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ISBN: 978-85-68461-01-3

EDIÇÃO II

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ALUNOS DOS 9º ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL / 2017

DOIS NOMES, DOIS MUNDOS, VÁRIOS POEMAS

ORGANIZAÇÃO: Karla Priscilla Ferreira Marcela Ferrato Patrícia Ribeiro Campos

SÃO PAULO 2017

COLÉGIO ESPÍRITO SANTO 2


Expediente Diretora Geral MSSpS:

Ilustrações:

Maria Helena Galucci

Alunos dos 9º anos de 2017

Diretora Educacional:

sob orientação de Marcela Ferrato

Clarice Aparecida Monreal P. Cavalcanti

Diagramação:

Diretora Administrativa:

Karla Priscilla Ferreira

Pricila Spera Coordenadora Pedagógica: Marcia Azevedo Coelho Coordenadora de Área: Cristiane Imperador Idealização: Patrícia Ribeiro Campos, Marcela Ferrato e Karla Priscilla Ferreira Editora: Patrícia Ribeiro Campos Editora Gráfica: Karla Priscilla Ferreira

COLÉGIO ESPÍRITO SANTO www.colegioespiritosanto.com.br Rua Tuiuti, 1442 - Tatuapé São Paulo - SP

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Carta ao leitor Nesta edição de 2017, os nonos anos apresentam a sua percepção das poesias de Cecília Meireles e de Ferreira Gullar: poetas que, com sua sensibilidade, conseguiram traduzir os homens de seu tempo e levar-nos até um Brasil diverso, com pessoas e desafios diferentes. Educar para a sensibilidade e para a percepção também é missão dos educadores. Precisamos, acima de tudo, formar jovens atentos aos movimentos humanos e sociais, que atingem a todos e transformam a vida e o futuro. O contato com a Literatura é a oportunidade para isso. Ao visitar o acervo da Biblioteca Regina Paula Andrade Souza, os estudantes selecionaram os poemas que seriam analisados por eles. A partir daí, estudo do contexto de produção, a leitura, a interpretação, a análise formal e estilística foram trabalhados em Língua Portuguesa. Os textos também foram ressignificados, à medida que o trabalho foi sendo construído e a interpretação ganhou uma representação muito especial, nas aulas de Arte. Para representar a delicadeza e a sensibilidade de Cecília Meireles, a técnica escolhida foi a aquarela, já que possibilita uma visão mística e fluida das imagens criadas pela autora, nos poemas. Para traduzir a crítica de Ferreira Gullar, os estudantes conheceram outra proposta artística que favorece a compreensão da face política e crítica do autor: grafites feitos por colagem, que reutiliza as propagandas lambelambe das ruas. Assim, para cada poema, há uma análise e uma expressão artística, que refletem a compreensão de nossos alunos. Uma boa leitura a todos! Professoras Patrícia Ribeiro Campos e Marcela Ferrato dos Santos Leite Moreira 4


Sumário Cecília Meireles ........................................................................................................................................

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Ferreira Gullar .........................................................................................................................................

07

Romance XXII ou do diamante extraviado ............................................................................................

08

Cantiga para não morrer ........................................................................................................................

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Traduzir-se ...............................................................................................................................................

12

A sereia .....................................................................................................................................................

14

Não há vagas ............................................................................................................................................

16

Criança .......................................................................................................................................................

18

Cantiga para não morrer ........................................................................................................................

19

Cântico IX ..................................................................................................................................................

20

O trenzinho do caipira .............................................................................................................................

21

Antônio e Cleópatra .................................................................................................................................

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Vigília ..........................................................................................................................................................

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No corpo ....................................................................................................................................................

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Meu povo, meu poema ...........................................................................................................................

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Retrato .......................................................................................................................................................

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Digo sim .....................................................................................................................................................

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Pequena canção da onda ........................................................................................................................

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Os mortos .................................................................................................................................................

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Epigrama n. 4 ............................................................................................................................................

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Bicho Urbano ............................................................................................................................................

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Serenata ....................................................................................................................................................

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Luar ............................................................................................................................................................

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Instante .....................................................................................................................................................

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Referências ...............................................................................................................................................

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DOIS NOMES E SEUS DOIS MUNDOS

CECÍLIA MEIRELES Cecília Meireles (1901-1964) nasceu no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Seus pais eram Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal. O pai faleceu três meses antes de ela nascer. A mãe, quando ainda não tinha três anos. Passou então a morar com sua avó D. Jacinta Garcia Benevides. Em 1919, lançou seu primeiro livro de poesias, "Espectros". Casou-se, em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, com quem teve três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, esta última artista teatral consagrada. Suas filhas lhe deram cinco netos. Correia Dias suicida-se em 1935. Em 1940, Cecília casou-se com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo. Em 1934, organizou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, ao dirigir o Centro Infantil, que funcionou durante quatro anos no antigo Pavilhão Mourisco, no bairro de Botafogo. Em 1940, lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas (USA).Em 1942, torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro (RJ). Aposentou-se em 1951, como diretora de escola, porém continuou a trabalhar, como produtora e redatora de programas culturais, na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro (RJ). Em 1952, tornou-se Oficial da Ordem de Mérito do Chile, honraria concedida pelo país vizinho. Realizou numerosas viagens aos Estados Unidos, à Europa, à Ásia e à África, fazendo conferências, em diferentes países, sobre Literatura, Educação e Folclore, em cujos estudos se especializou. Tornou-se sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, em Goa, Índia, em 1953. Em Délhi, Índia, no ano de 1953, foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Délhi. Recebeu o Prêmio de Tradução/Teatro, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1962. No ano seguinte, ganhou o Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro "Poemas de Israel", concedido pela Câmara Brasileira do Livro. Seu nome foi dado à Escola Municipal de Primeiro Grau, no bairro de Cangaíba, São Paulo (SP), em 1963. Faleceu, no Rio de Janeiro, a 9 de novembro de 1964, sendo-lhe prestadas grandes homenagens públicas. Seu corpo foi velado no Ministério da Educação e Cultura. Recebeu, ainda em 1964, o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro "Solombra", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

