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MEMBROS DA DIRECÇÃO DO CNH PARA 2015-2016 EXPLICAM POR QUE ACEITARAM ESTE DESAFIO Fotografia de: Cristina Silveira

OLGA MARQUES - VICE-PRESIDENTE Funções: Natação; Grupo de Trabalho da Vela Ligeira; Substituição do Presidente. Assinatura de Contas Bancárias. Este é o segundo mandato consecutivo de Olga Marques que, por se ter envolvido de corpo e alma, tem agora responsabilidades acrescidas

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Por que razão aceitou o convite para fazer parte desta Direcção? Olga Marques: Aceitei o convite porque, como já tinha pertencido à anterior Direcção, achei que tinha todo o interesse haver um trabalho de continuidade, no sentido da consolidação de alguns projectos em curso. Num mandato de 2 anos, o primeiro é para o grupo se adaptar e o segundo para começar a concretizar. E foi o que aconteceu. Não foi possível fazer tudo o que tínhamos projectado e, assim sendo, pensou-se em mais 2 anos para a consolidação. Foi por isso que eu aceitei, conjuntamente com o Presidente e o Vice-Presidente, Jorge Macedo, fazer uma segunda volta. Concordamos todos que, por este prisma, o ideal seria mandatos de 3 anos para se conseguir adaptar, implementar e consolidar. Aliás, esta questão vai constar de uma proposta de alteração aos Estatutos no âmbito da revisão que está prevista. Concretizámos alguns projectos, mas começámos outros e gostávamos de concluir estes que ficaram a meio. Exemplo disso é a Natação que estava a precisar de um trabalho de fundo e foi por essa modalidade que eu aceitar trabalhar no primeiro mandato e vou continuar neste segundo, uma vez que não consegui concretizar todas essas alterações. Além da Natação, envolvi-me também noutras Secções, porque gosto de desporto em geral, e achei que era necessário concretizar projectos iniciados, e como nesta fase tenho tempo disponível, ficou a vontade de continuar. Fiquei um bocadinho triste pelo facto de a equipa anterior não se ter mantido na totalidade, pois gostava daquele grupo de trabalho, no qual se criaram laços de amizade ao longo dos últimos 2 anos. Naturalmente que também gosto muito deste elenco, mas se não tivesse transitado ninguém da equipa anterior, não teria aceitado, pois considero importante que haja ligação entre o que se fez e o que se está a fazer. Actualmente, contamos com pessoas muito válidas e novas em termos de idade, o que é muito importante para ver se vão começando a conhecer a casa, no sentido de um dia assumirem as rédeas. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já fez parte de outras direcções. Olga Marques: No Clube Naval da Horta integrei a Direcção anterior, mas também já pertenci a elencos directivos noutras instituições. Estou por dentro do espírito de voluntariado. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Conhece bem o CNH. Acha importante a actividade que esta instituição desenvolve? Olga Marques: Conheço e acho importantíssima a actividade que esta instituição promove e desenvolve, sobretudo na vertente desportiva, algo fundamental para a formação das camadas infantis e juvenis. Temos uma ligação muito forte com o mar e há que aproveitar este privilégio para dinamizar actividades, contribuir para o desenvolvimento dos mais novos e não só, adoptar estilos de vida saudáveis, potenciar recursos existentes e divulgar a ilha. O mar é um manancial em diversas vertentes. Há que saber explorá-las e aproveitá-las em prol da comunidade, do seu crescimento, da sua riqueza e projecção. 2

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A maior parte das pessoas não se apercebe disto, mas a verdade é que o Clube proporciona imensas actividades e modalidades completamente gratuitas que, em muitos outros locais são pagas. Em Lisboa, por exemplo, os interessados fazem quilómetros, além de custear o seu próprio material e pagar a mensalidade. O CNH é uma escola, uma casa de formação, de pedagogia, de intercâmbios, de troca de experiências, de enriquecimento pessoal e colectivo. Por isso, há que valorizá-lo e acarinhá-lo, pois assume um papel de charneira no meio onde está implementado. E está sempre disponível para colaborar e apoiar na medida das suas possibilidades. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Acha que a actividade do Clube é conhecida dos faialenses? O que se poderia fazer mais nesse sentido? Olga Marques: Cada vez é mais. Há alguns anos, notava-se que a ligação ao Clube passava por famílias, que iam transmitindo isso de geração em geração. Mas desde há algum tempo que houve uma grande mudança: passou a haver mais informação que chegou a outros meios, como por exemplo às escolas, que começaram a procurar o Clube com o objectivo de os miúdos experimentarem as actividades de mar. Nota-se que os mais novos inscrevem-se nas modalidades que o CNH proporciona por conhecerem e gostarem. Não se verifica com tanta incidência aquela transmissão familiar que havia. E isto é positivo, porque o leque abriu-se. Uma das funções do Clube passa precisamente por dar a conhecer as modalidades náuticas aos jovens da ilha. E isso tem acontecido. No caso da Vela, este desporto tem funcionado como um instrumento de inserção e igualdade de pessoas com mobilidade reduzida. De realçar que temos um projecto pioneiro a nível Açores designado “Vela Para Todos - Faial Sem Limites”, que vai ao encontro de pessoas portadoras de deficiência. Acho que estamos no bom caminho e que a divulgação de toda a actividade do Clube tem sido muito bem feita através da Página, com reflexos na Comunicação Social. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as suas expectativas para este mandato? Olga Marques: Espero que consigamos concretizar todos os projectos previstos e que não nos faltem os apoios financeiros para conseguirmos alcançar os nossos desideratos. E neste capítulo, devo realçar que nos últimos tempos tem imperado de forma muito consciente uma grande política de poupança, que está no seu limite. O CNH tem vindo a fazer cada vez mais com o mesmo ou menos e, por causa desta dinâmica, tem havido um aumento da procura. Se nesta conjuntura temos sido capazes de aumentar sistematicamente a nossa acção, imagine-se a espiral de actividade num ambiente financeiro confortável. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Considera importante a componente do voluntariado? Olga Marques: Se não fosse o voluntariado que temos, acho que seria impossível fazermos muito do que tem sido uma realidade. As pessoas colaboram porque gostam do Clube e nalguns casos têm a tal ligação familiar de que falei há pouco. Eu própria também me aproximei mais do Clube pelo facto de os meus filhos terem feito Natação. Há um elo que fica. Na minha juventude também pratiquei Vela Ligeira (Optimist), mas sem dúvida que foi pelos meus filhos que me deixei envolver pelo trabalho desta casa, que utiliza todos os recursos para conseguir atingir o patamar a que chegou. De uma forma generalizada, a população faialense reconhece o nosso trabalho. E ao nível das autoridades, penso que isso também é uma realidade, embora esse reconhecimento deva ser sempre reforçado, pois o CNH é o único nos Açores que tem um atleta de Alta Competição, num Projecto Olímpico, que também funciona como um embaixador do Clube, do Faial e dos Açores no Mundo. Aquilo que fazemos, em 14 modalidades, está bem à vista de todos. Os resultados são públicos, assim como o Plano de Actividades e os objectivos. Seria engraçado fazer um estudo que medisse a relação entre os apoios recebidos e os projectos implementados, com resultados, entre o CNH e outras instituições regionais. Certamente que íamos perceber que há entidades que são muito mais apoiadas e cujo grau de execução é muito inferior ao nosso. É inegável o papel desempenhado pelo Clube Naval da Horta como pilar de desenvolvimento social, económico, turístico e ambiental da Região Açores.

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MEMBROS DA DIRECÇÃO DO CNH PARA 2015-2016 EXPLICAM POR QUE ACEITARAM ESTE DESAFIO Fotografia de: Cristina Silveira

CONCEIÇÃO MARQUES - TESOUREIRA Funções: Tesouraria/Contabilidade; Controlo Administrativo e Financeiros dos Serviços; Concessão do Bar. Assinatura de Contas Bancárias.

Conceição Marques colaborava com o Clube como voluntária e decidiu dar mais do seu tempo, por se identificar com o trabalho desenvolvido

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Por que razão aceitou o convite para fazer parte desta Direcção? Conceição Marques: Aceitei o convite porque, considerando que os clubes vivem da boa vontade das pessoas que dispõem do seu tempo para servir a comunidade, identifiquei-me com o trabalho desenvolvido pelo Clube Naval da Horta e pela Direcção anterior, com a qual colaborei como voluntária. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já fez parte de outras direcções? Conceição Marques: No CNH não, simplesmente colaborava como voluntária nas actividades desenvolvidas durante o Festival Náutico da Semana do Mar. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Conhece bem o CNH? Acha importante a actividade que esta instituição desenvolve? Conceição Marques: Pensava que sim. Enquanto voluntária e praticante de Remo na minha juventude, conhecia as actividades desenvolvidas, mas só agora como membro da Direcção é que me apercebi do grande trabalho que é realizado, da sua dinâmica e da importância desportiva que o Clube Naval da Horta tem na comunidade faialense, no apoio ao iatismo e na promoção turística dos Açores. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Acha que a actividade do Clube é conhecida dos faialenses? O que se poderia fazer mais nesse sentido? Conceição Marques: Acho que a actividade desenvolvida, na generalidade, é conhecida dos faialenses. Toda a actividade levada a cabo é divulgada na Página da internet do Clube assim como na sua Newsletter, bem como na maioria dos casos, nos meios de Comunicação Social. Gostaríamos de contar com uma maior presença dos faialenses nas actividades realizadas. Seria um desafio trabalhar nesse sentido e na proximidade dos Sócios ao Clube. Também acho que a promoção das actividades desenvolvidas junto da comunidade escolar traria novos adeptos às diversas modalidades desenvolvidas no Clube Naval da Horta. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as suas expectativas para este mandato? Conceição Marques: As minhas expectativas são a continuidade do trabalho desenvolvido, melhorando a qualidade dos recursos disponíveis e o serviço prestado aos faialenses, bem como contribuir para manter o equilíbrio e a sustentabilidade financeira do Clube. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Considera importante a componente do voluntariado? Conceição Marques: Considero muito importante o trabalho do voluntariado, porque a diversidade de actividades desenvolvida, nomeadamente nos eventos de grande dimensão, só é possível graças à colaboração dos muitos voluntários com que este Clube conta. 4

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MEMBROS DA DIRECÇÃO DO CNH PARA 2015-2016 EXPLICAM POR QUE ACEITARAM ESTE DESAFIO Fotografia cedida por: Ana Marisa Goulart

ANA MARISA GOULART - SECRETÁRIA Funções: Canoagem; Remo (esforço de reinício da actividade)

Ana Marisa Goulart: antiga Atleta e Dirigente do CNH, aceitou o desafio para trabalhar em prol de uma casa que bem conhece

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Por que razão aceitou o convite para fazer parte desta Direcção? Ana Marisa Goulart: O Clube Naval da Horta tem uma grande importância para mim, pois foi onde passei grande parte da minha infância, enquanto remadora. Éramos como uma família, passávamos o Verão inteiro a remar. Representei o Clube Naval da Horta em diversas provas nacionais e cheguei a participar em estágios da Selecção Nacional. Mais tarde, comecei a remar em Botes Baleeiros, permanecendo até hoje. Participámos em três regatas internacionais, duas aqui no Faial e Pico e uma em New Bedford, tendo sido experiências que nunca vou esquecer. Por estes motivos, aceitei este desafio para fazer novamente parte da Direcção do CNH. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já fez parte de outras direcções? Ana Marisa Goulart: Sim, fiz parte da Direcção do CNH no biénio 2009/2011. Apesar de ser bastante exigente e de necessitar de muita dedicação, foi uma experiência muito gratificante e enriquecedora. Era a Responsável pelas Secções de Remo e Jet-Ski, ambas sem actividade no CNH nessa altura. Em relação ao Remo, recuperámos um Yolle e conseguimos pôr no mar os Skiffs e Yolles para fazer algumas actividades. Mais tarde, desempenhei as funções de Vice-Presidente e tive uma actuação mais abrangente na Direcção. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Conhece bem o CNH. Acha importante a actividade que esta instituição desenvolve? Ana Marisa Goulart: Sim, o CNH já tem uma dimensão bastante grande e desenvolve uma importante actividade na sociedade faialense. Envolve um grande número de atletas que participam nas diversas actividades, bem como os pais, familiares e colaboradores. O Clube Naval da Horta, para além da sua estrutura interna já com peso elevado, consegue realizar as suas actividades com a participação voluntária de muitos simpatizantes do Clube e interessados nas modalidades. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Acha que a actividade do Clube é conhecida dos faialenses? O que se poderia fazer mais nesse sentido? Ana Marisa Goulart: Sim, penso que é conhecida de uma grande parte dos faialenses, em especial das pessoas ligadas ao mar. No entanto, dada a visibilidade do Festival Náutico da Semana do Mar, há muita gente que aprecia e acompanha as actividades inseridas nesse Festival. Desde que o CNH desenvolveu o Site e elaborou a Newsletter, foi possível transmitir aos Sócios e a outros interessados todas as actividades desenvolvidas. Também a Revista “Ir ao Mar” é uma boa forma de divulgação. Considero que é feita uma boa promoção e divulgação do Clube. Como melhoria, penso que essa informação (Newsletter e Revista) podem ser divulgadas junto da população local, por exemplo, através de publicidade em alguns sites e/ou jornais locais. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as suas expectativas para este mandato? Ana Marisa Goulart: Neste mandato, as expectativas são dar continuidade ao trabalho que tem sido desenvolvido pela Secção de Canoagem e tentar aumentar a sua actividade; trabalhar para reIr_ao_mar

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activar a Secção de Remo e dar-lhe algum dinamismo, nomeadamente através da ligação com os remadores de Botes Baleeiros, aumentando a época de actividade e proporcionando o aperfeiçoamento da técnica de remo. Para além disso, contribuir para a realização das actividades do Clube Naval da Horta em geral. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Considera importante a componente do voluntariado? Ana Marisa Goulart: Sim, é através do trabalho voluntário que muitas instituições se conseguem manter activas e que desenvolvem um papel importante na sociedade, como é o caso do Clube Naval da Horta. É um trabalho gratificante e permite o enriquecimento pessoal.

MEMBROS DA DIRECÇÃO DO CNH PARA 2015-2016 EXPLICAM POR QUE ACEITARAM ESTE DESAFIO Fotografia cedida por: Cláudia Naia

CLÁUDIA NAIA - SECRETÁRIA Funções: Apoio jurídico geral; Revisão dos Estatutos; Relações com entidades associativas nacionais e estrangeiras.

Cláudia Naia: uma Faialense apaixonada pela sua Terra, que gosta de desafios e que acredita que o bem que se faz aos outros nos é retribuído em dobro

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Por que razão aceitou o convite para fazer parte desta Direcção? Cláudia Naia: Primeiro, por que enquanto faialense, e uma apaixonada pela minha terra, julgo importante contribuir, dentro daquilo que posso, para o desenvolvimento e divulgação daquilo que é nosso; segundo, por ser um desafio, e eu gosto de desafios; por último, e também sendo uma parte bastante importante, já conhecia a grande maioria das restantes pessoas que compõem a Direcção, e tenho-as em elevada consideração, quer a nível profissional quer no trato social. São pessoas já com muita experiência neste campo e competentes, sendo estes os ingredientes chave, a meu ver, para o bom funcionamento de qualquer tipo de órgão ou instituição. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já fez parte de outras direcções? Cláudia Naia: Fiz parte de uma lista académica na altura em que frequentei a faculdade, por um curto período de tempo. Com excepção desse pequeno contributo, é a minha estreia nestes trilhos. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Conhece bem o CNH. Acha importante a actividade que esta instituição desenvolve? Cláudia Naia: Conheço o CNH há muito tempo, se bem que tenho tido um contacto mais próximo nos últimos cinco anos e isso deveu-se ao meu retorno à ilha. É de louvar o esforço e a importância que esta instituição desenvolve com tão poucos recursos nesta ilha-mar. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Acha que a actividade do Clube é conhecida dos faialenses? O que se poderia fazer mais nesse sentido? Cláudia Naia: Julgo que nos últimos anos a actividade do Clube Naval da Horta tem sido mais divulgada e isso tem permitido que o Clube e as modalidades desportivas que nele se inserem tenham maior projecção; porém, tem de ser um trabalho contínuo, não pode ser descurado nunca. No meu ponto de vista, seria importante ir directamente às Escolas, no começo de cada ano lectivo, e dar a conhecer aos miúdos, de qualquer faixa etária, o CNH e as modalidades que podem aqui 6

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praticar. É um privilégio poder praticar-se todos estes desportos a preço “quase zero”, que é uma realidade que não acontece noutros locais, onde são considerados desportos “elitistas” e, consequentemente, se fazem pagar por isso. Mas existe outro público que também tem de ser atraído, não são apenas os estudantes… É o trabalhador, o reformado, o amigo do amigo, aquela pessoa que está a passar um período da sua vida nesta ilha… Se já George Orwell dizia que o desporto é uma guerra sem armas, então é uma guerra que vale a pena ser feita e acarinhada, primeiramente pelo CNH, mas também deverá ser apoiada por outros organismos na nossa Ilha e a nível Região, por que o Clube Naval da Horta faz sentido existir e funcionar. Faz sentido preservar, por exemplo, o seu património baleeiro e a cultura da baleação através da modalidade, que tem tido bastante adesão, que é a dos Botes Baleeiros e que, ainda que sendo uma herança norte-americana em que os açorianos se inspiraram, faz parte da nossa identidade enquanto “ilhéus” e que não deve, sobre pretexto algum, morrer. E o Clube Naval da Horta tem feito um bom papel na divulgação desta modalidade. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as suas expectativas para este mandato? Cláudia Naia: As dificuldades financeiras farão, com certeza, com que tudo se torne duas vezes mais complicado. Mas também esta não poderá ser uma desculpa para se dar, uma vez que esta é a realidade que a maioria de todos nós temos vindo a conhecer nos últimos anos. Espero que neste mandato se cumpram os objectivos que foram apontados no calendário de actividades, que se proporcione aos nossos atletas e aos visitantes bons momentos e uma boa organização para que tenham vontade de repetir a experiência. O resto vem com muito trabalho e vontade de fazer mais e melhor. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Considera importante a componente do voluntariado? Cláudia Naia: É errada aquela velha frase batida de que ser voluntário é dar sem receber nada em troca. Nada há de mais errado nessa expressão. Recebe-se tanto, ou tudo! Sou apologista de que o bem que se faz é-nos retribuído em dobro, mas também acredito no reverso da medalha. Ser voluntário no sentido da frase acima… isso não existe. Recebe-se e espera-se sempre algo, nem que seja um sorriso de agradecimento e isso vale tudo. Convencermo-nos de que não queremos receber nada em troca é pura hipocrisia. Faz parte da nossa condição humana. Mas prestar um serviço à comunidade sem receber em troca nenhuma quantia monetária, torna-se cada vez mais raro num mundo que gira em torno do poder económico e da competitividade. É por isso que julgo que o voluntariado é importante porque faz com que olhemos para as pessoas com outros olhos, em vez da tendência constante que temos de nos voltarmos para nós mesmos.

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MEMBROS DA DIRECÇÃO DO CNH PARA 2015-2016 EXPLICAM POR QUE ACEITARAM ESTE DESAFIO Fotografia de: Cristina Silveira

LUÍS ALVES - VOGAL Funções: Botes Baleeiros (Representação do CNH na Comissão do Património Baleeiro, integração na Secção de Botes Baleeiros do Faial, criação de um Grupo de Trabalho do CNH de apoio aos Botes Baleeiros).

