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ALGARVE #95 INFORMATIVO 11 de fevereiro, 2017

Medicina in UAlg ANJE/Algarve Pedro Tochas em Loulé Os «Algarvios» de Vítor Pina

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CONTEÚDOS

#95, 11 de fevereiro de 2017

8 - Medicina na Universidade do Algarve 16 - Hugo Vieira 24 - Pedro Touchas em Loulé 34 - Os «Algarvios» de Vítor Pina 44 - Requalificar a hotelaria

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60 - Avenida do Atlântico 66 - Atualidade

OPINIÃO 6 - Daniel Pina 16

50 - Paulo Cunha 52 - Paulo Bernardo 54 - José Graça 56 - António Manuel Ribeiro 58 - Augusto Lima 24

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Não se preocupe, está tudo na mesma… Daniel Pina

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á semanas em que, realmente, não me apetece desabafar sobre algo em especial, ou despejar a minha famigerada rabugice sobre este ou aquele acontecimento. Não que a semana tenha sido mais insossa ou atipicamente mais calma do que o costume. Simplesmente, olho ao meu redor e leio o que vai acontecendo em Portugal e além-fronteiras e é mais do mesmo. Fora do nosso retângulo à beira-mar plantado sucedem-se as parvoíces do Trump e continuamos todos a temer que ele diga ou faça algo demasiado grave para ter volta atrás. O homem não é qualificado para liderar o país mais poderoso do globo e, ainda por cima, é teimoso, casmurro e rápido a debitar umas alarvidades através do Twitter. Para piorar ainda mais a situação, parece que está rodeado de assessores e adjuntos que também não têm os parafusos todos, portanto, andamos todos no fio da navalha à espera que ele provoque algum incidente internacional impossível de se remediar. Cá por dentro, são as tradicionais tropelias políticas. Umas vezes por causa do défice público, outras vezes por causa das taxas de juro que nos cobram pelos empréstimos, mais uma trapalhada em torno da Caixa Geral de Depósitos ou do Novo Banco, é o Sócrates que quer processar Portugal. Enfim, nada que admire o português, já habituado a estas tricas e dicas. No Algarve, são as Eleições Autárquicas a subir de tom, com candidatos a aparecer de tudo quanto é lado e a dizer mal dos presidentes em funções. E são os governantes a rumar à nossa região todas as semanas para participar nesta ou naquela cerimónia de inauguração de estradas ou infraestruturas, para apresentar este ou aquele programa de combate à sazonalidade ou de incentivo à dinamização da economia local. Curiosamente, só vejo Ministros e Secretários de Estado a inaugurar obras em concelhos que são atualmente liderados por autarcas

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socialistas. Pensava eu que eram governantes de todos os portugueses, independentemente das suas cores partidárias. Se calhar é apenas uma questão de agenda. Se calhar… É melhor não me deixar embalar pela rabugice. É ano de eleições, já sabemos como isto funciona… Portanto, como se vê, anda tudo mais ou menos na mesma, daí que a vontade de me debruçar sobre algo específico nem sempre seja muita. E o tempo também não ajuda, num constante corrupio por este Algarve maravilhoso e com uma vida cultural mais intensa de que me lembro nas últimas décadas. Digam o que disserem do «365 Algarve», a verdade é que praticamente todos os dias há qualquer evento cultural para se assistir, já para não falar da programação normal dos teatros e auditórios municipais. É óbvio que o programa não é suficiente para atrair turistas, por si só, para o Algarve, nem é esse o seu propósito. Criou-se a ideia de que o «365 Algarve» ia trazer aviões carregados de estrangeiros para a região, talvez o seu objetivo tenha sido mal explicado ou interpretado. Para mim, o programa serve, sobretudo, para mostrar aos turistas que nos visitam que existe uma oferta cultural permanente ao longo de todo o ano para ocuparem o seu tempo livre, ao invés de passarem as miniférias da praia para o hotel e vice-versa. O certo é que, nos últimos meses, tenho «consumido» mais cultura, fora de casa, claro, do que provavelmente no resto da minha vida, e a isso se deve, em boa parte, o sucesso do Algarve Informativo, nomeadamente da revista semanal. Uma publicação que segue, a passos rápidos, para a sua centésima edição. Raios. O tempo passa, de facto, num instante. E lá está a pequenita a chamar-me outra vez para ir à casade-banho. Ai vida. Se não é para fazer xixi, é para fazer cocó. Até para a semana .


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UNIVERSIDADE DO ALGARVE QUER AJUDAR A FIXAR MAIS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA REGIÃO O Curso de Medicina da Universidade do Algarve abriu em 2009 e tem marcado a diferença por uma nova metodologia de ensino médico, que começa logo pelo processo de seleção de candidatos, onde se dá uma particular importância às competências humanas dos futuros alunos. Mas, a par da formação de profissionais de saúde de excelência, a UAlg quer contribuir também para que estes depois se fixem na região, oferecendo uma formação contínua e diversificada que, antigamente, apenas estava disponível em Lisboa, Porto ou Coimbra. Texto:

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epois de anos a fio a reivindicar uma Faculdade de Medicina para o Algarve, que chegou a estar prevista para o Parque das Cidades, junto ao Estádio do Algarve, os algarvios finalmente perceberam que esse desejo não seria satisfeito pelo poder central. Aliás, de tal modo foi o desalento que muitos ainda hoje não se apercebem que, faculdade não nos deram, mas foi aberto, em 2009, um Curso de Medicina na Universidade do Algarve, que se mudou recentemente para novas instalações no polo das Gambelas. E foi no Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina que encontramos Isabel Palmeirim, a responsável por este curso que tem superado as expetativas. “O curso foi criado exatamente para fixar mais profissionais de saúde nesta região, algo que já se nota, mas também para introduzir em Portugal novas metodologias de ensino médico. É uma Pós-Graduação de quatro anos dirigida a estudantes que já têm uma licenciatura em áreas das Ciências e que decidem fazer uma formação médica”, explica a professora. Outra exigência é que os candidatos já possuam alguma experiência profissional ou de voluntariado, portanto, ninguém vem parar por engano a este curso e todos chegam com elevados níveis de motivação, até por estarem a fazer um esforço económico bastante grande para continuarem a estudar. “Muitos alunos são de fora da região e tomam a decisão de abandonar o emprego e deixar de receber o seu ordenado para virem para o Algarve, onde têm que alugar um apartamento durante quatro anos. É um

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grande compromisso económico, portanto, os alunos não andam aqui a brincar, o que eleva igualmente o nosso grau de responsabilidade. Temos a obrigação de rentabilizar ao máximo o tempo e o dinheiro que eles estão a despender aqui”, explica Isabel Palmeirim. Uma eterna crítica que se faz aos cursos tradicionais de medicina são as elevadas médias de acesso, mas esse não é o principal critério de admissão na Universidade do Algarve. Assim, o limite mínimo da nota da licenciatura está colocado nos 14 valores, a que se segue um processo de seleção bastante criterioso e inovador. “Os candidatos passam por uma avaliação cognitiva, tanto no abstrato como no numérico e verbal; uma avaliação a nível do inglês; e uma avaliação das suas competências humanas, através de minientrevistas onde as pessoas são colocadas perante determinadas situações reais. Não inventámos este conceito, apenas o importámos e adaptámos à realidade portuguesa”, indica a entrevistada, destacando a importância do trabalho em grupo e da interação com os pacientes e seus familiares. “Claro que os conhecimentos teóricos da medicina e o saber fazer são indiscutíveis e têm que ser tão trabalhados como nas outras universidades, mas incidimos bastante nas chamadas soft skills”. O modelo é diferente e surpreende os próprios alunos, pela positiva, como se atesta pelo número de candidaturas sete vezes superior ao


total de selecionados, que andam na ordem das cinco dezenas por ano. “As poucas desistências que se verificam acontecem logo nas primeiras semanas, quando percebem que o curso é exigente e o grau de ocupação que vão ter, porque alguns pensavam que poderiam manter os seus trabalhos. Depois, há um acompanhamento bastante próximo dos alunos, o que nos permite detetar rapidamente algum problema que possa existir e repor a trajetória normal”, refere Isabel Palmeirim, garantindo que o facto de os alunos já terem uma licenciatura não significa que se baixe o nível de exigência. “A medicina é muito extensa, há imenso para se aprender, simplesmente organizamos as coisas de maneira diferente. Neste curso trabalha-se em endurance ao longo de quatro anos e de 1 de setembro a 31 de julho”, avisa.

Convém dizer que as diferenças introduzidas no Curso de Medicina da Universidade do Algarve não aparecem apenas «porque sim», mas porque evidências demonstram que a aprendizagem, quanto mais contextualizada e ativa for, melhores resultados produz. “Aqui, o aluno vai em busca de uma determinada resposta, em vez de estar sentado numa sala de aula a receber a informação. O ensino passivo não é muito rentável, porque uma grande percentagem da informação veiculada não chega ao aluno. Para além disso, aparentemente trabalhase com vias de retenção de memória que são a mais curto prazo. O nosso objetivo não é que o aluno saiba a matéria para o exame do dia seguinte, mas que saiba do seu ofício quando sair da universidade”,

Uma aula em ambiente PBL - Problem Based Learning, com os alunos e o tutor a analisarem casos concretos #95 ALGARVE INFORMATIVO

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salienta a professora. “Eles estudam a anatomia, a fisiologia, todas as disciplinas normais, os conteúdos são os mesmos, mas tudo em torno de um caso clínico concreto”, reforça. Assim sendo, estes casos clínicos são sempre trabalhados por um grupo de oito alunos e em conjunto com um tutor e só no fim do PBL – Problem Based Learning é que vem um especialista falar sobre aquela situação concreta. Ou seja, ao invés de estar um professor, numa sala com 30 ou 40 alunos, a transmitir a teoria dos livro, apresenta-se um caso concreto, incentiva-se os alunos a procurarem as suas próprias respostas e a debateremnas em equipa e, no final, os resultados são analisados por um especialista na matéria.

