Consertandosapatos, Sánchez ganha 200, 250 bolívares fortes por mês – US$ 100 dólares no câmbio oficial, US$ 30 no mercado negro. Só de aluguel, paga 200 bolívares por mês. No mês passado, 469 pessoas foram assassinadas em Caracas. Sánchez vive com sua mãe de 81 anos, que tenta há anos receber aposentadoria, em vão. Mas perto da casa dele em Petare – a maior favela da América Latina, dizem com uma ponta de orgulhoosvenezuelanos –há umrestaurantedo governo, onde almoça de graça. “A situação está difícil, mas não é culpa do Chávez”, afirma Sánchez. “Comele,ospobresvencerãoosEstados Unidos.”


%HermesFileInfo:A-17:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

ESTATAL DO PETRÓLEO, PERTO DA EXAUSTÃO PDVSA investe mais em projetos sociais do que na extração e dobra funcionários Patrícia Campos Mello ENVIADA ESPECIAL A CARACAS

O governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está esgotando sua galinha de ovos de ouro: a estatal petroleira PDVSA. Analistas apontamque o governo bolivariano está negligenciando os investimentos nos negócios principais da empresa e usando a receita para gastos sociais e outros negócios, como a distribuição de alimentos pela PDVAL.

Ruptura com Colômbia agrava crise CARACAS

O conflito entre Colômbia e Venezuela tem colaborado para exacerbar a crise econômica venezuelana. Esteano, ointercâmbio comercial entre os dois países caiu 63% em relação ao anopassado,segundooInstitutoNacionaldeEstatísticas da Venezuela. O comércio começou a se reduzir drasticamente em julho de 2009, quando os colombianos anunciaram a cessão de bases militares do país para os EUA. O presidente Hugo Chávez restringiu então as importações do país vizinho. Osdesentendimentosrecentes pioraram a situação. No mês passado, Chávez anunciou o rompimento das relações diplomáticas com Bogotá após o presidente Álvaro Uribe acusar o governo venezuelano de abrigar guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em seu território. Analistas consideraram a resposta de Chávez uma tentativa de desviar a atenção das agruras econômicas com um inimigo da pátria.Narua,nãoháanimosidade de venezuelanos contra os colombianos. Representantesde sindicatos das regiões da fronteira advertiram que o recuo do comércio prejudica não só as empresas, mas também os habitantes da região. A Colômbia era o principal fornecedor de alimentos da Venezuela. Os enfrentamentos rotineiros levaram Caracasapriorizaraimportação de produtos básicos brasileiros–noprimeirosemestre, carne, açúcar e café equivaleram a 37% do que o Brasil exportou para os venezuelanos. Reaproximação. De acordo com o governo colombiano,aquedanointercâmbio comercial pode reduzir em 0,5 pontos porcentuais o crescimento do PIB da Colômbia.AsvendasdaColômbia para o país vizinho, principalmente de alimentos, caíram 75% em relação ao mesmo período de 2009. Esse seria um dos motivos para o presidente eleito Juan Manuel Santos se reaproximar de Chávez. / P. C. M.

● Prejuízos

US$ 7 bi

era o volume do comércio bilateral entre Colômbia e Venezuela em 2008

US$ 1 bi

é a estimativa de quanto fechará o comércio bilateral em 2010 – a Colômbia recebe ainda US$ 290 milhões em remessas de colombianos que moram no país vizinho

De 2004 a 2009, a estatal investiuUS$61,4bilhõesem projetos agrícolas e de habitação, em projetos sociais e em contribuições às comunidades. Já as áreas centrais ao negócio de extração e refino de petróleo receberam investimento de US$ 51,3 bilhões no mesmo período. O lucro líquido da PDVSA caiu 52,2% em 2009, chegando a US$ 4,49 bilhões, diante dos US$ 9,4 bilhões de 2008. “No longo prazo, isto é ruim para o país, porque a PDVSA está se transformando em uma em-

JORGE SILVA /REUTERS

do com Bello, é mais fácil para o governo fazer gasto social por meio da PDVSA do que usar os canais normais, bem mais burocráticos. Centro de poder. A PDVSA está

Chávez. Receita do petróleo presamenos sólida”,disseaoEstado Maikel Bello, analista da Ecoanalítica.“Mas,nocurto prazo,estárendendodividendospolíticos para o governo.” De acor-

no cerne do regime de Chávez. Com os lucros da petroleira, o presidentemantém seusprogramas sociais, que garantem apoio das classes C e D a seu governo. E onúmerocrescentedefuncionários atua também como base de apoio para seu governo. Um dos sintomas da falta de

investimentos é a baixa produtividade da PDVSA. A produção de petróleo subiu apenas 4%, entre 2005 e 2009, de 2,9 milhões de barris diários, em 2005, para 3,01 milhões de barris diários, em 2009. No mesmo período, o número de funcionários subiu de 49.180 para 91.949. Boa parte dos funcionários veio da absorção de prestadoras de serviços que foram estatizadas por Chávez e de empregados em atividades não relacionadas à extração e refino de petróleo. “Se o governo continuar exi-

Internacional A17 gindotantodaPDVSA,serácada vez mais difícil fazer os investimentos necessários para manter a produção de petróleo”, diz Bello. “Isto não é sustentável no longo prazo, a não ser que o petróleo suba 10% ou 15% todo ano ou que ocorram pequenas desvalorizações anuais.” Deterioração. Em 2010, o re-

sultado da PDVSA será melhorpor causa da recuperação do preço do petróleo no mercadointernacionaleda desvalorização do bolívar forte que Chávez promoveu – o que deveráinflarasreceitasdapetrolífera. “Mas não podemos esquecer que há uma deterioração importante na situação financeira da PDVSA.”


A18 Internacional %HermesFileInfo:A-18:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

DIDA SAMPAIO/AE

Santos: ‘Antes de ser soldado serei diplomata’ Frase do novo presidente revela a prioridade para negociar com a Venezuela e o Equador

Transição. Santos (C) marca diferenças diante de Uribe (D) Tânia Monteiro ENVIADA/BOGOTÁ ● O ESTADO

NA COLÔMBIA

Primeira reunião será com Lula em setembro BOGOTÁ

O primeiro encontro bilateral do novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, será com o governo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ontem, durante entrevista coletiva em Bogotá, que Santos vai se encontrar com ele no dia 1º de setembro. Lula disse também que aguarda para breve um encontro do novo presidente colombiano com o colega da Venezuela, Hugo Chávez. Na avaliação de Lula, “50% do caminho” para o restabelecimento das relações diplomáticasentreaColômbiaeVenezuelajáfoipercorrido.Ele ressaltou que isso foi possível graças à participação do chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, na solenidadedepossedeSantos,apesar de Chávez ter suspendido as relações diplomáticas com a Colômbia. “Uribe deixou o governo e a relação entre Colômbia e Venezuela passa ser entre o presidente Santos e o presidente Chávez. O que senti na conversa com o presidenteChávezeosecretáriogeral da Unasul, Nestor Kirchner,éque o Chávezestá disposto afazertodoesforçopararestabelecer a normalidade política entre Colômbia e Venezuela”, afirmou o presidente brasileiro. Lula ressaltou, inclusive, que Chávez está disposto a se encontrar com o presidente Santos. “Aqui na Colômbia, os sinais são de que há a mesma disposição de voltar à normalidade. Os paísestêmmaisdedoismilquilômetros de fronteira, têm dependência energética, tem um fluxo na balança comercial de quase US$ 8 bilhões, tem milhões de pessoasque transitamlivremente de um lado para o outro. Portanto,osgovernantes têmde trabalharpara quehaja uma normalidade,que volte aser comosempre foi, uma fronteira de paz, de progresso, de desenvolvimento, porque é isso que a América do Sul precisa”, disse o presidente. O encontro com Lula com JuanManuelSantosseránoPalácio do Planalto, que volta a ser a sede da Presidência brasileira dentro de duas semanas, depois de ter passado por uma reforma geral que deveria ter sido concluída em abril. /T.M.

Denúncia de Uribe é ‘salto no vazio’, diz Nicolas Maduro ● O ministro de Relações Exterio-

res da Venezuela, Nicolas Maduro, disse ontem, em Bogotá, que a acusação contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez, no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, é um “salto no vazio”. Para ele, esse já é “um tema do passado, que expressa uma época que tem de ficar para trás”. Jaime Granados, advogado do ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe, apresentou na sexta-feira, uma denúncia contra Chávez no TPI, acusando-o de dar abrigo à guerrilha das Farc. Maduro desembarcou em Bogotá dizendo que levava uma mensagem de Chávez de “amor e futuro”.

Sem meias palavras, o novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse ontem,

na solenidade de posse, que sua primeira tarefa será “reconstruir as relações com a Venezuela e o Equador”. Santos disse que quer respeitar e ser respeitado pelos vizi-

nhos, que “a história nos une”, apesar das “diferenças ideológicas” e que a palavra “guerra” só deveserfaladacontraonarcotráfico.“Antesdesersoldado,preciso ser diplomata”, afirmou o no-

vopresidente.Nogovernodoantecessor, Álvaro Uribe, Santos foi ministro da Defesa e um dos líderes do combate à narcoguerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Santos deixou claro, também, que a estratégia de negociação com Venezuela e Equador é “um diálogofrancoedireto,derespeito mútuo”. Sobre o prazo para começar o diálogo, ele explicitou: “O mais rápido possível”. E justificou: “Quando os governos disputam, os povos sofrem.” Antes do discurso solene da posse de Santos, a nova chanceler, Maria Angela Holguín, havia antecipado a estratégia de negociação direta com os vizinhos. Ela disse que, no momento, não havia como pedir ajuda ao Brasil e que a decisão era colocar a Co-

lômbiaparareatarodiálogodiretamente com a Venezuela e o Equador. Fim da violência. A abertura do

discurso de Santos foi uma espécie de diálogo com a sociedade colombiana. O novo presidente fez profissão de fé na democracia e disse não querer “um país sem partidos e sem controvérsias ideológicas”. Ele prometeu manter uma “portadodiálogoaberta”comtodos,mas acrescentouqueseugoverno terá como prioridade a erradicação da violência. “Queremos o diálogo, mas combateremos o sequestro, o narcotráfico e a intimidação.” Outro compromisso de Santos foi com a diminuição da pobreza e a redução do desemprego.


%HermesFileInfo:A-19:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Internacional A19

ENTREVISTA

Mac Margolis, novo colunista do ‘Estado’ para a América Latina

‘Paz entre Bogotá e Caracas seria instável’ Ruth Costas

Após quase três décadas escrevendo sobre o Brasil e a América Latina para algumas das principais publicações internacionais, o americano Mac Margolis

estreará no próximo domingo como colunista do Estado para assuntos da região. Margolis mora no Brasil desde os anos 80 – inicialmente em São Paulo, agora no Rio. Correspondente de longa data da revista

Newsweek, já colaborou com a britânica The Economist e os jornais Washington Post e Los Angeles Times. Em 2003, ele ganhou o prêmio Maria Moors Cabot, da faculdade de jornalismo da Universidade da Columbia, nos

EUA, por seu trabalho dedicado ao avanço da compreensão sobre os países das Américas. A seguir, ele fala sobre a crise Bogotá-Caracas: ● O novo presidente colombiano Juan Manuel Santos quer diálogo com Chávez. Teremos uma paz duradoura?

Santos fez um gesto necessário ao estender a mão para a Venezuela. Mas Chávez tem sido um interlocutor instável e sujeito a crises que transbordam, contagiam a política externa. A Venezuela enfrenta, internamente, desafios políticos e econômicos imensos. Além do Haiti, é o úni-

co país da região que terá recessão este ano. Isso apesar de suas riquezas energéticas – apenas por má administração. Trata-se de uma panela de pressão, sobretudo com a proximidade das eleições parlamentares. Chávez pode tentar ofuscar o problema criando um inimigo externo. Novamente, uma crise com Bogotá seria conveniente.

tentando varrer a guerrilha, o tráfico e o paramilitarismo. Graças às conquistas de Uribe nessa área, Santos pode olhar para fora, fazer alianças – e até é obrigado a adotar tal postura por uma questão econômica. Ele precisa buscar parceiros comerciais para compensar os efeitos do conflito com a Venezuela. ● A Colômbia ficará menos

● Então o que muda com a posse

isolada?

de Santos?

O clichê, que tem um fundo de verdade, é dizer que a Colômbia é uma espécie de Israel da região: ligada aos EUA e suspeita aos olhos dos vizinhos. Santos tentará mudar isto.

Nos últimos anos, a agenda da Colômbia para a região foi pouco ambiciosa – até porque o país estava mergulhado nos problemas de segurança interna,

‘Uribe e Santos ainda estão afinados’ Nos seguintes trechos da entrevista, o novo colunista do Estado, Mac Margolis, diz não acreditar em uma ruptura entre o atual presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e seu antecessor, Álvaro Uribe. ● Uribe entregou as evidências

da presença de guerrilheiros na Venezuela para a OEA poucos dias antes de deixar o poder – apesar de Santos ter prometido uma aproximação com Caracas. Houve sabotagem?

É difícil imaginar isso. Os dois líderes colombianos são muito afinados. Com estilo diferentes, é verdade. Uribe tem um estilo forte, abrasivo. Já Santos aposta mais na moderação e pragmatismo. As duas equipes, porém, estão trabalhando de forma muito sintonizada na transição. ● Então o sr. não acredita nos

rumores de uma ruptura entre Santos e Uribe?

Por simples convicção pessoal ou egoísmo, Uribe não teria feito isso. O gesto foi polêmico – e Uribe também foi criticado por discordar publicamente de Santos sobre a retomada do diálogo com Caracas. Mas, na política, os colombianos são muito sofisticados. Nada sai de lá – de dois aliados desse porte – sem que tenha sido muito bem planejado e negociado. Uma hipótese possível é a de que eles tenham dividido os papéis, feito um arranjo do tipo “bom policial, mau policial”. ● Como assim?

Uribe fez a função do policial durão, dando um recado que precisava ser dado sobre a presença das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no país vizinho. Com isso, atraiu todas as tensões para a sua figura, que afinal está em fim de mandato. Agora, Santos fica com o papel do policial “bom”, que chegou para resolver a crise. ● Lula conversou com Chávez e

Santos sobre a crise. O Brasil tem espaço para exercer um papel mediador?

O Brasil pode até tentar, mas precisaria ter uma abertura maior. A Colômbia tem sido mantida a certa distância pela diplomacia brasileira. Curiosamente, em outros setores – como o militar – há mais cooperação. O Brasil está preocupado com sua fronteira, quer conter o tráfico. Nesse ponto, há cooperação independentemente da posição ideológica. ● Nesse final do governo Lula,

como o sr. avalia os esforços do Brasil para ganhar proeminência regional?

Há na região um certo ressentimento com o destaque internacional do Brasil e também, paradoxalmente, uma expectativa de que o País seja mais ativo em certas áreas. É bastante complicada a indulgência do governo brasileiro em relação às práticas de Cuba e Venezuela, que ele denuncia em outros lugares. A libertação dos presos políticos cubanos, por exemplo, foi negociada pela Espanha – o Brasil poderia ter exercido esse papel. / R.C.


A20 Internacional %HermesFileInfo:A-20:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

China aumenta influência na África Segundo escritora, influência chinesa no continente pode ter resultados positivos Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE / PEQUIM

A crescente influência de Pequim na África não se encaixa no rótulo de neocolonialismo e pode ter resultados positivos, especialmente quando comparada às desastrosas tentativas ocidentais de moldar o continente à sua imagem e semelhança. A avaliação é da americana Deborah Brautigam, autora do livro The Dragon’s Gift: The Real Story of China in Africa (O Presente do Dragão: a Verdadeira História da China na África). “Nãoéneocolonialismo, églobalização com características chinesas”, afirmou Deborah. O principal veículo da expansão do país asiático no continente são os empréstimos para investimentos em obras de infraestrutura, concedidos a taxas de mercado e pagos com recursos naturais que alimentam o incessante ritmo de crescimento da China. Além de garantir o suprimento de minérios e petróleo, esses investimentos abrem caminho para a internacionalização das empresaschinesas,quesãoasescolhidas para a realização das obras.Emmuitoscasos,osrecursosnemsaemdaChina esãodestinados diretamente ao pagamento das companhias que atuam na África ou vendem má-

MOHAMED NURELDIN ABDALLH/REUTERS–16/2/2009

Com um histórico de quase três décadas de estudo das duas regiões,aautoraafirmaqueaajudaafundoperdidodadapelaChina apaíses africanos é muito menor do que se supõe. De acordo com seus cálculos – Pequim não divulga os dados –, a cifra foi de US$1,8bilhãoem 2008,bem menos que os contratos para construção de infraestrutura. “O engajamento da China na África não se dá por meio da ajuda, mas por meio dos negócios.” Segundo Deborah, o modelo para a troca de recursos naturais por obras tem como base a própria experiência da China de 30 anos atrás, quando o país era pobreetinhapetróleodesobra.Naquela época, Pequim aceitou a propostade Tóquiopara concessão de empréstimo de US$ 10 bilhões, que deveriam ser usados na compra de máquinas, equipamentos e tecnologia do Japão. Em troca, os chineses entregariam petróleo ao rico vizinho. A mesma “barganha” é utilizada na África pela China de hoje.

PARA LEMBRAR O marco da emergência chinesa na África foi em 2006, quando líderes de 48 dos 53 países do continente reuniram-se em Pequim com o presidente Hu Jintao para a primeira reunião de cúpula do fórum de cooperação China-África. Desde então, a China se tornou o maior investidor estrangeiro na África e o principal destino das exportações de muitos países do continente. / C.T. quinas e equipamentos para o continente. Só em 2008, empresas chinesas ganharam US$ 40 bilhões em contratos de infraestrutura em países africanos, pagosporfinanciamentosconcedidos não apenas por Pequim, mas também por instituições como o Banco Mundial e o Banco de Desenvolvimento da África. “Os chineses olharam para a Áfricaeviramquehaviaumenorme potencial para construção de infraestrutura”, disse a autora. Deborahobserva queessemodelo transforma parte da exportação de recursos naturais em infraestrutura, não necessariamente relacionada à exportação de commodities para a China.

Investimento. Outro caminho

traçado a partir da lógica dos negócios são as Zonas Econômicas Especiais aprovadas por Pequim para sete países africanos. Essas áreas contam com infraestrutura construída por empresas chinesas e têm a função de abrigar investimentos chineses nos países em que estão localizadas. A grande dúvida é como os produtos fabricados nessas áreas vão competir com os que saem das poucas indústrias africanas. Apesar da visão otimista, a autora reconhece que a presença de Pequim na África é marcada por outros problemas além da concorrênciacomoscomerciantes e empresários locais. A lista inclui a imigração de camponeseschineses,acorrupçãoeospobres padrões trabalhistas, sociais e ambientais. Mesmocomosproblemas,Deborah acredita que os chineses podem ser mais bem sucedidos que o Ocidente na tentativa de estimular o desenvolvimento econômicodoempobrecidocontinente. “A China não tem um passado colonialista e há muito ressentimentona Áfricaemrelaçãoaocolonialismoeaopaternalismo ocidentais.”

Parceria. Engenheiros chineses e sudaneses trabalham em construção de prédio em Cartum

Continente é fonte de energia para Pequim PEQUIM

Segundomaiorconsumidoreimportador de petróleo do mundo, a China encontrou na África uma fonte vital para suprir suas necessidades energéticas. No ano passado, Pequim comprou de outros países o equivalente a 52% de seu consumo total de petróleo e estima que o porcentual

Iraque deve US$ 30 bi ao Kuwait por invasão AP–18/9/1990

Após 20 anos da Guerra do Golfo, atual governo iraquiano diz que indenizações afetam a reconstrução do país Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA

O invasão do Kuwait por Saddam Hussein completou 20 anos esta semana. Desde então, o regime iraquiano foi derrubado, o país entrou em guerra e hoje é ocupado por tropas estrangeiras. Duas décadas depois, as feridas entre Iraque e Kuwait continuam abertas. Bagdá ainda deve mais de US$ 31 bilhões em reparações de guerra ao vizinho, após já ter pago US$ 30 bilhões em compensações. “Essa é a maior reparação de guerradahistória”,afirmouoministro do Petróleo do Iraque,

OPERAÇÃO TEMPESTADE NO DESERTO

Ofensiva. Tanque americano atravessa deserto iraquiano Hussein Shahristani. “O que a Alemanha pagou na 1.ª Guerra à França e à Grã-Bretanha foi menos do que estamos pagando”, afirmou. Após a Guerra do Golfo, a ONU criou uma comissão, em Genebra, para lidar com os pedidos de compensação, enviados

por mais de cem países e empresas de todo o mundo, entre elas várias brasileiras. Os cerca de 200funcionários deslocados para afunção de avaliar ascompensações receberam pedidos de mais de US$ 350 bilhões, principalmente do Kuwait. Documentos obtidos pelo Estado mos-

tram que a comissão autorizou o pagamento de apenas 14% desse volume, US$ 52 bilhões, e considerou que a grande parte dos pedidos não tinha fundamento. Nocasodasdemandasdeindivíduos kuwaitianos, apenas 5% foram aprovadas pela ONU. Em uma delas, um cidadão do Kuwaitculpavaainvasãoiraquiana por seu divórcio e pedia indenização. Não foi atendido. O Iraque usou 5% da renda do petróleo para pagar os US$ 30 bilhões em indenizações. Os pagamentos foram mantidos mesmoapósaquedadeSaddam.Bagdáinsistequeacompensaçãoexigida está afetando a capacidade do país de se reconstruir. Há uma semana, EUA e GrãBretanha voltaram a pedir uma solução para o caso. Ambos são contra o pagamento de compensações,jáqueoatualgovernoiraquianodependedosrecursosenviados por americanos e britâni-

se aproximará de 65% em 2020. Os países africanos respondem por cerca de um terço das importações chinesas de petróleo e são o segundo maior fornecedor depois do Oriente Médio, cuja participação chega a 45%. No ano passado, a China importou 204 milhões de toneladas de petróleo, um aumento de 14% em relação a 2008. Desse to-

cos.OParlamentodemaiorianacionalista no Kuwait insiste que não desistirá de seus direitos, especialmenteporquetantoamericanosquando britânicosreceberam suas indenizações há anos. O debate não está nem perto de uma conclusão. Nesta semana, a ONU aprovou um pedido de mais de US$ 655 milhões que devem ser pagos ao Kuwait. A dívida ainda chega a US$ 22,5 bilhões, além dos US$ 8 bilhões que estão em disputa em tribu-

ONDE FICA 0 km

175

SÍRIA N Bagdá

IRAQUE

ARÁBIA SAUDITA

IRÃ

KUWAIT INFOGRÁFICO/AE

tal, 20,6% vieram da Arábia Saudita. Angola foi responsável pela venda de 15,8% das importações chinesas. O Sudão apareceu em quinto lugar, depois de Irã e Rússia, 5,98%. O forte ritmo de crescimento econômico da China, que teve média anual de 9,6% nas últimas três décadas, levou o país ao topo do ranking dos maiores consumidores de energia do mundo elaborado pela Agência Internacional de Energia, incluindo o usodecarvão, gásnatural, petróleo, nuclear e hidrelétrica. Com isso,superou osEUA,queconsumiram cerca de 2,17 bilhões de toneladas de petróleo. / C. T.

nais do Kuwait. Os kuwaitianos exigem ainda o pagamento de US$ 1,2 bilhão pelo roubo de 10 aviões, que teriamsidolevadosporSaddampara equipar a Iraqi Airways. Bagdá diz que quatro aeronaves foram destruídas na guerra; seis foram levadas aoIrã e,posteriormente, devolvidas ao Kuwait. Fronteiras. Diplomatas revela-

ram ainda que uma saída que começa a ser debatida é a redução de metade da dívida em troca do reconhecimento por Bagdá das fronteiras com o Kuwait. Os limites foram demarcados pela ONU, mas o atual governo iraquiano diz que a delimitação é “injusta”. O porta-voz do governo iraquiano, Ali al-Dabbagh, garantiu que o Iraque prefere debater um investimento conjunto dos dois países para a exploração de petróleo na fronteira, resolvendo tanto a questão da demarcação quanto da dívida, que seria paga com o lucro dessas reservas.

2 de agosto

8 de agosto

15 de janeiro

26 de fevereiro

28 de fevereiro

Tropas de Saddam invadem o Kuwait

ONU impõe sanções contra o Iraque

Militares de 28 países invadem o Iraque

Saddam ordena retirada iraquiana do Kuwait

Iraque aceita cessar-fogo e resoluções da ONU

LAZIM ALI/REUTERS–1991

ANDY CLARK/REUTERS–3/3/1991

CUBA

IRAQUE

PARAGUAI

ARÁBIA SAUDITA

IRÃ

Fidel discursa na Assembleia Nacional cubana pela primeira vez em quatro anos

Explosões matam dezenas em Basra

Lugo será internado no Sírio-Libanês na terça

Blackberry e governo chegam a acordo

Iraniana condenada denuncia ‘armação’

Uma sequência de três explosões no gerador de energia de um movimentado centro de compras da cidade de Basra, no sul do Iraque, deixou dezenas de mortos ontem à noite. O número de vítimas variava entre 16 e 45, segundo dados não oficiais. Os feridos são estimados entre 100 e 160. Ao menos uma das explosões teria sido causada por uma bomba colocada próximo ao gerador, segundo as forças de segurança. Sete policiais foram mortos ontem no país, que desde maio espera pela definição de seu governante.

O presidente do Paraguai, Francisco Lugo, desembarcará terçafeira em São Paulo para tratar um câncer linfático, diagnosticado na quarta-feira. Ele será atendido pela equipe de oncologia do hospital Sírio-Libanês. Lugo viajará para o Brasil em jato da frota presidencial oferecido pelo presidente Lula. O vice-presidente, Fred Franco, assumirá o cargo na segunda-feira. O médico paraguaio Nestor Martinez disse ontem, em Assunção, que o tumor “é muito agressivo”. O grupo do Sírio é o mesmo que atende Dilma Rousseff.

A Arábia Saudita e o fabricante da BlackBerry chegaram a um acordo para a evitar a suspensão do serviço de mensagens no país. O canal Al Arabiya – de capital saudita – informou, citando fontes anônimas, os bastidores do acerto. A canadense Research in Motion (RIM) teria aceitado que as autoridades sauditas tenham acesso ao conteúdo das mensagens trocadas por meio do aparelho. Indonésia e Emirados Árabes planejam proibir o serviço.

Em entrevista ao ‘The Guardian’, a iraniana Sakineh Ashtiani (foto)acusou as autoridades de seu país de mentirem para justificar sua execução por apedrejamento. Nas últimas semanas, a acusação contra ela mudou de adultério para assassinato. Sakineh disse ainda que a fuga de seu advogado, Mohammad Mostafaei, a deixou mais vulnerável. Ontem, Mostafaei partiu da Turquia para a Noruega, onde receberá asilo.

Com o uniforme verde-oliva, mas sem insígnias, o líder cubano Fidel Castro (foto), de 83 anos, discursou ontem na Assembleia Nacional de seu país. Em quatro anos, foi a primeira aparição de Fidel frente aos parlamentares e o primeiro discurso ao vivo na TV cubana. Fidel se afastou do poder em julho de 2006 por questões de saúde. Nas últimas semanas, ele passou a aparecer em público com fre-

quência e a falar sobre “a ameaça de uma guerra nuclear”. Foi esse o tema do discurso ontem. Dizendo-se “totalmente recuperado”, Fidel alertou que se o presidente dos EUA, Barack Obama, atacar o Irã para interromper seu programa nuclear haverá uma “hecatombe, que varreria a espécie humana do mapa”. Em 11 minutos de discurso, Fidel não falou sobre assuntos domésticos.


Internacional A21

%HermesFileInfo:A-21:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

EUA sofrem pressão para acabar com guerra afegã Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE/ WASHINGTON

Atormentados pela morte de 1.216 soldados e por um custo acumulado de US$ 300 bilhões, desde 2001, os EUA não disfarçam a ansiedade em pôr fim à guerra do Afeganistão, mesmo sob pena de uma humilhante declaração de derrota. Na semana passada, as tropas americanas se arriscaram a perder a verba adicional de US$ 37 bilhões e o principal aliado do país na região, o Paquistão, anunciou que o Taleban está vencendo o conflito. Naterça-feira, em Paris,o presidentepaquistanês,AsifAli Zardari, disse que a coalizão comandada pelos EUA “superestimou a situação no terreno e não teve consciência da escalada do problema de combater o Taleban”. “Perderemos a batalha pelos corações ealmas dos afegãos”, afirmou Zardari, nove dias após o vazamento de documentos que provam que o Paquistão apoia também o Taleban. Em julho, os EUA registraram amorte de66 soldados no Afeganistão – um recorde. Este ano, até agosto, foram 269 mortos e 2 mil feridos. As baixas fizeram cresceraresistência doCongresso em aprovar a verba adicional de US$ 37 bilhões. Na bancada democrata, 102 votaram contra. Sufocado por um rombo fiscal deUS$1,5trilhão,osEUAdesembolsaram US$ 73 bilhões no Afeganistão desde janeiro. Nos nove anos de conflito, a conta chega a quase US$ 300 bilhões, pagos pelos contribuintes, cada vez mais irritados com a corrupção no Afeganistão e com a crise nos EUA. Um reflexo foi a pressão feita sobre o presidente afegão, Hamid Karzai, para que seu governo investigue até aliados. “Concordo que Obama esteja ansioso para retirar as tropas do Afeganistão”,disseStephanieSanok, especialista em segurança do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais. “Mas, paraisto,ocomandodastropasprecisater mais sucessonos combates, em um terreno cada vez mais difícil, até meados de 2011.” O conselheiro político da Embaixada do Afeganistão em Washington, Ashraf Haidari, disse que asaída prematura das tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) será um prejuízo para a segurança de seu país e dos EUA. “Retirar as tropas seria o mesmo que se render ao terrorismo. Confiamos que osamericanosnãosairãoprematuramente porque sua segurança interna está ligada à nossa.” O Relatório do Terrorismo porPaís,divulgadonaquinta-feira pelo Departamento de Estado, mostrou essa conexão. Em

Taleban mata 10 membros de equipe médica

2009, houve 2.126 ataques terroristas no Afeganistão – aumento de 75,4% em relação ao ano anterior. Em julho, a coalizão que combate o Taleban reuniu-se em Ca-

bul e concluiu que o Afeganistão estará pronto para assumir sua própria segurança em 2014. Costuradodiplomaticamente, oprazo foi reflexo do desejo dos EUA de limitar sua presença militar

tomará a decisão sobre o início da retirada em meados de 2011. O barco da coalizão de 47 países, que opera sob comando da Otan, começa a fazer água. A Holanda iniciou sua retirada em ju-

lho. Em 2011, será a vez do Canadá. Em 2012, a Polônia. E o primeiro-ministro britânico, David Cameron, já reiterou a Obama a impossibilidadefiscal demanter suas tropas além de 2015.

Aproveite nossas promoções. Compre já!

Férias10xcom a CVC Tudo em até

sem juros e sem entrada.

Viaje pelo mundo

Viagens pelo Brasil

Saídas diárias o ano todo.

Saídas todos os sábados e domingos, o ano todo.

Buenos Aires 4 dias/3 noites

Incluídos nos roteiros: passagem aérea ida e volta, hospedagem em hotéis selecionados com café da manhã, transporte aeroporto/hotel/aeroporto, passeios e assistência de guias especializados CVC.

10x sem juros e sem entrada...........................................................R$

106,90

À vista R$ 1.069, Base US$ 578, Preço p/ saídas até 30/setembro. Incluídos nos preços: passagem aérea de ida e volta em voo exclusivo CVC, hospedagem em hotel de categoria turística, café da manhã, passeio aos principais pontos turísticos da cidade, transporte de chegada e saída e seguro-viagem.

Porto Seguro

Bariloche 8 dias/7 noites

Natal

197

8 dias, 7 noites ..................................................................................À vista R$ 558, ou 10x R$ Preço p/ saídas 28 e 29/agosto.

Saídas 14, 21 e 28/agosto e 4/setembro. 10x sem juros e sem entrada...........................................................R$ ,60 À vista R$ 1.976, Base US$ 1.068, preço para saída 4/setembro no hotel Apartur. Incluídos nos preços: passagem aérea, 7 noites de hotel categoria turística com café da manhã, 6 dias de roupa especial para neve, passeios ao Circuito Chico (com ingresso ao teleférico do Cerro Campanário), ponto panorâmico e Cerro Catedral (sem ingresso aos meios de elevação), seguro-viagem. A maior e mais completa infraestrutura espera por você em Bariloche. Equipe de guias especializados, frota própria de veículos para transportes e passeios.

8 dias, 7 noites...................................................................................À vista R$ 898, ou 10x R$

Cancún 8 dias/6 noites - Saídas diárias.

8 dias, 7 noites.......................................................................... À vista R$ 1.098, ou 10x R$

8x sem juros e sem entrada .............................................................R$

305,00

À vista R $ 2.440, Base US$ 1.328, Preço para saída 26/agosto. Incluídos nos preços : passagem aérea em voos exclusivos, transporte de chegada e saída, hospedagem no maravilhoso Hotel Marriott Casamagna categoria 5 estrelas, de frente ao lindo mar azul de Cancún, com café da manhã, passeio pela cidade, seguro-viagem e assistência da equipe CVC.

St. Maarten 9 dias/7 noites - Saídas aos sábados. 8x sem juros e sem entrada .............................................................R$

347,00

À vista R $ 2.776, Base US$ 1.508, Preço para saída 4/setembro. Incluídos nos preços: hospedagem no Sonesta Great Bay Resort e Cassino com café da manhã, de frente ao lindo mar azul caribenho.

Aruba 9 dias/7 noites - Saídas aos domingos. 8x sem juros e sem entrada .............................................................R$

332,00

À vista R$ 2.656, Base US$ 1.438, Preço para saídas 7, 14, 21 e 28/novembro e 5 e 12 /dezembro. Incluídos nos preços: hospedagem com café da manhã no The Mill Resort, de frente ao lindo mar azul do Caribe.

Orlando Reino da Magia 11 dias/9 noites 10x sem juros e sem entrada........................................................... R$

470,70

Preço p/ saída 28/agosto.

Fortaleza 8 dias, 7 noites...................................................................................À vista R$ 928, ou 10x R$ Preço p/ saídas 28 e 29/agosto.

Porto de Galinhas Preço p/ saída 28/agosto.

8 dias, 7 noites ..................................................................................À vista R$ 858, ou 10x R$ Preço p/ saídas 28 e 29/agosto.

Gramado 8 dias, 7 noites...................................................................................À vista R$ 898, ou 10x R$ Preço p/ saídas 15, 22 e 29/agosto.

Salvador 8 dias, 7 noites...................................................................................À vista R$ 838, ou 10x R$ Com passeio a Praia do Forte. Preço p/ saídas 14, 15, 21, 22, 28 e 29/agosto.

Itacaré 8 dias, 7 noites ................................................................................. À vista R$ 828, ou 10x R$ Preço p/ saídas 15, 28 e 29/agosto.

Ilhéus 8 dias, 7 noites ..................................................................................À vista R$ 938, ou 10x R$ Preço p/ saídas 28 e 29/agosto.

Consulte saída especial para semana da criança - 8 noites

Caldas Novas

Nova York 7 dias/4 noites 5x sem juros ..............................................................................................R$

528,00

À vista R$ 2.640,Base US$ 1.436, Preço para saídas em outubro. Incluídos nos preços: passagem aérea, 4 noites de hospedagem em apto. quádruplo sem café da manhã , traslado, passeio pela cidade e seguro-viagem.

Dubai e os Mistérios do Deserto 6 noites 8x sem juros e sem entrada .............................................................R$

250,00

55,80 89,80 92,80

109,80

Maceió

À vista R$ 4.707, Base US$ 2.558, Preço para saída 30/setembro. Incluídos no preço: passagem aérea, sala vip no aeroporto, 9 noites de hospedagem em apto. quádruplo com café da manhã, traslado e ingressos para os parques Magic Kingdom, Epcot, Disney´s Hollywood Studios, Animal Kingdom, Universal Studios, Islands of Adventure e Sea World, passeios noturnos em CityWalk e Downtown Disney (sem ingressos), tour para compras, 1 jantar no Planet Hollywood, acompanhamento de guia desde o Brasil e seguro-viagem.

Cataratas do Iguaçu 4 e 5 dias ...............................................................................................À vista R$ 598, ou 10x R$ Preço p/ 5 dias com saídas 15, 22 e 29/agosto.

5 dias, 4 noites ................................................................................. À vista R$ 568, ou 10x R$ Preço p/ saídas 22 e 29/agosto.

85,80 89,80 83,80 82,80 93,80 59,80 56,80

Resorts e Hotéis selecionados Saídas todos os sábados e domingos, o ano todo.

À vista R$ 2.000, Base US$ 1.088, Preço somente para parte terrestre para saídas até 2/ setembro. Incluídos nos preços: 2 noites no maravilhoso Hotel Bab Al Shams, que fica no meio do deserto e 4 noites em Dubai, com café da manhã. Passeio em Dubai com guia falando espanhol, safári e 1 visto de entrada nos Emirados Árabes.

Incluídos nos roteiros: passagem aérea ida e volta, hospedagem com café da manhã, transporte aeroporto/ hotel/aeroporto, assistência de guias CVC.

Brasileiros na Índia com Nepal 12 dias/11 noites

Na Praia do Forte - Bahia......................................................À vista R$ 2.478, ou 10x R$

8x sem juros e sem entrada .................................................... R$

1.642,00

À vista R$ 13.136, Base US$ 7.138, Preço para saída 15/outubro. Incluídos nos preços: guia acompanhante desde o Brasil, salas VIP dos aeroportos de Guarulhos, passagem aérea, transporte aeroporto/hotel/aeroporto, hospedagem com café da manhã passando por Delhi, Jaipur, Agra, Orchha, Khajuraho, Varanasi e Kathmandu. Passeios ao Taj Mahal e o Amber Fort, os templos de Khajuraho e os monastérios de Kathmandu. Inclui 5 almoços e 1 jantar.

Paris para Brasileiros 9 dias/6 noites 5x sem juros e sem entrada .............................................................R$

Dez integrantes da equipe médicade uma ONG foramencontrados mortos ontem em Badakhshan,umamontanhosaprovíncia do nordeste afegão. Entre as vítimas estão seis americanos, um britânico e um alemão. Eles pertenciam à organização International Assistance Mission (IAM). Os outros dois mortos seriam afegãos que acompanhavam os estrangeiros. O grupo caiu em uma emboscada há duas semanas, quando voltavaparaCabulapósviajarparaonortedopaís.Juntoaoscadáveres – três deles de mulheres –, asautoridadesencontraram três veículoscrivadosdetiros.Segundo o jornal New York Times, a equipefoi executadaapós sercolocada em fila por um atirador afegão. Um dos motoristas do grupo reconstituiu o crime. Ele se salvou por ter recitado versos do Corão diante do atirador. Insurgentes atuam na província vizinha do Nuristão, de onde a equipe voltava. O porta-voz do Taleban, Zabiullah Mujahid, disse que eles foram mortos porque estavam “espionando para os americanos” e “pregando a cristandade”.

no país, apesar dos apelos do governo afegão. Em dezembro, o comandante das forças americanas, general David Petraeus, apresentará a avaliação da estratégia de combate a Obama, que

589,44

À vista R$ 2.947, Base € 1.228, Preço para saídas de 3/novembro a 8/dezembro. Incluídos nos preços: passagem aérea, transporte aeroporto/hotel/aeroporto, hospedagem no Hotel Quartier Bercy Square e seguro-viagem. Exclusivo: só a CVC oferece assistência em português no desembarque, nos traslados de chegada e saída, no check-in e check-out dos hotéis e no embarque para retorno ao Brasil.

Egito Clássico e Turquia 14 noites 5x sem juros e sem entrada .................................................... R$

1.130,30

À vista R$ 5.650, Base US$ 3.038, Preço somente para parte terrestre para saídas de 27/ setembro a 18/outubro. Incluídos nos preços: 2 noites no Cairo, 1 a bordo do trem noturno entre Cairo e Aswan com meia pensão, 1 em Aswan, 3 em cruzeiro pelo Nilo com pensão completa, 4 em Istambul, 2 na Capadócia com meia pensão, 1 em Ankara com meia pensão. Passeios e visitas as principais atrações turísticas das cidades visitadas e seguro-viagem. Consulte nossas opções de aéreo.

Austrália e Nova Zelândia 14 noites 8x sem juros e sem entrada .................................................... R$

1.087,30

À vista R$ 8.696, Base US$ 4.678, Preço somente parte terrestre com saídas até 31/agosto. Um maravilhoso roteiro com passeios e visitas em Sydney, Cairns, Melbourne, Auckland, Rotorua e Queenstown. Incluídos no preço: hospedagem em hotéis de primeira categoria, com café da manhã, 5 almoços, 1 jantar e assistência de guias locais falando espanhol.

Iberostar Bahia 8 dias, 7 noites Com sistema all inclusive. Preço p/ saídas 14 e 21/agosto.

Costa do Sauípe Fun 8 dias, 7 noites

199,80

Costa da Sauípe - Bahia ...................................................... À vista R$ 1.998 , ou 10x R$ Com sistema all inclusive. Preço p/ saídas 14, 21 e 28/agosto.

Radisson Hotel Maceió 8 dias, 7 noites

149,80

Em Maceió - Alagoas...............................................................À vista R$ 1.498, ou 10x R$ Preço para saídas 28 e 29/agosto.

Salinas do Maragogi Resort 8 dias, 7 noites

189,80

Em Maragogi - Alagoas ....................................................... À vista R$ 1.898, ou 10x R$ Com sistema all inclusive. Preço p/ saídas 28 e 29/agosto.

Summerville Beach Resort 8 dias, 7 noites

209,80

Em Porto de Galinhas - Pernambuco ...........................À vista R$ 2.098, ou 10x R$ Com meia pensão. Preço p/ saídas 14, 15, 21 e 22/agosto.

Parque da Costeira 8 dias, 7 noites Na via Costeira - Natal.............................................................À vista R$1.398, ou 10x R$ Com meia pensão. Preço para saídas 28 e 29/agosto.

Pirâmide Natal 8 dias, 7 noites Em Natal - Rio Grande do Norte .......................................À vista R$1.498, ou 10x R$ Preço para saídas 28 e 29/agosto.

Beach Park Acqua 8 dias, 7 noites Em Fortaleza - Ceará ............................................................. À vista R$2.728, ou 10x R$

247,80

139,80 149,80

272,80

Com pensão completa. Preço para saídas 28 e 29/agosto. Inclui Ingresso ilimitado para o parque aquático.

Serrano Resort & SPA 8 dias, 7 noites Em Gramado - Rio Grande do Sul. ..................................À vista R$1.668, ou 10x R$ Preço para saída 29/agosto.

166,80

Plantão hoje: das 9 às 14 horas, ligue 2146-7011, 3074-3500 e 5532-0888. Após as 12 horas, atendimento nos melhores shoppings. São Paulo Capital: Centro-Consolação..........2103-1222 9 de Julho/Rua Amauri....3074-3500 Alto da Lapa .....................2594-5758 Anália Franco Shop. ........2108-5300 Boavista Shop. ................5547-6477 Bourbon Shop. ................3892 6868 Brás-Mega Polo............... 2886-3800 Butantã Shop. ................. 3722-1188 Cursino ............................ 5058-8999 Freguesia do Ó-Extra .......3932-0740 Frei Caneca Shop. ........... 3472-2010 Hiper Carrefour Ipiranga ..2062 3922 Heitor Penteado...............2361 5852

Ibirapuera Shop. ............. 2107-3535 Indianópolis-Walmart ......2578-1969 Interlagos Shop. ............. 5563-6300 Itaim-Extra ...................... 3078-6443 Itaquera Shop. ............... 2026-6200 Jaguaré-Extra...................3297-8282 Liberdade ........................ 3209-0909 Limão............................... 3858-6405 Mooca Shop. Capital ...... 2068-1000 Morumbi Shop. ................2109-4300 Paulista-Top Center..........3266-7202 Real Parque-Pão de Açúcar..3755-0070 Santana Shop. ................2208-2470 Santana-VoluntáriosdaPátria. 2367-1774

Santo Amaro-Cenesp........3747-7122 Socorro-Extra Fiesta........5524-9222 Shopping Paulista........... 3286-0500 Tatuapé Shop. Metrô ...... 2094-5888 Villa-Lobos Shop. ........... 3024-0088 Vila Mariana .................... 2372–2284 Vila Olímpia Shop.............3045 8677 Grande São Paulo: Granja Viana.....................4702-0306 Guarulhos Shop. Inter......2086-9720 Guarulhos-Poli .................2475-0321 Mauá Plaza Shop. ...........4519-4700 Mogi das Cruzes Shop. ... 4799-2166 Mogi-Extra Mogilar ..........4790-2050

Osasco-Continental Shop. .... 3716-3300 Osasco-Super Shop. ....... 3653-5300 Sto. André-ABC Plaza Shop...4979-5006 Sto André – Carrefour Oratório...4997-6880 Sto. André-Rua das Figueiras ..4432-3288 São Caetano-Av Goiás .... 3636-3450 S.B Campo-Extra Anchieta......4368-0440 S.B Campo-Metrópole .....2191-3500 Taboão Shop. .................. 4787-8212 Tamboré Shop. ................2166-9797 São Paulo Interior: Americana ........................3645-1210 Araçatuba......................... 3621-2575 Araçatuba Shop. .............3607-4080

Araraquara Jaraguá Shop........3331-3858 Araras ..............................3541-4484 Atibaia .............................. 2427-6597 Barretos............................3321-0320 Bauru Shop. .....................2106-9494 Birigui ............................... 3211-2050 Campinas-D. Pedro Shop...2102-0199 Campinas-Iguatemi Shop. .. 2117-3500 Campinas-Jardim Chapadão ...3396-7002 Caraguá Praia Shop. ........3882-2004 Catanduva Shop. .............3525-2097 Franca Shop. ................... 3707-0700 Guarujá-La Plage..............3347-7000 Itatiba...............................4524-5536

Itu - Plaza Shopping ........4022-7275 Jundiaí..............................4521-9288 Jundiaí Maxi Shop. ......... 2136-0800 Louveira........................... 3878-4030 Mogi Guaçu ......................3818-6993 Olímpia.............................3281-4200 Paulínia Shop. ................ 3833-5544 Pindamonhangaba ..........3642-9432 Pirassununga....................3561-9661 Poços de Caldas............... 2101-8100 Porto Ferreira ................. 3585-6551 Rib. Preto - Independência....2101-0048 Ribeirão-Santa Úrsula .....2102-9646 Ribeirãoshopping. ...........4009-1403

Condições gerais: os preços publicados são por pessoa, com hospedagem em apartamento duplo ou quádruplo quando mencionado, com saídas de São Paulo. Preços, datas de saída e condições de pagamento sujeitos a reajuste e mudança sem aviso prévio. Oferta de lugares limitada e reservas sujeitas a confirmação. Parcelamento promocional em até 10x sem juros, sendo a 1a parcela no ato da compra e as demais mensais com cheque ou cartão. Passeios não incluem ingressos. Ofertas válidas para compras realizadas até um dia após a publicação. Preços calculados com Base no câmbio do dia 6/8/2010: US$ 1,00 = R$ 1,84, e € 1,00 = R$ 2,43, estando, portanto, sujeitos a variações e serão recalculados na data da compra. Taxas de embarque cobradas pelos aeroportos não estão incluídas nos preços. Crédito sujeito a aprovação. As crianças não pagam hospedagem, desde que acompanhadas de 2 adultos pagantes e acomodadas no mesmo apartamento triplo ou quádruplo. Consulte condições e validade.

Ribeirão Preto - Fiúsa ......3516-4000 Rio Claro Shop. ...............3525-6262 Rio Preto-Walmart............ 2137-7000 Santos .............................. 3257-7000 Santos-Balneário .............3281-9000 São Vicente-Extra ............3579-9000 Sorocaba-Esplanada ....... 3414-1000 S. J. Campos-Colinas .......3913-6700 S. J. Campos-Vale Sul ......3878-7000 São João da Boa Vista ..... 3631-1109 Tatuí .................................3259-3999 Tiête..................................3282-8501 Valinhos Shop. .. ..............3929-7700

Acesse cvc.com.br ou consulte o agente de viagem mais perto de você.


A22 Internacional %HermesFileInfo:A-22:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

VISÃO GLOBAL

estadão.com.br Radar Global. Leia o resumo das principais notícias da semana blogs.estadão.com.br/radar-global

de lojas cobertas com tapumes e placas de “Vende-se” tão comuns de se ver quanto as prostitutas e as ofertas de Viagra a preços baixos. Na outra extremidade da fronteira estáoParque daAmizade, queantigamente ligava San Diego e Tijuana e permitia que aos moradores dos dois lados fizessem seus piqueniques juntos. Hoje, as duas cidades estão separadaspormurosquemantêmmexicanos e americanos distantes uns dos outros, sem nenhum contato.

Um mundo perdido na fronteira do México com os EUA Muito do que se retratou em reportagens, filmes e romances sobre a passagem entre os dois países nem se compara à violência e avalanche de assassinatos ligados ao narcotráfico que hoje assolam a região ✽ ●

MARC LACEY THE NEW YORK TIMES

FARRELL/AE

utroraconsiderada pelos americanos uma região onde se entreter sem ter de obedecer as regras, hoje a fronteira entre os Estados Unidos e o México está associada a fatos medonhos que têm ocorridoali.NascidadesentreoPacífico e o Golfo do México, as gangues das drogas se matam, os turistas correm do risco de se ver no meio de um tiroteio e os trabalhadores mexicanos queatravessam o deserto dolado norte têm de enfrentar não só o calor ardente, mas também as balas. Na semana passada, uma juíza federal do Arizona barrou algumas restriçõesdaleideimigração,cujoalcance é muito amplo, alegando que elas sãoexcessivamenteseverascomrelação à expulsão de mexicanos. Entretanto, soldados da Guarda Nacional já começaram a fazer sentinela na fronteira. O fluxo de pessoas nessa área nunca foi num sentido único. Essa faixa de 3.200 quilômetros há muito tempo se tornou uma terra do pecado, paraonde osamericanosiamem buscadeprazeresproibidos,eosmexicanos à procura de trabalho. A história moderna começa com a Lei Seca, quando o México se transformou no local ideal para comprar bebida barata. Com os anos, a atração pelo álcool acessível aos bolsos

O

passou para os divórcios realizados com rapidez, as corridas de cães, shows de strip-tease, máquinas caça-níqueis e bordéis onde os pais levavam os filhos quando completavam 16 anos. Em meio a tudo isso havia as drogas – legais (remédios baratos e sem necessidade de receita médica) como também as ilegais (maconha, cocaína, heroína). “O sabor do perigo vinha se juntar ao prazer daquelas milhares de pessoas que visitavam as cidades desse lado da fronteira”, escreveu The Times, referindo-se a Tijuana e Aguas Calientes, num artigoemque descreviao cenáriodevastador do jogo e da bebida por ali. O ano era 1930. Jogo e drogas. Tudo o que se desejasse poderia ser encontrado nos becos escuros de Tijuana ou Ciudad Juárez, reportava The Times em 1925. “Em Ciudad Juárez o jogo é convulsivo; os camelôsvendem a droganas ruas; servilmente, fornecem a droga por alguns trocados que são colocados num fundo comum; uísque de péssima qualidade e cerveja recém-fermentada são vendidos a preços exorbitantes e sustentam uma rua gloriosamente chamada Calle del Diablo (Rua do Diabo), onde as pessoas desavisadas chegam e, a um preço módico, adquirem coisas das quais vão se arrepender amargamente”. A 2.ª Guerra Mundial só impulsionou o mercado com a vinda de uma geração de soldados em licença e aventureiros em busca de música, fortes emoções e sexo. Jack Kerouac em On the Road (Pé

Acabou-se o tempo da ação afirmativa É necessário achar novos meios de acabar com a desigualdade sem criar novas divisões ou aprofundar as existentes ✽ ●

GREGORY RODRIGUEZ LOS ANGELES TIMES

o longo de seus 50 anos de existência, o maior golpe sofrido pela ação afirmativa foi a eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos. Não por Obama ser contra esta política (como em relação a tantosoutrostemas,oapoiodopresidente tem distinções, ou seja, ele acredita que a ação afirmativa deve existir, mas não quer que suas filhas sejam beneficiadas por ela), e sim porque sua eleição foi amplamente vista como reflexo de uma profunda mudança no equilíbrio racial do país. Acredito que a tendência sociodemográfica mais significativa e potencialmente perigosa da próxima década não será a imigração, e sim a ansie-

A

dade racial branca. A combinação entre mudançasdemográficasevitóriaspolíticas simbólicas por parte dos não-brancos vai inspirar nos brancos uma maior consciênciaracial,umacrescentesensação de estar sob cerco e pedidos mais estridentes para que seja encerrada a ação afirmativa, ou então para que eles, brancos, possam ser incluídos nela. Estou tão convencido disto que, na minha opinião, para evitar uma reação destrutiva por parte dos brancos diante de uma sociedade em acelerado processo de diversificação, o presidente deveriafazer campanhapelofim da açãoafirmativa. Em termos não muito diferentes da viagem de Richard Nixon à China, Obama encontra-se, em virtude de seu contexto racial, afiliação partidária e temperamento político, numa posição

na Estrada), descreveu a acolhida ali desta maneira: “Um policial mexicano escancarou os dentes num sorriso. ‘Rapazes, tudo OK. Vão em frente. Bemvindos ao México. Divirtam-se. Atenção com seu dinheiro. Dirijam com cuidado. Digo isso em caráter pessoal. Sou Red, todo mundo me chama de Red. Pergunte pelo Red. Comam bem. Não se preocupem. Tudo está perfeito. Não é difícil se divertir no México.” Nos anos 60, o México consolidou seu lugar como fornecedor de maconha e heroína dos Estados Unidos. À medida que o comércio, lícito e ilícito, crescia, políticos e a polícia davam proteção. Mas as regras que outrora protegiam inocentes começaram a ser violadas. Hoje, vale tudo.

guns envolvendo prostitutas. Mas muito pouco do que escritores e cineastasproduziramrivalizacomaavalanche de assassinatos, reais, por homenssem nenhumproblema para apertar o gatilho de usa armas automáticas quando suas gangues de traficantes desafiamasautoridadesebrigamporterritório. “O relacionamento que já existiu entreosladosacabou”,lamentaLuisItuarte, que dividia seu tempo entre Los Angeles – onde ele promove as artes – e Tijuana – onde dirige um centro cultural. “Jovens de San Diego costumavam vir à noite ao México. Assim como jovens de Tijuana iam para San Diego toda hora. Você conhecia as pessoas dos dois lados.”

Na época da Lei Seca, o México era o local ideal para se comprar bebida barata

Carro-bomba. Com o aumento da violência – em 15 de julho a polícia registrou a explosão do primeiro carro-bomba na guerra das drogas no México, em Ciudad Juárez – o turismo praticamente desapareceu ao longo de toda a fronteira. Mesmo o Departamento de Estado proibiu seus próprios funcionários de passar de carro pela região. O mais recente alerta do Departamento fala de “violentas trocas de tiros” em plena luz do dia, granadas sendo lançadas e estradas bloqueadas pelos bandidos. Ciudad Juárez e Tijuana, observou o Departamento de Estado, são lugares particularmente mortíferos para os americanos.Masoutrascidadesmexicanas na fronteira são sombras deprimentes do que foram um dia, com fachadas

Em 1958, Orson Welles usou a fronteira como cenário para seu clássico filme A Marca da Maldade. “Não é o México real”, diz o personagem Mike Vargas. “Você sabe disso. Todas as cidades de fronteira exibem o que há de pior num país. Eu imagino o rosto da sua mãe se pudesse ver o hotel da nossa lua de mel.” Em 1990, Cormac McCarthy também usou a fronteira como cenário para sua trilogia de romances Border (Fronteira), onde narra histórias de aventuras e trágicos casos de amor, almais favorável do que a de qualquer outro político para realizar tal tarefa com alguma habilidade. Idealmente, as medidas públicas consistemnaartedopossível,comoapolítica.Independentemente de suasboas intenções e resultados, os benefícios de toda medida pública devem superar claramente seu custo social. Quando a ação afirmativa foi estabelecida, seu objetivo era beneficiar uma pequena porcentagem da população americana, mas conforme o alcance e os princípios do programa evoluíram, aumentou também o número de pessoas incluídas nele. A imigração em larga escalaposterior a 1965 também complicou a equação e finalmente distorceu o cálculo político que tornou a ação afirmativa politicamente viável. Por meio de um plebiscito realizado em 1996, a Califórnia tornou-se o primeiro Estado americano a abolir as leis de ação afirmativa na educação e nos contratos públicos. O motivo disto não foiumaatitudemaisnegativadoseleitores brancos – cuja imensa maioria apoiou a medida – em relação às minorias. Nem se deveu ao fato de eles serem mais comprometidos com a igualdade e a absoluta irrelevância da cor de pele do que os anglo-saxões de outros Estados. Isto ocorreu na Califórnia simplesmenteporqueasminoriasestavamseaproximando rapidamente da marca de 50% da população, e os brancos sentiram que logo estariam emdesvantagem neste jogo.

Há provas concretas de que os brancos sejam prejudicados pela ação afirmativa? Não. No decorrer de quatro décadas do programa, a formação educacional média dos brancos avançou. E os brancosaindacompõema grandemaioria dos funcionários do governo federal. Será que negros e latinos atingiram um patamar de igualdade com os brancos em se tratando de emprego e renda? Longe disso. Na verdade, nesta recessão,a diferençaentre onúmerode brancosenegroscomempregosdebomsalário tornou-se a maior dos últimos dez anos. Desvantagem. Mas tais dados dificil-

mente poderão mudar a crescente percepção entre os brancos de que eles estão cada vez mais em desvantagem. Nos tribunais, o número de casos de brancos queixando-se de terem sido alvo de discriminação está aumentando, e tornam-secadavezmaiscomunsoslamentosdevitimização deuma minoriabranca. E isso não emana apenas dos nacionalistas brancos. O colunista conservador Ross Douthat, do New York Times, argumentou que a cultura de ação afirmativa entre as universidades de elite não está apenas tirando dos brancos pobres a chance de receber educação superior de qualidade, mas também alimentando “teorias da conspiração de matiz racial”, como as que sugerem que o presidente é um comunista nascido no estrangeiro. OsenadordemocrataJim Webb,con-

Condomínios de luxo. Nem tudo é medonho. Grandes marcas internacionais proprietárias de fábricas no México continuam operando, beneficiando-se dos acordos de livre comércio e da mão de obra barata. E ainda podemos encontrar algunsmuseusdearte, bairros de comércio elegantes e condomínios de luxo ao longo da fronteira – os chefes de governo têm se esforçado para mostrar que a ilegalidade não é a sempre a regra. Tijuana, de fato, está planejando uma conferência sobrealta tecnologia em outubro, com a participação de figuras de destaque, como Al Gore e Carlos Slim (e seus guarda-costas). Fala-se também que uma maneira de resolver os problemas sociais das comunidades fronteiriças seria, por exemplo, a construção de mais campos de futebol para uma juventude rebelde. Especialistas citam a necessidade de uma “fronteira do século 21”, onde se utilizaria tecnologia que possa permitir o desenvolvimento de um comércio legal e, ao mesmo tempo, dificultar as transferências ilegais dos dois lados da fronteira. Mas ao cruzar a fronteira nos seus pontos mais conturbados, percebi que até mesmo um jornalista tem de se submeter a uma rigorosa inspeção, na ida e na volta. As autoridades americanas, que submetem aum cerrado interrogatório as pessoas que entram nos Estados Unidos, perguntam-se o que um americano pode estar fazendo no sul da fronteira neste clima. Mas entrar no México também é uma surpresa para os policiais americanos, que agora regularmente param os carros em busca de traficantes de armas e envolvidos com lavagem de dinheiro. “Está certo de que quer seguir nessa direção?”, um deles me perguntou recentemente. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

✽ É COLUNISTA E ESPECIALISTA EM IMIGRAÇÃO

servador da Virgínia, publicou um editorialno WallStreet Journaldefendendo que um grande número de brancos encontra-se em situação tão difícil quanto a das minorias, que só é agravada pela ação afirmativa. Ospedidospelofimdaaçãoafirmativa só vão ganhar força conforme o restante dos Estados Unidos tornarse cada vez mais parecido com a Califórnia. Enquanto os brancos passam a ser a minoria num número de Estadoscada vezmaior, elestentarãoproteger aquilo que consideram ser seu interesse próprio, ou então serão seduzidos pelo canto de sereia da vitimizaçãodasminoriasquecativououtros grupos. Ou talvez ambas as coisas. Na minha perspectiva, podemos escolher entre pôr fim a tais programas o quanto antes e reduzir a dor, ou sofrer no futuro as consequências de uma batalha muito mais brutal e divisória. Jáé difícil o bastante conviver numa sociedade diversificada. Não precisamos das tensões raciais adicionais criadas por um racismo institucionalizado. O que precisamos é encontrar novas maneiras de combater a desigualdade sem criar novas divisões nem aprofundar as existentes. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

✽ É MEMBRO SÊNIOR DA NEW AMERICA FOUNDATION


%HermesFileInfo:A-23:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Internacional A23

Aprendendo pelo exemplo. Todos nós já achamos nosso pai um super-herói. E mesmo quando crescemos e compreendemos que ele também é humano, não deixamos de reconhecer nele o exemplo daquilo que queremos ser para os nossos próprios filhos. A Lopes deseja a todos um Feliz Dia dos Pais.

www.lopes.com.br

Lopes. O shopping de imóveis do Brasil.


A24 %HermesFileInfo:A-24:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Vida

estadão.com.br Leia. Exposição à luz reduz sono de jovens que estudam à noite estadão.com.br/saude

/ AMBIENTE / CIÊNCIA / EDUCAÇÃO / SAÚDE / SOCIEDADE

Educação. Sem acordo formal, empresas que aplicarão a prova nos dias 6 e 7 de novembro – em 12 mil pontos, com contratação de 300 mil pessoas – não podem iniciar nenhuma atividade. Presidente do instituto garante que prazos estão dentro do cronograma

A três meses do Enem, Inep ainda não assinou contrato para realizar exame FABIO MOTTA/AE–5/12/2009

Paulo Saldaña ESTADÃO.EDU

A três meses da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010, marcado para os dias 6 e 7 de novembro, o contrato com as empresas que organizarão a prova ainda não foi assinado. Sem o acordo formal, Cespe/UnB e Fundação Cesgranrio – que aplicarão o Enem – não podem iniciar nenhuma atividade, como a contratação de fiscais e examinadores. A gráfica também permanece em processo de licitação. Mesmo assim, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Joaquim Soares Neto, garante: tudoestádeacordocomocronograma. Soares Neto ainda não temdatafechadaparaaassinatura do contrato, mas estima que ela ocorra até o dia 20 deste mês – a exatos 76 dias do exame. Em 2009, o curto tempo de planejamento e execução do Enem foi apontado como um dos percalços que desembocaram no vazamento da prova – depois que o Estado alertou o Ministério da Educação (MEC), o exame foi adiado. Prova disso é que a Cesgranrio, que sempre organizou o Enem, desistiu de participar da licitação por considerar que não haveria mais “tempo hábil”. A saída da Cesgranrio do processo ocorreu 77 dias antes da data marcada para o exame. De acordo com Soares Neto, só restam detalhes em relação ao orçamento do contrato. “Digo com toda tranquilidade que tudo está dentro do prazo, no tempo necessário para um processo seguro e sem atropelo.” Segundo ele, a certeza do sucesso em relação aos prazos vem do modelo adotado para a organização. As atividades serão distribuídas e não ficarão centralizadas nas empresas, ao contrário do ano passado, em

CRONOLOGIA 1º de outubro/2009 Prova vaza ‘Estado’ revela vazamento e MEC cancela o exame.

7 de outubro/2009 Universidades desistem USP e Unicamp desistem de usar nota do Enem.

7 de dezembro/2009 Gabarito errado Inep divulga gabarito errado.

29 de janeiro/2010 Inscrição no Sisu Congestionamento em site dificulta inscrição no Sistema de Seleção Unificada.

3 de agosto/2010 Dados pessoais ‘Estado’ mostra que falha no site do Inep permitiu acesso a dados de 12 milhões.

Supervisão. Fiscal em sala onde foi aplicada prova no Rio; PF e Forças Armadas participarão do processo neste ano

Fuvest e Vunesp prezam pela antecedência ● O maior vestibular de São Pau-

lo, o da Fuvest, está com edital publicado desde junho. A publicação do documento é o ponto de partida para organização do processo seletivo. Com mais de 100 mil inscritos – muito inferior aos 4,5 milhões do último Enem –, o vestibular da Universidade de São Paulo (USP) é referência em qualidade. O pla-

que o consórcio era responsável por todas as etapas, da impressão à correção. Segurança. A contratação da

nejamento, segundo a diretora Maria Thereza Fraga Rocco, começa em março – a primeira fase do vestibular da USP está marcada para o último final de semana de novembro. Antes que a universidade divulgue o edital do vestibular, a Fuvest não pode executar nenhum preparativo do exame. A elaboração das questões, o treinamento e a contração de pessoal só podem ser feitos após a definição da universidade. A antecedência também é padrão na Vunesp, que organiza o vestibular da Universidade Esta-

dual Paulista (Unesp). A publicação do edital é realizada sempre no mês de junho. Este ano, a prova está marcada para o dia 14 de novembro. Para colocar em prática as mudanças aplicadas no último vestibular, a Vunesp definiu tudo três anos antes. Este ano, há uma preocupação específica: “Temos de ter um cuidado maior com a logística da compra de papel. Em ano eleitoral, a propaganda com panfletos é grande e há risco de escassez”, diz Tania Cristina Arantes Macedo de Azevedo, diretoras acadêmica da Vunesp. /P.S.

gráfica está sendo tocada pelo Inep, assim como a mobilização dos Correios para a distribuição das provas. “Os Correios estão criando uma estrutura específi-

ca para os exames. E a gráfica será de segurança máxima”, diz Soares Neto, sem dar detalhes. Polícia Federal, Forças Armadas esecretarias estaduais de Se-

gurança também participarão do processo. O contato com esses órgãos também fica a cargo do instituto. O Cespe/UnB e a Cesgranrio farão a aplicação e correção da prova – em junho ficou decidido que não haveria licitação. Experiência. A próxima edição

do Enem deverá seguir as linhas gerais da prova realizada no ano passado, depois do vazamento. Naocasião, o Cespe/Unb foi chamado às pressas para aplicar o exame. “Foi praticamente um milagre conseguirmos fazer tudo em tão pouco tempo”, afirma o diretor do Cespe/Unb, Ricardo Carmona. Ele explica que, por questões legais, só pode começar a trabalhar depois que tudo estiver formalizado. “Não podemos gerar despesas sem o contrato”, diz.

O trabalho não é pouco. Com base nos anos anteriores, o diretor estima que serão cerca de 12 mil pontos de aplicação da prova em todo o Brasil. Mais de 300 mil pessoas devem ser contratadas, entre aplicadores, coordenadores e corretores. Por questão logística, a responsabilidade pelos locais de prova será dividida entre o Cespe e a Cesgranrio. “A gente vai procurar dividir os Estados, levando em conta o número de municípios e o volume de participantes”, afirma o diretor do Cespe/UnB. Com a experiência negativa do ano passado – em que alunos tiveram de fazer o exame a uma distância de até 50 km de casa –, cabe também às empresas a distribuição dos locais de prova. “A tendência é que neste ano seja mais tranquilo”,acrescenta Carmona.

Memória TONY JUDT ✽ 1948 - 2010

Historiador britânico morre aos 62 anos em Nova York

JAMES LEYNSE/28/4/2008

Autor de ‘Pós-Guerra’, um relato abrangente da Europa do século 20, Judt morreu em consequência de uma doença neuromuscular William Grimes/ N.Y.TIMES

O intelectual britânico Tony Judt,autordePós-Guerra,umahistória da Europa desde 1945 (EditoraObjetiva)econhecidopelosensaios polêmicos sobre a política externa americana, a situação de Israel e o futuro da Europa, morreu na sexta-feira em sua casa em Nova York. Ele tinha 62 anos. Sua morte foi anunciada num comunicado emitido ontem pela Universidade de Nova York, onde foi professor durante muitos anos.Judtmorreuemconsequênciadeumaescleroselateralamiotrófica, doença neuromuscular que o acometeu em setembro de 2008. Judt ficou paralisado em questão de meses, só conseguindo respirar por meio de aparelhos. Mas mesmo assim continuou a dar aulas e a escrever. Nascido em Londres, especialista na história intelectual da França pós-Guerra e sionista de esquerdaentusiastaquandoadolescente, Judt abandonou sua crença no socialismo agrário e nomarxismoesetornou um“so-

cial-democrata universalista”, alimentando profundas suspeitas dos ideólogos de esquerda. Seu interesse pela Europa como um todo, incluindo os Estados do antigo bloco oriental, o levou a assumir um papel ativo na chamada Revolução de Veludo, naentãoChecoslováquia,queculminou com Pós-Guerra, um estudo abrangente, rico de detalhes, abordando tanto a Grã-Bretanha e indo até os Bálcãs, e que, nas palavras deum crítico, tem “o ritmo de um livro de suspense e o alcance de uma enciclopédia”. Judt ficou mais conhecido por seus ensaios sobre política e assuntos atuais publicados em jornais e revistas. Durante a adolescência, seus pais, apesar de ju● Luto na Flip

A morte do historiador repercutiu na Festa Literária Internacional de Paraty. “Judt era um intelectual de escrita arguta e precisa”, disse ao ‘Estado’ o escritor irlandês Collum McCann

deus apolíticos e não ortodoxos, o encorajaram a se inscrever na organização juvenil Labor Zionist, como uma maneira de fazer amizades.Eleseconverteuàcausa sionista com entusiasmo, trabalhandonumkibutzemIsrael,e servindo como secretário nacionaldaorganizaçãode1965a1967. Sionista. Após entrar para o King’s College, Judt inscreveuse como voluntário nas Forças de Defesa Israelense durante a GuerradosSeisDias,atuandocomointérpreteparaoutrosvoluntários nas Colinas do Golã. Ali ele perdeu sua fé na missão sionista, passando a encarar Israel como uma potência ocupante cuja luta para se autodefinir como um Estado judeu se tornou um “anacronismo”. Judt retornou à Grã-Bretanha, onde bacharelou-se em História em 1969. Depois de estudar um ano na École Normale Supérieure, em Paris, retornou ao King’s College onde fez seu doutorado, concluídoem1972.SuateseerasobreoressurgimentodoPartidoSo-

Drama. Judt, em foto de 2008, antes de ser diagnosticado cialista francês após a 1.ª Guerra. Unindo-sealiberaisnão-ideológicos, como Raymond Aron e AlbertCamus,queousavamcriticar a União Soviética e os movimentos revolucionários do Terceiro Mundo, ele fez críticas ácidas a Jean-Paul Sartre e outros, o que chocou muitos intelectuais americanos e franceses. Seu alvo, escreveu, era “a consciência inquieta e a covardia moral de uma geração intelectual”. “Umhistoriadortemdeserantropólogo, filósofo e também um moralista. Além disso, precisa compreender a economia do período sobre o qual está escre-

vendo”, afirmou na revista online Historically Speaking, em 2006. Em 1987, depois de lecionar em Cambridge, na Universidade da Califórnia, em Berkeley e Oxford, Judt passou a dar aulas na Universidade de Nova York. Em 1995, ajudou a fundar em Nova York o Instituto Remarque, com uma doação feita por PauletteGoddard,viúvadoescritor Erich Maria Remarque. Asopiniões sobre Israel tornaram Tony Judt uma figura cada vez mais polarizadora. Ele se viu no centro de um debate acirrado quando, em 2003, formulou uma solução para o problema palesti-

no-israelensenaTheNewYorkReview of Books, propondo que Israel aceitasse um futuro Estado binacional em que judeus e árabestivessem os mesmosdireitos. “Hoje, fora da Universidade de NovaYork,souvistocomoumcomunista judeu esquerdista e louco que se odeia; dentro da universidade me veem como um típico elitistabrancoliberalantiquado”, afirmou este anos. A descoberta da doença, em 2008, não o fez parardetrabalhar.Continuouescrevendo para jornais e revistas. “Na verdade, essa doença constitui umaprisão perpétuasem liberdade condicional”, escreveu num ensaio publicado em janeiro. Judt concentrou sua atenção num problema que considerava importantíssimo: a perda da fé na democraciae o poder do Estado para fazer o bem, que tinha levado prosperidade para tantos países europeus após a 2.ª Guerra. Este foi o tema de Ill Fares the Land (“O mal cultiva a Terra”, numa tradução livre), publicado emmarçopelaPenguinPress.Divorciado duas vezes, Judt estava casado com a crítica de dança Jennifer Homans e tinha dois filhos, Daniel e Nicholas. estadão.com.br Completa. Resenha do último livro de Judt lançado no Brasil estadão.com.br/e/a24


B1 %HermesFileInfo:B-1:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Sem qualidade

Fora do prazo

Mais tecnologia

Brasil é um dos piores países do mundo em infraestrutura

Atraso na entrega de imóveis quadruplica com boom

TV começa a ficar interativa, como o aparelho lançado pela LG, de Fernanda Summa

Pág.B4

Pág.B12

Pág.B14

HÉLVIO ROMERO/AE

Economia & NEGÓCIOS

estadão.com.br

Governo Lula vai deixar uma conta de R$ 90 bilhões para próximo presidente Valor de ‘restos a pagar’ de 2010 para 2011 será recorde, por causa das obras do PAC; acumulado fica próximo do total de investimentos MARCOS DE PAULA/AE–3/3/2010

Lu Aiko Otta / BRASÍLIA

Após oito anos de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixará a seu sucessor um bolo de pagamentos pendentesde R$ 90 bilhões, segundo estimativa da área técnica. Será um novo recorde, superando os R$ 72 bilhões de contas penduradas que passaram de 2009 para 2010. Essas despesas que passam de umano para outro são os chamados “restos a pagar” e ocorrem porqueosministériosmuitas vezes contratam uma obra que não é concluída até dezembro. Como o governo se comprometeu (empenhou) a pagar a despesa, a conta acaba sendo jogada para o ano seguinte. Os restos a pagar são uma ocorrênciarotineira na administração pública, mas a conta se transformou numa bola de neve porcausa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). À medida que as obras vão saindo do papel, o volume de despesas que ultrapassa o prazo de um ano vai aumentando, chegando ao ponto em que os restos a pagar são quase iguais ao total de investimentos previsto no ano. Escolha de Sofia. Dados levantados pelo site Contas Abertas, a pedido do Estado, mostram que em 2009, por exemplo, o governo tinha R$ 57,068 bilhões para investir, mas a conta de restos a pagar das obras contratadas nos anos anteriores era de R$ 50,850 bilhões. Ouseja,setivessemsidoquitadas todas as obrigações pendentes, sobrariam R$ 6,218 bilhões parainvestimentosnovos.“A cada ano, o gestor público fica nes-

PARA ENTENDER A situação dos chamados “restos a pagar” pode ficar ainda mais complicada se o próximo governo colocar em prática o que está previsto na segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Anunciado no final de março, pela então ministra Dilma Rousseff, o PAC 2 prevê R$ 1,59 trilhão em investimentos, que deverão começar a ser feitos a partir de 2011. Classificado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como

Fernando Henrique deixou R$ 22,6 bilhões para Lula Equipes dos dois governos tentaram reduzir o valor por meio de decreto, mas não deu certo BRASÍLIA

A existência de restos a pagar não é nova, embora a conta tenhaadquirido, nos últimos anos,

7 8 9 10 11 12

um volume nunca antes visto na história doPaís. Oex-presidente Fernando Henrique Cardoso legou a Luiz Inácio Lula da Silva a conta de R$ 22,6 bilhões, segundoestudodoPSDB.Sódeinvestimentos, eram R$ 6,6 bilhões. Os valores foram atualizados pelo Índice dePreçosao Consumidor Amplo (IPCA) até 2009. “Nós tentamos matar os restos a pagar na transição entre governos”, conta o secretário-ge-

uma “prateleira de projetos” para o futuro governo, o valor estimado no pacote equivale à metade de todas as riquezas produzidas no País. A primeira versão do PAC foi uma razões por trás do salto no volume de despesas pendentes que o governo rolou de 2009 para 2010, apesar da taxa de aplicação, em três anos, ter atingido apenas 63% dos R$ 638 bilhões programados para o período de 2007 a 2010.

ral do site Contas Abertas, Gil Castello Branco, que foi secretário executivo do Ministério dos Esportes em 2003. De comum acordo, as equipes de FHC e Lula editaram um decreto no qual o novo governo se comprometia a honrar apenas restos a pagar de obras já iniciadas até dezembro de 2002. As queestivessem emfasesanteriores (elaboração de projeto, por exemplo) seriam canceladas. Pressões. O que parecia lógico

não deu certo. Políticos pressionaram ministérios para preservar obras decorrentes de emendas por eles apresentadas ao Orçamento Geral da União, que se-

sa escolha de Sofia: ou paga os restos do ano anterior ou executa o orçamento do ano”, disse Gil Castello Branco, secretáriogeral do Contas Abertas. “Não tem dinheiro para os dois.” O dado parcial de 2010, até junho, mostramesmo perfil. Osaldo de restos a pagar em investimentos está em R$ 53,7 bilhões, para uma dotação de R$ 63,9 bilhões. No caso do PAC. há restos a pagar de R$ 30 bilhões, para um orçamento de R$ 24 bilhões. “É um retrato do momento”, disse Castello Branco. Se o ano tivesse terminado em 30 de junho,o presidente Lula estaria legando a seu sucessor uma conta de R$ 53,7 bilhões. O governo

Aceleração. Obras de teleférico no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio: gastos do PAC elevam o valor de restos a pagar para o próximo governo

não zera de imediato esse saldo porque, para isso, ele teria que deixar de fazer novos investimentos. “A situação preocupa, porque se os restos a pagar ficam muito grandes, estreita-se o volume de recursos para novos projetos”, disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão. “É preciso ficar atento para que os volumes sejam razoáveis, não escapem ao controle.” Herança. Ele acrescentou que

nãohátemordecalotecomamudança de governo, pois há uma legislação sólida sobre a condu-

riam “mortas” pelo decreto. A deputados e senadores, basta que o empreendimento esteja na fase de empenho para que eles divulguem o feito em suas bases eleitorais. Na tentativa de salvar as obras, alguns chegaram alevarfotosde tratoresemterrenos baldios para argumentar que a obra tinha sido iniciada.

Quando ouviam um “não” do ministério, alguns parlamentares reclamavam na Casa Civil da Presidência da República. De lá, vinhaaordem paracumprir odecreto, ou seja, “matar” o resto a pagar,mas “ressuscitá-lo” no orçamento do ano corrente, satisfazendo o deputado ou senador. Na prática, portanto, o decreto perdeu o efeito.

● Comum acordo

Medo de calote. De outro lado, quem já tinha prestado o serviço ao governo ficou algum tempo sem receber. “Um dia, recebi uma pessoa que chorava”, conta Castello Branco. Era um empresárioquehaviacobertoumaquadra poliesportiva no fim do go-

As equipes de FHC e Lula editaram um decreto no qual o novo governo se comprometia a honrar apenas restos a pagar de obras já iniciadas até dezembro de 2002.

