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ALGARVE INFORMATIVO 4 de novembro, 2017

Os «Cantos e Lamentos» de RICARDO

MARTINS

COOLTOUR REGRESSOU A FARO | HISTÓRIAS DE ARREPIAR EM SÃO BRÁS CRISTINA BRANCO BRILHOU EM LOULÉ | ALGHARB.COME DEU-SE A CONHECER 1 ALGARVE INFORMATIVO #131


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CONTEÚDOS 4 DE NOVEMBRO, 2017

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ARTIGOS 12 - No Outono da Vida 14 - AlGharb.come 18 - Pensar o cancro como um acidente de viação 22 - Festival Cooltour 32 - Ricardo Martins 40 - Histórias de Arrepiar 50 - Cristina Branco 56 - António e Cleópatra 78- Atualidade

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OPINIÃO 62 - Paulo Cunha 64 - José Graça 66 - Adília César 68 - Artur Filipe Gregório 70 - Augusto Lima 72 - Vico Ughetto

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ALBUFEIRA ACOLHEU CERTAME SÉNIOR «NO OUTONO DA VIDA» Texto:

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Espaço Multiusos de Albufeira foi palco, nos dias 30 e 31 de outubro, do 3.º Certame Sénior «No Outono da Vida», numa iniciativa da responsabilidade do Grupo de Trabalho de Idosos de Albufeira. A edição deste ano foi dedicada ao envelhecimento ativo e saudável, tendo sido convidadas diversas empresas ligadas à área sénior que, entre outras atividades, ALGARVE INFORMATIVO #131

Fotografia: apresentaram palestras acerca dos cuidados a ter no âmbito da saúde oral, alimentação e oftalmologia, rastreios auditivos e de visão, avaliação dos níveis de glicémia e tensão arterial, avaliação corporal e demonstração de bebidas saudáveis, produtos naturais, fisioterapia, yoga do riso, exposição de trabalhos em empreita, música e muita animação. Houve igualmente espaço para a vertente musical, com uma

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atuação das «Moças Nagragadas» e um baile animado Filipe Conde. O Grupo de Trabalho de Idosos de Albufeira é constituído por diversas entidades que, entre si, assumiram o compromisso de trabalhar em conjunto na procura de soluções para as problemáticas sociais do Concelho. Funciona no âmbito da Rede Social e integra as seguintes instituições: Câmara Municipal de Albufeira, Administração Regional de Saúde do Algarve, Centro de Saúde de Albufeira, AHSA, APAV, BVA, Banco do Tempo de Albufeira, Centro Paroquial de Paderne, Conferência São Vicente de Paulo de Albufeira, Cruz Vermelha Portuguesa, Fundação António Silva Leal, GNR, Segurança Social, Nuclegarve e Santa Casa da Misericórdia de Albufeira .

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«ALGHARB.COME» UNE CULTURA, PATRIMÓNIO E GASTRONOMIA Texto:

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Associação Juvenil Backup apresentou, no dia 27 de outubro, no Instituto Português do Desporto e da Juventude, em Faro, o projeto «AlGharb.come», numa sessão que contou com a participação de Dália Paulo, Comissária do programa «365 Algarve», ALGARVE INFORMATIVO #131

Fotografia: Custódio Moreno, Diretor Regional do IPDJ de Faro, Artur Filipe Gregório, Presidente da Associação In Loco, Abílio Guerreiro, formador da Escola de Hotelaria e Turismo de Vila Real de Santo António, e Luís Romão e Carla Viegas, Vice-Presidente e Vereadora, respetivamente, da Câmara Municipal 14


de Vila Real de Santo António. O projeto inspira-se nas raízes do Baixo Guadiana e da Andaluzia mediante três pilares fundamentais: a Cultura, presente no Fado e no Flamenco; o Património, através dos espaços que o acolhem e que vão desde os mercados municipais e restaurantes típicos a rotas pedestres, locais de interesse histórico do Baixo Guadiana e o Revelim de Santo António, em Castro Marim, que acolherá o evento final nos dias 19 e 20 de maio de 2018; finalmente, a Gastronomia típica do Algarve, sobretudo a Dieta Mediterrânica considerada, tal como o Fado e o Flamenco, Património Imaterial da Humanidade. «AlGharb.come» tem como grande objetivo desvendar os segredos do Baixo Guadiana, através das suas tradições e costumes, possibilitando aos agentes turísticos o acesso a um programa

diversificado que vai de encontro ao que o turismo procura. A ideia fundamental do projeto é, contudo, envolver toda a comunidade na sua coprodução, para que se sintam responsáveis pela construção de um programa que possa oferecer ao turismo a essência do Algarve presente, principalmente, em zonas de baixa densidade populacional. O projeto foi concebido e criado por Ana Quinteliano, estando a coordenação de equipa a cargo de André Oliveira, a Comunicação & Marketing está sob a alçada de Sofia Afonso, João Martins é o responsável pela Gestão Financeira e a Margarida Queijo caberá, no final, analisar os dados sobre o impacto social e económico do «AlGharb.come». Para além do apoio do «365 Algarve», a Associação Juvenil Backup conta como parceiros neste projeto as Câmaras

Dália Paulo, André Oliveira, Ana Quinteliano e Custódio Moreno, durante a apresentação do «AlGharb.come» 15

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A mentora do projeto, Ana Quinteliano, a explicar os fundamentos do «AlGharb.come» à assistência que encheu o hall do IPDJ, em Faro

Municipais de Castro Marim e Vila Real de Santo António, a ODIANA, a Escola de Hotelaria e Turismo de Vila Real de Santo António, a Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, a DocaPesca, a Associação de Fado do Algarve, a Associação Cultural de Dança Espanhola, a Banda Musical CastroMarinense, a MILACESSOS – Cooperativa de Serviços e Solidariedade, o Boutique Hotel Praia Verde, a Associação In Loco e a Direção Regional do Algarve do Instituto Português do Desporto e Juventude. E foi precisamente a capacidade da Backup reunir diversos parceiros em torno do «AlGharb.come» que Custódio Moreno começou por elogiar na apresentação do projeto, “porque o tempo de trabalharmos como se fossemos uma ilha já acabou”. “Pegaram nas raízes de um povo e de uma região, deram-lhe uma nova roupagem, inovaram, e tenho a certeza que vai ser uma «pedrada no charco»”, afirmou o Diretor Regional do ALGARVE INFORMATIVO #131

IPDJ de Faro, assegurando que os jovens do século XXI sabem bem o que querem e que estão preparados para este tipo de desafios. “Nós só temos que lhes dar ferramentas, condições, abrir portas, apresentar-lhe as medidas governamentais que estão à disposição, porque o Algarve sempre tem tido excelentes dirigentes associativos, verdadeiros embaixadores desta região”. Sozinho não funciona também o programa conjunto das Secretarias de Estado da Cultura e do Turismo, o «365 Algarve», garantiu Dália Paulo, enaltecendo as parcerias realizadas com as 16 autarquias algarvias, bem como as associações culturais, as associações de animação turístico-cultural e as empresas vocacionadas para a animação e o turismo. “O «365 Algarve» é um programa de desenvolvimento local, 16


regional e das pessoas, dos públicos e das associações, dos fazedores de cultura e de animação turística do Algarve. Sem públicos nada existe e este programa pretende complementar a oferta cultural existente na região, para que ela possa funcionar todo o ano”, salientou Dália Paulo. Para o «AlGharb.come», a Backup pegou em três patrimónios imateriais da humanidade – Fado, Flamenco e Dieta Mediterrânica – para repensar e perceber qual a sua importância na sociedade atual, dando seguimento à missão desta associação juvenil de compreender o que faz falta aos mais jovens para que possam ficar na terra que amam. “Como um organismo vivo, fomos crescendo com os contributos de cada elemento. Pretendemos ativar a cidadania dos jovens para que sejam os motores das mudanças das suas comunidades nos aspetos que consideram mais essenciais para eles próprios. E queremos criar uma ligação para que jovens e decisores políticos se ouçam uns aos outros”, esclareceu André Oliveira.

pequena incubadora na qual jovens com atitude podem fazer crescer e tornar realidade as suas ideias e foi assim que nasceu precisamente o «AlGharb.come», há cerca de dois anos, em conversa com a Ana Quinteliano”, revelou André Oliveira. Já a mentora deixou uma palavra especial de apreço às autarquias de Castro Marim e Vila Real de Santo António por terem acreditado no projeto desde a primeira hora, assim como à Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, que será a responsável pelos showcookings que serão dinamizados. “A marca entra no território com o propósito de valorizar o que as pessoas fazem e, sobretudo, de aproximar o produtor do consumidor”, adianta Ana Quinteliano, para quem a cooperação transfronteiriça é essencial para o sucesso do projeto. “Vamos ter chefs espanhóis nos mercados de Vila Real de Santo António, mas também vamos ter noites de fado nos restaurantes de Ayamonte. Estamos a quebrar a fronteira, a passar de uma margem para a outra” .

O presidente da Backup falou igualmente da ativação dos jovens para a sua cidadania europeia, dando-lhes oportunidades para que conheçam e se reeduquem “nos valores europeus que se vão perdendo na espuma dos dias”. “A vertente mais visível da associação é uma 17

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E SE PENSÁSSEMOS O CANCRO COMO UM ACIDENTE DE VIAÇÃO? Grupo de investigação do CBMR trabalha diariamente para compreender, através da biologia computacional, quais as causas do «acidente», que fatores podem ser influentes e de que modo a sua compreensão pode ajudar a prevenir «acidentes» no futuro. O objetivo é claro: identificar as mulheres que têm maior propensão a desenvolver cancro da mama e chegar lá mais cedo que a doença. Texto:

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conversa começa de modo simples: e se o cancro fosse um acidente de viação?

O grupo de investigação em Genómica Funcional do Cancro, liderado por Ana Teresa Maia, e focado especificamente no estudo do cancro da mama, o cancro mais comum entre as mulheres, oferece a resposta. Se o cancro pudesse ser equiparado, metaforicamente, a um acidente de viação, os investigadores deste laboratório seriam os peritos do acidente. Partindo do princípio de que as causas do acidente são, à partida, desconhecidas, os investigadores têm, como explica Ramiro Magno, biólogo computacional e membro do grupo de investigação, “de equacionar uma série de hipóteses”. Neste caso, como adianta o investigador, “o acidente poderia estar, entre outras razões, relacionado com o automóvel ou com fatores externos ao automóvel (chuva, circunstâncias da estrada, etc.)”.

