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Venezuela é excepção

Renovação nas Damas

Ventura Garcês na Venezuela no Dia da Madeira Página 32

Grupo “ Netas do Lar” já foi constituído

O jornal da comunidade luso-venezuelana

anO 07 – N.º 160 - DEPóSitO LEgaL: 199901DF222 - PubLiCaÇÃO SEmanaL

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CaraCaS, DE 08 a 14 DE JunHO DE 2006 - VEnEzuELa: bS.: 1.000,00 / POrtugaL: € 0,75

Lar Geriátrico Vamos a eles! precisa de ajuda Inauguração em Maracay a 10 de Junho marca fase importante da instituição

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Embaixador da Venezuela apela ao investimento

Selecção portuguesa recebida em euforia na Alemanha

De visita à Madeira, Manuel Quijada garante regras claras e a “ exportação” do capital

Equipa lusa joga este domingo contra Angola a partir das 16 horas (hora da Venezuela)

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EDiÇÃO ESPECiaL


2 | EDITORIAL Uma data histó rica CORREIO DE VENEZUELA - DE 08 A 14 DE JUNHO DE 2006

Director: Aleixo Vieira Subdirector Agostinho Silva Coordenação em Caracas Délia Meneses Jornalistas: António da Silva, Carlos Orellana Jean Carlos de Abreu, Tábita Barrera Victoria Urdaneta, Yamilem Gonzalez. Correspondentes: Carlos Balaguera (Maracay e Valencia) Carlos Marques (Mérida) Sandra Rodriguez (La Victoria) Trinidad Macedo (Barquisimeto) Colaborações: Raúl Caires (Madeira) António de Abreu, Arelys Gonçalves Janette Da Silva, Luís Barreira e Miguel Rodrigues Publicidade e Marketing: Carla Vieira Noemia Dos Santos Fotografia: Paco Garret Preparação Gráfica: DN-Madeira Produção: Elsa De Sá Secretariado: Carolina Nóbrega

e mais pretextos fossem necessários para distinguir esta data, o Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas deste ano ficará associado, na Venezuela, à inauguração do Lar Geriátrico Luso-Venezuelano, em Maracay. Trata-se de mais um exemplo da perseverança e do espírito empreendedor dos portugueses neste país, e particularmente das pessoas que estiveram e estão envolvidos no projecto. Uma obra notável pelo seu nobre alcance social e pelo sentido de solidariedade que encerra. Apesar do simbolismo da inauguração, que poderá passar a ideia que a missão está cumprida, convém estar

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consciente que apenas foi ultrapassada uma importante etapa. Há que festejar, por esta importante conquista, por este enorme passo em frente. No entanto, há também que estar preparado para dar continuidade ao projecto, nas suas mú ltiplas vertentes. O apoio de todos continuará a ser fundamental, sejam da “ família” radicada em Maracay, sejam de luso-venezuelanos espalhados pelas restantes localidades deste país. Uma palavra final para o drástico desaparecimento de uma das pessoas que ficará, para sempre, associado à obra erguida em Maracay: o arquitecto Manuel Teixeira. Paz à sua alma!

O CaRTOON Da SEMaNa

Distribuição: Enrique Figueroa Endereço: Av. Los Jabillos 905, com Av. Francisco Solano, Edif. Torre Tepuy, piso 2-2C, Sabana Grande - 1050 Caracas. Endereço Postal: Editorial Correio C.A. Sabana Grande Caracas - Venezuela Telefones: (0212) 761.41.45 Telefax: (0212) 761.12.69 E-mail: correio@cantv.net URL: www.correiodevenezuela.com Tiragem deste número: 15.000 exemplares

Alguns dos oradores do Encontro de Gerações fizeram um grande esforço para falar em português...

E quando é que os nossos visitantes começam a fazer um esforço para falarem em espanhol?

Fontes de Informação: DIÁRIO de Notícias da Madeira Jornal de Notícias Agência de Notícias LUSA

a SEMaNa MUITO BOM As várias colectividades de Caracas estao a dar , finalmente, um grande exemplo na coordenação das actividades que assinalam o Dia de Portugal. Nem sempre aconteceu como este ano, em que inexplicáveis sobreposições de convites e de eventos acabavam por prejudicar tudo e todos. Que o exemplo dos responsáveis associativos na capital se estendam, rapidamente, a outras cidades. Nesta e noutras datas iguais.

BOM Quando se assiste à inauguração de uma importante obra, como é o caso do Lar Geriátrico Luso-Venezuelano, em Maracay, é por demais evidente que é o trabalho e o esforço de um grupo de pessoas que se concretiza. Por isso, estão de parabéns todos quantos emprestaram, e continuam a emprestar, o seu contributo à notável obra que é inaugurada neste sábado. Para além dos homens e mulheres que assumiram a liderança do projecto, há que elogiar também o contributo de gente anónima.

MaU Passadas duas semanas sobre a realização da quinta edição do Encontro de Gerações, continuam as críticas justificadas à atitude do secretário de Estado das Comunidades. De facto, participar noutra reunião importante quando havia 1200 pessoas à sua espera há cerca de duas horas, é algo incompreensível. Depois, durante o evento, o seu permanente alheamento dos trabalhos devido a solicitações prioritárias de Portugal, (que nós compreendemos) também ficou por explicar à vastíssima plateia.

MUITO MaU

O Correio de Caracas não se responsabiliza por qualquer opinião manifestada pelos colaboradores ou assinantes nos artigos publicados, garantindo-se, de acordo com a lei do jornalismo, o direito à resposta, sempre que a mesma seja recebida dentro de 60 dias.

São frequentes as reclamações relacionadas com o cumprimento das formalidades de segurança, nos voos de Caracas para o Funchal e Lisboa. Ninguém ousa colocar em causa que há procedimentos inultrapassáveis, para a segurança de toda a gente, mas o que é passível de crítica é a arrogância de alguns funcionários e as atitudes pouco profissionais dos mesmos. Para além disso, é visível uma certa descoordenação, quando os mesmos passageiros são sujeitos a duas vistorias. Até quando?

El Correio de Caracas, no se hace responsable por las opiniones manifestadas por los colaboradores o firmantes, garantizando, de acuerdo a la Ley, el derecho a respuesta, siempre que la misma sea recibida dentro de 60 días.

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"Agora é quando precisamos de mais ajuda"

Cerca de 80 por cento do Lar "Geriátrico" de Maracay será inaugurado a 10 de Junho, no âmbito das celebrações do Dia de Portugal

Carlos Balaguera Carlosbalaguera@correiodevenezuela.com

figura do emigrante português na Venezuela, desde os primeiros tempos da sua chegada, esteve sempre ligada ao trabalho. No entanto, para Nelson Coelho, presidente do Lar Geriátrico Luso-Venezuelano de Maracay, "aos emigrantes está acabando o tempo para trabalhar". Foi a pensar nas necessidades da primeira geração de portugueses que no ano 2000 foi lançada o sonho de levantar um lar para os lusos carenciados de Maracay. Seis anos depois, mas concretamente no pró ximo dia 10 de Junho, o projecto está concretizado com a inauguração de 80 por cento do Lar "Geriátrico". Em conversa com o CORREIO, Coelho fez um levantamento das necessidades que ainda estão por resolver para se poder dar por completo o funcionamento das instalações do Lar. "Agora é quando precisamos de mais apoio. Necessitamos de uma maquina de lavar roupa e de secar industriais, uma central de primeiros cuidados, instalação de todo o sistema informático, cadeiras de rodas, engomadeiras industriais, sala de terapia, terminar as obras no terraço onde estarão localizadas os gabinetes administrativos e que também servirá como sala polivalente". Depois da inauguração, será aberto um processo de selecção e

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treino do pessoal com vista à criação de um grupo de pessoas que terão à sua responsabilidade a prestação de todo o tipo de cuidados aos residentes de terceira idade. Convém recordar que o Lar terá a capacidade para albergar aproximadamente a 70 idosos. Coelho explicou ainda que será de grande utilidade o acordo que foi estabelecido com o Fundo de Saú de de Beneficência Portuguesa, pois facilitará a assistência médica e os exames de laborató rio aos idosos, graças à plataforma da empresa Medsure. Adicionalmen- O lar foi construído num terreno nas imediações da Casa Portuguesa te, há outro acordo com um grupo de médicos odontó logos, que facultarão serviços médios aos pacientes do "Geriátrico" a preços solidários. O PRINCIPIO A ideia da construção de um lar de idosos em Maracay nasceu no ano de 1995, em consequência de um acidente - a cadeira partiu-se sofrido por um idoso de nacionalidade portuguesa, o qual, apesar de operado, ficou inválido. Foi o jovem Manuel Enrique Díaz João, actual Vice-presidente da Casa Portuguesa de Maracay, quem tra- O trabalho do Comité de Damas e das Amigas da Espetada foi indispensável tou da trasladação do emigrante para Portugal, através do Consulado de Valência. Mas dado que foi na população de Turmero. Conta- construção do "Geriátrico". Portuimpossível concretizar tal objecti- ram com a colaboração do arqui- gueses e venezuelanos juntaramvo, Antó nio Andrade foi interna- tecto Wilson Zacarias e dê-se iní- se à causa e realizaram-se vários do num lar dos idosos de San Ma- cio à construção que mais tarde programas para angariar fundos, que contaram com muitas colaboteo, Estado de Aragua, graças à veio a parar por falta de fundos. Passados alguns anos chegou à rações, entre elas a do Governador ajuda das autoridades de Maracay. Este problema levou-o a pensar presidência de Feceporven Nelson Didalco Bolívar, o qual fez uma na "massa" de portugueses que Coelho, que juntamente com Er- primeira doação de 50 milhões de chegaram entre os anos 40 e 50 e nesto de Sales, começaram a tra- bolívares. Apó s algumas conversações inique se encontravam em idade de balhar na procura de um terreno aposentação pelo que era urgente que estivesse melhor localizado, já ciais mantidas com José Luis Fepensar num "Geriátrico". Apre- que os especialistas tinham sugeri- rreira, o presidente da Academia sentou a ideia à Federação de Cen- do que o lugar inicial não era o do Bacalhau de Caracas, foi criada tros Portugueses (Feceporven) mais apropriado para esse tipo de a Academia do Bacalhau de Maracay, a qual veio a dar a força sufiquando o seu director era José infra-estrutura. A nova direcção conseguiu ven- ciente para encontrar grande parAmérico de Ascensão. A ideia começou a ganhar forma no dia 03 der o terreno e ao cabo de um te dos fundos que estavam em falde Setembro de 1996 com a for- tempo, a direcção da Casa Portu- ta. O trabalho do Comité de Damação da primeira direcção do Ge- guesa, encabeçada pelo seu presiriátrico Luso Venezuelano de Ma- dente, então Marcelino de Canha, mas, presidido por Noemí de Coracay, liderada por José Manuel sugeriram a ideia de construir o elho, a labor das Amigas da Espe"Geriátrico" no terreno que estava tada e do comité de Damas da CaRibeiro Ferreira. Nesse primeiro momento rece- destinado para a Igreja de Fátima. sa Portuguesa, foi igualmente inberam do Governo Português, das A direcção apresentou em assem- dispensável para que este sonho de Cavaco Silva, a quantia de bleia a proposta de ceder por (co- possa ser concretizado no pró xi10.000,00 contos, que juntamente modato) o terreno de 1.583 metros mo dia 10 de Junho de 2006, no com o dinheiro das doações feitas quadrados por 50 anos, o que foi â mbito das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Copor amigos, serviu para comprar o aprovado por unanimidade. Em 2002 começou finalmente a munidades Portuguesas. terreno situado no Rosario Paya,


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Venezuela quer atrair investimento externo O embaixador, que integrou uma comitiva de embaixadores da América Latina à Madeira, garante regras claras e exportação do capital. Miguel Torres Cunha / Sí lvia Ornelas (DN / MADEIRA)

anuel Quijada, o embaixador em Lisboa da Venezuela, considera "inconcebível que a balança comercial entre a Venezuela e Portugal seja tão pequena", pois como recordou na Venezuela "há mais madeirenses do que na Madeira, havendo uma população portuguesa imensa". Entendendo que "há muitas possibilidades de Portugal oferecer serviços e produtos", o embaixador lembrou, também, que "a Venezuela poderá desenvolver trocas comerciais ao nível da pequena indú stria", razões que levaram Manuel Quijada assumir que "é obrigató rio dinamizarmos e mantermos o crescimento das nossas trocas comerciais". Depois de considerar esta iniciativa de extraordinária, pois vai permitir "a possibilidade de dar a conhecer o po-

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tencial dos nossos países", o embaixador em Lisboa da Venezuela teceu um rasgado elogio ao considerar que "Portugal investiu na Venezuela o capital mais importante, o capital humano". Manuel Quijada aproveitou este encontro que o investimento madeirense é bem vindo à Venezuela, esclarecendo que "não há limites, nem condições diferentes às condições oferecidas aos investidores nacionais", garantindo ao mesmo tempo "todos os privilégios de exportação do capital", ou seja assegurando aos empresários de que não há condicionalismos para os "empresários estrangeiros sacarem os seus benefícios". América Latina pode aprender com a Madeira Os embaixadores da América Latina, que se encontram de visita à Região Autó noma da Madeira, pretendem com esta deslocação promover a troca de experiência entre os respectivos países e o arquipélago português.

