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Diversão Alberto Segundo Asa Branca Genesis São João Fotógrafo de Moda 6

d mod

Publicação eletrônica da Secretaria de Ciência e Tecnologia da Prefeitura de João Pessoa

a ÃO L IÇ CIA ED PE ES

Nº 0 /2013

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INFORME PARCEIROS




Editorial

SUMÁRIO

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ESTILO

por Méri Grossi

FASHION TECH

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Colaboradores Meri Grossi, Rossana Braga, Sandra Vasconcelos, David Rayam e Fabiana Falcão Estampa Luziane Lima Capa Foto: Dayse Euzébio Modelo: Érica Sena Peças: Vanda Costa Publicação da Estação da Moda Centro Vocacional Tecnológico, vinculado à Secretaria de Ciência e Tecnológia da PMJP A revista eletrônica Da Moda é um veículo colaborativo e sem fins lucrativos. Não nos responsabilizamos pelo conteúdo enviado pelos colaboradores.

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GENESIS

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Diversão

Alberto Segun do Asa Branca Genesis São João Fotógrafo de Moda

ASA BRANCA

da Secretaria Publicação eletrônica

a

Tratamento de imagens Dayse Euzébio

por Romero Sousa

Fotógrafo de Moda

de Ciência e

Tecnologia da

d mod

Prefeitura de

João Pessoa

a

Produção Romero Sousa Assistente de produção Luziane Lima Jornalista responsável Larissa Claro - DRT 2890 Diagramação e arte Klécio Bezerra Fotos Secom

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CRIATIVO

PROFISSÃO

ÃO L IÇ IA ED PEC ES

Nº 0 /2013

Prefeito Luciano Cartaxo Secretario de Comunicação Social Marcus Alves Secretaria de Ciência e Tecnologia Marly Lúcio Diretor da Estação da Moda Romero Sousa

Por Luziane Lima

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Abraços e até a próxima!

Expediente

FAST

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DIVERSÃO

São tantos motivos para celebrar nos últimos dois meses que a revista Da Moda ganhou uma edição especial neste mês de junho. Além dos dois editoriais de moda inéditos produzidos pela revista a cada edição, cooptamos a estilista Vanda Costa e o seu editorial inspirado no Rei do Baião para homenagear a festa mais tradicional do Nordeste. Com produção do estilista Romero Sousa e da técnica em Produção de Moda Luziane Lima, apresentamos o editorial mais lúdico da revista Da Moda: Diversão. O concurso de novos estilistas realizado pela Estação da Moda, FashionTech, está presente em dose dupla. A coleção vencedora da primeira edição do concurso ganhou um olhar futurista do autor, o designer de criação Anderson George, semifinalista do Movimento HotSpot. Nesta edição, também trazemos a cobertura do desfile do ganhador da segunda edição do Fashiontech, Alberto Segundo. Para finalizar (e começar), damos as boas-vindas ao novo colaborador da revista, o estudante David Rayam, que assina uma coluna direcionada ao público masculino. Essas e outras novidades você confere agora.

PERSONA

Guto Di Bessa


Paraibanos na Indigo Paris Mais uma vez os designers paraibanos Romero Sousa (coordenador da Estação da Moda) e Dyógenes Chaves, que também é artista plástico, participarão da Première Vision Pluriel. A feira existe desde 1973 e reúne profissionais de diversos países para apresentar coleções com características originais e criativas, inspirando os visitantes com tendências para os mais diversos setores. Os paraibanos vão apresentar estampas com inspiração regional na feira de moda Indigo Paris, de 17 a 19 de setembro.

Veja mais - pág. 46

Colegiado de Moda Os representantes paraibanos do Colegiado de Moda do Ministério da Cultura participam de mais uma reunião dias 17 e 18 de julho, em Brasília. A caravana é formada por Romero Sousa, coordenador da Estação da Moda; Gabriela Maroja, coordenadora do curso Design de Moda do Unipê; Eny Marisa, empresária e professora do Unipê; e os representantes do setor artístico/criativo Dyógenes Chaves e Alexandre Nepomuceno.



Foto: Divulgação

técnica em Produção de moda e AUTORA DO blog WWW.Luzianelima.com

Foto: Reprodução

Por Luziane Lima

Sapatos garimpados na loja paraibana Babel das Artes podem ser vistos na exposição “Renda Brasileira”, em cartaz no Sesc Belenzinho, em São Paulo, até o dia 1º de setembro. A mostra é composta por 200 peças que associam artesanato tradicional ao design contemporâneo. O recorte curatorial inclui eixos temáticos que apresentam trabalhos em Renda Renascença, Filé, Renda de Bilro, Nhanduti, Frivolité e Renda Irlandesa. A curadoria é de Renato Imbroisi.

