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ALGARVE INFORMATIVO 22 de abril, 2017

CRIA DANÇARTE FERRAGUDO INSPIRITUM TOCHAS FLORIDAS CLÉVIO NÓBREGA

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CONTEÚDOS ARTIGOS 14 - Festa Tochas Floridas 26 - Dançarte 38 - Ferragudo 46 - Clévio Nóbrega 54 - Inspiritum 62 - Hugo Barros 82 - Atualidade

OPINIÃO 10 - Daniel Pina 72 - Paulo Cunha 74 - Vico Ughetto 78 - Luísa Monteiro

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OPINIÃO Orgulhosamente sportinguista, mesmo quando não ganhamos nada… Daniel Pina

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e não me falha a memória, sou sportinguista desde os meus cinco ou seis anos de idade, muito por força do hóspede da minha avó, o Sr. Zé, que era sócio ferrenho e me levava sempre ao antigo Estádio José Alvalade. Curiosamente, quando atingi a idade em que já pagava bilhete, os convites diminuíram, mas isso também não vem ao caso. Certo é que nunca me cheguei a tornar sócio (o dinheiro não dava para esses luxos) e só regressei ao estádio por altura da faculdade, puxado pelos meus camaradas de armas Bruno e Renato, mas as idas nunca foram muito regulares e, no novo Alvalade XXI, nunca meti os pés. Isso não me impede de continuar a torcer pelo clube do leão, que uns anos tem as garras mais afiadas do que outros. Seja como for, os sportinguistas nunca escondem a sua filiação desportiva, não somos daqueles que só são do clube quando ele está a ganhar. Dirão as máslínguas que é por estarmos habituados a perder e nunca nos livramos da conversa dos mais de 18 anos sem ganharmos o campeonato. Entretanto, o Augusto Inácio lá conseguiu interromper o famigerado ciclo em 1999/2000, mas voltámos logo à secura, outra vez a caminho dos 18 anos sem sermos campeões. A verdade é que sempre fomos um clube aflito de dinheiro e nas mãos dos bancos, não tivemos malandrice para comprar árbitros na surdina por anos a fio, demorámos a aderir a essa coisa dos fundos de jogadores, que nunca ninguém sabe muito bem de onde vem o dinheiro e de quem são, afinal, os passes dos atletas, mas, quando o fizemos, deu logo em barraca. Os presidentes também nunca ajudaram muito e ainda estamos para ver o que dirá a história futura do Bruno Carvalho. Com aquele seu feitio, não deu muito tempo ao Leonardo Jardim e ao Marco Silva para trabalharem e bem vemos o que os dois treinadores portugueses têm feito no estrangeiro, 10 ALGARVE #104 INFORMATIVO

o primeiro em França, o segundo na Grécia e em Inglaterra. Entretanto, foi «roubar» o Jorge Jesus ao arquirrival da Segunda Circular e quase que fomos campeões no ano de estreia, mas depois tivemos uma época para esquecer. Gastou-se uma pipa de massa a comprar jogadores para melhorar o plantel e o único tiro certeiro foi o Bas Dost, que se arrisca a ser o melhor goleador da Europa. O resto foi praticamente tudo para esquecer mas, pelo menos, Bruno Carvalho pode dizer que equilibrou as contas do clube, para o qual contribuiram as vendas milionárias do Slimani e do João Mário. Logo o Sporting que estava habituado a vender atletas por tuta e meia, ao contrário do Benfica e Porto. O certo é que, após a estratégia da compra a granel de jogadores ter saído furada, voltou-se a olhar para a Academia de Alcochete e o que não faltam são diamantes em bruto para lapidar, e outros já em condições de ser craques na equipa principal, seguindo as pisadas do colega Gelson Fernandes. Vem toda esta conversa a propósito, claro, do dérbi desta noite, que não vai servir de grande coisa ao Sporting, apenas confirmar o terceiro lugar e a ida à pré-eliminatória da Liga dos Campeões, mas que pode complicar muito as contas ao Benfica e, quiçá, dar o campeonato ao Porto. Por isso, os ânimos estão ao rubro, mas ninguém nos tira a nossa história. O Benfica tem o Eusébio, o Torres e os Águas. Nós temos os Cinco Violinos, o Jordão, o Manuel Fernandes, o Figo, o Cristiano Ronaldo, até o Simão Sabrosa, o cigano Quaresma e o Nani. O Porto teve o Fernando Gomes, o Vítor Baia e quem mais? O Pinto da Costa, claro, que garantiu mais campeonatos que todos os craques de Lisboa juntos. Mas basta de conversa, vamos lá preparar as unhas para roer depois do jantar, que esta noite há dérbi… .


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REPORTAGEM

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FESTA DAS TOCHAS FLORIDAS ATRAI CADA VEZ MAIS TURISTAS A SÃO BRÁS DE ALPORTEL São Brás de Alportel voltou a encher-se de cor, alegria e fervor religioso com a realização de mais uma Festa das Tochas Floridas, no dia 16 de abril, Domingo de Páscoa. A par da carismática e lindíssima procissão, a vertente gastronómica, o artesanato e a música popular ajudam a dinamizar um evento que, de ano para ano, atrai a este concelho da Serra do Caldeirão milhares de turistas estrangeiros, para além dos muitos portugueses de férias na região. Texto:

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história das «Tochas Floridas» remonta aos primeiros anos do século XVII, época em que os algarvios começaram a realizar a Procissão de Aleluia, na manhã do Domingo de Páscoa, com um forte frenesim religioso. Nessa altura, as confrarias, constituídas unicamente por homens, eram obrigadas a levar uma tocha acesa ou luminária e opas vestidas. Com o passar dos anos, a escassez de cera levou à sua substituição por paus pintados e ornamentados com flores, no cimo do qual se colocava, então, uma pequena vela. Uma característica que se manteve, contudo, foi a de apenas os homens erguerem as tochas na frente da procissão, isto porque as irmandades, onde estavam as mulheres, seguiam atrás. As confrarias viriam a desaparecer mais tarde, mas a procissão das «Tochas Floridas» mantevese, com outra alteração de fundo: os hinos, responsos e o Aleluia em honra da Ressurreição do Senhor deixaram de ser entoados por coros e passaram a ser proferidos unicamente pelo povo, devido à falta de clero e de cantores. Em S. Brás de Alportel, porém, há quem conte outra história. Segundo reza a história, a 25 de julho de 1596, deu-se a invasão da cidade de Faro e seus arredores pelas tropas do Duque de Essex, isto após ter infligido uma 16 ALGARVE #104 INFORMATIVO


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penosa derrota à esquadra de Filipe II, na Baía de Cádis. Depois de saquearem e incendiarem toda a cidade, os britânicos tiveram conhecimento de que a povoação de São Brás era rica e importante e para lá marcharam, tendo apanhado os seus habitantes completamente desprevenidos. As tropas não ficaram, todavia, completamente satisfeitas com os roubos e mortes que provocaram e decidiram lançar fogo à igreja, o que foi a gota de água para alguns rapazes solteiros que, munidos de machados rústicos, chucos alfaias agrícolas, conseguiram pôr os invasores em fuga. Depois, enfeitaram as armas improvisadas com flores para comemorar e assim pode ter nascido esta festa, embora tal careça de confirmação oficial. Séculos depois, tudo começa a ser preparado com semanas de antecedência nesta vila da Serra do Caldeirão, até porque há que «montar» um tapete de flores de um quilómetro de extensão a assinalar o percurso da procissão. Assim, para se construir esta verdadeira obra de arte, são necessárias várias toneladas de flores silvestres, num trabalho que envolve largas dezenas de voluntários. Finalmente, e depois da apanha e preparação das flores, é na véspera do Domingo de Páscoa que este tapete florido é estendido pela noite dentro. 18 ALGARVE #104 INFORMATIVO


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O resultado de todo este esforço é verdadeiramente deslumbrante, com as principais artérias da vila embelezadas por milhares de flores campestres e a própria Igreja Matriz de S. Brás de Alportel está especialmente decorada para a ocasião. A missa começa à hora marcada e com lotação esgotada. No exterior, juntam-se cada vez mais turistas estrangeiros, uns novos, outros mais idosos, muitos casais com os filhos pequenos, todos munidos de máquinas fotográficas e câmaras de vídeo para recolher imagens cuja reputação já ultrapassou vastamente as fronteiras deste concelho. Aqui e ali vislumbram-se jovens e cidadãos mais seniores, vestindo fato e gravata e carregando arranjos florais nas mãos, outros com tochas mais elaboradas, verdadeiras obras de arte, para participar no concurso promovido pela organização. Poucos minutos antes de soarem os sinos a assinalar o término da missa, largas dezenas de homens aparecem com as suas tochas floridas, concentrando-se no largo da igreja e afinando a garganta para os cânticos, ritual para o qual contam com a ajuda da garrafinha de medronho que levam no bolso do casaco. Chega também a banda filarmónica para acompanhar a procissão e, pouco depois, o cortejo inicia-se, com o clero à frente. As ruas 20 ALGARVE #104 INFORMATIVO


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apinham-se de milhares de pessoas, portugueses e estrangeiros, desejosos de mergulhar na emoção deste dia especial. Nas varandas, estendem-se colchas floridas, que esvoaçam ao sabor do vento. Os homens abrem a procissão, em duas filas e empunhando a tocha na mão. Ao longo do percurso, sobressaem pequenos grupos que entoam as palavras «ressuscitou como disse» e, com as tochas bem lá no alto, disparam os gritos de «aleluia, aleluia, aleluia». A procissão percorre São Brás de Alportel sob um calor abrasador, tanto do sol, como da moldura humana que enche as ruas, num circuito bem definido que traz o cortejo de regresso à Igreja, para nova eucaristia. Depois, a tarde cultural foi preenchida por um Encontro de Sabores e Artesanato no Largo de São Sebastião, pelas Artes e Ofícios tradicionais junto ao Adro da Igreja e pelos sempre animados concursos de jogos florais e tochas floridas. Quanto à animação, este ano esteve a cargo do grupo «Os Môces Marafados», do Rancho Folclórico da Velha Guarda e do convidado especial Sérgio Rossi. A Festa das Tochas Floridas é uma organização da Associação Cultural Sambrasense, Câmara Municipal e Paróquia de São Brás de Alportel, com o apoio da Junta de Freguesia e outras entidades locais . 22 ALGARVE #104 INFORMATIVO


