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112 Revista do Curso Abril de Jornalismo 2013

lições de jornalismo José Roberto Guzzo “Quando você dá uma ideia diferente, é acusado de coisas que não fez” Luiz Felipe Pondé “O politicamente correto é uma espécie de nova censura” Xico Sá “Eu misturo trabalho com tudo” Julia Petit “Não adianta nada falar por falar. Tem de imprimir uma opinião” Além dessas, mais 108 reflexões sobre o dia a dia da profissão


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expediente

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Carta dos editores

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Voz da experiência Trinta profissionais da Editora Abril dizem o que aprenderam com o jornalismo

50

cario guatelli

eduardo biermann

26

akemi tanaka

Í NDI C E

62 Fraudes na imprensa

Jornalistas que inventaram matérias

64 Segredo de blogueira

Julia Petit e Bia Perotti revelam como fazem para se manter em alta com blogs de moda e beleza

22 Polêmico convicto

José Roberto Guzzo dá dicas de como se preocupar pouco com a unanimidade

26 Conteúdo dá lucro Novos modelos de negócio

32 Cronista sedutor

Xico Sá explica o sucesso de seus textos

36 Palavra tem poder

As frases que influenciaram o destino do país

42 Mundo virtual

Como a internet mudou a rotina de trabalho

46 Experimentação

O designer gráfico Chico Homem de Mello faz uma análise do design editorial brasileiro

50 Olhar diferenciado

Cinco instantes inesquecíveis captados pela sensibilidade de cinco fotojornalistas famosos

58 Nova censura

O filósofo Luiz Felipe Pondé fala sobre o politicamente correto nas redações

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68

9 ideias geniais Um resumo dos trabalhos de conclusão de curso feitos pelos alunos do 30º CAJ

70

Veja Campinas

74

Claudia SP

78 Superinteressante 82

Contigo!

86 Placar 90 Exame.com 94

Veja

98 Alfa 102 Você S/A 106 Making of da plug

Ensaio fotográfico com os alunos do CAJ

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10 PRÊMIO ODEBRECHT DE PESQUISA HISTÓRICA

2013

anos

Desde 1959, a Odebrecht incentiva projetos que valorizam o patrimônio artístico e cultural do Brasil e dos países onde está presente. Por meio do Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica, criado em 2003, selecionamos anualmente um projeto de pesquisa histórica e iconográfica e o transformarmos em um livro de arte, estimulando a preservação e a propagação da memória brasileira.

Período de inscrições: de 1o de abril a 30 de junho Informações e inscrições: www.odebrecht.com/pesquisahistorica /premioodebrechthistoria

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Fundador: VICTOR CIVITA (1907-1990) Editor: Roberto Civita Conselho Editorial: Roberto Civita (Presidente), Thomaz Souto Corrêa (Vice-Presidente), Elda Müller, Fábio Colletti Barbosa, Giancarlo Civita, Jairo Mendes Leal, José Roberto Guzzo, Victor Civita Presidente Executivo Abril Mídia: Jairo Mendes Leal Diretor de Assinaturas: Fernando Costa Diretor Geral Digital: Manoel Lemos Diretor Financeiro e Administrativo: Fábio Petrossi Gallo Diretora-Geral de Publicidade: Thais Chede Soares Diretor de Planejamento Estratégico e Novos Negócios: Daniel de Andrade Gomes Diretora de Recursos Humanos: Paula Traldi Diretor de Serviços Editoriais: Alfredo Ogawa

Orientadores Airton Seligman, Alexandre Ferreira, Edward Pimenta Edição Daniel Motta (design), Ronaldo Albanese (texto) Equipe Plug Design: Akemi Takenaka, Miguel Tomé, Isa Brandalise, Luiz Lula, Paola Gandolfo, Sophie Dang Vu Foto: Eduardo Biermann Ilustração: Marina Rebouças, Tainá Tamashiro Texto: Alexandre Aragão, Camilla Ginesi, Carla Leonardi, Cauê Marques, Cibele Reschke de Borba, Cristine Kist, Daniel Barros, Helena Borges, Isabella D’Ercole, Júlia Rodrigues, Luísa Costa, Mariana Bomfim, Maria Cristina Fernandez, Mariele Góes, Nathan Mattes Schäfer, Pieter Attema Zalis, Renan Oliveira de França, Saulo Pereira Guimarães, Tainá Goulart, Victor Affonso, Wilson Saiki

CURSO ABRIL DE JORNALISMO 2013 Coordenação: Edward Pimenta Produção e Logística: Wania Capelli Assistência de Produção: Valdir Paparazo Júnior Estagiário: Vitor Thomaz Paletta ORIENTADORES Adriana Yoshida, Antônio Carlos Castro, Bruno Garattoni, Claudia Calenda, Claudia Giudice, Carlos Grassetti, Dagmar Cerpa, Denis Russo, Fábio Altman, Fernanda Guzzo, Frederico Di Giacomo, Gustavo Mansur, Juliana De Mari, Marcelo Neves, Maurício Barros, Miguel Icassatti, Murilo Ohl, Paula Mageste, Rafael Corrêa, Ricardo Anderáos, Ricardo Castanho, Ricardo Corrêa, Sergio Gwercman, Sergio Zalis, Valdécio de Oliveira PALESTRANTES Alexandre Ferreira, Álvaro Zeni, Andrea Costa, André Lahóz, Angélica Santa Cruz, Armando Antenore, Carlos Graieb, Carlos Maranhão, Cláudia Vassallo, Clayton Dick, Carlos Grassetti, Daniel Pereira, Denis Russo Burgierman, Edson Rossi, Eduardo Blanco, Eduardo Nicola Zagari, Elda Müller, Eurípedes Alcântara, Fábio Altman, Fábio Colletti Barbosa, Fabiana Zanni, Frederico Di Giacomo, Gary Duffy, Giuliana Tatini, Helen Joyce, Jairo Mendes Leal, João Moreira Salles, José Roberto Guzzo, Katia Militello, Lauro Jardim, Lenita Assef, Luiz Iria, Manoel Lemos, Matthew Shirts, Paula Mageste, Rafael Corrêa, Rafael Sbarai, Ricardo Corrêa, Ricardo Garrido, Ricardo Setti, Ricardo Anderáos, Sandra Carvalho, Sandra Soares, Thiago Araújo, Thomaz Souto Corrêa ALUNOS Design: Akemi Takenaka, Carolina Goulart, Isa Brandalise, Jackeline Dinizo, Júlia D’Alkmin, Kamy Rodrigues, Luiz Lula, Miguel Tomé, Paola Gandolfo, Paula Buzzo, Sophie Dang Vu, Tainá Tamashiro, Tatiana Harada, Thais Longaray Infografia: Marcelo Garcia, Mariana Cagnin Mídias Digitais: André Murched, Bernardo Passarella, Cirilo Dias, Deborah Miranda, Elita Jarcem, Emilãine Vieira, Lucas Varidel, Saulo Pereira Guimarães Texto: Alexandre Aragão, Camilla Ginesi, Carla Leonardi, Cauê Marques, Cristine Kist, Daniel Barros, Fernanda Salla, Helena Borges, Isabella D’Ercole, Isadora Attab, Júlia Arraes, Júlia Rodrigues, Lais Botelho, Laís Cantelli, Luísa Costa, Marcela Cataldi, Maria Cristina Fernandez, Mariana Bomfim, Mariele Góes, Nathan Mattes Schäfer, Paulo Lannes, Paulo Lutero, Pieter Attema Zalis, Raquel Beer, Renan Oliveira de França, Renata Jordão, Tainá Goulart, Victor Affonso, Wilson Saiki Foto: Eduardo Biermann, Felipe Abreu, Marcelo Brant, Marina Rebouças Vídeo: Cibele Reschke de Borba, Fábio Jardelino, Gabriel Fernandes SERVIÇOS EDITORIAIS Apoio Editorial: Carlos Grassetti (Arte), Luiz Iria (Infografia), Ricardo Corrêa (Fotografia) Dedoc e Abril Press: Grace de Souza Pesquisa e inteligência de Mercado: Andrea Costa Treinamento Editorial: Edward Pimenta

Conselho de Administração: Roberto Civita (Presidente) Giancarlo Civita (Vice-Presidente), Esmaré Weideman, Hein Brand, Victor Civita Presidente Executivo: Fábio Colletti Barbosa www.abril.com.br

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CARTA DOS EDITORES

Conteúdo é o novo conteúdo Fazer listas é um ótimo exercício de jornalismo. Quando bem executado, resulta num conteúdo relevante e divertido. Foi isso o que nos pautou quando formatamos o projeto das “lições” desta Plug, originalmente proposto pelo Edward Pimenta. A ideia era fazer a garotada encaixar sua visão de jornalismo, certamente lotada de energia e vibração, num esquema compacto, dinâmico. Sim, havia um pouco de provocação no processo: ainda que criar listas seja um recurso bastante usado des-

de os anos 90 – e muitos dos garotos tenham o DNA digital (textos curtos, etc.) –, talvez não seja exatamente o tipo de atividade que um jovem jornalista espera de um trabalho de conclusão de curso. Daí que foi um barato fazer um grupo tão animado e heterogêneo imaginar pautas, texto, design e edição com um pé na densidade e outro na leveza. Claro, é difícil saber se todos assimilaram a experiência que a gente propôs. Mas que esta Plug ficou legal, ficou. O pessoal mandou bem.

