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ALGARVE INFORMATIVO 5 de maio, 2018

«A BALLET STORY» DE VICTOR HUGO PONTES «NUM VALE DO AQUI» DE DANIEL MATOS | DESENHAR A 3D OS MEDICAMENTOS DO FUTURO «A TECEDEIRA QUE LIA ZOLA» DO TEATRO EXPERIMENTAL DO PORTO| COMEÇOU O DIVAM 2018 1 ALGARVE INFORMATIVO #154


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CONTEÚDOS #154 5 DE MAIO, 2018 50

ARTIGOS 10 - Grande Mostra de Vinhos de Albufeira 18 - Espaço Empresa de Tavira 24 - Auditório Carlos do Carmo 32 - Alexandra Gonçalves 40 - «A Ballet Story» 50 - «A Tecedeira que lia Zola» 60 - «Num Vale Do Aqui» 72 - Semear Saúde 86 - Desenhar a 3D os medicamentos do futuro 106 - Atualidade

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OPINIÃO 96 - Paulo Cunha 98 - Paulo Bernardo 100 - Adília César 102 - Fábio Jesuíno ALGARVE INFORMATIVO #154

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REPORTAGEM

Carlos Oliveira – Chanceler da Confraria Bacchus de Albufeira

UMA MOSTRA NACIONAL COM MUITOS ALGARVIOS A BRILHAREM Texto e Fotografia:

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(Wine Educator)

ais um ano e mais um crescimento daquele que é o maior e mais importante evento vínico do Algarve – a Grande Mostra de Vinhos de Portugal – realizada em Albufeira de 27 a 30 de maio,

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pela Confraria Bacchus. Grande e importante porque são mais de uma centena de produtores e cerca de mil referências de vinho que estão disponíveis para prova e que fazem a delícia de qualquer enófilo.

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Carlos Oliveira – Chanceler da Confraria Bacchus – no último dia está visivelmente cansado, mas tremendamente satisfeito com mais um sucesso desta edição, destacando o crescimento que tem sido uma constante desde a primeira edição. “Este ano tivemos uma verdadeira enchente no fim-de-semana e também 30 novos produtores que cá não tinham estado”. Aliás, esta vai sendo uma das dificuldades, o espaço para tantos visitantes e, sobretudo, a procura dos expositores. Carlos Oliveira revela um segredo curioso da organização suportado pela matemática. “Começamos com mesas de dois metros Mário Santos, da Quinta da Tôr, era um produtor visivelmente satisfeito, para os stands e aqui com o seu enólogo Pedro Mendes, à direita agora já vamos em 1,5 metros. Aliando a uma ginástica na geográfica central e a grande disposição das mesas, vamos atratividade do mercado algarvio para o conseguindo levar isto a bom porto, mas setor, dado o número de visitantes que a temos que eventualmente começar a ser região tem. Por outro lado, refere que mais seletivos nas participações”. “ao fazermos um evento especializado e dedicado apenas ao vinho, ganhamos uma forte atratividade dos Para Carlos Oliveira, o sucesso do evento produtores e dos profissionais que está relacionado com a localização 11

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O Algarve tem novo produtor e novos vinhos. É o Esquerdino, para já em branco e rosé, com os tintos a chegarem ao mercado no fim do ano. Na foto, Josefina Fernandes com a mãe Maria Emília e Edgar Vilarinho

Com o Vila Alva vinhas centenárias, vinificado em Talha, é caso para dizer «Alô Vidigueira» que pelo branco de Talha conseguiram. No stand, a boa disposição dos seus representantes era contagiante. ALGARVE INFORMATIVO #154

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aqui querem estar, juntamente com o público, tanto enófilo como ao de passagem, mas que quer também estar presente”. Aliado à mostra de vinhos, a Confraria organiza também o Concurso de Vinhos, que é de âmbito nacional e que este ano viu os Vinhos do Algarve receberem muitas medalhas, do ouro ao bronze. Algumas delas curiosas por serem atribuídas a rosés, normalmente um género ainda não reconhecido pelo consumidor, mas que, em competição, tem tido bons resultados. Assim, destacase o «Mitto», do Morgado da Torre, com medalha de ouro, e o «Euphoria», do Convento do Paraíso com medalha de prata. São vinhos rosés claramente gastronómicos, sem aquele lado de rebuçado que os torna geralmente Nuno Cabral, comercial dos Vinhos «Dona Berta», no Douro, trouxe a concurso um branco de vinhas centenárias com 10 anos, numa aborrecidos quando levados brincadeira com o facto de esta ser a 10.ª edição da Mostra. O à mesa. No entanto, fazem resultado foi uma medalha de ouro e uma placa especial por ser um falta os rosés ditos de produtor que marca presença há uma década no certame. «piscina», mais agradáveis e Algarve, como para o trabalho que frescos, mas que têm essa limitação nos temos vindo a fazer e que muito nos pairings. orgulha. Estávamos em competição com vinhos de Portugal e receber logo Uma vitória que deixou Mário Santos a medalha de ouro é fantástico”, muito satisfeito, apesar de surpreendido. frisou. Era por isso que o ambiente junto “Não estávamos à espera e estou muito do stand da Quinta da Tôr estava muito contente, não só porque é um animado, com o próprio enólogo Pedro reconhecimento para os vinhos do 13

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Rui Franco e Inês Franco, dos Vinhos do Tejo, eram dos poucos representantes de uma região que ainda não se afirmou como merece.

Os vinhos Cabrita estiveram muito bem no concurso e o seu enólogo residente, Dinis Gonçalves, mostrava-se contente ALGARVE INFORMATIVO #154

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Mendes igualmente honrado e contente com a prestação que o «Algibre», o reserva tinto e o topo de gama desta quinta, alcançou no certame. Já que estamos a falar de enólogos, viramos para o stand ao lado e encontramos outro muito sorridente. Sendo o último dia de uma feira bastante concorrida, não é normal tanta energia. Desconfio que haverá prémios também por este lado, algo que rapidamente Dinis Gonçalves, enólogo residente da Quinta da Vinha, a propriedade onde são colhidas e vinificadas as uvas que dão origem aos vinhos «Cabrita», confirma com as cinco medalhas obtidas numa prestação em toda a linha, desde o branco de 2017 ao tinto reserva de 2015 (ambos prata), passando pelo rosé, tinto e o monocasta «Negra Mole», todos com bronze. “Vamos fazendo o nosso trabalho e Bruno Andrade brinda com o «Euphoria» à sua medalha de prata quando ganhamos ficamos conquistada satisfeitos, mas não acusamos estão a concurso e, portanto, não o peso das medalhas”, salienta Dinis podemos generalizar para além desta Gonçalves. O enólogo destaca a boa amostra”, apontou. prestação dos vinhos algarvios a concurso e entende que “o sucesso pode dever-se, Deixo o outro premiado algarvio para quer ao facto de os nossos vinhos serem último por ser duplamente interessante: atrativos e bem-feitos, quer também à qualidade que rivaliza com a maioria das trata-se da primeira vez que está presente no certame e logo com uma regiões”. No entanto, não sobrevaloriza as vitórias, pois quem anda nisto sabe que a medalha de prata com o branco Colheita Selecionada 2017 de Antão Vaz e Arinto; competição é sempre relativa aos que participam. “Isto é sempre uma e também por ser um novo produtor competição apenas com os vinhos que cá algarvio e uma nova marca de Vinho do 15

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Algarve. É a Quinta do Canhoto, localizada em Albufeira, que irá para já comercializar a marca «Esquerdino», para já com um rosé e dois brancos, o premiado já referido e um monocasta de Antão Vaz, que creio ser o primeiro no Algarve, pois esta casta é complicada de produzir vinhos de qualidade quando não se tem o terroir adequado. Algo que aqui parece ter sido conseguido. A enologia está a cargo de Jorge Páscoa e é um projeto familiar, já com quatro gerações, mas que agora se afirma no mercado de forma mais robusta e séria. O tinto está a caminho e encontram-se em estágio, estando disponível para o final do ano. Josefina Fernandes é uma das proprietárias e está ligada à agricultura,

tendo depois tirado formação na área da enologia com estágio final realizado na Adega de Lagoa, o que lhe permitiu encarar com confiança este desafio. Para já são 10 hectares de vinha, mas a quinta tem potencial de crescimento para o dobro. Irá também ter capacidade para receber visitas, “um projeto que ainda estamos a desenvolver, mas que está para breve”, destaca a produtora. Iremos, portanto, ouvir falar mais do Esquerdino e da Quinta do Canhoto, que começa muito bem a sua entrada no mercado, podendo até brincar com o nome, dizendo que o faz com o pé direito .

Carlos Bastos e Rita Ferreira com o seu «Head Rock», vieram de Trás-os-Montes, outra região pouco conhecida e divulgada como justifica ALGARVE INFORMATIVO #154

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REPORTAGEM

Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, e Ana Teresa Lehmann, Secretária de Estado da Indústria

TAVIRA ESTÁ NO «PELOTÃO DA FRENTE» DOS ESPAÇOS EMPRESA Texto:

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oi inaugurado, no dia 30 de abril, pela Secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehmann, o Espaço Empresa de Tavira, situado no Centro de Negócios e Incubadora Level Up, na Avenida da Liberdade, junto ao edifício da Câmara Municipal. A criação desta nova valência advém do protocolo celebrado, a 9 de abril, nas Caldas da Rainha, entre o Município de Tavira, o IAPMEI (Agência para a Competitividade e ALGARVE INFORMATIVO #154

Inovação), a AMA (Agência para a Modernização Administrativa) e a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal). O Espaço Empresa disponibiliza aos empresários, num único local e com um modelo de atendimento personalizado – presencial, telefónico, digital e digital assistido – serviços de informação, aconselhamento e acompanhamento, incorporando o conceito inovador de 18


articulação com serviços da Administração Pública Central e Local, com intervenção no desenvolvimento da atividade empresarial. Deste modo, torna-se facilmente acessível informação técnica sobre mercados e instrumentos financeiros de apoio à internacionalização; dá-se apoio na identificação de soluções integradas de financiamento e incentivos para os negócios; e agilizam-se os processos empresariais e a concretização de novos investimentos, através de intermediação e facilitação institucional com entidades da Administração Pública e outros parceiros. No Espaço Empresa é dada também assistência na formulação de estratégias de abordagem a mercados internacionais e apoio às empresas no acesso ao território e

ao exercício da atividade económica; promove-se a transferência de conhecimento por via da intermediação com as Entidades de ID&T; e disponibiliza-se atendimento assistido à realização de serviços eletrónicos associados às formalidades empresariais. “Este pretende ser o primeiro passo para muitas relações de trabalho, desburocratizadas e simplificadas. O Governo resolveu, e bem, assumir que a descentralização e a proximidade na área das empresas por um tratamento processual são fatores de desenvolvimento e de criação de emprego e o Município de Tavira prontamente manifestou interesse em acolher esta proposta do Ministério da Economia e do Ministério da Presidência e da Modernização

Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, Ana Teresa Lehmann, Secretária de Estado da Indústria, Ana Passos, deputada pelo PS/Algarve na Assembleia da República e João Pedro Rodrigues, Vereador da Câmara Municipal de Tavira 19

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Administrativa”, explicou Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, acrescentando que o novo Espaço Empresa ficará situado precisamente num local que já estava vocacionado para as relações com o tecido empresarial. “Serão muitos serviços online e colaboradores da autarquia, formados antecipadamente e que, a partir de hoje, já podem começar a trabalhar naquele espaço”, reforçou o edil. Jorge Botelho enfatizou a vontade do concelho de Tavira continuar a contribuir para o processo de descentralização que está em curso, incentivando, inclusive, o Governo de António Costa a ir mais além do que está previsto. “Estamos prontos para assumir mais responsabilidades dentro daquilo que, obviamente, caiba no patamar das autarquias. Penso que faremos tão bem, ou melhor, do que a

Administração Central, tratando com proximidade o que deve ser tratado com proximidade e tratando centralmente o que deve ser tratado centralmente. Acredito que ficaremos todos melhor e até economizamos euros ao erário público com a desburocratização”, salientou o também presidente da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve. Ana Teresa Lehmann lembrou, entretanto, que o Espaço Empresa de Tavira é um dos primeiros a abrir em Portugal. “É um espaço de simplificação, facilitação e agilização da vida das empresas e dos empresários”, descreveu a Secretária de Estado da Indústria, falando de um catálogo de mais de 100 serviços que agora ficam ao dispor dos tavirenses e de todos aqueles que decidam implantar

Jorge Botelho entregou à Secretária de Estado da Indústria uma cesta com produtos típicos do Algarve ALGARVE INFORMATIVO #154

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Depois da apresentação formal nos Paços do Concelho, a comitiva seguiu para o Espaço Empresa, onde se deu a conhecer melhor os serviços agora colocados à disposição dos empresários de Tavira

os seus negócios neste concelho do sotavento algarvio. “É uma prova cabal da cooperação interinstitucional e interministerial e o que se pretende é reduzir os custos de contexto, simplificar processos e facilitar o acesso a serviços da Administração Central e Local. E os municípios são quem melhor conhece os territórios e desempenham um papel decisivo na expansão física desta importante rede de atendimento aos empresários”, considera a governante. A Secretária de Estado da Indústria recordou as experiências-piloto encetadas, em 2017, em Ansião, Abrantes e Leiria, com o projeto a ganhar maior escala, a 9 de abril, com a celebração dos protocolos com 21 autarquias e com a Comunidade Intermunicipal do Oeste, que congrega 21

outros 11 municípios. “Neste momento, já temos uma cobertura direta de mais de 10 por cento dos municípios portugueses, que têm também uma boa abrangência territorial, de norte a sul de Portugal. O que esperamos é que o conceito se difunda por outros concelhos, sendo Tavira pioneira na adesão ao Espaço Empresa”, destacou Ana Teresa Lehmann. “Os objetivos são criar mais e melhor emprego nos municípios, nas regiões e no país; promover a inovação e o empreendedorismo; e o nosso crescimento económico e a afirmação de Portugal. Temos uma elevada expetativa quanto ao sucesso deste pacote de serviços”, finalizou a governante .