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O mesmo acontece com o cancro. Partindo da premissa de que se trata de uma doença altamente heterogénea e complexa que se manifesta de maneiras muitos diferentes, cabe ao grupo de investigação compreender que partes do «automóvel» (aqui, metaforicamente, relacionado com o corpo humano) são importantes e podem estar associadas ao acidente, em particular, e à possibilidade de virem a ocorrer acidentes, em geral. Como explica Joana Xavier, investigadora de pós-doutoramento, também a trabalhar no grupo, “tendo como base o conhecimento genético que leva ao risco para o cancro da mama, tentamos compreender porque há mulheres mais predispostas do que outras a poder desenvolver a doença”. O objetivo é, também ele, claro, e, como aponta Filipa Esteves, aluna de doutoramento a desenvolver investigação no grupo, “tudo passa pela prevenção”. É que, como clarifica, “com 18


a recolha e análise de um conjunto de dados genéticos, que permitirão identificar determinados fatores influentes no desenvolvimento da doença, é possível compreender que mulheres poderão precisar de fazer rastreios mais frequentes e, assim, conseguir identificar a doença o mais depressa possível e com maiores probabilidades de tratamento”. Usando uma interface, programa em «R», uma linguagem de programação utilizada 19

sobretudo na análise matemática e estatística, a equipa de Ana Teresa Maia procura, assim, instruir o computador para a análise de grandes conjuntos de dados genómicos que permitirão aos investigadores levantar importantes questões científicas. Pode a maior ou menor expressão de um determinado gene influenciar, a longo prazo, a taxa de sobrevivência dos pacientes? Haverá determinadas regiões do genoma que estão particularmente associadas à ALGARVE INFORMATIVO #131


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probabilidade de desenvolver cancro? Se sim, quais e porquê? É por forma a encontrar resposta para algumas destas questões que este grupo de Biologia Computacional trabalha todos os dias. Contando com o auxílio das ferramentas computacionais, os investigadores procuram extrair resultados que possam conduzir a possíveis respostas a partir da análise dos dados e do genoma. Como adianta Ana Teresa Maia, líder do grupo de investigação, “a ideia é identificar as determinantes do risco para conseguir mapear na população quem são as mulheres que têm maior propensão e conseguir chegar lá mais cedo que a doença”. Mas, como explica a investigadora, o potencial do trabalho desenvolvido no Centro de Investigação em Biomedicina e, particularmente, no ALGARVE INFORMATIVO #131

grupo de Genómica Funcional, não se esgota aqui, uma vez que “o conhecimento produzido pelo grupo pode ajudar, do ponto de vista clínico, a que sejam desenhadas e desenvolvidas terapias que possam, no futuro, vir a baixar o risco de desenvolver a doença”. “Ao compreender os mecanismos por detrás do processo, e ao estudar os dados genéticos, é possível adaptar e refinar os mecanismos de despiste e deteção da doença”, acrescenta. Para o grupo de trabalho, composto por cinco investigadores internos e cinco colaboradores externos, só uma coisa interessa: compreender as causas do acidente, porque ocorreu e quais os fatores determinantes para conseguir preveni-lo no futuro .

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REPORTAGEM

COOLTOUR: UM FESTIVAL CULTURAL PARA CRIANÇAS… E SUAS FAMÍLIAS De 1 a 5 de novembro, Faro acolhe a quinta edição do Cooltour, um festival cultural direcionado para crianças dos seis meses aos 12 anos, mas também para as suas famílias e comunidade educativa. Este ano sob o signo dos «Monstros e Medos», o evento pretende, mais uma vez, abrir os horizontes dos mais novos e sensibilizá-los para temáticas importantes da atualidade, contando, para tal, com um programa riquíssimo de atividades dinamizadas em vários locais da capital algarvia. Texto: ALGARVE INFORMATIVO #131

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ara comemorar os cinco anos de existência, o Festival Cooltour, organizado pela Associação Cultural e Recreativa «Amarelarte», Cooperativa de Intervenção Social e Cultural «Mandacaru» e «English21», preparou um programa repleto de atividades em torno da arte, música e teatro para animar a cidade de Faro entre os dias 1 e 5 de novembro. Assim sendo, a sede da «Amarelarte», a Sociedade Recreativa Artística Farense, a Fábrica da Cerveja da Associação Recreativa e Cultural de Músicos, o Cineclube de Faro, o Centro

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de Ciência Viva de Faro, o Jardim da Alameda e a Biblioteca Municipal de Faro acolheram sessões do teatro infantil «Monstruinto» e TV-Box, concertos e contos, música para bebés, filmes e muito mais, numa caminhada que tem sido feita graças ao enorme entusiasmo do coletivo que monta o evento e das parcerias que, felizmente, vão aumentando de ano para ano. “Estamos bastante orgulhosos por chegarmos à quinta edição e sentimos que o programa deste ano é composto por projetos de grande qualidade. A viagem interativa que as crianças fazem 24


«Monstros e Medos». “É um fio condutor para guiar todos os intervenientes e criativos e para congregar os assuntos dos quais queremos conversar com as crianças. Normalmente são coisas que não são discutidas em ambiente escolar: a cor da pele; o poder que a publicidade e a imagem tem sobre as crianças; as diferenças de género; a exclusão social no âmbito escolar e fora dele; o dinheiro e a amizade”, indica a entrevistada, poucos minutos depois de concluída mais uma viagem do «Monstruinto». “As linguagens artísticas que utilizamos mexem com todas as idades, por isso, gostamos que os pais assistam também às peças de teatro, que não deixem apenas os filhos no local e depois os venham buscar. No início do festival tínhamos pensado apenas no público do primeiro ciclo, mas depois fomos alargando para outras idades”, acrescenta.

pelo labirinto «desenhado» nesta casa é uma constante na história do festival, mas sempre com temáticas diferentes. Este ano são quatro cenas com o «Monstro do Armário», o «Monstrologista» – um especialista em monstros, o «Monstro do Espelho» e o «Monstro Musical», com os visitantes a serem guiados ao longo do percurso por dragões”, descreve Nicole Lissy, coordenadora da «Amarelarte». O que também se repete no Cooltour de 2017 é a peça de teatro infantil da TV-Box, desta feita a «Monstra Viva», porque o tema deste ano é, precisamente, 25

Mensagens, valores e conceitos importantes são aqui transmitidos, de forma agradável e chamativa, através de peças de teatro, exposições, contos, concertos de música, para crianças e jovens numa idade em que estão a formar as suas personalidades, a crescerem enquanto seres humanos. Este facto não é de estranhar porque duas das mentoras do Cooltour trabalham precisamente em educação informal junto das camadas mais novas da sociedade. “Não quer dizer que a atividade da «Amarelarte» e da «Mandacaru» esteja limitada às crianças, mas é fundamental começar cedo a educar os cidadãos de amanhã. Nos infantários, os nossos filhos ainda ALGARVE INFORMATIVO #131


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dão azo à sua criatividade, à expressão artística, mas isso desaparece praticamente quando entram na escola primária. A nossa vontade é criar uma oferta artística de qualidade para as crianças, porque ela é fundamental para o seu futuro, e não apenas daqueles que depois seguem uma carreira profissional ligada às artes”, entende Nicole Lissy, enquanto os restantes elementos da peça iam preparando o cenário para a sessão que se seguia. «Monstros e Medos» é, como referido, a temática deste V Cooltour, e facilmente se consegue estar à conversa com os pequenotes, por via de personagens surreais e fantásticas, com o intuito deles ganharem estratégias para superar os medos e as superstições. “É uma reflexão que vai acontecer, normalmente, já após eles saírem daqui da «Amarelarte» e há muitas crianças que depois nos identificam na rua e se recordam das personagens que interpretámos. Ontem, uma menina teve muito medo no início e, quando o comboio apitou para se irem embora, ganhou coragem para tocar no vidro e entrar em contato com o «Monstro do Espelho»”, conta, com um sorriso. Mas o festival é, também, para os pais, sobretudo para aqueles que andam numa constante azáfama de casa para o trabalho e do trabalho para casa, o que lhes deixa pouco tempo para dedicarem aos filhos. “Andam com a cabeça bastante formatada e condicionada para uma certa maneira das coisas funcionarem e nós apenas pretendemos dar-lhes impulsos. A maior parte dos fatos e adereços que utilizamos nas peças são feitos a partir de 27

lixo, de material reciclado, e qualquer um os pode replicar nas suas casas. E os adultos também têm ideias novas para nos transmitir, temos tido um feedback muito positivo da parte dos pais”, salienta. ALGARVE INFORMATIVO #131


A crescer gradualmente à medida que as parcerias vão aumentando, Nicole Lissy não esconde a satisfação com o grupo de entidades e associações que se quiseram juntar à quinta edição do Cooltour, o que permitiu que este festival cultural para crianças «saísse» da sede da «Amarelarte» e ganhasse vida noutros espaços da cidade de Faro. “Os «Artistas» cedem-nos o palco da sua sede, o que é ótimo para os espetáculos musicais e para as peças teatrais, para além de recriarmos um museu com todas as personagens que foram surgindo nas edições anteriores. Temos uma instalação artística - «Os Livros Crescem nas Árvores» - no Jardim da Alameda e no pátio da Biblioteca Municipal de Faro, organizamos duas atividades no Centro de Ciência Viva de Faro e o Cineclube de Faro apoia-nos com as sessões de filmes que acontecem nos

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«Artistas»”, destaca a coordenadora da «Amarelarte», confirmando que os cinco dias de festival começam a ser preparados mal termina uma edição do certame. “O público tem ficado contente com aquilo que programamos e vai passando a palavra. Já as escolas primárias, infelizmente, demoram mais tempo a virem experimentar, apesar da nossa insistência. Há uma turma de crianças surdas que vem regularmente às nossas atividades, porque tem professores espetaculares e que se mexem bastante, motivo pelo qual até fizemos, este ano, a peça de teatro sem texto”, aponta Nicole Lissy, antes de regressar aos preparativos para mais um momento do V Festival Cooltour, do qual ainda pode desfrutar nos dias 4 e 5 de novembro .

