Page 1

#161

ALGARVE INFORMATIVO 30 de junho, 2018

GRAFONOLA VOADORA & NAPOLEÃO MIRA «40 E ENTÃO?» ESGOTOU TEATRO DAS FIGURAS| EHTA PREPARA NOVO ANO LETIVO AUREA1 & BERTÍLIO SANTOS AQUECERAM QUARTEIRA | «MOURA ENCANTADA» REGRESSOU TAVIRA ALGARVE INFORMATIVO A #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

2


3

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

4


5

ALGARVE INFORMATIVO #161


CONTEÚDOS #161 30 DE JUNHO, 2018

30

ARTIGOS 10 - Dia de Castro Marim 20 - Paula Vicente 30 - «Grafonola Voadora» & Napoleão Mira 40 - «40 E Então?» 50 - Aurea & Bertílio Santos 60 - Lenda da Moura Encantada 70 - Cine-Teatro Louletano 82 - Semear Saúde 104 - Atualidade

60

50

OPINIÃO 92 - Paulo Cunha 94 - Paulo Bernardo 96 - Adília César 98 - Mirian Tavares 100 - Fábio Jesuíno ALGARVE INFORMATIVO #161

6


7

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

8


9

ALGARVE INFORMATIVO #161


REPORTAGEM

DISTINÇÕES, INAUGURAÇÕES E APELOS DE BOM-SENSO À OPOSIÇÃO MARCARAM DIA DE CASTRO MARIM Texto:

| Fotografia:

astro Marim festejou, a 24 de junho, mais um Dia do Município e o domingo começou com o hastear da bandeira, a habitual arruada pela Banda Musical Castromarinense e a missa na Igreja de Nossa Senhora dos Mártires. Depois, as atenções voltaram-se para a Casa do Sal, espaço que resultou da

C

ALGARVE INFORMATIVO #161

recuperação do antigo armazém «Balalaica» e em cujo pátio interior se realizou este ano a sessão solene. Logo após a interpretação do hino nacional pela Banda Musical Castromarinense, que se apresentou pela primeira vez com o novo fardamento, foi a vez de usar da palavra 10


o presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, que falou dos recantos de paz e harmonia que seduzem locais e turistas, na Praia Verde, nas margens da Barragem de Odeleite, no Sapal de Castro Marim e no Rio Guadiana. “A beleza natural e, sobretudo, aquela que sai do coração destas gentes são o atrativo desta terra e o alimento do meu sonho e o sonho faz acontecer. Mas o passado condiciona-nos e, muitas vezes, dificultanos o sonhar, o projetar o futuro e lutarmos pela sua concretização. Contudo, o passado não pode ser uma camisa-de-forças que nos impeça de livremente escrevermos cada dia a história das nossas vidas”, referiu Francisco Amaral. O autarca recordou a recente crise vivida em Portugal e que se fez sentir sobremaneira no concelho de Castro

Marim com um desemprego avassalador, “com muitas famílias com graves carências socioeconómicas, algumas em aflição extrema, o que nos levou a canalizar as atenções e os meios para esta situação de emergência social”. “Ainda que as dificuldades sejam enormes, o interior do concelho não poderá continuar esquecido e, perante o cenário de 57 povoações sem água potável, orientámos também a nossa atenção para a resolução desta carência tão essencial à vida humana. Criámos um programa de combate ao tabagismo, que além dos benefícios evidentes na área da saúde, aumentou significativamente a poupança económica de mais de duas centenas de famílias, muitas delas carenciadas. O estado degradante de muitas ruas e estradas deste concelho foi também

Francisco Amaral, presidente da Câmara Municipal de Castro Marim 11

ALGARVE INFORMATIVO #161


uma das prioridades deste executivo, daí termos pavimentado todas as ruas da Junqueira e do Monte Francisco, a estrada de acesso à Praia Verde, a entrada da Quinta do Sobral, a rua 25 de Abril e Dr. Alves Moreira, na vila de Castro Marim, as estradas da Casa Alta e dos Corvinhos, a Rua da Arrancada, ALGARVE INFORMATIVO #161

prometida há mais de 20 anos e que inauguramos hoje, e outras mais”, destacou. Francisco Amaral recordou a requalificação dos mercados de Castro Marim e Altura e da Igreja de Odeleite, bem como a construção do Edifício 12


Multifuncional de Empresas e do Centro de Intervenção, Desenvolvimento e Apoio à Freguesia de Odeleite, mas também os projetos de requalificação e pavimentação das ruas nas aldeias de Odeleite e Azinhal que irão para obra dentro de pouco tempo. “Estamos a avançar com projetos parcelares de renovação da rede de água e saneamento básico na sede do concelho, cuja rede tem mais de 50 anos e está completamente obsoleta. Terminaremos, dentro de poucos dias, a habitação social de Altura, cuja obra foi iniciada há uma dúzia de anos. Esperamos também, dentro de poucos meses, desenvolver um programa alargado de habitação, que tanta falta faz nos dias de hoje, com o intuito de ajudar a resolver o problema habitacional dos mais desfavorecidos e ajudar na fixação de novos casais”, adiantou o edil castromarinense, considerando ainda que o regulamento da ação social necessita de ser revisto, “para que se torne mais abrangente e criterioso, apoiando os munícipes e as famílias que realmente 13

necessitem, seja no apoio à natalidade, como no apoio ao arrendamento, à medicação para doenças crónicas, aos alunos, entre outros”. No seu discurso, o presidente da Câmara Municipal de Castro Marim destacou ainda os novos projetos de ciclovias a ligar Castro Marim a Vila Real ALGARVE INFORMATIVO #161


de Santo António e Castro Marim à Praia Verde, estando prevista outra ciclovia a ligar a vila de Castro Marim ao Monte Francisco, Junqueira e à Reserva Natural do Sapal. Mais projetos em mente são áreas de autocaravanismo para Altura e Castro Marim e um Centro de Atividades Náuticas na Barragem de Odeleite, bem como a rede de rega da várzea da Ribeira ALGARVE INFORMATIVO #161

de Odeleite. “Em Altura, requalificámos o recreio da escola e estamos a iniciar o projeto de requalificação da Rua da Alagoa e criámos um projeto de requalificação da envolvente da Casa do Sal, que prevê a ampliação do parque de estacionamento com arranjo paisagístico, assim como a criação de 14


condições dignas para a realização dos mercados mensais. Esta obra já tem a garantia de financiamento e aguardamos há mais de seis meses a concordância da oposição para poder avançar”, revelou Francisco Amaral. Na área do desenvolvimento económico, o edil sublinhou a construção de um hotel de quatro estrelas para breve em Castro Marim, assim como de um hotel ecológico na Maravelha, perspetivando-se igualmente o retomar dos investimentos turísticos da Verdelago, Quinta do Vale, Retur e Almada de Ouro. “Qualquer destes seis investimentos privados serão geradores de muita riqueza e emprego e projetarão Castro Marim como destino turístico de qualidade”, salientou. “Somos o único concelho português que não tem quartel de bombeiros. Neste momento já possuímos um posto do INEM no Azinhal, com a presença permanente de vários bombeiros, e estamos a avançar com uma estrutura para formação contínua de bombeiros e de agentes da proteção civil, também no Azinhal, no valor de cerca de meio milhão de euros, com financiamento já garantido. Há quatro anos e meio éramos também o município algarvio com menos funcionários autárquicos e alguns foram-se aposentando neste período, sem que estivéssemos autorizados a contratar novos elementos, o que agravou ainda mais a carência de meios humanos da autarquia”, indicou ainda o médico de profissão. Francisco Amaral lamentou, entretanto, os constrangimentos colocados ao executivo por si liderado na sequência da 15

perda de maioria na Câmara Municipal de Castro Marim, dando como exemplos concretos a paragem da Unidade Móvel de Saúde e do programa de combate à obesidade, a passagem de reuniões de câmara para semanais e, sobretudo, a retirada da maior parte das competências que detinha no anterior executivo, “caindo-se no ridículo de um licenciamento de um baile, de uma prova desportiva, da ocupação de espaço público por um carrossel, terem de ir obrigatoriamente como forma de proposta ao executivo, como se não houvesse assuntos verdadeiramente importantes para o executivo se ocupar”, criticou. “As reuniões de câmara tornaram-se inexplicavelmente uma «batalha campal», onde os assuntos estratégicos para Castro Marim e os castro-marinenses são adiados ou votados contra, o que resulta em pouca ou nenhuma produção útil para Castro Marim e para os castromarinenses. A criação artificial de obstáculos é uma constante, a saturação dos serviços administrativos é uma realidade, o atraso nos licenciamentos urbanísticos é diário, o esgotamento de alguns funcionários está a acontecer”, apontou. Preocupado está igualmente com a perda de fundos comunitários essenciais para a prossecução de importantes obras para a vida do concelho, motivo pelo qual Francisco Amaral apelou, novamente, ao bom-senso da oposição, “porque o que é importante é o desenvolvimento e o futuro desta terra e não os interesses ou os egos de cada um”. “Temos que dar as mãos e ALGARVE INFORMATIVO #161


lutar por objetivos comuns e consensuais, estratégicos de médio e longo prazo, sem descurar os dias de hoje. Sinto que este concelho, apesar das naturais dificuldades e de outras artificialmente criadas, vai ter um futuro risonho, com cada vez melhor oferta turística para quem nos visita e mais qualidade de vida para quem aqui vive”, terminou.

resultados desportivos de relevo em 2017, mas houve ainda um louvor especial ao Agrupamento Vertical de Escolas de Castro Marim. Depois, no exterior da Casa do Sal, assistiu-se à bênção da nova ambulância do INEM que estará colocada no posto de emergência médica do Azinhal, e ao autocarro inserido na «Linha Azul», que irá, a partir do dia 15 de julho, aproximar

A Sessão Solene do Dia do Município continuou com o reconhecimento do trabalho, empenho e dedicação de funcionários da autarquia e com as distinções às jovens bailarinas da ARUTLA e aos praticantes de futsal, artes marciais e atletismo que alcançaram

ALGARVE INFORMATIVO #161

16


os turistas e visitantes ao património material e imaterial do concelho. Terminada a Bênção, a comitiva viajou até à antiga Escola Primária de São Bartolomeu do Sul para a inauguração da «Estação d' Artes». O espaço foi reabilitado e vinha sendo ocupado pelas atividades da Universidade de Tempos Livres, mas passará agora a dinamizar também iniciativas ligadas às artes e design. “Pretende-se que o espaço possa acolher formação, tertúlias e exposições ligadas ao artesanato, etnografia, design, ilustração, costura, tecelagem, entre outros. Serão atividades organizadas e calendarizadas para o uso coletivo do espaço, onde ficarão teares antigos e máquinas de tipografia para que possam ser preservados e contemplados por quem visita a «Estação d' Artes». Ligados a este conceito estão os jovens empreendedores Liliana Bonança, com o projeto «A Tecelã», e Elias Gato, que para aqui transferiu as suas máquinas de 17

tipografia”, explicou a Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Filomena Sintra. “A «Estação d' Artes» é um espaço de permanência e desenvolvimento das artes e ofícios que combina juventude, criatividade, saúde, arte, magia e alma. Dá resposta a uma velha ambição da autarquia em criar um espaço onde seja possível acolher atividades ligadas aos ofícios tradicionais e à inovação, aos artesãos e jovens criativos, ao artesanato e ao design”, acrescentou. Inaugurada a «Estação d' Artes», o destino final da viagem foi a inauguração da requalificação da Rua da Arrancada, uma intervenção há muito solicitada pelos moradores do Barrocal, povoação pertencente à freguesia de Altura. Além da pavimentação da rua, antes em terra batida, foram construídas as infraestruturas de águas, esgotos e pluviais que se justificaram .

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

18


19

ALGARVE INFORMATIVO #161


ENTREVISTA

“VALOR DAS PROPINAS NUNCA PODE SER UM ENTRAVE À FORMAÇÃO DOS NOSSOS JOVENS”, DEFENDE PAULA VICENTE Texto:

ALGARVE INFORMATIVO #161 ALGARVE INFORMATIVO #161

Fotografia:

20 20


21 21

ALGARVE INFORMATIVO #161 ALGARVE INFORMATIVO #161


D

ecorre, até 16 de julho, a primeira fase de candidaturas para o ano letivo 2018/2019 nos três polos da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve (Faro/Portimão/Vila Real de Santo António) e a maior novidade, pelo menos aquela que salta mais depressa à vista, é a redução de 50 por cento do valor das propinas dos cursos de nível 4, ou seja, para os alunos que chegam com o 9.º ano

ALGARVE INFORMATIVO #161

de escolaridade e que permanecem neste estabelecimento de ensino durante três anos, de modo a completarem o secundário e obterem certificação que lhes possibilite ingressarem no Ensino Superior, caso assim o desejem. “O nosso objetivo é, de facto, atrair mais jovens para as áreas do turismo, da hotelaria e da restauração, um setor que tem ganho uma expressão ainda maior no tecido empresarial do Algarve nos últimos 22


Diretora da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve.

anos. E as propinas não podem, nunca, ser um entrave para que os jovens possam estudar nesta escola, que é pública, pertence ao Ministério da Economia. Existe, como é sabido, um sistema de apoios sociais ao longo do ano letivo, mas as famílias só ficam a saber a que tipo de ajudas vão ter direito depois do ano letivo já ter arrancado, em setembro ou outubro, o que pode funcionar como um travão às matrículas”, observa Paula Vicente, 23

Face a esta realidade, e com vontade de estar mais perto das famílias, decidiu-se então por esta medida que não abrange, todavia, os cursos de nível 5, isto é, de especialização tecnológica. Nesses casos, as propinas mantém-se iguais, mas a instituição dá aos alunos outras mais-valias, um kit de ofertas que pode incluir bens materiais, formação, experiências ou oportunidades de estágio, revela a entrevistada. “E a redução de propinas é retroativa, vai ter efeito igualmente sobre os alunos que já cá estão na Escola. Não seria justo que fosse de outra maneira, porque o cenário económico ainda não está tão estável em Portugal como seria desejável”, justifica Paula Vicente, acrescentando que a ideia de que estes cursos técnico-profissionais são um modo mais fácil de completar a escolaridade mínima obrigatória é puro engano. “Havia, de facto, essa noção, que nunca correspondeu à realidade, porque os alunos têm aqui as mesmas matérias que no ensino tradicional, a par de toda a componente técnica no restaurante, bar, cozinha ou pastelaria. Têm uma carga horária pesada e muitas atividades extra-aula que os obriga a meter a «mão na massa». São cursos difíceis por serem exigentes. A matemática terá, por exemplo, uma menor carga que nas escolas clássicas, mas no inglês sucede precisamente o contrário, porque existem outros conteúdos mais direcionados para os cursos que estão a frequentar”, esclarece a Diretora.

