__MAIN_TEXT__

Page 1

#180

ALGARVE INFORMATIVO 24 de novembro, 2018

LUÍS GALRITO APRESENTA «MENINO DO SONHO PINTADO» «A PIOR COMÉDIA DO MUNDO» | RITA REDSHOES & BRUNO SANTOS BRUNO E ANA NEWTON 1 MENDES DA SILVA | FESTIVAL DE ÓRGÃO DO ALGARVE| TATANKA ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

2


3

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

4


5

ALGARVE INFORMATIVO #180


CONTEÚDOS #180 24 DE NOVEMBRO 2018

28

ARTIGOS 46

12 - Dia Do Mar em Olhão 18 - Jorge Botelho 28 - Bruno Mendes da Silva 38 - Luís Galrito 46 - Rita Redshoes & Bruno Santos 56 - Festival de Órgão do Algarve 64 - «A Pior Comédia do Mundo» 76 - Tatanka e Ana Newton 86 - Semear Saúde 108 - Atualidade

56

OPINIÃO 96 - Paulo Cunha 98 - Mirian Tavares 100 - Adília César 102 - Ana Isabel Soares 104 - Carla Serol ALGARVE INFORMATIVO #180

6


7

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

8


9

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

10


11

ALGARVE INFORMATIVO #180


REPORTAGEM

OLHÃO DISCUTIU AMEAÇAS E OPORTUNIDADES DO SETOR DO MAR Texto:

| Fotografia:

António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão

etor do Mar em Olhão e no Algarve - Ameaças e Oportunidades foi o tema do seminário com que o Município de Olhão assinalou o Dia Nacional do Mar, a 16 de novembro. A iniciativa, organizada pelo Gabinete de Apoio ao Empresário da Câmara Municipal de Olhão, levou várias dezenas de empresários, dirigentes e responsáveis ao Auditório Municipal de Olhão, com a abertura dos trabalhos a estar a cargo do edil António Miguel Pina e de Alexandra

S

ALGARVE INFORMATIVO #180

Teodósio, vice-reitora da Universidade do Algarve. “Há 20 anos falava-se de Pescas, depois de Pescas e Aquacultura, hoje fala-se de Mar. O panorama mudou substancialmente porque este espaço que é o Oceano e a Ria Formosa, evoluiu e acolhe, atualmente, uma panóplia de atividades que vai muito para além do que era a tradicional pesca. O que é positivo, porque muitas destas novas atividades advêm de um crescimento no conhecimento e na tecnologia”, frisou António Miguel Pina. 12


Para o presidente da Câmara Municipal de Olhão, o surgimento da Universidade do Algarve desempenhou um papel fundamental na mudança deste paradigma e os resultados estão à vista, com muitas novas empresas a investigarem o que é a relação do ser humano com os peixes, as micro e as macroalgas, mas também inseridas no ramo da construção naval associada às energias renováveis. “Muito mudou nas últimas duas décadas e para melhor. A Ria Formosa tornou-se uma alavanca para o desenvolvimento turístico do Algarve, traduzido num aumento da empregabilidade. Não é por acaso que Olhão, de 2014 para 2018, passou do concelho com a maior taxa de desemprego da região para o concelho com a segunda menor taxa. São novos postos de trabalho associados ao Turismo e ao Mar”, destacou o autarca, reconhecendo, porém, que há igualmente novos constrangimentos com que lidar e

novos problemas para resolver. “Este é o momento certo para refletirmos sobre esta nova realidade e para abordarmos as dificuldades com que cada um se debate na sua atividade. Precisamos ter um desenvolvimento sustentável, pois vivemos num espaço ambientalmente sensível e a sua qualidade é essencial para o nosso sucesso”, reforçou António Miguel Pina. Em representação da Universidade do Algarve compareceu Alexandra Teodósio, sabendo-se que o Mar tem uma forte preponderância na oferta curricular da academia algarvia. “Temos uma grande relação com a Ria Formosa e com Olhão, não só em termos de investigação, mas também de dinamização de atividades com a comunidade e empresas do concelho. No panorama global das alterações climáticas, acreditamos que algumas das ameaças podem ser

Alexandra Teodósio, vice-reitora da Universidade do Algarve

13

ALGARVE INFORMATIVO #180


Teresa Almeida, gestora do Programa Operacional Mar 2020

transformadas em oportunidades e queremos contribuir para essa transição, de forma a que se possam explorar de forma mais sustentável os nossos recursos”, referiu a vice-reitora. “Desejamos que, no futuro, se alcance uma Sociedade Azul que preserve o Mar de uma forma global e que não se pense apenas no que se pode retirar do meio marinho”, enfatizou. A sessão prosseguiu com a intervenção de Teresa Almeida, gestora do Programa Operacional Mar 2020, que abordou os projetos previstos para o Algarve e mais especificamente para Olhão, tendo salientado a importância de “se aproveitar da melhor forma os recursos que o mar tem”. “No Algarve temos 264 projetos aprovados no âmbito do Mar 2020, sendo que 83 deles são em Olhão”, acrescentou a responsável. A visão de quem trabalha ALGARVE INFORMATIVO #180

no setor foi dada por Jorge Ferreira (Conserveira do Sul), Jorge Dias (Sparos), João Navalho (Necton), João Bastos (SunConcept), Rui Fonseca (Algarfresco), Marta Rocha (Cooperativa Formosa), Fernando Gonçalves (Associação Portuguesa de Aquacultores - APA), Miguel Cardoso (Olhãopesca) e Rui Roque (Nautiber). Se a Conserveira do Sul aposta na mão de obra pouco mecanizada, a Sparos atua num nicho de mercado muito específico: alimentos para aquacultura, gerando emprego jovem e qualificado. Já a Necton contribui grandemente para que 98 por cento do sal consumido a nível nacional seja produzido e embalado em Olhão. Na SunConcept aposta-se na energia limpa, com a empresa de construção naval a produzir barcos que funcionam a energia solar. A 14


Algarfresco atua na área da congelação de pescado e vê-se a braços com a restrição à pesca da sardinha na costa portuguesa. As associações ligadas à aquacultura, como a Formosa, deparam-se com problemas ligados à mortalidade dos bivalves, às doenças ou ao aparecimento de espécies exóticas (amêijoa japónica), aplaudindo a construção da nova ETAR. A nível nacional, a APA lembra a necessidade de travar as espécies invasoras e de criar espaços para produzir, já que Portugal importa dois terços do pescado que consome. Já a pesca ilegal e as alterações climáticas foram apontadas como ameaças pelo responsável da Olhãopesca. A Nautiber, empresa de construção naval, continua com importantes encomendas, mas o seu gerente Rui Roque lembra que “os problemas dos pescadores são os problemas da Nautiber”.

No encerramento do Seminário participou o Secretário de Estado das Pescas, que registou os problemas apontados por quem trabalha no mar, mas também falou do que de bom a região tem conseguido: “Em 2017, a venda de pescado nas lotas foi de 12 mil toneladas (representando 45 milhões de euros). Até 31 de outubro desde ano, o valor de vendas em lota já chegou aos 37 milhões de euros e 25 por cento (cerca de 4500) dos barcos de pesca a nível nacional estão registados no Algarve, região que representa 60 por cento da produção nacional de bivalves”, apontou José Apolinário, que revelou que os apoios aprovados para Olhão, no âmbito do programa Mar 2020, representam 12,5 milhões de euros de investimento .

Pedro Miguel Duarte, José Apolinário, Secretário de Estado do Mar, e António Miguel Pina

15

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

16


17

ALGARVE INFORMATIVO #180


ENTREVISTA

JORGE BOTELHO QUER PROJETAR TAVIRA PARA UM PATAMAR DE EXCELÊNCIA Texto:

ALGARVE INFORMATIVO #180

| Fotografia:

18


19

ALGARVE INFORMATIVO #180


árias são as obras que, no espaço de poucas semanas, foram para o terreno na malha urbana de Tavira, com a mais emblemática a ser, sem dúvida, a reabilitação do Cineteatro António Pinheiro, concorda o edil socialista Jorge Botelho. “Precisamos de um espaço coberto à altura dos pergaminhos de Tavira, porque, até à data, temos feito espetáculos dentro de igrejas e outros locais com cobertura, mas sem as características técnicas necessárias para acolhermos todo o tipo de eventos, nomeadamente durante a época baixa”, refere o autarca que iniciou, há pouco mais de um ano, o seu terceiro e derradeiro mandato à frente dos destinos do ALGARVE INFORMATIVO #180

concelho de Tavira. “Estivemos estes últimos meses a preparar uma série de grandes obras, porque queremos têlas concluídas antes do final deste mandato”. A transformação do Cineteatro em Teatro António Pinheiro já vem sendo equacionada há algum tempo, o processo arrancou há mais de um ano e as obras até poderiam ter começado logo em junho, mas o executivo preferiu aguardar pelo término do Verão. O projeto final rondará os seis milhões e 300 mil euros, com 65 por cento de financiamento de fundos comunitários para a parte da construção, que orça em cinco milhões de euros, sendo que o apetrechamento do teatro em termos técnicos implicará um investimento de um milhão e 300 mil euros da parte da 20


Câmara Municipal. “Estamos a fazer um equipamento cultural no centro da cidade capaz de receber qualquer tipo de espetáculo. Não se trata de uma simples reabilitação, mas sim fazer um teatro a partir de um antigo cineteatro”, distingue Jorge Botelho.

interação mais direta com o público. Será também instalado um proscénio com elevador manual que possibilitará o uso para palco ou plateia, subindo ou descendo, conforme o tipo ou necessidade do espetáculo ou da plateia.

De facto, para criar um equipamento cultural à altura dos desafios do século XXI, houve que reformular e reconfigurar todo o edifício e a sua volumetria, com o corpo cénico a ser todo redesenhado, começando logo pela caixa de palco que, ao contrário do que acontece no atual edifício, permitirá a subida e descida de cenários e a correta instalação de todos os equipamentos de luz e som essenciais a um espetáculo dos tempos modernos. O espaço da plateia, que vê a sua área reduzida para quase metade, será dotado, contudo, de uma bancada retrátil que o tornará mais versátil, permitindo o seu uso por pessoas sentadas ou de pé, ou até permitir que uma atividade/espetáculo ali possa decorrer, fomentando uma

A plateia completa, com proscénio descido e sem ocupação por pessoas com mobilidade condicionada, em cadeira de rodas, terá 208 lugares no balcão e 160 lugares na plateia, totalizando 368 lugares sentados. No caso de plateia curta, com proscénio subido e sem ocupação por pessoas com mobilidade condicionada, em cadeira de rodas, o balcão terá capacidade para 208 lugares, a que acrescem 144 na plateia, num total de 352 lugares sentados. Contudo, no caso de se optar por uma plateia recolhida, a capacidade dispara para 590 lugares, divididos entre o balcão (sentados) e plateia (de pé). “O Teatro tem que estar construído até outubro de 2020 e ainda vamos lançar

21

ALGARVE INFORMATIVO #180


o procedimento para a aquisição dos meios técnicos, de maneira a não corrermos o risco de, quando a obra estiver finalizada, alguns equipamentos já estarem obsoletos”, justifica o entrevistado, adiantando não estar previsto recorrer-se a nenhum empréstimo bancário para assegurar essa fatia do investimento. O Teatro António Pinheiro vai ser, então, uma realidade incontornável, para completar a rede de equipamentos culturais cobertos do Algarve, com Tavira a ser o único concelho da região que ainda não possui um, apesar de fazer parte da Azul – Rede de Teatros do Algarve. “Isso não significa que vá desaparecer a animação de rua pela qual Tavira é sobejamente reconhecida, simplesmente ficamos com condições para recebermos ALGARVE INFORMATIVO #180

espetáculos de teatro, dança, concertos de música, grandes orquestras e tudo o mais, dentro de portas. Como a primeira plateia é rebatível, há também a possibilidade de se criar uma black box, portanto, haverá muita flexibilidade em termos de capacidade. Claro que isso vai colocar, também, uma boa pressão na Câmara Municipal para promover uma oferta cultural de outro patamar”, reconhece Jorge Botelho. Bastante entusiasmado com aquela que será, certamente, uma das melhores salas de espetáculos do Algarve, Jorge Botelho lembrou que está igualmente em fase de análise de propostas a construção da nova ponte sobre o Rio Gilão na ligação do Largo do Caracolinho à Rua do Cais, um 22


investimento de um milhão e 560 mil euros e prazo de execução de 12 meses. “Terá uma zona pedonal, uma zona de ciclovia e uma via de trânsito e vai-nos também obrigar a reconfigurar o jardim público. Ali mesmo ao lado está, neste momento, a sofrer obras de reabilitação o Mercado da Ribeira, uma peça fundamental da baixa da cidade. Já a Doca de Pesca está numa zona de jurisdição portuária, é um porto comercial, de pesca, fora da alçada municipal. Para além disso, vamos avançar para a reabilitação integral das Piscinas Municipais, um projeto que custará cerca de milhão e meio de euros, e cujo concurso queremos lançar ainda este ano. É uma obra enorme que nos vai forçar a encerrar o equipamento durante um ano”, revela o presidente da Câmara Municipal de Tavira.

23

Para breve está também o lançamento de um concurso de milhão e meio, dois milhões de euros, para pavimentação das estradas das freguesias e da cidade, de modo a resolver uma série de problemas que foram surgindo ao longo dos anos. Intervenções que farão parte do Orçamento Municipal para 2019, de 35 milhões de euros, que será ainda reforçado com a incorporação de um valor substancial de saldo de gerência. “Uma parte importante será destinada ao investimento, nestas e noutras obras, mas também para o reforço dos recursos humanos da autarquia com cerca de 50 novos funcionários, 10

ALGARVE INFORMATIVO #180


deles bombeiros. E integrará também as questões da Dieta Mediterrânica, a dinamização cultural, a reabilitação de edifícios públicos municipais, os apoios sociais, entre outras medidas”, adianta o edil. Jorge Botelho que, recorde-se, cumpre o terceiro e derradeiro mandato à frente da Câmara Municipal de Tavira, perspetivando-se que, quando sair da presidência, em 2021, deixará um concelho completamente diferente daquele que encontrou em 2009. “Na prática, o que estamos a fazer é juntar-nos à grande iniciativa privada que está a reabilitar a nossa terra e a cumprir aquilo que estava no nosso compromisso eleitoral. Quando ALGARVE INFORMATIVO #180

chegámos à Câmara encontrámos uma situação de grande endividamento e um desequilíbrio de contas, o que foi resolvido algures entre o primeiro e o segundo mandato. A partir de certa altura começámos a ter meios para executar as obras a que nos tínhamos proposto e, neste momento, a autarquia respira saúde financeira”, salienta o entrevistado. “No ano passado tivemos uma taxa de execução de 80 por cento do nosso Programa Eleitoral, este ano queremos aumentar esse valor. A diferença é que, desta vez, estamos a falar de obras substanciais que envolvem muito dinheiro e meios

24


humanos, mas a Câmara Municipal está preparada para esse desafio”. Jorge Botelho está, por isso, relativamente tranquilo com a marcha que os processos estão a levar e acredita que, quem virá a seguir, vai encontrar “uma casa arrumada, financeiramente sustentável, com meios para resolver uma série de questões e para se poder comprometer com um novo programa eleitoral ambicioso”. “Tenho uma equipa muito boa, pessoas da minha confiança com as quais já trabalho há bastante tempo e a vontade é projetar Tavira para um patamar de excelência. É uma coisa de que se fala muito e que dá imenso trabalho para concretizar, mas o caminho vai-se fazendo”, observa o autarca, aproveitando para enaltecer o forte movimento associativo do concelho de Tavira, da cultura ao desporto,

25

passando, claro, pela ação social. “Tudo o que as associações locais fazem vem completar aquilo que o Município faz ou potencia, com os meios que lhes colocamos à disposição. Ninguém em Tavira paga uma hora de pavilhão ou piscina, transportes, usufruto de espaços culturais, porque estamos bem articulados com as associações, a quem apoiamos em função dos projetos que nos apresentam. Temos todo o gosto em ajudar associações que desenvolvam iniciativas culturais, desportivas e sociais para benefício da população”, sublinha Jorge Botelho. “E iniciativas que respeitam muito a história da cidade de Tavira, que faz cinco séculos daqui a dois anos. São guardiões de uma memória histórica que queremos que se preserve para o futuro”, finaliza o presidente da Câmara Municipal de Tavira .