ção do orçamento. Se a conta de R$ 90 bilhões for herdada pela candidata do PT, DilmaRousseff,elanãoterá muitodoquereclamar.Afinal,asdespesas pendentes são geradas em grande parte por seu “filho”, o PAC, e seguem prioridades estabelecidas por uma administração da qual ela fez parte até 31 de março. O mesmo não se pode dizer dos demais candidatos. “A margem de manobra estará bem estreita”, disse o economista Felipe Salto, da consultoria Tendências. “Mas isso é verdade até a página 2, porque é possível reduzir despesas de custeio de forma significativa e, assim, ampliar a margem.” Ele acredita que essa será a trilha a ser seguida por José Serra (PSDB), caso seja eleito, pelo fato de o tucano ter um perfil “mais fiscalista”. Em muitos casos, a formação de restos a pagar é uma estratégia deliberada para evitar que as obras parem à espera da aprovação do orçamento. Na divulgação de um dos balanços do PAC, Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, foi questionada sobre o crescimento dos restos a pagar e respondeu que não há como evitar esse problema quando se realizam obras de maior porte. O governo trabalha numa proposta de orçamento plurianual, que ataca justamente esse ponto, ao prever prazos maiores do que um ano para os investimentos. “Os restos a pagar são um problemaem busca de uma solução”, disse Felipe Salto. Para Castello Branco, a situação é grave porque o Orçamento não é mais uma previsão de gastos para um só ano. “Acabaram com o princípio da anualidade.”

verno FHC e não tinha recebido. Temia jamais ver o dinheiro. Nos primeiros anos do governo Lula, eram comuns reclamações de fornecedores sobre restos a pagar de dois ou três anos. Hoje a situação está sob controle, diz o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Safady Simão. Na virada de 2009 para 2010, o setor tinha a receber cerca de R$ 30 bilhões do governo. “Já pagaram mais ou menos metade.” / L.A.O. Governo estuda criar meta para gastos de ministérios

Pág.B3


B2 Economia %HermesFileInfo:B-2:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

CELSO MING celso.ming@grupoestado.com.br

O dólar barato

C

ertosanalistasdomercadofinanceiro vêm apostando em que as cotações do dólar encontrarão uma “resistência natural”anovasquedasquandochegarem a R$ 1,7500 (sexta-feira fecharam aR$1,7600).Masnadagarantealgoassim.Osprópriosbancosbrasileirosestão “vendidos” em US$ 10 bilhões, o queindicaavaliaçãofirmedequeoreal continuará se valorizando. Na última quinta-feira, em seu relatório regimental realizado anualmente sobre a situação da economia brasileira, o Fundo Monetário Internacional(FMI)avisouqueorealseencontra excessivamente valorizado. E uma das razões dessa queda das cotaçõesda moeda estrangeiraéo fato de que voltaram a aportar no câmbio internocapitaisembuscadaboaremuneração que vem sendo proporciona-

da pelos juros em reais mais altos do que os vigentes no mercado internacional. Em outubro passado, o governo impôs um IOF de 2% na entrada de recursos externos destinados a aplicações em renda fixa e em ações, para reduzir o afluxo de moeda estrangeira. Na avaliação do FMI, essamedida deveter contribuído parareduzir o desembarque de capitais. Ainda que a entrada de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) venha sendo menor do que a esperada (dificilmente chegaráaosUS$35bilhõesprojetadospelo Banco Central), parece inevitável uma forte chegada de capitais neste segundo semestre. Somente a capitalização da Petrobrás pelos acionistas estrangeiros deverátrazercercadeUS$20bilhões;novos lançamentos primários de ações (conhecidos como IPO) estão sendo programados; faltam recursos internos para todas asobrasdeinfraestruturajáprogramadas

MENOS REAIS POR DÓLAR COTAÇÃO DO DÓLAR EM REAIS

1,900

1,850

1,800

1,750

1,760 1,700

4 JAN

6 AGO

FONTE: BROADCAST

INFOGRÁFICO/AE

e o governo se dispõe a buscá-los lá fora. Enfim, apenas as pressões sobre o real, que nada tem a ver com a diferença de juros, tendema se intensificar. Em todo o caso,ogovernopoderiareforçarosmeca-

nismos destinados a desencorajar a especulação com a diferença de juros (operações de arbitragem). Ocorre que o único instrumento capaz dereverteroafluxodemoedaestrangeira nessesegmentoéareduçãodosjurosbásicos,que, por sua vez, só acontecerá quandooBancoCentralpuderafrouxarapolítica monetária (política de juros). A principal razão pela qualos juros têm deseraltosnoBrasiltemavercomapolítica fiscal: é o excesso de despesas do setor público. Quando o governo injeta dinheiro demais na economia, o Banco Central tem de retirá-lo e os juros sobem. Assim, para que os juros possam cair mais rapidamente de maneira que os juros reais internos tendam a se alinhar aos externos, sem produzir inflação, o governo terá de ser mais firme na condução da política fiscal. Apenas a formação de um déficit nominal zero, ou perto disso, será capaz de criar um ambiente decisivo para omergulho dosjuros. (Paraquem não está habituado com esses conceitos, déficit nominalzeroéo resultadodas contaspúblicas que já inclui os juros da dívida no totaldasdespesas.Hoje,osjurossãoreincorporados ao principal da dívida.) OproblemaéquenemmesmooBanco Central se encoraja a pedir mais disciplina fiscal para o governo – ao contrário do quetemfeito opresidente doBancoCentral Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, aos governos da área do euro.

CONFIRA ● Mais

braços cruzados

A situação do emprego nos Estados Unidos continua piorando. Ninguém esperava uma melhora, mas também ninguém esperava que fosse piorar tanto: uma redução de 131 mil postos de trabalho em julho (as apostas eram de que ficaria em 60 mil) e uma revisão, também para pior, dos números de junho. ●O

que fazer?

A questão agora gira em torno sobre o que fazer. O presidente do Fed (o banco central americano), Ben Bernanke, já havia admitido mais despejo de recursos caso a situação piorasse. E, de olho nas eleições deste ano, o presidente Barack Obama está sendo pressionado para liberar mais recursos de maneira a estimular o consumo e desarmar a bomba política que pode custar cadeiras no Congresso ao Partido Democrata. ● Sem

contratações

Mas o problema pode ser mais grave. Mesmo se houver forte reativação dos negócios, as empresas tentarão aumentar a produção sem contratar mais pessoal.

Transforme custo em investimento. Faça as publicações legais da sua empresa no caderno Economia & Negócios do Estadão.

Editorial econômico

Opinião

A política audaciosa das montadoras de veículos

Para iluminar os presidenciáveis

A produção de veículos atingiu 315,9 mil unidades, em julho, e 1,93 milhão, nos primeiros sete meses do ano,números inferiores apenas aos de março e da fase de euforia de julho/agosto de 2008, mostrandoootimismodasmontadoras com o ritmo da atividade econômica. O setor não parece temer nem os estoques elevados, de 101 mil unidades nas indústrias e de 229 mil nas revendedoras,citadospelopresidentedaassociaçãodasmontadoras(Anfavea), Cledorvino Belini. O otimismo está refletido nos anúncios generalizados de investimento das empresas, como os da GM, que aplicará R$ 1,35 bilhão em São Caetano do Sul e R$ 50 milhões em Mogi das Cruzes; da MercedesBenz, R$ 1bilhão emSão Bernardo do Campo; da coreana Hyundai, que deverá construir uma nova fábrica no País, provavelmente em Piracicaba; da chinesa Chery, em Jacareí; da Toyota e da Honda, entre outros. São decisões voltadas para o futuro, sem ignorar o comportamento do mercado, neste ano, quando o fim dos incentivos fiscais do governo para enfrentar a crise não enfraqueceu a demanda. Comparando os primeiros sete meses de 2009 e 2010, a produção de autoveículos cresceu 18,3%

✽ ●

e os licenciamentos, 8,5%. Até as exportações deram sinal de recuperação, apesar do real forte, atingindo US$ 6,9 bilhões no ano (média de US$ 988 milhões/mês), 65,8% mais que as do mesmo período de 2009 (média de US$ 596 milhões/mês). O emprego de mão de obra nas montadorascresceininterruptamentedesdejunho de 2009e, no mês passado, havia 132,2 mil trabalhadores no setor, acima do ponto mais alto anterior, de 131,7 mil empregados, em outubro de 2008. Confirmadas as projeções de crescimento da produção, inclusive de veículos desmontados (CKD), de 3,14 milhões, em 2009, para 3,4 milhões,em2010, novosrecordes deverão ser alcançados, simultaneamente ao avanço da produção de máquinas agrícolas, que indicam o nível de investimentos do setor primário. Para continuar crescendo, a venda de veículos brasileiros depende de créditoajuros módicos,renda disponívelcrescenteeempregodosconsumidores. Nem o crescimento das importações parece incomodar – a média de importação de veículos novos aumentou de 31,2 mil por mês, em 2008, para 40,7 mil, em 2009, e 48,1 mil, neste ano. Falta saber como reagirão as montadoras se o ritmo de alta do PIB for mais lento, como se espera para 2011, e se provocar acomodação na renda da classe C, que sustenta o nível de consumo atual.

SUELY CALDAS

E

m debate frustrado pela ausência dos representantes de Dilma Rousseff e de Marina Silva, o economista Davi Zylbersztajnrevelou,naterça-feira,queJosé Serra prorrogará as concessões de 67 usinashidrelétricas,37das64empresas distribuidoras de energia e 82% da rede de transmissão que vencem em 2015 e precisam de definição sobre seu futuro. Hojeotemamaisrelevantedosetorelétrico,aprorrogaçãodasconcessõesnão divideostrêscandidatos,emboraSerra, quandogovernador,tenhasidoprejudicado pela indefinição que levou o leilão da Cesp ao fracasso em 2008. Mas agora, diante do descaso e desrespeito à lei comqueogovernoLulatratoudoassunto,não resta alternativaao futuropresidente senão dar mais tempo a esses ativos.Em 1995aLei n.º9.074prorrogouo prazo por mais 20 anos, mas determinou que os novos concessionários seriam escolhidos unicamente por licitação,comomandaaConstituição.Oque fez o governo? Empurrou com a barriga e agora não há mais tempo. Como ministra de Minas e Energia e depois gerente do governo Lula, Dilma conhece a complexidade do caso, sabia quelevariatempoparacriarumcenário novo, definir regras, calcular tarifas e preparar licitações, mas deixou o tem-

pocorrer,foi omissa.Se agisse no prazo da lei – na verdade uma transição para um novo modelo –, teria a chance de corrigir um mal que há mais de 50 anos corrói as estatais do setor elétrico: a interferência política de governadores, prefeitos, deputados e senadores, que agemcomosefossemdonosdasempresas, arrancam favores, intermedeiam negócios, favorecem empresas consumidoras e extraem dinheiro para suas campanhas, o que gera onerosos danos financeirosparaasestataiseosbrasileiros, seus acionistas. Políticos como JoséSarney (PMDB-AP), que, alémde comandaraescolhadediretoresparaaEletrobrásesubsidiárias,háanosintervém para a Eletronorte não interromper o fornecimento de luz nem cobrar uma dívida da distribuidora de energia do Amapá, que ultrapassa R$ 500 milhões. De tantos favores a políticos do Norte, a Eletronorte já deve mais de R$ 5 bilhões à Eletrobrás, que também não cobra. Essa relação ruinosa não é diferentecomChesf,Furnas,Eletrosuleoutras distribuidoras estatais. Todas têm usinas, linhas de transmissão e contratos vencendo em 2015. Seria uma excelente oportunidade para licitar suas hidrelétricas,atrair investidores privados e acabar de vez com a mamata desses políticos.Como ocorreuna maioriadas distribuidoras estaduais privatizadas. O grupo de trabalho criado no governoparaapresentar umasolução propôs prorrogarasconcessõesàsempresasdetentoras, mediante a cobrança de uma taxa. Mas não revelou prazo, condições derenovaçãonemovalordataxa.Edei-

xouparaanunciartudoapósaseleições, temendo desagradar a governadores e deputados e prejudicar a campanha de Dilma. Há muitos interesses envolvidos:alémdaclassepolítica,estatais,empresas privadas e potenciais investidores.AeconomistaeadvogadaElenaLandau, que acompanha o caso desde o início,listaasregrasqueogovernoprecisa definir e que influenciarão as decisões dosconcessionáriosdecontinuarnonegócio ou devolver a concessão à União: ● Amudançanaleide1995sedarápor projeto de lei, medida provisória ou emenda constitucional? ● Arenovaçãosedarácomqueprazo? A lei fala em 30 anos para geração e 35 anosparadistribuição, mas oideal seria um prazo menor, de migração para um novo modelo. ● O concessionário pagará uma taxa, a chamada renovação onerosa. Afinal, a maioria já amortizou investimentos e não terá mais despesa financeira. Mas quais serão os critérios para calculá-la? ● Qual destino será dado ao dinheiro arrecadadocomessataxa?Iráparaocaixa geral do Tesouro, servirá para reduziratarifaoualimentaráumfuturofundo? Segundo Landau, os concessionários preferem a modicidade tarifária. ● Os concessionários querem que o governodivulgueascondições derenovação pelo menos três anos antes, para decidirem se continuam ou devolvem os ativos ao poder concedente. ✽ JORNALISTA, É PROFESSORA DA PUC-RIO E-MAIL: SUCALDAS@TERRA.COM.BR

Panorama Econômico SERGIO WATANABE

MARCOS JANK

ALESSANDRO TEIXEIRA

PRESIDENTE DO SINDUSCON-SP

PRESIDENTE DA UNICA

PRESIDENTE DA APEX EM FÉRIAS POR 2 MESES

Atribui o atraso na entrega de imóveis à escassez de mão de obra e de insumos, a problemas climáticos e à falta de crédito

Defende a elaboração de um marco regulatório para o etanol, diante da ciclotimia da matriz energética brasileira

A agência de promoção de exportações vai cortar um quarto de suas despesas este ano para reduzir o déficit de contas públicas

AGRONEGÓCIO

ENERGIA

Galo Bravo ameaça fechar usina no interior

Light registra aumento de 5,2% no consumo

Os donos da usina Galo Bravo ameaçam fechar sua unidade produtora de açúcar e álcool de Ribeirão Preto, no interior paulista, caso não consigam na Justiça a reintegração de posse. Desde quarta-feira, um grupo de ex-trabalhadores da usina que exige o pagamento de salários atrasados impede a entrada de caminhões na usina.

A Light, que fornece energia elétrica para 31 municípios do Estado do Rio de Janeiro, anunciou na sexta-feira uma alta de 5,2% no consumo total no segundo trimestre deste ano sobre igual período de 2009. O consumo atingiu 5,498 mil Gwh. O segmento residencial teve o maior crescimento no período, de 9,5%.

CASA DA MOEDA

“Após ser castigada pela crise financeira, a Ásia-Pacífico não pode voltar ao crescimento como antes. Devemos cooperar para melhorar a qualidade desse crescimento.” Masayuki Naoshima MINISTRO DE ECONOMIA DO JAPÃO

FABIO MOTTA/AE

● Etanol

em alta

Nova máquina tem tecnologia de ponta

Os preços do etanol combustível retomaram o ritmo de alta nas usinas de São Paulo

Importada da Suíça, a nova máquina que começou a produzir na sexta-feira cédulas de R$ 50 para a Casa da Moeda, em Santa Cruz (RJ), tem tecnologia de ponta da indústria mundial: tinta invisível, efeitos óticos, leitura tátil e selos de última geração, que devem dificultar falsificações. Desde o ano passado, foram investidos cerca de R$

2,8% 350 milhões na renovação do parque industrial. O valor inclui uma segunda linha de produção, que começa a operar no fim do mês. Juntas, as máquinas poderão produzir em dois turnos 2,8 bilhões de cédulas.

foi o aumento do álcool hidratado, em média a R$ 0,818 o litro, segundo o indicador do Cepea

1,24%

foi a alta do álcool anidro, em média a R$ 0,841 por litro


%HermesFileInfo:B-3:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Governo quer meta para gasto de ministério

Economia B3 ANDRE DUSEK/AE–31/3/2010

Modelo em estudo, da Coreia do Sul, prevê que ministérios com desempenho insuficiente teriam menos recursos para gastar no ano seguinte Lu Aiko Otta / BRASÍLIA

O governo estuda a possibilidade de fixar metas a serem cumpridas pelos ministérios. Aqueles que tivessem desempenho insuficiente seriam punidos com orçamentos mais magros no ano seguinte. Esse modelo, usado na Coreia do Sul, é um dos que vêm sendo analisados pela área técnica em busca de uma nova forma de administrar os recursos públicos. Mas os técnicos admitem que uma mudança dessa magnitude levaria anos para ser implantada. Hoje, o gasto público é dominado pela visão de que a ação do Estado, por si só, é boa. Há pouco questionamento sobre a relação entre o custo e o benefício de cada programa. Isso ocorre na elaboração do orçamento, na política tributária, nos investimentos do ensino superior e até na saúde. Justiça tributária. Os técnicos

sabem há muito tempo, por exemplo, que o sistema de tributação do País é mais pesado pa-

MAIS CONTROLE ●

Avaliação

Técnicos estudam mecanismos para avaliar os resultados dos gastos públicos. Hoje, em tese, existe uma avaliação feita sobre o desempenho de cada programa. ●

Alternativa

Enquanto esse mecanismo não é criado, outras iniciativas avançam na direção de melhor acompanhar as despesas públicas. Até o fim do ano, o governo deve pôr em prática um sistema de custos que dará mais clareza sobre a forma como o dinheiro vem sendo gasto.

ra a população de renda menor. Impostos indiretos, embutidos nos preços dos produtos, são cobrados da mesma forma de pobres e ricos. Dessa forma, eles abocanham uma parcela maior de quem ganha menos. O próprio governo Lula chegou a essa constatação num estudo elaborado em 2003 pelo

Do rock ao pop. Do eletrônico ao jazz. C2+música: todos os gêneros em um só caderno.

Todo sábado no Estadão.

então secretário de Política Econômica, Marcos Lisboa. Sabe, também, que a redistribuição dos impostos na forma de investimentos feitos por meio de programas de governo nem sempre beneficia os que mais precisam. Os gastos com universidades públicas, por exemplo, não atingem prioritariamente os estudantes mais pobres. O dinheiro é concentrado em alguns grupos. Na Previdência, outro descasamento de prioridades: o governo gastou R$ 151 bilhões no ano passado com um grupo de 2 milhões de funcionários públicos, enquanto despendeu R$ 224 bilhões para 27 milhões de aposentados do INSS. Saúde. Em entrevista ao Esta-

do, um técnico do governo questionou os gastos mais elevados com a Saúde. A pergunta é se os investimentos têm como resultado a melhora da qualidade dos serviços prestados à população ou se, no atacado, beneficiam mais os negócios dos hospitais e laboratórios. As pressões por mais dinheiro para a pasta partem dos empresários e dos profissionais do setor.

Despesa. Atendimento no INSS; governo gastou R$ 224 bilhões com 27 milhões de aposentados É esse tipo de pergunta incômoda que os técnicos querem responder, criando mecanismos de avaliação de resultados do gasto público. Hoje, em tese, existe uma avaliação feita sobre o desempenho de cada programa – por exemplo, a aquisição de produtos agrícolas dentro da política de garantia de preços

mínimos ou campanhas de vacinação –, mas os técnicos reconhecem que os indicadores utilizados deixam a desejar. Sistema de custos. Enquanto

essa ferramenta de avaliação não é criada, outras iniciativas avançam na direção de acompanhar melhor as despesas públi-

cas. Até o fim deste ano, o governo deverá colocar em funcionamento um sistema de custos. O novo sistema permitirá comparar a que preço cada ministério estácomprandocartuchosdeimpressora ou quanto se gasta numa viagem de ministro ao exterior.Está previstona LeiResponsabilidade Fiscal (LRF).


B4 Economia %HermesFileInfo:B-4:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Brasil é reprovado em infraestrutura País ocupa a 17ª posição entre 21 concorrentes globais e numa escala de 1 a 7 obtém nota 3,4, abaixo da média mundial de 4,1 Marcelo Rehder

A qualidade da infraestrutura brasileira é das piores no mundo, mesmo com a arrancada dos investimentos nos últimos quatro anos. Comparado a outros 20 países, com os quais concorre no mercado global, o Brasil ficou apenas na 17.ª colocação no quesito qualidade geral da infraestrutura, empatado com a Colômbia. Numa escala de 1 a 7, o País teve nota 3,4, abaixo da média mundial, de 4,1. As informações são de um estudo inédito da LCA Consultores, cuja fonte foi o relatório de competitividade 2009/2010 do Fórum Econômico Mundial, localizado em Genebra, na Suíça. A avaliação é feita por empresários e especialistas de cada nação. No Brasil,181 questionários foram respondidos. A má qualidade das estradas, portos, ferrovias e aeroportos brasileiros não chega a ser novidade. Mas faltava uma comparação internacional que desse uma noção mais clara de quão atrasado está o País. A distância que separa o Brasil das primeiras posições é enorme. A França, que ocupa o topo da lista, teve nota 6,6, seguida de Alemanha (6,5) e Estados Unidos (5,9). Entre as outras nações que deixaram o País na rabeira, estão o México, a China, a Turquia, a África do Sul e o Chile. “Ficamos décadas sem investir e isso fez com que acumulássemos gargalos que ainda se refletem no estado atual da nossa infraestrutura”, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Braulio Borges, autor do estudo. Foi no item qualidade da infraestruturaportuáriaqueo Brasil teve o pior desempenho. Com 2,6 pontos, o País foi o lanterni-

nha do grupo, bem distante da média mundial de 4,2. No setor ferroviário, o padrão de qualidade brasileiro só não é pior que o da Colômbia: teve nota 1,8, ante uma média mundial de 3,1. A sequência de notas nada lisonjeirasnão para por aí. A qualidade das estradas brasileiras, por onde trafega mais da metade das cargas no País, supera apenas a da Rússia. Com 2,8, ficou empatada com a da Colômbia, na penúltima colocação. O desempenho do setor aeroportuário (nota 4,1) também é fraco: ganha só da Rússia (4,0) e da Argentina (3,4). Para quem vai receber, dentro de pouco tempo,doismegaeventos esportivos – a Copa do Mundo de 2014 eaOlimpíadade2016–,apontuação funciona como um sinal de alerta. “Se a gente não fizer nada, somando esses eventos com o crescimento da economia, que deve ser de 5% ao ano, está encomendado aí um apagão”, diz o economista da LCA. Bem na fita. O único destaque

positivo do Brasil foi a qualidade da oferta de energia. Com nota 5,2, ela ficou acima da média mundial, 4,6. Foi também a maior nota entre os Brics, termo criadopelobancodeinvestimento Goldman Sachs para denominar o grupo de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China. “Estamosbem na fita porquea energia é o único setor no País que tem um modelo de concessão onde o Estado retomou a capacidade de planejamento”, diz odiretor do departamentodeinfraestruturadaFederaçãodasIndústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti. Uma das principais qualidades desse modelo, segundo Cavalcanti, é o preço-teto dos lei-

Análise: Paulo Resende

Infraestrutura e competitividade no mercado mundial

A

posição brasileira em infraestrutura no Ranking de Competitividade Mundial nãoéboa.E,nãoépelaausênciadegrandes projetos, modernos sistemas e eficiência operacional que o País fica abaixo de nações como África do Sul, Argentina e Chile, mas, sobretudo,peladesigualdadedascondiçõesdeinfraestrutura entre as macrorregiões. EnquantoSãoPaulopossuiumamalharodoviáriaporvezessuperioràdealgunspaíseseuropeus, o Estado do Maranhão é servido por um sistema rodoviário que se iguala em nível de serviço à Moçambique,resultandonumsistemaaltamenteprecário.Na área detransmissãode dados, porexemplo, enquanto Minas Gerais avança rapidamente

Osinvestimentosem infraestrutura previstos para o País entre 2010 e 2013 chegarão a R$ 540 bilhões. O valor dos projetos para energia elétrica, petróleo e gás, portos, telefonia, estradas e ferrovias superarão em 50% os R$ 360 bilhões investidos nos quatro anos anteriores à crise (2005-2008). Pouco mais da metade (50,7%) virá de investimentos em petróleo e gás. Impulsionados pelas reservas do pré-sal, os aportes nessa área deverão somar cerca de R$ 340 bilhões até 2013.Entre2005e2008,osinvestimentos somaram 160 bilhões. Os dados são do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que fez

l Pesquisa sobre a qualidade da infraestrutura em notas de 0 a 7. A pontuação do Brasil ficou abaixo da média mundial QUALIDADE GERAL

PORTOS

AEROPORTOS

0

um mapeamento dos investimentos públicos e privados. Foram computados projetos ainda não lançados, mas que o banco consegue identificar, por sua proximidade com os investidores. Embora seja classificado como indústria pelo BNDES, o setorde petróleo e gás é considera-

Gargalos não impediram avanço em infraestrutura ● Apesar do fisco na infraestrutu-

ra, o Brasil melhorou oito posições na classificação geral de competitividade do Fórum Econômico Mundial. Passou da 64.ª posição em 2008 e 2009, num total de 134 países, para a 56.ª em 2009 e 2010, num conjunto

1

FERROVIAS

ENERGIA

2

ESTRADAS

3

4

5

6

7

FRANÇA ALEMANHA EUA COREIA DO SUL JAPÃO TAIWAN CHILE REINO UNIDO ESPANHA AUSTRÁLIA TAILÂNDIA ÁFRICA DO SUL TURQUIA MÉDIA MUNDIAL CHINA MÉXICO ITÁLIA BRASIL COLÔMBIA RÚSSIA ARGENTINA ÍNDIA INFOGRÁFICO/AE

lões de energia pela menor tarifa. É o chamado leilão reverso. “No modelo de concessão onde o Estado se beneficia, por meio

na oferta de sistemas de fibra óptica, Mato Grosso não acompanha o ritmo. Cada área da infraestrutura marcada pela desigualdade operacional contribui para a queda da competitividade brasileira. Dessa forma, o desafio definitivo passa a ser a necessidade de projetos estruturantes com características inter-regionais. Esse desafio evoca premissas de planejamento integrado e de longo prazo que contemplem a construçãodecorredores,dematrizesdeorigem-destino de alto valor adicionado nas cadeias de suprimento e de uma matriz energética capaz de explorarospotenciaismicrorregionais,comconsequentes sinergias de grande magnitude. Nesse contexto, não é mais o caso de se argumentar que o Brasil precisa de maiores investimentos, mas sim priorizar projetos que reduzam de forma mais rápida a diferença negativa que afeta a competitividade. Para isso, é fundamental afastar os interesses setoriais e iniciar um movimento de garantias de ganhos de eficiência no menor prazo possível. É preciso aumentar para 30%, dos atuais 15%, o volumedeestradaspavimentadas;reduzirempelo menos40%ocustodemovimentaçãodecontêine-

País deve receber R$ 540 bilhões em investimentos BNDES prevê que investimentos de 2010 a 2013 devem superar em 50% o ciclo de 2005 a 2008

COMPARAÇÃO INTERNACIONAL

do de infraestrutura pelo mercado. Mais precisamente, na área de energia. Graças ao pré-sal, o setor de petróleo, até então concentrado no Rio de Janeiro, vai impulsionar polos de desenvolvimento em São Paulo e no Espírito Santo. Os valores mapeados pelo BNDESsereferemapenasaosinvestimentos iniciais do pré-sal, cujas reservas são estimadas em 50 bilhões de barris pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na área de energia elétrica, o banco projeta investimentos de R$ 92 bilhões no quadriênio. Com grandes obras, como as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, cujas obras já foram iniciadas, e de Be-

de 133. Mais: pela primeira vez, superou a Rússia, em 63 .º lugar. Fatores como tamanho do mercado, disponibilidade de tecnologia, sofisticação dos negócios e inovações contribuíram para a melhora do índice de competitividade do País. A classificação geral do Brasil tem melhorado desde os anos 90, graças a medidas para a estabilização da economia e abertura de mercado, consideradas fundamentais para a competitividade.

de cessão onerosa, a renda que vai para o governo é repassada depoispara a tarifa”, diz o executivo. Um exemplo são os preços

dospedágioscobrados nasrodovias privatizadas no País. Paradarum saltodequalidade nosdemaissetoresdainfraestru-

resnosportosdeSantos,Paranaguá,VitóriaeRio Grande; aumentar a oferta de fibras ópticas nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte; triplicar a oferta de linhas de metrô nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte; implementar um sistema portuário conectado para atenderàdemandareprimidadecabotagem;passar dos atuais 24% de participação ferroviária para 33% na matriz de transportes; dobrar a capacidade dos terminais e pistas aeroportuárias; e, finalmente, atingir 25 mil quilômetros de rodovias concedidas contra os atuais 14 mil km. Noâmbitodoplanejamentoedagestão,tornase imprescindível a retomada da ideia de uma agênciamultiministerialparacuidardacontinuidade dos projetos estruturantes no longo prazo; da consolidação de modelos de parceria públicoprivadasquereduzamadistânciaentreasempresas e a agenda governamental; e, sobretudo, de umapolíticaintegradaeviávelentreodesenvolvimento e a preservação do meio ambiente.

● Custo

O Brasil gasta cerca de 14% do PIB com frete. Em alguns Estados o número chega a 18%. Nos Estados Unidos esse gasto está na casa de 8%, e na Inglaterra, entre 9% e 9,5% do PIB.

✽ É COORDENADOR DE INFRAESTRUTURA E LOGÍSTICA DA FUNDAÇÃO DOM CABRAL

lo Monte, no Rio Xingu, que foi a leilão em abril, os investimentos na área vão significar aumento de 35% em relação aos R$ 68 bilhões do período entre 2005 e 2008. Embora a previsão de crescimento dos recursos para telecomunicações nos próximos quatroanos sejapraticamente deestabilidade(0,8%),osetormanterá forte influência no conjunto de investimentos estruturantes. Entre 2010 e 2013, deve responder por R$ 67 bilhões. Não é possível mapear quanto dos R$ 540 bilhões será financiado pelo BNDES. Na verdade, quem determinará isso serão os investidores. Para o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, o investimento do banco émuito importante, tanto em infraestrutura quanto na indústria. Entre 2003 e 2004, foram R$ 14 bilhões, mas chegaram a R$ 38 bilhões em 2008. Já em 2009, foram R$ 68 bilhões, sendo R$ 20 bilhões de apoio à Petrobrás. “Umdos desafios para atingirmos o total de R$ 160 bilhões de investimentos anuais até 2013 é obter novas fontes de recursos”, diz Godoy. Ele lembra que o BNDES já está com R$ 140 bilhões de empréstimos por ano. /M.R.

tura,o desafioéconseguir imprimir velocidade aos investimentos na mesma proporção da demanda,opinaopresidentedaAssociaçãoBrasileiradaInfraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy. “Precisamos melhoraraeficiênciadosetorpúblico”, afirma Godoy. “Essa é a chave para o Brasil encontrar seu crescimento definitivamente sustentável.” Braulio Borges, da LCA Consultores, acha que a solução passa pela reforma do sistema de regulação. “A qualidade da regulação no Brasil está abaixo, por exemplo, da média da América Latina”, diz o economista. “A gente sabe que o investimento privado em infraestrutura precisa de estabilidade de regras. Se há pouca estabilidade, não há investimento.” O presidente do Movimento Brasil Competitivo, Erik Camarano,defendeumarevisãodamatriz de transporte no País. “Temosdefazeramigraçãodotransporte rodoviário em direção a mais uso de ferrovias e hidrovias para reduzir custo de frete.”

FORTE EXPANSÃO l Perspectiva de investimentos em infraestrutura

Período 2010-13 TOTAL

EM BILHÕES DE REAIS

540 340

VARIAÇÃO TOTAL

2010-13/2005-08

50% Período 2005-08 TOTAL

360 PETRÓLEO E GÁS

160

92

ENERGIA ELÉTRICA

68

TELECOMUNICAÇÕES

66

SANEAMENTO

22 16 23 5

FERROVIAS TRANSPORTE RODOVIÁRIO PORTOS FONTE: BNDES

67 39 29 33 14 INFOGRÁFICO/AE


%HermesFileInfo:B-5:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

LEE CELANO/REUTERS

Seguro da área de petróleo pode subir até 50% Vazamento no Golfo leva seguradoras a exigir maiores pagamentos das operadoras de sonda

Acidente. Área da Louisiana (EUA) afetada pelo vazamento Nicola Pamplona / RIO

O vazamento de petróleo no Golfo do México está motivando uma queda de braço entre operadoras de sondas de perfuração e seguradoras. No

Empresas não podem repassar alta de seguros A alta de custos nos seguros para osetordepetróleoétemidaespecialmente pelas empresas proprietáriasde sondascomcontratos de longo prazo com petroleiras. Isso porque os valores pagos pelas sondas são fixos ao longo dos contratos e não admitem, a princípio, o repasse da alta dos custos, diz um executivo do setor. “O contrato não reconhece situações desse tipo, a não ser queseponhaemriscoaviabilidade econômico-financeira”, diz uma fonte. Há duas operadoras brasileiras de sondas de águas profundas,Queiroz GalvãoÓleoe Gás e Odebrecht Óleo e Gás, ambas prestadorasdeserviçosdaPetrobrás. O mercado é dominado por gigantes como as americanas Transocean (proprietária da Deepwater Horizon) e Pride. As petroleiras, em geral, negociam apólices de maior porte, que cobrem todas as suas operações e têm mais liberdade para o repasse de custos. A Petrobrás fechou em março a renovação de suas apólices para o período de 12 meses seguintes, a um custo de R$ 49,6 milhões. Aperspectivade alta dasapólices surge como contraponto a um efeito positivo surgido no mercado no primeiro momento após o acidente: a disponibilidade de sondas de perfuração no mercado.Oequipamento eraencarado como um dos principais gargalos ao crescimento do setor, a ponto de motivar a Petrobrás a realizar uma megalicitação para a compra de até 28 unidades, mas a moratória de perfurações no Golfo do México mudou o cenário. “O preço das sondas chegou a cair20%,masagoradevesemanter por conta dessa questão do seguro”, disse um executivo de petroleira.Asapólicesgeralmente são renovadas todo ano, mas segundo fontes, as seguradoras estão preferindo fazer contratos menores à espera de uma noção melhor sobre os desdobramentos do vazamento no Golfo.

PARA LEMBRAR

EUA vivem a pior tragédia ambiental Iniciado em 20 de abril após a explosão no poço Macondo, que estava sendo perfurado pela BP, o vazamento de petróleo no Golfo do México é a pior tragédia ambiental nos Estados Unidos. Autoridades estimam que até cinco milhões de barris tenham vazado, nos mais de três meses em que o poço ficou aberto – o pior vazamento até então, no poço Ixtoc 1, em águas mexicanas, despejo 3,3 milhões de barris. O vazamento foi contido há três semanas pela BP, que iniciou esta semana um procedimento para tentar vedar definitivamente o poço. Após a explosão do poço, a plataforma Deepwater Horizon afundou. Morreram no acidente 11 pessoas.

mercado já se percebe dificuldades nas renovações de apólices, enquanto se contabiliza os prejuízos do acidente com a sonda Deepwater Horizon, que provocou o derramamento de pelo menos cinco mi-

lhões de barris de petróleo no litoral americano. A expectativa é que os prêmios de seguros subam até 50%. “Ninguém está querendo fechar contratos de longo prazo agora. As seguradoras estão adiando ao

máximo as negociações”, diz um executivodosetor, que pediupara não ser identificado. Procuradas pelo Estado, três empresas com sondas trabalhando na costabrasileira confirmaramasdificuldades e dizem temer pelo au-

mento de preços. O Brasil é hoje líder na perfuração de poços petrolíferos em águas profundas. Apólices. As sondas de perfuração têm dois tipos de apólice: uma que cobre a embarcação e outra de responsabilidade social, que cobre eventuais danos a terceiros e ao meio ambiente. No caso da Deepwater Horizon, o mercado espera um prejuízo às seguradoras entre US$ 3 bilhões eUS$ 5bilhões, uma vezque aBP pagará de próprio caixa grande parte do prejuízo com as operações de limpeza, multas e danos provocados a terceiros, estimado em mais de US$ 30 bilhões. “As pessoas reconhecem agora que os riscos que precificavam eram subestimados”, comentou em entrevista recente o presidente do Lloyd’s of London,Richard Ward. A Lloyd’s era

Economia B5

umadasseguradorasdaDeepwater Horizon e projeta despesas entre US$ 300 milhões e US$ 600 milhões com o acidente. Em balanço divulgado na quinta-feira, a resseguradora Swiss Re projetou perdas de US$ 200 milhões com o acidente. Ward estima uma alta entre 15% e 30% nos prêmios de seguros para o setor de petróleo. A Moody’s fala em até 50%. Valoresfinais,porém,sóserãoconhecidos depois que o mercado tiverumaclareza maiordosdesdobramentos do episódio, incluindo as possíveis mudanças na legislação americana para o setor. “O vazamento terá um impacto significante e duradouro na disponibilidade, as taxas e nas coberturas de seguros para operações petrolíferas”, decretou, em relatório, a firma de avaliação de risco americana RMS.


B6 Economia %HermesFileInfo:B-6:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

JOSÉ ROBERTO MENDONÇA DE BARROS ✽ ●

jr.mendonca@mbassociados.com.br

Uma revisão do cenário econômico internacional

C

resce o desconforto com a situação mundial. Esse foi o título do artigo publicado neste espaço no dia 11 de junho. Para alguns analistas, uma revisão do cenário se limitaria a dizer que segue o desconforto com a situação mundial. Não é esta, entretanto a nossa opinião, por razões que gostaria de expor. Em primeiro lugar, o crescimento mundial no primeiro semestre foi melhor do que se esperava. Isso levou o FMI a aumentar suas previsões para este ano, na revisão do World Economic Outlook, tradicionalmente realizada no início de julho. Estima-se agora uma elevação do PIB mundial de 4,6% (0,4 ponto porcentual maior que a projeção de abril). As maiores contribuições para a melhora viriam dos países emergentes, cujo crescimento deverá ser de 6,8% (0,5 ponto porcentual a mais), mas tambémde alguns paísesdesenvolvidos (0,3 pp maior). Neste caso, os destaques são as chamadas Novas Economias Industrializadas da Ásia (Cingapura, Taiwan, Coreia e Hong Kong), cujo crescimento deverá ser de 6,7% (1,5 p.p. maior), o Canadá, com 3,6% (mais 0,5), e o grupo denominado Outros Países Desenvolvidos(queincluiAustrália,NovaZelândia,Suécia,Noruega,Dinamarca,Suíça e República Checa), que deverão avançar4,6%,0,9 ppamais queoprojetado anteriormente. A Cepal, na mesma direção, acabou de publicar sua projeção para o crescimento da América Latina em 2010, que é de 5,2%. Com a notável

JAMES HILL/THE NEW YORK TIMES

exceçãodaVenezuela(cujocasofoianalisado no último artigo) e do pobre Haiti, todos os países da região devem crescer, alguns de forma significativa. Commodities. Há, portanto, uma confirmação de expansão firme do mundo emergenteedeváriospaísesdesenvolvidos. Apenas esse fator já permite entender por que os preços de commodities estão subindo firme. De fato, o CRB, um dos mais populares índices de preços dessas mercadorias, subiu 6% de 11 de junho até 4 de agosto.

Se existe desaceleração da economia, como diz o BC, ela não vem do resto do mundo Poroutrolado,houveumafortemodificação, para melhor, na percepção da situação da Europa. De fato, desenha-se uma saída para a região, ao menos no horizonte próximo, baseada em três pontos: o crescimento do mundo emergente, aliado à desvalorização do euro (parcialmente revertida nos dias de hoje)eacompetênciaprodutiva daAlemanha e outros países do norte da Europa, está induzindo a uma apreciável melhora no desempenho econômico da região, baseada numa forte expansão das exportações industriais. Isso fica claro nos índices PMI para Alemanha e França, especialmente, assim como os dados de emprego na Alemanha,ondeataxade desempregoatingiu 7,6%, a menor em muito anos. A forte interligação das cadeias produtivas na região significa que existirão impactos positivos nos países da Europa

Seca. Problemas na produção de trigo russo manterão preços altos Oriental, na Espanha e outros. Em segundo lugar, os países do sul da Europa estão entregando as promessas de ajuste fiscal, o que permitiu a rolagem de seus débitos soberanos, em julho, sem maiores problemas e a redução nosprêmiosde risco (CDSs).Em terceiro lugar, os testes de ‘estresse’ do sistema bancário, conduzidos no último mês, retiraram as dúvidas referentes à sanidade do sistema bancário da região. Embora ainda existam muitos desafios ligados ao crescimento de longo prazo, é inequívoco que a Europa como um todo vai voltar a crescer, embora moderadamente. Ademais, suas principais empresas estão em boa situação ou cami-

nhando rapidamente para lá. Se a situação da Europa melhorou, a dos Estados Unidos foi na direção contrária. A estimativa preliminar do PIB no 2.º trimestremostrou uma fraca evolução, de 2,4% anualizado. Se o investimento cresceu quase 30%, o consumo evoluiu apenas 1,6%. Esse resultado decorre da fragilidade do mercado de trabalho (os dados de emprego divulgados sexta-feira mostram expressiva redução de postos de trabalho, da ordem de 130 mil, embora a renda nominal continue se expandindo a uma taxa de 4% ao ano) e do mercado imobiliário, aliada à elevação da taxa de poupança pessoal para faixa de 6%. Por outro lado, as empresas estão muito bem, tendo reduzido custos e elevado as margens. De lado. Entretanto, se o consumo não reage, a economia seguirá andando de lado, o que, para alguns analistas, coloca o risco de se repetir algo parecido como a trajetória do Japão dos anos 90. Essa situação não nos parece ser a mais provável,quandose consideraadinâmicademográficapositivadosEUAeogosto pelo consumo de sua população, bem diferente do Japão. Ademais, é muito provávelqueasautoridadesfiscaisemonetáriasamericanas acabem por adicionar alguns incentivos à retomada. Entretanto, a recuperação americana serámuitolenta,oquegaranteumapolítica monetária muito frouxa até onde a vista alcança. Da mesma forma, fica adiado o medo de uma inflação elevada, decorrente da forte expansão monetária recente. Quem comprou ouro com medo da inflação provavelmente amargará prejuízo. A fraqueza da economia americana tambémimplica uma fraqueza do dólar, o que, entre outras coisas, dá suporte aos preços de commodities, reforçando sua elevação decorrente da melhora na Ásia, já mencionada. Neste grupo, vêm sedestacando maisas mercadoriasagrícolas (que subiram 10% nos últimos 40 dias), pois várias delas estão sofrendo certa escassez por choques de oferta nos últimos meses, como algodão, café, açúcar e laranja. Mais recentemente, uma forte seca na França, Alemanha, Ucrânia,Austráliae,especialmenteRússia,comprometeuasafrade trigo deforma importante, levando a uma explosão das cotações do cereal e a proibição de exportações pelo governo russo.

Nos Estados Unidos, a safra promete ser muito boa, mas existem aindariscos climáticos atéo fimdeagosto; o verão tem sido muito quente e aschuvasesparsasnodeltadoMississippi e em outras regiões. Se o clima não atrapalhar mais, as pressões sobreos preçosterão algumaacomodação, mas, ainda assim, os preços de trigo se manterão elevados. Retomada. O conjunto dessas infor-

mações sugere a continuidade da retomadadocrescimentomundial,ainda que bastante desigual entre regiões. Não existem elementos para dizer que do exterior venha um vento frio sobre a economia brasileira, nem pelo canal do comércio nem pelos mercados de crédito e de capitais. Aocontrário, asexportações brasileiras se beneficiam muito do crescimentofortedaÁsiaedaAméricaLatina. No primeiro semestre deste ano, emrelação aomesmo período do ano passado, as vendas ao exterior subiram 27% em valor e mais de 8% em quantidade. Ainda em quantidade, vendemos algo como 10% mais para o NAFTA e a China, e mais de 30% para Japão e Chile e mais de 40% para o Mercosul. O País segue ganhando termos de troca, com a forte valorização das commodities, o que adiciona renda. Os investimentos também são beneficiados, tanto pelo barateamento dosbensde capital,como pelasfacilidades de financiamento decorrentes da forte liquidez externa. O saldo comercial brasileiro será, provavelmente, melhor que o projetado há alguns meses. Da mesma forma, aconta capital será melhor,o que vem colocando pressão para maior valorização do real. Daí sim poderá vir alguma ajuda para inflação, descontados os efeitos de alta nos preços de alimentos que veremos nos últimos meses do ano. Se existe desaceleração da economia brasileira, ela não vem do resto do mundo, como vem aventando o Banco Central. Na verdade, para quem há muitos meses, como a MB, projeta um crescimento de 7% em 2010, não existe desaceleração alguma. Éoquediscutiremosemnossopróximo encontro.

O reality policial que coloca você na ação. Segunda temporada

Estreia nesta segunda às 21h45. Operação de Risco é o primeiro reality policial da TV, apresentado por Alexandre Zakir. Mostra toda a realidade das forças da segurança pública em ação. Não perca a estreia da segunda temporada. É adrenalina de verdade.

Co-produção

www.redetv.com.br


%HermesFileInfo:B-7:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Uma escala Richter para os mercados Uma nova área acadêmica, a econofísica, estuda a semelhança entre os terremotos e as crises financeiras para detectar sinais e prevenir crashs Eric Dash THE NEW YORK TIMES

É tentador usar a velha metáfora do terremoto para falar sobre as crises financeiras. Que outra maneira seria melhor para descrever a devastação econômica – os tremores do mercado de hipotecas, o colapso sísmico do Lehman Brothers e os abalos secundários que repercutiram na Europa? Mas alguns acadêmicos estão considerando seriamente essa metáfora,adotandoum novoenfoque da economia que intitulam de “econofísica”. Uma área nova que representa uma ruptura com a teoria tradicional, em que os terremotos financeiros são estudados da mesma maneiraqueosgeólogosestudamaqueles em terra firme. “São necessários novos enfoques para encontrarmos soluções no caso de desafios práticos e fundamentais enfrentados pelo nosso sistema social, econômico e financeiro”, declarou um grupo de econofísicosemumacartaabertaaoinvestidor George Soros. Os macroeconomistas constroem teorias refinadas para explicar como entendem as crises. Para os econofísicos, os mercados são muito mais complexos e confusos – aponto de a beleza e a lógica da teoria econômica serem insuficientes. Eles acreditamque,aproveitando os instrumentos das ciências naturais, examinandoumenormeconjunto de dados para classificar seu conteúdo, conseguirão trabalharcomdadospassadosparaencontrar a dinâmica subjacente dos abalos econômicos e se preparar para o próximo. É difícil prever crises financeiras, dizem os econofísicos, porqueos mercados nãosão eficientes, como acreditam os economistastradicionais,nemse regulam ou se corrigem automaticamente. Os transtornos periódicos resultam de uma cascata de eventos e de uma reação cíclica, muito semelhantes aos movimentos tectônicos. Os cientistas descobriram que os terremotos, naturais e financeiros, têm padrões similares. Pequenas e sutis oscilações do mercado são ocorrências regulares às quais se presta pouca atenção: choques extremos são muito raros. Assim também ocorre com os terremotos. Os terremotos econômicos também desencadeiam tremores secundários perigosos. Do mesmo modo que geofísicos japoneses, no século 19, descobriram que tremores secundários ocorrem bem depois de um primeiro e forte abalo, os sismólogos dos mercados de ações identificaram um padrão similar nos choques financeiros. “Se você analisá-los, a lei dos terremotos se encaixa perfeitamente”, diz H. Eugene Stanley, professordefísicadaUniversidade de Boston. “Um grande tremor provoca abalos secundários menores e depois outros cada vez mais fracos.” As crises ocorrem em cadeia. A crise monetária na Tailândia na década de 90 foi seguida por problemas similares na Indonésia e Coreia do Sul. Depois da falência do Lehman Brothers, Washington Mutual, Wachovia e muitos outros bancos de menor porte caíram como dominós. Efeito cascata. Alguns econofísicos, como também economistas e políticos, sugerem que a confusão recente na Europa foi causada pelos efeitos prolongados do pânico de 2008 dos EUA. Osterremotosfinanceirosmudaram radicalmente o ambiente.Arepentinaliberaçãodeenergia na crosta terrestre cria ondas sísmicasquepodemmovermontanhas; crises podem levar à reformulação de velhas regras. Após a Grande Depressão, foi sancionada a Lei Glass-Steagall , com a separação dos bancos comerciais e de investimento. Hoje, na esteira da crise, os legisladores realizaram a maior revisão

dosregulamentosdosetor financeiro desde os anos 30. “Grandes terremotos mudam o panorama”, disse Didier Sornette, professor de geofísica que dirigeoFinancialCrisisObservatory, em Zurique. “Grandes colapsos mudam as regras, a percepção do risco e a psicologia das pessoas.” Mas, como se veri-

ficanaciênciaaplicadaaos terremotos, nossa compreensão das crises também é primitiva. Ossismólogosconseguemmonitorar a rotação diária da Terra ao longo da Falha de San Andreas,na Califórnia, esabem que a possibilidade de um terremoto devastador dentro de 30 anos é superior a 99%. Mas não conse-

guem localizar quando ou onde ocorrerá. Os terremotos financeiros são ainda menos previsíveis. Uma razão é que o mundo real é um sistema complexo, em constante adaptação. Outra razão é que, embora existam limites na energia liberada por um terremoto, não existem restrições a preços. “O mundo físico não consegue nos surpreender amplamente”, disse Nassim Taleb, autor de O Cisne Negro, livro sobre a influência de eventos altamente improváveis. “O mundo financeiro sim.”

reformularam os códigos de construção para San Francisco, para os edifícios resistirem mais.Domesmomodo, asrecentesreformasdas regrasparao setor financeiro têm por objetivo fortalecer a arquitetura econômica. O que se pretende é que atuem como um amortecedor de choques contra as mudanças bruscas do mercado. Funcionáriosdogovernosugerem que o conselhode órgãos reguladores do risco sistêmico devem ficar atentos aos primeiros tremores nos mercados, da mesma maneira que os sismólogos.

Lições. Se as crises são difíceis

de ser antecipadas, alguma coisa pode ser feita para evitar os danos? As lições aprendidas com os terremotos são instrutivas. Após o grande terremoto de 1906, arquitetos e engenheiros

● Econofísica

Alguns economistas defendem novos enfoques para os desafios enfrentados pelo sistema social, econômico e financeiro.

Economia B7

“Se você tem bons sistemas de monitoramento para terremotos implantados, pode se prevenir e evacuar a população caso um tsunami esteja para ocorrer”, disse Alan Krueger, economista chefe do Departamento do Tesouro dos EUA. Ou se precaver para uma próxima erupção dos mercados. A Comissão de Valores Mobiliários americana (SEC) pediu a um físico nuclear para investigar as causas de uma queda abrupta em maio, quando a Bolsa de Nova York despencou e se recuperou rapidamente. “Podemosterinstituiçõessaudáveis, mas ainda assim podem ocorrer grandes terremotos financeiros se as políticas que o governovemadotandoforemdesequilibradas”, disse Lowell Bryan, sócio da McKinsey. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO


B8 Economia %HermesFileInfo:B-8:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

DIVULGAÇÃO

Uruguai bate Argentina como o país ‘carnívoro’ Consumo de carne argentina desaba por causa da crise e vizinho lidera ranking com média per capita de 58,2 quilos /ano ante 56,7 quilos/ano na Argentina Ariel Palacios CORRESPONDENTE BUENOS AIRES

“Os argentinos são carnívoros por excelência.” Esse era o argumento oficial do Instituto de Estímulo e Divulgação da Carne Bovina da Argentina até o ano passado. Motivo havia de sobra para isso, já que comer carne bovina praticamente definiu o modus vivendi dos argentinos durante o século 20 e no início do 21, quando foram os maiores “carnívoros” do planeta. Em 1969 os argentinos chegaram ao consumo recorde mundial de 100 quilos per capita por ano de carne. Embora o volume tenha caído nas décadas seguintes– por diversificação alimentícia, temores ao colesterol e perdadopoderaquisitivo –osargentinos continuaram ostentando as principais marcas mundiais, muito acima de outros países. No entanto, a Argentina – a emblemática terra do bife de chorizo – acaba de perder a pole positionmundialnoconsumodecarne bovina. Queda. Segundo a Câmara da

Indústria e Comércio de Carnes da Argentina (CICCRA), o consumo de carne bovina per capita caiu dos 68,1 quilos registrados em 2009 para uma média de 56,7 quilos nos primeiros seis meses deste ano. Desta forma, o primeiro posto no pódio passou para os vizinhosuruguaios.BeatrizLuna,assessores de imprensa do Instituto Nacional de Carnes do Uruguai (INAC) disse ontem ao Estado por telefone, de Montevidéu, que o consumo per capita de carne bovina no Uruguai neste ano é 58,2 quilos, isto é, um quilo e meio a mais do que os argentinos. Por trás da queda de consumo da carne bovina na Argentina – 16,7% em relação ao ano passado – está o sideral aumento dos preços, de 60%, registrado desde janeiro deste ano. Esse aumento soma-se à alta de 180% entre janeiro de 2007 e dezembro de 2009. Conflito. Os produtores acusamosgovernosdoex-presidente Néstor Kirchner e o de sua esposa e sucessora, a presidente Cristina Kirchner, de torpedear a produção de carne bovina ao impor um controle de preços a partir de 2006. “O governo aplica uma política anti-pecuarista elaborada por um incompetente funcionário”, afirmou a Ciccra na semana passadaemcomunicadoque faz alusões indiretas ao secretário de Comércio, Guillermo Moreno, conhecido no Brasil por ordenar verbalmente proibições contra a entrada de alimentos não frescos importados. Em meio ao conflito que mantémháváriosanoscomosprodutores agropecuários, a presidenteCristina retrucaascríticas dos

PONTOS-CHAVE ● Origem: As primeiras vacas que entraram na Argentina, em 1580, eram da raça holandesa e vieram do Paraguai, depois de passarem pelo Brasil, trazidas da Espanha, em 1555. ● Recorde: Em 1969 o consumo argentino de carne bovina per capita chegou ao recorde, de 100 quilos anuais. ●

Baixa: Em 2002, em meio à maior crise da Argentina, o consumo foi de 51 quilos per capita.

Destaque mundial: O consumo per capita em 2009 foi de 68,1 quilos, o mais alto do mundo. No primeiro semestre deste ano despencou para 56,7 quilos.

● Destronado: Com 58,2 kg per capita, Uruguai é atual nº 1.

ruralistas,chamando-os de“golpistas” e de pretender “lucros abusivos”. As administrações dos Kirchnersaplicaram uma controvertida redução das exportações com o objetivo de redirecionar o produto para o mercado interno e, assim, forçar a queda de seu preço. No entanto, segundo a CICCRA, “apesar da intervenção estatal para garantir o abastecimento doméstico e controlar os

preços da carne, a queda da oferta de gado provocou uma escalada de preços ao consumidor desde o início de 2010”. Sem estímulo, os pecuaristas estão investindo menos no setor. Segundo a CICCRA, o abate registrou em junho uma queda de 30,7% em comparação com o mesmo mês do ano passado. No primeiro semestre de 2010, a redução do abate foi de 22,4% em relação ao mesmo pe-

Consumo alto. Frigorífigo Marfrig, de Tacuarembo, no Uruguai ríodo de 2009. Importador. As exportações ar-

gentinas registraram uma queda de 41,9% em volume. Das 274.497 toneladas exportadas no primeiro semestre de 2009, no período janeiro-junho deste ano as vendas ao exterior caíram

para 159.366 toneladas. O governo afirmou que, para impedir maiores altas de preços no mercadointerno,impedirá queasexportações passem de 400 mil toneladas em 2010. A queda das exportações em valor foi de 20,9%, passando de US$ 732,5 milhões na primeira

metadede2009paraUS$579 milhões no primeiro semestre de 2010. No entanto, perante o aumento dos preços da carne bovina, a própria presidente Cristina envolveu-se pessoalmente em uma campanha para tentar desviar o consumo dos argentinos para a carne suína, atribuindolhepoderesafrodisíacos(que,segundo disse, comprovou com seu próprio marido em um fim de semana, após comer um leitão da província de Córdoba). Além disso, Cristina Kirchner também alardeou os valores da carne de frango para o regime das mulheres argentinas. Os volumes uruguaio e argentino de consumo de carne são substancialmente superiores ao consumo brasileiro de carne. No Brasil, a ingestão é de 36 quilos anuais (o Estado mais “carnívoro” da federação é o Rio Grande do Sul, com 46 quilos por ano).


O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Boom eleva preço de imóvel na França Explosão da demanda valoriza imóveis antigos e inflaciona os novos; a palavra ‘bolha’ ainda é evitada Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS

Ninguém ainda ousa pronunciar a palavra ‘bolha’, mas o mercado imobiliário da França vive neste momento um boom que está devolvendo o preço de casas e apartamen-

tos aos níveis pré-crise de 2008. A recente explosão de demanda revalorizou imóveis antigos e inflaciona os novos, depois de uma baixa que superou os 20% em regiões como Côte D’Azur, no auge da crise do setor, em 2008. O caso mais emblemático da

retomada é o mercado imobiliário da capital. Nos últimos 12 meses, a alta dos preços chegou a 8,5%, e o metro quadro de Paris pode custar € 15 mil. Na quarta-feira, o Conselho de Tabelionatos, órgão que agrega as informações sobre transações imobiliárias no país, definiu o momento do mercado como “efervescente”, reforçando os indícios de que 2010 será de fato o ano da virada para o setor. Segundo relatório da instituição, a julgar pelo ritmo atual, o número de transações deve chegar a 700 mil este ano, próximo ao registrado em 2008, quando o desempenho ainda era positivo. “O setor imobiliário está voltando a ser, talvez como nunca, o valor-refúgio dos franceses”, entende Stéphane Romanyszyn, presidente da agência Entreparticuliers. “Corre-

mos o risco de provocar uma febre no mercado imobiliário antes do fim do ano.” Valorização. A maior procura pela compra de imóveis está resultando na reversão do nível dos preços que, em 2009, havia caído 5% em Paris. No intervalo de um ano, a valorização na capital e em Ile-de-France, departamento em que a cidade está localizada, foi respectivamente de 6,9% e 8,5%. No atual ritmo, a expectativa é de que neste semestre o preço médio do metro quadrado de área construída na capital supere o pico de 2008, quando chegou a € 6,5 mil. “Estou vendendo sem dificuldade imóveis a € 10 mil por metro quadrado”, diz o corretor brasileiro Roberto Haenel, dono da agência Mon-Paris. A elevação nos preços é causada, em parte, pela escassez de

oferta de imóveis no mercado, que ainda persiste apesar do aumento de 54% do número de casas e apartamentos à venda em relação a julho de 2009. Soma-se à procura maior e à oferta reduzida uma taxa de juros próxima de seu piso histórico, o que estimula os franceses e estrangeiros – belgas, britânicos, holandeses, alemães, es● Distorções

20%

foi a desvalorização dos imóveis na França no auge da crise do setor em 2008

8,5%

foi o aumento registrado nos últimos 12 meses, com o metro quadrado em Paris alcançando até € 15 mil

Economia B9

candinavos e até, segundo Haenel, chineses e brasileiros, estimulados pela desvalorização do euro – a voltarem a investir em residências já construídas, negócio que oferece menos risco. Para Michel Mouillart, diretor do Observatório Clameur e economista da Universidade Nanterre-Paris X, a retomada ainda pode sofrer contratempos. A conjuntura de juros excepcionalmente baixos, mas com tendência à elevação até o fim de 2011, e o ritmo lento das novas construções geram o risco de recaída recessiva. Em síntese: o setor imobiliário não vai se descolar do resto da economia, que ainda pena a reverter os efeitos da crise. “Só o restabelecimento do crescimento e a retomada do mercado de emprego compensarão a futura elevação das taxas de juros”, diz Mouillart.

Aposta francesa não é consenso em toda Europa PARIS

A tendência de retomada do mercado imobiliário da França não é uniforme em toda a Europa. Na Alemanha, o setor experimentou forte crescimento no primeiro semestre de 2010, quando a compra e venda de imóveis cresceu 9,79% em relação ao mesmo período de 2009. Já no Reino Unido e na Espanha, os dois países europeus mais afetados pela explosão da bolha em 2008, a recessão é severa. Os dados positivos do setor na Alemanha foram o motivo destacado por analistas como um dos casos de sucesso da economia local no primeiro semestre. No intervalo de seis meses, o mercado imobiliário movimentou € 69,46 bilhões, frente a € 63,9 bilhões em igual período do ano passado, segundo estatísticas do Ministério das Finanças. “O crescimento do setor claramente mostra o interesse pelos imóveis como investimento”, disse à revista Investment o vice-presidente da Associação Imobiliária IVD, Jürgen Michael Schick. Em Berlim, como em Paris, as taxas de juros baixas estão entre as respostas da demanda elevada, e também contribuirão para a futura alta dos preços. “O mercado imobiliário está experimentando forte interesse de quem pretende comprar. Isso se deve ao bom ambiente estatístico do mercado, com taxas de juros em baixa histórica”, diz Schick. Demanda. Impulsionado pela

perspectiva dos Jogos Olímpicos de 2012, o mercado de Londres também se mostra resiliente, segundo levantamento da revista The Economist. Entre janeiro e junho, os preços de casas e apartamentos da capital subiram 12,2%, contra 8,4% no interior, segundo dados do Land Registry, o órgão oficial do setor. A elevação na capital é impulsionada pelo ganho dos imóveis situados em East London, nas imediações da cidade olímpica, onde os preços subiram 25,7% desde julho de 2005, mesmo com a crise internacional. A tendência é inversa na Espanha. Em julho de 2010, o preço médio do metro quadrado ficou em € 2,3 mil, um decréscimo de 3,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. A notícia é negativa, mas cristaliza a menor desaceleração nos últimos dois anos. Enquanto a recessão persiste em Madri, no País Basco e na Catalunha, comunidades como Galícia, Múrcia, Astúrias e Navarra respiram com uma retomada tímida, de 0,2% e 0,3%, mas que reverte a curva decrescente./ A.N.

● Efeito Madoff

Turbulência nos mercados financeiros europeus, dúvidas sobre o sistema bancário e receios em relação a gestores de fortunas levam os investidores a apostar no mercado imobiliário.


B10 Economia %HermesFileInfo:B-10:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Hypermarcas anuncia compra da Mabesa Aquisição da fabricante de fraldas foi fechada por R$ 350 milhões; empresa aumenta sua participação no mercado de higiene e beleza WEIMER CARVALHO/AE –16/10/2009

Melina Costa

A Hypermarcas, conglomerado com atuação nos setores de alimentos, medicamentos e produtos de higiene e limpeza, anunciou na última sextafeira a aquisição de 100% da Mabesa, fabricante de fraldas descartáveis e absorventes. O valor do negócio ficou em cerca de R$ 350 milhões. Com a compra – diz a companhia em seu comunicado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) –, a Hypermarcas tornouse a líder em fraldas. “O negócio vem ao encontro dos objetivosestratégicosdacompanhia de aquisições de marcas e ativos no setor de beleza e higiene pessoal, reforçando seu portfólio no mercado de descartáveis”, diz o comunicado. Dona das marcas Cremer-Disney, Plim Plim, Puppet e Affective,aMabesaregistrouumareceita líquida de R$264 milhões no ano passado e um lucro bruto de R$ 102 milhões. A empresa tem uma fábrica em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo. Fraldas. A Sapeka, de Goiás, foi adquirida em março deste ano Pagamento. Do total do negó-

cio, 5% serão pagos em dinheiro até quarta-feira. O restante será pago depois da efetivação da aquisição e transferência das ações da Mabesa para a Hypermarcas.Ofechamentoda aquisição está condicionado à conclusãodeumaauditoriacontábil,jurídica e tributária na Mabesa, assimcomoumareorganização societáriaeanegociação decontratos definitivos. Essa é a quarta aquisição da Hypermarcas no mercado de

fraldas.A primeira foi a fabricante Pom-Pom, em outubro de 2009, por R$ 300 milhões. Em março deste ano, foi a vez da Sapeka, com sede em Aparecida de Goiânia (GO), e da York, que também fabrica e distribui hastesflexíveis,curativos,absorventes e algodões. Em nove anos de trajetória, a Hypermarcas acumula mais de 30 aquisições, cinco delas desde o início do ano. Parte desses negócios foi realizado com dinhei-

ro captado na Bolsa de Valores. No início da semana, a empresa anunciou uma nova medida de capitalização, com uma emissão dedebênturesquealcançouovalor de R$ 651 milhões. Fundos de investimento subscreveram a maior parte dos títulos. EXCEPCIONALMENTE, A COLUNA DE ALBERTO TAMER DEIXA DE SER PUBLICADA NESTA EDIÇÃO.


B12 Economia %HermesFileInfo:B-12:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

MARCIO FERNANDES/AE – 7/4/2010

Cresce atraso na entrega de imóveis Após boom de lançamentos, descumprimento de prazos provoca reclamação de compradores Márcia De Chiara

O boom do mercado imobiliário já provoca também um boom de atrasos na entrega dos imóveis comprados na planta dois anos atrás, quando houve um pico de lançamentos. Falta de mão de obra, de materiais de construção, morosidade nos trâmites burocráticos para legalizar os imóveis e até o excesso de chuvas são fatores apontados pelas construtoras para ultrapassar os prazos estabelecidos nos contratos. Não existem estatísticas consolidadas sobreo problema. Mas indicadores parciais mostram que houve aumento no número dereclamaçõesfeitaspeloscompradores de imóveis novos nos órgãos de defesa do consumidor. Além disso, as construtoras isoladamente e entidades representativasdaconstruçãociviladmitem que, em muitos casos, os prazos iniciais acordados em contrato não foram cumpridos. ● Frustração

KLEBER LUIZ BORTOLETO DENTISTA DO DISTRITO FEDERAL QUE COMPROU UMA SALA COMERCIAL NA PLANTA EM 2006

“Falta fiscalização do governo em imóveis vendidos na planta.”

ALESSANDRA CAVALCANTE DOS SANTOS FILHA DO COMPRADOR AFETADO

“Contando com a entrega do imóvel na segunda data informada, meu pai até vendeu o carro.”

De janeiro ao dia 10 de julho, por exemplo, quase quadruplicou, em relação a igual período de 2009, o número de queixas de consumidores que tiveram problemascomimóveis,segundoinformações do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa do Consumidor (Ibedec). “E 70% das reclamações são decompradores que não receberam a moradia no prazo combinado”,afirmaopresidentedaentidade, José Geraldo Tardin. O restante(30%)das queixas serefere a defeitos nos imóveis.

Ritmo frenético. Aumento da oferta de crédito imobiliário, que cresce 50% neste ano ante 2009, sustenta a forte expansão

ATRASO EM ALTA l Queixas dos consumidores contra construtoras registram crescimento

37,2

38,4

40,5

40,6

17,1

16,9

20,0

25,1

25,5

12,3 9,4 3,7 15,2

12,3 15,4 2,9 15,3

11,1 12,1 3,1 15,3

8,4 5,9 5,1 15,9

6,9 6,8 5,8 14,4

EM PORCENTAGEM PROBLEMAS DE COBRANÇA PROBLEMAS DE CONTRATO DEVOLUÇÃO DE SINAL E VALORES PAGOS

No Procon. No primeiro semestre de 2009, Tardin recebia 14 consultas diárias de consumidores com problemas referentes à compra de imóveis no País. Neste ano, essa marca subiu para 53. Dados da Fundação Procon de SãoPaulotambém indicamcrescimento significativo, de 106,6%, no número de atendimentosnacapitalpaulistanoprimeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2009 de consumidores que não receberam o imóvel no prazo combinado. De janeiro a junho deste ano, foram 62 atendimentos, contra 30 nos mesmos meses de 2009. Um levantamento semestral, feito a pedido do Estado, pelo Departamentode ProteçãoeDefesa do Consumidor (DPDC) da Secretaria de Direito EconômicodoMinistériodaJustiçalevando em conta as reclamações registradas por consumidores sobre imóveis, entre 2008, 2009 e 2010, revela que o problema que mais ampliou a sua participação no total das queixas nesse períodofoi ode contrato.Éexatamente nesse grupo de reclamações queestáarescisão dacompra pela não entrega do imóvel.

42,3

REAJUSTE DA PRESTAÇÃO QUALIDADE DA CONSTRUÇÃO OUTROS PROBLEMAS 1.º SEMESTRE 2008

2.º SEMESTRE

1.º SEMESTRE 2009

2.º SEMESTRE

FONTE: MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

Os dados, que consideram o total de queixas realizadas em 118 Procons espalhados pelo País, indicam que problemas de contrato representaram cerca de um quarto (25,5%) do total de reclamaçõesfeitas por consumidores quando o assunto é imóvel. No primeiro semestre de 2008 e de 2009, a fatia desse grupo de queixas no total de reclamações tinha sido de 17,1% e de 20%, respectivamente. “Aprincipal queixadosconsumidores se refere a problemas de cobrança (40,6%), mas o número de reclamações que mais cresceu em três anos diz respeito ao descumprimento de contratos, puxado pelos atrasos na entrega do imóvel”, afirma a coordenadora geral do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor e diretora substituta do DPDC, Juliana Pereira. Eduardo Zaidan, diretor de

INFOGRÁFICO/AE

EconomiadoSindicatodaIndústria da Construção Civil do Estados de São Paulo (SindusconSP), confirma os atrasos na entrega dos imóveis que, segundo ele, não estão restritos a uma ou outra empresa. Razões. Segundo Sergio Wata-

nabe, presidente do SindusconSP, além da escassez de mão de obra, insumos, equipamentos e problemas climáticos, o estrangulamento das linhas de crédito provocado pela crise financeira no segundo semestre de 2008 foioutrofatorquecontribuiupara os atrasos. “Com a falta de liquidez no mercado, as empresas tiveram de equacionar o fluxo de caixa, que ficou mais apertado.” Entre as construtoras com maior índice de reclamações por atrasos na entrega dos imóveis neste semestre, segundo o Ibedec,estãoTenda,MRVEngenharia e MB Engenharia.

PRESTE ATENÇÃO...

1.

.Referências. Antes de

comprar o imóvel na planta, busque informações sobre a construtora para saber se houve problemas com outros empreendimentos. Conversar com o síndico e o zelador do prédio pode ser uma boa fonte de referência para saber se os prazos foram cumpridos.

2.

Documentos. Leia o memorial descritivo da obra, onde constarão todos os materiais usados. Fique atento à qualidade dos materiais e exija nota fiscal dos insumos, pois essa é uma forma de assegurar a garantia de tudo que foi empregado na construção.

Além de não receber o apartamento na data combinada, comprador é cobrado sem ainda estar no imóvel A frustração de não receber o imóvel no prazo estabelecido no contrato é motivo de indignação de consumidores, que traçaram planoscontandoque ocombinado fosse cumprido. “O que eu estou mais indignada é que a construtora já começou a cobrar o condomínio antes mesmodeentregaroapartamento”,contaagerenteadministrativa Alessandra Cavalcante dos Santos, de 32 anos. Ela acompanhou passo a passo a compra de um apartamento de 185 metros quadrados da construtora Even pelo pai, o comerciante Manoel Alves dos Santos, numa das cinco torres de condomínio de alto padrão na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo.

● Boom de lançamentos

O pico de lançamentos de imóveis na Grande São Paulo aconteceu no 1.º semestre de 2008, quando foram colocados no mercado246 empreendimentos novos, segundo a Embraesp

Empresas esticam prazos e vão produzir materiais Construtoras esticaram em seis meses as datas de entregas dos lançamentosatuais,buscammétodoseficientespara erguerrapidamente mais edifícios e até investem na produção de materiais para adequar a produção imobiliária aos gargalos.

A Tenda, por exemplo, decidiu instalar uma fábrica de blocos de concreto dentro de um o canteiro de obras em São Luís (MA), conta o diretor de Incorporação da companhia, Antonio Carlos Ferreira. A empresa também aposta no uso de formas de

concluído em março deste ano. De lá para cá foram marcadas várias vistorias pela construtora, mas até agora o imóvel não foi entregue, apesar de seu pai ter assumido o financiamento bancárioeoprimeiroboletodepagamentodo condomínio já ter chegado. “Contando com a entrega do imóvel na segunda data informada, meu pai até vendeu o carro”, diz Alessandra. Agora, explica, ele, que mora na zona norte, tem de pegar táxi ou carona todo dia para ir trabalhar. Enquanto isso, diz Alessandra, a construtora que até fez uma festa simbólica para marcar aentrega doproduto emmeados de junho, não dá previsão de quando vai entregar o imóvel. Dascinco torresque fazem parte do empreendimento, três foram entregues e duas não, conta a gerente administrativa. Além disso, parte das áreas comuns não estão prontas. “Por fora o nosso bloco está pronto, mas falta o acabamento no apartamento.”

alumínio para fazer as estrutura e as paredes. Esse método acelera o ritmo de produção com menor número de trabalhadores. Ferreira diz que o mercado como um todo enfrenta hoje problemas para cumprir prazos, especialmente no Norte, onde há dificuldade para obter materiais e mão de obra. No caso da sua empresa, ele explica que as obras atrasadas ainda estão dentro do período de carência de 180 dias previsto no contrato. “Existe o atraso sim e as cons-

3. 4.

Prefeitura. Procure verificar se a obra está registrada na prefeitura e se a construtora ou incorporadora já teve ocorrências no Procon. Multa. Muitas empresas alegam que têm uma carência de 180 dias, sem multa, após esgotado o prazo estabelecido no contrato. Órgãos de defesa do consumidor informam que essa cláusula só é legal em caso fortuito ou motivo de força maior, como uma greve de trabalhadores ou enchentes, por exemplo. Caso contrário, o comprador tem direito a multa e ao ressarcimento das despesas em razão do atraso.

pendentes em função de vistoriase3%estãoemfasederenegociação.

Construtora adia entrega, mas já cobra condomínio O imóvel foi adquirido na fase de pré-lançamento em 2008. Um dos motivos que levaram seu pai a fechar o negócio foi a proximidade do imóvel do local de trabalho. Dono de um box de frutas na Ceagesp, o comerciante poderia ir a pé para o trabalho. Na época em que o negócio foi fechado, a previsão era de que o apartamento seria entregue em novembro do ano passado. Mas, segundo Alessandra, no fim de 2009, a construtora informou os compradores que, devido a problemas de falta de mão de obra, de materiais de construção e excessode chuvasnafase defundação, o empreendimento seria

1.º SEMESTRE 2010

PAULO LIEBERT/AE

Atrasado. Alessandra Santos, em frente ao prédio: na espera Na opinião de Alessandra, se realmente o atraso tivesse sido provocado pelo excesso de chuvas na época da fundação da obra, três blocos não poderiam estar prontos hoje. Procurada pelo Estado, a Even informou, por meio de sua assessoriade imprensa,que oexcessode chuvasafetouocumpri-

mento do prazo. Mas, “o prazo de conclusão contratual (junho de 2010) foi integralmente respeitado”. Segundo a construtora,das350unidadesdoempreendimento, 56% delas têm a entrega das chaves confirmada, 23% aguardam conclusão de processo para obter financiamento, 18% das unidades têm entregas

trutorasatésereuniramparadiscutir a questão”, conta o presidente da MRV Engenharia, RubensMenin.Ele alegaqueaconstruçãociviléumaindústria“muitoartesanal” eograude imprevisibilidade é alto. “A situação piorou por causa do boom imobiliário”, acrescenta. Oexecutivodestacaqueosentraves burocráticos aumentaram. Hoje, segundo ele, leva mais tempo para obter Habitese e certidões para registrar o imóvel no cartório, fora as difi-

culdades defaltade mãode obra, materiais e equipamentos. “Estamos preocupados e treinando o pessoal de atendimento para não ter surpresa nos plantões de vendas”, diz o executivo a respeito dos atrasos. Segundo o diretor Economia do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan, as construtoras ampliaram de 18 para 24 meses o prazo médioprevistoparaentregadoslançamentos que são feitos atualmente. Isso para não ter problemas de quebra de contratos.

Fiscalização. “Falta fiscalizaçãodogovernonessasobrasvendidasnaplanta”,afirmaodentista Kleber Luiz Bortoleto, de 37 anos. Em 2006, ele comprou uma sala comercial na planta, em Águas Claras, cidade satélite de Brasília. A intenção era montar o consultório no local. “Comprei uma sala no 13º andar, mas observava que o prédio não saia do 4 º andar. Daí, deixei de pagar”, conta o profissional que, entre a entrada e parcelas desembolsou cerca de R$ 30 mil até dezembro de 2008. O preço total da sala era R$114mil.“Aobracontinuaparada até hoje.” Ele conta que a construtora saiu doPaís e,na prática, ele confiou na imobiliária que intermediou a venda, pois ela tinha nome no mercado. Bortoleto está entrando com processo na Justiça contra os empreendedores. O saldo do negócio foi negativo: eleteve depagaraluguel esóagora comprou uma sala comercial.

Procurada pelo Estado, a MB Engenharia, apontada pelo Ibedec como uma das construtoras com mais obras atrasadas, informou, por meio da sua assessoria, que apenas uma das obras na região em que atua, o Centro-Oeste, está atrasada. O motivo é a dificuldade de expedição do Habite-se, informou a empresa.


%HermesFileInfo:B-13:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Economia B13 ANDRE DUSEK/AE–6/8/2010

Exportação sofre, mas Apex corta gastos Exportadores reclamam de cortes na agência responsável por promover o País no exterior

A Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) vai cortar um quarto de suas despesas este ano, apesar da acirrada competição nos mercados internacionais provocada pela crise e da necessidade de elevar as vendas externas para reduzir o déficit em conta corrente do País. Ao renegociar seus convênios com a instituição, os exportadores estão sendo comunicados de reduções significativas de recursos. Diferentes setores relataram ao Estado cortes de cerca de 30% nas verbas dos projetos. Esse porcentual não foi confirmado pela agência. Os empresários preferiram não se identificar por receio de retaliações do governo. A Apex argumenta que está atendendo mais setores e desconcentrando os recursos, mas não informa a verba destinada a cada um. A entidade admite um corte de apenas 7% no total investido nos convênios este ano. Osacordos entreo setorprivadoeaApexsãoseladospelasentidades de classe, que apresentam um projeto ao governo. Para cada R$ 1 investido pela Apex, os exportadores aplicam R$ 1. Portanto, o efeito para as exportações de um corte de recursos da Apex é duplicado.

As despesas da Apex – que incluem projetos de apoio à exportação, pagamentos de funcionários, gastos com viagens e outros eventos – serão reduzidas de US$ 407 milhões em 2009 para R$306milhõesem2010.Issosignifica um corte de 25%. O aperto será necessário apesar da previsão de 10% de aumento nos recursos repassados pelo governo. Um dos braços do sistema S, como Sebrae, Senai e Sesi, a Apex dispõe de dinheiro “carimbado” do INSS. Essas entidades recebemum porcentual do que é descontado dos trabalhadores. Coma recuperação da economia e o recorde de geração de empregos, os recursos para a Apex vão atingir R$ 250 milhões em 2010. Caixa. O problema é que a agên-

cia consumiu quase todo o seu caixa. Dos R$ 145,7 milhões que tinha no começo de 2009, sobraram US$ 36,7 milhões no início desteano,conformedadosdoorçamento disponíveis na internet. De acordo com o diretor de gestão e planejamento da Apex, Ricardo Schaefer, a Apexdecidiu investirtodososrecursosnapromoção das exportações, em vez de guardar. Ele disse que a meta é virar o ano com R$ 20 milhões. O dinheiro do caixa foi gasto na contratação de funcionários, numa nova sede em Brasília e no patrocínio de eventos como car-

Teixeira está na campanha de Dilma Presidente da agência de promoção das exportações tirou férias para coordenar programa de governo do PT Alessandro Teixeira é coordenador do programa de governo da candidata do PT, Dilma Rousseff. Ele acaba de tirar dois meses de férias da presidência da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) para se dedicar à campanha. Petista histórico, Teixeira conhece Dilma da época de militância política no Rio Grande do Sul. Ele contratou na Apex duas funcionárias ligadas a petistas envolvidosemepisódios polêmicos. Mônica Zerbinato, secretária do presidente Lula por 13 anos, é chefe de gabinete do presidente da Apex. Seu marido Osvaldo Bargas foi envolvido na compra de um dossiê falso contra o PSDB na campanha presidencial de 2006. Bargas nega. TambémtrabalhanaApexNatália Lorenzetti, filha do amigo e “churrasqueiro” de Lula, Jorge

Lorenzetti, envolvido no mesmo episódio. Antes de trabalhar na Apex, Natália foi assessora da senadora petista, Ideli Salvatti. “Não vejo envolvimento delas nas denúncias. São duas profissionaisde gabarito”,disse odiretor de planejamento e gestão da Apex, Ricardo Schaefer, ao ser questionado sobre o assunto. Schaefer foi indicado pela Apex para responder às dúvidas sobre gastos da entidade. O Estado ligou ao comitê de Dilma e pediu entrevista para Teixeira, mas não obteve retorno. TeixeiraassumiuaApexemjunhode2007.Noprimeirosemestrede 2009,começaram asreclamações de empresários contra cortes de verbas. Em reunião na Federação das Indústrias do EstadodeSãoPaulo (Fiesp),eleadmitiu que os recursos eram limitados, defendeu as mudanças e pediuaosempresáriosquesolicitassem mais verbas para a Apex. Emdezembro, aApex promoveu um jantar com Lula no hotel CopacabanaPalace, noRio, eosempresários pediram mais apoio ao comércio exterior. O presidente prometeu ajudar. / R.L.

