Page 1

REVISTA

Damasceno A aventura do voo Tudo o que você precisa saber sobre o livro O Diário do Trapezista Cego: de imagens a curiosidades.

Silenciário O lançamento do livro reuniu dezenas de fãs no RJ

Fotopoema Jacinto divulga poema escrito em 2009


página

Novidades

Capa

Eventos

Imprensa

04 05 08 10

Jacinto dessa vez nos presenteia com um poema escrito em 2009, mas nunca antes divulgado.

Tudo o que você precisa saber sobre o livro O Diário do Trapezista Cego: de imagens a curiosidades.

Muitos admiradores foram conferir a festa de lançamento do livro Silenciário, realizada no Rio de Janeiro.

Site da EDUFF publica uma matéria sobre Jacinto logo após o o recital do livro O Diário do Trapezista Cego.


Mensagens do leitor

Apresentação

Com certeza, Silenciário é o meu livro de cabeceira. Está uma delícia. Também assisti ao vídeo (Trapezista, de Luís Rocha Melo) no Youtube. E como qualquer fã de carteirinha, sigo seus passos e encontro alma nas entrelinhas de sua poesia. MA RG A R E T H SO U ZA

Ai poeta, o vídeo (Trapezista, de Luís Rocha Melo) é um primor, assim como a tua palavra solta e presa nos arames da sacada. Como pode ser assim? Assim, tão assim? LU C I A NA KA M E L O INÍCIO

Assisti ao filme (Trapezista, de Luís Rocha Melo) no Youtube, muito bons os textos e a música inspirada no livro. Imagens e edição muito sensíveis, aliás Copacabana é um poema, adoro. Incrível pensar que 1999 já faz tanto tempo, ficou na poeira... D OR I A NA M E ND E S

(Sobre o recital Uma vida que roubei para mim) Foi um grande prazer estar presente lá naquele dia. Senti algo especial. Leio sempre seu site e adoro. A N A MA R I A PA SC HOA L

(Sobre o recital Uma vida que roubei para mim) Um privilégio poder participar da emoção desse momento tão seu! Seus versos fazem de mim uma pessoa melhor! Obrigada pelo carinho da sua poesia. E LA I N E SA L U ST I A NO

O poeta carioca Jacinto Fabio Corrêa, nascido em 1960, surgiu no cenário literário brasileiro em 1989, com a publicação de Entre Dois Invernos, produção independente que anunciava a opção do escritor pela poesia do detalhe, retratando, com particular sutileza, as situações do dia-a-dia. O caos urbano, as chegadas e despedidas amorosas, a potência e a inocência das artes são alguns dos temas que habitam os livros de poesia de Jacinto. Outra particularidade marcante de sua obra é o casamento essencial entre a palavra e o visual - para o poeta, tão importante quanto apresentar os poemas escolhidos é ter a certeza de que eles receberam o tratamento gráfico adequado: “Na verdade, faço mais roteiros do que livros. Conto histórias através de versos e, para isso, preciso de uma parceria visual”. Essa proposta de trabalho é marcada principalmente pelo aspecto artesanal dos seus livros, em que cada exemplar é tratado individualmente, por meio de colagens de papéis, metais, madeiras e de acabamentos que se utilizam de cordas ou silk-screen para traduzir o lirismo dos poemas do autor. O BRA S LA NÇA DA S Além de Entre Dois Invernos, Jacinto já lançou outros oito livros de poesia seguindo essa mesma linha de trabalho, com a criação visual sempre assinada pela designer Heliana Soneghet Pacheco: Cenas Nuas (1990), Jogos Urbanos (1992), O Derrame das Pedras (1994), Pedaços – O Parasempre da Hora (1996), O Diário do Trapezista Cego (1999), Poemas Casados (2003), Poemas Caseiros e Poemas Simples (2007), e Silenciário (2010). Além disso, em 2008 lançou o DVD Um diário para dois e, em 2005, em conjunto com seu irmão, o cantor e compositor e cantor Paulo Corrêa, o CD de música e poesia Sinais Urbanos, Jacinto, que é jornalista e publicitário, atualmente integra o grupo Nós da Poesia, formado ainda pelas poetas Adele Weber, Lila Maia, Maria Dolores Wanderley e Helena Ortiz, e trabalha como diretor de Planejamento e Comunicação do Senac Nacional.


