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RLM nº 42

Mulheres, flores em nossas vidas. GENTE DESIGN ESTILO IDEIAS CULTURA COMPORTAMENTO TECNOLOGIA ARQUITETURA

Viva o Dia Internacional da Mulher.

ano 10 número 42

www.revistalealmoreira.com.br

João Carlos Moreira

Leal Moreira

O olhar estrangeiro e os belos cenários em imagens inesquecíveis

Arnaldo Antunes Arthur Nogueira Jamón de Parma


TERRA FIORI, O INVESTIMENTO CERTO PARA SUA VIDA.

SONHE, REALIZE E VIVA. CHURRASQUEIRA

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www.eloincorporadora.com.br Artes e fotos meramente ilustrativas que poderão ser alteradas sem prévio aviso, conforme exigências legais e de aprovação. Os materiais e os acabamentos integrantes estarão devidamente descritos nos documentos de formalização de compra e venda das unidades. Plantas e perspectivas ilustrativas com sugestões de decoração. Medidas internas de face a face das paredes. Os móveis, assim como alguns materiais de acabamento representados nas plantas, não fazem parte do contrato. A incorporação encontra-se registrada no Cartório de Registro de Imóveis, Faria Neto, Único Ofício da Comarca de Ananindeua-PA, no Livro Nº2(RG), matrícula 16911, sob o NºR-5-Matrícula 16911, Protocolo Interno Nº81936, Protocolo Definitivo Nº52465, em 07/06/2013.


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A Revista Leal Moreira 42 traz conteúdo exclusivo nas matérias sinalizadas com QR code.

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capa

índice

JOÃO CARLOS MOREIRA O olhar atento e o belo resultam em imagens únicas, da Galeria Revista Leal Moreira 42.

entrevista

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JANJO PROENÇA Na 8ª entrevista da série sobre os 400 anos de Belém, o empresário Janjo Proença fala sobre suas memórias de infância e da participação da própria família na história do rádio no Pará.

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Arthur Nogueira vive um novo momento de sua carreira: disco novo, novo cenário e composições próprias.

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O cinema inspira inesquecíveis viagens e há agências de turismo especializadas em torná-las realidade.

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perfil

especial

destino Vaticano - o menor país do mundo - e casa do Papa Francisco - oferece séculos de arte aos seus visitantes.

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ARNALDO ANTUNES O músico fala sobre seu novo “Disco” e o momento especial da cena paraense.

Belém| 400 anos

JAMÓN DE PARMA A Revista Leal Moreira foi conhecer o tradicional e secular processo de produção do presunto de Parma.

gourmet

capa Jardin des Tuileries - Paris foto por João Carlos Moreira

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dicas confraria Anderson Araújo comportamento especial mulheres tech Celso Eluan especial box horas vagas Felipe Cordeiro enquanto isso Gabriel Vidolin vinhos decor institucional Nara Oliveira

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editorial

Amigos, Nesta primeira edição da Revista Leal Moreira de 2014, permitam-me desejar-lhes (ainda) um ano muito bom! Nas páginas a seguir, você conhecerá um pouco das sample boxes, um sistema que permite aos seus assinantes que recebam, no conforto de suas casas, belas caixas com amostras do que há de mais novo e moderno em variados segmentos: da cosmética até a enogastronomia. Falando em agrados ao paladar, viajamos até Parma, onde conhecemos o rigoroso e secular processo de feitura do presunto de parma. Ainda na Europa, ali “perto”, viajamos até o Vaticano, o menor país do mundo (e, talvez, um dos mais importantes do globo). De volta ao Brasil, fomos recebidos pelos músicos Arnaldo Antunes e Arthur Nogueira que falam sobre seus novos discos - em estilos diferentes e, em comum, muita influência (e sotaque) paraense. Janjo Proença é nosso convidado na oitava entrevista da série “Belém 400 anos” - leitura recomendadíssima. Na RLM42 uma homenagem às mulheres, de um jeito muito surpreendente, porque como nos disse Gilberto Gil, certa feita, “ser mulher é ser o verão no apogeu da primavera” Esperamos que você goste. Um grande abraço e boa leitura! André Moreira

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expediente

Tiragem auditada por

Revista Leal Moreira

João Balbi, 167. Belém - Pará f: 91 4005.6800 • www.lealmoreira.com.br

Fundador / Presidente Carlos Moreira Conselho de Administração Maurício Leal Moreira [Presidente] André Leal Moreira João Carlos Leal Moreira Luis Augusto Lobão Mendes Rubens Gaspar Serra Diretoria Executiva Diretor Executivo / CEO Drauz Reis Filho Diretor de Engenharia José Antônio Rei Moreira Diretor Administrativo e Financeiro Thomaz Ávila

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Diretor Comercial e de Relacionamento José Ângelo Miranda

• segunda a quinta-feira: 9h às 18h. • sexta: 9h às 17h30.

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Gerente de Gestão de Pessoas Rosanny Nascimento

Gerente de Marketing Mateus Simões

Criação Madre Comunicadores Associados Coordenação Door Comunicação, Produção e Eventos Realização Publicarte Editora Diretor editorial André Leal Moreira Diretor de criação e projeto gráfico André Loreto Editora-chefe Lorena Filgueiras Editora assistente e produção Camila Barbalho Fotografia Dudu Maroja Reportagem Ana Carolina Valente, Augusto Pinheiro, Bruna Valle, Camila Barbalho, Leonardo Aquino, Sona Magnami e Tyara De La-Rocque Colunistas Anderson Araújo, Celso Eluan, Felipe Cordeiro, Gabriel Vidolin, Nara Oliveira e Raul Parizotto. Assessoria de imprensa Lucas Ohana Conteúdo multimídia Max Andreone e Bruna Valle Versão Digital Brenda Araújo, Guto Cavalleiro, Ivan Siqueira Revisão José Rangel e André Melo Gráfica Halley Tiragem 12 mil exemplares

On-line: Conheça um pouco mais sobre a construtora acessando o site www.lealmoreira.com.br. Nele, você fica sabendo de todos os empreendimentos em andamento, novos projetos e ainda pode fazer simulações de compras.

Revista Leal Moreira é uma publicação bimestral da Publicarte Editora para a Construtora Leal Moreira. Os textos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da revista. É proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem autorização.


Belém

Urban Arts Com o objetivo de tornar a arte mais acessível e fomentar a produção criativa em artistas do mundo todo, a Urban Arts se firmou no Brasil como uma galeria moderna e diferente. Especializada no universo digital, a UA representa o que há de mais pop no design brasileiro, reunindo a criatividade de mais de 3.000 artistas. A marca já se espalhou um bocado: são doze lojas físicas, divididas em oito estados – além do site, que também comercializa os trabalhos. Belém também tem a sua filial, localizada no bairro de Nazaré. Lá, é possível encontrar peças descoladas, bonitas e cheias de personalidade. Travessa Benjamim Constant, 1528 • 91 3355.3048

Avenida Visconde de Souza Franco , 776 – piso térreo do Shopping Boulevard Belém • 91 3230.2600

Bistrô & Boteco Localizado no shopping Boulevard Belém, o Bistrô & Boteco alia a descontração dos bares e o clima aconchegante dos restaurantes. Integrante da rede Boteco, famosa em Recife, o espaço preza pela rusticidade elegante: as paredes apresentam um visual descascado, as mesas são feitas em madeira de demolição e as cores cruas criam a atmosfera. Há ainda uma parte externa, onde se pode apreciar o vai e vem de uma das avenidas mais movimentadas da cidade. A trilha sonora também é excelente – jazz e música brasileira criam a ambientação para os frequentadores, seja na hora do almoço ou na happy hour. Para comer, indicamos o Filhote Grelhado, que vem ao molho de camarão, tomate e alcaparras. Para o drinque com os amigos, sugerimos a caipiroska de abacaxi. www.revistalealmoreira.com.br

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Brasil

BAR DA DONA ONÇA Aos pés do emblemático edifício Copan, há um lugar para comer e beber bem. Muito bem. Trata-se do festejado e premiado “Bar da dona Onça”, apelido da proprietária, a chef Janaína Rueda. As receitas – brasileiríssimas – e em porções fartas refletem muito da personalidade de Rueda. Outro atrativo: o preço simpaticíssimo. Não deixe de experimentar o Arroz de fígado (coberto com cebolas crocantes e ovo frito), o croquete de panela e o frango com quiabo. Vale cada suspiro.

Avenida Ipiranga, 200 - Edifício Copan, lojas 27 e 29 • Centro - São Paulo – SP • 11 3257.2016 • Horário de funcionamento: Segunda a Quarta das 12h às 23h; Quinta a Sábado das 12h à 0h; Domingos das 12h às 17h

CATETO

A tão desejada “volta no tempo” agora é possível. Pelo menos aos que escolhem o “Cateto – Comer & Beber artesanal”, um lugar perdido entre 1850 e 1930 e que trabalha com bebidas e comidas artesanais. O ambiente é rústico, ao mesmo tempo em que é aconchegante. São poucas as mesas – fato que confere ainda mais exclusividade ao local – mas há um balcão envelhecido e música ao vivo, ao som de banjos, gaitas e guitarras. O pequeno empório, como é carinhosamente tratado por seus donos – dois publicitários – leva pérolas da cozinha brasileira ao paulistaníssimo bairro da Mooca. O menu é enxuto e igualmente delicioso. Não deixe de pedir os embutidos (feitos lá), pães e cervejas (sempre geladas) artesanais também e o inusitado brownie com calda de cerveja preta. Rua Fernando Falcão, 810. Mooca • São Paulo • 11 2367.7521 www.revistalealmoreira.com.br

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mundo

Saxon + Parole O AvroKO é um dos hospitality groups mais bem conceituados de Nova York. Premiado pela imprensa especializada, o grupo é formado por especialistas em design e assina cinco casas na Big Apple. Uma delas é o Saxon + Parole, uma charmosa casa de carnes. O lugar sugere certo tema equestre na decoração: há ferraduras pendendo do teto, quadros de cavalos nas paredes... A própria bandeirola que sinaliza o local traz dois animais puros-sangues. A cozinha é voltada para a tradição dos grelhados – com métodos particulares de cozimento e temperos de fabricação própria, sempre utilizando produtos sazonais e sustentáveis. Recomendamos, além da costeleta de porco Berkshire, a sobremesa de chocolate de avelã com crème brûlée – que vem com sorbet de tangerina, caramelo tuille e laranja tostada.

316 Bowery (at Bleecker), New York, NY 10012 • (212) 254-0350 • saxonandparole.com

Olympic Studios Cafe O Olympic Studios é um lugar que respira a história da cultura pop. Nomes como Jimi Hendrix, Rolling Stones e Led Zeppelin gravaram em suas dependências. Antes disso, lá funcionou um tradicional cinema. A designer de interiores Simone McEwan achou um desperdício um local com tanta vida ficar fechado. Por isso, remodelou o cinema – que voltou a funcionar – e abriu no piso térreo um simpático e acolhedor café. Nas paredes, fotografias antigas contam como foram os tempos passados. Tapetes que abafavam as paredes do antigo estúdio também ainda estão por lá. A cozinha é predominantemente britânica, com um pouco de influência europeia. Destaque para a envidraçada cozinha de pâtisserie, que permite que o público veja o chef preparar muffins, croissants e bolos caseiros para o chá da tarde.

117- 123 Church Road, Barnes, London SW1 3 9HL • 0208 912 5161 • olympiccinema.co.uk www.revistalealmoreira.com.br

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perfil

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Camila Barbalho

Ana Alexandrino

rio

Como um

O paraense Arthur Nogueira nasceu para ser poeta e viver a música. Sem perder a conexão com sua terra, ele desponta no cenário artístico brasileiro com uma produção inusitada, muito particular e intensa, vibrante. Como quem corre para o mar.

“É

o ar que respiro/ É o palco em que brilho/ É bem mais do que isso/ Não me basta estar vivo/ Eu preciso cantar”. É com tais versos que Arthur Nogueira abre a faixa “Preciso Cantar”, presente em seu mais recente compacto virtual, o “Entremargens”. Basta ouvi-los à sua voz e se tem certeza: não poderiam ter sido escritos por mais ninguém. Mas foram. As palavras vieram do prodigioso poeta Dand M, de Belém; a música que as carrega, essa sim, é de Arthur. É curiosa a relação entre intérprete e compositor. Desde que passou a assinar de modo cada vez mais frequente suas canções, Nogueira mergulhou mais fundo – e de peito aberto – ao cantar. Como o leitor ávido que se apaixona ainda mais ao encarar por si o desafio de redigir, a entrega de Arthur às letras de seus parceiros tomou outra proporção. A honestidade é inquestionável. Cada palavra ali é também sua, assim como são do outro as notas para entoar. A troca também ocorre nele próprio: como intérprete, Arthur se apropria, assume como seu o que diz. Como compositor, ele decifra a si como fosse um terceiro. Torna-se um intérprete dele próprio. No campo das dualidades, a propósito, é

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com naturalidade que ele transita. Nogueira se equilibra confortável entre características que a princípio não parecem dialogar – a começar pelo seu timbre grave, imponente, e ao mesmo tempo suave. São muitas as combinações. Rigor e desprendimento. Bossa nova e contracultura. Clássico e contemporâneo. Concreto e sutil. Denso e leve. Sofisticado e acessível. Paraense e global. Arthur está lá e cá, imerso no mundo – e o melhor, fazendo mais sentido que nunca. A Revista Leal Moreira conversou com o artista, que hoje reside em São Paulo. Ele falou sobre cantar e compor; sobre poesia, música, parcerias; e sobre sentir-se em casa fazendo o que faz. Você é um cantor e compositor de referências muito fortes. Como elas apareceram na sua vida? Meu contato com a música começou por causa do meu pai. Ele não é músico, mas ele compra muitos discos, compra LPs até hoje. Então eu ouvia música brasileira em casa. Ouvia Cartola, João Gilberto... Meu pai gosta muito de sambas antigos. Eu ouvia, mas não sabia que a música ia se tornar o que se tornou. A música se tornou pra mim uma necessidade »»»


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quando eu descobri os poetas que faziam música. Eu sempre gostei muito de ler, desde criança. Cheguei a fazer curso de teatro, porque eu achava que eu podia ser ator, encenar textos de teatro. Meu pai mesmo também sempre gostou de ler, e quis muito que os filhos adquirissem esse hábito. Eu me lembro de uma coleção de teatro que ele tinha e eu adorava, que era de textos clássicos. Eu li muito cedo Hamlet, por exemplo. Sabia os diálogos e brincava de encenar sozinho em casa. Eu achava que era isso que eu queria fazer. Mas não era. Eu descobri a música por meio da literatura.

Ouça mais

Como foi essa descoberta da palavra se relacionando com a música? Minha grande descoberta mesmo foi o Waly Salomão, que conheci quando eu tinha 13 anos, graças à sua parceria com Adriana Calcanhotto. Era diferente do que eu conhecia de música. A bem da verdade, eu ainda não conhecia tanta coisa... Não conhecia, por exemplo, o Caetano, que já fazia esse tipo de fusão entre literatura e música há mais tempo. Fiquei impressionado. Era um tipo de poesia que eu não tinha aprendido no colégio, nem ouvia nas canções que meu pai ouvia. Essa poesia verborrágica, que tem muita oralidade, palavras que a princípio não parecem musicáveis... A partir daí, passei a comprar os livros dele, a ir atrás das coisas e

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descobri os poetas que fazem música. Aquilo me deu vontade de fazer também (risos). Mas isso não significa que eu ache que a poesia precisa da música. Eu acho que a poesia vale por si. O poema é um monumento. Ele não precisa de outra coisa que o ponha em pé. Mas colocar música em um poema é uma maneira de eu contribuir. Se eu colocar música em um poema do Antonio Cícero, eu faço com que aquele poema também seja um pouco meu. Mas eu entendo que música e poema são coisas diferentes. Se eu coloco música num poema, ele tem que funcionar como uma canção. As pessoas precisam ouvir e gostar daquilo sem ter que pensar “isso é um poema musicado”. À época dessa descoberta, você já escrevia? Escrevia. Compor veio só depois. Quando eu comecei a ler poesia – por causa do Waly, acabei lendo outros vários poetas que eu não conhecia – comecei a querer escrever também. Mas logo aprendi a tocar violão, e passei a achar que eu fazia melhor letras de música. Comecei a compor fazendo letras e mandando pra outras pessoas colocarem a música. Com o passar do tempo, passei a fazer melodias no violão, e hoje faço isso mais. Apesar de gostar muito de poesia, não me vejo como poeta e nem tenho essa pretensão. Eu acho que o poeta precisa, mesmo que ele não use, dominar as »»»


formas clássicas da poesia: saber o que é uma redondilha, saber fazer um soneto... Esse tipo de experiência é necessário, pra você se obrigar a ter essas dificuldades. O bom poeta gosta da dificuldade. Em que momento você se percebeu cantor? Na verdade, eu comecei a cantar por ouvir muita música. Foi uma coisa natural; comecei a ouvir canções, a escrever poesia, ganhei um violão, aprendi a tocar... E eu queria cantar as músicas que eu gostava no violão. Comecei a cantar em casa. Eu não achava que eu era um compositor. Eu cantava, tocava e escrevia timidamente umas coisas que eu não mostrava. A coisa de me assumir como compositor veio depois de cantar profissionalmente. Eu comecei como intérprete, cantando músicas dos outros por achar que as minhas não eram boas. Como foi a transição de intérprete para compositor? Qual a diferença de cantar as palavras de outro e cantar as suas próprias? Acho que cada vez menos eu sou intérprete. Eu descobri que o que eu tenho de particular pra mostrar musicalmente, principalmente, é fazer música – porque a maneira como eu construo minhas melodias, como eu escrevo minhas letras, só eu posso fazer. Eu acho que, hoje em dia, não faria um trabalho só como intérprete. A composição se tornou muito forte. Eu descobri que isso é o que me dá mais prazer, essa coisa de pensar pra onde uma melodia pode ir, aonde uma letra pode me levar. Você saiu de Belém para morar no Rio de Janeiro, e depois se mudou para São Paulo. O que lhe levou a esses lugares? Belém é o lugar onde nasci, está comigo aonde quer que eu vá. Fiz uma música sobre isso, chamada “Guamá”, onde digo que o “alento de partir é poder voltar”. Quando decidi sair, foi somente porque queria estar mais perto do mundo e de pessoas que pensam parecido comigo. Naquela época, começou uma articulação

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política para tentar definir para o Brasil o que é a música do Pará e não fiz parte disso. Acho limitador. Costumo dizer que o Rio de Janeiro é a minha Pasárgada. Conheço bem e sempre quis morar lá. No Rio, tenho grandes parceiros, grandes amigos. Acho que a experiência de viver nessa cidade amadureceu a minha relação com a música, porque me vi sozinho, sem o apoio da minha banda de Belém, e precisei tocar mais do que antes. Hoje, toco guitarra em todos os shows. Depois de quase um ano morando no Rio, São Paulo “mandou” me chamar e mudei outra vez. Qual a sua relação com parcerias? Como você as escolhe? Quem é o parceiro mais frequente e qual parceria você espera que ainda aconteça? Acho muito importante estabelecer parcerias. Os parceiros abrem caminhos aos quais eu não chegaria sozinho. Tenho parceiros para os quais eu faço letra, como o Vital Lima, e outros para os quais eu faço música, como o Antonio Cícero. Acho que o Cícero é o meu parceiro mais presente hoje. A nossa história musical começou porque musiquei alguns de seus poemas. Depois, começamos a fazer canções juntos. Cícero é, inegavelmente, um dos maiores poetas brasileiros. Os nossos encontros, para compor, conversar sobre música ou sobre qualquer assunto, são sempre muito estimulantes. Quanto a novas parcerias, um dos discos que mais ouvi recentemente foi o “Lira”, do Lirinha. Adoraria fazer uma canção com ele. A sonoridade do seu trabalho não obedece à lógica que ganhou destaque no cenário nacional como representante da música paraense. Isso te favorece ou prejudica de alguma forma? Como você analisa essa questão? Tem uma canção da Marina e do Cícero que diz: “feroz é a nossa fome (…) e o fogo que nos consome”. É assim mesmo. Seria um erro limitar a minha liberdade a essa definição do que é a música do Pará. No princípio é o ato, diz Goethe. Isso quer dizer que primeiro vem a minha »»»

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vontade, a minha forma de apreender e compreender o mundo. Quero exercer a minha liberdade, fazer música independente de rótulos. São sempre os outros que estão interessados em rotular o que você faz. Quando olho para trás, percebo que construí a minha carreira independente de modas e mandatos. Acho que eu me prejudicaria se não tivesse sido dessa forma. Como foi tocar em Portugal? Amo poesia portuguesa. Sophia de Mello Breyner e Eugénio de Andrade são os meus poetas favoritos. Cantar em Portugal, no ano passado, foi a realização de um sonho antigo. Estive lá porque fui selecionado, junto com a cantora gaúcha Gisele De Santi, para a programação do “Ano do Brasil em Portugal”. Cantamos no Espaço Brasil, em Lisboa. Voltei de lá com a certeza de que os portugueses são um povo sensível e entusiasmado com a música brasileira de todas as épocas. Você apareceu - e se destacou - em Belém muito novo ainda. Como foi o seu processo de amadurecimento, tanto musical quanto pessoal, em conjunto com a sua carreira? Comecei muito novo, aos 16 anos. Nessa idade, naturalmente, a carreira artística não era uma certeza, muito menos o que poderia fazer com ela e por causa dela. Ainda assim, acho que foi válido, porque desde cedo estive em contato com a dor e a delícia do ofício da música. Acho que não me sentiria seguro, hoje em dia, sem os tropeços do fervor infantil. Projetos, planos... O que tá acontecendo hoje na sua carreira e o que você projeta para o decorrer do ano? Agora moro em São Paulo, envolvido em muitos projetos, todos relacionados à música. Tenho feito shows, recebido encomendas para fazer canções e trabalhado no disco novo, que pretendo lançar ainda neste semestre. Meus últimos trabalhos são relativamente antigos, então chegou a hora de mostrar uma safra de canções conectada com a minha vida agora. Antecipei duas canções desse disco em um compacto virtual, chamado Entremargens, que está disponível para download gratuito no site arthurnogueira.com

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Tyara De La-Rocque

Palavra em

movimento

Arnaldo Antunes é um artista mutante, diverso. A palavra é o ponto de partida na escrita, na fala, no visual, na canção. Cria diálogos. Entre as letras, os sentidos e o mundo. Com a Revista Leal Moreira, o multiartista conversou sobre o recente Disco, inspirações, desejos, tempos de música virtual, arte, Belém e a musicalidade do Pará.