Luís Alves começou por praticar Vela Ligeira nos tempos da Mocidade Portuguesa, depois passou para os Botes Baleeiros e agora é Oficial e pertence à Direcção do CNH

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Por que razão aceitou o convite para fazer parte desta Direcção? Luís Alves: Aceitei fazer parte desta Direcção pela ligação que tenho ao Clube Naval da Horta (CNH), por me dar bem com o Presidente e pelo facto de ter alguma disponibilidade. Desde há 2 anos que sou o Oficial de um bote do Clube Naval da Horta (o “Maria da Conceição”) e, no mandato anterior, por diversas vezes o Sr. Presidente me pediu colaboração nas viagens ao Pico, onde íamos participar em Regatas de Botes Baleeiros. Gosto muito desta Secção. Comecei por praticar Vela Ligeira nos barcos da Mocidade Portuguesa. Portanto, as minhas bases vêm do Snipe e do Lusito, mas depois interrompi e quando regresso ao CNH é já nos Botes Baleeiros. Desde pequeno que ando ligado a isto, numa altura em que ainda não havia Cais nem Marina. Comecei nos Botes na freguesia do Capelo e depois fui convidado para ser Oficial de um bote do CNH. Primeiro foi no “Claudina”, mas como gostava mais do “Maria da Conceição” lá consegui trocar com a D. Susana Salema, e há mais de 2 anos que sou o Oficial deste bote, que se encontra em trabalhos de reparação no Pico, depois do “Claudina”. O Clube fica agora com a sua frota arranjada e faço conta de esta ser uma boa época. É nos Botes que me realizo e gosto muitíssimo do convívio que se gera em terra, onde se destaca a “Barraca do 70”, que pertence ao Mário Carlos, que anda no mesmo Bote que eu (e também pratica Mini-Veleiros na Secção do CNH). Toda a gente tem de “marcar o ponto” lá. Arranjamos uns petiscos e a malta convive sempre depois dos treinos. Naturalmente que os treinos são a base de tudo e é preciso que estejamos todos motivados para dar o nosso melhor, pois a Vela é trabalhosa. Isto tudo para dizer que me identifico com o projecto do Clube e por isso aceitei dar o meu contributo neste elenco directivo. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já fez parte de outras direcções? Luís Alves: No Clube Naval da Horta, não. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Conhece bem o CNH. Acha importante a actividade que esta instituição desenvolve? Luís Alves: Conheço o Clube Naval da Horta e, na minha opinião, é uma instituição muito importante para o Faial, dentro e fora da ilha. Acho que está a trabalhar bem. A Horta é uma cidade virada para o mar; como tal, temos de tirar bom partido disso. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Acha que a actividade do Clube é conhecida dos faialenses? O que se poderia fazer mais nesse sentido? Luís Alves: Sim, bastante conhecida. O expoente máximo é o Festival Náutico da Semana do Mar, em que toda a gente gosta de parar na Avenida e ver as velas enfunadas no Canal. Algumas pessoas ainda têm a ideia de que o Clube é só virado para o mar, mas naturalmente que estamos a falar de 8

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quem não anda por aqui, nem conhece esta dinâmica, que é vastíssima. Para muitas pessoas seria uma boa experiência se aproximarem mais do Clube, como sócias ou voluntárias, para perceberem o trabalho que isto dá. Só quem está ou já esteve por dentro desta orgânica, é que tem uma noção real do movimento desta casa. Um bom exemplo é o Campeonato Nacional de Optimist, que se realiza de 24 a 28 deste mês e que está a ser organizado pelo CNH. Penso que é complicado fazer mais em termos de divulgação. A Página do Clube é uma boa fonte de informação e divulgação e hoje em dia toda a gente usa a internet. Portanto, só não está informado quem não quer. É verdade que há muita diversidade de actividades na ilha, mas quem está interessado naquilo que o Clube Naval da Horta faz e promove, já sabe o caminho. Se pensarmos na abrangência das modalidades que o CNH proporciona, torna-se difícil as crianças do campo terem acesso. Noto isso através de conversas que tive com pessoas que me disseram que gostavam que os filhos fossem praticantes, o que se torna complicado ou mesmo inviabilizado devido à distância. Contudo, há programas que têm possibilitado o contacto das crianças de toda a ilha com as áreas de formação do Clube, o que vem minorar esse aspecto. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as suas expectativas para este mandato? Luís Alves: Espero que corra bem, sem complicações. Esta Direcção tem gente nova, o que é muito bom, permitindo-lhes ir entrando no espírito do CNH. Alguns são antigos praticantes de Vela, com ligação ao Clube, que funciona como uma família, onde toda a gente se dá bem. Quanto à Secção dos Botes, era bom que a nossa época fosse ainda melhor do que a anterior. Seria muito gratificante que aparecesse mais gente nova para fazer Vela em Bote e podermos organizar equipas de Remo, o que exige persistência em relação aos treinos e os resultados não aparecem à primeira. Mas sem trabalho não se chega lá. E depois quando há competições entre Faial e Pico, nota-se que os de lá estão mais virados para o Remo e por isso têm boas classificações, ao passo que nós somos superiores na Vela. Os resultados mostram isto mesmo. O CNH já teve equipas de Remo, mas nunca foi o nosso forte. Temos uma equipa feminina, mas com as mudanças que se operam na vida de cada um (casamento, filhos, mais responsabilidades, etc), torna-se complicado ser cumpridor nos treinos, a base de qualquer modalidade. É preciso estarmos conscientes de que revitalizar o Remo é sinónimo de fazer sacrifícios: treinar pelo menos 2 vezes por semana e ter disponibilidade, pois a partir de Maio, todos os fins-de-semana serão preenchidos com actividades, que implicam provas no Pico e não só. De realçar que este ano vamos receber o Campeonato Internacional de Botes Baleeiros. Temos de estar preparados, mas para isso ou cumprimos o plano de treinos e trabalhamos ou nada feito. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Considera importante a componente do voluntariado? Luís Alves: É muito importante. E mediante as reuniões da Direcção em que tenho participado, estou a aperceber-me verdadeiramente disso, porque a minha maior ligação era à Secção dos Botes. Há muita gente envolvida no voluntariado e todos são poucos para aquilo que é o volume de actividades – e de grande dimensão – do CNH. Defendo que se cada um der um bocadinho do seu tempo, não custa nada, mas se por sistema forem sempre os mesmos, quando saem já não voltam mais. O Clube Naval da Horta teve sempre uma grande tradição em termos de voluntariado, e a verdade é que se encontra facilmente gente para colaborar. Isto também gera um convívio engraçado, aspecto que não se vai perder, porque há rapaziada envolvida. Quando estou com os mais novos, gosto de recordar coisas antigas e digo sempre que quando a Semana do Mar começou, há 40 anos, as bifanas eram de carne de baleia com a particularidade de serem oferecidas, assim como o cup. Era uma realidade diferente, com menos gente, mas igualmente com muito empenho e brio.

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MEMBROS DA DIRECÇÃO DO CNH PARA 2015-2016 EXPLICAM POR QUE ACEITARAM ESTE DESAFIO Fotografia de: Cristina Silveira

TELES NEVES - VOGAL SUBSTITUTO Funções: Pesca de Costa; Pesca de Barco.

Cativar mais praticantes para as diversas modalidades que o CNH oferece é um dos objectivos de Teles Neves, o homem forte da Secção de Pesca Desportiva

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Por que razão aceitou o convite para fazer parte desta Direcção? Teles Neves: Aceitei o convite porque gosto da modalidade, já a pratico há uma série de anos e, como o Sr. Presidente me perguntou se eu gostaria de fazer parte da equipa e dirigir a Secção da Pesca Desportiva, embora sem muita disponibilidade, aceitei. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já fez parte de outras direcções? Teles Neves: Já fiz parte da Direcção do CNH no biénio 2009-2010, ajudando a dirigir esta mesma Secção. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Conhece bem o CNH. Acha importante a actividade que esta instituição desenvolve? Teles Neves: Sim, a actividade desenvolvida é muito importante pelo facto de abranger um conjunto muito variado de desportos náuticos que podem ser praticados, tanto pelos mais jovens (a partir dos 4 anos) como pelos menos jovens, mas que gostam de praticar desporto. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Acha que a actividade do Clube é conhecida dos faialenses? O que se poderia fazer mais nesse sentido? Teles Neves: Acho que é conhecida de grande parte dos Faialenses, embora haja ainda muitas pessoas, principalmente das freguesias mais afastadas da cidade, que desconhecem alguma dessa actividade. O desconhecimento dessa actividade só poderá desaparecer, se existir uma maior divulgação da mesma pelos meios de comunicação (jornal, rádio, internet, etc). - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as suas expectativas para este mandato? Teles Neves: Continuar a expandir e a divulgar, cada vez mais, a actividade desenvolvida pelo Clube, de maneira a cativar mais praticantes para as diversas modalidades. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Considera importante a componente do voluntariado? Teles Neves: Muito importante, porque sem essa componente muitas das provas que se realizam no Clube actualmente, não poderiam ser feitas.

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MEMBROS DA DIRECÇÃO DO CNH PARA 2015-2016 EXPLICAM POR QUE ACEITARAM ESTE DESAFIO Fotografia cedida por: Ricardo Lacerda

RICARDO LACERDA - VOGAL SUBSTITUTO Funções: Grupo de Trabalho da Vela Ligeira; Mini-Veleiros.

Ricardo Lacerda: um jovem que quer dar o seu contributo ao Clube a que está ligado desde os 6 anos de idade

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Por que razão aceitou o convite para fazer parte desta Direcção? Ricardo Lacerda: Foi com satisfação que aceitei este convite para colaborar na Direcção, pois sinto que tenho alguma coisa para oferecer a esta casa. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já fez parte de outras direcções? Ricardo Lacerda: Não, esta é a primeira vez que integro a Direcção do Clube Naval da Horta, mas sinto que nestes últimos anos as direcções têm feito grandes ginásticas económicas para continuar a evolução das modalidades que disponibilizam aos faialenses. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Conhece bem o CNH. Acha importante a actividade que esta instituição desenvolve? Ricardo Lacerda: Conheço bem o CNH, desde há bastante tempo. Com 5 anos já andava por estes lados, a espreitar os mais velhos na Vela. Depois, com 6 anos de idade, comecei a praticar Vela também. O Clube Naval da Horta era como a minha segunda casa. Acho muito importante a actividade que esta instituição desenvolve, visto que é a única na ilha que permite a prática de desportos náuticos. Além disso, possibilita também que a Vela chegue a pessoas portadoras de deficiências motoras, através do Programa “Vela para Todos - Faial Sem Limites”. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as suas expectativas para este mandato? Ricardo Lacerda: Neste mandato, o meu primeiro, vou dar continuidade ao bom trabalho que os dirigentes do CNH têm desenvolvido, mas quero dar o meu melhor e trazer o meu conhecimento para, todos juntos, trabalharmos em prol do Clube. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Considera importante a componente do voluntariado? Ricardo Lacerda: O trabalho de voluntariado é imprescindível para uma instituição como esta. É preciso que fique bem claro, que o Clube Naval da Horta consegue realizar e organizar provas regionais, nacionais e internacionais graças ao esforço e dedicação de voluntários com amor à camisola, simplesmente porque gostam do mar e da instituição. Devido às dificuldades financeiras destes últimos tempos, sem estas ajudas, muitas provas com certeza não teriam sido realizadas.

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CNH associa-se à Campanha Solidária “De Vulcão para Vulcão”

O Clube Naval da Horta participou ontem, sexta-feira, dia 6, na reunião de preparação do projeto “De vulcão para vulcão – Campanha solidária”, que decorrerá entre 15 de março e 30 de maio do presente ano na ilha do Faial. Esta é uma iniciativa da Junta de Freguesia do Capelo, que pretende reunir quantidade suficiente de bens alimentares e escolares, roupa e dinheiro para encher um contentor e enviá-lo às entidades competentes da Ilha do Fogo, no arquipélago de Cabo Verde. Recorde-se que esta ilha foi fustigada por um vulcão no final de Novembro de 2014 e continua a necessitar de ajuda humanitária. A promotora do evento, a Junta de uma Freguesia também bastante abalada por vulcões, principalmente pelo de 1957/58, que gerou a maior onda de emigração de açorianos no século XX, terá um ponto fixo de recolha de géneros para doação até ao final da campanha, quer na Junta de Freguesia, quer na Casa do Povo do Capelo. Foram também convidadas a participar na iniciativa outras entidades da ilha, tais como a Caritas, o Grupo Coral da Horta, o Parque Natural do Faial, o Corpo Nacional de Escutas/Escuteiros e Guias de Portugal, a Academia do Bacalhau e o Rotary Clube da Horta. A ideia é que estas instituições promovam as suas ações de angariação

Fotografia de: Ana Borba

e, no fim, tudo junto, conte como uma ação principal. O programa destas ações será divulgado posteriormente, mas contará com um Encontro de Grupos Corais, uma corrida/caminhada, uma regata, um jantar, uma noite de chamarritas, uma recolha de géneros alimentares, roupa, eletrodomésticos e também uma recolha de material escolar. O CNH associa-se com a organização da regata “Cabo Verde no horizonte”, que dividir-se-á numa prova de botes baleeiros e outra de vela de cruzeiro, terminando com um jantar de cariz solidário para a entrega de prémios. A data das regatas aguarda ainda confirmação, sendo depois devidamente comunicada.

“CABO VERDE NO HORIZONTE”

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Campanha Solidária “De vulcão para vulcão”

O Clube Naval da Horta esteve hoje presente na apresentação da Campanha solidária “De vulcão para vulcão” à comunicação social, representado pelo Vice-Presidente da Direção, Jorge Macedo. João Melo, do Parque Natural do Faial, apresentou o programa das ações de angariação de fundos e géneros por parte das várias entidades. É neste âmbito que o Clube Naval da Horta participa, organizando no dia 6 de junho a regata “Cabo Verde no Horizonte”, composta por duas provas: Vela de Cruzeiro às 10h e Botes Baleeiros às 15h, ambas na Baía da Horta. Ainda no mesmo dia, às 20h haverá também um jantar convívio, no bar do Clube Naval da Horta, para todos os participantes da regata, onde se procederá à entrega dos prémios. A Presidente da Junta de Freguesia do Capelo, Ana Paula Oliveira, promotora da iniciativa, agradeceu a participação das entidades colaboradoras, lembrando que o Capelo, já abalado por vários vulcões na sua história, entende bem a necessidade que as populações da Ilha do Ir_ao_mar

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CLUBE NAVAL DA H Fotografia de: Ana Borba

Ana Paula Oliveira, Luís Botelho, Jorge Macedo e João Melo na apresentação da Campanha Solidária à Comunicação Social

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Fogo estão a passar. Em representação da Câmara Municipal da Horta, Luís Botelho fez questão de apoiar a iniciativa, pondo a hipótese de existirem, no futuro, parcerias entre o Município da Horta e o de Santa Catarina, na Ilha do Fogo. A campanha inicia-se a 15 de março, já no próximo domingo, e termina a 15 de junho. Além da recolha das doações nos próprios eventos, existe também um ponto fixo de recolha na Junta de Freguesia e na Casa do Povo do Capelo até ao fim da campanha.

INAUGURAÇÃO - CASA DO BOTE DAS ANGÚSTIAS Fotografias de: José Macedo

Na manhã de sábado, dia 14/3, teve lugar a inauguração da Casa do Bote da Freguesia das Angústias, situada num antigo armazém das Obras Públicas junto ao Bairro do Hospital. A Casa do Bote destina-se a albergar, fora da época desportiva, o bote baleeiro classificado “Nª Sª das Angústias” e a sua palamenta, bem como uma exposição permanente referente ao Complexo Baleeiro das Angústias e à história do bote “Nª Sr.ª das Angústias”, exposição meticulosamente organizada pelo Observatório do Mar dos Açores (OMA). A construção da Casa do Bote foi uma iniciativa da Junta de Freguesia das Angústias, tomada depois 2008, ano em que o bote baleeiro classificado “Nª Sr.ª das Angústias” ficou operacional. Essa opção teve o apoio das maiorias da Assembleia de Freguesia dos dois últimos mandatos e materializou-se com o apoio financeiro da Câmara Municipal e o apoio técnico e operacional de vários serviços do Governo Regional. Na inauguração de hoje, organizada pela Junta de Freguesia das Angústias, estiveram presentes o Secretário Regional do Mar, o Presidente da Câmara, o Presidente da Assembleia Municipal, o Capitão do Porto, os Presidentes de várias Juntas de Freguesia, o Presidente do Clube Naval, Directores do OMA, tripulantes do bote, outros convidados e OCSs. Nas intervenções realizadas pelo Presidente da Junta, José Costa, pelo Presidente da Câmara, José Leonardo Silva e pelo Secretário Regional do Mar, Fausto Brito e Abreu, foi salientada a importância da criação desta estrutura, o valor do movimento de utilização do património baleeiro móvel e a excelência do património marítimo ligado à memória da baleação. A Directora do OMA, Carla Dâmaso, fez a apresentação detalhada da exposição permanente instalada na Casa do Bote. Em declarações prestadas no final da cerimónia o Presidente da Direcção do CNH, José Decq Mota, afirmou que “esta foi uma iniciativa importante da Junta de Freguesia das Angústias, porque assegura a partir de agora a existência de um local onde este excelente exemplar do bote baleeiro açoriano, que é o “Nª S.ª das Angústias”, pode estar preservado fora da época desportiva e pode ser pormenorizadamente observado por muitos visitantes”, tendo acrescentado que “a exposição permanente aqui instalada pelo OMA faz justiça ao Complexo Baleeiro da Angústias, que foi de facto uma das várias “almas” da baleação açoriana e é bom que isso se saiba”. A terminar as suas declarações o Presidente do CNH afirmou que “é urgente olhar com atenção para a necessidade de se encontrarem soluções estáveis e adequadas à preservação, no inverno, da totalidade do património baleeiro móvel navegável existente no Faial e que é constituído por oito botes baleeiros e duas lanchas da baleia”. Ir_ao_mar

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PROVA REGIONAL DE CONTROLO SECÇÃO DE CANOAGEM DO CNH

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Fotografias de: Carlos Pedro O Monitor Carlos Pedro (ao centro, de preto) rodeado pelos “seus” alunos da Secção de Canoagem do Clube Naval da Horta

Carlos Pedro: “Estou satisfeito com os resultados finais, que revelam trabalho e evolução”

“Correu lindamente e as condições de mar estavam boas”. É assim que o Monitor da Secção de Canoagem do Clube Naval da Horta (CNH), Carlos Pedro, classifica a forma como decorreu a Prova Regional de Controlo levada a efeito este sábado, dia 21, na Horta. E realça, a propósito: “Os canoístas estavam motivados e tudo correu excelentemente. Estou satisfeito com os resultados finais, que revelam trabalho e evolução”. No contacto estabelecido com este Monitor, o mesmo revelou-se muito agradado pelo facto de Carla Dias (a primeira da esquerda para a direita, na fotografia) estar de regresso ao Clube Naval da Horta, após um interregno. De realçar, que estamos a falar de uma antiga Campeã de Portugal de Kayak de Mar, que Carlos Pedro considera ser um exemplo para os colegas, bem mais novos do que ela. Medir tempos e registar as performances dos atletas, foram os objectivos desta Prova, realizada em todos os Clube da Região onde a modalidade está activa.´ Primeiro, os canoístas fizeram uma prova de corrida, seguida de exercícios físicos como abdominais, flexões e paralelas. “O objectivo – explica Carlos Pedro – era contabilizar o que cada um foi capaz de fazer num minuto”. Por fim, veio a prova de mar. Todos foram testados até ao limite, demonstrado a sua forma física

Mariana Rosa nos exercícios físicos

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A prova de mar foi a última deste Controlo Regional

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Clésio Pereira nos exercícios físicos


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A Prova Regional de Controlo da Secção de Canoagem do CNH decorreu sob o olhar atento do árbitro federado, Francisco Garcia que, fazendo jus à forma dedicada como sempre tem colaborado com o Gabinete de Imprensa do CNH, redigiu o seguinte texto a propósito deste evento:

“Tal como tinha sido comunicado anteriormente, o Controlo de Canoagem decorreu durante a manhã deste sábado, 21 de Março de 2015, pelo facto de as condições climatéricas do fim-de-semana anterior (dia 14 do corrente) não terem sido as mais propícias à realização do mesmo. O Controlo realizado na ilha do Faial contou com a presença de 7 atletas de 3 escalões diferentes da modalidade. Os atletas começaram com a corrida dos 2000 metros, fazendo óptimos tempos, passando de seguida às abdominais, flexões e paralelas, deixando para o fim os 500 e 1000 metros na água. O Controlo foi realizado sob a supervisão do árbitro federado, Francisco Garcia, com a orientação do Monitor Carlos Pedro. Após a realização do Controlo, conseguiu-se constatar uma grande evolução destes atletas face à época anterior, pois

Carla Dias, Carlos Pedro (Monitor), João Ponte, Octávio Moreira, Clésio Pereira, Mateus Santos, Mariana Rosa, Patrícia Piedade e Francisco Garcia (Árbitro)

o nível de execução dos exercícios foi muito elevado, tendo sido alvo de referências muito positivas por parte do antigo Director da Secção de Canoagem do CNH, Francisco Garcia, o qual teceu diversos comentários dirigidos aos atletas e ao seu Monitor, que tem dado grandes sinais de trabalho desenvolvido com qualidade. Os tempos do Controlo foram enviados durante este fim-de-semana para o Presidente da Associação Regional de Canoagem dos Açores (ARCA) para serem divulgados por todos os Clubes dos Açores, para que desta forma se possa comparar os diferentes níveis em que se encontram os vários atletas dos Açores”.

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REUNIÃO DE PAIS SECÇÃO DE NATAÇÃO DO CNH Fotografias de: Ana Borba

A secção de Natação do Clube Naval da Horta realizou no dia 5 de março uma reunião com os pais dos seus atletas, no Centro de Formação de Desportistas Náuticos. Nesta reunião, a direção e o coordenador da Secção, Lúcio Rodrigues, transmitiram o ponto de situação da modalidade e informações gerais sobre a Secção, nomeadamente, questões sobre a utilização dos balneários das piscinas do Complexo Desportivo Manuel de Arriaga e sobre o acompanhamento dos atletas nas provas em representação do Clube fora da ilha. Aproveitaram também, para sensibilizar os pais a participarem ativamente na agenda da modalidade, não deixando que as crianças percam treinos ou provas, importantes para o seu crescimento pessoal, psicológico, social e desportivo-associativo. Só desta forma o CNH poderá construir desde cedo grupos de atletas unidos e fortes, pensando assim também nos escalões de competição. Os pais foram ainda convidados a participarem em atividades (treino) a decorrer no “Dia do Pai” e no “Dia da Mãe” e os atletas a participarem em dois convívios (lanche) na sede do clube, previstos para os dias 25 de Abril e 6 de Junho. A representar a Direção, estiveram presentes a responsável pela Secção, Olga Marques, e o Presidente da Direção, José Decq Mota. Estiveram presentes também os treinadores Hélder Gandarez e Alexandra Morais. A reunião terminou com o propósito de todos deixarem as suas sugestões e reclamações junto da direção do CNH, sempre que o julgarem pertinente, para uma contínua melhoria da Secção de Natação.

NATAÇÃO - DIA DO PAI FOI CELEBRADO COM PAIS E FILHOS A NADAR JUNTOS Fotografias de: Ana Borba

Para comemorar o dia do Pai, a Secção de Natação do Clube Naval da Horta convidou os pais dos seus nadadores a virem aos treinos nesse dia. A iniciativa pretendia envolver os pais na atividade, mas mais importante, pretendia que fosse um dia divertido para miúdos e graúdos. Os pais presentes, entraram na água e tal como os nadadores, seguiram as instruções do treinador. Foi portanto um dia divertido na piscina e diferente da rotina habitual. Os nadadores que não tiveram treino na quinta, dia 19, celebraram na sexta-feira da mesma forma. Relembra-se que no dia da Mãe irá realizar-se um treino nos mesmos moldes, em que o CNH convida também as mães a participarem ativamente com os seus filhos no treino. Os detalhes do evento serão divulgados mais oportunamente.

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NATAÇÃO - CAMPEONATO DE ILHA E TORREGRI II Fotografias de: Hélder Gandarez

Decorreu no fim-de-semana de 28 de fevereiro e 1 de março o Campeonato de Natação da Ilha do Faial, para os escalões Infantis e Juniores. Decorreu também, em simultâneo, o Torregri II, que contou com a participação de 28 atletas das escolinhas e do escalão cadetes.

NATAÇÃO - ATLETAS DO CNH NO FESTIVAL REGIONAL DE CADETES EM SÃO MIGUEL Fotografias de: Hélder Gandarez

Realizou-se este sábado e domingo, 08 e 09 de março, o Festival de Regional de Cadetes, na ilha de São Miguel. Todos os clubes da região marcaram presença, num ambiente de competição “festivo”. Os Cadetes do CNH protagonizaram boas prestações e mostraram-se à altura do evento. Foi notável o gosto e à vontade dos atletas pela competição, que deixavam transparecer a satisfação a cada prova que realizaram. O treinador, Hélder Gandarez, ficou satisfeito com os resultados e espera que, numa próxima oportunidade, consiga trazer um maior número de atletas a estes convívios em clima de competição.

