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N.º 72 Distribuição Gratuita 3.º trimestre de 2018

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04 Açores Deportados 08 Índia

18 Breves Quadro de Honra Nacional Internacional

ÍNDIA

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12 Entrevista Pedro Calado

22 Agenda + Loja AMI

O que mudou três décadas depois Entrevista

ALTOCOMISSÁRIO PARA AS MIGRAÇÕES

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SUMÁRIO + EDITORIAL

DEPORTADOS PORTUGUESES DOS EUA E DO CANADÁ: UMA QUESTÃO DE DIREITOS HUMANOS Seja sob que ângulo se olhar a questão dos deportados portugueses dos EUA e do Canadá – a maioria dos quais de origem açoriana, por motivos históricos (caça à baleia) – no final de contas, o que mais choca na generalidade dos casos é a assimetria de pena extra que lhes é aplicada após já terem cumprido uma pena nesses países pelo ilícito aí cometido (grave ou ligeiro). Isto é, a expulsão de um país que os deportados consideram como seu porque aí cresceram desde a infância, aí se educaram ou deseducaram, casaram e tiveram filhos e onde assimilaram a língua e cultura, para o país (Portugal) onde nasceram mas em relação ao qual em nada se identificam porque o deixaram há décadas, quando bebés ou crianças, sem terem criado verdadeiros laçosfamiliares, linguísticos, culturais e afetivos. Essa decisão, sustentada por decisões legais e jurídicas existentes nos EUA (mais restritivas desde 1996) e Canadá (desde 2001), já deportaram para Portugal nos últimos anos, centenas de portugueses para o continente, a Madeira e sobretudo os Açores criando, por um lado, problemas humanos tremendos para os deportados e quase sempre tão traumáticos que se revelam insolúveis e, por outro, questões de difícil ou impossível solução social e humana para Portugal. Repito: são seres humanos que, nascidos em Portugal mas criados nos EUA e no Canadá há várias décadas, aí cresceram, assimilaram e interiorizaram a cultura local. Alguns até cumpriram o serviço militar (Vietname, Golfo, Iraque), aí têm os pais e família, desenvolveram as suas atividades profissionais, aí obtiveram residência mas, por ignorância, desconhecimento ou descuido, nunca solicitaram a cidadania, embora a ela tivessem direito, porque não pensaram que o impensável pudesse ser possível e cruelmente executado. Serem expulsos para o seu

Fernando de La Vieter Nobre Presidente e Fundador da AMI

país de origem, neste caso Portugal, perdendo direitos sociais, para os quais, muitas vezes, contribuíram durante décadas, e deixando definitivamente aos 30, 40, 50 ou 60 anos tudo para trás: trabalho, pais, cônjuges, filhos já lá nascidos… Isto, apesar de terem residência e terem já cumprido uma pena à qual foram condenados por um delito cometido, seja ele qual for (droga, acidente de viação, assaltos…). Resultado: revolta, exclusão social, cultural, familiar e desnorte totais no país onde nasceram mas ao qual não sentem que pertencem, obviamente. É neste contexto que a AMI tem dado o apoio possível, embora com muitas dificuldades, nos seus centros sociais nas Regiões Autónomas (sobretudo na Ilha Terceira) e no continente e tentado sensibilizar para uma temática tão ignorada, tão desumanizada e tão aviltante, através do cofinanciamento de iniciativas como a peça de teatro “I don´t belong here”, interpretada maioritariamente por deportados reais e que esteve em representação em várias cidades do continente e ilhas em 2016. Em 2017, estabelecemos uma parceria com o Immigrants’ Assistance Center (IAC), em New Bedford, Massachussets, que desenvolve um trabalho notável ao sensibilizar e ajudar os imigrantes condenados à deportação e atuando preventivamente no sentido de sensibilizar e preparar os nossos compatriotas que a isso têm direito para a obtenção de cidadania. Através da parceria com o IAC (uma instituição criada em 1971 por elementos da comunidade portuguesa de New Bedford) e da concretização de um trabalho em rede entre as duas instituições, a AMI tem vindo a intensificar a sua colaboração no sentido de reforçar a ajuda prestada aos nossos deportados para o Continente e para as Ilhas. | 03


© Associação de turismo dos Açores

OS DEPORTADOS AÇORIANOS NA ILHA TERCEIRA

PRESOS NUMA TERRA ESTRANHA

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Saíram dos Açores quando eram crianças. E nunca mais voltaram. Até serem repatriados pelos tribunais norte-americanos por terem cometido crimes nos Estados Unidos. Mas não voltaram para a ilha da sua infância, plena de memórias afetivas. Voltaram para uma terra que já não reconhecem, com a qual perderam os laços e as ligações e onde se sentem completamente estranhos. Deixaram Portugal em crianças. Foram para os EUA, onde viveram toda a sua vida, mas nunca se naturalizaram. Cresceram, construíram uma família, trabalharam, fizeram todo um percurso, igual ao de tantas outras pessoas. Mas as incursões na criminalidade fizeram com que fossem repatriados e mandados de volta para uma terra que os viu nascer mas com a qual já não têm ligação. Quando chegam, chegam sozinhos, isolados e desenraizados. Muitos, continuam a sentir-se presos. Ainda que em liberdade. A repatriação é um fenómeno que não é exclusivo dos Açores mas é aqui que esta questão é sentida de forma mais intensa. De igual modo, o fluxo desta população já foi bastante maior do que é atualmente. Dados relativos a 2017 indicam que foram 637, os cidadãos portugueses sujeitos a processos de deportação, 174 dos quais provenientes dos Estados Unidos e do Canadá. É verdade que grande parte deles (93%) tem origens açorianas mas também é certo que este número já foi bastante maior no início da década. Seja como for, os repatriados açorianos são uma população particular e especialmente fragilizada que levanta algumas questões, nomeadamente quanto à complexidade e dificuldade da sua integração, da justiça das políticas de repatriamento – em particular quanto à falta de complacência com que estas tratam pessoas que não têm efetivamente laços reais com o país de onde vieram. 04 |

Alvarinho Pinheiro, é coordenador do Abrigo Noturno Domus Spae que recebe, na cidade de Praia da Vitória, muitos destes repatriados. Um equipamento semelhante ao gerido por Egla Alves, responsável pelo abrigo noturno Novo Rumo, no centro de Angra do Heroísmo. Para ambos os técnicos, este é um fenómeno com cerca de 15 anos e que levanta “muitos desafios, uma vez que os deportados não conhecem a cultura, a língua, os modos de vida o que, associado a comportamentos errantes e antissociais que se acentuam quando aqui chegam, não facilita em nada a sua integração”. “Não têm família direta aqui, e esse é o grande problema. Muitos deles deixaram os filhos, as companheiras, os amigos”. Para muitos deles, a primeira vez que veem os Açores é quando chegam aqui repatriados. Ou porque partiram muito pequenos ou porque nasceram nos EUA e nunca, nem de férias, tinham vindo aqui. “É um choque cultural imenso. Para mais, chegam destruturados, sem dinheiro. Cumpriram pena nos EUA e alguns, a única coisa que têm é a roupa do centro de detenção”. Há quem se consiga integrar e se autonomizar, usando bem o apoio que recebe e adaptar-se à realidade açoriana. Mas a maior parte acaba por adotar comportamentos desviantes, nomeadamente pelo consumo excessivo de álcool. “Ficam à deriva, dependentes de ajudas e de apoios institucionais”.