04

NOVIDADES

Na hora da verdade Declarou jogar bola como ninguém camisa 10 de qualquer equipe craque de seleção brasileira. Brincava nas onze e ainda sobrava fôlego para as prorrogações e as disputas de pênalti necessárias. Na sala de troféus do seu prazer títulos regionais, nacionais e internacionais. Levei fé no seu gingado Comprei bandeira e uniforme Compus um novo hino Mandei fazer carteirinha, com carimbo e tudo. Mas bastou entrar em campo para mostrar um joguinho pra lá de devagar: muita defesa, meio de campo complicado, pouco ataque e gol que é bom, nada. Decepção total para a torcida de um só torcedor que na arquibancada do desejo teve que se contentar com um triste 0 x 0 quando esperava a tão decantada goleada. Sem ter como explicar a vergonhosa atuação ainda tentou um drible aqui, uma jogada de efeito ali mas desconhecia a tática de fazer uma tabelinha para deixar o companheiro na cara do gol. Na saída, garantiu que, na próxima partida, começaria me dando um gol de vantagem. Não teria como cumprir a promessa e aí resolvi nem pedir a revanche quanto mais uma melhor de três. Um vexame em verde, amarelo, todas as cores que até o arco-íris desistiu de aparecer nos estádios nas tardes de domingo. Rebaixado para a segunda divisão trocou a carreira de jogador pela de comentarista com muitas frases feitas, credibilidade nenhuma sem conseguir se livrar da má fama conquistada e confirmando a falta de habilidade para, na hora da verdade, mostrar o tal talento que Deus lhe deu – ou se esqueceu de emprestar. No álbum de figurinhas do meu time em vez da sua fotografia uma frase: não se canta vitória antes do jogo terminar.


CAPA

A aventura do voo Jacinto compartilha os detalhes da criação do livro O Diário do Trapazista Cego, lançado em 1999

A criação do livro baseou-se num conto que não entrou na seleção final dos textos: “O início do grande amor”, que conta uma ida minha, de meu pai e meu irmão a um circo, na Praça Onze (RJ), na década de 60. Durante o encantado espetáculo, de repente o ciclista deixou o veículo de sua refinada arte cair no chão, diante de uma imensa platéia que se calou. Ninguém sabia o que fazer. Quer dizer, meu pai sabia. No meio do silêncio, enquanto o artista levantava a bicicleta, constrangido, meu pai se levantou e começou a aplaudi-lo

com entusiasmo. Todos o acompanharam naquele instante e dali em diante eu o acompanhei, com admiração absoluta, pelo resto da vida. Por que o texto não entrou no livro? Porque eu só queria que ele fosse uma espécie de bússola. E também porque nunca consegui dar uma redação digna à imensa capacidade de meu pai de amar a vida e de ensinar a mim e a meu irmão, sem nunca ter dito uma palavra a respeito, a amar a arte. O diário do trapezista cego é dedicado a meu pai:

05


06

Detalhes do projeto gráfico do livro

Este diário é dedicado a Fabio Alves Corrêa

(...) Mas tenho a alma sofisticada nada lhe satisfaz

às vezes vendedor, sempre fotógrafo

Até felicidade é um porto tão pequeno

filho de Maria, pai de Paulo

Que não adianta a existência de barco

nosso e de cada dia às vezes viajante, sempre cintilante amado, desprezado santificado esteja; senhor de luas serenas mãe disfarçada de mar às vezes curandeiro, sempre seresteiro dono do mundo, porto de tantos meu e pai. Este diário é para o eu que há em meu pai de quem, em seu nome me reconheço filho: o coração que o levou é o mesmo coração que me conduz . O livro foi dividido em sete capítulos, cujos títulos estão diretamente ligados ao mundo do circo: A última cena, Coxia, Palco, Temporada, Perfeição, Trailer e Trapézio. Muitos dos textos também trazem, propositalmente, expressões ligadas ao circo. Outros, de uma forma ou de outra, à arte. Considero o longo poema inicial “A existência” o meu melhor auto-retrato:

ou mar: Minha alma inventa a necessidade do céu para descobrir ondas. É cansativo não ser Deus (...) Além da referência circo, quando selecionei os poemas tinha a cor terra na cabeça, que acabou sendo utilizada na palavra trapezista do título na capa. Era preciso contrabalançar o sonho de meu pai, de que era possível um dia ser totalmente feliz, com a força de minha realidade, de que às vezes somos visitados por uma

felicidade possível, nada mais, e que a essa visita devemos oferecer, ainda que por instantes, a vida. Durante a gestação do livro, senti a necessidade de traduzi-lo visualmente, vêlo em movimento. Conversei com o cineasta Luís Alberto Rocha Melo, que conhece a mim e à minha poesia como poucos, e ele topou fazer um vídeo não sobre o livro simplesmente, mas sobre o trapezista que ele conseguia perceber em mim. Criou, lindamente, o vídeo O trapezista, que conta com trilha sonora assinada por meu irmão Paulo Corrêa. Se a minha poesia tiver que ter uma cara, é aquela que o Luís desenhou; se tiver que ter um som, é aquele que o Paulo descobriu.


07

CO NJ UGAÇÃO FU TU RA

Eu sou meu próprio medo

revestido de tanto talento

minha própria lógica

espécie de gota de mercúrio ampliada e

minha própria loucura

solta no picadeiro:

e nada menos que alguma coisa entre o

incômoda

azul e o azul.

brilhante passageira.

Eu sou eu: não: eu sou aquele artista

Um palhaço ou domador

de riso perdido

Um malabarista ou dançarina

de tristeza leviana

que um dia, sem muito jeito e a sós,

de altos

descobriu-se e q u i libris

e baixos tombos

ta

desconexo de muita arte

ES T R UTU RA G RÁFI CA E LANÇAM E NTO Meu pai era fotógrafo de nascimento, apesar de ter sido obrigado a abandonar a sua arte muito cedo. Mas, para ele, a fotografia era o que a poesia é para mim: respiração. Como o livro era dedicado a ele, pedi à designer Heliana Soneghet Pacheco que criasse um álbum de fotografias, no qual os poemas se sentissem acolhidos e registrados para sempre. Decidimos que não haveria fotos visíveis, mas como meu pai gostaria de registrar a cara de alguns poemas, colocamos cantoneiras nas aberturas dos capítulos. Cantoneiras douradas, claro. A partir daí Heliana criou, para mim, seu projeto gráfico mais bonito. O livro, horizontal, é reforçado por madeiras laterais, num álbum de fotografias luxuosíssimo. E o motivo da capa ser preta é simples: ela me perguntou qual era a principal sensação de um trapezista cego. Respondi que eram a coragem e a atração de voar no escuro. O lançamento aconteceu no dia 9 de junho de 1999, nos Arcos da Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema (RJ), onde também foi lançado, no mesmo dia, o vídeo do Luís. Acho que meu pai ficou contente.

P R ÉV I A Dentre os 65 poemas dessa obra de Jacinto Fabio Corrêa, dois estão disponíveis nessa página para você ter ideia do que você pode encontrar ao adquirir o livro. Os textos escolhidos são Conjugação Futura e Noites de Vento. Aprecie.