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ENTREVISTA

OS «CANTOS E LAMENTOS» DE

RICARDO MARTINS «Cantos e Lamentos» é o novo disco de Ricardo Martins, um virtuoso da guitarra portuguesa natural de São Brás de Alportel que, para além de acompanhar os principais fadistas da praça algarvia, não descura o estudo e o aperfeiçoamento deste típico instrumento português. Guitarra portuguesa que, neste álbum, se faz acompanhar de mais uma mão-cheia de instrumentos, resultando num trabalho que, de facto, dá gosto ouvir. Texto:

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cabado de chegar de lua-demel e antes de abalar novamente, desta feita a trabalho, para o Canadá e Estados Unidos, conseguimos «raptar» Ricardo Martins para uma conversa de café, logo pela manhã, na cidade de Loulé, para melhor conhecermos «Cantos e Lamentos», o novo disco instrumental do mestre da guitarra portuguesa. O álbum foi gravado no Zipmix Estúdio e misturado no Estúdio Pé de Vento, no início do ano, sendo apresentado oficialmente, a 25 de novembro, no Club Farense, em Faro, precisamente após chegar da tournée pelo continente norte-americano. A guitarra portuguesa é, como se adivinha, a figura de proa do novo trabalho discográfico de Ricardo Martins, mas o normal dia-a-dia do são-brasense é passado a acompanhar fadistas consagrados em palco, porque ter uma carreira a solo como instrumentista é uma tarefa dura em terras lusitanas. “É, de facto, mais fácil acompanhar alguém que cante, há muito mais espetáculos em virtude da recetividade do público ser maior. Mas apaixona-me o som deste instrumento e penso que ainda há um longo caminho a percorrer em torno da guitarra portuguesa, que a composição pode fugir um pouco das raízes do fado. Ouço bastante música instrumental e sinto-me muito feliz a compor instrumentais para a guitarra portuguesa, mas também componho temas para serem cantados”, refere o entrevistado.

«Cantos e Lamentos» não é o primeiro disco instrumental de Ricardo Martins mas é, porém, o primeiro inteiramente ALGARVE INFORMATIVO #131

constituído por temas originais. Quanto ao antecessor, intitulado simplesmente «Ricardo J. Martins», foi um género de «disco zero», não porque não tivesse já material próprio, mas porque há sempre alguma hesitação e incerteza quando se vai dar a conhecer, pela primeira vez, o que se criou na sua cabeça e coração. “O autor acha sempre que o produto final está um bocado aquém da expetativa, mas temos que dar por concluídos os 34


trabalhos e colocá-los cá fora”, frisa, reconhecendo que a concorrência existente neste nicho de mercado é de excelente nível. “Há muita gente a tocar guitarra portuguesa, contudo, a maioria é como acompanhantes. Os nomes mais sonantes como solistas são o Custódio Castelo, Marta Pereira da Costa, Ricardo Rocha e Mário Pacheco, todavia, mesmo esses têm que tocar com fadistas”, aponta. 35

Nomes de peso que têm em comum os largos anos de aprendizagem, de estudo, dedicados a este característico instrumento português, quase 15 anos no caso concreto de Ricardo Martins. “Nesta caminhada é necessário conhecer a linguagem do antigamente, mas também as coisas mais recentes. Há que estar aberto a outras influências para sabermos onde estamos e para ALGARVE INFORMATIVO #131


onde pretendemos ir. Há sempre puristas em todas as áreas, só que a maneira de acompanhar o fado em meados do século passado foi-se alterando ao longo dos tempos. Claro que é importante ir «beber à fonte» e conhecer e reconhecer todos os talentos do passado, mas é essencial dar o nosso cunho pessoal. Para além disso, há imensa gente a chegar ao fado proveniente de outros estilos, desde o clássico ao jazz, que enriquecem a canção lusitana”, salienta. Isso mesmo se comprova em «Cantos e Lamentos» onde, para além da guitarra portuguesa, da viola e do baixo – os habituais acompanhantes do fado – se encontram também o acordeão, percussões tradicionais, flauta de bisel, contrabaixo com arco e voz como ALGARVE INFORMATIVO #131

instrumento lírico. “As músicas que fiz, não sendo eu um purista do fado, pediam mais instrumentos para criar um ambiente diferente”, justifica, concordando que, depois, não é fácil «casar» tantas sonoridades distintas. “O fulcral ao montar o puzzle é não se perder a raiz da guitarra portuguesa, porque são, sem dúvida, músicas para guitarra portuguesa. Mais complicado de ultrapassar é a ausência da letra, porque é ela que, normalmente, conta a história da música e há um refrão que fica no ouvido. Num tema instrumental, a melodia é o ponto central para que ele se torne atrativo, para que não seja apenas um «despejar» de notas ao acaso. Depois, escolhemos um título que permita à pessoa ver mais além do que a música em si”, explica. 36


É PRECISO APOSTAR MAIS NA MÚSICA INSTRUMENTAL Gravar um disco instrumental parece, assim, mais complexo do que se possa imaginar, não é apenas um músico de eleição fechar-se num estúdio e fazer tudo sozinho, à sua maneira e feitio, confirma Ricardo Martins. “É essencial trocar ideias com os músicos que tocam os diversos instrumentos para percebermos aquilo que eles podem acrescentar ao tema. Cada instrumento tem as suas técnicas próprias e cada músico tem a sua maneira distinta de os tocar e é tudo isso que pode tornar um tema mais rico. Não basta meter a pauta à frente dos músicos”, avisa o entrevistado. Tendo Ricardo Martins consciência de todas estas nuances, «Cantos e Lamentos» até foi relativamente rápido de gravar, no entanto, ter o «CD» físico nas mãos e pronto para vender é apenas o primeiro passo, seguindo-se a promoção, distribuição, agenciamento de espetáculos e tudo o mais. Um processo que é difícil para a esmagadora maioria dos artistas, e mais ainda quando se trata de um álbum instrumental. “Hoje há muitas plataformas online onde a música é vendida de forma digital ou se encontra gratuitamente, motivo pelo qual acabamos por vender mais discos logo após as atuações do que propriamente nas lojas tradicionais. Tocar ao vivo da exata maneira como o disco foi gravado também exige cinco ou seis músicos, mas os temas não perdem a sua essência se lhes retirarmos alguns instrumentos”, assegura o são-brasense.

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Haver público, ou não, para a música instrumental é, todavia, apenas uma das faces da moeda, já que não há espetáculos ao vivo se os programadores dos equipamentos culturais não os contratarem. E, nesse aspeto, Ricardo Martins lamenta que nem todos estejam dispostos a arriscar num produto de sucesso menos garantido. “É a voz, e o vocalista, que normalmente atraem os espetadores. A música instrumental é vista um pouco como «música para músicos» ou para servir de ambiente, contudo, há muitas pessoas interessadas neste género de trabalho. O problema é que a informação não lhes chega e, por outro lado, é sempre mais fácil apostar-se num som mais comercial”, observa. Assim sendo, embora a faceta de solista seja a grande paixão de Ricardo Martins, não se coloca a hipótese de deixar de acompanhar fadistas com a sua guitarra portuguesa. “Em países como Alemanha, Itália ou Espanha as mentalidades estão mais recetivas à música instrumental, porque também há mais compositores instrumentais. Em Portugal, a pergunta é sempre «quem é que vai cantar?», falta alguma educação nesse campo”, desabafa o entrevistado, o que não significa que não existam já datas em agenda para se puder ouvir, ao vivo, a «Cantos e Lamentos», antes pelo contrário. “O objetivo é dar a conhecer ainda mais a sonoridade da guitarra portuguesa e os meus temas originais”, remata Ricardo Martins .

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ENTREVISTA

HISTÓRIAS DE ARREPIAR EM NOITE DE HALLOWEEN O Museu do Trajo, em São Brás de Alportel, viveu uma noite diferente de Halloween, no dia 31 de outubro, com uma sessão de histórias de arrepiar a cargo de Fernando Guerreiro. Num ambiente propício para este género de eventos, o público presente acompanhou, de respiração sustida, o desenrolar das tenebrosas histórias que o contador garantiu serem verídicas… Texto: Fotografia:

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abituado que estamos a ver Fernando Guerreiro de volta dos micro contos e do seu ukelele, a noite de 31 de outubro permitiu-nos conhecer melhor a outra faceta deste alentejano, a de contador de histórias mais tradicionais, estas com uma roupagem de arrepiar, imbuídas do espírito do Halloween. E o Museu do Trajo, em São Brás de Alportel, com a sua fantástica estrutura arquitetónica e a exposição permanente de trajes de outras épocas, ajudou, e de que maneira, ao ambiente. Histórias que fazem parte do seu quotidiano desde 2012, aquando dos incêndios que afligiram a Serra do Caldeirão, no âmbito do projeto LARA. “As pessoas da Biblioteca disseram-me que iam contar histórias aos Parises e lá fui eu também. Já tinha feito teatro no passado, um trabalho mais coletivo, e gostei bastante da experiência a solo”, recorda. Antes disso já Fernando Guerreiro ia publicando micro contos de forma regular nas redes sociais, mas ainda estranhou o desafio de um amigo para os apresentar, ao público, numa noite em Faro. “Os contos são mais extensos, chegam a durar uma hora sem que aquilo fique chato, devido às técnicas utilizadas pelos narradores. Não sabia bem como iria funcionar uma sessão de micro contos, custou-me um pouco a assumir essa diferença de registo, mas a verdade é que resultou”, indica o entrevistado, que lançou o primeiro livro em abril de 2015. “Desde então, vou dando a conhecer esse material acompanhado pelo «Xico», o meu ukelele”, acrescenta, com um sorriso. ALGARVE INFORMATIVO #131

Escrever uma, duas ou três frases, um dezena ou vintena de palavras, pode parecer simples, mas não é, acredite-se, porque há que que transmitir uma mensagem, uma história, uma moral, de forma sintética e divertida, reconhece Fernando Guerreiro. “O meu processo criativo é um pouco esquisito, surge tudo a partir de pequenos flashs que tenho no dia-a-dia. Gosto de encontrar 42


um fio e puxá-lo para ver até onde é que ele vai, sendo que muitas vezes os micro contos, apesar de serem tão curtos, acabam por ter princípio, meio e fim, personagens, tempo e espaço”, descreve. “Há alturas em que vou no carro, lembrome de determinadas coisas e, quando as vou escrever, já estão diferentes. Em todo o tipo de escrita, é raríssimo que a primeira versão seja a melhor, há que escrever e reescrever para evitar 43

repetições, escolher bem as palavras”, aconselha. Com o decorrer dos anos, os micro contos de Fernando Guerreiro foram, entretanto, ganhando formas que nunca tinham passado pela cabeça do autor, desde uma peça de teatro e curtasmetragens a uma rúbrica diária na RUA FM e a oficinas de escrita. “Os miúdos, no início, estranham esta maneira ALGARVE INFORMATIVO #131


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diferente de escrever, mas ela pode ser mais uma forma de ativar os mecanismos de escrita e, depois de alguns exercícios, estão a produzir coisas lindíssimas, mesmo aqueles típicos durões das turmas”, relata, garantindo que não estamos na presença de uma ciência oculta ou de um processo demasiado complexo. “Eu nem sequer tenho trabalhado de maneira muito sistemática ou organizada, no entanto, dentro do caos é possível encontrar sempre algo interessante”, prossegue, enquanto o Museu do Trajo ia regressando, lentamente, à sua rotina habitual. Claro que um espetáculo não pode viver neste caos, há que criar um guião, uma manta de retalhos atrativa que prenda o público, que torne a sessão dinâmica para que não seja «mais do mesmo».

