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associação brasileira de internet

abranet.org.br

ano V . edição 17 . julho / agosto . 2016

A Internet

possível A Internet que temos no Brasil é a que podemos ter, diante das deficiências de infraestrutura e dos desafios para expandir o seu alcance. Vinte anos depois de seu lançamento, a web nacional é aberta, livre e tem um marco regulatório para proteger seus usuários

especial

Planejamento é a melhor estratégia para sobreviver à crise Empresários devem ficar atentos aos planos de longo prazo. Ir aos bancos e buscar financiamento é uma medida comum, mas é preciso ficar atento ao caixa para evitar riscos de inadimplência abranet.org.br julho / agosto . 2016

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editorial Eduardo Parajo Presidente da Abranet

Somos todos internautas A Internet no Brasil é aberta, livre e criou uma base institucional para a sua proteção por meio da ação do Comitê Gestor da Internet (CGI.br) e do recém-aprovado Marco Civil da Internet. Estas foram algumas das constatações da mesa-redonda realizada especialmente para esta edição da Revista Abranet, que contou com a presença dos membros do CGI.br Demi Getschko, presidente do NIC.br, e Flávia Lefèvre Guimarães, conselheira da Proteste, e de diretores da nossa entidade. Vinte anos depois do começo da operação comercial, chegamos à conclusão que o Brasil tem a Internet possível, diante das deficiências de infraestrutura e dos desafios para expandir o alcance da rede. Temas relevantes do mercado Internet, como a definição do papel do provedor, a franquia na banda larga, os gargalos de infraestrutura e o marco regulatório de proteção aos dados também foram debatidos na mesa-redonda para levar mais informação aos nossos associados. E um ponto bastante caro a todos nós chamou a atenção: a dificuldade que o Brasil tem de apoiar o empreendedorismo e a inovação. Em tempos de crise, as barreiras aumentam. Aliás, como sobreviver à crise remeteu-nos a outra reportagem especial: ajudar os provedores a entenderem que o planejamento é crucial para manterem suas atividades. Ante tantas incertezas econômicas e políticas, os empresários precisam saber administrar muito bem os seus negócios, de modo a não correr riscos desnecessários, e primar pela saúde financeira de suas empresas. A reportagem faz uma alerta importante: cuidado ao cortar custos. Dispensar bons profissionais pode ter um efeito negativo mais à frente. A dificuldade para obter acesso ao crédito tem sido uma reclamação de provedores de Internet que buscam linhas de financiamento ou empréstimos. A captação de recursos junto aos bancos, normalmente, vem acompanhada de juros altos, e a cobrança de contrapartidas, em alguns casos, inviabiliza a transação. Recorrer aos financiamentos está longe de ser uma opção ruim. Mas aqui, de novo, planejamento desponta como a palavra de ordem. Comparar as ofertas e montar um plano de pagamento são ações imprescindíveis para evitar riscos financeiros. A Revista Abranet 17 apresenta ainda uma entrevista com uma das maiores especialistas em dados pessoais do mundo. A diretora do Centro de Pesquisas sobre Proteção de Dados da Universidade de Frankfurt, Indra Spiecker, esteve no Brasil no começo de junho e deixou um recado: a proteção de dados passa pela conscientização das pessoas. E na era dos ataques massivos na Internet, estruturar uma política de segurança é essencial. A sua já está inserida no dia a dia dos negócios? Uma ótima leitura! abranet.org.br julho / agosto . 2016

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Índice 05 | aBranet reSponde A migração para a nova versão do protocolo Internet, o IPv6, está em curso, o que tem gerado algumas dúvidas por parte de provedores de Internet. A Abranet procurou a Agência para responder às questões.

conselho eDItorIal eduardo parajo parajo@abranet.org.br

José Janone Junior janone.jr@abranet.org.br

eduardo neger

neger@abranet.org.br

especial

coMo

06 | geStão

sobreViVer À

Empresários devem focar no planejamento e ficar atentos às estratégias de longo prazo para atravessar o atual momento econômico e político do Brasil.

crise

GerêncIa eXecutIVa Roseli Ruiz vazquez gerente@abranet.org.br

Projeto, ProDuÇÃo e eDIÇÃo

editora convergência digital editora@convergenciadigital.com.br Tel: 011-3045-3481 DIreÇÃo eDItorIal

Ana paula lobo

14 | capa Com o mote “A Internet que temos é a que queremos?”, a Associação Brasileira de Internet (Abranet) reuniu para um debate os membros do Comitê Gestor da Internet (CGI.br) demi Getschko, presidente do NIC.br, flávia lefèvre Guimarães, conselheira da Proteste e eduardo parajo, presidente da Abranet, além dos diretores da associação eduardo neger e José Janone Júnior.

A Internet possível

analobo@convergenciadigital.com.br

luiz Queiroz

queiroz@convergenciadigital.com.br eDItora-cheFe

Ana paula lobo

analobo@convergenciadigital.com.br eDIÇÃo

Bia Alvim

bia.alvim@pebcomunicacao.com rePortaGem / reDaÇÃo

20 | tecnologia Ataques de negação de serviço estão entre os mais comuns enfrentados pelos provedores de Internet, mas não são os únicos. Cabe aos ISPs adotar uma série de boas práticas para evitar vulnerabilidades na rede.

24 | entreviSta

Roberta prescott

prescottroberta@gmail.com eDIÇÃo De arte e DIaGramaÇÃo

pedro costa

pedro@convergenciadigital.com.br ImPressÃo

Gráfica pigma

Conversamos com a pesquisadora indra spiecker sobre a instituição, pela União Europeia, de uma lei de proteção de dados válida para todos os estados-membros.

28 | coneXão Coca-Cola e Internet na Amazônia. O fim do papel nos pedidos de outorga de SCM. Consumidores de banda larga estão cada vez mais insatisfeitos com suas operadoras. TV paga: setor resiste à crise. Estudo Cisco Visual Networking Index (VNI) revela dados da Internet no Brasil e no mundo.

30 | opinião . laurent delache liderança que impacta positivamente. O poder está com quem sabe conduzir uma boa conversa e não mais centrado em uma só pessoa. É a fase da gestão compartilhada, do trabalho colaborativo, participativo, da troca constante de ideias.

Rua da Quitanda, 96 / Cj.31 - Centro - São Paulo / SP CEP: 01012-010 Fone: (11) 3078-3866 www.abranet.org.br facebook.com/abranetoficial Linkedin.com/abranet @abranet_brasil Youtube.com/AbranetBrasil

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aBranet reSponde tem uma dúvida? Quer que um especialista da associação Brasileira de internet responda? escreva para o abranet responde. o e-mail é abranetresponde@abranet.org.br

CertiFiCaÇÃo Para aPareLHoS Wi-Fi e iPV6 A migração para a nova versão do protocolo Internet, o IPv6, está em curso, o que tem gerado algumas dúvidas por parte de provedores de Internet. Um deles enviou perguntas para a seção abranet responde acerca de Wi-Fi e IPv6 no processo de certificação junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A Abranet procurou a Agência para responder às questões. A Anatel tem exigido o suporte a IPv6 em aparelhos que não sejam de infraestrutura, como smartphones e tablets. Esta exigência se estende a qualquer aparelho com conectividade de rede ou apenas àqueles com conectividade a redes de telefonia celular? anatel: Os requisitos publicados no site da Agência são aplicados, atualmente, aos seguintes produtos: produtos para telecomunicações com interface DOCSIS e função de roteamento, equipamentos com função de terminal com interface aérea destinada aos serviços móveis (produtos classificados como telefone móvel celular ou estação terminal de acesso – ETA), produtos com função de terminal com interface destinada aos serviços fixos, abrangendo as interfaces xDSL ou xPON e classificados na Categoria I de produtos para telecomunicações. Qual é a aplicabilidade dessa exigência para aparelhos voltados para a Internet das Coisas? Na minha interpretação, que é baseada nos exemplos dados pela própria instituição, dificilmente um aparelho desta linha se encaixa nas descrições da Categoria I. anatel: Esses produtos podem sim ser classificados na Categoria I. Dependerá de sua aplicação e interface. Quais são as aplicabilidades da exigência do IPv6 no caso de o medidor ser autossuficiente, na medida em que ele próprio pode enviar os dados das medições através de uma rede Wi-Fi para um smart-

phone na própria rede do usuário? E no caso do medidor também se comunicar com um servidor na Internet para enviar os dados de medição, igualmente através de uma rede Wi-Fi? anatel: Em ambas situações, caso o produto só possua interface Wi-Fi, a aplicação do IPv6, atualmente, não é necessária, conforme aplicabilidade dos requisitos descritos anteriormente. E no caso de o medidor não possuir Wi-Fi e ser dependente de um segundo aparelho que servirá de gateway para vários sensores, exclusivamente, e enviará os dados para um smartphone ou servidor na internet através de uma rede Wi-Fi? A comunicação entre os sensores e o gateway não acontece via Wi-Fi? anatel: Caso o produto só possua interface que se enquadre nas definições de radiocomunicação de radiação restrita, a aplicação do IPv6, atualmente, não é necessária, conforme aplicabilidade dos requisitos descritos anteriormente. E se o sensor possui Wi-Fi e por isto pode comunicar-se com outros dispositivos locais ou com algum servidor na Internet? anatel: Caso o produto só possua interface Wi-Fi ou interface que se enquadre nas definições de radiocomunicação de radiação restrita, a aplicação do IPv6, atualmente, não é necessária. Nos exemplos acima, no meu entendimento, nenhum produto discutido é obrigado a ter suporte ao IPv6. É isto? anatel: Considerando-se que o produto não possua nenhuma interface passível de avaliação quanto ao suporte do protocolo IPv6, a interpretação está correta. O que a expressão “host com interface fixa” qualifica exatamente? anatel: São produtos com função de terminal com interface destinada aos serviços fixos, abrangendo as interfaces xDSL ou xPON e classificados na Categoria I de produtos para telecomunicações. Como os produtos citados poderiam ser qualificados? Quais padrões RFC poderiam ser aplicados a eles? anatel: Considerando-se os cenários apontados e que os produtos não possuam nenhuma interface passível de avaliação quanto ao suporte do protocolo IPv6, atualmente, não é necessária a avaliação quanto ao protocolo IPv6. abranet.org.br julho / agosto . 2016