N

as mãos de Arnaldo Antunes a palavra experimenta diferentes formas de vida. Cantada, escrita ou falada, é sempre poética. Ora critica, ora reflete. Ora emociona, ora diverte. Ora tudo isso junto. Arnaldo é assim: confunde as palavras com coisas, à maneira dos poetas concretos. Com ele, o movimento da palavra une-se à dinâmica da vida. Músico, compositor, poeta, escritor, artista visual, dialoga com o Tropicalismo, com a tradição clássica - com sua métrica e rimas - com a canção popular, fotografia, com intervenções na chamada poesia eletrônica ou digital, da qual é um dos precursores no Brasil, ao lado de Augusto de Campos, e na performance, em que o próprio corpo participa do fazer poético. Aceita também a influência da linguagem das histórias em quadrinhos, das placas de sinalização, dos videoclipes e outros ícones da cultura de massa dos centros urbanos. Estes elementos são visíveis nos poemas publicados em livros e também nas canções. Arnaldo não vive de arte. Ele vive a arte. Na conversa, no silêncio, numa lembrança. “Compor é estar vivendo, é como ler um

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livro ou dar um beijo em alguém”, ele diz. Uma estrela, um amor, um ente que parte, tudo pode ser inspiração artística. Se existe a ideia de que as coisas renovadoras não serão entendidas pelo grande público, que deseja uma repetição do que já conhece, Arnaldo Antunes segue o caminho inverso a essa lógica. Acredita que o dever de todo artista que se preze é inserir novidades em seu trabalho, tentar alterar a consciência e a sensibilidade das pessoas. A música e a poesia chegaram juntas na vida de Arnaldo. Melhor dizendo, a palavra o levou à música. Começou a escrever ainda na adolescência, período em que também fazia aula de violão pelo interesse de compor. No começo da carreira, fez parte da Banda Performática, que juntava música com outras linguagens artísticas. Estudou Letras na Universidade de São Paulo por gostar de literatura, mas não chegou a concluir, pois na mesma época, em 1982, integrou o grupo de rock Titãs e não conseguiu conciliar as aulas com os ensaios, gravações e shows da banda. Com o Titãs gravou sete discos, entre eles o clássico Cabeça Dinossauro, e permaneceu durante »»»

Daryan Dornelles


Com os Titãs Titãs (1984) Televisão (1985) Cabeça Dinossauro (1986) Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987) Go Back (1988) Õ Blésq Blom (1989) Tudo ao Mesmo Tempo Agora (1991)

dez anos na banda, saindo em 1992 para seguir carreira solo. Foi quando abriu um leque de novas possibilidades para criar, explorar outros estilos musicais, agregar parcerias aos trabalhos e desenvolver projetos paralelos, como os Tribalistas, com Marisa Monte e Carlinhos Brown e o Pequeno Cidadão, com Edgard Scandurra, Antonio Pinto e Taciana Barros. Arnaldo acredita que os encontros na vida surgem pelas afinidades. Natural, então, o seu encontro com arte, tamanha a empatia. E também que tenha tantas outras e variadas parcerias bem-sucedidas: Erasmo Carlos, Liminha, Marcelo Jeneci, Paulinho da Viola, Alice Ruiz, Margareth Menezes, Jorge Benjor, entre outros. Sem rótulos e preconceitos, Arnaldo segue o fluxo da caminhada, transita por vários universos, curioso, procurando saber sobre a realidade contemporânea, as movimentações no campo da música, da era digital, e apesar de ter certo receio com a velocidade do mundo hoje, procura estar informado, se atualizar e se relacionar da melhor forma com as mudanças constantes que a vida pede. O recente trabalho do artista, o Disco, lançado em outubro de 2013, traz uma vasta lista de parceiros, entre músicos conhecidos e novos artistas: João Donato, Caetano Veloso, Céu, Felipe Cordeiro, Luê, sua mulher Márcia Xavier, Dadi Carvalho, Nando Reis e outros nomes. O Disco apresenta vários universos, é um trabalho plural com

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reflexões sobre questões sociais, da existência e referências à finitude. Em comum entre todas as artes que produz são os rascunhos. É em meio aos rabiscos que adiciona, subtrai e lapida as produções artísticas, seja no papel ou no computador. Num processo de “refeitura”, num fazer e desfazer, até sentir que chegou aonde queria. E assim traz a poesia para os ouvidos e olhos, para sentir, para viver. A palavra é o ponto-chave dos seus trabalhos artísticos. Poesia concreta, composições musicais, a palavra cantada, falada, escrita, visual. Quando você começou a ter uma relação mais aprofundada com as letras? Na adolescência. Na mesma época comecei a ter aulas de violão pelo desejo de compor, sem prever aonde isso me levaria. Entrei na faculdade de Letras, porque gostava de Literatura. Nasci em 1960 e cresci num contexto e ambiente em que tinha um movimento forte que se aproximava da poesia. Cresci na época do Tropicalismo, de Waly Salomão, Leminski, então já nasci influenciado por esse universo. A música e as letras foram um interesse natural. Como é o seu processo de criação? Não tenho método algum. Ao mesmo tempo em que a experiência nos dá mecanismos para compor com mais propriedade e vamos apren- »»»


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Solo Nome (1993) Ninguém (1995) O Silêncio (1996) Um Som (1998) O Corpo (2000) Paradeiro (2001) Tribalistas (2002) (parceria com Marisa Monte e Carlinhos Brown) Saiba (2004) Qualquer (2006) Ao Vivo no Estúdio (2007) Iê Iê Iê (2009) Pequeno Cidadão (2009) (parceria com Taciana Barros, Edgard Scandurra e Antonio Pinto) Ao Vivo lá Em Casa (2010) Especial MTV - A Curva da Cintura (2011) (parceria com Edgard Scandurra e Toumani Diabaté) Acústico MTV - Arnaldo Antunes (2012) Disco (2013)

dendo tecnicamente, não é nada certo; nunca sei o que vai sair. Sempre tem um pouco de aventura. Às vezes sai a letra, depois a melodia. Ou o contrário. Às vezes estou no violão e também nasce algo. O que tem em comum entre tudo o que faço são os rascunhos. Não faço só por adições, mas por subtração. Vou achando entre os rascunhos, faço no computador também e vou lapidando até sentir que se adequou.

Ouça mais

E as inspirações? Muitos fatos me inspiram. Qualquer coisa pode ser inspiradora. As relações afetivas, uma lembrança, uma estrela, um ente que parte, uma canção. A inspiração vem de muitos lados e tem uma imprevisibilidade. Não vejo a arte como comentário da vida e sim como parte da vida, como manutenção.

temos alternativas para escutar música, que subvertem a necessidade de ter um disco físico. As pessoas se relacionam com a música de uma nova maneira; aumentaram as opções, mas isso não significa que seja o fim do disco, pois ainda convivemos com ele. Tem horas que queremos fazer o processo ritualístico de ouvir o álbum completo e poder observar faixa-a-faixa. Muitos gostam disso. Eu também valorizo. A forma com que lancei o Disco foi inusitada. Adequei-me a um novo padrão, que é o de as pessoas poderem consumir e ouvir música na internet de forma avulsa. Mas também resolvi chamar o disco de Disco por conta do paradoxo de uma época em que estamos lançando música virtualmente, desapegada do objeto material, ao mesmo tempo reafirmando o desejo de que esse objeto tenha uma cara.

Antes de o seu novo disco (Disco) ser lançado, quatro faixas foram divulgadas na internet. Essa proposta é parte de uma reflexão sua sobre como a música é ouvida hoje, em tempos de internet. Como foi fazer esse trabalho pensando que não há mais a necessidade de se lançar discos na indústria musical como antes? Sou muito apegado à ideia do disco como um objeto em que as faixas se relacionam. Mas hoje

Como foi o feedback das músicas que você disponibilizou na internet? Foi bem legal! Adorei esse movimento, deu um gás e alimentou um pouco a excitação. Além disso, me fez trabalhar de maneira diferente, pois em vez de fazer o processo mais comum, que é o de gravar as bases e depois mixar, fui trabalhando música por música e disponibilizando na internet. Gostei dessa troca de ir mostrando aos »»»

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Livros

A publicação do livro “Ou e” deu início à jornada poética, com poemas caligráficos que exploram a dimensão visual das palavras. Arnaldo utiliza técnicas de diagramação, diferentes fontes, cores e corpos de letras, que moldam o sentido construtivo de cada composição.

Ou e (1983) Psia (1986) Tudos (1990) As Coisas (1992) - Prêmio Jabuti de Poesia em 1993 Nome (1993) 2 ou + Corpos no Mesmo Espaço (1997) Doble Duplo (2000) 40 Escritos (2000) Outro (2001) Palavra Desordem (2002) ET Eu Tu (2003) Antologia (2006) Frases do Tomé aos Três Anos (2006) Como É que Chama o Nome Disso (2006) Melhores Poemas (2010) n.d.a. (2010) Animais (2011)

poucos, ver a expectativas, comentários e ter um retorno do público enquanto gravava o disco, com elogios ou críticas. Isso também tem a ver com uma característica sua de acompanhar as movimentações que ocorrem no mundo da música, na era digital, de estar se atualizando. Alguns artistas ainda não se acostumaram com a ideia de músicas para baixar na internet e são resistentes a algumas mudanças. Como você olha pra quantidade e velocidade de informações disponíveis hoje e como o seu trabalho se insere nisso? De fato, existem alguns artistas que ainda são apegados a modelos. Hoje o meio de produção está mais na mão dos criadores, a veiculação também. Não dependemos tanto de TV e algumas mídias. Temos acesso a todo tipo de informação, isso é uma liberdade incrível. É um instrumento que cada pessoa vai se relacionar de uma forma pessoal, acho que depende muito de cada um. Tenho um pouco de medo da velocidade, de as pessoas ficarem muito na superfície das informações e não se aprofundarem. Não pararem para ler algo mais extenso, refletir, contemplar, para ouvir um disco. Tento acompanhar as mudanças por uma curiosidade muito grande, por

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isso acabo me ligando nos trabalhos musicais da nova geração da música. Toco na minha banda com músicos mais novos, acompanho e gosto do trabalho deles. Crio diálogos. O Grêmio Recreativo, da MTV, foi um programa no qual eu tentava fazer justamente esse diálogo. Acredito que quando se tem afinidade os encontros se dão muito naturalmente. Entre as parcerias do Disco estão artistas da nova geração da música contemporânea do Pará, o Felipe Cordeiro e a Luê, além do Manoel Cordeiro, que é um veterano, na música “Ela é Tarja Preta”. Como foi trazer essa parceria e um pouco da sonoridade paraense para seu novo trabalho? Primeiro conheci a Luê e adorei o trabalho dela. Já gostava do Felipe e adoro guitarrada. Acho bacana que atualmente a cena musical do Pará esteja se destacando e as pessoas conhecendo um pouco mais do que se produz lá. O Betão Aguiar (músico e um dos produtores do “Disco”) foi quem fez a ponte entre nós todos. Um dia marcamos um encontro na minha casa e espontaneamente fizemos duas músicas. Foi incrível! Tivemos afinidade. Fiquei feliz com o resultado. Quando toco “Ela é Tarja Preta” nos shows a plateia sempre curte bastante. »»»


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Inclusive, “Ela é Tarja Preta”, quando foi disponibilizada na internet, dividiu o público, causou um estranhamento em alguns por você ainda ser visto como um cara do rock. O que achou disso? Acho uma bobagem. Antes de eu gravar “Ela é Tarja Preta”, por exemplo, já tinha a canção “Invejoso”, do álbum Iê Iê Iê, que é quase uma lambada. Descobri a afinidade dessas duas músicas, tanto que nos shows, tenho tocado as duas na sequência. Quando ouço: ‘Arnaldo agora está fazendo tecnobrega’ de uma maneira como se isso fosse algo menor - só me leva a pensar que é um preconceito, fruto de desconhecimento. Meu trabalho tem tudo a ver com tecnobrega. Algumas músicas do Disco lembram a sonoridade da época dos Titãs... Sim! “Vá trabalhar” eu cantava com eles na época do Titãs. Não cheguei a gravar, só tocava nos shows mesmo. Depois ficou meio esquecida. Achei que tinha chegado a hora de registrar essa canção e ela se ajeitou bem no disco. É uma música que tem uma pegada rock’n’roll e tem uma presença direta dos Titãs. Acho normal. Além disso, a canção “Sentido” é uma parceria com o Nando Reis e que o Charles Gavin gravou bateria e pandeirola. O que você tem vontade de realizar no seu trabalho que ainda não aconteceu? Fotografo placas de ruas e quero fazer um projeto para expor essas fotos em algum momento. Pretendo fazer uma narrativa entre as placas, num livro. Não exatamente contar uma história, mas fazer analogias. Na verdade, antes de se tornar um livro, vou realizar uma exposição com painéis, com as fotos dialogando. Alguma previsão de estar em Belém com a turnê do Disco? Por enquanto não, mas espero poder voltar em breve a Belém. É uma cidade intensa, marcante pelo cheiro, pelas mangueiras e a chuva da tarde.

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Anderson Araújo, jornalista

Fôlego Acho que tu não me amas mais.

Ela passou o copo. Agora vazio por completo.

craque na arte de prender o ar e liberá-lo na mais

A frase pipocou no silêncio breve de um filme baru-

Ele deixou no chão.

pura discrição.

lhento, dos vistos no quarto do casal naquelas sextas-

Ela perguntou: vai deixar no chão?

-feiras avulsas em que ninguém tem paciência para

Ele não respondeu.

sair de casa.

- Vai mudar o canal? Não está gostando? Pode falar. Se quiser, desliga.

Recolheu e foi deixar na pia. Antes o lavou, enxu-

Ela soltou compassadamente as frases como

Ele fingiu que não ouviu.

gou, guardou no armário. Voltou ao quarto e os ato-

quem procura uma farpa na tábua lixada. Ele torceu

Na tela iluminada, o homem caminhava pela noite

res agora estavam correndo por algum motivo que

a boca e fez um gesto medido, soltando o controle,

fria, acendia um cigarro e soltava a fumava. Pensa-

ele desconhecia. A camiseta da atriz ficou à mostra

como quem diz “não, que isso! Longe de mim. O fil-

tivo.

dando destaque aos ombros e ao colo, um decote

me está ótimo!”. Não disse nada. Não ofereceria a

bonito. Ele repousou a mão esquerda na perna direita

farpa buscada no escuro. Nem morderia a isca.

Quer água? Perguntou o que estava na cama, não o da película. Ela não respondeu – o que significava um “sim” ou

da mulher, a da cama, claro. Ela revirou-se.

Uma bomba. Na tela, que fique claro.

provavelmente um “talvez”. Como não olhou o cenho

- Acho que tu não me amas mais.

franzido e o bico enorme dos contrariados armando

Não houve silêncio no filme. Melhor. Seguiu-se um

na boca da mulher, nem pensou em “não”.

diálogo em que os personagens falavam do risco de

Levantou-se.

uma conspiração em que um cidadão comum era

Abriu a pequena geladeira. Surrupiou de si mesmo

uma ameaça colossal para nação. A paranoia de

uma azeitona mofada. Pôs a água. Deixou o copo meio cheio, meio vazio. Entregou à esposa. Ela bebeu. Olhando a televisão. Em cena, a atriz dirigia com lágrimas nos olhos. Produção ruim, interpretação pior.

sempre.

Ele impávido, de olhos vidrados. Sentiu a planta do pé mais grossa que o normal. Indagou, como quem nada quer: - ainda tem hidratante? Agora foi a vez de ela levantar. Foi ao banheiro. Voltou com o frasco. Entregou. Ele leu o rótulo, com

Ele segurou o controle da tevê. Deu uma ampla

atenção redobrada, com exagerada atenção. Pelas

respirada. Segurou o ar. Se soltasse seria um suspiro.

informações, tudo ficaria muito bem depois de apli-

Um suspiro que daria a largada para o começo do

cações regulares. As calosidades reduziriam, a área

primeiro round.

ganharia uma textura mais saudável e uma maciez

O homem revolveu-se.

Manteve-se sem respirar.

- Ai, teu pé tá gelado. O muxoxo era sinal de quem

Um minuto e quarenta e sete segundos. Quase um

a tevê ligada era só parte do cenário.

- Você está muito calado. O que foi que aconteceu?

perceptível. Os créditos começaram a subir.

recorde nos últimos quatro anos, três meses e dezes-

Ele passou o creme sentado à beira da cama.

Ele se encolheu. Mexeu no controle da central de

sete dias de casado. O maior tempo fora um minu-

- Que porcaria de filme!, puxou conversa.

ar condicionado. Lembrou-se do ventilador vermelho

to, cinquenta e sete segundos na véspera da Páscoa

- Acho que tu não me amas mais.

que era muito melhor, mas foi obrigado a aposentá-

passada, proeza que evitou a terceira guerra mundial

A tela ficou azul e ele se coçou para a mulher. Olhou

-lo – por um pedido com jeito de ordem, partido dela.

ou, em outras palavras, um novo embate sobre Psi-

para os cabelos bonitos, cinematográficos, ela ba-

“Estava novinho ainda”, lamentou em pensamento,

canálise e a relação ambígua do amor entre mãe e

nhada pela radiação azulada do aparelho ligado. Pu-

mentindo para si mesmo porque o objeto estava im-

filho, sempre puxado por ela.

xou a respiração novamente e começou a contagem

prestável e com muito tempo de uso.

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Soltou o vento aos pouquinhos. Estava virando um

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sem parar a hidratação com muita desenvoltura.


especial

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Leonardo Aquino

divulgação

Roteiros cinema de

Filmes sempre inspiraram viagens, mas hoje o mercado oferece guias e até agências de turismo especializadas

B

ob Harris está sonolento no banco de trás de um carro. A dificuldade em manter os olhos abertos é diretamente proporcional à quantidade de horas que ele voou para chegar até o Japão. De repente, fortes luzes despertam a visão. O carro que leva Bob passa pelo centro de Tóquio, repleto de painéis gigantes de neon, com cores fortes e frases no complicado alfabeto japonês. Fica difícil esconder o encantamento. Bob esfrega os olhos, como quem tenta se certificar de que está acordado e não consegue evitar que o queixo caia com tamanho deslumbre. Assistir a esta cena do filme “Encontros e Desencontros”, de Sofia Coppola, leva o espectador a se sentir dentro do carro ao lado de Bob, personagem interpretado por Bill Murray. O impacto das imagens na tela grande e o caos colorido da

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capital japonesa enfeitiçam e provocam a curiosidade, o desejo de conhecer de perto aquele lugar filmado. Como toda arte visual, o cinema é inspirador. Ele dita tendências de beleza, de moda, de estética e de comportamento. Com o turismo não poderia ser diferente. Ver um filme nos traz a vontade do viver a história no local onde ela acontece, de passear por onde os protagonistas estiveram, seja para sentir a atmosfera pensada pelo diretor ou simplesmente para tirar uma foto e publicá-la em uma rede social. “O cinema desperta a paixão, o poder da imagem é extraordinário. Não tem como não ter curiosidade de conhecer os lugares que vemos na telona”, opina o crítico cinematográfico Marco Antônio Moreira. Todo esse frisson turístico gerado pelo cinema se deve a cineastas que souberam aproveitar do »»»


Top 3 filmes para inspirar viagens, por Marco Antônio Moreira, crítico de cinema

potencial de uma câmera para extrair a mais bela essência de cada locação. À Tóquio de Sofia Coppola, podem se juntar a Paris de Godard, a Roma de Fellini e tantas outras. Não faltam exemplos de diretores que fizeram de seus filmes verdadeiros tratados romantizados sobre cidades. E ainda há aqueles que fazem de sua filmografia recente um passeio pelos mais diversos lugares. O caso de Woody Allen é o mais emblemático. Nascido em Nova York, o cineasta sempre utilizou sua cidade natal como sua locação preferida. Clássicos como “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, “Manhattan” e “Tiros na Broadway” são apenas alguns dos filmes de Allen rodados na Big Apple e que teletransportaram muitos espectadores para a cidade. Mas desde 2005, o cultuado diretor não parou num local só. “Match Point” e “Scoop” foram rodados na Inglaterra. “Vicky Cristina Barcelona”, na Espanha. “Meia Noite em Paris”, na

• “Manhattan”, de Woody Allen

“Mostra Nova York e, em especial, a ilha de Manhattan em preto e branco, de uma forma belíssima” • “A Doce Vida”, de Federico Fellini

“É um filme que dá vontade de conhecer Roma no dia seguinte!” “Acossado”, de Jean Luc Godard

“Assim como Truffaut, Godard filmou Paris de um jeito muito elegante”

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Novos sucessos. Filmes recentes ajudaram a colocar destinos incomuns no mapa do turismo Messênia (Grécia) “Antes da meia noite”

Depois de passearem por Viena e Paris nos dois primeiros filmes da trilogia (“Antes do amanhecer” e “Antes do pôr do sol”), Jesse e Céline passam férias na região da Messênia, que fica na península do Peloponeso. Ruas charmosas e lindas praias compõem as paisagens impressionantes do filme. França. “Para Roma Com Amor”, na Itália. Em comum, os filmes têm o fato de mostrar imagens encantadoras e inspirar viagens para as cidades que funcionaram como locações. “Esse caminho que Woody Allen seguiu não foi intencional. Ele começou a ter dificuldade para arrumar financiamento para seus filmes e acabou conseguindo longe dos Estados Unidos. E então ele adaptou roteiros que já havia escrito para os lugares que o acolheram”, explica Marco Antônio Moreira. A repercussão dessa mudança foi tão grande que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, chegou a declarar que faria tudo o que fosse possível para que Woody Allen fizesse um filme na Cidade Maravilhosa. Uma possibilidade que Moreira acredita ser difícil de imaginar. “Do jeito que o Woody Allen é, não dá pra pensar nele filmando no Rio. Ele reclamaria do calor o tempo inteiro”, brinca. »»»

Bangcoc (Tailândia) “Se beber, não case – parte 2”

A Tailândia é conhecida por suas praias, mas também tem como capital uma metrópole vibrante com gastronomia e vida noturna movimentadíssimas. Tanto que Bangcoc substituiu Las Vegas à altura no segundo filme da franquia “Se beber, não case”. É possível tomar uns drinks numa das locações do filme, o bar Sirocco, o maior rooftop bar a céu aberto do mundo. Dubai (Emirados Árabes Unidos) “Missão Impossível – Protocolo Fantasma”

A suntuosa cidade no Oriente Médio não foi exatamente descoberta graças a este blockbuster, mas uma cena em especial é marcante. Neste filme, Tom Cruise escala sem dublê o Burj Khalifa. Trata-se do edifício mais alto do mundo, com 828 metros de altura. Do deck de observação, é possível ter uma vista panorâmica com a cidade, o oceano e o deserto. 47


Top 3 filmes para inspirar viagens, por Vicente Frare, autor do guia “Europa de Cinema” • “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, de Jean-Pierre Jeunet

“Mostra uma Paris de sonho, bem intimista e cheia de clichês para viajantes” • “Vicky Cristina Barcelona”, de Woody Allen

“Além de adorar os filmes do Woody Allen e ser fã da Scarlett Johansson, adoro os passeios que a câmera faz pela cidade” • “Comer, Rezar, Amar”, de Ryan Murphy

“Recomendo o capítulo que mostra Roma, pois gastronomia também é uma grande inspiradora de viagens! Dou a volta ao mundo para comer certas coisas!”

Mas nem toda viagem inspirada por filmes leva os turistas/cinéfilos a capitais populosas e grandes metrópoles. O caso vivido pelo produtor cultural Marcelo Damaso é um bom exemplo disso. Depois de largar um emprego de repórter num grande jornal de Belém, Damaso resolveu tirar um período sabático para escrever um livro. Escolheu o Uruguai, onde passou três meses produzindo o romance “Iracundo”, recentemente contemplado pelo Prêmio IAP de Artes Literárias. Um dia, Damaso resolveu sair de Montevidéu para fazer um passeio pelo interior. Ao ver as opções na rodoviária, a escolha foi Piriápolis, motivada pelo filme uruguaio “Whisky”. Filmado em 2003, “Whisky” conta a história de três pessoas que mal se conhecem e precisam ter uma convivência familiar durante três dias, ainda que forçada. Mas não foi a trama sobre solidão que inspirou Damaso a visitar a pequena cidade no litoral uruguaio. “Escolhi este destino porque lembrei das cenas no belíssimo Hotel Argentino, um dos mais bonitos que já vi. Como não tinha dinheiro para me hospedar nele, fiquei num hotel mais barato e jantei no www.revistalealmoreira.com.br

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Bangkok, vista à noite.