ALGARVE INFORMATIVO #161


Claro que, como em tudo na vida, há erros de casting, alunos que chegam à Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve e que depois percebem que não é bem aquele o rumo que querem dar à sua vida profissional, do mesmo modo que os formadores percecionam que aqueles jovens não têm o perfil mais indicado para uma carreira na área do turismo. “Contudo, a grande maioria dos candidatos vêm movidos por uma grande paixão”, garante Paula Vicente. “Na altura das entrevistas há jovens que nos dizem que sempre cozinharam em casa, que este é o sonho deles. Outros revelam que já tentaram entrar no anterior, não conseguiram, e voltam a tentar. Quando existe esta paixão é meio caminho andado para, no futuro, serem grandes profissionais”, acredita. A redução do valor das propinas não é, todavia, a única novidade para o próximo ano letivo, uma vez que a Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve está atenta ao que se passa no mercado, às novas tendências. “Não andamos atrás de modas, porque a formação de jovens não pode ser decidida dessa forma, mas ouvimos os empresários e tentamos que a nossa oferta curricular vá de encontro às necessidades do setor. Por isso, vamos voltar a ter o curso de Gestão e Produção de Pastelaria, que fazemos de dois em dois anos para não «inundar» o mercado com demasiados pasteleiros. É um curso de especialização de ano e meio, muito concentrado, que deixa os formandos aptos para integrarem de imediato o mercado de trabalho”, frisa Paula Vicente, alertando que a Pastelaria é uma área bastante específica. “Nem todo ALGARVE INFORMATIVO #161

o cozinheiro faz pastelaria e nem todo o pasteleiro gosta de cozinha e os empresários da hotelaria e restauração já perceberam que estamos a falar de perfis diferentes”. Outro curso que será implementado a partir de setembro é o de Turismo de Ar Livre, totalmente distinto do tradicional curso de Gestão de Turismo, mais virado para a natureza e atividades radicais, para o cycling, walking, tracking ou birdwatching. “Visa preparar profissionais para trabalhar em empresas que já estão implementadas no mercado ou para que dinamizem os seus próprios negócios. Acreditamos que o curso é uma mais-valia para o Algarve e oferece uma perspetiva diferente para aqueles jovens que, por vezes, ficam apreensivos quando pensam numa carreira dentro de um gabinete ou «fechados» nalgum edifício. Este é mesmo direcionado para o campo, para a natureza, para contatar diretamente com os clientes, e em vários idiomas”, esclarece Paula Vicente, avisando que não basta apenas às empresas ter pessoas simpáticas para receber os turistas que buscam os novos produtos de natureza. “É preciso dominar regras de higiene, segurança e salvamento, ter noções de orientação, geografia, meteorologia. Não se pode ser amador porque o mercado é exigente”.

Pastelaria e Turismo de Ar Livre são, então, as novas apostas da Escola de

24


Hotelaria e Turismo do Algarve, com 25 vagas em cada curso e duas fases de candidaturas, uma até 16 de julho, outra em setembro, com o ano letivo a arrancar a 27 de setembro, Dia Mundial do Turismo. Até lá temos mais um Verão e mais uma vez se sentirá a falta de recursos humanos na hotelaria e restauração, apesar do contributo dado por este estabelecimento de ensino. “Todos os formadores na área do turismo devem trabalhar no mesmo sentido, porque só junto é que conseguiremos chegar a bom-porto. A Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, sozinha, não consegue dar resposta às necessidades do mercado porque também tem as suas limitações físicas e não podemos ir além das 16/17 turmas. Estamos a falar de cerca de 300 alunos todos os anos, 90 deles em residência escolar para se tentar atrair alunos de outros pontos do país, mas isso é uma gota no oceano”, reconhece Paula Vicente.

25

Faltam profissionais para os estabelecimentos tradicionais, mas também para novas formas de negócio que, entretanto, surgiram no passado recente, nomeadamente na vertente do alojamento, o que leva a Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve a adaptar regularmente o seu plano curricular, confirma a Diretora. “Em 2017/2018 implementámos novos planos curriculares nos cursos de nível 5, com uma visão diferente do mercado e que tentaram aprofundar mais as valências e as aptidões comportamentais dos alunos, dar-lhes soft skills para que não sejam apenas bons tecnicamente. É um trabalho que continuará a ser feito porque os resultados têm sido positivos. Nos alunos mais novos, da dupla certificação, estamos a tentar que os cursos reflitam essa mudança, mas é uma revisão que demorará mais algum

ALGARVE INFORMATIVO #161


tempo. O certo é que, quem vai para o mercado de trabalho, sabe que precisa ter flexibilidade, que as coisas não são estanques, e que nem todos podem ingressar em grandes empresas. Há pequenos negócios que têm um grande impacto na sociedade atual e os jovens, felizmente, já têm uma forma de ver o mundo completamente diferente, mais digital”, observa, com um sorriso, Paula Vicente. Maior proximidade nota-se, igualmente, entre as empresas e a Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, logo a começar nos dois estágios em contexto de trabalho que os jovens devem realizar para concluírem os seus cursos. “Há muitas empresas que, quando gostam do desempenho dos alunos, lhes dizem logo que têm um contrato à sua espera quando terminarem os cursos. Por alguma razão temos uma taxa de empregabilidade de 90 por cento”, destaca a entrevistada, falando ainda da vertente de formação contínua de ativos para quem já está a trabalhar. “Quando há muita gente a pedir a mesma coisa é porque o mercado sente realmente essa necessidade e tentamos dar uma resposta adequada. Há pouco tempo houve uma enorme procura de formação em francês, agora estão-nos a pedir italiano”, conta. Neste contexto, entre alunos dos cursos de nível 4 e dos posteriores cursos de especialização, de formação contínua ou de reciclagem, a balança está mais ou menos equilibrada na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve. “Num ano letivo ALGARVE INFORMATIVO #161

normal temos nove turmas de nível 4 (Cozinha, Restaurante e Operações Turísticas), daqueles alunos mais novos que estão connosco três anos. Depois, temos quatro ou cinco cursos de nível 5, com uma duração de ano e meio, que são mais rotativos. A escola está sempre cheia, os mais velhos transmitem uma visão real do mercado aos mais novos e estes, por seu lado, como estão cá mais tempo, partilham a cultura da casa com os mais seniores. Nas escolas de 26


Portimão e Vila Real de Santo António mantêm-se a mesma oferta de nível 4 e 5, a de Portimão mais focada no F&B e a de Vila Real mais na área da Cozinha”, aponta Paula Vicente. E, como é óbvio, para haver formandos, são necessários formadores, o que nem sempre é fácil de arranjar, mas a Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve não padece muito desse mal. “Para além dos nossos formadores internos, temos formadores externos, pessoas que têm a 27

sua atividade profissional mas que reservam um, dois ou três dias por semana para partilharem o seu testemunho e experiência com os alunos. Curiosamente, estamos a conseguir ir buscar alguns ex-alunos, profissionais de créditos firmados na Cozinha, Restaurante e Bar, em posições de chefia, o que mostra aos alunos atuais que esta formação dá realmente resultados”, salienta a Diretora, em final de conversa .

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

28


29

ALGARVE INFORMATIVO #161


ENTREVISTA

A VIAGEM MUSICAL E VISUAL DA GRAFONOLA VOADORA & NAPOLEÃO MIRA Texto:

ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #161 #161

Fotografia:

30 30


31 31

ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #161 #161


N

o espaço de poucas semanas o nome «Grafonola Voadora» começou a fazer-se escutar em vários espaços e momentos da vida cultural do Algarve e rapidamente nos captou a atenção por ter, no seu seio, três nomes já bem conhecidos do Algarve Informativo: o cantautor Luís Galrito, o artista visual João Espada e o escritor, poeta e declamador Napoleão Mira. Antes mesmo de assistir aos vídeos do projeto que já deambulam pelo You Tube, havia confiança absoluta na qualidade artística da «Grafonola Voadora» e assim se chegou à conversa, num final de tarde de junho, no Tertúlia Café, em Loulé, antes do trio ir ensaiar. Assim ficamos a saber que o projeto nasceu de um desafio lançado por João Espada a Luís Galrito para os dois fazerem algo em conjunto, uma ideia que já vinha sendo matutada há alguns anos mas que ganhou contornos concretos aquando da iniciativa «Casa Animal» do Loulé Design Lab, na cerca do Convento de São José. “Foi uma experiência bastante interessante, um diálogo entre as músicas do Galrito e as minhas imagens, umas vezes pré-pensadas, noutras ocasiões num total improviso”, recorda João Espada. “Existia uma narrativa base, contudo, havia alturas em que tocava de acordo com o sentia no momento e o João ia lançando imagens a condizer. Só fizemos um ensaio uns dias antes”, acrescenta Luís Galrito. A performance foi muito elogiada e despertou na dupla a vontade de ir mais além, de aprofundar ainda mais este conceito de diálogo entre música e

ALGARVE INFORMATIVO #161

imagem. Faltava, portanto, uma voz e a escolha recaiu, de imediato, em Napoleão Mira, que por esses tempos andava na estrada com o projeto «12 canções faladas e um poema desesperado» com os Reflect. “Nesta fase da vida estou muito dedicado à minha faceta artística, nomeadamente à escrita e à declamação, e queria trabalhar com outros músicos e sonoridades, queria 32


correr outros riscos, pelo que acedi com imenso agrado ao convite do João e do Luís”, indica Napoleão. “No fundo, o espetáculo da «Grafonola Voadora» conta a história de alguém que deixa a cidade e procura o refúgio no campo, na serra e no mar e, depois, regressa à cidade. Durante esta viagem vamos ao encontro do património imaterial de cada espaço e fazemos um retrato sobre as tradições e raízes alentejanas e 33

algarvias. No projeto estão incluídos também dois temas do João Frade e do Ricardo Martins, que participam virtualmente nos espetáculos”, conta ainda João Espada. Ao encontro desta filosofia vão os textos escritos de propósito por Napoleão Mira, mas também outros que tinha na gaveta e que sofreram algumas alterações, enquanto Luís Galrito ALGARVE INFORMATIVO #161


assume a narrativa musical da «Grafonola Voadora», numa faceta bem distinta daquela que deu a conhecer enquanto interpretava o repertório de Zeca Afonso. “Retratamos a história de vida de um indivíduo que é semelhante a muitos de nós, que vai do campo para a cidade e depois regressa às origens. Depois, descobre que também já não é dali, que é, afinal, de lugar nenhum”, descreve Napoleão Mira. “Estamos muito «ilusionados», como dizem os espanhóis, com bastante ambição de levar este projeto a vários sítios e, felizmente, já temos praticamente agendados um espetáculo por mês até final do ano, sem termos feito praticamente nenhuma divulgação”, prossegue o escritor alentejano. Alentejano é, igualmente, Luís Galrito, que se despegou, definitivamente, da figura do mítico Zeca Afonso e regressou, também ele, às suas origens, aqui musicais. “Quando comecei a estudar piano no conservatório, as minhas maiores influências eram sons mais psicadélicos e progressistas, rock sinfónico, uma música cinematográfica que nos transporta para outros imaginários e que funciona muito ao improviso”, revela. Um improviso que, por vezes, complica a vida de João Espada, responsável pela componente visual e pela sonoplastia da «Grafonola Voadora». “No início do projeto criei uma narrativa visual e o Luís ia depois ao encontro da história com a sua música. Com a entrada do Napoleão, o processo inverteu-se, ou seja, eles dão o «pontapé-de-saída» com as suas músicas e textos e eu ilustro, com quadros visuais, a maneira como vejo as palavras ALGARVE INFORMATIVO #161

34


que são ditas e as músicas que são tocadas. Com a particularidade de que tudo é feito ao vivo, no momento, não é um vídeo levado de casa e onde simplesmente se carrega no «play» no início de cada tema”, sublinha João Espada. A história está escrita, as imagens e as músicas estão criadas, contudo, depressa o trio percebeu que seria difícil manter a narrativa exatamente igual de atuação para atuação, porque a dinâmica é diferente consoante o próprio estado de espírito de João Espada, Luís Galrito e Napoleão Mira. E o próprio elenco em cima do palco pode variar, adianta o poeta. “Convidamos, sempre que possível, um grupo coral, neste caso «Os Ganhões de Castro Verde», para atuarem connosco ao vivo, dá logo outro impacto. Quando tal não acontece, são mais um artista virtual do concerto, como o João Frade e o Ricardo Martins”, conta Napoleão Mira, com Luís Galrito a confirmar que o espetáculo da «Grafonola Voadora» dá uma tremenda “trabalheira”. “Antigamente, agarrava na guitarra e dizia à mulher que ia ali e já voltava. Às vezes levava também o teclado, mas era tudo simples. Agora, demoramos duas horas para montar tudo. Com este projeto tive que aprofundar os meus conhecimentos de eletrónica e programação, porque conjugo sons previamente gravados com o que estou a tocar no momento. É uma imensidão de coisas, o que torna o desafio muito aliciante”, declara o músico, de olhos brilhantes.

35

ALGARVE INFORMATIVO #161


No meio de toda esta complexidade pode parecer que quem tem menos «trabalheira» é Napoleão Mira, mas puro engano, porque “escrever dói muito”, garante o poeta e declamador, com João Espada a assegurar que a presença de

ALGARVE INFORMATIVO #161

Napoleão é o que marca a diferença na «Grafonola Voadora». “Esta simbiose entre música experimental, a palavra dita e a imagem tocada é o que torna este projeto diferente do que estamos habituados a ver. Assim como os três convidados, virtuais ou não, são outra mais-valia, com o João Frade a interpretar a «Alma Algarvia» ao acordeão, o Ricardo Martins a tocar «O 36


gente atrás do baixo e da bateria. Aqui, provavelmente serei eu a marcar o ritmo com a maneira como digo os poemas. Eles vão atrás de mim mas, às vezes, até me passam à frente e depois tenho eu que correr para os apanhar”, confessa, com uma risada. “Ao vivo, as coisas têm uma respiração própria, o público influencia, os nossos sentimentos do momento fazem com que andemos mais depressa ou de forma mais pausada. Essa eletricidade que circula entre nós três e que depois anda para a frente e para trás entre os artistas e o público é que torna os espetáculos mágicos”, entende Napoleão Mira. “A «Grafonola Voadora» é o reflexo de nós. O Luís e o Napoleão são o Alentejo e eu revejome muito no Alentejo. Eles são Algarve e eu sou algarvio. Somos os três da cidade, mas perto do campo e do mar”, refere João Espada. “No fundo, somos de todo o lado e de lado nenhum. Todos nós procuramos encontrar um sítio onde nos sentimos bem e, se não conseguirmos estar em equilíbrio com o local onde vivemos, nunca vamos ser felizes”, reforça ainda Luís Galrito.

