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ENTREVISTA

Wagner Moura, o capitão mais famoso do cinema conta sobre sua carreira ESTREIAS

CRÍTICA

Dúvida: você seria capaz de lidar com uma Amizade Colorida?

De vampiros a pinguins, o cinema está recheado de novidades

Nova vida após Harry Potter:

EMMA WATSON


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Revista Popcorn - Dezembro de 2011


Revista Popcorn - Dezembro de 2011

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EDITORIAL

ENTREVISTA

Wagner Moura, o capitão mais famoso do cinema conta sobre sua carreira ESTREIAS

De vampiros a pinguins, o cinema está recheado de novidades

CRÍTICA

Dúvida: você seria capaz de lidar com uma Amizade Colorida?

Nova vida após Harry Potter:

EMMA WATSON

Capa Emma Watson Fotógrafo Sean Cook Edição Géssica Gineli

Diagramação Dayvid Gagno Fernanda Nascimento Géssica Gineli

Supervisão Ricardo Esteves

Site www.popcorn.com

O cinema em suas mãos Um dos papéis de uma revista que trata do mundo do cinema como a POPCORN, é informar aos nossos leitores o que está e o que estará se passando no mundo das telonas e também o que acontece por trás das câmeras. Nesta nossa primeira edição que você começa a ler agora, o editor Dayvid Gagno entrevistou uma atriz que vimos crescer e se tornar uma mulher, que teve a carreira marcada por uma personagem que pode até ser esnobe no início com toda a sua inteligência e esperteza, mas que está disposta a dar a vida por uma das coisas mais importantes do mundo: a amizade. Hermione Granger interpretada por Emma Watson, chega ao fim depois de 8 filmes juntamente com a trama para a infelicidade de bilhões de fãs. Agora com 20 anos, Emma Watson tem que se desdobrar para sair do personagem que durou 10 anos: será que depois de tanto tempo interpretando a Hermione, a personagem pode ter influenciado seu caráter? Mesmo assim está na hora da nossa ex-garotinha mostrar o seu talento em outros tipos de filmes enquanto tenta conciliar com a sua nova vida de universitária. E se tratando de amizade nesta edição abrimos uma discussão sobre um dos vários impasses da humanidade. Como já se diziam, o mundo não é feito de respostas e sim de perguntas, então aqui te perguntamos: você tem condições de lidar com uma amizade colorida? Muitos arriscam dizendo que sim, mas o difícil mesmo é uma das partes acabar não se envolvendo. Será que vale a pena transformar uma boa amizade em um relacionamento sem compromisso? Esse dilema foi retratado no filme Amizade Colorida onde o casal de amigos vividos por Justin Timberlake e a ucraniana Mila kunis passam pelos melhores e piores momentos desse tipo de relacionamento. Ainda nessa edição temos uma coluna especial assinada por Géssica Gineli, onde ela traz as trilhas sonoras dos filmes mais bombásticos do momento. Fernanda Nascimento editora-chefe

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CRÍTICA Jáder Santana analisa a comédia romântica Amizade Colorida, que tem no elenco Justin Timberlake e Mila Kunis.

ENTREVISTA Wagner Moura nos conta um pouco sobre seus novos trabalhos e sobre a proposta de trabalhar num filme em Hollywood.

ENQUETES Confira o resultado sobre os filmes que retratam a violência no Rio de Janeiro e opine sobre a ida de Ashton Kutcher para uma série.

CAPA Emma Watson, que agora também é universitária, conta sobre seus novos papéis e como está a vida depois do fim de Harry Potter.

VOCÊ COMENTA Confira a opinião e a nota dos nossos leitores sobre grandes filmes como Bastardos Inglórios, Cisne Negro e Contágio.

ESTREIAS Este mês reserva estreias muito esperadas como a primeira parte de Amanhecer e a continuação de Happy Feet.

TRILHA SONORA A trilha da vez é a do filme Alice in Wonderland, de 2010, que possui artistas de peso como Avril Lavigne e Franz Ferdinand.

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C R Í T IC A

Amizade Colorida

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por Jáder Santana

Um melhor amigo para compartilhar seus grandes segredos, descarregar problemas e satisfazer suas vontades mais lascivas. Sem compromissos, sem ligações no dia seguinte. Isso funciona?

Algumas comédias românticas, por mais previsíveis que possam ser, agradam os sentidos do espectador, seja pelas situações risíveis que carrega em seu roteiro, seja pelo carisma de seus protagonistas ou, ainda, pelos atributos físicos do mesmo. “Amizade Colorida” é absolutamente previsível, mas por ter em seu escopo todos os elementos acima citados, acaba sendo uma diversão interessante para uma noite sem muitas opções. O diretor Will Gluck traz em sua filmografia duas comédias anteriores: a pouco conhecida “Pelas Garotas e Pela Glória”, típica comédia adolescentóide com seu ambiente ginasial e líderes de torcida, lançada em 2009, e a bem-sucedida “A Mentira”, de 2010,

que colocou Emma Stone no papel principal e surpreendeu o público pela originalidade de algumas situações, arrecadando uma boa bilheteria e ganhando uma indicação ao Globo de Ouro. Agora, com “Amizade Colorida”, Gluck parece solidificar sua imagem como fração dotada de alguma criatividade entre tantos realizadores de comédias românticas e, embora não faça um filme que seja inovador por completo, sabe trabalhar bem com as potencialidades de seu gênero. Potencialidades que começam com os protagonistas, dois nomes de apelo junto ao público. O cantor e compositor com incursão pela sétima arte Justin Timberlake carrega para os cinemas sua parcela feminina de fãs e dá conta

