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ALGARVE INFORMATIVO 4 de agosto, 2018

THE GIFT ARRASARAM EM ALBUFEIRA FEIRA DA SERRA | RUDOLFO QUINTAS|FEIRA CONCURSO ARTE DOCE | MOV’ART 1 QUARTEIRA» | «TERRITÓRIO» |JOÃO FERNANDES É O NOVOALGARVE INFORMATIVODA #166RTA «SOU PRESIDENTE


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CONTEÚDOS #166 4 DE AGOSTO, 2018 54

ARTIGOS 10 - Feira da Serra 26 - Feira Concurso Arte Doce 38 - Festival Al-Buhera 54 - João Fernandes é o novo presidente da RTA 66 - «Sou Quarteira» 78 - «Território» 88 - Mov’Art 98 - Futevólei em Portimão 106 - Rudolfo Quintas 126 - Atualidade

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OPINIÃO 114 - Mirian Tavares 116 - Adília César 118 - Ana Isabel Soares 120 - Fábio Jesuíno 122 - Nuno Miguel Silva ALGARVE INFORMATIVO #166

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FEIRA DA SERRA VOLTOU A MOSTRAR O MELHOR DA SERRA DO CALDEIRÃO E DO INTERIOR ALGARVIO Texto:

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e 26 a 29 de julho, cerca de 33 mil pessoas passaram pela 27.ª Feira da Serra de São Brás de Alportel, para desfrutar do sabor intenso da tradição num evento em que a alfarroba foi rainha e que contou com 18 espaços e diversas propostas numa rota única de experiências para toda a família. Os números deixaram a Comissão

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Organizadora bastante satisfeita e comprovaram que nem mesmo as condições atmosféricas menos favoráveis, com noites mais frias do que o habitual, nem a concorrência de outros certames que aconteceram em simultâneo no Algarve, diminuíram a vontade de largos milhares de visitantes em conhecerem e vivenciarem a Feira da Serra. 12


A inauguração, no dia 26 de julho, contou com a presença do Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, que enalteceu o evento pela sua importância na 13

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valorização dos recursos do território e na dinamização da economia da região. A apetência da Feira da Serra de São Brás de Alportel para a promoção da cultura, das tradições e dos saberes foram vincados ALGARVE INFORMATIVO #166

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pelo governante, que não teve dúvidas em afirmar que espelha o melhor que a Serra do Caldeirão tem para oferecer e que contribui a vários níveis para a fixação de pessoas no interior, bem como para a valorização e defesa do património natural e das florestas. “Não há, hoje, no Algarve quem não conheça a Feira da Serra, quem visite o Algarve e não saiba que, para encontrar produtos genuínos da 15

região, tem que vir à Feira da Serra”, afirmou Miguel Freitas. A importância do evento foi igualmente atestada por Vítor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, descrevendo a Feira da Serra como o maior acontecimento do concelho. “São já 27 anos a preservar, 27 anos a ALGARVE INFORMATIVO #166


valorizar, 27 anos a promover, 27 anos a inovar a tradição em São Brás de Alportel”, destacou o edil e presidente da Comissão Organizadora, adiantando que o Município “tem a obrigação de continuar a investir, promover e inovar a Feira da Serra”. “Esta é uma alavanca importantíssima do desenvolvimento e da promoção do concelho que cria uma valiosíssima dinâmica económica, social e cultural ao longo de todo o ano. E é um ALGARVE INFORMATIVO #166

orgulho para a comunidade sãobrasense, que se envolve diretamente na sua concretização. São os artesãos, os comerciantes, os empresários, as associações, que com muito trabalho e amor tornam possível a Feira da Serra. É um investimento essencial que a autarquia faz nas pessoas, no território, na gastronomia, na doçaria, no artesanato, no comércio, na

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natureza e no património”, justificou Vítor Guerreiro. A sessão inaugural da Feira da Serra de 2018 decorreu na Praça do Município e contou ainda com a intervenção do Presidente da Assembleia Municipal, Ulisses Brito, tendo sido acompanhada de um momento musical proporcionado por Fernando Ponte, do Conservatório de Artes, um novo projeto cultural do 17

concelho. O arranque do certame contemplou ainda uma prova de produtos de alfarroba, com a colaboração da Confraria dos Gastrónomos do Algarve, ao qual não faltaram a deputada Ana Passos, os Diretores Regionais da Educação, da Cultura, da Juventude e Desporto e da Agricultura, o Presidente do Conselho da Administração Regional de Saúde do Algarve, o Presidente da Região de ALGARVE INFORMATIVO #166


Turismo do Algarve, os presidentes das Câmaras Municipais de Loulé e Alcoutim, bem como diversos representantes dos serviços e forças de segurança da região, entidades locais e regionais e autarcas locais. Ano após ano a afirmar-se como um dos eventos de referência da região, montra do que de mais genuíno se faz no Algarve e das potencialidades da Serra do Caldeirão, a Feira da Serra foi novamente escolhida por milhares de pessoas para uma visita a São Brás de Alportel. No segundo dia de certame, acolheu o lançamento da coleção de postais «São Brás de Alportel, Olhares», com fotografias de André Nunes, editada pela Câmara Municipal, que pretende ser mais uma ferramenta de promoção do concelho. No dia 29 de julho, o evento ALGARVE INFORMATIVO #166

recebeu a visita do Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, que se encontrava de férias na região e quis conhecer a Feira da Serra ao vivo. A 27.ª Feira da Serra teve a participação de mais de uma centena de artesãos e produtores locais, muitas entidades regionais e locais, cerca de duas dezenas de espaços ligados à restauração e gastronomia, mais de 40 horas de animação e experiências somadas a mais de 40 horas de espetáculos com o melhor leque de artistas locais e com um cartaz de espetáculos encabeçado por Matias Damásio, Raquel Tavares, Miguel Gameiro e Fernando Pereira .

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«LAGOS E O MAR – TERRA DE DESCOBERTAS» MARCOU A EDIÇÃO DE 2018 DA FEIRA CONCURSO ARTE DOCE Texto:

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e 27 a 29 de julho Lagos acolheu a 31.ª Feira Concurso Arte Doce, este ano sob o tema «Lagos e o Mar – Terra de Descobertas», reconhecendo a forte ligação que a cidade e o concelho sempre mantiveram ao mar, com grande relevância para os séculos XV e XVI. Foi em Lagos, recorde-se, que o Infante D. Henrique armou as caravelas que alcançaram a costa de África, dando início à epopeia dos Descobrimentos Portugueses. E foi de Lagos também que partiu o lacobrigense Gil Eanes, navegador que ousou desafiar os medos e demonstrar que o mundo não acabava no Cabo Bojador e que o mar não era povoado por

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monstros marinhos, como rezavam as lendas da altura. Em pleno século XXI, essa ligação ao Mar continua muito presente e Lagos é uma das cidades algarvias mais procuradas pelas suas praias de areia dourada e águas cristalinas, pela beleza paisagística da sua baía e pelo seu legado arquitetónico. Lagos deixou de representar somente o arranque dos Descobrimentos Portugueses, sendo, igualmente, uma Terra de Descobertas, em que todos os dias surgem novas oportunidades de descobrir e experienciar algo único e autêntico. Foi com este mote que, no último fimde-semana de julho, se realizou mais 28


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uma Feira Concurso Arte Doce, em que a doçaria tradicional, confecionada sobretudo à base de amêndoa e figo, esteve em grande destaque, com os produtos regionais e o artesanato também em plano de evidência. As habituais tasquinhas com os tradicionais petiscos algarvios e a animação musical foram outros motivos de atração ao Complexo Desportivo de Lagos, mas foi a imaginação das doceiras participantes que mais fez as delícias dos milhares de visitantes. E, claro, não faltou muita música de qualidade, com os concertos de Diogo Piçarra, Gisela João e Nelson Freitas a animarem os finais de noite. Mas, como a Arte Doce, para além de Feira, é um Concurso, assistiu-se, no dia 29 de julho, à entrega dos vários prémios ALGARVE INFORMATIVO #166

em disputa. Assim, no Concurso Qualidade na Tradição, o Melhor Doce Fino foi de Gracinda Batista, o Melhor Doce de Figo foi confecionado pelo «Cantinho Doce da Fernanda», o Melhor Morgado foi da responsabilidade dos «Bolos da Ana» e o Melhor D. Rodrigo foi d’«Os Docinhos da Gena». No Tema Obrigatório, o pódio foi ocupado por Filipa Militão (1.º lugar), «Cantinho Doce da Fernanda» (2.º lugar) e «Os Docinhos da Gena» (3.º lugar), ao passo que, no Tema Livre, Lucília Norte Batista, «Bolodoce Doçaria Regional» e «As Passinhas do Algarve» ocuparam as três primeiras posições. O Prémio Escolha do Público foi para «Os Doces da Fátima», enquanto que o Grande Prémio foi para «Bolodoce Doçaria Regional» .

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FESTIVAL AL’BUHERA VOLTOU A ANIMAR PRAÇA DOS PESCADORES COM ARTESANATO E CONCERTOS Texto:

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Festival Al’Buhera voltou a animar a Praça dos Pescadores, em Albufeira, com uma mostra de artesanato, doçaria

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regional e concertos para todos os gostos. De 25 a 29 de agosto, a baixa da cidade acolheu 54 bancas e stands com os mais variados artigos, desde bijuteria, produtos alimentares, cerâmica, peças 40


de artesanato, bolos regionais e muitas outras sugestões confecionadas à mão pelos artesãos regionais. À noite, subiu ao palco um total de dez bandas, com destaque para os cabeças de cartaz, GNR, 41

Jimmy P, The Gift, Expensive Soul e Sara Tavares, antecedidos pela Banda Alhada, Elida Almeida, Cais do Sodré Funk Connection, Bamba Social & Tiago Nacarato e Fogo-Fogo. ALGARVE INFORMATIVO #166


Durante cinco dias e cinco noites, a baixa da capital do turismo algarvio transformou-se num festival que já faz parte do roteiro de Verão do Algarve. O AlBuhera, nome de origem árabe que derivou em Albufeira, voltou a juntar na Praça dos Pescadores milhares de pessoas, que puderam adquirir peças únicas de artesanato, degustar a doçaria típica algarvia e ouvir alguns dos nomes mais conceituados da música nacional. Pinturas, joalharia, acessórios de design, cerâmica, produtos em cortiça, artesanato do Equador e de Marrocos, trabalhos em empreita e tecido, produtos feitos com piripiri, queijos e enchidos, bebidas e cocktails, doçaria regional, gelados ALGARVE INFORMATIVO #166

artesanais, tudo isso pôde comprar o residente e visitante. Na inauguração do evento, como já vem sendo tradição, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, José Carlos Rolo, acompanhado pelo executivo municipal, visitou cada um dos expositores, a quem entregou um certificado de participação e agradeceu “o contributo que cada artesão dá para a divulgação do que é genuinamente nosso”. O 42


presidente referiu ainda que “o Festival Al-Buhera é já um marco na programação de Verão do concelho e do Algarve, atraindo pessoas de todo o país, que passam férias na região e vêm propositadamente para adquirir peças de artesanato feitas pelos nossos artesãos, degustar iguarias típicas e assistir a concertos, de forma gratuita, com nomes reconhecidos a nível nacional e internacional”. O festival foi ainda animado pela Fanfarra «Al-Fanfare», oriunda de

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JOÃO FERNANDES ASSUMIU PRESIDÊNCIA DA REGIÃO DE TURISMO DO ALGARVE Texto: ALGARVE INFORMATIVO #166

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comissão executiva da Região de Turismo do Algarve eleita para o mandato de 2018-2023 tomou posse, no dia 27 de julho, em cerimónia realizada num auditório da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, em Faro, completamente esgotado, com a presença de praticamente todos os presidentes de Câmara Municipal do Algarve, dirigentes associativos, empresários, representantes do trade e das forças de segurança, para além dos Secretários de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, das Florestas e Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, e das Pescas, José Apolinário. João Fernandes vai ser, então, o novo presidente do executivo da Entidade Regional de Turismo (ERT) nos próximos cinco anos, numa missão em que terá a seu lado a atual presidente do conselho de administração da Infralobo – Empresa de Infraestruturas de Vale do Lobo, Fátima Catarina, eleita vice-presidente da RTA, e o diretor-geral do Hotel Cerro Mar e vicepresidente da Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve (AIHSA), Nuno Monteiro.

