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JOÃO SARAIVA parte à conquista do Inverno Perfeito APEXA VAI PASSAR A INTERVIR EM SILVES

BON BON JUNTA-SE À FAMÍLIA MICHELIN LOULÉ PRESTOU HOMENAGEM AOS SEUS CAMPEÕES ALGARVE INFORMATIVO #38 1


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SUMÁRIO 6 Contra os dramas, marchar, que remédio… Daniel Pina

8 Gala de Desporto de Loulé

Gala Desporto Loulé 8

Reportagem

18 APEXA

APEXA16

Reportagem

26 Para cantar mais: www.cantarmais.pt Paulo Cunha

28 Não dou crédito ao crédito Paulo Bernardo

30 Um presente para o futuro Dália Paulo

32 O Princípio do fim!? José Graça

34 Os sentidos como salvação Paulo Pires

36 João Saraiva Entrevista

46 Restaurante Bon Bon Entrevista

52 Atualidade

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João Saraiva 36 Bon Bon 46

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OPINIÃO CONTRA OS DRAMAS, MARCHAR, QUE REMÉDIO… DANIEL PINA Jornalista

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stamos naquela altura do ano em que, supostamente, devemos esquecer as amarguras e tristezas e pensar só nas coisas boas que nos aconteceram nos últimos meses. Imbuídos do tal espírito natalício, é tempo de gastar dinheiro em muitas prendas e comer doces até cair para o lado, na comunhão dos familiares mais próximos. Depois, dá-se descanso ao corpo durante alguns dias e repetese a dose no réveillon, outra vez com a família ou na noitada com os amigos, contar as 12 badaladas de passas numa mão, notas de dinheiro na outra mão, aos saltos com o pé direito, beijocas para aqui, abraços para acolá, votos de que o ano que chega seja melhor do que aquele que parte.

Portanto, se quisermos passar pelo Natal e Réveillon de sorriso nos lábios e esperança no futuro, o melhor é mesmo fechar os olhos ao que acontece fora das nossas casas. Depois, no dia 4 de janeiro, convém acordar para a realidade, mas para a realidade dura e feia, aquela em que temos que resolver os problemas por nós mesmos. Não vale a pena ficar à espera duma mão amiga, muito menos dos grandes poderes, políticos ou financeiros, porque já percebemos como essa história acaba. E quanto mais cedo nos mentalizarmos que, contra os dramas e tragédias, a única solução é marchar, levantar os braços e ir à luta, mais depressa começamos a ultrapassar as dificuldades.

Para que isto resulte, contudo, é melhor dar descanso também à comunicação social, não ler jornais, não ver noticiários, não ouvir rádios, nem sequer dar um pulo ao Facebook. Caso contrário, lá apanhamos outra vez com as trafulhices de mais um banco, mas lá diz o ditado – «não há duas sem três». Resta saber se, depois do BPN, do BES e do BANIF não haverá um quarto, quinto, sexto caso, e por aí adiante. Infelizmente, desconfio que não ficamos pelos três. E se lermos as notícias, apanhamos também com o caso do David, que morreu se calhar por uma diferença de 10 ou 20 euros, provavelmente mais do que isso, admito, que os médicos queriam de aumento para trabalharem aos finsde-semana. O David morreu, as direções demitiram-se, os médicos vão voltar a trabalhar ao fim-de-semana, mas o David continua morto.

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Nestas últimas semanas tenho-me deparado com diversos casos de pessoas que optaram pelo caminho mais difícil, o de ir à luta, o de não desistir, aquele em que não ficamos a chorar sentados nos sofás, a rogarmos pragas ao governo porque não nos ajuda, a queixarmo-nos dos patrões que não nos pagam os ordenados. Assim aconteceu há uns anos com Nuno Neto, um pai que teve a infelicidade do filho nascer com espinha bífida, numa época em que praticamente não existiam instituições no Algarve para apoiar as pessoas com deficiência. Em vez de desanimar, juntou um grupo de amigos e conhecidos e criaram eles próprios uma associação, a APEXA, candidataram-se aos fundos disponíveis, bateram às portas todas e, 6


compreender a realidade dura e crua: quem era suposto apoiar-nos, normalmente viranos as costas. E quanto mais cedo arrepiarmos caminho, mais tempo temos para cair e voltar-nos a levantar e mais depressa chegamos ao destino. Não vale a pena querer ficar na zona de conforto, sentado no sofá, confiante de que alguma coisa vai aparecer. É possível que apareça, mas o mais provável é que não apareça. Não vale a pena lamuriar-se que já se é velho demais para começar de novo, porque o relógio não anda para trás. Também não vale a pena desanimar quando não se é um grande empreendedor. Nem todos nascemos para ser o Bill Gates ou o Steve Jobs e, na maior parte das vezes, o simples é melhor e mais rentável do que o complicado. Na hora da verdade é como diz o povo: «para a frente é que é caminho». Um passo de cada vez, sem pensar demasiado nos azares que se teve, nem nas inúmeras injustiças que continuam a acontecer todos os dias em Portugal. E que 2016 seja melhor, ou pelo menos tão bom, que 2015 .

hoje, são uma das principais IPSS em atividade na região, a ajudar centenas de jovens e adultos com necessidades especiais de educação, com deficiências motoras, cognitivas e cerebrais. Alguns desses utentes se calhar encontrei-os uns dias depois na Gala de Desporto do Concelho de Loulé, inseridos na natação adaptada do Louletano Desportos Clube, homens e mulheres de várias idades que se mantém ativos, a praticar desporto, a ganhar medalhas, em Portugal e além-fronteiras, verdadeiros exemplos de que, com vontade e empenho, tudo se consegue, ou quase tudo. E eles subiram ao palco, receberam as suas distinções, a plateia aplaudiu de pé, os pais deixam escorrer uma lágrima pelo rosto a ver o resultado de tantos sacrifícios, das aflições que devem passar no dia-a-dia nos seus lares, porque continuam a faltar apoios para ajudar quem nasceu diferente. Mas não é preciso pensar só nestes casos mais extremos para arranjarmos motivação para tratarmos dos nossos problemas. Basta

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REPORTAGEM NA DESPEDIDA DE CIDADE EUROPEIA DO DESPORTO, LOULÉ PRESTOU HOMENAGEM AOS SEUS CAMPEÕES O Pavilhão Desportivo Municipal de Loulé foi palco, no dia 19 de dezembro, do encerramento de «Loulé Cidade Europeia do Desporto 2015», programa desportivo que ao longo de 365 dias colocou Loulé no centro dos acontecimentos desportivos europeus. Nesta noite de celebração do desporto, a Câmara Municipal de Loulé distinguiu também os campeões nacionais e internacionais do Concelho de Loulé naquela que foi a terceira edição da Gala do Desporto. Texto e Fotografia: Daniel Pina

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o longo de 2015, o concelho de Loulé recebeu um programa desportivo arrojado, criando um conjunto de sinergias que permitiram não só projetar a cidade mas também atrair mais turistas atletas, técnicos e dirigentes – ao concelho. Ao todo foram 295 eventos, duas mil e 686 horas de atividade desportiva, 50 mil e 885 participantes em 53 modalidades diferentes, mas também 296 pessoas que fizeram cinco mil e 623 horas de voluntariado, 130 parceiros envolvidos, acrescentando à Nuno Santos, responsável em Portugal da Aces Europa, e Vítor prática desportiva mais um Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé evento por dia. Números que ficarão, sem dúvida, na história do desporto tradicionais como o Futebol, Ciclismo, louletano. Atletismo, Ginástica ou Natação, a população de Loulé teve a oportunidade de conhecer alguns desportos novos «Compromisso com o Desporto» foi o como Boccia Sénior, TRX, Bubble mote de «Loulé Cidade Europeia do Football, Padel, Surf Padel, BootCamp Desporto 2015», que teve como um dos ou Natação Sincronizada. As seus principais objetivos a realização de caminhadas, aulas de fitness e iniciativas dirigidas à população em geral, experimentação de muitas modalidades de todas as faixas etárias, promovendo a trouxeram efetivamente mais pessoas saúde e o bem-estar físico e sem fechar os para a rua e contribuíram para aumentar olhos às pessoas portadoras de deficiência, a prática de exercício físico. encontrando no desporto um veículo para quebrar barreiras. E, a par das modalidades 9

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Chegado o fim do programa, os responsáveis autárquicos mostram-se confiantes de que foram lançadas as sementes para impulsionar cada vez mais as

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práticas desportivas não formais, aquelas que vão muita para além dos quadros competitivos, com o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, a falar 10


ainda da emergência de novos estilos de vida, com vista a alcançar-se um novo patamar de convivência social, de ligação à natureza e de promoção para a saúde que se quer desenvolver. Nesse sentido, o autarca anunciou um projeto há muito aguardado e que vai ao encontro desse novo paradigma que se pretende para o Concelho – transformar Loulé numa Cidade Ciclável – pelo que Loulé deverá sofrer, no início da primavera de 2016, algumas alterações na sua circulação viária e pedonal e na mobilidade de todos.

Vítor Aleixo e Hugo Nunes, presidente e vice-presidente da Câmara Municipal de Loulé

No uso da palavra durante a gala, Hugo Nunes, vice-presidente da Câmara Municipal de Loulé e coordenador do projeto CED 2015, lembrou que este foi o resultado de quatro décadas de trabalho, dedicação e altruísmo de muitos milhares de pessoas, atletas, técnicos, dirigentes, autarcas, famílias e adeptos. “Passamos agora o testemunho de Cidade Europeia do Desporto ao Município de Setúbal, mas o ano de 2015 renova e amplia o nosso compromisso com o desporto como fator dinamizador de intervenção social, o fortalecimento de laços comunitários e da função do desporto como afastador de barreiras, instrumento-chave na promoção da saúde e bem-estar, alavanca da economia (turismo e comércio), como

meio de promoção e divulgação da riqueza natural e cultural, e como tributo à história do Concelho e bandeira afirmadora da excelência de Loulé”, considerou Hugo Nunes. Também presente esteve Nuno Santos, responsável em Portugal da ACES Europe, 11

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que elogiou o trabalho de Loulé ao longo de 2015, considerando inclusive que terá sido uma das melhores Cidades Europeias do Desporto em toda a Europa, em virtude da organização, vontade, empenho e, acima de tudo, da hospitalidade da cidade e da região. “O evento superou todas as expetativas da ACES Europe e lançou bases para a continuidade da prática desportiva, não só

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no seio de clubes e associações mas em toda a comunidade”, frisou, anunciando, em primeira mão, que Gondomar será «Cidade Europeia do Desporto» em 2017. Terminados os discursos oficiais, e em reconhecimento do contributo fundamental dos voluntários, a autarquia louletana distinguiu algumas pessoas que 12


ajudaram a pôr de pé as iniciativas desportivas que aconteceram ao longo do ano. Assim, na categoria de Mulher com mais horas de voluntariado, a distinção foi para Isabel Patrícia Viegas. O Homem que mais contribuiu enquanto Voluntário para o programa da CED 2015 foi Tiago Ferreira (Aluno da Escola Secundária Laura Ayres). Na categoria da Voluntária mais Jovem, foi Catarina Alcaria Viegas a escolhida, enquanto Leandro Montes dos Reis (Aluno da Escola Eng. Duarte Pacheco) foi o Jovem Voluntário da CED 2015. O elemento feminino de uma faixa etária mais elevada que participou como voluntário foi Maria Teresa Guerreiro, com Álvaro Rodrigues a receber o prémio do elemento masculino de uma faixa etária mais elevada.