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dela com um talento adequado para sua proposta, sempre demonstrando equilíbrio entre as situações e fugindo das atuações exageradas ou insuficientes. A ucraniana Mila Kunis, famosa por sua personagem em “Cisne Negro”, ainda não demonstra tamanha naturalidade enquanto promove uma ou outra situação cômica, embora sempre ofereça bons momentos quando assume os traços dramáticos de seu papel. Mesmo assim, é digno de destaque o esforço exibido por ela e a capacidade de fazer humor com seus próprios “defeitos” – dela e da personagem. O nome de Woody Harrelson aparece para, vez por outra, romper com a hegemonia do casal, e ele está impagável como o gay


másculo da editoria de esportes de uma grande publicação. Vocês sabem o que esperar. Harrelson é Harrelson. A química entre o casal é natural, quente, excitante, beira o animalesco, e o roteiro – também de Will Gluck – sabe valorizar o que tem em mãos. Em uma história em que o sexo casual é a palavra de ordem, os protagonistas atendem perfeitamente aos requisitos exigidos para boas – e divertidas – cenas de sexo. E elas estão lá, em todos os lugares, cômodos e posições imagináveis, com uma riqueza de detalhes surpreendente para a classificação indicativa que sustenta. Não que o público vá presenciar cenas explícitas – isso fugiria da proposta cômica-romântica do roteiro –, mas as sequências de sexo carregam, para além do que faixa etária permite, algo de picante que não é facilmente conseguido nem por produções direcionadas ao público adulto. São corpos sem roupa marcados por lençóis de seda, expressões de êxtase e pedaços de pele que escapam das cobertas, tudo captado de modo original pelas câmeras de Gluck, cheias de ângulos curiosos. Na segunda metade do longa, quando o sexo casual começa a assumir ares não tão casuais assim, é perceptível a mudança de tratamento demonstrada pelas lentes do diretor, que passa a trabalhar de modo mais romântico e idealizado. Melhor seria se tudo continuasse como antes… Para acompanhar o roteiro ágil, uma

trilha sonora moderninha está por trás da trama: Bruno Mars, Eric Paul, Janelle Monáe, Train, Death Cab For Cutie, Greg Laswell e muitos outros nomes que fazem boa música pop. É difícil não sair do cinema cantarolando os versos de “Hey, Soul Sister”, do Train, ou não tamborilar na poltrona enquanto toca “Tightrope”, da Janelle Monáe. “Amizade Colorida” é um filme divertido, bem construído com suas cenas apimentadas e que sabe dosar de modo satisfatório o humor e o drama de seus protagonistas. Algumas sequências são realmente agradáveis, como a construção da apresentação dos personagens, em uma sobreposição de diálogos que vai ser explicada segundos depois. Talvez alguns reclamem da

FICHA TÉCNICA Título: Amizade Colorida (original: Friends with Benefits) Lançamento: 2011 (EUA) Direção: Will Gluck Atores: Justin Timberlake, Mila Kunis, Patricia Clarkson, Emma Stone. Duração: 109 min Gênero: Comédia Romântica Status: Em cartaz escassez de situações cômicas no roteiro, mas arrancar gargalhadas sonoras nem sempre é sinônimo de qualidade.

Nota:

7/10 Um pouco sobre o crítico: Jáder Santana é crítico do CCR desde 2009 e estudante de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Experimentou duas outras graduações antes da atual até perceber que 2 + 2 pode ser igual a 5. Agora, prefere perder seu tempo com teorias inúteis sobre a chatice do cinema 3D. Revista Popcorn - Dezembro de 2011

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E N T R EV I STA

Wagner Moura por Letícia C. Alves

Ator, cantor. Baiano, 35 anos. Casado e reside no Rio de Janeiro. 8

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Um dos atores mais admirados do Brasil concede uma entrevista à Popcorn e conta detalhes de seus filmes mais recentes, além de comentar sobre alguns atores com os quais contracena.

Um dos atores de maior destaque da sua geração, Wagner Moura demonstra talento a cada personagem que faz. Por ser baiano, tive a oportunidade de vê-lo começar: literalmente. Fui sua contemporânea do colégio Mendel, onde ele teve seu primeiro grupo de teatro amador, o Pasmem. Das primeiras peças de teatro, comerciais e filmes, não demorou muito até o reconhecimento nacional. Wagner já fez cinema, especiais de televisão, novelas, peças e dispensa qualquer apresentação. Agora, recebeu seu primeiro convite de Hollywood, onde irá ser um vilão do filme Elysium, dirigido por Neill Blomkamp (Distrito 9) e que tem ainda no elenco Matt Damon e Jodie Foster. Mas, antes, ele é Marcelo,

o protagonista de VIPs, que ele ressalta não ter muito do Marcelo da Rocha real. Detento do Carandiru, oficial do Bope e falsário fanfarrão são algumas das muitas facetas vividas por Wagner Moura no cinema. Na coprodução Globo Filmes dirigida por Claudio Torres - que terá pré-estreia especial em cinemas de todo Brasil neste sábado, Moura interpreta Zero, um cientista que tem a chance de voltar ao passado para tentar modificar sua vida. O ator explica como criou três versões diferentes para o mesmo personagem e que diz ter ficado estupefato ao descobrir que usariam computação gráfica para colocar a sua cabeça no corpo de dublês. “Fico amarradão de fazer parte disso aqui no Brasil”, afirma Moura.