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NATAÇÃO - ATLETAS DO CNH BRILHAM NO CAMPEONATO REGIONAL DE CATEGORIAS Fotografias de: Hélder Gandarez

Realizou-se no passado fim-de-semana, dias 14 e 15 de março, o Campeonato Regional de Categorias, na Escola Vitorino Nemésio, Praia da Vitória. Os atletas do Clube Naval da Horta (CNH), Diogo Vieira, Afonso Santimano, Tomás Oliveira, Gonçalo Oliveira e João Esteves partiram motivados e com vontade de dar o melhor em prova. No primeiro dia, apenas competiram quatro dos cinco nadadores do CNH, que registaram bons tempos e classificações no pódio, deixando o quinto elemento, que só tinha prova agendada para a manhã de domingo, com mais tempo de preparação. No final do dia, houve um jantar convívio com todos os participantes, oferecido pela ANARA. No segundo dia, o atleta do CNH, João Esteves, fez a sua primeira prova e conquistou um segundo lugar, mesmo tendo partido do Faial com apenas duas semanas de treinos. Os restantes atletas conseguiram superar os tempos do dia anterior, mantendo os lugares nos pódios. O treinador, Hélder Gandarez, mostrou-se satisfeito com a prestação dos seus nadadores, “pela sua dedicação e esforço ao longo destes meses de treinos”. Foi um objetivo alcançado, “ter participado nesta prova com cinco atletas e mostrar que o CNH está presente na competição com vontade de ganhar”. Além disso, o treinador considerou que estas participações são positivas para “aprender e/ou adquirir todos os aspetos e estratégias envolventes de uma competição de natação”. Os bons resultados são o culminar e o reconhecimento do esforço feito até agora, mas para Hélder Gandarez, há que “continuar a evoluir nos treinos” com os atletas que já participam em competições e, por outro lado, “aproveitar as qualidades demonstradas pelas camadas mais jovens do CNH”, para que o Clube possa competir com mais atletas no futuro.

MINI-VELEIROS: ENTREGA DOS PRÉMIOS 2014 Fotografia de: Ana Borba

A Secção de Mini-Veleiros do Clube Naval da Horta procedeu este domingo, dia 08 de março, à entrega dos prémios das provas referentes a 2014, num ambiente agradável e descontraído, acompanhado por um beberete. Os prémios em questão diziam respeito aos seguintes trofeus: • Troféus Semana do Mar, que teve como vencedor Eduardo Pereira. • Nossa Senhora de Lourdes, que teve como vencedor António Pereira. • Aniversário do CNH, que teve como vencedor Hedi Costa. • Varadouro, que teve como vencedor Nuno Costa. • Turismar, que teve como vencedor Hedi Costa. Prémios entregues pelos membros da Direção, José Ávila Menezes e Ricardo Lacerda, e pelo coordenador-técnico da Secção, João Nunes. 18

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MINI-VELEIROS: 1ª PROVA DO TROFÉU OURIVESARIA OLÍMPIO Fotografias de: Ana Borba

Realizou-se na tarde deste domingo, dia 15, a 1ª Prova do Troféu Ourivesaria Olímpio, que havia sido adiada devido às condições atmosféricas do domingo anterior. O vencedor da prova foi João Nunes, ficando José Gonçalves em segundo lugar e António Pereira em terceiro. A tarde contou com questões técnicas do funcionamento dos barcos e com momentos pontuais de vento e chuviscos, mas mesmo assim o grupo manteve-se determinado, proporcionando um convívio animado e festivo entre os presentes.

MINI-VELEIROS: 2ª PROVA DO TROFÉU OURIVESARIA OLÍMPIO Foto de arquivo

Realizou-se na tarde deste domingo, dia 29, a segunda prova a contar para o Troféu Ourivesaria Olímpio. João Nunes, vencedor da primeira prova, voltou a repetiu o 1º lugar, com 9 pontos. Hedi Costa, com 12 pontos, ficou em segundo, e Eduardo Pereira em terceiro, com 13 pontos. As condições meteorológicas revelaram-se perfeitas para a prática da atividade, com boa aragem e vento por vezes variável, sendo desafiante para os velejadores. A prova contou com grande assistência de atletas visitantes do EDP – X Campeonato de Portugal de Juvenis, que se realizou na Horta entre 24 e 28 de março, ainda presentes na ilha. A próxima prova, a terceira a contar para o Troféu, está já agendada para 12 de abril.

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UTENTES DA APADIF – MOVIMENT’ARTE NA SUA ACTIVIDADE SEMANAL DE VELA NO CLUBE NAVAL DA HORTA Fotografias de: Cristina Silveira

No mar aprende-se a velejar e em terra a pedagogia vai no sentido da responsabilidade, lavando e arrumando o material

A actividade decorre habitualmente às segundasfeiras e contempla um grupo de manhã e um à tarde. Ao todo, foram 12 os utentes da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF) - Moviment’arte, que estiveram no Clube Naval da Horta (CNH) a aprender a velejar, crescendo e convivendo, dentro e fora do mar.

No seguimento das actividades programadas, foi possível observar na tarde desta segunda-feira (dia 09), o empenho e entusiasmo de um grupo de utentes da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF) - Moviment’arte, nas suas actividades semanais de Vela, no Clube Naval da Horta (CNH). Depois da parte destinada à aprendizagem no mar, foi tempo de lavar e arrumar os barcos no armazém do CNH, onde se notou camaradagem e disciplina, sobressaindo a responsabilidade. O grupo da tarde era composto por 6 utentes, que se faziam acompanhar de Marlene Pereira, Assistente de Educação, de Nilzo Fialho, Técnico da APADIF, e do Treinador e Responsável pelo Projecto da Vela para pessoas com mobilidade reduzida do CNH, João Duarte. Refira-se que na manhã deste dia, outro grupo da mesma instituição e com igual número de elementos, tinha feito actividade semelhante, tendo como Assistente Tânia Silva. Recorde-se que o Clube Naval da Horta é parceiro da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial, uma instituição com 21 anos de existência e 4 valências: Centro de Dia para Idosos, na Conceição; ATL para Crianças na Escola da Volta, nos Flamengos; Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil (CDIJ) e Moviment’arte, apoiando cerca de 200 utentes, graças ao trabalho de 27 funcionários.

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ENTREVISTA AO CAMPEÃO REGIONAL DE OPTIMIST DOS AÇORES - TOMÁS PÓ, DO CNH Fotografias cedidas por: Tomás Pó

Continuar a evoluir, voltar a ser Campeão Regional e ter um bom desempenho no Campeonato de Portugal de Juvenis - Optimist, tanto este ano como no próximo, são, para já, as ambições deste velejador do Clube Naval da Horta (CNH). “Fico muito contente pelo Clube e acho, sinceramente, que já era tempo de ganharmos”

Tomás Rodrigues Pó nasceu em Lisboa, há 13 anos, mas desde o início de 2009 que se mudou com a família para o Faial. Frequenta o 7º ano de escolaridade e começou a praticar Vela no Verão de 2009, no Clube Naval da Horta (CNH). Diz que gosta de morar no Faial, mas se pudesse levava algumas coisas da ilha para Lisboa e trazia outras de lá para cá. “A ilha precisava de ser alargada e de ter um Centro Comercial onde eu pudesse, por exemplo, ir ao cinema ver a estreia desta quinta-feira, que só vai chegar ao Faial muito mais tarde”, exemplifica Tomás Pó, para logo acrescentar: “Digo isto, mas a verdade é que não precisamos de um Centro Comercial, não é fundamental”. Enquanto isso não acontece, a solução é aproveitar o melhor dos dois lados, sempre que isso lhe é permitido.

Ser Campeão significa ter a responsabilidade de manter os resultados na próxima época e revalidar o título

Fazendo jus ao que de bom existe por cá, vamos falar de Vela e de mar e… de títulos! Toda esta conversa vem a propósito de Tomás Pó se ter sagrado Campeão Regional dos Açores de Vela Ligeira na Classe Optimist, um apuramento resultante de três Provas do Campeonato Regional (PCR), realizadas no Pico e em São Miguel. A primeira decorreu em São Roque (04 e 05 de Outubro de 2014), onde ficou em 4º lugar; a segunda em Vila Franca do Campo (07 e 08 de Fevereiro de 2015), em que foi vencedor, e a terceira em Ponta Delgada (21 e 22 de Fevereiro de 2015), tendo também alcançado o 1º lugar do pódio. Tal como de outras vezes, foi de forma muito adulta e responsável que este pequeno grande velejador, sempre bem disposto, falou, revelando a maneira como lida com o novo título, os sacrifícios que faz diariamente e as ambições que tem para a sua “carreira” como velejador do Clube Naval da Horta. Além da simpatia que irradia e do discurso ritmado e consentâneo – até parece que se tinha preparado, quando, em abono da verdade, sabemos bem que foi apanhado de surpresa – este adolescente é um exemplo de como a vontade pode vencer, tendo sempre como objectivo melhorar e evoluir. A sua humildade e persistência são exemplos a seguir quando as palavras de ordem são: treinar, aprender, cumprir e… naturalmente ganhar! E as vitórias fazem-se de pequenas batalhas que, somadas, permitem alcançar conquistas dentro e fora da água. Sim, porque um bom velejador é, primeiro do que tudo, um cidadão consciente e responsável que, na senda da modalidade, cresce de forma pessoal e desportiva.

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- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Qual a sensação de ser o novo Campeão Regional dos Açores da Classe Optimist? Tomás Pó: É uma sensação normal. O que muda é a responsabilidade de manter os resultados na próxima época e revalidar o título. Ser Campeão Regional é algo que já passou. O que interessa agora é o Nacional de Optimist, que está cada vez mais próximo, e onde pretendo dar o meu melhor. “Quando se é Campeão Regional, poderemos ser tentados a dizer que foi fácil, mas enquanto não se chega lá, é difícil”

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Qual a importância de seres o primeiro velejador do Clube Naval da Horta a ganhar o

Campeonato Regional em (quase) 10 anos? Tomás Pó: É um sentimento agridoce. Naturalmente que me sinto contente, mas acho que é um bocado mau ter passado tanto tempo sem o CNH ter arrecadado este título. Fico muito contente pelo Clube e acho, sinceramente, que já era tempo de ganharmos. A última pessoa que conseguiu esta conquista foi o João Morais, mais conhecido como o “Ratinho”, que foi meu Treinador (estava em Estágio) no primeiro ano em que pratiquei Vela. Penso que ele ficou contente por saber que fui eu a conseguir esta vitória, pois é como se eu tivesse herdado o título da pessoa que me ajudou a perder os medos desta modalidade. Ele deu-me confiança. O apoio que ele me deu é algo que só consegui valorizar mais tarde. Mas sem dúvida que foi muito importante. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Foi fácil chegar até aqui? Tomás Pó: Quando se é Campeão Regional, poderemos ser tentados a dizer que foi fácil, mas enquanto não se chega lá, é difícil. Tive de treinar 3 e 4 vezes por semana com o Treinador Duarte Araújo, o que representou um esforço adicional, em vez de, por exemplo, ter ficado co- ”Foi um salto grande na minha vida descobrir a Vela e ganhar modamente em casa a ver televisão. Mas a ver- através dela” dade é que depois fico contente por ver que fui recompensado pelo esforço que fiz. É bom!

títulos

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Para ti, o que representa a Vela? Que mudanças provocou na tua vida? Tomás Pó: Quando vim para o Faial, em 2009, nem sequer tinha a noção do conceito “Vela”. Nem sabia que havia uma Classe chamada Optimist. Via os veleiros nas revistas, mas não estava por dentro de nada deste mundo. Foi um salto grande na minha vida descobrir a Vela e ganhar título através dela. Mas, como em tudo, há implicações. Por exemplo: Vou para uma PCR na sexta-feira e só regresso segunda de manhã, com a agravante de ter um teste na terça. Estou rebentado e só me apetece dormir, mas tenho de estudar e manter a média. Neste momento não figuro no Quadro de Excelência da Escola, mas não posso culpar a Vela por isso. Há cortes que se reflectem na vida escolar, mas é super-bom ouvir os outros nos dizerem várias vezes: “Parabéns! Parabéns! Parabéns!...”. A medalha tem duas faces. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quantas vezes treinas por semana? Tomás Pó: Normalmente, treino 3 dias, mas ultimamente isso só tem acontecido 2, porque tenho tido testes. Faltei às aulas durante algum tempo por causa da minha participação nas PCR e agora tenho estado a compensar. Tenho tentado nivelar as coisas na Escola e na Vela.

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- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Consegues gerir o teu tempo entre Escola, Vela e vida familiar e social? Tomás Pó: Sou organizado. Não tenho muitos problemas na gestão do meu tempo. No meu grupo de amigos, ainda há aqueles que não vêem a Vela como um desporto de dispêndio físico. Acham que isso só acontece no futebol, onde há caneladas, pontapés e alguma violência. Por vezes, à segundafeira chego à Escola estafado e quando é tempo da aula de Educação Física, se por acaso é mais puxada, não consigo fazer tudo. E é aí que alguns não percebem como é que eu estou cansado se o meu desporto é a Vela. Mentalidades que revelam desconhecimento. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Além da Vela, houve outros desportos na tua vida? A Vela é prioritária? Tomás Pó: Pratiquei Andebol no 5º ano. A época passada, como fui Vice-Campeão no Regional, tinha muita pressão em relação ao que ia acontecer esta temporada, mas correu bem e deu para ser Campeão. Também pratiquei Natação, mas teve de ser posta de lado, pelo facto de os treinos coincidirem com os da Vela. Ando a aprender Guitarra no Conservatório. Vou tentando conciliar tudo isto, mas sei que daqui a algum tempo vou ter de fazer opções, pois quando queremos dedicar-nos a 100% a uma área, não é possível fazê-lo com tanto esforço extra, repartido por várias outras. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais os teus objectivos enquanto velejador? Tomás Pó: Bom, de imediato tenho o Campeonato de Portugal de Juvenis - Optimist, que é já de 24 a 28 deste mês. O Estágio que fiz por altura do Natal, na Base Naval do Alfeite, deu para ver o nível de alguns atletas nacionais, mas não de todos. Vou para esta competição com a ambição de dar o meu melhor e de ficar nos 60 primeiros. Mas a minha ideia é: treinar sempre e de cabeça erguida, com os pés bem assentes na terra e objectivos definidos. Ser Campeão Regional nos Açores não é o mesmo que ser na Região Norte ou Centro do país. Estamos num patamar inferior, logo à partida pela redução numérica e nível competitivo. Gostaria de, na próxima época, revalidar o título, passando a ser bi-Campeão Regional. Mas sei que para isso ser uma realidade vou ter de trabalhar afincadamente. Há muita coisa a melhorar. Resumindo: o que pretendo é continuar a evoluir, voltar a ser Campeão Regional e ter um bom desempenho no Nacional, tanto este ano, como no próximo.

“É preciso ter consciência de que vão estar no Faial os 120 melhores de Portugal. Como tal, vai haver muita competitividade”

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como encaras o Nacional de Optimist? Tomás Pó: Acho que evoluí em relação ao último Nacional e sinto-me melhor preparado, mas tal como melhorei, o mesmo há-de ter acontecido aos outros, que poderão estar num nível superior e ter uma boa prestação. É preciso ter consciência de que vão estar no Faial os 120 melhores de Portugal. Como tal, vai haver muita competitividade. No ano passado fiquei na 89ª posição. Ficar entre os 60 primeiros é um pequeno objectivo. É preciso ir de cabeça fria e dar o máximo. A meta é evoluir e progredir na minha “carreira” como velejador.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Achas importante este evento de âmbito nacional ter como palco a ilha do Faial? Porquê? Tomás Pó: Sim, acho muito importante, pois é uma oportunidade de dar a conhecer a outros atletas o nosso mar e as condições adversas do Inverno rigoroso que temos. Ao mesmo tempo, terão também a possibilidade de conhecer uma parcela dos Açores e de ter o Pico como principal vista. Vai ser muito bom para o Clube Naval da Horta a organização deste evento, o que possibilita o conhecimento e a divulgação não só do Clube, mas também da ilha, sobretudo aos que não nos Ir_ao_mar

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conhecem muito bem. Este Campeonato Nacional de Optimist tal como o Campeonato Nacional de Access, realizado em 2014, no Faial, e também organizado pelo CNH, são sempre positivos para a promoção local. É importante os de fora ouvirem o nosso nome e saberem onde fica o Clube Naval da Horta, a Cidade da Horta e a Ilha do Faial. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Qual a principal dificuldade dos velejadores açorianos na frota nacional? Tomás Pó: As largadas. Nesse aspecto, o nosso nível é bastante inferior. E porquê? Porque temos poucos velejadores. Esta situação já melhora bastante quando estamos a falar de um Campe“Acho que evoluí em relação ao último Nacional e sinto-me melhor preparado” onato Regional. Este agora teve cerca de 55 barcos, o que é muito bom quando comparado com o que temos habitualmente no Faial. Precisamos é de pessoas e de lutas para nos prepararmos. Os atletas nacionais desenrascam-se muito bem nas largadas, porque estão habituados a muita gente. Falta-nos isso. O Duarte Araújo aconselha-me sempre a ter cuidado nas largadas, o que é fundamental numa regata.

ENTREVISTA AOS VENCEDORES DO CNH DO 2º LUGAR DO PÓDIO NO CAMPEONATO REGIONAL DE VELA LIGEIRA DOS AÇORES Classe 420: Ricardo Silveira/Tiago Serpa: “Faz-nos falta adversários e competições para evoluirmos” Ricardo Silveira e Pedro Costa Tiago Serpa Fotografias de: Cristina Silveira

Classe Laser: Pedro Costa: “A minha vida é Escola e Vela”

A Vela faz parte da vida deles e a verdade é que fazem sacrifícios para serem cumpridores no que aos treinos diz respeito. São atletas do Clube Naval da Horta (CNH) e lamentam não terem, localmente, instituições que possibilitassem a existência de adversários e competições para puderem evoluir na modalidade. Acederam partilhar as suas experiências, recordando as posições alcançadas no Campeonato Regional de Vela Ligeira dos Açores, composto por 3 Provas. Ricardo Silveira e Tiago Serpa formam uma dupla na Classe 420 e conquistaram o 2º lugar do pódio a nível Açores. Pedro Costa é velejador da Classe Laser e também ficou em 2º lugar a nível Regional. Se a estes resultados somarmos o título de Campeão Regional dos Açores na Classe Optimist, alcançado pelo atleta Tomás Pó, também do CNH, percebemos que os velejadores do Clube Naval da Horta levam este desporto muito a sério, orgulhando as cores que representam. Ricardo Alexandre Costa Ávila da Silveira nasceu na Horta, tem 15 anos de idade e frequenta o 10º ano de escolaridade, na área de Ciências. Ainda não sabe o que quer ser profissionalmente, mas adianta que gostava de enveredar por uma carreira ligada ao mar. Pratica Vela há aproximadamente 5 anos e recorda que tudo começou por uma experiência numas Férias Desportivas, Programa anual que o CNH leva a efeito ao longo de todo o mês de Julho. 24

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Tiago Luís Serpa nasceu na Horta, tem 15 anos de idade e frequenta o 9º ano de escolaridade. Mesmo sem ter definido o caminho profissional que quer seguir quando for grande, bom, grande é como quem diz, porque grande já ele é, não tem dúvidas em afirmar que gostava de estar ligado à área marítima. Para ele, a Vela começou em 2008 através do desafio de um amigo e do incentivo da mãe. E o bichinho ficou. Pedro Mendes Costa também nasceu na Horta, há 17 anos, e frequenta o 12º ano de escolaridade. Pretende seguir engenharia mecânica e conciliar a Vela com os estudos universitários pois, caso contrário, seria deitar por terra todo o trabalho que tem vindo a fazer há quase uma década. Ao frequentar as Férias Desportivas aperceberam-se de que o miúdo tinha jeito para a modalidade e convidaram-no a integrar as fileiras da Escola de Vela do CNH. A relação manteve-se e consolidouse ao ponto de hoje a vida deste jovem girar muito à volta deste desporto. Nota-se que os três são amigos, trocam piadas entre si à medida que a conversa se vai desenrolando e picam-se uns aos outros, no bom sentido, porque se conhecem, treinam juntos, andam na mesma Escola e o universo faialense é pequeno. Chegam quase ao mesmo tempo, ouvem as respostas uns dos outros, riem-se, e num misto de descontracção e entrevista séria, vão desvendando os prós e os contras do seu desporto preferido. Ricardo começa as frases que são terminadas por Tiago, que funciona como suporte no barco e na conversa. São divertidos e complementam-se, pois o Ricardo lança o tópico e o Tiago desenvolve, de forma reflectida e pormenorizada. Afinal, eles formam uma dupla, única e especial no CNH. Trocam olhares cúmplices e quando se lhes pergunta o que seria ideal, riem ainda mais, para rematar com ar de sonho: barcos novos, velas novas e… um treinador pessoal, não era, pergunta Pedro Costa, com um sorriso matreiro e os olhos postos no telemóvel. Apresentam-se de forma descontraída e vão fazendo um ping-pong entre as respostas e as deixas à parte até, porque, a jornalista os deixa à vontade e eles agem como se estivessem em sua casa e estavam mesmo, porque o Clube Naval da Horta é a casa destes atletas. E eles sabem-no e sentemno e o CNH também. É esta reciprocidade que que faz o Clube ser dos atletas e os atletas do Clube. Quando chega a vez de Pedro falar, o discurso está engatilhado e nota-se que ele dá o corpo ao manifesto e não deixa os créditos por mãos alheias. Mesmo a sorrir, tem ar de quem não brinca em serviço, deixando antever que é severo consigo próprio, porque trabalha por objectivos. Foi muito agradável entrevistar estes jovens, simpáticos, promissores, com estilos diferentes, mas unidos pelo ideal da Vela e amanhã, mesmo em diferentes destinos terão sempre este marco formativo e vínculo desportivo, coroado pela amizade e pelas vitórias, no pódio e fora deste. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Estavam à espera deste 2º lugar no Regional? Ricardo Silveira: Sim. Tiago Serpa: Sim, estávamos, porque já tínhamos alcançado o 2º lugar tanto na 1ª Prova do Campeonato Regional (PCR) como na 2ª. Portanto, estávamos seguros desta vitória, pela qual trabalhámos. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as vossas expectativas nesta modalidade? Ricardo Silveira: Evoluir, ter uma boa prestação no Nacional, onde o nível é bastante elevado. Tiago Serpa: Atingir um nível que se possa comparar ao que se verifica a nível nacional. Sabemos que não vai ser fácil, mas já tivemos a delinear estratégias com o nosso Treinador, Duarte Araújo. Pretendo aprender o máximo, porque num Nacional o nível está claramente acima do nosso. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: A Vela é…? Ricardo Silveira: Uma parte importante da minha vida. Comecei nos Optimist e tenho vindo a praticar por gosto, sem imposição de ninguém. Posso dizer que a Vela é uma experiência de vida. Tiago Serpa: Começou por ser um passatempo, mas agora pondero fazer uma carreira na Vela. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já praticaram outros desportos? Ricardo Silveira: Natação e Esgrima, mas eram muito monótonos. Cada vez que vou para o mar é um dia diferente, com ritmo. Não há dois dias iguais e isso é muito positivo. Tiago Serpa: Na Escola pratiquei Futebol e Andebol. Actualmente também faço Natação no CNH, mas por ter problemas de saúde (coluna). Apesar de não ser nos moldes de competição, a verdade Ir_ao_mar

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é que me ajuda bastante na Vela em termos de resistência.