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“Normalmente organizo por temas e, com a quantidade de textos que tenho, acabam sempre por ficar alguns de fora que depois, no momento, entram de forma espontânea. Isto é possível porque, até agora, tenho estado sozinho em palco, mas a vontade é começar a ter alguém a meu lado nas atuações. Não sou nenhum músico, meto nojo a tocar o ukelele, e isso coloca-me uma pressão adicional que pretendo aliviar no futuro”, manifesta Fernando Guerreiro, dando o exemplo desta noite no Museu do Trajo, onde teve um suporte multimédia a acompanhar as suas histórias de arrepiar. “Isto começou por ser uma coisa pequenina, agora vai nos 30 a 40 minutos, tem ganho estrutura de forma dinâmica”.

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“MICRO CONTOS DEIXAM-ME NAS NUVENS” As sessões de contos de Fernando Guerreiro têm o condão de serem bastante bem-dispostas, de deixarem irremediavelmente os espetadores de sorriso nos lábios, mas nunca graças a piadas fáceis, esclarece o entrevistado, que não gosta de ir pelo caminho mais simples. “Há partes mais poéticas, outras mais alegre, e há público para estes shows. No início do ano dei por mim no Cinema São Jorge, em Lisboa, no «Quarto Escuro» organizado pelo Fernando Alvim. Estavam 800 e não sei quantas pessoas na plateia, o evento tinha gente bastante conhecida do meio artístico em palco e, de repente, apareceu um tipo com um ukelele a dizer umas coisas”, lembra o alentejano, que ficou agradavelmente surpreendido com a reação que obteve da parte da assistência.

sítios. Nos micro contos, só podemos ir do ponto A ao B, não há espaço para improvisos, é muito mais minucioso”, compara Fernando Guerreiro. Histórias de arrepiar que, na maioria, foram trabalhadas a partir de excertos que foi recolhendo aqui e acolá e que juntou para construir estes ambientes mais aterrorizantes, um pouco à

Uma vantagem deste estilo de escrita é ser facilmente adaptado para outros formatos, nomeadamente através de sketches para rádio ou de vídeos para o you tube, caminhos que Fernando Guerreiro deseja explorar, mas de modo consistente e quando tiver disponibilidade de tempo para tal. “Quando publico textos nas redes sociais utilizo fotografias para ilustrar os contos, mas gravar vídeos é bastante mais demorado e trabalhoso”, reconhece. Mais habitual é, sem dúvida, o contar histórias, que nesta noite em particular foram mais assustadoras. “É uma técnica diferente mas que me dá igual prazer. Aqui o caminho é mais livre, hoje até tive que contar em português e inglês e penso que resultou bem. Do ponto A ao B vamos andando e cirandando por vários

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semelhança do que sucede no evento «Calçadas», que acontece, a 14 de agosto, em São Brás de Alportel. Noites que são, regra geral, bem-sucedidas, mas a aposta continuará a ser nos micro contos, é essa a sua «praia», onde se sente verdadeiramente em casa. “É qualquer coisa que me deixa nas nuvens, que não sei explicar, e as melhoras coisas da vida são precisamente aquelas que não

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conseguimos explicar”, entende, revelando que espera, em 2018, editar um novo livro. As rúbricas da rádio deverão manter-se também, mas as maiores novidades deverão acontecer nos espetáculos ao vivo, portanto, restanos esperar para ver. Por agora, maldito e amaldiçoado, este conto está acabado… .

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REPORTAGEM

CRISTINA BRANCO TROUXE A SUA

«MENINA» A LOULÉ Texto:

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Fotografia:

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ristina Branco escolheu o Cine-Teatro Louletano para se apresentar pela primeira vez no Algarve, trazendo na bagagem o seu mais recente disco, «Menina», o 15.º de uma carreira iniciada em 1997. E a resposta foi rápida da parte dos fãs, com lotação esgotada, na noite de 28 de outubro, por muitos algarvios, mas também por imensos estrangeiros, não fosse o trajeto da fadista repleto de sucessos alémfronteiras ao longo destas duas décadas de atividade. Este foi o sexto espetáculo dinamizado pelo equipamento cultural do maior concelho do Algarve no âmbito do ciclo musical «Femina» e Cristina Branco comprovou ser sinónimo de sofisticação dentro de uma área de fortes raízes conservadoras e tradicionalistas como é o Fado, Património Imaterial da Humanidade. Para tal, apresenta sempre uma alternativa alicerçada no profundo conhecimento dos poetas e poemas que interpreta, em compositores requintados e em músicos de excelência que transpõem uma aura única ao vivo. Neste seu regresso aos discos, Cristina Branco juntou em «Menina» temas de autores como Filho da Mãe e André Henriques (Linda Martini), Cachupa Psicadélica, Mário Laginha e António Lobo Antunes. Assume-se, por isso, como um disco de novas abordagens de compositores de várias latitudes da música portuguesa que incluem, também, nomes como Peixe e Nuno Prata (Ornatos Violeta), Pedro da Silva Martins e Luís Martins (Deolinda), Jorge Cruz (Diabo na Cruz), Luís Severo (Cão da Morte). A estes somam-se ainda um fado tradicional com texto de Amália e textos de Ana Bacalhau (Deolinda) e Kalaf (Buraka Som Sistema). Mercê deste ilustre conjunto de canções, «Menina» conquistou, em março do corrente ano, o Prémio de Melhor Disco de 2016, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, tendo Cristina Branco sido nomeada para os Globos de Ouro como Melhor Intérprete Individual em 2016 por este disco .

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REPORTAGEM

Teatro das Figuras contou a história de

ANTÓNIO E CLEÓPATRA

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Teatro das Figuras levou a cena, no dia 27 de outubro, «António e Cleópatra», uma produção do Teatro Nacional D. Maria II a partir de uma criação original da companhia «Mundo Perfeito», e com coprodução do Centro Cultural de Belém, Centro Cultural Vila Flôr e «Temps d'Images». Neste espetáculo escrito e dirigido por Tiago Rodrigues, Sofia Dias e Vítor Roriz são a dupla aqui-e-agora do que António e Cleópatra foram ali-eentão. São e não são António e Cleópatra. São o António a ver o mundo pelos olhos da Cleópatra e vice-versa. Vice-versa como regra do amor, mas também como regra do teatro, porque este espetáculo pretende ver o mundo através da sensibilidade das almas alheias destas duas personagens históricas. De facto, quando se fala de um dos nomes, o outro surge logo de seguida, pois a nossa memória não consegue evocar um sem o outro. “Misturaram amor e política e inventaram uma política do amor, tornando-se uma história de amor histórico. São um romance baseado em acontecimentos reais frequentemente romanceados. Shakespeare ergueu-lhes um monumento verbal que transformou na verdade mais verdadeira, aquilo que nunca lhes aconteceu”, pode-se ler na descrição do espetáculo . ALGARVE INFORMATIVO #131

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OPINIÃO

T.P.C. em forma de canção Paulo Cunha (Professor)

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á uns anos recebi a visita dum encarregado de educação que, lesto, foi propositadamente à escola onde eu lecionava para «tirar satisfações» relativamente aos t.p.c. que eu mandava regularmente à turma do seu educando. Queria saber qual era a minha autoridade para pedir aos alunos para cantarem canções com os vários membros da família. Na altura, obviamente, muitas coisas me passaram pela cabeça, pois teria que responder às várias questões que então me foram colocadas: “Sabe se quero e se gosto de cantar? Sabe se tenho tempo para fazê-lo? Acha que ainda tenho idade para fazer t.p.c. e ainda por cima ser avaliado por si, através do meu filho?”. Lembro-me que levei algum tempo a pensar na resposta que lhe iria dar, pois não queria acreditar que alguém com menos idade do que eu e igual grau académico, não tivesse percebido a intenção das minhas sugestões (em forma de trabalhos de casa). Usando um exemplo da minha vida pessoal, de forma lacónica e dura, respondi-lhe: “Sabe?!... Tenho imensa pena de não ter tido professores que me tivessem mandado fazer atividades em forma de t.p.c. com os meus pais, irmão e avós, pois agora, que sei o que sei, sempre que visito o cemitério percebo o que então perdi... Como já não posso, tento que os outros o façam antes que seja tarde!”. Sei que as palavras que proferi e a forma como me expressei lhe devem ter calado fundo, pois a resposta por mim aguardada foi substituída por um pesado silêncio. Volvidos vários anos, já algumas vezes me cruzei com este antigo encarregado de educação e, desde então, o mau estar provocado pela incompreensão foi substituído por um cumprimento franco e um sorriso rasgado, fruto da maturidade com que o passar dos anos nos brindou. No momento em que aqui escrevo estas palavras, recordo - com saudade - as vezes que deixei o que estava a fazer para responder às solicitações dos meus filhos, mesmo sabendo que era imperioso

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cumprir os afazeres a que me tinha proposto e dos quais era então por eles desviado. Hoje, orgulhoso, essa é uma das medalhas que trago pendurada no meu coração: não lhes ter negado a companhia e o desfrute do pai, no tempo, no momento e na altura certas. Corri, saltei, joguei, brinquei, cantei, toquei e estudei, não lhes tendo negado o tempo que lhes era devido. Aliás, não consigo entender como é que determinados progenitores recusam dar tempo a quem, não tendo pedido para nascer, nasceu apenas da vontade de quem o gerou!? Mascaro de «trabalhos para casa» este meu desejo que pais e filhos transformem o tempo que em conjunto passam, em tempo de qualidade. É meu desejo que, através do canto, possam descobrir e imortalizar momentos que o tempo encarregará de sinalizar e referenciar como únicos. Sabendo das muitas horas que as tarefas do dia a dia nos roubam, urge mentalizarmo-nos que, num dia de mil quatrocentos e quarenta minutos, apenas sessenta minutos bem passados com os nossos bens mais preciosos (filhos/pais/avós) poderão fazer toda a diferença, no presente e no futuro! Assisto, constantemente, à expressão através de palavras e ações, da solidão e da falta de apoio parental a que, devido a múltiplos fatores, certos jovens são votados. São gritos mudos e surdos de revolta, próprios de quem vive só entre muita gente. Jovens que habitam debaixo de um mesmo teto com os seus progenitores, mas que com eles apenas partilham o mesmo espaço físico. E isso entristece-me, pois, na qualidade de professor, não tenho como fugir às inerentes e consequentes manifestações públicas de descontentamento! Num mundo onde o tempo é - cada vez mais - de ouro, douremos, pois então, as relações interpessoais com todos os que de nós precisam e nos merecem atenção e respeito. É, sem qualquer dúvida, a maior herança que cá podemos deixar: memórias que se tornarão estrelas-guias! .