Você já fez quase vinte filmes, várias peças e duas novelas, mas parece que sempre vão te associar ao Capitão Nascimento. Você chegou a temer ficar marcado com o papel? Não, acho assim, talvez soe um pouco pretensioso, mas eu existia muito bem como ator antes do Capitão Nascimento, que foi em 2006. Não estou negando a importância que Nascimento tem na minha vida, ele é ótimo, sou orgulhoso dos dois Tropas de Elite que eu fiz, mas eu não me preocupo com isso porque acredito que sou capaz de fazer outras coisas. E para não perder a deixa, como é construir um personagem que seria secundário e vira protagonista na sala de montagem? Eu acho uma coisa muito interessante essas duas dimensões que Nascimento tem. A dimensão política que é muito forte e a dimensão cultural. Ele se tornou um personagem da cultura pop brasileira e talvez um dos mais fortes. Me agrada muito fazer parte de um projeto assim. Acho que é a hora do nosso cinema, e acho que VIPs se insere nesse contexto, de a gente fazer filmes de qualidade, bem feitos, bem produzidos, com boas atuações, bons roteiros e que traga o público para ver o filme, que tenha um bom potencial de bilheteria. Filmes que sejam comerciais e não sejam bobagens. Como é ser VIP? Não sei o que é isso direito. O que quer dizer isso, né?Para cada pessoa “ser VIP” tem um significado único. Alguns buscam e querem ser lembrados e reconhecidos. Pois é, o que é para você? Eu tenho meio que aversão a isso. Nunca vou nesses eventos grandes que tem aquele montão de gente dançando e um cercadinho assim com os VIPs. Eu não queria tá dentro daquele cercadinho não, acho muito careta aquilo. Já que você falou em cinema nacional. Você é baiano, sei que você está sempre por aqui, ajudando produções independentes. Vi o curta da Kabum que você fez a narração. Como você vê o cinema local?

Eu não tenho visto os últimos filmes baianos. O último que eu vi foi um filme extraordinário que foi do Edgar Navarro: Eu me Lembro. Não vi o filme de João Rodrigo, Trampolim do Forte, que soube que é muito bom. Tem também o filme do Pola, Jardim das Folhas Sagradas que eu não consegui ver. Teve lá no Rio, mas eu não consegui ver. E sei de uma galera que está se organizando. Acabei de receber aqui uma caixa com os cem anos do cinema na Bahia. Uma caixa sensacional, com os filmes de Roberto Pires, tem A Grande Feira, o Mágico e o Delegado, o próprio Eu me lembro, enfim, vários filmes baianos muitos bons e você vê que a Bahia tem tradição. Em o Homem do Futuro você interpreta o mesmo personagem em três momentos diferentes da vida. Em diversas cenas eles se encontram. Como construiu essas passagens de tempo? A tendência natural para trabalhar uma personagem com três fases distintas é de preenchê-las com coisas diferentes, mas, logo no começo do processo, optei por fazer o sentido inverso. Era importante identificar o mesmo cara dentro das três versões, pois, na verdade, todas elas faziam parte da mesma pessoa. Então, trabalhei para que houvesse uma união, um alinhamento entre eles.

“Eu não queria estar dentro daquele cercadinho não, acho muito careta aquilo.” No filme “Cidade Baixa” [2005], em que seu personagem e o de Lázaro Ramos disputam violentamente a mesma mulher, vocês chegaram a pôr a amizade à prova? A preparadora de elenco] Fátima [Toledo] tentou fazer isso, mas, sinceramente, ela não conseguiu. Ela achava que, para haver o conflito dos personagens Naldinho e Deco, precisava desestabilizar a nossa relação. Ela tentou muito, com exercícios, fazer com que a gente se agredisse, se odiasse. Foi

muito cansativo porque a gente se ama. Por outro lado, o que ela conseguiu, que não ficou explícito nos exercícios, foi fazer com que “Cidade Baixa” fosse uma grande revisão da minha amizade com Lázaro. Quando acabou “Sexo Frágil”, a gente foi fazer o filme e comecei a perceber que a nossa amizade estava muito no piloto automático. A gente chegou a conversar no hotel sobre a nosso história, que foi mudando com o tempo. Fomos crescendo, nos tornamos pessoas diferentes. Sempre tive Lázaro [27 anos] como o irmão mais novo. Eu era o mais velho, quando Lázaro é um homem de uma maturidade que eu não tenho. O maluco sou eu. Ele é centrado, organizado. Quando comecei a entender isso, foi difícil para mim. Era um pouco como ele se libertando. E acho que isso se deu em “Cidade Baixa”, e a Fátima tem mérito nisso. Você se sente à vontade com o atual modo modo de produção do cinema brasileiro, baseado em leis de renúncia fiscal? Sem esse sistema não existiria cinema. As leis de incentivo são fundamentais. Se acabarem, acaba o cinema. Antes de interpretar em VIP a história do Marcelo da Rocha, você já à conhecia? Eu só conhecia o episódio da Gol. Mas, é a história de uma pessoa que se passa por outras para tirar vantagens. E, você viu o filme, não é isso que acontece lá. É a história de um menino que vai sendo, ele vai se buscando, existindo no universo daqueles heterônimos dele. Então é isso. Eu procurei não saber nada, porque não era sobre aquilo que eu estava querendo falar. E a sua composição para o personagem, você não quis conhecer o Marcelo real. Qual foi a opção? É porque quando eu vi a história do roteiro do Braulio Mantovani, era essa a história que eu estava lendo. Bom... que história linda, a história de um menino que se procura, que se busca, que quer entender o que ele é. A história do Marcelo da Rocha, simplificando-a, é a história de um estelionatário. Revista Popcorn - Dezembro de 2011