Os editores Airton Seligman e Alexandre Ferreira

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30 lições de jornalismo

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30 lições de jornalismo por renan frança e júlia rodrigues fotos eduardo biermann

Veja nas páginas a seguir o que diretores de redação e redatores-chefes da Editora Abril aprenderam no dia a dia da profissão

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lições de jornalismo

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Aprendi a ser criteriosa com a apuração. Precisamos ser consistentes com qualquer informação que vai para a revista. Nossa intenção é ser impactante e dar bons caminhos para o nosso leitor. juliana de mari, de Você s/a

2

Escrever para a classe C é mais difícil do que se pensa. Os textos devem ser mais curtos, resumidos. O jornalista precisa tomar cuidado com o vocabulário que vai usar para explicar tudo sem menosprezar o leitor, achar que ele é burro. Muito pelo contrário: as minhas leitoras estão cada vez mais antenadas.

3

Jornalismo de verdade não se aprende na faculdade. Quanto antes conseguir um estágio e entrar na redação, será melhor. Nossa profissão é pouco teórica e muito prática. Angélica Santa Cruz, de lola

Lygia Rebello, de Viva Mais!

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Toda informação é importante. O repórter entrevista, pesquisa, colhe informação, mas acaba publicando 5% do que apurou. É assim mesmo. Contudo aqueles 95% não aproveitados serão úteis algum dia. Podem ajudar em outra apuração ou, até mesmo, se transformam em outra pauta.

5

Quem lê a revista se relaciona com a marca e valoriza aquilo que é produzido. Nesse sentido, é preciso entender a forma de pensar do leitor para o sucesso da publicação. Tatiana Schibuola, de gloss

6

Aprendi a afinar a linguagem jornalística para revistas masculinas. Nesse tipo de publicação, que mistura serviço e entretenimento, o bom texto é aquele que é persuasivo sem ser professoral. Airton Seligman, de Men’s Health

Pedro Ariel Santana, de Casa Claudia

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lições de jornalismo

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O jornalismo está em crise e não se sabe qual é a razão de sua existência. A não ser pelo fato de ter gente tentando entender as várias motivações que habitam o mundo. Mas é triste pensar que boa parte dos profissionais da área só estejam envolvidos em discussões e gritaria.

Há tempos era bacana ser ogro. O mundo mudou, as mulheres ficaram mais exigentes e o homem notou que precisa saber se vestir, escolher um bom restaurante e conhecer melhor tudo a seu redor. Revistas como a VIP ajudam a ampliar o repertório de um novo ser masculino.

Denis Russo Burgierman, de Superinteressante

Ricardo Lombardi, de Vip

9

Toda história pode ser grandiosa se você souber contá-la de uma maneira que valorize o depoimento do entrevistado. Lana Bitu, de Sou Mais Eu!

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Aprendi a fazer as pessoas terem escolhas saudáveis. Ninguém precisa ser louco por exercícios físicos. Quando você faz a opção por uma vida ativa, você se contagia. Angélica Banhara, de Boa Forma

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Como recebo muitos jovens na minha redação, aprendi a me alimentar desse entusiasmo juvenil. Apesar dos 28 anos de Abril, essa dose de frescor e ansiedade positiva me “contamina”. Sou um vampiro do bem. Sergio Berezovsky, de Quatro Rodas

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Pretendo ser incansável na busca pela informação mesmo como diretora de redação. Se precisar refazer uma capa em cima da hora, eu apuro. Tenho alma de repórter. Alecsandra Zapparoli, de Veja São Paulo

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J.r. duran

lições de jornalismo

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A capacidade de decisão faz a diferença para qualquer jornalista. Como diretor de redação, é preciso tomar decisões importantes que requerem muitos acertos em um curto espaço de tempo.

O mais importante é saber que o jornalismo regional não tem a pretensão de publicar tudo o que acontece na cidade. Nossa revista precisa descobrir as histórias que o leitor acha mais interessantes.

Mauricio Lima, de Veja Rio

Alessandro Duarte, de Veja BH

15

O homem envelhece, mas não amadurece. Em qualquer momento da vida, os amigos continuam fazendo piada de colégio e é preciso investir na seara do humor para escrever uma revista masculina bem próxima do entretenimento. Edson Aran, ex-diretor de playboy

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Como diretor da Runner’s, admito que aprendi a fazer revista de serviço. A minha relação com o leitor ficou muito mais estreita. E o trabalho se tornou mais gratificante, especialmente com o retorno do público, dizendo que adquiriu hábitos mais saudáveis ao ler suas matérias.

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Não se mede a qualidade de um texto pelo uso de palavras difíceis ou de construções mirabolantes. A simplicidade faz toda a diferença no jornalismo. Cristiane Teixeira, de Minha Casa

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Morte vende revista, principalmente de celebridade jovem. E o jornalista precisa aprender a não interferir na dor alheia, não pode provocar mais dor em quem está sofrendo. O repórter tem de ser respeitoso, ir até onde a pessoa permite. Patricia Hargreaves, de Mundo Estranho

Sergio Xavier, diretor do núcleo motor esporte PLUG 2013 17

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lições de jornalismo

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Aprenda a dizer não. O bom profissional sabe falar não na hora certa. Quem está em início de carreira acaba abraçando tudo o que aparece por medo de perder oportunidades. às vezes, negar um trabalho mostra que você confia em suas qualidades. Luiz Iria, diretor de Infografia

20

A tarefa do jornalista é tornar atraente um assunto que, embora seja importante, aparentemente tenha pouco interesse. Devemos equilibrar essa equação. Por isso, não é fácil fazer um leitor pagar mais de 10 reais por uma revista. Mas essa exigência me motiva.

21

Estilo nasce com a pessoa. Quem faz bom uso disso apresenta sua personalidade dando alguns pequenos sinais sobre o ser humano que é. Ter estilo vai muito além de simplesmente usar uma marca famosa. Maria Rita alonso, de Estilo

Sergio Gwercman, de Alfa

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mario rodrigues

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É preciso cuidado com as palavras que mais escondem do que revelam a realidade. Tenha uma conversa com seu leitor. Trate-o como amigo. Ao escrever uma matéria, é preciso usar uma linguagem usual. Além disso, temos de contar os fatos ao leitor da maneira mais honesta e clara.

23

No jornalismo esportivo é importante identificar bons personagens. Às vezes, o entrevistado é péssimo em declarações, mas tem uma boa história e rende um grande perfil. Maurício barros, de placar

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Jamais aceite nada de qualidade inferior. Tenha certeza de que qualquer matéria pode ser melhorada tanto na parte de texto quanto na de imagem. Matthew Shirt, de National Geographic

Eurípedes Alcântara, de Veja

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lições de jornalismo

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Nossa missão é o comprometimento com a boa reportagem. Aprendi que o jornalismo é uma atividade muito nobre e é gratificante saber que nossas matérias podem repercutir de uma forma positiva para o país. André Lahóz, de Exame

26

No cotidiano da profissão, aprendi a jamais perder a vontade de correr atrás dos vários lados da verdade. Para isso, é preciso vocação, faro, curiosidade, insistência, paciência e impaciência, ética, respeito, solidariedade e humildade. Márcia Piovesan, de TiTiTi

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Além de jogo de cintura, o bom jornalista deve sempre duvidar, de tudo e de todos. Tem também de deixar de lado a ideia de que, se a fonte sabe mais, necessariamente está falando a verdade. É preciso estudar o assunto, checar a informação para depois concluir. Giuliana Cury, de Women’s Health

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Trabalhar com turismo é delicioso, mas não é fácil. Os textos devem ser leves, nem por isso com menos informação. Escrevemos para os momentos de folga das pessoas, para as horas em que elas fogem do estresse e procuram formas de relaxar. Para isso, temos de apurar muito. Gabriela Aguerre, de Viagem e Turismo

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Como repórter, aprendi a ouvir o dito e também o não dito, ou seja, o que é falado nas entrelinhas, por meio de gestos e expressões. O jornalismo me ensinou a me colocar no lugar do outro, a tentar enxergar as coisas por perspectivas diversas.

A gente faz jornalismo porque quer mudar alguma coisa. Não apenas informar, mas transformar. Eu tinha o ideal de melhorar o mundo e hoje eu sei que não vou fazer isso, a não ser num microcosmo, que é a revista. Ali ainda é possível.

Sandra Soares, do portal MdeMulher

Fernanda Santos, de recreio

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Retranca

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atitudes de um polêmico convicto por pieter zalis foto eduardo biermann

Um dos responsáveis por fazer de Veja a maior revista de informação do país, o hoje colunista José Roberto Guzzo não tem receio de falar o que pensa nos textos, nada politicamente corretos, de sua coluna na publicação que lhe deu fama. Confira aqui as dicas do mestre para se tornar um jornalista pouco preocupado com a unanimidade

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7

atitudes de um polêmico convicto

1

Jornalismo não é uma profissão para fazer amigos. 2

Para o jornalismo de opinião, é preciso assumir uma posição clara, defendê-la e não se preocupar com todos os lados da moeda. 24 PLUG 2013

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3

O politicamente correto detona a matéria!

