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REVISTA MENSAL SOBRE A ATIVIDADE DO CLUBE NAVAL DA HORTA

Nยบ 57 DEZEMBRO 2018


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BOTES BALEEIROS NO PICO: CNH PARTICIPOU NA REUNIÃO DA COMISSÃO DO PATRIMÓNIO BALEEIRO

Representantes do Faial, de diversos organismos, estiveram presentes neste encontro de trabalho

Graciosa acolhe Campeonato Regional de 2019

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A CCRPB exerceu, também, a competência que lhe é atribuída pelo nº 3 do Artº. 12 do já citado DLR e convocou o 4º Campeonato Regional de Vela e Remo em Bote Baleeiro para os dias 19, 20 e 21 de Julho de 2019, na Graciosa, tendo como entidade organizadora o Clube Naval da Ilha Graciosa. Participaram na reunião da CCRPB representantes de Entidades possuidoras de Património Baleeiro das ilhas de Santa Maria, São Miguel, Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, Faial e Flores; representantes da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores e outros membros da Comissão. Participou, igualmente, a Directora Regional da Cultura, Doutora Susana Goulart Costa, assim como o Presidente da CCRPB, Dr. Manuel Costa.

Comissão Consultiva Regional do Património Baleeiro (CCRPB) reuniu na noite de quarta-feira, dia 5, no Museu dos Baleeiros, nas Lajes do Pico. Tratou-se da reunião anual daquela Comissão Consultiva destinada a emitir o Parecer previsto no Artº. 12, ponto 2, do DLR nº 13/2014/A, parecer esse dirigido às Entidades Governamentais que tutelam a gestão, utilização e conservação do Património Baleeiro Regional. O referido Parecer visa apresentar uma detalhada proposta de utilização das verbas inscritas no Plano Regional para 2019 e que se destinam à conservação e recuperação do Património Baleeiro.

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CANOAGEM PROVA DE NATAL CONTOU COM 11 ATLETAS

“Esta foi uma boa oportunidade para os elementos da Secção se juntarem e conviverem”

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orreu bem, as condições climatéricas estavam bastante boas, com pouco vento, céu azul e sol. Nesta Prova de Natal houve duas vertentes: a Velocidade e o Fundo. Menores e Infantis fizeram 2.000 metros e os restantes – Cadetes, Júniores, Séniores e Veteranos – fizeram 5.000 metros. A Velocidade foi 500 metros para todos. Tivemos 11 canoístas no total, o que foi bom. Como o tempo não tem permitido, os treinos não têm sido frequentes. Atendendo a esse aspecto e ao facto de estarmos no fim da época, nesta Prova houve um clima de relax. Em 2019 voltamos a pensar a sério na competição”. É esta apreciação que Hugo Parra, Treinador de

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Canoagem (Competição) do Clube Naval da Horta (CNH) faz à Prova de Natal, que decorreu sábado, dia 8, na Baía da Horta. Segundo o Treinador, “esta foi uma boa oportunidade para os Atletas, o Treinador e a Directora da Secção (Susana Rosa) se juntarem e conviverem. Foi espectacular! É um bom grupo e tem vindo a crescer. A verdade é que se vierem todos, estamos numa fase em que já não há material suficiente, se bem que a falta de material é uma questão antiga. No último treino, em que houve muito mau tempo e mesmo assim eu não cancelei, tivemos 14 Atletas. O ideal seria manter este grupo no próximo ano, onde se encontram raparigas, com mais idade, que começaram há pouco tempo. Seria interessante a manutenção da representação feminina, porque de facto no que diz respeito à Canoa-

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CLUBE NAVAL DA H gem Feminina, a região Açores está parada. Já no Continente é como é. Não sei o que está por detrás deste desequilíbrio entre o número de canoístas masculinos e femininos, mas, em termos regionais, a representação delas é pequena. Por isso, faço um apelo a que as meninas continuem a vir e, se possível, tragam mais!” Após a Prova deste sábado – que encerrou o calendário de 2018 – houve um convívio com

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lanche partilhado por todos, um momento usual e marcante na Secção de Canoagem do CNH. O espírito natalício fez-se sentir não só através da confraternização e dos gestos de amizade e carinho mas, também, pelos adereços envergados pelos Canoístas, Treinador e Directora, como se pode comprovar pelo momento imortalizado por António Fraga, a quem agradecemos a disponibilidade.

Nesta Prova de Natal houve duas vertentes: a Velocidade e o Fundo

Susana Silveira Rosa | CNH 2018 “O ideal seria manter este grupo no próximo ano e se possível aumentar a representação feminina”

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MINI-VELEIROS 5ª PROVA DO “TROFÉU TURISMAR 2018”

João Nunes, António Pereira e Eduardo Pereira no pódio da 5ª Prova do “Troféu Turismar 2018”

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tempo razoável, com ausência de chuva, marcou a 5ª Prova do “Troféu Turismar 2018”, uma iniciativa da Secção de Mini-Veleiros do Clube Naval da Horta (CNH), decorrida na tarde de domingo, dia 2, e que contou com 5 velejadores. O pódio foi partilhado por João Nunes (1º lugar); António Pereira (2º lugar) e Eduardo Pereira (3º lugar).

Segundo João Sequeira, Responsável por esta Secção, “o campo de regata apresentou-se com saltos de vento e vento inconstante”, mas mesmo assim foi realizada a Prova, com um total de 6 regatas. A última etapa deste Troféu será disputada a 16 do corrente, dia em que serão conhecidos os vencedores. O “Troféu Turismar 2018” é composto por 6 Provas, sendo este o 4º ano consecutivo em que é patrocinado pela Empresa de Actividades Marítimo-Turísticas “Turismar”, de Mário Carlos, praticante desta modalidade.

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NATAÇÃO CNH CONTA COM CLASSE DE MASTERS NA ÉPOCA DE 2018/2019

Tiago Henriques, a propósito das aulas: “Estamos todos com vontade e motivados”

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al como já aconteceu em anos anteriores, o Clube Naval da Horta (CNH) conta esta Época (2018/2019) com uma Classe de Masters na Natação. Tiago Henriques, Treinador e Coordenador da Secção de Natação do CNH, faz a apresentação do grupo e explica as motivações destes atletas. Os treinos decorrem às terças e quintas, das 20h00 às 21h00, na Piscina da Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA), da Horta. De acordo com o Treinador, as aulas devem terminar a meados de Julho de 2019. - Gabinete de Imprensa do CNH: Quantos atletas compõem a Classe de Masters? - Tiago Henriques: Para já, inscreveram-se 11 atletas, mas há previsão de que este número venha a aumentar. Se chegarmos aos 15, penso que é bom!

- Gabinete de Imprensa do CNH: O que levou este grupo de adultos a optar pela Natação? - Tiago Henriques: São várias as razões, desde ter a prática de uma actividade desportiva regular, passando por treinar ou mesmo por questões de saúde. Alguns são também ex-nadadores do CNH e outros praticantes de Águas Abertas. “Nunca é tarde para iniciar uma actividade nem para competir” - Gabinete de Imprensa do CNH: O objectivo é praticar um desporto ou também estão previstas algumas competições? - Tiago Henriques: Ambas as situações. Para alguns, trata-se de uma oportunidade para praticar um desporto mas também existe o desejo de competir. Estão previstas competições e gostava de ter o máximo possível de atletas presentes. Esta Classe reveste-se de especificidades próprias, uma vez que a maioria tem família a seu car-

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go e às vezes as datas não são compatíveis com as rotinas ou deveres familiares mas penso que irá correr bem. A ideia de criar esta Classe, alem da parte competitiva, é também para ajudar a desmistificar a ideia de que as pessoas têm “prazo”. Nunca é tarde para iniciar uma actividade nem para competir e a competição nesta Classe tem uma componente social muito gira, onde o convívio é a parte fundamental. - Gabinete de Imprensa do CNH: Como estão a decorrer as aulas? - Tiago Henriques: Estão a decorrer muito bem, estamos todos com vontade e motivados. - Gabinete de Imprensa do CNH: É uma experiência nova para o Tiago? - Tiago Henriques: Não, no Bairro dos Anjos também iniciei um projecto de Masters depois de me terem desafiado a isso. E posteriormente, tanto em Albufeira como em Olhão, dei continuidade ao que já existia. - Gabinete de Imprensa do CNH: É mais fácil lidar com os adultos ou com os mais novos? - Tiago Henriques: É diferente; a postura e a linguagem diferem um pouco mas lido bem tanto com os mais novos como com os adultos.

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- Gabinete de Imprensa do CNH: Há um Plano de Treinos ou trata-se de natação livre? - Tiago Henriques: Existe planeamento e está a haver planeamento diferenciado, conforme as necessidades de cada um, ou seja, existem grupos mais avançados e outros numa fase inicial em que o planeamento vai de encontro ao que necessitam. - Gabinete de Imprensa do CNH: Quem quiser inscrever-se ainda vai a tempo? - Tiago Henriques: Sim, são aceites inscrições durante toda a Época. - Gabinete de Imprensa do CNH: Vai haver alguma actividade diferente pelo Natal? - Tiago Henriques: Sim, realiza-se este sábado, dia 15, a iniciativa do CNH intitulada “4 Horas a Nadar”, na Piscina Municipal da Horta, uma actividade já com tradição e que queremos manter. Todos os atletas do Clube são bem-vindos assim como qualquer outra pessoa que queira associar-se a esta maratona de natação, que decorre entre as 9 e as 13 horas. Quem quiser inscrever-se pode fazê-lo na Secretaria do CNH ou então na própria Piscina Municipal da Horta, meia-hora antes do início desta actividade.

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NATAÇÃO “4 HORAS A NADAR” NA PISCINA MUNICIPAL

Alguns dos participantes ao lado de Tiago Henriques

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iniciativa correu bem, com os participantes a passarem uma excelente manhã desportiva com boa disposição e muito cansaço. Tivemos três equipas a disputar o 1º lugar: uma era composta maioritariamente por ‘Masters’ e as outras duas eram um misto entre Categorias e Cadetes, com a equipa vencedora a fazer cerca de 15.000 metros, ficando a segunda classificada a cerca de 150 metros. Foi competitivo mesmo até ao fim, destacando-se a equipa vencedora já na recta final. Reinou a boa disposição e o bom espírito entre as várias idades presentes contribuindo, assim, para uma belíssima manhã desportiva, terminando com um almoço que o Clube Naval da Horta (CNH) fez questão de oferecer a todos os partici-

pantes para premiar o seu esforço e participação em mais uma iniciativa desta instituição náutica faialense. No final da competição realizou-se uma pequena cerimónia de Entrega de Medalhas à equipa vencedora. Obrigado a todos os que de alguma forma contribuíram e ajudaram à realização deste evento, que já é uma tradição do Clube Naval da Horta!” É assim que Tiago Henriques, Treinador e Coordenador da Secção de Natação do CNH, descreve a forma como decorreu o evento “4 Horas a Nadar”, uma iniciativa desta Secção que aconteceu entre as 9 e as 13 horas de sábado, dia 15, na Piscina Municipal da Horta. Esta actividade teve como propósitos “promover a natação e hábitos de vida saudáveis” e, simultaneamente, assinalar a quadra que vivemos, tendo sido enquadrada no programa camarário

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“Natal com Tradição”. O evento foi aberto a toda a comunidade e não apenas aos Atletas do CNH, tendo aprova decorrido em formato de estafetas. No que toca a Prémios, cada nadador recebeu

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um Diploma de Participação, com uma Medalha para cada um dos elementos da estafeta vencedora. A arbitragem esteve a cargo dos juízes da Associação de Natação da Região Açores (ANARA).

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VELA DE CRUZEIRO ENTREGA DE PRÉMIOS DAS REGATAS DA REPÚBLICA E DE SÃO MARTINHO

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oi em ambiente descontraído que decorreu a Entrega de Prémios das Regatas da República e de São Martinho, decorrida na tarde desta sexta-feira, dia 7, no Bar do Clube Naval da Horta (CNH). As boas-vindas foram dadas por Luís Costa, Director da Secção de Vela de Cruzeiro do CNH, entidade organidora e promotora destes eventos naúticos, realizados em Novembro último. A dinamização da modalidade da Vela de Cruzeiro além da confraternização, são o mote desta Secção, que no próximo domingo, dia 9, realiza o Convívio de Natal no mar. Nesta Entrega de Prémios foram distinguidos os três primeiros classificados de cada uma destas Provas na Classe OPEN, a única que registou inscritos. Foram vencedoras da Regata da República as embarcações “Rift” (Carlos Moniz); “Soraya” (Frederico Rodrigues) e “Twisted” (João Silva). Na Regata de São Martinho, o pódio foi partilhado pelo “Twisted” (João Silva); o “Além Mar” (Disidério Machado) e o “Soraya” (Frederico Rodrigues).

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Enquanto Director da Secção de Vela de Cruzeiro, Luís Costa fez as honras da casa

Carlos Moniz, ‘Skipper’ do “Rift” com a sua tripulação, exibindo o Troféu do 1º lugar da Regata da República

Disidério Machado, como capitão do “Além Mar”, recebeu o Prémio correspondente ao 2º lugar na Regata de São Martinho

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VELA DE CRUZEIRO CONVÍVIO DE NATAL DA SECÇÃO DE VELA DE CRUZEIRO DO CNH DECORREU NO CANAL

A boa disposição marcou este Convívio, uma actividade já habitual

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passeio decorreu em ambiente alusivo à época que vivemos, com sã camaradagem e boa disposição. Participaram neste evento 6 embarcações da Vela de Cruzeiro. Atendendo a que havia uma ondulação significativa, o passeio traduziu-se numa viagem junto à costa do Pico, fora da Areia Larga, e regresso ao Faial”. É assim que Luís Costa, Director da Secção de Vela de Cruzeiro do Clube Naval da Horta (CNH) descreve o Convívio de Natal desta Secção – um evento já com tradição nesta altura do ano – realizado na tarde de sábado, dia 8.