Toy Art sustentável A educadora e artista Lala Martinez, especialista em arte têxtil, também tem se dedicado aos toys art nos últimos 10 anos. Os “bichinhos” são feitos de tecido, retalhos dos mais diversos e reaproveitamento de materiais descartados no dia a dia. Conheça mais trabalhos sustentáveis no site: http:// sersustentavelcomestilo.com.br

Foto: Divulgação

AST

Renda da Paraíba em exposição




riativo por Romero Sousa

Jeans de seda Minha avó “Tertú” era uma mulher sertaneja, nascida e criada em Itaporanga (PB), alto sertão paraibano. Uma das poucas e vagas lembranças que tenho dela está ligada ao talento que Deus lhe deu: costurar. Tecidos, tesoura, linhas e máquina faziam parte do seu dia a dia. Uma época de muito trabalho para sustentar dois filhos. Até hoje, a família associa o meu “dom” para o estilismo ao talento nato de minha avó. Amante da alfaiataria como sou, um dia farei um curso para deter esta técnica. Por enquanto, sigo na intuição... Em visita a João pessoa, Glicinia Setenareski (ou somente Gli), designer têxtil da fábrica sustentável em produtos de seda O Casulo Feliz (PR), trouxe de presente para mim um produto novo da sua tecelagem: o jeans de seda. Com aquela peça de ‘fazenda’ em mãos, resolvi não perder tempo e desenhei uma bermuda para aproveitar ainda no verão. Além do jeans fabricado em Maringá do Paraná, usei como forro retalhos de tecidos garimpados por mim durante viagem que fiz ao Congo, cidade do cariri paraibano que vale à pena visitar, e finalizei o acabamento com viés de cetim vermelho. Eis a bela peça!


diversรฃo

O estilista Romero Sousa garimpou peรงas no brechรณ de Fรกbio Rodrigues e tornou tudo novo de novo







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Cabelo e maquiagem: Mariana Mendonça Fotos e tratamento de imagem: Dayse Euzébio Modelos: Nathália Brito, Bárbara Brito e Carlos Kaique (V agency) Produção: Romero Sousa Peças: Brechó Fábio Rodrigues

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STILO por Méri Grossi

Vá de blazer para a balada! O blazer é um clássico! Em todas as estações os estilistas sugerem renovações para incluí-lo no guarda-roupa fashion com novas cores, novas golas, recortes, apliques e modelagens. Não dá para não ter um, é peça obrigatória no armário. A dificuldade que temos com o blazer é que ele ficou muito ligado ao guarda-roupa de trabalho. Mas como usar essa peça que emagrece e dá um toque de respeitabilidade, de organização sem parecer que estamos indo a uma reunião profissional? Sem estar de terninho? É claro que dá para ir à balada de blazer! Para começar escolha modelagens modernas, atuais, fresquinhas, saídas da passarela. Procure por cores, estampas e tecidos diferentes dos tradicionais. Os tecidos devem ter bom caimento para realçar a elegância. A modelagem de agora é

um pouco mais longa e fica linda com vestidos, saias e shorts. Procure um top, uma camiseta, uma blusa mais soltinha. Escolha uma calça jeans, um short, uma saia. Coloque sapatos, sapatilhas, bota ou uma plataforma. Abuse de meias com tons e tramas. Fuja do tradicional: camisa, calça reta, saia lápis, sapatos neutros. Para a balada inclua um pouco de brilho de “trash”, despenteie propositalmente os cabelos, faça um make vibrante e solte-se na pista. Nesta estação os blazers estão bem coloridos, gosto mais das cores menos abertas, vibrantes, mas nem tanto, como o amarelo mostarda. Os tecidos variam entre o cotelê, veludo, tweed, sarja, linho, algodão, lã e renda. Se a intenção é romance, use rosa seco, rosa bebê, branco.

*Méri Grossi – Jornalista. Pós-graduada em Moda, e Consultora de Imagem Pessoal.


Foto: Arquivo pessoal

rofissão Fotógrafo de Moda Lucas Freitas é um jovem fotógrafo especializado em moda. Há mais de cinco anos, ele é responsável pelos principais editorias de moda de João Pessoa, além de atuar no mercado de Recife e Natal. Foi aluno da escola de Belas Artes, em São Paulo, e também fez curso de direção e coloração de foto com o conceituado Jacques Dekequerd. Confira o bate papo que tivemos com ele sobre fotografia de moda.

RD - O que um fotógrafo de moda precisa ter para ser um bom profissional? LF: Sem dúvida, ele precisa entender e estar por dentro de tudo que é novo no ramo da moda, e não só de fotografia em si. A moda desobedece bastante os conceitos de fotografia. Um bom profissional de moda é extremamente antenado, possui referências, conceitos e, principalmente, precisa estar em unidade com sua equipe. Então ele precisa entender de moda? Com certeza! Eu não sou um escravo da moda, muito menos sigo tendências. Sou completamente relaxado e básico, mas entendo muito de moda e tudo que está em volta. Estudo todos os dias; vejo referências diárias e me atualizo em blogs e revistas. Por fim, eu vivo a moda todos os dias e isso traz um bom resultado para os meus trabalhos.