4

O jornalismo polêmico me dá liberdade de divulgar ideias pelas quais estou convencido e que nem sempre têm facilidade de serem propagadas.

5

Quando você dá uma ideia diferente, é acusado de um monte de coisas que não fez.

6

Se para melhorar o artigo couber uma piada que vai facilitar a compreensão, ajudar na leitura, dar um momento de prazer ao leitor, eu vou fazer minha piada e pronto.

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Não dá para dar uma amaciada aqui, dizer por outro lado ou também é preciso considerar... É necessário assumir o que está dizendo de forma direta. PLUG 2013 25

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provas de que o conteúdo continua relevante por pieter zalis ilustrações akemi takenaka

Experiências inovadoras de captação de negócios aumentam o faturamento de jornais americanos e fazem organizações ligadas ao jornalismo se manterem sem prejuízo. É o atestado de que criatividade e pontos de vista fora dos padrões podem alterar o mercado

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provas de que o conteúdo continua relevante

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Circulação X publicidade Em março de 2011, o The New York Times começou a utilizar o sistema paywall, em que o leitor acessa até dez artigos por mês gratuitamente – mais do que isso, só pagando. Um ano depois, o jornal americano, pela primeira vez em sua história, lucrou mais com circulação e audiência do que com publicidade. Foram 952,9 milhões de dólares contra 898,1 milhões de dólares de publicidade.

2

Notícia financiada O site Spot.Us é uma plataforma onde jornalistas apresentam pautas para possíveis investidores interessados. É estabelecido um prazo máximo de entrega que, se não for respeitado, faz a matéria cair e o dinheiro ser imediatamente devolvido. Cerca de 280 reportagens financiadas já foram publicadas em 110 diferentes veículos de comunicação. Entre eles, The New York Times, Los Angeles Times e Wired. A maioria das doações não passa de 50 dólares.

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Novo jeito de vender Em 2012, o jornal The Naples Daily News, da Flórida, reestruturou o esquema de operação de venda de espaço publicitário. Antes, o departamento responsável dividia a equipe por regiões. Agora, as ações de comercialização têm como base tipos de anunciantes – Serviços Domésticos, Transporte, Comida, entre outros. Deu certo. Enquanto alguns jornais americanos penam para aumentar o lucro, o Naples viu o faturamento de publicidade subir 10% em apenas 12 meses.

4

Jornal customizado O Deseret News, de Salt Lake City, inventou uma maneira eficiente de superar a crise econômica: virou um jornal específico para os mórmons, uma vertente americana do cristianismo. Além de notícias mais gerais, a pauta inclui agora, especialmente, temas religiosos e matérias sobre fé e família. Em um ano, a circulação subiu 32%, durante a semana, e 88%, aos domingos.

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provas de que o conteúdo continua relevante

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Novos anunciantes

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Lucros digitais O californiano Santa Rosa Press Democrat criou em outubro de 2011 um Media Lab independente da redação para prestar serviços digitais a empresas. Criação de sites, moderação de redes sociais e produção de vídeos são alguns dos itens oferecidos. Hoje conta com 65 clientes, o que significa 25% dos lucros do jornal na área digital. Em 2013 deve atingir 60%.

O pequeno Columbia Daily Herald, do Tennessee, encontrou o caminho para sair da crise. Desde 2012 investe pesado em sua área digital. O jornal abriu uma agência de marketing, criou um programa diário de cupons online, um serviço de vendas de ingressos, além de um projeto de anúncio que funciona em cinco diferentes plataformas digitais. Em um ano já recuperou um terço dos anunciantes que havia perdido.

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Comércio de tecnologia

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Orçamento garantido A organização americana de jornalismo investigativo Pro Publica oferece seu conteúdo gratuitamente para grandes veículos de comunicação ou divulga no seu próprio site. A agência se sustenta principalmente com filantropia da Sandler Foundation. Pequenas doações pessoais ajudam a complementar o orçamento da Pro Publica. A instituição fechou 2012 com um investimento de cerca de 11 milhões de dólares e gastou por volta de 10 milhões de dólares. Ou seja, o negócio é mantido sem prejuízos.

O site britânico de jornalismo colaborativo Blottr desenvolveu uma plataforma de algoritmos científicos que permite autenticar o conteúdo dos jornalistas que escrevem no seu site. Para obter retorno financeiro, o Blottr criou a marca NewsPoint, que vende a novidade tecnológica para jornais, editores independentes e agências de notícia.

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10 sacadas de um jornalista sedutor (em todos os sentidos...) por daniel barros foto eduardo biermann

Desde o ano 2000, quando abandonou o jornalismo político para virar cronista, o cearense Xico Sá escreve sobre sexo, sedução e conversas de mesa de bar – a ponto de já ter o status de ícone da boemia paulistana. Leia a seguir dez frases emblemáticas que saíram de uma conversa informal com ele num final de tarde em São Paulo

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sacadas de um jornalista sedutor

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Sobre estilo

Estilo é para os fodões. Eu abordo os temas em total diálogo com minhas referências. Meus textos têm um pouco da crônica antiga do Paulo Mendes Campos e do Nelson Rodrigues, da safadeza do Bukowski, do italiano Alberto Moravia – o melhor na construção de personagens femininos – e de outros mais.

2

Sobre ficção e jornalismo

Quando escrevo uma crônica, acho que tem 60% de jornalismo e 40% de ficção.

3

Sobre fazer análise

Percebi que a terapia é um ótimo álibi com a mulherada. Você pode ser um canalha, mas se faz análise é porque está tentando melhorar.

4

Sobre o texto

Eu tendo a ser muito barroco. O jornalismo limpa meu texto.

5

Sobre o verdadeiro Xico

Eu misturo trabalho com tudo. Não tenho cerimônia para usufruir das mulheres que me seduzem por conta do que escrevo. Não estou roubando ninguém! 34 PLUG 2013

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Sobre o bar

O bar e o restaurante sempre foram as minhas salas de estar. E devo meus maiores furos ao bar. Todas as minhas histórias começam com “uma vez eu estava num bar...”

7

Sobre medo

Meu maior medo é o leitor pensar: “Lá vem esse cara de novo, com essas mesmas histórias”.

8

Sobre fluxo de produção

A hora de produção para mim é cedo, de manhã. Eu tenho uma disciplina. Mas faço muitas anotações, por toda parte. Depois que saí do jornal é que foi difícil. Tanto que, no início, para conseguir produzir, eu tinha que vestir terno dentro de casa.

9

Sobre TV

Na TV, não dá para desenvolver argumentos complexos. Tem que ser uma frase pontual e fim.

10

Sobre temas para crônicas

A maior parte vem de andanças e da leitura de revistas. Pegue seis revistas aleatoriamente e leia. Impossível não achar um bom tema. PLUG 2013 35

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7 frases que mudaram a história por alexandre aragão

bia parreiras

Como apenas uma declaração publicada nos órgãos de imprensa pode mudar os destinos de um país. A Plug destacou algumas delas que, nas últimas décadas, alteraram a ordem das coisas no Brasil

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1

“O PC Farias é o testa de ferro do Fernando.” Pedro Collor, 27.mai.1992

Em entrevista a Luís Costa Pinto, de VEJA. O depoimento foi uma das peças mais importantes para o impeachment do então presidente da República.

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2

“Toda a pressão que recebi neste governo, como presidente do PTB, por dinheiro, foi em função desse ‘mensalão’, que contaminou a base parlamentar.” Roberto Jefferson, 6.jun.2005

CELSO JUNIOR

Em entrevista a Renata Lo Prete, da Folha de S.Paulo.

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7

“Eu não tenho escrúpulos. Eu acho que é isso mesmo: o que é (indicador econômico) bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde.” Rubens Ricupero, 2.set.1994

O então ministro da Fazenda renunciou assim que se soube do vazamento, via satélite, de sua conversa com o jornalista Carlos Monforte quando se preparavam para entrar ao vivo no Jornal da Globo

BETO BARATA

3

NELIO RODRIGUES

frases que mudaram a história

4

“A gente não chamava de Palocci lá na frente deles. Eles achavam ruim. Tinha que chamar de chefe.” Francenildo Santos Costa, 14.mar.2006

Caseiro de uma mansão alugada pelo então ministro Antonio Palocci, acusado de corrupção, em entrevista a Rosa Costa, de O Estado de S. Paulo.

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7

5

“Ele é meu amigo, nada mais.”

Manoel Marques

ROBERTO STUCKERT FILHO

frases que mudaram a história

6

O lobista, sobre sua relação com

“Depois que eles me apresentaram a Erenice, senti que não estavam blefando.”

o então presidente do Senado

Fábio Baracat, 15.set.2010

Renan Calheiros, em entrevista

O empresário que pagou propina à empresa do filho de Erenice Guerra, então ministra da Casa Civil, em reportagem de Diego Escosteguy em VEJA.

