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REVISTA MENSAL SOBRE A ATIVIDADE DO CLUBE NAVAL DA HORTA

© JOSÉ MACEDO | CNH 2017

Nº 39 Junho 2017


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BOTES BALEEIROS REGATA DE NOSSA SENHORA DAS ANGÚSTIAS

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ealizou-se hoje, dia 15/6, durante a manhã, a Regata de Vela em Bote Baleeiro de Nª Srª das Angústias. Esta Regata estava calendarizada para 27/5, integrada nas Festas de Nª Srª das Angústias, mas as condições meteorológicas desse dia não permitiram a sua realização. A Regata de Nª Srª das Angústias integra o Campeonato de Vela em Bote Baleeiro da Ilha do Faial, é promovida pela Junta de Freguesia das Angústias e organizada pelo Clube Naval da Horta. Venceu a Regata o bote “Sr.ª de Fátima”, da Junta de Freguesia de Castelo Branco, tendo como Oficial António Luís. Em 2º lugar ficou o bote “S.ª da Guia”, da Junta de Freguesia da Feteira, tendo como Oficial Rute Matos. Em terceiro lugar classificou-se o bote “Sr.ª das Angústias” da Junta de Freguesia das Angústias, tendo como Oficial José Gonçalves. (Ver classificações completas aqui). A Comissão de Regata foi constituída por José Decq Mota (Presidente), Vítor Mota, José Macedo, Carlos Silva e João Nunes e a Comissão de Protestos integrou Duarte Araújo (Presidente),

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Carlos Moniz e João Duarte. A lancha da Comissão de Regata foi a “Walkiria”, do CNH, tendo como Mestre Vítor Mota. O dispositivo de apoio e segurança foi constituído pelo semi-rígido “Eric Tabarly”, com Duarte Araújo como Skipper e pelo semi-rígido “Piloto João Lucas” com João Nunes como Skipper. Terminada a Regata, varados os botes, recolhidas as boias, amarradas as lanchas e guardada a palamenta, realizou-se, pouco depois das 13H00, no Castelo de S. Sebastião, a Cerimónia de Entrega dos Prémios e Diplomas de Participação, seguida de Almoço Convívio, organizada e oferecido pela Junta de Freguesia das Angústias. Usando da palavra antes da entrega de prémios, o anfitrião e Presidente da Junta de Freguesia das Angústias, José Costa, saudou todos os presentes, entidades oficiais e participantes, agradeceu o trabalho organizativo do CNH e sublinhou o esforço realizado, nos últimos 9 anos, pela Junta a que preside, para dotar esta antiga freguesia baleeira de um bote próprio, recuperando e utilizando o “Sr.ª das Angústias” e de uma Casa do Bote, local de invernia do bote dotado de uma

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O campo de regata da edição deste ano foi montado na costa do Pasteleiro e participaram na Regata 7 botes baleeiros do Faial

exposição sobre a atividade baleeira. A terminar, José Costa deixou o voto de que os futuros titulares desta Junta de Freguesia continuem a ter uma atitude ativa e dinâmica no que respeita ao Património Baleeiro da Freguesia e do Faial. Usando de seguida da palavra o Presidente do CNH, José Decq Mota, enfatizou o excelente relacionamento sempre existente entre a Junta de Freguesia das Angústias, presidida por José Costa e o Clube Naval da Horta, quer em todas as questões relacionadas com a manutenção e utilização desportiva do Património Baleeiro, quer noutras áreas. O Presidente do CNH, referindo-se à próxima alteração na composição das

Juntas de Freguesia, salientou que todas aquelas que são detentoras de Património Baleeiro utilizável, têm como obrigação, sem alternativa, a de continuar a zelar esse Património e a contribuir para o vigoroso movimento desportivo popular que se formou à volta dos botes recuperados. Usou ainda da palavra a Vereadora Ester Pereira, que saudou, em nome do Sr. Presidente da Câmara, todos os presentes e se referiu, com detalhe, à grande importância que tem, no presente e no futuro, a existência de um vasto Património Baleeiro utilizável, que gera enorme curiosidade a muitos visitantes e que é utilizado por centenas de cidadãos.

A entrega de prémios, muito animada com fartas palmas e muitas fotos, culminou com um mega foto, tirada na rampa de acesso às ameias superiores do Castelo, na qual estão todos os participantes

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BOTES BALEEIROS “CLAUDINA”, DO CNH, GANHOU A REGATA TERRA BALEEIRA, NO PICO

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bote “Claudina”, do Clube Naval da Horta (CNH), foi o vencedor da Regata Terra Baleeira, que decorreu este sábado, dia 24, nas Lajes do Pico, organizada pela Câmara Municipal das Lajes. Esta foi a primeira regata em bote baleeiro da ilha do Pico realizada na presente temporada e envolveu 3 botes daquele concelho: Calheta do Nesquim, Ribeiras e Lajes.

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O 2º lugar do pódio também foi alcançado por outro bote faialense, o “Maria da Conceição”. Participaram um total de 20 botes baleeiros das ilhas Faial e Pico. De acordo com José Decq Mota, da Secção de Botes do CNH, “a regata decorreu muito bem, tendo registado grande adesão”. A entrega de prémios aconteceu na tarde do mesmo dia.

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CANOAGEM PROVA DE VERÃO

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ecorreu, sábado, dia 17, na Baía da Horta, a Prova de Verão, da Secção de Canoagem do Clube Naval da Horta. Estiveram presentes 7 atletas que compõem os escalões de Masculinos Veterano A, Júnior, Infantil e Menor, acompanhados pelo treinador David Milla. Foi uma prova de velocidade/fundo divida em duas distâncias, 50000 e 2000 metros.

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As condições do tempo foram muito favoráveis para a prática da modalidade, facilitando a progressão no mar e levando os canoístas a melhorarem os seus tempos. A encerrar a manhã, decorreu um pequeno lanche com a confraternização já típica destes momentos entre atletas, treinador, pais e dirigentes do CNH.

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PROJETO “HORIZONTE EM MOVIMENTO” CNH LEVA A VELA À ESCOLA

Aprender a velejar é uma aventura excitante para estes alunos do 5º ano

Clube Naval da Horta leva a Vela à Escola e pretende inseri-la no currículo do próximo ano letivo

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orizonte em Movimento”. Assim se designa o mais recente projeto do Clube Naval da Horta (CNH), que tem como parceira a Escola Básica Integrada da Horta (EBI) e que pretende levar a Vela à Escola, a fim de que a mesma integre o currículo dos alunos do 5º e 6º anos, já no próximo ano letivo. Além dos 150 alunos, também os 7 professores estão a aprender a velejar, pois não se pode avaliar aquilo que se desconhece. O Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta falou com o Coordenador da Escola de Vela do CNH, Duarte Araújo, a fim de perceber com detalhe a matriz e os objetivos deste projeto, capaz de consagrar a verdadeira vocação desta instituição náutica. - Gabinete de Imprensa do CNH: Quais são os objetivos deste projeto? - Duarte Araújo: Os objetivos deste projeto são ambiciosos, pretendendo aumentar o território

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geográfico dos Açores! Tendo em conta que os Açores são um conjunto de ilhas, muitas à vista e com uma limitação geográfica impossível de contornar, torna-se imperativo que o papel do Clube Naval da Horta seja o de aumentar, o máximo possível, a perceção territorial, criando, simultaneamente, pontes entre as ilhas e lançando as fundações para uma nova geração de empreendedores na economia do mar. Sendo o Clube Naval da Horta guardião do conhecimento secular da navegação e compreensão marítima, associado a um maior respeito pelas energias limpas e conservação da natureza, este é o momento de ligar esse conhecimento ancestral à necessidade de encontrar novos rumos para a economia local e regional, e ao mesmo tempo contribuir para a formação dos corpos e mentes das camadas mais jovens. É aí que entra o ensino da Vela, inserido no programa escolar de desporto. Todos reconhecem no desporto da Vela as vantagens que incute na construção dos jovens, o trabalho em equipa, a superação, o

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CLUBE NAVAL DA H conhecimento de todas as variáveis marítimas e meteorológicas, a liderança, a confiança, a saúde, o respeito e a humildade. - Gabinete de Imprensa do CNH: O que é que este projeto traz de novo? - Duarte Araújo: Os fatores que tornam esta parceria com a Escola Básica da Horta são: a proximidade física com a Escola, praticamente porta com porta; o interesse do Departamento de Desporto, Comissão Executiva e Comissão Pedagógica, assente no reconhecimento do papel do ensino da Vela na estrutura de valores partilhada por ambas as instituições; e, por último, mas muito importante, a verdadeira realização do projeto Horta: Cidade-Mar. - Gabinete de Imprensa do CNH: Qual o compromisso por parte da EBI da Horta? - Duarte Araújo: A EBI da Horta propôs-se integrar no seu sistema de ensino a atividade da Vela para o 5º e 6º anos, estando a decorrer, neste momento, uma experiência com o 5º ano. Estamos a falar de 7 turmas com cerca de 150 alunos. Para o próximo ano, com a inclusão do 6º ano, o número de instruendos irá duplicar, sendo cerca de 300. - Gabinete de Imprensa do CNH: O que está a

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ser feito nesta primeira fase? - Duarte Araújo: Estamos a transmitir os conhecimentos básicos da navegação à vela e segurança no mar, de acordo com o previsto pelo Ministério da Educação no que toca ao programa curricular do ensino da Vela. Com 2 embarcações à Vela Raquero, que permitem levar, de cada vez, 5 alunos e 1 monitor assim como 1 barco de apoio com os restantes alunos e respetivo skipper, as aulas têm a duração de 90 minutos e decorrem dentro do porto da Horta. Cada aluno é desafiado a conhecer o barco, o vento e a controlar os diferentes aspetos da navegação. - Gabinete de Imprensa do CNH: Quais as datas de realização do “Horizonte em Movimento”? - Duarte Araújo: Arrancou no dia 19 de Maio e termina no dia 13 deste mês. Serão realizadas 13 aulas de 90 minutos para as 7 turmas (alunos) e 6 aulas de Vela para os 7 professores, dando-lhes um maior controlo sobre o programa de ensino, assim como uma participação ativa no projeto. - Gabinete de Imprensa do CNH: O Clube Naval da Horta é a entidade coordenadora... - Duarte Araújo: A Escola de Vela do Clube Na-

Os professores têm de aprender para depois saberem avaliar. Duarte Araújo (de casaco vermelho) está empenhadíssimo nessa missão

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A Vela foi à Escola e vai fazer parte do currículo dos alunos do 5º e 6º anos já no próximo ano lectivo

val da Horta, com os seus recursos humanos, juntamente com os professores de Educação Física da EBI da Horta, coordena as atividades e o CNH compromete os seus recursos materiais na execução desta parceria. Neste momento, estamos a usar o nosso maior barco de apoio, que permite uma lotação de 20 passageiros e os 2 barcos à Vela Raquero. Infelizmente, o material que estamos a usar está muito gasto devido à utilização regular que o Clube faz do mesmo. As velas velhas e rasgadas, que se apresentam com muitos remendos; o consumo de gasolina; a necessidade de 1 treinador extra durante a semana e de 1 skipper para o barco de apoio; as instalações desadequadas para receber os alunos nos balneários; a falta de coletes de salvação que permitiriam aumentar o número de utilizadores, são tudo encargos que vêm esforçar ainda mais as contas já de si apertadas da atividade do Clube. O apoio da Escola e dos professores tem sido muito importante, mas para que este projeto chegue a bom porto, vamos ter de procurar resolver as necessidades que identificámos até agora. - Gabinete de Imprensa do CNH: Neste cenário, não é possível aumentar o número de alunos? - Duarte Araújo: Se quisermos aumentar o número de alunos, avançar com os graus de aprendizagem e alargar este projeto ao ano letivo inteiro, bem como criar um clube inserido no desporto escolar, então teremos de fazer um investimento apropriado à medida da nossa ambição e dos objetivos a que nos propusemos. - Gabinete de Imprensa do CNH: Qual o balanço que se pode fazer até agora? - Duarte Araújo: Agora que já concluímos 5 aulas, ainda só temos bons indicadores da motivação dos alunos e dos professores. Tem sido

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muito gratificante ver a vontade que existe de aprender mais sobre a Vela e o mar, perder os medos e aventurar-se num barco à vela. É estimulante poder participar na formação desportiva dos alunos da EBI da Horta, dando-lhes conhecimentos sobre o mar que nos rodeia, o que permite alargar, de alguma forma, a perceção geográfica. O que antes era um obstáculo, passa agora a ser um caminho, alargando, efetivamente, o nosso horizonte. - Gabinete de Imprensa do CNH: A experiência e o know-how do CNH podem ser vistos como mais-valias neste projeto? - Duarte Araújo: O Clube Naval da Horta nasce em termos formais a 26 de Setembro de 1947, com o objetivo de estimular o gosto pelos desportos náuticos de recreio e de competição. Com uma atividade regular, é hoje a instituição desportiva faialense com maior número de associados, tendo, igualmente, o maior número de atletas federados, dinamizando modalidades náuticas como Vela e Remo em Botes Baleeiros, Apneia, Canoagem, Pesca Desportiva, Natação, Vela Ligeira, Vela de Cruzeiro, Remo, Windsurf, Mergulho e Mini-Veleiros. Por todos estes factos, o Clube Naval da Horta é, atualmente, um clube fortemente enraizado na sociedade civil e desportiva do Faial, fazendo a ligação entre as suas gentes e o mar, destacando-se como uma referência a nível regional e nacional. Bruno Silveira, professor de Educação Física da Escola Básica Integrada da Horta dá o seu testemunho sobre este projeto pioneiro nos Açores: “O projeto “Horizonte em Movimento” resulta de um protocolo firmado entre o Departamento de Educação Física da EBI e o Clube Naval da Horta e integra-se no grupo de matérias alternativas que podemos dar no âmbito da Educação Física. Matérias alternativas são aquelas matérias que podemos ajustar de acordo com o contexto geográfico onde damos aulas. E no Faial, como vivemos numa zona circundada por mar, pensámos que fazia todo o sentido os alunos terem algum contacto com o mar e com atividades náuticas. Começámos esta experiência no 3º período,

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As aulas de Vela maravilham os alunos, o que faz antever o sucesso deste projeto

mas a ideia é que o projeto fique associado ao programa curricular de Educação Física do 2º Ciclo. Os alunos estão a adorar! Alguns já tinham conhecimento da Vela porque praticam no Clube Naval da Horta, mas mesmo os que estão a ter contacto com a modalidade pela primeira vez, têm aprendido muita coisa. Considero importantíssimo este projeto da Vela! Já temos um programa vasto, mas esta ativida-

Nas asas do vento, descobrindo uma nova paixão...

de vem enriquecê-lo muito mais. O “Horizonte em Movimento” permite proporcionar aos alunos mais uma área no âmbito do desporto que, através das aulas mais tradicionais, não seria possível. Esperemos que esta experiência na aprendizagem da Vela faça com que alguns descubram uma nova paixão na sua vida, sendo cidadãos mais ativos, conscientes e responsáveis”.

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“HORIZONTE EM MOVIMENTO” PROFESSOR MIGUEL MENDES FALA DO PROJETO “HORIZONTE EM MOVIMENTO”

“Agradecemos ao Duarte e ao CNH por nos ter encorajado a introduzir a Vela no currículo escolar”

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udo isto é possível graças à parceria que existe entre o Clube Naval da Horta (CNH) e a Escola Básica Integrada, estando ambas as partes muito satisfeitas com a adesão e aceitação verificadas. O professor Miguel Mendes, Coordenador do Projeto por parte da Escola, explica ao Gabinete de Imprensa do CNH as linhas mestras desta experiência única e cativante, capaz de formar velejadores (profissionais) e cidadãos (completos). “Trata-se de, pelo desporto, integrar mais a vida na escola e a escola na vida” Gabinete de Imprensa do CNH: O Projeto “Horizonte em Movimento” arrancou no dia 18 de maio último, mas foi necessária uma preparação prévia? - Miguel Mendes: Sim, antes existiu uma primeira abordagem entre o Clube Naval da Horta e a Escola Básica Integrada, extremamente positiva.

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Levou a que os elementos do Departamento de Educação Física fizessem uma reflexão sobre as atividades desenvolvidas e a necessidade de inovar e proporcionar aos alunos matérias diferenciadas sem os habituais materiais indispensáveis à prática das diferentes modalidades, mas que potenciam, igualmente, o desenvolvimento das competências consagradas para este nível de ensino. - Gabinete de Imprensa do CNH: Em que consiste o Projeto? - Miguel Mendes: Numa parceria entre a Escola Básica António José de Ávila e o Clube Naval da Horta, com o intuito de integrar a prática da Vela no currículo da disciplina de Educação Física. Os alunos têm experienciado um contacto direto ao nível da navegação e conhecimento do equipamento, ao passo que os docentes do Departamento de Educação Física têm tido uma formação, no sentido de serem atribuídas competências para abordagem/lecionação da modalidade, perspetivando que a Vela faça parte do currículo no próximo ano letivo. - Gabinete de Imprensa do CNH: Quais os objetivos do “Horizonte em Movimento”? - Miguel Mendes: O meio aquático pode propor-

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CLUBE NAVAL DA H cionar a abertura de um mundo totalmente novo para todos os alunos, podendo ser considerado um paradoxo, pois ao mesmo tempo que inibe ou amedronta, também pode proporcionar prazer e conquistas que nenhuma outra atividade é capaz de proporcionar. Manobrar o raquero subentende uma série de desafios e de objetivos. É excelente para veicular as necessidades sociais que se expressam nos nossos tempos e para possibilitar um desenvolvimento integral dos nossos alunos, respeitando as etapas de desenvolvimento pessoal, além de promover a auto-estima/ autonomia, melhorando a capacidade de tomar decisões e marcando um estilo de vida saudável. - Gabinete de Imprensa do CNH: Qual a sua importância? - Miguel Mendes: Este Projeto é muito importante, na medida em que pretende acrescentar, de uma forma menos “tradicional”, ferramentas que possam contribuir para o desenvolvimento de competências na disciplina, bem como em todas as outras áreas, considerando que o desenvolvimento de competências em determinada área é transversal.