COLMATAR O DÉFICE DA FORMAÇÃO CONTÍNUA Mais uma novidade do Curso de Medicina da Universidade do Algarve é a maior proximidade ao mundo real e, logo na segunda semana de aulas, os alunos são mergulhados num contexto de medicina geral e familiar em centros de saúde, ao lado de um profissional de créditos firmados. “Isto é importante para motivá-los mais e para observarem quais são as queixas que levam normalmente os pacientes às unidades de saúde e o modo como as relatam. Há toda uma aprendizagem sobre como abordar um doente que eles começam a fazer de imediato”, aponta Isabel Palmeirim. Ora, se os alunos ficam entusiasmados com esta nova metodologia de ensino, ALGARVE #95

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como reagiram as universidades de medicina tradicionais, questionamos a responsável pelo curso da UAlg. “A inovação encontra sempre resistências mas, à medida que se vai observando que é possível formar com qualidade, esse sentimento vai desaparecendo. Os nossos alunos sabem tanto como os outros e são melhores na capacidade de interagir com os pacientes e de colher uma história clínica, porque são treinados mais nessa vertente. As universidades clássicas também estão a mudar e a incorporar inovações que permitem adquirir estas soft skills, mas o processo foi mais fácil para nós porque começamos do zero”, analisa a entrevistada. O sucesso do Curso de Medicina da UAlg está à vista de todos e, para já, não se pretende que ele cresça muito em termos de número de estudantes. “Quanto a sermos ou não uma faculdade, isso são modelos que devem ser avaliados à medida que o tempo passa e que o curso e a academia crescem. O que interessa é termos capacidade para formar médicos com qualidade e até pode haver vantagens em não sermos uma faculdade”, entende Isabel Palmeirim, reconhecendo que, apesar de tudo, continuam a faltar médicos no Algarve. “A experiência mostra-nos que a solução do problema passa por formar médicos no local. Depois de terminarem o curso, há sempre uma percentagem que cá fica, porque gosta da região, porque conhece a namorada ou namorado, porque cria raízes”, justifica.


Isabel Palmeirim é a responsável pelo Curso de Medicina da Universidade do Algarve

A fixação de mais médicos no Algarve não está, porém, apenas dependente das relações afetivas que estes possam vir a formar na região, mas também das condições que eles depois encontram para desempenhar a sua profissão, quer a nível hospital e de centros de saúde, e das facilidades de prosseguirem com a sua formação académica. “Um médico precisa realizar permanentemente cursos de atualização e, para isso, precisam ir a Lisboa, Porto ou Coimbra. É esse défice que a Universidade do Algarve está a tentar colmatar e lançamos este ano, pela primeira vez, um curso mensal de formação contínua para médicos e em perfeita sincronia com eles”, revela Isabel Palmeirim. Outra ambição é a abertura de um

centro de simulação médica vocacionado para a Pós-Graduação, porque os atos médicos, nos tempos modernos, devem ser apreendidos com simuladores. “O estudante vai aprender e treinar e, depois, passa para um paciente real. Nós temos um pequeno centro de simulação para os alunos, mas pretendemos criar um de maior dimensão e que pudesse abrir as portas a todo o Algarve e Alentejo”, destaca, falando ainda de um programa doutoral em investigação clínica que foi submetido à Agência de Acreditação do Ensino Superior e que tem como objetivo permitir aos médicos do Algarve fazer o seu doutoramento no local, independentemente de terem colaborações nacionais ou estrangeiras . #95 ALGARVE INFORMATIVO

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“SEM EMPRESÁRIOS, NÃO HÁ MODELO DE DESENVOLVIMENTO POSSÍVEL”, DEFENDE HUGO VIEIRA Foi eleita, no dia 16 de janeiro, a Direção da Associação Nacional de Jovens Empresários para 2017-2020, cabendo a Hugo Vieira liderar a delegação do Algarve no próximo triénio. Um dos grandes objetivos da nova liderança é dar a conhecer o trabalho desenvolvido no terreno pela ANJE, de modo a conquistar mais associados e aumentar o poder institucional da entidade. Texto:

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ugo Vieira assumiu, a 16 de janeiro, o cargo de Diretor pelo Algarve da Associação Nacional de Jovens Empresários, entidade que passou por alterações estruturais no passado recente em virtude das mudanças ocorridas no próprio tecido empresarial português. Assim sendo, a coordenação local do polo do Algarve, e dos outros distritos, cabe, agora, aos órgãos nacionais, do qual fazem parte os vários diretores regionais, uma forma de conferir mais força institucional à ANJE. “A atividade da ANJE é transversal a todos os setores, tanto representa jovens agricultores, como jovens empresários dos serviços, e qualquer que seja a dimensão do negócio. O associado é a título pessoal e pode ser de uma micro, pequena, média ou grande empresa”, explica, adiantando que é-se «jovem empresário» até aos 40 anos de idade.

comunitários na região, nomeadamente o CRESC 2020, bem como os Conselhos Económicos dos vários municípios algarvios, o Turismo do Algarve e outras instituições. “Hoje, consegue ser a voz efetiva dos empresários junto da maioria das entidades que regulam as atividades e que dão apoio para que mais empresas se fixem no Algarve. Outra mais-valia é que, além das ações de formação que desenvolvemos, temos diversas parcerias a nível nacional que concedem muitas vantagens aos nossos associados”, refere Hugo Vieira, embora reconheça que este leque de benefícios não é do conhecimento geral de todos os empresários. “Essa vai ser uma das lutas deste mandato de três anos, divulgar as vantagens de se pertencer à ANJE, para tentar cativar mais jovens para fazer parte desta dinâmica”, acrescenta.

ANJE que integra as comissões de acompanhamento dos fundos

Jovens empresários que, mercê das mudanças que a economia mundial tem

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sofrido nas últimas décadas, têm uma maior preponderância no cômputo geral, confirma Hugo Vieira. “Cada vez vemos nascer mais micro e pequenas empresas, start-ups que saem frequentemente do mundo universitário, atestando a capacidade empreendedora da nova geração. Os diversos governos também têm feito um bom trabalho para incentivar a criação do próprio emprego, para fazer face à crise económica que atravessámos”, observa o entrevistado. Claro que ter boas ideias não é garantia de sucesso empresarial, há que transformar o conceito num produto comercial e criar toda a estrutura necessária para o colocar no mercado, mas Hugo Vieira considera que a crise não teve apenas fatores negativos, pois obrigou as pessoas a transformarem-se e ALGARVE #95

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adaptarem-se às novas realidades. “Muitos jovens que, de facto, têm boas ideias, depois não têm capacidade para gerir uma empresa, mas aumentaram as possibilidades de se criarem parcerias, de se trabalhar em rede, de se adquirirem competências noutras áreas. Isso permite chegar ao mercado com uma oferta integrada e ter sucesso”, analisa. Empresas que, no Algarve, já não se restringem ao setor do turismo, à hotelaria e aos serviços associados, garante Hugo Vieira, ainda que estas ainda estejam em maioria, como é natural. E o Diretor da ANJE/Algarve dá o exemplo do que acontece na agricultura, onde muitos jovens se


viraram para o setor primário aproveitando os fundos comunitários para requalificar e modernizar os terrenos e negócios de família. “O turismo é uma área de eleição em que devemos continuar a apostar, porque somos conhecidos e reconhecidos internacionalmente graças a ele, mas podemos aproveitá-lo para promover outros ramos do nosso tecido empresarial”, defende, acreditando que este trilhar de outros caminhos não é uma moda passageira. “A crise fez com que se olhasse para outras formas de explorar os recursos naturais que temos de uma forma mais evoluída”. Para ficar vieram também as empresas relacionadas com as novas tecnologias associadas a algumas áreas ou técnicas quase esquecidas e o facto do Algarve estar na periferia do velho continente até pode ser benéfico. “O Algarve temse tornado uma região atrativa para o investimento estrangeiro, porque temos melhores condições de vida do que outras zonas do sul da Europa. Demos um grande salto com o acesso às tecnologias de informação e isso ultrapassa qualquer barreira geográfica. De igual modo temos uma relação comercial bastante privilegiada com a América do Sul e o português é a quinta língua mais falado no planeta. São vantagens que devemos saber promover para captarmos esse investimento externo”.

A MUDANÇA GERA SEMPRE RESISTÊNCIA E DESCONFIANÇA Em paralelo com este esforço para atrair empresários e investidores há

“EXISTEM, EFETIVAMENTE, MAIS AJUDAS PARA AS EMPRESAS, MAS O MERCADO FINANCEIRO AINDA SE MANTÉM BASTANTE RESTRITIVO NO APOIO À ECONOMIA. MUITAS VEZES SÃO PEDIDAS GARANTIAS FINANCEIRAS QUE UMA NOVA EMPRESA NÃO CONSEGUE TER” que, todavia, criar as condições para que eles, depois, desenvolvam com sucesso a sua atividade no Algarve e, nesse aspeto particular, Hugo Vieira entende que faltam mais parques industriais na região. “Há diversos parques empresariais com ótimas condições e o Aeroporto Internacional de Faro coloca-nos em contato com todo o mundo. Temos, contudo, que fazer alguns ajustes e investimentos na questão da mobilidade urbana e dos transportes, para que os passageiros cheguem rapidamente a Faro, Loulé ou Tavira, por exemplo”, sublinha o empresário. “Infelizmente, uma indústria de maior dimensão não tem, neste momento, boas condições para se fixar no Algarve. Noto vontade da parte dos nossos governantes e autarcas para resolver essa situação, mas o ideal é criar-se um grande parque industrial e não polos #95 ALGARVE INFORMATIVO

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municipais. Estas infraestruturas normalmente fixam-se junto a grandes centros populacionais e o Algarve não é uma região muito povoada. Para além disso, há o problema dos vários instrumentos existentes de ordenamento do território, pelo que esse processo não será fácil”, reconhece. Outra questão fundamental para o sucesso no século XXI é a formação, daí perguntarmos se o ensino superior está a fornecer as ferramentas mais adequadas aos empresários modernos ou se os cursos continuam a ser demasiado teóricos. “As Universidades ALGARVE #95

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têm feito um esforço para alterar esse paradigma, mas penso que ainda não conseguiram lá chegar. Devemos olhar de uma forma diferente para a capacitação dos estudantes para o mundo empresarial, seja nas formações mais teóricos ou nos cursos mais técnicos”, frisa o Diretor da ANJE/Algarve. “A Universidade do Algarve está a fazer, e bem, esse caminho, com o CRIA – Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia, e a ANJE está a estabelecer parcerias para ajudar a concretizar essas ideias. Sabemos que há sempre uma resistência à mudança, um olhar desconfiado em


relação aos cursos terem uma vertente mais profissionalizante, pelo que devemos disponibilizar ferramentas para os alunos que queiram optar pelo empreendedorismo. Queremos propor algumas cadeiras e módulos, supervisionados cientificamente pela universidade, e que confiram um cunho mais prático aos cursos, com empresários a explicar as dificuldades do dia-a-dia”, revela o entrevistado. A par da formação, também a burocracia faz parte do quotidiano de qualquer empresário. Ora, se criar uma empresa se tornou relativamente fácil nos últimos anos, mais complicado continua a ser o seu licenciamento em determinados setores de atividades, ou por falta de informação, ou porque o processo é lento. Mudanças houve, igualmente, no financiamento das jovens empresas, salienta Hugo Vieira, a pensar na «Startup Portugal». “Existem, efetivamente, mais ajudas para as empresas, mas o mercado financeiro ainda se mantém bastante restritivo no apoio à economia. Muitas vezes são pedidas garantias financeiras que uma nova empresa não consegue ter e, como os bancos não facilitam, o Estado tem tentado criar linhas de apoio, como, por exemplo, para a contratação de recursos especializados, com benefícios fiscais. Apesar disso, continuam a ser necessárias medidas de estímulo, porque os empresários criam emprego e riqueza e, sem isso, não há modelo de desenvolvimento possível”, garante o dirigente associativo.