Não foram igualmente esquecidos por Vítor Aleixo, Hugo Nunes e Nuno Santos os Embaixadores da CED 2015, 20 personalidades do concelho que apadrinharam e representarem este programa desportivo, entre atletas, técnicos ou dirigentes: André Fernandes, André Penedo, Artur Figueiras, Carlos Cabrita, Cátia Martinheira, Celina Carpinteiro, Dário Piedade, Diogo Cristina,

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Faustino Pires, Irina Coelho, Joaquim Vairinhos, João Reis, José Faria, José Vieira, Margarida Morais, Miguel Farrajota, Pedro Cary, Ricardo Santos, Rogério Espada e Sónia Guerreiro. E como a noite era dedicada ao desporto, nada melhor do que a realização da 3ª Gala do Desporto de Loulé, uma merecida homenagem aos atletas e clubes do concelho que se destacaram no panorama nacional e internacional nos anos de 2014 e 2015. Assim, pelo palco do Pavilhão Municipal de Loulé passaram 114 atletas de 18 coletividades, num total de 233 títulos nacionais e 34 medalhas internacionais em 23 modalidades .

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REPORTAGEM DEPOIS DE ALBUFEIRA E LOULÉ, APEXA VAI COMEÇAR A INTERVIR EM SILVES EM 2016 Foi inaugurada, no passado dia 27 de novembro, a exposição «Reabilitar através da Arte», uma mostra constituída pelos trabalhos vencedores e menções honrosas do Concurso Nacional de Pintura e Escultura promovido pela APEXA – Associação de Apoio à Pessoa Excecional do Algarve. O objetivo foi dar a oportunidade a todos os cidadãos com necessidades especiais de participarem e verem os seus trabalhos reconhecidos pela sociedade, no sentido de integração e inclusão pela arte. Volvidas algumas semanas, o Algarve Informativo foi até à sede desta IPSS, na Escola Primária de Valverde, para conhecer melhor o esforço desenvolvido com utentes que nasceram com deficiência ao nível motor, cerebral e cognitivo. Reportagem: Daniel Pina

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cinco freguesias do concelho, disponibilizaram esta Escola Primária de Valverde, candidatamo-nos a fundos comunitários e conseguimos arrancar com o projeto. Em pouco tempo ficamos inseridos na Intervenção Precoce, subsidiada pela Segurança Social”, recorda Nuno Neto.

APEXA – Associação de Apoio à Pessoa Excecional do Algarve nasceu em 2003 da constatação de que não existia na região capacidade para dar resposta às pessoas com deficiência. Assim sendo, um grupo de pais e amigos de pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais decidiram criar uma estrutura de apoio a estas causas e às pessoas envolvidas nesta problemática. Um movimento iniciado por Nuno Neto, o presidente da associação, depois do filho mais novo, Tito, ter nascido com espinha bífida e, 13 anos depois, a dimensão alcançada pela IPSS não causa surpresa. “Trabalhamos honestamente e gastamos o dinheiro onde é preciso e nos projetos certos. Na altura, porém, nem havia informação disponível para um casal que nunca imaginou ter um filho com deficiência, pelo que o primeiro passo foi arranjar um assistente social para dar resposta a todas as perguntas que iam surgindo. Depois, tivemos o apoio da Câmara Municipal de Albufeira e das

É com o filho mais velho, Nuno Miguel, responsável pelo Atelier de Arte e Criatividade, que prosseguimos a visita à sede da APEXA, mesmo em frente ao Algarve Shopping. “Hoje, há várias IPSS no Algarve com um certo destaque mas, na época, havia duas ou três instituições que apoiavam algumas pessoas, mas não conseguiam acudir a toda a gente nem a todas as faixas etárias”, recorda, explicando que a APEXA trabalha sobretudo nos concelhos de Albufeira e Loulé e que vai agora alargar o âmbito da sua atividade a Silves, depois de lhe ter sido cedida o edifício de uma escola em Alcantarilha. “É o Projeto Flamingo, que anda agora na fase de reuniões e apresentações para angariar parceiros, de modo a, em 2016, começarmos a auxiliar estes utentes. A nossa atividade centra-se igualmente na intervenção precoce, que dá apoio direto a 30 famílias de crianças, dos 0 aos seis anos, com deficiência, através de uma equipa multidisciplinar que inclui técnicos da APEXA, do Centro de Saúde e de jardins-de-infância”, indica. Técnicos que passam por psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais e musicoterapeuta, a par do Gabinete de Intervenção

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Nuno Miguel, Nuno Neto e Ana Santinhos, o núcleo duro da APEXA

Social. Outro programa importante é o Projeto de Integração Socioprofissional, dividido numa área de desenvolvimento de competências e noutra de integração profissional. “A primeira destina-se às pessoas que já não estão inseridas no sistema de ensino e para que consigam manter a sua capacidade de desenvolver um raciocínio lógico, ou seja, continuar a trabalhar o português, a matemática, a vivência do dia-a-dia, ver as horas, contar dinheiro, saber comportar-se numa cidade, como é que se chama um táxi, quando é que pode atravessar uma estrada”, descreve Nuno Miguel.

por opção própria mas, face à sua dimensão mais reduzida, têm uma maior necessidade de rentabilizarem todos os meios disponíveis e não lhes compensa estar a «educar» uma pessoa com deficiência, quando estas têm exatamente as mesmas capacidades que uma pessoa perfeitamente normal”, alerta Nuno Miguel, frisando que é tudo uma questão de direcionamento. “Temos um utente que está num Alisuper em Albufeira a fazer reposição de prateleiras, ensacamento de pão, e outras tarefas semelhantes, com a maior mestria possível, só precisou de ser ensinado a executá-las. Temos outro utente que sofre de Asperger, doença que dá tendência ao isolamento e à pouca motivação para o contato direto com as pessoas, e está no Leroy & Merlin a fazer etiquetagem no armazém, a ler códigos de barras, a conferir produtos.

Entretanto, às quintas-feiras de manhã, cinco utentes da APEXA estão inseridos em estágios de sensibilização em firmas da região e, neste aspeto, o técnico reconhece que as pequenas e médias empresas não estão, para já, devidamente preparadas, ou motivadas, para o fazer. “Não diria que é 19

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encaminhados e foi também para estabelecer um elo de ligação entre as famílias e a comunidade que a APEXA surgiu. O que se nota frequentemente é que a própria família não está preparada para integrar na sociedade um elemento com deficiência”, afirma, não negando que um largo número destes indivíduos acabam por ficar desamparados em casa. “E como os pais deixam estes filhos em casa com acesso ao telefone e à internet e eles são inteligentes o suficiente para utilizar esses meios, vão parar à comunicação social a queixar-se que ninguém se preocupa com eles, que não os ajudam, tudo aquilo que lhes vai na alma. Nós, só no «Escolhas», um programa do estado que financia projetos para trabalhar com crianças e jovens em risco de abandono escolar, lidamos com 250 utentes. Depois, temos mais 300 e tal utentes listados e 150 em apoio direto, portanto, há ajudas disponíveis e pessoas que se preocupam”, enfatiza um dos elementos mais antigos da estrutura da APEXA.

É uma pessoa extremamente inteligente, simplesmente não tem capacidade para estar atrás de um balcão a falar com clientes. Se eu não for bom a matemática, não vale a pena inscreverme num escritório de contabilidade e aqui é a mesma coisa”. Dois exemplos concretos que contrariam o rótulo de que uma pessoa deficiente não consegue fazer nada e que não vale a pena perder tempo com ela. Nuno Miguel admite que há casos mais extremos e complicados, situações de deficiência profunda, em que os utentes não são autónomos, mas reitera que a maior parte destes homens e mulheres têm condições para serem produtivos e mais-valias. “O problema é que, muitas vezes, estão mal

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Estas pessoas não conseguem ver maldade dos outros Pedidos de ajuda já se percebeu que não escasseiam, que a vontade de responder a eles é enorme, também deu para ver, o problema é sempre o mesmo – haver fundos disponíveis para tal – uma situação com que Nuno Miguel lida 20


diariamente. “Nós cobramos às pessoas que precisam do nosso transporte cerca de 20, 30 por cento do custo que temos ao realizar esse serviço e essa diferença não é financiada de nenhuma forma. É um prejuízo que estamos a assumir para conseguir ajudar estes utentes, mas é um risco que se está a tornar insustentável. Haverá um dia em que fura um pneu de uma das carrinhas e não vamos ter dinheiro para o mudar ou, pior ainda, se a carrinha avariar, fica na oficina até termos fundos para a reparação”, desabafa.

comercial, não tenho dúvida de que vão tentar aproveitar-se dela, que vão meter mais qualquer coisa na fatura para pagar, porque estas pessoas não vêm maldade em ninguém. Não estão contaminados com a maldade do mundo, não lhes passa pela cabeça que alguém os queira enganar”.