AMI

A associação onde Sofia trabalha é muitas vezes o primeiro contacto dos deportados com a realidade açoriana. “Recebemo-los, muitas vezes, à saída do avião. Na maior parte dos casos, vêm apenas com a roupa que trazem no corpo”. Contactam a família, percebem o contexto em que vai ser recebido e dão-lhes apoio.

Sofia Gomes Egla Alves

Apesar de expulsos daquele que consideram ser o seu verdadeiro país, não é por isso que guardam ressentimento contra o Governo ou as autoridades norte-americanas. A revolta é antes contra um alvo um pouco mais improvável: “se há ressentimento, esse é dirigido contra nós, que somos a parte mais visível e mais concreta do seu problema. Quando aqui chegam, sentem que vêm cumprir uma segunda pena. É verdade que nós também mostramos alguma incapacidade para lidar com eles e que há um estigma em relação aos deportados, mas eles também não fazem muito para mudar: não aprendem a língua, vestem-se da mesma forma. É como se o corpo estivesse cá, mas a alma permanecesse no outro lado do Atlântico.” Talvez a melhor prova disso “é o modo como mudam o comportamento e a atitude, sempre que são visitados pela família ou, de uma forma mais prosaica, quando lhes é permitido recriar aqui um costume querido como o Thanksgiving” (o feriado nacional americano mais importante do ano, a par com o 4 de Julho), refere Sofia Gomes, assistente social na Equipa de Apoio a Grupos de Risco da Confederação Operária Terceirense. Durante uns quatro anos, um xerife norte-americano que se encantou pelos Açores, organizou um festejo para a população deportada “com direito a peru e a final da Super Bowl (o jogo final e que decide o campeão nacional de futebol americano) e tudo. Eles adoravam!”, recorda.

Ajudam e apoiam na documentação e são o primeiro suporte social e familiar, para além de organizar o trabalho de rede que for preciso efetuar para ajudar a integração desta população. Como muitos “não sabem falar uma palavra de português, têm dificuldades acrescidas em arranjar trabalho ou uma ocupação, o que acentua e agrava os problemas de alcoolismo e toxicodependência que alguns deles apresentam”. Outro problema apontado é o das expectativas, que são tantas vezes ilusórias “há quem chegue com a expectativa de que vai ter um rendimento razoável, que lhe permitirá ter uma vida relativamente tranquila mas isso não é verdade, uma vez que têm, como qualquer outro cidadão nestas circunstâncias, apenas acesso ao RSI (Rendimento Social de Inserção) ”. O RSI é o único rendimento que Elísia Pedrosa, 60 anos, atualmente aufere. É “visita” regular do Centro Porta Amiga de Angra, onde toma as suas refeições. Elísia foi para Boston, nos EUA, quando tinha 10 anos. Casou-se lá e teve 2 filhos. Quando o marido foi preso, por tráfico de droga, ela também foi, acusada de cumplicidade. Nunca lhe ocorreu tratar da cidadania. Limitou-se a renovar a carta verde (que autoriza a residência) e foi essa “falsa sensação de segurança” que a traiu. Acabou por ser deportada depois de cumprir pena, novamente acusada e julgada, desta vez por agressão à autoridade. “A verdade é que tinha um problema grave de alcoolismo e precisava de dinheiro para pagar a defesa para lutar contra a deportação. Não tive como evitar”. | 05


Elísia e a sua assistente social

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Apesar da dureza da medida de repatriação, Elísia sente, mais do que injustiça, “vergonha pelo que fiz” e acha que o castigo da deportação acaba por ser “merecido e justificado” pela sua conduta. “Não se pode dizer que me tenha surpreendido, até porque fui avisada várias vezes pelos juízes”. Chegou há cinco meses à Terceira, onde tem um irmão, mas só pensa no momento em que vai poder voltar. “Posso regressar daqui a 10 anos. Tenho lá os meus dois filhos e os meus netos (de 4, 5 e 13 anos).“ Apesar das dificuldades, gosta dos Açores. “Aqui a vida é mais difícil. Não tenho carro, não tenho trabalho. Ainda não sei ler ou escrever bem português mas estou a aprender. Assim que começar a trabalhar, a minha vida vai melhorar.” Como tantos outros deportados, Elísia não se recorda de praticamente nada. “Reconheci a cidade (Praia da Vitória) mas não consigo lembrar-me de nada. Da casa onde vivi, da comida, de nada”. Ilda Garcia, de 50 anos, também frequenta diariamente o Centro Porta Amiga de Angra. Foi aqui que encontrou o apoio e o carinho que necessitou quando deles mais precisou. “Foi aqui que percebi que não estava sozinha”. Ilda tem uma história de vida particularmente complicada. Foi dada, juntamente com a irmã, para adoção por um casal americano quando tinha 7 anos. Foi para uma pequena cidade, Palisade, Colorado. Os pais adotivos eram molestadores mas Ilda acabou por conseguir sair de casa aos 15 anos. Apesar de ter limitações de aprendizagem, conseguiu estudar e aprender uma profissão. Aos 18 anos alugou um apartamento, comprou um carro e começou a trabalhar. Aos 20 anos, teve o primeiro filho e desde aí recebeu apoio institucional. “Tive uma vida muito instável e problemática. Tornei-me toxicodependente e fui obrigada a dar os meus 6 filhos para adoção” Dos seis filhos, só mantém contacto com os 3 mais velhos e do que sabe, “já tenho 7 netos, veja só”. Ilda refere que só cometeu um crime (posse de droga) e acha que até poderia, senão ter evitado, “pelo menos adiado a deportação mas queria muito rever a minha mãe”. Encontrou-a no hospital no dia em que chegou. Quando chegou, também descobriu que “tinha muita família nos Açores. Muito mais do que poderia imaginar. Irmãos, meios-irmãos, tios, tias...” mas não foi por isso que 06 |

Ilda Garcia

A DIÁSPORA AÇORIANA PARA OS EUA Os primeiros açorianos chegaram aos EUA entre o final do século XVIII e começo do século XIX. Eram tripulantes das escunas que, desde New Bedford, faziam escala nos Açores. O recrutamento de homens jovens nos Açores para a caça à baleia foi crescendo ao ponto de provocar uma pequena crise demográfica no arquipélago. No decurso do século XIX, começaram a fixar-se na costa leste dos EUA as primeiras comunidades de açorianos. Trabalhavam na pesca e na indústria baleeira mas também nas fábricas da Nova Inglaterra. Em 1920 estima-se que já eram mais de 35 mil mas, por esta altura, os EUA começaram a exigir que os imigrantes fossem letrados e foram impostas quotas por país, o que afetou o fluxo de imigrantes. Nos anos 50 e 60 o fluxo de imigrantes açorianos a chegar aos EUA voltou a crescer muito significativamente. Mais de 30 mil saíram das ilhas ao abrigo dos Azorian Refugee Acts de 1958 e 1960, criados na sequência da erupção do vulcão dos Capelinhos, no Faial. Em 1965, o Immigration Act estabeleceu um teto de 20.000 pessoas por ano e por nação. A segunda grande vaga de emigração açoriana para os EUA ocorreu na década de 1970, impulsionada pelo Immigration and Naturalization Act de 1965 que implementou uma política de reunificação familiar. Entre 1965 e 1975, saíram dos Açores 215 000 pessoas, a sua esmagadora maioria com idade compreendida entre os 20 e os 40 anos. Eram sobretudo jovens casais do meio rural e com baixo grau de instrução e tiveram como principais destinos os estados de Massachusetts, Califórnia, New Jersey e Rhode Island.