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DOIS NOMES E SEUS DOIS MUNDOS

FERREIRA GULLAR

Ferreira Gullar, nasceu em 10 de setembro de 1930, com o nome de José Ribamar Ferreira. Foi um dos onze filhos do casal Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart. Escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro. Em 1956 participou da exposição concretista, considerada o marco oficial do início da poesia concreta, da qual se afastou em 1959, criando, junto com Lígia Clark e Hélio Oiticica, o neoconcretismo, que valoriza a expressão e a subjetividade em oposição ao concretismo ortodoxo. Durante o governo militar, em 13 de dezembro de 1968, Gullar foi preso em companhia de Paulo Francis, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Em 1969, ainda lançou o ensaio "Vanguarda e subdesenvolvimento", mas passou a dedicar-se à pintura e, em 1971, partiu para o exílio, morando em Moscou e depois em Santiago, Lima e Buenos Aires. Durante esse período, colaborou com O Pasquim, sob o pseudônimo de Frederico Marques. Ferreira Gullar morreu em 4 de dezembro de 2016, na cidade do Rio de Janeiro em decorrência de vários problemas respiratórios que culminaram em uma pneumonia. O velório do escritor foi realizado inicialmente na Biblioteca Nacional, pois esse era um desejo de Gullar. Dali, o corpo foi levado em um cortejo fúnebre até a Academia Brasileira de Letras no Rio de Janeiro.

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Romance XXII ou do diamante extraviado Cecília Meireles Um negro desceu do Serro. (E era um negro alto bastante.) Vinha escondido no negro certo diamante. (Como a noite negra leva um luminoso planeta parado na sua treva.) Um negro desceu do Serro. Tinha roupa de encerado, com forro azul de vaqueta: e está provado que o negro desceu do Serro para vender o diamante. Sabe-se-lhe o peso e o preço, e que o viajante, esse tal negro do Serro, pode ainda ser encontrado, se à Vila mandam depressa algum soldado. (Mas quem é que tem coragem de fazer parar o negro nessa escandalosa viagem?) Um negro desceu do Serro. Toda a Vila, vigilante, viu que brilhava no negro certo diamante. Se o negro o trouxe do Serro, devia ser condenado. Mas todo o mundo tem medo, e está calado. Que o negro desceu do Serro mais que os brancos arrogante. Vende a pedra com sossego e passa adiante. (E mais ninguém, lá na Vila, por essa pedra extraviada, pode ter vida tranquila!) Um negro desceu do Serro, Soberbamente montado. Ninguém dorme, com o desejo 8


alvoroçado... (Com grandes penas de pato, os mais invejosos fazem seu minucioso relato...)

Parte integrante de “Romanceiro da Inconfidência”, este poema traz como ideia central a vida dos negros de antigamente, pois eles eram escravos e viviam na fome e na miséria. Durante o trabalho, achavam pedras preciosas, que, no corpo, escondiam e delas se apropriavam. Eram vistos, corriam riscos, mas em seu desespero acreditavam que essas pedras poderiam lhes dar uma vida melhor. O poema apresenta um vocabulário simples, pois é de fácil entendimento e emprega a norma culta.

É formal e não apresenta gírias. A linguagem traduz a angústia dos negros, que eram

maltratados e não ganhavam salário para se sustentarem. Viviam presos e não paravam de trabalhar. No poema de Cecília Meireles, há preocupação formal. Todos os versos estão em redondilha maior. As rimas encontradas no poema são: “bastante” e “diamante”; “leva” e “treva”; “encerado” e “provado”; “diamante” e “viajante”; “encontrado” e “soldado”; “coragem” e “viagem”; “condenado” e “calado”; “arrogante” e “adiante”; “pato” e “relato”. As figuras de linguagem estão presentes. Como exemplo, na segunda estrofe, há uma comparação: “Como a noite negra leva um luminoso planeta parado na sua treva”; na sétima, há uma hipérbole: “mas todo mundo tem medo, e está calado”. Nosso grupo escolheu este poema porque percebeu a sensibilidade da autora para falar sobre a vida de um escravo.

