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CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, terça-feira, 22 de outubro de 2013 • 11

6ª Conferência Brasileira de Seguros Gerais, Previdência Privada eVida, Saúde Suplementar e Capitalização INFORME PUBLICITÁRIO 22 de Outubro de 2013 Geyzon Lenin/Esp. CB/D.A Press

De olho no futuro

Mercado segurador (capitalização, previdência e vida, saúde suplementar e seguros gerais) deverá crescer 15% este ano. Especialistas traçam estratégias para se desenvolverem ainda mais: hoje, apenas 25% das pessoas usam o serviço para a área de saúde As últimas décadas foram marcadas, em todo o planeta, por mudanças significativas — e que deverão, certamente, repercutir no futuro próximo. Os países emergentes, entre eles o Brasil, passaram a ter mais força política e econômica.As tecnologias móveis e as redes sociais se consolidaram e deram poder de decisão ao consumidor. As alterações climáticas estão

provocando mais danos ao patrimônio e à saúde. Para especialistas, ações urgentes precisam ser tomadas para controlar as emissões de CO2. Diante de tantas mudanças, o mercado segurador no Brasil reúne (veja Agenda) empresas seguradoras, corretores, especialistas e representantes do poder público para encontrar soluções e traçar cenários para o setor.

Economia estável contribui Com expectativa de crescer 15% neste ano, o mercado segurador no Brasil arrecadou R$ 141,1 bilhões, no período de janeiro a junho de 2013. São 189 empresas nos diversos segmentos (capitalização, previdência e vida, saúde suplementar e seguros gerais) e 60 mil corretores em todo o país. No total, as reservas do setor somam mais de R$ 500 bilhões. Mas, apesar do crescimento superior a 15% ao ano e de contribuir com 5,7% do Produto Interno Bruto brasileiro, o mercado ainda tem baixa penetração no país. Apenas 25% das pessoas têm seguro ou plano de saúde no Brasil; 15% têm seguro dental; 15% possuem plano de previdência privada; e apenas 10% das casas estão protegidas. Esses percentuais colocam o país na 15ª posição em consumo de seguros no mundo. No Brasil, o mercado de seguros começou a mudar significativamente na década de 1990, quando a redução e o controle da inflação ajudaram a impulsionar esse crescimento. Com a inflação em baixa, os seguros de longo prazo puderam ser mantidos pelas famílias. A economia mais estável contribuiu ainda para o aumento no número de pessoas que puderam comprar seguros.“Pelo menos 40 milhões a mais de pessoas passaram a ter o que proteger”, explica o presidente da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg), Marco Antônio Rossi. Com o público consumidor das classes C e D crescente, as seguradoras tiveram que ser mais criativas.A ideia de que o seguro era apenas para ricos já não se adequava a uma massa de famílias de classe média que passou a demandar o serviço. Com isso, a comunicação com os clientes também precisou ser simplificada. No geral, o perfil do consumidor de seguros, no entanto, ainda está atrelado às classes altas.“Trata-se de

E em 2025? Em sua sexta edição, a Conferência Brasileira de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização, a Conseguro vai reunir agentes do setor, representantes dos Três Poderes, economistas, sociólogos e pesquisadores para debater o tema “O mercado segurador em 2025”. A conferência acontece hoje e amanhã,no Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília. O encontro acontece a cada dois anos e pretende debater a atividade e as perspectivas do setor frente a cenários de mudanças em relação a temas como clima, economia, tecnologia, canais de comunicação, mobilidade social e as expectativas dos consumidores.

um consumidor na faixa dos 40 anos de idade, que já tem um patrimônio formado e precisa de muita proteção, pois não pode correr o risco de deixar a família desprotegida”, afirma o presidente da CNSeg. Mas o que ainda pode mudar no perfil desse consumidor nas próximas décadas? “Ele estará mais exigente, e a facilidade de ter acesso a informações, por meio de novas tecnologias, fará com que esse consumidor pesquise e compare preços antes de adquirir um seguro.

Marco Antônio Rossi, da CNSeg: mais de 40 milhões de brasileiros passaram a ter o que proteger Ele fará isso, muitas vezes, pela internet”, explica Rossi. As novas tecnologias podem fazer com que os corretores de seguros percam seu espaço? Para Rossi, o corretor não vai deixar de existir, mas precisará ser mais sofisticado na sua abordagem, adaptando-se aos meios digitais para realizar suas vendas. Para Marco Antônio Rossi, o propósito da Conferência é mostrar o trabalho das empresas do setor de seguros para quem dita as normas.“A existência de regras claras, previsíveis e longevas é um ponto importante desta discussão”, afirma. Ainda no âmbito da regulamentação, o mercado segurador, segundo Rossi, tem buscado com o poder público, regras menos rígidas para a aplicação das suas reservas, hoje somadas em mais de R$ 500 bilhões. “Esse dinheiro poderia ser aplicado, por exemplo, no desenvolvimento de obras, assim como acontece em outros países.”

AGENDA Marco Antônio Rossi, presidente da CNSeg, é um dos debatedores do painel Megatendências da indústria de seguros no mundo, que acontece em 22 de outubro, às 16h45. O painel terá como palestrante JamieYoder, da Prince WaterhouseCoopers – PwC.