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

26


27

ALGARVE INFORMATIVO #180


ENTREVISTA

“ESTAMOS NA PONTA DA FLECHA A EXPERIMENTAR TODAS AS POSSIBILIDADES NOS FILMES INTERATIVOS”,

AFIRMA BRUNO MENDES DA SILVA Texto:

ALGARVE INFORMATIVO #180

Fotografia:

28


29

ALGARVE INFORMATIVO #180


oi no seu gabinete na Escola Superior de Educação e Comunicação, no Campus da Penha da Universidade do Algarve, em Faro, que encontramos Bruno Mendes da Silva, professor e vicecoordenador do CIAC – Centro de Investigação em Artes e Comunicação, de volta do computador e de «Cadavre Exquis», um filme em que os espetadores podem intervir, em tempo real, na narrativa. Prefere falar em investigação e filmes, não propriamente em realizador de cinema, e a aventura começou com o projeto «Os Caminhos se Bifurcam», do CIAC, que faz experiências práticas a nível de filmes interativos. E assim surgiu, em 2014, «Neblina», que foi, inclusive, selecionado para participar, em 2015, no FILE - Festival Internacional de Arte Eletrónica de São Paulo, no Brasil, um dos certames mundiais de topo em termos de arte digital. “A partir daí fomos continuando com as experiências que, em última instância, nos ajudam a perceber se existe alguma hipótese de evolução da própria linguagem audiovisual, que se cimentou bastante depressa no início do século passado, com realizadores como Eisenstein e Porter, mas depois estagnou até aos tempos modernos”, conta o investigador. A ideia é que, se o público tiver uma posição ativa em relação à obra, e não passiva, como é tradicional, talvez se abram novos horizontes. Por isso, «Neblina» desmonta o conto «Se numa noite de inverno um viajante», de Italo Calvino, em fragmentos sonoros e visuais que se repetem até perderem significado, ALGARVE INFORMATIVO #180

ou ganharem um novo significado. “Pretendia-se oferecer ao espetador o estatuto de espetador-protagonista e, através de distintos recursos morfológicos, este podia tornar-se na personagem principal da história. É utilizada uma voz off que entra em discurso direto com o espetador/utilizador e que o ajuda no seu processo de imersão através de conselhos e confidências. Com o desenrolar da narrativa, a distinção entre os dois intervenientes vai-se tornando cada vez mais ténue, 30


ajudando a adensar o ambiente obscuro e misterioso”, explicou Bruno Mendes da Silva. «Neblina» encontra-se dividido em três fluxos de imagens distintos, por vezes com alterações no género nas personagens entre fluxos, e o narrador polaco dobra todas as deixas das personagens do filme (inclusivamente as deixas do espetadorprotagonista). “A estrutura da narrativa não pode ser alterada, no entanto, a experiência fílmica depende das escolhas do espetador-protagonista relativas aos 31

fluxos”, acrescentou o investigador. Neste processo experimental seguiramse «O Livro dos Mortos», também de Bruno Mendes da Silva, e «Valsa», de Rui António, quando este se encontrava a tirar o Doutoramento em Media Arte Digital, na Universidade do Algarve, sob orientação de Bruno Mendes da Silva. Em 2018 aparece «Cadavre Exquis», com o enredo a começar com três personagens na mesma sala, imóveis, cristalizados no tempo, sem saberem o que ali fazem, ou sequer como ali foram ALGARVE INFORMATIVO #180


parar. O espectador tem então a possibilidade de selecionar uma personagem, escolha que resulta num flashback até ao momento da cristalização. Ao escolher a última personagem, o espectador descongelará a cena de abertura, colocando-a em movimento. Para o projeto foram convidados três guionistas (Mirian Tavares, Rui António e Vítor Reia Batista), cada um ficando com uma personagem e gozando de total liberdade criativa na construção dos flashbacks. “Vamos fazer três versões do filme: uma linear, uma interativa que ficará online e uma instalação com um sensor Kinect. O «Neblina» também tem duas versões: uma para ser visionada numa sala convencional de cinema; a outra online para experimentação individual. Os filmes interativos remontam à década 60 do século passado, não é uma coisa nova, e começaram por salas que eram preparadas de propósito para esse fim”, esclarece Bruno Mendes da Silva.

ALGARVE INFORMATIVO #180

Interação do espetador ou utilizador com as personagens e o desenrolar das histórias é algo a que já estamos perfeitamente habituados nos videojogos dos tempos modernos, mas explorar esse conceito num filme tornase mais complicado e moroso e, na hora da verdade, tudo depende da reação do público. “Em qualquer media existem diferentes tipos de interatividade e alguns são mais efetivos do que outros. Num filme interativo há sempre um jogo entre aquilo que damos ao espetador e aquilo que ele pretende fazer. Para mantermos algum controlo não podemos dar-lhe liberdade total, mas o ideal seria chegarmos a um patamar em que a interação entre o homem e a máquina produz conteúdos que não estavam pensados a priori. Ora, em cinema, isto é quase impossível, porque precisamos filmar os conteúdos para que eles existam na história”, admite o entrevistado, acreditando, contudo, que 32


esse objetivo poderá ser alcançado juntando-se a programação à animação a três dimensões.

ENTRE A RETICÊNCIA E A PARTICIPAÇÃO EXAGERADA Surrealismo no cinema que, para Bruno Mendes da Silva, acaba por ser um contrassenso, porque materializar na tela o que está no subconsciente de cada um de nós é impossível. “Se continuarmos a pensar em atores de carne e osso vamos encontrar sempres limites que não existem na imagem virtual. Mas, mesmo nos videojogos, há diferentes níveis de interatividade, seja no processo criativo ou na narrativa. Há jogos em que praticamente não tomamos decisões e, noutros, há um mundo quase infinito de escolhas ao dispor do utilizador e o desenrolar da história é uma consequência dessas decisões”, observa o investigador. Percebe-se, por isso, que realizar um filme interativo não é tarefa

33

fácil, daí Bruno Mendes da Silva reforçar a importância das experiências para se procurar encontrar as melhores soluções para cada tipo de interação em cada filme específico. “Neste momento, o que pretendemos é explorar hipóteses de interação com o cinema do futuro. No fundo, a perceção de um filme deste tipo é completamente distinta consoante os públicos, o que também acontece com os filmes convencionais. Na arte digital e interativa, o que se nota é que o público ainda está um pouco «de pé atrás», apresenta alguma resistência em experimentar as várias possibilidades que lhe são oferecidas”. De acordo com o entrevistado, vislumbram-se, então, duas reações extremas: uma em que o espetador/utilizador está reticente a participar na experiência; outra em que participa de forma exagerada, está constantemente a querer interagir e

ALGARVE INFORMATIVO #180


com maior velocidade, e a narrativa do filme depois não consegue acompanhar esse ritmo. “Um dos caminhos possíveis, com o avançar das tecnologias, é o espetador entrar «dentro» do filme e transformar-se na personagem principal, mas não sei se esse é o caminho mais certo, ou o caminho inevitável, está tudo em aberto. Qualquer hipótese é boa para se experimentar, porque não sabemos como as coisas vão ser daqui a 10, 20 ou 30 anos. Estamos na ponta da flecha a experimentar todas as possibilidades”, entende Bruno Mendes da Silva. «Cadavre Exquis» que foi filmado em Macau, não por requisitos tecnológicos, mas porque o investigador ali viveu durante cinco anos, tendo sido realizador e produtor da televisão local antes de vir para a Universidade do Algarve. Por outro lado, por ali encontrar o cenário ideal para o enredo do filme interativo. “Quando sonhamos estamos num sítio e, de repente, estamos noutro. Conversamos com uma pessoa que logo a seguir se

ALGARVE INFORMATIVO #180

torna noutra diferente. São imagens que se interligam sem que exista um fluxo coerente e, em termos de cenografia, Macau pareceu-me ser o sítio ideal para as filmagens”, explica Bruno Mendes da Silva, aproveitando para agradecer o apoio da produtora Maria Paula Monteiro para a concretização do projeto. “Filmamos em finais de setembro, agora estamos na pós-produção, montagem e programação e, em março, regressamos a Macau para apresentar a terceira versão, a interativa com o sensor”, revela. Ora, se arranjar apoios para produzir filmes tradicionais já é uma dor-decabeça, como será no caso dos filmes interativos, questionamos. “Não é nada fácil e a ajuda da Maria Paula Monteiro foi fundamental. Em termos das filmagens em si, não se diferenciam de um filme linear, a parte da pósprodução é que é completamente diferente, pela necessidade de

34


conciliar a programação com os blocos de imagens, de maneira a que a interação com o espetador se torne efetiva”, esclarece o investigador, reconhecendo que nem sempre é fácil explicar o que se pretende alcançar com estes projetos. E, quanto ao futuro, o objetivo está bem definido – tentar que o espetador tenha o controlo total sobre a narrativa – com a consciência de que ainda há um longo caminho a percorrer até se atingir essa plena interatividade. “Este é apenas mais um passo que estamos a dar, tivemos logo o «Neblina» no FILE 2015 e vamos tentar fazer o mesmo percurso com o «Cadavre Exquis». Como concebemos três versões distintas, acredito que será mais fácil disseminar este filme. A versão linear pode passar em festivais convencionais de cinema; a versão online pode concorrer em festivais de arte digital; a versão 35

interativa pressupõe estarmos num espaço físico real onde a interação acontece por via de sensores”, indica. E os filmes interativos são para todas as gerações, garante ainda Bruno Mendes da Silva, tudo depende da mentalidade de cada um. “A ideia que hoje a maioria das pessoas tem sobre filmes interativos é da estrutura arborescente, ou seja, em cada momento da história somos deparados com uma escolha A ou B e, consoante o caminho que se escolhe, vão nascendo mais ramos na narrativa e novos caminhos se vão abrindo. O que estamos a experimentar é uma estrutura diferente e, potencialmente, mais interessante, em que o processo se imersão seja o mais natural possível e a interação o mais fluída possível”, refere, em final de conversa . ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

36


37

ALGARVE INFORMATIVO #180


ENTREVISTA

«MENINO DO SONHO PINTADO» MOSTRA UM LUÍS GALRITO MAIS MADURO E EM BUSCA DE UM MUNDO MELHOR Texto:

ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #180 #180 ALGARVE

| Fotografia e Videoclip:

38 38


39 39

ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #180 #180


epois de, nos últimos anos, ter andado «mergulhado» no universo musical de José Afonso, com inúmeros concertos de tributo ao mais famoso cantautor português de todos os tempos, Luís Galrito regressou às suas composições originais com «Menino do Sonho Pintado», disco lançado pela editora Kimahera, já disponível através das habituais plataformas digitais e que será apresentado, ao vivo, no dia 2 de dezembro, no Cine-Teatro Louletano. Uma faceta que, diga-se de passagem, não é nenhuma novidade para quem conhece o professor de educação musical natural de Fronteira, vila do distrito de Portalegre, no Alto Alentejo, mas radicado no Algarve há vários anos. “Comecei, em 1999, com o «Véu Vermelho», de rock progressivo e sinfónico na onda dos Pink Floyd. O meu percurso nos originais já vem sendo longo, também com o «Matura Inculta» e «Quero Ser Humano», a cena do Zeca Afonso só surgiu em 2015”, esclarece o entrevistado, reconhecendo que já estava a sentir falta de compor os seus próprios temas. O artista evoluiu à medida que foi convivendo com os cantautores portugueses por via dos tributos a Zeca Afonso em que participava, mas o homem também cresceu e pelo meio teve dois filhos, tudo isso estando refletido em «Menino do Sonho Pintado». “Sempre fui um grande fã de Roger Waters, The Beetles, Jim Morrison, aquele período hippie de ativismo pela paz. Este disco é uma mistura de várias influências e tem uma sonoridade mais próxima da world ALGARVE INFORMATIVO #180

music, mais orgânico e acústico, apesar de ter algumas pitadas de eletrónica devido à minha envolvente urbana. As letras falam da minha procura por um mundo melhor, da minha indignação pelas injustiças sociais”, descreve o autor, que gosta de partilhar os seus sentimentos, de forma despretensiosa, através da música. “Não estou colado a nenhuma corrente política, nada disso, sonho apenas com um mundo que seja melhor para todos”. Uma postura que faz todo o sentido para Luís Galrito, por entender que faz parte do papel dos artistas contestarem 40


o que está mal, falarem daquilo que os rodeia de maneira séria e consciente, ao invés de escreverem músicas que não têm sumo, que nada acrescentam. “Vivemos numa era em que o lucro está acima de tudo o resto, perdeu-se essa militância artística de se utilizar a cultura para mexer com as consciências coletivas, para dar um contributo positivo às sociedades. Se a arte for encarada apenas pelo lado comercial, perde a sua verdadeira essência. A arte serve para nos fazer refletir e nos ajudar a evoluir”, defende o alentejano. “Esta mudança pode passar pela simples transformação interior de cada um de nós, não estou para aqui a falar de revoluções ou 41

manifestações na rua. Este disco é bastante introspetivo, tem muito a ver com aquilo em que tenho pensado nos últimos anos, porque, quando as crianças aparecem nas nossas vidas, a perspetiva com que olhamos para as coisas muda por completo”, admite. Prova disso é que «Menino do Sonho Pintado», canção que dá título ao disco, incide sobre as crianças que são vítimas de guerras, tema que mexeu ainda mais com o alentejano após o nascimento da primeira filha. “A canção «Filhos» fala dos meus filhos, a «Balada para o meu amor» foi feita para a minha esposa, misturo o meu universo familiar com ALGARVE INFORMATIVO #180


as minhas preocupações face à guerra, violência e mentalidades cada vez mais extremistas que caracterizam a nossa sociedade atual”, indica Galrito, concordando que se sente, hoje, um homem e artista mais rico graças aos colegas com que foi tocando no passado recente. Colegas que, alguns deles, até participam neste disco, casos de João Afonso, Dino d’Santiago, Napoleão Mira e Reflect. “Conheci muita gente interessante com quem fui aprendendo e crescendo enquanto músico e compositor. É um disco, de facto, mais maduro”, analisa. Um disco de música portuguesa que vive essencialmente dos instrumentos de cordas, da viola e guitarra ao ukulele e à viola campaniça alentejana, porque a ideia é estar mais próxima da música tradicional do que da música ligeira, explica Luís Galrito. “Com o tempo fui percebendo que, afinal, não sou assim tão roqueiro