Embaixadores da América Latina visitaram Madeira

Apó s uma audiência, para apresentação de cumprimentos ao presidente da Assembleia Legislativa da Madeira o diplomata do México, Mauricio Ribot, salientou que estes países poderão aprender com a experiência madeirense na construção de grandes infraestruturas. Um trabalho que diz ser "admirável na Região". Por outro lado, o embaixador do México sublinhou que é também do interesse da América Latina observar e partilhar conhecimentos com a Ma-

deira ao nível da experiência democrática numa região. Uma troca de experiências que poderá ser feita ao nível dos congressos parlamentares, afirmou. Além do encontro com Miguel Mendonça, os embaixadores da América Latina, que estão na Região no â mbito de um protocolo com a Associação de Comércio e Indú stria do Funchal (ACIF), foram recebidos, esta semana, em audiência pelo representante da Repú blica, Monteiro Diniz.

Arquitecto do Lar de Maracay morre em acidente de viação anto a comunidade portuguesa de Maracay como a de Valência lamentou profundamente a morte de Manuel Teixeira. O emigrante natural do Funchal, arquitecto de profissão radicado na cidade de Maracay, faleceu num brutal acidente de viação ocorrido na tarde do passado sábado. Teixeira, de 57 anos de idade, viajava de Caracas para Maracay, acompanhado pela filha Luzberta Teixeira, de 15 anos, e uma amiga (da filha), Analesa Guerra. Pró ximo do quiló metro 70, o motorista de um camião-cisterna terá perdido o controlo do veículo, vindo este a atravessar o separador central da autoestrada e a embater contra o carro dos portugueses, que circulava em sentido contrário. O emigrante madeirense faleceu instantaneamente, enquanto que a filha foi hospitalizada, mas já foi dada de alta. Teixeira, que chegou à Venezuela com 14 anos de idade, deixa duas filhas ó rfãs. Natural de Funchal, obteve o título de arquitecto na Universidade de Mérida, tendo depois se radicado na cidade de Maracay, onde vivia há 23 anos.

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João Paulo Veracruz, actual presidente do Centro Social Madeirense de Valência, referiu-se a Teixeira como um "amigo da comunidade, que ajudava a qualquer um que tivesse uma necessidade, sempre que lhe fosse possível". Teixeira foi o primeiro arquitecto do Centro Social Madeirense de Valência, no ano 1980. "Ele idealizou a piscina, a fonte de soda e a tasca, e este projecto formou parte da sua tese de graduação para obter o título". A actividade associativa deste emigrante foi igualmente importante. Os seus amigos afirmam que "se entregou por inteiro à Casa Portuguesa do estado Aragua". Veracruz comentou que recentemente o emigrante havia sugerido uma disciplina desportiva parecida ao basebol, chamada "espadinha", para que se começasse a praticar nas instalações do Centro Social Madeirense. Em 2002, Teixeira passou a responsável pelas obras do Geriátrico Luso-venezuelano de Maracay, um lar que albergará 67 idosos e cuja inauguração está marcada para 10 de Junho.


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Damas de Beneficência em renovação "As netas do Lar Padre Joaquim Ferreira" apresentaram-se oficialmente como grupo no Salão Nobre do Centro Português de Caracas. Yamilem González yamilem@correiodevenezuela.com

m novo ciclo de trabalho social começou no passado dia 31 de Maio para as reconhecidas Damas de Beneficência Portuguesas, quando se apresentou oficialmente a nova presidente da instituição, Maria de Lourdes de Monteiro, em substituição de Maria Fernanda de Moreira. "Sinto-me tranquila e satisfeita com o trabalho que realizei na instituição nestes dois anos, apesar de pensar que podia ter dado mais. Este trabalho é muito reconfortante e totalmente satisfató rio", expressou ao CORREIO a presidente cessante. Para além da realização de um bingo de angariação de fundos para ajudar os mais necessitados que frequentam a sede das damas, a ocasião também foi aproveitada para dar a conhecer oficialmente o Grupo "As Netas do Lar Padre Joaquim Ferreira", geração de relevo das damas de beneficência. Marilú Martins explicou que este grupo começou a trabalhar há dois anos, de maneira espontâ nea. No início era composto por quatro netas mas pouco a pouco foi crescendo até formar as actuais 13 netas. Segundo Martins, nem todas são filhas ou noras das damas, mas são todas "mulheres com grande vontade e um grande sentido de caridade e humildade". A finalidade do grupo é dedicar-se aos

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idosos residentes no Lar Padre Joaquim Ferreira durante algumas tardes, com a intenção de lhes levar alegria com a sua companhia, mas sobretudo dar-lhes ternura e carinho. Durante estes dois anos, as netas do lar têm partilhado com eles várias datas importantes como Sejas o Natal, o Dia das Mães, o Dia do Padre, Dia do idoso e também Carnavais e dia das bruxas (halloween). Para estas mulheres, os sorrisos que os avó s lhes retribuem são o grande impulso que recebem para continuar a com o seu trabalho, pois dão-se conta de que com tão pouco esforço podem fazer felizes a outras pessoas. O grupo tornou extensiva a participação a todas as mulheres que queiram fazer das Netas para assim prosseguirem melhor o trabalho. A presidente actual das damas Maria de Lourdes Monteiro, proferiu comentários muito positivos acerca deste grupo de raparigas. "As netas injectaram juventude nas damas e são a nossa geração de relevo", disse, salientando ser "muito bonito que desde agora estejam ligadas com esta obra. Apesar do pouco tempo que tem neste trabalho são já um grande exemplo para a comunidade". Os nomes que integram o novo elenco directivo das Damas de Beneficência são: Maria Lourdes de Monteiro Presidente; Manuela Gomes, Vice-presidente, Crisanta Santos, Secretária; Mari Cova; Vice-secretária; Luz Branco Tesoureira; Janette de Sousa, Vice-tesoureira; e Ana Cristina Monteiro, Vogal.


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Governo quer quotas de género no CCP

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Lisboa quer que um terço dos membros eleitos para o Conselho das Comunidades Portuguesas seja de sexo diferente do maioritário. Conselho de Ministros aprovou, no final do passado mês de Maio, uma proposta de lei que revê as competências, composição, modo de organização e funcionamento do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) e impõe que um terço dos membros eleitos seja de sexo diferente do maioritário. "As listas propostas à eleição para o Conselho das Comunidades Portuguesas devem garantir, na indicação de candidatos efectivos e suplentes que, pelo menos, um terço dos eleitos seja de sexo diferente", propõe o executivo liderado pelo socialista José Só crates. Quanto à composição do Conselho Permanente do CCP, está também previsto que "dos cinco membros eleitos pelo plenário, pelo menos um terço deve ser de sexo diferente", lês na proposta legislativa, que estabelece ainda que o CCP seja composto por membros eleitos e designados, num total de 73, sendo que os membros

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eleitos são 63 e os restantes dez são representantes dos conselhos das comunidades açorianas e madeirenses, dos luso eleitos nos países de acolhimento e do movimento associativo português no estrangeiro. A proposta de lei que vai ser brevemente submetida à aprovação da As-

sembleia da Repú blica actualiza ainda o processo eleitoral para o ó rgão de consulta do Governo em matéria de emigração, as regras relativas aos mandatos dos seus membros e o respectivo estatuto. O diploma propõe igualmente um "estatuto dos conselheiros", definindo-

se assim "um conjunto de deveres, direitos e incompatibilidades, através dos quais se pretende atribuir aos membros do Conselho maior dignidade, responsabilidade e responsabilização, garantindo-se, por outro lado, o dever de cooperação das entidades pú blicas portuguesas para com os conselheiros". Finalmente, a iniciativa legislativa do Governo português preconiza a criação do Conselho da Juventude das Comunidades, um ó rgão representativo como o pró prio nome indica direccionado para os mais jovens. O organismo terá como competências o pronunciamento e emissão de pareceres sobre questões relativas à política de juventude para as comunidades portuguesas, bem como sobre a participação cívica e integração social e econó mica dos jovens emigrantes e luso-descendentes nos países onde se encontram radicados.


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Ordem Leão Pacheco entregue a mulher No âmbito da celebração do Dia de Portugal, o Centro Português reconhecerá o trabalho de Natália Vera Marques de Bastos, ex-presidente das Damas da Beneficência. Tábita Barrera tabita@correiodevenezuela.com

o dia em que se celebra Portugal, o Centro Português vai premiar Natália Vera Marques de Bastos pela sua contribuiç ão no campo social à comunidade lusa. Graças ao seu desempenho em prol dos mais necessitados, será a primeira mulher condecorada com a ordem João Fernandes Leão Pacheco, condecoraç ão entregue anualmente no Dia 10 de Junho. De acordo com André Pita, presidente desta instituiç ão, as pessoas merecedoras deste reconhecimento dirigiram os seus esforç os para o trabalho em benefício da sociedade e colaboraram para a propagaç ão da sua cultura, costumes e tradições. Por este motivo e com o

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intuito de incentivar a participaç ão das pessoas ligadas à comunidade portuguesa, José Guido Monteiro, que era presidente do CPC em 1999, iniciou, por essa altura, as cerimó nias e condecorou Fernando Ludgero, ex-presidente do clube. Um ano mais tarde, Agostinho Macedo, presidente do Central Madeirense, foi reconhecido. Em 2001, Sebastián Araú jo, presidente da Câ mara Nacional de Restaurantes (Canares), recebeu este galardão. Em 2002, foi atribuído, a título pó stumo, ao advogado Fernando Suárez, que lutou activamente pelo ensino do português na Venezuela. Nesse mesmo ano, Antó nio dos Santos Araú jo, expresidente do Centro Português de Caracas, foi homenageado. José Luís Ferreira, também ex-presi-

Bastos será a primeira mulher condecorada com esta ordem

dente deste centro e com ampla actividade associativa, recebeu o prémio em 2003. Daniel Morais, fundador e primeiro presidente do clube e director do

Charallave condecora 21 portugueses s autoridades municipais de Charallave vão entregar medalhas de mérito a 21 portugueses residentes no distrito de Cristó bal Rojas, por ocasião das celebrações do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Segundo Carlos Marques, da Comissão Pró Celebraç ão do Dia de Portugal e colaborador activo da comunidade portuguesa naquela localidade, as distinç ões vão ser entregues a 11 de Junho, durante uma cerimó nia que terá lugar na praça Simó n Bolívar de Charallave. As comemorações vão ter início com um desfile que vai percorrer várias artérias pró ximas à Câ mara Municipal, acompanhado por uma banda de mú sica e vários grupos folcló ricos. Vai também ser depositada uma coroa de flores na estátua

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do Libertador Simó n Bolívar, havendo ainda lugar a um acto especial que terá como oradora a luso-descendente Ângela Correia.

Instituto Português da Cultura, recebeu a distinç ão em 2004, que foi também concedida, nesse ano, ao locutor e assíduo colaborador no â mbito

das problemáticas que afectam os portugueses, Adelino Oliveira. Regra geral, a distinção é entregue a portugueses. Não obstante, 2005 foi excepç ão, tendo sido entregue a Jesú s Ignacio PérezPerazzo, mú sico venezuelano que levou a cabo importantes investigaç ões acerca da musicologia lusa. Este ano, Natália Vera, que presidiu às Damas de Beneficência no período 1988-1991 e que iniciou os trâ mites correspondentes à construç ão do lar de terceira idade Padre Joaquim Ferreira, situado em Los Anaucos, passou a fazer parte deste importante grupo. André Pita referiu que Vera será agraciada em virtude do seu "apoio à comunidade, pois está sempre disposta a ajudar os mais necessitados sem esperar nada em troca".

Festa popular portuguesa no clube Sofa as instalaç ões do Clube de Oficiais Profissionais das Forç as Armadas, conhecido como Clube Sofa, situado em La Rinconada, vai realizar-se no pró ximo dia 18 de Junho, a partir das 11 da manhã, uma festa popular portuguesa a fim de celebrar o Dia de Portugal e das Comunidades, assim como o Dia do Pai. Para os organizadores, o objectivo desta iniciativa é que a comunidade lusa possa assistir a um acto popular tradicional do seu país "sem nenhum tipo de impedimentos, sem distinguir nacionalidades e num clube não tradicional como é o clube Sofa". Este evento contará com vários pratos típicos da gastronomia portuguesa, assim como a sua

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mú sica representada por vários artistas e grupos folcló ricos, entre eles: Oliver, Danzas y Cantares do Centro Português, Os Lusíadas, Agrupació n Musical Contraste, Banda Recreativa Madeirense. Vão também sortear-se rifas, entre as quais está uma viagem de ida e volta a Portugal e duas viagens de ida e volta a Margarita. A entrada para esta festa gastronó mica e musical custa 5000 bolívares por pessoa, sendo grátis para as crianças até aos 12 anos. A Comissão de Festas do Dia de Portugal e das Comunidades do clube Sofa é composta por Rene Sabenca, Antó nio Granja, Orlando Couto e Rufino Quintal.