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geStĂŁo

Roberta Prescott

especial

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sobreViVer À

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crise

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Empresários devem focar no planejamento e ficar atentos às estratégias de longo prazo para atravessar o atual momento econômico e político do Brasil

ineRenTes À economiA de QuAlQueR pAís, momentos de crise tendem a ser períodos bastante desafiadores para as empresas, principalmente, as de menor porte. Em 2015, especialistas em macroeconomia e em política apontavam que o ano de 2016 não seria fácil, mas acreditavam em uma lenta retomada do crescimento do Brasil. O que se viu, no entanto, foi uma reviravolta na política, com a abertura do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff, aprovada em maio pelo Senado, travando ainda mais a economia do País. Diante de tantas incertezas econômicas e políticas, os empresários precisam saber administrar muito bem os seus negócios, de modo a não correr riscos desnecessários, e primar pela saúde financeira de suas empresas. Para especialistas em administração, não resta dúvida que a palavra de ordem é planejamento. Planejar em situações de retração econômica requer

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uma análise cuidadosa do perfil de cada cliente para saber quem compra de você e por que compra; entender qual é o seu grande diferencial, ou seja, por que seu cliente escolhe você e não o concorrente e, a partir destas descobertas, traçar estratégias para aumentar a criação de valor do seu produto ou serviço. Além disto, levantar quem são os concorrentes, quão competitiva sua empresa é em relação a eles e se está, ou não, defasada tecnologicamente ajuda a fazer análises mais assertivas. “Fazer planejamento é o exercício de pensar alternativas para diversas situações. Planejar é importante, nem que se tenha de mudar os planos depois. Também é preciso revisar o planejado constantemente e refletir todo santo dia a respeito do futuro da empresa”, aponta Vivaldo José Breternitz, coordenador da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Mackenzie. Para ele, o ideal é revisar o plano a cada trimestre com o objetivo de repensar o que for necessário e tentar prever o que pode vir pela frente para traçar alternativas. “Dentro do processo de planejamento, por que não aprender com empresas do mesmo setor, mas de outra área de atuação, para saber o que estão fazendo?”, indica

Breternitz, sugerindo que os empresários usem sua rede de relacionamento para, conhecendo como outras empresas trabalham, identificar oportunidades de melhorias. Docente dos cursos de administração e ciências contábeis da Faculdade Anhanguera de São Paulo, Ananias Prudente Ramos orienta focar, principalmente, na eficiência das operações, buscando equalizar quaisquer impactos negativos da macroeconomia. “Uma alternativa é buscar a fidelização dos clientes, oferecendo serviços adicionais que não gerem aumento nos custos operacionais”, diz. Como premissa chave do empreendedorismo, acrescenta Ramos, o empresário tem de aplicar soluções inovadoras e criativas de forma a fidelizar seu cliente, mantendo uma postura protagonista à frente do negócio e sem desanimar com as turbulências.

cuIDaDo ao cortar custo Para muitos empresários, na crise, quando as margens ficam mais apertadas, é chegada a hora de cortar curtos. Mas é preciso ter cuidado, alertam os estudiosos. Nem todos os cortes

Pensar no longo prazo Atravessar uma crise é um desafio para todas as empresas, ainda mais se existe um grau elevado de incertezas. “Um momento de choque na economia faz todos se restringirem, mas também é quando se consegue plantar para colher depois. São ciclos, uma hora melhora. O importante é não paralisar e não abrir espaço para concorrentes”, reforça José Sarkis Arakelian, professor de estratégia da Faculdade de Administração da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Parte da lição de casa dos empresários para gerenciar a crise está em não se afastar do mercado de atuação. Pelo contrário, deve-se ficar muito atento às tendências tanto tecnológicas quanto de ofertas comerciais para não perder o foco na criação de valor para o consumidor. Para empresas que trabalham provendo serviços baseados na Internet, a falta de manutenção é sempre prejudicial. Não se pode correr o risco de ficar obsoleto, mas investir em momentos de retração econômica requer muito planejamento. Os provedores de Internet precisam fazer uma análise criteriosa da atual situação de sua infraestrutura e avaliar a real capacidade dela de atender às demandas do mercado no curto e médio

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são vantajosos no longo prazo. Antes de tudo, o empresário deve ter muito claro quais são os custos fixos e variáveis e se são, de fato, essenciais para o negócio. “Não é sair cortando; tem de ter muito critério, porque, às vezes, as pessoas cortam coisas fundamentais para o negócio funcionar e com isto perde-se a criação de valor e é gerada dificuldade no longo prazo”, afirma José Sarkis Arakelian, professor de estratégia da Faculdade de Administração da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). O corte de despesa com pessoal também deve ser muito bem avaliado para não se dispensar profissionais que sejam vitais ao negócio, ainda mais em um setor no qual mão de obra especializada e competente é um ativo importante – e não muito abundante. “Cuidado também com cortes em marketing, pois podem trazer um alívio momentâneo, mas acabarem em problemas, como a empresa ser esquecida pelos clientes”, lembra Breternitz, da Universidade Mackenzie. Os momentos de retração econômica são ideais para renegociar contratos com fornecedores e readequá-los à nova realidade. Com a crise, os preços dos aluguéis

“Fazer planejamento é o exercício de pensar alternativas para diversas situações. Planejar é importante, nem que se tenha de mudar os planos depois.” VIValDo josÉ BreternItZ

coordenador da faculdade de computação e informÁtica da univerSidade macKenZie

prazos para, então, tomar a decisão de fazer ou não investimentos. Um passo errado pode colocar a saúde financeira da empresa em risco. Vivaldo José Breternitz, coordenador da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Mackenzie, acredita que as empresas devem optar pelo conservadorismo na hora de investir, reduzindo a quantia ao necessário para impedir uma queda na qualidade do serviço, sem comprometer o caixa. Para ele, não vale a pena fazer grandes melhorias em tempo de crise, porque se corre o risco de perder clientes e não ter o retorno sobre o investimento no tempo estimado. “Em função de uma situação como esta, a primeira coisa é manter uma postura conservadora. Isto contradiz o que muita gente fala, que em momento de crise tem de ser ousado. Mas, dada a magnitude da crise, o risco é desproporcional”, diz. Planejamento e controle são palavras de ordem diante de uma crise econômica e política. Deixar de acompanhar ou não conhecer o cenário é um equívoco, pois o empreendedor fica propenso a realizar ações erradas. “Estamos em um governo novo que não sabemos quanto tempo vai durar ou quem será o próximo, que poderá ter ideias diferentes quanto a marcos regulatórios, câmbio ou regras tributárias”, diz Breternitz.

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também caem, o que pode ser uma oportunidade para reduzir custo. Além disto, o cenário é oportuno para os líderes das empresas repensarem modelos de operação, reavaliando, por exemplo, as terceirizações para entender o que vale a pena fazer dentro de casa e o que é melhor terceirizar. “É necessário olhar para o negócio, tendo em vista que o momento anterior a esta crise foi de expansão, quando se deixa as coisas fluírem sem muita preocupação com as extravagâncias. Agora é hora de refazer todo o planejamento e checar os custos”, diz Arakelian, da Faap. Para ele, quando as empresas estão crescendo, elas se permitem de alguma maneira uma rigidez menor, o que não funciona em momentos de retração. Uma das consequências da crise é o chamado efeito dominó, que atinge todos os segmentos e ramos de atividade. Manter a saúde da empresa torna-se muito difícil para qualquer empresário. “Para conseguir um caixa saudável, o empreendedor precisa ter controles que possam fornecer dados precisos da sua operação, ou seja, que possibilitem visualizar a perspectiva real da sua atividade econômica. Reduzir gastos, controlar as despesas e o fluxo de caixa são tarefas que requerem planejamento e acompanhamento minucioso. Importante também definir as metas de vendas e criar estratégias de crescimento e, caso sobre dinheiro, usar o extra para investir, poupar ou, ainda, destinar para o capital de giro”, sugere o coordenador do curso de administração da Faculdade Anhanguera de Osasco, Paulo César Galetto. Galetto incentiva as empresas a preparar ações de contingência de caixa, ou seja, realizar uma promoção ou dar desconto para vendas à vista; a fazer planos e colocar no papel todo tipo de estratégia para atrair mais clientes; a conhecer com bastante propriedade os processos de compra, custos, recebimentos futuros e contas a pagar e não realizar investimentos exagerados; a saber como fazer um fluxo de caixa projetado e comparar com o realizado. “Este procedimento visa a avaliar se as metas são atingidas conforme a realidade da empresa e a ajustá-las quando necessário.” Manter o fluxo de caixa em níveis operacionais, sem a necessidade de buscar financiamento com terceiros, fica ainda mais desafiador quando cresce a inadimplência. “A melhor maneira de lidar com clientes inadim-