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Tal como refere Bento XVI (1995), “... a escola precisa de riso, de entusiasmo, de dinamismo, de palmas, de alegria; precisa que se goste dela. O desporto pode contribuir para isso, com dias desportivos, com competições e torneios internos e externos, com pontos altos na vida escolar. Trata-se de, pelo desporto, integrar mais a vida na escola e a escola na vida”. Agradecemos ao Duarte Araújo e ao Clube Naval da Horta o facto de nos abrir a porta e encorajar na alteração do nosso currículo.

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VELA LIGEIRA REGATA DE CAMÕES DECORREU COM CONDIÇÕES DE TEMPO PERFEITAS

Mariana Rosa (Classe Optimist) e Jorge Krug Pires (Classe Laser 4.7) ganharam a Regata de Camões

José Macedo © 2017

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Regata de Camões decorreu muito bem, tendo-se realizado 3 regatas com as frotas de Laser 4.7 e Optimist e 4 regatas para Access 2.3 e 303”, refere Duarte Araújo, Treinador de Competição do Clube Naval da Horta (CNH), a propósito da competição deste sábado, dia 10. Este Técnico lamenta a ausência do Clube Naval da Madalena, “que não pôde vir devido à avaria na grua, que fez com que não tenha sido possível trazer os barcos”. Mas sublinha que, “com a frota do CNH cumpriu-se mais uma prova local, com a vitória previsível da Mariana Rosa, sempre a melhorar, e uma batalha até à última rondagem nos lasers para determinar o vencedor, Jorge Krug Pires”. João Duarte, Treinador da Classe Access – Vela Adaptada – afirma que “as condições de tempo estavam perfeitas, com vento muito bom”. Realizaram-se 4 regatas com outras tantas embarcações. “Tratou-se de um bom treino para o Campeonato Nacional de Access”, que será em Cascais, de 30 deste mês a 2 de julho, sustenta João Duarte.

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Na Classe Access, os vencedores foram Rui Dowling (Classe 2.3) e Carlos Cardoso (Classe 303)

Comissão de Regata confirma que está tudo ok

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VELA LIGEIRA BELCHIOR NEVES, TREINADOR DE INICIAÇÃO DE VELA LIGEIRA DO CNH

É com os amigos que Belchior consegue relaxar

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elchior Neves tem apenas 25 anos, mas já viveu muitas experiências, primando pela responsabilidade. É um otimista (realista) por natureza e detesta a rotina. Por isso, não se importa de aprender sempre coisas novas, pois isso implica aprendizagem e evita estar parado. Prefere mesmo ir ao cerne da questão, que é como quem diz, ao coração das peças, desmanchá-las e voltar a reparar tudo, o que constitui uma oportunidade de perceber como se faz, à própria custa. É desenrascado e afirma que é preciso ter capacidade de improviso na Vela para, quando as situações se depararem, saber como resolvê-las. Foi atleta de Vela Ligeira no Clube Naval da Horta, onde se destacou, regressando agora na missão de Treinador de Iniciação. Considera que ensinar as camadas de Iniciação é uma grande responsabilidade, mas promete transmitir tudo o que sabe e viveu. Paralelamente à Vela, confessa a sua paixão pelo Windsurf e já garantiu que vai trabalhar para dinamizar esta Secção do CNH, dona de um passado glorioso. Aqui fica a conversa com este jovem trabalhador, perfeccionista e obstinado, que prefere a acção às palavras, dando mostras de poder ser uma

grande mais-valia para o CNH. “A Vela nunca é igual nem nunca está aprendida” - Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Ser Treinador de Iniciação de Vela Ligeira no CNH, é sinónimo de regressar a uma casa onde já foste muito feliz? - Belchior Neves: São visões bastante diferentes. Antes, vinha para o Clube com o objectivo de competir mais e melhor. Agora, no papel de Treinador, tento perceber como é que posso ajudar os atletas a melhorarem. Venho cá ao fim-de-semana e compreendo que não vou ter grandes resultados a curto prazo tratando-se de crianças, mas sei que, daqui a uns anos, certas coisas que eu lhes ensino hoje ou amanhã, vão aplicar mais tarde. É uma visão mais futurista e não tanto a curto prazo como era na altura em que eu estava no papel de atleta. - Gabinete de Imprensa do CNH: Como é que se dá esta mudança na tua vida? - Belchior Neves: A Vice-Presidente, Olga Marques, contactou-me no sentido de dar treinos de Iniciação de Vela. E está a correr bem. Podia

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“Olhar para as caras deles e ver certas expressões, é o melhor feedback que posso ter”

haver mais alunos, o que eu gostava que fosse uma realidade, mas há que apostar naqueles que realmente querem. - Gabinete de Imprensa do CNH: Mas os que querem é mesmo a sério? - Belchior Neves: Os mais fiéis à modalidade são uns 5 ou 6, sendo superior o número dos faltosos. Mas aqueles que querem mesmo vêm sempre, incluindo nos dias de mais mau tempo e chuva. Quando o tempo começar a melhorar, certamente que vai aumentar o número de atletas. O bom tempo ajuda bastante. De Inverno ou de Verão, os que têm vontade, metem-se na água de qualquer maneira. A água para eles é tão natural como jogar à bola. - Gabinete de Imprensa do CNH: A Vela é difícil? - Belchior Neves: A Vela não é dificil, mas como são crianças com 6/7 anos, e mesmo a partir dos 8/9 anos, é tudo novo. Estamos a falar de uma modalidade em que têm de estar atentos a muita coisa ao mesmo tempo e nem sempre é fácil estarem concentrados. Estão a aprender tudo pela primeira vez e torna-se um bocadinho difícil. Eles demonstram vontade, mas como é normal nestas idades, temos de levar isto mais para a parte da brincadeira e não tanto a sério. Contudo, conseguem reter muitos ensinamentos. Muitos deles vão aprendendo e já sabem o que têm de fazer.

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“Gosto que eles fiquem a conhecer as coisas como também as aprendi” - Gabinete de Imprensa do CNH: Gostas de ensinar? - Belchior Neves: Gosto de transmitir aquilo que já me foi transmitido por certos treinadores que tive. Gosto que eles fiquem a conhecer as coisas como também as conheci ou aprendi, com certas vivências que tive com pessoas mais velhas. Comigo, isso resultou. Certas ocasiões que ocorreram fizeram com que tenha aprendido na altura. Gosto de transmitir às crianças aquilo que já vivi e sei. - Gabinete de Imprensa do CNH: Qual o feedback que tens dos alunos? - Belchior Neves: Basta olhar para a cara deles quando estão nos treinos de Optimist e perceber que estão a gostar do que estão a fazer. Nem sequer são as palavras, porque estamos a falar de crianças que ainda nem sabem muito bem o que estão a fazer ali, mas olhar para a cara deles e ver certos sorrisos e expressões que denotam que estão a gostar do que estão a fazer, é o melhor feedback que posso ter neste tipo de modalidade. - Gabinete de Imprensa do CNH: Tens ambições de ser Treinador de Competição? - Belchior Neves: Ao princípio nem queria esta fase de Iniciação, porque é a altura mais importante para os alunos. Têm de reter certas coisas enquanto são crianças, porque à medida que o tempo vai passando, se não aprendem da maneira certa desde que começam, depois torna-se difícil melhorar a sua aprendizagem. Esta é uma fase muito importante. Achava que não tinha muito jeito para transmitir isso aos miúdos. Tento fazer sempre o melhor, mas é muito dificil. Tinha preferido outras camadas mais adultas. - Gabinete de Imprensa do CNH: Começaste a fazer Vela no Clube Naval da Horta e aqui viveste momentos muito importantes como velejador... - Belchior Neves: Os meus primeiros passos na Vela Ligeira aconteceram aqui, no Clube Naval da Horta, quando tinha 5/6 anos e ficou-me para sempre o bichinho por este desporto. Depois fui para a Terceira 1 ano (onde fiz Optimist) e deixei de praticar durante 2 anos. Na Madeira, para onde fui a seguir, ainda pratiquei Optimist, mas o meu grande foco foi o Windsurf.

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Com 15 anos regressei ao Faial (estive fora desde os 7) e continuei a ser velejador do CNH, da Classe 420. Pratiquei Vela até 18 anos. Estes 3 anos foram aqueles em que mais me dediquei à Vela Ligeira. Muitas vezes não tinha treinador, mas treinei sempre. Na minha última fase – que considero boa – fui treinado pelo Pedro Cipriano, que actualmente é Treinador do Angra Iate Clube, na Terceira. Fomos Campeões Regionais na 2ª época e depois também fomos ao Campeonato Nacional, em que ficámos em 7º ou 8º lugar. Deu para criar outro gosto e maturidade em relação à Vela. Posteriormente, estive ainda 3 anos em Lisboa e aí não pratiquei nada, praticava apenas quando vinha ao Faial. Ao todo, são 18 anos – com interrupções – de prática da Vela e de Windsurf. “Os últimos 2 anos foram aqueles em que consegui tornar-me melhor velejador” - Gabinete de Imprensa do CMH: Qual foi a fase mais importante? - Belchior Neves: O que mais retenho são as minhas últimas épocas de 420, porque foram os anos em que levei tudo bastante a sério, juntamente com um colega que tinha. Apesar de me lembrar de tudo o que tenho para trás, os últimos 2 anos foram aqueles em que consegui tornar-me melhor velejador. Gostava de ser Treinador da Classe de 420 no CNH, caso houvesse uma equipa com vontade e determinação, assim como eu tive. Na altura, recebi bastante apoio do Pedro Cipriano. Ele também queria aprender muito sobre a Vela, e como via em mim e no meu colega – João Morais – essa grande determinação e vontade de aprender, ele também evoluiu nesse aspecto e, a meu ver, actualmente continua a ser um bom treinador. Desde o dia em que ele foi anunciado como nosso Treinador aqui, nesta sala – Centro de Formação de Desportistas Náuticos do Clube Naval da Horta – até ao último ano em que fui atleta dele, notei também por parte dele uma grande evolução connosco. Sempre que íamos fora, tentávamos pesquisar mais sobre esta modalidade. Houve uma evolução constante da parte dele e da nossa ao longo destes anos. Por isso, quando

falo na determinação que gostava que houvesse por parte de alguém em apostar na Classe 420, é porque tinha gosto de poder transmitir aquilo que eu tentei procurar durante os anos que fiz Vela. Não era só vir aqui ao Clube, montar um barco e ir para a água. Em casa, procurávamos saber certas afinações do barco e evoluir sempre mais. Para isso, via bastantes vídeos e quando vinha treinar, tentava aplicar aquilo tudo que via em casa, para perceber se era melhor ou pior. Só me dedicaria como Treinador de 420 se visse que havia 1, 2 ou 3 equipas que manifestassem essa vontade de chegar um bocadinho mais à frente do que vir aqui só ao fim-de-semana andar à Vela. “Às vezes, apetece estar no lugar dos alunos” - Gabinete de Imprensa do CNH: Dar formação realiza um atleta? - Belchior Neves: Nem sempre, às vezes apetece estar lá no lugar dos alunos. Ser Treinador tem aspectos bons e menos bons. Faz-me lembrar um passado que gostava de voltar a ter. Mas agora é um bocadinho difícil competir. Vou concentrar-me na formação. - Gabinete de Imprensa do CNH: Só pode ser Treinador quem já praticou? - Belchior Neves: Torna-se sempre difícil tentar dar formação numa área em que não se tem conhecimento. Mesmo que seja um conhecimento teórico. A prática é bastante importante, aliás, torna-se a mais importante. Para se começar a andar à Vela, é preciso saber alguma teoria, mas há sempre certas situações em que a teoria e a prática são importantes. “Vou ajudar a dinamizar a Secção de Windsurf do CNH” - Gabinete de Imprensa do CNH: Para ti, o Windusurf já é mais importante do que a Vela? - Belchior Neves: Neste momento, é o desporto que mais gosto de praticar. Já passou a perna à Vela, apesar de ser uma modalidade da Vela. O Windsurf é uma prancha à Vela, portanto, no meu entender, é uma modalidde da Vela, porque tem todos os termos que existem na Vela Ligeira. Quem pratica Vela ajuda bastante na modalida-


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de do Windsurf. É mais fácil aprender Windsurf se já tivermos algum relacionamento com a Vela do que começar do zero, porque já há noções de vento, arribar, etc. Até certos nomes da Vela Ligeira aplicam-se ao Windsurf. Há uma ligação entre estas modalidades. No Faial, pratico Windsurf sempre que posso, embora não pertença à Secção do CNH. Já me convidaram para dar uns Cursos de Formação. Sempre que posso, ajudo, mas não tanto como na Iniciação da Vela Ligeira, onde comecei como Treinador em outubro de 2016. - Gabinete de Imprensa do CNH: Podemos dizer que és um Treinador de Vela, onde dás formação, e um praticante de Windsurf, onde te realizas? - Belchior Neves: O Windsurf é a minha diversão. É onde consigo divertir-me sozinho. É um desporto individual, mas também se torna super-agradável quando há outras pessoas a praticar, até é melhor. O Windsurf agora é um hobby. Sempre que posso e as condições são favorávei, pratico. Vou dar uma ajuda na Secção de Windsurf do CNH, no sentido de dinamizá-la até, porque,

o Clube Naval da Horta já teve uma grande Secção de Windsurf. Era bom que ressurgisse e penso que posso contribuir para isso, dando formação. O que vou ensinar às pessoas que vêm tirar o Curso são meras experiências minhas, que obtive ao longo do tempo até chegar ao nível em que estou nesta modalidade. - Gabinete de Imprensa do CNH: É possível dar formação, mesmo com as dificuldades existentes no Clube Naval da Horta? - Belchior Neves: Apesar das dificuldades, acho que o CNH ainda consegue ajudar bastante os altetas que cá vêm e que tentam fazer alguma coisa. Para se fazer mais, também é preciso haver mais vontade por parte das pessoas. É imprescindível haver alguma mudança nessa parte e, naturalmente que melhor equipamento também ajudava bastante. O material sozinho não faz nada. É preciso capital humano. Acho que o Clube está a precisar de uma remodelação muito grande. Consigo trabalhar com o que tenho, apesar de que poderia ser um bocadinho melhor. Em certas alturas, é um pouco desmotivador, porque como estamos a falar de crianças, em dias de mais

“O Clube Naval da Horta já teve uma grande Secção de Windsurf e penso poder contribuir para o seu ressurgimento”

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CLUBE NAVAL DA H mau tempo, às vezes não consigo dar treino. Requeria ter outro tipo de velas para mais vento. Como são crianças, ou seja, são leves – com menos de 30 quilos – as velas normais de Optimist já não se adequam. Se houvesse outro equipamento, seria muito interessante em situações um pouco mais adversas aprender a controlar o barco. Contudo, também há muitas coisas que se pode fazer em terra quando está mau tempo, como por exemplo aprender a dar nós, a montar uma vela no mastro e na retranca, etc. - Gabinete de Imprensa do CNH: Esta é a tua primeira experiência a ensinar? - Belchior Neves: Enquanto atleta, já tinha ajudado a dar treinos, no Verão. Colaborava como voluntário. Vinha, com outros colegas, ajudar o nosso Treinador na altura das Férias Desportivas, projecto que reunia muitas crianças. - Gabinete de Imprensa do CNH: Consideras que a Escola de Vela é fundamental para o ensino e sua divulgação? - Belchior Neves: É aqui que se começam a criar velejadores para as fases de competição e não só. Para começar a ganhar o gosto pela Vela, esta fase é fundamental. - Gabinete de Imprensa do CNH: O que dirias para me convencer a ir aprender a velejar? - Belchior Neves: Que são experiências que em terra não se consegue obter de maneira nenhuma. Posso estar aqui a falar todo o dia da Vela, mas em situações práticas e na altura, é muito difícil pensar o que acontece na teoria para se aplicar na prática. Na Vela, é preciso ter espontaneidade para fazer as coisas na altura certa. Até pode ser de acordo com a teoria, mas nem sempre se está a pensar naquilo que a teoria diz. Faço aquilo na altura, porque foi assim que me ensinaram e é assim que deve ser. É preciso ter algum sangue frio para inverter o rumo das coisas. - Gabinete de Imprensa do CNH: Como vês a Vela no CNH? - Belchior Neves: Acho que já foi melhor. Já houve anos em que a Vela (mesmo de Cruzeiro) contava com mais barcos. Houve uma quebra bastante significativa. BILHETE DE IDENTIDADE: - Gabinete de Imprensa do CNH: O que fazes nos tempos livres?

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- Belchior Neves: Windsurf, surf... O surf é bom com tempo mais calmo e o Windusrf com mais vento. Também gosto de caça submarina e ando de bicicleta, esporadicamente. Pratico basquetebol no Atlético. - Gabinete de Imprensa do CNH: Há tempo para isso tudo? - Belchior Neves: Ainda há. - Gabinete de Imprensa do CNH: Qual o teu prato favorito? - Belchior Neves: Não tenho. Não sou esquisito, mas gosto bastante de peixe e se for para escolher entre carne e peixe, fico com o peixe. - Gabinete de Imprensa do CNH: Qual o filme que te marcou? - Belchior Neves: Gosto de filmes de acção e de ficção. - Gabinete de Imprensa do CNH: O que te relaxa? - Belchior Neves: Conviver com os amigos. - Gabinete de Imprensa do CNH: Fazes questão de estar sempre activo? - Belchior Neves: Gosto de me manter activo. Se não tiver nada para fazer, aproveito para descansar, mas tenho sempre coisas para fazer. Sou uma pessoa activa e gosto de desporto e de praticar desporto. “Poderia viver sem o mar, mas não era mesma coisa” - Gabinete de Imprensa do CNH: É uma vida muito canalizada para o desporto. Não poderias viver sem o mar? - Belchior Neves: Poderia viver sem o mar, mas não era a mesma coisa. - Gabinete de Imprensa do CNH: O que não conseguirias fazer? - Belchior Neves: Trabalhar em espaços fechados! Trabalhar sentado a uma secretária, é algo que não conseguiria fazer. - Gabinete de Imprensa do CNH: O mar dá-te essa liberdade? - Belchior Neves: Muito! - Gabinete de Imprensa do CNH: A tua actividade profissional também é relacionada com o mar? - Belchior Neves: Sim. O meu Curso é Contra-Mestre da Marinha Mercante. Neste momento,

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“Para andar no mar é preciso gostar e levar as coisas com determinada seriedade e o CNH fomenta bastante isso”

estou a estagiar no rebocador “São Luís”, na parte de Marinheiro, mas faço de tudo. - Gabinete de Imprensa do CNH: Como será a vida depois do Estágio? Onde? - Belchior Neves: A minha vida será sempre embarcado. Talvez fique no Faial, para já. Gostava de evoluir na minha categoria profissional. Considero que temos de começar por baixo, havendo um percurso a percorrer até chegar a Contra-Mestre, o que obriga a ter muitos conhecimentos em relação ao tipo de actividade que faço, a coordenação de uma tripulação na parte do convés, etc. E depois para chegar a essa categoria, é preciso um percurso de vários anos. Por isso, estou a começar como Marinheiro de 2ª classe, porque tenho de passar por todas essas fases. - Gabinete de Imprensa do CNH: Gostas do que fazes?