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Sú mate recusa candidatos com dupla nacionalidade A organização declarou inadmissí vel a candidatura de Marco Polesel, dirigente do Movimiento Democrata Liberal, por causa da sua dupla nacionalidade Tábita Barrera tabita@correiodevenezuela.com

om o apoio da Fundação alemã Friedrich Neumann, da Internacional Liberal e da Rede Liberal da América Latina (Relial), Marco Polesel, Director político nacional do Movimento Democrata Liberal, lançou no passado mês de Maio a sua candidatura às eleições primárias da organização Sú mate, que decorrem em Julho. Mas acontece que a participação deste ítalo-venezuelano foi rejeitada em razão da sua dupla nacionalidade. De acordo com o artigo 41 da Constituição Bolivariana da Venezuela, "só os venezuelanos e venezuelanas de nascimento e sem outra nacionalidade, poderão exercer os cargos de Presidente da Repú blica Bolivariana de Venezuela". A este respeito, Polesel, venezuelano de nascimento, mas também detentor da nacionalidade italiana pois os seus padres são naturais de Itália, manifesta-se em desacordo, por entender que "o facto de ter duas nacionalidades não garante nem impossibilita o bom exercício das funções presidenciais". Neste sentido, declarou que tal decisão "é algo incrível, frustrante e de-

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cepcionante", já que não lhe parece necessário ter que renunciar à cidadania italiana para poder concorrer a estas eleições, as quais são preliminares. No entanto, disse estar disposto a fazê-lo se necessário. Por outro lado, adiantou que vai reunir brevemente com membros da organização para conversar acerca das possibilidades que tem e sobre o que tem de fazer para se manter na contenda eleitoral. "Nó s só contamos com as eleições de Sú mate. Para nó s, as de Dezembro não existem. Quando Sú mate propô s as primárias, tal foi encarado como uma boa oportunidade para fazer o nosso primeiro registo de exercício político", observou, explicando que foram "consideradas porque assim conseguiríamos coisas mais importantes das que se conseguem com um candidato ú nico. Estamos começando a fazer um trabalho pioneiro, mas o resultado só será visto a longo prazo". Há seis anos no mapa político O Movimento Democrata Liberal de centro-direita, nasceu no ano 2001 com a finalidade de "apresentar-se como uma opção diferente às correntes políticas de esquerda", segundo fontes do organismo. Tem como intenção oferecer uma alternativa na esfera política, econó mica e social. Marco Polesel considera a sua pro-

Polesel considera que a decisão é algo increível, frustrante e decepcionante

posta diametralmente oposta ao socialismo. "O que nó s queremos semear nos cidadãos é o voto racional, o voto bem pensado", sublinhou. Quanto ao tema dos imigrantes, explicou que tal como é certo que não devem deixar as fronteiras completamente abertas, para que todos possam entrar e sair quando queiram, também deve existir uma imigração selectiva com elementos que lhes ofereçam uma vida ó ptima a essas pessoas dentro do país, onde se promova a ordem, a organização e o progresso. A sua proposta está en-

quadrada no livre intercâ mbio comercial entre os territó rios, onde os empresários de outros países podem negociar com os empresários venezuelanos. Também comentou que defendem o fim do fenó meno do "afastamento da segunda geração" e que "os filhos dos imigrantes que tanto se esforçaram por fazer da Venezuela o que ela é hoje deixem de sair do país por sentirem que aqui não têm um bom futuro. A nossa filosofia é que a saída dos problemas venezuelanas não está no aeroporto, mas sim no liberalismo", concluiu.

Deputados portugueses visitam Venezuela Iniciativa acontecerá no âmbito do Grupo Parlamentar de Amizade criado em São Bento Sérgio Gouveia

inda não há datas acertadas, mas começa a tomar forma uma deslocação dos deputados portugueses a terras venezuelanas. Isto no â mbito do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Venezuela, presidido por Correia de Jesus, deputado madeirense à Assembleia da Repú blica. "Foi considerada a oportunidade de uma pró xima visita para contacto com o grupo homó logo do Parlamento venezuelano, ó rgãos de Governo e entidades pú blicas e privadas, nomeadamente empresas e associações de empresários", adiantou, ontem, ao DIÁRIO, Correia de Jesus, apó s um almoço oferecido pela embaixada da Venezuela em Lisboa ao grupo criado no Palácio de São Bento.

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De acordo com o nosso interlocutor, o momento proporcionou uma "frutuosa troca de impressões" sobre as relações bilaterais entre os dois estados. O Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Venezuela "pode funcionar como um forte e decisivo impulso para o incremento das relações comerciais entre os dois países, bem como entre a Venezuela e a União Europeia", afirmou o deputado do PSD-M, citando o embaixador Manuel Quijada. O repasto permitiu ainda uma "reflexão conjunta" acerca do momento político, social e econó mico. Não só na Venezuela, fez saber Correia de Jesus, mas em toda a América do Sul, com destaque para as realidades do

Brasil e Argentina. A comunidade portuguesa radicada no país governado por Hugo Chávez, sempre segundo o presidente do Grupo Parlamentar de Amizade, foi um tema transversal durante toda a conversa. Ao embaixador Quijada não passou entretanto despercebido o facto de estarem presentes três deputados madeirenses no intercâ mbio parlamentar - além de Jesus, o grupo integra Hugo Velosa (PSD) e Ricardo Freitas (PS). O almoço de ontem na embaixada, como manda a tradição em São Bento, marcou o arranque das actividades formais do relacionamento entre Portugal e Venezuela ao nível do Parlamento.


12 | HISTÓRIA DE VIDA

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"Ir a Portugal é o meu sonho" Maria Ângela Rodrigues Figueira Funchal, Madeira

uem diria que sentiria tantas saudades do meu Funchal, da minha casa, das minhas ovelhas e sobretudo, do meu Portugal. Era uma criança. Não tinha malícia e obedecia a minha mãe. Éramos nó s duas mais o meu irmão pequeno. Recordo que passávamos muito tempo no campo a arar a terra e a semear os nossos alimentos. Em momentos de crise nem comíamos, mas sempre dávamos comida ao meu irmão pequeno. Noutras circunstâ ncias, quando se podia, o peixe era a nossa salvação. Noutras a alternativa era a fruta. Na Madeira trabalhava na limpeza. Ajudar a minha mãe era o principal, assim como manter a vivenda impecável. Os estudos acabaram por ser poucos. Só cheguei até à terceira classe, porque o meu pai, que já estava na Venezuela, mandou-nos chamar através de uma carta de chamada. Aos meus 11 anos e com muita inocência acreditei que ia de férias. Não entendia o que se passava. Assim sucedeu a partida, subi a um barco que zarpou rumo à América. Dezanove dias depois, passados entre vó mitos e enjoos e a olhar só para o céu e o mar, voltei a pisar solo firme. Foi muito agradável a sensação vivida na tarde de 4 de Abril de 1952, quando todos os tripulantes se ocuparam a zona da proa do navio para ver a terra de uma país desconhecido. Nunca tinha conhecido a Venezuela. Nem sabia onde estava localizada no mapa. Que iló gica é a vida ter de terminar neste país... A surpresa foi grande. Tudo era diferente da Madeira. Foi

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uma mudança drástica que experimentei de repente mas à qual me acabei por me acostumar. Na altura Pérez Jiménez governava o país e a situação política estava tensa. Mas tarde foi para Catia, onde acabei por me radicar com a minha família. Nesse primeiro momento a comunicação entre vizinhos era escassa porque reprimida. Vivíamos "presos" em casa e acabei por não ter infâ ncia. A minha mãe sempre trabalhou para ajudar o meu padre na mercearia, situada justamente em Los Magallanes de Catia. Também desempenhava as tarefas do lar, além dos de esposa e de mãe. Eu fui criada igual a ela. O marido estava em primeiro lugar. Depois vinham os filhos. Com o passar do tempo, aproximou-se da minha família um rapaz, português, a pedir a minha mão, a qual foi concedida. Casamo-nos e fomos a Portugal, onde visitei a minha família e a minha sogra. Regressei à Venezuela e voltei a Los Magallanes de Catia. Depois mudei-me para a Alta Vista e posteriormente vivi em

Cagua, no estado Aragua. Passado um tempo regressei a Caracas, onde acabei por instalar-me em Vista Alegre, terra em que habito na actualidade e já levo 39 anos da minha vida. Nunca gostei do comércio, pois sempre preferi tomar conta da casa e da família. Estive 35 anos casada, mas devido às vicissitudes da vida tudo acabou. Tive quatro filhos e todos se licenciaram na Universidade. Agora têm as suas carreiras, estão casados e com filhos. Apó s o meu infortú nio no matrimó nio, passei por uma época dura, mas pude continuar a levar a minha vida e com a dos meus filhos por diante. Trabalhei como doméstica em casas de famílias. Limpei apartamentos, cozinhei para fora e também passei roupa. Fiz tudo pelos meus filhos, aos quais amo como a mais nada neste mundo. Eles, já em adolescentes, também trabalharam para ajudar-me. Sempre lhes agradecerei pelo que fizeram. Considero que somos uma família unida e nada poderá mudar essa realidade.

A minha família não queria que os meus filhos estudassem. Queriam que fossem trabalhar em padarias ou mercados porque diziam que os estudos não lhes iam dar nada. No entanto, eu lutei para que eles tivessem uma carreira universitária. Nunca me arrependi de dar-lhes tudo o que pude, porque sei que valeu a pena. Não vou a Portugal há 50 anos. Não sei como estará o país, nem que terão feito. Sino falta da liberdade de poder caminhar tranquila pelas ruas, coisa que na Venezuela não se pode fazer. Passei muitos momentos de tensão na minha vida, mas foram superados com o passar do tempo. Agora estou tranquila na minha casa e feliz por ver os meus filhos e os meus netos. Nunca me arrependi de esfregar marmitas, de limpar casas e coser roupa para outras pessoas, porque sempre fui uma mulher de trabalho. Mas já com a minha avançada idade, o ú nico que desejo é descansar e poder ir a Portugal pela ú ltima vez.


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14 | RELIGIÃO

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"O Có digo Da Vinci"

David Rodrí guez davidro33@hotmail.com

esde que foi publicado, na Primavera de 2003, o livro "O Có digo da Vinci", de Dan Brown, vendeu 40 milhões de exemplares: Pode considerar-se o best seller da década. O filme baseado neste livro foi apresentado no Festival de Cannes e estreou em simultâ neo nos cinemas de todo o Mundo no passado dia 19 de Maio. Segundo a revista Newsweek, esta superprodução de Hollywood, dirigida por Ron Howard e com actores de gabarito (Tom Hanks, Jean Reno, Audrey Tautou, Alfred Molina, Ian McKellen, etc.) será o grande evento de 2006. Estima-se que 800 milhões de pessoas vão ver o filme. A trama de "O Có digo Da Vinci" é o seguinte: Jesus casou-se com Maria Madalena e teve vários fil-

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hos. A sua descendência é o verdadeiro Santo Graal (sangue de rei = sangue real = Santo Graal) Cristo confiou a Igreja a Maria Madalena mas os apó stolos conspiraram contra ela, que teve de fugir para França. Desde então o clandestino Priorado do Sião protege a descendência de Cristo dos ataques da Igreja Cató lica e transmite os seus segredos em có digos ocultos. Por exemplo, na Última Ceia, o quadro de Leonardo Da Vinci, a figura junto a Cristo não é o apó stolo João mas sim Maria Madalena. A histó ria começa quando uma comissão de cardeais pressiona o prelado da Opus Dei para que um dos seus membros, assassino profissional, mate os ú ltimos descendentes vivos de Cristo. As ideias de fundo de "O Có digo Da Vinci" são: Jesus não pensava ser Deus nem os seus discípulos o consideravam divino. A crença na divindade de Jesus Cristo foi imposta pelo imperador Constantino, no Concílio de Nicea, em 325. Jesus e Maria Madalena representavam a dualidade masculino - feminino (como Marte e Atenea, Isis e Osíris). Os primeiros seguidores de Jesus adoravam "o sagrado feminino" mas este foi eliminado e a Igreja tornou-se misó gina. A Igreja baseia-se numa grande

mentira: Cristo era um homem normal. Para ocultar a verdade, a Igreja destruiu documentos, assassinou milhões de bruxas e hereges, manipulou as Escrituras… "O Có digo Da Vinci" apresenta dois problemas: trata-se de uma obra de ficção, na qual todos os personagens são retratados de forma odiosa. O autor afirma, na apresentação do livro: "Todas as descrições de obras de arte, arquitectura, documentos e rituais secretos neste livro são verdadeiros". Na realidade, a obra contém numerosíssimos erros: De arte, de histó ria, de religião e de cultura. O filme agravará a situação porque essas falsidades chegarão a muitas pessoas (800 milhões, ou mais, se for candidato aos Ó scares); porque as imagens são mais poderosas que as palavras e deixam mais marcas; porque os filmes chegam às massas e a quem tem pouca formação e carece de recursos críticos para distinguir o que é ficção do que é realidade; porque será utilizada pelos inimigos da Igreja para lançar outras acusações e campanhas sobre temas que não têm a ver com o livro. Que se pode fazer perante esta situação? Aproveitar a oportunidade para falar de Jesus Cristo e da Igreja.

Muitos cató licos bem formados e praticantes sentir-se-ão ofendidos: Há que saber lidar com a reacção de forma serena e construtiva. Muitos mais cató licos terão dú vidas sobre se o que o livro diz é verdade: Haverá que intensificar a catequese e tocar nalguns temas (perguntem ou não perguntem). Muitas outras pessoas até agora indiferentes sentirão curiosidade de saber mais acerca da fé: Haverá que estar preparados para satisfazer o seu interesse com uma evangelização atractiva. Para além disso, pode ser uma boa ocasião para trabalhar em conjunto com outros crentes: Com ortodoxos e protestantes, porque o livro e o filme ofendem a todos os cristãos; com judeus e muçulmanos, porque é uma nova manifestação de intolerâ ncia contra os que têm uma visão religiosa do Mundo; e com intelectuais não crentes que se sentem ofendidos pelos numerosos erros histó ricos, artísticos, culturais, etc., feitos "para ganhar dinheiro". Pode-se aproveitar para incentivar cató licos que detêm determinadas posições (intelectuais, jornalistas, empresários, etc.) para que se movimentem mais e para que vivam a sua fé com mais responsabilidade.