Visual. Fachada da nova sede da Apex em Brasília: reforma de R$ 3 milhões, para impressionar embaixadores e importadores navaleFórmulaIndy.Asmudanças começaram com a chegada do economista Alessandro Teixeira à presidência da entidade, indicadopeloPartido dosTrabalhadores (PT). NagestãodeTeixeira,onúmero de funcionários triplicou. Eram 79 no início de 2007 e hoje são 332 – 217 por concurso público. A Apex gastou R$ 3 milhões na reforma da sede. A entidade decidiu fazer do local um “cartão de visitas” do País, com salas decoradas com os produtos exportados.Oobjetivoéimpressionar embaixadores e importadores. Segundo a Apex, boa parte dos móveis foi doada. Em projetos especiais, a agênciainformoutergastoR$ 14,5milhões em 2009 e prevê R$ 13,6 milhões este ano. O maior peso é o patrocínio da Fórmula Indy, que custa R$ 10 milhões por ano. A Apex possui um camarote nas

corridas para aproximar empresários brasileiros e americanos. Outro gasto significativo é no carnaval. Desde 2009, a Apex tem camarote na Marques de Sapucaí e convida empresários e jornalistas estrangeiros. Paga passagens aéreas, hospedagem, e os visitantes têm direito de assistir aos desfiles. Segundo a Apex, foram gastos R$ 3 milhões em 2009 e R$ 1 milhão este ano. Para Schaefer, os projetos especiais são uma “inovação” na promoção comercial. Ele ressalta que a entidade também promove feiras multissetoriais. Segundo Schaefer, a contratação de funcionários reforçou a análise econômica e financeira da agência. “Preciso de profissionais qualificados.” Em média, um gerente de projetos recebe R$ 10mil por mês. Ele disse quea troca de sede foi necessária porque a antiga era “insalubre”.

PRESTE ATENÇÃO...

1.

Projetos. Diferentes setores tiveram 30% nas verbas de projetos cortadas (a Apex não confirma esse porcentual). A redução era anunciada na renegociação dos convênios.

2.

outros eventos sofrerão corte de 25% apesar da previsão de 10% de aumento nos recursos repassados pelo governo.

4.

Recursos. A Apex consumiu quase todo o seu caixa. No começo de 2009, tinha R$ 145,7 milhões; no início deste ano, tinha R$ 36,7 milhões, conforme dados do orçamento disponíveis na internet.

Duplicação. Para ca-

da R$ 1 investido pela Apex, os exportadores aplicam R$ 1. O efeito para as exportações de um corte de recursos da agência é duplicado.

3.

5.

Destino. O dinheiro do caixa foi gasto na contratação de funcionários, numa nova sede em Brasília, no patrocínio de eventos como carnaval e Fórmula Indy

Despesas. Projetos

da Apex que incluem apoio à exportação, pagamento de funcionários, gastos com viagens e

Freelander 2 S

www.landrover.com.br

Um legítimo Land Rover, um grande negócio.

RESPEITE A SINALIZAÇÃO DE TRÂNSITO.

Raquel Landim

(1)

Controle eletrônico de tração Controle de frenagem em curvas

Partida start-stop

Sistema de som para 6 CDs com entrada auxiliar

Câmbio automático de 6 velocidades com trocas sequenciais

Motor 6 cilindros 3.2L de 233 cv

Controle dinâmico de estabilidade

Sistema Terrain ResponseTM

9 air bags

AVISO DE LICITAÇÃO SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA – SESI Departamento Regional de São Paulo 1 – CONCORRÊNCIA Nº 184/2010 Objeto: Contratação de empresa para execução das obras de ampliação e reforma geral da Escola do Centro de Atividades “Raphael de Almeida Magalhães”, Mauá-SP. Retirada do edital: a partir de 05/08/2010. Entrega dos envelopes: até as 10h00 do dia 09/09/2010. Abertura às 10h30. 2 – CONCORRÊNCIA Nº 187/2010 Objeto: Contratação de empresa para execução das obras da Escola SESI a ser construída no Município de Descalvado-SP. Retirada do edital: a partir de 05/08/2010. Entrega dos envelopes: até as 14h00 do dia 09/09/2010. Abertura às 14h30. Retirada de editais: Na Avenida Paulista, nº 1313, 3º andar, Bela Vista, São Paulo, SP.

Gerência de Controle Legal e Licitações de Obras – GCLO

Eurobike

Intercar

Ribeirão Preto/SP

Moema

(17) 3201-7200

(19) 3751-4100

(16) 3965-7000

São José do Rio Preto/SP

5054-6000 Campinas/SP

Autostar

3068-8580 3755-1011

Caltabiano

3095-8585

Jardins

Morumbi

Pinheiros

5643-8484

(13) 3202-4040

3953-5000

Santo Amaro

Santos/SP

Santana

(1) Condições disponíveis para o modelo Freelander 2 versão S, ano/modelo 10/10. Financiamento no plano leasing com entrada de 50% (R$ 58.940,11) + 35 parcelas de R$ 1.736,83 e 01 parcela residual (balão) de R$ 17.592,03. Total efetivo da operação de R$ 137.321,19. Taxa nominal de 1,34% a.m. e de 17,32% a.a. Oferta válida até 31/08/2010. Valor à vista do modelo R$ 115.900,00. Taxas inclusas na operação. Crédito sujeito a aprovação. Fotos meramente ilustrativas.


B14 Economia %HermesFileInfo:B-14:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Ligada à internet, tevê começa a ficar interativa

PELA BANDA LARGA l Quais são os recursos dos televisores interativos que estão no mercado

Política A consol consolidação consoli con co daç das teles Tempo

Vídeos

A disputa de audiência entre emissoras de TV e internet começa a acontecer numa tela só. Aparelhos com serviços interativos, que se conectam à banda larga, começam a ser mais comuns no varejo, com televisores de fabricantes como a Samsung e a LG. Ao mesmo tempo, as emissoras apostam no Ginga, software de interatividade da TV aberta, que, pelo menos por enquanto, está disponível somente em dois aparelhos da LG. São dois modelos bem distintos de interatividade. No televisor conectado, a informação vem pela internet, de parceiros selecionados pelo fabricante. NoaparelhocomGinga,osserviços interativos são transmitidos viaar pela emissoradeTV, juntamente com a programação. “O espectador ainda está se acostumando a usar a internet na TV”, afirma Marcio Portella Daniel, diretor da Samsung, empresaquelançoumodelosinterativos no ano passado. Esses aparelhos não têm um navegador de internet. Os espectadores escolhemosserviços pormeiode ícones parecidos com os que existem nos celulares inteligentes. ParaFernanda Summa, gerente da LG, a TV aberta interativa e a TV com banda larga são produtos que se complementam. “Uma coisa não vai matar a outra”, diz. “Os serviços interativos podem aumentar a audiência dos programas de TV.” As emissoras de televisão querem usar a interatividade para evitar que o telespectador saia

● Objetivos

ROBERTO FRANCO

sido uma tarefa árdua os programadores de entretenimento nas televisão aberta.

DIRETOR DO SBT

Mercado. Como a indústria lu-

“Vamos oferecer mais informações, fazendo com que o público não tenha que levantar para conferi-las no computador.”

cramaisvendendo TVscomconversoresembutidos, não temhavidomuitoinvestimentoparadesenvolver e vender conversores com o Ginga. Sendo assim, o recurso da interatividade fica restrito a um público limitado. O cálculo é que não existam mais do que 100 mil aparelhos com a funcionalidade no mercado. E como diz Franco, só vai ganhar relevância quando atingir massa crítica, o que pode levar até três anos. No Brasil, 96% da população já tem televisor em casa. Terá que haver troca dos atuais equipamentos. O diretor de engenharia da TV Globo, Raymundo Barros, não tem pressa em acelerar esse processo. Conta que acompanha as discussões de como isso será feito há três anos dentro do fórum da TV digital. Apreocupação,nunca assumida abertamente é evitar ônus ao atraente mercado anunciante da televisão aberta, que fica com quase 60% da verba publicitária investidaemveículosdecomunicação no Brasil. Criar facilitadores para a internet pode fazer com que anunciantes deixem os intervalos comerciais por outras formas de anúncios. “Nossa maior preocupação é garantir a interatividade em rede, para as 33 emissoras digitais afiliadas”,explicaBarros.“Tratase de uma operação complexa e diferente de um site. Não basta pôr no ar. É uma ferramenta de comunicaçãoque vai oferecerna telada TV umaplicativo interati-

“A partir de vários grupos de pesquisa com mais de 20 pessoas cada, fomos descobrindo quais as demandas que tiram os telespectadores da frente da telinha e desenvolvemos aplicativos para suprir essas necessidades.” “A maioria levanta para ver no computador dados sobre meteorologia, resultados de jogos e as últimas notícias.”

da frente do aparelho. Ou que a escapadinha fique reduzida à visita ao toalete. Desde a chegada da transmissão digital, há dois anos, a promessa da chamada interatividadena tevêestá no ar. Eassimpermaneceu. Agora, com a chegada àslojasdos televisorescom osoftware de interatividade Ginga, as desculpas acabaram. “A interatividade vai além de uma novidade para atrair atenção do público e poder agregar valor ao negócio da televisão”, reconheceRobertoFranco, diretor de tecnologia da Rede SBT. “Vamos oferecer mais informações, fazendo com que o público não tenha que levantar para conferi-las no computador”. Reter audiência, perdida para universo de ofertas online, tem

REDE SEM FIO POR USB

O

O iPhone como game portátil A banda larga popular estadual

Sair

O que o aparelho NÃO têm CABO DE REDE

http://www..... BUSCA

Navegador Periféricos

DIGITAR TEXTOS

R$ 2.399

É o preço do modelo mais barato de TV interativa

E= u= v= o= u=

+

e-mails

+ +

+

+

+

É a diferença de preço entre os modelos com e sem interatividade

Ginga

NAVEGAR E CLICAR EM BOTÕES DIRECIONAIS + ENTER

TECLAS DE ATALHO

FONTE: EMPRESAS

● Falta de Ginga

O padrão nipo-brasileiro de TV digital estreou em 2007, mas o software de interatividade Ginga, seu único componente nacional, chegou ao mercado somente este ano

Assalto. Além dos R$ 330 bilhões de impostos arrecadados nesta década, o Estado retira muitos outros bilhões da telefonia. Acompanhe, leitor, a demonstração, passo a passo, dos números referentes a tudo que tem sido retirado e arrecadadode nossosbolsosedosetorpelo Estado brasileiro, desde os leilões, vendas de licenças, impostos e fundos setoriais não aplicados. Ao privatizar, o governo brasileiro vendeu o controle da antiga Telebrás por R$ 22,2 bilhões e ainda faturou mais R$ 20,1 bilhões com os leilões de licenças de celulares e faixas de frequências. Em seguida, reformulou os tributos (em especial o ICMS) para ampliar a arrecadação e chegar aos R$ 330,4 bilhões recolhidos nesta década. Esse enorme confisco tem ocorrido ao longo dos últimos 10 anos, sendo dois anos do

O QUE É?

Software de interatividade criado para a TV aberta brasileira INFOGRÁFICO/AE

vo. Se o aparelho não é interativo, não acontece nada. Mas nos modelos que são interativos, ao ser apertado no controle remoto vai surgir na tela o sinal que aciona a tecla interatividade.” No caso da Rede Globo, a janela que permite ao telespectador obterinformaçõesadicionais sobre o que acontece na tela aparece na lateral. “Há todo um grafismo integrado, por exemplo, ao adotado na linguagem da atual

negócio no mundo para o governo do que a privatização do velho Sistema Telebrás.

Uploads

+

+

R$ 300

Um confisco de R$ 362 bi comunicações, o maior sócio de todo o setor continuou a ser o Estado brasileiro, pois arrecada anualmente nesse setor o correspondente a 10 vezes o lucro líquidodetodas asoperadorasdetelefonia fixa e celular juntas. As distorções crescem e se agravam ano a ano, com a elevação das alíquotas de tributação sobre serviços de telefonia fixa e móvel, e que hoje são as maiores do mundo (43% sobre o valor dos serviços). Só a Turquia comete equívoco semelhante, ao tributar suas telecomunicações em 42%. É claro que, com menos impostos, o preço dos serviços poderia ser bem menor e as tarifas telefônicas brasileiras não seriam consideradas as mais caras do mundo. E pior do que isso: em lugar de investir nesse setor vital, o Estado brasileiro prefere usar as telecomunicações como uma vaca leiteira, uma mina de ouro, da qual retira e confisca o máximo. Nessas condições, não poderia haver melhor

Chewbacca contra os nazistas

Voltar

Navegação

esiqueira@telequest.com.br

s adversários do modelo privatizado das telecomunicações inventaram a palavra privataria, uma mistura de privatização e pirataria, para desqualificaroprocessodedesestatização do setor, levantando suspeitas sobre sua lisura. Pura mentira e desespero, por falta de argumentos. Mesmo diante de uma expansão de quase 900% da infraestrutura setorial, em 12 anos, os defensores do velho monopólio estatal ainda falam em privataria. Mostro neste artigo a incrível ganância estatal, em relação às telecomunicações do País. E começo com uma pergunta: “Você sabia, leitor, quenós,assinanteseusuáriosdetelefonia fixa e móvel – cidadãos como eu e você – já recolhemos R$ 330 bilhões de impostos aos cofres do governo, ao longo dos últimos 10 anos (2001-2010)?” Poisbem,mesmodepoisdetervendidosuas açõesnas empresasde tele-

Notícias

Conexão

ETHEVALDO SIQUEIRA ✽ ●

Fotos

Na quarta-feira passada, a Na quarta Portugal Po P ortugal Telecom protagonizou dois grandes prrotagon p negócios ne n egócios no mercado brasileiro brrasileiro de b telecomunicações. A ttelecomu empresa em e mpresa saiu da Vivo, vendendo ve v endendo sua participação na empresa para a na empre

O CONTEÚDO DOS PARCEIROS APARECE NA FORMA DE ÍCONES NA TELA DO APARELHO

Aparelho ligado à banda larga concorre com a interatividade da TV aberta, que começa a ser trabalhada pelas emissoras Marili Ribeiro Renato Cruz

Economia

novelaPassione,queé quejáoferece a interatividade. Ao acessálo, o telespectador terá detalhes do capítulo perdido, ou poderá responderaenquetessobre odesenvolvimento da novela.” Na maior rede de televisão brasileiraaopçãofoipeloaplicativoindividual para cada programa. Estratégia. Já no SBT, a opção

foidiferente, como explicaFranco. “A partir de vários grupos de pesquisa com mais de 20 pessoas cada, fomos descobrindo quais as demandas que tiram os telespectadoresda frentedatelinha e desenvolvemos aplicativos para suprir essas necessidades”, diz ele. “A maioria levanta para ver no computador dados sobre meteorologia, resultados de jogos e as últimas notícias”.

governo FHC, de 2001 a 2002, e oito anos no governo Lula, de 2003 a 2010. Mas a sangria do setor não termina aí. Além desse montante, o governo federal ainda embolsou no mesmo período mais R$ 32 bilhões que pertenciam a três fundos setoriais, assim distribuídos: a) R$ 22 bilhões do excesso de arrecadação do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), b) R$ 8 bilhões correspondentes à totalidade da arrecadação do Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) e c) R$ 2 bilhões dos recursos excedentes doFundodeTecnologiadeTelecomunicações (Funttel). Ilegalidade total. Esse confisco de R$ 32 bilhões dos fundos setoriais é um exemplo de ilegalidade flagrante, pois essesrecursossãocarimbados,comdestinação legal certa e obrigatória. Deveriam, portanto, ter sido aplicados inte-

As distorções se agravam ano a ano, com a elevação das alíquotas de tributação gralmenteemfiscalização,universalização dos serviços e pesquisa tecnológica. Mas não foram. Na linguagem vulgar, esses R$ 32 bilhões foram para o ralo. Ou seja, para a vala comum do superávit fiscal. Imagine, agora, o que teríamos hoje demodernizaçãosetorialse,porhipótese, o governo tivesse investido os R$ 32 bilhões e a fatia de apenas 10% dos R$ 330 bilhões de impostos arrecadados (R$ 33 bilhões), num grande projeto de

No SBT, a opção foi oferecer no primeirocliqueainformaçãopura. Se o telespectador quiser mais detalhes, terá que dar um segundo clique e poderá obter mais informações sobrea novela em cartaz, como a sinopse. Na hora em que é pressionada tecladeacessoàinteração,aparece a primeira tela que oferecem asrespostasmaiscomuns dostelespectadores da emissora. “De todos as emissoras que estão desenvolvendoosinalparainteratividade, só o SBT já o coloca à disposição por 24 horas”, conta ele. Isso é possível porque a emissora escolheu a metodologia mais simples. O próximo passo, que está em estudo, será o de integrar essa interação com às mídias sociais e, futuramente, promover comércio eletrônico.

banda larga e inclusão digital. Seriam R$ 65 bilhões (o equivalenteaUS$37bilhões),quantiasuficienteparaimplantar umadasinfraestruturas de banda larga mais avançadas do mundo, tão moderna quanto a do Japão ou da Coreia do Sul. Por outras palavras, com esse investimento, poderíamos ter assegurado ao País uma penetração de banda larga da ordem de 80% ou 90% de seus domicílios, bem próxima da que têm os países mais desenvolvidos. Balanço final. Agora, caro leitor, so-

me os R$ 330 bilhões de tributos escorchantes ao confisco de R$ 32 bilhões dos fundos e terá o total de R$ 362 bilhões. Eis aí o grande mal que o governo federal tem feito contra as telecomunicações, segundo dados oficiais da Agência Nacional de Telecomunicações(Anatel),TesouroNacional(Siafi) e Confaz, revelados em estudo do Sindicato das Empresas Operadoras de Telecomunicações (Sinditelebrasil). Faça um teste, leitor. Pergunte ao cidadão comum se ele sabe quanto paga de impostos em sua conta de energia elétrica, gasolina, alimentos essenciais, água, transportes ou na conta de telefone fixo ou celular. “Impostos? Sei, não” – responderá o pobre cidadão alienado. Como tantagente neste País, ele não sabe nada. É dessa inconsciência que se aproveitam todos os governos perdulários e populistas, ao longo da história.


%HermesFileInfo:B-15:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Perfil ✽

Economia B15

● Carteira nobre

Além da Paranapanema, Tini tem fatias relevantes da Alpargatas, da Bombril e da BrasilEcodiesel

Silvio Tini de Araújo

ANDRE LESSA/AE

Uma bolada. Tini receberia cerca de R$ 240 milhões se aceitasse vender sua participação para a Vale. Mas diz ter achado a proposta ‘vil’

BILIONÁRIO E BRIGUENTO, ELE DESAFIA A VALE Principal acionista minoritário da Paranapanema, Tini não gostou da oferta de R$ 2 bi da Vale. Achou o preço baixo e tenta encorajar outros candidatos, como os alemães da Aurubis, a entrar na disputa

ranapanema com a Vale. Com isso, espera provocar um leilão de preços. Um dos candidatos é o grupo alemão Aurubis, que anos atrás tentou comprar uma fatia da Paranapanema erecentemente voltou a sobrevoar aempresa. Cerca de três meses atrás, representantes da Aurubis estiveram noBrasilereuniram-secomosprincipais acionistas da Paranapanema, na sede da Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás), no Rio de Janeiro. Nessareunião,osalemãesmanifestaram interesse em comprar o controleda Paranapanema.“Foi porcausa disso que a Vale se mexeu”, afirma Tini.O empresárioparticipouda reunião do Rio, mas não confirma se voltou a conversar com a Aurubis agora. “Converso com muita gente e sei que há outros grupos interessados. Nesse negócio, eu sou um curinga.” Dono de uma carteira de ações de várias empresas avaliada em mais de R$ 1 bilhão, Tini tem uma participação direta de 8% na Paranapanema. Mas, somando participações indiretas, por meio de fundos de investimentos e outros canais, sua fatia é maior do que isso. Ele não esclarece quanto. Diz no máximo ter “cerca de 10%”. Os executivos da Vale, porém, acreditam que o empresário tenha cerca de 12%, volume que lhe renderiacercadeR$240milhõesseeleaceitasse a oferta de R$ 6,30 por ação feita pela mineradora. “AValeofereceuumpreçovil”,afirma Tini. “É difícil chegar a um consenso de avaliação da companhia, tendo de um lado a ótica de um empregado e do outro a de um patrão.” Mesmo insatisfeito com a proposta, o empresário afirma que, na essência, “a operação é boa para a Vale e é boa para a Paranapanema. Mas, em princípio, não sou vendedor”. A mineradora anunciou que fechará a operação se conseguir pelo menos 50% da empresa mais uma ação. Ela não precisa das ações de Tini para atingir esse volume. Como os principais acionistas da Paranapanema (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social,BNDES, e os fundos de pensão Previ, do Banco do Brasil, e Petros)também integram o bloco de controle da Vale, teoricamente a mineradora pode ter alguma vantagem com essa coincidência. “Se Tini quiser dificultar as coisas para forçar um aumento na oferta, além de tentar atrair outros candidatos à compra, ele pode embaralhar o jogo recorrendo ao argumento do conflitode interessesentreos principais acionistas em detrimento dos minoritários”, afirma um executivo próximo dele. A Vale não comentou. Estrela. Fundada na década de 60

David Friedlander

ual é sua idade? –Nãoconto.Para quê? –Estouescrevendo sobre o senhor ... – Tenho por volta de 60, corpo de

-Q

30 e disposição de 15. – Vou escrever desse jeito. – Escreva como quiser. OsexecutivosdaValepodem sepreparar. Para levar a Paranapanema, empresa pela qual acabam de oferecer R$ 2 bilhões, precisarão enfrentar a oposição

persistente de Silvio Tini de Araújo e seu fôlego adolescente. Principal e mais antigo acionista minoritário da Paranapanema, Tini é um investidor tarimbado e briguento, com participações relevantes em várias companhias de nome, como Alpargatas, Bombril e BrasilEco-

ACIONISTA NO ESTILO DOS EUA Silvio Tini de Araújo investe em empresas abertas há cerca de 30 anos e possuihojeumacarteiradeaçõesavaliada em mais de R$ 1 bilhão. Chegou a ser um dos maiores acionistas do Banespa, banco do governo de São Paulo comprado pelo espanhol Santander, e embolsou fortunas negociando papéis da indústria de papel Klabin. Ele segue o perfil do que os americanos chamam de investidor ativista, aquele que procura empresas que valem menos do que deveriam e supostamente possuem potencial de valorização. Ao contrário da maioria dos minoritários, o ativista procura influir nos rumos da companhia em que coloca dinheiro. Tini trabalha com uma equipe de pelomenos20pessoas,entreadvogados,engenheiros,economistas eexecutivos. Essas pessoas acompanham seus investimentos ou representam o empresário nos conselhos das empresas em que ele é acionista. Tini é conhecido no mercado por sua atua-

ção aguerrida. Na Alpargatas, fabricante das sandálias Havaianas, Tini infernizou a vida dos outros acionistas até conseguir o pagamento trimestral de dividendos. Em2004, outrosdois sóciosda Alpargatas, a Previ e Itaú, tiraram do conselho fiscal da empresa o executivo José Ferraz Ferreira, representante de Tini. Um ano depois, o empresário comprou a parte do Itaú e uma participação da Previ,aumentou sua fatia de18% para 25% e trouxe Ferreira de volta. O executivo está no conselho fiscal até hoje. AúltimaapostadeTinifoiaBrasilEcodiesel. Empresa criada anos atrás pelo empresário Daniel Birman para produzir diesel a partir da mamona, ela teve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comograndeincentivadoregaroto propaganda. Em seu primeiro mandato, antes do encanto com o pré-sal, Lula trombeteou mundo afora as maravilhas do diesel de mamona. Mas o projeto fracassou e a BrasilEcodiesel só não foi à falência porque os bancos credores organizaram uma operação de resgate para não

perder o que tinham emprestado. Foi nesse momento que Tini apareceu. “Entrei porque acredito nesse setor”, afirma. Segundo maior acionista individualdaempresa,elechegoufazendopressãonosdemais.Forçouamudança da sede da BrasilEcodiesel do Rio paraSãoPaulo, “parapoderdarumapassadalá na horaque quiser”.Esteano, pressionou os colegas de conselho a rever todososcontratosdeconsultoriadaempresa. Tinievitadetalhes,masoEstadoapurou que membros do conselho de administração da BrasilEcodiesel vendiam serviços de assessoria à própria empresa e executivos contrataram escritórios deconsultoriacomosquaistinhamligações anteriores. “Tudo isso está sendo cancelado”, afirma Tini. “O dinheiro da empresa é para produzir diesel, não para fazer cafetinagem.” Além de grande investidor, Tini é fazendeiro e dono de uma mineradora de manganês, no Pará. Uma de suas paixões é a criação de cavalos da raça andaluz brasileiro. Diz que, apesar de traba-

diesel. Acostumado a trombar com grandes acionistas, ele já mandou seu recado à Vale: achou o preço baixo e vai brigar por um acordo melhor. Tini já está se mexendo, segundo pessoas próximas, para encorajar outros potenciais interessados a disputar a Pa-

por José Carlos Araújo, o irmão mais velho de Tini, e Octávio Cavalcanti Lacombe, a Paranapanema brilhou nas bolsas de valores nos anos 80 e dominouomercado mundialdeestanho.Afundadaemdificuldadesfinanceiras depois da recessão dos anos 90, foi vendida ao pool de fundos de pensãode empresas estatais, juntada a outras empresas como Caraíba Metais e Eluma, e transformou-se numa processadora de cobre. A Vale está interessadanessa operaçãoenafábrica de fertilizantes Fosfértil, também da Paranapanema.

MAIS DE R$ 1 BILHÃO EM AÇÕES l Os principais investimentos de Sílvio Tini de Araújo, somando participações diretas e indiretas* VALOR MERCADO (EM MILHÕES DE REAIS)

2.894.150

PARTICIPAÇÃO DE SÍLVIO TINI DE ARAÚJO (EM MILHÕES DE REAIS)

2.042.579

723.538 (25%)

623.713

480.638

93.557

72.096

(15%)

(15%)

ALPARGATAS

BOMBRIL

PARTICIPAÇÃO TOTAL:

*Em 4/8/2010

BRASIL ECODIESEL

245.109 (12%**)

PARANAPANEMA

1.134.300

**Estimativa interna da Vale

FONTES: ECONOMATICA, SÍLVIO TINI DE ARAÚJO E EMPRESAS

lhar muito, não deixa de aproveitar a vida. “Jogo golfe, vou ver jogo do Corinthians, tiro férias e viajo com a família para a Sardenha. Quando dá vontade, pego o helicóptero e vou para a fazenda (na região de Campinas).” Dois anos atrás, concluiu o curso de Direito abandonado nos anos 70, por

INFOGRÁFICO/AE

causa da morte do pai. Agora, faz um cursodeextensãouniversitáriaministrado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cesar Peluso. Tini fica irritado com perguntas pessoais,principalmentequandooassunto é dinheiro. “Não tenho dinheiro. Tenho propriedades.” / D.F


O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

450 anos de Câmara

Desabafo

Urbanismo

O escândalo da CPI secreta de 1948

Mário Nakashima fala da dor de perder a filha Mércia

À venda, velho Ipiranga desaparece entre novos prédios

Pág. C6

Pág. C7

Pág. C8

Metrópole

ROBSON FERNANDJES/AE

C1 %HermesFileInfo:C-1:20100808:

estadão.com.br

AMBIENTE. Projeto polêmico

Expectativa é começar a gerar energia já em 2012, na página C3 }

Construção de cinco hidrelétricas assusta interior Sabesp faz licitação de 2 usinas de geração de energia e planeja outras 3 no Cantareira, sistema responsável por 46% do abastecimento da Grande SP

7 8 9 10 11 12


C2 Cidades/Metrópole %HermesFileInfo:C-2:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

ALÔ, SÃOPAULO

Minguante 3/8 (2h00)

PREVISÃO PARA HOJE EM SÃO PAULO Sol e tempo firme, com frio na madrugada

27° 8°

0mm

Crescente 16/8 (15h14)

Probabilidade de chuva

0%

MANHÃ

28°/32°

Abaixo de 19°

Franca

14°/29°

26° 11°

0mm

TER 10/8

18° 13°

2mm

QUA 11/8

23° 13°

0mm

11°/27°

0%

Ribeirão Preto

S. J. do Rio Preto

11°/33°

14°/30°

40%

Araraquara 12°/33°

0%

Presidente Prudente 12°/33°

Bauru

Piracicaba

12°/28°

N

12°/23°

NE

NO

Sorocaba

São Paulo 8°/27°

8°/25°

19°/28° 23°/34° 23°/30° 18°/33° 10°/23° 21°/34° 23°/27° 17°/32° 10°/31° 20°/29° 22°/31° 24°/35° 15°/24°

TÁBUA DE MARÉS: Porto de Santos

9°/26°

Ourinhos

Ar frio deia o tempo aberto em ão aulo dificultando a formação de nuvens de chuva. A temperatura fica baia com frio na madrugada e ao amanhecer. ova frente fria chega na terça-feira.

Sol/chuva Sol Sol/chuva Sol Sol Ensolarado Sol/chuva Ensolarado Sol Sol/chuva Sol/chuva Sol Sol

Maceió Manaus Natal Palmas Porto Alegre Porto Velho Recife Rio Branco Rio de Janeiro Salvador São Luís Teresina Vitória

21°/28° 10°/26° 13°/28° 23°/32° 24°/33° 11°/31° 23°/32° 7°/22° 12°/22° 21°/32° 16°/33° 21°/28° 21°/34°

Mín./Máx.

4°/20°

11°/26°

S. J. dos Campos

TEMPO FIRME

Tempo

C. do Jordão

Campinas

10°/25°

Mín./Máx.

Sol/chuva Ensolarado Ensolarado Sol/chuva Sol/chuva Ensolarado Ensolarado Sol Sol Sol Ensolarado Sol/chuva Sol/chuva

Aracaju Belo Horizonte Brasília Boa Vista Belém Campo Grande Cuiabá Curitiba Florianópolis Fortaleza Goiânia João Pessoa Macapá

24°/27°

Votuporanga

18nós

O

Ubatuba

L

12°/27° SO

Guarujá

Itapeva

Santos

6°/23°

15°/34°

Iguape 13°/28°

massa de ar rio

Cananeia 12°/28°

Receba por sms a previsão de onde você está

Céu claro

www.estadao.com.br/sms

Nublado

Parcialmente nublado

SE

0,5m

S

14°/30° CP

Cheia 24/8 (14h05)

Poente 17h48

NOITE

NO MUNDO

Tempo

19°/23°

SEG 9/8

TARDE

NAS CAPITAIS

Acima de 32°

PRÓXIMOS DIAS EM SP Amanhã o tempo fica aberto e volta a fechar na terça-feira com a passagem de uma frente fria. Na capital

Nova 10/8 (0h08)

Nascente 6h37

Volume de chuva

Pancadas de chuva

8 Domingo

9 Segunda

10 Terça

2h15 8h04 15h08 20h49

2h39 8h45 15h51 21h24

2h58 9h26 16h26 21h58

Chuva

1,2 0,0 1,5 0,3

1,3 -0,1 1,6 0,2

Chuva com trovoadas

11 Quarta

1,4 -0,1 1,5 0,2

3h15 10h47 16h51 22h30

1,4 -0,1 1,3 0,2

Fuso Mín./Máx.

-1 Assunção +6 Atenas +5 Barcelona +5 Berlim +5 Bruxelas Buenos Aires 0 -1,5 Caracas -2 Chicago +5 Estocolmo +5 Genebra Johannesburgo +5 Lima -2 Lisboa +4 Londres +4 Los Angeles -4 Madri +5 México -2 Miami -1 Montevidéu 0 Moscou +7 Nova York -1 Paris +5 Roma +5 Santiago -1 Sydney +13 Tel-Aviv +6 Tóquio +12 Toronto -1 Washington -1

15°/26° 23°/33° 15°/29° 15°/27° 13°/21° 7°/12° 19°/30° 19°/29° 15°/20° 9°/24° 7°/21° 14°/22° 18°/32° 13°/24° 8°/25° 21°/36° 12°/22° 27°/32° 9°/11° 24°/38° 18°/30° 12°/23° 18°/28° 3°/18° 5°/14° 24°/34° 24°/27° 14°/26° 20°/33°

Volume de chuva (mm) Probabilidade de chuva (%)

Na metrópole Livrarias. Foster é encantado

David William Foster, pesquisador americano especialista em literatura brasileira

‘Cidade vem se tornando mais tolerante’ Professor de Letras da Universidade do Arizona, o americano David William Foster mantém uma relação de amor com o Brasil há quase 30 anos. Já lecionou em Curitiba e vem à metrópole com frequência para pesquisar sobre literatura brasileira e cultura latino-americana. Passou julho em São Paulo preparando seu novo livro – São Paulo: Perspectives on the City and Cultural Production. Também traduz para o inglês A Guerra do Bom Fim, de Moacyr Scliar.

com as livrarias paulistanas. “Estão sempre lotadas. As pessoas podem não comprar, mas elas veem os livros e experimentam o ambiente. Isso é sensacional.” As novidades nas prateleiras o surpreendem. “É que nem padaria, tem sempre algo fresquinho!” Autores brasileiros. Especialista em Clarice Lispector e Patrícia Galvão, o americano está lendo Crônica de uma Casa Assassinada, de Lúcio Cardoso. Dos contemporâneos, gosta de Glauco Mattoso e Marcelino Freire. Elogia também a qualidade dos livros brasileiros. “Os projetos gráficos dos livros são verdadeiras obras de arte.” Diversidade. Foster acredita

que o turismo gay cresceu e a cidade vem se tornando mais tolerante. “Acho importante essa preocupação com os direitos e a liberdade sexual em São Paulo.” / NATALY COSTA

Cena da Cidade

Seus Direitos HOSPITAL SÃO LEOPOLDO Atendimento precário

Minha mãe, Maria Helena, de 91 anos, sempre seguiu os procedimentos de seus médicos e se manteve ativa. No dia 2/6, levou um tombo em casa e foi levada ao Hospital São Leopoldo, da Samcil, onde constataram duas faturas (uma do fêmur esquerdo e outra de ombro). Internada, ficou à espera de um atendimento médico por mais de 30 horas, em meio a uma série de confusões, entre elas, medicamentos errados, enfermeiras que desconheciam os procedimentos e médicos fantasmas – que deveriam estar em casa no feriado. Depois de 5 dias, ela piorou e, em 6/6, uma médica disse que o caso dela deveria ter sido tratado como urgente desde o início. Ela foi encaminhada à UTI e faleceu em 11/6. MANUELA TÍRICO / SÃO PAULO O Hospital São Leopoldo informa que foi realizado contato com a sra. Manuela Tírico e prestados os esclarecimentos necessários.

1˚ Prêmio 2˚ Prêmio 3˚ Prêmio 4˚ Prêmio 5˚ Prêmio

44.432 64.500 23.280 39.673 25.882

Informe-se

As cartas devem ser enviadas para consumidor. estado@grupoestado.com.br, pelo fax 3856-2940 ou para Av. Engenheiro Caetano Álvares, 55, 6˚ andar, CEP 02598-900, com nome, endereço, RG e telefone, e podem ser resumidas

A leitora comenta: O Hospital São Leopoldo não entrou em contato com minha família.

COMPRA DE IMÓVEL “Prometeu, cumpriu”

Comprei um apartamento da MRV Engenharia. A aquisição foi feita de uma pessoa que desistiu da compra. Paguei a parte do antigo proprietário e solicitei a transferência para o meu nome como promitente comprador. Para galgar essa etapa foi uma luta árdua, pois o atendimento da MRV só é feito pelo call center e seus funcionários se limitam a dar o número de solicitação de ocorrência. Assinei um termo aditivo em 29/3 e até hoje não recebi minha via assinada. Em 27/5, depois de muita insistência, consegui receber um e-mail autorizando a amortização de mais R$ 85 mil. Enviei outro aditamento relativo ao pagamento, porém, o saldo que me informaram está errado, não condiz com o valor e os índices do contrato. Não consigo resposta da empresa sobre o erro. O portal da empresa na internet não funciona.

Análise: A leitora deve solicitar ao hospital todo o prontuário médico e submetê-lo à analise de um médico de sua confiança. Ele deverá verificar se houve, efetivamente, falhas no atendimento prestado e que, supostamente, culminaram na morte da sra. Maria Helena. É importante que um parecer técnico seja elaborado. Constatada, de forma documental, a relação entre o óbito e o atendimento defeituoso pelo hospital, ou seja, a culpa do prestador de serviços, a leitora pode ingressar em juízo solicitando a reparação dos danos sofridos, tanto de ordem moral como material. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), o plano de saúde que credenciou o hospital também responde pelos prejuízos causados à leitora. Logo, em caso de comprovação de culpa do hospital, é possível se exigir a reparação dos aludidos danos tanto do hospital como do plano de saúde ou, até mesmo, dos dois de forma conjunta.

RUBENS WANDERLEY DE CAMPOS BATISTA / SÃO PAULO

Julius Cesar Conforti, advogado, é membro da American Health Lawyers

A MRV Engenharia esclarece que foi enviada a via do aditivo de ces-

Loterias FEDERAL Nº 04473

ARTE NA RUA Peixes pintados em tapumes encobrem andaimes na região do Viaduto Perimetral, centro do Rio ● FABIO MOTTA/AE

são de direitos ao cliente. Com relação ao aditivo contratual da amortização feita, diz que aguarda o recebimento da via assinada pelo cliente para ser baixado o pagamento no seu sistema. Acrescenta que o sr. Batista confirmou que já postou o documento nos Correios. Sobre o reajuste pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), previsto na cláusula 4.4 do contrato de compra e venda, foi esclarecido ao sr. Batista que esse valor é devido e ocorre até a realização da assinatura do financiamento. Ressalta que o atendimento da MRV é realizado visando a oferecer qualidade em produtos e serviços prestados e, principalmente, a agir de forma transparente com seus clientes.

O leitor comenta: Confirmo a resposta, mas ressalvo que a redação da cláusula de reajustamento continuou errada. Só a assinei porque o reajuste está sendo aplicado de acordo com o que é usual pelo mercado (INCC mensal), ao contrário do que reza o aditamento. Análise: Há cláusulas abusivas que ainda hoje são redigidas nos contratos imobiliários, como por

exemplo, cláusula que permite ao vendedor(s) alterar unilateralmente o valor do imóvel ou das prestações. É o caso da cláusula que estabelece que o índice a ser utilizado na correção das parcelas será aquele que registrar a maior variação mensal, dentre diversos índices citados. O leitor sr. Batista deve observar se foi isso que ocorreu. Ademais cumpre lembrar que, conforme os artigos 30 e 35 do CDC, qualquer oferta formulada pelo construtor, empreendedor, corretor de imóveis, etc., desde que suficientemente precisa, deve ser cumprida. O CDC contempla a regra segundo a qual “prometeu, cumpriu”, independentemente do meio utilizado pelo fornecedor (promessa feita verbalmente pelo corretor, anúncios no rádio, na TV, em jornais e revistas, outdoors, etc.). Na hipótese de descumprimento da oferta, pode o consumidor exigir, à sua escolha: o cumprimento forçado da promessa, outro imóvel equivalente ou a rescisão do contrato, a devolução da quantia eventualmente antecipada e a reparação dos prejuízos sofridos. Mariana Ferraz é advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)

ATENÇÃO: O quadro abaixo não deve ser usado para a conferência oficial das loterias. Dependendo do horário dos sorteios e do fechamento de edição, alguns resultados podem estar defasados. Confira os resultados oficiais no site www.caixa.gov.br

7/8/10 R$ 1.000.000,00 R$ 24.000,00 R$ 14.500,00 R$ 14.000,00 R$ 12.240,00

MILIONÁRIA Nº 04461 1˚ Prêmio 2˚ Prêmio 3˚ Prêmio 4˚ Prêmio 5˚ Prêmio

83.488 42.773 34.723 57.431 76.637

26/6/10 R$ 1.000.000.00 R$ 32.000.00 R$ 27.000.00 R$ 14.300.00 R$ 12.720,00

QUINA Nº2366

7/8/10

Quina (1)

R$ 915.051,27

LOTOFÁCIL Nº554 5/8/10 Dois apostadores acertaram as 15 dezenas e vão receber R$ 808.008,00 01 02 03 04 06

Quadra (142)

R$ 2.484,49

Terno (8.224)

R$ 61,28

09

13

14

17

19

49

20

21

22

24

25

04

17

38

40

MEGA SENA Nº1203 Sena (Acumulou)

7/8/10 R$ 7.018.099,86

Quina (99)

R$ 14.840,80

Quadra (6.138) 07

09

R$ 341,95 30

33

38

55

CORPO DE BOMBEIROS: 193 OU WWW.CCB.POLICIAMILITAR.SP.GOV.BR POLÍCIA MILITAR: 190 OU WWW.POLICIAMILITAR.SP.GOV.BR POLÍCIA CIVIL: 197 OU WWW.POLICIA-CIV.SP.GOV.BR DISQUE-DENÚNCIA: 181 (SP) OU (011) 3272-7373 SPTRANS: 0800-771-0118 (BILHETE ÚNICO E CARTÃO FIDELIDADE) ITINERÁRIOS DE ÔNIBUS: 156 DEFESA CIVIL: 199 PROCON: 151 SABESP: 195 AES ELETROPAULO: 0800-727-2196 COMGÁS: 0800-011-0197

Há um Século 8 de agosto de

1910 O Congresso Internacional de Hygiene Escolar, que esteve reunido em Pariz, adoptou uma serie de resoluções favoráveis a diversas reformas e innovações comprehendendo: instrucção dos professores em matéria hygienica; obrigatoriedade da educação physica de rapazes como de meninas; criação, pelas respectivas municipalidades de locaes adequados a jogos e exercícios, etc

estadão.com.br Blogs. Leia mais notas no blogs.estadao.com.br/cem-anosatras/

SERVIÇO: O Estado publica diariamente as loterias. Fique atento aos números e à data de realização dos sorteios

DUPLA SENA Nº887 Sena (Acumulou)

11

17

24

25

Sena 2.˚ sorteio (1) Quina (97) Quadra (3.359)

01

02

03

6/8/10 R$ 8.784.945,20

28

31

40

LOTOMANIA Nº1060 7/8/10 20 acertos (Acumulou) R$ 3.415.661,48 02 03 13 19 26

R$ 318.899,42 R$ 2.465,72 R$ 67,81

29

30

32

37

39

41

42

67

69

70

29

74

78

81

82

95

37


%HermesFileInfo:C-3:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Cidades/Metrópole C3

Agricultores temem que aumento da umidade do ar prejudique produção de frutas, na pág. C4}

AMBIENTE. Projeto polêmico

FOTOS: WERTHER SANTANA/AE

Efeito. Uma das instalações será entre a Represas Atibainha e Paiva Castro. Sabesp garante que não haverá desvio dos mananciais, mas, para ambientalistas, consequências são inevitáveis

Cantareira deve gerar energia já em 2012 Usinas podem abastecer 100 mil pessoas, mas especialistas temem impactos ambientais Diego Zanchetta Eduardo Reina

A construção de cinco pequenas centrais hidrelétricas no Sistema Cantareira está assustando o interior paulista. Com medo de impactos ambientais, prefeitos, ambientalistas e agricultores começam a se mobilizar contra o projeto da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp). O receio é que usinas na Região Metropolitana de São Paulo comprometam a vazão de rios que abastecem 3 milhões de pessoas em 62 municípios da Bacia do Piracicaba, incluindo Atibaia, Bragança Paulista e Campinas. O plano é construir uma das usinas perto do Horto Florestal, na zona norte da capital, ao lado da Estação de Tratamento de Água (ETA) Guaraú. A outra deve ficar no vertedouro da Cas-

cata, no Rio Juqueri Mirim, em Mairiporã, ao lado da ETA Atibainha. O principal receio dos moradores do interior é de que a usina que será instalada na capital comprometa o nível dos rios e represas que estão do outro lado da Serra da Cantareira, a 700 metros de altitude. A água desses mananciais é bombeada para São Paulo por meio da Estação Elevatória Santa Inês, cujas tubulações foram construídas dentro das rochas da serra. Ambientalistas dizem que o volume de recursos hídricos retirado hoje das represas do interior para a capital – 33 metros cúbicos por segundo, dos quais 31 m³/s originados dos formadores do Piracicaba (Jaguari e Atibaia) – vai aumentar com a construção da hidrelétrica na zona nortede SãoPaulo. Duas das cinco usinas já receberam licença da Agência Nacional de Energia

Elétrica (Aneel). Faltam agora as licenças de instalação e os relatórios de impacto ambiental. As outras três ainda estão em fase de planejamento pela Sabesp. Dos reservatórios da Cantareira sai a água para o abastecimento de 8,5 milhões de moradores da capital e de dez municípios vizinhos. No interior e na Grande São Paulo, 11,5 milhões de habitantes dependem hoje da água que brota nas encostas dos cinco rios – Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Juqueri – que integram o sistema atualmente, formado por seis represas. No início do anos 1970, com a falta de recursos hídricos na capital, a Sabesp resolveu buscar água na região de Atibaia. “No momento em que a empresa deveria pensar em buscar outras fontes de captação para São Paulo, ela quer produzir energia com a água que já é rara para o abastecimento humano”, reclama Rodrigo Fercundini, presidente da organização não-governamental (ONG) Juqueri Vivo e moradorde um condomínio ao lado da Represa Atibainha, em Nazaré Paulista. “Sabemos que mesmo as pequenas hidrelétricas podem secar cachoeiras nas montanhas da serra e causar impacto para peixes, lontras e capivaras. Tivemos um caso em Joinville, onde secou a Cachoeira do Piraí. O impacto nunca ocorre perto da usina, mas sim nos rios que estão acima dela, a mais de cem quilômetros de distância”, alerta. Desconhecimento. Responsável pela gestão conjunta do Sistema Cantareira com a Sabesp desde 2004, conforme outorga concedida pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), o Consórcio das Bacias

SISTEMA CANTAREIRA

Franco da Rocha

A instalação das cinco pequenas centrais hidrelétricas no SistemaCantareiratem outro problema:acapacidadelegaldeseconstruir as usinas. A Agência Nacional de Águas (ANA) aponta que a proposta da Sabesp foge da outorga feita pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), do governo estadual, para a companhia em 2004. O próprio DAEE informou que a “Sabesp não solicitou outorga para instalação das usinas em reservatórios do Sistema

Cantareira”. Houve apenas uma reunião com a equipe técnica do departamento para apresentação da ideia, sem detalhamento profundo, segundo o órgão ligado ao governo estadual. O DAEE alega ainda que só poderá se manifestar a respeito do projeto das miniusinas “após a apresentação de toda a documentaçãonecessáriaparaobtençãodaoutorga,inclusiveaautorização eventualmente expedida pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), órgão responsável pela emissão de outorgas para fins de geração de energia até 2002”. “Naquela bacia, a Sabesp não podetirarenergia.Éprecisoacertaraoutorga,feitapeloDAEE para a Sabesp em 2004. Essa outor-

Mairiporã

l Das cinco pequenas centrais hidrelétricas (PCH) previstas, duas já

tem local definido no sistema, a Guaraú e a Cascata

Atibaia

PCH Cascata

PCH Guaraú São Paulo

SÃO PAULO AV. PAULISTA 820M

ETA GUARAÚ 830M

REPRESA ÁGUA CLARAS 860M

TÚNEL 2

PCH GUARAÚ

TÚNEL 1 E TÚNEL 4

DUTO DE RECALQUE

PCH GUARAÚ

TRATAMENTO DE ÁGUA ATUAL

REPRESA CACHOEIRA 822M

REPRESA JAGUARI JACAREÍ 844M

TÚNEL 6 TÚNEL 5

TÚNEL 3

POTÊNCIAL INSTALADO

N

TÚNEL 7

REPRESA JUQUERI 745M

CASA DE MÁQUINAS

QUEDA D’ÁGUA

REPRESA ATIBAINHA 787M

ESTAÇÃO ELEVATÓRIA SANTA INÊS

PCH CASCATA

PCH CASCATA 14 METROS 4,2 MW 33 MIL LITROS/SEGUNDO

QUEDA D’ÁGUA

10 METROS

POTÊNCIAL INSTALADO

2,9 MW

TRATAMENTO DE ÁGUA ATUAL

2 MIL LITROS/SEGUNDO INFOGRÁFICO/AE

dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí informou não ter sido comunicado sobre o projeto. “Nada chegou para nós até agora. A outorga do sistema é só para o abastecimento de água, não existe uma concessão para a produção de energia. Teria de

ser revisto o modelo de outorga. De qualquer forma, não conheço o projeto”, afirmou o secretário executivo do Consórcio, Dalto Favero Brochi. A Sabesp argumenta que não haverá desvio no curso dos mananciais que compõem o Canta-

reira. No caso da usina de Mairiporã, por exemplo, a empresa diz que será aproveitada a queda d’água do vertedouro que faz a transferência de água entre as Represas Atibainha e Paiva Castro. Mas a Prefeitura de Atibaia considera que a presença das usinas aumentará a umidade do ar na região, o que poderia comprometer a produção local de frutas.

tro). Inaugurado em 30 de dezembro de 1973, iniciou operação no ano seguinte. O sistema ocupa área de 2.279,5 km² em 12 municípios. Quatro cidades ficam em Minas – Camanducaia, Extrema, Itapeva e Sapucaí Mirim – e oito em terras paulistas: Bragança Paulista, Franco da Rocha, Caieiras, Joanópolis, Nazaré Paulista, Mairiporã, Piracaia e Vargem.

30 anos. A previsão é de que as duas usinas entrem em operação em janeiro de 2012. Com capacidade de gerar energia elétrica para 100 mil pessoas (7,1 megawatts), as duas miniusinas poderão render R$ 8 milhões por ano para a Paulista Energia Ltda., concessionária formada pelas empresas Tecniplan e Servtec, que ganhou as concessões de produção e venda pelo período de 30 anos.

PARA ENTENDER O Sistema Cantareira começou a ser constituído em meados de 1970 pelo governo de São Paulo para abastecer as torneiras dos moradores da Região Metropolitana. Permitia a reversão de água da Bacia do Piracicaba para a Bacia do Alto Tietê. Seis represas formam o complexo com os Rios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Juqueri (Paiva Cas-

eventuais ganhos com todos os usuários.” A Sabesp, no entanto, alega que,juntoaoconsórciocontratado para construir e operar as miniusinas, está realizando as ações exigidas pelo DAEE para a obtenção da outorga. O DAEE tem cadastrado e outorgado 35 usos para geração de energia elétrica no Estado. Isso não significa que 35 pequenas centrais hidrelétricas já estejam em funcionamento – muitas podem ter somente a captação de água ou a barragem concluída.

Agência reguladora diz que autorização é só para abastecimento E, segundo governo paulista, Sabesp ainda não pediu outorga para instalação de usinas no Sistema Cantareira

MG

SP

Grande São Paulo. Das represas da região sai a água consumida por 8,1 milhões de pessoas ga é exclusiva para abastecimento humano”, explica Vicente Andreu, diretor-presidente da ANA. Ele avalia ser positivo e racional o aproveitamento do fluxo de água para abastecimento e geração de energia elétrica.

“Mas a outorga existente não estabelece esse uso. Está em desconformidade”, afirmou. A ANA sugere que seja estabelecido na outorga entre DAEE e Sabesp o novo uso (geração de energia), por entendimento en-

treasduaspartes.“Tambémprecisa ter a posição dos usuários. A melhor maneira é realizar uma audiênciapúblicaechamar oComitê da Bacia do Piracicaba para discutir as condições de venda dessa energia e a repartição de

Cantareira. O Sistema Cantareira é um importante manancial, responsável pelo fornecimentode água para cerca de46% da população da Região Metropolitana de São Paulo. As represas servem água a moradores das zonas norte, central e partes das zonas leste e oeste da capital paulista. Também serve os municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul, além de parte de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André. / E.R. e D.Z.


C4 Cidades/Metrópole %HermesFileInfo:C-4:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

AMBIENTE. Projeto polêmico

Agricultores temem mudança no clima Produtores de Atibaia e agrônomos afirmam que usinas e represa aumentarão umidade do ar, prejudicando culturas de frutas na região FOTOS: FILIPE ARAUJO/AE

Asfamílias Biasini, Scarellie WatanabecompraramterrasemAtibaia, no interior de São Paulo, na década de 1930. Nas décadas seguintes, começaram a plantar frutas. Agora, dizem-se assustados com os projetos da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) para construir as miniusinas hidrelétricas no Sistema Cantareira. O receio é de que causem uma mudança no microclima da região e prejudiquemasculturasdeuva,pêssego, ameixa e outras frutas. O projeto de fazer uma represa no Rio Jundiaí faz aumentar o medo. Com objetivo de abastecer os municípios de Campo Limpo Paulista e Várzea Paulista, a barragem de 26 metros de altura e 265 metros de comprimentoinundaria áreade1,37 quilômetro quadrado. E poderia ser integrada ao Sistema Cantareira.Agrônomosafirmamqueoexcesso de umidade que pode vir com as usinas e a nova represa favorece proliferação de fungos. Sobrevivência. Geraldo Francisco Biasini, de 56 anos, disse que não sabe fazer mais nada na vida além de plantar e colher. “Se mudar o clima, como é que vamos sobreviver? Vou para onde?” Ele, dois irmãos e a mãe, Iolanda, produzem pêssegos e ameixas em 7,5 hectares. JáosWatanabechegaram àregião por volta de 1928 e são os pioneiros no cultivo de uva em Atibaia – iniciaram a plantação em 1950. Hoje, a quarta geração trabalha na agricultura. Só de uva produzem 150 toneladas por ano, além de pêssego e caqui. “É uma preocupação muito grande. Vaiafetarbastante aregião”,avalia Pedro Watanabe. “Asinformaçõessobreabarragem mostram que as águas chegariam ao bairro Rio Acima e al-

Medo. O produtor de uva Jaime Scarelli teme que o clima prejudique a produção; uma comissão de agricultores foi formada para negociar com a Sabesp gumas estradas ficariam cobertas. Isso inviabiliza o escoamentodaprodução local”,afirma Jaime Scarelli, cuja família chegou no local há 75 anos. A prefeitura de Atibaia tenta abrir um canal de negociação ● Produção

480 mil

caixas de morango foram produzidas em Atibaia em 2009.

170 mil

toneladas de frutas, por ano, são produzidas no Circuito das Frutas

comaSabespsobreessesproblemas.“Estaregiãoconcentra acolônia italiana, que desde o início do século passado produz uva. A prefeitura busca o diálogo com a Sabesp no sentido de evitar a construção da nova represa ou, casoissonãosejapossível,garantir que as famílias possam ser indenizadas monetariamente de maneira justa”, registra nota da administraçãomunicipal. Como contraproposta,omunicípioofereceu parte de sua outorga de captaçãodeágua no Rio Atibaiaà Sabesp. A Secretaria de Estado de Saneamento e Energia, por meio de nota, esclarece que “a Barragem Campo Limpo, assim como

maisde30outrosaproveitamentos já estudados no passado ou propostosagora noPlanoda Macrometrópole, está em fase de avaliaçãodoponto devistatécnico, econômico, ambiental, social e político-institucional”. AnotaafirmaaindaqueoEstado vai avaliar todas as divergências.“AbarragemdeCampoLimpo foi concebida há mais de 30 anose,hoje,temos conhecimento da posição dos moradores e proprietários da área. Como nos demais casos, todos os possíveis conflitos serão avaliados e, por ora, nada foi decidido em relação a este ou a qualquer outro ponto.” / EDUARDO REINA E DIEGO Pêssego. Sem as terras, Biasini afirma não ter para onde ir

ZANCHETTA

REPRODUÇÃO

Dois policiais são presos por ajudar assalto a banco Quadrilha roubou farda de PM e carro da Polícia Civil para praticar a ação; antes da fuga, viatura foi devolvida à delegacia Josmar Jozino

Dois policiais militares foram presosontemdemadrugadaacusados de participar de um assaltoaumaagênciabancáriaemIbirarema, cidade de 7 mil habitantesa395quilômetros deSãoPau-

lo, anteontem. Na ação, uma viatura foi usada, um PM e dois investigadores foram rendidos e um posto da corporação e uma delegacia, invadidos. Também estão detidos outros cinco homens e um adolescente. Com eles, a polícia apreendeu R$ 316 mil e 11 armas. Segundo o delegado de Assis, que apura o caso, Luís Fernando QuinteirodeSouza,aaçãocomeçou por volta das 13h40, quando doisintegrantesdobandorenderam um soldado no grupamento da PM da cidade. Eles tomaram a

Falecimentos Maria De Jesus Augusto – Aos 92 anos. Filha de Sabino Augusto Machado e Ana Maria Ribeiro Felizardo. Deixa o filho Alcides. O enterro foi no Cemitério São Pedro. Geraldina Lima Dos Santos – Aos 88 anos. Filha de Jose Bueno de Lima e Maria Mendes Neves. Deixa os filhos Geraldo e João. O corpo foi trasladado para o Crematório de Vila Alpina. Dora Facciolla – Aos 83 anos. Filha de Cosme D Ambrosio e Francisca La Tragula. Deixa filhos. O corpo foi trasladado para o Crematório de Vila Alpina. Juvelina de Lara Souza – Aos 83 anos. Filha de Antonio de Lara e Ester de Almeida. Deixa filhos. O enterro foi no Cemitério da Saudade Lilia Soares Ferreira – Aos 83

Acusados. PMs foram levados para o Presídio Romão Gomes pistola, o colete à prova de balas e o gás pimenta do policial e o obrigaram a tirara farda. Um dos ladrões vestiu a roupa e o outro ficou vigiando o soldado. Simultaneamente,outrosinte-

grantes da quadrilha invadiram a delegacia da cidade e dominaram dois investigadores. Enquanto um dos bandidos vigiava os policiais, os outros roubaram uma viatura da Polícia Civil.

Às 13h47, os assaltantes entraramnobancoerenderamfuncionárioseclientes.Emcincominutos, recolheram R$ 371 mil. Então,voltaramàdelegaciaparadevolver a viatura. Os criminosos que vigiavam os policiais se juntaram ao grupo, que fugiu no Astra de um dos PMs presos. Captura. Cerca de 30 policiais participaram das buscas. Os soldados da PM Luís dos Santos Júnior, de 34 anos, e Rogério Alves Moreira, de 31, além de André LuísFerreira,de 25,PauloAparecido Castro, de 45, e um adolescenteforamencontradosemPalmital. Já Edilson Tavares da Silva, de 48 anos, e Orcélio Paulo de Souza, de 42, foram detidos em Cândido Mota. Na capital, Rob-

son Santana, de 23 anos, foi preso em flagrante por porte de arma. Ele tinha duas pistolas ponto 40 da PM. Segundo a corporação, os soldados deram informações sobre o funcionamento do posto e da delegacia à quadrilha. Ambosforamlevadospara oPresídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, e são investigados por participação em outros roubos. ESCLARECIMENTO

O criminalista Ademar Gomes afirmou ontem que a advogada Adriana dos Reis, assassinada há 4 dias, nunca trabalhou com ele.

Para publicar anúncio fúnebre: Balcão Iguatemi – Shopping Iguatemi 1a - 04, tel. 3815-3523 / fax 3814-0120 – Atendimento de 2ª a sábado, das 10 às 22 horas, e aos domingos, das 14 às 20 horas. Balcão Limão – Av. Prof. Celestino Bourroul, 100, tel. 3856-2139 / 3857-4611 / fax 3856-2852 – Atendimento de 2ª a 6ª das 9 às 19 horas. Só serão publicadas notícias de falecimento/missa encaminhadas pelo e-mail falecimentos@grupoestado.com.br, com nome do remetente, endereço, RG e telefone

anos. Filha de Carlos Soares Vivas e Lilia Soares Vivas. Deixa filhos. O enterro foi no Cemitério Vila Formosa II. Josephina Masano – Aos 81 anos. Filha de Francisco Benavides e Ursulina Massariol. Deixa filhos. O enterro foi no Cemitério São Paulo. Maria Josepha – Aos 76 anos. Filha de Ananias Daniel e Ricardina Silveria. Deixa o filho Paulo Eduardo. O enterro foi no Cemitério Vila Formosa II. Benedicta Sybil Menezello Cavalheiro – Aos 73 anos. Filha de Matheus Menezello e Benedicta Cruz Menezello. Deixa filhos. O enterro foi no Cemitério do Morumby. Shirley Costa Barbosa – Aos 68 anos. Filha de José Mariano Costa e Conceição Rocha. Deixa a filha

Atuações importantes e fã de filmes como ‘Hair’ Advogado da União, com cargo de subprocurador regional, Cid Roberto de Almeida Sanches atuou junto ao Ministério Público Federal no caso do escândalo do desvio de verba Sheila Elizabeth. O enterro foi no Cemitério de Congonhas. Maria Ivonete da Silva Coelho – Aos 65 anos. Filha de Joaquim

daconstruçãodoFórumdaBarra Funda. E esteve também em outros casos importantes, como o da repressão aos jogos de azar e o de combate às casas de bingo e aos caça-níqueis. De carreira bem sucedida, Sanches era conhecido entre os amigos pelo desprendimento. E adorava filmes. Um de seus preferidos era Hair. Tinha também uma coleção de DVDs, além de outra de imagens de São Francisco de Assis. Toda vez que alguém viajava, trazia umaimagem para ele. Dia4, aos 46 anos. Vieira da Silva e Julieta Rosa da Silva. Deixa filhos. O enterro foi no Cemitério da Paz. Domingos Angerami – Aos 102 anos. Filho de Jose Angerami e Domingas Infantini. Deixa os filhos Paulo, José Antonio, Maria Ines e Lucia Maria. O corpo foi trasladado para o Crematório de Vila Alpina. Teruko Nakamashi – Aos 73 anos. Filho de Masa Chinen e Tama Chinen. Deixa filhos . O enterro foi no Cemitério Horto Florestal.

Nelson De Assis – Aos 72 anos. Filho de Antonio de Assis e Maria de Assis. Deixa filhos. O enterro foi no Cemitério da Quarta Parada. MISSAS Ivone José Hakime – Hoje, às 18 horas, na Paróquia São Luiz Gonzaga, na Avenida Paulista, 2.378 (1º mês). Ibsen Andrisani – Hoje, às 18h30, na Igreja Divino Salvador, na Rua Casa do Ator, 450, Vila Olímpia (7º dia). Mafalda Palandri Zacrison – Amanhã, às 11h30, na Igreja de São Domingos, na Rua Caiubi, 164, Alto das Perdizes (5ª aniversário). Dirce Ananias Sampaio Granbilla – Amanhã, às 16 horas, na Capela de Santo Expedito, na Rua Murilo Furtado, 686, Jaçanã (7º dia). CEMITÉRIO ISRAELITA DO BUTANTÃ Victoria Alegre Lereah – Hoje, às 10 horas - Q 231 - Sep. 51 - S M (Matzeiva). Aaron Carmona – Hoje, às 10 horas - Q 405 - Sep. 122 - S R (Shloshim).

Sura Krybus – Hoje, às 10h30 - Q 332 - Sep. 12 - S O (Shloshim). Rachel Grinberg – Hoje, às 10h30 - Q 253 - Sep. 62 - S L (Matzeiva). Grete Feder – Hoje, às 11 horas Q 252 - Sep. 73 - S L (Matzeiva). Masea Steinberg Leibovitch – Hoje, às 11 horas - Q 331 - Sep. 60 S O (Matzeiva). Milton Susyn – Hoje, às 11 horas Q 404 - Sep. 88 - S R (Matzeiva). Shabetay Katarivas – Hoje, às 11 horas - Q 327 - Sep. 57 - S O (Matzeiva). Julio Casoy – Hoje, às 11 horas Q 377 - Sep. 49 - S R (Matzeiva). CEMITÉRIO ISRAELITA DO EMBU Sissy Diga – Hoje, às 12 horas - Q 17 - Sep. 48 - S B (Matzeiva). CEMITÉRIO ISRAELITA DA VILA MARIANA Pava Lichtenstein Luz – Hoje, às 12 horas - Q 14 - Sep. 4-B - Rua: 01 (Matzeiva).


%HermesFileInfo:C-5:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Cidades/Metr贸pole C5


C6 Cidades/Metrópole %HermesFileInfo:C-6:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Reportagem Especial ✽ 450 ANOS DE CÂMARA MUNICIPAL

Série

Esta é a última das três reportagens do ‘Estado’ sobre a história revelada pelas atas do Legislativo paulistano

1989 fim de sessões secretas

FOTOS: CÂMARA MUNICIPAL

Cinelândia paulistana. Após a polêmica, ingresso de cinema não foi tabelado

O ESCÂNDALO DA CPI SECRETA DE 48 Investigação de achaque a donos de cinema, na primeira legislatura após o Estado Novo, jamais veio a público Diego Zanchetta

tas das sessões secretas da Câmara Municipal de São Paulo revelam os detalhes mantidossob sigilo deum escândalo ocorrido há 62 anos. O Estado teve acesso à integra da CPI do Achaque aos Cinemas. Não foi uma investigação qualquer. FeitaaportasfechadasdentrodaPresidência da Casa, a comissão envolveu personagens da história do País, como o presidente Jânio Quadros, então vereador aos 30 anos. Após nove meses, o caso foi arquivado sem culpados. Em janeiro de 1948, depois de 11 anos fechado pelo regime do Estado Novo de Getúlio Vargas, o Legislativo paulistano foi reaberto com 45 vereadoreseleitosnoanoanterior.Marrey, Smith Vasconcelos, Gomes Pedrosa e outros sobrenomes da elite paulistana figuravam na primeira legislaturaoficial da Câmara. Eas polêmicas envolvendo parlamentares não demorariam a surgir. Donos de cartórios, o vereador José Cyrillo, de 36 anos, do Partido Social Democrata e filho do embaixador na Bélgica Carlos Cyrillo Júnior, apresentou no início de março um projeto que fixava em 5 cruzeiros o preço máximo dos cinemas. Com 2 milhões de habitantes, São Paulo levava 30 milhões de espectadores por ano às 102 salas da cidade, algumas com capacidade para 3 mil pessoas. Não havia tributos municipais sobre as bilheterias e os donos de cinemascomeçavamafigurarentreoshomens mais ricos do Estado. O tabela-

A

Posse em 1948. Até Jânio Quadros participou da polêmica dos cines

‘Fizeram uma armação contra meu pai’, diz filho dalo de 1948, o diretor de futebol do Palmeiras, José Cyrillo Júnior, tinha 6 anos quando o pai foi alvo de investigação secreta na Câmara. “Eu ouvi falar, depois de mais velho, sobre essa montagem

que os donos de cinemas fizeram com meu pai e com o Dr. Ottobrini”, afirmou o diretor, que recebeu do ‘Estado’ cópias das atas das sessões secretas. Cyrillo Júnior cresceu no meio de políticos ilustres e lembra da luta do pai contra os comunistas. “O Jânio não saía de casa. Eles eram muito próximos”, recorda o engenheiro civil, que deixou o DNA político para trabalhar com futebol.

mento dos preços das sessões passou entãoadominarasdiscussõesemplenárioeganhouapoiodapopulação.Aopassar pela Comissão de Cultura, a proposta teve apoio decisivo do líder do Partido Democrata Cristão. “O cinema tem força educativa tremenda. Certo, anda

desvirtuadona banalidade das películas musicais,naviolênciados filmesde sangue e na imoralidade das produções de amores lascivos”, escreveu o jovem Jânio Quadros em seu parecer. Nomeado relator do assunto, Brasil Bandecchi também manifestou apoio,

● Filho de um dos envolvidos no escân-

“haja vista a renda astronômica auferida pelos cinematógrafos paulistanos”. Cartas de apoio da população ao projeto começaram a chegar ao Palacete Prates, sede do Legislativo na Rua Líbero Badaró. Tudo indicava que o ano de “reestreia” dos vereadores receberia as boas-vindas da sociedade.

CRONOLOGIA 1897, Rua do Tesouro

Denúncia. Em maio, quando o tabela-

mentojá era assunto obrigatório nas cafeterias do centro, chegara aos ouvidos de vários líderes os boatos de que Cyrillo estaria pedindo, em conjunto comovereadoremédicoOttobrini Costa, propina de 1,6 milhão de cruzeiros para os donos de cinema. Em troca, Cyrilloteriaprometidoretirarseuprojeto de pauta. No dia 3 de maio, o vereador Cantídio Sampaio revelou ao presidente da Câmara, José Adriano Marrey Júnior, que o autor dos boatos era o vereador Angelo Bortolo, dono do Cine Hollywood de Santana, na zona norte. No dia 24 do mesmo mês, Marrey determinou a instauração de inquérito secreto para apurar as denúncias e nomeou os vereadores Marcos Mélega e José Estéfano para ajudar nos trabalhos. Também foi nomeada a escrivã de “padrão H” Olayde Caçador de Mello. Estava formada a CPI. Convocado à sala de Marrey Júnior, Bortolo confirmou ter sido chamado por Cyrillo para intermediar contato com donos de cinemas. “Ele queria 1,6 milhão de cruzeiros para retirar o projeto”, contou Bortolo. Segundo o vereador, os proprietários teriam desistido de pagar a propina após consulta ao jurista Miguel Reale, que considerou o tabelamento inconstitucional. “Ele disse pra mim que mesmo que não conseguisse nada iria fazer um carnaval político dizendo que foi ele quem criou o projeto para fixar preços dos cinemas”,contouàCPIo empresárioPaulo Sá Pinto, dono do Marabá e do Ritz. Outras três testemunhas relataram que o suborno seria dividido entre parlamentares que apoiaram o projeto. Defesa. Era 1.º de junho de 1948 quan-

do Ottobrini Costa e Cyrillo foram se defender na sala da Presidência. Ambos argumentaram ser vítimas de um conluio entre Bortolo e Sá Pinto, sócios do Cine Hollywood, e negaram as chantagens. “O Bortolo me ofereceu convites de cinema para deixar de apoiar o projeto”, contou Costa. Os depoimentos ainda se arrastaram nos meses seguintes. Até que, no dia 25

Câmara vai para o prédio do Tesouro do Estado, construção de João Teodoro Xavier na Rua do Tesouro com a 15 de Novembro

1914, Palacete Prates O prefeito Washington Luís assinou contrato de locação de propriedade do Conde Prates, na Rua Líbero Badaró. Câmara e Prefeitura ocuparam prédio que fazia parte do plano de reurbanização do Vale do Anhangabaú

1936, Palácio do Trocadero Para dar mais espaço à Prefeitura, a Câmara vai para a Praça Ramos de Azevedo. No ano seguinte, o Estado Novo fecharia todos os órgãos legislativos do País

1947. Palácio Prates Com o fim da ditadura Vargas, são realizadas eleições municipais. O Legislativo volta a dividir a sede com a Prefeitura, enquanto um novo prédio é projetado

1969. Palácio Anchieta

Construído pela Alfredo Mathias S/A para também ser sede da Prefeitura, acabou virando a casa dos vereadores até hoje de novembro, a Presidência foi surpreendidaporumrequerimentoassinado por Bortolo, Costa e Cyrillo. O trio pedia a retirada de todas as denúncias feitas por eles e o arquivamento do inquérito. E o tabelamento também não foi aprovado.

Artigo

Arquivos são o Google da era pré-internet ✽ ●

JOAQUIM DE CARVALHO Pouca gente sabe, mas em 1924 São Paulo sofreu bombardeio aéreo para expulsar militares revoltosos que haviam tomado a cidade. O nevoeiro

que encobre esse fato histórico começou a se dissipar quando descobri os anais da Câmara, que registram projetos de lei, requerimentos, indicações, cartas e discursos desde 1562. Na minha pesquisa, o foco era a revolta armada, mas compulsando textos descobri mais do que interessantes relatos sobre os confrontos armados. Vi-me no meio de uma cidade que crescia num “ritmo alu-

cinante”, acumulava riqueza e problemas. O consumo de drogas preocupava tantoquanto hoje, depoisqueforam encontrados nos cabarés “pequenos vidroscom vestígiosde cocaína, assimcomo ampolas em que existiram o éter, a morfina e outros tóxicos”. Já as discussões sobre o trânsito lembram os debates de hoje, como a proposta de construir garagens verticais, num tempo em

que não havia sequer um arranha-céu. Como os congestionamentos, o que também parece nunca mudar é a relação conflituosa entre a Câmara Municipal e a imprensa. Rebatendo uma crítica de que os vereadores não faziam nada, o vereador Luciano Gualberto foi à tribunaparadizer:“umacousaéserrepresentante do povo, com assento na Câmara Municipal, onde se trabalha árdua e de-

sinteressadamente”, outra “é estar na redação de um jornal com o seu paletódepalhaeseda,eescrevertranquilamente”. Os anais da Câmara contam o que muitos gostariam de ver sepultado. É um tipo de Google oficial, mas sem a rapidez e as ferramentas da internet. ✽ É JORNALISTA E PESQUISOU NOS ANAIS DA CÂMARA INFORMAÇÕES PARA O LIVRO ‘1924 - O ANO QUE SÃO PAULO ESQUECEU’ (PREVISTO PARA JANEIRO DE 2011).


%HermesFileInfo:C-7:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Cidades/Metrópole C7

ENTREVISTA NILTON FUKUDA/AE-19/6/2010

Mário Nakashima, pai da advogada Mércia, assassinada em maio

‘Ainda está tudo como ela deixou’ Aos 61 anos, ele diz que deixou a aposentadoria para tentar ocupar a cabeça e, por medo, não sai mais à noite Paulo Sampaio

Mário Nakashima passou 15 anos juntando dinheiro no Japão para garantir uma aposentadoria sossegada. Trabalhava em uma padaria em Komaki, na Grande Nagoya, que vendia 120 mil pães por dia. Agora, aos 61 anos, de volta a Guarulhos, na Grande São Paulo, tem o dinheiro, mas nenhuma perspectiva de sossego. “Voltei a trabalhar para ocupar a cabeça com alguma atividade, senão enlouqueço ”, diz o pai da advogada Mércia Nakashima, cujo corpo foi encontrado em 11 de junho boiando na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, a 90 quilômetros da capital paulista. Mércia tinha 28 anos. O Dia dos Pais de Mário tem tudo para ser inesquecível – no pior sentido. Na quinta, a juíza Angélica de Almeida revogou a prisão preventiva do principal suspeito do crime, o advogado e ex-policial Mizael Bispo dos Santos, de 40 anos, que foi namorado de Mércia e estava foragido. “Ele reapareceu rindo na TV.

Devia estar rindo da Justiça”, diz o advogado da família e assistente de acusação Alexandre Domingues de Sá. Segundo Mário, Mizael costumava procurálo, chorando, para que ele intercedesse em seu favor quando Mércia terminou definitivamente o namoro. Ao volante de uma picape S10 preta a diesel com a qual presta serviços à prefeitura, Mário Nakashima passa os dias conduzindo moradores de rua e funcionários de um albergue municipal que fica no centro de Guarulhos. Foi ali, entre uma viagem e outra, que deu a seguinte entrevista ao Estado.

são do Mizael tinha sido revogada, ela até fez um bolo e conversou com minha outra filha, a Cláudia, que perdeu 8 quilos em um mês. Mas as notícias a levaram de novo para a estaca zero. De quarta para quinta, teve picos de pressão de 12 por 24. Tiveram de levá-la para o pronto-socorro. ● Ela faz o quê?

Estava trabalhando no escritório que a Mércia tinha em sociedade com a Cláudia. Na semana passada, a Cláudia ainda foi a uma audiência de um processo que era da Mércia, mas decidiu que vai fechar o escritório.

● Como sua família está enfrentando o luto? O que mudou em sua vida?

● De certa maneira, foi graças à sua insistência que acharam o corpo da Mércia.

Tudo. Acabou a estabilidade. Se 99,9% das pessoas não se conformam com o que aconteceu, imagina a gente. Éramos uma família tranquila, absolutamente normal, sem nenhuma tragédia em seu histórico. Agora, minha ex-mulher (Mário é separado da professora Janete Ferreira, de 52 anos, com quem tem mais dois filhos, de 32 e 21 anos) está com depressão, dorme mal, não tem energia para trabalhar. Meu filho contou que ela até chegou a ir ao supermercado, para ver se distraía, mas abandonou o carrinho e voltou para casa. Na quarta-feira, antes de saber que a pri-

O vigia interrogado mencionou um lugar chamado Mata-burro, que ninguém encontrava porque é conhecido como Prainha. Passei três dias dando voltas na represa. Até que o seu Roberto (pescador local) achou o corpo. ● O senhor estava lá quando o corpo foi encontrado?

Não. O Roberto tinha emprestado um trator para os bombeiros rebocarem o carro do fundo da represa e, à noite, como não conseguiu dormir, saiu de barco e achou um corpo. Infelizmente era o da minha filha. Não dá pra esquecer aquele momento.

Luto. Família participa de missa de sétimo dia na Igreja Matriz de Guarulhos, em junho ● Por que a testemunha que viu pessoas jogarem o carro na represa não ligou para a polícia?

Ele ligou para o 190, que é a central de atendimento. Dali, eles transferem para a região da denúncia. Mas a essa altura ninguém atendia. Você sabe... o Mizael é ex-policial, já deveria ter instruído o pessoal...

já morava sozinho. A Cláudia, agora, está casada. A Mércia morava comigo nesse apartamento.

trabalha aqui perto (do abrigo) que o Mizael usa de violência para conseguir o que quer.

● E as coisas da Mércia?

● Vocês (a família) eram contra o namoro?

Ainda está tudo como ela deixou ... roupa, sapato, cosméticos...

Sempre o recebemos em casa, eu, a mãe dela e a avó. Eles namoraram três anos.

● Como era seu relacionamento

● O senhor tem medo dele?

● Como ele chegou a vocês, en-

com o Mizael?

tão, para fazer a denúncia?

Nada demais. Tinha gente que o achava arrogante. Eu o vi na TV dizendo que vai punir quem o estava acusando.

Já tive mais tranquilidade na vida. Hoje não saio mais à noite, porque não sei o que me espera. Você passa a desconfiar de todo mundo, tem pesadelos. Estou atravessando uma fase muito ruim.

Pelo telefone impresso num dos 15 mil folhetos que eu distribuí pela cidade. ● Seus filhos eram muito unidos?

● Por que a Mércia terminou o

A Mércia e o Márcio nasceram no mesmo dia, do mesmo mês. Ele em 1977, ela em 1981. Eram muito ligados. A Cláudia é mais nova, mas também vivia com a Mércia, tinham um escritório juntas. Numa das minhas vindas do Japão, comprei um apartamento (de três quartos, no centro de Guarulhos) e as meninas passaram a viver ali. O Márcio

Isso, pra mim, é um mistério. Minha filha não falava no assunto “namoro”. Então também não me meti quando ele veio me pedir, chorando, que falasse com ela. Ouvi e o aconselhei a partir para outra.

namoro com ele?

● Acha que ele a agrediu fisica-

mente?

Olha, ouvi de uma pessoa que

● Outro lado

Samir Haddad Júnior, advogado de Mizael Bispo dos Santos, diz que “os dois lados estão sofrendo com a história”. Segundo ele, Mizael não vai se pronunciar, por respeito à família de Mércia. “Torcemos para que achem quem realmente cometeu o crime.”