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- Belchior Neves: Sinto-me realizado com o que faço. - Gabinete de Imprensa do CNH: Era o teu sonho de menino? - Belchior Neves: Houve uma altura em que queria ser piloto de navios, mas ao longo dos anos percebi que não poderia ser, porque não ia conseguir estar sempre a fazer as mesmas coisas. Acabaria por ser sempre a mesma coisa, apesar de no mar nunca haver dias iguais. - Gabinete de Imprensa do CNH: A rotina amofina-te? - Belchior Neves: Gosto de ir sempre aprendendo coisas novas. Estar parado, não é para mim. Mesmo que fosse ser mecânico de carros, era algo interessante e que gostava de aprender, porque implica uma linha de aprendizagem rumo à evolução. Gosto de ter conhecimentos em várias

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CLUBE NAVAL DA H áreas e gosto de aprender da pior forma, que é mexer, avariar e tentar reparar de novo. Montar e desmontar é comigo! - Gabinete de Imprensa do CNH: A Vela nunca é igual? - Belchior Neves: A Vela nunca é igual nem nunca esta totalmente aprendida! A experiência ajuda bastante em certas situações, mas todos os dias é diferente. “Cada um deve seguir o caminho que o realiza” - Gabinete de Imprensa do CNH: És uma pessoa desenrascada e isso dá-te jeito? - Belchior Neves: Ser uma pessoa desenrascada na Vela, ajuda bastante. Saber mexer, improvisar, estar preparado para o imprevisto, são achegas importantes. Nunca fico apeado. Dá jeito saber outas coisas. Quem anda no mar, tem de ser desenrascado. Estas profissões só são possíveis de aguentar para quem tem vontade, tornando-se depois normal. As pessoas devem seguir o caminho que as realiza. Mesmo a nível de segurança, é fundamental. Para andar no mar, é preciso gostar e levar as coisas com determinada seriedade. Se formos a ver, em termos de registo não há acidentes marítimos. As pessoas já têm um certo respeito pelo mar, porque cresceram aqui e estão habituadas a este tipo de ambiente. É importante ir criando esse tipo de respeito e envolvência pelo mar. Já temos essa consciência, que também é bastante fomentada pelo Clube Naval da Horta. - Gabinete de Imprensa do CNH: Queres revelar alguns dos teus defeitos?... - Belchior Neves: Sou perfeccionista. - Gabinete de Imprensa do CNH: Qual o teu signo? - Belchior Neves: Caranguejo. “Não gosto de fazer por fazer mas, sim, com qualidade e bem feito”

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tante trabalhador, apesar de eu achar que é normal. - Gabinete de Imprensa do CNH: És uma pessoa responsável? - Belchior Neves: Sim. Quando me pedem algo, trabalho para que gostem daquilo que vêem. Não gosto de fazer por fazer, mas, sim, de fazer com qualidade e bem feito. Sou bastante de agir no momento. - Gabinete de Imprensa do CNH: És exigente? - Belchior Neves: Mesmo quando estou a ensinar os mais velhos, como já tinha algum conhecimento na idade deles do que queria ou não fazer, quando olho para eles gostava de os ver a fazer aquilo que eu já fazia. Sim, sou exigente, mas se não houver exigência por parte do Treinador, eles também não levam a Vela a sério. - Gabinete de Imprensa do CNH: Se voltasses atrás, o que mudavas? - Belchior Neves: Nunca teria deixado de praticar Vela, mas foi nesse tempo que nasceu o gosto pelo basquetebol. Quando voltei para o Faial e só praticava Vela ao fim-de-semana, virei-me também para o basquetebol. A vida de saltimbanco que fiz durante algum tempo, permitiu-me aprender outras coisas. - Gabinete de Imprensa do CNH: Pretendes voltar a sair do Faial? - Belchior Neves: Se puder ficar no Faial para sempre, fico. Gosto da simplicidade que as ilhas oferecem, mas também gosto de sair e viajar. Acho que as pessoas já começam a dar mais valor ao que temos aqui, no Faial. Só depois de ter passado 3 anos em Lisboa a estudar, onde não gostava de viver, é que comecei a olhar para este cantinho de maneira diferente. Agora, já o vejo com outros olhos. Em Lisboa é tudo diferente!...

- Gabinete de Imprensa do CNH: E qualidades... - Belchior Neves: Costumam dizer que sou bas-

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VELA LIGEIRA “REGATA DA MARINHA FOI UM BOM TREINO PARA O NACIONAL DA CLASSE ACCESS”

A Regata da Marinha serviu como treino para os velejadores da Classe Access

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Prova decorreu bem, com uma brisa muito ligeira, mas deu para realizar 3 regatas”. É este o balanço feito pelo Treinador da Classe Access (Vela Adaptada) do Clube Naval da Horta (CNH), João Duarte, à Regata da Marinha, realizada este sábado, dia 17. Registou-se a participação da frota completa, tendo esta Regata constituído “um bom treino para pouco vento” relativamente ao Campeonato Na-

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cional de Access, que terá lugar de 30 do corrente a 2 de Julho, em Cascais. Classificações: Classe Access 2.3: 1º - Rui Dowling 2º - Libério Santos 3º - Lício Silva Classe Access 303: 1º - Márcio Sousa 2º - Carlos Cardoso

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VELA LIGEIRA CLASSE ACCESS PASSA A CLASSE HANSA

“O objectivo era que esta embarcação pudesse ser velejada por todos: pessoas com e sem deficiência”

Cristina Silveira | CNH 2017

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Clube Naval da Horta (CNH) é o único nos Açores onde a Vela é praticada de forma regular dentro da Classe Hansa, que antes se designava por Access. Desde o fim de 2011 que o Projeto “Vela Para Todos - Faial Sem Limites” é uma realidade, graças à parceria existente entre o CNH e a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APDIF). O Treinador da Classe Hansa, João Duarte, explica ao Gabinete de Imprensa do CNH a razão desta mudança e o que se pretende com o Projeto, lamentando que a classe desportiva ainda não tenha percebido que estamos a falar de Vela. Ao fim de 6 anos de atividade, este Técnico faz um balanço deveras positivo daquilo que tem sido a “Vela Para Todos - Faial Sem Limites”, orgulhando-se de treinar o Campeão Nacional da Classe Hansa de 2016: Rui Dowling que, em maio último, foi galardoado na Gala do Desporto Açoriano, que decorreu nesta ilha. - Gabinete de Imprensa do CNH: A que se deve esta mudança? - João Duarte: Esta mudança de nome, além de ter a ver com questões comerciais, vai de encontro àquilo que era o lema inicial do construtor desta embarcação: criar uma classe para todos.

Daí, a designação de Vela Para Todos e que no nosso caso se intitula “Vela Para Todos - Faial Sem Limites”. O objetivo era que esta embarcação pudesse ser velejada por todos: pessoas com e sem deficiência. Tendo em conta que o nome Access está muito identificado com a deficiência e a acessibilidade, foi feita a mudança para Hansa, o que vai no sentido de abrir a Classe a toda a gente, tornando-a ainda mais inclusiva do que ela já é. - Gabinete de Imprensa do CNH: Há uma clara conotação da Classe Access com a deficiência... - João Duarte: Percebe-se que a designação Access está muito identificada com a deficiência e vê-se no comportamento das pessoas que associam muito a classe à deficiência e à vela adaptada. E aquilo que se quer não é vela adaptada, mas vela para todos. O objetivo é que toda a gente possa andar à Vela. - Gabinete de Imprensa do CNH: Então, porque é que não existe apenas a Secção de Vela Ligeira do CNH, havendo esta divisão? - João Duarte: Nós não fazemos qualquer divisão, mas é como a sociedade, que também não é inclusiva. De realçar que a inclusão foi o objetivo deste projeto desde o início. As pessoas é que compartimentaram. - Gabinete de Imprensa do CNH: E tu achas que

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com a mudança de nome vamos deixar de fazer essa associação? - João Duarte: Infelizmente não, pois não é só pelo facto de se mudar de nome que vamos conseguir mudar mentalidades. Talvez o tempo possa ajudar nesse sentido. A questão é que nós ainda falamos muito nos Access. O que existe e que poderá ser polémico, é a intenção de abrir a Classe a todas as pessoas, possibilitando aos que não têm deficiência a oportunidade de também competirem. - Gabinete de Imprensa do CNH: Mas continua a ser vela adaptada? - João Duarte: É Vela, que pode ser adaptada, mas destina-se a qualquer pessoa que queira velejar. - Gabinete de Imprensa do CNH: Quando é que ocorreu a mudança? - João Duarte: Em termos de Portugal e no que diz respeito à Associação da Classe, a mudança foi assumida em 2017 e este ano é a primeira vez que o Campeonato Nacional (que será em Cascais de 30 de Junho a 2 de Julho) já terá a designação de Hansa, com as Classes 2.3 e 3.03. - Gabinete de Imprensa do CNH: O Clube Naval da Horta continua a ser o único nos Açores a ter Classe Hansa? - João Duarte: Com regularidade na prática, sim. O Clube Naval da Madalena dispõe, suponho que desde 2014, de uma embarcação 2.3, mas não está a desenvolver a modalidade. Adquiriu o equipamento, realizou algumas ações de sensibilização com o apoio do Clube Naval da Horta, o que resultou, mas este projeto requer ter pessoas a tempo inteiro. - Gabinete de Imprensa do CNH: Há intenções de alargar a Classe Hansa a outros clubes navais da Região... - João Duarte: A Associação Regional de Vela dos Açores (ARVA) tem 2 barcos Hansa da Classe 2.3 precisamente para promover este Projeto. Esses barcos percorreram todos os clubes navais da Região, mas ainda não há um feedback pelo facto de continuar a haver um pouco a ideia de que isto não é Vela. - Gabinete de Imprensa do CNH: É o quê, uma brincadeira? - João Duarte: É um desporto à parte. Penso que ao nível da comunidade náutica e daqueles que

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trabalham nestes clubes, quer dirigentes, quer treinadores, ainda não perceberam que estamos a falar de velejadores e, que, no mar estão em iguais circunstâncias com colegas de qualquer outra Classe. Isto é Vela. - Gabinete de Imprensa do CNH: Consideram que há facilitismo na Classe Hansa? - João Duarte: Não valorizam a Classe. - Gabinete de Imprensa do CNH: Essa desvalorização acontece por parte da classe política ou dos dirigentes desportivos? - João Duarte: Estou a falar de clubes, treinadores, velejadores, dirigentes regionais... - Gabinete de Imprensa do CNH: Tens esse feedback? - João Duarte: Tenho esse sentimento. - Gabinete de Imprensa do CNH: Disseram-te isso? - João Duarte: Não, não disseram, eu é que sinto que os agentes desportivos da Vela não têm mostrado muito interesse em relação a este Projeto, caso contrário abordavam-me, colocavam questões quando há Provas Regionais e Festivais Internacionais a fim de perceber como funciona esta Classe. Mas a realidade é que ninguém quer saber, o que é muito visível sobretudo em relação aos treinadores. Para eles, isto é reabilitação ou outra coisa qualquer, mas não é Vela. “Para os treinadores, a Classe Hansa não é Vela” - Gabinete de Imprensa do CNH: O facto de não haver competição a nível regional é prejudicial para estes velejadores do Clube Naval da Horta? - João Duarte: Obviamente que se houvesse competição regional era bom, pois quanto mais provas houver, melhor. A questão que se coloca aqui é ao nível do financiamento para as nossas deslocações ao Continente português. Se existisse um Campeonato Regional, teríamos apoio por parte da Direção Regional do Desporto. Sendo assim, é do orçamento do Clube que sai a verba para as nossas deslocações nacionais. Se pudéssemos contar com um quadro competitivo na Região, podíamos participar nas 2 provas de apuramento que acontecem ao longo do ano, mas como não temos apoio para essas deslocações, não participamos. E nesse contexto também

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“Aquilo que se quer não é vela adaptada, mas vela para todos”

poderíamos começar a pensar em participações a nível internacional, uma vez que em termos nacionais estamos entre os melhores. Temos tido resultados que nos permitiriam, caso tivéssemos capacidade financeira, poder participar em Europeus. Neste quadro restritivo, apenas vamos ao Campeonato Nacional, porque atualmente a Associação também não tem verbas para um apoio mais efetivo. Ainda ponderámos participar este ano no Campeonato Europeu, que vai decorrer em França, penso que em Setembro, mas o montante necessário inviabilizou tal pretensão. - Gabinete de Imprensa do CNH: E havia preparação técnica para essas participações fora de Portugal? - João Duarte: Claro! Os velejadores da Classe Hansa do CNH estão entre os melhores do país. Em 2016 ficaram em 1º e 2º lugares no Campeonato Nacional. - Gabinete de Imprensa do CNH: E mesmo assim, esses resultados não conseguem captar apoio? - João Duarte: Pelos vistos, não. - Gabinete de Imprensa do CNH: Como é que a ARVA olha para a Classe Hansa? - João Duarte: Com muito interesse. Existe por

parte da ARVA – e estou a falar desta nova Direção, que tomou posse este ano – grande vontade de viabilizar este Projeto. - Gabinete de Imprensa do CNH: É difícil ao CNH manter esta Classe no ativo? - João Duarte: Por enquanto tem sido possível, graças ao voluntariado dos técnicos e de uma série de pessoas, pois estamos a falar de um Projeto que já tem 6 anos e que vai acumulando algum cansaço. - Gabinete de Imprensa do CNH: Mas os velejadores não se queixam de cansaço? - João Duarte: Eles estão sempre bem. O problema é que esta é uma atividade que requer uma logística em terra, antes e depois dos treinos, que as outras classes não têm e que se prende com a mobilidade ou, neste caso, a falta dela. - Gabinete de Imprensa do CNH: Qual o balanço que pode ser feito a 6 anos de atividade? - João Duarte: Existe muito boa vontade e motivação, mas é um Projeto longo, já com 6 anos, que tem primado por uma atividade contínua e que requer uma reflexão sobre o que serão os próximos 6 anos.

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VELA LIGEIRA RUI SILVEIRA PARTICIPOU NUMA ETAPA DO CIRCUITO EUROPEU EM KIEL, NA ALEMANHA

Rui Silveira alcançou o seu desiderato: ganhar ritmo para o Campeonato do Mundo

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oi uma semana importantíssima, com boas referências”. É assim que o velejador da Classe Laser do Clube Naval da Horta, (CNH) Rui Silveira, classifica a sua participação nesta etapa do circuito europeu, marcada por muito vento, que decorreu na cidade de Kiel, no norte da Alemanha, de 21 a 24 do corrente. O velejador faialense classificou-se no 21º lugar num conjunto de 150 atletas de topo. Por isso, salienta: “O resultado é positivo e os próximos também continuarão a ser. Estou a trabalhar muito e isso nota-se a cada dia de regata, independentemente da dureza das condições”.

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É com esta confiança e sentindo-se cada vez melhor a todos os níveis que Rui Silveira caminha com os olhos postos no Campeonato do Mundo, prometendo “trabalhar muito” para estar preparado a fim de enfrentar essa desafiante competição, onde só os melhores singram.

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VELA LIGEIRA PROJETO VELA ESPETACULAR DO CNH

O Clube Naval da Horta aposta nos mais pequenos para fazerem da Vela o desporto de eleição

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m entrevista ao Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta (CNH), o Treinador de Competição da Escola de Vela do Clube, Duarte Araújo, apresenta o Projeto “Vela Espetacular”, cujas inscrições podem ser feitas até ao dia 29 do próximo mês, na Secretaria desta instituição. Dar competências aos novos velejadores e captá-los para a Escola de Vela, são desideratos deste Projeto, que vai muito para além da Vela, dando a conhecer o porto e sua envolvência, que tantas histórias encerra e que fala de nós, faialenses, desde os primórdios até hoje. - Gabinete de Imprensa do CNH: A quem se dedica a “Vela Espetacular”? Duarte Araújo: As aulas são dedicadas a todos os que têm algum interesse pelo mar, pela atividade náutica e pela Vela e que se encontrem nas faixas etárias entre os 7 e os 13 anos. - Gabinete de Imprensa do CNH: Em que consiste? Duarte Araújo: Durante todo o mês de Julho vamos ter os Velejadores de Competição do CNH, que aproveitam o bom tempo para tirarem o

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“A atividade desportiva é fundamental. Assim sendo, é bem cedo que se cria esse hábito”

maior prazer que a Vela pode oferecer. Teremos, também, os velejadores de Iniciação do Clube, que irão aprofundar conhecimentos, ocorrendo a passagem para turmas mais avançadas e, finalmente, iremos ter ainda aquela que é a maior aposta do Clube Naval da Horta: a divulgação da Vela para crianças e adolescentes dos 7 aos 13 anos. Durante todas as manhãs temos Vela de Iniciação com alunos que frequentam a Escola de Vela, mas a maior parte deles pratica esta modalidade pela primeira vez. Estamos a falar de um mês de aprendizagem e prática, com o objetivo de que, no fim, sejam velejadores capazes de governar o barco sozinhos e com autonomia. - Gabinete de Imprensa do CNH: Qual a importância deste Projeto? Duarte Araújo: A atividade desportiva é fundamental. Assim sendo, é bem cedo que se cria

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esse hábito. No caso deste Projeto, também são ministradas competências na Vela e conhecimento local, bem como relativas ao porto de mar, à baía e a toda a natureza envolvente. Serve, também, para dar a conhecer o desporto da vela e captar velejadores para a próxima época desportiva. - Gabinete de Imprensa do CNH: Este Projeto é uma novidade deste ano? Duarte Araújo: Todos os anos fazemos este programa. A novidade vem da experiência, tornando a atividade mais fácil, motivadora e divertida. - Gabinete de Imprensa do CNH: Qual a adesão registada? Duarte Araújo: Com a recente parceria firmada com a Escola Básica Integrada da Horta, o interesse em experimentar a Vela aumentou e aguardamos um considerável número de novos alunos.