Cláudio Gontijo, 30.mai.2007

a Policarpo Júnior, de VEJA. Mais tarde, ficou provado que Gontijo arcava com despesas do senador.

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7

“Eu votei no Serra.”

CELSO JUNIOR

Nelson Jobim, 27.jul.2011

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O então ministro da Defesa do governo Dilma Rousseff, em entrevista a Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo e do UOL. Ele seria demitido do cargo no mês seguinte, após outras declarações polêmicas.

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exemplos de como a web mudou o mundo por saulo guimarães

A rede transformou a ordem das coisas e a forma de descrevê-las. Da apuração ao fechamento, a busca pela notícia nunca mais foi a mesma. A novidade afetou as redações de diversas maneiras, aqui enumeradas como desordenados resultados de uma página de busca

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Google

“A apuração jornalística se transformou completamente” O editor de internet do Núcleo Jovem da Abril, Frederico Di Giacomo, tinha 14 anos em 1998, quando o Google nasceu; 16 quando o site chegou a 1 bilhão de páginas; 22 quando o grupo comprou o YouTube por 1,65 bilhão de dólares. Hoje, não há pauta que comece sem uma consulta ao site.

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Atenção redobrada

“A internet me deixou mais desconfiado” Rafael Sbarai está na rede, mas sempre com um pé atrás. Para o editor de redes sociais de Veja, a ferramenta possibilita ao jornalista acessar um mundo de informações. Ao mesmo tempo, ela requer olho vivo do profissional que não quiser ser enganado ou manipulado por gente mal-intencionada.

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Alcance

“Nenhum grande evento no mundo é perdido” Gary Duff é editor executivo da BBC Brasil e foi repórter da primeira leva do site da BBC, em 1997. A princípio, poucas pessoas acreditavam no potencial da redação cheia de cabos que funcionava no 17º andar da empresa e produzia notícias para uma página que, com frequência, ficava fora do ar. PLUG 2013 43

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exemplos de como a web mudou o mundo

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Trabalho em equipe

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Novas possibilidades

“Site não é projeto de uma pessoa só”

“Nessa caneta aqui, a tinta não acaba”

O novo site de Veja SP entrou no ar em 25 de setembro de 2012, após quatro meses de preparação, e parece que a redação do 18º andar acertou em cheio. Segundo a editora Alecsandra Zapparoli, a página saltou de 750 mil para 1,2 milhão de visitantes por mês. Entre os assuntos mais vistos está o BBB 13. “Isso é triste”, lamenta ela – que comemora os bons resultados.

O pequeno objeto de plástico preto usado num tablet substituiu esquadro, prancheta, cola benzina e muito mais na vida de Luiz Iria. O diretor de infografia da Editora Abril acredita que o mundo digital trouxe interatividade, movimento e ação para seu trabalho – premiado e reconhecido entre os melhores do mundo.

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versatilidade

“Quanta gente não dorme com celular debaixo da cama?” Em Exame.com, estar com o leitor quando ele acessa a informação é prioridade. Daí a mudança do site, criado em 1994, para abrigar matérias da revista para a redação que hoje produz para aplicativos, celulares e outras plataformas. Segundo Sandra Carvalho, não há vantagem nenhuma em saber a notícia tarde.

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Autorregulação

“Mais uma bicha que se vai”

A frase sem autor conhecido foi escrita em 11 de outubro de 1996. Naquele dia, o Bol noticiava a morte do cantor Renato Russo. A princípio, o comentário hostil causou pânico na redação recém-criada. Fabiana Zanni, na época funcionária do site, conta o desfecho da história: “As pessoas indignadas ‘estraçalharam’ o cara”.

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Recepção

“Depois de 40 anos, é a primeira vez que eu tenho certeza de que estou sendo lido” Pouca gente pensa nisso, mas a internet propiciou essa certeza, inexistente no passado. No caso de Ricardo Setti, a impressão é confirmada no seu blog em Veja.com a cada comentário, seja ele ofensivo ou não. Com uma audiência crescente, ele confessa: “A gente não sabe 100% lidar com isso ainda”.

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Interatividade

“A informação deve interagir com o público”

A resposta dada por uma jornalista paranaense foi apurada por um carioca numa redação paulistana. Pelo Facebook, ele perguntou aos colegas o que haviam aprendido com a internet. “Wikipedia é vida”, postou uma moça. “Lugar de repórter é na rua, mas com outro dando apoio na redação”, concluiu um jornalista do Rio – lembrando que a internet é uma ferramenta, e não uma solução. PLUG 2013 45

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ideias para sacudir o futuro do design por isabella brandalise e miguel vilela foto eduardo biermann

Chico Homem de Mello, designer gráfico, professor da Fau-USP e autor de vários livros sobre o tema, faz uma análise crítica dos rumos atuais do setor no mercado editorial brasileiro. Veja a seguir trechos dessa conversa recheada de lições de um estudioso do assunto

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ideias para sacudir o futuro do design

do A o de m

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A revista Senhor está para a ilustração assim como a Realidade para a fotografia. A contribuição da Arte na Realidade foi apresentar os fotógrafos como vozes autorais e não apenas como meio de registro. O espaço do fotógrafo nas redações hoje é menor. O do designer também. Os tempos mudaram.

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É preciso sinergia entre os vários profissionais que participam de um processo editorial. Hoje esse é o discurso. Tempos atrás não havia discurso, mas se fazia isso realmente. No mundo editorial contemporâneo, vivemos uma esquizofrenia, um absoluto descompasso entre o discurso, que prega a integração, e a prática, que está muito distante disso.

ra

o

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Às vezes a cultura do design nos leva à expectativa da transgressão. Eu acho o controle dos meios para atingir determinados fins editoriais de uma sabedoria muito grande. Quando falo isso, vejo as revistas da Editora Abril como exemplo de competência.

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Às vezes me surpreendo com a falta de iniciativa das grandes empresas em experimentar, trazer o novo. Estou convencido: o problema não é dinheiro, é cultura, porque a grana que se gasta para fazer sempre a mesma coisa é impressionante. 48 PLUG 2013

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A presença cada vez maior das pesquisas de opinião contribuiu para reduzir o espaço da experimentação. Não sou contra absolutamente esse tipo de técnica, mas sou contra me submeter inteiramente a ela.

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A coerência entre o perfil do público e a linguagem gráfica é fundamental e, ao mesmo tempo, uma questão a ser analisada. A gente não tem de necessariamente se submeter ao gosto do público. Surpreendê-lo faz parte. Claro que alguns tipos de leitores têm mais abertura para a surpresa do que outros, e isso tem que ser levado em consideração.

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Nos anos 1950, 1960 e 1970 a produção editorial não tinha tanto rigor. A partir dos anos 1980, com a criação das escolas de design no Brasil, revistas, jornais e livros ficaram menos “livres”, em termos de design.

8

Eu vejo o digital como uma enorme possibilidade de enriquecimento. Normalmente áreas mais antigas tendem a ser mais refratárias a mudanças. Temos uma boa história no design editorial, temos regras e a quem nos apoiar. O digital ainda não tem isso. Ninguém fez as regras. De qualquer forma, há nesse novo pensar um potencial muito rico de transformação… PLUG 2013 49

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imagens inesquecíveis por eduardo biermann

As fotos a seguir são exemplos de como sensibilidade, perspicácia, domínio da técnica, senso de oportunidade e visão própria dos fatos são vitais para captar o instante. Cinco profissionais foram escolhidos pela Plug para provar que uma imagem pode falar mais do que mil palavras

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CAIO GUATELLI para o estado de S. Paulo, janeiro de 1998

“A população da Zona Leste de São Paulo, indignada com a administração Celso Pitta, se manifestava de maneira violenta contra a falta de atitude da prefeitura em relação às enchentes.” PLUG 2013 51

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imagens inesquecíveis

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Paulo Vitale Suzane Von Richthofen, para veja, abril de 2006

“Era uma exclusiva com Suzane Richthofen, uma semana antes de ser julgada. Ela agia como criança. Queria passar uma imagem de fragilidade. Pedi que segurasse os passarinhos e a chamei... quase berrando. Ela olhou duro para mim durante três segundos. Era exatamente desse olhar calculista, frio que eu precisava.”

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imagens inesquecíveis

Vencedora do Prêmio Abril 1986

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sérgio berezovsky

ricardo corrêa

osmar santos

Perluigi Collina

para placar, julho de 1985

para placar, junho de 1996

“Só tive o tempo do intervalo do Globo Esporte para fotografar. Busquei um ângulo desconhecido do telespectador, sem deixar de identificar o local onde o público estava acostumado a vê-lo. Mas nada ficaria tão bom se não fosse a colaboração do personagem na hora do clique.”

“Com o enquadramento mais

fechado, aquele que não se vê nos jornais, agências nem na TV e sequer no campo, eu trouxe o que realmente as pessoas querem ver. No caso, a expressão do juiz Perluigi Collina ao dar o amarelo a Dieng, da França, na Olimpíada de Atlanta.”

