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ALGARVE INFORMATIVO 11 de agosto, 2018

25 ANOS DE ALA DOS NAMORADOS FESTIVAL DA SARDINHA | «CENAS E MAMBOS» DE NUNO MURTA | FLIQ 2018 1 ALGARVE INFORMATIVO #167 «INSÓNIA» DE FERNANDO MENDES |STARTUP PORTIMÃO DE PARABÉNS


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CONTEÚDOS #167 11 DE AGOSTO, 2018 26

ARTIGOS 12 - Festival da Sardinha de Portimão 26 - «Insónia» de Fernando Mendes em Portimão 38 - 25 anos de Ala dos Namorados em Loulé 50- FLIQ 2018 em Querença 62 - Um ano de StartUp Portimão 74 - «Cenas e Mambos» de Nuno Murta 88 - Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão 98 - Semear Saúde 124 - Atualidade

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OPINIÃO 112 - Paulo Bernardo 114 - Mirian Tavares 116 - Adília César 118 - Ana Isabel Soares 120 - Nuno Miguel Silva ALGARVE INFORMATIVO #167

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REPORTAGEM

Sardinha voltou a ser rainha em Portimão Texto:

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Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, com Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar

Ministra do Mar presidiu, no dia 1 de agosto, à inauguração do 24.º Festival da Sardinha, que se prolongou até ao dia 5 na zona ribeirinha de Portimão. Acompanhada por José Apolinário, secretário de Estado das Pescas, e tendo como anfitriã a Presidente da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Gomes, Ana Paula Vitorino cumprimentou os empresários e expositores presentes e envolvidos no certame, que apresentaram uma grande variedade de produtos, com destaque para a sardinha assada no prato e no pão, o artesanato, os petiscos e a doçaria.

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A governante destacou o peso económico da pesca da sardinha e a importância desta espécie para a comunidade local, sobretudo em termos gastronómicos. Por sua vez, Isilda Gomes sublinhou o programa de animação ALGARVE INFORMATIVO #167

preparado para a época estival, “cheio de propostas culturais e desportivas, com espetáculos para todos os gostos, visando turistas e residentes”. Sobre a presença da ministra do Mar nesta 24.ª edição, a autarca realçou tratar-se de “uma amiga de Portimão que vem reforçar a ideia de que esta é a capital da sardinha e nos transmite, digamos assim, um selo de garantia”. Um dos pontos altos da inauguração foi a iluminação da ponte ferroviária com a insígnia do festival, através de uma decoração com luzes LED, permitindo que, à noite, a entrada de Portimão e esta «zona da sardinha assada» ganhasse um novo atrativo. O Festival é um dos principais cartões-de-visita do município e homenageia as raízes da sociedade local, ligada intimamente à pesca e à indústria conserveira. Prova disso foi a encenação do «Alar da rede» ao som do «Arribalé», com a participação do grupo Grupo Coral 14


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de Portimão e da Orquestra de Acordeões da Academia de Música de Lagos que, ao unirem as vozes aos instrumentos, tornaram a inauguração oficial num momento especial, enriquecendo ainda mais este emblemático evento. O característico aroma da sardinha assada fez-se sentir junto à Antiga Lota nos pontos de venda da sardinha no pão e nos oito restaurantes oficiais e foram muitos milhares os visitantes que, durante cinco noites, se puderam deliciar nos restaurantes associados, designadamente À Ravessa, Casa Bica, Dona Barca, Forte e Feio, O Meco, Ú Venâncio, Retiro do Peixe Assado e Zizá. Já a suculenta sardinha no pão foi assegurada pelas associações locais Boa

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Esperança Atlético Clube Portimonense e GEJUPCE Portimão – Gil Eanes Juventude Portimonense Clube. Pelo palco principal passaram Matias Damásio, Tributo Xutos Total, Raquel Tavares, Ana Bacalhau e The Black Mamba, mas a animação musical também passou diariamente pelo Coreto, numa iniciativa da Junta de Freguesia de Portimão .

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REPORTAGEM

«INSÓNIA» DE FERNANDO MENDES PROVOCA ATAQUES DE RISO EM PORTIMÃO Texto:

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conhecido comediante e apresentador de televisão Fernando Mendes está de regresso ao Teatro Municipal de Portimão, até 25 de agosto, com «Insónia», um espetáculo para brincar com coisas sérias. Fernando Mendes mostra-se a solo e encarna, na pessoa de Custódio Reis, um vendedor de vinhos e licorosos que vive com a corda no pescoço. Tanto

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financeiramente, como familiarmente. É o comum português de classe média, que vive afogado em dívidas e créditos. Custódio encontra-se à beira do divórcio. A mulher, Sónia, esgotou de vez a sua paciência para com um marido que é cada vez mais um falhado e um tipo sem rumo ou grandes objetivos de vida para além de comer, beber e dormir. É um marido ausente e um pai 28


ainda mais. Não tanto por falta de amor, mas mais de energia. Custódio sente-se cansado, pesado e sem paciência. A única ginástica que faz é financeira e a pouca pachorra que ainda vai tendo é para o trabalho. Aos 17 anos começou a trabalhar como padeiro. Hoje em dia, vende vinho, mas, na verdade, é quase tanto aquele que bebe como aquele que vende. Até gosta do que 29

faz e acha-se entendido em vinhos, não o sendo verdadeiramente. É, em boa verdade, um tipo sem grande profundidade intelectual e sem grandes teses filosóficas. Por sua vez, é desenrascado e tem lábia de vendedor. O típico português de café que fala de tudo sem dizer quase nada. Certa noite, Custódio, que sempre teve preguiça de pensar muito na sua vida, ALGARVE INFORMATIVO #167


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pára para pensar e ao contrário de passar a noite a ressonar, como é seu hábito, não consegue dormir. Tem uma terrível insónia. Uma insónia onde vai questionar tudo na sua vida e tentar encontrar soluções. Só que, por mais que grande parte dos seus problemas tenham soluções óbvias, para um homem que foi toda a vida assim, a mudança não parece fácil. Assiste-se, então, a uma hilariante crise interior pela qual, em tempo real, Custódio vai passar, na tentativa de alcançar a paz de alma necessária para que volte a conseguir dormir. 31

Pelo meio desta «Insónia» o espetador vai delirando com alguns sketches onde Fernando Mendes protagoniza momentos muito improváveis com alguns dos seus amigos e colegas de toda a vida, programas de televisão que Custódio vai vendo para «ver se chama o sono». «Insónia» é, sem dúvida, um excelente motivo para rumar ao Teatro Municipal de Portimão até dia 25 de agosto, com sessões de quinta-feira a sábado, às 22h .

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REPORTAGEM

ALA DOS NAMORADOS FANTÁSTICA NUM CONCERTO DE EMOÇÕES E TEMPERATURAS ALTAS Texto:

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aquele que foi o sábado mais quente do século XXI, 4 de agosto, as temperaturas, e as emoções, estiveram ao rubro no Largo Eng.º Duarte Pacheco, em Loulé, por ocasião do concerto que assinalou os 25 anos de carreira da Ala dos Namorados. Inserido no programa do «Loulé Summer 2018», o espetáculo colocou em palco a inconfundível voz do louletano Nuno Guerreiro e a mestria de Manuel Paulo ao piano, juntamente com a banda que acompanha normalmente a dupla na estrada, mas mais surpresas

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estavam preparadas para uma noite realmente inesquecível. De facto, nesta viagem única pelo quarto de século de existência da Ala dos Namorados participaram os Shout, Sara Tavares, Vitorino e a Orquestra Clássica do Sul, não faltando temas como «Os Loucos de Lisboa», «Caçador de Sóis», «Solta-se o Beijo» ou «A História do Zé Passarinho», que demonstraram a razão do grupo ocupar um lugar de destaque na história da música popular portuguesa. E não há outra banda em Portugal que alie de 40


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forma tão perfeita sons de tantas correntes musicais distintas com uma escrita tão aprimorada e uma voz tão cativante e singular. O êxito da Ala dos Namorados é o resultado de uma combinação singular e inimitável em que cabem a canção ligeira portuguesa de travo clássico, o jazz de apelo popular, a pop mais desempoeirada, o fado no seu registo mais cançonetista e uma transversal capacidade para fazer de todos estes géneros uma experiência única e personalizada. E na génese de tudo está um triângulo de iluminada cumplicidade e de uma inspirada convergência de talentos: a mestria melódica de Manuel Paulo e João Gil na composição; a riqueza narrativa da escrita de João Monge, capaz de captar na perfeição o quotidiano das cidades portuguesas; e a voz versátil e emotiva de Nuno Guerreiro .

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FLIQ 2018 PROPORCIONOU TRÊS DIAS INTENSOS DE CULTURA E AFETOS EM QUERENÇA Texto:

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FLIQ 2018 – Festival Literário Internacional de Querença, que este ano teve como tema «Literatura e Ilustração», trouxe uma vez mais a Querença, uma pequena aldeia do concelho de Loulé, de 3 a 5 de agosto, alguns dos maiores nomes da cultura portuguesa. Não só escritores e poetas como Lídia Jorge, Nuno Júdice ou Gastão Cruz – poeta homenageado este ano – mas também cartoonistas e desenhadores nacionais e internacionais como a portuguesa Cristina Sampaio, a venezuelana Rayma Suprani e a belga Cécile Bertrand. Este ano, o Festival dedicou parte da sua programação a Tóssan, nome artístico de António Fernando Santos, nascido em Vila Real de Santo António (1918-1991), destacado desenhador e ilustrador algarvio, responsável entre outras obras pelo cartão da tapeçaria do salão nobre da Procuradoria-Geral da República, em Lisboa, fundador do suplemento juvenil do Diário de Lisboa e também cenógrafo do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra.

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A terceira edição do FLIQ em Querença contou com a participação especial do Ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, que se deslocou à aldeia e à Fundação Manuel Viegas Guerreiro para homenagear pessoalmente o poeta Gastão Cruz, entregando-lhe a Medalha de Mérito Cultural. Gastão Cruz, nascido em 1941, é hoje um dos principais poetas contemporâneos devido à forma rigorosa, sintética e plena de reflexão com que «tece» as suas obras.

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O Festival contou ainda com a presença da escritora Lídia Jorge, António Carlos Cortez (poeta e crítico literário), Miguel Casado (poeta e crítico literário espanhol), Luís Vicente (diretor artístico da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve), Mário Avelar (professor universitário) e Nuno Bicho, arqueólogo que fez uma apresentação sobre slides do patrono da Fundação, Manuel Viegas Guerreiro. Ao palco exterior à Fundação subiu o concerto «4 Mãos», um dos momentos altos do festival, no sábado, protagonizado pelo pianista Filipe Raposo e pelo desenho digital em tempo real de António Jorge Gonçalves, projetado em uma das fachadas da FMVG. Um outro ponto alto foi a presença de um quinteto da Orquestra de Jazz do Algarve, liderada pelo trompetista Hugo Alves, com temas de influência afrolatina, inspirados pelas incursões de Manuel Viegas Guerreiro em África e a presença da harpa e voz de Helena Madeira, no auditório da Fundação, que constituiu um outro momento de elevação e beleza do cartaz. O FLIQ 2018 acolheu e promoveu ainda a presença do programa «Todas as Palavras», da Radiotelevisão Portuguesa, que terá uma edição especial em torno de Gastão Cruz e do evento em Querença, a emitir no dia 1 de setembro, às 18h30, na RTP3. A sessão de encerramento, sobre «Património Cultural», esteve a cargo do Administrador Executivo da Fundação Calouste Gulbenkian e comissário do Ano Europeu do Património Cultutal, Guilherme d’Oliveira Martins .