Quando viras e sem querer me encontras aí surpreendo-te: ainda sim. Noites de vento. Que assim permaneças Que assim eu esteja Que assim para sempre envelheçamos o acordo

N OIT E S D E V ENTO

da sala com o quarto

Ali

da palma com os dedos

onde apenas eu detenho poderes ignoras aceitando o parco destino da tarde. Glorifico a aurora que nasce para ver-te e dormes. Como acordar-te se também a teu sono jurei eternidade? Disfarço em alegria o que é temor Água lívida sobre areia agitada E deixo-me ao anonimato delicado. Sou da hora do acaso perante ti. F I CH A T ÉCNICA

da intenção com a naturalidade. Que assim estejas Que assim eu permaneça Que assim para sempre envelheçamos o acordo do quarto com a mobília dos dedos com os anéis da naturalidade com a intenção. Silêncio. Acabamos de nascer.

O DIÁRIO DO TRAPEZISTA CEGO (Rio de Janeiro, 1999. 98 páginas, 65 poemas e textos poéticos)

Programação visual: Heliana Soneghet Editoração eletrônica: Hares Revisão: Marcelo Secron Bessa Fotografia: Anna Agonigi Gráfica: Reproarte


08

EVENTOS

Lanรงamento de

Silenciรกrio

Confira as fotos da festa de lanรงamento do livro Silenciรกrio no Rio de Janeiro


10

IMPRENSA

“A poesia é a minha religião” “Os grandes encontros da minha vida aconteceram em dias de chuva”. Coincidência ou não, a frase pronunciada pelo poeta Jacinto Fabio Corrêa, durante a edição do Terças Literárias deste mês, soou como um carinho à Livraria Icaraí da EdUFF, que o acolheu na chuvosa noite de 16 de setembro. Durante o recital do livro O Diário do Trapezista Cego, o artista declamou de forma emocionante alguns de seus poemas, que mesclam Deus e anjos sem asas; sonhos e desencontros; desejo, paixão, sagrado e profano. Mas, acima de tudo, Jacinto bebe da fonte do amor. O sentimento, que permeia a maior parte de sua obra, também marcou sua atuação, envolvendo a platéia e conferindo uma atmosfera de beleza, reflexão e harmonia ao lugar. O poeta contou que nasceu para escrever e que precisa dividir essa paixão com o público. “É uma dádiva compartilhar isso com as pessoas”. Ele revelou ainda que durante grandes recitais, prefere escolher obras que se afinem mais rapidamente com as pessoas. “Seleciono cuidadosamente os poemas, escolhendo aqueles que traduzem uma

idéia de forma mais imediata, de maneira que eu consiga abraçar o público, não só com palavras, mas também com música”.

Se existisse o arrependimento, daria lugar ao agradecimento Com maestria, o artista intercalou declamações com comentários bemhumorados, o que permitiu grande interatividade com o público. Ao final do encontro, Jacinto declamou o poema Sobreviventes, que trata da idéia de permanência. No verso final, uma frase para se pensar: “Se existisse o arrependimento, daria lugar ao agradecimento”. Nós é que ficamos gratos pela demonstração de tão grande amor à profissão, caro poeta. Jacinto Fabio Corrêa é jornalista e publicitário. Lançou nove livros de poesias

e o CD Sinais urbanos, em conjunto com seu irmão, o cantor e compositor Paulo Corrêa. Jacinto faz parte do grupo “Nós da poesia”, que se reúne duas vezes por mês para discutir a produção poética de seus integrantes. Mais informações sobre o artista e sua obra podem ser encontradas em www.jacintocorrea.com.br

Texto originalmente publicado no site da EDUFF (Editora da Universidade Federal Fluminense) em outubro de 2008.

AGENDA

Uma vida que roubei para mim - Recital poético Comemorativo aos 50 anos de Jacinto Fabio Corrêa

10 de novembro de 2011, quinta-feira, às 20h Solar de Botafogo - Rua General Polidoro, 180 Botafogo - Rio de Janeiro/RJ


FOTOPOEMA

Foto: Luciana Kamel

De costas para o mundo a certeza do local exato onde vocĂŞ me espera.


Jacinto FĂĄbio CorrĂŞa poesia jacintocorrea@gmail.com www.jacintocorrea.com.br

Revista Damasceno - Gráfica II  
Revista Damasceno - Gráfica II  

Trabalho de Gráfica II - UFES Professora Heliana Pacheco