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ALGARVE INFORMATIVO 17 de junho, 2017

MARCHAS POPULARES DE QUARTEIRA NILTON ANIMOU LOULÉ| OS «ELEMENTOS» DA URBAN EXPRESSION 1 INFORMATIVO #112 OLHÃO FESTEJOU DIA DA CIDADE| «ELOS» DE REBECA P.ALGARVE MARTINS EM FARO


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CONTEÚDOS ARTIGOS 12 - Marchas Populares de Quarteira 24 - Urban Expression 36 - Nilton 44 - Dia da Cidade de Olhão 54 - Rebeca P. Martins 84 - Atualidade

OPINIÃO 66 - Paulo Cunha 68 - Paulo Bernardo 70 - Mirian Tavares 72 - Paulo Pires 74 - Antónia Correia 76 - Fábio Jesuíno 78 - António Manuel Ribeiro 80 - Adília César 12

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REPORTAGEM

MARCHAS POPULARES VOLTARAM A ENCHER O CALÇADÃO DE QUARTEIRA Texto: ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #112 #112

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eza a tradição que as celebrações dos Santos Populares no Concelho de Loulé tenham o seu momento alto no desfile das Marchas Populares de Quarteira e as expetativas foram novamente confirmadas, na noite de 12 de junho, com o Calçadão repleto de residentes e visitantes, uns portugueses, outros estrangeiros, desejosos de assistir às festas de Santo António. Foi na década de 90 que a dedicação dos quarteirenses às Marchas Populares aumentou gradualmente e, em 1995, a APROMAR – Associação Promotora das Marchas Populares assumiu a organização do evento, com o apoio da Câmara Municipal de Loulé e da Junta de Freguesia de Quarteira. O desfile depresse se tornou num espetáculo grandioso e bastante apreciado por milhares de turistas que se

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encontram de férias na região por esta altura do ano, por ser um cartaz etnográfico e uma importante manifestação da cultura popular desta antiga aldeia piscatória. As Marchas de Quarteira são fortemente marcadas pela dedicação e bairrismo de todos os participantes e distinguem-se dos demais eventos do género que se realizam pelo país fora por decorrerem por altura dos três Santos Populares e por reunirem pessoas de várias gerações. Em cena estiveram, na noite de 12 de junho, seis marchas em representação das artérias e bairros da cidade, designadamente a Fundação António Aleixo, Florinhas de Quarteira, Rua Vasco da Gama, Rua Gago Coutinho, Rua do Outeiro e Poeta Pardal. Como reconhecimento do trabalho que tem sido realizado ao longo 14


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dos anos por estas Marchas, sobretudo no aumento da qualidade das coreografias, da criação musical e da elaboração dos trajes, a Rua da Cabine participou este ano nas Marchas Populares de Lisboa, na noite de Santo António, a convite da entidade que organiza o desfile lisboeta. A primeira marcha a percorrer o Calçadão de Quarteira foi a da Fundação António Aleixo, que assinalou a diversidade cultural da cidade com o tema «Quarteira mostra-se ao Mundo», num um bailado multicultural de cores e ritmos que foi apresentado por crianças filhas de Quarteira e descendentes de outras nacionalidades. Bruno Guerreiro foi o Figurinista e o responsável pelos Arcos e Artes Plásticas. A confeção dos trajos esteve a cargo de Maria da Luz Ramos, Delfina Santana, Mizé e Cristina ALGARVE INFORMATIVO #112

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Madeira. Raquel Soares foi a madrinha e intérprete e Margarida Sousa foi a PortaBandeira. Já as mascotes foram Maria Leonor Pardal, Anita, Olesya e Vasco Lores. A letra e música forma da autoria de Sílvia Tomás, com orquestração de João Paulo Nunes. As ensaiadoras foram Regina Silva e Larisa Shumskaya, que também idealizou a coreografia. Seguiram-se no Calçadão as «Florinhas de Quarteira», nascidas há 31 anos pela mão da irmã Rosa Santos. O grupo é constituído por 51 florinhas dos dois aos 19 anos e trouxe o tema «As Nossas Oliveiras». A organização foi de Ana Maria Cavaco. Lara Santos é a madrinha e Diana Alegre a Porta-Bandeira. A canção foi interpretada por Catarina Pimentel e teve letra e música de Isidoro Correia, com arranjos musicais de Nuno Balbino. A coreografia é da responsabilidade de Lara Santos, sendo os trajos confecionados pelo Atelier Fati. ALGARVE INFORMATIVO #112

Palhó Madeira idealizou os Arcos, que depois foram construídos pela Câmara Municipal de Loulé. A terceira marcha da noite foi a da Rua Vasco da Gama, que este ano levou ao Calçadão de Quarteira um pouco da tradição de Portugal sob o tema «Gentes da Minha Terra». Organizada por Arcelina Rocha, com colaboração de Soraia Simões e Isa Inácio, teve figurinos elaborados por Arcelina Rocha e Soraia Simões, que também fez as artes aplicadas. As costureiras de serviço foram Arcelina Rocha, os arcos são de Palhó Madeira e Olívia e a ensaiadora e coreógrafa foi Soraia Simões. A letra e música são da autoria de Isidoro Correia, com arranjos musicais de Nuno Balbino e interpretação de Teresa Viola e Pedro Viola. Alexandra Rodrigues foi a PortaBandeira.

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A Rua Gago Coutinho trouxe ao Calçadão de Quarteira «As Noivas de Santo António», com organização de Berbardette Matos, Belinha Rilhó e Alexandre Afonso. Raquel Palma foi a Porta-Bandeira e os Padrinhos foram Xavier Anastácio e Tânia Martins. Os figurinistas são de Cláudia Matos e a criação e conceção dos trajos esteve a cargo de Felisbela Rilhó, Dona Pedrina e Olívia. Alexandre Afonso fez a letra e adaptação da música que também interpretou, com arranjos musicais e orquestração de Nuno Balbino. Cláudio Alegre foi o coreógrafo e ensaiador e os arcos foram construídos pela Câmara Municipal de Loulé. Da Rua do Outeiro veio a marcha «Lendas do Mar», com organização de Vítor Rafael, Lúcia Rafael e Filipe Gonçalves. Os figurinos são de Lúcia Rafael e Maria José Rafael e a confeção ALGARVE INFORMATIVO #112

dos trajes coube a Filomena Concepcion. Filipe Gonçalves e Lúcia Rafael tiveram a seu cargo a coreografia e os ensaios, enquanto a música e letra foram criados por Vítor Rafael, com arranjos musicais de Nuno Balbino, e interpretada por Lúcia Rafael. A Porta-Bandeira foi Susy Pires, Daniel Martins foi a Madrinha e os arcos foram construídos por Lúcia Rafael. A noite terminou com a Marcha Poeta Pardal, com o tema «Sobre a Terra e Sobre o Mar», numa ideia original de Delfina Santana e organização de Delfina Santana e Gabriela Santana. A música foi interpretada por César Matoso, com arranjos de Nuno Balbino e letra de Eduardo de Morais e César Matoso. Gabriela Santana assumiu a coreografia e Delfina Santana a confeção dos trajos e dos arcos. Cátia Viegas foi a PortaBandeira, Gabriela Santana a Madrinha e Delfina Santana realizou também as artes plásticas e outras aplicações . 20


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URBAN EXPRESSION LEVOU «ELEMENTOS» AO TEATRO DAS FIGURAS

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A Escola de Dança Urban Expression realizou, no dia 10 de junho, a sua gala de final de ano, um grandioso espetáculo que envolveu mais de 400 alunos e que representou os quatro elementos primordiais – terra, ar, água e fogo – numa combinação de movimento e música que deu origem a um quinto elemento: a Dança. Texto:

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Escola de Dança Urban Xpression nasceu, a 28 de junho de 2011, com o objetivo de difundir a cultura Hip-Hop, nomeadamente a dança, a expressão plástica e música, nas suas vertentes cultural e desportiva, junto das crianças, jovens, adultos e idosos. Para tal, reuniu-se uma equipa jovem formada em Educação Física / Desporto e na área da dança hip-hop, e uma direção que é presidida por Patrícia Galvão.

Com sede localizada na freguesia do Montenegro, concelho de Faro, a Urban Expression depressa ganhou asas e voou até Albufeira, São Brás de Alportel, Santa Bárbara de Nexe, Estoi, Loulé, Quarteira, Moncarapacho, Faro e Luz de Tavira, com mais de 400 alunos com idades compreendidas entre os 13 e os 50 e muitos anos. O produto final do trabalho realizado ao longo do ano deu origem a três galas no Teatro das Figuras, no fim-desemana de 10 e 11 de junho, divididas pelas categorias infantil, juvenil e adulto. “A maior parte dos alunos tem aulas duas vezes por semana, depois de terminarem a escola, mas há alguns grupos específicos e outros mais direcionados para a competição que ensaiam também aos fins-de-semana”, explica Patrícia Galvão, mais conhecida por «Tixa». ALGARVE INFORMATIVO #112

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A gala de junho, este ano com o tema «Elementos», é o principal momento anual da Urban Expression, mas é organizado outro espetáculo por altura do Natal, para dar a conhecer o trabalho efetuado de setembro a dezembro. “Não trabalhamos só a pensar nos espetáculos, mas sim para instruir os alunos na arte urbana, sobretudo na componente da dança. Mas estes momentos são aqueles em que eles brilham mais intensamente e estiveram todos muito bem”, destaca a dirigente, ainda a recuperar o fôlego depois de duas horas num frenesim total em cima do palco e nos bastidores. “Muitos jovens vão para as aulas porque acham o hip-hop engraçado, depois, o bichinho entra neles, começam a levar isto mais a sério e candidatam-se para entrar nos grupos de competição”, observa a professora.

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Como é natural num universo de mais de 400 alunos, há pais que se envolvem mais nesta atividade lúdica dos filhos do que outros, mas a grande maioria, garante Patrícia Galvão, acompanha com bastante interesse a paixão dos filhos e prova disso é que as galas do Teatro das Figuras tiveram lotação praticamente esgotada. “Isso nota-se ainda mais nos pais dos alunos que participam nas competições, porque são muitas horas de ensaio ao longo da semana e é preciso acompanhar os jovens nas provas. Exige uma grande presença e dedicação”, enaltece a entrevistada. Preparação para competições que é feita diariamente na sede do Montenegro, mas também nos polos espalhados pela região, que surgem de parcerias com as câmaras municipais, juntas de freguesia ou coletividades, nomeadamente para a cedência dos espaços. “Nada era possível sem a mensalidades paga pelos pais dos alunos, pois os custos mensais são bastante elevados, ALGARVE INFORMATIVO #112

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mas recebemos alguns apoios do poder local, porque também damos algo em troca à comunidade”, refere. Quanto ao futuro destes jovens bailarinos, Patrícia Galvão conta que os mais dedicados, aqueles que realmente querem fazer carreira na dança, desbravam caminho e tentam a sua sorte noutros pontos do país, uma vez que as oportunidades de trabalho no Algarve são reduzidas. “Esses têm que abrir asas e voar para Lisboa, Porto ou para o estrangeiro. Outros chegam aos 18 anos, colocam os estudos em primeiro lugar e vão para a universidade. Alguns são excelentes bailarinos, mas temos que respeitar as suas decisões”, afirma «Tixa», acrescentando que, apesar das aulas da Urban Expression encerrarem durante o Verão, a equipa de formadores não vai de férias. “Apostamos forte na nossa formação nos meses de julho e agosto porque é a altura do ano em que temos mais tempo livre. Os espetáculos têm melhorado de ano para ano e queremos que os nossos alunos levem isto a sério mas, acima de tudo, que se divirtam a dançar” . ALGARVE INFORMATIVO #112