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“Não é sair cortando; tem de ter muito critério, porque, às vezes, as pessoas cortam coisas fundamentais para o negócio funcionar.” josÉ sarKIs araKelIan

profeSSor de eStratÉgia da faculdade de adminiStração da fundação armando alvareS penteado (faap)

plentes é buscando uma renegociação da dívida, e somente em último caso por meio das vias judiciais, o que no final não vai ser bom para ninguém, pois o processo é muito lento,” diz Ramos, da Faculdade Anhanguera. Como, então, se proteger de calotes e ao mesmo tempo manter o caixa saudável? Para Galetto, uma alternativa é inserir cláusulas no contrato que contenham a previsão de multas, juros e demais garantias de recebimento pelos serviços prestados. Solicitar a apresentação de documentos, comprovante de residência e todas as informações relevantes para fazer um cadastro o mais fiel possível para ser usado se necessário é outra boa prática. “Precisamos entender que venda a prazo não é sinal de garantia de recebimento, então, a empresa deve fazer uma análise de crédito do cliente em órgãos específicos de proteção ao crédito, como Serasa. Optar pelas vendas no cartão de crédito, meio mais seguro, é outra opção. E, dependendo da estrutura da empresa, ter um setor de cobrança para negociar com devedores”, completa Galetto.

divulgação


FÔleGo Para

crescer A diFiculdAde para obter acesso ao crédito tem sido uma reclamação de provedores de Internet que buscam linhas de financiamento ou empréstimos. A captação de recursos junto aos bancos, normalmente, vem acompanhada de juros altos, e a cobrança de contrapartidas, em alguns casos, inviabiliza a transação. Comparar os diferentes produtos oferecidos, atentando para as taxas e as condições de pagamento, é a primeira lição de casa que os empresários precisam fazer. Ao contratar empréstimos ou financiamentos, as empresas devem ficar atentas às variadas soluções de crédito e analisá-las com cautela (leia dicas no quadro ao lado). Conforme aponta Eduardo Sene, consultor financeiro do Sebrae-SP, às vezes, o produto ofertado não é o mais adequado para uma determinada necessidade ou também não é o mais barato, como, por exemplo, contratar um empréstimo de curto prazo para uso em investimento e modernização sendo que há linhas de financiamento com custos bem menores para esse fim. Entender que os conceitos de financiamento e empréstimo são diferentes também faz parte do aprendizado do empresário. O consultor financeiro do Sebrae-SP explica que, no financiamento, o dinheiro destina-se a uma finalidade específica, como a aquisição de um veí-

Obter linhas de financiamento ou empréstimos faz parte da rotina dos empreendedores, mas é preciso comparar as ofertas de mercado e planejar o pagamento para não correr riscos financeiros

fique de olho O empresário deve estar ciente e familiarizado com os seguintes aspectos e, se possível, compará-los em agentes financeiros diferentes: • prazo do empréstimo ou financiamento: o número de parcelas e o prazo para liquidar a operação de crédito • taxa de juros: se a taxa é pré-fixada, ou seja, definida e, assim, fica conhecido o valor das parcelas até o final ou se é pós-fixada, que somente é conhecida no momento do pagamento • custo efetivo da operação: é a soma das taxas de juros, encargos que incidem sobre a operação, tais como o IOF, tarifas bancárias, comissões, impostos, seguros etc. • Garantias: que podem ser reais, como veículos, equipamentos e imóveis, ou fidejussórias, como aval. Normalmente, o valor exigido da garantia supera o montante da operação de crédito • contrapartida: em projetos de investimento, o empresário deverá aportar uma parte com recursos próprios. Por exemplo, 80% dos recursos serão financiados e 20% de recursos virão da própria empresa • valor principal: é o valor que o tomador recebe efetivamente, já que este é diferente e menor do que a soma das parcelas a pagar decorrente de juros e encargos Fonte: Sebrae-SP

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culo ou um equipamento. No empréstimo, o tomador tem liberdade para utilizar o dinheiro de acordo com a sua conveniência. “As empresas podem recorrer a empréstimos para capital de giro a fim de financiar suas atividades de curto prazo, o que envolve o pagamento de fornecedores e funcionários, compra de insumos, a fabricação de produtos e a formação de estoques, e buscar linhas de financiamento para investimentos fixos, os quais compreendem a aquisição de máquinas, equipamentos, veículos, computadores e ampliação do negócio”, diz Sene. Ainda que o mais comum seja buscar financiamentos junto às instituições financeiras, como bancos comerciais, cooperativas e financeiras, há outras opções dependendo da necessidade ou do projeto do empresário. O consultor do Sebrae-SP elenca, entre as opções, o uso de capital próprio ou de familiares, a entrada de sócios investidores, de aceleradoras ou de investidores-anjo, subvenções para projetos de tecnologia e outras fontes como bancos de desenvolvimento e fomento como o BNDES e o Desenvolve SP. “Estes dispõem de soluções de crédito de longo prazo específicas para os setores econômicos de comércio, serviços, indústria, infraestrutura, agronegócio, social etc., com taxas mais atrativas”, afirma Sene. A chefe do departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Irecê Kauss, diz que o banco possui opções adequadas a todos os portes de empresa do setor de provedores regionais de telecomunicações e que há linhas de financiamento para expansão de

“O BNDES acredita que os provedores regionais fazem parte de um movimento que é importantíssimo para a expansão da banda larga no Brasil.” Irecê Kauss chefe do departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação do BNDES

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rede, compra de equipamentos e para capital de giro. “O BNDES pode apoiar a expansão das redes das empresas de menor porte por meio do cartão BNDES, que financia uma série de produtos como fibra ótica, computadores e equipamentos de rede. Além dele, os provedores regionais de menor porte também podem recorrer ao BNDES Automático e existe linha para capital de giro, a Progeren”, explica. O BNDES considera micro a empresa com faturamento anual de até R$ 2,4 milhões; pequena, com faturamento entre R$ 2,5 milhões e R$ 16 milhões; média, entre R$ 16 milhões e R$ 90 milhões; média-grande, entre R$ 90 milhões e R$ 300 milhões; e grande, com faturamento anual acima dos R$ 300 milhões. Para todos os casos, o interessado deve procurar um agente financeiro creditado pelo BNDES, que faz a ponte com o banco público. Entre os bancos emissores do cartão BNDES estão as grandes instituições, como Banco do Brasil, Santander e Itaú. Os bancos são responsáveis por fazer a análise de crédito e acertar o limite de crédito. A executiva reconhece que o grande desafio para atender aos provedores de Internet é o fato de eles apresentarem demandas muito pulverizadas, mas sublinha que o BNDES tem atendido a diversos provedores e, inclusive, registrou crescimento deste tipo de empresa. “Cinco anos atrás, o BNDES não tinha nenhuma operação direta com provedores regionais e hoje tem. Isto é um indicador, um sinal de que existe crescimento da atuação dos provedores regionais”, aponta. Para operar diretamente junto ao BNDES (e não por intermediação de agentes financeiros), a empresa precisa ter investimentos que superem R$ 20 milhões. As tomadas de crédito junto ao BNDES têm carência atrelada ao período do investimento e há uma variação de seis meses até dois anos para o início do pagamento das prestações, que devem ser quitadas, na média, entre dois e cinco anos. “A lógica é deixar a empresa ganhar fôlego e ter as redes funcionando.” Para fazer investimentos de forma segura, Irecê Kauss aconselha os provedores a planejarem a expansão de rede com base no conhecimento que têm do mercado e em pesquisas. “O BNDES acredita que os provedores regionais fazem parte de um movimento que é importantíssimo para a expansão da banda larga no


na prateleira Conheça as opções do BNDES para micro, pequenas e médias empresas. cartão bndes Tem crédito pré-aprovado e cobra uma taxa fixa cujo valor varia de acordo com o contrato assinado – em maio, estava em 1,22% ao mês. bndes automático Linha de financiamento para investimentos em implantação, ampliação, recuperação e modernização de ativos fixos, bem como projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Os projetos precisam ter valores de financiamento inferiores ou iguais a R$ 20 milhões. Taxa de juros anual é de 9,1% para micro até média empresa. bndes finame Financiamento, por intermédio de instituições financeiras credenciadas, para produção e aquisição de máquinas, equipamentos e bens de informática e automação novos, de fabricação nacional e credenciados no BNDES. bndes progeren Programa de apoio ao fortalecimento da capacidade de geração de emprego e renda que tem como objetivo aumentar a produção, o emprego e a massa salarial, por meio do apoio financeiro para capital de giro. Para micro, pequena e média empresa, a taxa de juros está na casa dos 15% ao ano, mais remuneração do agente financeiro. Fonte: BNDES

Brasil; serão eles que levarão o acesso à Internet a localidades mais remotas ou mal atendidas pelas operadoras de massa”, reforça a executiva.