Argentino. O filme foi minha referência imediata já nas primeiras horas em que estive na cidade. Senti muito a atmosfera de ‘Whisky’ e conheci não só a beleza do hotel, mas também a simplicidade de uma cidade que abriga praianos mais pobres que a vizinha Punta Del Este”, explica. Assistir filmes e procurar as referências deles em locais visitados sempre foi um hobby do editor e escritor Vicente Frare. Um dia, ele resolveu compilar num livro todas as informações que tinha. Escreveu, então, o guia “Europa de Cinema: roteiros e dicas de viagem inspirados em grandes filmes”. Nele, Frare utiliza filmes como “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, “Corra, Lola, corra” e “Closer – perto demais” para fazer um passeio por cinco capitais europeias: Paris, Londres, Berlim, Roma e Madri. “Antes de começar a viajar, quando era menino, assistia a filmes para conhecer as grandes cidades. Muitas vezes pouco importava a história, desde que fosse rodada em uma cidade bonita, com cenas externas bacanas. Quando passei a visitar as cidades, vi que muitas vezes tinha aquela sensação de

já ter estado ali antes e percebi que era muito por causa de cenas antológicas que ficaram na minha memória”, explica Vicente. Para reunir as dicas publicadas no livro, Vicente contou não apenas com a própria vivência, mas também com colaboradores externos. “Conheço as cinco cidades muito bem, mas pedi ajuda a amigos que vivem nelas. Nem todas as dicas são de lugares onde estive. O critério era: se aparece no filme, entra no livro”, conta. “Europa de Cinema” vai além das informações dos locais, pois conta um pouco da história do cinema, filmografias de diretores ligados às cinco cidades e prêmios recebidos por filmes realizados nelas. “Viagens e filmes estão intimamente ligados. Por isso, o livro serve tanto para viajantes inveterados quanto para cinéfilos”, explica. O crescimento do turismo cinematográfico como filão ainda tem outro exemplo. Em Curitiba, surgiu uma agência de viagens especializada em roteiros inspirados por filmes, que organiza pacotes e oferece passeios e opções de receptivo baseadas nas obras preferidas do viajante. Entre os principais »»»

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roteiros vendidos, estão os sets de filmagem de “Star Wars” na Tunísia, as praias da Tailândia mostradas em “A Praia” e “Se beber não case 2” e as locações da saga de Harry Potter na Inglaterra. “A equipe da agência foi especialmente selecionada e treinada, não só para o atendimento, mas também para a experiência cultural, para criar o melhor roteiro”, conta o diretor da Fnac Curitiba, Claydson Oliveira. Viagens e filmes são experiências enriquecedoras e complementares. Rever na telona um lugar que se conheceu pessoalmente aproxima o espectador da história, assim como viajar motivado por uma película marcante. “O cinema é uma das melhores inspirações para viagens pois ao assistirmos a um filme, vivemos durante algumas horas dentro do enredo e das cenas. É como se estivéssemos participando da história como testemunhas”, opina Vicente Frare. “São conexões emocionais que a gente cria no cinema. Os filmes tocam a gente nesse sentido e as locações têm muito a ver com isso”, conta Marco Antônio Moreira.

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comportamento

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Bruna Valle ilustração Rodrigo Cantalício

Vamos fugir

Este é o pensamento que move pessoas a se distanciarem da caótica vida digital presente nos centros urbanos. Sabe como elas driblam o problema? Viagens para a natureza a fim de um “detox tecnológico”.

E

m tempos idos a tecnologia foi coadjuvante; atualmente tem papel principal na vida das pessoas que, sem querer, se aventuram em “inocentes” smartphones, tablets, computadores e muitos outros gadgets que estão saindo das linhas de produção enquanto você lê esta matéria. A indústria tecnológica é incansável. A cada lançamento de uma nova ferramenta – para manter-se conectado –, outras já estão em fase de planejamento, formando assim um ciclo infinito de atualizações, inovações e uma rede de usuários mais que conectados. Fazendo uma análise do papel da tecnologia na História teremos sinais da sua forte influência em determinados períodos, mas nada comparado com a chegada do século XX. Nos últimos cem anos a humanidade presenciou mais avanços tecnológicos do que nos cinco mil anos anteriores, em vários âmbitos da vida cotidiana em sociedade. O computador, por exemplo, diminuiu em tamanho, ganhou mais bits, ficou mais leve, portátil

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e se disseminou de forma vertiginosa por meio de vários tipos de aparelhos eletrônicos e com ele, a internet, que saiu das mesas para o alcance dos dedos em qualquer lugar a qualquer hora. Uma pesquisa feita pela Navegg – especializada em análise de audiências on-line – indica que em 2013, o Brasil atingiu 105 milhões de pessoas conectadas à internet, sendo que 12% deste total acessaram a rede por meio de aparelhos portáteis, fato que, inclusive, explica o avanço das vendas de smartphones, em relação aos modelos tradicionais. Ou seja, quais as chances de você conhecer alguém que não fique um tempo considerável dependurado nas telinhas com dedos febris a trocar mensagens, verificar redes sociais, mandar e-mails, compartilhar fotos etc? Quase nula. Estar on-line, atualmente, é sinal de normalidade. Quem não aparece na rede, “anda sumido”. Mas segundo a psicóloga Luciana Castelo Branco esse “looping” de conferir, a todo momento, as redes sociais e ficar o tempo inteiro se relacionando »»»


via mensagem deflagram “um comportamento compulsivo nas pessoas. Como a comunicação é quase instantânea, as pessoas estão ficando mais impacientes com o tempo de resposta. Além de se cobrarem responder logo as demandas de ligações e mensagens (muitas vezes atendem e retornam em momentos inapropriados, porque se sentem obrigadas a dar o retorno imediato) também esperam que suas demandas sejam atendidas de imediato e quando isso não acontece a ansiedade comparece”. E para driblar esse caos da vida cotidiana, muita gente anda fugindo da área de cobertura do celular e apostando em aventuras nos mais diversos ambientes naturais. Guilherme Padilha é sócio fundador e presidente da Aurora Eco, uma empresa que planeja viagens com este propósito de um contato mais íntimo com a natureza. Ele investe neste tipo de entretenimento já há treze anos e conta como a procura cresceu de lá para cá. “99% dos nossos programas são focados nessa fuga da rotina do dia a dia, não levamos as pessoas a grandes centros de compra e entretenimento. Só trabalhamos o lazer em destinos mais afastados, nosso apelo é fugir do caos das cidades mais movimentadas”. Guilherme conta que decidiu trilhar este caminho quando ele mesmo era um turista em busca de vivências diferentes nas viagens que fazia, queria, realmente, poder “experimentar” a natureza mais profundamente e deixar para trás todo

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e qualquer stress que enfrentava no cotidiano. “Faltava uma qualidade na entrega da viagem, os serviços eram muito ruins. Existia uma deficiência na oferta fora do padrão comum e isso nos incentivou – meu sócio e eu – a começar um serviço melhor do que existia na época, focado em experiências mais autênticas, mais reais e ricas para o turistas”. Ele explica que não há uma política que obrigue os clientes a se afastar dos seus dispositivos móveis, a maioria deles deixam de lado seus aparelhos, ou são impossibilitados já que escolhem destinos que não comportam essa atividade digital. “É comum ligarem e dizerem: ‘Quero uma pausa dessa loucura!’ As pessoas vão mesmo pra isso e em alguns lugares não tem sinal de celular, ou seja, nem que queira vai ter essa possibilidade porque não tem sinal. É muito restrita. Por exemplo, em uma viagem para Antártida essa pessoa não vai se conectar de jeito nenhum”. Além de toda essa falta de estrutura digital – proposital – para ficar longe das conversas silenciosas e instantâneas, quem busca este tipo de aventura vai interagir com o ambiente da maneira mais ativa possível, característica destacada por Guilherme como “acting travel” (viagem ativa) – que envolve reduzir ao mínimo o deslocamento de carro. Caminhadas a pé e bicicleta são essenciais. Alimentação é do local – não faz sentido levar a pessoa para o deserto e oferecer lagosta,

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não – ela vai comer o que tem lá, mas de forma saborosa, claro. Tudo é uma questão de equilíbrio em vários aspectos”. E essa viagem de atividade intensa – onde o turista não tem tempo livre para dedicar às mil e uma artimanhas da tecnologia – também pode ser encontrada na Eco Ação, empresa especializada em passeios na cidade de Brotas, no interior de São Paulo, onde o ecoturismo é forte já que não faltam belezas naturais para se encantar. Cristiani Vieira, gerente da empresa, garante “que a missão é proporcionar experiências ao ar livre para pessoas de todas as idades, com aventura e ecoturismo; uma verdadeira integração com a natureza”. Cristiani afirma que, mesmo que dê aquela vontade de verificar se tem uma mensagem urgente – ou uma novíssima atualização no seu game preferido –, as possibilidades de andar com aparelhos eletrônicos a tiracolo são praticamente inexistentes. “Quando o turista vai pegar o transporte para o passeio, ele deixa os pertences na agência. No momento em que entra no nosso transporte, fica off-line. Não recomendamos levar aparelhos porque pode molhar e quebrar... Então, ele automaticamente se desliga”. Ela ainda completa que mesmo se alguém quiser correr o risco de levar seu inseparável celular, vai ter que deixá-lo de lado já que “para praticar as atividades não dá para conciliar, é muito interativo – tem que remar, sempre

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terá que usar as mãos. O turista precisa participar da atividade para concluí-la, então não dá pra ficar online, é praticamente impossível”. Além disso, para quem procura mais especificamente fugir de tudo que deixa a ansiedade latente, vai encontrar o pacote “Detox digital” dentro das opções da Eco Ação. Onde todo o universo conspira para você ficar zen em uma realidade paralela de serenidade e calmaria. Ela explica como conseguir este feito: “Esta opção leva o turista para pousadas afastadas da cidade, onde é possível ficar mesmo desconectado – obrigatoriamente, porque não pega celular nem internet – é somente integração com a natureza. Uma desintoxicação digital naturalmente”. E não falta gente interessada nesta fuga que parece indispensável nos dias atuais, onde tudo é urgente e muito importante. Cristiani comenta que “as pessoas estão querendo isso mesmo, se desconectar. Ver natureza para todos os lados, lugares nos quais não haja tanta gente, bem tranquilo, longe de toda a “confusão”. Uma oportunidade de ficar mais desligada”. Que é o caso de Marcela Mazone, 35, que sempre procura Cristiani para espairecer há, pelo menos, dez anos. E viu sua motivação mudar, mas o destino continuou o mesmo: o interior. “Há muito anos eu já buscava alternativa de fugir de São Paulo. Lá você pode tanto ir com seus amigos para um turismo de aventura (que »»»


eu fiz muito na minha juventude), quanto ir com a família para descansar. Por exemplo, no fim do ano eu fui com meus parentes e meu filho que tem um ano e meio. Este tipo de passeio consegue tirar a gente da realidade que vivemos todo dia, fechados em nossos apartamentos. Principalmente em São Paulo, onde o meu filho tem um parquinho de diversão, mas é tudo muito limitado, e eu quero que meu filho tenha essa experiência com a terra, uma vida mais tranquila, por isso foi gratificante envolvê-lo em um ambiente que ele não está habituado”, esclarece Marcela. Como a grande maioria das pessoas, Marcela embora reconheça a utilidade, reclama da vinculação da internet e aparelhos eletrônicos ao seu trabalho e vida pessoal, já que as atividades que desempenha nessas duas situações são imprescindíveis. “Eu tenho uma agência de pesquisa de mercado, então sou praticamente uma “escrava” do meu celular e computador, é um inferno”, para ela é mais do que essencial poder sair desta rotina onde tudo gira em torno da preocupação: “e se a bateria do celular acabar?”. Ela esclarece que mesmo não tendo a oportunidade de tirar férias há algum tempo, os curtos períodos que vai para Brotas são redentores

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e ela não abre mão. “Da última vez que fui para lá, foi um alívio. É muito perturbador o quanto somos bombardeados pelas ferramentas da tecnologia. É claro que tem seu lado positivo, pois posso trabalhar em qualquer lugar – tenho parcerias fora do Brasil e a tecnologia me facilita a vida –, não tem como ficar alheio a tudo isso, é um processo irreversível. Os nossos escapes são poucos, mas dão um alívio tremendo, só de saber que o celular não vai tocar já recarrega a energia em mim”. Tirar um tempo para si mesmo e para os mais próximos pode trazer muitos benefícios, isso é inegável, mas não pode se resumir a isso. Luciana Castelo Branco afirma que, embora viajar nos salve da exposição rotineira a esses estímulos, não correspondem à realidade do dia a dia. O ideal mesmo é trabalhar o equilíbrio deste uso desenfreado. “Estipular horários para entrar em certos aplicativos do celular. Informar as pessoas de seus contatos que nem sempre estará disponível para responder de imediato”, são boas formas de complementar esse processo de “desintoxicação”. Além disso, é importante combinar “que, se for urgente, que as pessoas então liguem para o celular. Ter sempre em mente que é indispensável priorizar quem está pessoalmente com você”.


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especial 400 anos

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Da redação

Sob o leque

estrelas de

O

cenário não poderia ter sido mais adequado, mais perfeito: de frente para o rio, na Estação das Docas, foi onde encontramos João Augusto Proença, o “Janjo”. De riso solto, descontraído, Janjo dividiu conosco histórias da família, que se confundem com boa parte da história da Comunicação no Pará – o avô, Edgar Proença, juntamente com dois amigos, Roberto Camelier e Eriberto Pio, trouxe para cá, no final da década de 20 do século passado, a primeira emissora de rádio e a quinta em todo o Brasil, a legendária PRC-5, a “voz que falava e cantava para a planície” –, e de sua juventude. Falou com carinho do pai, o radialista e compositor Edyr Proença, da tia, “com quem se sentia muito à vontade”, Adalcinda Camarão (compositora da belíssima “Bom dia, Belém”) e da convivência harmoniosa em casa, com a mãe, Celeste, e os irmãos. O resultado da conversa com a Revista Leal Moreira, não poderia ter sido mais poético. Privilégio nosso, que adoramos ouvir (e contar) boas e belas histórias. Com vocês, a oitava entrevista da série “Belém 400 anos”, a primeira de 2014. Como é tua relação com Belém? Nossa, são vários pacotes de relações! Primeiro tem a relação de família, que começa com meu avô, Edgar Proença, que teve uma visão muito empreendedora quando, junto com dois amigos,

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trouxe o rádio para o Pará. E era uma rádio que funcionava apenas algumas horas do dia. Mas não era “só” isso. O rádio era o veículo que irradiava a cultura de Belém e nossa cidade já tinha suas “estrelas”: cantores, pianistas, músicos excelentes, artistas de radionovela... Belém sempre foi uma cidade riquíssima culturalmente falando... e embora estivéssemos longe dos “grandes centros” da época, a cultura que por aqui existia, já nos bastava. Esse aspecto me encanta muito, me enche de orgulho em perceber que nós somos muito mais que o tucupi, que o carimbó. Isso é lindo, mas me refiro ao fato de que nós somos universais: grandes orquestras mesmo se apresentaram aqui – Belém, à época da segunda guerra, foi um entreposto aos soldados americanos que deviam desembarcar na África, na Europa. E esse período foi de muita “fartura” das big bands por aqui – que se apresentavam nos bares, nos hotéis. O que falar de nossos escritores? Únicos, maravilhosos. O Pará, como “país” é riquíssimo em cultura. Tenho um orgulho escandaloso de Belém. Preciso te dizer que na minha casa, nós sempre respiramos muito isso (Belém)... Como era conviver com o teu avô? Um homem empreendedor, que construiu uma parte significativa da história da comunicação no Pará... Ah, quando eu comecei a me aperceber como »»»

Dudu Maroja


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Bom dia Belém (Edyr Proença/Adalcinda Camarão) Há muito que aqui no meu peito Murmuram saudades azuis do teu céu Respingos de ausência me acordam Luando telhados que a chuva cantou O que é que tens feito Que estás tão faceira Mais jovem que os jovens irmãos que deixei Mais sábia que toda a ciência da terra Mais terra, mais dona do amor que te dei

Me abraça apertado, que eu venho chegando Sem sol e sem lua, sem rima e sem mar Coberta de neve, lavada no pranto Dos ventos que engolem cidades no ar Procuro o meu barco de vela azulada Que foi de panada sumindo sem dó Procuro a lembrança da infância na grama Dos campos tranquilos do meu Marajó

Onde anda meu povo, meu rio, meu peixe Meu sol, minha rêde, meu tamba-tajá A sesta o sossego da tarde descalça O sono suado do amor que se dá E o orvalho invisível na flôr se embrulhando Com medo das asas do galo cantando Um novo dia vai anunciando Cantando e varando silêncios de lar

Belém minha terra, minha casa, meu chão Meu sol de janeiro a janeiro a suar Me beija, me abraça que quero matar A doída saudade que quer me acabar Sem círio da virgem, sem cheiro cheiroso Sem a “chuva das duas “ que não pode faltar Cochilo saudades na noite abanando Teu leque de estrelas, Belém do Pará!

pessoa, ele já estava bem velhinho. Mas ele era uma pessoa agradabilíssima! Com o tempo, comecei a ouvir as histórias dele de bon vivant e ele soube viver como poucos! Era encantador perceber, por meio dos relatos dos outros, que ele sabia cultivar as amizades, viviam a vida, a cultura... ele me legou esse respeito. Em casa, durante algum tempo, o papai trabalhava muito; nós estudávamos muito... aí chegou uma época, veio nossa adolescência, em que, um dia, o Edyr Augusto (irmão), com seus quinze anos de idade, enamorado por uma menina, escreveu um poema e pediu para o papai: “será que você podia musicar esse poema?”. Foi nesse momento em que o papai tirou o violão do “confinamento”... ele não pegava nele havia uns 20 anos e musicou o poema. Desse dia em diante... ou melhor, dessa música em diante, minha casa voltou a ser musical novamente. Papai relaxou, os filhos já estavam criados; estava tudo bem, afinal. Ele voltou a encontrar os amigos que escreviam músicas com ele: o Delival Nobre, o Ruy Barata. O ponto de encontro era nossa casa. Ou a casa de Mosqueiro, na praia do Farol. As ideias, as músicas, as conversas que eles tinham quando não estavam compondo, eram muito naturais para nós... Imagino quão mágico – para ti – deve ter sido crescer em uma família tão culturalmente afinada... Sempre tive referências muito boas do meu avô, do meu pai... Por parte de mãe, por exemplo, mi-

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nha tia Adalcinda (Camarão), que morou por muito tempo nos Estados Unidos, foi letrista de “Bom dia, Belém” e era uma pessoa fantástica, incrível. Conviver com ela também foi um privilégio, porque ela era diferente e pelo que ela escrevia, que era belíssimo! Eu tinha orgulho em dizer “é minha tia”. A mamãe (Celeste Camarão Proença) estava sempre cantarolando pela casa. Ela cantava com meu pai – víamos o prazer que os dois tinham em estar juntos, cantando, se divertindo. Mamãe escrevia e papai musicava, cantava com ela. E esse era o clima na casa. Havia muita alegria e naturalidade na casa. Isso entrou em nosso DNA. Eu mesmo comecei a aprender um pouco de violão, de cavaquinho, de flauta... saía para tocar com meu irmão, Edgar Augusto, porque era muito moleque. Já adulto, comecei a “discotecar”, trabalhei como DJ – era moda – e eu já era de rádio... A minha vida inteira eu passei dentro da discoteca da Rádio Clube (que sucedeu a PRC-5, emissora fundada pelo avô, Edgar Proença, juntamente com Roberto Camelier e Eriberto Pio) – eram mais de 30 mil vinis ali e foi meu primeiro emprego. Era uma coisa que o papai tinha, se a gente quisesse trabalhar: “vai trabalhar lá na rádio”. O ofício? Limpar os vinis, organizá-los, separá-los de acordo com a playlist. Quantos anos você tinha? 13, 14 anos. Eu era muito novo. Aquilo, pra mim, não era emprego – era um prazer. »»»


Tinhas noção da importância do que tua família construiu ou como ela colaborou para a cultura local? Não, não. Eu sabia do meu avô – que era uma pessoa prestigiada. E quem convivia com ele, quando nos encontrava (a mim, meus irmãos, meus pais), sempre tinha uma palavra muito afetuosa para se referir a ele. Sabia que ele era respeitado. E quando foi que tiveste consciência disso? Pensaste em levar em frente, continuar esse legado? Não sei se a palavra certa é “continuar”. Eu acho que as coisas continuam, porque estamos vivendo. Nós nunca decidimos: “vamos continuar isso”. Houve uma época em que eu fui desenhista, que eu pintava. Participei de uma exposição com o Ronaldo Moura Rego. Também tive uma incursão em Super-8 com o Ronaldo e com o Luiz Braga (fotógrafo paraense). E tinha a Fafá (de Belém) – era um grupo grande e sempre estávamos juntos. Isso eu sinto falta. Pelo tipo de vida, que vai mudando, e a segurança, que não é a mesma. Às vezes acho que a educação mudou muito, que certos valores caíram no desuso, no esquecimento. Mas, voltando àquela época, a gente saía da casa da namorada e o destino era a casa da Fafá. Estavam todos os amigos no quintal tocando violão, cantando, conversando. O irmão dela, tocando piano na sala. O Ruy Barata também estava por lá. Eu era um garoto, mas me enturmava. Dali, saíamos para passear de carro, ouvir uma “fita nova” dos Beatles. E saíamos tranquilos, com a certeza de que ninguém seria assaltado, que não havia riscos. Hoje em dia, não dá. É bem mais difícil hoje... Como vês isso? Belém e o Brasil inteiro têm um problema grave

a resolver. Há que se dizer que o problema da violência não é isolado, “não ocorre só em Belém”. É um problema social enorme, que atrapalha a qualidade de vida de todos – de quem tem condições financeiras e de quem não tem. Sabe uma coisa que nós fazíamos muito? Íamos todos para a casa do Ronaldo (Moura Rego), em Mosqueiro e a casa dormia aberta, som ligado. Não havia medo. Minha mãe não sentia medo. Eu sempre andei a pé – fazia o trajeto casa-escola a pé. E eu era garoto. Não havia riscos, perigos. Hoje não se pode fazer isso; não tem condições de fazer isso. E sabe uma coisa? Andar a pé te permite conversar contigo mesmo... Então exerceste muito a condição de flâneur... Eu adorava e ainda gosto muito de caminhar, observar as pessoas, as coisas, o movimento da cidade. Curtia, em meio a esse exercício, conversar comigo mesmo. Eu sinto que, hoje em dia, as pessoas perderam contato com elas mesmas. Elas não têm tempo. Elas fazem um trajeto muito rapidamente. Talvez elas consigam isso quando estão presas em um engarrafamento... mas aí é outra condição, outro problema. A insegurança é o maior problema de Belém atualmente? Acho que há um problema do resgate cultural. Refiro-me à cultura de viver em sociedade; de aprender seus limites, de respeitar o próximo; de respeitar leis e convenções. Dessa cultura eu sinto falta e quando a gente não tem esses valores, é muito difícil amplificar ações positivas para todas as outras áreas. Sinto falta da conversa com os jovens. O jovem, quando não tem com quem conversar, vai buscar respostas sozinho... e ele poderá encontrá-las nas drogas, nas ilegalidades. »»» »»»

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E estruturalmente? Ninguém pensou – lá atrás – em Belém superlotada de carros. Há muito tempo não vejo uma avenida, uma rua ser aberta no centro. Guardadas suas devidas e enormes proporções, todas as metrópoles que conheço não eram assim. Paris não nasceu com seus enormes boulevares. Houve um gestor, que deve ter sido chamado de “louco”, que saiu abrindo as ruas, desapropriando lugares para abrir espaço. Em minha opinião, Belém tinha de “pegar emprestado” essas ideias que dão certo, ajustá-las e usar aqui. Outra coisa que me indigna é um rio deste tamanho não ser usado como via de transporte. Por que não fazemos como Veneza, que implementou os vaporettos? Esse rio era para ser uma “avenida”. A gente precisa pensar com seriedade a dificuldade que é, por exemplo, vir de Icoaraci para cá. O mesmo trajeto, que é feito em duas horas, seria feito em 30 minutos. Eu me lembro que houve uma época em que a UFPA criou um hovercraft – o que foi feito disso? Por que não retomar uma ideia tão boa? Outra coisa que me incomoda muito é o fato de Belém ser uma cidade tão escura! Como é que pode isso? Em um estado que gera tanta energia para o resto do Brasil... Daí nós temos, sim, ruas inseguras... mexe até com o estado de espírito das pessoas.