“Na Vela não há monotonia”/”A Vela faz parte da minha vida” Fotografias de: Duarte Araújo

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Que dificuldades sentem? Ricardo Silveira: Na vertente física e técnica. É preciso mais treinos e ganharmos mais resistência. Enquanto dupla, é muito importante a sincronização. Tiago Serpa: Agora já estamos mais coordenados como dupla. Já consigo controlar ou prever certas atitudes do Ricardo. Nem sempre é fácil encontrarmos tempo para treinar juntos. Embora haja aspectos que possamos treinar de forma individual, a verdade é que na maioria das vezes trabalhamos juntos. O treino em equipa é melhor, pois competimos sempre em equipa.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Não é difícil velejar a dois? Ricardo Silveira: Tem aspectos bons e menos bons. Daí, eu sublinhar a importância da sincronização. Na Classe 420 estamos a falar de um barco mais técnico do que o Laser, por exemplo, em que o equipamento ajuda muito, mas exige afinação e sincronização entre o timoneiro e o companheiro. Tiago Serpa: O Treinador Pedro Cipriano é que me incentivou a fazer 420 com o Ricardo, devido às nossas características. Apesar de a Vela ser considerado um desporto mais solitário, gosto de fazer em equipa. NaturalFotografia de: Duarte Araújo mente, que por vezes seria bom fazer Vela sozinho, mas o facto de nos conhecermos ajuda a perceber a reacção que o outro vai ter. Tiago Serpa e Ricardo Silveira: “Enquanto dupla, é muito importante a sincronização” Este é o 2º ano em que praticamos Vela como dupla. Tem de haver um grande entendimento entre nós os dois. No início foi preciso muito empenho para nos adaptarmos, mas agora já nos conhecemos melhor.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que faz falta? Ricardo Silveira: Mais material, o qual se desgasta muito; mais dedicação por parte dos velejadores no que toca ao cumprimento dos treinos; mais tempo de treino e mais competição. Estamos muito sozinhos neste aspecto. Precisamos de treinos mais intensivos a nível físico e técnico. Tiago Serpa: Concordo com o que o Ricardo disse. O facto de o nosso material estar desgastado é penalizante para nós em termos de resultados. Naturalmente que o material não pode ser responsabilizado quando não ganhamos, mas é um factor a ter em conta. Além de tudo o que foi referido, também faz falta uma loja no Faial com material específico para a Vela que, por ter de vir de fora, chega cá a preços mais elevados. Considero que em termos de treinos, o Treinador é exigente e puxa por nós, mas a verdade é que sem treinos não conseguimos nada. Portanto, temos muito que trabalhar. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Conseguem conciliar a Vela com as outras actividades da vossa vida? Ricardo Silveira: Tenta-se fazer o melhor, numa perspectiva de equilíbrio. Está tudo estruturado 26

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em termos de tempo. Temos treinos de manhã e à tarde ao sábado, e sempre que há disponibilidade nos horários do Treinador e Monitor. Tiago Serpa: Sim, dá para conciliar tudo. As notas são boas. Os sábados são passados no Clube, a treinar, e parte do domingo também. Aproveitamos para treinar mais quando os dias começam a ficar maiores. Em termos de hobby, toco guitarra, encontro-me com os meus amigos e consigo gerir bem o meu tempo. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que representa a Vela para ti? Pedro Costa: É como se fosse um estilo de vida. Levo este desporto muito a sério e trabalho por objectivos. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Este 2º lugar no Regional constituiu uma surpresa? Pedro Costa: A frota estava bastante competitiva, pelo que não estava nada a contar com esta classificação. No entanto, sabia que tinha treinado para alcançar bons resultados. Estou satisfeito com a 2ª posição, porque representa uma vitória, mas naturalmente que gostava de ter ficado em 1º lugar. Na minha Classe (Laser) é preciso força física. Conta mais o velejador e menos o barco, mas a frota é mais competitiva do que no caso do Ricardo e do Tiago, porque tem mais gente a praticar.

Fotografia de: Duarte Araújo Pedro Costa: “Faço sacrifícios por causa da Vela, mas sinto-me compensado”

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as tuas ambições na Vela? Pedro Costa: Vou ao Nacional, em Abril próximo, e espero ficar nos primeiros 10 classificados. Em 2014 fiquei na 19ª posição, mas acho possível esta minha ambição porque melhorei muito desde o ano passado. Tenho treinado e me esforçado mais. Tive mais competição e colegas a puxarem por mim, o que me ajudou bastante. Gostava de manter a prática mesmo quando for para a universidade. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Que dificuldades sentes na Vela? Pedro Costa: Seria bom termos mais material no Clube. A Vela requer muito tempo e trabalho. Faço sacrifícios por causa da Vela, mas vale a pena. Sinto-me compensado. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já praticaste outros desportos? Pedro Costa: Natação, no CNH, mas abandonei para poder ter mais tempo para estudar. Fui o Melhor Aluno do 11º ano em 2014. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que fica para trás por causa da Vela? Pedro Costa: Por exemplo, passear ao fim-de-semana com a família, ver televisão. Ao tempo que isso não acontece! A

Fotografia de: Duarte Araújo “A Vela é como se fosse um estilo de vida”

minha vida é Escola e Vela. A Vela dá e tira. Um aspecto positivo é o facto de ter grandes amigos nas várias ilhas, por causa da Vela.

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ENTREVISTA A DAVID ABECASIS DO CNH, VELEJADOR DA CLASSE SNIPE Fotografias de: José Camelo

David Abecasis, velejador do Clube Naval da Horta (CNH) da Classe Snipe, faz dupla com Miguel Guimarães e a actividade desportiva destes atletas tem vindo a ser acompanhada pelo Gabinete de Imprensa da casa. Por isso, a passagem de David Abecasis pelo Faial foi uma excelente oportunidade para fazermos o ponto da situação ao desempenho desportivo destes velejadores, paralelamente à conversa mantida com o Presidente da Direcção do CNH, José Decq Mota. David Abecasis e Miguel Guimarães, velejadores do CNH: uma dupla muito empenhada, que sonha com o Campeonato da Europa e do Mundo

David Abecasis, velejador do CNH, tem uma relação com o Faial que faz questão de manter

David Abecasis: “Eu e o Miguel ambicionamos chegar ao Europeu e Mundial e vamos trabalhar para isso”

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: A passagem pelo Faial é sempre muito preenchida? David Abecasis: Muitíssimo! Tenho uma ligação ao Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) desde o tempo em que trabalhei cá, entre 2003 e 2005, e tenho tentado mantê-la. Foi nessa altura que dei aulas de Vela no Clube Naval da Horta e, durante um Verão, também trabalhei para o Norberto Diver, como guia de mergulho e skipper. Tento vir ao Faial todos os anos, em trabalho ou em férias. Sou biólogo marinho e neste momento estou a acabar o primeiro ano do Pós-Douramento nesta área, com foco nas Áreas Marinhas Protegidas. No entanto, como ainda me faltam mais 2 anos, certamente que vai ser necessário vir cá mais vezes, o que é sempre bom.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como decorreu a última regata, que constituiu a estreia Fotografia de: Cristina Silveira do vosso barco novo? David Abecasis: A nossa última prova foi o Torneio de Carnaval, que decorreu de 14 a 16 de Fevereiro passado, em Vilamoura. Tratou-se de um Campeonato de 3 dias. Fizemos uma regata no sábado, três no domingo e três na segunda-feira. Esta prova foi a estreia do barco novo em competição e posso dizer que gostámos bastante. Tivemos indicadores muito bons sobre a nossa nova máquina. Uma das nossas dificuldades em anos anteriores tinha sido andar à popa e ao largo contra os nossos adversários. Tínhamos dificuldade em manter os lugares; normalmente acabávamos por perder um bocadinho, porque o barco antigo tinha menos velocidade do que os dos outros velejadores. Mas agora estamos em pé de igualdade. Até sentimos que, nalgumas situações, o barco estava um pouco mais rápido do que os dos outros e isso deu-nos alento. Foi muito bom ver que o nosso novo barco está adaptado ao que são as nossas exigências e necessidades. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Não são necessárias pequenas afi28

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David Abecasis: “A s radagem engraçada


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nações? David Abecasis: Sim, claro que sim. Há pequenas coisas que vamos ter de alterar ainda, mas são pormenorzinhos. O barco está aprovado para fazer regatas. Ficámos em 2º lugar neste Torneio do Carnaval. A nossa dúvida era perceber se o barco iria ser mais rápido aos largos e às popas, o que se confirmou. Certamente que temos barco para os próximos anos.

Torneio de Carnaval, em Vilamoura: “Tivemos indicadores muito bons sobre o nosso novo barco”, salienta David Abecasis

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que se segue no vosso calendário de provas, sempre muito preenchido? David Abecasis: Deveríamos ter ido a Espanha participar no Trofeo Cholo Armada, que decorreu nos dias 14 e 15 deste mês, mas como eu estava no Faial e o Miguel recebeu uma nova proposta de trabalho, não nos foi possível ir. Esta competição tem um sabor especial para nós, porque fomos vencedores em 2014 e uma das características desta prova é que, quem ganhar três vezes consecutivas ou cinco alternadas, ganha o Troféu. E como já tínhamos ganho no ano passado, estávamos a pensar aproveitar a embalagem com o objectivo de alcançar uma segunda vitória consecutiva. A regata que se segue será nos dias 18 e 19 de Abril, em Cascais. Trata-se da primeira prova de apuramento nacional, que conta para o Ranking Nacional e que vai definir as equipas de velejadores que irão ao Mundial. Um dos nossos objectivos é ficar nos três primeiros do Ranking Nacional, já que nos últimos dois anos ganhámos este Ranking. Vamos ver se este ano repetimos ou se ficamos nos primeiros três lugares para termos acesso ao Mundial, uma das nossas grandes ambições.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Em termos nacionais, o que falta no vosso palmarés? David Abecasis: Ainda nunca ganhámos o Campeonato Nacional de Snipe. É apenas uma prova com essa designação e está sempre presente nos nossos objectivos. No primeiro ano que começámos a fazer Snipe, ficámos em 2º lugar, e até à última regata tivemos sempre hipótese de ganhar o Campeonato, mas não conseguimos. No ano passado, no Porto, as coisas não correram bem: deparámo-nos com condições adversas ao nosso barco (que estava muito desgastado e desactualizado), nomeadamente muita ondulação. Actualmente, já não temos esse problema, pois o nosso novo barco é igual ao de toda a gente de topo. Como tal, vamos ver se é este ano que conseguimos um título nacional nesta Classe. O Diogo Pereira e o Gonçalo Ribeiro, que foram os campeões nacionais no ano passado, formam uma dupla com quem treinamos muito. Como trabalham perto de nós, conseguimos conciliar os treinos e nos campeonatos quase sempre estamos juntos. Existe uma certa rivalidade entre nós, mas ao messensação que tenho é que nos damos bem com toda a gente e há uma cama- mo tempo somos amigos há perto de 30 anos. Conna Classe” seguimos separar as coisas: dentro da água somos Ir_ao_mar

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adversários e cá fora amigos. No ano passado, quando eles ganharam o Campeonato Nacional, foi óptimo para nós, sentimos uma grande alegria. Não fomos nós a ganhar, mas o facto de terem sido eles foi quase tão bom como se a vitória tivesse sido nossa. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Isso revela mesmo amizade! David Abecasis: Somos bons amigos. A sensação que tenho é que nos damos bem com toda a gente e há uma camaradagem engraçada. Existe muita competição em prova, mas depois somos todos amigos. Ainda agora no Carnaval cerca de 40 velejadores juntaram-se e foram jantar fora. Só isto mostra um pouco o espírito que existe nesta Classe. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O barco novo tem suscitado curiosidade? Esta dupla é agora mais temida? David Abecasis: A ideia que tenho em relação ao resto da frota em Portugal é que nós somos sempre apontados como um dos candidatos em qualquer campeonato nacional, assim como em alguns fora do país. O que eu e o Miguel sentimos agora foi muita curiosidade, por parte dos velejadores da Classe, em ver o nosso barco e, principalmente, em observar os sistemas que montámos, porque a maior parte dos sistemas foram pensados, desenhados e montados por nós. Tem havido muita curiosidade em ver o nosso barco e a forma como montámos todos os sistemas. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: E isso é bom? David Abecasis: É, porque demonstra que as pessoas acreditam no nosso trabalho e têm interesse por aquilo que fazemos. Se copiarem o que fizemos, é sinal de que gostaram daquilo que nós montámos e é motivo de satisfação para nós. O barco está exactamente como nós queríamos, com tudo à nossa maneira. Há pequenas coisinhas que ainda precisam de ser afinadas, mas isso é normal, vai sendo feito com o tempo. Estamos muito, muito, satisfeitos com o barco!

Nem sempre é fácil conciliar o trabalho com a modalidade, mas a paixão

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Depois da vossa experiência, acumulada ao longo de cerca de 30 anos, dos vários títulos alcançados, do barco novo, um investimento que saiu do vosso bolso, só está mesmo a faltar ganhar o Europeu e o Mundial… David Abecasis: É um sonho ganhar esses Campeonatos! Sabendo à partida que será muito ambicioso da nossa parte pensar que vamos conseguir ser campeões do mundo, a nossa expectativa passa por ficar nos 15/20 primeiros no Campeonato do Mundo mas, mesmo assim, é preciso trabalhar muito. Acreditamos que, se fizermos um bom plano de treinos até lá e as coisas nos correrem bem, com muito esforço temos condições para ficar nos 15/20 primeiros. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Há muita gente a trabalhar para o mesmo, com muitas condições… David Abecasis: Sim, além de haver muitos velejadores experientes, estamos a falar de uma Classe que permite a competição durante muitos anos. No Brasil, por exemplo, temos adversários com 50, 60, 70 anos, que já foram Campeões do Mundo (várias vezes) e Campeões da Europa, e hoje em dia, em determinadas condições, ainda conseguem andar na frente e dar luta a pessoas que começaram há pouco tempo. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Isso significa que esta dupla tem uma longa 30

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carreira à sua frente, certo? David Abecasis: Sim, sim. Temos um bom exemplo em Portugal, que é o Tiago Roquette, que ganhou o Nacional em 2013 – já ganhou 15 campeonatos nacionais – e anda nesta Classe há cerca de 30 anos. É sinal de que nós podemos andar ainda mais 15 ou 20 anos em Snipe e algum dia hão-de chegar os bons resultados. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: A vitória é sempre imprevisível, mesmo quando se pensa que temos tudo controlado? David Abecasis: Sim, e não há dois campeonatos iguais. Há campeonatos que nós ganhámos ou temos ganho, de vez em quando, com mais facilidade do que aquilo que estávamos à espera. Um bom exemplo disso foi o Trofeo Memorial Cholo Armada, no ano passado, em que a primeira regata não nos correu nada bem: as condições atmosféricas eram muito complicadas, caiu uma chuvada tremenda, o vento subiu para os 30/35 nós subitamente e deixámos de ver as bóias. Não estávamos assim tão bem classificados e, de repente, conseguimos fazer uma boa regata e acabámos por ganhar. O dia seguinte foi muito parecido e, no fim do Campeonato, em 5 regatas ganhámos 4 e tivemos um 2º lugar. Temos campeonatos em que andamos ali passo a passo e que nos dão um gozo enorme por lutar até ao fim.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Este ano há mais competições do que no ano passado? o pela Vela supera tudo! David Abecasis: Em termos de competições devem ser mais ou menos as mesmas do ano passado. Ainda não temos a confirmação de todas as regatas em Espanha. Talvez haja mais uma do que em 2014, mas em termos de campeonatos, o número vai ser parecido com o figurino anterior. Se formos apurados e tivermos a oportunidade de irmos ao Campeonato do Mundo, em Itália, de 19 a 26 de Setembro, poderá ser uma boa oportunidade para nos dedicarmos mais e fazermos uma boa época para chegarmos lá bem preparados. Quando fomos ao Campeonato do Mundo, no Brasil, há 2 anos, tínhamos a noção de que ia ser muito complicado, porque não tínhamos o nosso barco, íamos competir em condições completamente diferentes daquelas a que estávamos habituados, com calor, correntes diferentes, etc. As correntes dentro da baía do Rio de Janeiro são complicadíssimas! Nunca tinha visto nada assim. Havia lá estrangeiros, entre os quais alguns eram campeões do mundo, a tentar fazer esquemas daquilo, mas não é nada fácil. Não tínhamos tempo para nos prepararmos, porque isso implicava ir para lá 15 dias ou 3 semanas antes da competição para nos adaptarmos ao local, o que era sinónimo de gastar muito dinheiro, nem tínhamos o nosso barco. Tivemos sorte, porque o Miguel tem lá contactos e conseguimos arranjar um barco emprestado para treinar, mas não foi o mesmo com que fizemos a prova e esse só conseguimos experimentá-lo no próprio dia do Campeonato. Naturalmente que estas condições dificultaram muito o nosso desempenho. Com o nosso barco, a que já estamos habituados, o ritmo é diferente e sabemos melhor com o que podemos contar. Mas mesmo assim, é sempre uma incógnita, porque há aspectos que não controlamos. No entanto, essa é uma das características da Vela e é por isso que gostamos tanto desta modalidade. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: A vossa paixão pela Vela supera tudo? David Abecasis: Sim! Conciliar os treinos e as provas com a nossa vida profissional é complicado. Por vezes não conseguimos arranjar tempo para treinar e temos de fazê-lo na hora de almoço e sempre a correr. Daqui para a frente teremos de treinar aos fins-de-semana e aproveitar os fins de tarde, Ir_ao_mar

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quando os dias começarem a ficar maiores. É com muito gosto que fazemos isto. E é preciso ver que em Lisboa não temos as condições de que os velejadores dispõem no Faial. Lá, temos de ver a maré e perceber se a água não está muito baixa, pois se assim for, não conseguimos fazer descer o barco na rampa, que não funciona com todas as marés. E depois, no fim dos treinos, temos de voltar a ver se a maré está cheia para conseguirmos subir o barco na rampa, porque não pode ficar na água. Também temos de conciliar toda esta logística. É que até podemos ter tempo, mas se estas condições não estiverem reunidas, não conseguimos treinar. Mas mesmo assim, não é isto que nos demove de alcançarmos os nossos ideais na Vela. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: São convidados para participar em determinadas regatas? David Abecasis: Sim, por vezes isso acontece. Em Portugal, se um campeonato mais pequeno não reúne o número de barcos que a organização deseja, acontece sermos convidados a participar. É uma forma de atrair outros velejadores. Isso aconteceu em Dezembro último, na Regata promovida pelo Clube Náutico dos Oficiais e Cadetes da Armada (CNOCA), na Base Naval do Alfeite, que, afinal, não chegou a realizar-se devido ao tempo. Quando chegámos lá, muitas pessoas que estão a começar nesta Classe, foram ver o nosso barco, com muito entusiasmo por se tratar de um barco novo. Manifestavam interesse em ver o que se passava. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O número de praticantes da Classe Snipe está a aumentar? David Abecasis: Há cada vez mais gente nesta Classe. O Torneio de Carnaval, como não conta para o Ranking Nacional, é uma regata que nem costuma reunir muita gente. Em 2013 inscreveramse 10-15 barcos, e ganhámos, mas este ano, atingiram cerca de 30. No ano passado não participámos. Notámos agora que havia equipas novas e acredito que as regatas nacionais vão ter mais gente. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: A formação não está nos vossos horizontes? David Abecasis: Não temos tempo para ensinar. A família começa a crescer o que é sinónimo de mais obrigações e o tempo que nos sobra ou é para passar em família ou para dedicar à Vela. Portanto, não podemos pensar em mais nada! As pessoas novas que chegam à Classe vêm pedir-nos sugestões para afinações ou técnicas de condução. Há sempre pessoas a virem falar connosco, não só porque temos tido alguns bons resultados (embora haja gente com muito mais experiência do que nós, que até somos relativamente novos), mas também devido à profissão do Miguel, que está num ramo da náutica em que conhece muita gente: comercializa barcos. Ele já conseguiu cativar alguns dos seus clientes, das classes maiores para andar de Snipe, e há muitas pessoas que vão directamente falar com o Miguel, que é uma pessoa conhecedora e que gosta disto. Reconheço que é uma vantagem gostarmos tanto do mar e ambos estarmos ligados a esta área, em termos profissionais e desportivos.