Qual é a principal diferença entre a fotografia de moda e as demais? Uma boa fotografia de moda mexe com os sentidos. É bacana porque a gente pode explorar o irreal, o lúdico. A diferença é bem notória... Uma foto de still, de paisagem ou mesmo publicitária, por exemplo, retrata a realidade do produto. Já com a fotografia de moda mostramos algo a mais, ou seja, o produto se torna ainda mais desejável, ainda que seja algo simples e sem vida. A fotografia de moda transforma o produto em um sonho de consumo.

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Como deve ser a relação do fotógrafo com os demais profissionais da área, como produtores, estilistas e maquiadores? Existem profissionais que nem sequer conhecem a equipe que vão trabalhar no dia seguinte. Tipo, cada um faz o seu, sabe? Eu geralmente trabalho com os mesmos profissionais e se a equipe mudar eu pesquiso sobre o trabalho de cada um, tento trocar uma ideia com os profissionais antes de começar a clicar. Passo para eles as minhas ideias e a gente divide experiências e opiniões. Eu trabalho anteriormente com pesquisas, desenhos e referências junto à equipe, ajudo a escolher cores, nuances, tecidos. Essa unidade é extremamente fundamental, afinal eu já tenho o produto final mentalizado. Em minha opinião, essa relação traz bons resultados para o trabalho final.

É o fotógrafo quem “dirige” a modelo? Gostaria que você falasse um pouco sobre a relação entre fotógrafo e modelo.

Como é o mercado para fotografia de moda na Paraíba? Eu já tive oportunidade de mudar para outra cidade e tenho certeza que teria mais visibilidade mundialmente, mas eu acredito bastante no Nordeste e na Paraíba. É impressionante como esse mercado cresceu aqui. Os blogs de moda ajudam muito. Hoje em dia as pessoas se importam mais e muitas vezes colocam em primeiro lugar o que era talvez o último, sabe? Trabalho aqui, em Natal e um pouco em Recife. Ainda não é a melhor coisa do mundo, mas tenho certeza que vai ser em pouco tempo. E fico feliz em ser o pioneiro na fotografia de moda no Nordeste. Posso até passar um tempo fora, mas aqui é a minha casa, o meu estúdio. Amo a tranquilidade que existe aqui; amo a cidade em si. O mercado não é tão bom quanto poderia ser, mas há três anos não existia um terço do que existe hoje, não é?

Campanha areia dourada e closet deluxe, por lucas freitas

Eu dirijo, sim. Amo dirigir. Na verdade acho que essa é uma obrigação do fotógrafo, já que é ele quem está vendo o ângulo na câmera, a luz e, com isso, sabe o que vai ficar melhor. Muitas modelos, sejam homens ou mulheres, gostam de ser dirigidos. No meu caso, me pego fortemente aos detalhes - não vou negar, sou extremamente detalhista, chatíssimo (ri) -, mas isso é bom para que a foto não precise de tanta edição extra! Enfim, a relação ‘modelo e fotógrafo’ é o ponto máximo do shoot!


Coleção venc FashionTech c O jovem Alberto Segundo levou para a Estação Cabo Branco Ciência, Cultura e Artes 30 looks inspirados em doces e dobraduras.

Após dois meses de trabalho intenso, o jovem vencedor da 2ª edição do concurso FashionTech, Alberto Segundo, levou para a passarela a coleção Candy Craft. O desfile aconteceu na noite do dia 7 de maio, na Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Artes, com presença de um público formado por jornalistas, blogueiros, profissionais, estudantes e amantes do universo da moda. Além de conhecer e prestigiar

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o trabalho do jovem, o público aplaudiu de pé o talento de Alberto e sua coleção marcada pela essência minimalista que explora formas e recortes geométricos. Para a editora do site Nas Entrelinhas, Raquel Medeiros, a palavra-chave para descrever a coleção é delicadeza. “Um acerto harmonioso de cores frescas com a textura leve da organza e da tricoline em que as peças foram confeccionadas. O resul-

tado é de aparência luminosa, ingênua e romântica. A doçura do amarelo, lilás, verde e azul enfatiza a feminilidade de vestidos e macacões que protagonizam as criações e dividem-se entre a monocromia e o equilíbrio matizado da cartela de tons claros”, analisou a jornalista. A conceituada estilista paulista Fernanda Yamamoto, que integrou o júri do FashionTech e voltou à Paraíba para assistir ao


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cedora do chega as passarelas

desfile, classificou a coleção de autoral. “A gente percebe que ele teve uma ideia e que foi fundo nessa ideia e observamos que tem muito da bagagem dele do design, com toda essa geometria. É a primeira coleção de uma pessoa que não tem experiência em moda, então eu achei que faltou um pouco da técnica, da construção da roupa, mas acho que talento ele tem, senso estético também e

acho que algumas ideias foram muito bem executadas”, analisou Fernanda Yamamoto. Já a jornalista e acadêmica Agda Aquino, que também integrou o júri do concurso, afirma que Alberto mostrou uma visão sensível de moda através da coleção Candy Craft. “Todos que estavam ao meu redor se emocionaram com o desfile de Alberto. Acho que a coleção é poética porque tanto tem pe-

ças conceituais, como peças totalmente usáveis. Ele mostrou que tem uma identidade, que é algo que a gente já identificava na seleção do concurso. Afinal, não foi à toa que ele se destacou no meio de tantos concorrentes. Um menino verde no sentido de formação e vivência pessoal, mas já com uma visão tão sensível do universo da moda como comunicação e como identidade”, ressaltou.


