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J u n h o - 201 na i n u J Festa dição ra terá t ades! id e nov

Planeta Literatura é habitat dos leitores Povoado pelos amantes dos livros e por escritores, o Planeta Literatura do Colégio João XXIII pode ser considerado uma espécie de habitat dos leitores. O evento aconteceu de 2 a 5

de maio, reunindo 32 projetos transdisciplinares que gravitaram em torno dos personagens literários, além de oferecer uma feira do livro e o contato direto com autores. Foto: Bea Lehsten.


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Festa Junina 2018 será mais comunitária e cultural

FALA, JOÃO - Jornal do Colégio João XXIII Fechamento em 13/06/2018. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL JOÃO XXIII Presidente: Laura Maria da C. Eifler Silva Vice-Presidente: José Alencar Lummertz Diretora Financeira: Andrea Tabajara Bichinho Trajano Diretor de Obras e Patrimônio: Alexandre Ozorio Kloppemburg Diretora Jurídica: Aline Carraro Portanova Diretor de Comunicação / Editor: Joao Batista Santafé Aguiar - Reg. Prof. 4826/DRT-RS INSTITUTO EDUCACIONAL JOAO XXIII Diretora Geral: Anelori Lange Vice-Diretora Geral: Maria Tereza Coelho Reportagens e Redação: Rosina Duarte Assessoria de Imprensa e Colaboração: Luana Dalzotto de Castro Alves Diagramação e editoração: Patrick de Medeiros Revisão: Profa. Carmen Lucia Pacheco de Araújo


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Quem considera todas as Festas Juninas iguais poderá mudar de opinião depois de participar da Festa Junina do Colégio João XXIII de 2018. Sem abrir mão da fogueira e das brincadeiras tradicionais que garantem sua identidade, o evento apresentará surpresas, algumas delas reservadas para divulgação na tarde do dia 16 de junho entre 14 horas e 17h30min. “Neste ano teremos uma comemoração mais comunitária e cultural”, anuncia a vice-diretora Maria Tereza Coelho. Para começo de conversa, revela, a Festa está sendo organizada por uma comissão formada por integrantes de diversos segmentos da comunidade escolar. Com a ausência do “terceirão”,

não haverá a costumeira barraquinha de quitutes feitos e vendidos pelos estudantes com a finalidade de arrecadar fundos para a formatura. Algumas barracas serão abastecidas com produtos doados pela comunidade, incluindo os tradicionais bolos, as rapadurinhas de amendoim, o pinhão, o cachorro quente, a pipoca entre outras delícias juninas. Os terceirizados ficarão encarregados de oferecer churros, queijo coalho, quentão, churrasquinho e churraspão. Com relação aos brindes das brincadeiras da Argola, da Pescaria e da Boca do Palhaço, serão oferecidos em menor quantidade, evitando que estes sejam o foco da festa. Apresentações culturais e musicais também estão previstas. Mas

nenhuma dessas novidades exclui a tradição das danças e da fogueira acesa ao entardecer. Como ingresso opcional para a Festa, a Escola aceitará, na entrada, 1 kg de alimento não perecível a ser doado a uma instituição de caridade. A comunidade pode trazer convidados para a Festa - é uma grande oportunidade de novas famílias conhecerem a escola, deixando os nomes nas secretaria das etapas ou junto à portaria. Todos devem também trazer suas canecas para utilização durante a festa evitando a utilização de copos descartáveis.

REÇA A P M CO HA E VEN ANHADO P ACOM OU MAIS DE UM S O AMIG

Imagem da edição 2017 da festa Junina do João XXIII. Foto: Audiovisual João XXIII.


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Foto: A

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ual Joã

o XXIII.

O PE será consolidado no segundo semestre de 2018. Nesta entrevista, a presidente da Fundação Educacional João XXIII, Laura Eifler, fala sobre as atividades dos primeiros quatro meses do ano e adianta os próximos passos do processo. Comenta também sobre a renovação do Conselho após a eleição dos novos integrantes ocorrida em maio. Laura, poderias atualizar a comunidade escolar sobre o andamento do Planejamento Estratégico?

O PE será consolidado no segundo semestre de 2018 e os 13 comitês seguem se encontrando e se preparando para isso. No dia 27 de abril, tivermos um workshop para discutir a proposta de mudança do organograma, que deverá reorganizar toda a estrutura da Fundação. Participaram integrantes dos comitês da Governança, de Satisfação, de Comunicação, de Captação e de Fidelização. Também foi convidada a Equipe Técnica e todos que tivessem interesse. Formamos quatro grupos com representantes dos diversos segmentos. Chegamos a debater, inclusive, os estatutos internos que precisam ser alterados. Ao final, foram apresentadas as sugestões que serão analisadas pelo Comitê de Governança. Ainda haverá um prazo para o encaminhamento de minutas.

Planejamento Estratégico do João será consolidado no segundo semestre Qual o motivo e a importância de mudança de organograma?

No nosso modelo de gestão há uma sobreposição de tarefas entre o Pedagógico e a Fundação. É preciso fazer essa distinção. Tem, ainda, o debate sobre a implantação de uma Ouvidoria. Outro item importante é o Núcleo de Formação, Pesquisa e Inovação. Enfim, existem várias propostas novas. Mas o fundamental é estabelecer um organograma mais radial e menos hierárquico. E quais os próximos passos?

Bem, em primeiro lugar o Comitê de Governança deve acolher as sugestões geradas no workshop, rever o estatuto e o regimento interno. Logo, fará a devolução para os participantes da discussão e para os conselheiros de diversas áreas com a finalidade de ampliar ainda mais a participação da comunidade escolar. Também o Comitê de Fidelização deverá realizar os ajustes na proposta de funcionamento da Ouvidoria. Só depois de concluído esse processo, o novo organograma será votado pelo Conselho, em julho. Paralelamente, os Comitês de Captação e Comunicação seguem construindo estratégias para o ingresso de novos alunos na Escola.

A recente renovação do Conselho tem impacto nesse processo?

Foi renovado cerca da 50% do Conselho. Até as vagas de suplentes foram preenchidas. Muitos dos eleitos nunca tinham participado do processo. Ocorreu uma oxigenação, sem dúvida. E eu vejo relação direta desse novo interesse com o Planejamento Estratégico. Muitos pais e mães sentiram-se motivados a participar a partir dos debates do PE. Antes de serem empossados, no dia 29, eles foram apresentados ao Conselho e informado sobre as atividades e responsabilidades dos conselheiros. E o que é esperado para o segundo semestre?