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Vencedora do PrĂŞmio Abril 1997

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imagens inesquecĂ­veis

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mauricio lima Ayad Ali Brissam Karim para afp, 2004

“Trata-se de um menino afegão, que havia ficado cego nos bombardeios, segurando a única foto que restava dele com as duas vistas. Pela repercussão alcançada em todas as partes do planeta, Ayad foi levado aos Estados Unidos para receber tratamento para a visão.” PLUG 2013 57

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6 reflexões sobre o politicamente correto na mídia por maria cristina fernandez foto luiz maximiliano

Luiz Felipe Pondé, professor, filósofo e colunista da Folha de S.Paulo, revela à Plug por que esse conceito, cada vez mais forte dentro das redações, pode exercer o papel de um novo tipo de censura

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reflexões sobre o politicamente correto na mídia

1 sobre a censura do bem O politicamente correto nasceu

como demanda de ampliação da educação doméstica no espaço público dos Estados Unidos. Você tem de aprender a ser educado e não colocar as pessoas em saia justa. Os defensores do movimento dizem que não, mas eu acho que eles estão mentindo. Para mim, é claro que esse tipo de atitude, cada vez mais difundida em todas as partes, não passa de censura, mas de um novo tipo de censura, aquela aplicada em nome do bem. O que é muito perigoso.

2 sobre a mídia e a patrulha civil Muita gente que escreve

na mídia tem medo. Como os jornalistas têm de lidar, direta ou indiretamente, com a questão do mercado, também acabam tendo medo do leitor, porque, afinal de contas, é o leitor o consumidor alvo. É triste constatar que a nova patrulha vinda do politicamente correto faça muitos profissionais terem receio de tocar em determinados temas por temer boicotes ou qualquer tipo de violência.

3 sobre regras nas redações Nos manuais dos jornais há ex-

pressões e palavras que podem ser usadas e outras não. O colunista deve escrever de um jeito diferente do articulista. Aí está – a vocação do politicamente correto é totalitária. Justamente porque quer montar pacotes de comportamento linguístico. Que as redações resolvam isso rapidamente. O jornalista não pode chamar um cara de filho da puta, mas pode escrever um artigo dizendo ser um absurdo um homem usar o banheiro de mulher. Os grupos devem ter possibilidade de, na medida do possível, criar regras para si mesmos e não construir grandes sistemas de normas a serem cumpridas indiscriminadamente. 60 PLUG 2013

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4 Sobre eliminação de conflitos Na realidade as pessoas

que defendem atitudes politicamente corretas não querem ter o trabalho de enfrentar a prática democrática de lidar, no dia a dia, com o diferente. Embora alguns se declarem favoráveis à diversidade, eu não acredito no discurso deles. Na verdade, essa moçada no fundo quer inviabilizar a convivência com o diverso. O que isso significa? Simplesmente a eliminação de toda forma de conflito. O que não é nada saudável para nenhuma sociedade.

5 sobre liberdade, desrespeito e preconceito A partir

do momento em que as ideias sobre o politicamente correto se transformam em matéria de lei, já não se sabe mais onde está a linha que separa esses conceitos. Isso vai acabar objetivamente no controle do uso de palavras, não é? Atualmente, uma das melhores formas de liberdade de expressão é justamente o linchamento que as redes sociais e os leitores fazem quando não gostam do que alguém escreveu. É preciso ser plural e aceitar, por exemplo, os comentários do cartunista Laerte (aquele que passou a se vestir de mulher) sobre a falta de banheiro adequado para ele e, ao mesmo tempo, ler o meu texto sobre o tema, onde eu digo que as reclamações do Laerte não passam de papo furado.

6 sobre a imprensa contundente Eu admiro a Folha pela cora-

gem editorial de enfrentar certos assuntos. O jornal dos Frias é mais corajoso do que o Estadão. Não posso deixar de citar a Veja, que abre uma frente antipoliticamente correto, antipatrulhamento e antidiscurso de esquerda. É bom ver isso acontecer. Seja de que lado for. PLUG 2013 61

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jeitos de não fazer jornalismo por luisa costa ilustração tainá tamashiro

Veja aqui o caso de profissionais que deram asas à imaginação criando matérias sensacionais sem nenhuma base na realidade 62 PLUG 2013

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Quem procura acha. Se não acha, inventa

Redima seus erros, vire personal guru

Ed Keffel e João Martins foram fazer uma pauta da revista O Cruzeiro, em maio de 1952, e voltaram com o lide: “...num furo espetacular, a mais sensacional documentação jamais conseguida sobre o mistério dos discos voadores. O estranho objeto veio do mar, com enorme velocidade (...)”. O então diretor de redação, Accioly Neto, ainda hoje defende a veracidade das imagens, mas um dos fotógrafos da casa, Eugênio Silva, prova o contrário: “Keffel fez oito fotos, com uma Rolleiflex. As três primeiras com velocidade baixa, de 1/100 de segundo. A quarta imagem e as seguintes eram do disco, operadas com velocidade de 1/500 de segundo. Só que a Rolleiflex de então não permitia mudança de velocidade, depois de ter sido rodado o filme, sem inutilizar uma foto. No filme de Keffel, não se perdeu nenhuma”.

De jornalista promissor a personal guru, a trajetória do americano Jayson Blair é cheia de controvérsias e seu nome é hoje a referência de mentira na imprensa. Foram constatadas ao menos 36 fraudes dentre as 73 reportagens que publicou como repórter do The New York Times, de outubro de 2002 a abril de 2003. Uma comissão independente, nomeada pela direção do Times, fez um levantamento de todas as matérias de Blair desde 1998 para o diário e encontrou algumas feitas de locais onde ele nunca estivera. Isso trouxe ao jornal questões delicadas, como uma matéria de capa de mea-culpa sobre o fato e a saia justa de fazer a crítica do livro em que Blair conta tudo, Burning Down My Masters’ House My Life at the New York Times. Hoje, Blair atua como life coach.

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Uma boa história é tão verdadeira quanto queremos No mesmo ano em que entrou no Washington Post, em 1980, a jornalista Janet Cooke emplacou uma incrível matéria sobre uma criança de 8 anos viciada em heroína. O relato dela em “Jimmy’s World” era tão fascinante que o então editor-assistente Bob Woodward – sim, um dos responsáveis pelo furo do caso Watergate – indicou a história para o Prêmio Pulitzer de 1981. E ela ganhou. Dois dias após a premiação, no entanto, o jornal devolveu o Pulitzer após a confissão de Cooke de que o caso era falso. Depois do incidente, Janet saiu dos holofotes, não sem antes abocanhar 1,6 milhão de dólares ao vender os direitos da história fictícia de Jimmy para a TriStar Pictures. O filme, porém, jamais foi rodado. PLUG 2013 63

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toques de duas blogueiras de sucesso por tainรก goulart fotos mariele gรณes

Famosas, elas revelam seus truques de maquiagem e estilo e ensinam como ter um blog com muitos acessos. Julia Petit, do Petiscos, e Bia Perotti, do Achados de Bia, revelam os cinco segredinhos que as fazem muito respeitadas na รกrea

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Julia aposta no trabalho em equipe. “Aqui a gente decide em grupo.�

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10 toques de duas blogueiras de sucesso

Julia Petit

Bia Perotti

Publicitária de formação, começou o Petiscos em 2007. Hoje o blog tem uma equipe de mais de dez pessoas.

Formada em marketing, foi repórter de ELLE e hoje se dedica ao blog Achados de Bia.

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A ideia é sempre tentar estabelecer um conteúdo de personalidade.

É preciso ter disciplina. Todos os dias faço a lista To Do e, no final do dia, checo para ver se cumpri tudo.

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Não adianta nada falar por falar. Simplesmente dar a dica da bolsa do momento é pouco. Tem de imprimir nos posts uma opinião, algo a mais.

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Dá para ganhar dinheiro sem publicidade. Se você tiver uma boa expertise, poderá vender conteúdo para redes sociais, para outros blogs e sites de marca.

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Eu faço questão de publicar a opinião das pessoas sobre o estilo ou a roupa dos outros. Só tomo cuidado para não colocar no ar qualquer tipo de difamação. Uma coisa é difamar, outra é opinar.

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É importantíssimo trabalhar em equipe. As pautas surgem daí. Aqui, a gente decide em grupo. Sempre tem um pouco de palpite de cada um em tudo.

Jamais me coloco acima dos outros. Procuro informar de maneira direta. É assim que uma blogueira deve tratar o público.

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Você tem de estar aberto para as pessoas. Além disso, é necessário, antes de tudo, respeitar o público, oferecendo informações da melhor qualidade.

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Um mínimo de exposição não faz mal. É legal dizer que estampa geométrica está na moda, mas não dá para esquecer o interesse das pessoas em saber como a Bia usa o geométrico no cotidiano.

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Muita gente acha que um blog não dá trabalho. Ledo engano. No começo a gente faz de tudo. Tem de emitir nota, preencher pagamento, fazer pauta, cuidar da imagem. E se manter sempre atualizada. Ufa!!!