O conceito da coleção O novo estilista e estudante de Design Gráfico Alberto Segundo conta que se inspirou em doces e dobraduras para a criação dos 30 looks. “Sempre gostei de trabalhar com papel, não por acaso escolhi o design gráfico. Assim, veio em mente os origamis, as dobraduras. Depois, pesquisei um pouco sobre as cores candy, que remetem a doces, e associe as duas coisas”, detalhou o estudante. Do trabalho com dobraduras, surgiu a inspiração pelas formas geométricas, muito exploradas na coleção. O estilista também optou por transparência e utilizou apenas organza e tricoline para a criação dos 30 looks, que incluem vestidos, macaquitos e macacões. A confecção das peças aconteceu nos meses de março e abril por uma equipe formada pela designer Lailane Melo, a técnica em produção de moda, Grayce de Farias, as costureiras Neide Lima e Ozana Lima e as estagiárias do curso de Design de Moda do Unipê Emylene Diniz, Carolina Domingues e Louise Nery.

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Quem é Alberto Segundo Estudante do 3º período de Design Gráfico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFPB), Alberto Segundo é um estreante no universo profissional da moda. Ele conta que começou a se interessar pelo tema em 2010, quando passou a acompanhar os principais desfiles do país. “Sempre gostei de desenhar, a partir daí eu comecei a criar croquis conceituais. No ano passado, uma amiga viu os meus desenhos e me apresentou ao FashionTech”, contou. Estimulado pelo concurso, Alberto explica que passou por

um “intensivão” para entender os conceitos básicos de criação de uma coleção, mas depois de ver a feliz recepção do público ao seu trabalho, ele ressalta que a moda entrou de vez na sua vida. “Os comentários foram os melhores e isso mostra que esses dois meses intensos de trabalho no desenvolvimento da coleção valeram muito à pena. Com certeza a moda ganhou uma proporção maior para mim, já que agora estou inserido nesse contexto, com uma primeira coleção desfilada. Agora é bola pra frente e investir na carreira”, disse.


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FashionTech e a descoberta de novos talentos O FashionTech é um concurso voltado para novos estilistas com o objetivo de incentivar a criação e o desenvolvimento das potencialidades dos profissionais de moda e amadores. O evento pioneiro no âmbito das prefeituras municipais é promovido pela Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secitec) de João Pessoa e premia o vencedor com o desenvolvimento da coleção proposta no concurso, incluindo tecidos e mão de obra, além de um desfile de apresentação da coleção. Na segunda edição do concurso, 28 trabalhos foram inscritos e dez candidatos selecionados para concorrer à etapa final. Cada participante escolheu um dos croquis para ser executado e apresentado nesta etapa. As apresentações aconteceram nos dias 4 e 5 de julho de 2012, na sede da Estação da Moda. Para a titular da Secitec, Marly Lúcio, é importante investir no mercado de moda da Capital porque é um setor que gera emprego e renda. “Pra nós é um orgulho muito grande mostrar que vale a pena investir na moda, que é um mercado que gera negócios, emprego, renda e contribui para o desenvolvimento de um lugar. Por isso achamos tão importante existir um Centro Vocacional Tecnológico (Estação da Moda),

voltado para qualificar e estimular a profissionalização desse setor na nossa cidade”, ressaltou. A secretária confirmou a realização da 3ª edição do concurso, cujo edital será lançado em breve. Para o coordenador da Estação da Moda, Romero Sousa, o FashionTech vem se consolidando no cenário de moda local. “O balanço do evento é muito positivo. Realizamos a primeira edição do concurso de forma pioneira no país e agora, com a segunda edição, percebemos o ganho em termo de qualidade, capacidade de produção e qualidade das

peças confeccionadas. Esperamos que o desfile tenha sido um estímulo para os novos talentos e dizer que a gente não cansa de acreditar que a Paraíba tem valor, que é um celeiro de criação e que terá cada vez mais o nosso apoio”, afirmou. O dsfile do FashionTech contou com a parceria do Extremo Fashion, VAgency Agência de Modelos, Mariana Make Hair, Karmélia Calçados, Aviamentos e Cia, Senai, Sebrae, Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Unipê, Casa Brasil e Estação Cabo Branco.