C8 Cidades/Metrópole %HermesFileInfo:C-8:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

FOTOS ROBSON FERNANDJES/AE

Nome da Rua Bom Pastor vem de lenda paulistana ● A Rua Bom Pastor carrega por

suas esquinas uma das lendas mais conhecidas de São Paulo. Segundo contam antigos moradores, um garoto desamparado andava faminto por um desconhecido caminho que ligava a Avenida Teresa Cristina à Rua Silva Bueno. Fraco, o menino não resistiu e caiu. De repente, ele viu um raio de luz e a imagem de Jesus Cristo, que disse: “Sou um pastor de almas que tudo faz pelas crianças e, em nome do Pai, falarei ao coração dos homens para que construam neste chão um asilo para elas.” Alguns moradores resolveram então ajudar os meninos carentes do bairro e naquele ponto foi construído o Asilo do Bom Pastor, para atender órfãos. O mesmo nome foi dado à rua, uma das principais artérias do Ipiranga.

Outro perfil. Ipiranga é o segundo bairro que mais teve empreendimentos imobiliários aprovados: 18, atrás da Lapa e à frente de Mooca, Penha e Barra Funda

mação da República, das indústrias, dos monumentos clássicos,dosluxuosospalacetesdafamília Jafet, do barbeiro do presidente Lula e da padaria que há 55 anos vende o caldo de piranha mais famoso da região hoje é sinônimo mesmo de prédios com terraçogourmetetorresresidenciais neoclássicas. “É um outro bairro hoje em dia,tem muito movimento,muitoscaminhões,nãotemmaistanta vida na rua como antigamente”, diz Roberto Michael de Jesus, de 72 anos, um senhor baixinho de passos miúdos e apressa-

dos que nasceu no Ipiranga e se recusa a mudar de lá. “Outro dia, demoliramuma casaalinaesquina, um pecado... Eu lembro até dequemmorava lá,era um médico que ajudava todo mundo da vizinhança. De uma hora para a outra,‘puf’,colocaramtudoabaixo”, lamenta. Formado pelo conglomerado de 80 vilas e com extensão de 30 quilômetrosquadrados,oIpiranga é hoje um dos principais alvos domercado imobiliário. Tal qual os sobrados, parece que o bairro está à venda. A transformação já aparece nas planilhas do Departamento de Aprovação de Edificações da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab). De acordo com levantamento feito pelo Estado com base nos processos da Prefeitura de janeiro a junho deste ano, o Ipiranga é o segundo bairro que mais teve novos empreendimentos imobiliários aprovados – exatos 18, atrás apenasdaLapaeàfrentedeMooca, Penha e Barra Funda. Para efeito de comparação, lugares extremamente valorizados como Saúde, Vila Leopoldina,Brooklin,MoemaeVilaOlímpia tiveram cada um apenas dois novos empreendimentos aprovadosnesteano.Todos essesnúmeros significam alvarás de aprovação de empreendimen-

novas construções também afetam a vida de personagens que fizeram a história do Ipiranga, que ergueram do zero os negócios familiares há décadas, mas que agora planejam ou até mesmo já começam a deixar seus endereçosporcausadagrandevalorização imobiliária. Abílio Gonçalves, de 81 anos, é um desses moradores tradicionais que resumem em sua boa prosa a identidade de todo um bairro. Desde 1944, ele corta cabelo dos moradores do bairro com sua navalha em uma minúscula barbearia no número 1.734 da RuaBom Pastor. Ali, ele viu de tudo, conheceu gente de todo ti-

po e viu o desenvolvimento da região. Depois de ter de mudar do Ipiranga porque “o aluguel da casa ficou caro demais”, ele agora enxerga o surgimento de um novo bairro, bem mais alto, e também bem mais impessoal. “Eu nasci aqui no bairro, vivia pelas ruas, até que minha mãe me botou no salão de barbearia para aprender alguma coisa”, conta ele. “Continuo trabalhando aqui no mesmo lugar, mas já não moro mais no Ipiranga porque o aluguel não parava de aumentar. Não para de subir prédio. Esse já não é mais o mesmo bairro onde eu cresci.” / R.B.

‘À venda’, velho Ipiranga some entre os prédios Apenas nas imediações da Rua Bom Pastor há 23 imóveis antigos desocupados, prontos para virarem novos espigões residenciais Rodrigo Brancatelli

A tinta vermelha toda descascada na fachada do sobrado geminadorevelaimediatamente opeso da passagem do tempo. A caixa de correio coleciona folhetos e cartas antigas. Enquanto a vida segueapressadanaRuaBomPastor, coração do bairro do Ipiranga, na zona sul de São Paulo, o casarão parece ter parado no tempo, impávido, esquecido, alheio às mudanças nos arredores. A placa de “vende-se” lá no alto de sua porta de madeira serve apenas como mais uma lem-

brança de que o passado do Ipiranga está definitivamente desbotando, esmorecendo, esvaindo-se. E, assim, também se despedindo. O sobrado vermelho é apenas um exemplo entre os 23 imóveis antigos que estão à venda ou para alugar nas imediações das Ruas Bom Pastor e General Lecor. Esses endereços históricos, que fazem parte da tapeçaria urbanatão própria do Ipiranga,são a ponta mais visível do fenômenodetransformaçãourbanacausado pela expansão do mercado imobiliário. O bairro da Procla-

Tradições

‘AQUI JÁ NÃO É O MESMO BAIRRO’ Moradores antigos estão deixando o Ipiranga por causa da grande valorização imobiliária

A

exemplo do que já ocorreu em bairros como Vila Olímpia, Pompeia, Perdizes e Tatuapé, chegam as máquinas, os incorporadores, pré-

dios de alto padrão e os novos estabelecimentos no entorno – mas o impacto na vida dos moradores tradicionais do bairro fica sempre em segundo plano. De uma forma ou de outra, as

FotoRepórter Especial 1

LUIS CLEBER MARTINES

2

FR . OTORRE F

tos, ou seja, os edifícios ainda não têm prazo para ser entregues. Em uma leitura mais atenta,elestambémrevelamosendereços para onde São Paulo vai crescer nos próximos anos – mais precisamente, para antigos bairros operários, em torno da orla ferroviária, e para regiões que ganharão novas estações de Metrô. Perda de identidade. “É normal que as construtoras procurem bairros onde ainda há grandes terrenos e estoque imobiliá-

● Raio X

430 mil

paulistanos moram no Ipiranga, bairro com taxa de crescimento anual de 2,8%

R$ 250 mil é o preço médio de um apartamento novo de dois dormitórios no bairro

954 mil m²

de novos empreendimentos ainda podem ser construídos no Ipiranga até 2012, segundo estudo

rio, mas o problema é que a malha urbana acaba saindo empobrecida”, diz o arquiteto e urbanista Aílson Neves, morador do Ipiranga.“Obairroquederepente ganha muitos prédios perde umpoucodesuaidentidade,perde sua memória.” Os grandes empreendimentos do Ipiranga estão sendo erguidossobre terrenosantes ocupados por pequenas vilas e pela indústria têxtil, que abandonou a cidade nos últimos 20 anos. O metro quadrado varia de R$ 1,2 mil a R$ 2 mil, metade do valor encontradonosvizinhosAclimação, Vila Mariana e Saúde, onde está entre R$ 2 mil e R$ 4 mil. Essa expansão do mercado não parece dar sinais de que vá diminuir. Estudo feito pela equipe do urbanista Cândido Malta em parceria com a Prefeitura e com o governo do Estado indica que no bairro ainda podem ser construídos 954 mil metros quadrados de moradias até 2012. “O impacto é sentido pelos moradores, porque a qualidade de vida diminui um pouco por causa do trânsito e do barulho”, diz Pedro Costa, dono de uma lanchonete perto do Museu do Ipiranga. “Acho que, para as construtoras, as casas daqui são só velhas. Para nós, são parte da história.”

História. Abílio nasceu no bairro e é barbeiro desde 1944

ESPECIAL FÉRIAS DE INVERNO Maratona ciclística no interior, festa japonesa na capital, campeonato de skate na Austrália. Abaixo estão algumas das melhores imagens enviadas por leitores ao FotoRepórter Especial de Férias DÉRCIO GERALDO

3

FOTOMONTAGEM DE JULIO SZYMANSKI

5

RAONI LUCARINI

PÓRTER ●●●

4

1. Pedaladas. Ciclistas participaram em 4 de julho da 7ª Maratona dos Canaviais em Bonfim Paulista. Atletas percorreram cem quilômetros entre Sertãozinho, Dumont, Ribeirão Preto, Guatapará, Luiz Antônio e Bonfim

2. Japão. 32ª Festa das Cerejeiras, na zona leste de SP

LUIS CLEBER MARTINES

4. Tudo parado. 3. Montagem. Big Ben, Paranapiacaba, Obra no km 53 da Bandeirantes Luz e Melbourne

5. Dia do Skate. Campeonato amador reuniu praticantes do esporte em Sydney, na Austrália, para festejar a data


%HermesFileInfo:C-9:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Cidades/Metrópole C9

EVELSON DE FREITAS / AE–4/8/2010

Paulista se blinda contra morador de rua

‘População de rua é vista como um transtorno’ ● Para Robson César de Mendon-

ça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua, os moradores de rua são vistos como um “transtorno”. “As empresas buscam soluções para contornar o problema”, afirma. Segundo ele, as ações da GCM contribuíram para o aumento dos sem-teto na Paulista. “Lá tem mais gente circulando e, por isso, atitudes mais autoritárias de expulsão são inibidas”, diz. “Enquanto a Prefeitura não criar uma política séria para o assunto, eles vão continuar na rua.”

Prédios da avenida instalam paredes de vidro em calçadas para isolar fachadas, marquises e jardins Camilla Haddad Cristiane Bomfim JORNAL DA TARDE

A migração de moradores de rua do centro para a região da Avenida Paulista tem feito com que empresas e prédios residenciais adotem medidas para evitar que suas marquises e fachadas sejam ocupadas. Ao percorrer o maior centro financeiro da cidade, a reportagem constatou que condomínios se “blindam” com paredes de vidros em seus jardins. Seguranças de bancos e galerias protegem os clientes de abordagens. “Temos visto cada vez mais a mendicância tomando conta da cidade. De uns dois anos para cá, acoisa estápiorando eagorachegouaolimitenaregião”,dizapresidente da Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César, Célia Marcondes. A Secretaria Municipal de AssistênciaSocial (Smads)reco-

RUAS DORMITÓRIOS ● Avenida Paulista (em toda a

extensão) ● Rua Oscar Freire com Alame-

da Ministro Rocha Azevedo ● Rua Oscar Freire, esquina

com a Rua Augusta ● Rua Augusta, esquina com a

Rua Fernando de Albuquerque ● Alameda Santos ● Rua Frei Caneca ● Passagem subterrânea da

Avenida Doutor Arnaldo

nheceoproblema. Emnota,confirmou que a região é um atrativo para os moradores de rua, por concentrar renda e serviços, e que, por lei, eles não podem ser levados para albergues contra a vontade. No Edifício Nações Unidas, uma parede encobre o imenso painel de azulejo da fachada. O síndico,LuizAlbertodaSilva,nega que a obra, concluída em novembrode 2009,sejaantimendigo. “Além da boa visão, impede que alguém pule para ‘se amoitar’. Acaba ajudando, mas não é para morador de rua.” O vigilante de um prédio comercial na altura do número 1.079, também cercado por vidro, disse que a preocupação é com a segurança. Uma loja de roupasrecém-inaugurada, perto do1.100,adotouesse recurso parafecharo jardim,que era acessível a quem caminhava pela via. Um segurança alegou que era por causa de uma reforma. Expulsos. Uma das explicações dadas por moradores de rua é a faltade albergues. A outra seria o fato de estarem sendo expulsos do centro pela Guarda Civil Metropolitana (GCM). Para eles, a Paulista é segura, por ter muito movimento,eatrativa,pelafacilidade em conseguir esmolas. “Tivemos de sair porque os GCMs estavam batendo, jogando água. Meu colega levou até bomba”, disse uma moradora de rua que se identificou como Tereza, de 50 anos, e estava com o maridoeofilhonafrentedoConjunto Nacional. Antonio Maria, de 60 anos, diz que sempre morou na Praça da República, no centro,masasituaçãoficoucomplicada depois da ação da GCM. “Um dia, falaram que iam fazer a ‘limpa’ e não podia mais ficar lá.” Teve de ir para a Paulista. JB NETO/AE

GCM. Grupos dizem ter sido expulsos da região central

Prefeitura garante oferecer assistência Secretaria diz não poder obrigar morador de rua a ir para albergue. Segundo PM, alguns ladrões já se disfarçaram de sem-teto A Secretaria Municipal de Assistência Social informou, por meiodenota,quearegiãodaAvenida Paulista é atraente para a permanência dos moradores de rua. Para atender essa população, a pasta diz disponibilizar 80 serviços, dos quais 20 estão no centro da cidade, entre Centros deAcolhida,doisdelesinaugurados nos últimos três meses na região, eespaços deconvivência. A secretaria diz, no entanto, que não pode obrigá-los a ir para albergues e outros serviços. A Polícia Militar afirma que já houve casos de ladrões disfarçados de moradores de rua arrombando lojas e lanchonetes na

Paulista. Segundo a corporação, eles não são notados pelas pessoas, facilitando a ação criminosa. A corporação diz ainda que é chamada para ajudar a liberar a calçada para os pedestres. A PM afirma também que pedestres pedem aos policiais para intervir em casos de ameaças e coações praticadas por supostos moradores de rua. De acordo com a corporação, algumas vezes pedintes se aproximam para pedir esmola portando facas. Mas,quando apolícia chega,eles dizem que a arma é usada para cortar alimentos. Guarda Civil. A Secretaria MunicipaldeSegurançaUrbana,responsável pela Guarda Civil Metropolitana, diz que maus-tratos, como lançar bombas, dar tapas e jogar água em moradores de rua, não são compatíveis com o padrão de procedimento da corporação e recomenda que atos de violência cometidos por guardas-civis sejam levados à Corregedoria da GCM, pelo 3124-5120, ou na Ouvidoria, pelo 0800-770-0263. / C.H. e C.B.

Barreira. Prédio na altura do número 620 da via adotou paredes de vidro no jardim


C10 Cidades/Metrópole %HermesFileInfo:C-10:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

PAULISTÂNIA UMA CIDADE E SUA GENTE

estadão.com.br Online. Para acompanhar a editoria no Twitter, acesse @metropole_oesp

QUER CORRER? SIGA OS PASSOS DESTE HOMEM O psicoterapeuta David Cytrynowicz descobriu as corridas de rua perto de fazer 40 anos e desde 1995 está à frente da maior associação de atletas do País

EPITACIO PESSOA/AE

Parada forçada. O presidente da Corpore e as medalhas de provas disputadas mundo afora: não fosse o Aedes aegypti, ele estaria na rua, correndo Iuri Pitta

D

ifícildescobrirapaternidade de uma prática que move 4,5 milhões de brasileiros. Se for válido o ditado dequepaiéquemcuida,DavidCytrynowicz é forte candidato ao simbólico papel – pelo menos para os corredores paulistanos. Faz 15 anos que esse psicoterapeuta filho de poloneses,nascidoemumcampo derefugiadosnaAlemanhaem1947,épresidentevoluntárioda Corpore,maiorassociação de corrida de rua no País. Isso significa cuidar de um cadastrode mais de 275mil corredores e de uma média de 30 das 800 provas disputadas todo ano no Brasil. E treinar corrida quatro vezes por semana, maisduas sessõesdemusculação, antes de atender em seu consultório nos Jardins... Fôlego, definitivamente, não é um problema para David. Hoje, conhecer um corredor de rua é mais que corriqueiro. E não adianta fugir: alguém perto de você

Histórias da garoa VIOLÊNCIA CASEIRA

Fantasma que insiste em atormentar O noticiário brasileiro dos últimos meses é lamentavelmente rico em registros de agressão a mulheres – casos que vão do palavreado ofensivo à máxima brutalidade. A abominável atitude, usada como solução de conflitos de casais, em muitos casos atinge filhos e, pior, não raro acaba em morte. Uma rápida passada de olhos na história paulistana nos mostra que essa violência, infelizmente, é herança secular na cidade. A leitura dos estudos da historiadora Alzira Lobo de Arruda

MARATONA TURÍSTICA ARQUIVO PESSOAL

Blumenau. Em 1990, quase não se promoviam maratonas no Brasil

Grécia. David correu no percurso que deu origem à prova olímpica

Noruega. Na Escandinávia, corrida de 21,1 km sob o sol da meia-noite

passa horas por semana correndo sem destino concreto, mas com determinação inabalável. Muito disso é responsabilidade da Corpore: desde 1994, foram 284 corridas promovidas pela entidade criada por entusiastas para dar apoio –

inclusive financeiro – a atletas como Joaquim Cruz, medalha de ouro na Olimpíada de Los Angeles (1984). Até hoje, profissionais como o maratonistaJoséTeles deSouza, únicobrasileiro a completar a prova na Olimpíada

dePequim,disputamascorridasdaentidade.“Corrimuitasdaquelas de 6 quilômetros no Ibirapuera, quando dava para contar nos dedos os participantes.” Massa corrida. E o que levou David às

Água? Psicólogo perto dos 30, corredor com quase 40 anos. A estreia nasprovasfoiem Ilhabela. Cincoquilômetros, distância curta, mas percurso traiçoeiro. Hoje, Davide tantos outros corredores viajam o mundo só para correr, algo impensável duas décadas atrás. “Quando comecei, correr era quase como uma confraria”, conta o segundodirigentemaislongevodaCorpore, membro da diretoria desde 1992–epresidentedesde1995.Asplanilhas de treino que hoje o Google localiza em um clique eram passadas no boca-a-boca, e mal se falava em tênis específico para correr. Eram tão esparsas as informações que, em sua primeira meia-maratona (corrida de 21,1 km), David “quase morreu”. E por “culpa” do primo que o levou ao esporte. “Eu não suo muito e bebo pouca água nas provas”, diz Stephane. O determinado estreante seguiu a dica. Resultado: concluiu a prova desidratado e com hipotermia. “Além de determinado, ele sabe motivar e agregar as pessoas”, considera Luiz de Argila Bernabeu, treinador de atletas profissionais e amadores em São Paulo. “E é daqueles líderes que estão na linha de frente.” De fato, sempre que pode David participa de eventos da Corpore e também de outras entidades ou empresas organizadoras de corridas. Sua distância favorita é a meia-maratona. Ele também adora a prova de 9 km que levará 6,5 mil corredores ao centro da cidade, nesta manhã de Dia dos Pais. “É um percurso especial, passa pela Praça da Sé, Anhangabaú, Teatro Municipal...” Por uma dessas infelicidades que viram história para contar, Cytrynowicz não estará lá: ele foi diagnosticado com dengue, o que também explica a foto feita em casa, e não em um treino no Parque do Ibirapuera. O consolo é pensar que nem a velocidade de Usain Bolt ajudaria a escapar dessa...

estadão.com.br

Pablo Pereira

Campos, aos quais é sempre conveniente voltar quando se pensa no tema, leva o cidadão deste suposto moderno 2010 à dura conclusão: a bestialidade humana não tem limites. “Alem das mãos, usadas para dar bofetadas, murros, unhadas e empuxões, e dos pés para pontapés, coices e ‘esporadas’, os maridos valiam-se de numerosos instrumentos para o castigo de suas mulheres”, escreve a historiadora no livro Casamento e Família em São Paulo Colonial (Paz e Terra, 2003). Ela estudou maços e maços de processos centenários de pedidos de divórcio, autos de crimes de honra e virgindade e outros documentos do Arquivo Público do Estado e da Cúria Metropolitana de São Paulo – entre outras fontes. Os relatos de Alzira Lobo são chocantes. Impressionam pelos detalhes da crueldade contra as mulheres. E deixam a impressão de uma certa conivên-

corridasderua?“Podercomermacarrão!”, diverte-se ele. Para bom corredor, a piada com fundo de verdade fazsentido.Aexplicação:Davidpraticaesporte desdecriança, mas após os 30 anos começou a sofrer com o efeito sanfona. “Eu engordava tanto quanto minha mulher quando estava grávida”, diz o pai de dois filhos. Uma noite, jantando com o primo Stephane Malik, perguntou o que pediriam e ouviu: “Preciso comer macarrão.” Era véspera de uma prova e comer massa, alimento rico em carboidratos,édessas receitastãopopulares quanto canja de galinha para recuperarasenergias.Paraumesportista que gosta de comer, deu água na boca e disposição nas pernas. Claro que ajudou ter jogado basquetepeloclubeAHebraica najuventude e seguir nos “rachões” depois de adulto. Mas essa seria a mais fácil das guinadas na trajetória de David. Ainda na Alemanha, sua família abriu uma fábrica têxtil, mas deixou o país quando eclodiu a Guerra da Coreia. “O medo do meu pai era aquilo chegar à Europa.” A família chegou a São Paulo em 1953 e logo se aproximou da colônia judaicano BomRetiro. O maquinário veio da Alemanha com os irmãos de Artur, pai de David. Foi o início de uma indústria que chegaria a 6 mil empregados. Natural que o filho se formasse administrador e assumisse a empresa. Depois que Artur morreu, a família preferiu vender a fábrica e David, mudar de carreira.

blogs.estadao.com.br/blog-da-garoa REPRODUÇÃO

CONCILIAÇÃO

Vila oitocentista tinha divórcio

Perfil. Família paulista desenhada por Ângelo Agostini no Cabrião, 1867 cia familiar com o absurdo. Aliás, como hoje. “Quase todas as mulheres queixavam-se de ameaças e tentativas de morte”, conta a autora, referindo-se aos depoimentos estudados. No “Processo de divórcio de José da Fonseca Carvão e Câmara e Maria Antônia de Brito” (SP, 1807, Cúria), a agressão re-

latada é brutal: “(...) pisando-a a coices com as botas e arrastando-a pelos cabelos”. No caso da desavença entre Francisco Antonio Chrispim e Gertrudes Custodia (SP, 1820), os autos contam: “(...) outras vezes lhe tem dado com um chicote e queimando-a com fogo”. É um passado bem presente.

Na São Paulo oitocentista, quando a convivência em casa se tornava insustentável o caso ia parar no juiz ou no padre. Eram as figuras que, em muitos locais, dividiam o poder na sociedade colonial. A historiadora Alzira Lobo ensina que, à época, já havia para esses casos a alternativa do divórcio, mediante a comprovação de sete quesitos: “maus-tratos ou sevícias; perigo de salvação por heresia, apostasia ou infandae veneris scelus; perigo de vida por atentado de violência; mau proceder desregrado do cônjuge; calúnia (...); falta de virgindade; e adultério de qualquer dos cônjuges”. E eram permitidos também os divórcios temporários.


D1 %HermesFileInfo:D-1:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010 ANO XXIV – Nº 8086

Caderno2

Teatro

Shakespeare sem palavras. Pág. D4

DOMINGO G

http://www.estadão.com.br

GRAEME SHAW/DIVULGAÇÃO

A VOLTA DE

Após jejum de 11 anos, a poeta mineira Adélia Prado lança A Duração do Dia

DONA DOIDA Ubiratan Brasil

Desde 1999, quando publicou Oráculos de Maio, a poeta Adélia Prado não lançava um livro de poesias. O jejum termina nesta semana, quando a editora Record envia para as livrarias ADuração do Dia (112 páginas, R$ 27,90), no qual ela novamente escreve para manter um diálogo com Deus – em seus versos, estabelece-se uma ponte com a transcendência e uma crença na perenidade da carne e na eternidade da alma. Maior poeta brasileira viva, ao lado de Ferreira Gullar e Manoel de Barros, Adélia tanto flerta com a metafísica como se atém aos detalhes do cotidiano mas, acima de tudo, aposta na grandeza das pequenas coisas. Nascida em 1935 em Divinópolis, cidade mineira onde mora até hoje, Adélia trabalhou como professora durante anos até se formar em Filosofia. Os primeiros versos foram escritos quando estava com 15 anos mas o primeiro livro, Bagagem, só surgiu quando estava com 40. O tempo de maturação foi essencial, pois a obra recebeu as boas vindas de Affonso Romano de Sant’Anna e Carlos Drummond de Andrade. Soma agora oito títulos de poesia, versos que traduzem o sagrado no cotidiano e que inspiraram Fernanda Montenegro a montar o monólogo Dona Doida, em 1987, com poemas colhidos em sua obra.

WILTON JUNIOR/AE

Mais informações sobre o processo criativo da poeta na Pág. D5

7 8 9 10 11 12

}


D2 Caderno2 %HermesFileInfo:D-2:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

seleção da semana* CISCO VASQUES/DIVU

LGAÇÃO

THE TRÍCEPS Quando: Quinta-feira, à 0 h. Onde: Comitê Club. Rua Augusta, 609, Centro, telefone 3237-3068. Quanto: R$ 30

O AMANTE Quando: de 13/8 a 26/9. Onde: Teatro Nair Bello. Rua Frei Caneca, 569, telefone: 3472-2414. Quanto: R$ 30/ R$ 40 JOÃO CALDAS/ DIVULGAÇÃO

ALMA DOIDA DO FAUSTO The Tríceps, a nova banda que Fausto Fawcett armou, com Rodrigo Brandão e Bianca Jhordão (do grupo Leela, loira fresca alistada na trupe), começou a dar as caras no final de maio pelos clubes deSãoPaulo. Tocou noBerlin, foi sedimentando o som, e esta semana desembarca no Comitê, na Rua Augusta. Sucessora dos grupos anteriores que já tinham o bardo de Copacabana no frontline, como Básico Instinto e Robôs Efêmeros, o The Tríceps continua a saga daquele pós-punk de terra arrasadacomdeclamaçõesbeatnik ecolagens pósmodernas de samples no meio. O show tem arrastado o título provisório de Fuga Número Mil. Como em seus romances e letras de música, o universo de Fausto Fawcett é uma espécie de tsunami verbal que se nutre de imagens da hipercomunicação.Lugares “onde amaioria daspessoas vive num sedentarismo emocional, sonhando e invejando os slogans de viver intensamente”, ele costuma

explicar. Fawcett fez sucesso nos anos 1980 com hits como Kátia Flávia, a Godiva do Irajá e Rio 40 Graus. Foi parceiro de Fernanda Abreu e também publicou livros que fizeram algum barulho entre “cyberpunkseciberneiros”, comoele mesmo define. Foram três volumes, Santa Clara Poltergeist, Básico Instinto e Copacabana Lua Nova, que serão relançados pela editora Papagaio (também está nos planos da editora o lançamento de um inédito do autor, Favelost, escrito há três anos).

A lírica dele é inconfundível, e torna seus shows experiências imagéticas. “Respira perigo mas não pode comigo e eu te digo por que / porque eu sou aquele que vai contra tudo que é pouco / pouco concentrado / pouco maluco / pouco sério / pouco largado / pouco obsessivo / pouco generoso / pouco amigo / pouco inimigo / pouco tédio / pouco amor / pouco terror”, escreveu, em poema com que saudou o dramaturgo Mário Bortolotto (após este levar 4 tiros na Praça Roosevelt). / JOTABÊ MEDEIROS

GRUPO CORPO Quando: de 11 a 16/8. Onde: Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, telefone 5693-4000. Quanto: R$ 30

SERGIO CAMARGO Quando: de 14/8 a 24/10. Onde: Instituto de Arte Contemporânea. Rua Maria Antônia, 242, telefone 3255-2009. Quanto: Grátis

OS MERCENÁRIOS Nome original: The Expendables. Direção: Sylvester Stallone. Gênero: Ação (EUA/2010, 99 minutos). Censura: 16 anos

Hidra Nova lírica do veterano Fausto (à direita)

JOSÉ LUIZ PEDERNEIRAS/DIVULGAÇÃO

RELAÇÕES PERIGOSAS Um dos mais festejados textos do britânico Harold Pinter, O Amante ganha nova montagem assinada pelo diretor Francisco Medeiros. Na peça, que tem estreia marcada para sexta-feira, o autor vencedor do Prêmio Nobel de 2005 traz à tona os conflitos de um casamento e desvela os jogos de dominação e poder que permeiam a relação dos personagens Sarah (Paula Burlamaqui) e Richard (Daniel Alvim). Escrita em 1963, a obra permanece como uma lúcida reflexão sobre a incomunicabilidade. / MARIA EUGÊNIA DE MENEZES

TRILOGIA FAZ E CONTA Quando: Sábado e domingo, 16 h. Onde: Tucarena. Rua Monte Alegre, 1.024, Perdizes, telefone 2626-0938. Quanto: R$ 20. Até 21/11

CALIFÓRNIA FILMES/DIVULGAÇÃO

GRUPO FAZ E CONTA/DIVULGAÇÃO

ELOGIO À ESCULTURA

PARA VER E REVER O grupo Corpo volta a São Paulo sem nenhuma coreografia inédita. Mas sempre vale a pena rever alguns dos melhores momentos da companhia mineira, caso das coreografias de Rodrigo Pederneiras Ímã e Lecuona. / MARIA EUGÊNIA DE MENEZES

A mostra Claro Enigma, que será inaugurada no sábado no Instituto de Arte Contemporânea (IAC), perpassa a trajetória de um dos principais escultores brasileiros, Sergio Camargo (1930-1990). Com curadoria de Paulo Venancio Filho, a exposição reúne, além de esculturas emblemáticas do rigor formal do artista – entre elas, relevos em madeira pintada e peças em diferentes tipos de mármore –, fotografias, documentos, desenhos e anotações. / CAMILA MOLINA

POLÊMICO STALLONE

CONTA UM CONTO?

Os Mercenários, de Sylvester Stallone, que estreia sexta que vem, é até menos ruim do que se poderia imaginar. O diretor está sendo cobrado na Justiça, porque deixou uma dívida quando veio filmar no Brasil. Arrisque. / LUIZ CARLOS MERTEN

Ela é mais que contadora: é ‘encantadora’ de histórias. Ana Luiza Lacombe comemora 30 anos de carreira montando uma trilogia de suas peças. Começa com a deliciosa Fábulas de Esopo, em que faz a festa com sucatas no palco. / DIB CARNEIRO NETO

FOTOS ANDRE LESSA/AE

mesa para dois Flavia Guerra

FÁTIMA TOLEDO

● Seu primeiro trabalho no cinema foi Pixote (1981). Depois, ganhou fama com Cidade de Deus e Tropa de Elite. O que mudou?

ELA CRIOU O MÉTODO, COM O QUAL PREPAROU ATORES DE FILMES COMO CIDADE DE DEUS E TROPA DE ELITE. HOJE, É TEMA DE LIVRO E ADMITE: “O MÉTODO ESTÁ MAIS SUAVE E FORTE”

● Como você definiria o Método?

Tanta coisa. Já fui muito criticada pelo Método, um processo duro para o ator. Mas hoje ele está mais suave e forte. Tem a ver com minha maturidade. É a preparação para cinema que desenvolvi. Não havia o Método em Pixote. Ficava desesperada porque as técnicas que aplicava não funcionavam com os meninos. Mas aprendi a me colocar no lugar deles, a comunicar, tirar os bloqueios. Assim

nasceu o Método. ● Por que fez tanto sucesso, a ponto de você criar uma escola?

A força está no fato de o aluno ter de se conhecer melhor, vencer a timidez. Não há construção do personagem mas desconstrução. Vive-se cada cena por inteiro. ● E quem faz o curso em geral?

Atores. Há quem faça porque o Método vai fazer bem. No Rio, os alunos costumam ser mais jovens que em São Paulo. ● Não procuram no Método o que buscariam na psicanálise?

QUÊ

do do fracasso. Querem ser famosos, fazer sucesso.

Quando aparece algum caso assim, a gente encaminha. Antes, eu perguntava ‘se’ o aluno tomava antidepressivo. Hoje, o número de quem toma remédios é tão grande que pergunto ‘qual’. Acho que se está fazendo uso cada vez mais cedo.

● Você também vence seus medos no curso?

● Você já se perguntou por quê?

● Quais?

Estão todos assustados. E isso nos deixa à flor da pele. Antes, precisava muito para que os alunos se despissem de seus filtros. Hoje, por muito pouco elas choram. Há muito medo.

Comecei a preparar o elenco de Paraísos Artificiais, de Marcos Prado, sobre o uso de drogas ilícitas pelos jovens. E aceitei convite para atuar no teatro. Um livro e um documentário sobre meu trabalho estão em andamento. No início, tive medo, mas me habituei com a câmera.

● Medo do quê?

Os mais jovens têm muito me-

Claro! É sempre um desafio. E estou lidando com outros medos em novos trabalhos.

● QUEM

●O

Fátima Toledo

Ceviche

● ONDE

Calà del Grau

Alagoana radicada em São Paulo, ela dava aulas na Febem quando foi convidada por Hector Babenco para preparar o elenco de Pixote.

Fã da gastronomia espanhola e latino-americana, Fátima pediu ceviche e suco de laranja. “O tempero deste prato é leve e saboroso.”

Ela escolheu o restaurante espanhol (Rua Joaquim Távora, 1.266). “Além de ser perto do meu estúdio, aqui é tranquilo e os pratos são ótimos.”


%HermesFileInfo:D-3:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Caderno2 D3

Literatura. Flip TASSO MARCELO/AE

O BRASIL

REVISITADO

POR UM AMERICANO Autor de obra sobre Clarice Lispector, o crítico americano Benjamin Moser reforça laços com o País

ses sociais aumenta vergonhosamentenosEUAeoscrimescorporativospassambatidos,sempunição.” Os americanos, segundo Moser, estão deprimidos e isso talvezexpliqueessaespéciederecessocriativoentrecineastas,literatos e dramaturgos. “No entanto,nãohánadaquesecompareao

Freyre. Essa independência, tambémideológica,temprovocado reações raivosas às observações feitas por Moser sobre grandes personalidades brasileiras, entre elas a do homenageado pela8.ªFlip,osociólogopernambucanoGilbertoFreyre.Emborareconheça sua importância, dizendo que aprendeu muito ao ler seus livros, Moser critica os vínculos políticos de Freyre com as ditaduras,especialmenteadeSalazar,eaproveitaparaatacarseus detratores de esquerda, que o condenaram por dar apoio aos militaresbrasileiros,masque,paradoxalmente, concedem suporteaFidelCastro.“Fiqueiescandalizado com a omissão de Lula sobre os prisioneiros políticos durantesuavisita aCuba”,diz,criticando ainda sua pouca atenção aos direitos civis dos brasileiros. “É uma vergonha para o Brasil queaArgentinatenhareconhecido antes a união de pessoas do mesmo sexo”, conclui o “embaixador” da literatura brasileira lá fora. Ele prefere a palavra “missionário”. Sente que foi escolhido, primeiro para divulgar a obra literária de Clarice. E, agora, a de seus amigos premiados, como Bernardo Carvalho.

Inglaterra (ou seja, ganhou o título de Sir), Rushdie vive em Nova York, onde se tornou um novo alvo, agora de críticas. Como a do pensador Terry Eagleton, também convidado da Flip, que o apontou como membro de um grupo que apoiava o ex-presidente George W. Bush. “Não sou neoconservador, como me ataca Eagleton”, defendeu-se, voltando à carga contra o terrorismo islâmico quando o assunto rodeou os atentados nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. “Quando as tragédias aconteceram, muitos se apressaram em dizer que o fato não se relacio-

nava com o islamismo”, comentou, para em seguida ironizar. “Bom, certamente não havia relação com ioga, por exemplo.” O escritor também criticou o livro Quem Quer Ser Um Milionário, que ganhou uma premiada versão para o cinema por Danny Boyle. “Além de a trama ser muito ruim, há uma série de inverdades, como a facilidade com que os garotos falam inglês e o uso de armas”, disse ele que, apesar dos oito Oscars, não considera o filme aproveitável. “Não podemos nos esquecer que Laços de Ternura também faturou cinco estatuetas, ou seja, não serve como modelo.”

‘Missionário’. As suas críticas ao homenageado da 8ª Flip, Gilberto Freyre, por seus vínculos políticos com as ditaduras, têm provocado reações raivosas Antonio Gonçalves Filho ENVIADO ESPECIAL PARATY

Comapublicação deClarice(Cosac Naify, 2009), a biografia da escritoraClariceLispector,onome do crítico norte-americano Benjamin Moser foi automaticamente elevado ao posto de embaixador das letras brasileiras, cargo um tanto desconfortável paraalguém comoele, umglobetrotter que, além de tudo, detesta qualquer tipo de associação nacionalista. Nascido em Houston, Texas, há 33 anos, é, de fato, o grande divulgador da cultura brasileira no exterior, mas isso só porque gosta dela e tem bons amigosporaqui,umdelesoescritor Bernardo Carvalho, de quem está traduzindo o livro mais popular,NoveNoites.Moserestáfascinado pela obra, a história de um antropólogo que se mata após uma traumática experiência entre os índios brasileiros. Vivendo há tempos em Utre-

cht, Holanda, como colaborador de conceituadas publicações como a Harper’s e New York Review ofBooks, Moser traduz Carvalho e escrevesimultaneamenteseuprimeiroromance,sobreoqualguarda silêncio. Deixa apenas escapar que tem personagens de muitas etniasecategoriassociais.Dizainda que ser judeu e homossexual lhe ensinou o valor de preservar a individualidadeparaescaparàcategorização reducionista. Foi isso, aliás, que o atraiu para a literatura de Clarice, outra que resistiu ao estereótipo. Como judia, abjurou a tradição religiosa, frequentando cartomantes e congressos de bruxaria. Como brasileira que viveu a ditadura dos anos 1960, condenoutantoosexcessosdoregimemilitarcomoosradicaisque lutavam pela implantação de um regime comunista no País. Radicais. “Ela trazia da Ucrânia uma experiência traumática, o que explica sua rejeição a radicais”, justifica Moser. Em sua

biografia da escritora, ele conta tou inutilmente aprender manque a mãe de Clarice, Mania Lis- darim. “Como o chinês era difípector, foi estuprada por solda- cil,resolvi mudar e acabeidescodos russos logo após a revolução brindo a literatura de Clarice”, bolchevique, contraindo sífilis. diz, modestamente, o poliglota, A escritora nasceu um ano de- quefalaoito línguasfluentemenpois, em 1920, em Tchetchelnik, te. “Acho que é um pouco pela Ucrânia, recebendo o nome minha formação, pois as empreChaya (vida, em hebraico) como gadas mexicanas falavam esparesposta à agressão bestial des- nhol em casa, onde também ouses militares. Naquela época, via meu avô em alemão.” por não existir a Essa formação penicilina, se garantiu, de certa acreditavaqueenforma, o futuro TRADUZ NOVE gravidar poderia do cosmopolita NOITES, DO AMIGO purificar o corpo Moser. Do convídeumamulhersivio com os pais riBERNARDO filítica, crença cose serviçaispoCARVALHO que ainda hoje bres, que cruzapersiste em lugaram a fronteira res remotos da Ucrânia. mexicana, cresceu um crítico seMoser passou cinco anos pes- vero, tanto dos valores morais quisando as origens de Clarice burgueses como políticos. Lispector,quevoltariaa seinstaDe família influente, sempre lilar em território europeu ao se gada ao mercado livreiro, ele pocasar com um diplomata. Ele a deriaterfeitoumarespeitávelcardescobriu por acaso, ao frequen- reiracomoeditor,chegandomestar o curso de português da Uni- mo a trabalhar para a Alfred Knoversidade de Brown, onde ten- pf, mas preferiu o caminho como

E AGORA A FATWA INSPIRA ‘SIR’ RUSHDIE Ubiratan Brasil ENVIADO ESPECIAL PARATY

O escritor indiano naturalizado inglês Salman Rushdie já não precisa mais andar acompanhado por seguranças, como há 20 anos – ele é facilmente visto perambulando por Paraty com seu filho Milan. A proteção era contra a decisão tomada por um aiatolá do Irã, Khomeini, que, em 1989, decretou uma fatwa, medida religiosa que con-

denava o autor à morte. O motivo era o conteúdo considerado profano para o islamismo de Versos Satânicos, livro no qual o profeta Maomé era visto de forma nada lisonjeira. “Sempre procurei afastar a lembrança daquele período, em que vivi escondido em Londres”, contou ele, na noite de sexta-feira, durante a Flip. “Mas faz algum tempo que decidi escrever sobre o assunto e, há cinco meses, comecei o trabalho de fato.” Rushdie conta que escreve va-

TASSO MARCELO/AE

Coragem. Novo livro foi iniciado há cinco meses

garosamente e, até o momento, produziu entre 60 e 70 páginas. “Creio que termino o trabalho até o próximo ano.” Segundo adiantou, vai revelar sensações estranhas, como a de se sentir totalmente desprotegido. “Embora vivesse em endereço pouco conhecido e não aparecesse em locais públicos, eu era um alvo certo: bastava mirar aquele grupo de seguranças.” Hoje, a situação é mais confortável – além de ter sido nomeado cavaleiro da rainha da

cosmopolitismo intelectual dos EUA”, observa, agora como crítico literário, o jovem escritor. Vivendo há oito anos em Utrechtcom o companheiro escritor, o holandês Arthur Japin, Moser visita o Brasil quase todos os anos desde 2005, quando saiu da Flip com a firme intenção de escrever uma biografia de Clarice Lispector, publicada antes nos EUA como Why This World (Por que Este Mundo). Esta era uma pergunta frequente feita pela escritora, um pouco à maneira do filósofo Wittgenstein, que dizia: “A questão mística não é como o mundo é, mas o que ele é.” Clarice, afirma seu biógrafo, buscavaconhecerarazãodaexistência desse mundo governado por um deus sem nome, onde todos parecem um pouco exilados. Ele, um pouco menos. Moser diz que não se sentedeslocado, assumeque saiu dos EUA para conhecer o mundo, e não como expatriado.“Recebiumaeducaçãomaravilhosa em meu país, também estudei na França e sempre tive liberdade.” Para pensar e agir.

autônomo. Tanto que se mudou para Utrecht, Holanda, deixando no Texas a enorme livraria da mãe e o escritório de advocacia. A irmãmaisnova,Laura,de32anos, foi mais cautelosa. Escolheu viverno centrodo poder,Washington, onde seu marido trabalha na Casa Branca. “Ela vive uma vida desocialite”,resumeMoser,criticando o novo presidente. “Ele é uma decepção”, resume, argumentando que Obama se elegeu como um político de esquerda, o homem que iria acabar com as guerras e garantir os direitos civis, sem cumprir nenhuma das metas de seu programa eleitoral. Recesso. “A distância entre clas-

Artigo

Em Paraty, de olho no chão Apesar do aconchego, caminhar pelo piso de pedra da cidade é um desafio. Este é um problema que deve ser encarado com seriedade, já que é grande o risco de acidente

✽ ●

MARCELO FERRAZ marcelocferraz@uol.com.br

erminahojemaisumaFesta Literária Internacional de Paraty, a 8.ª Flip, evento anual que, de sucesso em sucesso, vai se consagrando no calendário cultural do País. Essa festa das letras é também a festa da cidade, uma celebração da convivência urbana. Em Paraty, durante cinco dias de grande agitação de pedestres, pode-se ver e viver momentos raros, quase inexistenteshojeemdiaemnossasgrandesoumédiascidades:omovimentointensodegente que passeia para lá e para cá, sem rumo certo,comonoantigofootingdascidades do interior; grupos de pessoas com suas cadeiras nas calçadas, defronte às casas, “pegando a fresca”, ou nas janelas, acompanhando a movimentação humana. Gente de todas as partes, por todo o lado, num conversê sem-fim, usando a cidade como palco maior de encontros, assim como sempre deveria ser. Entretanto, apesar do aconchego e da escala humana e gentil da cidade colonial, passear por Paraty é um desafio. É

T

como saltar de pedra em pedra – escolhendo as alpondras – na travessia de umrio ouriacho. Imaginoque todosnós já tivemos essa experiência pelo menos uma vez na vida: ou você acerta a pisada, ou vira o pé, escorrega e cai, se molha, enfim,se dana.Numa cachoeiraseespera isso, numa cidade é inadmissível. O piso de Paraty é restritivo, desconfortável, impróprio para caminhar. E o quedizerdoscarrinhosdebebê,dasmuletas, bengalas e cadeiras de roda? As ruas dessa cidade são exemplos maiores de inacessibilidade. Esseéumproblemaquedeveserencarado e não contornado nos dias de hoje. Devemos apelar aos órgãos de proteção dopatrimôniohistóricoemtodasasinstâncias, e às prefeituras, para que busquemsoluçõesadequadasecriativaspara que mais gente possa acessar e circular livre de atenção demasiada ao piso e do risco de acidentes. E não somente em Paraty, mas em todas as nossas cidadeshistóricas quepossuempavimentos irregulares de pedras – lindos, românticos, mas absolutamente intransitáveis,

impróprios para caminhar. Ouro Preto, Olinda, Salvador e tantas outras. Por que não adotar, por exemplo, um granito liso, mas não polido, antiderrapante,nocentrodasruas,formandouma pistaou“tapete”depedracarroçável,inspirado nas antigas pedras capistranas, que formavam um eixo central nas ruas de nossas cidades coloniais? Seriam as nossas “capistranas contemporâneas”. Salto alto. Assim fizemos na rua central do Sesc Pompeia, que é toda em paralelepípedo, muito menos irregular que as ruas de Paraty ou do Pelourinho. Ali tem funcionado muito bem, não só para os que têm dificuldades de caminhar, para as cadeiras de roda e carrinhos, mas também para crianças, idosos e até mulheres de salto alto. A maioria das cidades históricas da Itália, Espanha ou Portugal possuem ruas de pavimento regular, carroçável e seguro, muitas vezes feitos com materiais modernos como o concreto ou o asfalto. E isso não configura pecado ou heresia contra o “sagrado patrimônio histórico”. Vide Assis (Itália), Évora (Portugal), Toledo (Espanha), etc. De que serve o patrimônio se não pode ser de todos e para todos? É preciso lem-

brar que as cidades devem atender a usos e demandas atuais, de nossos dias. Não vivemos no passado nem no futuro. E nossas cidades históricas podem até – vejam bem, até – passar por belos cenários, mas são, antes de tudo, cidades, com a plenitude de significados e funções que esta palavra carrega. O “acontecimento Flip” é exemplar quando propõe a experiência de vida intensa, de trato urbano, enfim, de convivência entre pessoas ou grupos de pessoas. E este exemplo poderia se alastrar, contagiar outras tantas cidades brasileiras, não somente as pequenas e históricas, mas também as grandes, gigantes, como a São PaulodaVirada Cultural.EParaty poderia sair na frente com uma solução de piso contemporâneo para nossas cidades históricas. E,quemsabe,nasfuturasediçõesda Flip,comasruasdeParatyjácaminháveis, poderemos, em vez de olhar para ochão–pedra,pedraepedra–,prestar mais atenção ao casario, às igrejas, às praçase,principalmente,àgentevariada que transita pra lá e pra cá. Até lá. ✽ MARCELO FERRAZ É ARQUITETO


D4 Caderno2 %HermesFileInfo:D-4:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

JOÃO UBALDO RIBEIRO

SEGUNDA-FEIRA LÚCIA GUIMARÃES MATTHEW SHIRTS

TERÇA-FEIRA ARNALDO JABOR

QUARTA-FEIRA ROBERTO DAMATTA

QUINTA-FEIRA LUIS FERNANDO VERISSIMO

SEXTA-FEIRA IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO MILTON HATOUM

REUTERS

Desta vez é despedida mesmo

N

ão sou político, mas devo estar aprendendo com o exemplo, porque prometi um par de vezes aposentar definitivamente meu caderninho de implicâncias com a linguagem, até porque não quero ocupar este espaço com mais uma coluna sobre o bom uso de nossa língua, para o que, diga-se a tempo, não sou muito qualificado. Tem bastante gente fazendo isso nos jornais, com competência. Mas não cumpri – aliás, não estou cumprindo agora – as promessas. Peço a indulgência geral e prometo, agora solenemente, que tão cedo não torno a outra. Bem verdade que os políticos também fazem promessas solenes, mas espero não imitá-los no hábito de esquecê-las. Tento usar a língua direito, estudo um pouco, mas no geral toco de ouvido e creio que minhas notas encontram eco em qualquer um que tenha aprendido algum português na escola, não são “especializadas”, ou coisa assim. Devo prestar mais atenção na língua que a maior parte das pessoas porque sou escritor, vivo mexendo com as palavras e o que acontece com elas me afeta, às vezes de forma meio doida. E escrever para jornal ajuda a preservar o ritmo de jogo, a gente fica mais alerta para as bobagens, ou até absurdos, ditos ou escritossem sentir e frequentemente sem

querer. (Um amigo meu, vítima da mania de fazer o sujeito seguir-se de um pronome, como em “a realidade, ela é”, me telefonou, depois que eu escrevi sobre o assunto. “Eu não consigo falar de outro jeito, acho que vou ter que me internar”, disse ele. “Essa mania, ela vai me matar.���) Mas não pretendo encarnar o chato que vive catando o “erro de português”, até porque esse negócio de erro de português é muito relativo e minha preocupação é com a preservação da eficácia e da precisão da língua, atitude que está longe de ser elitista, como muita gente qualifica qualquer coisa expressa por um ou mais polissílabos. Uma língua que perde ou avilta seus recursos não pode aspirar a permanecer uma língua culta e servir para adequada expressão científica, filosófica e literária, temos que cuidar da nossa.

Daqui a pouco alguém é capaz de inventar o masculino ‘pessoo’ em vez de pessoa Nempensarempatrulhar errodeportuguês e, aliás, é por causa de certas patrulhas que tomei algumas de minhas notas. Penso particularmente na patrulha da colocação de pronomes, que, paraospatrulheiros,éumacoleçãosupersticiosa de regras de aplicação às vezes ridícula. “O senhor disse que me queria ver”, expresso desta forma porque o

“que” atrai o pronome, força um pouco ofalar dobrasileiro, mas válá,não chega a ser ridículo. Contudo “o caderninho é tão chato que eu me resolvi livrar dele” é dose, tanto por escrito quanto, e mais ainda, na conversa. Ou seja, decora-se que o “que” atrai o pronome e se ignora uma exceção que mesmo os mais rezinguentos gramaticões de outrora sempre fizeram, quando, nessas locuções verbais,osegundoverbo estánoinfinitivo. Na fala, talvez nem tanto, mas na escrita fica até elegante construir “que eu resolvi livrar-me dele”. Lembre-se ainda que, como já dizia o grande mestre filólogo M. Said Ali, as palavras não são eletromagnetos, para ficarem se atraindo lá e cá. Na verdade, qualquer leitura de clássicos da língua como Antônio Vieira e Manuel Bernardes ou mesmo do fundador Camões vai render um balaio cheio de pronomes colocados “erradamente”. A colocação, tanto na fala quanto na escrita, tem a ver

com umsem-número de fatores,um dos mais importantes dos quais o espaço me obriga a citar taquigraficamente, é ser esse pronome, no enunciado, tônico ou átono. Certos pronomes que até os portuguesespoucoletradoscolocam“corretamente” são átonos em Portugal, mas aqui viraram tônicos e os colocamos como os percebemos, geralmente sem nadade errado. E menção especial deve ser feita ao pronome solto entre dois verbos, como em “resolvi me livrar”. Isso está “errado” e, como “resolvi-me livrar” é também ridículo, além de não querer dizer a mesma coisa, fica-se obrigado a “resolvi livrar-me” como única opção. No entanto, os brasileiros dizem, com o “me” tônico, “resolvi me livrar” e não há razão para demonizar isso, pois é assim no falar cotidiano até dos que observam costumeiramente a norma culta. E vamos admitir que ainda haja resistênciaquantoaousodospronomesoblíquos no começo de oração. Certas coi-

SÁBADO MARCELO RUBENS PAIVA MARIA RITA KEHL

DOMINGO LUIS FERNANDO VERISSIMO JOÃO UBALDO RIBEIRO DANIEL PIZA

sas persistem mais que outras e deve haver alguma razão para que ainda usemosaênclise(pronomedepoisdo verbo) em discursos e ocasiões formais. Mas dizer “dê-me” ou “dá-me” na conversa dá a impressão de que o falante é aluno de um colégio de freirasdeantigamenteouusabrilhantina no cabelo, ou coisa assim. E, imagino que por causa do “companheiros e companheiras”, que por suavezremontaa“brasileirosebrasileiras”, tudo depois que o general De Gaulle disse “français, françaises”, agora a velha e sedimentada norma, segundo a qual o plural das partes de um conjunto compreendendo os dois gêneros fica no gênero masculino, parece que não vai valer mais. “Brasileiros” engloba tanto homens quanto mulheres e não há nada para uma feminista dos velhos tempos reclamar. Na nossa língua, por exemplo, “pessoa” é feminino e nenhum homem se queixa de ser chamado de “umapessoa”.Masdaqui apouco, pelo visto, alguém é capaz de inventar o masculino “pessoo”, para não ofender os brios dos machões, que também são filhos de Deus. Ou muito me equivoco ou ouvi o presidente do Tribunal Superior Eleitoral dirigir-se aos eleitoras e eleitores. Está sendo realmente criada uma nova língua e o final do período anterior devia ser, de acordo com ela, “às/aos eleitoras e eleitores”. Imagino haver quem ache isso chique. Talvez dizeres tradicionais venham a ser reformulados,em versões como “quem for brasileira ou brasileiro me siga”. E já de novo se finda o espaço, sem que as notas tenham acabado. Mas mantenho a promessa. Se não cumpri-la, pelo menos não pedi voto.

Teatro. Entrevista GRAEME SHAW/DIVULGAÇÃO

Francisco Quinteiro Pires ESPECIAL PARA ESTADO WASHINGTON, D.C.

Um dos maiores sacrilégios foi cometido no mundo das artes. Roubaram as palavras de WilliamShakespeare. O culpado é o georgiano Paata Tsikurishvili, fundador da companhia Synetic Theater. No mês passado, em curta temporada, ele apresentouasuaadaptaçãomudadeOtelo no John F. Kennedy Center for The Performing Arts, em Washington, D.C. Sexta montagem feita sem a pronúncia de uma sílaba, Otelo é o auge da Synetic Theater. Mesmo sendo o mais abstrato,essetrabalhoatraiopúblico. E a crítica. O New York Times classificou as criações da cia. de “arte com ‘A’ maiúsculo”. A Synetic faz algo raro: respeita a inteligência do espectador. Mímica, dança, música e recursos tecnológicos têm um efeito inesperado, revelador da alma tortuosa de personagens como Iago. Nesta história clássica sobre ciúme, Iago é representado por três atores, solução que denuncia o caráter dividido do personagem manipulador. Quando faz uma montagem tão ousada, Tsikurishvili revela estar interessado na investigação do lado tenebroso do ser humano.Ele o define como“o espaço entre a luz e a sombra onde o demônio atua”. Outra descobertafundamentaléaforçadestrutiva das ilusões sobre a mente humana. Essa montagem expõe bemafraqueza deOtelo, que, antes de duvidar de Desdêmona, a mulher amada, duvida de si mesmo. O escravo transformado em chefedeexércitosucumbiuàinocência de um lenço, por ignorar o mundo real. Ele preferiu habitar o seu universo particular de ilusões, pagando um preço altíssimo. Por isso, O Que É o Mundo Real?setornouaquestãomaisimportante para o diretor nascido na República da Geórgia, como disse na entrevista ao Estado. Em2011, aSynetic completa 10 anos de atuação nos EUA. O sucesso em país estrangeiro se deve, segundo o fundador, à criação de linguagem que rompe fronteiras. Essa linguagem que não dependedoverbo,elediz,podeleváloamostraroseutrabalhonoBrasil. É só aparecer convite. ● William Shakespeare é um au-

tor sagrado. É um dos pais da

CALARAM O BARDO! A Synetic Theater ousa, e é elogiada, ao mostrar adaptação muda de Otelo, nos EUA

Linguagem. Mímica, dança, música e recursos tecnológicos língua inglesa. E a sua adaptação de Otelo aboliu as falas. Como foi substituir palavras por imagens que revelam as distorções da realidade feitas pela mente dos personagens?

Foi difícil adaptar Otelo sem palavras, já que o texto é conhecido por sua bela poesia. Por ter sido traduzido em várias línguas, ele perdeu a sua essência inglesa. Os seus assuntos dizem tanto a um georgiano quanto a um russo. Quis levar a história para outro nível, desenvolvendo fortes relacionamentos e criando símbolos. Eu me apropriei da poesia e a traduzi em movimento, mímica, dança e novas tecnologias. Os atores se transformam em pintura e meu trabalho é ser o pincel. ● O seu Otelo é diferente do de Shakespeare? Sua adaptação fala sobre algo além do ciúme?

A nossa adaptação é e não é diferente. Este é o mesmo Otelo, é a mesma história que arrebata a sua alma, mas não é o Otelo tradicional. A nossa produção se baseou no ciúme, mas se desdobrou em temas mais profundos.

Ela foi um pesadelo sexual e também um universo de sentimentos desiludidos e de emoções que mostram o efeito destrutivo e benéfico do amor sobre líderes políticos. É o Bem

LADO TENEBROSO DO SER HUMANO SEDUZ PAATA TSIKURISHVILI

Sim, mas, apesar disso, se mantém muito acessível. ● Ao comentar a peça, você cita “o espaço entre a luz e a sombra onde o demônio atua”. Acha que as palavras não revelam tão bem esse espaço ambíguo?

Imagens têm poder de comunicação maior que as palavras. Algo em torno de 80% da nossa comunicação é linguagem corporal e o resto é verbal. O que se vê gera nas pessoas um efeito mais forte que as palavras. ● Iago é interpretado por três

atores que ficam no palco o tempo todo. Para mim, mostra como é tortuosa a alma desse personagem. O que você tinha em mente quando criou este Iago, que usa roupas com cores vermelha, branca e preta?

contra o Mal. O espetáculo permitiu usar elementos multimídia para mostrar a vida íntima de Otelo e a manipulação usada por Iago para controlar a todos. ● Otelo é a sua montagem mais

abstrata?

Vermelho, preto e branco são símbolos que representam diferentes coisas – sangue, escuridão profunda ou as personalidades de Iago. Todos carregamos essas cores na alma. Só depende de quando e como as mostramos. A forma feminina de Iago apresenta a sua possível afeição

por Desdêmona. A forma masculina pode representar a possível afeição por Otelo ou um desejo de poder. O que Shakespeare fez em seu texto foi criar um personagem tão ambíguo que o leitor ou o espectador é levado a se perguntar: por quê? Ninguém sabe o que move Iago, ninguém explica por que ele faz o que faz. É uma alma torturada. ● Acredita que Iago, um mestre

da ilusão, pode ser mais atraente para as pessoas do que Otelo?

Sim, foi assim que Shakespeare escreveu a peça. Iago é dono de 50% das falas e Otelo de quase 25%. A peça deveria se chamar Iago, mas o enredo é sobre Otelo. Com nossa adaptação – visual – se percebe isso. ● Você disse que, observada à

luz correta, o gesto mais bonito pode trazer dentro de si a maior das tragédias. O que é essa luz correta? O que ela teria a ver com as ilusões que dominam as ações humanas no mundo real?

A luz correta é a que permite ver as coisas como elas são. No espetáculo, Iago inverte essa

luz na mente de Otelo para manipulá-lo a cometer atos que não cometeria. Mas o que é o mundo real? É o que vemos pelos olhos, pela mente ou pelas emoções? Otelo se questiona e o mundo a sua volta na peça. A nossa maneira de ver muda as nossas ações dia após dia. ● A reação dos deficientes auditivos à sua adaptação sem palavras é diferente?

Ficam maravilhados. Creio que eles percebem nossas produções do mesmo jeito que os que escutam. Mas a reação deles é mais efetiva, porque a linguagem não verbal é o idioma nativo. É o caso de um dos nossos atores, Greg Anderson. Ele ama atuar conosco porque participa da criação tanto quanto qualquer outro ator. ● Já veio ao Brasil? Conhece o teatro brasileiro?

Adoraria visitar o Brasil. Sou fã da sua seleção de futebol. A nossa companhia usa uma linguagem sem fronteiras. Foi assim que conseguimos sair da Geórgia para os Estados Unidos.


%HermesFileInfo:D-5:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Caderno2 D5

Literatura. Entrevista

“O

que precisa nascer tem sua raiz em chão de casa velha. À sua necessidade...

...o piso cede, estalam rachaduras nas paredes, os caixões de janela se desprendem.

O que precisa nascer aparece no sonho buscando frinchas no teto, réstias de luz e ar. Sei muito bem do que este sonho fala e a quem pode me dar peço coragem.” (ALVARÁ DE DEMOLIÇÃO)

“N

enhum pecado desertou de mim. Ainda assim eu devo estar nimbada...

... porque um amor me expande. Como quando na infância eu contava até 5 para enxotar fantasmas,

beijo por cinco vezes minha mão. Este é meu corpo, corpo que me foi dado para Deus saciar sua natureza onívora. Tomai e comei sem medo, na fímbria do amor mais tosco meu pobre corpo é feito corpo de Deus.” (A NECESSIDADE DO CORPO) WILTON JUNIOR/AE

Ela diz que não inventa poemas, apenas os recolhe e garante que voltou a escrever para manter diálogo com Deus

A LUZ

DE ADÉLIA

Divina em Divinópolis. “A poesia é uma aparição oracular, pedindo corpo por via da palavra. Ainda não se descobriu o misterioso caminho da criação de um poema, estranho ao próprio autor” Ubiratan Brasil

A realidade também exerce forte influência nos versos de Adélia Prado.Odestinodoex-presidente iraquiano Saddam Hussein, por exemplo, que foi capturado, julgado e condenado à morte, causou-lhe tão forte impressão que o desabafo tomou forma de poesia,ODitadornaPrisão. Aforça da poesia está a oferecer um conforto moral. “A tristeza num poema é alegria, ainda que lacrimosa”, observa, lembrando ainda, em elogiado bom senso, que a arte é maior que o artista. No período em que não criou versos, Adélia exercitou-se na prosa, que também se revelou apurada, como comprova na seguinte entrevista, realizada por e-mail, com respostas elaboradas em meio à tranquilidade de sua Divinópolis, onde cuida de sua delicada saúde. ● Você continua consciente do papel oracular da poesia e do caráter epifânico da arte. Como isso funciona?

Acredito, do mesmo modo que funciona para todo poeta. A poesia, ‘a beleza’, é epifânica sempre. É uma aparição oracular pedindo corpo por via da palavra. Não a invento, eu a recolho. Como? Ainda não se descobriu o misterioso caminho da criação de um poema, estranho ao próprio autor. Ao fim, a arte é maior que o artista. Sem esta convicção (e se equivoca bastante) não deve vir a público. A beleza exige obediência estrita.

QUEM É ADÉLIA PRADO POETA

✽ Adélia Luzia Prado Freitas nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, em 13 de dezembro de 1935. Professora durante mais de 20 anos, seus textos são sempre norteados por sua inabalável fé católica e retratam o cotidiano e os moradores de sua cidade. Mãe de cinco filhos, seus primeiros versos surgem em 1950 e seu livro de estreia, Bagagem, em 1976.

messes, muito sol, fainas, trabalho no campo, mas no fundo a imagem não se acoplava perfeitamente ao livro, até que em Magritte, aqueles ovos e aquela vela acesa resolveram o problema. Não dá para dizer aqui tudo que o quadro me provocou em relação ao conjunto dos poemas, a unidade do livro, mas acredito ter acertado. ● Como vê a poesia num mundo perturbado pelo terrorismo e pela guerra?

Da horrível morte de Saddam Hussein nasceu o poema O Ditador na Prisão. A poesia não é nem nasce necessariamente do bemestar. Ela vem apesar e por causa de tudo. Por isso nos consola tanto. A tristeza num poema é alegria, ainda que lacrimosa.

● Apesar de sua autonomia, os

● E o que diz sobre o dualismo

poemas guardam uma surpreende unidade. Como isso funciona?

que mostra tanto a fragilidade do corpo como sua perenidade?

É uma pergunta que não sei responder. Há um pequeno sinal de que preservar a unidade de uma obra é obedecer-lhe e vigiar para não nos rendermos a enfeites, truques, novidades. Às vezes a beleza é uma litania sobre a feiura e a dor.

Perfeitamente. Porque experimento um corpo sujeito à doença, à velhice, à morte, mas creio na ressurreição da carne, na promessa de Jesus: “Aquele que crer em mim viverá para sempre.”

● Como chegou ao título?

● Ferreira Gullar disse, certa vez, que poesia é energia. O que pensa disso?

Cheguei ao título desta vez com um pouco de sofrimento. Passeei bastante por Van Gogh e Chagall, querendo campos,

Assino embaixo. Não sei se nos mesmos termos de Ferreira Gullar. É energia porque é viva, pulsa, tem sangue e alma divina.

● Você não publicava um livro de poesia desde 1999. A Duração do Dia traz, portanto, poemas escritos ao longo destes dez anos ou há material mais antigo?

Tem poemas muito novos e outros que foram extraídos de material antigo, que em seu tempo não estavam resolvidos como poema, mas agora encontraram a sua forma. ● Você também acredita que a forma de criar um poema muda de um para outro, como rezam diversos poetas?

Penso que um autor se escreve. Seu texto é ele mesmo, nem ficção científica escapa. Portanto, se faz uma coisa só, vista a luzes e profundidades diferentes. Do meu limite não há como sair. ● Uma curiosidade de leitor: o que influi para um poema ocupar apenas uma página enquanto outro necessita de várias delas?

A dimensão do poema é do mesmo tamanho do que deve ser dito. Uma cachoeira ou um pingo d’água. ● Você acredita que o escritor se torna mais lúcido, mais criativo, mais capaz, se ele tiver uma obstinação?

Acho obstinação aqui um perigo. Engraçado também. Entendo obstinação em ginastas, ciclistas, corredores de maratonas em atletas. Ainda assim é horrível ver alguns chegarem sem fôlego e trocando as pernas. ● A religião sempre lhe foi inspiradora?

A fé, o contexto de minha religião, doutrina, liturgias, devoções, foram e são experiências vitais para mim, e não há experiência verdadeira que não inspire. A religião, em que pesem excessos ou erros doutrinários, equívocos de catequese, se ela oferece o sentimento de estar ligado a uma fonte de transcendência e sentido, de perenidade, melhor que eu, mais poderosa que eu, onde possa prostrar-me como criatura diante de um Criador, que me castiga, protege e consola, qualquer um de nós tem a terra e o céu para lhe inspirar.


D6 Caderno2 %HermesFileInfo:D-6:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Astral

LEÃO 22-7 a 22-8

ESCORPIÃO 23-10 a 21-11

Você não precisa de sorte, mas de um pouco mais de atenção aos hábitos cotidianos, já que é nesses que se decide o grande destino distorcido ou o caminho glorioso dos bons relacionamentos sociais. Esta é uma decisão.

Neste tempo de complexa natureza onde o destino da civilização está sendo decidido a cada solitário instante, nada deve ser feito de forma inadvertida, porque tudo contribui, positiva ou negativamente, ao processo. As pessoas viciosas não sabem como comportar-se em benefício da civilização e realmente não compreendem a extensão do mal quando se comportam com orgulho, arrogância, vaidade, crueldade e presunção, mas o desconhecimento não as exime de ter de compensar os erros que propagam. Tudo é perdoado, mas tudo deve ser compensado também, esta é a lei cósmica, o que for semeado, deve ser colhido também. As pessoas virtuosas semeiam liberdadeeconhecimentodaVida, paraquetodosse beneficiem comconhecimento e possam fazer parte da graça universal.

É inevitável que você empreenda o que tem em mente, mas as consequências do empreendimento são inevitáveis. Cada passo que você dá, cada atitude que você toma, tudo vincula sua presença ao mundo em que acontece.

Quando chega a hora de tomar duras decisões você não pode argumentar demais a favor de sua segurança, já que as decisões são duras justamente porque envolvem a você também. Nessa hora só o sacrifício resolve.

CINEMA

LITERATURA

VISUAIS

Passatempos

FESTIVAL RECEBE INSCRIÇÕES

CONTO BRASILEIRO É TEMA DE DEBATE

INSTALAÇÃO COM TECNOLOGIA E SOM

Sudoku

O Festival MixBrasil de Cinema da Diversidade Sexual recebe inscrições até o dia 31 deste mês. Marcada para ocorrer entre 11 e 21 de novembro, a 18ª edição receberá os registros de qualquer produção que aborde a sexualidade humana. Elas serão selecionados por um comitê formado por jurados das áreas de cinema, artes cênicas, jornalismo, publicidade e ligadas ao universo GLBT. As inscrições devem ser feitas pelo site www.mixbrasil.org.br . A ficha deve ser enviada, junto com uma cópia do filme para a Praça Américo Jacomino, 81. São Paulo, SP. CEP: 05437-010. O festival é aberto para longa-metragens e curtas de até 25 minutos.

Amanhã, às 19h30, a Academia Internacional de Cinema (AIC) promove um debate sobre o conto brasileiro. O encontro faz parte da aula inaugural do curso de criação literária da instituição. O evento terá presença do poeta e crítico literário Carlos Felipe Moisés, da jornalista Leusa Araújo e da contista e crítica de artes plásticas Verônica Stigger. A mediação será feita pelo jornalista e romancista Roberto Taddei e pelo poeta Donizete Galvão. A entrada é franca. Reservas podem ser feitas pelo tel. 3826-7883. A Academia Internacional de Cinema fica na R. Dr. Gabriel dos Santos, 142 . Mais informações pelo site www.aicinema.com.br.

A partir do próximo domingo, dia 14, o Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641) recebe a instalação Veredas de Remendos, para convidados. O trabalho faz parte do projeto PirarucuDuo, parceria entre Thiago Parizi e Fernando Visockis. Com título inspirado no conto O jardim das veredas que se bifurcam, de Jorge Luis Borges, a obra, composta por canos de PVC, ventoinha, software e hardware, mistura música, arte e tecnologia. O público poderá conferir a instalação sobre sistemas e transformações de 15 a 31 de agosto, com entrada gratuita. Mais informações pelo tel. 3984-2466.

SAGITÁRIO 22-11 a 21-12

PEIXES 20-2 a 20-3

Uma perspectiva maior se impõe a todos nesta época, a de se construírem e estabilizarem laços de cooperação mútua que substituam a antiga e ultrapassada dinâmica da competição. Ainda ninguém sabe como fazer isso.

) "

& )

% $

&

%

" '

( (

#

( !

Solução

&

#$ !

(

& ! # ' " % ) $ (

$

Para jogar: Preencha com números de 1 a 9 os quadrados pequenos, as linhas verticais e horizontais. Não repita. &

Nível Difícil

Pensar positivo só garante uma mente positiva e nada mais. Avanços significativos não acontecem pelo mero ato de pensar positivo, você deve tentar a sorte apesar de tudo ser contrário ao possível progresso.

% ) $ & ( ! # " '

VIRGEM 23-8 a 22-9

As coisas se complicam, mas isso não significa que você deva antever a derrota. Pelo contrário, a complicação pode ser um atrativo a mais no caminho da vitória, um incentivo a você aprimorar suas armas e estratégias.

( ' " ) $ # & ! %

Quadrinhos

GÊMEOS 21-5 a 20-6

AQUÁRIO 21-1 a 19-2

Você não pode transmitir toda a intensidade de sua vida interior, já que outra pessoa não poderia, nem o querendo, ocupar o mesmo lugar de observação que você. Esta é a origem da básica solidão de todo ser humano.

" # ' $ ! ) ( % &

Pequenos, mas firmes movimentos demonstrarão na prática que tudo está infinitamente melhor do que parece. As pessoas, de puro desorientadas e tensas, andam desenhando panoramas complicados, mas ilusórios.

Só as pessoas que transcendem o prazer e a dor podem considerar-se verdadeiramente independentes. Isso pode parecer impossível, mas não é, esse caminho foi praticado e vencido por inúmeros humanos.

) $ ( % # & ! ' "

Vênus em conjunção com Saturno e quadratura com Plutão; Lua será Vazia até 20h24, horário de Brasília.

TOURO 21-4 a 20-5

CAPRICÓRNIO 22-12 a 20-1

! & % " ' ( $ ) #

Lua vazia e complexidade

As atitudes agressivas não poderão ser contraarrestadas com firmeza, mas com você se evadindo delas com suavidade, como se nada tivesse a ver com você. Isso desnorteará e confundirá as pessoas que estendem armadilhas.

$ % ! ( & " ' # )

astro@0-quiroga.com

LIBRA 23-9 a 22-10

As coisas melhoram, as coisas pioram, a oscilação de humores e circunstâncias têm tomado conta da maior parte do tempo. Nada de errado com isso, a não ser que você se esforce demais para se estabilizar num só lado.

# " & ! ) ' % ( $

✽ ●

CÂNCER 21-6 a 21-7

Tudo é negociável, você sabe disso. Porém, os princípios éticos devem ficar de fora de toda negociação, pois sem esses a própria dinâmica da negociação deixaria de conduzir as pessoas envolvidas a um destino bom.

' ( ) # % $ " & !

QUIROGA

ÁRIES 21-3 a 20-4

$ # "

%

Palavras Cruzadas Diretas

Minduim Charles M. Schulz

© Revistas COQUETEL — www.coquetel.com.br

Frank & Ernest Bob Thaves Nascido na Terra Pronome (abrev.) do Sol Nascente

Cada linha da poesia Urdir; tramar

Barack Obama (?) entre nós: em segredo

Futilidade; superficialidade

V Ana (?), enfermeira Gado bovino indiano

Lua, em inglês

Fibra Autor usada na (abrev.) fabricação de sacos Expedição de caça na selva africana Sóror (red.) (?)-duro: alcaguete

(?) de Castro, dama citada em "Os Lusíadas", de Camões Não comedidos

Fase econômica em que São Paulo se desenvolveu (BR) Demi (?), atriz

Maior estado brasileiro (sigla)

P

Ceder Baixo; desprezível

Responsável legal

Trecho solo de óperas Patroa Tecla de gravadores

Martinho (?), líder da Reforma (Rel.)

Emerson Leão, técnico de futebol

Abalado

Tipo de camisa (pl.)

Satélite de Júpiter

(?) bem: causar boa impressão

Acrescentar Radiano (símbolo) Fase fértil do animal

Viver; habitar

Espanha (sigla) Luta (?): modalidade olímpica

D

Esperidião (?), político catarinense

O melhor de Calvin Bill Watterson

Raul Seixas, o Maluco Beleza da MPB

Telúrio (símbolo) Trecho raso de rio

A colheita excessiva de grãos

BANCO

4/amin — moon. 5/moore — ráfia. 6/lutero. 10/entretecer — supersafra.

Recruta Zero Mort Walker

Lançado Construíram (um prédio)

Aqueles de quem se fala

SOLUÇÃO LI

E L C

I M P U L S I V O S

V E F R S M O

N T I V P O N IN E C L O O R T E U T R O R E S U P

P A R E T E C O L I D A N E R I S A F A S D I O D O C A R E A M D A R R O AM A EL R R E M E C I S O C I A R O O A R V E R S A F

A D I T A R R A F I A E D

P R E S I D E N T E D O S E U A

Turma da Mônica Mauricio de Sousa

● Bem pensado

“Onde a força impera, não há amor; onde o amor impera as forças não contam.” Carl Gustav Jung


%HermesFileInfo:D-7:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Caderno2 D7

moda*

O ESSENCIAL (NÃO) É INVISÍVEL AOS

MODA: UMA FILOSOFIA Autor: Lars Svendsen Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges Editora: Zahar (224 págs., R$ 29,00)

OLHOS Três novos livros refletem sobre o glamouroso universo fashion ESPECIAIS PARA O ESTADO

Suas citações buscam revelar que moda nunca foi questão exclusivamente feminina; moda e vestuáriocaminhamdemãosdadas, sem necessariamente serem a mesma coisa; é fundamental entender o contexto humano, social e histórico a que determinado traje pertence. Mesmoaoresgatartemasjábanalizados domundo da moda, há certa surpresa em alguns momentos, como quando cita Michel de Montaigne – que, ao que se sabe até agora, nunca tratou do assunto moda –, aplicando-o ao consumidor moderno, ou talvez pós-moderno. É a característica do autor de relacionar temas que faz com queolivrocresçaempossibilidades: não se trata apenas de mais uma obra de reflexão e de base sobre a moda, mas um indicador de caminhos, que abrirá novos rotas de pesquisa. O que é muito coerente com a trajetória de trabalho acadêmico de Svendsen, que por sua juventude parece garantir espaço para alguns anos de discussão saudável.

Quem passou pela experiência da leitura de O Sistema da Moda, de Roland Barthes, certamente terá o mesmo receio ao encarar Moda, Uma Filosofia, do filósofo Lars Svendsen, dinamarquês e professor do Departamento de FilosofiadaUniversidadedeBergen, na Noruega. Mas, coragem! O trabalho desse pensador contemporâneo é uma surpresa. A primeira agradável descobertadolivroéabuscaporpensamentos e não banalidades do mundo da moda. Não há apelo ao fácil ou ilustrativo, mas uma boa sequência de ideias, que permiteentenderalinhainvestigativa em tratar o vestuário como tema de pesquisa. E, nele, a moda como uma das imposições mais visíveis. É bastante claro e verdadeiro o clamor do autor por uma falta de base teórica para osestudosde teoria da moda, para a qual este livro vem contribuir de forma significativa. Ao traçar um panorama geral do pensamenA Essência do to do mundo conEstilo. O livro retemporâneo socebeu subtítulo breamoda,resgaque esclarece de tandomuitosteóimediato qual sua ricos e períodos função: Como os históricos para CAPITU REFLETE FrancesesInventapoder seguir COSTUMES QUE ram a Alta-Costuadiante, há, pora, a Gastronomia, rém,umapulveriMACHADO os Cafés Chiques, o zação do pensaDOCUMENTOU Estilo, a Sofisticamento do autor. ção e o Glamour. A Mas... Como resgatar textos “sérios”, que tra- discussão remete principalmentam a moda como assunto “sé- te ao reinado de Luís XIV rio”,seaprópriamodapermane- (1661-1715), que a autora, Joan ceu como um campo de pesqui- DeJean, professora de francês sa fútil para a enorme maioria na Universidade da Pensilvânia, dospesquisadores,quenãosear- já tratou em trabalhos anteriores sobre literatura, história e riscou a escrever sobre ela? Emprimeirolugar,resgatando cultura francesas. O livro é um apanhado do quemescreveusobre otema.Afinal, apesar de a moda sempre ter mais chique e glamourizado que sido citada por muitos filósofos, os franceses legaram ao mundo. Svendsen lembra que só dois es- Vistossob aótica de umapesquicreveram livros sobre ela: Georg sadora interessada em contexSimmel (Filosofia da Moda, 1904) tos sociais (por vezes um pouco e Gilles Lipovetsky (O Império do suavizados) e entendimento das Efêmero, 1989, entre outros), que estruturas políticas do reinado recebe tratamento especial, já do Rei Sol, faz-se digna justiça a queseráquestionadoemsuasba- um gênio do pensamento polítises conceituais, em um dos me- co e econômico: Colbert, ministro das finanças do Rei. lhores momentos do livro.

