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N.º 69 Distribuição Gratuita 4.º trimestre de 2017

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N.º 69 Distribuição Gratuita 4.º trimestre de 2017

N.º 69

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04 Entrevista: Padre Rohan Silva

Nacional

08 30 Anos de Missões Internacionais 17 e de 20 tr s e im Senegal tr tuita 4.º

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30 anos

Projeto Porta amiga

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12 Projeto Porta Amiga

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SUMÁRIO + EDITORIAL

A ESPERANÇA NÃO DEVE, NÃO PODE E NÃO VAI MORRER! A época em que vivemos é propícia, convenhamos, a um duplo sentimento: o desespero diante dos enormes desafios que nos deixam atordoados, e o sobressalto, de combatividade e de esperança, que esses mesmos desafios provocam em nós, impedindo-nos de soçobrar e impelindo-nos à criatividade, à perseverança e à resiliência que são, quanto a mim, as verdadeiras e únicas formas de heroicidade, mais do que nunca necessárias. Sim, não podemos negar: as alterações climáticas, já em marcha acelerada, o crescimento demográfico galopante sobretudo na Africa Subsariana, os conflitos irracionais em curso e os cuja amplificação desde já se antevê no Extremo e no Médio Oriente, a desgovernação contínua em muitas regiões do nosso tão desequilibrado Mundo, a robotização impensável há poucos anos mas já imparável, os fluxos migratórios e um terrorismo exacerbado como consequência das causas totais ou parciais previamente elencadas são factos patentes e fora de controlo aparente, mas… Também há novas gerações extremamente solidárias e destemidas; novas formas de comunicação em rede que desafiam os poderes convencionais; uma verdadeira Cidadania Global Solidária em marcha também ela imparável; uma nova visão e práticas quotidianas de um meio empresarial inteligente e sensível de causas genuinamente sociais; uma sensação partilhada e reforçada em todos nós de uma pertença planetária única e indeclinável; instituições solidárias que não se demitem nem se amedrontam e que desde já se preparam para melhor enfrentarem e vencerem os desafios/oportunidades gigantescos que se avizinham, criando redes globais de ação; e a procura de uma sustentabilidade humana, económica e financeira que lhes permitirão ser mais pró-ativas, independentes e eficientes! A Fundação AMI é, sem dúvida alguma, uma dessas instituições, entre milhares a nível global, que antecipa e que se prepara há décadas com visão, bom senso e sentido humano apurado, e que, por isso, fará parte da forta-

Fernando de La Vieter Nobre Presidente e Fundador da AMI

leza cidadã global que enfrentará e vencerá os desafios vindouros. Bastará lerem esta revista com atenção, para compreenderem que assim será: a entrevista do Padre oblata Rohan Silva, do Sri Lanka, nosso parceiro desde o tsunami em 2004; o artigo sobre a nossa ação no Senegal iniciada com uma primeira viagem que lá fiz em 2006 e que semeou frutos para o futuro próximo das novas gerações; o artigo sobre o projeto Porta Amiga, uma parte apenas da enorme ação social que desenvolvemos em Portugal, iniciado em 1994 e que não esmoreceu, pese embora todas as dificuldades inerentes a um projeto com tamanha dimensão e características sociais num País, o nosso, com desequilíbrios sociais e geográficos evidentes; o dinamismo ímpar que estamos a encetar, promover e desenvolver junto do mundo empresarial português, que bem interiorizou o sentido da verdadeira cidadania empresarial e, ipso facto, do corolário evidente que é a insofismável e inevitável responsabilidade social empresarial que se reforça, evidentemente, no período natalício mas que perdura, em crescendo, o ano inteiro com a AMI! A criatividade neste domínio, felizmente como nos outros, não tem nem poderia ter limites e a AMI está, como sempre esteve e estará, na vanguarda, em termos de visão, de ação e de sustentabilidade institucional. Não posso deixar de referir a nossa ação ambiental alicerçada também num projeto inovador, o Ecoética, que a seu devido tempo mostrará todo o seu potencial nesta fase pós-incêndios que o nosso País tragicamente viveu em 2017! Porque, como afirmo há anos, entre outros pensamentos “guia” que me permitiram dirigir a AMI, com a excelente equipa que foi constituída: “Não há obstáculo inultrapassável Não há Montanha inacessível E não há Fortaleza inexpugnável”. A Fundação AMI saberá não deixar morrer a Esperança porque simplesmente não deve e não pode! | 03


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ENTREVISTA PADRE ROHAN SILVA Rohan Silva é Presidente do Centro para a Sociedade e Religião e esteve à frente de vários projetos financiados pela AMI no Sri Lanka. Agora que terminou o seu mandato como Provincial dos Oblatas no Sri Lanka, falámos com ele sobre como os efeitos do tsunami de 2004, que matou milhares de pessoas, ainda se sentem naquele país e de como começou a parceria com a AMI. 04 |


30 ANOS MISSÕES INTERNACIONAIS

Como é que tomou contacto com a Fundação AMI? Foi devido a um acontecimento muito infeliz, inesperado e inédito que aconteceu no Sri Lanka no dia 26 de dezembro de 2004. Eu era, na altura, o diretor do Orfanato “St. Vincent’s Home” em Magonna. Tinha voltado a casa (em Colombo) depois do Natal e na manhã do dia 26, depois da missa, pelas 10 horas, alguém apareceu dizendo “Há notícias especiais a passar na televisão”. Estavam a mostrar imagens daquela área, não muito longe de Magonna. As pessoas estavam a fugir das estradas em direção aos templos no topo da colina. Então, soubemos que um tsunami tinha atingido o Sri Lanka. Comecei a ligar para algumas pessoas para tentar perceber o que se passava, mas não conseguia falar com ninguém. Finalmente, alguém me disse que o mar tinha chegado às estradas principais, que as casas estavam todas destruídas e que havia uma grande confusão. Eu queria voltar naquela noite para Magonna, mas a maior parte das estradas estava cortada e na manhã seguinte tentei ir lá com um padre que pertencia à minha comunidade e que também estava em Colombo para o Natal. Conseguimos regressar mas não conseguimos chegar à nossa casa. Tudo estava amontoado nas estradas, havia pessoas sem camisas, e todos gritavam: “as nossas casas desapareceram”. Estávamos bloqueados. Não conseguíamos passar dali. Então, apanhámos a estrada que sabíamos que iria pelo interior do terreno, conseguimos alcançar o portão principal e perguntámos ao guarda se já havia pessoas a procurar refúgio na nossa casa. Ele disse que não e que as pessoas estavam a fugir. De seguida, fomos a vários locais e à paróquia vizinha de motorizada, onde a casa da missão tinha ficado destruída e o padre tinha sido obrigado a fugir. Nessa noite, conseguimos reunir alguns padres e fomos ver onde as pessoas estavam a refugiar-se. Estavam nos templos. As igrejas ficavam perto da praia e os templos ficavam no interior, virados para a terra, pelo que, quando o tsunami ocorreu, as pessoas refugiaram-se nos templos. Depois, regressámos a casa e começámos a tomar algumas diligências. Preparámos a zona do Calvário que é uma área aberta no Orfanato St. Vincent’s em Magonna e enviámos uma mensagem às Irmãs nas redondezas para saber se elas nos poderiam ajudar. Com o apoio do Bispo, contámos também com a colaboração de quinze Irmãos que estavam no último ano no seminário nacional, em trabalho pastoral. Começámos então a planear a organização da ajuda. Não sabíamos quantas pessoas iriam chegar, mas contactámos funcionários do governo na região, abrimos