Por isso, Nuno Miguel não se cansa de bater na tecla da «sensibilização», uma necessidade que ficou ainda mais evidente depois de ter analisado recentemente o diagnóstico social de Silves, elaborado em 2007 com base em dados de 2001. “Provavelmente estes valores subiram mas, já em 2001, oito por cento da população do concelho de Silves tinha deficiência e, destas pessoas, só 18 por cento é que estavam na escola, a trabalhar ou inseridos em alguma instituição. Isto significa que 82 por cento desta população está em casa”, aponta o técnico, preocupado, ao mesmo tempo que garante que a sensibilização não pode ser efetuada apenas nas escolas ou nas empresas. “Então a comunidade que lida diretamente com estas pessoas, a sociedade civil, os serviços do dia-a-dia? Se chegar uma pessoa com um ligeiro atraso, com uma pequena paralisia cerebral, com um Síndrome de Down muito disfarçado, a um qualquer serviço

Uma batalha por mudar mentalidades que deve ser travada todos os dias e Nuno Miguel entende que a melhor forma de o fazer é conversar abertamente sobre o assunto e de envolver as pessoas com deficiência nesta interação. “O desporto adaptado tem sido importante na APEXA, porque estes utentes têm muita tendência para a obesidade e para desenvolver outros problemas de ordem física. Para além disso, tem ajudado imenso na parte da integração, porque vamos a torneios no país inteiro e ao Pavilhão Municipal de Albufeira todas as semanas e isso coloca-os em contato direto com os cidadãos anónimos”. Atividades que envolvem custos, e lá voltamos nós a falar das questões 21

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monetárias, sabendo-se que os fundos comunitários são cada vez menores e que as próprias autarquias não têm a mesma saúde financeira de outros tempos. E a APEXA sentiu isso na pele, entre 2011 e 2013, anos de zero apoios, revela o presidente Nuno Neto. “A Câmara Municipal de Albufeira conseguiu voltar a ajudar-nos em 2014 e já temos uma pequena folga para dar resposta às nossas necessidades mínimas, mas continuamos a dever bastante dinheiro. Felizmente, são entidades e empresas que compreendem a nossa situação e aguentam os pagamentos mais um pouco, mas chegamos a ter quatro meses de salários em atraso”, desabafa o líder da IPSS. “Os valores que cobramos pelas terapias não dão para pagar na íntegra os técnicos e a Segurança Social só responde por 50 por cento dos vencimentos, o restante é da nossa responsabilidade. Mas ainda há umas semanas um grupo de praticantes de BTT – Os Pedalar por Prazer – organizou um evento solidário e angariaram 600 euros para a APEXA. Isso dá-nos muita força”, enaltece o entrevistado.

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Aproveitando a chegada de Ana Santinhos, vice-presidente da direção e fisioterapeuta de profissão, questionamos se o timing de entrada destes utentes para uma instituição influencia a eficácia dos tratamentos e a resposta é a que se perspetivava: quando mais cedo, melhores os resultados. “Há muitas crianças que são sinalizadas logo à nascença pelos hospitais e é importante que este acompanhamento seja feito desde o início, porque elas estão mais recetivas a serem «trabalhadas» e isso vai contribuir, mais tarde, para várias evoluções ao nível da adaptação na escola e na integração na sociedade. Na intervenção precoce é feito um trabalho em equipa consoante a necessidade da criança, mas sempre centrado na família como um todo”, sublinha, ressalvando que não se fazem milagres na hora ou duas semanais que a equipa passa com cada criança. “Nós apresentamos estratégias que os pais podem aplicar em casa para ajudar os filhos”.

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Olhando para o perfil de utentes da APEXA, Ana Santinhos indica que lidam com crianças com paralisia cerebral, autismo, síndrome de down ou com outros atrasos no desenvolvimento psicomotor. “Há muitos casos que envolvem questões genéticas, outros que ainda estão a ser estudados e não se sabe bem qual o diagnóstico, mas começamos logo a acompanhar essas crianças e a capacitar as famílias para os ajudar. E não há soluções ou tratamentos padrões que sirvam para todos os utentes”, esclarece a fisioterapeuta, avisando ainda que nem todos os problemas acontecem à nascença ou durante a formação do feto. “A criança pode nascer saudável mas estar exposta a um ambiente de risco, pode sofrer um acidente, ter contato com uma doença. E cada vez mais temos crianças pequeninas em que não existe um vínculo afetivo da parte dos pais e isso terá consequências graves no futuro. Uns anos mais tarde queixam-se que os filhos se portam mal na escola, ou que não interagem com os colegas, e isso tudo tem um «porquê»”.

libertação interna e é também um bom veículo de sensibilização da sociedade civil, como acontece com a exposição «Reabilitar através da arte». É uma grande mostra artística a nível nacional que evidencia as suas capacidades para produzirem obras bastante interessantes”, nota Nuno Miguel.

Eventos para sensibilizar a população

De volta a Nuno Neto e Ana Santinhos, o presidente e vice-presidente da APEXA reconhecem que é difícil encontrar técnicos com vocação para trabalhar na área da diferença, da deficiência. “Nas universidades há a preocupação em falar-se sobre o tema, mas depois falta a componente prática, a não ser que estejam inseridos num estágio numa IPSS desta natureza. Por isso, no papel, estas profissões podem ser muito bonitas, mas depois chegam aqui e percebem que cada criança com necessidades educativas especiais é diferente, reage de modo distinto à

Começar cedo é fundamental, mas engane-se quem pensa que estes tratamentos têm uma duração prédeterminada, que são um contrato a termo certo. Muitos prolongam-se até ao resto da vida, outros podem ir diminuindo a carga com o passar dos anos, sem nunca descurar a vigilância e ignorar os sinais de alerta. De resto, é continuar a manter uma atividade regular para que persistam no desenvolvimento das suas capacidades e a arte é uma das áreas que melhores resultados tem gerado junto destes jovens e adultos. “Consegue criar uma forma de

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terapia e o técnico tem que se adaptar a isso”, frisam. Dificuldades que não impedem a APEXA de pensar constantemente no futuro, ainda que os projetos vão avançando em função das possibilidades financeiras. “A prioridade, agora, é colocar a Escola Primária de Valmargem a funcionar, porque essa valência faz muita falta ao concelho de Silves. Em Albufeira e Loulé, vamos vendo o que podemos melhorar no dia-a-dia”, responde Nuno Neto, admitindo o sonho de ter uma residência autónoma e uma residência com continuado no curto prazo. No plano das terapias, Ana Santinhos garante que há sempre espaço para inovação, dando o exemplo da musicoterapia e da equitação terapêutica, mas nem todas as famílias têm meios para custear esses tratamentos. agosto, não está a desenvolver os projetos de integração socioprofissional, do atelier de arte e do desporto adaptado”, indica. “As escolas, a partir de junho, deixam igualmente de dar resposta a estes jovens e os típicos programas de férias não aceitam crianças com necessidades educativas especiais”, acrescenta Ana Santinhos. A terminar o Verão, decorrem ainda as Olimpíadas Adaptadas, um evento onde estas pessoas têm a possibilidade de experimentar desportos como o basquetebol, o andebol, a natação, o boccia, orientação, vela, entre outras atividades. E se é verdade que muitas IPSS têm desporto adaptado, nem todas se podem dar ao luxo de ter cinco modalidades ao longo da semana como a APEXA, assim continuem a haver verbas suficientes para as dinamizar .

Apoios têm, felizmente, aparecido para as organizações regulares da APEXA e que não se limitam ao já falado concurso de arte. Outros exemplos de sucesso são o TIFAA – Torneio Internacional de Futebol Adaptado de Albufeira, o maior evento do género de Portugal, e o SMACK, um festival cultural para a inclusão social que se realiza em Armação de Pêra. “É um palco para qualquer pessoa mostrar o seu talento nas mais variadas formas de expressão cultural, do cinema à música, das artes plásticas ao malabarismo de fogo e pinturas faciais, da poesia à animação de rua”, descreve Nuno Miguel, chamando igualmente a atenção para o programa de férias dinamizado pela associação. “Por uma questão de transportes e de utilização de instalações camarárias, a APEXA funciona um pouco à imagem do ano letivo e, em julho e

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OPINIÃO PARA CANTAR MAIS: WWW.CANTARMAIS.PT PAULO CUNHA

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o longo de mais de três décadas de ensino vocacional e genérico da Música sempre encarei a «Voz» como um instrumento primordial, fundamental e crucial para uma saudável e enriquecedora descoberta da Música. Sendo um instrumento portátil, único pelo seu timbre, gratuito e de fácil manutenção, o aparelho fonador humano é, sem qualquer margem para dúvida, o instrumento de, e para todas as classes sociais. Perspetivar, contextualizar, programar e direcionar deverão ser tarefas que todos os profissionais do ensino da Música terão que implementar se quiserem que o canto sirva de fio condutor para a descoberta de «outros mundos». Sendo a oferta de canções devidamente estruturadas e planificadas quase sempre restrita aos manuais escolares, a criação da plataforma digital www.cantarmais.pt veio democratizar o livre acesso a uma quantidade e variedade de canções que constituem uma poderosa e eficaz ferramenta para quem usa a canção no seu dia-a-dia. Pensado, programado e estruturado para educadores, este sítio aberto a todo o mundo está já suscitar a curiosidade e a acolher visitas de quem gosta «apenas» de cantar. À distância de uns quantos «cliques» constatamos que temos quase «a papinha toda feita»… É só assimilá-la e o proveito é nosso e de quem nos acompanha.

Fundação Calouste Gulbenkian, o projeto «Cantar Mais – Mundos com voz» assenta na disponibilização de um repertório diversificado de canções (tradicionais portuguesas, de música antiga, de países de língua oficial portuguesa, de autor, do mundo, fado, cante e teatro musical/ciclo de canções) com arranjos e orquestrações originais apoiadas por recursos pedagógicos multimédia e tutoriais de formação. Numa altura em que o canto volta, cada vez mais, a ser um chamariz para a socialização, para a interação e para o crescimento e realização pessoais, tenho vindo a constatar que quando apresento este «sítio» aos meus alunos, é com grande atenção, curiosidade e satisfação que me pedem para o pesquisar também com eles. Estruturado e construído para um acesso fácil e intuitivo, este «oásis musical» construído em Portugal tem tudo para dar certo: uma autoria credível, sábia e competente; um grafismo e cromatismo atraentes; colaboradores habilitados e criativos; harmonizações atrativas; arranjos eficazes e atuais; textos formativos, tutoriais e glossários apelativos e acessíveis… Enfim tudo aquilo que há muito tempo aguardávamos. Agora já não há motivo para não cantar mais. Seja quando, onde, e com quem for. Quem sabe, comigo?! Ou contigo… .

