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ALGARVE #91 INFORMATIVO 14 de janeiro, 2017

O Teatro Lethes em 2017 Documentar Algarve Interior Casa do Povo de Messines Algarve 2020

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Conteúdos

#91, 14 de janeiro de 2017

8 - Documentar Algarve Interior 16 - Atualidade 30 - Associação de Cozinheiros e Pasteleiros do Algarve 44- Francisco Serra

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56 - Casa do Povo de Messines 66 - O Teatro Lethes em 2017 74 - O Terrorista Elegante 78 - Momentos Roubados de José Neves

OPINIÃO

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6 - Daniel Pina 36 - Paulo Cunha 38 - José Graça 40 - Paulo Pires

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42 - Augusto Lima

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Lá ver se é desta… Daniel Pina

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Ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, veio ao Algarve esta quinta-feira para a pomposa cerimónia de reinício das obras de requalificação da Estrada Nacional 125, garantindo que as intervenções entre Vila do Bispo e Olhão vão estar concluídas até 30 de junho, ou seja, antes do pico do Verão. Cá para mim, não era necessário montar-se um ato tão solene para se retomar umas obras que, se calhar, até não começaram uns dias mais cedo por questões de agenda do ministro mas, como estamos em ano de eleições autárquicas, o Governo tem que mostrar que está muito preocupado com o que se passa nesta terra à beira-mar plantada. O certo é que as obras estão no terreno, mas não na totalidade da EN 125, porque o troço entre Olhão e Vila Real de Santo António continua metido num imbróglio, depois de ter sido retirado pelo governo de Passos Coelho à anterior concessionária e ter passado para as mãos da Infraestruturas de Portugal. E, mesmo com as garantias do Ministro de que a situação será resolvida no curto prazo e de que os projetos e concursos estarão prontos ainda em 2017, a verdade é que, na melhor das estimativas, as obras só avançarão no próximo ano. Ou seja, vamos continuar a ter um Algarve a duas velocidades, um com estradas supostamente bonitas e arranjadinhas, o outro com buracos que nunca mais acabam e que não abonam em nada a imagem junto dos visitantes estrangeiros. Diga-se de passagem que um Algarve a andar a velocidades diferentes não é nenhuma novidade, pois isso já acontecia quando se comparava o litoral e o interior, ou melhor, o que estava abaixo e acima da EN 125. O esquisito é verificar que essa diferença agora aconteça ao longo da orla costeira. Mas, independentemente destas questões, a grande preocupação é que as obras que agora voltaram ao terreno estejam terminadas até 30 de junho do corrente ano, para não se repetir a vergonha do que sucedeu no primeiro semestre de 2016. 6

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Curiosamente, já no ano passado o governo tinha assegurado que tudo estaria finalizado antes do Verão, e bem vimos como essa promessa foi cumprida. As obras efetivamente pararam, ainda que com algum tempo de atraso em relação ao previsto, mas isso não quer dizer que tenham ficado terminadas. Ficaram a modos que em stand-by, para permitir um género de serviços mínimos, porque as queixas não paravam de chegar a Lisboa. Está visto, então, que não podemos ficar muito descansados com promessas governamentais, até porque, por exemplo, faltam construir ou concluir 23 rotundas entre Lagos e Faro. Isso mesmo, voltaram os tempos das rotundas. Soma-se a isso os trabalhos de repavimentação, de reformulação de entroncamentos, de sinalização e equipamentos de segurança, de colocação de barreiras acústicas, de iluminação de rotundas, de reposição de serviços afetados e de drenagem. É, portanto, uma parafernália de intervenções de deixar qualquer pessoa à beira dum estado de nervos, sobretudo os residentes, que voltarão a conviver, no dia-a-dia, com intermináveis filas de trânsito, porque andar sempre a pagar portagens na Via do Infante arrasa com o orçamento de qualquer pessoa ou empresário. E mesmo que tudo esteja finalizado até 30 de junho, ninguém se vai livrar da confusão nas férias da Páscoa, ou no Carnaval, ou nos fins-de-semana prolongados que por aí hão-de aparecer. O governo anda sempre a falar em combater a sazonalidade do Algarve, a criar programas e a gastar dinheiro a promover o Algarve fora da época alta mas, na hora da verdade, continua a demonstrar que a região só interessa verdadeiramente nos meses de julho e agosto. Enfim, que interessa apostar-se no walking & cycling, no turismo de natureza, no turismo de saúde, no turismo cultural, e outros, se os turistas chegam ao Algarve e depois isto está tudo em obras? .


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DOCUMENTAR ALGARVE INTERIOR PATENTE EM CASTRO MARIM Foi inaugurada, no dia 13 de janeiro, na Casa do Sal, em Castro Marim, a exposição «Documentar Algarve Interior», uma mostra de artes e ofícios regionais composta por 30 fotografias e por uma sequência de nove filmes legendados em inglês. Desenvolvido pela Algarve Film Comission, o projeto conta com o apoio do «365 Algarve» e vai estar patente até 31 de janeiro. Texto:

Fotografia:

Maria Mártires Ramos e esposo produzindo pão tradicional caseiro em São Brás de Alportel #91 ALGARVE INFORMATIVO

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Laura Carlos e Eduardo Pinto, da Algarve Film Comission, os responsáveis pelo «Documentar Algarve Interior»

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projeto «Documentar Algarve Interior» foi desenvolvido pela Algarve Film Comission em oito concelhos algarvios – Albufeira, Alcoutim, Castro Marim, Faro, Loulé, São Brás de Alportel, Tavira e Vila Real de Santo António, com o apoio financeiro do PRODER. Na sua essência, eram nove curtas-metragens que nos davam a conhecer as tradicionais artes e ofícios do interior algarvio e nos apresentavam alguns dos rostos cujos talentos preenchem a memória e a identidade cultural do Algarve. Mais recentemente, houve a possibilidade de se legendar o filme em inglês e incluir 30 fotografias, com o apoio do programa «365 Algarve» e o produto final pode agora ser visto na Casa do Sal, em Castro Marim, até final de janeiro. Uns dias antes da inauguração, Eduardo Pinto e Laura Carlos contaram que esta recolha decorreu entre 2011 e 2015 e que a escolha dos oito concelhos se deveu aos próprios requisitos do PRODER, por se focar em territórios de baixa densidade populacional. “Na altura, decidimos não contratar uma produtora para realizar as curtas-metragens e demos preferência a profissionais da região ou aqui radicados há vários anos e que constavam da base de dados da Algarve Film Comission”, explica Eduardo Pinto, assim surgindo os nomes de Ana Medeira, Bruno Boto ALGARVE #91

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Maria de Jesus Nunes a fazer empreita, em Gorjões

Albertina do sítio de Lajes, em São Brás de Alportel #91 ALGARVE INFORMATIVO

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Cruz, Pinar Hakverdi, Vico Ughetto, Filipe Correia, Pedro Matos, João Viegas, Sara Pereira e José Chaves, Cláudia Correia e Merco Vilela, Eric Jaspers, para além dos próprios Eduardo Pinto e Laura Carlos. Deste trabalho no terreno resultaram 72 curtas-metragens e mais de duas centenas de fotografias e, mal se soube da existência do «365 Algarve», houve logo a vontade de se criar um filme de maior duração, com as curtas em sequência e legendados em inglês. “Mas a exposição não é só composta pelo filme e pelas 30 fotografias de 60 centímetros de dimensão, incluindo peças de artesanato concebidas por algumas das pessoas que surgem no documentário”, revela Eduardo Pinto. “No final do projeto original tivemos oportunidade para o apresentar em determinados eventos e foi gratificante ver, no público, algumas pessoas que tinham contribuído para a sua realização. É importante que elas estejam satisfeitas e que se revejam no trabalho”, destaca Laura Carlos. A primeira versão do «Documentar Algarve Interior» foi projetada em Cacela Velha, Faro, Loulé e São Brás de Alportel, antes de ter recebido o apoio do «365 Algarve» para a inclusão de legendas e das fotografias originais. “Havia pessoas que não queriam ser filmadas mas não colocavam nenhum problema em serem fotografadas”, recorda Eduardo Pinto, que andou numa roda-viva pelo Algarve interior durante este período. E arranjar realizadores da região nem foi muito difícil, ao contrário do que se possa imaginar. “Desde 2007/2008 que andamos a descobrir talentos na Algarve Film Comission e sabíamos bem que pessoas tinham capacidade profissional para embarcar neste projeto. É verdade que ainda não se fazem muitas longasmetragens no Algarve mas, no campo dos documentários e curtasmetragens, há bastante gente com talento”, garante. Aventuras não faltaram durante a recolha da matéria-prima e seguiuse, depois, a dura tarefa de escolher as nove curtas-metragens que dariam lugar ao filme sequencial, sendo a última da autoria de Eduardo Pinto e de Laura Carlos, sobre a típica ovelha churra algarvia. “Fomos uma vez à Quinta dos Vales e o Aníbal Neto falou-me dessa ovelha que se cria em Tavira. Em Paderne, também fizemos uma curtametragem sobre o Arménio Aleluia Martins, do Jornal Avezinha, e tudo isso vai ficar para a posteridade”, conta Eduardo Pinto.

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Suzel Brito na sua vendinha tradicional, em Santa Rita

Júlio Negrão, cabeleireiro em São Brás de Alportel #91 ALGARVE INFORMATIVO

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José Neto, Maria Natália e a ovelha algarvia, em Santo Estêvão

De 13 a 31 de janeiro vamos poder conhecer «Documentar Algarve Interior» em Castro Marim, mais concretamente na Casa do Sal, espaço com excelentes condições para este género de exposições, e a mostra rumará posteriormente para Albufeira e Silves. “Em Silves, a exposição de fotografias vai estar na Torre de Menagem, no Castelo de Silves, e a projeção do filme acontece no Teatro Mascarenhas Gregório. Em Albufeira, o local escolhido foi o Arquivo Municipal e, como é a capital do turismo algarvio, deverá receber muitos visitantes estrangeiros, daí a importância das legendas”, sublinham Eduardo Pinto e Laura Carlos. Entretanto, como filmes e fotografias não faltam, é natural que surja, no futuro, uma segunda versão do «Documentar Algarve Interior». “A Laura faz fotografias de território muito interessantes em panorâmica, eu também vou sempre tirando mais fotografias e, no que toca às curtas-metragens, é uma questão de fazer uma escolha entre os realizadores que não apareceram agora”, conclui a dupla da Algarve Film Comission .

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ALBUFEIRA MANTÉM-SE NA ROTA DAS GRANDES MARCAS

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marca de automóveis Skoda, do grupo Volkswagen, prepara-se para trazer a Albufeira cerca de 10 mil vendedores que, durante os meses de fevereiro e março, irão conhecer o novo modelo Kodiaq, ter formação internacional em equipas de vendas e realizar testes de estrada. Esta é mais uma aposta de uma grande marca internacional, que encontra em Albufeira as condições ideais para a realização da sua iniciativa. Recorde-se que o concelho foi palco de dois dos maiores eventos do setor automóvel alguma vez realizados em Portugal: o Global Training Experience 2014 da Daimler Mercedes e o Tiguan Experience, também da Volkswagen. “Albufeira é um concelho com excelentes condições para acolher este tipo de iniciativas. Somos conhecidos por saber receber quem nos visita, pela capacidade e qualidade da nossa hotelaria, bom clima, gastronomia, praias de sonho, boas acessibilidades e segurança, ou seja, temos ALGARVE #91

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todas as condições para que qualquer evento seja um sucesso”, garante o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Carlos Silva e Sousa. O autarca destaca ainda o retorno económico imediato, não só em termos de receita e criação ou manutenção de emprego no concelho e na própria região, mas também pela projeção mediática associada a estes eventos, com um efeito que considera “multiplicador e muito bem-vindo, sobretudo nesta altura do ano, quando ainda estamos em plena época baixa”. Os participantes começam a chegar no dia 22 de janeiro e, de acordo com Mário Ferreira, administrador do grupo NAU Hotels & Resorts, proprietário da Herdade dos Salgados, esperamse entre 10 a 12 mil pessoas, vendedores e clientes, a que acresce o staff da Skoda que permanecerá em Albufeira durante os dois meses. No total, estima-se que o evento assegure 15 mil dormidas na região .