Vencida a discussão do organograma, o Comitê de Governança tem pela frente a reorganização da constituição do Conselho Deliberante, do sistema periódico de definição da escolha da direção pedagógica e dos processos de trabalho. Será a consolidação do PE.


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Foto: Audiovisual João XXIII.

Conselho Deliberante é renovado

A posse de 42 novos conselheiros da Fundação Educacional João XXIII aconteceu em 5 de junho. Depois da cerimônia, o Conselho Deliberante aprovou a construção de prédios destinados à Manutenção e Serviços. O processo de renovação do Conselho Deliberante é preparado desde o início do ano por uma

Titulares

Comissão Eleitoral. Alguns dias antes, os novos membros já haviam se encontrado com a Diretoria Executiva da Fundação, cuja composição atual é formada por pais e mães Conselheiros As reuniões acontecem normalmente na última terça-feira de cada mês e são abertas à comunidade escolar.

1C

2017 - 2019

MÁRCIA DI GIORGIO CARDOSO

2A

2017 - 2020

LIANE ELISA FRITSCH

2C

2018 - 2020

ANNA LUIZA SURITA DUARTE

2E

2018 - 2020

CLAÚDIA PAIVA NUNES

CBB

2018 - 2020

JOANA HENNEMANN

MB

2018 - 2019

JANAINA TÓLIO

MD

2018 - 2019

DENISE BAIRROS BARBOSA

NB

2017 - 2019

MILENA DEMAMAN SILVA TYBA

Suplentes

ND

2017 - 2019

ANDREA TABAJARA BICHINHO TRAJANO/MANDATO SUSPENSO/Dir. Financeira 2018-2019 (Art.16 Reg.Interno)

MB

2018 - 2019

ELIANE COSTANTIN

NF

2018 - 2020

VÍNICIUS SERPA BASSETTI

MD

2018 - 2019

RENATA ORTIZ PEDRINI

NH

2018 - 2019

LUCIA VIANNA XAVIER

NB

2018 - 2019

FABRÍCIO VALMORBIDA MARÇAL PESSÔA

NJ

2018 - 2020

MAUREN MARTINS DE MARTINS BARCELLOS

ND

2017 - 2019

1B

2018 - 2019

JARIR ABDEL HAMID MUSTAFA

SANDRO DUARTE DA SILVA /Titular interino (Art.16 parag. Único Reg. Interno)

1D

2018 - 2019

TATIANA TONIOLO BAGGIO

NF

2018 - 2020

HANYK DE FARIA MELO ORSI

1F

2017 - 2019

CAROLINE SOARES DE ABREU

NJ

2018 - 2020

ANELISE DA ROSA CRISTIMANN

1H

2017 - 2019

FRANCISCO DE PAULA BASTOS DE FREITAS

1B

2018 - 2019

CHRISTIANNE SOUZA DE OLIVEIRA

2B

2017 - 2019

MÍRIAN FONTOURA MOREIRA

1D

2018 - 2019

VIVIANE FIGUEIREDO CACERES

2D

2018 - 2019

ELISANDRA FABIANA MOREIRA

1F

2018 - 2019

PAULA VIANNA NUNES

2F

2017 - 2019

BIANCA DA SILVA ALVES

1H

2017 - 2019

RODRIGO FARDIN DO NASCIMENTO RICCIARDI

2H

2017 - 2019

MARCUS SOFIA ZIEGLER

2B

2017 - 2019

JOICE PAVEK FIGUEIRÓ

3B

2018 - 2020

DANIELA PASTRE CAMARGO

2D

2018 - 2019

MARCELO RODRIGUES PINTO

3D

2018 - 2020

MICHELE MIRANDA SCHWANCK FERNANDES

2F

2017 - 2019

JORGE HUGO SOUZA GOMES

3F

2018 - 2020

FERNANDA MACHADO DE OLIVEIRA

2H

2017 - 2019

GILSON INACIO WIRTH

3H

2018 - 2020

REGIS ALBERTO WEBER

3D

2018 - 2020

BEATRIZ DE MEDEIROS DURAND

4B

2018 - 2020

AMARILDO MACIEL MARTINS

3F

2018 - 2020

ENAURA CASTRO

4D

2017 - 2019

DANIEL JULIANO DOEDERLEIN SOARES

3H

2018 - 2020

DANIEL MAIA

5A

2017 - 2019

ALEXANDRE OZORIO KLOPPEMBURG/ MANDATO SUSPENSO/Dir. Obras e Patrimônio 2018-2019 (Art.16 Reg. Interno)

4B

2018 - 2020

ALOISIO ROCHA

4D

2017 - 2019

JOICE VOSS VALADÃO

5A

2017 - 2019

BEATRIZ DE LIMA ABRAHÃO/Titular interino (Art.16 parag. Único Reg. Interno)

5C

2018 - 2019

LETICIA BECKER HOMRICH

5E

2017 - 2019

MIRELLE BARCOS NUNES

5C

2018 - 2019

VANESSA FELIZARDO RODRIGUES

5G

2017 - 2019

FRANCIS CAMPOS BORDAS

5E

2017 - 2019

BEATRIZ LEHSTEN

6A

2017 - 2019

ALINE CARRARO PORTANOVA/MANDATO SUSPENSO/Dir. Jurídica 2018-2019 (Art.16 Reg.Interno)

5G

2017 - 2019

DARLIANE RAIMUNDO FAGUNDES

6A

2017 - 2019

SÉRGIO SCHARDONG FILHO/Titular interino (Art.16 parag. Único Reg. Interno)

6C

2017 - 2019

CRISTIANE JUNG ABARNO DIAS

6E

2017 - 2019

BEVERLÊ DA SILVA

6C

2017 - 2019

CRISTIANE DE PAULA VIEIRA

7A

2017 - 2019

EUNICE AITA ISAIA KINDEL

6E

2017 - 2019

ADRIANA GOMES

7C

2018 - 2020

GILBERTO PINTO VIEIRA

7A

2017 - 2019

ÂNGELA ALBRECHT

7E

2017 - 2019

FÁBIO JUNGES SUBTIL

7E

2017 - 2019

DENISE LUCE SCHMITZ

8A

2017 - 2019

MIGUEL REIS NINOV

8E

2017 - 2019

DENILSON GONÇALVES DE OLIVEIRA

8C

2018 - 2020

MARIO LEAL LAHORGUE

9A

2018 - 2019

PAULA MIRANDA DE BRITTO

8E

2017 - 2019

MARIA LUIZA PONT

9C

2018 - 2020

CLARISSE ALABARCE NERY

9A

2017 - 2019

LÍGIA BEATRIZ ECHENIQUE BECKER

9E

2018 - 2020

VIVIAN CRISTIANE SCHAEFER

9C

2018 - 2020

FABIANO DE VARGAS E SILVA

1A

2018 - 2021

9E

2018 - 2020

RENATA CASTILHOS SEVERINI

EDUARDO ANTONIO DE OLIVEIRA TAVARES/Titular interino (Art.16 parag. Único Reg. Interno)