Alunas de projeto social participam do backstage Seis alunas do projeto social nia Gomes, as jovens de 16 a 20 Vira Vida, programa mantido pe- anos ganharam experiência e las instituições Sesi e Senai, tiveram estímulo no trabalho com moda. uma experiência ímpar durante “Elas ajudaram a trocar as modeo FashionTech. Elas participaram los, conferir a numeração de caldo backstage do desfile, dando çados, crepar os sapatos, entre suporte a equipe durante todo o outras funções. Elas acompanhaprocesso que envolve a organiza- ram e ajudaram durante todo o ção de um desfile nos momentos trabalho de backstage de um desfile. Foi uma experiência muito que antecedem a passarela. De acordo com a instrutora interessante para elas, porque cotécnico educacional superior do labora para a integração social, curso de Vestuário do Senai, Sue- mostra novos horizontes e um uni-

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verso que elas não conheciam”, afirma a monitora das jovens. A jovem Tainá Albuquerque, de 17 anos, diz que gostou da experiência e, especialmente, de trabalhar com muitas pessoas. “Deu pra aprender bastante sobre um desfile de moda, que e preciso ter muita organização e responsabilidade, além de trabalhar com outras pessoas, que também é uma experiência legal”, contou.


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MUY

ACHO

Por David Rayam

Do terno ao casual Feliz daquele que sabe onde e quando usar o terno na hora e no lugar certo. Eu acho, inclusive, que todas as roupas deveriam vir com um manual de instruções, que tal?! Chegou segunda-feira e agora? O “dress code” (código de vestimenta) fala mais alto; trabalhar engravatado é praxe nas grandes empresas e aquele estilo “casual” - formado por jeans, polo,

camisa social amarrotada - só é permitido em empresas com perfil mais criativo. As gravatas continuam sendo prioridade, mas só porque é obrigatório, não deve ser mal visto ou mal vestido. Não é difícil, mas pode ser complicado para algumas pessoas casar o terno certo. É muita informação, mas eu estou aqui para ajudar. Não sou guru, mas uma mãozinha nunca é demais, não é?

Casual, what the hell? O casual foi criado em meados dos anos 90 com a expressão de “Casual Friday” (sexta-feira casual). Homens cansados da dobradinha ‘terno e gravata’ diminuíram seus rendimentos e os grandes empresários sentiram que isso acontecia a partir das quintas-feiras. Com

isso, veio a “liberdade” de usar roupas mais confortáveis, deixando os funcionários mais à vontade às sextas-feiras. Sem prever a bagunça que essa medida podia gerar, alguns empresários voltaram atrás. Hoje, muitas organizações adotam o “dress code”, que muda de empresa para empresa.

Help do dia

Divulgação TNG

O terno dá um ar de responsabilidade e com isso não se brinca. O truque é saber casar as cores e dar destaque a uma peça em meio ao trio ‘gravata - camisa - terno’. Confira algumas dicas: - Sugiro alternar a palheta de cores en-

tre tons mais claros e mais escuros da mesma cor; - No caso de gravatas estampadas, use peças lisas; - Escolha camisa social com tons mais claros do que a gravata; - Em horário de expediente, o paletó deve ser mantido abotoado.

Evite no trabalho Jeans muito justo, rasgado ou envelhecido; camisa ou camisetas estampadas com frases de baixo calão, ca-

misas de times de futebol e gravatas fashion excessivas. Deixe essas opções para os momentos de lazer.


AsaBranca O Centenário de Luiz Gonzaga e as canções do Rei do Baião são fontes de inspiração da PRODUTORA DE MODA Vanda Costa


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“Mandacaru quando fulora na seca É o sinal que a chuva chega no sertão Toda menina que enjoa da boneca É sinal que o amor já chegou no coração” Xote das meninas


“Juazeiro, juazeiro Me arresponda, por favor, Juazeiro, velho amigo, Onde anda o meu amor� Juazeiro

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37 “Lá no meu pé de serra Deixei ficar meu coração Ai, que saudades tenho Eu vou voltar pro meu sertão” No meu pé de serra


“Quando olhei a terra ardendo Com a fogueira de São João Eu perguntei a Deus do céu, ai Por que tamanha judiação” Asa Branca

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“Nós já cantemos o baião e o pé de serra E a Asa Branca que veio lá da nossa terra Mas nós agora temos coisa bem melhor Temos a nova dança que se chama o siridó” Seridó

Maquiagem: Grayce de Farias Fotos e tratamento de imagem: Dayse Euzébio Modelos: Érika sena Produção: Romero Sousa e Luziane Lima

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A MODA Por FABY FALCÃO

Todos os anos a Pantone - empresa que fornece informações sobre as principais tendências de cores para indústria, moda, arte e design - anuncia aquela que será destaque no ano seguinte. Em 2013, a cor que nos acompanha é o verde-esmeralda. Para mim, além de bela, a cor é elegante, ressalta a beleza e transmite sensações positivas de equilíbrio, elegância e bemestar. Para algumas culturas, o verde-esmeralda está relacionado a renovação da vida, prosperidade e até mesmo a cura. É um tom forte, que chama atenção e mostra superioridade, já que seu nome está associado a uma pedra preciosa desejada por muitas mulheres. No universo da moda, o verde-esmeralda já virou febre entre os fashionistas. Grandes marcas como Lanvin, Chanel e Roberto Cavalli fizeram da cor ‘carro-chefe’ das temporadas internacionais. Outro ponto positivo da cor é que ela cai bem em todos os tons de pele e permite inúmeras combinações. Inclusive, é muito ‘chic’ (ou ‘in’) apostar num look todo verde-esmeralda. Com tantas atribuições e benefícios, fica quase impossível não aderir a esta cor que, independente de indicações ou modismos, é um verdadeiro clássico no vestuário feminino. *FABY FALCÃO É JORNALISTA DE MODA E MIDIA SOCIAL DA SECITEC