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O que é a deportação: um contexto histórico A deportação é uma consequência direta da não obtenção de cidadania ou naturalização. Uma explicação para este fenómeno pode residir no facto do processo de socialização ter decorrido num contexto que fez com que não sentissem a necessidade de adquirir nova nacionalidade. Para além disso, o baixo nível de instrução da diáspora portuguesa poderá ser responsável por índices de naturalização inferiores à média. Por outro lado, a posse de visto de residência pode ter conferido um enganador sentimento de estabilidade. Esta omissão acabou por ter consequências dramáticas na vida de muitas destas pessoas. Sobretudo num país com um regime de deportação tão rígido como o que os EUA têm. Com efeito, a deportação sempre foi um mecanismo muito usado pelos dois países norte-americanos. A primeira lei de deportação (Alien Act) foi promulgada pelos EUA em 1898, seguindo-se a Chinese Exclusion Act, que remonta aos finais no século XIX. O Register Act de 1929 deu oportunidade aos ilegais para regularizarem a sua situação, desde que comprovassem a sua honestidade, moralidade, obediência à lei e uma taxa de 20 USD. Em 1952, o Immigration and Nationality Act definiu os tipos de crimes passíveis de deportação, entre os quais se contavam o tráfico de droga. Através deste diploma, os não-cidadãos com visto de residência passaram a ser sujeitos a deportação, no caso de condenação por dois crimes de índole moral ou por apenas um, quando se tratasse de emigrantes com

recebeu apoio ou se sentiu mais integrada. “Não reconheço nada”. Os primeiros tempos de Ilda nos Açores foram um verdadeiro inferno. Ainda hoje, passados oito anos, não fala português. A falta de audição e a dificuldade de aprendizagem que ainda hoje retém não facilitaram. A somar a isso, uma relação tumultuosa com a irmã que a acolheu quando chegou aos Açores tornaram os primeiros anos de Ilda na Terceira muito complicados. “Cheguei a viver na rua mas agora divido uma casa com mais 3 mulheres no centro de Angra do Heroísmo.” Contudo, esta não foi a única mudança na vida de Ilda.

menos de cinco anos de permanência e condenados a pena superior a um ano de prisão. Com o Anti-Drug Abuse Act de 1988, o Congresso alargou o regime de deportação, ao prever que os emigrantes poderiam ser deportados no caso de condenação por qualquer aggravated felony, introduzindo ainda a sua aplicação retroativa. Esta abarcava inicialmente os ilícitos de homicídio, tráfico de droga, branqueamento de capitais e tráfico de armas. Contudo, este conceito de aggravated felonies foi alargado com o Immigration Act de 1990, passando a incluir todos os crimes punidos com pena de prisão (mesmo suspensa) superior a cinco anos. Em 1994, o Immigration and Technical Corrections Act acrescentou aos aggravated felonies, os crimes de roubo e ofensas corporais. A partir de 2001, voltou a reformular-se o conceito de aggravated felonies, passando estas a incluir todos os crimes com penas superiores a um ano e eliminaram o poder discricionário dos juízes, os quais poderiam até então comutar o repatriamento. Com este novo enquadramento, o espectro da deportação tornou-se real para todos os não-cidadãos anteriormente condenados por um crime com pena de prisão superior a um ano, mesmo que suspensa. Crimes como pequenos furtos ou cheques sem cobertura (de quantias mínimas) passaram a dar lugar a um processo automático de repatriamento, tornando-se a deportação, numa das mais fortes ferramentas de controlo social nos EUA.

“Ao princípio, a vida nos Açores era difícil, monótona, não me enquadrei. Tive medo de sufocar aqui. Com o tempo, acabei por encontrar a minha paz interior. O mar, a beleza e a tranquilidade desta ilha ajudaram-me muito e agora posso dizer que aprecio a vida que tenho” ao ponto de não ter sequer vontade de regressar aos Estados Unidos. “Gostava de rever os meus filhos e netos mas não quero voltar”. Está à espera de um professor para aprender português.

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ÍNDIA BENGALA OCIDENTAL O que mudou em três décadas

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Há 27 anos que não ia a Calcutá, Capital do Bengala Ocidental. Nem à Índia… Tudo mudou na “Cidade da Alegria” de 1991, tão fielmente retratada por Dominique Lapierre meia dúzia de anos antes. Já não se vêem, ou raramente, Homens Cavalo, e até riquexós, substituídos por tuc-tucs, mesmo nas aldeias. As famílias inteiras que nasciam, viviam e morriam nos passeios foram empurradas para os “slums” (bairros de lata), longe da vista dos privilegiados. O caos organizado do trânsito flui muito melhor. As vacas que deambulavam calmamente pelas ruas, obrigando os carros a contorná-las numa gincana contínua, também desapareceram. Surgiu entretanto a “New Kolkata”, com avenidas largas, arranha-céus, parques de diversões, hotéis 08 |

internacionais e lojas como as há em todas as grandes metrópoles do Mundo. Conheci Archita Basu, na altura uma jovem voluntária tal como eu, numa das aldeias em que a AMI financiou a construção de casas e poços para as comunidades mais vulneráveis. O Pai era Professor na aldeia de Kalikata. Recebeu-nos em sua casa com os seus dois filhos, Archita e seu irmão Biswanath. Era viúvo. Visitámos muitas aldeias, conhecemos muitas pessoas, mas foi com esta família que criei laços, sem razão especial. Trocámos moradas. Na altura não havia internet. A vida tem destas coisas… Durante muito tempo não soube mais nada. Escreveu-me uma carta passados muitos anos em que me contava que o Pai tinha morrido, ela casara e tinha dois


AMI

Casa de adobe

Exemplo de casa já construída em zona mais elevada

filhos e continuava o seu trabalho como Ativista Comunitária, agora na sua própria organização. Recentemente contactei-a para uma eventual parceria na área de Prevenção de Catástrofes. A resposta não se fez esperar. Vamos 50 Km para Este. Distrito de Howrah. A única ponte de então, junto à estação de Caminhos de ferro do mesmo nome, a maior da Índia, que continua a “vomitar” todos os dias para a cidade mais de um milhão de pessoas, já não é de passagem obrigatória. Foram construídas mais duas pontes para atravessar o Ganges. Sim, porque o centro de Calcutá, com os seus 6 milhões de habitantes, duplica de população todos os dias com aqueles que lá trabalham. A região de Bengala Ocidental tem mais de 90 milhões de habitantes, dos quais 14 milhões vivem na Grande Calcutá. A viagem de automóvel faz-se bem. A paisagem humana muda. Em quatro dias intensos, cuja jornada começava às 9h da manhã para só terminar às 9h da noite, visitámos 16 aldeias: Kalikata, Anulia, Bhetkepara, Sirol, Tegachia, Sarda, Ghoraberia, Chitnan, Vatora, Akna, Saimona, Sarpai, Thalia, Binola, Para e Kumaria. Nomes difíceis de entender, e por isso também de memorizar! Todas as noites, ao regressar a Calcutá, duas das quatro faixas de rodagem da auto-estrada estavam ocupadas por duas filas infindáveis de camiões parados. Explicaram-nos que chegam de Mumbai e Nova Deli mas não podem entrar