1A

2018 - 2021

JOÃO BATISTA SANTAFÉ AGUIAR/MANDATO SUSPENSO/Dir. Comunicação 2018-2019 (Art.16 Reg.Interno)

2C

2018 - 2020

EDGAR DA SILVA ARISTIMUNHO

2E

2018 - 2020

JAQUELINE MOLL


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A professora de Física Marina Valenzuela e a estudante Amália Garcez, da 1ºC, no lançamento da réplica de foguete durante a Mostra Brasileira de Foguetes

Olimpíadas de História, Física e Matemática mobilizam professores e estudantes do João No próximo mês e no segundo semestre do ano, os professores e os estudantes do Colégio João XXIII estarão envolvidos com três Olimpíadas: História, Física e Matemática. Voltada aos estudantes do 8º ano ao Ensino Médio, a Olimpíada Nacional de História do Brasil - 10ª edição é composta por seis fases a distância e uma presencial. No João XXIII, 24 estudantes estão participando do evento que começou em 9 de maio e segue até 18 de agosto. “O evento, além de ser uma oportunidade para os estudantes terem contato com fontes de História do Brasil (não facilmente encontradas em livros didáticos) é uma chance para refletir sobre aspectos da História do país de forma mais aprofundada e complexa. Esse tipo de Olimpíada, que exige o trabalho em grupo, é interessante para o estreitamento de laços entre os estudantes, ponto que está sendo cada vez mais valorizado nas discussões contemporâneas sobre educação”, opina a professora Patrícia Dyonisio de Carvalho. Por sua vez, a Olimpíada Brasileira de Física (OBF), em sua primeira fase, mobilizou 31 estudantes do 9º ao EM

que responderam questões objetivas sobre os temas propostos. A segunda fase, marcada para o dia 18 de agosto, apresentará questões dissertativas e a terceira, prevista para 6 de outubro, será uma prova experimental e teórica. Já a Olimpíada Brasileira de Matemática (Obmep) teve, neste ano, 119 inscritos. Voltada para estudantes do 6º ao EM, a competição acontece em duas etapas e os candidatos são divididos em três níveis: nível 1 para alunos do 6º e 7º ano do Ensino Fundamental; nível

2, para alunos do 8º e 9º ano do EF e nível 3, alunos do Ensino Médio. A primeira fase, com prova objetiva, ocorreu em 5 de junho, no próprio João XXIII. A próxima, prevista para 15 de setembro, é a aplicação de prova discursiva. Para o professor Cassio Kiechaloski Correia de Mello, a participação dos jovens “é importante para despertar interesse em uma matemática ainda mais aplicada, já que a prova não tem compromisso com o conteúdo e sim com o raciocínio lógico”. A fim de dar suporte aos candidatos,


7 Fotos (p. 6-7): Audiovisual João XXIII

Creche Boa Esperança recebe 10 novos computadores a Coordenação Pedagógica das etapas envolvidas está organizando grupos de estudos. “Nosso acompanhamento não é apenas na Escola. Ano passado fomos com o grupo selecionado para a fase final à UFRGS. E neste ano queremos repetir o cuidado”, informa Cassio. Em 2017, 111 estudantes do João XXIII se inscreveram na Obmep. Desses, 10 passaram para a segunda fase e seis receberam menções honrosas - dois de cada nível, além do 14º lugar no nível 3 conquistado pelo ex-aluno Eduardo Castelli Kroth. “Diante da certeza de que, novamente, estaremos bem representados, desejo, principalmente, que os estudantes possam se divertir e aprender um pouco mais sobre matemática”, comenta o professor Luciano Stropper da Silva. No período de 27 de junho a 13 de julho, ocorre, ainda, o João Matemágica na Etapa 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Apesar de não levar o selo “Olimpíada” no nome, o evento obedece os mesmos princípios de uma olimpíada matemática e de jogos de xadrez. Algo semelhante ocorre com a Mostra Brasileira de Foguetes da qual tomaram parte quatro estudantes da 1ª série do EM. Eles construíram e lançaram foguetes feitos com garrafas pet no dia 18 de maio. Os jovens tiveram o apoio da professora Marina Sanfelice Valenzuela e os lançamentos aconteceram na própria Escola. As 200 melhores equipes serão selecionadas para participarem da Jornada de Foguetes, em Barra do Piraí, Rio de Janeiro.

Em 21 de maio, a creche Boa Esperança, localizada na Vila Orfanotrófio, ganhou 10 novos computadores, disponibilizados para as 310 crianças e adolescentes atendidos pela instituição. A instalação dos computadores, assim como a preparação da sala para receber os equipamentos, contou com o apoio financeiro da Fundação Educacional João XXIII e da Associação dos Professores do Colégio (APJ). Os equipamentos foram doados pelo BarraShoppingSul, por intermédio do superintendente do local, Marco Aurélio Jardim Neto, pai dos estudantes Felipe e Alice Xavier da Silva Jardim.

Profissionais da Creche Boa Esperança e do Colégio João XXIII durante a entrega da sala e do recebimento dos computadores doados por intermédio da Escola

A doação reforçou a parceria de 37 anos que a Escola mantém com a creche. Nesse ano, além dos computadores, o João XXIII colaborou com a Páscoa das crianças, por meio da conversão do valor da primeira edição do Brechó de Uniformes e da campanha de arrecadação de chocolates feita pelo Grêmio Estudantil (GEJ). Roupas quentinhas para o inverno feitas pelo Serviço Comunitário da Escola (Secom), também estão sendo produzidas mais peças com as lãs arrecadadas durante o IV João em Ação, realizado em abril.


8 Planeta Liter atu

ra

Foto: Audivisual João XXIII.