o campo e dissemos que todos seriam bem-vindos. As pessoas começaram a chegar. Assim que entraram no campo, começaram a sentir-se mais calmas e seguras. A seguir, chegou muita ajuda de diferentes lugares e organizações. Foi nessa altura que recebi uma chamada de um padre, Pe. Reid, a informar que havia um grupo de Portugal que tinha chegado e que procurava um local para implementar a sua ajuda. Respondi que teria muito gosto em contar com o seu apoio e pedi ao Pe. Reid para os informar que era possível. Então, o Dr. Fernando Nobre telefonou-me e disse-me que chegariam dentro de 2 dias, e em 2 dias, no dia 30 ou 31 de dezembro, chegou um avião com todo o material necessário. Foi um grande alívio para nós e também para as pessoas porque não tínhamos instalações médicas. Instalámos uma tenda, encontrámos um tradutor e a AMI começou a prestar assistência médica no campo. É uma longa história, muito bonita, apesar da razão que nos uniu. Fale-nos um pouco sobre o projeto que a AMI está a apoiar atualmente. Qual é a entidade que o promove? Após o tsunami, mantivemos o contacto com a AMI. O primeiro apoio ao “Center for Society and Religion” (CSR) destinou-se à renovação do edifício em Colombo em 2007. Foi nessa altura que assumi a direção do CSR. Também implementámos um projeto dirigido às crianças dos bairros de lata, onde dispomos de um centro cujo objetivo é cuidar de crianças nas áreas da educação e da saúde. Já tínhamos este projeto há muito tempo, mas a uma dada altura, devido à falta de fundos, não conseguimos continuar e cedemos o espaço a outra organização. Porém, quando eu regressei e, uma vez que contávamos com o apoio da AMI, decidi recuperar, quer o prédio, quer o projeto. Estas crianças estão numa situação muito especial, porque a maioria dos pais vai trabalhar e os filhos ficam sozinhos em casa. Às vezes, os mais velhos tomam conta dos mais novos e não podem ir à escola, para além de que a zona circundante não é segura. Além disso, nessa área, vivem pessoas de todas as religiões, pelo que essa foi também uma experiência de terreno para analisar a harmonia inter-religiosa. Por isso, decidimos reunir um pequeno grupo de crianças e apoiá-las na educação, para que elas pudessem ser um catalisador de mudança na região. Isto porque, melhorando a vida dessas crianças, outras pessoas também iriam ao centro e participariam no projeto. Assim, temos vindo a trabalhar com um grupo de crianças dos 8 aos 16 ou 17 anos de | 05


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idade e, todos os dias, elas vão para o Centro depois da escola e têm atividades adaptadas ao nível de educação mas também algumas atividades comuns. Foi assim que começámos. Mais tarde, começámos a introduzir atividades técnicas, para que as crianças pudessem melhorar as suas competências. Estas aulas decorrem ao sábado de manhã. Às vezes, têm teatro, outras vezes canto, desenho ou culinária. Também temos algumas aulas de informática. Os primeiros resultados deste programa começam a verificar-se, com as crianças mais velhas a irem ao sábado ao centro para ajudar as crianças mais novas. Estas crianças vivem na aldeia e nós temo-las visto a tornarem-se crianças com um caráter diferente. Elas tentam ter um modo de vida diferente. Através delas, conseguimos educar a população da área, sobretudo em temas de saúde. Assim, como as crianças estão a mudar, as famílias também mudam. Desde quando existe o CSR e que atividades desenvolve? O CSR começou com o Pe. Tissa Balassurya, um dos padres da congregação, em 1972. Quando os ingleses deixaram o Sri Lanka, generalizou-se a queixa de que eles tinham criado uma elite para governar o país. Essa elite era católica ou cristã, pertencia a altas patentes e era anglófona, mas em 1956, tivemos um governo que retirou o poder a este “clube”, recorrendo aos camponeses, aos médicos, aos monges, aos budistas Singhala e aos professores. A língua Singhala passou a ser a única língua utilizada pelo governo. Porém, quando a educação passou a ser transmitida também na língua local, muitos estudantes saíram da universidade e não conseguiam encontrar emprego, porque não tinham conhecimentos suficientes de inglês. O emprego continuava reservado à classe alta. É por isso que houve um grande movimento em 1971, muito influenciado pela ideologia marxista e que levou à criação de um movimento chamado Janatha Vimukthi Peramuna (JVP), o que significa movimento de libertação do povo. Eles eram chamados os Chegueras locais, e empunharam armas para derrubar o governo e assumir o controlo do Estado. Mas o governo utilizou as forças armadas e venceu o JVP. Neste processo, muitos jovens foram massacrados e os que se renderam foram enviados para campos de reabilitação. Milhares de jovens foram mortos durante esta insurreição. Essa foi a época em que o país esteve aberto a pontos de vista diferentes e a Igreja considerou que deveria estar no terreno e tentar fazer algo com a juventude, com as crianças, através da conjugação da sociedade e da religião. É por isso que o centro é chamado de “Center for Society and Religion” (Centro para Sociedade e Religião). 06 |

Tudo estava amontoado “ nas estradas, havia pessoas sem camisas, e todos gritavam: “as nossas casas desapareceram”.