O seguro no Brasil 189 empresas seguradoras 60 mil corretores

expectativa de crescimento de 15% neste ano 5,7% do Produto Interno Bruto 15ª posição no mercado de seguros no mundo mais de R$ 500 bilhões em reservas

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PINGUE-PONGUE

Mais cobrança

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Para o sociólogo Bolívar Lamounier, novas tecnologias permitem que cidadãos cobrem do governo e do setor privado

Para o sociólogo Bolívar Lamounier,as novas tecnologias digitais permitirão que mais pessoas se envolvam no debate político e cobrem mais como consumidores. Ele é um dos debatedores do painel Pensar o Brasil de forma estratégica, traçando cenários futuros nos campos jurídico, econômico e social — conferência de abertura da 6ª Conseguro. Para discutir temas cruciais para o mercado de seguros, a CNSeg vai colocar na mesa de debates o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso; o economista, fundador da Gávea Investimentos, Armínio Fraga;e o sociólogo Bolívar Lamounier.Lamounier é bacharel em Sociologia e Política pela Universidade Federal de Minas Gerais e Ph.D. em Ciência Política pela Universidade da Califórnia, Los Angeles. Atualmente é membro do Comitê Assessor Acadêmico do Clube de Madri, entidade integrada por ex-chefes de Estado, criada em outubro de 2002, com o objetivo de promover internacionalmente a democracia. Existe influência da atual movimentação política para o cenário futuro no país? A população continuará mais participante da vida política ou o cenário atual é passageiro? Bolívar Lamounier — A movimentação ocorri-

da no mês de junho foi uma coisa muito rara, se pensarmos em termos de sua dimensão e intensidade. Mas eu acredito que ela deixa um rastro importante, para o bem e para o mal.Voltar à situação anterior, que era de muita apatia, acho que o país não voltará. As novas tecnologias e redes sociais podem sustentar a longo prazo este movimento de participação dos grupos,tanto na vida política quanto no seu papel de consumidor? Bolívar Lamounier — Eu penso que sim, embora até o momento haja mais especulação que fatos concretos sobre isso. Mas há um aspecto indiscutível: as novas tecnologias estão reduzindo drasticamente os “custos” individuais da participação. Antes delas,toda participação envolvia riscos elevados, medidos em tempo gasto, em risco pessoal etc.Pessoas muito tímidas não participavam de reunião nenhuma,nem de condomínio.Pelas redes sociais, dificuldades desse tipo deixam de existir, começa a haver um aprendizado. Em médio prazo, portanto, eu creio que a participação na política e noutras atividades que envolvam convívio e discussão deva aumentar. O ganho de poder dos consumidores, com as tecnologias da informação, pode representar

também uma mudança de postura no seu papel de cidadão e na política? Ele será exigente em outros campos como passou a ser ao comprar algo? Bolívar Lamounier — Quanto a isso, não há dúvida. As novas tecnologias aumentam não só o volume de informações em circulação mas também a velocidade com que elas circulam. Fica muito mais fácil comparar os preços e a qualidade dos bens e serviços.Isso vale para o setor privado e para o governo. Os cidadãos vão cobrar mais de ambos. Seguindo esse raciocínio, que perspectiva temos para esse cidadão quando o assunto é preservação ambiental? Na sua opinião, o cidadão ativo nas redes sociais também coloca em prática isso quando o assunto é preservação e sustentabilidade? Bolívar Lamounier — A questão ambiental sensibiliza todo mundo, mas numa intensidade relativamente baixa. O cidadão dá mais atenção e se envolve mais no que o incomoda mais de perto, sobretudo no que o incomoda no bolso.Assim, a participação em questões ambientais caminha mais devagar e requer uma aprendizagem mais longa.


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INFORME PUBLICITÁRIO -

22 de Outubro de 2013

Saúde suplementar

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Aumento da renda familiar e formalização do emprego levam à arrecadação de quase R$ 100 bilhões em 2012. Mercado quer regras mais claras e busca alternativas para financiar um sistema com custos crescentes Fotos: Geyzon Lenin/Esp. CB/D.A Press

Terceiro sonho de consumo da classe média brasileira — atrás somente da educação e da casa própria —,os planos e seguros de saúde são responsáveis pela metade da arrecadação de todo o mercado de seguros no país. Foram R$ 97,2 bilhões em 2012, com cobertura de 25% da população brasileira — ou 67,5 milhões de pessoas (entre assistência médico hospitalar e odontológica). Entre janeiro e junho, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o segmento arrecadou R$ 52,5 bilhões, 12,42% a mais do que os R$ 46,7 bilhões arrecadados no mesmo período de 2012. A insuficiência do sistema público de saúde é o grande impulsionador desse crescimento, ajudado pela formalização do emprego, pelo aumento da renda familiar e pela interiorização do crescimento econômico, que têm permitido que até mesmo pequenas e médias empresas possam oferecer planos e seguros de saúde a seus empregados.A oferta também tem crescido nas regiões Norte,Nordeste e Centro-Oeste, o que, segundo o presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar, Márcio Coriolano, indica uma desconcentração regional do segmento. Apesar dos fortes números, o setor de seguros e planos de saúde suplementar convive com crises de imagem. Márcio Coriolano explica que o mercado, formado por 1.538 empresas, não é homogêneo e que somente após a regulamentação pela Agência Nacional de Saúde (ANS), em 1998, é que passaram a existir regras claras para a abertura e para o funcionamento dessas empresas.

