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ALGARVE INFORMATIVO #12

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SUMÁRIO

42 ANIMAÇÃO 20 ATUALIDADE

8 SANTOS POPULARES 34 ACADEMIA DE COZINHA DO ALGARVE 40 ATUALIDADE

28 LUÍS GALRITO ALGARVE INFORMATIVO #12

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OPINIÃO

Daniel Pina Há desempregados e desempregados… (…) Esses homens e mulheres não andam à procura de um emprego onde não precisem fazer nada, porque já estão habituados a trabalhar, simplesmente querem receber um ordenado condizente com a sua experiência profissional, com as tarefas que vão desempenhar, com as suas responsabilidades. Por isso, é natural que não estejam inclinados para aceitar qualquer tipo de emprego, onde vão trabalhar quase como escravos, muito para além do limite legal de horas de trabalho semanais e a troco do salário mínimo. (…)

6 Paulo Cunha Os nossos «pontos de restauro» (…) Na maioria dos casos fomos erguendo muros profissionais, sociais e familiares que nos acomodaram à modorra dos dias, aprisionando-nos e espartilhando a possibilidade de ir criando um novo tempo: o tempo do agora! Um tempo em que as recordações sejam de tal forma constantes e em número suficiente que, tal como com um computador, a elas possamos recorrer sempre que os «vírus» diários nos entrem na nossa «memória operativa» e nos mandem «a baixo» (…)

18 João Espada Exames Nacionais, a consagração ou a desilusão de um ciclo escolar em pouco mais de duas horas (…) Como professor, tenho observado durante os momentos de avaliação, crianças muito tensas e nervosas e que dormiram mal na noite anterior à realização das provas. Além do mais, o momento do exame é cheio de formalismos, com regras muito rígidas, que a meu ver são muito desajustadas em função das idades destes pequenos discentes (…)

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Hélder Rodrigues Lopes

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Fim do Ano Letivo (…) Quando se apercebem que o reforço (positivo ou negativo) aparece sempre independentemente da resposta, acontece a extinção. Quer isto dizer que todos os pais que proporcionam prontamente aos seus educandos os meios para lhes tornar a vida mais fácil e conveniente, estão a contribuir para a diminuição das capacidades de persistência, combatividade e ambição (…)

ALGARVE INFORMATIVO #12 produzido por Daniel Pina (danielpina@sapo.pt); Foto de capa: Daniel Pina Contatos: algarveinformativo@sapo.pt / 919 266 930 Diariamente, as notícias que marcam o Algarve em algarveinformativo.blogspot.pt ALGARVE INFORMATIVO #12

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CRÓNICA

Há desempregados e desempregados…

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Daniel Pina Jornalista Danielpina@sapo.pt Algarveinformativo@sapo.pt

(…) Esses homens e mulheres não andam à procura de um emprego onde não precisem fazer nada, porque já estão habituados a trabalhar, simplesmente querem receber um ordenado condizente com a sua experiência profissional, com as tarefas que vão desempenhar, com as suas responsabilidades. Por isso, é natural que não estejam inclinados para aceitar qualquer tipo de emprego, onde vão trabalhar quase como escravos, muito para além do limite legal de horas de trabalho semanais e a troco do salário mínimo (…)

sta semana assisti no Facebook a mais uma discussão que, infelizmente, se vai tornando cada vez mais habitual e nas quais assisto, para minha revolta, muita gente deitar umas alarvidades da boca para fora que só demonstram a sua falta de conhecimento do assunto em questão e das suas várias facetas. Mas, como é típico do português, muitas vezes opinamos sem estarmos capacitados para isso e, depois, nem sequer somos recetivos a ouvir aqueles que discordem de nós, mesmo quando os seus argumentos parecem ser, efetivamente, os mais corretos. A determinada altura um empresário queixava-se que não conseguia arranjar empregados para o seu restaurante, ao que outro rapidamente acrescenta que as montras das lojas também estão cheias de papéis a pedir funcionários, ao que outro ainda responde que os portugueses não querem trabalhos, mas sim empregos, e que preferem estar de barriga para o ar sem fazer nada enquanto durar o subsídio de desemprego. E eu fico parvo a ouvir tamanha sucessão de disparates. Se me disserem que há por aí muitos «meninos» e «meninas» acabadinhos de sair da faculdade, que não conseguem arranjar o tal trabalho de doutor, engenheiro ou diretor de empresa que os seus canudos prometiam e que, por isso, preferem ficar em casa dos pais sem fazer nada, concordo perfeitamente. Se me disserem que, nos tempos das vacas gordas, muitos algarvios se habituaram a trabalhar os seis meses que durava a época alta na hotelaria, restauração e outros serviços associados ao turismo, passando os restantes seis meses a viver à custa do subsídio de desemprego e a fazer uns biscates por fora aos fins de semana e à noite, também concordo 100 por cento e conheci muitos casos desses. Agora, por favor, não metam no mesmo saco homens e mulheres de 30, 40 e 50 anos, que trabalharam 10, 15, 20 ou mais anos numa empresa, empresa essa que foi à falência, por contingências do mercado ou por incompetência dos seus gestores, e que agora se veem, de repente, sem um meio de sustento.

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Estamos a falar de homens e mulheres na sua maioria casados, com filhos para criar, prestações da casa e do carro para pagar e que, de certeza, não gostam de depender de um subsídio que não dá para cobrir as suas despesas mensais. Esses homens e mulheres não andam à procura de um emprego onde não precisem fazer nada, porque já estão habituados a trabalhar, simplesmente querem receber um ordenado condizente com a sua experiência profissional, com as tarefas que vão desempenhar, com as suas responsabilidades. Por isso, é natural que não estejam inclinados para aceitar qualquer tipo de emprego, onde vão trabalhar quase como escravos, muito para além do limite legal de horas de trabalho semanais e a troco do salário mínimo. Em muitos casos, realmente acabam por receber mais de subsídio de desemprego, mas não entremos em ataques parvos e fáceis. Primeiro, se têm direito a subsídio de desemprego é porque pagaram as contribuições para a Segurança Social ao longo dos anos em que trabalharam. Segundo, se o subsídio é mais alto do que o ordenado mínimo, não quer dizer que o subsídio seja elevado, o ordenado mínimo em Portugal é que é vergonhoso e não chega para um adulto fazer um vida normal, a não ser que viva em casa dos pais e que estes lhe tenham oferecido um carro de mão beijada quando tiraram a carta de condução. E quem contribui para o perpetuar desta situação? Em primeira instância o Governo, ao criar incentivos para a contratação dos jovens licenciados à procura do primeiro emprego e em que assegura a principal fatia dos ordenados a quem oferecer os famosos estágios profissionais. Depois, como é óbvio, muitos empresários aproveitam-se das benesses advindas da famigerada crise, pois é mais rentável ter empregados em estágios profissionais em que pagam meia dúzia de tostões e que, ao fim de seis meses, são substituídos por outros nas mesmas condições, do que contratar funcionários efetivos, mais adultos e experientes, mas que exigem salários mais dignos. Por isso, por favor, não metam tudo no mesmo saco, porque há desempregados e há desempregados .


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REPORTAGEM

Santos Populares aqueceram noite de Quarteira As Marchas dos Santos Populares já fazem parte do cartaz turístico do Algarve e, apesar de acontecerem em diversas cidades da região, é em Quarteira que atingem o seu expoente máximo. Pelo famoso calçadão, com a praia mesmo ali ao lado, desfilaram oito ruas, com centenas de figurantes que bem cedo começam a preparar-se para percorrerem este palco inigualável, como aconteceu no dia 12 de junho, véspera de Santo António. Texto e Fotografia: Daniel Pina

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Calçadão da Cidade de Quarteira foi palco, no dia 12 de junho, de mais uma edição dos Santos Populares, que se repetirá novamente a 23 e 28 do mesmo mês, com o desfile de oito marchas em representação das principais artérias da cidade. Sendo uma tradição fortemente enraizada na comunidade local, o evento já é um dos mais concorridos da região ao longo o ano e isso mesmo se pode constatar nesta sexta-feira, apesar da noite friorenta e do vento que se fez sentir. Poucos minutos passavam das 21h e já as bancadas do extremo do Calçadão estavam repletas de pessoas de todas as idades, entre residentes e muitos turistas estrangeiros, que apreciaram primeiramente alguns temas do ALGARVE INFORMATIVO #12