«DE VENTO EM PIPA – QUANDO O VINHO E O HOMEM INVENTARAM LAGOA» NOMEADO PARA «BEST WINE BOOK OF THE YEAR» pertencentes ao espólio da Biblioteca Nacional – que aborda de forma inovadora a realidade vinícola de Lagoa, é de autoria da fotógrafa e investigadora de etnobotânica Susana Neves. Esta obra foi agora nomeada «Best Wine Book of the Year» (entre os livros editados em Portugal) pelo júri dos «Gourmand Awards 2016», tendo sido considerado pelo presidente do concurso, Edouard Cointreau, “uma obra-prima em português e em inglês”, sublinhando que “irá atrair muitos visitantes a Lagoa”. Na segunda etapa deste prestigiado prémio – única competição internacional do setor, com inscrição aberta a editores em todas as línguas e em que participam livros de 205 países – o livro representará Portugal, concorrendo com os melhores dos outros países, para a atribuição do título de «Melhor Livro do Mundo».

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o dia 20 de fevereiro de 2016, a Câmara Municipal de Lagoa realizou, no Centro de Congressos do Arade, a Gala Lagoa Cidade do Vinho 2016, em que foi apresentado o livro «De Vento em Pipa – Quando o Vinho e o Homem Inventaram Lagoa», editado pela autarquia. A obra de investigação expõe a forma como o vinho e a vinha, com determinação, foram construindo Lagoa desde a antiguidade clássica até aos nossos dias. Livro cartonado e profusamente ilustrado – com fotografias inéditas e gravuras de diferentes séculos

A cerimónia terá lugar, a 28 e 29 de maio, em Yantai, na China, pelo segundo ano consecutivo, depois de já se ter realizado em Frankfurt, Paris, Perigueux, Versailles, Sorges, Loire Valley (Angers), Barcelona, Grythyttan (Suécia), Kuala Lumpur, Pequim e Londres. Os «Gourmand World Awards», conhecidos como os «Óscares dos livros de cozinha», foram fundados em 1995 por Edouard Cointreau e distinguem os melhores livros de cozinha e de vinhos, editados no ano anterior em papel ou formato digital, assim como programas televisivos de culinária . #91 ALGARVE INFORMATIVO

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PALÁCIO GAMA LOBOS JÁ COMEÇOU A SER REABILITADO pelo facto de ter acolhido os refugiados Jesuítas durante a Guerra Civil Espanhola.

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oi assinado, no dia 4 de janeiro, o auto de consignação da obra de reabilitação do Palácio Gama Lobos, em Loulé, um dos principais projetos na área da cultura previstos para 2017 no Concelho de Loulé. Com esta intervenção, pretende-se acolher neste edifício com uma forte carga histórica um pólo de criatividade. Localizado na malha urbana atual, o Palácio Gama Lobos, elemento patrimonial de referência, é um dos mais importantes edifícios brasonados da arquitetura civil e do estilo chão em Loulé. O edifício é composto por duas zonas distintas, uma de construção Pombalina da segunda metade do séc. XVIII, que será alvo desta intervenção, e outra menos nobre correspondente à ampliação efetuada provavelmente no princípio do séc. XX, onde funcionam atualmente algumas atividades desportivas. Com carácter habitacional, a sua estrutura espacial é marcada por uma sucessão de espaços de habitar característicos de um palácio urbano com ligações ao mundo rural. É também conhecido por Palácio dos Espanhóis, ALGARVE #91

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A intervenção abrangerá dois pisos do Palácio Gama Lobos, com aproximadamente 1557 metros quadrados de área de construção, localizados na Rua Nossa Senhora de Fátima. O processo de reabilitação passará pela preservação e recuperação do edifício, sem grandes alterações estruturais, mas com a introdução de algumas contemporaneidades arquitetónicas e artísticas. Serão utilizados materiais e técnicas sustentáveis e ecológicos. O edifício será dotado de conforto e funcionalidade, tendo em conta todas as exigências program��ticas. Quando a obra estiver concluída, o edifício tornar-se-á um pólo de criatividade. Para aqui estão previstas iniciativas no âmbito do projeto «Loulé Criativo», que aposta na valorização da identidade do território tendo como força motriz a criatividade e a inovação, dinamizando residências criativas e eventos culturais, apoiando a instalação e atividade de artesãos e profissionais do setor criativo e estimulando a investigação e experimentação nestas temáticas. A empreitada terá um prazo de execução de 18 meses e um valor estimado de 1,3 milhões de euros .


PORTIMÃO SUMMER EXPERIENCE ENTREGOU ÚLTIMOS DONATIVOS A INSTITUIÇÕES SOCIAIS

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á foram distribuídas as últimas verbas que resultaram da parceria estabelecida entre a Câmara Municipal de Portimão e o empresário Paulo Lopo que, no Verão de 2016, desenvolveu o projeto «Portimão Summer Experience», na Praia da Rocha. Depois de, em agosto, terem sido distribuídos 30 mil euros a 10 instituições de caracter social do município, desta feita foram distribuídos os restantes sete mil euros a quatro instituições de Portimão, nomeadamente o Lar da Criança, o Grupo Coral Adágio, a Paróquia de Vicariato Paroquial da Pedra Mourinha e a Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Portimão.

O Lar da Criança irá afetar as verbas recebidas para a aquisição de um novo fogão para a cozinha da instituição. O Grupo Coral Adágio vai aproveitar o valor recebido para dinamizar projetos relacionados com o coro infantil. A Paróquia de Vicariato Paroquial da Pedra Mourinha vai alocar o donativo à obra em curso da Igreja da Pedra Mourinha. A Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Portimão vai destinar a verba para comparticipar os trabalhos de restauro do retábulo do altar da Igreja Matriz de Portimão .

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MUNICÍPIO DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL MANTÉM AJUDA A IPSS

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e modo a apoiar o trabalho desenvolvido por instituições de cariz social que auxiliam a população do município sãobrasense, algumas das quais com respostas que são inexistentes no território concelhio, a Câmara Municipal de São Brás de Alportel voltou a atribuir, no final do ano, um valor global de 13 mil euros a 10 IPSS. No âmbito do Plano de Apoios Sociais do Município, em 2016, foi concedido um apoio muito especial de mil euros ao Núcleo Local da Cáritas de São Brás de Alportel, com vista a apoiar a aquisição de alimentos para que esta entidade possa continuar a apoiar a Plataforma Local de Ajuda alimentar coordenada pela Câmara Municipal e pela Junta de Freguesia, que reforça o seu trabalho com a distribuição de Cabazes da Consoada. A Santa Casa da Misericórdia, que oferece um amplo conjunto de serviços sobretudo para a comunidade sénior, foi contemplada com um apoio extraordinário de 1.200 euros para adquirir uma cama articulada, equipamento muito importante para as valências de apoio sénior daquela instituição. Ao CCD Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Câmara Municipal e Junta de Freguesia, outra das Instituições Particulares de Solidariedade Social locais, foi concedido um apoio de 3.200 euros para a aquisição de um andarilho, no âmbito de uma parceria de apoio a uma menina com dificuldades especiais na sua mobilidade. Os apoios financeiros cedidos à Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral (APPC), Associação de Saúde Mental do Algarve (ASMAL),

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Associação EXISTIR, Instituição de Solidariedade Social da Serra do Caldeirão, Banco Alimentar do Algarve, Centro de Bem-Estar Social Nossa Senhora de Fátima e ao Refúgio Aboim Ascensão complementaram os apoios, visando reconhecer o meritório trabalho desenvolvido por estas entidades na promoção da inclusão social de pessoas com necessidades especiais, na preciosa oferta de apoio domiciliário à população idosa que vive isolada no território serrano, na procura de soluções ao nível da emergência infantil e na angariação de produtos alimentares para entregar às famílias mais carenciadas do concelho. Ao longo do ano, a Câmara Municipal de São Brás de Alportel atribui todo um conjunto de outros apoios a estas e outras entidades, procurando ajudar a continuidade dos seus projetos de cariz social que auxiliam a população local com respostas adequadas às suas necessidades, gesto que representa um enorme esforço para garantir maior bem-estar, conforto e dignidade aos são-brasenses .


MONUMENTOS DO ALGARVE TIVERAM MAIS VISITANTES EM 2016

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s Monumentos afetos à Direção Regional de Cultura do Algarve, com controlo de entradas - Fortaleza de Sagres, Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe, Monumentos Megalíticos de Alcalar e Ruínas Romanas de Milreu – registaram em 2016 um aumento de 5,1 por cento no número total de visitantes, mantendo a tendência de crescimento. Deste modo, registaram-se cerca de 370 mil visitantes nestes espaços, verificando-se, relativamente ao ano de 2015, um aumento de 17 mil e 956 visitantes. A Fortaleza de Sagres tem aumentado consecutivamente o número de visitantes, tendo este ano registado o terceiro melhor dos últimos 20 anos, desde que o monumento abriu ao público em 1997, o que se traduziu num aumento de 14 mil e 102 visitantes, uma variação positiva de 4,39 por cento relativamente ao ano anterior, ano em que já registava mais de 320 mil visitantes. As Ruínas Romanas de Milreu foram o

monumento que registou a maior subida percentual em 2016, com um aumento de visitantes na ordem dos 21,89 por cento. A Direção Regional de Cultura do Algarve considera que o programa DiVaM - Dinamização e Valorização dos Monumentos do Algarve, implementado e iniciado em 2014, tem contribuído de forma importante para o renovar do interesse das comunidades pelo seu património, o que se traduziu também numa maior afluência no número dos residentes da região a estes espaços. “Ficamos satisfeitos por verificar que os turistas que este ano visitaram a região na sua oferta de «Sol e Mar» também tenham procurado a oferta cultural da região, deixando-nos o desafio de continuar a desenvolver e a promover uma maior dinamização e valorização destes espaços para este ano”, afirmou Alexandra Gonçalves, Diretora Regional de Cultura do Algarve .

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EDUCAÇÃO É UMA DAS PRIORIDADES DA AUTARQUIA DE LOULÉ

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a senda do que tem sido a política municipal em Loulé desde o primeiro ano do presente mandato, a Autarquia continua a ter na área da Educação uma das suas prioridades para o ano que agora arranca. Uma fatia de cerca de 9 por cento do Orçamento será destinada a investimentos e projetos no setor educativo, com algumas novidades que pretendem dar um maior apoio aos alunos e às suas famílias, a docentes, órgãos diretivos e funcionários das escolas. À semelhança da iniciativa realizada desde o ano letivo de 2015/2016, a Câmara Municipal de Loulé prossegue, em 2017/2018, pelo terceiro ano, com o seu programa de «Livros Para Todos» com a oferta de manuais escolares e fichas de trabalho a todos os alunos do 1.º ciclo do ensino básico do Concelho de Loulé. A grande novidade será o alargamento desta distribuição gratuita ALGARVE #91

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dos manuais aos alunos que frequentam o 2.º Ciclo de ensino (5.º e 6.º anos), num investimento que ronda os 400 mil euros. Em virtude da vasta área geográfica do Concelho de Loulé, e uma vez que, nos últimos anos, nas zonas mais desertificadas, tem-se verificado o encerramento de algumas escolas, a Autarquia continuará a apoiar as deslocações diárias dos alunos que residem em locais mais afastados das escolas que frequentam. A edilidade irá despender um valor que ascende a 1,3 milhões de euros com os transportes escolares. Também no que diz respeito ao fornecimento das refeições escolares, a Autarquia de Loulé destinará uma verba global de 1,2 milhões de euros para apoiar a alimentação das crianças nas escolas. Refira-se que, atualmente, todas as


refeições são confecionadas nas cozinhas das escolas, sendo a elaboração das ementas acompanhadas por nutricionistas, garantindo assim a qualidade alimentar das crianças, com base na dieta mediterrânica. O projeto «Férias para Todos» prosseguirá no período de interregno escolar das férias da Páscoa e de verão, proporcionando às crianças das escolas do ensino básico, com idades compreendidas entre os 6 e os 12 anos, diversas atividades lúdicas. Este ano a grande novidade será o alargamento aos alunos que frequentam o 3.º Ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos) e secundário – «Férias XL». Esta tem sido uma iniciativa que pretende proporcionar um descanso ativo às crianças, apoiando também as famílias que se encontram a trabalhar neste período de interrupção letiva. Em 2017, o programa «Férias para Todos» canalizará uma verba de cerca de 120 mil euros. A Autarquia continuará a subsidiar a componente de animação e apoio à família no período após o horário letivo, possibilitando que os alunos permaneçam nas escolas após o término das aulas, sob o acompanhamento de animadores. Há ainda a referir os projetos pedagógicos levados a cabo pela Autarquia,

através da Divisão de Educação e Juventude, com grande importância para o desenvolvimento individual e cívico dos alunos, entre os quais se destacam «Poesia na Escola», «Música com Concertos Interativos», «Teatro Somos P(A)rte», «Educação para a Saúde e Ambiente», «EcoEscolas» ou ainda «Não desperdices o teu Futuro». Para assegurar a segurança, limpeza e outras vertentes da gestão dos espaços escolares, a Câmara Municipal de Loulé celebrou protocolos de transferências e meios com os Agrupamentos de Escolas, num montante previsto de 1,3 milhões de euros. Ao nível dos equipamentos, o destaque vai para a obra de requalificação da Escola EB 2,3 D. Dinis de Quarteira, um investimento orçado em 4,5 milhões de euros e que vem reforçar o Parque Escolar do Concelho, com uma intervenção profunda há muito aguardada. De resto, a Autarquia vai levar a cabo alguns melhoramentos em vários estabelecimentos de ensino, dotando para o efeito 420 mil euros. Será ainda concretizado o programa de apoio à modernização e inovação tecnológica nas escolas do Concelho, para o qual está previsto um investimento de 300 mil euros.