Ora, num mundo em constante mudança como é este em que vivemos, o proprietário da Winable sustenta que a incerteza é, sem dúvida, o grande desafio dos tempos modernos. “No mundo globalizado nunca sabemos claramente quem são os nossos concorrentes, podem estar à nossa beira, ou do outro lado do planeta. Por isso, temos que fazer diferente e melhor, o que pode ser conseguido com algo novo ou reinventando algo que já existe”, aconselha, chamando também a atenção para a importância de uma boa comunicação. “Isto já era verdade no passado e ainda é mais verdade agora, com as redes sociais e os novos formatos de comunicação. Se não estou a promover devidamente a minha ideia e aquilo que faço, muito dificilmente chego ao meu destino”, salienta Hugo Vieira. Ideias existem, também, para o futuro da ANJE e um dos objetivos do novo diretor do polo do Algarve é dar mais notoriedade e voz à instituição. “É necessário dar capacidade de influência àquilo que os empresários pensam e precisam e isso não se constrói sozinho. Tenho excelentes técnicos que me ajudam nessa tarefa, mas quero trazer mais empresários para a ANJE”, afirma Hugo Vieira. Outra ambição é a criação de um prémio financeiro, em três áreas, para as boas ideias e projetos nascidas na região, para as ajudar no início da sua atividade . #95 ALGARVE INFORMATIVO

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TOCHAS

IMPARÁVEL

EM LOULÉ O inigualável Pedro Tochas regressou ao Algarve, no dia 5 de fevereiro, para apresentar um mix de dois espetáculos no Cine-Teatro Louletano. Foi uma oportunidade única para assistir aos melhores momentos de «Maiores de 18» e «Já tenho idade para ter juízo», mas também à pura essência da stand-up comedy ao seu mais alto nível. Texto:

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agitação era muita em redor do CineTeatro Louletano, na tarde de domingo, 5 de fevereiro, para assistir ao vivo ao que de melhor a stand-up comedy tem para apresentar, pois Pedro Tochas – o maluco de cabelo em pé que conhecemos dos anúncios do «Freeze» – trazia na bagagem uma coletânea dos momentos mais marcantes dos seus dois últimos espetáculos, designadamente «Maiores de 18» e «Já tenho idade para ter juízo». No fundo, tratava-se de pequenas histórias, divagações, alucinações, improvisações e interações constantes com o público, sobre temas da atualidade, com uma pitada de sexo à mistura, sem nunca fugir do bomtom.

Hora e meia de risadas permanentes com um artista que anda nisto há 25 anos, um dos primeiros em Portugal a pisar palcos para contar piadas, mas também as pedras da calçada, pois Pedro Tochas iniciou-se como artista de rua. Um quarto de século depois, continua a vibrar intensamente sempre que tem um público pela frente, seja meia dúzia de espetadores ou algumas centenas, como era o caso nesta tarde domingueira por terras algarvias que bem conhece. “Eu gosto mesmo daquilo que faço e isso é importante para o sucesso dos espetáculos. Nota-se quando um artista está em palco apenas a pensar no cheque que vai receber, ou quando está ali por paixão, com total entrega. Eu dou sempre tudo o que tenho”, garante, ainda cheio de adrenalina. Minutos antes tinha estado a tirar fotografias com os fãs, no hall do Cine-Teatro Louletano, e até recebeu o pedido de desculpas de um jovem casal que tinha chegado ao espetáculo com uns minutos de atraso. Como se adivinha, já não se livraram de algumas piadas da língua afiada de Pedro Tochas, porque o artista não perde essas oportunidades ALGARVE #95

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para improvisar. “As pessoas têm que perceber que isto não é televisão e que quem está no palco está a ver tudo o que se passa à sua volta. Eu sou o tipo de comediante que adora brincar com o que está a acontecer no momento”, justifica, adiantando que essa rapidez de reação se vai adquirindo com a experiência. “Depois, é uma questão de treinar o teu cérebro para reagir rápido, porque os conteúdos são sempre uma incerteza”. O que se vai ganhando também com a tarimba é a capacidade de não se ultrapassar os limites, de não ferir suscetibilidades, mas a tarefa não é fácil, admite Pedro Tochas, porque cada pessoa tem os seus próprios limites. “Temos que fazer o melhor julgamento possível e, acima de tudo, sermos verdadeiros naquilo que fazemos, não estarmos a pensar apenas em agradar a este ou aquele”, aconselha o entrevistado. “O objetivo é brincar com as pessoas e não deixá-las desconfortáveis ou magoadas. Agora, se um espetador me começar a chatear o juízo, o que às vezes acontece, ai sujeitase”, avisa, com um sorriso. O facto de os espetáculos serem normalmente para maiores de 16 anos não significa que Pedro Tochas use palavrões, simplesmente fala de sexo e utiliza uma linguagem adulta. “Eu falo de certas coisas que espero bem que uma criança de 10 anos não perceba nada disso. Até para perceber quando estou a ser irónico ou sarcástico é preciso alguma experiência e maturidade, porque muito do que digo tem segundas intenções”, explica, considerando ainda que o próprio público deste género de espetáculos evoluiu muito no passado recente. “Mesmo a oferta cultural aumentou bastante na última década, com programação para públicos distintos. Depois, com o tempo, as pessoas percebem que, ao vivo, tudo é mais espetacular. Na televisão, podes fazer pausa ou rewind, aqui não, estás a ver o artista a soar em palco e isso é fabuloso.

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Só que este trabalho não se faz de um ano para o outro e temos que agradecer às autarquias que apostam na cultura”, sublinha, em tom mais sério. A versatilidade e capacidade de improviso são, de facto, duas notas dominantes das atuações de Pedro Tochas, mas este nunca descurou a formação, nem a troca de ideias e conceitos com os colegas. Curiosamente, andava a estudar engenharia química quando começou como artista de rua e, de repente, estava descoberta a sua real vocação, aquilo que lhe enchia mesmo a alma de alegria. “Faço vários tipos de stand-up comedy, na rua, palestra para empresas, espetáculos para crianças, com piadas, malabarismos, balões. Como sou um artista a solo, escrevo as minhas próprias coisas e faço o que me dá mais prazer”, aponta, não se julgando nenhuma vedeta apesar do êxito que tem. “É uma profissão como outra qualquer. A diferença é que, durante uma hora e meia, estou em cima do palco e está toda a gente a olhar para mim. No resto do tempo estou em casa a preparar material novo”, descreve. “Hoje, ser artista é uma carreira normal e tanto estamos desempregados como ator ou como engenheiro. Em todas as áreas há altos e baixos e eu também não quero subir muito, é mais fácil manter-me a meio”. Entretanto, para março deveremos ter espetáculo novo de Pedro Tochas, que já anda em testes por espaços mais pequenos de Lisboa . ALGARVE #95

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“A FOTOGRAFIA É UMA DESCULPA PARA CONTINUAR A SER CURIOSO”, EXPLICA VÍTOR PINA O Sítio das Fontes, em Estômbar, foi palco da última exposição do fotógrafo profissional Vítor Pina, de nome «Algarvios», no âmbito dos ENFOLA – Encontros de Fotografia de Lagoa 2016. A mostra vai continuar, todavia, a sua itinerância pela região e mais projetos estão na mente do arquiteto paisagístico que se deixou apaixonar pela fotografia depois de uma pescaria com um amigo. Texto:

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rquiteto paisagístico de formação, Vítor Pina tem dado nas vistas, nos últimos anos, pelas suas fotografias de tirar o fôlego, como disso são exemplo os 39 retratos que fazem parte da exposição itinerante «Algarvios». E se as artes, nomeadamente o desenho, sempre estiveram presentes no nosso entrevistado, o gosto pela fotografia só ganhou maiores contornos em 2008, curiosamente devido a uma saída de pesca com um amigo. “Eu vivia na época em Vila do Bispo, ele ligou-me um dia porque queria tirar umas fotografias ali da costa e, dito e feito, levei-o comigo numa pescaria. Enquanto eu pescava, ele ia tirando fotografias, longas exposições, com tripé e, passado um mês, apareceu-me com as fotos impressas”, recorda Vítor Pina. De repente, reacendeu-se um bichinho que já tinha dado sinais de vida na sua juventude, mas que não prosseguiu porque não era um hobby propriamente barato, entre adquirir o material, comprar os rolos e revelar as fotografias. “A parte artística requer muitos ensaios, falhas bastante, o que é diferente de se tirar fotos numa festa em que aproveitas praticamente todas. Era caríssimo revelar as fotos nas lojas, com o digital tudo se tornou mais fácil, é só fazer erase das que não interessam”, refere, com um sorriso, numa conversa junto à Igreja Matriz de Boliqueime.