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ENTREVISTA

NILTON

proporcionou uma matiné repleta de gargalhadas no

Cine-Teatro Louletano Há quase um mês que o Cine-Teatro Louletano estava esgotado para assistir ao regresso de Nilton a terras algarvias e o humorista não defraudou as expetativas, levando ao delírio todos os presentes. O fazedor de conteúdos bem-dispostos continua a ser um dos mais reconhecidos comediantes da atualidade, seja através dos programas de televisão ou de rádio a que dá rosto e voz, dos livros que escreve ou dos múltiplos espetáculos que realiza de norte a sul do país, e confirmou mais uma vez esse estatuto no dia 11 de junho, em Loulé. Texto: ALGARVE INFORMATIVO #112

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Nilton é daqueles humoristas a cujos espetáculos não convém chegar atrasado, por causa das piadas que se perde e porque esses «infelizes» espetadores de imediato se tornam alvo da sátira deste beirão que durante muitos anos foi DJ na Praia da Rocha, antes do fenómeno da stand-up comedy se ter instalado em Portugal. Por isso, não esconde o carinho especial que sente pelo Algarve e pelas suas gentes, do mesmo modo que não perde uma pitada do que se passa ao seu redor, no quotidiano, ideias para material novo que, de imediato, são memorizadas no telemóvel e, à noite, ganham mais consistência no papel. Assim aconteceu, por exemplo, com os participantes do Campeonato Nacional de BTT - Maratonas que se realizou em Loulé, no dia 11 de junho, estando a meta instalada em frente à Câmara Municipal de Loulé, a poucos metros do Cine-Teatro Louletano, onde Nilton ia atuar nessa tarde. “Se não olharmos para as bicicletas, aquilo é um monte de homens de calção justo de licra a andar na rua e todos bastante abonados. Parece um casting para filmes porno”, compara, com um sorriso, numa conversa antes do início de mais um espetáculo com as suas dissertações do dia-a-dia. “São coisas que vejo e que fico a pensar nelas, mas também inclui alguns apontamentos do «Alcides», uma personagem que já testei este ano no Festival Sol Rir, em Albufeira. Mas é um conceito em que fico muito preso a um texto e eu gosto imenso de falar com a plateia, de interagir com as pessoas”, refere.

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Na noite anterior, Nilton tinha atuado no Casino da Póvoa do Varzim, no extremo oposto do país, para um público diferente daquele que teria pela frente em Loulé, o que faz com que os espetáculos vão fluindo ao sabor das conversas que mantém com as pessoas. Por isso, nunca se sabe muito bem o que se vai encontrar. “É um espetáculo com uma orgânica viva, em constante mutação, e é isso que me dá mais gozo. 38


Não sou grande fã da peça de teatro fechada, em que dizemos o texto que trouxemos escrito de casa e está feito. Gosto de trazer a plateia para o palco”, afirma, embora considere que deixou de haver grandes diferenças entre os públicos que assistem aos espetáculos consoante o local onde eles têm lugar. “Quem vai ver stand-up comedy, por exemplo, a um casino, não é necessariamente o cliente típico do casino. Vão as pessoas que gostam do teu trabalho e que, à partida, 39

estão mais recetivos às tuas piadas. O humor é uma frequência e o público já sabe que o Nilton está virado para aquela onda”. Nilton avisa, contudo, que o reconhecimento público apenas leva as pessoas às salas de espetáculo, depois disso, nada está garantido. “Temos que ter piada na mesma e trabalhar imenso para que isso aconteça, caso contrário, o reconhecimento público, o estatuto, ALGARVE INFORMATIVO #112


desaparecem num instante. Isto é um pouco como nos meus tempos de DJ em que precisava manter a pista cheia e, para isso, tinha que escolher músicas que as pessoas gostassem de dançar. Se vejo que um tema não está a ter aceitação do público, que não estão a gostar, passo à frente”, indica, enquanto aproveitava para lanchar após algumas centenas de quilómetros de viagem. Claro que esta mudança de direção, esta versatilidade, só são possíveis quando se tem repertório e experiência suficientes para tal. Aliás, enquanto as pessoas que vão a um concerto de música, querem sempre ouvir os temas mais conhecidos de um artista ou banda, os sucessos de toda uma carreira, quem vai ver um espetáculo de stand-up comedy está à espera de material novo e não das piadas do costume. “Eu, realmente, escolhi a profissão errada. Na comédia, é uma obrigatoriedade ter sempre textos originais e eu passo os dias a escrever sobre tudo e mais alguma coisa. Ainda ontem deixei um lembrete no telemóvel sobre o uso que os portugueses dão às tshirts. Dão-nos uma t-shirt duma maratona qualquer em que nem sequer participamos e ela vai servir para tudo, para usarmos 10 vezes na rua, depois para dormirmos e, em último caso, para encerarmos o carro. Somos os maiores utilizadores e recicladores de t-shirts do mundo”, comenta Nilton.

SÓ ESTÁ NO TOPO QUEM QUER TRABALHAR Esta necessidade de escrever diariamente é ainda mais forte por causa do programa

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de rádio que tem na RFM, portanto, qualquer pormenor, por mais corriqueiro ou insignificante que possa parecer ao comum cidadão, pode dar origem a um texto humorístico. “Temos que desenvolver um «olhar de comediante» e estar com esse chip sempre ligado, porque a rádio é uma máquina trituradora que, amanhã, precisa de um texto novo”, salienta Nilton, não criticando os humoristas que não escrevem o seu próprio material. “O 40


princípio da stand-up comedy é seres tu a criares os teus textos, porque é a tua visão, a tua maneira de ver as coisas, mas não há nenhuma lei que obrigue a isso. Eu sou um fazedor de humor que tem que se adaptar a todos os cenários que encontro e isso é mais fácil quando o material é da minha própria autoria. Num destes dias participei, de manhã, na convenção nacional de uma empresa de vidros para carros, em Coimbra. À tarde, atuei para uma marca numa ilha no Alqueva, a meio 41

do lanche. Com esta rotina, a capacidade de me adaptar é fundamental”, sublinha o entrevistado. Espetáculos que, no caso específico do ramo empresarial, são feitos à medida do cliente e, inclusive, das pessoas que vão estar na assistência. “São dias inteiros a ler as biografias dos trabalhadores, a preparar piadas para essa gente toda, e isso, depois, toca a plateia de uma maneira completamente ALGARVE INFORMATIVO #112


diferente”, assegura Nilton, confessando que, no meio disto tudo, sobra pouquíssimo tempo para dormir. “Quando acabar o espetáculo de Loulé volto logo para Lisboa porque ainda tenho que escrever o material para o programa da rádio. Amanhã vou logo cedo aos estúdios gravar e, às 10h, tenho que estar no aeroporto para seguir para Los Angeles. Mesmo nos Estados Unidos vou estar a escrever conteúdos e a fazer os momentos em direto. É uma loucura, 10 mil quilómetros por mês, mas é a vida que escolhi”. Tempo não pode faltar, contudo, para a vida pessoal, nomeadamente para ir buscar o filho à escola, às 17h, e depois estar com a família até às 22h/23h. “A essa hora vou para o computador escrever e, às cinco da manhã, toca o despertador. ALGARVE INFORMATIVO #112

Durmo três ou quatro horas por dia e sei que devia ter mais cuidado com a saúde, a alimentação e a forma física, mas nem por isso”, admite, com um encolher de ombros. “A separação das águas, em qualquer profissão, faz-se pelo trabalho de cada um. Com talento há muitos. Com vontade e capacidade para trabalhar há poucos e são esses que continuam a ter sucesso”, avisa Nilton, revelando ainda que está a preparar um novo projeto para televisão, mas sem data concreta para começar. “Parei de fazer o «5 para a meia-noite» há poucos meses, depois de sete anos no ar, e agora quero fazer uma pausa”, justifica. E mais tempo não havia para conversar, porque o público já ia entrando no Cine-Teatro Louletano e o artista tinha que se preparar .

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REPORTAGEM

OLHÃO FESTEJOU O SEU DIA DA CIDADE A inauguração do Memorial aos Combatentes da Primeira Grande Guerra e do requalificado Parque Desportivo e de Lazer dos Pinheiros de Marim, a apresentação do Projeto de Desenvolvimento do Porto de Abrigo de Olhão e assinatura do respetivo contrato de concessão e exposições marcaram os festejos do Dia da Cidade, numa data em que António Miguel Pina aproveitou para fazer o balanço de quase quatro anos à frente da Câmara Municipal de Olhão. Texto:

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lhão assinalou, a 16 de junho, o seu Dia da Cidade e o programa comemorativo começou, pelas 9h30, com a cerimónia do hastear das bandeiras nos Paços do Concelho. Logo depois, em frente à Igreja Matriz, foram homenageados os Heróis da Restauração de 1808, após o que a comitiva seguiu para a inauguração, na Avenida da República, da exposição «Olhão com história». Às 10h30 foi inaugurado o Memorial aos Combatentes da Primeira Grande Guerra, no Jardim João Serra, em frente ao Tribunal de Olhão. “É nossa obrigação guardar memória de quem já não está entre nós, e daqueles que ainda estão connosco, daqueles homens a quem o poder político um dia lhes disse ‘toma uma arma e vai combater’. É por isso que, nos últimos quatro anos, o Município de Olhão traçou um plano, em conjunto com

a Liga dos Combatentes, para, a pouco e pouco, ir colocando na cidade alguns monumentos para reconhecer esses homens que, no passado serviram a Pátria”, afirmou António Miguel Pina. Exemplo disso foi a inauguração, no passado recente, de um monumento memorial aos combatentes nas Províncias Ultramarinas e do Ossário no Cemitério de Quelfes, mais dois ícones que revelam a proximidade existente entre o poder político e os representantes dos combatentes nestes diferentes palcos de guerra. E, em dia de festa, o presidente da Câmara Municipal de Olhão aproveitou para dar a notícia de que a autarquia vai adquirir um espaço para acolher a nova sede do Núcleo de Olhão da Liga dos Combatentes. “Vivemos numa sociedade muito volátil, do

António Miguel Pina com Ana Paula Vitorino na cerimónia do hastear das bandeiras nos Paços do Concelho 45

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Inauguração do Memorial aos Combatentes da 1.ª Grande Guerra

instantâneo, do clicar constantemente no Facebook, em que a notícia de hoje amanhã já foi esquecida. Mas é importante que as atuais e as futuras gerações tenham memória daqueles que combateram pela Pátria e das instituições fundamentais do nosso país, sendo os Militares um dos garantes da nossa democracia”, concluiu António Miguel Pina, agradecendo a presença da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, nas comemorações. As comemorações do Dia da Cidade prosseguiram com a inauguração das obras de requalificação do Parque Desportivo e de Lazer dos Pinheiros de Marim. O rumo seguinte foi o Real Marina Hotel & Spa onde foi apresentado o Projeto de Desenvolvimento do Porto de Abrigo de Olhão e se procedeu à assinatura do contrato de concessão da requalificação, modernização e exploração, em regime de ALGARVE INFORMATIVO #112

serviço público, entre a Docapesca e a empresa Verbos dos Cais, S.A., pelo período de 35 anos. A empreitada implicará um investimento previsto de 3,35 milhões de euros e a atual capacidade do porto de 299 lugares será ampliada para os 340, com a instalação de novos postos de amarração para embarcações ou reconfiguração da tipologia hoje existente. Posteriormente, serão atingidos os 500 postos de amarração com a instalação de mais três a cinco passadiços na Zona Nascente, junto ao atual setor da pesca artesanal, e dragagem de fundos em toda a área de concessão. A área adjacente à doca, para Poente, de acesso ao plano de água e rampa varadouro, será afeta à construção de edifícios para serviços administrativos e de apoio náutico, oficinas, restauração e comércio. Serão disponibilizados os 46


serviços básicos como: receção e despedida de embarcações; sistemas de elevação e transporte de embarcações; fornecimento de combustíveis; vigilância; dragagens de manutenção; sinalização marítima e instalação de rádio; redes de abastecimento de águas potáveis e residuais e de energia elétrica e de combate a incêndios; serviços de limpeza e recolha de resíduos e de primeiros socorros; estacionamento automóvel; e instalações sanitárias públicas. O contrato de concessão assinado, na presença da Ministra do Mar, resulta de um concurso público que começou a ser preparado em julho de 2016, em estreita cooperação com a Câmara Municipal de Olhão, e valorizou os serviços complementares e as medidas de sustentabilidade ambiental que garantam aos utilizadores o acesso às melhores práticas existentes nos portos de recreio europeus de referência.

