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Backstage Apresenta - #1

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LAIÔ

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ANTES DE UMA ENTREVISTA EXCLUSIVA.... Laiôécantora,compositoraegestoraculturaldeIlhéus(BA).Com 20anosdetrajetória,trêsdiscosesetesinglesnasplataformas digitais,seconsolidacomoumadasvozespotentesdacena independentebaiana.Mulherpreta,lésbicaenaturaldeIlhéus, constróisuaobraapartirdoterritóriocomoextensãodocorpoeda memória,conectandoopúblicoàshistóriaseimagensdolitoral.

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Quando e como você percebeu que essa era a carreira que queria seguir? Houve um momento decisivo?

Acho que não houve um momento decisivo, mas fui percebendo que a música tomava mais tempo do que um hobby Entendi que a arte era meu lugar de expressão no mundo É através dela que me sinto confortável para existir em liberdade, sendo quem sou e acolhendo quantas ainda posso ser Foi um processo natural: aos poucos fui dando mais tempo à atividade que mais me dava satisfação e deixando de lado a profissão de turismóloga e administradora de empresas, que são minhas formações acadêmicas

Quem ou o que foi sua maior inspiração no início de tudo?

Sou uma mulher preta, e as referências quando comecei a me conectar com a arte eram muito embranquecidas Hoje, com a consciência racializada que tenho, percebo que tive dificuldade em assumir uma referência como inspiração. Eu gostava de muita coisa as músicas de novela me chamavam muita atenção. Mas quando vi Luciana Mello pela primeira vez na TV fazendo o som dela, me encantei de cara Acho que foi ali que, em silêncio, eu me disse: “Eu também posso, porque me vejo parecida com ela ” Talvez por isso eu valorize tanto a representatividade Quero que outras meninas pretas, lésbicas e com características parecidas com as minhas olhem para mim e percebam também que elas podem.

Qual foi o maior desafio que você enfrentou no decorrer da sua carreira até agora e o que aprendeu com ele?

Moro no litoral sul da Bahia, então penso que o maior desafio é furar a bolha do interior para a capital e alcançar reconhecimento nacional. Aos poucos, fui entendendo que sucesso é relativo e que posso ter sucesso nas ações a partir do que faz sentido para mim Isso acaba desencadeando outro desafio: não me deixar levar pela síndrome da impostora, que se ativa diante da construção social do que é ser artista. Existe uma confusão entre ser artista e ser famoso. Esse “ sucesso ” atrelado a grandes plateias e visibilidade é uma construção social de um mercado manipulado pelo capital, que muitas vezes não tem relação com o valor da minha arte Aprendo diariamente a respirar e a me reconhecer para não me distanciar do que de fato acredito

Qual foi o projeto ou trabalho que mais te marcou e por quê?

Com plena certeza, meu disco homônimo Laiô Penso que renasci depois desse trabalho, que também marcou a mudança do meu nome artístico. Esse novo nome me deu liberdade para existir e acolher minhas transformações Sinto que ganhei um superpoder e também uma responsabilidade maior, falando de um lugar mais consciente sobre o legado que quero deixar. Ser uma mulher preta, lésbica, artista e de axé no litoral sul da Bahia já é um desafio em várias instâncias Como Laiô, me vejo firme e mais forte nesse compromisso comigo mesma de não desistir

Qual foi o momento nos bastidores em que você sentiu a maior adrenalina (ou nervosismo) antes de uma performance/gravação importante?

Acho que foi na final do Festival Nacional da Canção, o maior festival de música do país Não me reconheço como boa instrumentista harmônica, e minha música chegou à final comigo apenas no violão Entendi que precisaria atravessar meu maior medo para defender minha canção. Se fosse apenas cantar, seria uma coisa; mas cantar e tocar sozinha numa final que representava tanto para mim me travou um pouco (risos) No entanto, o resultado foi positivo: ganhei o prêmio de melhor intérprete naquele ano.

Qual foi o conselho mais valioso que você recebeu no backstage de alguém da equipe ou de um colega?

Um amigo artista me disse certa vez: “Nunca deixe que o ego te faça acreditar que você é a melhor Ao invés disso, não perca o desejo de atravessar as pessoas com sua história ” Repito isso como mantra, e para mim faz todo sentido

Qual é a sua memória de backstage favorita de toda a sua carreira?

Tenho várias, mas acho que as mais legais têm relação com os convites de participação em shows, que me permitiram criar laços de amizade com artistas que admiro. É uma sensação incrível pensar: “Poxa, que massa, agora sou amiga dele ou dela.” Eu acredito em conexões reais, e sei que nosso trabalho tem muito desses encontros propositais, mas que nem sempre se traduzem em afeto verdadeiro Então, quando isso acontece de forma genuína, me sinto feliz (risos)

Existe algum “segredo” dos bastidores que você pode nos contar (sem entregar demais!)?

Acho que não é bem um segredo talvez seja um costume, uma reza, uma crença. Gosto de fazer um momento de bons desejos com toda a equipe e, depois, me reservar num cantinho por alguns minutos antes do show para pedir a orixá que me guie na apresentação

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