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VELEJADORES DO CNH APRENDEM COM GENUÍNO MADRUGA, VISITANDO O RESTAURANTE E O BARCO DESTE NAVEGADOR Fotografias de: Duarte Araújo

Genuíno Madruga, que já foi Presidente da Direcção do Clube Naval da Horta, (CNH) é um homem viajado, um pescador experiente, um navegador famoso, um velejador reconhecido e um cidadão universal, com muitas histórias para partilhar após as duas voltas ao Mundo que fez a bordo do seu “Hemingway”. Portanto, nada mais natural do que os atletas da Escola de Vela do CNH terem passado a tarde deste sábado, dia 14, a aprender com quem sabe: primeiro no restaurante, repositório de lembranças das viagens, e depois no veleiro, companheiro de lágrimas, suor e vitórias! Os pormenores com Duarte Araújo, Treinador de Vela Ligeira do CNH. Os velejadores da Escola de Vela do CNH ouviram com muita atenção o navegador Genuíno Madruga, uma enciclopédia falante

Foram 16 os velejadores do Clube Naval da Horta (CNH) que, na tarde deste sábado, dia 14, embarcaram na aventura de conhecer um dos maiores navegadores dos Açores, de Portugal e do Mundo: o famoso Genuíno Madruga, nascido nas Lajes do Pico, mas desde há muito residente na vizinha ilha do Faial. Estamos a falar do navegador que deu duas voltas ao Mundo: uma em Vela e outra em Solitário, tendo a primeira decorrido entre 28 de Outubro de 2000 e 18 de Maio de 2002, com passagem pelo Canal do Panamá, e a segunda de 25 de Agosto de 2007 a 06 de Agosto de 2009, com passagem pelo temível Cabo da Ilha de Horn (extremo austral do Continente Sul-Americano), no sentido Este-Oeste. Este homem simples, mas rico e enriquecedor, fez-se ao mar pelas 09 horas do dia 28 Outubro de 2000 na concretização de um sonho e desafio que acalentava há muitos anos: circum-navegar o planeta a bordo do seu veleiro em fibra de vidro, com 11,1 metros, que baptizou como “Hemingway”, e que adquiriu na Alemanha, em Novembro de 1999. Genuíno Madruga é mais o parceiro das epopeias marítimas deste pescador, velejador, navegador: homem conhecido por ter sido o “Hemingway”: do mar! primeiro Português a dobrar o Cabo Horn, a 24 de Janeiro de 2008, navegando do Atlântico para o Pacífico, e o décimo lobo do mar a fazê-lo na história mundial da navegação à vela em solitário. Em 1975 teve o seu primeiro encontro com o escritor picoense Dias de Melo e foi também nesse ano que conheceu Marcel Bardiaux, protagonista de incríveis aventuras, tendo sido o 1º navegador a passar o Cabo Horn de Leste para Oeste, construtor do primeiro iate insubmersível em aço inox, com 4 voltas ao Mundo e 2 vezes feito prisioneiro pelos alemães na última Grande Guerra. Em 1998, deu-se o reencontro com Marcel Bardiaux, quando este contava já 88 anos. Conheceu pessoalmente muitos dos “aventureiros” que marcaram a história da Vela no século XX, tais como Francis Chichester e Éric Tabarly, mas foi Marcel Bardiaux quem exerceu maior influência Ir_ao_mar

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sobre Genuíno Madruga, ao longo das várias escalas que fez na Horta, enquanto o pescador ia amealhando economias para concretizar o seu objectivo de circum-navegar o globo terrestre. Genuíno Madruga criou uma nova maneira de estar na navegação, fazendo de ponte permanente entre os portugueses e o mundo, com a realização de directos, durante toda a viagem, para a rádio local da Ilha do Faial, Antena 9. Na senda dos bravos navegadores portugueses, fez questão de levar Portugal mais longe. Em cada porto realizou palestras, visitou locais de interesse histórico-cultural e transmitiu as sensações vividas para a sua Ilha, a sua Região e o seu País. Não esquecendo o seu passado de mestre pescador, em cada novo sítio auscultou os pescadores, tentando obter informações sobre as artes tradicionais, as espécies capturadas e outras curiosidades culturais. Simultaneamente, foi transmitindo os saberes açorianos e as formas de capturar pescado no Arquipélago dos Açores. Em 2002, quando terminou a sua primeira viagem, foi homenageado pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, pelas Câmaras Municipais de vários Concelhos dos Açores, incluindo as do Faial e Pico, e por outras entidades. No dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, a 10 de Junho de 2003, foi agraciado pelo Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. No dia 10 de Junho de 2009, foi editado o CD “Genuíno” constituído por músicas e poesias alusivas às viagens de circum-navegação deste navegador, entre as quais figura o poema propositadamente escrito por Dias de Melo, pouco antes de falecer. Em 2011, publicou o livro “O Mundo que eu Vi”, editado também em língua inglesa, com o título “The World as I Saw It”, apresentado em diversos locais a nível mundial. O relato desta tarde passada com Genuíno Madruga, que também já foi Presidente da Direcção do Clube Naval da Horta de 2003 a 2005 (instituição que ostenta à entrada duas placas com os feitos deste mítico velejador), foi feito pelo Treinador da Escola de Vela Ligeira do CNH, Duarte Araújo:

“Começámos no restaurante do Genuíno, onde este aventureiro tem os artefactos que foi coleccionando ao longo das suas duas viagens, com as histórias que os acompanham e, no final, passámos pelo barco a fim de todos ficarem a conhecer o local onde este mítico navegador passou mais de 40 meses em solitário. Desde que vim para a ilha do Faial, e por gostar tanto das aventuras que os navegantes que por aqui passam têm para partilhar, sempre procurei dar aos alunos da Escola de Vela do Clube Naval da Horta a oportunidade de interagirem com esses lobos do mar. E esse objectivo tem sido cumprido durante o último ano, tendo em conta que os velejadores do CNH têm realizado uma série de visitas a alguns dos barcos e tripulações que escalam o Porto e a Marina da Horta. No caso concreto do Genuíno Madruga, a ideia surgiu quando a Escola de Vela do Clube foi convidada para uma palestra de um navegador português que se

Foi importante os atletas da Escola de Vela do CNH perceberem as condições em que Genuíno Madruga realizou as suas duas viagens heróicas

Fonte da fotografia: http://www.genuinomadruga.com/ 34

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encontrava de passagem pela Horta. No entanto, como na altura a oportunidade não era a melhor, procurei compensar essa actividade com um velejador a sério da “casa”. O Genuíno é uma personagem incontornável na Vela Nacional e uma referência do Faial no Mundo. Como tal, tinha de acontecer alguma vez... e aconteceu agora! Participaram 16 velejadores da Escola de Vela, o Treinador e o Monitor. Parte dos atletas já tinha tido a oportunidade de visitar o barco do Genuíno e de assistir a algumas palestras do conhecido navegador Genuíno apontou os locais por onde passou nas suas duas viagens à volta do Mundo na Escola ou noutras instituições da cidade, mas desta vez tiveram uma palestra muito pessoal e vocacionada para velejadores. Ficaram muito contentes com as histórias partilhadas e participaram bastante e de forma muito interessada. Considero que aprenderam muita coisa importante para a vida pessoal e enquanto velejadores. O Genuíno teve a amabilidade de partilhar com todos a sua vasta experiência, deixando algumas dicas para quem se aventurar por aí fora. Certamente que esta iniciativa terá um reflexo na vida pessoal de cada um. O Genuíno é um cidadão muito querido no Faial, nos Açores, na comunidade náutica nacional e pelo mundo fora. Nem todos tinham consciência das dificuldades e do feito realizado, mas durante a palestra foram elucidados, apresentando questões importantes. Sendo a Marina da Horta uma localização importantíssima da náutica mundial, fervilhando de intensa actividade em muitos meses do ano, estas iniciativas aproximam Os atletas do CNH colocaram várias questões, demonstrando o seu interesse a realidade náutica de cruzeiro, assim como pelos feitos memoráveis deste mítico navegador as histórias que trazem de todo o mundo, às realidades de uma pequena ilha no meio do Atlântico. Nada melhor do que estrangeiros que dão valor ao Faial para os locais perceberem o privilégio que têm. No caso do Genuíno, é um homem da casa, mas que correu o mundo inteiro, duas vezes, e que tem uma grande qualidade de vida no Faial. Ver, ouvir e tocar é melhor do que ler, imaginar e sonhar. Este tipo de actividade ajuda estes velejadores a crescer, contribuindo para a sua formação. É esse o objectivo: apresentarlhes várias realidades. Não significa que tenham de as seguir, mas é importante conhecê-las, por forma a que possam construir a sua base de valores, e posso garantir que não têm desporto algum com uma base mais completa do que a Vela”. O Mundo que Genuíno Madruga viu e sentiu, trouxe cheiros e memórias eternas, constantemente partilhadas e recordadas Ir_ao_mar

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X SEMANA OLÍMPICA CADIZ - ANDALUZIA Fotografia cedida por: Rui Silveira

Rui Silveira, velejador do Clube Naval da Horta, participou na X Semana Olímpica em Cadiz, na Andaluzia. Ficou classificado em 9º lugar geral da sua classe, Laser Standard. No pódio, em primeiro ficou o italiano Alessio Spadoni, em segundo o argentino Julio Alsogaray e em terceiro o checo Viktor Teply. O campeonato correu bem para Rui Silveira, que considerou esta regata importante para tirar conclusões sobre o seu desempenho. É, além disso, uma prova que tem gosto especial em participar. Os cinco dias de provas, com 11 regatas no total, foram um bom ambiente de treinos para os desafios que se avizinham. No dia 5 de março, o velejador desloca-se para Palma de Maiorca, onde ficará a treinar durante todo o mês de março até ao início de abril, para participar no Troféu Princesa Sofia.

RUI SILVEIRA NA REGATA ARENAL TRAINING CAMP Rui Silveira, do Clube Naval da Horta: “A participação na Regata Arenal Training Camp constituiu um bom treino para o Troféu Princesa Sofia , que decorrerá de 31 de Março a 05 de Abril, em Espanha” Fotografia cedida por: Rui Silveira

“Decorreu bem e fiz boas regatas na geral”. É este o balanço que o velejador da Classe Laser Standard do Clube Naval da Horta (CNH), Rui Silveira, faz à sua participação na Regata Arenal Training Camp, que se realizou de 12 a 15 do corrente, em Palma de Maiorca, na Espanha. “No primeiro dia de provas, o vento esteve normal, no segundo não houve regatas devido à falta de vento e no terceiro esteve mais ou menos idêntico ao primeiro, com a particularidade de o vento ter estado mais inconstante”, explica o velejador do Clube Naval da Horta, salientando que “esta Regata constituiu um bom treino” para a 46ª edição do importante Troféu Princesa Sofia, que decorrerá no mesmo local, de 31 deste mês a 05 de Abril próximo, embora os preparativos arranquem já no dia 28. O velejador faialense ficou classificado na 12ª posição, num total de cerca de 50 atletas, portugueses e estrangeiros. Recorde-se que a Regata Arenal Training Camp foi organizada pelo RC Arenal, onde participaram os velejadores que se encontram em Estágio, em Palma de Maiorca. Este Estágio, em que também participa Rui Silveira, começou no dia 05 deste mês.

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DE 30 DE MARÇO A 04 DE ABRIL: RUI SILVEIRA, DO CLUBE NAVAL DA HORTA, PARTICIPA NO TROFÉU PRINCESA SOFIAWW, EM ESPANHA Fotografia cedida por: Rui Silveira

Rui Silveira: “Espero andar bem à Vela e fazer boas qualificações”

Começa esta segunda-feira, dia 30, em Palma de Maiorca, na Espanha, o Troféu Princesa Sofia, onde participa o velejador da Classe Laser Standard do Clube Naval da Horta (CNH), Rui Silveira. Esta competição, a principal da modalidade em Espanha, termina no próximo sábado, dia 04 de Abril. A organização do evento já registou mais de 1200 velejadores de 63 países para as 10 classes em disputa na edição deste ano, A propósito, o atleta faialense afirma sentir-se “bem” e com vontade de começar este desafio, onde estarão presentes os melhores velejadores da Classe. Rui Silveira encontra-se em Palma de Maiorca desde o dia 05 deste mês, onde participou num Estágio, que terminou esta sexta-feira, dia 27, e que serviu de preparação para esta prova. Questionado sobre as expectativas que tem para a 46ª edição do Troféu Princesa Sofia, o velejador do Clube Naval da Horta diz que pretende “andar bem à Vela” e “fazer boas qualificações”, o que acontecerá nos dois primeiros dias de competição. No último dia, defrontar-se-ão apenas os 10 melhores velejadores em prova. Refira-se que estão previstas 12 regatas para estes 6 dias de dura competição.

VELA LIGEIRA: REGATA DA PRIMAVERA REGISTOU LARGO NÚMERO DE PARTICIPANTES Fotografia de: Ana Borba

Realizou-se hoje, dia 22, a Regata da Primavera, uma Prova de Vela Local a contar para o calendário de 2015 do Clube Naval da Horta. A largada teve início às 11h e foram realizadas duas provas, com bastante vento e corrente à mistura. A Regata contou com a participação de cerca de 60 velejadores, locais e visitantes, aproveitando o facto de se encontrarem já em preparação na ilha mais de metade dos atletas esperados para o EDP – X Campeonato de Portugal de Juvenis. Foi possível, desta forma, dar uma oportunidade aos velejadores visitantes de testarem o Campo de Regatas em situação de prova antes do próprio Campeonato.

Pormenor dos prémios da Regata, elaborados pelos utentes da APADIF

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João Bolina, do Clube de Vela do Barreiro, foi o vencedor desta Regata da Primavera, sendo também o campeão nacional de Optimist em título. Em segundo lugar, ficou a velejadora Helena Simões, do Clube de Vela de Viana do Castelo e, em terceiro, Tomás Carreira, também do Clube de Vela do Barreiro. A atleta Helena Simões ganhou também o título de 1º lugar feminino.

Da esquerda para a direita: 3º lugar, Tomás Carreira, do Clube de Vela do Barreiro; 2º lugar, Helena Simões, do Clube de Vela de Viana do Castelo; 1º Lugar, João Bolina, do Clube de Vela do Barreiro. Helena Simões levou também o prémio de 1º Lugar Feminino

Quanto aos atletas do CNH em prova, Tomás Pó ficou classificado em 19º, Rita Branco em 25º, Mariana Luís em 29º e Jorge Pires em 45º. Os restantes velejadores foram desclassificados. Após a entrega de prémios, foi oferecido um lanche a todos os participantes da Prova.

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DE 24 A 28 DE MARÇO DE 2015, NA HORTA: CLUBE NAVAL DA HORTA ORGANIZA, EM PARCERIA COM A ARVA, O EDP - X CAMPEONATO DE PORTUGAL DE JUVENIS

A ilha do Faial acolhe de 24 a 28 deste mês, no período das férias da Páscoa, o EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis. O Clube Naval da Horta (CNH) é, em parceria com a Associação Regional de Vela dos Açores (ARVA), o organizador deste evento, que decorrerá no Campo de Regatas da Baía da Horta. Em competição estarão 120 velejadores, que se fazem acompanhar de Pais, Treinadores e Dirigentes. Este evento, uma iniciativa da Federação Portuguesa de Vela (FPV), conta com o patrocínio da EDP e o apoio da Fidelidade. No Clube Naval da Horta há muito que este importante Campeonato vem sendo preparado havendo, além do programa desportivo, uma componente social e de recepção àqueles que, oriundos de outras partes da Região e do País, dão corpo a esta competição. De realçar que esta é a única prova nacional destinada ao Escalão Juvenil que, anualmente, conta com mais de uma centena de atletas das 5 regiões do país. Recorde-se que o último Campeonato de Portugal de Juvenis realizado nos Açores foi no ano de 2008, tendo tido como anfitrião o Clube Naval de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel. À semelhança do que aconteceu em Julho de 2014, com o Campeonato Nacional da Classe Access, um sucesso a todos os níveis, a organização deste evento vem demonstrar, uma vez mais, a dinâmica, capacidade e o know-how do Clube Naval da Horta, um embaixador do Faial no Mundo e Prémio de Excelência Desportiva 2011.

DE 24 A 28 DE MARÇO, NA ILHA DO FAIAL: SETE VELEJADORES DO CLUBE NAVAL DA HORTA PARTICIPAM NO EDP - X CAMPEONATO DE PORTUGAL DE JUVENIS Fotografias de: Duarte Araújo O Campeonato Nacional de Optimist 2015 terá como pano de fundo a ilha do Pico

Rita Branco, Tomás Pó, Tomás Oliveira, Jorge Pires, Mariana Luís, Lucas Silva e Bernardo Melo. São estes os velejadores do Clube Naval da Horta (CNH) que vão representar esta instituição no EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis, que terá como Campo de Regatas a Baía da Horta, na Ilha do Faial. Todos garantem que vão dar o seu melhor, esperando ter uma boa prestação, mas conscientes do elevado grau de competitividade. O CNH é o clube organizador deste evento – a única prova nacional destinada ao Escalão Juvenil – onde são esperados mais de 120 atletas. Recorde-se que o último Campeonato de Portugal de Juvenis - Optimist, realizado nos Açores, foi no ano de 2008, tendo tido como anfitrião o Clube Naval de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel. Este evento, uma iniciativa da Federação Portuguesa de Vela (FPV), conta com o patrocínio da EDP e o apoio da Fidelidade. Aqui fica a apresentação de cada um dos 7 velejadores do Clube Naval da Horta: 42

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Rita Branco: 14 anos de idade Pratica Vela desde os 9 anos Primeira vez que participa num Campeonato Nacional da Classe

Rita Branco, Tomás Pó, Tomás Oliveira, Jorge Pires, Mariana Luís, Lucas Silva e Bernardo Melo: as esperanças do CNH no EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis

Tomás Pó: 13 anos de idade Pratica Vela desde 2009 Segunda vez que participa num Campeonato Nacional da Classe

Tomás Oliveira: 12 anos de idade Pratica Vela desde os 8 anos Primeira vez que participa num Campeonato Nacional da Classe

Jorge Pires: 13 anos de idade Pratica Vela desde há 2 anos Segunda vez que participa num Campeonato Nacional da Classe

Mariana Luís: 14 anos de idade Pratica Vela desde os 4 anos Segunda vez que participa num Campeonato Nacional da Classe

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Lucas Silva (em primeiro plano): 11 anos de idade Pratica Vela desde os 6 anos Primeira vez que participa num Campeonato Nacional da Classe

Bernardo Melo (em segundo plano): 11 anos de idade Pratica Vela desde os 5 anos Primeira vez que participa num Campeonato Nacional da Classe

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EDP - X CAMPEONATO DE PORTUGAL DE JUVENIS - TREINADOR DUARTE ARAÚJO: “OS VELEJADORES DO CNH VÃO APRENDER IMENSO” Fotografia cedida por: Duarte Araújo

Duarte Araújo: “Vai ser uma experiência fantástica para a Cidade e para o Clube Naval da Horta”

A poucos dias do início do Campeonato de Portugal de Juvenis - Optimist 2015, que tem como clube organizador o Clube Naval da Horta (CNH), o Treinador de Vela Ligeira, Duarte Araújo, dá a conhecer as suas expectativas sobre esta competição nacional, que decorrerá de 24 a 28 deste mês, na ilha do Faial.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as expectativas em relação a este Nacional de Optimist? Duarte Araújo: Em primeiro lugar, as minhas expectativas são as de cumprir, como Clube organizador, o que se espera de nós. Ainda que o Clube Naval da Horta tenha muita experiência a organizar outras actividades náuticas, na Semana do Mar e nas diferentes regatas oceânicas que chegam à Horta, somos algo inexperientes neste tipo de organização, já que nunca se realizaram aqui estes campeonatos. Temos feito o que está ao nosso alcance para contornar as dificuldades inerentes a tão prestigiante prova. Num cenário ideal, gostava que no mar se pudessem realizar todas as regatas programadas, que em terra os velejadores e treinadores tivessem todas as suas necessidades realizadas e que as famílias e os participantes levassem para casa uma experiência fantástica, ficando com vontade de cá voltar. No plano desportivo, temos vários velejadores do CNH apurados; alguns não teriam a hipótese de participar neste Campeonato se não se realizasse em casa. Deles espero que aprendam muito e encontrem a motivação para treinarem o melhor possível no próximo ano, para poderem voltar a participar. Temos outros, repetentes; estes têm treinado bastante e com muita motivação, espero deles um encurtamento de distância para a frota nacional, preferencialmente o apuramento para a frota de ouro, que são os 60 melhores do país. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Os velejadores do CNH estão bem preparados? Os treinos têm sido intensificados? Duarte Araújo: Depois do fim das provas de apuramento, os treinos em vez de intensificados foram reduzidos, primeiro porque ficámos sem barcos para treinar, pelo facto de estarem em São Miguel; depois porque devido às obrigações laborais do nosso treinador José Miguel Barros, nesta fase do ano não pode continuar a colaborar da mesma forma com as equipas do CNH. No entanto, devido à grande vontade dos velejadores, todos os treinos são aproveitados ao máximo. Alguns velejadores irão sentir enormes dificuldades com algumas condições de vento, mas isso faz parte do processo de aprendizagem. Espero que dêem o seu melhor quando as condições estiverem mais adequadas às suas capacidades técnicas e aproveitem para aprender com os melhores do país, com quem vão competir, o que é uma oportunidade muito rara cá. Outros estão mais preparados para disputar o Nacional, mas irão sentir também dificuldades em cumprir os seus objectivos, já que todos lutam muito para defender os seus lugares na classificação geral. Neste desporto nada aparece por acaso, é sempre com muita luta e trabalho que se consegue ganhar cada lugar na classificação. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as principais dificuldades que vão sentir? Duarte Araújo: Para os mais pequenos, o vento forte, as ondas grandes e o cansaço vão ser um desafio. Todos terão dificuldades nas largadas, rondagens de bóia e pequenos pormenores de colocação na 44

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frota, devido à pouca experiência que têm. Para os que já participaram no Campeonato do ano passado, será a construção de expectativas. Têm treinado bastante e investiram muitas emoções neste desporto e neste Campeonato. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Qual a importância de ser no Faial? O factor casa poderá ajudá-los? Duarte Araújo: Depende, depende principalmente das pessoas que rodeiam os atletas. Se, do ponto de vista náutico, o conhecimento do campo de regatas é um factor privilegiado, as expectativas sociais de um evento destes podem levar a criar expectativas irrealistas do conhecimento local versus capacidades técnicas, tácticas e físicas na frota nacional. Sempre que me perguntam isso lembrome da cobertura nacional dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos: todos os dias abrem os noticiários com eliminações de atletas, como se todos, por estarem nos Jogos Olímpicos, estivessem lá para ganhar medalhas. Às vezes conseguiram ser o primeiro atleta Português a apurar-se naquela modalidade, ou até bateram records nacionais, mas as expectativas são tão irrealistas que se tornam só por si um factor negativo, tal é o desconhecimento da realidade daquele desporto. - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O facto de estarem mais de 100 atletas no Faial, por si só é algo que já ajuda os velejadores do CNH a aprender e evoluir? Duarte Araújo: Na verdade, vão estar 120 velejadores na Baía da Horta. Vai ser uma experiência fantástica para a Cidade e para o Clube Naval da Horta. Toda a população vai ver os Optimists na baía, que se vai encher de velas, primeiro a treinar e depois a competir. Para os velejadores locais vai ser uma experiência inesquecível, pois onde eles treinam, vão estar os melhores portugueses a fazer o mesmo que eles fazem todos os fins-de-semana. Claro que vão aprender imenso, vão ganhar experiência e vão sair do Campeonato muito mais maduros do que entraram nele.