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Cantiga para não morrer Ferreira Gullar Quando você for se embora, moça branca como a neve, me leve. Se acaso você não possa me carregar pela mão, menina branca de neve, me leve no coração. Se no coração não possa por acaso me levar, moça de sonho e de neve, me leve no seu lembrar. E se aí também não possa por tanta coisa que leve já viva em seu pensamento, menina branca de neve, me leve no esquecimento. Moça de sonho e de neve, me leve no esquecimento, me leve. Este poema traz como ideia central um sentimento de medo e paixão do eu-lírico, que teme ser esquecido pela sua amada. O eu lírico pede para que ela não o esqueça, quando partir, e para ser lembrado de alguma forma, pois ele a ama e não gostaria de perdê-la. O poema apresenta um vocabulário simples, mas segue a norma culta, pois é formal e não apresenta gírias. Escrito na contemporaneidade, apresenta as marcas perceptíveis de amor e de receio que envolviam os amantes, que se separariam de algum jeito, mas queriam que o amor prevalecesse. No poema de Ferreira Gullar, existe a preocupação formal. As estrofes têm a mesma quantidade de versos, metrificados em redondilha maior. As rimas encontradas no poema são: “neve” e “leve”, “mão” e “coração”, “levar” e “lembrar”, “pensamento” e “esquecimento”. As figuras de linguagem também são encontradas, como: a comparação, na primeira estrofe, “moça branca como a neve; a metáfora, na segunda, “se acaso você não possa me carregar pela mão, me leve no coração”, na terceira, “moça de sonho e de neve”; e a personificação, na quarta, “já viva em seu pensamento”.

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Admiramos a profundidade do poema e o modo como aborda situações atuais. Adoramos a história que tem por traz desses lindos versos. Ferreira Gullar foi um ótimo escritor, pois ele consegue transmitir sentimentos para o leitor.

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Traduzir-se Ferreira Gullar Uma parte de mim

Uma parte de mim

é todo mundo:

almoça e janta:

outra parte é ninguém:

outra parte

fundo sem fundo.

se espanta.

Uma parte de mim

Uma parte de mim

é multidão:

é permanente:

outra parte estranheza

outra parte

e solidão.

se sabe de repente.

Uma parte de mim

Uma parte de mim

pesa, pondera:

é só vertigem:

outra parte

outra parte,

delira.

linguagem. Traduzir uma parte na outra parte — que é uma questão de vida ou morte — será arte? A ideia central do poema “Traduzir-se” é retratar as duas partes da personalidade de uma

pessoa, pois todos temos um lado obscuro, ou até mesmo desconhecido. Está estruturado em sete estrofes, que explicam a dualidade do eu lírico. Trata-se de uma autoanálise de si mesmo. O vocábulo “traduzir” pode representar vários significados como: manifestar, revelar, explicar, demonstrar, representar, simbolizar, explanar, interpretar, etc. A linguagem é culta e formal, retratando a sua própria personalidade. Esse poema foi escrito em dos momentos políticos e sociais do Brasil mais críticos, a época da ditadura militar. Esta época vai de 1964 a 1985 e caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime. Os poemas de Ferreira Gullar são muito bem escritos, o jeito como se preocupa com as palavras e sentidos é maravilhoso. A métrica não é regular, mas alterna versos de seis e quatro sílabas poéticas, em quase todo o poema. Já as rimas são mais comuns, como podemos observar, a seguir:

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“Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão.” “Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta.” As figuras de linguagem predominantes nesse poema são antítese (“Uma parte de mim é todo mundo/outra parte é ninguém [...]”) e metáfora (“Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão [...]). Essas figuras se repetem no poema. A análise do poema foi muito prazerosa para o nosso grupo, pois pudemos conhecer mais sobre o autor e sua maravilhosa obra “Traduzir-se”. Tivemos também a brilhante oportunidade de conhecer mais sobre sua história e trajetória de vida.

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A sereia Cecilia Meireles Linda é a mulher e o seu canto, ambos guardados no luar. Seus olhos doces de pranto — quem os pode enxugar devagarinho com a boca, ai! com a boca, devagarinho... Na sua voz transparente giram sonhos de cristal. Nem ar nem onda corrente possuem suspiro igual, nem os búzios nem as violas, ai! nem as violas nem os búzios... Tudo pudesse a beleza, e, de encoberto país, viria alguém, com certeza, para fazê-la feliz, contemplando-lhe alma e corpo, ai! alma e corpo contemplando-lhe... Mas o mundo está dormindo em travesseiros de luar. A mulher do canto lindo ajuda o mundo a sonhar, com o canto que a vai matando, ai! E morrerá de cantar. Esse poema se refere à tristeza de uma mulher, que pode ser o eu lírico ou não. Mostra que ela está chorando e esperando que algo de bom surja e leve embora a infelicidade. O vocabulário deste poema é está de acordo com a norma culta. Cecília se preocupa com a formalidade, as estrofes apresentam a mesma quantidade de versos redondilhos e apresentam rimas (canto/ pranto; luar/enxugar) As figuras de linguagem também se fazem presentes, como a metáfora em “...a mulher e seu canto/ambos guardados no luar”, e a hipérbole em “...morrerá de cantar...”. 14


Gostamos bastante do poema, pois tem marcas perceptĂ­veis da tristeza da autora que conheceu um mundo imerso em uma Guerra Mundial, que experimentou a solidĂŁo e passou por momentos difĂ­ceis em sua vida.