caPItal PrÓPrIo Em alguns casos, pode ser melhor optar por recurso próprio em vez de recorrer a empréstimos. A tomada de decisão depende de uma avaliação criteriosa para se certificar de que os controles do negócio são disciplinados e analisar quais são as razões do aperto financeiro – elas podem ser tão diversas quanto o descasamento entre o prazo de pagamento dos fornecedores e o de recebimento dos clientes, preços de venda inadequados e despesas operacionais elevadas. “O empresário deve evitar sempre que possível buscar recursos junto às instituições financeiras”, indica Eduardo Sene, do Sebrae-SP. No caso de investimentos, Sene recomenda elaborar um projeto contendo projeções, cronogramas, análises dos custos efetivos, das garantias necessárias, da capacidade de pagamento e do ponto de equilíbrio financeiro que a empresa precisará atingir, além dos resultados a serem alcançados e dos retornos esperados. Muitas vezes, este tipo de projeto é exigido pelo financiador. “É obvio que os recursos vindos por meio de financiamentos permitem a implementação e a obtenção do resulta-

do em tempo mais curto do que quando se usam os próprios recursos, mas há o ônus dos custos do financiamento, e o empresário se vê obrigado a gerar faturamento e resultados suficientes para pagar as parcelas assumidas”, diz Sene. Já com capital próprio, financiando o projeto com uma reserva financeira e/ou parte do lucro, os custos de financiamentos não existem, porém, o horizonte de tempo da execução e dos resultados será delimitado pela disponibilidade deste capital. “Assim, as opções de recursos próprios ou financiamentos dependerão de alguns fatores como a disponibilidade de recursos, o tempo em que se deseja executar, a disposição ao risco, os custos financeiros e a necessidade de um equilíbrio financeiro, entre outros.” Antes de recorrer a empréstimos ou financiamentos, é importante que o empresário faça um planejamento para avaliar o impacto da prestação em suas contas mensais. Para Sene, deve-se refletir sobre quanto as despesas aumentarão com o pagamento das parcelas; qual será a necessidade de faturamento e lucro para honrar a dívida assumida; e como se comportará o fluxo de caixa do negócio pelo período correspondente ao prazo da dívida, estimando as entradas (recebimento das vendas) e as saídas (pagamento de fornecedores, funcionários, aluguel, impostos etc.). Somente assim será possível estar ciente de que o financiamento poderá ser pago sem problemas. abranet.org.br julho / agosto . 2016

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capa

Ana Paula Lobo / Roberta Prescott

José Janone Júnior

Eduardo Neger

A Internet que temos atualmente no Brasil é a que podemos ter, diante das deficiências de infraestrutura e dos desafios para expandir o alcance da rede. Ainda que volta e meia queiram mudá-la, a Internet de hoje é bastante aberta, livre e conta com uma base institucional importante para protegê-la, o Marco Civil da Internet. Com o mote “A Internet que temos é a que queremos?”, a Associação Brasileira de Internet (Abranet) reuniu para um debate os membros do Comitê Gestor da Internet (CGI.br) demi Getschko, presidente do NIC.br, flávia lefèvre Guimarães, conselheira da Proteste e eduardo parajo, presidente da Abranet, além dos diretores da associação eduardo neger e José Janone Júnior.

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fotos: vitor mazon


Demi Getschko

Flávia Lefèvre Guimarães

Eduardo Parajo

A Internet

possível

Em seus pouco mais de 20 anos, a Internet comercial consolidou-se e propagou-se pelo País. Cidadãos de todas as regiões são internautas. Mas enormes desafios ainda emperram o aumento do alcance da rede mundial dos computadores e, onde não falta infraestrutura, é preciso melhorar a qualidade e a velocidade de conexão. Entre esses desafios, o de levar a infraestrutura ao maior número possível de residências, visando diminuir a desigualdade social no acesso. Outra questão está na maneira como se acessa a Internet, uma vez que dificilmente um internauta fará uso pleno diante das franquias restritas de dados das operadoras móveis. “Há, certamente, um enorme mercado potencial e uma briga para rentabilizar. E isto pode prejudicar a expansão”, pontuou Eduardo Parajo, da Abranet, ressaltando que entre pequenos e médios provedores regionais existe uma vontade grande de investir, mas eles enfrentam limitações evidentes. A Internet é, sem sombra de dúvida, um território fértil para empreendimentos e inovação. “Seja pelas barreiras tributárias ou pelas dificuldades para novos negócios, a gente nota que boa

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“Muito da Internet evoluiu por conta dos provedores. Foram eles que desbravaram o Brasil e elevaram a qualidade de serviço.”

parte das empresas nascentes tem a Internet como meio de sustentação”, disse Eduardo Neger, da Abranet. “A barreira de entrada na Internet para novos negócios é muito menor. Os velhos negócios vão sempre espernear, porque estão saindo da zona de conforto”, afirmou Demi josÉ janone jÚnIor Getschko, do NIC.br. “A arte é saber como tirar proveito das novas soluções e do novo amPara ela, as grandes empresas de telecomunicações que biente. O brasileiro devia aproveitar”, completou. Do papel dos provedores à polêmica da dupla função –, têm acesso ao backbone poderiam estar compartilhando a isto é, implantação de infraestrutura (serviços de telecomu- capacidade de forma mais profunda. A especialista defennicação) e provimento de conectividade (SVA) –, passando deu que o Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) pelos gargalos para a expansão das redes de telecomunica- não surtiu efeito para os entrantes. “E a agência reguladoções, os efeitos do Marco Civil da Internet, a guarda dos da- ra não leva as regras às últimas consequências.” dos pessoais dos usuários e a franquia da banda larga, muito foi discutido pelos especialistas na mesa-redonda. A Revis- necessidade da separação das atividades Os provedores de serviços de Internet, normalmenta Abranet destaca os principais momentos do debate. te, exercem dupla função – implantar infraestrutura (serviços de telecomunicações) e prover conectividade papel do provedor Os provedores de acesso e conectividade à Internet à Internet (SVA) –, e esta dicotomia tem provocado dor (ISPs, na sigla em inglês) exerceram um papel crítico no de cabeça em muitos empreendedores na hora de fazer desenvolvimento da Internet pelo País. “Muito da Internet a contabilidade. Isto porque o que cabe à infraestrutura evoluiu por conta dos provedores. Foram eles que desbra- (serviço de telecomunicação) está sujeito à Lei de Televaram o Brasil e elevaram a qualidade de serviço”, ressal- comunicações, e o mesmo não se aplica ao provimento de conectividade à Internet (SVA). Para Demi Getschko, tou José Janone Júnior, da Abranet. Ainda hoje, os ISPs têm a função estratégica de fazer do NIC.br, a confusão é crítica e está ligada à criação da a rede mundial chegar a lugares distantes e muitas vezes figura do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) na deixados de lado pelas grandes operadoras de telecomuni- área de telecomunicações. “Nós criticamos a criação do SCM em 2001 e a revicações. Nesse sentido, Flávia Lefèvre Guimarães, da Proteste, lamentou que o novo papel da Telebras, anunciado são em 2014. Quando eles conceituaram os serviços, inpor ocasião do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), seriram o provimento de Internet, que é uma discussão no de atuar como parceira dos provedores para facilitar in- âmbito do CGI. Até que ponto telecomunicações e Internet podem se misturar? Até que ponto telecom vai engolir vestimentos, não tenha dados frutos. “A Telebras, de natureza pública, poderia responder à o que chamamos de Internet?”, enfatizou Flávia Lefèvre demanda dos lugares que não interessam às grandes em- Guimarães, da Proteste. Segundo Demi Getschko, do NIC.br, continuam exispresas de telecomunicações, e esta parceria não aconteceu como se esperava. A rede da Telebras usa as redes de tindo as camadas de telecom e Internet e há políticas pútransmissão de energia, mas a capilaridade dela não é tão blicas para impedir a conceituação. Além disto, a Norma 4 do Ministério das Comunicações, de 1995, diz que progrande”, destacou Flavia.

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“A barreira de entrada na Internet para novos negócios é muito menor. Os velhos negócios vão sempre espernear, porque estão saindo da zona de conforto. A arte é saber como tirar proveito das novas soluções e do novo ambiente.” Demi Getschko

vimento de acesso/conectividade à Internet é serviço de valor adicionado e a Lei Geral de Telecomunicações, instituída em 1997, distingue o que é serviços de telecom do que é serviços de Internet. Para Eduardo Parajo, a confusão entre as camadas é premeditada, e ele lembrou que “a jurisprudência deixa cristalino que Internet não é telecomunicações, mas sim um serviço adicionado e, por isto, sobre ela não incide ICMS.”

Gargalos para a expansão de infraestrutura A expansão das redes (serviços de telecomunicação) é um dos maiores desafios para o aumento do provimento do serviço de banda larga no País. Seria o compartilhamento das redes uma alternativa? Flávia Lefèvre, da Proteste, apontou que a discussão sobre os bens reversíveis, que está em voga em decorrência do fim de contratos de concessão em 2025, deveria incluir as redes de acesso e acrescentou que o regulador deveria impor de forma mais incisiva o compartilhamento para que não houvesse investimento duplicado. “A LGT tem a lógica da obrigação de interconexão a custo baixo, de compartilhamento. Então, por que os provedores precisam fazer investimentos em rede?”, questionou. Demi Getschko, do NIC.br, acredita que isto é um reflexo da movimentação do mercado. “Quando as operadoras de telecomunicação sobem para o provimento – e não entregam a infraestrutura –, os provedores acabam se posicionando também na área delas, ou seja, passam a fazer infraestrutura”, sinalizou. “As teles entraram no nosso negócio e houve uma ruptura, porque quem estava embaixo queria subir para a camada de

cima na ânsia de atender completamente o cliente”, arrematou Eduardo Parajo, da Abranet. Compartilhar a infraestrutura ainda pode ser um objetivo distante na medida em que as empresas tendem a refutar a ideia, mas existe a expectativa que o mercado amadureça neste sentido. Até lá, a necessidade por infraestrutura está levando os provedores a implantarem redes fazendo investimentos com capital próprio. “A assimetria regulatória preocupa. Como aplicar SCM da mesma forma em grandes operadoras e nos pequenos?”, questionou Parajo. “É preciso ter um modelo diferente do SCM; de licenças mais simples, como o SLE [Serviço Limitado Especial]”, completou. O ponto é que, na cadeia de valor da Internet casada com as telecomunicações, o conteúdo passou a ter mais valor, gerando mais retorno. Contudo, conforme Flávia Lefèvre pontuou, falta uma revisão do ambiente regulatório levando-se em consideração que a dona de infraestrutura também quer participar de conteúdo. “Mas a atuação regulatória não deve transformar a Internet em telecomunicações, colocando provedor de conexão e acesso igual ao de telecomunicações. Isto só vai piorar.”