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Bia não vê problema em se expor. “As pessoas adoram saber como me visto.”

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9 ideias geniais

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Sempre dispostos a encarar madrugadas para fazer o melhor, os 60 participantes do 30º Curso Abril de Jornalismo, CAJ, cumpriram uma intensa agenda que, em apenas 39 dias, previa 33 palestras, dois workshops, reportagens, pesquisas, produção de fotos, vídeos, textos e muito mais. O resultado não poderia ser mais positivo. Veja nas páginas a seguir o resumo dos nove projetos de conclusão apresentados pelos alunos, no último dia de curso, para uma plateia formada por convidados e jornalistas como Thomaz Souto Corrêa, vice-presidente do Conselho da Editora Abril, Ricardo Setti, Augusto Nunes, além de muitos diretores de redação e de núcleos da casa.

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ideias geniais

PROJETO

revista veja campinas A missão

As dificuldades

Imagine receber a tarefa de criar a primeira edição de uma revista feita para uma cidade que você não conhece. Foi esse o desafio que recebemos no primeiro dia do CAJ: produzir o número zero de Veja Campinas e esboçar um aplicativo mobile com serviços de restaurantes e entretenimento que apresentasse layout e navegação de pelo menos cinco features. Logo no início já sabíamos que junto de muito trabalho vinha uma grande oportunidade.

A distância entre São Paulo e Campinas talvez tenha sido nosso maior empecilho, pois sentir o clima campineiro era essencial para começar a propor pautas. Tivemos de lidar com uma questão delicada: o quanto a equipe tinha para gastar. Cada viagem resultava em saídas dolorosas do nosso caixa, e as visitas a restaurantes, bares e teatros também. Pensar no aplicativo mobile – e em como ele poderia ser monetizado – exigiu criatividade e pesquisa.

O GRUPO

Camila Rodrigues Design

Carla Leonardi Texto

Julia Rodrigues Texto

Luísa Costa Texto

Mariana Bomfim Texto

Maria Cristina Fernandez – Texto

Marina Rebouças Fotografia

Thais Longaray Design

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Para estrelar a capa do número zero, foi escolhido José Eduardo Porto, empresário de sucesso na área gastronômica e hoteleira da região

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ideias geniais

As soluções Decidimos viajar juntas para Campinas e agrupamos as visitas e entrevistas em apenas alguns dias. Além dos bons momentos de convivência, foi uma forma eficaz de utilizar os recursos disponíveis. Já sobre o volume de matérias a serem produzidas, resolvemos seguir o conselho dos orientadores e fizemos apenas algumas seções da revista. Com a edição quase pronta, chegou a vez do projeto mobile: a solução foi criar um aplicativo com um serviço de busca por entretenimento com espaço premium pago.

Em sintonia com o padrão Veja, o layout elegante da dupla de abertura da matéria de capa

A exemplo de Terraço Paulistano, de Veja SP, Gente Campineira pode dar o que falar, assim como as críticas de restaurantes e atrações culturais

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O aplicativo mobile da nova publicação tem busca inteligente por atrações de cultura e gastronomia, além de espaço premium pago

A conclusão Horas e horas de viagens, madrugadas na redação, reuniões que pareciam não chegar a resultado algum e, no final, o orgulho de um ótimo trabalho. Para uma cidade com dimensões de capital, Campinas é carente de uma publicação que corresponda às expectativas de seus habitantes – quem sabe, agora, seja a oportunidade de mudar isso. PLUG 2013 73

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ideias geniais

PROJETO

revista claudia sp A missão

As dificuldades

Criar uma revista regional com foco em serviço que circulasse junto com Claudia em São Paulo e Região Metropolitana. Desde o primeiro encontro com nossas orientadoras, entre elas a Paula Mageste, ficamos tranquilas: a falta de intimidade com a cidade não seria problema – mesmo para uma equipe feminina formada por uma francesa, uma paulistana e por quatro outras vindas de vários cantos do país. O maior desafio era entender a leitora.

Ao pesquisar, constatamos que nossa leitora não se encaixava em categorias estanques. A mulher da nova publicação tem costumes múltiplos, não pertence a uma só classe social ou faixa etária. Como criar um produto que dialogasse com todas elas – profissionais, mães, donas de casa ou tudo isso junto? Também notamos que há muitas publicações voltadas para São Paulo. Isso agravou nossa questão. Nosso projeto tinha de ter novidades.

O GRUPO

Akemi Takenaka Design

Laís Cantelli Texto

Mariele Góes Texto

Isadora Attab Texto

Marina Rebouças Fotografia

Sophie Dang Vu Design

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Capa com design clean da nova publicação, que vai criar um serviço amplo baseado nas necessidades e desejos da leitora múltipla da grande cidade

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ideias geniais

O layout oferece soluções visuais rápidas, propiciando a interação imediata do público

Para facilitar a leitura, Claudia SP foi dividida em cinco moods, que agrupam seções e matérias

As soluções Percebemos também que nossas leitoras têm pontos em comum. Por isso, dividimos a revista em moods: “Para se divertir”, “Para relaxar”, “Para se organizar”, “Para se inspirar” e “Para se mexer” agrupam as matérias e seções. O layout oferece soluções visuais rápidas, propiciando a interação imediata do público com a revista. Esses cuidados também são mantidos nas plataformas mobile e web. 76 PLUG 2013

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Com enfoque em serviço, a novidade no mercado das femininas traz informações para tornar a rotina da mulher de São Paulo mais fácil e agradável

O mesmo padrão visual da revista impressa é utilizado nos aplicativos criados para mobile e web. A interação é rápida e eficiente

A conclusão Claudia São Paulo é um radar feminino que dialoga

com os desejos e necessidades da mulher paulistana. A revista, com enfoque em serviço, busca facilitar a rotina da leitora na cidade. Mistura arte, informação e muita sensibilidade. PLUG 2013 77

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ideias geniais

PROJETO

audiência superinteressante A missão

As dificuldades

No primeiro dia do CAJ recebemos uma tarefa inusitada: realizar o Primeiro Censo Brasileiro de Tatuagem da Superinteressante. Sob a orientação de profissionais da revista, desenvolvemos o projeto com base na preparação de um questionário, posteriormente divulgado em redes sociais. A ideia era saber o perfil do tatuado no Brasil. Quem é ele? A que classe social pertence? Quais são os seus hábitos? Queríamos delinear um panorama amplo do assunto.

Gravitamos em torno do projeto por seis semanas. O questionário foi a etapa mais trabalhosa. Ele precisava ser perfeito, sem furos. Gastamos noites na redação debruçados sobre as folhas, buscando um meio de torná-lo bem-humorado, atraente e, ao mesmo tempo, sério. Um de nossos orientadores, Bruno Garattoni, nos foi de uma implicância providencial. Era errar um pouco que lá vinha o editor de Superinteressante nos levando, “pelas orelhas”, para o caminho certo.

O GRUPO

Ana Paula Buzzo Design e Programação

Lutero Texto

Cristine Kist Texto

Deborah Miranda Design e Front-end

Marcelo Brandt Fotografia e Vídeo

Nathan Mattes Schäfer Tainá Tamashiro Texto Design e Ilustração

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ideias geniais

As soluções Para a divulgação, planejamos ações nas redes sociais com pequenas chamadas em vídeo. Nelas, aglutinamos entrevistas com tatuadores e tatuados. Como chamariz para o questionário, uma espécie de resultado – um perfil, gerado com base nas respostas a ser compartilhado pelo usuário. Para apresentar os dados, criamos o hotsite em lettering – ou seja, animação com letras – e um infográfico em stop motion no corpo de alguns cajianos mais “desajuizados”.

os perfis

Marinheiro de Butique Tatuou só uma estrelinha, mas trata o tatuador como seu melhor amigo de infância

Meteoro da Paixão Não sabe explicar muito bem de onde surgiu a sua tatuagem (é possível que tenha exagerado no álcool)

Zé Tributo Num estádio de futebol, seria aquela pessoa com o cartaz “Mãe, olha eu na TV”

Sobrevivente Fez suas tatuagens nos anos 1970 e 1980 e está vivo para contar a história

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Bloco de notas Adora tomar nota de frases, nomes e trechos de música... na própria pele

Punk de Escritório Só mostra as tatuagens depois do fim do expediente

tattoo bola Desenhou o escudo do time na pele

Remanescente de Woodstock Só se tatuou depois de comprovar que a máquina do tatuador não emite os gases que causam o aquecimento global

A conclusão O projeto nos manteve muito ativos – difícil seria demonstrar desinteresse diante dessa mescla de pesquisa antropológica, redes sociais, infografia e reportagem. Saímos mais espertos, mais profissionais e com um cabedal riquíssimo de detalhes para muitas conversas de bar sobre o tema – não necessariamente nessa ordem, é claro.

