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SUMÁRIO

Expediente A Credit Performance é a primeira e única revista especializada na indústria brasileira de crédito e cobrança. A publicação é idealizada pela CMS People do Brasil, promotora dos mais importantes eventos deste mercado em 12 países, e conta com o apoio do Instituto GEOC e da Serasa Experian. Com periodicidade trimestral e tiragem de seis mil exemplares, a revista oferece conteúdo especialmente desenvolvido para os executivos líderes de grandes corporações e empresas da área. Distribuição exclusiva e gratuita.

14 CAPA

Com a palavra, os presidenciáveis

Conselho Editorial: Adilson Melhado, Cícero de Toledo Piza Filho, Cláudio Kawasaki, Eldi Willms, Estefânia Shiromoto, Fernanda Bortolussi, João Leme, João Paulo de Mattos, Luciana Felletti, Luis Barbuda, Milene Zabot, Pablo Salamone, Silvina Virga, Victoria Iturrieta Redação e produção: Burson-Marsteller Brasil Diretor de redação: Pedro Corrêa Editora e jornalista responsável: Luciana Morassi (MTB 34.765) Colaboraram nesta edição: Alexandre Araújo, Bárbara Benatti, Christiane Marcondes Alves de Brito, Daniele Garcia, Kallyny Portugal e Mariana Loiola E-mail da redação: creditperformance@cmspeople.com Diagramação e Produção Gráfica: Grecco Comunicação Responsável Comercial: Madleine Rose M. Sprocatti madi@cmspeople.com Tel. (11) 3868-2883 / 3865-7013 Credit Performance, a revista da indústria de crédito e cobrança. Endereço na internet: www.creditperformance.com.br Credit Performance® é uma publicação da CMS People. Todos os direitos reservados, proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização.

ANDRE DUSEK/AE

5 6

SERGIO CASTRO/AE

EDITORIAL

ENtrevista Febraban vê espaço para ampliação expressiva do crédito

10 18

Análise Setorial Consignado ajuda a manter consumo em alta

22 24 25

Indicadores Sinal verde para as micro, pequenas e médias empresas

Progresso e desenvolvimento Crédito forte garante o boom do setor imobiliário

Ideias e Tendências Os benefícios de tratar estrategicamente a gestão de risco

JOSE PATRICIO/AE

29 30 33 35 36 37 38

Prêmio Líderes Homenagem aos líderes é inspiração para o setor Tendências Mobilidade e web 2.0 fazem empresas se reinventarem Pelo mundo Intensa como um tango sofisticação & luxo Esporte e networking em uma tacada Destaques Crédito e cobrança sob medida MERCADO EM MOVIMENTO Tecnologia como diferencial competitivo Ponto de vista Este momento pode ser diferente

Novidades Mudanças em sistema da SysOpen permitem acesso personalizado

CREDIT PERFORMANCE | setembro 2010 | 


Juan Pablo Buceta

Credit Performance

EDITORIAL

Pablo Salamone

Presidente CMS

Caro leitor, Até o início de 2011, o Brasil inteiro voltará os olhos para as eleições dos seus governantes – antes do pleito, com as propostas dos candidatos, e no período que antecede a posse, com as perspectivas sobre a nova gestão. Será no próximo ano, porém, que as metas dos futuros presidente, governadores e deputados serão efetivamente postas em prática. A hora de conhecer – e analisar – as propostas é agora. O país que espera pelos novos gestores é o mesmo que tem fomentado o crédito aos micro, pequenos e médios empresários; que tem se destacado no mercado financeiro internacional após a crise econômica de 2008; e que se prepara para receber os investimentos que virão dos eventos esportivos sediados no país: a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. Os planos para o setor de crédito e cobrança estão entre as expectativas não apenas dos eleitores, mas das entidades ligadas ao assunto e, também, dos atuais e futuros investidores. Nesse momento, conhecer as opiniões dos presidenciáveis - abordadas na matéria de capa desta edição - é fundamental para antecipar a cena financeira dos próximos quatro anos. Da mesma forma, é importante saber o que os executivos brasileiros dizem sobre o futuro da economia, como o economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, que concedeu uma entrevista exclusiva à Credit Performance. Boa parte dos aportes que têm feito o Brasil crescer vem dos investimentos nas micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), como enfoca a seção “Indicadores”. Outro fenômeno positivo, abordado na seção “Progresso e Desenvolvimento”, é o recorde nos contratos imobiliários registrados pela Caixa Econômica Federal (CEF). A ampliação desses créditos tem sido ordenada e não se baseia numa “bolha”, como ocorreu nos Estados Unidos em 2008, mas na melhora da quantidade e da qualidade das ofertas de crédito, no rigor dos agentes e no real crescimento econômico, traduzido pelo aumento da empregabilidade – a mais alta da história. Em um cenário de mudanças e otimismo, é inevitável abordar como a mobilidade e a web 2.0 atendem às novas necessidades do mercado de crédito e cobrança, assunto explorado na seção “Tendências”. A revista apresenta, ainda, um panorama sobre o passado, o presente e o futuro do crédito consignado, e uma viagem às ruas e à vida cultural de Buenos Aires. Outros destaques são os eventos da CMS em 2010. Boa leitura!

CREDIT PERFORMANCE | setembro 2010 | 


ENTREVISTA

Expansão do crédito impulsiona o desenvolvimento

da sociedade brasileira Por Christiane Brito

A

pesar da significativa expansão registrada recentemente, o crédito no Brasil ainda equivale a apenas cerca de 45% do PIB, o que é baixo para os padrões internacionais. Felizmente, o setor financeiro se encontra saudável e fortemente capitalizado. O índice de Basileia está na faixa de 15% a 16% (contra uma exigência mínima de 11% aqui e de 8% no exterior). Há, portanto, espaço para uma ampliação expressiva do volume de crédito ao longo dos próximos anos no Brasil, segundo afirma o economistachefe da FEBRABAN, Rubens Sardenberg, em entrevista exclusiva à revista Credit Performance. E “o crédito é fundamental para o desenvolvimento de qualquer sociedade”, destaca Sardenberg. Acompanhe a seguir.  | setembro 2010 | CREDIT PERFORMANCE


Roberto Zopello

ENTREVISTA

desenvolvimento

brasileira Credit Performance – Qual o futuro do crédito de um modo geral? Rubens Sardenberg – A expectativa é de que as operações de crédito continuem crescendo no Brasil ao longo dos próximos anos. Apesar da significativa expansão registrada recentemente, o crédito no Brasil ainda equivale a apenas cerca de 45% do PIB, o que é baixo para os padrões internacionais, mesmo de países com desenvolvimento semelhante ao nosso (por exemplo, Chile com 74% do PIB

e Índia com 78% do PIB). A manutenção desta trajetória de crescimento depende, claro, de diversos fatores, mas dois merecem destaque especial: em primeiro lugar, a preservação da estabilidade macroeconômica e institucional, já que, sem estabilidade, especialmente com inflação baixa, é difícil esperar que o crédito aumente; e, segundo, que a economia brasileira siga numa trajetória de crescimento, gerando demanda e oportunidades para indivíduos e empresas. Como o consenso ou pelos menos a opinião majoritária entre os analistas, daqui e do exterior, é que nos próximos anos o Brasil vai seguir apresentando estabilidade e crescimento, é natural esperar que o crédito também siga em sua trajetória de expansão. Credit Performance – Quais as principais tendências para o mercado de crédito? Rubens Sardenberg – É provável que, ao longo dos próximos anos, observe-se no Brasil um alongamento dos prazos das operações de crédito e a continuidade do processo de incorporação de novas classes sociais ao mercado bancário formal e às operações de crédito. Trata-se de um processo natural, decorre do próprio desenvolvimento econômico que leva as camadas de renda mais baixas a um aumento do seu poder aquisitivo e à maior formalização das suas relações de trabalho, o que facilita a bancarização e o acesso ao crédito. Em relação aos produtos, duas tendências parecem claras: no caso de pessoas físicas, o crédito imobiliário (que já vem crescendo ao ritmo de quase 50% ao ano, ainda que o volume de operações seja baixo em relação ao total) será certamente a bola da vez. Com estabilidade macro, redução dos juros de curto prazo e as imensas oportunidades deste setor, é razoável esperar que esta linha de crédito seja o carro-chefe das operações com pessoas físicas ao longo

dos próximos anos no Brasil. Já no caso das empresas, o que deve ganhar espaço são as linhas de longo prazo para os investimentos. O Brasil, para seguir crescendo, vai ter que ampliar os seus investimentos e estes terão que ser financiados de alguma forma. Aqui será preciso que aumente a participação do setor privado no financiamento aos investimentos e para que isso aconteça será preciso resolver alguns problemas, em especial a ausência de funding de longo prazo e a baixa segurança jurídica nas operações de crédito mais longas. Hoje, no Brasil, as instituições financeiras privadas captam seus recursos (via CDBs, por exemplo) com prazos de vencimento muito curtos, o que dificulta que, na ponta ativa, elas concedam empréstimos longos, normalmente necessários para financiar os novos investimentos. Segundo, ainda hoje no Brasil não é raro se mudarem as regras de um contrato ou de uma operação durante a sua vigência, o que reduz a segurança jurídica para o emprestador e, consequentemente, contribui para a redução da oferta de crédito. A solução destes problemas ajudaria muito na expansão dos financiamentos privados de longo prazo. A boa notícia é que já estamos caminhando nesta direção, e a recente criação das letras financeiras (uma espécie de debênture bancária que deve facilitar a captação de recursos com prazos mais longos) é um exemplo disso. Credit Performance – Qual o papel do crédito para o desenvolvimento da sociedade brasileira? Rubens Sardenberg – O crédito é fundamental para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Não há exemplo de país desenvolvido sem um sistema de crédito de tamanho compatível com a economia, eficiente, seguro e acessível. O crédito funciona como uma alavanca para o cres-

