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ConVida Roma & Alvalade 2006-2007

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roma & alvalade in loco

DA ALAMEDA AO JÚLIO DE MATOS Texto/text António Sérgio Rosa de Carvalho

C

resci na Av. Guerra Junqueiro. No imaginário da

paradigmas ideológicos de cada modelo, o Estado Novo

minha infância, o meu bairro cingia-se à minha

desenvolve um eclectismo depurador e pragmático, e

rua, e nas minhas deambulações e excursões

ao utilizar apenas aquilo que considera útil em cada

aos estabelecimentos comerciais, os limites estavam

modelo, formula uma “receita” própria. Iremos ver isto

bem definidos: a Alameda e a Praça de Londres. Não

no Bairro de Alvalade.

tinha portanto consciência de que a “minha rua” estava inserida num vasto e notável conjunto urbano, nomeadamente o mais importante e coerente exemplo do Urbanismo do séc. XX na cidade de Lisboa! A concepção urbanística do “Bairro de Alvalade” foi definida num documento aprovado em 1945 e denominado “Plano de Urbanização da Zona a Sul da Av. Alfredo Malheiro” da autoria do Arq.º Faria da Costa (actual Av. do Brasil). Este Plano, cuja área de intervenção era definida tendo como limites a norte a Av. do

No presente, estas avenidas com o seu comércio de qualidade e prestígio, associado a uma forte vocação residencial e intensa actividade social, constituem a confirmação do sucesso e da qualidade do Plano Urbanístico original.

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Brasil, a poente o Campo Grande e a Av. da República, a sul a linha ferroviária e a nascente a Av. do Aeroporto,

O Bairro de Alvalade

começou a ser executado já em 1946 através da infra-

Apesar do desaparecimento de Duarte Pacheco em

estruturação da sua área.

1943 num acidente, as “bases” conceituais do Projecto

O Contexto

já estavam estabelecidas, assim como a garantia da

Em 1933 o Estado Novo, já consolidado, cria o Secre-

possibilidade da sua execução através de uma radical

tariado de Propaganda Nacional, cuja direcção entrega

e extensa política de expropriações, que deixou alguma

ao dinâmico António Ferro, vindo das vanguardas Fu-

polémica. Já Le Corbusier utilizava Luís XIV, para de-

turistas. Este vai desenvolver a “Política do Espírito”,

fender retoricamente que não existe grande Urbanis-

ou seja, a Estratégia Cultural e Artística, capaz de

mo sem Autoritarismo.

iluminar e prestigiar as Obras do Regime. Mas além

Tal como referido anteriormente, o conceito urbanís-

deste Programa de Conteúdos, o Regime precisava de

tico de Alvalade insere diferentes influências interna-

um Executor. O escolhido será o Engº Duarte Pacheco,

cionais, não utiliza os modelos de forma absoluta, mas

nomeado em 1938 Presidente da CML, que acumulará

apenas aquilo que considera útil, sendo portanto cria-

estas funções com as de Ministro das Obras Públicas.

dor e inovador nesta síntese.

O ponto culminante do prestígio do Regime e ilustração

A construção iniciou-se em 1947 na área entre a Av.

do sucesso desta equipe é alcançado primeiramente

de Roma e o Campo Grande e à volta da Av. da Igreja.

em 1940, com a Exposição do Mundo Português. Nela é

O modelo desenvolvido apresentava forte influência da

formulada a síntese entre Tradicionalismo e Modernis-

“Cidade Jardim”, tal como os anteriores bairros sociais

mo, entre Nacionalismo Monumental e Estética e Fun-

do Estado Novo, mas aqui aplicado com maior desen-

cionalidade Moderna, que irá acompanhar o Regime na

volvimento de escala, sofisticamento de infra-estru-

sua evolução e obra. Não se deixando “paralisar” pelos

turas e de Zonamento. Estes edifícios seguiam o

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