Personagens, leitores e escritores povoam o Planeta Literatura

De acordo com a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” - desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro - 30% dos brasileiros nunca compraram um livro na vida. Já o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) emitiu a sombria previsão de que os estudantes brasileiros podem demorar mais de 260 anos para atingir o nível de leitura dos alunos dos países ricos. Na contramão desses índices, o Planeta Literatura do Colégio João XXIII traça sua rota em torno da produção literária, sendo povoado por uma legião de leitores e escritores. Com o tema “”Personagens de todos os tempos”, o evento aconteceu de 2 a 5 de maio no Colégio João XXIII, reunindo 32 projetos

transdisciplinares, além de uma feira do livro e o contato direto com autores. Um sábado radioso de outono – 5 de maio – foi o grande dia do Planeta. As portas do Colégio se abriram para receber a comunidade escolar e seus convidados. O pátio da Escola ficou repleto de produções peculiares realizadas pelos estudantes junto com seus professores. No centro, o gazebo abrigava as barracas de livros, como uma ilha cercada de criações literárias por todos os lados. Já na entrada, o mundo se descortinava para os visitantes com uma espécie de mapa mundi elaborado pelas turmas do 9º ano, participantes do “Quality of Life Wordwide”. O trabalho

apresentava peculiaridades e informações a respeito de diversos pontos do mundo, proporcionando descobertas não apenas aos expectadores como também aos seus

Lobos, bruxas, príncipes, mágicos, princesas, bailarinas, monstros e fadas

autores. Isabella Andrade e Sthefany Araújo (9C), por exemplo, jamais imaginaram que um país chamado Chade, localizado em um continente marcado pela pobreza como a África, era um dos mais saudáveis do mundo. A razão, explicavam as meninas, é que lá não chega comida industrializada na mesma proporção em que as regiões inseridas no mundo globalizado. Típico da região, a infusão rooibos – de sabor agradável semelhantes ao chá mate – era oferecida como brinde aos visitantes. Encontrá-lo não foi tarefa fácil. Ricardo Alabarse, também no 9C, acabou cumprindo a façanha. “Tentei no Mercado Público, mas estava fechado. Acabei achando no Barra Shopping”, contou. Mas o chá africano não era único do Planeta, pois o 7º ano também ofereceu o seu “7HT Grade Presents: Tea Time With Alice” que, aliás, atraiu as abelhas do Meliponário, sem qualquer risco para os participantes,


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Fotos (p. 9): Bea Lehsten.

HOTSITE Neste ano os smartfones e tablets puderam acessar com layout específico toda a programação e os acontecimentos do Planeta Literatura pelo endereço .br oxxiii.com ratura.joa e lit ta e n pla

Enquanto a professora do 5º ano Marilei Weiss encarnou a princesa Bela, do clássico a “A Bela e a Fera”, a contadora de histórias Fabiana Souza e a filha e aluna do 2º ano, Luna Lima, vestiram-se de Iara e Chapeuzinho Vermelho. A Valentina Braga, do 4ºF, também escolheu uma princesa para trazer ao Planeta Literatura desse ano

pois elas não são agressivas. Apesar de Ricardo ter garimpado um chá exótico, sua mãe não dispensou o café, ou melhor, o Café Literário “E agora José? Exposições dos ‘Josés’ – Carlos Drummond de Andrade-José”, abordado pelo 9º ano a partir o compêndio dos 100 melhores poemas do autor. Clari-

ce Alabarse se emocionou ao ponto de embargar a voz com o trabalho da meninada que, entre outras criações em torno do tema, apresentou a música “Rosa de Hiroshima”: “A grande questão é o amor... o amor próprio. No momento em que gostas de ti, passas para o outro. Assim se cura o mundo. Vocês têm um gran-

de potencial para fazer essa mudança. Vocês têm o poder da fagulha”. Essa “fagulha”, sem dúvida, acendeu a criatividade como podia ser constatado por quem compareceu ao Colégio na manhã de sábado, 5 de maio. Incentivados pelas coordenadoras, pela direção e pelos professores,

muitos compareceram vestindo seus personagens. O Planeta foi habitado por lobos, bruxas, príncipes, mágicos, princesas, bailarinas, monstros e fadas, além de uma sereia morena de lábios verdes envergando uma saia-cauda coberta de escamas e entremeadas com algas cintilantes. Codinome: Iara. Nome verdadeiro: Fabiana Souza. Profissão: contadora de histórias da Biblioteca Zilah Totta. Iara-Fabiana fazia questão de registrar a parceria com Miguel Cury na criação do personagem. “Ele fez um molde do meu corpo com jornal e fita crepe para depois modelar o tecido e colar os pedacinhos de acetato”. Curiosamente, a mulher peixe caminhava pelo pátio – com seus passinhos miúdos tolhidos pelo figurino – de mãos dadas com Chapeuzinho Vermelho, ou melhor, com Luna Souza Lima, sua filha (aluna do 1º ano).


Foto: Audivisual João XXIII.

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Tijolos amarelos e muito mais

Foto: Bea Lehsten.

Uma tagarela boneca de trapos e uma menina perdida entre dois mundos inspiraram as representações teatrais das professoras da Educação Infantil “Sítio do Pica Pau Amarelo: Emília e a Pílula Falante” e “Dorothy no Mundo Mágico de Oz”. Neste caso, o “respeitável público” seguia a lendária Estrada de Tijolos Amarelos que condu-

zia à sala 305, onde foi apresentado o espetáculo. Para eleger as ideias norteadoras do trabalho e, posteriormente, escolher o tema, adaptar os livros, construir os diálogos, os cenários e os figurinos, a equipe passou por um processo divertido e reflexivo idealizado pela coordenadora da etapa Márcia Elisa Valiati. No dia da estreia, ela

Foto: Audivisual João XXIII.

Os professores dos anos iniciais também estão no time dos que vestem os personagens. Em pé, Carina Pfaffenseller, Andreia Laurino, Silvana Meireles, Maristela Sebrão, Mariza Tavares e agachados Matheus Moura, Bernadete Sambaqui, Bárbara Durgante e Melissa Klein.

A equipe da Educação Infantil Luciene Barroso, Scheyla Diniz, Clara Coelho, Fernanda de Souza, Aurélio Mendonça, Julliana Alves, Renata Martellet, Camila Bettim, Marinna Schmal, Márcia Valiati, Ana Paula Stoll, Anderson Bopsin, Luciana Colussi e Nathália Cargnin, sempre pronta para entrar no mundo da imaginação.

própria encerrou o “Dorotthy no Mundo Mágico de Oz” com emocionada mensagem que refletia sobre os dilemas dos personagens Leão, Homem de Lata e Espantalho: “Não há medo que a coragem não seja capaz de superar; não há problema que uma mente inteligente não possa resolver; e não há maldade que os bons sentimentos não consigam vencer”. Outros personagens íntimos do mundo infantil como Os três porquinhos, João e Maria e Pinóquio também tiveram seus lugares no projeto “Where Does Fantasy Live?”, do 2º ano e “Pinóquio em ação”, do 6º ano. E a fantasia e o teatro foram o tom do 4º ano com duas produções: “Romeo and Juliet & Notícias do Mundo Encantado; o 1º Telejornal dos Contos de Fadas”. E o lobo, por sua vez, reinou no Ginásio de Esportes onde estava exposta a produção do 1º ano do EF “Então quem é?”, inspirada na obra da escrito-


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Foto: Audivisual João XXIII.