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Rock in Rio volta em 2008 Número de espectadores e dinamismo empresarial justificam regresso elevado nú mero de espectadores na edição deste ano e o dinamismo empresarial gerado pelo Rock in Rio foram os principais argumentos que levaram a organização a repetir o festival musical em 2008, em Lisboa. O mentor do projecto Rock in Rio, Roberto Medina, anunciou o regresso do festival em Maio e Junho de 2008, tendo nesse sentido assinado um protocolo com o presidente da Câ mara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues. O nú mero alcançado em termos de espectadores - nesta altura já se contabilizaram 285.000, sem contar com as entradas hoje registadas - foi um dos argumentos referidos por Medina, bem como a divulgação da imagem de Portugal no mundo. "Ao transmitirmos o festival para mais de 60 países, estamos também a mostrar o país e essa imagem pode trazer benefício turístico e também benefício das marcas", afirmou. A edição deste ano - e consequentemente a cidade de Lisboa - foi vista por 700 milhões de pessoas em todo o mundo. O presidente da Câ mara Municipal de Lisboa salientou os benefícios para a cidade quer em termos de animação quer em termos de dinâ mica econó mica. Segundo nú meros avançados pela organização, a taxa de ocupação das unidades hoteleiras da capital de três, quatro e cinco estrelas "estão muito pró ximas dos 100 por cento".

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Por outro lado, este "mega evento" cria 10.000 empregos directos, além dos incentivos financeiros com investimentos de produção na ordem dos 25 milhões de euros e na promoção de cerca de 20 milhões de euros, garantidos pela organização e pelos patrocinadores. Em termos de patrocinadores, estão já confirmados o Millennium/BCP como patrocinador principal e a Vodafone. Paulo Teixeira Pinto, pelo Millennium/BCP, e João Mendes Dias, da Vodafone, frisaram "o sucesso crescente" da iniciativa. Segundo a organização, o evento "estimula o consumo" e dá "um incentivo econó mico injectado às empresas". Referindo nú meros de 2004, a título de exemplo, a Central de Cervejas bateu um recorde de distribuição de cerveja (2,4 milhões de litros). O Grupo Impresa, onde está integrada a SIC, televisão oficial do Rock in Rio e que, pela voz de Francisco Penim, voltou a garantir o apoio, registou, em 2004, "ganhos de cerca de seis por cento". "A festa continua em 2008" foi o lema do ú ltimo dia desta edição do Rock in Rio, que musicalmente começou com os portugueses Mesa no Hot Stage, que foram rendidos pelos The Elected. Mas o dia foi de Sting, que esteve presente na edição de 2004, e dos GNR, que celebram 25 anos de carreira.

Mú sica latina encerra festas da Calheta Municí pio convidou o artista Oscar D´ León para actuar no dia 24 de Junho Paula Henriques (DN/MADEIRA)

scar D´Leó n é o grande artista convidado a encerrar as Festas do Concelho da Calheta, no pró ximo dia 24 de Junho. Este venezuelano, um dos mais conhecidos cantores deste país, é um fervoroso adepto da salsa e do merengue, estilos que vão certamente cativar os residentes, bastante ligados por laços de emigração à América do Sul. O espectáculo não será certa-

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mente suficiente para acolher todos os êxitos dos mais de vinte discos que gravou ao longo da carreira, iniciada no início dos anos 70 e com que conseguiu vários discos de ouro. A acompanhá-lo estarão a banda e o coro, compostos por uma dú zia de elementos, embora não esteja confirmada a presença de todos. O espectáculo é uma mistura entre o que canta, toca e improvisa, movendo multidões entre os amantes destes géneros latinos. Influenciado pelos mestres da mú sica cubana, Oscar D´Leó n traçou um árduo caminho rumo ao topo. "A minha aprendizagem foi empírica. Ninguém me ensinou. Deixei-me guiar pela razão e funcionou.

Aprendi a dedilhar as cordas do baixo tocando ao mesmo tempo que ouvia os discos e observando aqueles que o sabiam fazer. Não sou um maestro como dizem, tento apenas fazer com que o meu instrumento soe de uma forma coerente", disse, numa entrevista ao attambur.com. A digressão do ú ltimo trabalho leva-o aos Estados Unidos, Europa e América Latina, mas o seu passaporte artístico já passou por mais de uma centena de países. O "Sonero del Mundo", o "Diablo de la Salsa", "El Bajo Danzante", como também é conhecido, vem a Portugal para dois concertos, sendo o do dia anterior, a 23, em Santa Maria da Feira.


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Centro Português tem nova rainha

Meio século de Geografia

Jean Carlos de Abreu jeancarlos@correiodevenezuela.com

Yacarlí Carreño yacarli@gmail.com

salão Nobre do Centro Português acolheu recentemente um dos eventos mais esperados pelos seus só cios da casa. No passado dia 3 de Junho foi eleita a representante da comunidade portuguesa do Centro. Andreina dos Santos foi escolhida como a nova Reina do Centro Português, sendo assim incumbida de representar a associação durante o período 2006-2007 nas diversas actividades sociais em que intervém o clube. Com um "opening" inspirado nos anos de 1940, as oito participantes desfilaram perante mais de mil pessoas para demonstrar que a beleza lusitana "se impõe". No discurso de despedida, a rainha cessante, Erika Nonni, disse sentir-se orgulhosa de ter podido representar o clube durante um ano e que, apesar dos comentários e críticas que fizeram à sua pessoa na fase inicial do seu "mandato", sempre se sentiu feliz por fazer parte do

or ocasião do 50º aniversário do início dos estudos de Geografía na Universidade Central de Venezuela (UCV), na sede da Faculdade de Humanidades e Educação e da Escola de Geografia, realizaram-se esta semana uma série de actividades, entres as quais se destacaram uma exposição de "stands", uma exibição de fotografia e cartografia, concursos académicos e desportivos, missas comemorativas, reconhecimentos docentes e discentes, tertú lias e diversas apresentações, fizeram parte do programa de celebrações organizado pela Directora da Escola homenageada, a professora Luisa Fernández, luso-descendente filha de pais naturais da ilha da Madeira. No passado dia 30 de Maio, teve lugar a inauguração oficial do ciclo de tertú lias no Auditó rio da Faculdade. A adesão traduziu-se por corredores abarrotados de estudantes admirando as exposições, adquirindo materiais nos diversos "stands" e com uma sala cheia de professores e alunos dispostos a debater, celebrar e reflectir sobre uma Geografia de meio século que põe sobre a mesa feitos e importantes discussões como as alterações curriculares, a Lei de Serviço Comunitário, as perspectivas da disciplina e novas pó s-graduações.

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Irene Martins, Andreina dos Santos e Kryzia Gonçalves

CP, o qual considerou como a sua segunda casa. No final do concurso, no desfile de gala, as oito jovens protagonizaram a sua ú ltima caminhada pela passerelle antes da selecção final, onde acabou por se destacar Andreina como a nova Rainha do Centro Português 2006. Para muitos dos presentes, a eleição da nova rainha constituiu uma surpresa, já que outras parti-

cipantes estavam cotadas como mais favoritas. No quadro de honra, para acompanhar Santos no seu legado, ficou Irene Martins, como segunda finalista, e Kryzia Gonçalves, primeira finalista. O evento foi conduzido pela exmiss Internacional 1985, Nina Sicilia e por um grupo de actores e apresentadores da televisão venezuelana.

BREVES Último lançamento de Fernando Tordo O cantor português Fernando Tordo acaba de apresentar, em Madrid, a sua mais recente produção discográfica, na qual reú ne poemas de uma dú zia de prémios Nobel de Literatura, começando pelo nosso José Saramago, que é, por certo, o padrinho do novo álbum. Outros prémios Nobel musicalizados são, por exemplo, Octavio Paz,

Pablo Neruda e Eugenio Montale. O disco será apresentado ao pú blico da capital espanhola durante um concerto organizado pela Fundació n Autor, Casa de América e Embaixada de Portugal. Para Saramago, este novo trabalho de Fernando Tordo é o "ponto alto da sua inspiração numa carreira tão extensa".

Lídia Jorge recebe distinção internacional "A obra de Lídia Jorge é, para mim, incrivelmente apaixonante e fascinante, muito surpreendente e variada", comentou Donate Fink, directora da Fundação Gü nter Grass, com ocasião da entrega do prémio dessa instituição à escritora. Na cerimó nia de entrega do prémio, cujo valor é de 40 mil euros, a romancista disse que as personagens dos seus romances encontram as suas origens no seu país natal, nos "raios de sol ofuscantes e no silêncio inquietante".

Nascida no extremo sul do nosso país em 1946, Lídia Jorge é uma das escritoras mais representativas de uma literatura feminina, que se desenvolveu em Portugal nos anos 80. Nesta oportunidade debruçou-se igualmente sobre o Portugal de hoje para afirmar que tem uma democracia formal, que no nosso país os três poderes - legislativo, executivo e judicial - não são independentes, e que os média também o não são."


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Curso de guitarra portuguesa Jean Carlos De Abreu jeancarlos@correiodevenezuela.com

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ctualmente são poucas as pessoas que se dedicam à execução da guitarra portuguesa. Com o passar do tempo, esta prática foi se perdendo, muito devido à ausência de cursos que promovam o ensino deste instrumento. Manuel dos Santos, director de Cultura do Centro Português, em Caracas, referiu que a situação o preocupa porque a cada dia diminui o interesse pela aprendizagem do folclore luso, nomeadamente pelos instrumentos tradicionais de Portugal. Algumas das poucas pessoas que tocavam guitarra portuguesa foram morrendo e outras deixaram de tocar para se dedicarem a outras actividades. Para inverter esta situação, o titular da pasta da Cultura da associação anunciou a abertura de cursos de guitarra portuguesa, com o fim de tentar resgatar o que se perdeu com o tempo. Convidou todos aqueles que desejem participar a deslocarem-se às instalações

do Centro Português em Caracas, a fim de efectuar a inscrição. A data de início das aulas vai depender do número de interessados. "Muitos dos jovens, não lhes interessa aprender a tocar guitarra portuguesa. Há mais participação de pessoas de fora do que dos filhos dos accionistas do clube. Todos os interessados em aprender e que não sejam sócios do clube podem inscreve-se nas nossas instalações, já que a finalidade é que se propague esta prática que está a desaparecer da cultura lusa

na Venezuela", disse aquele responsável. História do instrumento Muitos investigadores lusos assinalam que a guitarra portuguesa teve origem na Idade Média, quando começou também a ser fabricada, acreditando-se que a sua produção ficou a deverse a um mouro espanhol de ascendência árabe. Uma das teorias pertence ao compositor musical António Portugal, que concluiu que a gui-

tarra portuguesa nasceu entre a fusão da cítara europeia, introduzida no país ibérico no século XVI, e da guitarra inglesa, que apareceu no século XVIII. Por esta razão, existem várias explicações para as diferenças entre os três modelos de instrumentos de cordas das diferentes localidades: A do Porto, a de Coimbra e a de Lisboa. O instrumento é utilizado, na maioria dos casos, para acompanhar a voz e a melodia do cantor de fado. A guitarra é construída por seis pares de cordas metálicas e uma caixa de ressonância em forma de pêra. O "clavijero" tem uma forma de leque de abanar, a qual permita afinar as cordas, e tem uma espiral de madeira. Mede 75 centímetros de extensão, aproximadamente. Para a execução deste instrumento, o intérprete usa umas unhas postiças por forma a tirar maior proveito da sonoridade do mesmo. Para afinar, deve ir-se das notas mais agudas às mais graves e, segundo garantem vários músicos, o instrumento é de fácil aprendizagem.


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Arte Contemporâ nea encanta professores José Miguel Carrasquel Jocmigl1@hotmail.com inte pessoas, entre professores e alunos, participaram no "Curso de Cultura Contemporâ nea de Portugal" que se realizou na biblioteca Jean Catrysse, da Escola de Idiomas Modernos da UCV, entre os dias 29 de Maio e 2 de Junho. O curso contou com a organização do Centro de Língua e Cultura Portuguesa e foi dirigido pela curadora e crítica de arte Isabel Carlos, da Universidade de Lisboa, docente que também foi responsável por uma conferência intitulada "Arte contemporâ nea em Portugal: um territó rio de confluências" na Escola de Letras da UCV. Isabel Carlos, crítica de Arte desde 1991 e que já desempenhou as funções de assessora da Área de Exposições do Lisboa 94, para além de ter sido subdirectora do Instituto de Arte Contemporâ nea (IAC) entre 1996 e 2001 e Directora Artística da Bienal de Sydney 2004, conseguiu com este curso dar a conhecer as linhas de forç a da "paisagem" portuguesa do pó s-

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Vinte pessoas, entre professores e alunos, participaram no curso

25 de Abril de 1974. Esta fecha, é o marco temporal a partir do qual se organiza uma reflexão e uma análise sintética dos diversos campos de produção cultural e artística portuguesa, que cobrem a arquitectura, o patrimó nio, a fotografia, as artes plásticas, o cinema, o teatro, a dança ou a mú sica. Os conteú dos privilegiaram

uma dupla análise histó rica e crítica, providenciando um balanç o entre a actualizaç ão e uma discursividade de autorias que incide sobretudo no campo das artes visuais. Devido ao pouco tempo de duraç ão do curso, a professora Isabel Carlos teve de fazer uma síntese das obras de arte contemporâ ne-

as mais marcantes dos anos 70, 80 e 90 em Portugal, as quais são um teatro do talento artístico das suas expressões culturais e que os professores que assistiram ao curso souberam apreciar. No entanto, o pouco tempo também serviu para que artistas venezuelanos de renome como, Soto, Zapata, Villanueva fossem citados. "Em poucos dias pude notar, no meio de uma diversidade cultural, que as obras do arquitecto Villanueva são ícones na U.C.V. Villanueva foi homem extraordinário. Penso que a arte contemporâ nea venezuelana tem a influência de alguns artistas muito importantes. Soto é um exemplo", expressou. A respeito das políticas do governo venezuelano para promover a cultura e as suas diferentes expressões, a crítica de arte disse que vê "muito bem o que se está fazendo pelo continente chamado América, já que se estão orientando e a pô r maior atenção na histó ria da América Latina e no resto de países deste continente para que não se deixem influenciar e submergir na cultura norte-americana".