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E agora, você foi convidado para fazer um filme em Hollywood. Como está vendo essa expectativa? Normal, foi o primeiro convite bom que eu recebi para filmar fora e aceitei na hora. Que ator viu em cena e pensou: “Quero ser assim”? Pedro Cardoso. Eu vi “O Vau da Sarapalha”, espetáculo do Luiz Carlos Vasconcellos, quando eu era do Grupo Piolim. Essa peça me mudou. Fiquei louco. Fiquei sem conseguir levantar da cadeira. Teatro antropológico, atores que passaram não sei quanto tempo numa fazenda. Fiz uma oficina com Luiz Carlos [Vasconcellos] em Salvador, que foi fundamental para mim, para minha relação com o meu corpo. Como não tinha uma formação [em arte dramática], ia fazendo as coisas sem saber e chegou na minha mão um livro de Eugênio Kusnet sobre o método de Stanislaviski. Li e falei: “É isso!”. Então, tudo o que eu fazia era psicológico. Psicologizava tudo. Luiz Carlos me apresentou [as teorias e técnicas de Eugênio] Barba, [Antonin] Artaud, [Jerzy] Grotowski, o teatro físico. Aí fiquei maluco. Agora, sou fã de Pedro Cardoso, que é outra praia. Mas Pedro Cardoso não faz sempre o papel de Pedro Cardoso? Mas é genial. Ninguém faz Pedro Cardoso melhor que ele. Eu imito Pedro Cardoso. Quando fazia [o seriado da Globo] “Sexo Frágil” meu trabalho era uma imitação grotesca de Pedro Cardoso. Eu era louco por “Sexo Frágil”. Lamento até hoje ter acabado. Ouvimos que, nas gravações de “Deus É Brasileiro”, Antonio Fagundes se aborreceu algumas vezes com seu pendor para o improviso. Contracenar com um ator famoso como ele chegou a te intimidar? Quando comecei a fazer “Deus É Brasileiro”, sabia que Taoca era um personagem muito bom e, sinceramente, sabia que podia fazê-lo bem. Era uma coisa que tinha vivido muito, conhecia o jeito daquele personagem. Mas o meu trabalho não teria sido tão elogiado e legal se não fosse Fagundes. Fagundes é o cara de quem sinto falta. Ele se tornou meu amigo quando acabou 10

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“Deus É Brasileiro”. A primeira coisa que fiz na TV foi ele que me levou, “Carga Pesada”. Perguntava absolutamente tudo para Fagundes. A relação foi de quem sabe para quem não sabe nada, com toda a generosidade possível. Esse travo nunca aconteceu. E, se você for ver, ele levanta a minha bola o tempo inteiro.

“Mas o meu trabalho não teria sido tão elogiado e legal se não fosse Fagundes.” Você já fez vários especiais em televisão, mas telenovelas foram apenas duas. Gosta do formato? Eu adorei. Fiz duas novelas que adorei ter feto, quero fazer mais, mas agora não. Agora, não estou querendo fazer nem novela nem teatro. Quero ficar agora um tempo fazendo filme. Acho que o momento nosso é muito bom. O momento de fazer esse tipo de filme que eu falei, que alie qualidade com potencial de público. Como foi trabalhar com Jorge Furtado [diretor de “O Homem que Copiava”, “Meu Tio Matou um Cara”]? Pô, vou falar então. Por favor,

publique isso [risos]. Eu quero um contrato vitalício com a Casa de Cinema de Porto Alegre. Você se considera um profissional realizado? Que sonho lhe falta? Não, mas nem saberia dizer o que falta, quando estiver, me aposento. Você concorda com a expressão “axé acting”, usada depois do sucesso de “A Máquina” para definir seu estilo de interpretação? Foi Cacá [Diegues] que cunhou essa expressão.Eu boto muita energia nas coisas. Quando fiz “Deus É Brasileiro” [de Diegues], dei sorte, porque era um personagem por si só extravagante, pícaro. Se fosse fazer outro filme, que exigisse uma economia, estaria fodido, porque não sabia fazer. Não sabia mesmo. Mas aprendi muito com cinema. Fiz muitos filmes de “Deus É Brasileiro” para cá, e fui burilando essa relação com a interpretação para cinema. Mas o “axé acting” tem algo que procuro conservar que é uma coisa selvagem, de não se deixar enquadrar em um tipo de interpretação. A técnica existe para lapidar o que você faz. Não para te dizer como é. Como nunca tive aula de nada, tinha essa coisa selvagem. Fui ganhando técnica conforme ia fazendo os trabalhos, mas nunca deixei a técnica dominar o que acho fundamental, que é a luz, o fogo, a maluquice.


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E NQU ET E

Semelhança ou Coincidência? A frase que antecede o início do filme “Tropa de Elite 2” prenuncia a verossimilhança característica da trama, que trata de forma bem realista da violência e da corrupção inerentes à nossa sociedade. Devido ao grande público e repercussão, as atenções se voltam novamente para a discussão dessas duas características marcantes - tanto do enredo quanto da sociedade - e da forma pela qual são apresentadas em filmes desse estilo. Aclamado pela crítica e sucesso de bilheteria, “Tropa de Elite 2” teve seu lançamento nacional dia 8 de outubro, e logo em sua terceira semana de exibição, tornou-se o filme nacional com maior público em 15 anos. Com assuntos mais ambiciosos, o filme foge do combate óbvio entre polícia e traficantes, trazendo Capitão Nascimento de volta às telonas em uma nova luta. Desta vez, sua batalha é contra policiais e políticos corruptos, sem deixar, no entanto, a questão da violência de lado. Além disso, é suscitada também a questão da pirataria, uma vez que o filme pode ser encontrado em diversos camelôs e até em sites de downloads. Por isso, perguntamos em nossa última enquete: 12

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Com o lançamento do filme Tropa de Elite 2, voltam à tona discussões sobre a violência no Rio de Janeiro. Na sua opinião, esse tipo de filme: ( ) É uma importante forma de crítica e conscientização. ( ) Glamouriza a violência e influência negativamente os jovens. ( ) Reforça estereótipos e compromete a imagem do Brasil. ( ) Sou indiferente, não gosto desse tipo de filme. Com 70,15% dos votos, a maioria apoia filmes desse tipo, pois são uma importante forma de crítica e conscientização. Em segundo e terceiro lugares, somando 21,24%, os participantes demonstram ter uma percepção negativa, seja por glamourizar a violência e influenciar os jovens, ou por reforçar estereótipos e comprometer a imagem do país. Por fim, 8,61% são indiferentes e dizem não gostar de filmes com esse estilo.