Marco Civil da Internet sob aprovação Sancionada em 2014, a lei que criou o Marco Civil da Internet ainda passa por aceitação e aprovações – e diversos projetos de lei colocam em risco ganhos importantes que a sociedade obteve com a sua promulgação. As tentativas de mudança fazem parte do processo, defendeu Flávia Lefèvre, da Proteste, que classificou o Marco Civil da Internet como uma lei inovadora não apenas para o Brasil, mas também no cenário internacional. “A disputa abranet.org.br julho / agosto . 2016

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“Não podemos perder a esperança, porque haverá a retomada. E precisamos lembrar que a Internet é cada vez mais fundamental na vida das pessoas. Ainda há bastante espaço para crescer e tem muito mercado para criar na Internet.” eDuarDo Parajo

continua. Foi assim com o Código de Defesa do Consumidor, que demorou anos até ser aplicado pelo próprio Poder Judiciário”, lembrou. O decreto de regulamentação, assinado pela presidente Dilma Rousseff antes de ela ser afastada do cargo, foi considerado uma vitória importante pelos participantes da mesa-redonda. Por trás das demandas dos recentes projetos de lei, há interesses diversos e difusos. Existe, por exemplo, o lobby dos produtores nas propostas oriundas da CPI do Crime Cibernético. “Eles queriam impor a obrigatoriedade de os provedores ficarem monitorando conteúdos idênticos. O custo deste monitoramento é absurdo”, exemplificou. Para Demi Getschko, do NIC.br, o Marco Civil protege da insegurança jurídica. No debate, ele citou – sem entrar no mérito do caso da proibição judicial do WhatsApp – que

uma empresa do porte do Facebook, dono da OTT, sobrevive a uma ação desse tipo. Mas, certamente, um pequeno provedor veria seu negócio ‘morrer’. “Quem tem a infraestrutura não pode ser punido. A solução justa é procurar o verdadeiro responsável. Os grandes aguentam o rojão, mas os provedores pequenos seriam detonados”, sustentou.

dados pessoais

A proteção dos dados pessoais teve um ganho com o Marco Civil da Internet, que criou barreiras para impedir a invasão de privacidade, colocando regras como não associar o IP ao dado pessoal e fazendo a distinção entre dados pessoais e dados sigilosos. Mesmo assim, os especialistas reconheceram que este ambiente ainda está confuso e que discussões sobre o tema precisam ser ampliadas. Um dos exemplos debatidos foi a possibilidade de o governo, por meio de suas farmácias, recolher dados e os negociá-los com os planos de saúde. Demi Getschko, do NIC.br, chamou atenção para o fato de existir um movimento no Congresso e no Judiciário de querer a exposição dos dados, na contramão da busca pela proteção dos dados sensíveis e da privacidade. Para conter o uso indiscriminado dos dados, seria fundamental a criação de uma agência FlÁVIa leFÈVre GuImarÃes fiscalizadora, argumentou Flá-

“Não adianta ter uma lei regulando a maneira como os dados podem ser utilizados e devem ser guardados, se não há uma entidade fiscalizadora.”

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“É possível ter Internet aberta e serviços dedicados na rede, com modelos de negócios diversos. O que é errado é mascarar com a franquia a falta de capacidade de rede. O modelo deve ser claro para o consumidor.” eDuarDo neGer

via Lefèvre, da Proteste. “Não adianta ter uma lei regulando a maneira como os dados podem ser utilizados e devem ser guardados, se não há uma entidade fiscalizadora”, disse ela. Ainda que a análise de dados seja benéfica, por exemplo, para identificar padrões de comportamento, José Janone Júnior defendeu que é preciso haver um balanço para que a privacidade não cerceie a evolução tecnológica. Para Eduardo Neger, da Abranet, o consentimento do usuário é fator crucial – e ele tem de ser expresso e claro.

a franquia da banda larGa O modelo de negócio que pressupõe uma franquia de dados na banda larga fixa voltou às manchetes recentemente, mas este tipo de contrato vem sendo usado há anos por provedores de Internet. No Brasil, não há leis que proíbam a franquia, mas o Marco Civil da Internet veda o bloqueio do serviço ao dizer que o acesso só pode ser interrompido se o consumidor estiver inadimplente. Já o Código de Defesa do Consumidor, lembra Flávia Lefèvre, da Proteste, estabelece que serviços essenciais têm de ser prestados de forma contínua e o Marco Civil expressa que a Internet é essencial para a cidadania. “Não sou contrário ao modelo de franquia. Deveria haver as duas opções de forma transparente, e os órgãos reguladores deveriam fiscalizar a qualidade do serviço ofertado. A livre concorrência vai dar opção ao cliente”, disse José Janone, da Abranet, lembrando que alguns provedores colocam o dispositivo da franquia nos contratos comerciais como proteção contra os heavy users, que não representam nem 5% do total. Para Eduardo Neger, da Abranet, é possível ter Internet aberta e serviços dedicados na rede, com modelos de

negócios diversos. Pode-se ter, por exemplo, serviço de vídeo no qual ou o usuário paga um valor mensal e tem acesso ilimitado ao acervo ou compra à la carte e vai assistir só aquilo. “O que é errado é mascarar com a franquia a falta de capacidade de rede. O modelo deve ser claro para o consumidor”, justificou. Já Demi Getschko, do NIC.br, lembrou que, ainda que os custos aumentem devido ao maior tráfego de dados, há soluções como redes de entrega de conteúdo (CDNs) e pontos de troca de tráfego que colocam o conteúdo perto da última milha e reduzem o uso da infraestrutura.

perspectivas Apesar das dificuldades do atual momento de crise política e econômica, Eduardo Parajo, da Abranet, ressaltou que o mercado de Internet continua se expandindo. No entanto, lembrou que os provedores de Internet precisam lidar com a inadimplência, que começa a aumentar. “Não podemos perder a esperança, porque haverá a retomada. E precisamos lembrar que a Internet é cada vez mais fundamental na vida das pessoas. Ainda há bastante espaço para crescer e tem muito mercado para criar na Internet.” Para Eduardo Neger, a crise traz desafios novos para empresas. “Eu vejo como uma oportunidade de desenvolvimento e de inovação da cadeia da Internet. Quando há restrição financeira, a primeira solução é a redução de custos, e a Internet é a ferramenta para isso.” Focar no planejamento e na gestão foi a mensagem deixada por José Janone Júnior, que também ressaltou que tanto a bonança quanto a crise têm prazo de validade. “O momento de estagnação vai passar e vamos esperar um 2017 melhor.” abranet.org.br julho / agosto . 2016

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tecnologia

Roberta Prescott

estÁ na Hora de

ProteGer a rede Ataques de negação de serviço estão entre os mais comuns enfrentados pelos provedores de Internet, mas não são os únicos. Cabe aos ISPs adotar uma série de boas práticas para evitar vulnerabilidades que coloquem a rede em risco

“esTAmos vivendo HoJe a era dos grandes ataques massivos.” A frase do professor dos cursos de graduação e MBA da Fiap Almir Meira Alves pode parecer exagerada, mas não é. Cada vez mais comuns, os ataques distribuídos de negação de serviço têm dado dor de cabeça aos gestores de rede. Isto porque qualquer rede, equipamento ou sistema acessível pela Internet pode ser alvo de DDoS (sigla em inglês para distributed denial of service) e também consegue gerar um ataque, caso seja invadido, esteja infectado ou mal configurado. O alcance do estrago pode ser enorme, chegando a derrubar o backbone. Sem o objetivo direto de invadir e nem de coletar informações, o ataque DDoS visa a exaurir recursos e causar indisponibilidades ao alvo. Embora as estatísticas do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT. br) apontem que houve uma queda nas notificações sobre computadores que participaram de ataques DDoS em 2015, o número ainda é muito significativo. Foram informados 25.360 incidentes em 2015, o que representa 89%

menos que os dados de 2014, ano que as notificações de DDoS chegaram a 223.935. Em 2015, as notificações de ataques a servidores Web destacaram-se com um aumento de 128% em relação a 2014. Os atacantes exploram vulnerabilidades em aplicações Web para, entre outras coisas, instalar ferramentas utilizadas em novos ataques DDoS, o que reforça a necessidade de adoção de boas práticas por todos os atores da Internet. Além dos DDoS, os ataques de ransomware também preocupam os gestores de rede, de acordo com o professor da Fiap, pois dão aos criminosos a possibilidade de bloquear o computador. Neste caso, existe uma motivação financeira, já que eles sequestram os dados para pedir resgate. “Há ainda os ataques mais comuns de malware de domínios e de trojans bancários”, acrescenta André Alves, conselheiro técnico da Trend Micro, lembrando que muitos ataques são articulados por grupos que atuam como quadrilhas, com alvos específicos. Outros problemas de segurança enfrentados pelos pro-

“O mercado hoje, infelizmente, não produz profissionais qualificados que possam atender à demanda das empresas, seja para administrar seus sistemas ou implementar as aplicações de forma segura.” mIrIam Von ZuBen | analiSta de Segurança do cert.Br

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vedores de Internet incluem os ataques de força bruta em seus sistemas e equipamentos; a grande quantidade de sistemas vulneráveis ou mal configurados; e os ataques voltados aos seus clientes e funcionários, como malware e phishing.