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REPORTAGEM

DANÇARINOS DE TODO O MUNDO EXIBIRAM O SEU TALENTO EM FARO O Teatro das Figuras, em Faro, recebeu, de 11 a 14 de abril, o 14.º DANÇARTE, competição internacional de dança que trouxe à capital algarvia alunos, professores e coreógrafos provenientes de todo o mundo. Depois de conhecidos os vencedores das várias categorias, o público teve oportunidade de assistir, nos dias 13 e 14, a duas galas de sonho, verdadeiros hinos à arte de dançar, de exprimir sentimentos, de contar histórias, através do corpo. Texto:

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DANÇARTE é uma competição que acontece, desde 2004, em Faro, durante a interrupção letiva das férias da Páscoa e direcionada essencialmente a jovens bailarinos de escolas nacionais e estrangeiras, abrangendo os estilos de dança clássica, dança contemporânea, dança de carácter, dança jazz, hip hop e sapateado. Pelo segundo ano consecutivo, o prestigiado evento incluiu ainda um concurso para coreógrafos, na vertente de dança contemporânea. De 11 a 14 de abril, centenas de alunos, professores e coreógrafos rumaram, então, à capital algarvia, nomeadamente ao Teatro das Figuras, onde tiveram a possibilidade de demonstrar o seu nível de desempenho nesta arte. O concurso pretende, igualmente, promover e divulgar o ensino e a aprendizagem de dança, favorecendo a troca de experiências entre escolas, alunos e 28 ALGARVE #104 INFORMATIVO


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professores, bem como fomentar o desenvolvimento cultural e artístico dos jovens e contribuir para a formação de novos públicos. Depois da receção aos participantes, o dia 11 foi preenchido pelo concurso de grupos dos escalões 1 e 2 e pelo concurso de duetos/trios dos escalões 1 e 2. Na quartafeira, foi a vez dos concursos de solistas do escalão 1 e 2 e do concurso de grupos dos escalões 3 e 4. Para o dia 13 estavam marcados os concursos de solistas dos escalões 3 e 4 e a audição Opus Ballet e Masterclasses, com o dia a terminar com a gala dos premiados da categoria Infantil. No último dia da competição, tiveram lugar os concursos de duetos/trios dos escalões 3 e 4 e o concurso de coreografia, antes do Teatro das Figuras encher para assistir a mais uma gala dos premiados, desta vez da categoria Juvenil. A difícil decisão de escolher os vencedores coube ao júri constituído por Barbora Hruskova, Claudia Zaccari, Greg McPherson, Janet Smith, Liliana Mendonça, Peggy Konik, Vladimir Liakine e Daniel Cardoso. Quanto aos prémios, 30 ALGARVE #104 INFORMATIVO

eram, de facto, aliciantes, não fosse esta uma das principais competições internacionais do género na Europa. Assim, o Melhor Solista recebia 750 euros (patrocinado pela Direção Regional de Cultura do Algarve), sendo o mesmo valor atribuído ao Melhor


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Dueto/ Trio (patrocinado pelo Pingo Doce) e ao Melhor Grupo, com este último montante a ser entregue à escola de onde é proveniente o grupo. Existiam ainda o Prémio de Coreografia, no valor de mil euros, para o coreógrafo autor do melhor solo contemporâneo; o Prémio de Interpretação Contemporânea, 500 euros, patrocinado pela ANA Aeroportos de Portugal - Aeroporto de Faro; o Prémio CNB - Companhia Nacional de Bailado; Prémio Quorum Ballet; Prémios Opusballet – danzAfirenze; Prémio IAB - Institut of the Arts Barcelona; bolsas de estudo e estágios de dança - Cursos de Dança Associação (Lisboa), Algarve International Summerschool (Faro), Northern School of Contemporary Dance (Leeds); Prémios So Dança – 600 euros em artigos de dança; Ballet Rosa – 250 euros em artigos de dança; e Balletshop – 200 euros em artigos de dança. À frente do concurso está uma comissão organizadora presidida por Laura Andrade, 32 ALGARVE #104 INFORMATIVO

que confirmou que a competição está dividida em duas vertentes, uma de formação, para bailarinos entre os 8 e os 25 anos de idade, e uma para coreógrafos da dança contemporânea. Depois, o concurso de bailarinos tem a componente Infantil, dos oito aos 13 anos, e a Juvenil, dos 14 aos 25 anos. “Os participantes chegam de todo o país e do estrangeiro, com quatro escolas italianas, uma espanhola, uma da Noruega e uma do Chile, na América do Sul, num total de 1200 inscritos”, revelou Laura Andrade. Mercê da dimensão e do estatuto alcançados, o evento começa a ser preparado em setembro de cada ano, com vista a realizar-se em março ou abril do ano seguinte, durante as férias da Páscoa. O trabalho não termina, porém, depois de concluída a última gala de premiados, afiança a entrevistada. “A seguir ao DANÇARTE, vamos acompanhar os concorrentes


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portugueses que são selecionados para participar num concurso em Itália, na cidade de Florença. Em setembro, recomeça tudo outra vez, a pensar na edição de 2018”, explica, não tendo dúvidas de que o evento é uma excelente montra para quem sonha ser dançarino profissional. “Damos diversas bolsas de formação durante o concurso e há elementos do júri que pertencem a escolas estrangeiras e que trazem, eles próprios, ofertas de cursos de formação. Essas visitas têm possibilitado a muitos concorrentes de outras edições prosseguirem depois os estudos noutros pontos da Europa”, destaca Laura Andrade. O concurso é dinamizado pela Associação BBC – Beliaev Centro Cultural e os apoios provêm de várias entidades e empresas, entre elas a Câmara Municipal de Faro. Quanto ao tremendo êxito do DANÇARTE e à qualidade dos participantes, não surpreendem a presidente da comissão organizadora. “A partir do momento em que fizemos a primeira edição, pensamos 34 ALGARVE #104 INFORMATIVO

sempre em repetir e desde o segundo ano que temos concorrentes internacionais. Tem corrido sempre bem, com uma grande adesão, e há muitos bailarinos excelentes em Portugal. Aliás, os nossos não ficam atrás dos seus colegas estrangeiros, antes pelo contrário, o problema é que não existem oportunidades de trabalho no nosso país”, lamenta Laura Andrade, indicando que muitos ex-concorrentes portugueses fazem agora parte de companhias de renome internacional como o Royal Ballet de Londres ou as Óperas de Viena e de Helsínquia, para além da Companhia Nacional de Bailado. “Neste momento, temos também antigos alunos em escolas em Zurique, em Cannes, em Londres. É uma felicidade conhecer miúdos que começaram aqui com oito anos e agora estão em grandes companhias europeias e dos Estados Unidos. Em Portugal há poucas oportunidades, mas eles têm o mundo inteiro para se exprimirem” .


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REPORTAGEM

FERRAGUDO Foram 332 as candidaturas apresentadas ao concurso «7 Maravilhas de Portugal – Aldeias», das quais apenas 49 foram eleitas em sete diferentes categorias: «Aldeias Autênticas», «Aldeias-Monumento», «Aldeias Ribeirinhas», «Aldeias em Áreas Protegidas», «Aldeias Remotas», «Aldeias de Mar» e «Aldeias Rurais». No concelho de Lagoa situa-se a vila de Ferragudo, pré-finalista na categoria de «Aldeias de Mar». Texto: 38 ALGARVE #104 INFORMATIVO INFORMATIVO

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ocalizada junto à foz do Rio Arade, no concelho de Lagoa, Ferragudo foi elevada à categoria de vila a 30 de junho de 1999. A Norte faz fronteira com a freguesia do Parchal, a Sul tem o Oceano Atlântico, a Este encontra-se a Freguesia de Estômbar e, a Oeste, tem o Rio Arade. Com uma área de aproximadamente 5,74 quilómetros quadrados, possui cerca de três mil habitantes.

Ferragudo foi uma zona escolhida por Fenícios, Cartagineses e Romanos, que praticavam a pesca e desenvolveram a indústria da salga do peixe na foz do Rio Arade. Dos Romanos ficou igualmente a arte do mosaico e da numismática. Bem mais tarde, por volta do século XIV, os pescadores começaram a usar este lugar para enfrentar os rigorosos Invernos e assim se foi construindo a presente moldura humana da freguesia. Corria o ano de 1520 quando a Rainha D. Leonor viu as potencialidades do local e quis oferecer aos seus moradores os meios indispensáveis de segurança que assegurassem a

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sua continuidade e a fixação de outras pessoas. Assim, concedeu-lhes privilégios idênticos aos dos habitantes de Silves e o Bispo do Algarve foi uma das personalidades que ali se instalaram. É, aliás, ao Bispo de Silves D. Fernando Coutinho que se deve a edificação, entre 1502 e 1537, da muralha que protegia a povoação de Ferragudo, bem como do castelo onde provavelmente residia aquando da sua morte. No século XVIII, a pesca e a agricultura caminhavam de mãos-dadas e Ferragudo separouse da freguesia de Estômbar, passando a constituir uma nova freguesia em 1749. Nos campos em redor predominavam a apanha da amêndoa, figo e alfarroba. Com o incremento da indústria conserveira, no início do século XX, Ferragudo cresceu a olhos vistos, disputando mesmo as primeiras posições no mercado nacional das pescas. Contudo, esses tempos áureos findaram com a decadência da indústria, incapaz de acompanhar as novas tecnologias e tornando-se pouco rentável.

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Depois da hegemonia da agricultura e pesca, e à semelhança do que sucedeu um pouco por todo o Algarve, a partir da década de 70 do século XX implantou-se o turismo como principal vetor económico, gerando comércio e serviços, bem como pequenas indústrias que coexistiam com a agricultura e a pesca tradicional. A riqueza cultural desta zona foi também acentuada em termos turísticos pelo seu artesanato, de onde se destaca a empreita, a olaria e a doçaria artística. 42 ALGARVE #104 INFORMATIVO


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Com o seu amontoado de casas brancas e ruas estreitas, que desembocam invariavelmente na zona ribeirinha, Ferragudo conserva ainda traços de outros tempos. No passado, ali se realizou a maior feira de gado a sul do país, havia fábricas de conserva de peixe em plena atividade, a manufatura de empreita, entre outros negócios. Agora, porém, são já poucos os pescadores que ainda vão ao mar, assim como são escassos os agricultores que ainda retiram da terra os frutos do seu sustento, pois é o turismo a grande fonte de receitas da vila. Às maravilhosas praias e às excecionais condições naturais que ali se podem encontrar aliaram-se as vilas, os aldeamentos, entre outras unidades de alojamento, tornando Ferragudo, uma região de reconhecida beleza, num lugar aprazível e ideal para umas férias tranquilas .