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VELA LIGEIRA REGATA DOS 25 ANOS DA APADIF: INCLUSÃO PELA VELA

A Regata da APADIF e a Entrega de Prémios constituiram uma verdadeira festa

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ealizou-se hoje a Regata Comemorativa dos 25 Anos da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF), tendo sido criado conjuntamente entre esta instituição e o Clube Naval da Horta (CNH) o Projecto “Vela Para Todos - Faial Sem Limites”, instituído protocolarmente a 29 de Dezembro de 2011, visando a inclusão de todos na prática da Vela, destruindo barreiras e preconceitos que ainda possam existir, dando o seu contributo para a construção de uma sociedade mais justa e aberta à diferença. Esta parceria cresceu fortemente nos últimos 6 anos e a Vela Adaptada consolidou-se do ponto de vista qualitativo e formou excelentes velejado-

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res. Assim sendo, a Classe Hansa (Vela Adaptada) passou a integrar o calendário da Vela Ligeira do CNH fazendo deste um desporto inclusivo e reunindo todas as Classes de Vela que se praticam no Clube Naval da Horta”. Foi com estas palavras, ditas de forma verdadeiramente efusiva, que José Decq Mota, Presidente da Direcção do CNH, deu o pontapé de saída na Entrega de Prémios desta actividade, realizada na manhã de sábado, dia 8, na Baía da Horta. CNH e APADIF pioneiros na Inclusão no Faial Prosseguindo a sua improvisada mas pensada intervenção, o mais alto Dirigente do Clube Naval da Horta reiterou a sua “profunda convicção” de que “está na mão de todos nós – mais velhos e mais novos – mas especialmente na dos mais

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António Luís, Presidente da Comissão de Regata; José Decq Mota, Presidente da Direcção do CNH; José Fialho, Presidente da Direcção da APADIF; e Duarte Araújo, Treinador de Grau II e Coordenador da Escola de Vela do CNH, na Entrega de Prémios da Regata da APADIF 2018

novos, continuar a trabalhar para que este Clube cumpra as suas funções e preserve a sua nobreza associativa”. José Decq Mota – Presidente desta “casa” há 6 anos consecutivos, ao longo de três mandatos, isto sem contar o trabalho desenvolvido em décadas anteriores – lembrou, uma vez mais, que o CNH se encontra num processo eleitoral, atendendo a que no dia 19 deste mês haverá eleições para novos Órgãos Sociais. Por isso, fez um apelo aos Sócios da única instituição náutica faialense para que se organizem “no sentido de que este processo possa decorrer com a normalidade que a vida e a dimensao do Clube exigem”.

tiva nacional e internacional. “É crucial mantermos a relação que temos com a Náutica Internacional de Recreio, cujos velejadores, os que aqui passam e aqueles que passando um dia ficam aqui – de que é um bom exemplo o Gjalt Van der Zee, nosso velejador, hoje aqui presente – são peças essenciais na vida deste Clube”. APADIF: “25 Anos num percurso exemplar” José Decq Mota aproveitou esta ocasião para “felicitar muito” a APADIF por este “percurso exemplar de 25 Anos”, ao longo do qual “criou

Manter a relação com a Náutica Internacional de Recreio O Presidente da Direcção do CNH vincou que estas eleições têm, também, “um peso determinante” na defesa do Faial como escala e como local para a prática dos desportos numa perspec-

Atletas e Treinadores escutaram atentamente as mensagens veiculadas

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valências, projectos e actividades, que não existiam no Faial e faziam muita falta”. “É muito importante sabermos que a APADIF mantém a perspectiva de prosseguir por essa via”, salientou o mais alto Responsável pelos destinos do CNH, rematando com estas palavras: “Ao sr. Presidente da APADIF, meu estimado e velho amigo José Fialho, e a todos os membros da Direcção, Colaboradores, Trabalhadores, Activistas e Amigos, quero expressar em nome do Clube Naval da Horta uma saudação viva e amiga”. Mergulho já em 2019 Para José Fialho, a Regata de Vela Ligeira do CNH evocativa das Bodas de Prata da APADIF representou o encerramento do programa comemorativo dos 25 Anos com “chave de ouro”. “Quero agradecer a vossa presença e a vossa participação neste evento e, tal como disse o Presidente do CNH, a APADIF tem vindo, ao longo deste tempo, inovando e a prova disso é que já em 2019 irá ser implementado o mergulho”, sub-

linhou José Fialho, que prosseguiu: “Vai ser uma actividade extremamente engraçada e já se verificou isso no baptismo ocorrido este mês, na Piscina Municipal da Horta. Não tenho dúvidas de que será uma actividade que irá marcar o Faial, ilha que, neste âmbito tem sido pioneira e penso que temos todas as condições para continuarmos a ser os pineiros e a dar exemplo às outras ilhas dos Açores e talvez mesmo até a nível nacional. Por isso, quero agradecer uma vez mais a todos vós e desejar-vos um óptimo Natal”.

Utentes do Moviment’Arte fizeram os Prémios João Duarte, Treinador da Classe Hansa, fez questão de referir que estes Prémios foram feitos pelos utentes do Projecto Moviment’Arte – uma das várias valências da APADIF – pessoas adultas que executam diversas peças e que trabalham em diferentes ateliers, sendo a Carpintaria um deles. “Aliás – frisou este Técnico – todos os prémios da Regata da APADIF são sempre exe-

Os Prémios da Regata da APADIF 2018 revelam o trabalho empenhado e perfeccionista dos utentes do Moviment’Arte

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Esta Regata é um bom exemplo do desporto inclusivo

cutados por estes utentes, mas os deste ano tiveram um toque de qualidade diferente”. Falando sobre a Prova, João Duarte afirma que “foi uma boa Regata”. E explica: “Ao início da manhã parecia que ia ser complicado, porque tínhamos muito pouco vento. Entretanto, o tempo abriu e começou a entrar um ventinho e tivemos vento bom para fazer a Prova. Na primeira regata fizemos só uma volta, com receio de não poder completar, porque havia pouco vento, mas completou-se rapidamente e já na segunda regata os velejadores fizeram duas voltas num percurso muito bem montado. Na segunda regata já entrou um pouco mais de mar, uma vaga curta de um metro que dificultou o trabalho dos atletas, mas faz parte da Vela. Foram duas regatas distintas num dia de mar muito bom. Participaram 6 velejadores e foi um evento espectacular! Devo destacar que este é um Projecto pioneiro nos Açores e talvez mesmo em Portugal, em que no Clube Naval da Horta temos a Classe Hansa juntamente com todas as outras Classes da Vela Ligeira – Optimit, Laser, 420 – a participar em provas, numa situação única no País”. Duarte Araújo, Treinador de Grau II e Coordenador da Escola de Vela do CNH, achou por bem explicar que a Regata da APADIF inicial-

mente estava marcada para os primeiros dias de Outubro, mas como a meteorologia não permitiu cumprir o calendário, entretanto surgiram outras Classes e outros interessados que, não tendo direito a prémio, participaram na Prova, e a quem a organização agradece o seu empenho enquanto desportistas. “Em Laser Standard, o António João ficou em 2º lugar e o Gjalt Vand der Zee em 1º. Outro escalão que entrou um pouco em cima da hora devido ao trabalho que tem feito em Iniciação e no Aperfeiçoamento, e que quando foi organizada esta Regata não estavam preparados para comptetir, mas hoje mostraram que, com as condições certas já estão, são os Optimist B – que foram cinco – e que eu menciono os nomes, porque todos estiveram muito bem: Rodrigo Lopes, Diogo Sá da Bandeira, Francisco Colaço, Manuel João e Rodrigo Medeiros”. Mariana Luís, Monitora: “Sinto-me orgulhosa pelo desempenho do meu grupo” “A Regata correu bem. Os objectivos foram alcançados, o que passava por completar as regatas. Os velejadores estiveram muito bem, sobretudo quem fez a primeira regata na vida, como foi o caso de cinco velejadores da Classe Optimist B,

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Nesta Prova estrearam-se cinco velejadores da Pré-Competição

que fazem parte do meu grupo de Pré-Competição. Como Monitora, sinto-me orgulhosa! Fizemos 2 regatas e o tempo ajudou, embora no fim a onda tenha crescido, o que constituiu um desafio maior, mas eles souberam lidar com a situação. De uma maneira geral, acho que todos – 14 no total – fizeram um boa prova. Naturalmente que as Regatas de hoje e de ama-

“Esta prova ajudou-nos a ter uma melhor percepção do estado da frota”

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nhã (dias 8 e 9) servem como treinos, porque assim temos uma melhor percepção do estado da frota e daquilo que temos de melhorar para a 2ª Prova do Campeonato Regional (PCR) de Vela Ligeira dos Açores, que irá decorrer no Faial, no próximo fim-de-semana (dias 15 e 15 de Dezembro). “La Piovra” no fornecimento de refeições ao CNH O lanche da Entrega de Prémios deste sábado contou com um novo fornecedor. Estamos a falar do serviço de “La Piovra”, de Miri e Dino Lucarelli, um casal italiano que criou uma grande empatia com o Clube Naval da Horta, como nos contam eles próprios: “A nossa empresa foi criada em Maio de 2017 e estamos instalados no Parque da Alagoa. Atendendo a que somos italianos, sentimos falta da nossa comida e pensámos que apostando nesta área seria também uma oportunidade de os faialenses e não só conhecerem a nossa gastronomia e experimentarem os nossos produtos.

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CLUBE NAVAL DA H Pensamos que as pessoas estão a gostar, porque voltam. Temos pratos diferentes como o “panzerotto”, que é uma pizza especial, com diversos ingredientes, super-amada e que não afecta a linha dos mais preocupados com isso, mas temos também comida clássica italiana como massa, lasanha, doces, etc. Devo dizer que o tiramisú é o nosso forte. No lanche de hoje a aposta foi na “Porchetta”, uma especialidade do Dino, mas ambos cozinhamos. É uma empresa familiar, composta por nós dois e pelo nosso filho, que ajuda a comer! Já em Itália tínhamos um negócio, diferente deste, mas como temos uma paixão pela cozinha italiana decidimos apostar nesta área e estamos muito contentes com o resultado. O Duarte [Araújo] é fantástico! Chegámos ao Faial há 3 anos e o primeiro contacto que tivemos foi com o CNH. Foi em Fevereiro e logo no mês a seguir, em Março, o nosso filho Alessio já estava aqui, na Vela. Era muito tímido e não falava português, mas agora está muito bem. O português, sendo uma língua latina, é fácil de aprender. Se fosse alemão ou russo seria mais complicado. Estamos a gostar e têm sido todos simpáticos”.

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Miri e Dino Lucarelli sentem-se em casa no CNH e acolhidos no Faial, ao ponto de já terem montado um negócio

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VELA LIGEIRA REGATA DE NATAL 2018 CONTOU COM CERCA DE 30 ATLETAS

“Esta foi uma Regata muito competitiva”

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Prova foi muito gira, tendo sido realizadas três regatas. Atendendo a que lá fora as condições de mar eram agrestes, fizemos cá dentro mas mesmo assim estava muito vento, pelo que os velejadores debateram-se com condições bastante duras. Tratou-se de uma Prova muito competitiva, tendo sido decidida só na última regata. Os 4 barcos andaram sempre juntos o que revela o nível competitivo da frota Hansa do Clube Naval da Horta (CNH). Todos gostaram muito desta competição que foi muitíssimo agradável”. É este o balanço feito por João Duarte, Treinador da Classe Hansa (Vela Adaptada) do CNH, à

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Regata de Natal da Secção de Vela Ligeira do Clube Naval da Horta, realizada domingo, dia 9. Participaram cerca de 30 velejadores das Classes Hansa 2.3, Hansa 303, Optimist, Laser 4.7 e 420.

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VELA LIGEIRA RUI SILVEIRA CONQUISTA 3º LUGAR NA PORTUGAL VILAMOURA COACH REGATTA

Foram três dias de Regata

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velejador da Classe Laser Standard do Clube Naval da Horta (CNH), Rui Silveira, ficou no pódio (3º classificado) da Portugal Vilamoura Coach Regatta, que decorreu de 17 a 19 do corrente, em Vilamoura. Foram realizadas 7 regatas por uma frota que contou com várias dezenas de atletas de topo de diferentes países. Esta competição aconteceu depois de duas semanas de estágio neste mesmo local, pelo que o velejador do Clube Naval da Horta considera ter sido “um bom período de trabalho”. Rui Silveira, Atleta de Alta Competição, encontra-se a trabalhar no Projecto Olímpico que visa os Jogos de 2020, em Tóquio, no Japão.

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FESTA DE NATAL DAS SECÇÕES DE VELA LIGEIRA, CANOAGEM E NATAÇÃO PRESIDENTE GARANTE: “2019 VAI SER UM BOM ANO PARA O CNH”

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uero desejar a todos Boas Festas e que o Ano Novo seja bom para cada um, para as Famílias e para o Clube Naval da Horta (CNH). Palavras proferidas por José Decq Mota, Presidente da Direcção do CNH, no decorrer da Festa de Natal das Secções de Vela Ligeira, Canoagem e Natação do Clube Naval da Horta, que aconteceu na noite de domingo último, dia 2, no Bar desta instituição náutica faialense. Na sua curta mas marcante intervenção, o Presidente desta “casa” asseverou que “2019 vai ser um bom ano”. Na base desta certeza estão algumas garantias dadas a este Dirigente, que sublinhou: “Temos várias questões para resolver e outras em curso e em bom curso”. “Na vida associativa e política há alguns sinais que não são negativos de um melhor futuro imediato”, frisou José Decq Mota, afirmando que ainda não se sabe em que medida irão ser concretizados.

O Presidente da Direcção do CNH sustentou que “outro sinal importante é o facto de uma Sociedade Anónima chamada “Portos dos Açores” se manter disponível para colaborar nos moldes que têm vindo a ser habituais. O CNH actua em território desta empresa e usa serviços da mesma em situação muito vantajosa, tendo havido até agora uma boa parceria. E, de acordo com o que foi manifestado pelo novo Presidente do Conselho de Administração, Miguel Costa, é tudo para manter e se houver mais alguma coisa possível, é para fazer”. Como é do conhecimento geral, “as pequenas e desadequadas instalações do Clube Naval da Horta – que remontam à década de 80 do século XX – constituem o principal problema desta instituição”. José Decq Mota diz estar com esperança de que “o CNH não fique no beco”, tendo em conta que vai avançar a obra do novo Pavilhão destinado às Empresas Marítimo-Turísticas, que ficam

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paredes meias com o Clube Naval da Horta, o que irá expôr, de forma ainda mais acentuada, a situação degradante do edifício-sede da única instituição náutica do Faial, com acção reconhecida e premiada e projecção a nível mundial. Eleições à porta Aproveitando a presença de Sócios e Amigos do CNH, José Decq Mota lembrou que foi convocada, para o dia 19 deste mês, uma Assembleia Eleitoral do Clube Naval da Horta. E antes que alguém pudesse pensar algo, o actual Presidente desta “casa”, ressalvou que não corre o risco de ser acusado de fazer campanha eleitoral pelo facto de não ser candidato. “Sou o Sócio número 28 do CNH e aproveito esta oportunidade para apelar no sentido de que estejam disponíveis para integrar Órgãos Sociais. Este ano de 2018 é um ano de eleições. Espero que os Sócios se mobilizem para que este problema seja resolvido”. E rematou, manifestando a sua “profunda confiança no futuro”, porque “este Clube tem tradição, pessoas, atletas e tem sabido evoluir”.