Corridinho Pastor» à guitarra portuguesa e «Os Ganhões de Castro Verde», que são um prazer enorme ouvir ao vivo”, frisa o mentor da «Grafonola Voadora». Atuações que depois vão andando um pouco ao ritmo de Napoleão Mira, já que este raramente declama um texto da mesma forma. “Normalmente, quando existe uma secção rítmica, vai toda a 37

O conceito não é totalmente novo, mas é diferente, pelos motivos já explicados, e a reação do público tem sido francamente positiva nos espetáculos já realizados, embora o trio tenha perfeita consciência que a «Grafonola Voadora» não é um produto cultural para grandes massas. “Falamos de um nicho de pessoas que se querem disponibilizar para correr o risco de ir à descoberta. A esmagadora maioria das pessoas, quando vai ver um concerto, ALGARVE INFORMATIVO #161


está interessada em ouvir os temas que já tem na cabeça, é algo inerente ao ser humano. A «Grafonola Voadora» é uma cena nova e, no fim, vêm ter connosco a garantir que deram o seu tempo por bem empregue. Algumas pessoas confessam que foram empurradas para o concerto, que pensavam ter pela sua frente uma grande seca e, afinal, divertiram-se imenso”, relata Napoleão Mira. A próxima subida a palco da «Grafonola Voadora» acontece já no dia 14 de julho, em Quarteira, com Ricardo Martins e «Os Ganhões de Castro Verde» também presentes, faltando apenas João Frade por se encontrar, nessa data, em digressão com Mariza. Segue-se, a 16 de agosto, espetáculo no Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira; a 22 de setembro no Festival Iminente, em Lisboa; em setembro ou outubro nova atuação no Museu do Traje em São Brás de Alportel; depois, em outubro ou novembro, na Baixa ALGARVE INFORMATIVO #161

da Banheira, pelo Círculo de Animação Cultural de Alhos Vedros e também no Armazém 8, em Évora; a 3 de novembro, é a vez da Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe receber o projeto, no âmbito do DiVaM da Direção Regional de Cultura do Algarve. “Estão outros músicos na calha para integrarem, virtualmente, a «Grafonola Voadora», simplesmente ainda não tive oportunidade para estar com eles de modo a perceber qual o melhor enquadramento para eles no projeto e para os gravar. Haverá novidades, no futuro muito próximo, nesta jornada da «Grafonola Voadora», porque estamos realmente no início. Começamos a ensaiar em janeiro, tivemos o primeiro espetáculo em maio, em Olhão, e agora já não paramos”, garante João Espada, antes de seguirem para mais um ensaio no estúdio de Luís Galrito .

38


39

ALGARVE INFORMATIVO #161


REPORTAGEM

TRÊS QUARENTONAS À SOLTA NO TEATRO DAS FIGURAS Texto:

ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #161 #161

Fotografia:

40 40


41 41

ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #161 #161


D

epois do estrondoso sucesso de «Confissões das Mulheres de 30», Ana Brito e Cunha, Fernanda Serrano e Maria Henrique voltaram a juntar-se, volvida uma década, para protagonizar a hilariante comédia «40 e Então?», que tem esgotado várias temporadas desde a sua estreia, em 2014. A peça foi a cena, no dia 21 de junho, no Teatro das Figuras, e a principal sala de espetáculos de Faro esgotou, como seria de esperar. Em palco, as atrizes dão corpo, voz e alma a textos seus e de autoras como Ana Bola, Helena Sacadura Cabral, Sónia Aragão, Sílvia Baptista, Inês Maria Meneses, Rita Ferro, Leonor Xavier e Rute Gil, sob a direção de Sónia Aragão. O objetivo é assumir a vida sem tabus ou adoçante, retratando os dramas, as ilusões e as desilusões das mulheres com 40 anos. “Isto porque, aos 40, as mulheres já não são como eram. A vida mudou e elas também. Como é que vêm o amor? O sexo? A solidão? O envelhecimento? Ou até a forma como lidam com os filhos? São muitas perguntas para uma única resposta: com muita garra, determinação e um imenso sentido de humor”, descreve a produção .

ALGARVE INFORMATIVO #161

42


43

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

44


45

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

46


47

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

48


49

ALGARVE INFORMATIVO #161


REPORTAGEM

AUREA E BERTÍLIO SANTOS AQUECERAM NOITE DE QUARTEIRA Texto:

ALGARVE INFORMATIVO #161

Fotografia:

50


51

ALGARVE INFORMATIVO #161


Cine-Teatro Louletano encerrou a primeira temporada da sua programação de 2018 «fora de portas», no dia 22 de junho, com um estrondoso concerto de Aurea e Bertílio Santos em Quarteira, no Jardim Filipe Jonas. Aurea trouxe na bagagem alguns temas do seu novo disco, «Confessions», ao passo que Bertílio cantou em casa, pois é um jovem nascido e criado em Quarteira e à procura do seu espaço no panorama musical. Acima de tudo foi um reencontro feliz e cúmplice, depois de Bertílio ter integrado a equipa de Aurea na edição de 2016 do programa «The Voice», e que motivou mesmo uma encomenda, feita no âmbito do ciclo musical «O Longe é Aqui», pelo Cine-Teatro aos dois intérpretes para revisitarem e reinventarem os seus repertórios, ambos muito marcados pelos universos da pop e da soul.

O ALGARVE INFORMATIVO #161

52


53

ALGARVE INFORMATIVO #161


Aurea queria ser atriz e, em 2005, frequentou o curso de Teatro da Universidade de Évora, onde o amigo Rui Ribeiro descobriria o seu dom para a música. O seu talento já foi reconhecido na gala Globos de Ouro, em 2011, onde lhe foi atribuído um galardão na categoria de «Melhor Intérprete Individual», ano em que venceu também a categoria «Best Portuguese Act» dos prémios MTV Europe Music Awards. Lançou, em 2016, o álbum «Restart», produzido por Cindy Blackman e Jack Davies e gravado em Las Vegas, a que se seguiu, já em 2018, o novíssimo «Confessions». Bertílio Santos nasceu no seio de uma família ligada aos negócios do peixe e com uma forte presença e amparo dos avós no seu percurso. O interesse pela música começou desde cedo e aos seis anos já fazia parte do coro da igreja de São Pedro do Mar, cantando aos domingos na missa da manhã. Participou no programa «Factor X» em 2014, depois, em 2016, no programa «The Voice», tendo chegado à fase das galas. A trabalhar no seu primeiro projeto discográfico, compondo e laborando em estúdio, Bertílio é um sucesso à beira de «explodir» mas, até lá, conserva toda a sua humildade e continua a trabalhar no negócio dos avós . ALGARVE INFORMATIVO #161

54


55

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

56


57

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

58


59

ALGARVE INFORMATIVO #161


REPORTAGEM

MOURA ENCANTADA VOLTOU A SER VISTA NAS MURALHAS DO CASTELO DE TAVIRA Texto:

ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #161 #161 ALGARVE

Fotografia:

60 60


61 61

ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #161 #161


I

nserido nos festejos do Dia do Município de Tavira e dos Santos Populares, a «Armação do Artista» voltou a realizar, na noite de 23 de junho, um ensaio em torno da lenda da Moura Encantada, no Castelo de Tavira. Foi o sexto ano que esta estrutura cultural promoveu a envolvência da própria comunidade no ato criativo e o resultado foi, de facto, de grande qualidade, para satisfação das centenas de pessoas que encheram o espaço a céu aberto, sob a luz das estrelas, em frente ao imponente monumento da cidade do Rio Gilão. O enredo começa numa normal sala de aulas, onde uma professora explica aos seus alunos a antiga crença de que na cidadela mourisca da Cidade de Tavira, à meia-noite da noite de São João aparece, sobre o terrado da muralha do Castelo de Tavira, uma formosa moura, ansiando pelos amores de um cavaleiro que lhe possa quebrar o encanto. Diz-se que a jovem era a filha de Aben-Fabila, o governador mouro que fugiu aquando da conquista de Tavira pelos cristãos liderados por D. Paio Peres Correia. Antes disso, porém, encantou a filha para que os soldados dela não abusassem, com a promessa de regressar para reconquistar a cidade e a resgatar. Contudo, tal nunca veio a acontecer. A lenda conta igualmente a história de D. Ramiro, cavaleiro cristão que se apaixonou pela moura encantada, precisamente numa noite de S. João, pela sua extraordinária beleza, mas também pela infelicidade da sua situação. Perdido de amores, resolveu subir ao castelo para a desencantar, mas a escala dos muros ALGARVE INFORMATIVO #161

62


63

ALGARVE INFORMATIVO #161


demorou tanto que, quando finalmente chegou ao topo, já o sol brilhava no céu e tinha passado a hora de se almejar o desencanto. A frustração do jovem cavaleiro foi de tal ordem que batalhou com tremenda fúria os mouros, mas nunca chegou a reencontrar a sua moura encantada. Ainda hoje a noite de São João é bastante festejada em Tavira e, mal se escutam as 12 badaladas, todos recordam a moura encantada que surgirá dos muros do Castelo de Santa Maria. E assim aconteceu, novamente, no dia 23 de junho, com a história a ser interpretada por um extenso elenco composto por Ana Bundaru, Andreia Miranda, António Costa, Ana Palmeira, Carla Ferreira, Carlos Silva, Celso Candeias, Clara Soares, Cristina Martins, Débora Caldas, Francisca Esteves, Frederica Esteves, Hélder Pires (músico), Henrique Vicente, Isadora Santos, Irina Marques, Joaquim Santos, Jorge Pereira, Leonardo Fortes, Lourenço Brito da Mana, Liliana Viegas (cantora), Lurdes Horta, Maria João, Maria Luísa Francisco, Maria Nunes, Maria Odete Correia, Noémia Veríssimo, Paula Gomes, Pedro Antunes (músico), Pedro Viegas, Rita Silva, Rui Cabrita, Santiago Beldade, Samira Pires, Samuel Viena, Sara Martins, Sidónio Fortes, Tái Pindsls, Teresa Afonso, Valentim Fortes, Vanessa Palma, Vera Beldade, Verónica Palma, Violeta Weitz e Vítor Martins. A Direção Artística, Texto e Encenação estiveram a cargo de Vítor Correia, sendo que a música da «Lenda da Moura Encantada» é da autoria de Paulo Barrosa. A Cenografia foi de Ângelo Gonçalves, a Montagem Cenográfica de Ângelo Gonçalves, Celso Candeias e Vítor Correia, o Desenho de Cena de Vítor Correia e o Desenho de Luz e Som de Stelmo Barbosa . ALGARVE INFORMATIVO #161

64


65

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

66


67

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

68


69

ALGARVE INFORMATIVO #161


REPORTAGEM

CINE-TEATRO LOULETANO REGRESSA EM SETEMBRO COM PROGRAMAÇÃO ARROJADA Texto:

ALGARVE INFORMATIVO #161

70


71

ALGARVE INFORMATIVO #161


T

erminada a primeira temporada de 2018 com o fantástico concerto de Aurea e Bertílio Santos em Quarteira, o Cine-Teatro Louletano também já deu a conhecer a nova temporada de programação artística (setembro a dezembro de 2018), que reflete uma sempre renovada vontade da sua equipa de prosseguir e consolidar o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos ao nível da formação de públicos, do envolvimento da comunidade e da apresentação de uma oferta cultural pautada pela exigência, qualidade, diversidade e inovação das suas propostas, posicionando o Cine-Teatro como uma sala de referência no Sul do país. Desde logo com uma aposta muito forte na área da Música, em que se destacam as estreias nacionais, em Loulé, dos novos discos de Samuel Úria e de Luís Galrito. A variedade de estilos e estéticas patenteiase ainda na apresentação de concertos que vão dos Blind Zero (acústico) à Banda Sinfónica Portuguesa e à Orquestra Clássica do Sul, esta última integrada no novo ciclo «Clássicos na Avenida» (uma coprodução entre a Orquestra Clássica do Sul, o Cine-Teatro e o Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa). O Fado, Património Imaterial da Humanidade, voltará a marcar presença nesta grelha programática com mais uma Gala dos Fadistas Louletanos, valorizando e promovendo os talentos do Concelho ligados a esse universo musical. Uma das principais linhas que tem norteado a estratégia de programação do Cine-Teatro tem sido precisamente a de, através de encomendas artísticas, proporcionar encontros inéditos entre

ALGARVE INFORMATIVO #161

talentos locais louletanos e reconhecidas figuras do panorama musical nacional. No âmbito do ciclo «O Longe é Aqui» já foram realizados, desde 2016, 12 concertos e nesta temporada estão previstos mais dois espetáculos cujo mote é, mais uma vez, o diálogo e reinvenção de repertórios musicais de parte a parte: o singular projeto «Fad’Nu» (de José Alegre, docente no Conservatório de Música de Loulé, e Cátia Alhandra) com o intérprete e compositor Berg, vencedor da primeira edição do programa «Factor X» em 2014; e o inspirador músico 72


73

ALGARVE INFORMATIVO #161


Tatanka (da banda The Black Mamba) com a talentosa cantora Ana Newton. Destaque ainda para dois concertos muito especiais: Avishai Cohen Trio e Sérgio Godinho com a Orquestra Clássica do Sul (OCS). Cohen é uma referência mundial no contrabaixo de jazz/fusão e a sua vinda a Loulé demonstra assim a vontade do Cine-Teatro de ter uma dimensão também crescentemente internacional na sua programação regular. Aliás, a presença de Avishai Cohen em Portugal para uma digressão com apenas quatro datas (sendo Loulé a única cidade no Sul do país contemplada) partiu precisamente de um desafio lançado pelo Cine-Teatro Louletano à produtora UGURU no âmbito do Misty Fest 2018. O aguardado espetáculo do prestigiado Sérgio Godinho com um ensemble da OCS – que vai centrar-se, em grande medida, no seu último e aclamado disco «Nação ALGARVE INFORMATIVO #161

Valente» (o 18.º álbum de estúdio) – resulta, mais uma vez, de uma encomenda artística feita pelo CineTeatro no sentido de apresentar ao seu público uma abordagem musicalmente diferenciadora e reinventada, de inequívoco valor acrescentado. Uma palavra ainda para a prossecução da rubrica «Dos Sabores da Cultura», em que os prazeres do corpo (neste caso a gastronomia local) juntam-se aos prazeres do espírito (música) para uma tertúlia informal e intimista, com convidado e público juntos em palco, e que nesta temporada tem como figura central o professor e músico José Maria Vaz de Almeida (mais conhecido por «Zé Maria»), há muito radicado no Concelho de Loulé e um dos fundadores, em 1975, da Brigada Victor Jara. Na outra rubrica que é dedicada à reflexão e debate sobre temas ligados à 74


atualidade, «Conversas à Quinta», o CineTeatro acolhe Manuel Rocha, músico, docente e investigador, para falar dos desafios em torno do ensino da Música em Portugal, de políticas culturais e dos velhos e novos caminhos da música tradicional – 75

também ele integrante da Brigada Victor Jara e atualmente desempenhando a função de diretor pedagógico do novo Conservatório de Música de Loulé «Francisco Rosado»

ALGARVE INFORMATIVO #161


instalado no restaurado edifício do Solar da Música Nova, que abrirá ainda este ano. Na área do Teatro, duas propostas inquietantes e questionadoras inseridas no ciclo «Estórias silenciosas» (dedicado à apresentação de propostas performativas ligadas a temas atuais nas áreas social, política e cultural) e em absoluta estreia no Sul do país: o espetáculo «Amazónia», da prestigiada companhia Mala Voadora, que se centra numa novela ecológica e que aborda a preocupante realidade da sustentabilidade planetária ao nível ambiental, a qual nos toca a todos – estando esta apresentação alinhada com as preocupações do executivo louletano patentes na Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC) iniciada em 2015; e a criação «Erêndira! Sim, avó…», pelo Teatro A Barraca, que tem como pano de fundo a realidade da exploração sexual de menores na Colômbia profunda a partir de um texto do Prémio Nobel da Literatura Gabriel ALGARVE INFORMATIVO #161

