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INFORMATIVO CPCD ANO 4. NÚM 19

2016 nov|dez

Projeto realizado no Estado do Maranhão, desde outubro de 2012

Editorial

DESTAQUES

Caros leitores,

Transformando a vida. pág 2

Encerrando o quarto ano de atuação do Projeto Nos Trilhos do Desenvolvimento, o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento – CPCD – compartilha com vocês um pouco do dia a dia do projeto.

Aprender brincando. pág 3

Ações apropriadas, principalmente pelas mulheres e crianças dessas comunidades, tornaram-se parte do cotidiano das famílias, pois foram incorporadas de forma prazerosa, pelas mesmas. Esperamos que a leitura aproximenos dessas tecnologias. Boa leitura.

Guardiãs das águas. pág 3 Compartilhando o futuro. pág 4 Um mimo especial . pág 5 Encontro de gestantes. pág 6 Alimentação saudável e criativa. pág 7 Vozes da comunidade. pág 7 O que vem por aí? pág 8

Plantio de mudas em Santa Rita é motivo de orgulho entre as crianças As ruas de Santa Rita têm hoje um visual estético diferente de quatro anos atrás. Esta é uma árvore de Ipê Rosa, plantada no primeiro ano e hoje, florindo. A espécie é o orgulho das crianças que ajudaram no plantio naquela época e motiva a equipe do viveiro de mudas, que está constantemente produzindo. É uma atividade que envolve desde a coleta de sementes, preparação dos sacos de mudas com terra fértil, plantação propriamente dita e manutenção – porque as crianças que frequentam a Casa Referência também ajudam a regar e selecionar as mudas. O processo de distribuição e plantio das mudas em localidades previamente estabelecidas também é mudas produzidas em 2.016

4.600 Açailândia

6.300 Buriticupu

fundamental. O Bairro Gonçalo é o centro dessa atividade. A Associação de Moradores solicitou as mudas e fizeram o plantio nas ruas do bairro, além de contribuírem com as sementes que conseguem nas casas dos moradores. “Aqui eu aprendi sobre Permacultura. Aprendi a importância de plantar uma árvore na cidade. Hoje tem árvores florindo na avenida e eu ajudei a plantá-las. Ver uma árvore com flores na nossa avenida pode não ter importância nenhuma para muitas pessoas, mas eu olho para elas diferente. Nossa cidade está mais bonita depois do projeto.”

2.800 Itapecuru Mirim

Antônia América de Sousa Estudante

4.306 Santa Rita


CULTURA

Oficina comunitária

Transformando a vida Foi realizada em Santa Rita, oficina de artesanato para confeccionar peças com ‘fuxico’, uma técnica utilizada e de conhecimento popular. Assim, o nosso banco de tecnologias amplia-se cada vez mais. Participaram 31 mulheres, divididas em três grupos pelas salas da Casa Referência, transformando o local em um ambiente acolhedor, com mulheres protagonistas.

Semanalmente, a comunidade de Vila Ildemar, Açailândia, reúne-se para um momento lúdico de ensinar e aprender. É mais que uma troca de conhecimento... Através dessa ação, podemos discutir formas de economizar e reaproveitar os recursos existentes. É um momento de solidariedade e cooperação entre as pessoas! Além de produzir o material de limpeza e higiene que a família utilizará durante a semana.

Mais que uma Agente de Saúde – Uma educadora!

Lição de vida Os idosos do Quilombo Santa Rosa dos Pretos, Itapecuru Mirim, são Pontos Luminosos respeitados e reconhecidos. Muitos apreciam contar histórias nas rodas. Sr. Juscelino é um deles. Quando passa muito tempo sem ser procurado, ele mesmo aparece nas rodas das crianças para dar sua contribuição. Quando ele chega, as crianças que vão passando pelo espaço também se ‘encostam’ – termo utilizado por eles, e quer dizer, param para ouvir.