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A cerimónia teve início com as tomadas de posse de Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), como presidente da Mesa da Assembleia-Geral da RTA e de Isolete Correia, diretora-geral da Marina de Vilamoura, como Secretária da Mesa. “Não é segredo para ninguém que as estruturas empresariais mais importantes do setor turístico regional se empenharam e envolveram diretamente na solução encontrada para gerir os 55

destinos da RTA durante os próximos cinco anos. Mais do que isso, estas forças empresariais estão empenhadas em colaborar ativamente com os novos dirigentes para encontrar as melhores soluções para o turismo do Algarve. Sabemos que as atribuições e competências das Regiões de Turismo não são muitas, mas também sabemos a importância que elas desempenham na construção de um produto turístico de qualidade, mais competitivo e com futuro”, afirmou, durante o seu discurso, Elidérico Viegas. Postos de turismo a funcionar bem, boas medidas capazes de estruturar adequadamente o produto turístico do Algarve e boas estratégias de animação e promoção interna, são aspetos que, na opinião do presidente da AHETA, não podem ser ignorados ou menosprezados, “em prejuízo de atitudes e ações por ventura mais mediáticas, mas menos eficazes para o engrandecimento do turismo regional”. “A atividade económica turística tem sido, e continuará a ser, um fator determinante na menorização dos impactos das crises, quer no plano social, como na esfera macroeconómica do país. O Algarve é também a marca nacional com maior notoriedade no panorama internacional, embora condicionado pela sazonalidade e pelos picos de negócio que se verificam apenas em alguns períodos do ano, portanto, justifica-se, mais do que nunca, o lançamento de uma campanha de promoção da imagem do Algarve enquanto grande área turísticas da Europa e do Mundo, tendo em vista a ALGARVE INFORMATIVO #166


Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) e presidente da Mesa da Assembleia-Geral da RTA

consolidação desta mais-valia da economia portuguesa”, defendeu Elidérico Viegas. Depois de um período de forte crescimento, o dirigente associativo entende que não foram devidamente acautelados aspetos essenciais destinados a reforçar e consolidar a marca «Algarve», acrescentando que a RTA pode e deve desempenhar um papel crucial na área da promoção e concentrar esforços “ao nível da criação de parcerias mais inovadoras, dinâmicas e ousadas com as empresas, com a iniciativa privada a poder cofinanciar a promoção turística externa e a participar mais ativamente na sua gestão”. “O sucesso do produto turístico começa na qualidade da sua promoção e ALGARVE INFORMATIVO #166

no funcionamento do alojamento, daí que a aposta no aumento da satisfação daqueles que nos visitam, a chamada promoção «de boca a orelha», seja muito justamente considerada como a mais eficaz, tendo um efeito multiplicador imbatível”, sublinhou Elidérico Viegas. Promoção turística com uma vertente comercial mais forte, assente na implementação de ações de marketing e vendas junto dos mercados emissores, é um dos desejos do presidente da Mesa da Assembleia-Geral da RTA, numa colaboração estreita entre esta entidade e as organizações representativas dos empresários. “O que hoje parece inultrapassável, amanhã pode ser uma 56


oportunidade de negócio. Assegurar a continuidade do sucesso da marca «Algarve» passa por garantir um produto de qualidade, que depende da sua envolvente – higiene e limpeza, manutenção de zonas verdes, saneamento básico, saúde, segurança, via rodoviária e ferroviária e outras acessibilidades, serviços de apoio – mas também da existência de sistemas sustentados de apoio financeiro para a renovação e qualificação das unidades hoteleiras. Por outro lado, precisamos de programas de recuperação e requalificação de zonas turísticas e urbanas descaracterizadas e de elevada concentração turística e urbanística, assim como de estruturas e equipamento que ainda não possuímos, como o Hospital Central do Algarve, um espaço multiusos e centro de congressos para a realização de grandes eventos, uma policlínica desportiva para atletas de alta competição”, finalizou Elidérico Viegas.

“ERA DIFÍCIL CONTINUARMOS A CRESCER AO MESMO RITMO” No uso da palavra, João Fernandes fez questão de frisar, de imediato, que tomava posse como presidente da RTA com “a energia de quem acaba de chegar, mas com a experiência de quem já cá estava”, uma vez que foi o número dois da equipa liderada pelo anterior presidente, Desidério Silva. E de igual modo sublinhou a vontade de manter uma linha de diálogo aberto e franco com o Governo e com a Assembleia da República, “tendo sempre presente a defesa intransigente dos interesses daquela que é a maior região turística nacional”.

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JOÃO FERNANDES: “SOMOS UM DESTINO DE CRÉDITOS FIRMADOS EM TERMOS DE «SOL E MAR» E DE «GOLFE» E QUEREMOS CONTINUAR A SÊ-LO, MAS TEMOS QUE NOS AFIRMAR TAMBÉM NOUTRAS ÁREAS DE INTERESSE. CONTINUAREMOS, ASSIM, A DESENVOLVER E A DIVULGAR NOVAS RAZÕES PARA VISITAR A REGIÃO, QUE PROPICIEM UMA PROCURA MAIS DISTRIBUÍDA AO LONGO DO ANO E DO TERRITÓRIO”.

João Fernandes lembrou as 15 milhões de dormidas de estrangeiros no Algarve em 2017, valor que corresponde ao somatório dos resultados atingidos pelas regiões Norte, Centro, Alentejo, Madeira e Açores no seu conjunto em igual período, sendo que a Área Metropolitana de Lisboa registou 11 milhões de dormidas. “Mas o Algarve não concorre com as outras regiões nacionais, mas sim com aquele que é o espaço internacional mais competitivo ALGARVE INFORMATIVO #166


do turismo à escala global – o Mediterrâneo. Os dois últimos anos registaram resultados verdadeiramente fantásticos, mas sabíamos que seria difícil continuarmos a crescer àquele ritmo. De facto, após um período em que a instabilidade de alguns dos nossos concorrentes nos trouxe excecionais fluxos turísticos, a atual situação, com a conjugação da falência de companhias aéreas que nos ligavam a importantes mercados emissores, o processo do Brexit, a reemergência da Turquia, Tunísia e do Egipto, ou mesmo um ano de atípicas condições climatéricas, configuram uma conjuntura a que importa atender com medidas concretas”, alertou o novo presidente da Região de Turismo do Algarve. ALGARVE INFORMATIVO #166

Apesar disso, e de acordo com os dados disponíveis do Instituto Nacional de Estatísticas e do Aeroporto Internacional de Faro, o Algarve continua acima dos resultados alcançados em 2016 e próximo dos números de 2017, o que significa que, segundo João Fernandes, “apesar das adversidades enunciadas, o Algarve tem vindo a fidelizar uma procura resultante de um ciclo anormalmente vantajoso, mercê do grande esforço por parte de todos os intervenientes do setor no sentido de dar uma resposta à altura do momento”. “Há cada vez mais turismo, mas as ERT encontram cada vez mais dificuldades e possuem menos meios para 58


alavancar esta fase positiva. Mas as dificuldades não nos assustam e a nova Vice-Presidente (Fátima Catarina) tem já a missão de estudar novas fontes de financiamento para a RTA e para as empresas do setor na região, para além das habitualmente provenientes do Turismo de Portugal ou do Programa Operacional Algarve”, adiantou João Fernandes. O homem forte do Turismo do Algarve pretende, igualmente, uma maior articulação entre os diversos atores da região, sejam eles públicos ou privados, e deu exemplos concretos, desde logo a concertação com a ATA – Associação de

Turismo do Algarve para uma posição comum na definição do novo Modelo de Promoção e Comercialização Externa que balizará, nos próximos três anos, a capacidade para o reforço e a captação de novas rotas aéreas, a relação a estabelecer com os Operadores Turísticos Internacionais e a promoção da Marca «Algarve» além-fronteiras. “Temos no Aeroporto de Faro um parceiro fundamental e queremos estudar o reforço da ligação ao Hub de Lisboa, não só para a ligação à capital, mas sobretudo para o reforço do apoio aos voos de longa distância”, afirmou, revelando também a intenção de apresentar propostas ao Instituto do

Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo 59

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Emprego e Formação Profissional do Algarve para as questões relacionadas com o mercado de emprego, “uma matéria fundamental para o setor e que terá mais tarde que envolver os Sindicatos e as Associações Empresariais, entre outros”. “É importante unir esforços, no sentido de atrair e de fixar pessoas na região, mas também de atender à necessária melhoria das condições dos trabalhadores e à igualmente necessária flexibilidade de atividades cuja procura oscila sazonalmente”, salientou. Recursos humanos que são fundamentais para a sustentabilidade do Algarve, com a sua qualificação a assumir-se como um fator-chave para a diferenciação do destino pela qualidade do serviço. “E, durante este mandato, queremos ser agentes ativos na captação de um investimento que nos ajude a requalificar a oferta e que traga inovação nos produtos e nos serviços. Estamos a trabalhar com a APEMIP - Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal na constituição de um portfólio do edificado devoluto ou em estado degradado em zonas turísticas, para que, com o Turismo de Portugal, possamos divulgálo junto de potenciais investidores. Com a CCDR, a Universidade e as Associações Empresariais estamos a trabalhar para a criação de um Observatório de Turismo Sustentável e para o progressivo esforço na criação de um Destino Inteligente. Pretendemos ter um destino com uma base tecnológica de vanguarda, que seja inovador, que garanta o desenvolvimento sustentável do território”, prosseguiu João Fernandes.

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O presidente da Região de Turismo do Algarve deseja ainda retomar um trabalho conjunto com a Autoridade Marítima do Sul, com a APA/ARH, a ARS, a AMAL e os Concessionários sobre a legislação da época balnear, porque a sua aplicação não se adequa à realidade do Algarve. Do mesmo modo há vontade de, em conjunto com as forças de segurança, dar continuidade e reforçar os projetos já existentes, como o «Algarve Seguro». “Com as Associações de Estrangeiros Residentes pretendemos colaborar de forma mais efetiva no seu bem-estar, mas também não desperdiçar a vantagem de promover o destino por aqueles que o conhecem, às vezes melhor do que nós, e que dispõem de uma rede de familiares e amigos de influência direta nos nossos principais mercados emissores. E a inovação fazse com talentos, por isso, queremos potenciar, com a Universidade do Algarve, os jovens talentos da região – e há felizmente cada vez mais – mas também atrair talentos de outras paragens, seja para o turismo ou para outras áreas direta ou indiretamente relacionadas com o setor, como as tecnologias da informação e da comunicação”.