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Divulgação Renner, Valentino e Pantone

A superioridade do verde-esmeralda


www.viagency.com.br


A renda vista co O curador Renato Imbroisi destaca a criação da empresa paraibana Comparoni

Renda Renascença A técnica surgiu na Itália, na época do Renascimento, mas há historiadores que identificam suas origens nas antigas civilizações árabes. A renda foi trazida por freiras e famílias portuguesas por volta do século XVIII. É tecida com agulha e linha e com lacê (espécie de fita). É presa em um molde onde está traçado o desenho. Os estados Pernambuco e Paraíba concentram a maior produção de renda Renascença do Brasil.

Exposta em São Paulo, a renda artesanal brasileira se destaca como uma das mais significativas formas de representação cultural do país

Renda Nhanduti Também conhecida como renda Tenerife - ilha do arquipélago das Canárias, na Espanha, onde surgiu a técnica. A renda chegou ao Paraguai e foram as mulheres guaranis que a batizaram de Nhanduti (teia de aranha). No Brasil ficou conhecida como renda Sol, pelo formato circular. As rendeiras trabalham com um pequeno tear circular e fazem pequenos formatos, depois vão emendando umas nas outras. A região Sul e o estado de São Paulo são os maiores produtores.

Renda Irlandesa A origem (provável) é italiana e recebeu esse nome porque foi trazida ao Brasil por freiras irlandesas. É feita com agulha, linha e uma espécie de cordão de cetim sobre um papel desenhado. O principal núcleo de produção é a cidade de Divina Pastora, em Sergipe, cuja renda foi declarada Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional – IPHAN.


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como patrimônio Por Sandra Vasconcelos Herança dos imigrantes europeus, a renda artesanal recebe lugar de honra no Sesc Belenzinho, em São Paulo. A exposição “Renda Brasileira”, em cartaz até 1º de setembro, revela a história e a cultura de seis diferentes técnicas: renda de Bilro, Irlandesa, Renascença, Filé, Nhanduti e Frivolité. O curador e designer Renato Imbroisi reuniu centenas de peças, dando ênfase as rendas como expressão artística. Cabe ressaltar que - ao contrário do produto industrial - o valor do artesanato está contido, sobretudo, no processo e na origem. Por isso, a mostra evidencia

o espaço de trabalho e de criação das rendeiras, documentado por meio de fotos e vídeos. Na abertura do evento houve workshops com artesãs e, ainda, seminário com estilistas e designers sobre a relevância do tema. A maioria das peças expostas está vinculada a moda, com vestidos e acessórios, entre eles sapatos, bolsas e echarpes. No entanto, há também 28 peças utilitárias do acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral da Universidade Federal de Santa Catarina (MArquE/UFSC). Com isso, é possível perceber que, ao

chegar ao país e se espalhar pelas regiões, as rendas foram ganhando feições locais e se tornaram um artesanato exclusivamente brasileiro. Com a mostra “Renda Brasileira” Imbroisi atinge seu principal objetivo: difundir o trabalho artístico das artesãs como patrimônio imaterial brasileiro. Isso é louvável dada a importância de salvaguardar esta prática. A exposição tenta mostrar que o fazer artesanal deve ser mantido vivo nas mãos destas brilhantes artesãs e os designers agindo como facilitadores na produção. A moda brasileira só tem a ganhar com isso.

*Sandra Vasconcelos É jornalista e gestora de conteúdos da babel das artes

Renda de Bilro A técnica veio de Portugal. Para produzi-la, as rendeiras usam uma almofada sobre a qual colocam o papel e perfuram com alfinetes de modo a compor o desenho. Na ponta de cada fio de linha há um bilro (peça de madeira). Para formar o desenho da renda, é preciso movimentar os bilros, de modo a entrelaçar os fios. No Brasil a renda é produzida em Santa Catarina, no Ceará, na Bahia e no Piauí.

Renda Frivolitê O nome e a origem são, provavelmente, franceses. No Brasil também é chamada de Espiguilha, Pontilha ou Rendilha. É feita com os dedos, sem apoios ou almofadas. Pode-se utilizar agulha de costura, de crochê ou uma pequena navete onde se enrola a linha. A produção mais significativa é vista em São Paulo, Paraná e Piauí. Mas também é encontrada em outros Estados, como Pernambuco.