Quem mora em uma rua, em um lugar mal iluminado é mais triste, porque não consegue exercer sua cidadania... coisas simples, como sentar na calçada para conversar em família ou com os vizinhos. Não vejo mais isso. Sabe outra coisa que eu fico me perguntando “por que não pensaram nisso?”, quando vejo a importação de um modelo de BRT, quando podíamos respeitar a vocação natural do estado (em referência aos minérios) e construir, por exemplo, quilômetros e quilômetros de trilhos e utilizar o monotrilho. Dia desses eu li uma comparação que me deixou assustado: um quarteirão de carros, enfileirados e um ao lado do outro, equivale só a um ônibus e meio de passageiros. Em países desenvolvidos, o investimento é no transporte público e não o contrário. Prioriza-se o coletivo e não o particular. Também sinto falta de investimentos na cultura popular, mais democrática. E o que achas da nova cena musical paraense? Ou do universo teatral? Culturalmente falando, eu sempre acho que a gente pode mais. Entretanto, as pessoas que podem investir na arte, não investem. Belém tem um potencial incrível, mas falta apoio, falta iniciativa. Ainda que não estejamos no centro do mundo, há »»»

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uma necessidade nossa de colocar para fora. Eu acho a cena musical paraense incrível. Não falo só da consagração de nomes nossos, falo em aspectos mais simples mesmo: já notou o número de barzinhos em Belém com cantores – voz e violão mesmo – que têm composições próprias? É difícil ver isso no restante do Brasil. Ah, e eu preciso falar do serviço em Belém. O que falar de nossos artistas plásticos, de nossos fotógrafos? Há muitas críticas e comparações com o serviço do Sul-Sudeste do país, mas em comparação com o Nordeste, que tem um público flutuante enorme, o serviço de Belém é muito bom – em todos os aspectos. Como empresário, faço um chamamento aos empresários, empreendedores: vamos investir.

cá todos os dias, duas vezes ao dia.

Há alguma coisa, em Belém, que tenhas feito questão de mostrar aos teus filhos (Janjo tem dois filhos, um casal, já adultos)? Para que eles conhecessem ou vivessem algo que fez parte da tua história... Ah, sempre fiz muita questão que eles me vissem vivendo. Sempre disse “quero vê-los felizes”; “felicidade nada tem a ver com dinheiro” – eles sempre foram muito soltos e somos muito próximos. O que te faz feliz? Ah, viajar! Adoro passar horas observando a natureza, sua grandiosidade (ele aponta para o rio, em frente à Estação das Docas). Eu e Vanja (esposa, com quem é casado há trinta anos) andamos horas e horas. É minha companheira de viagem. Eu me vejo como parte disto aqui; não acho que eu me basto. E ainda tenho o privilégio de vir para

Como esperas ver Belém em seus 400 anos? Eu adoraria que o povo de Belém tivesse um “síndico” disposto a fazer esse organismo funcionar plenamente... porque faz tempo que não temos um gestor ousado nesse sentido. Que ande de ônibus, para viver o sofrimento de quem depende do transporte público; que enfrente engarrafamento... Calçadas padronizadas. Um síndico que abandone as brigas políticas e pense na população. Do povo, eu espero que vivam mais a cultura do coletivo: não posso invadir o espaço público comum porque acho que é de propriedade privada. Mas eu entendo que é uma questão de exemplos – tem de vir de cima. Sabe o que eu acho? Que temos de fazer as pazes com nós mesmos: viver com a cidade que temos, sabendo que ela tem potencial e não copiar modelos de fora, que não vão dar certo aqui.

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Qual teu local preferido em Belém? Ah, a Estação das Docas – que é uma prova concreta de que é possível fazer; de que é possível, com ousadia, abrir a orla de Belém. As pessoas precisam voltar a ter mais contato com a água, com a natureza. Eu gosto muito de natureza. Não sou bicho grilo (ele cai na gargalhada), mas adoro contemplar a grandiosidade da natureza. Lá no Marajó, por exemplo, tem um vento... e nem sei se as pessoas o percebem, é um vento que não é nem forte, nem fraco – ele é constante. E ficar ali é a melhor e mais gostosa coisa do mundo! A sensação que eu tenho é de que a vida está passando pelos teus átomos...


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especial

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Camila Barbalho

divulgação/internet

Elastêm força a

Elas são mais reais do que se imagina e estão muito presentes entre nós: as personagens das histórias em quadrinho povoaram a imaginação coletiva das meninas e tiveram uma contribuição definitiva na construção do feminino.

T

raçadas no papel, elas vivem aventuras, ensinam lições, questionam, transgridem. Falam bobagem, se descabelam, arrancam risadas. Incomodam-se com a política, com filhos, pais, homens. Viajam pelo espaço. Do lado daqui, nós – de carne e osso – acompanhamos seu desenrolar, em paralelo aos nossos próprios desdobramentos. Afinal, a história que a menina, no meu quadrinho preferido, conta é a minha? Ou eu reproduzo do meu jeito a história dela? Foi desse jeito, nessa frutífera troca, que meninas do mundo inteiro cresceram: ora se reconhecendo nas personagens femininas das HQs, ora reconhecendo nelas quem gostariam de ser. Meninas como Luluzinha, Mônica, Magali, Mafalda; mulheres como Rê Bordosa, Radical Chic, Barbarella; as alteradas de Maitena – todas elas exerceram um papel importante na construção da identidade da mulher contemporânea. São feitas de tinta. E, à sua maneira, reais. Pertinho do Dia Internacional da Mulher, a Revista Leal Moreira homenageia essas figuras emblemáticas da cultura pop, que ajudaram a moldar o caráter das meninas (ou adultas, por que não?)

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que as acompanharam – e escreveram páginas e páginas da saga feminina ao longo da história. Pequenas notáveis É difícil ser criança no Brasil e passar imune ao carisma da turminha criada por Maurício de Souza. Mônica, a protagonista, é uma criança cheia de personalidade. De pavio curto, a garotinha, que não leva desaforo para casa, é uma das primeiras referências que vêm à mente de quase todas as leitoras de quadrinhos. Mônica de Souza, a inspiração para a criação do pai Maurício, sabe disso. O desenho já completou 50 anos e ainda segue encantando gerações. Mônica – a real – arrisca um motivo. “Ela continua falando de temas naturais e atuais. É uma menina forte, destemida, como muitas mulheres”. Apesar de ter sido inspirada em seu próprio comportamento, ela não achava que a personagem fosse tão verossímil. “Não acreditava que uma criança poderia ser assim, achava que era exagero de meu pai... Até ter minha filha. Ela era a Mônica vezes dois”, conta entre risadas. Mônica entende que não é difícil se identificar »»»


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Foto Maurício de Sousa produções

com a baixinha criada por seu pai. Por quê? Porque ela guarda em si aquelas coisas que estão no coração juvenil de quase todo mundo. “A Mônica, mesmo sendo temperamental, continua acreditando no amor, no compartilhamento de ideais entre homens e mulheres. Ela é sensível, é vaidosa... a única diferença (em relação às demais meninas) é que ela é braba, como eu”. Para a musa dos quadrinhos, a personagem permanece com o mesmo frescor de meio século atrás porque acompanhou a evolução do papel feminino na sociedade. “As mulheres mudaram, os tempos mudaram. Temos liberdade de expressão e responsabilidade por nosso futuro, não existe espaço para que a mulher coloque sobre os ombros dos homens as suas ambições”, considera. “Atualmente trabalhar fora é natural para as jovens, elas fazem suas opções sobre ter filhos, ficar solteira, casar-se. As mulheres de hoje são responsáveis pela própria felicidade. Isso não é maravilhoso?”. A doutora em Letras Amarílis Tupiassu também lê as aventuras da “turma”. Ela destaca que, de maneira sutil e divertida, as personagens se antecipam na quebra de barreiras que ainda existem na vida contemporânea. “Nossas personagens

brasileiras são maravilhosas. A Mônica, quem diria, tem força física! Ela rompe com a ideia de sexo frágil”, aponta. “No universo do Maurício de Souza ainda tem a Magali – uma garotinha que quer ter a liberdade de comer num mundo onde mulheres vivem de regime, onde se decretou que a beleza tem que ser magra. É assumir uma postura corajosa, de qualquer maneira”. Mas antes mesmo do clássico grupinho de Souza, outra garotinha chamou a atenção da professora pelas pequenas mudanças que sugeriu – ou refletiu – no seu tempo. Criada em 1935 por Marjorie Henderson Buelle, a Marge, Luluzinha ganhou seu próprio gibi dez anos mais tarde. Naquela época, a pequena já causava suas microrrevoluções. “Pra mim, Luluzinha é um marco. Na década de 40, ela já deixava de ser um personagem feminino apático para enfrentar os meninos. Ela inclusive tem uma amiga, a Aninha, que é ingênua; e Luluzinha a incita pra que ela se posicione”, diz Amarílis. Ela também faz considerações sobre Bolinha, o garoto que perturbava a protagonista. “A personagem Bolinha, embora nesse universo infantil, é opressiva. Essa ideia do ‘Clube do Bolinha’ ainda hoje existe. É um marco social, isso de »»»

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que homens se reúnem em um lugar e mulheres devem se reunir em outro. A Luluzinha é quem insiste em querer quebrar essa lógica”. Tais garotinhas – marcantes pelo seu destemor, bom humor e personalidade – foram as melhores amigas de muitas meninas durante a infância. Mas à medida que o tempo passa, as meninas se tornam mulheres. Também adultas se tornam suas referências: mulheres fortes aparecem nas HQs, reforçando a ideia de empoderamento. E com grandes poderes vêm... Grandes responsabilidades Quando mulheres adultas apareciam em quadrinhos, pelo menos em princípio, exerciam papéis essencialmente de par romântico do protagonista masculino. “Eram personagens que estavam numa espécie de ‘fauna acompanhante’ do heroísmo do macho. Elas exerciam um apelo sexual, chamavam o público à revista pela beleza. Todas elas já expunham o corpo, este sempre muito sarado, muito jovem. Mas como companheiras, eram submissas”, avalia a professora Amarílis. A personagem a dar o primeiro passo, em direção à quebra dessa lógica, foi também a primeira heroína da DC Comics: criada em 1941, a Mulher-Maravilha era filha da rainha das amazonas, era forte, voava, tinha uma agilidade sobre-humana. Seu criador, William Moulton Marston (ou Charles Moulton, como assinava), era um psicólogo que flertava com ideais feministas. Sua ideia – combinada a um empurrãozinho de sua esposa Elizabeth Marston – era criar uma personagem que triunfasse não apenas pela agressividade, mas pelo amor. O desenho, claro, tornou-se um grande sucesso. Mais que isso, tornou-se referência de como a mulher deveria ser: forte, mas bonita; incisiva, mas doce. “A Mulher-Maravilha aparecia explorando a beleza e a transposição de barreiras. É o símbolo de outro tempo, de outra mulher. Até hoje se descreve uma mulher que dá conta

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de tudo como ‘Mulher-Maravilha’”, diz Tupiassu. A assessora de imprensa Monique Malcher, que lê e estuda quadrinhos desde os tempos de colégio, também enxerga na personagem – ressalvados seus méritos – algo de limitador. “A forma como ela era desenhada acabou mudando com o tempo, apelando muito mais para suas formas físicas. E isso não é tudo. Diana (nome que esconde sua identidade secreta) é inteligente e tem temperamento forte”. Um pouco mais à frente, na década de 60, outra personagem acompanhou os rumos da revolução cultural que o período viveu – e causou bastante barulho. Barbarella, criada pelo francês Jean-Claude Forest, era o retrato da liberdade que assustava. “Quando ela surgiu em quadrinhos, ela escandalizou tanto que a publicação chegou a ser proibida. Mas a personagem exerceu uma influência tão grande que a proibição foi sendo esquecida”, conta Amarílis. “A Barbarella era avançadíssima. Era aventureira, uma viajante espacial, sexualmente livre... Enfrentava perigos e cafajestes”. O filme, feito em sequência, transformou a atriz Jane Fonda no sex symbol de uma geração. Ainda assim, a personagem carregava a beleza e a coragem como suas características principais – assim como a Wonder Woman. Barbarella e Mulher-Maravilha tiveram uma grande responsabilidade: transformaram-se em heroínas, símbolos, ícones da capacidade feminina. O que mais era preciso alcançar, então? Bom, os tempos seguiram mudando. As mulheres também. Com o passar dos anos, elas não queriam mais ser “super”. Queriam relaxar e curtir a liberdade de ser adultas e modernas em uma sociedade um pouco mais liberada. Moderninhas Anos 80. O Brasil saía da repressão, o rock nacional dominava todas as paradas... Era um momento de descontração, e todo mundo parecia »»»


estar no mesmo clima. Lá vinham as personagens de quadrinho acompanhando o ritmo. Desenhadas por homens, Rê Bordosa e Radical Chic foram sucesso de público que divertiram as moderninhas da década mais divertida que o país já viu. Criada por Angeli, a Rê Bordosa é uma remanescente da contracultura, uma sobrevivente da loucura dos anos 60 que simplesmente parou na época do Woodstock. Sem dúvida, a personagem não é edificante e tampouco serve de modelo. Ao contrário: é cheia de manias, vícios, complicações – e, graças à sua falta de bom senso, muito engraçada. Talvez por toda essa “humanidade”, sua imperfeição foi um sucesso tão grande que se tornou maior que todas as outras coisas feitas pelo cartunista. “A Rê Bordosa é uma mulher adulta doidinha, que bebe, é ninfomaníaca, fala o que pensa, é cheia de humor ácido. Ela foge do estereótipo das mulheres recatadas”, defende Monique Malcher. Ela conta que tem uma relação de afeto e identificação com o desenho. “Não sou nenhuma Rê Bordosa, mas minhas decisões pessoais sempre foram consideradas ‘ousadas’. Saí de casa cedo pra morar sozinha, e as histórias do Angeli me faziam rir e me davam a segurança de que uma mulher precisa se arriscar”. Radical Chic, a outra moderninha que caiu nas graças das mulheres brasileiras, também era livre e cheia de personalidade. Porém, sua abordagem era outra: ela representava a mulher cosmopolita, independente. Talvez tenha sido a primeira personagem nacional a falar diretamente para as mulheres. Foi um sucesso total, indiscutível. Miguel Paiva, seu criador, admirava muito o tipo de mulher que sua cartum retratava. Daí veio sua inspiração. “A Radical foi resultado da minha admiração pelo humor feminino, pelas mulheres em geral e pela fase em torno dos 30 anos, que era a que mais admirava na época. Talvez porque a mulher ainda preserva a irreverência e a loucura da juventude, mas já rodou 30 mil quilômetros”, explicou ele há

alguns anos, em entrevista à jornalista Mari Valadares. “Considero-me um curioso, um pesquisador da alma feminina. Tenho admiração pelo universo feminino, gosto de como as mulheres interpretam a vida e isso me atrai”. Analaura Corradi, professora de comunicação, está entre as muitas jovens da década de 80 que se encantaram com o desenho. “Radical Chic representou bem o papel feminino. Foi uma forma de grito-manifesto da nova mulher, renascendo numa sociedade opressora tanto politicamente como culturalmente”, considera. Um pouco mais tarde, já nos anos 90, uma quadrinhista mulher criou uma das séries voltadas para o público feminino que obtiveram maior aceitação e entusiasmo no mundo. A argentina Maitena não criou uma personagem, mas sim um conceito: “Mulheres Alteradas” apresenta várias anônimas lidando com problemas que mulheres lidam todos os dias. O mercado de trabalho, o casamento, os filhos, a obrigação da vaidade, os hormônios – enfim, as dores e delícias de ter nascido com dois cromossomos X. Da tirinha de jornal, veio o livro. Do livro, a sequência de cinco publicações e mais a continuação, chamada de “Superadas”. O diretor de teatro Eduardo Figueiredo assinou a adaptação das duas obras para os palcos. Ele conta que foi cativado pela honestidade dos desenhos. “O que me chamou a atenção foi o humor inteligente e ácido da autora. Os temas abordados por Maitena são universais. A mulher contemporânea tem uma identificação imediata. E os maridos também começam a enxergar melhor as mulheres que fazem parte da sua vida”. A peça, protagonizada pela atriz Mel Lisboa, bate recordes de público a cada temporada. Para ele, apresentar as fraquezas e dificuldades do gênero de um jeito leve é o grande trunfo da cartunista. “Ela retrata a mulher que vive neste momento contemporâneo e tem de assumir e dar conta de uma série de responsabilidades. Para isso, precisa ter humor! As mulheres, em especial, são vitoriosas por dar con- »»»


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ta de uma série de atividades em sua rotina que nós homens nem imaginamos”. Menção honrosa Se há uma personagem que não se prende às referências temporais, essa personagem é Mafalda. A enfant terrible criada pelo argentino Quino é contestadora, inquieta, atrevida. Reflexo da personalidade de seu autor, a garotinha tornou-se um grande ícone de opinião e leitura de mundo. “Eu venho de uma família de classe média. Tem gente que critica a Mafalda e diz que ela é aburguesada. Mas eu sou da opinião de que se deve escrever só o que se conhece”, disse Quino em entrevista à sua conterrânea Maruja Torres. “No fundo, eu desejo melhorar o mundo. Um dia alguém disse que eu sou um amargurado com uma migalha de esperança. Acho que a definição não é má. Mafalda também é assim”. Umberto Eco também escreveu sobre o desenho. “Mafalda é realmente uma heroína ‘enraivecida’ que recusa o mundo tal como ele é”, descreveu. “Já que nossos filhos vão se tornar – por escolha nossa – outras tantas Mafaldas, será prudente tratarmos Mafalda com o respeito que merece um personagem real”. A pequena é unanimidade entre as leitoras de HQ. A combinação entre a naturalidade de criança e a firmeza dos posicionamentos criou um carisma indiscutível para o desenho. Não à toa, é a personagem eleita por todas as entrevistadas dessa matéria como a mais importante no que diz respeito à identificação com a mulher contemporânea. “As colocações de Mafalda são atemporais, e retratam bem o cotidiano. Ela, junto de seus amigos, me acrescenta que todos refletem uma parte da sociedade; e que devemos ver e enfrentar os problemas do mundo de maneira direta, prática e bem-humorada”, opina Analaura Corradi. Monique Malcher complementa: “Mafalda, digo sem pestanejar, é a personagem que mais me influenciou. Com a sua verborragia e eloquên- »»»


cia, ela consegue mostrar as boas qualidades de uma personagem feminina, que precisa olhar para o mundo com esse olhar crítico”. Quem finaliza é Amarílis Tupiassu: “A Mafalda é uma mulher que pensa! É ardilosa, é sagaz. Ela tem todo um lado filosófico de interpretação da vida. Ela sai do reduto da mulher que tem que se impor como mulher. O papel dela é outro, é o sentido crítico social, político, dos costumes. A Mafalda está acima da divisão homem-mulher, como as mulheres do nosso tempo também estão acima de uma divisão tão limitadora e ingênua”. Meninas, mulheres, exageradas, caricatas, reais. As personagens de HQ que influenciaram e foram influenciadas pelo gênero feminino ao longo da história revelam aspectos importantes da sociedade. “A tendência dos quadrinhos é retratar as mulheres como a cultura geral as vê, e até mesmo como elas se deixam representar. Personagens marcantes como Mônica, Mafalda, Rê Bordosa, Luluzinha ou mesmo as super-heroínas sexies da Marvel estão representando a cultura que a sociedade atua. Como em tudo, tem o que é ideal e o que é controverso”, discorre a professora Analaura. Amarílis Tupiassu, leitora ávida de quadrinhos desde a juventude, também analisa a importância das historinhas em meio ao contexto social. “Os quadrinhos espelharam muito esse processo das mulheres para quebrar as barreiras que encerram o que é masculino e o que é feminino. A mulher nos quadrinhos não se desenvolve pelo discurso, mas como espelho do que vai acontecendo em sociedade”, pondera. E arremata: “O quadrinho acompanha toda a saga da mulher, desde os redutos isolados na Idade Média até um ser ativo, pensante e dono de si. Essas personagens são reais, atuais, atentas. Elas pensam o mundo, lutam por suas bandeiras e querem novos horizontes”.

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ALGUNS TONS DE CINZA Vem de tempos imemoriais a intolerância. Já no Velho Testamento lê-se: “Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” Convenhamos, didaticamente é muito mais fácil separar tudo em dois grupos bem definidos: bons e maus, esquerda e direita, alto e baixo, quente e frio, amigo e inimigo, são e doente, preto e branco e por aí vai. Em “O Jogo do Anjo”, o autor espanhol Carlos Ruiz Zafon interpõe um editor e o escritor, a quem encomendou um livro sobre uma nova religião que pretendia fundar. Dentre as muitas ponderações do editor, esta se sobressai: temos que ter um inimigo, não podemos unir as pessoas em torno da nossa causa se não houver contra quem lutar. O que seria do Remo se não houvesse o Paysandu? Seja no esporte, política, religião, tudo fica mais fácil quando temos um alvo, um adversário

que nos mobilize. E se você não for nem Remo nem Paysandu? Acabou o papo, fica sem graça, pior, eu te vomito, pois és morno. Mas a história é cíclica e, diferente do que prega Fukuyama no seu livro ‘O Fim da História’, ela não vai acabar. Nos irados anos 60, durante a revolução cultural, mulheres iam às praças queimar sutiãs protestando contra o machismo reinante. Não restam dúvidas de quanto a humanidade evoluiu nesse conceito, a mulher definitivamente mudou seu papel e equiparou-se ao sexo oposto em todos os aspectos. Inclusive na Literatura, onde se permitiu adentrar o universo do erotismo, de tal sorte que fui surpreendido recentemente ao adentrar uma livraria e encontrar um novo segmento: o “sex thriller”, inaugurado com ’50 Tons de Cinza’ e povoado com uma imensidão de títulos de exaltação ao macho alfa dominador e irresistível. Títulos como ‘Adorável Canalha’ ou ‘Irresistível Cafajeste’ povoam esse

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cenário “sado-masô”. Beth Friedman, aquela que liderava a queima de sutiãs, certamente estará revirando-se de ódio em seu túmulo. E o título não poderia ser mais apropriado, nem preto nem branco, mas 50 tons de cinza. Acho que vou vomitar. Não, não devo vomitar, pois não gosto de resumir nada aos extremos. Sou daqueles que não têm nada contra nem a favor, muito pelo contrário. Sempre acho que, afora para animar discussões, o extremismo não contempla as melhores respostas. Elas estarão entre o preto e o branco, em algum tom de cinza, mais à esquerda ou à direita. Nas impressoras monocromáticas atuais usam-se 256 tons de cinza para registrar imagens, textos, gráficos, fotos. Portanto, ainda temos um longo caminho de variações de tons para atingir a melhor expressão (ou será impressão?) das nossas cálidas almas. 50 é pouco!