As professoras da Educação Infantil Clara Coelho e Scheyla Diniz interpretando “Dorothy no Mundo Mágico de Oz”

ra Cristina Dias, a respeito de um dos personagens mais temidos da literatura infantil. Por meio de enigmas e adivinhações, as crianças expressaram sentimentos inusitados e curiosos com relação ao animal. Alguns demonstravam simpatia e até ternura: “É fofinho e tem bigodes”; outros traduziram

temor: “Tem dentes pontudos e garras afiadas. Apetite muito grande,é carnívoro e faz um barulho de arrepiar”. Houve, ainda, quem descrevesse o lobo com fascínio e poesia: “Tem pelos no corpo/tem dentes caninos/tem olhos noturnos/que brilham no escuro”. O Ginásio, entretanto não

Foto: Audivisual João XXIII.

Nathalia Cargnin e Renata Martellet encenando “Sítio do Pica Pau Amarelo: Emília e a Pílula Falante”

albergou só lobos de papel. Sob seu teto, abrigou-se, por exemplo, uma “Caverna rupestre: a ‘Casa’ que guarda uma História!”, moldada pelo 2º ano do EF. Todas essas criações ganhavam um ar onírico com a nuvem de bolhas de sabão emanadas da “fábrica de bolhas de sabão” organizadas pelos professo-

res de Educação Física do 1º ano do EF, responsáveis pelo projeto “Ler e Brincar! O livro das Bolhas de Sabão”. Nem só de ficção viveu o Planeta, porém; pessoas marcantes que viraram personagem de livros também atraíram a atenção dos estudantes da 2ª série do EM. Por meio do projeto “Memória de los Olvidados”, eles buscaram inspiração na psiquiatra Nise da Silveira, entre outras. E, como acontece em todos os eventos do João, não faltou trilha sonora no Planeta Literatura que contou com diversas apresentações no pátio e no palco, incluindo a abertura de cada espetáculo do “Romeo and Juliet” feita pelo 4º ano com um sonoro “Sejam Bem-Vindos ao Mundo dos Personagens!”.


12 Planeta Liter atu

ra

Foto: Audivisual João XXIII.

Foto: Audivisual João XXIII.

Foto: Audivisual João XXIII.

Os estudantes da 2ª série do EM Agatha Landell de Moura, Pedro Pozzobon, Antônio Olivé, Júlia Weber, Renata de Campos, Mateus Aristimunho e João Pedro Dias nas diversas atuações realizadas dentro do projeto de Língua Inglesa “Performances: Intervenções Artísticas”

Foto: Joana Eifler.

Foto: Júlia Dutra.

Performances impactam os visitantes Intervenções são como pedras jogadas em um lago: alteram a lisura da água, criam ondas concêntricas, revolvem o fundo. No Planeta Literatura, o eclético projeto da 2ª série do Ensino Médio detiveram os passos dos visitantes por breves momentos. “Performances: Intervenções Artística – desenvolvido nas aulas de Língua Inglesa das professoras Helena César e Janaína de Pinho a partir

de textos e vídeos sobre performances de ícones mundiais como Marina Abramovich – ultrapassou a simples apresentação criativa de um tema. Ele foi concebido para provocar reflexão e impacto. E provocou, especialmente com as denúncias sobre os escandalosos números brasileiros da violência contra mulheres e transexuais feitas por estudantes, entre eles garotos de salto alto e perucas

coloridas. Em um ato sem nome – mas oportunamente apelidado “Protesto na Pele” meninas pintaram frases em si próprias para demonstrar indignação contra o uso do corpo da mulher, sempre obrigada a se cobrir. “Alguns corpos são objetos, outros são piada. As pessoas temem o corpo. A roupa é uma censura e o preconceito nos prende”, alertavam as estudantes, entre elas Agatha Floriano Pires, Renata Campos e Isis Rospide. Uma das inspirações da performance, revelaram, foi o Poema Sujo de Ferreira Gullar: “(...) Do corpo / Mas o que é o corpo? Meu corpo feito de carne e osso / Esse osso que não vejo, maxilares, cos-


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Você sabia? • O Brasil ocupa o primeiro lugar em assassinato de travesti e transgêneros do mundo.

• Entre 2008 e 2016 foram registrados 868 relacionados à transfobia, tirando os que não foram registrados pela polícia.

• Apenas em 2017 foram contabilizados 179 assassinatos de travestis e transgêneros.

• Em média, a cada 48 horas uma pessoa trans é assassinada no Brasil.

• Entre 2017 e 2018 houve um aumento de 15% no número de assassinatos de transgêneros e travestis.

• A expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de 35 anos.

• No Brasil, 90% das pessoas trans vivem da prostituição. Fonte: Relatório da Associação de Travestis e Transexuais (ANTRA), ONG Transgender Europe e ONU.

telas / flexível armação que me sustenta no espaço / que não me deixa desabar como um saco / vazio / que guarda vísceras todas / funcionando (...)” Outras colegas trilharam um caminho diferente. Vestidos como a geração “Paz e Amor” dos anos 60, os jovens cantaram ao sol, declamaram poesias, contaram histórias e convidaram os passantes para sentar em diante deles e olhá-los nos olhos. Houve, ainda, quem optasse pela distribuição de flores. Vermelhas, lembravam cada um dos estudantes mortos nas chacinas dos colégios dos Estados Unidos. Brancas, espalhavam alegria e delicadezas. Helena Lucas Leite e Ethiene Fogaça Fernandes, ambas da 2C, explicavam a intenção de interferir positivamente no estado de espírito dos visitantes. “Sorria. Você nunca sabe quem vai se apaixonar pelo seu sorriso”, dizia um deles, barrando qualquer possibilidade de manter a seriedade ao recebê-lo.