Toda a filosofia que sustenta esta iniciativa consiste em valorizar e promover valores como a justiça, a paz, o amor, a igualdade na sociedade. Os valores religiosos devem apoiar a sociedade em direção a uma mudança, a uma sociedade de paz, de amor, de justiça. Quando o centro começou a funcionar, tornou-se um centro muito ativo para reuniões e debates, incluindo debates políticos. O objetivo era alertar consciências e inspirar as pessoas a tornarem-se agentes de mudança. Cada atividade do centro organizada para e com os trabalhadores, mulheres, minorias, crianças, tinha como objetivo a capacitação através de seminários e programas educativos. É por isso que nos dispusemos a trabalhar com pessoas de religiões diferentes ao criar o que chamamos de “comités de cidadãos”, com o objetivo de formar cidadãos responsáveis. Queríamos ainda desenvolver atividades baseadas em direitos e o projeto Mattakkuliya foi uma atividade experimental para verificar se tal era possível. Também desenvolvemos projetos de educação para as mulheres. São uma espécie de laboratórios nos quais procuramos verificar se estes valores podem ser implementados. E temos também os media, que eu considero a arma mais poderosa que possuímos neste momento. Estamos, por isso, a formar cidadãos através de um projeto alternativo de media, sem fins lucrativos, mas destinado a promover os cidadãos preocupados como agentes de mudança. São essas as atividades que realizamos no CSR, e estão abertas a todos, de qualquer religião. Qual é a importância de uma instituição como o CSR no Sri Lanka? Eu penso que o espaço público para o pensamento alternativo tende a diminuir porque os governos não estão preparados para ser desafiados e também pressionam as pessoas a não constituírem oposição, seja de que forma for. Por isso, o CSR sempre foi e continuará a ser um espaço público para o pensamento alternativo. Percebemos que esse espaço era necessário e é com muito gosto que o disponibilizamos. E quando o país esteve em guerra, éramos a única organização que estava aberta. Aqueles que não tinham sítio para onde ir ou para se esconder, vinham ter connosco e encontravam um refúgio no nosso espaço. Claro que estávamos a ser vigiados. Fui chamado pela polícia várias


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vezes, o CID - Intelligence Service- (Serviço de Informação) visitou-nos frequentemente. Mas nós não tínhamos medo. Percebemos que as pessoas começaram a depositar mais confiança na nossa instituição. Mas era sempre um desafio! Quais são as principais dificuldades que as pessoas mais vulneráveis do Sri Lanka enfrentam? E quais as principais causas? As dificuldades são muitas, porque as pessoas não têm poder para resistir. Há pessoas que perderam o emprego por causa das condições de trabalho. Os direitos dos trabalhadores são muitas vezes, desrespeitados. As pessoas migram para as cidades porque acreditam que vão encontrar uma vida melhor. Mas, esses fluxos internos trazem desafios sobre as condições de vida, problemas de saúde e muitas outras questões sociais. Além disso, existem propostas de megaprojetos, que aparentam contribuir para o desenvolvimento do país. Esses megaprojetos precisam de grandes áreas que são retiradas aos seus proprietários. Essas são as principais razões pelas quais as pessoas se tornam extremamente vulneráveis. Do ponto de vista político, temos um longo caminho a percorrer, no que diz respeito a um futuro comum para o Sri Lanka. Penso que as minorias são as mais vulneráveis, porque os seus direitos são, muitas vezes, desrespeitados. Uma outra questão é a privatização. Há um grande protesto contra a privatização da educação. A saúde também já foi privatizada. As tensões entre as religiões são também uma outra questão. A situação mantém-se. Existem soluções para isso? Qual é que acha que pode ser o papel das ONG para concretizar essas soluções? Sim. Eu penso que o papel das ONG é alertar consciências e, por vezes, trabalhar com o governo, intervindo em questões que o mesmo não consegue resolver. Há um bom sistema no nosso país, através do qual a administração central está organizada para chegar ao nível local, mas não funciona como devia, por isso temos que capacitar as pessoas para que se tornem participantes ativos no processo de tomada de decisão. Com esse envolvimento, as pessoas poderão até vir a participar nas tomadas de decisão de alto nível. Penso que esse é um dos papéis fundamentais de uma ONG. As pessoas têm necessidades e é importante, não só, ajudá-las a colmatar essas necessidades, mas também a compreender porque é que essas necessidades existem. É importante questionar para perceber qual a melhor forma de atuação.

E a sociedade civil no Sri Lanka, é uma sociedade civil forte? Bem, às vezes, parece ser forte, mas também parece ser deveras politicamente organizada. A sociedade civil deve manifestar com convicção que o mais importante é procurar um futuro comum, pelo que, nesse sentido a sociedade civil deve ser muito ativa, mas infelizmente, tem sido encarada como uma constante oposição ao governo. Assim, por vezes, o governo pode ser um obstáculo à sociedade civil, mas esta também pode ser muito poderosa. Aliás, o governo atual do Sri Lanka emergiu da sociedade civil. Trabalharam muito e ninguém esperava que eles chegassem ao governo. O problema é que não obtiveram a maioria, por isso, todos os processos são muito lentos. O Sri Lanka é um país pacífico agora. Quais são as marcas deixadas pela guerra e pelo tsunami? Sim, é um país tranquilo agora, apesar da agitação causada pelos antigos líderes. Ainda existem muitos problemas por resolver. A questão das pessoas desaparecidas, a reinstalação dos deslocados, as pessoas detidas, etc… Relativamente às marcas deixadas pelo tsunami, ainda existem vítimas que perderam as suas terras e casas e não receberam qualquer compensação. Existem sistemas de alerta de tsunami instalados em todo o país. Além disso, existem novas leis que impedem a construção de casas perto do mar e foi implementado um sistema de comunicação e de colaboração muito eficaz para funcionar em caso de emergência. Quais são os seus desejos para o futuro do Sri Lanka? Bem, o Sri Lanka é uma terra muito bonita e nós gostaríamos de ver as pessoas a viver em paz, os políticos a trabalhar para o bem comum e o nosso desenvolvimento, devidamente sustentado. Eu gostava de ver um país sem pessoas pobres nas estradas e a nível político, gostava que fossem encetadas ações para que o país emergisse destas cinzas que o têm vindo a ensombrar durante a guerra e após o tsunami. Quero acima de tudo que o nosso povo seja feliz e viva em paz.

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ANOS

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SENEGAL

Com um projeto de luta contra a insegurança alimentar e um histórico de 16 “Aventuras Solidárias”, a AMI marca mais um ano de missões no Senegal.