REJUVENESCER A IMAGEM DO ALGARVE E porque a descentralização de competências é uma realidade, João Fernandes quer uma cooperação mais estreita e eficaz com os municípios, nomeadamente no que respeita à mobilidade, à nova regulamentação 60


João Fernandes, Fátima Catarina e Nuno Monteiro

aplicável ao Alojamento Local ou à definição das já anunciadas Taxas Municipais Turísticas. “A nossa intervenção e a representatividade daquele que é o motor da economia regional serão tão mais fortes quanto a vontade de cooperar que os diferentes atores regionais demonstrarem. Fui o responsável, na Comissão Executiva cessante, pelo Planeamento Estratégico para o Turismo do Algarve, que tem vindo a pautar e a apoiar a intervenção da RTA e de outras instituições. Trabalho ao qual pretendo dar continuidade e que requer persistência, consolidação e melhoria contínua”, garantiu. Assim sendo, será dada continuidade a projetos como o «Cycling & Walking», o «Algarve Nature Week», o «365 Algarve» 61

ou o «Algarve Cooking Vacations», que vieram preencher vazios e estão a mudar a cara da região e a alterar perfis de consumo. “Somos um destino de créditos firmados em termos de «Sol e Mar» e de «Golfe» e queremos continuar a sê-lo, mas temos que nos afirmar também noutras áreas de interesse. Continuaremos, assim, a desenvolver e a divulgar novas razões para visitar a região, que propiciem uma procura mais distribuída ao longo do ano e do território. Aos resultados já alcançados no Turismo de Natureza, na Gastronomia e Vinhos ou na Cultura, pretendemos somar o Turismo de Negócios, o Turismo Náutico, o Turismo Acessível e o Turismo Desportivo”, declarou João Fernandes, consciente, também, que a ALGARVE INFORMATIVO #166


região tem de rejuvenescer a sua imagem, aproveitando a maior eficácia dos meios digitais e das redes sociais”. O Algarve tem pela frente desafios diferentes, reconheceu Ana Mendes Godinho, confirmando, também, a importância da região para a economia nacional e que é um cartão-de-visita de Portugal por esse mundo fora. Mas a Secretária de Estado do Turismo começou a sua intervenção com um forte agradecimento a Desidério Silva, presidente cessante da Região de Turismo do Algarve, “por toda a cumplicidade, lealdade e trabalho em conjunto que fizemos”. Satisfeita mostrou-se igualmente a governante pelo compromisso assumido de articulação entre públicos e privados para se identificar uma estratégia comum para a promoção do Algarve além-fronteiras. “O modelo atual termina no final do ano, estamos a analisar as boas e as más experiências para evoluirmos e só trabalhando em conjunto é que conseguimos identificar os mercados que mais nos interessam para captarmos novos públicos”, defendeu. O desenvolvimento de novos produtos é, assegurou Ana Mendes Godinho, essencial para que o Algarve seja um destino procurado ao longo de todo o ano e para que o turismo seja, também, uma alavanca para outros setores económicos. “Um monopólio demasiado acerbado do turismo não é vantajoso, há que fomentar a diversidade”, justificou. “O turismo tem que ser um instrumento de excelência para mostrar que o Algarve é bom, não apenas para visitar, mas para aqui se viver em permanência, assim ALGARVE INFORMATIVO #166

como para investir, trabalhar e estudar. Vivemos momentos complicados, com o ressurgimento de uma concorrência difícil de combater devido aos seus modelos económicos, mas o Algarve quer posicionar-se de outra forma. Não queremos o mesmo tipo de públicos e mercados da Turquia, Egito ou Tunísia, temos que crescer cada vez mais em valor”, manifestou. A Secretária de Estado do Turismo preconizou, ainda, um inverter do paradigma de tradicional relacionamento entre o Algarve e Lisboa, com o Algarve a dever assumir o papel de cabeça, enquanto o poder central se constituirá como os braços que estarão ao serviço da região. “É aqui que se desenham estratégias regionais, que se identificam os problemas e as necessidades. Nós estamos em Lisboa para responder àquilo que vocês precisam”, declarou. “Vamos lançar já uma linha especial só para o Algarve, no valor de 30 milhões de euros, para inovação, requalificação e captação de investimento, com a particularidade de 20 por cento do financiamento poder ser convertido em não reembolsável. Não nos podemos deixar ficar para trás, este é o momento de anteciparmos o futuro, porque as novas gerações já não querem aquilo que nós queremos. O Algarve pode ser o destino mais sustentável do mundo e, quando acreditamos, não há impossíveis”, concluiu Ana Mendes Godinho .

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«SOU QUARTEIRA» QUER MOSTRAR QUE A CIDADE É MUITO MAIS DO QUE UM DESTINO DE FÉRIAS Texto:

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Jardim Filipe Donas «rompeu pelas costuras», na noite de 27 de julho, com a primeira edição do Festival «Sou Quarteira», evento que pretende trazer as culturas urbanas, nomeadamente através da música, ao programa de animação de Verão nesta cidade costeira do concelho de Loulé. O Festival foi o ponto de partida de um novo movimento que celebra a atmosfera urbana, criativa e vanguardista emergente em Quarteira, criando novos diálogos com outras culturas e expressões artísticas.

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O objetivo é que este palco da cultura contemporânea e urbana se expanda para novas direções e que dê voz às futuras gerações e o Festival «Sou Quarteira» começou da melhor maneira possível, oferecendo uma noite intensa de música com Carlão e Branko, dois dos maiores ALGARVE INFORMATIVO #166

impulsionadores da cultura urbana portuguesa, assim como Sacik Brow, um dos mais dotados filhos de Quarteira e que certamente assegura o futuro da música contemporânea nacional. Mas o «Sou Quarteira» não é apenas música, conforme explica o conhecido artista quarteirense Dino D’Santiago, um dos impulsionadores do movimento, juntamente com Miguel Jacinto, Naomi Guerreiro e Inês Oliveira. “A ideia partiu de uma canção que eu escrevi, precisamente com o nome «Sou Quarteira», para matar a saudade que sentia da minha terra. Depois, os quatro decidimos criar um movimento que abraça a música, o desporto, as artes urbanas, a ciência e a saúde, para relembrar à juventude de Quarteira que temos algo de muito especial. Somos uma zona que vive de rosto virado para o mar, um mar que nos traz muita gente, mas que também 68


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nos leva bastante gente”, referiu o cantor. A falar com uma intensa paixão nas palavras, Dino D’ Santiago só percebeu realmente a riqueza da sua Quarteira quando começou a passar mais tempo longe das suas origens, em digressão por esse mundo fora a cantar e a encantar. “Quarteira é uma cidade multicultural e eclética que sempre viveu em harmonia com os residentes e visitantes. Vou a Paris, Londres, Roterdão, Nova Iorque, cidades que são uma salada-mista de várias culturas, mas nota-se que, ali, as várias culturas vivem de costas viradas umas para as outras. Em Quarteira conseguimos sentir essa sociedade multicultural em perfeita sintonia”, destaca o entrevistado, antes de recordar os campeões do mundo de BMX e de Capoeira, as mulheres que dão cartas na ciência internacional na luta contra a Sida ALGARVE INFORMATIVO #166

e no apoio aos autistas, os artistas que trabalham para a Marvel, o Chelsea F.C., a Adidas e a Nike, “todos com o mesmo ID de Quarteira”. “Este movimento nasceu para mostrar que somos capazes de fazer tudo o que quisermos e a melhor maneira de atingirmos os nossos objetivos é darmos a conhecer os casos de sucesso de jovens quarteirenses espalhados pelos quatro cantos do mundo”. Uma riqueza cultural que, infelizmente, passa despercebida aos milhares de veraneantes que elegem Quarteira para as suas férias de julho e agosto, reconhece Dino D’ Santiago, que nunca escondeu o orgulho que sente pela sua terra. “Este bairrismo só é comparado ao que se vê no Porto e ninguém consegue explicar muito bem o motivo disso acontecer. Todos sabemos os maus momentos que se 70


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viveram nos anos 80 e 90 do século passado e os nativos podiam falar disso abertamente, mas ninguém admitia que um forasteiro criticasse Quarteira. Já trouxe imensos amigos de outros continentes para conhecerem Quarteira, ficam todos encantados com o que encontram, mas nós fomos perdendo um pouco desse fascínio”. Perante essa situação, Dino D’ Santiago, Miguel Jacinto, Naomi Guerreiro e Inês Oliveira decidiram dar um grito de alerta para valorizar o que é de Quarteira, “do mesmo modo que o Carlão eleva a cidade de Almada e o Branko puxa pela cidade de Amadora”. “Foram tantos os valores da terra que partiram para outros destinos por razões profissionais que sentimos que Quarteira estava a ficar um pouco adormecida. O próprio Algarve «comprou o postal» e aceitou a condição de ser um destino de férias. Não há um ALGARVE INFORMATIVO #166

apelo forte e conjunto da região em elevar o que é nosso”, observa Dino D’ Santiago. “Temos uma zona geográfica muito privilegiada e lindíssima que está a ser adquirida pelos estrangeiros e está na hora de valorizarmos o que é nosso. Abrindo as portas, porque sempre soubemos receber bem quem vem de fora, mas é preciso que os visitantes compreendam que o Algarve tem a sua própria identidade. Espero que apareçam um «Sou Loulé», «Sou Tavira», «Sou Vila Real de Santo António», que este sentimento de orgulho em ser algarvio se espalhe pela região toda”. O Festival «Sou Quarteira» foi, de facto, apenas o pontapé-de-saída do movimento, só sendo possível graças ao apoio incondicional e desde o primeiro momento da Câmara Municipal de 72


Loulé, mas mais iniciativas estão programadas para os próximos meses. “Vamos viajar até aos vários locais onde os quarteirenses estão a marcar a diferença para produzirmos um documentário do «Sou Quarteira». Em Maputo, onde a Mara desenvolveu um programa para a RTP África. Em Lisboa temos o Mike Ghost, a Nash Does Work e a Lilian Barros. Em Nova Iorque está o Fábio Pires, que faz efeitos especiais para a Marvel. Em Roterdão, o Nuno tem-se evidenciado na arte urbana e no hiper-realismo. A maior parte das imagens do documentário serão de Quarteira e das pessoas que cá vivem, mas queremos dar a conhecer os casos de sucesso além-fronteiras”, adianta Dino D’ Santiago, acrescentando que esses jovens virão também a Quarteira

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para inspirar as novas gerações com as suas experiências internacionais. “Isto é mais um projeto social do que um simples festival de música e é gratificante ver o impacto que o «Sou Quarteira» já está a ter, a admiração quando reconhecem alguns dos intervenientes do movimento e que não sabiam que eram de Quarteira” .

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REPORTAGEM

TERRITÓRIO

DOS ESTÚDIOS VICTOR CÓRDON APRESENTOU-SE NO TEATRO DAS Texto: Fotografia: FIGURAS

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Teatro das Figuras, em Faro, recebeu, no dia 25 de julho, «Território», um programa desenvolvido em parceria entre os Estúdios Victor Córdon da Companhia Nacional de Bailado e escolas de dança a nível nacional, no sentido de proporcionar aos bailarinos uma experiência de criação, fruto do trabalho realizado com coreógrafos estabelecidos em companhias europeias. O objetivo é contribuir para a formação de jovens bailarinos em ambiente profissional nas suas vertentes técnica e criativa.