García Márquez. Somam-se a estas duas propostas uma terceira, de cariz multidisciplinar, igualmente englobada no ciclo «Estórias silenciosas», intitulada «Canas 44», da autoria da dinâmica associação Amarelo Silvestre, que coloca a questão do que está a desaparecer em Portugal na perspetiva das vivências de duas cidadãs-artistasmães-mulheres a viver em Canas de Senhorim (distrito de Viseu). O Cine-Teatro continua a privilegiar a estreia no Algarve de espetáculos de dança contemporânea de reconhecidas companhias e criadores nacionais e nesta temporada apresenta uma criação de Victor Hugo Pontes, um dos mais apreciados coreógrafos da nova geração, a partir d’A Gaivota, de Anton Tchékov: «Se alguma vez precisares da minha vida, vem e toma-a». Já o Quorum Ballet regressa ao Cine-Teatro para estrear, em terras algarvias, o seu espetáculo «Saudade – back to Fado», 76


uma abordagem interdisciplinar, entre dança, música e performance, que representa, no fundo, um apaixonante regresso à origem, banhado por uma portugalidade bebida em grande medida (mas não só) na obra literária de Luís de Camões. O envolvimento da comunidade escolar não é obviamente esquecido, quer com uma criação que vai diretamente ao encontro dos conteúdos programáticos oficiais, «Para lá do mar de Sophia», propondo assim o Quorum Ballet uma releitura da obra de uma escritora maior, Sophia de Mello Breyner, quer com um espetáculo que mais uma vez apela à sensibilização ecológica através da arte, «Marinho», da performer Margarida Mestre. Esta última criação, em torno da temática e imaginário marítimos, revela mais uma vez a aposta do Cine-Teatro em usar as artes performativas e a educação

77

informal como instrumentos para a defesa de causas ambientais. Além disso, este projeto, que se desdobra em vários formatos (espetáculo para vários públicos, oficinas prévias nas escolas e conferências informais), resulta de uma iniciativa e coprodução inéditas entre sete programadores a nível nacional (Cine-Teatro Louletano, Fábrica das Artes/CCB, Centro de Arte de Ovar, Culturgest, São Luiz Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto e Teatro Viriato), que se juntaram para esta encomenda artística à reconhecida Margarida Mestre e sua equipa de colaboradores. A parceria com criadores e estruturas artísticas sediados na região algarvia é igualmente uma linha de força da programação do Cine-Teatro, estando previstas duas residências artísticas e um laboratório no âmbito da

ALGARVE INFORMATIVO #161


colaboração com o festival transdisciplinar Verão Azul, organizado pela inquietante associação CasaBranca (Lagos). A residência de Raquel André (que regressa ao Cine-Teatro depois de ter apresentado aqui o projeto «Coleção de Amantes») consiste no envolvimento de artistas locais e ativistas-artistas que tenham nos seus processos criativos preocupações políticas e estéticas sobre a atual situação do mundo. O reconhecido Gustavo Círiaco (Brasil), por seu lado, propõe uma residência artística que, trabalhando com crianças e idosos, enfoca na questão da memória e das paisagens que já não existem. Em ambos os casos haverá apresentações públicas no final das residências. Já o laboratório, que se irá dividir entre Loulé e Faro, incidirá numa temática de grande pertinência para a região algarvia: as práticas criativas em contextos periféricos.

ALGARVE INFORMATIVO #161

O Cine-Teatro integra, como um dos coordenadores (juntamente com o Teatro das Figuras, em Faro), a Rede Azul – Rede de Teatros do Algarve e a sua programação também pretende refletir essa concertação programática que tem vindo a ser construída gradualmente ao longo dos últimos dois anos entre as várias salas da região. Neste âmbito, dez dos seus membros, em colaboração também com a Direção Regional de Cultura do Algarve, juntaram-se para realizar uma encomenda artística inédita a reconhecidos artistas naturais da mesma (João Frade, Rafael Correia e a louletana Ana Perfeito): a apresentação de uma criação original, «Moda Vestra», que consiste numa releitura contemporânea, de cariz interdisciplinar, do universo da música tradicional algarvia, a qual irá itinerar

78


pelos vários teatros algarvios em 2018/2019. De salientar ainda, em termos de estratégia programática, a continuação da aposta, iniciada em 2017, na área da arte para a primeira infância (bebés, pais e profissionais que trabalham com esta faixa etária), através da parceria com as mais prestigiadas estruturas artísticas a nível nacional que trabalham neste campo – a Companhia Musicalmente e a Companhia de Música Teatral –, que se concretizará, nesta temporada, mais uma vez na 79

apresentação regular de espetáculos diferenciadores e inovadores, de cariz multidisciplinar e acentuada contemporaneidade; e na continuação da aposta na dimensão formativa – lacuna grande existente na região – dirigida a profissionais do meio e outros interessados. A Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve e as creches e jardins-de-infância do Concelho de Loulé serão, mais uma vez, parceiros privilegiados deste objetivo .

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

80


81

ALGARVE INFORMATIVO #161


REPORTAGEM

TREINAR A SAÚDE MENTAL

N

os dias de hoje torna-se, cada vez mais, imperativo aliar à saúde ferramentas de transformação que auxiliem à reposição do bem-estar das pessoas. O Coaching é uma dessas ferramentas e o Coach atua quase como um construtor do Bem-Estar. Mas, afinal, o que é o Coaching e como surgiu? O Coaching, embora seja uma palavra de origem inglesa, surgiu na Hungria, onde o termo «kocsi» era usado para designar as carruagens do século XVI. Os Coaches

ALGARVE INFORMATIVO #161

eram os condutores das carruagens e conduziam as pessoas ao destino desejado. Mais tarde, por volta de 1850, a mesma designação de Coach foi dada aos professores e mestres de Oxford, que ajudavam os alunos a passar nos exames transmitindo-lhes conhecimentos. Com o passar dos anos começa a ser um termo usado também no desporto, onde a função do Coach era levar os atletas a alcançar os seus objetivos. Já no século XX, o Coaching começa então a ter uma grande visibilidade e cada vez mais 82


credibilidade no meio empresarial, capacitando líderes e melhorando resultados.

potencial do Coachee, potencial esse que muitas vezes ele desconhece.

Em síntese, nos dias de hoje, e num contexto simplificado, Coaching é um processo que nos permite progredir a caminho dos nossos objetivos. Num processo de Coaching é possível explorar o «mapa-mundo» do coachee (pessoa que procura o Coach) que muitas vezes está sub-explorado, pois muitas vezes a pessoa conhece, na melhor das hipóteses, só uma estratégia, só um caminho, para chegar às soluções, para chegar do ponto A (a sua

No campo da saúde propriamente dito, o Coaching é um aliado fundamental. O Coach vai auxiliar ao autoconhecimento e à motivação dos coachees para atingirem o bem-estar e o equilíbrio, para tornarem realidade uma vida mais saudável. Através de técnicas de desenvolvimento pessoal, tais como a PNL e as perguntas poderosas do Coaching, da meditação, treino mental e inteligência emocional, entre outras, vai ajudar o coachee a

realidade) ao ponto B (o estado desejado), e esse caminho de alguma forma não se concretiza ou não a satisfaz. É também função do Coach maximizar as capacidades, expandir os horizontes e o

perceber o seu estado atual de saúde, para além das crenças e limites que ele se impõe a si próprio na altura de seguir as indicações e tratamentos médicos. Esses tratamentos nem sempre são

83

ALGARVE INFORMATIVO #161


fáceis de colocar em prática, devido a hábitos e padrões de comportamento enraizados, pelo que o trabalho do Coach passa por ajudar a desconstruir esses padrões e hábitos e construir novos que sejam saudáveis e ajudem o coachee a chegar ao equilíbrio, ao bem-estar físico, mental e espiritual.

acreditam não serem capazes de ultrapassar. O Coach vai ajudar a ressignificar esses desafios e a diminuílos.

O Coach funcionará como um potenciador do equilíbrio mental dos pacientes, que, por sua vez, influenciará a saúde física, monitorizada sempre por profissionais de saúde. Ele vai mostrar o caminho a seguir para a adoção de novos comportamentos e hábitos saudáveis.

espaço de tempo. O trabalho de levar os coachees a realizar ações nesse sentido é alicerçado em cinco etapas fundamentais: Foco, Planeamento, Ação, Melhoria Contínua e só depois os Resultados.

Frequentemente, aos olhos dos coachees as mudanças de hábitos que têm de implementar devido a problemas de saúde, tomam proporções gigantescas que ALGARVE INFORMATIVO #161

O processo de Coaching desenvolve-se em várias sessões e, havendo compromisso e responsabilização, traz aos coachees resultados num curto

É um desafio que varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas têm como principal desafio manter o Foco. Outras têm Foco mas não têm desenvolvida a capacidade de Planear, sabem o que 84


querem, embora não saibam como chegar lá. Outras ainda têm Foco, Planeamento, mas não entram em ação. E, finalmente, outras há que entram em ação mas param ao primeiro obstáculo ou desafio. O Coach vai, pois, ajudar a pessoa a chegar aonde quer e é essa uma das razões que me levou a apaixonar-me por esta área de trabalho. Cada vez mais existe informação e meios para ajudar ao (re)equilíbrio da saúde física das pessoas. No essencial, o verdadeiro bem-estar passa pelo equilíbrio da saúde física, mental e espiritual e cada vez mais existe consciencialização das pessoas para essa necessidade. É frequente ver pessoas a recorrer a retiros espirituais, a terapias de grupo, a viagens transformadoras com um grupo de desconhecidos acompanhados por um Coach e outros profissionais, nomeadamente na área da saúde física e mental.

85

A necessidade de autoconhecimento, a vontade de nutrição mental, a responsabilização pelo bem-estar de cada um, levam à tomada de consciência e ao despertar para novas formas de pensamento e novas atitudes na vida. As áreas dos processos e terapias mentais e espirituais nunca estiveram tão perto do sistema de saúde tradicional como agora e, arrisco-me a dizer, terão cada vez mais um papel fundamental: não como substituto, mas sim como aliado no propósito comum que é o equilíbrio, a vida saudável, o bem-estar . Texto: Coach, Hipnoterapeuta e autora do livro «Chega Aonde Quiseres» coach@infinitoproject.com www.infinitoproject.com Um contributo da Associação Semear Saúde

ALGARVE INFORMATIVO #161


REPORTAGEM

ESTUDO: PROBIÓTICOS E O TRANSTORNO DO DÉFICE DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE Por: Vera Belchior (Naturopata) Um contributo da Associação Semear Saúde

A

tualmente estamos bem conscientes da conexão intestino-cérebro, como tal, colocou-se a hipótese:

“Será que a suplementação com probióticos pode reduzir o risco de transtornos mentais em crianças, incluindo nas desordens de tdah e do espectro do autismo?”

ALGARVE INFORMATIVO #161

Há uma quantidade crescente de estudos que indicam que as alterações do tipo de bactérias que vivem no nosso trato gastrointestinal podem influenciar a função do cérebro, o humor e a saúde mental de forma geral. E este estudo que apresento aqui é o primeiro a demonstrar que a suplementação com probiótico no início da vida pode ser uma forma eficaz de reduzir a crescente onda de distúrbios cerebrais em 86


crianças, tais como o caso do transtorno de hiperatividade, défice de atenção e espectro autista. A teoria é que níveis baixos de bactérias intestinais benéficas, como a Lactobacillus e a Bifidobacteria, nas crianças levam a um aumento das bactérias produtoras de toxinas, tais como espécies de Clostridium. Para testar a hipótese de que a suplementação com probióticos pode proteger contra o desenvolvimento de TDAH, os pesquisadores na Finlândia olharam mais de perto para um estudo que foi originalmente concebido para testar o efeito da suplementação precoce com probiótico na infância no desenvolvimento de eczema. O estudo foi desenhado para ser duplo cego e controlado por placebo. Assim, as mães de 159 crianças foram recrutadas e randomizadas. Foi-lhes dado a tomar 10 bilhões de unidades formadoras de colónias de Lactobacillus rhamnosus ou placebo diariamente durante quatro semanas antes do parto. Após o parto, foi dado o conteúdo da cápsula, às crianças ou às mães que estavam a amamentar, durante um período de seis meses. Para analisar uma possível ligação entre a suplementação de probiótico e o TDAH, 75 dessas crianças foram avaliadas por um psiquiatra infantil experiente ou neurologista não envolvido no estudo e as crianças foram randomizadas e «cegadas» de modo a não produzirem qualquer estudo viés. Os resultados mostraram que o TDAH foi diagnosticado em 6/35 (17,1 por cento) das crianças que se encontravam no grupo placebo, enquanto que nenhum caso foi diagnosticado no 87

grupo que se encontrava a tomar o probiótico (0/40). A probabilidade de isso acontecer foi de 0,008, indicando que não foi devido ao acaso, mas sim de um efeito claro. Como as amostras de fezes foram armazenadas, os pesquisadores foram capazes de analisar as crianças pelas bactérias intestinais durante os primeiros seis meses de vida. O que os pesquisadores descobriram foi que o número de bactérias de espécies de Bifidobacterium nas fezes durante os primeiros seis meses de vida foi menor nas crianças com TDAH em comparação com as crianças saudáveis. Os pesquisadores concluíram que “a suplementação com probióticos no início da vida pode reduzir o risco de desenvolver este transtorno neuropsiquiátrico mais tarde na infância” . As alterações nas bactérias do intestino e/ou da função do trato gastrointestinal podem ser um fator importante no desenvolvimento de transtornos comportamentais na infância Fontes: Pärtty A, Kalliomäki M, Wacklin P, Salminen S, Isolauri E. A possible link between early probiotic intervention and the risk of neuropsychiatric disorders later in childhood: a randomized trial. Pediatr Res. 2015 Mar 11. doi: 10.1038/pr.2015.51. [www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25760553] www.greenmedinfo.com/blog/new-studyshows-probiotics-may-prevent-adhd-andautism-spectrum-disorders?page=2 www.doctormurray.com/new-study-showsprobiotics-may-prevent-adhd-and-autismspectrum-disorders ALGARVE INFORMATIVO #161


REPORTAGEM

SEDENTARISMO E TABAGISMO QUÃO PRÓXIMOS SÃO?