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AMI

A AMI já investiu no Senegal mais de 1,5 milhões de euros

A história da AMI no Senegal começou em 1996, na região de Thiés, mais especificamente na Comunidade Rural de Méouane, onde foi desenvolvido o projeto “WERLE” (Dar a Saúde), em parceria com a ONG local APROSOR. Desde então, a AMI participou em diversos projetos no âmbito do apoio técnico-financeiro a organizações locais – desde a construção de centros de saúde, ao financiamento de unidades de moagem e salas de aula –, já tendo investido cerca de 1 milhão e 500 mil euros no país. Foi também no Senegal que teve início o projeto “Aventura Solidária”, hoje já na sua 36ª edição. Após o desenvolvimento dos primeiros projetos em 1996 e 1998 – com a construção de postos de saúde para prestação de cuidados primários, a formação de agentes comunitários, a contrução de uma sala de aula para raparigas de Ndeukou e a inauguração de unidades de moagem de milho e de um armazém de venda de cere-

ais –, a AMI arrancou o seu maior projeto financiado, o “Promotion socio-économique des femmes de quatre communautés rurales du Sénegal (PROSEDEC)”, em 1999. SAÚDE – ACESSO À ÁGUA – PROMOÇÃO DA MULHER O incentivo possibilitou a construção e equipamento de um posto de saúde em Santhe Thylla e em Sewekhaye, a formação de agentes de saúde, a construção de unidades de moagem de cereais nas duas localidades e a instalação de nova unidade de moagem em Reo Mao. O trabalho também viabilizou a reabilitação e o aprofundamento de poços em Packy, Mbadatt e Yew, a construção de um centro de promoção da mulher rural e equipamento com máquinas de costura em Réfane, o desenvolvimento de aulas de alfabetização em Reo Mao, Yeo, Santhe Thilla, Landou, Kathialick e a construção de ateliers de costura em Reo Mao e Daara. | 09


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O sucesso do trabalho deu origem a um projeto de continuidade, três anos depois, denominado PROSEDEC II, que promoveu a construção e equipamento de um posto de saúde em Yoff e outro em Touba dar Salam. Durante este período, a AMI também enviou apoio através de contentores com bens cujo valor reverteu para os projetos a decorrer. Já em 2004, a atuação com a APROSOR foi direcionada para a região de Casamança, onde se desenvolveu o “Programa de Reforço do Processo de Paz em Casamança”, por meio da implementação de dois projetos, “Construction du Poste communautaire de Santé à Djignaky”, inaugurado pelo Embaixador de Portugal António Montenegro, e “Construction du Poste communautaire de Santé de Katack”. No ano seguinte, após o trabalho efetuado em Casamança, a APROSOR voltou a direcionar a atuação para a região de Thiés. Um dos projetos tratou da reparação de uma ambulância em Portugal que, em 10 |

resposta a um pedido da APROSOR, foi enviada para o Senegal e, posteriormente, oferecida à Associação Education Santé (Associação das Mulheres da Primeira Dama Senegalesa). Já o outro surgiu de um pedido feito à AMI pelo Embaixador de Portugal no Senegal Dr. António Montenegro e tratou da requalificação de um património com forte ligação à história de Portugal. Como reconhecimento, numa cerimónia realizada na Camara Municipal de Gorée, o Embaixador de Portugal e o Presidente da AMI, foram nomeados “Embaixadores da boa vontade e peregrinos da Ilha de Gorée/Senegal”. AVENTURA SOLIDÁRIA Dois anos depois, a AMI deu início a um novo tipo de parceria com a APROSOR, o desenvolvimento de projetos ao abrigo do programa “Aventura Solidária”, tendo sido o Senegal o parceiro piloto nesta implementação. A iniciativa, que tem por objetivo estabelecer pontes entre


AMI

foi o primeiro “O Senegal destino do projeto Aventura Solidária ”

culturas, permite que os grupos de “aventureiros” participem e cofinanciem um projeto de desenvolvimento concreto, além de realizarem atividades de lazer sugeridas e organizadas pelas populações locais durante um período de 10 dias. Entre os projetos desenvolvidos pelo programa “Aventura Solidária” desde 2007, estão a reabilitação e equipamento do Centro de Promoção da Mulher em Réfane, a reabilitação do Centro de Nutrição de Reo Mao, o fornecimento de matérias-primas para o atelier de Tinturaria das Mulheres de Reo Mao, o fornecimento de equipamento de informática à Comunidade Rural de Réfane, a construção da Casa de Saúde de Parba e Mbambey, a construção e equipamento do Centro de Costura Thiola e Kaba, a reabilitação do complexo sanitário de Réo Mao, a construção da Maternidade da Casa de Saúde de Mbambeye e a reabilitação da Casa de Saúde de Néorane.

SEGURANÇA ALIMENTAR – APOIO À PRODUÇÃO AGRÍCOLA Agora, numa parceria com a Union Régionale des Associations Paysannes de Diourbel (URAPD), a AMI deu início ao seu mais recente financiamento, o Projeto de Luta contra a Insegurança Alimentar (PLCIA), que, por meio da implementação de práticas agroecológicas (biodigestores e fertilizantes orgânicos) e do acesso a fatores de produção, pretende valorizar a produção local e aprimorar 100 explorações familiares em 18 aldeias de três comunidades do departamento de Bambey. A ação tem a duração de 24 meses e um orçamento de cerca de 115 mil euros, dos quais 30 mil são assegurados pela AMI.

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PROJETO PORTA AMIGA A AMI conta atualmente com 16 equipamentos sociais que se dividem por nove Centros Porta Amiga, dois Centros de Alojamento Temporário e dois Polos de Receção de Alimentos, somados a duas equipas de rua um serviço de apoio domiciliário. A estes somam-se cinco Infotecas, 12 centros de distribuição alimentar e 11 refeitórios sociais. No total, são mais de 36 serviços sociais em todo o país.

Pólo de desenvolvimento de muitos dos serviços oferecidos pela AMI, os Centros Porta Amiga promovem as condições necessárias para a construção de um projeto de melhoria da situação de cada indivíduo, de modo a conduzi-lo à sua reinserção social. O objetivo é proporcionar respostas concretas às necessidades das pessoas que se encontram em situações de dificuldade, isolamento e/ou exclusão social, adaptadas às características da população local.

Porta Amiga Chelas

Porta Amiga Olaias

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Inauguração: dezembro de 1994 População atendida em 2016: 2511 Serviços: › Refeitório › Géneros Alimentares › Balneário › Lavandaria › Vestiário › Distribuição de Produtos de Higiene › Distribuição de Material Escolar › Cuidados de saúde › Apoio jurídico › Apoio e acompanhamento social › Apoio psicológico › Formação, informação e sensibilização › Apoio ao Emprego e Formação Profissional › Serviço de Apoio Domiciliário › Equipa de Rua › Atividades Socioculturais.