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ENTREVISTA

STARTUP PORTIMÃO QUER CRIAR UM ECOSSISTEMA EMPREENDEDOR EM PORTIMÃO Texto:

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StartUp Portimão celebrou, no dia 10 de agosto, o primeiro aniversário com um open day em que abriu as portas das suas instalações, no Autódromo Internacional do Algarve, a todos aqueles que estivessem interessados em contatar com os empreendedores que ali aceleram as suas ideias e projetam o futuro. Ao fim de um ano de atividade, o espaço está totalmente preenchido com 13 empresas, 12 de incubação física e uma de incubação virtual, de áreas tão distintas como a programação informática, desenvolvimento de software e aplicações informáticas, à street food, consultoria de gestão, sistemas de marketing digital, energias renováveis e plataformas de intercâmbio.

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A incubadora criada pelo Município de Portimão, por iniciativa da atual edil Isilda Gomes, integra a Rede Nacional de Incubadoras e está acreditada pela StartUp Portugal, estratégia do Governo da República para o Empreendedorismo que visa dinamizar a capacidade empreendedora e fomentar as condições para a aceleração e o sucesso de novas empresas. “A presidente da Câmara Municipal de Portimão sonhava em ter um espaço que apoiasse os empreendedores neste concelho, não só os residentes, mas que se conseguisse atrair ideias de negócio de outros pontos do país e do globo. Estamos a falar preferencialmente daqueles que estão a lançar o seu primeiro negócio, porque um empresário pode ter uma atitude empreendedora mas estar numa fase mais evoluída do seu trajeto profissional”, explica Luís Matos Martins, ALGARVE INFORMATIVO #167

dos «Territórios Criativos», a entidade que gere, no terreno, a StartUp Portimão. A StartUp Portimão nasceu, assim, por iniciativa da autarquia portimonense, com o apoio do Autódromo Internacional do Algarve, que disponibilizou as instalações, e da «Territórios Criativos», especializada na área da consultadoria, da formação, do apoio à gestão e da inovação, quer para empresas tradicionais como para 64


organismos do poder local, nomeadamente câmaras municipais. E esta é a única incubadora nacional no âmbito das Smart Cities, esclarece Luís Matos Martins, falando em cinco áreas prioritárias de atuação: energia, mobilidade, turismo, governança e qualidade de vida. “O objetivo é desenhar-se aqui projetos e produtos para depois serem aplicados no mundo inteiro, que Portimão seja o berço para o desenvolvimento dessas ideias”, salienta o entrevistado. 65

Smart Cities que é um termo que ficou na moda no passado recente, com uma aposta forte de vários Municípios em criarem Cidades Inteligentes nos seus territórios e esse é um dos fatores diferenciadores da StartUp Portimão, mas Luís Matos Martins destaca, igualmente, a importância de se estar sedeado no Autódromo Internacional do Algarve. “É difícil para um empreendedor ter numa incubadora os equipamentos e as infraestruturas ALGARVE INFORMATIVO #167


Filipa Cunha, Luís Matos Martins e Joaquim Costa

que podemos encontrar neste local. Aqui existem várias salas, espaços de diferentes dimensões para se realizarem reuniões, tem a pista e o kartódromo. Soma-se a tudo isto uma equipa alargada que vai muito mais além das pessoas diretamente envolvida com o projeto – os funcionários do Autódromo, da StartUp Portimão e da Câmara Municipal – mas também toda a rede internacional que o Autódromo possui e que permite alavancar os projetos para outros patamares”, salienta o responsável da «Territórios Criativos». Com lotação esgotada em menos de um ano de existência, 45 por cento das empresas estão ligadas às Smart Cities, 25 por cento envolvidas com programação – muitas delas com sinergias com as Smart Cities – e as restantes 30 por cento ALGARVE INFORMATIVO #167

dedicadas a outras atividades. Dos empreendedores, três são estrangeiros – dois brasileiros e um polaco – e os homens continuem em maioria num total de 24 postos de trabalho gerados pelas 13 empresas instaladas na StartUp Portimão. “Destes, 50 por cento serão naturais do Algarve”, indica ainda Luís Matos Martins, confirmando que a escolha de um local isolado como o Autódromo Internacional de Portimão é uma mais-valia para o sucesso alcançado, ao contrário do que muitos apregoavam na fase inicial do projeto. Aliás, está-se já a trabalhar no sentido de aumentar a capacidade da StartUp Portimão e a equacionar-se a sua expansão para outros locais, revela o entrevistado. “Queremos consolidar e crescer, dando um apoio mais efetivo e constante aos empreendedores que 66


aqui estão; implementar, entre janeiro e março de 2019, um programa de aceleração para os projetos já existentes na área das Smart Cities; e estamos a desenvolver um guia para o empreendedor e investidor em Portimão”, adianta Luís Matos Martins.

Lá diz o ditado que «é de pequenino que se torce o pepino», por isso, a StartUp Portimão quer trabalhar também com as escolas por via da metodologia «Start Yuppie» da «Territórios Criativos». “Através da educação não formal queremos criar momentos de foco nas oportunidades e de construção de soluções com os alunos do primeiro ciclo e do ensino secundário”, declara Luís Matos Martins, confirmando que, para se

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criar uma startup, não é necessário tratar-se de um produto ou conceito completamente mirabolante, «fora da caixa», quase saído de um filme de ficção científica. “Essa é, de facto, uma visão que ainda vai subsistindo mas, para nós, um empreendedor é alguém que tem uma forma inconformada de olhar o mundo, que não se prende aos problemas, pensando, sim, nas oportunidades que ali estão presentes e que tenta construir soluções. Portanto, qualquer pessoa pode ser empreendedora, tudo depende da sua atitude. Alguém que trabalhe numa empresa, numa associação, numa fundação, num município ou no governo central, pode ter uma atitude empreendedora”. Nesse sentido, a «Territórios Criativos» dá formação a empresas de

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empreendedorismo institucional para que todos possam desenhar projetos adaptados aos diferentes contextos. “Por vezes, empreender num município pode ser mais complicado do que numa empresa, devido à carga administrativa e burocrática ser mais pesada. E inovar não implica falar-se de algo totalmente novo, pode ser diferenciar nos processos, apostar noutros mercados, diversificar o produto ou serviço. Há infinitas formas de se inovar”, garante Luís Matos Martins. Mas isso não significa que depois todas as startup tenham sucesso, que consigam chegar ao mercado, conquistar o seu espaço, sobreviver à concorrência, ganhar massa crítica. “Esse é, realmente, o desafio. Em Portugal, mas noutros países também, ainda existe uma forte cultura de se criticar o falhanço, mas falhar é um caminho para a aprendizagem e para o sucesso. Nós consideramo-nos a empresa certa para apoiar um município na criação de uma incubadora porque já fizemos tantas e já erramos tanto que, fruto deste processo de aprendizagem, estamos muito mais aptos para ter sucesso. Há coisas que só se aprendem no terreno, com a experiência”, defende o entrevistado. E, para se ter uma incubadora bemsucedida, não basta possuir espaços físicos para albergar empresários, há que desenvolver workshops, seminários, ações de formação, iniciativas que promovam um crescimento constante e sustentável. “O ecossistema empreendedor cria-se muito, não só por quem está a dinamizar a incubadora, mas pelos próprios empreendedores. Aqui temos, por exemplo, um «Free Code Camp» todas as terças-feiras onde se ensina a sociedade ALGARVE INFORMATIVO #167

geral a programar. Estamos na presença de um ecossistema orgânico que não fica à espera que a entidade gestora faça tudo sozinha”, congratula-se Luís Matos Martins, recordando ainda a realização de workshops quinzenais, o «Bootcamp de Empreendedorismo» que aconteceu no início de 2018, o roadshow que passou por vários estabelecimentos de ensino do concelho e o «Get in the Ring», iniciativa internacional que teve uma etapa na StartUp Portimão. Nas entrelinhas compreendemos, igualmente, que uma incubadora desta natureza só funciona se todas as partes estiverem a remar para o mesmo lado e não com empreendedores de costas voltadas uns para os outros, trancados a sete chaves nos seus gabinetes, uma opinião que é partilhada pelo responsável da «Territórios Criativos». “A interajuda e a relação entre os empreendedores são fundamentais e prova disso é a saída para o mercado de alguns negócios conjuntos da StartUp Portimão”, aponta, antes de abordar as dificuldades existentes, nos tempos modernos, para a criação de novas empresas. “O processo está mais simplificado porque o governo lançou uma série de medidas de apoio ao empreendedor, quer para os novos como para aqueles que já estão em atividade. Também existem mais incubadoras, centros de investigação e de empreendedorismo que ajudam as pessoas a montar os seus negócios. Não quero dizer que o trabalho é mais fácil, mas há mais ferramentas para auxiliar os empreendedores”.

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Resta saber se, na hora da verdade, os portugueses estão motivados para criar os seus negócios, para arriscarem nas suas ideias, ou se preferem trabalhar por conta de outrem, cumprir com as suas tarefas do dia-a-dia e receber o ordenado ao fim do mês. “Há perfis para ambas as situações e são necessárias pessoas dos dois lados da equação. Se todos quiséssemos ter empresas, depois não tínhamos equipas para trabalhar, para ganhar dimensão e escala. Temos é empreendedores por necessidade e outros por opção. Há quem, por falta de alternativas do ponto de vista profissional, tenha que desenvolver os seus próprios negócios. Outros, apesar de terem uma situação profissional confortável, querem sair e fazer outras coisas”, distingue.

ser vista como um ecossistema empreendedor no concelho e não como uma simples incubadora ou centro de negócios. “E isso não se faz de um dia para o outro, demora tempo… Nem se consegue apenas com uma incubadora, é fundamental que o empreendedorismo esteja presente em todo o concelho, no poder local, nas empresas, escolas, universidades, politécnicos. Desejamos que a Startup Portimão seja uma forma de estar na vida, no concelho de Portimão, sempre focada nas oportunidades e na construção de soluções inovadoras, maioritariamente relacionadas com as Smart Cities. E queremos que as pessoas projetem o seu futuro e que acelerem os seus negócios, para que rapidamente façam prova de conceito e vão para o mercado” .

A finalizar a conversa, Luís Matos Martins enfatiza a vontade da StartUp Portimão 69

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ENTREVISTA

AS CENAS E MAMBOS DE NUNO MURTA Texto: ALGARVE INFORMATIVO #167

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steve patente, de 21 de julho a 11 de agosto, na sede da PAS – Peace and Art Society, na Casa do Jardim do Jardim da Alameda, em Faro, a exposição «Cenas e Mambos», o resultado final de uma residência criativa do professor de artes visuais, músico e ator Nuno Murta. O farense de 41 anos é Mestre em Comunicação, Cultura e Arte e faz parte da PAS desde 2014, tendo já participado em exposições coletivas em Portugal, Espanha, Sérvia e Coreia do Sul, fazendo agora a sua estreia em mostras individuais. O ponto de partida para «Cenas e Mambos» foi o documentário «The Noise» de Samira Winter e, à semelhança de uma performance de música experimental improvisada, e seguindo as propostas da

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artista e professora Andrea Pensado, assumiu-se que os erros, os acidentes, os acasos e as incertezas que surgissem durante a residência de duas semanas na Casa do Jardim seriam muito bemvindas. Procurou-se, também, chegar a um sítio em que a intuição, o sentimento e a irracionalidade se sobrepusessem à razão… e esse sítio foi «Cenas e Mambos». “É uma exposição de artes visuais, porque não pinto nem desenho, trabalho com colagens, fotografias e outros materiais. É uma coisa que já faço há muitos anos, simplesmente a minha faceta musical tem tido mais impacto e reconhecimento, a nível regional e nacional”, explica o músico dos OrBlua, entre outras bandas, e presidente da Associação Fungo Azul.