Renda Filé A origem remonta ao antigo Egito e à Pérsia, mas como era muito praticada em Portugal, veio para o Brasil através do colonizador. É feita com um bastidor. A malha (trançado de fios) é esticada neste bastidor e com linha e agulha o “desenho” da renda vai sendo formado. A agulha é parecida com a que o pescador utiliza para fazer redes. Alagoas e Ceará são os principais locais de produção desta técnica de renda no Brasil.


ERSONA GUTO DI BESSA

O design gráfico Guto di Bessa, diretor de Arte da Secretaria da Comunicação Social (Secom) da Prefeitura de João Pessoa, tem verdadeira paixão por cinema e livros de sci-fi. As referências cinematográficas e literárias estão tão presentes no seu guarda-roupa quanto no home theater.

Moda é comunicação. Gosto de mor e expressar meu hu as na minhas preferênci m dibé vestimenta. E tam da tem versão, claro! A vi ! que ser divertida

Meu estilo surgiu, talvez, ainda na infância, início da adolescência, livros especialmente quando lia o Eco e de Phillip K. Dick, Humbert eria ser quadrinhos de Moebius. Qu tásticos, fan ns um daqueles personage mentos daacabava incorporando ele bro que quilo na forma de vestir. Lem 90, onde estamos falando dos anos amos áv tudo era permitido e est rreto longe do politicamente co que impera nos dias de hoje

o? Definir o meu estil uito uso Bem, não faço m o. Dependessa palavra, nã o m acordo ou de sempre de co que, digamos, eu do personagem quele dia. Gosqueira encarar na confortáveis e ao to de usar peças egantes; gosto de mesmo tempo el alquer programa, estar pronto pra qu pois do trampo, desde um drink de nhia de aljantar na compa skate guém ou andar de

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branUso muito preto, ostrar m a co e regatas pr uso jeans por as tatuagens. Não curto muito escausa do calor e ol personagens e co tampas kitch de de sto de acessórios surfer. Também go jo de apéus e boinas. Fu cabeça, como ch mpote da odismos de ca escorregar nos m ss ni o. Um m me ligo muito rada - na real, ne r que tanto cafona, po um e er ck ro o uc po ,e , de Clube da Luta não? Tyler Durden a, ic ân Laranja Mec Alex De Large, de matográficos são estilosos cine que admiro


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nossa Aposta

Maleta Balé

FOTOS: ADRIANO FRANCO

A artesã Minele Cavalcante, de 35 anos, apostou numa ideia original e de encher os olhos: maletas de cartonagem e tecido, um produto útil, cheio de personalidade e graça. Em um ano, a artesã já conquistou muitos fãs em João Pessoa e ultrapassou a marca dos 50 exemplares. Atenta as preferências de cada cliente, Minele cria maletas de cores, tamanhos e padronagens diferentes. O modelo mais pedido mede 22cm por 28cm e sai por R$ 50, em média.

Esse e outros trabalhos da artesã estão disponíveis na página facebook.com/DonaCarolindaArtes


Primitivo e futurista, artesanal e tecnol贸gico, regional e universal se unem para criar uma nova era. Uma era onde refer锚ncias diversas se misturam dando origem a uma identidade cosmopolita, transcendental.

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67 Fotos: W. Jan Produção: Anderson George, Larissa Tertuliano, Rayssa Cariri e Kilma Russana Modelos: Acsa Samara, Bruna Gomes e Jânio Gomes


oda CULT POR IARA TORQUATO

Audrey Hepburn Uma bonequinha de luxo Quem nunca viu este rostinho antes? Vinte anos após sua morte, a atriz Audrey Hepburn continua mais presente do que nunca e não é só nos grandes filmes em que atuou, mas na estampa que chega às roupas, acessórios, itens de decoração, etc. Símbolo de elegância e beleza, a estrela Hollywoodiana continua sendo um ícone do cinema e da moda. Com seu estilo atemporal influenciou e influencia o universo fashion em qualquer estação ou época. Audrey inspirou grandes designers, como Hubert de Givenchy e Salvatore Ferragamo - na década de 50, este homenageou a atriz com uma sapatilha. Mesmo amante de chocolate, a bela mantinha o corpo magro e elegante. Conseguiu se destacar entre as grandes Marilyn Monroe e Kim Novak, que tinham curvas generosas (algo que realmente importava em Hollywood). Com aparência esguia e requintada, além de feminilidade aguçada, Audrey foi imitada por muitas mulheres que também desejavam o penteado, o corte de cabelo, a roupa, a maquiagem e os acessórios da diva. Elas que-