Sendo uma iniciativa da Associação Portuguesa de Educação Musical (APEM) e contando com a colaboração da Direção Geral de Educação e da

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OPINIÃO NÃO DOU CRÉDITO AO CRÉDITO PAULO BERNARDO Empresário

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e colocarem a palavra crédito no Google, na primeira página não vos aparece qualquer referência ao crédito para empresas, mas sim ao crédito para particulares. Ou seja, não existe nenhum banco a acreditar, pois dar crédito é acreditar nas empresas em Portugal. Uma análise simples, dirão alguns, mas, se aprofundarmos, podemos comparar apenas dois tipos de soluções: crédito para a compra de um automóvel ou para a compra de um equipamento de produção, ambos do mesmo valor. Imaginemos que uma empresa quer comprar um equipamento que ajuda a aumentar a produção e dá trabalho a cinco pessoas. Caso isto aconteça, a banca (muita dela viva à nossa custa) vai colocar mais de mil questões de e para que serve a máquina, e uma bateria de analistas que são conhecedores universais do mercado - pois tanto analisam a compra de um barco como a compra de um data center - vão colocar as questões mais isotéricas, sempre justificado pelo abuso do crédito e pela crise que se vive. Contudo, se a empresa quiser adquirir um veículo para o seu diretor conduzir, veículo esse do mesmo valor do equipamento, não vai ser colocado nenhum entrave e até se incentiva a adquirir um mais caro. Contudo, o automóvel em causa não vai ajudar a produzir nada diretamente, nem vai criar mais postos de trabalho. Como queremos que a economia cresça e avance se estamos presos por estas políticas de manipulação de mercado por parte dos detentores do capital que impõem as regras a quem dá crédito. O crédito apenas é dado para atividades que sejam benéficas para o dono do capital e nunca para o empresário. Se não vejamos: sempre que uma empresa de um país como Portugal consegue ter sucesso, está a retirar mercados internacionais das grandes corporações e o que estas corporações querem e conseguem fazer é manipular a atribuição de crédito. Com este controlo, a

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atividade económica nos países mais frágeis nunca se desenvolve e, por conseguinte, cada vez vão ficar mais dependentes das economias que têm a capacidade de influenciar o mercado do dinheiro. Ou o Estado cria um veículo de atribuição de crédito via banco do Estado - Caixa Geral de Depósitos - ou não vamos a lado nenhum e em breve vamos estar a afundar-nos novamente numa crise. Depois, vai chegar novamente o discurso de que usamos mal o crédito, por isso, vamos ser todos novamente penalizados. Espero que com os novos ventos que sopram na nossa política este veículo de apoio às empresas surja de vez, já que o banco de fomento foi criado pelo último governo mas não passou de mais um instrumento para pagar mais uns ordenados aos amigos. Nota da semana: Hoje é uma nota particular, pois este Natal, e devido à minha vida de «hipermobilidade» (um termo nova para descrever quem trabalha um pouco pelo mundo) espero que as pessoas simples que fui conhecendo um pouco pelo mundo tenham tido um natal merecido. Tornaram a minha vida mais fácil devido à sua disponibilidade e simpatia em coisas simples como ter a roupa lavada ou a comida pronta. Um Santo Natal para todos. Figura da semana: O Menino Jesus (não o do Sporting) o verdadeiro, aquele que nos traz os presentes para o sapatinho. Aquele que ainda me traz presentes e não só no Natal. Quando tenho saúde, quando tenho comida, quando tenho água, quando tenho família, quando tenho amigos. Obrigado por tudo Menino Jesus. Obrigado em especial ao meu Pai que me ensinou que sem o Menino Jesus não éramos nada .

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OPINIÃO UM PRESENTE PARA O FUTURO... DÁLIA PAULO Diretora do Museu Municipal de Loulé

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m plena época natalícia, escolhi para presente, as alterações climáticas e o «acordo histórico» de Paris para reduzir os níveis de aquecimento global e como os equipamentos culturais algarvios devem implicarse neste objetivo comum à Humanidade. Ao longo do ano o tema da sustentabilidade ambiental esteve presente nas minhas leituras e atividade, partilho algumas: 1. Portugal apresentou o Compromisso para o Crescimento Verde (abril) onde se definiram 14 objetivos, entre os quais a cultura está incluída na sua vertente patrimonial (ligada ao Turismo) e de reabilitação urbana. 2. Em 2013 o Arts Council England definiu, no seu Plano Estratégico, que “as artes, os museus e as bibliotecas são resilientes e ambientalmente sustentáveis”. No relatório anual (junho) o capítulo 5.º - «Sustentabilidade Ambiental» - informa que continuam a diminuir o impacto ambiental, reduzindo a emissão de gases de efeitos de estufa e o custo de energia. 3. O Boletim n.º 3 do ICOM Portugal, dedicado ao tema «Museus para uma Sociedade Sustentável» (maio) destaca o caso de Serralves que, desde 2013, possui o Sistema Integrado Comunitário de Ecogestão e Auditoria. 4. O GREENFEST (8ª edição/outubro) permitiu dar a conhecer boas práticas de empresas e autarquias e teve como tema: «Tenho o poder de me informar, de agir, de mudar, de ir, de sorrir». 5. Loulé integra a rede de Smart Cities e está a realizar um trabalho importantíssimo na área da sustentabilidade ambiental e que permitirá monitorizar e avaliar os impactos, assim como ter indicadores de mediação e implementar medidas concretas.

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6. A Conferência do Clima de Paris (COP21) termina com um acordo histórico de 195 nações onde, como afirmou Barack Obama, “permite que o trabalho conjunto de todos possa salvar o planeta e ser um momento de viragem para o Mundo”. O artigo 20 informa que o Acordo será aberto para assinatura, ratificação e aceitação pelos Estados entre 22.04.2016 e 21.04.2017, na sede das Nações Unidas. Este momento de viragem depende de todos, conscientes de que somos um grão de areia na engrenagem mas que juntos conseguiremos atingir o objetivo de arrefecimento global do planeta, devemos dizer: presente! Queremos, na nossa (in)significância, contribuir para os esforços de limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC. Neste quadro comunitário e num Algarve que tem estruturadas redes de Museus, Bibliotecas, Arquivos e Teatros, proponho a realização do projeto Algarve Cultural Verde, transversal às redes, que permitirá ganhar escala e chegar a mais pessoas e, consequentemente, ter maior impacto. A realização de «Compromissos de política de sustentabilidade ambiental», em cada equipamento, exige um envolvimento efetivo de todos. A Cultura é um lugar de questionamento, transformação e implicação do Homem; este projeto transversal deve incidir nas programações, nas reduções de consumos, nas formas de mobilidade, nos projetos educativos, devendo ser verdadeiramente disruptivo para que possamos legar às gerações vindouras um planeta mais equilibrado. Não será este o melhor presente? .

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OPINIÃO O PRINCÍPIO DO FIM?! JOSÉ GRAÇA Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve

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o contexto dos órgãos deliberativos das autarquias locais, as assembleias municipais são o principal órgão político local cuja atividade passa muitas vezes despercebida dos cidadãos e da comunidade, na maior parte dos casos por exclusiva responsabilidade dos seus membros… Para além das competências de apreciação desenvolvidas pela assembleia municipal, sob proposta da câmara, que abordámos na primeira parte deste artigo, competem-lhe ainda a missão de acompanhar e fiscalizar a atividade do executivo municipal, dos serviços municipalizados, das empresas locais e de quaisquer outras entidades que integrem o perímetro da administração local, bem como apreciar a execução dos contratos de delegação de competências; apreciar os resultados da participação do município nas empresas locais e em quaisquer outras entidades; apreciar, em cada uma das sessões ordinárias, uma informação escrita do presidente da câmara acerca da atividade desta e da situação financeira do município; solicitar e receber informação, através da mesa e a pedido de qualquer membro, sobre assuntos de interesse para o município e sobre a execução de deliberações anteriores; aprovar referendos locais; apreciar a recusa da prestação de quaisquer informações ou recusa da entrega de documentos por parte do executivo ou de qualquer dos seus membros que obstem à realização de ações de acompanhamento e fiscalização; conhecer e tomar posição sobre os relatórios definitivos resultantes de ações tutelares ou de auditorias executadas sobre a atividade dos órgãos e serviços do município; discutir, na sequência de pedido de qualquer dos titulares do direito de oposição, o relatório a que se refere o Estatuto do Direito de Oposição; elaborar e aprovar o regulamento do conselho municipal de segurança; tomar posição perante quaisquer órgãos do Estado ou entidades públicas sobre assuntos de interesse para o município; pronunciar-se e deliberar sobre todos os assuntos que visem a prossecução das atribuições do município; apreciar o inventário dos bens, direitos e obrigações patrimoniais e a respetiva avaliação, bem como apreciar e votar os documentos de prestação de contas; fixar o dia feriado anual do município; e, estabelecer a constituição dos brasões, dos selos e das

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bandeiras do município e proceder à sua publicação no Diário da República. Relativamente às competências de apreciação, referenciadas no artigo anterior, sublinhe-se que não podem ser alteradas na assembleia municipal as propostas apresentadas pela câmara sobre opções do plano e orçamento municipal, aquisição, alienação e oneração de imóveis de maior valor, criação ou reorganização dos serviços municipais e inventário de bens, direitos e obrigações, sem prejuízo de esta poder vir a acolher em nova proposta as recomendações ou sugestões feitas pela assembleia municipal. Para densificar a atividade fiscalizadora da Assembleia, as propostas de autorização para a contratação de empréstimos apresentadas pela câmara são obrigatoriamente acompanhadas de informação detalhada sobre as condições propostas por, no mínimo, três instituições de crédito, bem como do mapa demonstrativo da capacidade de endividamento do município. Em relação às entidades intermunicipais, que abordaremos em próxima oportunidade, para além da eleição dos seus membros, compete ainda à assembleia municipal convocar a comunidade intermunicipal, com o limite de duas vezes por ano, para responder pelas atividades desenvolvidas no âmbito da comunidade intermunicipal do respetivo município; e, aprovar moções de censura ao secretariado executivo intermunicipal, no máximo de uma por mandato. Em matéria de competências de funcionamento, para além da elaboração e aprovação do respetivo regimento, compete à assembleia municipal deliberar sobre recursos interpostos de marcação de faltas injustificadas aos seus membros; e, deliberar sobre a constituição de delegações, comissões ou grupos de trabalho para o estudo de matérias relacionadas com as atribuições do município e sem prejudicar o funcionamento e a atividade normal da câmara municipal. No exercício das respetivas competências, a assembleia municipal é apoiada por trabalhadores dos serviços do município a afetar pelo executivo, nos termos definidos pela mesa, dispondo igualmente das instalações e dos equipamentos necessários ao seu funcionamento e representação, domínios que detalharemos na terceira parte do artigo . 32


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OPINIÃO OS SENTIDOS COMO SALVAÇÃO PAULO PIRES Programador Cultural

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m dos meus escritores de eleição, Eduardo Galeano, escreveu um dia que o corpo não é uma máquina como nos diz a ciência nem uma culpa como a religião faz crer, nem sequer um negócio como a publicidade veicula. O corpo é uma festa. Numa sociedade em que tecnologia, consumo e híper-informação dominam os dias, essa relação directa, essa religação primordial que as experiências do corpo e a fruição sensorial implicam afiguram-se absolutamente vitais – no fundo, um modo de, como poetizou Sophia de Mello Breyner, o indivíduo penetrar nesse palmar onde a água é clara, o leite doce, o calor leve, o linho branco e fresco, o silêncio nu, o canto da flauta nítido, lavando suas mãos de desencontro e poeira. É conhecida a tese de que se vive numa sociedade descorporizada e que as pessoas estão cada vez mais desligadas uma das outras devido à ditadura dos ecrãs (telemóveis, computadores, etc.), ou que, por exemplo, se gasta mais tempo em telefonemas por semana do que em relações sexuais. Porém, se a sociedade está claramente (e até, tantas vezes, obsessivamente) conectada com o virtual (por uso pessoal e/ou rotina profissional) como automatismo dominante, por outro lado, constata-se uma crescente necessidade e exigência dos indivíduos em relação à busca de experiências ligadas ao corpo que estimulem os sentidos, desligando assim o «piloto automático» diário e inventando pequenas «salvações». O impulso da partida que as viagens representam (com as facilidades low cost associadas às mesmas), a procura de propostas relacionadas com os prazeres, reinventados, da mesa (formatos gourmet, vinicultura, ambientes gastronómicos de cariz revivalista, etc.) ou a atractividade exercida por experiências que possibilitem quer relaxamento, silêncio e renovação (spa’s, termas e similares) quer movimento, risco e adrenalina (desportos radicais, por exemplo) constituem fontes de prazer sensorial-mental que os indivíduos claramente privilegiam hoje em dia. Além disso, são muitos os que desejam ter jardins, plantas e uma decoração em casa que apele aos sentidos; ou querem desfrutar da música nos mais variados contextos quotidianos, munidos de