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Ana Carolina Valente

Caixa de surpresas Há uma nova maneira de chegar ao consumidor e influenciá-lo em suas futuras escolhas: as “samples boxes” – caixas com amostras de lançamentos e produtos disputadíssimos, por segmento, que aliam tecnologia, conforto e novidade. Conheça o que pode ser a melhor ideia dos últimos tempos.

A

evolução das tecnologias de informação e da comunicação impõe uma redefinição do espaço de trabalho, lazer, relacionamentos e consumo. Na era digital, o indivíduo pode partilhar a mesma tecnologia independentemente do local onde estiver: em casa, no trabalho, em viagem, nas compras ou realizando transações bancárias. A pressão constante em relação ao uso da internet – em constante evolução e aperfeiçoamento – torna-se cada vez mais evidente em todas as áreas, e isso não é diferente na comercialização de produtos. O mundo assiste à integração e à implementação de novos meios que permitem uma maior rapidez e eficácia na troca de informação – e consequentemente, nas compras. Hoje é mais rápido efetuar uma compra por site do que ir a um shopping, enfrentando o trânsito e a dificuldade em encontrar uma vaga para estacionar. Cada vez menos será o consumidor a deslocar-se às lojas, e cada vez mais serão os produtos que virão até ele. Comprar sem abrir mão do conforto (e por que não dizer do “luxo de estar no próprio lar”?) de casa parece ser cada vez mais a hipótese acertada numa altura em que a flexibilidade se tornou um dos assuntos na ordem do dia. A tecnologia evolui cada vez mais e o que parecia intangível, concretizou-se: redes sociais saíram do universo digital e ganharam a vida real. Pelo menos para os consumidores ansiosos pelo novo, que se tornaram assinantes de

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“samples boxes”, em tradução livre, “caixas de amostras”. E de fato são belas caixas que, quando o cliente efetua sua assinatura anual, são entregues – mensalmente – em domicílio, revelando amostras que trazem (geralmente em miniaturas) os mais variados produtos: de cosméticos, passando por comidinhas naturais, até vinhos. A proposta de diminuir o tamanho é para aumentar a sua utilidade, justamente facilitando a vida do usuário ao conhecer o produto em suas diversas vertentes, em aromas, gostos, espessuras, cores etc. – instigando assim, posteriormente, o consumo do produto no tamanho convencionalmente fabricado (tendo apenas o empecilho de ser um lançamento ou pela área de distribuição). No Brasil, ainda em fase de expansão, o serviço tem tomado forma e adeptos, tanto no público feminino (cosméticos, produtos naturais, lingeries e cervejas – por que não?), quanto no masculino (vinhos, uísques, barbeadores e cuecas). Luciana David, publicitária e comunicóloga, tem 24 anos e é ávida pelas “ultimíssimas” novidades no mercado. Assinante das samples e tendo muito que contar, explica detalhamente sobre essa realidade de ir muito além, sem sair do seu “mundinho”. Seu primeiro contato com as “samples boxes” aconteceu ainda de longe, lendo sobre o serviço que já existia nos Estados Unidos e lamentando que ainda não houvesse entregas para o Brasil. “Foi assim até que ouvi o »»»


burburinho no nicho de beleza, sobre o qual eu escrevo, a respeito das primeiras caixas com maquiagens, cosméticos... Aí assinei, há algum tempo”, explica. “Como também sigo uma linha de alimentação natural, assinei uma com esse foco. Além de uma sobre cerveja também”. A publicitária se diz completamente viciada em miniaturas e amostras, sobretudo pela praticidade de “poder experimentar algo novo com baixíssimo custo, se comparado ao tamanho original”. Para ela, é esta a maior vantagem ao obter esses produtos, ao lado da facilidade de transporte e do design inovador. “Minha bolsa vive cheia de amostras, assim como quando viajo, porque também priorizo levá-las pelo espaço. Além do mais, beleza e alimentação saudável estão cada dia mais em alta, o que permitiu que essas opções de sample boxes pudessem se abrir pra ambos os mercados”. Até agora, no mercado brasileiro, os produtos mais populares são os de beleza. As desejadas caixinhas com amostras de cosméticos e maquiagens ganharam a simpatia de it girls no país inteiro, principalmente as de marcas famosas e respeitadas na indústria da moda. Por outro lado, o serviço ainda deixa a desejar e precisa ser melhorado – como qualquer novidade em seu momento embrionário carece de se aperfeiçoar. “Os de beleza são po-

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pulares, mas ainda não vejo nenhuma empresa desse nicho atendendo bem. Em compensação, a de produtos naturais que assino é fantástica. Vale muito a pena. Dá pra perceber que o cuidado com a seleção é enorme e que ele se paga. A relação custo-benefício é ótima”, analisa David. Como os serviços possuem parcerias com as marcas que fornecem os produtos, a grande dificuldade parece ser uma questão de logística. De acordo com a demanda, nem sempre é possível enviar exatamente os mesmos itens para todos os assinantes, o que seria o adequado. “Daí você vê alguém postando uma caixa que recebeu, fica encantada, assina o serviço e recebe coisas bem diferentes. Assim não funciona. Eles realmente precisam resolver esse problema de unificar o conteúdo”. O preço, o conforto e a ansiedade de conhecer os lançamentos antes do resto do mundo são os três esteios que justificam a paixão repentina pelas tais caixas – além, naturalmente, da possibilidade de adquirir mais conhecimento e experiência sobre produtos e assuntos antes não visitados. Quando associadas ao serviço bem prestado, a fórmula fica mais forte; e o crescimento da nova prática parece irrefreável. “O boca a boca ganha muito mais que qualquer propaganda. A coisa está crescendo, popularizando, mas só tende a durar se as empresas

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passarem a respeitar mais os clientes”, avalia Luciana. Sim – não são poucos os problemas que se apresentam. Há casos de fraude, de atraso e de problemas para cancelar a assinatura, por exemplo. “São coisas básicas que jamais deveriam acontecer”, afirma. “Sem falar que alguns serviços são bem ruins, cobram um valor e a caixa não vale nem metade do preço. Onde vejo mais problema é no segmento de beleza. Eu mesma só assinei esses serviços depois de um tempo do lançamento, pra ver a avaliação das pessoas. Acho que a partir do momento em que eles conseguirem resolver esses problemas de unificar o conteúdo da caixa para todos os assinantes, o serviço vai deslanchar”. Um dos caminhos para melhorar as ainda incipientes caixas de amostra é expressar as insatisfações junto às empresas. É importante que os assinantes deem seus feedbacks. “Esses serviços geralmente enviam questionários para avaliar a satisfação do cliente. Acredito que esse seja o meio deles para conseguirem melhorar e emplacar”. Para os mais empolgados com as miniaturas, há promoções que deixam o consumo mais em conta e ainda garantem o recebimento regular das amostras. É o caso das opções de plano trimestral e semestral, que vêm com desconto. Apesar disso, Luciana acredita que a facilidade ainda é o maior


Anderson Araújo Ilustrações: Rodrigo Cantalício

atrativo. “Sei lá, acho que o próprio serviço, quando bem feito, já tem esse efeito. Tudo é realizado tendo o cartão de crédito como forma de pagamento”. A dica para evitar prejuízos e não se deparar com os infortúnios que eventualmente ocorrem nas entregas é a de sempre: cautela. “Pesquise bastante sobre o serviço, sobre edições anteriores e avalie se vale a pena para você. A utilidade da assinatura varia de acordo com o interesse da pessoa”. A comunicadora é uma das maiores entusiastas do serviço novo. Entre os prós e contras das caixinhas, ela não pretende deixar de se valer da proximidade com o que há de mais novo no mercado. E garante que, ao menos para seu estilo de vida, vale a pena. “Bom, como sou apaixonada por miniaturas e amostras desde sempre, é bem viciante. Receber novidades em casa é sempre bom”. Essas caixinhas surpresas entraram no mercado, ganhando cada vez mais adeptos. O conceito é simples e teoricamente sua execução também. Atualmente há diversas opções para que sejam ajustadas especialmente a você e quem quer assinar uma só, fica na dúvida entre qual escolher. Na varieadade de estilos e produtos com diferentes preços e

focos – como para mamães e seus meninos – encontramos aquelas que são consideradas do “bem”: não trabalham com marcas que fazem os testes em animais, utilizam produtos integrais, orgânicos, sustentáveis, ecológicos ou naturais. E como essa linha está invadindo cada vez mais o mercado, quem não tem muita cultura orgânica e integral é uma ótima oportunidade de conhecer produtos novos. Para quem procura maior qualidade de vida, cuidar do meio ambiente, gosta de exercícios e comidinhas naturais, torna-se uma excelente opção. Mas é bom ter em mente que você não vai receber apenas produtos de beleza, também vai receber barrinhas nutritivas e outras coisas do tipo. Na continuidade de vínculo de emoção, descoberta, inspiração e desbravamento das pequenas caixas, converso com a webdesigner Brenda Araújo, 24 anos. Por meio de comentários e matérias nas redes sociais e blogs sobre a novidade, ela, curiosa, foi atrás para ver se valia a pena pagar pelo seviço. Apresentando o atrativo diferenciado da assinatura em troca de milhas, a jovem foi adiante e fez uma anual premium: as caixinhas são de luxo que incluem produtos nacionais e importados muito bons e »»»

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também têm um preço mais elevado. “O conteúdo é muito interessante, recebia maquiagem e produtos de limpeza de pele de marcas conhecidas, conceituadas e embalagens diferenciadas”. Geralmente ao se inscrever nos sites, o (futuro) assinante preenche um cadastro de preferências, gostos e tipos de pele, tipo do cabelo, marcas, faixa de preço etc. Essas escolhas serão aplicadas em alguns casos e o assinante poderá receber alguns produtos de acordo com suas preferências. O problema todo é que a caixinha é imprevisível e, na maioria das vezes, os produtos são padrão para todos os assinantes. Em um mês pode vir uma “super caixa” e todos os produtos agradarem, e no próximo, nem tanto assim. Tal surpresa nem sempre pode ser agradável, segundo a designer. “Nunca sabemos o que vem na caixa, os kits são montados de acordo com preferências como cor e tipo de pele, as caixinhas são surpresa, você não pode escolher os produtos que vai testar.” Já o lado positivo da surpresa faz com que pessoas, como ela mesma, experimentem produtos que provavelmente não comprariam em outra situação. Eis que o objetivo das caixas é alcançado. “Se eu tivesse visto antes o que vinha

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nas caixas, não teria assinado o serviço, não conhecia uma boa parte dos produtos e algumas marcas por achar que não teriam utilidade pra mim, então foi muito bom ter esse acesso.” O mais importante na hora de assinar esse tipo de serviço é ter em mente que há altos e baixos, e que se você odiou a caixinha desse mês, a do próximo pode ser melhor. Na comodidade que o serviço oferece, sem possibilidade de contestações, a questão custo benefício vem aliada sempre ao novo: “você paga, sim, pela novidade. Em uma das edições, veio com uma ‘Guerra de Shampoos’ para que experimentássemos o de lavagem a seco antes mesmo da campanha publicitária sair na internet e televisão!” As reclamações devido à linguagem crítica de atendimento existente no Brasil, giram em torno de que algumas marcas tenham crescido muito rápido e estejam encontrando dificuldades para administrar a demanda, deixando cair o padrão de produtos.“Assinei a premium, recebi produtos bons, claro, mas poucos das marcas que realmente gostaria de receber”. Há inúmeras expectativas para que vire tendência com foco das grandes marcas e distribuidores no mercado brasileiro. “Parte das

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pessoas que assinam esse tipo de produto no Brasil são formadores de opnião como autores de blogs especializados em maquiagem ou moda que acabam promovendo os produtos experimentados. O problema desses serviços é que eles encontram várias dificuldades, como o serviço de entrega, custo de materiais etc.” Inclusive alguns tiveram que descontinuar suas atividades no país devido os custos operacionais do serviço serem muito altos, impossibilitando de continuar cumprindo o compromisso de qualidade. Uma perda para muitos, principal para os críticos e clientes. Expandindo ou não a zona de conforto, as novas samples boxes são isso: o desejo pelo novo e a expectativa de acesso ao excelente. Em nosso país, o que nos resta é arriscar, ousar, se atrever. Com realidades diferentes de acesso, é transformador ver o quanto é criativa a tentativa de ganhar o consumidor. É necessário apoiar, fuçar e dar retornos ao mercado para que o serviço popularize e sejamos totalmente beneficiados com ele. Mostrando-se em miniaturas ou em full size, as novidades podem chegar quentinhas até você. É uma questão de escolha. E coragem.


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GRAVIDADE Direção de Alfonso Cuaron

Curiosidade: o filme foi indicado ao Oscar 2014 nas seguintes categorias: Filme, Diretor, Atriz, Fotografia, Edição, Trilha Sonora Original, Direção de Arte, Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Efeitos Especiais.

DESTAQUE

DICA

George Clooney vive Matt Kowalski, um astronauta experiente que está em missão de conserto ao telescópio Hubble juntamente com a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock). No meio da empreitada, ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral. Sem qualquer comunicação e apoio com a base terrestre da NASA, eles precisam encontrar um meio de sobreviver. Vencedor do Globo de Ouro de Diretor, Gravidade será lançado em Blu-ray 3D, Blu-ray e DVD em fevereiro.

AUSTENLAND Diretora estreante: Jerusha Hess Jane Hayes (Keri Russell) não consegue encontrar um namorado, porque nenhum homem lhe parece à altura de seu grande ídolo: Mr. Darcy, personagem criado pela escritora Jane Austen no romance “Orgulho e Preconceito”. Um dia, ela decide gastar todas as suas economias e voar ao Reino Unido, onde existe um resort especializado em acolher as mulheres apaixonadas pelas histórias de Austen. Curiosidade: grande parte dos romances de Jane Austen foi filmografada pela BBC de Londres, como Emma, Orgulho e Preconceito, Mansfield Park e Persuasão. Títulos disponíveis na FOX para locação e coleção.

TREM NOTURNO PARA LISBOA Direção de Bille August Afetuosamente chamado de ‘Mundus’ por seus alunos, Raimund Gregorius é um professor de línguas clássicas. Ao impedir que uma jovem portuguesa se jogasse de uma ponte, ele vê sua vida ser transformada. A moça desaparece e Raimund fica intrigado. Ela deixa, entretanto, seu casaco para trás. Dentro de um dos bolsos, ele descobre um livro de um médico português, chamado Amadeu de Prado, com uma passagem de trem no miolo. Ele decide usá-la espontaneamente, partindo para uma jornada de aventura em Lisboa. Baseado no livro de Pascal Mercier. Distribuição pela Europa Filmes.

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Mais informações: filme disponível na FOX já em fevereiro.

MAMMA ROMA (1962) Direção de Pier Paolo Pasolini

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A inesquecível Anna Magnani vive Mamma Roma, uma prostituta que sonha em mudar de vida e de classe social, para poder voltar a viver com Ettore, seu filho adolescente. Para isso, ela decide economizar dinheiro. Infelizmente, a realidade coloca muitos obstáculos em seu caminho. Um dos pontos altos da filmografia de Pasolini, Mamma Roma traz uma visão crítica e pessimista da sociedade italiana, dialogando com a tradição do neorrealismo. Curiosidade: outra obra polêmica do mesmo diretor, “O Evangelho Segundo São Mateus”, chega em nova versão restaurada e com cenas inéditas, pela Versátil Home Vídeo.

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DICA

DESTAQUE

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA DO CICLISTA URBANO Sérgio Magalhães - Ed. Ponteio Cada vez mais comum nos grandes centros urbanos, o ciclismo parece ter chegado para ficar! A prática soma-se ao conjunto de atitudes que buscam melhorar a qualidade de vida nas grandes cidades. O próprio autor, Sérgio Magalhães, ciclista e pioneiro neste universo de boas atitudes é um visionário e prevê um futuro melhor – sobre duas rodas – para as pessoas e para o mundo. Muito antes de as ciclovias chegarem ao Rio de Janeiro, Sergio já fazia quase tudo de bicicleta, no Rio e em outras cidades do mundo. E foi assim que ele aprendeu a lidar com os riscos e os prazeres do seu (eleito) meio de transporte. E, embora, ainda falemos na bicicleta como transporte alternativo, logo viveremos o dia em que ela assumirá a condição de protagonista (e não está distante). Para estas pessoas, e para os jovens que já nasceram encarando o asfalto, ou ainda para os que anseiam viver essa experiência, Sergio relata e compartilha conselhos sobre como o ciclista urbano deve proceder para evitar riscos desnecessários, manter a humildade diante dos outros veículos, manter um espaço livre à volta, estacionar em lugares iluminados e sinalizar de todas as maneiras possíveis. Exclusividade FOX em Belém por se tratar de impressão sob demanda.

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CLASSY - CONSELHOS DE ELEGÂNCIA PARA A MULHER MODERNA Derek Blasberg Não é incomum ver mulheres ficarem famosas por comportamentos considerados impróprios por grande parte da sociedade, como ser fotografada sem lingerie, participar de um vídeo pornográfico caseiro ou arrumar brigas em bares. Derek Blasberg, no entanto, acredita que é possível ser bem-sucedida sendo uma dama. Em Classy: Conselhos de elegância para a mulher moderna, o editor especial da Harper’s Bazaar dá dicas de como se vestir de maneira adequada em todas as situações, como se comportar em viagens, como ser uma boa anfitriã e muito mais.

Os contos de “Vida querida” são ricos – característica marcante de Alice Munro. Sua narrativa – intensa – promete conduzir o leitor pelos contos e levá-los a desfechos surpreendentes, como no conto que abre o livro, “Que chegue ao Japão”: Greta se despede do marido e parte com a filha numa viagem de trem que acaba se tornando uma aventura conflituosa pelos caminhos do desejo feminino. Prepare-se para muitas reflexões existencialistas e um tantinho de loucura, mas este “Vida querida” tem um diferencial que o coloca num nível novo; coroando uma carreira brilhante, a última parte do livro traz as quatro únicas narrativas autobiográficas já publicadas por Munro, que emprega toda a sua habilidade literária para refletir sobre o ato de narrar, a ficção e os temas que regem sua obra: memória, trauma, morte. Vida: vida. Prêmio Nobel de Literatura 2013.

CLÁSSICO DECAMERON - 10 NOVELAS SELECIONADAS (ILUSTRADO) Maurício Santana Dias (organizador) O Clássico, de Boccaccio, foi escrito em meados do século XIV, e é considerado o marco inicial de um estilo literário: o conto ficcional. O livro reúne cem narrativas contadas por sete damas e três cavalheiros que, a fim de escapar da peste que assolava Florença, se recolhem numa villa senhoril e, para passar o tempo e celebrar a vida, narram histórias uns aos outros. Nos 700 anos do nascimento de seu autor, a Cosac Naify comemora a data com este volume de dez novelas selecionadas, traduzidas e prefaciadas por Maurício Santana Dias, todas ilustradas por Alex Cerveny. Além disso, reproduz páginas de manuscritos iluminados por Boccaccio, que também foi um exímio copista.

ARQUIVINHOS VINICIUS DE MORAES Apresentação: Lélia Coelho Frota

TREM NOTURNO PARA LISBOA Pascal Mercier “Trem noturno para Lisboa” narra a história de Raimund Gregorius, professor de línguas clássicas em Berna, que se levanta no meio da aula, abandona a sala e toma um trem para Lisboa. Uma viagem para outro país, uma nova cidade... e para dentro de si. Em sua bagagem está um exemplar de reflexões filosóficas escrito pelo médico português Amadeu de Prado. Fascinado pelo livro, Gregorius decide investigar o autor. Em sua viagem, encontra pessoas que ficaram marcadas por seu relacionamento com esse homem excepcional, que o conheceram como médico, poeta ou combatente da ditadura. O filme baseado nesta obra chega na FOX em fevereiro.

CONFIRA

Um caderno manuscrito com 14 poemas, sendo 13 inéditos – preciosidade guardada por mais de 80 anos –, e um CD recheado de canções com letra e música de Vinicius de Moraes, são os dois novos itens que enriquecem a edição comemorativa do Arquivinho Vinicius (Bem-Te-Vi Produções Literárias), em celebração ao centenário do nascimento do poeta. O caderno em edição fac-símile tem data aproximada de 1931 – dois anos antes da publicação do primeiro livro do autor. Os versos comprovam que o adolescente Vinicius de Moraes, aos 16 anos, já era um grande poeta. O Arquivinho é composto de uma caixa – novo projeto gráfico de Victor Burton –, um álbum de fotografias com imagens do poeta cantando com Pixinguinha, numa queda de braços com Tom Jobim, bebendo com Niemeyer, entre outras, biografia, cronologia e bibliografia atualizada, além de curiosidades como bilhetes em fac-símile de Charles Chaplin, Orson Welles e Pablo Neruda, partituras e poemas originais. Editora Bem-te-Vi Produções Literárias.

VIDA QUERIDA Alice Munro

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horas vagas • música

VÍDEO

MUSE - Live at Rome Olympic Stadium Foi em frente a mais de 60 mil pessoas que o Muse gravou o Live at Rome Olympic Stadium – o combo de CD e vídeo lançado no fim do ano passado. A estreia do DVD em salas de cinema em mais de vinte cidades anunciava o que viria por aí: o registro ao vivo da turnê europeia dos britânicos é estonteante. Filmado em ultra 4k high definition, o show ganha outras dimensões. Não há detalhe que passe despercebido pelas câmeras. As cores são lindas e tudo é muito vibrante. Além disso, a energia do Muse, o próprio estádio olímpico romano, a histeria dos fãs e o palco muito particular do grupo criam em conjunto uma atmosfera única. Indispensável para os fãs de rock de todos os tempos.

DICA JAY VAQUER Quando a Chuva Chegar O inquieto cantor e compositor Jay Vaquer está finalizando o processo de gravação do seu próximo trabalho de inéditas. Enquanto isso, lançou uma nova série de dez álbuns, chamada “Transversões”. A ideia do carioca é, em cada um desses discos, revisitar a obra de algum compositor que lhe chame a atenção. Em “Quando a Chuva Chegar”, Vaquer apresenta seu primeiro homenageado: Guilherme Arantes. Em suas versões, as melodias das icônicas canções do pianista foram respeitadas. Já os arranjos emprestaram novos ares às faixas, dando a elas o frescor da redescoberta. “Quando a Chuva Chegar” é um frutífero encontro de gerações – onde se conserva o que há de melhor em cada uma delas.

CONFIRA BRUCE SPRINGSTEEN High Hopes

CLÁSSICO

INTERNET

Depois dos lançamentos de Paul McCartney e David Bowie em 2013, outro veterano entrega ao mercado um trabalho novo: Bruce Springsteen acaba de compilar canções inacabadas ou nunca gravadas oficialmente no álbum High Hopes. Com certo ar de urgência criativa, The Boss soa enérgico ao lado de sua E Street Band. As faixas são entusiasmadas e carregam o vigor que o rockstar demonstra no palco. Também estão no disco – lado a lado com as guitarras distorcidas – as referências à música latina que chamaram a atenção em seus shows pelo Brasil, como percussão e naipe de metais. Além de ser excelente, High Hopes deixará os fãs de Springsteen ansiosos pela turnê de divulgação do CD.