Márcio Coriolano, da FenaSaúde: operadoras devem investir mais na prevenção de doenças

“Após a regulamentação,os produtos oferecidos aos consumidores foram mais bem formatados e passou a haver maior transparência quanto aos procedimentos cobertos pelo seguro”,diz Coriolano.Por outro lado,continua,a legislação também engessou o mercado ao exigir que todas as empresas prestadoras do serviço,de qualquer que seja o porte,dessem cobertura a todas as doenças classificadas pela Organização Mundial de Saúde.“Isso é uma irrealidade,já que a estrutura

dos serviços médicos é muito distinta de cidade para cidade.” Apesar das críticas, Márcio Coriolano destaca o resultado de uma pesquisa segundo a qual 72% dos clientes estão satisfeitos ou muito satisfeitos com os serviços oferecidos pelos planos. A metodologia da pesquisa foi desenvolvida pelaANS e aplicada por 89 empresas com mais de cem mil beneficiários, 25% das operadoras. Ainda segundo a pesquisa, 84% dos clientes disseram que recomendariam os planos para outra pessoa. DESAFIOS Diante desse cenário,o mercado de planos e seguros de saúde deve enfrentar quatro desafios, segundo o presidente da FenaSaúde, Márcio Coriolano: a queda no crescimento da população,que fará surgir um maior número de pessoas idosas; a longevidade, já que com mais cuidados à saúde as pessoas passam a viver por mais tempo;o surgimento de novas drogas e tratamentos,que têm um maior custo;e a redução dos casos de doenças agudas em detrimento das doenças crônicas,que exigem tratamentos mais prolongados. “Mais gastos serão adicionados à área de saúde e precisaremos discutir como financiar um sistema que tem um aumento crescente de custos”, diz Coriolano. A saída, completa,será investir mais na prevenção de doenças e na promoção da saúde ou mesmo adotar sistemas de co-participação dos clientes no preço dos planos, como forma de desestimular o uso indiscriminado dos serviços.

AGENDA Márcio Coriolano,presidente da FenaSaúde,será debatedor no painel Cenário macroeconômico e perspectivas para a saúde privada no Brasil,que acontece em 23 de outubro,às 10h30.O painel terá como palestrante o sócio da Rio Bravo Investimentos,Gustavo Franco,e,como mediador,o jornalistaWilliamWaack.

Por menos riscos Somente em agosto deste ano, 40.334 veículos foram furtados em todo o país, segundo dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). Desses, 49,03% (19.774) foram recuperados. Não é à toa que o seguro de automóveis representa metade do faturamento do setor de seguros gerais,que arrecadou R$ 37,3 bilhões de janeiro a agosto deste ano. No mesmo período do ano anterior foram R$ 31 bilhões, um crescimento de 18,49%. Mas o mercado pode crescer mais, já que apenas 2% das motos, por exemplo, são seguradas. Para reduzir o número de sinistros,as seguradoras apostam em medidas preventivas.A principal delas é a aprovação do Projeto de Lei do deputado federal (PSD-GO) Armando Vergílio, que legaliza o desmonte e o reaproveitamento de peças de veículos roubados ou furtados.O projeto está em análise e aguardando aprovação do Senado Federal. Hoje, o reaproveitamento de peças pelas seguradoras é proibido,fator que,segundo o presidente da Fenseg,Paulo Marraccini, estimula o roubo de veículos para desmanche clandestino. Além de desestimular o roubo de veículos para desmanche e venda ilegal,o reaproveitamento de peças deve trazer um positivo impacto ambiental ao reduzir seu descarte indiscriminado. Segundo Marraccini, outros segmentos têm registrado crescimento na arrecadação, como o de responsabilidade profissional (24%) e o de garantia estendida de produtos,

que cresceu 15% de janeiro a agosto de 2013.“O aumento da renda é o fator que mais contribuiu para esse crescimento, pois fez com que as pessoas tivessem acesso a mais bens de consumo”, diz.

Para Marraccini,apesar de o brasileiro ter como forte característica o otimismo,é preciso criar a consciência da prevenção do risco e da necessidade e importância de se proteger. Após o incêndio da boate Kiss, ocorrido em janeiro deste ano em Santa Maria,no Rio Grande do Sul,a Federação também decidiu apoiar a instituição de um código de proteção contra incêndios,que trará medidas preventivas mais rígidas para estabelecimentos onde haja aglomeração de pessoas.

AGENDA Paulo Marraccini, da FenSeg: legalizar o reaproveitamento de peças deve reduzir roubos de veículos para desmanche ilegal

A estabilidade econômica e a inflação em baixa contribuíram para o crescimento do setor. Hoje, o mercado de previdência privada já soma R$ 350 bilhões em reservas e 13 milhões de planos.De janeiro a julho deste ano,já cresceu 11,7%, com arrecadação de R$ 42,4 bilhões.

segundo Nascimento. Para ele, é preciso aprender a poupar a longo prazo para entender a importância dos seguros.A estabilidade de regras também é fator crucial para o segmento, hoje regulamentado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão ligado ao Ministério da Fazenda.“O cidadão só acredita no instrumento de proteção quando ele percebe que o que ele adquire agora será entregue no futuro”, diz Nascimento. Arquivo Pessoal

Para o presidente da Federação Nacional de Previdência Privada eVida (FenaPrevi), Osvaldo do Nascimento, é preciso perceber que o aumento na curva da expectativa de vida já vem se acumulando geração após geração.

“A procura por seguros de vida cresceu na medida em que os segurados formaram patrimônio e, com isso, adquiriram a cultura de proteger seus bens”, explica Osvaldo do Nascimento. Isso aconteceu, sobretudo, em decorrência da ascensão e do aumento do consumo nas classes D e E.

AGENDA

Osvaldo do Nascimento, da FenaPrevi: brasileiro deve aprender a poupar a longo prazo

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A educação financeira é outro desafio para o setor de seguros,

SEGUROS DEVIDA A melhoria da qualidade de vida e o acesso à renda também ajudaram a aquecer o setor de seguros de vida, que, de janeiro a julho deste ano, cresceu 20,3% a mais que o mesmo período de 2012, e somou uma arrecadação de R$ 14,9 bilhões.