O canal americano CBS divulgou nesta quinta-feira (28) um novo pôster da próxima temporada de “Two and a half men”. Na imagem, Ashton Kutcher aparece de smoking ao lado de Jon Cryer e Angus T. Jones na famosa abertura do programa, que traz os atores cantando o tema do seriado. Kutcher, o único de gravataborboleta vermelha, ocupa a posição central, que pertencia a Jones. Este agora fica no lugar que era ocupado por Charlie Sheen. A nova temporada de “Two and a half men” estreia em 19 de setembro nos EUA.

O que você achou da entrada de Ashton Kutcher no elenco? (

) Ótima! A série vai continuar um sucesso!

( ) Não sei, mas vou assistir. Acho que merece ao menos uma chance. (

) Gosto do ator, mas acho que não vai dar certo.

(

) Péssima, não vou mais assistir a série.

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C A PA

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EMMA WATSON

Hermione já começa a não fazer parte da vida de Emma, que se empenha em novos filmes (como As Vantagens de Ser Invisível) paralelamente a vida de universitária.

Ninguém nunca passou pelo Ensino Médio sem ser um pouco sem rumo e mais do que um pouco dramático. Há pouco tempo atrás, Emma Watson descobriu isso para si mesma. A senhorita Watson estava neste subúrbio de Pittsburgh, 30 minutos de carro do centro da cidade de vidro e aço, gravando um filme que é fixado em uma escola do distrito de Peters. Todos os dias, ela chegava ao extenso campus, com sua equipe de natação e banners promovendo a leitura, para experimentar os rituais da juventude que, assim como a estrela de Oxfordshire da franquia de Harry Potter dos 10 aos 20 anos, tinha de certa maneira escapado dela. “Oh meu Deus, tantas primeiras vezes”, disse ela, falando em ritmo

animadamente acelerado durante um intervalo das filmagens. “Eu participei do baile! Todos nos vestimos e fomos de limusine, tirando fotos. Tem sido muito divertido me formar! Comer na cantina; todas essas coisas que eu sempre disse aos meus amigos americanos, ‘Oh, isso parece incrível, parece tão divertido, estou com ciúmes. ’ E eu tenho que fazer isso para este filme.” O filme, uma adaptação do romance para jovens adultos As Vantagens de Ser Invisível, um amado conto sobre amadurecimento, publicado em 1999, será o próximo papel que Emma Watson, 21, irá estrear, e praticamente a primeira vez que não envolve um elenco de bruxos e trolls. Embora ela tenha ganhado legiões

de fãs como a corajosa Hermione Granger na série Harry Potter (e como rosto de várias marcas de luxo), Srta. Watson nunca atuou como uma garota normal, muito menos uma americana suburbana. Definida livremente na era préinternet do início dos anos 90, As Vantagens de Ser Invisível, nos cinemas no próximo ano, é o mais próximo que Emma Watson chegou a interpretar um personagem contemporâneo, não muito distante de si, disse ela. Não é um papel de adulto, mas executando o filme – ajudando a ser feito – é uma recémdescoberta responsabilidade adulta. Como seus colegas de elenco Daniel Radcliffe e Rupert Grint, Watson tem sido definida pelo Harry Potter Revista Popcorn - Dezembro de 2011

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de JK Rowling, com o público a vendo amadurecer, como pessoa e artista. Agora multimilionários, os colegas de elenco “se transformaram em ágeis atores, capazes de nuances de sentimentos que faria os mais velhos orgulhosos”, A. O. Scott escreveu em sua resenha de Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte I, publicado no The New York Times. “Um dos grandes prazeres deste penúltimo Harry Potter é a antecipação das carreiras estelares pós-Potter para todos os três.” Daniel Radcliffe está fazendo seu nome no teatro, atualmente aparecendo em How to Succeed in Business Without Really Trying, na Broadway. Rupert Grint tem um pacote de filmes. E Emma Watson começa sua mudança de Harry Potter com My Week With Marilyn, um micro-filme biográfico, estrelado por Michelle Williams como Marilyn Monroe, que está programado para estrear no Festival de Cinema de Nova York no Domingo. Com cabelos castanhos na altura do ombro e um batom vermelho, Watson tem um pequeno papel como a garota do guarda-roupa que se envolve com o assistente de Laurence Olivier no set de seu filme com Monroe, The Prince and the Showgirl. Há algumas respostas prontas e alguns beijos antes que ela, inevitavelmente, perde o garoto para Marilyn – um romance não mágico. Embora ela tenha adorado a oportunidade de interpretar uma jovem trabalhadora – “É definitivamente importante fazer algo que eu me sinta esticada”, disse ela – Emma Watson passou apenas alguns dias no set de “Marilyn”, nada como o tempo e preparação que “Vantagens” implicava. “Tem sido as cinco semanas

mais intensas da minha vida”, disse ela em uma entrevista na biblioteca da escola, em direção ao final das filmagens este verão. Enfurnada no local imediatamente após terminar Harry Potter, e interpretando Sam, uma mal-humorada colegial precoce à beira de uma vida nova, estava, segundo ela, inesperadamente catártica. “Eu realmente me perdi nela”, disse ela com prazer. “Vantagens” teve algo do mesmo efeito sobre Stephen Chbosky, o escritor (do livro e do filme) e pela primeira vez, diretor. Chbosky, um nativo de Pittsburgh, começou a escrever o romando na faculdade e voltou a leva-lo a sério aos 26 anos, quando finalmente saiu da casa dos pais. Contada em cartas por um solitário e tímido Charlie (interpretado por Logan Lerman, Percy Jackson e os Olimpianos),