LIVEPLASMA.COM Um portal que encontra não só artistas parecidos com o pesquisado, mas também aponta aqueles que o influenciaram. Esse é o mote do liveplasma.com: o site constrói uma espécie de “rede de influências” entre o nome digitado no campo de busca, músicos de sonoridade semelhante e influências que anteciparam de alguma maneira o som que se procura. Também é possível, naturalmente, ouvir tudo isso online. Em tempo: o liveplasma também faz as mesmas vinculações com sinopses de filmes.

CHICO SCIENCE E NAÇÃO ZUMBI Da Lama ao Caos Já se vão vinte anos desde que Chico Science revolucionou a música brasileira com seu disco de estreia junto à Nação Zumbi. “Da Lama ao Caos” fez surgir o manguebeat, requentou a contracultura e a música de protesto – além de dar novo gás às raízes nordestinas ao misturá-las ao rock, ao hip-hop, ao funk e à música eletrônica. As canções eram enérgicas; as letras, consistentes. Embora de difícil assimilação imediata, o disco caiu no gosto do público e da crítica. Mais que isso: colocou Recife no mapa da música contemporânea, puxando junto consigo bandas como o Mundo Livre S/A, que também alimentaram o mesmo movimento. Duas décadas depois, o álbum permanece surpreendentemente atual.


As programações a seguir foram cedidas e podem ser modificadas, sem qualquer aviso prévio.

horas vagas • Rio & Sampa

JACK JOHNSON Jack Johnson desembarca no Brasil em março, para três shows – de sua turnê From Here To Now To You – e traz no repertório músicas do CD homônimo, lançado em setembro de 2013 e estreou em primeiro lugar no ranking da Billboard 200, do US Billboard Álbuns Digitais, do Top Álbuns de Rock, do Top Álbuns Alternativos e do Top Álbuns de Folk Music. Local: HSBC Arena Data: 13/03/14 Mais informações: www.hsbcarena.com.br

HUGH LAURIE Turnê do músico e ator protagonista da série de TV House passará por São Paulo mais 4 capitais brasileiras. Repetindo a dobradinha de sucesso de “Let Them Talk”, o acompanhamento musical ficou novamente por conta dos músicos da Copper Bottom Band. O álbum também conta com participações especiais como da cantora guatemalense Gaby Moreno, do cantor de soul Jean McClaim e do premiado cantor de blues Taj Mahal – que contribuiu com os vocais para uma nova versão de “Vicksburg Blues” (originalmente gravada pelo cantor e pianista Little Brother Montgomery). Local: Citibank Hall Data: 20/03/14 Mais informações: www.boadiversao.com.br

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horas vagas • New York

LORDE Ela é ainda adolescente, mas possui uma voz impressionante e já é tratada como a nova rainha da música alternativa. Lorde, ganhadora de dois Grammy, faz show em New York – e os ingressos estão disputadíssimos. No dia 11 de março, no Roseland Ballroom. Site: http://zoovila.com/

RESTAURANT WEEK Até o dia 07 de março, a Big Apple ganha um sabor a mais: a restaurant week. Por US$25 o almoço e US$38 o jantar (os valores são fixos): de cortes especiais de carnes, burgers gourmet, comidas naturais, sorvetes e cafés da manhã caprichadíssimos. Para todos os gostos e bolsos. Site do evento: www.nycgo.com/restaurantweek/

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horas vagas • iPad

MomentCam O aplicativo MomentCam ganhou uma atualização poderosa e se tornou uma verdadeira febre nas redes sociais. Com o app, qualquer pessoa pode colocar o próprio rosto em caricaturas muito interessantes e divertidas. São diversas situações muito engraçadas e simples de serem criadas. Custo: Free

Camera+ Este app também já existia há um bom tempo, mas passou por uma atualização incrível e agora pode garantir resultados ainda melhores para as suas fotografias. Entre as maiores novidades da nova versão estão recursos para melhorias de coloração, foco, nivelamento das fotografias e também efeitos poderosos para deixar as imagens ainda mais bonitas. Custo: U$ 1,99

Cut The Rope 2 Você já deve ter alimentado o monstrinho Om Nom antes, mas agora terá diversos novos desafios pela frente. O game Cut the Rope 2 traz a mesma jogabilidade do título original, mas apresenta uma série de novidades bem interessantes. Entre elas estão novos personagens, novos locais, aventuras diferentes e várias personalizações que podem ser aplicadas. Será que você consegue alimentar todos os monstrinhos? Custo: U$ 0,99

Deer Hunter 2014 Das florestas da América do Norte às savanas da África Central, Deer Hunter 2014 leva você a caçadas sangrentas em que o seu objetivo é mostrar a sua precisão na mira. Visual realista e um grande arsenal são os destaques dessa versão, que já está entre os games mais baixados da App Store. Custo: Free

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Raul Parizotto empresário parizotto@me.com


SERRA PELADA:

a trilha da Amazônia ilegal. Felipe Cordeiro Músico

No mês de janeiro foi exibida na TV Globo a minissérie “Serra Pelada – A Saga do Ouro”. Na verdade, trata-se de uma adaptação do filme “Serra Pelada” do cineasta Heitor Dhália (“O Cheiro do Ralo”; “À Deriva”). O filme tece uma narrativa que acompanha o drama das transformações nos caracteres de dois amigos, que saem de São Paulo, entusiasmados com o estouro da notícia do ouro no Pará dos anos 80. A história soa bíblica de tão grandiloquente e fantástica. Muito ouro e riqueza num contexto de pura miséria. Em meio aos sonhos dos garimpeiros de diversas localidades do país, que se mudaram pra lá atrás da fortuna, forma-se um ambiente de bandidagem e sagacidade sem lei. Serra Pelada é olho por olho, dente por dente. Quando fui convidado pra colaborar na trilha sonora original e não original do longa, tratei de resgatar artistas que pudessem se comunicar com aquele contexto e lembrei da Márcia Ferreira. Cantora, compositora e comunicadora de rádio, nascida em Belo Horizonte, mas de vida feita em Brasília, entre as décadas de 70 e 80, Márcia gravou em 1986 sua versão da boliviana “Llorando Se Fue” (Ulisses Hermosa e Gonzalo Hermosa), a conhecida lambada “Chorando se foi”. A música tornou-se famosa em todo o mundo após ter sido gravada, numa corruptela ética, pela banda franco-baiana Kaoma, em 1989. É que os produtores www.revistalealmoreira.com.br

franceses do grupo assinaram a versão da música de forma ilegal, utilizando o pseudônimo de Chico de Oliveira, e lançaram em Paris em junho de 1989. Tempos depois, em 1991, também em Paris, foram obrigados a pagar uma alta indenização aos reais autores da versão, Márcia Ferreira e José Ary. Mas as músicas da Márcia que entraram no filme são outras e tão boas quanto “Chorando se foi”. Ela teve um programa de rádio que alcançava toda a Amazônia Legal, e se tornou muito popular entre os garimpeiros, sendo chamada, na época, de a “Madrinha dos garimpeiros de Serra Pelada”. Além da Márcia Ferreira, o filme traz na trilha sonora obras do Alípio Martins, Frankito Lopes, Gretchen, Aldo Sena e Vieira. São músicas que combinam com os cabarés e prostíbulos de Marabá e redondezas, onde os novos ricos iam gastar suas fortunas fugazes. Já as músicas originais foram criadas por Antônio Pinto, com colaborações minhas, inspiradas no western sphaguetti, ora potentes de latinidade e ora com um lirismo fantasioso, pra fazer jus a essa epopeia oitentista. Um buraco imenso – exposto – da história do Pará e do Brasil, onde ganância, exploração e matança em larga escala compõem o clima de ilegalidade e impunidade daquela época. Aconteceu há três décadas, mas não é muito diferente ainda hoje.


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galeria

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Camila Barbalho

Aos

olhos quem contempla de

A beleza é o objetivo do publicitário João Carlos Moreira e o mundo, seu destino. Ao longo de quase duas décadas de registros e negativos, coleciona singelos e únicos momentos de cotidianos.

C

arregado de profundidade, o ensaísta Khalil Gibran certa vez afirmou que vivemos para descobrir a beleza. “Todo resto é uma forma de espera”, cunhou o libanês. Também Goethe exaltou o que comove os olhos. Nas palavras do escritor alemão, “a beleza é um visitante bem-vindo em qualquer lugar”. O belo, esse conceito tão caro e indefinível a um só tempo, inspira toda sorte de homenagem – quase sempre carregadas de amor. E assim como os amores, a descoberta da redenção estética obedece a caminhos muito pessoais. Às vezes, mais que esperar a visita da beleza, é preciso ir visitá-la. Revê-la, reconquistá-la, até mesmo redescobri-la a cada reencontro. Sim – porque, para quem sabe ver e amar o belo, cada volta apresenta um ineditismo, algo novo a ser apreciado. É como se a beleza também soubesse ver quem a enxerga, e assim se apresentasse mais espontaneamente. João Carlos Moreira entende isso de maneira muito natural. Já são mais de vinte anos com uma câmera

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na mão, reconhecendo o encanto e por ele sendo reconhecido. O gosto pela fotografia começou da maneira que começam as melhores coisas: despretensiosamente. Foi numa viagem para a Turquia com um grupo de amigos que ele comprou sua primeira câmera. “Eles tinham uma máquina bem legal, e a minha era muito simples. Eles começaram a fotografar, conseguiam um resultado bacana... Ainda era na época do filme. Lá mesmo, decidi comprar uma máquina e mexer um pouquinho nela”, relembra. A primeira experiência com a nova brincadeira foi, de fato, um momento de descoberta. “Fiz fotografias normais com ela, coisas que fazemos quando estamos viajando. Foi só em outra viagem que decidi utilizá-la de maneira mais consciente, aproveitando seu potencial”. No retorno, ao revelar as imagens que registrou, revelou-se também a nova paixão. “Encontrei não só um resultado bonito, mas algo que eu gostava realmente de fazer”. »»»

João Carlos Moreira


A relação com as artes visuais, porém, veio de muito antes. João Carlos já se sentia bem, quando mais jovem, entre papéis e rabiscos. “Sempre gostei muito de desenhar. Tanto que eu fiz colégio técnico. Eu poderia optar pelo curso de arquitetura, pelas ciências exatas; ou o curso de publicidade e propaganda, onde aprendíamos desenho artístico. Optei pela publicidade justamente por conta do desenho, que era feito a lápis, tinha aquele visual preto e branco”, conta. O desenho, naturalmente, influenciou a maneira de fotografar – e mesmo algumas de suas predileções de estilo. “Isso acabou me dando um pouco mais de conhecimento na hora de reconhecer o que pode render uma imagem mais artística, sobretudo em preto e branco – tipo de foto que gosto mais de fazer”. A dramaticidade do P&B, aliás, é tema recorrente em seu trabalho desde a primeira vez que saiu para fotografar de maneira mais consciente. “A primeira vez que levei a câmera e a usei realmente foi também em uma viagem. Eu não acreditava muito nas imagens que faria, fui fotografar pela diversão. De qualquer forma, levei a que uso para fotos coloridas, e junto foi a P&B. As fotos ficaram muito bonitas, e tive um retorno muito bom delas. A aceitação foi ótima. Passei a usar cada vez mais o preto e branco por conta dessa experiência”, revela. E analisa a própria preferência: “mas eu já gostava das fotografias em preto e branco mesmo antes de começar a experimentar fazer as minhas próprias fotos. Eu tenho a sensação de que é naturalmente mais artístico, mais dramático. Talvez porque todo mundo tem máquina agora, e todo mundo tira foto toda hora. E antigamente, em preto e branco, a fotografia era mais artesanal. A vantagem é que hoje você pode fotografar em cores e depois optar por deixar a imagem como você preferir”. »»» Os jardins do Parque Keukenhof, na cidade de Lisse, floridos com as emblemáticas tulipas. www.revistalealmoreira.com.br

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Em AmsterdĂŁ, o reflexo invertido dos prĂŠdios. www.revistalealmoreira.com.br


Na cidade de Enkhuizen, as crianças usaram roupas típicas para visitar o museu da cidade. Ao lado, uma poética imagem de uma teia de aranha sob o orvalho, na cidade de Edan. A máscara foi registrada na cidade de Verona. Aliada à paixão pela fotografia em si, a vontade de ultrapassar as fronteiras também motiva e inspira João Carlos Moreira. “Eu dificilmente fotografo aqui em Belém. Normalmente, fotografo quando eu viajo. Gosto de abordar nas imagens traços típicos do cotidiano dos lugares aonde vou”. Segundo ele, o contato com outras culturas e ambientes aos quais ainda não se está anestesiado desperta a atenção dos sentidos e rende fotos especiais: “gosto de fotografar mesmo a rua, as coisas que estão acontecendo ali, naquele momento. Gosto de fazer brincadeiras com o foco, em contraste com áreas desfocadas. Prefiro fazer imagens que tenham algo de diferente, que tenham algo que denote uma pessoalidade”. A Europa é o destino mais frequente nas viagens de Moreira, graças ao seu potencial histórico, suas muitas referências e sua beleza nobre. No continente, não foram poucos os lugares visitados e registrados pelas suas lentes. “A minha foto preferida, dentre todas as que fiz até hoje, foi feita em Verona. Mas também gostei muito de fotografar na Itália, França, República Tcheca, e Holanda – tanto Amsterdã quanto o interior...”, enumera. Holanda, aliás, inspirou »»»

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Veja mais


As ruĂ­nas de Pompeia. Ao lado, o varal encontra-se no museu da cidade de Enkhuizen. O registro do cotidiano da cidade de Istambul. Abaixo, outro registro poĂŠtico, em Versailles.

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imagens especiais todas as vezes que foi revisitada, como a imagem dos prédios refletida nas águas do rio, uma de suas fotografias mais celebradas. Não à toa, um dos ensaios feitos na capital do país virou matéria e capa da Revista Leal Moreira, em setembro de 2006. Anos mais tarde, em novembro de 2012, a capa foi eleita a mais bonita da história da publicação, em votação realizada junto ao público. A Holanda, ao lado da Turquia, é o lugar que inspira mais carinho e saudades. “Holanda e Turquia são países que eu gosto de visitar sempre. Acabo preferindo voltar a esses lugares a ir conhecer um país novo, por exemplo. Além de serem lugares lindos, o clima frio me agrada bastante. Talvez por isso eu quase nunca viaje no verão. Gosto da experiência de estar em outro ambiente, outra realidade. E a Turquia, em particular, rende bastante visualmente – já que é um país cuja cultura difere mais da nossa. Outros pontos da Europa não estão tão distantes do ponto de vista cultural”. A segurança também é um ponto que favorece bastante o interesse que João Carlos tem de sair de sua cidade para fotografar. Ele explica que, »»»


Em Paris, a cena dos barcos é uma tradição aos que se encantam pela cidade-luz. Na foto ao lado, registro da Turquia.

nas viagens para esses lugares, é possível andar com a câmera por aí de madrugada, a hora que for, sem medo de ser assaltado ou de sofrer alguma violência. “A tranquilidade permite que se olhe para os lugares sem ter que lidar com medo ou preocupação”. Quando o objetivo da viagem é realmente trabalhar o olhar de fotógrafo, Moreira considera mais produtivo estar acompanhado de menos gente. Para ele, há mais liberdade para obedecer aos próprios processos. “Não costumo viajar de grupo. Quando viajo, é com mais uma pessoa ou sozinho. Viajar sozinho tem vantagens e desvantagens, quanto a fotografar. A vantagem é que você pode ficar dez, vinte, trinta minutos esperando para fazer uma foto. Quando tem alguém esperando, você deixa essa foto em potencial para trás”. Ele também destaca a concentração, mais fácil de atingir sem companhia. “Quando se viaja sozinho, há mais tempo para prestar atenção. Quando se está com alguém, você vai conversando, brincando, entretido. Não está tão atento ao seu redor”. A linguagem artística de João Carlos tem fortes raízes intuitivas. Ao ser perguntado sobre o que o faz perceber que algo pode render uma boa imagem, ele reflete por um instante e diz: “não sei. É chegar, bater o olho e fazer a foto”. O empirismo anda de mãos dadas com a sensibilidade, e permi-

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te fotografias de forte apelo emocional – tudo com a naturalidade que a prática experimental proporciona. “Não costumo pensar no que eu quero fotografar e ainda não fotografei. Não faço essa projeção. Eu não sou fotógrafo. Nunca fiz curso nem me especializei, nem tenho essa ambição. A minha experiência é a do cotidiano, da experimentação, da descoberta”, avalia. As poucas exposições individuais refletem muito da personalidade do próprio artista, tímido. A despeito disso – sabendo-se do desperdício que é ter um talento e guardá-lo só para si – algumas de suas belas obras podem ser apreciadas nos enormes painéis fotográficos encontrados em cada prédio da Leal Moreira. Para além da intuição, outro aspecto íntimo se relaciona com a narrativa visual que Moreira propõe: a memória. Em seu trabalho, a fotografia sugere um caminho à construção das lembranças – de ida e de volta. “Há fotos que são feitas intencionalmente. Por exemplo, minha foto preferida foi feita de propósito. Eu olhei à minha volta, achei a luz bonita, a atmosfera pós-chuva, intimista e melancólica... Tudo ali parecia favorecer um registro, pra ser guardado. Outras vezes, a fotografia acontece de um jeito meio despretensioso e o resultado surpreende. Pode acontecer de a foto ser feita para que se lembre daquele momento; ou de aquele momento só ser lembrado porque a foto propor-

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ciona isso. Os dois caminhos são reais”. Apesar da preferência pelas características mais artesanais da fotografia, João Carlos não é, nem um pouco, um avesso à tecnologia. Mas mesmo assim, ele – que, deixa claro, não tem Instagram – enxerga as luzes e sombras da modernização na captura de imagens. Um lado bom? A passagem do analógico para o digital. A aprovação vem de uma experiência pessoal: “houve uma vez em que fiz uma viagem, fotografei bastante... E perdi praticamente 70% das imagens. O que aconteceu foi que eu fazia a foto e ela estava perfeita no visor; mas, ao revelar, só era possível ver a metade. Todas as fotos apareciam cortadas. Foi uma decepção muito grande. Nesse momento, decidi aposentar o filme. Com a digital, eu posso até perder alguma coisa. Mas sei exatamente o que eu tenho nas mãos, como vai ficar o resultado...”, conta. Como demérito da facilidade, está a desimportância no trato com a arte. “Hoje a facilidade banalizou um pouco a fotografia. Não é raro ver essa banalidade levando as pessoas a percorrer os mesmos caminhos fotográficos. É muito fácil, hoje, tirar uma foto, acrescentar um filtro e pronto. Não é que eu veja isso como algo ruim, mas eu prefiro o método mais tradicional. Quem é apaixonado, quem quer fazer do melhor jeito possível, quem quer testar algo diferente”. »»»


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Na foto acima, registro da Turquia.

Acima, a Turquia. Ao lado, João Carlos Moreira – que assina suas fotos como JC Moreira – dificilmente posa para fotos. O autorretrato é um momento raro em seu portfólio

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Para quem compartilha da mesma paixão e gostaria de se aventurar atrás de uma câmera, João Carlos Moreira não sugere nenhum tipo de acrobacia ou coisa que o valha. O ensinamento ofertado é simples – e sábio como só coisas simples conseguem ser. “A minha dica pra todo mundo que gosta de fotografar é uma só: olhe pra trás”. Sim, é só isso. Afinal, um olhar é capaz de mudar muita coisa. “Se você está andando por uma rua, quando chegar lá adiante, vire-se em direção ao ponto de onde você veio. Você vai ver algo completamente diferente do que a sua visão inicial. É coisa de dois segundos. Olhe para trás e veja o que acontece. Você pode achar algo lindo que teria deixado passar se não virasse”. Ao receber o pedido de definir sua relação com a arte de fotografar, é à beleza e ao amor que Moreira recorre. “Fotografia é um resgate do coração. Só o que nos toca é fotografado. No futuro, rimos, choramos ou ficamos indiferentes às coisas que estavam à nossa volta, às experiências que tivemos. De um modo ou de outro, é uma maneira de ver no futuro o que ficou no passado”.


destino

A praça de São Pedro Ê a porta de entrada para o Vaticano.

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Augusto Pinheiro

divulgação/internet

A arte dos encantos

Vaticano

do

Com apenas 0,44 km² e uma população de aproximadamente 840 habitantes, o Vaticano é o menor país do mundo – tanto em área quanto em população – e um enclave dentro de Roma.

E

ngana-se quem acha que seu tamanho não pode ser sinônimo de grandiosidade: em tão pouco espaço encontram-se verdadeiros tesouros artísticos da humanidade, obras-primas de grandes mestres como Leonardo da Vinci, Rafael, Sandro Boticcelli e Caravaggio, que fazem dos Museus do Vaticano uma visita obrigatória para os amantes da História e da Arte – e que podem combinar a visita com alguns dias na deslumbrante capital italiana. A entrada (ou a Praça de São Pedro) A entrada no Vaticano é pela Praça de São Pedro, com sua impressionante colunata e na qual se encontra a Basílica de São Pedro, a maior e mais importante do mundo. A praça está localizada exatamente no local onde ficavam o circo e os jardins do imperador romano Nero e onde muitos cristãos, inclusive São Pedro, sofreram seus martírios. A colunata circular do século XVII, que delimita a praça, conta com 284 colunas e 88 pilares em filas quádruplas, um projeto do artista Gian Lorenzo Bernini. “Elas representam a reunião do Cristianismo”, teria dito o artista na época. Bem no centro da praça está um enorme obelisco egípcio (sem hieróglifos e construído durante a dinastia do

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faraó Ramsés II), levado a Roma pelo imperador Calígula em 37 a.C. Há ainda duas fontes ornamentais criadas por Carlo Maderno (1612–1614) e Gian Lorenzo Bernini (1667–1677). A avenida que leva à praça, chamada Via della Conciliazione, foi construída nos anos 1930 pelos arquitetos M. Piacentini e A. Spaccarelli. A ideia era criar uma entrada monumental, o que, infelizmente, resultou na destruição da antiga vila medieval e de suas típicas ruelas estreitas, motivo de polêmica à época. Para quem quer ver o papa Francisco, ele costuma aparecer aos domingos ao meio-dia na segunda janela a partir da direita do Palácio Apostólico, para rezar o Angelus e para abençoar as pessoas reunidas na praça. Os museus Logo na entrada, os primeiros museus – Pio Clementino, Chiaramonti, Ala Nova e Gregoriano Profano – são dedicados à antiguidade clássica, com estátuas em mármore e, em menor medida, em bronze, de artistas e artesãos dos períodos grego e romano. Deuses adorados por esses povos, como Zeus, Dionísio, Diana e Apolo, aparecem em esculturas que representam o ideal clássico da beleza, com corpos perfeitos e ros- »»»


Acima, uma outra visão da Praça de São Pedro. Abaixo, à esquerda, o Torso de Belvedere. Ao lado, a escada circular do Museu do Vaticano.