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REPORTAGEM

LAGOA IMORTALIZA O NOME DE

CARLOS DO CARMO Texto:

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Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa

Auditório Municipal de Lagoa passou a chamar-se, desde o dia 28 de abril, Auditório Municipal Carlos do Carmo, uma vontade do executivo liderado por Francisco Martins desde há quatro anos mas que só no início de 2018 é que se conseguiu concretizar, declarou o edil lagoense na ocasião. “Com a humildade que todos nós reconhecemos ao Carlos do Carmo, ele aceitou num minuto esta homenagem que o concelho de Lagoa faz à sua pessoa. Para a minha equipa existem dois grandes pilares em termos do investimento que devemos fazer enquanto autarcas – a Cultura e a Educação – o que nem sempre é compreendido pela população. As obras também as fazemos, mas o que é realmente estruturante para este

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concelho são a Cultura e a Educação”, frisou Francisco Martins. Recordando as palavras do PrimeiroMinistro António Costa de que Portugal tem que apostar na sociedade digital que se aproxima a passos cada vez mais rápidos, o autarca confirmou que o mundo atual anda a uma velocidade difícil de acompanhar. “Já não temos tempo para nada mas, por muita tecnologia que tenhamos, por muitos melhoramentos que façamos, há algo que é imortal, a Cultura, basta olhar para as referências do passado que permanecem vivas. E tudo o que fazemos em Lagoa como Cidade Educadora tem também sempre por trás a Educação. Quando decidimos batizar este equipamento cultural, pensei imediatamente num único 26


nome, o do Carlos do Carmo”, revelou Francisco Martins, explicando a escolha: “É uma referência internacional daquilo que é a nossa cultura, música e língua e estas homenagens devem ser feitas em vida. O Carlos do Carmo já atingiu um patamar alcançável apenas por uns poucos, o de ser imortal, e este é o nosso sincero contributo para tal”, terminou o presidente da Câmara Municipal de Lagoa. Visivelmente emocionado com o gesto, Carlos do Carmo agradeceu a gentileza e, com boa-disposição, garantiu que ainda não está com «os pés para a cova». “Vou ter igualmente uma rua com o meu nome em Elvas, devem querer aproveitar para fazer estas coisas antes que eu me vá embora”, disse, com um sorriso, por saber que, normalmente, estas homenagens surgem depois das pessoas desaparecerem. “Não acredito que

Portugal avance sem Cultura e Educação, elas são a base de tudo. É nessas áreas que os países realmente evoluídos fazem os grandes investimentos e, depois, as coisas acabam por acontecer normalmente. Se fossemos um povo estúpido, acredito que a tarefa seria mais complicada, mas o que temos é um povo que foi massacrado por 50 anos de ditadura e isso não se dissolve em 44 anos de liberdade”, entende o consagrado fadista. “Sinto-me profundamente lisonjeado com esta homenagem e espero estar à altura dela”. Depois das intervenções, seguiu-se o descerrar de uma figura de Carlos do Carmo na fachada lateral do edifício, uma obra do artista plástico Ricardo Crista. Na base da escultura esteve uma

O fadista Carlos do Carmo 27

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Francisco Martins, Carlos do Carmo e o artista plástico Ricardo Crista

fotografia do homenageado e, partindo de uma folha de aço corten de 5mm (1,5mx3m), o setubalense desenhou e esculpiu numa única linha contínua. A obra, reproduzida em pequenas réplicas, foi depois oferecida a cada um dos fadistas que, à noite, protagonizaram a gala de homenagem a Carlos do Carmo, designadamente Camané, Paulo de Carvalho, Marco Rodrigues e Cristina Branco, bem como aos músicos Marino Freitas (baixo), Luís Guerreiro (guitarra portuguesa) e Carlos Manuel Proença (guitarra clássica). No interior do Auditório Municipal Carlos do Carmo estava, entretanto, patente uma exposição de objetos e testemunhos relevantes do percurso deste nome maior da música e da cultura portuguesa, organizada pelo Museu do Fado. Na mostra incluíam-se o Grammy Latino de Carreira que Carlos do ALGARVE INFORMATIVO #154

Carmo recebeu em 2014 (distinção inédita para um artista português), uma coleção de cerca de 20 discos muito especiais e manuscritos e reportórios da sua coleção pessoal. À noite assistiu-se, então, a uma esplendorosa noite de fados, que contou com a presença de diversas personalidades da vida política e cultural portuguesa, entre as quais o PrimeiroMinistro António Costa – com quem Carlos do Carmo trabalhou durante sete anos na Câmara Municipal de Lisboa, assim como Miguel Freitas, Secretário de Estado da Floresta e do Desenvolvimento Rural; José Apolinário, Secretário de Estado das Pescas; Fernando Serra, Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve; 28


os deputados do PS/Algarve Fernando Anastácio e Luís Graça; e o executivo da autarquia, entre outras individualidades.

da carreira do fadista e que terá estado na origem do romance com a sua esposa, Maria Judite de Sousa Leal .

Pequenas intervenções documentais ao longo do espetáculo revelaram histórias partilhadas entre amigos, fruto de grandes cumplicidades. O espetáculo culminou com o fadista a dar a voz a dois fados: «Sombra», do seu novo álbum de originais, a partir de um poema de Hélia Correia (Prémio Camões 2015 e Escritora Galega Universal 2017); e «Estranha forma de vida», um fado composto por Amália Rodrigues que fez parte do reportório inicial O Grammy Latino de Carreira atribuído a Carlos do Carmo em 2014

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ENTREVISTA

MONUMENTOS DO ALGARVE GANHAM VIDA COM MAIS UMA EDIÇÃO DO DIVAM Texto:

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rrancou, no dia 14 de abril, nos Monumentos Megalíticos de Alcalar, a quinta edição do DiVaM, programa de dinamização e valorização dos monumentos afetos à Direção Regional de Cultura do Algarve que contempla ainda o Castelo de Aljezur, a Fortaleza de Sagres, a Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe, o Castelo de Paderne, o Castelo de Loulé e as Ruínas Romanas de Milreu. Em Ano Europeu do Património Cultural, o tema escolhido foi «Património – Que Futuro?» e o objetivo é que os visitantes dos lugares-património sob gestão da DRCAlg retirem algum valor pessoal, educativo, histórico, social e até económico dessa experiência. “A intenção é que os nossos monumentos sejam mais do que testemunhos da história de um povo, mas que sejam espaços onde acontece cultura, associada ao próprio lugar e às novas tendências culturais que se transmitem de geração em geração. São cinco anos de uma programação que não é nossa, da DRCAlg, mas sim das associações culturais que se candidatam, que apresentam as suas propostas, dentro das diferentes temáticas anuais”, sublinha Alexandra Gonçalves.

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O programa foi criado de raiz aquando da chegada da nova Diretora Regional de Cultura do Algarve, com o espírito, voltese a referir, de dinamizar e valorizar um património que dificilmente conseguirá contar, por si só, histórias a quem os visita. Mas não foi fácil contrariar a velha ideia de que os monumentos são para serem visitados sem se tocar em nada para não se estragar, daí que todas as candidaturas sejam rigorosamente avaliadas tendo em conta as condicionantes que cada espaço ALGARVE INFORMATIVO #154

classificado monumental contempla. “Quando há exposições, há que ver se é possível furar uma parede ou não. Quando são artes mais contemporâneas ou de multimédia, temos que ver o que se pode fazer e onde é que se pode fazer. Os limites das atuações são estabelecidos pela DRCAlg aquando da seleção de propostas pela equipa de coordenação dos monumentos”, esclarece a entrevistada, confirmando que houve algumas resistências iniciais ao DiVaM. “Não havia uma prática de se pensar os monumentos para além do seu valor histórico e monumental e de se criar uma fruição mais direta pelos diferentes públicos, e foi nesses aspetos que tivemos que trabalhar”. O trabalho produziu frutos, já ninguém retira o mérito ao DiVaM, e isso mesmo fica comprovado pelo número crescente de propostas que são entregues de ano para ano, para satisfação de Alexandra Gonçalves. Após a tal rigorosa seleção, a edição de 2018 é constituída por 45 ações, menos do que em anos anteriores, mas a redução tem uma explicação simples: “Mais ações significavam uma pressão muito grande sobre os espaços e sobre a própria equipa da Direção Regional e chegamos a um equilíbrio que nos permite ter uma atividade quase permanente ao longo de todo o ano, com uma menor incidência em agosto, mês onde já existe uma enorme oferta cultural de uma ponta à outra da região”, adianta a responsável, não querendo estabelecer uma relação de causa-efeito direta entre o sucesso do DiVaM e o aumento que se tem 34


verificado de visitantes nos monumentos do Algarve. “Há uma tendência geral de subida do número de turistas no Algarve e o principal público dos nossos monumentos são, efetivamente, visitantes estrangeiros, cerca de 80 por cento. Acredito que o DiVaM contribui para esse fenómeno, porque a divulgação do programa nos postos de informação turística também é feita em inglês e há uma veiculação de propostas de atividades que levarão algumas pessoas aos monumentos, mas há uma tendência geral de maior procura destas propostas diferenciadoras, únicas, que têm a ver com a identidade e a cultura de cada região”. Os visitantes de outras nacionalidades dominam, de facto, a afluência aos monumentos do Algarve, mas o mesmo não se pode dizer dos eventos do DiVaM, embora os residentes estrangeiros continuem a ser maioritários, por exemplo, nos concertos de música erudita. “Este programa não visa o turista em si, tem 35

uma finalidade de atração das comunidades de proximidade, ou da própria região, para revisitar os monumentos”, distingue Alexandra Gonçalves. “Há um efeito de atração direta em determinados eventos, noutras ocasiões, os turistas estão a visitar os espaços e aproveitam para desfrutar das atividades que acontecem naquele dia. O objetivo principal, como disse, é a população residente e as comunidades de proximidade, mas é claro que o DiVaM também alavanca o turismo”. A Diretora Regional de Cultura do Algarve também não subscreve a ideia de que os portugueses não conhecem os seus próprios lugares-património, defendendo que existe, hoje, uma consciência patrimonial diferente da que havia há uns anos. “Vemos que há repetição de visitas em muitos eventos, públicos que renovam a sua participação, mas também há novas pessoas a surgir nos monumentos. A ALGARVE INFORMATIVO #154


comunidade residente também está mais desperta para este género de propostas”, confirma.