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REPORTAGEM

cantor local Carlos Granito. De qualidade indiscutível, Granito ajudou a aquecer os ânimos e a preparar a plateia para o prato principal, as marchas dos Santos Populares. E os primeiros a desfilar foram as crianças da Marcha Infantil da Fundação António Aleixo, sob o tema «Os 20 anos da Fundação António Aleixo». Foi um merecido destaque a duas décadas de belas memórias repletas de histórias, de amor e paixão e dedicação daqueles que, de segunda a domingo, de janeiro a dezembro, fizeram e fazem a história desta Instituição. Quanto à Marcha Infantil, é um projeto que, desde 2003, desfila em Quarteira com toda a sua jovialidade e mais uma meninas e meninos, vestidos a rigor, cantaram em uníssono em memória do poeta António Aleixo a vontade de perpetuar a obra e a essência

desta Fundação. Seguiu-se a Marcha da Rua do Outeiro, uma das pioneiras nos Santos Populares de Quarteira, que desta feita decidiu prestar homenagem à sua cidade com o tema «Quarteira é Rainha». «Raiz do passo» foi o tema escolhido pela Rua Gago Coutinho, os terceiros a percorrer a Avenida ALGARVE INFORMATIVO #12

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Marginal de Quarteira, e que representa os primeiros passos nas danças para a riqueza cultural de qualquer país. Dança que é, de resto, um dos elementos fundamentais do maior evento desta cidade e que foi interpretada por cerca de 50 elementos, com idades compreendidas entre os 6 e os 54 anos. Na presente edição, a mulher esteve em destaque na apresentação da Marcha Poeta Pardal. Assim, «É a Mulher Portuguesa» foi o mote lançado pelo grupo que recordou a tradição secular dos lencinhos bordados à mão pelas jovens mulheres, que ofereciam depois aos seus namorados quando estes partiam para o Ultramar, como prova do seu amor. No ano em que completa as Bodas de Prata, a Marcha Vasco da Gama apresentou o tema «O Algarve e as suas riquezas». O desfile retratou, através das roupas e acessórios dos marchantes, esta maravilha de mar banhado em sol e areia dourada, sem esquecer a serra algarvia, as chaminés e amendoeiras em flor, que são verdadeiros postais turísticos da região. A Marcha de Vilamoura tem sido reconhecida ALGARVE INFORMATIVO #12

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REPORTAGEM

pela extravagância dos temas e este ano não fugiu à regra, com o tema «Quando o telefone toca…», que trouxe frescura e muita alegria ao regressar às décadas de 60, 70 e 80, apresentando os grandes êxitos nacionais que marcaram essas gerações e que muitos apelam para que voltassem. O grupo homenageou José Matos Maia, que foi não só um dos principais locutores dos discos pedidos, como também deu um importante contributo para Quarteira a nível teatral. A noite aproximava-se do final e foi a vez de desfilar das Florinhas de Quarteira, grupo

fundado a título paroquial há 29 anos, pela mão da Irmã Rosa Santos, e que tem a particularidade de integrar apenas meninas e jovens raparigas. «Florinhas Moiras de Encantar» foi o tema que os 51 elementos do grupo irão apresentar e o

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público não se cansou de aplaudir. Para terminar, a cereja no topo do bolo, a Rua da Cabine, que apresentou o tema «Viva Quarteira», com uma coreografia de qualidade superior que enalteceu esta antiga vila piscatória e que é hoje um dos principais centros turísticos do Algarve. E se houvesse que eleger um vencedor, apesar de todas as marchas estarem de parabéns, o título seria mesmo entregue à Rua da Cabine. Trajes riquíssimos, figurantes sempre de sorrisos nos lábios e que não ALGARVE INFORMATIVO #12

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REPORTAGEM

falhavam um passo, uma coreografia mexida, irreverente, divertida, enfim, a maneira perfeita de terminar a noite e, tamb辿m, para convidar a nova visita, nos dias 23 e 28 de junho, para festejar o S達o Pedro e o S達o Jo達o .

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CRÓNICA

Exames Nacionais, a consagração ou a desilusão de um ciclo escolar em pouco mais de duas horas João Espada Professor, Artista Plástico e Presidente da Casa da Cultura de Loulé Joao_espada@hotmail.com

(…) Como professor, tenho observado durante os momentos de avaliação, crianças muito tensas e nervosas e que dormiram mal na noite anterior à realização das provas. Além do mais, o momento do exame é cheio de formalismos, com regras muito rígidas, que a meu ver são muito desajustadas em função das idades destes pequenos discentes (…) ALGARVE INFORMATIVO #12

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pós uma primeira fase de Provas Finais de Ciclo do Ensino Básico do 1.º Ciclo (4.º ano) e do 2.º Ciclo (6.ºano), está de volta uma nova fase de exames. Desta vez para o 3.º ciclo (9.º ano) e Secundário (11.º e 12.º anos) com os Exames Nacionais. Em pouco mais de duas horas os alunos examinados comprovam as suas capacidades cognitivas às disciplinas de Português, Matemática, Física e Química, História, Inglês, Alemão, Espanhol, Francês, Economia, Filosofia, Biologia e Geologia, História e Cultura das Artes, Geometria Descritiva, Desenho etc. Após a realização e avaliação dos exames, dá-se a conhecer para muitos alunos a consagração de um excelente percurso de um ciclo de aprendizagens continuadas, mas para outros é desilusão total, é a perda de tudo… a perda de um esforço inteiro de três anos em apenas duas horas, por exemplo. Será este, o sistema nacional de exames mais correto para os nossos alunos? Os alunos devem ser avaliados, isso é um facto, porém, este sistema de avaliação que privilegia o «exame final de ciclo», dando-lhe um peso de 30 por cento na nota final, será o mais correto?! Tenho algumas dúvidas. Não sou propriamente nenhum teórico em matéria de Exames Nacionais, mas creio que este método em vigor, que obriga crianças muito novinhas a 16

realizar Provas Finais de 1.º, 2.º e 3º Ciclos do Ensino Básico, é muito exagerado. Como professor, tenho observado durante os momentos de avaliação, crianças muito tensas e nervosas e que dormiram mal na noite anterior à realização das provas. Além do mais, o momento do exame é cheio de formalismos, com regras muito rígidas, que a meu ver são muito desajustadas em função das idades destes pequenos discentes. Para os alunos com idades compreendidas entre o 1.º, 2.º e 3.º ciclo não será muito mais proveitoso o método de ensino que favorece essencialmente a avaliação contínua, que é feita ao longo do ano, avaliando continuamente a capacidade de aquisição de conhecimentos aplicada à resolução de problemas, investigação, recolha e produção de textos, ao cálculo matemático e desenvolvimento de competências artísticas e desportivas?! Ou será um exame de duas horas, que pode perfeitamente correr mal em função de um nervosismo momentâneo, mostrar que um aluno é conhecedor dos conteúdos programáticos em questão?! .


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CRÓNICA

Paulo Cunha

Os nossos «pontos de restauro» vulgar escutar o chavão/bordão «No meu tempo é que era bom!» proferido por gente que já viveu bastante tempo… mas não necessariamente bastante. Referem-se, por certo, ao tempo da sua juventude. Altura da vida em que os sonhos se encontram à mão de semear, os desejos a um passo de se concretizar, a esperança voa na constância dos dias e a amizade não tem prazo, objetivo, nem destino. Um tempo em que há tempo para desfrutar todo o tempo que a vida nos concede. Um tempo onde os momentos nos marcam de tal forma que nos criam uma âncora temporal e um azimute vivencial. Entretanto, o tempo passa e com ele se perde, inapelavelmente, a disponibilidade para aproveitar o que o novo tempo nos oferece: a possibilidade de todos os dias criar memórias que nos possibilitem não perder tempo a falar de um tempo já passado. A voracidade dos dias torna fugazes e voláteis momentos carregados de substância, criando-nos a ilusão, à medida que os anos passam, que foi ainda ontem que vivemos o ano passado, tal a rapidez com que dias iguais se atropelam uns a seguir aos outros. Quantas vezes damos conta que momentos e situações verdadeiramente importantes nos batem à porta e nós,

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(…) Na maioria dos casos fomos erguendo muros profissionais, sociais e familiares que nos acomodaram à modorra dos dias, aprisionando-nos e espartilhando a possibilidade de ir criando um novo tempo: o tempo do agora! Um tempo em que as recordações sejam de tal forma constantes e em número suficiente que, tal como com um computador, a elas possamos recorrer sempre que os «vírus» diários nos entrem na nossa «memória operativa» e nos mandem «a baixo» (…) ALGARVE INFORMATIVO #12

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não sabendo e/ou não querendo, não os deixamos entrar? Daí aquela sensação de perda e de saudade constante de um tempo em que fomos, efetivamente, felizes… Um tempo que já não voltará atrás, porque para trás ficou a disponibilidade da juventude que o marcou! Na maioria dos casos fomos erguendo muros profissionais, sociais e familiares que nos acomodaram à modorra dos dias, aprisionando-nos e espartilhando a possibilidade de ir criando um novo tempo: o tempo do agora! Um tempo em que as recordações sejam de tal forma constantes e em número suficiente que, tal como com um computador, a elas possamos recorrer sempre que os «vírus» diários nos entrem na nossa «memória operativa» e nos mandem «a baixo». Hoje já é possível atrasar o envelhecimento corporal e mental, mas não o é impedi-lo. Irremediavelmente a isso estamos condenados! Permitir que a mente flua e nos faça transcender para lá das amarras ao passado poderá ser, indubitavelmente, uma forma de envelhecer jovialmente. Basta para isso dar tempo ao tempo que ainda nos resta para continuar a criar «pontos de restauro». Os nossos «utilizadores» agradecerão! .