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Um convívio “super-importante” Para Duarte Araújo, Treinador de Grau II e Coordenador da Escola de Vela do CNH, “este convívio é super-importante na medida em que reforça a ligação entre o Clube, os Atletas e as Famílias destes. São as Famílias e os Voluntários, que no fundo representam muitos dos Pais dos Atletas, que, com o seu trabalho empenhado e gratuito, ajudam a colmatar a falta de efectivos no CNH. É graças a eles que o Clube Naval da Horta consegue levar a bom porto a esmagadora maioria das suas actividades ao longo de todo o ano”. Odete Macedo, Amiga do Clube, mostrou “grande contentamento” pela realização de mais esta iniciativa, afirmando que “este tipo de convívios deveria acontecer com mais frequência, atendendo a que constituem excelentes oportunidades para miúdos e graúdos se conhecerem melhor, aproximando mais as pessoas umas das outras”. Este Clube é quase como uma família”, vincou. Instada a dar a sua opinião, Olga Marques, Vice-Presidente do CNH (e simultaneamente Directora das Secções de Natação e Vela Ligeira) disse, visivelmente satisfeita: “Foi um convívio muito agradável, os pais esmeraram-se e o jantar foi muito bom!”

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SOB O LEMA DA INCLUSÃO APADIF PROPORCIONA BAPTISMO DE MERGULHO NA PISCINA MUNICIPAL

Mergulhadores, Técnicos e Presidente da APADIF, Directora da Piscina Municipal da Horta e protagonistas do Baptismo de Mergulho mostraram que o caminho é seguir com todos

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ensibilizar para a Inclusão é o grande lema da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF), que no dia 10 de Novembro último assinalou 25 Anos de lutas e conquistas em prol daqueles que, sendo diferentes, devem ser tratados como iguais. Nesse contexto e para vincar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência – 3 de Dezembro – a APADIF organizou e promoveu uma actividade designada Baptismo de Mergulho, que teve como palco a Piscina Municipal da Horta e que decorreu na manhã de segunda-feira, dia 3. No âmbito da parceria existente entre o Clube Naval da Horta e a APADIF – instituições que implementaram, conjuntamente, o Projecto “Vela Para Todos - Faial Sem Limites”, instituído protocolarmente a 29 de Dezembro de 2011, visando “a inclusão de todos na prática da Vela, destruindo barreiras e preconceitos que ainda possam

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existir, dando o seu contributo para a construção de uma sociedade mais justa e aberta à diferença” – o Gabinete de Imprensa do CNH acompanhou este Baptismo. Protagonistas desta verdadeira aventura foram Rui Dowling – Velejador da Classe Hansa (Vela Adaptada do CNH), Campeão Nacional da Classe em 2016, tendo sido homenageado pela Câmara Municipal da Horta em 2017, no Dia da Cidade – Cidália Pinheiro; Luís Amaral e Camila Xavier, utentes do Moviment’Arte, da APADIF; e Roberto Faria, funcionário da APADIF. João Ferraria domina a situação e emana tranquilidade. Dá atenção a todos e sente-se feliz por fazer os outros felizes. É um homem de causas e acredita que partilhar, ajudar, compreender o outro é algo natural. É sem dúvida dentro desta sua maneira de ser – inclusiva e amiga – que se explica o facto ter oferecido a Roberto Faria o Curso de Mergulho – o qual não cabe em si de contente, desejando que as aulas comecem o mais depressa possível – ou de elogiar a coragem de Rui Dowling, o “nosso” Campeão de Vela, por enfentrar o mar num barco. “Um dia hei-de meter-me num barco

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CLUBE NAVAL DA H de Vela”, diz, a sorrir, sob o olhar do Atleta do Clube Naval da Horta, que não se importa de, nessa matéria, partilhar o que já aprendeu com o seu Treinador, João Duarte. E de Instrutor de Mergulho, credenciado e experiente, João Ferraria passará à condição de formando na arte de velejar. João Ferraria: “Trabalhar com estas pessoas é uma maneira de quebrar barreiras” Sou Instrutor de Mergulho para Pessoas com Deficiência. Sendo do Continente, vivo no Faial há 8 anos. Trabalhei com a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM), em Setúbal. Sou Instrutor de Pessoas com Deficiência desde 2012, tendo trabalhado com este público entre 2002 e 2010. Trabalhar com estas pessoas é uma maneira de quebrar barreiras e de adapatar o mergulho – que geralmente é sempre para outro público,

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turistas, etc – a pessoas com necessidades especiais, que ao fim e ao cabo é a mesma coisa, mas com ligeiras adaptações. Cada tipo de deficiência tem uma maneira de ver o mergulho. Basicamente, o que pretendo é fazer chegar o mergulho a todos os campos. É fácil trabalhar com eles. Os exercícios ou a actividade proposta depende de cada pessoa e vai de encontro às suas necessidades e não àquilo que geralmente a organização pretende, e que pode ser a meta dos 12 metros, 18, 20, 40. Há pessoas que ficam felicíssimas só de vestir o equipamento e de estarem com aquela coisa toda à volta; há outros que fazem a 30 centímetros da superficie e saem tão contentes como um que tenha feito a 30 ou a 40 metros de profundidade; há ainda outros que é só ligeiras adaptações, como no caso das amputações ou alguns graus de paraplégicos. Basta umas luvas com membrana ou umas adaptações no equipamento e conseguem fazer o mergulho perfeitamente normal. O que é proposto para eles é exactamente o

Cidália Pinheiro, acompanhada pelo Instrutor de Mergulho, João Ferraria, expressou a sua alegria por ter testado esta novidade

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Luís Amaral foi um dos que mais se divertiu durante toda a manhã desta segunda-feira

que é proposto para os mergulhadores convencionais. No caso de outras pessoas, temos uma mangueira mais longa porque não podem ter peso sob o corpo. Faz-se, portanto, com exercícios e técnicas de respiração para descer e subir um metro ou um metro e meio e já é uma vitória grande. Eles sentem-se felizes e realizados e em estado de igualdade, que é o que pretendemos. O que interessa a este público é experimentar, sentir a água. Ficam sempre com a sensação de dever cumprido e é isso que propomos, sem stresses, sem pressões, cada um só faz o que quer. O mergulho ajuda-os a nível físico e psicológico. A pessoa sente-se bem. A água é um meio libertador. Portanto, daqui só vêm boas sensações. O João Esteves é do Faial e é meu Assistente. Está a fazer formação na área do Mergulho. Eu estou a trabalhar no Centro de Mergulho e acho que faz todo o sentido estar também dedicado à parte social na Região.

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Eu sempre fiz isto enquanto estive no Continente e depois quando cheguei ao Faial entre trabalho e outros afazeres fui sempre arranjando maneira de ir implementando este projecto. Tenho um respeito muito grande pela APADIF e sei a importância de pequenas actividades como esta. Só uma hora, duas, três para um universo destes, faz toda a diferença. Considero que a actividade de hoje correu bem. Estou satisfeito. Todos eles tiveram uma evolução boa. Estavam confiantes, demonstrando à vontade com o equipamento e com a água. Sem dúvida que a experiência é para repetir. A ideia é ir fazendo com todos. Sinto uma satisfação triplicada! Temos de ter certos cuidados, incutir alguns princípios e depois é só segui-los. Vai havendo progressos a cada aula, a cada hora. O que é preciso é incutir o gosto pela actividade, porque toda a gente tem apetência pelo mar, pelo meio aquático em si. Depois é só mesmo dar

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Camila Xavier demonstrou à vontade

a confiança de que as pessoas precisam. Mas isso é com todos: qualquer pessoa precisa de confiança na água. Debaixo da água sentimos liberdade, não há gravidade, não há peso. “O Voluntariado sempre fez parte de mim” Tenho um irmão que sofreu um gave acidente quando era pequeno. E recordo-me que meu pai pôs-me com equipamento de apneia quando eu tinha 5 anos e fui naturalmente desenvolvendo o gosto. Quando estava em Sesimbra, Setubal, fazia habitualmente actividades destas. Na altura, o Mergulho ainda estava a dar os primeiros passinhos, tal como nós o conhecemos agora a nível recreativo, com as orgnaizações a surgirem com programas de mergulho. O Voluntariado sempre fez parte de mim, o que acontece desde os meus 20 anos. No mergulho com garrafa estou há 20 anos, completos este ano. Sou profisisonal de mergulho há 19 anos. No Faial, de ano para ano tenho estado a fazer cursos cada vez mais com locais e menos com pessoas de fora.Vou oferecer o Curso ao Roberto, porque manifestou vontade e porque acho que é o correcto”.

Rui Dowling: “Agradeço o facto de me terem proporcionado esta experiência magnífica!” “Gostei imenso de estar aqui na Piscina com o João Ferraria e o João Esteves. Puseram-me muito à vontade. Foram 5 estrelas e gostava de realçar isso. São pessoas impecáveis! Foi uma experiência muito boa. Foi a primeira vez que fiz mergulho com garrafa e sem dúvida que foi excelente. Talvez ainda tenha de fazer uns pequenos ajustes no bocal para o oxigénio, mas é normal, o que há-de melhorar com o tempo. Eles souberam adapatar-se muito bem à minha situação, atendendo a que eu não consigo carregar a garrafa. O João Esteves ia ao lado com a garrafa e houve o cuidado de arranjar uma mangueira de 2 metros para eu ter mais algum espaço de manobra. Agradeço a eles o facto de me terem proporcionado esta experiência magnífica! O receio que eu possa ter sentido advém do facto de ser uma experiência nova, mas decorreu

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Rui Dowling garante que isto foi só o início de um percurso mais longo

“Estar em contacto com a água é bom para o nosso estado físico e psíquico”

em ambiente controlado. É uma sensação boa. Sinto-me relaxado! Estar na piscina e praticar desporto é importante para a nossa saúde. Faz-nos estar estar em contacto com a água, outra realidade, o que é bom para o nosso estado físico e psíquico. Sem dúvida que foi uma belíssima iniciativa da APADIF, instituição que está de parabéns por mais esta louvável actividade”.

oportunidade, pois gosto tanto desta actividade! Antes, estava habituado a mergulhar para ir ao peixe e às lapas, mas não tinha garrafa. Ia lá baixo e quando começava a faltar o ar, depressa para cima. Agora com esta coisa da garrafa, uma pessoa pode ficar lá em baixo o tempo que quiser. É tão fixe!”

Roberto Faria: “Foi espectacular e é para repetir” “Correu muito bem graças à ajuda do João Ferraria e do João Esteves. Sem eles não teria sido possível. Foi espectacular e é para repetir. Naturalmente que vou aceitar a oferta do Instrutor João Ferraria, a quem muito agradeço a

Rui Dowling enalteceu a postura de João Ferraria

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Joana Leonardo: “O mergulho adaptado com garrafa é um projecto super-interessante” “Ter actividades diferentes na Piscina Municipal da Horta é sempre um prazer e um complemento àquilo que se pretende enquanto instalação desportiva completa e dinâmica. O mergulho adaptado com garrafa é um projecto super-interessante, em que conseguimos ter os utentes interessados e empenhados numa activi-

João Esteves, Roberto Faria e João Ferraria, unidos pelo Mergulho

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“Gosto tanto desta actividade!”

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Roberto Faria atribui o sucesso do seu mergulho baptismal com garrafa a João Esteves e a João Ferraria

dade que não é muito comum nestas populações especiais, mas para nós é muito gratificante porque com o seu entusiasmo dão uma alegria extra à nossa Piscina. Um bem-haja ao João Ferraria em conjunto com a UrbHorta por termos conseguido traçar este projecto com a APADIF, uma instituição muito participativa e cooperante. Entendo que foi um êxito e todos estão satisfeitos. E é isso que pretendemos: encher a nossa Piscina com qualidade e sempre com pessoas satisfeitas e activas”.

uma iniciativa a que queremos dar continuidade em 2019, para que outros também possam usufruir desta oportunidade”.

José Fialho: “É uma inovação e mais uma forma de inclusão” “Penso que esta é uma iniciativa engraçada, que vai ter futuro. É mais uma inovação e uma prova daquilo que temos vindo a falar a propósito de inclusão. Esta é também uma forma de incluir,

Nilzo Fialho, Terapeuta; José Fialho, Presidente da APADIF, e João Duarte, Técnico da APADIF e Treinador de Vela (Classe Hansa) do CNH: uma equipa unida a favor da inclusão

“Tenho um respeito muito grande pela APADIF e sei a importância de pequenas actividades como esta”

“Tenho um respeito muito grande pela APADIF e sei a importância de pequenas actividades como esta”

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JANTAR DE NATAL DO CNH “ESTA TRADIÇÃO DEVE SER MANTIDA E ESTE CONVÍVIO INCENTIVADO”

“O convívio descontraído entre aqueles que ao longo de todo o ano lidam uns com os outros, é uma peça essencial para a mobilização”

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m clima festivo e de amizade decorreu o tradicional Jantar de Natal do Clube Naval da Horta (CNH), que aconteceu na noite desta quinta-feira, dia 13, no Restaurante “O Barão”, na cidade da Horta. Entre Dirigentes, Funcionários, Colaboradores e respectivas Famílias, foram dezenas aqueles que aceitaram o convite da Direcção do CNH para participarem neste convívio natalício. Terminado o repasto – variado e suculento – José Decq Mota, Presidente da Direcção desta instituição náutica, chamou a si a responsabilidade de transmitir a mensagem que entendeu melhor se adequar ao momento que se vive. Falando, como habitualmente de improviso mas sempre com a matéria estudada e comunicada no sentido oportuno, este Dirigente, em fim de mandato, começou por, em nome da Direcção do CNH, agradecer a presença de todos. E explicou: “Este é um jantar tradicional, que se faz há muitos anos. Este jantar para além de ser já uma tradição na vida do CNH, é um acto que

se justifica plenamente num momento tradicional da nossa vida colectiva, que são as festas do Natal. Juntamos aqui um conjunto de pessoas ligadas ao Clube: Funcionários, Famílias, Pessoas que colaboram com regularidade em actividades permanentes do CNH, outros Colaboradores de outra natureza e a Direcção do Clube Naval da Horta. Este conjunto é uma parte essencial da vida desta instituição náutica faialense; portanto, todas as rotinas de trabalho, todas as imensas actividades realizadas, todas as modalidades que se praticam, se ensinam e nas quais se faz competição, precisam destas pessoas. Representam o conjunto permanente que tornam o CNH numa entidade associativa activa. Mas, evidentemente que este conjunto não é suficiente, havendo muitos outros, entre eles um grande número de Voluntários. E estas pessoas aqui presentes têm, também, um papel essencial na mobilização de outras: Sócios, Desportistas náuticos com prática, experiência e com conhecimento e que são os que vêm enquadrar toda a gigantesca actividade que o CNH realiza em cada ano. Este ano de 2018, que está prestes a acabar, foi um ano de actividade muito, muito intensa!