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Comprada a primeira máquina, Vítor Pina passa os anos seguintes a fazer experiências, a aprender por si mesmo, no terreno e, com o tempo, foram aumentando os seguidores da sua página de Facebook e as solicitações para realizar trabalhos comerciais. “Nunca tive a ambição de ganhar dinheiro com isto e até comecei por fazer serviços para


outros fotógrafos, nomeadamente em casamentos e outros eventos. É no campo que realmente aprendemos”, justifica, não sendo um grande apologista dos tradicionais workshops. “A teoria da fotografia vai muito para além do saber manusear a máquina. Isso vem no próprio manual do equipamento e está disponível gratuitamente na internet. No fundo,

tudo se resume à abertura, velocidade e ao ISO. O principal é perceber como vês as coisas e como queres passar a mensagem, como produzes o resultado final”, defende. Na opinião de Vítor Pina, é a criatividade e sensibilidade que fazem um fotógrafo, não o dinheiro #95 ALGARVE INFORMATIVO

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que custou o seu equipamento, e essas aptidões nem sempre se conseguem aprender nos livros. “Nós somos um produto da nossa formação e vivências e a forma como interagimos com o mundo vai refletir-se no que vais fazer na vida. É lógico que estudo e tento ver as abordagens dos mestres antigos mas, quando vou fotografar um assunto, não vou com ideias pré-formatadas. Esta igreja é igual para qualquer pessoa que aqui passe, mas cada um pode mostrar algo diferente dela”, considera. Sensibilidade e criatividade marcam, assim, a diferença numa época em que, numa hora, o ser humano vê mais imagens do que o seu antepassado da Idade Média via numa vida inteira. “Hoje, a ambição do fotógrafo é criar imagens que façam parar as pessoas e eu preocupo-me essencialmente em

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olhar para o lado positivo das coisas. Na minha faceta comercial tenho que ir ao encontro dos desejos dos clientes que me procuram e, na vertente de autor, por norma o tema é sempre o Algarve, sejam pessoas, paisagens ou ruas de cidade”, refere, sempre atento ao que vai acontecendo ao seu redor. “Nos últimos dois anos, os meus projetos são quase todos fotografia de rua e, por isso, preciso ter um conhecimento básico das cidades para onde vou. Claro que nem sempre estão reunidas as condições que desejo e também sou um fotógrafo de close-ups, trabalho a dois ou três metros das pessoas, o que me obriga, às vezes, a ir ao mesmo local em diferentes ocasiões”, descreve. “É uma rotina de tentativa e erro porque não uso


Photoshop. Uma foto tem que ficar boa quando se dá o clique. É uma questão de luz, interpretação e emoção, daí preferir o preto e branco para acentuar as linhas e os padrões, talvez por influência da minha formação de arquiteto”. Neste contexto, Vítor Pina garante que a fotografia de rua é mais complexa do que aquela de paisagens, por registar padrões de tempo, períodos da história. “Para a maior parte dos portugueses, essas fotos não têm valor porque retratam o nosso quotidiano. Um japonês ou um americano, por seu lado, adoram as mesmas fotografias porque não conhecem esta realidade. É essa antecipação do valor histórico de uma imagem que me fascina”, reconhece. E é por todo este cuidado que o entrevistado

não tem feito muitas exposições, limitando-se o leque a uma sobre o Chinchorro e esta mais recente dos «Algarvios», que surgiu a convite do ENFOLA, uma parceria entre a Câmara Municipal de Lagoa e a Universidade do Algarve. “São 39 fotografias, que foram escolhidas pelo curador Nuno Loureiro a partir de 200, de um universo de mil que tirei ao longo de dois anos. Levamos seis meses a selecionar aquelas que melhor contassem a história dos algarvios”. Depois de Lagoa, a exposição «Algarvios» vai estar patente em mais duas cidades algarvias durante o corrente ano e material para mais mostras não faltam a Vítor Pina, mas admite essa dificuldade em assumir a #95 ALGARVE INFORMATIVO

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curadoria do seu próprio trabalho, algo que é frequente aos profissionais do ramo. “Sou um grande crítico daquilo que faço, o que treina os meus mecanismos, mas preciso levar uns meses sem olhar para as fotos antes de conseguir pensar numa exposição. Como é que decidimos que uma foto é melhor do que outra, quando há uma associação emocional a todos os momentos em que as captamos”, questiona o entrevistado, que tem três linhas distintas como autor. “Faço um género de estúdio de rua, fotos fortes conseguidas com a menor produção possível; tenho fotografias de rua tiradas a maior distância; e tenho as chaminés e janelas praticamente todas do Algarve fotografadas e nunca as publiquei”. O que não sente, por enquanto, é necessidade de rumar ao estrangeiro para

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tirar fotografias, embora seja um eterno curioso. “A fotografia é uma desculpa para continuar a ser curioso, para não ficar sentado num café a ver o tempo passar. A máquina é uma forma de viajar e gostaria de fotografar outras realidades, mas ainda tenho imensas histórias para contar no Algarve”, salienta Vítor Pina. “Fotografo essencialmente para mim, porque gosto, e para guardar um Algarve que vai desaparecendo, mas vou alargar o meu campo de ação ao resto do país. Para a Índia ou Marrocos não vou porque só conseguimos contar uma história daquilo que conhecemos e isso não se faz em cinco ou dez dias a captar imagens de forma compulsiva. Acabamos por ir aos sítios onde toda a gente vai”, justifica .


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HOTELEIROS ALGARVIOS CONHECERAM APOIOS À REMODELAÇÃO DE EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS Texto:

Fotografia:

Carlos Abade, vogal do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal

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Hotel Tivoli Marina Vilamoura foi palco, no dia 8 de fevereiro, de uma sessão de esclarecimento promovida pela AHP – Associação da Hotelaria de Portugal sobre «Apoios Financeiros à Remodelação de Empreendimentos Turísticos e Outros Estímulos para o Desenvolvimento Turístico no Algarve». A Linha de Apoio à Qualificação da Oferta, gerida pelo Turismo de Portugal, é o principal instrumento de crédito para o financiamento da requalificação dos empreendimentos turísticos, no sentido de os posicionar e ALGARVE #95

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afirmar em segmentos de maior valor acrescentado. A afirmação turística do Algarve passa, contudo, também pela melhoria das acessibilidades, pelo estímulo à realização de eventos e pela aposta no marketing do destino. Esta temática é de importância vital para os empresários do turismo no Algarve tendo em conta as restrições desta região no âmbito do Programa Portugal 2020, daí a presença de Carlos Abade, vogal do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal, num encontro que contou igualmente com as intervenções


Raul Martins, presidente da Associação de Hotelaria de Portugal

do Presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, Raul Martins, e do representante da AHP no Algarve, João Soares, do Dom José Beach Hotel, de Quarteira. “Depois de alguns anos claramente negativos, entre 2010 e 2014, com muitos hotéis fechados durante o Inverno e com exploração deficitária, os dois últimos anos têm sido francamente positivos para a operação hoteleira”, começou por dizer Raul Martins.

Algarve, as acessibilidades continuam críticas”, lamentou Raul Martins, dando os exemplos concretos da EN 125 e do Aeroporto Internacional de Faro. “Também os eventos são fundamentais e é preciso avaliar sistematicamente se atingem os objetivos pretendidos, como é o caso do «365 Algarve», para se fazerem acertos e correções de estratégias”, reforçou o presidente da AHP.

De facto, em 2015 já se assistiu a uma subida da taxa de ocupação dos hotéis algarvios e dos preços médios praticados, com esta tendência ascendente a confirmar-se no ano seguinte. “Mas muito há para fazer, porque o Algarve tem muitos «Algarves». Não é só o interior e o litoral, mas também o sotavento, barlavento e centro e todos têm pesos distintos, resultados diferentes e assimetrias marcantes. Há que cuidar das infraestruturas e, no

Raul Martins falou também do emprego, da fixação da população e da formação, assim como da necessidade dos empreendimentos turísticos realizarem intervenções periódicas de manutenção, reequipamento, recuperação e modernização. “Só assim se mantêm competitivos e aptos a concorrer com a nova oferta que vai surgindo. Porém, os anos menos bons que vivemos não libertam verbas para fazermos esses investimentos e o #95 ALGARVE INFORMATIVO

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João Soares, representante no Algarve da Associação de Hotelaria de Portugal

financiamento bancário comum também não se afigura ajustado à hotelaria, visto que acarreta um peso sobre a tesouraria que esta não suporta”, observou o dirigente associativo. Por seu lado, João Soares afirmou que fazer parte de uma associação nacional é importante para se esbater a separação que existe entre o Algarve e o resto de Portugal. “Claro que isto só é possível com a ajuda de todos. A AHP é a maior e mais antiga associação de hotéis do país, contudo, para pena minha, tem pouca representatividade no Algarve”, frisou, esclarecendo que o objetivo não é fazer concorrência a outras associações existentes no contexto regional e nacional. “Antes pelo contrário, queremos promover parcerias, estarmos mais próximos uns dos outros e tomarmos posições conjuntas em relação às matérias que tenham a ver com a melhoria do Algarve e das nossas ALGARVE #95

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infraestruturas, para que possamos receber os nossos turistas de uma forma mais acolhedora”, salientou o diretor-geral do Dom José Beach Hotel. O convidado especial do encontro foi Carlos Abade, vogal do Turismo de Portugal, que deu a conhecer a Linha de Apoio à Qualificação da Oferta 2016, um instrumento de crédito que visa proporcionar às empresas do setor do turismo melhores condições no acesso ao financiamento, estando dotada de 60 milhões de euros e resultando de um protocolo assinado com 12 instituições bancárias. De acordo com os critérios fixados no protocolo, que vigora até 31 de dezembro do corrente ano, será privilegiado o investimento em projetos distintivos e inovadores, assim como na requalificação de empreendimentos turísticos, no sentido de os posicionar e afirmar em segmentos de maior valor acrescentado. O desenvolvimento


de projetos de empreendedorismo na área da animação turística, bem como de projetos na área da restauração de interesse para o turismo, estão também entre os eixos de investimento contemplados. De realçar que esta linha de crédito privilegia os projetos que, pelas suas caraterísticas, contribuam para a dinamização turística dos centros urbanos, privilegiem a fruição do património cultural edificado e a reabilitação urbana, se traduzam em novos negócios turísticos, nomeadamente na área da animação turística, sejam energética e ambientalmente sustentáveis, e contribuam para a permanência média do turista e para a redução da sazonalidade. O novo instrumento está acessível a empresas turísticas de qualquer dimensão, independentemente da sua natureza ou forma jurídica, desde que cumpram as condições estipuladas. Quanto ao montante máximo do financiamento concedido, poderá chegar aos 75 por cento do valor do investimento elegível, estando definido o valor de 2,5 milhões de euros como limite máximo de investimento do Turismo de Portugal em cada operação, com exceção das candidaturas desenvolvidas em cooperação, agregadoras de várias empresas, em que o limite será de 3,5 milhões de euros. As empresas podem candidatar projetos de requalificação de empreendimentos turísticos existentes, incluindo a ampliação dos mesmos, ou até a criação de empreendimentos turísticos, desde que se demonstrem diferenciadores em relação à oferta existente e importantes para o posicionamento competitivo do destino, ou resultem da adaptação de património cultural edificado classificado ou de intervenções de reabilitação urbana em