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ideias geniais

PROJETO

contigo! 50 anos 3600 A missão

As dificuldades

Homenagear Contigo!, que completa 50 anos, analisar suas mudanças de percurso, propor adaptações aos tempos atuais e promover reformulação do conteúdo em multiplataformas era nosso desafio no CAJ. Não só a publicação impressa deveria ter novidades, como também o site e as redes sociais. Além disso, deveríamos criar um game e dar start na produção de uma exposição comemorativa.

Escolher um caminho diante de uma história tão rica e de tanto sucesso no mercado não foi fácil. No início, a revista passou pela fase das fotonovelas. Nos anos 60, a Jovem Guarda e os músicos da época eram o destaque. Depois, vieram as novelas de TV e as celebridades. Com a ajuda de Claudia Giudice, diretora superintendente na Editora Abril, e de Sergio Zalis, diretor de redação de Contigo!, tudo ficou mais claro.

O GRUPO

Felipe Abreu Fotografia

Emilãine Vieira Mídias Digitais

Fábio Jardelino Vídeo

Marcelo Garcia Infografia

Renata Jordão Texto

Wilson Saiki Texto

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O leitor terá uma variedade de opções de conteúdo e interação, entre elas, uma versão especial do social game Cidade dos Famosos, além de material específico para as redes sociais e mobile

As soluções Após analisar os arquivos da revista, decidimos dar foco na década de 90, quando a publicação se estabeleceu diante das concorrentes com um conteúdo de melhor qualidade jornalística e, já no final desse período, sinalizou uma transformação, colocada em prática nos anos seguintes, até se tornar o que é hoje. Entrevistamos alguns atores, como Alexandre Borges e Lima Duarte, que falaram sobre a importância de Contigo! na cobertura da carreira < PLUG 2013 83

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ideias geniais

e da vida dos artistas. Também conversamos com profissionais importantes para a revista, como Thomaz Souto Corrêa, vicepresidente do Conselho Editorial da Editora Abril, e Ângelo Rossi, ex-presidente da Editora Azul, que publicou Contigo! por muitos anos. Resolvemos utilizar uma linha do tempo e criar um hotsite. A partir daí, o leitor terá uma variedade de opções de conteúdo e interação, podendo participar das comemorações dos 50 anos. Uma versão especial do social game Cidade dos Famosos foi criada, assim como um material específico para as redes sociais e para mobile. Completam o pacote uma revista customizada para anunciantes, em que o patrocinador será homenageado com exemplar personalizado. Além disso, há uma exposição – um passeio histórico a partir de um paralelo entre as comemorações de 50 anos da revista e das telenovelas, que também estão no ar há cinco décadas. Nossa proposta pretende também atrair novos leitores.

No vídeo comemorativo, há depoimentos de atores como Lima Duarte e Alexandre Borges, e também de Ângelo Rossi, ex-presidente da Editora Azul, que publicou Contigo! por muitos anos

O projeto deu foco na década de 90, quando a publicação se estabeleceu diante das concorrentes com um conteúdo de melhor qualidade jornalística

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O projeto prevê uma exposição, uma espécie de passeio histórico a partir de um paralelo entre as comemorações de 50 anos da revista e das telenovelas, também no ar há cinco décadas

A conclusão O projeto não seria possível se não fosse a essencial ajuda dos orientadores e o apoio da redação de Contigo!, em especial a editora Thati Bissoli. Ela foi importantíssima na hora do mergulho histórico nos arquivos da revista, no Dedoc da Editora Abril. Sem essa pesquisa não teríamos chegado a um resultado tão positivo. PLUG 2013 85

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ideias geniais

PROJETO

pacote placar na copa A missão

As dificuldades

Um exercício futurístico em cima da hipótese do Brasil campeão na Copa do Mundo de 2014 em uma final contra a Argentina, no Maracanã. Nos foi pedido um projeto multimídia: um tabloide, com circulação três horas depois do jogo histórico; uma revista, para sair uma semana depois; um portal, com informações exclusivas pós-jogo aliado a uma estratégia de conteúdo para redes sociais; e a criação de um gamification integrado com mobile.

Os principais problemas encontrados vinham do fato de se tratar de uma situação fictícia. Descobrir uma conexão ideal entre portal, revista, tabloide, mídias sociais e gamification também não foi tarefa fácil, pois o objetivo era criar produtos que tivessem pontos em comum e cobrissem da melhor forma possível o evento imaginário. Isso sem contar os problemas que tivemos para encontrar as fotos necessárias para cada mídia.

O GRUPO

Alexandre Aragão Texto

Isabella Brandalise Design

Cauê Marques Texto

Lucas Varidel Mídias Digitais

Cirilo Dias Mídias Digitais

Mariana Cagnin Infografia

Eduardo Biermann Fotografia

Renan França Texto

Tatiana Harada Design

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As soluções Para tornar tudo bem real para o leitor, tratamos de imaginar pautas baseadas em projeções do que já se sabia a respeito do evento. Foi preciso criar uma tabela da Copa do Mundo – e, a partir dela, a campanha do Brasil. Tudo para poder estabelecer a maneira como a seleção brasileira chegou lá e, assim, projetar o jeito mais adequado de abordar a final eletrizante contra a Argentina para cada uma das mídias. Dessa forma, foi possível estabelecer uma conexão entre todos os pontos do projeto. A busca por imagens foi resolvida com a utilização de fotografias de jogadores que já tinham participado de edições passadas da Copa do Mundo e que integrariam o time dos sonhos de 2014.

Uma das maiores dificuldades foi trabalhar em cima da situação fictícia de um Brasil campeão numa final contra a Argentina

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ideias geniais

O portal de Placar foi pensado de maneira que apresentasse conteúdo exclusivo adequado ao padrão Abril de design na web. A página continha uma animação do craque Neymar na abertura, para envolver o leitor no clima da Copa

Um dos diferenciais da cobertura da Copa segundo a missão seria a elaboração de um jornal a ser distribuído nas principais cidades horas depois do apito final. O jornal teria os principais dados e lances do último jogo

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A revista A TAÇA foi planejada para apresentar um panorama do cenário pós-Copa do Mundo para um público que, não necessariamente, é entusiasta do futebol. Bemhumorada sem deixar de ser crítica, feita para toda a família

A conclusão

Para engajar o público de forma divertida, as missões de gamification para celular também faziam parte da cobertura completa da Copa

Criar um projeto multimídia e fazer todos os pontos da ação interagir entre si certamente foi desafiador para todos nós. Uma experiência motivadora e nova para um grupo como o nosso, de nove pessoas com interesses tão diversos. O vídeo da apresentação ficou excelente. E o resultado do projeto não deixou nada a desejar, indo muito além do que havia sido imaginado no início dos trabalhos. PLUG 2013 89

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PROJETO

aplicativo exame A missão

As dificuldades

Desenvolver um novo produto ou serviço mobile para a Exame.com.Poderíamos sugerir qualquer novo aplicativo para o portal Exame produzir para a web, celular ou tablet. As primeiras ideias não davam conta de surpreender o público, pois o site já é bastante completo. Depois de muita conversa, resolvemos criar um aplicativo de serviços para smartphones e daí surgiu o Exame Viagens, para auxiliar executivos que estão sempre viajando a trabalho.

O que um executivo precisa em viagens de negócio? O grupo fez uma pesquisa com altos funcionários de empresas em várias regiões do país e percebeu a necessidade de um aplicativo com opções de hospedagem, alimentação e transporte. O problema era como selecionar hotéis, possibilidades de locomoção, serviços e restaurantes. Depois disso, os maiores desafios foram os da funcionalidade do aplicativo: era necessário uma navegação fácil.

O GRUPO

André Murched Mídias Digitais

Jackeline Dinizo Design

Bernardo Passarella Mídias Digitais

Paulo Lannes Texto

Camilla Ginesi Texto

Saulo Guimarães Mídias Digitais

Victor Affonso Texto

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Depois de muita discussรฃo, o grupo resolveu criar um aplicativo de serviรงos para smartphones

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ideias geniais

A partir de pesquisa com executivos de várias regiões do país foi criado um aplicativo com opções de hospedagem, alimentação e transporte

As soluções Decidimos, então, dividir o aplicativo em quatro categorias: Comida e Bebida, Hospedagem, Transporte e Voos. Cada uma delas com subcategorias. Por exemplo, o usuário que clicasse em Transporte poderia procurar por uma cooperativa de táxi, uma locadora de carros ou uma empresa de táxi aéreo próxima ao local onde estaria ou para o qual viajaria (digitando um endereço específico). Um pouco diferente das três primeiras seções, a Voos ajudaria o usuário a encontrar informações sobre suas viagens aéreas, pesquisando por aeroporto ou companhia, e assim por diante. 92 PLUG 2013

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A ideia é facilitar ao máximo a vida de quem não para de viajar a trabalho, oferecendo novo produto com navegação simplificada

A conclusão O Exame Viagens foi criado para facilitar a rotina de executivos em viagens de negócios. Cada estabelecimento listado nas três categorias principais (Comida e Bebida, Hospedagem e Transporte) tem uma resenha objetiva e fotos (algumas em 360º), além de endereço encontrado por geolocalização e telefones. A princípio, a solução móvel estaria disponível para as plataformas iOs e Android, em versões gratuitas, porém com áreas restritas disponíveis aos clientes pagantes. PLUG 2013 93

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ideias geniais

PROJETO

baú revitalizado de veja A missão

As dificuldades

Levar para o tablet uma matéria publicada no período pré-iPad. Sem querer, aumentamos o peso do compromisso ao escolher uma matéria do agora diretor de redação da revista, Eurípedes Alcântara. “A rede que abraça todo o planeta” fala da chegada de algo inédito ao Brasil, uma tal de internet. Completando 18 anos em 2013, a matéria abre espaço para as atualizações trazidas pela revolução tecnológica pela qual o mundo vem passando de 20 anos para cá.