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PESCA DESPORTIVA DE COSTA PESCADORES DESPORTIVOS DO CONTINENTE COMPETEM EM PROVA NO FAIAL

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ealizou-se ontem, sábado dia 17, na costa da Freguesia do Capelo, o XVII Convívio de Pesca Desportiva de Mar Açores 2017, promovido pela Secção de Pesca Desportiva do Centro Social do Pessoal da Câmara Municipal de Peniche (CSPCMP). Esta prova foi organizada com a colaboração do Clube Naval da Horta (CNH) e nela participaram 31 pescadores visitantes e 2 pescadores do CNH. Ao Clube Naval da Horta coube requerer a autorização legal para realização da prova, selecionar as zonas de pesca, assegurar o transporte dos concorrentes para a zona de pesca e regresso, garantir a pesagem do pescado, criar condições logísticas de apoio aos concorrentes e colaborar na organização do convívio final. No desempenho do seu trabalho de apoio organizativo a esta prova de pesca de pescadores visitantes, o CNH contou com o empenhado apoio da Câmara Municipal da Horta, que cedeu os meios de transporte necessários e autorizou a utilização das instalações do Parque de Campismo do Varadouro para apoio aos concorrentes. O convívio final realizou-se no Restaurante Rumar, na Praia do Norte, a partir das 15H30 e nele participaram todos os concorrentes, bem como

todos os que asseguraram o apoio à prova. Antes da entrega de prémios usou da palavra o responsável da Secção de Pesca do CSP CMP, Eng.º Francisco Silva, que é também Presidente do Clube Naval de Peniche e que se congratulou com o modo como a prova decorreu, agradeceu o apoio do CNH e todas as facilidades concedidas para que esta prova se tivesse realizado. No final da sua intervenção o responsável do CSPCMP ofereceu ao CNH uma placa comemorativa deste evento, um galhardete da instituição que representa, bem como placas com o símbolo


CLUBE NAVAL DA H da prova aos membros do CNH que apoiaram e participaram na prova. Usou também da palavra o Presidente da Direção do CNH, José Decq Mota, que sublinhou a importância que tem para os Açores a realização destas provas de pesca desportiva promovidas por entidades exteriores, atendendo às excelentes condições que as nossas ilhas têm para esta atividade desportiva. O Presidente do CNH, referindo o facto de o CSPCMP ter um histórico de promoção de provas de pesca nos Açores e de convidar pescadores desportivos dos Açores para provas no seu Concelho, sugeriu que se

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pensasse na organização futura de um encontro de maior duração a realizar na Ilha do Faial. Os prémios individuais e especiais (maior exemplar pescado; maior número de exemplares capturados) foram oferecidos pelo CSPCMP e os prémios da classificação por equipas foram oferecidos pelo CNH. O pescado capturado nesta prova foi doado à Santa Casa da Misericórdia da Horta, tendo sido entregue a essa instituição por Luis Carlos Rosa, membro da Direção do CNH e por José Escobar, da Secção de Pesca Desportiva do CNH.

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NATAÇÃO TORNEIO DE PORTO PIM E FESTIVAL DAS TÉCNICAS COMBINADAS

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orneio de Porto Pim e Festival das Técnicas Combinadas foram as atividades levadas a cabo, este fim-de-semana, pela Secção de Natação do Clube Naval da Horta (CNH). Estas Provas, promovidas pela Associação Regional de Natação dos Açores (ANARA), decorreram na Piscina da Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA), da Horta. O Torneio de Porto Pim contou com 11 atletas e, segundo Sílvia Mendonça, Treinadora de Grau II e Coordenadora da Natação do Clube Naval da Horta, “de uma forma geral os objetivos foram concretizados. Foram alcançados 13 novos mínimos de acesso para o Campeonato Regional de Absolutos. Neste momento, temos 8 atletas com mínimos para este Campeonato, dos quais 6 já possuem tempo para poder nadar o número máximo de provas permitido no Regulamento. Há ainda outros 2 atletas que estão próximo de

também obter mínimos”. Instada a fazer um balanço, esta Técnica refere que “o que correu menos bem foram as provas realizadas por alguns atletas que não estabeleceram mínimos por centésimas, o que é frustrante”. E acrescenta, a propósito: “Estou certa que, numa próxima tentativa, serão capazes de os alcançar. O que correu melhor foi, sem dúvida, a manifestação de apoio que os atletas deram uns aos outros. Foi notável!” Sílvia Mendonça sustenta que, “de um modo geral, os atletas estão satisfeitos com a sua prestação”. E frisa: “Alguns ficaram mesmo surpreendidos com o que conseguiram alcançar”. Já a Treinadora está “muito agradada”, salientando que “o trabalho árduo da equipa cada vez é mais notório”. E destaca: “A nossa equipa é muito jovem e a grande maioria dos atletas ainda não atingiu a maturidade nesta modalidade e,


CLUBE NAVAL DA H assim sendo, acredito que se continuarmos este trabalho, teremos em breve alguns “anos dourados” pela frente”. A finalizar, Sílvia Mendonça deixa esta mensagem aos seus pupilos: “Anjinhos, tudo começa quando acreditamos em nós!” O Festival das Técnicas Combinadas contou com 4 nadadores, em que “o objetivo era a participação em mais uma prova de Natação a fim de se ganhar experiência, desta vez com a possibilidade de observar, também, a prestação de atletas mais velhos”.

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Esta foi a 3ª prova do calendário, na qual os grupos de formação desportiva participam. “No próximo ano, teremos mais atletas deste escalão provenientes da Escolas de Formação do Clube”, adianta Sílvia Mendonça. A prova seguinte será o Encontro Regional de Cadetes, que terá lugar já este fim-de-semana (dias 17 e 18), na ilha Terceira. Após o Encontro, realizar-se-á, também, o Estágio Regional de Cadetes A.

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NATAÇÃO ENCONTRO REGIONAL DE CADETES E ESTÁGIO, NA TERCEIRA

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s objetivos dos atletas destas categorias são, essencialmente, ganhar experiência competitiva e realizar os percursos, partidas e viragens, assim como a devida correção técnica, e penso que estiveram à altura”. É este o balanço feito pela Treinadora de Grau II e Coordenadora da Natação do Clube Naval da Horta (CNH), Sílvia Mendonça, ao Encontro Regional de Cadetes, que decorreu nos dias 17 e 18 do corrente, na ilha Terceira. Após o Encontro, teve lugar o Estágio Regional de Cadetes A. Participaram 18 Cadetes A e B da Secção de Natação do CNH. No dia 17, houve provas na piscina e no dia 18, de manhã, realizou-se a simulação de provas de Águas Abertas, também na piscina. À tarde, decorreu o Estágio de Cadetes A, que continuou na manhã do dia 19. Esta Prova, assim como o Estágio, integraram o Calendário Regional, tendo sido organizadas pela Associação de Natação da Região Açores (ANARA). Participaram atletas do Faial, Terceira e São Miguel, ilhas onde se pratica a Natação nos Açores. Sílvia Mendonça considera que “estas atividades permitem o conhecimento e o convívio dos atletas das diferentes ilhas”. Quanto aos do Faial, sublinha que “têm evoluído”, estando presente o fator motivação. Para os Cadetes, a época termina aqui, apesar de os treinos continuarem.

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Diana Neves no Encontro Nacional de Cadetes Diana Neves irá representar o Faial e a Região no Encontro Nacional de Cadetes A. A Treinadora de Natação do Clube Naval da Horta revela que será realizado um Encontro Nacional de Cadetes A, onde a Região Açores estará representada por 10 Cadetes A. Nesse grupo, conta-se a atleta Diana Neves, do CNH, uma promessa faialense na modalidade da Natação.

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ARC EUROPE 2017 “TEAMGEIST”, “PURE ELEGANCE” E “ARIEL” FORAM OS PRIMEIROS A CHEGAR AO FAIAL

Tripulação do “Teamgeist”, 1º barco a chegar ao Faial, às 23h14 deste sábado, dia 27

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ram 23 horas e 14 minutos quando o 1º barco da ARC Europe 2017 chegou ao Faial, este sábado, dia 27. Trata-se do “Teamgeist”, alemão, que tem como skipper Christoph Carl Josef Schubert e cuja chegada estava prevista para o início da tarde deste domingo, dia 28. O 2º a cruzar a linha de chegada foi o “Pure Elegance”, da Grã-Bretanha, capitaneado por Graham Ponsford, que aportou à Horta às 5 horas e 31 minutos deste domingo. O italiano “Ariel” foi o 3º a entrar em águas faialenses, o que aconteceu às 3 horas e 55 minutos desta segunda-feira, dia 29. Tem como skipper Paolo Casoni. Suzana Tetlow, uma das Coordenadoras deste Rally Atlântico pela Europa, avançou que se previa que o 4º barco, o “Isbjorn”, americano, capitaneado por Andy Schell, desse entrada depois das 20 horas desta segunda-feira (29).

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A propósito das condições registadas – das Bermudas até ao Faial são 1.800 milhas náuticas – Suzana Tetlow refere que “houve muito vento” e que o 1º barco a chegar à Horta registou 44 nós, tendo feito um percurso mais a Norte. Já o segundo, veio numa rota mais a Sul, com vento situado nos 38 nós. “Naturalmente que vinham cansados”, mas a paixão pelo mar e pela Vela faz com que superem tudo isso e já só pensem na próxima etapa. Embora não seja muito habitual, a verdade é que a viagem deste ano conta com alguns repetentes de anos anteriores. “É muito raro virem os mesmos 2 anos consecutivos”, realça este elemento da Organização. Apesar das mudanças ocorridas (avarias, entre outras), a edição de 2017 continua com 25 barcos em prova, num total de 91 participantes, de várias nacionalidades, a que se juntam os elementos da Organização, tendo o Gabinete de

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Tripulação do “Pure Elegance”, o 2º barco a chegar ao Faial, domingo, dia 28

Imprensa do Clube Naval da Horta (CNH) falado com Suzana Tetlow e Manuel Lima. A ARC Europe é organizada pelo World Cruising Club e todos os anos tem paragem obrigatória na ilha do Faial. Como habitualmente, o Clube Naval da Horta disponibiliza o Centro de Formação de Desportistas Náuticos, onde funciona o Secretariado e todo o sistema de comunicações, disponibilizando, ainda, outros serviços. A ARC Europe conta com uma frota de 22 monocascos e 3 catamarans, sendo que o barco mais pequeno tem 9.50 metros e o maior 18.29 metros. Ilhas Virgens Britânicas – Bermudas – Açores (Faial, Terceira e São Miguel) – Lagos é o percurso desta aventura, em que cada participante vem com diferentes motivações. Suzana Tetlow revela que nem todos vão completar o Rally, ou seja, navegar até Lagos, uma vez que alguns (9) vão para casa (Norte da Europa) e outros (2) vão permanecer na Horta, pois “já vinham com intenção de cá ficar”. A saída do Faial rumo à Terceira deverá acon-

tecer na manhã do próximo domingo, dia 4 de Junho. Conhecer a cultura de cada local de paragem “O que queremos neste curto espaço de tempo em que ficamos no Faial (e noutras ilhas) é dar-lhes a conhecer a cultura do lugar através das gentes, da comida e dos prémios”, salienta Suzana Tetlow que, a propósito, explica: “É precisamente por isso que os prémios são compostos por vinhos, queijos, queijadas e outros produtos açorianos, pois essa é a parte cultural inerente à viagem”. O Peter Café Sport, de José Henrique Azevedo, colabora anualmente na receção destes velejadores – sempre muito bem-vindos ao Faial, ilha que é conhecida pela sua hospitalidade – e oferece voucher’s que dão direito a bebidas. Os jantares marcados pela Organização no restaurante “Canto da Doca” são com o intuito de se reunirem à mesa – confecionando a sua comi-

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da na pedra – além de proporcionar convívio e conversas sobre a viagem, tentando perceber o que foi feito e aquilo que poderá ser melhorado. “Alguns alugam carro e vão explorar a ilha e só os vemos na Entrega de Prémios, no Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos”, refere Suzana Tetlow. Incentivados pela Organização, vão até ao Pico e São Jorge se possível, embrenhando-se no comércio local. Os restaurantes constituem outro atrativo, se tivermos em conta que estes velejadores têm de cozinhar a bordo, pelo que sabe bem chegar a terra e poder descansar dessa obrigação diária. Suzana revela uma curiosidade relacionada com um casal participante, em que ele é do Canadá e ela do Pico. Como ele não conhece a terra dela, vai aproveitar esta paragem no Faial precisamente para isso. O Clube Naval da Horta colabora na receção e organiza Happy Hours, além de oferecer passeios nos Botes Baleeiros (antigas embarcações que andavam na faina da baleia), um elemento intrínseco do nosso passado social e cultural, profundamente enraizado na história faialense e açoriana. Investir tudo num barco Suzana Tetlow afirma que “a ARC Europe normalmente é feita por amigos e famílias” e que “raramente há pessoas contratadas”. Embora se trate de uma viagem destinada a conhecer pessoas e culturas, fazer amigos e a navegar em segurança, o fator competitivo está sempre presente. “Certos participantes venderam tudo o que tinham e agora fazem do barco a sua casa”, sublinha Suzana. Ao contrário do que possa parecer, nem todos são pessoas de posses. Contudo, o gosto pelo mar e pela Vela faz com que muitos interrompam as suas carreiras profissionais para fazer este Rally Atlântico pela Europa, havendo outros que aguardam pela idade da reforma para concretizar esse sonho. Entre os que se encontram em idade ativa, parte segue do Faial rumo a casa, onde os empregos os esperam. Por isso, outros vêm de avião até à Horta a fim de completar a ARC Europe, fazendo a perna Açores/Lagos. Como se pode perceber, são diversas as rea-

lidades presentes neste Rally, que constitui “um importante evento dinamizador do Turismo, já que implica alojamento, refeições, transportes, serviço de lavandaria, etc”, frisa Suzana Tetlow, destacando o facto de esta primeira abordagem ao Faial (e a outros locais) ser o início de futuras viagens de férias, em que a satisfação é o maior e melhor veículo de divulgação. Programa no Faial: Dia 29 de Maio – segunda-feira: 18h30: Voucher de bebidas no Peter Café Sport 19h30: Jantar no restaurante “Canto da Doca” Dia 31 – quarta-feira: 18h00: Happy Hour no Clube Naval da Horta Dia 1 de Junho – quinta-feira: 18h30: Voucher de bebidas no Peter Café Sport 19h30: Jantar no restaurante “Canto da Doca” Dia 2 de Junho – sexta-feira: 16h00: Passeio em Bote Baleeiro, oferecido pelo Clube Naval da Horta 18h00: Happy Hour no Clube Naval da Horta Dia 3 de Junho – sábado: 14h00: Volta à Ilha do Faial, com guia turístico, oferecida pela Direcção Regional de Turismo 17h30: Receção de Boas-Vindas, da responsabilidade da Direção Regional de Turismo, no Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, onde haverá a Entrega de Prémios relativa à 2ª perna da ARC Europe: Bermudas/Horta. Um dos prémios é oferecido pelo Peter Café Sport.

Manuel Lima e Suzana Tetlow da Organização da ARC Europe 2017, com a Marina da Horta em pano de fundo


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ARC EUROPE 2017 JÁ CHEGARAM AO FAIAL 8 BARCOS

Tripulação do “Isbjorn” na chegada ao Faial

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ntre segunda (dia 29) e terça-feira (dia 30) chegaram ao Faial mais 5 barcos da ARC Europe 2017. São eles: “Isbjorn”, “Yoda”, “Savarona”, “Morton” e “Second Wind”. O “Isbjorn” é americano e tem como skipper Andy Schell, enquanto o “Ioda” é inglês, sendo capitaneado por Antony Herod. Da América vêm, também, o “Savarona”, que tem como capitão Jirayr Nersesyan, o “Morton”, cujo skipper é Hasan Beser, e o “Second Wind”, capitaneado por Roger Cowles. Segundo informações de Suzana Tetlow, da Organização da ARC Europe 2017, até às 7 horas da manhã de hoje, quarta-feira, eram esperados mais 7 veleiros. Recorde-se que até agora já chegaram ao Faial 8 barcos da ARC Europe, Rally que é organizado pelo World Cruising Club. Na Marina da Horta já se encontram os vencedores desta 2ª perna (Bermudas/Horta) e que são o “Teamgeist” (que chegou no sábado, dia 27) o “Pure Elegance” (aportou no domingo, dia 28) e o “Ariel” (que cruzou a linha de chegada faialense segunda-feira, dia 29). Os barcos da ARC Europe 2017 – 25 no total – começaram a aportar à Horta na noite de sábado, dia 27. O programa social desenrola-se desde segunda-feira (29) até ao próximo sábado, dia 3 de Junho, sendo que a partida está prevista para a manhã de domingo, dia 4.