áreas de interesse turístico. São ainda elegíveis a criação e requalificação de empreendimentos, restauração, equipam entos ou atividades de animação, desde que de interesse para o turismo e se diferenciem da oferta existente na região. Os fundos públicos irão também apoiar o desenvolvimento de novos negócios turísticos, no contexto do apoio empreendedorismo no setor, que apresentem um investimento elegível máximo de 500 mil euros, sejam promovidos por pequenas ou médias empresas a criar ou com, no máximo, dois anos de atividade completos. Há, todavia, outras linhas de apoio do Turismo de Portugal à remodelação de empreendimentos turísticos, como é o Sistema de Incentivos no quadro do Portugal 2020, o Programa Valorizar, os Fundos de Capital de Risco do Turismo, os Veículos de Capital de Risco IFD, os Fundos de Investimento Imobiliários Turísticos, a Iniciativa IFRRU 2020, as Linhas Fundo de Inovação para o Turismo e a Linha Capitalizar. Carlos Abade abordou igualmente o programa FormAlgarve, que visa apoiar financeiramente a melhoria da qualificação dos trabalhos e a conversão ou renovação dos contratos de trabalho; o Programa Nacional de Formação Financeira Todos Contam, para promover a formação financeira da população e das empresas; o Programa Vip.pt, de apoio à captação e reforço de operações áreas; o Programa M&I Portugal, para incentivar a realização de congressos e eventos corporativos e associativos em Portugal; o Projeto «Portuguese Trails», que pretende posicionar Portugal internacional como destino de cycling & walking, cuja regiãopiloto é precisamente o Algarve; e o Programa «365 Algarve» . #95 ALGARVE INFORMATIVO

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Ladrões de tempo Paulo Cunha

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endo acabado de cantar uma canção do cantautor Bernardo Costa (Agir) com os meus alunos, apeteceu-me usar o refrão da mesma para com eles tentar perceber o real significado da frase “Se tempo é dinheiro, eu vou gastá-lo contigo, até porque tempo é tudo o que tenho para te dar (…)”. Comecei por questionar a razão pela qual se usa comummente o chavão ou cliché “Tempo é dinheiro!” para qualificar tempo. Como era previsível, responderam-me fazendo a correspondência entre a quantidade de tempo despendido no trabalho e a quantidade de salário remunerado pelo mesmo. É claro que poderia ter tentado desmontar tal associação com o facto de haver muita gente que trabalha pouco e ganha muito, e o contrário também ser verdade, mas não o fiz pois queria apenas que entendessem o conceito material de tempo. Fiz, por isso, a analogia com uma frase que todos ouvimos com alguma frequência em tom de retórica e queixume: “Aquele tem a mania que o tempo dele vale mais que o meu!?”. Não valendo dinheiro nem sendo quantificável, qual será então o valor do tempo? Em termos de trabalho remunerado convencionou-se atribuir um «x» por hora em função de inúmeros e diversos fatores. Mas o que dizer sobre o valor do tempo onde não exercemos qualquer atividade monetariamente rentável? Por isso recorri a outros bordões de linguagem onde a noção do «dever e o haver» está subliminarmente presente, tais como: “Não me faças perder tempo!” ou “O tempo que eu gastei contigo!”. Não havendo tempo à venda, não nos podemos dar ao luxo de o desperdiçar, pois não sabendo qual é nosso prazo de validade, o tempo (que se pretende de qualidade) ganha um valor inqualificável, inegociável, intransmissível e insubstituível. Desde que se nasce, da mesma forma que se inicia a contagem crescente em termos de vida vivida, começa também a contagem decrescente para o final. Não sabermos quando ocorrerá o derradeiro suspiro ALGARVE #95

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faz-nos negligenciar, desbaratar e desaproveitar o tempo que nos resta. Sendo de tal forma precioso, custa-me ver tanta gente a não arranjar tempo para o tempo dos outros. Principalmente para o tempo daqueles que, previsivelmente, estão já com um crédito temporal diminuto em relação ao tempo dos mais novos. Depois é ouvir todos aqueles que encheram a vida de planos e projetos deixando para amanhã o que podiam (e deviam) ter feito ontem - lamentar a ausência daqueles para os quais esperaram por um tempo para além do seu tempo. Desconhecendo o tempo que nos resta, todo o tempo conta para a conta do tempo. Daí o «crime» que constitui roubar a outrem um dos bens mais preciosos com que nascemos: o tempo que nos resta para atingir o «0» na escala da nossa contagem decrescente. Assistimos diariamente a esta usurpação - institucionalizada - de tempo, efetuada com a maior desfaçatez, desplante, arrogância e displicência, por pessoas que acrescentam tempo às suas atividades, roubando-o a quem por elas espera e desespera. Nenhuma atividade nem relacionamento estão imunes a este roubo histórico de história de vida… a minha, a tua, e a de todos que sentem prazer em “chupar a vida até ao tutano”. Por isso – «Transigência 0» para quem, de atraso em atraso, nos acelera a vida com totais perdas de tempo! Sabendo que é no exemplo dos mais velhos que os mais novos se alimentam, não é de estranhar a disseminação desta falta de respeito pelo próximo. Daí o tempo que tento ganhar junto dos jovens, fazendo assim com que não me roubem o tempo que ainda me resta. Quanto tempo? Não sei… Quando já cá não estiver, vocês o dirão! Mas uma coisa é certa e sabida: quanto menor é o tempo previsível, maior é a intolerância a todos os «ladrões de tempo» que entre nós proliferam. Para eles… já não tenho tempo! .


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E os Fundos para onde vão? Paulo Bernardo

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boa gestão do dinheiro público, ou seja, o dinheiro de todos nós, é um assunto que me interessa, como deveria interessar a todos. Neste caso até estou a falar apenas dos fundos que vêm da Europa e que são participados em parte pelo nosso orçamento Sabemos que muitas das nossas infraestruturas foram feitas pelos mesmos e que Portugal se modernizou com a sua ajuda. A nossa região hoje tem outra cara graças aos mesmos. Novas estradas, escolas, centros de saúde, pavilhões desportivos, quartéis de bombeiros, jardins, etc. É fácil esquecermo-nos como a nossa região era antes dos fundos europeus chegarem. Contudo, e graças a alguma ingenuidade da nossa região, acabamos por ser equiparados a Lisboa e os fundos que hoje chegam são bastante reduzidos para as necessidades que o Algarve ainda tem. Atualmente somos uma ilha entre o Alentejo e a Andaluzia, duas regiões pobres, e o Algarve é uma região rica, especialmente quando comparada com a Andaluzia. Analisando a forma e para onde os fundos vão, vemos que parte vai para o funcionamento das instituições públicas da região: CCDR, Universidade, Associações etc. Podem-me dizer que as associações não são instituições públicas. Não são, é verdade, mas tendo em conta a expressão que o fundo público tem nos seus orçamentos, bem podem ser equiparadas a instituições públicas. Olhando mais a fundo, e saindo da esfera pública, vemos que os fundos são canalizados para dois tipos de empresas que são as que recebem a maior fatia do bolo, não sei bem porquê, mas quase

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de certeza porque são as melhores do Algarve. Voltando a olhar para os seus orçamentos, também se podem equiparar a entidades públicas, pois grande parte da sua receita surge via entidades públicas e as outras que recebem umas migalhas, mas ainda recebem. Seria muito interessante, e isso não fiz, fazer a seguinte conta: por cada euro público colocado numa empresa, quanto esse euro gerou em dinheiro privado e quantos postos de trabalho esse euro criou? Gostava de ver. Posso dizer que, pelo exemplo que tenho em casa, três por cento da receita da minha empresa vem de fundos públicos. Posso ainda dizer que, com essa ajuda, conseguimos ser líderes de mercado do que fazemos e criar 30 postos de trabalho no Algarve, quase todos licenciados vindos da Universidade do Algarve. Agora, gostava de ver as empresas que ganham milhões de fundos públicos criar proporcionalmente os mesmos postos de trabalho. Caso isso acontecesse, de certeza que o Algarve não tinha desemprego. Assim, espero que os fundos que hoje estão ou irão chegar ao Algarve sejam distribuídos de forma a que se crie efetivamente riqueza na região e que a mesma seja distribuída através da criação de postos de trabalho e de impostos, para que o Algarve seja a região rica que as estatísticas dizem que é. Não podemos dar-nos ao luxo de continuar a alimentar algumas indústrias pouco produtivas, em detrimento de quem deixa a riqueza e cria postos de trabalho no nosso Algarve .


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Os números não enganam… José Graça

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s dezasseis candidatos socialistas à presidência das câmaras municipais do Algarve assumiram em 2013 um compromisso regional para devolver a esperança aos algarvios, subscrito por todos no final do 7.º Fórum Autárquico Regional do PS-Algarve, realizado em Faro. Em 2014 e 2015, segundo dados recentemente divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a região cresceu acima da média nacional, invertendo uma tendência anterior que prejudicou a coesão social e qualidade ambiental em detrimento da competitividade económica, segundo o Índice Sintético de Desenvolvimento Regional. São indicadores que devemos ter presentes, pois o Algarve continuava a ostentar valores abaixo da média nacional, sendo a única região do País nesta situação. Em 2016, com o aumento da atividade económica e a redução do desemprego, certamente esta tendência de crescimento também poderá contribuir para melhorar o índice de coesão social, em termos regionais. Contudo, se os indicadores de coesão social não foram piores, tal deveu-se à atitude proactiva das autarquias – municípios e freguesias – e ao trabalho notável da rede das instituições de solidariedade social, que substituíram-se ao Estado em termos locais. Fruto do tal compromisso regional, os autarcas socialistas assumiram e executaram um conjunto de compromissos autárquicos comuns de âmbito regional, operacionalizando e respeitando os respetivos programas eleitorais ao longo do mandato que termina este ano, concedendo prioridade às políticas locais de dinamização económica direcionada para a criação de emprego, estruturando o contrato político local com os cidadãos em políticas responsáveis e projetos exequíveis e sustentáveis, do ponto de vista social, económico e ambiental. O aprofundamento e desenvolvimento das políticas sociais e das redes sociais municipais foi outra das áreas privilegiadas de intervenção, passando pela harmonização de políticas facilitadoras à promoção de um concelho saudável, em articulação com os serviços desconcentrados da Administração Central e com o tecido social da região.

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Nos dez concelhos onde os socialistas venceram, a valorização das redes locais foi outro dos objetivos desenvolvidos, estabelecendo-se parcerias locais no âmbito da dinamização do conhecimento, cultura e desporto, criando condições para o desenvolvimento de uma cidadania solidária e fomentando um modelo de Autarquia de proximidade, transparente e moderna, nomeadamente através da implementação ou aprofundamento dos orçamentos participativos e dos conselhos municipais de juventude, domínios onde muito mais ainda pode ser feito. Esta semana, esse compromisso foi coroado com o posicionamento de nove autarquias socialistas nos primeiros lugares do ranking regional do Índice de Transparência Municipal (ITM’2016), estando Vila do Bispo (13.º lugar nacional e melhor a sul do Tejo com 100 por cento nos indicadores transparência económico-financeira, relação com a sociedade e transparência na área do urbanismo), Alcoutim (24.º) e Portimão (38.º) nos primeiros lugares, sendo igualmente de referir as subidas de São Brás de Alportel (142 lugares), Alcoutim (141) e Tavira (88) no ranking nacional. O ITM '2016 mede o grau de transparência das 308 câmaras municipais através de uma análise da informação disponibilizada aos cidadãos nos seus sítios na Internet, sendo composto por 76 indicadores agrupados em sete dimensões: Organização, Composição Social e Funcionamento; Planos e Relatórios; Impostos, Taxas, Tarifas, Preços e Regulamentos; Relação com a Sociedade; Contratação Pública; Transparência EconómicoFinanceira; e na área do Urbanismo. Como os números não enganam, o ITM’2016 constitui uma ferramenta de gestão autárquica poderosa para acertar o rumo dos dezasseis municípios algarvios e para estruturar os compromissos do próximo mandato autárquico, numa lógica de participação permanente dos cidadãos e de proximidade crescente dos eleitos locais .

(Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e da Assembleia Intermunicipal do Algarve)


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O Erro Ortográfico António Manuel Ribeiro

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a semana em que uma delegação da Academia das Ciências de Lisboa promoveu na Assembleia da República uma abordagem sobre rectificações necessárias e urgentes ao Erro Ortográfico – cuidado, que há mais gente por aí certificada ao domingo ou «adoutorados» por soma de cupões da Farinha Amparo -, li um artigo sobre os erros ortográficos nos comunicados da Casa Branca, publicado pelo insuspeito The Guardian. Confrangedor e banal, a arrogância do cobói abafará os precários do alfabeto inglês. Por cá tem sido um fartote, por ventura nunca se escreveu tão mal e há muito boa gente que já se encosta ao disparate do Erro Ortográfico (para haver um acordo tinha de haver signatários desse acordo, mas até agora não houve consenso) para escrever deficientemente. O meu rígido professor da 4.ª classe deixaria as mãos a arder a muito nariz levantado da nossa praça. Há dois dias, na abertura do portal Sapo vi um anúncio da MEO. Prometia à clientela da operadora que se iria apaixonar com letra grande (A), escrito numa tarja rosa, quando o correcto seria apaixonar com letra maiúscula. Talvez um criativo da agência de publicidade contratada pela MEO nos queira dizer que o defeito é feitio. Mas não é. É erro. Das letras do abecedário não se diz grande ou pequeno, mas maiúsculo ou minúsculo. Ou será que os alvos do anúncio estão tão bem identificados que a mensagem passa muito melhor defeituosa? Perdoa-lhes Camões, que eles não sabem mas fazem. Ainda esperei (até hoje) um laivo de inteligência por parte do governo ao receber a proposta de afinação do Erro Ortográfico em vigor, a que chama Acordo, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros – por onde andarão os da Educação e da Cultura? – proferiu, em resposta, uma daquelas declarações que eles empinam quando chegam ao poder. É um manual secreto que ensina a todos que entram para as cadeiras da governação como falar sem nada dizer mantendo a compostura, o ALGARVE #95

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tom e o ar de estarem a dissertar profundamente sobre coisas muito pensadas. Confesso que nunca fui à bola com este senhor, que esteve ao lado dos que nos trouxeram a mais uma bancarrota, a de 2011, comentador trauliteiro que revelava restos de um trotskismo mal enterrado. Mas tem vocação para ministro, percebe-se. Disse que não era este o tempo para alterar um Acordo assinado e em vigor em dois países, Portugal e Brasil (não é verdade, senhor ministro, há muito que o povo brasileiro adoptou maneirismos que agora fomos copiar), esperandose que o resto da lusofonia o faça. Quando? Porquê perder a alma? Este Erro Ortográfico viola o princípio científico de uma língua, a etimologia que criou vocábulos e estes um discurso escrito e falado coerente. Para quando, senhor ministro, o tempo certo para corrigir os erros que vão sendo somados, essas calendas gregas vulgares em política, esta deriva que está a criar mais analfabetos funcionais, apesar de, nas tiradas inflamadas dos últimos governos, dizerem que temos as gerações mais qualificadas, quando o correcto seria dizer mais certificadas? Dá-se, por ventura, ao luxo de anotar os erros que os jornais, em papel e virtuais, publicam sem uma correcção a posteriori, porque das duas alguma, ou já ninguém sabe corrigir, ou esquecer dá mais jeito? Talvez o senhor ministro sacuda a importância de uma língua correcta – é a nossa – por ter outros assuntos mais urgentes, como por exemplo, aclarar se devemos cortar relações diplomáticas com o Iraque ou prepararmo-nos para a guerra – a agressão ao miúdo português foi comprada e todos se calaram. Diplomacia e livro de cheques. Soberania, logo se vê. A ironia serve este tempo. Andamos de cócoras em tantas horas do dia que dava gosto ouvir por uma vez a diferença que não batesse na vulgaridade, no lugar-comum, no mais do mesmo que mantém os do poder no poder e os outros no rebanho .


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Falta de carácter, para não dizer outra coisa… Augusto Lima

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urgiu o tema para esta crónica, a meio da conversa com o João Monteiro, empresário portimonense e antigo formador na Escola de Hotelaria do Algarve, onde falávamos da Escola Antiga, de Regras e de Disciplina, a que fomos habituados, eu, ele e muitos da minha geração. Disciplina que nos fez bem e nos moldou a Vontade e o Carácter, nos fez seguir o exemplar modelo e que faz falta nestes novos tempos de fast tudo, do food ao time e que temos urgência em reavaliar, sob pena de nos atolarmos numa falta atroz de gente séria, comprometida, organizada, disciplinada e profissional. Fazem-se chefes em programas de televisão, empregados de mesa numa temporada de Verão, em calções e mini aventais mete nojo, recepcionistas só porque sabem línguas e directores de comidas e bebidas sem treino de cozinha e serviço de bebidas. No meu tempo dizia-se “se queres ser, tens que aprender”. E aprender era duro, desmotivante na maioria das vezes, mas compensador no final. Hoje, um estalo ou carolo é considerado abuso físico, um castigo, maus tratos, os filhos podem fazer queixa dos pais, os avós tem que ter um cuidado anti mil olhos a desfavor, quando sentem um neta ou neta ao colo, não vá ser indício de pedofilia, e uma mãe já não pode amamentar o filho em lugares públicos porque isso é um atentado ao pudor. A lista seria longa e qualquer um a pode engrossar, mas uma coisa é certa, “o que é demais cheira mal”. É certo que pais e educadores não recebem os filhos e educandos com livro de instruções, mas os que tiveram educação exemplar, no berço, estão mais preparados para a difícil arte de ensinar e lapidar caracteres. Eu mesmo me encontro aqui, hoje, seis da manhã, a terminar esta crónica pois o

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compromisso é um substantivo sagrado. Sem disciplina, não há rigor, sem tenacidade, valor. Mea culpa, mea culpa, digo eu também, que por vezes caio no erro de quase tudo desculpar e quase tudo permitir, tentando ser um gajo porreiro, um prof fixe, um formador cool. Acredito que o sou, e quero ser, mas por outros motivos. Sempre que falo sobre estas coisas lembro-me de duas pessoas. Uma delas Cozinheiro, o Vicent Nass, que foi meu Chefe e muito me ensinou e que me fazia, pela persistência e saturação de querer que fizesse cada vez mais e melhor, ter vontade de deitar a toalha ao chão e de lhe dizer umas quantas coisas juntinho ao ouvido. Aguentei firme, engoli em seco, superei e ainda bem. A outra, o meu pai, de carácter primário e primoroso, tipo sargento militar com bota pesada que, apesar de pouco tempo sob o seu comando, conseguiu, pela educação, formarme. Precisamos urgentemente de renovar metodologias, de moldar carácteres e de fazer homens e mulheres como os de antigamente e aqui se incluem Cozinheiros, empregados de bar e restaurante, restauradores e directores e que possamos de novo cantar com fulgor “Entre as brumas da memória, ó Pátria sente-se a voz dos teus egrégios avós, que há-de guiar-te à vitória!” .

(Presidente da Associação de Cozinheiros e Pasteleiros do Algarve)


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QUARTEIRA GANHOU UMA ENTRADA MODERNA E REQUALIFICADA Texto:

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Secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d’Oliveira Martins, deslocou-se a Quarteira no dia 8 de fevereiro, para proceder à inauguração da Avenida do Atlântico. Os trabalhos realizados, na ordem dos 800 mil euros, levaram à criação de uma avenida urbana, através da requalificação do troço entre a rotunda existente na principal entrada da cidade e a EN 396, em direção a Loulé. Por se enquadrar dentro da área urbana, já que o limite norte da intervenção coincide com a placa de início de localidade, o troço urbano desta estrada passa agora a ter as características de uma avenida infraestruturada, arborizada, ajardinada, iluminada, dotada de passeios, ALGARVE #95

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de zonas de atravessamento de peões e de mobiliário urbano, impondo uma melhoraria do fluxo no trânsito e a redução de velocidade nos pontos mais problemáticos da via. A criação de duas faixas automóveis no sentido LouléQuarteira e de uma faixa ciclável, bem como a plantação de mais de uma centena de novas árvores foram algumas das obras levadas a cabo. Na ocasião, Telmo Pinto, presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, não hesitou em afirmar que esta nova avenida vem dar mais dignidade à entrada da cidade, para além dos benefícios referidos em termos de mobilidade e acessibilidade do espaço público. “Quarteira tem uma


quantidade de fatores diferenciadores, logo a começar pelas suas praias urbanas de qualidade, com quota zero, onde não subimos nem descemos degraus. Temos o peixe e o marisco de alto nível; um calçadão único no país, em frente ao mar; uma marina de excelência com vários prémios ganhos; campos de golfes. É normal que as pessoas gostem de vir para Quarteira”, frisou Telmo Pinto. Apesar destes predicados, a sazonalidade continua a ser um problema premente, sendo Quarteira sobretudo procurada durante os meses de julho e agosto, mas a autarquia tem vindo a criar condições para fixar mais população residente. Disso são exemplo a agora inaugurada Avenida do Atlântico, mas também a Avenida Papa Francisco e a futura Avenida da Fonte Santa, a par de outras pequenas intervenções que trazem mais qualidade para o dia-a-dia de

Quarteira. “São muitas obras e projetos que vão ao encontro das necessidades das pessoas e que não arrancaram em janeiro de 2017, por estarmos em ano de eleições autárquicas, mas no primeiro dia em que cá chegamos, em 2013. Há uma preocupação constante com a educação, a segurança, com as bases da nossa sociedade, e é isso que vai atrair mais pessoas para passar férias em Quarteira, mas também para ficarem cá a viver”, reforçou Telmo Pinto. Bastante satisfeito com a obra inaugurada mostrou-se Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, revelando que o produto final nada tem a ver com o projeto que encontrou para esta avenida, quando tomou posse, em outubro de 2013. “Era só lançar o concurso e começar as obras, mas o projeto existente

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suscitou-me de imediato as maiores dúvidas e interrogações, porque contemplava duas vias em cada sentido, com separador central, mas onde se iria destruir toda a paisagem lindíssima da entrada de Quarteira. Hoje, o paradigma é diferente, temos que olhar à qualidade ambiental do espaço urbano e isso vai muito para além do cimento e do ferro”, afirmou o edil louletano. “Este executivo está apostado em gerir a coisa pública com uma matriz diferente e há valores que têm que ser tidos em conta de cada vez que uma obra pública é projetada. Salvaguardámos a maior parte dos pinheiros que aqui existiam e plantamos o triplo das árvores que tivemos que retirar. Os passeios são generosos, porque queremos que as pessoas possam caminhar com conforto e segurança, e tem uma ciclovia, porque queremos promover cada vez mais a mobilidade suave, não poluente”, descreveu.

considerável, com prazos cumpridos, na linha das que estão projetadas para Quarteira, uma cidade que, Vítor Aleixo garante, já não é a mesma dos anos 80 e 90. “Nessa época, Quarteira era um exemplo para tudo o que era negativo no país, de tal maneira que muita gente – com saudades da antiga pequenina aldeia piscatória de outros tempos – nunca mais cá voltou”, lamentou o autarca. “Depois de todos estes anos de trabalho, é altura de dirigir um apelo a Portugal para que volte a Quarteira no próximo Verão. Venham ver uma Quarteira que está totalmente renovada, que está muito requalificada, e da qual todos nos orgulhamos”, indicou Vítor Aleixo.