Se nossa missão era criar, também precisávamos manter os pés no chão. Nossos orientadores, Fábio Altman e Rafael Corrêa, chamaram nossa atenção para o fato de se tratar de uma adaptação de um documento histórico. O desafio maior ficou para os designers, que deveriam fazer um novo layout sem mudar drasticamente o estilo da revista, de forma que o leitor pudesse reconhecer a nova versão como uma matéria de Veja.

O GRUPO

Daniel Barros Texto

Elita Jarcem Mídias Sociais

Felipe Abreu Fotografia

Helena Borges Texto

Júlia Arraes Texto

Miguel Vilela Design

Paola Gandolfo Design

Pieter Zalis Texto

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Para atualizar a reportagem de Eurípedes Alcântara, foi usado o software Adobe DPS, o mesmo a ser utilizado nas próximas edições virtuais de Veja

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ideias geniais

O desafio maior ficou para os designers, que tiveram de fazer um novo layout sem mudar drasticamente o estilo de Veja

As soluções Discutimos desde a escolha da matéria a ser trabalhada até a forma como apresentaríamos o resultado final. Chegamos a uma edição que abarca as diversas possibilidades permitidas pela nova interface – usamos o software Adobe DPS, que será utilizado nas próximas edições virtuais de Veja – e ao mesmo tempo respeita o valor histórico e textual característico das reportagens da publicação. A equipe de texto também teve trabalho duro para atualizar índices e mostrar como as tecnologias evoluíram, complementando o texto. Destaque para a reportagem extra sobre o desempenho do Plano Nacional de Banda Larga. 96 PLUG 2013

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A equipe responsável pelo texto trabalhou muito para atualizar índices e mostrar como as tecnologias evoluíram em tão pouco tempo

A conclusão Aprendemos muito com o projeto e com nossos coordenadores. Uma das lições foi perceber que efeitos visuais devem ser usados só quando fazem sentido. Rafael Corrêa nos fez ver que uma boa matéria para tablets não precisa de mil opções de interatividade. “Mas as que ali estiverem devem ter uma razão”, afirma o jornalista. Ou seja, por trás da novidade tecnológica, a base do produto é uma apuração de qualidade. PLUG 2013 97

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PROJETO

vídeos estilo alfa A missão Desenvolver uma série de três vídeos para o site da revista Alfa. Moda, cuidados pessoais, decoração, bebida e comida foram os temas escolhidos.

As dificuldades Criar uma pauta que despertasse interesse no internauta do site da revista – um homem acostumado, por exemplo, a escolher e a comprar ternos, sapatos, gravatas e acessórios. Alguém que via-

ja, aprecia vinhos, tem noção estética e sempre está em busca de qualidade, sem nenhum problema para acessar informação. Diante disso, percebemos que a série deveria ultrapassar o básico. Além disso, o custo de cada programa precisaria ser baixo para garantir a continuação da série. Ao mesmo tempo, os episódios tinham de ser muito bem acabados, caso contrário, não concorreriam com vídeos similares, nem, muito menos, conquistariam internautas de outros sites.

O GRUPO

Isabella D’Ercole Texto

Carolina Goulart Design

Gabriel Fernandes Vídeo

Marcela Cataldi Texto

Marina Rebouças Fotografia

Tainá Goulart Texto

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O som foi extremamente importante para o projeto. As trilhas brancas, sem custo, foram baixadas da internet e auxiliam a criar o ritmo do vĂ­deo

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ideias geniais

No vídeo Eleve o Status do Seu Bar, os ângulos são fechados, com muitos closes

As soluções The Upgrade, o nome escolhido para a série, dá o pulo do gato ao trazer sempre detalhes específicos que ninguém havia pensado antes. São dicas exclusivas dadas por especialistas de cada área. Por isso, era importante os personagens serem experts em cada assunto e de certa forma conhecidos do público de Alfa. Para resolver a questão do custo, escolhemos equipamentos bons e baratos para vídeo. As imagens produzidas têm qualidade, mas a câmera custa pouco. Também substituímos o microfone por um gravador. Uma equipe menor no set foi outra solução para diminuir gastos. Apenas duas pessoas deram conta do recado: uma responsável pela direção, gravação das imagens e edição; a outra pela produção e assistência durante a gravação. 100 PLUG 2013

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Para resolver a questão do custo, foram escolhidos equipamentos bons e baratos

A conclusão O seriado será dividido em temporadas de três meses com episódios semanais. Buscamos em sites de moda masculina e na própria revista referências de imagens, exemplos de iluminação e até mesmo indicações de como deveria ser o estilo dos personagens entrevistados. As imagens finais são sóbrias e o foco é nos detalhes. Os ângulos são fechados, com muitos closes. O som também foi extremamente importante para o projeto. As trilhas brancas, sem custo, foram baixadas da internet e auxiliam a criar o ritmo do vídeo. Com a ajuda de Sergio Gwercman, diretor de redação de Alfa e coordenador do nosso projeto, escolhemos três pautas para os vídeos pilotos: Transforme Seu iPhone em uma Câmera Profissional; Como Usar Lenços de Bolso em Festas e Eleve o Status do Seu Bar. PLUG 2013 101

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ideias geniais

PROJETO

as mulheres de você s/a A missão

As dificuldades

Transformar um tema muito debatido em algo novo. Esse foi o desafio proposto pela Você S/A. Nosso projeto deveria apresentar uma reportagem escrita e um documentário sobre “a revolução da mulher no mercado de trabalho”. A partir daí, resolvemos dar foco em algumas líderes de áreas consideradas masculinas, como TI e engenharia. Nosso objetivo era provar o papel preponderante da educação na trajetória bem-sucedida dessas precursoras.

Conseguir entrevistá-las não foi fácil. Agendas superconcorridas, compromissos urgentes de última hora, problemas familiares e até viagens internacionais inadiáveis eram pedras no caminho. A presidente da Petrobras, por exemplo, chegou a cancelar uma conversa marcada porque teve de ir à China. Outra dificuldade era convencê-las da necessidade de gravar um vídeo da entrevista. Além disso, o borderô disponível era bem limitado.

O GRUPO

Fernanda Salla Texto

Cibele Reschke Vídeo

Lais Botelho Texto

Júlia D'Alkmin Design

Raquel Beer Texto

Luiz Lula Design

Marcelo Brandt Fotografia

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Não foi fácil encontrar espaço na agenda de executivas superocupadas como Anna Paula Dacar, gerente-geral da Dow Coating Materials na América Latina

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ideias geniais

A diretora de Varejo e Gestão de Recursos para a América Latina do HSBC, Sylvia Coutinho, também falou sobre a mulher em cargos de comando no Brasil

Graça Foster, a poderosa presidente da Petrobras, chegou a cancelar um encontro marcado com a equipe porque teve de ir às pressas à China trabalhar

As soluções Nenhuma dificuldade impediu a realização do trabalho. Pegamos ônibus comum e fomos para o Rio de Janeiro falar com a executiva mais poderosa do Brasil e ainda fotografamos outras duas – no mesmo dia. Ainda “sem cair do salto”, fizemos uma entrevista em São Paulo por telefone com uma executiva da Renault em Curitiba. Nossa matéria seria publicada na Você S/A do mês de abril. Por isso, os dois designers e o fotógrafo da equipe fizeram um esforço redobrado para adequar o trabalho aos padrões da revista. Ao mesmo tempo, puderam mostrar ideias e seu potencial criativo. A luz no fim do túnel foram os gráficos e boxes, que ilustraram a reportagem de forma descontraída e original. 104 PLUG 2013

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Matéria publicada na edição de abril da Você S/A

A conclusão As madrugadas em claro, viagens carregadas de equipamento, longas pesquisas e conversas com especialistas nos levaram a concluir que o número de mulheres líderes no Brasil ainda é pequeno, se comparado ao de homens. Notamos também que a situação pode se modificar à medida que elas continuem batalhando por espaço no mercado de trabalho. E a melhor maneira de isso acontecer é por meio da capacitação cada vez maior delas. O resultado foi positivo: editamos uma matéria repleta de dados e de personagens importantes e também vídeos interessantes, com depoimentos bem pessoais e até emocionados dessas mulheres poderosas. PLUG 2013 105

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CAJ 2013 2.500

inscritos

60

selecionados

33

palestras

2

workshops

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trabalhos finais

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dias

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Revista PLUG 2013 - 112 Lições de Jornalismo  
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