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A participação das Agentes Comunitárias de Saúde – ACS’s – faz a diferença nas equipes de trabalho. Isso porque elas estão inseridas há mais tempo no convívio com as pessoas e conhecem intimamente os problemas que afligem a comunidade. Em Santa Rosa dos Pretos, a influência de Francisquinha é um destaque. Ela é uma pessoa criativa e consegue harmonizar as relações de trabalho, principalmente nas oficinas comunitárias, onde, através das rodas de conversa, os assuntos são divergentes.


EDUCAÇÃO

Lendo a vida

Aprender brincando

Leitura não tem idade! Parece lógico... Mas, por muito tempo em Açailândia, fizemos poucas ações que promovessem a inclusão dos idosos no mundo da Literatura.

No Quilombo Santa Rosa dos Pretos, as educadoras identificaram um déficit de aprendizagem crítico desde o primeiro ano de implantação do projeto. As atividades de leitura utilizando as algibeiras e os jogos de aprendizagem estão causando impacto no rendimento escolar. Duas educadoras são também professoras na escola e acompanham de perto o aumento das notas escolares, a criatividade e socialização dos alunos. Os moradores valorizam e reconhecem o projeto como atividade catalisadora das relações comunitárias e de empreendedorismo das mulheres. As ações cuidam não somente da aprendizagem das crianças como também do convívio harmonioso através de outras atividades que integram famílias e projeto.

Em 2016, isso foi diferente! Desfrutamos da maravilhosa experiência de mediação de leitura com os idosos. A ação é muito simples! O educador visita a família para ler com os mais velhos da casa. Uma leitura espontânea, que inspira lembranças, narrada com prazer para uma plateia atenciosa. É muito prazeroso e emocionante para os educadores e para os idosos. Além disso, a partir da leitura e da socialização, o idoso melhora a sua capacidade de interpretação, além de exercitar a memória, fator fundamental nesta fase da vida. Durante a ação, o leitor entra em contato com os saberes do autor e esse contato renova seu conhecimento e suas emoções.

MEIO AMBIENTE Guardiãs das águas Formamos, com os adolescentes de Santa Rita, um grupo de guardiãs das águas no viveiro de mudas. Semanalmente, as guardiãs estão na Casa Referência e o lugar preferido delas é o viveiro de mudas. Elas dominam o processo de plantio e germinação das sementes. Além disso, servem de monitoras para as visitas. Com essas atitudes, formamos jovens protagonistas e atuantes.

Harmonia O desenvolvimento das crianças tem forte influência de sua convivência em grupos sociais. Em Santa Rosa dos Pretos, elas têm atividades específicas para seu grupo etário e também frequentam outras ações com suas mães. O que mais chama a atenção das educadoras é o dinamismo com que o projeto cria espaços diversos de aprendizagem. Hélia era uma criança com déficit de aprendizagem e, desde que passou a frequentar o projeto, tem se destacado na escola.

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Somos parteiras de árvores “Parece até que descobri uma missão. O instinto de quem faz nascer é um só! E, hoje, eu percebo a vida começando em todo canto. O engraçado é que antes eu só via a vida acabando... Eu estava ‘do meio para o fim’; não enxergava a vida nem nas crianças. Na Nossa Casa, eu descobri um novo olhar. Percebo que, depois do fim, existem novos começos e, mesmo quando eu morrer, a vida no planeta continuará. Eu quero que continue! Se alguém ‘letrado’ ouvir essas palavras, pode pensar que sou boba. Mas, pra mim, isso é muito importante, principalmente porque aprendi tudo fazendo as sementeiras. Fazer brotar cada semente foi, para nós, o grande desafio. A sementeira é assim: quando a gente acha que sabe tudo, vem uma semente mais dura (dura, não... forte!). Aí, temos que plantá-la, fazer germinar. Através desse projeto, eu aprendi a fazer sementeira de onde tiramos muitas árvores. Assim, aprendi a viver... Quem aprende a fazer brotar uma árvore, sabe fazer brotar tudo! Não é fácil! Mas, é muito bom!” Antônia da Silva (Preta), Educadora Social

Plantando o futuro de Buriticupu Além de aprender a valorizar o meio ambiente, a alegria de mexer na terra e conhecer as plantas pode trazer diversos benefícios às crianças: saúde, respeito ao próximo, consciência corporal e, mais ainda, o aprendizado do cultivo. A escola é uma grande parceira das mulheres do Buritizinho. Mesmo sem espaço verde, a sala vai para a Nossa Casa e as crianças podem plantar, conhecer as árvores e aprender um novo conceito de natureza e meio ambiente.