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riam ter o estilo da Audrey. Foi na comédia romântica “Sabrina” que a atriz firmou uma parceria e amizade com o

designer Givenchy. A partir daí o estilista criou vários vestidos para serem usados nos filmes estrelados pela diva. E quem não conhece o clássico “Bonequinha de Luxo”? Exibido e adorado há décadas por

várias gerações, o filme de 1961 é a grande marca da atriz, que interpretou uma personagem cativante, com um figurino composto por joias marcantes da Tiffany e pretinho básico do francês Hubert Givenchy. A peça se tornou a mais emblemática do cinema, e uma cópia foi leiloada pela Christie’s, em 2006, por cerca de US$ 920 mil. O filme é lembrado e referencia para muitos até hoje. A presença de Audrey Hepburn ainda é tão marcante nos dias atuais, que uma versão digital da musa foi utilizada num comercial de chocolate. Os filhos autorizaram o uso da imagem e disseram que a mãe ficaria orgulhosa, já que adorava chocolates. O vídeo levou mais de um ano para ser finalizado e a sua imagem foi recriada por computação gráfica. Eu também gostaria de ressaltar que a atriz fez parte de outro mundo, sem tanto glamour. Em 1988, ela se dedicou ao trabalho de Embaixadora da Boa Vontade da Unicef, exercendo e abraçando a causa até o fim de seus dias. Morreu em decorrência de um câncer em 1993, em casa, na Suíça.


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Na tela

Para ler

Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s) Direção: Blake Edwards, 1961 (115min) Sinopse: Considerado um dos trabalhos mais marcante da carreira da atriz, a comédia romântica conta a história de uma garota de programa, Holy (Audrey Hepburny), que sonha em se casar com um milionário,

mas acaba se envolvendo com Paul (George Peppard), um jovem escritor que é sustentado pela amante. O filme ganhou o Oscar nas categorias Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original (“Moon River”), e foi indicado para Melhor Atriz (Audrey Hepburn), Melhor Direção de Arte (colorido) e Melhor Roteiro Adaptado.

Para ler Just Being Audrey Autora: Margaret Cardillo Editora: Harper USA Audrey Hepburn também para crianças. O livro é uma graça, com lindas e divertidas ilustrações de Julia

Denos. Direcionado para o publico infantil, mas que também encanta as mamães. Relata a vida da queridíssima atriz da infância até receber o título de Embaixadora da Unicef.

*IARA TORQUATO É BLOGUEIRA E DESIGNER DE MODA


ELEZA

INSPIRAÇÃO “SÃO JOÃO”

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Fotografia: Adriano Franco Makeup: Grayce de Farias Modelo: Yasmim Gomes


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A cadência da moda

O tempo não para ROSSANA Braga “Eu também usei isso na juventude”, quem nunca ouviu uma expressão como essa dos pais ou avós? Por mais incrível que soe, a moda é cíclica, nos deparamos com roupas, acessórios, calçados, cortes de cabelo que vão e vem, num ritmo determinado por referências pop, e estas podem ser as mais variadas possíveis. Todo estilista que se preze possui ou tem facilidade de acesso a algum acervo de fontes primárias e secundárias com informação suficiente para criar ou recriar uma coleção com um conceito inerente a sua pesquisa e preferência. O corpo humano e suas proporções são estudadas a vários séculos porque sempre houve a necessidade do homem se vestir, seja para esconder seus pudores ou para se proteger das intempéries. A roupa, além de cumprir essas funções, precisava facilitar a mobilidade física para que não atrapalhasse o desempenho no trabalho e, no caso feminino, não

dissipasse a delicadeza ou a voluptuosidade de suas formas. Com um histórico assim, é fácil deduzir que tudo o que vestimos é fruto de algo que já foi criado ou usado anteriormente. O tempo não para, não paramos de absorver a realidade ‘espaço x tempo’ e, com isto, não paramos de mudar nem de crescer. Nosso estilo próprio é aperfeiçoado, desistimos de travar lutas contra o que gostaríamos de ser e aprendemos a valorizar o que somos e como somos. Em 1930, Frida Khalo, conceituada pintora mexicana, usava saias volumosas e longas enfeitadas com plissados, estampas, fitas e bordados para disfarçar sua perna direita, que era mais fina do que a esquerda. Também usava blusas soltinhas para esconder o espartilho rígido que era obrigada a usar depois de um acidente que quase a matou. Seus problemas físicos e emocionais a transformaram num ícone fashion e por isso o vestuário de Frida é pesquisado e referencia-

do até hoje. Nasci nos anos 80 e vivenciei uma época de excessos em roupas, cabelos, maquiagem e calçados; vi o auge de Michael Jackson dançando e encantando em shows apoteóticos com plateias perplexas e vidradas; senti no bolso a mudança para uma nova moeda; vi o termo “sustentabilidade” começar a engatinhar pelo mundo e trazer uma estética em que o “velho” pode ser novo de novo. Acredito que córtex da moda é a reinvenção, é usar um bracelete incrustado de pedras preciosas porque é belo e não porque Cleópatra usava-os no Egito antigo, que os óculos Ray-ban modelo wayfarer é descolado e fica bem em qualquer rosto e não porque em 1952 todo mundo tinha um igual. Espero que essa forma cíclica que o mercado de moda trabalha continue, pois não há nada mais interessante do que ir a um brechó ou se aventurar no baú da sua tia ou avó e achar aquela peça vintage que faltava para o toque final do look.

*Rossana Braga É PRODUTORA DE MODA E TEM UM BLOG (FASHIONSTREET.COM.BR)


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