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ENTREVISTA

Roberto Zopello

O índice de Basileia do setor está na faixa de 15/16%, contra uma exigência mínima de 11% aqui e de 8% no exterior. Há, portanto, espaço para uma ampliação expressiva do volume de crédito ao longo dos próximos anos no Brasil.” Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban

cimento econômico, na medida em que permite que indivíduos antecipem seus gastos de consumo e que as empresas invistam na ampliação da sua capacidade produtiva utilizando recursos de terceiros. E de onde vêm estes recursos? Dos poupadores, aqueles que consomem menos do que a sua renda. Uma das funções do sistema financeiro é justamente esta: transferir recursos de poupadores para os tomadores de crédito, permitindo que a sociedade maximize o seu potencial de investimento e de consumo e, portanto, de crescimento econômico. Credit Performance – Qual é a visão do crescimento socioeconômico do Brasil nos próximos cinco anos? Rubens Sardenberg – Nossa expectativa é que o Brasil continue crescendo, tanto em termos econômicos como sociais. Isto significa aumentar o volume de produtos e serviços produzidos a cada ano (que é o PIB) e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso das faixas de renda menos favorecidas a esses produtos. Para atingir esses

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objetivos, certamente será fundamental preservar a estabilidade macroeconômica e seguir ampliando a oferta de crédito e os investimentos, tanto em infraestrutura como na capacidade produtiva das empresas. Adicionalmente, também teremos que elevar a eficiência das políticas sociais, em especial nas áreas de educação e saúde. Credit Performance – De onde virá todo esse dinheiro, também de linhas de crédito? Como a FEBRABAN estimula essa oferta de dinheiro disponível para compras? Rubens Sardenberg – Felizmente o setor financeiro no Brasil encontra-se saudável e fortemente capitalizado. O índice de Basileia do setor está na faixa de 15% a 16% (contra uma exigência mínima de 11% aqui e de 8% no exterior). Há, portanto, espaço para uma ampliação expressiva do volume de crédito ao longo dos próximos anos no Brasil. Credit Performance – Que classe social mais se beneficiará do aumento do poder aquisitivo?

Rubens Sardenberg – Acho que todas, mas certamente as classes mais baixas são as mais beneficiadas (em termos relativos), já que nelas a mudança no padrão de vida normalmente é mais significativa. A compra da primeira TV por parte de uma família de baixa renda é, provavelmente, muito mais importante (para elevar a qualidade do seu padrão de vida) do que a terceira TV comprada por uma família de classe alta. Credit Performance – Consumir mais significa mais progresso socioeconômico? Por quê? Rubens Sardenberg – Normalmente, o progresso econômico está associado a aumento do consumo, já que sociedades mais ricas tendem a ser mais diversificadas e a consumir um número maior de produtos. Ressalte-se, contudo, que este progresso será mais efetivo quando for acompanhado de uma melhor distribuição de renda, o que quer dizer não só aumento do consumo, mas aumento também e principalmente do consumo per capita.


Análise Setorial

D

e acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC), o mercado de crédito para pessoa física passa por um processo de inflexão, com o fim do crescimento observado nos últimos meses, em que a média diária de concessão de novos empréstimos para os consumidores caiu 0,5% em junho, na comparação com maio. Foi a terceira queda nos últimos quatro meses.  Apesar disso, se for considerado o comparativo anual (junho/09 – junho/10), observa-se um crescimento de 16,4% no crédito pessoal e 32,9% no consignado, segundo o BC.

Crédito consignado

mantém consumo em alta O setor, que movimentou R$121 bilhões em maio, vai ter papel preponderante na escalada do Brasil rumo à quarta ou quinta posição no ranking mundial das maiores potências em consumo

Um dos motivos para a redução na procura pelas linhas convencionais de crédito – identificada pelo BC – é a migração de alguns consumidores para operações financeiras mais baratas, como o crédito consignado. A modalidade tem arregimentado credores, porque os bancos que possuem esse tipo de crédito estão investindo, também com campanhas internas. Quem não tem direito opta por crediário de loja e, em último caso, crédito pessoal. Nos moldes atuais, o consignado é considerado recente no Brasil (foi criado em 2003) e está concentrado nos segmentos de tomadores empregados no setor público, onde o débito da parcela de empréstimo é feito diretamente na folha de pagamento, e nos aposentados, que têm o empréstimo descontado nos benefícios a receber.

Por Christiane Brito Colaboração: Kallyny Portugal

iStockphoto

O economista-chefe do Banco Central, Altamir Lopes, avalia: “A continuidade do crescimento destas operações favorece o recuo da inadimplência no sistema financeiro e, em consequência, dos spreads. Tende, também, a contribuir para a quitação de dívidas de custo mais elevado, melhorando o perfil de endividamento das famílias e elevando sua renda disponível, condição essencial para a manutenção do ciclo de crescimento da economia do país.” 

10 | setembro 2010 | CREDIT PERFORMANCE

Para o presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Oliva, o crédito consignado vai cada vez mais se consolidar como opção preferencial porque é o crédito mais barato para a sociedade. “Hoje, do público privado ou do setor de aposentados, cerca de metade já toma o crédito consignado. Significa que a outra metade não toma porque não precisa ou porque é um público mais poupador, menos consumidor do que o que toma o crédito, mas o dia em


Análise Setorial

Elza Fiúza

Altamir Lopes, economistachefe do Banco Central

que esse conservador precisar, ele tende a tomá-lo porque é mais barato”, explica. O que faria esse público tomar o crédito? Márcio Alaor de Araújo, vice-presidente executivo do banco BMG, responde, definindo o perfil desse consumidor: “O tomador de crédito acompanha muito as mudanças, já sabe onde está entrando quando resolve aderir a um produto. Por isso, os bancos, hoje, estão trabalhando no sentido de oferecer o melhor a esse cliente que sabe das coisas, seja uma oportunidade de investimento para os que não precisam de empréstimo ou a possibilidade de pagar os juros mais baixos do mercado, que atingem 2% contra cerca de 6% do crediário em uma loja, por exemplo.” Araújo vislumbra inúmeros setores que podem se expandir com esse tipo de produto: “Do total de financiamento imobiliário, no Brasil, apenas 3% são consignados, enquanto em outros países essa porcentagem alcança 40%. Ainda há um grande mercado onde implementar operações, considerando-se os atuais 23 milhões de aposentados, 1,5 milhão de servidores federais e 10 milhões de servidores estaduais e municipais”, diz. Uma das perspectivas de crescimento para as operações de crédito consignado – que somaram R$ 121 bilhões no mês de maio, concentradas em empréstimos destinados a funcionários públicos – está associada, em especial, justamente à ampliação da oferta

Do total de financiamento imobiliário no Brasil, apenas 3% são consignados; em outros países, 40%.”

de crédito ao segmento de tomadores do setor privado, que participaram com apenas 14% do total mencionado.

Desafios e oportunidades O aumento do volume das operações de crédito consignado favorece a redução da taxa de juros média, da inadimplência e do spread, melhora o perfil de endividamento das famílias e amplia tanto a renda disponível do setor privado como a sustentação da demanda interna. Em contrapartida, na avaliação de Oliva, existem duas questões ainda a serem trabalhadas e que se colocam como desafios para esse segmento. Uma delas é a operacionalização do crédito consignado, que envolve o banco e a empresa pagadora. “Precisa haver ajustes, já que os bancos e empresas nem sempre operam na mesma plataforma tecnológica, e isso dificulta a transferência de valores entre as partes”, avalia. Outro desafio, ainda de acordo com Oliva, está no fato de a empresa já ter um banco que coordena a folha de pagamento do funcionário e, junto com o limite de crédito oferecido a ele, esse banco oferece também alguns outros benefícios, como cheque especial e vários tipos de cartões, mas não apresenta o crédito consignado. “Para o funcionário ter acesso ao empréstimo consignado, a empresa poderia pensar em trabalhar com mais de uma instituição financeira, todas prestando serviço, de forma que algumas delas oferecessem a modalidade. Vejo esse como um dos grandes desafios do setor privado. No setor público, esse desafio não existe porque os convênios já estão estruturados, e o banco que faz o crédito consignado tem de se associar a um desses bancos já conveniados com a empresa. O setor público tem o crédito consignado como um aliado na gestão de recursos humanos da empresa”, explica Oliva.