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Já não há época baixa no CNH E a propósito, estava a pensar: nós estamos a meados de Dezembro, a 10 dias do Natal, e se olharmos para estes momentos imediatamente anteriores, apesar da instabilidade meteorológica, em termos de actividade até parece que estamos no Verão, ou seja, todas as Secções têm tido provas e eventos todas as semanas, com intensidade! Fala-se muitas vezes, no Turismo por exemplo, em época baixa e no CNH também havia época alta e época baixa mas está cada vez menos a ser assim e não é por acaso que a única instituição náutica do Faial cresceu e continua a crescer; não é por acaso que as exigências são maiores e que hoje é possível ter uma aposta maior na qualidade. Por tudo isto, este Jantar de Natal justifica-se, esta tradição deve ser mantida e este convívio deve ser incentivado”. “Pessoas que trabalham juntas têm de se entender” Prosseguindo na sua curta mas precisa intervenção, o mais alto Responsável pelos destinos desta “casa” vincou: “É bom que tenhamos todos presentes que o convívio descontraído entre aqueles que ao longo de todo o ano lidam uns com os outros de forma diária ou quase diária, é uma peça essencial para que essa mobilização constante não seja contra vontade e para que as pessoas se entendam”. “Pessoas que trabalham juntas, de forma próxima, têm de se entender nos momentos de trabalho, em termos profissionais e têm de se entender na vida de todos os dias, no convívio, na vontade de estar uns com os outros”, apelou o Presidente da Direcção do CNH. “Por isso – reiterou – esta festa, sim, porque se trata de uma festa, se justifica”.

cabo, mas, também uma mensagem de esperança de que a vida do Clube, como sempre tem sucedido, vai continuar com um rumo certo e uma capacidade de desenvolvimento apropriado. Evidentemente que ao fazer isto estou, de algum modo, institucionalmente a fazer uma despedida desta Direcção em relação ao corpo permanente do Clube Naval da Horta. Porém, não estou a dizer que vamos cessar funções no dia 19. Vai haver Assembleia-Geral no dia 19 (quarta-feira) e a partir daí se verá o que vai acontecer”. Afirmando desconhecer o futuro eleitoral, este Dirigente lembrou que no dia seguinte (sexta-feira, dia 14) terminava o prazo para apresentação de listas candidatas aos destinos do CNH para o próximo biénio. Caso não surjam listas, “haverá na mesma Assembleia-Geral, que irá determinar os passos seguintes até a situação se resolver”. Se este for o cenário da próxima quarta-feira (dia 19), será algo que já aconteceu anteriormente na vida desta instituição, como notou José Decq Mota, que recordou: “Na maior parte das vezes em que a Direcção cessante não se recandidatou, sucederam-se processos que não se resolveram logo no dia da Assembleia Eleitoral mas, sim, nos meses ou no ano a seguir”. Independentemente do resultado do próximo dia 19, o actual Presidente da Direcção do CNH reafirmou o seu agradecimento a quem trabalhou com ele e a sua equipa, rematando com desejos de Boas Festas a todos e respectivas Famílias e um “excelente” ano de 2019, “em especial aos mais novos, Boas Festas e muitas prendas, um feliz 2019, que seja, também, muito bom para o Clube Naval da Horta”.

“Obrigado pela colaboração” Falando em jeito de despedida mas sem saber o que vai acontecer no dia das eleições para os novos Órgãos Sociais, José Decq Mota sustentou: “Esta Direcção termina o seu mandato no dia 19 e quer deixar a todos uma mensagem de agradecimento pela colaboração prestada por todos e pelo imenso e valioso trabalho levado a

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José Decq Mota acredita que “o CNH vai continuar com um rumo certo e uma capacidade de desenvolvimento apropriado”

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A FIGURA DO MÊS CARLOS FONTES: “O CNH DISPÕE DE UMA DINÂMICA ENORME E NÃO TEM SÓCIOS PARA O ACOMPANHAR”

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em nos Botes Baleeiros uma grande paixão, tendo trabalhado para a sua recuperação assim como para a da lancha “Walkiria”. Integrou quatro elencos directivos do Clube Naval da Horta (CNH) e não há dia que não passe pelas imediações desta instituição, sem a qual, diz, “o Faial não era a mesma coisa”. Estamos a falar de Carlos Alberto Brum Fontes, um Sócio que pugna por esta “casa” adiantando, contudo, que neste momento não tem disponibilidade para voltar às lides antigas, por saber que “o CNH exige muito tempo e trabalho para quem leva isto a sério”. Foi com a espontaneidade conhecida e a frontalidade que o marca, que aceitou dar corpo a esta rubrica – que assinala este Dezembro 13 meses de Figuras – criada com o intuito de recordar, valorizar, reconhecer e agradecer o trabalho destes homens e destas mulheres que, num espírito de sacrifício e abnegação, têm contribuído para o engrandecimento desta instituição náutica faialense chamada Clube Naval da Horta.

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Depois de um primeiro mandato a trabalhar com José Decq Mota como Presidente da Direcção do CNH, no ano de 1996, Carlos Fontes voltou a fazer parte da equipa deste líder. Isso aconteceu em 1999, na sequência da renúncia de Nuno Lima, tendo desempenhado as funções de Vogal. “Eu era o Responsável pelo iate do Clube” “Cheguei ao CNH através da Mocidade Portuguesa, tendo andado nos Lusitos”, recorda. “Fui ganhando o gosto pela Vela mas não apanhei a fase seguinte, já com os novos modelos, pois, entretanto saltei para um outro projecto do Clube Naval, em que fiquei responsável pelo “Ilha Azul”. Nessa altura – década de 90 – era Presidente do Clube, tal como hoje, José Decq Mota. Eu não pertencia à Direcção, mas predispus-me a tomar conta do “Ilha Azul” e tomar conta implicava olhar por ele, sair com ele, fazer a manutenção, trabalhos de pintura, etc. Estamos a falar do iate do CNH. Era a fina flor do Clube.

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A Acta de Posse de 3 de Dezembro de 1996, recorda que Carlos Fontes foi Secretário da Direcção do CNH, tendo como Presidente José Decq Mota

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A 25 de Março de 1999, Carlos Fontes tomava posse como Vogal da Direcção

Quando me envolvo num projecto é para trabalhar Depois de trabalhar dois mandatos com José Decq Mota, posteriormente fui convidado para integrar a equipa de João Pedro Garcia. Entrei com ele e fiquei como Vice-Presidente, sendo Responsável pela Secção dos Botes e por todo o equipamento, e, ainda, com envolvência em todas as Secções. Fiz duas “Atlantis Cup”, como organizador, em que também ia para o mar selar motores. Naturalmente que um evento desta envergadura dá trabalho, mas penso que não é tanto como dizem. E digo isto, porque quando me envolvo num projecto é para trabalhar e quando o trabalho é dividido por todos, não custa. Na organização de uma das Regatas da “Atlantis Cup” trabalhei com o engenheiro Nuno Lima, uma pessoa de actividade excelente, que também era nosso Vice-Presidente. Apesar de tudo o que foi referido, a minha grande envolvência era nos Botes. Comecei a andar no “Claudina”, do CNH, e as coisas foram evo-

João Pedro Garcia tomou posse como Presidente da Direcção do CNH, pela primeira vez, a 15 de Fevereiro de 2005, sendo Carlos Fontes um dos Vice-Presidentes

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“A minha grande envolvência foi sempre nos Botes”

luindo. Recordo-me que íamos com a “Atlântida” participar nas Regatas dos Botes Baleeiros para a Calheta e para as Ribeiras do Pico e por vezes não chegávamos no mesmo dia, pernoitando-se lá por causa do mau tempo. Mas participava-se sempre e esse era precisamente o nosso intuito. Acompanhei os trabalhos de recuperação dos botes “Claudina” e “Maria da Conceição”, do CNH, e já com o João Pedro ao leme do CNH criámos a Secção dos Botes Baleeiros do Faial”. Em 2006, Carlos Fontes integrou um quarto elenco directivo, novamente como Vice-Presidente e uma vez mais ao lado de João Pedro Garcia como Presidente da Direcção. Os trabalhos de recuperação do bote “Claudina” foram acompanhados por Carlos Fontes

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A 27 de Novembro de 2006, Carlos Fontes tomava posse novamente como Vice-Presidente da Direcção do CNH

“Orgulho-me de ter criado três marcos importantes para o CNH” “Orgulho-me de no tempo em que andei por aqui no activo, terem sido criados três marcos importantes para o CNH (e todos relacionados com os Botes): Secção de Botes Baleeiros da Ilha do Faial; I Regata Internacional de Botes Baleeiros e reconstrução da “Walkiria”. O processo de dar nova vida à “Walkiria” foi uma coisa do outro mundo. Muito bom! Deu muito trabalho e demorou um ano mas valeu a pena! Neste projecto esteve envolvida a Câmara (pois a lancha é propriedade da edilidade faialense, estando cedida ao CNH mediante um Protocolo) eu, o João Pedro Garcia e o engenheiro Nuno Lima, que era o mentor deste trabalho. Levámos a “Walkiria” do Faial para o Pico para ser reconstruída milímetro a milímetro, exactamente como era originalmente, no Calhau da Ponta, pelo mestre Manuel Monteiro, excelente carpinteiro. Se não tivéssemos esta lancha, a Secção dos Botes não evoluia. E a verdade é que ultimamente ela até tem participado nos Campeonatos Regionais de Botes Baleeiros, tendo feito viagens

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A fotografia recorda um dos momentos da IV Regata Internacional de Botes Baleeiros realizada no Faial

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IV Regata Internacional de Botes Baleeiros, realizada em Julho de 2008: Carlos Fontes, João Garcia e Eduardo Sarmento em grande plano

para as Flores (2016), Santa Maria (2017) e Terceira (2018). Sendo dúvida que é uma mais-valia para o Clube, pois sem ela não era possível fazer as regatas com os 8 botes. Vivi sensações muito boas nesta Secção e no CNH! Nunca hei-de esquecer que fomos a primeira vez à América! O objectivo foi a participação na I Regata Internacional de Botes Baleeiros. E lá, como cá, esta actividade é extremamente importante para a preservação deste património e desta cultura. Eles evoluiram, pois nesse tempo tinham só dois botes mas depois envidaram esforços para um terceiro e o nível é muito bom. O primeiro foi o “Bela Vista”, a que se seguiram o “Pico” e o “Faial”, feitos pelo mestre João Tavares, do Pico.

“A lancha “Walkiria” é uma mais-valia para o CNH”

Nos Botes, fazem-se muitas amizades e até namoros e casamentos!

Semana do Mar 2006: “Os Botes era a Secção forte do CNH”

Na altura, os Botes era a Secção forte do Clube. Era uma coisa louca com muita gente! E como em tudo na vida, o que move esta gente é o gosto, o convívio, as ligações que se criam! Ali, fazem-se muitas amizades e até namoros e casamentos! Assisti a isso tudo. Namoros então é mais fácil, com a convivência, as viagens, etc. Nunca pensei ser Presidente do CNH. Nem quero!

Semana do Mar 2006: “O que move esta gente é o gosto!”

Hoje a minha vida mudou e tenho muito pouco tempo disponível atendendo a que sou Responsável pela Loja do Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tempos Livres (INATEL) na Horta,

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Carlos Fontes: “No meu tempo era trabalho e agora é muito trabalho!”

o que me trouxe mais responsabilidade. Numa situação de reformado, certamente que a minha posição seria outra. Para se ser Director do CNH, é preciso dispender de muito tempo e eu sei disso porque já vivi este filme por dentro. Gostei de dar o meu contributo e de trabalhar tanto com o José como com o João que, na minha opinião, foram os Presidentes do Clube Naval da Horta mais dinâmicos. Nunca pensei ser Presidente. Nunca! Nem quero! É um cargo que dá muito trabalho. Além do mais, é preciso ter um perfil certo para se ser Presidente desta “casa” e isso é sinónimo de tempo, de ser uma pessoa capaz e com espírito de

“O elevado patamar em que se encontra o CNH está a assustar as pessoas”

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sacrifício, porque é necessário estar disponível de dia e de noite. É uma coisa impressionante! Se repararmos, o actual Presidente está sempre no Clube. Podemos ser levados a pensar que se trata de algo extraordinário e que anteriormente não era assim, mas atenção, que o CNH tem vindo sempre a evoluir em termos de trabalho. No meu tempo era trabalho e agora é muito trabalho! Vai ser dificil arranjar um Presidente para o CNH Esta equipa, e muito especialmente o José Decq Mota, criou um patamar muito difícil de atingir ou igualar. E penso que é isso que está a assustar as pessoas, fazendo com que não apareçam listas concorrentes. Vai ser dificil arranjar um Presidente para o CNH, exactamente por causa do patamar em que o Clube se encontra. Se me pedirem para apontar uma solução, eu diria que passa por reduzir a actividade: menos eventos em cada Secção e nunca ter sequer a tentação de reduzir o número de Secções. Sei que apenas os que andam por aqui e vão às Assembleias-Gerais têm noção do trabalho

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que esta “casa” tem e dá! De resto, ninguém faz ideia. Aquele Sócio que gosta é que está envolvido nisto. A sede nova não avança por falta de vontade política As nossas autoridades não estão a olhar para o Clube como deveriam nem como ele merece. Falta uma sede! O CNH já anda a bradar há anos por uma sede e não consegue. Agora com o projecto da 2ª fase do Reordenamento do Porto da Horta não se fala nada nisso. É vergonhoso! No meu entender, estamos perante falta de vontade política e é por ser no Faial, pois se fosse noutra ilha ao tempo que esta situação estava resolvida. O CNH deve chatear muita gente e não percebo porquê! Só se é por causa do grande volume de trabalho que tem. Estamos a falar de uma instituição que não faz sombra a quem quer que seja. Não sei, sinceramente, qual é o problema. Com o actual estado de degradação em termos de instalações, acho que o CNH faz demais atendendo à falta de condições. Anda em espaços emprestados e a ideia que passa para fora é de que esta instituição náutica anda a fazer mais com menos. São sempre os mesmos envolvidos nos destinos desta “casa” Garantidamente, a maior parte dos Sócios não sabe o que se passa no CNH, porque não quer aparecer nem chatear-se com isto. E depois acontece que são sempre os mesmos envolvidos nos destinos desta “casa”. É por essa razão que cansa! Um Sócio que organiza uma lista candidata às eleições, sabe à partida que não vai ficar só 2 anos. Só se o trabalho correr muito mal, caso contrário já sabe de antemão que vão ser 4 anos consecutivos de muito trabalho. Este é um cenário que tem vindo a acontecer com muita frequência. E verdade seja dita, que quem quiser dar continuidade a um projecto, penso que 2 anos é manifestamente pouco. O maior problema é financeiro

Carlos Fontes (o segundo da esquerda para a direita) na Entrega de Prémios da Regata de Botes Baleeiros na Feteira, no ano de 2008, ao lado de Eduardo Pereira, então Presidente da Junta de Freguesia (o terceiro da esquerda para a direita)

do CNH é financeiro, porque viver de subsídios é complicado. Quando se vive na terra dos outros torna-se complicado! A Campanha de Angariação de Sócios, que está a decorrer, é um aspecto positivo, pois as quotizações representam uma fonte de rendimento, tal como o combustível, mas é muito pouco. Antigamente o CNH detinha o monopólio do combustível mas agora não é assim. Já há concorrência, que também apareceu na altura em que estive cá, mas essas empresas levaram chá. No entanto, agora desviam os barcos todos bons e o CNH fica apenas com o que sobra. Um novo Sócio está a ajudar o CNH E já que falamos na Campanha de Angariação de Sócios, que termina no dia 31 deste mês, é notório que a maioria das pessoas não pensa que ao fazer-se associado do CNH está a ajudar esta “casa” mas é um facto! Estamos a falar de 3 euros mensais que podem representar menos 3 cafés ou menos 3 cervejas por mês. Mas sei por experiência que quem se faz sócio de qualquer instituição pensa sempre primeiro nas contrapartidas que pode ganhar com isso. E no caso concreto do CNH até aumentaram as vantagens para os associados. Já não é só o desconto na Marina ou nos Cursos da Náutica de Recreio. A oferta é muito mais abrangente.