ALGARVE INFORMATIVO #180

como isso”, conta, com um sorriso. “Gosto desta roupagem da viola e da guitarra típica dos cantautores portugueses, eles não usavam instrumentos muito avançados em termos tecnológicos”. Apesar disso, o álbum tem alguns samplers pontuais, como sejam uma conversa sobre a vida gravada com o amigo Luís Guedes, o som de um comboio a passar e por aí adiante. “O que sobressai são os instrumentos étnicos, é uma world music cantada em português”, sublinha. Ao lado de Luís Galrito está a banda que há quase uma década o acompanha em cima do palco, com as ideias originais a serem apresentadas pelo professor de educação musical, seja uma melodia ou uma base orgânica tocada ao piano ou guitarra, nascendo depois os arranjos do trabalho coletivo. Dos 12 temas de «Menino do Sonho

42


Pintado» só um não é de Galrito, uma canção oferecida por Paulo Abreu de Lima “que fala do Alentejo e do Mar e eu tenho um pé em cada uma dessas realidades”. E, à medida que o processo criativo se foi desenvolvendo, assim foram surgindo as colaborações especiais. “Há dois ou três anos já tinha combinado gravar um tema com o Dino, foi logo um dos primeiros convidados do disco. Depois veio o João Afonso, com quem participei no projeto «Sul» de tributo ao Zeca Afonso. O Napoleão Mira conheci através do projeto «Grafonola Voadora». Com o Reflect tenho estado bastante tempo junto, é a editora dele que vai lançar o disco”, relata o entrevistado, numa amena conversa de café. Assim se foi fazendo o disco ao longo de três anos, até que Luís Galrito constatou que tinha mesmo que dar o processo por terminado, que tinham que ir para estúdio «fechar» o trabalho. “De repente percebemos que a data do concerto de lançamento se estava a aproximar 43

vertiginosamente e demos o trabalho por concluído. É um disco que reflete quem eu sou agora, um misto das minhas raízes alentejanas, de cantar as modas com a guitarra acústica, com o pop e as sonoridades do mundo”, salienta, já a pensar no espetáculo do dia 2 de dezembro, no Cine-Teatro Louletano, que deverá contar com alguns dos convidados que participam em «Menino do Sonho Pintado». “Somos todos amigos e, quando as agendas assim o permitirem, vamos naturalmente estar juntos em palco. A expetativa é grande, são muitos músicos de grande qualidade, mais a projeção de imagem do João Espada, que tem feito um trabalho bastante bonito e interessante. Fico feliz por ter tantos amigos com esta qualidade a ajudarem-me, vai ser um concerto muito intimista e acredito que as pessoas se vão identificar com as letras, porque falam do nosso dia-adia, da azáfama em que vivemos” .

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

44


45

ALGARVE INFORMATIVO #180


REPORTAGEM

NO PRIMEIRO CONCERTO DEPOIS DE TER SIDO MÃE, RITA REDSHOES CHOROU, ENCANTOU E AQUECEU UM BELO SERÃO DE OUTONO Texto:

ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #180 #180 ALGARVE

Fotografia:

46 46


47 47

ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #180 #180


semelhança dos «Serões da Primavera», também os «Serões de Outono» dinamizados pela Casa do Povo de Santo Estêvão, no interior do concelho de Tavira, têm gerado grande entusiasmo e atraído muita gente a «este canto quase no fim do mundo», como costuma dizer, na brincadeira, o presidente da Direção, José Barradas. Antevia-se, portanto, uma boa casa na noite de 17 de novembro, por ocasião do concerto de Rita Redshoes com o guitarrista Bruno Santos e, de facto, a lotação mais que esgotou. E o que prometia ser um espetáculo intimista transformou-se em muito mais do que isso, numa noite verdadeiramente especial.

ALGARVE INFORMATIVO #180

Primeiro porque se tratava do primeiro concerto que Rita Redshoes dava depois de ter sido mãe da pequena Rosa Flor, agora com dois meses de idade. Depois, porque tinha a seu lado, em palco, precisamente o companheiro, Bruno Santos. Finalmente, porque Rita cantou em público, pela primeira vez, uma canção que compôs assim que soube que estava grávida. Um momento em que as emoções estiveram à flor da pele e em que a artista não conseguiu conter as lágrimas. Lágrimas prontamente respondidas por bastantes palmas, não estivessem na plateia muitas mulheres, também elas sabedoras da magia que é ser mãe. “Ainda não sabia qual o sexo da criança, mas estava convicta que ia ser uma menina”, explicou Rita, e assim apareceu a bela canção «Rosa».

48


49

ALGARVE INFORMATIVO #180


Sensivelmente um ano e meio depois de ter visto Rita Redshoes vibrante, elétrica, de sorrisos nos lábios, a promover o seu mais recente disco, «Her», no Cine-Teatro Louletano, reencontrei nesta noite uma Rita menos elétrica e mais acústica, num formato mais intimista e onde as influências jazzistas de Bruno Santos estão bem patentes. Mas nota-se, igualmente, que estamos perante uma mulher diferente, e outra coisa não seria de esperar. “Antes, as minhas atenções estavam focadas na música e na minha carreira, com uma filha tudo muda. Estive em palco de alma e coração, mas agora quero voltar a correr para junto da minha filha, que ficou com a minha mãe no hotel”, confessa, ainda de olhos húmidos. Pouco preocupada com protocolos e demasiadas formalidades, Rita sempre ALGARVE INFORMATIVO #180

gostou de conversar com o público, já isso se tinha visto em Loulé, mas, em Santo Estêvão, depressa se criou um laço especial com as mulheres presentes na assistência. Aliás, a artista partilhou alguns episódios destes seus dois meses como mãe, perguntou se é normal as bebés fazerem birras ao final da tarde e até confessou que, na primeira vez que cantou, em voz alta, para a filha, esta desatou a berrar. “Tanto o Bruno como eu, nos projetos que temos isoladamente, possuímos este à vontade em palco e, em locais como a Casa do Povo de Santo Estêvão, ainda mais sentido faz para mim partilhar com o público as histórias por detrás das canções. Parecia que estava numa sala de estar com os amigos e, confesso, estes são os concertos de que mais gosto”, garantiu a entrevistada.

50


Muito bem funciona também musicalmente o «casamento» entre Rita Redshoes e Bruno Santos, algo que aconteceu de forma natural. “Ainda que o repertório seja quase exclusivamente escrito pela Rita, eu, vindo do jazz, habituei-me cedo a interpretar os temas à minha maneira, com muita improvisação. Gosto dos temas dela, percebi que havia ali espaço para dar as

51

minhas «voltinhas», pedi licença para o fazer, experimentamos e as coisas resultaram bem”, descreve, com um sorriso, o madeirense. “É bom quando se confia musicalmente nas pessoas com quem se está a tocar, cria-se espaço para o inesperado e para a improvisação e, de repente, deixamonos ir pelo momento. Os concertos ganham magia quando não é uma repetição constante e dos enganos

ALGARVE INFORMATIVO #180


nascem coisas diferentes e vamos para outros sítios. Isso é que é fazer música”, defende Rita Redshoes. “O público é que faz o concerto e fico bastante feliz quando sinto que tenho à minha frente pessoas que realmente ali querem estar e que estão de facto a ouvir-me. Essa generosidade tremenda das pessoas dáme uma vontade enorme de partilhar com elas o máximo de coisas que eu esteja a sentir naquele momento”, reforça a cantora. Entretanto, com a gravidez e o nascimento da filha, acabou por haver pouco tempo para partilhar o disco «Her» na estrada, de modo que Rita Redshoes ainda tem vários concertos da digressão pela frente. “Mas vou tentar, a partir de janeiro, escrever o disco novo quando a Rosa Flor me deixar. Já tenho algumas canções que compus enquanto estava

ALGARVE INFORMATIVO #180

grávida, vamos ver se ela me dá umas folgas”, adianta, com uma risada. Quanto a este formato a dois, é um projeto em que os espetáculos irão acontecer de forma natural, declara Bruno Santos. “Há uns tempos convidei a Rita para ir à Madeira comigo e deu-se a oportunidade de tocarmos num festival que era direcionado para a guitarra. Não assumimos isto como um projeto de raiz que agora vai andar na estrada e gravar discos. E, como estes concertos vão acontecendo esporadicamente, ainda nos sabe melhor tocar o repertório, sempre com a preocupação de ir mudando algumas coisas para dar frescura aos espetáculos”, esclarece o guitarrista. Resta-nos então esperar pelo novo disco de Rita Redshoes, que

52


provavelmente será maioritariamente constituído por temas cantados em português, depois de a artista ter gravado três canções na língua de Camões em «Her». “A Rosa e o Bruno são duas grandes inspirações que tenho e a vontade é mesmo continuar a escrever em português, de preferência para lançar o álbum ainda em 2019, se a filhota deixar”, termina com mais um sorriso. À porta, entretanto, três 53

fãs a esperavam com ramos de flor. E, mais importante ainda, no hotel tinha à sua espera a melhor flor de todas, a Rosa Flor . ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

54


55

ALGARVE INFORMATIVO #180


REPORTAGEM

SÉRGIO SILVA, ENSEMBLE VOCAL INTROITUS E LÍDIA JORGE JUNTOS NA IGREJA MATRIZ DE BOLIQUEIME Texto:

ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #180 #180

Fotografia:

56 56


57 57

ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #180 #180


Festival de Órgão do Algarve rumou à Igreja Matriz de Boliqueime, no dia 16 de novembro, para uma noite inesquecível proporcionada pelo organista Sérgio Silva, o Ensemble Vocal Introitus e a escritora Lídia Jorge, que foi percorrendo os locais das diversas imagens e proclamando as respetivas orações que antecedem o texto musical. O concerto de canto gregoriano, polifonia e órgão foi constituído, então, por um itinerário vocal que teve por base de inspiração o património artístico da própria igreja, num concerto onde património, música e devoção se complementaram de uma forma harmoniosa e intensa. Mestre em Música pela Universidade de Évora, Sérgio Silva começou por estudar órgão no Instituto Gregoriano de Lisboa. Teve oportunidade de contactar com diversos organistas de renome internacional e, como concertista, tem atuado em Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, França, Alemanha e Macau. É organista titular da Basílica da Estrela e da Igreja de São Nicolau, em Lisboa. O Ensemble Vocal Introitus é um octeto de vozes masculinas constituído por tenores, barítonos e baixos provenientes do Coro Gulbenkian e do Coro Gregoriano de Lisboa. Tem percorrido todo o país e realizado numerosos concertos, sempre com Direção Musical a cargo de Manuel Líbano Monteiro . ALGARVE INFORMATIVO #180

58


59

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

60


61

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

62


63

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #180 #180 ALGARVE

64 64


REPORTAGEM

«A PIOR COMÉDIA DO MUNDO» ESGOTOU TEATRO DAS FIGURAS Texto:

65 65

Fotografia:

ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #180 #180


e há situações em que não devemos confiar em títulos ou rótulos, está é, certamente, uma delas, porque a sessão dupla esgotada, nos dias 17 e 18 de novembro, de «A Pior Comédia do Mundo» demonstrou que esta peça vale mesmo a pena ver. O texto original de Michael Fryan foi a cena pelas mãos de Fernando Gomes e contou, no elenco, com nomes de grande tarimba como Ana Cloe, Cristóvão Campos, Elsa Galvão, Fernando Gomes, Inês Aires Pereira, Jorge Mourato, José Pedro Gomes, Paula Só e Samuel Alves. O enredo é simples. O que aconteceria se, de repente, a porta dos bastidores se abrisse e o espectador tivesse acesso ao que por lá se passa? Está dado o mote para um olhar alucinante sobre o teatro e as loucuras e devaneios dos que o fazem, cujas tendências para crises descontroladas de ego, falhas de memória e alguma promiscuidade transformam cada atuação numa verdadeira aventura de alto risco. Por isso, «A Pior Comédia do Mundo» não é só apenas uma peça, mas, ALGARVE INFORMATIVO #180

66


67

ALGARVE INFORMATIVO #180


simultaneamente, um espetáculo de comédia e o drama de bastidores que se desenvolve durante a sua preparação. Através de três momentos chave – o ensaio geral, a noite de estreia e um espetáculo no fim de uma atribulada digressão – o público acompanha a crescente tensão entre os membros de um elenco à beira de um colapso nervoso coletivo, numa deliciosa farsa de bastidores com exultantes momentos de comédia. No original «Noises Off», foi levada a cena pela primeira vez em 1982, da responsabilidade do multi-nomeado e vencedor de um Tony, Michael Fryan, sendo considerado por muitos críticos como o melhor texto de comédia escrito no século XXI. Desde a estreia até à atualidade, contou com inúmeras reposições nas mais prestigiadas salas do mundo, foi nomeada para o Tony de «Melhor Espetáculo de Comédia» e recebeu os prémios Evening Standard e Olivier, na mesma categoria, entre outras distinções . ALGARVE INFORMATIVO #180

68


69

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

70


71

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

72


73

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

74


75

ALGARVE INFORMATIVO #180


REPORTAGEM

TATANKA E ANA NEWTON JUNTOS NUM ENCONTRO INÉDITO NO CINE-TEATRO LOULETANO Texto:

ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #180 #180 ALGARVE

Fotografia:

76 76


77 77

ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #180 #180


reconhecido intérprete Tatanka (The Black Mamba) juntou-se a uma grande voz sediada em Loulé, Ana Newton, para mais um encontro inédito no Cine-Teatro Louletano, no dia 18 de novembro, num ambiente musical intimista e envolvente que revisitou o repertório a solo de ALGARVE INFORMATIVO #180