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headphones com playlists que os acompanham nas deslocações para o trabalho e nas actividades desportivas; ou consomem literatura sobre culinária e terapias alternativas, pois querem cultivar-se, estar actualizados e saber mais sobre essas temáticas. O que se almeja é viajar de alguma forma, fugir, sentir as coisas, ver, tocar. Apesar de não haver tempo, de as pessoas não terem tempo, o sonho está sempre presente e quase sempre ligado a uma experiência corporal (já nos anos 50 do século XX, por exemplo, conforto era sinónimo de ter uma televisão e um carro). E voltamos à questão do tempo e a um outro paradoxo: apesar da invenção de inúmeros meios tecnológicos que visam facilitar a vida humana, tudo parece mais difícil e o ritmo do dia-a-dia não pára de aumentar, empurrando o indivíduo desenfreadamente para a frente, com recorrentes queixas de falta de tempo e/ou de pressão directa e indirecta para produzir mais. O trabalho excessivo é essa grande sanguessuga, essa teia de que falava o actor Jeremy Irons em 2011 num programa televisivo português a propósito da «crise», aludindo criticamente às realidades inglesa e alemã – como se tivesse havido uma lavagem ao cérebro no sentido de cada pessoa ficar convencida de que nasceu para trabalhar e de que tem de passar a vida inteira laborando, como uma espécie de sentença inexorável. Até ao dia em que se apercebe (ou não) de que o que passa depressa não é o tempo que passa, mas o tempo que já passou, como sabiamente sublinhou Vergílio Ferreira. O tempo é esse grande luxo, o mais precioso património, porventura uma das dádivas da vida que deve ser mais «violentamente» defendida. É ilustrativa a confissão de Saint-Exupéry: “Foi o tempo que perdi com a minha rosa que a fez tão importante.” É essa a grande aprendizagem, de viver o tempo que nos é dado, para não nos tornarmos, que nem fabricantes de armas desajeitados, prisioneiros das engrenagens que inventámos. Ter mais tempo é ser mais livre, é ter também alternativas e mais condições para se fazer aquilo que é importante para cada um; é possuir maior qualidade de vida e mais saúde. Escolher o seu tempo não é ganhar tempo? . 34


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ENTREVISTA

JOÃO SARAIVA parte à conquista do

INVERNO

PERFEITO

Biólogo, radialista, DJ, surfista, João Saraiva vai agora dedicar três meses à sua outra paixão, as montanhas, trocando a rotina diária do quente Algarve pelos picos gelados da Cordilheira dos Alpes, com destino a Tirol, na Áustria. Uma aventura que apelidou de «The Perfect Winter» e que pretende ser muito mais do que uma simples viagem de férias à neve, com partida agendada para 6 de janeiro. Antes disso, o Algarve Informativo foi até Faro para saber mais sobre esta expedição solitária a um dos maiores paraísos dos desportos de Inverno do velho continente.

Texto e Fotografia: Daniel Pina ALGARVE INFORMATIVO #38

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J

está preparado para absorver todas as pessoas que queiram ter um contrato e construir uma carreira mais sólida e sustentada”, justifica.

oão Saraiva «aterrou» no Algarve, em 2001, como tantos outros lisboetas, por motivos profissionais, e daqui nunca mais saiu. Na altura, o biólogo marinho veio trabalhar num projeto de investigação em colaboração com o Centro de Ciências do Mar e, volvidos quase 15 anos, está precisamente a concluir uma outra bolsa de investigação, desta feita sobre espécies invasoras da Bacia do Guadiana. “São algumas espécies de um peixe sul-americano que, em princípio, vieram cá parar por introdução humana e têm vindo a proliferar. Estamos a tentar encontrar, em parceria com o Parque Nacional do Vale do Guadiana, formas de controlar esta invasão biológica”, explica, não sabendo ainda o que o futuro lhe reserva em termos profissionais. “O sistema científico em Portugal ainda funciona bastante à base de bolsas e não

Vendo-se neste hiato de tempo em que está à espera que saiam os resultados de alguns concursos a bolsas de investigação, e do alto dos seus 38 anos, com a barreira psicológica dos 40 a aproximar-se a passos rápidos, João Saraiva decidiu não esperar mais e avançar para o sonho antigo de explorar os Alpes de uma forma diferente, não de ski, mas com a sua prancha de snowboard às costas. Curiosamente, a paixão pelos desportos radicais até se fez notar primeiro pelo surf e ainda chegou a participar em competições oficiais. “Mas sempre foi a parte das viagens, da descoberta, do surf em si

Fotografia: Rodrigo Rodrigues

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como estado de espírito, que me cativaram mais. A paixão pela montanha também é antiga, mas só nos últimos anos é que se tornou mais acessível. Temos a sorte da Serra Nevada estar à distância de cinco horas de carro, numa autoestrada sem portagens, e na Serra da Estrela há boas condições para aprender, com excelentes profissionais e estruturas. Depois, são os Pirinéus a mil quilómetros, os Alpes a pouco mais de dois mil quilómetros de distância e, quando apareceram as viagens organizadas e os voos low-cost, até se tornou mais barato ir passar uma semana de férias na neve do que nas praias algarvias”, compara João Saraiva.

em Portugal. “Fiz a progressão natural, skate no asfalto, surf na água e snowboard na neve. A posição é a mesma, andamos de lado, por isso, quando os meus amigos pegaram nos esquis, eu optei pelo snowboard e foi um vício tremendo. A vertente técnica é bastante engraçada e o ambiente de montanha é fantástico”, recorda, revelando que a sua estreia sozinho na neve deu-se há sensivelmente cinco anos. Mas a montanha tem sido igualmente um destino por razões profissionais, com várias reuniões a decorrerem na Áustria, na Alemanha e na Itália e trabalhou, inclusive, muito tempo no norte daquele país. “Comecei a ir para a montanha de Verão e descobri que tem muito mais para oferecer do que estar numa estância de ski com milhares de outras pessoas. Quanto aos riscos, há em tudo, mesmo no surf não é só o perigo de levar com a prancha na cabeça. Hoje há aulas

A primeira ida aos Alpes remonta a 1994, em 2001 repetiu a dose e, desde então, vai praticamente todos os anos para praticar snowboard, modalidade com bastantes semelhanças ao skate, onde deu nas vistas nos primeiros circuitos que se disputaram

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próprias e informação ao dispor na internet, no meu tempo aprendíamos com a experiência e com os sustos, as correntes, as ondulações”.

ano. Tanto que há muitos praticantes de snowboard que fazem o Inverno nos Alpes e depois vêm surfar para o Algarve na Primavera, Verão e Outono. Lógico que, para nós, a montanha é mais exótica, não é algo que vemos todos os dias e estou sempre a descobrir coisas novas que há para ver fora das estâncias turísticas”.

Uma aprendizagem que se repetiu quando deu o salto do mar para a neve, mas João Saraiva nunca teve problemas em poupar dinheiro durante o ano inteiro para depois desfrutar de alguns dias ou semanas na montanha. Aliás, diz-nos que o próprio planeamento é divertido, desde ler cartas meteorológicas e estudar o risco das avalanches à seleção do material. “A partir de certa altura escolhemos melhor as roupas que vestimos, as marcas que compramos, vamos amadurecendo nessa experiência”, indica, com um sorriso, sem tirar valor à componente de descoberta que o surf também possui. “Estamos perto da Costa Vicentina e é possível, mesmo em agosto, encontrar uma praia sem ninguém e onde há boas ondas todo o

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Dar a conhecer as pérolas escondidas Viagens mais baratas, melhor oferta de equipamento, uma maior maturidade e conhecimento sobre a matéria, tudo levou João Saraiva a decidir ser o momento exato para embarcar na «The Perfect Winter», mas com a consciência de que nunca se consegue estar preparado a 100 por cento para todas as eventualidades e que o mais sábio é

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Fotografia: Rodrigo Rodrigues

recolher informações de quem esteve no terreno, de quem passou por situações semelhantes às que possa vir a encontrar. E, nesse aspeto, o lisboeta destaca as organizações da MG Snowtrip, com quem aprendeu diversos procedimentos de segurança. “Como conhecer uma encosta e identificar os riscos de avalanche, como se comportar em pista e fora dela e esses contatos pessoais continuam a ser muito importantes. Tornou-se mais fácil e barato partir para esses locais, há até aeroportos próximos da montanha, mas não basta ter informação disponível, é preciso saber o que fazer com ela”, alerta o entrevistado. Mais recentemente, João Saraiva adicionou outro contato importante à sua rede, a «Freshlines Boards», marca nacional que produz pranchas de snowboard de topo internacional e cujo proprietário, outro grande entusiasta da

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Fotografia: Tiago Tavares

montanha, lhe transmitiu dicas essenciais de quais as pranchas mais indicadas para cada situação, de quais os limites do material de cada uma e por aí adiante, fatores que podem fazer a diferença num caso real. E se ir para os Alpes não é a mesma coisa que escalar o Monte Evereste, a verdade é que os perigos, e os prazeres, estão sempre ao virar da esquina, por assim dizer. “A primeira vez que fui sozinho para a montanha, para Chamonix, fiquei num chalé que estava no meio da encosta e da floresta e foi uma viagem fascinante. Nasceu logo o bichinho de passar uma temporada inteira a explorar a montanha”, conta o biólogo.

vertente logística especial. “Tenho uma rede de contatos no local e o objetivo é ir aos sítios certos e tirar as melhores fotografias, mas também saber o que comer, o que fazer e como viver ao longo de mais de três meses. Os custos, claro, não são fáceis de comportar, obrigam a um planeamento extra e felizmente que o crowdfunding correu bem”, aponta o entrevistado. Despesas que passam por realizar algumas adaptações no carro em que viaja até ao local, como colocar pneus de neve e fluídos anticongelantes, a deslocação, a estadia, o passe para os meios mecânicos da região, até tirar um curso de alemão para conseguir comunicar com os populares. E há assim tanta coisa para se fazer em três meses, questionamos. “Se pensarmos em ir de férias para as praias do Algarve durante esse tempo, pode parecer excessivo, mas há as Ilhas para descobrir, a Ria Formosa, Sagres, lagoas para explorar, muitos ambientes diferentes. Na montanha é o mesmo: temos os lagos, os glaciares, a floresta, os vales dos rios, as flores a desabrochar quando a Primavera