Parceria entre bancos e promotoras de créditos Na visão da ABBC, a parceria entre bancos e lojistas já está bem desenvolvida desde o final dos anos 70 e começo dos 80, quando o setor varejista começou a se associar aos bancos. O varejo, hoje, já entende o financiamento como atrelado ao produto que vende. Junto às promotoras de vendas, ainda há muita parceria a ser consolidada. “É necessário criar

Márcio Alaor de Araújo, vice-presidente executivo do banco BMG

ABBC

O crescimento das operações melhora o perfil de endividamento das famílias e eleva sua renda disponível.”

um sistema melhor de regulamentação / certificação, porque existe a necessidade de qualificação desse correspondente / promotor de vendas”, exemplifica Oliva. A ABBC já oferece ao mercado cursos que abordam desde prevenção de roubo a lavagem de dinheiro e terrorismo. Sobre novas capacitações, Oliva sinaliza: “Já existe um projeto que queremos implementar sobre certificação, que seria feita pela ABBC, no formato de provas presenciais para avaliação desses promotores de vendas. Eles seriam cadastrados e passariam por revisões periódicas, uma ou duas vezes a cada ano. Esta é uma forma de aprimorar e qualificar esses funcionários de crédito”, conta. A propósito de capacitação, o Brasil terá, em novembro, o Primeiro Congresso Nacional de Promoção de Crédito. O evento proporciona a oportunidade de “debater questões de crédito com pessoal de alto nível. Tudo está sendo muito bem administrado”, elogia Márcio Alaor. Oliva acredita que eventos desse porte, com mais de 180 estandes e intensa programação de palestras, podem ajudar a dimensionar a real grandeza do setor. “O universo de promotoras de vendas é muito amplo, e ninguém tem a exata dimensão do quão qualificado seja. Congressos como esse trazem a oportunidade de discutir e aperfeiçoar processos para melhorar a oferta do crédito e a produtividade do setor”, conclui.

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CAPA

Crédito deve continuar forte

com nova gestão presidencial

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CAPA

Com profundas divergências na origem política, Dilma Roussef (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) – os candidatos que encabeçam o ranking de presidenciáveis na próxima eleição – convergem, no entanto, no que diz respeito à continuidade da alta no mercado de crédito. Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o crédito no Brasil representará, até 2014, 70% do Produto Interno Bruto (PIB) – ante os 45% em 2009. E o crédito à pessoa física deve passar de 14,9% do PIB, registrado no fim de 2009, para 23,7% do PIB em 2014. Acompanhe, a seguir, um panorama geral das propostas e ideias dos candidatos, que lideram as pesquisas na corrida pela gestão presidencial. Por Christiane Brito

O

Brasil vive uma campanha de eleições presidenciais com características únicas, considerando-se disputas anteriores no País: o governo Lula encerra o mandato de oito anos com um nível recorde de aprovação, 77,5%, segundo a pesquisa CNT/Sensus, divulgada em agosto, e 75%, segundo o IBOPE. A avaliação negativa gira em torno de 4%. Em resumo, e seguindo a lógica do atual cenário macroeconômico, o futuro presidente receberá uma nação que tem forte expectativa quanto a melhorias nos programas que já estão em curso. Os principais candidatos à sucessão da “Era Lula” – Dilma Roussef (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) – têm sólida experiência política. Dilma foi secretária estadual de Minas, Energia e Comunicação no Rio Grande do Sul, ministra de Minas e Energia e, depois, ministra-chefe da Casa Civil no Governo Lula. O tucano José Serra governou o Estado de São Paulo, foi deputado federal, senador, prefeito de São Paulo e ministro da Saúde e do Planejamento. Marina Silva foi vereadora em Rio Branco, no Acre, deputada estadual, senadora e atuou no governo Lula como ministra do Meio Ambiente, de 2003 a maio de 2008.

iStockphoto

O que precisa mudar? Em pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), feita em 2009, cerca de 500 mil brasileiros tiveram a oportunidade de responder e opinar diante de uma abrangente pergunta: “O que precisa mudar no Brasil para a sua vida melhorar de verdade?” A Educação – seguida de violência e emprego – foi apontada como a principal aspiração e o grande problema que a sociedade brasileira enfrenta. Valores morais, como respeito, justiça e paz, são anseios generalizados que todos os presidenciáveis

contemplaram com suas plataformas de intenções. Bom sinal: a resposta representa aspirações mais ambiciosas diante do fato de que as necessidades materiais do dia a dia já estão na agenda de prioridades. Por isso, os investidores estrangeiros estão tranquilos diante das eleições, segundo o jornal Financial Times. Eles sabem que o Brasil vai mudar para continuar o mesmo.

Paradigmas da nova gestão Diante do dado de que a carga tributária do País pode ficar em torno de 35% neste ano, não devem ocorrer, de imediato, alterações significativas dos impostos e mecanismos de cobrança a fim de destravar a economia e gerar elevação de receitas para o governo, embora propostas nessas frentes sejam abordadas por todos os candidatos. Isso sugere que o governo que vai assumir em janeiro próximo não vai repetir o que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fizeram no início dos seus mandatos, pois não haverá uma mobilização por reformas, dado o panorama revelado acima e a necessidade de reforçar a responsabilidade fiscal do País. É certo que o novo presidente terá de dar prioridade a um dos temas mais onerosos para o governo, por meio da revisão dos gastos federais. Segundo dados governamentais, na primeira metade de 2010, as despesas brutas do Tesouro Nacional (responsável pelo cofre federal) subiram 18,2% em relação ao mesmo período de 2009. Já as receitas avançaram 16,9%. Por sua vez, gastos com pessoal e benefícios sociais aumentaram R$ 6,1 bilhões. Neste aspecto, os candidatos propõem uma revisão pontual do sistema tributário para atender às queixas do setor produtivo. A

petista Dilma Roussef sugere uma “racionalização” do Estado brasileiro, que reflita em melhor qualidade de execução de programas e políticas públicas. Resume suas ações a: simplificar os tributos, desonerar a folha de salários, garantir devolução automática de todos os créditos a que as empresas têm direito e acabar com qualquer tributação sobre o investimento (prevê a desoneração de setores como o de bens de capital e bens duráveis). Propõe a aprovação de uma reforma tributária pactuada com os estados e municípios para acabar com a guerra fiscal no País, considerando a manutenção do equilíbrio fiscal, controle da inflação e da política de câmbio flutuante. Já o candidato tucano José Serra promete fazer um ajuste das contas, defendendo a Nota Fiscal Eletrônica, instrumento sem o qual se torna difícil discutir reforma de tributos porque cada Estado e cada município apresentam seu saldo de receitas, despesas e perdas que não podem ser conferidos. O candidato defende o atual tripé econômico formado por metas de inflação, responsabilidade fiscal e regime de câmbio flutuante, mas prevê aumentar o gasto público menos do que o PIB a fim de aliviar a carga tributária. Pelo PV, Marina acredita na manutenção do tripé da política econômica brasileira por meio do controle de inflação, câmbio flutuante e superávit primário, sugerindo redução dos gastos públicos (a um patamar que não ultrapasse metade do PIB brasileiro). Promete combater o “empreguismo”, mas preservando setores importantes como Saúde e Educação. Propõe, ainda, o endurecimento da política de anistia fiscal, com controle mais rigoroso em relação à concessão indiscriminada de isenção fiscal a empresas que “enganam” o Governo para ter mais lucro.

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CAPA

Presidenciáveis apresentam propostas Dilma Roussef A candidata do PT, Dilma Roussef, quer aperfeiçoar os mecanismos de crédito, sendo a favor do uso dos bancos públicos para aumentar essa oferta no País; além disso, aposta no desenvolvimento da agricultura familiar e do agronegócio para aumentar a renda no campo, assegurando expansão do crédito (que passou de R$ 2,2 bilhões na safra 2001/2002 para R$ 16 bilhões em 2010/2011), assistência técnica e mercado aos pequenos produtores (incentivo à aquisição de 30% dos produtos da merenda junto à agricultura familiar).

“A necessidade de expansão do mercado interno exige uma profunda transformação do sistema produtivo.” (Dilma Roussef – PT)

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Dilma prevê, também, a construção de 2 milhões de habitações a partir de 2011, que deverá incluir a compra de eletrodomésticos e móveis básicos. Segundo ela, 98% do déficit habitacional estão concentrados na população de baixa de renda. Os investimentos no Programa Minha Casa Minha Vida são estimados em cerca de R$ 71 bilhões por ano entre 2011 e 2014. Uma das ações do programa prioriza o atendimento às famílias que ganham até seis salários mínimos. Para a classe média, a previsão de investimento é de R$ 44 bilhões por ano em financiamento para aquisição, melhoria e reforma da casa.

Joel Silva/Folhapress

Fábio Berriel/Folhapress

Partido dos Trabalhadores - PT

“Os juros são muito altos, o câmbio não é bom. As mudanças têm de ser responsáveis, pensando no déficit do governo.” (José Serra – PSDB)


CAPA

Marina Silva

Partido da Social Democracia

Partido Verde - PV

Brasileira - PSDB

O candidato José Serra (PSDB) priorizará o setor produtivo, focando a indústria, a partir de uma política de câmbio e juros voltada ao desenvolvimento do país (considera a taxa Selic elevada e o câmbio valorizado). Aponta como os três maiores problemas da economia brasileira a alta carga tributária, o baixo nível de investimento governamental e a alta taxa básica de juros. Esses três itens combinados seriam os motivos pelos quais o Brasil não conseguiu ainda ter uma economia sólida e sustentável. Algumas das metas de Serra buscam instituir um seguro rural e assegurar uma garantia de preços para produtos agrícolas, incentivar a produção de defensivos agrícolas genéricos e “transgênicos verde-amarelos”, acabar com a cobrança de PIS/Cofins sobre obras de saneamento básico e apoiar os exportadores com o objetivo de tornar seus produtos mais competitivos. Além disso, mostra-se contra a concessão de empréstimos subsidiados pelo BNDES para a aquisição ou fusão de empresas. Para o candidato, a recuperação de áreas degradadas nas grandes cidades é uma das opções para a Habitação.

Danilo Verpa/Folhapress

José Serra

Inova na defesa de um Banco Central independente, que controle as receitas vinculadas e oriente o remanejo de verbas justificáveis, sem que isto aumente a liquidez do mercado monetário, ou seja, acaba com as dotações extraorçamentárias que, assim, devem ser buscadas no mercado de crédito, evitando a emissão de moedas, e não na pressão política.