UM PROJETO FUNDAMENTAL DE REQUALIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO Recorde-se que data de maio de 2000 a celebração do contrato de empreitada para a construção do Porto de Recreio de Olhão, cuja exploração se iniciou, em 2004, pelo IPTM – Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos. Dois anos depois, assinou-se um protocolo de colaboração entre o IPTM e a Autarquia de Olhão, onde ficaram estabelecidas as condições de cooperação relativamente à zona terrestre envolvente e, em 2009, foi lançado o concurso público para a sua concessão de exploração. Em 2014, um decreto-lei transferiu as funções de autoridade portuária nos portos de pesca e nas marinas de recreio do IPTM para a Docapesca – Portos e Lotas, S.A. e, em 47

setembro de 2016, foi possível a abertura de novo concurso público para a exploração do Porto de Recreio de Olhão, cuja adjudicação foi feita à concorrente «Verbos do Cais Unipessoal, Lda». O projeto era um sonho antigo dos olhanenses, mas esteve parado no tempo durante cerca de oito anos, dando agora passos firmes para a sua realização e a Ministro do Mar prontamente elogiou o dinamismo e capacidade de concretização do atual edil olhanense. “Está de parabéns porque sabe o que quer para a sua cidade e concelho e, principalmente, sabe como fazer as coisas acontecerem. Havia, infelizmente, uma série de casos que estavam pendentes e que eram a vergonha da nação por serem adiados sistematicamente, e este era um deles”, referiu Ana Paula Vitorino. “Não se percebe como é que algo que está planeado e lançado desde 2009 ainda não está concluído em 2016 e a florescer? São questões extremamente importantes para o desenvolvimento dos municípios, das regiões e do país”, reforçou a governante. Ana Paula Vitorino lembrou que a náutica de recreio é uma das atividades mais expressivas da economia do Algarve e que o turismo não vive exclusivamente de praias e unidades hoteleiras. A Ministra do Mar admitiu, porém, que a Docapesca não tem vocação para fazer a gestão das várias marinas existentes no território nacional, daí a necessidade da iniciativa privada trazer o seu know-now para a matéria. “O que temos aqui é um ALGARVE INFORMATIVO #112


A Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino

encontro feliz entre a perspetiva estratégica do Município de Olhão sobre a área do Mar, a competência de quem soube concretizar o projeto e o interesse do setor privado em gerir este equipamento”, destacou, acrescentando estarmos na presença de um projeto essencial para a requalificação do território, nomeadamente da frente ribeirinha. “Estamos a induzir usos e comportamentos diferentes daqueles que temos atualmente, mais amigos do ambiente, mais sustentáveis. Independentemente de alguns líderes mundiais pensarem que as alterações climáticas são uma ficção, sabemos bem que isso não é verdade e que a principal ação que temos que promover, enquanto cidadãos, é a alteração de comportamentos”, defendeu. Para Ana Paula Vitorino, se um espaço estiver requalificado, limpo e bonito, os ALGARVE INFORMATIVO #112

cidadãos têm tendência para o preservar e amar como seu. “O conceito de «Green Port» não pode ficar circunscrito aos grandes portos, a Portimão, Sines ou Setúbal, mas deve ser estendido a todas as instalações portuárias. Temos que evoluir para a preservação e ordenamento do território, para o aumento da sua qualidade ambiental, mas também para o conceito «Green Port» que está salvaguardado neste contrato de concessão”, frisou a Ministra do Mar, avisando ainda que a preservação das atividades tradicionais será sempre uma prioridade para si. “A pesca é a atividade principal do nosso mar. Não é a única, e ninguém pretende que assim seja, mas, pela sua dureza, pela sua ancestralidade, pelo significado que tem para as comunidades ribeirinhas e piscatórias, tem que ser mantida e, porventura, mais protegida do que as 48


outras atividades económicas. A pesca vem em primeiro lugar no meu coração”.

HONRAR O PASSADO, PERSPETIVAR O FUTURO Terminado este ato, houve lugar à Sessão Solene comemorativa do Dia da Cidade, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, com António Miguel Pina a recordar o dia em que os olhanenses, há 209 anos, num movimento espontâneo e genuíno, iniciaram a revolta contra os abusos dos invasores franceses. “Hoje é um dia de reconhecimento aos 17 homens que embarcaram no «Caíque Bom Sucesso» rumo ao Brasil, com a missão de levar a boa nova de que havíamos conseguido expulsar os franceses. Em 1847, foi determinada a constituição do concelho de Olhão com as cinco freguesias que sempre conhecemos. Na reorganização da Administração Local levada a cabo pelo anterior governo passámos a ter somente quatro, depois da unificação das freguesias de Moncarapacho e Fuzeta, com a qual nunca concordámos e essa luta não está esquecida”, frisou o edil. Em jeito de balanço dos quatro anos à frente da Câmara Municipal de Olhão, António Miguel Pina lembrou que o endividamento da autarquia e das empresas municipais baixou, nestes três anos, em mais de 13 milhões de euros. “Reduzimos a estrutura, reorganizamos os serviços, efetuámos cortes na despesa, nomeadamente nos eventos que produzíamos. Passámos a apoiar empresas e associações do concelho na produção de cultura local e, consequentemente, a perspetivar o futuro na criação de novos públicos”, apontou, 49

esclarecendo que esta gestão de gastos controlada não resultou em menores apoios à educação, desporto ou ação social. “Sempre entendemos serem esses os três pilares de uma sociedade justa e com os olhos postos no futuro”, justificou. António Miguel Pina indicou que, nas últimas quatro décadas, Olhão se transformou numa cidade única. “Deixámos de ter vergonha da nossa frente ribeirinha, no passado um estaleiro a céu aberto; deixámos de sentir o mau cheiro da Safol; criámos infraestruturas que em nada nos envergonham quando comparados com qualquer outra cidade de Portugal”, apontou, enumerando as Piscinas, o Pavilhão e o Estádio Municipais, a Biblioteca, o Auditório, a Casa da Juventude, vários Parques Infantis e um Porto de Recreio, a par dos emblemáticos Mercados, do Porto de Pesca e de duas zonas industriais. “Aumentámos e melhorámos a rede viária e as condições do nosso parque escolar e temos saneamento básico e abastecimento de água em mais de 90 por cento do Concelho. Somos um dos concelhos que mais investiu na Habitação Social, com cerca de 800 fogos, bem como nos apoios concedidos a quem mais necessita”, afirmou o autarca. Sobre a Ria Formosa, uma das Sétima Maravilhas Naturais de Portugal, foi alcançada uma redução efetiva das descargas ilegais em mais de 40 por cento, num processo de eliminação dos focos que se tornou mais lento, mas cuja proveniência está identificada. “Temos ALGARVE INFORMATIVO #112


Teresa Aragão e Maria Leonor Jara, da «Verbos do Cais», e Teresa Coelho e Sérgio Faias, da Docapesca

que preservar este maravilhoso e único espaço natural onde muitos olhanenses têm o seu ganha-pão. Queremos criar uma zona de referência onde quem nos visita encontre um espaço singular e que lhes proporcione experiencias irrepetíveis”, disse António Miguel Pina, antes de avançar com mais algumas das vitórias destes três anos e seis meses de governança. Entre elas, o edil destacou a redução do IMI em cerca de 20 por cento; a atribuição, no anterior ano letivo, dos livros e manuais escolares a todos os alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico, medida que vai ser alargada, este ano, para todo o ensino escolar obrigatório; o aumento dos apoios na Educação e na Ação Social Escolar em cerca de 30 por cento; a concessão de bolsas de estudo para estudantes do Ensino Superior. “Na saúde, consolidámos o «Projeto Cuidar», com mais de seis mil e mais de 200 operações às cataratas. No Desporto, aumentámos o valor dos contratosALGARVE INFORMATIVO #112

programa em cerca de 20 por cento, num total de 330 mil euros. Colocámos nova Relva Sintética no Estádio Municipal e criámos mais um campo de futebol com a colocação da relva sintética no Estádio do Lusitano Clube Moncarapachense”, recordou.

INOVAR SEM PERDER A ALMA OLHANENSE De acordo com António Miguel Pina, diversas obras implicaram um investimento de cerca de um milhão e 600 mil euros, inaugurou-se o novo Arquivo Municipal, recuperaram-se parques infantis e efetuaram-se pavimentações e melhoramentos nas estradas do concelho. “Decidimos investir cerca de um milhão de euros em pavimentações todos os anos, começámos em Quelfes, Moncarapacho e Fuzeta, segue-se Olhão e Pechão”,

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anunciou, falando ainda da luta para que a frente ribeirinha passasse a ser gerida pela autarquia. “Foi concluído o processo de atribuição a privados da gestão do espaço do Porto de Recreio/Marina e foi assinado há pouco, entre a Docapesca e a empresa ganhadora do concurso, o documento oficial que permitirá dar início às obras de requalificação e ampliação daquele espaço”. O presidente da Câmara Municipal de Olhão não esqueceu quem critica este executivo de estar a transformar Olhão numa cidade descaracterizada e que aposta num turismo massificado, aumentando a carga e diminuindo a satisfação da população. “Ainda há poucos anos, os nossos bairros históricos estavam votados ao abandono, com casas devolutas e uma população residente cada vez mais envelhecida. Não havia investimento no imobiliário. Hoje, fruto

de um trabalho que temos vindo a desenvolver há vários anos, conseguimos colocar Olhão na rota do Turismo e, cada dia que passa, maior é o número de turistas que nos visitam e que, por gostarem da cidade e dos Olhanenses, regressam para novas férias ou adquirem casas para segunda habitação”, notou o edil. “É visível o número crescente de habitações reabilitadas, os negócios que abrem diariamente em Olhão e que promovem a economia e a empregabilidade, sem, contudo, descaracterizar a nossa cidade. Assim se combate a sazonalidade, porque não somos um concelho meramente de Sol e Praia”. Considerando que o tempo da construção de infraestruturas já passou, António Miguel Pina entende que, hoje, a função de um autarca é gerir uma cidade com isenção, critério e

A Vereadora Gracinda Rendeiro, o Secretário de Estado das Pescas, José Apolinário, o Presidente da Câmara Municipal de Olhão, António Miguel Pina, a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, o presidente da Assembleia Municipal de Olhão, Daniel Santana e o Vereador da Câmara Municipal Carlos Martins 51

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Na inauguração da obra de requalificação do Parque Desportivo e de Lazer dos Pinheiros de Marim

transparência, nomeadamente: efetuar obras de melhoramento nas infraestruturas existentes, manter o espaço público limpo, criar riqueza e empregabilidade no concelho através de apoios aos empresários e empreendedores, “tornando mais ágil a máquina administrativa da Câmara, desburocratizando, bem como acelerando os processos de decisão”. “É nossa prioridade e obrigação investir nos jovens, com particular atenção no sector da educação, pois acreditamos que é a partir dos bancos da escola que se promove a igualdade de oportunidades, que se formam públicos, que se cria massa critica. Mas é fundamental nunca nos esquecermos de olhar para os mais idosos, porque também eles já contribuíram para sociedade, se bem que numa época diferente da que vivemos”, prosseguiu o autarca no seu discurso.