MODA E IRONIA EM DOM CASMURRO Autora: Geanneti Tavares Salomon Editora: Alameda (196 págs., R$ 46,00)

A ESSÊNCIA DO ESTILO Autora: Joan DeJean Tradução: Monica Reis Editora: Civilização Brasileira (350 págs., R$ 55,00)

REPRODUÇÕES

Rosane Muniz e Fausto Viana

Moderno Croqui de Lagerfeld para a peça Mademoiselle Chanel

A autora trata o estilo como um assunto de Estado. O plano de Colbert era que todos os artigosconsiderados essenciaispara promovera imagem do Rei como o maisrico, sofisticado e poderoso monarca da Europa fossem produzidos na França. Depois, garantia que um número máximo de pessoas seguisse as normas do Rei e adquirisse artigos semelhantes aos de Versalhes. Dividido em temas mais ou menos independentes – a necessidade do luxo e do consumo são motes condutores –, o livro seria apenas um manual de curiosidades, com informações corriqueiraseconhecidasdo leitorque entende a tradição francesa nas áreas da moda, gastronomia e do estilo, em síntese. Mas o apelo reside justamente na segurança que dá ao leitor, transformandose em boa fonte de pesquisa e referência, para então levá-lo a buscar novos conhecimentos. Moda e Ironia em Dom Casmurro. O crítico americano Harold

Bloom inclui Machado de Assis na mesma categoria de William Blake e Jorge Luis Borges, quando o coloca entre os cem maiores gênios da literatura mundial. E é justamente na obra machadianaque Modae ironia emDom Casmurro busca um fio condutor para o estudo da moda brasileira no século 19. O livro, resultado da dissertaçãodemestrado deGeannetiTavares Salomon, professora de Moda em Belo Horizonte, trata a moda como “forma de expressão do indivíduo”, que deve ser analisado sob vários aspectos das ciências humanas, entre elas economia, psicologia, semiologia e filosofia. Da bem embasada bibliografia – na qual há uma breve lacuna de TeatrodeMachado deAssis (Organização de João Roberto Faria) – a autora pinça o precursor trabalho da filósofa Gilda de Mello e Souza (O Espírito das Roupas), quedáaMachadodeAssiso estatuto de documentalista dos modos e costumes do período em que viveu. Como traça um bem elaborado painel da vida social no Rio por intermédio de Dom Casmurro, era apenas natural que a presença da vida teatral aparecesse no contexto do livro, já que era o meio de comunicação de massa do momento. E como Machado não deixou a moda passar impuneemsuaobrapeloentendimentocríticodaimportânciadofenômeno, um ponto alto é a discussão sobre o “teatro do cotidiano”, da representação humana que tem como pano de fundo o cenário da vida real e o “teatro” como obra artística, que está em Marcas da Representação no Figurino de Teatro. Com uma reflexão crítica que contribui para sua área de estudo, ainda bastante carente, e orientada para a formação de jovens de graduação em moda, a autora inclui um bom panorama do que é moda, com definições de vestimenta e indumentária, além de inserções significativas de autores contemporâneos que pensam a moda, reservando espaço especial aos brasileiros, que vêm firmando essa linha de pesquisa no Brasil há anos. Luxo Ilustração de A Essência do Estilo: legado francês


D8 Caderno2 %HermesFileInfo:D-8:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Guia. Cinema

★ ruim

ESTREIAS

EM CARTAZ

400 Contra 1 – Uma História do Crime Organizado ★★

15 Anos e Meio

Brasil/2009, 98 min. Drama. Dir. Caco Souza. Com Daniel de Oliveira, Daniela Escobar e Negra Li. Conta a origem do Comando Vermelho a partir da história de William da Silva, que vai preso na Ilha Grande (RJ) nos anos 70. Lá, tem de lidar com presos políticos, tentativas de fuga e confrontos com policiais. 18 anos. Anália Franco, Belas Artes, Bourbon, Bristol, Central Plaza, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Interlagos, Interlar Aricanduva, Jardim Sul, Kinoplex Itaim, Kinoplex Vila Olímpia, Marabá, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, Pátio Paulista Playarte, Reserva Cultural, Santana Plaza, Shopping D, SP Market.

O Estranho em Mim ★★★

Das Fremde in Mir, Alemanha/2008, 99 min. Drama. Dir. Emily Atef. Com Susanne Wolff, Johann von Bülow e Maren Kroymann. O jovem casal Rebecca e Julian tem seu primeiro filho. Mas Rebecca parece não ter o instinto materno que outras mulheres possuem. Ela entra em uma profunda depressão e percebe que pode ser uma ameaça para o próprio filho. 14 anos. Cine Bombril, Cine Sabesp, Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Meu Malvado Favorito ★★★

Despicable Me, EUA/2010, 92 min. Animação. Dir. Pierre Coffin e Chris Renaud. Vozes de Steve Carell, Julie Andrews e Jason Segel na versão original. Gru precisa recuperar o seu posto de vilão mais malvado, roubado por Vector. Para isso, ele decide roubar a Lua. Mas três meninas órfãs, que precisam de seus cuidados, podem acabar com o plano. Livre. DUBLADO: Anália Franco (3D), Boavista, Boulevard Tatuapé, Bourbon (3D), Bristol, Butantã, Campo Limpo (3D), Center Norte, Central Plaza (3D), Cidade Jardim (3D), Cine Tam (3D), Eldorado (3D), Frei Caneca Unibanco Arteplex (3D), Iguatemi (3D), Interlagos (3D), Interlar Aricanduva, Jardim Sul (3D), Kinoplex Itaim (3D), Kinoplex Vila Olímpia (3D), Lapa, Marabá (3D), Market Place (3D), Metrô Itaquera (3D), Metrô Santa Cruz (3D), Metrô Tatuapé (3D), Pátio Higienópolis (3D), Pátio Paulista Cinemark (3D), Penha, Plaza Sul, Santana Plaza (3D), Shopping D (3D), SP Market (3D), Villa-Lobos (3D), West Plaza.

A Origem ★★★★★

Inception, EUA-Reino Unido/2010, 148 min. Ação. Dir. Christopher Nolan. Com Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ellen Page e Michael Caine. Dom Cobb, espião industrial capaz de entrar no sonho das pessoas, recebe uma missão especial: implantar uma ideia na mente do herdeiro de uma grande empresa. A tarefa, porém, exige uma viagem por vários níveis do subconsciente. 14 anos. DUBLADO: Anália Franco, Boavista, Bourbon, Campo Limpo, Central Plaza, Interlagos, Interlar Aricanduva, Jardim Sul, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Penha, Santana Plaza, Shopping D, SP Market. LEGENDADO: Anália Franco, Boulevard Tatuapé, Bourbon (Imax), Bristol, Center Norte, Central Plaza, Cidade Jardim, Cine Tam, Eldorado, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Iguatemi, Interlagos, Jardim Sul, Kinoplex Itaim, Kinoplex Vila Olímpia, Marabá, Market Place, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista Cinemark, Plaza Sul, Santana Plaza, Shopping D, SP Market, Villa-Lobos.

Quando Me Apaixono ★★★

Then She Found Me, EUA/2010, 139 min. Comédia. Dir. Helen Hunt. Com Helen Hunt, Colin Firth e Matthew Broderick. April está passando por tempos difíceis: o marido a abandonou, a mãe adotiva faleceu e a mãe biológica decidiu ser uma excêntrica apresentadora de TV. 12 anos. Bourbon, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Reserva Cultural.

15 Ans et Demi, França/2008, 97 min. Comédia. Dir. François Desagnat e Thomas Sorriaux. Com Daniel Auteuil, Juliette Lamboley e François Damiens. O cientista Philippe Le Tallec tem de retornar à França para cuidar da sua filha adolescente, a quem não via há muitos anos. 14 anos. Belas Artes.

Aproximação ★★★★ Disengagement, Alemanha-Itália-Israel-França/2007, 115 min. Drama. Dir. Amos Gitai. Com Juliette Binoche, Liron Levo, Jeanne Moreau. Após a morte de seu pai, Ana decide tentar encontrar a filha, que abandonou quando era adolescente. A busca a leva a Israel, no momento em que as tropas do país se retiram da Faixa de Gaza. 12 anos. Belas Artes.

O Bem Amado ★★ Brasil/2010, 110 min. Comédia. Dir. Guel Arraes. Com Marco Nanini, José Wilker, Drica Moraes, Matheus Nachtergaele e Andréa Beltrão. Na cidadezinha de Sucupira, o prefeito corrupto Odorico Paraguaçu faz de tudo para que alguém morra e inaugure o cemitério local, grande obra de seu mandato. 12 anos. Anália Franco, Boavista, Bourbon, Bristol, Central Plaza, Cidade Jardim, Cine Bombril, Cine Tam, Eldorado, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Iguatemi, Interlagos, Interlar Aricanduva, Jardim Sul, Kinoplex Itaim, Kinoplex Vila Olímpia, Market Place, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista Cinemark, Penha, Santana Plaza, Shopping D, SP Market, Villa-Lobos.

Brilho de uma Paixão ★★★★

Bright Star, Austrália-França-Reino Unido/2009, 119 min. Drama. Dir. Jane Campion. Com Abbie Cornish, Ben Whishaw e Paul Schneider. Baseado em uma história real, o filme se passa em 1819 e narra a história de Fanny, uma garota que se apaixona pelo poeta John Keats. 12 anos. Bristol, Cine Uol Lumière, Gemini, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé.

DUBLADO: Central Plaza, Interlagos, Interlar Aricanduva, Metrô Tatuapé, Shopping D, SP Market. LEGENDADO: Anália Franco, Boulevard Tatuapé, Bourbon, Bristol, Center Norte, Central Plaza, Cidade Jardim, Eldorado, Iguatemi, Jardim Sul, Kinoplex Itaim, Kinoplex Vila Olímpia, Marabá, Market Place, Metrô Santa Cruz, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista Cinemark, Plaza Sul, Villa-Lobos.

O Escritor Fantasma ★★★★ The Ghost Writer, Alemanha-EUA/2010, 128 min. Drama. Dir. Roman Polanski. Com Ewan McGregor, Pierce Brosnan e Tom Wilkinson. Um escritor é contratado para redigir um livro sobre as memórias de Adam Lang, primeiro-ministro da Inglaterra. Durante a pesquisa biográfica, contudo, ele descobre segredos do passado do político que podem colocar sua vida em risco. 12 anos. Belas Artes, Espaço Unibanco, Gemini.

A Fita Branca ★★★★ Das Weisse Band – Eine Deutsche Kindergeschichte, Alemanha-Áustria-França-Itália/2009, 144 min. Drama. Dir. Michael Haneke. Com Christian Friedel, Ernst Jacobi, Leonie Benesch. No ano de 1913, uma pequena cidade da Alemanha começa a presenciar estranhos eventos. 16 anos. Belas Artes.

Flor do Deserto ★★★ Desert Flower, Alemanha-Áustria-Reino Unido/2009, 120 min. Drama. Dir. Sherry Horman. Com Liya Kebede, Sally Hawkins e Craig Parkinson. Baseado no best-seller ‘Desert Flower’, conta a trajetória da modelo Waris Dirie, desde sua infância sofrida na Somália até a carreira de sucesso nos Estados Unidos. 14 anos. Reserva Cultural.

O Grão ★★★ Brasil/2007, 88 min. Drama. Dir. Petrus Cariry. Com Nanego Lira, Leuda Bandeira e Luís Felipe Ferreira. Perpétua sente que a morte se aproxima e decide preparar seu neto, Zeca, para a separação. Paralelamente, Damião e Josefa se esforçam para preparar o casamento da filha e sustentar a família. 10 anos. Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Cartas para Julieta ★★ Letters To Juliet, EUA/2010, 105 min. Romance. Dir. Gary Winick. Com Amanda Seyfried, Gael García Bernal e Vanessa Redgrave. Em viagem à Itália, Sophie descobre que mulheres com problemas amorosos deixam cartas endereçadas a Julieta em um muro, pedindo conselhos. Sophie encontra uma mensagem escrita há cinquenta anos e decide ajudar sua autora a encontrar seu amor do passado. 10 anos. Gemini, Kinoplex Itaim.

Hanami – Cerejeiras em Flor

★★★★ Kirschblüten – Hanami, Alemanha–França/2008, 127 min. Drama. Dir. Doris Dörrie. Com Elmar Wepper e Hannelore Elsner. Trudi fica sabendo que seu marido Rudi tem pouco tempo de vida. Mas, sem contar nada, ela

decide fazer com que Rudi aproveite com alegria o tempo que lhe resta. Um incidente muda o curso da história. 14 anos. Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Os Homens que Não Amavam as Mulheres ★★★ Män Som Hatar Kvinnor, Suécia/2009, 152 min. Suspense. Dir. Niels Arden Oplev. Com Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre. Baseado no best-seller de Stieg Larsson, o filme narra a história de um jornalista e uma detetive particular que precisam investigar o caso de uma garota que desapareceu há 36 anos. 16 anos. Belas Artes.

Ilha do Medo ★★★★ Shutter Island, EUA/2009, 148 min. Drama. Dir. Martin Scorsese. Com Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo. O detetive Teddy Daniels viaja até um hospital psiquiátrico – localizado em uma ilha – de onde uma perigosa assassina fugiu. Ao longo de sua investigação, porém, ele percebe que os médicos podem ser os verdadeiros vilões – e que ele pode ser uma vítima. E tem de tentar escapar (ou descobrir a verdade). 16 anos. Belas Artes.

A Jovem Rainha Vitória ★★★ The Young Victoria, EUA-Reino Unido/2009, 100 min. Drama. Dir. Jean-Marc Vallée. Com Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany. Vitória assume o trono da Inglaterra logo que atinge a maioridade. Como rainha, precisa enfrentar uma crise constitucional e lidar com seus sentimentos, divididos entre o príncipe Albert e o lorde Melbourne. 10 anos. Reserva Cultural.

Kick-Ass – Quebrando Tudo ★ Kick-Ass, EUA/2010, 118 min. Ação. Dir. Matthew Vaughn. Com Aaron Johnson. Dave está cansado de sofrer injustiças nas ruas. Influenciado por histórias em quadrinhos, ele sai pela cidade, vestindo uma fantasia, para enfrentar bandidos. 16 anos. Cine Segall.

Mademoiselle Chambon ★★★ França/2009, 101 min. Drama. Dir. Stéphane Brizé. Com Vincent Lindon e Sandrine Kiberlain. Jean é um pai de família que tem uma vida tranquila. Mas isso muda quando ele se vê atraído pela professora de seus filhos, Mademoiselle Chambon. 12 anos. Reserva Cultural.

Mary e Max – Uma Amizade Dife-

rente ★★★ Mary and Max, Austrália/2009, 93 min. Animação. Dir. Adam Elliot. A amizade entre Mary, uma menina solitária de oito anos, e Max, um homem de quarenta anos que vive sozinho em Nova York. Livre. Belas Artes.

Medos Privados em Lugares Públicos ★★★★

Brasil/2009, 110 min. Documentário. Dir. Tatiana Issa e Raphael Alvarez. Com depoimentos de Liza Minnelli, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Miguel Falabella e Marília Pera. No período da Ditadura Militar no Brasil, o grupo de dança Dzi Croquettes, formado por homens que usavam vestidos e sapatos de salto alto, confrontou a repressão do governo. 10 anos. Belas Artes, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Reserva Cultural.

Encontro Explosivo ★★★ Knight and Day, EUA/2010, 110 min. Ação. Dir. James Mangold. Com Tom Cruise, Cameron Diaz. A solitária June se interessa por Ray, um homem que conheceu em um avião. Mas ela descobre que ele é um agente secreto e é forçada a segui-lo em uma viagem pelo mundo – e tentar sobreviver às suas missões. 14 anos.

Predadores ★★

Coeurs, França-Itália/2006, 120 min. Drama. Dir. Alain Resnais. Com Sabine Azéma e Lambert Wilson. As carências e fantasias secretas de um grupo de personagens, entre eles um corretor de imóveis apaixonado por sua colega de trabalho, um ex-militar desempregado e em crise afetiva e uma jovem solitária adepta de encontros marcados por anúncios de jornal. 16 anos. Belas Artes.

Predators, EUA/2010, 107 min. Ficção Científica. Dir. Nimród Antal. Com Adrien Brody, Alice Braga e Laurence Fishburne. Royce é um militar que está um planeta estranho e precisa liderar grupo de pessoas pelas florestas perigosas, enquanto são caçados por predadores alienígenas. 16 anos. Interlar Aricanduva. LEGENDADO: Bristol, Butantã, Marabá.

As Melhores Coisas do Mundo

O Profeta ★★★★

★★★★ Brasil/2009, 107 min. Drama. Dir. Laís Bodanzky. Com Francisco Miguez, Caio Blat, Paulo Vilhena e Denise Fraga. A história de Mano, um garoto que passa por experiências e confusões típicas da adolescência. Inspirado na série de livros de Gilberto Dimenstein e Heloisa Pietro. 14 anos. Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Uma Noite em 67 ★★★★

Brasil/2010, 85 min) – Documentário. Dir. Renato Terra e Ricardo Calil. Depoimentos de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Roberto Carlos. O documentário relembra a final do 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, realizado em 1967, e os artistas que brilharam naquela noite com canções que marcaram época. Livre. Bourbon, Cine Bombril, Cine Uol Lumière, Espaço Unibanco, Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Um Novo Caminho ★★★

Le Dernier Pour la Route, França/2009, 106 min) – Drama. Dir. Philippe Godeau. Com François Cluzet, Mélanie Thierry e Michel Vuillermoz. Hervé é internado em uma clínica de reabilitação, devido à dependência alcoólica. Lá, ele se apaixona pela jovem Magali. 14 anos. Belas Artes, Cine Uol Lumière, Reserva Cultural.

O Pequeno Nicolau ★★★★

Le Petit Nicolas, França/2009, 91 min. Infantil. Dir. Laurent Tirard. Com Máxime Godart, Valérie Lemercier e Kad Merad. Baseado na história de René Goscinny (criador de ‘Asterix’) e Jean-Jacques Sempé, conta a história de Nicolau, um menino que tem medo de ser ignorado pelos pais quando suspeita que eles esperam um outro bebê. Livre. DUBLADO: Shopping D. LEGENDADO: Belas Artes, Espaço Unibanco, Reserva Cultural.

Un Prophète, França/2009, 155 min. Drama. Dir. Jacques Audiard. Com Tahar Rahim, Niels Arestrup e Adel Bencherif. Malik El Djebena é condenado a seis anos de prisão. Na cadeia, recebe ordens e missões do líder de uma gangue. Mas Malik não quer apenas obedecer e começa a bolar seus próprios planos. 18 anos. Espaço Unibanco, Reserva Cultural.

À Prova de Morte ★★★ Death Proof, EUA/2007, 114 min. Ação. Dir. Quentin Tarantino. Com Kurt Russell, Sydney Tamiia Poitier, Zoe Bell e Rosario Dawson. Dividido em dois momentos, o filme conta a história de um dublê psicopata que usa um carro indestrutível para perseguir e assassinar oito mulheres. 14 anos. Belas Artes, Bristol, Espaço Unibanco.

A Saga Crepúsculo: Eclipse ★★

The Twilight Saga: Eclipse, EUA/2010, 135 min. Romance. Dir. David Slade. Com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner. Bella precisa fazer escolher entre ficar com seu verdadeiro amor, o vampiro Edward, ou conservar a amizade com o lobisomem Jacob. 12 anos. DUBLADO: Anália Franco, Boavista, Butantã, Campo Limpo, Center Norte, Central Plaza, Interlagos, Interlar Aricanduva, Itaim Paulista, Marabá, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Penha, Plaza Sul, Shopping D, SP Market, West Plaza. LEGENDADO: Boulevard Tatuapé, Central Plaza, Interlar Aricanduva, Jardim Sul, Market Place, Santana Plaza, VillaLobos.

Salt ★★

Gake no ue no Ponyo/Ponyo on the Cliff by the Sea, Japão/2008, 101 min. Animação. Dir. Hayao Miyazaki. A peixinha dourada Ponyo cria uma grande amizade com o garoto Sosuke. Para passar mais tempo com ele, resolve se tornar humana. 10 anos. DUBLADO: Anália Franco, Bourbon, Interlar Aricanduva, Jardim Sul, Kinoplex Vila Olímpia, Pátio Paulista Playarte, Plaza Sul, SP Market. LEGENDADO: Bristol, Santana Plaza.

EUA/2010, 100 min. Ação. Dir. Phillip Noyce. Com Angelina Jolie, Chiwetel Ejiofor e Liev Schreiber. Agente secreta da CIA é acusada de ser espiã russa. Agora, tem uma nova missão: escapar de seus inimigos e provar sua inocência. 14 anos. DUBLADO: Boavista, Campo Limpo, Eldorado, Interlar Aricanduva, Kinoplex Vila Olímpia, Lapa, Metrô Itaquera, Metrô Tatuapé, Penha, Shopping D, SP Market. LEGENDADO: Anália Franco, Boulevard Tatuapé, Bourbon, Bristol, Center Norte, Central Plaza, Cidade Jardim, Cine Tam, Eldorado, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Iguatemi, Interlagos, Jardim Sul, Kinoplex Itaim, Kinoplex Vila Olímpia, Marabá, Market Place, Metrô Santa Cruz, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista Cinemark, Plaza Sul, Santana Plaza, Villa-Lobos.

O Preço da Traição ★★★

O Segredo dos seus Olhos ★★★

Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar ★★★★

Dzi Croquettes ★★★

Chloe, Canadá-EUA-França/2009, 99 min. Drama. Dir. Atom Egoyan. Com Julianne Moore, Liam Neeson e Amanda Seyfried. O relacionamento de Catherine e David vai bem, até que ela passa a suspeitar de que o marido a trai. Catherine decide, então, contratar uma garota de programa para seduzir David e testar sua fidelidade. 16 anos. Cine Segall, Gemini.

Meu Malvado Favorito. Vilão quer roubar a lua

El Secreto de sus Ojos, Argentina-Espanha/2009, 127 min. Drama. Dir. Juan José Campanella. Com Ricardo Darín e Soledad Villamil. Uma mulher é assassinada em Buenos Aires. Mas seu assassino é logo solto, por um erro da justiça. Vinte e cinco anos mais tarde, o policial Benjamín Espósito resolve retomar a investigação. 14 anos. Belas Artes, Gemini.

Sempre Bela ★★★★

Belle Toujours, França-Portugal, 70 min. Dra-

Cine. Salas. Horários Esta programação é de responsabilidade exclusiva dos exibidores e pode ser alterada à última hora. Confira pelo telefone antes de sair de casa + = também e menos = não haverá sessão

CINECLUBES E SALAS ESPECIAIS ★ Centro Cultural Banco do Brasil (70 lug.). R. Álvares Penteado,112, Centro. 3113-3651. Grátis e R$ 4. O Melhor de Russ Meyer. Filmes e horários variados. ★ Cine Segall - Museu Lasar Segall (100 lug.). R. Berta, 111, V. Mariana. 5574-7322. De R$ 5 a R$ 10.Kick Ass - Quebrando Tudo - 18a. - 17h00. O Preço da Traição - 14a. - 15h00 / 19h20. ★ MIS (185lug.). Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Av. Europa, 158, Jd. Europa. 2117-4777. R$ 4. Rojo Nova - Cultura Contemporânea. Filmes e horários variados. ★ Cinemateca Brasileira - Sala Petrobrás (110 lug.), Sala BNDES (210 lug.). Lgo. Senador Raul Cardoso, 207, V. Clementino. 3512-6111. Grátis e R$ 8.Fábrica de Sonhos: 100 Anos de Cinema e Psicanálise (IPA). Filmes e horários variados. IV Jornada Brasileira do Cinema Silencioso Filmes e horários variados. AUGUSTA, PAULISTA E JARDINS ★ Belas Artes R. da Consolação, 2.423, Cerq. César. 3258-4092. De R$ 8 a R$ 16. ● 1 (293 lug.). 400 Contra 1 - 18a. 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ● 2 (245 lug.). Mary e Max - 12a. - 14h00. 15 Anos e Meio - 16a. - 16h00 / 18h20. O Segredo dos Seus Olhos - 12a. - 20h30. ● 3 (163 lug.). Um Novo Caminho - 14a. - 14h00 / 20h30. Dzi Croquettes - 10a. 16h00 / 18h20. ● 4 (154 lug.). Aproximação - 12a. 15h40. Os Homens Que Não Amavam as Mulheres - 16a. - 18h10. A Ilha do Medo - 16a. - 21h10.● 5 (97 lug.). A Fita Branca - 12a. 14h00. O Escritor Fantasma - 14a. 16h50. Cineclube: Da Vida das Marionetes 19h20. Medos Privados em Lugares Públicos 21h30.● 6 (88 lug.). O Pequeno Nicolau 14h10 / 18h20. À Prova de Morte - 16a. - 16h00 / 20h20. ★ Bristol - Playarte Av. Paulista, 2.064. 3289-0509. De R$ 15 a R$ 27. ● 1 (444 lug.). A Origem - 14a. - 12h20 / 15h15 / 18h10 / 21h05. ● 2 (144 lug.).Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ● 3 (144 lug.). Ponyo - L. - 13h00 / 15h10 / 17h20 / 19h30 / 21h40. ● 4 (177 lug.). 400 Contra 1 - 18a. 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 5 (133 lug.). Predadores - 14a. - 14h10. Encontro Explosivo - 14a. - 16h20. À Prova de Morte - 16a. - 21h10. Brilho de Uma Paixão - 12a. - 18h35. ● 6 (242 lug.). Salt - 14a. - 13h00 / 15h05 / 17h10 / 19h15 / 21h20. ● 7 (115 lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h30 / 14h45 / 17h00 / 19h15 / 21h30. ★ Cine Bombril Av. Paulista, 2.073. 3285-3696. De R$ 16 a R$ 18. 4ª R$ 12. Sessão Folha: De R$ 5 a R$ 10. Poltronas numeradas. ● 1 (300 lug.). O Estranho em Mim - 14a. 14h30 / 16h50 / 19h10 / 21h20. ● 2 (100 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h00 / 21h50. Todo Poderoso: O Filme - 100 Anos de Timão - L. 16h00 / 20h00. Projeto Folha: Uma Noite em 67 - L. 18h00. ★ Cinesesc (326 lug.). R. Augusta, 2.075, Jd. Paulista. 3087-0500. De R$ 8 a R$ 12.Vincere - 16a. - 19h00 / 21h30. 14º Festival de Cinema Judaico - 14h30 / 16h30. Cine clubinho - 11h00. ★ Espaço Unibanco R. Augusta, 1.475, Cerq. César. 3288-6780. De R$ 12 a R$ 18. 5ª R$ 8. ● 1 (268 lug.). Uma Noite em 67 - L. 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 2 (240 lug.). O Estranho Em Mim - 14a. 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ● 3 (189 lug.). Tudo Pode Dar Certo - 12a. - 14h00 / 18h00 / 22h00. O Escritor Fantasma - 12a. - 15h40 / 19h40.

★ Espaço Unibanco R. Augusta, 1.470, Cerq. César. 3287-5590. De R$ 12 a R$ 18. 4 (107 lug.). Á Prova de Morte - 16a. -14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ● 5 (51 lug.). O Pequeno Nicolau - L. 14h00 / 16h00. Solo - L. 17h50. Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo - 14a. 19h30. O Profeta - 18a. - 21h10. ★ Gemini Av. Paulista, 807. 3289-3566. De R$ 14 a R$ 16. ● 1 (379 lug.). Tudo Pode Dar Certo - 14a. - 14h10 / 19h50. O Preço da Traição - 16a. - 16h00. Cartas Para Julieta 17h50 / 21h40.● 2 (379 lug. ). Cartas Para Julieta 14h30. O Segredo dos Seus Olhos 16h40. Brilho de Uma Paixão 19h00. O Escritor Fantasma 21h20. ★ Reserva Cultural Av. Paulista, 900. 3287-3529. De R$ 13 a R$ 20. ● 1 (190 lug.). 400 Contra 1 - 18a. 13h20 / 15h10 / 17h00 / 18h50 / 20h40. ● 2 (161 lug.). A Jovem Rainha Vitória - 10a. 13h25. A Flor do Deserto - 14a. 15h20. Quando Me Apaixono 17h40 / 19h40 / 21h35. ● 3 (120 lug.). O Pequeno Nicolau - L. - 13h40 / 15h30 / 19h30. Dzi Croquettes - 10a. - 17h20 / 21h20. ● 4 (110 lug.). Medemoiselle Chambon - L. - 13h00. Um Novo Caminho - 14a. - 15h00 / 17h05 / 19h10. O Profeta - 18a. - 21h15. CENTRO ★ Marabá Av. Ipiranga, 757, Centro. 5053-6881. De R$ 9 a R$ 16. ● 1 (430lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ● 2 (122 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h30 / 14h30. Encontro Explosivo - 14a. - 19h15. Predadores - 14a. - 21h30. Eclipse - dub. - 14a. - 16h30. ● 3 (133 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 12h45 / 14h45 / 16h45 / 18h45 / 20h45.● 4 (161 lug.). Salt - 14a. 12h55 / 15h00 / 17h05 / 19h10 / 21h15. ● 5 (176 lug.). A Origem - 14a. - 14h40 / 17h35 / 20h30. BAIRROS ★ Cine Sabesp (271 lug.). R. Fradique Coutinho, 361, Pinheiros. 5096-0585. De R$ 16 a R$ 18. 4ª R$ 12.O Estranho em Mim 14a. 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. Antes Que o Mundo Acabe - 10a. - 14h00. ★ Itaim Paulista Av. Marechal Tito, 7.579. Itaim Paulista. 2571-7649. De R$ 4 a R$ 8.● 1 (187 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h00. Eclipse - dub. - 14a. - 16h10 / 18h40 / 21h00. ● 2 (161 lug.). Shrek Para Sempre dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ★ Kinoplex Itaim R. Joaquim Floriano, 466, Itaim Bibi. 3131-2006. De R$ 18 a R$ 23. 3D De R$ 26 a R$ 29. Poltronas numeradas. ● 1 (187lug.). 400 Contra 1 - 18a. 14h50 / 17h20 / 19h30 / 21h40. ● 2 (161 lug.). Salt 14a. - 13h00 / 15h00 / 17h10 / 19h20 / 21h30. ● 3 (184 lug.). Cartas Para Julieta - 10a. - 14h00 / 19h00. Encontro Explosivo - 14a. - 16h30 / 21h35. ● 4 (158 lug.). O Bem Amado - 12a. - 13h50 / 16h10 / 18h30 / 21h00. ● 5 (321 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 14h40 / 16h50 / 19h00 / 21h10. ● 6 (319 lug.). A Origem - 14a. - 14h50 / 17h50 / 20h50. ★ Cine UOL Lumière - Playarte R. Joaquim Floriano, 339, Itaim Bibi. 3071-4418. De R$ 15 a R$ 19.● 1 (195 lug.). Brilho de Uma Paixão - 16a. - 13h30 / 21h00. Um Novo Caminho - 14a. 16h00 / 18h30. ● 2 (170 lug.). Uma Noite em 67 - L. 13h00 / 15h30 / 17h30 / 19h30 / 21h30. SHOPPINGS ★ Anália Franco - UCI R. Regente Feijó, 1.739, Tatuapé. 2164-7790. De R$ 11 a R$ 17. (*) 3D De R$ 19 a R$ 23. 2ª R$ 6. ● 1 (382 lug.). A Origem - 14a. - 13h25 / 16h25 / 19h25 / 22h30. ● 2 (308 lug.). A Origem - dub. - 14a. 12h00 / 15h00 / 18h00 / 21h00. ● 3 (242 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 17h45 / 19h50 / 21h55. Eclipse - dub. - 14a. - 15h05. ● 4 (120 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h00 / 15h25 /

17h50. Encontro Explosivo - 14a. - 20h15 / 22h35. ● 5 (132 lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h30 / 14h50 / 17h10 / 19h30 / 21h50. ● 6 (239 lug.). Ponyo Uma Amizade que Veio do Mar - dub. - L. - 12h10. Salt - 14a. - 14h25 / 16h35 / 18h45 / 20h55. ● 7* (418 lug.). Meu Malvado Favorito 3D - dub. - L. 12h00 / 14h05 / 16h10 / 18h15 / 20h20 / 22h25. ● 8 (295 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 13h05 / 15h10 / 17h15 / 19h20 / 21h25. ● 9 (203 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 13h50 / 15h55 / 18h00 / 20h05 / 22h10. ★ Boavista R. Borba Gato, 59, Santo Amaro. 5547-6060. De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (183 lug.). Meu Malvado Favorito dub. - L. - 13h45 / 15h40 / 17h40 / 19h40 / 21h40. ● 2 (330 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 14h30 / 17h20 / 20h15. ● 3 (118 lug.). Salt - dub. - 14a. - 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ● 4 (95 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 14h50 / 16h50 / 18h50. Eclipse - dub. - 14a. - 20h45. ● 5 (95 lug.). O Bem Amado 12a. - 13h40 / 21h45. Shrek Para Sempre - dub. - L. - 15h50 / 17h50 / 19h50. ★ Bourbon - Espaço Unibanco R. Turiaçu, 2.100, Pompeia. 3673-3949. De R$ 16 a R$ 20. 4ª R$ 12. 3D R$ 22 a R$ 24. (*)Vip.● 1 (213 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 13h30 / 15h30 / 17h30 / 19h30 / 21h30. ● 2 (202 lug.). Salt 14a. - 13h00 / 15h00 / 17h10 / 19h20 / 21h30. ● 3 (202 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 4 (213 lug.). 400 Contra 1 - 18a. 13h20 / 15h30 / 17h40 / 19h50 / 22h00. ● 5 (202 lug.). A Origem - 14a. - 15h00 / 18h00 / 21h00. ● 6 (202 lug.). A Origem - 14a. 14h00 / 17h00 / 20h00. ● 7 (122 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h20 / 16h40 / 19h00 / 21h20. ● 8 (121 lug.). Ponyo - dub. - L. - 13h10 / 15h00 / 17h00. Encontro Explosivo - 14a. - 19h20 / 21h30. ● 9 (122 lug.). Quando Me Apaixono - 12a. 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h50. ● 10* ( 62 lug.). Uma Noite em 67 L. 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ★ Bourbon - Espaço Unibanco Imax (327 lug.) R. Turiaçu, 2.100, Pompeia. 3673-3949. De R$ 22 a R$ 34. Um Mar de Aventuras 3D - L. - 11h00. A Origem - 14a. - 13h00 / 15h50 / 18h40 / 21h40. ★ Butantã - Playarte Av. Prof. Francisco Morato, 2.718, Butantã. 5053-6938. De R$ 10 a R$ 14.● 1 (220 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ● 2 (211 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 3 (140 lug.). Toy Story 3 - dub. L. - 12h05 / 14h20 / 16h35. Eclipse - dub. - 14a. 18h50. Predadores - 14a. - 21h30. ★ Campo Limpo Estr. de Campo Limpo, 459 , 2º Piso. 5512-7596. De R$ 7 a R$ 14. (*) 3D De R$ 9 a R$ 18. ● 1 (238 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 14h00 / 15h45 / 17h30 / 19h15 / 21h00. ● 2 (298 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 15h30 / 17h15 / 19h00. Eclipse dub. - 14a. - 21h00. ● 3* ( 354lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00.● 4 (356 lug.).A Origem - dub. - 14a. 15h00 / 17h45 / 20h30. ● 5 (328 lug.).Salt - dub. 14a. - 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h15. ★ Center Norte - Cinemark Trav. Casalbuono, 127, V. Guilherme. 2252-2395. De R$ 14 a R$ 25. ● 1 (325 lug.).Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h15 / 13h20 / 15h30 / 17h40 / 19h50. Legendado 22h00. ● 2 (256 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h00 / 13h10 / 15h20 / 17h30 / 19h40. ● 3 (260 lug.). Salt - 14a. - 12h30 / 15h00 / 18h10 / 21h20. ● 4 (224 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 11h10 / 13h40 / 16h10. Encontro Explosivo - 14a. - 18h55 / 22h10. ● 5 (316 lug.). A Origem 14a. - 13h00 / 16h05 / 19h10 / 22h20. ★ Centerplex Lapa R. Catão, 72, Lapa. 4005-9080. De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (291 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. 14h00 / 16h15 / 18h30/ 20h40. ● 2 (151 lug.). Shrek

Para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h05 / 19h00 / 21h00. ● 3 (151 lug.). Salt - dub. - 14a. 14h20 / 16h30 / 18h45 / 21h15. ★ Central Plaza - Cinemark Av. Dr. Francisco Mesquita, 1.000, Ipiranga. 2914-7859. De R$ 11 a R$ 23. ● 1 (320 lug.). A Origem - 14a. - 11h05 / 14h00 / 17h10 / 20h10. ● 2 (361 lug.). Salt - 14a. - 11h15 / 13h35 / 16h00 / 18h30 / 21h00. ● 3 (152 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h50 / 15h00 / 17h15 / 19h25. Eclipse - 14a. 21h35. ● 4 (118 lug.). Encontro Explosivo - dub. 14a. - 13h05 / 15h30. Legendado 18h00 / 20h40. ● 5 (151 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h20 / 13h50 / 16h20. Eclipse - dub. - L. - 19h00 / 21h40. ● 6 (98 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h25 / 13h55 / 16h25 / 18h55 / 21h25. ● 7 (270 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h30 / 13h40 / 15h50 / 18h10 / 20h30. ● 8(266 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 12h15 / 14h25 / 16h35 / 18h50 / 21h20. ● 9 (278 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h10 / 15h20 / 17h40 / 19h50 / 22h00. ● 10 (486 lug.). A Origem - 14a. - 11h40 / 14h45 / 17h50 / 21h10. ★ Cidade Jardim - Cinemark - Salas Bradesco Prime Av. Magalhães de Castro, 12.000. 3552-1800. De R$ 37 a R$ 49. ● 1 (127 lug.). Salt - 14a. - 14h00 / 16h20 / 18h50 / 21h20. ● 2 (97 lug.). A Origem 14a. - 14h30 / 17h40 / 20h50. ●3 (72 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 14h10. A Origem - 14a. - 17h40 / 20h50. ●4 (82 lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h10 / 14h40 / 17h10 / 19h40 / 22h05. ★ Cidade Jardim - Cinemark Av. Magalhães de Castro, 12.000. 3552-1800 De R$ 18 a R$ 29.(*) 3D De R$ 25 a R$ 28. ● 5(181 lug.). Salt - 14a. - 12h40 / 15h00 / 17h25 / 19h45 / 22h10. ●6 (219 lug.). A Origem - 14a. - 14h05 / 17h15 / 20h20. ●7*(274 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 12h00 / 14h20 / 16h30 / 18h40 / 21h00. ★ Eldorado - Cinemark Av. Rebouças, 3.970, Pinheiros. 2197-7470. De R$ 15 a R$ 27. ● 1 (372 lug.). A Origem - 14a. - 11h40 / 14h50 / 18h10 / 21h20. ● 2 (265 lug.). Salt - 14a. 11h10 / 13h25 / 16h00 / 18h20 / 20h40. ● 3 ( 265 lug.). A Origem - 14a. - 11h00 / 14h00 / 17h10 / 20h20. ● 4 (265 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 12h50 / 15h10 / 17h30 / 19h40 / 21h50. ● 5 (265 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h10 / 15h50 / 18h30. Encontro Explosivo - 14a. - 21h10. ● 6 (265 lug.). Salt - dub. - 14a. - 11h50 / 14h20 / 16h40 / 19h00 / 21h30. ● 7 (187 lug.). O Bem Amado - 12a. 12h30 / 15h00 / 17h25 / 19h50 / 22h20. ● 8 ( 297 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h05 / 13h15 / 15h30 / 17h50 / 20h00. Legendado 22h10. ● 9 (297 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 12h00 / 14h10 / 16h30 / 18h50 / 21h00. ★ Frei Caneca Shopping - Unibanco Arteplex R. Frei Caneca, 569, Cerqueira Cesar. 3472-2365. De R$ 16 a R$ 20. 4ª R$ 12. 3D R$ 22 a R$ 24. ● 1 (268 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 2 (234 lug.). A Origem - 14a. - 15h00 / 18h00 / 21h00. ● 3 (181 lug.). Salt - 14a. - 14h50 / 17h10 / 19h30 / 21h50. ● 4 (103 lug.). Uma Noite em 67 - L. 14h30 / 16h40 / 20h10 / 22h00. Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo - 14a. 18h30. ● 5 (103 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h00 / 16h00 / 19h40 / 21h50. O Grão - 10a. 18h00. ● 6 (125 lug.). O Estranho em Mim - 14a. 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00.● 7 (103 lug.). As Melhores Coisas do Mundo - 14a. - 14h00. 400 Contra 1 - 18a. 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 8 (103 lug.). Antes Que o Mundo Acabe - 10a. - 14h20.Hanami - Cerejeiras em Flor - L. 16h20. Sempre Bela - 12a. 18h40 / 20h10. Dzi Croquettes - 10a. 21h40. ● 9 (125 lug.). Quando Me Apaixono - 12a. 14h40 / 17h00 / 19h20 / 21h40. ★ Iguatemi - Cinemark Av. Brig. Faria Lima, 2.232, Jd. Paulistano. 3815-8713. De R$ 18 a R$ 29. Poltronas numeradas. ● 1 (266 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 12h35 / 14h50 / 17h10 / 19h20 / 21h30. ● 2 (129

lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 15h00 / 17h25 / 19h55 / 22h15. Shrek Para Sempre - dub. - L. 10h50 / 12h40. ● 3 (131 lug.). O Bem Amado - 12a. 10h55 / 13h20 / 15h50 / 18h20 / 20h50. ● 4 (140 lug.). A Origem - 14a. - 12h20 / 15h30 / 18h40 / 22h00. ● 5 (140 lug.). A Origem - 14a. - 11h30 / 14h40 / 17h50 / 21h00. ● 6 (172 lug.). Salt - 14a. 11h50 / 14h10 / 16h30 / 18h50 / 21h10. ★ Interlagos - Cinemark Av. Interlagos, 2.255, V. Inglesa. 5565-2570. De R$ 10 a R$ 15. (*) 3D De R$ 18 a R$ 21. ● 1 (201 lug.). Salt - dub. - 14a. - 11h50 / 14h15 / 16h35 / 19h00 / 21h45. ● 2* (294 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 11h05 / 13h20 / 15h40 / 18h00 / 20h20 / 22h30. ● 3 (207 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 12h00 / 14h20 / 16h30 / 18h45 / 21h00. ● 4 (208 lug.). A Origem - 14a. - 13h05 / 16h05 / 19h15 / 22h20. ● 5 (161 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h40 / 13h50 / 16h00. Encontro Explosivo - dub. 14a. - 18h10 / 20h40. ● 6 (201 lug.). 400 Contra 1 18a. - 13h00 / 15h10 / 17h30 / 19h50 / 22h15. ●7 (212 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 11h20 / 14h30 / 17h40 / 20h50. ● 8 (197 lug.).Toy Story 3 - dub. - L. - 11h00 / 13h40 / 16h10 / 18h40. Eclipse - dub. - 14a. - 21h40. ● 9 (125 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h30 / 14h10 / 16h40 / 19h10 / 21h50. ● 10 (119 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h40 / 15h00 / 17h10 / 19h20 / 21h30. ★ Interlar Aricanduva - Cinemark Av. Aricanduva, 5.555, Aricanduva. 3444-2564. De R$ 10 a R$ 22. ●1 (176 lug.). 400 Contra 1 - 18a. 13h10 / 15h25 / 17h40 / 19h55 / 22h00. ● 2 (177 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h55 / 14h00 / 16h05. Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 18h10 / 20h35. ● 3 (192 lug.). Salt - dub. - 14a. - 11h00 / 13h25 / 15h40 / 18h00 / 20h15 / 22h30. ● 4 (133 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h50 / 17h30. Legendado 20h05. Ponyo - dub. - L. - 12h20. ● 5 (134 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h30 / 13h50 / 16h20 / 19h00. Predadores - dub. - 14a. - 21h25. ● 6 (206 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 12h30 / 14h35 / 16h40 / 18h45 / 20h55. ● 7 (117 lug.).Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h05. Eclipse - dub. - 14a. - 19h10 / 21h45. ● 9 (178 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 11h15 / 14h15 / 17h15 / 20h25. ● 10* (520 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 11h35 / 13h45 / 16h15 / 18h35. Legendado 20h45. ● 11 (239 lug.). A Origem - dub. - 14a. 12h15 / 15h15 / 18h20 / 21h20. ● 12 (237 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h10 / 13h15 / 15h30 / 17h35 / 19h40 / 21h55. ● 13 (189 lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h45 / 15h05 / 17h25 / 20h00 / 22h25. ● 14 (268 lug.). Salt - dub. - 14a. - 12h00 / 14h30 / 16h45 / 19h05 / 21h35. ★ Jardim Sul - UCI Av. Giovanni Gronchi, 5.830, Morumbi. 2164-7711. De R$ 15 a R$ 20. (*)3D De R$ 21a R$ 24. 2ª R$ 6. Poltronas numeradas.1* (249 lug.). Meu Malvado Favorito 3D - dub. - L. - 12h05 / 14h10 / 16h15 / 18h20 / 20h25 / 22h30. ● 2 (165 lug.). Eclipse - 14a. - 17h40. Encontro Explosivo - 14a. - 13h00 / 15h20 / 20h20 / 22h35. ● 3 (191 lug.). Ponyo - dub. - L. 15h45. Shrek para Sempre - dub. - L. - 13h40 / 18h00 / 20h05 / 22h10. ● 4 (239 lug.). A Origem dub. - 14a. - 13h30 / 16h30 / 19h30 / 22h30. ● 5 (228 lug.). Salt - 14a. - 12h40 / 14h50 / 17h00 / 19h10 / 21h20. ● 6 (228 lug.). 400 Contra 1 - 18a. 13h35 / 15h40 / 17h45 / 19h50 / 21h55. ● 7 (177 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h55 / 16h20 / 18h45. Eclipse - 14a. - 21h10. ● 8 (165 lug.). A Origem 14a. - 12h00 / 15h00 / 18h00 / 21h00. ● 9 (413 lug.). A Origem - 14a. - 12h00 / 15h00 / 18h00 / 21h00. ● 10 (191 lug.). O Bem Amado - 12a. - 13h10 / 15h30 / 17h50 / 20h10 / 22h30. ● 11 (235 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 13h20 / 15h25 / 17h30 / 19h35 / 21h40. ★ Kinoplex Vila Olímpia R. Olimpíadas, 360, V. Olímpia, 3131-2006. De R$ 18 a R$ 23. (*)3D De R$ 26 a R$ 29. (*) VIP De R$ 37 a R$ 49. ● 1 (125 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 14h40 / 16h50 / 19h00 / 21h10. ● 2 (125 lug.). Salt - dub. 14a. - 14h30 / 18h50. Shrek para Sempre - dub. - L. - 16h40. Encontro Explosivo - 14a. - 21h30. ● 3 (144

lug.). O Bem Amado - 12a. - 19h00 / 21h20. Ponyo dub. - L. - 14h00. Toy Story 3 - dub. - L. - 16h20. ● 4* (176 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. 14h10 / 16h30 / 18h40 / 20h50. ● 5 (189 lug.). A Origem - 14a. - 14h20 / 17h20 / 20h20. ● 6* (98 lug.). Salt - 14a. - 14h50 / 17h00 / 19h10 / 21h30. ● 7* (98 lug.). A Origem - 14a. - 15h00 / 18h00 / 21h00. ★ Market Place - Cinemark R. Dr. Chucri Zaidan, 920, V. Cordeiro. 3048-7405. De R$ 15 a R$ 28. Poltronas numeradas. ● 1 (201 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 12h00 / 14h25 / 17h05 / 19h30 / 22h00. ● 2 (369lug.). A Origem 14a. - 11h15 / 14h20 / 17h30 / 20h40. ● 3 (261 lug.). Salt - 14a. - 11h40 / 14h00 / 16h20 / 18h40 / 21h00. ● 4 (180 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h20 / 15h50 / 18h20. Eclipse - 14a. - 20h50. ● 5 (180 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h50 / 15h00 / 17h20 / 19h40. Legendado 21h50. ● 6 (217 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h05 / 15h15 / 17h25 / 19h35 / 21h45. ● 7 (134 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h05 / 13h25 / 15h40 / 18h05 / 20h30. ● 8 (219 lug.). A Origem - 14a. - 12h15 / 15h20 / 18h25 / 21h30. ★ Metrô Santa Cruz - Cinemark R. Domingos de Morais, 2.564, V. Mariana. 3471-8070. De R$ 13 a R$ 25. ● 1 (210 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 12h00 / 14h20 / 16h40 / 19h00 / 21h15. ● 2 (202 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h55 / 15h00 / 17h20 / 19h30. Eclipse - dub. - 14a. - 21h40. ● 3 (268 lug.). Salt 14a. - 10h55 / 13h10 / 15h40 / 18h00 / 20h30. ● 4 (206 lug.).A Origem - 14a. - 11h30 / 14h40 / 17h50 / 21h00. ● 5 (203 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h10 / 13h30 / 16h00 / 18h30 / 21h05. ● 6 (206 lug.). Salt - 14a. - 11h50 / 16h30 / 19h10 / 21h30. Brilho de Uma Paixão - 16a. - 14h00. ● 7 (260 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 10h50 / 13h00 / 15h20 / 17h40 / 20h00 / 22h15. ● 8 (230 lug.). A Origem dub. - 14a. - 11h00 / 14h10 / 17h10 / 20h20. ● 9 (173 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 12h50 / 14h50 / 17h15 / 19h40 / 22h00. ● 10 (345 lug.). A Origem - 14a. 13h05 / 16h10 / 19h20 / 22h20. ● 11 (206 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h20 / 15h50 / 18h20. Encontro Explosivo - 14a. - 20h50. ★ Metrô Boulevard Tatuapé - Cinemark Rua Gonçalves Crespo s/n, Tatuapé. 2295-4006. De R$ 10 a R$ 16. ● 1 (251 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h10 / 13h40 / 16h00 / 18h10 / 20h40 / 23h10. ● 2 (240 lug.). Salt - 14a. - 12h35 / 14h55 / 17h15 / 19h35 / 21h55. ● 3 (373 lug.). A Origem - 14a. - 11h20 / 14h30 / 17h40 / 21h00. ● 4 (240 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 12h50 / 15h00 / 17h10. Eclipse - 14a. - 19h20 / 22h00. ● 5 (193 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h00 / 13h30 / 16h20. Encontro Explosivo - 14a. - 19h00 / 21h30. ★ Metrô Itaquera - Cine Box Av. José Pinheiro Borges, s/nº, Itaquera. 4005-9050.De R$ 9 a R$ 14. 3D De R$ 19 a R$ 21.● 1 (427 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 15h15 / 18h15 / 21h15. ● 2 (395 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 14h20 / 16h30 / 18h40 / 20h45.● 3 (322 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h10. ● 4 (294 lug.). Salt - dub. 14a. - 14h30 / 16h50 / 19h15 / 21h30. ● 5 (315 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h10.● 6 (164 lug.). O Bem Amado - 12a. 14h10 / 16h25 / 18h45 / 21h00. ● 7 (208 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h10 / 15h50 / 18h35 / 21h20. ● 8 (254 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 14h50 / 17h15 / 19h30 / 21h40. ★ Metrô Tatuapé - Cinemark Av. Radial Leste, s/nº, Tatuapé. 2092-9237. De R$ 10 a R$ 23. ● 1 (273 lug.). Meu Malvado Favorito 3D dub. - L. - 11h30 / 13h40 / 15h50 / 18h00 / 20h10 / 22h20. ● 2 (149 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 11h20 / 13h45 / 16h15. Eclipse - dub. - 14a. - 18h40 / 21h15. ● 3 (116 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h55 / 15h00 / 17h10 / 19h15. Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 21h20. ● 4 (184 lug.). A Origem - 14a. - 12h10 / 15h10 / 18h10 / 21h10. ● 5 (107 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h00 / 13h10 / 15h15 / 17h20 / 19h25 / 21h30. ● 6 (103 lug.). O Bem Ama-


%HermesFileInfo:D-9:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO CLASSIFICAÇÃO DOS FILMES

| ★★ regular | ★★★ bom | ★★★★ ótimo

ma. Dir. Manoel de Oliveira. Com Michel Piccoli e Bulle Ogier. Inspirado no livro de Joseph Kessel, o filme retoma os personagens Henri Husson e Séverine Serizy do longametragem ‘A Bela da Tarde’, de Luís Buñuel. Eles têm um encontro tenso anos depois de se conhecerem, devido a um segredo guardado por Henri. 14 anos. Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Shrek para Sempre ★★★ Shrek Forever After, EUA/2010, 93 min. Animação. Dir. Mike Mitchell. Shrek percebe que, ultimamente, tem sido um ogro muito inofensivo. Para reaver seu porte assustador, ele resolve firmar um acordo com o duende Rumpelstiltskin. Livre. DUBLADO: Anália Franco, Boavista, Boulevard Tatuapé, Bourbon, Butantã, Campo Limpo, Center Norte (3D), Central Plaza, Eldorado (3D), Iguatemi, Interlagos, Interlar Aricanduva (3D), Itaim Paulista, Jardim Sul, Lapa, Marabá, Market Place, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Pátio Paulista Cinemark, Penha, Plaza Sul (3D), Santana Plaza, Shopping D, SP Market, Villa-Lobos, West Plaza. LEGENDADO: Center Norte (3D), Interlar Aricanduva (3D), Eldorado (3D), Market Place.

Solo ★★★ Brasil/2009, 72 min. Drama. Dir. Ugo Giorgetti. Com Antonio Abujamra. Homem de meia idade reflete sobre a cidade de São Paulo e o mundo atual – lugares nos quais se sente deslocado. Livre. Espaço Unibanco.

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Guia. Teatro ESTREIAS Adorável Desgraçada Monólogo sobre mulher de meia idade cuja vida foi marcada pela repressão. De Leilah Assumpção. Com Débora Duarte. Dir. Otávio Müller. 70 min. 14 anos. Teatro Cultura Artística Itaim (303 lug.). Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1.830, 3258-3344. 6ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 18h. R$ 60/R$ 70. Até 3/10.

Nó de Cachorro Rapaz se passa por médico para tratar problema de fertilidade de um casal. De Ivan Jaf. Concep. Nelson Xavier. Dir. Beto Bellini. Com Débora Graça, Marauê Carneiro. 90 min. 14 anos. Teatro Bibi Ferreira (312 lug.). Av. Luiz Antônio, 931, 3105-3129. 6ª e sáb., 21h30; dom., 20h. R$ 40/R$ 50. Até 29/8.

Jovem obcecado pela morte conhece senhora apaixonada pela vida. De Colin Higgins. Dir. João Falcão. Com Glória Menezes, Arlindo Lopes. 110 min. 12 anos. Tuca (672 lug.). R. Monte Alegre, 1.024, 36708455. 6ª e sáb., 21h30; dom., 19h. R$ 30. Até 26/9.

com os valores estabelecidos em busca do novo. De Nilton Bonder. Dir. Amir Haddad. Adap. e interp. Clarice Niskier. 80 min. 18 anos. Teatro Augusta. Sala Nobre (302 lug.). R. Augusta, 943, Consolação, 3151-4141. 6ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 19h. R$ 50. Até 12/9.

ÚLTIMO DIA

O Falecido

Vida A história de dois casais exilados em uma cidade imaginária. Uma jornada pela obra do poeta Paulo Leminski. Texto e dir. Marcio Abreu. Com Cia Brasileira de Teatro. 115 min. 14 anos. Sesc Santana. Teatro (349 lug.). Av. Luiz Dumont Villares, 579, 2971-8700. Dom., 19h30. R$ 20.

Toy Story 3 ★★★★ EUA/2010, 113 min. Animação. Dir. Lee Unkrich. Quando o jovem Andy vai para a faculdade, decide doar seus brinquedos para uma creche. Livre. DUBLADO: Anália Franco, Boulevard Tatuapé, Butantã, Center Norte, Central Plaza, Eldorado, Interlagos, Interlar Aric., Itaim Paulista, Jardim Sul, Kinoplex Vila Olímpia, Market Place, Metrô Santa Cruz, Metrô Tatuapé, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista Cinemark, Penha, Plaza Sul, Santana Plaza, Shopping D, SP Market, Villa-Lobos.

Tudo Pode Dar Certo ★★★ Whatever Works, EUA/2009, 92 min. Comédia. Dir. Woody Allen. Com Larry David, Evan Rachel Wood, Ed Begley Jr. e Patricia Clarkson. Boris é um velho mal-humorado e acostumado a insultar as pessoas. Mas isso muda quando ele resolve abrigar uma menina de 21 anos em sua casa. 14 anos. Espaço Unibanco, Gemini.

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo ★★★★ Brasil/2009, 71 min. Drama. Dir. Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. Construido de forma experimental, o filme usa imagens do Nordeste registradas em formatos variados para contar a história de um geólogo que faz uma viagem de trabalho, enquanto relembra seu amor. 14 anos. Espaço Unib., Frei Caneca Unibanco Arteplex.

Vincere ★★★★ Itália-França/2009, 128 min. Drama. Dir. Marco Bellocchio. Com Giovanna Mezzogiorno, Filippo Timi. Ida Dalser é deixada por seu marido, o líder italiano Benito Mussolini, que desaparece durante a I Guerra Mundial. Quando Ida o reencontra, descobre que ele está casado com outra – e renega a existência do filho de Ida. 16 anos. Cinesesc.

Duas peças curtas: ‘Amor à Vista’, sobre duas pessoas que se conhecem em um cartório à espera dos respectivos noivos, e ‘O Falecido’, em que um homem acorda no próprio velório. Texto e dir. Antonio Rocco. Com Antonio Destro, Lulu Pavarin e outros. 60 min. 12 anos. Teatro N.Ex.T. (70 lug.). R. Rego Freitas, 454, 3259-9636. 6ª e sáb., 21h30; dom., 19h30. R$ 30. Até 29/9.

A Grande Volta

EM CARTAZ

REESTREIA

A Alma Imoral

Ensina-me a Viver

O monólogo, baseado no livro homônimo, trata da necessidade humana de romper

Na peça, em que a relação entre pai e filho está no centro das discussões, um publicitário vê a mulher ir embora com o filho. Logo depois, seu pai, um ator que prepara sua volta aos palcos, vem morar com ele . De Serge Kribus. Dir. Marco

Ricca. Com Fulvio Stefanini e Rodrigo Lombardi. 75 min. 12 anos. Teatro Faap (506 lug.). R. Alagoas, 903, Higienópolis, 3662-7233. 6ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 18h. R$ 70. Até 15/8.

O Homem Com a Flor na Boca Baseado em Luigi Pirandello, traz encontro com um homem que faz graves - e bem sinceros - questionamentos sobre a vida e a morte. Dir. e interpret. Cacá Carvalho. 90 min. 16 anos. Casa Laboratório. R. Cons. Brotero, 182, Barra Funda, 3661-0068. 6ª e sáb., 21h; dom., 19h. R$ 20. Até 15/8.

MUSICAL Cats A história da gata e ex-diva Grizabella, que deixa a tribo Jellicle para conhecer o mundo e sofre quando decide voltar. De Andrew Lloyd Weber. Adapt. Toquinho. Dir. Richard Stafford. Com Paula Lima, Saulo Vasconcelos, Sara Soares e outros. 160 min (com intervalo de 20 min). Livre. Teatro Abril (1.530 lug.). R. Brig. Luís Antônio, 411, Bela Vista, 4003-5588. 5ª e 6ª, 21h. sáb., 17h e 21h; dom., 16h e 20h. R$ 50/R$ 240. Até 19/9.

Novelo Cinco irmãos se reencontram na sala de espera de um hospital. Eles acabam de saber que um homem está na UTI – e que ele pode ser o pai que abandonou a família. Texto de Nanna de Castro. Dir. Zé Henrique de Paula. Com Alexandre Freitas, Fabio Câdor e outros. 90 min. 12 anos. Teatro Sérgio Cardoso. Sala Carlos Magno (144 lug.). R. Rui Barbosa, 153, 3288-0136. 6ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 19h. R$ 20. Até 15/8.

O Despertar da Primavera

Origem - dub. - 14a. - 18h10 / 21h15. ● 6 (203 lug.). A Origem - 14a. - 13h05 / 16h05 / 19h10. ● 7 (203 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h40 / 13h30 / 15h40 / 17h50 / 20h00 / 22h10. ● 8 (152 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 13h20 / 15h50 / 18h00 / 20h10 / 22h25. ● 9 (152 lug.). O Bem Amado - 12a. 12h25 / 14h50 / 17h25 / 19h50 / 22h20. ● 10 (203 lug.). Salt - dub. - 14a. - 12h15 / 14h35 / 16h55 / 19h15 / 21h40.

17h40 / 19h40 / 21h40. ● 2 (230 lug.). A Origem 14a. - 13h20 / 16h10 / 19h00 / 21h50. ● 3 (227lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 13h30 / 15h30 / 17h30. A Jovem Rainha Vitória - 10a. - 19h20 / 21h35. ● 4 (227 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h10 / 16h30 / 19h10 / 21h30. ● 5 (270lug.). Meu Malvado Favorito 3D - dub. - L. - 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00.

Grupo de jovens na passagem da adolescência para a vida adulta. De Duncan Sheik e Steven Sater. Adapt. e dir. Charles Möller e Claudio Botelho. Com Malu Rodrigues, Rodrigo Pandolfo e outros. 120 min. 14 anos. Shopping Frei Caneca. Teatro Frei Caneca (800 lug.). R. Frei Caneca, 269, Bela Vista, 3472-2229. Sáb., 18h; dom., 20h; 2ª, 20h30. R$ 35/R$ 70. Até 15/8.

Guia. Infantil CLEONES RIBEIRO/DIVULGAÇÃO

TEATRO ÚLTIMO DIA

Todo Poderoso: O Filme Brasil/2010, 90 min. Documentário. Dir. Ricardo Aidar e André Garolli. O filme celebra os 100 anos do Corinthians com o resgate de imagens e gols históricos, além dos símbolos, mascotes e uniformes que marcaram a história do time. Livre. Cine Bombril.

Caderno2 D9

O Astronauta Inspirado em músicas de David Bowie, conta as aventuras de um astronauta que tenta entrar em contato com a Terra. Cia. ElasticaEspacial. 60 min. Rec. da produção: livre. Rec. do Divirta-se: a partir de 5 anos.Teatro Cleyde Yáconis (288 lug.). Av. do Café, 277, 5070-7018. Dom., 16h. R$ 10.

Quase de Verdade Ulisses, um cachorro, conta a história da vizinha Oníria, uma senhora que criava galos e galinhas. Com a Cia. Imago. 55 min. Rec. da produção: a partir de 3 anos. Teatro Alfa. Sala B (200 lug.). R. Bento Bco de Andrade Filho, 722, 5693-4000. Dom., 16h. R$ 24.

Pinóquio

A Odisseia de Arlequino. Seguindo ordens do patrão Banda Mirim. 70 min. Rec. da produção: a partir de 7 anos.Sesc Santana (349 lug.). Av. Luiz Dumont Villares, 579, 2971-8700. Dom. e fer., 15h30 (dia 8/8, às 15h). R$ 8. Até 26/9.

Tic Tac Em uma noite de réveillon, pouco antes das 12 badaladas, os ponteiros do relógio Big Ben emperram. Dir. Jacqueline Obrigon. Com a Cia. A Hora da História. 50 min. Rec. da produção: a partir de 4 anos. Sesc Ipiranga. Teatro (200 lug.). R. Bom Pastor, 822, 3340-2000. Dom., 16h. R$ 10.

EM CARTAZ

João e Maria Duas passarinhas famintas contam uma versão nordestina sobre os irmãos que se perdem na floresta. Cia. Le Plat Du Jour. Com Bebel Ribeiro. 50 min. Rec. da produção e do Divirta-se: a partir de 3 anos.Teatro Jardim São Paulo (371 lug.). Av. Leôncio de Magalhães, 382, Jd. São Paulo, 2959-2952. Sáb. e dom., 16h. R$ 18. Até 3/10.

A Odisseia de Arlequino Espoleta Criado de um barão de tudo para ganhar dinheiro. Outro dia, ao invés de comprar um peru, gastou tudo no circo. Com a

sabotar a viagem do outro. De Marília Toledo. Dir. Kleber Montanheiro. Com a Cia. da Revista. 70 min. Rec. da produção e do Guia: a partir de 6 anos. Teatro Folha (305 lug.). Av. Higienópolis, 618, 3823-2323. Sáb. e dom., 17h40. R$ 30. Até 29/8.

O miserável Pantalone e o tagarela Dottore seguem cada qual com sua trupe para o Festival de Teatro de Veneza. Por ganância, ambos convencem Arlequino a

Nesta versão, dinâmica e bem-escrita, Pinóquio é um boneco oportunista de humor levemente adulto. Dir. Cia. Le Plat du Jour. Com Ana Saguia. 70 min. Rec. da produção e do Divirta-se: a partir de 5 anos.Teatro Imprensa (449 lug.). R. Jaceguai, 400, 3241-4203. Dom., 16h. R$ 30. Até 28/11.

ESPECIAL As Pelejas de Benedito com o Boi Surubim na Fazenda do Coronel Libório A peça do grupo Mamulengo na Folia será exibida no ‘Festival A Praça de Bonecos’, organizado pela Cia. Sobrevento. 60 min. Rec. da produção: livre.Parque Chácara das Flores. Estrada D. João Néri, 3.551, Itaim Paulista, 2963-1055. Dom. (8), 15h. Grátis.

Teatro & Contato O projeto conta com a peça ‘Guarda-Roupa de Histórias’ (sáb. e dom., às 16h) e jogos de carta e tabuleiro, com o grupo Pocilgas & Cia. Há também quitutes saudáveis, como o pirulito de frutas. livre.Teatro Augusta (302 lug.). R. Augusta, 943, 3151-4141. Sáb. e dom., a partir das 14h30. Teatro: R$ 20; jogos, R$ 5/R$ 20. Lanche: R$ 2/R$ 12. Até 31/10.

Guia. Show Orkestra Rumpilezz Criado pelo maestro Letieres Leite, o conjunto de sopro e percussão faz músicas inspiradas no universo baiano, desde os toques dos Orixás aos batuques do Olodum. Ed Motta participa deste show. Sesc Pinheiros. Teatro. (1.010 lug.). R. Paes Leme, 195, 3095-9400. Dom., 18h. R$ 20.

Pedro Assad e Meretrio O pianista é amigo de faculdade dos garotos do Meretrio, que vêm apresentando

música instrumental de qualidade pela cidade. Juntos, registraram o disco ‘Na Cozinha’, que será a base para este show. Museu da Casa Brasileira. Terraço. Av. Brig. Faria Lima, 2.705, 3032-3727. Dom. (8), 11h. Grátis.

Restart Febre entre os adolescentes, o grupo de rock apresenta as faixas ‘Vou Cantar’ e ‘Sobre Eu e Você’. HSBC Brasil (4.000 lug.). R. Bragança Paulista, 1.281, 4003-1212. Dom. (8), 18h. R$ 50/R$ 140.

Renato Braz e Nelson Ayres O cantor e violonista Renato Braz apresenta o show ‘Canções da Alma’ com o pianista Nelson Ayres. Eles exploram músicas de Noel Rosa e Dorival Caymmi. Auditório Ibirapuera (800 lug.). Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, 3629-1014. Dom. (8), 19h. R$ 30.

Simoninha e Max de Castro Os irmãos exploram a obra do pai, Wilson Simonal. No repertório, ‘Nem Vem que Não Tem’. Shopping Metrô Tatuapé. Av. Radial Leste, esq. com a R. Tuiuti. Dom. (8), 13h. Grátis.

Cine. Salas. Horários do - 12a. - 12h00 / 14h20 / 16h40 / 19h10 / 21h35. ● 7 (189 lug.). Salt - dub. - 14a. - 11h45 / 16h20 / 18h35 / 20h50. Brilho de Uma Paixão - 16a. - 14h00. ● 8 (252 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 11h10 / 14h10 / 17h15 / 20h15. ★ Morumbi Cine TAM Av. Roque Petroni Junior, 1.089, Brooklin. 5189-4656. De R$ 16 a R$ 18. 4ª R$ 14. 3D De R$ 24 a R$ 26. ● 1 (248 lug.). O Bem Amado - 12a. - 13h10 / 15h20 / 17h30 / 19h40 / 21h50. ● 2 (207 lug.). A Origem - 14a. - 15h00 / 18h00 / 21h00. ● 3 (246 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 4 (227 lug.). Salt - 14a. - 13h00 / 15h10 / 17h20 / 19h30 / 21h40. ★ Pátio Higienópolis - Cinemark Av. Higienópolis, 646, Higienópolis. 3823-2875. De R$ 16 a R$ 27. ● 1 (113 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 11h00. Encontro Explosivo - 14a. - 16h10 / 18h30. 14º Festival de Cinema Judaico - 14h00 / 21h00. ● 2 (116 lug.). Salt - 14a. - 12h20 / 14h40 / 17h05 / 19h20 / 21h40. ● 3 (110 lug.). A Origem - 14a. 13h40 / 16h40 / 19h50. ● 4 (96 lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h40 / 15h00 / 17h40 / 20h10. ● 5 (208 lug.). A Origem - 14a. - 11h50 / 14h50 / 18h00 / 21h10. ● 6 (217 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 11h10 / 13h15 / 15h25 / 17h30 / 19h40 / 21h55. ★ Pátio Paulista - Cinemark R. Treze de Maio, 1947, Arco 501, Paraíso 3262-4065. De R$ 14 a R$ 27. ● 1 (216 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h20 / 15h35 / 17h50 / 20h10 / 22h30. ● 2 (214 lug.). A Origem - 14a. - 12h45 / 15h50 / 19h05 / 22h10. ● 3 (214 lug.). A Origem - 14a. - 12h45 / 15h50 / 19h05 / 22h10. ● 4 (214 lug.). Encontro Explosivo - 14a. 11h20 / 13h50 / 16h20 / 18h50 / 21h20. ● 5 (214 lug.). Salt - 14a. - 11h50 / 14h20 / 16h50 / 19h15 / 21h50. ● 6 (178 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 15h00 / 19h50. Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h50 / 17h35 / 22h20. ● 7 (158 lug.). O Bem Amado - 12a. 13h40 / 16h10 / 18h40 / 21h30. ★ Pátio Paulista - Playarte R. Treze de Maio, 1.974. Paraíso. 5053-6934 . De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (265 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ● 4 (186 lug.). Ponyo - dub. - L. - 14h20 / 16h30 / 18h40 / 20h50. ★ Penha R. Dr. João Ribeiro, 304, Penha. 2091-6300. De R$ 9 a R$ 14. ● 1 (120 lug.). O Bem Amado - 12a. 13h35 / 21h45. Shrek Para Sempre - dub. - L. 15h45 / 17h45 / 19h45. ● 2 (92 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 14h15 / 16h30. Eclipse - dub. - 14a. 19h00 / 21h40. ● 3 (166 lug.). Shrek Para Sempre dub. - L. - 14h45 / 16h45 / 18h45 / 20h45. ● 4 (172 lug.). Salt - dub. - 16a. - 15h10 / 17h10 / 19h15 / 21h15. ● 5 (260 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 13h30 / 15h30 / 17h30 / 19h30 / 21h30. ● 6 (332 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 14h30 / 17h20 / 20h15. ★ Plaza Sul - Playarte Pça Leonor Kauppa, 100. - Jd. da Saúde. 5073-8642. De R$ 12 a R$ 22. ● 1 (140 lug.). Ponyo - dub. - L. - 12h10 / 14h20 / 16h30. Eclipse - dub. 14a. - 18h40 / 21h20. ● 2 (263 lug.). Shrek Para Sempre - 3D dub. - L. - 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 3 (140 lug.). Salt - 14a. 13h10 / 15h15 / 17h20 / 19h25 / 21h30. ● 4 (140 lug.). A Origem - 14a. - 12h20 / 15h15 / 18h10 / 21h05. ● 5 (140 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h45 / 15h05 / 17h15. Encontro Explosivo - 14a. - 19h30 / 21h45. ● 6 (234 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ★ Santana Parque Shopping - UCI R. Conselheiro Moreira de Barros, 2.780 - Lauzane Paulista. 3131-2211. De R$ 11 a R$ 15. (*) 3D De R$ 19 a R$ 21. 2ª R$ 6. ● 1 (327 lug.). A Origem - 14a. 13h10 / 16h10 / 19h10 / 22h10. ● 2 (167 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 13h25 / 15h30 / 17h35 / 19h40 / 21h45. ● 3 (140 lug.). Toy Story 3 - dub. L. - 13h00 / 15h25 / 17h50. O Bem Amado - 12a. -

20h10 / 22h30. ● 4* (217 lug.).Meu Malvado Favorito - 3D - dub. - L. - 12h00 / 14h05 / 16h10 / 18h15 / 20h20 / 22h25. ● 5 (217 lug.). Ponyo - Uma Amizade que veio do Mar - dub. - L. - 12h35. Salt - 14a. 14h45 / 16h55 / 19h05 / 21h15. ● 6 (140 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 16h45 / 21h30. Eclipse - 14a. - 14h05 / 18h50. ● 7 (167 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 13h50 / 15h50 / 17h50 / 19h50 / 21h50. ● 8 (327 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 12h20 / 15h20 / 18h25 / 21h25.

lug.). A Origem - dub. - 14a. - 12h50 / 15h55 / 19h00 / 22h05. ● 5 (131 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h40 / 14h15 / 16h40 / 19h10 / 21h40. ● 6 (116 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h00 / 12h55 / 15h00 / 17h10. Eclipse - dub. - 14a. - 19h20 / 22h00. ● 7 (116 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h00 / 15h30. Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 18h10 / 20h40. ● 8 (211 lug.). A Origem - 14a. - 11h05 / 14h10 / 17h20 / 20h30. ● 9 (240 lug.). A Origem 14a. - 11h05 / 14h10 / 17h20 / 20h30.

★ Shopping D - Cinemark Av. Cruzeiro do Sul, 1.100, Ponte Pequena. 3326-9171. De R$ 12 a R$ 23. ● 1 (246 lug.). A Origem - 14a. - 11h00 / 14h05 / 17h10 / 20h20. ● 2 (291 lug.). Salt - dub. - 14a. - 11h50 / 14h20 / 16h40 / 19h00 / 21h20. ● 3 (298 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 11h40 / 13h55 / 16h20 / 18h35 / 20h50. ● 4 (351 lug.). A Origem - dub. - 14a. 12h40 / 15h45 / 18h50 / 22h00. ● 5 (219 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 12h40 / 15h45 / 18h50 / 22h00. ● 6 (183 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 11h30 / 13h50 / 16h10 / 18h25 / 20h40. ● 7 (231 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h05 / 13h10 / 15h20 / 17h30 / 19h40 / 21h50. ● 8 (130 lug.). O Pequeno Nicolau dub. - L. - 14h00. Shrek Para Sempre - dub. - L. 11h20 / 15h50 / 17h55 / 20h00. Eclipse - dub. - 14a. - 22h10. ● 9 (116lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h00 / 15h30 / 18h10. Encontro Explosivo - dub. - 14a. 21h10. ● 10 (146lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h50 / 15h00 / 17h50 / 20h30.

DIADEMA ★ Praça da Moça - Playarte R. Manoel da Nóbrega, 712. 4044-5573. De R$ 12 a R$ 16. 3D R$ 20 a R$ 22.● 1* (391 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ● 2 (197 lug.). Shrek Para Sempre dub. - L. - 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00. ● 3 (198 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h00 / 16h15 / 18h30. Encontro Explosivo - dub. - 14a. 20h45. ● 4 (211 lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 13h25 / 16h05 / 18h45. Predadores - dub. - 14a. - 21h25. ● 5 (211 lug.). Salt - dub. - 14a. - 13h00 / 15h05 / 17h10 / 19h15 / 21h20. ● 6 (252 lug.). 400 Contra 1 - 18a. 13h30 / 15h30 / 17h30 / 19h30 / 21h30. ● 7 (261 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 12h20 / 15h15 / 18h10 / 21h05.