E

xiste uma forte associação entre o sedentarismo e o tabagismo. Os fumadores, por norma, apresentam menores níveis de atividade física, o que por sua vez irá interferir nos seus estilos de vida, uma vez que a prática regular de exercício físico pode ser preponderante para o abandono do hábito tabágico. Inversamente, as pessoas que não fumam apresentam maiores níveis de atividade física, que, por sua vez, reduz o aparecimento de doenças crónicas e um aumento da longevidade. Conhecendo-se os efeitos fisiológicos da prática regular de atividade física e os benefícios associados ao abandono do hábito tabagístico, torna-se necessário implementar medidas práticas para que seja possível chegar a mais população e influenciá-la para a prática de exercício físico, aumentando assim as oportunidades de sucesso. O tabagismo também é responsável por altos índices de morbimortalidade mundial, sendo considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal ALGARVE INFORMATIVO #161

causa de morte evitável em todo o mundo. O fumo dos cigarros aumenta o risco de cancro, doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e doenças respiratórias crónicas. Por outro lado, o exercício físico é considerado fator protetor contra o início do hábito tabágico e a redução do tabagismo diminui a incidência de doenças. O tabagismo é, claramente, um fator de risco para o enfarte do miocárdio e age de modo sinergético com outros fatores de risco, como a pressão arterial alta e os níveis elevados de colesterol sanguíneo. A aterosclerose das artérias coronárias e da aorta é mais grave e extensa entre fumadores do que entre

88


não fumadores, e o efeito relaciona-se com a dose de tabaco consumida.

enfisema, 85 por cento das mortes são causadas pelo fumo.

O fumo do tabaco dificulta o processo respiratório e essa dificuldade é tanto mais intensa quanto maior o número de cigarros consumidos por dia e do tempo em anos de tabagismo. A prática de exercício físico torna-se incompatível com hábitos tabágicos de rotina. O desempenho físico de um fumador chega a ser 30 por cento inferior ao de um não fumador. A redução da capacidade física pelo consumo de tabaco é tão maléfica que está provado que os atletas que fumam habitualmente e não o fazem no dia de competição têm por norma uma melhoria no seu rendimento físico.

Este ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um relatório com os números mundiais da epidemia do tabaco. De acordo com a entidade, o cigarro mata, atualmente, 5,4 milhões de pessoas no planeta e, por volta do ano de 2030, esse número alcançará a casa dos oito milhões. Segundo a OMS, o consumo de tabaco, na Europa, é responsável por um milhão e 200 mil mortes anuais, número que tende a ascender aos dois milhões. Em Portugal, o consumo de tabaco atinge cerca de 20 a 26 por cento da população, com predomínio de três homens e meio para cada mulher.

DOENÇAS CAUSADAS PELO TABACO O cancro do pulmão é uma doença principalmente de fumadores. Mais de 85 por cento das mortes por cancro do pulmão são atribuídas ao tabagismo… O alcatrão do cigarro contém mais de três mil compostos, muitos dos quais já identificados como cancerígenos e promotores de tumores. Doenças Coronárias – 25 por cento das mortes causadas pelo uso do cigarro provocam doenças coronárias tais como enfarte do miocárdio. Doenças Cerebrovasculares – O fumo é responsável por 25 por cento das mortes por doenças cerebrovasculares, entre elas o AVC Doenças Pulmonares Obstrutivas Crónicas – Nas doenças pulmonares obstrutivas crónicas, tais como bronquite e 89

EFEITOS NO METABOLISMO O custo metabólico da respiração pode ser reduzido significativamente como resultado da abstinência. Consegue-se uma redução de CO2 em apenas um dia de abstinência. Durante um exercício a 80 por cento da Capacidade Aeróbica Máxima (VO2 max.), o custo da ventilação pulmonar representa 14 por cento do consumo de O2 em fumadores e de apenas 9 por cento em não fumadores. Atletas envolvidos em provas que requerem resistência nunca fumam. Isto pode ser explicado pelo facto do fumo do cigarro causar redução na função pulmonar e aumentar a quantidade de carboxiemoglobina, dificultando o transporte de O2 do sangue.

ALGARVE INFORMATIVO #161


DICAS PARA PARAR DE FUMAR Beber muita água Exercício Físico Evitar bebidas alcoólicas e café Evitar situações de stress que potenciam uma recidiva Estímulo através da prática de um desporto novo

MÉTODOS PARA PARAR DE FUMAR Hipnose Acupuntura Seguimento pelo Cardiologista Prática alimentar saudável para evitar o aumento de peso Prática de exercício físico: ajuda a controlar a ansiedade e aumenta a autoestima

IMPORTANTE RELEMBRAR Aproximadamente 90 dias após parar de fumar, a sua capacidade pulmonar terá aumentado 30 por cento. Alguns atletas treinam arduamente para conseguir estes resultados que são uma mínima fração desta percentagem. O tabagismo causa um grande prejuízo à saúde pública, já que é responsável pela diminuição da qualidade e duração de vida. Tem ainda a agravante de ser um fator de risco, não apenas para o fumador, mas para todos aqueles que se encontram frequentemente expostos ao fumo passivo.

Rui André (Personal Trainer)

É possível afirmar que o sedentarismo e o tabagismo apresentam altas prevalências mundiais e são dois fatores de risco para o aumento da mortalidade, além de apresentarem um custo elevado na saúde. É, assim, de grande importância incentivar a prática regular de exercício físico, no intuito de diminuir a tendência sedentária da população em geral assim como, criar com isso hábitos de vida saudáveis, que passam nomeadamente na diminuição de hábitos tabágicos. Depois desta leitura continua com vontade de fumar? Tem a certeza!? Leia novamente e consciencialize-se! Adote um estilo de vida mais saudável e procure ajuda especializada, quer no contexto clínico, quer no contexto de exercício físico . Um contributo da Associação Semear Saúde

ALGARVE INFORMATIVO #161

90


91

ALGARVE INFORMATIVO #161


OPINIÃO

Na luta de alguns reside a vitória de todos! Paulo Cunha (Professor) empre que vejo e oiço a forma como grande parte das pessoas falam da luta que determinadas classes profissionais encetam para revindicarem melhores direitos e condições de trabalho, lembro-me duma frase que alguns amigos meus proferem como resposta a situações idênticas: “Pimenta no rabo do outro para mim é refresco!”. Numa altura em que, através do «professor Internet», qualquer um com um simples clic, googla e torna-se um especialista em qualquer coisa, é comum ler e ouvir analistas (em tudo e em coisa nenhuma) a arvorarem-se em doutos opinantes sobre a vida dos outros, em tudo o que são órgãos de comunicação e redes sociais. Muitas vezes, falando e escrevendo sobre assuntos e matérias que não dominam e sobre realidades que desconhecem, vilipendiam, vulgarizam e descredibilizam tomadas de posição que, apesar de corporativas, são tomadas com sentido de classe e nunca em desfavor nem contra outros setores profissionais. Sendo a greve um direito universalmente consagrado e implementado em regimes democráticos, não deixa de ser um motivo de reflexão e de debate a forma maliciosa, displicente e até trocista como alguns dela falam, esquecendo-se que, de forma indireta, foram e continuam a ser usufrutuários e beneficiários. Basta atentarmos nas conquistas sociais para as classes mais desfavorecidas e no progresso económico/financeiro que determinadas greves ajudaram a conquistar após a revolução dos cravos.

S

ALGARVE INFORMATIVO #161

Entendo e respeito todos aqueles que falam, com alguma animosidade, do uso da greve. Muito provavelmente, terão sido contagiados pelo descrédito provocado pelo aproveitamento despudorado que algumas forças partidárias e sindicais fizeram, e continuam a fazer, do direito à greve, banalizando-o, vulgarizando-o e, assim, tornando-o ineficaz. Também o sinto quando persinto certas manobras sindicais que mais não são do que meras «provas de vida» perante os seus sindicalizados, os partidos apoiantes, os restantes parceiros sociais e a opinião pública. Mas, como em tudo na vida, não se deve tomar o trigo pelo joio, fazendo regra do que, no final das contas, não o é. Com a saída, ainda que tímida e vagarosa, de Portugal da última crise económico/financeira que muitos afetou, é por demais evidente e expectável que os trabalhadores da função pública e do setor privado pretendam ver descongeladas as progressões nas carreiras e a total recuperação de um tempo de serviço que foi real e efetivo e que «saiu do pelo» a cada um dos portugueses. Um tempo contabilizado em muitos (demasiados) dias que, em nome de um saudável aprovisionamento financeiro e sãs contas públicas, quem nos governa quer apagar das nossas vidas. Obviamente que, em tom de lamento e de revolta, nos apetece gritar: “Subtraíram-nos anos da vida, mas não estamos mais novos. Estamos sim, inequivocamente, mais pobres!”. É por isso que confrange e entristece ver tanta gente que, deixando que os piores sentimentos se apoderem de si, fala e 92


escreve, sem o devido conhecimento de causaefeito, sobre as lutas por melhores condições laborais e de vida de outras classes profissionais que não a sua. Socorrendo-se da inveja, do sarcasmo e da censura para criticar quem tenta «fazer pela vida», estas pessoas limitam-se a olhar para o seu umbigo e a apontar como culpados todos aqueles que apenas querem ganhar mais uma migalha no final do mês. As migalhas que, sonegadas, juntas serviram, e continuam a servir, para cobrir os verdadeiros roubos e falcatruas que, cíclica e reiteradamente, provocam verdadeiras crises globais e generalizadas. É caso para aqui, mais uma vez, recordar e louvar a velha sabedoria popular que, recordando-nos o provérbio «A galinha da vizinha é melhor do que a minha!», espelha a forma de estar de um povo que fala muito do que não sabe, inveja o que não tem e atribui as culpas a quem não as merece. Recordam-se de alguma classe profissional que sempre que luta pelos seus direitos é criticada como sendo uma das mais beneficiadas e repleta de regalias? Eu, infelizmente, sim. E não é só uma. É caso para dizer: “Venha o diabo e escolha-as!” . 93

ALGARVE INFORMATIVO #161


OPINIÃO

Gente de Fibra Paulo Bernardo (Empresário)

N

a última semana tive a possibilidade de estar com duas das personalidades portuguesas mais interessantes da atualidade. António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa, naturezas diferentes, mas ambos de grande valor e capacidade de trabalho. Começando por Guterres, homem que conheci ainda primeiro-ministro, bem mais desatualizado na relação com o público, mas com uma intervenção de grande valor sobre a imigração e como Portugal lidou com ela, quer como exportador de pessoas, quer como importador. Desculpem o termo mercantil, mas apenas quero focar bem os nossos fluxos, quer quando tivemos a necessidade de sair para obter recursos, como da mesma forma que acolhemos quem chega, pois necessitamos de mão-de-obra para produzir riqueza. Intervenção de Guterres feita numa semana em que Trump e os emigrantes continuam de candeias às avessas. Não fosse o próprio Trump fruto da emigração para os Estados Unidos. Marcelo bem mais a viver no mundo de hoje, o homem é uma estrela. Quando chegou ao evento na Embaixada Portuguesa em Washington, mais parecia a chegada de um galã de Hollywood, ouvia-se aquele burburinho próprio de quando chega uma estrela. Contudo, e para além das estrelas e das selfies, o homem esteve muito bem com o Presidente Trump, julgo que ele só entendeu mais a parte do Ronaldo, no entanto, Marcelo marcou uma posição e não deixou a oportunidade cair em saco roto. Apertou a

ALGARVE INFORMATIVO #161

mão a Trump com energia e deu uma aula sobre o que é Portugal. O primeiro país neutro a reconhecer os Estados Unidos como nação independente. Gostei de ver também a forte comunidade portuguesa, que não se nota nas ruas, pois temos aquela característica de camaleão em que rapidamente nos transformamos para sermos aceites, todavia, sem perder a portugalidade, bem influente. Quero também dar os parabéns ao nosso Embaixador em Washington, que fez um programa para o mês de Portugal que foi um sucesso. Trabalho necessário para mostrar o novo Portugal. Por último, e fora das campanhas próprias e necessárias do governo Português, nunca tinha visto na rua tantas referências, conversas, imagens de Portugal. Contudo, e existe sempre um mas, os programas, para além da cultura e turismo, deveriam sempre ter um pouco de negócio, referência àquilo que bem fazemos, ajudar a aproximar as empresas dos dois lados. Essa parte nós esquecemos sempre muito, politicamente temos sempre medo de proporcionar negócio entre empresas. O que os governos não podem nem devem promover são negócios de apenas algumas empresas e o estado, deve promover, sim, o negócio entre empresas e atrair negócio, também são pagos para isso. Finalmente, e muito fora da curva, tenho que dizer que a Judiciária desta vez escolheu muito mal o nome para a operação que envolve os Municípios e as relações de favorecimento a algumas empresas. Não deveria ser «Tutti-Frutti», mas «Banana» ou «Chocolate», pois as empresas são sempre

94


95

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

96


OPINIÃO

Ser ou não ser Ultracrepidário, eis a questão Adília César (Escritora) ctualmente, com a disseminação caótica das notícias que proliferam através dos meios de comunicação, assiste-se a fenómenos de (des)conhecimento mais ou menos interessantes. Na verdade, muita informação, notícias e opiniões que se multiplicam pelas redes e plataformas sociais, como sangue a circular nas veias e artérias do mundo virtual que não raras vezes confundimos com a vida real, induzem em erro o leitor crédulo. Sem qualquer tipo de ironia, creio que esta é bem capaz de ser uma epidemia intelectual dos tempos modernos, propagada pela facilidade com que se fala de matérias sobre as quais pouco ou nada sabemos. Ao confundirmos o exercício do livre arbítrio e do juízo crítico com a impetuosidade de dizer alguma coisa precipitada e pouco acertada sobre o assunto do dia, geralmente sugerido por alguma notícia bombástica veiculada pelos diversos meios de comunicação social ao nosso dispor, mais ou menos tendenciosa ou demagógica, eis-nos chegados à questão central desta crónica de opinião: correr o risco de ser ultracrepidário, sim ou não? Opinar parece estar na ordem do dia e se há algumas décadas a função profissional do jornalista estava bem definida e era exercida por profissionais da comunicação, hoje em dia poderíamos dizer que “de médico, jornalista e de louco todos temos um pouco”, parafraseando o célebre e antigo provérbio popular. Custa a acreditar que toda a gente tenha uma palavra a dizer sobre tudo e todos, como se fosse especialista no tema ou assunto em questão. A bem dizer, se não tomarmos as devidas precauções, somos sérios candidatos a ultracrepidário(s), palavra estranha que indica aquele que ou quem dá opiniões sobre

A

97

um assunto que desconhece ou de que conhece pouco (de acordo com a definição apresentada no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa). Quais os perigos desta atividade para os outros? Bem, dependerá da competência do receptor para gerir a mensagem do emissor, aceitando ou formulando um contraditório. Da discussão nasce a luz? Às vezes. A «liberdade de expressão» existe e toda a gente tem o direito a dar a sua opinião sobre tudo e todos (atenção… parece que este conceito não estará bem enunciado, uma vez que a expressão é, por definição, livre, e como tal, não é necessária a redundância…, mas isso é outra discussão que não cabe agora aqui). Na verdade, fazemos uso da tal «liberdade de expressão», profusamente e sem filtros de sabedoria, nem de validação das afirmações ou inferências consubstanciadas pelo conhecimento. Sim, eu sei, devemos fazer uso desse direito a expressar as nossas opiniões, mas convém pensar antes de falar… Já vai sendo tempo de sermos mais cuidadosos com as opiniões que emitimos publicamente, com as afirmações que veiculamos, principalmente quando as deixamos registadas, no sentido de ultrapassarmos a mera inferência ou opinião pessoal, e este também é um acto responsável de liberdade de expressão. No acto comunicativo, havendo um emissor e um receptor, a nossa responsabilidade passa não só por assumir e saber defender aquilo que afirmamos, mas também por sustentar, através da discussão com o interlocutor, o que provocamos com aquilo que dizemos. É assim como eu digo porque sim já não chega. É necessário devolver alguma ordem ao caos. Afinal, o conhecimento está ao alcance de todos, só temos de encontrar o caminho certo .