UM PROGRAMA DE MÉRITOS RECONHECIDOS Constituído por 45 ações, o DiVaM promete animar os Monumentos Megalíticos de Alcalar, o Castelo de Aljezur, a Fortaleza de Sagres, a Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe, o Castelo de Paderne, o Castelo de Loulé e as Ruínas Romanas de Milreu até dezembro, numa programação que, surpreendentemente, tem um orçamento que não chega aos 55 mil euros. “Andamos numa luta permanente no início do ano porque estamos sempre dependentes do orçamento que estiver disponível, embora a temática seja logo estudada no final do ano anterior, assim como as ALGARVE INFORMATIVO #154

normas que vão orientar a receção das candidaturas. Quando as propostas são muitas, o processo de seleção torna-se mais complicado, porque são ouvidos os coordenadores dos diferentes monumentos e há que chegar a um consenso interno sobre o programa final”, indica Alexandra Gonçalves, destacando ainda o apoio logístico e humano que é prestado pelas autarquias onde estão inseridos estes monumentos e as parcerias realizadas com outras entidades. Apesar das dificuldades inerentes ao processo, o programa de cada DiVaM é normalmente apresentado em abril, o que voltou a acontecer em 2018, com a cerimónia de abertura a ter lugar no dia 14. “É evidente que gostaríamos de ter mais verbas disponíveis, mas creio que é uma proposta com grande qualidade 36


de uma atividade cultural em torno de espaços que são muito simbólicos e que merecem a nossa aposta. Por vezes acontecem eventos nos mesmos dias e em locais diferentes porque estão direcionados para públicos distintos. Em datas especiais como o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios ou as Jornadas Europeias do Património, há diversas atividades a decorrer em simultâneo, para tentar levar as pessoas a algum lado nesses fins-de-semana ou finais de tarde”, aponta a Diretora Regional de Cultura do Algarve, acrescentando que as associações que se candidatam ao DiVaM têm que estar, obrigatoriamente, sediadas na região. Como os temas são renovados anualmente, todas as edições contemplam propostas diferentes, inovadoras, em relação às transatas, mas também há atividades que permanecem de um ano para o outro, devido ao grande sucesso que tiveram junto do público. “É o exemplo da construção de uma Caravela, em Sagres, com o Centro de Ciência Viva de Lagos, que funcionou bastante bem pelo seu carater lúdico, pedagógico e científico. Este ano verifica-se uma grande incidência nas artes performativas e nos ateliers, dando resposta à nossa missão de criação de públicos a partir das escolas dos primeiros ciclos, dos mais novos”, declara a entrevistada. “Os professores aderem facilmente a este tipo de 37

propostas por serem uma forma diferente de ensinar, não formalmente dentro de uma sala de aulas”, justifica. Ao todo, 18 associações estão envolvidas nas 45 ações que perfazem a quinta edição do DiVaM, atestando o sucesso do programa idealizado, há cinco anos, por Alexandra Gonçalves. “Deu muito trabalho e é bastante exigente na sua implementação, mas creio que os esforços vão dando resultados. Muitas pessoas nos foram perguntando quando é que começava o DiVaM, o que é que ia acontecer, que novidades teríamos. Conseguiu-se criar um hábito em redor desta programação e espero que ele se mantenha no futuro. Da nossa parte o empenho é total, creio que tem valido a pena e daqui a uns meses começamos já a pensar na edição do próximo ano”, conclui a Diretora Regional de Cultura do Algarve .

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SIMPLESMENTE FANTÁSTICO, «A BALLET STORY», DE VICTOR HUGO PONTES, NO TEATRO DAS FIGURAS Texto:

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o dia 28 de abril, o coreógrafo Victor Hugo Pontes apresentou, no Teatro das Figuras, em Faro, o fantástico «A Ballet Story», peça estreada, em 2012, por ocasião de «Guimarães Capital Europeia da Cultura». «A Ballet Story» tem como ponto de partida o ballet Zephyrtine, de David Chesky. “No entanto, não se trata da representação teatral ou da ilustração da história original – o exercício foi de abstração e partiu do movimento dos corpos no espaço em articulação com a música. Não há contos de fadas, nem elementos do maravilhoso ou do fantástico. A moral é outra, o desenlace, diferente”, explica o coreógrafo. “Em «A Ballet Story», não sei se a história se ajusta à música ou se a dança se ajusta à história. Não se trata de uma articulação linear entre música, narrativa e dança, mas sim de um processo de influências mútuas e afinidades eletivas que originam uma peça manipulável de modos diversos e, tanto quanto possível, inteira. A narrativa será fabricada por cada espetador (ou não)”, acrescenta o diretor artístico. Com Música de David Chesky e Versão Musical pela Fundação Orquestra Estúdio, sob a direção do Maestro Rui Massena, «A Ballet Story» é atualmente interpretada por André Mendes, Dinis Santos, Iuri Costa, João Dias, Joana Castro, Liliana Garcia e Valter Fernandes. A Cenografia é de F. Ribeiro e a Direção Técnica e Desenho de Luz de Wilma Moutinho. Os Figurinos são de Victor Hugo Pontes, com a Operação de luz nas mãos de Carlos Ribeiro, a Montagem de Cenografia é da responsabilidade de João Soares e tem Direção de Produção de Joana Ventura. O espetáculo é uma Coprodução da Nome Próprio, estrutura residente no Teatro Campo Alegre, no âmbito do programa Teatro em Campo Aberto com o apoio da República Portuguesa Ministério da Cultura / Direcção-Geral das Artes .

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TEATRO EXPERIMENTAL DO PORTO TROUXE A FARO «A TECEDEIRA QUE LIA ZOLA» Texto:

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Teatro das Figuras, em Faro, recebeu mais um espetáculo no âmbito do ciclo «Porto em Faro», no dia 26 de abril, com o Teatro Experimental do Porto a apresentar «A Tecedeira que Lia Zola», uma peça que nos transporta ao Portugal dos anos 70, para o período pré-revolução do 25 de abril de 1974.

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Inspirados pelos movimentos revolucionários da época, jovens portugueses, burgueses, urbanos e letrados, decidem abandonar os seus estudos ou os seus primeiros empregos e rumam em direção às fábricas e aos campos para fazer a «revolução cultural». Clandestinos, enquanto pregam a revolução, pegam em enxadas e manobram máquinas agrícolas e fabris. Na mala guardam o «Germinal» de Émile Zola, o «Livro Vermelho» de Mao Tsé-Tung, o existencialismo de Jean-Paul Sartre e muita vontade de mudar o mundo. E é a história de quatro desses jovens que conhecemos nesta bela peça do Teatro Experimental do Porto, encenada e cocriada por Gonçalo Amorim e com interpretação e cocriação de Bruno Martins, Catarina Gomes, Tiago Jácome e Sara Barros Leitão. Nos bastidores temos o Apoio Dramatúrgico de Rui Pina Coelho; a Cenografia e Figurinos são de Catarina Barros; o Desenho de Luz é de Francisco Tavares Teles; e a Música está a cargo de Pedro João. «A Tecedeira que lia Zola» é uma Coprodução do Teatro Municipal do Porto . ALGARVE INFORMATIVO #154

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REPORTAGEM

DANIEL MATOS APRESENTOU «NUM VALE DO AQUI» EM LAGOS Texto: 61

Fotografia:

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performance de dança contemporânea «Num Vale do Aqui», criada, concebida e dirigida por Daniel Matos, foi a cena no Centro Cultural de Lagos, nos dias 27 e 28 de abril, numa produção do Teatro Experimental de Lagos e com interpretação de Adriana Xavier, Lia Vohlgemuth, Mélanie Ferreira, Rodrigo Lemos e Rodrigo Teixeira. O espetáculo é uma cocriação de Adriana Xavier, Lia Vohlgemuth, Margot Suzi, Mélanie Ferreira, Rodrigo Lemos e Rodrigo Teixeira, com Composição Musical de Daniel Matos e Nelson Nunes; Desenho de Luz de Daniel Matos e Gi Carvalho; Conceção Plástica, Cenografia e Adereços de Daniel Matos; Apoio à Dramaturgia de Francisco Pedro; Figurinos de Bruna Porto; Fotografia e Vídeo de António Coelho, Joaquim Leal e Teresa Lopes da Silva; Direção de Produção de Joana Flor Duarte e Assistência à Produção de Davide Vicente.

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De acordo com Daniel Matos, «Num Vale do Aqui» surge da raiz da palavra pertencer, da necessidade de estar ligado, da procura de um lugar e de alguém, da procura de NÓS aqui. O projeto é a resposta a um desafio proposto pela Unidade Curricular de Projeto na Escola Superior de Dança, sendo desenvolvido um exercício coreográfico de 15 minutos sob orientação de Francisco Pedro, João Fernandes e Isabel Duarte. Foi tomada como ímpeto a palavra pertencer e a exploração do criador e dos cinco intérpretes (dois masculinos e três femininos) partiu da génese dessa mesma palavra. “A partir da vastidão de possibilidades presentes no conceito base, a opção tomada como caminho a seguir foi idealizada na sequência do que se espelha hoje em dia entre nós, na constante procura de um sítio onde possamos ancorar-nos como indivíduos e na fuga constante, na procura constante de um encontro pessoal, reforçando a ideia de necessidade e pertença dos outros e aos outros, sendo a ânsia pela necessidade tomada como ímpeto para a energia central do objeto coreográfico”, explica Daniel Matos. ALGARVE INFORMATIVO #154

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«Num Vale do Aqui» tem como base musical o minimalismo repetitivo, reforçando o carácter cíclico e exaustivo da peça, atribuindo uma especificidade interpretativa aos bailarinos necessária ao desenvolvimento da busca pela pertença e do eu singular. “O facto da secção coreográfica apresentada se iniciar no para lá do palco, no lado do espectador, provém desta ideia do inconfortável, mas obrigatório (no entanto não literal). Existe como que um confronto interno de não pertença que no entanto é aceite e é resolvido pelos intérpretes através de uma imposição pacífica e do êxodo populacional para um grupo restrito, gerando uma bolha isolada dentro de uma célula maior, passando de uma dispersão para uma acumulação por parte dos intérpretes”, descreve o criador.

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O corpo é então responsável pela estruturação coreográfica desde o princípio, sendo este um veículo social portador de livre arbítrio capaz de agir diretamente sobre um espaço/situação de uma maneira direta e eficaz. “O intérprete, ao longo do objeto coreográfico, apresenta-se como uma matéria viva potenciadora de transmissão, de comunicação e de pictorismo necessários ao desenvolvimento da dramaturgia inerente à criação coreográfica sendo possível, através do desenvolvimento de uma linguagem específica do objeto artístico, alcançar uma plasticidade necessária à união dos intérpretes como individuais e como coletivos, estando esta união intimamente ligada ao sentido de pertença e à relação dos intérpretes com o termo chave da criação”. 64


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O surgimento da nudez no objeto coreográfico provém da necessidade do encontro da plasticidade inerente a cada intérprete, propondo uma acentuação na fisicalidade e na aparência estética e dinâmica de cada um que, através da pesquisa, levou à condução de pensamentos acerca do que é o nude e não o naked, e do que este representa, contribuindo para a pesquisa da temática central. Daniel Matos ingressou logo aos seis anos de idade no Teatro Experimental de Lagos, onde desenvolve trabalhos como ator e performer em projetos de Teatro, Performance, Dança e Poesia e onde tem contacto com pessoas como Nelda Magalhães, Silménia Magalhães, Yvonne Slough, Rúben Garcia, Thorsten Grutjen, Ana Duarte, entre outros. Aos 15 anos entrou para a Escola de Dança de Lagos e ALGARVE INFORMATIVO #154

ali desenvolveu competências na área de Dança Clássica, Moderna, Contemporânea e de Carácter, salientando os professores Lijljana da Silva, Smilja Ilijic, Marina Khametova, Carlos Pissarra, Gabriela Teglasi, Ivan Radovani e Mahmoud Atef. Durante o seu percurso teve ainda contacto com a Associação Casa Branca, onde participou em projetos com Ana Borralho e João Galante com a Associação LAC e com a Associação Útero, com particular destaque para «World of Interiors» e «Na Rua». Licenciado em Dança pela Escola Superior de Dança do Instituto Politécnico de Lisboa, realce as suas criações «Memórias do Holocausto» (2014); «Efemeridade | Instabilidade | Fragilidade | Perenidade» (2015) e «Pólos» (2016). É bailarino convidado na Lisbon Soundpainting Orchestra desde 66


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2014, dirigida por François Choiselat. Em 2015 fez parte da peça «Dis[s]conect», de Vítor Garcia, em 2016 integrou «O Princípio da Incerteza», de João Fernandes e «A Viagem», de Patrícia Henriques, seguindo-se, em 2017, «Folclore», de Luís Marrafa e «Dreamland III», de Barbara Griggi. Mas também não esquece o trabalho desenvolvido com a Amálgama Companhia de Dança nas peças «Malkut» (2015), «A Conferência dos Pássaros» (2015), «Mandó» (2015), «Reflections» (2015) e «Fado Meu» (2015). É ainda elemento constituinte da BoCa (Biennial of Contemporary Arts), com curadoria e direção artística de John Romão. Como assistente de coreógrafo trabalhou com Amélia Bentes na sua última criação para a Escola Superior de Dança: «O Ponto Vivo». Desenvolveu ainda competências 69

na área de produção, exercendo funções como assistente de produção e assistente de cena no Festival Verão Azul – Anomalia Gentil (2017) com curadoria de Ana Borralho e João Galante, acompanhando o trabalho dos coreógrafos Francisco Camacho, João Fiadeiro e Vera Mantero. No seu percurso sublinha ainda nomes como Peter Michael Didtz, Liliana Mendonça, Barbara Griggi, Francisco Pedro, Vítor Garcia, Jácome Filipe, Patrícia Henriques, Ruth Silk, Cristina Graça, David Hernandéz, Natália Abramova, Amélia Bentes, Evgeniy Belyaev, Carla Pereira, Ricardo Freire, Sandra Batagglia, Luís Marrafa, Laura Aris, Salva Sanchis, Angelica Liddell, Sylvia Rijmer, Maria Barros, Mónica Samões, entre outros .