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Participam 12 estudantes por temporada, com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos, que na temporada de 2017-2018 trabalharam com os coreógrafos Douglas Lee e Filipe Portugal. O primeiro momento de criação aconteceu de 30 de abril a 4 de maio, seguindo-se um segundo momento de criação de 2 a 19 de julho. O espetáculo resultante do programa estreou, no dia 20 de julho, no Teatro Camões, passando depois pelo Teatro das Figuras, na capital algarvia, e pelo Mosteiro São Bento da Vitória, no Porto, no dia 29 de julho. Estiveram envolvidos, desta feita, os jovens Beatriz Domingues e Gonçalves Carneiro (Artedança – Academia das Artes, Póvoa de Varzim), Henrique Ferreira (Centro de Dança do Porto), Frederico Loureiro, Inês Sousa e Vasco Yu Belo (Escola Domus Dança, Porto), Leonor Sousa (Oporto Ballet School, Porto), Magda Silva (Professional Ballet School of Porto, Porto), Bárbara Andrade (Escola de Dança do Colégio da Rainha Santa Isabel, Coimbra), Dulce Jordão e Anna Luiza Victório (Conservatório Internacional de Ballet e Dança Annarella Sanchez, Leiria), Francisco Camarneiro (Academia de Dança Contemporânea de Setúbal) e Maria Silva (Escola da Companhia de Dança do Algarve, Faro) . ALGARVE INFORMATIVO #166

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DESPORTO E ARTE SAÍRAM ÀS RUAS DE LOULÉ EM MAIS UM

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Mov’Art voltou a percorrer o centro da cidade de Loulé com performances ímpares na noite de 28 de julho, apresentando um programa focado no desporto e com uma componente artística que surpreendeu residentes e visitantes. A singularidade e a diversidade das atuações permitiram deslumbrantes momentos de contemplação, aliando sempre o Movimento à Arte.

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O público teve oportunidade de assistir a um espetáculo composto por acrobatas que realizaram uma incrível performance no topo de uma bola aparentemente flutuante, acompanhado por uma musicalidade própria, mas também por atuações como a Roda Cyr, Duo Air, dança de marionetas humanas e gigantes, forças combinadas, swit light graff, arte urbana, acrobática e vários espetáculos de dança. A noite terminou com um espetáculo único de dança que foi acompanhada por música ao vivo e projetada áudio-visualmente. Foram, de facto, momentos memoráveis que encheram de cor, movimento e alegria a Praça da República, a Cerca do Convento, o Mercado Municipal, o Largo Gago Coutinho e a Avenida 25 de Abril, em mais uma grande iniciativa da Câmara Municipal de Loulé .

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REPORTAGEM

FILIPE SANTOS E BETO CORREIA CONTINUAM IMPARÁVEIS NO CAMPEONATO NACIONAL DE FUTEVÓLEI 2018 Texto:

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jovem dupla vice-campeã nacional constituída pelos atletas Filipe Santos e José «Beto» Correia foi a grande vencedora da 5.ª etapa do Campeonato Nacional de Futevólei 2018, somando igualmente a quinta vitória consecutiva na principal prova nacional da modalidade. A cidade de Portimão e a sua magnífica Área Desportiva instalada na Praia da Rocha acolheram mais um grande espetáculo desportivo, nos dias 28 e 29 de julho.

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Foram 20 equipas, 40 atletas, provenientes de todo o país, incluindo a Região Autónoma da Madeira, que evoluíram ao longo dos dois dias de prova no areal do recinto. O evento começou ao início da tarde de sábado com a Fase de Grupos, em que as equipas perfizeram um total de 40 jogos para apurar as primeiras quatro equipas finalistas. No domingo, o recomeço deu‐se pelas 11h, com a Fase Especial de Apuramento, com seis jogos decisivos para apurar as restantes duas duplas para os Quartos-de-Final. A prova prosseguiu com os oito finalistas em prova, tendo seguido para as meias‐finais,  David  Peres/Djalmir Andrade (SC Farense), Nuno Marques/Júlio Alves (CD Póvoa), Bruno Silva/Pedro Sales (EF Alan Cavalcanti) e Filipe Santos/Beto Correia (CD Póvoa). O primeiro jogo das Meias-Finais colocou frente a frente a dupla farense David Peres/Djalmir Andrade e a dupla poveira Nuno Marques/Júlio Alves, e os algarvios estiveram muito seguros nas suas ações, vencendo de forma tranquilo em dois sets sem resposta com os parciais 18x7 e 18x8. O segundo jogo das meias teve como ALGARVE INFORMATIVO #166

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protagonistas as duplas Bruno Silva/Pedro Sales e Filipe Santos/Beto Correia e, apesar da boa réplica no primeiro set, os cascalenses representantes da Escolinha Futevólei Alan Cavalcanti não foram capazes de parar a determinação e bom jogo dos poveiros, que resolveram a partida em dois sets sem resposta (13x18|6x18). Em clima de festa e de grande animação chegou‐se à discussão da Final da etapa, de um lado David Peres/Djalmir Andrade à procura da primeira vitória na temporada, do outro Filipe Santos/Beto Correia com a possibilidade de manter um percurso 100 por cento vitorioso. Foram necessários três sets para encontrar os grandes vencedores. Os algarvios começaram melhor, com grande equilíbrio nas suas ações, e conseguiram surpreender o adversário, vencendo por 18x14. Sem margem para novo deslize, os vice-campeões, através de uma maior consistência e eficácia nas suas ações, fecharam o segundo set na frente com o marcador a assinalar 13x18. Chegados à «negra», Filipe Santos/Beto Correia com um começo muito forte conseguiram importante vantagem que acabaria por ser suficiente para vencer o terceiro e decisivo set por 8x15. Numa organização da Federação Nacional de Futevólei, o evento teve como principais entidades apoiantes, a Câmara Municipal de Portimão, Portimão 2019 - Cidade Europeia do Desporto, AlgarExperience, Jornal A Bola, A Bola TV, Movielight, assim como outros parceiros locais. O campeonato prossegue nos dias 4 e 5 de agosto, em Cascais . ALGARVE INFORMATIVO #166

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REPORTAGEM

RUDOLFO QUINTAS O ARTISTA PORTUGUÊS QUE ESTÁ A TIRAR OS CEGOS DA ESCURIDÃO Rudolfo Quintas é uma das mais jovens afirmações da arte digital em Portugal, mas é o seu último projeto que está a dar que falar. O artista português criou uma instalação interativa, direcionada para invisuais, onde cada movimento e cada gesto contam. Ali, tudo é transformado em música e cada cego pode, a partir dos seus movimentos, criar, através do corpo, a sua própria melodia única e irrepetível. Texto: 107

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udolfo Quintas tem 37 anos e é hoje um dos nomes mais proeminentes da arte digital em Portugal. Para o artista, que confessa ter “um lado muito sensível e emocional” na forma como quer acrescentar coisas ao mundo, trabalhar, através da arte, com pessoas cegas, tornou-se, como ele próprio explica, um imperativo. “Quando vi aquela pessoa cega a experimentar a peça e, de repente, a transformar-se ali dentro, percebi, imediatamente, o impacto que este trabalho podia ter, percebi que tinha de continuar”. Para chegar a este projeto, onde cada gesto e cada movimento do utilizador correspondem a um som que ajudará, de acordo com a sua movimentação no espaço, a gerar uma «música» única e irrepetível, o artista português teve como ponto de partida uma ideia principal: «E se a obra dependesse de nós? Da nossa informação? Dos nossos dados? Da nossa presença? Do nosso diálogo com ela...?». ALGARVE INFORMATIVO #166

Foi assim que nasceu Présence, a primeira instalação sonora, criada em 2014, e dada a conhecer ao público, entre outros espaços, no Adamastor Studios, em Lisboa. A proposta era, aparentemente, simples: convidar o visitante a entrar dentro de um espaço geométrico delimitado no qual a sua expressão corporal, ou seja, os seus gestos e os seus movimentos, seriam convertidos em som. O resultado traduzir-se-ia na criação de uma composição inédita a partir da coreografia espontânea de cada corpo na interação com a obra. No entanto, o projeto foi mais além daquilo que se previra inicialmente. Quando, em março de 2015, Rudolfo Quintas visita a Harvard Medical School, em Boston, para uma das suas estadias artísticas no laboratório de Tom Kirchhausen, renomado cientista internacional, surge a ideia de alargar o espectro desta peça artística e convertê-la num trabalho de investigação com invisuais. “Lembro108


me que um dos cientistas, ao experimentar a peça, fechava os olhos. No final, disse-me que eu devia experimentar aquilo com pessoas cegas”.

nos que, numa fase inicial, trabalhou com um grupo-piloto de três pessoas que lhe permitiram ter novas ideias e chegar a novas formas de pensar o corpo e a composição do som.

Passado um ano, Rudolfo Quintas iniciava uma nova fase do projeto. Queria estudar a fundo o modo como corpo, som e espaço se relacionam, avaliando as distintas perceções sociais e cognitivas que os cegos têm da realidade. Para tal, e também por isso, conta-nos que tentou perceber o que era ser cego. “Fiz experiências em que ocultei a visão, fui jantar fora cego, desenvolvi amizades com pessoas cegas...e só nessa partilha consegui perceber como é que eles se relacionam com os outros, que medos têm...”.

A essas três pessoas seguiram-se muitas outras. Palavra passa palavra, e de Lisboa Rudolfo Quintas saltou para Aveiro e para Coimbra onde, trabalhando com as comunidades locais de invisuais, deu a conhecer Darkless, o trabalho que motiva esta reportagem. Descrevendo esta performance sonora, levada a cabo pelos gestos e pelos movimentos dos invisuais, como uma “experiência muito bonita”, o artista não tem reservas em afirmar que está a transformar a vida das pessoas cegas através deste trabalho. “Estou a contribuir para a expansão do imaginário e da relação que estas pessoas têm com o corpo, com uma experiência artística e sensorial que lhes devolve mais confiança neles próprios, num sentido de pertença e de acessibilidade à vida, à tecnologia e à experiência artística”.