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ENTREVISTA

CLÉVIO NÓBREGA

É O «JOVEM CIENTISTA 2017» DA EUROPA Investigador do CBMR da Universidade do Algarve, Clévio Nóbrega acaba de ser considerado pela Sociedade Europeia de Neuroquímica como o «Jovem Cientista 2017». O responsável pelo laboratório de Neurociência Molecular e Terapia Genética da academia algarvia tem dedicado os últimos anos ao estudo da doença de Machado-Joseph e já há dois anos havia sido premiado pela Associação Francesa contra Miopatias. Texto:

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rotina é quase sempre a mesma para este madeirense de 38 anos. Docente no Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina da Universidade do Algarve e responsável pelo Laboratório de Neurociência Molecular e Terapia Genética do Centro de Investigação em Biomedicina, o dia começa normalmente antes das sete da manhã, toma um pequeno-almoço reforçado e calmo, dá uma caminhada de cinco quilómetros (à tarde a distância aumenta para os 10 quilómetros), e ruma ao polo das Gambelas da Universidade do Algarve. Depois de ter sido professor convidado no anterior ano letivo, o desafio agora é maior, o que «rouba» tempo à investigação pura e dura, porque também está a criar um laboratório do zero. “Leciono «Terapia Génica» no curso de Ciências Biomédicas e «Ciências Básicas e Clínicas» no Mestrado Integrado em Medicina, para além de colaborar com outros docentes, nomeadamente na

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e «Neurobiologia». Há semestres mais preenchidos do que outros mas, sempre que possível, tento dedicar metade do tempo às aulas e a outra metade à investigação”, conta Clévio Nóbrega. Preparar as aulas que consome bem mais tempo do que a hora que depois passa à frente dos alunos, pois é importante escolher a informação e as imagens corretas e com o grau de profundidade mais adequado. Já no laboratório, o tempo para estar de volta do computador e dos instrumentos não abunda, reconhece. “À medida que passamos do doutoramento para o pósdoutoramento e chegamos a investigador principal, as responsabilidades vão aumentando, desde arranjar financiamento a concorrer a projetos, desde ajudar os alunos a terem bolsas de doutoramento a preparar palestras em conferências e escrever artigos científicos. Aquilo que realmente gostamos é vestir a bata e


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colocar as «mãos na massa», é fazer as experiências à nossa maneira”, aponta. Com tantas tarefas a seu cargo, o mais difícil para qualquer investigador/professor é precisamente estratificar o dia, fazer a divisão do tempo disponível. Nesse aspeto, porém, Clévio Nóbrega não tem uma estratégia muito delineada. “Há dias em que estou mais apto para escrever, preparar conferências ou concorrer a projetos, noutros, sento-me ao computador e não sai nada, de modo que vou para o laboratório fazer experiências. As aulas, claro, têm prioridade, os alunos estão à nossa espera e temos que as preparar, mas o resto do tempo, no meu caso, é gerido conforme os humores pessoais e a disponibilidade mental e física para realizar determinadas coisas”, explica. 48 ALGARVE #104 INFORMATIVO

Uma das tarefas mais complicadas é, de facto, arranjar os financiamentos necessários para manter um laboratório em atividade, confirma Clévio Nóbrega, acrescentando que a investigação é bastante cara. “Portugal tem recursos limitados e os apoios nacionais serão sempre poucos, o que nos obriga a concorrer a fundos internacionais, onde a competição é, obviamente, muito maior. Essa é a parte menos agradável desta vida, mas não a podemos descurar, é um esforço contínuo”, sublinha. Quanto à investigação em concreto, não é uma vida glamourosa em que se acorda, a meio da noite, com uma ideia brilhante e se salta para o estrelato. “As ideias devem ter uma sequência lógica, daí lermos os trabalhos que já saíram, mas não há


grande interesse, em Ciência, em se repetir o mesmo que os outros já fizeram. A vontade é ir mais além, alcançar algo novo e, para isso, uma experiência ou um projeto deverão ser muito bem pensados”, aconselha o investigador.

A DOENÇA DE MACHADO-JOSEPH Convém realçar que estes projetos normalmente se estendem no tempo, por três ou quatro anos, e os resultados nem sempre coincidem com o que era logicamente esperado, o que obriga a modificações ou adaptações a meio do percurso, mas essa é a beleza da Ciência, de acordo com Clévio Nóbrega, que cedo decidiu o que queria ser na vida. No secundário já sabia que queria ser investigador e, se possível, seguir uma carreira académica no ensino superior. Para tal tirou uma licenciatura em Biologia, Ramo Científico na Universidade da Madeira, a que se seguiu o projeto de doutoramento em Barcelona. Mais tarde, obteve o grau de Doutor em Biologia Molecular e Citogenética pela Universidade da Madeira. “Quando estamos no liceu, a imagem que temos de investigação é, de facto, mais glamourosa ou interessante daquela que depois encontramos na realidade, mas queria descobrir coisas novas, ir mais além do que era conhecido”, recorda. Certo é que, aos 38 anos, Clévio Nóbrega venceu o prémio «Jovem Cientista 2017» atribuído pela Sociedade Europeia de Neuroquímica, 17 anos depois de concluída a sua licenciatura e de ter o primeiro contato com a investigação. “Foi uma

viagem muito interessante e bastante produtiva, mas reconheço que, em Portugal, não é comum chegar-se a responsável de laboratório com a minha idade. No início da carreira, obtive uma bolsa de nove meses para ficar no Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra, a ideia era depois tirar um Pós-Doutoramento na Suécia, mas acabei por ficar nove anos em Coimbra”, conta. Foi na cidade dos estudantes que começa, então, a investigação sobre a doença de Machado-Joseph, integrado no grupo do professor Luís Almeida. “É uma doença do foro neurológico para a qual não existe cura e que tem uma grande prevalência em Portugal, sobretudo nos Açores. Trata-se de uma mutação genética em que as pessoas acabam por falecer 15 a 20 anos depois dos primeiros sintomas se manifestarem”, descreve. “Neste momento, não existe nada que consiga parar a progressão da doença, mas já se percebeu que a mutação genética de uma proteína dentro da célula leva a que exista um mau funcionamento de uma série de mecanismos, de vias, nas células dos pacientes. É um efeito em cascata e estamos a tentar descobrir meios de o parar em determinados pontos”, explica o investigador. Para já, o trabalho tem sido realizado em células e modelos animais, faltando depois dar o passo para se testar em pacientes reais, o que é mais complicado, e moroso, devido à regulamentação envolvida e ao dinheiro necessário para se conduzirem ensaios clínicos em seres humanos. “É uma #104 ALGARVE INFORMATIVO

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(…) “Cada vez que publicamos um artigo científico com um pequeno avanço, as famílias ligam-nos logo, porque as pessoas estão muito atentas a tudo o que se passa e a informação está ao dispor na internet. Temos que pensar que, hoje, os resultados do nosso trabalho podem ser limitados, mas podem fazer a diferença daqui a 20 anos” (…) doença hereditária que normalmente só se manifesta na idade adulta, ou seja, muitas vezes as pessoas já tiveram filhos antes de terem sido diagnosticadas com a Machado-Joseph. Contudo, há mecanismos experimentais que permitem cortar a mutação nos genes das pessoas em idade adulta. Quase que parece ficçãocientífica, mas sei que há ensaios clínicos aprovados nos Estados Unidos e na China, não para esta doença em particular, mas para outras semelhantes”, revela. Sem perspetivas de se descobrir uma cura, o objetivo passa por tentar atrasar os sintomas, de modo a que as pessoas tenham uma maior qualidade de vida e por mais anos, numa doença neurodegenerativa pesada para os pacientes e para os seus familiares. “As pessoas começam a ter dificuldades em andar, depois ficam numa cadeira de rodas e, finalmente, numa cama, sem se conseguirem, sequer, alimentar”, afirma, confessando que não é fácil para os 50 ALGARVE #104 INFORMATIVO

cientistas alhearem-se destes dramas humanos quando estão a realizar as suas investigações. “Por mais insensível que possa parecer, há um momento em que temos que desligar as nossas emoções. Mesmo que estivéssemos 24 horas sobre 24 horas num laboratório, com todo o dinheiro do mundo disponível, as coisas não são fáceis de alcançar. Cada vez que publicamos um artigo científico com um pequeno avanço, as famílias ligam-nos logo, porque as pessoas estão muito atentas a tudo o que se passa e a informação está ao dispor na internet. Temos que pensar que, hoje, os resultados do nosso trabalho podem ser limitados, mas podem fazer a diferença daqui a 20 anos”, indica.

INVESTIGAÇÃO NA BIOMEDICINA É MUITO COMPETITIVA Fazer o melhor que se pode no dia-adia para se conseguir ajudar gerações futuras é o que move os homens e mulheres ligados à investigação científica e os prémios que são conquistados, mais do que a sua vertente económica, servem de reconhecimento desse esforço. “Dãonos força para continuar, independentemente do dinheiro que se receba, e servem de exemplo de que, com trabalho, é possível chegar a algum sítio”, comenta o jovem cientista europeu do ano. “Sem dúvida que é uma distinção prestigiada e implica que vá dar uma conferência a Paris para a comunidade científica internacional. Será uma apresentação longa, no dia 22


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(…) “Com o passar do tempo corremos o risco de irmos ficando acomodados, de darmos menos de nós, e mudar de instituição obriga-nos a reinventar-nos” (…) de agosto, para o Congresso da Sociedade Internacional de Neuroquímica, o que aumenta a responsabilidade, mas também dá maior visibilidade e ajuda a ser conhecido na área. A investigação na área biomédica é bastante competitiva, todos nós queremos as bolsas, o financiamento e as publicações, para evoluirmos na nossa carreira e nos projetos que desenvolvemos”, salienta o madeirense. Tal não significa que a pressão cresça, a olhos vistos, no quotidiano de Clévio Nóbrega, que já sentia essa responsabilidade por estar num laboratório novo. “Quando mudamos de instituição, há sempre a curiosidade dos nossos pares em saber quanto tempo demoramos a publicar o primeiro artigo feito na casa nova. É uma pressão positiva”, assegura, garantindo que, se recuasse no tempo, seguiria exatamente o mesmo caminho. “Gosto muito do que faço, embora, do ponto de vista financeiro e do esforço pessoal que acarreta, não compense tanto como outras profissões. Mas, do ponto de vista da realização pessoal, é bastante gratificante”. Arrependido também não está de ter saído da zona de conforto de Coimbra, onde trabalhava há nove anos, para abraçar um novo desafio em terras 52 ALGARVE #104 INFORMATIVO

algarvias. Aliás, a decisão começou a formar-se quando, no ano letivo de 2015/2016, foi convidado para dar «Terapia Génica» no curso de Ciências Biomédicas e Ciências Básicas da Universidade do Algarve. “A experiência fez-me ter a certeza de que queria aliar a investigação a dar aulas no ensino superior. Na altura, foi-me também oferecida uma posição em Inglaterra, mas o bom tempo do Algarve foi decisivo para continuar no meu país”, frisa, com um sorriso. “Os seres humanos gostam pouco da mudança e eu estava bem no Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra, mas senti a necessidade de um novo desafio, de algo que puxasse mais por mim. Com o passar do tempo corremos o risco de irmos ficando acomodados, de darmos menos de nós, e mudar de instituição obriga-nos a reinventar-nos”, justifica a mudança para o Algarve. Algarve que tem vindo a conhecer aos poucos nestes últimos nove meses, com as caminhadas diárias e os passeios de carro aos fins-de-semana. A par disso, não esconde a sua paixão pela culinária, onde é adepto de fazer muitas experiências. “Também sou um «inventor» na cozinha. A partir de uma certa hora não vejo mais e-mails e fecho a parte do trabalho. Vejo televisão, entretenho-me com filmes, séries e videojogos, leio muita ficção. Na Universidade, o grande objetivo é colocar o laboratório a funcionar em pleno e para o ano vou ter novas disciplinas para lecionar, o que será outro desafio” .


