BAIXA in loco
A seguir ao terrível Terramoto de 1755 que destruiu Lisboa, a vontade de ferro e a serenidade admiráveis do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo (mais tarde feito Marquês de Pombal), conjugadas com um plano inteligentemente delineado, deram origem a uma nova e moderna cidade. Texto/Text Teresa Pinto Leite · Fotografia/ Photography Evelyn Kahn
Oda ARCO Rua Augusta E
ugénio dos Santos – capitão de engenharia – foi o autor da planta escolhida por Pombal para a sua reconstrução. Nela regularizava-se a parte principal da cidade: mantinham-se as duas praças mais importantes já existentes – o Rossio e o Terreiro do Paço, onde ficava o palácio real inteiramente destruído – criando-se, de uma praça até à outra, uma rede de ruas longitudinais e transversais, que se cortavam em ângulos rectos. A importância dessas ruas é expressa pela sua largura. O antigo Terreiro do Paço, agora denominado pelo Marquês de Praça do Comércio, é concebido como um verdadeiro palco aberto ao rio Tejo que nobilita a nova cidade que agora nasce. No plano de Eugénio dos Santos surge desde logo, do lado Norte da praça, um arco de triunfo, que dá acesso à cidade, através da rua central que daí parte, até ao Rossio. Ficará para sempre conhecido como o “Arco do Triunfo da Rua Augusta”. No entanto, só bem mais tarde, em 1873, será terminada a sua construção. Acabou por ser construído por subscrição pública, como se pode ler no próprio monumento.
O Arco da Rua Augusta já não tem a elegância e a sobriedade características da Lisboa Pombalina. Impõe-se antes por um Romantismo tardio, principalmente na parte superior do monumento. O seu traço deve-se ao arquitecto Veríssimo José da Costa. O grupo alegórico que encima o arco é do escultor Calmels (francês que residiu muitos anos em Portugal) e representa a Glória coroando o Génio e o Valor. Sob o grupo, a inscrição “Virtutibus Maiorum ut sit omnibus documento PPD”. Um pouco abaixo, figuram vultos importantes da História de Portugal: Nuno Álvares Pereira e Viriato (à esquerda), Vasco da Gama e o próprio Marquês de Pombal (à direita). Meio reclinados, de um lado e do outro rematando os corpos atinentes ao arco, surgem duas figuras que representam os rios Tejo e Douro. Estas estátuas são da autoria do escultor Vítor Bastos. Pena é que se não possa visitar o interior deste arco do triunfo e subir aos seus terraços. É mais um monumento fechado aos olhos do público como, infelizmente, tantos outros no nosso país. Os privilegiados que já o puderam fazer, depois de >>>