CLUBE NAVAL DA HORTA DEBATEU A ORGANIZAÇÃO DE MAR E DE TERRA DO EDP - X CAMPEONATO DE PORTUGAL DE JUVENIS Fotografias de: Ana Borba

Entre Dirigentes, Treinadores, Funcionários, Velejadores, Sócios e Voluntários, são dezenas os elementos A Organização do EDP - X Campeonato de Portuque integram a Organização de Mar e de Terra do EDP gal de Juvenis mobiliza muita gente X Campeonato de Portugal de Juvenis, que decorrerá no Faial entre 24 e 28 deste mês, sendo esperados 120 atletas dos Açores, Madeira e das regiões Norte, Centro e Sul de Portugal continental. Organização de Mar e de Terra, foram as duas grandes tónicas da Reunião Alargada de Preparação com vista ao EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis, que decorrerá na ilha do Faial, entre os dias 24 e 28 do corrente. O encontro de trabalho decorreu na noite desta terça-feira, dia 17, no Centro de Formação de Desportistas Náuticos do Clube Naval da Horta (CNH), clube organizador deste evento de âmbito nacional. A Reunião foi dirigida por uma Mesa constituída por José Decq Mota, Presidente da Direcção do CNH; Hugo Pacheco, Vice-presidente da Associação Regional de Vela dos Açores (ARVA); Olga Marques, Vice-Presidente do CNH, e Ana Sousa, Directora Técnica do CNH. Durante o EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis a coordenação da Organização de Terra estará a cargo de Jorge Macedo, Vice-presidente do CNH, e a coordenação da Organização de Mar será exercida por José Gonçalves, Vice-Presidente da ARVA. Ao deparar-se com a sala lotada, o Presidente da Direcção do Clube Naval da Horta, José Decq Mota, começou por afirmar que era “gratificante a presença de um tão elevado número de pessoas, Ir_ao_mar

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o que demonstra que esta actividade concreta – o EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis – é motivadora, gerando a possibilidade de este Clube encarar com relativa à vontade a realização de alguns eventos”. A Reunião Alargada de Preparação destinou-se a todas as pessoas que estão ligadas à Organização deste Campeonato, uma iniciativa da Federação Portuguesa de Vela, promovida pela ARVA e organizada pelo Clube Naval da Horta, que conta com o patrocínio da EDP e o apoio da Fidelidade. Em jeito de súmula, José Decq Mota adiantou que a Tenda Multiusos já se encontra Composição da Mesa, da esquerda para a direita: montada; a rampa de acesso para os barcos Ana Sousa, Directora Técnica do CNH; José Decq Mota, Presidente da Direcção do CNH; Hugo Pacheco, Secretário da ARVA, e Olga Marques, Viceestá a ser tratada com um produto fornecido Presidente do CNH pela Portos dos Açores S.A. com vista a minorar a existência de limos; as mesas e os postos de iluminação pública foram colocados pela Câmara Municipal da Horta (CMH); a antiga gare marítima de passageiros foi temporariamente entregue ao Clube Naval da Horta, espaço onde ficarão as estruturas feitas em madeira, pelas Obras Públicas, para colocar os 120 suportes para as velas; o cais está a ser organizado e brevemente chegarão ao Faial os contentores com as embarcações, sendo por isso retirados os barcos que se encontram perto da rampa; as carretas estão no seu lugar e todas as questões definidas encontram-se em marcha. Para que todos ficassem cientes das suas A Tenda Multiusos, palco de convívios e animação, já está montada tarefas, foram explicitadas as componentes de mar e de terra. Neste sentido, a Directora Técnica do CNH, Ana Sousa, referiu que a Federação Portuguesa de Vela impôs regras de segurança para o Campeonato, que têm vindo a ser preparadas pela Organização, à qual estão afectos 12 barcos. Comissão de Protestos, Comissão de Regatas, Barco Visor, Barcos de Apoio (balizas e bóias), Barco Balizador, Barco Medidor, Barco de Segurança e Barco de Treinadores, fazem parte da logística marítima. Fotografia de: Cristina Silveira O Treinador Principal de Vela Ligeira do CNH, Duarte Araújo, explicou, através de um esquema, a posição dos diversos barcos no mar. Reportando-se à Organização em Terra, o Presidente da Direcção do CNH elencou as diversas componentes: Rampa (à qual está anexada a antiga gare marítima), Lanches (todos os elementos de cada um dos barcos, bem como os atletas, terão um lanche de mar), Música, Imagens (Fotógrafo José Macedo), Armazém e Material e Secretariado. De realçar que o material para as centenas de lanches de mar que serão confeccionados por funcionários e voluntários é oferecido pelo Hiper Modelo Continente, que apoia os grandes eventos organizados pelo CNH. Este Dirigente revelou que o Clube Naval da Horta assinou um contrato com uma empresa de segurança, com o objectivo de o equipamento que vai ficar na rampa, durante as várias noites, estar devidamente seguro. José Decq Mota também adiantou que cada elemento pertencente à Organização estará identificado com um cartão. Seguindo o modelo adoptado aquando da realização do Campeonato Nacional de Access, que decorreu no Faial em Julho de 2014, organizado pelo CNH, está novamente a ser equacionada a possibilidade de a Transmaçor se associar a esta iniciativa, cedendo um barco para que, num dia deste EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis, possa haver uma saída para o mar com desportistas de todas as modalidades do CNH, incluindo os velejadores da Classe Access (Vela para pes46

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soas com mobilidade reduzida), pais dos atletas locais em prova, pais dos atletas visitantes em prova, entidades convidadas, patrocinadores, representantes de serviços e empresas e associados, poderem acompanhar, de perto, uma regata de um dos dias. O barco em causa, o dia e a hora estão ainda a ser acordados. José Decq Mota sublinhou que, enquanto organizador, o Clube Naval da Horta coloca à disposição todos os meios de que dispõe, nomeadamente a divulgação a cargo do Gabinete de Imprensa. No entanto, ressalvou que a cobertura oficial do EDP - X Campeonato de Duarte Araújo, Treinador Principal de Vela Ligeira do CNH, fez um esquema Portugal de Juvenis será da responsabilidade do cenário náutico da Federação Portuguesa de Vela. Será feito, portanto, um trabalho noticioso em regime de complementaridade.

VELEJADORES DE FORA JÁ COMEÇARAM A CHEGAR AO FAIAL PARA O EDP - X CAMPEONATO DE PORTUGAL DE JUVENIS

Fonte:http://www.ana.pt/pt-PT/Aeroportos/ Acores/Horta

Começaram a chegar ao Faial esta sexta-feira, dia 20, os velejadores que vêm participar no EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis, que decorrerá nesta ilha, de 24 a 28 do corrente. Este Campeonato é uma iniciativa da Federação Portuguesa de Vela (FPV), promovida pela Associação Regional de Vela dos Açores (ARVA), organizada pelo Clube Naval da Horta (CNH), que conta com o patrocínio da EDP e o apoio da Fidelidade. Serão quatro dias de prova – quarta, quinta, sexta e sábado (dias 25, 26, 27 e 28) – sendo que a terçafeira, dia 24, será dedicada a medições e outros preparativos. A manhã da próxima terça-feira, dia 24, (entre as 09h00 e as 12h30) será preenchida com visitas ao barco da Fundação Race for Water Odyssey, que se encontra na sua missão mundial de alertar para a poluição que os plásticos constituem nos mares. A escala na Marina da Horta começa precisamente esta sexta-feira, dia 20, e termina quarta-feira, dia 25. De acordo com a Directora Técnica do CNH, Ana Sousa, está prevista a realização de 3 regatas por dia, o que poderá vir a sofrer alterações devido às condições atmosféricas. Em cada um dos dias, as regatas terão início pelas 11 horas. A coordenação da Organização de Terra do EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis estará a cargo de Jorge Macedo, Vice-Presidente do CNH, e a coordenação da Organização de Mar será exercida por José Gonçalves, Vice-Presidente da Associação da ARVA. Neste evento de âmbito nacional estarão representadas as 5 regiões do País: Norte, Centro, Sul, Açores e Madeira, num total de 120 atletas de 29 clubes. Da Região Sul participam 5 clubes: Clube Naval de Tavira, Ginásio Clube Naval de Faro, Clube Naval de Portimão, Clube de Vela de Lagos e Associação Naval do Guadiana. Do Norte, estarão presentes 8 clubes: Clube de Vela do Atlântico, Sport Clube do Porto, Clube Naval Povoense, Clube de Vela da Costa Nova, Clube de Vela de Viana do Castelo, Sporting Clube de Aveiro, Associação Naval da Gafanha da Encarnação e Clube Naval de Leça. A Região Centro estará representada por 5 clubes: Clube Naval de Cascais, Clube Naval de SesimIr_ao_mar

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bra, Sport Algés e Dafundo, Náutico Clube da Boa Esperança e Clube Naval do Barreiro. Da Região Autónoma da Madeira vêm 3 clubes: Clube Naval do Funchal, Associação Náutica da Madeira e Iate Clube de Santa Cruz. O Arquipélago dos Açores estará representado por 8 clubes, de 4 ilhas: Clube Naval da Horta (Clube anfitrião, ilha do Faial); Clube Náutico das Lajes, Clube Naval de São Roque, Clube Naval da Madalena (todos três da ilha do Pico), Clube Naval de Ponta Delgada, Clube Naval de Vila Franca do Campo (ambos da ilha de São Miguel), Angra Iate Clube e Clube Naval da Praia da Vitória (ambos da ilha Terceira). REGIÃO NORTE: Clube de Vela do Atlântico (CVA): 13 velejadores - Luísa Peres - Matilde Pinheiro - Pedro Coelho - Miguel Rouxinol - Afonso Albuquerque - António Maia - Diogo Sampaio - Manuel Guimarães - João Ilhão - João Castro - Catarina Coelho - Francisco Ilhão - Manuel Oliveira

- Vitória Mina - Maria João Silva - Vasco Andrade - Gonçalo Bento - Rodrigo Gonçalves Sporting Clube de Aveiro (SCA): 1 velejador - Manuel Vilarinho Associação Naval da Gafanha da Encarnação (ANGE): 2 velejadores - Afonso Miranda - Rodrigo Mendes Clube Naval de Leça (CNL): 1 velejador - João Marinheiro

Sport Clube do Porto (SCP): 6 velejadores: - Carlota Magalhães - Carolina Campos - Miguel Campos - Nuno Azevedo - Ricardo Rosa - João Campos

REGIÃO CENTRO:

Clube Naval Povoense (CNP): 3 velejadores - João Galvão - Gonçalo Monteiro - Miguel Martins

Clube Naval de Sesimbra (CNS): 2 velejadores - Mafalda Gonçalves - Carolina Simonet

Clube de Vela da Costa Nova (CVCN): 5 velejadores - Alex Baptista - Pedro Gomez - Sofia Fernandinho - João Ribeiro - Guilherme Luz Clube de Vela de Viana do Castelo (CVVC): 9 velejadores - Helena Simões - Pedro Afonso - Inês Coruche - Duarte Costa 48

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Clube Naval de Cascais (CNC): 4 velejadores - André Serra - Rafael Rodrigues - Lourenço Cabrita - Martim Mastbaum

Sport Algés e Dafundo (SAD): 4 velejadores - Vasco Veras - Luís Pinheiro - Filipe Egipto - Tomás Rocha Náutico Clube da Boa Esperança (NCBE): 2 velejadores - José Mendes - Tomás Vieira Clube de Vela do Barreiro (CVB): 8 velejadores - Tomás Carreira - Tiago Gonçalves - João Bolina - Manuel Ramos março 2015


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- Francisco Fráguas - Francisco Rodrigues - Inês Mateus - Diogo Reis

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velejadores - Vicente Câmara - Catarina Sousa - Carlota Camacho

REGIÃO SUL:

Iate Clube de Santa Cruz (ICSC): 4 velejadores - Ilia Shliaqkhtsitsau - Guilherme Jesus - Francisco Silva - Alexandre Pestana

Clube Naval de Tavira (CNT): 4 velejadores - Afonso Ruas - Ricardo Cascais - Pedro Ferreira - Rafael Ribeiro Ginásio Clube Naval de Faro (GCNF): 9 velejadores - Afonso Rodrigues - Cristóvão Gonçalves - Guilherme Cavaco - Tomé Dutra - João Vargues - Joana Cavaco - Miguel Sancho - William Wisselin - Inês Carriço

REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES: Clube Naval da Horta (CNH) do Faial: 7 velejadores - Tomás Pó - Mariana Luís - Jorge Pires - Tomás Oliveira - Rita Branco - Lucas Silva - Bernardo Melo

Clube Náutico das Lajes do Pico (CNLP): 1 Clube Naval de Portimão (CNP): 4 velejadores velejador - Beatriz Gago - Rafael Ferreira - Frederico Baptista - Daniel Cristiano Clube Naval de São Roque (CNSR), do Pico: 2 - Beatriz Cintra velejadores - Octávio Calouro Clube de Vela de Lagos (CVL): 5 velejadores - Vasco Cabral - Manuel Fortunato - Tomás Quitéria Clube Naval da Madalena (CNM), do Pico: 3 - Ana Gil Santos velejadores - Mariana Viegas - Alexandre Madruga - Inês Caneco - Pedro Costa - Flávio Pedro Associação Naval do Guadiana (ANG): 6 velejadores Angra Iate Clube (AIC), da Terceira: 2 vele- Daniela Miranda jadores - Tomás Guerreiro - Manuel Rolo - Fernando Rodriguez - André Neto - João Revés - Vladislv Bedlinskyy Clube Naval da Praia da Vitória (CNPV), da - André Cruz Terceira: 2 velejadores - Adelino Andrade - Duarte Barcelos REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA: Clube Naval de Ponta Delgada (CNPD), de Clube Naval do Funchal (CNF): 2 velejadores São Miguel: 4 velejadores - Pedro Abreu - Nuno Câmara - Gonçalo Santa Clara - André Gomes - Gonçalo Melo Associação Náutica da Madeira (ANM): 3 - Henrique Medeiros Ir_ao_mar

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Clube Naval de Vila Franca do Campo (CNVFC), de São Miguel: 2 velejadores - Xavier Novo - Gonçalo Santos

NO CNH: DECORREU ESTA SEXTA-FEIRA, DIA 20, A ABERTURA DOS PRIMEIROS CONTENTORES COM MATERIAL PARA O EDP – X CAMPEONATO DE PORTUGAL DE JUVENIS Fotografias de: Jorge Macedo

Decorreu na tarde desta sexta-feira, dia 20, a abertura dos primeiros contentores com material destinado ao EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis, que decorrerá na ilha do Faial de 24 a 28 deste mês.

A retirada de equipamento foi registada pelo coordenador da Organização de Terra, Jorge Macedo, Vice-Presidente do Clube Naval da Horta (CNH), conforme documentam as fotografias. Recorde-se que esta sexta-feira foi o primeiro dia em que o Faial começou a acolher participantes não locais para o referido Campeonato, os quais vão chegando diariamente até segunda-feira próxima, dia 23, já que o dia de terça-feira (24) será dedicado a medições e outros preparativos. O EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis Campeonato é uma iniciativa da Federação Portuguesa de Vela (FPV), promovida pela Associação Regional de Vela dos Açores (ARVA) e organizada pelo Clube Naval da Horta, que conta com o patrocínio da EDP e o apoio da Fidelidade.

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APRESENTAÇÃO DO EDP – X CAMPEONATO DE PORTUGAL DE JUVENIS 2015 AOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL LOCAIS Fotografia de: Ana Borba

Decorreu esta manhã de segunda-feira, dia 23, a apresentação do EDP – X Campeonato de Portugal de Juvenis de imprensa aos órgãos de comunicação social locais. Hugo Pacheco, da Associação Regional de Vela dos Açores (ARVA) deu início à conferência com as razões que levaram à organização desta importante prova nacional na cidade da Horta. As duas razões fundem-se no espaço e no tempo, pois se por um lado a baía da Horta, pertencente ao Clube das Mais Belas Baías do Mundo, fornece um pano de fundo magnífico e acolhedor aos velejadores; por outro, a sua história também lhe confere uma mística de “lobos-do-mar” e iatistas que chegam e partem para todos os cantos do mundo. De seguida, tomou a palavra o Presidente do Clube Naval da Horta, José Decq Mota. Do ponto de vista do CNH, a associação a um evento nacional faz sentido, sendo “importantíssima a ligação do plano desportivo entre a realidade regional e a realidade nacional”. Por outro lado, José Decq Mota tem a “consciência que a cidade da Horta tem capacidade para dar resposta a um evento desta natureza”. O Presidente do CNH fez também questão de evidenciar a permanente parceria, fluída e sem burocracias, que tem existido entre o Clube e a Câmara Municipal da Horta, pelos “múltiplos apoios que tem concedido a este evento” e que se traduz nos pormenores mais pequenos, como a montagem da tenda, bancos e mesa e da iluminação junto ao Clube Naval da Horta e colocação dos contentores para os clubes visitantes, e no apoio financeiro quotidiano do campeonato”. Decq Mota relembrou também a importância especial do evento, “devido ao escalão etário juvenil, que mobiliza na ilha cerca de 120 jovens entre os 12 e os 15 anos, treinadores e família”; mas devido também “ao facto de ter sido organizado nesta quadra do ano, nas férias escolares da Páscoa”, numa altura em que começa a crescer o movimento do porto de mar”. O Presidente do CNH espera agora que “o tempo esteja bom para que o campeonato se desenvolva e corresponda ao esforço organizativo”. “O CNH tem já experiência nestes eventos, “consegue responder aos desafios, organizar-se e corresponder no momento em que é preciso executar”, por uma razão essencial: a dedicação dos funcionários e dos diretores do clube, mas principalmente a dedicação dos muitos voluntários, alguns trabalhadores da função pública, que vêm a sua participação facilitada por uma legislação regional propícia”. “A existência desta legislação, mas primariamente, a disponibilidade das dezenas de pessoas, é essencial para o sucesso deste EDP – X Campeonato de Portugal de Juvenis”. Da parte do CNH, tudo o que estiver ao alcance será feito para que estes dias na Horta corram pelo melhor. Tiveram ainda palavra o Diretor Técnico da Federação Portuguesa de Vela, Pedro Rodrigues, e o Presidente da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo. Na foto: José Decq Mota, Presidente do CNH; José Leonardo, Presidente da Câmara Municipal da Horta; Hugo Pacheco, Secretário da Associação Regional de Vela dos Açores (ARVA); Pedro Rodrigues, Diretor Técnico da Federação Portuguesa de Vela e do Campeonato Nacional

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ENTREVISTA AO CAMPEÃO DE PORTUGAL DE OPTIMIST, 3º CLASSIFICADO E TREINADORES Fotografias de: Cristina Silveira

João Bolina, Campeão de Portugal de Optimist 2014, e Manuel Ramos, 3º Classificado, esperam bons resultados no EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis, no Faial Treinador Gonçalo Boto; Campeão de Portugal de Optimist 2014, João Bolina; 3º Classificado, Manuel Ramos, e o Treinador Pedro Bolina, todos do Clube de Vela do Barreiro

Chegaram ao Faial na tarde desta sexta-feira, dia 20, vindos do Barreiro, e mal refeitos da viagem foram logo convidados a falar de títulos e esperanças para o EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis, que decorrerá nesta ilha, entre os dias 24 e 28 deste mês. João Bolina é o Campeão de Portugal de Optimist 2014 e Manuel Ramos o 3º Classificado que, por pertencerem ambos ao Clube de Vela do Barreiro, ouviram as respostas um do outro, assim como os Treinadores Pedro Bolina e Gonçalo Boto. Depois da breve apresentação, a conversa flui, até porque eles precisam de ir tirar as embarcações dos contentores e de se ambientar ao novo espaço. O Salão Bar do Clube Naval da Horta rapidamente se torna num ponto de encontro, porque, entre outros aspectos, da esplanada se goza de uma vista fantástica sobre o postal vivo em frente: a Baía, o Canal e o Pico, o ponto mais alto de Portugal continental. A Sala de Reuniões do Clube foi, como tantas outras vezes, a testemunha principal destas entrevistas em tom descontraído, destinadas a dar a conhecer estes ilustres visitantes, que esperam levar a melhor no Campeonato que se avizinha. Acabámos de nos conhecer, mas rapidamente se estabelece uma empatia, própria de quem está habituado a gravadores, flashs e perguntas. Muitas perguntas! João Bolina, o Campeão, é o primeiro a falar. Aliás, isso foi o combinado com o colega do 3º lugar do pódio, mas ele sabe o que faz, com postura de profissional. Convém, até porque ali ao lado está sentado o Treinador, Pedro Bolina, que não é por acaso que tem o mesmo sobrenome. Pois, é o pai do velejador. Nem todos têm esta sorte em casa, que é como quem diz, esta exigência. Então vamos lá conhecer o velejador que mais alegrias deu ao Barreiro em 2014 e não só. Sim, porque ele também foi o Campeão no Nacional de Infantis em 2011. João Bolina sublinha, como seria de esperar, que o seu grande objectivo é revalidar o título. E explica: “Quero fazer o meu melhor, mas naturalmente que tenho de ter em atenção que não foi só eu que evoluí; os outros também”.

João Bolina: “Vou focar-me no trabalho e dar o meu melhor”

Manuel Ramos, João Bolina e os colegas de equipa vão dar o seu melhor, apoiados pelos Treinadores

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Afirma que se sente preparado, tendo em conta que esta época treinou “bem” com a sua equipa, de que fazem parte 8 velejadores. “Estou confiante”, realça. Tem 14 anos de idade e frequenta o 8º ano de escolaridade. Não sabe ainda o que vai seguir profissionalmente – sendo um adepto das Ciências – mas gostava que a Vela fizesse parte da sua vida enquanto for possível. Não culpa este desporto pelo que possa acontecer na Escola até, porque, não tem baixado a média, além de que tem a semana toda para estudar. Mesmo treinando 2 a 3 horas à quarta-feira e 12 horas repartidas por sábado e domingo (treinos na água), afirma peremptoriamente que “a Vela vale a pena”. “Faço por gosto, portanto, não é um sacrifício”, frisa. Aliás, quando confrontado a dizer o que representa a Vela, responde assim: “A Vela é meia vida”. E a outra meia vida?, quisemos saber nós. “A outra meia vida é a família, a saúde, a escola e os amigos”, conclui. Quando se fala em apoio familiar, João Bolina surpreende com esta revelação: “A família apoia-me muito nesta modalidade, principalmente a minha avó Mariette porque é ela que quase sempre paga as minhas deslocações”. E agora vem aí uma questão difícil: “Como é ter um pai treinador?” Resposta prática: “É uma exigência”. Mas a seguir vem o desenvolvimento esperado: “Por vezes ele faz um bocadinho de pressão, mas na minha opinião está a fazer um bom trabalho, ou seja, prepara-nos bem. Está sempre a puxar por nós e quer o melhor para os atletas”. Por tudo isto, o Treinador acabou de receber “nota positiva”. Toma lá, pai treinador! Esta é a estreia de João Bolina no Faial e nos Açores, assim como de toda a comitiva do Barreiro. Por isso, refere ter “pouco conhecimento” do nível dos atletas faialenses e regionais. E esclarece: “Em relação aos velejadores açorianos, sei muito pouco. Apenas conheço os do Clube Naval da Horta que foram ao Estágio de Natal, na Base Naval do Alfeite”. Já em relação aos adversários continentais, a situação é bem diferente. “Fizemos vários campeonatos com a frota nacional durante esta época, por isso tenho um melhor conhecimento do seu nível. Mas vou focar-me é no meu trabalho”. Desconhecer o Campo de Regatas não é tido como uma desvantagem tendo em conta que “a maior parte da frota está nas mesmas circunstâncias”. Além do mais, daqui até quarta-feira (dia 25), primeiro dia de competição, vai haver tempo para esta familiarização. “Foi precisamente para podermos testar as condições locais que viemos mais cedo”, garante este atleta. Este Campeão sempre defendeu as cores do Barreiro e é assim que faz questão que continue a ser enquanto andar na Vela. Mesmo afirmando desassombradamente que se trata de “um dos piores clubes a nível nacional” João Bolina: “A família apoia-me muito nesta modalidade, principalmente no que diz respeito à falta de condições das a minha avó Mariette” instalações e em termos de fontes próprias de rendimento, “o que dificulta um bocado o trabalho”. No entanto, e apesar deste cenário, no que toca ao desempenho e classificações, “o Clube de Vela do Barreiro é excepcional” e os seus velejadores conseguem ser os melhores de Portugal. É possível ter amigos na Vela, mas fora da água, já que no barco cada um rema para o seu lado. “Dentro da água posso estabelecer uma ligação melhor com os da minha equipa e depois é focar-me só no meu desempenho. Se eu estiver em 1º lugar e vir um colega que vai ficar em 3º, naturalmente que vou fazer com que ele passe a 2º para não prejudicar o resultado da minha equipa, mas tenho de pensar sempre em mim”. Apesar do que foi referido, João Bolina espera fazer amigos no Faial, pois “a Vela também permite estabelecer amizades com outros clubes e conhecer mais pessoas, assim como lugares diferentes”.