Por causa disso,um dos produtos que registrou crescimento nesse mercado foi o seguro prestamista (32,8% de janeiro a julho de 2013/2012), usado para pagamento de prestações ou quitação do saldo devedor de bens ou financiamentos adquiridos pelo usuário,em caso de morte,invalidez permanente ou temporária e desemprego. Já nas classes altas, explica Nascimento, o seguro viagem foi o produto que registrou maior crescimento – 75,5% de janeiro a julho de 2013, comparado a 2012,com arrecadação de R$ 57,3 milhões.

Uma das alternativas encontradas pelo setor é a adoção do modelo de contribuição definida, modalidade na qual o valor da aposentadoria futura dependerá dos depósitos realizados pelo segurado, além dos rendimentos obtidos pelo gestor. Segundo Nascimento, o modelo de benefício definido adotado pela previdência social – no qual o beneficiário conhece o valor do benefício independentemente do valor acumulado – é o maior responsável pelo deficit da previdência, que chegou a R$ 42,3 bilhões em 2012. Para o presidente da FenaPrevi, a disciplina para poupar a longo prazo é essencial para o segurado de previdência privada.“O Brasil ainda não tem a cultura de investir em longo prazo, já que as altas taxas de juros remuneram melhor os investimentos mais imediatos.”

As transformações tecnológicas na forma de se obterem informações e de se relacionar tornaram o consumidor de seguros ainda mais exigente. Isso porque as tecnologias digitais e as redes sociais ajudaram a alterar o equilíbrio da relação entre seguradoras e consumidores, deixando esses últimos com o controle da decisão de compra. Essas transformações de ordem sociotecnólogica estão entre as cinco megatendências traçadas para o mercado de seguros no mundo, segundo estudo realizado pela consultoria Pricewaterhouse Coopers (PwC) em 2011. O cenário traçado pelo estudo aponta para um mundo de dispositivos conectados e de redes que analisam as informações e ajudam na tomada de decisões. Segundo o estudo, serão 50 bilhões de sensores e dispositivos ativos conectados à internet em um futuro próximo.

“As pessoas estão se conectando em grupos para falar sobre produtos e empresas, e essas opiniões ganham relevância nas decisões de compra. O relacionamento será fundamental para a tomada de decisão pelos consumidores”, afirma. Para Barros, as redes sociais tornaram mais ágil a forma como o consumidor de seguros toma decisões, por isso o relacionamento é vital.“A diferença da forma atual de se relacionar é que as empresas necessitam dar respostas de forma mais tempestiva. A resposta ágil favorece e aproxima essa relação.” As empresas, no entanto, precisam aproveitar melhor as críticas e as sugestões vindas dos consumidores através das redes sociais.“Se o consumidor critica é porque ele quer construir uma relação”,afirma Barros.

Vida longa Com a expectativa de vida do brasileiro em crescimento – hoje está acima dos 73 anos de idade, o segmento de previdência privada e vida encontrou um dos seus maiores desafios. Como manter a solvência das suas empresas em um mercado no qual os segurados ainda vivem por mais 30 anos após a aposentadoria.

Tecnologia dá mais poder ao consumidor

Para o presidente da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), Marco Antonio Barros, é importante que o setor de seguros esteja antenado no que há de mais moderno em termos de tecnologias voltadas ao relacionamento entre empresas seguradoras, distribuidores de seguros e clientes.“As redes sociais estão interferindo no dia a dia das empresas.A preocupação das empresas na atualidade está em como gerar valores para uma nova ordem de consumidores que usam esses canais digitais”,diz Barros.Mas as mídias digitais não impactam o setor de seguros isoladamente.Trata-se de uma visão global,afirma o presidente da FenaCap,já que tais transformações afetam todo o mundo empresarial.

Outro segmento que teve expressivo crescimento de 23%, o seguro residencial estimulou a geração de um banco de informações sobre a existência de áreas de risco e sobre como as mudanças climáticas estão gerando mais catástrofes naturais.

Paulo Marraccini,presidente da FenSeg,será mediador no painel Desmontagem deVeículos,que acontece em 22 de outubro,às 13h45.O painel terá como palestrantes Fabian Ponz,da CesviArgentina,e, como debatedor,Francisco Gaetani,secretário executivo do Ministério do MeioAmbiente.

Marco Antonio Barros, da FenaCap: relacionamento com cliente é vital para setor

Osvaldo do Nascimento,presidente da FenaPrevi,é mediador do painelA experiência de suitability no Reino Unido,no processo de estruturação e comercialização de produtos vida e de previdência,que acontece em 22 de outubro, às 15h.O painel terá como palestrante Simon Godsave,da Zurich Insurance Group.

MAIS EDUCADO O segmento de capitalização registrou crescimento de 27% na sua arrecadação no comparativo do período de janeiro a agosto de 2012 com o mesmo período de 2013. Em quatro anos, os números da arrecadação com títulos de capitalização quase dobraram, segundo o presidente da FenaCap, Marco Antonio Barros. O segmento de capitalização cresceu 27,1% de janeiro a agosto de 2013, quando comparado ao mesmo período de 2012, com volume de R$ 13,54 bilhões em prêmios, segundo dados da Confederação Nacional de Seguros.Segundo Barros,esse crescimento é resultado de um processo histórico,no qual as famílias vêm aprendendo a importância da cultura de poupar recursos e de se planejar financeiramente. Ao reduzir o consumo e tomar a decisão de formar reservas, o consumidor encontra na capitalização uma forma simples, segundo Barros, de se educar financeiramente. Isso porque “o objetivo da capitalização não é a rentabilidade, mas o atributo da disciplina e do planejamento”.

AGENDA MarcoAntonio Barros,presidente da FenaCap, será mediador no painel Redes sociais,que acontece em 23 de outubro,às 12h15.O painel terá palestra do professor Massimo Di Felice, coordenador do Centro de PesquisaAtopos,da Universidade de São Paulo.