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A entrada para a Peace and Art Society deu-se, em 2014, a convite do presidente da época, Paulo Duarte Filipe, tendo feito uma instalação para a exposição «My Fukushima» que juntou cerca de 100 artistas plásticos. O percurso foi-se fazendo de forma gradual, sem sobressaltos, até que Júlio Antão, o atual líder da PAS, o desafiou para efetuar uma exposição individual. “Estou habituado à música e ao teatro, que são artes coletivas, aqui também só tinha trabalhado em grupo, o que de certa forma nos protege. Numa exposição coletiva dão-nos um tema, temos um ponto de partida. Neste caso concreto estou sozinho, eu é que tive que procurar e encontrar o caminho a seguir”, distingue Nuno Murta.

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Um caminho que começou com a tal residência criativa da Casa do Jardim, porque Nuno Murta não possui um ateliê próprio, dificuldade que apoquenta muitos artistas algarvios e portugueses. Assim, tudo o que se pode encontrar na exposição «Cenas e Mambos» foi criado in situ, revela o entrevistado. “Trouxe para aqui todo o material que pretendia utilizar e foram duas semanas de intenso processo criativo. O título já tinha sido escolhido anteriormente, para fins de promoção, mas é algo que diz muito da minha pessoa”, aponta, à conversa no Jardim da Alameda numa segundafeira logo pela manhã. “Sou professor de expressões artísticas, dou aulas de expressão plástica, corporal, musical e dramática e «Cenas e Mambos» é um ALGARVE INFORMATIVO #167


dialeto que uso frequentemente com os meus alunos quando me perguntam o que está na ementa. Ou vamos fazer cenas ou mambos, dependendo se a matéria tem a ver com o teatro ou a música”, conta, com um sorriso.

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A mostra individual preenche três salas da sede da PAS e é composta por 30 peças, todas produzidas ao longo de duas semanas. 19 delas compõem uma série de fotografias tiradas com um caleidoscópio artesanal, as restantes são 78


esteticamente tão interessantes, mas o próprio layout da exposição foi-se alterando à medida que o trabalho ia decorrendo”, indica, acrescentando que não pretende transmitir nenhuma mensagem específica com «Cenas e Mambos». “As pessoas têm feito muitas perguntas sobre os materiais que usei e quais foram as minhas opções estéticas e eu assumo, sem qualquer problema, que algumas peças estavam previamente idealizadas na minha cabeça, outras aconteceram por acidente. Também falam bastante das cores das fotografias, mas esse é um pormenor que escapa ao meu controlo, o caleidoscópio altera bastante as imagens”, esclarece.

esculturas e instalações, mas há também uma peça de arte interativa, apercebemonos durante a visita à Casa do Jardim. “Tentei não racionalizar muito, tinha os materiais e a ideia, nada de esboços, e ia construindo. No final não utilizei algumas peças por não as considerar 79

Um significado mais concreto tem a escultura feita com pincéis, porque Nuno Murta está envolvido numa associação de artistas plásticos que pintam e desenham e ele próprio não o faz. “Normalmente uso materiais que recolho do lixo, faço colagens com recortes de revistas, e há sempre aquela estranheza por eu não vir da escola do desenho ou da pintura. As minhas origens estão mais ligadas ao teatro, à performance e à música, daí ALGARVE INFORMATIVO #167


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ter uma abordagem diferente das artes plásticas”, justifica o entrevistado, o que não significa que os seus colegas da PAS não reconheçam a sua criatividade, antes pelo contrário. “Peguei nos pincéis, se calhar 30 ou 40, e dei-lhes uma outra função. Quanto às fotografias, muitas pessoas pensam que são imagens tratadas digitalmente no computador, mas andei mesmo com um caleidoscópio colado à minha máquina fotográfica. Depois, aproximam-se, reparam nos pormenores e reconhecem que são coisas corriqueiras da própria exposição e do edifício”.

“MAIS DO QUE ARTISTA, CONSIDERO-ME UM CRIATIVO” Muito furor tem feito, igualmente, a peça interativa, que não é mais do que um

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projetor de acetatos e uma série de peças abstratas recortadas com as quais cada pessoa pode construir a sua obra de arte e vê-la transportada para uma das paredes da Casa do Jardim. “No teatro fala-se muito em cocriação, que o grupo é que constrói a peça, não existem prima-donas, o que interessa é o coletivo. O meu objetivo foi que o público criasse as peças comigo. As peças foram feitas por mim, mas o resultado estético final é da responsabilidade do visitante e é incrível ver a postura que as crianças, por exemplo, têm perante aquele desafio. Dentro das formas abstratas procuram sempre construir animais ou pessoas, desenhos concretos”, revela Nuno Murta. “O mais curioso é que o público acaba por tirar fotografias com as peças que montam e depois partilham-nas nas redes sociais”. ALGARVE INFORMATIVO #167


Depois de duas semanas de residência criativa e de 22 dias de exposição, «Cenas e Mambos» superou as expetativas do artista, que não esconde a insegurança que sentia antes da estreia da sua primeira mostra individual. “As coisas podiam fazer muito sentido para mim, mas não imaginava o impacto que isto teria. Contei sempre com o apoio incondicional do Júlio Antão, o curador da exposição e presidente da PAS, que foi acompanhando e dando-me alento em relação ao que ia aparecendo, mas eu estava aflitíssimo”, confessa o farense. “Gostei do resultado final, mas quem valida o nosso trabalho artístico é o público e senti que isso aconteceu”. O futuro agora depende dos convites que forem surgindo para expor, porque assim é ALGARVE INFORMATIVO #167

a vida dos artistas plásticos, uma realidade da qual Nuno Murta está bem ciente desde os seus 17 anos. “Por isso é que decidi não me dedicar apenas a uma coisa, tenho uma necessidade criativa muito grande. Mais do que um artista, gosto de me considerar um criativo, o formato acaba por ser menos importante. Tanto me divirto na música como no teatro ou nas artes visuais”, garante, embora reconheça que a música acaba por ter uma maior preponderância na sua vida, por estar envolvido em várias bandas. “Há sempre muito trabalho a fazer na preparação dos discos e dos concertos e, como é um produto de grupo, não quero deixar mal os meus colegas. Também deixei de fazer teatro há alguns anos porque, enquanto arte coletiva, implica uma dedicação 82


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bastante grande. Num grupo com 8, 9 ou 10 elementos, para que os ensaios resultem é preciso que lá estejam todos e normalmente são necessários três, quatro ou cinco meses para se colocar um espetáculo de pé”. Depois de algum afastamento por não conseguir conciliar o teatro com a música, Nuno Murta regressou, entretanto, à encenação por intermédio do Coletivo JAT – Janela Aberta Teatro, de Miguel Martins Pessoa e Diana Bernedo. “Conheci o pessoal da associação através de um

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workshop de curta duração realizado no Teatro das Figuras, gostei muito do trabalho desenvolvido pela Diana e pelo Miguel, eles gostaram da minha postura e convidaram-me para a direção. Fiz uma formação de seis meses que culminou na peça «Morreu Pavarotti» e, mais recentemente, convidaram-me para integrar «As Bodas de Prata do Conde Baldinski». Precisavam de alguém para fazer de morto e entrei na fase final do projeto”, aponta, com uma risada, a terminar a conversa .

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REPORTAGEM

MUSEU MARÍTIMO ALMIRANTE RAMALHO ORTIGÃO REABRIU AO PÚBLICO Texto:

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Fotografia:

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Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão, o museu mais antigo do Algarve, localizado no edifício do Departamento Marítimo do Sul, em Faro, reabriu no dia 27 de julho, tendo patente uma coleção etnográfica sobre a atividade marítima e a pesca algarvia. Deste modo, ao longo de três salas – Baldaque da Silva, Lyster Franco, Manuel Bívar – podem-se encontrar navios de pesca e outras embarcações, aparelhos e utensílios de pesca, instrumentos, aparelhos e material de bordo, entre outros.

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O Museu teve a sua génese no antigo Museu Industrial Marítimo, criado a 4 de janeiro de 1889, com o apoio do então Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, o Conselheiro Emídio Júlio Navarro, ficando integrado na antiga Escola Industrial Pedro Nunes, em Faro. Mais tarde, em 1916, as suas coleções foram entregues à Marinha, sendo expostas na Escola de Alunos Marinheiros do Sul, antes de serem integradas, em 1929, na sede do Departamento Marítimo do Sul. Ao Almirante Ramalho Ortigão deve-se a realização de importantes trabalhos de restauro e conservação de grande parte deste Museu que, em 1962, foi finalmente instalado na sua atual localização, junto às Docas de Faro, recebendo a sua designação em homenagem àquela ilustre oficial da Marinha. Sendo um dos museus marítimos mais antigos de Portugal, tem por grande objetivo proporcionar aos visitantes uma perspetiva integrada do que foi, e ainda é, a atividade de pesca, construção naval, ALGARVE INFORMATIVO #167

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pilotos e segurança da navegação no Algarve. Para esse efeito conta com um vasto espólio composto por aparelhos, artes e utensílios de pesca, barcos de pesca e outras embarcações, quadros com temáticas marítimas, representando os peixes, moluscos e crustáceos mais importantes da fauna marítima portuguesa. A estes juntam-se instrumentos de navegação, aparelhos e material de bordo, modelos de construção naval e modelos de máquinas. As coleções do Museu encontram-se distribuídas por três salas que se interligam entre si e constituem a sua exposição permanente. A sala «Baldaque de Silva», em homenagem ao distinto Oficial da Marinha, engenheiro hidrógrafo e organizador das coleções dos modelos de redes e embarcações de pesca, estudados e mandados construir pelo mesmo; a sala «Lyster Franco», em homenagem a este pintor que tanto interesse e trabalho despendeu com o restauro dos quadros expostos e que corriam um elevado risco de se perderem; a sala «Manuel Bívar», em homenagem ao ilustre engenheiro agrónomo farense cuja curiosidade e amor às coisas da Marinha se deve à construção de interessantes modelos depositados nesta sala do Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão. O espaço está aberto a visitas entre as 14h30 e as 16h30 de terças, quintas e sextas-feiras, reservando-se as quartas-feiras para as visitas de grupo com marcação . ALGARVE INFORMATIVO #167

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REPORTAGEM

SINAIS E SINTOMAS DE CARÊNCIA DE B12 Texto:

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a deficiência de B12, a célula vermelha (blasto) fica grande (mega) e a isso denomina-se anemia megaloblástica. Os sintomas mais comuns estão relacionados com a redução de atividade cognitiva (concentração, memória e atenção), com

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desconforto para as atividades intelectuais, levando à dispersão, queixas de memória, além de formigueiro nas mãos e pernas. Outras associações que ocorrem na deficiência: ateroma (acúmulo de placas de gordura nos vasos sanguíneos); 98


defeito de formação do tubo neural (alteração que faz com que crianças nasçam com sérias alterações na coluna vertebral e paralisia das pernas); esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado). Em estágios mais avançados, a pessoa pode ter sintomas psiquiátricos (depressão, transtorno obsessivocompulsivo, manias) e pode até entrar em coma. Tipicamente, as crianças mostram sintomas de deficiência de B12 mais rapidamente do que os adultos. Esta deficiência de B12 pode conduzir à falta de energia e apetite e impedir o desenvolvimento da criança. As crianças estão mais sujeitas a danos permanentes do que os adultos e algumas recuperam por completo, mas outras demonstram um desenvolvimento retardado. Mais uma vez, não existe um padrão de sintomas inteiramente consistente.