ALGARVE INFORMATIVO #161


OPINIÃO

Pássaros apesar de tudo Birds - Exposição de Christine Henry Convento de Santo António, Loulé Mirian Tavares (Professora) “Un arc-en-ciel bruissant d’oiseaux chanteurs m’accueillait, ce dimanche-là de mars 1992, le jour de mon premier retour à Bunchenwald”. Jorge Semprún

T

ornou-se lugar-comum afirmar que seria impossível criar imagens que retratassem o horror da II Grande Guerra, pois este horror era de tal dimensão que se tornou inimaginável, impossível de se retratar. Ao mesmo tempo, sabemo-nos mergulhados numa cultura imagética que nos empurra irremediavelmente em direção ao retratável, ao reprodutível, ao visível. No entanto, é mais fácil não ver, porque ver é aceitar a existência, é pactuar, pelo menos enquanto seres humanos, com uma barbárie inimaginável, mas realizada. Passados mais de 70 anos sobre o fim da guerra, as imagens ainda se dão a ver. Quer como documento ou como arte, pois afinal, e para o nosso bem, a poesia resistiu ao genocídio. E a artista Christine Henry, cujo pai sobreviveu à chacina de Bunchenwald, decidiu remexer nas memórias mais duras e trazer de volta os pássaros que, na altura da guerra, abandonaram aquela floresta. Os pássaros da artista não cantam, não se movem, mas ocupam espaço e tornam-se imagem daquilo que se chamou de irrepresentável. Os pássaros ocupam todos os lugares da capela de Santo António, antigo convento da cidade de Loulé - convertido em espaço expositivo. Uma capela é um lugar de recolhimento e de convite à contemplação. Podemos entrar e contemplar a beleza sublime da obra de Christine Henry: pássaros humanizados, ou pessoas desumanizadas, construídos de pedaços de madeira, de ferro e de juta, dispostos de frente para quem entra na exposição, fixos numa espécie de cadafalso, ALGARVE INFORMATIVO #161

fixos porque representam os que ficaram, não aqueles que sobreviveram e que puderam, anos depois, voltar a ouvir pássaros na floresta de Bunchenwald. A arte é autotélica, tem um fim em si mesma. Não necessita se justificar, ou ter uma função, para existir. Mas a arte é sempre um gesto político, de resistência, de criação de memórias, de construção do passado no presente, de rememoração ou de homenagem. Os pássaros de Christine Henry, ora dispostos em filas, ora amontoados como corpos, sem asas, sem pés, sem bicos, podem ser vistos como objetos que dizem de si mesmos, pela sua singularidade, pela artisticidade contida em cada peça, e na montagem da exposição que culmina num altar tosco, de madeira. Um altar que não contém os objetos habituais dos cultos religiosos, mas sim, barras de sabão, feitas de cinza. Porque os objetos, com seu odor, a sua rugosidade, a sua presença, falam-nos destas imagens que, apesar de tudo, existem. E os pássaros, apesar de tudo, estão lá, de volta. Mesmo que num espaço outro, mesmo que não cantem e que nos falem da sua imobilidade, da sua incapacidade de alçar voo. Porque a arte não se cala, apesar da sua dificuldade em expressar o horror. Porque a arte de Christine Henry não desperta em cada um de nós o desejo perverso de presenciar os espectros, mas desperta a nossa memória e homenageia, assim, aqueles que se foram, e de quem nada restou, além de cinzas. E de um imenso silêncio .

98


99

ALGARVE INFORMATIVO #161


OPINIÃO

Um turismo cada vez mais digital e global Fábio Jesuíno (Empresário) turismo em Portugal tem crescido muito nos últimos anos, apresentando consecutivamente recordes de crescimento, tornando-se dessa forma um dos principais sectores de atividade económica, muitas das vezes alavancado pelos meios digitais. Portugal continua a ser mencionado em publicações internacionais como um destino de eleição pelas suas características e experiências únicas, conjuntamente com uma estratégia de comunicação digital desenvolvida pelos vários agentes do sector, fazendo com que tenha um impacto global e atraindo os mais diversos públicos. O turismo no nosso país começa a apresentar algumas situações de saturação por falta de capacidade de algumas infraestruturas em receber grandes quantidades de turistas, sendo o aeroporto de Lisboa o mais problemático. O impacto tem também proporções a nível digital, visto que essas experiências muitas das vezes são divulgadas nas redes sociais dos visitantes. A concentração dos turistas nas principais cidades portuguesas, em Lisboa e no Porto, fazem com que a saturação aconteça com muita

O

ALGARVE INFORMATIVO #161

frequência, os locais centrais e museus ficam sobrelotados e tornam a experiência turística menos agradável. Com um país que apresenta uma riqueza única nos mais diversos locais, de norte a sul e ilhas, existem histórias e experiências que transformam Portugal numa nação de uma beleza inigualável que merece ser descoberta. Dessa forma, é importantíssimo atrair os turistas para esses locais. A divulgação do turismo em Portugal deve ser democratizada, principalmente nas zonas do interior, onde o turismo ganha maior importância como motor de desenvolvimento económico, permitindo combater a desertificação e atrair novas pessoas. O turismo é cada vez mais global, principalmente num mundo digital onde a informação circula a uma velocidade alucinante, o turista está cada vez mais informado e interessado em descobrir, explorar e divulgar nos meios digitais as suas experiências. Portugal é uma nação com todas as características para ser um dos principais destinos turísticos mundiais, com um povo que sabe receber, uma segurança e história reconhecidas mundialmente, regiões com muitas potencialidades de crescimento .

100


101

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

102


103

ALGARVE INFORMATIVO #161


ATUALIDADE

LIVRO CONDENSA 30 ANOS DE ORÇAMENTOS PARTICIPATIVOS NO MUNDO

U

ma «esperança entre crises» é o mote de «Hope for Democracy», livro coordenado por Nelson Dias, com a colaboração de Simone Júlio e Vânia Martins, e que representa o esforço de mais de 60 autores e de muitos outros colaboradores, diretos e indiretos, oriundos de todos os continentes, visando proporcionar uma visão abrangente sobre três décadas de orçamentos participativos no mundo. A obra vai ser apresentada, no dia 1 de julho, pelas 17h, no restaurante «O Castelo», em Faro.

ALGARVE INFORMATIVO #161

Um turbilhão de acontecimentos ao longo dos últimos 30 anos transformou significativamente o mundo, as relações internacionais, as políticas dos EstadosNação, o funcionamento dos mercados e a vida das pessoas. Vive-se atualmente uma situação bastante paradoxal no que diz respeito aos regimes democráticos. De um lado, verifica-se um alto nível de apoio popular, do outro, um profundo descontentamento com o seu funcionamento e sistema de representação política.

104


Segundo o coordenador do livro, o contexto em que os orçamentos participativos se desenvolveram tem duas facetas: i) uma mais positiva, assente em acontecimentos que foram determinantes para permitir a penetração destes processos em territórios mais fechados à incorporação de práticas provenientes do exterior, nomeadamente do ocidente, como é o caso da unificação da Alemanha, da dissolução da União Soviética e do bloco socialista formado por países do leste europeu, sem esquecer a Primavera Árabe e o avanço da Internet; ii) outra menos favorável, assente na multiplicação das crises, dos conflitos e dos atos terroristas, que como se compreende são pouco «amigáveis» à criação de iniciativas participativas, cuja natureza implicam o reforço do diálogo social, da solidariedade territorial, da confiança entre pessoas e instituições, do aprofundamento da democracia, entre muitos outros aspetos. “Vários dos fatos relevantes que afetaram o mundo nas últimas três décadas são de dimensão estrutural, com impactos muito diretos nas formas de organização social e política, ao mesmo tempo que os orçamentos participativos, pelo seu caráter local e experimental, alcançaram elevados níveis de disseminação, embora possuindo respostas circunstanciais para problemas maiores”, explica Nelson Dias, acrescentando que os orçamentos participativos emergiram e desenvolveram-se em contextos de múltiplas crises e, em alguns casos, como resposta a essas mesmas crises – falta de confiança nas instituições e nas elites políticas; conflitos de vária ordem; 105

catástrofes, etc. – evidenciando o seu caráter contracíclico. “Estes processos possuem uma elasticidade metodológica e conceptual que tem permitido a sua adaptação a diferentes contextos e visando propósitos distintos, residindo neste particular um dos principais fatores de sucesso para uma ampliação territorial tão vasta como a registada até ao momento. São hoje conhecidas mais sete mil experiências em todo o mundo”, indica. Face ao exposto, o coordenador do livro considera ser justo perspetivar os orçamentos participativos como uma esperança entre crises; como um embrião de outras formas de viver em democracia, mais participativas, mais efetivas e próximas das pessoas. As mais de 600 páginas desta obra são, por isso, um convite para uma viagem pelos caminhos da inovação democrática em contextos culturais, políticos, sociais e administrativos muito diversos. Da América do Norte à Ásia, da Oceânia à Europa, da América Latina à África, o leitor encontrará muitos relatos de como uma democracia de maior intensidade tem vindo a ser testada com elevado grau de sucesso. Portugal emerge como um “laboratório de experimentação democrática” no contexto internacional e Nelson Dias considera que “a emergência e o desenvolvimento dos Orçamentos Participativos em Portugal estão intimamente relacionados com a quebra de confiança no regime democrático e nos seus principais agentes políticos, ALGARVE INFORMATIVO #161


ATUALIDADE

Nelson Dias, coordenador do livro «Hope for Democracy»

assumindo-se como uma tentativa de resposta do Estado Local, ainda que parcial, à necessidade de reconstruir pontes de diálogo e reaproximação com a população”. Sem querer simplificar excessivamente uma leitura necessariamente complexa das inúmeras variáveis que influenciam o desenvolvimento destas iniciativas, parece importante concluir que, à medida que a participação eleitoral diminuiu, aumentaram as iniciativas de orçamento participativo em Portugal, o que, ALGARVE INFORMATIVO #161

curiosamente, implicou uma atividade cívica e política mais intensa, pelo carácter anual destas práticas, e mais extensa, pelo cada vez maior número de pessoas envolvidas. “Portugal emerge, no contexto internacional, como o único país do Mundo a desenvolver orçamentos participativos em todos os níveis de governo. Depois de uma importante onda autárquica, o Governo da República iniciou o ano passado três processos de âmbito nacional, seguindo-se este ano o 106


Governo Regional dos Açores”, salienta Nelson Dias. O coordenador desta publicação alerta, no entanto, para uma questão importante: o crescimento dos orçamentos participativos em Portugal é significativo, mas a sua duração temporal é ainda curta, deixando transparecer que o compromisso político com a consolidação deste mecanismo e a sua melhoria contínua é algo ainda em construção. “Segundo monitorizações realizadas ao longo de anos a vários orçamentos participativos em Portugal, é possível concluir que está em curso uma dinâmica de reconstrução da confiança nas instituições promotoras destes processos, o mesmo é dizer no compromisso político e técnico com a iniciativa, e que essa tende a ser mais forte nos participantes «fidelizados», ou seja, nos que aderem de forma regular às diferentes edições do OP nos respetivos territórios. Por aqui se percebe que a confiança é fruto de uma dinâmica continuada e gradual, não se coadunando com iniciativas participativas pontuais ou de curta duração”, avisa. Na opinião do autor, os dados recolhidos são de grande relevância, mas não se podem generalizar a todos os casos, nem a toda a atuação das autarquias promotoras dos orçamentos participativos. O grau de maturidade cívica e democrática das pessoas permite-lhes diferenciar de forma clara que o OP representa apenas uma percentagem do dinheiro público, na maior parte dos casos muito reduzida, e um campo de atuação restrito dos governos locais, deixando de fora desta equação o restante orçamento, projetos, 107

medidas e políticas públicas. É este entendimento do âmbito e do potencial de alcance de um OP que permite a Nelson Dias concluir sobre a inexistência, pelo menos para já, de uma relação direta entre os índices de adesão cada vez mais expressivos aos processos e os níveis de participação eleitoral. “Por outras palavras, a existência de um OP, por muito bem-sucedido que seja, não é suficiente para inverter a tendência de uma abstenção elevada”, considera adiantando ainda que “os orçamentos participativos estão a contribuir para aumentar a confiança nas instituições mas não são, nem poderiam ser, pela sua dimensão e abrangência restritas, determinantes para inverter o comportamento abstencionista da população portuguesa”. O autor acredita, no entanto, que é possível afirmar que em casos circunscritos os orçamentos participativos não se ficaram pela oportunidade dada às populações de decidirem uma parte dos investimentos autárquicos, o que só por si já representa um ganho importante relativamente ao modelo clássico de governação democrática. Uma análise de outro nível sobre estas iniciativas permite perceber que elas se transformaram, em determinados contextos, no principal sensor das autarquias para a compreensão das perceções e dos posicionamentos da sociedade sobre assuntos de governação, influenciando, por essa via o desenho de algumas políticas públicas.

ALGARVE INFORMATIVO #161


ATUALIDADE

AVÓS DE ALBUFEIRA CELEBRARAM FINAL DO ANO LETIVO festa de encerram ento do ano letivo do Clube Avô de Albufeira reuniu no Pavilhão Desportivo da cidade cerca de oito dezenas de seniores, durante a manhã do dia 22 de junho, num programa que privilegiou a atividade física, o convívio e a partilha. O presidente da Câmara Municipal elogiou a alegria e boadisposição das avós e avôs de Albufeira que, em vez de ficarem em casa, escolhem participar nas várias iniciativas que a Autarquia coloca à sua disposição, com vista a promover o bem-estar e a melhoria da qualidade de vida da população sénior do concelho. Sob o mote «A Vida que Gira», a iniciativa integrou um circuito de atividades em que todos participaram com entusiasmo e alegria, das quais se destacam os jogos tradicionais, estafetas, futebol, andebol, basquetebol, caça às lebres, happy yoga e danças. No final, houve um almoço partilhado que serviu para repor energias e mostrar os dotes culinários dos avós. O Clube Avô de Albufeira coloca à disposição dos munícipes a partir dos 65 anos um conjunto diversificado de experiências pensadas para dar resposta a diferentes gostos e necessidades,

A

ALGARVE INFORMATIVO #161

nomeadamente aulas de dança, yoga, coro, artes criativas, informática e passeios, entre outras. Paralelamente, disponibiliza o serviço de teleassistência que permite ao utente, em caso de urgência, entrar em contacto com uma central que faz o encaminhamento para a Polícia, INEM, Família de Apoio, entre outros serviços associados, ou ligar apenas para ouvir uma voz amiga. O Município de Albufeira oferece também aos idosos o acesso ao cartão sénior, que neste momento já tem 201 inscritos, e que dá descontos na tarifa da água, nas Piscinas Municipais e em estabelecimentos aderentes, nomeadamente cabeleireiros, óticas, fisioterapia, restaurantes, terapia, viagens e turismo, reparação de calçado, comércio e assistência de eletrodomésticos, perfumaria, com reduções de preços que variam entre os cinco e os 30 por cento, chegando a atingir os 50 por cento em alguns casos .