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Não há vagas Ferreira Gullar O preço do feijão não cabe no poema. O preço do arroz não cabe no poema. Não cabem no poema o gás a luz o telefone a sonegação do leite da carne do açúcar do pão O funcionário público não cabe no poema com seu salário de fome sua vida fechada em arquivos. Como não cabem no poema o operário que esmerila seu dia de aço e carvão nas oficinas escuras - porque o poema, senhores está fechado: “não há vagas” Só cabem no poema o homem sem estômago a mulher de nuvens a fruta sem preço O poema senhores, não fede nem cheira. O poema “Não há vagas” tem como

ideia central os problemas enfrentados graças às

desvantagens socias e à falta de acessibilidade aos direitos públicos. Trata-se de um poema, através do qual podemos perceber as dificuldades da população da época em que foi escrito. 16


Apresenta um vocabulário simples, e está de acordo com a norma culta. Escrito na época da ditadura (1964-1985), tem um estilo contemporáneo, sem preocupações com a forma. As estrofes não apresentam a mesma quantidade de versos e não há presença de metrificação e rimas no poema. Há várias metáforas presentes, como “dia de aço” e “a mulher de nuvens”. Tais figuras permitem alcançar o significado pretendido pelo poeta. Nós gostamos bastante desse poema, já que apresenta a realidade enfrentada pelas pessoas que viviam no Brasil durante a ditadura militar e, através do mesmo, pudemos ter uma noção do quanto elas sofriam e passavam dificuldades, tanto relacionadas a questões de sobrevivência, quanto à falta de oportunidades de emprego.

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Criança Cecília Meireles Cabecinha boa de menino triste, de menino triste que sofre sozinho, que sozinho sofre, — e resiste, Cabecinha boa de menino ausente, que de sofrer tanto se fez pensativo, e não sabe mais o que sente... Cabecinha boa de menino mudo que não teve nada, que não pediu nada, pelo medo de perder tudo. Cabecinha boa de menino santo que do alto se inclina sobre a água do mundo para mirar seu desencanto. Para ver passar numa onda lenta e fria a estrela perdida da felicidade que soube que não possuiria. O poema fala das infelicidades experimentadas por uma criança que resiste a elas e persiste. Talvez, o menino tenha sido criado por Cecília para falar de sua própria infância. O vocabulário desse poema e simples e percebemos preocupação formal, pois há cinco estrofes com três versos em cada. As rimas estão presentes, como em fria/possuiria, triste/resiste. Quanto às figuras de linguagem, identificamos antíteses (tudo X nada) e personificação (estrela perdida).

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Cantiga para não morrer Ferreira Gullar Quando você for se embora, moça branca como a neve, me leve. Se acaso você não possa me carregar pela mão, menina branca de neve, me leve no coração. Se no coração não possa por acaso me levar, moça de sonho e de neve, me leve no seu lembrar. E se aí também não possa por tanta coisa que leve já viva em seu pensamento, menina branca de neve, me leve no esquecimento. O poema “Cantiga para não morrer” apresenta vocabulário simples e linguagem formal. O eu-lírico diz que não quer que o sentimento de uma menina por ele morra e clama para que ela, mesmo se afastando, guarde-o no pensamento. Há preocupação formal, já que está organizado em cinco estrofes, todas com versos em redondilha maior e apresenta rimas como pena/pequena. Quanto às figuras de linguagem, estão presentes também. Observamos na primeira estrofe a comparação em “moça branca como a neve” e, na segunda, uma metáfora “me leve no coração”.

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Cântico IX Cecília Meireles Os teus ouvidos estão enganados. E os teus olhos. E as tuas mãos. E a tua boca anda mentindo Enganada pelos teus sentidos. Faze silêncio no teu corpo. E escuta-te; Há uma verdade silenciosa dentro de ti. A verdade sem palavras. Que procuras inutilmente, Há tanto tempo, Pelo teu corpo, que enloqueceu.

“Cântico IX”, de Cecília Meireles, nos leva a compreender que há uma pessoa cega por seus sentimentos e que tenta esconder a verdade de si mesmo. Através de uma linguagem simples e delicada, a poetisa nos fala de alguém que está com a visão turva pelos seus sentimentos. Os sentidos pretendidos por Cecília ganham maior expressividade quando são empregadas as figuras de linguagem, como o polissíndeto, nos versos 2,3 e 4, ou até mesmo a metonímia, no primeiro verso. Achamos interessante o poema, porque deixa clara a sensibilidade de Cecília Meireles.

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O Trenzinho do Caipira Ferreira Gullar Lá vai o trem com o menino Lá vai a vida a rodar Lá vai ciranda e destino Cidade e noite a girar Lá vai o trem sem destino Pro dia novo encontrar Correndo vai pela terra Vai pela serra Vai pelo mar Cantando pela serra do luar Correndo entre as estrelas a voar No ar no ar no ar no ar no ar Lá vai o trem com o menino Lá vai a vida a rodar Lá vai ciranda e destino Cidade e noite a girar Lá vai o trem sem destino Pro dia novo encontrar Correndo vai pela terra Vai pela serra Vai pelo mar Cantando pela serra do luar Correndo entre as estrelas a voar No ar, no ar, no ar... O poema foi escrito em 1975. Nessa época, o regime no Brasil era ditatorial, o poeta estava exilado, e sofria influências desse contexto. O desejo de liberdade e a saudade ficam muito claros no poema, que expressa o quanto Ferreira se sentia preso no tempo; passava dia e passava noite e ele não podia mudar nada. “Trenzinho do Caipira” tem apenas uma estrofe, nem métrica, mas tem algumas rimas como: menino-destino, rodar- girar- encontrar- luar- voar- ar, terra-serra. As metáforas se fazem presentes, como nos versos dois e quatro. Sem a preocupação de ser perfeito estilisticamente, o poema nos atraiu porque é simples, bonito e cheio de sensibilidade. Não deve ser fácil ficar longe de sua família.