a história é sobre ele, Sam e seu meioirmão Patrick (Ezra Miller, que em breve será um galã indie), e como eles navegam pelos riscos da adolescência, em 1991. Tem o requisito específico de referências da cultura pop (‘Asleep’ – The Smiths; Exibições de ‘The Rocky Horror Picture Show’, a meia noite) e lida com temas espinhosos como abuso sexual, suicídio, uso de drogas e homossexualidade: O Apanhador no Campo de Centeio misturado com Go Ask Alice para uma geração emo. Teve uma reação rápida após sua publicação, ganhando status de cult e um lugar nas listas de leitura em muitas escolas. Stephen Chbosky, 41, mudou-se de Pittsburgh para Nova York. Ele disse que tinha muitas ofertas para transformar o livro em um filme ao longo dos anos, mas resistiu a menos que pudesse orientar a si mesmo.

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, 2004

Harry Potter e a Ordem da Fênix, 2007

L INHA D O T E MPO

Primeiro filme da franquia Harry Potter, 2001

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Por que você cortou seu cabelo? Você acha loucura? Eu sempre amei assim. Eu acho que é elegante. Sempre quis fazer isso mas não era possível por causa das filmagens. Sinto como se estivese começando uma nova era em minha vida, então é um pouco simbólico porque eu associava meu cabelo com caracterização de Hermione. Eu precisava de um novo começo.

escreversmos cartas sobre nossos personagens e eu escrevi como eu imaginava a vida de Hermione depois de Hogwarts: seus pais são dentistas, eles são conservadores e acadêmicos, com uma casa muito organizada e todo esse tipo de coisa.

Você acha que o 3D vai adicionar alguma coisa na história? Para ser honesta, eu não tinha pensado nisso. Eles nunca falaram para nós durante as filmagens. Mas vai ser impressionante, se já não é intenso o bastante sem ser em 3D.

Você quer mudar o conhecimento das pessoas sobre você? Eu não tomo decisões de maneira sábia. Eu apenas faço o que agrada fazer e qualquer coisa que me faça feliz. Eu nunca decidi pensar o que os outros poderiam pensar sobre isso. Eu fui no salão sozinha porque eu não queria ser influenciada pelos outros. Sou dona do meu look novamente. Fui outra pessoa metade da minha vida. Só queria descobrir minha identidade. Você sentiu que Hermione assumiu o comando da Emma? Sim... Definitivamente. Entretanto, estranhamente, o que eu sinto que tomou conta de mim ultimamente é uma famosa atriz chamada Emma, que todo mundo tem falado e quem as pessoas pensam que eu sou. Como nós três (Daniel e Rupert) nos tornamos mais famosos, fora de Harry Potter, eu senti isso. Mas a verdade é que, de qualquer personagem que você pode ser associado, Hermione é maravilhosa, ela é uma heroína. Eu e sinto abençoada!

De todos os diretores, qual deles entendeu melhor o universo Potter? Christopher realmente entendeu o coração do livro: Alfonso, sua mágica, Mike compreendeu a comédia, e David a escuridão e a sutileza. Todos deram coisas interessantes.

Tem alguma coisa do livro que não está no filme? Tem tudo. Por isso nós fizemos dois filmes.

Como você está encarando o fim de Harry Potter? Nós sempre tivemos pausas entre os filmes. Então, agora eu estou sentindo que estou em uma dessas pausas e que eu vou retornar para os sets. Vai demorar um tempo. Mas eu acho que nós todos estamos animados pelo que está para vir, tentar coisas novas. É um sentimento meio amargo.

A família de Hermione não aparece muito nos livros. O fato de sabermos tão pouco sobre eles dificulta a criação do personagem? Eu acho que criei ela na minha cabeça. Alfonso pedia para nós

Qual vai ser o seu primeiro projeto após Harry Potter? Eu estou contemplando muitas coisas mas eu não posso falar sobre isso agora. Eu vou tentar filmar algua coisa nos feriados de inverno.

No filme Ballet Shoes, 2007

Harry Potter e as Relíquias da Morte I, 2010

Qual foi a cena mais memorável? A mais engraçada foi o casamento de Gui e Fleur, todos dançando e tudo mais. Semana passada eu fiz uma cena onde eu tinha que pular em cima de um dragão e foi incrível. Assim como a cena em que somos perseguidos na floresta. Também nunca vou esquecer a cena em que Helena Bonham Cartes me tortura. Como eles separaram o filme exatamente? Foi como primeira e segunda metade ou depende da história? Você realmente quer saber não é? Eu não vou contar. Na verdade, eu não sei. Eles estavam decidindo isso no processo de edição porque nós gravamos ambas as partes ao mesmo tempo. Eles ainda estão debatendo como vai ser. Qual é o tom desse filme? É épico! Eu sei que já disse isso, mas esse filme é outro nível.

Emma faz mudança radical no visual , 2010 Revista Popcorn - Dezembro de 2011

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VO C Ê C OM E N TA Deseja comentar sobre algum filme? Acesso o site www.popcorn.com e na aba Comentários, preencha seus dados. Caso seja escolhido, aparecerá na próxima edição da Popcorn. Lembre-se: você tem 10 linhas, aproveite todas e ajude quem está buscando um bom filme. Esperamos sua colaboração.