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Inauguração: março de 1999 População atendida em 2016: 1147 Serviços: › Géneros Alimentares › Apoio jurídico › Apoio e acompanhamento social › Apoio psicológico › Cuidados de Saúde › Espaço de prevenção da exclusão social (EPES) para crianças e jovens › Espaço de prevenção da exclusão social (EPES) para adultos › Formação, informação e sensibilização › Apoio ao Emprego e Formação Profissional › Programa de Capacitação “Desperta” › Projeto Um Emprego à Medida › Projeto Fadas Madrinhas › Distribuição de material escolar › Projeto Um Click pela Inclusão Social.


BRASIL

Porta Amiga Cascais Inauguração: 4 de julho de 1996 População atendida em 2016: 985 Serviços: › Refeitório › Géneros Alimentares › Balneário › Vestiário › Cuidados de saúde › Distribuição de Produtos de Higiene › Apoio jurídico › Apoio e acompanhamento social › Apoio psicológico › Espaço de prevenção da exclusão social (EPES) para jovens › Espaço de prevenção da exclusão social (EPES) para adultos › Formação, informação e sensibilização › Distribuição de Material Escolar › Infoteca FNAC/AMI.

Para além dos serviços de necessidades básicas, como refeitório, lavandaria, vestiário e cuidados de saúde, a AMI desenvolveu, desde 1994 – ano de inauguração do primeiro Centro Porta Amiga –, apoios jurídico, social e psicológico e mais uma série de atividades socioculturais que levaram à inclusão de mais de 70 mil pessoas em situação de pobreza. Para se ter uma dimensão do trabalho desenvolvido pelos Centros Porta Amiga, só na alimentação – a contar com os refeitórios e o Apoio Domiciliário –, a AMI já serviu mais de 3 milhões de refeições, desde 1997. Vale citar que o serviço de Apoio Domiciliário é uma resposta que a AMI disponibiliza à população mais idosa de

Porta Amiga Almada Inauguração: janeiro de 1996 População atendida em 2016: 1976 Serviços: › Refeitório › Géneros Alimentares › Balneário › Lavandaria › Vestiário › Cuidados de saúde › Distribuição de Produtos de Higiene › Apoio jurídico › Apoio social › Apoio psicológico › Formação, informação e sensibilização › Distribuição de Material Escolar › Centro Distribuidor da Revista “CAIS” › Infoteca FNAC/AMI › Espaço de Prevenção da Exclusão Social (EPES) para adultos.

Lisboa. O projeto, que tinha como objetivo inicial fornecer refeições à população que não conseguia deslocar-se aos Centros Porta Amiga, hoje inclui serviços como apoio social, higiene pessoal, higiene habitacional, tratamento de roupa, animação e socialização. No âmbito do apoio social, também são oferecidos atendimento e acompanhamento na elaboração de um projeto de vida, que inclui apoio psicológico, médico e de enfermagem, totalmente assegurados por voluntários. Além disto, existem, em cinco dos centros sociais da AMI, gabinetes específicos de apoio ao emprego que complementam a integração social dos beneficiários.

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A AMI já conta também com dois fundos de financiamento, um para o Desenvolvimento e Promoção Social – criado para fazer face a pagamentos de despesas correntes como água, luz e gás, e que hoje abrange necessidades como medicamentos, transportes e rendas, por exemplo. Complementarmente há um fundo Universitário que tem como objetivo apoiar a formação académica de jovens que não dispõem dos recursos económicos necessários para o prosseguimento de estudos no ensino superior.

Isto tudo sem contar com as Equipas de Rua – que prestam apoio social, psicológico, médico e de enfermagem –, os Abrigos Noturnos – como o da Graça, que já apoiou mais de 800 pessoas em 20 anos –, e o espaço das Infotecas FNAC/AMI – exemplo de uma parceria com outra instituição –, que, desde 2007, desenvolve, nos Centros Porta Amiga de Gaia, Cascais, Porto, Funchal e Almada, a formação em Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), a crianças e jovens, adultos desempregados e seniores, e o acesso livre e atividades transversais que consistem em ações de sensibilização e informação com recurso às TIC.

Porta Amiga Porto

Porta Amiga Coimbra

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Inauguração: abril de 2000 População atendida em 2016: 430 Serviços: › Refeitório › Géneros Alimentares › Balneário › Lavandaria › Vestiário › Cuidados de saúde › Distribuição de Produtos de Higiene › Apoio jurídico › Apoio e acompanhamento social › Apoio psicológico › Formação, informação e sensibilização › Distribuição de Material Escolar › Atividades Socioculturais › Centro Distribuidor da Revista “CAIS”.

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Inauguração: abril de 1995 População atendida em 2016: 2027 Serviços: › Refeitório › Géneros Alimentares › Balneário › Lavandaria › Vestiário › Cuidados de saúde › Distribuição de Produtos de Higiene › Apoio jurídico › Apoio e acompanhamento social › Apoio psicológico › Formação, informação e sensibilização › Apoio ao Emprego e Formação Profissional › Equipa de Rua › Distribuição de Material Escolar › Atividades Socioculturais › Centro Distribuidor da Revista “CAIS” › Infoteca FNAC/AMI contra a Infoexclusão.


Porta Amiga Gaia

Porta Amiga Funchal

Inauguração: dezembro de 2004 População atendida em 2016: 1533 Serviços: › Refeitório › Géneros Alimentares › Balneário › Lavandaria › Vestiário › Cuidados de saúde › Distribuição de Produtos de Higiene › Apoio jurídico › Apoio e acompanhamento social › Apoio psicológico › Espaço de prevenção da exclusão social (EPES) para jovens › Espaço de prevenção da exclusão social (EPES) para adultos › Formação, informação e sensibilização › Procura ativa de emprego › Equipa de Rua › Distribuição de Material Escolar › Atividades Socioculturais › Alfabetização para Adultos › Infoteca FNAC/AMI › Espaço de Acompanhamento e Intervenção Familiar.

Inauguração: novembro de 1997 População atendida em 2016: 446 Serviços: › Refeitório › Géneros Alimentares › Balneário › Lavandaria › Vestiário › Cuidados de saúde › Distribuição de Produtos de Higiene › Apoio jurídico › Apoio e acompanhamento social › Apoio psicológico › Formação, informação e sensibilização › Apoio ao Emprego e Formação Profissional › Distribuição de Material Escolar › Atividades Socioculturais › Alfabetização para adultos › Infoteca FNAC/AMI.