★ SP Market - Cinemark Av. das Nações Unidas, 22.540, Jurubatuba. 5686-2595. De R$ 12 a R$ 24. ● 1 (163 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h30 / 15h00 / 17h30. Eclipse - dub. - 14a. - 19h40 / 22h20. ● 2 (156 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 13h00 / 15h30. Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 18h10 / 20h50. ● 3 (383 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 11h00 / 14h10 / 17h20 / 20h30. ● 4 (254 lug.). A Origem - dub. - 14a. 11h00 / 14h10 / 17h20 / 20h30. ● 5 (128 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h40 / 16h00 / 18h30 / 20h40. Ponyo - dub. - L. - 11h20. ● 6 (127 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h45 / 14h15 / 16h45 / 19h20 / 21h45. ● 7 (227 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 12h40 / 14h50 / 17h10 / 19h30 / 21h50. ● 8 (328 lug.). Salt - dub. - 14a. - 12h00 / 14h20 / 16h40 / 19h00 / 21h30. ● 9 (328 lug.).Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 11h40 / 14h00 / 16h20 / 18h40 / 21h00. ● 10 (160 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 11h05 / 13h20 / 15h40 / 17h50 / 20h00 / 22h10. ● 11 (282 lug.). A Origem - 14a. - 11h50 / 14h55 / 18h00 / 21h10. ★ Villa-Lobos - Cinemark Av. das Nações Unidas, 4.777, Alto da Lapa. 3024-3851. De R$ 15 a R$ 27. ● 1 (271 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 11h30 / 13h50 / 16h10 / 18h30. ● 2 (105 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h30 / 15h00 / 17h25 / 19h50. Eclipse - 14a. 22h15. ● 3 (129 lug.). A Origem - 14a. - 12h20 / 15h30 / 18h40 / 21h40. ● 4 (163 lug.). A Origem 14a. - 11h40 / 14h40 / 17h40 / 20h50. ● 5 (163 lug.). Salt - 14a. - 13h15 / 15h45 / 18h00 / 20h25. ● 6 (129 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h35 / 14h00 / 16h20 / 19h00 / 21h20. ● 7 (122 lug.). Shrek Para Sempre dub. - L. - 12h00 / 14h10 / 16h15. Encontro Explosivo - 14a. - 18h25 / 21h10. ★ West Plaza - Playarte Av. Francisco Matarazzo, s/nº, Barra Funda. 5053-6935. De R$ 12 a R$ 16. ● 1 (175 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 2 (170 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00. Eclipse - dub. - 14a. - 21h00. GRANDE S. PAULO BARUERI ★ Shopping Tamboré - Cinemark Av. Piracema, 669 (Km 22 da Rod. Castelo Branco). 4193-1826. De R$ 13 a R$ 25.● 1 (163 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h50 / 14h00 / 16h20 / 18h40 / 20h50. ● 2 (220 lug.). Salt - dub. - 14a. 11h45 / 14h05 / 16h30 / 18h50 / 21h10. ● 3 (327 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 11h10 / 13h10 / 15h20 / 17h30 / 19h40 / 21h50. ● 4 (260

EMBU ★ Cine Embu Plaza R. Domingos de Paschoal, 190, Centro. 4241-8623. De R$ 5 a R$ 10.● 1 (174 lug.). Shrek Para Sempre dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00. Predadores - dub. - 14a. - 19h00 / 21h00. ● 2 (161 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 13h00 / 14h50 / 16h50. Eclipse - dub. 14a. - 18h45 / 21h00. GUARULHOS ★ Internacional Shopping - Cinemark Rod. Presidente Dutra, km 230 2425-0661. De R$ 11 a R$ 15. (*) 3D De R$ 19 a R$ 21. ● 1 (254 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 12h45 / 15h50 / 19h00 / 22h10. ● 2 (362 lug.). Salt - dub. - 14a. - 13h15 / 15h45 / 18h05 / 20h30. ● 3 (265 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h55 / 14h05 / 16h15 / 18h35 / 20h55. ● 4 (435 lug.). A Origem - dub. 14a. - 11h40 / 14h50 / 18h00 / 21h10. ● 5 (435 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 11h40 / 14h50 / 18h00 / 21h10. ● 6* (407 lug.).Shrek para Sempre 3D dub. - L. - 11h00 / 13h10 / 15h20 / 17h30 / 19h40 / 21h50. ● 7 (407 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h20 / 13h30 / 15h40 / 17h50 / 20h10. ● 8 (202 lug.). O Bem Amado - 12a. - 12h00 / 14h30 / 17h00 / 19h30 / 22h00. ● 9 (202 lug.). A Origem 14a. - 12h05 / 15h25 / 18h30 / 21h40. ● 10 (202 lug.). Mary & Max - 12a. - 14h00. Salt - dub. - 14a. 16h20 / 18h55 / 21h15. ● 11 (202 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 11h30 / 13h50 / 16h00. Predadores - dub. - 14a. - 18h10 / 20h40. ● 12 (202 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 11h10 / 13h40 / 16h10 / 18h40 / 21h00. ● 13 (202 lug.). Ponyo - dub. - L. - 12h15. Shrek para Sempre - dub. - L. - 14h35 / 16h45 / 18h50. Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 21h05. ● 14 (202 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 12h40 / 15h00 / 17h10. Eclipse - dub. - 14a. - 19h25 / 22h15. ● 15 (185 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h10 / 14h55 / 17h40. Eclipse - dub. - 14a. - 20h15. ★ Bonsucesso Shopping Av. Juscelino Kubitschek de Oliveira, 429, Pimentas. 6484-9300. DeR$ 7 a R$ 10. ● 1 (181lug.). Salt dub. - 16a. - 13h00 / 15h10 / 17h20 / 19h30 / 22h00. ● 2 (178lug.). O Bem Amado - 12a. - 13h50 / 16h10 / 18h40 / 21h20. ● 3 (178lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. ● 4 (178lug.). Eclipse - dub. - 14a. - 14h00 / 16h40. Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 19h20 / 21h40. ● 5 (167lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h10. Predadores - dub. - 14a. - 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 6 (168lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h50 / 15h50 / 17h50 / 19h50 / 21h50. ITAPEVI ★ Centerplex Shopping - R. Leopoldina de Camargo, 260, Centro. 4005-9080. De R$ 5,50 a R$ 12. ● 1 (172 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 16h00 / 18h00. En-

contro Explosivo - dub. - 14a. - 20h30. ● 2 (172 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 14h30 / 16h30 / 18h30 / 20h40. MAUÁ ★ Mauá Plaza Shopping Av. Antonia Rosa Fioravante, 3.270 - Lj. 127. 4519-4099/4444. De R$ 8 a R$ 14. 3D R$ 8 a R$18. ● 1 (297 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. 13h45 / 15h35 / 17h25 / 19h15. A Origem - dub. 14a. - 21h15. ● 2 (297 lug.). Salt - dub. - 14a. - 15h00 / 17h00 / 19h15 / 21h15. ● 3 (228 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 14h00 / 15h45 / 17h30 / 19h15 / 21h00. ● 4 (294 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 14h30 / 17h15 / 20h00. ● 5 (297 lug.).Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. MOGI DAS CRUZES ★ Centerplex - Mogi Shopping Center Av. Ver. Narciso Yague Guimarães, 1.001, Socorro. 4005-9080. De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (154 lug.). A Origem - 14a. - 14h50 / 17h50 / 20h50. ● 2 (154 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 15h00 / 17h10 / 19h20 / 21h20. ● 3 (232 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 13h15 / 15h20 / 17h30 / 19h40 / 21h40. ● 4 (96 lug.). Salt - 14a. - 14h40 / 16h50 / 19h00 / 21h30. OSASCO ★ Kinoplex Supershopping Osasco Av. dos Autonomistas, 1.828. 3131-2006. De R$ 9 a R$ 16.(*) 3D R$ de 18 a R$ 22. 2ª R$ 7. ● 1 (248 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 14h30 / 16h40 / 18h50 / 21h00. ● 2 (165 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 15h00 / 17h10 / 19h20 / 21h40.● 3 (165 lug.). O Bem Amado - 12a. - 18h50 / 21h10. Toy Story 3 dub. - L. - 14h10 / 16h30. ● 4 (166 lug.). Salt - dub. 14a. - 14h50 / 17h00 / 19h10 / 21h20. ● 5 (459 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 15h00 / 18h00 / 21h00. ● 6* (337 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. 13h20 / 15h30 / 17h30 / 19h30 / 21h30. ● 7 (248 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 14h20 / 16h30 / 18h40. Eclipse - dub. - 14a. - 20h50. ★ Osasco Plaza R. Antonio Agu, 300. 3682-3621. De R$ 8 a R$ 14. Sessão Pipoca: R$ 6. ● 1 (191 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h30 / 13h30 / 15h30 / 17h30 / 19h30 / 21h15. ● 2 (136 lug.). Salt - dub. - 14a. 11h30 / 13h30 / 15h30 / 17h30 / 19h30 / 21h30. ● 3 (192 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h30 / 13h30 / 15h30 / 17h30 / 19h30. Predadores - dub. 14a. - 21h30. ● 4 (120 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 13h45 / 16h15. Eclipse - dub. - 12a. - 18h30 / 21h15. ★ Shopping União de Osasco - Cinemark Av. dos Autonomistas, 1.400 3651-9280/3684-0151 De R$ 11 a R$ 17. (*) XD De R$ 22 a R$ 27. ● 1* (362 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 12h30 / 14h50 / 17h15 / 19h45 / 22h10. ● 2 (147 lug.). Salt dub. - 14a. - 11h30 / 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30. ● 3 (147 lug.). O Bem Amado - 12a. - 11h50 / 14h30 / 17h10 / 19h50 / 22h20. ● 4 (191 lug.). A Origem 14a. - 12h00 / 15h15 / 18h35 / 21h50. ● 5 (191 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 11h20 / 13h40 / 16h00 / 18h25 / 21h00. ● 6 (140 lug.). Shrek Para Sempre - dub. L. - 12h50 / 15h00 / 17h20 / 19h40. Eclipse - dub. 14a. - 22h00. ● 7 (140 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. 11h05 / 13h30 / 16h10 / 18h50. Encontro Explosivo dub. - 14a. - 21h20. ● 8(247 lug.). Salt - dub. - 14a. 13h10 / 15h40 / 18h10 / 20h40. ● 9 (247 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h40 / 13h50 / 16h20 / 18h45 / 21h10. ● 10 (356 lug.). A Origem - dub. 14a. - 11h10 / 14h20 / 17h30 / 20h50. SANTO ANDRÉ ★Grand Plaza Shopping - Cinemark Av. Industrial, 600. 4979-5078. De R$ 12 a R$ 22. ● 1 (245 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 11h00 / 13h00 / 15h10 / 17h20 / 19h30 / 21h50. ● 2 (152 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h15 / 13h40 / 16h20 / 18h50. Encontro Explosivo - dub. - 14a. 21h20. ● 3 (152 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h50 / 15h00 / 17h10 / 19h20. Eclipse - dub. - 14a. - 21h35. ● 4 (203 lug.). A Origem - dub. - 14a. 12h00 / 15h05 / 18h10 / 21h15. ● 5 (203 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 11h25 / 13h50 / 16h00. A

★ Multiplex ABC - Playarte Av. Pereira Barreto, 42, Santo André. 5053-6936. De R$ 12 a R$ 22.● 1 (207 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00. Eclipse dub. - 14a. - 19h00. Encontro Explosivo - 14a. 21h45. ● 2 (205 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 13h15 / 15h15 / 17h15 / 19h15 / 21h15. ● 3 (217 lug.). Salt 14a. - 13h10 / 15h15 / 17h20 / 19h25 / 21h30. ● 4 (217 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 5 (206 lug.). A Origem - 14a. - 12h20 / 15h15 / 18h10 / 21h05. SÃO BERNARDO ★ Extra Anchieta - Cinemark R. Garcia Lorca, 301, Km 15,5 da Rod. Anchieta. 4362-4706. De R$ 11 a R$ 22. (*) 3D De R$ 19 a R$ 22 . ● 1 (137 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h20 / 13h50 / 16h20. Encontro Explosivo - 14a. - 18h50 / 21h20. ● 2 (143 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h55 / 15h00 / 17h25. Eclipse - dub. - 14a. 19h50. ● 3 (235 lug.). Salt - dub. - 14a. - 11h10 / 13h30 / 15h50 / 18h15 / 20h35. ● 4* (292 lug.). Meu Malvado Favorito - 3D dub. - L. - 11h30 / 14h00 / 16h10 / 18h30 / 20h50. ● 5 (264 lug.). A Origem 14a. - 11h40 / 14h50 / 18h00 / 21h10. ● 6 (224 lug.). A Origem - 14a. - 11h40 / 14h50 / 18h00 / 21h10. ● 7 (162 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 12h20 / 14h30 / 16h50 / 19h10 / 21h30. ● 8 (110 lug.). O Bem Amado - 12a. - 13h00 / 15h35 / 18h20 / 21h00. ● 9 (167 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 11h00 / 14h05 / 17h10 / 20h15. ★ Metrópole - Playarte Pça. Samuel Sabatini, 200, São Bernardo. 5053-6937. De R$ 10 a R$ 14. ● 1 (117 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 12h05 / 14h20 / 16h35. Predadores - 14a. - 21h30. Eclipse - dub. - 14a. - 18h50. ● 2 (214 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 12h00 / 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00. ● 3 (290 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. SUZANO ★ Centerplex - Shopping R. Sete de Setembro, 555 - Arco 99, Centro. 4005-9080. De R$ 8 a R$ 14. ● 1 (211 lug.). A Origem - dub. - 14a. - 14h40 / 17h35 / 20h30. ● 2 (212 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 14h25 / 16h30 / 18h55 / 21h00. ● 3 (208 lug.). Shrek Para Sempre - dub. - L. - 15h00 / 17h05 / 19h15 / 21h15. ● 4 (174 lug.). Salt - dub. - 14a. - 14h50 / 17h15 / 19h25 / 21h30. ● 5 (174 lug.). Eclipse - dub. - 14a. 15h00 / 17h50 / 20h40. CAMPINAS ★ Box Cinemas R. Jacy Teixeira de Camargo, 940, Campinas Shopping. (19) 3268-2288 / 4005-1717. De R$ 6 a R$ 20. 3D R$ 21. ● 1 (427 lug.). A Origem - 14a. - 15h10 / 18h10 / 21h10. ● 2 (395 lug.). Shrek para Sempre dub. - L. - 14h20 / 16h30 / 18h40 / 20h45.● 3 (322 lug.). Meu Malvado Favorito 3D - dub. - L. - 13h00 / 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h05. ● 4 (294 lug.). Salt - dub. - 14a. - 14h40 / 16h50 / 19h15 / 21h30. ● 5 (315 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 14h50 / 17h15 / 19h30 / 21h40. ● 6 (164 lug.). O Bem Amado - 12a. 15h30 / 18h20 / 20h50. ● 7 (208 lug.). Eclipse dub. - 14a. - 13h10 / 15h45 / 18h30 / 21h15. ● 8 (254 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h10. ● 9 (122 lug.). Toy Story 3 dub. - L. - 13h40. Predadores - dub. - 14a. - 16h45 / 19h05 / 21h25. ● 10 (132 lug.). Encontro Explosivo dub. - 14a. - 13h50 / 16h20 / 18h50 / 21h20. ★ Galleria Rod. D. Pedro I, km 131,5. (19) 4005-9040. De R$ 5a R$ 15. ● 1 (230 lug.). Salt - 14a. - 13h40 / 15h40 /

★ Shopping Iguatemi - Cinemark Av. Iguatemi, 777, FEAC. (19) 3251-1122. De R$ 12 a R$ 21. ● 1 (271 lug.). Salt - 14a. - 11h40 / 14h00 / 16h20 / 18h40 / 21h00. ● 2 (269 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 11h05 / 13h20 / 15h30 / 17h40 / 19h50 / 22h00. ● 3 (269 lug.). A Origem 14a. - 12h10 / 15h20 / 18h30 / 21h40. ● 4 (270 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 13h00 / 15h10 / 17h20 / 19h30. A Origem - 14a. - 21h40. ● 5 (321 lug.). Meu Malvado Favorito 3D - dub. - L. - 12h00 / 14h10 /16h30 / 18h50 / 21h10. ● 6 (409 lug.). A Origem - 14a. - 11h10 / 14h20 / 17h30 / 20h40. ● 7 (223 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 11h20 / 13h50. Encontro Explosivo - dub. - 14a. - 16h25. Legendado 19h00 / 21h30. ● 8 (223 lug.). O Bem Amado - 12a. 12h30 / 15h00 / 17h25 / 19h55 / 22h20. JUNDIAÍ ★Maxi Av. Antonio Frederico Ozanãn, 6.000. 4521-6069.De R$ 13 a R$ 15. ● 1 (236 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h10. Eclipse - dub. - 14a. 16h30 /19h00. Predadores - 14a. - 21h30. Mary e Max - 12a. - 11h00. ● 2 (248 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 13h30 / 15h30 / 17h25 / 19h20 / 21h15. ● 3 (248 lug.). O Bem Amado - 12a. - 14h30 / 19h10. Encontro Explosivo - 14a. - 16h50 / 21h20. ● 4 (248 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. 14h40 / 16h40 / 18h40 / 20h40. ● 5 (341 lug.). A Origem - 14a. - 14h20 / 17h15 / 20h15.● 6 (229 lug.). Salt - 14a. - 13h50 / 15h50 / 17h50 / 19h50 / 21h50. ● 7 (245 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. 13h40 / 15h40 / 17h40 / 19h40 / 21h40. LITORAL SANTOS ★Praiamar Shopping - Cinemark R. Alexandre Martins, 80. (13) 3231-2889. De R$ 9 a R$ 20. ● 1 (235 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 13h50 / 15h50 / 18h00 / 20h00. Predadores - 14a. - 21h50. ● 2 (215 lug.). O Bem Amado - 12a. - 15h00 / 17h20 / 19h40 / 22h00. ● 3 (228 lug.). Encontro Explosivo - 14a. - 14h00 / 16h25 / 18h45 / 21h05. ● 4(399 lug.). A Origem - 14a. - 15h20 / 18h20 / 21h30. ● 5 (172 lug.). 400 Contra 1 - 18a. - 14h20 / 16h20 / 18h30 / 20h40. ● 6 (171 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 14h10 / 16h30. Encontro Explosivo - dub. - 14a. 18h50. Eclipse - 14a. - 21h15. ● 7 (325 lug.). Meu Malvado Favorito 3D - dub. - L. - 15h10 / 17h30 / 19h50 / 22h05. ● 8 (245 lug.). A Origem - dub. 14a. - 14h50 / 17h50 / 20h50. ● 9 (289 lug.). Salt 14a. - 14h30 / 16h40 / 19h10 / 21h20. ● 10 (237 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 14h40 / 16h50 / 19h00 / 21h10. GUARUJÁ ★Cine 3 Ferry Boat's Plaza Pça. das Nações Unidas s/n. (13) 3348-4415. De R$ 6 a R$ 10. ● 1 (323 lug.). Meu Malvado Favorito dub. - L. - 16h45 / 18h30 / 20h15 / 22h00. ● 2 (162 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 16h30 / 18h15 / 20h00. Encontro Explosivo - 14a. - 21h45. ● 3(158 lug.). Toy Story 3 - dub. - L. - 16h15 / 18h20. Predadores - 14a. - 20h30 / 22h30. ★ Cine La Plage Av. Marechal Deodoro da Fonseca, 885, Centro. Loja 230(13) 3355-9057. De R$ 6 a R$ 12. ● 1 (128 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 15h40 / 17h40 / 19h40. Eclipse - 14a. - 21h30. ● 2 (129 lug.). Encontro Explosivo - 12a. - 16h30 / 18h50 / 21h15. ● 3 (143 lug.). Meu Malvado Favorito - dub. - L. - 15h00 / 17h00 / 19h00 / 21h00. UBATUBA ★ Cine Porto (155 lug.). R. Milton Holanda Maia, 61, Praia do Itagua. (12) 3833-2066. De R$ 8 a R$ 10. 4ª R$ 4. ● 1 (155 lug.). Shrek para Sempre - dub. - L. - 16h20.Eclipse - 14a. - 18h40 / 21h00.


D10 Caderno2 %HermesFileInfo:D-10:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

DIRETO DA FONTE SONIA RACY

Colaboração Débora Bergamasco debora.bergamasco@grupoestado. com. br Gilberto de Almeida gilberto.almeida@grupoestado.com.br Marilia Neustein marilia.neustein@grupoestado. com. br Paula Bonelli paula.bonelli@grupoestado. com. br

estadão.com.br/diretodafonte

JANETE LONGO/AE

GIANNE CARVALHO/AE

Lá fora

Responsabilidade social

O Itaú, comandado por Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, está montando uma mega-operação em Zurich, na Suíça.

● Luciano Huck ataca de leiloeiro para ajudar a Creche Nossa Senhora da Conceição Aparecida. O evento pilotado por Maricy Trussardi acontece no Club Pink Elephant. Terça.

A ideia inicial era de adquirir uma instituição financeira local, mas depois de vista e revista a legislação do país, optaram por obter carta patente e voo solo. Para depois sair às compras. Vik Muniz e Pedro Corrêa do Lago, na Galeria Fortes Vilaça. MARINA MALHEIROS/AE

Batuta O Itamaraty organiza concerto noCarnegieHall,NY,emhomenagemaVilla-Lobos.AprogramaçãoincluiMarceloBratkee a Camerata Vale Música.

● A prefeitura de São Sebastião aposta no Programa Mapa. Lança com a editora Geodinâmica atlas ambiental do litoral de SP que será adotado nas escolas da região.

Nasaída,cadaconvidadolevará uma lembrança: caixa com parte da obra do maestro.

Quem está De passagem por São Paulo, a Youth Orchestra of the Americas será centro de jantar hoje nacasadeCosetteAlves.Amanhã, os músicos se apresentam no Teatro Bradesco em prol da CongregaçãoIsraelitaPaulista.

Apoio duplo Thiago Lobo, que foi coordenador de esportes radicais da Secretaria de Esportes, agora tentaavaganaAssembleiaLegislativa. Além da pinta de galã, o filho de José Henrique Lobo sai com apoio extra: sua mulher, a ex-BBB Leka.

Filinto Moraes em lançamento de livro com imagens do Pacífico. DENISE ANDRADE/AE

José Maurício Machline está a mil. A três dias da entrega do Prêmio da Música Brasileira, o diretor corre atrás dos últimos detalhes da festa que acontece quarta-feira no Teatro Municipal do Rio. “São instantes de muita tensão para que na hora tudo ande sobre carretéis”, diz.

Só uma coisa foi vapt-vupt: a escolha da homenageada, Dona Ivone Lara. “Em outros anos, o conselho do prêmio levava dias até chegar a um consenso. No caso dela, não perdemos mais de um minuto”, conta o idealizador da comemoração que está na 21ª edição. JANETE LONGO/AE

● A Vicunha Têxtil doou tecidos para cursos de costura do Fundo de Solidariedade de SP.

Beto Amaral e Igor Alcântara visitaram mostra na Pinacoteca. JANETE LONGO/AE

JANETE LONGO/AE

● A Apple avisa: acaba de lançar programa de reciclagem de seus produtos. Eles podem ser enviados gratuitamente por Sedex. ● Na quarta-feira tem grupo de conhecimento para portadores da Síndrome de Asperger, promovido pela Associação de Amigos do Autista.

JucaFerreiragravadepoimento,amanhãnoRio,paraodocumentário sobre Raquel de Queiroz, produzido por sua afilhada, Letícia Menescal. O filme comemora o centenário de nascimento da escritora.

JANETE LONGO/AE

● A Drogaria São Paulo comemora o resultado da Campanha do Agasalho: 6.400 sacolas com doações recolhidas. ● O Grupo Camargo Corrêa está bolando um dia de ações voluntárias em mais de 80 localidades do Brasil e de outros 9 países. No dia 22.

Bloco de notas

Nobolso,oministrolevainformação que considera essencial: Raquel foi a primeira mulher a entrar na ABL, em 1977.

● A Colgate embarcou em projeto que pretende reduzir drasticamente a incidência de cáries até 2015. Junto com a Organização Pan-Americana de Saúde vai financiar cursos para educar agentes de saúde e líderes comunitários para realizarem ações preventivas.

Bruno Musatti na exposição Os Últimos Verdes.

Ivo Rosset em noite de autógrafos na Saraiva. 1

2

JANETE LONGO/AE

DENISE ANDRADE/AE

5

MARINA MALHEIROS/AE

Antonio Bonchristiano em noite de artes plásticas. 3

DENISE ANDRADE/AE

● O Centro Paula Souza e Instituto de Terras do Estado de SP fecharam parceria. Vão levar curso técnico de agroecologia para assentamentos na região do Pontal do Paranapanema.

4

JANETE LONGO/AE

6

Detalhes

nem tão pequenos... 1. Chapéu de funil, inspiração que vem da Bahia pela mente criativa do artista plástico Marepe. 2. Em lançamento de livro de escritor underground a culinária de boteco ganha status. 3. A arte que alimenta a alma.

4. Aqui vive alguém com português fluente, que gosta do Brasil. É fã de música e não dispensa uma bebidinha. Mais algum palpite, caro Watson? 5. Versão moderna de Dorothy, de O Mágico de Oz: sem salto, mais conforto para ir à galeria. 6. Quem é capaz de resistir a essa fofura em plena livraria?

Ouça. Assista. Acesse. Interaja. Música, notícias, cidadania, meio ambiente, estilo de vida. Tudo com abordagem diferenciada e disponível em várias plataformas: rádio AM e FM, internet e telefonia móvel. A Rádio Eldorado está em sintonia total com as novas tecnologias e com você. www.territorioeldorado.com.br Twitter: @eldoradoradio | @eldorado929 SMS: 50093

A Rádio dos melhores ouvintes


%HermesFileInfo:D-11:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

impressão digital*

estadão.com.br Siga-me: @link_matias http://blogs.estadão.com.br/alexandre-matias/

Alexandre Matias

PARECE INVENÇÃO A INFLUÊNCIA DA FICÇÃO CIENTÍFICA Há menos de um mês, neste mesmo espaço, comentei sobre a dificuldade que Christopher Nolan teve para manter o tema de seu novo filme, Inception, em sigilo absoluto. De roteiro complicado e histórias que se superpõem, a produção estreou sexta passada no Brasil com o insosso título de A Origem (sendo que os personagens se referem o tempo todo a uma certa “inserção”). Mas pode ficar na boa: não vou falar sobre sua história – e recomendo, caso você não o tenha assistido ainda, que se

Caderno2 D11

REPRODUÇÃO

blinde contra possíveis spoilers (o termo em inglês que designa informações que estragam a surpresa de um determinado filme ou série). A Origem é só mais um dos inúmeros exemplos de como a ficção científica é onipresente no imaginário do século 21. Se formos analisar apenas cinema, os exemplos vão desde nomes gigantes (Matrix e Wall-E) a filmes menores (Moon, Filhos da Esperança, Donnie Darko) e passam tanto por remakes (Planeta dos Macacos, a nova trilogia de Guerra nas Estrelas e o Jornada nas Estrelas de J.J. Abrams) quanto pelos inúmeros filmes de super-herói. Sim: super-heróis são a forma mais trivial e rasteira de ficção científica. Não são seres fantásticos e mitológicos, embora se comportem como se fossem. Mas por trás de todo super-he-

Spoiler! Não tente entender o infográfico ao lado, feito pelo ilustrador americano Sean Mort. Assista ao novo filme de Christopher Nolan para compreendê-lo

rói há uma origem explicada cientificamente – mesmo que à base da pseudociência. Nascido no século 18 com As Viagens de Gulliver (que terá versão para o cinema, com Jack Black, no final do ano), o gênero tornou-se popular no fim do século seguinte graças a nomes como H.G. Wells e Júlio Verne e entrou no século 20 como uma espécie de subliteratura, feita para ser consumida de forma rápida e rasteira. Longe da crítica literária, os autores do novo gênero aproveitaram esta liberdade para usar discos voadores, robôs, viagens no tempo e alienígenas como metáforas para a condição humana. Assim, autores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Philip K. Dick, William Gibson e Neal Stephenson podiam criar seus universos livremente, o que serviu de base para a atual onipresença

do gênero no mundo todo. Acontece que esta liberdade que a ficção científica deu a esses autores permitiu que eles pudessem viajar em uma ciência inexistente, imaginária – que serviu como inspiração para muitos cientistas criarem invenções que nasceram na cabeça de escritores. Eis o motivo do gênero estar em voga atualmente: vivemos num século cujas principais inovações científicas foram imaginadas por artistas. Sim – vivemos em um mundo de ficção científica. E parece que não há nada mais para ser inventado ou imaginado. Que nada. A Origem – e outros tantos filmes de ficção científica que ainda virão por aí – cogita uma ciência que parece de mentira, inventada. Até que algum cientista se disponha a transformá-la em realidade...

Visuais. Premiação

DESTACANDO NOVOS ARTISTAS Foram anunciados os vencedores da segunda edição do Prêmio EDP nas Artes que, desta vez, contemplouomineiroLucasDupin (1.º lugar), os paulistas Theo Craveiro (2.º lugar) e Daniel de Paula (3.º lugar) e a paraibana Íris Helena com uma menção honrosa. Suas obras podem ser conhecidasemexposiçãoemcartaz no Instituto Tomie Ohtake. LucasDupin,vencedordoprêmio, recebe bolsa para residência de dois meses no The Banff Centre, no Canadá. Já Theo Craveiro ganha viagem ao exterior

pelo programa Dynamics Encounters e Daniel de Paula e Íris Helena, cursos no Instituto Tomie Ohtake. Os três primeiros colocadosterãoaindasuaprodução acompanhada por críticos durante um ano. O júri da premiação, realizada pelo grupo EDP e Instituto Tomie Ohtake, foi composto por Agnaldo Farias (curador da 29.ª Bienal de São Paulo); Stela Barbieri (diretora da Ação Educati-

va da instituição); pelas artistas Ana Paula Oliveira e Carla Chaim; pelo galerista André Millan; pelo curador Jacopo Crivelli Visconti; e pela pesquisado-

ra Fernanda Albuquerque. Uma mostra com as obras dos vencedores e de mais 14 finalistas está abrigada até 5 de setembro no Instituto Tomie Ohtake (Avenida Faria Lima 201, tel. 2245-1900).Com entradagratuita, pode ser visitada de terça a domingo, das 11 às 20 horas.

Arte, Cultura e Lazer Discos, Livros e Revistas Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1830 Televendas: (11) 3258 3344 Vendas on line: www.culturaartistica.com.br

AGOSTO

Shows e Espetáculos de Arte

COLEÇÃO MUSEU DA CASA BRASILEIRA A museografia valoriza cerca de 50 móveis e 40 objetos dos séculos 17 ao 21, pertencentes ao acervo do Museu e organizados a partir de verbos como servir, sentar, descansar, dormir, guardar e rezar.

Longa duração

Av. Brig. Faria Lima, 2705 Jd. Paulistano - Fone: 3032-3727 De terças a domingos, das 10h às 18h. Visitas orientadas: 3032-2564 Site www.mcb.org.br


D12 Caderno2 %HermesFileInfo:D-12:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

VERISSIMO

SEGUNDA-FEIRA LÚCIA GUIMARÃES MATTHEW SHIRTS

S

QUARTA-FEIRA ROBERTO DAMATTA

QUINTA-FEIRA LUIS FERNANDO VERISSIMO

SEXTA-FEIRA IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO MILTON HATOUM

SÁBADO MARCELO RUBENS PAIVA MARIA RITA KEHL

DOMINGO LUIS FERNANDO VERISSIMO JOÃO UBALDO RIBEIRO DANIEL PIZA

Família Brasil

O flimsi omos um pequeno grupo de pessoas de bom gosto. Foi o gosto superior que nos reuniu em Brog, e foi para proteger nosso gosto superior que nos transformamos em... Mas deixe eu contar a história desde o princípio, caro leitor. Para que você nos julgue com todos os fatos. Não queremos piedade, mas também não queremos injustiça. *** AcidadezinhadeBrogficanumamargem do rio Svlemz, na Bulgária. A cidadezinhaéumapequenajoiamedieval, e o que falta ao rio em vogais sobra em beleza. Eu descobri Brog por acaso. Todos do nosso grupo de sete conheceram Brog por acaso. O meu acaso foi um ônibus de excursão quebrado, que obrigou seus ocupantes a dormir uma noite em quartos improvisados em diversas casas da cidadezinha, que não tinha hotel ou coisa parecida. Outro acaso foi que só eu, entre todos os que estavam no ônibus, aceitei comer um peixe chamado flimsi, e ouvi do dono da casa que me hospedou o que era o flimsi. *** O flimsi, misteriosamente, só dava norio Svlemz.Todosos anos,names-

TERÇA-FEIRA ARNALDO JABOR

ma época, ele subia o rio Svlemz para desovar. O rio formava uma espécie de bacia em frente a Brog, e na passagem dos flimsis pela bacia até as crianças, com seus caniços, ou com suas próprias mãos, podiam pescá-los. O flimsi era assado sobre brasas. Na época da desova, não se comia outra coisa em Brog. E aquela era a época da desova. *** Impossível descrever a textura do flimsi e o sabor da sua carne branca. O flimsi era o que a truta sonhava em ser um dia. Era diferente de tudo que eu já provara, aquático ou terrestre. Não precisei comer mais de dois – e no fim comi 12 – para decidir que voltaria a Brog no ano seguinte, na mesma época, para comer aquela raridade. E voltei a Brog todos os anos, por 20 anos, na mesma época. Sem contar para ninguém onde ia ou, depois, onde tinha estado. Sem contar para ninguém da textura indescritível do flimsi, e do sabor da sua carne branca. *** Nesses 20 anos, é claro, outras pessoas descobriram Brog. Mas foram poucas, e nenhuma passou adiante sua experiência da beleza do rio Svlemz, e das glórias do seu peixe exclusivo. Formamos uma espécie de irmandade secreta, pactuan-

do não revelar para ninguém a existência do nosso paraíso. Nos reuníamos todos os anos em Brog, na mesma época, para comer o flimsi. Descobrimos um vinho branco da região, tosco e rascante, mas que se transformava, milagrosamente, num Mersault em contato com oflimsi. Eassim vivíamos...Atéque apareceu Mr. Gordon. *** Mr. Gordon também descobriu Brog por acaso. Era um empresário americano excêntrico que fazia passeios de bicicleta com a mulher pela Europa – só os dois, além de seguranças, mecânicos, dois personal trainers, um médico

e um contador em vans, atrás – e se perdeu das vans e acabou na cidadezinha, onde ouviu de um habitante local desavisado toda a história do flimsi. Mr. Gordon se encantou com a história e com a paisagem e naquela mesma noite nos declarou que construiria um grande hotel à beira do Svlemz com um restaurante especializado em flimsis, e os promoveria como a mais nova sensação turística do mundo. *** Só nos restou decidir como os mataríamos.Optamospeloenvenenamento,seguido por uma simulação de afogamento,comindícios deque asbicicletasdes-

controladas tinham caído no rio. Combinamos que todos os sete derramariam alguma coisa na bebida do senhor e da senhora Gordon mas só um, sem saber, derramaria o veneno, para ninguém se sentir completamente culpado. E foi o que fizemos, leitor. Aí está a história. Foi homicídio justificado? Foi um ato de egoísmo inqualificável? Agimos em autodefesa? Decida você. *** Em tempo: não preciso dizer que o nome da cidadezinha, do rio, do peixe e até do país foram trocados, para proteger nosso paraíso. Tá doido?

SINOPSE DANIEL PIZA ✽ ●

E-mail: daniel.piza@grupoestado.com.br

Site: www.danielpiza.com.br Blog: http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza

Por que não me ufano BAPTISTÃO

H

á 110 anos o conde monarquistaAfonsoCelsoescreveu um livro, Por Que me Ufano do Meu País, em que defendia a superioridade do Brasilpormotivoscomoagrandezaterritorial, a beleza natural, o clima ameno, a índole feliz e a mistura racial. (Quem acha que foi Gilberto Freyre o primeiro a fazer a exaltação da mestiçagem, portanto, está muito enganado.) Quando criei a seção Por que não me ufano já na primeira coluna Sinopse,em1996,muitosacharamquesignificaria “Por que não gosto do Brasil”, esquecendoque soucontra o orgulho nacionalista em geral, não apenas em particular, e que, se quisesse o mal da nação, não me daria ao trabalho de martelar suas mazelas. E convenhamosquetodasemanasomosmartelados por elas: *** Teremos em breve uma eleição entre a guerrilheira, o vampiro e a navi. A guerrilheira, favorita, jura que não vai aumentar gastos e tributos e que o PAC é um sucesso, mas já é a mulher mais poderosa do Brasil há quatro anos e os números informam exatamente o contrário. O voto nela tem ummotivosimplesepraticamenteirreversível:éovotoconservador,o voto no que “está dando certo”, o voto na continuidade do lulismo tucanado. O vampiro não consegue dissociarsua imagem do governo FHC e da fronteirapaulista,nemconsegueprometer nada confiavelmente inovador.Eanavi,representantedodiscursoquemisturaevangelismoeambientalismo como o filme Avatar, não supera seu nicho. *** No bocejante debate de quinta-feira na TV Bandeirantes, essas impressõessóseconfirmaram.Dilma,nervosa, beirando a arrogância, vestida à la Marta Suplicy, não falou nada que a destacasse nem que a comprometesse. Continua, repito, uma incógnita. Serra falou muito em saúde, de novo, e se misturou aos outros na oferta de programinhas,tipo “nota fiscal brasileira”, que duvido que a maioria saiba o que é (sem entrar no mérito da tal “nota fiscal paulista”, pois a ela prefiro corte de impostos e obrigar que as notasdiscriminemquantoelesnoslevam a cada compra). Marina conseguiu ser mais prolixa que os dois. Só um incidente grandioso muda o rumo dessa eleição. *** Aforao vale-tudo para acorrupção e a incompetência na infraestrutura,

que não são exclusividades suas, há uma área em que o governo Lula cometeu lambanças únicas: a política externa. Seu apoio a governos autocratas (como o de Chávez) e teocratas (como o de Ahmadinejad), suas gafes no discurso e na ação (como o asilo a Zelaya em Honduras e a comparação dos presos políticos com presos comuns), seu descaso em relação ao comércio com os EUA (em favor de uma pauta de exportação cada vez mais dependente de commodities) – osexemplos sãofartos. Quando ele diz algo que poderia lhe dar uma imagem positiva, como a defesa da iraniana con-

O voto em Dilma tem motivo simples: é o voto conservador, o voto no que “está dando certo” denadaaoapedrejamentoporadultério, fica pior ainda; afinal, é tarde, meu caro, e quem abraçou um tirano não passa a mão na cabeça de uma vítima. Aos poucos, os outros países, antes contentes coma ascensão econômicado Brasil sob asmãosdeumex-sindicalista,caíramna realidade. Lula, “o cara”, virou agora ingênuo e emotivo. No mínimo. *** Enquantoisso,ocaosaéreovoltaaameaçarosbrasileiros.Antesmesmodasemana kafkiana que a Gol e outras companhias ofereceram a seus passageiros, escrevi no blog que a situação em aeroportos como Cumbica e Congonhas estava cada vez pior. Sim, houve motivos imediatos, como o alegado erro na escala dos funcionários, mas o problema é mais amplo e profundo: simplesmente a malha aérea não dá conta da demanda, mesmo depois de acidentes e trapalhadas que causaram trocas de ministro e diretoresealgumas ações emergenciais.

Quasenenhumapromessademaiorprazofoicumprida, desdeconstruirum terceiroaeroportopaulistaatépunirosresponsáveispelastragédias.A quatro anos da Copa, os aeroportos continuam devendo segurança, estrutura e qualidade aos usuários. O país do futuro não sabe se preparar para ele. *** Se lhe veio à mente, leitor, o charutão daquela diretora da Anac, pense agora no que aconteceu na França com o ministroquegastou€12milempuroscubanos. Por ter usado dinheiro público, foi demitido e agora está sendo investigado. Se fosse no Brasil, o presidente Lula diria que ele é inocente até a sentença final,odeputadoIbsenPinheirolembrariaque corrupção existeem todolugar e, assim como no caso das tapiocas e outras contravenções pequenas ou grandes do governo atual, ele continuaria no cargo,nomáximoevitandocomprarcharutos por um tempo. Como é que alguém pode se orgulhar da Justiça nacional se a Interpol persegue Paulo Maluf e ele continua a circular livre e falastrão por ruas e salões do Brasil? *** Por falar em segurança, não há números que mudem a percepção dos cidadãos de que a coisa só piora. Toda semana sei pelomenosdeumconhecidoqueéassaltado,sejaempontosdeônibusnaperiferia seja em shoppings de luxo no centro. O PCC não esquece as lições do “dia em que São Paulo parou” e volta a atacar postos da Rota, cientes de que podem atemorizar a população a qualquer momento. Os presídios continuam a ser fábricas de crime, e os sem-teto são expulsosde umbairro paraoutro como seisso escondesse o problema. Em Higienópolis, onde moro, o que éparticular melhora e o que é público piora, como policia-

mento, asfalto, etc. As autoridades ainda estudam fazer outra estação de metrô, naAvenida Angélica, já saturada, em vez de usar o dinheiro para levar transporte de qualidade aonde não existe. *** Não são apenas os políticos que insistem em nos causar engulho em vez de orgulho. A sociedade brasileira está cheia de exemplos semelhantes. Veja o meio cultural, onde o comportamento oligárquico se repete em cineastas, maestros, patrocinadores, etc. Eles se acham insubstituíveis e se articulam em patotas, contra as quais nenhuma críti-

Não temos uma elite; temos uma classe alta quase sempre ignorante e grosseira ca pode ser dirigida. Mesmo que sejam de famílias muito ricas, não dão um passo sem ajuda do dinheiro estatal. Um evento literário numa cidade charmosa, comoaFlip, édominado porumapanela de editoras e bancos e gira em torno dos mesmos autores. Uma coleção como a dosclássicosPenguinélançadacompreço pelo menos 50% maior que o da original: O Príncipe, de Maquiavel, lá custa US$ 7; aqui, R$ 19,50. Ou será que estamospagandopeloprefáciodeFHC?PrefiromuitomaisodeIsaiahBerlin,incluído na edição brasileira da Prestígio. *** Não é de hoje que noto o pouco respeito existente no Brasil em relação ao trabalho intelectual. Convites para fazer palestra, participar de júri ou escrever artigo,vindos de empresas bastante lucrativas, simplesmente ignoram a informação do quanto vai ser pago – como se essas pessoas contratassem um advogado e não pagassem, fossem ao dentista e

não pagassem, tomassem um táxi e não pagassem. Quando pagam, na maioria das vezes, pagam mal e/ou atrasado. Como há tanta gente que escreve de graça na internet ou comentaartesnasrádiospapagaiando o queleu nosjornais, essesconvitesdevem supor que escrever é tarefa menor, para diletantes, e requer pouco estudo. E tradução, no Brasil? Virou um trabalho de abnegado. Sei de alguns casos em que o autordo textode orelha ganhou mais que o tradutor. *** Senossosescritoressedessemaotrabalho de observar a tal “zelite” brasileira, teriam farto material para ficção. Os ricos brasileiros não mudarammuitodesde que MachadodeAssis retratou aqueles herdeiros do Segundo Reinado carolas e egocêntricos, principalmente no trato com a coisa pública e com os mais pobres. Me sinto mal quando vejo a maneira como eles – banqueiros, empresários, autoridades, famosos – lidam com as pessoas ao redor, que trabalham para eles e são obrigadas a aguentara faltade educaçãoaqui e ali atenuada pela culpa social, aplacada por mimos. Não dizem “por favor” nem “obrigado”, gritam e até ofendem; depois vão lá e dão uma roupa usada ou uma gorjeta extra para se sentirbem,massemregistrarem carteira ou pagar decentemente. Em mais de uma festa supostamente chique vi empregadas domésticas, evidentemente negras, passarem horas seguidas em pé ao lado do banheiro, para mostrar o caminho do trono às majestades... Não temos uma elite; temos uma classe alta quase sempre ignorante e grosseira. *** Na semana passada, por erro de edição, a nota “Por que não me ufano”, sobre a proposta do movimento Brasil Eficiente de redução de um ponto porcentual da carga tributária a cada ano, saiu aqui sem o título da seção. Aproveito e relembro que os impostos inegavelmente escorchantes da economia brasileira não justificam totalmenteaalegação dosbancos para cobrar juros tão altos em cartões e cheques. Afinal, como dizia o outro, banco é o único tipo de empresa que sai ganhando quando seus clientes não honram os compromissos. ● Aforismo

sem juízo

No Brasil, a bagunça disfarça o preço do passado. Mas não o elimina.


E1 %HermesFileInfo:E-1:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Experiência única

Ansiedade em Goiás

Recomeço difícil

Mano começa a sentir a vida nova de técnico da seleção

Palmeiras tenta a primeira vitória sob comando de Felipão

São Paulo, de Rogério Ceni, tem jogo duro contra o Atlético-PR, em Curitiba

Pág. E6

Pág. E4

Pág. E3

ROBSON FERNANDJES/AE-4/8/2010

Esportes estadão.com.br

Campeonato Brasileiro JOSÉ PATRICIO/AE-5/8/2010

CLIMA DE REVANCHE

De novo. Chicão esteve em campo na fatídica partida em que o Corinthians venceu o Flamengo, no Pacaembu,mas foi eliminado da Taça Libertadores, sonho maior do ano do centenário

Corinthians reencontra o Flamengo pela 1ª vez após a eliminação da Libertadores, no mesmo Pacaembu, e evita falar em troco, mas não consegue disfarçar o sentimento de que o confronto é especial, além de poder garantir o time de volta à liderança da competição Fábio Hecico

A palavra está proibida no Parque São Jorge, mas o sentimento de revanche, não. Hoje, mais de três meses após a precoce eliminação nas oitavas de final da Taça Libertadores, naquela fatídica noite de 6 de maio, com inútil vitória por 2 a 1, o Corinthians volta a receber o Flamengo, no Pacaembu. Às 16 horas, sob a ale-

gação de que é necessário retornar à liderança do Campeonato Brasileiro – hoje com o Fluminense –, o time parte para cima dos rivais com três atacantes. Dentinho volta após cumprir suspensão e herda a vaga de BrunoCésar,suspenso.Jorge HenriqueeIarley devemser oscompanheiros, com Defederico como opção. Os quatro atacantes sabem que a partida de hoje – segunda sob o comando de Adílson Batista – é de vital importância para seguir no time titular. Ronaldo volta na próxima rodada e apenas dois, ou mesmo um, entre os quatro, seguirá na equipe. Isso pelo fato de o técnico ter gostado de jogar com Ralf, Jucilei, Elias e Bruno César no meio. Como é de praxe, Adílson não revela se usará os três atacantes, apenas por tê-los utilizado nos trabalhos da semana. “Trabalhei com a formação de três atacantes duas vezes. Mas usei uma outra também, com o Danilo. Vou deixaroRogérioLourenço(técnico do Flamengo) pensando um pouquinho lá. Tenho ideia do que vamos colocar em campo e vamos pensando. A formação com três atacantes já foi trabalhada aqui, observei as imagens,

Reedição do duelo da Libertadores tem cara nova nos gols veis para Corinthians e Flamengo nos últimos três anos. O primeiro saiu do clube pela porta dos fundos e o segundo está preso. Hoje, três meses depois da reedição do duelo da Libertadores, a missão de evitar os gols fica para Júlio César e Marcelo Lomba. Ambos começaram bem, mas vivem tendo de “matar um leão por dia” sob a alegação de que clube grande necessita de

goleiros experientes. O corintiano, por exemplo, sofre pressão após a contratação do paraguaio Bobadilla, ainda sem condições para jogar. “Agora é o meu momento. Estou bem e confiante em seguir jogando”, afirmou Júlio, que, com a renumeração dos jogadores, herdou a camisa 1. Bobadilla é o 34, sua idade. “É um goleiro em que confiamos, Sabemos do potencial e no momento certo terá oportunidade”, afirmou Adílson Batista. No Flamengo, Lomba assumiu a vaga de Bruno, fez belas partidas e segue sem sombras. Mas vive sob enorme boato de que um novo goleiro chegará. / F.H.

e pode ser usada sem problema algum”, declarou o treinador. Contra o Palmeiras, sem Dentinho, suspenso, Adílson começou com Iarley e Jorge Henrique. Depois, mudou para o 4-3-3, que os corintianos tanto gostam,com entrada deDefederico. O argentino anda com o ânimo renovado e, apesar de meia no Huracán, sabe que agora terá de lutar por vaga na frente. Bru-

no César ganhou a camisa 10 e virou intocável. Hoje, suspenso, não atua. Mas Jorge Henrique voltou a jogar bem e Iarley cresceu nas últimas partidas. NumPacaembuquedevereceber bom público, a ordem é buscar o primeiro lugar. “Os times têm de reagir rápido, pois o futebol é muito dinâmico. Precisamosesquecer(aLibertadores),vivenciar o presente, saber que es-

● Felipe e Bruno foram intocá-

tamos em outra competição. Agora, nossa situação é um pouco melhor do que a do Flamengo no Brasileiro e vamos buscar a liderança”,disseAdílson.Paraisso, se faz necessário uma vitória aliada a um tropeço do Fluminense, com um ponto a mais, diante do Grêmio, no Sul. “Neste momento, só pensamos em voltar à liderança”, enfatizouolateral-esquerdoRoberto Carlos, outro que também retorna após cumprir suspensão no clássico, sendo sutil para não falar de “vingança”. Não fala, mas manda recado aos rubro-negros, hoje em campo de azul e amarelo (terceiro uniforme). “Eu ainda não perdi no Pacaembu. Lá, não perdemos faz tempo.” Na temporada, são 16 vitórias e3 empates no estádio.No Brasileiro, como mandante, o Corinthians ganhou todos os jogos. E é neste retrospecto que o time se agarra para seguir entre os melhores. “Nossa meta é a de vencer em casa e pontuar fora. Empatamos com o Palmeiras, agora, é ganhar do Flamengo”, disse Elias logo após o 1 a 1 no clássico de domingo passado contra o Palmeiras, também no Pacaembu, mas com mando do rival.

Após Adriano e Love, Flamengo sofre com Val e Borja Leonardo Maia / RIO

A paciência do torcedor está por um fio. A diretoria, insatisfeita, ainda busca reforços para o se-

7 8 9 10 11 12

tor.Maspelomenosparaotécnico Rogério Lourenço, a dupla de ataque titular do Flamengo, formada pelos questionados Val Baiano e Cristian Borja, ainda merece oportunidades. A parceria terá mais uma chance hoje, diante do vice-líder Corinthians, no Pacaembu. Os dois atacantes ainda não

marcaram com a camisa rubronegra. O time da Gávea não sabe o que é vencer há três rodadas, jejum que o levou da quarta para a oitava posição, com 17 pontos. A distância para o G-4 é de apenas três pontos, mas a região da degola também está próxima (cinco).Portanto éhorade oataquerubro-negrocomeçar afazer

gols. No meio de campo, o técnico Rogério Lourenço manterá apenas Petkovic na criação, ao lado de três volantes. O meia Renato foi apresentado,masdepoisdepassardoismeses inativo, não tem condições físicas de jogar. Assim, Kléberson segue no time titular, embora suas últimas atuações não te-

nham sido convincentes. “O Renato tem a sua história no Flamengo, voltou com prestígio. Quem ganha com isso é o próprio Flamengo. Se os dois estiverem bem, vamos jogar juntos”, prevê o volante, que admite deixar o clube caso a negociação seja atraente para ele e para o Rubro-Negro.

CORINTHIANS FLAMENGO

CORINTHIANS Júlio César Alessandro Chicão William Roberto Carlos Ralf Jucilei Elias Dentinho Jorge Henrique Iarley Técnico: Adílson Batista

FLAMENGO Marcelo Lomba Léo Moura Jean Ronaldo Angelim Juan Fernando Willians Kléberson Petkovic Val Baiano Cristian Borja Técnico: Rogério Lourenço

Juiz: Heber Roberto Lopes (PR) Local: Pacaembu Horário: 16h Transmissão: Pay-per-view Destaques

23 | J. Henrique Atacante está em alta e vem fazendo gols

10 | Petkovic O jogador sempre atuou bem contra o rival

Rogério tem o desfalque de Correa, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Nos treinamentos ao longo da semana, promoveu a entrada de Fernando na equipe,nafunçãodeprimeirovolante. Mas o jovem Antônio também foi utilizado. “Tenho uma ideia, mas não quero adiantar porque quero pensar mais. Quero mexer o mínimo possível no sistema da equipe. O Fernando foi bem nos treinos, o Antonio também e acredito no potencial dele”, comentou Rogério.


E2 Esportes %HermesFileInfo:E-2:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

AnteroGreco

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Um clube diferente?

H

antero.greco@grupoestado.com.br

ipocrisia não falta nas relações humanas. E abunda no futebol. A saída de Ricardo Gomes do São Paulo é o mais recenteexemplodecomodirigentes podemcomportar-secomofariseus. Acartolagem fritava o treinador em fogo alto, mandava seguidos recados de que não o suportava mais, mas tinha receio de demiti-lo entre um jogo e outro decisivo com o Internacional. A indicação era clara: ele receberia o bilhete azul assim que terminasse a participação do time na Libertadores. Com ou sem título, tomaria o rumo de casa. Até aí, nenhuma novidade. Trocas de comandosãoa saídamaiscorriqueira se uma equipe tropeça na bola e os resultados frustram. A diferença, desta vez, foi a justificativa para a dispensa, há semanas pedra cantada pelas bandas do Mo-

rumbi. A cúpula tricolor alegou que a aventura de Ricardo Gomes terminou anteontem por vontade popular. A voz das arquibancadas prevaleceu, na cândida explicação oficial. Antes, veio a lengalenga de praxe nessas situações – “É excelente profissional”, “Deixou imagem positiva”, “Faltaram os resultados”. Depois, o surpreendente surtodemocrático,comuminusitadoenunciado: “Era grande a insatisfação do torcedor com o Ricardo.” Como os donos da bola tricolores não fazem ouvidos de mercadorpara a pressão dos fãs, não encontraram alternativa senão promover o funcionário para novos desafios, eufemismo tão em moda para definir o que antigamente se chamava demissão. Conversa fiada e sinal de que o clube que se apresenta como difereeeen-txe! age da mesma forma como qualquer outro quando o calo aperta. Mas parece ter vergonha de admitir, e vem com o papo furado de que baseia o banimento de Ricardo no desejo de afinar sentimentos com a raia miúda. Fosse assim, a cada semana haveria baixas em comissão técnica ou elenco. Basta uma derrota para a torcida xingar este ou aquela e pedir cabeças. Nem por isso, é atendida. Pelo mesmo princípio, não ocorreriam nego-

ciações de ídolos da casa. O são-paulino que fica no sereno no estádio por acaso foi consultado a respeito da transferência de Hernanes com a Lazio? Never! Ricardo Gomes é um sujeito bacana, educado, sério. Mas ainda sem estofo e bagagem suficientes para comandar um time como o São Paulo e sobretudo para suportar cobranças. A diretoria percebeu isso poucas semanas depois de tê-lo contratado, no ano passado. Porém, para não parecer intolerante e apressada, apostou na ação do tempo. O técnico acumuloucréditocomaclassificaçãopa-

São Paulo gosta de mostrar-se como inovador, mas demite técnico por ‘pressão popular’ raaLibertadorese comoPaulistarazoável. Mas jamais deu padrão competitivo àequipe.Ocaldoentornoucomasderrapadas no Brasileiro após o Mundial. Naquele momento, bateu o temor de que o sonho do tetra na Libertadores iria pro brejo. Não foi por acaso que dias atrás se intensificaram os sinais que apontavam para troca a curtíssimo prazo e surgiram comentários de que o nome para substituí-lo era Dunga, que bri-

goucomomundo naCopa,enclausurou atletas e teve desempenho pior do que a serelepe seleção de 2006. Ora, se o equilíbrio de Ricardo Gomes já era precário, desandou de vez. Por mais que finja naturalidade, ninguém ameaçado de levar um chegapra-lá do patrão consegue trabalhar direito. Quem já passou por esse angústiasabe doque estou dizendo.Por mais que se esforce para exercer suas funções,atodomomentovemodiabinho do medo pra atiçar: “Será agora o fim?” O mais comum é travar – travamento que, no caso do são-paulino, custou a Libertadores. Nãodevetersidodiferente comRicardo Gomes. E, como tinha cargo de gestor – outro nome moderninho para chefe ou encarregado –, a fragilidade passou para o elenco. Ou você acha que jogador vai levar a sério um técnico que está na boca da caçapa? O episódio passa a sensação de que o São Paulo perdeu um ano com profissional que não atendia a seus anseios. E reforça a certeza de como é vazio falar em “projeto”, outra palavrinha sonsa usada pelos clubes ao trazer um técnico para apagar incêndio que cartolas ajudaram a acender.

ENTREVISTA ANDRADE, TÉCNICO DE FUTEBOL CARLOS MORAES/AGÊNCIA O DIA-6/12/2009

Campeão brasileiro pelo Flamengo em 2009, está desempregado e esquecido Treinador mostra decepção pela forma como foi demitido da Gávea e lamenta estar no ostracismo. Mas vai estar atento hoje, na TV, a Corinthians x Fla

‘Estou em casa há 3 meses, não sei o que fazer’ Bruno Lousada / RIO

Atual campeão brasileiro pelo Flamengo, Andrade está desempregado desde abril e tenta vencer um adversário implacável: o tédio. Para quem fez dos gramados seu habitat natural, ver-se longe do ambiente do futebol é tão duro quanto ficar sem ganhar salário. “Estou em casa há três meses e não sei o que fazer. Nunca vivi isso. Vou do quarto para a sala e vice-versa para me distrair. É um momento chato, mas tenho de ter paciência”, disse ao Estado. Com o troféu erguido no ano passado, Andrade passou a ser o esportista com maior número de títulos brasileiros conquistados: seis no total – cinco deles como jogador, um volante de fino trato com a bola. Agora, seu único desejo é voltar a treinar. “Essa profissão não dá garantia nenhuma. Nem os bons resultados me seguraram na Gávea. Em qualquer lugar do mundo, eu merecia um crédito de pelo menos mais dois anos de trabalho”.

● Como explicar o atual técnico campeão brasileiro estar desempregado há três meses?

Essa é uma situação chata e nova para mim. Não pensei que essa profissão fosse tão difícil. Achava que trabalhar no Flamengo e ser campeão nacional abririam outras portas, mas... ● Sua forte ligação com o clube carioca acaba prejudicando você a assumir outras equipes?

Não sei bem. Reconheço minha forte identificação com o Flamengo e acho também que sou um treinador novo no mercado, apesar do título brasileiro e de ter sido eleito o melhor técnico do Brasileiro de 2009. Tive propostas de outros times – o Goiás foi um deles –, mas as conversas não evoluíram. ● Não está acostumado a ficar tanto tempo longe dos campos.

Fico entediado. Estou em casa há três meses e não sei o que fazer. Nunca vivi isso. Vou do quarto para a sala e vice-versa para me distrair. É chato, mas tenho de ter paciência.

● Ao dispensá-lo, a diretoria insinuou que lhe faltou pulso com as estrelas rubro-negras (Vagner Love, Adriano, Bruno). Isso arranhou sua imagem no mercado?

● Como viu a chegada de Zico como diretor do Flamengo?

● O Flamengo venceu o Corin-

Ele vai trazer credibilidade, é o maior jogador da história do clube. Dá uma oxigenada, uma acalmada na Gávea. A presença dele é muito importante para o futuro do Flamengo. ● Com Zico no comando do futebol rubro-negro, aumenta sua chance de retornar?

Não tenho esperança de voltar. Na verdade, acho difícil voltar agora. O Flamengo tem treina-

Flamenguistas adotaram local como ponto de encontro para assistir aos jogos do time carioca. Hoje, porém, eles vão ao Pacaembu, ver de perto a equipe em ação

H

oje, excepcionalmente,cadaum estaránumcanto:flamenguistas no Pacaembu e a família corintiana em casa. Para não estragar a amizade. Apesar do confronto ser em São Paulo, os rubronegros garantiram presença no estádio. Afinal, essa é ala da torcida que mora na capital paulista e integra a FlaSampa, grupo que se reúne em todos os jogos num bar, na

Sim, principalmente os do Flamengo. Mas vejo outros também. Acompanhei Santos x Vitória, no Barradão, pela decisão da Copa do Brasil, e São Paulo x Inter, pela Libertadores. Dois jogos acirrados, disputados. ● E os Meninos da Vila?

BARNAVILACLEMENTINO VIRAREDUTODAFLA-SAMPA Vila Clementino. Os donos do local, que são corintianos, preferiram ver a partidade casa.Mas, garantem,a relaçãoentre eleséamistosa.“A gente se trata como uma família”, comenta Olinda Martinez, proprietária do bar. Nascida no Rio, dona Olinda torcia para o Flamengo. Quando veio para São Paulo, passou a vibrar pelo Corinthians e agora vive a alegria de compartilhar as duaspaixões.“Coincidentemente, fizemos uma parceria com o pessoal do Flamengo. Eu achei

● Tem assistido aos jogos?

Com certeza. A forma como (a demissão) foi feita, me deixou chateado. Saí com 75% de aproveitamento e um título nacional. Essa profissão não dá garantia nenhuma. Nem os bons resultados me seguraram na Gávea. Em qualquer lugar do mundo, eu mereceria um crédito de pelo menos mais dois anos de trabalho.

PAIXÃO RUBRO-NEGRA

Ana Paula Garrido

dor (Rogério Lourenço), e respeito isso. Mas não fechei as portas. No futuro, tudo é possível.

excelente”, comemora. Atorcidanasceudeumacomunidade na internet. Os participantes resolveram se conhecer pessoalmente e, a partir de então, o “movimento”, como eles chamam, cresceu. Cresceu mesmo. Hoje há 3.700 flamenguistas cadastrados, dos quais 200 são presença garantida nos encontros. “É um lugar em que todos sabem que vai passar o jogo com certeza”, comenta o organizador do grupo, Rodrigo Fortuna. Apesar de não ser uma torcida organizada, a Fla-Sampa tem re-

O time do Santos é diferente. Quando a bola se aproxima dos pés de Neymar, Ganso e Robinho, dali vai sair algo bom. Com esse trio acima da média, o futebol não vive só da parte tática. Vive do talento individual. Eles fazem a diferença. Comandar um deles já é bom, imagine os três juntos. thians no ano passado, em São Paulo, e ficou a uma vitória do título nacional. Hoje, os dois times voltam a se enfrentar. Ao vê-los em campo, vai passar um filme da conquista na cabeça?

Não me apego muito ao passado. O que aconteceu já aconteceu. E cada jogo tem sua história também. Um Flamengo e Corinthians sempre é diferente. Vou ver essa partida, é claro. O amor pelo Flamengo não pode parar.

gras. Uma delasé aproibição dos gritos de guerra contra clubes paulistas. “Somos hóspedes em São Paulo. Então, não podemos fazer nada que ofenda as pessoas daqui”, explica Rodrigo. Com o Corinthians, a relação de cautela é ainda maior. “Temos uma rivalidade, mas é sadia. Há um respeito recíproco”, garante o flamenguista. EmSão Paulo, a torcida rubronegra é bem variada. Tem carioca, paulista e até estrangeiros. “Um dos fundadores é egípcio e tem também um alemão e um chileno”, conta Rodrigo. Do mesmo jeito que surgiu o movimento flamenguista fora dos limites cariocas, os corintianos dominaram o Rio. A Fiel-Rio existe há 6 anos e tem 400 torcedores. No entanto, o convívio com os rubro-negros de lá não foi tão boa. “A gente se reunia num bar, mas alguns torcedores começaram a implicar e agora nos encontramos num clube”, comenta o coordenador alvinegro João Gabriel.

Frustração. ‘A profissão não dá garantia nenhuma, nem os resultados me seguraram’

FLA-SAMPA / DIVULGAÇÃO

Sede. Em São Paulo, rubro-negros frequentam bar de corintianos


%HermesFileInfo:E-3:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Esportes E3

Campeonato Brasileiro

SÃO PAULO TENTA RECOMEÇAR NO SUL ERNESTO RODRIGUES/AE-6/8/2010

Fora da Libertadores, sem técnico e sem Hernanes e Dagoberto, time pega o Atlético-PR e precisa reagir na Série A

ATLÉTICO-PR SÃO PAULO CAMPEONATO BRASILEIRO

ATLÉTICO-PR Neto Leandro Manoel Rhodolfo Paulinho Vítor Chico Paulo Baier Netinho Guerrón Nieto Técnico: Paulo C. Carpegiani

Giuliander Carpes

Se ainda quiser sonhar com o sétimo título brasileiro, o São Paulo não pode remoer o fracasso na Taça Libertadores, competição da qual foi eliminado pelo Internacional. O clube está a apenas três pontos de distância da zona do rebaixamento. E o pior: perdeu seu camisa 10, Hernanes, e o técnico Ricardo Gomes. Nada disso, porém, reduz a necessidadede umbom resultadocontra o Atlético-PR, hoje, às 18h30, na Arena da Baixada. A Libertadores, como sempre ocorre, era a joia do São Paulo no ano. Mas, numa rotina que se repete desde 2006, a equipe perdeu para um adversário brasileironacompetição.Aquintaeliminação consecutiva doeu muito e abalou as estruturas do clube. Hernanes partiu para a Lazio, da Itália, e Ricardo Gomes foi dispensado depois de levar o time à terceira posição do Brasileiro em 2009 e às semifinais do Paulista e do torneio continental neste ano. A diretoria pede tempo para resolver quem será o novo técnico. “Agora teremos algumas semanas dejogos apenas nos finais desemana,entãotemos umpoucomais detranquilidade paraescolher o nome do próximo comandante”, explica o vice-presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. Por enquanto, o encarregadoserá, outravez, MiltonCruz.Emboraconheçaogrupo, o interino mal sabe por onde começar. “Aindanão sei quais jogadores terei à disposição. Tenho de ver com o departamento médico quem não tem condições físicas

Juiz: Gutemberg de Paula Fonseca (RJ) Local: Arena da Baixada Horário: 18h30 Transmissão: Pay-per-view

Destaques

10 | P. Baier Tem sido o carrasco dos adversários

Além do momento conturbado, o São Paulo vai ter de enfrentar um jejum e o mau retrospecto de seu técnico interino para vencer o Atlético-PR. A equipe paulista

99 | Ricardo O. O atacante é a esperança são-paulina

Cabeça baixa. Fernandão, Miranda, Ricardo Oliveira e Rodrigo Souto: tristeza após eliminação é forte obstáculo em Curitiba edar uma conversada com o pessoal para avaliar quem está bem psicologicamente”,contaoauxiliar, que vai escalar o time apenas minutos antes da partida contraosparanaenses.“Adiretoria me pediu para segurar um pouco esta situação e disse que nãogostaria queeufosse o técnico para não ter de me expor no futuro. Tenho uma função importante no clube.” Milton já terá a dura tarefa de encontrar um substituto para Hernanes no próprio elenco, já que o clube não pretende se reforçar na posição. Ainda precisará suprir as ausências de Xandão (lesão no tornozelo) e Alex Silva (contusão no joelho direito). Ambos não têm previsão de re-

torno, mas o segundo pode ficar fora por pelo menos um mês e sofrer uma artroscopia. Dagoberto é afastado. O interino também não poderá contar com Dagoberto. O atacante foi afastado pela diretoria. A justificativa oficial: evitar o desgaste de voltar à Arena da Baixada, de onde saiu brigado em 2007. Mas ofatoéqueosdirigentesnãogostaram da postura descompromissada do jogador diante do Inter, na Libertadores. O São Paulosóesperachanceparanegociálo. “Ainda não tem nada concreto, mas vamos gostar se chegar alguma proposta”, diz Leco. Miranda é outro que pode sair. /

Paranaenses não sabem o que é perder do rival na Arena ● Ainda flertando com a zona do

rebaixamento, embora os resultados tenham melhorado um pouco nas últimas rodadas, o Atlético Paranaense (16º colocado, com 13 pontos) se apega ao passado para tentar subir mais algumas posições na competição. O Rubro-Negro jamais perdeu para o São Paulo na Arena da Baixada. Até hoje, foram quatro empates e oito vitórias (ver abaixo).

nunca venceu uma partida na Arena da Baixada. Para completar,MiltonCruzsótemumavitória no comando do time tricolor. OSão Paulojá disputou 12partidas no estádio do Atlético-PR. Perdeu oito, inclusive no ano passado (1 a 0). O máximo que conseguiu até hoje foram quatro empates em Curitiba. “Eu só pego molezinha”, ironiza Milton Cruz, brincando com o fato de

A novidade do time esta noite deve ser a dupla de ataque estrangeira. O equatoriano Guerrón, que jogou no Maracanã contra o Fluminense, e o argentino Nieto apresentam-se pela primeira vez em Curitiba. O artilheiro Bruno Mineiro cumpre suspensão pelo terceiro cartão amarelo. Mas a maior preocupação do técnico Paulo César Carpegiani é com o setor defensivo, o mais vazado da competição, com 23 gols. Para ele, falta “malandragem’’ aos jogadores. “Nós temos ótimos zagueiros, que poderiam estar no futebol europeu’’, elogiou. “Acho que falta a continui-

dade, a consistência, o acerto, mas, acima de tudo, nós temos que corrigir os nossos erros, ter um pouco mais de picardia, de malandragem para se jogar futebol.’’ Segundo Carpegiani, isso será conseguido com o “amadurecimento’’ da equipe. Nos treinamentos, o técnico optou por dois zagueiros, retirando Bruno Costa. O meia Paulinho foi recuado para ocupar a lateralesquerda, entrando Netinho no meio de campo. O lateral-direito Wagner Diniz não pode jogar devido a cláusula de empréstimo (é do São Paulo) e será substituído por Leandro. / EVANDRO FADEL

maior competição do continente americano. O São Paulo perdera para o Atlético-PR na partida de ida (4 a 2), exatamente na Arena da Baixada. Resultado: Paulo César Carpegiani foi demitido. Sobrou para Milton, o que setornaria rotina a cada mudança de treinador desde então. A equipe sãopaulina conquistou uma vitória no Morumbi, mas o 2 a 1 acabou sendo um placar insuficiente para levar o time à Libertadores do ano 2000. Nasoutrascincopartidas, Mil-

ton Cruz somou duas derrotas e três empates. Na situação em que o São Paulo se encontra não seria surpreendente que a equipe sofresse outro revés sob comando do treinador interino. Mas Milton não se abate. “Acredito que o São Paulo tem time para chegar até a zona de classificação para a Libertadores do ano que vem, quem sabe até o título”, confia o interino. “Temos um bom plantel, já provamos isso. Estamos beliscando todas as competições e não vai ser diferente no Brasileiro.” / G.C.

COLABOROU MARCIUS AZEVEDO

Milton Cruz luta contra retrospecto ruim Treinador interino do São Paulo venceu apenas um jogo no comando do time logo contra rival de hoje

SÃO PAULO Rogério Ceni Renato Silva Miranda Samuel Jean Rodrigo Souto Cléber Santana Marlos Junior Cesar Fernandão Ricardo Oliveira Técnico: Milton Cruz

sempre ter um adversário complicado quando assume a equipe – em 2009, após a saída de Muricy Ramalho, enfrentou logo um clássico com o Corinthians (derrota por 3 a 1). “Sempreassumoemfasesconturbadas”, justifica o auxiliar, que já comandou o São Paulo em seis partidas. A boa notícia para MiltonCruzéquesuaúnica vitória foi exatamente contra o ad-

versário de hoje. Só que o único resultado que o técnico pode comemorar ocorreu no longínquo ano de 1999 e, como a vitória contra o Inter (2 a 1), quinta-feira, não adiantou muita coisa. O jogo valia vaga na TaçaLibertadores,quandoossemifinalistasderrotadosnoBrasileiroainda disputavamumaseletivaparasaberquemseriaoquarto representante do País na

DIVULGAÇÃO

Guarani goleia. E Luxemburgo perde o nono jogo O time de Campinas vence bem o Avaí, em Campinas, por 4 a 1. O Atlético-MG cai no Rio: Botafogo, 3 a 0 O técnico Vanderlei Luxemburgo ficou com seu emprego ameaçado depois da nona derrota sofrida pelo Atlético-MG no CampeonatoBrasileiro. Ontemànoite, no Engenhão, no Rio, o vexame foi diante do Botafogo, que não teve muito trabalho para vencer por 3 a 0. O time mineiro segue na zona de rebaixamento com 10 pontos e corre o risco de segurar a lanterna depois do término da 13.ª rodada. Já o Botafogo subiu na tabela, agora com 18 pontos. O time carioca praticamente decidiu o jogo no primeiro tempo.Iimpunhaseuritmo,se movimentava bastante, enquanto o Atlético, muito lento, praticamentesóassistiaàstrocasdepasses dos adversários à frente de sua área. A equipe dirigida por Joel Santana acabou traduzindo seu domínio em gols a partir do 31.º mi-

Fluminense traz Deco e tenta seguir na liderança ● Em um ambiente de confiança

e otimismo para o jogo contra o Grêmio, hoje às 16 horas no Olímpico, em Porto Alegre, o Fluminense confirmou ontem a contratação do meia Deco, ex-Chelsea e Barcelona. A apresentação do jogador, de 32 anos, que defendeu Portugal em duas Copas, está marcada para amanhã no Rio. Muricy Ramalho gostou da novidade. Hoje o treinador quer que o líder do Brasileiro possa mudar de esquema durante a partida para confundir o rival gaúcho. “Quando um time está na condição do Fluminense (líder), os adversários começam a olhar com mais atenção”, explica.

nuto, quando Maicosuel serviu Herrera. Ele bateu cruzado , Fábio Costa defendeu parcialmente e Maicosuel chegou primeiro no rebote e abriu o placar. Dez

minutos depois, Somália ampliou, em um lance polêmico: chutou de fora da área, a bola bateu no braço de Herrera, enganou o goleiro e entrou. O time inteiro do Atlético-MG tentou protestar contra o árbitro LeonardoGaciba,queaparentementedeveterconsideradoqueoatacante argentino não teve intenção de colocar o braço na bola, tentando até retirá-lo ao perceber a chegada da bola. No segundo tempo, o Botafogo continuou dominando o jogo, apesar de o Atléticoconseguirameaçaro adversário em algumas finalizações.MasdepoisRicardinhoderrubou um adversário na área e Herrera cobrou o pênalti: 3 a 0. Goleada. Em Campinas, o Gua-

rani conseguiu seu resultado mais expressivo desde que voltou à Série A ao golear o Avaí por 4 a 1. Os gols foram de Mazola, Renan, Ricardo Xavier e Fabão. Robson fez o gol do Avaí, que segue com 19 pontos, um a mais que o Guarani. O técnico do Vasco, Paulo CesarGusmão,analisoucomcuidado e decidiu que no jogo contra o Vitória, às 18h30, em São Januário, sua equipe não vai atuar com oquarteto ofensivo formado por Felipe,ZéRoberto,CarlosAlberto e Éder Luís. PC preferiu a cautela diante dos baianos, que tentam se redimir da perda do título da Copa do Brasil para o Santos. Demais jogos de hoje: Cruzeiro x Grêmio Prudente e Ceará x Atlético-GO.

CLASSIFICAÇÃO V

E

D

1º Fluminense 26 12 8

PG

2

2 10

2º Corinthians

J

25 12

7 4

SG

Melhor na tv

1

8

3º Internacional 20 12 6

2 4

4

4º Ceará

20 12

5

5

2

4

● FUTEBOL

5º Cruzeiro

19 12

5 4

3

3

6º Avaí

19 13

5 4 4

2

CAMPEONATO BRASILEIRO Goiás x Palmeiras

5

7º Santos

18 12

3 4

3

16h / GLOBO / BAND

Vôlei. Rivalidade contra Itália

8º Botafogo

18 13 4

6

3

6

9º Guarani

18 13 4

6

3

-1

10º Flamengo

17 12 4

5

3

2

Corinthians x Flamengo Ceará x Atlético-GO e Grêmio x Fluminense

16h / PAY-PER-VIEW

GRAND PRIX FEMININO Brasil x Itália

11º São Paulo

15 12 4

3

5

1

Atlético-PR x São Paulo

9h30 / GLOBO / BAND

12º Palmeiras

15 12

3

6

3

0

18h30 / SPORTV (exceto SP)

Polônia x EUA

13º Prudente

14 12

3

5 4

-2

11h15 / SPORTV2

14º Vitória

14 12

3

5 4

-2

Vasco x Vitória e Cruzeiro x Prudente

15º Vasco

14 12

3

5 4

-3

18h30 / PAY-PER-VIEW

-7

MUNDIALITO DE AREIA Argentina x EUA

CAMP. PAULISTA MASCULINO Jogo 2 - São Bernardo x Taubaté

10h / SPORTV

13h / ESPN BRASIL

Portugal x Brasil

Jogo 2 - Pinheiros x São Caetano

7

VÔLEI

HANDEBOL

16º Atlético-PR

13 12 4

1

17º Goiás

12 12

3

3 6

-7

18º Grêmio

12 12

2

6 4

-3

19º Atlético-MG

10 13

3

1 9 -11

11h / SPORTV

14h30 / ESPN BRASIL

20º Atlético-GO

8 12

2

2 8

SUPERCOPA DA INGLATERRA Chelsea x Manchester United

-7

■ Vaga na Libertadores ■ Sul-Americana ■ Rebaixamento

13ª RODADA Botafogo 3 x 0 Atlético-MG Guarani 4 x 1 Avaí Hoje 16h00

Corinthians x Flamengo

16h00

Goiás x Palmeiras

16h00

Ceará x Atlético-GO

16h00 18h30

FÓRMULA INDY Etapa Lexington - Ohio

● TÊNIS

15h30 / PORTAL TERRA (TV) / BANDSPORTS

WTA TOUR Final - San Diego

Ontem

Grêmio x Fluminense Atlético-PR x São Paulo

18h30

Vasco x Vitória

18h30

Cruzeiro x Prudente

A definir: o jogo Santos x Inter foi adiado

AUTOMOBILISMO

11h / ESPN BRASIL

18h / BANDSPORTS

TODD KOROL/REUTERS-25/7/2010

● GOLFE PGA TOUR Rodada final

16h20 / ESPN ●

BASQUETE

TORNEIO INTER. MASCULINO Final

12h / SPORTV

Indy. 12ª etapa em Mid Ohio


E4 Esportes %HermesFileInfo:E-4:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Boleiros

SEGUNDA-FEIRA PAULO CALÇADE

UGO GIORGETTI ugog@estadao.com.br

Palmeiras volta a pensar grande

N

ada a dizer sobre as decisões da semana. Já se falou tudo sobre elas, pouco há para acrescentar. Queria falar de outro assunto que já devia ter abordado faz tempo, mas que fui adiando sabe-se lá por que razão. Trata-se da situação que vive o Palmeiras de uns tempos para cá. Não a que vive na tabela do Brasileiro, em que vai aos trancos e barran-

cos, mas a que vive desde os tempos em que a diretoria encabeçada pelo professor Luiz Gonzaga Belluzzo tomou posse. Nessa administração o Palmeiras perdeu quase todos os títulos que disputou, seus torcedores se frustraram enormemente e as costumeiras polêmicas internas se inflamaram ainda mais no clube, todas contestando a maneira pela qual é conduzido. Fora o

TERÇA-FEIRA LUIZ ZANIN

QUARTA-FEIRA DANIEL PIZA

magro título de campeão paulista, nada mais o palmeirense pôde comemorar no período. Apesar disso, a meu ver, essa é a melhor administração do Palmeiras em muitos anos, porque, se não ganhou muitos títulos, é verdade, definitivamente restaurou a grandeza do clube. Pode-se imputar tudo a essa diretoria menos a falta de grandeza, menos pensar pequeno, menos agir abaixo das grandes tradições do clube. Essa atitude se expressa de modo simbólico muitas vezes, e se expressa muito claramente na contratação de treinadores. Para um clube de ponta, treinadores de ponta. Nada de experiências, exceção do curto período de Antônio Carlos, que ocupou o posto quase como o substituto de alguém que devia chegar. Fala-se que os treinadores ganham demais. É verdade, concordo. Um salário de R$ 700 mil para um treinador é quase escandaloso. Mas não foi o Palmeiras que criou essa circunstância. Ela está aí, à vista de todos, e não há muito como fugir dela. Essa diretoria, então, não podendo escolher sua cir-

SÁBADO MARCOS CAETANO

DOMINGO UGO GIORGETTI

cunstância histórica, enfrentou-a com grandeza. Está pagando para ver. Acho que ganhar títulos é muito importante. Mas mais importante é preservar a reputação do clube. É mostrar por meio de contratações como as de Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e Felipão que o time vem para ganhar como sempre fez, que não se conforma em ser apenas um coadjuvante, que não aceita essa condição.

A diretoria atual recolocou o time entre os maiores, mesmo que os títulos sejam poucos É um aviso aos demais clubes e um aviso à mídia. E a mídia responde. Quando se pensa grande, o espaço conquistado também é grande. Poucas vezes o Palmeiras ocupou o noticiário como nos últimos anos. Poucas vezes os comentaristas tiveram de falar dele como nos últimos anos. Essa é a vocação desse time. Ser visto pelos demais como uma ameaça a se temer. Nem estou falando da arena que vai se construir no Parque Antárti-

ca, obra também colocada em funcionamento por essa diretoria. A arena não me interessa nem um pouco. Embora importante, embora de uma certa forma também colabore com a grandeza do clube, a arena não tem a importância de um time. A torcida quer um time respeitado. Saldo positivo. Portanto, apesar

de todos os títulos perdidos, o saldo dessa diretoria é tremendamente positivo, porque, sem dúvida nenhuma, recolocou o clube entre os maiores. O importante, repito, não é ganhar um título, mas ter feito tudo o que era humanamente possível para obtê-lo. Os caminhos para um título são muitos. Alguns são visíveis, outros não. Nada se pode fazer para controlar os invisíveis, a sorte, os motivos psicológicos, as contusões, uma convocação feita em má hora. Restam os caminhos visíveis para um título. Me parece que esses a atual diretoria do Palmeiras conhece e trilha com segurança.

Campeonato Brasileiro

É dia da primeira vitória de Felipão? Técnico espera que time, apesar dos desfalques e das limitações, consiga finalmente um resultado positivo, contra o Goiás Daniel Akstein Batista

Luiz Felipe Scolari segue atrás de sua primeira vitória no Palmeiras.Otreinadorestáatésatisfeito com um time que, segundo elepróprio,aindaestá emformação e com algumas pendências. Só falta o triunfo, que ele espera virhoje,apartirdas16horas,contra o Goiás, em Goiânia. Felipão ainda não terá a equipe perfeita nas mãos. Marcos e Lincoln seguem machucado e os reforços... Bom, é melhor não falar sobreisso na frente do treinador. “O Palmeiras trouxe, mas ninguém estreou, né? Então trouxe, mas não trouxe”, disse, inconformado com a demora na regularização de alguns atletas. O técnico se irritou com a Traffic, que colocou Rivaldo no clube, mas não acertou a documentação do volante. “Está sendo mais difícil (do que ele imaginava), porque burocraticamente as coisas não se resolvem”, reclamou. Alémdoex-atletadoAvaí,Felipão ainda aguarda Valdivia. Mas este só estará pronto daqui a uns

GOIÁS PALMEIRAS

GOIÁS Harlei Carlos Alberto Rafael Toloi Ernando Júnior Jonílson Amaral Wellington Monteiro Bernardo Éverton Santos Pedrão (Felipe) Técnico: Fernando Leão

PALMEIRAS Deola Vitor Danilo Maurício Ramos Armero Pierre Edinho Márcio Araújo Patrick Ewerthon Kléber Técnico: Felipe Scolari

Juiz: Sandro Meira Ricci (DF) Local: Serra Dourada Horário: 16h Transmissão: Globo e Band

Destaques

10 | Bernardo O atacante é o artilheiro do Goiás: 3 gols

7 | Kléber O atacante tem feito boas atuações pelo time

SERGIO NEVES/AE

já estará à disposição para o confronto de hoje. “Precisando, ele vai para o jogo”, confirmou. “Fiz toda a pré-temporada na França e estou bem”, explicou o jogador. “Eu me movimento bastante pelos lados e quero fazer muitos gols aqui”, se apresentou. Ausências. Marcos e Lincoln ainda não têm data para voltar a jogar. O goleiro, que completou 37 anos na terça-feira, esperava enfrentar o Goiás, mas segue com dores no joelho. “Ainda temos de ter um pouco de paciência com o Marcos”, avisou Felipão, sem saber se terá a presença dopentacampeãomundialnaestreia da Copa Sul-Americana, quarta-feira, contra o Vitória. Quem estará fora do jogo de Salvador é Lincoln, que se lesionou no clássico contra o Corinthians, domingo, e deve ficar mais 10 dias parado. O jovem Patrick, de 17 anos, pode ganhar vaga hoje. “Ele vem rendendo bem, é ummenino que tem se esforçado bastante,” elogiou o técnico. Apesar de ainda não ter vencido (três empates e uma derrota), Felipão diz estar satisfeito com o time. “Os jogadores estão se dedicando nos treinos e o Palmeiras vem rendendo bem em campo.Agora o que espero neste momento é o resultado mais positivo.” Sufoco. Ainda suspenso, Emerson Leão não dirige o Goiás – o auxiliar Fernando Leão substituirá o treinador, que pediu, mas não ganhou, o efeito suspensivo no gancho de seis jogos imposto pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. O time ainda não ganhou após a para a Copa da África – dois empates e três derrotas – e está na zona de rebaixamento. / COLABOROU RUBENS SANTOS

estadão.com.br

10 dias, por estar fora de forma. Apesar das broncas, Felipão poderá contar com o atacante Luan, que chegou do Toulouse e

AO VIVO. Acompanhe a 13.ª rodada completa do Brasileirão http://esportes.estadao.com.br

SUPERCOPA INGLESA

NÚMEROS

Chegou a hora. Scolari está satisfeito com o Palmeiras: ‘Os jogadores estão rendendo bem’

Santos: Ganso já pensa na próxima Libertadores Sanches Filho ESPECIAL PARA O ESTADO / SANTOS

Paulo Henrique Ganso pode até trocar o Santos pelo futebol europeu.Masnãoparecemuitoempolgado com uma transferência. Ídolodatorcida,elenãodemonstra entusiasmo com o assunto. “Proposta mesmo só houve uma doLyon,daFrança,masnãointeressou a nenhuma das partes. Se depender de mim continuo no Santospara ganharaCopaLiber-

tadores da América’’, afirmou o meia. Pela oferta do Lyon, o Santos e o Grupo DIS dividiriam ao meio 90% dos € 7 milhões (cerca de ● Mudança de palco

A diretoria do Santos alterou o local da partida com o Avaí, quinta-feira, às 21h50, pela Copa SulAmericana. Será no Pacaembu e não mais na Vila Belmiro.