O que fazer Para deixar suas redes mais seguras, os gestores têm que lidar com uma série de questões, como a falta de pessoal qualificado para administrá-las; a falta de compreensão, por parte da alta administração, dos problemas por eles enfrentados; a falta de uma análise de risco que considere os recursos de rede; a falta de investimentos; e a falta de uma política de segurança que englobe toda a organização, conforme aponta Miriam von Zuben, analista de segurança do CERT.br. Ainda hoje, muitas empresas não enxergam a segurança de suas redes como algo essencial, passando a se preocupar com o assunto apenas quando surgem os primeiros problemas, como vazamento de informações, perdas financeiras e danos à imagem. “Além disso, o

mercado hoje, infelizmente, não produz profissionais qualificados que possam atender à demanda das empresas, seja para administrar seus sistemas ou implementar as aplicações de forma segura”, diz Miriam von Zuben, do CERT.br. De acordo com a especialista, algumas boas práticas que os provedores podem adotar para proteger suas redes são implementar política de senhas seguras, para impedir invasões; manter seus equipamentos seguros, com as versões mais novas e todas as atualizações instaladas; conscientizar seus clientes e funcionários sobre os riscos de uso da Internet, estes últimos por meio de treinamentos regulares; tomar medidas para minimizar os efeitos dos ataques DDoS; e contar com pessoal capacitado para responder às possíveis notificações de incidentes de segurança recebidas. “O gestor de rede deve ser capaz de identificar quais recursos são mais valiosos para a organização, estar atento ao que pode colocá-los em risco, preparar-se com antecedência para lidar com esses problemas e, dessa forma, tentar minimizar os danos”, ela ressalta. Para tanto, deve proteger tais recursos de possíveis ataques – mantendo os equipamentos atualizados, aplicando mecanismos de segurança e promovendo a utilização de senhas bem elaboradas – e evitar que eles sejam usados para desferir ataques contra terceiros, desabilitando os serviços desnecessários e programando regras de antispoofing. Os provedores de Internet precisam manter-se atualizados com relação às práticas mais frequentes dos criminosos. O professor da Fiap recomenda que os ISPs contem com profissionais de segurança com certificados como o CISSP (acrônimo para Certified Information System Security Professional), emitido e mantido pela instituição (ISC)², ou certificações de auditoria, segurança, governança e risco emitidas pela Isaca, uma associação internacional na área da segurança. Há ainda certifi-

“Preventivamente, um provedor deve utilizar também uma suíte de proteção corporativa que proteja aspectos de infraestrutura, além dos endpoins (equipamentos do cliente).” Carlos Sampaio | CIO do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R)

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cações emitidas pela CompTIA e as de fabricantes. André Alves, da Trend Micro, acrescenta que os ISPs precisam adotar ferramentas de proteção para ataques de negação de serviço e entende que, principalmente, almIr meIra alVes | profeSSor doS curSoS de graduação e mBa da fiap as pequenas empresas buscam flexibilidade no método de pagamento na contratação deste tipo de aplicação. “Isto tam- parceria bém impacta no preço que os provedores vão passar para o Os pequenos provedores que compartilham uma cliente. Por isto, vemos que é muito importante, por exem- parte da infraestrutura com os grandes provedores ou plo, pagar uma mensalidade por serviço, pela utilização, operadoras devem proteger a borda e seguir as melhopelo tempo ou pela funcionalidade utilizada.” res práticas de segurança da informação, como ISO Para evitar ataques, Carlos Sampaio, CIO do Centro de 27.000, ITIL e Cobit, frameworks de governança de TI. Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R), re- “Manter um canal de comunicação bem aberto com as comenda que os gestores de rede devem manter atualiza- operadoras detentoras do backbone ajuda no caso de dos com as últimas correções de segurança tanto o sistema problemas”, lembra Almir Meira Alves, da Fiap. “Os operacional dos equipamentos de borda (firewall, proxies, pequenos têm o papel importante de avisar o detentor roteadores etc.) quanto os serviços e aplicações oferecidas do backbone, de quem ele compra link, a respeito de internamente ao cliente final. qualquer tráfego suspeito, por exemplo, quando perce“Preventivamente, um provedor deve utilizar também be que tem consumo de dados anormal, para a operadouma suíte de proteção corporativa que proteja aspectos de ra mitigar, resolver o problema”, reforça Alves. infraestrutura, além dos endpoins (equipamentos do clienCarlos Sampaio, do C.E.S.A.R, lembra que o ISP não te). Ferramentas como estas, conhecidas como UTMS é nem a origem e nem o destino dos ataques DDoS. No (unified threat management system), permitem avaliar o entanto, ficam nas extremidades, ou seja, em seus clienrisco e as ameaças a partir da identificação do tráfego, de tes finais, as máquinas que, infectadas, se juntam. “É fácil forma comportamental (heurística) e por reputação (assi- identificar um comportamento fora do padrão. As princinaturas). E desta forma impedir que, mesmo que exista pais ferramentas de segurança conseguem identificar um um comprometimento de um usuário da rede, esta ameaça comportamento estranho”, diz, recomendando aos provese propague para outras vítimas.” dores de Internet contar com uma boa suíte de antivírus Executar, de forma periódica, testes profundos de vul- corporativo para servidor e infraestrutura. nerabilidade e sanidade da rede também é recomendável, Os gestores de rede devem não apenas se preocupar em pois podem revelar zonas de alerta que passam desperce- proteger a sua rede em si, como também proteger a de seus bidos na operação tradicional de um provedor. clientes. Existem normas técnicas especificamente voltadas para a operação do serviço de provimento de acesso, como a RFC3013 e a BCP 46, da RFC.org e IETF TaskForce, respectivamente, aponta Sampaio. “Estes procedimentos, todavia, normalmente fogem do escopo de prestação de serviço dos provedores, e habitualmente são mais bem implementados quando conanDrÉ alVes | conSelheiro tÉcnico da trend micro tratados de empresas especializadas.”

“Manter um canal de comunicação bem aberto com as operadoras detentoras do backbone ajuda no caso de problemas.”

“Isto (ferramentas de proteção de ataques) também impacta no preço que os provedores vão passar para o cliente.”

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entreviSta Indra Spiecker diretora do Centro de Pesquisas sobre Proteção de dados da universidade de Frankfurt e uma reconhecida estudiosa no tema Roberta Prescott

ProteÇÃo de dadoS: o maiS imPortante É ConSCientiZar aS PeSSoaS No início de junho, Indra Spiecker esteve no Brasil para uma palestra no Instituto de Direito Público de São Paulo (IDP São Paulo). Na ocasião, a Revista Abranet conversou com ela sobre a instituição, pela União Europeia, de uma lei de proteção de dados válida para todos os estadosmembros – a entrevista foi feita antes do plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido do bloco. aBRaNeT: Qual é o cenário atual? iNDRa spiecKeR: Quando falamos de leis em telecomunicações e proteção de dados na Europa, falamos

basicamente de um diretório e fundações normativas que se aplicam aos países. Tínhamos uma diretiva [um ato legislativo da União Europeia], de 1995, que exigia que os estados-membros alcançassem um determinado resultado, sem ditar os meios para atingi-lo. Este foi justamente o problema em proteção de dados, porque foram criadas 28 leis diferentes, com diversos padrões de interpretação pelos países e por suas autoridades. Como a diretiva praticamente não mudou desde 1995, não reagimos à digitalização ou ao big data e, além disto, os membros da União Europeia quase dobraram no mesmo período. Os diferentes padrões de interpretação permitiram que companhias internacionais de serviços de informação escolhessem a lei que achassem mais adequada ao que queriam ao invés de seguirem o padrão da União Europeia. O que mudou? Foi feita uma lei comum para enquadrar todos os países. Em abril deste ano, a União Europeia aprovou o regulamento geral de proteção de dados e, diferentemente da diretiva, o regulamento é uma lei diretamente aplicada a todos os países. Agora, teremos a mesma lei para os 28 estados-membros, que será válida a partir do fim de maio de 2018. E, como sabem que a lei virá, todos têm este prazo para se preparar. No geral, a lei não mudou muito quanto