Uma obra diferente da inicialmente prevista, com um investimento

Para aqui se chegar, houve que vencer os obstáculos burocráticos que se

Telmo Pinto, presidente da Junta de Freguesia de Quarteira ALGARVE #95

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QUARTEIRA VAI TER UM CENTRO CULTURAL E PAVILHÃO GIMNODESPORTIVO


Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé

colocam no dia-a-dia da atividade política, mas também ouvir as críticas e as incompreensões dos cidadãos cansados de ver tudo na mesma, admitiu o presidente da Câmara Municipal de Loulé. “Quando tomámos posse, em 2013, o investimento público nesta freguesia não chegava aos quatro milhões de euros. Entre 2014 e 2016, o município investiu em Quarteira 12 milhões de euros, as obras estão à vista, algumas delas concluídas, e outras em curso. Mas não paramos, porque somos, por natureza, insatisfeitos e queremos fazer sempre melhor. Por isso temos em projetos, para os próximos três anos, mais 21 milhões de euros”, revelou Vítor Aleixo, garantindo que a situação financeira da autarquia está de boa saúde, após um intenso saneamento realizado nos últimos anos.

Deste plano de investimentos fazem parte o futuro Quartel da Guarda Nacional Republicana, uma nova escola, um Centro Cultural e um Pavilhão Gimnodesportivo. “Os jovens de Quarteira vão ter espaços para expressarem a sua sensibilidade artística, para criarem, para vermos teatro, para ouvirmos música. E vamos conseguir diversificar a oferta desportiva para a juventude desta terra”, destacou Vítor Aleixo, deixando ainda um pedido ao Secretário de Estado das Infraestruturas antes de terminar a sua intervenção. “Há uma troço desta estrada que é da jurisdição das «Infraestruturas de Portugal», não é património municipal, razão pela qual esta avenida não tem uma extensão maior. Já fizemos um estudo prévio da sua continuação até à #95 ALGARVE INFORMATIVO

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Guilherme d’Oliveira Martins. Secretário de Estado das Infraestruturas

Rotunda da Vila Sol e acreditamos que o governo não nos vai negar a entrega desse troço”, concluiu o autarca.

governo no Programa Nacional de Reformas”, apontou o Secretário de Estado das Infraestruturas.

A finalizar a cerimónia, Guilherme d’Oliveira Martins enfatizou o relevante papel que a Avenida Atlântico desempenha para a acessibilidade aos núcleos urbanos de Quarteira e Vilamoura, dois polos que contribuem de forma decisiva para a valorização do turismo algarvio e para a promoção da economia regional. “A requalificação desta infraestrutura rodoviária urbana espelha de forma clara a preocupação que o Município de Loulé deposita nas matérias relativas à mobilidade, sempre encaráveis numa perspetiva integrada e inclusiva, onde as vertentes pedonal, dos modos suaves e da segurança rodoviária têm tido sempre grande relevância. Está aqui em causa a melhoria da qualidade de vida e esse compromisso também está perfeitamente assumido por este

Guilherme d’Oliveira Martins recordou que decorrem, em todo o país, investimentos superiores a 300 milhões de euros, em mais de 500 obras de reabilitação urbana e que o Algarve não foi esquecido. “Até junho estarão concluídas as obras na EN 125 entre Vila do Bispo e Olhão e, no último trimestre deste ano, serão iniciadas intervenções em diversos lotes da EN 125 no troço entre Olhão e Vila Real de Santo António. Neste primeiro trimestre terá início a requalificação da Ponte Internacional sobre o Rio Guadiana e serão lançados, em fevereiro, os projetos de eletrificação da Linha do Algarve nos troços Tunes-Lagos e Faro-Vila Real de Santo António”, adiantou o governante .

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CASTRO MARIM CONTINUA A RECORDAR PACO DE LUCÍA

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21h30, assinala também o arranque do processo da geminação de Castro Marim a Algeciras, que pretende consolidar a memória do guitarrista a estes territórios.

No âmbito do Festival de Lucía lança-se agora os «Segredos de Lucía - Friday Nights de Lucía», um extraordinário concerto com Pedro Jóia Trio (Pedro Jóia na guitarra, João Frade no acordeão e Norton Daiello no baixo) e um convidado especial, que trará o flamenco de Algeciras, terra que viu Paco de Lucía nascer e crescer. Esta iniciativa, que acontece no dia 17 de março, na Biblioteca Municipal de Castro Marim, pelas

No âmbito do programa 365 Algarve e da sua política de descentralização e circulação de eventos, os «Segredos de Lucía - Friday Nights de Lucía» contemplam uma parceria com os municípios de Loulé e Lagos, que levam a iniciativa aos seus palcos de eleição, contribuindo para um maior enriquecimento e diversificação da oferta cultural e turística na região durante a chamada época baixa. Ainda este ano, a Câmara Municipal de Castro Marim vai avançar igualmente com a construção de um memorial a Paco de Lucía no largo onde viveu a sua mãe, com o objetivo de reforçar o laço ao guitarrista e criar um local de romaria e peregrinação para os admiradores daquele que é o mestre absoluto do flamenco .

romovida pela Câmara Municipal de Castro Marim, a iniciativa «Segredos de Lucía - Friday Nights de Lucía» nasceu da vontade de ampliar e promover o Festival de Lucía, que teve, em 2016, a sua edição zero. Com a fadista Mariza como madrinha e embaixadora, o Festival de Lucía é uma homenagem ao eterno génio da guitarra, Paco de Lucía, e também as mulheres, através da memória de sua mãe, Lúcia, que era natural de Monte Francisco e cuja alegria e semblante lusitano sempre o inspirou.

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PARU JÁ COMEÇOU A REGENERAR A BAIXA DE FARO

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stá a decorrer a bom ritmo a primeira operação do Plano de Ação de Regeneração Urbana de Faro (PARU): a Regeneração e Qualificação da Baixa Comercial. No montante total de investimento de 60 mil e 875,39 euros, a operação contemplou três intervenções: o calcetamento da Travessa Ivens (oito mil e 887,57 euros); a reabilitação da Travessa das Flores (15 mil e 106,27 euros); e a segunda fase da colocação de Telas de Ensombramento nas ruas Pedonais do Centro Histórico de Faro (36 mil e 881,55 euros). Estas obras resultam da candidatura apresentada pela autarquia, que foi aprovada em

21 de dezembro de 2016, estando o investimento já executado. Recorda-se que o PARU foi aprovado pela Comissão Diretiva do PO CRESC Algarve 2020 em 21 de outubro de 2016, com um montante total de investimento público de dois milhões, 64 mil e 816 euros, com um financiamento FEDER de 712 mil e 180 euros. O plano contempla um vasto e variado conjunto de operações de reabilitação e qualificação do espaço público e do parque edificado com valor patrimonial no centro histórico de Faro. No cômputo total estima-se que, até 2020, sejam investidos perto de 30 milhões de euros, na cidade, em projetos de regeneração urbana, que tornarão a cidade mais eficiente e competitiva .

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FARO RECEBE 19.º PORTUGAL DE LÉS-A-LÉS

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maior maratona moto turística da Europa está de volta, na sua 19ª edição, tendo a Federação de Motociclismo de Portugal, entidade organizadora do evento, escolhido a cidade de Faro para final do «Portugal de Lés-aLés». A autarquia associa-se à iniciativa como entidade coorganizadora, fazendo jus ao “espírito motociclístico que corre nas veias da cidade e dos farenses”, como recordou Paulo Santos, VicePresidente da Câmara Municipal de Faro, durante a apresentação do evento, no Luso, no dia 5 de fevereiro. Esta maratona, sem fins competitivos e pioneira no nosso país, irá decorrer de 14 a 17 de junho, num novo formato, com três etapas e passeio de abertura e será o mais extenso de sempre, com 1100 quilómetros na ligação de Vila Pouca de Aguiar a Faro. As verificações técnicas irão abrir o evento, durante a manhã e tarde do dia 14, naquele concelho transmontano, formalismo que antecede o Prólogo «aperitivo turístico» pela localidade e jantar de apresentação. ALGARVE #95

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As três etapas começarão sempre ao início das manhãs de quinta e sexta-feira, terminando no sábado, dia 17, ao fim da tarde. O percurso atravessará uma dúzia de distritos e dezenas de concelhos, privilegiando as estradas mais pitorescas e desconhecidas, nunca pisando qualquer IP ou IC. O objetivo é cruzar Portugal de extremo a extremo contemplando paisagens e lugares de enorme esplendor. Todos os participantes seguirão o turístico «road-book», que fará conhecer alguns dos pormenores mais interessantes de Portugal. As últimas edições do «Portugal de Lés-a-Lés» ultrapassaram sempre o milhar de participantes, tendo-se em 2016 contabilizado 1650 motociclistas em 1500 motos, com um aumento do número de participantes estrangeiros. Faro já recebeu três chegadas e proporcionou uma partida de «Lés-a-Lés», respetivamente em 2002, 2005, 2007 e 2010 .