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ATUALIDADE

Albufeira na rota do Raid des Deux Rives

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lbufeira foi umas das paragens obrigatórias da prova de motociclismo Raid des Deux Rives, organizada pela associação Morocco Riders, que partiu do norte de Marrocos no dia 27 de maio e chegou a Albufeira a 4 de junho. Os cerca de 40 participantes provenientes de mais de dez países foram recebidos no Salão Nobre pelo presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Carlos Silva e Sousa, e pelo Cônsul Honorário do Reino de Marrocos no Algarve, José Alberto Alegria. “É com enorme satisfação que vos recebemos em Albufeira, uma cidade hospitaleira que tem para vos oferecer as melhores condições de alojamento, gastronomia e lazer para que desfrutem de uma boa estadia e sintam vontade de cá voltar”, afirmou o autarca, que destacou a ligação fraternal que Albufeira tem mantido com a cidade marroquina de El-Jadida, com quem firmou um acordo de cooperação com vista à aproximação das duas cidades. A prova incluiu um trajeto de cerca de 2500 quilómetros ALGARVE INFORMATIVO #12

entre o norte de Marrocos, Andaluzia e Portugal. Entre os motociclistas, originários de Marrocos, Espanha, Portugal, Arábia Saudita, Qatar, Emiratos Árabes, Jordânia, Iraque, EUA, entre outros países, estão quadros superiores, artistas e homens de negócios. “Embora esta seja a 12ª edição da prova, é a primeira vez que visitamos Albufeira e estamos muito satisfeitos e gratos pelo acolhimento que temos recebido”, salientou Idriss Saadani, administrador da Morocco Riders, adiantando que a edição de 2016 da prova voltará a ter Albufeira como ponto de paragem obrigatória .

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«Nós e os riscos» patente nos Paços do Concelho de Albufeira

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o dia 4 de junho, o Município de Albufeira inaugurou a exposição «Nós e os Riscos», que está patente no primeiro piso do edifício dos Paços do Concelho até ao próximo dia 19 de junho. Durante a visita à mostra, o Serviço Municipal de Proteção Civil explicou aos alunos do Jardim de Infância dos Caliços quais os riscos coletivos, naturais e tecnológicos existentes, sensibilizando-os para as medidas de autoproteção a adotar em caso de Cheias e Inundações, Vagas de Frio, Queda de Arribas, Incêndios Florestais, Tornados, Ondas de Calor, Sismos, Tsunamis, Trovoadas, Incêndios Urbanos e Secas. “Estas ações de sensibilização direcionadas às crianças são extremamente importantes na medida em que a prevenção é o caminho a seguir quando falamos de riscos naturais e tecnológicos que, na maioria das

vezes, são imprevisíveis”, destaca o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Carlos Silva e Sousa. A exposição irá receber a visita dos Jardins de Infância e Escola Básicas do 1.º Ciclo do concelho, com o intuito de dar a conhecer aos alunos as medidas a adotar em situações de risco e alertálos para os diferentes cenários possíveis. “A exposição é uma forma divertida de divulgarmos esta temática junto dos mais novos e incentivá-los a aprenderem a proteger-se a si e aos que os rodeiam”, referiu Ana Vidigal, vereadora com o pelouro da Proteção Civil. Refira-se que de 1 a 15 de julho, a exposição estará em exibição no Algarve Shopping, na Guia, na entrada principal da Praça da Restauração .

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ATUALIDADE

Alcoutim inaugurou Espaço Guadiana

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spaço Guadiana é o nome da nova sala multiusos em Alcoutim inaugurada na noite de 9 de junho, em ambiente de festa, com a presença de diversas entidades regionais e locais, bem como de centenas de populares que compareceram em massa. A lotação deste novo espaço multiusos esgotou para assistir à apresentação da peça «Auto da barca do Inferno», pelo TEA (Teatro Experimental de Alcoutim), e à atuação do jovem músico alentejano Pedro Mestre, exímio tocador de viola campaniça. Jorge Botelho, presidente do Conselho Intermunicipal da AMAL, David Santos, presidente da CCDR Algarve e Alexandra Gonçalves, diretora regional de Cultura do Algarve, foram algumas das entidades presentes que, usando da palavra, felicitaram a autarquia alcouteneja pela construção

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deste novo equipamento que visa essencialmente a diversificação na oferta de atividades culturais e de lazer, atraindo também, deste modo, mais visitantes ao concelho e contribuindo para a fixação de população, ávida de espaços culturais, como ficou provado com a afluência de público ao evento. O presidente da Câmara

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Municipal, Osvaldo Gonçalves, salientou que a designação «Espaço Guadiana» é “uma justíssima homenagem àquele que muitos definem, e com toda a racionalidade, como o grande rio do Sul, o nosso rio Guadiana”. O autarca relembrou a importância do Guadiana para a fixação de população no território que é hoje o Concelho de Alcoutim, bem como o seu contributo para a construção da identidade alcouteneja. “É essa identidade cultural que, hoje e sempre, pretendemos ver refletida neste espaço. Pretende-se que o Espaço Guadiana seja, primordialmente, um espaço de promoção e divulgação da cultura e da identidade da nossa comunidade, assim como da obra dos artistas locais e daqueles que, não sendo


do concelho, conseguem estabelecer relações de pertença com a nossa identidade”, frisou o edil. Recorde-se que a intervenção efetuada no edifício e na sua envolvência foi integrada no projeto UADITURS, desenvolvido no âmbito do programa POCTEP (Programa Operacional Cooperação Transfronteiriça entre Espanha e Portugal), e que o investimento global ascendeu a 313 mil euros, financiados a 75 por cento pelo referido programa. A intervenção consistiu na reabilitação do segundo piso de um edifício municipal, onde funcionam as oficinas, no sentido de o transformar num espaço polivalente, com condições construtivas de qualidade e de conforto, para a sua utilização na realização de eventos como festas, convívios, conferências ou congressos. Do ponto de vista

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arquitetónico, os trabalhos efetuados permitiram, sem introduzir alterações significativas na construção existente, integrar o edifício na sua envolvente, bem como acentuar a sua identidade de acordo com a utilização que é dada ao piso inferior, alterando e identificando a zona de entrada. Permitiram ainda tornar o novo equipamento acessível para pessoas com mobilidade reduzida. No sentido de proceder a uma integração paisagística e

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arquitetónica coerente, a envolvente do edifício foi também alvo de obras de reestruturação que incluíram criação de diversas zonas ajardinadas, de um pequeno parque de merendas e passeios, assim como a reformulação da dimensão e desenho da estrada de acesso, de forma a contribuir para a requalificação do aglomerado urbano, neste local que constitui um dos principais acessos à sede de concelho .


ATUALIDADE

Concluída a Estrada Municipal Altura-Furnazinhas

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Estrada Municipal Altura-Furnazinhas foi concluída e, com o término do último troço - Eira Verde-Monte Novo - Castro Marim dispõe agora da maior obra rodoviária alguma vez construída no concelho, consolidando a rede de transportes e comunicação existente e assegurando a ligação entre o litoral e a serra, com passagem pelo barrocal, num total de 34 quilómetros. A ligação Eira VerdeMonte Novo contemplou a execução de dois troços, um de ligação à localidade de Fortes, com cerca de seis quilómetros de extensão, e outro às Furnazinhas, com cerca de dois quilómetros, a construção de duas rotundas e uma nova ponte, com 135 metros de comprimento, junto à povoação de Fortes, que assegura a travessia da Ribeira de Odeleite e foi hoje o local de um almoço-convívio que assinalou o final desta grandiosa obra, entre os munícipes mais

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beneficiados pela via, os construtores e o executivo da Câmara Municipal de Castro Marim. Com um investimento total de 2,8 milhões de euros, comparticipada em 65 por cento pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), a Estrada Municipal Altura-Furnazinhas tem a vantagem esmagadora de encurtar as ligações entre povoações. A obra foi projetada e iniciada pelo anterior executivo, liderado pelo exautarca José Estevens, e concluída por este .