Tripulação do americano “Morton”, que tem como skipper Hasan Beser

Esta é a tripulação do “Savarona”, também dos EUA

Os veleiros vencedores da 2ª perna da ARC Europe 2017, já se encontram na Horta

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ARC EUROPE 2017 MARINA DA HORTA JÁ RECEBEU 19 BARCOS DESTE RALLY PELA EUROPA

Os velejadores da ARC Europe 2017 demonstraram a sua satisfação em frente ao Peter

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e acordo com informações cedidas por Suzana Tetlow, da Organização da ARC Europe 2017, até quinta-feira, dia 1 de junho, 19 embarcações já tinham chegado à ilha do Faial. Além do Clube Naval da Horta (CNH), o Peter Café Sport também tem contribuído para proporcionar uma agradável e diversificada estadia no No “Canto da Doca” foi comemorado o sucesso da etapa Bermudas/Faial

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Faial. Com o objectivo de as tripulações confraternizarem, a Organização programou jantares para o “Canto da Doca”, onde as conversas e a boa disposição têm reinado ao longo destas noites. Este Rally Atlântico pela Europa, organizado pelo World Cruising Club, conta com 25 veleiros e 91 participantes. O primeiro barco chegou ao Faial no dia 27 e todos os dias aumenta o número dos que terminam a segunda etapa desta aventura, que começou nas Ilhas Virgens Britânicas. O programa destinado a apreender a cultura local, teve início no dia 29 de maio e termina este sábado, dia 3. A largada, rumo à ilha Terceira, está marcada para a manhã do próximo domingo.

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ARC EUROPE 2017 ENTREGA DE PRÉMIOS NO CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO VULCÃO DOS CAPELINHOS

O diretor regional do Turismo, Filipe Macedo, discursou em inglês na cerimónia de Entrega de Prémios da ARC Europe 2017, no Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, ilha do Faial Na fotografia, da esquerda para a direita: Filipe Macedo; Luís Botelho, Vice-Presidente da Câmara Municipal da Horta; Susana Rosa, da Direção do Clube Naval da Horta; João Paulo Fatia, Chefe da Delegação Regional da Horta do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, e Armando Castro, Chefe do Gabinete de Operações Náuticas da Portos dos Açores

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ecorreu na tarde deste sábado, dia 3, a Cerimónia da Entrega de Prémios da 2ª perna (Bermudas/Horta) da ARC Europe 2017, um Rally Atlântico pela Europa, que todos os anos faz escala na ilha do Faial. O local escolhido foi – como habitualmente – o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, onde a Direção Regional do Turismo tinha à disposição de todos um beberete com produtos regionais, que foi gostosamente apreciado e degustado pelos estrangeiros, além dos locais, naturalmente, embora já habituados a estes acepipes. O diretor regional do Turismo, Filipe Macedo, fez as honras da casa e, num breve discurso em inglês, elogiou a iniciativa, realçando a importância da ARC Europe fazer escala no Faial e noutras ilhas dos Açores. Os vencedores tiveram direito a prémios, mas

todos receberam uma placa alusiva à sua participação na ARC Europe 2017. A ARC Europe é organizada pelo World Cruising Club e este ano conta com uma frota de 22 monocascos e 3 catamarans. São 91 participantes de várias nacionalidades, além dos elementos da organização. Na ilha do Faial – onde os barcos começaram a chegar no dia 27 de maio e zarparam a 4 deste mês – conta, ano após ano, com o apoio do Clube Naval da Horta, que disponibiliza, além de outros serviços, o Centro de Formação de Desportistas Náuticos, onde funciona o Secretariado e todo o sistema de comunicações. Ilhas Virgens Britânicas – Bermudas – Açores (Faial, Terceira e São Miguel) – Lagos é o percurso desta aventura, em que cada participante vem com diferentes motivações.

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Susana Rosa ao lado da tripulação da embarcação americana “Savarona”

Sete anos depois, a tripulação do “Starblazer”, regressou ao Faial. Aqui, ao lado de Armando Castro

João Paulo Fatia com a tripulação do “Sara Jane”

Tripulação do “Morton”, acompanhada por Luís Botelho

Os velejadores estrangeiros apreciaram muito os produtos regionais (comidas e bebidas)

O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos foi, como habitualmente, o local escolhido para o beberete oferecido pela Direção Regional do Turismo e para a Cerimónia de Entrega de Prémios da 2ª perna da ARC Europe

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VELA DE CRUZEIRO CNH HOMENAGEIA JOÃO CARLOS FRAGA

Clube Naval da Horta homenageia João Carlos Fraga com a realização de uma Regata de Vela de Cruzeiro

O principal objetivo desta Regata é homenagear João Carlos Fraga, personalidade faialense muito ligada aos desportos náuticos, com destaque para a Vela, e um profundo conhecedor dos processos de desenvolvimento da Náutica Internacional de Recreio”, sublinha o Diretor da Secção de Vela de Cruzeiro do Clube Naval da Horta (CNH), Luís Costa, a propósito da Regata de sábado, dia 3. A Direção Regional dos Assuntos do Mar (DRAM) associou-se a este evento inserindo-o na campanha Entre-Mares – 8ª edição – que tem como principal objetivo a promoção da educação e sensibilização para o mar através da arte. Este Dirigente destaca que “o Clube Naval da Horta tem sido parceiro ativo nesta campanha, associando-se, desde sempre, a iniciativas de sensibilização ambiental, mais concretamente as limpezas do fundo do porto da Horta, disponibilizando meios e equipamentos”. E remata: “Uma vez que as principais atividades do Clube se desenvolvem no mar, faz todo o sentido associarmo-nos a eventos desta natureza”. A Regata de Homenagem a João Carlos Fraga tem a sua largada marcada para as 15 horas deste sábado, dia 3 de junho, mas na véspera haverá um Briefing de Apresentação, pelas 18h30, na sede do Clube Naval da Horta, para o qual o Diretor da Secção de Vela de Cruzeiro convida todos os velejadores a participarem, associando-se, assim, “a esta justa Homenagem” a

João Carlos Fraga. O percurso da prova será traçado no Briefing desta sexta-feira, altura em que serão feitas as inscrições. No entanto, Luís Costa avança que são esperados 5 participantes. Ao contrário do que se verificou noutros fins-de-semana, no próximo prevê-se bom tempo, “embora o vento não seja o ideal, já que se estima que ande na casa dos 8/9 nós, já não é mau”, sustenta este Responsável, salientando que “estão reunidas as condições no sentido de proporcionar uma tarde de lazer aos amantes da Vela de Cruzeiro”. A cerimónia de Entrega de Prémios – os quais são patrocinados pela Direção Regional dos Assuntos do Mar – terá lugar pelas 18h30 de sábado, no Bar do CNH. “Esta simbólica, mas sentida Homenagem que o Clube Naval da Horta pretende fazer a João Carlos Fraga, propõe-se perpetuar a memória deste faialense do mundo, que estabeleceu e manteve ligações com prestigiadas associações internacionais de Vela de Recreio e desenvolveu uma persistente ação de divulgação do Faial e dos Açores junto dos portos determinantes da Náutica de Recreio, especialmente na Europa e Caraíbas. Foi, também, uma das pessoas que esteve ligada ao lançamento do Festival Náutico da Semana do Mar”, acentua o Diretor da Secção de Vela de Cruzeiro do CNH.

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VELA DE CRUZEIRO REGATA DE HOMENAGEM A JOÃO CARLOS FRAGA

A embarcação “No Stress”, de António Oliveira (t-shirt preta), foi a vencedora da Regata de Vela de Cruzeiro que o Clube Naval da Horta organizou com o objetivo de homenagear João Carlos Fraga

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regata decorreu muito bem, com vento favorável, tendo os participantes se mostrado bastante agradados com o percurso escolhido”, refere o Diretor da Secção de Vela de Cruzeiro do Clube Naval da Horta (CNH), Luís Costa, a propósito da Regata de Homenagem a João Carlos Fraga, realizada na tarde deste sábado, dia 3. Este Dirigente explica que participaram 4 embarcações “pelo facto de nesta altura ainda se encontrarem em manutenção e varadas muitas das que geralmente integram as regatas de Vela de Cruzeiro do Clube”. No pódio ficaram António Pedro Oliveira, skipper da embarcação “No Stress”; Fernando Rosa, capitão do “Maresia II”; e John Hardy, skipper da embarcação “Solaris”. O 4º classificado foi José Azevedo, capitão da “Pixelino”. Os prémios – entregues no decorrer de um convívio que decorreu no Bar do CNH – foram patrocinados pela Direção Regional dos Assuntos do Mar (DRAM) e constaram de peças em vidro maciço com uma alusão à Regata de Homena-

gem a João Carlos Fraga. Recorde-se que esta iniciativa integra o programa Entre-Mares da DRAM. “Os velejadores mostraram a sua total concordância com a integração desta Regata no calendário da presente época, a qual constituiu uma singela mas sentida Homenagem a um homem que contribuiu sobremaneira para colocar a cidade da Horta na rota da vela internacional”,

Os prémios foram patrocinados pela DRAM e a Regata de Vela de Cruzeiro de Homenagem a João Carlos Fraga foi uma iniciativa do Clube Naval da Horta


CLUBE NAVAL DA H realça Luís Costa. O Clube Naval da Horta, enquanto promotor desta iniciativa que visou perpetuar a memória do faialense João Carlos Fraga, convidou os irmãos do homenageado. Contudo, pelo facto de se encontrarem ausentes, apenas António Fraga (antigo Comandante da Associação Faialense dos Bombeiros Voluntários) pôde comparecer. O Diretor da Secção de Vela de Cruzeiro do

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CNH acentua que “esta Regata procurou homenagear um dos maiores entusiastas para que a Cidade da Horta e a sua Marina façam hoje parte da rota mundial do iatismo”. E prossegue: “Pretendemos evocar a memória deste antigo dirigente do Clube Naval da Horta, um homem universal”.

Mariana Rosa, skipper do “Maresia II”, recebeu o (2º) prémio

A Entrega de Prémios da Regata de Homenagem a João Carlos Fraga foi uma festa e decorreu no Bar do CNH


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VELA DE CRUZEIRO REGATA DE SANTO ANTÓNIO

A Regata de Santo António contou com 7 participantes e condições de vento favorável

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uís Quintino (“4Xcape”), António Oliveira (“No Stress”) e Manuel Gabriel (“Mariazinha”) foram os vencedores da Regata de Santo António, organizada pela Secção de Vela de Cruzeiro do Clube Naval da Horta (CNH) e que contou com 7 participantes. A Prova, que teve o seu início pelas 10 horas deste domingo, dia 18, teve como percurso uma bóia localizada na zona de Castelo Branco e outra na zona da Ribeirinha. De acordo com Luís Costa, Diretor desta Secção, “a Regata decorreu com condições de vento favorável a toda a frota participante e os velejadores mostraram-se bastante satisfeitos com o percurso escolhido”. A Entrega de Prémios – os quais foram patrocinados pelo CNH – decorreu na tarde do mesmo dia, no Bar do Clube, tendo o Vice-Presidente e Diretor da Secção de Vela de Cruzeiro do Clube Naval da Horta agradecido a participação de todos, sublinhando que “esta organização de provas visa, essencialmente, proporcionar com-

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petição aos amantes da Vela e convívio entre os velejadores, dinamizando a Secção”. Classificações: 1º - “4Xcape”: Luís Quintino 2º - “No Stress”: António Oliveira 3º - “Mariazinha”: Manuel Gabriel 4º - “Soraya”: Frederico Rodrigues 5º - Maresia II”: Fernando Rosa 6º - “Solaris”: John Hardy DNF – (não completou a prova) “Ilha da Ventura”: Carlos Garcia

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Luís Quintino ocupou o 1º lugar do pódio, encontrando-se ladeado por Luís Carlos Rosa e Luís Costa

António Oliveira, no seu “No Stress”, arrecadou a 2ª posição

Manuel Gabriel, a bordo do “Mariazinha”, conquistou o 3º lugar

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VELA DE CRUZEIRO RALLY SANJOANINAS 2017

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omo já se antevia, as condições de vento não nos permitiram ir à vela até Angra do Heroísmo. De resto, como sempre é apanágio das tripulações da ilha do Faial, verificou-se uma sã camaradagem entre os velejadores faialenses e com os restantes que aportaram à Marina de Angra do Heroísmo no passado fim-de-semana”. É assim que o Diretor da Secção de Vela de Cruzeiro do Clube Naval da Horta (CNH), Luís Costa, caracteriza o Rally Sanjoaninas 2017. A largada aconteceu quinta-feira, dia 22, rumo à Terceira, tendo o regresso ao Faial acontecido na madrugada de domingo, 25. “A viagem decorreu com enorme tranquilidade, já que as condições meteorológicas assim o permitiram”, relata Luís Costa. Questionado sobre a forma como decorreu este Rally, o Diretor da Secção de Vela de Cruzeiro do CNH deixa o seguinte comentário. “Pelo que me foi dado observar, quem se deslocou a Angra no passado fim-de-semana não se arrependeu pois, como costumo dizer, o são convívio e o fomento do mesmo é fundamental neste tipo de

iniciativas. Por isso, creio poder afirmar em nome de todos os que participaram, que o balanço foi francamente positivo”. Deram a partida 5 embarcações do CNH, mas “nenhuma conseguiu cumprir o desígnio de cortar a linha de chegada, em vela, na cidade de Angra do Heroísmo, o que significa que não houve conclusão da prova por parte de alguém”. Embora não haja prémios, a Secção irá promover, em data a anunciar brevemente, um convívio entre todas as tripulações participantes. A alegria contagiante dos faialenses foi reconhecida e premiada na Terceira. Este Dirigente destaca a iniciativa do Angra Iate Clube, que decidiu instituir um troféu destinado a premiar a embarcação cuja tripulação mais contribuiu para o espírito de boa disposição. E o vencedor foi a embarcação “Mariazinha”.

“Mariazinha” recebeu o troféu de tripulação que mais contribuiu para a boa disposição


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LES SABLES-HORTA-LES SABLES 2017 APRESENTAÇÃO NA ILHA DO FAIAL Presidente da Portos dos Açores, Fernando Nascimento; Presidente do Clube Naval da Horta, José Decq Mota; e Presidente da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo Silva

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oi apresentada na tarde desta segunda-feira, dia 19, nos Paços do Município, a edição de 2017 da Regata Les Sables-Horta-Les Sables (Classe 40 pés). Esta Regata Internacional sai da cidade francesa de Sables D’Olonne no próximo dia 2 de julho com destino à cidade da Horta. Na apresentação, a cargo do Chefe do Gabinete de Operações Náuticas da Portos dos Açores, Armando Castro, estiveram presentes todas as entidades que dão corpo à Comissão Náutica Municipal, e que são: Câmara Municipal da Horta, Clube Naval da Horta, Portos dos Açores e Associação Regional de Vela dos Açores. Historiando a situação do Porto da Horta, o Presidente da Direção do Clube Naval da Horta (CNH), José Decq Mota, destacou que se trata, “desde há dezenas de anos, de um grande porto de escala da Náutica Internacional de Recreio”, vincando que “esse crescimento e alargamento se encontra muito longe de estar esgotado”. E frisa: “A possibilidade de a Horta manter essa situação não só existe como tem sido reforçada, e isso deve-se essencialmente ao facto de se ter juntado à Náutica Internacional de Recreio – que os franceses chamam de pleasance – a Náutica

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Internacional de Competição Profissional”. José Decq Mota não tem dúvidas de que “este cenário, de grande projeção do Faial e dos Açores, resulta da existência da Comissão Náutica Municipal que, desde há 10 anos, vem fazendo um trabalho sistemático de captação de regatas internacionais de competição realizadas por profissionais da Vela Oceânica de Competição, o que fez com que a Horta ficasse de corpo inteiro integrada na família da Náutica Internacional de Recreio”. “A Horta é hoje um porto de recreio, de barcos e iates, que fazem ralies, regatas, etc, mas é também um importantíssimo porto de escala de regatas de Alta Competição à Vela”, reforça. No entender do mais alto dirigente do Clube Naval da Horta, “este panorama pode ser aprofundado e desenvolvido logo que se consiga resolver alguns problemas de infraestruturas, nomeadamente a capacidade de varar barcos com determinadas características e condições; a capacidade de os parquear em terra de forma segura; e de poder prestar assistência. Ultrapassadas estas situações, o Faial tem uma altíssima probabilidade de ser procurado para, na época baixa, funcionar como uma base de treino para

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equipas altamente especializadas. Há igualmente uma grande probabilidade de a Horta ter um elevado número de barcos estacionados e em reparação”. “Falta-nos dar esse passo”, assevera. Na sua intervenção, este Dirigente enfatizou, também, “o facto de os próprios centros principais da Náutica Internacional de Recreio de Competição tratarem os elementos que representam a Horta – designadamente o CNH, a Câmara Municipal, a Portos dos Açores, etc – como parentes próximos. É preciso realçar que nós assistimos à saída da Vendée Globe, que é uma regata que dá volta ao mundo (mas não passa no Faial) de um lugar de grande destaque no Pavilhão principal da feira associada a este prestigiante evento mundial. Isto faz com que o Faial seja reconhecido neste importantíssimo mundo da vela internacional”. O Chefe do Gabinete de Operações Náuticas da Portos dos Açores, Armando Castro, revelou um dado de grande relevo e que se traduz na realidade inequívoca de “a Marina da Horta ser aquela que mais regatas de alta competição recebe em cada ano”. Recorde-se, a propósito, que há anos que o Faial

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recebe 2 e 3 regatas internacionais. “A Marina da Horta é procurada por 3 classes de alta competição: os barcos de 6,5 metros; os da Classe Figaro e os de 40 pés. A conjugação destas 3 classes europeias de Alta Competição e o facto de todas usarem o Porto da Horta merecem ser realçados”, destaca José Decq Mota. José Leonardo Silva, Presidente da Autarquia Faialense, tem como pretensão suscitar o envolvimento da população na receção às regatas de âmbito internacional que aportam à cidade da Horta. Como tal, a Comissão Náutica Municipal delineou a criação de um Programa de Voluntariado de Apoio à Regata Internacional Les Sables-Horta-Les Sables, com pré-requisitos elaborados e traduzidos numa ficha de inscrição, que já se encontra disponível na Secretaria do Clube Naval da Horta. E o prémio para essa colaboração – sempre muito habitual – será uma viagem a Sables D’Olonne, a sortear na Cerimónia de Entrega de Prémios da 1ª etapa da Regata Les Sables-Horta-Les Sables, a realizar na Horta, no dia 12 de julho. A viagem, suportada pela Câmara Municipal da Horta, pretende que o vencedor esteja presente na Entrega de Prémios da última perna desta competição, que terá lugar no dia 22 de julho, em Sables D’Olonne. José Leonardo relembrou a importância da ligação náutica da Horta com a cidade francesa de Sables D’Olonne, que conta já com 10 anos de existência e, que, neste momento, “vai muito para além da mera competição náutica, alargando-se a outros domínios como a área económica e a promoção turística”. O edil salientou a participação da Comissão Náutica Municipal, com stand próprio, na largada da maior competição de vela, a Vendée Globe, e enalteceu o destaque que, em França e no mundo da vela, é dado à cidade da Horta, “já conhecida pela excelente organização de eventos internacionais, fruto do trabalho empenhado e estratégico de todos estes parceiros e voluntários”.