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REPORTAGEM

IMAGEM CORPORAL E EXERCÍCIO FÍSICO

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Texto: Rui AndrĂŠ (Personal Trainer) associacaosemearsaude@gmail.com www.ruiandrecoaching.com

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magem corporal apelativa? Sou bonito? Sou gordo? Sou magro? Sinto-me bem com a minha imagem? Estas são algumas das inúmeras questões que podem surgir nas nossas mentes enquanto praticantes de exercício físico. Para começar, este tema foi escolhido com o intuito de enfatizar o interesse para a prática regular de exercício físico com o objetivo de melhorar o bem-estar, ALGARVE INFORMATIVO #154

otimizar o gasto calórico, a perda de massa gorda e promover a autoestima.

É a relação entre o consumo energético traduzido pelo volume calórico dos alimentos que compõem a nossa dieta, e o gasto energético que está inerente ao trabalho biológico que 74


compõe a nossa rotina. A quantidade de «calorias» que não for utilizada é armazenada na forma de «gordura». Então, é importante mantermos um nível de atividade física correspondente ao consumo energético, ou vice-versa, para que haja uma manutenção do peso corporal. A ingestão em excesso que se traduz num aumento de gordura corporal é a forma que o organismo tem de compensar as calorias extras consumidas. Do ponto de vista energético, a quantidade de calorias é constante seja qual for a fonte do alimento. Não é correto afirmar que 200 kcal de um gelado engordam mais do que 200 Kcal de frutos vermelhos. Quero com isto dizer que não existem fórmulas milagrosas para a perda de peso ou para o ganho de peso corporal. Embora exista uma influência genética forte na constituição da composição corporal, o peso corporal recomendável acaba na combinação de uma dieta saudável e de um estilo de vida ativo. É importante adotarmos comportamentos saudáveis para sermos FIT, em contraste com a manutenção de comportamentos de risco que podem ser relacionados com o aumento dos índices de morbidade e de mortalidade.

Comportamentos saudáveis, precisam-se! Primeiro passo: ESTILO DE VIDA O estilo de vida é o conjunto de ações habituais que refletem as atitudes, os valores e as oportunidades na vida, no qual devem ser valorizados elementos que vão 75

de encontro ao bem-estar pessoal, como o controlo do stress, a nutrição equilibrada, a atividade física regular, os cuidados preventivos com a saúde e as relações sociais. De um certo modo, a qualidade de vida é subjetiva e depende muito do ambiente em que vivemos, das expectativas, preocupações e objetivos que esse ambiente fomenta. Há uma grande dimensão desse conceito, no entanto, o estilo de vida, através de um ambiente saudável, é de elevada importância na manutenção de uma boa qualidade de vida. Nas últimas décadas, a obesidade apresenta-se como uma epidemia global, e o sobrepeso estão fortemente associados ao aumento da morbilidade na infância e na vida adulta. Crianças com excesso de peso demonstram um risco acrescido para doenças cardiovasculares, alterações do foro ortopédico, doenças respiratórias, endócrinas, para além de uma baixíssima autoestima. Está comprovado que crianças com excesso de peso, muito provavelmente se tornarão adultos também com excesso de peso, com toda a patologia que isso implica, nomeadamente, diabetes tipo 2, alterações hepáticas, cardiovasculares, entre outras. A alteração do regime alimentar, mudanças dos hábitos sedentários e aumento da atividade física têm sido consideradas como as principais intervenções no controle de crianças com excesso de peso, uma vez que a prática regular de exercício físico leva a: diminuição da pressão arterial; aumento da força e da elasticidade muscular; ALGARVE INFORMATIVO #154


melhoria do funcionamento do sistema cardiovascular; redução do peso corporal; melhoria no perfil dos ácidos gordos; aumento da massa muscular; níveis de açúcar no sangue mais controlados; aumento de uma sensação de bem-estar e melhoria da qualidade de vida Como as crianças de hoje são os homens de amanhã, é importante salientar que, na idade adulta, a obesidade é um dos principais problemas de saúde pública da atualidade e que está em crescente prevalência em Portugal e em várias partes do mundo. Embora a obesidade no adulto esteja relacionada com diversas causas, como as genéticas, fisiológicas, metabólicas, ambientais, emocionais e culturais, toda a atenção dada no sentido de aumentar o gasto energético diário total torna-se uma mais-valia. Programas de exercício, juntamente com a nutrição, têm sido utilizados para a prevenção da saúde e obesidade. A atividade física promove o aumento do gasto energético total tanto de forma aguda como de forma crónica. A forma aguda promove o gasto energético durante a realização do exercício e durante a fase de recuperação, e a crónica refere-se as alterações da taxa metabólica em repouso (TMR). No que se diz respeito ao efeito agudo, após o término do exercício, o consumo de oxigénio não retorna aos valores de repouso imediatamente. Este défice energético durante o período de recuperação é conhecida como consumo excessivo de oxigénio pós exercício (Excess Post-Exercise Oxygen Consumption EPOC). O consumo de oxigénio está relacionado ALGARVE INFORMATIVO #154

com o gasto energético, ou seja, considera-se que, por cada litro de oxigénio consumido, aproximadamente 5 kcal são geradas no organismo. Vários trabalhos têm analisado a contribuição do EPOC em programas de perda de peso, visto que este tem um gasto energético extra além da prevista na atividade física. Os benefícios do exercício físico são notórios e comprovados, sobretudo se bem orientados, com o intuito de promover um acréscimo de qualidade vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) saúde é definida como “estado de completo bem-estar físico, social e mental e não apenas a simples ausência de doença”. Se saúde é um estado, isso remete-nos a sensações, e o que é a autoestima se não uma sensação que temos de nós mesmos? Então, como será que o exercício físico se reflete na autoestima? A autoestima está relacionada com a perceção que temos de nós mesmos e é determinada principalmente por sensações pessoais, no entanto é influenciada por fatores externos. Quando a influência é positiva, sentimos segurança, independência, respeito, reconhecimento, e uma direção organizada na vida onde tentamos encontrar a felicidade. São inúmeros os motivos para possuirmos uma autoestima elevada e, sim, o exercício físico contribui para isso. No entanto, a autoestima não é algo somente do domínio físico ou psicológico, ela é multifatorial. Por isso, 76


não podemos dizer que apenas o exercício a melhora, mas também é preciso estar atento ao ambiente em que ele é realizado, à intenção do exercício e abordagem realizada pelo profissional que orienta este exercício, que de resto deverá ser um profissional qualificado e altamente especializado em exercício físico, entre outros fatores. Dissecando este tema em tópicos, podemos então falar de: 77

Exercício Físico: O exercício físico gera benefícios fisiológicos, psicológicos e sociais, que melhoram o bem-estar como um todo, inclusive a autoestima e a imagem corporal. Quando treinamos ou praticamos alguma modalidade desportiva, não estamos apenas a contrair músculos assim de forma desordenada, realizamos, sim, uma ALGARVE INFORMATIVO #154


prática preferencialmente acompanhada, que se reflete no nosso bem-estar total.

A Influência do Exercício na Autoestima:

O Exercício Físico e a Fisiologia Humana na melhoria da Autoestima:

A autoestima está relacionada a vários fatores, um deles é a imagem corporal, esta é a forma como identificamos e vemos nosso próprio corpo. Quando nos dizem que estamos com excesso de peso e não reconhecemos isso, ou quando um amigo nos diz que emagrecemos e nós não percebemos, isto mostra uma diferença de como os outros vêm o nosso corpo e como nós vemos o nosso corpo. As mulheres possuem uma tendência de subestimarem o seu corpo, com tendência para se acharem com mais peso de que realmente têm. Já os homens possuem uma tendência grande para subestimar o seu corpo, isto é, eles acham-se menores do que realmente são.

Segundo a fisiologia, os exercícios promovem uma libertação hormonal, podendo melhorar o humor e a autoestima. O exercício físico é recomendado também no tratamento da depressão e ansiedade. Isto ocorre porque o treino, tanto de força como o aeróbio, liberta hormonas e neurotransmissores como a dopamina e  β‐endorfina que estão diretamente ligados a sensações de prazer. Assim, como após um treino intenso ocorre uma diminuição das sensações nervosas, promovendo um estado de relaxamento, isto acontece por um efeito compensatório do nosso organismo após grande esforço, acionando o sistema nervoso parassimpático, este é responsável, por exemplo, pela baixa da frequência cardíaca e pressão arterial após o esforço, assim como o estado de relaxamento mental. Então, os exercícios promovem um estado de relaxamento e prazer, auxiliando na melhoria autoestima, mais a sensação de sucesso que sentimos após um treino bem feito. Não são apenas os exercícios intensos de força e aeróbio os recomendados, exercícios respiratórios e de consciência corporal também podem produzir os mesmos efeitos, podendo até mesmo ser mais indicados e podendo melhorar, ainda, sua consciência corporal, melhorando indiretamente sua imagem corporal, outro fator influenciador da autoestima.

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Exercício Físico e Imagem Corporal: A imagem corporal é componente da autoestima. Quando estamos satisfeitos, a nossa auto-estima melhora, quando estamos insatisfeitos a nossa autoestima tende a diminuir. Treinamos, alteramos a nossa alimentação, regulamos o sono e vamos de encontro ao nosso objetivo: uma nova imagem corporal. Se estamos satisfeitos, precisamos apenas dar prolongamento ao treino para não ganhar o peso que perdemos e até mesmo para a conquista de outros objetivos, como por exemplo: aceitar um desafio de uma maratona, ou a prática de um tipo de exercício mais ambicioso, tudo isto eleva bastante a nossa autoestima. 78


Quando estamos satisfeitos com a nossa imagem corporal melhoramos a autoestima, a saúde e a qualidade de vida. Praticantes de exercício físico têm uma imagem corporal mais positiva (provavelmente por que assemelham-se mais a estética «ideal») do que os não praticantes. Em relação à idade, o 79

exercício resulta em melhoria na imagem corporal em todas as idades. Para pessoas mais velhas, os efeitos reduzidos podem ser um reflexo da imagem corporal associada às capacidades físicas e capacidade funcional do corpo, e não ao critério de aparência, o que na maioria das vezes é medido. Entre exercício aeróbio e anaeróbio, a junção dos dois como o ALGARVE INFORMATIVO #154


melhor caminho para melhorar a imagem corporal de homens e mulheres, que embora possam beneficiar-se dos exercícios de maneira semelhante, tem objetivos diferentes. Enquanto os homens querem perder «gordura» e aumentar a massa muscular, as mulheres preferem perder «gordura» e tonificar os músculos. Conclusão: Vários tipos de atividade física influenciam na mudança da imagem corporal. O exercício aeróbio e atividades de relaxamento, flexibilidade e meditação, exercem maior influência nos estados de ansiedade e bem-estar. Já os exercícios resistência muscular (treino de força) contribuem para melhores resultados no que se refere à aparência física, à satisfação corporal. Além disso, os resultados do treino com pesos é facilmente percetível, assim a autoestima do praticante também é uma variável que tem bons resultados com este tipo de treino. No entanto, os resultados dependem de fatores como frequência, não obtendo mudanças significativas aquelas que aderem à prática do exercício apenas uma vez por semana. Já em relação à intensidade, podemos concluir que atividades físicas de leves a intensas, são capazes de provocar mudanças na nossa imagem corporal, o que importa, na realidade é o objetivo para o qual o exercício físico foi prescrito. Após a elaboração de vários estudos, é possível afirmar que o exercício físico está intimamente ligado à manutenção e restabelecimento de um estado de ALGARVE INFORMATIVO #154

harmonia tanto no sistema fisiológico e social, como também nas questões psicológicas de cada praticante, tornando-se uma ferramenta de grande importância para a promoção da saúde. Quanto mais positiva a relação do corpo com o meio externo, mais confiante nos tornamos. Tudo o que o corpo vivência é fundamental, pelo que os movimentos assumem um papel de extrema importância para o reconhecimento do próprio corpo e para comunicação com o mundo externo. Então, as novas experiências somadas às antigas desenvolvem e melhoram a perceção corporal possibilitando uma melhor adaptação ao meio em que se vive, o que por sua vez se traduz em bem-estar físico, psicológico e social. Um individuo satisfeito com a sua imagem é um individuo que socialmente promove a felicidade e harmonia onde quer que esteja. Como tal, é possível afirmar que a prática regular de exercício físico tem benefícios na alteração da imagem corporal e aumenta exponencialmente a autoestima de quem escolheu este caminho. Para terminar, sugiro que comece a olhar para quem está ao seu lado, observe, sorria, apresente-se e divirtase. A sua cara-metade pode estar aí mesmo, aproveite todos os momentos, porque o momento é ser FIT! Mais importante do que estar num mundo saudável é ir à descoberta do seu caminho e escolher o percurso que o leva ao objetivo principal ser FELIZ! . Um contributo da Associação Semear Saúde

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OPINIÃO

OS BENEFÍCIOS DA HIPNOTERAPIA COMO COADJUVANTE NO CANCRO Texto: Isabel Costa (Hipnoterapeuta) associacaosemearsaude@gmail.com www.alquimiaalimentar.com