“É possível construir sem destruir, consumir sem ser consumido.”

Diante do déficit habitacional, hoje estimado em 8 milhões de moradias populares, a candidata acredita que os programas de habitação popular precisam contemplar esse público com políticas de crédito viáveis aos bolsos, principalmente, das classes de menor poder aquisitivo. Marina propõe medidas de apoio à empreitada, “como a desoneração tributária, a criação de uma espécie de fundo de garantia, que proteja, por um período pré-determinado, mutuários de financiamentos imobiliários que eventualmente percam o emprego, além da oferta de subsídios para famílias com renda de até cinco salários mínimos.” A candidata do PV sugere, ainda, estímulo aos municípios para obtenção de terrenos a baixo custo para construção de casas populares e financiamento mais facilitado e barato por parte dos bancos públicos.

(Marina Silva – PV)

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Progresso e desenvolvimento

Crédito forte garante o boom do setor imobiliário iStockphoto

Números recordes de contratos sinalizam que a onda de procura e valorização de imóveis está longe de acabar Por Bárbara Benatti

A

Caixa Econômica Federal (CEF) registrou, no primeiro semestre, uma média diária de 4,3 mil contratos de financiamento imobiliário. Ao mesmo tempo em que o governo estimula a construção de casas pelo programa “Minha Casa, Minha Vida” e as construtoras erguem uma infinidade de empreendimentos residenciais, imóveis em todo o país não param de se valorizar. O principal fator para esse boom tem sido o aumento da quantidade e da qualidade das ofertas de crédito para os interessados em adquirir esses bens. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central em junho deste ano, o valor de financiamentos habitacionais cresceu 50,6% em relação ao mesmo período de 2009, atingindo R$ 111,5 bilhões. Para os agentes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), o primeiro semestre foi o melhor da história, registrando um total de 187,6 mil unidades financiadas com recursos da caderneta de poupança, segundo a Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP). A projeção da entidade é que esse volume atinja o total de 450 mil até o final de 2010. Com os índices de geração de empregos mais altos da história nacional, bem como a ascensão econômica de 30 milhões de brasileiros, 53% da população, hoje, pertencem à classe média do país – fatia que tem buscado mais crédito para adquirir a casa própria. Dados da ABECIP mostram que o valor médio dos financiamentos no primeiro semestre do ano passado, R$ 107 mil, saltou para R$ 127 mil neste ano. Isso mostra

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que há disposição dos agentes financeiros em atender à demanda por financiamento habitacional, aumentando o prazo e a parcela a ser financiada. Tais medidas só são possíveis devido à maior confiança do mercado, decorrente das expressivas quedas da taxa de inadimplência nos últimos anos, promovidas tanto pelo crescimento da renda como por ajustes na regulamentação de financiamentos. O mais importante deles, para José Augusto Périgo, gerente do segmento Corporate da Serasa Experian, foi a mudança do antigo modelo de hipoteca para o sistema de alienação fiduciária, que torna mais ágil o rito de execução em caso de não pagamento. A pergunta, entretanto, é se esse superaquecimento do mercado vai influir no aumento dos índices de inadimplência e colocar a economia em um patamar de risco que levaria a uma crise no setor, como ocorreu nos Estados Unidos, em 2007. A pedido da ABECIP, a consultoria MB Associados realizou um estudo comparando o cenário americano de 2007 com o que vivemos, hoje, no Brasil. Diferentemente da especulação feita pelas empresas de crédito lá, o aumento de preços daqui é gerado pela demanda e pode ser absorvido pela expansão da renda. “Há uma demanda por cerca de 1,5 milhões de domicílios novos por ano, e a oferta de mercado chega a 1,2 milhão”, afirma Flávio Prando, vice-presidente de Habitação do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP).

Segundo dados do Banco Central, as instituições públicas são responsáveis por 75% dos empréstimos imobiliários, tendo a CEF destaque neste setor. Para conseguir uma fatia maior desse mercado, os bancos privados estão criando mecanismos para aumentar sua competitividade. O Banco Santander, por exemplo, oferece financiamento para quem possui renda mensal composta a partir de R$ 1 mil e não exige comprovação de parentesco entre os proponentes. No Itaú, é possível comprometer até 35% da renda mensal com as prestações e obter aprovação do crédito em 24 horas. Com parcelas fixas ou atualizadas pelo Sistema de Amortização Constante, que torna o valor das parcelas decrescente, todos eles aceitam financiar até 80% do imóvel. Enquanto isso, o Banco PanAmericano buscou parceria com a CEF e, juntos, oferecem financiamento de até 100% para quem está em busca da casa própria. Para atrair mais compradores até seus empreendimentos, as construtoras também estão em busca de parcerias. A MBigucci e a Plano Plan foram pioneiras em fechar uma parceria com o Banco do Brasil para a concessão de crédito com recursos do FGTS.”Nós também mantemos uma pasta-mãe em todos os bancos, com uma pré-aprovação”, conta a diretora administrativa da MBigucci, Roberta Bigucci. Os documentos garantem a aprovação dos empreendimentos pelos bancos, ao mesmo tempo em que oferecem à construtora as condições de financiamento de cada instituição.


Indicadores

Sinal verde para micro, pequenas e médias Depois de sofrer com restrições ao crédito em decorrência da crise mundial, essas empresas têm desempenho recorde no mercado Por Bárbara Benatti

Entretanto, no ano passado, elas foram as que mais sofreram para conseguir crédito bancário. Em consequência da crise financeira global, os bancos esgotaram os recursos para os pequenos empreendedores. Os pacotes anticrise do Governo vieram para aliviar as incertezas e promoveram uma recuperação rápida, favorecendo a geração de caixa e a diminuição da inadimplência, que havia atingido picos negativos em janeiro, como reflexo da crise. Desde março de 2009, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 1 milhão em financiamentos, criou um fundo para garantir as operações de crédito e ampliou os limites de utilização do Cartão BNDES, tudo para facilitar o acesso ao crédito das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). De janeiro a julho deste ano, a instituição liberou R$ 20,8 bilhões – R$ 12 bilhões a mais do que no mesmo período do ano passado. O número de operações também subiu: de 107.430 para 239.678. Em comparação com o ano anterior, entretanto, os valores por número de operações realizadas até maio foram menores. Segundo o gerente de Indicadores de Mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi, as empresas

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precisaram tomar crédito mais vezes e em quantias menores. “Era arriscado investir muito alto em um ambiente ainda instável”, explica. Porém, de acordo com o Indicador de Pontualidade de Pagamentos das Micro e Pequenas Empresas da Serasa Experian, o valor médio dos pagamentos está aumentando, o que mostra a recuperação do setor e a volta de investimentos mais altos. Nem mesmo o aumento de 0,5 pontos percentuais da taxa Selic – elevada para 10,75% ao ano em julho – parece desaquecer o setor de crédito voltado às MPMEs, como reforça o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira. “Do ponto de vista desse segmento, não deve haver dificuldade das empresas, pois o país continua crescendo, há geração de emprego e os bancos continuarão emprestando”, diz Oliveira. Para Rabi, a nova taxa Selic se mostra necessária para a estabilidade no longo prazo: “O aumento vem apenas para desacelerar o crescimento, fazendo com que ele seja sustentável.” No segundo semestre, o desempenho do setor deve ser ainda melhor, pois o consumo é mais aquecido em função de festas de fim de ano, férias e 13º salário. Apesar disso, Oliveira não acredita em uma nova elevação da Selic: “Já houve uma desaceleração saudável, e a inflação está voltando à normalidade”, diz. Uma pesquisa do Sebrae-SP, realizada em julho de 2009, mostrou que 47% dos micro e pequenos empresários entrevistados tomariam empréstimo bancário de, em média, R$ 30 mil, caso as condições de financiamento fossem facilitadas, especialmente com a redu-

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R

esponsáveis por 20% do PIB nacional e 67% dos postos de trabalho, as micro e pequenas empresas representam 98% do total de companhias no Brasil, segundo dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP). O levantamento mostra que, em maio deste ano, as MPEs do Estado tiveram faturamento 13,4% superior ao mesmo período de 2009, apresentando o melhor desempenho em doze anos.