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JOÃO CARLOS FRAGA UM AMIGO UNIVERSAL

Os Amigos, o Mar e a Música eram as paixões de João Carlos Fraga

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le era um Amigo Verdadeiro!” É por isso que o Auditório da Fábrica da Baleia, em Porto Pim, na cidade da Horta, esteve lotado na noite de 10 de Fevereiro último. O mote foi dado pela Associação Cultural Fazendo e foram muitos os que estiveram presentes e falaram do Homem sensível, do Amigo sempre disponível, do Navegador entusiasta, do Especialista em questões náuticas, do Faialense universal. Renata Lima lembrou – muito oportunamente – que essa universalidade fica bem patente até nos próprios organizadores deste evento, que “nem sequer são do Faial”. A Associação Cultural Fazendo é responsável por uma publicação com o mesmo nome, com a qual João Carlos Fraga colaborava, e organizou, em Junho de 2016,

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(dias 9, 10 e 11), o “Festival Maravilha”, no ano em que se assinalava os 30 anos da Marina da Horta, a mais antiga dos Açores. O ambiente criado e partilhado naquela sala – que se encheu de conteúdo e se reduziu de espaço – evocou e invocou João Carlos Fraga. Os excertos das entrevistas projetadas diziam-nos que ele estava mesmo ali, ao nosso lado, demonstrando aquele seu ar natural, sempre à vontade, próprio de quem sabe o que diz e o que faz. Os Amigos, o Mar e a Música, eram as paixões de João Carlos Fraga, um homem franco e reservado, culto mas humilde, inteligente e sempre discreto. E aquele serão conseguiu congregar tudo isso: os (muitos) Amigos que falaram, riram e choraram; o Mar sempre presente em tudo o que bulia e até mesmo

neste espaço: o seu Porto Pim; e a Música, que trouxe gratas memórias, canções e muita emoção. “Os Amigos eram a Família dele” e isso percebeu-se muito bem quando as palavras deram lugar aos silêncios, entrecortados pelas lágrimas da saudade, testemunhas reveladoras de que João Carlos Fraga estará sempre presente! Adélia Goulart – a alma daquela sessão destinada à partilha de vivências sobre o Amigo comum – espelhou bem a amizade que a ligava a João Carlos Fraga, que fez a sua derradeira viagem no dia 11 de Janeiro passado (nascido em 1946). Incumbida de transmitir as mensagens de alguns amigos que não puderam estar presentes – entre eles Fátima Dart, a professora de Francês, e Jorge Dinis – recordou com os olhos da alma

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CLUBE NAVAL DA H e de voz embargada, alguns dos (vários) bons momentos vividos ao longo de 60 anos de convívio muito próximo e muito leal. “As esperas feitas aos carrões do leite que, após cumprirem a sua missão regressavam às freguesias rurais, eram a boleia perfeita da cidade até à Lajinha; as voltas à ilha por altura do Espírito Santo, numa camioneta pedida à tropa e as tertúlias de afeto realizadas no páteo onde, habitualmente, pontificava a simpática senhora Clotilde, mãe do João, sempre extremosa nos petiscos servidos aos amigos”, foram pedaços de história partilhados com todos, alguns ilustrados com fotografias da época, cedidas e legendadas por Adélia Goulart, que rematou: “Ele era delicado, assim como o seu corpo”. A relação com o mar, foi sempre algo muito marcante na vida de João Carlos Fraga. Apostado em aproveitar ao máximo a aventura e a adrenalina de surfar as ondas, concebeu a primeira prancha de surf por estes lados – feita de criptoméria – a qual foi muito observada e apreciada nesta sessão evocativa. Sempre ávido por desbravar os horizontes que a ilha encerrava, aos 12 anos João começou a ter contacto com os navegadores estrangeiros que aportavam à Horta. E aprendeu, por si próprio, “que antes de ir para o mundo, o mundo vinha até nós”. Sendo “o mar uma porta de entrada”, para este amante da vida marítima “a ultraperiferia acaba por ser melhor do que uma grande metrópole”, numa

clara alusão à solidão que se pode sentir no meio de uma multidão. E depois de termos a ilha dentro de nós, “o mar é uma estrada que faz ligação e não separação”. Podemos estar cá dentro e receber o mundo e podemos sair e levar a ilha. João Carlos Fraga sempre esteve na ilha em contacto com o mundo, recebendo, apoiando e aconselhando os que chegavam e que se tornaram amigos para sempre. E foi com alguns desses aventureiros amigos que soltou amarras e atravessou o Atlântico, rumo a Barbados, em 1979. Uma experiência única para este investigador náutico, que retrata de forma bem visível a Horta marinheira, cosmopolita e muito hospitaleira, que a todos acolhe, abraça e irmana. As “Aventuras de Baleeiros”, de Manuel Greaves, que leu aos 10/11 anos, marcaram-no de tal forma, que constituíram o seu “Moby Dick”. Como especialista bem informado e conhecedor das questões náuticas, João Carlos Fraga – que fazia da pena um hobby – deixa algumas publicações e escritos, com preferência para o conto e a literatura de viagens. Para ele, “o blogue era um novo tipo de literatura. Uma maneira diferente de estar no mundo das letras”. No alinhamento da noite, conduzido pela simpática Aurora Ribeiro, do “Fazendo”, Ana Veloso recordou as conversas que tinha com o vizinho e amigo, assim como Jonas, filho de Eduardina Rocha, que trouxe a saudade dos pais e um texto da mãe, que leu aos presentes. E sublinhou que, antes da Mari-

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na ser inaugurada – em 1986 – “já vinham iatistas à Horta”, Capital Oceânica do Iatismo. Por isso, “não foi a Marina que trouxe os iatistas, mas sim a Horta que fez com que viessem”. Ali, naquele que já foi intitulado como o maior museu de pinturas ao ar livre, foram feitas amizades para toda a vida, as quais são mais fortes do que a morte. Jonas, que não sendo da geração de João Carlos Fraga, conseguia partilhar com o amigo não só a paixão pelo mar como também pela música, essa arte que tem o poder de nos fazer viajar e conhecer outras culturas, outros mundos e embarcar em estados de alma que nos transportam para outras dimensões e realidades. Para os amigos de João Carlos Fraga, fica a a amizade; para os outros, a sua obra. Francisco Gonçalves trouxe um filme de 1978, com desenhos feitos por João Carlos Fraga, “um amigo que estava sempre pronto a ajudar e a colaborar”, e Pedro Garcia recordou-o como “um exímio contador de histórias”. A amiga Verónica memorou o quanto aprendeu com ele sobre cagarros – “cagarros não, que esses são os habitantes de Santa Maria!” – sobre cagarras, pois “ele dava sempre preciosas e novas informações sobre estas aves e sobre plantas” e ela só lamenta não ter captado mais as indicações daquele Amigo, “que tinha na mãe a pessoa mais especial da sua vida”. Era um homem com grande amplitude de interesses, mas que se detinha no estudo do por-

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A prancha de surf, de criptoméria, concebida por João Carlos Fraga

menor, como revela a atenção dada ao voo das borboletas, que vão e vêm e nos ensinam lições. Tomás, um amigo do “Fazendo”, leu um pequeníssimo mas grande texto (inscrito num CD que Adélia Goulart emprestou) que se “aplicava na perfeição” a João Carlos Fraga e Margarida Madruga lembrou “o gosto que ele tinha pela halografia”. Vítor Macedo aproximou-se do microfone para dizer que, “mesmo não tendo filhos, João Carlos Fraga foi pai”. E essa paternidade materializou-se na receção da primeira regata realizada até à Horta (vinda de Portsmouth, na Inglaterra) e que deu início à Semana do Mar, em 1975. Por isso, “ele é o pai da Semana do Mar e como padrinhos temos Luís Gonçalves e Madruga da Costa”. Fernando Borges Sena, uma figura possante, mostrou que os homens também choram quando falamos de alguém que “é a referência de toda uma vida”, como era João Carlos Fraga. Em 1978, após o falecimento do pai (o médico faialense Gaspar Sena), Fernando Borges Sena vinha ao Faial e começou a falar com este que “viria a ser um grande amigo”. Foi por pro-

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posta dele que se fez membro do Ocean Cruising Club, “o que ainda hoje se mantém”. E quando a profunda comoção, que tinha tomado conta de Fernando Borges Sena o deixou por fim falar, notou que “pessoas como João Carlos Fraga nunca serão esquecidas”. Comovida e enternecida pelo ambiente que se respirava nesta sessão, Isabel Fraga – sentada na primeira fila ao lado dos irmãos António, Fernando e José, havendo ainda a Fernanda – confidenciou que, após a morte do pai, João Carlos Fraga foi um pai para todos eles. Já quase ao cair do pano deste serão, veio a música pela voz de Alexandre Gualdino e da filha Míriam. E ambos cantaram, sentidamente, duas mornas, “que João Carlos Fraga tanto gostava!” Mas, primeiro, Míriam – que também trouxe o calor do irmão que não pôde vir – revelou conhecer o João desde pequenina, a quem chamava “o avô Fraga”. E Gualdino relembrou que, desde que chegou ao Faial (há vários anos) vindo de Cabo Verde, logo encontrou um amigo no João. E foi no segundo tema – “Sodade” – acompanhado pela assistência – que o refrão

se tornou realidade, com a jovem cantora a chorar e a dizer que chamava madrinha à mãe de João Carlos Fraga. Na hora do anunciado brinde (preparado pelo “Fazendo”, assim como o lanche), Rui Coutinho, que veio propositadamente de São Miguel, de máquina em punho para tudo registar, convidou os presentes a erguerem o copo em memória do Amigo. Foi aí que Velmano Carvão lembrou que, “mais do que muitos feitos, o que verdadeiramente importa é o carácter da pessoa” e isso era algo muito marcante em João Carlos Fraga. O João conseguiu reunir Amigos e Música junto ao Mar. Ali esteve não só a sua família de sangue como a outra, que ele escolheu. Ali esteve a saudade e sobretudo a vida, que será celebrada sempre que se fale de João Carlos Fraga, porque ele partiu, mas continua entre nós. Ali, no seu Porto Pim, onde o passado se fez presente; ali, onde o tempo continua vivo, preenchido por memórias de sempre, porque estas conseguem fugir à voragem do tempo e fazer morada no futuro.

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SCHOOL AT SEA JORGE MEDEIROS, CAROLINA SALEMA E EMÍLIA VIEIRA BRANCO

Jorge Medeiros, Carolina Salema e Emília Vieira Branco estiveram embarcados 6 meses no veleiro holandês “Regina Maris” e planeiam ir pelas escolas divulgar o projeto e cativar novos velejadores

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chool at Sea é um projeto educativo holandês, que reúne alunos do ensino secundário com idades entre os 14 e os 17 anos. A bordo do “Regina Maris”, jovens de várias nacionalidades viveram 6 meses de experiências únicas e incríveis que os deixaram mais preparados enquanto velejadores e cidadãos. Depois dos alunos do Faial, Júlia Vieira Branco e Bartolomeu Ribeiro, os últimos “marinheiros” faialenses a embarcarem nesta aventura foram Emília Vieira Branco, Carolina Salema e Jorge Medeiros, todos com a mesma idade (17 anos) e alunos da Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA), da Horta (elas da mesma turma). Estes 3 jovens reviveram esse decisivo marco na sua vida ao partilharem com o Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta (CNH) as vivências de 180 dias, essencialmente passados

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no mar, em terras longínquas, longe da família, da escola e dos amigos, mas com tarefas de bordo – incluindo os trabalhos escolares – para fazer diariamente. A experiência de todos eles tem sido fundamental no sentido de cativar novos actores para esta aprendizagem intensiva e muito diversificada, que incluiu, também, muitas brincadeiras e novas amizades. Uma experiência multicultural desenvolvimento pessoal

e de

Gabinete de Imprensa do CNH: Como descreves esta experiência marcante e decisiva na tua vida? Emília Vieira Branco: A vida a bordo de um veleiro de 50 metros combinou várias vertentes de desenvolvimento, entre as quais a do currículo

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uma certa motivação, porque percebemos que não era impossível e começámos a trabalhar em conjunto. Gabinete de Imprensa do CNH: Quais são os requisitos para aceder a este projeto? Carolina Salema: É necessário pagar 21 mil euros de propinas. Para isso, temos de angariar patrocinadores, que podem ser de qualquer parte do mundo. Embora se trate de um processo individual, colaborámos uns com os outros. Não foi nada fácil, mas conseguimos alguns patrocínios. Gabinete de Imprensa do CNH: O que é que os patrocinadores ganham por vos dar apoio? Emília Vieira Branco: Projeção, divulgação... Sempre que damos entrevistas, tentamos divulgar ao máximo os nomes dos nossos patrocinadores. Empresas e grupos interessados nesta iniciativa acabam por ficar ligados a um projeto que tem pés para andar e que pode estar associado a um movimento de trazer novidade à escola e ao sistema educativo em que nós vivemos agora. Jorge Medeiros, em Cabo Verde

académico regular que temos nas nossas escolas e que cumprimos na mesma, no barco. Para além disso, combinou, também, a vertente de mar e de Vela com a vertente multicultural e desenvolvimento pessoal e social que, naturalmente está associada à vida com outras 40 pessoas, num barco bastante pequeno. Gabinete de Imprensa do CNH: O número de pessoas a bordo foi sempre o mesmo ao longo deste tempo? Emília Vieira Branco: A tripulação foi variando ao longo da viagem, porque entraram e saíram elementos. Os alunos é que tiveram um tempo fixo, que são 6 meses, que mediaram de 15 de outubro de 2016 a 15 de abril deste ano. Gabinete de Imprensa do CNH: Como é que surge a oportunidade de participarem? Jorge Medeiros: A Júlia (irmã da Emília) e o Bartolomeu Ribeiro, que praticaram Vela no CNH, já tinham feito esta aventura em 2014. Depois de terem visitado o barco, que faz sempre escala na Horta, tentaram ser aceites no School at Sea, e conseguiram. A partir daí, ganhámos

Melhores notas a bordo do que na Escola Gabinete de Imprensa do CNH: Como é que decorria o estudo a bordo? Emília Vieira Branco: Tínhamos o nosso material de estudo, que em parte foi fornecido pelos professores, como as fichas de trabalho e outro, e depois tínhamos também os nossos livros. Estudámos por esses livros, de forma individual e uns com os outros, e contávamos com o apoio dos professores a bordo, mas não havia aulas. Apenas esclarecimento de dúvidas. Existia a figura do diretor de projeto, que fazia a ponte entre a escola e os alunos e foram sendo enviados testes, que não contaram para nota. Gabinete de Imprensa do CNH: Isso significa que ficaram com muito trabalho em atraso relativamente aos vossos colegas? Emília Vieira Branco: Quando chegámos ao Faial fomos obrigados a realizar frequências, mas já sabíamos de antemão que ia ser assim. Fizemos sempre todos os testes a bordo como

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se fosse uma preparação para os exames que fizemos quando chegámos. Os nossos professores de terra enviavam-nos os mesmos testes que eram feitos cá, no Faial, e como cada um tinha um mentor a bordo, organizava com ele o seu plano de estudo e dizia-lhe quando é que queria fazer os testes, que depois eram enviados para a escola, que corrigia e nos enviava de volta. Mas, apesar de termos feito tudo como os nossos colegas de terra, nada disso contou para a nota do fim do ano. Naturalmente que tudo o que fizemos serviu para aprendermos e sabermos em que ponto estávamos, mas em termos de nota só o que fizemos depois de chegar é que efetivamente contou. Gabinete de Imprensa do CNH: Esta foi uma situação vivida em particular por causa do sistema de ensino português? Emília Vieira Branco: Alguns holandeses debateram-se com a mesma situação pelo facto de o sistema de ensino ser como o nosso. Mas, na maior parte dos casos, todo o trabalho que os alunos embarcados fizeram contou para nota. Gabinete de Imprensa do CNH: É uma situação um tão ou quanto injusta?... Emília Vieira Branco: Pessoalmente, acho que não faz sentido, pois fizemos todos o mesmo trabalho, mas só porque estávamos embarcados, isso não foi tido em conta. É difícil chegar à escola (ao Faial) e perceber que temos 2 testes que valem 95% da nossa nota do 12º ano e que é só em função disso que vamos ser avaliados em termos de nota final. É algo que coloca muita pressão em cima de nós, sendo mesmo desproporcional. Em termos de vida escolar, esta viagem veio pôr as coisas numa situação diferente, mas valeu a

pena, pois nós evoluímos e aprendemos tanto e de tantas maneiras diferentes, que só pode ser altamente positivo! E, definitivamente, houve espaço para a escola. Jorge Medeiros: Eu até subi as notas! Como o tempo para estudar era tão limitado, focávamo-nos em estudar mesmo a sério, o que não acontece sempre na escola, porque sabemos que temos tempo. E lá, tinha de ser mesmo na altura, o que fazia com que me focasse e os resultados fossem muito melhores. É claro que esta situação dos exames foi complicada, mas tudo se resolve. Gabinete de Imprensa do CNH: Mas vocês foram previamente informados de tudo? Emília Vieira Branco: Contactámos a Direção Regional de Educação e foram esses os termos acordados relativos à nossa participação. Gabinete de Imprensa do CNH: Tirando a parte do estudo, como era a vida a bordo, com tanta gente? Carolina Salema: Tínhamos turnos de dia e de noite. Nuns turnos tínhamos de limpar as casas de banho, e eram várias, noutros estávamos na cozinha, havendo escalas rotativas para as tarefas. Jorge Medeiros: Nos turnos éramos responsáveis por todas as tarefas de navegação, ou seja, por tudo o que fosse controlar o barco, içar velas, baixar velas, etc. Sabíamos algumas coisas básicas da Vela – eu, por exemplo, fiz Vela no CNH – mas tivemos de aprender muita coisa. Emília Vieira Branco: Éramos mais ou menos 40 a bordo, incluindo a tripulação, os professores e o coordenador pedagógico. Cada um tinha um mentor, que era o professor. As conversas eram quase sempre em inglês, o que fez com

Emília Vieira Branco (bem acompanhada) na passagem por Domínica

Carolina Salema com o seu novo amigo, em Domínica


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que se tenha aprendido. Várias pessoas não estavam muito confortáveis com este idioma, mas ao longo do tempo foram evoluindo, porque era praticamente tudo em inglês. Falávamos português entre nós e com a colega do Brasil. Paralelamente às tarefas, também havia muita brincadeira. O computador era usado apenas para trabalho da escola e de bordo. Gabinete de Imprensa do CNH: O cozinheiro era prendado? Emília Vieira Branco: Durante os primeiros 4 meses tivemos um chef que funcionava como desafiador e professor! Só cozinhou connosco ao longo da primeira semana e depois disso foi ensinando-nos a ser mais autónomos e eficazes na cozinha e, acima de tudo, ensinou-nos a adorar a cozinhar! As refeições eram boas. Ao fim de grandes tiradas no mar, ficávamos sem legumes frescos e a massa foi um elemento bastante frequente! O lema do nosso capitão era: “Antes a mais do que a menos!” Gabinete de Imprensa do CNH: O que é que foi mais difícil a bordo? Jorge Medeiros: Cumprir um horário.