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Antônio e Cleópatra Cecília Meireles As escravas etíopes, lentamente, Os longos leques movem. Seminua, Pálida a augusta fronte, que tressua, Cerra os olhos Cleópatra, indolente. Sorve em êxtase o aroma, que flutua Nas espirais do fumo, pelo ambiente; Dos rins tomba-lhes o manto negligente; Lembra as esfinges, na atitude sua. Queima-lhe a pedraria o palpitante Seio. Tremem-lhe pérolas à orelha... E, fitando-lhe o pálido semblante, Esplêndido de régia majestade, Deslumbrado, antes o leito, ébrio, se ajoelha Marco Antônio, sem forças, nem vontade.

O poema “Antônio e Cleópatra” foi escrito em 1919, em um contexto histórico de guerra. A ideia central desse poema é o amor de Antônio por Cleópatra e sua beleza. O poema fala sobre como Marco Antônio sentia-se enfeitiçado por ela. Apesar de ser ele quem tinha o poder, quando estavam juntos, era ela que dominava. O texto apresenta quatorze versos e quatro estrofes, é portanto, um soneto. Os versos são decassílabos. Também apresenta rimas como, por exemplo, Seminua/tressua e ambiente/negligente. Em “Dos rins tomba-lhes o manto negligente”, percebemos uma prosopopeia. Há inversão em “As escravas etíopes, lentamente,/Os longos leques movem...”. Nós achamos o trabalho de Cecília Meireles magnífico, ela consegue expressar seus sentimentos e emoções por meio de suas palavras, algumas vezes utilizando figuras de linguagem, mas sempre deixando explícito o que se passava dentro de sua cabeça. 22


Vigília Cecília Meireles Como o companheiro é morto, todos juntos morreremos um pouco. O valor de nossas lágrimas sobre quem perdeu a vida não é nada. Amá-lo, nesta tristeza, é suspiro numa selva imensa. Por fidelidade reta ao companheiro perdido, que nos resta? Deixar-nos morrer um pouco por aquele que hoje vemos todo morto.

A ideia central do texto é a de um amor perdido, um companheiro que se foi. O eu lírico fala da tristeza de perder uma pessoa muito importante e das dores que essa perda causou. Provavelmente, a poetisa pode ter sofrido influência de momentos ruins vividos por ela. As estrofes têm a mesma quantidade de versos, mas eles não têm os mesmos tamanhos. Os dois primeiros são redondilhos, e os terceiros de cada estrofe são quase todos trissílabos. As figuras de linguagem são: “Como o companheiro é morto” – comparação; “O valor de nossas lágrimas”- metáfora; “Deixar-nos morrer um pouco ”- metáfora. Nós gostamos muito do poema, pois ele apresenta um sentido muito profundo, através da linguagem conotativa.

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No Corpo Ferreira Gullar De que vale tentar reconstruir com palavras O que o verão levou Entre nuvens e risos Junto com o jornal velho pelos ares O sonho na boca, o incêndio na cama, o apelo da noite Agora são apenas esta contração (este clarão) do maxilar dentro do rosto. A poesia é o presente.

O poema de Ferreira Gullar fala sobre os bons sentimentos já vividos pelo eu lírico e que já não fazem mais parte de seu presente. De linguagem simples e sem preocupação formal, o poeta emprega figuras de linguagem, para deixar explícito o que sente, como ocorre com as metáforas: O sonho na boca/ o incêndio na cama,/o apelo da noite. Parece também que o último verso deixa claro que o eu lírico não quer se lamentar. Ele acredita que, se algo, algum sentimento não existe mais, não há porque se penalizar. Assim, concluiu que a poesia, ou seja, a beleza de tudo, está no que existe, no que é presente.

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Meu povo, meu poema Ferreira Gullar Meu povo e meu poema crescem juntos como cresce no fruto a árvore nova No povo meu poema vai nascendo como no canavial nasce verde o açúcar No povo meu poema está maduro como o sol na garganta do futuro Meu povo em meu poema se reflete como a espiga se funde em terra fértil Ao povo seu poema aqui devolvo menos como quem canta do que planta

Através de uma linguagem formal, culta e simples, o poema apresenta como ideia central o povo, que se mistura ao poeta, pois um não vive sem o outro. Escrito durante a ditadura militar, “Meu povo, meu poema” é um texto que deixa claro que seu autor está em harmonia com seu povo. Seu poema é a voz dessas pessoas, a voz do futuro. As estrofes apresentam três versos, sem metrificação. Há várias figuras de linguagens, como, a metáfora do primeiro verso e várias comparações presentes em todo o poema. Achamos o texto muito interessante e que seu autor trabalhou muito bem.

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Retrato Cecília Meirelles Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face?