Porta Amiga Angra do Heroísmo Inauguração: dezembro de 2008 População atendida em 2016: 713 Serviços: › Refeitório › Géneros Alimentares › Vestiário › Lavandaria › Balneário › Cuidados de saúde › Distribuição de Produtos de Higiene › Apoio jurídico › Apoio e acompanhamento social › Apoio psicológico › Formação, informação e sensibilização › Procura ativa de emprego › Atividades Socioculturais › Distribuição de Material Escolar.

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JANTAR DE COMEMORAÇÃO DOS 30 ANOS DE MISSÕES INTERNACIONAIS Desde 1987, a AMI desenvolveu perto de 400 missões humanitárias e de desenvolvimento em 82 países, onde ajudámos a minorar o sofrimento, o isolamento e a angústia de milhões de pessoas, de seres humanos. Mas nenhuma teria sido possível sem a dedicação, o esforço e a generosidade de largas centenas de “missionários”: médicos, enfermeiros, logísticos, assistentes sociais, educadores de infância, nutricionistas…, que foram homenageados no passado dia 11 de novembro, durante um jantar na Messe da Marinha, em Cascais.

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Todos os voluntários presentes receberam o diploma de reconhecimento da AMI. Alguns mereceram destaque especial. Foram eles o Dr. Manuel Lara, o voluntário que mais tempo seguido passou em missão (4 anos em 5 países), a enfermeira Nazaré Santos, pelo recorde em número de missões (16 em 7 países durante 6 anos e meio) e Jorge Gaspar (o primeiro voluntário em missão pela AMI). Fernando Nobre, Presidente da AMI, não deixou passar em claro o papel de algumas personalidades presentes na história da AMI: Conceição Costa,


JANTAR 30 ANOS MISSÕES INTERNACIONAIS

gestora do voluntariado internacional e colaboradora da AMI há 30 anos, Fernando Nogueira, o jornalista José Manuel Barata-Feyo, o advogado José Lebre de Freitas (que elaborou os estatutos da AMI), Major-General Rui Clero em representação da GNR, que disponibiliza consultas gratuitas aos médicos voluntários, Tenente-Coronel Victor Morato, embaixador António Montenegro (enquanto Embaixador de Portugal no Senegal), Almirante Melo Gomes (Comandante da Fragata Vasco da Gama em Timor), António Gentil Martins (bastonário da Ordem dos Médicos nos primeiros passos da AMI) e o Contra-Almirante Nelson Santos. Esta noite tão especial, foi passada num ambiente muito descontraído em que era visível a alegria dos presentes em estarem juntos, alguns há muitos anos sem se verem. A AMI agradece a todos os convidados que aceitaram celebrar a efeméride connosco, bem como ao Clube Viajar e à Eurologistix, que tornaram possível a iniciativa, e a Matilde Cid que encantou todos os presentes com a sua voz e a sua forma tão original de cantar o fado. | 17


Internacional_

Novo projeto AMI Punto.sud Em novembro de 2017, teve início o projeto “There isn’t a PLANet B! Win-win strategies and small actions for big impacts on climate change”, que está a ser desenvolvido pela AMI, como parceiro em Portugal. O projeto, que nasceu de um consórcio com a Punto.sud, organização líder, conta com 6 parceiros europeus. Financiado pela Comissão Europeia, está orçamentado num total de €4.569.531, dos quais €766.297 para implementação das atividades em Portugal.

Nacional_

SEMANA PELO COMBATE À POBREZA E À EXCLUSÃO SOCIAL Erradicar a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares, é o primeiro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), fixados pela ONU em 2015 e que fazem parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Durante uma semana, a AMI uniu-se a várias outras organizações não-governamentais - como a Amnistia Internacional, a Animar e a EAPN Portugal - em atividades espalhadas por todo o país, com o objetivo de mobilizar e sensibilizar a sociedade para a problemática da pobreza e da exclusão social. Neste sentido, as organizações da sociedade civil envolvidas neste projeto pretendem dar continuidade ao trabalho iniciado em 2010 na luta contra a pobreza e a exclusão social.

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Turquia Uma missão exploratória da AMI à Turquia, chefiada pelo seu presidente, decorreu de 5 a 10 de novembro de 2017 em Gaziantep e Sanliurfa, no sudoeste deste país, onde são desenvolvidas ações de ajuda humanitária a refugiados sírios, bem como a deslocados internos dentro da Síria. Durante a estadia, e com o apoio do responsável da OMS na zona, Dr. Manuel Lara, médico voluntário da AMI, foi possível contactar com 5 ONG que trabalham na Síria e que estão centradas no apoio direto à gestão da crise humanitária e apoio à população devastada pela guerra civil e que não consegue sair do país. A AMI pretende, agora, apoiar técnica e financeiramente alguns destes parceiros, permitindo ampliar e colmatar ativamente falhas reportadas, cobrindo necessidades negligenciadas.

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Entre as atividades realizadas pela AMI, destacaram-se uma visita guiada ao Museu da Farmácia, organizada pelo Centro Porta Amiga de Chelas; uma tertúlia com o tema “O que é para mim a AMI?”, realizada pelo Centro Porta Amiga de Olaias; uma “abertura de portas” do Centro Porta Amiga do Funchal, para que a comunidade local pudesse conhecer os serviços e as atividades desenvolvidas no local; um atelier intitulado “Frases por aí”, com mensagens positivas e inspiradoras espalhadas por todo o Centro Porta Amiga de Gaia; um Clube de Leitura e Debate e um Treino de Competências Pessoais e Sociais, realizados pelo Abrigo do Porto; e um piquenique, além de jogos e dinâmicas diversas, promovidos pelo Centro Porta Amiga de Angra do Heroísmo para interação e integração social.


BREVES

Linka-te aos outros Estão abertas as candidaturas para mais uma edição do Prémio Linka-te aos Outros. Este prémio tem como grupo-alvo todos os jovens a frequentar a escola entre o 7º e o 12º ano e consiste na apresentação de propostas para resolução, através de atividades de voluntariado, de problemas locais que os próprios detetem. Até 5 de janeiro de 2018 poderão ser enviados para a Fundação AMI os formulários de candidatura preenchidos e com os devidos anexos, para apreciação do Júri. Saiba mais em http://bit.ly/LinkateAosOutros

Peditório “Só Estamos a Pedir Porque Ainda Temos a Quem Dar” foi o lema do 29º Peditório da AMI que tem como objetivo, financiar os projetos da instituição de luta contra a pobreza em Portugal. De 26 a 29 de outubro, centenas de voluntários estiveram na rua a angariar donativos e a divulgar o trabalho da AMI em Portugal e no Mundo. Esta ação teve como resultado €27.146,94.