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Carolina Salema: E a barreira da língua. Eles falavam holandês e nós português e inglês. Eles falavam em inglês só que às vezes em grupo mudavam para o holandês. No início, praticamente só falavam em holandês, por ser a língua originária do projeto, embora seja aberto a alunos de todo o mundo. No barco havia um sino, que podia ser tocado por qualquer pessoa sempre que havia algo a comunicar, mas nessas ocasiões a conversa era sempre em holandês, o que nos excluiu um pouco no início, mas depois mudou e ficou tudo bem. Jorge Medeiros: Eles estão a internacionalizar o projeto. Já reconheceram que é crucial mudarem e será o próximo passo a dar. O capitão traduzia as conversas do holandês para inglês no sentido de percebermos. Houve sempre comunicação, podia era não abranger a totalidade das conversas. Gabinete de Imprensa do CNH: O sino era uma constante? Carolina Salema: O sino tocava sempre que era para fazer comunicados gerais, que tanto podiam ser referentes a coisas boas como más.

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Mais para o fim da viagem, o capitão percebeu que tinham de ser feitos em inglês. Mas aprendemos holandês e gostámos muito. Gabinete de Imprensa do CNH: Já conseguem entender-se em holandês? Carolina Salema: Conseguimos perceber mais do que propriamente falar. Emília Vieira Branco: É uma língua bastante diferente. Fizemos amigos e as mensagens trocadas já são num misto de inglês e holandês. Ensinámos aos holandeses algumas coisas em português e eles acharam que era russo. (Risos...). Carolina Salema: Para ficarmos com uma ideia, o holandês deles é um inglês mau. Gabinete de Imprensa do CNH: Gostavam de repetir a experiência? Jorge Medeiros: Sim, se fosse possível. Emília Vieira Branco: Exatamente o mesmo projeto não, mas fazer um outro nos mesmos moldes, talvez. Gabinete de Imprensa do CNH: Qual era a média de idades? Emília Vieira Branco: Entre os 16 e os 17

anos, havendo alunos mais novos, com 14, 15... Nós erámos os mais velhos. E havia mais raparigas do que rapazes. Jorge Medeiros: Havia muito mais raparigas! Gabinete de Imprensa do CNH: Achas que isso se deve a quê? Jorge Medeiros: Ao facto de elas serem muito mais persistentes do que os rapazes. Gabinete de Imprensa do CNH: Angariar patrocinadores não deve ter sido missão nada fácil... Emília Vieira Branco: Fazer angariação de fundos é um processo bastante frustrante. Natal em Curaçau, com sol e calor Gabinete de Imprensa do CNH: Qual foi o percurso? Carolina Salena: A viagem começou em Amsterdão, na Holanda, e depois ainda fomos para outro sítio na Holanda. Daí, partimos para o mar porque antes só tínhamos andado nos canais. Depois fizemos Tenerife, Cabo Verde, a travessia do Atlântico, Domínica (o primeiro sítio em que tive-

Cabo Verde integrou a rota desta viagem de 6 meses

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CLUBE NAVAL DA H mos após a travessia), Curaçau (onde passámos o Natal), Aruba (onde aconteceu a Passagem de Ano), San Blas, Panamá, Cuba, Bermuda, Faial (a 3 semanas do fim da viagem), Cherbough e novamente Holanda. Jorge Medeiros: Acho que o fim foi o melhor. Gabinete de Imprensa do CNH: Acusavam cansaço? Jorge Medeiros: Não, muito pelo contrário. Carolina Salema: A cama era confortável. Os quartos eram para 4 pessoas, com beliches. Mudámos de quarto várias vezes e só da última é que nos deram hipótese de escolhermos os companheiros de quarto. Gabinete de Imprensa do CNH: Como foi passar o Natal fora de casa, longe da família? Deve ter sido o vosso primeiro Natal nestas circunstâncias... Emília Vieira Branco: No dia 24 acordámos e percebemos que tínhamos um pequeno- almoço super-especial, com uns guardanapos muito bonitos e as mesas muito bem decoradas. A sala onde costumávamos conviver tinha umas fitinhas a dizer “Merry Christmas” e estava enfeitada como nunca a tínhamos visto. Num dado momento tocou o sino e estava toda a gente à volta dos presentes, que as nossas famílias puseram no barco. Jorge Medeiros: Foi o Natal mais quente, porque estava calor em Curaçau. Na rua, havia decorações de Natal, mas estava sol, calor. Foi um Natal muito estranho. Não parecia que era Natal até termos recebido as prendas. Emília Vieira Branco: Passámos o dia 25 na praia, de fato de banho. E fizemos um churrasco de Natal. Jorge Medeiros: No dia 24, alguns grupos foram à praia. Fui a uma praia que tinha uma árvore de Natal no meio do areal. Carolina Salema: Sendo o Natal um tempo familiar, naturalmente que tínhamos saudades de casa. Jorge Medeiros: Na Passagem de Ano, o navio estava ancorado e quando lançaram o fogo de artifício, toda a gente saltou para a água mesmo com a roupa. Emília Vieira Branco: Quando foi para celebrar a chegada do Novo Ano, nós os 3 decidimos que queríamos pôr toda a gente no barco a comer as 12 passas. E fizemos 44 embrulhin-

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hos, porque na altura éramos 44 a bordo, e entregámos um a cada pessoa, e nos últimos 12 segundos estávamos todos as comer passas e a fazer a contagem decrescente. Gabinete de Imprensa do CNH: De onde eram os colegas? Apreciaram a vossa iniciativa? Emília Vieira Branco: Havia 2 alemães, 2 belgas e 1 semi-francesa. Eles gostaram! Foi divertido. Não houve champanhe, por não ser permitido álcool a bordo, por isso brindámos com sumo de maçã. Alunos assumiam as rédeas do barco Gabinete de Imprensa do CNH: Que lembranças trouxeram? Carolina Salema: Conchas, areia e coisinhas que fui comprando, além de acontecimentos. Emília Vieira Branco: Tínhamos um dia livre quando chegávamos a cada porto e podíamos explorar esse novo local em grupos de 3. Aproveitávamos o tempo livre para falar com a família. Não tínhamos telefone no barco. Uma parte muito significativa do tempo livre era despendida a ver onde podíamos encontrar Wi-Fi para contactar para casa, o que foi muito difícil nalguns sítios. Gabinete de Imprensa do CNH: Recordam alguma atividade marcante? Emília Vieira Branco: Tínhamos uma atividade que aconteceu 4 ou 5 vezes ao longo da viagem em que nós, alunos, assumimos todas as funções do barco. Candidatávamo-nos a determinadas posições – capitão, membro da tripulação, cozinheiro, etc – escrevíamos uma carta ao capitão que depois decidia quem é que ia fazer o quê. Isto acontecia quando estávamos mais ou menos a 300 milhas de chegar a um porto. Na vez antes de chegarmos aos Açores, o Jorge foi o capitão do barco. Era sempre uma parte giríssima da viagem, porque nós é que tomávamos as rédeas do barco. Jorge Medeiros: Houve uma outra atividade que realizámos em Cuba e no Panamá. Quando chegámos ao Panamá, dividimo-nos em grupos de 6/7 pessoas – incluindo o professor que estava connosco, mas apenas por uma questão de segurança – e já em terra decidimos qual o rumo a tomar. O desafio era conseguirmos

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sobreviver com 20 dólares por dia, cada um. Como tal, tínhamos de nos organizar e pensar para onde queríamos ir e qual o meio de transporte a usar. O dinheiro tinha de dar para deslocações, alojamento, alimentação e atividades. Carolina Salema: No Panamá, fomos de um local para outro, por terra, e o barco seguiu sem nós. Tivemos uma semana livre para passear. Conseguimos sobreviver com o dinheiro que nos deram. Emília Vieira Branco: Nós fazíamos entregas mensais relativas às propinas acordadas e sempre que precisávamos de dinheiro era alguém do barco que nos dava. Carolina Salema: Se tivéssemos feito esta viagem de outra forma, teríamos gasto muito mais! Jorge Medeiros: Aprendemos tanto nestes meses! A parte mais importante deste projeto é que os holandeses tentam sempre melhorar de ano para ano. Fizeram-nos perguntas no sentido de saber o que correu menos bem e que poderá ser melhorado. Este projeto, apesar de já estar espetacular, ainda vai melhorar muito mais! Se bem que vai ser difícil. Deviam ser 9 meses de viagem! “Foi a perspetiva de vir a aprender tanto que me cativou assim” Gabinete de Imprensa do CNH: Por que razão este projeto era assim tão importante para ti? Emília Vieira Branco: Porque tem tudo o que eu quero; porque me permitiu fazer a escola normal associada a todas estas características que a tornam numa experiência única. Faço o meu currículo normal académico e, para além disso, vivo no mar, aprendo a velejar, vivo com outras 40 pessoas, conheço 13 lugares diferentes e pessoas diferentes e experiências diferentes. Tudo isto reunido acabou por ser uma vertente muito importante para o meu desenvolvimento pessoal, que eu há muito procurava. Perguntava-me sempre: “Como é que eu posso desenvolver-me, aprender a olhar para o mundo de forma diferente?” Foi a perspetiva de vir a aprender tanto e ver tanto ao mesmo tempo, que me cativou assim. Carolina Salema: No ano em que conheci o projeto fiquei muito entusiasmada, mas depois

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Emília, no Panamá

decidi não ir, porque achei que seria muito complicado. No entanto, depois de a Júlia e o Bartolomeu terem ido, pensei: “Se eles foram, também devo tentar, senão depois vou arrepender-me”. Jorge Medeiros: Quando pensei em concorrer, ainda não sabia da intenção da Emília e da Carolina. Já tinha falado com a Júlia e o Bartolomeu e mais tarde soube que a Emília estava interessada e aí pensei que se calhar ia conseguir. Mas logo a seguir percebi que ia ser muito difícil, pois era muito dinheiro... mas a Emília convenceu-me e começámos a apoiarmo-nos, mas sempre trabalhando de forma individual. Gabinete de Imprensa do CNH: Como caracterizam esta viagem? Jorge Medeiros: Uma lavagem cerebral, no bom sentido. Carolina Salema: Foram 6 meses de experiências diárias e novas. Aprender coisas novas todos os dias faz uma diferença enorme e ajuda-nos a crescer, mudando a pessoa que somos. Obviamente que sou a mesma pessoa e sei como é que sou. No entanto, tenho uma visão

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CLUBE NAVAL DA H diferente do mundo, mas também de mim. Emília Vieira Branco: Acho que foi um bocadinho a lavagem cerebral positiva que o Jorge dizia, pois separou muitas peças diferentes do enorme puzzle que nós somos. E acabou por dar um sentido muito diferente a coisas que estavam presentes nas nossas vidas. O projeto trouxe uma visão muito realista do mundo e uma visão de como eu me sinto em relação a mim própria. Nunca me tinha sentido como senti no barco. Aqueles 6 meses foram, talvez, os mais desafiadores da minha vida e vivia com desafios diários e num ambiente que não era o meu. É claro que, gradualmente se foi tornando o meu ambiente, mas estamos a falar de uma mudança muito radical, em que todos os dias havia coisas novas para experimentar, e acho que todos esses desafios fizeram com que eu lidasse e me aceitasse de uma forma muito diferente. Carolina Salema: No barco, estávamos muito menos preocupados com a nossa imagem. Não havia essa necessidade. Emília Vieira Branco: E não havia tempo para isso ser uma prioridade, porque tínhamos

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tanta coisa para pensar e assimilar ao mesmo tempo que, pensar na cor da camisola ou em pentear o cabelo desta ou daquela forma, não se encaixava no tempo nem no espaço que tínhamos. Jorge Medeiros: Ao início foi difícil cumprir horários, fazer turnos noturnos em que era preciso estar com atenção e depois acabar às 5 da manhã e ir deitar para levantar umas horas depois. “Acho que nos sentimos todos mais adultos” Gabinete de Imprensa do CNH: Dava para descansar? Jorge Medeiros: Sim, era uma questão de hábito. Agora já consigo gerir melhor o tempo e não preciso de dormir assim tanto. Mas durmo o suficiente. Aprendi a gerir o tempo. Com este projeto ganhei autonomia, autoconfiança e autoestima. Acho que nos sentimos todos mais adultos. Gabinete de Imprensa do CNH: Foi

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bom passar por casa? Carolina Salema: Ainda bem que não passámos pelo Faial antes – foi apenas a 3 semanas do fim – porque acho que ia quebrar um bocado. Fomos os únicos que passámos por casa. Não estar a pensar em casa ajudava-nos a concentrar mais em nós. Emília Vieira Branco: Acho que o objetivo era envolvermo-nos verdadeiramente com as pessoas que ali estavam, evitando que estivéssemos com a cabeça noutro lado. Carolina Salema: Tivemos sempre em contacto com as nossas famílias, pois tínhamos um mail semanal para casa. As coisas eram bastante flexíveis. Fazíamos o mail e entregávamos ao Coordenador, que enviava para as nossas famílias e que recebia as respostas e nos entregava. Mas passava tudo tão depressa e tínhamos sempre tanta gente à volta, que o mail para casa era uma coisa boa, porque nos permitia matar um pouco as saudades, mas não estávamos dependentes disso. Estávamos tão absorvidos, que o tempo voava! - Gabinete de Imprensa do CNH: De que sentiram mais falta? Jorge Medeiros: Dos animais de estimação, da família, dos amigos mas, principalmente, do sítio.

Carolina Salema: Acho que toda a gente tem saudades de casa quanto não está perto de casa. Não foi muito difícil suportar porque: primeiro, tinha 2 portugueses, o que me fazia lembrar de casa, depois, porque o tempo era tão preenchido que só no fim de tudo é que pensava na família. É claro que tive saudades dos pais e dos irmãos, do cão e do gato, mas depois tinha sempre tantas coisas para fazer, com trabalho de bordo e da escola, que não dava propriamente para pensar nas saudades que tínhamos de casa. A família é muito importante e tudo o que está à volta dela, mas neste enquadramento não estava a morrer de saudades. Emília Vieira Branco: Do que tive mais saudades foi da minha família, mas foi a partir da segunda metade da viagem que comecei a sentir saudades a sério, porque no início estava imersa naquele mar de coisas novas e de experiências que não dá sequer para descrever e não havia muito espaço para pensar em casa. Tínhamos de estar verdadeiramente ali. A partir da segunda metade comecei a ter muitas saudades de casa e simultaneamente dei comigo a pensar: “Como é que eu alguma vez vou sair deste barco e deixar estas pessoas?” Foi uma mistura entre ter imensas saudades de casa, da família e do cão, e depois saber que o School at Sea ia acabar e não íamos saber como lidar com isso. - Gabinete de Imprensa do CNH: Não houve problemas de saúde? Jorge Medeiros: Pequenas coisas, como enjoos, mas estava tudo controlado. Foi sempre verão nos diferentes locais por onde passámos. - Gabinete de Imprensa do CNH: Os vossos colegas faziam perguntas sobre o Faial? Jorge Medeiros: Eles estiveram cá, mas antes disso demonstraram interesse em saber mais coisas. Carolina Salema: Fizeram perguntas até ter estado cá, mas após a passagem pelo Faial, perceberam como tudo funcionava. Emília Vieira Branco: Não somos assim tão diferentes. Acho que há muitas mais coisas que nos unem do que aquilo que podemos imaginar. - Gabinete de Imprensa do CNH: Vocês aconselham outras pessoas a embarcar nesta aprendizagem?