Casa financiada pela AMI há 27 anos

na Cidade antes das 9 da noite. E lá ficam horas a fio (a partir das 4 da tarde começam a chegar), juntando-se em grupo a comer e conversar, sentados no asfalto. As aldeias assemelham-se nas necessidades. De difícil acesso, muitas vezes só de “tuc-tuc” ou até mesmo a pé, parecem-se todas à primeira vista. Mas a pobreza extrema, porque de isso se trata, também ela tem graduações. À medida que as horas e os dias passam, vamos tendo essa perceção. Todas as aldeias são paupérrimas para o nosso critério “ocidental”, mas há-as miseráveis e algumas mesmo indignas. Casas de adobe argiloso, ameaçando ruína à primeira chuva, vão na sua maioria ficar submersas nas cheias. As casas construídas com financiamento da AMI há 27 anos, essas, continuam de pé. Que diferença noto em relação a 1991? Os acessos às aldeias mais remotas foram melhorados com obras do Governo. Têm pavimento de tijolo ou uma fina camada de cimento. Já não são tão lamacentos. Lembro-me da dificuldade em andar sem deixar o sapato para trás, enterrado na lama. Existem também abrigos sobre estacas, ainda que insuficientes, para receber as famílias que ficam com as casas alagadas na altura das cheias. Os | 09


Vista de “New Kolkata”

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riquexós puxados por homens a pé ou de bicicleta foram na sua maioria substituídos por “tuc-tucs”. A monção tardou este ano em chegar. Junho já costuma ser o mês das chuvas torrenciais. Tivémos “sorte”. Não choveu senão um dia. Mas em Bengala, quando as chuvas não vêm a horas, a principal fonte de rendimento da maioria da população, o arroz, pode ser seriamente posta em causa. E por isso, também a subsistência da maioria das famílias. O projeto que estamos a desenvolver com o nosso parceiro, financiando e dando apoio técnico, pretende prevenir as cheias, sensibilizando 30 aldeias para a necessidade de elevarem as suas casas e reforçá-las com pelo menos 4 pilares de betão, para os quais são fornecidos os materiais. Isso implica um trabalho intenso de sensibilização e acompanhamento. Já foi aliás identificado, em cada aldeia, um elemento que irá receber formação e ser capacitado para esse fim. O Estado de Bengala Ocidental, devido à sua vulnerabilidade às catástrofes naturais, desenvolveu uma política de gestão de desastres integrada no seu Plano de Desenvolvimento. O documento foi-nos facultado pelo nosso parceiro, cujo trabalho é desenvolvido em harmonia com o mesmo. Uma das áreas em que se empenham é justamente “advocacy” para as aldeias onde atuam. 10 |

Nas dezasseis comunidades onde fomos e dialogámos, as pessoas têm consciência que as cheias se agravam de ano para ano. Sobretudo os mais velhos. Falam das mudanças nas estações: há duas décadas havia seis estações no ano. Hoje ficaram reduzidas a três. O que, no entanto, mais verbalizam é a falta de acesso à água e a médico. Preocupa-os que, no tempo das cheias, os poços de água ficam submersos e só lhes resta beber a águas das charcas (“ponds”) artificiais onde pescam, tomam banho, lavam a roupa, etc. Fervem várias vezes a água e “filtram-na” com um tecido tipo gaze. Evidentemente que estão reunidas assim todas as condições para que as doenças hídricas proliferem, em particular as diarreias. Há pois que construir os poços em altitude com escadas de acesso, o que implica uma perfuração mais funda, até porque os lençóis de água mais superficiais estão contaminados por arsénico. Em relação ao médico, é sabido que 80% das doenças são evitáveis com a alteração de hábitos e com prevenção. Do que necessitam é, não propriamente de médico, mas de cuidados primários de saúde. E fica combinado com o nosso parceiro que será um projeto paralelo a desenhar.


AMI

Agente comunitário

Habitante de aldeia

Habitante de aldeia

Numa região onde a pobreza agravada pelas cheias impera, os sonhos ainda conseguem emergir

Todas estas aldeias carecem das mais básicas condições de vida. E as cheias, cada vez mais intensas e longas, a muito curto prazo irão provocar migrações em massa. São sempre os mais pobres e vulneráveis as verdadeiras vítimas de todas as catástrofes, sejam elas naturais ou provocadas pelo Ser Humano. De regresso ao “mundo da abundância”, retomo a minha habitual caminhada. Volto diferente. O

ar leve e fresco da manhã deste início de julho ameno contrasta com as sensações vividas que se me colaram à pele na última semana. - Luísa Nemésio, Secretária-Geral da AMI

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ENTREVISTA PEDRO CALADO “ESTAMOS PERANTE UMA CRISE DE ASILO, NÃO DE REFUGIADOS”

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Pedro Calado é o Alto-Comissário para as Migrações, o organismo de monitorização dos movimentos e da integração dos migrantes em Portugal. Com ele quisemos perceber o que se passa em Portugal com um dos mais debatidos e controversos temas da atualidade. Em 2017, registou-se o valor recorde de população deslocada a nível mundial: 68,5 milhões de pessoas foram forçadas a deslocar-se. Destes, 24.5 milhões são população refugiada e 3.1 milhões requerentes de asilo. Quantos chegaram à Europa? De acordo com dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), em 2016 chegaram à Europa 171.100 indivíduos através de travessias no Mar Mediterrâneo. Em 2017, esse número foi de 32.700. Em Itália, o número de deslocados internacionais resgatados caiu de 99,8 mil para 20, 2 mil, representando uma redução de quase 80%. Contudo, e de acordo com o relatório “Viagens desesperadas” das Nações Unidas, o número absoluto de vítimas diminuiu de 2.276 para 1.095 nos oito meses do ano (-51%), mas a quantidade relativa de mortes no Mediterrâneo subiu. De uma morte a cada 42 pessoas que conseguem completar a travessia, passámos, em 2018, para uma a cada 18 chegadas. O que temos agora são muito menos chegadas, mas travessias cada vez mais perigosas e mortíferas. 12 |

A crise de refugiados na Europa tem fim à vista? Creio que importa, para responder a esta questão, começar por perceber que não vivemos propriamente uma crise de refugiados. O que vivemos foi a crise dos sistemas de asilo, seguramente, uma crise de solidariedade entre os parceiros que compõem a União Europeia. Os números que tivemos para gerir, mesmo no pico das chegadas, teriam sido perfeitamente controlados de forma corresponsável se todos tivessem feito a sua parte. Olhando para os números, e percebendo que os mesmos estão a decrescer significativamente desde 2016, parece-nos que a normalidade dos fluxos de chegada está a ser retomada face aos anos anteriores aos conflitos na Síria e no Iraque. Os 2 principais eixos de entrada são o Mediterrâneo e a Turquia? Quase 70% das chegadas são hoje provenientes do Mediterrâneo central e um número cada vez menor processa-se a partir da Turquia.