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AUTARQUIA DE ALCOUTIM E MOVIJOVEM RENOVAM ACORDO DE COOPERAÇÃO

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endo como principal objetivo evitar o encerramento sazonal da Pousada da Juventude de Alcoutim, a autarquia local aprovou, no dia 11 de janeiro, a renovação de um protocolo de colaboração com a Movijovem, entidade responsável pela gestão deste estabelecimento hoteleiro, assim como da restante rede nacional das pousadas de juventude. Nos termos do documento, a Câmara Municipal de Alcoutim compromete-se a atribuir àquela entidade uma comparticipação anual no montante de 25 mil euros, correspondente a 9 por cento da taxa de ocupação anual da pousada. Como contrapartida, a autarquia dispõe de um pacote anual de reservas de alojamento que poderá ser utilizado em qualquer unidade da rede nacional das pousadas de juventude.

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A medida visa, não só evitar o encerramento da pousada, como também proporcionar aos munícipes e seus familiares, no âmbito de iniciativas promovidas pela autarquia, o acesso a condições privilegiadas de alojamento que proporcionem uma maior mobilidade, incentivando desta forma o intercâmbio cultural e turístico. Osvaldo Gonçalves, presidente da Câmara Municipal, sublinhou entretanto a importância da Pousada de Juventude no território, que considera ser “fundamental pelas suas componentes turísticas, lúdica, desportiva e de juventude”. “A manutenção do funcionamento durante todo o ano da Pousada da Juventude de Alcoutim contribui para incentivar o turismo no concelho”, reforçou o edil .


ALGARVE PROMOVE GASTRONOMIA E NATUREZA NA FITUR

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presença do Algarve na FITUR, em Madrid, de 18 a 22 de janeiro, fica marcada pela realização da iniciativa «¡Algarve Te Invita!», que reunirá num único espaço a oferta turística da região, além de disponibilizar mesas de reunião para o trade algarvio potenciar contatos com operadores turísticos. Situado no pavilhão 4 da feira, o stand do Algarve vai contar com diversos momentos de animação, incluindo showcookings e degustação de vinhos para profissionais, operadores, entidades e público em geral. No espaço marcam ainda presença com balcão próprio para promover os seus produtos e serviços a Universidade do Algarve, a Associação de Municípios do Algarve, o programa cultural «365 Algarve», a Rota dos Vinhos do Algarve, o projeto Dieta Mediterrânica, e a Algarve Nature Week. Na principal feira de turismo de Espanha, o Algarve convida os visitantes a provar a sua gastronomia típica, nomeadamente a cataplana, um prato único no mundo. Pelas mãos da Tertúlia Algarvia, serão organizados vários showcookings e degustações em todos os dias do certame. Presente estará igualmente a «Rota dos Vinhos do Algarve», nascida há dois anos e vai divulgar as suas quatro Denominações de Origem Protegidas

(DOP Tavira, DOP Lagoa, DOP Portimão e DOP Lagos). No seguimento de anos anteriores, a grande aposta estratégica do Algarve será o Turismo de Natureza. A região tem vindo a assumir-se como um local ideal para relaxar, desfrutar de atividades ao ar livre e de bem-estar, em contacto com a natureza, durante todo o ano. O clima privilegiado, com temperaturas amenas, numa média de três mil horas de sol por ano e paisagens naturais diversificadas, fazem do Algarve o destino predileto para a prática de atividades outdoor. Este ano, o Algarve reforça a sua aposta no Turismo de Natureza com o programa «Cycling & Walking Algarve», um projeto especialmente pensado para os amantes de bicicleta e de caminhadas, que pretende introduzir novos serviços e propostas inovadoras para os viajantes que elegem o sul de Portugal como destino de natureza. Depois do sucesso e adesão verificados em anos anteriores, o evento «Algarve Nature Week» regressa para a sua 3ª edição, entre 5 e 14 de maio, durante os quais será possível desfrutar do Algarve mais ativo e sustentável, através de um vasto conjunto de atividades de natureza a preços atrativos . #91 ALGARVE INFORMATIVO

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MARINA DE VILAMOURA VOLTA A SER PREMIADA INTERNACIONALMENTE

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Marina de Vilamoura foi eleita «International Marina of Distinction: 2015-2017» pela The Yacht Harbour Association (TYHA), num anúncio feito, no dia 12 de janeiro, no «London Boat Show», que decorre em Londres. O galardão premeia a melhor entre as melhores na categoria de «Marinas Internacionais» e foi concedido por ter recebido nos últimos três anos consecutivos o prémio de «Melhor Marina Internacional». A votação é realizada exclusivamente pelos proprietários de embarcações que visitaram as Marinas classificadas com 5 Âncoras em 2016, sendo que a Marina de Vilamoura tem mantido, ao longo dos anos, esta pontuação máxima atribuída pelo TYHA, com o apoio da British Marine Federation. O prémio foi recebido por Isolete Correia, Diretora da Marina de Vilamoura, em representação da Vilamoura World, considerando que se trata do reconhecimento do trabalho realizado ao longo dos mais de 40 anos de existência deste equipamento, o maior e mais antigo de Portugal do género. “Este prestigiado ALGARVE #91

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galardão, concedido à excelência do serviço prestado aos nossos clientes em três anos consecutivos, dá-nos ainda mais força para prosseguirmos com o compromisso de melhoria contínua dos nossos serviços e infraestruturas, de forma a recebermos cada vez melhor os visitantes nacionais e internacionais”. Vilamoura é um destino de eleição a nível internacional e a Marina é o seu ponto de atração por excelência. Nesse sentido, e tendo em conta os excelentes resultados obtidos no Verão de 2016, a Vilamoura World tem em curso um programa de investimento específico de cerca de 500 mil euros, renovando assim o seu compromisso com o turismo. Assim, de forma a dotá-la de ainda melhores condições para receber os mais de três milhões de visitantes registados em 2016, estão a ser criadas novas instalações para melhorar a experiência, tanto dos utilizadores da Marina, como dos seus visitantes, estando também a ser desenvolvidas novas soluções de estacionamento para facilitar os seus acessos .


MUSEU DE PORTIMÃO BATEU RECORDE DE VISITANTES EM 2016

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m 2016, o Museu de Portimão recebeu 68 mil e 761 visitantes, tendo registado o maior número de entradas desde que abriu portas em 2008 e um aumento de 13 por cento, mais 8 mil e 170 visitas, em relação a 2015. O acréscimo de visitantes traduz um aumento da participação nas diferentes valências deste equipamento cultural, tais como as atividades culturais, o serviço educativo e as iniciativas museológicas realizadas nas Escolas do Município e nos Monumentos Megalíticos de Alcalar, na Mexilhoeira Grande. De acordo com os dados divulgados pela Direção Geral do Património Cultural, que avalia a afluência aos equipamentos culturais durante o ano de 2016, num ranking liderado pelo Museu Nacional dos Coches, verifica-se que, se todos os museus do país fossem considerados, o Museu de Portimão ocuparia o 8.º lugar, no TOP 10, seguido pelo Museu Nacional de Arte Contemporânea/Museu do Chiado, em Lisboa, com 51 mil e 992 entradas e pelo Museu Nacional do Traje, também na capital, com 44 mil e 543

entradas. Apesar dos constrangimentos financeiros do município nos últimos anos, é de referir que o trabalho realizado pela equipa do Museu com parceiros, patrocinadores e com o Grupo de Amigos do Museu tem-se refletido na diversidade da oferta cultural deste equipamento e permitido manter um padrão de qualidade elevado. Inaugurado em 2008, o Museu de Portimão já recebeu cerca de 484 mil visitantes, provenientes de todos os continentes, e foi contemplado com os prémios «Museu Conselho da Europa 2010», «Dasa - Mundo do Trabalho 2011», «Turismo de Portugal», em 2009, e uma menção honrosa na categoria «Melhor Museu Português», atribuída em 2008 pela Associação Portuguesa de Museologia, a qual voltou a distinguir este espaço cultural, em 2015, com o «Prémio Inovação e Criatividade». A curta-metragem de animação «À conversa com Manuel Teixeira Gomes», desenvolvido na sua Oficina Educativa, também teve destaque com o troféu «Arara de Prata» atribuído em 2011, pelo júri do Tourfilm Brazil . #91 ALGARVE INFORMATIVO

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OBRAS DE REQUALIFICAÇÃO DA EN125 JÁ ARRANCARAM EM LAGOS

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Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, deslocou-se a Lagos no dia 12 de janeiro para anunciar o recomeço das obras de requalificação da EN 125, prevendo-se que parte dos trabalhos esteja concluída antes do verão. A cerimónia onde foi apresentado o plano de trabalhos respeitantes às obras que faltam concluir contou igualmente com a presença do Secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d´Oliveira Martins, do Presidente das Infraestruturas de Portugal, António Gordo, do Administrador Executivo da Concessionária Rotas do Algarve Litoral, Rui Sousa, do Presidente da AMAL, Jorge Botelho, vários Presidentes de Câmara do Algarve, do executivo municipal de Lagos, presidentes de junta, membros da Assembleia Municipal e comandantes das Forças de Segurança de Lagos. ALGARVE #91

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No que ao Município de Lagos diz respeito, ficou o compromisso de que as duas rotundas que irão ser construídas (Chinicato e Caliças) e as obras respeitantes ao troço entre Lagos e Vila do Bispo ficarão concluídas antes do verão, mais concretamente até 30 de junho. Recorde-se que as obras na EN 125 pararam no Verão de 2016, uma vez que havia a necessidade de aguardar pelo visto do Tribunal de Contas, situação essa agora ultrapassada. No seu todo, as obras de construção na EN 125 estão avaliadas em 85 milhões de euros, sendo que deste valor faltam concluir obras orçadas em cerca de 10 milhões e 600 mil euros. Rui Sousa lembrou que as obras consideradas como as mais urgentes já foram concluídas (Variantes em Lagos e Faro), assegurando que as


obras que se reiniciam já esta semana dizem respeito ao troço Lagos – Vila do Bispo (com uma extensão de 20 quilómetros) e às Rotundas do Chinicato e das Caliças. Numa fase posterior seguir-se-á o troço Lagos – Nó IC4 (com uma extensão de 70 quilómetros), estando a conclusão de todos estes trabalhos prevista para acontecer durante o primeiro semestre deste ano. Maria Joaquina Matos, presidente da Câmara Municipal de Lagos, manifestou publicamente o seu regozijo pelo reinício dos trabalhos na EN 125 e lembrou que “a região tudo tem feito para fomentar a economia local, regional e necessariamente nacional, e estamos a conseguir a nossa afirmação enquanto destino turístico de qualidade”. “É pois de toda a justiça que estas obras se reiniciem e que o Algarve tenha o merecido reconhecimento nacional. Temos feito a diferença, confirmam os números e, apesar das dificuldades, não desistimos de lutar”, garantiu a edil. Maria Joaquina Matos reforçou ainda que a retoma destes trabalhos da requalificação da EN 125, associada à requalificação da Linha Litoral do Algarve – Ferrovia, obra contemplada na Lei do Orçamento de Estado e Investimento para 2017, são fortes contributos que a Administração Central vem proporcionar ao Município de Lagos,

“no sentido do mesmo se tornar cada vez mais moderno, mais competitivo, dotado de toda uma infraestrutura rodoviária e ferroviária com condições de segurança e bem-estar, de modernidade e coesão territorial”. Mostrando-se satisfeita pela razão que ali todos reuniu e que consubstancia “uma concretização de uma justa reivindicação do Algarve”, a presidente da Câmara de Lagos e da Associação de Municípios Terras do infante (Aljezur, Lagos e Vila do Bispo) apelou ao Ministro para o cumprimento dos prazos estabelecidos para estas obras, ou seja, antes do início do Verão, época alta da região e em que se prevê ser de aumento de visitantes e de incremento da atividade económica. O Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques deixou a certeza de que as obras de requalificação da EN 125 vão mesmo ser uma realidade durante os próximos meses. “Percebemos a urgência e a ansiedade dos algarvios na conclusão destas obras e o Governo tem noção da importância da requalificação desta estrada”, sublinhou o governante, adiantando que voltaria, em breve, ao Algarve para explicar quais os planos para a intervenção nos pontos críticos para a mobilidade e segurança desta via .