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CAUSAS MAIS COMUNS DE DEFICIÊNCIA DE B12: Deficiência alimentar; Distúrbios da absorção de B12; Má absorção da cobalamina alimentar: Ocorre em pessoas com pouca secreção de ácido no estômago, sendo mais comum em idosos, porque podem apresentar hipocloridria (pouco ácido no estômago), ou em pacientes que retiraram o estômago; Insuficiência pancreática: Alteração da secreção do pâncreas que dificulta a ligação da B12 com o Fator Intrínseco. Esse tipo de alteração pode ser decorrente do alcoolismo; Alteração no funcionamento do Fator Intrínseco: Alguns indivíduos podem ter alterações auto-imunes com produção

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de auto-anticorpos. O organismo cria anticorpos que destroem ou atrapalham a absorção do Fator Intrínseco. Sem este disponível, não se consegue absorver a B12. Esse tipo de anemia se chama anemia perniciosa. Proliferação de bactérias no intestino delgado: A contaminação de bactérias do intestino grosso no intestino delgado chama-se «Síndrome do intestino delgado contaminado». As bactérias intrusas competem para consumir a B12 que chega ao final do intestino delgado. Esse tipo de complicação pode ocorrer em pessoas com divertículos (com estagnação), passagem anormal do cólon para o delgado (fístulas) ou estreitamentos intestinais (doenças inflamatórias intestinais); Ressecção intestinal: Pacientes que realizaram cirurgias retirando a parte final do intestino delgado; Má absorção alimentar: Aqui são incluídas diversas condições que podem causar má absorção, como, por exemplo, sensibilidade ao glúten, lesão por radiação na região abdominal, doença celíaca, síndrome do intestino irritável; Interação medicamentosa: Inúmeros medicamentos podem dificultar a absorção da B12; Por perda ou excesso de consumo do organismo. Podemos perder pelas vias biliares, que levam a B12 do sangue ao intestino ou consumir em excesso pela demanda intelectual.

EXAMES LABORATORIAIS QUE PODEMOS UTILIZAR 1. Hemograma: pode demonstrar a anemia (hemoglobina e hematócrito reduzidos) e o tamanho da célula (a parte ALGARVE INFORMATIVO #167

do hemograma que mostra o tamanho é o VCM – volume corpuscular médio). Se a anemia é mais grave, ocorre diminuição das células de defesa (neutropenia) e das plaquetas (trombocitopénia), no entanto, pessoas com poucas concentrações de B12 no sangue podem mostrar células de tamanho normal, não sendo de fiar a exclusividade do hemograma. 2. Reticulócitos: são as células vermelhas jovens. Na deficiência de B12, os seus níveis sanguíneos ficam reduzidos, no entanto, este exame pode ser influenciado por outros nutrientes e condições clinicas. 3. Ácido Metilmalónico: Na deficiência de B12 ocorre aumento do ácido metilmalónico. Este aumento pode ser detetado no sangue e na urina. Contudo, é um exame caro e dispensável. É usado mais para pesquisas clínicas. 4. Homocisteína: Aumenta na deficiência de B12 (e também na de B9 e B6). Algumas doenças como hipotireoidismo, a doença de Down e alguns medicamentos podem alterar os seus valores. A avaliação da homocisteína exige muitos cuidados. 5. Dosagem sanguínea de anticorpo anticélula parietal e de anticorpo bloqueador do fator intrínseco: serve para diagnosticar a anemia perniciosa. O anticorpo bloqueador do FI é mais específico. 6. Dosagem de folato (vitamina B9) no sangue: pode ser usado na dúvida da etiologia da anemia (B12 ou B9). A dieta vegetariana é rica em vitamina B9 (ácido fólico). Isto pode mascarar a deficiência de B12, que muitas vezes só é diagnosticada quando surgem 100


alterações no sistema nervoso. A deficiência de B9 causa manifestações muito parecidas com as da deficiência de B12, exceto pela neuropatia.

TRATAMENTO DA DEFICIÊNCIA DE B12 Via oral: A via oral pode ser utilizada para tratar a deficiência, desde que saibam prescrever a quantidade e frequência necessária para a tratar. Esta forma pode ser muito segura, mesmo para quem não tem estômago, mas atenção que a dose a ser utilizada é o que determina a segurança dessa forma de uso. Quando ingerimos doses inferiores a 5 mcg de B12 de uma só vez, cerca de 60 por cento (3mcg) é absorvida. Quando ingerimos uma dose de 5000 mcg, cerca de 1 por cento (50mcg) é absorvida. Feitas as contas, um suplemento que contenha 1000 mcg é mais do que suficiente para suprimir as necessidades do organismo. Não há relato de toxicidade pelo uso excessivo de B12. Ao optar por ingerir suplementos de B12 (Metylcobalamina), os vegetarianos estão a obter a vitamina B12 da mesma fonte 101

que todos os outros animais no planeta — microorganismos — sem causar sofrimento a nenhum ser senciente nem danos ambientais .

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ENTREVISTA

TERMOGRAFIA: UM MÉTODO DE DIAGNÓSTICO INOVADOR E SEGURO Após o lançamento, em Inglaterra, do documentário «The Promisse», a Termografia evidencia-se como o método do futuro no que respeita ao rastreio do cancro de mama. A Associação Semear Saúde entrevistou José Valdez, professor que desenvolveu uma abordagem que está a revolucionar este meio de diagnóstico e cujo sucesso é reconhecido a nível nacional, mas também alémfronteiras. Através de uma câmara digital, que capta as ondas de calor emitidas pelo corpo, o profissional de saúde pode identificar vários quadros clínicos, desde bronquite, pneumonias a hérnias lombares e artroses cervicais, ou mesmo alguns tumores ou cancros, como os cutâneos, da próstata, ou da mama, sem qualquer tipo de radiação nociva para o paciente.

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ssociação Semear Saúde: Pode explicar-nos em que consiste a termografia e quais os seus principais benefícios?

José Valdez: A termografia consiste num registo de imagem que é realizado através de uma câmara especial de infravermelhos, que permite fazer um mapeamento das temperaturas do corpo. Este sistema é o único que possibilita, ao profissional de saúde, fazer uma avaliação total do paciente (das patologias, das queixas presentes, e sua origem) e prever, em alguns casos com anos de antecedência, patologias graves como alguns tipos de cancro, em pouquíssimos minutos e sem qualquer tipo de radiação. Associação Semear Saúde: Como se faz o diagnóstico usando a termografia?

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José Valdez: O primeiro passo para o diagnóstico é fazer a captura das imagens, é como «fotografar» o paciente numa sessão fotográfica. Só que o nosso equipamento, além de fotografar, também regista as diferentes temperaturas no corpo. Depois das imagens terem sido trabalhadas pelo software, o segundo passo é a sua interpretação pelo profissional de saúde. Associação Semear Saúde: Como é que a termografia pode ser considerada preventiva? José Valdez: A termografia pode ser considerada preventiva de muitas formas pois é capaz de registar alterações funcionais em todos os órgãos e estruturas do corpo humano, o

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que permite antever, através de uma determinada alteração funcional no local X, que o resultado pode ser doença ou o sintoma Y. Associação Semear Saúde: Como funciona a termografia mamária na deteção e prevenção do cancro de mama? José Valdez: Após o lançamento, em Inglaterra, do documentário «The Promisse» (Pode ser visto em www.thepromissefilm.net), a Termografia evidencia-se como o grande e seguro método do futuro no que concerne ao rastreio do cancro da mama. Já se sabia, através de vários estudos científicos, feitos na Suécia e publicados na Lancet, que a mamografia é um perigo, pois provoca mais cancros do que os evita/previne. Por

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essa razão, a mamografia começa a ser fortemente contestada em muitos setores médicos. Não tenho dúvidas que o seu uso como meio de rastreio do cancro da mama vai ser proibido mais cedo ou mais tarde. Há centenas de estudos que comprovam que a termografia associada à ecografia tem resultados superiores à Mamografia, que rondam os 90 por cento contra 68 por cento de precisão da Mamografia. Além disso, a termografia não emite radiação e os preços são ridiculamente mais baixos que a Mamografia. Creio que muito brevemente Termografia seja o grande método mundial de rastreio de cancro de mama, deixando a Mamografia circunscrita a usos mais específicos,

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como preparações para intervenções cirúrgicas, por exemplo.

Associação Semear Saúde: A termografia tem contraindicações? Pode ser utilizada em grávidas e crianças? José Valdez: A termografia não tem absolutamente nenhumas contraindicações, uma vez que não emite qualquer tipo de radiação. Sim, pode ser usada por grávidas e crianças com toda a segurança. É particularmente útil em crianças que ainda não falam, que não se sabem explicar os sintomas ou que foram sujeitas a processos muito invasivos da medicina convencional e que recusam esses procedimentos por medo dos mesmos. Aí, a termografia é uma via de obtenção de informação única, que não causa qualquer dor ou desconforto à criança. Associação Semear Saúde: Que cursos poderá alguém fazer para se qualificar e trabalhar com a termografia? José Valdez: Existem três escolas de base de Termografia e a minha. As escolas 107

base mais conhecidas, mas muito limitadas à mama e ao sistema muscular, são as inglesas e a americana; a outra escola muitíssimo abrangente é a médico militar russa. Fiz o curso das três escolas e desenvolvi um novo sistema de abordagem das leituras dos termogramas onde somos a informação obtida das áreas anatómicas com os pontos de acupuntura visíveis nos termogramas e o estado funcional dos mesmos, mais os «trigger points». Sem os pacientes contarem nada, com o meu sistema conseguimos a história clínica apenas pela leitura dos termogramas com a mesma facilidade com que se lê um mapa. Desenvolvemos um curso totalmente on-line, em inglês e espanhol, com manual e vídeos práticos que é hoje uma referência mundial pela sua qualidade e facilidade de aprendizagem, onde os alunos, no final, ficam perfeitamente capazes de interpretar as termografias e conseguimos tornar este sistema acessível a qualquer profissional de saúde em qualquer parte do mundo. O nosso curso, além de ser online, ainda inclui o equipamento . ALGARVE INFORMATIVO #167


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OPINIÃO

O Algarve definha aos poucos Paulo Bernardo (Empresário)