Apesar do que referi, julgo que o maior problema

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O CNH é uma Escola de Formadores a todos os níveis O CNH é uma Escola de Formadores a todos os níveis! No que diz respeito ao mar, esta instituição dá cartas no Faial e não só. A maior parte dos directores vem formar-se no CNH. Aliás, para alguns é uma rampa de lançamento. Há os que têm pretensões e também há os que não têm. É como em tudo. Desde a Náutica de Recreio até à Formação dos mais novos (e também de adultos), passando pela Representação da ilha fora de portas, o Clube Naval da Horta é uma bandeira do Faial e dos Açores, com uma vasta actividade ao longo de todo o ano. O CNH dispõe de uma dinâmica enorme e não tem Sócios para o acompanhar. O que salva esta situação são os Voluntários, que sempre tiveram muito peso e continuam a ter e espero que assim se mantenha, pois se não fosse assim, fazia-se muito menos. Esta gente não ganha nada. Colabora porque gosta e se identifica com o espírito e a postura desta instituição e não por causa de um jantar, que funciona como meio de convívio. O nosso Sócio colaborador gosta disto. E só não aparecem mais Voluntários/Colaboradores, porque muitas vezes há mesquinhices que vão minando o ambiente. Aproximar os campos de regata de terra Sem dúvida que o Festival Náutico é um marco do Clube Naval da Horta e da Semana do Mar. Naturalmente que podia haver Semana do Mar sem CNH, ou seja, sem Festival Náutico, mas não era a mesma coisa. Podemos ser levados a pensar que há um divórcio entre o que se passa em terra e o que se passa no mar mas foi sempre assim. Tem de haver públicos para tudo e para a maior parte das pessoas o mar não diz nada. O Festival Náutico decorre no mar e as pessoas não podem lá chegar. Não é a mesma coisa que chegar e ver uma filarmónica.

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“Sempre batalhei para que os Botes Baleeiros tivessem bandeiras a fim de que as pessoas os pudessem identificar de terra”

Por vezes os campos de regata estão muito fora. Daí que no meu tempo de Director a minha grande “guerra” era precisamente no sentido de aproximar os campos de regata de terra por forma a que as pessoas pudessem ver o máximo possível. Também sempre batalhei para que os Botes Baleeiros tivessem bandeiras a fim de que as pessoas os pudessem identificar de terra. O que quero com isto dizer é que quem está na avenida deveria conseguir perceber o que se está a passar no mar, na regata. Se estivermos no Largo do Infante a assistir ao desenrolar de uma regata de Botes Baleeiros, todas as embarcações são iguais mas se for possível ver um desenho na vela já nos ajuda a perceber a prova, o que entusiasma quem vê, porque permite acompanhar a disputa. Não há Semana do Mar sem Festival Náutico nem o contrário E se estivermos a falar do Festival Internacional de Vela Ligeira, que atrai mais de 100 miúdos dos Açores, Continente, Madeira e do estrangeiro, é uma coisa linda de se ver! Por isso, os campos de regata têm de estar mais próximos de terra. O Festival Náutico já vai em 10 dias de realização, o que é sinónimo de um trabalho sem precedentes no Faial, nos Açores e no País. Aumentar os dias de festa seria uma forma de “matar” a Direcção do CNH!

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Ano de 2008: “O Festival Internacional de Vela Ligeira, que atrai mais de 100 miúdos dos Açores, Continente, Madeira e do estrangeiro, é uma coisa linda de se ver!”

Penso que não há Semana do Mar sem Festival Náutico nem o contrário. E a prova disso é que quem vem ao Faial para participar nas inúmeras actividades, no mítico Caldo de Peixe do CNH, etc, também quer ir ver os concertos, ir às tasquinhas, viver a festa e divertir-se. Isto tem tudo uma envolvência, uma inter-ligação muito grande e antiga! “Atlantis Cup” deve regressar ao modelo inicial Relativamente à “Atlantis Cup” penso que andámos para trás. O figurino inicial e que se manteve ao longo de anos, foi sempre São Miguel/Terceira/Faial. E penso que deveria voltar a ser assim. Participar numa regata destas, com o actual modelo, implica ter muito tempo disponível (3 semanas) e

penso que esse é o entrave principal a que não haja mais participantes. Os velejadores açorianos têm de ser mais cativados. O Faial está muito sozinho neste evento. Nota-se vontade por parte da Terceira mas desinteresse em relação a São Miguel. Além de ser necessário “agarrar” mais os participantes açorianos também não se deve desprezar os patrocinadores que têm colaborado com o CNH, mas sempre tentando angariar outros. A divulgação que se faz desta Regata fora dos Açores penso que é bem feita e tem dado frutos. Acho muito bem envolver as ilhas todas num evento náutico e afirmar a unidade autonómica, mas noutro contexto. A “Atlantis Cup” não foi criada com esse propósito”.

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APADIF 25 ANOS A TRABALHAR PARA QUE TODOS SE SINTAM IGUAIS NA DIFERENÇA

As Bodas de Prata da APADIF foram comemoradas com um Programa que decorreu de Junho até Dezembro de 2018

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ssociação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF). Certamente que este nome é familiar e algumas das suas acções também. Mas se perguntarmos quantas são as valências que compõem esta Associação de direito privado sem fins lucrativos, começamos a pensar. E então se quisermos saber o que faz cada uma delas, a missão está bem mais dificultada. Foi exactamente por isso que o Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta (CNH) decidiu propôr a João Duarte, Vice-Presidente da APADIF, uma visita guiada a todos os sectores desta instituição, que no dia 10 de Novembro último completou

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25 Anos de existência. O Programa integrou diversas iniciativas e desenrolou-se desde Junho até Dezembro. A última actividade foi a Regata de Vela Ligeira do CNH baptizada com o nome de APADIF, que este ano aconteceu no dia 8 deste mês, e que constituiu uma verdadeira festa entre Velejadores, Treinadores, Dirigentes, Sócios, Colaboradores e Parceiro do Clube Naval da Horta. A Entrega de Prémios contou com a presença de José Fialho, Presidente da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial há 18 anos consecutivos. Esta espécie de prenda de anos foi de imediato aceite por este Técnico, que gentilmente se prontificou a informar as suas Colaboradoras de que este processo se encontrava em marcha. Durante o primeiro dia deste périplo, João Duarte fez mesmo questão de ser motorista, disponibilizando-se

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João Duarte no apoio aos Atletas da Classe Hansa na Regata da APADIF

O alpendre do ATL “Arco-Íris” foi concluído em Novembro deste ano

em termos de acompanhamento e facultando toda a informação tida como pertinente. Mas antes de começarmos este roteiro guiado, revelador de um trabalho de gigante dado, por vezes, com passo de formiguinha (tenaz), talvez seja bom explicar que esta iniciativa surge porque o CNH e a APADIF são entidades parceiras, tendo implementado, de forma pioneira na ilha do Faial, nos Açores e quiçá no País, a Vela inclusiva, mediante o Projecto “Vela Para Todos - Faial Sem Limites”. Este Projecto, instituído protocolarmente a 29 de Dezembro de 2011, visa “a inclusão de todos na prática da Vela, destruindo barreiras e preconceitos que ainda possam existir, dando o seu contributo para a construção de uma sociedade mais justa e aberta à diferença”. A 10 de Novembro de 1993, sob a direcção de Gilberto Ferrão Salgado, nascia esta Associação de direito privado sem fins lucrativos, um marco na vida daqueles que nasceram especiais ou assim se tornaram por força das circunstâncias.

Angústias. Mas o universo desta instituição não se fica por aqui, havendo outras pretensões e projectos na calha. Além do que foi referido, funciona na Praça da República o Quiosque da APADIF, uma realidade graças à boa vontade e disponibilidade dos Voluntários, onde são vendidos trabalhos feitos não só por este Grupo mas, também, pelos utentes das várias valências desta Associação. A sede da APADIF funciona na Travessa de São Francisco, na Horta (antigo Dispensário). Uma instituição abrangente João Duarte é funcionário da APADIF (Técnico de Reabilitação) mas desempenha funções no Instituto de Acção Social da Horta (IAS) no âmbito de um protocolo (sendo, também, o Treinador da Classe Hansa (Vela Adaptada) do Clube Naval

Trabalho desenvolve-se em 5 valências A APADIF desenvolve o seu trabalho em 5 valências. A primeira a surgir foi o Atelier de Tempos Livres (ATL) “Arco Íris”, em 2002, que funciona na antiga Escola da Volta, na Conceição. Em 2006, arrancava o Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil (CDIJ), situado actualmente nas Angústias (antigas instalações da Radiodifusão do Faial). O Moviment’Arte é uma realidade desde 2009, nas Angústias, e em 2011 foi inaugurado o Centro de Dia da Conceição, nesta freguesia. Em 2017, foi criado o ATL Esperança, sedeado nas

João Duarte: “Tudo o que tem com a ver com a Inclusão, na área da deficiência no Faial, acaba por ter como veículo a APADIF”

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Para já, a grande ambição da APADIF é fazer com o que o Projecto “Moviment’Arte” cresça e se transforme num Centro de Actividades Ocupacionais

da Horta). Inicialmente levou a cabo um trabalho de Coordenação dos Coordenadores das diferentes valências da APADIF e actualmente integra a Direcção desta Associação, ocupando o cargo de Vice-Presidente neste mandato de 4 anos que já vai a meio. “A Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial é uma instituição que dá respostas de forma muito abrangente, englobando crianças, adultos e idosos”, sublinha este homem polivalente, que salienta: “Abrangemos não só a problemática da deficiência como a questão dos ATL’s com as crianças; o CDIJ com o abandono escolar; temos o Centro de Dia para Idosos e um projecto que, para mim, seria o projecto que fundamenta esta instituição que é o Moviment’Arte, destinado a pessoas adultas com deficiência. O nosso objectivo era que o Moviment’Arte evoluisse para um Centro de Actividades Ocupacionais (CAO), dando uma resposta que fosse mais de encontro às necessidades dos nossos utentes. O ATL Esperança, criado no ano passado, é a designação de ATL Inclusivo com a qual não concordo, pois defendo que todos os ATL’s deviam ser inclusivos e receber crianças com deficiência. Todas estas valências estão relacionadas com a deficiência, área que é muito trabalhada na APADIF, tanto no Projecto Movimento’Arte como na

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“Vela para Todos” e em acções de sensibilização para a Inclusão, de que é um bom exemplo o Baptismo de Mergulho, que decorreu na Piscina Municipal da Horta, no dia 3 deste mês, Dia da Pessoa com Deficiência. Tudo o que tem a ver com a Inclusão na área da deficiência no no Faial, acaba por ter como veículo a APADIF. “A APADIF está num patamar de reconhecimento muito elevado” “No capítulo da sensibilização, acredito que muita coisa melhorou (acho que a idade me está a dar perspectivas mais positivas) e que estamos no bom caminho no que concerne à Inclusão. É natural que ao fim de 25 anos de trabalho nesta área, a forma como as pessoas encaram a deficiência tenha evoluído muito! Claro que há sempre muito mais para evoluir mas considero que a APADIF está num patarmar de reconhecimento muito elevado e a prova disso é que as salas que acolhem as nossas iniciativas enchem sempre. E não estamos só a falar de pessoas ligadas aos utentes mas de outro público. Somos uma instituição relativamente pequena (em termos de quadro técnico e valências) mas com grande projecção na comunidade”. “Temos ainda muitos degraus para subir”

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CLUBE NAVAL DA H “Gostávamos de poder dar mais respostas na área social e na área da deficiência e noutras que abraçámos, mas mesmo em função da nossa dimensão, sentimos que há um ‘feedback’ muito forte da comunidade. Isso revê-se nas homenagens que nos são feitas, nos apoios que os particulares nos fazem chegar e nos eventos que realizamos em que há muita participação. Tudo porque, independentemente da problemática ou da faixa etária, o nosso lema é a Inclusão. E a Inclusão engloba toda a gente. Sentimos que essa mensagem está a ser passada para a sociedade. É verdade que muito já foi feito ao nível das acessibilidades físicas e existe uma aproximação muito grande com a Autarquia no sentido de ir trabalhando estas metas. Nesta questão da Inclusão e da Acessibilidade apesar do caminho percorrido, há sempre muito para fazer, portanto, estamos a meio de uma escada em que subimos uns degraus mas temos ainda muitos outros para subir. Contudo, penso que as coisas estão a evoluir no bom sentido. Temos muitos parceiros e é graças a eles que conseguimos chegar mais longe. A Câmara é um grande parceiro, o Instituto de Acção Social e o CNH, que é um parceiro de renome”. Depois desta apresentação, feita com a colaboração e grande empenho de João Duarte, começamos a visita ao mundo de cada valência. Respeitando a cronologia, damos hoje a conhecer o ATL “Arco-Íris”, que tem como Directora Técnica, Carla Matos, que nos explicou como funciona esta valência, deixando transparecer a ligação que tem à APADIF, ao Presidente desta instituição e ao Projecto que abraçou já lá vão

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“O primeiro projecto da APADIF foi este ATL”

16 anos! “Sinto a APADIF como um bocadinho de mim” “O ATL “Arco Íris” existe desde 2002. Funcionou sempre neste espaço da antiga Escola da Volta. Foi-nos pedido para escolher um nome, e eu juntamente com as crianças, na altura lembrámo-nos do arco-íris, porque eram diversas idades e diversos gostos. Temos lotação para 40 crianças e na maior parte das vezes há lista de espera. Arrancámos com esse número neste ano lectivo, mas tendo em conta que duas mudaram de residência, actualmente temos 38. Abrangemos um público desde o Pré-Escolar até ao 1º Ciclo, ou seja, desde os 3 até aos 10/11 anos. Em tempo lectivo, recebemos as crianças após a hora escolar até às 18h30. Mas em altura de férias e sempre que há um plenário sindical ou alguma reunião de professores, colmatamos a falha da Escola, o que significa que abrimos portas desde as 8h15 até ao fim da tarde. De Verão funcionamos até às 18h15 e de Inverno mais 15 minutos. Em termos de quadro, somos três pessoas fixas: eu, como Directora Técnica; uma Ajudante de Educação, que é a Cristina Soares; e uma Auxiliar de Serviços Gerais, que é a Humberta Silva. E depois temos sempre duas pessoas de programas diferentes. Temos connosco, há cerca de 2 anos, a Diana Pereira, que está a fazer um Estágio T na área de Animação; e a Joana Soares, também do Estagiar T, há 1 ano. A Tânia está “emprestada”, porque a Joana se encontra de férias.

