liberdade in loco
AS MARCHAS DE LISBOA texto/text Filipe La Féria
Q
uem não cantou, ao ver as Marchas de Lisboa a descer a Avenida da Liberdade, esta Canção de Lisboa? Apesar de serem consideradas tradição alfacinha na Noite de Santo António, as primeiras Marchas só se realizaram em 1934 e no Parque Mayer. A ideia partiu do jornalista Norberto Araújo do “Diário de Lisboa” numa tentativa de «voltar aos mais ancestrais costumes» que remontavam, segundo o famoso jornalista, aos desfiles populares de D. Pedro e às imitações lusas do tempo de D. João V dos faustos do Rei Sol Francês. A ideia de Norberto Araújo integrava-se na «política de espírito» de António Ferro e na reinvenção da nossa História ao gosto do Estado Novo, embora António Ferro, arauto dessa política, não gostasse nada dos populismos das Marchinhas. Leitão de Barros, cineasta, escritor, homem do teatro e do grande espectáculo encenou as primeiras Marchas de 1934 confinadas apenas ao espaço do Parque Mayer, com um júri quase composto por actrizes e actores entre os quais a popularíssima Beatriz Costa e a dramática Lucinda Simões. Só em 1935 as Marchas saíram do Parque Mayer para desfilarem desde o Terreiro do Paço e subirem até à Rotunda, sendo um acontecimento quase nacional que seria interrompido até 1940, por causa da 2ª Grande Guerra. Porém nesse ano, com as comemorações da dupla nacionalidade (1040 a Fundação de Portugal e 1640, a Independência de Espanha…) não só as marchas voltaram >>>
Lisboa nasceu Pertinho do céu Toda embalada na fé Lavou-se no rio Ai, ai, ai menina Foi baptizada na Sé Já se fez mulher E hoje o que ela quer É cantar e dar ao pé Vaidosa e ladina Ai, ai, ai menina Mas que linda que ela é
liberdade con vida ·