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ivemos num mundo aterrorizado por um ataque iminente de cancro, um flagelo que ataca indiscriminadamente pessoas de todas as idades e países em modo silencioso, espalhando-se e destruindo-nos por dentro. Procuramos desesperadamente as causas: má alimentação (recheada de gorduras trans, açúcar, aditivos, álcool); radiações; exposição a químicos e pesticidas; radiação solar; tabaco, drogas; Vírus (como H. Pylori e HPV). E até o envelhecimento é visto como causa de cancro!!!!! Infelizmente, o cancro vai muito além de todas estas causas e surge em milhares de pessoas que têm uma alimentação saudável e que não estão expostas aos referidos fatores ou em condições mínimas. Cada vez mais surge a compreensão que há outros fatores importantes a ter em conta: emoções, isolamento social, dificuldade de relacionamento com os progenitores desde a infância, postura em relação ao propósito de vida, estilo de vida. O cancro tem um gatilho especial em relação à maioria das doenças e ainda pouco observado (talvez porque não existem medicamentos para a sua prevenção!): o choque emocional. Este choque é uma autêntica bomba no nosso ALGARVE INFORMATIVO #154

Um contributo da Associação Semear Saúde

sistema imunitário, desarmando as suas defesas e propagando a informação destrutiva ao núcleo das células e multiplicando essa informação à sua volta. O nosso mundo interior desaba em cacos, maiores ou menores consoante a capacidade de lidar com a dor e a tristeza por ele provocada. Tal como o desenvolvimento do cancro é silencioso, a maior parte das vezes este choque emocional também é silencioso e súbito e está ligado a uma perda profunda que sentimos no nosso coração, uma tristeza sem fim. A morte de um ente querido, a perda do emprego, um divórcio, são perdas profundas e dolorosas e ainda algo mais invisível, a dor dilacerante da traição de alguém em quem confiamos em absoluto. Essa pessoa pode ser pai, mãe, marido, esposa, filhos, amigo (a), patrão, colega de trabalho, um líder religioso, um treinador. Alguém em quem tínhamos confiança absoluta no seu amor e lealdade por nós. A confiança é o elo mais forte entre os seres humanos, mas uma vez quebrada, dificilmente pode ser recuperada a não ser pelo perdão sincero, mútuo e pelo amor. Podem questionar: “E os bebés também têm estas situações?”. Na realidade, os bebés sentem tudo, tanto no ventre da mãe, como nos primeiros 82


anos de vida. Tudo fica registado no subconsciente. Se a mãe se sente profundamente triste, abandonada, rejeitada, traída, o bebé vai sentir essa mesma energia como se fosse dele também. Qual é o contributo da hipnoterapia neste contexto de cancro? Através de um relaxamento profundo (mas consciente) vamos à causa, ao choque emocional e retiramos a dor pelo perdão e pelo amor. Sem dúvida que a situação «real» não é apagada, mas, ao ser retirada toda a dor com uma nova energia, essa situação acaba por cair no «esquecimento». A hipnoterapia não substitui qualquer exame médico nem qualquer terapêutica aconselhada pelo médico (seja qual for), mas é um excelente coadjuvante em qualquer processo terapêutico. No caso do cancro, a hipnoterapia tem três vertentes muito importantes: libertar a dor emocional que está na origem da doença prevenindo que essa dor possa criar situações idênticas futuras; é uma excelente ferramenta como condicionamento anterior à quimioterapia, predispondo o corpo para a receção dos fármacos e diminuindo exponencialmente os efeitos secundários dos mesmos (vómitos, indisposição, cansaço, falta de energia); ajuda a lidar com o tratamento de forma mais positiva. Tenho como exemplo uma senhora a quem ajudei neste processo que estava a fazer quimioterapia na Fundação Champalimaud e ela escreveu vários postits com a seguinte frase «tratamento de amor» com um sorriso e colocou nas embalagens de líquido vermelho que lhe eram injetados nas veias. Foi uma forma que ela encontrou após o condicionamento para lidar com o 83

tratamento. Segundo me contou, ela acabou por se tornar uma inspiração para os outros pacientes e até para os enfermeiros, que sugeriram que mais pessoas fizessem o mesmo. Todos sabemos que não é um processo fácil, mas podemos escolher a forma como olhar para a situação. Quando libertamos as memórias de dor do subconsciente, entramos no campo das possibilidades infinitas, no campo da abundância, da auto cura, do auto conhecimento. A humanidade tem viajado pelo Universo à procura de outras formas de vida investindo tempo, recursos, dinheiro, esquecendo a viagem mais profunda, mais maravilhosa e a menos percorrida que é a viagem ao seu próprio Universo interior. No dia em que o fizermos, descobrimos que o nosso universo interior coincide com o Universo exterior…tão longe e no entanto tão perto……! Namaste . ALGARVE INFORMATIVO #154


OPINIÃO

ALIMENTA A TUA DOPAMINA A dopamina é um neurotransmissor responsável pelo envio de sinais entre as células nervosas do cérebro, influenciando diretamente os centros de prazer e recompensa e afetando o nosso humor. Um contributo da Associação Semear Saúde

Texto: Vera Belchior (Naturopata) associacaosemearsaude@gmail.com http://www.verabelchior.com

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tirosina é o precursor químico da dopamina, pelo que se associa o consumo de alimentos ricos neste aminoácido a um sentimento de recompensa semelhante ao dos alimentos açucarados, resultando num menor desejo alimentar. Neste artigo, partilho cinco alimentos que poderão ajudar a aumentar os níveis de dopamina para que se sintam cada vez melhor.

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#1 As BANANAS, particularmente as bananas maduras, são ricas em tirosina (9mg/100g), o que as torna uma excelente opção para a regulação dos níveis de dopamina. #2 As NOZES e outros frutos secos contêm diversos nutrientes que são benéficos para o nosso humor. São disso exemplo a castanha do Brasil, que é rica em selénio, o que ajuda na produção de dopamina; as amêndoas, que são ricas em tirosina (533mg/100g); ou as sementes de abóbora, ricas em vitamina B6, folato e zinco. #3 O CHOCOLATE AMARGO, chocolate com pelo menos 70 por cento de cacau. É rico em magnésio, zinco e crómio, que são minerais essenciais para o apoio e estabilização do nosso estado de humor. #4 A BETERRABA é rica em betaína, um aminoácido que ajuda na produção de dopamina. #5 As FOLHAS VERDES e as LEGUMINOSAS são ricas em folato e vitamina B6, como verduras, brócolos, o grão e a couve-flor que podem ajudar a produzir dopamina e a elevar os níveis de serotonina. Ao adicionarmos estes alimentos numa base diária da nossa rotina alimentar, estaremos a garantir imensos nutrientes que nos irão fazer sentir bem e em equilíbrio . 84


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ENTREVISTA

DESENHAR EM 3D OS MEDICAMENTOS DO FUTURO Paulo Martel constrói modelos 3D de proteínas no computador que poderão vir a tornar os medicamentos do futuro ainda mais eficazes. Texto:

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Fotografia:

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entado ao computador, Paulo Martel desenha moléculas, simula proteínas, constrói modelos 3D e sonha perceber, em detalhe, e com cada vez mais precisão, como funcionam as nossas «máquinas moleculares». Mas o desejo de compreender os mecanismos que tornam possível a vida humana não nasceu na Universidade do Algarve, vem, porém, de muito mais longe.

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Tudo começou aos 14 anos quando, ainda no liceu, lhe ofereceram uma calculadora programável. O que, para qualquer miúdo da sua idade, poderia ter sido apenas mais um objeto de recurso à aprendizagem, tornou-se, para Paulo, um desafio. “Aprendi a programar com aquela calculadora. Achei aquilo fascinante mas, na altura, a programação era, para mim, um jogo, uma coisa que não tinha relação com

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nada. Eu ainda não percebia a relação daquilo com o mundo e com os meus outros interesses”. A revelação veio mais tarde. Após a licenciatura em Bioquímica, na Universidade de Lisboa, começou a dar aulas de programação como monitor e integrou o Instituto de Física e Matemática, onde começou a aplicar métodos computacionais aos processos bioquímicos. Hoje, confessa que “sempre que alguém está a tentar perceber um mecanismo molecular de determinada proteína”, a probabilidade de lhe vir bater à porta, em busca da ajuda de ferramentas computacionais, é muito grande. Como explica, a simulação molecular vai muito além de “desenhar uns bonecos giros no computador”. O trabalho de investigação desenvolvido

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pelo cientista do Centro de Investigação em Biomedicina estende-se para lá dos zeros e uns e dos bits e bytes que, diariamente, lhe passam diante do olhar. “O meu trabalho pode contribuir para ajudar a desenhar um novo fármaco”, acrescenta. Isto porque, atualmente, a simulação computacional em 3D permite, como adianta, desenhar novas moléculas e estudar as suas propriedades sem ser preciso ir para o laboratório. “Em termos de tratamento, esta técnica pode permitir-nos perceber quais as moléculas pequenas – fármacos ou potenciais fármacos – que têm características adequadas à interação com um determinado mecanismo do nosso organismo”. Se imaginarmos que, para um determinado estudo, os investigadores

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podem ter de testar mais de um milhão de possíveis moléculas, torna-se fácil compreender a importância do trabalho de Paulo Martel que, ao computador, e através de técnicas digitais que permitem estudar e prever o comportamento das moléculas quase em tempo real, consegue filtrar com uma espécie de «funil computacional» as que maior potencial apresentam. A técnica permite não apenas poupar tempo, mas, sobretudo, facilitar a tarefa dos investigadores, que têm a oportunidade de ver no computador o efeito de operar determinadas modificações sobre a molécula, ou até mesmo compreender determinados detalhes relevantes no seu funcionamento. Como explica Paulo Martel, este é o tipo de trabalho que pode “ajudar-nos a compreendermo-nos melhor enquanto

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espécie, a compreender a relação entre a nossa espécie e as outras, a perceber como funcionam os organismos mais simples, os vírus, etc.”. Se, como afirma o investigador, “as proteínas estão presentes em tudo e tornam possíveis todas as nossas capacidades”, o foco é apenas um: construir ferramentas e teoria para as compreendermos de modo mais detalhado. “Isto é um bocadinho como aquelas séries policiais, do género CSI, onde eles têm uma fotografia desfocada do suspeito, captada por uma câmara de video-vigilância, e não conseguem ver nada... Metem aquilo no computador e, passadas duas horas, o computador limpou aquela informação e permitiu ver com mais clareza”. O mesmo acontece aqui. Tal como o astrónomo que estuda o movimento dos planetas tornando possível, através desse conhecimento, feitos históricos como a ida à lua, também o trabalho de cientistas como Paulo Martel, no campo da modelação molecular, parece ter consequências muito mais amplas do que seria de prever à partida. Sobre o impacto da modelação molecular no mundo atual, o investigador é inequívoco: “A descoberta da estrutura do ADN foi conseguida à custa desta técnica. Na época tínhamos informação experimental mas que não era suficiente. O uso de modelos moleculares foi essencial para compreender a estrutura”. Do ADN aos medicamentos para o HIV, as vantagens de colocar a tecnologia digital ao serviço da saúde pública parecem estar longe de esgotar-se. “Imagine que temos uma molécula ou um fármaco que sabemos que é eficaz na ALGARVE INFORMATIVO #154

resolução ou na mitigação de uma determinada doença. Sabemos que esse fármaco é eficaz e sabemos qual o alvo no organismo – qual a proteína com que vai interagir. Se conhecermos, estruturalmente, a molécula e a proteína, podemos servirnos das técnicas computacionais para perceber de que modo interagem e, graças a esse conhecimento, operar modificações no fármaco por forma a torná-lo mais eficaz”. No entanto, esta é apenas uma das possíveis aplicações da técnica que, em 1998, e depois de ter passado pela 90


Dinamarca e pela Noruega, trouxe Paulo Martel até à Universidade do Algarve. É neste espaço que tem vindo a desenvolver investigação, liderando, no CBMR, o Laboratório de Simulação Biomolecular e participando em diversos projetos nacionais e internacionais de grande dimensão. O mais recente é fruto de uma parceria com Leonor Cancela, investigadora a trabalhar na área das ciências biomédicas, e que se encontra, atualmente, a desenvolver um estudo sobre o osso e a cartilagem nos vertebrados. Paulo Martel ficou encarregue da parte do 91

funcionamento das proteínas e acredita que compreender melhor “o que se passa ali”, pode ser extremamente relevante para ajudar a prevenir doenças como a osteoporose e outras doenças ósseas. Numa era em que, como afirma, “há cada vez mais soluções engarrafadas para fazer as coisas”, Paulo Martel confessa-se apreciador das soluções personalizadas. Acredita no enorme potencial da tecnologia mas deixa um alerta: “Usar estes programas como uma «caixa preta» leva, frequentemente, a situações de total ALGARVE INFORMATIVO #154


disparate em termos de resultados científicos. Não podemos chegar a um ponto em que as pessoas deixam completamente de compreender o fundamento teórico das ferramentas computacionais que usam". As contas da vida de Paulo Martel, essas, parecem ter sido sempre calculadas quase ao milímetro. Desde que, aos 11 anos, lhe ofereceram o livro «A química da vida», que a sua curiosidade pelo mundo jamais esfriou. “Sempre fui uma pessoa muito curiosa. Queria perceber tudo, queria ler tudo, fascinava-me com tudo. O meu problema foi sempre decidir o que ia fazer”. Confessa, aliás, que ainda hoje o é. Com propostas para trabalhar nos Estados Unidos e em Tóquio, Paulo Martel conta que a paixão por uma forma de ALGARVE INFORMATIVO #154

pensamento mais teórica selou o seu destino. Filho de um professor de História e de Filosofia, sempre sentiu que tinha uma “inclinação tremenda” para esta área. “Tive a sorte de ter pais que, embora fossem de letras, tiveram sempre vontade de encorajar os interesses dos filhos. Nunca me quiseram puxar para a área deles”. Paulo tornou-se bioquímico, o irmão, engenheiro, e o primo, que lhe explicou pela primeira vez a teoria da relatividade, é hoje físico teórico. O encanto pelas ciências marcou a vida que hoje vive, no entanto, reconhece que o caminho nem sempre foi fácil.