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A chegada das classes C e D

PINGUE-PONGUE Geyzon Lenin/Esp. CB/D.A Press

Mais do que nunca, as seguradoras estão preocupadas com a transparência e a agilidade nas relações com os novos consumidores e investem em educação financeira e na prevenção de riscos A ascensão das classes C e D trouxe um novo padrão de consumo para a economia brasileira. Em razão disso, mais do que nunca, as empresas seguradoras passaram a se preocupar em promover e dar acesso aos seguros, como forma de incentivar nessas classes a proteção ao patrimônio e a criação de uma cultura financeira. Mas as mudanças no perfil do consumidor de seguros no Brasil não se limitaram à questão econômica,segundo ressalta a diretora executiva da Confederação Nacional de Seguros (CNSeg),Solange Beatriz Palheiro Mendes. Ao viver mais, esse consumidor também passou a demandar novos produtos.“Nos grupos mais jovens, o acesso à internet e ao mobile ampliaram os mecanismos de busca de informações que exigiram das empresas posturas mais proativas, rápidas e simples”, diz.

A mulher é mais previdente. Está na sua natureza a proteção, por isso se interessa por diferentes produtos, como o seguro residencial, de vida e de saúde” Solange Beatriz, diretora executiva da CNSeg

Outra mudança está na maior procura de seguros por parte das mulheres.Elas já representam quase metade dos segurados de automóveis — são 4.673.658 que contrataram esse tipo de seguro contra 5.514.543 homens. Desse total de mulheres que contrata seguros, o maior número de condutoras (1.397.094) está na faixa dos 36 aos 45 anos. “A mulher é mais previdente.Está na sua natureza a proteção, por isso se interessa por diferentes produtos, como o seguro residencial,de vida e de saúde”,explica Solange.

mais transparência e aprimorar as relações entre consumidores e empresas. “O consumidor de seguros,muitas vezes,tem dificuldades na interpretação de contratos e da própria linguagem do seguro,por isso as empresas do mercado estão investindo em ações para minimizar conflitos”, explica a diretora executiva da CNSeg, Solange Beatriz. Outras apostas da confederação são a criação de um centro de informações ao consumidor e de programas de educação financeira. A entidade também tem trabalhado em parceria com o poder público,Procons e demais órgãos de defesa do consumidor para ampliar e até antecipar o esclarecimento em relação aos produtos e serviços das operadoras de seguro. Exemplo disso é o projeto piloto do Seguro Garantia Estendida, que começou em São Paulo e em breve será levado ao Rio de Janeiro,Minas Gerais e Mato Grosso.

Geyzon Lenin/Esp. CB/D.A Press

A diretora executiva da CNSeg também aposta que as seguradoras devem investir fortemente em tecnologia e na criação de bases de dados para prevenir riscos.“O comportamento das operadoras é ativo, de prevenção. Elas passarão a identificar riscos, incentivando melhores hábitos de vida, a prevenção de acidentes e a educação financeira”, afirma. Exemplo dessa contribuição das operadoras de seguro está no aspecto ambiental.Isso porque elas têm ajudado a informar aos segurados e ao poder público sobre a existência de áreas de risco, evitando, assim, danos ao patrimônio causados por catástrofes naturais.“Na CNSeg, temos comissões temáticas, compostas por representantes das empresas, parcerias com entidades acadêmicas, além de sempre trazermos autoridades e especialistas para debater assuntos importantes para o setor”,afirma Solange Beatriz. TRANSPARÊNCIA Tornar as relações entre seguradoras e segurados mais transparentes também é preocupação do mercado segurador. Nesse sentido, a CNSeg apoiou a criação, em março deste ano, do Plano Nacional de Consumo e Cidadania, lançado pelo governo federal com o objetivo de dar

Solange Beatriz, diretora executiva da CNSeg: relacionamento com segurados deve ser transparente

Mudanças globais vão afetar seguradoras As últimas décadas testemunharam mudanças significativas em todos os campos, no mundo inteiro. Os mercados emergentes ganharam mais poder político e econômico, e as tecnologias móveis e as redes sociais se consolidaram. No aspecto ambiental, os últimos 20 anos presenciaram os eventos naturais mais catastróficos de todos os tempos, em virtude das alterações climáticas.Todas essas mudanças estão acertando em cheio a atividade seguradora no mundo,e o setor já se organiza para repensar sua atuação nas próximas décadas. Quem será o consumidor de seguros daqui a 20 anos? Quanto tempo ele viverá? Como protegerá seus bens materiais das catástrofes naturais cada vez mais frequentes?

Essas duas tendências afetarão profundamente os setores de bens, acidentes, de vida e previdência privada. No caso das seguradoras dos ramos de vida e saúde e das instituições de previdência privada, os dispositivos de monitoramento poderiam ampliar significativamente a expectativa de vida e aumentar o tempo de vida dos aposentados. Na área ambiental, a severidade e a frequência de eventos catastróficos fariam surgir modelos de risco e estruturas de compartilhamento de risco mais sofisticados para solucionar esses eventos. Só para se ter uma ideia do peso dos eventos naturais, entre 1990 e 2009, furacões e tempestades tropicais foram responsáveis por 45,2% das perdas totais com catástrofes.

As prováveis respostas para essas perguntas integram o estudo O que o futuro nos reserva, publicado em 2011 pela consultoria Princewaterhouse Coopers (PwC). O estudo, que será apresentado pelo líder global na prática de seguros da PwCAdvisory,JamieYoder,durante a 6ª Conseguro, aponta as cinco megatendências para o setor segurador no horizonte das próximas duas décadas e desenha possíveis cenários de oportunidades e riscos para a atividade.