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REPORTAGEM

INSPIRITUM PERCORREU RUAS DE LAGOA

O Teatro Experimental de Lagos interpretou, na noite de 18 de abril, em Lagoa, o primeiro de seis espetáculos de narração oral, teatro e dança, ao abrigo do programa «365 Algarve» e com o objetivo de promover o património oral do Algarve. O percurso iniciou-se no Mercado Municipal, passou por diversas ruas da cidade de Lagoa e culminou no Convento de São José, perante uma plateia que foi seguindo atentamente o enredo. Texto: ALGARVE #104 54 #104 54 ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO

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om o apoio do programa «365 Algarve», o Teatro Experimental de Lagos propôs-se levar a cabo seis espetáculos de narração oral, teatro e dança, em Lagoa e Lagos, com o intuito de recordar usos e costumes do património oral algarvio perdidos no tempo. Os percursos contemplam uma viagem aos contos e lendas do imaginário da região e, por isso, cada espetáculo – que é traduzido em simultâneo para inglês – acaba por ser único, talhado para o espaço onde é interpretado, sempre a partir de personagens que nascem da memória coletiva do local. O programa arrancou no dia 18 de abril, pelas 21h, junto ao Mercado Municipal de Lagoa, onde se encontravam os atores Bruno Batista, Nelda Magalhães, Arantxa Joseph e Melissa Santos. Bruno Batista funcionava como guia para os espetadores

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que se juntaram na rua e recordou alguns episódios que tiveram lugar neste espaço, no passado, logo pela manhã, quando os populares iam comprar peixe fresco depois de ouvirem tocar o sino. Com o surgimento de uma aparição, quiçá um fantasma, a história movimenta-se, muda de lugar, percorre algumas ruas de Lagoa, até chegarmos ao Convento de São José, primeiro à capela, depois andando pelos corredores sombrios, culminando finalmente em algumas salas onde decorre uma exposição que recorda tradições antigas do concelho. A interação com o público foi constante, em português e inglês, com as pessoas muito interessadas em conhecer, in loco, algumas lendas e contos do imaginário lagoense. A ideia surgiu, há dois anos, num desafio da Direção Regional da Cultura do Algarve


ao TEL para criar uma performance que dinamizasse alguns monumentos da região, assim surgindo «Era o Vento, Era Eu», mais ligado ao universo marítimo e piscatório, com sereias, pescadores e piratas, interpretado na Fortaleza de Sagres. Na edição seguinte do DiVaM, nova proposta, desta feita a pensar no espírito dos lugares, com lendas do universo popular, dai nascendo «Inspiritum». “São percursos narrativos em que o teatro está presente, mas não são personagens a viver situações, mas sim a contar histórias adaptadas aos vários lugares”, explica Bruno Batista. Uma adaptação que não é fácil, porque os percursos não pretendem contar a história dos lugares ou dos monumentos em si, mas ficcionar a partir desses locais. “Isso obriga-nos a procurar contos populares que tenham

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a ver com a cultura portuguesa e esta junção da realidade com a ficção dá corpo ao «Inspiritum»”, indica o ator, acrescentando que há sempre uma lógica no percurso delineado para cada performance. “Muitas vezes tudo começa com um guia que, ao longo do percurso, se vai transformando e vão também aparecendo novas personagens. O público tem que acompanhar atentamente a história que vai acontecendo à sua frente para perceber onde o enredo vai parar. São várias linhas narrativas que, todas juntas, fazem sentido”, frisa Bruno Batista. Um trabalho sem «rede», assim se pode dizer, porque nunca há a certeza do número de pessoas que vão acompanhar o trajeto, nem das suas idades ou

nacionalidades, nem da forma como vão reagir à performance. Aliás, o percurso narrativo do dia 18 de abril foi muito preenchido por intervenções da assistência, dos espetadores, que iam comentando o que o guia ia contando. “Num espetáculo teatral há um texto que foi decorado e que é para ser dito daquela forma específica, nos contos há uma maior envolvência com o público. Aqui, essa interação é feita através do guia, mas depois há umas personagens que aparecem pelo meio da história e que não sabemos muito bem o que são. Os percursos estão repletos de aparições e desaparecimentos das personagens, quase de forma mágica”, refere Bruno Batista .

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ENTREVISTA

CRIA AJUDA OS EMPREENDEDORES A TORNAR O ALGARVE MAIS INTELIGENTE E COMPETITIVO O CRIA - Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da Universidade do Algarve tem andado numa roda-viva nos últimos meses, com o roadshow «Autarquia Inova» a percorrer os 16 concelhos do Algarve, mas também com a receção de propostas para mais uma edição do concurso «Ideias em Caixa». Mas a divisão liderada por Hugo Barros é muito mais do que estes dois projetos e, na última década, já ajudou a criar quase uma centena de empresas inovadoras e sustentáveis. Texto:

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CRIA – Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da Universidade do Algarve nasceu, em 2003, resultante de uma candidatura ao «Inova Algarve», numa parceria entre a Universidade do Algarve, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, o NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve e a ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários. No dia-a-dia, trabalha a relação entre o conhecimento científico e a investigação produzida pela Universidade do Algarve, o setor empresarial – pois são as empresas que transformam o conhecimento em bens e serviços – e a governança, quem define os licenciamentos, os dinheiros públicos e afins. Na sua génese tinha três projetos essenciais: a criação de um Gabinete de Apoio à Propriedade Industrial; o 64 ALGARVE #104 INFORMATIVO

lançamento das bases para um polo tecnológico na região; a realização de uma mostra empresarial e de um concurso de ideias, para potenciar a investigação numa ótica de criação de empresas. “Uma das nossas áreas prioritárias tem a ver com a propriedade industrial, desde o registo de marcas e patentes, logotipos, direitos de autor, contratos de licenciamento, quer internamente, para a universidade, como para o exterior”, indica Hugo Barros, que lidera esta divisão da Universidade do Algarve desde 2013. O apoio ao empreendedorismo é uma das vertentes que tem estado mais em foco nos últimos meses com o roadshow «Autarquia Inova», onde se dá a conhecer o espírito empreendedor e casos de sucesso de cada concelho, mas também que existe, no seio da Universidade do Algarve, uma estrutura


para ajudar qualquer um a lançar a sua empresa. “Desde a fase da ideia ao plano de negócios, do financiamento ao protótipo, do estudo do mercado à criação efetiva da empresa. Ajudamos o empreendedor em todo o processo, independentemente do setor de atividade, cara-a-cara, falando diariamente com eles”, salienta o entrevistado, antes de abordar uma terceira faceta do CRIA, mais ligada à transferência de conhecimento, à relação entre a universidade e as empresas. “De uma forma muito simples, queremos estar perto do mercado para perceber o que as empresas, as associações e a sociedade civil necessitam, mas também para identificar quais as oportunidades que existem no curto, médio e longo prazo. Do mesmo modo, estamos próximos dos centros de investigação para perceber que conhecimento está a ser gerado, que competências e equipamento existem. Basicamente, mapeamos a oferta e a procura e fazemos uma intermediação entre as necessidades de inovação e investigação das empresas e a criação de conhecimento que é feito no seio da universidade”, explica Hugo Barros.

Hugo Barros: “Ou as empresas são capazes de inovar e ser mais competitivas, ou acabam por desaparecer. Nesse sentido, queremos mostrar o que a Universidade do Algarve pode trazer em termos de capacidade de inovação e quais os incentivos disponíveis para apoiar o desenvolvimento desses projetos” (…)

Presente desde o início do CRIA está, igualmente, a cooperação internacional, como forma de apoio à sustentabilidade da divisão, assim como para partilhar as boaspráticas e experiências com parceiros dos Estados Unidos da América, Europa e norte de África. “Esta relação tem crescido cada vez mais e o objetivo é conhecer as pessoas. Trabalhamos muito com outras universidades e centros de transferência de tecnologia, municípios, parques de ciência e tecnologia e construímos redes formais e informais que, depois, podemos

Quase a terminar o périplo pelos 16 concelhos do Algarve, o «Autarquia INOVA» é organizado em colaboração com o NERA, a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve e o IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional, sendo financiado pelo Sistema de Apoio a Ações Coletivas do Programa Operacional CRESC Algarve 2020, através dos projetos CRIA START + Projeto de Fomento e Apoio ao Empreendedorismo e à Criação de Novas Empresas Inovadoras e TT 2.0. –

colocar ao dispor das empresas do Algarve”, refere. “Isso pode ajudar as empresas algarvias a darem o salto para mercados internacionais, mas também queremos ser uma porta de entrada para empresas de outros locais que se queiram implantar no Algarve”.