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O que tem vindo a ser feito para mitigar essa crise? Desde logo, numa decisão de 2015, a Comissão Europeia adotou a Agenda Europeia para as Migrações, instando os Estados-Membros da UE a participarem num esforço conjunto de acolhimento e integração, apoiando os países sob maior pressão, designadamente Itália e Grécia. Foi nessa lógica solidária que Portugal, não só aceitou acolher a sua quota-parte, como já no XXI Governo Constitucional, demonstrou disponibilidade para duplicar essa capacidade. Desde aí, fomos o 6.º país da UE que mais pessoas acolheu, num processo sujeito a riscos e dificuldades mas que, num balanço geral das mais de 150 entidades envolvidas, valeu a pena. Em Portugal, há resultados muito interessantes, sobretudo ao nível da Inserção Laboral – área onde o Governo lançou o Refujobs (www.refujobs.acm.gov.pt), projeto-piloto que tem por objetivo potenciar as competências profissionais das pessoas refugiadas, associando-as às oportunidades de emprego disponíveis em entidades e empresas portuguesas. Neste domínio, à data de hoje, e ao fim de dois anos, temos 47% de pessoas refugiadas em idade ativa, em Portugal, integradas em formação ou emprego, algo que, em média, de acordo com a OCDE, leva entre 10 a 15 anos a conseguir. Também a aprendizagem da Língua Portuguesa tem sido outra das prioridades. Realçamos a criação da Plataforma de Português Online, disponível em https:// pptonline.acm.gov.pt, que apresenta conteúdos para aquisição do português europeu por adultos falantes de outras línguas, através de módulos traduzidos para inglês e árabe. Adicionalmente, em parceria com o projeto Speak (https://www.speak.social/pt/), o ACM, I.P., reforçou a oferta da aprendizagem da Língua Portuguesa através de um programa linguístico e cultural, criado com a finalidade de aproximar pessoas de contextos culturalmente diversos, através da partilha das línguas e culturas de origem. Como forma de promover uma integração de proximidade e de melhorar o conhecimento sobre Portugal enquanto país de acolhimento, o Governo lançou a App MyCNAIM, disponível para IOS e Android, a partir da qual as pessoas migrantes e refugiadas podem aceder a informações sobre os vários serviços de apoio, promovidos por este Instituto Público, assim como sobre o processo de regularização documental, habitação, saúde, educação, reconhecimento de habilitações académicas, entre outras informações relevantes sobre o país. Acha que Portugal e os países da UE estão a gerir de forma eficaz esta crise? Na origem e no destino? À sua escala, Portugal orgulha-se de estar a fazer a sua parte. Numa Europa onde alguns Estados-Membros subs-

A “ fluxos

normalidade dos de chegada está a ser retomada

tituíram a solidariedade por muros, Portugal tem merecido o destaque da UE, do Conselho da Europa e das Nações Unidas. Para tal, contribuiu o enorme consenso político nesta matéria, mas também o consenso social, como comprova o 1.º lugar de Portugal no European Social Survey 2017 quanto ao acolhimento de pessoas refugiadas. A esmagadora maioria dos/as portugueses/as estão solidários/as com este esforço. Uma vez que a pobreza e as condições de vida no continente africano sempre foram propícias a este tipo de êxodo, acha que é possível identificar a origem e as causas desta vaga mais recente? Poder-se-á explicar como sendo resultado de conflito, perseguição, ou violência generalizada? Ou existe outra razão que possa justificar a dimensão destes movimentos? Qualquer solução sustentável para este desafio precisa de perceber que, para desafios complexos, apenas soluções complexas poderão ter impacto. A Organização Internacional para as Migrações tem defendido, e bem, que as soluções duradouras para a gestão de fluxos migratórios implicam três frentes que precisam de permanente articulação: apoio ao desenvolvimento nos países de origem, criação de canais legais e apoio à plena integração nos países de acolhimento. Se uma destas frentes falhar, estou certo que a boa gestão deste desafio ficará comprometida. Considerando que este é um tema que tem suscitado reações e respostas extremadas, nomeadamente através do reforço dos movimentos nacionalistas mais radicais, que políticas devem ser implementadas para dar uma resposta cabal a esta questão? Este é um tema muito construído com base em emoções (e menos em factos) e falta de memória. Tenho dito que estes são dois elementos-chave para o antídoto anti-populista: factos e memória. São os países com menos estrangeiros no total da sua população e com forte historial de terem sido os beneficiários de proteção internacional que mais barreiras levantam ao acolhimento destas pessoas. Precisamos de factos, e de uma memória sobre quem somos e de onde viemos para não repetirmos os erros do passado. | 13


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Um estudo publicado pelo Eurobarómetro em abril deste ano indicou que quase 80% dos portugueses consideram a integração de imigrantes positiva. E 83% acreditam que a inclusão bem-sucedida é uma responsabilidade partilhada entre sociedade e imigrantes, quando a nível comunitário, apenas 69% dos cidadãos comungam desta ideia. Como se explica esta perceção da população portuguesa? Efetivamente, o Eurobarómetro apurou que os/as portugueses consideram a integração dos/as imigrantes como sendo positiva, sendo esta perceção melhor em Portugal do que na maioria dos restantes países da UE-28. Este resultado mostra-se constante nos vários inquéritos promovidos pelo Eurobarómetro. Cremos que os resultados podem refletir o efetivo investimento em medidas de sensibilização e comunicação sobre os impactos positivos das migrações para o país (para a demografia, para a economia), bem como o esforço efetivo de implementação de políticas de integração de migrantes em Portugal. Portugal tem, a este nível, um extraordinário legado de boas práticas, sabendo, igualmente, que este é sempre um desafio inacabado. Mas o compromisso para o seu aperfeiçoamento encontra expressão, estamos em crer, também nestes resultados. Pode, por isso, considerar-se Portugal como um país tolerante ou apesar destes números, ainda persiste uma dificuldade considerável de aceitação das comunidades imigrantes? Não há nenhum país no mundo que se possa dizer livre das pragas sociais que o racismo e a xenofobia representam. Portugal não é exceção. Temos em Portugal fenómenos muito graves como alguns casos muito mediatizados nos últimos anos e, muitas vezes, continuamos a ouvir aquela expressão do “não sou racista, mas…”. Ora, quando “mas…” entra numa frase destas, há já um sintoma de algo que não está devidamente resolvido. Um sintoma de preconceitos, de olhares desconfiados e pouco informados. Um sintoma de um racismo latente, ainda que por vezes envergonhado. Isso é algo com o qual, num país cada vez mais diverso, não podemos viver e compactuar. Temos, felizmente, um novo enquadramento legal que veio reforçar os mecanismos de sanção e tivemos, igualmente, um reforço no Código Penal para as tipologias de crimes de ódio racial que vieram procurar responder a este desafio civilizacional. Mas, simultaneamente, há que continuar uma permanente sensibilização para uma pedagogia e cidadania que nos garantam que estamos preparados/as com a híper-diversidade que já existe entre nós. 14 |

Mostrarmos que por trás de números, estão pessoas como nós, é uma forma muito importante de colocar o debate sobre as migrações

Quantos refugiados recebeu Portugal nos últimos anos? Desde 2015, no âmbito do Programa de Recolocação, do Acordo UE/Turquia 1X1 e da chegada de menores não acompanhados, Portugal acolheu 1.697 pessoas. Os dados estatísticos referentes ao Programa de Reinstalação e Pedidos Espontâneos são da responsabilidade do SEF. Quantos se estabeleceram no país? E porquê tão poucos? Do número acima apresentado, cerca de metade fixou-se em território nacional. Os chamados movimentos secundários são fenómenos comuns nos estados comprometidos com o acolhimento de pessoas refugiadas. A livre circulação no espaço Schengen, associada ao desejo de reagrupamento familiar ou de reencontro com comunidades mais alargadas das mesmas nacionalidades, terão sido o principal motivo. Contudo, registe-se que Portugal tem estado a receber retomas a cargo, correspondentes ao regresso de pessoas refugiadas que abandonaram o programa mas que já aqui tinham solicitado o estatuto, regra para a qual Portugal alerta as pessoas logo à chegada. De que forma as políticas para acolhimento e integração de imigrantes contribuíram também para fomentar a tolerância e a aceitação e mitigar os preconceitos associados às comunidades imigrantes em Portugal? Quais as que destaca? Destacaria algumas das campanhas que desenvolvemos em parceria, tais como a Campanha “E se fosse eu? Fazer a mochila e partir”, onde crianças em idade escolar, num mesmo dia, prepararam as suas mochilas como se fossem refugiados/as, ou a Campanha “Não São Apenas Números”, onde através de vídeos com histórias de vida de pessoas refugiadas, podemos perceber quem são e o que as motiva. Mostrarmos que, por detrás de números, estão pessoas como nós, é uma forma muito importante de colocar o debate sobre as migrações. Destacaria, igualmente, algumas das publicações do nosso relatório “Imigração em Números”, onde regularmente difundimos factos científicos sobre as pessoas migrantes. Sem este conhecimento, mais facilmente se constroem narrativas baseadas em emoções e perceções erradas.