Contatos imediatos com os escritores Os estudantes do João fazem contatos imediatos de primeiro grau com os escritores convidados para participar do Planeta Literatura. Nesta última edição, inúmeros autores estiveram presentes, representando diferentes gerações, gêneros e propostas literárias. Entre eles, Cristina Dias, Paulo Flavio Ledur, Rafael Guimarãens, Bruno Fabrício Cruz e João Camilo Portal. No sábado, Santiago, Rafael, João Camilo e Bruno – ou B.F. Cruz, como costuma assinar – sentaram juntos para receber a comunidade escolar. Em comum, tinham o dom de traduzir histórias em livros. Todavia, a linguagem escolhida por cada um nas obras lançadas eram totalmente diversas. A u t o r p r e m i a d o p o r d i ve r s a s obras, Rafael investe no relato jornalístico, embasado na pesquisa histórica. Sua relação com o Colégio é antiga, pois a filha Elisa foi aluna do João XXIII. Apesar disso, só em maio de 2018 estreou no Planeta. No dia dos autógrafos constatou, com certo encanto, que o evento é uma espécie de síntese da proposta pedagógica da Escola. Ao contrário dele, o também multipremiado cartunista Santiago é um velho conhecido da comunidade escolar, tendo participado de outros eventos, palestras ou debates sobre o papel do humor na crítica social e na política. Mas no álbum exposto – “A menina do circo Tibúrcio” – ele optou por relembrar fatos vividos na infância interiorana. Foto: Bea Lehsten.

Como uma luva Advogado, astrólogo e escritor, B.F.Cruz é fascinado por aventuras medievais e já ambientou suas criações nesse período histórico. Em “Espada de Uriel”, autografado no Planeta, entretanto, inspirou-se em sua própria “viagem de reencontro”, resultante na migração de carreira”. Nele, fala nas escolhas do ser humano – e não as da família – e na busca pelos reais valores . Embora não seja um livro escrito exclusivamente para adolescentes, o autor acredita que cai como uma luva para essa faixa etária, marcada por “um momento crucial de transformação”. Como ele, João inseriu experiências pessoais em uma realidade recriada. Com apenas 20 anos e uma adolescência longe dos livros, descobriu-se escritor após passar por um momento afetivo difícil. “Comecei com cartas de amor, depois usei a palavra para organizar a minha dor e a escrita acabou incorporando em mim. A Literatura foi minha psicanálise e hoje é meu ofício”, diz o jovem autor, que editou “Um eterno quase” de forma independente. “Ninguém publica autor de primeiro livro. Isso é um reflexo da mercantilização do mercado”, constatou durante as suas tentativas. Ao ser questionado a respeito pela estudante Isabella Becker, João avisou que não existe fórmula nem atalho, mas a aconselhou a seguir escrevendo, a não desistir diante das dificuldades. “É possível”, garante e ele é a prova disso.


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Fotos (p. 14-15): Bea Lehsten.

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Para sempre na memória

“E se eles ganhassem vida?” Com esse desafio, os estudantes do 3º ano mergulharam na criação coletiva de personagens que saíram do papel e realmente criaram vida para surpresa geral. No último dia do Planeta, as crianças encontraram, lado a lado com seus desenhos, bonecos absolutamente idênticos criados pela educadora, contadora de histórias e artesã Marcia Rysdyck, mãe da professora Ana Carolina Rysdyck da Silva. Nada foi esquecido ou simplificado: a linha um pouco torta, as orelhas de tamanhos diferentes a cor exata, o material certo

para reproduzir a textura esboçada pelos autores. “Fiquei oito dias fazendo apenas isso. Foi uma imersão. Imaginava o que pensaram, o que conversaram”, conta ela. Ao aceitar a incrível tarefa, ela só fez uma exigência: queria trabalhar em cima dos originais e não das cópias dos trabalhos infantis. “Não sei explicar o motivo, mas algo se perde na reprodução... a alma, talvez”. A artesã não poupou esforços para dar uma forma tridimensional às criações da gurizada. Primeiro criou os moldes, depois elegeu os diferentes tecidos e refletiu muito sobre como adap-


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Os estudantes do 5º ano Luana Hertel, Leticia Lange e Bernardo Camozzato Torres da Silva, Rafael de Oliveira e Laura Ongaratti, João Francisco Paes, Felipe Vernieri e Antônio Dias no projeto “Pedro Malasartes por toda as partes”

tar detalhes que só o papel aceita. Um cabelo com raízes escuras e pontas claras, por exemplo, exigiu pintura artesanal em dois tempos sobre uma lã especial. O cuidado não é apenas fruto do perfeccionismo da artesã: “A criança observa tudo. Se faltar uma estrela em um desenho com muitas estrelas, ela sente falta e cobra”. O resultado, porém, compensou com o encantamento da gurizada. Bruno Jobim, por exemplo, ficou “enlouquecido” – segundo sua mãe, Juliana – ao ver o personagem, desenhado em parceria com outros colegas, transforma-

do em boneco. “Camisa 10” era uma mistura de Pelé, Ronaldinho Gaúcho e Neimar. Tinha asas para voar na hora de fazer gols e garras de caranguejo para o caso de atuar como goleiro. Também usava brinco na orelha e cabelo moicano.

Cidade das crianças Os bonecos do 3º ano, porém, não eram os únicos a arrancar elogios dos visitantes do prédio da Etapa 1º ao 5º. Transformado em mostra de arte, o espaço acolheu muitos outros trabalhos criati-

vos, entre eles um curioso infográfico humano idealizado pelo 5º ano e montado com fitas no chão. O projeto, batizado “Pedro Malasartes de, e por todas as partes”, era interativo. Cada assistente deveria cumprir as instruções dos apresentadores – “aperte a minha mão”, “segure a mala”, “pegue um livro e sente”, “pegue as sílabas e monte a palavra secreta” para tomar conhecimento das artimanhas deste irreverente personagem da literatura infantojuvenil. Próximo ao Malasartes, lá estavam os povos originários brasileiros, representados

pelo projeto “Linguagem da Arte: Utilitários Indígenas” realizado pelo 4º ano que, sobre o mesmo tema, apresentou, ainda, “Linguagem do Movimento como Caminho para Estudar os Indígenas: Jogos Joãodígenas”. A capital também ganhou uma versão miniatural na mesma argila dos objetos tribais. O trabalho do 3º ano “Uma Porto Alegre em 3 Dimensões” apresentou esculturas de diversos pontos da cidade como a Ponte de Pedra, o Centro Administrativo, os Estádios de Futebol e as igrejas. Uma legítima cidade das crianças.