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PROSSEGUEM OS INVESTIMENTOS NA REDE VIÁRIA EM LOULÉ E QUARTEIRA

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o âmbito dos investimentos que estão a ser realizados no concelho na área das acessibilidades, a Câmara Municipal de Loulé consignou, no dia 1 de fevereiro, duas obras: a construção de Parque de Estacionamento na Avenida de Ceuta (Poente), em Quarteira, e a reabilitação da Rua dos Combatentes da Grande Guerra, em Loulé. Em Quarteira, a obra em questão visa a execução de parqueamento em espinha ao longo da Avenida de Ceuta, entre a Rotunda de ligação à Avenida Papa Francisco e a Rotunda de Ligação a Vilamoura e, complementarmente, irá ser feita a requalificação de uma área adjacente à Rua 25 de Abril, a qual apresenta atualmente uma ocupação com estacionamento não ordenado e em terra batida. Prevê-se pavimentações com betão betuminoso e pintura para organização dos lugares de estacionamento, sendo a restante empreitada composta pela execução de ALGARVE #95

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estacionamentos e passeios. Será também realizada a repavimentação de duas áreas na Avenida de Ceuta, nas direções sul e norte, mantendo-se as cotas atuais. O valor da adjudicação dos trabalhos é de cerca de 120 mil euros, prevendo-se que a obra esteja concluída em três meses. Em Loulé, o objetivo é beneficiar o arruamento existente na zona da Campina, entre a Rua de Betunes e o Largo Bartolomeu Dias – Rua dos Combatentes da Grande Guerra -, nomeadamente com o levantamento integral e reposição da plataforma de circulação, dos lancis e dos passeios, definição de zonas de estacionamento, melhoramento das condições de drenagem de águas pluviais e melhoramento da sinalização vertical e horizontal. O custo da obra ronda os 80 mil euros e o prazo de execução será de três meses .


AUTARQUIA ASSINA PROTOCOLO DE COOPERAÇÃO COM ESTABELECIMENTO PRISIONAL DE OLHÃO

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oi assinado, no dia 8 de fevereiro, um protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Olhão e a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, com o objetivo de ocupar reclusos do Estabelecimento Prisional de Olhão ao serviço da Autarquia. A colaboração entre as duas entidades, que se insere na política de reinserção social e gestão articulada dos sistemas tutelar educativo e prisional da DireçãoGeral de Reinserção e Serviços Prisionais, vai concretizar-se, na prática, na disponibilização por parte do Município em colaborar na reintegração de cidadãos que se encontram a cumprir pena no estabelecimento de Olhão. Esta colaboração terá duas vertentes, consoante o tipo de reclusos a que diga respeito: aqueles que, tendo já cumprido parte da pena e obedecido

a determinados requisitos, se encontram em regime aberto, ou seja, podem ausentar-se da cadeia, regressando ao final do dia; e aqueles que se encontram a cumprir pena em moldes chamados «tradicionais». Ambos terão oportunidade de executar tarefas ao serviço da Autarquia de Olhão, sejam de manutenção geral, limpeza, arranjos exteriores, ou outros trabalhos considerados necessários. Este é um modelo de cooperação já testado no passado com resultados animadores. De recordar que os trabalhos de pintura do Pavilhão Municipal que decorreram o ano passado foram executados por reclusos do Estabelecimento Prisional de Olhão. Outra das tarefas a serem desempenhadas pelos reclusos no âmbito deste protocolo será a pintura do Estádio Municipal de Olhão . #95 ALGARVE INFORMATIVO

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«REABILITAR PARA ARRENDAR» AVANÇA EM OLHÃO

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oi assinado, no dia 3 de fevereiro, entre os presidentes da Câmara Municipal de Olhão e do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, um protocolo no âmbito do programa «Reabilitar para Arrendar – Habitação Acessível», com o objetivo de apoiar e financiar a reabilitação de edifícios com mais de 30 anos, sobretudo na zona histórica de Olhão. “Esta é uma excelente iniciativa para quem pretende reabilitar os seus edifícios, muitos de grande valor histórico, mas que não tem possibilidades económicas para o fazer. Agora passa a ser mais fácil”, considerou António Miguel Pina. De acordo com o autarca olhanense, a autarquia será um dos veículos de ajuda aos proprietários, que irá prestar todos os esclarecimentos necessários e ajudar nas candidaturas. Entre outros convidados desta sessão, estiveram agentes imobiliários locais que poderão “transmitir estas informações aos proprietários, para todos ajudarmos a reabilitar Olhão”, apelou António Miguel Pina. Também o presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, Vítor Reis, destacou os benefícios desta medida e a participação dos ALGARVE #95

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municípios, neste caso Olhão, na divulgação deste programa em prol da reabilitação urbana para arrendamento. O arquiteto, presidente do Conselho Diretivo do IHRU, referiu que “pode candidatar-se a este programa qualquer pessoa individual ou coletiva”, apesar de existirem condicionantes, entre elas o prédio não ser uma herança indivisa e o proprietário ter de provar efetivamente a sua posse. Este programa, que tem uma dotação inicial de 50 milhões de euros, proveniente de um empréstimo concedido pelo Banco Europeu de Investimento, destina-se prioritariamente à reabilitação e/ou reconstrução de edifícios cujo uso seja maioritariamente habitacional e cujos fogos se destinem a arrendamento nos regimes de renda apoiada ou de renda condicionada, a desenvolver sobretudo em áreas de reabilitação urbana (ARU). As casas a recuperar, cujos financiamentos podem chegar aos 90 por cento do custo total da operação (não inclui aquisições), têm de ser destinadas a arrendamento, estar livres de ónus ou encargos, implicar a reabilitação integral do edifício e as obras devem estar concluídas no prazo de 12 meses (em casos excecionais 18 meses) .


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VILA DO BISPO É A AUTARQUIA MAIS TRANSPARENTE A SUL DO TEJO

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ila do Bispo encontra-se no 13.º lugar do ranking dos 308 municípios mais transparentes do país, segundo os dados apresentados pela organização nãogovernamental Transparência e Integridade, Associação Cívica. A pontuação obtida, referente ao ano 2016, coloca Vila do Bispo como a autarquia mais transparente a sul do Tejo.

disponibiliza mais informação aos cidadãos que no ano transato (+11,54 por cento). Nos indicadores Relação com a Sociedade, Transparência Económico-Financeira e Transparência na área do Urbanismo, a Câmara Municipal de Vila do Bispo obteve 100 por cento da classificação atribuída a estes indicadores no Índice de Transparência Municipal.

Os resultados refletem os objetivos do atual Executivo liderado pelo presidente Adelino Soares e que assentam fundamentalmente no esforço de implementar uma gestão municipal rigorosa e transparente, o que possibilita ao munícipe um maior conhecimento da atividade camarária. Recorde-se que, em 2015, Vila do Bispo conquistou o décimo lugar a nível nacional, obtendo uma pontuação de 81,32 por cento no ITM e que, em 2016, alcançou o 13.º lugar, com uma pontuação de 92,86 por cento no ITM. Contudo, apesar de se obter uma posição inferior no ranking a nível nacional, a autarquia

O ITM mede o grau de transparência das Câmaras Municipais através de uma análise da informação disponibilizada aos cidadãos nas páginas eletrónicas municipais. É composto por 76 indicadores agrupados em sete dimensões: 1) Informação sobre a Organização, Composição Social e Funcionamento do Município; 2) Planos e Relatórios; 3) Impostos, Taxas, Tarifas, Preços e Regulamentos; 4) Relação com a Sociedade; 5) Contratação Pública; 6) Transparência EconómicoFinanceira; 7) Transparência na área do Urbanismo .

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CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL REFORÇA APOIO À DINÂMICA ASSOCIATIVA

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m 2017, a Câmara Municipal de São Brás de Alportel reforça o Plano Municipal de Apoio ao Associativismo, superando o valor do ano anterior e alcançando um total de 320 mil e 521 euros. O apoio à atividade das associações locais, enquanto parceiros primordiais na dinamização social, cultural e desportiva da comunidade, é uma prioridade assumida pela autarquia, convicta de que a forte dinâmica cultural, desportiva e recreativa facultada pelas diferentes associações garante a progressiva e sustentada democratização da cultura, fomentando a criação de estruturas cívicas de participação dos cidadãos na vida pública.

a nível financeiro, quer a nível logístico, a autarquia implementa a partir do mês de fevereiro do corrente ano a total gratuitidade na concessão de transportes municipais às associações. Este apoio pretende ajudar as coletividades na redução dos seus custos com a realização de atividades e a participação nas mais diversas iniciativas. “O aumento do valor atribuído às associações locais reflete uma gestão autárquica equilibrada que permite a valorização da qualidade de vida que o município oferece, na qual as associações são parcerias fundamentais”, considera Vítor Guerreiro, Presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel .

Neste contexto, e de modo a reforçar os apoios concedidos às coletividades locais, quer #95 ALGARVE INFORMATIVO

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«THÔ XARINGADO E MAL PAGUE» É A NOVA REVISTA DO BOA ESPERANÇA

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tradicional revista de Carnaval do Boa Esperança Atlético Clube Portimonense tem estreia marcada para o dia 24 de fevereiro, sexta-feira, às 21h30, este ano sob o mote «Thô Xaringade e Mal Pague», uma expressão tipicamente algarvia que significa «Estou Tramado e Mal Pago». A Revista à Portuguesa do Boa Esperança, já com mais de 50 anos de tradição, tem crescido e evoluído ao longo destes anos, transformando uma comédia local, inicialmente intitulada Revista de Carnaval, num grande espetáculo de sucesso nacional que depois de estar em cena em Portimão anda em digressão pelo país com um sátira acutilante. Uma Revista que, mantendo a tradição deste género teatral, nos apresenta um humor com muita crítica divertida. Cada ato terminará de forma soberba, sendo o público convidado a uma viagem pelo mundo de hoje com todos as suas situações hilariantes, proporcionando uma noite de gargalhadas numa época onde a folia e o pagode promovem e mantêm viva a tradição.

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O espetáculo destina-se a um público com mais de 12 anos de idade, recheado de humor e de boa disposição, onde se abordam assuntos sérios mas de forma divertida. Esta Revista à Portuguesa é uma produção que homenageia o género mais genuíno do nosso teatro num espetáculo que revisita o humor e a arte de ser portimonense, algarvio, alentejano, português, chinês, inglês e americano com temas atuais tais como: A saída de Inglaterra da União Europeia, A venda das Empresas Nacionais aos Chineses, A Caça de Pontos na Carta de Condução, entre outros, são retratados nesta Revista à Portuguesa, composta por um jovem e renovado corpo de baile, pelo ator, autor e encenador, Carlos Pacheco e pelos atores Flávio Vicente, Telma Brazona, Sandra Rodrigues e Nicole Gonçalves. O fadista portimonense João Leote dá voz às homenagens prestadas, «Ao Ardina» e ao ator «Camilo de Oliveira» .


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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Vítor Pina

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