AMI

Em que medida os Centros Nacionais de Apoio à Integração de Migrantes (CNAIM) vieram facilitar a integração dessas comunidades? Os Centros Nacionais de Apoio à Integração de Migrantes (CNAIM) são estruturas de apoio fundamentais no processo de integração de migrantes em Portugal, disponibilizando para o efeito vários tipos de serviços, da responsabilidade do ACM, I.P., e de outras instituições públicas de diferentes ministérios. Dadas as novas realidades migratórias e os sempre atuais desafios que se colocam na área das migrações, nomeadamente no que se refere à integração de pessoas refugiadas, foi criada, em julho de 2016, uma Rede Nacional de Apoio à Integração de Migrantes (RNAIM), com o objetivo de desenvolver uma política migratória moderna e integrada, mais adequada às dinâmicas migratórias contemporâneas e às necessidades atuais. Esta alteração conduziu à reformulação dos gabinetes especializados presentes nos CNAIM e coordenados pelo ACM, I.P., que passaram a estar agrupados em 4 grandes áreas: Gabinete de Acolhimento e Triagem; Gabinete de Apoio Jurídico; Gabinete de Assuntos Sociais e Inclusão; e Gabinete de Apoio à Inserção Profissional, Ensino Superior e Qualificação. Numa lógica de atendimento integrado, estes gabinetes articulam entre si e com os demais ministérios presentes nos CNAIM, de forma a desbloquear as situações apresentadas pelas pessoas refugiadas, potenciando assim o seu processo de integração. Os CNAIM de Lisboa, Norte e Algarve, através do Gabinete de Assuntos Sociais e Inclusão, com experiên-

cia comprovada na integração de migrantes, iniciaram em maio 2017, os atendimentos Phasing Out (a 6 meses do final do programa de recolocação), com os propósitos de monitorizar e avaliar todo o processo de integração das pessoas refugiadas acolhidas em Portugal, no âmbito do Programa de Recolocação, e de identificar eventuais situações de vulnerabilidade às entidades com capacidade de intervenção nessa área, como a Segurança Social ou a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (através do Serviço de Emergência Social). O ACM, I.P., integra ainda o Grupo Operativo, que apoia na articulação entre as entidades parceiras pertencentes ao Grupo e os gabinetes dos serviços públicos presentes nos CNAIM, assim como na disponibilização do Serviço de Tradução Telefónica aos técnicos das referidas entidades. Além do trabalho desenvolvido, no geral, pelos CNAIM e, em particular, pelo Gabinete de Assuntos Sociais e Inclusão é de realçar o aumento de pedidos de informação na Linha de Apoio a Migrantes e de traduções/ interpretações, desencadeado também pela afluência de cidadãos recolocados e reinstalados em Portugal e a consequente necessidade de promover a sua eficaz integração. A tendência tem sido de aumento das solicitações na Linha de Apoio a Migrantes e no Serviço de Tradução Telefónica, sendo o árabe o idioma mais solicitado desde finais de 2016.

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BREVES

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Internacional_

Estágios NB up

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Brasil A longevidade da parceria celebrada entre a AMI e a ACOM, deve-se ao sucesso nos vários projetos realizados, tanto na área da saúde como na educação no Município de Milagres, no Brasil. Formalmente constituída em 1983, a ACOM nasceu da vontade de um grupo de mulheres motivadas em mobilizar o município para contrariar os principais problemas de pobreza e exclusão social que assolam a região. Recentemente, o projeto SEA- Saúde, Educação e Arte - Um encontro com a cidadania, apoiado pela AMI, pretende garantir à população de Milagres, o acesso a serviços de saúde especializados, nomeadamente ginecologia e obstetrícia, para além da promoção de práticas saudáveis aos beneficiários. No âmbito social deste projeto, a ACOM aposta em ações de sensibilização e mobilização social de caráter preventivo para vários problemas de saúde, nomeadamente as arboviroses endémicas no país (dengue, zika e chikungunya). São também realizadas sessões para práticas de alimentação saudáveis e de higiene pessoal/ doméstica. Para isto são destacados jovens ativistas que para além das pontuais marchas de rua e sessões coletivas na comunidade, realizam visitas domiciliares às famílias carenciadas, beneficiárias da ACOM. As sessões de promoção para práticas de alimentação saudáveis têm uma dimensão e impactos importantes, numa região caracterizada pela pobreza onde a população não consegue colmatar as necessidades mais básicas, como a ingestão adequada de nutrientes. No seguimento da análise desta problemática, foi elaborado um compêndio de receitas utilizando produtos regionais e economicamente mais acessíveis para a população.

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A seleção de candidatos para a 13ª edição dos Estágios de Cooperação Internacional AMI / NBup, cujo protocolo foi estabelecido em 2006, encontra-se finalizada. Foram selecionadas quatro estagiárias da área da enfermagem, sendo que uma delas já partiu para a Guiné-Bissau e as restantes três partirão em janeiro de 2019, uma para a GuinéBissau e duas para a Colômbia, onde farão parte da equipa dos nossos voluntários em missões de desenvolvimento e PIPOL (Projetos Internacionais em Parceria com Organizações Locais). Os estágios têm a duração de dois meses.

Índia Num ano em que a Índia sofreu monções com intensidades atípicas, sendo consideradas as piores do século, ganha especial relevância o projeto “Sampurna” que a AMI desenvolve com o parceiro KBMBS e que visa preparar a população do distrito de Howrah, de forma a que possa responder aos desafios derivados da época das monções. Este projeto começou em janeiro de 2018 e até ao momento foram capacitados 30 Agentes Comunitários que estão aptos a disseminar adequadamente informação sobre as causas, efeitos e respostas aos desastres naturais, sendo também elementos importantes na liderança e mobilização comunitária. Foram ainda formados 90 grupos de apoio em 30 aldeias do distrito de Howrah, envolvendo 1338 habitantes que estão a ser preparados no sentido de poderem atuar ao nível da preparação, salvamento e mitigação de situações de desastre. Em 9 aldeias do distrito foram realizadas campanhas de sensibilização, que levaram informação a cerca de 630 participantes, sobre formas de mitigar as consequências das monções como também sobre as estratégias de prevenção das doenças transmissíveis mais comuns. Desta forma, para além de se contribuir para uma população preparada para as situações de catástrofes, responde-se ao problema da dificuldade que têm no acesso aos serviços médicos, sobretudo nos períodos de monções, quando muitas aldeias ficam isoladas.