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Contudo, o grande desafio é corrigir algumas fragilidades estruturais que persistem no concelho. “Há que criar condições para que Olhão se torne ainda mais atrativo para que exista investimento, seja na Indústria, no Comércio, na Agricultura, na Pesca ou no Turismo. Só assim se cria riqueza e se poderá melhorar as condições de vida dos Olhanenses”, idealiza, adiantando a intenção de realizar, nos próximos anos, investimentos de mais de 15 milhões de euros, através de capitais próprios e de fundos comunitários. “Vamos encontrar o que nos diferencia dos demais destinos turístico do Algarve, de Portugal e do Mundo. Ser diferente e apostar num turismo de qualidade é a nossa intenção e o nosso propósito neste setor” . 52


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ENTREVISTA

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DEPOIS DE LOULÉ E PORTIMÃO, «ELOS» DE REBECA P. MARTINS CHEGA A FARO Está patente, até 4 de julho, na sede da Direção Regional do Algarve do Instituto Português do Desporto e Juventude, a exposição de fotografia «ELOS», de Rebeca P. Martins. A impressionante mostra de paisagens, rostos e cenas do quotidiano resulta das viagens da jovem por vários países do continente asiático, mas muito mais material está guardado, à espera de novas exposições temáticas ou, quiçá, de um livro, porque a escrita é outra paixão desta licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais. Texto:

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Fotografia:

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Galeria de Exposições da Direção Regional do Algarve do IPDJ, em Faro, recebe, até 4 de julho, «ELOS» de Rebeca P. Martins, uma recolha de fotografias das viagens pelos quatro cantos do mundo desta açoriana de 28 anos, com raízes beirãs, mas com grande parte da sua vida passada no Algarve. Fotos que não são as habituais paisagens dos típicos postais turísticos, mas sensações que decorrem do encontro com o desconhecido, da transversalidade cultural do belo.

sempre com um cuidado especial, nada de apontar e disparar, apesar de não ter formação específica na matéria. “Não gosto de tornar demasiado técnico aquilo que faço como hobby, embora tenha perfeita consciência de que essa opção me impede de ir mais longe na fotografia. Não excluo a hipótese de tirar um curso, aliás, talvez até já o devesse ter feito, mas ainda não se proporcionou”, explica, minutos antes da inauguração da exposição no IPDJ de Faro.

Com formação académica na área da Ciência Política e Relações Internacionais, desde os 13, 14 anos que acompanha os pais nas viagens que estes fazem por países mais exóticos e o interesse pela fotografia surgiu pouco tempo depois. Foi na Índia e no Nepal que tirou as primeiras fotos mais a sério, já na fase digital, mas

Conforme referido, não são as tradicionais paisagens que mais chamam a atenção de Rebeca P. Martins, prefere as cenas do quotidiano, as pessoas, os rostos, e daí surgiu o nome «ELOS» para a mostra. “Cria-se uma ligação diferente e difícil de explicar com os povos, um sentimento um pouco utópico e

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transcendente. Em 2015, quando o terramoto do Nepal destruiu imensas coisas que eu tinha visitado – e é o meu país preferido – até me vieram as lágrimas aos olhos. Pensei nas pessoas que fotografei, em todo aquele património que ficou parcialmente destruído”, conta. “É através das pessoas que conseguimos compreender o quão diferentes somos das outras culturas mas, ao mesmo tempo, tudo aquilo que temos em comum”. O problema é que, depois de visitar 21 países de quatro continentes, já não é fácil algo captar-lhe realmente a atenção, confessa. “Às vezes dou por mim a pensar se estarei a visitar países menos interessantes, ou se as viagens já se tornaram banais. Procuro sempre o diferente e é natural que algumas coisas vão perdendo o seu fascínio com o ALGARVE INFORMATIVO #112

decorrer do tempo, como acontece com os templos budistas ou hindus. É óbvio que não os deixo de apreciar, mas diminuiu aquela vontade de os fotografar”, refere, algo que sentiu, em 2016, quando visitou a Índia pela terceira vez. Outro desafio que se coloca aos fotógrafos, sejam profissionais ou simplesmente apaixonados por esta arte, é que o mundo se tornou, de facto, numa aldeia global cada vez mais pequena e, com o advento das redes sociais, todos os dias somos inundados por fotos de paisagens que, há algumas décadas, só estávamos habituados a ver na televisão ou em revistas de viagens. “O que me capta o olhar é o enquadramento, o momento, a sensação que a cena me transmite. Agora, os pormenores de iluminação, 58


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Rebeca Martins com Custódio Moreno, Diretor Regional do Algarve do Instituto Português do Desporto e da Juventude, aquando da inauguração da exposição, em Faro

tempos de captura e afins, já me ultrapassam um pouco. O digital veio facilitar todo este processo, mas também parece que as pessoas não se divertem enquanto não partilharem o que estão a fazer na internet”, comenta Rebeca P. Martins. O objetivo da entrevistada nunca foi, porém, o de «despejar» fotos nas redes sociais para mostrar que esteve neste ou naquele país, mas sim «tocar» as pessoas com as imagens que registou na Ásia. E em locais onde pensamos, de imediato, nas questões de segurança, mas Rebeca continua a acompanhar os pais nestas viagens, esclarece. “Não vamos incluídos nos tours tradicionais, temos um condutor próprio que nos leva aos sítios que realmente queremos conhecer. ALGARVE INFORMATIVO #112

Curiosamente, a única vez que um de nós foi assaltado foi em Paris, e a única vez que perdi uma mala foi numa deslocação para Viena. Vejo muitas pessoas a viajarem sozinhas, mulheres inclusive, portanto, tudo depende de onde é que andamos, das horas e da companhia, de quem está à nossa espera”.

VERDADEIROS BAÚS DE MEMÓRIA A insegurança não tem sido, felizmente, uma companheira de viagem de Rebeca P. Martins, mas há mais questões a ter em conta quando se ruma a outros continentes, nomeadamente as diferenças culturais, o que depois pode 60


influenciar a interação com as pessoas a que tira fotografias. “Em Marrocos, por exemplo, tem que ser à socapa, eles não gostam. Normalmente pergunto se posso tirar a foto, porque deve ser um bocado 61

chato estarmos no nosso dia-a-dia e sentirmos alguém a invadir-nos a nossa privacidade. Noutras situações, quero apanhar as pessoas distraídas, para não perderem a autenticidade”, explica, ALGARVE INFORMATIVO #112


acrescentando que estes povos também estão cada vez mais habituados aos turistas e à sua vontade de tirar fotografias às paisagens e a tudo o que se mexa. Entretanto, da máquina fotográfica para o computador é uma coisa, para as paredes de uma galeria de arte é outra bem diferente, mas «ELOS» até nem foi muito difícil de conceber, por incluir imagens de viagens a diferentes países. “São fotos que me tocaram particularmente, em todas elas lembroALGARVE INFORMATIVO #112

me perfeitamente do momento em que as registei. Sempre que olho para alguma sou transportada automaticamente, na minha memória, para aqueles lugares. Na exposição, pensei naquilo que os outros poderiam achar interessante de ver, mostrar as pessoas no seu habitat natural, no seu dia-a-dia, situações diferentes das que encontramos em Portugal ou na Europa”, descreve, revelando ainda que «ELOS» surgiu de um desafio lançado pela Casa da Cultura de Loulé. 62


A acompanhar cada foto está um verso, porque a poesia é outra paixão de Rebeca P. Martins, de modo que perdeu muitas horas a pesquisar o trabalho dos seus autores preferidos para colocar versos, descontextualizados, que ajudassem a identificar as imagens. Duas paixões que podem abrir portas para um livro de fotografias de viagem, reconhece, embora a prioridade seja, para já, continuar esta digressão do «ELOS». “Foi um grande investimento da Casa da Cultura de Loulé, 63

com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, e a exposição já esteve em Loulé e Portimão. O mais interessante para mim é conceber mostras temáticas e, no futuro, poderei fazer alguma sobre crianças, pessoas idosas ou animais”, antevê. “O livro, não seria propriamente um diário de viagem, mas seria o desenvolver mais o momento, a situação e o pensamento inerentes a cada foto, através das palavras. Se a oportunidade surgir, agarro logo, como tenho feito em tudo na minha vida” . ALGARVE INFORMATIVO #112


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OPINIÃO O desinteresse pela formação contínua Paulo Cunha (Professor)

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stava eu no meu local de trabalho, gozando o merecido e desejado intervalo entre aulas, quando recebi um telefonema de um colega que dirige um Centro de Formação de Professores. Pedindo-me perdão por estar a «invadir» o meu período de descanso, amavelmente me relatou, em tom de desabafo, aquilo que o levava a querer falar comigo. Sabendo que me interesso pelas «Coisas da Educação», e por já ter frequentado e ministrado muitas ações de formação, queria auscultar a minha opinião sobre um fenómeno que tem vindo a observar nos últimos anos. Segundo ele, diminuiu consideravelmente a chegada ao «seu» Centro de Formação de propostas de realização de ações de formação na área da Música, acrescendo a tal situação a constatação do crescente desinteresse por parte dos professores de Educação Musical na frequência das poucas entretanto realizadas. Tendo-me apanhado desprevenido e com pouco tempo para com ele tentar esmiuçar um raciocínio lógico/dedutivo sobre a questão, «atirei-lhe» com as explicações que na altura mais lógicas me pareceram: o envelhecimento e o cansaço docente aliados ao desinvestimento registado nesta área nos últimos anos. Merecendo tal assunto a nossa maior e melhor consideração, ficou combinada uma reunião para que, em tom de «brain storming», à mesa possamos descobrir as causas de tal desinteresse. Aliás, já há uns meses atrás a presidente da direção da Associação Portuguesa de Educação Musical, Prof.ª Manuela Encarnação, me tinha manifestado também a sua estranheza por haver tão pouca adesão às ações de formação patrocinadas e realizadas pela referida instituição no Algarve. Como muitos de vós, sou daqueles que não gosta de ir para a cama com o peso de assuntos por resolver… e este «bateu-me bem», pois sendo uma situação que terá repercussão na relação que as gerações futuras terão com a Música, fez-me matutar sobre que tipo de «nortada» ou «levante» assolaram os meus colegas residentes a sul, para que nos últimos anos tivessem sido acometidos de tamanha falta de interesse em proporcionar e frequentar formação na sua área disciplinar. Tendo começado a trabalhar como docente há trinta e cinco anos, olho para trás no tempo e percebo que

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numa mesma vida, enquanto docente, passei por dois registos de existência completamente distintos. Não é preciso ser professor para qualquer pessoa da minha geração, ou mais velha, perceber ao que me refiro. Mas o que passou, passou… É já passado! Interessa-me muito mais equacionar quais terão sido os motivos que levaram a esta apatia e comodismo a que muitos de nós, professores de Educação Musical, fomos acometidos. Poderei (ou não) andar longe da verdade, mas são estas as hipóteses que me parecem merecer um debate esclarecido com os meus colegas, para que depois de diagnosticada a causa da maleita, juntos tentemos encontrar possíveis curas: a reiterada e continuada falta de interesse por parte da tutela na merecida paridade e valorização das carreiras de professores de Ed. Musical com formações de base diversas (Conservatórios, Escolas Superiores de Educação, Universidades); o abandono por parte dos sindicatos de um grupo disciplinar, que por não ter tido a capacidade de fazer lobby nos seus centros de decisão, nunca foi condigna e devidamente representado e defendido; o progressivo e acentuado envelhecimento duma área disciplinar que há muito tempo não acolhe novos professores no seu seio; a desvalorização da disciplina, consubstanciada na diminuição da carga horária semanal de três para dois tempos letivos de 45 minutos, na eliminação da oferta da disciplina no 9.º ano de escolaridade e na ausência de ensino da mesma no 1.º ciclo de escolaridade e no ensino secundário, forçando assim a que mais de um terço dos professores de Educação Musical com contratos a prazo tivessem que mudar de profissão, e contribuindo, ao mesmo tempo, para encerrar os cursos que os formaram; a desmotivação e o desconsolo sentidos por verem a sua área curricular como uma das mais menosprezadas e negligenciadas por parte do Ministério da Educação; a falta de oferta formativa que acompanhe a constante e rápida evolução tecnológica no que às várias formas de produzir e consumir música concerne. Enfim… pudéssemos nós mudar o que precisa de ser mudado e, muito provavelmente, a solução para vermos mais professores de Ed. Musical a atualizarem e partilharem os seus conhecimentos estava encontrada. Mas quando não há horizonte, sobra a falta de vontade!.