A pesquisa devolveu os seus frutos. Rudolfo Quintas percebeu que a falta de visão trazia uma consequência igualmente preocupante. “Compreendi que estas pessoas tinham o corpo muito preso”. Começou, então, a pensar diversas formas de as libertar através da sua arte. Conta-

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Experimentar Darkless não tem requisitos de admissão. É aparecer e estar disposto a criar. Rudolfo Quintas confessa que são necessários apenas dois dias de trabalho para que alguém seja capaz de compor a sua própria música, no interior da instalação. “Ao fim de muito pouco tempo, a pessoa, que chega ali com pouca ou nenhuma relação com a criação, percebe que compor é uma experiência que a torna muito mais rica e humana”. Os resultados, esses, estão à vista de todos. “Tenho tido um feedback muito positivo do público. Tenho pessoas a dizer que foi das melhores experiências que tiveram na vida, que o Darkless as despertou para uma relação mais emotiva com o corpo e para uma vida emocional mais rica”. Quando questionado sobre a possibilidade da sua peça artística poder vir a funcionar como uma terapia na qualidade de vida e no entretenimento das pessoas cegas, Rudolfo Quintas, deixa algumas pistas para pensar o futuro. “A minha peça trabalha questões ALGARVE INFORMATIVO #166

emocionais, de segurança, questões cognitivas - como dar atenção ao som trabalha ao nível emocional e a própria noção meditativa – o estar presente, o escutar, a localização no espaço, a relação do corpo com os gestos e com o som. Promove um exercício de criatividade onde o utilizador compõe com o corpo e com o gesto”. Para o artista português que, aos 16 anos, numa visita a Paris, descobriu a paixão pela arte digital, o projeto Blind Sounds (que reúne todas estas peças artísticas), junta, também, “o mundo linear e o mundo não linear”. Permite, segundo o criador, “pensar essa coisa de «buraco negro», um espaço onde nada existe e revertê-lo para um espaço onde tudo existe, onde nós somos o centro de todas as possibilidades”. Rudolfo confessa, porém, que “sentir a felicidade daquelas pessoas, o seu sorriso, o seu entusiasmo”, vale tudo. “Quando deixamos de contemplar apenas, para que o nosso comportamento passe a ser a beleza da peça, tudo muda. É o 110


nosso comportamento que define a beleza da peça. E isso é único”. Único também é, em Portugal, um projeto desta índole. Rudolfo Quintas é o primeiro artista português a trabalhar com conteúdo original direcionado para invisuais e não rejeita a hipótese de poder vir a trabalhar com outras minorias. “Testei com pessoas com Trissomia 21 e houve reações incríveis. Houve professores que levaram os miúdos e ficaram espantados com o facto de eles que, normalmente, são tão fechados, de repente, terem percebido, ali, a sua relação com o corpo. Foi muito forte”. Para o futuro, o artista português projeta continuar a trabalhar na interface entre artes e ciência e adianta que artistas e cientistas têm muito mais em comum do que possam imaginar. “Por vezes trabalhamos com ferramentas e processos muito idênticos. Quando alguém vê uma peça minha vê som, vê imagem, vê um corpo...Quando se vê o

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resultado de uma pesquisa científica vêem-se umas imagens, uns papers, uns vídeos...mas o que está por detrás é exatamente o mesmo – algoritmos, tracking, análise”. Um mundo paralelo que Rudolfo Quintas garante partilhar uma paixão em comum: a vontade do novo conhecimento. É por ela que o artista português promete continuar a criar. Expandir a rede e chegar aos profissionais de saúde ligados ao campo da visão é o próximo passo. Com ou sem apoios, o jovem criador, que garante querer usar o digital como o pintor que pinta uma tela, assegura que o caminho é por ali. Até porque, como conclui: “Estou a compreender melhor o impacto do que é compor música para um corpo. É um trabalho muito gratificante, uma forma de refletir sobre o mundo” . Um contributo http://scienceplatformpt.cbmr.ualg.pt/ e http://cienciacomvida.pt/

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OPINIÃO

Para quem tem a vida pela frente Mirian Tavares (Professora) nem força suficiente para avançarmos. E que crescer dói. Quando tinha 16 anos, e muitos sonhos, sofria por tudo e me parecia sempre que aquele amor seria o último, que aquela chance não voltaria a aparecer e que, se não fizesse as coisas de uma determinada maneira, nunca mais seria feliz. Lembrome do primeiro beijo que troquei com um namoradinho, super inocente, mal encostamos os lábios. Senti-me culpada e aflita porque os pais de uma amiga, nossos vizinhos, tinham visto e preocupava-me o que eles iriam pensar. Fiquei uns dias sem pôr os pés fora de casa, à espera que eles esquecessem o «incidente». Claro que os tempos eram outros, e na altura a minha imersão na culpa judaico-cristã era alimentada por idas dominicais à Igreja. Hoje, aquilo que me parecia um ato reprovável e um abismo intransponível faz-me sorrir e pensar em tantas coisas que levei demasiado a sério, demasiado cedo. Não há muitas vantagens em envelhecermos. Mas há algo de que não abro mão e que me faria muito feliz se ainda tivesse a vida toda pela frente: maturidade. Que é esta coisa que nos dá a noção exata do que temos pela frente, que nos tira o medo de enfrentarmos os outros e nos dá coragem para sermos nós mesmos e também nos dá uma noção diversa do tempo. Parece que temos menos tempo pela frente. Mas só parece. Porque o tempo é vivido de maneira mais contida, mais arrastada. Porque nos permitimos que ele se demore e porque sabemos que a vida é como um relato – mau ou bom, uma hora ele chega ao final. E que poderemos, quiçá, descansar um pouco. Mas, entretanto, gozamos a vida porque também sabemos que metade dela já ficou para trás. E que há outra metade que deve ser agarrada e saboreada, como uma boa refeição, num dia sonolento, em que nada nos espera. E que podemos, calmamente, deliciar-nos com entrada, primeiro e segundo pratos. E guardarmonos para a sobremesa. Que sabemos, não nos fará mal .

“No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar: um estribilho antigo um carinho no momento preciso o folhear de um livro de poemas o cheiro que tinha um dia o próprio vento... “ Mário Quintana

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enho 50 anos. É algo que me pesa – dizer e pensar no facto de estar na meia-idade. Quando tinha uns 11 anos, devorei a coleção completa das obras da Agatha Christie. Implicava sempre com um casal de detetives que ela criou e que, segundo a autora, estavam na meia-idade. E eu pensava que ela devia ter-lhes dado 30 anos, porque aos 50 ninguém fazia aquelas coisas, nem se metia nas aventuras em que eles se meteram. Pensava eu, aos 11, que a meia-idade era aquela idade entre– já não somos novos, mas ainda não somos suficientemente velhos para que nos tratem como tal. Hoje, atingida a fatídica, continuo a pensar que é uma idade ambígua, mas que não pesa tanto e que também não nos afeta de forma irreversível. É um espaço entre, mas é também um espaço-tempo para gozarmos, de facto, o que vivemos ao longo dos anos. Porque quando temos a vida toda pela frente não temos a noção disto: de que temos toda a vida à nossa espera e que tudo pode acontecer, até mesmo não acontecer nada. E que nossas escolhas vão pontuar o caminho que decidirmos trilhar. Que há coisas inamovíveis, mas há tantas outras que só dependem de nós. Quando temos a vida toda pela frente, estamos paralisados de angústia e de medo. Desejamos que tudo aconteça já e que, se não acontecer agora, é porque nunca irá ser diferente. Acreditamos que sabemos tudo e que não há mais nada a aprender. E que o mundo é injusto, muitas vezes, porque não dá as respostas que buscamos às muitas questões que formulamos a toda a hora. E que não temos nem beleza, nem inteligência,

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OPINIÃO

Da luz e da sombra com o sol ao meio Adília César (Escritora) gosto. Férias. O alcatrão a derreter na paisagem da Estrada Nacional 125. Essa 125 Azul tão longe da frescura do mar. Há uma 125 azul, alfalto segmentado e idílico, paraíso sonhado na concha da felicidade, franja litoral de espuma breve, geografia de promessas. Ao lado o alcatrão crepitante parece uma dança burlesca do combustível, o tempo veranil que pára a vida e deturpa a normal convivência entre as pessoas. Os automóveis são como corpos, prisões de escapes das rotinas venenosas, adn(s) decompostos numa fila interminável de desejo, suor e impaciência. O destino assume uma escrita tracejada e contínua, onde as curvas das palavras derretem ao sol e desfalecem no espelho retrovisor, no páraarranca da respiração, na entrega melancólica àquela espécie de morte. No inferno no zig zag da estrada há uma estrada sem azul à vista. O Verão chegou e todo esse tempo é ruído, sol, luz, calor, expectativa. Até as noites veranis são inundadas de som e brilho. Mas na verdade, tudo gira à volta da luz e da sombra. Dois territórios que organizam a vida natural e humana. O dia e a noite. O bem e o mal. A vida e a morte. Aqui e ali. Eu e os outros. A ideia e o seu contrário. A tese, a antítese e a síntese (espero que Hegel me consinta esta deambulação da mente). Que fazer com as zonas de penumbra? Que iluminação é necessária para recriar o equilíbrio emocional? Dei-me conta que consigo situar as circunstâncias e as pessoas que me rodeiam nesses planos que são como pontos de brilho mais ou menos fulgurosos. Não foi uma

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epifania, mas algo se assumiu como constatação racional, uma linha de pensamento ovalizada que acabou por encontrar o seu princípio. E é nesse princípio do dia e da noite, do bem e do mal, da vida e da morte, que procuro outros princípios dos mesmos dias e das mesmas noites, aqui e ali. Zonas de conforto e de luz interior. Sendo esta uma tese mal formulada à qual corresponde uma antítese incompleta, posso afirmar, em síntese, que é difícil sair da penumbra, apesar das expectativas luminosas que o Verão transporta às costas. É lícito procurar o equilíbrio possível no meio do caos. Saio para a rua e é difícil não ouvir as conversas de outras pessoas, nas esplanadas. O tema de conversa é muitas vezes similar – “então, já está de férias?” – ao que o interlocutor responde – “já, até que enfim!”, seguindo-se a descrição esfuziante dos exóticos destinos de lazer, com viagens de avião à mistura, compras de última hora, alegrias inquietantes (eu chamo-lhe stress dispensável). Mas hoje ouvi uma conversa bem mais interessante: - Então, já está de férias? - Sim, finalmente tenho trinta dias só para mim e para o meu marido. Em paz. - E onde vai este ano? - A lado nenhum. Ou melhor, vou descansar. Silêncio, leitura, alguma música, contemplação. E à noite vou olhar a lua, vejo-a tão claramente da minha varanda… - Não me diga, com tantas festas, festivais, feiras de tudo e mais alguma

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coisa… Vai perder trinta dias sem fazer nada?! Nem vai à praia? - É verdade, nem sequer estou a pensar ir à praia. A minha casa vai ser o meu areal, o meu mar, o meu azul. O carro vai ficar na garagem. E nem quero cozinhar, comerei fruta e pouco mais. Olhei atentamente aquela pessoa simples, escutei a melodia das suas palavras. Era uma mulher madura, vestida de preto, bela como uma ramo de buganvília, lábios de ameixa e olhos de luz. A seu lado um homem elegante e discreto, de barba branca. Estão de mão dada, parecendo existir entre eles uma ternura genuína. A mão dele segura um saco transparente onde se veem formas redondas de diferentes tamanhos, pequenos momentos de felicidade colorida: vermelho, maçã, amarelo, melão, laranja, pêssego, rosa, tomate, verde, azeitona. Lá fora, a luz e a sombra com o sol tórrido e escandaloso ao meio. Depois, cá dentro, a noite e a lua nos olhos de alguém. No corpo, o sumo que escorre da sede, a textura que alivia a fome. Aquela mulher era eu, fresca e iluminada .