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odia escrever sobre tudo o que aconteceu esta semana e foram muitas coisas, mas não o vou fazer. Não vou falar sobre aquilo que me pareceu desorganização e falta de estratégia, já cheguei à conclusão que, pelo que diz quem sabe, os fogos eram inevitáveis, etc. e tal, por isso, tivemos foi muita sorte pois podíamos ser como a Califórnia e ainda estarmos a arder. Assim, desse tema nem mais uma palavra. Pegando numa campanha que falava num Algarve desconhecido e o segredo melhor guardado do Algarve, julgo que era mais ou menos isto. A partir daí começou a aparecer em publicações várias e, pelo início da Primavera/Verão, a história de um outro Algarve, nunca entendi bem se era o Algarve bom versus o Algarve mau, se era o Algarve pobre versus o rico, se era o litoral versus o interior, não sei. Apenas sei que se começou, sim, a criar a ideia de que existe um Algarve que todos conhecem e outro que só alguns já descobriram e, quanto a mim, isso foi muito bem conseguido. Contudo, a mesma estratégia transmitiu a ideia de que existe um Algarve que todo o mundo conhece, o que é mentira. O nosso Algarve é, infelizmente, muito pouco conhecido. Nos últimos tempos tenho passado largos períodos em dois países, especificamente o Brasil e os Estados Unidos, falando com gente relativamente bem informada e o que constato é que o Algarve é praticamente desconhecido. Parece um pouco um vizinho que eu tenho, é muito conhecido, mas lá no café da nossa rua. Parece que o Algarve se anda repetidamente a promover nos mesmos mercados, sem entender que o mundo mudou muito nos últimos tempos e em ALGARVE INFORMATIVO #167

breve vamos começar a sentir ainda mais a recuperação dos nossos concorrentes de proximidade. Assim, gostaria de ver o Algarve mais divulgado nos novos mercados que todos os dias surgem, como, por exemplo, a América Latina, tão próxima, mas tão longe. Como a escrita feita no momento pode sofrer alterações do próprio momento, assim a promoção do Algarve fica por aqui. Fiquei a saber que o Professor Louro tinha partido. O Algarve e a Cultura ficaram mais pobres. Pode ser um chavão para outros, mas para ele é mais que adequado. Tive contato com ele nos idos finais dos anos oitenta através do seu filho André, eu e ele na associação de estudantes, o pai do André era um homem especial. Mais tarde, as nossas vidas cruzaram-se pois arranjou-me um grande companheiro de quatro patas, uma cadela Cão de Água, muito antes de ser uma raça famosa por culpa do Obama. Depois, vim encontrá-lo no Teatro das Figuras. Acima de tudo, uma pessoa especial que, apesar do seu ar grave, sempre transmitia alegria e confiança. O Algarve vai ficando deserto, não pelos fogos, mas sem pessoas, vai se transformando numa massa amorfa de agarrados aos poderzinhos sem interesse em fazer nada em prol da região. O que teria sido esta geração do Professor Louro com as condições de hoje? Não sei, se calhar nada, pois hoje temos condições e pouco se faz. Quando digo pouco é de raiz local, de uma forma pura, de dedicação à arte. Hoje podemos ter muito espetáculo, mas vem embalado como os hambúrgueres do McDonald’s. Falta-lhes autenticidade. Até sempre Professor Louro .

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OPINIÃO

Das listas Mirian Tavares (Professora) “Sou um apanhador de desperdícios Amo os restos Como as boas moscas”. Manoel de Barros

nda por aí uma febre das listas: de filmes, livros, capas de vinis, poemas. Listas de coisas desimportantes, que são as que verdadeiramente importam. Convida-se ou é-se convidado para partilhar aquilo que mais nos marcou. Sempre tive dificuldade em fazer listas, porque sobra qualquer coisa, porque algo fica de fora ou porque somos muito vaidosos e, se vamos partilhar, que seja o Dostoievski, nunca a Agatha Christie ou os livrinhos de bolso de cowboys ou de amores desenfreados. Confesso que os li a todos: Guy de Maupassant ao café e Corín Tellado após as refeições. A minha avó adorava que eu me sentasse ao pé dela, enquanto se baloiçava muito devagarinho na rede. Quando estávamos saciadas de alta literatura, lia os livros que comprava no quiosque. Era uma mistura inusitada que me marcou. Aprendi a devorar livros com enorme prazer e, apesar de ter as minhas preferências, e de saber separar o lixo do luxo, alimentei-me, e ainda o faço, com um pouco de tudo: de Baudelaire aos livros da coleção Vampiro. Passei por várias fases, do romance americano a um período em que só lia teatro. O mano tinha uma coleção completa dos clássicos da dramaturgia ocidental e, às vezes, fazíamos leituras de peças. Na altura, tinha uns nove anos e só tinha assistido às peças da escola. O tio dizia que a minha leitura era muito «de

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igreja», o que era natural, pois ia à missa todas as semanas e estava embebida dos seus rituais. O teatro era apenas um belo texto que tinha a vantagem de não perder muito tempo com longas descrições, coisa de que não gostava. Quando penso na lista de livros que me marcaram realmente, penso logo em Pollyanna, que li muitas vezes entre os seis e os oito anos. Lembro-me ainda de ter recebido dinheiro da avó para ir à livraria comprar o «Pollyanna Moça», que acabara de chegar. Fui a correr, com uma blusa branca bordada nas mangas e uns calções encarnados. Cheguei à livraria e dei um grande espirro, fiquei atrapalhada porque não trazia lenço. Lembro do papel de embrulho pardo e de chegar a casa e sentar ao pé da avó para começar mais uma sessão de leitura. A cidade onde nasci tinha, na época, três salas de cinema. Os manos costumavam levar-me desde os meus dois anos. Há dois filmes de que nunca me esqueci: «Snoopy, volte para casa» e «A Paixão de Cristo», uma versão ainda a preto e branco. Fui ao cinema, numa Semana Santa, com uma amiga mais velha. Quando o filme acabou, ela foi para casa e pedi para ficar a ver a segunda sessão. A minha mãe apareceu no cinema à minha procura, pois dera a hora do jantar e eu ainda não estava em casa. As listas existem para que a memória se organize e, de alguma forma, seja mantida. 114


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OPINIÃO

A essência das Cidades Adília César (Escritora)

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á cidades e há cidades. Tautologias à parte, todos sabemos que a «cidade», enquanto lugar geográfico, social e político, é uma povoação que corresponde a uma categoria administrativa, geralmente caracterizada por um diversificado número de infra-estruturas e elevada densidade populacional. Esta é a definição de cidade ou urbe. Contudo, as cidades são diferentes entre si, quer enquanto locais geográficos (bem ou mal situadas e/ou organizadas, com bonitas paisagens e pontos de interesse, ou não…), quer ainda a nível do estilo de vida que proporcionam aos seus habitantes e visitantes, decorrentes das dinâmicas relativas às políticas locais e outros factores ambientais e sociais. A Cidade de Dawlish, à beira do pequeno rio Dawlish Water ou The Brook, conhecida como Riviera Inglesa, é um pequeno município no sul de Inglaterra, muito recomendado pelas suas praias, assumindose como um conceituado e aprazível destino turístico, já desde os finais do século XVIII. A localidade tem um clima oceânico ameno, sendo um dos lugares mais ensolarados do Reino Unido, com uma média de quase mil e oitocentas horas de sol por ano. É também famosa na Literatura Universal, pelas alusões que a escritora Jane Austen fez no seu romance «Sensibilidade e Bom Senso». Mas, actualmente, Dawlish passou a ser mencionada nos sites de informações turísticas (por exemplo, no tão requisitado TripAdvisor), como a localidade do Reino Unido com mais cartazes de proibição, o que é deveras insólito, tendo em conta o ambiente democrático que se vive na Europa do século XXI! ALGARVE INFORMATIVO #167

De facto, quase tudo é proibido em Dawlish. O seu Presidente de Câmara leva o conceito de bem-estar da «sua» cidade ao extremo, tentando controlar todos os constrangimentos que possam ocorrer e perturbar a harmonia citadina. Tudo começou com os cisnes negros trazidos da Austrália, os quais foram instalados numa pequena reserva aquática local e que são, hoje, uma grande atração turística. Mas o que seria um aviso normal em qualquer outra cidade, transformou-se numa obsessão, e o Presidente da Câmara deu início à sua demanda de fazer constar inúmeras placas de proibição/interdição junto ao lago que serve de morada aos cisnes, porventura para assegurar o conforto dos animais, digo eu. A primeira interdição do zeloso autarca foi a afixação de uma tabuleta proibindo dar pão ou qualquer outro tipo de comida aos cisnes negros, que não fosse vendida num quiosque para o efeito. Entretanto, seguiram-se outros avisos: - É proibido passear os cães sem trela ou com trela muito comprida; - É proibido deixar que os cães entrem na água; - É proibido estacionar o carro sem pagar ou deixar o motor do carro ligado; - É proibido comer gelados a menos de um metro do lago; - É proibido deitar lixo nos contentores errados; - É proibido jogar à bola; - É proibido amarrar embarcações no porto da cidade; - É proibido caminhar pelas ruas do passeio marítimo que estão em obras;

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- É proibido andar de bicicleta ou patins em determinados locais; - É proibido andar a beber na rua; - É proibido fazer barulho. - É proibido… Perante a lista interminável de interdições exibidas em inúmeras placas, é caso para se dizer que apenas é permitido proibir… Apesar das rábulas cómicas que se podem levar a cabo com este material peculiarmente ridículo, a situação atingiu níveis de constrangimento elevados, conferindo má fama à linda Cidade de Dawlish, pelo que a consciência cívica dos habitantes e também dos visitantes desencadeou um processo de reclamação em massa e já deu os seus frutos: o Presidente da Câmara entendeu negociar as suas famosas proibições e afirmou que era sua intenção submeter a uma entidade externa a retirada de algumas placas (as que forem consideradas «redundantes ou desnecessárias»). Gostaria muito de ver os cisnes negros de Dawlish, mas acho que vou ficar por aqui, no Algarve: as imponentes cegonhas brancas são um ex-líbris da Cidade de Faro e o seu Presidente de Câmara é bem mais tolerante! .

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OPINIÃO

Do Reboliço #3 Ana Isabel Soares (Professora)

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a casa do Moinho, a avó teve toda a vida uma romãzeira: ficava entre a rua do monte e o jardim onde, além de flores, havia uma laranjeira e duas ameixeiras, e para onde deitavam as folhas largas de uma figueira. Levantava-se por cima do tanque de lavar a roupa e dava sombra quando a avó lavava, a água do sabão a escorrer para cima das pedras e para dentro da terra por onde subia o tronco torto da romãzeira.