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OPINIÃO Um orçamento de futuro José Graça

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presentada na Assembleia da República no dia 13 de outubro, foi aprovada esta sexta-feira na generalidade a terceira proposta de Orçamento de Estado (OE’2018) do XXI Governo Constitucional, seguindo-se nas próximas semanas a discussão na especialidade e, acima de tudo, o debate com os cidadãos por todo o País. De fato, será esta também a terceira vez que os membros do Governo saem dos gabinetes e dos corredores do Poder para partilhar com o cidadão comum a visão e os números dos volumosos processos do OE’2018, escutando críticas, esclarecendo dúvidas e acolhendo sugestões, tornando o ciclo orçamental mais participativo e aproximando-o dos principais interessados, as famílias e as empresas, contribuintes e beneficiários diretos das políticas orçamentais e das finanças públicas. Sublinhada esta boa prática do governo de António Costa, que deveria ser replicada por todas as entidades públicas com autonomia administrativa e financeira, assinale-se que este é um orçamento que continua e aprofunda as políticas que recolocaram Portugal na rota da convergência, é também um orçamento virado para o futuro. Desde logo, porque o futuro que desejamos é uma sociedade de direitos, mais justa e mais coesa, que a recuperação de rendimentos proporciona, como acentuou o Primeiro-Ministro, reforçando a sustentabilidade das finanças públicas, investindo na inovação como motor do desenvolvimento e colocando as novas gerações no centro das políticas públicas. A aposta na sustentabilidade das nossas finanças públicas passa pela continuidade do esforço na redução do défice para 1% em 2018 e da dívida pública, de 126,2% em 2017 para 123,5%, em 2018. Por outro, assinale-se uma importante diversificação das fontes de financiamento da Segurança Social, com a consignação de uma parte da receita do IRC ao Fundo de Estabilização Financeira, assegurando a sua sustentabilidade. A cultura e a ciência são as bases da sociedade do conhecimento e investir na criatividade e na formação de recursos humanos é criar um ecossistema favorável ALGARVE INFORMATIVO #131

à inovação. O OE’2018 aumenta em 24% o financiamento para os concursos de apoio às artes e a aposta na criação, nos organismos de produção e programação nacionais. Reforçando-se a dotação das instituições de ensino superior, confere-se maior autonomia na gestão dos seus recursos e intensifica-se o apoio ao emprego científico, com o aumento do orçamento da FCT e o apoio a cerca de três mil contratos para investigadores doutorados, enquanto promove as competências digitais, criando condições para assumirmos a liderança europeia até 2030. O crescimento do esforço público no apoio à atividade de I&D é implementado de modo a alavancar o investimento privado, que sabemos ter retomado o crescimento desde 2016, mantendo a aposta na incorporação de conhecimento na estrutura produtiva, com incentivos à inovação empresarial que promovam ganhos de competitividade, estimulando os «Laboratórios Colaborativos» entre empresas, instituições científicas e Centros Tecnológicos. O OE’2018 é amigo das novas gerações, aumentando o abono de família para crianças entre os 12 e 36 meses, beneficiando cerca de 130 mil crianças e apoia o investimento na rede de creches nas cidades, alarga a rede de cobertura do pré-escolar, com a abertura de 70 novas salas, estende a ação social escolar ao 3.º escalão, apoiando as escolas na promoção do sucesso escolar e na flexibilização do currículo e expandindo o ensino profissional. Responde-lhes quando democratiza as Bolsas de Ação Social no Ensino Superior, que abrangem 20% do total dos estudantes, passando finalmente a abranger os alunos da Universidade do Algarve e com residência na região. E, finalmente, encerra este ciclo da prioridade às novas gerações nas recentíssimas políticas de arrendamento acessível e de acesso ao mercado de trabalho, dando uma verdadeira resposta estrutural ao desafio demográfico . (Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e deputado da Assembleia Municipal de Tavira)

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OPINIÃO O Riso de Rimbaud Adília César (Escritora) “Eu escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível”. Arthur Rimbaud (1854-1891)

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ons. Que sons? Quem os ouve? Felizes os cegos, esses mestres dos sentidos avassaladores. Escolhi esta especialização, espécie de cegueira subjectiva e representação do mundo formada por imagens trazidas pelos sons e pelos odores, depois de desistir de visões das palavras poéticas. Poderosas sensações. Poderosos sons e odores que vêm de outros séculos menos amenos. O riso sarcástico de Rimbaud apanhou-me desprevenida, como um golpe de vento que levanta a saia rodada. Que som. Fiquei confinada àquele lugar misterioso entre África e Europa. Estou convencida de que viajo há anos e que os meus companheiros de viagem são – por favor façam um esforço de imaginação – Rimbaud e Rimbaud. O Rimbaud da ida e o Rimbaud do regresso, os quais se encontram naquele lugar peculiar: um, com cerca de 20 anos, a procurar um renascimento aventureiro e infinito e o outro, com 36 anos, a aceitar o renascimento definitivo da morte. O comboio parou. É uma pequena Estação à margem do burburinho civilizado. O Chefe da Estação esteve ali toda a sua vida e além dos comboios e dos passageiros, que constituem o seu monótono fardo diário, tem uma paixão: o pequeno jardim. Sinto o perfume das flores, uma colecção de odores perfeitamente ordenada: rosas ao centro, três filas em «u» de jasmim e bem ao fundo, junto ao pequeno muro onde se senta o Chefe da Estação enquanto come o seu pão quente com presunto fumado, grandes arbustos de damas-da-noite. O perfume intenso denuncia a ausência do sol e a noite tomba sobre o meu espírito. O riso de Rimbaud ecoa no seu próprio riso, como uma metáfora. Qual é o Rimbaud que ri? O que desistiu de escrever por nada mais ter a dizer, porque se convenceu de que ninguém estaria interessado em ler a sua poesia, angustiado e revoltado contra a banalidade do meio literário francês? Ou seria o andarilho, comerciante de café, traficante de armas, mercador de escravos, doente canceroso à beira do precipício da morte? Que som. O comboio partiu. Rimbaud era um especialista em partir, isso sabia eu. Aos 20 anos já ele tinha lido todos os livros da Biblioteca de Babel, que como se sabe é

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infinita, e ele partia, partia continuamente, como se o mundo que apenas conhecera dos livros o chamasse. E mesmo quando estava parado Rimbaud viajava para dentro de si próprio à procura da próxima partida pelos descaminhos de França, Inglaterra, Áustria, Alemanha, Itália, Suécia. Indonésia. Chipre. Etiópia. Como se desenhasse uma geografia da inquietação. E depois o regresso. A vida e a morte a partir e a chegar, a dor, o último descaminho. Mas antes da última dor os seus pés eram como um tapete mágico, levando-o numa viagem linear e também alegórica. Molhava o rosto num ribeiro e ali estava a imensidão do oceano. Empurrava a pedra a custo até ao topo da montanha, o Parnaso, porque julgava ser um deus, porque acreditava que um dia poderia ter reunido em si toda a poesia e todos os poetas, mas era apenas Sísifo, condenado a repetir para sempre a mesma tarefa. Todas as viagens de Rimbaud eram um absurdo, uma preparação para o regresso, uma procura recorrente da compreensão da própria viagem. Nesse regresso, Rimbaud remeteu-se ao silêncio e ao exílio, contando com o seu engenho para tudo experimentar e de tudo desistir. Eu era a sombra da morte. E era também nesta encruzilhada que eu vacilava qual Sísifo, à procura do riso de Rimbaud, aquele som, que som. À procura da poesia e de todos os poetas, sempre a viajar e também a regressar para compreender todas as minhas viagens. Para escrever silêncios, noites, anotar o inexprimível. Não posso abdicar da minha cegueira subjectiva e persigo outros odores que não me satisfazem: café, pólvora, peixe seco, suor, dor e sangue. Quando o comboio pára, saio e regresso a pé. Caminho levemente sobre os passos do Poeta. À procura dos sons. Que sons? Quem os ouve? Pressinto esta realidade sonhada à medida que me aproximo do jardim onde o Chefe da Estação está sentado no pequeno muro, enquanto come o seu pão quente com presunto fumado. Tão nítida a fome, tão perfumada a noite, tão inexprimível o riso de Rimbaud. Depois, o silêncio. Se a palavra não for iluminação, é urgente deixar a página em branco, é melhor manter os olhos fechados nas sombras .

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OPINIÃO

Pelo Direito a uma Alimentação Saudável e Acessível (Parte II – Insegurança Alimentar) Artur Filipe Gregório (Antropólogo)

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erifica-se uma situação de Insegurança Alimentar quando os elementos de um agregado familiar sentem alguma preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos no futuro ou quanto à qualidade dos mesmos ou ainda a efetiva redução quantitativa de alimentos. Segundo o Relatório INFOFAMÍLIA (GREGÓRIO, M. J. 2017) aplicado nos centros de saúde de Portugal entre 2011 e 2014, em 48,7 por cento dos 4872 agregados familiares inquiridos verificou-se algum tipo de Insegurança Alimentar (28,2 por cento dos agregados apresentavam um nível de Insegurança Alimentar Ligeira, 9,6 por cento Insegurança Alimentar Moderada e 10,9 por cento Insegurança Alimentar Grave. Foi encontrado um maior risco de Insegurança Alimentar nos agregados familiares com as seguintes características socioeconómicas e demográficas: · agregados familiares residentes nas Regiões de Saúde do Algarve e Lisboa e Vale do Tejo; · agregados familiares cujo inquirido possui um menor nível educacional; · agregados familiares dos inquiridos em situação de desemprego ou domésticos; · agregados familiares dos inquiridos em situação de reforma (níveis mais extremos da Insegurança Alimentar); · agregados familiares que possuem um menor número de elementos a contribuir para o rendimento total familiar; · agregados familiares numerosos (cinco ou mais elementos); · agregados familiares dos inquiridos com pré-obesidade, quando se analisou o nível ALGARVE INFORMATIVO #131

mais abrangente da Insegurança Alimentar e a Insegurança Alimentar Ligeira e nos agregados familiares dos inquiridos com baixo peso para os níveis mais extremos da Insegurança Alimentar. Nas conclusões deste estudo, a Insegurança Alimentar é apontada como um importante fator de risco para o estado de saúde da população, pois são diversos os estudos que têm demonstrado como a Insegurança Alimentar é um

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importante fator de risco para as doenças crónicas, sendo que os indivíduos em situação de Insegurança Alimentar possuem um risco aumentado para o desenvolvimento de diabetes mellitus, hipertensão, dislipidemias, doenças cardiovasculares e obesidade. Sabe-se também que as implicações da Insegurança Alimentar vão além da dimensão física da saúde, podendo afetar as suas outras dimensões - saúde mental e social. Perante este cenário preocupante, onde a região do Algarve surge paradoxalmente destacada, é plenamente justificada a atenção que a Direção Geral de Saúde tem vindo a dedicar a este problema, nomeadamente através do seu Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável, destacando o regime alimentar associado ao estilo de vida mediterrânico como uma excelente estratégia de luta contra a insegurança alimentar. O destaque aos produtos sazonais e locais, a utilização dos circuitos-curtos de produçãoconsumo, a redução do desperdício alimentar, o

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consumo regular de vegetais e frutas, o consumo moderado de carnes vermelhas, as formas de confeção tradicionais tais com as sopas e os ensopados, a água como bebida de eleição, são apenas alguns dos muitos elementos centrais da Dieta Mediterrânica que ajudaram à sobrevivência das pequenas comunidades do Mediterrâneo durante milhares de anos e que podem mais uma vez ajudar a assegurar o acesso a uma alimentação saudável. No entanto, não é claro que este problema esteja a ser assumido na sua completa dimensão. Regiões como o Algarve ou Lisboa, onde existe um poder de compra acima da média nacional podem mascarar grandes disparidades de poder de compra de grupos específicos e de acesso a uma alimentação saudável. É o eterno problema da média quando uma pessoa come dois frangos e a outra nenhum… .