108


CONCURSO DE MASTROS ENCERROU SANTOS POPULARES EM CASTRO MARIM

U

m dos pontos altos das comemorações do Dia do Município de Castro Marim, a 24 de junho, é o tradicional e célebre Arraial de São João, na Praça 1.º de Maio, organizado pela Câmara Municipal de Castro Marim. Esta festa, que reúne anualmente centenas de castromarinenses e outros tantos convivas, tem o ex-libris nas marchas populares, protagonizadas pela Junta de Freguesia de Castro Marim e pela Banda Musical Castromarinense. O Arraial foi precedido pela abertura da exposição de trabalhos da Universidade do Tempo Livre (UTL) no mercado local de Castro Marim, com o desfile «Chapéus há muitos…», protagonizado pelas formandas. Depois foi feita a entrega de prémios do XVIII Concurso de Mastros, 109

que encerra os Santos Populares em Castro Marim. Estiveram a concurso 10 mastros, frutos do trabalho dos seguintes clubes e associações locais: Sociedade Recreativa Banda Musical Castromarinense; Campesino Recreativo Futebol Clube; Igreja Paroquial do Imaculado Coração de Maria – Altura; Associação Cultural Amendoeiras em Flor; Clube de Junqueira; Mito Algarvio Associação de Acordeonistas do Algarve; Associação Social Freguesia de Odeleite; Grupo Desportivo e Cultural Rio Seco; Casa do Povo do Azinhal; Associação Recreativa Cultural e Desportiva dos Amigos da Alta Mora. Sagraram-se vencedores a Associação Recreativa Cultural e Desportiva dos Amigos da Alta Mora (1.º), o Clube da Junqueira (2.º) e a Associação Social da Freguesia de Odeleite (3.º) .

ALGARVE INFORMATIVO #161


ATUALIDADE

CARTAZ DA FATACIL COMEÇOU A SER DESVENDADO… E INCLUI MARIZA, C4 PEDRO E CAROLINA DESLANDES 39.ª edição da FATACIL já começa a mexer, com os primeiros nomes do cartaz a serem revelados, no dia 27 de junho, pelo Município de Lagoa, a saber-se Mariza, C4 Pedro e Carolina Deslandes. A Feira de Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio e Industria de Lagoa assinala, em 2018, 39 anos de sucesso e de reinvenção permanente e são esperadas mais de 180 mil pessoas ao longo dos 10 dias do certame. Num ano em que a Educação estará em grande destaque, a FATACIL volta a destacar os vinhos da região e aposta na valorização da gastronomia local. Serão 7 Maravilhas da gastronomia, em lugar cimeira das prioridades de comunicação do evento, já que Lagoa está em concurso nas «7 Maravilhas à Mesa». Espalhados pelo recinto, cerca de 700 expositores vão divulgar produtos suscetíveis de satisfazer um vasto espectro de interesses, com os apreciadores de artesanato português, e algarvio em particular, a encontrarem uma mostra bastante variada. Desde artigos de tecelagem aos cobres e ferro forjado, passando pelas rendas, objetos em madeira, olaria e cerâmica, peças em cortiça, vime e cestaria, ou as tipicamente algarvias bonecas de Martim

A

ALGARVE INFORMATIVO #161

Longo e Querença, tudo se vai conseguir adquirir no Parque de Exposições de Lagoa. Da mesma forma, quem pretender levar para casa exemplos da tradicional gastronomia algarvia descobre na FATACIL os genuínos enchidos (morcelas e farinheiras) e presuntos; doces regionais à base de figo, amêndoa e farinheira; frutos secos; aguardente de medronho e licor de figos ou saborosos queijos de ovelha. Também será possível encontrar artesanato proveniente dos cinco continentes, assim como as mais recentes novidades dos sectores comercial, industrial e agropecuário. Em simultâneo, haverá oportunidade para conhecer o que têm para oferecer e como funcionam entidades tão distintas como autarquias, escolas, instituições de solidariedade social, organismos da administração central e regional, coletividades e regiões de turismo.

110


ANANTARA VILAMOURA TEM NOVA DIRETORA-GERAL

Anantara Hotels, Resorts & Spas acaba de nomear Katja Helena Hekkala para assumir a Direção-Geral do Anantara Vilamoura, a primeira unidade da marca na Europa, inaugurada em abril de 2017 e que veio alterar os parâmetros de autenticidade e luxo da costa algarvia. Katja Hekkala, com formação em Business Administration pela Schiller International University, completou o curso de Liderança Executiva pela Cornell University em 2005. Com uma experiência consolidada de mais de 20 anos na indústria hoteleira e de turismo, Katja iniciou a sua carreira na Starwood, no Sheraton Estocolmo e Sheraton Oslo, percorrendo diferentes departamentos, desde Front Office a Vendas & Marketing. Ao serviço do Scandinavian

A

111

Leisure Group, foi desempenhando funções em diversos destinos, como Marrocos, Ilhas Maurícias, Tunísia, Irlanda, Paris e Riviera Francesa. Rumou à Madeira quando foi contratada para o Grupo Pestana e mais tarde foi convidada para a pré-abertura e abertura do Choupana Hills Resort & Spa, regressando ao continente para trabalhar nos escritórios centrais da Amorim Turismo no Departamento de Vendas Central. Nos últimos cinco anos e meio exerceu a função de Diretora Geral no Vilalara Thalassa Resort. Agora, no Anantara Vilamoura, Katja Hekkala será responsável por um resort ímpar no panorama turístico português, com um nível de serviço sem precedentes e um conceito de conforto e requinte inigualável, que alia de forma subtil a típica hospitalidade tailandesa com a cultura e tradições algarvias . ALGARVE INFORMATIVO #161


ATUALIDADE

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE LAGOA RECEBEM AMBULÂNCIA E DRONE DA CÂMARA MUNICIPAL Câmara Municipal de Lagoa atribuiu, no dia 21 de junho, uma ambulância e um drone aos Bombeiros Voluntários de Lagoa (BVL), num investimento total que ronda os 70 mil euros e que tem por base um protocolo com os Bombeiros Voluntários e a Proteção Civil. Esta é a quarta ambulância entregue pelo município liderado por Francisco Martins àquela corporação, depois da atribuição de um carro de fogo, e o seu valor surge dos

A

ALGARVE INFORMATIVO #161

cerca de meio milhão de euros atribuídos no Orçamento Municipal. A ambulância dispõe, nas palavras do Presidente da Direção dos BVL, Joaquim Lima “do que de melhor há em termos de emergência médica” e vem colmatar duas situações: a ausência da viatura do INEM atribuída à corporação e que se encontra em oficina a aguardar reparação; e a ausência de uma outra viatura, também há três meses na oficina. “Temos três carros – este vai ser o quarto – para socorrer, de imediato, nunca descurando o concelho, 112


para o qual fica sempre reservada uma viatura”, referiu o Presidente da Direção dos Bombeiros Voluntários. Em termos de meios de apoio, a autarquia atribuiu ainda aos BVL um drone, no valor de seis mil euros, com todo o material de suporte a ele associado. O drone de reconhecimento atinge uma altitude máxima de seis mil metros e tem um alcance até 500 metros, permitindo ir mais longe em situações de fogos florestais e despiste de falsas suspeitas em locais onde os riscos para os bombeiros são elevados. “Está mais dimensionado para assistir os acidentes que acontecem nas nossas falésias, em furnas e áreas de difícil acesso e, muitas vezes, sem a certeza de que a vítima esteja de facto no local”, referiu Francisco Martins. “Os «soldados da paz» são muitas vezes colocados em risco sem esta certeza. É, por isso, um meio complementar que pode ajudar, uma vez que a sua existência permitirá

113

avaliar a vítima e assisti-la com mais rapidez”, reiterou o edil. O presidente da autarquia reforçou ainda na altura a intensão de substituir as viaturas da corporação, atendendo à legislação que limita para cinco os anos de circulação, e de atribuir a viatura mais adequada à realidade em causa ao município de São Domingos, em Cabo Verde. “Existem carros de transporte de doentes diários para hemodiálise e fisioterapia que começam a trabalhar às seis da manhã e terminam à meia-noite. São carros com oito/nove anos e têm 600, 700 mil quilómetros”, referiu o Comandante dos BVL, Vítor Rio, e responsável pela Proteção Civil. Os Bombeiros Voluntários dispõem atualmente de 52 trabalhadores, 27 viaturas operacionais, entre 14 ambulâncias, quatro carros de fogo e dois autotanques, dois jipes de comando, dois carros de desencarceramento, um jipe de salvamento e dois barcos .

ALGARVE INFORMATIVO #161


ATUALIDADE

ANTURIO MODERNIZA GESTÃO DO RESORT QUINTA DO LAGO

P

ara fazer face a um forte investimento plurianual, que implicava a implementação de novos módulos ao ERP PHC já utilizado, o resort Quinta do Lago recorreu à Anturio e o resultado superou as expectativas, nomeadamente pela adoção de melhoramentos que trouxeram benefícios à gestão administrativa. Nos últimos seis anos, o resort do concelho de Loulé recebeu um plano de investimento de 50 milhões de euros, que envolveu a abertura de quatro novas infraestruturas na área da restauração, uma área de lazer de minigolfe e um complexo multidesportivo ALGARVE INFORMATIVO #161

denominado «The Campus», idealizado como Centro de Alto Rendimento desportivo. O projeto abarcou ainda a renovação integral do «Quinta do Lago Norte». Esta renovação criou a necessidade de implementar vários módulos adicionais ao ERP utilizado, com o objetivo de criar interfaces específicos, de modo a fazer a ligação entre os diferentes softwares multidisciplinares de cada área de negócio ligados ao PHC: Golfe, SPA e Restauração. Outro dos desafios consistiu em implementar uma plataforma de compras que permitisse a todos os colaboradores, das mais diversas áreas de negócio da 114


empresa, efetuar as notas de encomenda, incluindo um workflow de aprovações. “Numa empresa com a dimensão da Quinta do Lago, com a multidisciplinaridade e idiossincrasias inerentes a cada negócio, as especificidades e necessidades eram muitas, pelo que a solução a implementar teria de responder a determinados requisitos, como assegurar a integridade dos dados a nível fiscal, respeitando ciclos e processos automatizados e programados”, explica Miguel Sousa, CFO da Quinta do Lago. “Era também necessário automatizar tarefas manuais e redefinir os processos existentes para cada um dos utilizadores”, acrescenta o responsável. Além disso, o resort precisava de garantir o suporte ao crescimento da empresa, assim como “obter todos os dados necessários para controlar a empresa de uma forma mais rápida e eficaz”, avança Miguel Sousa. Por outro lado, continua o responsável, “era essencial melhorar significativamente a área de gestão de tesouraria e de clientes, melhorar o controlo de dívidas e dos prazos de recebimento e permitir à empresa operar melhor no dia-a-dia, para conseguir respeitar deadlines”. Foi então decidido implementar uma gama mais avançada do ERP PHC, que respondesse melhor às necessidades da Quinta do Lago, tendo sido escolhido para tal a Anturio. “Era importante ter um parceiro com know-how e recursos para desenvolver as interfaces necessárias, bem como otimizar os recursos do PHC utilizados, nomeadamente a plataforma Web”, justifica Miguel Sousa. “O nosso briefing 115

para a Anturio foi complexo, mas claro, e a empresa demonstrou estar à altura do nosso projeto. Foi uma implementação longa e que ocupou vários recursos da Quinta do Lago, ao longo de um ano, nas várias áreas de ação dos projetos e que contou com o total apoio da Anturio e da sua equipa, existindo uma simbiose quase perfeita entre a parte tecnológica e o negócio”, explica ainda Miguel Sousa. A interação das diferentes interfaces é feita através da importação de dados, que permite à Quinta do Lago não sobrecarregar a sua estrutura administrativa com os múltiplos movimentos que ocorrem diariamente no resort, permitindo a automatização de processos e lançamentos contabilísticos. “No caso da plataforma de compras, a solução desenvolvida foi através do PHC Web, de fácil acessibilidade, baixo investimento e um sistema de workflow de aprovações adequado às especificidades da empresa”, aponta o CFO. A estratégia para o futuro passa agora por continuar a desenvolver a utilização do PHC, otimizando ao máximo os recursos existentes, sendo que, a curto prazo, a Quinta do Lago adquiriu o PHC Enterprise com os módulos: Contabilidade, Gestão, Imobilizado, Pessoal, Frota, RH, BPM, POS, Web e Multilingua. “O papel da Anturio nesta estratégia é o de um parceiro que caminha ao nosso lado, com o objetivo de melhorar constantemente o desempenho do PHC e de nos ajudar a automatizar e a otimizar os processos administrativos e qualitativos da empresa”, refere o responsável .

ALGARVE INFORMATIVO #161


ATUALIDADE

PASSEIOS CULTURAIS DÃO A CONHECER LAGOS, A CIDADE DOS SONHOS E DOS SEGREDOS

N

os meses de julho, agosto e setembro, a Câmara Municipal de Lagos volta a promover os Passeios Culturais, este ano com o tema «Lagos, a Cidade dos Sonhos e dos Segredos», com o intuito de dar a conhecer aspetos e curiosidades particulares e identitárias da cidade, onde figuram alguns trabalhos únicos a nível

nacional. A cidade de Lagos, marcadamente inscrita na História de Portugal, tem associado um conjunto de factos e episódios centenários que ainda hoje é merecedora de créditos na historiografia nacional e internacional. Localidade visitada por reis e nobres e palco das primeiras aventuras por terras desconhecidas, cimentou o seu ALGARVE INFORMATIVO #161

desenvolvimento e grandeza em suportes culturais-mentais de tomadas de decisão que a vincularam para a intemporalidade. Da presença e grandeza do Passado subsistem ainda valores materiais dos tempos dos Descobrimentos e das principais etapas cronológico-culturais de alguns dos reinados mais importantes dos séculos XV ao XVIII. A par desta dinâmica existem ainda vestígios da sua grandiosidade militar, da heráldica régia e senhorial (por exemplo os Brasões de Armas do Marquês de Niza e do Conde de Avintes), da arquitetura religiosa, etc. Este ano, as visitas decorrem sob quatro grandes temas: A Arquitetura Religiosa e a Capela dos Ossos da Igreja de São Sebastião; A Arquitetura Militar e o Castelo dos Governadores; A Arquitetura Manuelina no Centro Histórico de Lagos e A Heráldica dos Reis e Rainhas no Património Arquitetónico de Lagos. Os Passeios Culturais são pedestres e decorrem em horário diurno e noturno. As Inscrições são gratuitas, mas obrigatórias, no Posto de Turismo Municipal - Praça Gil Eanes (pim@cm-lagos.pt) até dois dias antes do passeio pretendido . 116


ALUNOS DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DO ALGARVE VENCEM MAIOR COMPETIÇÃO EUROPEIA DE SIMULAÇÃO MÉDICA uilherme Henriques, André Silva , Carlos Batista, Tiago Cardoso e Francisco Fernandes, alunos do Mestrado Integrado em Medicina da Universidade do Algarve, sagraram-se vencedores da maior competição europeia organizada pela Society in Europe for Simulation Applied to Medicine (SESAM). A prova teve lugar em Bilbau e contou com equipas provenientes de diversos pontos do mundo, sendo considerada um dos

G

117

maiores eventos a nível mundial e colocando anualmente à prova a performance de centenas de estudantes de Medicina na área da emergência médica. Na final, que contou com a presença de países como o Reino Unido, a Holanda e a Turquia, destacaram-se os alunos da academia algarvia que, treinados por Alexandra Binnie, docente do Mestrado Integrado em Medicina, ofereceram à Europa e ao mundo um pouco da competência e do talento que se aprende, se ensina e se cultiva em terras lusas .