Helena Marques participa nos actos do Dia de Portugal

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presença da escritora e jornalista Helena Marques, lusa natural de Carcavelos,

nos actos culturais dedicados a celebração do Dia de Portugal, devese a colaboração da Direcção Geral das Comunidades Portuguesas, o patrocínio da Embaixada de Portugal em Caracas e a iniciativa do Instituto Português de Cultura. Durante a sua estadia na Venezuela, Marques vai-se deslocar à cidade de Valencia, na quinta-feira 8 de Junho, onde proferirá uma conferência para a comunidade portuguesa local. No dia 9 de Junho terá um encontro com meios de comunicação e personalidades dos meios culturais venezuelanos. A jornalista, que iniciou a sua carreira no Diário de Notícias do Funchal e passou depois para o de Lisboa, participará também nos ac-

tos comemorativos do Dia de Portugal e do Aniversário do Centro Português, em Caracas, onde ditará uma conferência na Sessão de Honra das celebrações de essa associação no Salão Nobre às 20 horas. No domingo 11 de Junho, Marques visitará o Centro Luso de Caracas, em Turumo, e oferecerá uma conferência dedicada ao Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Fortemente ligada ao meio jornalístico, em 1986, recebeu o Prémio Jornalista do Ano, atribuído pela revista Mulheres. É em 1992, que publica O Último Cais, obra que teve imediato reconhecimento nas letras portuguesas, tendo recebido quatro prémios literários. Desde 1993 dedica-se exclusiva-

mente à ficção. O universo ficcional de Helena Marques contém informação histó rica e cultural que aponta, por um lado, para a curiosidade da jornalista, mas também para o fascínio e o interesse cultural pela ilha da Madeira, onde viveu desde a infâ ncia até 1971, altura em que se fixou em Lisboa. Considerando-se uma "feminista racional", pela constatação da injustiça a que as mulheres têm sido sujeitas ao longo da Histó ria, Helena Marques junta a esse sentimento a sua tendência natural para "ser feliz" na construção de personagens femininas carismáticas, com um grande equilíbrio de força e delicadeza.


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PORTUGAL | 19

breves Maternidades

Responsabilidade penal Ligações condicionam

Nova versão da lei

O presidente da fundação gestora da maternidade de Elvas, cuja sala de partos encerra dia 12, reafirmou a intenção de accio nar judicialmente o Estado por incumprimento do contrato inicial que obriga a ma nter a unidade em funcionamento. “Se a maternidade for encerrada há um incumprimento do contrato”, reafi rmou Mello e Sousa.

O CDS-PP quer tornar imputáveis os jovens a par tir dos 14 anos, baixando assim a “idade penal”, actualmente fixada em Portugal nos 16 anos, de acordo com um projecto de lei divulgado. “O problema da idade da imputabilidade penal é uma dimensão não a úni ca, nem a primeira - de um problema novo, argumenta o CDS-PP.

O Ministério da Saúde manteve a impossibilidade de os proprietários de restaurantes e empreendimentos turísticos decidirem se o s clientes podem fumar nas suas instalações, segundo a nova versão da lei sobre a matéria, divulgada a semana passada. O documento apresenta algumas alterações em r elação ao anteprojecto.

A subcomissão de Turismo da Assembleia República afirmou que as ligações aéreas aos Açores constituem uma condicionante ao sector nas ilhas, que pode ser ultrapassada com a eventual liberalização das rotas para São Miguel. “Não há ninguém que não tenha exprimido alguns problemas”, salientou o presidente Mendes Bota.

Um “ ambientoló gico” para ajudar a decidir Associação ambientalista Quercus oferece aparelho para medir as opções do governo

Futebolistas fazem campanha oficial s futebolistas da selecção nacional Pauleta e Fernando Meira vão dar a cara numa campanha para alertar os portugueses que pretendam trabalhar no estrangeiro a informarem-se sobre as condições antes de saírem do país. Numa iniciativa da Secretaria de Estado das Comunidades, a campanha “ Trabalhar no Estrangeiro” começa a ser divulgada a partir de 15 de Junho nas televisões e através de folhetos informativos, que serão distribuídos pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, câ maras municipais e juntas de freguesia. Esta campanha surge na sequência de uma promessa que o secretário de Estado das Comunidades, Antó nio Braga, fez no início de Abril por existirem sinais de alegada exploração de trabalhadores portugueses na Europa. Na altura, o titular da pasta da Emigração disse à Agência Lusa que a campanha pretende “ avisar os portugueses que não devem aceitar trabalho no estrangeiro sem saber ao certo quais as condições que vão encontrar” . A Secretaria de Estado das Comunidades aconselha

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associação ambientalista Quercus ofereceu ao ministro Francisco Nunes Correia um “ Ambientoló gico” , aparelho para “ auxili ar o Governo a tomar decisões acertadas” , no â mbito das comemorações do Dia Mund ial do Ambiente. Equipado com “ alta tecnologia de inteligência artificial” , o “ Ambientol ó gico” foi deixado no Ministério pela Quercus, que desta forma pretendeu chamar a atenção para as opções do Executivo nos ú ltimos anos, que considera “ incorrect as” . Em declarações à agência Lusa, o presidente da associação, Hélder Spíno la, explicou de forma iró nica que o aparelho poderá “ ajudar o Governo a tomar op ções correctas que conduzam à melhoria da qualidade ambiental em Portu-

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gal” . No Dia Mundial do Ambiente, Hélder Spínola recordou “ a expectativa elev ada que criou” quando Francisco Nunes Correia tomou posse, há mais de um ano, po rque José Só crates tinha sido ministro do Ambiente e porque a nova equipa tinha “ muita experiência” . “ A desilusão foi mais profunda por ter estas expectativas” , lembrou o r epresentante da associação, que condena o Governo por ter dado luz verde a dois projectos na área de Rede Natura 2000: a Costa Terra e a Herdade do Pinheirinho, que prevêem mais de sete mil camas no litoral alentejano. Para os ambientalistas os dois “ mega projectos” vão abrir “ portas para que estes espaços de primordial importâ ncia para a Conservação

da Natureza sejam arrasados pela construção e pressão humana” . Uma posição também defendida pelo presidente da Liga para a Protecção d a Natureza (LPN), Eugénio Sequeira, que considera primordial a aposta no desenvo lvimento de um turismo mais sustentável com mais-valias a médio e longo prazo. Contactado pela agência Lusa, também o presidente da Geota, Carlos Cost a, apontou este projecto como um erro, alertando para o facto de se estar a “ ati ngir um recurso que não é renovável: o solo” . Carlos Costa considera primordial que a população comece a ter uma “ mentalidade eco-eco” (ecoló gica e econó mica), uma vez que “ a ecologia e a economia são faces da mesma moeda” .

os portugueses a informarem-se sobre o contrato e as condições de trabalho antes de saírem de Portugal. Antó nio Braga recomenda também aos portugueses que vão trabalhar para o estrangeiro que se inscrevam nos consulados, de mo-

Esta campanha surge pna sequência dos sinais de alegada exploração de trabalhadores portugueses na Europa do a que o Estado possa saber onde se encontram. Além de Pauleta e Fernando Meira, outras caras mediáticas vão aparecer na campanha. A campanha “ Trabalhar no Estrangeiro” está a ser organizada pela Secretaria de Estado das Comunidades em conjunto com a InspecçãoGeral de Trabalho (IGT) e com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).


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22 | OPINIÃO

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Hoje na alta tribuna portuguesa Antonio López Villegas

m muito poucas ocasiões se falam das actividades das comunidades imigrantes na Venezuela. Mais especificamente em relação aos portugueses, as conversas são praticamente nulas. O venezuelano identifica-os com os já típicos clichés: o português da esquina; o dono da mercearia ou da padaria; um trabalhador constante; muito cuidadoso com os gastos ou noutras palavras, uma pessoa que se dedica à poupança desmesuradamente. E naturalmente possui uma participação ao nível da cidadania quase anó nima. Mas o silêncio inexplicável levounos a esquecer a importâ ncia da actividade econó mica e social desenvolvida por esta comunidade activa e trabalhadora como nenhuma outra. Desde os seus primeiros passos na Venezuela, no ano de 1958, quando se fundou a "A junta pa-

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trió tica Portuguesa" para se ocupar de lutar contra o regime despó tico de Antó nio de Oliveira Salazar, ditador de Portugal, que esta comunidade demonstrou uma capacidade enorme para se integrar facilmente na massa crítica venezuelana. Naquele tempo, a Plaza Candelaria de Caracas era uma área submetida ao intenso trabalho da propaganda e solicitação de apoio. O financiamento deste Movimento foi possível graças a doações dos seus pró prios membros e colheitas realizadas entre a mesma comunidade portuguesa radicada no país. Em muitos casos, os doadores desconheciam os fins ú ltimos dados aos seus contributos econó micos e, inclusive, muitos portugueses solidários com Salazar contribuíam ingenuamente. Assim, toda uma aventura girou depois em torno da ideia de derrubar o ditador, que finalizou com um plano que tornou famoso o "Movimento Nacional Independente".

Poucos na Venezuela poderão dizer que não se surpreenderam com a execução de um plano de tão alta envergadura e, mais, porque se tratava de uma comunidade imigrante tida como apática em relação à participação política. Um plano no qual se viram envolvidos directamente 16 países, sem contar com as possessões portuguesas em África, que motivados pelo impulso começaram a gerar movimentos independentistas. Poderia dizer-se que o português abriu assim as válvulas da sua apatia política através daquelas acções que se levaram a cabo por causa do assalto ao navio transatlâ ntico com bandeira da marinha mercante portuguesa e "orgulho da Companhia Colonial de Navegação", o Santa Maria, o que fez gala em a rede de contactos ao nível internacional. Para a fonte oral, não faltou quem imaginasse nesta acção o reviver de proezas de antigos navegantes e descobridores portugueses.

Portugueses e marialvismo

António de Abreu Xavier Historiador aindax1@yahoo.com

Grande Dicionário da Língua Portuguesa de 1981 define a palavra 'Marialva' como um termo 'Relativo às regras de cavalgar, segundo o sistema instituído pelo Marquês de Marialva. Indivíduo que monta bem a cavalo; bom cavaleiro'. O mesmo Dicionário oferece uma versão de uso coloquial depreciativo. O marialva é um 'Indivíduo que gosta de touradas e cavalos e prima por extravagante e ocioso. Fadista que pertence a família distinta ou que o aparenta'.

O

Segundo Miguel Vale de Almeida, 'o Marquês de Marialva propriamente dito foi Dom Pedro de Alcâ ntara de Meneses, que viveu entre 1713 e 1799, tendo escrito a obra Luz da Liberal e Nobre Arte de Cavalaria, popularmente conhecida como Tratado de Marialva. Numa outra obra de referência, aparece um seu descendente, com o nome Pedro Noronha Coutinho, quarto Marquês de Marialva e sexto Conde de Cantanhede, gentilhomem da câ mara de Dom José, estribeiro-mor de Dona Maria I, e dado como muito popular e frequentador das vielas da Mouraria onde cantava o fado - além de exímio na arte de cavalgar, em sua honra chamada 'Arte de Marialva'. Nesta histó ria temos uma ligação entre arte tauromáquica equestre e fado, entre aristocracia e marginalidade urbana. É uma oposição estabelecida entre provinciano e citadino, entre marialva e libertino que começou assim na época iluminista de Portugal: na época do Marquês de Pombal. O uso depreciativo tem, contudo,

raízes mais velhas. Cardoso Pires, outro estudioso do marialvismo, diz que o libertino é uma identidade que surge no século XVI, a partir de uma seita flamenga que pugnava a felicidade sobre a terra. Este pensamento não parece ser nada português. As noções de felicidade são inovações europeias da época em oposição à condenação ao sofrimento escrita no Génesis. Cardoso Pires vai ainda mais longe. Ele traça a histó ria dos libertinos até aos Goliardos franceses tinham que ser eles! - defensores dos três prazeres urbanos na cidade de Paris: o jogo, o vinho e o amor. O desejo de felicidade, a paixão da mudança, a urbanidade são características libertinas que este autor diz estarem ausentes das estruturas profundas do povo português. Foi por isso que o Salazar disse em 1965: "Somos um país pobre que, tanto quanto se enxerga, no futuro não pode aspirar a mais do que à dignidade de uma vida modesta" Agora pergunto eu, não existiu um meio termo nesta histó ria?

A gló ria do autor de "Luuuanda" no Prémio Camões Fernando Cruz Gomes Luandino Vieira, hoje com 71 anos, acaba de ser galardoado com o "Prémio Camões". Nada mais justo. Nada mais ló gico. De facto, o Prémio, que é o mais importante galardão literário da lusofonia, foi criado, em 1988, para distinguir um escritor cuja obra contribua para o enriquecimento cultural e literário em Português. Luandino Vieira é um dos criadores da ficção angolana, não deixando de ser um notável escritor lusó fono, no que o termo tem de "globalizante". E tem Histó ria... se deixarem a Histó ria ter memó ria. Corria o ano de 1965. Na (então) Emissora Oficial de Angola, a notícia caiu como uma bomba. É que a Sociedade Portuguesa de Escritores atribuira o prémio de Novela ao livro "Luuuanda" de Luandino Vieira. Dois ou três jo nalistas da "geração de ouro do jornalismo angolano" ficaram mais do que eufó ricos. É que o "Luuuanda" de então dava a conhecer uma corrente - não apenas literária, desenganem-se os que pensam assim... - que era seguida, em pensamento só , claro, por muitos do que, na altura, pensavam. E que seguiam, talvez, o pensamento de um Aníbal de Melo, que já andava nas matas, ou de um Machado Saldanha que acabara por fundar um jornal que ia na mesma calha, embora muito mais "português" do que "angolano". Dois dos jornalistas que saudaram a medo, que os tempos não eram para heroísmos, como dizia o grande Aníbal de Melo - a obra premiada e a coragem dos que apontaram o nome de Luandino Vieira, tiveram de ser os "instrumentos" da luta que o governo de então desde logo abriu contra o escritor e contra a Sociedade Portuguesa dos Escritores. Tem destas coisas os imponderáveis de uma profissão-missão que é mais um "modo de morte" que um "modo de vida". Pela voz de Rui Romano, que já lá vai, receberam indicações de que, todos os dias, teriam de fazer uma nota a "repudiar" a atribuição do Prémio. Ele não concordava (nó s sabíamos) mas a ordem vinha de cima. "Luuuanda" haveria de ser editado apenas em 70. Depois... foi apreendido. Como era hábito. O escritor... escolheu o caminho da coragem. Com "Luuuanda", e com o Prémio da Sociedade Portuguesa de Escritores, Luandino Vieira teve a tortura e a prisão. Com o Prémio Camões... um cheque de 100 mil euros e a consagração. Honestamente, não sei qual o "prémio" que mais alegria deu ao escritor. Por mim e pelo meu irmão Nunes Pereira sei bem qual foi o "melhor". Mas... não digo! Adivinhe o leitor.