Tatanka e as influências musicais de Ana, no âmbito do ciclo musical «O Longe é Aqui». Natural de Sintra e dono de um carisma e de uma voz inconfundíveis, Tatanka tornou-se conhecido como vocalista de uma das mais bemsucedidas bandas portuguesas da atualidade – The Black Mamba. Em 2016 inicia a carreira a solo, num registo mais 78


pessoal e de regresso às suas raízes, contando histórias e apresentando temas originais em português. «Alfaiate» e «De Alma Despida» foram os primeiros temas apresentados, em maio de 2017. Ana Newton nasceu em Faro, em 1980, e reside já há alguns anos no concelho de Loulé. Sendo filha e neta de músicos, iniciou o seu percurso musical académico aos sete anos no Conservatório Maria Campina em Faro, onde frequentou aulas de Formação Musical e Piano. Já na adolescência estreou-se como cantora autodidata, sendo esporadicamente acompanhada ao piano pelo pai. Aos 18 79

anos inicia a carreira profissional como cantora, atuando em vários locais turísticos da região como bares, hotéis e cine-teatros, ao mesmo tempo que prossegue os estudos académicos, completando uma licenciatura como Professora do 1.º Ciclo do Ensino Básico em Faro e um Mestrado em Educação Intercultural em Huelva. Mais tarde, abraça o mundo do Jazz e da Bossa Nova, com o quarteto «The Jazztrix» e com o seu próprio projeto «Ana Newton Quartet». Participou, a convite do professor e contrabaixista algarvio Zé Eduardo, no Dia Internacional do Jazz no Teatro Lethes em Faro . ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

80


81

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

82


83

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

84


85

ALGARVE INFORMATIVO #180


SEMEAR SAÚDE

A RARA E POUCO EXPLORADA

LEGG-CALVÉ-PERTHES Texto: Filipa de Almeida Mestre em Educação Social. Autora de um estudo de caso sobre a doença. Mãe e cuidadora. Um contributo da Associação Semear Saúde açamos um exercício antes de mais. Imaginemos uma vida sem Google, imaginemos uma vida sem informações, imaginemos um filho com uma dor incomodativa entre a virilha e o joelho que há semanas o incomoda e que começa a interferir na sua qualidade de vida e nas rotinas da família. Imaginemos (e desafio o leitor a experimentar isto em casa) uma hora, 60 minutos sem colocar um pé no chão! Pode ser o esquerdo, pode ser o direito, mas

ALGARVE INFORMATIVO #180

durante 60 minutos desafio-o a não colocar um pé no chão e tentar continuar com as suas rotinas normais. Qual terá sido o feedback? Quais terão sido as suas emoções? Parece-lhe uma experiência social sobre a artrite? Também, mas a artrite é característica de pessoas que chegam a um determinado patamar na vida, uma idade em que a energia permite gerir esses 60 minutos de outra forma. Continuemos no exercício de imaginação e, no limite, imaginemos que esta arduidade se manifesta no seu

86


filho ou filha dos 3 aos 12 anos de idade cheio de vida, possivelmente diagnosticado com hiperatividade. Parecelhe loucura? Parece-lhe que o exercício de imaginação perdeu grande parte da sua piada? Felizmente, é apenas um exercício de imaginação para o leitor. Infelizmente, é uma realidade para algumas crianças com uma duração amplamente superior a 60 minutos, 60 dias, podendo sim chegar aos 60 meses. Chama-se Legg-Calvé-Perthes, não se conhece ao exato o seu alcance em Portugal e, apesar de ter sido descoberta por três felizes acasos em 1910, a verdade é que só agora começa a suscitar alguma curiosidade. A doença de Legg-CalvéPerthes consiste, basicamente, numa condição em que a cabeça do fémur não tem (por algum motivo) fornecimento de sangue, a anca perde a circulação sanguínea e, consequentemente, deixa de ser nutrida e torna-se frágil. Com o prolongar desta falta de circulação sanguínea a cabeça do fémur morre (necrose), mas conforme a circulação sanguínea vai sendo restabelecida, cresce gradualmente um novo osso, dando lugar ao osso por si já fragilizado. Em algumas crianças, este novo osso influencia a forma original da cabeça do fémur. Clinicamente falando, a doença é descrita como uma «necrose vascular do núcleo de ossificação da epífise proximal do fémur, seguida por fratura subcondral, revascularização e a remodelação do osso morto durante o desenvolvimento da criança». Parece simples, mas conforme o exercício que já fizemos, esta simples definição da doença acarreta algumas adaptações na rotina, na escola da criança, 87

no trabalho dos pais, na vida financeira e até afetiva dos pais, na gestão dos contornos da doença (médico, hospital, tratamento conservador ou cirúrgico, fisioterapia, aquaterapia, alguns médicos recomendam também bicicleta e o Dr. Nuno Craveiro Lopes recomenda a hipoterapia numa fase mais avançada da doença, algumas crianças aumentam consideravelmente de peso pelo que se recomenda o seguimento de nutricionista e prestar atenção a análises sanguíneas, em muitos casos é comum recorrer a acompanhamento psicológico.) E que tratamentos? O tratamento/seguimento da doença depende principalmente de três fatores: idade da criança, estádio da doença e severidade da doença. Quanto mais cedo surge a doença, maiores as probabilidades de um bom prognóstico. Na década de 50 e de 60, as crianças diagnosticadas passavam por longos internamentos nos hospitais e colocadas em repouso absoluto na cama, tal como acontecia enquanto a doença foi confundida com a tuberculose. Durante a década de 70 e 80, eram utilizados aparelhos ortopédicos (ortóteses) no intuito de reduzir a carga sobre o osso, no sentido de prevenir o colapso e a deformação da cabeça do fémur. A utilização das ortóteses foi mais tarde abandonada devido à ineficácia demonstrada por vários estudos. A partir da década de 90, vulgarizaram-se as osteotomias femorais que visavam a recentragem do osso dentro do acetábulo. ALGARVE INFORMATIVO #180


Hoje, novas técnicas promissoras surgem no horizonte da doença. Nem todos os estudos demonstram a eficácia das osteotomias e apesar de não se encontrarem amplamente disponíveis em Portugal, algumas técnicas começam a ter algum impacto positivo nas crianças diagnosticadas. São elas: Distração articular (Artrodiastase) – Através da utilização de fixador externo, são colocados pinos através da pele no osso da bacia e fémur para aumentar o espaço na articulação permitindo o crescimento da cabeça do fémur de forma mais arredondada. Nuno Craveiro Lopes recomenda a artrodiastase para os doentes com pior prognóstico onde a osteotomia não se mostrou eficaz, com resultados muito interessantes através da utilização do fixador externo. Tunelização – Perfuração de pequenos orifícios (4/5mm) na epífise da cabeça do fémur, atuando como um novo caminho para novos vasos sanguíneos entrarem na cabeça do fémur. Nuno Craveiro Lopes reabilitou a tunelização epifisiária, utilizando-a como tratamento precoce e ALGARVE INFORMATIVO #180

88


prevenção da doença ainda durante a fase inicial da doença, utilizando a ecografia para sinalizar a fase inicial da doença. Descompressão do núcleo – Perfuração de um orifício na cabeça do fémur (10/12mm), removendo o osso morto, onde no espaço livre removido alivia a pressão da articulação danificada, estimula a revascularização (retoma da circulação sanguínea), permitindo o crescimento de osso novo.

. Quem olha para ele não imagina… Se é possível ultrapassar a doença nos estádios iniciais, então porque é que continua a ser necessário sensibilizar para a doença? E porque é que continua a ser necessário formar/informar os cuidadores do que os espera quando os seus filhos são diagnosticados com a tal de Legg-Calvé-Perthes se existem soluções? Estes «mistérios» ficarão para um outro debate .

Fatores de crescimento ósseo – Proteínas morfogenéticas, fatores de crescimento plactar, células estaminais. Parece tudo muito complicado? O International Perthes Study Group tem muita informação credível através do seu site Perthes.org inclusivamente informação para mães e pais que como cuidadores, se debatem com o maior desafio da doença: a falta de informação e diretivas de como cuidar. Em Espanha, a ASFAPE (Associação Famílias com Perthes) dedica-se à divulgação da doença e apoio aos cuidadores. Foi esse o tema que explorei na minha dissertação de mestrado, foi através do que fui descobrindo na investigação, que recorri ao Nuno Craveiro Lopes e, graças à tunelização, que não durou mais que 30 minutos, nove meses depois, o meu filho que há dois anos e meio não caminhava sem apoio de cadeira de rodas ou canadianas, hoje joga futebol com os amigos e está saudável

89

ALGARVE INFORMATIVO #180


SEMEAR SAÚDE

INOVAÇÃO TERAPÊUTICA PARA ANSIEDADE E STRESS - TRE® Texto: Jamardo Torres de Almeida Um contributo da Associação Semear Saúde ansiedade e o stress são o sal e a pimenta da nossa vida contemporânea. Um pouco, e nossos dias são agradavelmente temperados; demais ficamos sobrecarregados. O Ministério da Saúde indica que o número (entre os inscritos nos centros de saúde) de portugueses com depressão passou dos 6,85 por cento para os 9,8 por cento, entre 2011 e 2017. Quanto às perturbações de ansiedade, a percentagem praticamente duplicou (dos 3,51 por cento para os 6,51 por cento) (Rita Costa https://www.publico.pt/2018/) Na Europa, o stress ligado à atividade profissional é o segundo problema de saúde mais frequente e diretamente causado pelo trabalho. Neste contexto, refira-se que, segundo a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, 50 por cento dos trabalhadores considera o stress algo de comum no local de trabalho; entre 50 e 60 por cento de dias de trabalho perdidos são devido ao stress ligado à atividade profissional. De acordo com dados divulgados recentemente, aproximadamente 15 por cento das pessoas ativas em Portugal em 2016 estavam em estado de burnout. ALGARVE INFORMATIVO #180

Mais de 300 milhões de euros é o custo anual estimado às empresas portuguesas por falta de cuidado de saúde mental. (http://www.rhonline.pt/2017). Então, como é que podemos reduzir a carga, o stress? Exercício? Respiração profunda? Música? Medicamentos? Ervas? Dormir? Tentativas e um exército de bons hábitos, utilizados de forma isolada, que podem promover um estilo de vida saudável?… E ainda assim, com o passar dos anos a percentagem de pessoas com transtornos vai aumentando. Vamos focar então, não no problema, mas na solução. Baseado no funcionamento das respostas primitivas (instintivas) de proteção da vida, desenvolveu-se um método bem estruturado que viabiliza a dissolução de padrões profundos de tensão, reduz os efeitos do stress acumulado e facilita o reprocessamento de experiências difíceis do passado. Este método é conhecido como TRE® O que é o TRE®? O Tension & Trauma Release Exercises (TRE®) foi desenvolvido por David Berceli PhD e é uma técnica terapêutica que ativa com segurança o mecanismo 90


de reflexo natural de tremores neurogénicos. Quando este mecanismo de tremores musculares terapêuticos é ativado num ambiente seguro e controlado, o corpo é estimulado a retornar a um estado de equilíbrio físico e emocional (homeostase). Trata-se de uma sequência de movimentos corporais conscientes, produtores de relaxamento e bem-estar, não invasiva, não catártica, com aplicação em ampla variedade de contextos. A técnica impressiona pela simplicidade, pelo fundamento teórico e, acima de tudo, pelos resultados. Quem pode se beneficiar: Qualquer pessoa! O TRE® tem vindo a ser amplamente utilizado, em mais de 60 países e por pessoas de todas as idades, como instrumento de autocuidado para cultivar um maior relaxamento, equilíbrio emocional e bem-estar. No Brasil, Distrito Federal (Brasília), já faz parte do sistema de saúde (SUS) como terapia integrativa. Instituições e profissionais que atuam em contextos de risco e/ou stress extremo, paramédicos, socorristas, militares, polícias, bombeiros e outros) têm encontrado no TRE® uma forma segura e eficaz para desbloquear tensões e libertar o stress gerado pela própria natureza da atividade profissional. 91

Os seus benefícios incluem: relaxamento profundo, melhoria do sono e superação de medos, fobias e outros sintomas característicos do stress acumulado. O que torna o TRE® único? Os tremores musculares terapêuticos evocados pelo processo de exercício do TRE® são uma resposta natural, interna, neurofisiológica do corpo para reduzir o seu próprio stress e restaurar a sensação de bem-estar. O TRE® é um processo ALGARVE INFORMATIVO #180


baseado no corpo (somático) que, quando feito corretamente, em sessões com um terapeuta de TRE® certificado, permite que o indivíduo descarregue a tensão do corpo, o que não requer «reviver» a situação que causou o trauma ou surgimento da tensão. O TRE® foi concebido para ser uma ferramenta de autoajuda que, uma vez aprendida, pode ser usada conforme necessário, ao longo da vida, apoiando e promovendo continuamente a saúde e a integridade pessoal. Pode ser ensinado como uma prática complementar eficaz quando integrada a outras modalidades de tratamento por profissionais de cura,

ALGARVE INFORMATIVO #180

incluindo no tratamento de ansiedade, do Transtorno do Stress Pós-traumático e na recuperação de desordens fisiológicas e emocionais. O TRE® pode ser ensinado em grupos grandes para comunidades que sofreram traumas em massa e promove a coesão e abertura entre os participantes, podendo ser uma ferramenta útil para a resolução de conflitos (comunicação interpessoal, corporativa e política). Pode atravessar as barreiras da cultura e da língua porque é baseado em respostas fisiológicas naturais compartilhadas por todos os seres humanos .