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Praia Grande de Ferragudo recebe Projeto - Animação Desportiva

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Concelho de Lagoa conta com uma população residente que ultrapassa os 20 mil habitantes, mas que aumenta muito nos meses de verão devido à grande afluência de turistas, atingindo por vezes entre 50 a 70 mil pessoas, segundo dados estatísticos oficiais. Atenta a esta situação e querendo criar mais condições de atração para quem nos visita, a autarquia tem vindo a alargar, progressivamente, a oferta desportiva, não só a um número cada vez maior de praticantes residentes – abrangendo todas as faixas etárias desde as crianças aos mais idosos – como, utilizando a estrutura natural que é a praia e o mar, tenta aumentar a adesão e participação dos veraneantes que escolhem o Concelho de Lagoa como seu local de férias. Assim, foi criado o «Projeto de Animação Desportiva» de verão, que decorrerá nos meses de julho, agosto e setembro, na Praia Grande – Ferragudo (com Bandeira Azul), onde serão montados um campo de futevolei, voleibol e andebol (20x30 m), um campo de desporto de raquetas e outras atividades (18x25 m), um campo de futebol de praia (35x45 m) e um circuito de atividade física, cujas estruturas pretende manter durante todo o ano. Apostando na época de verão de 2015, durante esses meses serão proporcionados aos ALGARVE INFORMATIVO #12

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desportistas de praia o divertimento e distração, a alegria e o prazer, em suma, o convívio através da prática de atividades desportivas, com um horário de funcionamento elaborado no sentido de maior aproveitamento e rentabilidade dos recursos. Assim, de 1 de julho a 31 de agosto, de segunda a sábado, a animação/atividade decorrerá das 10h às 19h. A utilização do espaço para a prática das atividades será livre, de forma a cativar as pessoas e sensibilizá-las para uma prática organizada, dentro de um clima de convívio desportivo. Os pontos altos a realizar permitirão que a vertente da competição sirva de estímulo não só para todos aqueles que quiserem participar nas iniciativas, como também para os que tiverem a oportunidade de assistir às atuações, algumas delas de nível Nacional .


CRÓNICA

Fim do Ano Letivo

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Hélder Rodrigues Lopes

(…) Quando se apercebem que o reforço (positivo ou negativo) aparece sempre independentemente da resposta, acontece a extinção. Quer isto dizer que todos os pais que proporcionam prontamente aos seus educandos os meios para lhes tornar a vida mais fácil e conveniente, estão a contribuir para a diminuição das capacidades de persistência, combatividade e ambição (…) ALGARVE INFORMATIVO #12

ais um ano letivo que chega ao fim e este, tal como os outros todos, foi cheio de peripécias, polémicas, disputas, desorganização, e outras tantas coisas, mas algumas boas também. Existem realmente coisas boas na Escola, na nossa e na dos outros. Neste final de Ano Letivo, aqui a vós, pais, professores e jovens, deixo-vos esta mensagem. O Trabalho, o Esforço e o Espírito de Sacrifício são a essência da Vida, nada se conquista sem estes três instrumentos e o Novo Indivíduo desde cedo deve perceber isso mesmo e ter com ele uma estrutura familiar que, independente da sua condição conjugal, desenvolva um exercício de parentalidade que seja exigente pelo exemplo e nunca pela imposição ou poder hierárquico, motivador, empreendedor e colaborante. Principalmente, que seja capaz de, em todos os momentos, enaltecer o esforço e o sacrifício para a superação de qualquer tarefa. O objetivo é a excelência, nunca as notas máximas ou ser o melhor que os seus pares. Os castigos ou as penalizações não devem ser dirigidas às atividades extracurriculares, mas sim pelo reforço positivo. As crianças têm uma forte tendência para desistir facilmente porque têm uma baixa resistência à extinção (processo de esquecimento) quando os reforços são contínuos. Quando se apercebem que o reforço (positivo ou negativo) aparece sempre independentemente da resposta, acontece a extinção. Quer isto dizer que todos os pais que proporcionam prontamente aos seus educandos os meios para lhes tornar a vida mais fácil e conveniente, estão a contribuir para a diminuição das capacidades de persistência, combatividade e ambição. Nós somos fruto do que aprendemos socialmente e esta aprendizagem é adquirida por moldagem ou imitação. O que faz de nós um produto ou resultado do meio onde estamos inseridos; casa, família, bairro e comunidade. Os pais são o modelo mais importante e forte na construção da personalidade das novas pessoas, logo seguidos pelo professor, família, amigos, vizinhos e comunidade. Educação e a Aprendizagem assente no modelo do condicionamento operante será o mais eficaz, isto é, perante uma resposta deve seguir-se um reforço positivo ou negativo complementado pelo princípio de 26

Premack. Já escrevi o Trabalho, o Esforço e o Esírito de Sacrifício são a essência da Vida e é no início do 3.º Ciclo que é o tempo de reforçar isso mesmo. O Aluno do 3.º Ciclo já adquiriu método de trabalho de forma a compreender que, para além do adquirido na sala de aula, tem que desenvolver uma pesquisa persistente, cuidada e responsável sobre todas as matérias dadas. Deve partilhar essa recolha com a aula, e gerar o debate constritivo e motivante, quer para o Aluno, quer para o Professor. Reforço que, nesta fase, o objetivo é a excelência, na capacidade de desenvolver trabalho, rigor, organização, capacidade e competência para adquirir conhecimento novo por iniciativa própria e não as notas máximas e muito menos ser o melhor que os seus pares. Agora que o Novo Indivíduo inicia o Ensino Secundário, ao trabalho, esforço, esprito de sacrifício, organização, exigência, e rigor, associa-se agora a clarividência sobre o percurso vocacional, capacidade de comunicação, interação com os pares e com os Professores, insatisfação e inquietude sobre o que deseja aprender e realizar, são determinantes para a conquista do objetivo. O Aluno já integrou que o conhecimento adquirido a partir do que recebe na sala de aula não é o suficiente, mas sim a forma como o desenvolve através de uma capacidade de trabalho promotor de solidez e potencialização do adquirido. Tudo isto tem um resultado e esse é o Seu Resultado. O Professor e o conteúdo programático de cada disciplina são apenas elementos importantes, é certo, mas não determinantes. Determinante é a sua insatisfação, inquietude, auto exigência, rigor e a gestão sobre o Tempo. O Aprender é um exercício comportamental que todo o Indivíduo é capaz de realizar, resulta da interação do próprio com o meio ambiente onde está inserido, é promotor de um aumento do auto reportório potencializador do incremento da capacidade, competência, e habilidade para enfrentar e superar as tarefas que pelo caminho cronológico vão despoletando. Todo o Indivíduo em cada momento é o resultado de como recebeu e interagiu com o que aprendeu .


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ENTREVISTA

Luís Galrito O Zeca Afonso dos tempos modernos

Zeca Afonso é um nome incontornável da música portuguesa, o primeiro cantautor, verdadeiro rei da world music, numa época onde tais rótulos ainda nem sequer existiam. Muitos foram os artistas e bandas que desde então lhe têm prestado homenagem e vários são os tributos editados em disco, com roupagens mais modernas. Mas, como tudo na vida, há tributos e há Tributos e ninguém melhor que Luís Galrito tem mantido vivas a sonoridade e mensagens de Zeca Afonso. E que falta faz a música de intervenção para despertar os portugueses para as duras realidades que, por vezes, optam por ignorar, anestesiados que andam pelas novelas, concursos televisivos e peripécias futebolísticas. Texto e Fotografia: Daniel Pina ALGARVE INFORMATIVO #12

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uís Galrito tem uma tranquilidade na sua forma de estar e um timbre de voz que deixam logo adivinhar que é alentejano e não nos enganamos, pois nasceu em Reguengos de Monsaraz, se bem que tenha ido ainda jovem para Fronteira, distrito de Portalegre. Professor de Educação Musical com 41 anos, está radicado no Algarve há 15 anos, mas antes disso andou pelo centro e norte do país, como acontece com tantos docentes até ficarem colocados num quadro de zona. Entretanto, casou-se com uma Louletana, da qual tem uma filha de dois anos, e não mais pensa sair do Algarve. A música apareceu naturalmente na vida de Luís Galrito e frequentou o Conservatório de Portalegre dos 15 aos 18 anos, seguindo as influências dos pais e de outros familiares, sobretudo do lado materno. Por volta dessa altura teve a sua primeira banda, de covers, mas depois seguiu para a Escola Superior de Educação, na Guarda. “A minha vontade era ser só músico, mas depressa percebi que não era uma vida estável e os meus pais e professores também me aconselhavam a ter outra atividade em paralelo. Nunca tinha pensado em ser professor, mas via o exemplo de alguns primos que tinham dois trabalhos para se orientarem, e eles eram do canto lírico e da música clássica, ainda era mais complicado”, explica, num dedo de conversa no Café Calcinha, em Loulé. Na época dos mini concursos, Luís Galrito nunca sabia onde ia dar aulas no ano seguinte, mas ALGARVE INFORMATIVO #12