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Augusto Lima e Paulo Runa, presidente e vice-presidente da Associação de Cozinheiros e Pasteleiros do Algarve

ASSOCIAÇÃO DE COZINHEIROS E PASTELEIROS DO ALGARVE PRETENDE UNIR A CLASSE E FAZER CRESCER OS SEUS PROFISSIONAIS A Associação de Cozinheiros e Pasteleiros do Algarve inicia 2017 com a primeira edição do «Saberes e Sabores», no dia 15 de janeiro, e o objetivo é organizar diversos eventos ao longo do ano para promover uma maior união entre os profissionais e empresários deste ramo. Texto: ALGARVE #91

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ugusto Lima e Paulo Runa encabeçam a direção da Associação de Cozinheiros e Pasteleiros do Algarve (ACPA), entidade legalmente constituída em 2004 e que teve o seu período áureo, seguindo-se quatro ou cinco anos de ausência de atividade. “A ideia sempre foi criar uma família de cozinheiros e pasteleiros, onde nos pudéssemos ajudar uns aos outros a crescer profissionalmente, aprendendo continuamente com cursos e ações de atualização”, explica o presidente Augusto Lima, que sucedeu na liderança a Henrique Leandro em 2015. “Desde que esteja ligado a estas duas áreas, qualquer pessoa pode pertencer à associação, seja profissional ou ainda estudante. Temos uma sede nova no Business Center em Lagoa, estamos a arrumar a casa, como se diz, e já temos participado em algumas ações engraçadas de voluntariado”, acrescenta o vice-presidente Paulo Runa. Sendo a única entidade representativa da classe existente no Algarve, a ACPA possui cerca de 400 sócios, grande parte deles não ativos, porque o associativismo implica voluntariado e esse conceito nem sempre é fácil de transpor do papel para a realidade. “Há pessoas que realmente gostam de se envolver no associativismo, mas falar mal é fácil e fazer alguma coisa por vezes é difícil. Estamos numa fase de nos

reagruparmos, de voltarmos a contatar os sócios, para depois crescermos”, indica Augusto Lima, com a dupla a preferir não alongarse mais sobre o que aconteceu no passado. “O importante é trabalharmos em prol da classe e, por exemplo, prestamos apoio jurídico a quem tiver problemas laborais. Vamos também recomeçar a dar apoio à formação nas áreas de pastelaria, padaria e cozinha”, prossegue Paulo Runa. Projetos não faltam, entre eles retomar os pequenos-almoços de confraternização, logo pelas sete da manhã, numa unidade hoteleira onde trabalhe um dos associados. “Serão pequenos diálogos, momentos participativos com pessoas que possam ser uma mais-valia para nós, desde juristas a nutricionistas. Existem igualmente os almoços ACPA, em restaurantes dos nossos associados, todos de jaleca branca, para convivermos”, descreve Augusto Lima. Mais formal é o «Saberes e Sabores», cuja primeira edição acontece, no dia 15 de janeiro, na Casa Modesta, em Olhão. “Pretende ser um momento de partilha para gerir e gerar diversas valências e oportunidades entre cozinheiros, pasteleiros, empresas, produtos e espaços de referência. Escolhemos, por isso, um hotel rural, em Quatrim do Sul, que acabou de ganhar o prémio de

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melhor hotel ecológico da Europa, e que está localizado em plena Ria Formosa”, adianta o dirigente. Saberes e sabores que estão novamente em evidência desde que a Dieta Mediterrânica se tornou Património Imaterial da Humanidade, reconhece Paulo Runa, um grande apologista deste regresso às origens e de se promover os produtos tradicionais da região. “A gastronomia não é só coisas bonitas e sofisticadas e há que voltar à nossa cozinha tradicional para, desse modo, potencializar produtos que já estão esquecidos ou que não são tão utilizados como deveriam”, frisa o empresário da restauração, garantindo que existem vários produtores locais a trilhar esse caminho. “Estes eventos servem igualmente para ajudar a divulgar o trabalho dessas pessoas que se sentem um pouco sozinhas neste querer fazer”, reforça. O «Saberes e Sabores» funciona, assim, como que um diretório onde se dão a conhecer produtos e produtores e deverá ter uma periodicidade mensal, variando o local onde se localiza. E se, na primeira edição, as estrelas são o cogumelo do cardo produzido pela «Portugalgourmetfood», a «SENSE WINES» de João Machado e os vinhos «Flor do Tua» de António Boal, em próximas sessões estarão em evidência os mariscos do Algarve, de concha e não só, e a ovelha churra, uma raça autóctone algarvia ALGARVE #91

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que está em vias de extinção. “Lembro-me dos cheiros e dos sabores de quando era miúdo e a minha avó e mãe cozinhavam, sensações que não se devem perder no esquecimento. Felizmente, há muitos jovens com valor que pensam desta forma e que aproveitam os conceitos da nouvelle cuisine para transformar estes sabores antigos”, nota Paulo Runa. Gastronomia tradicional que encanta mais, sem dúvida, os turistas estrangeiros, porque um prato moderno e sofisticado se pode comer em qualquer parte do mundo, e Paulo Runa constata isso mesmo nos restaurantes que gere. “Preferem comer uma bela sardinha assada em cima do pão, e nem sequer estão habituados a comê-la com os dedos, mas com faca e garfo”, indica, experiência que é confirmada pelo colega de direção. “Toda aquela gordura fica concentrada e depois comemos o pão a seguir. São tradições nossas que eles não conhecem. A associação não pretende ser elitista ou preconizadora de algo que deve ser seguido pelos outros, queremos apenas ser um ponto de encontro de saberes e sabores e todos são livres de se juntarem a nós”, salienta Augusto Lima. O caminho da ACPA está delineado mas, para o percorrer, são necessários apoios e, acima de


tudo, a compreensão dos empresários do ramo. “Por vezes, há proprietários que não conseguem dissociar o facto de serem patrões com a ideia de colaborarem com uma associação. Não há que ter medos, porque estamos aqui para ajudar os cozinheiros e pasteleiros, e há algumas mentes mais abertas que estão em sintonia connosco”, aponta Paulo Runa. Por outro lado, Augusto Lima esclarece que há diversas tipologias de sócios, desde os sóciosestudantes e sócios-trabalhadores aos sócios-cooperantes, onde se encaixam precisamente as empresas e estabelecimentos que trabalham

em parceria com a associação. “A Aviludo tem-nos ajudado desde o início e nós trabalhamos preferencialmente com os seus produtos e fazemos uma espécie de consultadoria a produtos novos que eles vão lançando no mercado. Nós, cozinheiros, somos os artífices da comida e podemos dar muito às empresas que estão relacionados com a grande massa crítica que é a restauração. A associação quer fazer partilhas e gerar sinergias e, quanto mais sócios tivermos, melhor conseguimos cumprir esse objetivo”, reforça Augusto Lima .

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Lavoura musical Paulo Cunha

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ecorria o ano 2001 e, após proposta apresentada ao então vereador da Cultura do Município de Faro, Eng.º Augusto Miranda, eis que a recém-criada Associação Cultural Música XXI via aprovada a realização em Faro de dois dos vários concertos da produção «Música de Pais para Filhos». Pensados, estruturados e planificados para bebés até aos 24 meses, estes concertos didáticos e formativos viram pela primeira vez a luz do dia no auditório da Biblioteca Municipal de Faro, local que ficou de imediato repleto de bebés e papás ávidos de novas experiências musicais. Foi finalmente - nos dias treze de novembro e quinze de dezembro que, através dos pais/professores/músicos, Rui Gonçalves (violino) e Joaquim Galvão (flauta transversal), consegui começar a partilhar com os algarvios muito do que alguns músicos, no seio familiar, fazem com os seus filhos de tenra idade. Com o acolhimento, apoio e divulgação entusiasta da comunicação social regional e nacional, várias autarquias algarvias acabaram por, naturalmente, abraçar a realização do ciclo completo de concertos nas suas regiões. E assim, localidades como Loulé, Albufeira, Portimão, Lagoa e Olhão viram durante vários anos ser facultado pelas suas autarquias o acesso gratuito à estimulação, fruição e educação musical de base aos seus munícipes mais jovens, através do contacto com vários instrumentos das famílias das percussões, cordas e sopros. Quando me propus partilhar muito do que aprendi e vivenciei com vários mestres, pais e filhos (principalmente os meus), quis, desde logo, rodear-me dos melhores músicos e pedagogos que a região algarvia me oferecia, pois sempre fui da opinião que para os nossos filhos devemos disponibilizar o melhor! Não sendo um conceito original, quis através das explicações sucintas e focalizadas que acompanhavam a intervenção dos instrumentistas, usar os bebés para chegar aos seus pais. Como? Falando com os pais e ALGARVE #91

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lançando-lhes pistas, dando-lhes trabalhos de casa, estimulando-lhes o desejo de brincar e fazer jogos musicais, induzindo-lhes o desejo de complementar com música as atividades diárias, promovendo a audição ativa e participativa com os seus filhos. Porque, tal como esponjas, nos primeiros meses de vida os bebés absorvem, através dos vários sentidos, tudo o que os rodeia. Com a duração de vinte e cinco minutos de música com mais cinco de explicações e sugestões, estas sessões privilegiam o contacto direto entre os emissores (músicos) e os recetores (pais e filhos), sem recorrer ao uso de outras atividades que desviem e dispersem a atenção dos bebés. O foco único e principal da «Música de Pais para Filhos» é a música e todas as qualidades de que é composta, tendo como objetivos principais: estimular sensorialmente as crianças envolvidas; promover a audição passiva e ativa; conhecer e aprender a distinguir morfologicamente os instrumentos; conhecer e identificar os timbres dos instrumentos; associar o som à fonte sonora; promover a interação e aproximação entre pais e filhos através da música; estimular e exercitar a memória tímbrica, melódica e rítmica; promover a audição, a seleção e a apreciação musicais; aferir e potenciar o desenvolvimento das várias competências cognitivas/artísticas; estimular a aprendizagem da música enquanto linguagem, paralelamente à da fala. Volvidos mais de quinze anos, que bem e feliz me sinto por ter entre alguns alunos e público, jovens que me dizem ter estado nos “meus concertos para bebés”, pois os pais tal lhes confidenciaram. Mas onde eu encontro mais motivos de orgulho é o facto de me dizerem que muitos dos pais seguiram os meus conselhos e isso agora, segundo os filhos, faz toda a diferença na forma como encaram e incluem a música nas suas vidas. Isto sim, é semear para mais tarde colher… Autêntica lavoura musical! .