O poema “Retrato” é de Cecília Meirelles e foi escrito em 1958. Seu vocabulário é simples e a linguagem é formal. No poema, o eu lírico fala das mudanças que aconteceram com ela ao longo do tempo. Há preocupação formal, mas essa preocupação não é rígida, pois os versos octossílabos intercalam-se com tetrassílabos. Quanto às figuras de linguagem que estão presentes no poema, observamos na primeira estrofe, o polissíndeto, “Nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo“. Além dessa, a metonímia aparece em vários versos, como nos dois últimos. 26


Digo Sim Ferreira Gullar Poderia dizer que a vida é bela, e muito, e que a revolução caminha com pés de flor nos campos do meu país, com pés de borracha nas grandes cidades brasileiras e que meu coração é um sol de esperanças entre pulmões e nuvens Poderia dizer que meu povo é uma festa só na voz de Clara Nunes no rodar das cabrochas no carnaval da Avenida. Mas não. O poeta mente. A vida nós amassamos em sangue e samba enquanto gira inteira a noite sobre a pátria desigual. A vida nós a fazemos nossa alegre e triste, cantando em meio à fome e dizendo sim em meio à violência e a solidão dizendo sim pelo espanto de beleza pela fama de Tereza pelo meu filho perdido neste vasto continente por Vianinha ferido pelo nosso irmão caído pelo amor e o que ele nega pelo que dá e que cega pelo que virá enfim, não digo que a vida é bela tampouco me nego a ela: digo sim. 27


O poema “Digo Sim” é de Ferreira Gullar, apresenta linguagem simples e foi escrito

na

passagem da década de 70 para a de 80. Nessa época, o regime do Brasil era a ditadura militar. O eu lírico deixa clara a sua insatisfação com a política: “A vida nós a fazemos nossa alegre e triste, cantando em meio à fome e dizendo sim - em meio à violência e a solidão dizendo sim.”. Totalmente livre das convenções formais, organiza-se em quatro estrofes, sem preocupação com metrificação ou com rimas. Quanto às figuras de linguagem, observamos, várias metáforas, como “pés de flor”, “pés de borracha”, “meu povo é festa”. Gostamos do poema que permite que tenhamos uma ideia de como era viver durante um período ditatorial. O eu lírico não esconde nada.

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Pequena canção da onda Cecília Meireles Os peixes de prata ficaram perdidos, com as velas e os remos, no meio do mar. A areia chamava, de longe, de longe, Ouvia-se a areia chamar e chorar! A areia tem rosto de música e o resto é tudo luar! Por ventos contrários, em noite sem luzes, do meio do oceano deixei-me rolar! Meu corpo sonhava com a areia, com a areia, desprendi-me do mundo do mar! Mas o vento deu na areia. A areia é de desmanchar. Morro por seguir meu sonho, Longe do reino do mar!

O poema “Pequena canção da onda” é de Cecília Meireles e apresenta vocabulário simples. Escrito em 1939, expressa os sentimentos do eu lírico, ao perceber que se sente “longe do reino do mar”, porque seguiu seus sonhos. A ideia central do poema é mostrar a tristeza e constatação de que seus sonhos ficaram perdidos. Parece que é impossível colocar sonhos em prática. A primeira e a última estrofe apresentam quatro versos, enquanto que as estrofes dois, três e quatro, possuem dois. Algumas figuras de linguagens podem ser encontradas como: “ A areia tem rosto de música”, “ A areia chamava de longe, de longe” e “ os peixes de prata ficaram perdidos...”, a primeira pode ser considerada um personificação, já a segunda e a terceira podem ser consideradas metáforas. Consideramos que só alguém com muita sensibilidade pode escrever assim, com tanta delicadeza. 29


Os Mortos Ferreira Gullar Os mortos veem o mundo pelos olhos dos vivos eventualmente ouvem, com nossos ouvidos, certas sinfonias algum bater de portas, ventanias Ausentes de corpo e alma misturam o seu ao nosso riso se de fato quando vivos acharam a mesma graça

A ideia central do poema é mostrar que os mortos veem tudo que vemos e escutam tudo que dizemos. Isso porque pensamos muito neles e permitimos que continuem vivendo através de nós. Assim, continuam participando de tudo, porque nós os relembramos. Com um vocabulário simples, o poema fala da dor de Ferreira Gullar ao perder seu filho. No poema não há preocupação formal, pois as estrofes não possuem o mesmo número de versos, não são metrificadas. As figuras de linguagem que aparecem no poema são, por exemplo, a metáfora, “os mortos veem o mundo”, e antíteses, como mortos/vivos, corpo/alma. Achamos o poema muito interessante, pois quem o lê sem conhecer sua verdadeira história compreende-o de uma forma totalmente diferente de quem a conhece. Concordamos que o texto é muito realista também, porque realmente isso acontece. Acabamos falando tanto dos mortos, que eles realmente acabam vendo pelos nossos olhos e, muitas vezes, vivendo as nossas vidas.

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Epigrama n. 4 Cecília Meireles O choro vem perto dos olhos Para que a dor transborde e caia O choro vem quase chorando, Como a onda que toca a praia. Descem dos céus ordens augustas E o mar chama a onda para o centro. O choro foge sem vestígios, Mas deixando náufragos dentro.