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“Quando voltei para Portugal, as pessoas tinham alguma dificuldade em perceber o que é que nós fazíamos”. Recorda-se, particularmente, do primeiro projeto a que concorreu à procura de financiamento pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). “No projeto tínhamos previsto grande parte do orçamento para comprar computadores. As pessoas refilavam connosco porque diziam que estávamos a gastar demasiado dinheiro neste tipo de equipamento. Pensavam que os estávamos a comprar para a família, para o escritório. Não percebiam que o nosso trabalho era em simulação computacional e que estas máquinas eram a base disso”. Cálculos, possibilidades, simulações, estruturas. Pelas mãos de Paulo Martel passaram, ao longo de mais de 20 anos de carreira, muitos números. O que não podia calcular, na altura, era que a Noruega lhe ofereceria um dos episódios mais caricatos que viveu. “A primeira vez que apanhei

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um autocarro na Noruega, estava na paragem, com o chão completamente gelado, e vejo o autocarro a vir e a começar a parar cedo demais. Lembrome de pensar que me tinha enganado no sítio da paragem, que o autocarro ia parar muito antes. Só depois me dei conta de que o autocarro vinha a deslizar no gelo cinco ou seis metros até parar mesmo à nossa frente. A vida na Noruega era assim”. Em Portugal, o autocarro da bioquímica estrutural, da bioinformática e do desenho computacional de fármacos, parou no sítio certo. No banco da frente estava Paulo Martel. Às costas trazia um computador e milhares de proteínas tridimensionais que prometem revolucionar o futuro da biomedicina . Texto original de http://scienceplatformpt.cbmr.ualg.pt/ e http://cienciacomvida.pt/

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OPINIÃO

E tu, qual é o teu preço? Paulo Cunha (Professor)

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o mês passado (março de 2018), tomei conhecimento, através de vários órgãos de comunicação social, da notícia veiculada pela organização não governamental «Transparency International» que referia que Portugal é visto como um país mais corrupto do que a média europeia, de acordo com o «Índice de Perceção da Corrupção» usado por aquela organização. Um mês depois, no dia em que se comemorou, simbolicamente, a conquista da liberdade em Portugal (25 de abril), mais uma vez tomei conhecimento doutra notícia que reforçava a anterior: “Segundo o relatório «EY Global Fraud Survey 2018» da consultora EY quase metade dos administradores portugueses admitem que as práticas de suborno e corrupção acontecem de forma abrangente em Portugal”. É claro que quem está a ler este texto deverá estar a sorrir e a pensar: “Mas será preciso que organizações estrangeiras nos venham dizer o que a casa gasta? Isso já nós estamos fartos de saber!”. Pois… é verdade! Não sabemos se nos quarenta e quatro anos de democracia em Portugal a corrupção aumentou ou terão sido os órgãos de fiscalização e de justiça que criaram mecanismos de maior controlo e penalização para os casos que, cada vez mais, chegam até nós através da comunicação social. Não se transmitindo geneticamente, a corrupção, como fenómeno sistémico e cultural, aprende-se de pequeno, observando até que «a ocasião faça o ladrão». Sendo um comportamento desonesto, fraudulento ou ilegal que implica a troca de dinheiro, valores ou serviços em

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proveito próprio, implica sempre que o corruptor encontre uma presa à altura: o corrompido. Assim sendo, nesta dança a dois, tão culpado é um como é o outro, pois ninguém corrompe quem não se deixa corromper. Fala-se e escreve-se muito sobre os casos mediáticos, que envolvem figurões da alta sociedade, da política, do meio empresarial e do mundo desportivo, esquecendo a chamada «raia miúda», a tal que não vende tantos jornais, nem abre noticiários, mas que, através das suas ações nos setores intermédios do tecido produtivo, mina, corrói, entorpece e bloqueia o normal e saudável funcionamento das instituições. São os tais que têm como premissa e linha de conduta fazê-lo pela calada, debaixo da mesa, com um sorriso nos lábios, verborreia à altura, segurança e altivez necessárias para nunca serem apanhados e, em último caso, com os meios necessários para nunca serem acusados. Venha o primeiro que me atire a primeira pedra, se na sua vida nunca se viu envolvido numa qualquer tentativa de aliciamento, o chamado «favor em troca de…». É uma pirâmide onde serão poucos os que não têm um preço. Era eu ainda um adolescente quando numa conversa de café, entre colegas, um deles perguntou aos restantes qual era o seu preço, ou mais concretamente qual seria a quantia ou o motivo pelos quais se deixariam corromper. Lembro-me de não ter respondido, pois senti-me incomodado e até ofendido com tal questão. Foi, até hoje, uma pergunta que sempre me acompanhou e sobre a qual penso em várias ocasiões. Daí, ao longo da minha carreira docente, ter tomado decisões e atitudes que muitos alunos e 96


encarregados de educação talvez nunca tenham entendido. Ainda o ano passado uma aluna me dizia no final do ano letivo: “Pronto, Sr. Professor… agora que já não será meu professor para o ano que vem, já pode começar a ir outra vez ao restaurante dos meus pais. Eles estranharam nunca mais lá ter aparecido nos dois anos em que foi meu professor”. Decisões, muito minhas, que sempre me fizeram andar de cabeça erguida e com o sono em dia! A corrupção não pode ser vista apenas como um problema da justiça, sob pena de continuarmos amarrados a uma sucessão ininterrupta de escândalos que, de tantos, nos habituaremos a considerá-los como normais. Não, não é normal os corruptos proliferarem, minarem e crescerem, tal como ervas daninhas, nas instituições que deveriam garantir o normal e cabal cumprimento dos preceitos constitucionais que regem a nossa democracia. Já basta! Há que eleger, enquanto governantes, gente séria e íntegra que, independentemente das cores políticas, tenha a coragem de adotar uma estratégia nacional contra a corrupção, onde a eficácia de meios substitua as palavras vãs de quem permite que Portugal seja terreno fértil para este crime de lesa-pátria. A corrupção não foi, não é, nem será um mal necessário. Jamais!. 97

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OPINIÃO

O fim de uma era Paulo Bernardo (Empresário)

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sta semana o grupo terrorista ETA declarou a sua extinção, contudo, o seu fim começou há duas décadas, com a morte de um autarca de 29 anos de nome Miguel Ángel Blanco, raptado, sequestrado cobardemente assassinado em pouco mais de 48 horas. Lembro-me bem de toda essa história, infelizmente, Espanha parou e a ETA acabou por morrer com os tiros que mataram Miguel Ángel Blanco. Esta semana também se viveu em Portugal um momento que podemos chamar de viragem na nossa organização política como a conhecemos. Portugal não vai voltar a ser o mesmo. Os ventos do resto da Europa também cá tinham que chegar. Depois de longos anos a acumular créditos negativos, entre escândalos essencialmente financeiros onde banca e políticos formavam uma quadrilha para retirar o dinheiro aos contribuintes de uma forma aparentemente legal. Tudo feito sobre a forma de operações financeiras muito legais e corretas que, quando eram contratadas, já se sabia que não eram para pagar. Esse cancro foi moendo a nossa economia e a nossa paciência. A desconfiança impera no povo e a impunidade impera nos políticos, assobiando para o lado como se nada fosse com eles. Também fomos tendo a história dos funcionários de um banco que deu quase 200 governantes para governos de

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qualquer quadrante. Hoje sabemos que, enquanto governavam, continuavam a ser pagos por esse banco em contas de paraísos fiscais. A classe política nada diz, até como prémio coloca um dos funcionários, político, guru, na TAP ou outro ainda a dar aulas nos Estados Unidos, pagos pela EDP que o próprio beneficiou enquanto ministro. Se isto tudo não é estranho e não levanta suspeitas, a culpa deve ser minha. Mas vamos ao que aconteceu esta semana. Um partido, por acaso o do governo, abriu a Caixa de Pandora da política, e vai dar origem muito em breve ao fim dos partidos do arco do poder, como está acontecer por essa Europa fora. Vão surgir novas formas de fazer política, não sei se melhor, se pior, apenas sei que vai ser diferente. Tudo o que falei atrás abrange sem exceção os partidos com assento na Assembleia da República, pois são eles que votam as leis e criam os governos, umas vezes mais para um lado, outras para o outro, mas, como desenhava Rafael Bordalo Pinheiro, a porca é só uma, por isso, cada qual tem que ter a sua teta para manter a boca fechada. Com o tirar da teta a alguém, o bacorinho vai grunhir e grunhir alto e, quando se discute numa pocilga, muita merda salta para todo o lado. Sujando todos os bacorinhos que ainda estão a mamar. Em breve, novos partidos surgirão e os que hoje estão se irão .

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OPINIÃO

VERSoS PEQUENINoS Adília César (Escritora) “A Poesia é um bichinho que vai pelo caminho” (Diogo, 4 anos)

Poesia é um género literário de difícil «consumo». Não há muitos leitores adultos para a Poesia, nem sequer existem, de um modo geral, abordagens educativas nas Escolas no sentido da apropriação da expressão poética por parte das crianças. No entanto, é imprescindível que o educador/professor traga a Poesia para a sala de aula pois a Poesia pode, quando bem explorada, surgir como um meio de enriquecer e equilibrar os mundos da infância, através da relação criativa das crianças com o mundo que as rodeia. Uma escola onde a Poesia esteja presente e seja objecto de estudo e fonte de reflexão, é mais suscetível à mudança, à evolução, apelando à sensibilidade, à criatividade e à inteligência. Por um lado, a Poesia desperta sentimentos e imagens, ajuda a criança a explorar o seu íntimo e a expressar pensamentos e experiências; por outro lado, ao recriar realidades, estimula-a a percepcionar os contextos por onde a leva a viajar. A Poesia permite a criação de uma visão holística da realidade pretendendo romper com o academismo linguístico. Neste sentido, o educador/professor desempenha um papel fundamental na relação a desenvolver entre a criança e a Poesia conduzindo-a à descoberta de si própria e do mundo que a rodeia. É esta a condução que caracteriza a educação; do grego ducere vem a ideia de conduzir e de educere a ideia de extrair as potencialidades que estão em cada ser.