BREVES Mecenato_

Nivea Pelo segundo ano consecutivo, a Nivea fez uma doação de produtos de proteção solar. Este ano foram apoiadas 5.000 famílias através da oferta de protetor solar permitindo o acesso a cuidados básicos de saúde com a pele no verão.

Phone House apoia Missão Natal Costura Ponto Com A Phone House associa-se pelo terceiro ano consecutivo à VIII Missão Natal AMI e irá promover, de 13 de novembro a 23 de dezembro, em todas as suas lojas, a campanha Seja Solidário com a AMI. A iniciativa consiste na angariação de fundos junto dos clientes das lojas Phone House, cujos montantes poderão ser de €0,01, €0,20 a €0,50, €1, €2, €5, €10 ou €20. Com esta campanha, pretende-se proporcionar às pessoas em situação mais vulnerável, ou seja, às 2010 famílias (5446 pessoas) que recebem apoio alimentar, um Natal diferente e digno, oferecendo-lhes um cabaz de bens alimentares típicos desta época festiva e, ainda, assegurar parte do acompanhamento social essencial a essas famílias. O valor de €20 permitirá proporcionar um Natal mais feliz a cada uma dessas famílias, uma vez que os cabazes serão distribuídos antes do dia 25 de dezembro. Como funciona a campanha Seja Solidário com a AMI – Phone House? Os clientes Phone House podem arredondar as compras que fazem nas lojas ou fazer um donativo na loja online em www.phonehouse.pt

Comic Con No âmbito da campanha Kit Salva Livros, marcámos presença na Comic Con Portugal 2018 com um stand dedicado ao “hospital dos livros”. Em paralelo foi realizada uma campanha de angariação de fundos com os seguintes parceiros: RebelLegion Portugal e Legião 501 Portugal tendo sido angariada a quantia de 489,36€ a favor das crianças e jovens apoiados pela AMI.

O projeto Costura Ponto Com, fruto de uma iniciativa entre a AMI e a Rosa & Teixeira, pretende promover a inclusão social de 6 beneficiários dos Centros Porta Amiga (CPA) de Chelas e Olaias e do Abrigo da Graça, que durante 3 meses vão receber formação certificada em costura na Companhia das Agulhas.

Saco Solidário em sétima edição A VII Edição da Campanha Saco Solidário – Sacos que enchem corações iniciou-se a 15 de outubro. Criada em parceria com a empresa Kelly Services Portugal, esta campanha nasceu em em 2012 e consiste na angariação de bens alimentares e de higiene entre os colaboradores, clientes e parceiros da empresa, no âmbito da Luta Contra a Pobreza em Portugal. A Kelly Services compromete-se em participar na missão de combate à Pobreza em Portugal, através da Campanha Saco Solidário. Esta iniciativa é exclusivamente organizada pela Kelly Services e consiste em entregar sacos solidários à sua rede de parceiros, clientes e colaboradores, a quem solicita que aí coloquem os seus donativos. Este ano contamos com o triatleta João Pereira como embaixador da campanha.

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Nacional_

Linka-te aos Outros em nona edição

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Seminário O Impacto da Pobreza no Tecido Social No âmbito da Semana de Combate à Pobreza e Exclusão Social e da intervenção da instituição em território nacional há 24 anos, a AMI promoveu o Seminário “O Impacto da Pobreza no Tecido Social” no dia 12 de outubro de 2018. O evento, que decorreu em Coimbra, no ISCAC – Coimbra Business School, com o objetivo de analisar diversos desafios e perspetivar novos olhares sobre o fenómeno da pobreza, contou com a participação de cerca de 80 pessoas. Ao longo do dia, foram vários os especialistas nacionais que protagonizaram o debate dividido em quatro painéis, designadamente, “Pobreza: Ancestralidade versus Atualidade”, “Novas tecnologias – Robotização versus Inclusão Social”, “Modelo Habitacional versus Situação de Pobreza” e “O Papel da Inovação Social no Paradigma da Pobreza”. A iniciativa contou com o apoio do ISCAC – Coimbra Business School, que cedeu o espaço, bem como da ICA, que proporcionou o catering para os momentos de pausa do evento.

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Com o objetivo de alterar realidades sociais e, simultaneamente, formar os jovens, no sentido de os alertar para a possibilidade que cada um tem de melhorar a comunidade que os rodeia, o prémio “Linka-te aos Outros” tem como grupo-alvo todos os jovens a frequentar a escola entre o 7º e o 12º ano e consiste na apresentação de propostas para resolução, através de atividades de voluntariado, de problemas locais que os próprios detetem. O “Linka-te aos Outros” assenta toda a sua essência nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar de todos, proteger o ambiente e combater as alterações climáticas, são objetivos que, embora pareçam vagos e difíceis de alcançar, dependem do envolvimento de todos os governos e cidadãos. Com pequenos gestos, na escola, na rua, em casa, junto da família, colegas ou amigos, é fácil cada um de nós à sua medida fazer parte da construção de um mundo mais humano. O “Linka-te aos Outros” é um projeto que vem ajudar os jovens a concretizar estes objetivos. A AMI selecionará os projetos mais consistentes (no máximo 5) e financiará 90% dos mesmos.

Curso de socorrismo no EP do Funchal A AMI realiza cursos de socorrismo na Madeira desde 2008 mas este ano foi a primeira vez que o fizemos no Estabelecimento Prisional do Funchal. Porque acreditamos na importância de dotar a população prisional de competências sociais e profissionais que concorram para a sua melhor reinserção no mercado de trabalho no final do cumprimento da sua pena e também, muito simplesmente, porque aprender é crescer como pessoa e cidadão. Este curso é ministrado sob a tutela e com o alvará do Ministério da Saúde, certificado e acreditado pela DGERT e AMI.


© Jérôme Pin

BREVES

AMI distribuiu 3.737 mochilas escolares

ODS em Ação seminários com alunos A segunda fase do projeto ODS em Ação iniciou-se no passado mês de outubro. Trata-se de seminários com os alunos, que decorrem entre outubro 2018 e maio 2019. Essas sessões dinâmicas serão de 90 minutos para grupos com uma dimensão máxima de 60 alunos. Para tal, será utilizado um pacote de materiais de Educação para o Desenvolvimento, entre os quais uma apresentação de powerpoint e um filme informativo sobre os ODS, produzido em português e com uma linguagem adequada às faixas etárias mais jovens. Os materiais didáticos ficarão disponíveis nas escolas para novas utilizações pelo corpo docente, permitindo desta forma um efeito multiplicador dos conteúdos apresentados. Esta iniciativa surge na sequência de sessões de informação que a AMI já desenvolve há muitos anos, nas escolas básicas e secundárias nacionais, com o objetivo de alertar os estudantes para a realidade social envolvente e para as disparidades de desenvolvimento no mundo. Desde 2015, as sessões são dirigidas em específico aos alunos do 9º ano, no âmbito da disciplina de Geografia, e abordam os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) definidos até 2015 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030. “Os ODS em Ação” é uma iniciativa da AMI que resultou numa parceria entre a instituição e a Help Images – Associação de Promoção e Apoio à Solidariedade Social e é financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. Através deste projeto, pretendemos contribuir para uma sociedade mais informada e ativa na promoção do desenvolvimento sustentável e no respeito pelos Direitos Humanos.