92


93

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

94


95

ALGARVE INFORMATIVO #180


OPINIÃO

Tanta gente a julgar para tão pouca a pensar Paulo Cunha (Professor) ntre os muitos «selos» que povoam as redes sociais e que, pretensamente, se destinam à autoajuda, à meditação e à apreciação sobre o conteúdo dos mesmos, houve um que me chamou, particularmente, a atenção. De tal forma que me fez aqui dissertar, em forma de «desabafo», sobre o seu conteúdo. Constava no dito «selo» esta frase atribuída ao psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica, Carl Jung: "Pensar é difícil, é por isso que a maioria das pessoas prefere julgar". Acheia especialmente interessante, pois uma das razões que me levam, semana após semana, a aqui dissertar sobre o que penso sobre temas que fazem parte das nossas vidas e, de uma forma ou de outra, nos tocam é estimular a reflexão e o debate. Ora para que tal aconteça, tenho que potenciar o vosso interesse na sua leitura, por forma a que seja continuada e consequente e assim despolete no leitor o desejo de a complementar, de discordar ou de a contestar. Nada me dará maior prazer, pois ao ler ou ouvir os vossos comentários, convosco aprendo um pouco mais através da vossa visão analítica e crítica. Assumindo as minhas opiniões como verdadeiras, pois, ainda que subjetivas, estão assentes num pensamento estruturado na realidade que me rodeia, não tenho o que temer por partilhá-las com quem não concorde. Aliás, é na dialética que, a toda a hora, crescemos um pouco mais enquanto seres viventes, pensantes e racionalmente prolíficos e criativos. Num novo tempo onde muitos dos meus colegas (professores) continuam insuficientemente preparados para enfrentar uma nova geração de alunos com uma multiplicidade de conhecimentos em áreas divergentes daquelas que são ensinadas nos currículos escolares e com mais sede de informação do que de formação, continuamos a formar as novas gerações com base num sistema arcaico assente em monólogos em sala

ALGARVE INFORMATIVO #180

de aula e com provas que continuam a valorizar o decorar ao contrário do saber e do compreender. É caso para questionar: será assim que, numa altura em que tudo muda de forma rápida e imprevisível, se pretende estimular o pensamento crítico e construtivo como forma de adaptação a este tempo novo? Não estando preparados para pensar, questionar, refletir, argumentar e decidir, como é que poderemos criticar quem, hoje, apenas sabe julgar? É paradigmático o exemplo do professor que um dia questionou os seus alunos sobre qual seria o livro que levariam se fossem morar numa ilha deserta, tendo todos eles mencionado grandes obras literárias, ao que o professor, sorrindo, respondeu: “Não seria mais proveitoso um Manual de Sobrevivência?” Eu e muitos de vós sabemos que não é fácil colocarmos as nossas crenças e opiniões de parte, para assim fazermos uma análise isenta e equidistante relativamente a tudo o que acontece no nosso quotidiano. Obviamente, é muito mais fácil julgar! Julgamentos alicerçados na opinião pública, na desinformação, no preconceito e, sobretudo, na necessidade de legitimação e aceitação grupal. É imperioso construir discursos e práticas pedagógicas que permitam orientar a perceção do que significará o ser e o estar no mundo. Só assim poderemos ajuizar com base em conceitos e vivências previamente adquiridos, reconhecendo-os (ou não) como impulsionadores na busca do significado, da compreensão e da solução. Tão simples de racionalizar, mas, ao mesmo tempo, tão difícil de operacionalizar e de materializar!? Por isso transformamo-nos numa sociedade de juízes que, em causa própria, julgam a torto e a direito sobre uma verdade destituída do seu principal fundamento: o direito a ser «a verdade» de quem a profere! Pensar é difícil? É, mas mais difícil é viver com o peso de um julgamento indevido e incorreto. Pelo menos para mim. E para vós? .

96


97

ALGARVE INFORMATIVO #180


OPINIÃO

Exaltação do intervalo – O jogo na/da arte de Gustavo Jesus Mirian Tavares (Professora) “Mesmo sem compreender, quero continuar aqui onde está constantemente amanhecendo”. Caio Fernando Abreu

m 1938, o filósofo Johan Huizinga escreveu «Homo Ludens». Nesta obra ele conclui que o jogo é parte constitutiva do homem, tão básico como o fazer, o jogar é um dos elementos que ajudam a humanidade a construir a civilização. Anos mais tarde, outro filósofo, Alfredo Bosi, pede emprestada a definição de jogo do Huizinga e utiliza-a para definir a arte: “uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida quotidiana”. Na arte, como no jogo, manipula-se o tempo e o espaço e cria-se uma temporalidade própria, através das regras previamente estabelecidas, mas que podem, e são, constante ultrapassadas ou reinventadas. O homo sapiens, faber e ludens pode ser também o homem criador ou o artista. A pergunta que muitos tentam responder é: onde e quando começa a criação? O que difere o ato criador de um outro ato, também capaz de criar objetos? Esta questão é fulcral para o artista Gustavo Jesus. Na sua obra, o jogo é um princípio ativador de um conjunto de ideias que o artista quer partilhar connosco. Muitas destas ideias são, de facto, questões que percorrem seu trabalho desde o princípio: qual é o ponto exato em que a arte se torna arte? O que leva o artista a criar?

ALGARVE INFORMATIVO #180

De diversas maneiras o artista implica-se naquilo que faz, penetra nos seus objetos, deixa que estes objetos o penetrem ou que o envolvam como um casulo. E dentro deste casulo o artista nasce. É a obra que faz nascer o artista, como um exercício de maiêutica, tudo está conectado, arte e artista fazem parte de um todo cosmogônico e para desenlaçá-los é preciso fazer as perguntas certas. Para o artista, a sua obra é autojustificada, mas na sua inquietação, necessita encontrar respostas que podem estar na própria arte ou além dela. Como Huizinga que considerava o jogo parte essencial do homem e como Bosi que comparou a arte ao jogo, Gustavo Jesus joga com a arte e com as palavras, com os conceitos, com as questões que lança para si mesmo e para os espetadores. Todos somos convidados a penetrar nos espaços em que a obra se instala, nos espaços entre as obras, no espaço em constante suspensão – não nos apercebemos onde começa a obra e onde finda o processo de criação. Os objetos oscilam entre o peso e a leveza, entra uma presença marcante e uma ausência prevista, entre o jogo e a vida. Muita coisa acontece nos espaços vazios, nos intervalos, nos espaços entre as palavras, entre o dito e o não dito. Na obra de Gustavo Jesus, o intervalo é visível e é entre uma peça e outra que a arte se revela – num espaçoentre, onde tudo começa e volta a recomeçar, onde a obra nunca se finda, porque está em constante (re)criação .

98


99

ALGARVE INFORMATIVO #180


OPINIÃO

Púrpura Voz – O caminho percorrido Adília César (Escritora) caixeiro viajante é aquele que nunca interrompe o poema Adão Contreiras

commis voyageur est celui qui n’interrompt jamais le poème

nossa viagem começa em Março de 2017, quando é publicado o livro de poesia «Púrpura Voz» de Adão Contreiras, um conjunto de poemas distribuído por quatro partes – «de ti o que digo, inquieta palavra, mutilado corpo, estreme canto» – onde o poeta exibe rumos possíveis para as palavras, mundos poéticos em lugares dispersos da sua profícua idade. Adão Contreiras nasceu em 1944, nos Gorjões, Algarve. Estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio e na Escola Superior de Betas Artes de Lisboa. Realizou inúmeras exposições individuais e colectivas de pintura e escultura. Foi professor nos Ensino(s) Básico e Secundário. Colaborou com as seguintes publicações: «Jornal do Algarve», «Sete-Estrelo», Revista de Literatura «Aulido», Revista de Literatura «Sulscrito» e Revista de Literatura «LÓGOS – Biblioteca do Tempo». Sem rejeitar a sua produção a nível da pintura, escultura e instalação, Adão Contreiras vem a estrear-se como poeta na revista Sulcrito N.º 3 (Junho de 2010), coordenada por Fernando Esteves Pinto, onde foram publicados «20 parágrafos» subordinados ao mote «Página Móvel com Texto Fixo». Mais tarde, estes apontamentos ALGARVE INFORMATIVO #180

100


poéticos foram ampliados até aos 101 parágrafos, dando corpo ao livro «Página Móvel com Texto Fixo», na editora 4águas, também pela mão de Fernando Esteves Pinto, o qual, aliás, promoveu e possibilitou as seguintes edições de Adão Contreiras: «Ouro e Vinho» (2014), «Mostruário de Títulos para Poemas» (2016) também na Editora 4águas, e ainda «Púrpura Voz» na Editora Lua de Marfim. Adão Contreiras mantém vivo o seu interesse pela reflexão focada no cenário literário da actualidade e, juntamente com Fernando Esteves Pinto e Adília César, participa como assistente editorial na génese da Revista de Literatura «LÓGOS – Biblioteca do Tempo» (desde Setembro de 2017). Catherine Dumas, professora emérita de língua e literatura portuguesas na Universidade da Sorbonne Nouvelle Paris 3, e residente no Algarve durante grande parte do ano, é leitora atenta da poesia de Adão Contreiras. Nesse sentido, foram estabelecidos os contactos necessários para traduzir «Púrpura Voz» para a língua francesa, e apresentar esta peculiar poesia – «Pourpre Voix» (2018) como o nº 7 dos Cahiers de Poésie Bilingue, publicado pela Presses Sorbonne Nouvelle. Neste livro foram incluídos alguns inéditos e uma introdução redigida expressamente pela tradutora para esta edição. A capa reproduz uma imagem do livro de artista de Adão Contreiras, baseada na Ode Marítima de Fernando Pessoa. O autor concebe a criação artística como um acto único, sem estabelecer fronteiras para as artes que mais lhe interessa explorar. A colecção bilingue tem como principal objectivo apresentar ao público francês a poesia contemporânea de autores ainda pouco conhecidos mas que merecem uma divulgação mais alargada. Assim é a poesia de Adão Contreiras: merece ser lida. O «pintor-poeta» assume-se como um «triturador de imagens» e propõe um certo ambiente esotérico para a sua escrita, aliada à sua condição de artista plástico: um jogo de imagens poéticas onde é possível percepcionar uma espécie de «cinza misturado com ouro» sobre os versos, particularidades evidenciadas no seguinte poema: texte est paysage sur les rives de la sérénité oú des mots respirent

texto é paisagem sobre margens de sossego onde palavras respiram

texte est cri faisant écho sur le vide de la page

texto é grito ecoando sobre o vazio da página

les choses nouées parles noms entre la chaleur du corps et l’objet en fuite

as coisas atadas pelos nomes entre o calor do corpo e o objecto em fuga

Demarcada dos lugares comuns, a poesia de Adão Contreiras – Pourpre Voix (Púrpura Voz) – ensina a aceitar a melancolia de uma certa solidão: laisse les baisers pou plus tard ne créons pas de tragédies sur nos lèvres

deixa beijemo-nos depois não criemos tragédias nos nossos lábios

Este livro interroga continuamente, tendo em conta a intenção do poeta: «eu gostaria de começar a escrever pelo lado de trás, onde a intriga do silêncio é a preocupação da clareza». E eu acrescentaria: no plano destinado à apreciação do leitor, que é o papel que me cabe, a voz de Adão Contreiras – a Púrpura Voz – transforma-se em Poesia .

101

ALGARVE INFORMATIVO #180


OPINIÃO

Do Reboliço #16 Ana Isabel Soares (Professora) Reboliço encosta o focinho ao vidro da janela, morno ainda da noite. À volta dele, embacia-se um bocadinho do mundo, enquanto o bicho vê e escuta a chuva que cai miúda na terra e nas pedras da rua. Toda a noite, mansa, foi gotejando, e agora faz mudar o som das patas do rebanho de ovelhas e cabras do vizinho, quando passam, pesadas de pele, pêlo e água. Da janela, dentro de casa o Reboliço só lhes vê o topo creme, lãzudo e crespo do lombo; só lhes ouve as sinetas dos badalos e o troar de passarem mesmo ao lado da parede, por não ser oco o chão e estar a terra molhada em vez de seca. O chão soa diferente, se estiver tempo de chuva ou se estiver seco o solo. Soa a tchaptchap na chuva, a tump-tump na seca, e o Reboliço pensa nesses tantos sons que existem no mundo. Alguém canta que é “um som assim – um barulhinho bom”. É nessa bondade que pensa, enquanto com o respirar o vidro à frente dele se embacia. Para lá da casa, no lugar da horta pendem com a chuva as folhas do coentro, que são finas. Pendem pouco as da mais grossa hortelã, pouco pendem as das laranjeiras, dos limoeiros, das tangerineiras – folhas rijas e vigilantes dos frutos que alaranjam ou amarelecem com o pouco e brando de sol que o Outono lhes dá. O arbusto de erva príncipe quase nem nota as gotas que caem. O de bela-Luísa, em contrapartida, mesmo se tem tronquinhos duros, arrelia-se – ou alegra-se, que tanto se agitam as folhas, e com tanta energia. Impassíveis, de todo, são os cactos. Ou a praga de espinafres, abrigados pelas árvores a cujo tronco se encostam. As flores dos tupinambos já vergaram quase todas – as raízes

ALGARVE INFORMATIVO #180

empurraram a terra, abrindo-a para se libertarem. Nas folhas de todas as plantas se ouve o barulho das gotas, e é diferente em cada uma. Aquelas onde mais se espalha o ruído é nas da figueira, que são largas e grossas, como mãos do lavrador calejadas de rugas que na figueira são também as veias. O Reboliço ouve todos os barulhos da chuva: é uma música inconstante, que espanta de cada vez que uma gota percute uma folha, sempre – pensa o Reboliço – desde que o mundo é mundo e nele existe gente. É um barulho que se faz ver, não só ouvir. De focinho a embaciar a janela, olha o canito para fora e percebe como tremem ao desabotoar do céu os tronquinhos da parreira, a corda do estendal de onde a mãe já não foi a tempo de recolher a roupa, e para onde se lança de inúteis mãos por cima da cabeça, os sapatos tchap-tchap como as patas das ovelhas, sem olhar às poças, a cor da roupa recolhida a escurecer com o molhar-se, vivas aguarelas. Faz-se ver a chuva porque esborrata as imagens da janela – faz enlanguescidos os contornos do mundo, e o mundo líquido, deformado, os rebordos dele como se fossem as juntas de chumbo num vitral. Os beirados – muito direitos, inteiros, caiados nos remates – preparavam-se para o tempo do Outono, para as nuvens mais escuras. Encostado ao vidro fino já frio, o Reboliço abre os olhos e segue com eles o trânsito das gotas em carrinhos de choque, janela abaixo, e deixa alerta as orelhas a habituarem-se àquele canto mole que a terra acolhe. A mãe corre a trazer alguma roupa, que tirou da corda mais encharcada do que quando a estendeu. Abriga-se no umbral da porta, indecisa alguns segundos se há de aguardar que a chuva pare e voltar a 102


Foto: Vasco Célio

estender as peças. À frente dela atravessase, apressado, um dos podengos que acompanham o rebanho. Leva encharcado também o pêlo, o focinho baixo e a cauda encolhida. Por cima de todos, muito atrás da nuvem única, o sol não é senão a sugestão dele, um halo de sombra esbranquiçada. (O Reboliço lembra-se de alguém que lia sobre 103

uma ideia, ao entardecer, num rio longínquo: “parecido a um daqueles halos enevoados que por vezes se tornam visíveis pela iluminação espectral do luar”.) . *Reboliço é o nome de um cão que o avô teve, no Moinho Grande. É a partir do seu olhar que aqui escrevo. ALGARVE INFORMATIVO #180


OPINIÃO - Tudo em Particular e Nada em Geral

Ah, eu gosto é do inverno! Carla Serol (Uma Loira Qualquer) h o inverno, não há estação do ano mais fantástica do que esta, para nos fazer sentir miseráveis, deprimidos, pobres e cinzentos, e que nos dá aquele aspeto abatido e infeliz que eu costumo designar (perdoem-me os mais sensíveis), de «cor de bufa»! Esse aspeto malfadado, de tão amarelo, deixa qualquer um de nós a roçar a aparência dos simpáticos orientais. Senhoras, não se descuidem ao aplicar o eyeliner, pois um risco mais intenso para rasgar o olhar, e arriscam-se a serem confundidas com uma qualquer senhora chinesa, do restaurante chinês que serve sushi, que por sua vez é japonês, e que em simultâneo também é uma loja que vende toda e mais alguma bugiganga, e na qual todos nós, em algum momento da nossa existência, já lá entramos. Sim, no inverno tudo é melhor. Comecemos logo pelo vestuário. No verão, por exemplo, essa estação horrível que deixa as pessoas comprovadamente mais bonitas e felizes, apresentamo-nos de forma básica com apenas duas pecinhas ou até mesmo só com uma, no caso do universo feminino. Um aborrecimento só! Do que vale ter um roupeiro cheio de roupa, se só se pode usar uma peça ou duas no máximo por dia?! Só neste argumento o inverno bate logo toda e qualquer outra estação do ano, pois é a única que nos permite exibir de forma pomposa todo o nosso património indumentário. Sim, de forma pomposa no sentido literal da palavra… a pessoa fica fofa, que nem um pompom por baixo de tanta camisola, casaco, cachecol e sobretudo. Qualquer gordo no inverno é feliz, pois é mais fácil encontrar semelhantes. Todos estes podem assim desculpar-se daqueles quilos a mais, muitos deles a lá residirem há imensos meses, com a imensa roupa que carregam. O Natal não tem culpa, logo não façam disto uma conspiração à moda de Dan Brown!