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Como defendem alguns autores, a Poesia não se ensina. Mas é responsabilidade do educador/professor encontrar estratégias, criar experiências e dinamizar actividades que permitam o despertar do desejo da criança pela expressão poética. A Poesia estimula a criatividade de quem com ela se cruza, permitindo viver, sonhar e sentir de uma forma mais genuína e pura. É fundamental que o educador/professor crie situações lúdicas e significativas que levem a criança a explorar a Poesia e, por intermédio dela, consigam exteriorizar e compreender os seus sentimentos, emoções, experiências e realidades. Para as crianças mais pequenas, as rimas, as lengalengas, os travalínguas, os pequenos poemas, em suma, os VERSoS PEQUENINoS, são veículos possíveis desta viagem poética. No entanto, isto ainda não acontece de forma natural e concreta nos jardins-de-infância e nas escolas, por ser um campo complexo e de difícil entendimento. Muitos educadores/professores contestam o contributo da Poesia para a aprendizagem dos seus alunos, quer a nível de processo, seja em relação à obtenção de um produto eficaz, do ponto de vista poético e estético. Alguns docentes vão ainda mais longe, pensando que a leitura de Poesia é para pessoas «letradas» ou eruditas, com conhecimentos suficientes para a interpretar. De certa forma, é verdade, mas isso não os isenta da responsabilidade de os próprios educadores/professores conhecerem a Poesia e motivarem as crianças e jovens para lerem, no sentido de também obterem bagagem suficiente para a compreensão de um texto literário. É assim 100


que a Poesia tem sido perspetivada nas escolas por muitos docentes, que não se encontram conscientes para perceber que a Poesia faz parte do homem e da sua formação pessoal, ajudando a (trans)formar o caráter humano. No Jardim de Infância da Conceição de Faro decorre um projecto pedagógico no âmbito da sensibilização à Poesia com um grupo de 25 crianças dos 4 aos 6 anos de idade, em estreita articulação com o Serviço Educativo da Biblioteca Municipal de Faro e do Pólo Bibliotecário da Conceição. A primeira Gala VERSoS PEQUENINoS vai realizarse no dia 5 de Maio, com a apresentação de um livro de textos poéticos da autoria das próprias crianças, mostrando que a Poesia pode ter lugar nas culturas da infância desde muito cedo. Brincar com as palavras pode promover a educação da sensibilidade através da imaginação criadora das crianças pequenas, ou seja, conhecer a Arte fazendo Arte desde tenra idade. Conhecer a Poesia na infância para sentir a sua necessidade no futuro parece ser um bom slogan pedagógico. Fica lançado o desafio . 101

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OPINIÃO

As dores dos empreendedores Fábio Jesuíno (Empresário)

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ão é por acaso que a palavra «empreendedor» termina em dor. Ser empreendedor é muito desafiante, mas quando ultrapassam a dor, ninguém os conseguem parar. Um empreendedor é aquele que identifica um problema e transforma-o numa oportunidade. É aquele que é criativo, inovador e muito persistente, que estabelece estratégias que vão mudar o futuro com grandes resultados, aquele que faz nascer projetos que têm impacto na vida das pessoas. Ser empreendedor não se trata necessariamente da criação de um negócio, mas ter iniciativa e audácia. Pessoas de qualquer idade possuem sonhos, o caminho pela conquista desses sonhos é o que determina ser uma pessoa empreendedora. Nos caminhos de um empreendedor, por vezes aparecem obstáculos que, para ultrapassá-los, é necessário muito esforço que provoca algumas dores, que devem ser tratadas por um médico, que poderá ser um mentor ou um consultor com a medicação certa para que seja retomado rapidamente o caminho em direção ao sucesso. As dores de um empreendedor são tratadas, muita das vezes, com automedicação, mesmo em situações mais graves, que fazem com que a dor aumente e dificulte ultrapassar os obstáculos que vão surgindo no caminho ou fazendo com que o ritmo diminua. Essas dores são mais frequentes no início do projeto. O empreendedor encontra desafios difíceis de ultrapassar, momentos de escolha pelo melhor caminho, indecisão e dúvida sobre se

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deve continuar ou desistir. Definir a melhor proposta de valor e criar um modelo de negócio inovador e sustentável são alguns dos momentos verdadeiramente decisivos para o sucesso do projeto e para o futuro de qualquer empreendedor. Ser empreendedor é arriscado, é importante conhecer e dominar uma série de variáveis que provocam dores nas mais diversas formas e intensidades. Prever e aprender a identificar essas dores é fundamental para aumentar a nossa autoconfiança, aumentar as nossas possibilidades e ter sucesso. Quando criei a minha primeira empresa, aos 18 anos, estava completamente anestesiado pelo sonho de criar um negócio inovador que me permitisse criar valor. Depois passou a anestesia e vieram muitas dores cheias de desafios. O meu principal medicamento foi a persistência de seguir o meu sonho. Arrisquei tudo ciente de que ia conseguir ultrapassar todas as dificuldades. Hoje, essa empresa têm 15 anos e é reconhecida como uma das melhoras agências de marketing digital em Portugal. Continua com algumas dores, principalmente de crescimento, mas fazem parte do caminho. Os empreendedores estão renovando conceitos económicos, ultrapassando barreiras sociais e culturais, criando oportunidades nas mais diversas áreas. As dores fazem parte do caminho de qualquer empreendedor, os melhores médicos são os nossos mentores, colegas, parceiros ou mesmo amigos que fazem tudo para se tornar mais fácil. Quando ultrapassarem as dores, nada vos pode parar . 102


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ATUALIDADE

ALBUFEIRA CONTINUA NO TOPO DO RANKING DAS PRAIAS COM MAIS BANDEIRAS AZUIS lbufeira voltou a conquistar o ranking nacional das Bandeiras Azuis da Europa (25), o que corresponde à totalidade das praias do concelho. O Município destaca-se, assim, pelo terceiro ano consecutivo com o galardão máximo da qualidade ambiental atribuído anualmente pela Associação da Bandeira Azul da Europa às zonas balneares, em função de critérios rigorosos de gestão ambiental, qualidade da água, serviços e segurança disponibilizados aos veraneantes, entre outros. Deste modo, e a par da Marina de Albufeira, voltam a ostentar a bandeira azul as praias do Salgados, Galé-Oeste, Galé-Leste, Manuel Lourenço, Evaristo, Castelo, Coelha, São Rafael, Arrifes, Peneco, Pescadores, Inatel, Alemães, Aveiros, Oura, Oura-Leste, Santa Eulália, Maria Luísa, Olhos de Água, Belharucas, Falésia-Açoteias, FalésiaAlfamar, Rocha Baixinha Poente, Rocha Baixinha e Rocha Baixinha Nascente. Este ano a bandeira azul vai ser hasteada em 332 praias (299 costeiras e 33 fluviais), mais 12 do que em 2017, o que representa 55 por cento das praias portuguesas. O Algarve foi a região portuguesa com maior número de galardões (89), seguido da

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região Norte, com 73. A poucos dias da abertura oficial da época balnear, que em Albufeira decorre em período alargado, entre 15 de maio e 15 de outubro, o presidente da Câmara Municipal sublinha “que este reconhecimento é muito importante pela visibilidade que nos dá a nível nacional e internacional, mas, por outro lado, representa uma

responsabilidade acrescida no sentido de manter este patamar de excelência”. “Ano após ano temos vindo a colocar a fasquia cada vez mais alta, para o que temos contado com o empenhamento do Executivo, dos funcionários da Autarquia e de todas as entidades com responsabilidades na orla costeira, que trabalham em estreita articulação para que o Concelho continue a ser reconhecido pela sua qualidade ambiental”, salienta José Carlos Rolo .

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SECRETÁRIA DE ESTADO DA INDÚSTRIA VISITOU EMPRESAS INCUBADAS NA UALG secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehmann, visitou, no dia 30 de abril, a Universidade do Algarve, onde ficou a conhecer o trabalho desenvolvido pelo CRIA - Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia - e por algumas empresas incubadas na UAlg. Ana Teresa Lehmann ficou muito agradada, mas não surpreendida, com o que encontrou no local, porque diz conhecer “o dinamismo da Universidade do Algarve e a excelência da sua investigação”. De acordo com a secretária de Estado, as empresas visitadas, a laborar em áreas como a inteligência artificial, indústria 4.0, agroindústria e produção de caviar, “têm um potencial de crescimento enorme, uma grande capacidade de criar negócio e de internacionalização”. No final da visita, Ana Teresa Lehmann estava visivelmente satisfeita por ter visitado “empresas de excelência”, defendendo que a agroindústria é um setor fundamental para Portugal, mas considerando que “no Algarve tem condições especiais e que o CRIA da UAlg está a contribuir para que isso aconteça porque o ciclo está a ser alimentado”. A governante foi recebida pelo reitor da UAlg, Paulo Águas, seguindo-se uma breve apresentação do CRIA feita por Hugo Barros, coordenador desta Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia. Foram depois visitadas três empresas. A «Sandworx», que tem como principal objetivo fornecer serviços na área da indústria 4.0, ou seja, serviços ligados

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às novas tecnologias, desde a inteligência artificial, passando pela visão computacional, até à internet das coisas e à automação. A empresa «Agro-On», que, entre outras atividades, se dedica à investigação sobre a cultura sustentável de halófitas, produzindo verduras da Ria Formosa, com um elevado padrão de qualidade. Vende salicórnia, sarcocórnia, valverde, sea fingers e rossio em vários supermercados com a marca RiaFresh. A última empresa a ser visitada foi a «Caviar Portugal», uma startup na área da aquacultura, fundada em 2012. O seu principal objetivo é desenvolver aquacultura de esturjão para obtenção de caviar, embora neste momento já desenvolva outros projetos ligados à aquacultura em Portugal e no estrangeiro. ALGARVE INFORMATIVO #154


ATUALIDADE

PRIMEIRA REABILITAÇÃO URBANA DO IFRRU 2020 NO ALGARVE ACONTECE EM FARO Reabilitação Urbana está em marcha com o IFRRU 2020 a chegar finalmente ao Algarve, tendo sido assinado, com o Santander Totta, o primeiro contrato de financiamento nesta região, mais concretamente no centro de Faro, com um investimento total de 669 mil euros, num projeto que prevê a reabilitação integral de um edifício destinado à habitação, para arrendamento. De acordo com dados do INE, no Algarve existem 17 mil e 531 edifícios muito degradados ou que carecem de reparações grandes ou médias. Nesta região foram já apresentadas ao IFRRU 2020 quatro candidaturas com um investimento que se eleva a 13 milhões de euros, uma delas que acabou de se efetivar neste primeiro contrato de financiamento.

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Até final de março foram formalizadas 62 candidaturas, no valor total de 203 milhões de euros de investimento, assinados sete contratos de financiamento (três no Funchal, um em Lisboa, um no Porto, um em Elvas e agora este em Faro), estando em pipeline 389 intenções de investimento, no valor total de mais de mil milhões de euros de investimento. O IFRRU 2020 conta com financiamento de fundos da União Europeia, nomeadamente através do PO CRESC Algarve2020 no âmbito do Portugal 2020, e ainda de empréstimos contraídos, para este efeito, pelo Estado junto do Banco Europeu de Investimento (BEI), do Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB), juntamente com as verbas disponibilizadas por bancos selecionados, que alavancam os fundos públicos . 108


INVESTIGADOR DA UALG CONVIDADO PARA FALAR SOBRE CANCRO NA CHINA

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olfgang Link, investigador do Centro de Investigação em Biomedicina (CBMR) da Universidade do Algarve, será o orador principal do «2nd International Symposium on Tribbles and Diseases», a ter lugar, de 7 a 9 de maio, em Pequim, na China. O evento reúne os principais especialistas mundiais a trabalhar no controlo da homeostase energética, do metabolismo e da imunidade inata para

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caracterizar de que modo a interação entre esses sistemas fisiológicos influencia o desenvolvimento do cancro da próstata. O evento, coordenado pela Tribbles Research and Innovation Network (TRAIN), envolverá mais de dez parceiros da academia e da indústria, provenientes de países como Reino Unido, Espanha, Alemanha, França, Holanda, Hungria e Portugal .

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LAGOA RECEBEU PRIMEIRA ETAPA DA TAÇA DE PORTUGAL DE BOULDER

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riand Monteiro e André Neres foram os grandes vencedores da etapa inicial da Taça de Portugal de Boulder 2018, que teve lugar no recém-construído rocódromo do Parque Desportivo Municipal de Estômbar, a 21 de abril. Madalena Casanova e Júlia Nogueira, em Femininos e Nuno Oliveira e João Castro, em Masculinos, ficaram colocados em segundo e terceiro lugares, respetivamente. Trinta atletas de vários escalões (Iniciados, Juvenis, Juniores e Seniores) competiram ao longo de três horas em formato «open», escalando obstáculos. Foram apurados os melhores seis de cada categoria, Feminino e Masculino. Na final ALGARVE INFORMATIVO #154

absoluta, escalaram mais quatro problemas para apurar os vencedores. A prova, a primeira a nível nacional a ter lugar no Algarve, foi organizada pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal e contou com o apoio do Município de Lagoa e do Vertical - Núcleo de Escalada da Associação Desportiva e Recreativa – Centro Cultural e Social da Quinta de S. Pedro (ADR – CCS). Os atletas do Vertical conseguiram alcançar oito pódios nas classificações por escalões, obtendo quatro primeiros lugares, três segundos lugares e um terceiro lugar. No resultado absoluto da prova, o Vertical arrecadou três pódios, sendo eles o 1.º e 3.º lugar Feminino e o 2.º lugar Masculino . 110


AZEITE ALGARVIO MONTEROSA CONTINUA A SER «OURO» Azeite Virgem Extra Monterosa produzido em Moncarapacho, no concelho de Olhão, continua a destacar-se ao mais alto nível internacional com a conquista de prémios nos vários cantos do Mundo. De facto, no dia 26 de abril, evidenciou-se no New York International Olive Oil Competition, o mais prestigiado concurso da atualidade, onde participaram mais de 900 azeites oriundos de 27 países, ao conquistar medalhas de ouro para todas os monovarietais levados a concurso – «Maçanilha», «Cobrançosa», «Verdeal» e «Picual» – assim como para o «Selection», que contempla uma mistura de variedades. Este é o sexto ano consecutivo em que os Azeites Monterosa conseguem alcançar o ouro no concurso internacional de Nova Iorque, o que evidencia a sustentabilidade da qualidade e excelência do produto e a sua visibilidade e reconhecimento a nível internacional. Também no dia 25 de abril o Monterosa obteve prémios no concurso internacional Olive Japan 2018, que decorreu em Tóquio. Desta feita foram cinco medalhas de ouro para os três monovarietais «Maçanilha», «Cobrançosa», «Verdeal», para o «Selection» e para o novo azeite de entrada de gama lançado este ano «Horta do Felix». O «Verdeal» foi contemplado neste concurso também com o prémio

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«Special Award Medium Intensity» e o «Picual» foi galardoado com prata. Neste concurso participaram mais de 600 azeites oriundos de cerca de 25 países. O Azeite Monterosa é comercializado numa garrafa de cor negra serigrafada de 500 e 250ml, assim como num kit de degustação com cinco garrafas de 20ml. À já habitual gama de monovarietais «Maçanilha», «Cobrançosa», «Verdeal» e «Picual», junta-se ainda um «Selection», que é produzido com uma mistura de variedades devidamente selecionadas pelo painel de provadores internos da equipa Monterosa. A novidade de 2018 é um produto de entrada de gama, o novo «Horta do Felix», que combina uma seleção das variedades cultivadas. Trata-se dum azeite muito elegante de aroma frutado intenso no nariz e um ligeiro amargo e picante, com notas de frutos secos na boca .