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Uma novela com fim à vista… José Graça

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om o reinício das obras em Lagos, a novela da requalificação da estrada nacional 125 (EN125) parece aproximar-se do fim, não daquele que estava inicialmente previsto, mas do que que foi possível concretizar mais depois de oito anos de avanços e recuos… Foi no dia 16 de março de 2008 que José Sócrates anunciava que a requalificação da EN125 deveria estar concluída em 2010, no âmbito de um projeto que prevê uma intervenção global no valor de 150 milhões de euros, sublinhando na sessão de lançamento do concurso para a concessão «Algarve Litoral» que era “a primeira vez que se assume a requalificação de uma estrada não como estratégia de tapar buracos ou intervenções pontuais e desgarradas". Estávamos em outubro de 2012, quando a Estradas de Portugal acordou com a subconcessionária Rotas do Algarve Litoral uma redução de 155 milhões de euros ao contrato inicialmente previsto, com o cancelamento de quatro variantes da Luz de Tavira, Odiáxere e Olhão e o acesso alternativo à EN2, entre Faro e São Brás de Alportel, foram eliminados e os trabalhos de conservação de 93 quilómetros de vias que regressavam à esfera de influência do Estado. Prometidas quando já se adivinhavam as portagens nas ex-SCUT's, as obras de requalificação da EN125 estavam paradas há mais de quatro meses... Apesar das promessas, passados mais estes dez meses, as obras das variantes de Faro, Almancil (Loulé) e Albufeira ou no troço entre Lagos e Vila do Bispo, continuam suspensas e abandonadas não se conseguindo perceber o sentido daquela “ótima notícia para o Algarve”, como então festejara Luís Gomes. Então presidente do PSD-Algarve e ainda presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, em 4 de fevereiro de 2015, veio afirmar sem dúvidas que “os autarcas do Sotavento foram enganados”, pelo Governo e pelas Estradas de Portugal. “Lamento muito dizer isto, mas aquilo que estão a fazer relativamente à qualificação da EN125 não corresponde à verdade do que foi anunciado. Digo isto com um profundo lamento, ALGARVE #91

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porque foi o anúncio do Governo do partido onde eu tenho responsabilidades políticas”, suspirava Luís Gomes. Foram ludibriados nessas e em muitas outras coisas, realce-se, numa prova de falta de respeito pelo Poder Local Democrático e pelas populações que traduziu-se numa das maiores derrotas eleitorais de sempre no Algarve. E, para avivar a memória, muito semelhante ao sucedido em 2009 e 2011 com o Partido Socialista, após alguns episódios parecidos, onde culminam as promessas e o adiamento do Hospital Central do Algarve! Com dificuldades financeiras crónicas, a subconcessionária nunca mais conseguiu cumprir o plano dos trabalhos que prosseguiu de forma arrastada, encalhando aqui e ali em erros e omissões do projeto (quem não se lembra dos episódios da rotunda de Boliqueime ou do anúncio do corte da via com o verão á porta?!) ou dos anúncios pré-eleitorais de António Ramalho, dirigente máximo das Estradas de Portugal. Neste episódio, queremos acreditar nas palavras do ministro Pedro Marques que garantiu a conclusão das obras em curso, entre Vila do Bispo e Olhão antes do início da época alta do turismo no Algarve, quando ainda faltam quase executar 11 dos 85 milhões de euros previstos para este troço da EN125. Esperamos com tranquilidade, o seu regresso “nas próximas semanas, talvez dentro de duas semanas” para trazer mais boas notícias, sobre as obras entre Olhão e Vila Real de Santo António, igualmente retiradas da concessão e que passaram para a alçada da empresa Infraestruturas de Portugal. Como pertence a uma geração que deseja fazer a diferença, esperamos com confiança! PS – Obrigado por tudo, Presidente Mário Soares, procuraremos ser dignos do teu legado. A LUTA . (Membro do Secretariado Regional do PSAlgarve e da Assembleia Intermunicipal do Algarve)


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Vida do espírito e modo light Paulo Pires

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ma das grandes obras ensaísticas publicadas em Portugal em 2016 foi Da leveza – Para uma civilização do ligeiro, de Gilles Lipovetsky, mais uma vez com a chancela das Edições 70. A pedra-de-toque do seu discurso é a tese de que as democracias hipermodernas vivem numa era dominada pela leveza e supremacia dos valores “ligeiros” individualistas, as quais se reflectem em múltiplos domínios, inclusive na nossa relação com a cultura e a vida do espírito. Numa sociedade hiperconsumista e de corrida às audiências, a cultura do écran substitui a reflexão pela emoção, o espírito crítico pela animaçãoespectáculo e o perene cede lugar ao descartável. É ainda um tempo marcado pela diminuição do prestígio e da importância atribuída à vida intelectual, cuja capacidade de influência vai sendo tomada pelos media, que estabelecem as prioridades nos debates sociais e lançam as celebridades. O valor do business, do dinheiro, do desporto, do divertimento e dos lazeres aumentam exponencialmente, e o “valor espírito” que Paul Valéry preconizava perde terreno visto que a prioridade é, com maior ou menor intensidade, o aqui e agora. Mais do que as interrogações retóricas, são as soluções relacionadas com a vida prática e pessoal que tomam a dianteira, num “tempo do saber instrumentalista e da filosofia-consolo, que consagra o regime light do pensamento”, como se pode ler numa das passagens mais ilustrativas da obra. Daí também a profusão de livros de divulgação, dicionários, “resumos”, guias e outros pequenos manuais que abundam no mercado editorial, bem como a infinidade de conteúdos disponíveis na internet. O público em geral quer saber um pouco sobre tudo e depressa, mas acedendo a matérias complexas sem esforço e com mais prazer. Não obstante a curiosidade intelectual persistir, neste ALGARVE #91

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estádio civilizacional a tendência dominante é de que seja sobretudo “rápida” e sem “aborrecer”, e que “funcione” porque é directamente útil à vida prática do indivíduo. Parece tornar-se cada vez mais insuportável fazer um esforço sustentado para ter acesso ao saber. Lipovetsky relembra ainda que a vontade de aprender e compreender continua presente não obstante este cenário geral, mas revela-se desigual, incerta, flutuante e de difícil integração. Face à hegemonia do digital, o reputado pensador recorda-nos mais uma vez que a informação bruta não é sinónimo de conhecimento. O universo online “pode encher as cabeças mas não tem o poder [per si] de criar ‘cabeças bem feitas’”, ou seja, a evolução tecnológica não é o mesmo que progresso cognitivo e estar ligado não é suficiente para pensar. Daí também a importância vital de uma escola renovada, de uma nova síntese pedagógica que vai buscar o melhor ao antigo e ao novo, visto ser ilusório pensar que os malabarismos nas redes, a autoformação e outras ocupações lúdicas e pessoais são suficientes para formar espíritos estruturados, livres e com capacidade crítica. Lipovetsky insiste que a aprendizagem organizada e a transmissão do saber, com métodos e regras, e o papel do professor, continuam a ter, hoje mais do que nunca, uma palavra fundamental a dizer. “O perigo não é a leveza frívola, mas a sua hipertrofia, quando invade a vida e sufoca as outras dimensões essenciais da existência” ligadas à vida do espírito. Felizmente, também vão surgindo “fechos de segurança”, travões, lógicas antagónicas e contra-tendências. Talvez seja esse, hoje, o nosso desafio mais inquietante e exigente: não enfileirar fácil e cegamente numa leveza superficial, mas torná-la simultaneamente prazerosa e (pro)activa .


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O sexto Sentido – a expectativa Augusto Lima

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á lhe aconteceu, caro leitor, de salivar de expectativa enquanto aguarda chegar a casa para comer aquele petisco que só a sua mãe/esposa/filha sabe fazer? De babujar de forma entusiasta e audível enquanto espera pelo prato que adora, de talheres na mão, em desassossego, no seu restaurante preferido? De se babar, sôfrega a mente, enquanto lê uma ementa sugestiva, onde o autor descreve com rima, rigor e relevo os ingredientes do prato e a sua confeção? Ficou com «água na boca»? Pois é, a essa sensação eu apelido de Sexto Sentido e encontra no salivar o seu perfeito mestre de sala. Eu sempre gostei de comer, adoro a expectativa de ter prazer à mesa e idolatro o ato de provar. E a forma como o gosto e o prazer da comida se associa às memórias que também são olfativas e bem rebuscadas no tempo, é tão inebriante que, se fechar os olhos, posso perfeitamente cheirar o caril da minha Mãe Laura, o Empadão de sobras da minha Avó Emília, o Chacuti da minha Tia Ofélia, o cheirinho dos pãezinhos de sura ou do Muchapau acabado de sair do forno, na padaria do Varela, do Tio António. A ação de comer pressupõe a utilização dos cinco sentidos, seis se lhe juntarmos o prazer, a expectativa. A visão – A frase “os olhos também comem” é por si só elucidativa se recordarmos o Olhar para um prato de comida apresentada com arte, onde as cores, as texturas, os volumes, o

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equilíbrio e a apresentação nos aguçam o apetite. O olfato – Os aromas que provêm da comida são fatores imprescindíveis para a aceitação ou rejeição da mesma, sendo também elementos importantes para o início do ato de comer. O tato – Ao cortar os alimentos, detetamos sinais que nos permitem avaliar a sua confeção, as diferentes texturas resultantes das diferentes técnicas e capitais no ato de degustar. A audição – Quantas vezes o som provocado pelo crepitar da comida quente (um bacalhau à Zé do pipo, por exemplo) é tonificante? E o som dos crocantes? O paladar – Sem alguma dúvida, o elemento mais importante do processo gustativo, aquele que nos leva ao êxtase, ao clímax, ao orgasmo gastronómico. Mas antes e tudo o momento da antecipação – a expectativa, qual sinal catalisador de sensibilidades que nos faz antecipar, criando imagens visuais e sensoriais que humedecem as papilas e que nos fazem vibrar pelo momento da entrega. A esse estado de graça que determina que uma simples refeição seja um hino ao prazer e que tem o seu prenúncio na leitura da ementa ou na boa nova anunciada, eu chamo de Sexto Sentido. Concordam? .

(Presidente da Associação de Cozinheiros e Pasteleiros do Algarve)


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FRANCISCO SERRA REVELA QUE ALGARVE 2020 SEGUE A MELHOR RITMO QUE O QREN E ACREDITA QUE TODAS AS VERBAS VÃO SER EXECUTADAS Sensivelmente a meio do programa CRESC ALGARVE 2020, Francisco Serra, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, faz o ponto de situação deste instrumento financeiro que dispõe de 319 milhões de euros de fundos europeus para aplicar no horizonte 2014-2020. Texto: Fotografia:

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CRESC ALGARVE 2020 está integrado na parceria PORTUGAL 2020 e pretende contribuir para uma região competitiva, resiliente, empreendedora e sustentável com base na valorização do conhecimento. Para tal disponibiliza, no horizonte temporal de 2014 a 2020, 319 milhões de euros de fundos da União Europeia, entre Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e Fundo Social Europeu (FSE), dos quais 140 milhões se destinam às empresas. Quanto às candidaturas, são avaliadas de acordo com nove eixos prioritários: promover a inovação e a investigação regional; apoiar a internacionalização, competitividade empresarial e o empreendedorismo qualificado; promover a sustentabilidade e eficiência do uso dos recursos; reforçar a competitividade do território; investir no emprego; afirmar a coesão social e territorial; reforçar as competências; modernizar e capacitar a administração; assistência técnica. Sabendo-se que os fundos comunitários têm sido cruciais para que muitas autarquias e entidades do Algarve consigam concretizar os projetos que implicam maior investimento financeiro, rumámos à sede da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve para fazermos um ponto de situação com o presidente Francisco Serra. “O Algarve não é uma região favorecida como o Alentejo, o Centro ou o Norte, que são ditas em convergência, mas temos à disposição uma verba significativa que será aplicada de acordo com as prioridades ALGARVE #91