ALGARVE INFORMATIVO #180

No inverno também nos é dada a possibilidade de poupar dinheiro em futilidades, como no cabeleireiro, por exemplo. Vejamos: de que vale ir ao cabeleireiro arranjar o cabelo, se ao ir com o miúdo ao parque, ou passear o cãozinho, assim bem como praticar as inúmeras atividades ao ar livre que nos são permitidas realizar durante esta agradável estação do ano, a ventania e a humidade que muitas das vezes se fazem sentir, são capazes de transformar qualquer um, até um calvo, numa Maria Bethania?! Sim, e desenganem-se se acham que podemos contornar o problema mudando o programa por uma ida ao Shopping! É que aqui no Algarve, onde, como as pessoas entendidas nesta matéria sabem, nunca chove! Razão pela qual as ditas superfícies comerciais são todas mais escancaradas que a boca de uma famosa jornalista, que agora até deu em procuradora… Portanto, perfeitamente dispensável ir ao Coiffer. Reserve antes esses euros para medicamentos para a gripe, desobstrutores e duches nasais, volumes de lenços de papel e analgésicos. Serão indubitavelmente muito melhor aplicados. E sim, gosto de, por vezes, aplicar palavras francesas aos assuntos, porque estas dão um ar sério e glamoroso. E se estamos a falar de desobstrutores nasais, convém dar alguma classe a isto. Com tudo isto concluo que quem não gosta do inverno em detrimento do verão é parvo… no mínimo. O verão só serve para andarmos por aí a fingir que somos felizes, a julgar que somos saudáveis uma vez que só temos cor porque apanhamos sol, e para gastar dinheiro em protetores solares para livremente passarmos o dia com as crianças na praia, em passeios em família e jantaradas ao ar livre com os amigos, em que ficámos à mesa na esplanada de rua, pela noite dentro, a rir que nem uns perdidos de piadas sem graça, sobre aventuras divertidíssimas passadas em invernos fantásticos que já tivemos! .

104


105

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

106


107

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO DE 2018 DE LAGOA JÁ TEM VENCEDORES Convento de S. José, em Lagoa, foi palco, no dia 20 de novembro, do IV Fórum Regional - Rede de Autarquias Participativas, promovido pelo Município de Lagoa em parceria com a Rede de Autarquias Participativas e dirigido aos membros da Rede, decisores políticos, técnicos autárquicos, organizações não governamentais, associações e público em geral. Um dos momentos altos da jornada de reflexão foi a apresentação das quatro propostas mais votadas na edição de 2018 do Orçamento Participativo de Lagoa,

ALGARVE INFORMATIVO #180

dotado de 300 mil euros, e a entrega aos proponentes das cartas onde a autarquia assume o compromisso pela execução dos projetos vencedores. Assim sendo, o projeto mais votado na edição de 2018 do Orçamento Participativo de Lagoa diz respeito ao abastecimento de água no Vale da Vila, no valor de 99 mil euros e 860,43 euros, seguindo-se o projeto do asfaltamento do acesso ao Vale da Vila, avaliado em cerca de 65 mil euros. Também contemplados no OP de 2018 de Lagoa foram a continuação do alcatroamento da estrada de Vale Canada (95 mil e 500

108


euros) e a aquisição de uma carrinha de nove lugares para servir a população de Ferragudo (35 mil euros). Na mesma cerimónia foram entregues simbolicamente as placas identificativas das propostas vencedoras da edição de 2017 e foram assinados os protocolos de entrega das carrinhas de apoio à população, através da sua cedência aos Centros Sénior de Porches, Lagoa e Carvoeiro. Recorde-se que os grandes vencedores de 2017 do OP foram a construção de um Circuito Pumptrack, a requalificação/paviment ação do final da Rua 25

109

de Abril em Estômbar até ao Túnel das Marinhas, o Parque Urbano na Bela Vista e a aquisição das referidas carrinhas .

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

MUNICÍPIO DE ALBUFEIRA APOIA «MOVIMENTO CÍVICO SALVAR + VIDAS» Câmara Municipal de Albufeira deliberou, no dia 30 de outubro, apoiar o «Movimento Cívico Salvar + Vidas», constituído por um grupo de cidadãos que unir esforços em torno de uma causa comum: o combate à morte súbita e ao direito constitucional que é o direito à vida e, consequentemente, à possibilidade de uma vítima poder ser reanimada. O presidente do Município, responsável pela apresentação da proposta em reunião do Executivo, referiu tratar-se de uma forma de impulsionar e contribuir para a concretização dos objetivos preconizados no Manifesto do «Movimento Salvar + Vidas», que genericamente passam por alertar a sociedade para a necessidade de um país mais preparado para responder a emergências médicas e situações de paragem cardiorrespiratória, conseguir que um terço da população tenha formação em suporte básico de vida e utilização do Desfibrilhador Automático Externo (DAE) e que, até 2030, se verifique um aumento de 30 por cento relativamente à taxa de sobrevivência da morte súbita cardíaca. Recorde-se que, em Portugal, a taxa de sobrevivência da morte súbita cardíaca é muito baixa (menos de 3 por cento), sendo que o problema afeta 10 mil pessoas por ano (uma vítima por hora). Entre os problemas identificados está o facto de a população não saber fazer suporte básico de vida (o socorro é iniciado antes da chegada do 112 em apenas 25 por cento dos casos) e o acesso aos desfibrilhadores ALGARVE INFORMATIVO #180

ser ainda muito reduzido (apenas dois desfibrilhadores por 10 mil habitantes). “O Município de Albufeira é pioneiro nesta matéria, desde outubro de 2017, data em que no âmbito da nossa responsabilidade social, implementamos, de forma voluntária, um Programa de Desfibrilhação Automática Externa (PDAE), destinado à comunidade, com caráter inovador em Portugal, uma vez que disponibiliza equipamentos DAE instalados na via pública. Estes são acionados por chamada remota, mobilizando uma cadeia de comunicação (alerta da situação) que envolve socorristas de proximidade 110


(civis), Bombeiros e militares da GNR”, explicou José Carlos Rolo, realçando ainda que deste modo, o concelho de Albufeira assume-se como uma área geográfica do território nacional com locais públicos cardioprotegidos, através do binómio equipamento DAE/socorristas de proximidade, “o que possibilita uma intervenção em caso de doença súbita por paragem cardiorrespiratória mais precoce”. Este procedimento inovador corresponde às últimas orientações do Grupo de Trabalho – Requalificação do Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa, criado em março de 2018 pelo Gabinete do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde. Foi também graças a este programa que, no dia 16 de outubro, o Município de Albufeira recebeu o galardão

de «Melhor Município para Viver», na categoria «Social», uma iniciativa da responsabilidade do Instituto de Tecnologia Comportamental (INTEC), que desde 2008 distingue os melhores projetos nos domínios do Ambiente, da Economia e do Social. “O compromisso de salvar vidas e contribuir para o sucesso da Cadeia de Sobrevivência em Portugal, assumido pelo Município de Albufeira, está no alinhamento e em consonância com as iniciativas que o «Movimento Salvar + Vidas» tem prosseguido quanto à capacitação da comunidade e da população em geral, aumentando as competências de resposta imediata a situações de emergência relacionadas com eventos de paragem cardiorrespiratória”, acrescentou José Carlos Rolo .

ALBUFEIRA PRESENTE NO XV CONGRESSO INTERNACIONAL DE CIDADE EDUCADORAS Município de Albufeira participou no XV Congresso Internacional de Cidades Educadoras, que se realizou no Centro de Congressos do Estoril, reflexo da aposta no desenvolvimento do conceito de «Cidade Educadora» no concelho e como membro da Rede Territorial Portuguesa das Cidades Educadoras desde 2007. “Albufeira é um Município empenhado no serviço à educação, tendo sempre acolhido as propostas do ministério e desenvolvido uma ampla rede pública de apoio à educação formal, a qual integra ludotecas, bibliotecas, espaços de A.T.L., uma escola fixa de trânsito, componente de apoio à família, 111

assegurada em todos os jardins-deinfância, um centro educativo intergeracional, assim como um gabinete de apoio à juventude. Temos vindo também a desenvolver, através das Divisões de Educação e Ação Social, Ambiente, Património e Cultura, vários programas educativos que contribuem para a educação não formal e para a aproximação dos alunos do Concelho ao seu meio envolvente. É também um Município com grande cultura associativa e desportiva, encontrando-se nestes meios um grande potencial de educação não formal”, salientou José Carlos Rolo .

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

CONSELHO DE INOVAÇÃO REGIONAL DO ALGARVE APRESENTOU RESULTADOS E PERSPETIVOU O FUTURO Secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Souza, presidiu, no dia 15 de novembro, em Albufeira, à abertura dos trabalhos da 3.ª Reunião do Conselho de Inovação Regional do Algarve (CIRA), órgão consultivo que junta representantes de entidades públicas, associações, empresas e a academia, no âmbito da dinamização da Estratégia Regional para a Especialização Inteligente (RIS3 Algarve). Para o governante, “o Portugal 2020 tem um balanço bastante positivo. Em termos de execução, temos 77 por cento da verba comprometida e 30 por cento executada, o que coloca ALGARVE INFORMATIVO #180

Portugal como o país com o maior nível de execução ao nível europeu, entre os países que têm pacotes financeiros semelhantes, acima de cinco mil milhões de euros”. “O Algarve dispõe de um programa específico, com taxas de compromisso e de execução na ordem dos 60 por cento e dos 17 por cento, respetivamente, o que coloca a região em linha dos outros programas operacionais regionais do continente”, afirmou Nelson de Souza, desafiando os participantes a envolverem-se na elaboração da estratégia pós-2020 e a procurarem novas formas de financiamento, para além dos fundos da 112


União Europeia, ao mesmo tempo que felicitava a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR Algarve) pelo trabalho desenvolvido na preparação do Portugal 2030. Durante a reunião do CIRA, dinamizada pelo Órgão de Acompanhamento das Dinâmicas Regionais da CCDR Algarve, foi aprovada a criação de dois novos grupos de trabalho nos domínios temáticos das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e das Indústrias Culturais e Criativas (ICC), completando assim o modelo de governança da RIS3 Algarve. Segundo destacou o presidente da CCDR Algarve, Francisco Serra, “o encontro foi um momento para balanço dos trabalhos, de partilha e reflexão sobre o caminho já percorrido na região no âmbito da preparação do período pós-2020”. Recorde-se que o CIRA tem como missão concreta acompanhar e dinamizar a execução da Estratégia Regional de Especialização Inteligente (RIS3 Algarve).

113

No período da tarde decorreu, entretanto, uma sessão pública, amplamente participada, sobre a implementação da RIS3 Algarve, onde foram partilhados projetos inovadores apoiados pelos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEEI) nos domínios do Turismo, Mar, Agroalimentar, Energias Renováveis, Saúde, TIC e Indústrias Culturais e Criativas. A sessão terminou com as intervenções de Alexandre Almeida, da Agência Nacional de Inovação (ANI), e de António Sampaio Ramos, da Agência para o Desenvolvimento e Coesão (AD&C), que levantaram a «ponta do véu» sobre o futuro dos fundos europeus e as perspetivas de desenvolvimento das políticas públicas de inovação e competitividade, que motivaram o debate entre os participantes .

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

5.º TOURISMO TRADE SHOW COMPROVOU EXCELÊNCIA DOS FUTUROS PROFISSIONAIS

uitas centenas de pessoas passaram pelo 5.º Tourism Trade Show, organizado pela Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve nos dias 14 e 15 de novembro. São cinco anos de consolidação de um evento que se tornou uma verdadeira referência no sector turístico do Algarve, congregando, no mesmo espaço, todos as entidades públicas e privadas do setor e futuros profissionais. Esta grande «janela» para o mundo do turismo foi intensamente aproveitada durante os dois dias do certame, que reuniu mais de 50 expositores e incluiu debates, workshops e apresentações de projetos inovadores. O mote foi lançado logo na sessão de abertura pela representante do Turismo de Portugal, Elsa Cruz: “Este evento vai de acordo à estratégia do Turismo de Portugal. Põe o assento nas pessoas, nas boas práticas. ALGARVE INFORMATIVO #180

Importa fazer crescer os alunos enquanto profissionais, mas também enquanto pessoas”. O mesmo foi defendido pelo Turismo do Algarve, através de Duarte Padinha: “Os nossos profissionais estão entre os melhores do mundo. O reconhecimento da qualidade dos nossos profissionais é o grande trunfo que Portugal tem e que lhe tem permitido atingir os parâmetros dos últimos anos. E esta escola representa isso”. O contacto estreito entre alunos e empresas do setor é um dos motes principais do Tourism Trade Show e, através de apresentações de projetos, showcookings, sessões de degustação, demonstrações de bar e outras atividades inovadoras, os alunos revelam o seu talento e criatividade, ao mesmo tempo que as empresas aproveitam a oportunidade para se dar a conhecer. Paula Vicente, Diretora da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, lembrou que este é um evento organizado integralmente pelos alunos finalistas dos diferentes cursos, precisamente para que ponham em prática as competências adquiridas. “Sabemos que é um risco, tudo pode correr bem, mas também tudo pode correr mal. Mas é para isso que cá estamos. Isto é uma escola e é aqui que devem cometer os erros” . 114


115

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

FARO RECEBEU INICIATIVA «JUNTAS SOMOS MAIS» Fundação Tres Culturas Del Mediterráneo, fundada em Sevilha e dedicada há 20 anos ao enriquecimento socioeconómico transfronteiriço, realizou, no dia 17 de novembro, o encontro empresarial B2B «Juntas Somos Mais», com o objetivo de impulsionar e internacionalizar projetos desenvolvidos por mulheres empreendedoras em Espanha e Portugal. O encontro, que teve lugar em Faro ao longo de dois dias, integra-se no projeto INTREPIDA - Internacionalização das Mulheres Empresárias de Espanha e Portugal para a Inserção, Desenvolvimento e Alianças, que visa potenciar a