TRABALHO Compartilhando o futuro Uma Associação é a união autônoma de pessoas que se juntam voluntariamente para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais. Por isso, é o caminho natural para nossas equipes de Educadoras Sociais. Em todas as cidades os educadores têm discutido, a seu tempo, como poderiam dar continuidade ao trabalho... E a melhor forma tem sido essa ação coletiva, gerida democraticamente. As Associações baseiam-se em valores de ajuda mútua, responsabilidade e solidariedade, seguindo a tradição do nosso trabalho. Em Açailândia, a Associação de Mulheres Educadoras da Vila Ildemar - AME – nasceu com força total e recebeu o apoio incondicional da comunidade.

Reciclando e criando As sextas-feiras, em Buritizinho, são muito concorridas! Além da produção de sabão, que as donas de casa adoram, temos a oficina de reciclagem com um produto imbatível: as bolsinhas de Tetrapack! Tudo começou a partir da discussão do que fazer com o lixo. Assim, a atividade ganhou também a dimensão estética. E o lixo tornou-se beleza.

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SAÚDE

Pensando no futuro

Um mimo especial

Em Açailândia, além do acompanhamento da saúde de mamães e bebês, os Cuidadores Solidários também envolvem as mães e gestantes em outras práticas coletivas. Durante as quintas feiras, nos encontros, além de falar sobre os bebês, gestação e tecnologias e Kits, as mulheres aproveitam para produzir algo para si ou para comunidade. Essa ação vai desde plantar árvores e hortas até reciclar materiais que iriam para o lixo, transformando-os em brinquedos e lembrancinhas que serão entregues aos visitantes do recém-nascido.

A distribuição do kit enxoval acontece quando a gestante realiza o pré-natal e completa cinco consultas com exames exigidos. A deficiência do Sistema de Saúde dificulta cumprir a meta, mas todo esforço é feito. Atualmente, acompanhamos 68 mulheres em suas residências. O Disk Gestante funciona quando elas precisam de ajuda para marcar consultas e/ou exames ou para comunicar às Cuidadoras quando o bebê nasce.

Encontro de gestantes Em Santa Rita, o acompanhamento das gestantes continua sendo o destaque do Projeto Nos Trilhos do Desenvolvimento. Às quintas-feiras, acontecem os encontros, que são surpreendentes para as mulheres. Muitas chegam do interior para participar. As atividades são criativas, cheias de informações e trocas de experiências. Atendemos as grávidas em seus domicílios e acompanhamos as puérperas durante os sete primeiros dias do nascimento. Neste período, nasceram nove crianças. Reconhecemos a necessidade do acompanhamento no sentido de garantir a amamentação exclusiva até os seis meses do bebê e o cuidado com o umbigo, utilizando somente o álcool a 70º. É uma atividade gratificante para ambas as partes; as mulheres criam um laço afetivo com as cuidadoras e vínculo mãe e bebê se efetiva.

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MORADIA Utilizando o Banco do Conhecimento Muitas tecnologias são criadas e utilizadas em Buritizinho (Buriticupu), desde construir casas e banheiros, até fabricar o próprio sabão e sabonete. Além, é claro, de pintar cada nova e velha construção com tinta de terra. Assim, as tecnologias entram na comunidade para melhorar as condições de vida das famílias. Os espaços do conhecimento são diversos e as cuidadoras realizam atividades de reciclagem com as crianças e adolescentes, desenvolvendo todo o potencial criativo e senso de estética.

ALIMENTO Alimentação saudável e criativa Sabemos que os hábitos alimentares inadequados são responsáveis pela maioria das doenças de causas evitáveis. O projeto, dentro de suas metas, privilegia o foco alimento em sua produção e preparação, sempre de forma criativa e esteticamente apreciável e degustável. As oficinas comunitárias dão o tom desse foco, promovendo encontros com experiências de receitas simples, baratas e nutritivas. Elas acontecem com o grupo de grávidas, nas comunidades, e com os educadores que realizam uma oficina experimental, preparando-os para as outras ações. No período, contabilizamos oito receitas experimentadas, com a participação média de 28 pessoas.