EMERGENTES O aumento do poder político e econômico dos mercados emergentes também deve provocar alterações no mercado segurador mundial. O Brasil integra essa lista, de acordo o estudo da PwC, já que a participação dos países emergentes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) no PIB global vem aumentando nos últimos 20 anos.

CONSUMIDORES No campo social, o estudo da PwC aponta para uma mudança de equilíbrio que favorece os consumidores.Tudo isso graças à internet móvel e às redes sociais.

Consequência disso, segundo o estudo O que o futuro nos reserva, é que os prêmios de seguros como um todo caíram 1,9% nos países desenvolvidos, mas aumentaram 7,1% nas economias em desenvolvimento.

Segundo a PwC,mais de 32% dos entrevistados entre consumidores de seguro nos EUA disseram preferir trabalhar diretamente com as seguradoras. As redes sociais on-line, a exemplo do Facebook, com seus mais de 600 milhões de usuários, poderão se transformar em mecanismos de agrupamento para autosseguro.

A quinta megatendência apontada pelo estudo da consultoria PwC é a harmonização e a padronização do mercado segurador, motivada por um maior diálogo entre autoridades regulamentadoras americanas e europeias e de mercados emergentes. Se essa harmonização da regulamentação ocorrer, de acordo com o estudo, pode haver uma maior padronização de produtos e contratos de seguro. O aspecto negativo é que os países emergentes poderão impedir a entrada de participantes de mercados desenvolvidos ou limitar suas atividades.

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No campo dos avanços tecnológicos surgirão softwares e hardwares que transformam os“grandes dados” em conhecimentos utilizáveis,como o monitoramento contínuo de uma câmera de vídeo para identificar atividades suspeitas e comparar essas imagens com um banco de dados de suspeitos.

Cinco megatendências no mercado mundial de seguros Sociais – Muda o equilíbrio de poder que favorece os consumidores de seguros. Tudo isso graças à internet móvel e às redes sociais. Tecnológicos — Avanços em programas e computadores farão surgir softwares e hardwares que transformam os “grandes dados” em conhecimentos utilizáveis. Por exemplo, o monitoramento de uma câmera de vídeo para identificar atividades suspeitas e a comparação dessas imagens com um banco de dados de suspeitos. Ambientais — A severidade e a frequência de eventos catastróficos farão surgir modelos de risco e estruturas de compartilhamento de risco mais sofisticados para solucionar esses eventos. Econômicos — Aumento do poder político e econômico dos mercados emergentes. Políticos — Harmonização, padronização e globalização do mercado segurador, que pode gerar uma maior padronização de produtos e contratos de seguro.

Juliana Pereira, da Secretaria Nacional do Consumidor: empresas que não escutarem a voz do consumidor vão sumir do mercado

Respeito é bom

Não interessa a idade ou a classe social. Não importa a região onde mora ou que preço pode pagar por produtos ou serviços.O que o consumidor brasileiro quer é respeito. A titular da Secretaria Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça, Juliana Pereira, acredita que esse é um valor eterno, presente nas relações de consumo desde o início do mercantilismo. Graduada em direito pela Faculdade de Direito de Franca, interior paulista, Juliana Pereira foi assessora especial da Secretaria de Direito Econômico, a primeira coordenadora-geral do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec) e diretora do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor até 2012. Para ela, mais importante do que uma legislação atualizada, é preciso mudar como as relações de consumo acontecem. E alerta: as empresas que não tratarem o consumidor com respeito vão sumir do mercado. O que significa tratar a defesa do consumidor como política de estado? Juliana Pereira — A primeira coisa que observamos neste conceito é que devemos saber lidar com o consumidor do século 21. Nesse sentido, devemos destacar que respeito é algo eterno. É a primeira maneira de lidar com o consumidor, desde que surgiu o capitalismo.A maneira de expressar o respeito é que vai se sofisticando. Por isso, é importante para as empresas entenderem que o consumidor de hoje, a cada dia, tem mais pressa, menos paciência, que exige e reclama mais. Não interessa se ele vai ao Procon ou às redes sociais. O mercado precisa compreender que o respeito é um valor eterno e vai ficar difícil convencer o consumidor da demora e da falta de transparência nas relações. Assim, a melhor maneira de lidar com ele é expressando respeito,transparência e qualidade. As relações de consumo serão mais harmônicas se a proteção ao consumidor for uma política de estado. A agenda de defesa do consumidor deve ser um ingrediente de desenvolvimento social. A atual legislação e a estrutura jurídica têm sido suficientes para atender as demandas dos consumidores? Juliana Pereira — A atual legislação não é falha, pois ela estabelece os valores necessários na relação de consumo, como a boa-fé e a transparência, valores altamente desenvolvidos. Já existe, inclusive, em andamento, um processo de atualização dessa legislação, com base no comércio eletrônico e no superendividamento. Mas o que se precisa atualizar é o como essa relação de consumo acontece. Como o advento das redes sociais e de novas tecnologias móveis está interferindo nas relações entre consumidores e empresas? Juliana Pereira — A democratização da informação hoje é extraordinária.A mudança mais importante é que o consumidor saiu do status de objeto para o de sujeito nas contratações. Muitas empresas ainda apostam na ausência de voz desse consumidor, mas ele, hoje, tem muito mais voz do que no passado. É uma geração que já nasceu livre. É também mais resolvida do ponto de vista das relações.As empresas que não colocarem o consumidor nessa posição vão sumir. É possível traçar um perfil (em termos de comportamento) do consumidor brasileiro típico da atualidade? Juliana Pereira — O consumidor brasileiro não tem um perfil único, pois as regiões geográficas são muito distintas, com níveis de acesso ao consumo muito diferentes. Do ponto de vista humano, esse consumidor está buscando qualidade,no seu nicho de consumo,transparência e bom atendimento.Independentemente da classe social ou da região geográfica, ele vai buscar esses valores. Quais os ganhos mais importantes da relação entre consumidores de seguros, em especial, e as empresas seguradoras? O que ainda pode e deve melhorar? Juliana Pereira — O seguro é um serviço baseado na confiança. Quem compra seguro quer tranquilidade, embora ele seja utilizado em momentos de grande fragilidade do consumidor. Quando um produto é colocado no mercado, ele deve ter uma finalidade social, e esse é o caso do seguro.Assim, pelo fato de ser uma relação baseada na confiança, as seguradoras devem tratar esse consumidor com ainda mais respeito.