Para a casa da aldeia entra-se por onde era a mercearia – daí até ao quintal vai um corredor que deita para as várias divisões. No começo, como era hábito em muitas casas das aldeias e do campo, não havia os citadinos toilettes. Mais tarde, construiu-se no quintal uma casa de banho, onde se instalaram sanitários. Arrumada à parede de fora da nova casinha, a avó Mariana plantou, na esquina com o muro que dá para a vizinha, uma buganvília; no extremo do lado contrário, dispôs uma roseira. (a minha flor favorita)

(a minha fruta preferida) Mas nem uma romã para amostra. Nunca dava o fruto, fosse por conta da água ensaboada, talvez isso, fosse por qualquer sentimento seu, a romãzeira lá saberia. A folhagem tinha-a boa, era densa. Deu aquela árvore teima entre a avó e o avô a vida toda. Tirava a vista que o avô queria ter, da janela da cozinha para a cidade. Ele insistia que haveria de tirar dali a romãzeira. Ela tornava que não. Depois de morrer o avô, quando se arranjou a casa, foi o pai que quis arrancar a romãzeira – que nunca tinha dado romãs, que o pai dele sempre a quisera dali para fora, que tapava a vista da cidade... Mas, então, era a mãe que não, que a romãzeira daí não sai, que a tua mãe sempre aí a quis. O tanque ficou lá, deixou de ter a serventia de antes, e a árvore não se tirou. No Verão seguinte, deu a primeira romã. Desde aí, as folhas continuam verde-verdes, brilham mais quando chove uma chuvinha, e todo o ano se enfeita: ora com os botões, o vermelho quase laranja, muito vivo e bojudo, ora com os frutos, uns maiores que outros, tantos rasgando-se com a força das sementes de encarnada-transparência, e sempre com as pequenas folhas a brilhar. *** ALGARVE INFORMATIVO #167

A roseira ganhava ramos altos, desde o chão, até meio da porta, ou mais alta, e flores grandes, de um branco forte a pender para o rosado. Quando se fizeram obras, os sanitários foram para dentro da casa e foi abaixo a casinha – na parede de fora, a dar para o quintal, abriu-se uma janela no lugar que fora da banheira. Os pedreiros que lá andaram a trabalhar, descuidados, fizeram o cimento por cima de onde estava a roseira: a planta desapareceu, entulhada, empurrada, asfixiada. A mãe zangou-se muito, com grande razão, e exigiu que desviassem da roseira o estaleiro. Sem esperança, fez que se abrisse no cimento novo, onde antes se erguiam as hastes e abriam – sem engano – aquelas rosas, um círculo por onde outra vez se visse a terra. Pensou plantar novos troncos, fazer crescer outras flores. Não chegou a fazêlo só porque ao fim de umas semanas, frágil, mas decidida, a velha roseira deu em subir: subiu hastes, botou folhas, brotou flor, e ali está, no meio do quintal, desamparada de parede, mas com a bruteza de quem não teme vento nem cimento .

* Reboliço é o nome de um cão que o avô teve, no Moinho Grande. É a partir do seu olhar que aqui escrevo. 118


Foto: Vasco Célio

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OPINIÃO

Bombeiro, Maubeiro Nuno Miguel Silva (Técnico de Comunicação)

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té ver esta crónica poder-se-ia ficar pelo título. Não que diga muito, mas soa a ridículo. E não há nada mais ridículo neste país do que ser

bombeiro. Durante três semanas por ano chamamoslhes guerreiros. Lembramo-nos deles como heróis: os bravos que de cara suada e uniforme sujo emergem esgotados mas vitoriosos de entre as labaredas do inferno. O drama. O melhor é que de facto é verdade. O pior é que de facto só dura três semanas. Durante o resto do ano, rimo-nos se alguém nos pergunta se nos queremos voluntariar. Bombeiro? Eu? “LOL”. Não sirvo para tocar trompete e o vermelho não me fica bem. Tendências de estação. Durante o resto do ano ninguém se lembra que continuam a desencarcerar pessoas de acidentes e a salvar vidas quando mais ninguém pode. Durante o resto do ano ninguém se lembra que recebem ao preço da uva mijona e que grande parte deles é voluntário. Durante o resto do ano, o barulho das sirenes incomoda e chegamos a perguntar-nos o porquê de tanto aparato para abrir a porta de casa da velhota que se esqueceu da chave dentro. É que incomoda pá. Principalmente ao domingo de manhã. No entanto, há sempre a «sorte» dos fogos de Verão. E a solidariedade adormecida desperta sedenta de redes sociais - aliás, graças a Deus que existe Facebook, ou a esta hora ainda faltaria águinha aos gajos dos trompetes. Recapitulando: Dão a vida por nós e por este país. Dormem ao relento para guardar e proteger

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uma casa que não é sua e um terreno que não é seu. São mal pagos, quando são. Das 52 semanas do ano, o bullying mete três de férias. Veem o país a arder, percebem de fogo como ninguém, mas continuam dependentes da coordenação do senhor da gravata que coordena por telefone. No escritório. À fresca. Queimam uma perna. Ficam sem um dedo. Mas com um pouco de sorte garantem uma homenagem póstuma. As you do. No fundo, no fundo, não há ninguém mais estúpido que um bombeiro. Por isso, façamnos um favor. Que a vossa estupidez seja perpétua porque a nossa hipocrisia já o é: nós prometemos fazer-vos brilhar durante três semanas, vocês prometem cuidar de nós o ano inteiro. Se tem resultado assim, para quê mexer? Em princípio este ano não morre ninguém. Fantástico. No entanto, as florestas vão continuar a arder e vocês a correr risco de vida. Até o dia em que se baldem para nós e se façam Maubeiros. Aí é que eu queria ver. Marotos. Nota pós sarcasmo: É angustiante perceber a desfaçatez com que o governo encara a operação. Esqueceram o fogo, os terrenos ardidos e as casas de primeira habitação perdidas. O importante, sem censura, foi proteger vidas humanas. Aceito mas não chega. Só é grave se morrer alguém? Pouparam-se vidas, mas despiram-nas de razão. Pouparam-se notícias chatas, mas arderam com uma região. Well done Sir. Well done . 120


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MUNICÍPIO DE ALBUFEIRA ABRE CONCURSO PARA 58 AUXILIARES DE EDUCAÇÃO Autarquia de Albufeira abriu concurso para o preenchimento de 58 postos de trabalho para a categoria de Assistente Operacional Auxiliar Técnico de Educação. Os candidatos terão a responsabilidade de diversas tarefas, nomeadamente: garantir a guarda dos equipamentos e a sua correta utilização, procedendo, quando necessário, à sua manutenção e reparação; vigiar as crianças durante o repouso e na sala de aula; prestar assistência a crianças nos transportes, nos recreios, nos passeios e visitas de estudo; zelar pela conservação e higiene ambiental dos espaços e das instalações à sua responsabilidade, numa perspetiva pedagógica e cívica. Aos novos auxiliares competirá também colaborar com os educadores de infância na programação e na realização das atividades, no atendimento dos encarregados de educação e na

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interligação do estabelecimento de ensino com os encarregados de educação. Exercer tarefas de enquadramento e acompanhamento das crianças e jovens, nomeadamente no âmbito da ação educativa e de apoio à família, é outra das funções. O prazo decorre até 21 de agosto e as candidaturas deverão ser formalizadas mediante o preenchimento obrigatório de formulário devidamente datado e assinado, disponível na Divisão de Recursos Humanos do Município de Albufeira ou em www.cm-albufeira.pt. Só são admitidas candidaturas em suporte de papel, podendo as mesmas serem entregues pessoalmente na Divisão de Recursos Humanos, entre as 9h e as 16h, ou remetidas pelo correio, com registo e aviso de receção, para a Câmara Municipal de Albufeira, Rua do Município, 8200-863 Albufeira .

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PRAIAS DE CASTRO MARIM ESTÃO MAIS SEGURAS COM DAE

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m 2015, numa iniciativa pioneira no país, a Câmara Municipal de Castro Marim equipou as praias do concelho com desfibrilhadores automáticos externos (DAE’s). Em 2017, foram também entregues macas (planos duros) aos nadadores-salvadores responsáveis pelas diferentes concessões, que permitem a imobilização e contenção das vítimas durante o transporte. Os nadadores-salvadores recebem formação técnica para manobrar os equipamentos, o que permite assegurar, em caso de emergência médica, as manobras de Suporte Básico de Vida e a desfibrilhação nos primeiros minutos após a ocorrência de uma paragem cardiorrespiratória, até à chega do INEM/Bombeiros. Recorde-se que a utilização do DAE é o único tratamento eficaz na paragem cardíaca em casos de fibrilação ventricular, causa da maior parte dos episódios de morte súbita. A utilização dos dispositivos, em ambiente extra-hospitalar, por pessoal não médico, melhora significativamente a sobrevida do paciente. “A morte por paragem cardíaca nas praias é muito mais frequente do que por afogamento, para onde tem sido canalizada a atenção deste país ao longo dos anos”, realça o

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presidente da autarquia e também médico, Francisco Amaral, acrescentando que o investimento na segurança das pessoas é também uma mais-valia e um fator de diferenciação das praias do concelho de Castro Marim. ALGARVE INFORMATIVO #167


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INFRAMOURA INAUGUROU REDE DE CARREGAMENTO DE VEÍCULOS ELÉTRICOS DE VILAMOURA Inframoura, empresa municipal que gere as infraestruturas públicas de Vilamoura, inaugurou, no dia 9 de agosto, a Rede de Carregamento para Veículos Elétricos de Vilamoura, constituída por seis postos – cinco de carregamento semirrápido e um de carregamento rápido – um projeto que se enquadra num dos seus eixos estratégicos, bem como na Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas de Loulé. “Trata-se de mais um momento de sucesso do percurso da Inframoura e mais um avanço no sentido de um desenvolvimento sustentável. Todos estamos familiarizados com as

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questões da poluição e a preocupação com as alterações climáticas está bem presente nas pessoas, empresas, municípios e países. Por isso, a mobilidade urbana limpa é mais do que uma opção, é uma necessidade”, considerou José Miguel, presidente do Conselho de Administração da Inframoura. O dirigente reconheceu que os avanços tecnológicos desempenham um papel importante nesta matéria, “mas compete à administração pública incrementar as mudanças culturais nas cidades, promover a adoção de boaspráticas e motivar a sociedade para a mudança de hábitos”, frisou José 126


Miguel. “Cabe a nós criar as condições propícias para a mudança de paradigma, que só se consegue com a participação dos cidadãos. Em Vilamoura já temos bons exemplos disso, como o sistema de bicicletas de uso partilhado e, a partir de hoje, a rede de carregamento para veículos elétricos. Estamos perante uma alternativa limpa em que os combustíveis são substituídos por energia elétrica e, numa ótica de otimização de recursos, a Inframoura pretende alimentar o posto de carregamento da Avenida João Meireles com energia proveniente da Central Fotovoltaica instalada recentemente na sede da empresa e que já apresenta resultados bastante positivos”, revelou ainda o presidente da Inframoura. Vítor Aleixo, Presidente da Câmara Municipal de Loulé, não faltou a este

momento importante da vida do concelho, entendendo que é com estes passos que se conseguirá operar a transição do paradigma de uma economia assente na energia fóssil para uma assente em energia limpa e renovável. “São pequenos passos, mas bastante significativos e representativos da estratégia que temos apontada ao futuro. O caminho a seguir é este e muitos acontecimentos semelhantes vão ocorrer nos próximos tempos, não só no litoral, onde temos a Inframoura, Infraquinta e Infralobo a operar, mas também na cidade de Loulé, em Almancil e no interior do concelho”, adiantou o edil, antes de se iniciar uma visita aos postos de carregamento localizados em frente à sede da Inframoura e junto ao Posto 2 .