quase permanente. “E tenho um bocado de dificuldade em disciplinar o meu processo criativo, em definir que, das tantas às tantas horas vou fazer músicas. As ideias surgem de forma inesperada mas, para que isso aconteça, também tenho que estar calmo e descontraído. Infelizmente, esses momentos de relaxamento, de introspeção, têm sido poucos devido à azáfama do dia-a-dia”, reconhece. Apesar disso, Luís Galrito tem trabalhado de um modo mais profissional desde 2002, quando assinou pela «Espanta Espíritos» e apareceram os tributos a Zeca Afonso, em simultâneo com os seus originais, muito na onda de Jorge Palma, e que se concretizaram posteriormente no álbum «Matura Inculta», quando ainda vivia em Quarteira. “No início, tocava com amigos e aquilo funcionava quase como uma banda, até utilizava apenas o nome «Galrito», mas eram as minhas canções e ideias, inventadas à viola ou no pianito. Depois, era eu e os «Canto Livre», outro projeto interessante onde fomos buscar sons do Alentejo, afro-jazz e músicas do mundo. Sempre fui um inconformado com as injustiças sociais e escrevia bastante sobre isso, mas nunca me passou pela Nasce o cantautor cabeça que o meu estilo se de intervenção assemelhasse ao Zeca Afonso. Só quando os outros Depois de assentar arraiais no começaram a fazer essa Algarve e estabilizar mais a sua comparação é que percebi que vida, Luís Galrito acreditava que era verdade e que o meu teria mais tempo para compor caminho era ser cantautor”, temas, mas o corre-corre dos frisa. “Vi que não era roqueiro e professores tem-se intensificado que fazia melhor coisas mais cada vez mais nos últimos anos e introspetivas, calmas e poéticas. a escola exige uma atenção Andar aos pulos no palco e a

ia compondo os seus originais e, com 20 e poucos anos, editou um trabalho marcante em termos de conteúdo e de mensagem, o «Véu Vermelho». “Foi uma coisa que comecei a escrever aos 15 anos quando entrei para o Conservatório e tornou-se um disco de culto na minha terra. A banda que tive tocava um pouco de tudo, desde pop/rock a música de baile, porque o mercado da zona funcionava à base de festas de finalistas e bailaricos”, refere, acrescentando que as suas primeiras influências foram bandas como Pink Floyd e Beetles. Cantores portugueses só conheceu melhor durante a universidade, admite, casos de Zeca Afonso, Sérgio Godinho e Jorge Palma. “Desde cedo compreendi que a música, para mim, tinha que funcionar um pouco como uma ferramenta para contribuir para qualquer coisa. Passava horas a ver os vídeos dos concertos da Amnistia Internacional com o Peter Gabriel, Bruce Springsteen e Sting, com as suas canções ativistas sobre os direitos humanos”, lembra, revelando ainda que cantar em português faz muito mais sentido para ele do que em inglês.

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falar com o público não era o meu estilo”. Descoberto o caminho que queria trilhar, Luís Galrito foi melhorando rapidamente à medida que se sucediam atuações em vários bares do Algarve. Som acústico, letras que falavam da sua vivência no Alentejo, textos de poetas que admirava, criaram uma receita plena de êxito e que lhe permitiam, ao mesmo tempo, manter viva a sua faceta interventiva. “Cantava sobretudo para clientes portugueses e nunca compreendi porque não se aposta mais nesse público e por que motivo os bares se viram todos para os turistas estrangeiros. Claro que a cultura no Alentejo era diferente e a música estava bastante ligada às saias e às modas mais alegres, havia tertúlias de cantar à mesa, à desgarrada, ALGARVE INFORMATIVO #12

fosse o canto alentejano ou o fado. No Algarve, é só covers para os ingleses”, observa, com alguma tristeza. Depois de alguns anos no terreno a fazer o seu tributo a Zeca Afonso, Luís Galrito lançou recentemente o disco «Seja Bem Vindo Quem Vier Por Bem», uma homenagem ao grande músico e poeta que contou com a participação de nomes como Dino D’ Santiago, Tuniko Goulart, Luís Melgueira, João Nunes, Gabriel Costa, João David, Hélio Perfeito e António Hilário. “Tenho adiado o disco de originais porque as solicitações para os tributos são inúmeras, mas tenho que arranjar tempo para o meu próprio trabalho. Quero aproveitar as férias de Verão da escola para escrever mais temas e experimentar arranjos e acordes”, assume. Quanto às colaborações com outros artistas 30

do Algarve, foi uma agradável surpresa. “Um amigo chama outro amigo e as coisas têm acontecido assim. Por exemplo, fui assistir à gravação dum videoclip do Dino D’Santiago e, no momento, lembramo-nos de tocar uns acordes do Zeca, com o Dino a improvisar em crioulo. Gravamos o tema com mais qualidade no estúdio da Casa da Cultura de Loulé, ele participou no lançamento do meu disco, através dele conheci o Tuniko e já ensaiamos umas brincadeiras. É importante ter ao meu lado pessoas de talento mas, acima de tudo, que sejam grandes amigos e com os quais possa aprender também”. Conforme referido, Luís Galrito quer aproveitar as férias do Verão para explorar a sua veia criativa e compor mais temas originais, mas tal não significa que esteja parado e há concertos já agendados, dos


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quais destaca o Festival MED. “É um evento que tem tudo a ver com o tributo a Zeca Afonso porque, no meu entender, foi o primeiro grande nome da World Music. Misturou desde o fado de Coimbra à música tradicional portuguesa de norte a sul do país, aos ritmos africanos, à poesia e surrealismo. Costumase dizer que há o rei da Pop, eu também acho que há um rei da World Music, o Zeca Afonso, só que viveu numa época onde não existiam esses rótulos. Muitas pessoas ainda não se aperceberam bem da magnitude da sua obra”, salienta o alentejano, satisfeito por fazer parte do cartaz de tão importante festival. Luís Galrito não pretende, contudo, viver para sempre à sombra de Zeca Afonso, pois desde novo que sonha ser músico e deixar a sua própria

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marca no mundo. “Vai ser sempre uma grande referência e tenho crescido muito com ele, mas quero ter uma coisa minha e espero consegui-lo. Quero escrever coisas novas porque o pensamento, quando se tem 20 anos, não é o mesmo dos 40. Claro que há valores que são transversais e que perduram no tempo. Como é possível haver fome num canto do mundo e, no outro, haver um esbanjamento parvo? Uma garrafa de champanhe custa 600 euros e há pessoas que não ganham isso num mês? A intervenção é uma questão de consciência, não só a nível de Portugal, mas do mundo inteiro”, defende. Pior do que isso, o alentejano mostra-se incomodado por ver que muitos portugueses preferem permanecer na ignorância do que enfrentar

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estes problemas. “É essa a grande luta de qualquer artista, porque as coisas estão um bocadinho viradas ao contrário e as pessoas andam anestesiadas com o que veem na televisão. Tem que haver alguém que contrarie essa tendência e que chame a atenção para o que será a verdadeira felicidade e liberdade, que lembre os valores do amor e respeito pelo próximo. Temos uma dor de cabeça, tomamos uma aspirina, no dia seguinte temos outra dor de cabeça, e não nos preocupamos em saber os motivos da dor de cabeça, limitamo-nos a tomar aspirinas”, desabafa, em final de conversa, porque era tempo de ir buscar a filhota ao infantário e, depois, preparar-se para mais uma atuação nas Ferreiras .


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“Chefs não podem ficar fechados nas cozinhas”, alerta José Domingos Um dos mais conceituados chefs da região, José Domingos, criou, em 2014, a Academia de Cozinha do Algarve, depois de constatar que existia no mercado uma grande procura de cursos e workshops, uns mais abrangentes, outros mais específicos, da parte dos apaixonados pela arte culinária. Um ano depois, o experiente formador reconhece que, para além das típicas donas de casa, também empresários de restauração e, inclusive, chefes de cozinha com largos anos de experiência, agarraram esta oportunidade para renovarem os seus conhecimentos, num ramo onde todos os dias surgem novas técnicas de preparação, utensílios e ingredientes. Entrevista: Daniel Pina ALGARVE INFORMATIVO #12

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arense à beira dos 50 anos, José Domingos entrou para a antiga Escola de Hotelaria do Algarve, na Rua do Lethes, tinha apenas 15 anos, com o intuito de enriquecer os seus conhecimentos, pois já era ajudante de cozinha no Aeroporto de Faro. Tirada a formação inicial, nunca mais parou de frequentar cursos e workshops nos 35 anos que já leva de atividade, por saber que as novidades são constantes e é fundamental que os profissionais se mantenham atualizados. “O gosto pela cozinha apareceu muito cedo com os meus pais e, na altura, havia muitas saídas profissionais nesta área, porque o Algarve estava a ser descoberto pelos turistas de todo o mundo. Contudo, é uma atividade onde temos que abdicar de fins de semana, noites e feriados e, para um jovem de 17 anos, era complicado ver os amigos ir para as discotecas e eu não poder ir. Fiz um interregno porque queria ter outros horários, só que o mercado de trabalho da época não tinha muitas alternativas. Experimentei várias coisas mas nenhuma me agradou e acabei por voltar para a cozinha”, recorda, à conversa nas instalações da Academia de Cozinha do Algarve, em Faro. José Domingos revela, porém, que dos 25 alunos que fizeram aquela formação inicial na Escola de Hotelaria, apenas dois ainda permanecem no ativo, sinal de que nem todos conseguem aguentar os sacrifícios que a profissão exige. ALGARVE INFORMATIVO #12

