Augusta é sinónimo de grandiosa, sumptuosa, majestosa e respeitável. Pelo menos assim dizem os dicionários da língua portuguesa. O nome para esta artéria lisboeta não poderia ser mais adequado. A rua é pomposa e extensa. A mais movimentada de toda a Baixa Pombalina, onde a vida corre ora em movimentos frenéticos, ora serenos. Quem chega do Rossio é recebido pelas gerberas e malmequeres das floristas. No Inverno o odor das castanhas assadas também faz as honras da casa, mas quando o calor invade a cidade os mesmos que ali vendem as “quentes e boas” trocam o negócio pelos gelados. Movimento não falta na Rua Augusta. Gente heterogénea que se move com objectivos diferentes. Uns têm o destino bem definido, circulando em passo firme rumo a casa ou ao emprego. Os que vêm de fora circulam de olhos atentos postos na calçada, nas lojas tradicionais e na arquitectura de cada edi-
fício. Detalhes que os alfacinhas há muito se habituaram, mas que os turistas registam com câmaras e partilham com os conterrâneos comprando os postais que se vendem pelas margens da artéria. A largura aparatosa da rua permite que no centro haja um desfile de esplanadas, onde se misturam estrangeiros e portugueses que observam os movimentos de quem passa como se de um filme se tratasse. Ao cruzar a Rua de Santa Justa, mais flores e castanhas – ou gelados – nos recebem. António Teixeira é um desses vendedores que há décadas se mantém firme no mesmo poiso. Nada o roubaria àquela rua, afinal a sua “segunda casa”. Enquanto se ouve línguas diversas e os calceteiros fixam uma ou outra pedra da calçada que insiste em sair do lugar, avista-se ao longe o majestoso Arco. E uma nesga de rio começa a surgir à medida que se avança. Há lojas de cadeias multinacionais >>> BAIX A CON VIDA · 11