José Miguel, presidente do Conselho de Administração da Inframoura, e Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé 127

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CARNAVAL DE VERÃO EM ALTURA TEVE CASA CHEIA

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nspirado no cortejo de Carnaval, um dos mais celebrados na região algarvia, Altura promoveu pela primeira vez um desfile de Verão, no dia 4 de agosto. À luz do tema «O Mar que Respiramos», a iniciativa envolveu mais de 200 participantes e atraiu milhares de visitantes à Zona de Lazer de Altura. O sucesso desta edição ditou o futuro de novas edições deste «Carnaval de Verão», revelou a presidente da junta de freguesia de Altura, Nélia Mateus, que passa assim a ser mais um cartaz turístico do concelho castromarinense, juntando-se a outras iniciativas culturais de sucesso como o Festival de Lucía ou os Dias Medievais, e à excelência das características naturais deste território. “Esta é uma fantástica oportunidade para mostrar um pouco daquilo que é o Carnaval de Altura, que tem conquistado o seu lugar nos cortejos algarvios e hoje já é um dos mais conhecidos, realizado com o empenho, a dedicação e o voluntarismo da comunidade local”, continuou a autarca. Aliada à vontade de promover o Carnaval de Altura, numa época em que a região é tão procurada para o recreio e turismo, juntou-se o objetivo ambiental, de divulgar e sensibilizar para a necessidade de proteger o património natural que o nosso ALGARVE INFORMATIVO #167

mar e ambiente costeiro encerram. Integrado no programa de atividades da Bandeira Azul 2018, «O Mar que Respiramos» é o tema anual da bandeira azul, símbolo de qualidade das praias da região e que é de todos e a todos cumpre preservar, para que as gerações futuras possam usufruir dele nas mesmas condições que o temos hoje. O desfile «O Mar que Respiramos» foi uma iniciativa da Junta de Freguesia de Altura e da Câmara Municipal de Castro Marim . 128


FARO CONTINUA A INVESTIR NO ASSOCIATIVISMO DO CONCELHO Câmara Municipal de Faro aprovou, no dia 6 de Agosto, por unanimidade, a proposta de atribuição dos apoios ao associativismo, resultante da apreciação das candidaturas ao programa destinado às associações de cariz social, cultural, desportivo e juvenil do concelho. Assim, de acordo com o Regulamento de Apoio ao Associativismo do Município de Faro aprovado em 2016, este ano foi possível atribuir uma verba de cerca de 523 mil e 618 euros. Em matéria de associativismo desportivo, as 51 candidaturas validadas recebem um montante global de 267 mil e 949 euros. Quanto aos apoios culturais, o valor total é de 109 mil e 482 euros, a distribuir por 53 candidaturas. Já os

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apoios ao associativismo social foram atribuídos a 27 candidaturas aprovadas, no montante de 121 mil e 187 euros. Finalmente, para o associativismo juvenil foram destinados 25 mil euros a cinco entidades. Na mesma reunião foram também aprovados apoios pontuais, no montante global de 13 mil e 600 euros, relativos a proposituras que não tinham cabimento no Programa mas que, ainda assim, foram consideradas fundamentais para o desenvolvimento do projeto cultural do concelho. Recuperados pelo Executivo liderado por Rogério Bacalhau em 2015, os apoios financeiros ao associativismo pretendem criar condições para o crescimento, inovação e descentralização das atividades levadas a cabo pelas coletividades do concelho .

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MEDICINA DA UALG ENTRE AS MAIS DESTACADAS DA EUROPA NO U-MULTIRANK

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e acordo com o UMultirank, uma plataforma da União Europeia que traça o perfil das universidades a nível mundial, comparando-as e ordenando-as por rankings de desempenho, a área da Medicina da Universidade do Algarve encontra-se entre as melhores escolhas para quem procura estudar nesta área científica na Europa. As inovadoras formas de ensino, a qualidade da investigação, a forte mobilidade dos estudantes e as oportunidades de contacto com o futuro ambiente de trabalho, que é proporcionado aos estudantes dos cursos desta área científica, estão entre as grandes razões apresentadas pelo U-Multirank. De acordo com Isabel Palmeirim, presidente do Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina da UAlg, estes

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resultados traduzem “o trabalho que tem sido feito no sentido da Excelência, Inovação e Humanismo no ensino”. Na área científica de Medicina estiveram em avaliação neste ranking o mestrado integrado em Medicina, a licenciatura em Ciências Biomédicas e o mestrado em Oncobiologia - Mecanismos Moleculares do Cancro. Recorde-se que este ranking compara mais de 1500 universidades a nível mundial, tendo como base cinco critérios de desempenho: Ensino (Teaching and Learning), Investigação (Research), Transferência de Conhecimento (Knowledge Transfer), Internacionalização (International Orientation) e Envolvimento regional (Regional Engagement). Cada universidade e cada curso são classificados tendo em conta um total de 35 indicadores, que podem ser consultados no site da umultirank.org .

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PRAIAS DE BENAGIL E DOS CANEIROS ENTRE AS 100 PRAIAS DO MUNDO «A NÃO PERDER» site de economia norteamericano «Business Insider» reuniu uma lista de 100 praias de todo o mundo que todos os cidadãos deveriam visitar pelo menos uma vez na vida e duas delas são do Algarve. Assim, a Praia de Benagil e a Praia dos Caneiros, ambas localizadas no concelho de Lagoa, são consideradas pelo site de «visita obrigatória». Esta é uma distinção para Lagoa que vem complementar as recentes nomeações da Praia de Carvoeiro como a Melhor Praia da Europa 2018 (pela European Best Destination) e da Praia da Marinha, pela estação televisiva CNN,

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como uma das 52 Melhores Praias do Mundo 2018. O «Business Insider» cruzou dados de alguns especialistas em viagens, como a British Airways, a Lonely Planet ou o Airbnb, para reunir este conjunto de areais imperdíveis espalhados um pouco por todo o mundo .

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JUNIORES DOS CASTORES DO ARADE EM DESTAQUE NO CAMPEONATO NACIONAL DE CANOAGEM DE VELOCIDADE

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ois títulos de Campeões Nacionais e três medalhas de bronze de um total de nove finais «A» e três finais «B» foram os resultados alcançados pela equipa dos Castores do Arade no Campeonato Nacional de Canoagem de Velocidade. A prova realizou-se sob temperaturas bastantes elevadas, que dificultaram a prestação de todos os atletas, nos dias 4 e 5 de agosto, no Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho, e destinou-se apenas aos atletas dos escalões Juniores, Seniores e Veteranos. A equipa de juniores venceu em duas distâncias olímpicas, com o quarteto constituído por Iago Bebiano, Tomas Santos, Gonçalo Bento e Mário Cabede a dominarem o K4 500 metros, vencendo

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com 1:30,066 minutos, menos 1,335 segundos do que a equipa do CN Litoral Alentejano e menos 1,485 do que a equipa do CCAmora. Recorde-se que esta equipa tinha feito história há dois anos ao trazer para o Algarve o primeiro título num K4 com atletas da formação e foram várias as equipas que aspiravam roubar este título aos Castores, mas os lagoenses demonstraram muita confiança e voltaram a vencer. Foram quatro os escalões que subiram ao pódio nas equipas de K4 dos Castores do Arade, dois títulos nacionais com as iniciadas e juniores e 2 terceiros lugares com os infantis e seniores femininas. Na prova individual de 200 metros, Tomás Santos venceu confortavelmente o K1, com 37,745 segundos, menos 0,720 do que Francisco Santos do CN Ponte de Lima e Iago Bebiano conquistou a medalha de bronze, a apenas três décimos da prata. Esta dupla conquistou ainda a medalha de bronze no K2 1000 metros, ao cumprir a distância em 3:31,645 minutos, em prova vencida pela equipa do CCAmora com 3:28,794 minutos seguida do CNCrestuma com 3:30,649 minutos. O atleta Gonçalo Bento garantiu uma final «B» no K1 1000 metros, onde terminou na 3.ª posição. A equipa feminina conquistou a medalha de Bronze no K4 500 132


metros. O quarteto constituído por Ana Bebiano, Maria Cabrita, Rita Ângelo e Belén Acuña registou o tempo de 1:49,428 minutos assegurando o último lugar do pódio, por apenas 0,080 segundos, face à equipa do CCAmora. A vitória coube à equipa do CNMarecos e o segundo lugar foi para a equipa do CN Ponte de Lima. As atletas dos Castores estiveram ainda em evidência ao conquistar três finais «A» e uma final «B», com Ana Bebiano a marcar presença nas duas finais «A» em distâncias Olímpicas, terminando em 9.º no K1 500 metros e em 8.º no K1 200 metros. Maria Cabrita garantiu ainda a presença na final «B» do K1 200 metros, terminando na 2.ª posição. No escalão de veteranos foram alcançadas duas finais. Uma final «A» com a tripulação de K2 Vet-A 1000 metros, constituída por Nuno Silva, e Jorge Filipe, a terminar na 9.ª posição e em K1 Vet-B 1000 metros, com António Luís, que venceu a final «B». Estes resultados somam-se aos dois títulos 133

nacionais, um de vice-campeã nacional e uma medalha de bronze, nove finais «A» e quatro finais «B», conquistados há uma semana no Campeonato Nacional de Canoagem de Velocidade destinado aos atletas dos escalões Iniciados, Infantis e Cadetes. No acumulado, os Castores do Arade garantiram o 8.º lugar da geral coletiva com 996 pontos, entre 52 Clubes. O Náutico de Ponte de Lima foi o grande vencedor, seguido do Náutico de Prado e do GDRGemeses. O Campeonato Nacional de Velocidade foi organizado pela Federação Portuguesa de Canoagem em parceira com o Município de Montemor-o-Velho. Esta foi a última prova realizada no Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho antes do Campeonato do Mundo Absoluto, que se disputa pela primeira vez em Portugal, entre os dias 22 e 26 de agosto. A competição reunirá a elite mundial em Portugal no total de cerca de mil e 500 atletas de 80 países, a que se somam as respetivas comitivas . ALGARVE INFORMATIVO #167


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CÂMARA DE LAGOS QUER VER ACESSIBILIDADES MELHORADAS

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oi aprovada, na última reunião do executivo lacobrigense, uma proposta que preconiza a criação de duas novas rotundas na EN 125, a nascente e a poente de Odiáxere. Melhorar as condições de circulação do tráfego rodoviário da vila é o objetivo desta medida que a autarquia de Lagos pretende ver aceite pela Infraestruturas de Portugal, S.A. O Vice-Presidente Hugo Pereira lembrou os transtornos gerados pela sinalização horizontal da via, designadamente o traço contínuo que compromete a mobilidade e condiciona a atividade económica da zona, principalmente em período de época alta, assim como as tarefas quotidianas dos moradores que se veem limitados no acesso a equipamentos públicos e sociais (escolas, infantário, lar de idosos, junta de freguesia, entre outros) situados no lado oposto da via relativamente àquele em que residem. O autarca sublinhou igualmente ALGARVE INFORMATIVO #167

que não existem certezas quanto à data de execução da variante sul Odiáxere, duvidando que a mesma alguma vez venha a ser feita, o que justifica a apresentação desta proposta alternativa e mais prática, no sentido da sua exequibilidade a mais curto prazo. Nessa medida foi aprovada a proposta de relocalização da rotunda nascente, fazendo corresponder a mesma, em termos de implantação, com o atual entroncamento da EN125 com a EM534 (estrada de acesso ao Vale da Lama). O assunto será agora encaminhado para a Infraestruturas de Portugal, S.A., tendo em vista a possibilidade de incluir a execução dessa rotunda no âmbito da requalificação da EN125, tomando, eventualmente, por base o estudo existente na Câmara Municipal, com possíveis ajustamentos. Já no que concerne à rotunda poente, cujo estudo está em tramitação junto da Infraestruturas de Portugal, S.A., o 134