MUNICÍPIOS SÃO PARCEIROS FUNDAMENTAIS

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Projeto de Aceleração dos Processos de Transferência de Tecnologia e Conhecimento para o Mercado. “Permitenos perceber, no terreno, quem são as entidades e as empresas, e quem são os empreendedores. Temos a sorte de ser uma divisão da Universidade do Algarve, estamos perto da massa crítica relevante em termos de desenvolvimento tecnológico, de inovação e investigação, mas os projetos precisam, de uma forma ou outra, de trabalhar no território e os municípios são os nossos parceiros de excelência nesse processo”, assume Hugo Barros. As sessões do «Autarquia INOVA» são normalmente compostas por duas partes, a primeira delas dedicada a apoiar o empreendedorismo e a demonstrar que criar uma empresa não é um bicho-desete-cabeças como noutros tempos. “Em quase todos os projetos que ajudamos não existe muita liquidez no início e há sempre algum desconhecimento ou incerteza quanto ao mercado potencial. Divulgamos casos de sucesso, pessoas que podem partilhar o que correu bem ou mal, porque todos precisam conhecer os seus clientes e fornecedores, elaborar um plano de negócios, estudar as fontes de financiamento disponíveis, públicas ou privadas”, frisa o entrevistado, adiantando que a outra faceta destas sessões diz respeito à integração da inovação e desenvolvimento tecnológico nas empresas já existentes. “Ou as empresas são capazes de inovar e ser mais competitivas, ou acabam por desaparecer. Nesse sentido, queremos mostrar o que a Universidade do Algarve pode trazer em termos de capacidade de inovação e quais

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os incentivos disponíveis para apoiar o desenvolvimento desses projetos”. Apoios não faltam, de facto, para ajudar os empreendedores a tornarem os seus sonhos uma realidade, o empreendedorismo está na moda em Portugal e Portugal está na moda no mundo do empreendedorismo, como demonstra a captação de eventos como o «Web Summit». Hugo Barros avisa, porém, que o principal objetivo não deve ser apenas criar empresas, mas que elas sejam sustentáveis no mundo global em que vivemos. “O empreendedorismo pode vir de vários lados, é preciso, depois, compreender qual é a inovação ou diferenciação. Não é necessário ser um inovador radical em tudo, mas temos que nos diferenciar de alguma forma”, considera, lembrando que a gestão de uma empresa não se resume à sua vertente técnica, havendo as componentes comercial, recursos humanos, gestão financeira, entre outras. “A meta das entidades de suporte é facilitar, cada vez mais, a diminuição do risco, mas ele vai existir sempre”.

FAZER DO «VELHO», «NOVO» Com este objetivo em mente, o CRIA já ajudou a criar, desde 2005, 87 novas empresas de inovação, através dos seus concursos de ideias ou do apoio facultado no dia-a-dia, e cerca de 75 por cento delas ainda estão no mercado, constituindo uma taxa de sobrevivência muito interessante. “O nosso intuito é fomentarmos o aparecimento de novas empresas e criar oportunidades permanentes de empregabilidade,


inovação e crescimento aos empreendedores e à região”, reforça Hugo Barros, confirmando que existem diversos programas e mecanismos financeiros de apoio ao empreendedorismo nos últimos quadros comunitários. “Cada projeto é distinto, cada fase de desenvolvimento é diferente, e quem está numa fase de ideia não é melhor ou pior de quem está numa fase de pré-mercado, de crescimento ou de internacionalização. Temos é que adaptar as ferramentas às reais necessidades de cada promotor e existem soluções privadas e públicas para tudo isso”, nota o responsável de divisão. Conforme já referido, a inovação, nos tempos modernos, não se limita, exclusivamente, à criação de novos conceitos, bens ou serviços, tendo-se assistido com bastante sucesso à requalificação de atividades ou produtos tradicionais do Algarve que os transporte para o século XXI. E o «Ideias em Caixa» é,

precisamente, um concurso de apresentação de ideias de negócio que permite selecionar as que têm maior potencial de mercado, de acordo com a qualidade da ideia e a especialização inteligente da região. “Existem, por vezes, algumas ideias disruptivas, conceitos bastante interessantes que resultam de investigação, de projetos finais de curso, doutorados e mestrados; mas também têm aumentado as inovações incrementais, onde se identifica uma necessidade de mercado e se dá resposta a ela, ou se implementa algo que já existe noutras regiões e países. Há, igualmente, diversos projetos de requalificação bem-sucedidos que, como diz a CCDR, fazem do «velho», «novo»”, destaca Hugo Barros. O entrevistado reconhece que é difícil para um empreendedor possuir todas as competências técnicas, de gestão, de #104 ALGARVE INFORMATIVO

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Hugo Barros: “Com o apoio das associações empresariais, da universidade enquanto centro de desenvolvimento tecnológico, e dos municípios, acredito que se consiga juntar massa crítica num polo tecnológico”. marketing necessárias para alcançar o êxito, mas lembra que existem muitas ferramentas de suporte, entidades de apoio e mecanismos financeiros ao dispor, como se verifica no concurso «Ideias em Caixa». “Conseguimos captar verbas e apoios dos nossos parceiros para contribuir para o desenvolvimento desses projetos, nomeadamente através de uma rede de mentores que partilha as suas experiências e conhecimentos”, afirma. No entanto, nem tudo é positivo no Algarve e Hugo Barros volta a falar de um polo tecnológico que consiga integrar, num espaço comum, empresas inovadoras, tecnológicas, que olhem para mercados internacionais. “Somos uma região essencialmente turística, com cerca de 430 mil residentes – número que aumenta cinco vezes durante o Verão – portanto, temos que atrair mais pessoas e empresas. Com o apoio das associações empresariais, da universidade enquanto centro de desenvolvimento tecnológico, e dos municípios, acredito que se consiga juntar massa crítica num polo tecnológico”. Fundamental é, também, consolidar a área do mar, um setor estratégico da especialização inteligente defendida pela CCDR Algarve e um dos setores de 68 ALGARVE #104 INFORMATIVO

excelência da Universidade do Algarve. “O nosso potencial é enorme em termos de atividades marítimoturísticas, de piscicultura, de aquacultura e de transformação e é relevante ter espaços de validação tecnológica, de implementação, junto da costa e da Ria Formosa. O setor préindustrial do mar tem necessidades muito específicas, de espaços de maior dimensão e de acesso à água, esgotos e energia, e há, felizmente, casos de sucesso no Algarve, graças ao esforço e compreensão de todas as partes”, enaltece Hugo Barros. Entretanto, o roadshow «Autarquia INOVA» aproxima-se do fim e o prazo de receção de candidaturas ao «Ideias em Caixa 2016» termina a 30 de abril, mas isso não significa que o CRIA «vá de férias», antes pelo contrário, assegura Hugo Barros com um sorriso. “Entramos na fase de seleção de ideias do concurso e de começar a trabalhar com os empreendedores nos planos de negócios, no desenvolvimento, na inovação, para criar empresas sustentáveis. O mesmo sucede com os contatos que surgiram das sessões do «Autarquia INOVA», é um trabalho que nunca pára”, indica. “Mas vamos ter também «comunidades de inovação», onde o objetivo é trabalhar com a governança, a investigação e as empresas no terreno, no sentido de identificar constrangimentos no médio e longo prazo. Há que ver e estruturar as atividades num futuro mais além e o CRIA é capaz de encontrar soluções para quem está no início da sua ideia de negócio” .


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OPINIÃO

Liberdade, quem a tem chama-lhe sua… Paulo Cunha Professor

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omo já era habitual, desci a Avenida 5 de outubro com o destino traçado pela frequência da 4.ª classe na Escola Primária de S. Luís, em Faro. Lá cheguei… mas nessa manhã algo tinha acontecido de diferente, pois a rotina tinha sido de imediato quebrada com o aviso dado pela professora: “Hoje a aula vai ser acompanhada por um pequeno rádio portátil, que ficará ligado…!?” Entre o anúncio e a explicação das razões para tal decisão, muitas ideias nos passaram pela cabeça, pois nunca tal tínhamos presenciado – uma aula dada com o recurso a «novas tecnologias»?! “O Presidente da República (Américo Tomás) e o Presidente do Conselho de Ministros (Marcello Caetano) foram presos e há revolta militar e popular nas ruas.”, foi o que, admirados e perplexos, escutámos de uma professora um pouco enervada. A aula decorreu normalmente e, face à evolução dos acontecimentos, lá saímos da escola de mão dada aos pais, que, expetantes e preocupados, nos tinham aguardado à porta da escola. Sendo um puto com dez anos, e pelo facto de ser filho de um pai politicamente informado, que habitualmente connosco comentava as «Conversas em Família» com que Marcello Caetano, na RTP 1, brindava os portugueses que tinham televisão, cedo percebi que aquele dia iria ter repercussões na vida de todos nós. A liberdade tinha definitivamente entrado no meu quotidiano, e só o facto de posteriormente ter participado no derrube do muro que separava os alunos das alunas no espaço do recreio da escola, já foi um ato revestido de grande simbolismo. Já não necessitando de continuar a falar em surdina, pois no «Estado Novo» até as paredes e as árvores tinham ouvidos, poderíamos finalmente assumir uma posição e defendê-la publicamente sem medo de castigos e represálias. Não estaria a contar-vos este episódio que vivi conjuntamente com gente da «minha cepa», se hoje não continuasse a pensar em todos aqueles que, incógnitos e esquecidos, deram muito da sua vida (e até a própria vida) para que hoje aqui pudesse

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escrever o que penso, sem filtros nem censura e, sobretudo, sem medo. Não sendo um dado adquirido, muitos «baixam a guarda» e deixam que, de forma sub-reptícia e encapotada, alguns lhes criem a ilusão que vivem em plena liberdade. Nada mais enganador!... Basta estarmos atentos a alguns comportamentos, indiciando receios e temores vários por parte de alguns setores da sociedade portuguesa, para verificar que - infelizmente - a liberdade plena (ainda) não é um dado adquirido para todos! Sei que, apesar de não o manifestarem publicamente, muitos referem a «Revolução dos Cravos» como a culpada por muito do que a seguir aconteceu, nomeadamente a forma como decorreu a descolonização, as nacionalizações, a reforma agrária, o desvio e a usurpação de bens públicos, a corrupção, e muito mais… mas convém não esquecer que a liberdade não tem qualquer culpa da utilização que certos políticos dela fizeram (e continuam a fazer!). Decorridos mais de quarenta anos, temos hoje a liberdade que merecemos, pois dela nos tornámos reféns através da forma como permitimos que a usassem. Gostei de ler uma publicação do meu amigo (e «moço do meu tempo») Joaquim Bento, que, analisando a obra «Anabasis» (obra do historiador e soldado grego Xenofonte), acabou por destacar a frase que Ciro terá proferido aos seus generais: “Sejam merecedores da liberdade que possuem e pela qual eu vos congratulo... Eu preferiria a vossa liberdade à grande riqueza e poder que tenho.". Porque a liberdade não é dada, mas todos os dias conquistada! É esse o nosso maior poder e riqueza – saber usá-la para que a nossa liberdade seja também a dos todos. Por isso aqui relembrei o dia 25 de abril de 1974, para que vós possais também lembrar que todos os dias são dias de revolução interior. Pela Liberdade! .