O poema “Epigrama n. 4” é de Cecília Meireles, primeira voz feminina de grande expressão na literatura brasileira, com mais de 50 obras publicadas. O vocabulário do poema é simples e culto, porque está de acordo com as regras da Língua Portuguesa, sem o uso de linguagem coloquial. Na época em que o poema foi escrito, ocorria a 2ª Guerra Mundial, ou seja, um período muito perturbado na história da autora, o que explica sua melancolia no poema. A ideia central do poema seria a comparação dos sentimentos da autora com o mar. Na primeira estrofe, compara seu choro a uma onda que “toca a praia”, remetendo à ideia de que ela está triste. Na segunda estrofe, “descem do céu ordens augustas” seria algum estimulo religioso ou de alguma crença que faz com que ela pare de chorar e supere totalmente sua tristeza. Em seguida, percebemos um arrependimento. Há uma preocupação formal, pois são duas estrofes com quatro versos octossílabos cada. Além disso, há rimas como: “caia” e “praia”, “centro” e “dentro”. Existem figuras de linguagem. Na primeira estrofe, por exemplo, há prosopopeia, metáfora e comparação. Na segunda, há prosopopeia. Neste poema, o que chamou nossa atenção foi a capacidade de Cecília Meireles de trabalhar com a comparação da vida ao o mar, de uma forma tão bonita e eficiente. 31


Bicho urbano Ferreira Gullar Se disser que prefiro morar em Pirapemas ou em outra qualquer pequena cidade do país estou mentindo ainda que lá se possa de manhã lavar o rosto no orvalho e o pão preserve aquele branco sabor de alvorada Não não quero viver em Pirapemas Já me perdi Como tantos outros brasileiros me perdi, necessito deste rebuliço de gente pelas ruas e meu coração queima gasolina (da comum) como qualquer outro motor urbano A natureza me assusta. Com seus matos sombrios suas águas suas aves são como aparições me assusta quase tanto quanto esse abismo de gases e de estrelas aberto sob minha cabeça. O poema “Bicho Urbano” é de Ferreira Gullar. Sua linguagem é culta, porque ele está de acordo com as normas da Língua Portuguesa, mas é simples. Sua ideia central é a vida perto e longe da natureza. Há apenas uma estrofe, que não apresenta rimas, nem metrificação. Apresenta duas figuras de linguagem, como "Meu coração queima gasolina”, uma metáfora, e “A natureza me assusta”, uma prosopopeia, por exemplo. Gostamos do poema porque mostra o conflito daqueles que nasceram em cidades pequenas, mas aprenderam a gostar das grandes.

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Serenata Cecília Meireles Permita que eu feche os meus olhos, pois é muito longe e tão tarde! Pensei que era apenas demora, e cantando pus-me a esperar-te. Permita que agora emudeça: que me conforme em ser sozinha. Há uma doce luz no silêncio, e a dor é de origem divina. Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo, e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo.

O poema “Serenata” de Cecília Meireles, apresenta vocabulário apurado, linguagem formal, de acordo com as regras da Língua Portuguesa. O eu lírico faz referência à morte e parece querer desistir da vida. O poema tem preocupação formal, pois está metrificado (octossílabo), apresenta rimas e estrofes regulares, são três de quatro versos. No texto há figuras de linguagem, como a sinestesia que aparece na segunda estrofe, por exemplo: “Há uma doce luz no silêncio”. O poema demonstra uma tristeza profunda e está cheio de sentimentalismos. 33


Luar Cecília Meireles Face do muro tão plana, com o sabugueiro florido. O luar parece que abana as ramagens na parede. A noite toda é um zumbido e um florir de vagalumes. A boca morre de sede junto à frescura dos galhos. Andam nascendo os perfumes na seda crespa dos cravos. Brota o sono dos canteiros como o cristal dos orvalhos.

O poema “Luar” é de Cecília Meireles, possui vocabulário simples e uma linguagem que está de acordo com a norma padrão da Língua Portuguesa. Cecília Meireles conheceu um mundo que vivia uma grande guerra mundial. Talvez por isso, em muitos de seus poemas, como em “Luar”, as coisas simples sejam valorizadas. As seis estrofes apresentam dois versos cada uma, em sua maioria redondilhos. Além disso, há rimas, como “galho” e “orvalho”. As figuras de linguagem estão presentes, como na quarta estrofe em que ocorrem simultaneamente a hipérbole e a metonímia, em “A boca morre de sede”. Nós escolhemos esse poema, pois gostamos da forma como autora descreveu a noite, descrevendo-a com riqueza de detalhes.

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Instante Ferreira Gullar Aqui me tenho como não me conheço nem me quis sem começo nem fim aqui me tenho sem mim nada lembro nem sei à luz presente sou apenas um bicho transparente

O poema “Instante” é de Ferreira Gullar. Como viveu na época da ditadura militar, é comum que seus poemas apresentem influências desse contexto, em que as pessoas eram fortemente reprimidas por expressarem suas opiniões. A ideia central do texto é a de que o eu-lírico é obrigado a ser quem ele não é, logo, ele não se reconhece e não pode ser reconhecido. As cinco estrofes de três ou dois versos não estão rigidamente metrificadas. Além disso, há rimas, como “conheço” e “começo”. Há figuras de linguagem como antítese (começo/fim) e metáfora (sou apenas um bicho). Consideramos que o poema é importante, pois registra a sensibilidade do poeta e, ao mesmo tempo, mostra-nos como as pessoas se sentiam diante de um regime político injusto.