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14 • Brasília, terça-feira, 22 de outubro de 2013 • CORREIO BRAZILIENSE

INFORME PUBLICITÁRIO -

22 de Outubro de 2013

Mudança climática traz perdas materiais Elevação da temperatura em até 6ºC, aumento das chuvas nas regiões Sul e Sudeste e da seca no semiárido e na Amazônia, elevação de até 82cm no nível do mar: como esses fenômenos afetam as pessoas que usam seguros? O aumento progressivo da emissão e da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera já provoca mudanças significativas no clima do planeta. No Brasil, o primeiro relatório produzido pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), criado pelo Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Ciência,Tecnologia e Inovação, traz números preocupantes. As projeções indicam que a temperatura média em todas as grandes regiões do país,sem exceção,será de 3º a 6ºC mais elevada em 2100 do que no final do século 20, a depender do padrão futuro de emissões de gases de efeito estufa. As tempestades já comuns nas regiões Sul e Sudeste do país devem se tornar ainda mais frequentes e intensas.Por outro lado, os índices de chuva devem cair 40% nas regiões do semiárido, Centro-Oeste e nos estados da Amazônia. A redução na pluviosidade deve trazer impactos socioeconômicos importantes, como a diminuição da produtividade dos solos e no nível dos reservatórios. A consequência mais importante das mudanças climáticas, segundo o economista e ecologista Sérgio Besserman, é a elevação no nível do mar, que deve gerar impactos na infraestrutura costeira em todo o país. A projeção inicial era de que o nível do mar se elevaria entre 18 e 56 centímetros neste século. Agora, a projeção é de que o mar suba entre 40 e 82 centímetros. O que mais preocupa o presidente da CâmaraTécnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro é que nada vem sendo feito para frear esses índices. Isso porque, segundo ele, as ações mais eficazes passam por uma mudança significativa nos preços da economia global e por alterações na geopolítica. “O problema é que falta uma governança global.” E completa:“Achamos que a emissão de gases que provocam o efeito estufa é um bem público,mas transformações eficazes para enfrentar os piores cenários só serão possíveis se esse custo for internalizado pela economia global”, diz. Mas a conta não seria paga pelo consumidor final? Segundo Besserman, ele só vai assumir parte dos custos da mudança se continuar a consumir carbono de forma intensiva. E destaca: “O preço da não mudança é muito maior”.

Fábio Costa/D.A Press

CONSUMIDOR Embora as ações mais significativas para reduzir as emissões de CO2 devam ser feitas pelos países e empresas responsáveis por 80% das emissões, o consumidor tem um papel importante.“Empresas e governos não farão as mudanças necessárias de forma voluntária, pois só pensam no agora”, diz Sérgio Besserman. Para o economista, os indivíduos devem aprender a “fazer política com p maiúsculo”. O cenário futuro, continua Besserman, exige atenção da indústria de seguros, pois as novas gerações fazem mudanças de maneira rápida, afetando a sustentabilidade das empresas.“Estamos num momento crucial. A humanidade vai descobrir agora se é capaz de tomar decisões para daqui 20 ou 30 anos ou se nossos netos vão sofrer as consequências”, afirma.

Cenário futuro exige atenção da indústria de seguros, pois as novas gerações fazem mudanças rápidas, afetando a sustentabilidade das empresas” Sérgio Besserman, economista e presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro

AGENDA Sérgio Besserman é palestrante no painel Um novo clima e uma nova economia, que acontece amanhã, às 16h15, durante a 6ª Conseguro.

Para o economista Sérgio Besserman, nada vem sendo feito para barrar alterações no clima Davi Fernandes/Divulgação

PINGUE-PONGUE

O melhor é prevenir Climáticas apontaram que o Brasil, principalmente no leste do continente, experimentou aquecimento no século 20 entre 1ºC e 2ºC, ainda que uma parte desse aquecimento possa ser atribuído à alteração de vegetação, especialmente à diminuição da Mata Atlântica. Em muitas partes do Brasil, nota-se também um aumento da severidade das chuvas intensas deflagradoras de desastres naturais. O nível do mar elevou-se em torno de 20 centímetros ao longo do extenso litoral.A tendência para as próximas décadas é de continuidade do que vem sendo observado nos últimos 50 anos. Quais ações – do ponto de vista jurídico e tecnológico – vêm sendo tomadas para controlar os efeitos dessas mudanças? Em que medida elas estão sendo eficazes? Carlos Nobre — A longo prazo, a medida mais sensata de redução do risco futuro é a redução acentuada das emissões de gases de efeito estufa. Para manter o aumento de temperatura em 2ºC, como preconizado pela convenção-quadro da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, haveria a necessidade imperiosa de reduzir as emissões em até 80% na segunda metade deste século. Do ponto de vista tecnológico, é possível vislumbrar, por exemplo, um planeta onde 80% da geração de energia — hoje, a principal fonte de emissões devido à queima de combustíveis fósseis — proviesse de fontes renováveis não poluentes já em 2050. Por outro lado, a inércia institucional ainda é muito grande para vencer tais desafios, e as emissões fósseis têm continuado a crescer. Porém, é essencial criar as condições para que a inflexão da curva global de emissões aconteça nos próximos anos, sob o risco de tornar-se virtualmente impossível manter o aquecimento abaixo de 2ºC. Que consequências essas catástrofes naturais motivadas pelas mudanças do clima estão tendo na saúde, na produção de alimentos ou mesmo na preservação do patrimônio das pessoas? Carlos Nobre — Desastres naturais estão aumentando em todo o mundo. A principal causa é que mais pessoas, atividades econômicas e infraes-