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OPINIÃO

Do Reboliço #2 Ana Isabel Soares (Professora) Reboliço ouve uma conversa entre vizinhas: “Não, por estes dias não posso lá ir vê-la, e, se calhar, nem nos próximos. Já hoje houve outro grande acidente ali na 125, isto está cheio de gente, mete-me medo andar assim na estrada. E está tanto calor…”. Quem fala é a D. Amorosa: a D. Elvira, outra senhora que mora no prédio, está internada na cidade ao lado, gostaria de ter visitas. Já passou os 90 – é ali dos lados do Algoz e tem a pronúncia acentuada daquela banda do Algarve. É bem disposta: quando se lhe pergunta “Como está?”, responde com um simpático e resignado “Vai-se andando”. Sofrem com o Verão no Sul, estas vizinhas, mas fazem o que deve ser feito – saem à rua, ou à varanda para regar os vasos, cedinhocedinho, descem as persianas durante a parte clara do dia e sobem-nas já à tardinha, quando o ar se torna menos abafado e o sol mais piedoso. Da praia não lhe veem senão a distância. Barriga no ladrilho do chão fresco, focinho a resfolegar só de vez em quando, o Reboliço entrega-se à sonolência, ao escuro das casas no Verão. Gosta de ficar em sossego a ouvir o rádio. Vai deixando de escutar a conversa das vizinhas para se concentrar na voz que, da telefonia, está a ensinar a fazer a sopa de beldroegas. Lembram-lhe as manhãs de sábado quando chegava o Verão: acompanhar as idas à praça, manhã cedo comprar o peixe, o pão, a fruta, as verduras, o feijão e o mais que, de fresco, chamasse os olhos e as paredes entrançadas da alcofa. Depois, na bancada da cozinha, branca e muito brilhante com o forte que lhe dava o sol no mármore (“Baixa-me essa persiana, que daqui a nada não se pode estar”), haveria duas tigelas, uma vazia e a outra cheiinha de beldroegas até ao bordo. Chamavam-lhes «mosquinhas». Sopa de

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mosquinhas – que separar as folhas dos talos era como mexer em asas de moscas, assim ovaladas e, ao sol, quase transparentes. A tigela vazia ia-se pondo cheia de asinhas de mosca, as beldroegas prontas para cozinhar. Não se usavam os talos na sopa (nem o queijo de cabra, como era o hábito no Alentejo de cima; no de baixo, e naquela alentejana algarvia bancada com sol aos sábados de manhã, era nada mais que a erva carnuda, batata, azeite, cebola, o alho novo inteiro, o sal mal uma coisinha, água, e, quando muito, uns ovos escalfados). O peixe ia a seguir. Grelhado na chapa por baixo da janela aberta, por onde o fumo saía em rolos, o calor do carapau entrava, branquinho, no prato e na goela. Dir-se-ia um prato de Inverno, assim de quente – e como suavam, na sofreguidão do apetite, do tenro das folhas, do caldo com os pedaços de batata. Mas era como a tomatada: perdia a graça se lha davam fria, e quando era melhor era no pino do Verão, quando o tomate amadurece em si o travo da terra e escorre mal se sente apertado. O Reboliço dá um suspiro longo, que o respirar se alentou, e vai-se lembrando de coisas que hoje ouve amaldiçoar: um refogado com banha e toucinho (delicia-se); o pão, esfarelado, para dentro do tacho, a embeber-se da gordura; o tomate, o ovo muito mexido, em fiozinhos quase invisíveis, o fogão apagado e a pressa do prato – demoraria a arrefecer, com a temperatura do ar. O que fará, pergunta-se agora, refastelado e mole, gostar um bicho tanto, no calor, de comer coisas assim quentes? . * Reboliço é o nome de um cão que o avô teve, no Moinho Grande. É a partir do seu olhar que aqui escrevo.

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Foto: Vasco Célio

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OPINIÃO

Quando for grande quero ser youtuber Fábio Jesuíno (Empresário)

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ma das perguntas mais famosas é “o que queres ser quando fores grande?”. Uma questão que nos persegue durante a infância até a adolescência, onde as respostas, durante muitos anos, pouco variavam entre ser bombeiro ou polícia, passando por astronauta. Num mundo cada vez mais digital, ser Youtuber passou a estar destacado nas respostas. Numa nova geração, cheia de ferramentas digitais onde a televisão ganha cada vez menos importância como meio de comunicação, existe uma série de plataformas que proliferam na internet e que permitem facilmente publicar ou transmitir em direto um vídeo para um grande número de pessoas de uma forma livre e gratuita. Das plataformas existentes na internet existe uma que se destaca das restantes, primeiro, por ser o segundo maior motor de busca, segundo, por ser a maior geradora de tráfego online e, terceiro, por ser uma das melhores plataformas de marketing e publicidade, contando com o investimento de milhões de empresas que criam estratégias de comunicação para chegarem ao seu mercado-alvo e conseguindo uma grande segmentação. Falamos do YouTube, criado em 2005 por três funcionários do PayPal (empresa americana de pagamentos online) Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim,

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depois de terem deparado com a dificuldade de partilhar vídeos de uma festa na internet. Nasceu dessa forma uma das maiores fontes de entretenimento atual e um grande gerador de conteúdos na internet e criando uma nova profissão, os Youtubers, verdadeiras estrelas planetárias que produzem os seus próprios conteúdos sem necessidade de grandes produções ou edições. Estes ídolos são aclamados por milhões por todo o mundo, principalmente entre os jovens que acompanham ao pormenor o que fazem e publicam. Tornam-se o sonho de muitos, atraídos pela fama, dinheiro e poder que conseguem gerar com simples vídeos das mais diversas temáticas, destacando-se as áreas da tecnologia, moda e lazer. Os Youtubers são grandes influenciadores digitais, conseguem a atenção da sociedade com um impacto global. Uma influência que desperta o interesse de muitas marcas, que investem cada vez mais para chegarem ao maior numero de pessoas possíveis através deste meio. Ser Youtuber passou a ser uma profissão de muito destaque e geradora de interesse e curiosidade. Eu, quando for grande, quero também ser Youtuber .

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OPINIÃO

Alguém que me explique que eu não sei Nuno Miguel Silva (Técnico de Comunicação)

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as últimas semanas percebi o que não devia: antes aprender a viver na serenidade de uma ignorância partilhada, do que na inquietude de uma consciência própria. A comunicação social perdeu a vergonha de assumir que a grande tendência está na americanização de conteúdos. Faking news is the new black. Extrapolar, inventar, adornar, enfim…no fundo, dar um colorido florescente a uma pintura mate. E se ferir a vista, melhor. Percebe-se que a imparcialidade e a objetividade se tornaram conceitos démodé. Como aquela peça de roupa vintage, obsoleta mas chique, que nos fica bem ter no armário mas nunca usamos na rua. No fundo, a comunicação social portuguesa tornou-se uma versão perversa do José Castelo Branco. Veja-se. Há coisa de três semanas, numa «mega» operação policial concertada entre SIS, PJ e seus conterrâneos, foram presos quase 50 hipotéticos membros de um grupo «criminoso», «violento» e «organizado» chamado Hells Angels. Entre muitas outras barbaridades, a comunicação social apressou-se em falar em tráfico de armas, prostituição e droga. E a verdade é que o próprio Ministério Público também. Ora, surpresa é quando entre os quase 50 mandatos de captura e outros tantos de rusga, ainda agora estamos por ouvir falar desse «mega» número de armas apreendidas, dessas vítimas da «mega» rede de prostituição organizada e dessa «mega» quantidade de estupefacientes. No fundo, lançaram o fogo-de-artifício mas ainda ninguém percebeu onde caíram as canas. Ninguém sabe muito de nada, mas todos falam muito de tudo. E há ainda outro elemento. Segundo o portavoz do Ministério Público havia receio que um tal Mário Machado se vingasse de um ataque anterior durante a Concentração de Motos de Faro, justificando assim a prisão preventiva como medida de coação. Como assim? Então se eu estiver prestes a sofrer um ataque corro o ALGARVE INFORMATIVO #166

risco de ser preso como medida de prevenção? É caso para agradecer? E os Mários Machados da vida continuam a poder desfilar em frente às objetivas sedentas de sangue? Faz sentido. Pelo meio, e ao que parece, alguns desses membros viviam e são naturais de Faro. Ora então perdoem-me a inocência… este grupo «mafioso», «violento» e «criminoso» opera proliferamente na mesma cidade em que eu vivo há mais de 30 anos e nunca dei conta de existir? E os perigosos membros que o compõem são os mesmos que nunca ninguém viu em conflitos ou cenas de agressões e se encontravam perfeitamente integrados na sociedade tal e qual qualquer outro cidadão comum? Ah…têm tatuagens. Seus marginalecos. Verdade seja dita que a justiça existe para ser cumprida. Contudo, que se cumpra de forma imparcial e honesta. Sem show-off. Sem aparato. Sem preconceito. Um pouco como a comunicação social não faz. Que se condene com factos e não convicções. Que se acuse com certezas e não com indícios. É preciso não esquecer que esta gente tem famílias. É preciso não esquecer que essas famílias se veem hoje privadas dos seus filhos, pais, irmãos e amigos, sabendo muito pouco do caso e ainda menos deles próprios. Em muitas situações, privados da única fonte de rendimento do agregado e cada vez mais privados de comida na mesa. Por isso, três notinhas curtas sobre savoir-fair parisiense em nome do nosso querido José Castelo Branco: 1- Não podemos ser tão inconsequentes. 2- Não nos podemos consagrar de forma tão leve e leviana como arautos da desgraça ou advogados do diabo. 3- É importante ouvir, mas é ainda mais importante saber filtrar. A verdade é e será sempre como o azeite. E não nos cabe a nós separar .

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ATUALIDADE

CASTRO MARIM VOLTOU A SER PALCO DO ACORDEÃO Revelim de Santo António, em Castro Marim, acolheu, no dia 27 de julho, o «Palco do Acordeão», iniciativa que promove e dignifica a musicalidade do instrumento, fundido nas raízes da cultura algarvia. A Escola de Acordeão de Castro Marim, referência regional e nacional no ensino deste singular instrumento musical, fez as honras de abertura com a participação de vários alunos, seguindo-se depois nomes reconhecidos e consagrados nos palcos do acordeão, como Michel Sapateado, Fábio

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Guerreiro, Silvino Campos, Bruno Gomes, Mário Paulo, João Costa e Valter Romeira. Esta iniciativa insere-se numa política de promoção do acordeão como um dos elementos sine qua non da cultura e alma do concelho castro-marinense, levada a cabo pelo esforço articulado entre a Associação Mito Algarvio e a Câmara Municipal de Castro Marim. Na organização do «Palco do Acordeão» esteve também envolvido o Centro de Cultura e Desporto (CCD) da Câmara Municipal de Castro Marim . 126


CANDONGUEIRAS FORAM TEMA DO ENCONTRO ETNOGRÁFICO AMENDOEIRAS EM FLOR

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ealizou-se, no dia 28 de julho, em Altura, o 5.º Encontro Etnográfico Amendoeiras em Flor «Tributo ao Povo». A Avenida 24 de julho foi palco de um evento que junta diferentes grupos etnográficos de várias regiões do país, num tributo aos hábitos, costumes, danças, músicas e cantares que caracterizam os territórios de um Portugal singular. O encontro etnográfico contou com a participação do Grupo Etnográfico Amendoeiras em Flor – Altura, Castro Marim, do Rancho Folclórico de Belas – Sintra, Estremadura Centro, do Rancho Folclórico do Centro Social Desportivo e Cultural de Outeiro – Viana do Castelo, Alto Minho, e do Rancho Folclórico dos Moleanos – Alcobaça, Alta Estremadura. Em destaque esteve a figura das «Candongueiras», expressão usada para designar as pessoas que se dedicavam ao

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contrabando. O tema foi escolhido para relembrar um papel social em épocas ditatoriais ou de escassez, como na ditadura salazarista, em que se contrabandeava, pelo Rio Guadiana, café, amêndoa, farinha, ovos, grão, feijão, açúcar, entre outros bens de subsistência. A Associação Cultural Amendoeiras em Flor, organizadora deste evento, é uma associação sem fins lucrativos, que surgiu no seio de um grupo de amigos com objetivos comuns ao desenvolvimento de atividades e promoções da cultura presentes neste município e nesta região. A iniciativa contou com a colaboração da Câmara Municipal de Castro Marim e com o apoio da Junta de Freguesia de Altura, Federação do Folclore Português, Direção Regional de Cultura do Algarve, Fundação Inatel, bem como o apoio de muitos comerciantes locais.