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REFERÊNCIAS MEIRELES, Cecília. Viagem. 2 ed. São Paulo: Global, 2012. MEIRELES, Cecília. Episódio Humano. Rio de Janeiro: Desiderata, 2007. MEIRELES, Cecília. Obra Poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1977. MEIRELES, Cecília. Poemas escritos na Índia. São Paulo: Global, 2014. MEIRELES, Cecília. Espectros. São Paulo: Global, 2013. MEIRELES, Cecília. As palavras voam. São Paulo: Global, 2013. MEIRELES, Cecília. Retrato natural. São Paulo: Global, 2014. GULLAR. Ferreira. Poema Sujo. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013. GULLAR, Ferreira. Dentro da noite veloz. Rio de Janeiro: José Olympio, 2000. GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1991 ABAURRE, Maria Luiza M.; PONTARA, Marcela. Literatura tempos, leitores e leituras. 2 ed. São Paulo: Moderna, 2010. CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português linguagens. 5 ed. São Paulo, Atual. BIOGRAFIA. Disponível em: <http://www.academia.org.br/abl/ce/sys/start.%3D1042/biografia>. Acesso em 03 jun. 2017. SIMBOLISMO. Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/literatura/simbolismo.htm>. Acesso em 27 maio 2017. Aversa, Leonardo. Ferreira Gullar. Disponível em:<https://oglobo.globo.com/cultura/morre-poetaferreira-gullar-aos-86-anos-20586864>. Acesso em 18 ago. 2017. NOGUEIRA Jr., Arnaldo. Projeto Releituras. Disponível em: <http://www.releituras.com/cmeireles_bio.asp>. Acesso em: 13 ago. 2017.

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ALUNOS DOS 9º ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL / 2017

AMANDA PIMENTA

GIULIANO ORLOVAS CABIANCA

MARIANA DE OLIVEIRA PEREIRA

ANA BEATRIZ SILVA SANTOS

GUILHERME AMARAL JIMENEZ

MARINA SOUZA ALBANIT

ANA BEATRIZ TONSIG COELHO

BORTOLOTTI

MATHEWS CABRAL HENRIQUE

GUSTAVO DE PAULO PANICO

DE OLIVEIRA

GUSTAVO SOUSA NEGRINI

MICHELE YE

ANDRADE

HENRIQUE LOPES SIQUEIRA

NATÁLIA DE LIMA FERREIRA

BEATRIZ DE PAIVA DHEIN

IGOR TOSETTO REDONDO

OLÍVIA MOUTINHO CORTESE

BEATRIZ MIRÃO ESTOCO

ISABELA MAMPRIM PAPAZIAN

PEDRO MATOS DE CAMARGO

BEATRIZ PATARA ROSS SANDOLI

ISABELA TORRES BRITO

RAFAEL GONÇALVES GOMES

BEATRIZ RIGOBELLO DE ASSIS

JOÃO PAULO MATOS DE

RAFAEL LUCIO AVILA

ANDRÉ NAPONIELLO MARTINS ANNA CAROLINA MARTINS DE

BEATRIZ SCARPONI CORREA BRENO EMERICH LOPES DE SOUZA DIOGO PEREZ MONTEIRO

CAMARGO JOÃO PEDRO MACHADO ROMULO NALIATO JULIA BRAZ MALGUEIRO

RAFAEL OLIVEIRA BARROS RAFAELLA LINO PIRES RAPHAEL MARCONCINI FARIA LIMA

CLARO

JÚLIA SANTIAGO REVEIU

EDUARDA BARACAT NAKAJIMA

JULIANA NAVARRO SILVA

RAMOS

KARINA SERAFIM MUNIZ

RICARDO PRADO RIBEIRO SILVA

LARA MUNHOZ MATHIAS

THIAGO BONACELI GONÇALVES

CURVELO EDUARDO MONTEIRO MARTINS EDUARDO MOREIRA BELLA

LEONARDO GALHARDO

ENZO GIANNOBILE

CARDOSO VARELLA

FABRÍCIO MORILLO BONI

LEONARDO GUIMARÃES

FELIPE INGENLEUF JOUBEIR FERNANDA DA SILVA MUCHÃO FERNANDO LEMOS MIRANDA GABRIEL BRANQUILHO ADURA GABRIEL CHAN GABRIEL FERREIRA GARCIA GABRIEL SECASSI PERCINOTO POMPEI GABRIELLI ALMEIDA GAGLIARDI GIOVANNA MARTINS EIRAS GIULIA TEODORO PEREZ

RENAN DE SOUZA SILVARES

TRINDADE THOMAS HENRY SHIOMATSU MATSUMAGA

ANDRADE

VICTOR ALVES DA SILVA

LEONARDO LUCCA AKKARI

VINÍCIUS MAZZUCHETTI

LEONARDO ROMANI GARCIA LEONARDO VITA MACEDO LÍVIA GALVANI PADILHA LORENA NUNES FERREIRA LUIZA DEL SANTO MARCACINI MENDES MARCELA MATOS DE CAMARGO MARIA AUGUSTA MARQUES DE

ALBURQUERQUE VINÍCIUS SANTANA CONSOLATO VINÍCIUS TAKASHI NAKATSUI VINÍCIUS THALES RODRIGUES VITOR CRITELLI VITOR PANTALEONI DI NATALE VITOR SILVESTRE DE QUEIROZ

ALMEIDA

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Dois nomes, dois mundos, vários poemas - Edição 2017  

Nesta edição de 2017, os nonos anos apresentam a sua percepção das poesias de Cecília Meireles e de Ferreira Gullar: poetas que, com sua sen...

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