Este ano, todos os fatores confluíram no mesmo sentido e «The Perfect Winter» é explorar, mas também dar a conhecer o que for descobrindo, não fosse João Saraiva profissional de rádio há vários anos. “Quero mostrar o outro lado das experiências de neve, o que existe fora dos pacotes turísticos, e o Tirol é uma zona por excelência de alta montanha. Quero desvendar o que não se encontra nos postais, as pérolas escondidas”, afirma, um projeto que, pela sua natureza, exige um orçamento mais elevado e uma

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começa a aparecer e os cumes ainda estão todos gelados. Depois, há os dias escuros em que não apetece sair de casa e as populações juntam-se para contar histórias, para enfrentar a aparente opressão da natureza”, descreve, já a imaginar-se no local. João Saraiva lembra ainda que estará bem perto de Innsbruck, onde se realizará um dos maiores campeonatos do mundo de esqui, uma grande cidade europeia que é sempre interessante de conhecer. E, embora se trate de um projeto a solo, o aventureiro vai ter contatos locais a quem possa recorrer em caso de necessidade. “É lógico que não sou maluco, nem tenho a ousadia de pensar que conheço a montanha suficientemente bem para ir para lá sozinho. Não tenho uma equipa de apoio, mas vou acompanhado na viagem para lá e alguns amigos também lá vão ter comigo. Apesar de tudo, na maior parte do tempo estarei por minha conta”, adianta, deixando a promessa de ir fazendo relatos regulares, quer através da rádio, como da imprensa local. “Já fiz, em anos anteriores, transmissões a partir de viagens de neve para a RUA FM e resulta sempre bem. No meu blog também já vou escrevendo sobre todos estes preparativos, as frustrações, as conquistas”.

O princípio da aventura Com a data de partida cada vez mais perto, João Saraiva não esconde a satisfação por ver muito interesse da parte dos algarvios neste seu projeto e os apoios até surgiram de onde menos esperava, como foi o caso dos Vinhos Malaca. “A ideia de beber um copo de vinho tinto enquanto a neve cai dá uma bela imagem. A Pipiline Surf e Snow Shop está desde o primeiro momento comigo, a Freshlines o mesmo, a Ecosurf construiu-me uma prancha de treino personalizada”, conta, garantindo que a preparação psicológica para estar mais de três meses longe de casa também não foi descurada. “Já estive fora sozinho, em trabalho ou à aventura, e em vários continentes. Se calhar, sem essa bagagem, não me tinha metido nesta. Nós esperamos que vá sempre correr tudo bem, mas tracei igualmente planos de contingência. A minha estrutura familiar apoia-me, também tem apetência pela aventura e nunca me colocou entraves nenhuns às minhas viagens”, enaltece.

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Com as novas tecnologias a facilitarem o contato em qualquer parte do mundo, João Saraiva lembra ainda que a RyanAir voa, a preços irrisórios, para um aeroporto situado a 200 quilómetros de distância de onde vai estar sedeado, mais uma razão para não haver demasiadas preocupações. “Estou longe, mas ao mesmo tempo relativamente perto”, sintetiza, de forma descontraída. “Gosto de pensar que isto vai ser um princípio e, se calhar, foi o tal clique de ter que o fazer antes de chegar aos 40 anos. Normalmente, neste género de situações, as portas vão-se abrindo, quando nem sabemos que elas lá estão.

Garcia, que faz expedições ao Evereste e outras montanhas, se calhar ainda mais inacessíveis”.

Não tendo 20 anos, olho para esta aventura com outra maturidade e quem sabe se a minha vida não seguirá por este caminho”, questiona, com um encolher de ombros. “Esta minha aventura pode parecer exótica para quem está habituado ao Algarve, mas basta pensar no João

Snowtrip, no final de março, e provavelmente passo pela Suíça, onde está um português instrutor de desportos de neve, no Vale de Villars. Entretanto, acaba-se o Inverno e a temporada de neve, o resto, o tempo o dirá” .

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Sem saber o que o futuro de médio e longo prazo lhe tem destinado, João Saraiva está totalmente focado no dia 6 de janeiro, quando vai sair de Faro em direção ao Tirol, um percurso de dois mil e 600 quilómetros percorridos em quatro dias através de Espanha, França e Suíça, fazendo a aproximação aos Alpes pelo Norte de modo a chegar ao vale do rio Ziller e à pequena aldeia de Gerlosberg. “No regresso, encontro-me com a MG

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Rui Silvestre e Nuno Diogo, no exterior do Restaurante Bon Bon

RESTAURANTE BON BON mostra como ganhar uma Estrela Michelin em tempo recorde O Restaurante Bon Bon, no Carvoeiro, é a nova coqueluche da cozinha algarvia, depois da equipa liderada pelo Chef Rui Silvestre ter conquistado a sua primeira estrela Michelin. E se o feito já é merecedor de destaque por si só, mais relevo ganha quando verificamos que o espaço é gerido por Nuno Diogo há menos de três anos e que Rui Silvestre ali chegou há ano e meio. Uma conquista alcançada em tempo recorde, mas o Guia mais famoso do mundo não teve dúvidas em enaltecer a cozinha do restaurante Bon Bon pelo seu nível técnico, pela matéria-prima seleta e por pratos de corte atual, com sabores definidos e apresentações cuidadas. Texto: Daniel Pina / Fotografia: Hélio Ramos ALGARVE INFORMATIVO #38

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ENTREVISTA

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por apenas 14 estabelecimentos de norte a sul de Portugal.

ocalizado perto das Sesmarias, a caminho do Carvoeiro, no concelho de Lagoa, o Restaurante Bon Bon encontra-se no seu habitual período de férias, mas isso não significa que, por detrás das portas encerradas ao público, nada esteja a acontecer. De facto, fomos encontrar o gerente Nuno Diogo e o Chef Rui Silvestre numa grande azáfama de volta das obras de remodelação da cozinha e da zona de copa. Obras que, diga-se de passagem, já estavam programadas antes mesmo de saberem que tinham conquistado a tão almejada Estrela Michelin, no mês de novembro, um galardão que os colocou no panteão da restauração nacional, como parte de uma elite constituída

Convém esclarecer, logo de antemão, que o Restaurante Bon Bon existe há mais de duas décadas, mas só em 2013 é que o parchalense Nuno Diogo assumiu a gerência, tendo chamado Rui Silvestre, chefe de cozinha natural de Valango, há coisa de ano e meio. Portanto, a dupla conseguiu, logo no primeiro ano em que trabalhou lado a lado neste local, algo que muitos restaurantes passam anos a fio, às vezes décadas, a tentar. “O nosso objetivo era efetivamente ganhar a Estrela Michelin, já tínhamos trabalhado junto noutro espaço, foi o unir de duas

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outros galardões, se pense apenas no chef de cozinha. “Nós damos mais a cara pelo projeto mas, se não houver uma equipa sólida, com pessoas honestas e leais, nada funciona”, destaca, acrescentando que a questão das ementas é decidida pela dupla, em parceria igualmente com o SubChef Ricardo Messias. “Cozinhamos, provamos, cada pessoa dá a sua opinião, que nem sempre coincidem, mas trabalhamos todos juntos para chegarmos a um fim comum. Infelizmente, em Portugal, só se fala no Chef mas, para nós podermos ir a algum lado, tem que haver outros responsáveis pela condução do barco”, frisa Rui Silvestre.

energias e vontades positivas”, explica Nuno Diogo, cuja primeira tentativa tinha acontecido há alguns anos no Restaurante Pimenta Preta, inserido no aldeamento turístico Pestana Palm Gardens. Chegado ao Bon Bon, Nuno Diogo entendeu que havia matéria-prima para pensar novamente na Estrela Michelin e chama Rui Silvestre, que entretanto tinha andado cinco anos pela França, Hungria e Suíça. “Era fundamental reunir as pessoas certas e o Rui é um grande líder, de tal modo que, mesmo com uma equipa nova na cozinha, se conseguiu este feito. Claro que também é necessário muito rigor e vivermos intensamente o nosso trabalho, mesmo colocando um pouco de lado a vertente familiar. É uma profissão que se tem que amar de corpo e alma”, assegura o empresário, confirmando que as obras que estão a decorrer têm o intuito de tornar o restaurante ainda mais elegante, funcional e moderno. “Queremos introduzir uma decoração diferente e mudar a cozinha para podermos ter mais pessoal a trabalhar e, assim, servir mais clientes com a mesma qualidade de topo”.

Uma realidade ainda mais evidente quando se sabe que, nos tempos modernos, os chefs passam pouco tempo de volta dos tachos e panelas, mergulhados que andam em mil e uma tarefas da gestão corrente. “Após idealizamos as cartas, eu cozinho a primeira vez com o Sub-Chef, formamos os outros elementos da equipa e depois eles assumem no dia-a-dia. A minha função é muito mais de controlo, de retificar o que não está correto, para continuarmos sempre a evoluir”, avisa o jovem mas experiente profissional. “Não

Um ênfase na equipa que é reforçado por Rui Silvestre, embora tenha consciência que, sempre que se fala em Estrelas Michelin ou

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podemos limitar-nos a ficar seis horas em frente ao fogão, temos que pensar, desenvolver conceitos e receitas, encontrar os melhores produtos para trabalhar, aprofundar os nossos conhecimentos”.

Comer com o estômago ou com a boca Exigências, pressões, responsabilidades permanentes, essenciais para o êxito de qualquer restaurante no século XXI, onde a concorrência aperta, onde os clientes sabem bem ao que vão, onde não querem apenas um bom prato ou copo de vinho. Depois, quando se coloca a mira numa Estrela Michelin, há outras considerações a ter, cuidados especiais com a ementa, com o tipo de serviço, da própria clientela, porque os inspetores olham a tudo com um olhar diferente. “Em primeiro lugar, é preciso acreditar que é possível, depois, temos que saber o que estamos a fazer e não ter medo de arriscar. Às vezes temos pratos que quase não são cozinhados, produtos de alta qualidade que têm que ser confecionados daquela maneira, e os clientes dizem logo que aquilo está cru. Quanto ao gourmet, entrou tanto na moda que se tornou banal”, considera Nuno Diogo.