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a valores e direito material; ela se concentrou mais em procedimentos e na sua execução. E isto será um desafio para as operações de provedores internacionais. Por quê? Haverá a possibilidade de termos autoridades supervisoras que trabalhem para encontrar companhias que violem os padrões de processamento de dados estabelecidos na lei. Caso as violações se repitam, poderão aplicar multas de até 4% do faturamento mundial até o teto de 20 bilhões de euros. Isto significa que os acionistas terão de prestar mais atenção agora. Na sua visão, quais são os aspectos e as conquistas mais importantes da lei? É uma lei focada no cidadão, em direitos humanos, proteção de dados e privacidade. No começo da discussão, houve um movimento que quis reformar e revolucionar em um sentido de criar uma lei de informação na qual direitos à privacidade e à proteção de dados seriam contemplados de maneira muito menor do que são agora. Nós lutamos por esta lei durante cinco anos. Em 2011, a União Europeia começou a debater e, em 2012, a Comissão propôs um primeiro projeto da legislação. Daí entrou em uma fase complicada porque há vários atores envolvidos na formulação de leis. Mas ela foi publicada e está aí. Qual pode ser o impacto da lei para a sociedade, considerando que proteção de dados no mundo virtual tem sido negligenciada pelas pessoas? Concordo com a sua análise de que proteção de dados não teve o papel que deveria ter tido no desenvolvimento da tecnologia da informação e no envolvimento, na aproximação da sociedade com a digitalização. Um dos problemas principais é que o indivíduo não pode decidir a respeito de um bem comum. Este regulamento trata deste problema ao tornar a proteção de dados uma obrigação e coloca diretrizes para aqueles que fazem o processamento de dados, além de aumentar o poder de supervisão das autoridades e sua capacidade para intervir para o bem comum. Não estou dizendo que a lei é perfeita; acho que existem alguns pontos que foram deixados de fora,

“A lei [na União Europeia] é focada no cidadão, em direitos humanos, proteção de dados e privacidade.” mas ela fez 28 estados-membros concordarem, e eles partiram de pontos de vista bastante diferentes com relação à necessidade de proteção de dados. No Brasil, estamos discutindo a criação de lei para proteção de dados e privacidade. Qual seria seu conselho sobre o que uma lei como esta deveria ter? O mais importante é conscientizar os cidadãos a respeito da importância da proteção de dados, mas isto não é algo que uma lei consiga gerar. A lei pode apoiar no sentido de que, se ela for forte, as pessoas vão prestar mais atenção ao que estabelece. De outra perspectiva, o mais importante é fazer do processamento de dados não algo que seja decidido pelos processadores de dados, mesmo que sejam capazes de fazê-lo. Eles devem seguir regras que estabeleçam o que podem e o que não podem fazer. Então, basicamente, conseguiríamos nos livrar do que está ocorrendo agora, que é, na minha opinião, a tecnologia simplesmente fazer sem seguir ou ouvir padrões legais. Isto é algo que a lei deveria mudar, colocando a tecnologia para interagir com a sociedade acerca de necessidades, barreiras legais e também morais. Gerenciar limites é bastante difícil, principalmente, porque a contrapartida para as pessoas terem um serviço é aceitar todas as condições impostas – e a maioria nem sabe quais são. Eu concordo. A história que a maioria dos provedores de serviços conta é bastante convincente, ou seja, que eles estão apenas distribuindo a informação que já está lá, que estão ajudando as pessoas, melhorando o mundo, facilitando a comunicação etc. Isto tudo é verdade. Muitas das coisas que experimentamos são fantásticas. Mas os abranet.org.br julho / agosto . 2016

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limites são bem claros. Os clientes não têm escolha. Eles podem dizer “sim, eu quero Facebook” e aceitar todas as condições ou dizem “não” e não têm acesso a nada. O que eu espero que possa ocorrer com o regulamento da União Europeia é fazer surgir e aumentar a diversidade de produtos. Possivelmente, o Facebook comece a oferecer serviços amigáveis com proteção de dados que tenham algumas funcionalidades para isto. Pode ser que até tenha um custo, mas não será mais um sim ou não. O que precisamos é que a proteção de dados faça parte do portfólio e que não seja pegar ou largar. É uma mudança grande... Neste momento, o modelo de negócios dessas empresas é não deixar ninguém saber como o algoritmo delas funciona ou qual informação elas usam e para quê. Então, se tivermos mais transparência nisto, algum tipo de controle é possível. O que diz a lei da União europeia a respeito de coleta e venda de dados em um ambiente de análise de big data? Há vários aspectos diferentes. Big data é um problema enorme porque trabalha em três níveis. O primeiro é a coleta e processamento de dados personalizados. O segundo é o que é feito normalmente: acumular dados de modo que a pessoa seja parte de um grupo de dados anonimizados, e depois isto é usado, por exemplo, para fins estatísticos. Nada disto, normalmente, está coberto

Indra Spiecker ministrou palestra no Instituto de Direito Público de São Paulo

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pelas leis de processamento de dados porque não se trata de informação personalizada. O terceiro nível é quando se usa o que se achou com big data para fazer avaliações de uma pessoa (como ela se comporta, como se qualifica para algo etc.). Isto seria personalizar o dado novamente, e para mim a lei se encaixa. No entanto, nós não controlamos o que está no meio. Não sabemos o quão bons são os algoritmos, não controlamos os resultados, mas julgamos pessoas com base neles. A respeito de revender dados individualizados para algumas companhias, a lei é bastante clara com relação a permitir isto em situações bem específicas, e uma delas é com o consenso da pessoa. O que temos hoje na lei é um controle do processo, da transferência dos dados e do que acontece com eles, e não estamos olhando para os resultados. Mas acho que temos de enfrentar o fato de que há muita informação disponível e que é usada. Queremos que os dados sejam utilizados como base para tomada de decisão? Então, isto leva para um controle dos resultados, e ainda não fazemos muito a este respeito. como a senhora define dado sensível? Há muita confusão a respeito do que são dados personalizados, secretos, anônimos. Se você está procurando dado secreto, também tem de incluir segredos de negócios, e a lei europeia não trata disto muito bem. Foi apresentada uma diretiva agora, mas mais na linha de direitos autorais. No caso de dados pessoais,

“O mais importante é conscientizar os cidadãos a respeito da importância da proteção de dados, mas isto não é algo que uma lei consiga gerar.” roberta prescott


ou seja, a partir dos quais você consegue identificar uma pessoa, a lei europeia também abrange itens como criação, posições políticas e saúde. A ideia por trás disto é que existem certas informações, como a genética, que possuem valor muito alto e precisam de proteção adicional. Contudo, em um mundo digitalizado, isto não nos ajuda muito, porque é muito fácil recombinar informações que, em princípio, não parecem importantes ou interessantes para criar um perfil bastante intenso que mostre o tipo de pessoa. Foi criada alguma agência para supervisionar a aplicação da lei? Qual sua opinião sobre agências desse tipo? Eu sou fã de autoridades supervisoras. A diretiva já havia criado essas autoridades, e a Corte da União Europeia acabou de fortalecer a posição destas agências ao reforçar que elas devem ser independentes. Elas precisam ser financeiramente independentes e não podem ser incluídas, de maneira alguma, na estrutura hierárquica dos ministérios. Essas agências controlam o processamento de dados. Cada estado-membro pode decidir a respeito de suas agências, mas, com o novo regulamento, temos uma diretriz única e uma autoridade supervisora central que pode decidir em casos de impasse. por que se diz fã de autoridades supervisoras? Eu acredito que os indivíduos não são capazes de entender os problemas e perigos que a digitalização causa, porque não são capazes de entender a tecnologia por trás dela. As agências, naturalmente, podem cuidar disto, e é dever delas lutar pela aplicação da regulamentação, cujo objetivo é a proteção de dados. Quais são os desafios nessa batalha para que os gigantes de tecnologia cumpram a regulamentação sobre proteção de dados? Antes de falar de desafios, vou falar de casos de sucesso que obtivemos. Por exemplo, o Google Street View foi controlado na Alemanha, Áustria e outros países. Também temos casos antitruste contra a Google, e a Microsoft já perdeu um grande caso. Então, posso dizer que existe poder na regulação da União Europeia, e as empresas reagem a ela. O maior desafio é ter esta voz única, porque os países

“Proteger quer dizer não deixar com acesso livre ou fácil, armazenar de forma descentralizada e usar criptografia.” enxergam proteção de dados de maneiras diferentes. Outro problema é com relação a pessoal, porque se não tivermos profissionais adequados nas agências não seremos capazes de supervisionar. Outro desafio é que as empresas alegam que terão de desenhar produtos distintos para seguir as regras de cada região. Para ser sincera, não acredito que isto seja verdade; basta observar como tiveram de mudar para se adequar ao mercado chinês. No Brasil, durante o debate do Marco civil da internet, discutiu-se muito acerca de guardar os dados dos brasileiros em datacenter no país para facilitar o cumprimento da lei. No fim, esta obrigatoriedade não entrou na lei. como funciona no caso da Ue? Este foi exatamente o problema que a regulamentação agora soluciona e é a mudança principal em comparação com o que tínhamos na diretiva, que era o chamado princípio da territorialidade. Ou seja, apenas quando o dado era processado no solo da União Europeia a lei seria aplicada. Então, o Facebook e outros argumentavam que armazenavam o dado em outro lugar e, portanto, não estavam sujeitos à lei da UE. A regulação mudou isto, e é claro que têm de obedecer às regras do país. Se você vai vender um medicamento no Brasil, por exemplo, tem de seguir as leis locais. Qual é seu conselho para provedores de internet no âmbito da proteção de dados? Não sou especializada em legislação do Brasil. O que posso dizer, em um nível mais geral, é que quanto mais proteger os dados, melhor. E proteger quer dizer não deixar com acesso livre ou fácil, armazenar de forma descentralizada e usar criptografia. abranet.org.br julho / agosto . 2016

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coneXão

Coca-Cola e Internet na Amazônia A neGeR TecnoloGiA e sisTemAs foi uma das 12 empresas selecionadas para fazer parte do programa Coca-Cola Open up, destinado a empreendedores, em uma imersão de alto impacto durante três dias a bordo de um barco navegando pelo Rio Amazonas. “Como não poderia deixar de ser, o acesso à Internet foi introduzido como aspecto importante”, destaca o presidente Eduardo Neger. A viagem, de 26 a 28 de junho, foi promovida pela Coca-Cola Brasil, por meio de sua plataforma de inovação aberta Coca-Cola Open Up, e integrou o “The Boat Challenge”, uma iniciativa de inovação e empreendedorismo de impacto focada no desenvolvimento socioambiental da Amazônia. Realizado em parceria com a Artemísia, organização pioneira no tema de negócios de impacto social no Brasil, o programa intensivo de préaceleração buscou empreendedores que conseguissem apresentar soluções que afetassem positivamente a Amazônia. O objetivo é potencializar startups que

o Futuro É aGora O estudo Cisco Visual Networking Index (VNI) revelou um dado que pode fazer a diferença na discussão sobre a franquia de dados na banda larga fixa. Segundo a fabricante, o consumo médio de banda por usuário era de 15,8 GB por mês, em 2015, e passará para 32,5 GB, em 2020. o consumo por residência/ mês saltará de 41,6 GB para 86,9 GB no mesmo período.