José Domingos, Arcilindo Fernandez, Margarida Domingos, Marco Aleixo e Manuel Debiez

“Só quem tem realmente o bichinho da culinária é que fica, porque os ordenados também deixaram de ser compatíveis com esse espírito de sacrifício que um cozinheiro ou chefe de cozinha tem a nível da restauração. Para além disso, hoje contratam-se estagiários para colmatar falhas nas unidades, em vez de profissionais experientes, os jovens são quase escravizados e acabam por desistir. No meu tempo era diferente. Éramos bem pagos e havia autênticas brigadas de cozinha em que cada um tinha as suas funções”, compara. Para piorar a situação, e como sucedeu em inúmeras profissões, houve uma altura em que ser chefe de cozinha esteve bastante na moda, o que levou muitos jovens a ingressarem nessa atividade e, quando a oferta se torna maior que a procura, o resultado é a queda dos vencimentos, cenário que José Domingos confirma. “A primeira prioridade dos hoteleiros é reduzir os custos da mão-de-obra mas, graças a Deus, ainda há uma boa 35

aceitação para os jovens que saem das escolas de hotelaria e das academias. Só que os ordenados caíram mais de 50 por cento nos últimos quatro ou cinco anos, o que é desmotivante, porque um chefe de cozinha trabalha de 10 a 14 horas por dia”. Apesar destes problemas, o Algarve continua a ser rico em excelentes cozinheiros, mas José Domingos repara que, desde que começaram os concursos de culinária na televisão e as estrelas Michelin se tornaram mais mediáticas, muitos jovens vão para as escolas com a vontade de se tornarem logo chefs, o que é um erro. “A árvore tem que crescer da raiz para a folhagem e não ao contrário. Os alunos que percebem isso singram na profissão. Os outros, acabam os cursos, vão para o mercado de trabalho, verificam que o mundo real não é o que tinham imaginado, e desistem”, lamenta, acrescentando que também muitos adultos padecem deste mal, influenciados pelos tais concursos televisivos do género


REPORTAGEM despesismo. Hoje, um chefe de cozinha não é um cozinheiro, é um gestor, não só da cozinha, mas de toda a área envolvente, das compras, do pessoal”, alerta. E por falar em estrelas Michelin, elas espelham realmente a qualidade dos estabelecimentos que as detém, ou nem sempre são agraciados os mais merecedores, perguntámos a José Domingos. “É uma matéria que, de facto, tem muito que se lhe diga e que do «Masterchef». “Chegam à imaginava que Portugal pudesse deixa sempre no ar algo de escola para se matricularem entrar em crise, como viria, suspeito. Tenho colegas com num curso de chefe de cozinha, infelizmente, a acontecer anos estrelas Michelin há alguns anos pessoas licenciadas que não mais tarde. José Domingos sabe e tenho outros que nunca a querem perder muito tempo, bem o que isso é, daí avisar conseguiram conquistar. Há que têm objetivos claros de sempre os seus alunos e colegas cozinheiros que, a meu ver, não vida, mas têm que ser incutidas que trabalhar para outra a merecem ter e outros que a que isto não é o mundo entidade não é o mesmo que ser justificam e não a possuem. O televisivo e das revistas. O ideal o seu próprio patrão. “Estão meu grande amigo Leonel é uma pessoa começar esta habituados a comprar, por Pereira foi distinguido este ano caminhada logo em jovem, para exemplo, um robalo de 20 e 30 como o melhor cozinheiro de não fazer as coisas a correr, nem euros o quilo, porque o dinheiro Portugal e muitas vezes querer ir por atalhos. Claro que não sai do bolso deles e recusaram-lhe a estrela. O um quarentão não é uma preferem os produtos de topo. restaurante dele também já pessoa velha, mas já vai a meio Depois, abrem o seu perdeu uma vez a sua estrela do seu ciclo profissional e, restaurante, querem ir atrás da mas, felizmente, este ano voltou normalmente, quer tirar uma estrela Michelin e do a obtê-la”, refere o entrevistado, ação formativa para criar o seu mediatismo, não querem fazendo uma simples próprio negócio. Só que o trabalhar com produtos comparação entre o que mercado é exigente e muitos intermédios e perdem-se no acontece em Portugal e a vizinha deles também já não estão para aturar determinadas situações e desistem dos seus planos”.

Ser chefe de cozinha é ser um gestor Abrir um restaurante próprio que, diga-se em abono da verdade, foi um caminho seguido por diversos chefs, sobretudo no final do século passado, início do novo milénio, quando o turismo algarvio continuava a crescer a olhos vistos e ninguém ALGARVE INFORMATIVO #12

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Espanha. “Nós temos excelentes restaurantes de norte a sul do país, há dois com duas estrelas Michelin e mais uns quantos com uma estrela. Em Espanha, onde a gastronomia não nos diz nada em termos de sabores, há três restaurantes com três estrelas”. Ora, se a busca das estrelas Michelin já tem alguns anos, mais recentes são eventos como o «Algarve Chefs Weeks» ou o «Algarve Gourmet», que voltam a colocar os chefes de cozinha no papel de verdadeiras vedetas de televisão, com tudo o que de bom e mau isso traz para a profissão. José Domingos integrou a primeira edição do «Algarve Chefs Week» e participou nas ações levadas a cabo no Aeroporto de Faro, lamentando apenas que estas tenham acontecido na zona do Check-Out e não do Check-In.

“Foi bom para dar uma maior visibilidade à gastronomia algarvia, mas foi pena o turista ficar com essa imagem quando se estava a ir embora e não quando estava a chegar. É também uma mais-valia para mostrar o trabalho dos chefes de cozinha da região. Contudo, também tem havido eventos que trazem chefs de outros pontos do país, e até internacionais, para representar

o Algarve, o que não tem grande lógica. Aliás, há empresários que contratam chefs estrangeiros para gerir unidades hoteleiras algarvias, com ordenados exorbitantes, e que vêm aprender com os colegas da nossa região, porque são outros hábitos gastronómicos e tendências. São questões do patronato em que não nos podemos meter”.

Aprender e atualizar conhecimentos Habituado a realizar workshops e seminários um pouco por todo o Algarve, José Domingos apercebeu-se, entretanto, que havia um desejo de uma ação formativa diferente na região. Depois de pesquisar, verificou que existiam algumas academias de cozinha de renome em Lisboa e no norte de Portugal, mas nada parecido no Algarve, onde apenas havia a Escola de Hotelaria. “Decidi então abrir a Academia de Cozinha do Algarve, não só a pensar nas donas de casa, mas também nos hoteleiros, nos simples curiosos, ALGARVE INFORMATIVO #12

nos mais jovens. E tem havido uma grande aceitação junto dos profissionais que estão fechados numa cozinha há anos, que só trabalham aquele tipo de carta e não sabem mais nada. Nota-se uma falta de atualização de conhecimentos, porque há coisas básicas que alguns não sabem fazer e que nos deixam a pensar que, se calhar, a hotelaria não está tão bem como parece”, destaca. Outro objetivo é transmitir as novas tendências, novos métodos de confeção e novos produtos e José Domingos revela 37

que, por exemplo, a Makro e a Aviludo, sempre que têm novas gamas de produtos, os enviam para a academia para que sejam sujeitos a uma apreciação da parte dos formadores e formandos. “Queremos espicaçar as mentes para que estejam abertas à mudança e para que consigam obter resultados mais benéficos, em termos de sabor e de custo”, explica o responsável pelo projeto, acrescentando que a base da oferta é o Curso de Cozinha de A a Z composto por cinco módulos (base, molhos,