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OPINIÃO

Enogastronomia I Augusto Lima (Cozinheiro, Formador e Consultor)

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palavrão quer dizer a arte de combinar comida com vinho, num plano harmonioso, definido principalmente pelo paladar de cada um deles. Aqui, o saber empírico alerta-nos sempre que este conceito não for aplicado. Contudo, existem certezas que nunca o poderão ser na verdadeira aceção da palavra, porquanto a constante procura de novas tendências e/ou gostos, apoiadas na ciência, poderão vir um dia a contrariar. Mas há algumas regras básicas que ajudam a exaltar as virtudes de ambos e precauções a tomar para que um não apague o outro. Aconselha-se começar uma refeição com vinhos brancos, leves, dos adamados aos doces e só então passar para os tintos, mais robustos. Isto vale também para outros tipos de vinhos: os mais jovens antes dos mais velhos, encorpados. Mas, como toda a regra, há exceções. A máxima «vinho branco para peixes e tinto para carnes» é geralmente útil, mas deve ser reconsiderada. Realmente, tintos com peixes e mariscos não representa por si só um bom casamento, pois a potência do tinto encobrirá os seus sabores, mas há brancos que podem harmonizar com carnes, por exemplo, uma ave salteada ou assada. A melhor regra é considerar o corpo do vinho, mais do que a cor: acompanhe pratos leves com vinhos ligeiros, e pratos mais fortes/pesados, com vinhos mais encorpados. O que importa é a harmonia entre eles e que o vinho não se sobreponha sobre o prato, mas realce o seu sabor. Pode-se combinar, por exemplo, um vinho doce e alcoólico, como um Porto, com queijos bem salgados. Para pratos gordurosos, um vinho encorpado é uma boa escolha. Se forem molhos brancos, um tinto jovem ou um branco mais ácido é a melhor solução. Certos temperos e ingredientes podem dificultar a combinação com vinhos. O vinagre na salada, molhos agridoces e pimentas, por exemplo, inibem o paladar. Uma cerveja ou um copo de água seriam os mais indicados. Já os vinhos com taninos ainda por aprimorar não casarão bem com carnes de sabor salgado ou um branco encorpado com um peixe igualmente de sabor a sal. Sirva-se o vinho à temperatura correta. Os brancos a uma temperatura entre os 10º C, 11º C e os espumantes entre os 6º C, 7º C. Os tintos, entre os 11º C e os 16º C,

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dependendo se são jovens ou velhos e encorpados e sempre verificando a temperatura ambiente entre Verão (muito calor) e Inverno (muito frio) onde se pode verificar uma ligeira subida dos valores apresentados. Aconselha-se baixar um pouco mais que o ideal, para que entre o espaço de tirar a rolha e servir o vinho, ambientar, este esteja na temperatura ideal. Existe uma variedade muito grande de tipos e qualidades de vinhos a considerar, como brancos, tintos, rosados, leves, médios, pesados, aromáticos, espumantes, secos e doces. Outras características dos vinhos que afetam a harmonia com pratos são os taninos, a acidez, o álcool e a temperatura, como acima, referido. O vinho é uma excelente fonte de prazer para quem o bebe (com moderação) e o prazer é maior quando existe a companhia inseparável da gastronomia. Quem não guarda na memória um almoço ou jantar, arruinado pelo vinho mal escolhido ou em condições menos boas? Para os cozinheiros, ele é útil e indispensável. Ao longo dos séculos, grandes chefes das mais diferentes culturas utilizam o vinho para salientar o sabor de pratos ou para proporcionar aromas, num manancial de molhos. Serve para marinar carnes e aves, ajuda a amolecer a carne em ensopados de longo cozimento e ainda contribui com sabor. O vinho também participa em sopas e ensopados e refresca sobremesas de frutas. A utilização deste na cozinha é, de facto, uma mais-valia e enobrece o ato de cozinhar. Cozinhar com vinho, entretanto, não é tão simples como escolher uma garrafa para acompanhar a comida. Devem ser utilizadas somente panelas inox ou esmaltadas (alumínio, ferro ou cobre reagem com o ácido do vinho e transmitem um sabor metálico). Também não é tão simples como usar qualquer vinho. Se não houver tempo para o álcool do vinho evaporar, o resultado é um prato com gosto desagradável; se a quantidade for exagerada, a acidez excessiva pode arruinar o prato; se a receita pedir vinho seco e, na falta ou na ignorância, usar um doce ou um tinto na falta do branco, com certeza o resultado não será o melhor .

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OPINIÃO

Fazer vinho sem uvas Vico Ughetto (Assessor de comunicação da CVA)

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uma era de modernidade poderá o leitor pensar que será esta técnica uma recente inovação na produção ou, no pior dos casos, alguma artimanha que recorre a pós mágicos para substituir o mosto. Descanse porém que trata-se, sim, de uma opção de gestão e de uma opção por um modelo de negócio que faz todo o sentido para quem é um apaixonado pelo vinho e que não tem capital nem meios próprios para fazer vinho, tais como uvas, prensas, cubas, etc. A solução não é novidade absoluta mas não é muito comum e, no Algarve, é caso, se não único, pelo menos raro. Então o casal Pedro Cruz e Carolina Neves, num momento de inspiração, e tendo por base a experiência comercial no setor da distribuição de bebidas do Pedro, decidem criar o seu próprio vinho e respetiva marca. Sem uvas, sem nada, “apenas uma grande dose de loucura”, como define Pedro Cruz em conversa com o Algarve Informativo, durante uma ação de promoção, no espaço de restauração Mezzanine em Faro, da sua marca «Arroja Wines» e do seu vinho, o «Arrojado», disponível nas opções tinto, branco e rosé. A designação sui generis, mas que define um pouco o pensamento dos criadores, surge inspirada no nome de família da Carolina. “Começamos numa tarde a pensar no nome e Arroja, por ser o nome de família, foi uma das opções, no entanto, não estava muito convencida, até que começamos a testar variações inspiradas nele e rapidamente chegamos ao «Arrojado». Achamos logo que tinha tudo a ver connosco e com o projeto”. O próprio design muito bem elaborado e pensado com subtis variações no desenho, consoante o tipo de vinho, foi afinal também fruto… vá lá, não do acaso, porque não é bem assim que se fazem

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as coisas, mas sim de momentos de criatividade e «brainstorming» que “fizeram a ligação estética de um pássaro com os típicos padrões dos azulejos portugueses”, conforme refere Carolina Neves. A vertente financeira é definida por Pedro Cruz como secundária para já. “Estamos numa fase de afirmação da marca e do vinho e a aposta passa por criar outras marcas para vinhos do Douro e também, a breve trecho, para vinho do Algarve, marcas essas que serão o «Eiras Altas» e o «Bengado»”, nome oriundo de São Brás de Alportel de onde a família da Carolina tem origem. Questionado se, pelo facto de não ter uvas próprias, sente que o vinho produzido é apenas um produto comercial, Pedro Cruz refere que não. “Existe aqui muito da nossa autoria pois, apesar de o vinho ser feito por outros, nós fazemos parte do processo desde o início e intervimos desde a escolha das castas, à seleção do lote à vinificação, até ao engarrafamento”. Há aqui muito da identidade própria do casal, afiança Pedro. “Dentro da garrafa está muito de mim e da Carolina, não nos consideramos apenas investidores, mas também produtores, apesar de os meios e a matéria-prima não serem nossos”. Fiquei curioso e à espera de poder experimentar os próximos vinhos do projeto, com destaque para o algarvio «Bengado», mas desde já provei os alentejanos «Arroja» e fiquei bem impressionado. O branco é feito a partir de Chardonnay, Arinto e Verdelho, está bem conseguido, aliando uma vertente gastronómica à capacidade de se beber por si só, devido à frescura e caráter. Aliás, o mesmo se pode dizer do rosé, pois tem um bom equilíbrio das suas caraterísticas, sendo seco o suficiente para ir à mesa, mas não demasiado que não possa fazer companhia num fim de tarde numa esplanada algarvia. O tinto é uma boa

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No topo: Pedro Cruz e Carolina Neves são o rosto da Arroja Wines e, para já, do seu «Arrojado», estando na calha mais marcas e regiões. Em cima: Um dos locais privilegiados para uma ação de promoção foi o Mezzanine em plena Baixa de Faro