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OPINIÃO

Inovação e Irreverência algarvia Vico Ughetto Enófilo e gastrónomo

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m dos vinhos que esteve em prova no workshop foi o MarchaLégua branco, que se afirma como um verdadeiro blanc de noir. Ora esta designação sofisticada deriva das técnicas de vinificação da região de Champagne, e quer dizer que se trata de um vinho branco feito de uvas tintas. No caso deste, a escolha recaiu sobre o Castelão e o Arangonez em percentagens iguais. O produtor afirma que este é um verdadeiro blanc de noir, porque não contém qualquer adição de vinho branco, o que legalmente é aceite numa percentagem pequena, mantendo a designação de blanc de noir. Aníbal Neto é o engenheiro agrícola da marca e em plena Feira de Vinhos confidencia que “este vinho teve

Aníbal Neto - Engº Agrícola do projeto MarchaLégua

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algo de teimosia da nossa parte e foi uma aposta arriscada”. Isto porque vários enófilos e técnicos desaconselharam o lançamento do vinho com a cor apresentada – translúcida e de coloração pérola – é descrição oficial usada o que assenta bem sem dúvida. Temia-se que a cor do vinho não fosse «comercial», o que não veio a acontecer, demonstrando que vale a pena arriscar a fazer diferente e a inovar. Só que as curiosidades deste MarchaLégua branco são ainda mais. Não só é o único, e o primeiro blanc de noir algarvio, como a ideia da sua conceção surge da necessidade da marca se querer apresentar no mercado com o trio completo – tinto, rosé e branco. Só que há falta de uvas brancas para fazer branco, faz-se um


Os vinhos em prova no Workshop - do Minho ao Algarve

blanc de noir, e desta forma surgiu um dos vinhos que certamente marcará o futuro da marca. O projeto MarchaLégua é todo ele bastante interessante e se tivermos disponibilidade para ouvir Aníbal Neto, rapidamente constatamos que é a paixão que o move. Para além de estar ligado à Rota dos Vinhos do Algarve, Aníbal Neto é o homem encarregado da vinha, ou melhor, das vinhas, porque este projeto tem várias vinhas espalhadas pela região. Tavira é a aposta mais recente, mas que passa pelo Rogil, por Odiáxere ou por Alfambras. Este projeto nascido em 2013, pelas mãos de dois irmãos Michael e Aníbal Neto, juntamente com outros sócios investidores, não tem sequer adega para vinificar os seus vinhos, fazendo-o nas instalações da Única ou da Adega do Cantor. Depois, tiveram um começo difícil, pois apostaram em vinhas velhas que nunca tiveram qualquer rega e com vários anos de abandono. O trabalho na vinha foi essencial para recuperar todo o potencial produtivo, o que demora o seu tempo. No primeiro ano nem sequer tiveram uvas suficientes para produção e a marca está

claramente numa fase de afirmação e crescimento, mas cheios de boas ideias para os próximos lançamentos que se avizinham e que vai ser um novo trio. O rosé terá uma cor mais pálida do que o atual, mas pretende manter o caráter fortemente gastronómico do atual. O tinto será um 100% Touriga Nacional e pessoalmente destaco o branco – um 100% Malvasia Fina – que é o primeiro monocasta do género no Algarve, vinificado a partir de vinhas velhas com mais de 40 anos. Aliás, a designação de vinhas velhas está a ser equacionada para constar do rótulo (há que determinar se cumpre os aspetos legais refere Aníbal Neto). O vinho não terá estágio em madeira e Aníbal Neto destaca a rolha com que é engarrafado: “uma rolha artificial de qualidade e respirável” que irá selar as apenas 1.700 garrafas disponíveis. MarchaLégua mostra vitalidade e inovação e também muito importante a diferenciação num setor cada vez mais competitivo. Nada mau para que apenas arrancou em 2016 e já quer voar alto em 2017 . #104 ALGARVE INFORMATIVO

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OPINIÃO

Bruno Lage - Presidente da Ambifaro na Abertura do Workshop

4ª FEIRA DE QUEIJOS E VINHOS DE FARO EDIÇÃO DA CONSAGRAÇÃO E AFIRMAÇÃO

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á boas notícias para os apreciadores de vinho, aqui especialmente acompanhado pelo magnífico duo que são o queijo e os enchidos, pois decorre em Faro até dia 23 de abril, em pleno jardim Manuel Bívar na baixa de Faro, a quarta edição da Feira de Queijos e Vinhos, que apesar de omitir os enchidos no nome, os tem por lá, em quantidade e qualidade. Este é um evento que tem vindo a crescer e a afirmar-se no calendário dos apreciadores e, segundo Bruno Lage, presidente da entidade organizadora Ambifaro, “este é o ano de consolidação e afirmação da Feira, prevendo-se ultrapassar os 25 mil visitantes da edição anterior, uma vez que arrancamos muito bem logo na 5ª feira com imensos visitantes”. Dos 32 expositores, 14 são dedicados à promoção vínica e nesta edição a organização lançou a novidade do copo do visitante, no qual, através de dois euros, o 76 ALGARVE #104 INFORMATIVO

portador do copo pode percorrer o recinto e provar os diversos néctares dos produtores de forma mais conveniente. Em termos de representação vínica, encontramse vinhos de vários produtores nacionais, com primazia dos algarvios, o que denota uma crescente vitalidade do setor na região e uma aposta maior na divulgação desta região vínica ainda conotada com vinhos antigos de qualidade muito mediana, situação felizmente já ultrapassada, mas que carece de promoção na mudança de mentalidades (um dos comportamentos do consumidor mais difíceis e lentos a obter-se). Para ajudar a esta mudança positiva dos vinhos algarvios, está lá um stand da ainda jovem, mas promissora, Rota dos Vinhos do Algarve, uma estreia nesta edição certame. Outro dos destaques feitos por Bruno Lage é a


continuação da aposta na vertente didática com a organização de um workshop de vinhos, que este ainda viu a sua 2ª edição alargada e melhorada, ao decorrer numa sala do antigo Governo Civil, edifício contíguo à Feira. Sob o tema «Prova Técnica de Vinhos», o enófilo e júri de concursos Gilmar Brito esgotou as 20 inscrições disponíveis num ápice e teve uma plateia muito atenta e interessada em conhecer melhor o que bebe e a descrever aromas e sabores. Para Gilmar Brito, o sucesso do workshop é uma constatação clara que o “vinho está na moda e que as pessoas também estão mais exigentes e, como consequência, pretendem estar mais informadas sobre o que bebem”. O enófilo destaca também a necessidade de estar constantemente informado, devido ao crescimento do setor. “Cada vez temos mais referências e produtores e, portanto, mais vinho para conhecer e dar a conhecer”, indica e, a comprovar esta observação, destaca o aumento do número de vinhos nos concursos onde participa como júri.

Gilmar Brito num dos momentos de prova e análise do workshop

Participantes do Workshop num dos momentos de prova É notório o aumento da participação feminina nas provas de vinhos

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OPINIÃO

Qual “festa, pá”? Luísa Monteiro Escritora

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á 43 anos, Caetano Veloso cantava-nos «Sei que estás em festa, pá». De facto, esse foi um ano de arromba para o então operário (designação em desuso até pelos «pás» de esquerda: mau: deixamos de operar!) e de lá para cá, a festa é cada vez mais um funeral. Há panos negros nas praças onde os sindicatos fazem barulho e, no fim do espírito saciado, saciar o corpo numa caracolada de amigos com uma «loura» na mão… Que tristeza, pá!!! Ó pá, tu estás cada vez mais sozinho, mais dependente de políticos e de organizações patronais para um cêntimo a mais ao ordenado! O salário mínimo é uma afronta até à dignidade de um cão; o patrão manda-te para onde quer, para fazeres o que ele entende e, como se não bastasse, até és capaz de pensar que qualquer osso rapado com que te acenem, é conquista dos trabalhadores… Não! É conquista dos empresários: são eles que financiam as campanhas dos políticos nos quais tu votas (e tu amochado no sofá de comando na mão a olhar os resultados eleitorais: grande comando o teu!). É 1.º de Maio, vamos aos caracóis, pá? Isso é intervenção fácil: não exigem força (mas que força em quem se habituou já a viver dependente, sem paixão pelo que faz e com medo de perder a parca corda - muito bamba - onde se equilibra?),

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pouca velocidade (mandaste cortar a única que tinhas, a da internet, quiçá) e consistência mole (tu sabes que a reprodução biológica é o espelho dos salários e a prova é este país de velhos, e esta educação, esta segurança social, esta saúde que não servem). Quanto à função pública, pá, ouve-se falar para aí que só haverá aumentos em 2021… Estás a ver porque é que é fácil comer caracóis? Ouve: estes que agora preservam os capitais sob a ordem capitalista e que estão protegidos pelo Estado, não estiveram contigo ombro a ombro lá na praça há 43 anos? E nós que pensamos que os mais frágeis, os menos letrados, os mais pobres, iriam agarrar a vida nas mãos… Ó pá! Mas não temos ainda mãos? E tu ris, tens sim! Vais de mão dada rumo a uma festa com foguetes e sons horríveis a que chamam música, inserida num programa «cultural» e até lambes os dedos no fim… E sabes, dada a tua amnésia crónica, que queres que te diga? Come caracóis! “Olha que não há mais metafísica no mundo senão”… caracóis, assim diria o Álvaro do Pessoa. Caracóis! .


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ATUALIDADE

ALCOUTIM ENTREGOU BOLSAS DE ESTUDO PARA O ANO LETIVO 2016/2017

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Salão Nobre dos Paços do Município de Alcoutim recebeu, no dia 10 de abril, a cerimónia de entrega das Bolsas de Estudo «Dr. João Dias», destinadas a estudantes do ensino superior do concelho de Alcoutim. Seguindo uma política de apoio e incentivo à frequência do ensino superior, e sendo o apoio aos alunos e suas famílias uma prioridade da autarquia, que procura desenvolver ações que fomentem a educação e o ensino, as bolsas constituem um importante contributo para a formação e educação dos jovens, bem como para a qualificação de recursos humanos concelhios.