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tos sublimes. Grupos escultóricos retratam passagens de mitos, como o sequestro de Ganímedes por Zeus (tranformado em uma águia) e Adônis ferido pelo javali (enviado por Ares – amante de Afrodite – em uma crise de ciúme) que o matou. É uma verdadeira viagem pela arte dessas civilizações tão ricas. Quem gosta de mitologia vai se divertir bastante, revisitando mitos e até adivinhando quem é quem (antes de ler as informações) pelos acessórios que acompanham cada estátua (como a maçã na mão de Páris). Uma das salas é apenas dedicada aos animais, com a intenção de criar um “zoológico de pedra”, com obras relacionadas ao mundo da natureza e da caça, com os animais interagindo entre si ou com heróis e deuses do mundo antigo. Vale a pena destacar as peças em mármores coloridos – que tentam reproduzir ao tom dos pelos ou das penas de diversos bichos e provocam um efeito todo especial. Uma das joias da coleção do Vaticano está situada no centro do Pátio de Belvedere. Trata-se do Torso de Belvedere, um fragmento da estátua de um homem nu, assinada por Apolônio. A pose contorcida e a musculatura esculpida da peça despertaram a admiração de artistas do Renascimento e do Barroco, incluindo Rafael e Michelangelo. Este último, inclusive, utilizou-a como inspiração para a maioria das figuras da Capela Sistina – também parte dos Museus do Vaticano – e declinou um pedido do Papa Júlio II, para completar a estátua com braços, pernas e cabeça. “É muito bonita para ser alterada”, teria dito o mestre. Na Sala Redonda, uma grande abóbada semiesférica imita o Panteão Romano e estátuas colossais decoram os nichos, intercalados por semicolunas que sustentam bustos de grandes dimensões. O pavimento, erguido no século

XVIII, está formado por um conjunto maravilhoso de mosaicos das primeiras décadas do século III D.C. No centro da sala está uma enorme vasilha de pórfiro vermelho, com 13 metros de circunferência, cuja função era decorar um grande espaço público da Roma imperial. Mais antiguidades podem ser vistas no Museu Gregoriano Egípcio, onde se encontram monumentos e objetos do antigo Egito, em parte, procedentes de Roma e da Vila Adriana, lugares aos quais foram trasladados principalmente durante a época imperial. Os papas tinham um interesse especial pelo Egito, em função das Sagradas Escrituras na História da Salvação. Depois de andar por várias galerias (o museu é enorme), chega-se às chamadas “Salas de Rafael” (quatro no total) situadas no segundo andar do Palácio Pontifício. Elas faziam parte da residência dos papas, entre 1507 e 1585 – começando com Júlio II e terminando com Gregório XIII – e contém magníficos afrescos do mestre Italiano, que passaram por uma longa restauração (que durou 30 anos no total, concluída em fevereiro de 2013). Rafael trabalhou nas obras de 1508 até a sua morte em 1520 – o resto do trabalho foi finalizado por seus pupilos em 1524. Todas as salas são verdadeiros bálsamos para os olhos e exigem uma dose extra de atenção para apreciar todos os detalhes e os significados de cada obra. A mais impressionante, e que conta com os afrescos mais famosos, é a “Sala do Selo”, que originariamente abrigava uma biblioteca e representa, segundo o Vaticano, as três virtudes/qualidades máximas do espírito humano: a verdade, o bem e a beleza. A verdade é retratada de duas formas: racional, com o afresco “Escola de Atenas” (ou “A Filosofia”), na qual estão retratados grandes filósofos da »»»

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Nos Museus do Vaticano, estão ainda preciosidades como o “Monumento a Adonis” e a “Pietá”.

antiguidade (como Platão, Aristóteles, Pitágoras e Diógenes) e na forma que Rafael se autorretratou: com um gorro, no canto inferior direito. Já a forma espiritual, é vista na “Disputa do Santíssimo Sacramento” (ou “A Teologia”), que representa, em meio à Santíssima Trindade, a Igreja Triunfante, com patriarcas e profetas do Antigo Testamento e apóstolos e mártires. A viagem pelas salas de Rafael inclui ainda pinturas nas partes superiores das paredes, nas abóbadas e nos tetos. Mas o ponto alto da visita ao Museu do Vaticano é, sem dúvida alguma, a Capela Sistina, cuja abóbada foi totalmente redecorada por Michelangelo no século 16 – antes havia apenas a pintura de um céu com estrelas. O artista italiano criou então os mais famosos afrescos do planeta, retratando nove episódios do Gênesis, como “A Criação do Homem”, “O Pecado Original e a Expulsão do Paraíso” e “O Dilúvio Universal”. Mas a visita não tem muito de espiritual, não pela sublime arte, mas pela confusão rotineira: na entrada, guardas gritam “silêncio!” e “nada de fotos!” o tempo inteiro para a multidão de turistas que se aglomera no centro do espaço. Aliás, é melhor nem tentar tirar

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uma foto escondida: a reportagem viu guardas fazerem as pessoas apagar fotos tiradas, em situações de total constrangimento. Mas, de qualquer maneira, o negócio é olhar para cima e apreciar os afrescos. As representações do Gênesis seguem ordem cronológica e, em volta de cada um, há também Profetas e Sibilas pintados por Michelangelo, além de magníficas imagens de jovens nus. A posição pode ser um tanto incômoda depois de alguns minutos, mas vale o esforço. Nas paredes laterais há pinturas anteriores a Michelangelo, de grandes nomes como Botticelli e Perugino. Mas é outra obra de Michelangelo que chama a atenção: “O Juízo Final”, que cobre toda a parede do fundo da capela. Foi pintada 25 anos após a realização dos afrescos da abóbada. Recomenda-se dedicar algum tempo para apreciar todos os detalhes das obras do mestre italiano. Detalhe: o artista pintou os afrescos da abóbada sozinho, sem ajudantes, utilizando andaimes especiais, durante quatro anos (1508-1512). Um trabalho duríssimo, cujo resultado eleva o espírito. Mas os tesouros não acabam aí: o Vaticano conta também com uma galeria com a coleção de Arte »»»


Na Capela Sistina, os detalhes da criação, por Michelangelo. Abaixo, o Papa Francisco passa por um soldado da “Guarda Suíça”. Religiosa Moderna, com obras de Salvador Dalí, Vincent van Gogh, Paul Gauguin e Picasso, entre outros; a Pinacoteca Vaticana (com cerca de 500 obras das melhores escolas italianas entre os século XII e XIX, de nomes como Caravaggio e DaVinci); a Galeria das Tapeçarias, com uma grande coleção do século XV ao XVII, principalmente de tapeçarias flamencas do estúdio de Pieter Coecke; e a Galeria dos Mapas, com 40 mapas pintados sobre as paredes, representando as regiões italianas no século 16, entre outros espaços. Basílica de São Pedro impressiona por dimensão e decoração Visitar a Basílica de São Pedro, a maior e mais importante igreja do mundo, é obrigatório. Situada na praça de mesmo nome, ela tem 23 mil m² de área e pode acolher mais de 60 mil devotos – a entrada é gratuita. A construção recebeu a contribuição de alguns dos maiores artistas da história da humanidade, como Bramante, Michelangelo, Rafael e Bernini. Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, o edifício foi construído no local onde acreditavam ser o túmulo de São Pedro, sobre a antiga basílica erguida pelo Imperador Constantino. As obras começaram em 1506 e foram concluídas em 1626, com a consagração imediata do Papa

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Urbano VIII. Para entrar no edifício é preciso passar por um controle de segurança após encarar as habituais longas filas. É muito importante estar vestido adequadamente, pois é proibida a entrada com bermuda, ombros nus ou minissaias. O interior da basílica impressiona tanto por suas dimensões quanto pela suntuosa decoração e conta com 11 capelas e 45 altares. A enorme cúpula, que pode ser visitada, foi projetada por Michelangelo. Para subir até lá o visitante tem que pagar 7 euros e pegar o elevador. Vale a pena pelas vistas – tanto do interior da basílica como da cidade de Roma. Há também um café e uma loja de souvenirs lá em cima. No centro da igreja um dossel de bronze barroco, projetado por Bernini e sustentado por colunas espirais de 20 metros, guarda o altar principal, onde apenas o Papa pode celebrar a missa. Um dos maiores destaques entre os tesouros artísticos é a “Pietà”, de Michelangelo, uma expressiva representação de Maria com o corpo sem vida de Jesus envolto em uma mortalha. O artista esculpiu a estátua de mármore quando tinha apenas 25 anos e foi a única peça que ele não assinou. Outra área da basílica que não deve ser perdida pelos religiosos são as grutas do Vaticano, onde muitos papas e alguns membros da realeza estão enterrados e onde podem ser vistos os restos da »»»


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Raio X do Vaticano Nome oficial: Estado da Cidade do Vaticano Governo: Monarquia absoluta eletiva teocrática Papa: Francisco Presidente da Comissão Pontifícia: Giuseppe Bertello Línguas oficiais: latim e italiano População: 836 habitantes (estimativa de 2012, 194º do mundo) Densidade populacional: 1.891 hab./km², 6ª do mundo) Área: 0,44 km² Fundação: 11 de fevereiro de 1929 Moeda: Euro Clima: mediterrâneo Fronteira: 3,2 km com a Itália, mais concretamente com Roma. Economia: baseada na captação de donativos de igrejas ao redor do mundo e no turismo Transporte: possui um heliponto e uma ferrovia conectada à rede da Itália e à estação de São Pedro de Roma

tumba de mármore de São Pedro. Um nível abaixo está a antiga Necrópolis, onde foi encontrado o túmulo do santo que dá nome à basílica. A colorida Guarda Suíça protege o papa Eles têm uniformes coloridos e pomposos e a missão de proteger o Vaticano, a Santa Sé e o Papa – e nunca passam despercebidos pelos turistas. Tratam-se dos moços da Guarda Suíça Pontifícia, responsável desde 22 de janeiro de 1506 pela segurança do pontífice. É composta por 26 sargentos e cabos e 78 soldados. Em visita ao Vaticano sempre é possível vê-los controlando a entrada de veículos ou na Basílica de São Pedro. O uniforme de cetim nas cores azul-real, amarelo-ouro e vermelho-sangue tem design atribuído a ninguém menos que o mestre Michelangelo. A língua oficial da Guarda Suíça é o alemão, e o lema, “Com coragem e fidelidade” (em latim, Acriter et fideliter). Ela tem como patronos São Martinho, São Sebastião e São Nicolau von Flüe, Entre os séculos XV e XIX, a Guarda Suíça era um conjunto de soldados mercenários, que combatiam por diversas potências europeias em troca de pagamento. Eles chegaram ao Vaticano em 1506, atendendo a uma solicitação de proteção feita em 1503 pelo Papa Júlio II aos nobres suíços. Cerca de 150 homens, considerados os melhores e mais corajosos, viajaram até Roma. A batalha mais expressiva da qual participaram aconteceu em 6 de maio de 1527, quando as tropas invasoras imperiais de Carlos V de Habsburgo, em guerra com Francisco I, entraram em Roma. O exército imperial era composto de cerca de 18.000 mercenários. Em frente à Basílica de São Pedro e, depois, nas imediações do Altar-Mor, a Guarda Suíça lutou contra cerca de 1.000 soldados alemães e espanhóis. Combateram ferozmente formando um círculo em volta do Papa Clemente VII visando protegê-lo e levá-lo em segurança ao Castelo de Santo Ângelo. Faleceram 108 guardas, mas em contrapartida 800 dos 1.000 mercenários do assalto caíram mortos pelas alabardas dos suíços.

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Nati Canto artista visual

Xangai Fui parar novamente na China, desta vez por três meses e em Xangai. Escolhi passar a temporada, no período de setembro até o final de novembro, porque já conhecia o país e sabia que tanto o verão quanto o inverno eram rígidos. Eu sofreria muito para desenvolver meu projeto nos 40°C ou nos -15°C. Suportar uma temperatura intermediária era o ideal para mim. No começo de 2013, fui selecionada para uma residência artística oferecida para dezoito artistas internacionais. Era esperado que eu desenvolvesse um projeto e que escolhesse os três meses do ano, em que eu estaria disponível, para ficar hospedada no Swatch Art Peace Hotel em Xangai. Eu fui a primeira artista da América do Sul a ser recebida para essa residência, o que significa que não era somente estar na China, mas estar em um local internacional, onde todos falavam línguas distintas, tinham backgrounds diferentes, porém ao mesmo tempo, enfrentaríamos Xangai juntos. Por eu já ter ido à China e ter passado por Xangai, jamais recusaria essa oportunidade. O país é encantador. As pessoas são muito dispostas a ajudar, a comida é realmente maravilhosa e, para um artis-

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ta que tem um mundo de escolhas para inserir em seu projeto, nada melhor do que estar em Xangai, onde é possível comprar qualquer material ou equipamento de trabalho a preços absurdamente baixos. Sem contar que tudo, praticamente, tudo vem da China. Às vezes acho que até eu. (risos) O tempo que passei foi marcante pelo fato de eu estar em contato com esses outros dezessete artistas e, todos nós, com práticas diferentes e interesses diversos pela China, tínhamos muito a discutir diariamente. Por estarmos hospedados e termos também nossos ateliers no Swatch Art Peace Hotel, nossa convivência era intensa. Além de eu voltar ao Brasil com a minha exposição individual pronta para o segundo semestre de 2014, também trouxe comigo a amizade de várias pessoas. Xangai atrai muitos turistas da China inteira. É um dos poucos lugares na China onde um estrangeiro não se sente tão excêntrico, pois lá os chineses estão mais situados no mundo internacional. Cidades menores, ou cidades mais distantes dos grandes polos possuem menos visitas turísticas e os chineses se espantam ao se deparar com pessoas de outros países. É muito comum pedirem para foto-

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grafar os estrangeiros que passam por suas cidades, pois muitos desses chineses não têm a oportunidade de sair do país e ver o que existe lá fora. Isso acontece por motivos socioeconômicos e políticos, considerando que a China ainda é um país comunista que restringe a ida e vinda dos chineses e a entrada e estadia de estrangeiros no país. Eu realmente acredito que voltarei, pela terceira vez, a Xangai. Entre os vários locais que conheci na China, essa é uma cidade impressionante: tão metropolitana quanto São Paulo, mas possui a história chinesa misturada aos supermodernos skyscrapers em toda sua paisagem. É ainda muito mais poluída do que São Paulo, com todo aquele caos, sujeira, camelôs e gambiarras espalhadas pelas ruas. Eu tinha a impressão de pertencer e de não pertencer à cidade, de amá-la e de odiá-la simultaneamente. Assim como São Paulo sempre me fez sentir. Por tudo isso, posso afirmar que me identifico muito com Xangai em específico e continuo ainda com muito interesse de passar mais uma temporada por lá, quem sabe ainda mais longa. Quando e como retornar é apenas uma minúcia simples a ser resolvida.


Gabriel Vidolin Chef de cozinha

Camelia Sinensis

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Em uma folha de papel, eu escrevo todos os meus erros e aquilo que eu gostaria de fazer diferente de agora em diante. A caneta no papel escreve pouco a pouco, um retrato deste momento, em tons falhados de azul em contraste com o pardo das folhas A4 recicladas que eu uso, porque fazem me sentir menos mau. Palavras mal ditas, situações mal resolvidas, medos, insegurança, preguiças, prazeres complicados e fracassos, desejos, mentiras. Atritadas devido à força gravitacional da tinta em relação ao papel. Por um momento, a gravidade desaparece e as palavras em tinta azul, flutuam a minha frente, transformando-se em suaves folhas de cerejeira, que voltam à superfície do papel transformando-se em um olho, que pisca na mesma velocidade que eu pisco. O espelho pardo reflete profundamente na Iris destes meus olhos, o desejo de mudança. Lágrimas não são necessárias. Quando toco o espelho-papel com meus dedos, ele se desfaz em luz e transforma-se em belas folhas de Camelia Sinensis, e uma tigela de cerâmica feita pelas mãos de um velho mago chinês. Água quente brota desta tigela e com leveza as belas folhas se desidratam entre o flutuar e cair em direção à tigela. Com as duas mãos, eu bebo o chá de meus erros: o único remédio para um coração cansado de sofrer consigo mesmo.


gourmet

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AcerbiMoretti Photography Sara Magnani Tradução Lorena Filgueiras

Jamón natural de

Parma

A excelência de Langhirano é exportada para o mundo inteiro, com selo de qualidade e origem controlada.

P

roduzido nas terras de Matilda de Canossa (duquesa medieval), entre a província de Parma, na Emilia Romagna e o leito do rio Enza, o presunto de Parma tem suas razões para ser tão famoso no mundo inteiro. Na relação com a sua própria terra, é importante destacar sua própria doçura, a natureza, o sal, o vento. A área de produção no Norte, fica a 5 km da Via Emilia, uma antiga estrada construída pelos romanos durante a era republicana, para que pudessem ficar longe da neblina e umidade do rio Pó, características tão típicas do Vale do Pó. Nas colinas, é interessante não produzir acima dos 900 metros, senão o frio, que dura muito tempo lá, pode minar a maturação do jamón. Ao Leste e ao Oeste, a área é delimitada por dois rios: o Enza e o Stirone. Agricultores (com toda a sua poesia) contam que, em determinados dias, o cheiro do mar ultrapassa os picos das montanhas e adentra o vale. Há mais de dois mil anos, nesta área são feitos os presuntos de Parma, amadurecendo lentamente, com séculos de segredos passados de pais para filhos. São

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“sussurros” que revelam como melhor manter a firmeza dos pernis e, com grande habilidade, como cruzar diferentes raças de porcos para obter porcos fortes e, assim, uma carne mais suave e mais saborosa. Selo de qualidade especial A carne do porco, depois que se acresce o sal, perde uma considerável quantidade, de modo que ela seca. Daí a derivação latina da palavra prosciutto, prae exuctus, “ressecado”. Há evidências de que salsichas de Parma já faziam parte dos hábitos gastronômicos dos romanos, quando Parma era o coração da Gália (norte da atual República Italiana). Mesmo assim, nesta mesma região eram criados grandes rebanhos de porcos, e, portanto, os embutidos eram comuns. Catão (cônsul romano), no século II a.C., em seu “Manual de Agricultura”, já falava sobre a produção de presuntos salgados. O título de “magister procarium” era equivalente ao de “mestre artesão” e muito mais importante do que o de “mestre queijeiro”. Fala-se ainda do grande apreço de »»»


Aníbal, em 217, quando foi a Parma, e ficou encantado com os embutidos salgados, que os habitantes do local lhe ofereceram como um presente, um “agrado”. A partir do ano mil, o presunto torna-se um alimento de elite; havia mais espaço para o cultivo de cereais e a carne foi penalizada pelos altos impostos cobrados dos agricultores. Depois do ano 1300, os agricultores de Parma começaram a usar o sal dos poços de Salsomaggiore, uma cidade-balneário, na área de Parma. Tratava-se de um sal rico em enxofre e sódio, e foi útil para parar a proliferação de bactérias, ajudando na conservação de todos os tipos de carnes. Em 1500, muitas leis que proibiam a livre circulação de suínos na cidade são aprovadas, o que sugere que as criações de porcos já estavam bem desenvolvidas. E assim, o presunto de Parma chegava às mesas da nobreza e da aristocracia. Nos tempos atuais… Em 1963, nasce o “Consórcio”, uma organização de produtores que defende a unidade do “reino” de presuntos e preserva o método de processamento local. Nasce também um selo (uma coroa e cinco estrelas)

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gravado com brasa quente, que distingue os presuntos que foram certificados pelo “Consórcio”. “Nada do porco se joga fora” é um dito italiano, que se repete de geração em geração: o porco ou a carne de porco são totalmente utilizados; tudo é aproveitado, incluindo o pelo, que se torna escovas de cerdas e a cabeça é usada para fazer um saboroso caldo. Mas o porco usado para fazer presunto de Parma é um animal especial, diferente do porco europeu. O pernil (a coxa) deve ter entre 14 e 16 kg, logo, o porco pesa aproximadamente 180 kg. Nascido e criado em apenas dez regiões da Itália, exclusivamente das raças Landrance Large White e Duroc, esses porcos são alimentados com comida de qualidade, como milho, cevada e soro de leite. Este mesmo animal deve ter mais de nove meses de idade – apenas mediante estes requisitos, por meio de documentação e certificados; tendo sido identificado pela “tatuagem” (o selo) aplicada pelo agricultor, este suíno pode ser introduzido no circuito de Parma. É desta forma que o estado italiano formula uma lei específica para o Parma; e a União Europeia reconheceu a denominação de origem protegida, em 1996.

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As normas, garantidas pelo Consórcio, são verificadas pelo Instituto de Qualidade – registros cada vez mais rigorosos: sabe-se a origem de cada animal, bem como os métodos de reprodução, o peso, a idade. A arte dos mestres Evitar conservantes e corantes; esperar o grau certo de maturação. Assim que estão prontas, sal e tempo: pelo menos doze meses de maturação. A história do Parma é composta de homens que escolhem as coxas (pernil) mais adequadas, que controlam e cortam (à mão) e que com um olhar apenas, sabem onde adicionar mais sal. O passo mais delicado na produção? Em primeiro lugar, a qualidade inquestionável da matéria-prima, ou seja, o porco. É nos primeiros vinte dias, período em que o sal penetra na carne, na quantidade certa, fazendo com que o presunto fique doce-salgado de modo a preservar as características organolépticas e olfativas. Durante a maturação, há perda de água e a carne perde pelo menos 30% do peso inicial, ao contrário do presunto, que em vez disso aumenta em

peso, quando é colocado em salmoura (água salgada saturada). Depois disso, o produto será mantido em local fresco por pelo menos cem dias. O presunto fresco selecionado deve repousar durante um dia inteiro, em células especiais de refrigeração, a uma temperatura de 0°C, de modo que a carne endureça e que se possa cortá-lo com mais facilidade. As coxas utilizadas na produção do presunto Parma não devem sofrer – além da refrigeração – qualquer tratamento de conservação, já que o presunto deve ser tão natural, quanto possível. No sétimo mês, acontece o processo de “engraxamento” ou “engorduramento”, em que uma pasta (que mescla gordura, sal e pimenta) é usada para selar, vedar as partes do presunto que são expostas ao ar e amaciar a carne uniformemente. Uma verdadeira obra de arte. Em seguida, os presuntos são transferidos para um porão, onde devem permanecer por pelo menos cinco meses, onde secarão gradualmente. Para entender seus pontos fortes e fracos, um nariz experiente – com o olfato que foi formado ao longo dos anos; característica que não se aprende com treinamento »»»

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algum, senão com o contato direto, com amor e pai-

que vivemos em Langhirano, sabemos como fazer o

xão – faz todo o diferencial. A este momento de “inves-

presunto até de olhos fechados “, brinca um produtor

tigação olfativa” chama-se “Spillatura”. Depois de pelo menos doze meses de envelhecimento, o presunto pode ser – finalmente - marcado com a “coroa ducal” com 5 pontas e a palavra “Parma”. Na “casca” do presunto, de cada presunto, está descrita sua história: um código de identificação fornece o mês de nascimento do animal abatido, o número do estabelecimento de abate e ainda uma sigla “PP”, assegurando a procedência do “Prosciutto di Parma”.

da região, que há 25 anos pratica esta arte. Em comparação com a tradição de séculos, o método de produção não mudou muito. No início dos anos cinquenta, o processo de maturação, por exemplo, fez com que os queijeiros utilizassem o soro do queijo parmesão, juntamente com o milho, para alimentar porcos. Mas é a partir dos anos sessenta, que a maturação começa a ser feita do mesmo jeito que é feita até agora. Hoje, com as novas tecnologias, a vantagem, talvez a única, é que eles podem matar e amadurecer em todos os meses do ano, graças ao frio, enquanto uma vez que em tempos idos, o abate e a maturação eram ligados às estações do ano. “Mas fundamental mesmo é compreender a carne, conhecê-la”, afirma Mario, que desde 1976 é responsável pela cura do presunto nestas terras. Ele diz que para fazer um trabalho como este, há que se ter paixão e que cada vez que vê um presunto novinho, o amor se renova e é uma experiência diferente a cada vez. “Não existem regras que definam se o presunto é perfeito ou não. As variáveis são muitas”. Por exemplo,

Por que Langhirano? Langhirano, terra de tradição, com menos de 10 mil habitantes, concentra a maior parte dos produtores de presunto; é local de nascimento do Presunto de Parma – cujo “domínio” espalhou-se às cidades vizinhas, como Felino e Sala Baganza. Os moradores de Langhirano dizem que o presunto é tão doce e de grande qualidade por conta dos séculos de tradição e ao ar do mar Tirreno. No Monte Caio, há um ponto muito baixo dos Apeninos, de modo que uma leve brisa do mar passa pelas florestas de pinheiros e faias. “Nós,

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um jovem apaixonado, ansioso por se tornar mestre de presunto, tem que fazer um estágio de pelo menos cinco anos. Serão necessários tempo e experiência para saber onde colocar o sal, que tipo de carne você está trabalhando; se você precisará apurar sua visão, seu toque, seu olfato. O que é importante quando uma fatia de presunto é degustada (e estamos falando do presunto de Parma), é estar ciente de que, por trás desse simples ato, há um enorme capital investido. O consumo de Parma na Península Italiana é bastante estático, enquanto há um crescimento significativo das exportações para outros países. Ele é exportado para a Europa 20-22% da produção, especialmente para a França e a Alemanha. Atualmente a Rússia também está se tornando um mercado importante. Na contramão, as vendas são limitadas para os Estados Unidos, Japão, China – ainda que seja um produto da alta gastronomia de elite. Importante, também, é lembrar que estamos desfrutando de um produto que é feito de carne de qualidade, elaborado cuidadosamente pelas mãos de especialistas, conforme tradições seculares. De pouco sal e muito tempo.