Carla Matos: “Fui a primeira funcionária desta Associação”

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O Parque Infantil é o sítio certo para descarregar energias

Sinto-me realizada com o trabalho que faço aqui na APADIF Sou formada em Educação Social e gosto muito do que faço. Quando tirei a minha formação, já havia a opção para trabalhar nas santas casas mas eu sempre gostei mais da educação e da parte infantil. Sinto a APADIF como um bocadinho de mim, porque fui a primeira funcionária desta Associação. Quando comecei aqui não havia nada. O primeiro projecto foi este ATL, que é o mais antigo. Recordo-me que tudo isto começou com um intercâmbio realizado com o “Charles Horizonte”, um grupo do Porto. E fui eu que organizei esse intercâmbio e depois disso o sr. Fialho disse-me que tinha em pensamento criar um ATL na Escola da Volta e perguntou-me se esse projecto fosse para a frente se eu gostaria de colaborar, e eu respondi que gostava muito. Fomos pedir apoios e lembro-me de ter ido buscar mesas para as escolas antigas. Não existia absolutamente nada! Começámos aqui sem nada e por isso sinto isto como um bocadinho de mim. Primeiramente arrancou o ATL “Arco-Íris” e posteriormente os projectos “Veredas” e “Trilhos”, trabalho que passou para o CDIJ. Começou a haver uma amplitude. A APADIF não era nada há 16 anos e hoje tem

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nome em qualquer sítio onde se fale dela. E as pessoas já conhecem este Projecto. Há 16 anos ninguém sabia o que era. Mesmo aqui na cidade. Ao trabalhar numa instituição como a APADIF, qualquer pessoa já sente isto como um bocadinho seu, mas vendo este projecto crescer desde o início, como aconteceu comigo, claro que faz parte de mim e é quase como uma família para mim. Tentamos sempre dar de nós e do nosso tempo. Às vezes, em casa, dizem-me em tom de brincadeira: “Aquilo é o teu trabalho e não a tua casa”. Mas o que é facto é que sentimos isto como nosso e é bom que assim seja, porque também sentimos por parte da Direcção o reconhecimento pelo que fazemos. Dão-nos valor pelo facto de darmos o nosso melhor. O que nos move é o gosto, o reconhecimento e não o mérito ou a vertente financeira. É mesmo gostarmos daquilo que fazemos e vermos no dia-a-dia os pais e os miúdos apreciarem o nosso trabalho. Olhar para trás e ver esse reconhecimento, representa tudo! E quando postamos algo e os pais nos dizem que o melhor tempo dos filhos foi o que passaram no ATL “Arco-Íris” (os trabalhos que fizeram) porque aqui os sentiam seguros, é um grande reconhecimento do nosso trabalho. Não podia ter um trabalho melhor do que este.

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“Gostamos de fazer sempre um miminho pelo Natal e pela Páscoa”

“Gostamos de fazer sempre um miminho pelo Natal e pela Páscoa”

Sinto-me realizada com o que faço aqui na APADIF.

ciação. Alguns meninos às vezes vêm de propósito para receber a sua oferta. Mesmo que tenham estado a faltar, nesses dias vêm sempre para levar esta oferta. Eles também fazem trabalhos de expressão plástica e os trabalhos de casa, com a nossa ajuda. A brincadeira faz igualmente parte deste espaço, havendo um Parque Infantil nas traseiras do edifício”.

Fazemos trabalhos para oferecer às crianças Em vez de comparmos um livro ou outra coisa para os meninos, costumamos nós próprias fazer um acessório e depois compramos uns bombons para complementar. Atendendo a que as crianças de manhã estão na Escola, depois de termos o plano diário organizado, dedicamo-nos à vertente dos trabalhos manuais, pois gostamos de fazer sempre um miminho para lhes oferecer por altura do Natal e da Páscoa. Há sempre pais que fazem os seus elogios e guardam estes miminhos durante anos como recordação da equipa do ATL “Arco-Íris”. Os meninos ficam muito contentes e ansiosos por saber qual vai ser a novidade em cada estação. Este ano reciclámos os frasquinhos da fruta e vamos pôr um Pai Natal a sair do saquinho e bombons. Todas as valências também tentam fazer trabalhos para pôr à venda no Quiosque da APADIF, montado na Praça da República, que funciona como um meio de angariar fundos para a Asso-

“Ajudamos as crianças a fazer os trabalhos de casa”

“Aqui, estou sempre feliz!” “Sou funcionária deste ATL há uns 14 anos. Adoro trabalhar com crianças. São muito queridas. Ao fim-de-semana sinto-me triste com a falta delas. Às vezes até chorava! Aqui, estou sempre feliz! E como gosto muito das minhas colegas, graças a Deus, ainda melhor! Gosto muito da minha chefe. É uma grande amiga minha e eu dela. E a Diana também é muito querida e dá-me muito carinho. Ela não está efectiva mas eu adorava que ela ficasse. Também gosto muito da Joana e da Cristina, que hoje não se encontram cá. Gosto muito delas todas. Não há nada melhor do que entrar e sair daqui com um sorriso. Neste momento só temos uma criança diferente neste ATL mas fazemos com que todos se sintam iguais. E é assim que tem de ser. Sinto-me muito bem aqui e há sempre uma menina que diz que eu sou avó dela. Sei que é a brincar, mas gosto! Não queria de maneira nenhuma mudar de emprego. Este é o melhor trabalho que arranjei na minha vida. Estas pequenas – digo assim, porque têm idade de ser minhas filhas – também me ajudam, pois fazem as coisas da maneira que eu gosto e que é tudo muito limpinho. Gosto de ter isto aqui

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Humberta Silva: “Sinto falta das crianças quando estou em casa”

como se fosse a minha casa: tudo limpinho e tudo da minha mão. Tenho isto aqui tudo como se fosse meu. E venho sempre feliz para aqui. Nunca falto senão mesmo em última instância. O sr. Fialho tem boas ajudantes Esta instituição cresceu muito! Quando comecei, não era nada disto. Ele lutou muito para que fosse aquilo que é hoje. Se não fosse ele, não tínhamos conseguido mas a verdade é que ele também tem boas ajudantes. Todas se dedicam muito ao seu trabalho. E ele é um bom chefe. Quando eu cheguei aqui, ele dizia-me sempre que isto nunca tinha estado tão limpinho como agora. E mesmo pessoas da Câmara Municipal – porque este espaço pertence à Câmara – também diziam: “Isto consola a entrar aqui! Cheira sempre a limpo”. O sr. Fialho também diz: “Isto consola a entrar aqui”. E os pais dizem o mesmo. Quando acaba o período de aulas, fazemos limpeza geral. Agora nunca fechamos portas, por isso todos o dias vamos fazendo limpeza da parte da manhã. Também colaboro a fazer trabalhos para o ‘Halloween’, Natal, Páscoa e fazemos sempre uns a mais para pôr à venda no Quiosque. Adoro fazer estes trabalhos, embora o médico me proíba por causa da minha tendinite, mas adoro! Tenho muito jeito para estas coisas e também gosto de cantar no Grupo Coral da Horta, onde sou solista. Ando na Chamarrita nas Angústias e em Pedro Miguel. Sempre gostei de bailar num grupo folclórico e antigamente isso só era permitido às pessoas que pertenciam à freguesia, mas hoje em dia como já é difícil de arranjar pessoas para estas tradições, faço parte dos dois. Além

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de tudo isto, ainda ajudo minha mãe, minha filha e uma netinha. Há crianças que me vêem e me abraçam e beijam. E mesmo depois de sairem daqui, do ATL, continuam a ser tão carinhosas comigo. Ainda há pouco tempo vi uma senhora no “Modelo” que me disse: “A sra. Humberta tá aqui! A minha netinha gosta muito de si. A senhora ainda tá no ATL?” Fico triste quando estou em casa sozinha, pois aqui elas andam sempre atrás de mim. A APADIF já é muito conhecida e as pessoas colaboram com as actividades que organizamos. O sr. Fialho é uma pessoa muito boa que tem ajudado muita gente. Por isso, digo: Venham mais 25 anos com saúde, que é o mais importante!”

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APADIF CENTRO DE DIA DA CONCEIÇÃO: “OS IDOSOS NÃO TÊM IDADE, TÊM VIDA”

Cláudia Abreu, Directora Técnica do Centro de Dia da Conceição da APADIF: “Os contactos são muito importantes na medida em que funcionam como educação”

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ma referência no atendimento a idosos. Esta é a forma como o Centro de Dia da Conceição – uma das cinco valências das Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial - APADIF – é conhecido. Porquê? Pelas actividades desenvolvidas, pelo atendimento que presta e pela dinâmica gerada neste espaço, onde também funciona o Centro de Convívio duas vezes por semana. Depois do que foi dito em jeito de apresentação e antes da visita a esta valência, facilmente se percebe o porquê de existir uma extensa lista de espera e de ser imperativo aumentar este espa-

ço, uma certeza já garantida pelo Governo Regional e que vai permitir aumentar a capacidade do Centro de Dia da Conceição. Estas são boas notícias para quem está desesperado na solidão ou na doença e ansioso por fazer parte desta “família”. Logo à entrada deparamo-nos com umas frases/ pensamentos que nos disseram irem mudando com frequência. As que encontrámos são alusivas à quadra que vivemos. A sala estava repleta de utentes que simpaticamente nos deram os bons dias num ambiente tranquilo. Cláudia Abreu, Directora Técnica do Centro de Dia da Conceição da APADIF cumprimenta-nos e deixa-nos à vontade para conversarmos com quem quisermos. A vontade imediata é falar com todos mas percebemos que não vai ser possível.

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Por isso, recebemos algumas indicações. João Duarte, Vice-Presidente da APADIF, e que nos acompanha nesta visita, sem pressões e com total liberdade para trabalhar, aborda Maria Isabel explicando: “Esta senhora ficou sem ver nada durante 4 anos. Por essa razão, quando começou a frequentar o Centro de Dia da Conceição era invisual. Depois, mediante o trabalho de acompanhamento dos técnicos desta valência da APADIF e do Serviço Social, tentou-se perceber qual seria o problema. Contactado o Hospital e o Centro de Saúde da Horta a fim de sabermos o percurso médico feito por esta senhora, concluiu-se que estávamos perante um caso de cataratas. Ultrapassada essa questão de não acompanhamento médico e percebendo-se que era possível a senhora Maria Isabel recuperar a visão através de uma cirurgia, avançou-se para essa solução este ano e hoje ela já vê perfeitamente, faz a sua vida, voltou a ser autónoma, passeia na rua e tudo regressou à normalidade. Naturalmente que “foi muito bom”, refere Maria Isabel, que reside com um filho no Bairro da Boavista, na Horta. “Foi um apoio muito bom! Gosto de vir para o Centro de Dia da Conceição, pois fazemos ginástica, trabalhos, convivemos e da-

Foi graças ao apoio dos técnicos do Centro de Dia da Conceição que Maria Isabel recuperou a visão

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mos passeios, além de ter feito novas amizades. Se não estivesse aqui, encontrava-me sozinha em casa”. Sentada ao lado de Maria Isabel está Maria Alice, que nos diz gostar deste local, onde se encontra há pouco mais de um mês. “Sou dos Flamengos mas casei na Feteira. Aqui, as pessoas são bem educadas e convivemos. Somos todos amigos e por natureza sou uma pessoa calada que evito mexericos”.

No Centro de Dia da Conceição, Maria Alice encontra a companhia que lhe falta em casa durante o dia

Fátima Quaresma: “Dá-nos prazer ter uma chefe com a categoria da Cláudia” Conhecendo como ninguém a personalidade de cada um, Cláudia sugere que escutemos a história de Fátima Quaresma, uma guerreira que, graças à grande vontade de viver, superou uma enorme batalha, dando sinais de querer continuar assim. “Estou neste Centro vai fazer 2 anos em Maio. O ambiente aqui é uma maravilha! Temos uma chefe de grande valor: nunca se zanga com ninguém nem levanta a voz. Dá-nos prazer ter uma chefe com a categoria que ela tem.