Ora, como ser chefe de cozinha está na moda, a ver pela quantidade de programas de televisão e de concursos que por ai proliferam, seria de supor que é fácil reunir-se a tal equipa de sucesso, mas Nuno Diogo coloca logo os pontos nos «is». “No Algarve, em Portugal, no mundo inteiro, é cada vez mais complicado arranjar pessoas válidas neste ramo, porque criou-se a ideia errada na hotelaria de que se carrega num botão e as coisas aparecem feitas. Pensam que é chegar e decorar o prato, esquecem que é preciso descascar as batatas, por exemplo. Hoje, para lidar com produtos frescos numa cozinha, só de ver aquilo uma pessoa fica carregada de stress”, indica o empresário, daí que muitos não aguentem o ritmo e a pressão de uma cozinha que tem que servir algumas centenas de refeições por dia. “Na parte da sala, a pressão é semelhante, a exigência é constante, temos que olhar a todos os pormenores para satisfazer os clientes. A maior gratificação que recebemos é quando ele agradece antes de se ir embora, parece que esteve a fazer uma viagem de duas horas, a viver uma experiência única”.

Rui Silvestre vai mais longe e lembra que «gourmet» é comida para gatos e que, se calhar por isso mesmo, sempre que se fala em comida gourmet, as pessoas ficam com

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receio de passar fome. “Os hábitos alimentares evoluem com a história e, antigamente, ninguém precisava comer até cair para o lado para ficar satisfeito. Quando acabou a segunda guerra mundial é que se começou a pensar assim e, à medida que vamos educando os nossos filhos dessa maneira, isso torna-se um traço cultural”, analisa, contente por vislumbrar algumas mudanças de mentalidade no virar do milénio. “Do Bon Bon ninguém sai com fome, seja nos menus de degustação com nove, 10, 11 ou 12 pratos, ou quando são pratos à carta, individuais. A cozinha sempre foi científica, simplesmente, hoje temos acesso a diversas técnicas que nos permitem melhorar tudo. É certo que, atualmente, muitos chefes recusam-se a fazer cozinha molecular, mas as técnicas ficam e podem ser aproveitadas para melhorar e sublimar os produtos. Aliás, daqui a cinco ou 10 anos, toda a gente vai conseguir fazer em casa o que hoje pensam ser restrito a restaurantes gourmet”, antevê o entrevistado.

quando é esta que faz a degustação da comida. “Eu sentia-me pesado quando ia aos típicos restaurantes de prato a transbordar pela borda e, quando comecei a frequentar este género de espaços, passei a sentir-me bastante mais satisfeito. Decidi apostar neste mercado e apresentamos pratos com as quantidades certas, o que não é o mesmo que estar completamente cheio”, distingue, algo que depois choca com a perceção do valor que alguns clientes têm do que pagam. Rui Silvestre esclarece, todavia, que os preços mais elevados que ali se praticam têm a ver com a qualidade das matérias-primas. “Um peixe congelado custa uma coisa, um peixe apanhado à linha naquela manhã custa outra coisa. Os clientes não podem querer um produto de altíssima qualidade oferecido, porque nós também o temos que pagar e o preço do peixe, por exemplo, oscila constantemente”.

Continuando no mesmo assunto, Nuno Diogo refere que os portugueses estão habituados a comer com o estômago e não com a boca,

Junte-se a isso o tempo que demora a preparar cada prato, que não são produzidos em massa, mas às vezes na hora para apenas

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um cliente, e melhor se percebe o valor da conta que nos é entregue no final da noite. “Há situações nos menus de degustação, por exemplo, em que os clientes demoram mais tempo num prato do que o normal e os outros que se seguem têm que ser feitos novamente porque temos que respeitar os pontos de cozedura. Não é comida que vai para o lixo, no final da noite fica para o staff, mas é uma despesa extra”, explica Nuno Diogo, garantindo que a comida do Bon Bon é para quem gosta de comer, independentemente da conta bancária. “Não somos um restaurante para vir cá comer todos os dias, mas sim para desfrutar ou para proporcionar uma experiência a alguém. De qualquer modo, as pessoas devem vir de espírito aberto, não é dizer que não gostam antes mesmo de provarem”.

Esta postura algo desprendida não impede que hajam clientes que fazem uma verdadeira rota das Estrelas Michelin, ou seja, têm gosto de frequentar estes restaurantes de elite, de conhecer estes chefs de cozinha, de provar os seus pratos. “São os «foodlovers», os apaixonados pela comida, como eu e o Rui somos. Também damos as nossas voltinhas para experimentar o que os colegas fazem, porque comer bem é um dos reais prazeres da vida”, revela Nuno Diogo, com um sorriso. “Com as condições que estamos a criar vai ser relativamente fácil manter a estrela, vamos ter uma equipa mais ampla, a luta vai ser menos árdua. O mais difícil é, de facto, ter a sorte dos inspetores visitarem um restaurante e do rigor estar sempre no nível máximo, porque nunca se sabe quando eles aparecem. Mas nós trabalhamos para os clientes, é para eles que vivemos”, salienta Rui Silvestre.

Quem também está sempre atento ao tipo de cliente que visita o Bon Bon é Rui Silvestre, como é natural, e nota que há clientes que juntam dinheiro durante algum tempo para poderem ir ao restaurante, à semelhança do que fazem quando pretendem ir de férias. “Vêm com a namorada ou a mulher e isso dános um prazer enorme, tanto a cozinhar para eles como a servi-los, porque sabemos o valor que eles dão àquela noite”, justifica.

Sonhar com a segunda Estrela Michelin é para mais tarde, sem querer dar o passo maior que a perna, porque nunca se sabe o que o dia de amanhã nos reserva. “Até podemos optar por outro rumo para o restaurante e, se isso não estiver de acordo com os critérios da Michelin, perdemos a Estrela, mas não vamos ficar reféns dum guia. A restauração é uma profissão de coração, é muito bom ter o reconhecimento da crítica e dos nossos pares mas, no final do dia, somos artesãos, trabalhamos com as nossas mãos e sentimentos e isso é o mais importante”, defende Rui Silvestre, ao que Nuno Diogo deixa um apelo aos outros empresários. “Esta atividade traz clientes de elevada qualidade a Portugal e ao Algarve e, se houvesse mais restaurantes a lutar pelos mesmos padrões de excelência, seria uma mais-valia para toda a região” .

E depois da Estrela? Conquistada a Estrela Michelin, o que irá mudar, agora, no dia-a-dia de Nuno Diogo, Rui Silvestre e restante equipa? Aparentemente nada, garante a dupla, embora admitam o imenso orgulho que é receber este galardão, em termos pessoais e profissionais. “O cliente não vai sentir grande diferença, pois vamos continuar a trabalhar com a máxima qualidade e a dar o nosso melhor”, afiança Nuno Diogo. “A Estrela veio cedo, logo no primeiro ano em que fomos inspecionados, mas estamos no limite das nossas possibilidades, daí estarmos a renovar e ampliar o espaço”, acrescenta Rui Silvestre. 51

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ATUALIDADE ALBUFEIRA DISTRIBUI CABAZES PARA UM NATAL MELHOR

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Presidente da Câmara Municipal de Albufeira deslocou-se à Makro e ao Pingo Doce-Belavista na manhã do dia 17 de dezembro para agradecer a resposta positiva ao repto que lhes lançou, a fim de comparticiparem na composição de cabazes nesta quadra do ano. A Makro, retalhista situada na Guia com 75

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trabalhadores, ofereceu 50 cabazes que foram divididos entre a AHSA – Associação Humanitária Solidariedade de Albufeira e a Conferência de S. Vicente de Paulo. O Diretor de Loja, Mário Campos, referiu que foi possível reunir sete produtos por cabaz mercê da sua ação de sensibilização junto de empresas e fornecedores, mas que para o ano a ação será largamente melhorada e preparada com mais antecipação. “A Makro está ciente das dificuldades de muitas pessoas e as cheias recentes também nos afetaram, na medida em que os comerciantes da baixa são uma fatia considerável dos nossos clientes. Por isso, abrimos uma linha de crédito e estamos a reequipar muitas das casas que anseiam abrir antes do final do ano”, salientou Mário Campos. 52


Recheio e Pingo Doce-Belavista. Esta média superfície contribuiu com duas paletes de alimentos, os quais forma condicionados em cabazes pela Ação Social do Município, que fez a respetiva entrega a famílias carenciadas já identificadas pelos serviços. O responsável pela unidade da Belavista, José Barbosa, mostrou-se muito satisfeito com a iniciativa e disposto a colaborar nas próximas. “Não podíamos recusar este pedido do Presidente, porque não estamos a dar nada à Câmara, estamos a ajudar a quem efetivamente precisa. O empobrecimento é uma realidade”. A ilustrar estas palavras, referiu que há poucos anos o preço médio de talão naquela unidade era de 19 euros e que agora baixou para 13 euros .

À constatação de serem poucos os cabazes para as muitas necessidades, Lurdes Meirinho, da AHSA, salientou que, em matéria de solidariedade, o pouco de uns faz uma grande diferença para muitos. Por seu turno, Dores Correia, da Conferência de S. Vicente de Paulo, informou que a entrega destes cabazes seria logo no dia seguinte: “Este é o momento feliz, o de recebermos para poder dar e constatarmos que há pessoas solidárias. A entrega é um momento de alguma dureza, porque a maioria desconhece do quão infra-humana é a vida de muitas pessoas”. A par da Makro, outras estruturas responderam afirmativamente ao apelo, nomeadamente os Supermercados Apolónia, 53

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ATUALIDADE RUA JOSÉ DE MATOS E RUA EGAS MONIZ TAMBÉM VÃO PARA OBRAS EM FARO

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Montenegro, este procedimento tem como objetivo principal proceder à execução das obras de acabamento do referido loteamento, situado em frente ao novo Centro de Dia de Montenegro. Os trabalhos consistem genericamente no saneamento dos pavimentos rodoviários, no calcetamento das zonas pedonais e no ajardinamento dos espaços exteriores – trabalhos que deviam ter sido realizados no âmbito do referido loteamento, interrompido por dificuldades da empresa construtora. A intervenção foi adjudicada à «Sociedade Ambitrans – Transportes Lda» pelo valor global de 59 mil e 107,95 euros, acrescidos de IVA. Este valor é proveniente da execução da garantia bancária apresentada pela empresa encarregue do referido projeto de loteamento, com base no incumprimento das suas obrigações contratuais .