X-Men: Primeira Classe Nota: 6/10 O roteiro — escrito a oito mãos por Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman e o próprio Vaughn — é simples e mostra como o geneticista telepata Charles Xavier (James McAvoy) conheceu o amargurado Erik Lensherr (Michael Fassbender), judeu alemão sobrevivente dos campos de concentração nazista, onde perdeu seus pais e vivenciou o traumático despertar de seus poderes magnéticos. A trama revela como ambos, por motivos distintos, fundam os X-Men, nos anos 60, ao recrutar jovens mutantes para combater a ameaça de Sebastian Shaw (Kevin Bacon) e seus asseclas do Clube do Inferno. Nada conseguem transformar “X-Men – Primeira Classe” em um filme ruim. O longa é bem dosado, refrigera a franquia e prepara terreno para novas empreitadas dos mutantes no cinema. Apenas não é tão memorável quanto poderia ter sido. MARCOS CURVELLO - Salvador / BA

Avatar Nota: 6/10

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Cisne Negro Nota: 10/10 O roteiro elaborado para envolver o espectador na trama não falha, o roterista faz bom uso de alguns artifícios expressionistas, como a distorção da realidade ocasionada pelos disturbios pscicológicos de Nina, dando um ar exótico à obra, o que dificilmente encontramos. Sendo pelo ótimo desempenho dos atores, roteiro ou por sua forte parte psicológica Cisne Negro se consagra como um dos melhores filmes lançados até agora na década. Apesar de não ser adepto a qualquer um ver e apreciar, consegue como nenhum outro nos envolver e mexer com nossas emoções; arrepiar-se diante das cenas fortes e hipnotizantes é inevitável, assim como alguns orgasmos auditivos enquanto acompanhamos a trilha original de Tchaikovsky, “O Lago dos Cisnes”. Sem sombra de dúvidas, a obra de Aronofsky é uma obra-prima!

Avatar, obra que prometia ser algo de supremacia nunca vista antes, acaba sendo uma decepção. Se não tivesse cercado de tantos exageros por parte da mídia e por parte do ego de seu diretor, talvez pudesse até funcionar como uma boa ficção científica. Mas sua ambição é maior que seu conteúdo, por isso acaba se resumindo num tipo de mediocridade lamentável. Seu espetáculo visual e sensorial não é capaz de segurar tanto tempo de metragem, muito menos compensar o roteiro engolido pelo resto da produção (sim, o roteiro é mero detalhe no meio de tanta parafernália). O 3D, grande responsável por dar a coroa de maior bilheteria a esse filme, talvez mereça o maior destaque, por ser realmente intenso e constante. De qualquer forma, ser o filme com a coroa de maior bilheteria faz de Avatar o passe livre de Cameron como o diretor comercial mais importante do momento (mesmo existindo outros mais talentosos que ele, como Spielberg, por exemplo). Se tratando de cinema, Avatar não passa de uma enganação das muito bem feitas.

Contágio vai além do simples estado de caos e do extinto dos seres humanos exalando pelas ruas. A política aqui ganha fortes contornos e um tom de crítica por parte do diretor. A partir do momento em que a suposta epidemia cai na imprensa, é praticamente impossível controlar o povo – que esvazia os supermercados e abarrota as estradas em busca de sobrevivência. Enquanto as pessoas se descontrolam com a proximidade da morte, as autoridades parecem ainda mais perdidas em meio à crise. Diante disso, a pergunta que fica é: estaríamos preparados para algo devastador como o retratado pelo cineasta?

HEITOR ROMERO - Belo Horizonte / ES

BRUNO PONGAS FERNANDES BATISTA - São Paulo / SP

Revista Popcorn - Dezembro de 2011

THIAGO CUNHA - Maceió / AL

Contágio Nota: 7,5/10


A Origem Nota: 8/10

Tarantino, definitivamente, é um cineasta que se prende a seu próprio umbigo na hora de construir um trabalho de sua autoria. Bastardos Inglórios tem seus méritos emergidos sobre seus defeitos, mas isso não significa que estes não existam, eles estão lá, para contradizer as afirmações egocêntricas (“É minha obra prima!”) de seu diretor e para reduzir o status que ele poderia alcançar. Mas apesar de tudo, temos um trabalho grande de um cineasta que conhece suas próprias capacidades; o filme realmente possui uma narrativa frenética e extasiante de se acompanhar, o que o torna um entretenimento de altíssima qualidade para os amantes do bom cinema. A principal coisa que faltou em Bastardos Inglórios, foi mesmo a humildade.

Qualquer pessoa ao redor do mundo que goste verdadeiramente do cinema exige que este se renove sempre. É da condição natural do ser humano buscar por algo novo, que surpreenda e crie uma nova realidade, e isso não poderia deixar de ser diferente no eloquente e grandioso mundo do cinema atual. A Origem não é só um filme, é uma grande teoria. É possível acreditar realmente no que se vê, assim como é possível rir da situação. Depende dos olhos usados para assistir ao filme. Para entrar nesse mundo, os olhos precisam ser sonhadores. Se isso não acontecer, o propósito maior é perdido e o filme se torna só mais um entre vários. Meus olhos foram sonhadores para o filme. Quando acabou fiquei em dúvida e questionei a realidade. Quase nenhum filme é capaz de fazer isso. Por isso A Origem é diferente. Brinca com o desconhecido e se sai muito bem. Esse filme faz parte de uma tendência crescente, mas único.