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Manuel Ramos é também um velejador acostumado a vitórias: em 2011 foi o Campeão de Portugal de Infantis e em 2014 classificouse em 3º lugar no Campeonato de Portugal de Optimist. Tem 12 anos de idade e é aluno do 7º ano de escolaridade. No Faial pela primeira vez, diz que pretende fazer “um bom Campeonato”. E acrescenta logo a seguir: “A minha ambição é ser Campeão de Portugal, mas tenho velejadores na frota nacional que não vão deixar-me alcançar esse título facilmente”. Começou a praticar Vela em 2011 no Clube de Vela do Barreiro pelo facto de o irmão também representar esta colectividade e de um tio ser o Presidente do Clube, na altura. “Experimentei, gostei e continuei”. E assim será enquanto os estudos e a vida o permitirem, não afastando a possibilidade de um dia fazManuel Ramos: “Vir a um lugar que desconhecemos não deve ser encarado er uma carreira no mundo da Vela, apesar de como uma desvantagem, mas como uma oportunidade para evoluirmos” também gostar de Política. Não vê como uma dificuldade o facto de não ir competir em casa, já que a maioria dos velejadores também não conhece as condições do Faial. E explica: “Vir a um lugar que desconhecemos não deve ser encarado como uma desvantagem, mas como uma oportunidade para evoluirmos”. Estar em prova com os adversários do Continente português vai ser algo habitual, ao passo que com os dos Açores será uma novidade, embora já conheça alguns do Clube Naval da Horta. Manuel Ramos, um velejador que consegue organizar o seu tempo e conciliar todas as actividades, considera que “o Treinador é exigente”, mas garante que consegue dar mais se lhe for pedido. Daqui até terça-feira, o tempo será passado em preparativos em terra e no mar, já que a ilha é, no seu todo, uma descoberta para esta comitiva. Treinador Pedro Bolina: “O João e o Manuel têm plena consciência de que estão nos melhores da frota nacional” O Clube de sempre de Pedro Bolina é o Barreiro, onde começou a praticar Vela em 1978 e mais tarde foi treinador, função que também desempenhou em Macau, durante 7 anos. De regresso a Portugal, retomou a actividade em 2011, altura em que passou a ser treinador do filho: João Bolina. A este propósito, afirma: “É difícil treinar um filho e a minha dificuldade vai no sentido de eu ter de tratá-lo da mesma forma que trato os outros, já que a tendência é para exigir”. Estar nestas circunstâncias foi escolha do destino, mas “está a correr bem”. Quando questionado sobre o que espera dos seus atletas, responde: “Eles estão equivocados na questão dos objectivos, pois eu não gosto de traçar objectivos”. E prossegue: “Revalidar títulos cria níveis de ansiedade muito grandes nos velejadores, o que não é bom. Esta época já fizeram duas regatas importantes: o Torneio de Natal, em Cascais, e o Torneio de Vilamoura, e ficaram sempre nos primeiros lugares. Eles têm plena consciência de que estão nos melhores da frota nacional. Sabem o seu valor relativamente aos outros”. Pedro Bolina sabe do que fala. Por isso, salienta que “é preciso trabalhar muito bem a questão emocional nos velejadores que se encontram nas faixas etárias entre os 12 e os 14 anos. Se isso não acontecer, “o Campeonato pode correr mal”. Exemplo disso foi o que Pedro Bolina: “O Manuel e o João têm plena consciência de que estão nos sucedeu a João Bolina e Manuel Ramos que melhores da frota nacional” 54

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foram para o 2º Campeonato Nacional de Infantis, no Guadiana, com expectativas muito altas, o que era normal se atendermos a que eram os melhores da frota, “mas como não souberem gerir bem isso, cometeram vários erros que podiam ter sido evitados”. “A pressão de ganhar atrapalha os atletas em prova”, frisa Pedro Bolina, lembrando que isso acontece em todos os desportos. “Por isso, estou cá eu para trabalhar essa questão”, sustenta o Treinador, um acérrimo defensor de que esse trabalho psicológico faz com que os velejadores cheguem à competição mais calmos, com a certeza de que vão triunfar. Sempre com o cuidado de não aumentar a pressão dos seus vencedores – algo a que não podem fugir – o Treinador espera que este Campeonato seja “bom”. “E isso começa por questões muito simples, tais como os velejadores terem relativas condições para arrumar barcos e velas e a parte de terra estar organizada. Clarificando a parte do bom, significa a realização do maior número possível de regatas, bom vento (acima dos 5 nós), poucos saltos de vento (mas se houver faz parte da Vela) e bons resultados. “O facto de os atletas nacionais estarem num nível muito superior constitui uma vantagem” Contrariamente aos seus pupilos, este homem da Vela está inteirado das dificuldades com que se debatem os velejadores do clube anfitrião até, porque, Pedro Bolina é um grande amigo do Treinador da Escola de Vela do CNH, Duarte Araújo. Assim sendo, assume claramente que o facto de os atletas nacionais estarem num nível muito superior constitui, logo à partida, uma vantagem. “E eles estão conscientes dessa vantagem, pois embora digam que não conhecem os seus adversários faialenses, nem tenham feito regatas com eles, sabem que há problemas de desenvolvimento da Classe Optimist nesta Região”. Pedro Bolina não podia estar mais de acordo com o filho quando este afirma que o Clube de Vela do Barreiro é o que tem menos condições no país. “Estamos a falar de um Clube muito pequeno, com graves dificuldades monetárias, que praticamente não tem fontes de receita”. Mas em contraponto a tudo isso, é o que tem melhores resultados, o que certamente dá um gozo extra aos seus dirigentes e treinadores. “A Vela em Portugal está mal” Quando se pergunta como está a saúde da Vela em Portugal, Pedro Bolina não pensa duas vezes para afirmar categoricamente: “Está mal!”. E sabe a quem apontar o dedo. “O problema principal começa logo pela Federação Portuguesa de Vela (FPV). E dou um exemplo: sem qualquer desrespeito aqui para a zona – que eu estou a adorar conhecer – na minha opinião, não faz sentido realizar o Campeonato Nacional nos Açores. Mas não é por causa de ser nos Açores. É que não foram estudadas as condições para a frota vir para aqui. Todos os anos a Federação cai no mesmo erro. Há muito tempo que se sabe onde vão decorrer os Campeonatos da Europa e do Mundo e que tipo de mar vai haver em cada uma dessas competições. Como tal, não tem lógica estarmos a fazer um campeonato nacional e uma Pedro Bolina: “A Federação Portuguesa de Vela só se preocupa com os atletas olímpicos, esquecendo-se de que se eles não forem bons nos Juprova final de selecção em condições de mar venis, nunca vão chegar lá” que não têm nada a ver com o que se vai fazer nos Campeonatos da Europa e do Mundo. Não percebo qual é a lógica de se fazer as candidaturas nacionais nesses sítios porque, para todos os efeitos, os velejadores estão a treinar para ser apurados para um Europeu e um Mundial, mas num campo de regatas que não tem nada a ver com o que vão encontrar nessas competições. O próprio critério de apuramento é deficiente. Deveriam ser realizadas regatas a nível nacional com muito mais frequência; só fazia bem aos velejadores. É verdade que isso encarece a modalidade, mas infelizmente a Vela é um desporto caro”. Ir_ao_mar

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Pedro Bolina relata um caso ocorrido no ano passado, aquando do Mundial, que revela bem a desresponsabilização da FPV. “Se não tivesse sido eu a organizar Estágios para os velejadores que estavam apurados, os atletas não teriam conseguido preparar-se, apesar de a Federação se ter comprometido com essa questão. Quando as coisas são assim, algo vai mal”, remata. Além de a FPV não ter organizado o Estágio a que se tinha comprometido para o Mundial, também não compareceu a nenhuma das iniciativas de preparação dos velejadores, organizadas e levadas a cabo por Pedro Bolina, apesar de todos os convites que foram endereçados a este organismo. Este Treinador sabe que essas decisões não são tomadas, umas vezes por falta de coragem dos clubes e outras por ser à portuguesa, em que tudo é feito à última da hora. E explica: “Para o ano temos o Mundial em Vilamoura e eu tenho a certeza absoluta de que, apesar de ser em Portugal, não vão fazer nada de muito diferente daquilo que fizeram até hoje em termos de planificação. Preparamos muito mal estas coisas, de forma muito pouco profissional”. “A Federação preocupa-se única e exclusivamente com os atletas olímpicos” No entender de Pedro Bolina, um homem com responsabilidades desportivas e formativas no país, é preciso começar a trabalhar precisamente pela Classe Juvenil. “A Federação Portuguesa de Vela preocupa-se única e exclusivamente com os atletas olímpicos, ou seja, com os de topo, esquecendose de que se eles não forem bons nos Juvenis, nunca vão chegar lá. Há todo o interesse em dedicar mais atenção ao trabalho que é feito com as camadas mais novas, se o objectivo é ter bons resultados mais tarde”. Embora a Federação saiba muito bem de tudo isto, já que Pedro Bolina não se tem coibido de propalar o cenário ideal em jornais e televisões, sempre que tem oportunidade, a verdade é que quem de direito continua a fazer orelhas moucas. E para não variar, o pretexto mais invocado é o dinheiro, ou melhor, a falta dele. Este Treinador sabe que “há imensos velejadores que ao longo dos anos têm um trajecto relativamente bom, mesmo com a falta de meios e organização, e depois quando querem dar o salto para se tornarem atletas olímpicos, falta-lhe apoio financeiro”. Neste contexto de falta de suporte a quem trabalha e merece, está precisamente o Clube de Vela do Barreiro que, mesmo sem pertencer ao grupo dos grandes ou dos preferidos, continua a dar cartas. Um exemplo de trabalho, persistência e abnegação, já que são os pais dos atletas que investem do seu bolso em mensalidades, equipamento e deslocações. “Tanto eu como o Gonçalo temos uma ambição brutal pela Vela”, sublinha Pedro Bolina, justificando este empenho e resultados. Gonçalo Boto: “Aproximar as regiões e treinar em conjunto para os atletas evoluírem mais rapidamente” Gonçalo Boto, agora também Treinador do Barreiro, classifica o seu sentimento pela Vela como “uma paixão brutal”. E acrescenta: “Trabalhamos muito mais do que os outros e em piores condições”. Este jovem começou cedo a praticar Vela, onde tem um bom percurso. É Treinador desde 2006, mas nem sempre do Sesimbra. Saiu em 2011 para o Sesimbra e voltou para o Barreiro em 2014. Aproximar as regiões e treinar em conjunto foi o que estes dois treinadores se propuseram concretizar este ano, juntando o Clube de Sesimbra ao do Barreiro, o que proporciona aos atletas a possibilidade de evoluírem mais rapidamente. “Em 2014, o Pedro acompanhou os velejadores ao Mundial e na época anterior havia muita gente a querer aqueles lugares que nós os dois conseguimos, fruto de termos trabalhado juntos durante o ano passado, apesar de pertencermos a clubes diferentes, já que eu vinha do Sesimbra. Este ano decidimos juntar mesmo os nossos velejadores a fim de implementarmos um crescimento ainda maior”, explica este jovem Treinador. Quanto ao Campeonato que irá decorrer na ilha do Faial, Gonçalo Boto sustenta que “os próprios velejadores sabem as suas obrigações e o que têm de cumprir. E não estamos a falar só de resultados. Devido a todo o trabalho anterior, felizmente sabem qual a postura que devem ter e para o que estão cá”.

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ANDRÉ SERRA, VICE-CAMPEÃO DE PORTUGAL DE OPTIMIST 2014: “SÓ ME INTERESSA LUTAR PELO PRIMEIRO LUGAR, POIS HÁ 2 ANOS QUE SOU VICE-CAMPEÃO” Fotografias de: Cristina Silveira O Treinador João Vidinha e o Vice-Campeão André Serra, do Clube Naval de Cascais, explicam o que pretendem deste EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis

Vice-Campeão de Portugal de Optimist 2014, André Serra, chegou ao Faial esta sexta-feira, dia 20, acompanhado do seu Treinador, João Vidinha. Vem participar no EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis, que decor-

rerá na ilha, de 24 a 28 deste mês. Este Campeonato é uma iniciativa da Federação Portuguesa de Vela (FPV), promovida pela Associação Regional de Vela dos Açores (ARVA), organizada pelo Clube Naval da Horta (CNH), que conta com o patrocínio da EDP e o apoio da Fidelidade. Serão quatro dias de prova – quarta, quinta, sexta e sábado (dias 25, 26, 27 e 28) – sendo Fotografia de: Ricardo Pinto Retirada de: https://www.facebook.com/CNCOptimistSailingTeam que a terça-feira, dia 24, será dedicada a medições e outros preparativos. Foi com simpatia que ambos acederam falar ao Gabinete de Imprensa do CNH sobre o título, o percurso e os sonhos nesta modalidade. André Serra, atleta do Clube Naval de Cascais - OZ Energia, tem 14 anos de idade e frequenta o 9º ano de escolaridade. Há 2 anos consecutivos que ocupa o 2º lugar do pódio, por isso afirma que agora só lhe interessa o título de campeão até, porque, este é o último André Serra: “Em termos de competição, o meu desporto sempre foi a ano em que está neste escalão. Vela” Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como começou o teu percurso na Vela? André Serra: O meu pai quando era pequeno praticava Vela e por isso começou a incutir-me o gosto por este desporto. Comecei a praticar com 5/6 anos de idade, depois interrompi durante 2 anos e há cerca de 6 anos que voltei à Vela. O meu irmão Tiago Serra, que é mais velho do que eu, também pratica Vela. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já praticaste outros desportos? André Serra: Sim, andei na Natação e no Judo, mas em termos de competição, o meu desporto foi sempre a Vela. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Porquê? André Serra: Porque gosto de um desporto ao ar livre e não em espaços fechados. Também gosto muito do mar. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: És Vice-Campeão há 2 anos consecutivos. O que correu menos bem para que tenhas ficado mesmo ao lado do primeiro lugar? André Serra: Falta de concentração. Penso que posso controlar este aspecto e é isso que vou tentar fazer agora. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais são as tuas ambições para este EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis? André Serra: Ficar em primeiro lugar, pois esta é a minha última oportunidade para chegar à vitória, já que no próximo ano mudo de Classe. Ir_ao_mar

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Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quem é que consideras favorito? André Serra: Qualquer um dos meus adversários, e são muitos! Qualquer um pode vir a ser o vencedor.

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Fotografia de: Ricardo Pinto Retirada de: https://www.facebook.com/CNCOptimistSailingTeam

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Conheces o nível dos velejadores nacionais e regionais? André Serra: Conheço melhor o nível dos meus adversários da Região Centro, que é aquela à qual pertenço. O dos outros, conheço mais ou menos. Quanto aos Açores e Madeira, conheço pouco.

André Serra: Esta é a minha última oportunidade de ser Campeão de Portugal de Optimist”

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O facto de não conheceres as condições do Campo de Regatas deste Campeonato pode prejudicar-te? André Serra: Não considero isso, porque acontece o mesmo a quase todos os outros velejadores deste Campeonato. Não pode ser tido como uma desculpa para não conseguir bons resultados. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Consideras que a Vela contribuiu para mudar a forma como encaras a vida? André Serra: Os desportos desenvolvem a capacidade de querer ganhar, querer ser o melhor, no fundo criam em nós o espírito de competitividade. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Pensas fazer da Vela uma carreira? André Serra: Enquanto for possível, vou praticar Vela. Estou indeciso quanto ao meu futuro profissional. Gosto da área de Ciências. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Fazes sacrifícios pela Vela? André Serra: Quando fazemos algo de que gostamos, como é o caso, nunca é sacrifício. Naturalmente que cansa, mas vale a pena. Compensa. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: A Escola tem sido prejudicada por causa da Vela? André Serra: Por causa do Mundial, este ano tive de baixar um pouco a média na Escola, mas sempre tirei boas notas. Pertenci ao Quadro de Excelência no 5º, 6º e 7º anos. Quando tenho competições mais importantes, tenho de me dedicar mais à Vela. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: É possível fazer amigos neste desporto? André Serra: Sim, mas é preciso separar as águas. Em terra pode haver brincadeira, mas no mar impera concentração. Em prova é para ganhar. Não há amigos dentro da água. Se estiver a falar de um grande amigo, quando estou em prova e passo por ele, em vez de mandar um prego, ou seja, tapar o vento, há sempre o sentimento de não o prejudicar. Posso não ajudá-lo, mas certamente que também não o vou prejudicar. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já pertenceste a outros Clubes? André Serra: Sim, ao Clube de Portimão e ao Clube de Vela de Lagos, quando residi nessa zona do país. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como defines o teu Clube? André Serra: O Clube Naval de Cascais tem condições e é um clube privilegiado na sua localização, pois está perto do mar.

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Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: E o Treinador? André Serra: É exigente, mas um treinador que não se preocupe connosco, não é um bom treinador. Gosto dele, porque está sempre a puxar por nós. Dá-nos conselhos para irmos melhorando e considero que fazemos uma boa equipa. Treinador João Vidinha: “Velejar é uma arte e dá-me muito prazer tentar transmitir essa arte às crianças”

João Vidinha: “Espero que o André dê o seu máximo, pois foi para isso que temos treinado”

João Vidinha afirma-se como alguém positivo e lutador, que faz da Vela um ideal de vida. Tem 27 anos e há 8 que se dedica a treinar. Começou por praticar Optimist e Laser e se o deixarem, quer dedicar-se de corpo e alma à Vela e ao seu clube do coração: o Naval de Cascais. É Treinador de André Serra desde há 3 anos, num grupo de 12 velejadores. Quanto ao grau de exigência, refere que puxa “um bocadinho” pelos seus atletas, mas alerta que não se pode fazer tudo de uma vez, para não desmotivá-los.

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que espera deste Campeonato? João Vidinha: Que o André dê o seu máximo, tendo em conta que há 2 consecutivos que detém o título de Vice-Campeão. E sendo esta a sua última época na Classe Optimist, a ambição dele é o primeiro lugar. Foi para isso que trabalhámos este ano. Treinámos para ele lutar pelo primeiro lugar. Nesta situação, não interessa novamente um segundo lugar. Está agora nas mãos dele demonstrar o trabalho que foi feito durante este ano. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como é que o define enquanto velejador? João Vidinha: É um bom velejador e uma pessoa dedicada nos treinos, mas tem um problema na parte da concentração. Por isso, treinamos. É um forte candidato ao título de campeão. É fácil de trabalhar com ele. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como é a sua equipa? João Vidinha: Somos uma equipa de 12 velejadores. Há pouco tempo para chegar a todos, por isso fazem-se esforços grandes para conseguir treinar todos, embora cada um tenha um nível diferente. Aproveito para referir que a equipa do Clube Naval de Cascais é patrocinada pela OZ Energia. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: A Vela é muito importante para si… João Vidinha: Muito! Comecei a praticar Vela aos 7 anos de idade e fiz Vela de Alta Competição. Quando entrei na Faculdade tive de abdicar, mas para compensar, ia dando umas aulas em regime de part-time. Quando acabei a Licenciatura – numa área que não tem nada a ver com desporto – a Vela tornou-se algo de mais sério na minha vida e enveredei por uma carreira como Treinador. É assim que pretendo fazer a minha vida profissional. O que mais me realiza é ser Treinador a tempo inteiro. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Porquê? João Vidinha: Enquanto Treinador, o que me fascina é poder transmitir certos valores e conhecimentos aos mais novos. É diferente de ser professor, porque velejar é uma arte. E dá-me muito prazer tentar transmitir essa arte às crianças. Estamos todos os dias a aprender com elas, o que é muito enriquecedor, fazendo-nos crescer e evoluir.