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ATUALIDADE

UNIVERSIDADE DO ALGARVE ESTREITA COOPERAÇÃO COM UNIVERSIDADES MARROQUINAS om o objetivo de intensificar o fortalecimento das relações bilaterais com Marrocos, uma comitiva da Universidade do Algarve realizou, na passada semana, uma visita a este país do norte de África. Em Rabat, visitou a Universidade Mohammed V, a Universidade Internacional e o Instituto Agronómico e Veterinário Hassan II e, em Settat, a comitiva deslocou-se à Universidade Hassan I. Esta visita pretendeu estreitar a cooperação em dois domínios principais: a consolidação de programas de formação avançada conjuntos e a estruturação de projetos que visem a transferência de conhecimento e empreendedorismo.

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Neste contexto, a comitiva da Universidade do Algarve teve oportunidade de aprofundar o conhecimento sobre os principais desafios das universidades marroquinas, tanto ao nível da formação, como ao nível da valorização do conhecimento e transferência de tecnologia para a indústria, propondo ações de resposta aos desafios apresentados. Liderada pelo antigo reitor da UAlg, João Guerreiro, a comitiva contou ainda com representantes do CRIA - Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia, da Faculdade de Economia, da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais e da Faculdade de Ciências e Tecnologias .

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UTENTES DOS CENTROS DE SAÚDE NO ALGARVE JÁ PODEM GERIR CONSULTA POR SMS partir do dia 1 de agosto, a Administração Regional de Saúde do Algarve implementa em todos os Centros de Saúde da região um sistema inovador de SMS para comunicar aos utentes a data e a hora da consulta ou cancelar automaticamente a mesma, dando-lhes a oportunidade de gerir a sua marcação de forma rápida e simples. Este sistema de alertas de mensagens via SMS, criado pelo Núcleo de Sistemas de Informação da ARS Algarve, lembra o utente da sua consulta, com cinco dias de antecedência. Caso o utente não possa comparecer, pode, pela primeira vez no âmbito dos cuidados de saúde primários, cancelar a mesma também por SMS. Nesta situação, o utente é remetido para a Área do Cidadão do Portal do SNS, onde poderá reagendar a sua consulta online. A implementação deste novo sistema de alertas por SMS permitirá monitorizar a gestão das consultas de uma forma mais eficiente, sendo que atualmente cerca de cinco por cento das consultas marcadas por mês não são efetuadas por falta de comparência do utente. Contribuirá ainda para que o tempo destas consultas, que não são realizadas, seja libertado de forma automática para

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outros utentes que necessitem. Para os utentes beneficiarem deste serviço, basta terem os contactos atualizados, sobretudo o número de telemóvel para qual pretendam ser contactados. Esta é mais uma das medidas digitais, integrada na estratégia nacional de modernização do SNS +Proximidade do Ministério da Saúde, que a ARS Algarve tem vindo a implementar nas unidades de saúde, com vista a reforçar a acessibilidade e o atendimento ao cidadão .

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ATUALIDADE

CASTORES DO ARADE EM EVIDÊNCIA NO CAMPEONATO NACIONAL DE CANOAGEM DE VELOCIDADE

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ois títulos nacionais, um de vice-campeã nacional e uma medalha de bronze, de um total de nove finais «A» e quatro finais «B», foram os resultados de maior destaque para os Castores do Arade no Campeonato Nacional de Canoagem de Velocidade dos escalões mais jovens, dos 11 aos 16 anos. A competição realizou-se nos dias 28 e 29 de julho, no Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho, destinada aos atletas dos escalões Iniciados, Infantis e Cadetes. As gémeas Maria e Isabella Wilkinson alcançaram uma dobradinha na distância Olímpica de K1 500 metros Iniciados Femininos, com Maria a vencer a prova com o tempo de 2:23,353 seguida de Isabella, a apenas 1,904 segundos, com o pódio a ficar completo com Clara Duarte

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do GDRGemeses. As duas atletas juntaram-se depois a Iara Bebiano e a Leonor Ramos para vencer com uma margem confortável a prova de K4 500 metros, conquistando mais um título nacional, ao terminar a distância em 2:09,003, com as equipas do GDRGemeses e do CNBarquinhense a ficarem com o segundo e terceiro lugar, respetivamente, a mais de seis segundos das vencedoras. A tripulação de K4 Infantil, constituída por Guilherme Reis, Tomás Vasconcelos, Filipe Libório e Bernardo Verdades, percorreu a distância em 1:57,005 ficando a apenas 355 milésimos da medalha de prata, alcançada pela tripulação do GDRGemeses, ficando a vitória para a tripulação do CF Vilacondense, com 1:53,425 minutos. Para além destas quatro finais, marcaram ainda presença nas sempre difíceis finais «A», Guilherme

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Reis em K1 Infantis 1000 metros, terminando no 7.º lugar; Rúben Luís / Filipe Busel em K2 Iniciados com o 9.º lugar; novamente Rúben Luís na prova individual de 1000 metros com o 6.º lugar; Iara Bebiabo / Leonor Ramos em K2 1000 metros Iniciados Femininos com o 6.º lugar e a tripulação de K4 500 metros Cadetes constituída por André Soares / Isaac Albuquerque / Diogo Filipe / Rodrigo Gonçalves, que terminou também na 6.ª posição. De destacar ainda a presença de quatro tripulações em três finais «B», que definem os lugares entre o 10.º e 18.º classificados a nível nacional. O K1 200 metros Cadetes contou com dois atletas dos Castores, com André Soares e Diogo Filipe a terminarem na 2.ª e 5.ª posição, respetivamente. Em K2 Infantis 1000 metros, Guilherme Reis e Filipe Libório foram os 9.º classificados e, em K1 500 metros Infantis Femininos, Inês Luís terminou na 3.ª posição A nível coletivo, o KCCA somou 536 pontos e terminou no 8.º lugar entre 48 clubes. O Náutico de Ponte de Lima foi o grande vencedor, seguido do Náutico de Prado e do GDRGemeses. O Campeonato Nacional de Velocidade foi organizado pela Federação Portuguesa de Canoagem em parceria com o Município de Montemor-o-Velho. Esta foi a primeira fase do Campeonato Nacional de Canoagem de Velocidade, com a classificação coletiva final a ser apurada após o próximo fim-de-semana, aquando do Nacional para os escalões de 131

Juniores, Seniores e Veteranos onde o KCCA, mais uma vez, marcará presença no Centro de Alto Rendimento de Montemor o Velho . ALGARVE INFORMATIVO #166


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NOVA ESTELA DA MISTERIOSA ESCRITA DO SUDOESTE FOI ENCONTRADA EM LOULÉ descoberta publicada, no dia 27 de julho, na edição portuguesa da revista National Geographic revela que, no início deste Verão, foi encontrada uma nova estela com escrita do Sudoeste no Concelho de Loulé. As estelas com escrita do Sudoeste têm mais de dois mil e 500 anos e aparecem durante a Idade do Ferro. São um dos maiores tesouros da arqueologia europeia, havendo apenas cerca de cem exemplares, a maioria dos quais encontrados em Portugal (perto de 90 por cento). Esta escrita é um símbolo privilegiado da herança histórica do Algarve e Baixo Alentejo, pois é, afinal, a mais antiga manifestação de escrita da Península Ibérica e ainda hoje está por decifrar. Recolhida por Jorge Narciso há cerca de oito anos perto da Cortelha, uma aldeia da freguesia de Salir no Concelho de Loulé, era uma pedra que estava num poço com as letras viradas para baixo. A estela (bloco de pedra que se fixava no solo) da Cortelha foi identificada pelo olhar atento do fotógrafo Jorge Graça, que reconheceu a escrita do Sudoeste na pedra que estava a ser utilizada no cortejo do Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão como pedra da lavadeira. Segundo o arqueólogo Amílcar Guerra da Uniarq – Centro de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a leitura do texto é clara, com todos os traços bem gravados, e revela

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alguns signos raros e outros inéditos. O fragmento de estela com 48x37cm apresenta sete a oito signos gravados reconhece-se o E, o R e os A. Esta escrita que se concentra no Sudoeste Peninsular, daí o seu nome, adaptou o alfabeto fenício e depois criou uma escrita própria ajustada à língua das populações que aqui viviam. Para além deste contributo para a investigação linguística da escrita, a importância desta estela com escrita do Sudoeste é de ter sido encontrada numa área onde até hoje ainda não tinham sido descobertos vestígios arqueológicos da Idade do Ferro, revelando assim o enorme potencial que a Serra entre o Algarve e Baixo Alentejo tem para investigar este tema. No âmbito da investigação realizada pelo Projecto ESTELA, os arqueólogos Samuel Melro e Pedro Barros referem que eram conhecidos dois conjuntos no Concelho de Loulé, um na área do Ameixial onde foi encontrada há 10 anos a última estela e outro na zona Benafim/ Salir. A estela da Cortelha doada por Jorge Narciso ao Museu Municipal de Loulé, num exemplo extraordinário de cidadania livre e responsável, pode ser vista entre o dia 27 de julho e o final de setembro. As restantes estelas com escrita do Sudoeste do Concelho de Loulé também podem ainda ser observadas na premiada exposição de arqueologia «Loulé: Territórios. Memórias. Identidades», patente até ao final do ano no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, bem

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como no Museu da Escrita do Sudoeste em Almodôvar dedicado ao tema. A Autarquia de Loulé tem vindo a promover e apoiar um conjunto de ações para valorização deste Património Cultural no interior do Concelho, como são as iniciativas do festival de caminhadas do Walking Festival Ameixial, que escolheu esta escrita como sua identidade e fator diferenciador; ou a candidatura para a valorização dos sítios arqueológicos da escrita do Sudoeste do Ameixial; ou mesmo a recente homenagem a José Rosa Madeira que doou a vários Museus um importante conjunto de estelas com escrita do Sudoeste. Ou, integrada nas atividades do Ano Europeu do Património sob o tema «Partilhar Memórias», a futura realização de uma homenagem aos guardiões da identidade de Loulé, os «louletanos» singulares e doadores 133

beneméritos, sem os quais o Museu Municipal e a história local, regional e mesmo nacional hoje não seria a mesma. ALGARVE INFORMATIVO #166


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SECRETÁRIA DE ESTADO DO ORDENAMENTO VISITOU PRAIAS DA FUSETA E DOS CAVACOS Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos, esteve, no dia 31 de julho, no concelho de Olhão, onde visitou a intervenção que tem vindo a ser feita na Ilha da Fuseta. A governante teve ainda oportunidade de conhecer a praia dos Cavacos, a «nova» zona balnear do concelho, que voltou a poder ser usufruída após uma intervenção de reposição de areia levada a cabo pela Sociedade Polis. A praia da Fuseta-Mar reabriu ao público após a conclusão dos trabalhos de reposição de areia nos 200 metros da concessão, na sequência das intempéries ocorridas no final de fevereiro e início de