Índice de Pontualidade de Pagamento mostra recorde histórico

Indicadores

Desde quando foi elaborado pela Serasa Experian, em 2006, o Índice de Pontualidade de Pagamentos das Micro e Pequenas Empresas nunca atingiu um nível tão alto como em junho deste ano. O valor de 95,4% demonstra que, de mil pagamentos efetuados em maio, 954 foram quitados à vista ou com, no máximo, sete dias de atraso. Pontualidade de Pagamentos Evolução

Pontualidade de Pagamentos - Evolução

96,0% 95,5% 95,0% 94,5% 94,0% 93,5% 93,0% 92,5% Jan 06

Mai 06

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Jan 07

Mai 07

Set 07

Jan 08

Mai 08

Set 08

Jan 09

Mai 09

Set 09

Jan 10

Mai 10

No acumulado do 1º semestre, os números também foram recordes. Pontualidade de Pagamentos Pontualidade de Pagamentos - 1º Semestre 1º Semestre

94,9%

94,1%

94,1% 93,6% 93,3%

2006

2007

2008

2009

2010

O tíquete médio dos pagamentos, entretanto, apresentou queda em relação a períodos anteriores. Segundo o gerente de Indicadores de Mercado da Serasa, Luiz Rabi, isso aconteceu porque os efeitos da crise fizeram com que os micro e pequenos empresários fizessem investimentos e compras de menor valor, mas de forma mais constante. Pagamentos Pontuais Valores Médios Pagamentos Pontuais - Valores Médios R$ 1.800,00 R$ 1.750,00 R$ 1.700,00

ção dos juros e a diminuição da burocracia. “Dados mostram que, ao longo dos anos, as instituições estão buscando facilitar o crédito para as MPMEs”, afirma o consultor do Sebrae-SP Pedro João Gonçalves. Segundo ele, o principal motivo de interesse em tomar crédito, o pagamento de fornecedores, reflete a necessidade de capital de giro dessas empresas, que pode estar aliada ao desequilíbrio entre os pagamentos e as vendas – enquanto 58% dos gastos são à vista, 50% das vendas são realizadas nessa condição, causando um déficit de 8% nas contas mensais. Para o Santander, as Pequenas e Médias Empresas têm necessidade de crédito de curto prazo, e é preciso oferecer soluções que atendam a esse público sem comprometer seu capital de giro. O superintendente executivo de Pequenas e Médias Empresas do banco, Mário Fanucchi Junior, reitera a importância de conceder o financiamento adequado. “Queremos estimular a adimplência do cliente com o crédito certo, buscando entender as necessidades de cada mercado e, mais especificamente, às reais necessidades das empresas, oferecendo sempre uma solução específica para cada negócio”, afirma.

R$ 1.650,00 R$ 1.600,00 R$ 1.550,00 R$ 1.500,00 R$ 1.450,00 R$ 1.400,00 R$ 1.350,00 Jan 06

Mai 06

Set 06

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Mai 07

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Set 09

Jan 10

Mai 10

O Indicador Serasa Experian de Pontualidade de Pagamentos das Micro e Pequenas Empresas é construído a partir dos pagamentos efetuados, mensalmente, por amostra de cerca de 600 mil micro e pequenas empresas, totalizando uma quantidade aproximada de 8 milhões de pagamentos registrados mensalmente por seus fornecedores, nas bases de informações sobre pessoas jurídicas da Serasa Experian.

O Índice de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian mostra que as MPEs aumentaram em 10,5% a procura por crédito no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2009. Já as médias empresas, que recuaram 8%, ainda sentem os reflexos da crise porque muitas são exportadoras, e houve uma diminuição considerável na demanda dos mercados norte-americanos e europeus. Boa parte delas, no entanto, já está voltando suas atividades ao mercado interno, que continua aquecido.

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IDEIAS & TENDÊNCIAS

Os benefícios de tratar estrategicamente a

gestão de risco Simone Trocoli

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iariamente, somos impactados por notícias sobre reaquecimento da economia, ofertas de novos produtos bancários e, também, sobre o crescimento dos índices de inadimplência. Para fazer frente a cenários como esses, as organizações têm se mostrado mais preocupadas em se tornarem proativas no tratamento preventivo da inadimplência. Para auxiliá-las, a modelagem de dados tem sido grande aliada. Trabalhando com uma modelagem específica, as instituições podem contatar clientes de alto risco ainda não inadimplentes ou que estejam passando pelo processo de cobrança para prover uma espécie de “assistência financeira” e auxiliálos a superar os “tempos difíceis”. Esse tipo de abordagem analítica pode ajudar as organizações a reduzir fortemente os índices de perda líquida de seus portfólios, garantindo a saúde financeira de sua carteira de clientes. É uma evolução importante no gerenciamento dos títulos vencidos, contribuindo para quebrar antigos paradigmas e orientando a tomada de decisão com base em fatos. Outro ponto importante é visualizar o cliente de uma forma global. A partir dessa visão, a cobrança pode ser realizada para diversos produtos em um único acionamento. No entanto, grande parte das organizações ainda opera com visão “produto único”. Assim, um único cliente pode ser tratado como três diferentes clientes em três diferentes momentos, se tiver três diferentes produtos. Essa prática, além de aumentar os custos, retarda o processo de recuperação, principalmente quando consideramos aspectos relacionados a compliance, tratamento de estratégias, aferições e esforços. Isto sem falar dos impactos decorrentes de atritos, as ações contra e a retenção de clientes. Quando é que paramos para avaliar a taxa de evasão de clientes, ou quantos clientes mudam, reduzem ou pulverizam suas compras,

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Divulgação

Gerente de Gestão de Carteira e Cobrança da Serasa Experian e, até mesmo, a respeito da utilização de serviços bancários devido a um mau atendimento em um momento de dificuldade ou de esquecimento? Conhecer o cliente também é vital, já que a longevidade do relacionamento é justamente a peça-chave para a lucratividade de uma organização. E este fato é preocupante, ainda mais quando percebemos que os níveis de satisfação e de fidelização de clientes continuam se deteriorando nos diferentes segmentos de negócios.

Como gerenciar tudo isso? Conhecendo a base de clientes através da visão “dentro” (relacionamento com a organização) e “fora” (informações de mercado) da janela, usando e abusando do conceito Champion x Challenger (em que se faz a comparação de uma política em vigor – Champion –, com uma nova política desafiante – Challenger) e, principalmente, lembrando que, para gerenciar uma área de risco, não há uma fórmula mágica. É preciso experimentar. Sem dúvida, a resposta é simples: é preciso rever os processos de aceitação, operacionalização e adaptação, já que estamos falando de aspectos culturais, de novos rumos, de mudanças. Em gerenciamento de risco, a utilização das informações de cobrança, vendas, concessão de crédito e manutenção de contas integradas pode trazer uma grande vantagem competitiva a uma organização em relação às suas concorrentes, mas, para isso, é necessário conhecer e entender o comportamento de sua carteira de clientes. O conhecimento e o entendimento de seu principal ativo, o cliente, é muito importante. Vale a pena bater nesta tecla. Entender o comportamento do cliente e agir de forma tempestiva é o primeiro passo para evitar a rolagem das dívidas para faixas mais avançadas, aumentar a recuperação, reduzir a evasão de clientes, dentre outros benefícios. E não é preciso ter uma bola de cristal para isso. Basta querer e agir.


novidades

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A g e n da Acompanhe os próximos eventos da CMS 16 de setembro 4º Congresso Nacional de Financiamento de Consumo e Meios de Pagamento Argentina | Buenos Aires

Mudanças em sistema da SysOpen permitem acesso personalizado A SysOpen criou uma forma inovadora de integração com novas tecnologias para a recuperação de crédito. Trata-se de uma mudança tecnológica do sistema que permite parametrizar a forma de cobrança de acordo com as necessidades de cada cliente. “Agora, nosso sistema não é mais padrão. Continua sendo único, mas com partes externas abertas para integrar as diferentes formas de cobrança dos clientes, como call center, internet banking e os caixas de lojas de varejo”, afirma Wellington Gomes, diretor de Novos Negócios e Desenvolvimento de Produtos da SysOpen. A prioridade da SysOpen neste semestre é concluir as implantações para os clientes e atualizar a ferramenta. No primeiro semestre do próximo ano, o foco será na área comercial.

Grupo Siscom adota políticas de Governança Corporativa

Arima Informática lança novo produto de cobrança

No dia 19 de maio, foi realizada a primeira assembleia do Conselho Consultivo de Administração do Grupo Siscom, que, com a participação de conselheiros internos e externos, nomeou como presidente o dr. Claudio K. Kawasaki. A empresa vinha se preparando para adotar políticas de Governança Corporativa desde 2007. O Conselho é formado por três comitês: Governança Corporativa, Auditoria e Resultado. Sua missão é proteger e valorizar a organização – otimizando o retorno dos investimentos no longo prazo – e buscar o equilíbrio entre as partes interessadas, de modo que cada uma receba o benefício proporcional ao vínculo que possui com a companhia. Dentre os objetivos principais, destaca-se o de zelar pela perenidade da empresa, dentro de uma perspectiva de longo prazo e de sustentabilidade nos âmbitos econômico, social, ambiental e de boa governança.

A Arima Informática completou 19 anos em julho. Durante o evento de comemoração, a empresa anunciou aos clientes um novo produto, que visa atender a evolução do mercado de cobrança e a crescente demanda por soluções que permitam maior mobilidade, mais flexibilidade e menor custo de implantação. Tudo isso sem perder agilidade e controle. Trata-se do Sistema de Cobrança ARIMA Web, totalmente novo, com recursos que permitem maior poder de gerenciamento das operações de cobrança. A escolha da plataforma web supre uma crescente demanda por mobilidade e estruturas maiores nas filiais e nos pontos de atendimento remotos. Além disso, a ferramenta pode ser executada em estações com sistema operacional Windows ou Linux. O ARIMA Web também conta com recursos que permitem definir e acompanhar estratégias de cobrança. Por meio de combinações de filtros, é possível criar uma estrutura em árvore com diversas estratégias e, assim, gerenciá-las e aplicá-las com maior assertividade às ações de cobranças via SMS, TTS, e-mail, carta-boleto e discador. A prioridade, no momento, é a migração dos clientes atuais que utilizam o Sistema Cliente/ Servidor ARIMA Sistcob e, no início de 2011, lançar o ARIMA Web no mercado.