ALGARVE INFORMATIVO #180

cooperação transfronteiriça entre os dois países. Mais de 60 empresárias de Espanha e Portugal estiveram em networking para dar a conhecer os seus projetos, partilhar conhecimentos e detetar novas oportunidades de negócio, contando em simultâneo com formação a nível de competitividade, internacionalização e economia digital. As empresárias, responsáveis por PME’s localizadas no território transfronteiriço da Andaluzia, Algarve e Alentejo, uniram-se pela cooperação empresarial através do apoio da Fundação Tres Culturas Del Mediterráneo, num encontro que contou com a colaboração local da Câmara Municipal de Faro, do Ninho de 116


Empresas de Loulé – REGIOTIC, da Associação Empresarial da Região de Portalegre – NERPOR-AE e do Núcleo Empresarial da Região de Évora-NERE. A Fundação, através do seu projeto INTREPIDA, disponibiliza também às empresárias um guia digital que conta já com mais de 500 empresas inscritas e que se apresenta como uma ferramenta gratuita onde é possível registar as especificidades de cada projeto, serviço ou produto, de modo a cruzar necessidades com outras empresas, criando assim sinergias e potencializando novas oportunidades de negócio entre Espanha e Portugal. Financiado pelo Programa INTERREG POCTEP Espanha e Portugal, aprovado pela União Europeia para o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, o projeto desenvolve outras atividades como Fóruns de Trabalho, Visitas a Empresas e Sensibilização Pedagógica em empreendedorismo nas escolas. Para José Manuel Cervera Gragera, Diretor da Fundación Tres Culturas, “estes

117

encontros espelham a importância da partilha de conhecimentos e de novos modelos de negócios transfronteiriços, evidenciando o elevado impacto do trabalho das empresárias para o desenvolvimento socioeconómico das regiões de Andaluzia, Algarve e Alentejo”. Já Rogério Bacalhau, Presidente da Câmara Municipal de Faro, considera que “são cada vez mais evidentes, para algarvios e andaluzes, os benefícios de uma cooperação sustentável e efetiva e da prática de relações económicas de vizinhança e proximidade”. “As nossas comunidades estão destinadas a crescerem juntas, tão fortes e sinceros são os laços que as unem: geográficos, culturais, históricos, económicos e outros. Sermos chamados a apoiar esta iniciativa, que coloca em destaque o potencial realizador do nosso tecido empresarial, no feminino, é motivador e verdadeiramente estimulante”, reforçou o edil farense .

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

UNIVERSIDADE DO ALGARVE EQUACIONA TRANSFORMAR EDIFÍCIO DA ESCOLA SUPERIOR DE SAÚDE EM RESIDÊNCIA UNIVERSITÁRIA Universidade do Algarve assinou, no dia 12 de novembro, em Tomar, a adesão ao Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado (FNRE), com o intuito de estudar a viabilidade económica de transformar as antigas instalações da Escola Superior de Saúde, junto ao Teatro das Figuras, em Faro, numa nova residência universitária. O FNRE é gerido pela Fundiestamo, com envolvimento do Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social, e irá promover a oferta para estudantes do ensino superior e famílias que, não sendo carenciadas, têm

ALGARVE INFORMATIVO #180

dificuldade em encontrar habitação condigna a valores que conseguem suportar. Este fundo não implica verbas do Orçamento do Estado, nem obriga as entidades a endividarem-se ou a consumirem capitais próprios. Segundo o presidente da Fundiestamo, Alberto Souto Miranda, os imóveis envolvidos representam um total de 19 milhões de euros, a que se juntam os 18 milhões para obras, num investimento total de 37,7 milhões de euros. Para o reitor da UAlg, saber se economicamente é viável transformar as instalações do antigo edifício da Escola Superior de Saúde em residência

118


universitária é condição indispensável para o processo de tomada de decisão em curso. A transformação do edifício em residência, situada entre os dois campus (Gambelas e Penha) e com boa ligação à rede de transporte urbanos, constituirá um forte contributo para minorar as dificuldades atualmente sentidas pelos estudantes deslocados em encontrar alojamento a preços acessíveis. Recorde-se que a Escola Superior de Saúde já está a funcionar em pleno no Campus de Gambelas desde o início deste ano letivo. Atualmente, os Serviços de Ação Social da Universidade do Algarve dispõem de nove Residências

Universitárias, com 558 camas, destinadas aos estudantes de formação inicial e mestrados, totalmente lotadas. As residências encontram-se distribuídas por Faro, Gambelas e Portimão e apresentam estruturas diferentes, estando organizadas por edifícios tipo residencial ou apartamentos. Docentes e investigadores (nacionais e estrangeiros) também podem contar com o apoio dos Serviços de Ação Social da UAlg, que disponibilizam seis residências, com uma capacidade global de 56 camas .

TERRAS DO INFANTE E CLUBE DE CAÇADORES DE LAGOS UNIDOS NA DEFESA DA FLORESTA oi assinado, no dia 14 de novembro, entre a Terras do Infante - Associação de Municípios e o Clube de Caçadores de Lagos, um contrato-programa para a execução de ações de silvicultura preventiva visando a defesa da floresta contra incêndios nas áreas sob administração do Clube dos Caçadores de Lagos. A desenvolver em terrenos privados, estas ações englobam qualquer uma das sub-ações correntemente utilizadas na prevenção e proteção das florestas e áreas de matos contra incêndios. Reconhecendo o interesse da silvicultura preventiva desenvolvida pelo Clube de Caçadores, as Terras do Infante decidiram disponibilizar, por via deste contrato, apoio financeiro às ações que o mesmo venha a executar nas áreas pré119

determinadas em carta topográfica, no período compreendido entre novembro de 2018 e julho de 2019. Para o efeito fixou um valor unitário de 300 euros por hectare e um limite máximo de comparticipação no valor de 23 mil e 16 euros correspondente a uma área de 76,72 hectares. Para além da componente financeira, a Associação assegurará igualmente apoio técnico. O documento foi assinado pela Presidente do Conselho Diretivo da Terras do Infante e Presidente da Câmara Municipal de Lagos, Maria Joaquina Matos, e pelo Presidente da Direção, Miguel António Cristino Lopes, e Tesoureiro da Direção, Luís Miguel Duarte, representando o Clube dos Caçadores de Lagos, na presença de demais autarcas dos concelhos que integram a Associação . ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

MUNICÍPIO DE LOULÉ COMPROU E VAI REABILITAR CASINO «VELHO» DE QUARTEIRA PARA FINS CULTURAIS Câmara Municipal de Loulé continua a apostar na requalificação dos principais centros urbanos do concelho, como é o caso de Quarteira, nomeadamente através da reabilitação de imóveis com forte carga histórica, adaptando-os a novas funções e criando espaços que permitam ordenar o trânsito. Nesse sentido, adquiriu recentemente as instalações do antigo Casino de Quarteira, um edifício emblemático e muito querido pelos quarteirenses, cuja construção data do ALGARVE INFORMATIVO #180

primeiro quartel do século XX. O Casino «Velho», como ainda é designado pela população e onde funcionou durante anos a sede da Sociedade Recreativa Quarteirense, faz parte da memória coletiva da cidade. Por outro lado, a Câmara de Loulé e a Junta de Freguesia de Quarteira têm vindo a envidar esforços no sentido de melhorar e facilitar a mobilidade no espaço público nesta que é uma das mais procuradas cidades costeiras da região algarvia. Assim, foi adquirido recentemente um terreno com cerca de 120


três mil metros quadrados com vista à criação de um novo parque de estacionamento com área de lazer na zona urbana de Quarteira. “Com estas iniciativas temos em vista dois objetivos muito concretos que encaixam, na perfeição, na política que tem sido seguida pelos executivos autárquicos do Município e da Freguesia: a reabilitação do nosso património histórico, com intervenções em espaços identitários para a nossa comunidade, mantendo sempre a traça original; por outro lado, através da aquisição de uma parcela de terreno, junto do Centro Autárquico, garantir uma maior oferta no estacionamento que tanta falta faz aos quarteirenses e a quem nos visita”, considera o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo. “Esta é uma intervenção extremamente importante já que, para

121

além de aumentar as zonas de estacionamento, também permite organizar o trânsito na cidade”, refere, por seu turno, o presidente da Junta de Quarteira, Telmo Pinto. “É um edifício que faz parte do nosso património arquitetónico, social e cultural, no qual se revê a maioria dos quarteirenses e é por isso com bastante satisfação que posso anunciar a sua aquisição para fins culturais, servindo assim os interesses da população”, sustenta Telmo Pinto para acrescentar que a “estratégia seguida pelas duas autarquias já permitiu avaliar, para aquisição, vários prédios e terrenos que contribuirão de forma decisiva para a melhoria da qualidade de vida e da mobilidade na Freguesia de Quarteira” .

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

LOULÉ DISTINGUIDO COMO MUNICÍPIO DO ANO COM EXPOSIÇÃO SOBRE SETE MIL ANOS DE HISTÓRIA Exposição «LOULÉ. Territórios. Memórias. Identidades» valeu a Loulé o galardão de Município do Ano na região algarvia, no âmbito dos prémios atribuídos pela Universidade do Minho, através da sua plataforma UM-Cidades, na cidade de Guimarães, no dia 16 de novembro. Com o objetivo de reconhecer e premiar as boas práticas em projetos implementados pelos municípios com impactos assinaláveis no território, na economia e na sociedade, que promovam o crescimento, a inclusão e/ou a sustentabilidade, esta iniciativa premiou nove municípios, um por cada região de Norte a Sul do país, com Arouca a ser o grande vencedor a nível nacional. ALGARVE INFORMATIVO #180

No Algarve, Loulé foi um dos três municípios finalistas e venceu às candidaturas de Albufeira, que concorria com o projeto GTI - Grupo de Trabalho de Idosos e Alcoutim, com o Festival do Contrabando. Recorde-se que, também em 2016, Loulé foi o vencedor no Algarve destes prémios, na altura com o projeto «Loulé Criativo». “É mais um prémio que nos responsabiliza e exige que se continue a trabalhar de forma empenhada, colaborativa e disruptiva, valorizando o património e potenciando o desenvolvimento económico do Concelho. Este é um caminho que continua, estamos a trabalhar afincadamente no projeto do «Quarteirão Cultural» que emerge 122


deste trabalho prévio realizado no âmbito da exposição”, afirmou o autarca de Loulé, Vítor Aleixo. Patente ao público desde junho de 2017, no Museu Nacional de Arqueologia, Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, «LOULÉ. Territórios. Memórias. Identidades» é uma exposição criada de forma integrada para a valorização de um território e do seu património cultural, promovendo o reforço de uma identidade junto das suas comunidades. Apresenta mais de sete mil anos de história do Concelho, revela costumes, hábitos alimentares e a vida quotidiana das várias civilizações que por ali passaram através de peças arqueológicas. É o resultado de 15 meses de preparação, 12 comissários científicos e executivos, 40 autores de

123

textos, mil e 200 bens arqueológicos inventariados, 504 peças expostas, 166 peças restauradas, 154 sítios arqueológicos devidamente cartografados no sistema de informação documental e geográfica, parceria com 11 instituições, 54 técnicos envolvidos, contributo de mais de 20 profissões, entre tantos outros números. A iniciativa já foi galardoada pela Associação Portuguesa de Museologia, com os Prémios APOM2018, mas relativos a 2017, nas categorias, de «Melhor Parceria» e de «Melhor Catálogo», e teve ainda uma Menção Honrosa na área da «Educação e Mediação Cultural». Até ao momento já visitaram a exposição 230 mil pessoas.

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

LOULÉ RECEBE BIENAL IBÉRICA DE PATRIMÓNIO CULTURAL EM 2019 oulé sucede a Valladolid como cidade anfitriã da AR&PA Bienal Ibérica do Património Cultural, que terá lugar em outubro de 2019. O evento nasceu da fusão da Bienal de la Restauración y Gestión del Patrimonio AR&PA, que acontece em Valladolid desde 1998, com a Feira do Património, certame criado em 2013, em Portugal. Com o objetivo de promover, valorizar e dar visibilidade ao setor do património cultural, pretende-se reunir neste fórum vários agentes, nomeadamente da área da museologia, reabilitação urbana, conservação e restauro, ateliers de design e arquitetura, projetos de cooperação internacional, entre outros, para um debate alargado. Por outro lado, a Bienal contará com um programa cultural, com destaque para iniciativas pedagógicas dirigidas aos mais novos e à comunidade escolar, na área da educação patrimonial. O evento ocorre de forma alternada entre Portugal (sempre itinerante, nos anos ímpares) e Espanha (em Valladolid, nos anos pares). Em 2017, o primeiro ano deste formato ibérico, a cidade de Amarante acolheu o evento, seguindo-se agora Loulé como palco da Bienal. Este ano, entre 8 e 11 de novembro, 32 entidades portuguesas nas áreas da conservação e restauro, formação, direções regionais de cultura, fundações, comunidades intermunicipais, projetos integrados de base territorial, empresas de gestão patrimonial, autarquias e entidades regionais de turismo estiveram representadas em Valladolid, com Pedro ALGARVE INFORMATIVO #180

Pimpão, vice-presidente do Município de Loulé, a representar a edilidade algarvia. Para os responsáveis da Câmara Municipal de Loulé, “as expetativas são bastante elevadas, até porque este será uma iniciativa de grande importância, não só para o Concelho de Loulé e para a região algarvia, mas para todo o país”. “Numa altura em que, mais do que nunca, a Autarquia está empenhada na proteção do seu património material e imaterial, através de um sem número de iniciativas, receber esta Bienal será o culminar desse trabalho”, reforça o executivo louletano. Ações como a reabilitação de edifícios como o Solar da Música Nova ou o Palácio dos Espanhóis, o projeto de musealização dos Banhos Islâmicos de Loulé, uma programação diversificada com iniciativas que visam dar a conhecer o património histórico concelhio (como é o caso das caminhadas «Património ao Luar» ou o programa para escolas «Visita Brincando»), a valorização das artes tradicionais como a empreita, a olaria ou a caldeiraria através do projeto «Loulé Criativo» ou ainda a Exposição «Loulé: Territórios. Memórias. Identidades», patente ao público no Museu Nacional de Arqueologia, e que dá a conhecer os mais de sete mil anos de história do território do Concelho, são exemplos da importância dessa valorização patrimonial que tem orientado a política cultural do Município de Loulé. 124


Já para Catarina Valença Gonçalves, diretora-geral da Spira, entidade que trabalha há 20 anos na revitalização do património cultural a partir do interior do país, ”apraz-nos constatar o quanto o reconhecimento do património cultural como ativo estratégico dos territórios é, cada vez mais, nacional e internacionalmente, uma evidência para diversas entidades, sejam elas públicas ou privadas”. “A Bienal Ibérica do Património Cultural e a sua crescente afirmação, ano após ano, são uma perfeita ilustração dessa realidade em construção. O convénio celebrado entre

125

Portugal, Espanha, Itália e Áustria para a criação de uma rede europeia de feiras de património cultural reforça ainda mais este caminho. Por todos estes motivos, a edição de 2019 em Loulé, no Algarve, surge-nos como uma excelente oportunidade para concretizarmos ainda mais esta efetiva possibilidade de tornar o património cultural o recurso endógeno por excelência base do desenvolvimento sustentável dos nossos territórios”, enfatizou Catarina Valença Gonçalves.

