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ConVida Liberdade / 2006 (nº 4)

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liberdade in loco

AS MARCHAS DE LISBOA

Página anterior: Ilustração retirada do programa das Festas de Lisboa de 1935. Stuart de Carvalhais Página ao lado: peça promocional das Festas de Lisboa. Stuart de Carvalhais

>>> a sair como em plena Praça do Império se construiu a Exposição do Mundo Português. Um novo interregno das populares marchas voltou a acontecer, só voltando a desfilar em 1947, na comemoração dos oito séculos da Tomada de Lisboa aos mouros, cortejo a que assiste a célebre Eva Perón de visita a Portugal que iniciava então a sua viagem arco-íris pela Europa que, exceptuando nas terras ibéricas, tão mal a iria tratar. As Marchas de Lisboa eram, pois, esporádicas só saindo à rua em ocasiões especiais. Em 1950 irá ser o ano de uma nova tentativa de tornar tradicionais as Marchas da Cidade, mas que só em 1952, de novo com encenação de Leitão de Barros atingem o seu auge com todos os bairros de Lisboa a descerem a Avenida atrás de um coche de vidro onde desfilava a grande actriz Laura Alves, escoltada por uma guarda pretoriana de soldados romanos e coadjuvada pelas Rainhas de Lisboa, lindíssimas raparigas que representavam as épocas de glória da cidade do Tejo. De então para cá, com uma ligeira interrupção na época revolucionária do pós25 de Abril, onde até as pobres marchas também foram classificadas como reaccionárias, os bairros de Lisboa todos os anos, de manjerico na cabeça e saia de balão, lá desfilam, algumas vezes tropegamente no asfalto cheio de buracos da Liberdade. Essa vaidosa Rainha de Lisboa, que a par das mais sofisticadas lojas e marcas de prestígio é no entanto o palco de um dos mais populares acontecimentos lisboetas em Junho, nessa noite mágica em que Santo António faz apaixonar todos os namorados ao som da música eterna de Raul Ferrão, o genial compositor da Canção de Lisboa! •

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ho has not sung this Canção de Lisboa (Ode to Lisbon) while watching the Marchas de Lisboa (Lisbon Parade) descend Avenida da Liberdade? Though considered a Lisbon tradition on the evening of the city’s saint’s day (Santo António), the first Marchas were held as recently as 1934 in the Parque Mayer. The idea belonged to one Norberto Araújo, a journalist on the newspaper “Diário de Lisboa”, in an effort to “re-create our most ancient traditions”, which dated back, according to the famous journalist, to the popular parades of King Pedro and the Portuguese imitations, during the reign of King João V, of the public displays of France’s Louis XIV. Norberto Araujo’s idea fitted into António Ferro’s ‘politics of the sprit’ and the reinvention of Portugal’s history by the New State, the dictatorial regime, to suit its purposes, even though António Ferro, the herald of this policy, was no fan of the populist Marchas. Leitão de Barros, a film-maker, writer and man of the theatre and the big event, directed the first Marchas in 1934, which were confined to the Parque Mayer and judged by a jury made up almost entirely of actors and actresses, including the highly popular Beatriz Costa and the dramatic Lucinda Simões. Only in 1935 did the Marchas escape the confines of Parque Mayer to parade from Terreiro do Paço up to Rotunda and turn into an almost nationwide event, briefly interrupted until 1940 due to the 2nd World War. In that year, however, with the commemorations to celebrate the twin pillars of nationality (the founding of Portugal in 1040 and the wresting of independence


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