23 e 24 de setembro 5º Congresso Nacional de Crédito e Cobrança Peru | Lima 12 de outubro 1º Congresso Nacional de Crédito e Recuperações Portugal | Lisboa 13 e 14 de outubro 1º Congresso Nacional de Microfinanças Colômbia | Bogotá 21 de outubro 3º Congresso Nacional de Financiamento de Consumo, Pagamento e Recuperação Uruguai | Montevidéu 27 de outubro 3º Congresso Nacional de Crédito e Cobrança Equador | Quito 28 de outubro 6º Seminário Regional de Crédito e Cobrança Colômbia | Cali 1 e 2 de novembro 2º Congresso Internacional de Crédito e Cobrança e 1º Fórum Venezuelano de Microfinanças Venezuela | Caracas 9 e 10 de novembro 6º Congresso Nacional e 8º Congresso Latino-Americano de Crédito e Cobrança Brasil | São Paulo 10 de novembro 7º Seminário Regional de Crédito e Cobrança Colômbia | Medellín 23 e 24 de novembro 2º Congresso Nacional de Crédito e Recuperação Espanha | Madri 23 e 24 de fevereiro 1st International Credit Management Summit Caribe | Panamá Informações: www.cmseventos.com

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prêmio líderes

Homenagem aos líderes é inspiração para o setor Principais personagens da indústria de crédito e cobrança são reconhecidos por suas iniciativas

Conheça os indicados Trajetória em Crédito e Cobrança Edna Kohigashi - gerente de Crédito e Cobrança das Pernambucanas

Por Bárbara Benatti

José Renato Simão Borges -

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m sua terceira edição, o Prêmio Líderes de Crédito e Cobrança homenageia os principais destaques do setor em um evento que é considerado o mais importante do segmento na América Latina. Os vencedores serão eleitos pelos participantes do 6° Congresso Nacional de Crédito e Cobrança, que ocorrerá nos dias 9 e 10 de novembro, em São Paulo. Para a CMS, organizadora do evento e idealizadora da premiação, o Prêmio Líderes propõe uma reflexão sobre os valores que alavancam o segmento, reconhecendo profissionais que se destacam por seus princípios éticos. “Para os indicados ao prêmio, os movimentos econômicos apenas reforçam o que sua trajetória profissional demonstra: capacidade de superação, de inovação e de influenciar positivamente seus colegas e parceiros”, destaca Pablo Salamone, presidente da organização. Com iniciativas que estimulam o mercado a adotar melhores práticas, os indicados concorrem em três categorias. A primeira, “Trajetória em Crédito e Cobrança”, é o maior reconhecimento da indústria e premia quem contribuiu com soluções para o desenvolvimento do setor ao longo da carreira. A categoria “Excelência em Crédito” homenageia os que colaboraram para o crescimento sustentável da sua área. Já “Excelência em Cobrança” destaca os profissionais que demonstraram os melhores desempenhos no mercado.

6° Congresso Nacional e 8° Congresso Latino-Americano de Crédito e Cobrança

Participe e ajude a eleger os ganhadores Inscrições pelo site: www.cmseventos.com Data: 9 e 10 de novembro Local: Hotel Transamérica - Av. das Nações

vice-presidente do Banco Sofisa Victor Loyola - Country Risk Manager do Citibank Wagner Montemurro - diretor de Cobrança do HSBC

Excelência em Crédito Marcelo Malanga superintendente de Recuperação de Crédito do Santander Mario Li - superintendente de Risco de Crédito do HSBC Roberto Sadami Ikegami superintendente de Operações de Crédito do Itaú-Unibanco Victor Loyola - Country Risk Manager do Citibank

Excelência em Cobrança Adineu Santesso - diretor departamental Bradesco Gilson Silva Santos superintendente de Cobrança do Itaú-Unibanco

Henrique dos Santos Alves superintendente de Relacionamento com Clientes da BV Financeira Osvaldo Luis de Oliveira superintendente de Cobrança do Banco Fibra

Unidas, 18.591, São Paulo

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DIVULGAção

Tendências

Desde o ano passado estamos vendo um movimento mais bem estruturado de players. Os principais bancos brasileiros possuem soluções que possibilitam a realização de transações bancárias via celular.” William Timóteo, gerente corporativo de pequenos negócios da Serasa Experian

Mobilidade e web 2.0 fazem empresas se reinventarem Por Christiane Brito

Diante da expansão das mídias sociais e tecnologias móveis, empresas sofisticam serviços para atender clientes antenados com a rede

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web 2.0, termo utilizado para denominar a segunda geração da World Wide Web, mudou a maneira de fazer negócios ao estimular a interatividade entre players e o amplo compartilhamento de conteúdo, ideias e informações por meio da rede e de tecnologias móveis. O mercado, de olho nessa mudança de perfil do público final, vem investindo em novas formas de abordagem para agilizar e estreitar o relacionamento com o consumidor. As empresas, no entanto, precisam aprender a navegar com esses ventos a favor, para que as maneiras de se relacionar com os clientes pela rede não acabem virando uma gôndola virtual para venda de produtos – e caiam no desgosto do público. Além das redes sociais, as empresas vêm estudando outras opções de relacionamento com os clientes, sobretudo para cobrança e quitação de débito, entre elas, as tecnologias móveis. Segundo Manuel Afonso de Sousa Braga, analista de negócios de crédito da Spring Wireless, algumas das opções desenvolvidas para esses fins são o mobile

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payment, em que a transação é iniciada ou finalizada a partir de um telefone móvel; o mobile banking, com realização de transações bancárias de maneira similar ao Internet Banking, e o mobile wallet. Nesses produtos, segundo o analista, “o celular pode ser utilizado para pagar contas tradicionais, em substituição ao dinheiro físico, ou para a quitação de débitos anteriores como, por exemplo, o pagamento de boletos e outros títulos financeiros”. A internet se mostra igualmente uma poderosa aliada quando se trata de operações financeiras em geral. Em média, 50% do recebimento de renda no Brasil são feitos por depósito bancário, e uma operação bancária feita por meio do site do banco custa em torno de R$ 0,10 – uma ótima economia se comparada aos R$ 3 para realização da mesma operação no caixa da agência e dos R$0,70 em um caixa eletrônico. Mas nem tudo são flores nesse universo, e a questão da segurança de dados precisa sempre ser lembrada. O gerente corpora-


Tendências

tivo de pequenos negócios da Serasa Experian, William Timóteo, acredita que falta conscientização das empresas sobre o risco que representa o uso desvirtuado de suas informações – as fraudes – por parte de terceiros inidôneos. “As empresas precisam estar convencidas de que a segurança da informação vai além de uma despesa, é a gestão de um risco operacional que precisa estar incorporada ao processo, portanto, um investimento necessário. A empresa que investe na proteção de suas informações e tem um bom histórico financeiro não encontra dificuldades na hora de solicitar crédito”, diz. Apesar dos entraves ao desenvolvimento da tecnologia móvel, sobretudo no quesito segurança da informação, os dados do setor confirmam as perspectivas de Sousa Braga.

DIVULGAção

Segurança e outros desafios à parte, o uso da tecnologia via celular para transações bancárias, como transferências e crédito, são realidade no Brasil. “Desde o ano passado estamos vendo um movimento mais bem estruturado de players. Os principais bancos brasileiros possuem soluções que possibilitam a realização de transações bancárias via celular, com funcionalidades semelhantes àquelas presentes no Internet

Banking, como pagamento de títulos, consulta a saldos, investimentos, empréstimos e financiamentos”, conta Timóteo. De olho no potencial desse mercado, algumas instituições estão focando lançamentos de soluções para aparelhos high end, como iPhone e BlackBerry, enquanto outras buscam a massificação dos serviços para toda a base de aparelhos do Brasil. A Visa e o Banco do Brasil perceberam o potencial dessas tecnologias há dois anos, momento em que lançaram o Visa Mobile Pay, um serviço que permite que compras com cartão de crédito Visa e débito Visa Electron sejam feitas a partir de celulares de qualquer operadora brasileira. A Visa também fez uma parceria com o Banco Bradesco chamada Visa payWave, um piloto de tecnologia contactless (pagamento sem contato), em teste nos Estados Unidos, e que permitirá efetuar pagamentos em todas as lojas da rede Starbucks. Segundo a Visa, essa tecnologia diminuirá as filas em estabelecimentos comerciais em até 23%, contribuindo para aumentar o volume de vendas e melhorar a percepção do atendimento. A VisaNet Brasil irá trabalhar com os comércios para substituir os terminais POS e instalar

A internet sempre foi veículo de relacionamento e não ferramenta comercial. Tivemos a bolha, em 2000, porque se investiu muito em ferramentas tecnológicas, e a capacidade dos sites gerarem conversação foi deixada de lado.” Edney Souza, diretor de operações da Pólvora!Comunicação

um leitor específico para o Visa payWave, que ficará acoplado ao terminal. Projetos pilotos com o iPhone habilitado para pagamentos Visa payWave estão previstos para começar mundialmente durante o segundo trimestre de 2010. A Visa Inc. (NYSE: V), o Banco do Brasil, o Bradesco e a CBMP (VisaNet Brasil) lançaram o programa piloto Visa payWave, que permite utilizar celulares com tecnologia NFC (Near Field Communication) no Brasil para a realização de pagamentos. A iniciativa permitirá que os consumidores brasileiros utilizem os seus celulares Nokia nos pontos de venda credenciados para o piloto.