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vinho

VOSNE-ROMANÉE MAGNUM 2006

GRAN VIU FINCA SANTIAGA 2004 VIÑEDOS Y BODEGAS PABLO, S.C.

CLASSIFICAÇÃO LEGAL: Vosne-Romanée A.O.C. PRODUTOR: Jacques Cacheux REGIÃO: Bourgogne, Côte de Nuits, Vosne-Romanée COMPOSIÇÃO DE CASTAS: 100% Pinot Noir GRADUAÇÃO ALCOÓLICA: 13° GL AMADURECIMENTO: 18 meses em barricas de carvalho francês (30% novas), durante o qual o vinho sofre a fermentação malolática. Duas trasfegas das borras finas são efetuadas neste período. ESTIMATIVA DE GUARDA: 10 anos CARACTERÍSTICAS ORGANOLÉPTICAS: Rubi intenso. O nariz se abre em notas de cereja escura, sobre canela, cedro e alcaçuz. Ingresso em boca com ótimo volume, taninos em trama apertada e amparados por deliciosa sapidez. Longo e austero final. TEMPERATURA DE SERVIÇO: 16 -18°C PREMIAÇÃO MAIS RELEVANTE: Jancis Robinson – 16,5 em 20 ONDE COMPRAR: Decanter

CLASSIFICAÇÃO LEGAL: DO – Denominação de Origem Cariñena /Espanha COMPOSIÇÃO DE CASTAS: Garnacha 70%, Vidadillo, 15%, e 15% Cariñena GRADUAÇÃO ALCOÓLICA: 15,50 GL ENVELHECIMENTO: 48 meses em barricas novas de carvalho francês de Allier e 40 meses na garrafa Podemos afirmar que os vinhos elaborados com a uva grenache (garnacha na Espanha), Tocai Rosso, na Itália do Norte e Cannonau na Sardenha Itália, estão em alta. Cultivadíssima em todo o Velho e Novo Mundo, a grenache é uma uva mediterrânea por excelência. A história sugere que sua origem seja espanhola; os italianos gritam que é oriunda da Sardenha. Enfim, alguns estudiosos dizem que os italianos têm razão – comprovação que só será possível, após um teste de DNA. Se formos analisar individualmente a geografia da Grenache, é incrível, misteriosa e contraditória em relação à sua origem. No Centro sul da França é o grande segredo da AOC Chateau Neuf du Pape e de muitas outras denominações do Rhône. Já nos países do Novo Mundo, o destaque é para a Austrália. Na Espanha, nas Denominações de Origem Priorat, Montsant, Rioja e Cariñena. Na Itália é soberana na Sardenha. O Finca Santiaga 2004 é elaborado com uvas oriundas de um vinhedo de 70 anos (viejas viñas), situ-

ado em Pago de La Santiaga, a 750 metros de altitude em Almonacid de La Serra, dentro da D.O Cariñena na província de Saragosa. Nessa região as temperaturas noturnas são mais frescas, condição climática que permite a maturação plena das uvas, portanto as uvas do Finca Santiaga 2004 foram vindimadas em estado de maturação fenólica perfeita. CARACTERÍSTICAS ORGANOLÉPTICAS: A cor desse esplêndido vinho é vermelho intenso, quase opaco. O nariz apresenta uma complexidade aromática espetacular; é fresco, balsâmico com tons tostados, de baunilha, especiarias e alcaçuz. Esse potente corte, apesar do teor alcoólico alto, é muito bem equilibrado. Na boca é estruturado e quente. Com taninos firmes e envolventes. Esbanja riqueza e profundidade. E deve ficar melhor ainda nos próximos anos. Ideal para quem quer vinhos potentes! PREMIAÇÕES RELEVANTES: 94 Pontos RP ONDE COMPRAR: Grand Cru Belém Indicação da Sommelière Ana Luna Lopes

COLOMÉ 180 AÑOS EDICIÓN ANIVERSARIO 2010

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PRODUTOR: Colomé REGIÃO: Salta - Vale de Calchaquí - Finca El Arenal, vinhedos localizados a 2.600 metros de altitude. COMPOSIÇÃO DE CASTAS: 100% Malbec GRADUAÇÃO ALCOÓLICA: 14,5° GL ESTIMATIVA DE GUARDA: 10 anos CARACTERÍSTICAS ORGANOLÉPTICAS: Coloração negra com halo violáceo. Intenso e complexo com cereja negra, especiarias picantes e grafite. Carnudo, com grande estrutura gustativa, taninos nobres enlaçados em prazeroso frescor. Longuíssimo final. TEMPERATURA DE SERVIÇO: 16 – 18°C ONDE COMPRAR: Decanter

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CLASSIFICAÇÃO LEGAL: DO – Maimará Jujuy - Argentina COMPOSIÇÃO DE CASTAS: Malbec e pequenas quantidades de Cabernet Sauvignon e Syrah GRADUAÇÃO ALCOÓLICA: 15 GL ENVELHECIMENTO: 12 meses em barricas novas de carvalho francês e americano, 24 meses em garrafa. Viajando pelos imensos desertos de Maimará Jujuy, a sensação que se tem é a de fazer uma viagem ao fim do mundo, onde a natureza é grande e tudo parece ser mais autêntico nessa paisagem confusa, mutante e multicor. Na aridez dessa terra o empresário Fernando Dupont começou a produzir vinhos em 2004, acreditando num projeto que deu certo: criar vinhos com tipicidade e identidade elaborados num terroir peculiar. Num trabalho imenso, mas que vem dando bons frutos, a Bodega F. Dupont conta com a consultoria do winemaker Marcos Etchart e adotou como filosofia de produção a identificação do solo mais do que as dos tipos de uva. No solo pedregoso todo o trabalho feito é artesanal, cuidadosamente manual, respeitando o ciclo de energia do lugar e resgatando o cultivo ancestral dos vinhedos. A drenagem é feita com água

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energizada pelo sol. Enfim nesse cenário fantástico esses vinhos são fantásticos e com uma identidade autóctone bem forte característica principal desse lugar. O corte Pasacana 2011 é elaborado quase que completamente com a Malbec; é bem elegante em sua combinação. Trata-se de um vinho de grande personalidade; sua cor é quase negra e seus aromas intensos trazem a vivacidade da uva passa, da cereja madura e um toque final delicioso e intenso de especiarias. O corpo é suculento e vigoroso, equilibrado com acidez típica dos vinhos de altura. Exótico e enérgico. Nos seus quatro hectares de vinhedos, a Bodega Dupont vai seguindo orgulhosa em elaborar vinhos tão originais. PREMIAÇÕES MAIS RELEVANTES: 93 Pontos RP ONDE COMPRAR: Grand Cru Belém Indicação da Sommelière Ana Luna Lopes


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dĂŠcor

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Foto Marcus Mendonça

da redação consultoria: Aretusa Remor

Dudu Maroja

Muitoalém

do

jardim

As varandas gourmet são um dos maiores atrativos nos empreendimentos imobiliários. E também são tendência – hoje elas são muito mais comuns, e mesmo quem não tem já começa a olhar sua sacada sob “outro prisma”.

O

fato é que as varandas foram conquistando cada vez mais espaço em nossas vidas e já conseguimos imaginar nossos dias de festa (e os comuns) sem elas. E elas não são mais a “possibilidade de ar livre e jardim” fora do apartamento. Muitas pessoas têm optado por integrá-las ao lar – tornando-as parte indissociável do todo e – sem dúvidas – o ambiente mais charmoso e convidativo! Vivemos uma época em que as pessoas decidem trazer a diversão para dentro de casa: convidam amigos, fazem churrascos, assam pizzas caseiras... decidem viver o entretenimento com conforto, com fartura e com segurança. Confira belíssimos projetos que transformaram as varandas gourmet nas estrelas principais das casas (e não estranhe se, por exemplo, as varandas ofuscarem o brilho das cozinhas). A Leal Moreira, pioneira em estilos e tendências, aposta nas varandas gourmet como ponto de encontro da família e amigos. Mas engana-se quem acha que só as sacadas podem ser convertidas nesses charmosos “oásis”.

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As casas, ainda que térreas, podem ganhar também espaços do gênero. Não há espaços? Isso não é problema! A arquiteta Conceição Barbosa, convidada a dividir seus projetos conosco nesta edição, utilizou-se de uma edícula, para criar espaço. Na foto ao lado, uma edícula foi erguida, em uma residência de um condomínio fechado em Belém. Nesse caso, o cliente optou por não usar churrasqueira e sim uma área de lazer e convívio, instalando apenas um cooktop de apoio e freezer. O estilo da decoração mais rústica, remete à descontração e aconchego na hora de receber a família e os amigos. O ambiente consta de dois espaços bem definidos com mesa para refeições e estar com TV. Como seu espaço é isolado da casa, conta com banheiro de apoio. No fundo do balção preto de granito, cerâmica que imita ladrilho hidráulico, formando um pathwork bem colorido. As paredes recebem a mesma textura envelhecida de toda a casa e o forro de lambril pintado de branco acompanhando a inclinação do telhado, dão um toque especial, ajudando a arejar mais o ambiente. O paisagismo foi de Margareth Maroto.


Foto Marcus Mendonรงa

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Varanda da casa: Diretamente integrada ao living da casa, de frente para a piscina. Piso antiderrapante claro (como todos os acabamentos da casa) e móveis em dimensões generosas, que proporcionam conforto e um convite a um relax. O mobiliário foi totalmente escolhido em tons claros, criando uma harmonia com o restante da decoração. Destacamos, como ponto alto, a parede viva, criada por Margareth Maroto, com samambaias e outras espécies.

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Foto Marcus Mendonça

Edícula: espaço criado separadamente da casa, para abrigar cozinha gourmet com churrasqueira de apoio e excelente ambiente de estar com TV. Piso antiderrapante e as cores escolhidas foram os off white e azul marinho. A iluminação foi pensada pela “Design da Luz”. Os sofás com capa facilitam a vida pela praticidade e conforto que proporcionam. É um ambiente completo para o lazer, totalmente independente do corpo da casa.

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Sacada: Com 26m², totalmente integrada ao living do apartamento. Percebe-se que não há porta dividindo a sacada do living. O piso é todo nivelado, o que aumenta a sensação de integração. Com vista superpanorâmica, também optamos pelo fechamento com reiki e ar condicionado.

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A decoração é clássica, seguindo o estilo de todo o apartamento, criando um ambiente elegante e acolhedor ao mesmo tempo. O piso é em nanoglass (Marmobraz) e veja o detalhe do forro de gesso “lambrizado”, que remete ao estilo mais clássico, fugindo um pouco dos forros sempre muito retos.

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Sonata Residence

EBBEL, PRESENTE NOS EMPREENPREENDIMENTOS DA LEAL MOREIRA E NA REVISTA LEAL MOREIRA EM TODA SUA HISTÓRIA. O Sonata Residence é um dos empreendimentos de alto nível da Leal Moreira que tem a segurança e a beleza dos vidros Ebbel. Uma combinação atestada por tantas outras obras de qualidade.

• Aumento de área útil. • Proteção contra vento, chuva, poluição e maresia. • Valor e qualidade otimizados, propondo melhor custo/ benefício, uma vez que proporciona maior comodidade e conforto. • Segurança com uso de vidros temperados • Praticidade em seu manuseio e limpeza.

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FESTIVAL DE MASSAS Nos dias 01 e 02/02, a Leal Moreira recebeu os visitantes do estande de vendas do Torres Devant com um delicioso festival de massas. O evento foi uma boa oportunidade para quem queria conhecer o empreendimento.

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Institucio

INVESTINDO NOS COLABORADORES A Leal Moreira promoveu várias ações motivacionais para seus corretores nos dias 28, 29 e 30 de janeiro, no estande de vendas do Torres Devant. Algumas delas foram distribuição de brindes e apresentações de esquetes com o ator Ricardo Thomaz, do grupo Palco Empresarial.

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TNCOM Foto: Mario Grisolli | Produção: Maurício Nóbrega

Coleção Armårios Leather.

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INÍCIO DAS OBRAS DO TORRES DEVANT O Torres Devant, sucesso de vendas da Leal Moreira, terá suas obras iniciadas em fevereiro, cumprindo o prazo planejado seis meses após seu lançamento. As vendas de unidades do empreendimento estão sendo realizadas na loja da Leal Moreira Imobiliária, na Rua João Balbi esquina com a Doca. O estande da Tv. Pirajá será desativado, já que ele está localizado onde será construído o Torres Devant.

NOVO MODELO DE GESTÃO DA LEAL MOREIRA A Leal Moreira é uma empresa referência no mercado paraense há quase três décadas e está em constante crescimento. Prova disso foram as conquistas em 2013 das principais premiações do estado, como o ORM/ACP e a pesquisa Top de Negócios, ratificando a liderança em seu segmento. Em 2014, a construtora pretende superar ainda mais suas metas e já começou o ano dando um grande passo: a adoção do modelo de Governança Corporativa. Nesse modelo de gestão, a empresa amplia seus horizontes e acelera ainda mais seu crescimento por meio da contratação de executivos, os quais têm a responsabilidade de garantir de maneira

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sustentável a sua perpetuidade. O processo pressupõe também a criação de um Conselho de Administração que, de forma transparente e integrada aos executivos, aprova diretrizes, acompanha a aplicação de estratégias e mede resultados. Esse Conselho é formado pelos sócios fundadores e por membros independentes. O novo Diretor Executivo/CEO da Leal Moreira, Drauz Reis, explica a importância da mudança interna. “Todo processo de Governança Corporativa requer necessariamente crescimento. A Leal Moreira é uma empresa sólida, que foi erguida por homens empreendedores. A adoção do modelo chega com o propósito de somar ao que já foi feito por eles e consolidar a Leal Moreira que queremos para os próximos 30 anos.” Em resumo: o novo modelo proporcionará melhores resultados, permitindo que a construtora cresça ainda mais e que seus colaboradores e clientes sejam os maiores beneficiados.

ANO DE CONQUISTAS A Leal Moreira está com grandes expectativas para 2014. A previsão é que a construtora entregue três empreendimentos, totalizando assim mais de 30 entregas em 28 anos de atuação no mercado paraense. Além disso, a Leal Moreira está planejando lançar outros três.

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Fazemos parte da vida de quem vive em conjunto. Inclusive nas redes sociais. Acompanhe o grupo Lotus pelo Facebook e Instagram e mque por dentro das novidades de nossos serviรงos e do mundo imobiliรกrio. (91) 3344-4420 โ€ข www.lotusonline.com.br


nal

Institucio

ACOMPANHE AS OBRAS DE SEU LEAL MOREIRA Pensando na comodidade de seus clientes, a Leal Moreira disponibiliza em seu site um serviço de acompanhamento das obras com fotos e gráficos atualizados. Tudo rápido e prático. Basta clicar no link do empreendimento e acessar “Obras”. www.lealmoreira.com.br

LEAL MOREIRA PATROCINA O LIVRO “FEIRA DA NOITE” A Leal Moreira patrocinou o livro “Feira da Noite” do jornalista Edgar Augusto, lançado em dezembro do ano passado. A obra traz uma seleção especial de histórias de Edgar, desde lembranças de bastidores de jornalismo a recordações de suas andanças boêmias por Belém. É com muita satisfação que a Leal Moreira busca apoiar projetos que destacam e dignificam os nossos valores regionais e a nossa cultura.

CRESCIMENTO DA EMPRESA Além das reformas estruturais no prédio sede da Leal Moreira – que estão trazendo grandes benefícios para clientes e colaboradores –, a construtora está se expandindo e terá em fevereiro um novo local para abrigar os setores de Gestão de Pessoas, Departamento Pessoal e – temporariamente – a loja da Leal Moreira Imobiliária. O endereço é na Rua João Balbi, esquina com a Doca, em frente à sede da construtora.

LEAL MOREIRA CONTRATA GERENTE DE GESTÃO DE PESSOAS

O setor de Gestão de Pessoas é essencial para o desenvolvimento do modelo de Governança Corporativa. Para gerenciar essa área, a Leal Moreira contratou a psicóloga Rosanny Nascimento. Com 20 anos de experiência em Gestão de Pessoas, ela já trabalhou em diversas empresas nacionais e multinacionais de médio e grande porte. Há dois anos atuando na construção civil, Rosanny está entusiasmada com o novo cargo. “Entrar para o time da Leal Moreira é uma honra. Há muito admiro a empresa pelo padrão de qualidade de seus empreendimentos e principalmente pela valorização da cultura local, por meio do apoio e patrocínio de importantes eventos. Minha expectativa é somar e contribuir para que este time, que já é vencedor, seja ainda mais preparado para os desafios que essa nova estrutura propõe.”

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Institucio

Check List das obras Leal Moreira projeto

lançamento

fundação

estrutura

alvenaria

revestimento

fachada

acabamento

Torres Devant 2 ou 3 dorm. (1 suíte) • 68m2 e 92m2 • Travessa Pirajá, 520 (entre Av. Marquês de Herval e Av. Visconde de Inhaúma) Torre Unitá 3 suítes • 143m2 • Rua Antônio Barreto, 1240 (entre Travessa 9 de janeiro e Av. Alcindo Cacela). .

Torre Parnaso 2 ou 3 dorm. (1 suíte) • 58m² e 79m² • Av. Generalíssimo Deodoro, 2037 (com a Rua dos Pariquis). Torres Dumont 2 e 3 dorm. (1 suíte) • 64m² e 86m² • Av. Doutor Freitas, 1228 (entre Av. Pedro Miranda e Av. Marquês de Herval). Torre Vitta Office Salas comerciais (32m2 a 42m²) • 5 lojas (61m2 a 254m²) • Av. Rômulo Maiorana, 2115 (entre Travessa do Chaco e Travessa Humaitá). Torre Vitta Home 2 e 3 dorm. (1 suíte) • 58m² e 78m2 • Travessa Humaitá, 2115 (entre Av. Rômulo Maiorana e Av. Almirante Barroso). Torre Triunfo 3 e 4 suítes (170m²) • cobertura 4 suítes (335m²) • Trav. Barão do Triunfo, 3183 (entre Av. Rômulo Maiorana e Av. Almirante Barroso). Torres Floratta 3 e 4 dorm. (1 ou 2 suítes)• 112m² e 141m² • Av. Rômulo Maiorana, 1670 (entre Travessa Barão do Triunfo e Travessa Angustura). Torres Trivento 2 e 3 dorm. (1 suíte)• 65m² e 79m² • Av. Senador Lemos, 3253. (entre Travessa Lomas Valentinas e Av. Dr. Freitas). Torre Résidence 3 suítes (174m²) • cobertura 4 dorm. (3 suítes - 361m²) • TV. 3 de Maio, 1514 (entre Av. Magalhães Barata e Av. Gentil Bittencourt). Torres Ekoara 3 suítes (138m²) • cobertura 3 suítes (267m2 ou 273m²) • Tv. Enéas Pinheiro, 2328 (entre Av. Almirante Barroso e Av. João Paulo II).

Veja fotos do andamento das obras no site: www.lealmoreira.com.br

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em andamento

concluído


Revista Leal Moreira vĂĄrias maneiras de curtir.

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Travessuras das

novas

meninas más

Nara Oliveira Consultora empresarial

No país do futebol, do populismo e do jeitinho, um novo traço da cultura nos assalta e constrange: a partir do por do sol, em nossas salas, celulares e tablets: o apelo à sexualidade. Voltados, sobretudo ao público muito mais jovem, os programas de TV buscam audiência com exposição de corpo, de intrigas emocionais e das mazelas da condição humana. A mudança de costumes passou também pelas famílias: pais solteiros namoram, brigam, ficam e criam um clima de romance no ar em suas casas de constituição moderna. O resultado é uma precocidade bem contextualizada e atual. As crianças namoram, desenvolvem hábitos de consumo, se vestem e preocupam-se na vanguarda do mundo. Como a maturidade bate primeiro na porta das meninas, estas se tornaram “pequenas grandes mulheres” frente aos inseguros meninos, viciados em jogos eletrônicos e pouco confortáveis no papel de companheiros. Tudo invertido, revirado e fora de seu tempo. Bom, nós, pobres pais vendidos e desatentos, sucumbimos à pedida dos tempos sem considerarmos “the whole Picture”. Alegres, viajamos com nossas filhas adolescentes, tendo seus namorados listados como convidados; arrumamos leitos para os mesmos em nossas casas e assistimos aos jovens casais brincarem de ‘somos uma família’. Em intervalos assistimos trocas casuais nominadas de “fica“. O que será, que será? A evolução tecnológica e os rearranjos econômicos, além da crescente industrialização ditam de forma enfática uma nova ordem de hábitos e costumes. Povo algum permanece o mesmo com a entrada de tantos fatores diferentes em suas vidas, famílias e casas. O como estas inovações irá mexer o caldo da cultura de nossas famílias isto sim está dentro de nossa autoridade e é nossa responsabilidade. O primeiro a dizer NÃO, favor relatar a experiência aos demais a título de preparação. Boa sorte! www.revistalealmoreira.com.br

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RLM nº 42

Mulheres, flores em nossas vidas. GENTE DESIGN ESTILO IDEIAS CULTURA COMPORTAMENTO TECNOLOGIA ARQUITETURA

Viva o Dia Internacional da Mulher.

ano 10 número 42

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João Carlos Moreira

Leal Moreira

O olhar estrangeiro e os belos cenários em imagens inesquecíveis

Arnaldo Antunes Arthur Nogueira Jamón de Parma


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