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estabelecidas pela estratégia de especialização inteligente do Algarve negociada com a União Europeia. Privilegia-se o investimento produtivo, ou seja, o sistema de incentivos às empresas sobre diversas formas, e favorece o investimento em investigação e desenvolvimento”, aponta o dirigente em início de conversa. O financiamento para a sustentabilidade engloba projetos de valorização natural, culturais, de regeneração urbana, de eficiência energética, entre outros, sendo que os PARU do Algarve já foram aprovados no final do ano transato e estão em fase de candidatura de operações. “Paralelamente, existem instrumentos financeiros aos quais os privados podem aceder para complementar os projetos de regeneração urbana financiados pelo setor público. São planos mistos em que as autarquias previam um investimento público, mas também apresentaram uma lista de intenções de investimento privado”, explica Francisco Serra. “As entidades de gestão regionais, programas nacionais e o Banco Europeu de Investimento providenciam, a nível nacional, cerca de 700 milhões de euros para investimento privado, que é um esforço bastante significativo para melhorar as condições de vida nas cidades, nomeadamente dos seus centros históricos urbanos”. Francisco Serra lembra que existem ainda fundos mistos para colmatar deficiências identificadas ao nível do


ritmo de desenvolvimento das regiões, como acontece, por exemplo, nas zonas de baixa densidade populacional, onde o investimento público pretende potenciar o investimento dos privados. “Há também um conjunto de instrumentos que permitem combater situações de desigualdade social, de fragilidade, de descriminação ou violência, e que estão a cargo de entidades como a Comissão Para a Igualdade do Género, o Instituto da Segurança Social, o Instituto do Emprego e Formação Profissional, as Escolas de Hotelaria do Turismo de Portugal, os Agrupamentos Escolares. A modernização administrativa também foi contemplada com fundos neste pacote e estes instrumentos estão praticamente todos em condições de operacionalizar candidaturas e financiamento, sendo que os incentivos

às empresas são os que apresentam maior volume de disponibilidade financeira e exigem menos trabalhos preparatórios”, explica o entrevistado, falando em taxas de compromisso na ordem dos 53 por cento. Analisando os diversos eixos prioritários, percebe-se que aqueles mais direcionados para a sustentabilidade e regeneração urbana são os que têm menores taxas de execução e compromisso, precisamente por envolverem um maior planeamento prévio. “Os processos de disponibilização de dinheiro não foram tão céleres como nos incentivos às empresas, mas já chegamos à maturidade desse processo inicial de mapeamento e, #91 ALGARVE INFORMATIVO

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“NA HORA DA VERDADE, O QUE OS CIDADÃOS QUEREM SABER É SE TODO ESTE ESFORÇO DE FINANCIAMENTO VAI CONTRIBUIR EFETIVAMENTE PARA O DESENVOLVIMENTO QUE SE DESEJA, OU NÃO”. até final de 2016, foi possível aprovar esses planos e lançar avisos para candidatura. A AMAL apresentou o PADRE – Plano de Ação de Desenvolvimento de Recursos Endógenos, as Câmaras Municipais apresentaram os PARU – Planos de Ação para a Regeneração Urbana e está em processo de conclusão o PMTI Plano de Mobilidade e Transportes Intermunicipal da AMAL”, revela Francisco Serra, pelo que é de esperar um aumento exponencial de apresentação de candidaturas durante o primeiro trimestre de 2017.

INCENTIVOS TÊM QUE CUMPRIR METAS DE DESENVOLVIMENTO O objetivo das partes envolvidas é flexibilizar ao máximo o sistema de incentivos para que todos os fundos ALGARVE #91

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disponíveis sejam aplicados, mas há procedimentos a respeitar porque estamos a falar de dinheiro público que deve ser devidamente utilizado. Contudo, a aprovação de uma candidatura implica que as entidades beneficiárias tenham que começar os trabalhos e, por vezes, isso não é possível no imediato. “As pessoas têm ideia de que existe muita burocracia nestes processos, mas isso não significa que ela esteja apenas relacionada com as exigências para se conceder o financiamento. Para se executar algo tem que se observar a lei geral e, por exemplo, se for para construção ou desenvolvimento em zonas protegidas, é necessário que haja estudos de impacto ambiental”, indica o presidente da CCDR Algarve. Ora, segundo dados de 31 de dezembro de 2016, a taxa de compromisso geral dos nove eixos prioritários ronda os 25 por cento, mas isso não quer dizer que, no final do programa, fique dinheiro por aplicar por falta de candidaturas. “Em algumas áreas onde as taxas são menores já se notou um grande avanço entre setembro e dezembro e, agora que estão desbloqueados os procedimentos iniciais, a evolução será mais rápida. Só nos PARU, PADRE e PMTI estamos a falar de 30 milhões de euros, que serão depois alavancados pelos privados, por via dos fundos de investimento, pelo que é expectável que, em seis meses, esta taxa passe para os 40 por cento”, considera Francisco Serra, adiantando que, em comparação com o QREN, o anterior quadro de apoios


comunitários, as taxas de compromisso e execução são melhores no CRESC ALGARVE 2020. Como é natural, também não se podem aprovar todas as candidaturas que aparecem só para se atingirem taxas elevadas, confirma o entrevistado, pois o propósito é que os incentivos cumpram metas de desenvolvimento. “Na hora da verdade, o que os cidadãos querem saber é se todo este esforço de financiamento vai contribuir efetivamente para o desenvolvimento que se deseja, ou não. Para esse efeito, realizámos há poucas semanas a primeira reunião do Conselho de Inovação do Algarve, onde damos conta do desenvolvimento do programa e fazemos algum pensamento estratégico

sobre esse mesmo desenvolvimento”, explica Francisco Serra, antes de abordar alguns dos desafios lançados nesse órgão. “O Algarve deve caminhar para ser uma região inteligente, um conceito que coincide com a estratégia de especialização inteligente, mas que tem por trás um conhecimento prático das cidades inteligentes, dos destinos turísticos inteligentes, das redes inteligentes de energia. Outro desafio passa pela criação de um centro de inovação e turismo, porque o Algarve é, fundamentalmente, uma região de serviços especializados no turismo e há uma perceção de que, apesar de termos muito turismo, a nossa oferta ainda é bastante tradicional. Finalmente, temos o

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desafio das energias, que tem a ver com a substituição da produção de energia com base em fontes fósseis por energias limpas e o contributo para a economia verde”. Estes desafios não pretendem, contudo, inibir ou condicionar a iniciativa dos públicos e privados, nem dizer que há eixos do CRESC ALGARVE ALGARVE #91

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2020 mais prioritários do que outros, mas verifica-se que a apresentação de candidaturas não está a ser uniforme. “A explicação que encontramos é que as empresas no Algarve são de pequena e muito pequena dimensão, não têm núcleos de desenvolvimento e investigação, nem sensibilidade para procurar ajuda nas universidades ou outros centros de


“CLARO QUE O PAÍS TEM QUE FAZER AQUILO QUE PODE, MAS O INVESTIMENTO SÓ É DESPERDIÇADO SE FOR DE MÁ QUALIDADE E ALGUMAS INFRAESTRUTURAS ATÉ NEM SÃO TÃO CUSTOSAS COMO NO PASSADO”.

POTENCIAR O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA DE FRONTEIRA

conhecimento. Face a isso, temos desenvolvido iniciativas, com a Agência Nacional de Inovação e o IAPMEI, para demonstrar como se podem apresentar as candidaturas com mais sucesso e que tipo de instrumentos de apoio estão disponíveis para os interessados”, frisa, com a própria CCDR a procurar que o entendimento das normas seja melhor assimilado por todos os intervenientes.

Inovação, região inteligente, inclusão social, energias limpas, são conceitos que se encontram com frequência nas conversas em torno do CRESC ALGARVE 2020, que não é um programa de fundos comunitários que vise somente a construção de grandes equipamentos ou infraestruturas públicas como sucedia no passado. Tal deve-se aos níveis de desenvolvimento que já se atingiram, por muito que o cidadão comum exija sempre mais esta ou aquela obra ou se interrogue se a região está, efetivamente, melhor do que há umas décadas. “Quando olhamos em retrospetiva, conseguimos identificar marcas deste #91 ALGARVE INFORMATIVO

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desenvolvimento e há coisas com que não nos preocupamos tanto como antigamente, no que toca ao saneamento básico, à qualidade das vias rodoviárias, à infraestrutura aeroportuária, à qualidade ambiental medida por indicadores de poluição atmosférica ou de ruído”, observa Francisco Serra.

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O tempo das obras mais pesadas já passou, mas o presidente da CCDR defende o investimento num novo hospital e na conclusão de algumas infraestruturas rodoviárias multimodais ao nível da facilidade de mobilidade de transportes entre ferrovia, rodovia, acessibilidade ao aeroporto e transporte aéreo. “Muitas entidades e o próprio cidadão, dependendo da qualidade do diálogo social que vai existindo, poderão pensar que isso são luxos, que não se justificam, principalmente porque não há dinheiro a rodos como noutros tempos. Claro que o país tem que fazer aquilo que pode, mas o investimento só é desperdiçado se for de má qualidade e algumas infraestruturas até nem são tão custosas como no passado”, entende o entrevistado. “Se não incrementarmos a nossa capacidade de comunicação, de pessoas, mercadorias e bens, estamos a desaproveitar potencialidades de desenvolvimento no caso concreto das economias de fronteira. Temos


aqui ao lado a região da Andaluzia, que tem tantos habitantes como Portugal Continental, e todas as dificuldades de comunicação que possam ser removidas seriam bem-vindas”, acrescenta. Ninguém duvida, porém, que o potencial de desenvolvimento de negócios baseado nas tecnologias e conhecimento é muito superior ao desenvolvimento de atividades tradicionais, apesar dos temores de que os recursos humanos sejam substituídos pelo capital e, com isso, se gere mais desemprego, caso não se consigam reconverter as qualificações dos funcionários. “Sabemos perfeitamente que a reconversão de competências, a idade média das pessoas que estão no ativo e as diferentes escolaridades obrigatórias por que os trabalhadores passaram, são coisas que se vão modificando com o tempo, mas é para isso que existem instrumentos de política pública mais flexíveis para potenciar o desenvolvimento desejado”, indica Francisco Serra. A finalizar a conversa, o presidente da CCDR julga que não se justificam as queixas de que os processos de candidatura ao CRESC ALGARVE 2020 são demasiado burocráticos e acredita que os 319 milhões de euros disponíveis vão ser todos aplicados no terreno. “O PO Algarve 21 vai terminar oficialmente em março deste ano e tivemos uma execução de 106 por cento, ou seja, ainda tivemos que arranjar dinheiro do Orçamento de Estado para se financiar todas as

candidaturas aprovadas. Uma coisa é nós abrirmos os avisos, receber e avaliar as candidaturas em tempo útil e termos o dinheiro disponível para a sua execução. Outra questão é a burocracia associada a essa execução e o governo é sensível aos argumentos dos beneficiários e estamos abertos a todas as sugestões de melhoria”, frisa Francisco Serra. “Vamos tentando que os procedimentos sejam mais rápidos, mas sem colidir com os direitos à transparência e à equidade. O Algarve tem 319 milhões de euros para serem executados até 2020 e, se despachássemos isto tudo em dois anos, não acautelávamos a qualidade das candidaturas e estávamos a cortar o direito de outros submeterem candidaturas que até poderiam ter maior qualidade. Ficamos preocupados, sim, se chegarmos ao último ano e ainda tivermos metade do dinheiro para executar, porque há metas para cumprir, caso contrário, parte das verbas deixa de vir da União Europeia. No fim de tudo, há três objetivos fundamentais: utilizar todos os fundos disponíveis; que a sua execução resulte em indicadores de desenvolvimento que foram idealizados; que os cidadãos e as empresas consigam alavancar criação de riqueza para o futuro para que, um dia, deixemos de depender destes sistemas de incentivos para prosseguirmos com o nosso desenvolvimento” .