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HOMENAGEM A PERSONALIDADES E INAUGURAÇÃO DE OFICINA DE OLARIA MARCAM DIA DO MUNICÍPIO DE LOULÉ

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o dia 10 de maio – Quinta-feira de Ascensão/Dia da Espiga – o Município de Loulé assinala mais um aniversário com um programa de iniciativas que terá como pontos altos a homenagem a personalidades louletanas que se destacaram pelo seu percurso profissional, bem como a inauguração de uma Oficina de Olaria e a Festa da Espiga em Salir. Pelas 9h, a Praça da República acolhe a cerimónia de hastear da Bandeira com a Banda Filarmónica Artistas de Minerva e os Bombeiros Municipais de Loulé, seguindo-se a atuação do Coro Infantil de

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Loulé, acompanhado pela Banda Escolar da Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva. Às 10h, na Sala da Assembleia Municipal, tem lugar a Cerimónia Protocolar de Agraciados do Município de Loulé. Este ano serão condecorados com a Medalha de Mérito Municipal o jogador de futsal e campeão europeu pela seleção nacional, Pedro Cary, e o diretor da Escola Secundária de Loulé e presidente do Conselho Executivo da Associação Europeia para o Ensino da Astronomia (EAAE), Alexandre Costa, distinguido em 2010, pelo Ministério da Educação, com o Prémio Nacional do Professor.

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No Salão Nobre dos Paços do Concelho, pelas 11h, o escritor Mário Cláudio recebe o Grande Prémio de Literatura Associação Portuguesa de Escritores/Câmara Municipal de Loulé – Crónica e Dispersos Literários 2018. Às 12h, na Urbanização Boa Entrada, mais duas homenagens a louletanos que se destacaram, com o descerramento de placas toponímicas com os nomes de Luís Guerreiro e Joaquim Guerreiro, duas personalidades ligados à vida autárquica e cultural do Concelho e do Algarve, falecidos em 2017. Pelas 15h, na Rua Martim Moniz (Centro Histórico) será inaugurada a Olaria integrada no projeto «Loulé Criativo». Depois da Casa da Empreita e da Oficina do Caldeireiro, este é mais um espaço que aposta na valorização da identidade do 113

território, tendo como força motriz a criatividade e a inovação. Apoia a formação e atividade de artesãos e profissionais do setor criativo, contribuindo para a revitalização das artes tradicionais e para a dinamização de novas abordagens ao património imaterial. O desfile etnográfico da Festa da Espiga em Salir está marcado para as 16h, sem dúvida um dos momentos mais importantes deste evento que, durante três dias (10, 11 e 12), irá animar esta vila serrana com muita música, gastronomia e artes tradicionais. Ao longo de décadas, a Festa da Espiga tem sido um cartaz turístico do interior que se realiza em simultâneo com o Dia do Município de Loulé .

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CORTES PEREIRAS, GUERREIRO DO RIO E LARANJEIRAS GANHAM EQUIPAMENTOS GERIÁTRICOS s localidades de Cortes Pereiras, Guerreiro do Rio e Laranjeiras dispõem de novos equipamentos desportivos geriátricos, tendo sido instalado três aparelhos desportivos em cada localidade. Os novos espaços, que contam desde fevereiro com nove equipamentos, constituem mais um investimento no bem-estar e na qualidade de vida dos idosos (das pessoas), num valor total de sete mil e 84,80 euros.

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O Município de Alcoutim já possuía equipamentos instalados nas localidades de Alcoutim, Giões, Martim Longo, Pereiro, Vaqueiros e Santa Justa, alargando assim a oferta aos munícipes. “Pretende-se que o conjunto de equipamentos geriátricos sirvam de motivação para as pessoas se deslocarem aos locais dos equipamentos mais vezes e, dessa forma, cuidarem de si”, refere Osvaldo dos Santos Gonçalves, Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim . 114


DUZENTOS E OITENTA TRIATLETAS MARCAM PRESENÇA NO I TRIATLO DE LAGOA Praia Grande, em Ferragudo, foi o ponto de partida escolhido para mais uma etapa do Campeonato Nacional de Clubes de Triatlo - distância olímpica, no dia 29 de abril. A competição contou com a participação de 280 atletas, licenciados na Federação de Triatlo de Portugal, em provas de natação (no Rio Arade, Praia Grande); ciclismo de estrada (nas freguesias de Ferragudo e União de Freguesias de Estômbar e Parchal); e corrida na estrada (Ferragudo). Depois de 1.500 metros a nadar, 40 quilómetros a pedalar e 10 quilómetros a correr, os triatletas subiram ao pódio na Praça D. Leonor, em Ferragudo, onde foram entregues os prémios, individuais e por equipas. Marcaram presença todos os clubes de triatlo de Portugal, representados pelos melhores atletas nacionais (inclusive os atletas olímpicos).

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Integrado neste evento, 20 técnicos dos diferentes clubes nacionais de triatlo participaram igualmente no workshop sobre «A Nutrição no Triatleta», que teve lugar, no dia 28, na sala multiusos do Estádio da Bela Vista, dinamizado pelo médico Marco Pereira. Para organizar este grande momento desportivo, o município contou com a colaboração do Clube de Motards de Lagoa (nos aspetos ligados à segurança na prova de ciclismo); o Kayak Clube Castores do Arade (apoio prestado aos atletas nas provas de canoagem); Clube de BTT de Lagoa – BTTrilhos (auxílio à prova de corrida); Escuteiros Marítimos de Ferragudo (apoio no Rio Arade) e com a ajuda de uma rede de voluntários. A autarquia contou ainda com a colaboração das forças de segurança e Bombeiros Voluntários de Lagoa .

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JAZZ VOLTA A INVADIR PALCOS IMPROVÁVEIS EM FARO

jazz volta a estar em destaque em Faro com a quarta edição do festival «Os Dias do JAZZ», de 11 a 20 de maio, com uma programação diversificada que promete surpreender o público em locais improváveis da cidade. No concerto de abertura, no Teatro das Figuras, há um encontro muito esperado, em palco, entre um dos mais aclamados músicos portugueses, Mário Laginha, e o projeto que o próprio viu e fez crescer, o Trio de Jazz de Loulé. Um encontro especial a dois pianos, aos quais se junta a secção rítmica do Trio. O Trio de Jazz de Loulé, composto por António Quintino (contrabaixo), João Coelho (piano) e João Pereira (bateria), é o resultado de um concurso nacional promovido pelo

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Município de Loulé e apadrinhado pelo reconhecido artista Mário Laginha, presidente do júri do concurso. O projeto tem como principais objetivos o de explorar a versatilidade de estilos a interpretar e o de comunicar a linguagem do Jazz a um público cada vez mais alargado e heterogéneo. O histórico Club Farense associa-se ao festival com concertos nos dias 12 e 13 de maio, com músicos que trabalham na região. No dia 12, Marco Martins Quartet apresenta «The West Sessions». Com o objetivo de enriquecer o panorama musical e a criação de novos conteúdos, este projeto visa a colaboração de artistas nacionais e internacionais através da linguagem do Jazz e da Música Improvisada, 116


impulsionando a composição, a apresentação pública e a datação das criações. No dia seguinte, às 18h, e no âmbito da rubrica «Um Copo de Jazz», o Club Farense apresenta «Zé Eduardo Convida… Ricardo Toscano». No dia 17 de maio, pelas 18h30, o recém-recuperado Palácio Belmarço recebe um concerto intimista do duo de guitarristas «Mano a Mano», o duo formado pelos irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, maioritariamente no estilo Jazz, onde são considerados dois dos mais importantes músicos a nível nacional. No dia 18, pelas 21h30, o festival volta ao Teatro das Figuras, com o concerto imperdível de Jaques Morelenbaum e do seu CelloSambaTrio, com a participação especial de Paula Morelenbaum. No dia 20 de maio, às 19h, o público terá o raro privilégio de assistir a um concerto do quarteto que reúne Norberto Lobo (guitarra), Ricardo Jacinto (violoncelo), Marco Franco (bateria) e Yaw Tembe (trompete), no pátio do Seminário Episcopal de Faro, em pleno coração da Vila Adentro. Norberto e a sua guitarra têm um historial de constante evolução e de procura de soluções que enriqueçam ainda mais o seu universo. A sua carreira é feita de desafios, numa demanda de aperfeiçoamento de linguagem e de como comunica com o público. Ao longo de mais de dez anos de carreira, o que compõe na guitarra 117

tem-se tornado progressivamente liberto e arejado, numa procura da clareza e sintetização das suas ideias. O festival «Os Dias do JAZZ» é uma organização do Teatro das Figuras, com o apoio da Câmara Municipal de Faro, do Club Farense, da Diocese do Algarve e dos Vinhos Couteiro-mor, que pela primeira vez se associam a esta iniciativa.

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DJS LEVAM SONORIDADES DO MUNDO ÀS NOITES DO FESTIVAL MED

electa Alice, Irmãos Makossa e Sampladélicos são os DJs que vão aquecer as noites do 15.º Festival MED com música dos quatros cantos do mundo, mas com uma expressão eletrónica presente. Considerada uma das impulsionadoras e pioneira da World Music em DJ set em Portugal, Selecta Alice homenageia, nos seus sets a cultura da festa e da celebração da vida através da música e do ritual da dança. Os ritmos de África, América Latina, Balcãs e Índia são paragens obrigatórias nas suas viagens sonoras à volta do mundo. É curadora do palco do Sacred Fire no Boom Festival. Em palco no MED irão apresentar-se também este ano os Irmãos Makossa, dois amigos, pesquisadores de música africana da década de 70 e suas influências. Os seus DJ sets são a história de uma viagem por África e como este Continente influenciou o mundo musical,

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contada pela música extraída dos vinis e CD’s que preenchem as suas malas. A referência desta dupla é Fela Kuti, criador do Afrobeat, Manu Dibango, Ebo Taylor, Tony Allen, Franco ou Orchestre Poly Rythmo de Cotonou (que em 2017 atuaram no MED). O lema desta dupla é não mais que, celebrar com muita alegria e ritmos quentes, com uma das coisas que África tem de melhor - a Música. Os Sampladélicos, Tiago Pereira (documentarista) e Sílvio Rosado (músico), vão ao encontro das suas raízes para a seguir as ficcionar, criando-lhes contextos novos e outras formas de vida. O seu trabalho é uma encenação a partir dos conceitos pessoais de cada um do que é a tradição e o património. O álbum foi totalmente criado com gravações da música portuguesa a gostar dela própria desde janeiro de 2011, sem a utilização de sintetizadores, caixas de ritmos e beats estrangeiros. E não seria possível sem os 118


músicos e todas as velhinhas deste país, os tocadores de violas, gaitas, flautas, bombos, adufes, búzios e palmas. Estes são mais três nomes que se juntam ao cartaz do 15.º Festival MED, que já integra Asian Dub Foundation (Reino Unido), Dub Inc (França), Morgane Ji (Ilha da Reunião), La Pegatina e Vurro (Espanha), 47 Soul (Palestina), Gato Preto

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(Moçambique/Gana/Portugal), Bonga (Angola), Los Milros (Peru) e os portugueses Miguel Araújo, Orelha Negra, Sara Tavares, Gaiteiros de Lisboa, Teresa Salgueiro e Melech Mechaya. O cartaz final será apresentado no Cine-Teatro Louletano, no dia 26 de maio, numa noite que contará com o concerto de Omiri.

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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina

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Revista semanal sobre o Algarve e os Algarvios

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