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março deste ano, que «cavaram» um talude de mais de três metros em grande parte da ilha. Também os passadiços foram reconstruídos, bem como o cais de embarque e as respetivas passadeiras. As intervenções, da responsabilidade do Município de Olhão, tiveram um valor total de 219 mil euros. No âmbito do reforço do cordão dunar nesta zona tão fragilizada, já foram repostos, e parcialmente reperfilados, cerca de 80 mil metros cúbicos de areia, permitindo em paralelo que a praia disponha de condições para ser utilizada pelo público em geral, concessionários e outras entidades de promoção turística. “A última vez que cá estivemos, em 134


março, tínhamos um talude com 4 metros; agora, temos uma praia excelente, completamente reposta, que pode ser desfrutada pelas pessoas de Olhão, mas também as pessoas que a visitam, e que são cada vez mais”, observou Célia Ramos, realçando ainda o trabalho do município na reconstrução do cais de embarque e dos passadiços. Célia Ramos passou também pela praia dos Cavacos, onde o presidente da autarquia de Olhão, António Miguel Pina, demonstrou no terreno a necessidade de aumentar a extensão do areal, uma vez que, no período em que a maré está mais vazia, este não chega à água. “A Secretária de Estado percebeu o bom senso desta nossa reivindicação e houve da sua parte abertura para procurarmos compatibilizar este pedido com os eventuais constrangimentos de ordem ambiental que possam existir”, adiantou, otimista, o edil olhanense. Na agenda da visita de Célia Ramos esteve ainda a preocupação manifestada por António Miguel Pina com o futuro da Ria Formosa no período pós-Sociedade Polis. A Sociedade Polis Litoral Ria Formosa é uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, com a participação maioritária do Estado e minoritária dos municípios de Loulé, Faro, Olhão e Tavira e que tem por objeto a gestão, coordenação e execução do investimento na Ria 135

Formosa, com vista à realização das operações previstas no Plano Estratégico e à prossecução dos seus fins. Como se sabe, a Polis já tem data marcada para a sua extinção e está a ser gerida por uma comissão liquidatária. Esta entidade será esvaziada de poderes no final de 2018, altura em que irá passar todas as intervenções que estiverem em curso para outras entidades e é este futuro que deixa apreensivo o autarca de Olhão. “Da parte do governo não há nenhuma ideia daquilo com que se pode contar no que diz respeito à manutenção e reabilitação da Ria Formosa, e é nesse sentido que estamos a fazer estas ações de sensibilização do Governo, agradecendo aquilo que foi feito até agora, mas também sensibilizando para o futuro. Preocupa-nos aquilo que possa vir a acontecer à Ria Formosa daqui a dois ou três anos”, salientou António Miguel Pina .

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PROJETO PIONEIRO TROUXE SECRETÁRIO DE ESTADO DAS FLORESTAS A OLHÃO Secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, esteve em Olhão, no dia 27 de julho, a propósito de um projeto pioneiro que está a ocupar sete reclusos do Estabelecimento Prisional na limpeza e desmatação da estrada que liga Moncarapacho ao Cerro de S. Miguel. Esta ação, que vem a decorrer desde 9 de julho e se prolonga até 31 de agosto, surge no âmbito de um protocolo mais abrangente celebrado entre o município e o estabelecimento prisional, que já levou, em maio, reclusos a

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procederem a uma ação de limpeza na Ilha da Armona. Desta feita, e conforme estabelecido no Plano de Defesa da Floresta Contra Incêndios de Olhão, encontra-se a ser intervencionada uma das zonas mais críticas do concelho em termos de risco de fogo florestal, conforme explicou o comandante dos Bombeiros Municipais, Luís Gomes. “De acordo com o nosso plano, este era o troço que tinha de ser intervencionado em 2018, o que estamos a fazer com a colaboração deste grupo de reclusos”. Uma verdadeira experiência 136


de aprendizagem para os sete prisioneiros que compõem esta brigada em regime aberto, e que passaram, num primeiro momento, por uma formação inicial de manuseamento de maquinaria e regras de segurança no trabalho, ministrada pelos próprios bombeiros municipais. A experiência é considerada bastante positiva pelo presidente da autarquia, António Miguel Pina, para quem este projeto “não só ajuda a resolver o problema da desmatação das zonas mais problemáticas do concelho, mas constitui, também, um investimento na nossa comunidade, uma vez que contribui para a reintegração de sucesso destes reclusos, muitos deles olhanenses”. O secretário de Estado das Florestas considera este «ensaio» que está a decorrer em Olhão um exemplo a replicar em todo o País. “Esta é uma

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iniciativa com uma carga simbólica muito importante e que derruba barreiras, não só devido à intervenção dos reclusos, mas porque coloca os bombeiros a fazerem a prevenção dos fogos florestais, e não apenas a intervirem quando chega a hora do combate”, frisou Miguel Freitas. Existe, entretanto, a possibilidade de alargamento a todo o território, segundo o diretor-geral dos Serviços Prisionais, Celso Manata, que deseja ver estes reclusos integrados assim que deixem a prisão. “Àqueles que assim pretendem será dada a possibilidade de prosseguirem a carreira de sapadores florestais”, referiu. Em Olhão, e uma vez terminada esta experiência-piloto, serão analisados os resultados e estudada a hipótese de extensão do projeto a outros locais do concelho .

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ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS EM CACELA VELHA REVELAM CEMITÉRIO MEDIEVAL E BAIRRO ALMÓADA

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urante um mês, as escavações arqueológicas no sítio do Poço Antigo, em Cacela Velha, puseram a descoberto a extraordinária riqueza patrimonial e histórica desta vila do concelho de Vila Real de Santo António. Nesta campanha arqueológica foram exumados 10 esqueletos humanos pertencentes à geração dos povoadores cristãos da região, após a conquista do Algarve aos mouros, em 1249. Somam-se assim 66 sepulturas escavadas e 86 indivíduos identificados neste cemitério da época medieval. Caso insólito, a descoberta de um gato

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depositado no cemitério, cujo significado será esclarecido por futuras análises laboratoriais. Sob esta necrópole continuou a colocar-se a descoberto o bairro almóada, dos séculos XII e XIII. Assim, foram escavadas duas casas de pátio interior, circundados por compartimentos. Nestes espaços, após o abandono das famílias que ali viveram, verificou-se a existência de diversos níveis de lareiras, restos alimentares e lixeiras domésticas, que podem testemunhar a estadia ocasional de viajantes ou a ocupação temporária por habitantes locais. Foi ainda descoberta uma rua principal, que poderia

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atravessar este conjunto habitacional, ligando a zona portuária a uma das entradas do bairro. Este projeto resulta de um protocolo de colaboração celebrado entre a Direção Regional de Cultura do Algarve, a Universidade do Algarve e o Município de Vila Real de Santo António, contando ainda com a participação da Simon Fraser University (Canadá). Os trabalhos arqueológicos foram coordenados por Cristina Tété Garcia (DRCAlg) e Maria João Valente (UAlg). Hugo Cardoso (SFU) coordenou os trabalhos de bioarqueologia. Participaram, em regime de voluntariado, 25 alunos da Universidade do Algarve, Faculdade de Letras do Porto, Universidade de Huelva e escolas secundárias de Vila Real de Santo António e Pinheiro e Rosa (Faro). A estes juntaram-se 16 alunos canadianos, da Simon Fraser University. Neste campo-escola de arqueologia, puderam aprender e praticar a escavação de materiais e estruturas medievais, bem como de ossadas humanas no contexto da necrópole medieval descoberta. O Poço Antigo situa-se fora do perímetro amuralhado de Cacela, em Zona Especial de Proteção do Núcleo Histórico de Cacela-a-Velha, classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1996. Os trabalhos tiveram a duração de quatro semanas e foram antecedidos de uma semana de formação, na UALG, com especialistas em Arqueologia Medieval, 139

Zooarqueologia, Geologia, História do Algarve e Bioarqueologia. Finalizada esta campanha arqueológica, segue-se a limpeza, inventário e estudo dos materiais, que ficarão depositados na Universidade do Algarve e no Centro de Informação e Interpretação do Património de Cacela do Município de Vila Real de Santo António. Está previsto realizar uma nova campanha arqueológica em 2019 . ALGARVE INFORMATIVO #166


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CASTRO MARIM INVESTE 150 MIL EUROS NA DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS

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o âmbito da limpeza, proteção da floresta e prevenção contra os incêndios rurais, o município de Castro Marim, além dos trabalhos efetuados nas áreas da sua responsabilidade, como no Pinhal do Gancho e as principais estradas municipais, fez um investimento de cerca de 150 mil euros na limpeza e desmatação das faixas de gestão de combustível, em redor dos aglomerados populacionais considerados de maior risco pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, 32 povoações: Alcaria, Alcarias Grandes, Almada de Ouro, Alta Mora, Azinhal, Cabacinhos, Choça Queimada, Corte Gago, Corte Pequena, Monte Baixo Grande, Monte Baixo Pequeno, Cortelha, Corujos, Estrada, Fortes, Foz de Odeleite, Funchosa, Furnazinhas, Magoito, Marroquil, Monte de Cima, Monte Novo, Murteira de Baixo, Murteira de Cima, Odeleite, Pego dos Negros, Piçarral, Portela Alta de Baixo, Portela Alta de Cima, Quebradas, Sentinela e Tenência. Também para efeitos da gestão de combustível junto das estradas municipais, a Câmara Municipal de Castro Marim submeteu três candidaturas a apoios comunitários, designadamente: Instalação

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da rede primária das faixas de gestão combustível ao PDR2020, um investimento de cerca de 60 mil euros em 234 hectares; Limpeza das Faixas de Interrupção de Combustíveis (FIC) ao Fundo Florestal Permanente, para as áreas prioritárias e não prioritárias, que totalizam, respetivamente, 19 mil euros para 18 hectares e cerca de 50 mil euros

para 66 hectares. Ainda no âmbito da prevenção contra incêndios rurais, a autarquia, em colaboração com a Autoridade Nacional da Proteção Civil e a Associação Nacional de Municípios, tem desenvolvido esforços para implementar o programa «Aldeia Segura, Pessoas Seguras», com vista a dotar as povoações mais isoladas e com maior risco de incêndio de procedimentos de emergência e de comportamentos que permitam uma maior resiliência face a situações de risco.

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CENTRO DE SAÚDE DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL VAI SOFRER OBRAS DE MELHORIA Centro de Saúde de São Brás de Alportel vai ser objeto de intervenção no seu exterior e interior, de modo a melhorar as condições de acolhimento aos utentes, mediante um protocolo assinado, no dia 1 de agosto, entre o Município de São Brás de Alportel, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve e a Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel, proprietária do edifício. O edifício vai ser objeto de trabalhos de pinturas e beneficiação, no seu exterior, num investimento global de cerca de 19 mil euros, que será custeado pelo Município de São Brás de Alportel. A ARS Algarve assegura ainda um conjunto de trabalhos e arranjos no interior do edifício, bem como a instalação de diversos equipamentos de ar condicionados, entre

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outras reparações gerais. “Este protocolo reveste-se da maior importância ao colocar em primeiro lugar a qualidade do espaço onde são prestados cuidados de saúde à população, ao mesmo tempo que promove a conservação e preservação daquele edifício histórico”, considera o Presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, Vítor Guerreiro. Paulo Morgado também destacou a importância do reforço da articulação e das sinergias entre as autarquias e a ARS Algarve “para, em conjunto, melhorarmos os cuidados de saúde prestados às nossas populações e contribuirmos para reforçar a confiança nos nossos serviços públicos de saúde no Algarve”. O protocolo agora assinado vai vigorar pelo período de um ano, altura em que as obras deverão estar concluídas . ALGARVE INFORMATIVO #166


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Revista semanal sobre o Algarve e os Algarvios

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