ALGARVE INFORMATIVO #161


ATUALIDADE

TAVIRA ORGANIZA PASSEIO AO PATRIMÓNIO PESQUEIRO

I

ntegrado no programa «Dieta Mediterrânica Todo o Ano» realiza-se, no dia 7 de julho, entre as 9h30 e as 11h, na Praia do Barril, em Santa Luzia, o passeio «O património pesqueiro da Armação do Barril ou Três Irmãos», sob a orientação da arqueóloga da Associação Lais de Guia, Brígida Baptista. A atividade tem como objetivo dar a conhecer o património pesqueiro da «Armação do Barril ou Três Irmãos» que operou, entre 1841 e 1966, na Praia do Barril. Deste património marítimo subsistem, no local, as estruturas habitacionais, o arraial (aglomerado populacional que funcionava como uma pequena aldeia entre abril e setembro) e um conjunto de outros vestígios da armação de pesca do atum, como o «cemitério de âncoras» com cerca de 250 âncoras de grande porte depositadas no cordão dunar. Para ALGARVE INFORMATIVO #161

além do património material, o passeio aborda igualmente as vivências das pessoas que aqui viveram e trabalharam. Brígida Baptista é licenciada em Arqueologia, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; pós-graduada em Arqueologia Náutica e Subaquática, pelo Instituto Politécnico de Tomar e Universidade Autónoma de Lisboa, assim como mestre em Arqueologia, pela Universidade Nova de Lisboa. É também Presidente da Lais de Guia – Associação Cultural do Património Marítimo com sede, em Santa Luzia, Tavira. Como investigadora, trabalha a temática da pesca do atum no Algarve, tendo como caso de estudo a armação de atum do Barril, na vertente de património material e imaterial. «Dieta Mediterrânica Todo o Ano» é um programa de atividades de salvaguarda da Dieta Mediterrânica que visa divulgar as múltiplas dimensões do estilo de vida e da 118


paisagem cultural. Pretende-se, na perspetiva da sustentabilidade social, ambiental e económica, dar a conhecer as paisagens produtivas, os alimentos, os saberes-fazeres e as ameaças à sua continuidade, assim como explorar, experimentar e saborear. O programa integra passeios de interpretação do território, demonstrações culinárias e nutricionais, mostras fílmicas, oficinas de arte e artesanato, entre outras.

As iniciativas são promovidas pelo Município de Tavira e contam com a colaboração dos habitantes locais e instituições, numa parceria que envolve o saber empírico e o científico. Todos os interessados deverão efetuar a sua inscrição até dia 5 de julho, através do preenchimento do respetivo formulário (https://goo.gl/forms/PdyDl7tXrOyc2KuY2 ). A inscrição é obrigatória, sendo o número limitado .

HOTEL RURAL QUINTA DO MARCO COM ACESSIBILIDADES PARA MOBILIDADE REDUZIDA Hotel Rural Quinta do Marco já está totalmente adaptado para facilitar a deslocação de clientes com necessidades especiais. Assim, para garantir o melhor conforto a quem tem mobilidade reduzida, o hotel implementou um conjunto de novas acessibilidades em todos os seus espaços, com o apoio do programa «Valorizar», do Turismo de Portugal, na vertente da Linha de Apoio ao Turismo Acessível, num investimento global de cerca de 90 mil euros. Neste âmbito, foram realizadas obras de melhoria de centenas de metros quadrados, com aplicação de pavimento betuminoso permeável, de cor terra escuro, em volta de todo o hotel, permitindo o acesso a cadeiras de rodas e carrinhos de bebés a todos os quartos e espaços públicos: receção, restaurante, bar, piscina, spa e parque de estacionamento. O Hotel Rural Quinta do

O

119

Marco instalou igualmente um percurso tátil direcional e pavimentos de alerta ao longo de todo o espaço, com guias de deslocação e placas de sinalética em braille com indicações para os clientes invisuais. Nos quartos, foram ainda colocadas placas indicativas e direcionais com o respetivo número do alojamento. Também a acessibilidade digital foi melhorada e o website do Hotel Rural Quinta do Marco foi adaptado, pela empresa Dengun, para ser utilizado por invisuais . ALGARVE INFORMATIVO #161


ATUALIDADE

INAUGURAÇÃO DOS NOVOS POLIDESPORTIVOS COMPLETA REQUALIFICAÇÃO DA ZONA SUL DE VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO Complexo Desportivo de Vila Real de Santo António conta, desde o dia 25 de junho, com dois novos polidesportivos com bancadas e balneários (um semicoberto e outro descoberto). Os campos inaugurados pela presidente da Câmara Municipal Conceição Cabrita representam um investimento de 500 mil euros e destinam-se a ser utilizados pelos clubes, atletas e população local. Os novos espaços substituem os antigos polidesportivos, que se encontravam em estado de degradação, e estão aptos à prática de várias modalidades, como

O

ALGARVE INFORMATIVO #161

futebol, basquetebol, andebol, entre outras. Incluem ainda uma área para a instalação das sedes dos clubes que ali desenvolvem atividade. As estruturas estão integradas num projeto mais vasto que requalificou a zona sul da cidade e contemplou a construção de uma unidade comercial, permitindo a criação de 40 novos postos de trabalho. Em contrapartida à instalação da unidade comercial, será ainda entregue um terceiro polidesportivo no final da concessão, a que se juntam outras contrapartidas que permitirão um encaixe financeiro ao município .

120


RTA LANÇA NOVO SITE INSTITUCIONAL

J

á está online o novo sítio institucional da Região de Turismo do Algarve (RTA), uma plataforma totalmente renovada que vem facilitar e potenciar a comunicação da entidade com os seus diversos públicos, disponível em turismodoalgarve.pt. Mais dinâmico e intuitivo, o site apresenta novos conteúdos, maior interatividade e uma melhor experiência de navegação, acessível a partir de qualquer dispositivo móvel. Entre as principais novidades está uma área dedicada aos 20 postos de turismo da RTA, com informação detalhada sobre cada um dos pontos de atendimento certificados que integram a rede da região de turismo. Futuramente, será disponibilizado um catálogo dos produtos à venda nos postos, uma funcionalidade que se encontra ainda em desenvolvimento. A partir da homepage do novo site também é possível aceder aos principais destaques informativos, 121

nomeadamente notícias e eventos institucionais, bem como a uma área de apoio ao investidor, que permite agendar reuniões através do preenchimento de um formulário, ou à biblioteca, gerida pelo Centro de Documentação e Informação da RTA, que conta com cerca de 15 mil títulos para consulta e leitura presencial, e cujo catálogo dá acesso a outras publicações. Igualmente acessível a partir da página de entrada do site encontra-se a informação sobre os projetos que envolvem a entidade regional de turismo, como é o caso do programa cultural «365 Algarve», «Algarve Nature Week», «Algarve Cooking Vacations» ou «Cycling & Walking Algarve», entre outras iniciativas que agora estão agrupadas na mesma área. “O Algarve tem vindo a reforçar a sua presença digital, primeiro com a atualização do site promocional (visitalgarve.pt) e agora com o lançamento do novo site institucional (turismodoalgarve.pt), duas ferramentas fundamentais de contacto com os nossos públicos-alvo”, recorda Desidério Silva . ALGARVE INFORMATIVO #161


ATUALIDADE

ALGARVE TERÁ UM DOS MAIORES SANTUÁRIOS DE ANIMAIS DE PORTUGAL Algarve está prestes a ter um dos maiores santuários animais do país, numa iniciativa da associação «Abrigo dos Animais» (Animal Rescue Algarve) que nasceu graças à generosidade de Sidney Richardson, um homem que decidiu fazer um substancial investimento para concretizar um sonho há muito planeado. O inglês é o responsável pela maior parte do financiamento deste projeto animal, estando radicado em Portugal há 25 anos.

O

ALGARVE INFORMATIVO #161

A ideia é construir simultaneamente três abrigos para animais, em diferentes localizações no centro do Algarve. No total, deverão ter a capacidade para albergar 600 animais e empregar cerca de 25 trabalhadores, terão vigilância 24 horas por dia, durante os sete dias da semana, e funcionários de forma permanente no local. A primeira fase do projeto chama-se «Cabanita» e as obras já arrancaram, devendo o abrigo estar concluído em outubro. Neste momento, a associação está em conversações finais com os municípios 122


de São Brás de Alportel e Loulé para duas possíveis parcerias. Estima-se que existam cerca de 10 mil animais abandonados só na região do Algarve e a missão da «Abrigo dos Animais» é ajudar os animais abandonados, doentes, maltratados, e providenciar assistência veterinária, esterilização, socialização, treino e novos lares junto de famílias definitivas. Uma das grandes preocupações da associação é tratar os animais com dignidade, respeito e conforto e, por isso, a construção do santuário obedece a um design moderno e ecológico, desde o sistema de esgotos que reaproveita a água para outros trabalhos, até às instalações isoladas que alojam os animais, permitindo-lhes viver com o máximo de conforto e qualidade de vida. No plano de obra, as instalações incluem espaços como uma receção com zona de espera e um pequeno campo de treinos equipado com materiais que irão proporcionar a interação de pessoas e cães, um departamento veterinário com sala de operações e recobro, áreas para cachorros, adultos e seniores, uma zona de quarentena, e instalações confortáveis equipadas para receber voluntários locais, nacionais e internacionais. Para além dos cães, existirá ainda áreas para alojar felinos. O grande investidor por detrás do projeto explica que, durante a sua vida, teve a oportunidade de amealhar alguma riqueza e a intenção é dividir esse património entre a família e uma associação de caridade. “Há cerca de 12 anos tive a felicidade de resgatar uma cadela espetacular de uma associação 123

local. Ela tornou-se na minha melhor amiga e mudou a minha vida. Juntando este episódio ao facto de não existirem respostas para a problemática dos animais abandonados neste país, e em específico no Algarve, onde a responsabilidade recai totalmente sobre pequenas associações de animais geridas com escassos recursos, apercebi-me que este era o caminho a tomar”, explica Sidney Richardson. “Decidi então, em vez de deixar um testamento com indicações, aplicar o dinheiro ainda em vida e assegurar-me de que o projeto é realmente construído e colocado em ação”, acrescenta. Embora os fundos para a construção das três infraestruturas do santuário já estejam garantidos, Sidney Richardson adianta que “de nada serve financiar o desenvolvimento do santuário para 600 animais se o projeto não se mantiver autossustentável a longo prazo”. “Há que garantir que, no futuro, continuaremos a ter fundos de maneio para gerir a associação. Precisamos de patrocinadores. Responsabilizamo-nos por criar excelentes instalações, mas pedimos apoio aos municípios, público e outras instituições, e queremos educar as pessoas e mudar mentalidades. Estamos cientes de que a ARA não representa a solução final para todos os animais abandonados do Algarve e que o trabalho nunca deverá recair apenas sobre uma associação. Por isso, reconhecemos e valorizamos o trabalho crucial que outras associações estão a fazer neste momento com parcos recursos e queremos trabalhar em conjunto”, finaliza Sidney Richardson.

ALGARVE INFORMATIVO #161


ATUALIDADE

CÂMARA DE VILA DO BISPO TRANSFERE MAIS DE 140 MIL EUROS PARA AS JUNTAS DE FREGUESIA Câmara Municipal de Vila do Bispo vai atribuir um apoio financeiro no valor de 140 mil e 596,40 euros às quatro Juntas de Freguesia do concelho para o ano de 2018. Deste montante, 45 mil e 596,40 euros teve como base 20 por cento sobre o montante atribuído pela Administração Central a cada Freguesia. Assim, a Junta de Freguesia de Barão de São Miguel recebe 4 mil e 970,20 euros, Budens recebe 10 mil e 865 euros, Sagres 10 mil e 882 euros e Vila do Bispo e Raposeira 18 mil e 879,20 euros. Estes valores destinam-se a fazer face às despesas daquelas Juntas de Freguesia no âmbito das suas competências e atribuições, atenuando, assim, a insuficiência das verbas disponibilizadas pela Administração Central através do Fundo de Equilíbrio Financeiro.

A

ALGARVE INFORMATIVO #161

Tal como nos anos anteriores, a Câmara Municipal de Vila do Bispo deliberou também atribuir um apoio financeiro adicional a todas as freguesias do concelho, no valor total de 95 mil euros, com Barão de São Miguel a receber 20 mil euros e as restantes 25 mil euros cada. Estes valores serão afetos única e exclusivamente a despesas de investimento a realizar pelas respetivas Freguesias. Foi deliberado ainda que este apoio adicional será atribuído ao longo do mandato 2017/2021. Com estes valores, a Autarquia pretende dar resposta às necessidades manifestadas pelas Juntas de Freguesia em concretizar diversas atividades e desenvolver diferentes projetos, bem como promover o desenvolvimento local com a realização de obras de construção, reconstrução ou beneficiação de instalações, equipamentos e de outras infraestruturas das Freguesias.

124


CASAS JUNTO À ESTAÇÃO DOS CAMINHOSDE-FERRO DA FUSETA/MONCARAPACHO VÃO SER GERIDAS PELA FREGUESIA União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta vai reabilitar as três casas de habitação junto à passagem de nível da estação de caminho-de-ferro da Fuseta/Moncarapacho, tendo para o efeito celebrado um contrato de subconcessão com a Infraestruturas de Portugal Património – Administração e Gestão Imobiliária, S.A.. O acordo, com início no dia 1 de julho, terá a duração de 25 anos e já foi aprovado em reunião da Assembleia de Freguesia.

A 125

As três habitações estão ao abandono há mais de 20 anos e têm servido de albergue a indigentes. A União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta vai efetuar obras de recuperação nos edifícios e os valores gastos nesses trabalhos serão abatidos nas rendas do contrato celebrado com a Infraestruturas de Portugal Património. Esta subconcessão destina-se ao apoio às atividades da União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta e ao Parque de Campismo da Fuseta .

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

126


127

ALGARVE INFORMATIVO #161


DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Bruno Cavaco

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.

ALGARVE INFORMATIVO #161

128


129

ALGARVE INFORMATIVO #161


ALGARVE INFORMATIVO #161

130

ALGARVE INFORMATIVO #161  

Revista semanal sobre o Algarve e os Algarvios

ALGARVE INFORMATIVO #161  

Revista semanal sobre o Algarve e os Algarvios