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peixes, carnes, sobremesas), administrado aos sábados de manhã. “Fazemos um menu completo com cerca de 15 confeções diferentes por sessão e as pessoas podem não sair daqui um profissional de elite, mas levam noções muito melhores do que as que tinham quando chegaram. Prova disso é que há mesmo alguns profissionais que repetem o curso por verificarem que lhes está a ser benéfico”. Neste Verão vão arrancar também cursos destinados aos mais jovens, dos 14 aos 18 anos, e a crianças, dos 6 aos 14 anos, a que se somam workshops mais temáticos e específicos, sobre comida italiana, mexicana, chocolate, alimentação saudável, sushi, tapas e petiscos. “O Curso de A a Z arranca pelas 9h30 e termina por volta das 13h, 13h30, a que se segue um almoço com todas as iguarias preparadas em aula prática. Com os Workshops acontece o mesmo da parte da ALGARVE INFORMATIVO #12

tarde, mas é um prolongamento saudável que as pessoas adoram, porque isto, para elas, é também um libertar da tensão da semana de trabalho. Os cursos para jovens estão igualmente a ter uma boa aceitação da parte dos pais que, em vez de terem os filhos fechados em casa ou a andarem de um lado para o outro, os colocam numa aula que lhes vai servir para o futuro. E há ainda os aniversários, onde eles fazem o próprio bolo e lanche, é sempre engraçado”. José Domingos admite ainda que o primeiro ano de Academia

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tem sido de constante aprendizagem e que já muitas coisas foram alteradas, algumas até na sequência de sugestões e pedidos dos formandos. Quanto aos custos de inscrição, garante que são valores perfeitamente ao alcance do cidadão normal e abaixo dos praticados noutros pontos do país. “Um workshop temático custa 39 euros, por quatro horas de formação. O curso de cozinha de cinco módulos fica por 145 euros, ou seja, 29 euros por sessão, não é isso que vai abalar o orçamento mensal das pessoas. Fornecemos toda a componente informativa e os receituários, damos certificados no final da formação e a pessoa só precisa trazer vontade de aprender e de passar uma boa tarde de convívio. Ao fim das cinco semanas, algumas até ficam com pena do curso acabar e acabam por se inscrever noutro”. Cursos que, até à data, têm sido ministrados por José Domingos, ele próprio um formador bastante experiente, ao invés de recorrer ao serviço de terceiros e a razão é muito


simples e fácil de entender. “Este negócio não é fácil, não é nenhuma galinha de ovos de ouro, os produtos estão caros e está a funcionar bem porque o espaço é nosso, não precisamos pagar uma renda mensal, e temos o apoio de algumas marcas. A componente administrativa, de marketing e de gestão do equipamento e das matérias-primas aqui da cozinha está a cargo da minha esposa e tenho a colaboração de alguns ex-alunos meus, que deram cartas na Escola de Hotelaria, e que fazem questão de vir aqui, não só para dar aulas, mas para também reciclarem a aprendizagem que têm tido ao longo dos anos”, enaltece o entrevistado. Situação diferente ocorre em certos workshops temáticos e para os quais José Domingos contrata formações específicos, dando o exemplo de um de cozinha mexicana e outro de peças artísticas em chocolate. Entretanto, o sucesso alcançado pela Academia de

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Cozinha do Algarve reflete-se em convites para dar workshops ou show-cookings para clientes externos, inclusive em empresas de grande retalho por ocasião do lançamento de novos produtos, como sucede com a Makro. “Uma vez por mês realizamos show-cookings alusivos a diferentes temas, desde a farinha de alfarroba à amêndoa ou laranja, sempre produtos regionais, e é uma maneira de fazer parar o cliente para ver o que está a acontecer, recolher informações e até comprar esses produtos”, indica José Domingos.

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Posto tudo isto, e indagado sobre o futuro, o mentor do projeto reconhece que já houve contatos para se criar filiais da academia noutros pontos da região, uma vez que muitos dos formandos chegam de zonas mais afastadas do barlavento e sotavento. O entrevistado, contudo, não se deslumbra pelo êxito obtido logo no primeiro ano de atividade e prefere ir com calma. “O futuro poderá passar por abrir mais espaços noutras cidades e não criar uma academia maior aqui em Faro, porque não somos concorrentes da Escola de Hotelaria. Queremos um máximo de 12 formandos por curso, porque pretendemos que se sintam bem, num ambiente agradável e informal. Podia pôr aqui 20 pessoas em cada curso que se tornava mais rentável, mas não é isso que desejo. Com esta forma de trabalhar temos tido famílias inteiras a frequentar cursos, porque toda a gente fica contente e uns aconselham aos outros e voltam a inscrever-se para workshops diferentes” .


ATUALIDADE

VII ENPAR realizou-se em Loulé

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ecorreu em Loulé, nos dias 26, 27 e 28 de maio, o VII Encontro de Partilhas de Práticas Educativas de Cidadania (ENPAR), organizado pela DireçãoGeral dos Estabelecimentos Escolares - Direção de Serviços da Região Algarve, em parceria com a Camara Municipal de Loulé e INUAF. A cidade de Loulé foi invadida por cerca de quatro mil visitantes, entre alunos, professores e funcionários, que representaram cerca de 150 projetos de várias escolas do Algarve, Alentejo e Timor. Foram três dias de exposições, demonstrações, momentos culturais, comunicações e encontros de animação, resultantes dos projetos, trabalhos e atividades desenvolvidas ao longo do ano letivo. O espirito de voluntariado e partilha foi uma constante deste encontro que se assumiu como um pleno exercício de uma cidadania consciente, democrática e partilhada: professores, educadores, formadores, alunos de todos os níveis de ensino e outros agentes educativos, lado a lado, mostrando o Ensino nas múltiplas perspetivas de quem o dá e de quem o recebe. Aproveitando também o facto de Loulé integrar a Rede de Cidades Educadoras, sob o tema «Uma

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Cidade Educadora é uma Cidade Integradora», através do Projeto Educativo Local/Loulé Cidade Educadora, este ano foi dado um especial ênfase ao ensino não formal através da participação de várias associações parceiras deste projeto, que aproveitaram o VII ENPAR para partilhar as suas iniciativas educativas, enriquecendo ainda mais esta edição realizada em Loulé. Apostando igualmente na promoção do contacto intergeracional como forma de valorização de todos os que participam no ENPAR, este encontro assumiu-se, mais uma vez, como um exercício de definição e desenvolvimento da comunidade escolar, fomentando uma educação globalizadora e integrante, que potencia a aquisição de valores como a interajuda, partilha, colaboração, igualdade de direitos e deveres, justiça, democracia, equidade, autonomia, respeito pela diferença e responsabilidade, procurando, pela troca de ideias com colegas e adultos, ajudar o aluno a aprender a aceitar pontos de vista distintos do seu e a adotar atitudes de cooperação e civismo na construção de um mundo melhor .


Sinalética universal dos ecopontos arrancou em Almancil

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om o objetivo de harmonizar as regras de reciclagem em todo o país e esclarecer de forma mais eficaz o consumidor, tornando o ato de separação mais simples e claro, arrancou na freguesia de Almancil, concelho de Loulé, a Sinalética Universal dos Ecopontos. Este projeto foi apresentado neste Dia Mundial do Ambiente, 5 de junho, no Jardim das Comunidades, pela ALGAR e pela Sociedade Ponto Verde, numa cerimónia que contou com a presença do vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Loulé, Pedro Oliveira. A Sinalética Universal é um projeto único a nível europeu que visa a harmonização da sinalética para os 308 municípios portugueses, e que resultou de um trabalho desenvolvido por uma equipa conjunta da EGF, EGSRA e Sociedade Ponto Verde, com a colaboração dos sistemas municipais de gestão de resíduos e as autarquias. Este projeto, agora concluído, coloca Portugal como um exemplo na implementação de uma sinalética comum, que será igual para todas as pessoas independentemente do município onde habitam ou da fonte de informação consultada. Ao longo dos próximos anos, esta nova sinalética será progressivamente implementada nos mais de 41 mil ecopontos espalhados pelo território nacional e nos diversos suportes de comunicação.

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Segundo os responsáveis da Sociedade Ponto Verde, este projeto contribuirá para mitigar as situações geradoras de um consumidor mal informado, dúvidas e erros na separação dos resíduos, contribuindo para que Portugal possa alcançar os seus compromissos em matéria de reciclagem. “Acreditamos que este trabalho vai ajudar a reduzir os erros e dúvidas e contribuir para o aumento da separação de resíduos por parte dos cidadãos e para a redução do refugo, materiais que são colocados indevidamente nos ecopontos gerando custos na sua segregação”, refere Luís Veiga Martins, diretor geral da Sociedade Ponto Verde. Por seu turno, o vereador da Câmara Municipal de Loulé congratulou-se com o facto deste projeto ter arrancado no Concelho, mais concretamente na freguesia de Almancil, e considerou que este é “o reconhecimento do trabalho que a Câmara está a encetar neste últimos tempos”. “Estas instituições como a Sociedade Ponto Verde ou a Algar escolheram o território de Loulé, nomeadamente Almancil, para lançarem esta campanha, o que para nós reveste-se não só de grande importância mas é também um desafio à Câmara Municipal”, disse Pedro Oliveira .