Fundo Universitário AMI Foram entregues formalmente no dia 7 de dezembro as bolsas do Fundo Universitário a 54 estudantes cuja candidatura foi aprovada. Estas bolsas de apoio social têm um valor máximo de €700 e destinam-se a apoiar o pagamento de propinas de estudantes que estejam a frequentar cursos de licenciatura, mestrado integrado ou mestrado simples em instituições de ensino superior públicas. Para além de assinalar a entrega oficial das bolsas (os bolseiros receberam um diploma e assinaram uma declaração de compromisso), nesta cerimónia foram ainda distinguidos os 10 alunos que obtiveram a melhor média no ano passado que receberam um computador portátil. A AMI atribuiu este ano um apoio no valor de €37.800.

20 milhões de pessoas são escravos

AMI celebrou 33 anos de vida no Dia Internacional do Voluntário

Mais de 20 milhões! Esta é a estimativa das Nações Unidas para o número de pessoas que, em pleno século XXI, ainda vivem em regime de escravidão. O Dia Internacional da Abolição da Escravatura é a altura certa para lembrar esta indignidade que teima em não desaparecer.

Dia 5 de dezembro foi dia de aniversário para a AMI. Fizemos 33 anos de vida. Mas não somos só nós que estivemos de parabéns. No mesmo dia, celebrou-se também o Dia Internacional do Voluntário e a verdade é que, sem eles, a AMI nunca teria sido o que é hoje. Em 2017, estamos igualmente a celebrar os nossos 30 anos de missões.

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Mecenato_

Formação na área Digital

Formação voluntários Foi em 2007 que a AMI organizou a primeira Formação a Voluntários Internacionais | Geral. Dirigida a todos os que querem integrar uma missão da AMI, nomeadamente médicos, enfermeiros, nutricionistas, técnicos de desenvolvimento e coordenadores, esta formação permite conhecer melhor a organização que vão representar no terreno 24h sobre 24h e também obter algumas ferramentas que lhes permitam perceber melhor o que é o voluntariado em missão; o que é o ciclo de projeto; o que é o ciclo de pobreza e como este se relaciona com a saúde e ainda algumas questões de saúde tropical e gestão de fármacos. A mais recente edição desta formação a Voluntários teve lugar em Lisboa, nos passados dias 16 e 17 de novembro e contou com a presença de 19 formandos. Em 10 anos foram realizadas 22 formações a 347 profissionais.

Foram vários os parceiros que contribuíram para o crescimento profissional dos colaboradores da AMI na área digital. Um Agradecimento especial à formadora/consultora Ana Mendes por ter proporcionado formação de extrema qualidade e prática a 3 elementos com a duração de 40 horas na área de Facebook & Instagram, ao formador Frederico Carvalho pelos seus excelentes insights através do curso de marketing digital com a duração de 14 horas e,   por último, à formadora Virgínia Coutinho por ter ministrado um curso prático de 8 horas sobre como fazer anúncios no Facebook.

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Fórmula do Talento A Fórmula do Talento é uma empresa de consultoria de Recursos Humanos que desenvolveu o projeto de formação designado AMI ACADEMY que consistiu em implementar um projeto de formação comportamental, com  módulos de cariz muito prático, com casos reais dos participantes e treino das metodologias.  Este projeto desenvolveu  um conjunto de módulos formativos desde Workshop de Estratégia, Liderança de Elevado Desempenho, Gestão de Elevado Desempenho, Gestão de Conflitos  e  Storytelling, atendendo a 3 grupos funcionais distintos: Administradores, Diretores e Chefias Intermédias, espalhados pelos diversos equipamentos sociais, Delegações e Sede da AMI. 20 |

Campanha de Luta contra Pobreza - Fnac/AMI Pelo nono ano consecutivo, a Fnac associou-se à AMI e aos seus projetos de luta contra a Pobreza, dando oportunidade aos clientes, durante o mês de dezembro, de deixar o seu donativo nas caixas da FNAC, acrescentando 1€, ou mais, às suas compras.


BREVES

Taleigo AMIgo “Embrulhar com sentido” VI Edição da Campanha Saco Solidário Decorreu a VI Edição da Campanha Saco Solidário. Esta iniciativa consiste em entregar sacos solidários à rede de parceiros da Kelly Services, clientes e colaboradores, e que aí coloquem os seus donativos. Ao longo das 5 edições anteriores foram angariados mais de 37.500 kg de bens alimentares e de higiene.  

Esta parceria com a Companhia das Agulhas permitiu a qualquer pessoa participar ativamente através da costura, na ajuda ao combate à pobreza e na preservação do ambiente reutilizando materiais não usados. Foram duas as formas de participar neste projeto: costurando os Taleigos AMIgos (um saco embrulho de pano) ou comprando o Taleigo à venda pela AMI. Ao benefício dos cabazes de Natal. 1 Taleigo AMIgo equivale a 5€, 4 Taleigos AMIgos equivalem a uma família apoiada este Natal.

Campanha solidária Phone House a favor dos cabazes de Natal A Phone House associou-se, pelo segundo ano consecutivo, à VII Missão Natal AMI – Cabazes de Natal, e promoveu de 13 de novembro a 17 de dezembro uma angariação de fundos junto dos clientes das lojas Phone House,.

Aventura Solidária Guiné Bissau Decorreu de 30 novembro a 10 de dezembro de 2017, a 14ª Aventura Solidária à GuinéBissau (ilha de Bolama), onde foi dada a continuidade do projeto de implementação da Rádio Comunitária para a comunidade de Bolama. As inscrições para 2018 já estão abertas. Saiba mais em aventura.solidaria@ami.org.

Campanha AMI/MEO a favor das vítimas dos incêndios A AMI vai ajudar no esforço de reconstrução provocado pelos incêndios de 15 de outubro. Essa ajuda será feita, por um lado, através da aquisição de móveis e eletrodomésticos, para as famílias que ficaram com as suas casas e lares destruídos, apoiando-as desta forma no regresso à normalidade. Por outro, investindo na reflorestação das áreas ardidas, de modo a recuperar o mais rapidamente possível a floresta e a biodiversidade perdidas. | 21


LOJA AMI A Loja AMI já possibilita donativos online e dispõe de outros artigos que podem ser adquiridos no site loja.ami.org.pt Ao comprar qualquer um dos artigos da loja AMI estará a contribuir para a realização dos nossos projetos e missões. Pode também fazer a sua escolha, preencher

e enviar-nos o cupão abaixo, junto com o cheque no valor total dos artigos acrescido das despesas de envio indicadas. Usufrua de 40% de desconto na loja online, em todos os artigos com preços superiores a 3€, exceto livros e coração solidário.

requalificação do 1 Projeto Criado ede desenhado em exclusivo refeitório doMachado Centro Porta Amiga por António em parceria do Porto com o objetivo de com a MACHADO JOALHEIRO, proporcionar qualidade e peça o Coração Solidário AMI é uma conforto ao (coração espaço, contribuindo em filigrana de Viana assim para a dignificação em prata dourada de 5,5 x 6dos cm), beneficiários que usufruem destejá uma prenda especial para oferecer, que 35% do valor angariado reverte a serviço diariamente. favor da AMI. 