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As bolsas de estudo foram entregues pelo Presidente da Câmara Municipal Osvaldo Gonçalves, que dirigiu aos jovens presentes uma palavra de incentivo para a continuidade e sucesso na vida académica e, posteriormente, na vida profissional. O edil reafirmou ainda que o Município vai continuar a apoiar a educação e formação dos jovens, contribuindo para a criação de caminhos para a empregabilidade e vincou a importância destes para o futuro do concelho de Alcoutim. No total foram atribuídas 29 bolsas de estudo no valor de mil euros cada .


UM OBSERVATÓRIO PARA COMBATER A DESERTIFICAÇÃO

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AMAL - Comunidade Intermunicipal do Algarve pretende instalar, em Alcoutim, o Observatório Nacional de Combate à Desertificação, tendo em conta que este concelho do interior do país é cada vez mais afetado pelo despovoamento e é um dos que mais sofre com as alterações climáticas. Com a função principal de monitorizar, definir e implementar estratégias destinadas a travar a desertificação do país, este observatório irá funcionar como espaço de estudo e discussão de soluções para este problema nacional. Para além de promover as formas de produção tradicionais e típicas de cada localidade, preservar e valorizar espécies autóctones e melhorar as condições de vida da população que habita em zonas mais vulneráveis, A AMAL pretende contribuir para o descentralizar de serviços da administração central como estratégia fulcral para reforçar os tecidos económico e empresarial das zonas rurais.

Na tentativa de contrariar esta problemática, o concelho de Alcoutim tem vindo a desenvolver diversas iniciativas, nomeadamente a criação de uma rede de cooperação e inovação, com o objetivo de estabelecer sinergias entre entidades públicas e privadas; a parceria com a Universidade do Algarve com vista a possibilitar aos alunos do mestrado em Gestão Sustentável dos Espaços Rurais o desenvolvimento de teses in loco e sobre estratégias de combate à desertificação; e as candidaturas ao PDR 2020 (Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020) que totalizam um valor superior a 20 milhões de euros. Também ciente da importância desta temática, a AMAL concretizou recentemente o Plano Intermunicipal de Alterações Climáticas do Algarve, no âmbito do POSEUR, do qual irá resultar um plano de ação com a definição de medidas suscetíveis de serem implementadas a sul do país .

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ODIANA ORGANIZOU PEQUENO-ALMOÇO «À» BAIXO GUADIANA

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o dia 15 de abril, a Associação Odiana, no âmbito do projeto «Choose our Food», lançou «O Dia do Pequeno Almoço no Baixo Guadiana». A ação pretende levar os produtos das áreas da baixa densidade até ao hotéis de litoral e estreitar uma relação comercial para que os hotéis do território passem a usar/comprar produtos agroalimentares do Baixo Guadiana. A iniciativa aconteceu no Praia Verde Boutique Hotel e foi a primeira de um conjunto de quatro degustações a lançar no território, tendo surpreendido os hóspedes com um pequenoalmoço fora do habitual, com muita diversidade e iguarias genuínas, desde um sumo de laranja natural, ou uma tisana, o pão mais tradicional, uma fatia de queijo ou até um iogurte de leite de cabra, uns apetitosos morangos e uma mão cheia de amêndoas torradas. A «prova» prosseguiu com uma deliciosa torta de alfarroba e mel ou uns saborosos biscoitos de limão acompanhados com compotas várias, desde figo, maçã e canela, abóbora e amêndoa e alfarroba com laranja. O 84 ALGARVE #104 INFORMATIVO

mel não faltou, não só com o habitual mel de laranjeira e/ou rosmaninho, mas também os invejáveis favos de mel. A inovadora manteiga de alfarroba e amêndoa, umas trufas com chocolate e amêndoa, ou ainda figo doce, em calda de gengibre, ou seco com funcho, aguçaram o apetite e, a finalizar, paio do lombo, presunto e chouriço de porco ibérico. Foi um conjunto de tentações gastronómicas que reuniu 140 pessoas, com turistas de várias nacionalidades que assim apreciaram os produtos agroalimentares do território. “A grande mais valia é que os próprios turistas passam a conhecer os produtos e a poder adquiri-los”, referiu Valter Matias, Diretor da Associação Odiana. “A meta é cimentar relações entre hoteleiros e os produtores para que os produtos sejam consumidos nos espaços de hotelaria e restauração”, acrescentou, relembrando que grande parte dos hotéis desconhece por vezes a vasta diversidade de produtos agroalimentares existente no Baixo Guadiana .


«ESTRADA FORA» DEDICA EPISÓDIO À SERRA DE MONCHIQUE

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Serra de Monchique é o tema do segundo de seis episódios da série protagonizada pelo ator Joaquim Horta e lançada pela marca de pneus Bridgestone, para dar a conhecer os mais bonitos roteiros do país para se percorrerem em duas rodas. Dedicado ao deleite de conduzir pelas curvas da Estrada Nacional 266, este episódio contempla ainda a riqueza natural que a envolve e a gastronomia típica da região de Monchique. Durante esta viagem, Joaquim Horta não negligencia a segurança na condução, relembrando ao espetador alguns aspetos essenciais da examinação dos pneus.

Com este projeto, a Bridgestone procura promover hábitos de condução mais responsáveis junto dos seus consumidores, através de um formato mais dinâmico e de técnicas que permitem um maior diálogo com a sua comunidade, como, por exemplo, o envolvimento do público das redes sociais na decisão dos destinos para os últimos dois episódios. A websérie «Estrada Fora» surgiu a partir da parceria entre a marca, líder na produção de pneus e borracha, e a plataforma online «Motorcycle Diaries», que apresenta a mais ampla base de dados de estradas na Europa e onde Joaquim Horta partilhará artigos dedicados a cada um dos destinos visitados .

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AUTARQUIA DE VILA DO BISPO CEDE ESPAÇOS A CLUBES DO CONCELHO

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Paintball Clube de Vila do Bispo e o Clube de Caça e Pesca do Concelho de Vila do Bispo dispõem de novos espaços municipais desde o dia 13 de abril, data em que o autarca Adelino Soares e os presidentes Samuel Inês e Manuel Alves, respetivamente, assinaram os protocolos que visam a sua cedência de utilização. O novo espaço cedido ao Paintball Clube de Vila do Bispo é uma porção de Manuel Alves e Adelino Soares terreno e situa-se a norte do Monte Santo António, na freguesia de Vila do Bispo e Raposeira e destina-se exclusivamente à construção de um percurso para treinos com motociclos. Já ao Clube de Caça e Pesca do Concelho de Vila do Bispo foi cedida a loja n.º 1 do Mercado de Sagres para o desenvolvimento de atividades no âmbito dos estatutos do clube. De acordo com os documentos, o município de Vila do Bispo cede os Samuel Inês e Adelino Soares espaços a título precário e gratuito e sem possibilidade de cedência a terceiros. Esta medida insere-se no âmbito do apoio e colaboração da autarquia com as associações culturais e desportivas do concelho, bem como da valorização do esforço e trabalho desenvolvido pelos seus dirigentes e associados .

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MUNICÍPIO DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL APOIA ATLETAS DE ALTA COMPETIÇÃO

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Município de São Brás de Alportel vai apoiar a navegadora são-brasense Inês Ponte Granja, Campeã Nacional de Ralis em 2016, juntamente com o seu companheiro de equipa, José Pedro Fontes, depois do protocolo ter sido aprovado em reunião de Câmara do dia 18 de abril. Inês Ponte tem um vasto currículo no desporto automóvel, um percurso que iniciou aos 16 anos, na sua estreia em rali como copiloto num carro zero. Conquistar o título de Campeã Nacional foi um sonho tornado realidade e ser a primeira mulher a fazê-lo atribuiu-lhe ainda mais responsabilidade na divulgação e promoção do

papel do navegador. Os sucessos constantes de cidadãos do concelho levaram a Câmara Municipal de São Brás de Alportel a promover também o trabalho do jovem Diogo Gago, Campeão Nacional de Ralis de Duas Rodas Motrizes e vencedor do Rali Casinos do Algarve, em 2016. O auxílio concedido pela autarquia não se limita, porém, ao desporto motorizado. Apaixonado pela equitação, Daniel Pires é atualmente uma promessa algarvia na modalidade e tem vindo a merecer o apoio do município num percurso repleto de êxitos .

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CÂMARA DE VILA DO BISPO ATRIBUI 22 MIL EUROS A ATLETAS DO CONCELHO

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rosseguindo a sua política de apoio aos atletas do concelho, o presidente da Câmara de Vila do Bispo, Adelino Soares, assinou, no dia 13 de abril, contratos de patrocínio com os atletas Joana Schenker (bodyboard), João Lourenço (motocross), Fernando Damas (triatlo), Carlos Duarte (triatlo), Nuno Rocha (duatlo), Luís Catarino (triatlo) e Carlos Clímaco (windsurf), no valor total de 22 mil euros. O montante será distribuído da seguinte forma: Joana Schenker - 10 mil euros; João Lourenço 5.500 euros; Fernando Damas – 2.500 euros; Carlos Duarte – 1.500 euros; Nuno Rocha – 1.500 euros; Luís Catarino - 500 euros; Carlos Clímaco - 500 euros. Em contrapartida, os desportistas ficam obrigados a inserir o logótipo do município no seu

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equipamento, bem como a fazer referência ao apoio nas ações de comunicação com os media. A assinatura destes documentos tem como objetivo apoiar a participação dos atletas nas modalidades bodyboard, motocross, triatlo e duatlo e ainda windsurf. O valor representa um forte contributo na comparticipação das despesas dos respetivos atletas e contribuirá para a melhoria das condições da sua participação nas provas que irão decorrer ao longo do ano de 2017. Esta medida vem assim confirmar o empenho e disponibilidade da autarquia em apoiar e investir nos atletas do concelho, potenciando a obtenção de resultados de relevo em várias modalidades .