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CLUBE NAVAL DA H Se eu não tivesse vindo para aqui não sei se ainda existia. Trabalhei no Hospital da Horta mais de 30 anos e a uma certa altura sentia-me muito tonta, o que me provocava uma grande aflição. Começou a preocupar-me a falta de equilíbrio, que ainda hoje tenho. Na sequência desses sintomas, fui quatro vezes a São Miguel mandada aqui da Horta e o médico que lá estava dizia sempre que eu não me deixasse operar, porque tinha um tumor muito grande na cabeça, o que seria um perigo para a minha vida e para a minha saúde. Mas eu tenho um filho no Porto, que é engenheiro agrónomo, que me dizia: “A mãe aí na Horta não está a fazer nada. Eu vou arranjar um médico para a mãe vir aqui”. Fui para Lisboa e quando o médico viu os meus exames, deu um soco em cima da secretária de trabalho e disse: “Se não tivesse vindo a esta consulta, teria mais 2 meses de vida!” Eu estava acompanhada pelo meu marido, o meu filho e a minha filha e ele disse-me: “A senhora vai ser operada pelo Dr. Mário Resendes mas tem de ser em Gaia, no Hospital Santos Silva, que é onde ele trabalha”. Foi tudo resolvido entre eles, que são grandes amigos. “Ó senhora Fátima, tu és uma grande mulher!” Ele disse-me que o meu tumor era benigno mas eu enervei-me muito. Fui operada durante 7 horas e correu tudo bem. Foi muito tempo! Depois ele conversou muito comigo e com a minha família, explicando que o tumor era muito grande e tinha raízes muito fortes, com tendência a deslocar-se sempre para baixo. “Isso era a matança da senhora! Como é

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possível um médico cirurgião de Ponta Delgada ter aconselhado-a a tomar uma decisão que a levaria à morte!?” Estive internada vários dias no Hospital e depois a recuperação foi feita no Continente, em casa do meu filho Celso, ao longo de 4 meses. O médico fez todo este trabalho em colaboração com a sua equipa e acompanhou-me sempre, dizendo-me: “Ó senhora Fátima, tu és uma grande mulher!” E a seguir acrescentou: “A senhora não faz ideia do buraco que tem na cabeça!” Eu tentei fazer tudo o que ele mandava: não queria que eu mexesse os pés e eu não mexia. A minha cabeça parecia chumbo. Se eu estivesse deitada e quisesse virar a cabeça, alguém tinha de me fazer isso, porque sozinha não conseguia. Levei muita anestesia e fiquei meio atordoada da cabeça. Não conhecia bem as pessoas nem comia com a minha mão. Fiquei com muitas sequelas – não vejo de uma vista nem ouço de um ouvido além de ter perdido o olfacto – mas estou muito melhor! Tenho consciência de que por vezes esqueço e baralho algumas coisas. Nos exames posteriores que tenho vindo a fazer, o sr. Dr. disse-me que o outro tumor mais pequeno, que tenho também na cabeça, não se movimentou. E pediu-me que se houvesse alguma alteração, eu o contactasse de imediato, pois como meu médico é que sabe o que aqui está feito. Actualmente moro na Ribeirinha mas antes do sismo de 1998 residia nos Espalhafatos. De semana o meu marido vem pôr-me e buscar aqui ao Centro de Dia da Conceição e ao fim-de-semana estou em casa. Tenho uma pequena que cozinha e limpa a casa uns dias por semana. Por vezes chego a casa e ela diz-me: “Ó senhora Fátima, esta comida hoje está a cheirar tão bem! Mas infelizmente já não consigo cheirar nada. Este Centro de Dia é uma mais-valia para mim

“A Dra. Cláudia é um miminho, uma pessoa tão boa!”

Tenho sempre tonturas e dores de cabeça, situação que é controlada pela medicação. Este Centro de Dia é uma mais-valia para mim, pois não posso estar sozinha e também não tenho recursos para poder ter alguém a tomar conta de mim em casa de forma permanente. A pessoa que vai lá a casa é excelente! Faz a comida e a limpeza e a gente dá-lhe sempre uma coisinha a mais. Agora pelo Natal quero comprar-lhe uma prendinha

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em recompensa por aquilo que ela faz. Gosto de estar aqui. A Dra. Cláudia é um miminho, uma pessoa tão boa! Sei o que é chefias, pois estive no Hospital da Horta mais de 30 anos – trabalhei na Medicina, Cirurgia e Maternidade – tive várias chefes e para suportarmos algumas era preciso sermos muito bons e ter muita força! Sinto-me bem neste ambiente e sempre que posso colaboro nas actividades que são realizadas”. Teresa Almeida: “Gosto muito da minha chefe. É como uma mãe para mim!” Olhando para Teresa Almeida estaríamos longe de imaginar a vida de sofrimento que passou! É com naturalidade que nos conta que há perto de 5 anos não vê nada. “Foi dos diabetes. O médico nunca me disse nada. Pus dois pingos eram 10 horas da noite e no outro dia de manhã acordei cega. Caí no chão e comecei a dizer: “Tou cega, tou cega!” Sou viúva e morava com um filho que devido aos seus vícios não me fazia companhia alguma. As senhoras da Assistência vieram falar com a minha chefe para ver se eu podia vir para este Centro, o que foi uma esmola para mim! Eu estava em casa da minha irmã Iracema, que não tinha condições para cuidar de mim. Quando estas senhoras apareceram fiquei toda contente! É muito bom estar aqui onde sou bem tratada. É um sacrifício estar em casa ao sábado e ao domingo, pois estou sempre deitada e sozinha! Gosto muito da minha chefe. É como uma mãe para mim! Sou amiga de dizer as minhas piadas e de dar umas gaitadas! Já que Nosso Senhor me tirou a vista compensou-me com esta boa disposição. Sou uma pessoa divertida. Eu é que ajudei a criar o Fernando Menezes Dava dias em casa de pessoas da cidade como o Dr. José de Freitas; o Dr. Decq Mota; o Sr. Jaime Melo; a Maria do Chico Campos (que morava por cima da Pastelaria); em casa da Cristina da “Foto Jovial”; da “Papagaia” que fazia análises na Junta; da D. Alice Menezes; do Jorge Menezes. Eu é que ajudei a criar o Fernando Menezes. Eu fugia da escola para ir para casa da mãe dele.

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“Sou amiga de dizer as minhas piadas e de dar umas gaitadas! Já que Nosso Senhor me tirou a vista compensou-me com esta boa disposição”

E a propósito do Fernando Menezes, recordo-me que há algum tempo houve uma festa nos Flamengos e as pessoas aqui do Centro foram convidadas. Como não vejo, a empregada sentou-me numa mesa e eu lá fiquei. Logo a seguir ouço uma pessoa dizer: “Boa noite, senhora Teresa”. E eu respondi: “Boa noite, senhor”. E a pessoa insistiu: “A senhora não me tá conhecendo?” E eu: “Não, senhor”. E novamente: “Ó senhora, não me diga que não me tá conhecendo! Pois a senhora ajudou a criar-me e não me tá conhecendo?” E eu tive de dizer que não. Até que ele se identificou: “É o Fernando Menezes!” E eu: “Ó Fernando, desculpa-me que eu não tava a conhecer-te pela voz”. E ele recordou que eu o tinha ajudado a criar e que já adulto me dava as chaves do seu gabinete para eu o ir limpar ao sábado. Perante isto, a empregada disse: “Então vou tirar a Teresa desta mesa”. E ele não deixou, dizendo: “Não, ela tá sentada aí, aí fica. Tá sentada em frente a mim. Eu hoje é que vou tratar da Teresa que ela já tratou de mim”. E pôs-me a comida no prato. E a mulher – que é um pouco soberba, trabalhei em casa da mãe dela – dizia: “Cala-te home, tá quieto! Deixa esta mulher da mão”. Mas o Fernando ripostava: “Tu cala mas é a boca p’ra aí que eu é que vou tratar desta mulher”. E disse-me: “Olha Teresa: tem carne, galinha, croquetes” e serviu-me daquilo que pedi. E quando me preparava para comer e beber o sumo, ele avisou: “Tu vais é beber vinho mais eu!” E a mulher vai assim: “Ah home, tu tás doido? A dar vinho a esta mulher!?” E o Fernando: “Tá calada! Não faz mal nenhum a esta mulher beber um copo de vinho”. Eu não bebi só um copinho, bebi mais do que um. E consolei-me!”

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Toda a gente dizia que eu era muito limpa! A minha vida foi muito difícil! Morava abaixo da Santa, onde hoje é a casa daquele estrangeiro. Casei sem amor, porque foi um casamento feito, que durou 46 anos! Passei muita fome e levei muita porrada. Tratava do gado, sachava milho, batatas. Fazia tudo! Penei muito com meu marido, por isso dizia sempre: “Este diabo nunca mais morre!” E ele garantia que antes de morrer me ia ver cega e assim aconteceu! Ele pôs-me a trabalhar p’ra fora. Levanta-me de manhã cedo, fazia as minhas caminhas, tratava dos porcos, das galinhas, ia pôr os bezerros a mamar ns vacas, tirava o leite, ia pô-lo no posto e dizia às patroas: “Se eu chegar mais tarde, deixe estar que aquilo que estiver destinado para mim, vou fazer”. Parece que era Nosso Senhor que me ajudava, pois quando era duas e meia duas e um quarto eu tinha tudo pronto. Toda a gente dizia que eu era muito limpa! Limpava aquelas janelas, passava um pano nas portas; se as paredes tinham caruncho passava um pano com lixívia crua e deixava estar ali um bocado e depois lavava e ficava tudo consolando a ver. Trabalhava muito! Tive quatro rapazes e duas raparigas. Tenho um filho em São Miguel que gosta muito de mim e um outro que morreu às lapas na Praia do Norte. Vou duas vezes por ano a São Miguel. Agora pelo Natal vou estar com ele”. “Somos, como eles dizem, uma Família!” Cláudia Abreu recorda que o Centro de Dia da Conceição foi inaugurado a 3 de Dezembro de 2011 mas só começou a funcionar em Abril de 2012. Esta valência da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial tem capacidade para 30 utentes, apresentando lotação esgotada e uma lista de espera que ronda as 20 pessoas. “Prestamos diversos serviços, desde as refeições (pequeno-almoço, lanche a meio da manhã, almoço, lanche a meio da tarde), tratamento da roupa, higiene da pessoa e preparação da medicação para levar para casa. Há idosos que adquirem uma refeição para jantarem em casa. Também acompanhamos os idosos às consultas,

“Sou amiga de dizer as minhas piadas e de dar umas gaitadas! Já que Nosso Senhor me tirou a vista compensou-me com esta boa disposição”

porque alguns não têm apoio familiar e outros até têm filhos e familiares que não lhes prestam este tipo de apoio. Somos, como eles dizem, uma Família! Proporcionamos diversas actividades para além dos serviços prestados. Oferecemos um plano recheado de iniciativas variadas desde hidroginástica, actividade física, actividade psicomotora, artes manuais. O nosso lema é: “Os idosos não têm idade, têm vida!” Estas pessoas chegam a uma determinada altura da sua vida que merecem ser valorizadas. Por isso temos outro lema que é: “O amor gera o amor”. As nossas actividades têm todas como base o amor, o respeito, o carinho, a amizade. E para eles isso é muito importante. Mais importante do que fazer um trabalho manual é estar com eles, ouvir as suas histórias, pois muitos sentem grande solidão e por isso têm muita necessidade de falar. Estas pessoas são uns super-heróis Portugal é um país em que se fala muito nas crianças e nas leis em relação às crianças, mas no que diz respeito aos idosos depois de se reformarem quase que desaparecem. É um país que não valoriza os idosos. Estas pessoas são uns super-heróis, porque trabalharam e passaram dificuldades. Por isso, quando falamos em crise eles dizem: “Crise?! Não sabes o que é crise! Crise é aquilo que a gente passou: ir para a escola descalços e com fome”. Um bom exemplo é a vida da senhora Teresa, que dava um livro, e está ali sempre bem disposta e a sorrir. Ela teve uma vida terrível! E agora não vê absolutamente nada.

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“O amor gera o amor”

Ela chegou aqui numa fase complicada. Além de não ver, também não percebia o que lhe estava a acontecer, pois tem um Quociente de Inteligência (QI) baixo, é analfabeta, mas é uma pessoa que consegue perceber tudo. A senhora Vanda Ângelo ainda andou com ela na tentativa de lhe explicar como é que as coisas funcionam quando uma pessoa é cega. Mas num caso como este, em que tudo sucedeu depois dos 60 anos, é complicado. É preciso perceber que a senhora Vanda é cega de nascença, estudou, aprendeu, é uma pessoa muito diferente. Por insistência dela, fomos ao Pico com a senhora Teresa a uma consulta particular para perceber se ainda poderia haver alguma solução. O que o médico disse foi que se ela conseguisse ver alguma luz, havia esperança, mas não é o caso.

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Ela teve uma vida tão ingrata e por ironia está a aproveitar mais desde que está cega. Há histórias inacreditáveis aqui dentro, como é exemplo a da senhora Fátima, que podia ter morrido. Tanta gente que tem vidas tão ingratas e chega a esta fase e a sociedade não dá qualquer valor. A realidade é esta: não há leis que protejam os idosos ao contrário do que acontece com as crianças. Há pessoas que chegam aqui com sacos de medicação toda trocada! E então agora com os genéricos, houve quem tomava o mesmo medicamento três vezes por dia!

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CLUBE NAVAL DA H Sinto-me mais realizada a trabalhar com idosos do que com jovens Sou Assistente Social e quando comecei a trabalhar na APADIF, em 2008, foi com jovens em risco, no âmbito do programa Estagiar L. Depois, quando surgiu o Centro de Dia da Conceição, o senhor Fialho convidou-me dizendo que este era um bom desafio para mim. Confesso que era um caminho às escuras, porque nunca tinha trabalhado com idosos mas a verdade é que sinto-me mais realizada a trabalhar com idosos do que com jovens. Porquê? Porque os idosos são muito gratos, valorizam muito aquilo que nós fazemos. Já para os jovens, num dia está tudo bem e no outro tudo mal. A adolescência/ juventude é uma idade muito complicada. No que diz respeito aos idosos, a maior dor de cabeça são as famílias, que complicam muito as coisas. Funcionamos 365 dias por ano Temos 6 idosos que estão entre o Centro de Dia da Conceição e o Centro de Noite nos Flamengos. Funcionamos 365 dias por ano, incluindo feriados e fins-de-semana, porque alguns idosos estão no Centro de Noite nos Flamengos e depois vêm para o Centro de Dia da Conceição. Esta é uma parceria que temos com os Flamengos enquanto o Centro de Dia deles não abrir. Quando o Centro de Dia abrir lá em cima, eles ficam entre o Centro de Dia e o Centro de Noite,

“Reparei que algumas crianças ao chegarem aqui ao Centro de Dia da Conceição tinham receio e vergonha de dar um beijinho a um velhinho”

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nos Flamengos. A maior parte dos casos que temos aqui vêm encaminhados da Acção Social ou do Hospital. Por vezes não há vagas na Santa Casa e põe-se a hipótese de haver no Centro de Noite. Quando o utente tem alguma autonomia, há alternativa entre Centro de Dia e Centro de Noite. Na realidade, a resposta entre Centro de Dia e Centro de Noite não é muito viável, porque a pessoa não pode ficar doente. É uma tristeza! Isto foi uma situação que se conseguiu criar aqui no Centro de Dia da Conceição mas não é o mais correcto e já dei a minha opinião sobre este assunto. A pessoa não pode ficar doente senão tem de vir para o Centro de Dia e depois tem de ir para o Centro de Noite e andar como a Sagrada Família, abaixo e acima. Obras de ampliação do Centro de Dia Inicialmente falou-se com o Governo Regional sobre a possibilidade de haver também aqui na Conceição Centro de Noite uma vez que o Centro de Noite dos Flamengos só tem capacidade para 8 pessoas – é muito pequeno – e a Santa Casa está sobrelotada. Há muitas pessoas que vivem acamadas. Há familiares que chegam aqui mesmo desolados. Ser cuidador é muito complicado, sobretudo quando se trata de uma pessoa que está acamada. Quando a pessoa tem alguma autonomia tudo bem mas quem está acamado é muito complicado. Quando o Centro de Dia da Conceição abriu demos uma resposta em termos de noite, porque temos dois quartos, cada um com duas camas. Estávamos a falar de alojamento temporário destinado àquelas famílias que se ausentavam ou queriam tirar um período de férias, o que só poderia ir até a um mês. Mas como tínhamos de pagar subsídio e turno, saía muito caro ao utente. Conversámos com a Secretaria no sentido de abrir um Centro de Noite mas a resposta dada foi que o Centro de Noite era mais complicado em termos de custos e então o que a tutela decidiu fazer foi alargar a capacidade do Centro de Dia da Conceição, que vai passar de 30 para 50 idosos. Este projecto já foi viabilizado e as obras vão ser uma realidade.