Programa Faro Requalifica prossegue com mais duas empreitadas, na Cidade e na Freguesia de Montenegro, designadamente a melhoria da Drenagem Pluvial e Repavimentação da Rua Dr. José de Matos e Obras de Acabamento do Loteamento sito na Rua Egas Moniz, no Montenegro, cujos contratos de adjudicação já foram assinados. A intervenção na Rua José de Matos tem como objetivo melhorar a circulação rodoviária nesta artéria, através da fresagem do pavimento betuminoso existente e aplicação de uma camada de desgaste de betão betuminoso. Nesta intervenção, a mais profunda que esta importante artéria da cidade conhece em mais de 20 anos, irá igualmente proceder-se à substituição e ao melhoramento do sistema de drenagem de águas pluviais. No que concerne à circulação pedonal, a está também prevista a reparação dos passeios existente e executar nove passadeiras sobre-elevadas em calçada. A empreitada foi adjudicada ao concorrente «Manuel António & Jorge Almeida Construções, S. A.» pelo montante de 82 mil e 422,22 euros, acrescidos de IVA. A intervenção iniciarse-á já nos próximos dias, devendo a artéria estar totalmente requalificado durante o mês de Fevereiro de 2016. No que respeita à intervenção no loteamento da Rua Egas Moniz,

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ATUALIDADE PORTIMÃO DISTINGUIDO PELO ALTO COMISSARIADO PARA AS MIGRAÇÕES

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ortimão tem vindo a assumirse cada vez mais como um município de todos, protagonizando uma política de inclusão e tendo sido distinguido, no dia 30 de novembro, pelo Alto Comissariado para as Migrações pelo trabalho desenvolvido no âmbito da implementação do Programa Mentores para Migrantes. O Programa representa uma resposta social inovadora que vem reforçar o acolhimento e integração dos imigrantes através do envolvimento direto da própria sociedade, assente numa troca, entreajuda e apoio entre voluntários (cidadãos portugueses) e migrantes (emigrantes e imigrantes). Tem por base a existência de mentores disponíveis para estabelecer compromissos de mentoria com cidadãos migrantes (mentorados), facultando uma troca de apoios/auxílios, aconselhamentos e/ou esclarecimentos a vários níveis, facilitando a sua integração na comunidade.

Município de Portimão é o único parceiro e entidade gestora deste Programa e, apesar de ter arrancado apenas em outubro, conta já com uma rede de 16 mentores inscritos e tem a decorrer neste momento, com sucesso, uma mentoria entre um cidadão português e um imigrante ucraniano. O objetivo é disponibilizar apoio aos migrantes nas mais variadas áreas emprego, serviços públicos/ benefícios sociais, habitação, saúde, economia familiar, empreendedorismo, lazer, entre outras, contribuindo para a resolução dos seus problemas ou preocupações e promovendo-se uma igualdade de oportunidades. Esta medida de contato entre mentor e mentorado contribui igualmente para uma maior abertura e mudança de mentalidades, tendendo para um diálogo intercultural. Ainda no âmbito da parceria com o Alto Comissariado para as Migrações, os técnicos da área social e habitação da autarquia têm vindo a receber formação acerca de temáticas como: Educação Intercultural; Acolher e Celebrar; Serviços de Apoio e Pequenas Idweias; Saúde; Imigração e Diversidade .

A implementação deste Programa do Alto Comissariado para as Migrações, que conta com a ação e colaboração direta de autarquias, empresas, IPSS e outras associações, permite criar sinergias de entreajudas entre portugueses e imigrantes, reduzindo barreiras culturais e ajudando na resolução das suas preocupações e desafios. No Algarve, o

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ATUALIDADE LIVROS SOBRE RODAS PROMOVEM LEITURA crianças e jovens são-brasenses, enquanto cidadãos do futuro, a Câmara Municipal de São Brás de Alportel adquiriu recentemente uma nova viatura, uma carrinha especialmente pensada para este projeto. Com este novo veículo destinado ao transporte de livros para os estabelecimentos de ensino, é possível melhorar as condições em que se realiza esta iniciativa que todos os anos chega a mais de 600 crianças sãobrasenses, facilitando o seu acesso a mais conhecimento e sabedoria, através de visitas periódicas realizadas por esta biblioteca móvel, acompanhadas de sugestões literárias adequadas a estas faixas etárias.

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ão cerca de 18 mil livros que todos os anos chegam à comunidade são-brasense no âmbito do projeto «Livros sobre Rodas», dinamizado pela Câmara Municipal de São Brás de Alportel há uma década. Desde 2005 que a equipa da Biblioteca Municipal Dr. Estanco Louro desenvolve este trabalho com o objetivo de incutir nos mais novos, crianças que frequentam o jardim-de-infância e o 1.º ciclo, o gosto pela leitura e uma maior familiaridade com os livros de histórias infantis.

O programa «Livros sobre Rodas» leva até ao público infantil diversas obras de literatura infantil dando a conhecer aos mais novos autores portugueses e estrangeiros, publicações recentes e coleções de diversos temas. Os leitores escolhem os livros que querem levar para casa com o apoio e orientação de uma técnica da Biblioteca Municipal sendo que, anualmente, são requisitadas perto de 18 mil publicações no âmbito deste projeto .

Num gesto de reconhecimento e valorização de um trabalho profícuo e excecional para a melhor formação das

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ALBUFEIRA NO TOP DE ESCOLHAS PARA O REVEILLON

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lbufeira é um dos destinos mais procurados pelos portugueses para a Passagem do Ano, posicionando-se, de acordo com os dados disponibilizados pelo motor de busca de hotéis da Trivago, no top 5 das preferências, a seguir a Porto, Lisboa, Paris e Londres. A nível nacional, a cidade é um dos três destinos mais procurados, destacando-se em termos de estadia, com uma média de 3.1 noites, área em que é superada apenas pelo Funchal, que apresenta uma média de 4,4 noites.

em todas as pesquisas realizadas no Trivago, entre 1 de janeiro e 13 de dezembro de 2015, com vista à marcação de viagens a realizar no período compreendido entre 31 de dezembro de 2015 e 2 de janeiro de 2016. Refira-se que o motor de busca Trivago disponibiliza, em tempo real, os preços que mais de 250 sites de reserva oferecem para mais de 900 mil hotéis. Fundado em 2005, opera em 52 plataformas internacionais e é consultado por mais de 80 milhões de pessoas todos os meses do ano .

Quanto aos preços do alojamento, Albufeira leva vantagem sobre o Porto (74€) e Lisboa (85€), com um preço médio selecionado de 86 euros por noite. Relativamente à preferência dos estrangeiros que escolhem o nosso País para passar a noite de réveillon, Lisboa aparece em primeiro lugar, depois o Porto, seguido do Funchal e de Albufeira. A análise dos destinos mais procurados para a Passagem do Ano foi realizado com base

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ATUALIDADE TURISMO DO ALGARVE APROVOU PLANO DE ATIVIDADES E ORÇAMENTO PARA 2016

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«Plano de Atividades e Orçamento» para o ano de 2016 da Região de Turismo do Algarve (RTA), no valor de 6,9 milhões euros, foi aprovado na reunião da assembleia geral que decorreu no auditório da entidade, em Faro. “Em 2016, a RTA pretende continuar a implementar ações que permitam desenvolver e valorizar o potencial turístico da região. Ações que passam essencialmente pela requalificação da oferta turística regional e valorização do produto, pelo reforço da promoção e pela dinamização da animação turística”, afirma Desidério Silva, presidente da comissão executiva da RTA.

Portugal e Espanha, visitas de familiarização de agentes turísticos e de imprensa, apoio às rotas aéreas diretas para Barcelona e Madrid, em parceria com as companhias aéreas, roadshows e ações de divulgação e promoção da Dieta Mediterrânica. “Em termos promocionais seremos o destino convidado na Bolsa de Turismo de Lisboa, onde apresentaremos o nosso novo stand. Estaremos mais uma vez presentes na FITUR, FEHISPOR e Mundo Abreu e voltaremos a organizar o Incentivo Algarve como forma de apoiar e reconhecer o trabalho dos agentes de viagens portugueses e espanhóis”, refere Desidério Silva, acreditando que “2016 será «O ano do Algarve»”.

A área com maior dotação orçamental é a da promoção e animação, com mais de dois milhões de euros para ações como a participação em feiras do setor em

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Destaque ainda para a Algarve Nature Week que, após o sucesso da 1ª edição, promete trazer ainda mais atividades e 60


novidades na edição de 2016, a decorrer entre os dias 13 e 22 de maio, no concelho Loulé. Ao nível da reestruturação do produto estão previstas iniciativas de dinamização do turismo ativo, em particular os passeios pedestres e o cicloturismo. Outra das apostas é o marketing digital através do desenvolvimento de novas apps e de um novo portal, já em consonância com a nova imagem promocional da marca Algarve que começará a ser desenvolvida em 2016. Campanhas de comunicação multimeios, divulgação e dinamização de eventos, ações de marketing e dinamização da presença do Algarve nas redes sociais são mais algumas das ações previstas. Por fim, e no âmbito das comemorações dos 45 anos da RTA, foi aprovada a atribuição de Medalhas do Turismo a pessoas e entidades que mais se destacaram na valorização e divulgação do turismo algarvio . 61

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ATUALIDADE SECRETÁRIA DE ESTADO DO TURISMO VEIO AO ALGARVE PARA OUVIR O SETOR os principais interlocutores da região para a área do turismo. Região de Turismo do Algarve (RTA), Comunidade Intermunicipal de Algarve (AMAL) e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, cada entidade com as suas competências específicas, foram o ponto de partida para uma jornada essencialmente marcada pela partilha com a tutela das principais preocupações do setor. Associações empresariais, aeroporto, sindicatos, deputados e outros representantes setoriais completaram a extensa lista de reuniões.

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nova secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, escolheu o Algarve para iniciar uma ronda de visitas pelas diferentes entidades regionais de turismo do país. A governante esteve em Faro esta segunda-feira, dia 14 de dezembro, e cumpriu um programa de encontros com

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A responsável não ficou indiferente a questões como a sazonalidade da

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atividade turística no destino, a animação na época baixa do turismo algarvio, a estruturação dos produtos que compõem a oferta turística da região, a formação profissional, o emprego ou as medidas de apoio aos empresários. Ana Mendes Godinho prometeu regressar ao Algarve em janeiro já na posse de algumas soluções para partilhar com os interlocutores regionais. “Uma das prioridades da RTA sempre foi o aprofundamento da articulação estratégica entre os parceiros regionais da indústria das viagens e turismo e os decisores nacionais. Este é um papel que compete à região de turismo, trazendo para debate os

problemas e as aspirações do Algarve enquanto maior destino turístico do país”, destacou o presidente da RTA, Desidério Silva. A agenda da secretária de Estado incluiu ainda uma visita à Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, onde foi sensibilizada para o importante papel destas estruturas na qualificação da oferta turística regional através da formação, e ao hotel Pestana Alvor South Beach, que beneficiou da Iniciativa JESSICA e é um bom exemplo da aplicação de fundos estruturais comunitários no setor turístico .

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FICHA TÉCNICA DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P 8135-157 Almancil Telefone: 919 266 930 Email: algarveinformativo@sapo.pt Site: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal FOTO DE CAPA: Daniel Pina

ESTATUTO EDITORIAL A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo

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que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.

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