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OPINIÃO

O que faço Paulo Bernardo (Empresário)

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uitos me perguntam o que faço e eu lá vou dizendo que trabalho com tecnologia, mas pronto, desta vez vou falar um pouco do que eu faço. Não tenho dito porque não quero confundir a minha condição de cronista com a de vendedor. Mas vamos ao que interessa… O que eu faço é marketing de proximidade, usando redes WI-FI para interagir com quem frequenta o espaço onde eu quero comunicar. Como é que chego até ao consumidor? Através daquele prolongamento que hoje todos temos na mão, o telemóvel. Já estamos na época do Homem Tecnológico, uma mistura de máquina e ser humano. Já todos saímos de casa sem carteira, mas nunca sem telemóvel. Resumindo: Antes, em cada aldeia, existia uma mercearia que vendia tudo, quando lá se chegava, quem nos atendia conhecia mais dos nossos hábitos do que nos próprios. Com o crescer das cidades, isso foi-se perdendo e passamos para aquilo que ainda hoje se vive, em que ninguém sabe do que gostamos. Contudo, em breve, quando entrar num estabelecimento, quem o recebe já lhe vai prestar outro atendimento. Como exemplo podemos ter o atendimento num hotel. Quando eu entro, se me reconhece como hóspede, pode-me informar do que se vai passar, o que vai acontecer nessa noite. Nos centros comerciais, pode oferecer coupons de desconto em alguma loja. Num hospital, pode ser logo encaminhado para a sua especialidade, indicar-lhe o caminho até um determinado sítio. Por isso, o que eu faço é adaptar o Marketing a esta nova espécie de Homem que hoje existe, ou seja, o que leva o telemóvel para todo o lado. Hoje, o mundo já tem cerca de 50 por cento da população com telemóvel, nós apenas aproveitamos esse dado para entrar neste negócio. ALGARVE INFORMATIVO #112

Como podem ver, atualmente, todos os consumidores com um telemóvel podem ser um potencial cliente de uma campanha de marketing de proximidade, em particular os compradores mais jovens e os propensos a usar tecnologia durante as compras. Quem já não viu alguém numa loja, farmácia, banco, hospital, a usar um telemóvel? Assim, os locais onde os consumidores planeiam passar pelo menos uma hora ou duas, são áreas privilegiadas para uma campanha de marketing de proximidade. Esses clientes estão ativamente disponíveis para o uso de tecnologias no local da compra, pelo que é mais provável que estejam abertos a informações de marketing de proximidade, promoções e sugestões. Um dos principais benefícios do marketing de proximidade é que a mensagem atinge uma alta percentagem de potenciais clientes que estão junto ao espaço que quer comunicar com eles. De uma forma simples, é este o meu negócio, comunicar de uma forma nova, de modo não intrusivo e que o utilizador goste. Como podem ver, é um tema um pouco complicado de explicar, mas fácil de usar e isso é que é importante. O mercado onde atualmente estamos a atuar é em Portugal, Brasil, Estados Unidos e Canadá. Vão perguntar e a Europa? E eu respondo, qual Europa? Nós olhamos para o mar e saímos daqui levando os nossos produtos e criando emprego em Portugal. A Europa, infelizmente, é fechada e difícil de modernizar, por isso se chama a velha Europa. Quando tiver tecnologia nova, aviso .

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OPINIÃO É que ter medo de amar não faz ninguém feliz* Mirian Tavares (Professora)

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ntender o difícil não é vantagem, mas amar o que é fácil de se amar é uma grande subida na escala humana”, escreveu Clarice Lispector, que, como poucos, soube tão bem falar das coisas sobre as quais nos esquecemos de pensar, das coisas de que ninguém se lembra porque estão ali mesmo, à nossa frente, e que nos custa muito enxergar. Entender o difícil é fácil, o difícil é amar o que é fácil – parece um paradoxo, mas é um facto, uma evidência, um modo de estar mais comum do que possa parecer. Tendemos a amar o que é difícil, o que nos escapa, o que não quer fazer parte de nós ou o que resiste. Tendemos a desprezar o que nos chega à mão, o que nos parece fácil e tranquilo. Como se a aparente facilidade tornasse o objeto do amor menos válido, como se o amor fosse um jogo, uma disputa, uma maratona que se corre sozinho e cuja vitória é incerta. O amor é a falta, disse Freud – e repetiu Lacan. O amor é a falta, disse, noutras palavras, Sócrates, mais tarde registado por Platão na obra que ficou conhecida como «O Banquete». Nos filmes, vemos muitas vezes histórias de amor que acabam bem, mas que começam, via de regra, mal. Porque as histórias felizes, do começo ao fim, não rendem bons argumentos e é preciso criar o suspense, deixar que partilhemos a falta da personagem para desejarmos, com ela, atingir o final feliz, após muitas peripécias e alguns dissabores. O que o filme não mostra é o pós-final feliz: Será que viveram juntos para sempre? Será que, após a luta, a conquista, o jogo, ficaram juntos para desfrutar do amor? Será que, como na música, também queriam, de facto, “a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida?”. Não saberemos jamais, a não ser que o filme tenha

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sequelas. Eu, por exemplo, nunca entendi, quando nos filmes, alguém vai embora e o outro fica ali impávido – a ver alguém que era muito importante, quem sabe o amor da sua vida, sair por ali a fora e nem correr atrás ou tentar dizer que não queria que ele/a fosse embora e que, se fez algum mal, tudo se resolve e é preciso falar e não se pode ir embora assim, e que ir embora pode ser para sempre e que ninguém sabe se ainda vai existir amanhã. Porque vivemos hoje. Porque a vida é aqui e agora, a não ser que prefira ser um espectador da sua própria vida e vê-la passar como num filme. Mas o filme sempre acaba, bem ou mal. E sempre acaba como deveria – previsível e certo, com a palavra fim. Na vida, não nos podemos dar ao luxo de ficar impávidos. De perder demasiado tempo a tentar entender o difícil e de deixar escapar, por entre as mãos, o amor fácil. Aquele que quer ficar, porque nos ama de volta, que quer se instalar confortavelmente na nossa sala, pés em cima da mesa a ver televisão. E porque, tantas vezes, o deixamos escapar? Porque ser feliz, como disse a poeta Cora Coralina, é para quem tem coragem. E muitas vezes preferimos ficar a chorar pelos cantos, ou ver o amor correr porta a fora, para termos do que nos queixar. Às vezes, as queixas rendem belas canções, ou livros intensos. Na maior parte das vezes, geram apenas gente infeliz que, por não ter coragem de amar o fácil, se perdeu nas entrelinhas das impossibilidades de um amor difícil, e acabou ficando só . *(verso de uma canção do Vinícius de Moraes)

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OPINIÃO

365 Algarve Paulo Pires (Programador Cultural)

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uando pensamos no Algarve cultural dos últimos anos, é possível identificar sete tendências dominantes (outras haveria a elencar, de menor espectro): uma oferta centrada predominantemente na área da música (e de algum teatro), nos seus variados registos, com representatividade diminuta no que concerne a outros universos e linguagens artísticas (cinema, performance, dança contemporânea) e aos seus cruzamentos interdisciplinares; uma ainda visível lacuna no que concerne à valorização e promoção da criação artística contemporânea sobretudo na vertente das artes visuais (a região já merecia há muito um museu de arte contemporânea condigno); a tão badalada sazonalidade, com uma quantidade muito significativa de eventos a ocorrer nos meses de época alta, em contraste com uma dinâmica cultural de menor expressão na low season (há, obviamente, excepções, crescentes); um fervilhar cultural, a nível de eventos-âncora (de referência), muito centrado nas zonas litorâneas e muito carenciado nas áreas mais interiores e recônditas da região; uma visível concentração e dominância da actividade cultural na zona central do Algarve (municípios de Faro, Loulé, Tavira, S. Brás de Alportel, Albufeira e Olhão), quando comparada com as franjas oriental e ocidental da região, de menor dinâmica cultural e exposição mediática; uma iniciativa cultural cujo epicentro continua muito focado nas autarquias e nas programações regulares por estas dinamizadas a nível dos seus equipamentos e espaços outdoor; e uma ainda evidente pouca concertação e colaboração entre os vários municípios da região e destes com as estruturas associativas e empresariais no que toca à concretização de projectos culturais colaborativos e em rede. ALGARVE INFORMATIVO #112

Os resultados recentemente publicitados dos apoios concedidos pelo programa 365 Algarve para a sua 2.ª edição, a realizar entre Outubro deste ano e Maio de 2018, não obstante poderem ser sempre alvo de elogios ou críticas, revelam, na nossa opinião, vários aspectos positivos: a opção pela escolha de um menor número de projectos (isto relativamente à edição inicial, que continha, a nosso ver, um número excessivo [e aqui e ali desigual] de propostas, isto atendendo também a que já havia na região, anteriormente, uma oferta cultural na época baixa com alguma dimensão, a qual também precisa do seu espaço de «respiração», circulação e mediatismo), entre estruturas associativas, empresas culturais e municípios, reforçando-se assim a dotação orçamental de cada um deles e, consequentemente, o seu nível qualitativo, capacidade comunicativa, impacto público e poder de atracção turística; uma visível aposta na iniciativa cultural extracamarária, pois dos 24 projectos agora aprovados apenas cinco foram apresentados por autarquias; a continuação da aposta no universo da música erudita (clássica e jazz) com protagonistas de referência; o privilegiar de projectos que trabalham identidades, memórias e territórios fora da faixa central da região (Alcoutim, Vila Real de Santo António, Aljezur, Monchique, Lagos); a ênfase colocada na criação contemporânea, com especial destaque para a dança (associações DeVIR/CAPa, de Faro, e corpodehoje, de Tavira) e para inovadores formatos multidisciplinares (festivais Lavrar o Mar e Verão Azul, só para citar os mais importantes/consolidados); a eleição de 72