Projeto de requalificação do refeitório do Centro Porta Amiga do Porto com o objetivo de proporcionar qualidade e conforto ao espaço, contribuindo assim para a dignificação dos beneficiários que usufruem deste serviço diariamente.

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1

Coração de Filigrana Solidário (5,5x6cm) _120€

2

Kit Salva Livros _6€

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Estojo de madeira _4,5€

6

Bloco de Notas (14x18cm) _3€

5

Set pintura _15€

[CONSULTE OS PORTES DE ENVIO NO NOSSO SITE]

3

Agenda Escolar (11x21cm) _6€

[MAIS ARTIGOS EM WWW.AMI.ORG.PT]

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INFORMAÇÕES

VOLUNTÁRIOS PRECISAM-SE CPA CASCAIS

ABRIGO DO PORTO

Função: Apoio para as férias das crianças do Espaço EPES

Função: Médico de clínica geral Periodicidade: 1 a 2 vezes por mês Função: Psiquiatria Periodicidade: 1 a 2 vezes por mês

CPA PORTO Função: Advogado(a); Função: Enfermeiro(a); Função: Psiquiatra; Função: Licenciado em Marketing; Função: Designer Gráfico; Função: Indiferenciado/Empregada Limpeza (apoio à copa) Periodicidade: fins de semana e feriados

CPA GAIA Função: Enfermeiros para Gabinete de Enfermagem e apoio à Equipa de Rua

NACIONAL

voluntariado@ami.org.pt

[FICHA DE CANDIDATURA ONLINE]

Este número da AMI Notícias foi editado com o especial apoio da revista VISÃO (Distribuição), LIDERGRAF (Impressão e Acabamento), COMPANHIA DAS CORES (Design) e CTT – Correios de Portugal Autorizada a reprodução dos textos desde que citada a fonte. AMI Fundação de Assistência Médica Internacional R. José do Patrocínio, 49 – Marvila, 1959-003 Lisboa ami.org.pt | fundacao.ami@ami.org.pt Ficha Técnica Publicação Trimestral Diretor Fernando Nobre Diretora-Adjunta Leonor Nobre Redação Paulo Cavaleiro Edição Luísa Nemésio Fotografias AMI, Alexandre Fernandes e José Ferreira Colaboram neste número Ana Ferreira, Julia Bender Paginação Ana Gil e Diana Esteves Tiragem 54.000 exemplares Depósito Legal DL378104/14

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Obrigado por ajudar as equipas da AMI a prosseguirem o seu trabalho humanitário. Graças a si, os voluntários da AMI podem atuar em Portugal e nos países mais carenciados do Mundo! Porque muitos precisam de nós, nós precisamos muito de si!

Como colaborar com a AMI Deposite um donativo na conta da AMI n.º 015 27781 0009 do Novo Banco | Envie o seu donativo em cheque nominal diretamente para qualquer uma das direções da AMI. | Faça o seu donativo em qualquer caixa multibanco, selecionando a opção “Ser Solidário”. Depois, basta escolher a importância com que quer contribuir. | Participe ativamente como voluntário nos Centros Porta Amiga, na sede da AMI ou nas Delegações | Inscreva-se como voluntário contactando voluntariado@ami.org.pt | Adira às Campanhas de Reciclagem (reciclagem@ami.org.pt) | Faça reverter parte do seu IRS para a AMI | Participe na Aventura Solidária no Senegal, Brasil ou Guiné-Bissau (aventura.solidaria@ami.org.pt)

Como contactar a AMI E-mail: fundacao.ami@ami.org.pt | Internet: www.ami.org.pt Sede Fundação AMI – Rua José do Patrocínio, 49, 1959-003 Lisboa | T. 218 362 100 | Fax 218 362 199 Delegações Norte T. 225 100 701 | Centro T. 239 842 705 | Madeira T. 291 201 090 | Açores – Terceira T. 295 215 077 | Açores – S. Miguel T. 296 305 716 Centros Porta Amiga Lisboa – Olaias T. 218 498 019 | Lisboa – Chelas T. 218 591 348 | Porto T. 225 106 555 | Almada T. 212 942 323 | Cascais T. 214 862 434 | Funchal T. 291 201 090 | Coimbra T. 239 842 706 | Gaia T. 223 777 070 | Angra T. 295 218 547 Abrigos Noturnos Lisboa (em colaboração com a C. M. Lisboa) T. 218 152 630 | Porto T. 225 365 315 LEI DO MECENATO – ATIVIDADES DE SUPERIOR INTERESSE SOCIAL Art.º 61, alineas b) e e) do N.º 3 e N.º 4 do Art.º 62 e Art.º 63 do Decreto-Lei 215/89 de 21 de junho, renumerado e republicado como Anexo II ao Decreto-Lei 108/2008 de 26 de junho). O seu donativo é totalmente dedutível nos impostos, majorado em 40%.

Serviços AMI Cartão Saúde Contacto 213 Nº8235

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O seu donativo é dedutível nos impostos nos termos do Decreto-lei n.º 74/99 de 16 de março, conjugado com o n.º 2 do artigo 2 do Estatuto do Mecenato. Em cumprimento da Lei nº 67/98, de 26 de outubro, que aprova a Lei da Proteção de Dados, todos os dados pessoais obtidos mediante o preenchimento deste cupão serão inseridos num ficheiro informático da responsabilidade da Fundação AMI e destinam-se a ser utilizados, exclusivamente, para o envio de informação por correio, e-mail ou sms. É garantido o direito de acesso, retificação ou eliminação dos dados, podendo exercer esse direito pessoalmente ou por escrito para a Rua José do Patrocínio, n.º 49 1959-003 Lisboa. Caso não autorize que os seus dados sejam processados e armazenados informaticamente, assinale com uma cruz.

Profile for Companhia das Cores

AMI Notícias nº 69  

A AMI Notícias é uma publicação trimestral editada pela AMI - Assistência Médica Internacional desde 1994, com a ajuda de diversas empresas...

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