Inversão de papéis: o consumidor fala, o vendedor escuta Edney Souza, diretor de operações da Pólvora!Comunicação, é categórico: “Não existe consumidor 2.0 nem web 2.0. A internet sempre foi veículo de relacionamento e não ferramenta comercial. Tivemos a bolha, em 2000, porque se investiu muito em ferramentas tecnológicas, e a capacidade dos sites gerarem conversação foi deixada de lado. Para fazer as empresas voltarem a investir na internet, após a crise, criou-se o mito da web 2.0 que, em teoria, seria a web feita pelos internautas. Uma vez que a web sempre foi feita por pessoas e não por empresas, podemos concluir que foi apenas um termo para ‘marquetear’ a volta das empresas à internet”, dispara. Diante desse quadro, Edney considera que o correto seria denominar “empresas 2.0”, aquelas que entenderam que o foco da internet são as pessoas e deixaram de usar a web como veículo de massa. O diretor não recomenda o envio de propaganda via SMS porque “foge da lógica das redes sociais, é mídia de massa, onde você dispara uma mensagem para milhares de pessoas e não recebe feedback, não interage, não dá atenção ao que as pessoas respondem”, segundo ele. E define o perfil desse indivíduo rotulado como “consumidor 2.0”: “É um consumidor que aprendeu a falar além de ouvir, ele quer se expressar, dizer o que amou e o que odiou nos mais diversos canais sociais”.

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Pelo Mundo

Intensa como um

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Artisticamente maravilhosa, Buenos Aires é considerada a capital sul-americana da cultura Por Bárbara Benatti

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uem já foi à Europa e se encantou com a explosão cultural que as cidades mais famosas oferecem, pode se surpreender com a capital argentina. A cada passo, em cada manifestação artística ou marco arquitetônico, Buenos Aires deixa evidente aos turistas por que é eternamente comparada ao Velho Mundo. A capital da República Argentina passou por profundas crises econômicas e políticas nos últimos anos, mas não perdeu o seu encanto e continua sendo um centro de referência cultural para todo o mundo. Com o título de Cidade do Design, obtido pela Organização para as Nações Unidas (Unesco) em 2005, Buenos Aires é frequentemente palco de eventos e movimentos de vanguarda em segmentos como arte, moda, fotografia e música. Se falar de Argentina é lembrar de tango, estar em Buenos Aires é se deixar levar pelo ritmo. Própria da cultura argentina, a dança não é apenas um estilo musical, mas quase um estilo de vida. As apresentações permeiam cada canto da cidade e é possível ver grandes espetáculos em San Telmo – nas tradicionais casas de tango, como a El Viejo Almacén – ou apreciar casais românticos improvisarem suas danças nas ruas de Caminito, em La Boca. Aqui, procure ficar nas áreas mais movimentadas, pois as ruas mais estreitas podem ser perigosas para os turistas.

Para quem não dispensa o turismo gastronômico, o bairro de Puerto Madero é uma ótima referência para passear à noite. Os pratos têm a clara influência das cozinhas europeias em geral, reflexo da imigração, mas com sabor particularmente local, em especial nas carnes. Não se deve esquecer, ainda, de trazer para os amigos os típicos alfajores argentinos. Além da famosa Havana, o visitante encontra marcas tradicionais da cidade e outras artesanais, que valem a pena pela exclusividade, já que não estão disponíveis por aqui. Não dispense os roteiros tradicionais, como a visita a Plaza de Mayo, centro político nacional em que fica a Casa Rosada, sede do governo argentino. A visita ao Museo de La Casa Rosada é gratuita e, mais adiante, é possível ver a sepultura

de San Matin, libertador das Américas, na Catedral Metropolitana. De lá, você pode seguir pela Avenida de Mayo até o centro, passando por entre as construções que dão à cidade a fama de “Europa sulamericana”. Quem busca arte, história e cultura deve prestar uma visita obrigatória ao Teatro Cólon, um dos maiores do mundo, bem no centro da cidade. O Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba) também merece destaque. Se tiver um tempinho a mais, fuja do roteiro básico e dê uma escapada para os Bosques de Palermo, como é conhecido o “Parque 3 de Frebrero”. Além de conter atrações como o Planetário Galileu Galilei, o Zoológico e o Jardim Botânico, o parque em si merece uma visita, de preferência, com direito a piquenique.

Crise global sob controle Depois de encarar a crise de 2001, a Argentina se preparou para redirecionar, rapidamente, recursos para novas ofertas de crédito, o que acabou não sendo necessário. O setor de crédito, em particular o destinado ao consumo por meio de cartões de crédito e empréstimos pessoais, é um dos principais motores do crescimento econômico do país, com baixos índices de inadimplência. A recuperação argentina, depois da crise de 2001, prossegue a passos firmes, apesar dos impactos da crise financeira global iniciada em 2008. O país, contudo, passa por um cenário inflacionário delicado, com altas taxas de juros, e existe a preocupação com os níveis de endividamento das famílias e com as taxas de financiamento a longo prazo. Fonte: Valeria Hall – Gerente de Riesgo Crediticio y Cobranzas CMR Falabella Argentina

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sofisticação & luxo

Esporte e networking em uma tacada

sxc.hu

Prática pode começar apenas como relacionamento de negócios e se tornar uma paixão Por Bárbara Benatti

É

impossível conversar com um praticante de golfe e não ficar, no mínimo, curioso para entender por que eles são tão apaixonados pelo esporte. O mais interessante é que muitos adeptos começam a praticá-lo como uma forma de desenvolver suas relações empresariais, e a prática acaba se tornando um estilo de vida. Empresários que hoje participam de torneios conheceram o esporte por meio de amigos ou colegas de trabalho que os convidaram para uma “clínica”, aula prática e teórica sobre as tacadas. Um dos chamarizes de empresas especializadas no esporte é o chamado marketing de relacionamento. “Networking e golfe sempre estiveram juntos. Como uma partida costuma durar cerca de quatro horas, é natural que você estabeleça uma relação muito próxima com seus parceiros de jogo”, diz Paulo Pimentel, diretor e fundador da Golfe & Cia. Segundo o empresário, o trabalho de sua empresa é apenas profissionalizar esse evento, maximizando a interação entre os convidados. Não é difícil encarar o esporte como um negócio lucrativo quando o assunto são as cifras. O golfe movimenta, em termos mundiais, US$ 350 bilhões por ano – cerca de R$ 620 bilhões, dos quais R$ 100 milhões circulam aqui no Brasil. O valor total é apenas 30% menor do que os US$ 500 bilhões movimentados pelo futebol. “O golfe sempre teve entre seus praticantes altos executivos e empresários dos mais diversos setores, ou

seja, é ideal para o relacionamento entre tomadores de decisão”, comenta Pimentel, que promove o Circuito Empresarial de Golfe, em que participam executivos de todo o país. Mas se engana quem acha que o golfe não tem tradição em terras tropicais. Trazido por um grupo de ingleses e escoceses que trabalhavam na construção da linha ferroviária Santos-Jundiaí, o esporte veio ganhando força durante seus mais de cem anos no Brasil. Atualmente, conta com a participação de brasileiros em torneios mundiais, inclusive em território nacional. Hoje, existem 110 campos espalhados pelo país, concentrados em regiões de alta renda e grande movimentação financeira, como as capitais.

Perfil dos jogadores A associação entre o esporte e o alto poder aquisitivo é inevitável. Para começar, é necessário um investimento de, aproximadamente, R$ 2 mil em equipamentos. Segundo a Confederação Brasileira de Golfe (CBG), os preços altos, no Brasil, são em função das altas taxas sobre a importação desses materiais. Os campos semipúblicos são uma opção para quem começa no esporte, já que oferecem o serviço completo para uma jogada, com equipamentos adequados e até professores. Não é necessário ser sócio desses clubes: os jogadores pagam apenas uma taxa por utilização, o Green Fee, que pode chegar a R$ 500.

“No Brasil, a classe média ainda está descobrindo o golfe”, diz Rachid Orra, presidente da CBG. “No resto do mundo, como nos EUA, Europa e até na nossa vizinha Argentina, o golfe é muito popular também na classe média, entre profissionais liberais e pessoas das mais diversas profissões.” Esse aumento na popularidade tem se refletido, também, no setor imobiliário. De acordo com a CBG, um campo de golfe valoriza o valor de um lote em até 30%. “Geralmente, quem compra um lote ou uma casa em condomínio com campo de golfe ainda não pratica o esporte”, aponta Orra. Segundo ele, o que encanta as pessoas, em primeiro lugar, é a extensão da área verde. Condomínios, clubes, campos públicos e semipúblicos. Onde há infraestrutura e jogadores empenhados em se divertir, as tacadas podem fazer sucesso. Junto com a possibilidade de conhecer pessoas e interagir com a natureza, a prática de um esporte que vem crescendo por aqui é um incentivo para que mais gente se interesse pelo golfe. E se apaixone.

Serviço

Golfe & Cia http://www.golfecia.com.br/ (11) 3814-1547 – contato@golfecia.com.br Confederação Brasileira de Golfe www.cbg.com.br

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DESTAQUES

Crédito e cobrança

sob medida Demanda por maior qualificação profissional gera novo curso voltado para o setor

iStokcphoto

Por Bárbara Benatti

C

om a meta de qualificar profissionais que desejam atuar e melhorar o seu desempenho no mercado de crédito, o Instituto GEOC (Gestão de Excelência Operacional em Cobrança) desenvolveu o MBA Executivo em Crédito e Cobrança, em parceria com Grupo Ibmec e a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (ACREFI). Com aula inaugural em 31 de agosto, o curso, que tem duração de um ano e é ministrado em São Paulo, recebeu recorde de inscrições. “Estamos preparando uma nova turma para suprir a demanda. A ideia é levar o programa a outras cidades do país”, explica Eduardo Pitombo, gerente de Soluções Corporativas do Ibmec. A criação do curso, de acordo com Pitombo, surgiu de uma necessidade do mercado. Segundo dados do Instituto GEOC, há uma grande carência por profissionais qualificados para o setor. Mensalmente, cerca de quatrocentas vagas deixam de ser preenchidas por falta de pessoal especializado. “Essa falta de mão de obra mostra um forte aquecimento dos setores de crédito e, principalmente, de cobrança. Diferentemente do que sempre se pensou, a área de cobrança cresce no ritmo da economia. É irreal dizer que o setor funciona mais em tempos de crise”, afirma o superintendente do Instituto GEOC, João Paulo de Mattos.