R$ 16 milhões) oferecidos – os outros 10% pertencem ao jogador. E se Ganso fosse convocado para a seleção brasileira (como foi) e se tornasse titular, o clube francês pagaria € 8 milhões (R$ 18,4milhões).Valoresconsiderados irrisórios. “Se depender de mim, o Ganso fica para sempre no Santos’’, disse o presidenteLuís Álvaro de Oliveira Ribeiro. “Eu acompanho o Santos vencedor desde a década de 50 e vejo no Ganso um jogadorraríssimo.’’Sealgumclube depositar os € 50 milhões da multa contratual (RS 115,6 milhões) e Ganso mudar de ideia e aceitarir embora, Luís Álvaro vai ter de assinar a sua transferência com dor no coração.

Giro da Bola SÉRIE B

Coritiba vence clássico e dispara na ponta

Chelsea e Manchester disputam o 1º título

Com a vitória sobre o Paraná por 1 a 0, ontem, em Curitiba, no campo do adversário, o Coritiba ampliou sua vantagem na liderança da Série B do Brasileiro. A equipe alviverde tem 27 pontos, quatro à frente do Figueirense, que goleou o Icasa por 5 a 1. No Recife, Náutico e Sport empataram por 1 a 1. O Náutico segue no G-4, com 24 pontos, enquanto o Sport saiu da zona de rebaixamento, com 12. Também ontem, o Bahia venceu o ASA, em Arapiraca, por 1 a 0, o Brasiliense bateu o Vila Nova, por 3 a 0. Em casa, o São Caetano venceu o Guaratinguetá: 3 a 1.

A temporada começa para valer hoje na Inglaterra. Chelsea, de Anelka, campeão nacional, e Manchester United, dono do título da Copa, decidem a Supercopa. O Manchester busca vingança contra os rivais, que ganharam o Inglês por só um ponto.

4

CIRURGIA POLÊMICA TODD KOROL/REUTERS25/7/2010

brasileiros fazem parte do elenco do Bordeaux, que estreia hoje no Campeonato Francês, diante do Montpelier, fora de casa: o zagueiro Henrique, o atacante Jussiê, o meia Wendel e o volante Fernando

2a0

foi o resultado da decisão da Supercopa da Alemanha. O Bayern de Munique, campeão alemão, bateu o Schalke 04, que contava com a estreia do atacante Raúl, ex-Real Madrid. Os gols foram de Thomas Müller e Miroslav Klose. OLIVER WEIKEN/EFE-19/6/2010

FÓRMULA INDY

1º Dia dos Pais na pista Hélio Castroneves curte seu primeiro Dia dos Pais – a filha Mikaella nasceu em dezembro –, correndo na etapa de Mid-Ohio. O brasileiro larga em 6º. A pole é do australiano Will Power.

Real Madrid defende Kaká das críticas Bastou Kaká ser operado do joelho esquerdo para voltar a ser criticado por parte da imprensa e da torcida do Real Madrid. Alguns jornais publicaram que a direção do clube havia ficado irritada com Kaká por ele só ter passado por cirurgia esta semana, e não logo depois do Mundial. E disseram que o craque coloca o clube que lhe paga sempre em segundo plano. Jorge Valdano, diretor-esportivo do Real Madrid, desmentiu. “A conduta de Kaká sempre foi correta, não temos nenhuma queixa”, afirmou. “O Real Madrid está ao seu lado na recuperação e o apoia totalmente.”


%HermesFileInfo:E-5:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Esportes E5

Vôlei de Praia MAURICIO KAYE

Juliana e Larissa igualam recorde de 35 títulos Brasileiras passam pelas chinesas e levam etapa da Polônia. Agora, sonham com o penta da competição Valéria Zukeran

Larissa e Juliana garantiram um lugarnahistóriaao igualaramarca de 35 títulos em etapas do Circuito Mundial de Vôlei que pertence à dupla Misty May-Treanor e Kerri Walsh, atuais campeãs olímpicas. Ontem, as brasileiras derrotaram as chinesas Chen Xue e Zhang Xi na decisão daetapadeStareJablonki, naPolônia, e fizeram a festa. Foi a vitória da superação. Após derrota no primeiro set (14/21),LarissaeJulianacomeçaram melhor o set seguinte, mas o nervosismo quase acabou com tudo. As chinesas tiveram cinco chances de fazer o ponto final, porém as brasileiras conseguiram a virada e fecharam em 25 a 23. No decisivo set, mais emoção e a vitória por 16 a 14. Nasemifinal,aduplahaviapassado pelas austríacas Montagnolli e Hansel. Talita e Maria Elizanãotiveramtantasorteaoperderparaaschinesase,assim,desperdiçarem a chance de uma final brasileira. As duas, no entanto, conseguiram o 3.º lugar.

Os objetivos da dupla campeã não se resumem ao recorde de vitóriasno CircuitoMundial.Larissa/Juliana lidera o ranking da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) e luta pelo pentacampeonato da competição. Juliana diz não ter pressa, mas... “Faltam cinco etapas para o fim da temporadae, sefor possívelconquistar o nosso quinto título com antecedência será ótimo.” Larissareforça aopiniãodacompanheira. “Estamos mantendo uma regularidade e buscando jogar em alto nível. Meu sonho é ser campeã novamente.” Osonhodeconquistaramedalha olímpica que escapou em 2008–diasantesdaestreia,Juliana foi cortada por causa de uma séria contusão no joelho – existe, mas não há ansiedade por atuar nos jogos de Londres ou repetir a vitória no Pan do Rio no ano que vem, em Guadalajara, México. “Não estamos pensando agora em Pan e nas Olimpía-

das. Nosso pensamento está todo voltado para o Circuito Mundial deste ano. Queremos buscar o nosso pentacampeonato, o que não é fácil. Com os resultados, poderemos alcançar as classificaçõesparaaspróximas competições”, diz Larissa. O título serviu para Juliana e Larissa reforçarem o pedido de patrocínios de longo prazo. “O vôleide praia aindapoderia receber mais investimentos e ter mais visibilidade no país, principalmente porque é um esporte emquemuitos brasileiros são vitoriososereconhecidosnomundo”, diz Juliana. “Somos a única dupla atualmente no Brasil que tem um patrocinador que é um parceiro realmente e que está há tanto tempo ao nosso lado. A Supergasbras está conosco desde 2004 e ainda temos mais três anos de contrato. Isso não é comum no nosso esporte e mostra o quanto eles apostam no nosso potencial.”

NÚMEROS

US$ 43,5 400

mil dólares foi o valor do prêmio conquistado por Juliana e Larissa. O torneio distribuiu mais de US$ 300 mil aos atletas

pontos conquistou a dupla no ranking do Circuito Mundial. As brasileiras seguem na liderança da competição

Sufoco e alívio. Juliana e Larissa sofreram para vencer as chinesas, mas fizeram a festa

Grand Prix

Meninas fizeram 3 a 0 contra as japonesas e hoje encaram as italianas, que tropeçaram na primeira rodada SÃO CARLOS

A seleção brasileira feminina de vôlei segue invicta no Grand Prix e hoje, às 9h30, em São Carlos, terá pela frente um difícil desafio contra a Itália. Ontem, as meninas não tiveram dificuldades para superar as japonesas e venceram com facilidade, por 3 sets a 0 (25/20, 25/19 e 25/20). O confronto no interior paulista foimais fácildo que oimaginado. Afinal, o Japão havia estreadocomvitóriasobreasitalianas e queria manter o embalo. Com o apoio da torcida, porém, as brasileiras tiveram poucos

momentos de susto, mas conseguiram se impor. Hoje, a seleção do técnico José Roberto Guimarães encerra a primeirafaseda competiçãocontra as italianas, em ginásio lotado – todos os ingressos já foram vendidos. Será um bom teste para a preparação da equipe, que tem como principal competição da temporada o Campeonato Mundial, que começa dia 29 de outubro no Japão. O treinador acredita que o adversário vai dar trabalho. “Veio quase todo mundo. Tirando a Gioli (central), a Lo Bianco (levantadora) e a Cardullo (líbero), a equipe veio completa”, afirma Guimarães. “As três estão inscritas no Grand Prix e deverão jogar a partir da segunda fase da etapa de classificação.” Massimo Barbolini, treinador italiano, diz que pretende testar suas reservas no Brasil. No pri-

JEFFERSON BERNARDES/VIPCOMM

Hoje, um raro encontro da família Guimarães Técnico da seleção comemora o fato de poder passar o Dia dos Pais com as duas filhas e o neto

Segurança. Sheilla mostrou qualidade nos bloqueios meiro jogo, no entanto, um tropeço: o time perdeu para o Japão por 3 sets a 1. “Esta será uma oportunidade importante para algumas jovens jogadoras. Elas poderão mostrar que não são somente promessas”, diz o técnico, que tenta promover uma renovação na equipe. “No último ano,treinamoscom umsegundo time por muito tempo. Neste

Grand Prix, teremos a chance de mostrar que isso deu certo. Existe uma expectativa enorme em cima dessa equipe. Esperamos não decepcionar”, declarou. O Japão tenta se recuperar da derrota de ontem e enfrenta a fraca seleção de Taiwan, que foi derrotada na estreia pela seleção brasileira. / V.Z.

O técnico José Roberto Guimarães vai comemorar o Dia dos Pais hoje com a família, em São Carlos. Mas, ao contrário do que acontece com a maioria dos chefes de família do País, encontros como este são momentos raros entre os Guimarães. E a ocasião se torna mais especial porque será a primeira vez que o treinador festejaadataaolado de seu primeiro neto, Felipe, de seis meses. “A gente já se acostumou com o fato de ficar longe da família em ani-

versários e até Natal por causa do trabalho”, conta Zé Roberto. E se já não bastasse a dificuldade de os Guimarães se reunirem por causa do pai famoso, a filha, Carolina, se mudou para Angola. Noentanto,todooclãestará reunidoem SãoCarlos, oqueémotivo de festa. O vovô Zé Roberto, apesar de coruja, descarta carreira futura do Felipe no vôlei. “Acho que vouensiná-lo a chutar.Quem sabe dá certo”, brinca. / V. Z.

DIVULGAÇÃO

Brasil passa fácil pelo Japão e Itália é o novo desafio

Lutas

UFC busca patrocínio para chegar ao País em 2011 Intenção inicial dos organizadores é realizar o programa no Rio, aproveitando o apelo da Olimpíada de 2016 Wilson Baldini Jr. ENVIADO ESPECIAL / OAKLAND

OpresidentedoUFC,Dana White, desconversa, mas o Brasil deverá receber ano que vem uma edição do UFC. Só resta encontrar um número apropriado de patrocinadoresparaqueosegun-

do país mais importante da modalidadepossa ser sede do maior evento de Mixed Marcial Arts (MMA). “Temos muita vontade de levar o UFC para o Brasil, mas é preciso avançar com as negociações”, disse Dana White ao Estado. O mais provável é que o Rio seja o palco do evento, servindo como aperitivo para os Jogos Olímpicos de 2016. Omaiorproblema éencontrar parceiros interessados em bancar o evento. A exemplo do boxe, o UFC garante grande audiência na TV, mas não atrai grandes patrocinadores. Esta semana um

diretor do UFC vai viajar para o Brasil para iniciar a busca de formas para levar uma edição para o País. Está em estudo a publicação de uma edição brasileira da revista UFC, na tentativa de alavancar patrocinadores. Outra maneira de tornar o UFC cada vez mais conhecido dopúblicoedasempresaséapresença cada vez maior de produtos licenciados pela marca no Brasil. Hoje é comum ver cadernos e agendas com os principais lutadores nas capas. “O Brasil, assim como a China, são mercados que precisamos explorar em

MOHAMMED SALEM/REUTERS-10/4/2010

Expectativa. Anderson Silva (D) torce para lutar em casa breve”, disse Dana White. O Brasil já recebeu o UFC. Foi em 1998, em São Paulo, e teve o GinásiodaPortuguesa comopalco. Um dos destaques foi a vitó-

ria de Victor Belfort sobre Wanderley Silva. “Espero muito poder lutar no Brasil. É estranho a gente ser mais conhecido fora do nosso país”, afirmou Ander-

son Silva, um dos maiores nomes do UFC na atualidade, cujo patrocinador não é brasileiro. “No Brasil, muita gente considera as lutas violentas. Cabe a nós, lutadores, apresentar o outro lado. O lado de um esporte que cada vez mais ganha espaço em todo o mundo.” Os eventos de UFC são transmitidospara o Brasil ao vivopelo Canal Combate, da Globosat, e em reprise pela Rede TV!. Sempre aos sábados à noite. O UFC já tem previstas edições na Inglaterra e Alemanha ainda para este ano. Ano que vem a França poderá entrar também no calendário, que reúne, no mínimo, 12 eventos por ano. O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO UFC


E6 Esportes %HermesFileInfo:E-6:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Reportagem Especial ✽

● Novo começo na terça.

Mano Menezes vai sentir, pela 1ª vez, o gostinho de dirigir a seleção, contra os Estados Unidos, na casa do adversário.

Experiência Inesquecível SEBASTIÃO MOREIRA/AE-12/6/2005

Parreira. Campeão em 1994, mal em 2006

ARQUIVO/AE

Zagallo. Vencedor em 1970, vice em 1998

CARLOS CHICARINO/AE - 17/4/1985

Evaristo de Macedo. Período curto na equipe

ARQUIVO/AE

Carlos A. Silva. Passagem sem sucesso

‘DIRIGI A SELEÇÃO BRASILEIRA. O QUE MUDOU NA MINHA VIDA’ Treinadores que já estiveram no lugar de Mano falam do prestígio, da fama e da pressão do cargo

Bruno Lousada Leonardo Maia RIO

Mano Menezes vai estrear na terçafeira como técnico da seleção brasileira, em amistoso com os Estados Unidos, em New Jersey. Mas, antes mesmo do primeiro compromisso pela equipe, sua vida já mudou. Muitos dizem que seu cargo é tão ou mais importante que o de presidente da República. Apesar dos poucos dias de trabalho em seu novo desafio, Mano já sentiu o quanto passou a ser cobiçado: participou do Programa do Jô, entre outros, e viu aumentar o assédio da mídia e dos torcedores ao assistir in loco aos jogos entre São Paulo e Inter, na quinta-feira, no Morumbi, e entre Vasco e Flamengo, no domingo passado, no Maracanã. Ser técnico da seleção traz dinheiro, fama e abre muitas portas, especialmente para quem for bem. Mas também há um preço a se pagar. A pressão é muito grande, a cobrança idem, e a família e os amigos ficam em segundo plano. O último técnico do Brasil, Dunga, é exemplo perfeito do quanto a função é desgastante. Num dia é exaltado, no outro torna-se o inimigo público número 1. Dunga aumentou sua renda ao participar de diversas propagandas, recebeu elogios pelos títulos da Copa

NEGÓCIO DAS ARÁBIAS

5

técnicos ganharam título mundial com a seleção brasileira, o que significa que ninguém venceu duas vezes: Vicente Feola (58), Aymoré Moreira (62), Zagallo (70), Parreira (94) e Felipão (2002).

R$ 300

mil mensais receberá Mano Menezes para dirigir a seleção, menos do que ganhava no Corinthians (R$ 350 mil). Sua exposição, no entanto, começa a aumentar consideravelmente e novos contratos de patrocínio serão fechados, como ocorreu com Dunga.

América e da Copa das Confederações, mas saiu com a imagem arranhada por causa da eliminação diante da Holanda na Copa da África, do seu temperamento explosivo e da inabilidade no trato com a imprensa. Provável figura mais identificada com a seleção, Mário Jorge Lobo Zagallo sabe como ninguém o que significa comandar o time de futebol mais conhecido e respeitado do mundo. “Você fica sendo o alvo. A vida pessoal fica um

pouco prejudicada, mas é uma troca. Tem de ser o sonho de todo profissional. A seleção abre um campo de trabalho muito grande”, diz Zagallo, técnico campeão do mundo em 1970. Para ele, muitos treinadores têm dificuldades de lidar com as obrigações e os inevitáveis momentos ruins. “Dentro da seleção, você vai colher rosas e cravos. Quando ganha, é o melhor; quando perde, é o pior do mundo. Mas isso faz parte da vida dos técnicos”, afirmou o Velho Lobo, bicampeão mundial como jogador da seleção, em 1958 e 1962. Com o prestígio de quem construiu grandepartedesua carreiracomacamisa verde e amarela – tendo participado de sete Copas defendendo a bandeira de seu País –, Zagallo ficou surpreso com a decisão do técnico Muricy Ramalho de permanecer no Fluminense em vez de aceitar o convite para assumir a seleção. “Para mim, foi um erro. Não se pode trocar uma seleção pelo clube. Pode ser uma chance única na vida, que você tem de agarrar na hora.” Zagallo demonstrou satisfação com a escolha de Mano. “Ele está começando a carreira, mas já tem bom currículo. Resgatou o Grêmio e o Corinthians da Segunda Divisão. Apesar de jovem, mostrou que tem confiança em si e não titubeou quando recebeu o convite.” Rica história na seleção não é um privilégio do Velho Lobo. Carlos Alberto Parreiraseorgulhadissotambém.Parti-

OPINIÃO DE PESO MÁRIO JORGE LOBO ZAGALLO Hoje aposentado

“Na seleção, você vai colher rosas e cravos. Quando ganha, é o melhor; quando perde, é o pior” CARLOS ALBERTO PARREIRA De férias até o fim do ano

“A seleção só me enriqueceu, em todos os sentidos. Você é visto com outro status, com mais respeito” cipou de quatro Copas pelo País e ganhou duas – uma como treinador, em 1994, e outra como preparador físico, em 1970. É muito grato por tudo que viveu pela equipe nacional. “A seleção só me enriqueceu, em todos os sentidos. Você é visto com outro status, com mais respeito. Ainda mais quando se tem sucesso”, disse, para logo em seguida emendar: “Eu sobrevivi.” Os cabelos brancos chegaram. Mas ele se apressa em dizer que não foi “culpa”

da seleção. “É a idade mesmo (tem 67 anos). Não tenho do que reclamar”. Até o fim do ano, Parreira só quer descansar e curtir a família. Sair do País para trabalhar nem pensar. Já considerasuamissão cumpridaaodirigir Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait e África do Sul em Copas. “OMichaelJordan (astroaposentado do basquete americano) adora dizer que, no caminho do sucesso, não há atalhos. Concordo plenamente. Tudo tem um preço. No caso de ser treinador da seleção, me afastei dos amigos e da família. Não tem jeito.” Envelhece? Telê Santana, que diri-

giu o time nos Mundiais de 1982 e 1986, costumava afirmar que treinar aseleção envelhece.Háquem discorde. “Nunca me perturbei, fiquei sem dormir. Se não estivesse preparado para o cargo, não aceitaria. Se fui, era porque confiava em mim”, comenta Evaristo de Macedo, treinador da seleção em 1985. Carlos Alberto Silva, por outro lado, assina embaixo do que declarou Telê. “Envelhece muito mais rápido comandar a equipe nacional. Tem de vencer sempre. A pressão é inerente ao cargo”, justifica o treinador da seleção entre 1987 e 1988. “Fiquei muitas noites sem dormir. A preocupação redobra. Não é mole.” Mas (quase) todos querem. JONNE RORIZ/AE-2/7/2010

Dunga. Fracasso na África, mas bons contratos


J1

%HermesFileInfo:J-1:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

aliás,

Sonho realizado Sergipe entra no mapa mundial. Pág. J8

A SEMANA REVISTA estadão.com.br

GRAZZIELE SANTOS/DIVULGAÇÃO VIVI ZANATTA/AE

Desperdício de munição Em uma mesma noite, dois atentados com verniz amador – contra o comandante da Rota e o QG da corporação – e 14 carros incendiados. No revide, sete pessoas mortas pela polícia. Remake dos ataques do PCC em 2006? Farsa para encobrir acerto de contas? Pressão política em ano eleitoral? Para Guaracy Mingardi, especialista em segurança pública, a única certeza é que falta inteligência para acertar o alvo. “Não adianta sair dando tiros, é preciso estratégia para desmontar a corrupção e o crime organizado.”

ENTREVISTA ❘ Págs. J4 e J5

7 8 9 10 11 12


J2 aliás %HermesFileInfo:J-2:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

HUMOR TUTTY

tuttyvasques@estadao.com.br

ambulatório da notícia

Os riscos da era Mano

R

ecomposto do trauma que vivenciou na Copa da África do Sul, o brasileiro vive, salvo engano que costumo cometer aos montes, um caso inédito de amor à primeira vista com um técnico de seleção. Foi tudo muito rápido até a lua de mel em curso do torcedor com Mano Menezes. Parece um sonho! De vez em quando um jornalista pede pra ele repetiraquelascoisaslindasquetemdeclarado aos ventos sobre a necessidade de retomar o protagonismo de futebol-arte, deixando para trás o papel decoadjuvante do erro adversário, etc., etc. Não é excitante? Fala de novo, Mano, fala! O torcedor se belisca pra ver se está acordadoquando escuta essetipo decarinho de quem manda a partir de agora na seleção. Faz tão pouco tempo que o Dunga foi embora dizendo palavrões

TUTTY VASQUES ESCREVE TODOS OS DIAS NO PORTAL, DE TERÇA A SÁBADO NO METRÓPOLE E AOS DOMINGOS NESTE CADERNO.

que ainda soa estranho ouvir a todo instante o novo contratado da CBF reafirmar em tom de voz sereno seu compromisso com o talento, a criatividade e a ousadia do jogador de futebol. O que mais o torcedor precisa para ser feliz? Só falta tudo isso acontecer ao mesmo tempo já nesse extemporâneo Brasil x EUA da próxima terça-feira no New MeadowlandsStadium, emNewJersey. Uma hipotética exibição de gala com direito a goleada, dribles espetaculares, rodízio de alternativas táticas e olé no final selaria, em definitivo, essa paixão arrebatadora que Mano Menezes vem despertando no coração atormentado do torcedor brasileiro. Custa ainda crer, entretanto, que, de uma hora para outra, as arquibancadas tenhamsuperadointeiramenteo cacoete de pegar no pé do treinador, prazer quelhessobrounoconvíviosempretenso com a seleção nos últimos anos. Não será surpresa para esta coluna se, amanhã, a torcida começar a se perguntar o que é mais irritante em Mano Menezes: seu português correto, seu terno bem cortado, seus raciocínios claros, seus bonsmodos...Conheçovárioscasamentos que acabaram por excesso de virtudes de um dos cônjuges.

Musa da Flip

A grande depressão

E a escritora cubana Wendy Guerra, hein?! Só se falou dela nas rodinhas de intelectuais em Paraty! Logo na primeira noite da Feira Literária ela recebeu quatro propostas de asilo.

Amigos de Michael Schumacher estão preocupados! Parece que caiu finalmente a ficha da ultrapassagem humilhante que ele tomou do Rubinho Barrichello no Grande Prêmio da Hungria. Resultado: o alemão entrou em estado de catatonia geral.

Justiça seja feita A defesa de Charles Taylor está otimista! Se tudo o que o tribunal especial da ONU tem contra o ex-presidente da Libéria for o testemunho de Naomi Campbell, francamente, as chances de condenação são mínimas.

Não passarão! Fernando Gabeira resolveu seguir no Rio de Janeiro o exemplo de Felipe Massa na Ferrari: nunca mais vai dar passagem a César Maia na corrida eleitoral!

Tiro e queda Que remedinho o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, tomou para ir ao debate de presidenciáveis na Band? Só se fala disso na geração que está chegando aos 80 anos.

Safra ameaçada

Cabra macho

Você sabia?

Submetido essa semana a um cateterismo, José Dirceu não disse nada que pudesse incriminá-lo ou comprometer seus companheiros de partido. O ex-deputado sempre foi duro na queda!

Ao contrário do que muito estudante anda pensando por aí, Inep não é abreviatura de Inépcia. É sigla de Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, responsável pelo Enem.

Frases

De Dilma Rousseff, comentando com o presidente Lula o resultado das últimas pesquisas de opinião: “Está nevando na nossa horta!” Como se isso fosse bom pra alface!

Semáforo DIVULGAÇÃO

“Aos meus inimigos, a lei” LUANA PIOVANI, atriz, comentando a condenação de seu ex-namorado Dado Dolabella a 2 anos e 9 meses, em regime aberto, por tê-la agredido e a uma camareira durante uma festa em outubro de 2008

“Isso só vai acabar no dia em que um maluco der um tiro num ministro” EROS GRAU, ex-ministro do STF, criticando as transmissões ao vivo dos julgamentos do Supremo, que ele caracteriza como “sessões de exibicionismo”

“Estou livre para dar uma banana” BAPTISTÃO/AE

FERNANDO GABEIRA, deputado federal, candidato ao governo do RJ, referindo-se a sua base aliada que, de acordo com ele, o “apoia muito mal”

“Em nome da solidariedade que nos une, desde já nos consideramos sob a censura imposta pelos Sarneys” JOÃO MOREIRA SALLES, editor da revista piauí, cujo site passou a integrar o portal estadão.com.br

“Jan Brewer tem os colhões que faltam ao presidente Obama”

“Seres humanos são nojentos”

SARAH PALIN, ex-governadora do Alasca, referindo-se à governadora do Arizona e à nova lei de imigração do Estado

ROBERT CRUMB, cartunista, em coletiva na Flip. Crumb mora recluso na França e só viajou a Paraty porque foi convencido pela esposa

“Eu tenho essa “Eles eram muito pequenos e tinham um coisa esquisita de que se dormir com alguém aspecto sujo” vão levar minha NAOMI CAMPBELL, modelo britânica, criatividade pela minha confirmando ter recebido ���duas ou três pedras brutas” provavelmente enviadas vagina” pelo ex-presidente da Libéria Charles Taylor, acusado de 11 crimes de guerra associados aos chamados “diamantes de sangue”

LADY GAGA, cantora, em entrevista à Vanity Fair, sobre o medo de que relacionamentos diminuam seu potencial

GOL COMPANHIA AÉREA

Na segunda, 408 voos da empresa sofreram atrasos e 99 foram cancelados. Creditou-se o problema a uma falha nos sistema. A multa aplicada pela Anac à companhia pode chegar a R$ 5,5 milhões. REPRODUÇÃO

NETINHO DE PAULA CANDIDATO AO SENADO (PC do B-SP) O site da campanha do cantor ofereceu ingressos aos eleitores que respondessem a um quiz. Se for comprovado crime eleitoral, além de ter a campanha suspensa Netinho pode ter o registro cassado. TV RECORD

RAIMUNDO CARRERO ESCRITOR

O autor pernambucano vence a segunda edição do Prêmio São Paulo de Literatura. Seu romance A Minha Alma é Irmã de Deus, publicado pela Record, foi eleito o melhor livro do ano.

O que passou DOM. 1º/8 Censo começa a visitar 58 milhões de casas Agentes do IBGE passam a aplicar o questionário que vai traçar o novo retrato do Brasil. O Censo Demográfico 2010 traz perguntas que mapearão desde a quantidade de famílias formadas por pessoas do mesmo sexo ao número de domicílios com acesso a computador. Pela primeira vez também será conhecido o número de pessoas que residem em penitenciárias, orfanatos e asilos. Aqueles que passam muito tempo fora de casa poderão optar por receber a visita à noite ou responder ao questionário pela internet.

SEG. 2/8 Obama anuncia retirada do Iraque Após sete anos em guerra, o presidente americano Barack Obama decreta o fim das operações militares americanas no Iraque. Em um discurso para JOSEPH SYWENKYJ/THE NEW YORK TIMES

veteranos do Exército em Atlanta, na Geórgia, Obama disse que o número de soldados no Iraque, que era de 140 mil quando ele assumiu, cairá para 50 mil no final deste mês. A partir de então, tropas americanas no país terão apenas funções de apoio e treinamento das forças iraquianas. “Prometi um final responsável para a guerra do Iraque. E é o que estamos fazendo. Conforme o prometido e dentro do previsto”, disse Obama.

(Inep) permitiu acesso livre aos dados pessoais de 12 milhões de inscritos nas últimas três edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os estudantes cadastrados nas edições de 2007, 2008 e 2009 tiveram informações como nome, RG, CPF, data de nascimento, nome da mãe e desempenho no exame expostos em links abertos, sem necessidade de senha. O presidente do Inep anunciou que o caso será apurado por uma auditoria interna.

Atirador americano mata 8 em empresa

QUA. 4/8

Omar S. Thornton, de 34 anos, entrou no Hartford Distributors, uma loja de bebidas alcoólicas em Manchester, Connecticut, e disparou contra os funcionários antes de se matar. Oito pessoas morreram, segundo o jornal Hartford Courant. A polícia de Manchester não confirmou o número de mortos. Thornton era motorista da empresa havia um ano. No dia do atentado ele deveria participar de uma audiência disciplinar que poderia resultar em sua demissão. A empresa não revelou o motivo da audiência.

TER. 3/8 Vazam dados de 12 milhões de inscritos no Enem Uma falha do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais

Nos EUA, 40 bilionários doarão metade da fortuna Bill Gates, cofundador da Microsoft, e o investidor Warren Buffett convenceram 40 outros bilionários a doar pelo menos metade de sua riqueza à caridade. Os doadores são de 13 Estados americanos, a maioria da Califórnia e de Nova York, e alguns preferiram ficar anônimos. A iniciativa pretende gerar US$ 600 bilhões em fundos para atividades filantrópicas.

QUI. 5/8 Juíza acata denúncia contra goleiro Bruno e outros oito Marixa Fabiane Lopes, juíza do 1º Tribunal do Júri do Fórum de Contagem, aceitou denúncia do Ministério Público Estadual contra Bruno e outros oito acusados – inclusive Fernanda Go-

VAGNER CAMPOS/FUTURA PRESS

mes de Castro, sua amante, a única até então em liberdade – pelo desaparecimento de Eliza Samudio. “Há comprovação indireta, por meio de prova técnica, oral e documental”, afirmou a juíza. Os advogados dos acusados refutam. “Que homicídio é esse, se não há corpo?”, perguntou Frederico Franco, que representa Bruno e outros seis réus.

Serra e Dilma polarizam o primeiro debate na TV O primeiro enfrentamento televisivo entre os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), na Band, acabou por se transformar em um duelo entre os dois primeiros, com Dilma tentando puxar para os números e realizações do governo Lula e Serra para a saúde. O tom morno do debate só se aqueceu com as curtas e duras críticas de Plínio a Marina (“ecocapitalista”), Serra (“hipocondríaco”) e Dilma, quando tratou da reforma agrária (“Vocês fizeram menos que o Fernando Henrique”).

Ex-namorado de Mércia tem prisão revogada O advogado e PM aposentado Mizael Bispo de Souza (foto), acusado de matar a ex-namorada, Mércia Nakashi-

EXPEDIENTE EDITORA EXECUTIVA: LAURA GREENHALGH. EDITORA: MÔNICA MANIR. EDITORES ASSISTENTES: CHRISTIAN CARVALHO CRUZ E IVAN MARSIGLIA. REPÓRTER: CAROLINA ROSSETTI. PREPARADOR DE TEXTOS E REVISOR: ROBERTO MUNIZ. DIRETOR DE ARTE: FÁBIO SALES. EDITORA DE ARTE: ANDREA PAHIM. EDITOR ASSISTENTE DE ARTE: JAIRO RODRIGUES. DESIGNER: ADRIANO ARAUJO

ma, voltou a ganhar liberdade. A desembargadora Angélica de Almeida revogou o decreto de prisão preventiva contra ele argumentando que a probabilidade de que o acusado possa agir de modo a dificultar a produção da prova não ficou evidenciada. É a segunda vez que a Justiça concede liberdade a Mizael. Seu advogado, Samir Haddad Júnior, classificou a decisão da desembargadora de perfeita.

SEX. 6/8 Novas cédulas do real circulam em novembro O ministro da Fazenda, Guido Mantega, inaugurou a primeira de duas linhas de produção das novas cédulas do real. As notas devem começar a circular a partir de novembro. A promessa é de que as novas notas sejam menos vulneráveis a possíveis falsificações. O investimento para fabricação é de R$ 350 milhões.


%HermesFileInfo:J-3:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Duplo sacrifício

aliás J3

Com um ano completado, a Lei Antifumo determina que toda a rede de saúde paulista ofereça aos interessados tratamento contra o tabagismo. Mas a espera por uma vaga é de três meses, em média, e a terapia não está disponível em toda a rede estadual.

QUINTA, 5 DE AGOSTO

O informante volta à carga

FRANK CONNOR/ DIVULGAÇÃO

Jeffrey Wigand, cuja luta contra a indústria do cigarro virou filme, afirma que para acabar com os danos do fumo é preciso eliminá-lo

ADRIANA CARRANCA

sopro que desfez a charmosa cortina de fumaça em torno de atrizes de Hollywood, pubs britânicos, casas de jazz novaiorquinas e baladas do baixo Augusta saiu dos pulmões de Jeffrey Wigand, o ex-vice-presidente de pesquisa do conglomerado de tabaco Brown & Williamson (B&W), subsidiária da British American Tobacco, que ousou desafiar o poderoso lobby da indústria de cigarros nos Estados Unidos. Wigand é O Informante (The Insider, 1999). Sua história rendeu à produção cinematográfica, dirigida por Michael Mann, 21 prêmios e sete indicações ao Oscar, incluindo a de melhor ator para Russel Crowe, que viveu na tela o Wigand real. Um roteiro pronto envolvendo codinomes, grampos, ameaças de morte, fabricação de provas e outras fraudes que levaram os sete magnatas do tabaco (conhecidos como Sete Anões) ao banco dos réus pela primeira vez. O Informante retrata o drama moral do cientista que ganhava mais de U$ 300 mil por ano até a delação que tornou públicos documentos secretos da indústria tabagista. Seu testemunho provou que os chefões do tabaco conheciam, havia muito, os danos do cigarro à saúde e escolheram calarse, deixando morrer os clientes. O mundo não sabia do efeito viciante da nicotina ou do potencial cancerígeno de substâncias adicionadas ao cigarro, negados no Congresso pelos executivos do tabaco. “Eles sabiam! Os mentirosos sabiam desde os anos 1950”, esbraveja Wigand, do escritório em Mount Pleasant, Mississippi,

O

Na malha da Ficha Limpa QUARTA, 4 DE AGOSTO

de onde falou ao Estado por telefone. Ao quebrar o sigilo, com o qual tinha sido obrigado pela B&W a se comprometer ao ser demitido, em 1993, Wigand abriu um precedente sem igual na luta antitabagismo. Os documentos revelados por ele apontavam o uso de substâncias tóxicas, entre elas a amônia, para aumentar a eficácia viciante da nicotina. A B&W enviava sementes “supernicotinadas”, proibidas nos EUA, para serem cultivadas no Brasil. Wigand listou mais de 600 aditivos, alguns aparentemente inofensivos como a menta, adicionados para mascarar o sabor do cigarro e os efeitos desagradáveis da fumaça. O cientista pôs em cheque a independência da imprensa americana diante do poderoso lobby das corporações ao revelar o que sabia ao produtor Lowell Bergman, do 60 Minutes, então o mais prestigiado programa jornalístico da televisão. Vivido por Al Pacino no cinema, o perspicaz Bergman desafiou a direção da CBS em favor de Wigand. Mas apenas parte editada da entrevista foi ao ar: a que colocava Wigand como loser. Até que os documentos foram “misteriosamente” vazados ao Wall Street Journal e The New York Times, expondo não só a indústria do tabaco mas a emissora, no maior escândalo da mídia americana desde Watergate. A CBS se viu obrigada a levar ao ar a entrevista completa, vista por 30 milhões de espectadores. A história é contada pelo próprio Bergman, hoje professor da Universidade da Califórnia, que esteve no Brasil na semana passada para o Congresso Brasileiro de Jornalismo Investigativo, onde falou de corrupção velada nas empresas. O testemunho de Wigand, no processo aberto pelo procurador-geral do Mississippi, Michael Moore, e acatado por 45 Estados, custou à indústria US$ 206 bilhões em indenização ao governo por gastos com o tratamento de doenças relacionadas ao fumo e levou a FDA a rever a lista

‘Eles sabiam’. Russel Crowe viveu na tela o cientista que levou ao tribunal os ‘Sete Anões’ do tabaco DIVULGAÇÃO

Ponto por ponto Jeffrey Wigand CIENTISTA E FUNDADOR DA SMOKE-FREE KIDS

O público e o privado. “Primeiro estudo, de 1976, no Japão, apontou alta incidência de câncer de pulmão em mulheres com maridos fumantes. Inúmeros outros concluíram: o fumo passivo mata. A Irlanda foi o primeiro país a banir o cigarro em locais públicos. Bares e restaurantes seguiram lotados e a venda de cigarros caiu 16% em um ano. O governo tem a obrigação de cercear a liberdade de uns quando esta põe em risco a vida de outros. É uma questão moral.

Há 70% de não fumantes e 30% de fumantes no mundo. Destes, entre 80 e 90% querem parar. Precisam apenas de estímulo. Geração ‘smoke-free’. “A indústria sobre-

vive ao substituir fumantes que têm de parar de fumar, por causa de doenças, ou morrem jovens. O objetivo de potencializar a nicotina é viciar mais, ganhar os consumidores muito cedo e mantê-los por mais tempo. Ele usam menta para tornar o cigarro mais atraente para as crianças. Gastam bilhões para convencer meninas de que fumar emagrece e meninos de que o cigarro os faz parecer maduros. Os jovens precisam saber que estão sendo manipulados. Entre as medidas discutidas estão limitar a venda às tabacarias ou esconder o produto atrás do balcão, longe do olhar das crianças, sobretaxar a venda e usar o dinheiro em prevenção. Há batalhas mais difíceis, como proibir financiamento de campanhas. A Austrália discute embalar os cigarros com papel craft. O lobby do tabaco doou U$ 5 milhões ao candidato contrário à medida. Interface com a indústria. “Você está brin-

cando? Só falo com essa gente na Corte.”

Joaquim Roriz (PSC), quatro vezes governador do Distrito Federal, tem nova candidatura barrada pela Lei da Ficha Limpa. A defesa contestará a decisão do TSE, que tem até o dia 19 para julgar o recurso. Até essa decisão, Roriz pode continuar em campanha.

Falanges da moralidade ‘O direito moderno é a substituição da vontade do rei pela vontade da lei. Agora, o que se pretende é que o juiz do Supremo Tribunal Federal seja o rei’ ANDRÉ DUSEK/AE

DEMÉTRIO MAGNOLI

rancamente, deslavadamenteinconstitucional.” O veredicto sobre a chamada Lei da Ficha Limpa é de Eros Grau, na primeira entrevista que concedeu após se aposentar do STF, publicada pelo Estado (3/8/10). Grau provavelmente não conhece a saga do vereador Adilson Mariano, do PT de Joinville. Se a conhecesse, poderia usá-la para ilustrar seu veredicto. Vereadorcampeão devotosdeseu partido emSantaCatarina,Marianoliderouumamanifestação pública contra o aumento de passagens de ônibus em Joinville, em 2006. Na ocasião, seus apelos evitaram um confronto entre a polícia e os manifestantes. Contudo, o Tribunal de Justiça estadual condenou-o à prisão,acatandoaacusaçãodeimpedir ofuncionamento de serviço de utilidade pública. Eu e você podemos ter opiniões distintas sobre a decisão, pendente de recurso na instância superior. Mas o “crime” de Mariano não consta na relação de crimes contra a administração pública da Ficha Limpa. Mesmo assim, sua candidatura a deputado estadual foi provisoriamente suspensa pelos juízes

de substâncias proibidas. Candidato à reeleição, Bill Clinton adotou a bandeira do antitabagismo. Dos EUA a Hong Kong, passando por Brasil, Canadá, Cuba, Inglaterra, Irlanda, Israel, Itália, Noruega, Suécia, o mundo criou formas de reduzir o consumo e baniu o cigarro de locais públicos. Wigand foi o mentor de grande parte das medidas e consultor de governos na regulamentação das leis. O cientista quer mais: “Temos de eliminar esse vetor mortal que toma a vida de 5,1 milhões de pessoas por ano, número que pode chegar a 10 milhões na próxima década. A melhor forma de se prevenir os danos do tabaco é eliminá-lo”, afirma.

“F

Pego. Se confirmado o impedimento, Roriz só volta em 2022 eleitorais. No meio tempo, as empresas de ônibus da cidade deflagraram sua própria campanha, usando a suspensão para qualificá-lo como “ficha suja”. O tribunal eleitoral acatou a candidatura, mas o dano estava feito. Os falangistas da moralidade defendem interesses pecuniários bem definidos. “A moralidade pública é moralidade segundo os padrões e limites do Estado de Direito”,ensinaGrau. Epergunta: “Qualmoralidade? A sua ou a minha? Há muitas moralidades”. Ophir Cavalcante, presidente da OAB, tem uma resposta: vale a moralidade dele mesmo, que qualifica como “moralidade média da população”. A entidade que um

dia, num passado que só vive como memória, defendeu as liberdades contra a ditadura, hoje faz lobby pelos privilégios dos advogados. Quem mede a “moralidade média”, Ophir? A OAB? As ONGs? “Não fomos eleitos”, alerta Grau, dirigindo-se aos juízes que almejam substituir os legisladores. A moda pegou, pois confere podereprestígio. OTSE,interpretando apéssima lei eleitoral com o voluntarismo dos Ophires,arroga-seaprerrogativade supervisionar editorialmente a imprensa. Na tevê e no rádio, a opinião independente e os humoristas estão sob uma modalidade curiosa de censura: quase tudo pode ser declarado “campanha eleitoral irregular”, sujeitando emissoras até à suspensão do sinal. A “campanha regular”, entenda-se, é o monopólio da palavra conferido aos marqueteiros no horário eleitoral gratuito. E isso, claro, em nome da democracia. “O perecimento das democracias começa assim. A escalada castra primeiro os direitos políticos,em seguida asgarantias de liberdade.” No mesmo dia em que Grau fez a advertência, os juízes eleitorais, embriagados pela cachaça do poder e operando como tribunal de exceção, determinaram um “direito de resposta” do PT a uma reportagem de uma revista semanal sobre as relações do partido com as Farc. Quando começarão a censurar diretamenteosjornaissobalegaçõesde“moralidadeeleitoral”comojásefazcom oEstado, em nome da privacidade, no caso dos nebulosos negócios da família Sarney, um exemplo de ficha limpíssima? “Ficha limpa é qualquer cidadão que não tenhasidocondenadopordecisãotransitada em julgado. Eleitor não é imbecil. Não se pode negar a ele o direito de escolher o candidato que deseja eleger.” Grau passa dos limites ao defender tal direito, na opinião dos falangistas que sonham em tutelar a sociedade. Oded Grajew, um dos chefes das falanges, não rebateu os argumentos do juiz, preferin-

do a agressão vulgar e classificando-os como “desconsideraçãopeloLegislativo,queaprovou a Ficha Limpa, e com a população, que paga sua aposentadoria privilegiada”. “O direito moderno é a substituição da vontade do rei pela vontade da lei. Agora, o que se pretende é que o juiz do Supremo seja o rei.” Grau tem razão, mas Grajew pretende iralémdisso:elequerentronizarojuiz–qualquer juiz! – que se subordine ao clamor das ONGs. O homem que fala na “aposentadoria privilegiada” do ministro do STF tem estreita intimidade com o universo do dinheiro público. A Associação Brasileira de ONGs (Abong), sua parceira de todas as horas, publica um Manual de Fundos Públicos que ensina às ONGs o caminho das pedras para o “acesso aos recursos públicos”. Seu Instituto Ethos recebe verbas do Banco Interamericano de Desenvolvimento, mantém inúmerasparceriascomogovernofederalesebeneficiadeamplasisençõestributárias.Apopulação paga a sua cruzada para moldar os direitos e liberdades a uma “moralidade” particular, que abrange tanto a tutela dos eleitores quanto o escrutínio racial do quadro de funcionários das grandes empresas do país. “Grandes apelos populares são impiedosos, podem conduzir a chacinas irreversíveis,linchamentos.”Eu entendoporque tantaspessoascomuns,confrontadascomacorrupção na política e a exasperante lentidão dos tribunais, hoje aplaudem o Ficha Limpa –comoontemovacionaramumdelegadojusticeiro obcecado por escutas ilegais. Entendo ainda melhor o interesse dos Ophires e Odeds, moralistas insuperáveis, que surfam sobre a onda da indignação popular. Só não compreendo a demora do STF em restaurar a Constituição, como pede seu ex-ministro. ✽ DEMÉTRIO MAGNOLI, SOCIÓLOGO E DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP, É COLUNISTA DE O ESTADO DE S. PAULO


J4 aliás %HermesFileInfo:J-4:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Alvos de elite DOMINGO, 1º DE AGOSTO

Em 15 horas, a Rota, unidade de elite da PM paulista, sofreu dois ataques a tiros atribuídos à organização criminosa PCC. O primeiro foi contra o comandante da Rota, ten.-cel. Paulo Adriano Telhada, que saiu ileso. O 2º foi contra o QG da unidade, quando um homem foi morto.

TIAGO QUEIROZ/AE

Ação coordenada? Automóvel atacado por bandidos na Avenida Calim Eid, bairro da Penha, em São Paulo: em toda a cidade, 14 carros foram incendiados em uma única madrugada

Mais ideias e menos tiros Só um sistema de inteligência criminal que articule as diversas polícias estaduais poderá livrar a sociedade do crime organizado

MÔNICA MANIR E IVAN MARSIGLIA

Entrevista Guaracy Mingardi DOUTOR EM CIÊNCIA POLÍTICA PELA USP E EX-DIRETOR CIENTÍFICO DO INSTITUTO LATINOAMERICANO DAS NAÇÕES UNIDAS (ILANUD)

S

e a estampa do cientista político Guaracy Mingardi faz lembrar um delegado de polícia, não é de todo por acaso. Entre 1985 e 1987, o pesquisador paulistano viveu uma vida dupla: como mestrando da Unicamp e investigador de um distrito policial na periferia de São Paulo. Infiltrado. O método de pesquisa foi a observação participante e dela saiu a dissertação, publicada em livro. Tiras, Gansos e Trutas (Editora Scritta, 1991) é uma verdadeira etnografia da polícia civil – e suas relações com informantes, advogados de porta de cadeia e a própria bandidagem. Essa experiência até hoje serve de base às reflexões que ele produz sobre os temas da segurança pública e do crime organizado. “A maioria dos que estudam a área nunca viu uma investigação de perto”, diz, com autoridade. Mesmo após suas, digamos, investigações iniciais, Mingardi, doutor em ciência política pela USP em 1997, nunca se manteve restrito aos bancos acadêmicos. Foi assessor da CPI da Assembleia Legislativa de São Paulo sobre o crime organizado, secretário de Segurança de Guarulhos na gestão Elói Pietá (PT), assessor do Ministério Público de São Paulo e subsecretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, cargo que deixou em 2009. Na entrevista a seguir, o especialista, exdiretor científico do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente (Ilanud), analisa os recentes ataques ao comandante e ao batalhão da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), defende a criação de um sistema de inteligência criminal centralizado em cada Estado e sustenta: “Não adianta sair dando tiros contra o crime organizado. É preciso pensar”. ● O senhor atribui ao crime organizado os últimos atos de violência contra a Rota?

Não dá para ter certeza. Muita gente é batizada na organização ou simpatizante, mas não necessariamente age sob ordem do PCC (organização criminosa Primeiro Comando da Capital). A ação pode ser pessoal ou de alguma quadrilha. Ainda mais com essa discussão de que a arma é .40, que o indivíduo é irmão de um ex-policial...

● Há algo de amadorístico nas ações: 12 tiros praticamente à queima-roupa não atingem o comandante da Rota, um ex-detento sai atirando e é morto diante do batalhão, 14 carros são queimados, sem vítimas. Pode ter sido uma tentativa de chamar a atenção?

Tem duas coisas aí. Primeiro, o amadorismo. Alguns daqueles ataques de 2006 foram simplesmente atirar e correr. Era muita gente fazendo muita coisa, nem todo mundo profissional. O sujeito pode ser ladrão, traficante, seja o que for, recebe a ordem: “Vai lá e faz”. Lembre o caso oposto do juiz que foi morto em 2003 (o juiz-corregedor de Presidente Prudente, Antonio José Machado Dias). Aquilo foi encomendado. Seguiram, viram os caminhos que ele fazia, acharam o lugar e mataram. Esse aí (o atentado ao comandante Telhada) parece que foi amadorístico mesmo. Não que o sujeito não seja um criminoso profissional, mas não é matador profissional. Por isso acho difícil ser encomenda lá de cima. Inclusive porque, segundo consta, não houve nenhuma ordem proveniente dos presídios. ● O coronel Paulo Adriano Telhada tem grande ascendência sobre a tropa, mas é um personagem polêmico. Consta que cuidou da segurança do apresentador de TV Gugu Liberato e suspeita-se de que o teria ajudado a organizar a entrevista com um membro do PCC exibida em 2003 no ‘Domingo Legal’, que se revelou uma farsa e desmoralizou o programa. Até que ponto se pode confiar nas informações que circularam até então?

Os poucos que sabem inventam justamente para encobrir. Quanto mais fumaça tiver, melhor. E existe uma política deliberada da Secretaria de Segurança Pública de não mencionar o PCC, não discutir o PCC, não falar que o PCC manda nas cadeias, como de fato manda. Fala-se em facção que controla as cadeias. Não é facção, facção é uma parte. Aquilo não é uma parte, é um todo. É como se, ao não mencionar o nome, você o exorcizasse. Ou fingisse para a opinião pública que o assunto não existe. ● Os atentados podem ter relação com o indulto do Dia dos Pais, neste fim de semana? Ou com o atual período eleitoral?

Não sei. Os ataques de 2006 aconteceram perto do Dia das Mães, uma data em que a saída de presos é muito maior. O PCC não é politizado. Ele não quer prejudicar esse ou favorecer aquele. A briga dele é contra a administração penitenciária, a segurança pública do Estado. Eles são criminosos profissionais. Uma suposição é a de que teriam feito uma exigência para a Secretaria de Administração Penitenciária que não foi cum-

prida. E a forma de pressionarem é dizer: “Se não cumprirem a nossa exigência, se mandarem um dos nossos para o RDD – não tem nenhuma liderança do PCC no Regime Disciplinar Diferenciado –, a gente vai virar as cadeias, vai fazer isso e aquilo”. ● Em 1999, no documentário ‘Notícias de

uma Guerra Particular’, o delegado carioca Helio Luz afirmava que a criminalidade no Rio de Janeiro operava na base do improviso e não existia crime organizado nos morros. O senhor concorda?

Ao contrário do que se imagina, o grau de organização não é tão grande. ● Quão organizado é o crime hoje no Brasil?

Primeiro, é preciso dizer que crime organizado não é tudo a mesma coisa. Há organizações criminosas com objetivos, origens e estruturas diferentes. O PCC, assim como o Comando Vermelho e o Terceiro Comando, nasceram na cadeia. São organizações envolvendo criminosos que eram de baixo escalão, violentos, perigosos, até ladrões de bancos, mas não é gente que ganhava milhões. Conseguiram montar uma organização de dentro da cadeia que saiu dos muros e se sustenta especialmente com o roubo e o tráfico. O PCC trabalha com isso, o Comando Vermelho também, o Terceiro Comando, os Amigos dos Amigos. Na verdade, lá no Rio, é mais o tráfico. O PCC difere das organizações cariocas pelo momento em que nasceu. Quando houve o boom da cocaína, o Comando Vermelho saiu da cadeia. O PCC apareceu bem depois disso, seu controle é maior nos presídios. Em cerca de 70% a 80% dos presídios paulistas, é a principal organização. ● Qual deles é mais organizado hoje?

O PCC é mais organizado que os demais, quanto a isso não tenha dúvida. Mas ele não é piramidal como na máfia, em que o chefão decide e o resto faz. Algumas coisas são improvisadas. No Rio é mais improvisado ainda. Não é que o Comando Vermelho, por exemplo, seja uma organização em que os líderes se reúnem, decidam e tal. Há grupo de amigos em cada região. Alguém do Comando Vermelho do morro X é amigo de alguém do Comando Vermelho do morro Y e eles mais ou menos mantêm boa relação. São quadrilhas grandes, que se pode chamar de crime organizado, mas não têm estrutura pesada nem poder de mando forte. O que assusta é que normalmente detêm o comando da localidade. Eles mandam na favela X. A polícia, para entrar lá, tem de enviar 200, 300 homens. É a principal diferença com São Paulo. Não há nenhu-

ma favela que eu conheça na capital paulista em que uma ou duas viaturas não consigam entrar. ● O crime no Rio sofre um baque por causa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs)?

Sofreu uma queda, mas não por causa delas. Porque o Rio já estava dividido em três organizações, Amigos dos Amigos, o Terceiro Comando Puro e o Comando Vermelho, e houve a entrada das milícias, que tomaram muito mais o território deles do que as UPPs. As UPPs tomaram meia dúzia de locais, que, aliás, estavam sob o Comando Vermelho. Aparentemente o governo do Rio acha que primeiro precisa abater o CV para depois trabalhar os outros. ● A milícia já é um crime organizado?

Paga-se para a milícia, ela não está lá de graça. Os comerciantes pagam, os moradores pagam pelo “gato-net”, pelo botijão de gás, ou seja, ela cobra um imposto para que se mantenha a paz naquela região. Era o que o Al Capone fazia, a máfia de Nova York fez. ● Em um ensaio, o sr. classificou o PCC como um crime organizado tradicional, aquele em que o relacionamento entre os membros se baseia no apadrinhamento. Ainda é assim?

Sim. Você apresenta quem quer entrar e é responsável pelo que ele fizer depois. Se virar um traidor, você pode ser punido também. Se ele faltar com o dinheiro, talvez você tenha de cobrir a quantia. O batizado deles é um batizado mesmo, com “juramento de honra” e tudo. E há três tipos de contribuição: o pagamento por ser membro; uma loteria, que rifa até casa e apartamento; e o dinheiro do tráfico interno. Nas cadeias que comanda, o PCC controla o tráfico de cocaína, de maconha, sintéticos. Só o crack não entra, pois o “nóia” não aceita controle, atrapalha a cadeia. Fora, eles vendem. ● A Camorra napolitana, que tem mais de um século, começou de uma liga de presos.

A Camorra é mais nacionalizada e fechada. A diferença do PCC é que ele se expandiu muito, e em pouco tempo, o que é sua força e sua fraqueza. Admitiu muita gente, mas não tem aqueles 40, 50 anos de tradição para os membros entenderem e manterem um padrão. ● É possível mirar o crime organizado sem acertar no aparelho do Estado?

Sem corrupção não existe crime organizado. Claro que o PCC tem contatos dentro da polícia, do sistema penitenciário, em vários lugares. Se mirar no crime organizado, o Estado não vai escapar de alguns tiros.


O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Resposta rápida SEGUNDA, 2 DE AGOSTO

● O que precisa ser feito para desmontar o crime organizado no País?

Não se tem uma tradição de inteligência criminal no País. A PM faz alguma prevenção, mas essa análise criminal de que falo, que vem da inteligência, não conta com gente suficientemente capacitada. De fato, o Estado não faz inteligência criminal aqui nem em outro lugar. Pense no Estado americano. Eles têm tudo aquilo para tentar entender a Al-Qaeda e, ainda assim, volta e meia são surpreendidos. ● Uma polícia envolvida com o crime, como o sr. disse, não compromete qualquer possibilidade de inteligência criminal?

Corrupção é coisa comum em qualquer polícia. Em todo aparelho repressivo se tem grande probabilidade de corrupção porque há uma grande procura pelo “serviço”. A polícia brasileira passou e passa por isso. De tempos em tempos, o Estado pressiona e a corrupção diminui, mas sempre se mantém em focos pequenos. E há momentos em que ela toma contornos institucionalizados – e aí se inviabiliza qualquer possibilidade de inteligência para combater o crime organizado. Pois um ponto fundamental é saber em quem, e em que dados, se pode confiar. Outro ponto é o estrutural: em São Paulo, por exemplo, cada grupo tem seu próprio sistema de inteligência. A Polícia Civil tem o Dipol, aí vem o Denarc, a PM, a Polícia Federal atuando também... As corporações não trocam informação e uma das desculpas é sempre essa: a de que não podem confiar umas nas outras, porque um grupo sempre acha que o outro está comprometido com a corrupção. Será preciso coordená-los. ● Essa coordenação única deve ser federal?

Em nível federal não há gente nem competência para isso – competência legal, inclusive. Imagine que a PF, atuando no País inteiro e com todas aquelas atribuições, conta com apenas 13, 14 mil homens. Para vocês terem uma ideia, só a Polícia Civil de São Paulo tem mais que o dobro disso. Claro que algum tipo de coordenação federal pode ajudar, mas o essencial é haver melhor coordenação nos Estados. ● Na prática, como isso poderia ser feito?

A discussão sobre se ter uma só polícia em cada Estado, por exemplo, de fusão de corporações civis com militares, já esteve muito em voga. Mas hoje em dia não se vê mais nenhum político de relevo defendêla. Ficou claro que é mais fácil partir da realidade que está aí do que sonhar com uma reestruturação completa. E, de fato, não faz sentido haver um modelo único para as polícias de todos os Estados. Por que a polícia do Acre, que trabalha com uma população menor que a do bairro paulista de Santo Amaro, deveria ser idêntica à que trabalha no Estado de São Paulo? A minha proposta é dividir São Paulo em cinco ou seis regiões, com polícias diferentes. O Vale do Paraíba, por exemplo, teria a sua polícia e um subsecretário, nomeado pelo secretário de Segurança. Este, centralizaria as informações das diversas subsecretarias locais. Então, as várias corporações que existem hoje, com cerca de 90 mil homens da PM, 30 mil da Polícia Civil, mais a Polícia Científica, etc, somando quase 140 mil homens, trabalhariam de maneira regionalizada e cada uma com sua função específica. Todas reportando-se ao secretário estadual.

Nas primeiras 36 horas após o atentado contra o comandante da Rota, ten.-cel. Paulo Adriano Telhada, PMs matam sete pessoas em São Paulo. O número é seis vezes a média diária de tiroteios com morte registrada pela PM no primeiro semestre deste ano na cidade, 0,78,

Excesso de músculos Ações policiais vêm resultando em mais mortos civis que feridos, quando o que se espera em confrontos decorrentes de repressão legítima à criminalidade é uma proporção maior de feridos REPRODUÇÃO/TV GLOBO

CRISTINA NEME

Estado de São Paulo publica dados sobre mortes e ferimentos provocados em ações policiais desde 2001. Esses dados possibilitam o monitoramento do uso da força letal pela polícia em suas interações com o público e representam um grande avanço na produção e sistematização de informações no campo da segurança pública. Informações que são fundamentais não só para controlar a atividade policial, mas também para planejar sua qualificação e garantir melhores condições de trabalho aos policiais. Uma análise dos dados relativos à presente década (2001–2010) indica que o uso da força em ações policiais é uma questão pública relevante, haja visto o padrão elevado de mortes provocadas em ações policiais no Estado. Durante esse período, verifica-se que o número de mortes variou de aproximadamente 400 a mais de 800 por ano, com exceção de 2005, que registrou a menor letalidade do período (297 ). Esses números se referem aos casos inicialmente classificados pela Polícia Militar como resultantes de confrontos, os quais, em sua grande maioria, ocorrem durante o serviço policial. Não se consideram aqui casos de mortes provocadas por policiais em condições que não se caracterizam como confrontos, segundo a classificação da corregedoria da PM, cuja magnitude é bem inferior. Se houve um decréscimo importante da letalidade após 2006, ano marcado pelo recrudescimento da violência policial como reação aos ataques do PCC, já se observa novamente um aumento expressivo de mortes a partir de 2009 (mais de 30% em relação a 2008). Essa tendência parece se confirmar no primeiro semestre de 2010, quando se registrou um crescimento de quase 6% das mortes em relação ao primeiro semestre do ano anterior. Crescimento esse acompanhado, em tese, paradoxalmente, pela redução

O

Telhada. Números da Rota indicam uso excessivo da força letal, diz pesquisadora em 20% do número de civis feridos. Chama a atenção o padrão de as ações policiais resultarem em mais mortos que feridos, com exceção de 2005. Esse é um indicador do uso excessivo da força, visto que se espera uma proporção maior de feridos em relação aos mortos na repressão legítima à criminalidade. Os policiais militares também são vitimados e merecem a mesma atenção. Porém, na vitimização policial o número de feridos é muito superior ao de mortos e os policiais morrem muito mais em situações fora de serviço. Em comparação ao 1º semestre de 2009, verifica-se em 2010 certa redução da vitimização policial, sobretudo nas ações em serviço. Apesar disso, nota-se que o número de mortos fora de serviço ainda é 3,5 vezes superior ao de mortos em serviço. Assim, os policiais estão mais expostos à violência quando fora de serviço, embora produzam mais mortes de civis nos confrontos durante o serviço. Esse é outro indicador do uso excessivo da força letal nessa última situação, assim como da maior vulnerabilidade do policial quando de folga. Quando se analisam os dados das mortes de civis conforme a região, observa-se que em 2009 a capital respondeu por 40,5% das mortes, além dos 11,6% atribuídos apenas

Assim nasceu o crime organizado A história da gênese do Comando Vermelho nos anos 70 em um presídio no Rio mostra a força do coletivo carcerário CARLOS CHICARINO/AE

CACO SOUZA

● Mexer na estrutura basta?

Não, é preciso também, como eu disse, saber o que fazer com as informações, checar de onde vêm os dados, se quem os passou é confiável. Hoje, o que temos são escutas telefônicas um tanto aleatórias, nas quais não se verifica nem quem disse o que para quem. Por isso, é preciso análise: pegar os pedaços de informações e juntar com as outras, antes de traçar uma estratégia para combater o crime organizado. Em São Paulo, o PCC é encarado como um dos problemas, quando deveria ser o principal problema da inteligência da polícia. ● E que tamanho tem ‘o problema PCC’ hoje?

Temos que despertar para o fato de que o PCC é o maior problema de segurança em São Paulo hoje. E essa não é uma crítica que eu faço ao atual governo ou a nenhum partido em particular: há vários anos a máquina de Estado paulista está tapando os olhos, deixando crescer uma instituição que poderá rivalizar com seu poder. E quando se der conta, será preciso uma guerra civil para resolver o problema. Se o PCC ganhar os corações e mentes dos 170 mil presos paulistas, a coisa vai ficar preta. Temos que ter um sistema de informações e, a partir dele, traçar a estratégia de ação para quebrar o PCC financeiramente, afastar suas lideranças, mostrar que não é interessante ser membro dessa organização. Uma hora será preciso tirar a cabeça do buraco, deixar de ser avestruz e partir para a ação – o que não é sair dando tiros, mas pensar.

aliás J5

M

inha incursão no tema do filme 400 contra 1 se deu há oito anos, quandoli400contra1: Uma História do Comando Vermelho, de William da Silva Lima, livro em que ele discorre sobre sua trajetória no mundo do crime. Achei instigante acompanhar o relato de um detento que teve sua primeira prisão, por furto, aos 17 anos e, entre fugas e recapturas, passou mais de três décadas encarcerado por assalto a banco. SomadoaissoWilliam,o“Professor”,integrava umgrupo dedetentosqueconviveucompresos políticos no Instituto Penal Cândido Mendes (Ilha Grande – RJ) nos anos 70. Foinessaépocaqueeleliderouomovimento que instaurou um sistema de organização dentro da prisão, na época conhecido como “Falange Vermelha”. Segundo as palavras de William “era uma forma de comportamento” face a um brutal sistema carcerário e impunha certas regras de convivência entre os detentos:nãoaosassaltos,nãoaosestuprose uma busca incessante pela liberdade. O tema era polêmico, assim como o que Williamafirmavanolivro:acontroversaconvivência entre os presos políticos e os presos “proletários” durante a ditadura brasileira. Meu primeiro contato com William foi no presídio Bangu III. Anos depois, fruto do aprofundamento de minha pesquisa sobre as

ao comando de policiamento de choque, no qual está a Rota. Por fim, a região metropolitana (excluindo a capital) respondeu por 26,3% das vítimas fatais e o restante se distribuiu pelo interior do Estado. O foco nos dados do comando de policiamento de choque só faz acentuar os indicadores de uso excessivo da força letal. A razão entre mortos e feridos é muito superior à média da corporação, havendo momentos em que praticamente não restam feridos, e oscilou bastante no período. Em 2006, por exemplo, esse comando respondeu por 19% das mortes em confronto. Esses dados já são suficientes para indicar a falta de controle sobre o uso da força pela instituição policial, fundamental em uma sociedade democrática. A letalidade é o efeito mais grave da violência policial que atinge sobretudo jovens da periferia, gerando prejuízos à sociedade e aos policiais. Políticas públicas consistentes sobre o controle do uso da força devem ser prioritárias quando se almeja obter avanços efetivos e universais no campo da segurança pública. ✽ CRISTINA NEME, SOCIÓLOGA, PESQUISADORA COLABORADORA DO NÚCLEO DE ESTUDOS DA VIOLÊNCIA (NEV-USP)

tracorrente daquilo comumente divulgado sobre o Comando Vermelho e de sua suposta origemcomofrutodo“aprendizado”dastécnicas de guerrilha dos presos políticos. A pesquisa para esses documentários (com a colaboração da historiadora Ana Carolina Maciel) englobou documentos em arquivos,reportagens e obras deautores como Carlos Amorim e Júlio Ludemir. Confrontei esse material com o depoimento de William, que se impunha como a visão de alguém atrás dos muros. Inspirado pela perspectiva de abordar os primórdios do Comando Vermelho e tendo comomoteorelatodeWilliaminicieioprojeto do longa ficcional 400 contra 1. Sem a pretensão de esgotar um tema tabu, concentrei a trama nos anos 70, quando a noção de um coletivo carcerário, tão difundida no discursodeWilliam,tomouformadentrodasmuralhas do presídio Cândido Mendes. Minha intenção não foi “contar” de forma asséptica e linear a origem do Comando Vermelho. Meu filme é uma trama ficcional (baseada em fatos reais) sobre o surgimento do CV. Procurei retratar esse episódio sem heroísmos e maniqueísmos. Nos dias atuais, o crimeorganizadodesencadeia osmais diversos sentimentos na sociedade. Não falar sobre esse assunto não significa que ele deixe de existir. Abordar não significa fazer sua apologia ou glamourização. O grande tema que perpassa o filme é o de um grupo de criminosos que percebeu a força do coletivo carcerário, se organizou e semeou o que ficou conhecido como o crime organizado brasileiro. William da Silva Lima tinha uma história para contar e eu quis contar. Tanto a versão de William quanto a minha implicam escolhas. Meu filme é uma ficção e como tal não intenta trazer um relato isento, até porque não há isenção possível em nenhuma forma de manifestação artística.Numabatalhasemvencedoresomeuprotagonista é um anti-herói.

Facção. Filme dá voz ao criador do C.V. ✽

origens do Comando Vermelho, realizei dois documentários: Senhora Liberdade (2004) e Resistir (2006). Minha intenção era dar “voz” à sua versão dos fatos. Foi instigante acompanhar uma perspectiva que ia na con-

CACO SOUZA É CINEASTA. SEU DOCUMENTÁRIO RESISTIR GANHOU O PRÊMIO ESTÍMULO DA SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA DE SÃO PAULO. O LONGA 400 CONTRA 1, QUE ESTÁ EM CARTAZ, É SEU PROJETO MAIS AMBICIOSO


J6 aliás %HermesFileInfo:J-6:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

À espera da lapidação QUINTA, 5 DE AGOSTO

No Irã, 25 presos, entre mulheres e gays, aguardam o apedrejamento. Sakineh Ashtiani, condenada por adultério, declarou por meio de seus filhos que aceitaria a oferta de Lula para vir como asilada ao País. Teerã recusou o convite, afirmando que Sakineh é criminosa.

Turbantes divididos Cerco do clero a Khamenei leva a indagar sobre a legitimidade do Estado islâmico RAHEB HOMAVANDI/REUTERS

GENEIVE ABDO ARASH ARAMESH INTERNATIONAL HERALD TRIBUNE

á poucos anos, era raroouvirdeclarações públicas do aiatoláAli Khamenei alardeando umagrandeautoridade como teólogo. Mas hoje não passa uma semana sem que ele faça um pronunciamento público enaltecendo suas credenciais islâmicas. Recentemente, Khamenei emitiu uma fatwa (decreto religioso) exigindo que os xiitasoobedecessemcomoseumaiorlíderespiritual na Terra, declarando-se o “vice” terreno do profeta Maomé e do Imã Oculto, o 12º imã que os xiitas acreditam um dia retornará para salvar o mundo. As crescentes tentativas públicas de Khamenei de reafirmar sua autoridade religiosa têm um objetivo. Como líder supremo, e sentindo-se cada vez mais ameaçado pelo establishment clerical do Irã – que contesta sua capacidade de liderar um país islâmico, particularmente depois das eleições presidenciais de 2009 –, ele se tornou mais preocupado em afirmar suas credenciais religiosas. A fatwa constitui uma heresia do ponto de vista de alguns teólogos que acreditam que ninguém pode declararse o representante do Profeta na Terra. Na realidade, existe uma divisão clara entre Khamenei e muitos clérigos tradicionais que outrora o apoiavam, ou pelo menos não se opunham publicamente a ele. Muitos dos mais destacados não concordam com a liderança do Irã – o que leva a indagar sobre a legitimidade do Estado islâmico. Esse conflito entre Estado e clérigos é diferente agora

H Caneladas na web SEGUNDA, 2 DE AGOSTO

Pano de fundo. Oposição se une contra protegido e protetor do que foi no passado, porque foi exacerbado pela oposição do clero ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, protegido de Khamenei.Enquantoantes o conflitoocorria fundamentalmente entre clérigos dissidentes no-

tórios, como o falecido grão-aiatolá Hossein Ali Montazeri, e representantes da linha-dura do regime, hoje clérigos conservadores e moderados uniram-se à oposição. Essa dissensão ilustra a gravidade da crise iraniana. Como no Islã xiita é tabu criticar publicamenteolídersupremo,frequentementeadesaprovação contra Khamenei é dirigida a Ahmadinejad, que Khamenei apoia. Basta ver o que aconteceu assim que Khamenei declarou Ahmadinejad vencedor das eleições presidenciais de 2009. Os clérigos mais importantes da cidade santa xiita de Qom recusaram-se a se congratular com Ahmadinejad pela controvertida vitória. Nenhum grande aiatolá, com exceção de Hussein Nouri Hamedani, festejado pelo governo central por seu total apoio ao líder e ao presidente, se congratulou com Ahmadinejad. Esse foi um fato sem precedentes na República Islâmica. Há um mês, partidários do governo bem organizados atacaram as casas dos grão-aiatolás Yousef Sanei e Hossein Ali Montazeri, que já morreu – ambos notórios reformistas. A multidão destruiu o escritório de Sanei aos gritosde“morteaosqueseopõemàvelayat-efaqih” – a regra do líder supremo, que coloca aquele que interpreta a palavra de Deus acima das instituições republicanas. As massas favoráveis ao governo não pouparam o neto do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundadordaRepúblicaIslâmica.Nascerimônias realizadas pelo 21º aniversário da morte de Khomeini, os partidários de Khamenei e Ahmadinejad interromperam o discurso de Hassan Khomeini, e obrigaram-no a deixar o palco. Ofatode ogoverno ter se sentido obrigado a tratar o neto do aiatolá Khomeini e doisgrandes aiatolás como inimigosdo Estado mostra até que ponto o regime teme por sua autoridade religiosa. O novo conflito entre Khamenei e os clérigos conservadores não diz respeito à legitimidade da teoria da velayat-e-faqih, mas ao fato de Khamenei ter idomuito além dospoderes de quedeveria se revestir na qualidade de líder supremo. De fato, um amplo segmento da população clerical não acredita na teoria da velayat-e-faqih e acha que os religiosos deveriam absterse da vida política. Um desses clérigos é a figuramaisdestacadadomundoxiita,ogrãoaiatolá Ali al-Sistani, do Iraque, que também tem muitos seguidores no Irã. Sistani, como

Se somarmos Twitter, Orkut, Facebook, alcançaremos um IVD (Índice de Vagabundagem Digital) de se tirar o chapéu

N

a manhã de quintafeira, a apresentadora do programa Globo Esporte Glenda Kozlowski digitou um twit de 82 caracteres, um dos quais lhe custou caro. Um fatídico esse intrometeu-seemsuagrafia de “cinismo”, precipitando um ataque em massa de internautas armados de cês até os dentes. Glenda pode não ter gostado da reação, mas foi reconfortante descobrir que um contingente razoável de twitteiros não só sabe escrever corretamente a palavra cinismo como se empenha em denunciar quem maltrata o idioma naquele espaço tão avaro de vocábulos e congestionado de adolescentes de miolo mole como o Twitter. Dos factoides gerados na Twitterlândia, nos primeiros dias de agosto, o “sinismo” de Glenda (bom título para um trash movie de Ed Wood) talvez tenha sido um dos menos explorados pela mídia. Muito mais repercussão tiveram o polêmico videochat dos meninos do Santos depois do jogo com o Prudente, domingo passado; as cenas de sexo daquele casal de adolescentes gaúchos, vazadas para milhares de internautas, na madrugada de segunda-feira; a blitzkrieg virtual contra o canastrão Sylvester Stallone, pelas cretinices que andou dizendo sobre o Brasil; o anúncio da gravidez da cantora inglesa Lily Allen; e a notícia de que um designer gráfico japonês acabara de expedir a vigésima bilionésima mensagem do Twit-

✽ GENEIVE ABDO É DIRETORA DO PROGRAMA PARA O IRÃ DE THE CENTURY FOUNDATION ARASH ARAMESH É PESQUISADORA LIGADA AO PROGRAMA

Jogadores do Santos extrapolam no Twitter e irritam a diretoria. Felipe diz a um torcedor que gasta mais com seu cachorro que o salário dele e Zé Eduardo afirma que “ninguém sentirá falta” de Robinho. No dia seguinte, o Santos conquistou a Copa do Brasil.

As últimas da Twitterlândia SÉRGIO AUGUSTO

o aiatolá iraniano Hossein Kazemeni-Boroujerdi, apoia a separação da mesquita do Estado.Boroujerdi,quecumprepenanaprisãode Evin, em Teerã, por suas convicções, acha que os clérigos xiitas não deveriam envolverse no governo. EmboraoconflitoentreKhameneieosclérigos tenha se tornado uma das principais causas da crise interna do Irã, muitas vezes ele é minimizado no Ocidente. Os governos ocidentais estão mais preocupados com a capacidade do Irã de chegar à bomba nuclear. Outra razão desta interpretação é a percepção de que os iranianos estão se tornando mais seculares. O que é uma simplificação. Depoisde 31anos de governo teocráticoexiste uma tendência no Irã a separar a mesquita do Estado. Mas isso não significa que a fé em Deus e o Islã xiita estejam evaporando. Khamenei enfrenta uma série de desafios. Os clérigos conservadores, alguns dos quais não concordam com Ahmadinejad, ainda têm muitos seguidores no Irã. Além disso, Khamenei sabe que seu poder não é o que era há cinco anos. Agora, o establishment clerical tem a possibilidade de contestar diretamente Khamenei, o que o regime quer evitar a todo custo. Os recentes ataques contra as casas de Montazeri e de Sanei irritaram até mesmo alguns clérigos de alto escalão que não apoiam o clero reformista. O sucesso de Khamenei é consequência de suacapacidadedeforjaraliançascomaGuardaRevolucionáriaislâmica, comalgunsclérigos e com conservadores tradicionais. Mas emboraseus vínculoscom osrepresentantes dalinhaduraedaGuardaRevolucionáriapossam parecer mais fortes hoje, ele ainda precisa do apoio do establishment clerical. Aideia deKhameneide RepúblicaIslâmica écertamentemenosrepublicanaenãonecessariamentemaisislâmica.Comoenfraquecimentodasinstituições republicanas emTeerã e com sua autoridade religiosa contestada em Qom, o futuro da República Islâmica e o destino da velayat-e-faqih permanece incerto. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

ter, na tarde de sábado retrasado, atraindo por essa involuntária façanha uma enxurrada de parabéns nos mais variados idiomas. Relevantes mesmo, só os vídeos dos jogadores santistas e dos perversos polimorfos gaúchos, dois momentos exemplares de irresponsabilidade e má conduta juvenis, com lições, que espero úteis, para todos. Embora o goleiro santistatenha se desculpado, no dia seguinte, pela grosseria cometidacomum internauta que alfinetara suaempáfia (“O que eu gasto de ração com o meu cachorro é o que você ganha no mês inteiro”, rosnou o arqueiro para a twitcam), o episódio continuou repercutindo nas chamadas mídias sociais. Por entender que tudo não passara de um “mal-entendido” desmesuradamente explorado pela imprensa, e também, é claro, para não desestabilizar o time às vésperas da decisão da Copa do Brasil, a diretoria do Santos optou por um indulgente puxão de orelhas. Conquistado o título, nada mais a impede de ir além da “bronca didática”, para pôr um freio na petulância e na arrogância da molecada, que hoje sintetiza, com a bola nos pés, mas só com a bola nos pés,o que há demelhor nofutebol brasileiro. Ao ser informado de que fora o autor do vigésimo bilionésimo twit, o tal designer japonês tremeu nas bases, pois interpretou a coincidência como um recado divino de que seus dias estavam contados, só relaxando depois que a entendeu como uma retribuição, divina ou não, ao entusiasmo com que os seus patrícios se dedicam ao Twitter. Os japoneses enviam 8 milhões de mensagens por dia por esse serviço de microblogging. Perdem apenas para os americanos. Os terceiros do ranking são os indonésios. Em quarto lugar, ufanem-se, tolos, os conterrâneos do mulato inzoneiro.