JÚNIOR SOUZA - Alegre / ES

DANIEL SAMPAIO - Vila Velha / ES

Bastardos Inglórios Nota: 9/10

Onde os Fracos Não Têm Vez

Crepúsculo

Nota: 9/10

Nota: 5/10

Onde os Fracos Não Têm Vez acerta em todas as suas propostas, e eleva-se num plano superior a média atual do gênero em que representa, sendo este o melhor trabalho dos irmãos. Vencedor de 4 Oscar na premiação da academia, ele carrega em suas incontáveis qualidades, uma direção maravilhosa, roteiro soberbo e atuações espetaculares, que resultam nesta poderosa obra. Os Coen transmitem uma reflexão triste e sangrenta dos caminhos que nossa sociedade enfrenta, em sua atual condição de submissa a violência e a desumanização; e por fim, de alento para nós, serve a importância da figura daquele honesto xerife, pois mesmo que ele seja só mais um homem velho e cansado, aqui ele representa para nós, o antigo e utópico pensamento de que um dia, poderemos dormir com a porta aberta.

O desenrolar da história é lento, dando importância mais ao romance dos dois pombinhos na toda primeira metade do filme (mais de uma hora pra ser específico). Para as adolescentes românticas de plantão, isso é divertimento na certa. Depois dessa do romance quase sem fim, é que o filme toma outras rédeas, e uma ação, mesmo que fraca e curta, acelera mais o desenrolar da história, soando um regular divertimento. Quanto à fotografia também, não temos que negar que é bela.

LARA BARRETO VENTURINI - Belém / PA

YVES LACOSTE - Aracaju / SE

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E ST R E IAS

AMANHECER - PARTE 1 É considerada a grande estreia do mês com o casamento mais esperado, a expectativa é tão grande que foram vendidos no Brasil mais de 140 mil ingressos só na pré-venda. O romance entre Edward e Bella vai ser visto em mais de 1.200 salas em cinemas de todo o País. Data prevista: 25/11/2011

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11-11-11 Depois da trágica morte de sua esposa e filho, o famoso autor norte-americano Joseph Crone viaja dos Estados Unidos para Barcelona, para se reunir com seu irmão e seu pai no leito de morte, Richard. No entanto, o destino tem um plano diferente para Joseph. Ele começa

a perceber acontecimentos estranhos e aparições constantes do número 11, o que rapidamente se transforma em obsessão. Isolado em um país estrangeiro, Joseph logo percebe que 11/11/11 é mais do que apenas uma data. Data prevista: 11/11/2011

ASSALTO EM DOSE DUPLA Tripp Kennedy caminha pelo banco próximo do fim do expediente quando duas gangues diferentes aparecem para roubá-lo. Começa um tiroteio, e Tripp aborda a inteligente e bonita caixa do banco Kaitlin para protegê-la. Uma gangue feita por profissionais e a outra

por uma dupla de palhaços chamados Peanut Butter e Jelly. O sistema de segurança inicia o bloqueio do final do dia e tranca todos no prédio. Iniciando um jogo de gato e rato enquanto Tripp e Kaitlin tentam salvar o dia. Data prevista: 25/11/2011

CONSPIRAÇÃO XANGAI Paul Soames, um agente secreto americano, que investiga o assassinato de seu melhor amigo, acaba se envolvendo em uma rede de conspiração e mentiras. Com a ajuda do oficial de inteligência japonesa Tanaka, Paul concentra a sua investigação no carismático gangster

da cidade, Anthony Lanting e sua bela esposa Anna. Logo, Paul e Anna se envolvem e colocam tudo o que possuem em jogo, inclusive suas vidas. Apenas a investigação revelará que a verdade esconde vários segredos. Data prevista: 25/11/2011

FOOTLOOSE - RITMO LOUCO O jovem Ren McCormick é um rapaz criado na cidade grande que se muda com sua mãe para o interior. Disposto a organizar um baile de formatura, Ren acaba descobrindo que o conservador reverendo local resolveu considerar a dança como um grave pecado, em vir-

tude da morte de seu filho. Apaixonado por dançar, Ren decide lutar pela restauração da dança na cidade e, em meio a isso, acaba conquistando o coração de Ariel Moore. Entretanto, ela é filha do conservador reverendo. Data prevista: 25-11-2011

HAPPY FEET 2 Happy Feet 2 leva o público de volta às paisagens magníficas da Antártica e os reúne com o pinguim sapateador mais famoso do mundo, Mano, o amor de sua vida, Gloria e seus velhos amigos Ramon & Lovelace. Mano e Gloria agora tem um filho, Erik , que se esforça para

encontrar seus próprios talentos no mundo do Pinguim Imperador. Porém, novos perigos ameaçam a nação pinguim e todos vão precisar trabalhar - e dançar - para salvá-la. Data prevista: 25/11/2011

NÃO SEI COMO ELA CONSEGUE Em “Não sei como ela consegue” Kate Reddy é o modelo da mulher moderna, dividindo seu tempo entre os afazeres domésticos como mãe de família e os profissionais como executiva financeira, tenta sobreviver em meio à rotina dos filhos, jovens mulheres,

homens interessantes e as exigências decorrentes de seu trabalho. Até que sua vida vira do avesso quando conhece Jack Abelhammer, um charmoso novo colega de trabalho. Data prevista: 25/11/2011 Revista Popcorn - Dezembro de 2011

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T R I LHA S ONOR A

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Alice (Underground) por Avril Lavigne The Poison por The All American Rejects The Technicolor Phase por Owl City Her Name Is Alice por Shinedown Painting Flowers por All Time Low Where’s My Angel por Metro Station Strange por Tokio Hotel feat. Kerli Follow Me Down

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por 3OH!3 feat. Neon Hitch

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Very Good Advice por Robert Smith What Shall We Die For por Mark Hoppus feat. Pete Wentz Welcome To Mystery por Plain White T’s Tea Party por Kerli The Lobster Quadrille por Franz Ferdinand Always Running Out Of Time por Motion City Soundtrack Fell Down A Hole por Wolfmother White Rabbit por Grace Potter And the Nocturnals


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Revista Popcorn  

Trabalho acadêmico em parceria com Géssica Gineli e Fernanda Nascimento - Ufes

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