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RTA aqui a sua refeição no Centro de Dia e à noite comem pão e queijo. Não há para mais! Há muito drama e muitos idosos a passar dificuldades no Faial. A grande maioria chega a esta fase de vida sem um suporte ou um apoio... Encontros Inter-Geracionais

“São os idosos que me fazem levantar todos os dias, porque eles são inacreditáveis!”

Há muito drama e solidão no Faial Quantidade não é qualidade! As pessoas têm de perceber que nós temos um determinado número de cadeirões e cada utente deve ter as suas condições para estar cá. Ainda há dias veio aqui ao Centro de Dia da Conceição uma senhora dos Flamengos a chorar e a pedir uma vaga pelo amor de Deus, porque não podia estar sozinha. É claro que este tipo de situação me deixa um bocado frustrada, porque não há capacidade para mais e a senhora não tem qualquer tipo de apoio familiar. Acho que não há nada mais triste nesta vida do que chegar a uma idade em que se precisa e não se tem. Eu também não pensava muito na velhice, a realidade é essa mas ao chegar ao Centro de Dia da Conceição já dou comigo a pensar: “Oh Senhor, como será a minha vida, será que vai haver alguém que me dê um copo de água? É dramático uma pessoa trabalhar e descontar uma vida inteira e chegar a esta idade com uma reforma mísera. A maior parte destas pessoas tem pouco mais de 200 euros e ainda ouço muita gente dizer: “Como é que há pessoas que vivem com o ordenado mínimo?” E agora pergunto eu: “Como é que há idosos que vivem com 200 e tal euros? Como é que conseguem comer e pagar os medicamentos?” Muitos comem sopas de leite ou de café à noite. Não há carne nem peixe. Comem

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Tentamos ao máximo fazer Encontos Inter-Geracionais e trabalhar principalmente com as turmas das escolas no sentido de os mais novos irem percebendo isto. Há pouco tempo realizámos aqui no Centro uma actividade desse género em que foram convidadas as turmas do Casa de Infância de Santo António – da 1ª até à 4ª classe – e depois em resposta a este intercâmbio os nossos utentes também foram lá fazer bolachas e outras actividades. E foi engraçada a convivência entre eles e as perguntas que as crianças colocavam, como por exemplo: “Como é que iam para o Continente? De barco? E quantas horas levavam? Dias?!?” Acho que é nestas idades que conseguimos trabalhar e educar as crianças, porque são elas que vão tratar de nós amanhã. É fundamental haver esta aprendizagem, esta sensibilização no sentido de elas irem percebendo a importância destes gestos, pois os pais trabalham e a maior parte dos avós também e tem de haver alguém que lhes incuta estes valores. Sinto-me uma felizarda tendo em conta que fui criada pela minha avó mas hoje em dia a maior parte destes miúdos vai para os colégios ou para as amas. Reparei que algumas crianças ao chegarem aqui ao Centro de Dia da Conceição tinham receio e vergonha de dar um beijinho a um velhinho. Os contactos são muito importantes na medida em que funcionam como educação. Mas na minha maneira de ver, esta educação só surte efeito nas crianças mais pequenas, porque se estivermos a falar de quem frequenta o 7º, 8º ou 9º anos, essa população já está moldada. É tão importante para os mais pequenos darem a mão a um idoso, acompanhá-lo, ajudá-lo. Há dias uma mãe contou-me que a filha – que tinha

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estado aqui no Centro – ao chegar a casa lhe disse: “Mãe, eu hoje dei a mão a uma senhora, porque ela, coitadinha, precisava de ajuda. Ah! É tão triste chegar a velhinho!” A criança estava tão preocupada e é bom que nestas faixas etárias aprendam a respeitar e a ajudar os mais velhos. Sempre que podemos, fazemos hidroginástica e actividades inter-geracionais neste ambiente com miúdos de outras escolas, como da Vista Alegre, em que juntamos crianças de 5 anos com os idosos e rematamos com um lanche em que todos convivem.

dos os dias, porque eles são inacreditáveis! Fico emocionada com as histórias de vida deles. E muitas vezes vou para casa a pensar naqueles que não conseguimos ajudar. É frustrante não podermos atender a todos! Aqui, a gente chora e ri com eles. Fazemos tudo com eles. Das 08h30 às 18h30. Todos os dias. De dia, o Centro conta com um maior número de idosos e aos fins-de-semana apenas ficam cá aqueles (6) que se encontram entre Centro de Dia e Centro de Noite.

Aqui, no Centro de Dia da Conceição da APADIF, os idosos têm tudo!

Gostaria de aproveitar esta oortunidade para destacar que só conseguimos fazer um excelente trabalho graças a esta equipa fantástica de que fazem parte: Maria José Simões, Laura Oliveira, Isabel Mota, Paulina Geraldo, Maria da Luz, Lília Martins, Renata Ávila, Susana Pereira, Pedro Cipriano, Luís Pacheco e Roberto Faria. São eles que todos os dias fazem a diferença no quotidiano dos nossos idosos. Por vezes são pequenos gestos que valem muito. Fazemos o bem sem olhar a quem”.

Sem dúvida que os trabalhos manuais são importantes mas há aspectos muito mais importantes, como as partilhas, as experiências uns com os outros, as conversas. É crucial os idosos se sentirem acompanhados, recebendo amor e carinho. Aqui, no Centro de Dia da Conceição da APADIF, eles têm tudo! Saem daqui com a alma cheia. São os idosos que me fazem levantar to-

Fazemos o bem sem olhar a quem

Cláudia Abreu e a sua “fantástica” equipa!

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CNH NOVOS SÓCIOS ISENTOS DO PAGAMENTO DE JÓIA ATÉ DIA 28 DESTE MÊS

A isenção do pagamento de jóia significa uma poupança de 36 euros o que corresponde ao valor de um ano de quotas

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ngariar novos Sócios ou recuperar aqueles que por qualquer razão um dia perderam este estatuto, é o mote da Campanha do Clube Naval da Horta (CNH) que termina no fim deste mês, mas que em tempo útil é uma realidade até sexta-feira, 28 de Dezembro, atendendo a que nos dias posteriores a Secretaria se encontra encerrada. A grande particularidade desta Campanha de Angariação de Sócios é a isenção do pagamento de jóia, o que corresponde a uma poupança de 36 euros. Assim sendo, quem pretender ser Sócio do Clube Naval da Horta e o fizer nos próximos dias pode aproveitar o bónus agora oferecido e canalizá-lo para o pagamento da quota de todo o ano de 2019, que são precisamente 36 euros (3 euros mensais). Fazer-se associado do CNH é, sem dúvida, uma forma de apoiar a única instituição náutica faialense, mas representa, também, a possibilidade de usufruir do desconto em termos de inscrição para a prática das diferentes modalidades e Cursos da Naútica de Recreio disponibilizados por esta “casa”, além de beneficiar de diversas van-

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tagens ao abrigo do imenso leque de bens e serviços oferecidos pelos parceiros/patrocinadores protocolados com o CNH, e que neste momento ascendem a duas dezenas. “Esta Campanha está a ser um sucesso!” Embora o Clube Naval da Horta seja a instituição do Faial com o maior número de Sócios pagantes – cerca de 1000 – é pretensão dos actuais Dirigentes elevar a fasquia, “contando com o papel dos agentes económicos no alargamento desta rede”, sustenta José Decq Mota, Presidente da Direcção do CNH. Tudo, porque, “esse aumento permite não só o acréscimo das receitas indispensáveis à acção quotidiana do Clube mas, igualmente reforçar o peso social na comunidade faialense e não só”. E a avaliar pelos resultados alcançados até agora, José Decq Mota considera que “esta Campanha está a ser um sucesso, tendo sido angariadas largas dezenas de novos Sócios”. A lista das empresas parceiras do CNH assim como dos bens e serviços disponibilizados por cada um, com o respectivo montante de desconto, está disponível no site do CNH a partir do menu de topo “O Clube; Vantagens dos Sócios”.

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CNH ASSEMBLEIA GERAL DO CNH COM CONTINUIDADE MARCADA PARA 23 DE JANEIRO

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euniu ontem, dia 19 de Dezembro, no Bar do CNH a Assembleia Geral do Clube. Com a presença de algumas dezenas de sócios a Direcção que termina o mandato apresentou o Relatório Intercalar de Atividades de 2018 e, a pedido da Direcção, o Técnico Oficial de Contas, Dr. Davide Marcos, apresentou o fecho parcial das contas até 31 de Outubro. O Relatório Intercalar foi aprovado por maioria, com uma abstenção. De seguida discutiram-se Assuntos de Interesse para o Clube, tendo sido aprovada uma proposta de Moção intitulada PELA RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS DA REQUALIFICAÇÃO DA SEDE DO CNH E DO ACESSO MAR. Seguiu-se o ponto Eleições para os Órgãos Sociais, sabendo-se que não tinham entrado listas dentro do prazo estatutário. Aberto o debate sobre o modo de resolver a situação e após diversas intervenções que propuseram a indigitação do actual Presidente da Direcção para organizar uma Lista, este aceitou a indigitação e foi encarregado pela AG de organizar a Lista e de a 23 de Janeiro de 2019 a submeter a sufrágio, na reunião de continuação da Assembleia Geral marcada para essa data.

MOÇÃO PELA RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS DA REQUALIFICAÇÃO DA SEDE DO CNH E DO ACESSO MAR As instalações portuárias atribuídas ao Clube Naval, no porto da Horta, encontram-se muito degradadas e deixaram de ter, há já alguns anos, um mínimo de condições e de espaço para permitir que o CNH possa desenvolver, com qualidade, as suas atividades desportivas náuticas, de promoção turística náutica e associativas. O grande crescimento das atividades empresariais de natureza marítimo-turísticas, que foram instaladas, de modo aliás precário, a sul do CNH e em área que até 2000 estava atribuída ao CNH, associada ao modo como os pontões da marina sul foram dispostos, transformaram o acesso ao mar, das embarcações de vela ligeira e canoagem, unicamente possível na rampa do cais de Sta Cruz, num acto distante e desmotivador, recheado das naturais dificuldades que a presença, no percurso, de centenas de utentes das empresas marítimo-turísticas provocam.

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O recente anúncio da construção e apresentação do projecto de um edifício de apoio para 16 empresas marítimo-turísticas, a construir no local já referido e ocupando mesmo uma faixa significativa de espaço atualmente atribuído ao CNH, onde se encontra, em instalações precárias, a Secção de Canoagem, vem levantar, com acuidade, as questões ligadas, quer às urgentes obras que o edifício do CNH necessita, quer, uma vez mais, o problema do acesso ao mar, dado que a zona das marítimo-turísticas vai ter mais empresas, mais utentes e mais espaço, tudo em detrimento do CNH, do seu espaço e do seu acesso ao mar. Entretanto, na recente discussão parlamentar do Plano e Orçamento da Região Autónoma dos Açores para 2019, foi aprovada, no Plano para 2019, uma rubrica intitulada “Requalificação da sede do Clube Naval da Horta” e que foi dotada de uma verba financeiramente relevante, o que, à partida, demonstra haver intenção política de tratar desta importante questão. Tendo em conta o que foi exposto, a Assembleia Geral do Clube Naval da Horta, reunida a 19/12/2018, aprova a seguinte Moção: 1. A Assembleia Geral do Clube Naval da Horta (AG do CNH) manifesta perante todas as entidades governativas regionais, ligadas às áreas dos portos, do mar, do desporto, do turismo e da cultura a sua profunda preocupação com a crescente degradação e inadequação das instalações portuárias que estão atribuídas ao Clube. A AG do CNH manifesta igualmente grande preocupação pelas cada vez mais deficientes condições de acesso ao mar dos atletas

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do Clube, obrigados a atravessar, com os barcos, a estreita zona portuária atribuída às empresas marítimo-turísticas que movimentam diariamente centenas de utentes. A AG do CNH entende que a vida e atividade do Clube, quer na área desportiva náutica, quer no que respeita à organização de eventos náuticos internacionais, nacionais e regionais, quer ainda no que toca à utilização desportiva e turística do Património Baleeiro recuperado, será profundamente afetada e diminuída, caso não se encare de frente o modo de resolver os problemas apontados. 2. A AG do CNH regista de forma positiva o facto de ter sido incluído no Plano para 2019, recentemente aprovado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, uma rubrica intitulada “Requalificação da sede do Clube Naval da Horta”, dotada financeiramente de forma relevante. Esta muito recente decisão dos Órgãos de Governo Próprio da Região só pode ser interpretada como um claro sinal de que é entendida a urgente necessidade de se resolver o problema grave das instalações e condições de trabalho desta Instituição na área portuária. 3. A AG do CNH encarrega a Direcção de estabelecer, com a maior urgência, todos os contatos necessários no sentido de contribuir para a adequação das opções a tomar e de esclarecer todos os problemas que estão em causa. A AG do CNH pede ao Conselho Geral que acompanhe de perto todas as diligencias a fazer neste âmbito. 4. A AG do CNH delibera ainda que a presente Moção seja enviada à Senhora Presidente da ALRAA e Grupos e Representações Parlamentares representados; ao Senhor Presidente do Governo Regional e aos Senhores Membros do Governo com responsabilidades nas áreas das finanças, portos, mar, desportos, cultura, turismo; à Senhora Presidente da Assembleia Municipal da Horta, ao Senhor Presidente da Câmara Municipal da Horta, ao Senhor Presidente do Conselho de Ilha do Faial. Mais se delibera que a presente Moção seja distribuída pela Comunicação Social da Região. Sede do Clube Naval da Horta, 19 de dezembro de 2018 A Assembleia Geral do Clube Naval da Horta

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DESDE 1947 PRÉMIO DE EXCELÊNCIA DESPORTIVA 2011 INSÍGNIA AUTONÓMICA DE MÉRITO CÍVICO 2017 WWW.CNHORTA.ORG

MONTAGEM: ARTUR SIMÕES TEXTOS: CRISTINA SILVEIRA

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Ir_ao_mar - Nº57 - Dezembro 2018  

Revista mensal sobre a atividade do Clube Naval da Horta

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