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OPINIÃO | 23

CARTAS Abraço fraterno Gostaria de escrever sobre Portugal e as bandeiras de Portugal. Estou cada vez mais surpreendida com tanta presença portuguesa na Venezuela. Sou Venezuelana mas de descendência portuguesa e nunca antes tinha visto tanto movimento nas ruas. Imagino que todos os que levam a bandeira têm alguma relação com Portugal. Sobre o mundial que bom saber que em torno a um evento desportivo se unem os povos, numa disputa pacifica e desportiva. Acho que deve ser exemplo para o mundo inteiro. Já basta de guerras e de tantos problemas. Imagino algum dia o Presidente Bush a dar um abraço fraterno ao presidente Chávez e vice-versa. Nós os cidadãos comuns temos também que dar exemplos. Um abraço Maria Figueira Jimenez

Encontro de gerações em Valência Assisti ao último encontro de gerações e senti profundo orgulho nas minhas origens. Senti ali que demos e estamos a dar grandes contributos para o crescimento deste também nosso País chamado Venezuela. Com certeza todos nós sabemos que somos gente honesta, trabalhadora, mas nunca é demais refrescar a memória, sobretudo dos mais novos e daqueles que porventura não tiveram oportunidade de saber da boca dos seus pais e avós tudo aquilo que fizeram e que continuam a fazer. A título de crítica construtiva sugiro que para o próximo ano seja feito o encontro fora de Caracas, já que por exemplo em Valência, localidade onde nasci, vivem milhares de Portugueses e também para aqueles que vivem nas cidades adjacentes seria mais fácil aceder ao evento. Muitos parabéns Raquel de Sousa Rosales

Evento especial

Falta de respeito

Parabéns pelo excelente evento que organizaram sobre as segundas gerações de portugueses na Venezuela. Excelente porque também eu sou de segunda geração e nunca tinha presenciado coisa semelhante. Confesso que nunca sequer tinha pisado o chão do Centro Português em Caracas. Sou venezuelana filha de pais portugueses que emigraram para a Venezuela em 1951. Espero que continuem assim, para que no próximo ano tenha a oportunidade de levar a minha filha que é de terceira geração e que de certeza, como eu, se sentirá orgulhosa das suas raízes. Venezuela deve estar orgulhosa de ter dentro de si toda esta variedade de culturas, costumes e amores. Como sugestão para o próximo ano, acho que deviam começar o evento a horas, para que as pessoas não se cansem tanto de esperar, já que estava marcado para as 7.00 horas e começou mais de uma hora depois. Mas passei maravilhosamente bem o tempo, vendo os filmes de Portugal, que adorei.

Assisti ao encontro de gerações pela primeira vez e por isso quero felicitar o grupo da organização pela feliz ideia de unir e organizar gerações de lusos na Venezuela. No entanto, gostaria de manifestar aquilo que achei que ficou muito mal no evento e que tem a ver com a chegada do secretário de Estado. Presenciei pessoalmente o nervosismo que causou à organização, mas acho que deveriam ter começado à hora marcada, porque eu viajei da cidade de Valência - e outros conterrâneos viajaram de muito longe - para que o senhor secretário de Estado apesar de ter chegado ao Centro Português tenha feito esperar mais de 1.000 pessoas por sua "alteza". Da mesma maneira não ficou bem que a cada momento se tenha levantado para ir a casa de banho ou vir falar com alguém fora da sala enquanto os oradores falavam. Aqui fica a minha crítica. Duarte Vieira

Cristina Ferreira Costa

InquéRITo:

Costuma celebrar o Dia de Portugal?

Renato Carvalho Bancário "Esta celebração é bastante importante para nós portugueses, por quanto faz parte da história do nosso país e por isso, sempre que possível, de uma maneira ou outra, devemos comemorá-la. Geralmente costumo reunir com compatriotas para partilhar um dia entre irmãos".

Maria Helena Correia Administradora "Assisto sempre à celebração que se realiza anualmente na Embaixada de Portugal. É um dia importantíssimo e porque temos a honra de o nosso dia ser também o dia de um poeta, não o dia de uma batalha, nem de uma guerra. É o dia de Camões. Participo também porque estes acontecimentos são sumamente importantes para qualquer nação".

José Manuel Vieira Actor "Geralmente, não costumo fazer nenhuma reunião específica, mas penso que é um dia muito importante significativo, tanto para os portugueses como os luso-descendentes. Parece-me importante porque nos mantém unidos às nossas raízes, especialmente os que nasceram aqui e assim temos uma família portuguesa".

José Alberto Gonçalves Estudante "Considero importante a celebração deste dia, porque ainda que não tenha nascido em Portugal, sou descendente de portugueses. Sinto que assim podemos manter a cultura e tradição dos nossos pais. Normalmente, assistimos a eventos nalgum clube e partilhamos nas festas que promovem"


24 | ECONOMIA

CORREIO DE VENEZUELA - DE 08 A 14 DE JUNHO DE 2006

Millennium bcp tem novo representante em Caracas Jean Carlos De Abreu jeancarlos@correiodevenezuela.com

osé Carlos Ferreira é o novo representante do Banco Millennium bcp na cidade de Caracas, cidade onde permanecerá no país durante aproximadamente por três anos e desde onde pretende continuar a promover as iniciativas da comunidade lusa na Venezuela. Natural de Lisboa, o novo representante trabalha no banco há 12 anos. Chaga à Venezuela para ampliar os horizontes do bcp com a ajuda da comunidade portuguesa radicada na Venezuela. O objectivo de Ferreira é continuar com o mesmo plano de promoção e de apoio às iniciativas propostas pelos portugueses e luso-descendentes na área cultural e de diversa índole. Segundo observou o responsável, o banco tem como objectivo internacionalizar-se e chegar aos portugueses residentes nos diferentes paí-

J

ses de acolhimento para estar mais "perto deles e apoiá-los nas suas iniciativas dentro das associações lusas". "Alargar e projectar a imagem de Millennium é a nossa prioridade, assim como ser um dos bancos preferidos da comunidade", já que os luso-venezuelanos o receberam de bom grado. VENEZUELA: TERRA POR EXPLORAR José Carlos Ferreira ainda não teve tempo para percorrer e conhecer as belezas naturais do país, mas diz que vai dedicar-se a tal tarefa logo que tenha "disponibilidade de tempo" para ir conhecer a "Gran Sabana" e outros paisagens turísticos. Para o luso, a Venezuela é "um pouco insegura e por isso sinto-me limitado". Mas a ideia de estar num país rodeado de montanhas e zonas verdes atenua a negatividade de uma cidade congestionada. Por agora prevê relacionar-se mais

com a comunidade luso-venezuelana e promover actividades que ressaltem o valor português no país. Ferreira deixou a seguinte mensagem a comunidade lusitana na Venezuela: "fortalecer os centros sociais e estreitar laços com Portugal, já que necessitamos de bons embaixadores da cultura lusa no país". Além disso,

disse que os portugueses são "como uma grande nação onde habita uma grande família" e que a imagem do português no exterior é boa. O anterior representante da entidade bancária, Fernando Silva, vai desempenhar funções no Banco a partir da ilha da Madeira.

Plumrose e Central Madeirense oferecem viagem à Alemanha

empresa de fiambres Plumrose premiou os seus consumidores através do concurso "Plumrose leva-te à Alemanha com o fiambre endiabrado", realizado na sede da Central Madeirense, situada no centro comercial Los Ruíces, em Caracas. Giancarlo Cammardela, de 27 anos de idade, foi o felizardo que ganhou uma passagem de ida e volta incluída num pacote de quatro noites e três dias naquele país europeu, uma entrada para assistir ao jogo entre a Inglaterra e Suécia na zona VIP e bilhetes para passeios turísticos. Este consumidor comprou fiambre endiabrado Plumrose, raspou o có digo e enviou-o via mensagem de texto a

A

fim de participar no concurso. Noutras cadeias de supermercados como a Unicasa e a Makro escolheram-se duas das cinco pessoas que viajarão até à Alemanha para assistir ao Mundial 2006. Estas pessoas foram colocadas na cidade de Margarita, estado Nueva Esparta, e em Valência, estado Carabobo. Tomás Herrera, gerente nacional de marketing comercial da Plumrose, expressou o seu agradecimento à cadeia Central Madeirense por participar e comprar o produto e também à Cammardela por ter adquirido o mesmo e por participar no concurso. A promoção teve início no passado dia 15 de Abril e finalizou a 26 de Maio.


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ECONOMIA | 25

O fenó meno hermético No próximo dia 17 de Junho tem lugar um fórum intitulado "O êxito e a realização dos desejos", organizado pela sede de Caracas do Instituto Filosófico Hermético, fundado pelo filósofo chileno Darí o Salas Sommer arío Salas Sommer, é um filó sofo chileno que fundou há mais de 30 anos o Instituto Filosó fico Hermético, que divulga ensino na Argentina, Venezuela, Colô mbia, Espanha, Estados Unidos, Rú ssia e Chile, país onde está sua matriz. Os seus princípios provêm de uma filosofia mística cujas origens remontam ao Egipto pré-faraó nico e a um sábio entre os sábios de então, Hermes Trismegisto, de quem se tomou o nome de "hermetismo". Nas suas obras postula que a espiritualidade é algo que se trabalha, da mesma forma que um atleta se treina para correr os 100 metros planos. Salas Sommer, Mestre em filosofia e também director de cinema em Hollywood no Institute de Los Angeles, comenta que é curioso que ao nível cultural o conceito de espiritualidade não exista, embora se trate de algo tão importante. "Espiritualidade associa-se com ser sacerdote, vestir o hábito ou fazer obras de caridade, mas ninguém a relaciona com um trabalho interior, de aperfeiçoamento, de desenvolvimento". O certo é que alcançar a espiritualidade é algo difícil, um trabalho de muitos anos

D

e que se caracteriza por certas faculdades que a pessoa adquire, como poder ter domínio sobre si mesma, controlo sobre as emoções, poder para comunicar melhor com as outras pessoas, entender melhor ou outros, saber perdoar ou ser generoso. Está completamente demonstrado pela neurofisiologia que o cérebro humano é mecâ nico. "Então, ser espiritual significa desenvolver algo diferente, em que um indivíduo deixa de ser autó mato. Se evoluímos na espiritualidade podemos chegar a vencer as emoções negativas, a depressão, os impulsos como a raiva ou as reacções que escapam ao nosso controlo". Para aprender mais sobre este tema, no pró ximo dia 17 de Junho tem a oportunidade de assistir ao fó rum "O êxito e a realização dos

desejos", organizado pela sede de Caracas do Instituto Filosó fico Hermético, fundado pelo filó sofo chileno Salas Sommer. Sommer sugere que o passo seguinte na evolução do homem é assumir, individualmente, que a espiritualidade é uma obrigação natural. E como se consegue isto? Por meio da prática do que denomina física moral: a correcta harmonia energética entre o nosso comportamento e as leis da natureza, tema que expõe largamente no seu ú ltimo livro, intitulado Moral para o Século XXI. "Se a pessoa não é espiritual, inevitavelmente vai caminhar para a desordem", diz, observando que "nó s ficamos doentes física e mentalmente por não estarmos em harmonia com o pulso universal, justamente porque nos entregamos à nossa parte instintiva. O gozo e o prazer estão bem, mas o prazer não conduz à felicidade, porque não é acumulável. Pelo contrário a virtude é. Por isso digo que a moral é rentável. Se és trabalhador, se és honesto, se queres dar às pessoas o melhor do teu trabalho, nunca vais pensar que estás para ser despedido, sem dinheiro. Não se pode pretender ser espiritual se não se é pon-

tual, se não cumpres com a tua palavra, senão é ordenado". O fundador do Instituto Filosó fico Hermético explica que esta é uma instituição onde há tolerâ ncia absoluta em todo o sentido e absoluta liberdade para que as pessoas se retirem quando queiram. "Cada sede do Instituto é independente e tem os seus pró prios bens, e eu só intervenho na parte pedagó gica. Os temas são iguais para todos porque a vida espiritual é igual para negros, brancos, asiáticos, pobres e ricos". Mais dados sobre o autor Darío Salas foi nomeado pela Rú ssia Conselheiro Científico para toda a América Latina, pela sua destacada contribuição para o de-

senvolvimento e aperfeiçoamento humano, numa cerimó nia celebrada em Setembro de 2003, por uma delegação oficial que veio desde a Rú ssia ao a Chile especialmente para esse fim. Tem escrito sob o pseudó nimo de John Baines. Entre as várias obras destacam-se os seguintes títulos: Los Brujos Hablan, El Hombre Estelar, Hipsoconciencia, Depresió n y Angustia, La ciencia del Amor, Existe a mujer?, Desarrollo del Mundo Interno, Moral para el siglo XXI

*Resumo retirado de uma entrevista concedida por Darío Salas Sommer ao jornalista Daniel Trujillo Rivas, da Revista Chilena Capital, Nº 116, do ano 2003.