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

REABILITAÇÃO DO BAIRRO FUNDO DE FOMENTO DE HABITAÇÃO DE OLHÃO PROSSEGUE EM 2019 oi assinado, no dia 21 de novembro, entre a Fesnima e a empresa «Xavieres, Lda.», o contrato relativo à segunda fase da empreitada de reabilitação do Bairro Fundo de Fomento de Habitação, que engloba 15 blocos de habitação multifamiliar, num valor de 814 mil e 484,50 euros. A intervenção contempla a substituição das coberturas, pinturas exteriores, substituição de caixilharias, colocação de vidros duplos, substituição das portas e pinturas nas zonas comuns, substituição das prumadas de esgotos e substituição total da rede de águas prediais. Após o respetivo visto do Tribunal de Contas, os trabalhos deverão arrancar no ALGARVE INFORMATIVO #180

primeiro semestre de 2019, com um prazo de execução de 210 dias. Numa primeira fase, os trabalhos de reabilitação do Bairro Fundo de Fomento de Habitação contemplaram 14 blocos habitacionais, uma intervenção no valor de 651 mil e 721,89 euros. No total, o Município de Olhão investirá perto de 1,5 milhões de euros neste bairro da freguesia de Quelfes. A Câmara Municipal de Olhão prevê aplicar, até final do mandato, através da Fesnima, cerca de três milhões de euros na reabilitação dos cerca de 900 fogos que compõem o parque habitacional municipal .

126


MUNICÍPIO DE SILVES REABILITOU E AMPLIOU ESPAÇO DE RECREIO E LAZER EM PÊRA Município de Silves terminou recentemente os trabalhos de reabilitação e ampliação do Espaço de Recreio e Lazer, localizado na Praça Urbana da Urbanização do Barrocal, em Pêra. O investimento ascendeu aos 60 mil euros, contemplando a instalação de Parque Infantil, composto por mobiliário urbano (bancos, bebedouro duplo, latrina para dejetos caninos com dispensador de sacos), equipamento de recreio, equipamento desportivo (mesa de ping-pong), bem como a plantação de árvores e arbustos, instalação de sistema

127

de rega, reposição e recuperação de pavimentos na envolvente e colocação de placa informativa. A obra integra a rede de investimentos que o Município de Silves tem promovido por todo o concelho no domínio dos parques infantis, espaços de recreio e lazer e circuitos de atividade física, com a finalidade de reforçar os níveis de bem-estar e de ocupação criativa e saudável dos tempos livres, em simultâneo com a melhoria da qualidade do ambiente urbano e da competitividade do meio local .

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

GRUPO PESTANA INVESTE TRÊS MILHÕES NA POUSADA DE VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO Grupo Pestana Pousadas e o Município de Vila Real de Santo António apresentaram, no dia 21 de novembro, o projeto de intervenção da Pousada de Vila Real de Santo António. O investimento privado do Grupo Pestana, responsável pela gestão da rede nacional de pousadas, está cifrado em três milhões de euros e deverá gerar 30 postos de trabalho. A obra já está em curso e deverá estar concluída no final de 2019. A Pousada ficará sediada em quatro imóveis de interesse histórico propriedade do município e da empresa municipal Sociedade de Gestão Urbana - e

ALGARVE INFORMATIVO #180

contará com 57 quartos, dispondo ainda de restaurante, sala de eventos, piscina e terraço. O conceito hoteleiro do projeto está alicerçado na história de Vila Real de Santo António, criando um novo segmento turístico baseado no património e na cultura local. Ficará localizado na Praça Marquês de Pombal, em plena Baixa Pombalina. A cerimónia de apresentação do projeto contou com a presença de Luís Castanheira Lopes, Presidente das Pousadas de Portugal, e Conceição Cabrita, Presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António. “Com esta Pousada estamos

128


a reforçar a oferta e a qualificação turística no contexto do Algarve. É por essa razão que apostámos numa unidade em pleno centro histórico, que irá funcionar durante todo o ano, à semelhança de Tavira, Estoi e Sagres. Queremos prestar o serviço hoteleiro de grande qualidade que caracteriza as Pousadas de Portugal e queremos servir como fator de atratividade a Vila Real de Santo António e constituir um vetor de qualificação da sua oferta turística”, afirmou Luís Castanheira Lopes. Para Conceição Cabrita, “este é um momento particularmente importante para a projeção do concelho enquanto destino turístico, dado tratar-se de um projeto diferenciador e de qualidade”. “Num espaço de apenas um ano, iremos abrir dois hotéis de cinco estrelas e recuperar totalmente imóveis históricos que estavam em risco de colapso”, reforçou a edil vila-realense. Esta operação faz também parte da estratégia de recuperação do conjunto edificado da cidade e contribuirá fortemente para a sua notoriedade, promovendo a diferenciação do destino 129

através de um turismo de qualidade superior e cultural. No Algarve, o Pestana Hotel Group conta já com 16 unidades hoteleiras: 13 Pestana Hotels & Resorts e três Pousadas de Portugal (Palácio de Estoi, em Faro, Fortaleza de Sagres e Convento de Tavira) .

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

ALBUFEIRA VIVE A MAGIA DO NATAL espírito natalício já se sente em Albufeira e, no dia 30 de novembro, vai-se inaugurar a tradicional iluminação de Natal. Estrelas, bolas, renas, anjos, pais natais e dezenas de motivos coloridos vão emprestar mais brilho e animação à cidade e freguesias do concelho, que este ano recebem cerca de 15 milhões de lâmpadas de tecnologia LED, num investimento total que ronda os 92 mil euros (valor que incluiu os gastos de energia). A iluminação natalícia é um investimento importante para o concelho, de acordo com o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, pois todos os anos milhares de turistas escolhem estas paragens para celebrar o Natal e o Fim de Ano, bem como para residentes e comerciantes, que

ALGARVE INFORMATIVO #180

vêm a sua cidade mais bonita e atrativa. “Apesar da euforia da época, o Município não descura a questão energética, tendo apostado em iluminação 100 por cento eficiente, com tecnologia LED de última geração”, acrescenta José Carlos Rolo, com a Iluminação de Natal a estar ligada até dia 6 de janeiro. No centro da cidade desliga às 2h, à exceção dos dias de Natal e Passagem de Ano, em que desliga às 3h e 5h, respetivamente. Nos restantes locais, a iluminação liga e desliga no horário «noturno-diurno». Para além da iluminação natalícia, a Autarquia de Albufeira organizou um vasto programa de atividades especialmente a pensar nas famílias, que inclui eventos culturais, lúdicos e desportivos que visam promover o

130


espírito da época e valorizar os saberes e tradições locais. O programa tem início na Guia, nos dias 24 e 25 de novembro, com o Mercado de Natal, que se realiza junto ao Polidesportivo da localidade, entre as 14h e 21h. Para além das tradicionais barraquinhas de comes e bebes, onde é possível encontrar a gastronomia típica da época preparada pelas associações da freguesia, esta é uma excelente oportunidade para adquirir alguns presentes de Natal para os amigos e familiares. Também a partir deste sábado (24) é possível visitar o Presépio de Rua, instalado entre a Ermida de Nossa Senhora da Guia e a Igreja Matriz e onde se encontram 33 figuras da autoria da britânica Toin Adams, representativas de diversas cenas históricas associadas ao nascimento de Jesus. De 7 de dezembro a 5 de janeiro, quem passar pela Galeria Municipal João Bailote, junto aos Paços do Concelho, pode apreciar a exposição de presépios «Luz de

131

Natal», do escultor albufeirense Joaquim Pargana. Este ano mantém-se a promessa de que vai nevar no Natal com a «Snowland», uma das iniciativas mais aguardadas pela pequenada. No dia 8 de dezembro, o Pai Natal, acompanhado das suas amigas renas e dos divertidos duendes, chega à Praça do Município carregado de presentes, boa disposição e pronto para eternizar o momento dos mais pequeninos em bonitas fotografias para mais tarde recordar. De 8 a 31 de dezembro, miúdos e graúdos vão ter à disposição, mesmo em frente aos Paços do Concelho, uma excelente pista de gelo, um globo de neve, a casa dos duendes, um parque de neve, um espaço com insufláveis e piscina de bolas, contos, teatro e muita animação. O evento está aberto ao público, nos dias úteis, das 15h às 20h, e nos fins de semana e feriados, entre as 10h e as 20h.

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE A 8 e 9 de dezembro, entre as 14h e as 20h, o EMA - Espaço Multiusos de Albufeira recebe o tradicional Mercado de Natal. O certame, que todos os anos atrai centenas de visitantes ao local, oferece o melhor da doçaria da época, licores, velas, decorações natalícias, diversas opções de presentes, cânticos e espetáculos protagonizados pelas academias artísticas e associações locais. «As Grandes Canções da Disney», um concerto multimédia baseado nos filmes da Disney, chega ao Auditório Municipal a 9 de dezembro, a partir das 15h30. Tiago Mileu ao piano e Pedro Miguel Nunes na voz vão ser responsáveis por um espetáculo que promove a articulação entre a projeção dos filmes Pinóquio, Dumbo, Cinderella, Dama e o Vagabundo, Bela Adormecida, a Pequena Sereia, a Bela e o Monstro, Pocahontas, Rei Leão II e Hércules e a respetiva banda sonora, interpretada ao vivo pelos músicos. A freguesia de Ferreiras também vai viver a Magia de Natal com «Pinóquio», um espetáculo de Teatro Circo que promete fazer as delícias dos mais pequeninos, no

ALGARVE INFORMATIVO #180

dia 15 de dezembro, das 15h30 às 17h, na sala Multiusos do Estádio da Nora. No dia 16 de dezembro, a Marcha/Corrida do Pai Natal, uma atividade que ao longo dos anos tem vindo a marcar a quadra natalícia em Albufeira, volta a juntar centenas de pessoas, que se vestem a rigor com as cores de Natal para uma agradável manhã de desporto e convívio. O ponto alto do encontro está marcado para as 10h, junto ao Mercado Municipal dos Caliços. Os participantes recebem um Kit de oferta com água, fruta, t-shirt e um gorro do Pai Natal para que depois do aquecimento possam optar por dois percursos, gratuitos e acessíveis a todos, de cinco ou nove quilómetros, que podem ser feitos a correr ou a caminhar, de acordo com a preferência ou preparação física de cada um. O programa encerra em beleza, no dia 20 de dezembro, com o Concerto de Natal pela Orquestra Clássica do Sul, a partir das 21h30, no Auditório Municipal.

132


DOIS VINHOS DE LAGOA CONQUISTAM OURO EM CONCURSO NACIONAL orches Vinho Regional Algarve Branco 2017 (Única – Adega Cooperativa do Algarve) e Edd’s Reserva Vinho Regional Algarve Tinto 2014 (Concepts by Edd’s II, Lda.) foram distinguidos com a Medalha de Ouro no 5.º Concurso de Vinhos Crédito Agrícola, cujas provas cegas decorreram na sétima edição do Mercado de Vinhos, no Campo Pequeno, em Lisboa, a 20 de outubro. O júri do evento, composto por escanções, enófilos e jornalistas, nacionais e estrangeiros, avaliou a qualidade de 240 vinhos a concurso, entre brancos, tintos e espumantes provenientes de todas as regiões do país, e distinguiu 71, 40 deles com a Medalha de Ouro e 31 com Medalha

133

de Prata (uma delas para o também algarvio Paxa Wines tinto). O 5.º Concurso de Vinhos Crédito Agrícola (realizado em parceria com a Associação Escansões de Portugal) teve como objetivos apoiar o setor vitivinícola e contribuir para o desenvolvimento das economias locais, promovendo e colocando à prova a qualidade dos vinhos nacionais. Ao longo das quatro anteriores edições premiou com Ouro, Prata e Bronze duas centenas dos 800 vinhos apresentados, provenientes das regiões vitivinícolas do Algarve, Alentejo, Península de Setúbal, Lisboa, Tejo, Bairrada, Dão, Beiras, Douro, Trás-os-Montes e Vinhos Verdes.

ALGARVE INFORMATIVO #180


ATUALIDADE

ALDEIA DA CORTELHA VOLTA A MONTAR O PRESÉPIO EM CORTIÇA população da Aldeia da Cortelha, em plena Serra do Caldeirão, volta a juntar-se para construir e montar o tradicional Presépio em Cortiça, que estará presente, de 15 de dezembro até 6 de janeiro, no largo da Associação dos Amigos da Cortelha. A ideia da construção deste presépio surgiu em 2004 para que a aldeia fosse representada na iniciativa dos Presépios nas Aldeias do Algarve, tendo arrecadado ALGARVE INFORMATIVO #180

nesse mesmo ano o prémio de Melhor Presépio das Aldeias do Algarve. Desde aí, a população tem levado a cabo a iniciativa como forma de comemorar a época natalícia na aldeia e trazer mais visitantes ao interior do concelho de Loulé. O presépio desta aldeia da freguesia de Salir pretende espelhar o contexto global do significado do Natal, desde o caminho a percorrer pelos Reis Magos, até à cabana onde tradicionalmente se atribuí o nascimento de Jesus, passando 134


pelo enquadramento do mesmo no meio rural. Será assim possível apreciar várias figuras em tamanho real, nomeadamente os reis magos nos seus camelos, assim como um burro e uma vaca. Para a construção do Presépio da Cortelha, a população utilizou materiais oriundos da Serra do Caldeirão, sendo a cortiça o elemento fundamental, com a consequente carga sentimental a ela inerente. Sendo esta a principal fonte de rendimento dos habitantes da aldeia, a cortiça desempenha neste presépio algo muito mais importante do que simples matériaprima: transporta a alma das gentes da Cortelha.

135

A inauguração do Presépio da Cortelha acontece no dia 15 de dezembro, integrada na Festa de Natal dedicada às crianças da Escola Primária da Cortelha e do grupo de catequese local .

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

136


137

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

138


139

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

140


141

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

142


143

ALGARVE INFORMATIVO #180


DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: João Espada

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.

ALGARVE INFORMATIVO #180

144


145

ALGARVE INFORMATIVO #180


ALGARVE INFORMATIVO #180

146

Profile for Daniel Pina

ALGARVE INFORMATIVO #180  

Revista semanal sobre o Algarve e os Algarvios

ALGARVE INFORMATIVO #180  

Revista semanal sobre o Algarve e os Algarvios