REPRODUÇÃO

Chat. Papo de mal entrados (se entrados) na idade da razão No ranking que realmente importa, o do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) das Nações Unidas, o quarto posto é ocupado pelo Canadá. Nessa especialidade, continuamos na segunda ou terceira divisão, amargando o 75º lugar. Como não se pode ter tudo na vida, rejubilemo-nos com a nossa participação no bolo de 55 milhões de twits diariamente trocados na mais popular rede de relacionamento da internet. Se acrescentarmos os números do Orkut e do Facebook, alcançaremos um IVD (Índice de Vagabundagem Digital) de se tirar o chapéu. Como é sabido e lamentado, as redes sociais da internet são um domínio de quem não tem o que fazer e adotou a evasão da privacidade como um modo de vida. Até aborto, justo no meio de uma reunião de executivos, já ganhou a internet, em tempo real, via Twitter. Daí a objeção padrão: “Não me interessa saber o que fulano está comen-

do, neste exato momento, na lanchonete da esquina”. E suas infinitas variações: “Por que seguir os passos de sicrano se não sou detetive particular nem o conheço pessoalmente?” O que é que eu ganho participando da escolha da gravata que William Bonner usará no Jornal Nacional de hoje à noite? Que ensinamentos e prazeres pode me oferecer uma conversa fiada de jogadores de futebol mal entrados (se entrados) na idade da razão? Por sua mobilidade, imediatidade, intimidade e capilaridade, o Twitter pode ser uma ferramenta preciosa para jornalistas, cientistas, criadores em geral ou simples usuários com boas ideias para trocar e denúncias a fazer. Poetas ganharam sobrevida na rede, não apenas produzindo haicais (sonetos, nem pensar), mas lendo e difundindo seus versos em videochats. O marketing da indústria de cinema descobriu nas redes sociais o veículo ideal para promover filmes e atrair mais público às salas exibidoras, revelou há dias o jornal inglês The Independent. Esse é o lado bom da coisa. Ou o menos pernicioso, na avaliação de alguns Galileus da internet. Nicholas Carr, expert em tecnologia digital, desconfia que o Google nos esteja imbecilizando, robotizando nossos conhecimentos, embotando nossa memória, e que a Web dispersa em demasia nossa atenção e trivializa a vida intelectual através de blogs, tweets e quejandos. Sherry Turkle, do MIT, publica em breve um preocupante estudo sobre as mudanças comportamentais e neurológicas da geração escravizada ao celular e às mídias sociais. Seis meses atrás, George Packer alertou, na revista The New Yorker: “Não há como ficar online, navegando, enviando e-mails, postando mensagens, twitando e lendo twits e, em breve, ocupando-se da próxima novidade digital, sem pagar um preço elevado, sem roubar nosso tempo, nossa atenção, sem afetar nossa capacidade de apreender o que lemos e nossa experiência do mundo que imediatamente nos cerca”. Quem se habilita a criaro primeiro Tecnólatra Anônimo?


%HermesFileInfo:J-7:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

aliás J7

Imagem da semana

Fora de controle

QUINTA, 5 DE AGOSTO. Russo caminha em floresta próxima ao vilarejo de Golovanovo, na região de Ryazan, em foto de Natalia Koles-

Legalidade questionada

nikova, da AFP. A Rússia luta para conter o que já se tornou o pior incêndio florestal de sua história moderna, com pelo menos 50 mortes. O fogo

ameaça instalações nucleares e arsenais. O presidente Dmitri Medvedev afastou altos oficiais por negligência na catástrofe.

Um dia após um juiz da corte federal de São Francisco (EUA) confirmar a legalidade do casamento gay na Califórnia, grupos conservadores entram com recurso contra a decisão. O juiz derrubara a proibição por considerá-la inconstitucional.

QUINTA, 5 DE AGOSTO

ROLDÃO ARRUDA/AE

Democracia sexual Na Suécia, homossexuais se casam no religioso, são militares, policiais e adotam filhos. E isso não ameaça a ordem ou a tradição

ROLDÃO ARRUDA ESTOCOLMO

rupos religiosos e políticosconservadores podem e vão continuar fazendo oposição às reivindicações dos homossexuais, que desejam ter seus direitos civis igualadosaos dosheterossexuais. É assim mesmo, com grupos de pressão atuando em diferentes direções, que as sociedades funcionam, avançam, recuam. Chama a atenção no atual cenário, porém, a contradição aguda entre a resistência conservadora e a expansão e consolidação das modernas democracias. Inelutavelmente, quantomais profunda aculturademocrática, maior a exigência de que o Estado trate os cidadãos de maneira igual. Firmado esse ponto de vista, vale a pena observar o que vem ocorrendo na Suécia. Afinal, trata-se do país mais democrático do mundo, segundo ranking construído pela respeitada revista britânica The Economist a partir de cinco critérios básicos: o processo eleitoral e o pluralismo, as liberdades civis, o

G

funcionamento do governo e a participação e a cultura política. No ano passado, após prolongados debates e apesar da resistência da bancada dos democrata-cristãos no Parlamento, os suecos decidiram estender aos gays o direito de casamento legal e todos os benefícios sociais decorrentes desse ato. Em maio, a Igreja Luterana da Suécia, a de maior abrangência no país, agregando 77% do total de pessoas filiadas a alguma religião, também começou a realizar casamentos religiosos entre pessoas do mesmo sexo. Em Estocolmo, capital desse país de 9,4 milhões de habitantes, foram realizados 40 casamentos emtrês meses. Umdeles foi o da bispa da cidade, Eva Brunne, que já vivia com sua companheira havia dez anos. “Não se pode ler a Bíblia hoje com os mesmos olhos e os mesmos conceitos de 2 mil anos atrás”, disse ela ao Estado, ao apresentar as razões quelevaramoconselhodebisposde suaigreja a aceitar o casamento gay. A igreja tem uma influência cada vez menor na Suécia. Eva Brunne estima que a cada ano o número de fiéis diminui 1%. O que se destaca é o fato de os suecos discutirem e tratarem a questão dos gays e de outros grupos sociais sob o foco dos direitos civis.Éissooqueexplicaofatodeoprimeiroministro sueco, Fredrik Reinfeldt, do Parti-

Parada gay. Os blocos das Forças Armadas e da polícia são dos mais aplaudidos do Moderado, ter ido à Parada do Orgulho Gay, que reuniu milhares de pessoas em Estocolmo no domingo passado. Seu partido mandou um bloco de militantes ao evento, assim como fizeram o Partido Liberal, o Verde e outros grupos políticos. Eles desfilam na abertura da parada, ao lado de outros grupos representando os diversos setores da sociedade. Entre os mais aplaudidos no domingo estavam os blocos das Forças Armadas suecas e o da polícia. De acordo com o sargento Christer Wemerhalm, dirigente da associação dos policiais gays de Estocolmo, as autoridades de seu país compreenderam que os policiais e militares assumidos podem prestar melhores serviços que os enrustidos. E por isso não dificultam sua permanência no serviço. “Se você está certo sobre você mesmo, se não precisa esconder o que é, nem se envergonhar, é mais fácil realizar seu trabalho, seja dele qual for”, disse Wemerhalm, que é casa-

do com um enfermeiro. O grupo mais festejado da parada foi o dos pais que manifestam orgulho dos filhos gays. O mais surpreendente, o dos gays com carrinhos de nenê, dezenas deles – adotados ou gestados em barrigas de aluguel, com suporte dos benefícios sociais do Estado. Nada indica que essas mudanças estejam ameaçando a ordem, o parlamentarismo ou as tradições. A família real continua firme e sem nenhum poder em seu palácio residencialnosarredoresdacapital.AFundaçãoNobel escolhe e premia anualmente as melhores cabeças do planeta. Os casais heterossexuais procriam normalmente, até num ritmo maior que de seus vizinhos: a taxa de fertilidade sueca é das mais altas da Europa. O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA EMBAIXADA DA SUÉCIA E DO INSTITUTO SUECO


J8 aliás %HermesFileInfo:J-8:20100808:

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

ARREMATE

}

No mapa das joias DOMINGO, 1º DE AGOSTO

Por seu conjunto arquitetônico colonial, a Praça São Francisco, na cidade sergipana de São Cristóvão, a quarta mais antiga do Brasil, é declarada Patrimônio Histórico da Humanidade. Torna-se o 18º sítio brasileiro a receber esse título, conferido pela Unesco.

GRAZZIELE SANTOS/DIVULGAÇÃO

História revista. Moradores improvisados em guias ensinam que, no largo, “Pedro II se encontrou com Cabral” e “uma bala de canhão destruiu a torre da igreja na 2ª Guerra Mundial”

As pirâmides de Sergipe Uma praça coloca o menor Estado do Brasil no roteiro dos tesouros mundiais

MÁRCIA VIEIRA SÃO CRISTÓVÃO, SE

sonhoéincluirSergipe no roteiro turístico mundial. Mais precisamente a pequena São Cristóvão, antiga capital do Estado até metade do século 19, a 26 quilômetros de Aracaju. De imediato, basta se igualar a Olinda, em Pernambucano, mais famosa no exterior que a capital, Recife, graças ao seu casario preservado. Às 17h25 de domingo a Praça São Francisco, no centro de São Cristóvão, foideclarada pela UnescoPatrimônio Histórico da Humanidade. A honra foi conquistada por suas características de praça espanhola encravada numa cidade colonial nos trópicos, construída no período em que Portugal e Espanha eram governados pelo rei espanhol Felipe II no final do século 16. Em alguns momentos, especialmente na tranquilidade do cair da noite, a sensação de quem está lá é realmente de uma viagem pelo tempo. Abriga pelotítulo quecolocaa praçasergipana no mesmo patamar de importância para a humanidade que a Muralha da China e as pirâmides do Egito começou há cinco anos. O mote, já que não era mais possível retomar o posto de capital, era transformar São Cristóvão, fundada há 420 anos, em sua capital cultural. “Esse título é uma espécie de selo de qualidade que diz que nós somos importantes. Isso faz um bem danado para o povo”, analisa Thiago Fragata, historiador e diretor do Museu do Estado, que funciona na Praça São Francisco. Fragata, nascido e criado em São Cristóvão, coordenou a comissão pró-candidatura tentando divulgar a importância da praça. E, desde o início de sua jornada, o principal problema foi convencer o próprio sergipano de que o lugar tem seu valor. “Sergipeé o menor Estado do Brasil. E isso tem um preço. O sergipano de um modo geral se menospreza e só valoriza o que vem de fora.Eraprecisoacordar Sergipeparao valor desta cidade”, diz Fragata. A maioria dos 80 milhabitantesdeSãoCristóvãonãoacreditava que aquele casario pudesse ter algum valor. Começaram a achar que era possível quando verbas federais e estaduais jorraram nosúltimos doisanospara adequarSão Cristóvão às exigências da Unesco. Foram gastos mais de R$ 10 milhões nessa cruzada.

O

Mas só tiveram certeza mesmo de seu valor agora. Dois dias depois da conquista do título, a cidade viu triplicar o número de turistas,principalmente brasileiros,interessados em saber que cidade é essa. Não é simples desbravar São Cristóvão. A cidade é dormitório para quem trabalha em Aracaju.Não há pousadas, nem restaurantes. Existem dois caminhos partindo de Aracaju. OmaisantigoépelaRodoviaJoãoBebeÁgua, homenagem a um comerciante do século 19 que brigou para que São Cristóvão voltasse a sercapitaldeSergipe.Joãonãoeralámuitofã de água. Gostava mesmo era de uma boa cachaça.Dizemquetinhaatéumbarrildeaguardente ao lado da cama. A rodovia teve uma parte duplicada, mas há ainda um bom trecho sem sinalização, esburacado e sem iluminação. Chegar a São Cristóvão por ela é um péssimo cartão de visitas. O governo estadual promete melhorias,assim como a construçãode uma terceira via de acesso cortando o povoado de Rita Cacete, a sete quilômetros de São Cristóvão. O nome inusitado não tem explicações nos registros sergipanos. O outro caminho, mais longo, é pela BR 101. O trecho que vai de Aracaju à entrada de São Cristóvão aumenta a viagem em uns cinco quilômetros, mas é bom. O problema é deixar a estrada para pegar o caminho que leva aum dospatrimônios da humanidade. A estradinhaéasfaltada,mascom buracos.Como o centro histórico fica na parte alta, é preciso passar por ruas mal cuidadas, sem sinalização, com mato alto, muita lama e água parada à porta de casas simples, fruto das chuvas recentes que atingiram a região. Até desembocar na praça é difícil não pensar “o que é que eu vim fazer aqui?” Vale a pena insistir. A Praça São Francisco parececontinuarnoséculo17.Principalmenteseachegada for aocairda tarde e osilêncio dominarolugar.Ailuminaçãovalorizaoconjunto arquitetônico. No lado norte fica o ConventodeSão Francisco, ondefunciona o belíssimo Museu de Arte Sacra; no leste, a Igreja e a Santa Casa de Misericórdia; no sul, o sobrado do antigo Palácio Provincial; do outro lado, cinco construções, onde funcionam,entre outras coisas, a biblioteca eo museu do folclore. No centro fica um cruzeiro, característico da Ordem Franciscana. O encantamento é abalado à luz do dia. O despreparo para receber a esperada horda de turistas é tanto que os moradores que se arriscam a guias na tentativa de ganhar uns trocados fazem um samba do crioulo doido comahistória local.“É gentedizendo quefoi aqui no prédio do museu que Pedro II se encontrou com Pedro Álvares Cabral e que

REPRODUÇÃO

ARQUIVO/AE

uma bala de canhão destruiu a torre da igreja na2ªGuerraMundial”,seirritaThiagoFragata. Não é preciso inventar fatos históricos. São Cristóvão tem muita história. O imperador Pedro II de fato se hospedou no palácio provincial por duas noites, mas isso foi 340 anos depois da morte do navegador português que descobriu o Brasil. Os tiros disparados pelos alemães em agosto de 1942não chegaram nemperto da praça.Atingiramcinconavios eumiatena costasergipana. O que os guias não contam é que no Convento São Francisco ficaram hospedadas as tropas federais a caminho da Guerra de Canudos ou que o escritor Jorge Amado gostava tanto da cidade que no seu romance, Cacau, o personagem principal é JoséCordeiro, o Sergipano, morador do sobrado que hoje abriga o escritório do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Fora dos domínios da praça, a cidade tem outras cinco igrejas históricas. Uma tem um atrativo especial para os católicos. Foi na Nossa Senhora do Carmo que Irmã Dulce, em processo de beatificação, passou um ano e meio no claustro. As outras grandes atra-

Hoje e ontem. A famosa queijadinha de São Cristóvão é uma adaptação por escravos do doce português e não leva queijo; tropas federais a caminho da Guerra de Canudos (foto) ficaram alojadas no Convento de São Francisco

ções turísticas locais pegam o visitante pela gula. São Cristóvão produz a melhor queijadinha de Sergipe. O doce, apesar do nome, não leva queijo. É uma adaptação de escravosbrasileirosparao doceportuguês.Mistura coco, açúcar, farinha, ovos e margarina. É assado lentamente em forno a lenha. MarietaSantos, que há50 anos faz a melhorqueijadinha de São Cristóvão, costumava vender cem doces por dia a R$ 1 cada. Na quarta-feira, vendeu 400. “Me pus de pé às 2h30 da manhã para dar conta”, disse na quinta-feira, enrolando os doces nos fundos da loja da Praça da Matriz. Também faz sucesso o briclete, biscoito feito pelas freiras carmelitas e vendido a R$ 2 na antiga Santa Casa. A última semana foi especial. No domingo,logodepoisdeanotícia se espalhar,todas as igrejas tocaram os sinos. Em seguida, os moradores deram um abraço na praça. Tudo organizado por Vânia Dias Correa, uma das figuras mais populares da cidade. “Quando soube d a notícia pulei que nem cabrito. Agora o mundo vai conhecer São Cristóvão”. Euforia à parte, a decisão da Unesco deu novo alento aos são-cristovenses. Há dois anos,a cidade sofreu com a confusão na política. Em um ano, as denúncias de corrupção foram tantas que a cidade teve sete prefeitos. Há obras importantes paradas porque os contratos estão sob suspeita. “Viramos motivo de chacota”, lembra Thiago Fragata. Até em São Cristóvão fizeram piadinhas. “A cidade não é histórica? Essa é mais uma históriaque agente conta,ôxente”,dizBartolomeu Lima, que até quarta-feira mantinha uma barraca na praça vendendo queijadinha e água de coco. Agora foi expulso para outra rua. “Os homens da prefeitura disseram que agoraqueissoaqui épatrimônioeunão combino com o lugar. É mole? Justo agora que os turistas vão chegar”, reclama. Não só os ambulantes foram expulsos. Ônibus e caminhões já são proibidos de circular,mas ninguém obedece.“A confusão na política torna mais difícil fazer com que os moradores obedeçam às regras”, analisa Therezinha Alves, superintendente regional doIphan,quenãoseconformacom adesobediência. Desespero maior é quando motos trafegam sobre o pavimento de pedras, no centro da praça. As motos, aliás, dominam a cidade. Estão por toda parte. Não se vê mais jegues. As motos agora puxam até carroças. Apesar de seus 420 anos, São Cristóvão não tinha saneamento básico. Todo o esgoto era lançado no Rio Paramopama. A situação está mudando. Já foram gastos R$ 7 milhões em saneamento. O projeto Monumenta, do Iphan, injetou R$ 8,8 milhões para a reforma geral na praça. Outros R$ 54 milhões chegarão dentro do PAC das cidades históricas. “Essa é uma oportunidade sem precedentes na história de Sergipe. É nossa chance de ganhar visibilidade internacional”, calcula Thiago Fragata. Mais do que atrair turistas e dinheiro, a esperança é mudar o espírito da população. “É a chance de alavancar o orgulho de ser sergipano”, sonha Thiago.


%HermesFileInfo:Co-1:20100808:

CLASSIFICADOS

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

na internet: zap.com.br a e i o u

CONSELHOS PARA SE TORNAR...

2.1 40

Um empreendedor de sucesso

Ofe rta Vej s de N a ín eg pág dice ócios. ina na 6

Uma história que começou na década de 1970, quase na esquina da Ipiranga com a São João, deu início a uma das maiores casas de mate do País, o Rei do Mate. Criada pelo comerciante Kalil Nasraui, o empreendimento virou uma rede quando o filho dele, Antônio Carlos (foto), formado em direito e economia, resolveu colocar em práti-

ca sua tese de conclusão de curso sobre franquias. Ao lado do pai, ele reformulou a loja: deixou de oferecer apenas o chá mate para também servir salgados, treinou – ele mesmo – funcionários e tomou a frente das negociações com fornecedores. Assim criou a primeira franquia, em 1992. De lá pra cá, abriu um total de 280 unidades. “Para um negócio dar certo, a pessoa precisa gostar do que faz e ir em frente. Não tem segredo”, diz.

DIVULGAÇÃO

oportunidades

Para anunciar ☎ (11) 3855-2001 SXC.HU

CONCORRÊNCIA

Muito mais que propaganda

Ações de marketing para micro e pequenas empresas são importante instrumento para se diferenciarem nos mercados em que atuam. E existem iniciativas financeiramente viáveis

Pág. O3

Realização

A MAIOR ORGANIZAÇÃO DE LEILÕES DA AMÉRICA LATINA

Presencial, Simultâneo e Online

Presencial, Simultâneo e Online

Ribeirão Preto / SP

Leilão de Veículos Inteiros e Sinistrados Dia: 14 de agosto de 2010 às 9:30 horas • Local: Via Anhanguera, Km 307 - SP Informações pelos Tels. (16) 3617-6464 | (11) 2464-6464 • sodresantoro.com.br José Eduardo de Abreu Sodré Santoro - Leiloeiro O cial - Jucesp nº 195

Leilão Diário De Veículos Inteiros e Sinistrados Dias 9, 10, 11, 12, 13 de agosto de 2010 às 11 horas e dia 14 de agosto de 2010 às 10 horas Local: Marginal Via Dutra, Km 224 - Guarulhos - SP Leilão Turbinado: Somente um lote aberto por vez • Fechamento sequencial respeitando a numeração de lotes. Os veículos salvados de sinistro “Zero” Km, serão vendidos sem a garantia do fabricante e sem direito a revisões gratuítas. As condições de venda constarão nos catálogos que serão distribuídos no leilão. Informações pelo Tel. (11) 2464-6464 • sodresantoro.com.br/blog Luiz Fernando de Abreu Sodré Santoro - Leiloeiro O cial - Jucesp nº 192

Presencial

Leilão Judicial

Exma. Dra. Leonete Maria da Silva - MM. Juiza da 3ª Vara Cível da Comarca de Barueri / SP Brasimac S/A Eletrodomésticos - Massa Falida

FAZENDA COM 26.837,71 HA. EM PARANATINGA / MT Dia: 25 de agosto de 2010 às 14:00 horas Local: Fórum - Rua Ministro Raphael de Barros Monteiro, 110 - Barueri - SP PARANATINGA: FAZENDA C/ 26.837,71 HA. Fazenda Brasimac - Tupã Seretã. Acesso: Tomando-se como referência a cidade de Paranatinga, segue-se pela Rod. MT-130 no sentido Sorriso. Percorrer aprox. 90km, dobrando à diretia, junto a estrada municipal no sentido Rio Batovi (após 1 km - Bar Castelo - Placa Faz. São Luiz). Atravessar a ponte sobre o Rio Batovi, subir pequena serra, seguir pela estrada principal, cortando Botuverá (silos de armazenagem), São João, Agropecuária Centro América e por m, após 67 km atingir a divisa oeste da Fazenda, junto ao córrego Kevuaieli. No interior da propriedade, inicialmente percorrendo caminho marginal a Faz. São José, seguir cerca de 22 km até a sede próxima ao Rio Corisevo. Com topogra a plana a suavemente ondulada, boa a moderada drenagem, extensas divisas com o Rio Corisevo e córrego Kevuaieli. Atividade principal: pecuária de corte semi-extensiva. Benfeitorias: casa sede c/ 120 m2., 4 residências p/ funcionários c/ 120 m2., alojamento c/ 90 m2, barracão c/ 300 m2, reservatório 10.000 L, currais, etc. Matriculas. 1.592, 1.594, 1.595, 1.597, 1.599, 1.600, 1.601, 1.602 e 1.603 - 1º RI de Paranatinga - MT. Valor de Avaliação: R$ 21.470.168,00 Condições de Venda e Pagamento: a) No ato da arrematação o comprador emitirá 2 cheques sendo 1 de sinal no valor correspondente a 20% do valor do lance o qual será feito depósito judicial e outro correspondente a 5% do total como comissão do leileiro. Os 80% restantes em até 3 dias da data de realização do leilão conforme art. 117, § 2º da Lei de Falências. b) O imóvel será alienado no estado em que se encontra, livre de ônus, sendo que quaisquer dívidas que sobre os mesmos recaírem até a data do leilão carão a cargo da Massa Falida, ressalvadas as despesas com a transferência e regularização que carão por conta do arrematante/comprador. c) Os bens móveis exitentes na Fazenda Brasimac não são objetos do presente leilão, de forma que o adquirente deverá conceder o razo de 90 dias para a retirda dos mesmos. d) Na ausência de lançadores para a compra À Vista, o juízo receberá propostas de compra a prazo para apreciação,sendo que tais propostas serão recebidas condicionalmente e somente serão aceitas se após ampla divulgação entre os credores e órgãos da falência, não surgirem impugnações fundamentadas. e) A visitação do imóvel deverá ser agendada pelos telefones (11) 2464-6443 com Srta. Silvia. Informações pelo Tel. (11) 2464-6464 • www.sodresantoro.com.br Luiz Fernando de Abreu Sodré Santoro - Leiloeiro O cial - Jucesp nº 192

7 8 9 10 11 12

Presencial, Simultâneo e Online

Curitiba / PR

Leilão de Veículos Inteiros e Sinistrados Dia: 13 de agosto de 2010 às 10 horas Local: Av. Vanderlei Moreno, 9.750 - São José dos Pinhais / PR

Informações pelos Tels. (41) 3302-6464 | (11) 2464-6464 • sodresantoro.com.br Júlio César Alves Ribeiro - Leiloeiro O cial - Jucepar nº 635

Presencial e Online ESCAVADEIRA HIDRÁULICA LIEBHERR R944 ANO 2005 • COMPRESSORES ESTACIONÁRIOS SULLAIR • RETROESCAVADEIRA JCB 214E (ADULTERADO) • 4 ESCADAS ROLANTES ATLAS SCHINDLER • ELETRODOMÉSTICOS: TVS LCD / PLASMA, FOGÕES, LAVADORAS DE ROUPAS, VENTILADORES, BEBEDOUROS, ADEGAS DE VINHO, FREEZERS, HOME THEATERS, FRIGOBARES, DEPURADORES DE AR, TELEFONE SEM FIO, COOKTOPS, CONDICIONADORES DE AR, REFRIGERADORES, MICRO SYSTENS, MICRO-ONDAS, CLIMATIZADORES E AQUECEDORES • DVDS AUTOMOTIVOS • GRANDE QUANTIDADE DE LIVROS DE DIVERSOS TÍTULOS • EQUIPAMENTOS DE GINÁSTICA: BICICLETAS ERGOMÉTRICAS, PLACAS VIBRATÓRIAS E SIMULADORES DE CAMINHADA • BRINQUEDOS: PULA PULAS, CARRINHOS, BICICLETAS E PISCINAS • COLCHÕES • BOX • GRANDE QUANTIDADE DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA: CPUS, NOTEBOOKS, MONITORES LCD / CRT, IMPRESSORAS E OUTROS MATERIAIS Dias: 9, 10 e 11 de agosto de 2010 às 9:30 horas • Local: Marginal Via Dutra, Km 224 - Guarulhos - SP Dia 9 de agosto de 2010 às 9:30 horas Bens em exposição no local do leilão: Eletrodomésticos: tvs lcd / plasma, fogões, lavadoras de roupas, ventiladores, bebedouros, adegas de vinho, freezers, home theaters, frigobares, depuradores de ar, telefone sem o, cooktops, condicionadores de ar, refrigeradores, micro - systens, micro-ondas, climatizadores e aquecedores • dvds automotivos • equipamentos de ginástica: bicicletas ergométricas, placas vibratórias e simuladores de caminhada • brinquedos: pula pulas, carrinhos, bicicletas e piscinas • colchões • box • equipamentos de informática: cpus, notebooks, monitores LCD e outros materiais. Dia 10 de agosto de 2010 às 9:30 horas Bens em exposição na Av. Narain Singh, 600 - Jd. Aracilia - Guarulhos / SP. Agendar visita e retirada com a Sra. Josefa - Tel. (11) 2462-1918: Escavadeira hidráulica Liebherr r944, ano 2005, série 65.114.906, ht 8.866 • compressor estacionário Sullair 20.175la 800pcm, ano 88, série 1111, ht 21.646 Bens em exposição no local do leilão: Retroescavadeira jcb 214e, série 0471909 (adulterado:0471808) • Eletrodomésticos: tvs, dvds, fogões, mini-systens, lavadoras de roupas, tanquinhos, refrigeradores e micro-ondas • informática: notebooks, impressoras, monitores LCD, CPUs, fax scanners e outros materiais. Bens em exposição em Brasília - DF. Agendar visita c/ Sr. Luciano Amorim - Tel. (61) 9989 - 8990 / 3403 -9500: 4 escadas rolantes atlas shindler Bens em exposição na Av. Dr. Mauro Lindengerg Monteiro, 322 - Osasco - São Paulo (Carrefour - Centro de Distribuição Anhanguera - São Paulo) - Agendar visita c/ Sr. Edson de Azevedo (Fábrica) - DSI - Tel. (11) 3658-8759: Grande quantidade de equipamentos de informática (aprox. 550 monitores, 34 impressoras e 300 teclados) Dia 11 de agosto de 2010 às 9:30 horas Bens em exposição na Av. Narain Singh, 600 - Jd. Aracilia - Guarulhos / SP. Agendar visita e retirada com a Sra. Josefa - Tel: (11) 2462-1918: 2 Compressores estacionários sullair séries: 051, HT 22.152/ 1130, HT 33.036. Bens em exposição no local do leilão: Eletrodomésticos: tvs, dvds, fogões, mini-systens, lavadoras de roupas, tanquinhos, refrigeradores e micro-ondas • informática: notebooks, impressoras, monitores LCD, CPUs, fax scanners e outros materiais. Lances via internet a partir do dia 6/08/2010 • Visitas no dia dia útil anterior ao leilão, horário comercial. Relação detalhada, locais e fotos no site sodresantoro.com.br. As condições de venda constam no site e nos catálogos que serão distribuídos no leilão. Informações pelo Tel. (11) 2464-6464 - Fax: (11) 2464-6449 José Eduardo de Abreu Sodré Santoro - Leiloeiro O cial - Jucesp nº 195


2

%HermesFileInfo:Co-2:20100808:

a e i o u

Oportunidades

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

CLASSIFICADOS

Receita de sucesso

Juliana Portugal

Bastante popularizado atualmente, o sistema de entrega de pizzasemdomicílioeraincipiente em 1986. O dono da Tutti Pizza, José Sérgio Afonso, decidiu, então, apostar no delivery. “Era mais prático para os clientes.” Um ano e meio depois, a segunda unidade foi aberta – hoje já são 20. Para expandir os negócios e dar conta do crescimento, ele apelou para antigos funcionários, que se tornaram seus sócios.Hoje,administram várias unidades da Tutti Pizza. “Acreditei ser melhor confiar em quem já conhecia o negócio e sabia como ele funcionava.” Umdoscuidados que tomou no processo de expansão foi o de

nãodeixararedeperdersuaidentidade. “Fiz questão de que todos os produtos fossem adquiridospor umúnicocentrode compras”, conta. Outra decisão foi a deinstaurarum centrode treinamento, que funciona periodicamentepara darcursos dereciclagem aos funcionários. Com a consolidação da pizzariano mercado paulistano,oempresário comemora os números da produção mensal atual: em torno de 2 mil pizzas. “Os bairros em que mais vendemossãoVila Madalena, Aclimação e Vila Mariana.” A receita de Afonso para o sucesso é simples: “Oferecer produtos dequalidade aos consumidores e sempre realizar um bom atendimento.” DIVULGAÇÃO

O ESPECIALISTA RESPONDE

Rose Estácio

Tampas de silicone para cervejas

Capas de madeira para produtos Apple

Long neck, 600 ml ou litrão, não importa: há sempre a ocasião em que sobra um restinho de cervejanagarrafa.Consideradoumpecado pelos adeptos da bebida, o desperdíciopodeagora serminimizado com as ‘Beer Savers’, réplicas de tampinhas de cerveja confeccionadas em silicone. Elas são flexíveis e adaptáveis a todos os tipos de garrafas. O fabricante promete que a bebida é mantida conservada e fresca por mais tempo. As tampinhassãoco-

Eles são uma verdadeira febre nos quatro cantos do planeta.Alémdovisual queagrada, os cobiçados dispositivos da empresa de Steve Jobs – como iPhones, iPads e Macbooks–sãosuperdelicados. Por isso, a Get Recover desenvolveurevestimentos em madeira, que protegem os aparelhos e ao mesmo tempo confere a eles um aspecto único. As peças são produzidas em folhas de madeira cortadas a laser

loridas e o kit com seis unidades custaUS$7,99.Elepodesercomprado pela internet, por meio do site www.beersavers.com. DIVULGAÇÃO

INOVAÇÃO

Um banho gostoso e com muito estilo. É o que prometeaempresagaúchaDokaBath Works para quem usar a banheira Medicis. Elaborada pela marca fran-

cesa Herbeau, a peça é produzida sob medida com dupla camada de cobre polido, que garante isolamento térmico mais eficiente do que a porcelana ou o ferro fundido. E não precisa de apoio de alvenaria para ser instalada. Informações em www.dokabathworks.com.br.

Para quantidades maiores ou valores acima de 50 mil dólares, outra opção é exportar por avião ou navio, cujos fretes são menores. No site da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br) há dados sobre credenciamento no Radar-Siscomex. Também é bom contratar um despachante aduaneiro, que pode ser encontrado no sindicato da área (www. sindaspcg.com.br). Para aprender a exportar, há curso online e

gratuito no Sebrae (www.internacionalizacao.sebrae.com.br). Há ainda a exportação indireta: contrata-se empresa comercial exportadora ou trading, que fará o processo através de seu próprio Radar-Siscomex. Normalmente, cobra-se pela prestação de serviços de 1% a 10% do valor exportado. Procure uma empresa no site www.tradingsbrasil.com.br ou na Associação Comercial de São Paulo.

DECORAÇÃO

Ketchup e mostarda mais fáceis de abrir

Gaúcha produz banheiras de cobre

O Khort é uma ideia simples para um problema comum: os nada práticos sachês de condimentos que nunca abrem da maneira indicada pelo fabricante. Ele pode ser colocado em qualquer superfície lisa e abre os sachês num piscarde olhos.Confiraondeencontrar em www.khort.com.br.

e adaptadas para adesivos pelamarca 3M. Os revestimentos podem ser aplicados pelopróprioconsumidor.Oresultadocombinacomoestilo minimalista da Apple. Maisinformações podemser obtidas no site www.getrecover.com.

Envie sua dúvida para o e-mail negocios.estado@grupoestado.com.br

CONSULTORA DO SEBRAE-SP

Tenho uma confecção de biquínis e quero exportar. Como faço? Biquínis são peças pequenas e, portanto, há algumas opções de exportação. Caso não tenha experiência ou credenciamento no sistema Radar-Siscomex – con-

ESTILO

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Aposta em ex-funcionários garante crescimento da Tutti Pizza

DIVULGAÇÃO

HAPPY HOUR

trole de exportação exigido pela Receita Federal –, pode-se exportar via Correios, por meio do Exporta Fácil. Esse é um processo simplificado, embasado na Ins-

trução Normativa 611/2006, que fala sobre a DSE (Declaração Simplificada de Exportação). Para isso, é necessário apresentar fatura comercial e nota fiscal. O valor máximo é de 50 mil dólares por envio. O peso deve ser de 20 a 30 quilos, conforme o país, e as medidas máximas de volume são de 50 cm3. Cabem, pelo menos, 200 biquínis nessa caixa. O pagamento pode ser com cartão de crédito. Mas, atenção: use os

DIVULGAÇÃO

correios para pequenas quantidades, já que o frete pode encarecer o preço unitário do produto.


O ESTADO DE S. PAULO

CLASSIFICADOS %HermesFileInfo:Co-3:20100808:

Oportunidades

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

DANIEL TEIXEIRA/AE

Estratégias para não cair no esquecimento Investir em um plano de marketing pode significar a diferença entre deixar o mercado ou se consolidar. Saiba o que fazer Clara Massote ESPECIAL PARA O ESTADO

3 PASSOS PARA...

Depoisde quatroanos nomercado,ossóciosMaurícioeJoséCarlos de Freitas decidiram recorrer a um plano de marketing para impulsionar sua lanchonete, a Mortadela Brasil, localizada no mezanino do Mercado Municipal. “Precisávamos fazer um trabalho melhor, mais profissional”, conta Maurício. Por meio de uma agência, os proprietários estudaram o mercadoefizerammudançasnamarca. “O mais importante deste processo foi procurar fazer as coisasdeformadiferentedaconcorrência. Dessa maneira conseguimos atrair o cliente e fazer comquevoltesempre”,diz Maurício, satisfeito com o resultado. No universo das micro e pequenas empresas, nem todos conhecemaimportânciadomarketing em um negócio. Ou, quando conhecem, acham que ele é financeiramente inacessível. “As pessoas normalmente associam o tema às estratégias de comunicação, como divulgação e identidade visual”, diz a coordenadora da pós-graduação em marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Daniela Khauaja. Segundo ela, a comunicação é

Estabelecer boas ações para sua marca

1. 2. 3.

Conheçaseupróprionegócio e reflita sobre ele. Que produto ou serviço você vai oferecer? Como ele vai ser ofertado? Qual é o seu público-alvo?

Esteja atento à concorrência. Já existe nela algo igual ou parecido com o que você pretende vender? Deu certo?

dedores não investe na técnica – e acaba no prejuízo. “Os pequenos empresários acreditam que vão ter de gastar milhões, mas isso é um mito”, conta Daniela. “A maioria só conhece meios comomídiasde massaou panfletos,semsaberquehámuitaspossibilidades entre as duas pontas”, diz o consultor de marketing Gustavo Carrer, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP). Para ele, estratégiasusadaspor pequenasempresas não têm planejamento e possuemconteúdofraco,o queacarreta no fim precoce do negócio. Fracassos. De acordo com pes-

Preocupe-se com a marca. Ela deve ter uma identidade visual eficienteeserdivulgada de maneira efetiva. somente a ponta de um plano. “Omarketingéuma veiaestratégica, que perpassa o plano de negócios, posicionamento, público-alvo e preço.” É justamente por ignorar essas funções do marketing que a maioria dos pequenos empreen-

quisa divulgada pelo Sebrae no ano passado, 85% dos fracassos de micro e pequenas empresas foram gerados por falta de conhecimento de marketing. Os motivos são muitos: 93% delas não realizavam pesquisas de mercado, 50% não sabiam qual era seu público-alvo e 46 % não possuíam cadastro de clientes. A mesma pesquisa revelou um dado alarmante: quase 30% das micro e pequenas empresas abertas no País fecham as portas antes de completarem um ano. A superintendente da Associação Brasileira de Marketing e Negócios (ABMN), Valéria Luz, esta-

No ponto. Freitas, proprietário da Mortadela Brasil, e Costa, publicitário responsável pelas ações de marketing da casa

Profissionalismo é fundamental ao usar a internet ● Há quem diga que promover

ações de marketing na internet tem custo zero. Mas, de acordo com Martha Gabriel, professora de marketing digital do Instituto

Nacional de Pós-Graduação (INPG), esta afirmação não passa de mito. “É uma mídia mais acessível, mas deve envolver o trabalho de profissionais da área”, afirma. A professora defende que a web, por meio das redes sociais, pode ser uma importante ferramenta de relacionamento com clientes, como no caso de vendas, SAC e promoções.

a e i o u

belece uma relação entre a mortalidadedas empresase afaltade aplicação das técnicas de marketing. “Os empreendedores desconhecem questões fundamentais do negócio e acabam realizando o empreendedorismo por intuição”, argumenta. Para ela, o empresário deve buscar o máximo possível de informações, antes mesmo de abrir a empresa. “O mercado está cada vez mais competitivo, até para os grandes..” A coordenadora da ESPM, que fez a consultoria de marketing da Lumma Despachantes, endossa a opinião de Valéria. “Não é um ramo estruturado, mas muito competitivo. Fizemos um plano de negócios e o resultado foi bem interessante.” Fixação. O publicitário Alexandre Costa, responsável pelo plano da Mortadela Brasil, diz que a preocupação inicial das pequenas empresas que buscam o marketing é a de se consolidar no mercado. “Uma vez que estão mais estáveis,começamaprocurar porestratégiaspara fixaramarca einovar em seus serviços.” De acordo com Alexandre, as limitações das pequenas empresas normalmente são associadas à verba. “O investimento varia, mas pode ficar em torno de R$ 5 mil por mês.” Os valores são apenas estimativas.Há diversasmaneirasdeinvestir em estratégias de marketing sem muitos gastos. É o que informa a superintendente da ABMN: “Há cursos gratuitos ou de baixo custo nas universidades,alémdesitesemídiaespecializados, que trazem bons cases. IssosemfalarnoSebrae,quepromove iniciativas eficazes para empresas de todos os setores.” Gustavo, do Sebrae, lembra que o boca a boca é o método essencial de marketing para empresas pequenas. “Cadastro de clientes, mala direta e ações promocionais são meios simples, masquetambémsão eficientes.”

SUPERBIDJUDICIAL.COM.BR Gestor de Leilão Judicial Eletrônico

Gestor de Leilão Industrial

APARTAMENTOS EM SÃO PAULO - CAPITAL 144m² - Vila Madalena R$ 378.105,68 - 10/08/2010 - 13h 39ª Vara Cível do JM

19, 20/AGO. e 1/SET. - A partir das 11h - CE, GO, MG, MT, MS, PR, SP, SC, SE, RJ, RS e PE

94m² - Saúde R$ 105.000 - 17/08/2010 - 15h 5ª Vara Cível do Jabaquara

SÃO PAULO - INTERIOR SÃO JOSÉ DO RIO PARDO

BATATAIS

Fazenda São Geraldo - 155 Alq. R$ 4.000.000 9/08/2010 - 14h Vara Trabalhista de São José do Rio Pardo

Fazenda - 19 Alq. c/ Casa de Morada R$ 577.326 20/08/2010 - 14h - 1ª Vara Cível de Batatais

JABOTICABAL

Casa - Campos Eliseos 1.175m² - R$ 120.506 20/08/2010 - 15h - 9ª Vara Cível de Ribeirão Preto

2 Terrenos 12/08/2010 - 19h 121m² - Av. da Saudade - R$ 99.300 17/08/2010 - 15h 480m² - Jd. São Marcos - R$ 24.000 1ª e 3ª Vara Cível de Jaboticabal

LOTES

2 Sist. de Transportador Aéreo de Minério (Teleférico), Planta Desativada p/ Processamento de Minério Zn (Forno, Caldeiras, Câmera de Gás, Filtros), Torre p/ Cristalização de Sal de Glauber, Máq. Pesadas/Elétricas e Peças de Reposição, Sist. de Trat. de Magnésio, Silo, Tanques, Contentores, Filtros, Rolamentos, Mangueiras, Flanges, Válvulas, Correias, Veículos e EPI´s 13/AGOSTO - 11h - MG e RS

17/AGOSTO - 11h - SP

17/AGOSTO - 14h - SP

ILHABELA

Renovação de Frota: Cavalos Mecânicos, Caminhões e Veículos

10

6

13/AGO. - 11h - SE

20/AGO. - 14h - SP

25/AGO. - 14h - SP

Touareg, CrossFox, Passat, Beetle, Voyage e Parati - 09/10 10/AGOSTO - 11h - SP

S

TE

LO

Eletrodomésticos, Eletroeletrônicos com Garantia, No Estado e Sucatas

JOSÉ BONIFÁCIO

2 Imóveis Casa e Prédio - 229m² Itaquanduba - 771m² com 3 andares e 9 Apartamentos R$ 77.500 R$ 100.000 Rua Napoleão Siqueira Leite - 600m² 27/08/2010 - 19h - 1ª Vara Cível de José Bonifácio R$ 77.500 16/08/2010 - 11h ITIRAPINA Vara do Trabalho de São Sebastião Terreno - 316m² - Av. 9 R$ 81.000 ITAQUAQUECETUBA 30/08/2010 - 15h - 1ª Vara Cível de Itirapina Imóvel Industrial a.t. 56.887m² e a.c. 7.005 SÃO JOSÉ DO RIO PRETO R$ 4.950.000 - 16/08/2010 - 14h Terreno - Vila Ercília - 484m² 1ª Vara Cível de Itaquaquecetuba R$ 100.000 6/09/2010 - 15h SÃO CARLOS 1ª Vara da Faz. Pública de São José do Rio Pardo Apartamento - 365m² - Centro Imóvel Comercial - 1.962m² SÃO JOSÉ DOS CAMPOS Jd. Jockey Club Terreno - B. do Sapé - 27.688m² 18/08/2010 - 14h - 1ª Vara Cível de São Paulo 11/09/2010 - 14h - 1ª Vara Cível de Caçapava

9/AGOSTO - 11h - SP VEÍC SEMI- ULOS NOVO S

BAURU Imóvel Residencial - 152m² Vila Alto Paraíso - R$ 50.955 27/08/2010 - 14h - 6ª Vara Cível de Bauru

Mais de

370

RIBEIRÃO PRETO

11/AGOSTO - 14h - SP

Furadeiras, Prensas, Lavadoras, Plastificadora e Motores 10/AGOSTO - 11h - SP

Linha de Usinagem de Disco, Fresadoras, Centro de Usinagem, Prensa 25t, Retíficas, Torno, Pneus Novos e Semi Novos

9

2/SETEMBRO - 11h - SP

LOT2 Caminhões, Tratores, ES Carregadeiras de Pneus, Side-Boom, Veículos e Compressores

USINA ESTER

Caminhões, Veículos, Julieta, Trator, Pá Carregadeira e Grade 11/AGOSTO - 14h - SP

Balanceadora, Fresadora, Bancadas e Carrinhos

11/AGOSTO - 11h - SP, MG, RS, SC, RJ e PR

12/AGOSTO - 11h - SP

Estrutura Metálica c/ Perfis (H, I), Plataformas, Elevador, Vigas e Cantoneira, Pisos, Portas, Janelas, Caminhões Betoneira, Veículos

Equip. de Teste p/ Comunicação Agilent e Fontes de Alimentação

12/AGOSTO - 11h - RJ

13 e 17/AGOSTO - 11h - SP, RS, MT e PE

18/AGOSTO - 11h - RS

Lancha DM 54, Caprice 27 e Evolution 265

Caminhões, Veículos de Passeio e Utilitários

Tacosul - Navio Tanque p/ Gases Liquefeitos e Equip. Industriais

18/AGOSTO - 14h - MG

23/AGOSTO - 11h - PR

24/AGOSTO - 11h - RJ

ITATIBA • CAÇAPAVA • LEME • S. J. DA BOA VISTA

Renovação de Frota Caminhões Basculantes e Ônibus

Máquinas de Pré Limpreza de Cereais, Tornos e Plainas

Sobras de Canteiro de Obra Tubos em Aço Carbono

S. J. DA BARRA • VOTUPORANGA • BARRETOS • PEDREGULHO

24/AGOSTO - 11h - SP

5 IMÓVEIS EM FORTALEZA/CE Casas e Apartamentos nos Bairros de Passaré, Fátima, Vila Betânia, Massejana e Jacarecanga Lances Iniciais a partir de R$ 48.000 p/ imóvel 19/08 - 14h - 11ª V. Fed. Criminal de Fortaleza/CE

Confira Também Fazendas, Imóveis, Máquinas, Veículos e Informática em:

Central de Atendimento, Visitas e Informações

Tel.: (11) 2824-6180 E-mail: cac@superbidjudicial.com.br Auditório: Al. Lorena, 800 - 1° andar - Jd. Paulista - SP/SP

SUPERBID IMÓVEIS 12/AGO. - 13h - ES

Cobertura em Guarapari/ES 86m² - Praia do Morro Vista Mar - Desocupado Pagamento em até 8 vezes

24/AGOSTO - 14h - SP

USINA GUAÍRA

Renovação de Frota Caminhões, Carretas e Veículos

Nacionais e Importados, Linhas Leves/Pesadas, Peças e Motos

25/AGOSTO - 14h - SP e MG

27/AGOSTO - 11h - RJ

12/AGO. - 14h - Diversos Estados Pag. e 60 m m até eses

Liquidação Extrajudicial

Imóveis Residências/Comerciais, Fazendas e Armazém Industrial

Informações: (11) 2163-7800 / vendas@superimovel.com.br

PEÇ P/ VAS NOV EÍCU AS LOS

25/AGOSTO - 11h - MG

Perfiladora, Perfis, Chapas, Veículos, Máquinas e Equip. Industriais

9, 16,20 e 23/AGO. - 11h - Diversos Estados

Caminhões Tanques, Tubulações, Sucatas e Itens de Informática Central de Atendimento, Visitas e Informações

3

Caminhões, Guindastes Equip. de Testes, Bombas, Estufas, Portuários, Centros de Usinagem, Lavadoras, Transformadores e Autoclave Equip. Industriais e Veículos

Tel.: (11) 2163-7800 E-mail: cac@superbid.net Auditório: Al. Lorena, 800 - 2° andar - Jd. Paulista - SP / SP. Leiloeiro Oficial: Rodrigo Santoro - JUCESP 449

Os bens serão vendidos no estado em que se encontram. As condições de venda constarão no catálogo que será distribuído no leilão ou pela internet.


4

%HermesFileInfo:Co-4:20100808:

a e i o u

Oportunidades

O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

Índice

Para anunciar ☎ (11) 3855-2001

PÁG. 5

Construção e Serviços

PÁG. 6

Móveis e Decoração

PÁG. 9

TRIBUTAÇÃO

PÁG. 6

Detetives

PÁG. 6

Mudanças e Transportes

PÁG. –

Agricultura

PÁG. –

Empresas e Partes Sociais

PÁG. 6

Náutica

PÁG. 9

Governo isenta de impostos recursos destinados à inovação nas empresas

Animais e Aves

PÁG. 6

Empréstimos e Investimentos

Outras Oportunidades

PÁG. 9

PÁG. 7

Pensões e Quartos

PÁG. 9

Esoterismo

PÁG. 7

Relax/Acompanhantes

PÁG. 9

Franquia

PÁG. 7

Relax/Clínicas

PÁG. 9

Infomática

PÁG. –

Jóias, Relógios e Afins

PÁG. 7

Sex Shop

PÁG. –

Leilões

PÁG. 1

Serviços Profissionais

PÁG. 9

Máquinas e Motores

PÁG. 7

Sons e Imagens

PÁG. 9

Matérias Primas

PÁG. 9

Telecomunicações

PÁG. –

Advocacia Aeronáutica

Artes e Antiguidades

PÁG. 6

Aulas e Cursos

PÁG. 6

Clínicas Terapêuticas e Estética

PÁG. 6

Comunicados

PÁG. 6

Confecções e seus Equipamentos

PÁG. 6

CLASSIFICADOS

Empresas que receberem recursos do Programa de Subvenção Econômica da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) ficarão isentas de impostos. É o que garante a Medida Provisória 497, que modificou a Lei de Inovação de 2004 ao isentar o pagamento dos tributos previstos em lei (Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Pis/

Cofins e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Antes, conforme o porte e o setor da empresa, os impostos abocanhavam até 18% da verba de financiamento do projeto. São áreas já contempladas pela Finep: saúde, defesa e segurança nacional, nanotecnologia, desenvolvimento social e tecnologia da informação.

OFERTAS EM DESTAQUE

Paraanunciarnestaseçãoligue (11)3855-2001

FORD RANGER XLT W21 2010/2010

FIAT UNO MILLE ECONOMY 2009/2010

VW SPACEFOX SPORTLINE 2008/2009

VW FOX 1.0 2008/2009

VW VOYAGE 1.0 2008/2009

Em leilão dia 11/08/2010 às 11 horas - Marginal Via Dutra, Km 224 - Tel. (11) 2464-6464 - acesse www.sodresantoro.com.br

Em leilão dia 12/08/2010 às 11 horas - Marginal Via Dutra, Km 224 - Tel. (11) 2464-6464 - acesse www.sodresantoro.com.br

Em leilão dia 13/08/2010 às 11 horas - Marginal Via Dutra, Km 224 - Tel. (11) 2464-6464 - acesse www.sodresantoro.com.br

Em leilão dia 13/08/2010 às 11 horas - Marginal Via Dutra, Km 224 - Tel. (11) 2464-6464 - acesse www.sodresantoro.com.br

Em leilão dia 13/08/2010 às 11 horas - Marginal Via Dutra, Km 224 - Tel. (11) 2464-6464 – acesse o site: www.sodresantoro.com.br

70ª CIRETRAN DE ..... SÃO PEDRO

LEILÕES 136º CIRETRAN DESCALVADO LEILÃO 28/08/10 - às 10hs - Local Rua 21 de Abril nº 210 - Vl. Vendeamina - + ou - 80 Lotes (Veículos e Motos) S/D doctos - Sucatas. Cond. Pagto. à vista + 5% com. Leiloeiro. Inf: 11-4418-3533 - www.benozzati.com.br - JUCESP 262.

Aproximadamente (250 LOTES). Dia 14/08/10 Sábado ás 10Hs. LOCAL: Av. Paschoal Antonelli, 395 S.Pedro/SP. FIAT (Uno, Palio, Marea, Prêmio) FORD(Escort, Corcel, F iesta, Ka, Belina, Pampa) GM(Chevette, Omega, Monza, Caravan) VW (Fusca, Gol, Kombi, Passat, Logus, Parati) OUTROS (Renaut Clio, Peugeot 206) HONDA (CG, Biz, ML125, NXR, CBX, CB400, Turuna) YAMAHA (RD, YBR, DT180) OUTRAS (Agrale, Dafra, Barco, Suzuki, Sundow). Visitação Pátios São Pedro, Santa Maria e Charqueada: 13/08 das 9 às 16hs e 14/08 antes do inicio leilão. EDIRLEI FERNANDES - JUCESP 718 www.leiloaria.com.br

7ª CIRETRAN DE CAMPINAS

FAZENDA

Leilão Público - 20/08/2010 (Sexta) às 09h00 - Aprox. 300 Veículos (s/ direito à doc. - sucatas) Local do Leilão: HOTEL VILA RICA - Rua Donato Paschoal, nº 100, Parque Itália - Campinas Ref.: Em Frente ao 8º Batalhão de Polícia. Visitação: 18 e 19/08/ 2010 em h. c. - (Carros na R: Sales de Oliveira, 1028 - Vl. Industrial/Campinas) (Motos na R: Miguel Cascaldi Junior, 141 – B. São João/Campinas) - Não haverá visitação no dia do leilão! Relação dos lotes com fotos no site: www. lanceja.com.br ou tel.: 11 44265064, Vanessa Borguetti Moraes Leiloeira Oficial - Jucesp nº 737.

343,94ha (parte ideal), Faz. Sete Lagoas, Quirinópolis/GO. Inicial R$1.492.313, www.leiloesjudiciais.com.br 0800-707-9272

FAZENDA 155,90HA c/ casas, galpão e curral, Quirinópolis/GO. Inicial R$ 887.963,00 www.leiloesjudiciais.com.br 0800707-9272.br 0800-707-9272

FAZENDA 229HA Rondonópolis/MT. R$ 1.147.500, (Faça sua contraoferta) www.leiloesjudiciais.com.br 0800-7079272

FAZENDA 290HA confront. c/ Córregos Valim e São Lourenço, Paraúna/GO. Inicial R$899.438,00 www.leiloesjudiciais.com.br 0800-707-9272

FAZENDA 350 HA

13ª CIRETRAN DE PIRACICABA 3ªFASE Aproximadamente (400 LOTES). Dia 21/08/10 Sábado ás 10Hs. LOCAL: Rua Moraes Barros (Esquina a Rua do Porto) - Salão do Divino Espirito Santo. FIAT (Uno, Premio, Palio, 147, Fiorino) FORD (Escort, Corcel, Ka, Del Rey, Fiesta) GM (Monza, Chevette, Kadett, Blazer, Zafira, Vectra) VW (Fusca, Gol, Passat, Kombi, Santana, Logus) OUTROS (M. Benz, Renault Clio, Citroen XSara) HONDA (CG, Biz, CBX, CB400, XLX350, ML125, NXR125) YAMAHA (RD, YBR, Fazer, DT180, RX, XTZ125) OUTRAS (Suzuki, Monark, Dafra, Sundow, Scooter). Visitação: Rua Manaus 268 Chácara Esperia dia 20/08 das 9 às 16hs e 21/08 antes do leilão. EDIRLEI FERNANDES - JUCESP 718 www.leiloaria.com.br

☎(19)3523-6393 77º CIRETRAN SÃO JOSÉ DOS CAMPOS LEILÃO 21/08/10 - às 10hs - 3ª Etapa - Local Pátio União - Av. Sebastião Henrique da Cunha Pontes nº 4670 - Pq. Industrial - Marginal Via Dutra, km 152, sentido S. Paulo-Rio - + ou - 250 Lotes (Veículos e Motos) S/D doctos - Sucatas. Cond. Pagto. à vista + 5% com. Leiloeiro. Inf: 11-4418-3533 - www.benozzati.com.br - JUCESP 262.

CIRETRAN OURINHOS DIA 13/08/2010 – Sexta Feira ás 10:30 Horas – Carros e Motos, Sucatas sem direito a documentos. Local do Leilão : Recinto da Fapi - Av. Jacinto Ferreira De Sá , S/N - Vila Sandano, e Visitação : Auto Socorro Carrecar e Luca Junior. Relação completa e fotos no site. Condições de Pgto A Vista + 5% de Comissão da Leiloeira Gabriela Erbolato Q. G. de Oliveira JUCESP 712 Tel. (19) 3828-7630 www.sumareleiloes.com.br

(Parte ideal), Rod. BR-376, Guaratuba/PR. Inicial R$ 601.339,00 www.leiloesjudiciais.com.br ☎0800-707-9272

FAZENDA 396HA c/ 07 casas, curral, celeiro, barracão e 02 represas, Quirinópolis/ GO. Inicial R$ 2.255.052,00 www. leiloesjudiciais.com.br - 0800707-9272

GALPÕES INDS. 02 e escritório 1.699m 2 a.c., 2. 640m2 a.t., Cachoeiras de Macacu/RJ. Inicial R$ 2.650.560,00 (PARCELADO) www.leiloesjudiciais. com.br 0800-707-9272

HOSPITAL 4.696M2 A.C CONSTRUÇÃO 476M² 581m2 at, Cajuru, Curitiba/PR. Inicial R$ 397.583,00 www.leiloes judiciais.com.br 0800-707-9272

Toda quinta no Estadão.

☎(19)3523-6393

21

ANOS

280.415m2 a.t., Rio Bonito/RJ. Inicial R$ 10.500.452,00 (PARCELADO) www.leiloesjudiciais. com.br 0800-707-9272

EDIFICAÇÃO COML

IMÓVEIS 02

Casa e edícula 250m²ac., 1012m² a.t., Curitiba/PR. Inicial R$577. 789,00 www.leiloesjudiciais.com. br 0800-707-9272

terreno 867m2 e chácara 8,81ha com casa, Atibaia/SP. “Inicial” R$1.200.000,00 www.leiloesjudiciais.com.br 0800-707-9272

LEILÃO DIA 12/08/2010 ÀS 11H30 AV. ALMIRANTE DELAMARE nº 2859 - VL. HELIÓPOLIS Visitação, Confirmação dos veículos no mesmo dia a partir das 8h00

50 LOTES SENDO: 10 OKM, 25 SINISTRADOS, 05 ENCHENTES, 05 FURTOS E MERCADORIAS USADOS (ENCHENTE, FINANCIAMENTO, FURTO, FROTA, SINISTRO) FIAT: •PALIO •PALIO WK •SIENA •UNO. FORD: •ECOSPORT •FIESTA •KA. VEÍCULOS ZERO KM: GM: •CELTA •CORSA •MONZA •VECTRA. IMPORTADOS: •COROLLA XEI FORD: NOVA RANGER LIMITED 3.0 4X4 1.8 •NEW CIVIC LXS 1.8 •206 PRESENCE •XSARA PICASSO 2.0. •AUDI  VW: NEW BEETLE 2.0 AT NOVA SAVEIRO TREND 1.6 A3 1.8 4P VW: •FOX •GOL •PARATI •POLO •SAVEIRO. UTILITÁRIOS: •VW  8.150 E (08) •FORD F-14.000 D (94). GOL GV TREND 1.0 FOX 1.0 2P PEDRO ROBERTO GARCIA - Leiloeiro Oficial • FONE: (11) 2061-2073 • www.garcialeiloes.lel.br

GRANDE LEILÃO DE 70 IMÓVEIS n COMERCIAIS n RESIDENCIAIS n RURAIS

MAURO ZUKERMAN Leiloeiro Oficial - Jucesp 328

• À VISTA 5% DE DESCONTO • em até 8x s/ juros ou correção • em até 60x c/ juros de 12% e 14% a.a.

Sábado, 28/08/2010 às 10h00. Mansão França Av. Angélica, 750 - Higienópolis - São Paulo/SP Consulte o site com edital, relação completa e fotos dos imóveis em: SP / DF / GO / PR / RJ / RS E SC

Pabx: (11) 2184.0900

Fax: (11) 2184.0909

WWW.ZUKERMAN.COM.BR Comissão do leiloeiro: O arrematante pagará ao leiloeiro 5% sobre o valor da arrematação.

LEILÕES DE VEÍCULOS, MOBILIÁRIO CORPORATIVO, ELETROS E UTENSÍLIOS Terça, 17/Ago/10 - 14h30 - Presencial e Online

Quinta, 19/Ago/10 - 09h00 - Online

Sexta, 20/Ago/10 - 09h00 - Online

Veículos Blindados e Não-Blindados

Desativação de Hotel em SP

Mobiliário Corporativo - Antiga Sede do ABN

Fox, S-10’s, Golf Blindado, Gol, Corsa Wind, Passat, Subaru, Marea, Corolla, Audi A6, Ranger, Etc.

Cozinha Industrial, Móveis, Colchões, Ar Condicionados, Computadores, Tv’s, Luminárias e Outros

Fabio Zukerman Leiloeiro Oficial - Jucesp 719

25.000m²

Armários, Estações de Trabalho, Arquivos Deslizantes, Mesas, Cadeiras, Etc.

Segunda, 23/Ago/10 - 09h00 - Online Eletros, Colchões e Utensílios

Saldão com até 80% de desconto! Colchões, DVD’s, Tv’s, Fogões, Geladeiras e Outros

WWW.SOLD.COM.BR

Informações: (11) 2184.0949


O ESTADO DE S. PAULO

CLASSIFICADOS %HermesFileInfo:Co-5:20100808:

DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

OFERTAS EM DESTAQUE

Para anunciar nesta seção ligue (11)3855-2001

MARCOPOLO-VIAGGIO 1000 96/96

APROX. 65T DE CHAPAS DE FERRO DIVERSAS POL

MARCOPOLO-SÊNIOR TURISMO 6V 99/99

CONJ. RESFRIAMENTO DE ÁGUA ALPINA 32ASP

FRES. OPEN-SIDE MAYER SCHEDLER ISSO40 ANO 86

Leilão dia 19/08/2010 às 16h. Visitação: 16 a 18/08/2010 info.: (11) 4191-2992 www.mauroleiloes.com.br Presencial e on line - cadastre-se: www.mauroleiloes/ sys/online

Leilão dia 19/08/2010 às 17h. Visitação: 16 a 18/08/2010 info.: (11) 4191-2992 www.mauroleiloes.com.br Presencial e on line - cadastre-se: www.mauroleiloes/ sys/online

Leilão dia 19/08/2010 às 16h. Visitação: 16 a 18/08/2010 info.: (11) 4191-2992 www.mauroleiloes.com.br Presencial e on line - cadastre-se: www.mauroleiloes/ sys/online

Leilão dia 19/08/2010 às 17h. Visitação: 16 a 18/08/2010 info.: (11) 4191-2992 www.mauroleiloes.com.br Presencial e on line - cadastre-se: www.mauroleiloes/ sys/online

Leilão dia 19/08/2010 às 17h. Visitação: 16 a 18/08/2010 info.: (11) 4191-2992 www.mauroleiloes.com.br Presencial e on line - cadastre-se: www.mauroleiloes/ sys/online

IMÓVEL INDL. 4.193M2 c/ galpões, edificações e outras benfs., 55.189m2 a.t., Goiânia/ GO. Inicial R$ 4.802.617, www.leiloesjudiciais.com.br - 0800-7079272

Empresa a de de Leilão Certificada ISO IS O 9001 9001 : 2008 no o mundo.

JUDICIAIS E EXTRA JUDICIAIS

LEILÃO DE VEÍCULOS

LEILÃO DE VEÍCULOS

10/08/2010 3ª f. às 11H

11/08/2010 4ª f. às 11H

± 140

VEÍCULOS: FURTO, FROTA, BATIDOS, ENCHENTES E SUCATAS.

± 280

VEÍCULOS: FURTO, FROTA, ENCHENTES, CAMINHÕES, SALVADOS, MOTOS E SUCATAS.

Local: R. Manuel Monteiro de Araújo, 505 S.Paulo. Visitação: 3ª feira às 8h30. FURTO/FINANCIAMENTO/ENCHENTE: 206 2004, C3 2008/2009, C4 2008, Civic 2000/2001, 2 Corolla: 2006, 2008/2009, 2 Corsa: 98, 2004/2005, 2 Fit: 2004, 2010, 2 Fox: 2007/2008, 2008, Gol 2008/2009, Outlander 2008, Palio 2000/2001, Polo 2008, Siena 2008/2009. BATIDOS: 206 2007/2008, 306 98/99, 2 307: 2008, 2008/2009, 328 98/99, A-160 2005, Accord 92, 3 Astra: 95, 2001/2002, 2003, Burgman 2008/2009, 2 Celta: 2002, 2004, CG-125 97, Civic 99, 3 Corolla: 2001/2002, 2007/2008, 2010/2011, Corsa 97, 2 Cross Fox: 2006, 2009, Daytona 2008, Doblo 2005/2006, 2 Ecosport: 2004/2005, 2009, 2 EN-125: 2006/2007, 2007/2008, Fazer 2006/2007, 2 Fiesta: 2000, 2004, 2 Fox: 2008/2009, 2010, Future 2007/2008, FY125-19 2007, 15 Gol: 95/96, 96, 97, 97, 98, 98, 98/99, 2000, 2001, 2002, 2003/2004, 2005/2006, 2006, 2007/2008, 2008, 3 Golf: 95, 2000/2001, 2008, Hilux 2001/2002, Idea 2008/2009, Jetta 2008, 2 Ka: 2002/2003, 2005, Max-125 2007, Meriva 2005, 2 Monza: 90/91, 92/93, MT 2008, Pajero 2006/2007, 2 Palio: 2001/2002, 2010, Pampa 93, Polo 2002/2003, Prisma 2007/2008, PT Cruiser 2005/2006, 2 Ranger: 96, 97, Saveiro 2004, Sprinter 2001, Tiida 2008, Tipo 95, 3 Uno: 91/92, 93/94, 96/97, 2 Vectra: 95, 2005/2006, 3 Xsara: 2003, 2004/2005, 2005. S U C ATA S : K-1300GT 2009, Marajo 89, Marea 2004, Uno 90/91, 95.

Local: Av. Nações Unidas, 97 - Cid. Universitária São Paulo-SP. Visitação: 4ª feira 08:30 as 11:00 hs.

F U R TO / F R O TA / E N C H E N T E : 2 0 6 2007/2008, 306 98/99, A 160 2001, Accord 97, Airtrek 2007, 2 Astra: 2001/2002, 2002, 3 Civic: 2003, 2004/2005, 2005/2006, 2 Classe A-160: 2003/2004, 2004/2005, Corolla 2004, Corsa 94/95, Discovery 2004, E 320 97, 2 Fiesta: 2008, 2010, Fit 2007/2008, Fox 2006/2007, Gol 98, Golf 2001, Ka 2009, 2 L200: 2001, 2004, LS-1938 2000, Megane 2005, Meriva 2003, ML 500 2004/2005, 2 Pajero: 2007/2008, 2009/2010, 4 Palio: 97, 98/99, 2002, 2002/2003, Parati 2001, Ranger 2000, Scenic 99, 2 Siena: 2001/2002, 2007/2008, T-112 84, Touareg 2006/2007, Tucson 2006, Uno 2003/2004, Vectra 2009,

Quer vender ou comprar? Acesse www.stiloleiloes.com.br - Leiloeiro Oficial Gustavo Reis - Jucesp 790

JUSTIÇA FEDERAL Leilões dias 17/08/10 e 31/08/ 10 às 11h. Imóveis, Veículos, Caminhões, Máqs. Operatrizes, etc. Infs. F: (11) 5071-8555 edital no site WWW.VIZEU.COM.BR

LEILÃO IMÓVEIS BANCO P R E F E I T U R A D E RIBEIRÃO PRETO S/A HORTOLÂNDIA

LEILÃO DE IMÓVEIS Adquira o seu imovél por um valor até 50% do mercado. Oferecemos toda assessoria juridica. Site: www.cfi-consultoria.com.br/ Email: investidores@cfi-consultoria.com. br ☎(11)3255-7745

Leilão dia 20/08/2010 às 11:00hs. Um terreno na cidade de Limeira-SP. Leilloeiro Sato Jr. Jucesp 690. ☎ (11)4226-6444 ou www.satoleiloes.com.br

Leilão de Imóveis 17/08/2010, serão 10 imóveis, use o FGTS e financie pela própria CEF - Leiloeiro Sato Jr Jucesp 690 (11)42266444 www.satoleiloes.com.br

LEILÃO JUDICIAL 20/08/10 LEILÃO DE TRÊS TEARES INDUSTRIAIS, LOCALIZADO NA CIDADE DE SALTO INF: (11) 2722-0808 www. imperadorleiloes.com.br

LEILÃO JUDICIAL DE IMÓVEIS Compre por 50% do valor de mercado www.leilaocentral.com.br

LEILÃO (ONLINE/PRESENCIAL)Imóveis (Hotel), Veículos e Outros V.T. DE S.J BOA VISTA : 12/08/10 às 13:00 hs - Rua Luiz Previeiro, 9 - Jd. São Domingos - SJBoa Vista/ SP. Inf.: www.lancetotal.com.br

Data: 13/08/2010 (sexta-feira) às 10:00h. Local do Leilão: Rua Itavuru, 143 - S.Paulo/SP. Local dos bens: Pátio da Pref. de Ilhabela/ SP. Bens: Veículos (com e s/docssucata) *Motoniveladora *Sucata de trator/esteira e outros *Motos, etc. Infs. www.leilaoonline.net (11) 5594-7785 Ugo Rossi Filho - Leiloeiro Oficial - Jucesp 394

4ª f. • 11/08 • 13h00

E OUTROS COMITENTES

Diversos Veículos de Furto, Frota, Colisão, Caminhões, Motos e outros.

Máquina de Costuma, Enchedora 40 e 50 Válvulas, Pneus Pirelli Citynet, Paralamas, Guardanapo Melhoramentos, Colheres e Facas Americanas, Garfos Médios, Livros, Bonecas de Pano / Cachorro de Pelúcia, Cantoneiras de Papelão, Cano, Banco com 3 Lugares, Tinta Acrílica, Além de Diversos Itens de Utensílios Domésticos, Itens de Informática.

CARGAS ONLINE

ADVOCACIA CONSULT E INVESTIMENTO Cível, imobiliário, família, saúde OAB/SP 221574 ☎ (11)47780166 lgalina@terra.com.br

Fazenda 101ha, Faz. Barra do Rio Preto; Sítio 12ha, Faz. Barra Bonita; Sítio 53ha, Faz. Rio Preto, Quirinópolis/GO. Inicial R$1.032.923, www.leiloesjudiciais.com.br 0800707-9272

BANDEIRA DE CARVALHO ASSESSORIA JURÍDICA Dívidas Financeiras Impagáveis?Temos A Solução Jurídica: *Crédito Empresarial*Capital De Giro*Desconto De Duplicatas*Leasing*Alienação Fiduciária*Busca E Apreensão:Veículos Leves E Pesados*Máquinas E Equip.*Quitamos Veículo S/Resíduo C/Bx.Serasa, Scpc E Proce. Judicial*Cheque Especial*Cartão De Crédito*Emprést.Pessoal*Crédito Consignado*Execuções Bancárias E Fiscais*Monitórias*Desbloq.C/ Corrente*Libera.De Penhora*Indenizações*Danos Morais*Defeito Na Prest. De Ser v. Bancário*Revisão Financ.Imobiliário*Indeniz.P/ Atraso Entrega Imóvel*Susp.De Leilões*Assessoria Especializada Direito Bancário E Consumidor*Ligue Saiba Mais. contato@bandeiradecarvalho.adv. br www.bandeiradecarvalho.adv.br

P.M JUQUITIBA P.M de Juquitiba/SP, em 11/08/ 2010 as 10:00 a Rua: Jorge Victor Vieira 63 - Centro Juquitiba-SP, realiza o leilão nº 01/2010 alienação de bens conforme Lei 8. 666/93. Leiloeiro Oficial Carlos Augusto Siaticosque-Jucesp/283 wwwvascoleiloes.com.br ☎ (11) 3951-4072 ou acesse site www. juquitiba.sp.gov.br(11)4681-4311

PARQUE AQUÁTICO 155.856m2 a.t., c/ 09 piscinas, restaurante, vestiários, barzinhos e outras benfs., Jaboatão dos Guararapes/PE. R$ 5.210.714, (Faça sua contraoferta) www.leiloesjudiciais.com.br 0800-707-9272

☎(11)3101-3733

PARQUE INDL e posto de venda 30.067m2 a.c., 305.340m2 a.t., Nova Friburgo/RJ. Inicial R$ 14.354.659,00 (PARCELADO) www.leiloesjudiciais. com.br 0800-707-9272

FALÊNCIAS - RECUPERAÇÕES Judiciais e extra-judiciais. Tratar: Advogado Dr. Antonio Luiz Mazzilli OABSP 25681.☎(11)3085-4648 ( 5ª FEIRA

Bradesco

Aymoré Financiamentos

APROX. 450 VEÍCULOS RECUP. DE FINANCIAMENTO, SENDO 50 MOTOS FIAT: (28) PALIO - (13) UNO. VOLKS: (25) GOL - (09) FOX. GM: (17) CORSA - (09) CELTA. FORD: (19) FIESTA - (06) KA. IMPORTADOS: CITROEN C3 - (03) JUMPER - DUCATO - (06) PEUGEOT 206. PICK-UPS: (03) S.10 - RANGER. CAMINHÕES: VW 17.220 - VOLVO VM 23.240 6X2. ÔNIBUS: MB O-371. TRATOR: JHON DEERE. ( 50 ) MOTOS DIVERSAS.

Infs.:

L E I L O E I RO

4ª FEIRA

O F I C I A L

Veja

Antonio

3654

(12)

fotos:

Luiz

www.guariglia.com.br

Guariglia

-

Leiloeiro

Oficial

Veja fotos: www. nossoleilao.com.br

Bradesco

INFS:

. 1000

Constarão no catálogo próprio.

BANCOS

(11) 5586-3000

Leiloeiro Oficial

-

V I S I T A Ç Ã O:

J U C E S P 2 5 3 constará no catálogo a ser distribuido no dia do Leilão.

www.freitasleiloeiro.com.br

Dia: 10.8.2010 - 3ª feira - 10h00

Dia: 11.8.2010 - 4ª feira - 10h00

Dia: 13.8.2010 - 6ª feira - 10h00

AV. DOS ESTADOS, 6980 - SANTO ANDRÉ/SP

AV. JUSCELINO KUBITSCHEK,1360 - STA. BÁRBARA D´OESTE/SP

AV. DOS ESTADOS, ESTADOS, 584 584 -- UTINGA UTINGA -- SANTO SANTO ANDRÉ/SP AV. DOS ANDRÉ/SP

400

VISITAÇÃO: 12 DE AGOSTO, DAS 9 ÀS 17 HORAS, NO LOCAL DO LEILÃO.

Condições de venda e pagamento: Cheque no valor total da arrematação, que deverá ser trocado por cheque ADM ou TED à favor do Leiloeiro, em até 24 horas após o leilão + Cheque de 5% de comissão do Leiloeiro, acrescido das despesas administrativas constantes no catálogo do leilão. Os veículos serão vendidos no estado, sem garantias. Multas, inclusive de averbação; débitos; IPVA's, pré-existentes ou decorrentes da regularização, por conta do arrematante. A procedência e evicção de direitos dos veículos deste leilão são de inteira e exclusiva responsabilidade dos Comitentes Vendedores. Demais condições constam no catálogo distribuído no leilão.

SERGIO VILLA NOVA DE FREITAS - Leiloeiro Oficial - JUCESP - 316

Central de Informações: 11 - 3117.1000

www.freitasleiloeiro.com.br

BANCO PSA FINANCE BRASIL S.A.

LEILÃO DE IMÓVEIS Dia: 9.8.2010 - 2ª feira - 14h00 Local: Casa de Portugal - Av. da Liberdade, 602 - 3º andar - São Paulo/SP

Dia: 16.8.2010 - 2ª feira - 14h00 Local: Fórum de Barueri - Rua Ministro Raphael de Barros Monteiro, nº. 110 - Barueri/SP

FALÊNCIA “TECNOSISTEMI BRASIL LTDA”

FALÊNCIA DE “HELENY S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, EXTENSÃO DE PERTICAMPS S/A – EMBALAGENS”

APARTAMENTO TRIPLEX - VILA NOVA CONCEIÇÃO/SP: ÁREA PRIVATIVA: 205,97 M² - ÁREA TOTAL: 302,503 M² Apartamento nº. 13 e 3 vagas de garagem- Edifício Villa Borghese, situado na Rua Baltazar da Veiga, nº. 500. Matrícula nº. 133.053 do 4º C. R. I. local. Contr. nº. 041.005.0265-6. Avaliação: R$ 1.480.000,00.

IMÓVEL INDUSTRIAL - ALPHAVILLE - BARUERI/SP: TERRENO: 15.000,00 M² - ÁREA CONSTRUÍDA: 7.500,00 M² Imóvel nº. 01 da Quadra nº. 02 do empreendimento denominado “Alphaville”, na Alameda Tocantins esq. com a Rua Marginal Tietê. Matrícula nº. 11.808 do C.R.I. local. Avaliação: R$ 23.176.980,16. Serão aceitos lances para pagamento à vista e a prazo.

FALÊNCIA DE “VIAÇÃO AÉREA SÃO PAULO SOCIEDADADE ANÔNIMA - VASP”

Dia: 2.9.2010 - 5ª feira - 14h00 Local: Casa de Portugal - Av. da Liberdade, 602 - 3º andar - São Paulo/SP

CONJUNTO COMERCIAL - CENTRO - CAPITAL/SP: ÁREA CONSTRUÍDA DE 195,28 M² Conjunto nº 12, localizado no 1º andar do Bloco I do “Edifício Metro”, na Avenida São João, nº. 822. Matrícula nº. 63.097 do 5º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo/SP. Avaliação: R$ 272.000,00. CONJUNTO COMERCIAL - CENTRO - CAPITAL/SP: ÁREA CONSTRUÍDA DE 193,85 M² Conjunto nº 21, localizado no 2º andar do Bloco I do “Edifício Metro”, na Avenida São João, nº. 822. Matrícula nº. 63.096 do 5º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo/SP. Avaliação: R$ 272.000,00. CASA - SÃO LUIS/MA: ÁREA DE TERRENO DE 2.480,11 M² - ÁREA CONSTRUÍDA DE 130,00 M² Localizada na Av. Casemiro Junior, números, 3/5, Vila do Anil. Matrícula nº. 33.074 do 1º C.R.I. local. Avaliação: R$ 450.000,00.

415

( 3ª feira ), das 10 às 17 h. E DEMAIS e (4ª feira ), das 8 às 10 h.

CONSULTE NOSSA AGENDA DE LEILÕES

4DIVERSOS MODELOS 4SEMI-NOVOS 4INTEIROS 4SINISTRADOS 4SUCATAS

VISITAÇÃO: 10 DE AGOSTO, DAS 9 ÀS 17 HORAS, NO LOCAL DO LEILÃO.

Jucesp

FIAT: (20) PALIO - (18) UNO. VOLKS: (15) GOL - (04) GOLF. GM: (28) CORSA - (14) CELTA. FORD: (09) FIESTA - (02) ECOSPORT - (05) KA. IMPORTADOS: (02) CITROËN C 4 PALLAS - (02) CITROËN C3 - GM TRACKER - NEW BEETLE. PICK-UPS: RANGER - S.10 - DODGE DAKOTA. CAMINHÕES: VW 23.250 BAÚ - VW 16.200/ 16.170 - MB L 1625 - VOLVO N 10. ÔNIBUS: NEOBUS THUNDER - VOLVO B 10. ( 10 ) MOTOS DIVERSAS. JOSÉ OSWALDO DE CARVALHO Edital com Normas Completas e Condições de Pagamento,

LEILÃO DE VEÍCULOS

280

-

LOCAL: Rua Prof. ZEFERINO VAZ, 247 - SÃO PAULO/SP (entrada pela Via Anchieta, Km 12, sentido São Paulo)

11 / AGOSTO / 2010 PRESENCIAL E ON-LINE ÀS 9:00 h.

CONDIÇÕES: 20% de sinal no ato, em cheque caução a ser substituído por chequeADM integral + 5% de comissão do leiloeiro e mais despesas sobre depósito dos bens por veículo arrematado e m 2 4 h a p ó s o l e i l ã o . O s b e n s s e r ã o v e n d i d o s n o e s t a d o e m q u e s e e n c o n t r a m e s e m g a r a n t i a . I P VA 2 0 1 0 e e v e n t u a i s d é b i t o s d e I P VA 2 0 0 8 e 2 0 0 9 c o r r e m p o r c o n t a d o s a r r e m a t a n t e s . D e m a i s c o n d i ç õ e s v i d e s i t e e c a t á l o g o d i s t r i b u í d o n o l e i l ã o . C L A U D I O C O H N - L E I L O E I R O O F I C I A L - J U C E S P 3 7 3 . R u a H e n r y F o r d , 9 6 5 O s a s c o - S P Te l . : ( 11 ) 3 6 5 1 . 8 8 0 0 F a x : ( 11 ) 3 6 8 1 . 0 3 6 6 .

VISITAÇÃO: 9 DE AGOSTO, DAS 9 ÀS 17 HORAS, NO LOCAL DO LEILÃO.

)

PanAmericano12 / AGOSTO / 2010 as 9 : 00 h. LOCAL: ROD. PRES. DUTRA, Km 128 (SENTIDO SÃO PAULO) - CAÇAPAVA / SP Visitação: ( 4ªfeira ) 11/08, das 7 às 13h.