Outro momento vivido em Domínica

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CLUBE NAVAL DA H Jorge Medeiros: Sem dúvida alguma. Emília Vieira Branco: Sei de pessoas do Faial e do continente português que gostavam de participar. Carolina Salema: Só as pessoas que querem mesmo é que conseguem. O preço estipulado para as propinas funciona como uma espécie de filtro. Emília Vieira Branco: Qualquer um de nós quer fazer apresentações nas escolas sobre este projeto. Estamos a planear fazer isso no Triângulo (Faial, Pico e São Jorge). É importante toda a gente saber que este projeto existe. Embora não se destine a todos, é fundamental perceber que é possível sonhar e que só se sonharmos e acreditarmos naquilo que queremos fazer é que conseguimos lá chegar. Ninguém vai fazer isso por nós. - Gabinete de Imprensa do CNH: O próximo passo na vossa vida é a universidade? Emília Vieira Branco: Em princípio não vou de imediato para a universidade. Quero aprender de que forma é que consigo mudar coisas no mundo. Quando for para a universidade pretendo fazer um curso chamado Estudos Gerais, mas não é em Portugal. A ideia é olhar de perspetivas e áreas diferentes para coisas que acontecem no mundo e perceber como é que se pode intervir. Estou a falar de problemas complexos. Como tal, naturalmente que não dá para olhar só de uma perspetiva. É fundamental uma visão mais geral. Espero que isso me ajude a olhar de forma mais geral e abrangente para certos problemas do mundo e ver como é que consigo ajudar a mudar coisas que me parecem importantes. - Gabinete de Imprensa do CNH: Tu és uma mulher de causas! Emília Vieira Branco: Estou a pensar ir em Setembro próximo, trabalhar para o campo de refugiados na Grécia e em Fevereiro de 2018 ingressar na universidade, na Holanda. Carolina Salema: Gosto de Ciências, mas não tenho ideia daquilo que poderá ser o meu futuro. Esta viagem não me ajudou a delinear uma ideia em termos de carreira, mas tornou-me mais apta para tomar uma decisão nesse sentido. Jorge Medeiros: Não estou a pensar ir para a universidade. Vou parar um ano para decidir

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qual o melhor caminho a seguir, mas quase garantidamente vai ser na área da Vela, talvez como capitão de um navio. Quem sabe se poderei estudar na Holanda... Tem escolas fantásticas! Patrocinadores Jorge: - Sail Azores Câmara Municipal da Horta Norberto Diver - Clube Naval da Horta Mútua dos Pescadores Ourivesaria Olímpio Dive Azores Quinta das Buganvílias PneuHorta Espaço X Farmácia Corrêa Famácia Lecoq Monte Carneiro Construções Lda. Doce Delícia Rafael - Construções AeroHorta Turma do Rodeio Restaurante Vítor dos Leitões Restaurante Canto da Doca RATEL (Web Rádio Açoriana) Carolina: - Crowdfunding online - Câmara Municipal da Horta - Clube Naval da Horta - Mútua dos Pescadores Emília: - Flying Sharks - Delta Cafés - Câmara Municipal da Horta - Clube Naval da Horta - Mútua dos Pescadores - Peter Café Sport - Kit do Mar, EMEPC - APORVELA - HortaSub - Excelência Portugal - Farmácia Corrêa - Crowdfunding online Fotografias cedidas por: Emília Vieira Branco, Carolina Salema e Jorge Medeiros

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75 ANOS DA MÚTUA DOS PESCADORES INICIAR AS COMEMORAÇÕES NA TÃO EMBLEMÁTICA CIDADE DA HORTA, É UMA ENORME HONRA

“A Mútua dos Pescadores são os feitos do Madruga, as contribuições do José Rufino e as incríveis histórias do Presidente do Clube Naval da Horta”

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Mútua dos Pescadores – Mútua de Seguros, celebra este ano 75 anos de vida. Na Sessão Comemorativa realizada sábado, dia 3, na cidade da Horta, mais concretamente no Azores Faial Garden - Resort Hotel (antigo Hotel Faial), Ana Teresa Vicente, Diretor-Geral da Mútua, deu as boas vindas, apresentando os elementos que compunham a Mesa de Honra, bem como os dirigentes e trabalhadores do Grupo Mútua, ali presentes. Seguiu-se a intervenção de Jerónimo Teixeira, Presidente da Mútua, que dirigiu a Mesa. Este Responsável dirigiu uma saudação a todos os presentes por terem aceite o convite para, em conjunto, celebrar o 75º Aniversário da Mútua e o 35º Aniversário da mediadora Ponto Seguro, agradecendo, ainda, a presença das diversas entidades, cooperadores, segurados e Órgãos de Comunicação Social. Depois, trouxe à colação um breve apontamento histórico sobre os principais marcos/pessoas da Mútua/Açores. Foi feita uma referência espe-

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cial ao dirigente histórico dos Açores, Genuíno Madruga, ao dirigente Martins Rosa e ao antigo responsável da Mútua dos Açores, Manuel Campos. Em jeito de retrospetiva, Jerónimo Teixeira recordou a inauguração da dependência dos Açores, em Ponta Delgada, a 14 de Março de 1987, tendo lembrado que, em 1997, o Governo Regional e a Mútua acordaram uma forma de regularizar o pagamento dos prémios do Segurpesca por parte dos armadores, com o pagamento de 1/3 pelo Governo Regional, 1/3 pelos armadores e o perdão de 1/3 pela Mútua. O Presidente da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo Silva, falou de improviso, tendo realçado o papel da Mútua nos Açores como sendo uma organização central para a pesca”. O edil destacou “a boa relação” que existe entre o Município e a Mútua dos Pescadores. O Dirigente da Mútua no Faial, Genuíno Madruga, também falou de improviso, tendo o Vice-Presidente, João Delgado, abordado o presente e o

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CLUBE NAVAL DA H futuro desta organização. O último a intervir foi o Secretário Regional do Mar, Gui Menezes. Intervenção de João Delgado, Vice-Presidente da Mútua dos Pescadores Na sua intervenção, o Vice-Presidente da Mútua dos Pescadores (MP), João Delgado, começou por sublinhar que, “em nome do Conselho de Administração era uma enorme honra, iniciar na tão emblemática cidade da Horta as comemorações dos 75 anos de existência da Cooperativa de Utentes de Seguros Mútua dos Pescadores”. E prosseguiu, dizendo: “(…) Minha história é esse nome que carrego comigo (…)” escreveu Chico Buarque de Holanda na música ”Minha História/Gesubambino”. De facto, a nossa história inscreve-se e crava-se no nome que carregamos. A Mútua dos Pescadores também encerra na sua designação o peso da história desenvolvida ao longo destes 75 anos. E é do alto destas sete décadas e meia que a Mútua se permite, com legitimidade, fazer análises longitudinais da história que vão muito para além de modas, de contextos ocasionais ou de conjunturas específicas. No entanto, a Mútua tem sabido nunca renunciar à humildade de saber ouvir e de crescer

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aprendendo a ler o tempo, como se tivéssemos que sair para o mar a cada dia que passa. A Mútua dos Pescadores nasce, em 1942, no âmago da organização corporativa das pescas e no que de mais visceral, demagógico e propagandístico teve o Estado Novo. Era uma época em que se escreviam as mais negras páginas da nossa história recente, interna e externamente, com a ditadura Salazarista e, em simultâneo, com a II Guerra Mundial. Com o advento da Revolução de Abril, vivendo de forma intensa as mudanças económicas, sociais e culturais daí resultantes, a Mútua transformou-se a si própria, como se transformaram os seus dirigentes e trabalhadores. Democratizou a sua gestão e profissionalizou o seu funcionamento; passou a ser gerida por aqueles a quem a sua criação se justificou e por aqueles a quem os seus serviços eram destinados: os Pescadores e Armadores portugueses. Outro dos marcos temporais decisivos na vida da Mútua, que poderia ter ditado o fim daquilo que conhecemos serem hoje os seus hábitos de atuação, e quiçá, da própria existência desta estrutura, foi o ano de 1984, em que uma ilegítima ocupação administrativa por parte do Governo da Republica à época, tentava interrom-

“É pelas pessoas que a Mútua continuará a riscar na areia o rumo da história”

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per o rumo da história. A democracia interna e a vontade dos Pescadores e Armadores voltava a colocar o vagão da história nos carris da governação coletiva, participada e democrática, fazendo chegar a Mútua dos Pescadores como é, até aos dias de hoje. 2004: MP passa a Cooperativa Em 2004, a Mútua dos Pescadores transforma-se em Cooperativa reforçando, ainda mais, os valores humanistas, o compromisso com o bem-estar das pessoas e com a procura incessante por ajudar a satisfazer as necessidades económicas, sociais e culturais dos cooperadores e das suas comunidades. Hoje, a Mútua é líder nos seguros da Pesca Profissional em Portugal e nos seguros das atividades Marítimo-Turísticas no país. E pretende apontar um futuro que signifique que seja a referência nacional dos Seguros do Mar e das frentes ribeirinhas. Não é fácil, como perceberão, resumir, assim, 75 anos de vida numa página composta por cinco ou seis parágrafos. Nestas balizas temporais que nos ajudam a situar no tempo e nos indicam o que de mais central se passou na vida da Mútua, há milhares de vidas dentro; milhares de homens e mulheres que deram e dão o seu melhor na defesa desta identidade e filosofia coletiva que nos mantém a ombrear lado a lado, com estruturas de uma agressividade e desumanização brutais, próprias de um capitalismo feroz, desumanizado e à escala transnacional. O mais importante são as pessoas É o capital humano, este património inalienável e incalculável que faz da Mútua esta organização que se estende de Caminha até ao Corvo. É este capital que não se deslocaliza, não se volatiliza facilmente, nem está cotado em bolsa. Este capital fortalece-se com frontalidade, com lealdade, com sentido de justiça e responsabilidade. Este capital cuida-se e mantém-se, com a proximidade e com a convivialidade salutar que é característica dos bons momentos. Mantém-se com o compromisso e com a presença nos momentos maus. Isto é a Mútua: uma História com gente dentro, redigida a várias mãos.

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A Mútua dos Pescadores são os feitos do Madruga e as contribuições do José Rufino – o grande Baleeiro – secretário de uma direção da casa dos Pescadores da Horta, mesmo não sabendo ler nem escrever. São as incríveis histórias do Presidente do Clube Naval da Horta, José Decq Mota, que nos deixam atónitos, é a singularidade de tantos mestres e pescadores que por aqui encontramos. São as nossas relações com os investigadores do mar dos Açores. São os braços abertos dos Graciosenses que nos esperam para uma sopa de peixe num armazém de pesca. São as palavras difíceis de perceber, para quem vem do continente, proferidas pelos nossos dirigentes de Rabo de Peixe. A Mútua é, também, a voz e o sentimento dos milhares de membros anónimos, que são a grande alma da organização. A Mútua é esta multiplicidade e multiculturalidade. E é exatamente isso que nos tem feito sobreviver e apaixonar por este projeto coletivo. No entanto, e porque queremos reforçar também a nossa ligação à Região Autónoma dos Açores em todos os domínios, só a nossa missão económica, a atividade seguradora nos permitirá continuar a devolver às comunidades, por múltiplas formas, aquilo que estas nos dão em termos de pagamento de prémios, importa referir alguns números que nos indicam o significado dos Açores para a Mútua dos Pescadores em termos comerciais. Algumas referências nacionais: A Mútua dos Pescadores regista 12.872 Apólices ativas, significando, sensivelmente, 8.607 mil euros de prémios. No global, a Pesca representa 71% da atividade da MP enquanto Segurador, a Náutica de Recreio (NR) 14%, o Cluster do mar 10% e o sector cooperativo e social 5%. O produto de seguro com mais peso na Carteira são os Acidentes de Trabalho (AT), com 51%. Temos plena consciência de que é fundamental segurar a atividade profissional com maior sinistralidade no mundo do trabalho e comercializar o ramo mais penalizador, em termos de rentabilidade para a atividade seguradora: os acidentes de trabalho. Pelo que, ainda se acentua mais a função social desta cooperativa de seguros, singular no espetro segurador nacional.

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CLUBE NAVAL DA H Açores para a Mútua dos Pescadores em termos comerciais: Nº de Apólices: 1595 (12,39% do total de apólices da MP) - representa cerca de 1.359 mil euros (15,79% do volume total de prémios da MP). Pesca: 533 apólices (22,31% no global da pesca na MP) - representa 1.033 mil euros. MT: 118 apólices (9,52% do global em MT na MP). Náutica de Recreio: 467 aplolices (9,23% do global em NR). Transporte Marítimo: 15 apólices, representando 5,16% do total de prémios nos Açores. Sinistralidade 2016: Acidentes de Trabalho: 72 processos de sinistro /1 morto a lamentar na empresa de transportes Graciosenses. Em marítimo e multi-riscos habitação: 56 processos de sinistro. “Temos muita margem para crescer nos Açores” Tanto nos resultados comerciais, onde pensamos ter muita margem para crescer aqui nos Açores, fundamentalmente na atividade Marítimo-Turística, na Náutica de Recreio e numa área em que estamos a consolidar a nossa aposta como a contratação pública, designadamente os seguros das autarquias, queremos, também, contribuir para baixar a sinistralidade, fundamentalmente contribuindo para uma maior e melhor formação na área da segurança no mar. Escola do Mar: alavanca de mudança A Escola do Mar dos Açores, nesta e noutras matérias, será uma alavanca fundamental na mudança de procedimentos e na mundivisão dos marítimos. É um projeto que estamos a acompanhar desde o início e no qual depositamos a maior confiança. A par dos resultados comerciais, uma cooperativa que não cuide de fortalecer o seu número de cooperadores não terá, obviamente, o seu futuro assegurado nem segura estará a sua matriz identitária. Se nos Açores temos 1036 tomadores de seguros, que são os titulares das apólices, este nú-

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mero multiplicar-se-á pelas pessoas seguras ao abrigo dessa apólice. Ou seja, se um armador é titular de uma apólice da MP, os seus tripulantes são potenciais cooperadores. Basta que assinem a proposta de cooperador e têm 5 anos para entregar 15 euros à Mútua pelos títulos da cooperativa. Durante esses 5 anos terão todos os direitos associativos assegurados. Caso não regularizem a situação em 5 anos, esses direitos são, naturalmente, retirados. No entanto, importa reforçar que nos Açores existem 640 cooperadores. Representando 12, 93% do universo de cooperadores da Mútua, que se situa em 4.769 cooperadores. Portanto, um dos grandes objetivos do nosso mandato, iniciado em Março último, será duplicar ou triplicar este número. Com a ajuda de todos vós, certamente atingiremos este desiderato. Mútua: mais do que uma seguradora Para finalizar, quero referir que a Mútua estará para o que entenderem poder ser útil. De facto, a Mútua dos Pescadores é muito mais do que uma seguradora, é uma legítima representante do sector marítimo português e da Pesca em particular. A atestar este estatuto, está a nossa presença na Comissão Permanente de Acompanhamento à Segurança dos Homens no Mar, as constantes participações nas comissões parlamentares na Assembleia da República, no Parlamento Europeu, as excelentes relações institucionais que mantemos na defesa dos nossos associados com os governos regionais, com a Lotaçor, com as universidades e os muitos eventos culturais e desportivos que apoiamos nas comunidades marítimas. A dignificação das profissões ligadas ao mar sempre foi um dos grandes objetivos da Mútua. Daí o nosso envolvimento na promoção e reforço da cultura ligada às gentes do mar. A Mútua, mesmo quando todos pareciam querer virar as costas ao mar, nunca o fez. Sempre acreditou nas suas potencialidades pelo conhecimento acumulado ao longo da sua história. Sabíamos, e sabemos tanto do potencial como do que dificulta o seu desenvolvimento. Nunca negligenciando as dificuldades pelo que passam os mais tradicionais sectores produtivos da nossa economia, como é o caso da pesca,

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a Mútua sempre procurou soluções, denunciou e denuncia abusos e injustiças, cria pontes e convergências, pois sabe que a sua existência e longevidade depende desta condicionante relacional entre si própria e a evolução da economia do mar. Queremos, cada vez mais, atuar sobre uma realidade que existe, com todas as suas idiossincrasias e não sobre uma realidade que queremos que exista. Para aferir isto mesmo, a Mútua também está a fazer o seu caminho na investigação deste objeto empírico, que são as comunidades marítimas e o sector das pescas em Portugal. As conclusões apontarão caminhos. Faremos as pontes necessárias para que as propostas surtam efeitos positivos na vida das pessoas. Só elas nos importam e é por elas que con-

tinuamos a riscar na areia o rumo da história da Mútua dos Pescadores. Recusaremos liminarmente o discurso do miserabilismo, sem nunca branquear as dificuldades sentidas pelos profissionais do mar. Até porque, e como escreveu José Carlos Ary dos Santos: Tu sabes quanto fizeste A miséria não segura nem mesmo quando lhe deste A receita da ternura In “Retalhos da vida de um médico” A terminar, atuou o Grupo de Chamarrita, Amigos das Angústias, fundado a 22 de Fevereiro de 2011.

O Grupo de Chamarrita, Amigos das Angústias animou esta Sessão Comemorativa dos 75 Anos de Vida da Mútua dos Pescadores, na cidade da Horta

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ESTATÍSTICA ONLINE DO CLUBE NAVAL DA HORTA Facebook: Página CNH – 7339 gostos Página Atlantis Cup – 1308 gostos Youtube: 153 subscrições 71327 visualizações desde Setembro de 2009 357 vídeos

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diversificada e abundante atividade do Clube Naval da Horta é divulgada, sobretudo, através de suporte digital, chegando a um público muito vasto. Os números partilhados hoje revelam a adesão e o interesse registado pelos conteúdos informativos que, diariamente são produzidos e colocados à disposição dos milhares de leitores e visitantes. A equipa do Gabinete de Informática e Comunicação do Clube Naval da Horta, responsável por este trabalho, congratula-se com os resultados alcançados e tudo fará para que os mesmos continuem em linha ascendente. É, pois, graças a esta confiança mútua que podemos revelar que no início deste mês, o site ultrapassou a fasquia das 100 mil visitas, dados que espelham bem o que se faz e o interesse que o mais dinâmico Clube Naval dos Açores suscita pelo mundo fora. Site CNH: 104498 visitas

Twitter: 306 seguidores Issuu: Revistas online (Atlantis Cup, Ir ao Mar) Estatística desde Junho de 2011 7 seguidores 41 publicações 6124 leituras – nº de vezes que um utilizador abriu uma publicação 82009 impressões – nº de vezes que uma publicação foi mostrada a utilizadores. 7 gostos 36 partilhas Faial Náutico: Canal Meo dedicado a Desportos Náuticos Visualizações: 9,173 Visitantes: 2,943 Favoritos: 60 Número de “gostos”: 59 Visualizações página pública: 2,776 http://kanal.pt/517107 Duração Média das visualizações (hh:mm): 00:11 Tempo total de vídeos: 70 horas Número de vídeos: 680 Vídeos de 2005 a 2017 Estatística desde a criação do canal em 24-042012

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DESDE 1947 PRÉMIO DE EXCELÊNCIA DESPORTIVA 2011 WWW.CNHORTA.ORG

MONTAGEM: ARTUR SIMÕES TEXTOS: CRISTINA SILVEIRA

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Revista mensal sobre a atividade do Clube Naval da Horta

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