ALGARVE PARTICIPA PELA PRIMEIRA VEZ NA FEIRA IBÉRICA DE TURISMO

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Região de Turismo do Algarve vai participar, pela primeira vez, na FIT – Feira Ibérica de Turismo, que se realiza no Parque Urbano do Rio Diz, na Guarda, de 28 de abril a 1 de maio. O Algarve promove-se e apresenta a sua oferta diferenciadora na cidade mais alta de Portugal, com o intuito de captar mais turistas nacionais e espanhóis. Em destaque estará ainda o turismo de natureza, um segmento prioritário da edição de 2017 da FIT. “A cidade da Guarda tem uma localização privilegiada para a promoção do intercâmbio turístico a nível ibérico, pois encontra-se à mesma distância das duas capitais, Lisboa e Madrid. Participar na FIT é uma oportunidade singular para os operadores e agentes turísticos algarvios estabelecerem contactos privilegiados, desenvolverem parcerias, e darem a conhecer os seus produtos e serviços, junto do mercado interno alargado”, explica Desidério Silva, Presidente da Região de Turismo do Algarve, que também participará na sessão oficial de abertura da FIT. Desidério Silva recorda que, pela proximidade geográfica e pela partilha comum de inúmeros

traços culturais, Espanha é um dos mercados estratégicos para o Algarve, nomeadamente em épocas mais baixas. “Este ano, gostaríamos de ver o mercado espanhol entrar no ranking dos cinco principais mercados emissores do Algarve. É, assim, fundamental que a região invista em certames desta importância, para aumentar a aposta numa promoção de proximidade”, justifica. À semelhança do que aconteceu na FITUR, a RTA marca presença num stand conjunto com o Turismo do Porto e Norte de Portugal, em que o Município de Tavira apostará na divulgação da Dieta Mediterrânica. Cabo Verde é o país convidado e a Extremadura é a região de Espanha em destaque nesta 4ª edição da FIT. Esperam-se, este ano, a participação de operadores hoteleiros, Comunidades Intermunicipais, Comissões Vitivinícolas, Regiões de Turismo, empresas de turismo ativo, agências de viagens, Câmaras Municipais e Associações, que farão da FIT 2017 um evento chave na cooperação ibérica .

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JOÃO RAMOS E VICTOR JESUS VENCERAM BAJA LOULÉ 2017

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Baja de Loulé chegou ao fim, no dia 15 de abril, com dois sectores seletivos com partidas no Ameixial e na Cortelha, com automóveis e motos a realizarem percursos distintos, no que veio a revelar-se uma boa opção a nível de tráfego competitivo. Ricardo Porém e Hugo Magalhães arrancavam na liderança, mas um furo na sua Ford Ranger ditou um atraso de quatro minutos que fez com que João Ramos/Victor Jesus passassem para a frente da prova, acabando por chegar ao final na primeira posição, repetindo a vitória alcançada em 2005. A estreia da nova Toyota Hilux foi coroada com sucesso. Ricardo Porém e Hugo Magalhães chegaram no lugar intermédio do pódio, com o terceiro lugar a ser ocupado por Pedro Ferreira/Valter Cardoso no VW Amarok, que sentiram problemas de travões durante a prova. Nota ainda para a boa prestação, no segundo dia da prova, de Alejandro Martins/José Marques, em Toyota Hilux, que foram constantemente os terceiro mais rápidos em pista mas que o tempo perdido no dia anterior

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fez com que não conseguissem melhor que a quarta posição final. Rui Sousa/Carlos Silva (Isuzu) dominaram nos T2 e nos T8 Georgino Pedroso/António Rodrigues (Nissan) foram os únicos a alcançarem o final. Entre os azarados, apontamento para Tiago Reis e Filipe Martins e André Amaral/Nélson Ramos, que vinham a realizar boas provas, mas foram forçados a abandonar com os Mercedes Proto. Registo para o triunfo do «velhinho» UMM Alter de André Santos e Ricardo Cândido entre os concorrentes à Taça Nacional de TT, que susteve o ataque na ponta final de Mário Mendes em Suzuki Jimny. Nas motos, assistiu-se a uma batalha épica entre António Maio (Yamaha), Sebastian Buhler (Yamaha) e Mário Patrão (KTM), com o campeão a conseguir tirar a liderança ao jovem luso-alemão, triunfando com 12 segundos de vantagem sobre Buhler e 21 segundos relativamente a Patrão, que foi o piloto mais rápido do dia. Nas TT3, o grande dominador foi


Luís Teixeira (Yamaha), ao passo que, nas TT1, se assistiu a um bom despique entre as Yamaha de Fernando Ferreira, Martim Ventura (melhor classificado na Promoção) e Pedro Oliveira, que terminaram nesta ordem, depois de Oliveira ter sofrido uma penalização por excesso de velocidade. Luís Cunha (KTM) ganhou entre os Veteranos e a melhor senhora foi Flávia Rolo (KTM). No plantel dos SSV, João Lopes/Bruno Santos (Polaris) é que estiveram imunes a vicissitudes e mantiveram a liderança que detinham desde o dia anterior. Na segunda posição ficou o Can-Am de Vítor Santos/Valter Sá e na terceira posição João Dias/João Filipe (Polaris), que fizeram uma grande recuperação na etapa de hoje. Nota também para Bruno Matias (CanAm), melhor concorrente a solo e Promoção, Mário Franco/Luis Engeitado, os

melhores entre os concorrentes da categoria T2 e do Yamaha Open e Tânia Diogo (Yamaha) que foi a melhor piloto feminina. O plantel teve algumas baixas no segundo dia, com destaque para as desistências de Monteiro, Ruben e Marco Silva, que andavam nos lugares cimeiros. No que respeita aos quads, Arnaldo Martins (Suzuki) levou de vencido a categoria, superiorizando Fábio Ferreira (Yamaha) e Wilson Galo (Suzuki). Na classe reservada aos Hobbys, Arcélio Couto foi o vencedor em motos, Paulo Mendes o melhor quad e Miguel Péres com Ana Durães os resistentes de SSV. Os concorrentes que chegaram ao final foram recebidos no pódio situado na Avenida José da Costa Mealha em Loulé, terminando assim em clima de festa uma prova que foi plena de emotividade e competição .

CLUBE DE GOLFE DE VILAMOURA É CAMPEÃO NACIONAL EM SUB-14

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Clube de Golfe de Vilamoura venceu o 19.º Campeonato Nacional de Clubes Jovens no escalão etário de sub-14, numa prova organizada pela Federação Portuguesa de Golfe no Oporto Golf Club, no concelho de Espinho. Foi a sétima vez que Vilamoura se apoderou deste troféu em 15 edições da prova (nos primeiros quatro anos jogou-se apenas em sub-16), pelo que é o açambarcador histórico. No escalão de sub-14 competiram sete equipas e 30 jogadores e Vilamoura venceu com a vantagem teoricamente confortável de 14 pancadas, ao totalizar 690, 51 acima do Par, após voltas de 219, 236 e 235. Os algarvios repetiram os sucessos de 2003, 2004, 2005, 2006, 2008 e 2015. No ano passado, Vilamoura tinha perdido o título para Miramar por escassas duas pancadas. A equipa treinada pelo histórico Joaquim Sequeira foi composta pelos jogadores Luca Lopes, Jamie Mann, Tomas Mician e Miguel Krowicki. O

regulamento dita que são aproveitados os três melhores resultados de cada dia e todos estes quatro jogadores contribuíram para a vitória final. Aliás, em sub-14, Vilamoura colocou todos os seus quatro jogadores no top-10 . #104 ALGARVE INFORMATIVO

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ALGARVE NATURE WEEK QUER ATRAIR MAIS TURISTAS E RESIDENTES

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Primavera está devidamente instalada no Algarve com temperaturas amenas que incitam a sair de casa e a pôr os pés em marcha rumo à natureza. Observar cetáceos, espiolhar aves, percorrer trilhos serra adentro, pedalar por salinas, mergulhar nas profundezas do Atlântico com garrafa de ar comprimido às costas ou aprender a surfar são algumas das experiências a incluir na lista dos afazeres primaveris. A Algarve Nature Week proporciona-as, de 5 a 14 de maio, e a preços convidativos para tirar o máximo proveito do mundo natural algarvio. Agora na terceira edição, a iniciativa da Região de Turismo do Algarve quer atrair ainda mais turistas e residentes, tornando-os verdeiros naturalistas. Para isso, propõe programas no mar e em terra, para aproveitar com amigos, em

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família ou sozinho, pois há sugestões à medida de todos. Mas o que torna a Algarve Nature Week 2017 tão cativante? Logo a começar, a natureza, claro. Quase 40 por cento da área total do Algarve possui estatuto de conservação, facto que o torna muito atrativo para os entusiastas do ecoturismo, que procuram lugares de grande importância biológica e paisagística para ocuparem os tempos livres. No ano que foi proclamado como o «Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento» pela Organização das Nações Unidas, a Algarve Nature Week surge como o evento ideal para descobrir o Algarve sustentável, mais natural e mais ativo.


Outro forte motivo é o número de atividades ao ar livre à espera de quem gosta de natureza, exercício físico e adrenalina. Nesta edição são mais de 130 durante os dez dias do evento e mais de 80 durante a mostra de natureza que o integra. Caminhadas, mergulho, observação de aves e de cetáceos, passeios de bicicleta, de burro, de cavalo, todo-o-terreno, de barco, de caiaque ou de segway, surf e stand up paddle são as tipologias disponíveis, promovidas por mais de 60 empresas de animação turística, unidades de alojamento e agências de viagens do Algarve. A mostra de natureza, que decorre no Sítio das Quatro Águas, em Tavira, de 5 a 7 de maio, é outro forte aliciante. Trata-se de uma exposição das atividades de turismo de natureza que o Algarve oferece todo o ano. Nas Quatro Águas, os visitantes poderão agendar algumas delas e encontrar as suas preferidas, sendo que, no primeiro dia, são gratuitas. Nos dias seguintes, são pagas, mas com preços simpáticos. Quem por ali passar será ainda surpreendido com muitas ações paralelas, desde exposições a aulas de dança ou de patinagem artística no espaço ativo do recinto, tudo com entrada livre. Este ano, a mostra de natureza conta com a participação de 26 empresas de animação turística, 20 expositores institucionais e 15 produtores regionais.

De facto, os preços das atividades serão muito acessíveis, para que seja possível reservar uma mão-cheia durante os dez dias do evento. E as 14 unidades de alojamento parceiras da Nature Week são a melhor escolha para os turistas portugueses e estrangeiros que se deslocarem à região em maio e surgem nesta edição com pacotes combinados de pernoita, pequeno-almoço e atividades em espaços naturais. “O Algarve tem excelentes condições nos diversos nichos do turismo de natureza, como o cicloturismo, as caminhadas, a observação de aves e o turismo equestre. O produto turismo de natureza e todos estes nichos estão contemplados no Plano de Marketing Estratégico para o Turismo do Algarve, o qual está atualmente a ser revisto, e representam uma das apostas da RTA para os próximos anos. É neste contexto que continuamos a organizar a Algarve Nature Week, iniciativa que dá a conhecer a beleza natural do Algarve, aumentando ao mesmo tempo a procura pela região durante todo o ano e diversificando a oferta turística do destino”, afirma o presidente da RTA, Desidério Silva .

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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina

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