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desenvolvam iniciativas nas áreas de água, agricultura sustentável, sociobiodiversidade, empreendedorismo e saúde/bem-estar para a região. Para resolver a falta de acesso à Internet no Amazonas, que tem limitações de cobertura nos sistemas de telecomunicação em boa parte de seus municípios, a Neger Tecnologia e Sistemas propôs uma plataforma que amplifica o sinal de telefonia celular, permitindo o uso de telefone e Internet em locais distantes das torres das operadoras, em locais remotos e embarcações fluviais. A empresa desenvolveu o produto Rural Max na Amazônia, de baixo custo e fácil instalação. A plataforma diminui o custo de transação para o usuário ao permitir o acesso à informação e aos serviços de telecomunicações. Por exemplo, é comum, na região, as pessoas irem até o posto de saúde em busca de atendimento médico, investindo tempo e dinheiro, e perderem a viagem porque a equipe não estava disponível e não era possível saber disso com antecedência.

TV paga: setor resiste à crise o seToR de Tv poR AssinATuRA pode voltar a crescer assim que as condições econômicas forem favoráveis, sustenta o presidente da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), Oscar Simões. Durante seu evento, realizado de 29 de junho a 1º de julho, em São Paulo, a entidade destacou que o setor vem apresentando um desempenho melhor do que a média da economia nacional, tendo recuado 2,2% em 2015, um porcentual abaixo do registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que foi de 3,8%. Segundo a ABTA, o resultado poderia ser melhor se 15 Estados e mais o Distrito Federal não usassem o ICMS para reforçar o caixa, impondo um aumento de 50% na alíquota do tributo a partir de janeiro. Uma janela para a expansão pode estar nas classes média e de baixa renda, que representam a maior parte da população brasileira. Pesquisa realizada pela Plano CDE mostrou que a TV por assinatura é uma das principais fontes de lazer para 74% dos entrevistados com este perfil.


O fim do papel nos pedidos de outorga de SCM inTeRessAdos em prestar Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) já podem obter a outorga da Anatel de maneira totalmente digital. Está funcionando a nova ferramenta dentro do sistema Mosaico da Agência, com a promessa de reduzir o tempo de tramitação dos pedidos dos atuais 140 dias para no máximo 48 horas. “Vai facilitar para quem presta serviços de telecomunicações no país”, diz o superintendente de Outorgas e Recursos à Prestação da Anatel, Vitor Elísio Menezes. O primeiro a se beneficiar do sistema é o SCM, porque é de longe o de maior demanda. “A outorga de SCM responde por 70% do trabalho da superintendência. Na sede da Anatel, as outorgas de SCM representam 90% dos pedidos. No Brasil todo, o SCM deve estar próximo de 60% de todos os processos de outorga”, completa o executivo da Anatel.

eXPlosÃo Do IPV6 Em 2020, o Brasil deverá contará com uma base de 435,8 milhões de dispositivos fixos e móveis prontos para conexões IPv6, um salto em comparação com os 167,6 milhões de 2015. Com relação a dispositivos de rede, 56,8% deles estarão prontos para IPv6 – em 2015, eles representavam 32,2%. Globalmente, 34% do total do tráfego de internet será gerado via IPv6 em 2020.

fonte: estudo cisco visual networking index (vni)

consumo De BanDa IP O pico de consumo de banda IP no Brasil — dado que orienta o planejamento das redes — chegará a 69 Tbps em 2020, sendo a média de consumo de 13 Tbps. Por dia, as redes IP carregarão 144 Tbps em 2020, um salto em comparação com os 56 petabytes/dia em 2015.

Espaço para provedor local um esTudo da CVA Solutions mostrou que os consumidores de Internet banda larga estão cada vez mais insatisfeitos com suas operadoras, principalmente, em função dos custos. Dos entrevistados, 74,5% mudariam de operadora se o processo de troca fosse mais simples e 74,4% disseram que vão mudar caso seja implantado o limite de acesso da franquia de dados. Na TV paga, o cenário é bastante parecido: 75,9% mudariam de marca se fosse mais simples, especialmente em busca de menores custos, e 11,5% já cancelaram a assinatura para usar apenas Netflix e TV aberta. Com relação aos telefones fixos, o estudo detectou não só uma queda expressiva como o fato de eles se sustentarem apenas dentro dos combos. O levantamento, finalizado em maio, ouviu cerca de 5 mil usuários de todo o País e analisou o comportamento dos usuários com os chamados “combos”, pacotes compostos por Internet banda larga, TV por assinatura e telefonia fixa. Para o sóciodiretor da CVA Solutions, Sandro Cimatti, este cenário abre espaço para as operadoras de Internet de pequeno porte. O estudo mostrou ainda que a participação das operadoras pequenas subiu de 1,4% para 15,3%, nos últimos 12 meses.

VelocIDaDe Da BanDa larGa A velocidade média de conexão banda larga fixa no Brasil deve passar dos atuais 8,5 Mbps para 19,5 Mbps em 2020. E cerca de 80% do tráfego brasileiro virá de conteúdo em vídeo acessado por dispositivos móveis.

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opinião Laurent Delache

Vice-presidente da aspect para a américa Latina, está há mais de 20 anos na liderança em empresas de tecnologia

LideranÇa Que imPaCta PoSitiVamente

outros meios que possam ser mensurados. As lideranças precisam ajudar estas e as futuras gerações do mundo dos negócios a se planejar mais, a usar mais a matemática para traçar metas. A beleza do trabalho em equipe reside em como atuar à frente de um time formado por pessoas com jeito e gênios distintos e conseguir os resultados desejados. Soltar e delegar exige do gestor uma mudança em sua forma de se comunicar, pedir, treinar e transmitir as suas expectativas. Exige, sobretudo, autocontrole e autoconfiança. O poder está com quem sabe conduzir Implica valorizar a conduta nos relacionamentos com os uma boa conversa e não mais centrado clientes, fornecedores, funcionários. Impacta na qualidaem uma só pessoa. É a fase da gestão de das entregas e no respeito aos prazos. Delegar é precicompartilhada, do trabalho colaborativo, so. Confiar é primordial. Uma questão que se faz urgente é, também, ter a pleparticipativo, da troca constante de ideias. na convicção de que retrabalho é perda de tempo e de lídeRes soliTÁRios, fechados em seus espaços, to- recursos. É uma contribuição que espero dar ao país mando decisões sozinhos já não combinam mais com o que me acolheu, que aprendi a amar, onde constituí faestilo das sociedades contemporâneas. As mudanças no mília e trabalho. Pretendo ser essa voz que incentiva as modelo de gestão provocadas pelas experiências de gran- pessoas a investir nas competências para fazer a coisa des líderes empresariais, pelo olhar de consultores e pelo certa e no prazo já na primeira vez. É uma questão de coerência. É quespróprio impulso das sociedades ocasiotão de responsabilidade. É uma questão naram transformações significativas no “Soltar e delegar ética. Precisamos fazer de tudo para papel dos líderes. exige do gestor evitar desperdício de tempo e de recurOs grandes líderes, mesmo diante do sos pela não entrega nos prazos. Entenvolume de informação a que têm acesso uma mudança der que o poder está com quem sabe hoje, sabem que não têm mais controle em sua forma de conduzir uma boa conversa e não mais de tudo. É preciso compartilhar inforse comunicar, centrado em uma só pessoa é missão mação, pensar e tomar decisões em grudos líderes. É a fase da gestão comparpo. Pessoas que chegam mais longe do pedir, treinar e tilhada, do trabalho colaborativo, parque as outras e atingem melhores resultransmitir as suas ticipativo, da troca constante de ideias. tados, sejam profissionais ou pessoais, expectativas.” As atitudes positivas ecoam, formam sempre têm no planejamento seu foco caráter, tornam-se um valioso e valopara a tomada das decisões. roso bem nos ambientes empresariais. Acredito que se Estabelecer metas com eficácia não é tão simples assim. A objetividade e a racionalidade da matemática todos, juntos, fizermos a coisa certa, da primeira vez são grandes aliadas na definição das metas. Metas pre- e no prazo que foi determinado, podemos transformar cisam ser estabelecidas com clareza, com objetivos que este País em uma das nações mais produtivas e admirápossam verdadeiramente ser cumpridos, com prazos e veis do mundo.

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divulgação


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Revista Abranet . 17  

A Internet que temos no Brasil é a que podemos ter, diante das deficiências de infraestrutura e dos desafios para expandir o seu alcance...

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