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EM MESSINES RESIDE UMA DAS CASAS DO POVO MAIS DINÂMICAS DE PORTUGAL A Casa do Povo de Messines comemorou, a 15 de dezembro, os 82 anos de existência, uma vida repleta de atividades desportivas, culturais, educativas e de apoio social ao serviço desta freguesia do barrocal do concelho de Silves. Texto: ALGARVE #91

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Fotografia:


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undada em 1934, a Casa do Povo de Messines é uma das principais Instituições Particulares de Solidariedade Social do Algarve e é liderada, desde junho de 2009, por José Carlos Araújo, uma tarefa nada fácil devido às suas variadíssimas respostas, que vão desde a educação ao lazer, passando pelo desporto, pela cultura e pela área social. Os recursos, como é costume neste género de entidades, são escassos, pelo que o grande objetivo passa, invariavelmente, pela garantia da sustentabilidade no curto, médio e longo prazo. “Temos mais de 120 funcionários e custos mensais muito elevados, de modo que angariar receitas suficientes para equilibrar as contas é um trabalho diário bastante árduo”, garante o presidente da Direção, falando de um orçamento anual na ordem do milhão de euros. “No século XXI é preciso olhar de maneira diferente para estas

instituições, porque os dirigentes deixaram de ser a componente mais importante do dia-a-dia. A Direção é um órgão que ajuda, ajusta, dá conselhos, mas tem que funcionar intimamente com o quadro técnico e os recursos humanos são muito caros, o que não é o mesmo que dizer que eles são muito bem pagos”, aponta José Carlos Araújo. O presidente da Casa do Povo de Messines queixa-se, assim, da elevada componente fiscal que incide sobre os ordenados destes homens e mulheres que servem a causa pública, que ajudam os mais carenciados no terreno, e que condicionam, como é natural, a gestão do orçamento das IPSS. “O terceiro setor emprega, a nível nacional, mais de meio milhão de pessoas e tem um impacto no Produto Interno Bruto na ordem do 1,5%. No nosso caso, por exemplo,

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temos a creche, o jardim-de-infância e o ATL praticamente com lotações esgotadas e, numa freguesia como São Bartolomeu de Messines, com 10 mil habitantes, se não existisse esta resposta, a população sentiria muito mais dificuldades e teria mais despesas. Com toda a ousadia, mas também com humildade, provavelmente seremos das Casas do Povo de Portugal com maior dinâmica”, salienta José Carlos Araújo. Face ao exposto, percebe-se que uma Casa do Povo desta dimensão não pode ser gerida à moda antiga, pelos tais carolas que dedicavam apenas algumas horas por semana à instituição porque as exigências, e as atividades desenvolvidas no quotidiano, eram bem menores. Hoje, estas IPSS são verdadeiras empresas e com um impacto enorme na vida das localidades, freguesias e concelhos onde estão inseridas. “Os dirigentes são, atualmente, uma mais-valia positiva,

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somos uma parte pró-ativa, mas é essencial que todo o quadro de pessoal seja capaz de vestir a camisola da instituição. Aqui, «vendemos» ação social, educação, aprendizagem, não vendemos um produto tradicional. Quando os pais optam por deixar os seus filhos na creche de uma Casa do Povo, eles precisam de ter confiança total de que eles ficam bem entregues. Esta responsabilidade tem que ser partilhada por todos os trabalhadores do terceiro setor”, defende o entrevistado, reconhecendo que nem todas as pessoas têm perfil para trabalhar numa Instituição Particular de Solidariedade Social. Se os custos são elevados, as receitas, como se disse, são escassas e devem ser geridas ao cêntimo, para que nada falte no final do mês. A grande fatia provém do Ministério da


Marta Oliveira, José Carlos Araújo e Patrícia Francisco

Solidariedade e da Segurança Social, através dos protocolos e contratosprograma assinados anualmente, e só assim é possível assegurar a viabilidade da creche, jardim-de-infância e ATL, mas o cenário já foi mais positivo. “O custo médio de ter cá uma criança ronda os 360 euros mensais, quando os pais pagam apenas 120 euros, de acordo com os rendimentos per capita dos agregados familiares. Contudo, o próprio Estado vai cortando nas suas comparticipações de ano para ano, nomeadamente nas atividades de tempos livres”, revela o dirigente. Para equilibrar as contas são, assim, fundamentais os diversos contratosprograma assinados com a Câmara Municipal de Silves e que geram receitas adicionais na ordem dos 30 mil euros

anuais. Do circuito de transporte escolar chegam mais verbas, mas essa valência também acarreta despesas contínuas em viaturas e motoristas. Da ginástica e outras atividades desportivas advém as mensalidades dos praticantes, mas há professores e técnicos para pagar. “Juntando-se tudo, chegamos ao milhão de euros de orçamento, mas a Casa do Povo de Messines não pode ser deficitária durante muitos anos. Se um ano corre pior, o outro tem que correr melhor e, para isso, é necessária uma gestão profissional”, frisa José Carlos Araújo, que destaca ainda o apoio essencial na Junta de Freguesia de Messines, tanto na parte financeira, como na logística e humana, assim como do comércio local.

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JOSÉ CARLOS ARAÚJO: “SABEMOS QUE EXISTEM MUITAS DIFICULDADES, MAS TAMBÉM HÁ ALGUMAS OPORTUNIDADES QUE PODEMOS AGARRAR PARA COLOCAR ESTA INSTITUIÇÃO AO DISPOR DA COMUNIDADE, NOMEADAMENTE DAS PESSOAS COM INCAPACIDADE E DEFICIÊNCIA FÍSICA E INTELECTUAL, NO ÂMBITO DO PROJETO «SORRIR M»”. ERROS DO PASSADO CONDICIONAM PRESENTE Sendo as receitas praticamente semelhantes aos custos, não há espaço para grandes imprevistos ou mega projetos, a não ser que surjam financiamentos de programas comunitários ou cheguem verbas de iniciativas de cariz social, daí ser uma área a que a Casa do Povo de Messines está constantemente atenta. Para complicar ainda mais o cenário, o presidente admite que a instituição ainda está a pagar a fatura de alguns ALGARVE #91

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erros cometidos no passado, sobretudo nas obras de ampliação do edifício na entrada do novo milénio. “Hoje também se cometem erros – só não erra quem cá não está – mas a Casa do Povo de Messines renasceu, no final dos anos 90, início de 2000, com uma ampliação que custou cerca de dois milhões de euros e onde nem tudo correu bem. Os problemas que vieram detrás foram tão grandes que não foi possível ainda estancá-los, fazê-los desaparecer do dia-a-dia da instituição”, desabafa José Carlos Araújo. Apesar disso, a vida continua e os investimentos têm que ser feitos,


como foi a aquisição de um autocarro e a criação de uma sala multimédia ao abrigo de candidaturas ao PRODER, fezse um parque infantil com ajudas provenientes do mecenato e montou-se uma sala TIC com o apoio da SIC Esperança e da Sociedade Ponto Verde. “Estamos sempre à procura de algo que nos possa ser útil, através do BPI Acreditar, da Fundação Millenium BCP ou da Fundação EDP, entre outras. O Programa ALGARVE 2020 é ótimo, mas há muitas dificuldades para se chegar a esses fundos comunitários e ainda só abriram um ou dois dos eixos previstos. Há sempre uma grande burocracia nestes processos”, lamenta. “Uma estrutura de seis mil metros quadrados como é a Casa do Povo de Messines

obriga a gastos anuais de dezenas de milhares de euros em manutenção e recuperação. É preciso adquirir energias mais baratas e que sejam mais amigas do ambiente, mas não basta ter ideias, há que criar um plano de ação e alocar os recursos financeiros para o colocar em prática”. As energias renováveis e medidas de autoproteção são, de facto, ambições de curto e médio prazo de José Carlos Araújo, para consolidar o caminho da Casa do Povo de Messines. Outro objetivo é a aquisição de uma carrinha de transporte dos atletas da equipa de andebol em cadeiras de

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rodas da IPSS, que disputa o campeonato nacional da modalidade sob as cores do Sporting Clube de Portugal. “Sabemos que existem muitas dificuldades, mas também há algumas oportunidades que podemos agarrar para colocar esta instituição ao dispor da comunidade, nomeadamente das pessoas com incapacidade e deficiência física e intelectual, no âmbito do projeto «Sorrir M». Não imaginamos o que é a vida de um casal, de um familiar de alguém que é portador deste tipo de doença, e queremos dar o contributo para melhorar o dia-a-dia destes seres humanos”.

APOIO À DEFICIÊNCIA É PARA AUMENTAR Depois da conversa com o presidente da Direção, fomos conhecer um pouco

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melhor o que acontece no edifício da Casa do Povo de Messines e muito há para ver. Uma componente importante é a educativa, composta pela creche, jardim-de-infância/préescolar e centro de atividades de tempos livres, com capacidade para 182 crianças, e as atividades extracurriculares do agrupamento de escolas de Silves e das Ferreiras, que motivam mais de 1500 crianças. Na área desportiva, as ofertas são bastantes, desde a natação e hidroginástica à ginástica, jogo do pau, badminton, andebol, atletismo, lutas amadoras, bodyfitness, giravólei e andebol em cadeiras de rodas. No plano cultural, destacam-se o grupo coral e as classes de piano, guitarra, acordeão e dança. Há ainda a apontar a vertente de apoio social, constituída pelo Banco Alimentar,


Cantina Social e pelo projeto «Sorrir M», para utentes com necessidades especiais. “A Casa do Povo de Messines passou, em 1994, para associação e tentou corresponder às necessidades da freguesia, daí terem surgido as respostas sociais e educativas. No entanto, nunca deixou de abraçar as atividades culturais e desportivas que já desempenhava no passado, bem como o apoio social”, explica Patrícia Francisco. O desporto é, de facto, uma das facetas mais visíveis da instituição, com mais de 250 utentes regulares, mas o lazer, com os campos de férias, e a ação social assumem um papel importante nesta freguesia do barrocal. Já algumas ofertas culturais são menos procuradas, reconhece a técnica, “mas é algo que

sentimos responsabilidade de manter por não existirem outras respostas deste tipo”, aponta. “Por exemplo, as aulas de acordeão são dadas pelo professor Hermenegildo Guerreiro, mas ele queixa-se que falta sangue novo. Não é fácil encontrar jovens na freguesia vocacionados para esse instrumento. O grupo coral, por outro lado, é essencialmente composto por pessoas de mais idade. Todas estas atividades, como é óbvio, acarretam custos e nem sempre há apoios para equilibrar as contas, já que as contrapartidas dos utentes não são suficientes para cobrir as despesas”. Consciente desta realidade, a Casa do Povo de Messines não entra em #91 ALGARVE INFORMATIVO

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concorrência com outras associações ou clubes do concelho no que toca às modalidades e iniciativas que dinamiza. “Também há vários anos que damos aulas de português para estrangeiros e eles envolvem-se bastante noutras atividades e eventos que organizamos regularmente”, acrescenta Patrícia Francisco, antes de passar a palavra a Marta Oliveira, que faz a coordenação técnica e pedagógica da creche e do jardim-de-infância. “São quatro salas na creche, com bebés desde os 3 aos 36 meses, e o jardim-de-infância possui três salas de atividades, dos 3, 4 e 5 anos. Para além destas valências educativas, temos um centro de atividades de tempos livres para um grupo de meninos do primeiro ciclo. Penso que os problemas da desertificação e do envelhecimento da população estão a ser ultrapassados”, observa. Marta Oliveira refere ainda que o projeto educativo da Casa do Povo de Messines está muito direcionado para a comunidade e para as suas tradições, mas também em envolver a população local nos eventos e festas que têm lugar no espaço escolar. “Exemplo disso são as visitas regulares que as crianças fazem a alguns serviços da vila e temos um projeto de apoio à parentalidade, para que esta seja vivida com mais prazer, consciência e de uma maneira mais positiva. A maioria dos pais tem uma relação bastante próxima com a instituição e não olham para nós como um «depósito» onde deixam os filhos enquanto estão a trabalhar”, assegura a técnica.

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Uma ambição da Casa do Povo de Messines é, conforme já referido por José Carlos Araújo, apoiar mais as pessoas com deficiência, mas Patrícia Francisco admite que, enquanto as fontes de rendimento não aumentarem, não há grande margem de manobra para alargar o leque de atividades desenvolvidas por esta IPSS. “A questão da deficiência está totalmente descoberta no concelho de Silves. O presidente da Junta de Freguesia de Messines tinha algumas situações sinalizadas, pediu-se depois o apoio à Câmara Municipal de Silves para se realizar um diagnóstico maior e tentamos ajudar no que podemos. Mesmo os utentes estando cá apenas algumas horas por semana, já se notam algumas diferenças”, sublinha a entrevistada. “É um programa que decidimos assumir sem recebermos qualquer apoio estatal e que inclui atividades de psicomotricidade, ligadas às artes plásticas e motricidades finas, ao yoga e à música”. Uma surpresa, entretanto, é o hostel da Casa do Povo de Messines, localizado no próprio edifício sede da instituição e com capacidade para 34 camas. “Temos um protocolo com a Associação Armargem e os caminhantes da Via Algarviana pernoitam aqui. No Verão, tivemos um pouco de tudo e queremos divulgar esta valência junto de outras entidades para aqui realizarem os seus campos de férias”, finaliza Patrícia Francisco .