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Diante de um cenário futuro nada animador do ponto de vista climático, restam poucas saídas para evitar que eventos naturais se tornem ainda mais catastróficos. É preciso reduzir em 80% as emissões acentuadas de gases de efeito estufa para manter o aumento da temperatura do planeta nos 2ºC preconizados pela Organização das Nações Unidas. Enquanto mudanças significativas não acontecem, só há uma certeza: é preciso prevenir. Para o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Ministério da Ciência e Tecnologia), Carlos Nobre, as cidades deverão ser repensadas, e sistemas de alerta contra tempestades podem ajudar a salvar muitas vidas.Ainda assim, as mudanças climáticas poderão causar perdas de alguns pontos percentuais do produto econômico global, impactando os países em desenvolvimento. Comparado ao cenário mundial, qual a posição do Brasil quando falamos de pesquisas e estudos sobre mudanças no clima? Carlos Nobre — O Brasil, ao longo dos últimos 15 anos, desenvolveu e está consolidando uma ativa comunidade científica na área de mudanças climáticas. Há vários programas de pesquisa em andamento, envolvendo mais de 75 estudos sobre os mais diversos focos sobre mudanças climáticas, projeções, impactos na economia, sociedade e ambiente, estratégias de adaptação aos impactos que já se tornaram inevitáveis e mitigação de emissões. Um desses programas de pesquisa de abrangência nacional é a Rede Brasileira de Pesquisas em mudanças climáticas globais, a rede clima, organizada pelo Ministério da Ciência,Tecnologia e Inovação. Há mais de 120 instituições de pesquisa e ensino participantes, envolvendo um número superior a 500 pesquisadores, técnicos e estudantes de pós-graduação. Quais as principais alterações já percebidas no clima do Brasil nas últimas décadas? Qual será o cenário nos próximos 10 ou 20 anos? Carlos Nobre — Tanto o quinto relatório do Grupo de Trabalho I do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas quanto o Relatório Nacional de Avaliação 1 do Painel Brasileiro de Mudanças

Carlos Nobre, do Ministério da Ciência e Tecnologia: cidades deverão ser repensadas para evitar catástrofes naturais trutura estão expostas a extremos climáticos e meteorológicos. Entretanto, já há inúmeras evidências de que eles estão se tornando mais frequentes e intensos como resultado direto das mudanças climáticas, com repercussões na saúde, na agricultura e na vida das pessoas. Resta pouca dúvida de que esses extremos vão aumentar com a continuidade do aquecimento global. Vemos que as fortes chuvas, por exemplo, sempre provocam muitos danos ao patrimônio material e à vida em diversas cidades, fato que se repete todos os anos. Considerando um horizonte futuro, o que é preciso fazer para minimizar as consequências destas catástrofes?

Carlos Nobre — É inevitável que as cidades brasileiras devem se preparar para as mudanças climáticas, especialmente com o previsto aumento da frequência e intensidade de fenômenos extremos meteorológicos e climáticos causadores de desastres naturais. Há que priorizar a prevenção de desastres naturais em toda a sua extensão.As cidades devem ser repensadas para que tenham maior capacidade própria de atenuar os extremos climáticos, recuperando algumas funcionalidades dos ecossistemas naturais, como a de absorver maiores volumes de chuvas sem provocar desastres. Isso pode ser conseguido por obras, por um lado, mas principalmente por recomposição da vegetação e da vocação natural das várzeas de absorver o excesso de escoamento superficial, por outro lado. Uma outra face igualmente importante da prevenção é o desenvolvimento de sistemas de alertas que possam antecipar em horas o risco de um desastre natural como alagamento, inundação ou deslizamento em encosta. Esses alertas antecipados salvam vidas. No Brasil, finalmente, tais sistemas estão sendo implantados em todo o território nacional, o que refletirá numa acentuada diminuição do número de fatalidades, feridos e afetados por desastres naturais. É possível mensurar o impacto econômico (em termos de perdas, sobretudo) que as mudanças climáticas estão e vão provocar daqui a uma ou duas décadas? Carlos Nobre — É possível mensurar, em algumas áreas, até mesmo as perdas econômicas que as mudanças climáticas estão causando hoje em dia. Por exemplo, importante estudo da Universidade de São Paulo, do grupo do professor Eduardo Haddad, estimou as perdas à economia de São Paulo e do país das enchentes e inundações na cidade de São Paulo. Os números são impressionantes: mais de 700 milhões de reais por ano de prejuízos diretos e indiretos pela importância de São Paulo para a economia do país. Em nível global, estima-se que, na ausência de medidas concretas de mitigação e adaptação, as mudanças climáticas podem causar perdas de alguns pontos percentuais do produto econômico global, com maior impacto nos países em desenvolvimento.

Informe Publicitário 6ª Conseguro Correio Braziliense  

Correio Braziliense publica caderno especial do mercado segurador, listando oportunidades e desafios.

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