propostas que assentam em diálogos inéditos com o património, a paisagem e a gastronomia; a apresentação de projectos que se baseiam em traços identitários da região (contrabando, vinhos, literatura, acordeão); e, at last but not least, uma vincada aposta na criatividade e inovação pela escolha do projecto «LUZA – Festival Internacional de Luz do Algarve» – recorde-se que foi a segunda proposta com maior apoio financeiro do programa –, claramente um caso aparte no cômputo geral dos projectos seleccionados, o qual pode revelarse, atendendo ao currículo, experiência e reputação internacional da empresa proponente (ByBeau Studio, Lda), um caso de sucesso de um projecto claramente diferenciador que aposta forte no design de luz, na tecnologia, no digital, no fundo, numa surpreendente e atractiva paleta de propostas visuais enquadradas em espaços histórico-arqueológicos e noutros lugares não convencionais. Não obstante a pluralidade de opiniões (que é legítima e salutar para a reflexão e debate públicos), do meu ponto de vista isto é, de algum modo – perdoem-me o «simplismo» da metáfora –, como olhar para um copo e dizer que está meio vazio ou, ao invés, encará-lo como meio cheio. Sou da opinião de que esta maior selectividade/triagem mais apertada de propostas para a 2.ª edição do programa 365 Algarve é um factor que (em vez de dissuadir) dá mais espaço a propostas qualitativamente diferenciadoras, inovadoras e claramente impactantes, daquelas que trazem efectivamente valor acrescentado à região, isto atendendo ao objectivo fundamental do programa (a captação de público turístico), potenciando e estimulando (in)directamente ainda o aparecimento, em próximas edições, de novos projectos de inegável mais-valia. Há que 73

recordar que o 365 não é um programa de financiamento da actividade regular dos vários agentes culturais da região (para isso existem os apoios da Direção Geral das Artes ou da Direção Regional de Cultura do Algarve, bem como os vários programas/protocolos municipais de apoio à actividade associativa). Além disso, paralelamente, já existia anteriormente (e existe) uma programação na época baixa com alguma expressão (feita de virtudes e fragilidades, e com maior ou menor coesão e coerência conforme os casos) visando a população residente e os segmentos turísticos, a qual irá continuar com ou sem 365 Algarve – programa cuja continuidade se deseja, mas estará sempre dependente de (não previsíveis) vontades e mudanças políticas ao nível central. A lista de propostas seleccionadas revela ainda outro aspecto pertinente: a existência de poucos projectos relevantes enquadráveis na área das artes visuais (quando comparados com os ligados às artes performativas, claramente dominantes), universo que ainda pode ter uma palavra muito forte a dizer futuramente em termos de diversificação e visibilidade da oferta cultural, bem como de convocação de novos públicos na/para a região, isto pensando na vertiginosa evolução actual de linguagens, técnicas, formatos e tecnologias ligada à dimensão (audio)visual, nas inúmeras potencialidades da sua articulação com o património natural e edificado, e, assim, no infindável potencial artístico que lhe subjaz, instaurando o Algarve como espaço (também) de modernidade, arte, design .

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OPINIÃO O Algarve veste Zara, mas também veste Prada Antónia Correia (Professora)

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turismo é eminentemente uma experiência social que esconde motivações de status e alguma luxúria. Se é verdade que o Algarve recebe muitos turistas que viajam em low cost, sugerindo um tipo de turista com menor poder de compra, também é verdade que 10 por cento dos turistas que passam férias no Sul do País são responsáveis por 30 por cento das receitas turísticas geradas na região. Estudos realizados demonstram que muitos destes turistas gastam na região mais de mil euros por dia, em atividades de lazer e alojamento, ou seja, quase 10 vezes mais do que o turista dito normal. Apesar da democratização dos voos e das atividades de lazer, o turismo é uma experiência de luxo. Diz-nos a teoria que «vestir Prada» ou Zara pressupõe uma aceitação social e um certo status que é visível nas experiências que procuramos em férias. O turismo compreende, ainda, segundo a teoria económica, um efeito bandwagon (ir para os locais onde a maioria vai), um efeito snob (se todos vão para o Algarve, eu vou para Espanha ou, ainda que vá para o Algarve, vou para locais onde é pouco provável que as pessoas que conheço estejam) ou um efeito Veblen (mostrar capacidade económica pela ostentação). Em bom português, o efeito bandwagon surge muito associado ao vestir Zara, já o snob surge relacionado com o vestir Prada e o efeito Veblen compreende o vestir muitas marcas simultaneamente ou simplesmente ostentar a tshirt dum resort ou destino turístico de luxo. A perceção do Algarve como um destino de luxo é ainda restrita. No entanto, estes efeitos sociais estão bem patentes nas perceções e expetativas dos turistas, que os associam a uma geografia e produtos específicos.

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O Sotavento surge associado a um efeito bandwagon, sugerindo que esta é a zona mais popular e mais na moda no Algarve. Nesta zona, o mote das férias é estar com os amigos e juntar-se a eles. O Centro do Algarve compreende um certo prestígio, até pelos preços, mas este prestígio não é ainda suficiente para ativar o status que os turistas esperavam. Por sua vez, o Barlavento sugere um efeito misto, o que claramente apela a uma maior diferenciação. Ao nível dos produtos «Sol e Praia» e Golfe, conclui-se que são o sol e praia e as festas de Verão os produtos com maior efeito snob. Muito provavelmente pelas festas de Verão que, endossadas por celebridades, dão o mote para a partilha de milhares de selfies nas redes sociais. Meio de comunicação e promoção do destino por excelência, é também o melhor meio para ativar o status e notoriedade que todos mais ou menos explicitamente procuramos. Já o golfe é claramente um desporto que confere status a quem o pratica, muito por força do prestígio que esta atividade ganhou. Ainda que o mercado de luxo no Algarve ainda seja restrito (10 por cento), o certo é que todos encontram no sul o meio de ativar motivações sociais de luxo, independentemente do tamanho do seu cartão de crédito. Manter esta geografia social e clarificar o posicionamento do Barlavento é o caminho para que mais turistas comecem a Vestir Prada .

Correia, A. and Kozak, M. (2012). Exploring Prestige and Status on Domestic Destinations: The case of Algarve, Annals of Tourism Research, 39 (4), 1951-1967.

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OPINIÃO

A era dos influenciadores digitais Fábio Jesuíno (Empresário)

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um mundo cada vez mais digital, o poder de influenciar opiniões nas redes sociais tem cada vez mais impacto em grande escala na sociedade. No passado, apenas um grupo restrito de artistas e jornalistas ditava as grandes tendências da moda, sendo considerados grandes criadores de opinião pelos órgãos de comunicação social. Nesta nova era digital, as pessoas comuns ajudam a influenciar milhares pelo mundo fora. A democratização da internet deu voz a qualquer pessoa que tenha conhecimentos para usar as plataformas disponíveis para difundir os seus conteúdos e, dessa forma, tornarem-se celebridades do mundo digital com grande poder mediático. Os influenciadores digitais são pessoas, personagens ou grupos que ganham grande popularidade nas redes sociais. Estes influenciadores criam uma grande variedade de conteúdos que acabam gerando um elevado número de fãs que seguem as suas atividades com grande interesse e eventualmente partilham com outras pessoas. Estes famosos da internet destacam-se pela produção de conteúdos de grande interesse e relevo para os seus blogs e nas redes sociais como Instagram, Facebook, YouTube e o Snapchat, permitindo, assim, chegar rapidamente a um grande número de pessoas. Através de conteúdos

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criativos para os mais diversos públicos, conseguem captar a atenção de uma grande quantidade de seguidores. A influência digital é uma das principais tendências na comunicação e está a crescer a um ritmo elevado, é atualmente componente importante nas estratégias de marketing digital das empresas, ao lado da publicidade nos motores de busca e redes sociais. Com uma taxa de conversão muito animadora, consegue destacarse dos restantes meios de comunicação. Segundo um estudo publicado pela Nielsen e Burst Media, em 2016, os influenciadores já representam 30 por cento dos investimentos em marketing e publicidade das empresas. Outro estudo, desenvolvido pela Nielsen Catalina Solutions, indica que este tipo de estratégia representa até 11 vezes mais retorno sobre o investimento em cooperação com outros meios. Atualmente, os influenciadores digitais de grande notoriedade atingem o sucesso, para além de criarem conteúdos relevantes, conseguem gerir todos os seus canais das mais diversas plataformas de forma muito direcionada para os seus públicos e com grande consistência e com regularidade para que os seus seguidores fiquem ligados e mantenham o interesse .

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OPINIÃO

Pôr-do-Sol e crepúsculo António Manuel Ribeiro (Músico e escritor)

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arecem sinónimos mas o segundo é consequência do primeiro. E é mais, em sentido lato. Pode significar o afundamento na irrelevância, o costume de repetir o habitual e não sair da vulgaridade, esperando que um milagre de uma entidade disponível transforme o chumbo em ouro. Mas essa é uma actividade iniciática complicada onde só entra o conhecimento e a confiança alquímica. 1. Língua O que li sobre a picardia entre o grupo DAMA e uma fã que escreve português correcto não me fez sorrir, mas fez-me pensar. Quão banal é ouvir os políticos profissionais alegarem que as novas gerações são as mais bem preparadas de que há registo – também não seria difícil com os 50 por cento de analfabetos que cruzaram a fronteira do 25/04 de 1974. A escola tem servido sobretudo para arma de arremesso e agilidade política de governos sem escrúpulo – é o crepúsculo. A ligeireza do vocábulo (tasse) que o grupo assumiu quer significar (‘tá-se), contracção da forma verbal ‘está-se’, por isso usei o apóstrofo (‘). Neste caso, a correcção foi mesmo pior que o soneto porque o tempo verbal não é o pretérito imperfeito, como vi escrito, mas o presente do indicativo na forma reflexa. É grave? Muito, mas para quem ignora não faz diferença. Mas faz mossa. E tem sido assim no linguarejar de algumas das mais recentes canções que os portugueses vão construindo: nem português, nem brasilês, nem africanês – rimar é preciso a qualquer preço. É feitio? Não, é defeito ignorante. 2. Tradição A parangona de hoje do Correio da Manhã fala em nove mortos às garras do Verão, ou da estupidez que chega com o tempo quente. A culpa não é do matutino, apenas potencia a normalidade lusitana para a desgraça. Entre a estrada e as ondas (rios incluídos) vamos morrendo sem atingir a praia. É ALGARVE INFORMATIVO #112

assim todos os anos. E todos os anos as primeiras páginas são repetições sem génio. Crepúsculo da normalidade festiva. 3. No sul da Europa É uma espécie de consagração do nosso campeonato de futebol. Depois de encontrados os três que ocuparam no pódio, apesar da espreitadela teimosa do Braga, a malta entretémse com a enormidade dos milhões que vendem os melhores jogadores que brilharam o último campeonato de futebol. A glória já não é marcar golos, ser maravilhado por fintas improváveis e defesas do outro mundo. A diatribe que anima as hostes futeboleiras deste resto da Europa medese pelos milhões que entram nos cofres sem fundo dos nossos principais clubes de futebol. Triste sina vê-los partir e fingir delícias pelo encaixe financeiro para depois tudo recomeçar: a equipa que é preciso refazer, o entrosamento (esta aprendi nos meus tempos de Record), a adaptação e as apostas falhadas, lugares-comuns crepusculares. Este campeonato pequenote das transferências faz-me lembrar aquela anedota do empreiteiro que vai a uma festa com a mulher, esta olha para as mulheres dos outros empreiteiros presentes, vigia as amantes dos ditos, que tiveram entrada na festa, e diz para o marido: “A nossa é melhor que a deles, não é querido?” Crepúsculo. Prefiro um pôr-do-sol sem fim Um disco: «Double or Nothing», Frankie Chavez, edição Universal (2017). Perante tanto lixo vagamente musical que assola os nossos dias, escutar este português faz bem aos ouvidos e até promove uma corrida rápida para as areias quentes do sul do país. Tive o prazer de tocar com ele em Dezembro de 2015 em Olhão, na festa da EC Travel. Quando me propôs uma selfie tive que lhe dizer: “Sou teu fã” .