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#91 Foto:ALGARVE Vasco Célio/Stills

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Antes da apresentação da programação do Teatro Lethes para 2017, Luís Vicente, diretor da ACTA, pediu um minuto de silêncio em memória de Mário Soares #91 ALGARVE INFORMATIVO

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TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR AO TEATRO LETHES EM 2017 O Teatro Lethes apresentou, no dia 7 de janeiro, a sua programação para 2017, e muitos motivos existem para rumar a Faro e visitar um dos palcos mais emblemáticos do sul do país. Partindo para o quarto ano de direção artística da ACTA, o objetivo da equipa liderada por Luís Vicente é convocar as memórias do passado e ultrapassar a fasquia dos 10 mil espetadores. Texto:

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Teatro Lethes vestiu-se de pompa e circunstância para dar a conhecer a sua programação para 2017, neste que será o quarto ano completo à responsabilidade da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve. Teatro, marionetas, música, dança, poesia, documentários, debates e exposições vão ALGARVE #91

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marcar a agenda da capital algarvia, com o propósito de responder à diversidade de públicos dentro de parâmetros de qualidade artística, mas também de ajudar ao enriquecimento geral da comunidade no que diz respeito às problemáticas dos tempos modernos. “Vivemos um tempo complexo e o sentido da nossa programação deste


Os micro contos de Fernando Guerreiro e o espetáculo «Akhawat Al Raks» do Grupo de Dança Oriental e Fusão animaram a noite de apresentação da programação do Teatro Lethes para 2017

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ano é o da convocação da memória. Procuramos contribuir, à nossa medida e no nosso âmbito, para um melhor entendimento do nosso tempo, a fim de transformá-lo, torná-lo aprazível, prazeroso e com dimensão de futuro. A 10 anos de Faro Capital Europeia da Cultura, não poderia ser outro o nosso direito e o nosso dever”, afirmou Luís Vicente. Logo em janeiro, o Teatro Lethes recebe mais uma edição do «Palco Aberto», um convite a todos quanto queiram exprimir os seus talentos em palco, à capela ou ensamble, visível ou invisível, de pé ou sentado ou rastejando ou fazendo o pino. A liberdade é absoluta com dois constrangimentos: não são permitidas intervenções sobre temas religiosos e propaganda. E, diga-se de passagem, três dos participantes de 2016 constam da programação deste ano, graças à qualidade apresentada. ALGARVE #91

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Em fevereiro destacam-se a peça «O Feio», da Companhia de Teatro de Almada, as visitas encenadas para a infância e as «Memórias» do Teatro de Montemuro, antes de se iniciar o Ciclo de Música Euterpe. “São espetáculos à quinta, sexta e sábado, durante quatro semanas, com três géneros musicais distintos, para se conquistar outro tipo de público”, explicou Luís Vicente, dando um particular ênfase à dupla que subirá ao palco no dia 3 de março, Rão Kyao e Custódio Castelo. “São dois génios”, resumiu simplesmente. Março principia a rúbrica trimestral do «Conversas com vida dentro», que terá como convidados José Mário Branco, Camilo Mortágua, Bento Algarvio e o Bispo do Algarve D. Manuel Quintas. No âmbito do Dia Mundial do Teatro vão decorrer visitas guiadas ao Teatro Lethes entre 25 de março e 2 de abril. Nas mesmas datas vai a cena «Um Espetáculo (Bela e Abel)», da ACTA, com Glória Fernandes e Bruno Martins, com encenação a cargo de Elisabete Martins. Abril começa com mais uma gala de fado e, depois, a peça «As Criadas», da Companhia de Teatro de Braga, seguindo-se o regresso aos palcos de Pedro Barroso. “Foi um cidadão, o Vítor


Ferreira, que se disponibilizou para pagar o cachet ao Pedro Barroso, num ato muito bonito que há que realçar”, revelou Luís Vicente. E abril termina com «Allgarve ainda é Portugal», da Sociedade Recreativa Bordeirense e o «Re-Pouso»,

por ocasião do Dia Mundial da Dança e do Dia Mundial do Jazz, concebido pela coreógrafa Filipa Rodriguez, em parceria com o músico Luís Miguel e a Orquestra Visual do Algarve.

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O fado de César Matoso e o recital de câmara de Francisco Naia e Ricardo Fonseca dão o pontapé de saída a maio e o Dia da Europa será assinalado com um debate com Paulo Dentinho, Diretor de Informação da RTP e com o economista e investigador Ricardo Pais Mamede. Depois, o «Armazém 33» do Teatro Malier e a terceira edição do «Faro Blues – Festival Internacional de Blues de Faro», organizado pela Ambifaro. Realce ainda para uma exposição sobre Zeca Afonso e o espetáculo para a infância «Liberdades», do VATe – Serviço Educativo da ACTA, concluindo-se o mês com Francisco Fanhais. Uma récita da Universidade do Algarve para a Terceira Idade inicia junho, seguindo-se um serão de poesia em concerto com Lauro Moreira e Mário ALGARVE #91

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Máximo; «À Borda de Água», espetáculo de final de ano letivo dos alunos de Filipa Rodriguez; a Festa da Música da Alliance Française de L’Algarve; e a Gala da Cruz Vermelha. Julho começa da melhor forma com o projeto «Inclusão pela Arte», uma parceria entre a ACTA e a APATRIS 21 – Associação para Portadores de Trissomia 21 do Algarve, que se traduz em aulas de expressão dramática, a cargo de Elisabete Martins, para crianças/jovens com perturbações do desenvolvimento intelectual de diferentes etiologias. O «Atelier do Movimento» acontece este ano em dose dupla, com coreografias de ballet clássico, dança oriental, sapateado, sevilhanas, entre outras, antes de dar lugar ao VI Encontro de Coros e ao «Azúcar» da Academia de Salsa do Algarve.


No dia 1 de setembro, sobe ao palco do Teatro Lethes a Plataforma Algarve Livre de Petróleo, porque este não é um problema ultrapassado, no ponto de vista de Luís Vicente. “Não podemos dar as coisas por adquiridas. Houve uma vitória em relação a este assunto, mas temos que estar atentos e vale a pena discutir, com serenidade, esta matéria”, justificou o diretor da ACTA. O mês contempla ainda um ciclo de documentários e o FOME – Festival de Objetos e Marionetas, que este ano se vai estender aos concelhos de Albufeira, Loulé, Olhão, São Brás de Alportel e Tavira, em espaços convencionais, mas também na rua, em bares, restaurantes e hotéis. Outubro começa com «A Light in the Dark» do Kayser Ballet, prossegue com o ciclo de teatro espanhol com companhias de Sevilha, Saragoça, Cáceres e Badajoz e termina com «Amanhã», da PAnapaná – Associação Cultural e Recreativa. “Foi criado pelos jovens que frequentam as aulas de expressão dramática do Teatro Lethes e a ACTA terá uma intervenção

profissional, sem mexer nos conteúdos, apenas para lhes dar outro tipo de conhecimentos que ainda não possuem”, frisou Luís Vicente. Novembro é marcado por uma coprodução da ACTA, Companhia de Teatro de Almada, Companhia de Teatro de Braga e o Teatro dos Algés «História do Cerco de Lisboa», à base de um texto de José Saramago e por um recital de poesia intitulado «Dos Primeiros Dias do Homem», em comemoração dos 100 anos da Revolução Russa. “Como todas as ruturas, esta revolução criou novos discursos na poesia. À semelhança da Revolução Francesa, foi geradora de discursos de Liberdade, de Solidariedade, de Consciência Cívica, de afirmação dos desprotegidos, dos deserdados e dos oprimidos”, justificou Luís Vicente. Antes de terminar o ano, oportunidade ainda para assistir a «Do Céu Caiu uma Estrela», espetáculo de dança da «Incorpora» de Filipa Rodriguez e ao Concerto de Natal da Associação Filarmónica de Faro .

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COMUNA TROUXE «O TERRORISTA ELEGANTE» AO TEATRO DAS FIGURAS Texto:

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Teatro das Figuras, em Faro, iniciou a sua programação de 2017 com a peça «O Terrorista Elegante», levada a cena, no dia 5 de janeiro, pelo «Comuna Teatro de Pesquisa». Ao longo de sensivelmente hora meia assistimos à história de um homem que está preso acusado de ligações a uma organização terrorista, depois de ter saltado para a pista do Aeroporto de Lisboa. A Polícia Judiciária e a CIA, serviços secretos norte-americanos, investigam, pois há indícios inquietantes da sua filiação ao famigerado Estado Islâmico. Um livro chamado «Minas e Armadilhas» e uma mulher irmã de um dirigente do ISIS estão no centro da apreensão.

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Charles Poitier Bentinho, angolano de 45 anos, é o suspeito, permanecendo sempre a dúvida se será culpado ou inocente. As polícias competem entre si pela custódia do preso, ambas pressionadas por poderes superiores para uma rápida resolução do caso. Enquanto isso, o homem fala com os pássaros da janela da sua cela, consciente de que em toda a terra há céu e que em todo o céu há pássaros. O drama adensa-se, há histórias antigas a envolver os próprios agentes portugueses, metem-se os assuntos do coração no enredo e Charles Poitier Bentinho é finalmente deportado para os Estados Unidos para ser julgado .

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA: Autores: Mia Couto e José Eduardo Agualusa Versão Cénica e Encenação: João Mota Personagens/Intérpretes: Charles Poitier Bentinho - Miguel Sermão; Inspetor Laranjeira - Virgílio Castelo; Agente Lara – Ana Lúcia Palminha; Agente Maggie – Rita Cruz Figurinos e Pintura Cénica: Renato Godinho Desenho de Luz: Paulo Graça / Vídeo de Cena: Luís Vasco Operação Luz e Som: João Monteiro / Montagem: Renato Godinho e João Monteiro Assistência: Rogério Vale / Fotografia: Bruno Simão Design Gráfico: R2.COM / Vídeo: Eduardo Breda Apoio ao Guarda Roupa: Assunção Dias / Assistência Geral: Selma Meira Gabinete Produção: Rosário Silva, Carlos Bernardo. ALGARVE #91

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MOMENTOS ROUBADOS DE JOSÉ NEVES

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osé Neves nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, em 1972. Em 1974 veio para Portugal, por motivos de saúde, e por cá ficou. A fotografia surgiu quando começou a tentar compreender o processo químico da revelação. Viveu em Évora entre 1975 e 1989 e foi durante esse período que este bichinho entrou na sua vida, quando tentou revelar um rolo que tinha caído dentro de água. Com a mudança da família para o Algarve, a paixão foi deixada para trás, até ter comprado uma Minolta SRT 303, de 1973. Desde 2010, a fotografia voltou a ser uma prioridade e, em 2013, realizou a sua primeira exposição fotográfica, aproveitando a inauguração de um novo espaço em Faro - «A Sardinha de Papel». A exposição chamou-se «Sorria, está a ser fotografado» e mostrava uma coleção de fotografias de rua, em que o autor exibia a simplicidade como olha o mundo. ALGARVE #91

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Também realizou a fotorreportagem dos 20 anos de carreira dos «Entre Aspas». Como a música é outra paixão antiga, tem trabalhado com bandas algarvias, seja em fotografia ou em vídeo. Outro amor são os animais e, por isso, José Neves utiliza-os como modelos em fotografia de rua. Hoje em dia, dedica-se à fotografia e vídeo, principalmente para bandas, mas também à formação, realizando workshops por todo o país. Neste momento encontra-se a preparar o calendário para o ano de 2017 e apresenta a sua nova coleção, intitulada «Momentos Roubados» .


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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Eduardo Pinto

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos. ALGARVE #91

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