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Na órbita do Planeta Como todo o espetáculo, o Planeta Literatura também tem seus bastidores e, como todo o planeta,sua órbita. Para realizar a festa dos livros, todos os setores da Escola giram em torno do evento, desde a Direção até a Manutenção e os Serviços Gerais, passando pela Supervisão/ Coordenação Pedagógica; Serviço de Orientação e Psicologia (SOP); Administrativo; Áudio e Vídeo; Informática e, é claro, Biblioteca, estudantes e professores de todas as etapas e componentes curriculares. Desde o começo do ano letivo, os projetos transcurriculares começam a ser gestados. O tema é sempre foco de muitos debates e a equipe da Biblioteca tece uma verdadeira teia de relações com as editoras e com os autores, ao mesmo tempo em que dá conta das solicitações de consultas para embasar as criações dos grupos. Conciliar as datas e garantir a presença de um time de escritores capazes de dialogar com os interesses da comunidade escolar exige paciência, perseverança e critério. A montagem da mostra é um quebra cabeças. Cada projeto necessita uma estrutura e um espaço específico e todos precisam conviver em harmonia. Para isso, entra em ação o pessoal dos Serviços Gerais, da Manutenção e do Apoio Pedagógico. A meteorologia, invariavelmente, representa uma grande preocupação. Chuva é proibitiva, mas ventanias inesperadas também atrapalham bastante. Nos dias do evento, funcionários dos mais diversos setores colaboram nas tarefas e, no final da manhã de sábado, quando a função encerra, a equipe da limpeza assume. Na segunda-feira quando a rotina retorna, o João se apresenta com a feição cotidiana e serena dos dias letivos comuns.

Afeto é o melhor presente Fotos (p. 16-17): Audivisual João XXIII


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Os Encontros Afetivos entre Mães e Filhos aprofundaram as amizades e demonstrações de respeito na Educação Infantil

Nenhum presente, por mais belo, singular ou valioso que seja, se compara a um gesto de afeto. Por isso, a Educação Infantil organizou uma quinzena de celebrações ao amor materno. Os “Encontros Afetivos entre Mães e Filhos” iniciaram no dia 15, prolongando-se até o final de maio. As histórias “Qual a Cor do Amor?”, na turma de Maternal H, e “O Pintor de Lembranças“ na turma do Nível F, deram início às vivências permeadas de afeto e traduzidas na expressividade criativa das

crianças junto de suas mães. Dentre as diversas propostas, envolvendo muitas linguagens expressivas, lúdicas, relacionais e simbólicas, crianças e mães viveram momentos em que a música, a dança, a pintura, as modelagens, as histórias, as construções com caixas, e a “caça ao tesouro” foram contextos reveladores da riqueza do ser e do estar juntos.


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Monstros, terrores e paradoxos

A estudante Larissa Both e a mãe Adriana Neumann na atividade do Planeta Literatura “Uma noite de terror, mistério e suspense”, planejada pelo 7º ano

Uma manhã luminosa de outono sonorizada por risos e vozes de famílias alegres está a quilômetros de distância do clima sombrio – artigo de primeira necessidade para “Uma noite de terror, mistério e suspense”. Por isso, a professora de Língua Portuguesa Raquel Leão e os estudantes do 7º ano escolheram o entardecer do dia 3 de maio para realizarem a Roda de Leitura dos contos soturnos escritos por eles, além de outros textos da literatura clássica como “O corvo”, de Edgar Allan Poe e “Ismália”, de

Alphonsus de Guimaraens. Fogueiras e velas complementaram o cenário para a apresentação dos monstros particulares inventados pelos jovens autores. Essa foi apenas uma das atividades inspiradas no livro “Frankenstein”, de Mary Shelley, que gerou uma espécie de consórcio pedagógico firmado pelas disciplinas de Língua Portuguesa, Artes, Música e História, do qual tomaram parte os professores Raquel Leão Luz, Marisa Krás Borges, Mateus Chaves, Claudia Lottermann, Patrícia Dionísio e Luciana

Fogueiras e velas complementaram o cenário para a apresentação dos monstros particulares inventados pelos jovens autores.


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Fotos (p. 18-19): Audivisual João XXIII

Beckel Pacheco “A leitura de ‘Frankenstein’ foi frustrante para os estudantes”, confidencia Raquel. Eles esperavam uma história de terror e se depararam com um triste romance de amor e solidão. Daí nasceu a ideia da construção dos paradoxos, ou melhor, do projeto “Mitos e Monstros: Entre Orfeu e Frankenstein”. Nas aulas de Arte os estudantes montaram grandes bonecos articulados, colados e costurados com linha como colchas de retalhos. Os corpos de papel – expostos como uma instalação

na grande mostra do Planeta Literatura – exibiam faces contraditórias como: beleza/horror ou lembrança/esquecimento. Frankenstein – espécie de Prometeu moderno – também virou objeto de estudo nas classes de História abrindo as portas para a releitura de vários outros mitos. Alguns deles, como “Orfeu” migrou para as aulas de Música, onde mostrou sua feição nacional – a peça teatral “Orfeu da Conceição”, de Vinicius de Moraes – à frente das composições do movimento Tropicália, resultando em um

micro-musical apresentado no sábado. Ainda durante o evento foram exibidos os vídeos “Um minuto de terror, igualmente produzidos pelos estudantes do 7º ano. Esse espiral de criações, de certa forma, repetiu a saga do ser (o monstro) criado por um homem (o cientista), a partir de partes de outros homens, sendo, todos eles, concebidos pela mente de uma mulher (a escritora).


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Fotos (p. 20-21): Audiovisual João XXIII.

É dada a largada da Mostra de Curtas

Prepare a pipoca porque a “XVI Mostra de Curtas: Uma escola de Cinema” do João XXIII vem aí. Lançado durante o Planeta Literatura, no começo de maio, o evento acontecerá em 4 de outubro, quando serão apresentados os filmes produzidos pelos estudantes da 1ª série do Ensino Médio. Em 2018 serão 13 produções – quatro delas legendadas em inglês ou espanhol –, baseadas nos seguintes contos: “A mulher do farmacêutico” (Anton Tchekhov); “O Barba Azul” (Charles Perrault); “O primeiro beijo” (Clarice Lispector); “A queda da Casa de Usher” (Edgar Allan Poe), esse nos três idiomas; “Um

artista da fome” (Franz Kafka); “Venha ver o Pôr do Sol” (Lygia Fagundes Telles); “Noite do Almirante” (Machado de Assis); “Contrabandista” (Simões Lopes Neto; “A mulher no espelho” (Virgínia Woolf), também com legendas em inglês e espanhol. “A literatura e o cinema, embora com diferentes linguagens, têm o mesmo princípio: a intenção de comunicar algo. Assim, as disciplinas de Literatura, Língua Portuguesa, Redação, Arte, Língua Inglesa e Língua Espanhola são espaços adequados para estabelecer relações possíveis e procedentes entre literatura, arte, língua e cinema, pois elas podem

se aproximar na fruição, no estudo e na pesquisa, principalmente quando se trata de despertar ou aprimorar a sensibilidade estética e as dimensões da leitura. É por isso que este Projeto aproxima a Língua Portuguesa por meio da adequação da linguagem na Redação de um roteiro cinematográfico, a Literatura, focando na leitura de contos selecionados pelos professores, as línguas adicionais, articulando o roteiro à produção escrita, por meio de legendas e ao cinema e à arte, por meio da percepção de uma linguagem visual coerente à adaptação dos contos trabalhados em sala de aula”. A apresentação consta no manual/re-

gulamento dirigido aos estudantes que desempenharão funções na pré-produção, produção e pós-produção cinematográfica, a partir do acesso à técnica específica e vivenciarão a experiência de produção coletiva de forma lúdica e criativa. Com Coordenação Pedagógica de Mirian Zambonato e Orientação Educacional de Silvia Hervella, a Mostra envolve os professores Ibirá Souza Costa, Eduardo Rosa Almeida, Aline Braga de Lima, André Luis da Rocha, Helena Rocha Cesar, Letícia Finkenauer e Janaína de Pinho Silveira.