Município está disponível para assumir a sua execução, contando com a comparticipação financeira da Congelagos, unidade industrial instalada na zona que irá entrar em produção em breve e para a qual a melhoria das acessibilidades assume importância estratégica, uma vez que se prevê um aumento do tráfego naquela zona, nomeadamente de viaturas pesadas. Foi igualmente aprovada a proposta de criação da Polícia Municipal de Lagos, serviço de polícia administrativa a quem competirá fiscalizar o cumprimento das leis e regulamentos nas matérias relativas às atribuições do Município e à competência dos seus órgãos, assim como cooperar com as forças de segurança na manutenção da ordem pública e na proteção das comunidades locais, no respeito recíproco pelas esferas de atuação próprias. O primeiro passo para a concretização deste novo serviço foi dado com a aprovação do projeto de Regulamento de Organização e Funcionamento da Polícia Municipal de Lagos, respetivo mapa de pessoal e demais anexos. O processo seguirá agora a tramitação prevista no Código do Procedimento Administrativo para a elaboração e aprovação de regulamentos, designadamente a publicitação, a constituição dos interessados e a apresentação de contributos, a audiência dos interessados e um período de consulta pública, bem como a consulta às estruturas de representação coletiva dos trabalhadores em funções públicas legalmente constituídas. O projeto de regulamento prevê que a Polícia Municipal tenha competência territorial em toda a área de circunscrição do Município, ou seja, nas quatro 135

freguesias que integram o concelho, e exerça funções prioritariamente nos domínios da fiscalização do cumprimento dos regulamentos municipais (designadamente nos domínios do urbanismo, da construção, da própria gestão do espaço público, da defesa e proteção da natureza e do ambiente, do património cultural e dos recursos cinegéticos) e da aplicação das decisões das autoridades municipais. Para além disso, poderá também atuar nas seguintes áreas: vigilância de espaços públicos ou abertos ao público, designadamente áreas circundantes de escolas, em coordenação com as forças de segurança; vigilância nos transportes urbanos locais, em coordenação com as forças de segurança; intervindo em programas destinados à ação das polícias junto das escolas ou de grupos específicos de cidadãos; fazendo a guarda de edifícios e equipamentos públicos municipais, ou outros temporariamente à sua responsabilidade; e garantindo a regulação e fiscalização do trânsito rodoviário e pedonal na área de jurisdição municipal. Para tal está previsto dotar este novo serviço de um quadro de pessoal de 26 efetivos, composto por um Comandante (equiparado a dirigente intermédio de 2.º grau), um Graduado (com as funções de Coordenador) e 24 agentes. Em termos de organização, prevê-se que a Polícia Municipal tenha um horário de funcionamento sete dias por semana, das 08h às 00h, o qual será alargado no período de época alta (considerado entre final de março e final de outubro) para um horário que se prolongará até às 04h . ALGARVE INFORMATIVO #167


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EDUCAÇÃO AMBIENTAL FOI APOSTA FORTE DO MUNICÍPIO DE LOULÉ NO ANO LETIVO 2017/18 s atividades de Educação Ambiental realizadas no Concelho de Loulé no ano letivo 2017/18 continuaram a contar com um forte envolvimento por parte da comunidade escolar, superando todas as metas e os objetivos inicialmente propostos pela Câmara Municipal de Loulé. Foi nos dois polos do Centro Ambiental – o Centro Ambiental da Pena (CAP) e o Centro Ambiental de Loulé (CAL) – que decorreu este programa de educação ambiental e dinamização sociocultural local. Ao longo do ano letivo transato realizouse um total de 112 atividades, nas quais participaram 2 mil e 503 alunos, provenientes de 23 escolas, instituições e

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visitas a título particular do Concelho de Loulé. Tendo em conta as potencialidades existentes e o plano de atividades definido, deu-se continuidade à dinamização de iniciativas de educação ambiental, procurando diversificar os temas abordados, as atividades realizadas e as metodologias de abordagem, aumentando e melhorando a oferta disponibilizada. Nesta área, o trabalho desenvolvido nos dois espaços centrou-se principalmente na dinamização de ações com as escolas do Concelho, recebendo ainda a visita de grupos organizados (ATLs e associações, entre outros). As ações dinamizadas foram de três tipos: atividade temática (atelier ou oficina), saída de campo e projeto educativo anual. No que diz respeito às 136


oficinas, destacam-se, por exemplo, uma oficina dedicada à reciclagem de papel, à reutilização de material antigo e/ou utilização de matérias naturais, à cadeia alimentar ou à bioacústica («voz» dos animais). Relativamente a saídas de campo, os participantes tiveram a oportunidade de fazer uma expedição ao Cadoiço, uma viagem de campo na Foz do Almargem ou uma visita à Ria Formosa, entre outras. Quanto aos projetos anuais, um dos destaques foi o «Sob Estrelas», um projeto de dança e ambiente, arte-educação de e para a comunidade, que culminou com um espetáculo no Cine-Teatro Louletano. Há ainda a ter em conta a dinamização sociocultural local, em que as ações realizadas se centraram na população sénior local da aldeia da Pena e de localidades próximas, tendo como principal objetivo a promoção de uma vida mais ativa e saudável. Foram ainda desenvolvidas ações com o objetivo de promover o convívio da população e as tradições locais. No que diz respeito às opiniões e sugestões efetuadas pelos participantes nas atividades dinamizadas, globalmente foram muito positivas e incidiram sobretudo no agrado e na importância da continuação da realização das atividades de Educação Ambiental das temáticas abordadas. O CAP e o CAL foram criados com o objetivo de responder às necessidades locais em termos de educação e 137

sensibilização ambiental, desenvolvimento integrado e promoção e valorização do património cultural e ambiental da região, no âmbito de um protocolo entre a Câmara Municipal de Loulé e a Almargem – Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve). No ano letivo que se avizinha, a autarquia irá realizar novamente um programa de atividades de educação ambiental, indo à política daquele que é também um pilar da ação do executivo municipal: a preocupação com a preservação ambiental e a adaptação às alterações climáticas . ALGARVE INFORMATIVO #167


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AQUASHOW FIGURA ENTRE OS 25 MELHORES PARQUES AQUÁTICOS DA EUROPA Parque Aquashow, localizado em Quarteira, acaba de vencer o prémio Travellers’ Choice 2018, na categoria «Atrações – Os 25 Melhores Parques Aquáticos da Europa». Este é o maior reconhecimento concedido pelo TripAdvisor, atestando máxima excelência de acordo com as avaliações de viajantes de todo o mundo. “Este é mais um reconhecimento do trabalho que desenvolvemos e do compromisso que ano após ano assumimos perante os nossos visitantes.

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Comprometemo-nos a disponibilizar um local onde todos querem regressar no Verão seguinte, onde encontram um verdadeiro complexo de diversão, constantes novidades e inovadoras atrações. Somos o Parque mais completo de Portugal e um dos maiores da Europa”, afirma Celestino Santos, diretor do Parque Aquashow. Criados em 2002, os prémios anuais Travellers' Choice são a única distinção da indústria do turismo baseada em comentários de milhões de membros do TripAdvisor. Não só avaliam a excelência e 138


qualidade do serviço de um grande número de estabelecimentos, como refletem a satisfação do cliente. Para além da categoria «Atrações», os Travellers' Choice certificam ainda «Hotéis», «Destinos», «Destinos em Alta», «Praia», «Pontos de Referência», «Companhias Aéreas» e «Experiências». “Esta distinção, assim como outras que já alcançamos no nosso percurso, é de extrema importância, pois parte de uma reputada plataforma e representa um feedback

Aquáticos da Europa» dos prémios Travellers’ Choice 2018, surge no momento em que o Aquashow Park Hotel superou já as expetativas para esta temporada, registando um aumento significativo de visitantes e hóspedes do hotel face a igual período do ano anterior, e em que prepara para 2019 novidades que o farão destacar-se fortemente no mercado em que opera, a divulgar brevemente. O TripAdvisor conta com mais de 630 milhões de avaliações e

autêntico e assertivo dos nossos visitantes. Estamos muito satisfeitos por registar este feedback tão positivo, partilhado por milhões de pessoas”, acrescentou Celestino Santos. A integração do parque na categoria «Atrações – Os 25 Melhores Parques

opiniões que abrangem aproximadamente 7,5 milhões de alojamentos, restaurantes, experiências e outros negócios do âmbito turístico. Está presente em 49 mercados e aloja a maior comunidade de viagens do mundo .

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OBRA DE UM MILHÃO DE EUROS REQUALIFICOU PARQUE DE ESTACIONAMENTO DE LOULÉ

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oi inaugurada, no dia 1 de agosto, uma intervenção no centro da cidade de Loulé (Rua José Afonso) que vem dar resposta a três necessidades prementes para quem reside, mas também para quem visita a cidade: a requalificação do Parque de Estacionamento Municipal; a criação de uma zona exterior para usufruto por parte dos utilizadores da Biblioteca Municipal Sophia de Mello Breyner Andresen; e a criação de sanitários públicos. Com um investimento que rondou um milhão de euros, a obra no Parque teve em vista, desde logo, resolver problemas estruturais que punham em risco o próprio edifício da Biblioteca. Assim, os trabalhos realizados permitiram, não só dar cumprimento ao regulamentado em matéria de segurança contra o risco de

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incêndios, mas também impermeabilizar a estrutura que se encontrava com problemas de infiltrações. A intervenção permitiu ainda criar um acesso pedonal para pessoas com mobilidade reduzida, bem como outros melhoramentos gerais que vão contribuir para tornar este espaço mais agradável, confortável e seguro para os utentes, como um reforço da iluminação, nova sinalética e uma clara preocupação pelas questões ambientais como a criação de lugares de estacionamento para veículos elétricos ou instalação de pontos de recolha seletiva de resíduos. O Parque passa agora a dispor também de um sistema de controlo e acesso moderno, assente em tecnologia de ponta. Estas melhorias revestem-se de especial importância já que este Parque, composto por dois pisos e um total de 259 lugares (piso térreo 149 e piso descoberto 110), constitui um dos principais polos para estacionamento automóvel na cidade de Loulé. Na zona superior e paredes-meias com o piso 1 do Parque, o espaço exterior da Biblioteca foi totalmente renovado. Ali foi criado um espaço amplo e ajardinado, 140


também com uma zona para esplanada, que será a partir de agora um espaço para leitura, convívio ou simplesmente de estadia e contemplação por parte de todos os que frequentam esta biblioteca pública. Prevê-se que este passe a ser mais um «palco» privilegiado para iniciativas culturais que decorram na cidade. Finalmente, ao lado do piso 0 foram criados sanitários públicos, outro equipamento muito reivindicado na freguesia de S. Clemente, que vai estar ao dispor dos cidadãos. Esta obra de modernização foi criada no âmbito do projeto «Loulé Requalifica» e o presidente da Câmara Municipal, Vítor Aleixo, sublinhou a importância desta intervenção no contexto urbano, como resposta a quem vive a cidade no seu diaa-dia. “O executivo municipal irá focar, cada vez mais, a sua atenção nas obras de renovação de equipamentos públicos, até porque muitos deles já têm mais de

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30 e 40 anos, sem que alguma vez tivessem sido alvo de qualquer intervenção de conservação ou manutenção”, frisou o edil louletano. Já David Pimentel, presidente da Loulé Concelho Global, empresa municipal gestora do Parque Municipal Loulé, sublinhou que este equipamento passará a “dispor de melhores condições para todos os utilizadores”. Entretanto, durante o mês de agosto, o Parque de Estacionamento de Loulé será gratuito para todos os utilizadores. Esta iniciativa da Loulé Concelho Global pretende promover o espaço e também possibilitar que todos possam usufruir de um período gratuito para ali estacionar, apreciando a nova experiência de segurança e conforto. A partir de setembro, as tarifas serão iguais às praticadas antes desta intervenção, não sofrendo qualquer aumento .

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ALGARVE INFORMATIVO #167


DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.

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Revista semanal sobre o Algarve e os Algarvios

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