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Correio da Venezuela 538

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Correio da Venezuela

Quinta-feira, 9 de Janeiro a Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

a semana

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ntrámos no ano da esperança. Por muitas razões e, também, por mais essas que os leitores acrescentam nos seus votos e que em nada ficam mal, já que devemos libertar-nos da ansiedade que nos persegue desde há muito e da desconfiança que é má conselheira. Portugal está no ano em que se libertará de uma situação muito pouco feliz, vivendo em protectorado, como um determinado influente político nacional tem designado a conjuntura nacional em que o País é gerido sob o olhar atento e impiedoso de uma “troika” internacional que não deixa margem para fugas. Foi isso que merecemos, por erros cometidos, mas também foi isso que nos ajudou a sair da recessão e a chegar aos mercados internacionais. E é com esta esperança que devemos entrar neste novo ano, em que Portugal recuperará e se afirmará entre os demais países numa Europa de muitas incertezas, diabolizada pela influência crescente de um capitalismo sem rosto. Quanto a nós, Portugueses, vamos tentar libertar-nos dos complexos de inferioridade que sempre se abatem sobre nós, quando algo não corre bem. Na Venezuela partimos também para um ano de esperança. Os índices não são os melhores indicadores de que a vida irá sorrirnos com mais alegria em 2004, mas a verdade é que há vontade para mudar, para encontrar soluções e, com alguma tolerância, reconquistar terreno e por a máquina do País a trabalhar como deve ser. O aperto de mão de Maduro e de Capriles, nesta semana em Caracas, poderá pouco significar na prática, mas pode ser o tal choque, o tal despertar de que é na união e no mesmo caminho, com trabalho conjunto e mais concórdia, que iremos lograr as soluções que conduzirão a uma união do Povo e ao reacender da produção nacional, ganhando riqueza e colocando de lado as quezílias partidárias que, feitas as contas, pouco têm ajudado no desenvolvimento da Venezuela. Há um projecto sufragado nas urnas eleitorais e é nesse sentido que devemos seguir, respeitando maiorias e minorias, mas atentos aos desvios que apenas se aproveitarão os bandos de delinquentes e aqueles que gostam da instabilidade para corroer as infra-estruturas que deveriam ser utilizadas para o crescimento de Venezuela. Infra-estruturas que não são apenas as materiais. Também as infra-estruturas humanas, pois são estas, constituídas pelas mulheres e pelos homens deste país que devem ser valorizadas e dignificadas. O respeito pelas pessoas e pelos cidadãos que constituem o tecido populacional de um dos países latino-americanos com mais tradição de luta e de querer, o presente e o futuro de Venezuela.

Uma foto para a História Na passada quarta-feira, dia 8 de Janeiro de 2014, no Palácio Presidencial de Miraflores, em Caracas, o Mandatário crioulo sentou à mesma mesa os governadores e os alcaides das zonas mais afectadas pela insegurança pública que afecta, de uma maneira geral, todo o território venezuelano. Contudo o encontro teve um motivo peculiar e que passou despercebido entre todos quantos lá estiveram ou tiveram conhecimento da realização da reunião: o Presidente eleito Nicolás Maduro e o candidato derrotado nas últimas Presidenciais, Henrique Capriles Radonski, trocaram um aperto de mão. Para muitos que acompanharam a animosidade que se viveram nas mais recentes campanhas eleitorais quase que seria impossível admitir que tal coisa pudesse acontecer. Mas a verdade é que o gesto vem de encontro a uma ambição generalizada e na qual estão todos os venezuelanos empenhados, independentemente da sua filiação partidária ou preferência política, que é a segurança dos cidadãos. Contudo, será bom que esta imagem não seja apenas uma coincidência e/ou um gesto urbano dos políticos antagonistas. Que seja antes o início de um caminhar que todos os venezuelanos aguardam em direcção ao encontro de soluções adequadas e maioritariamente aceites pelo Povo, para que a Nação possa funcionar, trabalhar e progredir, no pleno respeito pela independência e identidade de todos.

destaque

voz do leitor

Dor e indignação O assassinato de Monica Spear, uma artista muito querida pela maioria dos venezuelanos, tem causado em muitas pessoas dor e indignação. No rescaldo dos acontecimentos, de uma maneira geral e generalizada, só se fala da perda e do ambiente de insegurança que assola o País. Provoca dor pois ninguém quer perder um ente querido, e quem já perdeu alguém vitimado por acções de banditismo, revive esta cena com maior tristeza, pois sabe bem como estes factos marcaram as nossas vidas. E provoca indignação, pois não podemos ter uma vida livre, já que se impõe a todos os venezuelanos a obrigação de recolher cedo às suas casas para não serem atacados por

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Director Aleixo Vieira Subdirector Agostinho Silva Gerente: Carla Vieira Editor Sergio Ferreira Soares Endereço: Av. Veracruz. Edif. La Hacienda. Piso 5, ofic. 35F. Las Mercedes, Caracas. Telefones: (0212) 9932026 / 9571 Telefax: (0212) 9916448 E-mail: editorial@correiodevenezuela.com

delinquentes. Não podemos entender como se pode ter uma vida normal num País, como a Venezuela, em que o número de vítimas da violência resultante de actos de banditismo, sequestros, assaltos e ajustes de contas, é superior ao de vítimas em actos de guerra no Médio Oriente, por exemplo. Fala-se em esforços para acabar com a delinquência, mas a verdade é que não são suficientes. É necessário que todos trabalhemos em conjunto e que a sociedade entenda que a insegurança não é problema do governo ou da oposição, mas sim de todos. Graça Gouveia

Chefe de redacção Sergio Ferreira Soares |Jornalistas Carla Salcedo Leal, Victoria Urdaneta, Jean Carlos de Abreu, Kenner Prieto, Antonio Da Silva |Correspondentes Edgar Barreto (Falcón), Carlos Balaguera (Carabobo), Sandra De Andrade (Aragua), Sandra Rodríguez (La Victoria), Trinidad Macedo (Lara), Silvia K. Gonçalves (Bolívar), Ricardo Santos (Nueva Esparta), Luis Canha (Mérida), Daniela García (Miranda), Antonio Dos Santos (Zulia) |Colaborações Catanho Fernandes, Arelys Gonçalves, Antonio López Villegas, Isabel Idárraga, |Administração Ma.Fernanda Pulido |Publicidade e Marketing Carla Vieira |Paginação Elsa de Sá |Fotografia Francisco Garrett |Distribuição Luis Alvarado, Carlos Agostinho Perregil R. |Impressão Cadena Capriles, Operadora La Urbina C.A. Caracas -Venezuela |Tiragem 15.000 exemplares |Fontes de Informação Agência Lusa, Diário de Notícias, Diário de Notícias da Madeira, Ilhapress, Portuguese News Network e intercâmbio com publicações em língua portuguesa.


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