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néctares nacionais considerados por esta conceituada jornalista britânica, que foi também a primeira Master of Wine oriunda de fora do meio da enologia ou da hotelaria a obter esta exigente certificação. E isto em 1984. Jancis é uma proeminente figura e influenciadora no mundo vínico, pois tem não só um enorme passado e experiência, aliados à participação Temos «Arrojado» em versão branco, tinto e rosado. Até podia ser o verso em séries da BBC sobre de apresentação da marca vinhos, a consultoria para a British Airways, surpresa, pois, apesar dos seus 15º, apresenta colunista da Wine Spectador, Sunday Times ou do uma estrutura capaz de integrar bem o volume Financial Times, sem esquecer a prestigiosa alcoólico com o corpo, taninos e acidez. É um consultoria que presta às compras para a adega vinho que obriga a beber-se na temperatura certa privada da rainha. A sua ligação a Portugal já é (regra geral não é a ambiente) aí pelos 16ºC. É um conhecida, tendo, em 1999, escrito o guia «Best vinho que estagiou em madeira de carvalho Portuguese Wines». francês e que tem boas condições para ser Agora regressa com a apresentação de uma guardado e melhorar em garrafa após uns três a seleção mais restrita e na qual, na minha humilde cinco anos de estágio. Para já são apenas oito mil opinião, joga muito pelo seguro. Sendo garrafas de tinto, das 15 mil garrafas de obviamente excelentes vinhos, estão todos muito «Arrojado» produzidas, e que irão sobretudo estar consagrados e estabelecidos no mercado. disponíveis na restauração e em algumas Digamos que a escolha é muito consensual para garrafeiras selecionadas. sequer ser questionada ou criar extrema curiosidade em provar a seleção. E isto sem considerar o fator preço, que é JANCIS DESTACA 10 VINHOS sequer obviamente muito limitador em algumas (ou PORTUGUESES muitas) das sugestões, como é o caso do Barca Velha de 1999, à venda por quase 500 euros. O Douro é a região de eleição com o maior A convite da Revista de Vinhos e inserido nas número de escolhas, mas curiosamente a única comemorações dos 10 anos de colaboração com a surpresa do lote vem do Alentejo, com o Bojador Essência do Vinho, Jancis Robinson esteve em tinto, um vinho biológico feito de forma Portugal, mais concretamente em Lisboa, onde tradicional em talha de barro na Vidigueira, apresentou os 10 vinhos portugueses que disponível por cerca de 40 euros. considera mais marcantes da última década, A seleção mais em conta, cerca de 8 euros, é o sessão a que o Algarve Informativo teve Quinta dos Roques, um branco do Dão feito de oportunidade de assistir. Encruzado, uma casta que está a dar muito que Tratou-se de uma espécie de «Primus Inter falar e a elevar o patamar dos brancos nesta Pares», expressão latina que significa primeiro entre iguais, que destacou alguns dos melhores região . ALGARVE INFORMATIVO #131

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No topo: Jancis Robinson apresenta as suas notas de prova dos 10 vinhos para uma plateia muito atenta Ă s palavras da jornalista de 67 anos. Em cima: Os 10 Vinhos de referĂŞncia em Portugal numa escolha da Jancis Robinson

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CÂMARA MUNICIPAL DE ALCOUTIM PROMOVE X FEIRA DA PERDIZ

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Pavilhão Municipal de Alcoutim, em Martim Longo, vai acolher, nos dias 11 e 12 de novembro, mais uma edição da Feira da Perdiz. A tradição da caça em Portugal remonta muito no tempo, mas começou a tornarse cada vez mais comum e elegante no final do século XIX, sendo um dos desportos mais genuinamente praticados na Península Ibérica e com grande expressão em Alcoutim, contribuindo para a dinamização e animação do município. Recorde-se que Alcoutim possui duas Zonas de Caça Municipais, 14 Zonas de Caça Turísticas e 28 Zonas de Caça Associativas, bem demonstrativas das excelentes condições existentes para a prática deste desporto. ALGARVE INFORMATIVO #131

Na décima edição da feira estarão presentes empresas e associações do setor e o visitante poderá disfrutar de um variado leque de atividades como colóquios, exposição de falcoaria, exposições de espécies cinegéticas, artesanato, concursos de cães, workshop de obediência e socialização canina, animação musical, entre outras. Nas tasquinhas será possível degustar diversos pratos típicos da gastronomia da região desta época do ano, com destaque para os pratos à base de caça. Este ano, a Feira da Perdiz acolhe as III Jornadas Técnicas Opuntia ficus-indica de Alcoutim, com um programa recheado de ilustres convidados e um showcooking onde serão apresentadas receitas com figo da índia da autoria de Vítor Ramos, Mestre 78


Chefe de Pastelaria do Hilton Vilamoura As Cascatas Golf Resort & Spa. Os espetáculos musicais são outro ponto de interesse, com os Irmãos Verdade no sábado, dia 11, pelas 22h, e o grupo Cruzeiro no domingo, dia 12, pelas 17h30. A iniciativa integra duas provas desportivas, no dia 11 o Passeio BTT «Na

rota da perdiz» e, no dia 12, a prova de Marcha Corrida. O certame funcionará, no dia 11 de novembro, entre as 11h30 e as 2h e, no dia 12 de novembro, entre as 9h00 e as 22h, com entrada livre. A organização está a cargo do Município de Alcoutim, com a colaboração da Associação ADECMAR .

200 PESSOAS APOIARAM PREVENÇÃO DO CANCRO DA MAMA EM CAMINHADA SOLIDÁRIA EM CASTRO MARIM

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o âmbito do Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama realizou-se, no dia 29 de outubro, em Castro Marim, uma Caminhada Solidária à qual aderiram duas centenas de pessoas. Os contributos angariados com a inscrição dos participantes, dois euros por pessoa, destinam-se à Associação Oncológica do Algarve. A iniciativa partiu do Grupo de Amigos da Caminhada de Castro Marim, foi apoiada pela Câmara Municipal de Castro Marim e insere-se na «Onda Rosa», 79

conjunto de atividades dinamizadas a nível nacional, entre 15 e 30 de outubro, com o objetivo de incentivar à prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama. Depois do cancro da pele, também uma preocupação deste município, que promove anualmente dois rastreios (pré e pós balnear), o cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres. Em Portugal são anualmente detetados cerca de quatro mil e 500 novos casos de cancro da mama e cerca de mil e 500 mulheres morrem com esta doença . ALGARVE INFORMATIVO #131


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BOMBEIROS SAPADORES DE FARO TÊM NOVOS EQUIPAMENTOS

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ecorreu, no dia 27 de outubro, no Quartel dos Bombeiros Sapadores de Faro, a cerimónia de entrega dos novos capacetes adquiridos pela Câmara Municipal de Faro para esta força de intervenção. No total, são 60 novos capacetes que passam a estar à disposição dos soldados da paz desta corporação, num investimento de 16 mil e 650 euros, acrescidos de IVA. Os novos equipamentos oferecem uma maior proteção, conforto e segurança aos seus utilizadores e foram produzidos considerando as características pessoais de cada um dos Bombeiros Sapadores de Faro. Na cerimónia de entrega dos novos equipamentos, o Comandante dos Bombeiros Sapadores de Faro, José Tomás Valente, agradeceu à autarquia local e, em especial, ao seu presidente, pela forma como tem apoiado a ALGARVE INFORMATIVO #131

corporação, num esforço que permitiu que tenha hoje novos equipamentos de proteção individual, novas ferramentas e novos capacetes. O responsável revelou ainda a intenção da Câmara Municipal em adquirir, brevemente, novos veículos de intervenção para dotar a corporação municipal de mais e melhores soluções para o desempenho das suas funções. Na sua intervenção, o edil Rogério Bacalhau salientou o facto de Faro ter o privilégio de possuir duas corporações de elite, como há poucas em Portugal, e esse facto obriga a um esforço da autarquia para que o elevado capital humano de que dispõem possa ter as necessárias condições materiais e logísticas que continuem a garantir o seu desempenho ao serviço da proteção de pessoas e bens, já não apenas no concelho de Faro, mas em todo o pais onde a vida e os bens dos portugueses possam perigar, como aconteceu recentemente nas tragédias ocorridas no Norte e Centro de Portugal. Foi com este reconhecimento público da elevada importância e mérito dos Bombeiros Voluntários e dos Bombeiros Sapadores de Faro que Rogério Bacalhau garantiu que o reforço dos meios à disposição dos soldados da paz da capital algarvia será sempre uma prioridade para o executivo municipal . 80


4.º FESTIVAL INTERNACIONAL DE GUITARRA DE LAGOA ALIOU A MÚSICA

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o ano dedicado ao tema «Património, Olhar o Passado, Rumo ao Futuro», a Câmara Municipal de Lagoa organizou o 4.º Festival Internacional de Guitarra de Lagoa, numa parceria com a AGA – Associação de Guitarras do Algarve, em cinco fins de semana, de 17 de setembro a 22 de outubro. Os portugueses Daniel Cristo, Manuel Toucinho e Ricardo Silva Trio e os músicos internacionais Duo NIHZ, Paco Seco, Fréderic Bernard&Arnaud Dumond e Ellipsis Trio, Edu Miranda e Tom Kerstens G Plus Ensemble apresentaram diversificadas, virtuosas e excelentes interpretações. A programação do Festival incluiu também uma Masterclass com Ximo Tebar e um momento especial dedicado 81

aos mais jovens e família, com Bruno Batista e o Teatro Infantil com Guitarras. Antes dos concertos e nos intervalos houve provas de vinhos e degustação da gastronomia local, do agrado de todos os espetadores. Este Festival foi também uma oportunidade para valorizar o património do concelho, tendo os concertos acontecido em diferentes espaços para proporcionar o conhecimento e o contato com os mais emblemáticos sítios, monumentos e infraestruturas ao dispor de residentes e visitantes. Assistiu-se, assim, a uma simbiose perfeita entre a música e o património, o virtuosismo dos intérpretes, o perfecionismo instrumental e a beleza da Senhora da Rocha, Fortaleza do Carvoeiro, Igreja de Estômbar e Auditório Municipal em Lagoa .

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I JORNADAS SOCIAIS DE PORTIMÃO DEBATEM INFÂNCIA, IDOSOS, SEM-ABRIGO E APOIOS SOCIAIS

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Município de Portimão promove, em parceria com a Rede Social local, no dia 17 de novembro, as primeiras Jornadas Sociais de Portimão que, sob o mote «Políticas e Práticas em Rede», pretendem lançar o debate sobre políticas e práticas de intervenção em áreas sociais tão importantes como o bullying, sexualidade, demências, responsabilidade social, sem-abrigo e identificar linhas orientadoras e inovadoras na construção de medidas de intervenção estruturantes e participativas. Participarão vários preletores com vasta experiência nas diversas áreas do social, distribuídos por três grandes painéis temáticos: «Infância, Juventude e Terceira Idade - partilhar e replicar boas práticas», onde serão abordadas questões ALGARVE INFORMATIVO #131

relacionadas com a «Infância│ Perigos para os jovens - novos desafios para os pais» e com os «Idosos│ Sexualidade, prevenção e intervenção na demência»; «Impacto Social - partilhar e reforçar parcerias», com especial enfase para o caso dos Sem-Abrigo - «Projeto Housing First»; «Desenvolvimento e Apoio Social», onde serão apresentados fundos e outros dispositivos legais disponíveis para esta área de intervenção. A iniciativa destina-se especialmente a professores, jovens e técnicos da área social, educação e saúde e terá lugar no TEMPO Teatro Municipal de Portimão, no espaço do Pequeno Auditório. Contará, na sessão de abertura, com a presença da Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Lopes Monteiro e da Presidente da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Gomes. As I Jornadas Sociais de Portimão vêm dar 82


continuidade ao trabalho em rede que tem vindo a ser desenvolvido ao nível do Conselho Local de Ação Social de Portimão, constituído em 2000 e atualmente com 65 membros, envolvendo IPSS´s, Associações, Entidades Públicas e Privadas e que tem tido um

papel imprescindível na produção de documentos de relevância. Disso são bons exemplos o Diagnóstico Social e suas atualizações, o Plano de Desenvolvimento Social e, mais recentemente, os grupos de trabalho mais direcionados como o da saúde, idosos e emergência social .