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Devido às necessidades das empresas de contar com especialistas em diversos setores, o curso visa preparar os profissionais para atuar em funções gerenciais das instituições e, também, na gestão de pessoas no ambiente específico de crédito e cobrança. O objetivo do programa é preparar os participantes para pensar estrategicamente e promover as mudanças necessárias às empresas, de acordo com o que é observado no mercado de crédito e cobrança. Os idealizadores do programa desejam que o mercado entenda as atividades de crédito e cobrança como um negócio estratégico para as empresas. “O objetivo é fazer com que as empresas implementem um planejamento estratégico de Crédito e Cobrança”, destaca Adalberto Savioli, presidente

da ACREFI. O curso aborda questões que envolvem todo o ciclo dos negócios de crédito, a criação de produtos, mercado, público-alvo, assuntos financeiros, marketing, canais de distribuição, segmentação, risco de crédito e fraude. Dentro do programa, algumas disciplinas abordam tecnologias utilizadas no setor, como técnicas para prevenção de fraude, conceitos aplicados ao mercado – como o Balanced ScoreCard –, princípios de finanças e marketing, gestão de negócios e de pessoas e tendências atuais, como sustentabilidade e governança corporativa. ”A ideia é que os alunos construam conhecimento junto aos professores dentro da sala de aula”, diz Pitombo, enfatizando a importância de aliar teoria e prática.

Serviço: A ideia é que os alunos construam conhecimento junto aos professores dentro da sala de aula.” Eduardo Pitombo, gerente de Soluções Corporativas do Ibmec

MBA Executivo em Crédito e Cobrança Investimento: R$ 15.480,00 à vista ou em 12 parcelas de R$1.290,00 Inscrições: Instituto GEOC (11) 3369.3800 inscricaomba@igeoc.org.br


MERCADO EM MOVIMENTO

Tecnologia a

favor dos clientes Para aumentar a competitividade, grandes empresas se cercam de fornecedores especializados que buscam soluções para atender às novas demandas Por Bárbara Benatti e Mariana Loiola

Segundo Fernando Manfio, sócio da empresa de gestão de risco Witrisk, é impossível uma empresa crescer e se manter no mercado sem ferramentas tecnológicas adequadas. No setor de crédito, por exemplo, essa seria uma necessidade básica. “Existem tecnologias específicas, rápidas e eficazes para gerir riscos em cada fase do ciclo de crédito e cobrança – da aquisição, manutenção e recuperação de um cliente à prevenção de fraudes e inadimplência”, cita Manfio. Investir em tecnologia exige, além de dinheiro, um bom conhecimento para o gerenciamento das ferramentas e mão de obra qualificada. Para as grandes empresas, a melhor estratégia, então, é se cercar de fornecedores especializados, que detêm o conhecimento e a inteligência no ramo. Para atender um mercado que exige cada vez mais resultado das ações de recuperação de crédito, a Contax, por exemplo, investe em inovações tecnológicas que vão desde discadores de última geração a processos de enriquecimento de mailing integrados e automatizados. Com isso, obteve um aumento de 15% no contato com clientes devedores. Para o diretor de Operações de Cobrança da empresa, Leonardo Santanda, a parceria com os próprios clientes é essencial para o sucesso das operações: “Nossos contratantes têm atuado de forma conjunta conosco, em especial nas etapas críticas, o

que diminui o retrabalho e possibilita o alinhamento de estratégias”, diz. Para a Spring Wireless-Okto, especializada na comunicação via tecnologias móveis, estar por dentro das inovações é indispensável para manter a competitividade. “Para a tecnologia, em especial a móvel, não há limites de conquistas e de prazos”, destaca o vice-presidente da companhia, Manuel Braga. “Com o aumento da utilização de celulares pela população, crescem as chances de inclusão de ferramentas voltadas à recuperação de crédito, como SMS e mensagens de voz, principais produtos da Okto nesse segmento.” De acordo com Vitor Knewitz, sócio da Human Mobile, ao longo dos sete anos em que a empresa está no mercado de SMS e Voz, o número de celulares saltou de 40 milhões para mais de 185 milhões. Hoje, o Brasil conta com mais linhas de aparelhos móveis do que habitantes. “As empresas passaram a entender que o celular é um ponto de contato com seus públicos, interno ou externo, e que, acima de tudo, é um canal direto”, explica. Para Knewitz, a utilização do SMS deve prevalecer por mais alguns anos, pois atinge 100% dos aparelhos, enquanto a tecnologia 3G tem uma penetração de apenas 7% no mercado nacional. “O 3G permite um contato bem mais rico em termos de conteúdo, mas não substitui o SMS para uma comunicação mais simples e direta”, comenta.

e mensagens de voz é que a comunicação por essas ferramentas é de mão única. Knewitz explica que não há como estabelecer vínculo entre a mensagem inicial e a resposta gerada pelo receptor, como no caso do email, por exemplo: “Cada SMS é uma mensagem independente.” Em um cenário de consumidores que buscam cada vez mais a interatividade como fator decisivo em seu relacionamento com as empresas, desenvolver tecnologias que permitam maior proximidade com elas é um dos desafios. Embora o número de participação da tecnologia 3G ainda seja pequeno, a necessidade de relacionamento por parte do cliente é uma realidade crescente, e as empresas que não se adaptarem a ela correm o risco de ficar obsoletas.

iStockophoto

N

ão importa se a empresa é pequena ou grande. Para crescer, é necessário investir. Do telefone fixo ao mais moderno processo de comunicação, ou de um simples sistema de caixa à mais inovadora solução em cobrança, o dia a dia das empresas passa pela tecnologia e depende dela para crescer e se comunicar com seus públicos.

No entanto, a grande barreira que existe, hoje, na utilização de SMS

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Ponto de Vista

Este momento

pode ser diferente Dr. Juan M. Licari

A

América Latina tem sido capaz de se manter alheia à crise financeira e econômica que atingiu a economia global nos últimos anos. Diferentes mecanismos, voluntários e não voluntários, agiram para evitar que a região sofresse perdas significativas ou entrasse em colapso em meio ao caos fiscal e financeiro. Mas as perspectivas para a região e as suas chances de permanecer nesta tendência positiva levantam algumas questões. Podemos esperar que o ciclo expansionista econômico e de crédito da América Latina seja sustentável? Poderíamos nos surpreender com a maioria dos países latino-americanos, evitando-se o cenário “montanha russa” que tem caracterizado as economias emergentes? Um olhar cuidadoso sobre o posicionamento dos ciclos global e latino indica que este período pode ser diferente para a região. O crédito esteve no centro da crise soberana que atingiu a América do Norte e a Europa. Condições rigorosas trazidas para a economia real geraram ajustes dolorosos para mercados de trabalho e produção. Mais de dois anos se passaram desde o colapso da habitação nos Estados Unidos e a economia ainda permanece muito frágil e com uma perspectiva obscura. A Europa teve sua própria crise creditícia, neste caso pelo financiamento público irresponsável. Absorver o choque subprime expôs muitos países europeus por suas fracas finanças. Os investidores globais ajustaram seus cálculos de risco e reavaliaram a classificação de alguns membros da zona do Euro. Enquanto isso, a América Latina e outras economias emergentes participaram como espectadores deste colapso do crédito global. A maioria dos países foi capaz de evitar um ataque direto deste tsunami e foram apenas afetados em seus financiamentos de curto prazo dos mercados de capital global. O outro lado da economia

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Divulgação

Diretor econômico e crédito analítico da Moody´s Analytics latina continuou em expansão e foi capaz, até, de registrar crescimento. Mas, uma vez que a economia começa a mostrar sinais de superaquecimento, as autoridades monetárias e fiscais reagem a fim de trazer de volta o crescimento potencial. A pergunta então é se a América Latina pode evitar esse cenário instável que tem atingido as economias emergentes por anos. A região pode ter uma “aterrissagem suave” após a sua atual fase de expansão? Se houve um “modelo” para a região latina, independentemente do ciclo global, existe a possibilidade de resultar num efeito de ascensão e queda particularmente para alguns países latinos. Mas trazer o fator externo de uma potencial recuperação global, quase certamente, exclui a chance de uma grave crise. A ajuda dos preços das commodities, facilidades de financiamento e uma forte demanda para as exportações podem fazer o trabalho. Além disso, a maioria dos países latinos tem espaço para uma desvalorização suave de suas moedas. Esses fatores podem trazer elevação adicional para a região, uma vez que entra na fase de desaceleração do ciclo. A conjuntura torna-se oportuna para a recuperação da economia global e, dessa forma, verificaríamos, então, um novo capítulo do desempenho sólido da América Latina. Pode-se pensar que “desta vez pode ser diferente” e que a América Latina será capaz de sustentar um longo período de crescimento econômico sem passar por um cenário de falência. O tempo para a recuperação global e a desaceleração latina irá ditar o destino da região. Os políticos devem ter essa perspectiva em mente e um plano estruturado para abordá-la, a fim de que seja colocado em ação no momento oportuno.



Credit Performance - Setembro 2010