A 10ª Campanha Escolar Solidariedade AMI angariou entre os clientes da Auchan, 75.141 €, valor duplicado pela empresa, culminando num total de150.282 € de material escolar. Com a ajuda de mais de 100 voluntários, transformámos este material em 3.737 mochilas e kits escolares, que foram depois distribuídos às crianças e jovens das famílias apoiadas pela AMI. Esta ação de voluntariado foi efetuada, a exemplo do que acontece desde 2013, no armazém do Regimento de Transportes do Exército. Ao longo dos dez anos que leva esta campanha, já foram angariados mais de 1 milhão e 300 mil euros em material escolar e entregues mais de 32 mil mochilas a mais de 10.000 crianças e jovens. O nosso obrigado à Auchan Retail Portugal, aos seus clientes, a todos os voluntários e ao Exército Português.

Reflorestação de Góis Mais de uma centena de voluntários participou no fim-de-semana de 13 e 14 de outubro, no esforço de replantação de floresta ardida no concelho de Góis. O sucesso alcançado pela reabilitação da área em Folgosinho, levada a cabo o ano passado, levou a que a AMI aplicasse o Fundo de Emergência Incêndios de 2018 noutro terreno. Foi escolhida a vila de Góis, Coimbra, por ter sido o cenário do terceiro maior incêndio ocorrido em 2017, com 17.521 hectares de área ardida. Esta intervenção decorreu nos mesmos moldes da intervenção realizada na freguesia de Folgosinho, tendo sido utilizados drones que libertam “bolas de sementes” cujo alcance e precisão são superiores aos métodos tradicionais. Foram reabilitados nesta operação 7 hectares de terreno. | 21


LOJA AMI AGENDA AMI 23 DE NOVEMBRO A 23 DE DEZEMBRO

A Loja AMI dispõe de vários artigos que podem ser adquiridos no site ami.org.pt/loja Ao comprar qualquer um dos artigos da loja AMI estará a contribuir para a realização dos nossos projetos e missões. Pode também fazer a sua escolha, preencher e enviar-nos o cupão abaixo, junto com o cheque no valor total dos artigos acrescido das despesas de envio indicadas.

• Ação voluntariado- Embrulhos Natal FNAC/AMI DE 3 A 24 DE DEZEMBRO • Venda de Natal da AMI, Porto 14 DE DEZEMBRO • Entrega Bolsas Fundo Universitário AMI

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1 Livro "Um Conto de Natal" _12€ 2 Livro "Toda a esperança do mundo" _39.90€ 3 Livro "Gritos contra a indiferença" _20€

PORTES DE ENVIO _ Encomenda

Inferior a 90€

90€ e superior

Portugal Continental

5€

Grátis

Portugal Ilhas

25€

20€

Europa

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Resto Mundo

35€

17,50€

[MAIS ARTIGOS EM WWW.AMI.ORG.PT]

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INFORMAÇÕES

VOLUNTÁRIOS PRECISAM-SE

PORTA AMIGA PORTO

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• Advogado(a)

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para jovens e idosos

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PORTA AMIGA ALMADA • Advogado(a) • Enfermeiro(a) • Psiquiatra • Nutricionista

PORTA AMIGA OLAIAS • Professores(as) de dança • Enfermeiros(as)

NACIONAL

voluntariado@ami.org.pt

[FICHA DE CANDIDATURA ONLINE]

Este número da AMI Notícias foi editado com o especial apoio da revista VISÃO (Distribuição), COMPANHIA DAS CORES (Design), LIDERGRAF (Impressão e Acabamento) e CTT – Correios de Portugal Autorizada a reprodução dos textos desde que citada a fonte. AMI Fundação de Assistência Médica Internacional R. José do Patrocínio, 49 – Marvila, 1959-003 Lisboa ami.org.pt | fundacao.ami@ami.org.pt Ficha Técnica Publicação Trimestral Diretor Fernando Nobre Diretora-Adjunta Leonor Nobre Redação Paulo Cavaleiro Edição Luísa Nemésio Fotografias AMI, Isabel Pinheiro e José Ferreira Colaboram neste número Ana Ferreira Paginação Ana Gil e Diana Esteves Tiragem 54.000 exemplares Depósito Legal DL378104/14

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Obrigado por ajudar as equipas da AMI a prosseguirem o seu trabalho humanitário. Graças a si, os voluntários da AMI podem atuar em Portugal e nos países mais carenciados do Mundo! Porque muitos precisam de nós, nós precisamos muito de si!

Como colaborar com a AMI Deposite um donativo na conta da AMI n.º 015 27781 0009 do Novo Banco | Envie o seu donativo em cheque nominal diretamente para qualquer uma das direções da AMI | Participe ativamente como voluntário nos Centros Porta Amiga, na sede da AMI ou nas Delegações | Inscreva-se como voluntário contactando voluntariado@ami.org.pt | Adira às Campanhas de Reciclagem (reciclagem@ami.org.pt) | Faça reverter parte do seu IRS para a AMI | Participe na Aventura Solidária no Senegal, Brasil ou Guiné-Bissau (aventura.solidaria@ami.org.pt)

Como contactar a AMI E-mail: fundacao.ami@ami.org.pt | Internet: www.ami.org.pt Sede Fundação AMI – Rua José do Patrocínio, 49, 1959-003 Lisboa | T. 218 362 100 | Fax 218 362 199 Delegações Norte T. 225 100 701 | Centro T. 239 842 705 | Madeira T. 291 201 090 | Açores – Terceira T. 295 215 077 | Açores – S. Miguel T. 296 305 716

Centros Porta Amiga Lisboa – Olaias T. 218 498 019 | Lisboa – Chelas T. 218 591 348 | Porto T. 225 106 555 | Almada T. 212 942 323 | Cascais T. 214 862 434 | Funchal T. 291 201 090 | Coimbra T. 239 842 706 | Gaia T. 223 777 070 | Angra T. 295 218 547 Abrigos Noturnos Lisboa (em colaboração com a C. M. Lisboa) T. 218 152 630 | Porto T. 225 365 315 LEI DO MECENATO – ATIVIDADES DE SUPERIOR INTERESSE SOCIAL Art.º 61, alineas b) e e) do N.º 3 e N.º 4 do Art.º 62 e Art.º 63 do Decreto-Lei 215/89 de 21 de junho, renumerado e republicado como Anexo II ao Decreto-Lei 108/2008 de 26 de junho). O seu donativo é totalmente dedutível nos impostos, majorado em 40%.

Serviços AMI O Cartão de Saúde AMI proporciona um conjunto de vantagens aos seus aderentes, mantendo sempre o mesmo preço, independentemente do nº de pessoas agregadas ao cartão.

[SAIBA MAIS] Nº8235 VALIDADE: 02/19

Saiba mais através do nº: 213

303 600

A AMI agradece reconhecidamente o seu contributo, fundamental para que a AMI possa continuar a Agir-Mudar-Integrar e participar na construção de um Mundo mais Humano. Para assegurarmos que os nossos Amigos, Doadores e voluntários recebem a informação sobre as nossas atividades de forma consciente e informada, pedimos que leia a declaração de consentimento e, se concordar em continuar a receber notícias nossas, preencha a ficha de contacto e assine a declaração, enviando-a por correio (não necessita de selo) para: AMI — Fundação de Assistência Médica Internacional, Remessa Livre 25049-1148 Lisboa Codex.

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AMI Notícias nº 72 - 4º trimeste  

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