ABRIRAM APOIOS PARA INTERVENÇÕES NA ÁREA DE REABILITAÇÃO URBANA DE SILVES

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IFRRU 2020 é um instrumento financeiro destinado a apoiar investimentos em reabilitação urbana que, no caso do concelho de Silves, incide na Área de Reabilitação Urbana de Silves, podendo os interessados recorrer a esta medida no âmbito da reabilitação integral de edifício(s) ou na reabilitação de espaços e unidades industriais abandonadas com vista à sua reconversão. Na prática, o IFRRU 2020 apoia financeiramente pessoas singulares ou coletivas, públicas ou privadas, incluindo-se os condomínios, para a realização de investimentos de 83

reabilitação urbana e de eficiência energética do imóvel a reabilitar. O Município de Silves, ao abrigo do protocolo assinado entre a Associação Nacional de Municípios Portugueses e a entidade de gestão do IFRRU2020, é responsável pela emissão dos pareceres vinculativos sobre o enquadramento territorial e material das operações propostas no PARU de Silves, pelo que, no caso de existirem candidaturas ao IFRRU 2020, no âmbito da Área de Reabilitação Urbana de Silves, as mesmas deverão ser acompanhadas pelo referido parecer .

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TEM INÍCIO A 3.ª FASE DA REABILITAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO DE SILVES

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rranca, no dia 6 de novembro, a 3.ª fase da Reabilitação do Centro Histórico de Silves, numa intervenção que representa um investimento total de 889 mil e 140,49 euros e que terá uma duração de 18 meses. Os trabalhos têm como objetivo efetuar a reabilitação ao nível de pavimentos e infraestruturas (abastecimento de água, esgotos domésticos, esgotos pluviais, rede de abastecimento de eletricidade, iluminação pública e telecomunicações) e terão início na zona envolvente ao

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torreão e espaço entre a muralha e o largo do município, implicando a interdição de passagem pedonal pela porta da Almedina e o estacionamento junto ao torreão/muralha. Num momento posterior, os trabalhos serão alargados aos arruamentos envolventes ao edifício dos Paços do Concelho (Rua da Cadeia e, posteriormente, Rua Pintor Bernardo Marques). Também a Rua da Sé e o Largo Jerónimo Osório serão alvo de reabilitação no âmbito desta empreitada .

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MUNICÍPIO DE SILVES LANÇA «VINHOS DE SILVES» NO DIA DO ENOTURISMO

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ssinalando o Dia Europeu do Enoturismo, a Câmara Municipal de Silves fará o lançamento da nova brochura «Vinhos de Silves», que contempla os atuais dez vitivinicultores do concelho, dando assim a conhecer, o trabalho de todas as quintas. O evento terá lugar a 12 de novembro, no Café Castelo de Silves (Castelo de Silves), pelas 16h30. Esta edição permitirá que os visitantes do concelho tomem contacto com o produto e com a marca do Município, criada precisamente para promover o território onde, com níveis de excecional qualidade, um conjunto de produtores tem vindo a apostar na produção de vinho. “O vinho é muito mais do que somente uma forma de nos nutrirmos, ou de transformarmos as uvas num produto durável. A produção de vinho é verdadeiramente parte da nossa cultura, para além de ser uma importante fonte de riqueza, quer no que toca à agricultura, quer no que diz respeito ao turismo, já que muitos são hoje no mundo os viajantes 85

que se deslocam a determinados territórios para provar vinhos e experienciar o trabalho a eles associado”, diz a Presidente da Câmara Municipal de Silves, Rosa Palma. Dando o exemplo do caso português do Douro, Rosa Palma defende uma maior aposta no Algarve e em Silves na promoção deste produto, que tem cada vez mais qualidade, sendo a mesma reconhecida a nível internacional. “O vinho faz parte da nossa identidade e é um património a defender e divulgar, por isso, a brochura «Vinhos de Silves» é importante e será um instrumento valioso na promoção do nosso território e do que ele tem de melhor”. Durante este evento será também apresentado o livro «Territórios Vinhateiros», editado pela Associação dos Municípios Portugueses do Vinho (AMPV). A obra foi lançada por ocasião da comemoração do 10.º aniversário desta associação e contém a caracterização dos 77 Municípios que a integram, bem como dos seus territórios ligados à viticultura às suas tradições. O livro é um guia das regiões vinícolas portuguesas – Verdes, Douro, Dão, Beira Interior, Bairrada, Tejo, Lisboa, Península de Setúbal, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira – e identifica os Territórios Vinhateiros, caracterizando os seus produtos e dando a conhecer as potencialidades turísticas de cada concelho. Far-se-á igualmente o lançamento do evento «Jazz nas Adegas», aproveitando a presença das entidades e produtores que têm colaborado no projeto e feito dele um enorme sucesso .

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FESTIVAL LUZA VAI ILUMINAR NOITES DE LOULÉ

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e 24 a 26 de novembro, Loulé recebe o Festival Internacional de Luz do Algarve – LUZA. Durante três dias, as ruas louletanas recebem performances de luz, cor e som, projeções multimédia e interativas que proporcionam momentos únicos de descoberta da cultura, costumes e tradições da região do Algarve. Na primeira noite, o ponto alto do Festival LUZA está marcado para às 18h30, no Convento de Santo António. Daqui os participantes são convidados a percorrer um percurso pelas ruas da cidade até ao Coreto, passando por várias performances onde é possível interagir com os artistas, e onde os monumentos se transformam em telas gigantes ao ar livre. Todos os dias, das 19h à meia-noite, a fachada do Mercado Municipal será palco ALGARVE INFORMATIVO #131

de um espetáculo de video mapping (com sessões a todos os 45 minutos). No Convento Santo António estará patente a Exposição sobre Luz e Instalação de ByBeau (a partir das 10h). A não perder no dia 24 de novembro a Conferência «Working with Light», no Cine-Teatro Louletano (15h) e, no dia 25 de novembro, o «Torch Light Parade» (entre as 18h30 e as 23h) que promete trazer às ruas de Loulé muita animação, cor e luz. Esta iniciativa conta com a participação de artistas nacionais e internacionais: ByBeau Studio, Grandpas´Lab (a quem se deve, entre outros, os espetáculos de video mapping do Terreiro do Paço), Felipe Mejías (conhecido pela sua performance criativa em areia em contraste com a luz), Boris Chimp 504, Musson+retallick, Plex Noir e os poloneses Joaquim Slugocki & Katarzyna Malejka . 86


CINE-CONCERTOS ESTÃO DE REGRESSO ÀS IGREJAS DO ALGARVE

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partir de novembro há cinema nas igrejas do Algarve, fruto de mais um «Video Lucem» (Vejo Luz), que este ano contempla sete cine-concertos, de entrada livre, em seis igrejas do litoral e serra algarvios e um cine-concerto ao ar livre. A iniciativa do Cineclube de Faro integra o programa «365 Algarve» para valorização da cultura na região durante os meses de época baixa e pretende, nesta segunda edição, homenagear as origens do Cinema, através da projeção de filmes mudos acompanhados por música ao vivo, desafios feitos a vários músicos. Com o objetivo maior de proporcionar uma experiência sensorial irrepetível a turistas e locais, o Cineclube de Faro quer também contribuir para abrir ao público as portas, tantas vezes fechadas, do património histórico e religioso do Algarve. Este evento é uma parceria com a Pastoral da Cultura e a Pastoral do Turismo do

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Algarve e a primeira sessão acontece às 21h30 de dia 9 de novembro, na Igreja de São Francisco, em Faro, com a exibição de duas curtas de Charles Chaplin – «O Imigrante» e «A Rua da Paz». A primeira sessão incluirá ainda a criação de Maria João e João Farinha e com a participação especial, ao contrabaixo, de Zé Eduardo .

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COLÉGIO INTERNACIONAL DE VILAMOURA ENTREGOU BENS A VÍTIMAS DOS INCÊNDIOS

campanha «Florescer Sorrisos» desenvolvida pela comunidade educativa do Colégio Internacional de Vilamoura traduziu-se num volume de bens considerável que já foram distribuídos nas zonas de maior incidência dos fogos do mês de outubro. Assim, no início da semana saíram camiões e uma carrinha com os bens reunidos, dos quais se destacam: brinquedos, material escolar, utensílios de cozinha, alguns eletrodomésticos, atoalhados, cobertores, roupas e calçado de criança e adulto, alimentos, utensílios e detergentes de limpeza, material de higiene pessoal. Vários hotéis e particulares dos concelhos de Albufeira e Loulé doaram móveis, sobretudo camas, colchões, mesinhas de cabeceira, mesas de jantar, cadeiras, televisores e objetos de decoração de interiores.

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A campanha durou cinco dias e envolveu pais, alunos, colaboradores (docentes, auxiliares e técnicos) e amigos do Colégio Internacional de Vilamoura, unidos pela certeza de que o contributo de cada um levará conforto e esperança a quem perdeu os seus bens, familiares e amigos. Os bens recolhidos foram entregues em Oliveira do Hospital e Arganil. Em Arganil, a comitiva foi recebida no centro de logística que está situado na antiga Fábrica de Cerâmica Arganilense, local onde todos bens entregues são seriados e organizados. Alguns voluntários ajudam na receção e organização dos donativos e, neste espaço, as famílias podem escolher os bens de que necessitam para recomeçar as suas vidas agora suspensas. Em Oliveira do Hospital, a autarquia local, em articulação com os Bombeiros Municipais e a Fundação Aurélio Amaro

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Diniz, recebem e distribuem os donativos que chegam de todo o país. Neste concelho, os incêndios vitimaram mais de uma dezena de pessoas e ficaram centenas desalojadas. O movimento solidário nacional foi muito significativo e, nesta fase, ainda são necessários materiais de construção, eletrodomésticos, móveis e rações para animais. Na ocasião, o Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino Mendes, juntamente o Presidente da Fundação Aurélio Amaro Dinis, Álvaro Herdade, apresentaram à comitiva, composta por encarregados de educação e alunos do Colégio Internacional de Vilamoura, o agradecimento a toda a comunidade pelo contributo e envolvimento nesta causa. Com esta iniciativa, o Colégio Internacional de Vilamoura reitera o papel das escolas e dos educadores na formação cívica das crianças e jovens. Os projetos educativos devem colocar em destaque e manter como áreas axiais, para além das competências cognitivas e socio afetivas, o voluntariado social e ambiental, promovendo a cidadania ativa.

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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Foturistas/Musica Fundamental

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