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OPINIÃO «In a Far Away Land: Refugee Children» – Um projecto de Boas Práticas na Escola Secundária Pinheiro e Rosa de Faro Adília César (Escritora) Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar. Sophia de Mello Breyner Andresen, in Cantata da Paz

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emos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar. Relatórios da fome, os caminhos da injustiça, a linguagem do terror. Nada pode apagar o concerto dos gritos. O nosso tempo é pecado organizado”. Estas foram as palavras de Sophia, a Cantata da Paz ouvida em 1970 na voz de Francisco Fanhais. E hoje, que palavras diremos sobre a guerra e as suas consequências? O tema Refugiados tem sido amplamente tratado nos meios de comunicação social, fomentando opiniões e tomadas de posição por vezes controversas. Havendo consenso em relação ao horror das guerras que têm como consequência a deslocação de milhares de pessoas para campos de refugiados, obrigadas a aceitar condições de vida desumanas e sem esperança, já não é consensual o seu acolhimento no nosso país. Assim, havendo questões éticas por resolver, as escolas surgem naturalmente como pano de fundo para a educação cívica dos jovens, despertando as suas consciências relativamente à existência de uma grave crise de refugiados na Europa, no sentido da compreensão das diferenças culturais, da interculturalidade e da importância do voluntariado. No âmbito do Programa ERASMUS+ – Cooperação para a Inovação e Intercâmbio de Boas Práticas («In a far away land: Refugee Children»), as professoras Clara Abegão e Olga Martins, e um grupo de estudantes da Escola Secundária Pinheiro e Rosa de Faro – Beatriz Iria, Cátia Orvalho, Gonçalo Jacob, Luísa Lino, Rafael Pina e Suellen Aguiar -, visitaram, em abril, o campo Veria, na Grécia. Esta parceria estratégica entre escolas de Portugal, Grécia, Itália, Roménia e Turquia para alunos dos 14 aos 18 anos facilitou experiências únicas, as quais resultaram, neste caso, na concepção do livro «Rostos de Guerra», contendo contos e poemas de Cátia Orvalho, Gonçalo Jacob e Luísa Lino e ilustrações de ALGARVE INFORMATIVO #112

Rafael Pina, que é também o autor do logótipo do projecto. As suas palavras assim o demonstram: “Foi a visita ao campo de refugiados Veria e os testemunhos na primeira pessoa que nos inspiraram e nos levaram a escrever este livro de contos. Tudo o que ouvimos, vimos, sentimos, e tudo o que vivemos, serviu para acrescentar mais um pedaço de história a cada narrativa. Embora nenhuma delas seja verídica, também nenhuma é fictícia, tratandose, sim, de histórias fundamentadas em vários relatos reais, aliando factos verdadeiros aos nossos sentimentos e convicções. Esperamos com estes pequenos contos transmitir toda a angústia, desespero e infelicidade que alguém sente quando se vê arrancado da sua vida, tudo o que sofre e tudo o que perde”. A experiência foi já apresentada na Escola Secundária Pinheiro e Rosa, no Festival de Narração Oral Contos da Liberdade, no Festival Literário Internacional de Querença e no evento «Sol, Sardinha e Poesia», em Bordeira, fazendo chegar aos diversos públicos a noção clara de que é possível com projectos deste tipo desenvolver nas escolas a iniciativa, a criatividade, o empreendedorismo e o conhecimento de experiências de emigração, desafios e benefícios da educação, salvaguardando objectivos estatísticos da Europa 2020 e a aquisição de competências para o século XXI, e ainda a promoção da educação inclusiva para a não discriminação, alargando as competências cívicas, reduzindo o abandono escolar, aumentando o sucesso e valorizando a era digital, no sentido da plena equidade e do exercício da cidadania activa. Cantemos então com Sophia, sempre que o terror de qualquer guerra hipotecar o futuro de crianças, mulheres e homens: “Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar”! .

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Marlene Silva, vereadora da Câmara Municipal de Albufeira, Carlos Silva e Sousa, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Paulo Freitas, presidente da Assembleia Municipal de Albufeira, e Alexandra Gonçalves, Diretora Regional de Cultura do Algarve

PRAÇA DA REPÚBLICA DE ALBUFEIRA GANHOU UM NOVO NÚCLEO

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s comemorações do 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, foram marcadas, em Albufeira, pela inauguração da requalificada Praça da República, junto ao Museu Municipal de Arqueologia, saltando à vista um núcleo arqueológico descoberto aquando das obras de reabilitação urbana do centro antigo. “Foram identificados uma série de vestígios do século XII ao século XIX, um ALGARVE INFORMATIVO #112

conjunto de muros e pavimentos de estruturas ligadas a casas do período islâmico. Casas dos séculos XII e XIII, da fase final da ocupação islâmica de Albufeira”, explicou o arqueólogo Luís Campos Paulo, indicando que estas estruturas estavam integradas dentro do Castelo de Albufeira. Albufeira que, como é sabido, possuía duas linhas de muralhas, uma circundando o cerro onde nasceu a cidade e uma segunda 84


no seu interior. “Nesse castelo residia a elite política, militar e religiosa. Nos últimos tempos têm sido descobertas várias muralhas desse período, dezenas de silos, fragmentos de cerâmica, mas não se sabia onde dormiam, comiam, socializavam. Estes são os primeiros vestígios das casas de quem vivia aqui nesse período e permitem-nos ir percebendo, aos poucos, como era a sociedade islâmica de Albufeira, sem dúvida a grande herança histórica desta cidade”, referiu Luís Campos Paulo, acrescentando que outros vestígios não ficaram a descoberto na nova Praça da República, tendo sido devidamente registados, preservados e reenterrados, de forma a salvaguardá-los para o futuro. O projeto de requalificação da Praça da República foi da responsabilidade da arquiteta Isabel Valverde, do Gabinete de Reabilitação Urbana da Câmara Municipal

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de Albufeira. “Trabalharam aqui de forma articulada três domínios do conhecimento – a arqueologia, a conservação e restauro e a arquitetura – e o conceito nasceu da necessidade de valorização do espaço, mas também da vontade de incutir curiosidade nos visitantes para conhecerem a história remota de Albufeira. Para tal, criou-se um objeto de rutura, contemporâneo, um elemento dinâmico em que o trespassar da luz diurna entre as lâminas provoca efeitos mutáveis de luz/sombra. À noite, a luz é estática e produz um efeito cénico sobre as fachadas e o pavimento”, descreveu a arquiteta. Isabel Valverde afirmou ainda que a arquitetura moderna acabou por levar a uma grande uniformização dos ambientes, a cidades bastante parecidas, quando, antigamente, elas se afirmavam por via dos seus diferentes estilos. “Sendo Albufeira uma cidade turística, é muito importante ter elementos de referência que a

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ATUALIDADE

O Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira

distingam e contribuam para a sua competitividade”. Carlos Silva e Sousa confessou, por sua vez, que este 10 de junho era um dia particularmente feliz por assistir à renovada Praça da República. “Queremos valorizar o nosso património histórico e devolvê-lo à população e a quem nos visita. Os albufeirenses têm que conhecer a sua história, saber quais foram as suas raízes”, defendeu o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, revelando que este projeto foi o primeiro a ser aprovado, no Algarve, no âmbito do PARU - Plano de Ação de Regeneração Urbana. “Com isso, ganhamos cerca de 900 mil euros de ALGARVE INFORMATIVO #112

financiamento FEDER, e que vai ser majorado em mais 10 por cento. A recuperação da antiga Igreja Matriz de Albufeira é outro projeto que queremos concretizar. Foi derrubada com o terramoto de 1755 e é um espaço de enorme nobreza que tem que ser devolvido, com dignidade, à população de Albufeira”, frisou o edil. Reabilitado vai ser igualmente o edifício do antigo Tribunal de Albufeira, que dará lugar a um Centro de Artes e Ofícios, numa estratégia da Autarquia que está em marcha e que contempla, também, a classificação e recuperação da muralha da cidade. “Um dos objetivos que está estabelecido nos PARU é que os privados sejam estimulados a investir nos centros urbanos e, em 86


Albufeira, isso vai ser feito através da isenção total de taxas de licenciamento, da redução de IMI durante cinco anos e de IMT na primeira transmissão de propriedade. Já temos, neste momento, intenções de investimento privado na ordem dos seis milhões de euros, a que vão corresponder três milhões de investimento público”, adiantou Carlos Silva e Sousa. Presente na cerimónia esteve Alexandra Gonçalves, Diretora Regional da Cultura do Algarve, porque estes projetos pretendem valorizar, mas também salvaguardar, o património dos centros urbanos. “A solução encontrada permitenos fazer uma leitura dos períodos

históricos que aqui estão presentes e, ao mesmo tempo, haver uma fruição pública deste património e salvaguardar o restante, sem colocar em causa a circulação pela Praça”, observou. “Albufeira é conhecida, essencialmente, como um destino turístico associado aos anos 80, de massificação, em que o sol e a praia eram os elementos preponderantes e, em alguns momentos, não houve o devido olhar à preservação e salvaguarda daquilo que é a nossa identidade e que está por baixo dos nossos pés. Hoje, nota-se uma projeção no futuro e uma valorização no dia-a-dia desse discurso, dessa narrativa, da nossa história e conhecimento, que deve ser partilhada com a população em geral” .

ALBUFEIRA JÁ ESTÁ NA ROTA DA VIA ALGARVIANA

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o dia 2 de junho, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Carlos Silva e Sousa, e o vicepresidente da associação ambientalista Almargem, Joaquim Mealha, assistiram à colocação do painel informativo referente ao percurso que liga Albufeira à Via Algarviana, numa extensão de 29 quilómetros que podem ser percorridos a pé ou de bicicleta. O painel está colocado junto ao Posto Municipal de Turismo de Albufeira, à entrada da cidade, onde também se encontra a joelette, uma bicicleta todo-o-terreno que poderá ser requisitada por pessoas com mobilidade reduzida. O percurso pedestre começa no Posto de Turismo, passa pela estação de caminho-de-ferro de Ferreiras até à aldeia

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de Centieira, cruza-se com os três percursos já existentes em Paderne (Castelo, Cerro Grande e Cerro de São Vicente) e termina em Alte, onde se liga à Via Algarviana. O troço foi implementado em conjunto com a Almargem e com o município de Loulé, que custeou os sete quilómetros que passam pelo seu concelho. O percurso representou um investimento a rondar os 35 mil euros, que poderão vir a ser financiados por fundos europeus, dependendo da aprovação da respetiva candidatura. Refira-se que a Autarquia já havia investido cerca de 50 mil euros na requalificação dos três percursos pedestres de Paderne, 60 por cento dos quais foram comparticipados pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) .