OPEP discutiu possibilidade de adesão de Angola, Sudão e Equador possibilidade de uma adesão de Angola, do Sudão e do Equador foi discutida durante a reunião ministerial da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petró leo) em Caracas, afirmou o ministro da Energia venezuelano Rafael Ramirez. "Discutimos os casos de Angola, do Sudão e do Equa-

A

dor e agora resta esperar pela formalização das suas aspirações para que o cartel dê uma resposta", afirmou o ministro. "A aspiração política (desses países) é o mais importante e ela foi manifestada", assegurou Ramirez. O representante líbio Choukri Ghanem confirmou que a

eventual adesão foi debatida, mas não durante muito tempo, na reunião plenária da organização. Um porta-voz da OPEP indicou um pouco antes que se trataram de discussões "informais" e que a proposta não estava na ordem do dia da reunião, relembrando que existem uma série de condições para a

entrada desses países. "É preciso um consenso que sejam exportadores natos que estejam alinhados com a visão da OPEP", referiu o mesmo porta-voz. O representante líbio Choukri Ghanem relembrou que os estatutos da OPEP impõem a todos os candidatos que sejam exportadores de "quantidades

substanciais" de petró leo. O ministro argelino da Energia, Chekib Khelil, revelou que o primeiro país a poder entrar na OPEP é Angola, mencionando igualmente a Guiné Equatorial. O mesmo ministro sublinhou o facto do Equador ainda não ter efectuado um pedido formal por escrito.


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CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

TAP continua a apostar nos Açores s grand es ven c e d o res do s P r é mios TO P T A P , no s Aç o res foram a s agê ncias Teles, Via Vitó ria e Aero Horta, no sect o r d e Pass agen s e as agê ncias Navian g r a e Terc argo , no sec t o r d a Carga. Na cerim ó nia de entrega dos pré mios , referent es a 20 0 5 , Carlo s Panei r o D irect o r d e Vend a s d a TAP - r evelo u q u e a Co m pa n hia t ransp o r t o u, no ano pass a d o , um to t al d e 25 0 m i l pass ageiro s nas s u a s linhas do s Aç o r e s . Amé rico Co st a, D i r e c t o r d a Carga, apro v e i t o u a o casião para d e s t acar o crescime n t o das vendas em 23,4 por cento. A vend a d e pas sag e n s d e avião em 20 0 5 , e m Po rtu gal, mant ev e - s e prat icamen te ao m e s mo nível d e 20 0 4. N o ent ant o, é d e d est a c a r q ue a TAP m elho ro u a su a q uo t a d e merc a d o , su bindo par a 48, 1 % , at ingind o ass im o v a lo r mais elevad o d e sem pre n os ú lt i m o s dez anos. Nas linhas d o s Aç o r e s , a TAP t ranspo rt o u u m t o tal d e 25 0 m il pa s s a geiro s, mant endo a s u a q uo t a d e mercad o e m 34,5 % . Est e fo i aind a o ano em q ue se ver i f i co u a inau guraç ão d e voos directos de Lisboa para o Pico. Carlo s Paneiro ac r e s cent o u aind a q ue, n u m q uad ro d e refo rç o d a relaç ão co mercial c o m a SATA, "a grand e n o vid ad e é o início d o co d e-share, em v o o s operados pela Companhia aç o riana, à par t i d a d e alg uns d o s no s s o s po nt o s d a red e eu r o peia, d esignad ame n t e , Frankfurt , Lo nd re s e Amest erd ão co m d e s t i no final Po nt a D e l g a d a", co ncluind o q u e " est a será , cert ame n t e , uma alavanca par a o cresciment o d o nú m e -

O

ro de turistas que visitam os Aç ores, e que surge, naturalmente, na sequê ncia da aposta que temos vindo a fazer nestas linhas". No sector de Carga e

Correio, a TAP atingiu um total de cerca de 2.500 toneladas transp o r t a d a s d a R e g i ão , e m especial, para o Continente, Madeira, Europa, Estados Unidos e

Brasil. D e a c o r d o c o m Amé ric o C o s t a , " o d e s ejo pa r a 2 0 0 6 é c o n t inuar a c r e s c e r , d e f o r ma s us tentá vel, estando orç am e n t a d a u m a receit a

glo bal su perio r a 98 milhões de Euro s q ue t em, ho j e em d ia, bo as pers pectivas para aco nt ecer, at ingind o o recorde de sempre".


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DESPORTO | 27

Acolhimento da selecção em ambiente fantástico Sérgio d’ Almeida Soares Lusa

m entusiasmo vibrante de 30 minutos e 10 de ensurdecedores assobios serviram segunda-feira para 12.500 apoiantes receberem em Gutersloh a selecção portuguesa de futebol, atrasada mais de meia hora para o primeiro treino aberto ao pú blico na Alemanha. Uma multidão que fez lembrar, por momentos, qualquer “ derby” entre rivais ou uma final de uma grande competição, muito superior às “ casas” que marcam a maioria da Liga portuguesa. Milhares e milhares de portugueses coloridos a “ verde-rubro” - desejando, do “ fundo do coração” , “ boa sorte a Portugal” , como se lia nos muitos cartazes distribuídos pela bancada - começaram então a apoiar todos os lusos, sem excepção, com especial destaque para o “ maestro” Deco, “ estrela” Cristiano Ronaldo, o “ matador” Pauleta ou o “ capitão” Luís Figo. Num estádio completamente lotado, em tudo semelhante às “ enchentes” dos treinos dos penta-campeões brasileiros, os portugueses não se calaram durante um ú nico minuto, com gritos a roçar o histerismo, naturalmente normal para quem vê pre-

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sença da selecção na Alemanha uma viagem relâ mpago ao país Natal. Muito mais do que uma selecção de futebol, a equipa das “ quinas” tem servido, sobretudo, para dar alegrias e momentos de felicidade contagiante aos milhares de portugueses espalhados na Alemanha. O estádio do Gutersloh, que alinha na quarta divisão germâ nica, não assistia a uma enchente assim há muitos anos e até mesmo os seus dirigentes se congratularam com a presença lusa, ú nica forma de dar uso às bancadas já velhinhas. A cada golo, a cada finta, a cada nada, a tudo os portugueses respondiam e sublinhavam, das mais variadas formas e a todos os instantes, o carinho que nutrem por Portugal e também pela selecção de futebol. Cartazes de apoio, sirenes, alguns excessos de álcool, muitas bandeiras portuguesas, crianças, idosos, mulheres, homens e... Arlinda Mestre, conhecida pela participação em “ realityshows” e trabalho fotográfico, destacaram-se no carinho a Portugal e à selecção. Já com quase todos os jogadores recolhidos ao balneário, um adepto mais incontido e levado pela emoção incontrolável, saltou para o relvado e, para gáudio de todos, cometeu a proeza de abraçar o ídolo Simão Sabrosa.

Maniche com lugar garantido médio Maniche parece ter lugar certo no “ onze” da selecção portuguesa de futebol para a estreia de domingo, com Angola, no Mundial da Alemanha2006, segundo indicou o primeiro treino realizado em Gutersloh. Em mais um dia de intenso fervor nacionalista, interpretado pelos 12.500 emigrantes que lotaram as bancadas do Estádio Heidewald, Scolari esteve a testar as movimentações ofensivas e colocou Maniche no “ oito” titular, nas costas do “ cérebro” Deco.

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Os outros componentes da equipa que atacava foram os laterais Miguel e Nuno Valente, o central Ricardo Carvalho, os extremos Figo e Cristiano Ronaldo e o ponta-de-lança Pauleta. Para completar o “ onze” , faltavam três jogadores, o guarda- redes Ricardo, o central Fernando Meira e o “ trinco” : Costinha começou o particular com o Luxemburgo (3-0 no sábado, em Metz), mas Petit foi hoje o primeiro a “ saltar” para os titulares. Face ao que mostrou o treino vesperti-

no, o brasileiro Luiz Felipe Scolari só terá, assim, uma dú vida quanto à equipa que iniciará o embate com os angolanos, a escolha entre a “ presença” de Costinha ou a grande forma que Petit tem evidenciado em todo o estágio. Enquanto oito jogadores ensaiavam, face a outros oito, as movimentações ofensivas de um lado do campo, do outro, Tiago, Simão e Hélder Postiga treinaram saídas para o ataque perante os defesas Ricardo Costa e Hugo Viana e Ricardo ou Paulo Santos na baliza.

Multidão de adeptos portugueses acarinhou a selecção nacional na Alemanha.


28 | DESPORTO

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breves Juramento no Mundial Cotoveladas: cuidado!

Europeu de Sub-19

Processo à Académica

A (FIFA vai obrigar todos os participantes do Mundial2006 a assinar uma declaração semelhante ao Juramento Olímpico, anunciou o presidente do organismo. Joseph Blatter mostrou o documento, “que todos terão de assinar”, referindo-se não só aos jogadores e árbitros, mas também a treinadores e dirigentes.

Portugal ficou colocado junto a outra potência da formação, a Espanha, na fase final do Europeu de futebol de Sub-19, que se disputa na Polónia entre 18 e 23 de Junho, na Polónia. O sorteio realizado na passada segundafeira na cidade polaca de Poznan juntou as duas selecções ibéricas a Escócia e Turquia, no Grupo B.

O defesa internacional Sub-21 Zé Castro negou as afirmações contidas no comunicado de 31 de Maio da Direcção da Académica de Coimbra, ameaçando processar judicialmente o clube da Liga portuguesa de futebol. O jogador, cujo contrato expira em 30 de Junho, disse que teve como intenção esclarecer a verdade antes de partir para Espanha.

A FIFA, seguindo uma recomendação da sua Comissão Médica, pediu às 21 equipas de arbitragem que vão dirigir o campeonato do Mundo de futebol para terem especial atenção às cotoveladas sempre que as bolas são disputadas por alto. O presidente da FIFA, Joseph Blatter, classificou este tipo de agressão como “o novo diabo” do jogo.

FIFA pressiona para reduzir campeonatos Portugal é um dos paí ses que se antecipou à discussão, passando para 16 clubes

Mourinho recusa pensar na UEFA treinador português José Mourinho, recém-sagrado bicampeão de Inglaterra pelo Chelsea, está resignado com a “ fasquia muito elevada” dos seus objectivos e, por isso, dispensa novo êxito na Taça UEFA. Depois de ter conquistado o segundo troféu europeu de clubes em 2003, ao serviço do FC Porto, Mourinho abdica de nova experiência e aposta tudo em repetir novo sucesso na Liga dos Campeões, apó s o título em 2004, também com as cores portistas. “ Não quero ganhar a Taça UEFA, pois isso significava que não estava na Liga dos Campeões. Não quero acabar a carreira só com uma Liga dos Campeões” , alertou Mourinho, que esta época voltou a falhar pelo segundo ano o troféu “ exigido” pela crítica inglesa. No dia em que recebeu o prémio do Clube Nacional de Imprensa Desportiva (CNID) pela conquista da Taça dos Campeões Europeus em 2004, Mourinho reiterou a vontade de orientar, dentro de uma dú zia de anos, a selecção portuguesa e

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FIFA analisa quintafeira em Congresso formas de reduzir os principais campeonatos europeus para 18 equipas, bem como a partilha de responsabilidades entre clubes e federações nos seguros dos futebolistas internacionais pelos respectivos países. Sobre o primeiro tema, o suíço Joseph Blatter, presidente da FIFA, revelou que, antes de avançar para tais medidas, vai primeiro auscultar o Congresso para saber se está disposto a instaurar mecanismos de pressão junto de ligas como a espanhola, inglesa ou francesa, que têm 20 clubes. A partir da pró xima época, Portugal vai reduzir os seus campeonatos profissionais de 18 para 16 clubes.

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“ Vinte equipas numa Liga é demasiado, porque há que zelar pela coordenação do calendário de jogos para garantir os interesses das selecções, e, principalmente, dos futebolistas que são os principais prejudicados” , disse o dirigente. Joseph Ballter acrescentou: “ Antes de falar na redução para 18, quero saber a opinião do Congresso, para definir linhas orientadoras de acção. As pró prias Ligas já nos solicitaram esse trabalho, já que isso reduziria os campeonatos em quatro jornadas” . Quanto à polémica com os clubes que se queixam sistematicamente de lesões que os seus atletas sofrem ao serviço das selecções, sem que sejam ressarcidos dos prejuízos inerentes, o presidente da FIFA diz

que o Congresso vai analisar a possibilidade de criar um seguro que cubra essas situações. Depois de o Charleroi, da Bélgica, ter pedido uma indemnização em tribunal por um seu jogador se ter lesionado ao serviço da selecção de Marrocos, os clubes do G14, que inclui o FC Porto, “ exigiram” uma indemnização de 860 milhões de euros por danos sofridos nos ú ltimos anos. O dirigente máximo da FIFA considera que são os clubes que devem contribuir em maior escala para esses seguros: “ O clube é a entidade responsável pelo jogador, é quem tem de subscrever o contrato. A solução é que pague 80 por centro da apó lice, pois é quem mais utiliza o futebolista, e as federações 20 por cento” .

não fechou as portas à possibilidade de voltar a chefiar a equipa técnica de um clube nacional. “ Esperem por mim, que um dia vou voltar” , avisou, embora o regresso a Portugal “ não seja ainda num futuro muito pró ximo” .

