8
Correio da Venezuela
Quinta-feira, 22 de Maio a Quarta-feira, 28 de Maio de 2014
Especial Victoria Urdaneta
De Propatria a Palo Verde, o Metro é uma alternativa de transporte para os caraquenhos. Desde a sua inauguração, a 2 de Janeiro de 1983, os 6,7 km iniciais passaram para os 67 km. Num ano foram registados aproximadamente 490 milhões de bilhetes, sem incluir os cerca de 200 mil das pessoas com deficiências nem os dos idosos, elementos da população isentos do pagamento pelo que não passam pelos torniquetes. Este número tem vindo a aumentar quando se compara com outros anos, como 2012, no qual se registaram 490.013.357 entradas, o que representou um incremento da ordem dos 9,2% em relação ao ano anterior, que contabilizou 448.335.695 entradas. A visão dos utentes Para Carlina Duque, transportar o filho Víctor Manuel, 4 anos, que padece de uma incapacidade motora, é uma árdua tarefa que deve cumprir cada vez que oleva para a escola. No entanto, diz que o metro ajudou-a a resolver “bastante esta situação”, já que “os operadores ajudam a movimentar a cadeira de rodas pelas escadas”, relata. “É a via mais prática”, afir ma Jennifer Farías, que aproveita o metro para levar a carga dos seus produtos para vender, ainda que não seja permitido viajar com pacotes nem malas. “É única maneira de me trasladar”, observa. Segundo Martin Rodríguez, estudante num liceu situado a oeste da cidade, o metro “é um meio necessário mas demasiado stressante devido ao número de pessoas que entram e saem a toda a hora. Há que deixar passar vários vagões porque todos estão cheios”. A exemplo deste interlocutor, muitos utentes ressaltam as vantagens e desvantagens do metro, mas todos coincidem em afirmar que se trata dum meio de transporte rápido. Todos conhecem muitos episódios com piada fruto das vivências no metro. Por exemplo, Gilberto Pereira comenta que “se pode escutar mil e uma histórias numa só viagem, desde uma pessoa que pede uma colaboração até outra que conta anedotas, ou desde um “rapero” ou um “coplero” de música crioula, improvisando com os restantes utentes que seguem na composição”. Inclusivamente, os trabalhadores do gabinete de Atendimento ao Cidadão da Estação Chacaíto (existe outra na Estação Plaza Venezuela) já viram “de tudo”. No Metro “encontramos títulos universitários, passaportes, bastões, chaves, óculos, telefones de última geração, entre muitas outras coisas que guardamos para quando venham procura-las”, asseguram.
Metro de Caracas:
um mundo
subterrâneo
Utentes, cantores, malabaristas, indigentes, todos confluem nos vagões repletos que cruzam a cidade
Rede ampliada Os subsistemas do Metro de Caracas, conformados pelo Cabletren e os MetroCables de Mariche e de San Agustín, registraram 11.200.54 utentes no ano passado, segundo um balanço da empresa. O Cabletren conecta a linha 1 do Metro de Caracas, desde a Estação Petare com a Linha 5 (em construção) na estação Warairarepano, com composições que passam por vias férreas elevadas e possuem uma capacidade para 232 passageiros. Foi inaugurado a 14 de Agosto de 2013 e tão só nas primeiras semanas de operação comercial, contabilizara-se 112.594 entradas. Incorporará as estações já operacionais (Petare II, 19 de Abril e 5 de Julho) os novos pontos de acesso 24 Julho e Warairarepano. Quanto a Metrocables, um funciona na populosa zona de San Agustín e foi inaugurado em 2010, com um percurso de 1,8 quilómetros. Em quatro anos de operação foram contabilizadas 10.500.000 visitas. Neste meio de transporte funcionam 52 cabinas (com capacidade de oito pessoas cada uma) para o transporte dos utentes por cinco estações: San Agustín, El Manguito, La Ceiba, Hornos de Cal e Parque Central, onde conecta com a Linha 4 do Metro. Também existe o Metrocable de Mariche, inaugurado em Dezembro de 2012, que percorre 4,79 quilómetros desde a estação de Palo Verde. Actualmente encontra-se em construção mas um troço que terá uma extensão de 3,6 quilómetros e também partirá da estação Palo Verde, mas passará pelas estações Guaicoco e La Dolorita, com um trajecto de aproximadamente 20 minutos. As cifras indicam que o Metrocable de Mariche sumou 7.211.000 de entradas e o de San Agustín 1.702.000 de utentes no ano passado, enquanto que o Cabletren leva 2.300. 935. No último ano, mais de 73 milhões de entradas foram registadas pela Metrobús – BusCaracas (Linha 7). O número representa um incremento de 57% em comparação com o mesmo período de 2012, quando foram transportadas através da rede de superfície do Metro de Caracas 46.405.380 pessoas.