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ÃO POVO DO JO

Jorge Furtado O cineasta gaúcho Jorge Furtado, ex-pai da Escola, cita Friedrich Wilhelm Nietzsche quando fala sobre o Colégio João XXIII. Para ele, trata-se de uma Escola que “cria criadores”, como pregava o pensador alemão. Um dos fundadores da Casa de Cinema, Furtado dirigiu vários filmes, entre eles “Ilha das Flores”; “O homem que copiava”; “Saneamento Básico, o fil-

me”; “Mercado de Notícias”; “Meu tio matou um cara”; “Real Beleza”; “Houve uma vez dois verões”; “Doce Mãe”; entre outros. Escreveu, também, roteiros para séries (como “Comédia da Vida Privada”, “Agosto” e “A Invenção do Brasil”), programas de TV (“Nada Será Como Antes”, “Mister Brau”, “MAIS”) e livros “Pedro Malazarte a e Arara Gigante” e “MAIS”

Como foi a tua experiência na Escola e qual o legado que o João deixou para tua família?

Quando falo em escola sempre penso em Nietzsche. Ele dizia que é preciso criar um criador. E esse foi o critério na escolha de um colégio para nossa filha Alice. Ela fez os primeiros anos em uma escola pequena e, quando chegou o momento de trocar, visitamos vários lugares. Nesse mundo competitivo onde vigora a meritocracia, grande parte dos estabelecimentos de ensino viraram pistas de corrida para passar no Vestibular. Penso diferente. Para mim, deve ser um espaço de prazer e criação, além, é claro, de aprendizado. Quando conhecemos o João nos decidimos imediatamente. Hoje Alice e seus colegas são pessoas de bem com a vida, alegres, progressistas, solidários e humanistas. Esse é o legado. O João desenvolve o projeto Mostra de Curtas há 16 anos. Na tua opinião, qual o valor dessa experiência na educação de um adolescente?

O trabalho com o cinema desenvolvido pelo Colégio foi das nossas motivações na hora da escolha. Na sociedade atual o audiovisual é parte importante na vida das crianças. Elas mais veem do que leem. Então, essa alfabetização audiovisual é necessária. Ao participarem de um projeto assim, elas entendem como uma história, uma notícia, um livro viram imagem. São mobilizados para lerem bons livros, a integrar a Literatura e a Língua Portuguesa com outros idiomas e até com a ciência. No tempo em que estive vinculado ao João, participei muitas vezes da Mostra não só como pai, mas como jurado e, também, orientando os participantes. Foi muito bacana. Minha sugestão é de que o próximo passo desse projeto seja organizar um site com os filmes premiados anualmente. Dá, inclusive, para fazer uma retrospectiva dando às pessoas a oportunidade de votar e eleger as preferências do público entre todos os premiados ao longo dos anos. Seria uma espécie de Festival dos Festivais.


22 Foto: Júlia Dutra.

Planeta Liter atu

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Brechó de inverno em pleno outono Foto: Audivisual João XXIII

A poesia vive no João A poesia é viva, mas não tem rosto nem nome. É assim na Sociedade dos Poetas Vivos do Colégio João XXIII. Orientados pelo professor Ibirá Costa, os integrantes deste grupo praticam a palavra poética abrindo mão da autoria. No Planeta, eles mostraram uma pequena parte do trabalho. Confira:

Queria ter ódio na escrita queria poder escrever críticas ao governo ção protestos contra a corrup ital cap o tra con manifesto alguma demonstração de rebeldia nte pois é isso que minha me pede Mas no final é o coração que vos escreve

Eu venho da do r Das lágrimas Do sangue dos loucos Minha morada é o caos No sonho imatur o Nas noites insa nas Na dor da injust iça Sou a luz das al mas obscuras Um resquício de esperança É tão escuro po r aqui O sonho da liber dade

Neste ano, além de novas regras, o Brechó de Uniformes vai ganhar mais uma edição

Um outono com cara de inverno foi cenário perfeito para o segundo Brechó de Uniformes do ano, idealizado para atender à necessidade de se abrigar nos meses frios. O evento aconteceu nos dias 22, 23 e 24 de maio, das 8h às 18h30min, na sala de estar em frente ao Grêmio Estudantil. Além da possibilidade de doação e troca, o Brechó disponibilizou peças pelo preço de R$ 10,00. O valor arrecadado com as vendas será destinado à creche Boa Esperança que atende cerca de 310 crianças e adolescentes. O primeiro Brechó de 2018 ajudou a comprar os ninhos de Páscoa dos alunos da creche. Em outras edições, além de alimentos e produtos de higiene, a doação contribuiu para fazer melhorias no local. A parceria do João XXIII com a instituição acontece desde a inauguração do local, há 37 anos. Organizadoras do Brechó, as mães Beatriz Lehsten, Giovana Toniolo e Karen Weber convocaram as famílias para participarem ativamente do evento. A cada edição do Brechó, elas aconselham os pais e mães a selecionar, junto com seus filhos, os itens a serem doados. Recomendam, ainda, que conversem a res-

peito da importância social da iniciativa e o quanto peças dispensáveis para alguns podem reverter para o conforto de outros.

Regras do Brechó: 1.  Os uniformes recebidos em doação para a venda devem estar em bom estado de conservação e lavados. 2.  As peças passarão por uma triagem. Os uniformes muito comprometidos pelo uso serão aceitos apenas para doação, não entrando no acervo do Brechó. 3.  Não serão aceitos cartões de débito ou crédito. 4.  A renda obtida com a venda dos uniformes será revertida à Creche Boa Esperança. 5.  Ao final do evento, os uniformes remanescentes que não estiverem em bom estado de conservação serão doados para instituições beneficentes.

Na próxima edição, cobertura especial da Festa Junina

Fala, joão - Junho de 2018  
Fala, joão - Junho de 2018  
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