ANIMAÇÃO

Bafo de Baco e Casa da Cultura de Loulé dinamizam palcos secundários do Festival MED bastante conhecida no panorama internacional do género, tendo no seu curriculum diversas atuações em festivais importantes realizados na Europa (Hemsby, Calella, Walldorf Rockin’ Rollin’ Festival, Eggbilly Festival) ou a realização de tours por países como a Espanha, França, Alemanha ou Inglaterra. No arranque do MED, a 25 de junho, vão passar pela Bica os Keep Razors Sharp, com uma sonoridade entre o psicadelismo, o shoegaze e o pós-rock, We Bless This Mess, o projeto a solo de Nelson Graf Reis que é uma viagem entre ambientes Folk e Country, e Them Strange Sick Blues, acordes estridentes, onde o semelhança da edição de 2014, a blues é convidado a reencarnar e a converter organização do Festival MED convida este clássicos do rock, pop e outras esferas musicais ano o Bar Bafo de Baco e a Casa da Cultura que o tempo fez distanciar do estilo musical de Loulé para dinamizarem os dois palcos primordial. Na sexta-feira, 26 de junho, as secundários – Bica e Arco, respetivamente – com propostas do Bafo de Baco são Vítor Bacalhau, o um programa musical que levará a estes espaços talentoso cantor e guitarrista de 24 anos que é projetos nacionais. Por outro lado, a Igreja Matriz uma grande promessa do blues/rock nacional, Jean será palco de concertos de música clássica Paul Rena, um holandês entusiasta do blues, e The inseridos no MED Classic. Na Bica, nas propostas musicais para um espaço que contempla também uma área de restauração destacase a atuação dos Texabilly Rockets, que sobem ao palco no último dia do MED, 27 de junho. Trata-se de um dos mais importantes projetos nacionais na área do rockabilly e que tem a sua história muito ligada à própria história desta vertente musical no nosso país. A banda é atualmente

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um saudável misto das raízes folk do Alentejo, de onde é oriundo, e das referências urbanas mais modernas, Luís Galrito trabalhou já em vários projetos, não só com temas da sua autoria, como também de outros cantores portugueses, como Zeca Afonso ou Adriano Correia de Oliveira. O rock dos An X Tasy e o reggae do projeto Giggy são as proposta para a sexta-feira, 26 de junho. No encerramento deste palco programado pela Casa da Cultura de Loulé as propostas são as sonoridades Mirandas, uma banda de Faro de blues & da World Music dos Al Khimia e o hip-hop dos rock'n'roll. No sábado, para além dos Texabilly Rockets, sobem o palco vai ser invadido pelo blues Reflect. cheio de groove de Poli and The Chaing Gang e por Já no que diz respeito ao MED Classic, um espaço Boris Buggerov, banda que irá apresentar temas da dedicado à música clássica, a Igreja Matriz recebe extensa obra de Bob Dylan e música diariamente, às 19h30, o Ensemble MED (dia 25), o contemporânea de raiz americana e britânica. Ensemble de Flautas de Loulé & Ensemble de Alaúdes de Évora (dia 26) e o grupo Symbiosis (dia No arranque do Festival MED, o Arco recebe os Cloudleaf, banda de música alternativa de Loulé, e 27) . um dos destaques deste palco, o cantautor Luís Galrito. Com uma genuína vertente de trovador,

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ANIMAÇÃO

Carvoeiro vai vibrar com mais uma «Noite Black & White»

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a «Noite Black & White», a praça e ruas do centro do Carvoeiro, redesenhadas numa ambiência muito particular, com cinco cenários diferentes, irão assinalar o início do verão, numa organização da Câmara Municipal de Lagoa em parceria com a Ibérica Eventos & Espectáculos. Assim, no dia 20 de junho, das 20h30 às 3h, o programa da festa – em que o burlesco e o vintage serão os grandes protagonistas da noite, toda vestida de branco e preto – pretende transportar o público dos loucos anos 20 e 30 do século passado até uma mega pista de dança no areal da praia com os hits da dance music que fizeram furor entre 2000 e 2015. A noite começará com animação de rua a cargo da «The Messy Band». O primeiro grande espetáculo da noite, às 21h, será com a cantora argentina Mariel Martinez & La Porteña Tango, que irá interpretar tango canción dos anos 20 e 30 do século passado. Às 21h50, será a vez da Orquestra de Jazz do Algarve deliciar o público com a sua atuação, após o que será projetado, de forma contínua entre as 22h50 e as 3h, o filme a preto e branco, datado de 1927, «The Jazz Singer». Charlie Mysterio (um dos djs mais seletos da noite VIP de ALGARVE INFORMATIVO #12

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Madrid) brindará o público com temas de dança retro dos anos 20, 30, 40 e 50, das 22h às 23h30. Uma das grandes atrações da noite terá início às 22h50 – com música alegre, cómica, sedutora e uma estética inspirada na opulência estilizada da Arte Decó – com a cantora Jasmina Jolie & Cosmopolitan Cabaret, percorrendo a música dos cabarés da Europa e América e prestando homenagem a divas tão consagradas como: Marlene Dietrich e Célia Gámez ou a compositores tão relevantes como Kurt Weill ou Irving Berlin. A música continuará pelos anos 60, 70, 80 e 90, através do dj Alexandre Ramos que, a partir das 23h40, irá converter a Estrada do Farol numa improvisada pista de dança. Ao longo da noite haverá momentos de muito humor, sensualidade, excentricidade e glamour com o boylesque Senhor Sardinha (22h10), a bailarina Carolina Ramos (pole dance, pelas 22h40), a Fraulein Margret (23h30), a Lady Myosotis (23h50), e naturalmente, o mestre de cerimónias Gimba. A «Noite Black & White» terminará no areal da praia do Carvoeiro, a partir das 00h, com os mais relevantes temas da dance music (2000-2015) selecionados pelo dj Charlie Spot .


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ANIMAÇÃO

Mickael Salgado venceu 16ª edição do Concurso de Fado de Vila do Bispo pelo Hotel Residencial Salema e o quinto pela Fidelidade - Companhia de Seguros SA e Feel Safe – Mediação de Seguros Lda. O fadista Ricardo Ribeiro foi o artista que abrilhantou a noite com um reportório de fados conhecidos do público. Refira-se ainda que este ano o evento contou com a participação de João Leote e Ana Rato, vencedores da edição do ano passado na vertente juvenil e sénior, respetivamente. Também erca de 750 pessoas deslocaram-se ao a vencedora da vertente juvenil da presente Salão de Festas da Sociedade Recreativa edição, Luana Velasques (Lagoa), bem como, a de Barão de São Miguel para assistirem à Nádia Simões (Beja), a Daniela Helena (Beja) e a final da 16ª edição do Concurso de Fado Cerveja Zélia Viana (Aljezur) que se classificaram em 2.º, Sagres Concelho de Vila do Bispo, iniciativa que 3.º e 4.º lugares participaram nesta iniciativa. decorreu no passado dia 6 de junho. O fadista Também os participantes da vertente juvenil Mickael Salgado, de Montemor-o-Velho, foi o receberam prémios monetários. Assim, serão grande vencedor deste evento com a depositados cheques numa conta poupança dos interpretação dos fados «Guitarras de Lisboa» e vários concorrentes, onde a 1ª classificada recebe «Igreja de St.º Estevão». 250 euros, que são patrocinados pelo Santander O 2.º e 3.º lugar foi rematado por Mafalda Totta, a 2ª recebe 150 euros, que são Vasques (Beja), com os fados «Promete, jura» e patrocinados pela «Servidiesel, Lda», a terceira «Havemos de ir a Viana» e Luís Saturnino (Beja), recebe 100 euros, patrocinados pelo Hotel Mira com as interpretações «Meu Portugal meu amor» Sagres e a 4ª recebe 50 euros, que foram e «Roseira Botão de Gente», respetivamente. oferecidos pela Câmara de Vila do Bispo. Este ano Diana Soares (Corroios) com «Rosa Caída» e o júri foi composto por seis elementos: a «Cativeiro» conquistou o 4.º lugar, enquanto Ana vereadora da cultura da Câmara Municipal de Vila Ramos (Beja), com os fados «Preso na Alma» e do Bispo, Rute Silva, que foi a presidente e cinco «Confesso» classificou-se em 5.º lugar. convidados: Cristalina Batista, ligada às artes do espetáculo; Fátima Peres, locutora de rádio e Como prémio, o fadista Mickael Salgado levou jornalista; Pedro de Almeida, guitarrista e para casa um cheque no valor de mil euros, compositor da banda «Santos e Pecadores»; Tiago enquanto o segundo e terceiro classificados Oliveira, músico, compositor, produtor e fundador arrecadaram prémios no valor de 500 e 250 da banda «Polo Norte»; e Ricardo Boia, euros, respetivamente. O 4.º e 5.º classificado receberam 150 euros cada. O primeiro e segundo representante do Museu do Fado ligado à produção de eventos . prémio foi patrocinado pelo Martinhal Resort, o terceiro pela Caixa de Crédito Agrícola, o quarto

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