O bi-campeão em Inglaterra nem quer pensar na hipótese de vir a ganhar a Taça UEFA, pois isso significaria que estava fora da Champions... José Mourinho lembrou que tem contrato com o Chelsea até 2010 e vontade de experimentar outro campeonato da elite europeia, mas, num futuro mais distante, “ Porque não trabalhar num clube em Portugal? Há clubes em Portugal de nível europeu e mundial. Mas neste momento não vislumbro essa possibilidade. Para já, o objectivo é cumprir o contrato com o Chelsea” , frisou o técnico português.


CORREIO DE VENEZUELA -DE 08 A 14 DE JUNHO DE 2006

Mundial em ecrãs gigantes no CPC Jean Carlos De Abreu jeancarlos@correiodevenezuela.com

Centro Português, em Caracas, vai servir de ponto de encontro para os lusitanos que queiram assistir ao jogo inaugural de Portugal no Mundial da Alemanha 2006, no pró ximo dia 11 de Junho. Segundo precisou o presidente desta associação, André Pita, o CPC vai desenvolver várias actividades durante o período do Mundial sendo que uma delas passa, obviamente, por dar atenção especial aos jogos da selecção portuguesa. Neste sentido, a "Fuente de Soda", o bar, o restaurante, o "Caney" e o Salão Nobre serão os pontos de

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encontro para jovens e adultos que desejem ver a selecção de Portugal jogar. Estes locais contaram com ecrãs gigantes que transmitirão os jogos. Pita explicou que o canal venezuelano Radio Caracas Televisió n (RCTV) tem os direitos exclusivos de transmissão desde a casa lusitana, já que "há um intercâ mbio promocional" entre o clube e o canal. Para a primeira partida que se disputará no pró ximo domingo, 11 de Junho, entre Portugal e Angola, a direcção do clube promove um almoço no salão principal, onde os associados poderão ver, num ecrã gigante, a participação da equipa luso na sua primeira exibição.

Encontro de amigos da Casa do Benfica O encontro realiza-se no dia 16 de Junho e tem como objectivo decidir o futuro da sua nova casa Yamilem González yamilem@correiodevenezuela.com

Casa do Benfica convoca a todos os amigos e membros da comissão eleita na festa do ano passado para um encontro que tem lugar no pró ximo dia 16 de Junho, pelas sete da noite, no Colégio Virgem de Fátima de San Bernardino. David Pinho, quem tem sido um dos principais promotores da criação da Casa do Benfica, adiantou ao CORREIO que a finalidade desta reunião é para aclarar certos pontos importantes da comissão tais como: a apresentação das contas relativas à festa realizada em Agosto de 2005 e definir ou não o projecto de construção da Casa do Benfica. Todos os amigos do Benfica estão convidados a resolver o futuro des ta casa, revelou o porta-voz da iniciativa, precisando que quaisquer dú vidas poderão ser esclarecidas pelos telefones 577-51-15 e 577-88-09 ou via correio electró nico David_pinho_m@hotmail.com.

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Gama Club vence terceiro troféu do ano Antó nio C. Da Silva F. antoniodasilva@correiodevenezuela.com

equipa do Gama Club arrasou com todas as categorias do futsal do CPC com uma vitó ria espectacular num jogo - que ficará na memó ria - frente ao Market FC, na final da categoria de Veteranos. Um golo marcado a 23 segundos para o fim permitiu à equipa dos hipermercados arrecadar assim o terceiro troféu do ano. O Market FC entrou em campo como o grande favorito para a vitó ria, pois "A Vinotinto Sub-40", (como é conhecida a equipa), esta integrada por várias velhas gló rias do futebol nacional e da selecção principal da Venezuela. Mas os "azuis" foram surpreendidos no fim por uma equipa que jogou muito motivada e deixou a pele dentro das quatro linhas, conseguindo dar volta a um jogo que parecia perdido. Os jogadores do Gama, muito mais adaptados ao jogo de Futsal, surpreenderam os credenciados rivais

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Gama conquista terceiro troféu do ano 2006

e mandaram no placar durante toda a primeira parte. Para histó ria fica a jogada que deu o 3-2 para o Gama Club, quando o jogador Montenegro fintou quase toda a equipa do Market, sentou o guardaredes Chinchilla e conseguiu um golão. O golo foi muito mal digerido pelos baralhados "ex-vinotintos", que ofereceram o 4º ao cair do pano, depois de um desentendimento entre o Edson Rodriguez e o guarda-redes. Para o segundo tempo o Market deu entrada a Gerson Díaz e a Bernardo Añor e tomou conta do jogo, conseguindo dar a volta ao resultado. A ú ltima

fase da contenda produziu um caudal de emoções, com a vitó ria a trocar de dono por duas vezes. O momento chave do jogo aconteceu numa falta assinalada a 48 segundos do fim da partida, quando Gaby Miranda, que já tinha visto um cartão amarelo momentos antes, entrou duro sobre o avançado Fernando Rodrigues e teve de ser expulso, deixando a equipa só com 4 unidades no campo. Consequência da inferioridade numérica, os azuis do Market recuaram e o Gama Club arriscou todo no ataque para conseguir a vitó ria e evitar o desempate nas grandes penalidades. Foi o que sucedeu a 23

Market FC: 6

Gama Club: 7

50 Alex Chinchilla 05 Edson Rodríguez 10 Gaby Miranda 11 José Comesaña 14 Roby Cavallo Suplentes: 07 José M. Vieira 08 Gerson Díaz 09 Bernardo Añor

01 Alvaro Díaz 09 José Montenegro 10 Fernando Rodrígues 15 Frankie da Silva 16 Anldonio Prioste Suplentes: 18 José Cuzzatti 22 Ramó n Rodrígues 61 Celso Nunes

Golos 09:29 (1T) Comesaña 17:30 (1T) Miranda 01:14 (2T) Añor 03:49 (2T) Díaz 09:08 (2T) Díaz 18:23 (2T) Comesaña

Golos 08:59 (1T) F. Rodrígues 10:01 (1T) Montenegro 18:58 (1T) F. Rodrígues 16:47 (2T) da Silva 17:18 (2T) F. Rodrígues 19:37 (2T) da Silva

Campeão: Gama Club Vice-campeão: Market FC 3º lugar: CS Marítimo 4º lugar: UNICASA Melhor marcador José Comesaña (Market FC) - 12 Golos Melhor guarda-redes Javier Adler (Unicasa) - 19 golos sofridos

segundos para o final, quando Frankie da Silva empurrou a bola para o fundo das redes para delírio dos adeptos que na sua maioria incentivavam pela a equipa mais "débil".

No primeiro jogo os "verde rubros" do CS Marítimo derrotaram por 4-3 ao conjunto do Unicasa e ficaram em do 3º Lugar.

Punta Grill "matou" a sede de vitó ria nas balizas adversárias. A caminhada até a final não encontrou nenhum tipo de oposição. Agora que o torneio acabou as equipas só querem descansar, e poucos locais em nosso país melhores para o fazer que o arquipélago Los Roques, a onde as equipas do Punta Grill e do Hipocampo vão desfrutar do prémio para os dois primeiros lugares.

Antó nio C. Da Silva F. antoniodasilva@correiodevenezuela.com

quinta edição do "Torneio Mesabar Diageo" que se disputou nos ú ltimos meses nas belas instalações do "Centro La Guacamaya" de Las Mercedes, chegou ao seu fim e consagrou a equipa do Punta Grill. O torneio agrupou as representações de vários dos melhores restaurantes da capital, que disputaram no piso sintético da "Guacamaya" o título de campeão. No primeiro jogo da ú ltima jornada, La Viñatería conseguiu derrotar ao conjunto de La Castañuela na luta pelo 3º lugar. A jornada transcorreu cheia de emoção nas banca-

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Punta Grill campeão do "Mesabar Diageo"

das e até um grupo de samba com a sua batucada, ajudou a dar animação a todos os adeptos presentes. Os campeões dominaram a prova

do princípio até o fim, e finalizaram como líderes do seu grupo na primeira fase, invictos nos 6 jogos disputados e com 34 golos apontados

Campeão Punta Grill Vice-campeão Hipocampo 3º Lugar La Viñatería 4º Lugar La Castañuela Melhor Marcador Ainer Cedeño (Il Grilo) (21 Golos)


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Belenenses ainda pode manter-se no principal escalão de futebol Gil Vicente vai ser castigado com a descida para a Divisão de Honra, mantendo-se o Belenenses no escalão principal do futebol po rtuguês, devido ao chamado “ caso Mateus” , anunciou o jornal A Bola. Em manchete na sua edição de hoje, o matutino desportivo revela que a Comissão Disciplinar da Liga decidiu segunda-feira dar razão ao Belenenses no protes to que apresentou contra o Gil Vicente, por este clube ter recorrido aos tribunais comuns para resolver uma questão desportiva, o que é proibido pelos regulamentos. A decisão da Comissão Disciplinar da Liga é passível de recurso para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol. O “ caso Mateus” refere-se à inscrição do jogador na Liga como futebolista profissional ao serviço do Gil Vicente, na sequência de uma transferência do Lixa, onde o jogador tinha o estatuto de amador. A inscrição do jogador veio a ser recusada pela Liga, por ter o estatuto de amador, levando o Gil Vicente, recorda A Bola, a recorrer aos tribunais comuns . Um primeiro requerimento ao Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga foi indeferido,

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por o tribunal ter considerado tratar-se de assunto do foro desportivo. O clube de Barcelos recorreu depois ao Tribunal do Porto, que lhe deu razão. Com base nesta decisão, o jogador foi inscrito e disputou quatro jogos no campeonato de 2005/2006. Mais tarde, o mesmo tribunal do Porto, face a uma exposição da Federação Portuguesa de Futebol, considerou sem efeito a primeira decisão. A questão levantada pelo Belenenses tem a ver com o facto do clube de Barcelos ter recorrido aos tribunais comuns, sem autorização da Liga de Clubes e da Federação Portuguesa de Futebol, para resolver uma questão desportiva, o que é proibido pela FIFA e pelo Regulamento de Disciplina da Liga. O artigo 63 do Regulamento, acrescenta A Bola, determina que a pena a aplicar a quem recorrer aos tribunais comuns é a “ baixa de divisão” . Com 39 pontos, o Belenenses ficou em 15º lugar na Liga Betandwin da época 2005/2006, sendo o ú ltimo a descer à Divisão de Honra, acompanhando Vitó ria de Guimarães, Rio Ave e Penafiel.


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Venezuela é excepção nos 30 anos da Autonomia No Dia da Regiã o em Julho o Governo Regional abre uma excepç ã o apenas para a Venezuela. Ventura Garcê s deverá ser o ú nico a sair

ÚLTIMA horA PSP deteve dirigente da Frente Nacional Mário Machado, dirigente da organização de extremadireita Frente Nacional, foi detido terça-feira, após uma reportagem emitida pela RTP, onde defendeu a ideologia de extrema-direita e o uso de armas, disse à Lusa fonte ligada ao processo.

Trabalhadores ilegais na extracç ã o de cortiç a A Inspecção-Geral de Trabalho (IGT) identificou esta semana 87 pessoas em situação ilegal de trabalho não declarado, numa campanha de extracção de cortiça na zona de Vila Nova de Milfontes (Odemira), anunciou o organismo.

Agostinho Silva (DN/MADEIRA)

Governo Regional da Madeira decidiu enviar à Venezuela o secretário regional do Plano e Finanças, para o programa comemorativo do Dia da Região Autó noma da Madeira, cujo ponto alto ocorrerá a 1 de Julho no Centro Português, em Caracas. Segundo apurou o DIÁRIO, Ventura Garcês deverá ser o ú nico governante que, este ano, será enviado em representação do Executivo regional, na sequência dos mú ltiplos convites que habitualmente chegam à Quinta Vigia para as celebrações do Dia da Madeira em diversas partes do globo, onde a comunidade madeirense está representada. Tradicionalmente, a 1 de Julho, o Governo Regional faz-se

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representar nas comemorações na África do Sul, Brasil, Reino Unido e Venezuela, entre outros destinos de emigração marcadamente madeirense. Só que, este ano, as principais instituições políticas da Região estão empenhadas nas celebrações internas dos 30 anos da Autonomia da Madeira, pelo que a ordem é ficar por aqui e participar activamente no programa oficial que assinala a efeméride. Segundo apurámos, a anuência excepcional ao convite que veio da Venezuela terá tudo a ver com a longa tradição dos rituais do 1 de Julho, em Caracas, e sobretudo com a regularidade e empenho que a Comissão Organizadora local coloca em cada edição do Dia da Madeira, algo que nem sempre ocorre noutros destinos da emigração madeirense, cujas celebrações do Dia da Madeira algumas vezes são sobrepostas por pequenos

desentendimentos e conflitos à escala local. Esta não é a primeira vez que Ventura Garcês se desloca à Venezuela em representação oficial. O titular da pasta do Plano e Finanças vai cumprir um programa que inclui deslocações a outras cidades, para além da capital venezuelana. À margem do ponto alto das celebrações, a 1 de Julho no Centro Português, em Caracas, Garcês vai deslocar-se expressamente a Maracay para visitar o novíssimo Lar Geriátrico Luso-Venezuelano, que vai ser inaugurado a 10 de Junho, no Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Convidado para esse acto, o Governo Regional optou por aceder ao convite, mas transferindo a visita para Julho e delegando em Ventura Garcês as duas missões de representação do Executivo regional.

Custo dos transportes na Madeira e Aç ores O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou que o primeiro-ministro, José Sócrates, decidiu abrir um estudo sobre os custos dos transportes de pessoas e mercadorias entre continente e as regiões autónomas. A posição de Alberto João Jardim foi transmitida no final de uma reunião com José Sócrates, em São Bento, que durou cerca de hora e meia e na qual também esteve presente o ministro de Estado e das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos.

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