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A união melhora a alimentação A horta do PAIS – Produção Agroecológica Integrada Sustentável – é o centro de referência de trocas de saberes e fazeres do Quilombo Santa Rosa dos Pretos. Ali, as mulheres se reúnem e se organizam para produzir de forma sustentável. A produção abastece as famílias dos participantes e outra parte é comercializada para, com o dinheiro, fazer a manutenção do local. O destaque é a economia que se consegue fazer, produzindo de forma coletiva e disseminando a prática pela comunidade. A partir dessa experiência, outras famílias adotaram a prática e observam o quanto podem economizar. Uma grande variedade de pratos passou a fazer parte da alimentação das famílias. Cerca de 20 mulheres atuam na horta e viveiro do projeto.


VOZES DA COMUNIDADE

“Participo do projeto desde o início. Admiro muito tudo. O projeto não desiste das pessoas... Mesmo as mais resistentes são visitadas e convidadas para as atividades.” Fátima da Silva, Açailândia|MA

“Esta é uma ótima fase da minha vida: pois, estou na segunda gestação e desde a primeira eu sou acompanhada pelas cuidadoras do projeto. É uma experiência incrível, pois elas preparam a mulher psicologicamente e fazem orientações sobre alimentação, cuidados com o bebê e preparo para o parto. Sinto-me segura com o cuidado delas.” Natália de Jesus Nascimento Gestante acompanhada - Santa Rita|MA

“Eu gosto de vir todo dia para ler um pouquinho. Sempre levo outro livro pra casa.” Davi Silvério, de 10 anos Buriticupu|MA

“Nós procuramos fazer atividades atrativas e bonitas para nossas crianças. Assim, como elas são fascinadas pelos livros, queremos que estejam sempre motivadas. Inovamos na forma de contar histórias e por isso, construímos fantoches, é uma atração!” Josiane Pires da Silva Educadora social - Itapecuru Mirim|MA

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O QUE VEM POR AÍ? Açailândia

Itapecuru Mirim

Oficina com as gestantes

Atendimento às gestantes e puérperas

Data: 13, 20 e 27 de janeiro Horário: 14h Local: PSF Vila Tropical Data: 31 de janeiro Horário: 8h | 14h Local: Vila Ildemar

Data: 9 e 17 de janeiro Horário: 14h Local: Quilombo Santa Rosa dos Pretos

Atividades de lazer com as crianças

Buriticupu Acompanhamento das gestantes e puérperas Data: 13, 20 e 27 de janeiro Horário: 8h | 14h Local: Nossa Casa - Comunidade Buritizinho

Oficina comunitária Data: 10 e 24 de janeiro Horário: 8h | 14h Local: Nossa Casa - Comunidade Buritizinho

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Data: 23 de janeiro Horário: 14h Local: Quilombo Santa Rosa dos Pretos

Santa Rita Algibeira de Leitura Data: 9, 13, 18, 20 e 27 de janeiro Horário: 8h Local: Casa Referência

Roda de leitura Data: 16 de janeiro Horário: 8h Local: Casa Referência


EXPEDIENTE Este informativo contou com a contribuição de Gleidiane Oliveira Santos, Ednalda Aparecida dos Santos, Vânia Lúcia Coutinho, Diana Ribeiro Toledo, Doralice Barbosa Mota e Simone Cecília Menezes da Mata.

Leia também Conheça os informativos de outros projetos desenvolvidos pelo CPCD. Acesse o link: http://www.scribd.com/cpcdbh/documents Os programas Nos Trilhos do Desenvolvimento, Casa Saudável e Núcleo Produtivo da Estação Conhecimento de Arari são iniciativas da Fundação Vale em parceria com o CPCD.

Iniciativa:

Parceria:

Coordenação:

Realização:

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Nos Trilhos do Desenvolvimento - Ano 4 - nº 19  

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