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ATUALIDADE

ALCOUTIM PRESTOU HOMENAGEM AOS MILITARES DO CONCELHO QUE COMBATERAM NA GUERRA COLONIAL

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o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, dia 10 de Junho, a Câmara Municipal de Alcoutim prestou homenagem aos Militares do concelho que combateram na Guerra Colonial. A cerimónia, com cerca de 300 inscritos, teve lugar na Praça da República, em Alcoutim, e incluiu o hastear da Bandeira Nacional, o descerramento do monumento, a deposição de coroa de flores, Honras Militares, intervenções ALGARVE INFORMATIVO #112

oficiais do Arquiteto Victor Brito; do Tenente-Coronel Jorge Manuel Marques Pereira, Presidente da Comissão Administrativa do Núcleo de Vila Real de Santo António dos Combatentes; do Presidente da Comissão de Honra, Tenente Coronel António Marques Romeira Matias; e do Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Osvaldo dos Santos Gonçalves. Seguiu-se a entrega de placa alusiva ao monumento a todos Combatentes do Concelho de Alcoutim e execução do Hino 88


Nacional, após o qual houve lugar a um beberete no castelo da vila. O monumento situa-se na Praça da República e é composto por pedra negra, simbolizando a guerra, o desconhecido, o perigo e o continente africano. O rasgo abrupto da pedra negra faz surgir a pedra branca, simbolizando a pureza, o amor e o desejo de liberdade. No monumento encontram-se gravados os nomes dos 12 militares que tombaram em campanha, assim como três rostos de soldados que representam os três ramos das Forças Armadas. Inscrito na pedra está também o mapa do continente africano e do sul da Europa, onde se encontram com destaque os países onde a guerra decorreu – Angola, Moçambique e Guiné, e a localização de Portugal. O arquiteto pretendeu com esta obra “demonstrar a ingenuidade dos homens que partiam para uma terra distante, desconhecendo por vezes para onde iam”. Foi uma justa homenagem aos que serviram a Pátria num determinado momento da história nacional e que, de uma forma altruísta e também ingénua, participaram numa guerra que deixou marcas muito vincadas nos próprios, nas famílias, em Portugal e nos países onde foi travada. O momento vai repetir-se anualmente, no Dia do Combatente, sendo simbolicamente colocada um coroa de flores para “reconhecer o esforço, sacrifício e dedicação de todos aqueles 89

que, num período particularmente difícil da nossa história, deram o seu suor, sangue e lágrimas em nome da Pátria”, frisou o Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves. A cerimónia, organizada pelo Município de Alcoutim em colaboração com a Comissão de Honra e colaboração da Liga de Combatentes – Núcleo de Vila Real de Santo António, contou com a presença de Núcleos da Liga de Combatentes, Associação de Fuzileiros do Algarve, Associação dos Deficientes das Forças Armadas, do autor da obra de homenagem, Arquiteto Victor Manuel Guerreiro de Brito e a bênção do memorial aos doze militares do concelho falecidos na Guerra Colonial foi feita pelo Vigário geral da Diocese do Algarve e Capelão Militar César Chantre . ALGARVE INFORMATIVO #112


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PORTINHO DA ARRIFANA, EM ALJEZUR, VAI SER REQUALIFICADO

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Câmara Municipal de Aljezur apresentou, no dia 13 de junho, em reunião com a Associação de Pescadores do Portinho da Arrifana, o Estudo Prévio da Beneficiação e Requalificação daquela infraestrutura. O trabalho é da responsabilidade da Polis Litoral Sudoeste e será agora alvo de apreciação, eventuais alterações e validação final por parte da Associação de Pescadores. ALGARVE INFORMATIVO #112

As infraestruturas apresentam já alguns danos que, perante a perspetiva do seu agravamento e os riscos para a operacionalidade do porto, urgem reparar. Por isso, é intensão da autarquia concluir o projeto de execução, elaborar candidatura a fundos comunitários, promover o respetivo concurso público e executar a obra, estimada em cerca de 430 mil euros .

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LAGOA ENTREGOU MAIS DE MIL QUILOS DE RESÍDUOS DE ROLHAS DE CORTIÇA

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Câmara Municipal de Lagoa assinou, no dia 3 de abril de 2015, um protocolo com a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, no âmbito do «Projeto Green Cork» (Projeto de Reciclagem de Rolhas de Cortiça), com o objetivo de unir a reciclagem à conservação da natureza, possibilitando que as rolhas de cortiça sejam recicladas e o valor apurado seja aplicado na reflorestação de espécies originais da flora portuguesa, através do «Projeto Floresta Comum». Nesse âmbito, no passado dia 29 de maio, em parceria com a Corticeira Amorim Isolamentos, S.A. de Silves, a autarquia entregou 1.207 quilos de resíduos de rolhas de cortiça, recolhidos pelos vários parceiros da comunidade escolar do

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Concelho, da rede pública, privada e social. Estes resíduos, embora não sejam utilizados na produção de novas rolhas, podem ser usados na indústria automóvel, na construção civil ou aeroespacial, decoração e vestuário. Para além do mais, a reciclagem deste tipo de material permite o financiamento de parte do Projeto «Floresta Comum», que utilizará exclusivamente árvores que constituem a floresta autóctone do país, entre as quais o sobreiro. Com o objetivo de despertar o interesse da comunidade escolar pela floresta autóctone e integrada no Projeto «Semana Verde – Green Week», teve lugar, no Concelho de Lagoa, a atividade «Planta a tua Árvore», de 20 a 24 de março, com a coordenação dos Serviços de Educação e Ambiente da Câmara Municipal de Lagoa e em que foram plantadas 320 plantas de várias espécies .

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ATUALIDADE

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS DERAM ORIGEM A ESPETÁCULO DE DANÇA

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a senda daquela que tem sido uma preocupação do executivo municipal de Loulé para com as questões da adaptação às alterações climáticas, foi apresentado, no dia 8 de junho, no Cine-Teatro Louletano, o espetáculo «Adaptações», no âmbito de um projeto de Dança e Ambiente, ArteEducação de e para a Comunidade do Centro Ambiental de Loulé e da Pena. «Adaptações» é um projeto de conceção artística e dança criada a partir do contacto e conhecimento das alterações climáticas, que pretendeu sensibilizar, através de um bailado sem igual, toda a comunidade para as causas e consequências desta atual, grave e global problemática ambiental, pretendendo igualmente ajudar a promover, através de opções de adaptação já identificadas, ALGARVE INFORMATIVO #112

uma resposta coerente aos múltiplos problemas que advêm das alterações climáticas. O «Adaptações» transformou-se, assim, num espetáculo único, em que os protagonistas foram cerca de 88 participantes, dos 4 aos 80 anos, entre os quais uma turma do 3.º ano da escola EB1 Horta de Santo António, alguns dos utentes da UNIR (Associação dos Doentes Mentais, Famílias e Amigos do Algarve), entre outros, que começaram os ensaios no início do ano letivo 2016/17. O projeto foi dinamizado por Inês Mestrinho e integrou-se no Plano de Atividades de Educação Ambiental do Centro Ambiental, elaborado e promovido pela Divisão de Ambiente, Espaços Públicos e Transportes da Câmara Municipal de Loulé e pela Associação Almargem .

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PRESBITÉRIO DA IGREJA DE SÃO PEDRO DE FARO VAI SER RENOVADO

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Igreja de São Pedro, em Faro, vai ser alvo de uma obra de renovação do presbitério, no âmbito do Programa de Equipamentos Urbanos de Utilização Coletiva (Programa Equipamentos), no valor de 46 mil e 525 euros, contando com uma comparticipação por parte do Estado no montante de 23 mil e 262,50 euros. Este programa é da responsabilidade da Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL) e é gerido regionalmente pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR-Algarve), tendo Carlos Miguel, Secretário de Estado das Autarquias Locais, participado na sessão de 93

assinatura e homologado o protoloco firmado entre estas entidades e a Fábrica da Igreja de São Pedro. A intervenção na Igreja de São Pedro visa devolver o presbitério às suas origens e aproximar a zona de celebração da assembleia, seguindo-se à colocação da nova iluminação daquele templo católico, igualmente apoiada por este programa público para a instalação de equipamentos de utilização coletiva, promovidos por instituições privadas de interesse público sem fins lucrativos, para a construção, reconstrução, ampliação, alteração ou conservação de equipamentos urbanos de utilização coletiva, incluindo os equipamentos religiosos . ALGARVE INFORMATIVO #112


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RUGBY CLUBE DE LOULÉ SUBIU À PRIMEIRA DIVISÃO

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Rugby Clube de Loulé é o único do Algarve a disputar os campeonatos nacionais e é a equipa mais importante da modalidade na região pelo longo historial e palmarés. Depois de, no dia 3 de junho, vencer a equipa da Agrária de Coimbra por 26-14 e conquistar um lugar na final do Campeonato Nacional da 2ª Divisão, defrontou, no dia 15 de junho, o Guimarães Rugby UFC, na Bairrada, tendo vencido mais uma vez, agora por 30-7. Desta forma, o Rugby Clube de Loulé assegurou o título de vice-campeão da 2ª Divisão, com acesso direto ao escalão superior. Na época de 2017/2018, o clube de Loulé irá encontrar alguns dos mais importantes emblemas nacionais como o Sporting Clube de Portugal e irá realizar jogos do Minho ao Algarve. O clube é presidido por José Moura e a equipa sénior foi treinada durante a presente época pelo inglês Joe Ajuwa e pelo ALGARVE INFORMATIVO #112

escocês Bruce Liddle. Para o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, o Rugby Clube de Loulé tem sido, ao longo dos anos, um dos grandes embaixadores desportivos do Concelho, levando o nome de Loulé não só pelo país fora, mas também além-fronteiras, com participações em diversas provas internacionais. O RCL foi fundado no dia 29 de junho de 1982, e conta atualmente com 160 atletas federados, cerca de 300 sócios, participa nos diversos torneios e campeonatos organizados a nível nacional, nos variados escalões, dos Sub-8 aos Seniores, passando também pelas competições femininas. Organiza desde 1986 o Torneio Internacional de Rugby do Algarve. Já foi distinguido várias vezes com o Prémio Fair Play pela Federação Portuguesa de Rugby e foi agraciado com a Medalha Municipal de Grau Prata, pelo papel que tem desempenho no contexto desportivo regional e na divulgação da modalidade no país . 94


BTT LOULÉ/BPI/ELEVIS SAGRA-SE CAMPEÃO NACIONAL XCM 2017

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oulé recebeu, no dia 11 de junho, o Campeonato Nacional de Maratonas BTT (XCM) 2017, uma organização do Club BTT Terra de Loulé, Câmara Municipal de Loulé e Federação Portuguesa de Ciclismo. O percurso foi digno de um Campeonato Nacional, com cerca de 90 quilómetros na maratona Elite e 75 quilómetros na maratona curta, com desnível acumulado de +2850m e +2240m respetivamente. Tiago Ferreira (DMT Racing Team), atual campeão do mundo XCM, sagrou-se campeão e conquistou o quarto título nacional da especialidade. Em Elites Femininos, a atleta da «casa», Celina Carpinteiro (BTT Loulé / BPI / Elevis), também conquistou o cetro de campeã nacional. A equipa «BTT Loulé/BPI/Elevis» também conquistou o título de Campeã Nacional nas categorias de Elite e Master.

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Em individuais, arrecadou cinco das camisolas de Campeão Nacional, sendo Celina Carpinteiro, Elisete Sousa, Valério Ferreira, Mário Sebastião e Carlos Cabrita os vencedores nas suas categorias. De destacar também as prestações de toda a restante equipa: Andreia Freitas (Vice Campeã Nacional Master 30), Hernâni Silva (4.º Elite), Andrew Henriques (5.º Elite), Tiago Gabriel (4.º Master 30), Filipe Francisco (7.º Elite) e Filipe Salvado (8.º Master 40). O Campeonato Nacional de BTT XCM 2017 teve o apoio da Câmara Municipal de Loulé, BPI, Elevis, O Museu, Gráfica Arneiro, Vision&Co Visão Plus, Success Work, Lancar, Funbike, Visacar, Gabimar, Loja das Taças, Água de Monchique e das Juntas de Freguesia de São Sebastião, São Clemente e União de Freguesias de Querença, Tôr e Benafim .

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ALGARVE INFORMATIVO #112


DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.

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