Fotografia retirada de: https://www.facebook.com/CNCOptimistSailingTeam A equipa do Clube Naval de Cascais é patrocinada pela OZ Energia

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ENTREVISTA AO CAMPEÃO MUNDIAL DA CLASSE PLATU 25 2013 MANUEL VILARINHO

Tem 14 anos e chega-nos do Clube de Vela da Costa Nova, da cidade de Aveiro, e é o campeão mundial de Manuel Vilarinho e os companheiros de equipa na uma classe da vela um pouco diferente do que se vê aqui entrega de prémios pelo Faial: Platu 25. Esta classe pratica vela num iate com cerca de 7 metros de comprimento e pode velejar com um mínimo de quatro tripulantes e um máximo de 400kg de tripulação. Em 2013, o Campeonato foi disputado em Portosín, na Espanha e a tripulação do Credite EGS necessitava de um elemento que não ultrapassasse os 40kg de peso, uma vez que ficariam fora do peso máximo permitido. Renato Conde, membro da tripulação e conhecido do pai de Manuel Vilarinho, convidou-o para participar, tendo para isso que apenas ajudar a fazer peso. Tinha apenas 12 anos. E voltou um orgulhoso campeão do mundo! Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como foi para participares num campeonato do mundo tão novo? Faltava um certo número de kilos e tu correspondias ao número que eles precisavam? Manuel Vilarinho: Sim, um membro da tripulação falou com o meu pai no verão e pensei que era uma brincadeira. Depois em Setembro, um dia antes do campeonato começar, ligaram-me e eu estava na escola. Tive de ir logo para Espanha com os meus pais e lá participei na prova. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Qual era a tua tarefa a bordo? Manuel Vilarinho: Principalmente era fazer peso. Não tinha muitas tarefas, porque eu era o menos experiente do barco e o mais novo. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que é que sentias da tua experiência da Classe Optimist naquela frota e com aqueles velejadores adultos? Manuel Vilarinho: Noto uma diferença grande, porque eles têm uma experiência muito maior, faziam tudo muito mais a sério, muito concentrados e sem brincadeiras. Uma das diferenças do Platu 25 para o Optimist é as largadas. Nós aqui largamos parados enquanto que o Platu 25 tem que largar mais atrás, para ter velocidade, senão fica parado. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que sentiste quando soubeste que eras um campeão do mundo e começou a tocar o hino? Manuel Vilarinho: Muita alegria. Eu estava maluco, porque não sabia bem para o que ia. Tinha 12 anos e ainda não acreditava bem no que me tinha acontecido. Até tive que perguntar algumas vezes o que era aquilo, porque eu nunca pensei que era um campeonato do mundo, mas um campeonato de Espanha ou de Vigo apenas. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quanto aos Açores, estás a gostar? Já cá tinhas vindo? Manuel Vilarinho: Ainda não tinha vindo cá, mas é muito bom. Gosto muito de mar assim diferente. As pessoas aqui são muito simpáticas, o Clube Naval da Horta é bom, acho que tem boas con60

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dições, a rampa é boa. Eu gosto dos Açores. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já conheceste os velejadores do CNH? Manuel Vilarinho: Sim, já os conhecia de outros nacionais e provas. Já nos vamos conhecendo todos. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Gostavas de cá voltar? Manuel Vilarinho: Gostava, mas como é o último ano que posso participar em Optimist, gostava de cá voltar em 420. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quando subires de escalão, o que gostavas de praticar? Manuel Vilarinho: Não posso escolher o laser, porque sou muito “levezinho”. Em 420 posso equilibrar o meu peso com outro colega. A equipa campeã do mundo em 2013: Em cima, da esquerda para a direita, Afonso Domingues, Gil Conde, Renato Conde, Pedro Patrício e Hugo Rocha. Em baixo, Manuel Vilarinho

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que é a vela para ti? Manuel Vilarinho: A vela é a minha vida, só penso em vela. Quando estou na escola, tenho que me concentrar para não pensar só na vela. Por mim, fazia vela todos os dias, mas não dá. Só posso fazer uma vez por semana, aos sábados. Adoro isto. Para mim, era o único desporto no mundo e que deixassem de ganhar milhões no futebol e que patrocinassem mais a vela. É um desporto mais completo e perigoso. Ensina-nos a ter mais garra na vida, para lutar pelo que queremos. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como é que são as notas? Manuel Vilarinho: Pois, isso é que é pior. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Há colegas teus da vela que se organizaram melhor na escola por causa da vela… Manuel Vilarinho: Ah eu não. Por mim era só vela. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Gostavas de continuar ligado à vela na tua vida? Manuel Vilarinho: Sim, gostava de ser velejador profissional. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Se não conseguires esse objetivo, o que gostarias de fazer ligado à vela? Manuel Vilarinho: Neste caso, gostava de ser treinador. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Para o ano já sobes de escalão, mas em que provas ainda participas antes dessa mudança? Manuel Vilarinho: Ainda vou fazer o próximo nacional e depois umas regatas em Aveiro, para brincar um bocadinho, para acabar. Mas preciso de ficar nos 60 primeiros nesta prova para ir ao apuramento. Depois aí os cinco primeiros da tabela vão ao Mundial e do 6º ao 10º lugar vão ao Europeu. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Estás em que posição na classificação do EDP – X CPJ? Manuel Vilarinho: Estava em 15º, mas no segundo dia de provas desci para 33º, por causa do vento. Estava muito vento e sou levezinho.

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ENTREVISTA A BEATRIZ GAGO, 3ª CLASSIFICADA NO CAMPEONATO PORTUGAL DE JUVENIS EM 2014 Fotografia de: Federação Portuguesa de Vela

Beatriz Gago tem 12 anos de idade e chega-nos do Clube Naval Portimão, de onde viajou com mais três colegas de equipa. Está no 8º ano e é aluna de excelência no quadro da sua escola. Beatriz Gago, em preparativos para a primeira regata do EDP - X Campeonato de Portugal de JuConfidenciou-nos uma particularidade sua: além de venis boa velejadora, é ainda boa cozinheira. O treinador e colegas requisitam-na sempre para cozinhar muitas iguarias em todas as viagens que a equipa faz. Também tem jeito para fazer bolos. Tem um sonho: ser oficial da Marinha. Não admira, por isso, que andar à vela seja muito importante para si. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como começou o teu percurso na Vela? Beatriz Gago: Entrei para o Clube Naval de Portimão com 7 anos. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que gostas mais na Vela? Beatriz Gago: Gosto de ir para o mar e aprender tudo o que tenha a ver com a vela. Gosto de superar os meus objetivos. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que a Vela mudou na tua vida? Beatriz Gago: Mudou as minhas rotinas, ao fim-de-semana passei a estar menos tempo em casa e também passei a viajar mais. Mas consegui dividir o meu tempo, para ser mais organizada. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Portanto, conciliaste bem a Vela com a escola? Beatriz Gago: Sim, fiz um acordo com os meus pais em que tinha que estudar durante a semana para obter boas notas e poder dedicar-me apenas aos treinos ao fim-de-semana, para aprender sempre mais. Acho que consigo conciliar melhor os estudos dos que os outros colegas que não praticam Vela. Há também outros colegas meus que optam por faltar aos treinos para estudar e eu, como já tenho essa parte arrumada, lá vou para o mar sábado e domingo. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Que títulos é que já venceste na Vela? Beatriz Gago: No ano passado, consegui o 3º lugar feminino no último Campeonato de Portugal. Foi o meu ano de estreia nos juvenis. Em 2012 e 2013 venci os campeonatos nacionais da classe infantil. Também participei no Campeonato da Europa de 2014, que se realizou na Irlanda. Fiquei mais ou menos a meio da tabela, mas já foi bom ter participado. Agora com os resultados deste Nacional e nos apuramentos em Julho, vou saber se consigo voltar a participar no Europeu. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Que objetivos tens para este Campeonato? Beatriz Gago: Gostava de ficar nos primeiros 10 classificados da prova. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já tiveste a oportunidade de testar o Campo de Regata. Achas muito diferente do que estás habituada? Beatriz Gago: É um bocado, devido às correntes. Mas já cá venho há três anos, a primeira vez para um campeonato organizado pelo Clube Naval da Horta, na Semana do Mar, em Agosto. Foi a coisa mais espetacular que já experimentámos na Vela: regatas de dia e festa de noite. Ainda tivemos a oportunidade de conhecer melhor a ilha do Faial e do Pico. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Portanto, vir aos Açores fazer Vela é sempre um 62

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sonho? Beatriz Gago: É sim, estamos à espera de tentar vir este ano também à Semana do Mar. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Pontos positivos de participar num nacional? Beatriz Gago: Nós, velejadores, já nos vamos conhecendo todos uns aos outros. Esse contacto é bom. Estamos com os amigos, divertimo-nos, competimos, melhoramos e pomos em prática o que aprendemos nos treinos ao longo da época. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Vês a Vela como uma carreira? Beatriz Gago: Sim, como gostava de ser oficial da Marinha, gostava de continuar a estar ligada ao mar.

ENTREVISTA A INÊS MATEUS: VICECAMPEÃ NACIONAL DE JUVENIS 2014 Fotografia de: Ana Borba

Inês Mateus, Vice-Campeã Nacional de Juvenis 2014 e os treinadores, Gonçalo Boto e Pedro Bolina

Chama-se Inês Mateus e tem 14 anos de idade. Participa através do Clube de Vela do Barreiro, onde é a única rapariga entre os oito velejadores do grupo.

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como começou o teu percurso na Vela? Inês Mateus: Comecei na Vela aos 8 anos, em Sesimbra. O meu pai também praticou Vela, por gosto, nunca chegou a fazer competição. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que gostas mais na Vela? Inês Mateus: Gosto de estar na água. Não tenho algo específico que goste mais, gosto de tudo. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Estar sozinha na água e depender de ti, o que significa para ti? Inês Mateus: É um bocado difícil, porque temos que tomar as decisões todas sozinhos. Acho que as pessoas na Vela são sempre mais crescidas, que os outros jovens. Podemos tomar as nossas decisões sozinhos desde que entramos para a Vela. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que a Vela mudou na tua vida? Inês Mateus: Quando entrei na Vela fiz mais amigos, ajudou-me a crescer. Na escola, ajudou-se a ficar mais concentrada, porque é preciso muita concentração quando estamos na água e ajuda-me bastante. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Portanto, conciliaste bem a Vela com a escola? Inês Mateus: Às vezes não é fácil, porque aos fins-de-semana não consigo estudar muito, tenho os treinos. Mas sim, vou conseguindo conciliar as duas coisas. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Praticas algum outro desporto? Inês Mateus: Sim, faço dança Jazz na minha escola, nas horas de almoço. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Que títulos é que já venceste na Vela? Inês Mateus: Fiquei em 2º no Nacional de 2014 e em 22º no Europeu de 2014. Já ganhei lugares no pódio quando era mais pequena e em infantis também, em regatas menos importantes. Ir_ao_mar

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Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Que objetivos é que te propuseste a atingir para este Nacional? Inês Mateus: Quero dar o meu melhor, para não sentir pressão. Quero ir para a água todos os dias e concentrar-me, para conseguir fazer o meu melhor. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já tiveste a oportunidade de testar o Campo de Regata. É muito diferente do que estás habituada? Inês Mateus: É muito diferente do Barreiro, mas é mais parecido com Sesimbra, onde eu andei muitos anos. Há lá muitos saltos, como aqui, e já estou mais ou menos habituada. Já estive cá no Faial duas vezes com a Vela, portanto já conhecia as condições. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Gostaste de cá vir? Inês Mateus: Gostei. Foram duas vindas mais relaxadas. Mas agora temos que estar mais concentrados e não há margem para muitas brincadeiras. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Pontos positivos de participar num Nacional? Inês Mateus: Damo-nos com pessoas de todo o país, é giro porque voltamos a ver amigos que já não víamos há muito tempo e que conhecemos noutras regatas. Acho que a Vela tem um bom ambiente. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Vês a Vela como uma carreira na tua vida? Inês Mateus: Eu queria, mas é um bocado difícil para conciliar com a escola. Sei que há muitos velejadores que quando vão para a faculdade têm a necessidade de parar. Mas se houvesse a oportunidade, gostava. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Gostas de velejar cá no Faial? Inês Mateus: Gosto, tem uma bela paisagem e tem bom vento. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quanto aos treinadores, prognósticos? Gonçalo Boto: Falando diretamente da Inês, insiste-se muito nas pressões, mas o grupo do Barreiro está livre disso. Eles estão concentrados em dar o seu melhor, sabem o que valem. No ano passado, a Inês foi Vice-Campeã nacional, foi 22ª do Campeonato da Europa. Este ano, nas provas de apuramento, venceu as regatas todas em femininos. A Inês livra-se facilmente da pressão, sabe o que vale e o que nós lhe pedimos vai direto aos objetivos dela. Seja o que for, vai dar o melhor dela, tem é que estar concentrada. Há todo um trabalho por trás, como é óbvio. Costumamos dizer que agora já não há nada a fazer, o trabalho está feito. Em relação ao Faial, a Inês já cá tinha vindo. É a sua terceira vinda. As condições, sendo ou não as ideais para a Inês, o que houver é o que ela terá para trabalhar e dar o seu melhor. A nossa preocupação é que tanto a Inês como o resto da equipa estejam na sua melhor fase.

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ENTREVISTA A DANIELA MIRANDA, CAMPEÃ NACIONAL DE JUVENIS EM 2014 Fotografia de: Ana Borba

A velejadora Daniela Miranda, com o seu treinador, Hugo Malheiro

Aos 14 anos de idade, Daniela Miranda participa pela última vez no Campeonato de Portugal de Juvenis, onde vai tentar defender o título. Conseguimos uns breves minutos com a velejadora momentos antes de começar a primeira regata do campeonato.

Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como começou o teu percurso na Vela? Daniela Miranda: Começou aos 3 anos, quando fui ver uma regata. Foi uma paixão à primeira vista. Os meus pais já conheciam o meu treinador e decidiram colocar-me na Vela com 6 anos e meio na Associação Naval do Guadiana, onde estou até hoje. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que gostas mais na Vela? Daniela Miranda: Gosto da maneira como prendemos a lidar com o mar. Temos que compreender muito bem o que estamos a fazer, para poder fazê-lo. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: A Vela é importante para ti? Daniela Miranda: Sim, bastante! Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Como concilias a Vela com a escola? Daniela Miranda: Em termos de testes, muitas vezes tive de abdicar de estudar quando tinha uma regata muito importante. Mas depois chegava a casa e acabava sempre por estudar. Acho que nunca abdiquei de nada, por causa de um desporto. Mas estudo durante a semana para os testes que tenho numa segunda-feira, depois de uma regata e mesmo depois de chagar a casa, ainda estudo mais um bocado. Senão não tinha tempo para as duas coisas. Por exemplo, quando vejo que tenho um dia de treino e tenho um teste mais importante na segunda-feira, abdico do domingo para estudar. Mas raramente falto a treinos e regatas. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Praticas algum outro desporto? Daniela Miranda: Não, sempre me dediquei apenas à Vela. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Que títulos já venceste na Vela? Daniela Miranda: Fui campeã no Nacional de 2014. Já ganhei muitos campeonatos regionais, no Algarve. Também já ganhei um 2º lugar no Campeonato Nacional de Infantis, em Sesimbra. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que esperas deste Campeonato? Daniela Miranda: Eu vou dar o meu melhor, para conseguir o melhor possível e defender o título. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já tiveste a oportunidade de testar o Campo de Regata. É muito diferente do que estás habituada? Daniela Miranda: Não, no Algarve não é muito diferente. Habituei-me relativamente bem aqui ao mar, apesar de ter um bocado de correntes. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já tinhas vindo ao Faial? Daniela Miranda: Não. É a primeira vez que venho aos Açores. Gostei, achei engraçado e gostava Ir_ao_mar

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de voltar cá. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Coisas boas de participar num Nacional? Daniela Miranda: Conviver, diversão e, acima de tudo, as regatas. Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quanto ao treinador, o que pensa do Campo de Regatas, da Organização? Nuno Malheiro: A Organização, até ao momento, tem estado excelente em todos os aspetos. Não tenho qualquer tipo de ponto negativo a apontar. Disseram-me no primeiro dia que o campo de regatas era complicado, por isso ontem andámos o dia inteiro a ver as diferenças das marés. Nós estamos no Rio Guadiana, estamos habituados a correntes, por isso essa parte não nos afeta muito. É só tentar perceber como é que elas circulam e, a partir daí, dar o nosso melhor. Sabemos que não é só uma corrente ou um bordo mal feito que poderá prejudicar um campeonato inteiro, as largadas são também importantes.

DECLARAÇÕES DE JOSÉ DECQ MOTA PRESIDENTE DO CLUBE NAVAL DA HORTA Fotografia de: Ana Borba

A realização de um Campeonato de Portugal de Vela, neste caso de juvenis, na Região Autónoma dos Açores e aqui na Horta, em especial, é muito positiva, por variadíssimas razões. Por um lado, as razões desportivas e de unidade desportiva, por ser um contributo muito importante para que a Vela que se pratica aqui nos Açores possa ter uma ligação mais forte com o padrão e o nível de prática que já se atingiu na generalidade do território nacional. É também muito importante do ponto de vista da quebra do isolamento. Nós estamos aqui muito mais isolados, o nível competitivo é necessariamente mais enfraquecido e dá possibilidade desta geração, entre os 12 e os 15 anos, e respetivo pessoal que os enquadra, poderem conhecer uma região que tem especiais aptidões para a prática de Vela e conhecer uma Região que é parte integrante do país, mas que também necessita muito de ser conhecida pelo conjunto do país. Há uma outra razão muito importante. É o facto de se realizar nas férias escolares da Páscoa, ou seja, realiza-se fora do período central da época desportiva de mar. Precisamente, anunciando o começo dessa época e das escalas na Cidade-Mar, já começam a chegar ao Porto da Horta veleiros de maior dimensão, sendo muito bom que esta própria realidade seja vista pelos visitantes. Ao fazer o campeonato, estamos portanto a alargar a época desportiva de mar. Por fim, tudo isto gera uma convivência, um movimento e uma partilha de conhecimentos, experiências e saberes, que por si só, são muitos importantes. O Clube Naval da Horta tem muito orgulho em ser o clube organizador desta prova.

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DECLARAÇÕES DE HUGO PACHECO, SECRETÁRIO DA ASSOCIAÇÃO REGIONAL DE VELA DOS AÇORES Fotografia de: Ana Borba

Qual a importância da realização do EDP – X Campeonato de Portugal de Juvenis nos Açores? Na óptica da ARVA, a importância da realização do EDP – X CPJ assume dois importantes factores. Primeiro, a integração desportiva dos atletas num campeonato desta dimensão. Os Açores conseguem assim colocar um número de velejadores que não seria possível numa prova realizada fora das ilhas, atingindo a sua quota máxima de 23 atletas. Em segundo lugar, é importante reforçar o papel dos Açores, e neste caso da Horta, como um destino de excelência para a prática de desportos relacionados com o mar, nomeadamente a vela. Julgo que isto está a ser conseguido, o reflexo que temos tido dos treinadores é que percebem o potencial dos Açores nesta matéria. Quem sabe, um dia tornar os Açores e, em particular o Faial, como um cluster para este tipo de actividades, tais como estágios ou preparações para competições de equipas olímpicas, aproveitando as condições do Canal Faial-Pico. Que balanço faz da organização da prova? A organização do EDP – X CPJ está a correr da forma como tinha sido perspectivada. Havia uma preocupação grande com a segurança, pois estamos a falar de 120 jovens entre os 12 e os 15 anos no mar, mais treinadores. Esta era uma chave essencial e tem funcionado muito bem. Temos cerca de 12 barcos no mar a prestar auxílio, para além dos barcos dos treinadores, o que nos dá um garante de segurança muito bom. Para além disso, toda a parte de estrutura organizativa, comissões de regata, comissões de protesto tem estado a funcionar bem, sendo não só a nossa opinião, como também a de quem nos visita, sejam treinadores, atletas ou pais de atletas de que deslocaram aos Açores. Portanto, o saldo é bastante positivo numa altura em que vamos a meio do Campeonato.

DECLARAÇÕES DE JOSÉ LEANDRO, PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE VELA Fotografia de: Ana Borba

Quais os motivos da escolha da Horta para a realização do EDP – X Campeonato de Portugal de Juvenis? A Horta é sempre uma boa escolha. Temos aqui um campo de regatas muito bom, boas condições logísticas e de apoio, o Clube Naval da Horta tem boa capacidade organizativa, mas a ideia partiu da própria Associação Regional de Vela dos Açores, que no ano passado solicitou à Federação que ponderasse organizar cá o Campeonato de Portugal. Logo que surgiu este pedido, a Federação não teve nenhuma dúvida que seria o melhor local para acontecer, apoiando-o a 100%. Aliás, havia já sete anos que não havia um Campeonato de Portugal de Juvenis nos Açores, o último foi em 2008, em Ponta Delgada, e por isso estava na altura de nós cá voltarmos. Que balanço faz dos dias da Prova? Correu fantasticamente. Eu não estive cá nos dois dias iniciais, mas estive hoje e pude constatar a excelente organização: estava tudo no sítio, pessoal muito competente e o Clube Naval da Horta muito empenhado em que tudo corresse bem. O Campeonato teve muita qualidade, percebi que ganharam os melhores e, por isso, estamos todos de parabéns.

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FRANCISCO FRÁGUAS E BEATRIZ GAGO SAGRARAM-SE CAMPEÕES NO EDP – X CAMPEONATO DE PORTUGAL DE JUVENIS

Dia de Medições. Fotografia de: José Macedo

Francisco Fráguas, do Clube de Vela do Barreiro, e Beatriz Gago, do Clube Naval de Portimão, foram os Campeões de Portugal de Juvenis, na prova realizada na cidade da Horta, com a organização do Clube Naval da Horta e da Associação Regional de Vela dos Açores.

No primeiro e segundo dia de provas, o vento esteve perfeito para a prática de vela, permitindo aos velejadores fazer as seis regatas previstas. No terceiro dia, porém, os atletas não foram ao mar, devido ao forte vento e ondulação. Finalmente, no quarto e último dia de prova, os velejadores puderam voltar a competir, mas o tempo voltou a estar contra, desta vez com algum vento a menos do que seria normal. Francisco Fráguas, do Clube de Vela do Barreiro, foi consistente na sua prestação ao longos dos dias, tendo estado sempre na frente da tabela, e alcançou merecida vitória. O seu companheiro de equipa, Manuel Ramos, foi segundo classificado e Luís Pinheiro, do Sport Dafundo e Algés, terminou em terceiro. Quanto às meninas, Beatriz Gago, do Clube Naval de Portimão, ficou classificada em 12º lugar da geral, mas assegurou 1º lugar feminino. Inês Mateus, do Clube de Vela do Barreiro, ficou em 2º lugar, terminando em 14ª da geral, enquanto Daniela Miranda, da Associação Naval do Guadiana, alcançou o bronze, tendo sido 19ª da tabela. Haverá ainda, entre 5 e 7 de Junho, uma Prova Final de Seleção da Classe Optimist, em Leixões, onde se apurarão os velejadores portugueses a participar no Campeonato da Europa, na Grã-Bretanha, e no Campeonato do Mundo, na Polónia.

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1º DIA DE PROVAS

Pormenor da rampa antes da largada

Pormenor da saída para o Campo de Regatas O Campo de Regatas e a Cidade da Horta como pano de fundo

Fotografias de: José Macedo Ir_ao_mar

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2º DIA DE PROVAS

A Transmaçor associou-se ao evento, com o Cruzeiro do Canal a acompanhar uma das regatas do dia com pais de velejadores, utentes da APADIF e população em geral.

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3º DIA DE PROVAS

A passagem de uma frente impossibilitou as três regatas previstas para o dia. Fotografia de: FPV

Fotografia de: FPV O Descanso dos Guerreiros Fotografia de: FPV

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4º DIA DE PROVAS

Fotografias de: Artur Simões 72

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JANTAR DE ENTREGA DE PRÉMIOS

Os prémios do EDP - X Campeonato de Portugal de Juvenis Fotografia de: José Macedo

A sala do Barão Palace onde decorreu o jantar e entrega dos Prémios Fotografia de: José Macedo

Discurso de José Leandro, Presidente da Federação Portuguesa de Vela na entrega de prémios Fotografia de: José Macedo

Discurso de José Decq Mota na entrega de prémios Fotografia de: FPV

Filipe Porteiro, o Diretor Regional dos Assuntos do Mar do Governo dos Açores, entrega a medalha à vencedora Beatriz Gago Fotografia de: José Macedo

José Leandro, Presidente da Federação Portuguesa de Vela, com o vencedor, Francisco Fráguas Fotografia de: José Macedo

Daniela Miranda, Inês Mateus, Beatriz Gago, Manuel Ramos, Francisco Fráguas e Luís Pinheiro Fotografia de: José Macedo Ir_ao_mar

José Decq Mota, em entrevista à RTP/Açores Fotografia de: FPV março 2015

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CLASSIFICAÇÃO FINAL

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TEXTOS: GABINETE DE IMPRENSA DO CNH - CRISTINA SILVEIRA - ANA BORBA

MONTAGEM: - ARTUR FILIPE SIMÕES

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Revista mensal sobre a atividade do Clube Naval da Horta

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