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34

Reprodução

Animais selvagens

100

Falhas reprodutivas e seu tratamento em cães – relato de casos

Enfermidades e impactos antrópicos em cetáceos no Brasil

Reproductive failure and its treatment in dogs – report of cases Fallas reproductivas y su tratamiento en perros – relato de casos

Diseases and human impacts in cetaceans in Brazil Enfermedades e impactos antrópicos en cetáceos de Brasil

50

Oncologia

Inibidores de tirosina-quinase no tratamento de mastocitomas cutâneos em cães – revisão Tyrosine kinase inhibitors in the treatment of mast cell tumors in dogs – review Inhibidores de tirosina-quinasa en el tratamiento de mastocitomas cutáneos en perros – revisión

Diagnóstico por imagem 58 Ultrassonografia de pescoço – estudo retrospectivo em cães Neck ultrasonography – retrospective study in dogs La ecografía del cuello – estudio retrospectivo en perros

66

Oftalmologia

Achados histopatológicos do glaucoma em cães e gatos Histopathological findings of canine and feline glaucoma Histopatología del glaucoma en perros y gatos

78

Cardiologia

Valvoplastia percutânea por balão em cão com estenose valvar pulmonar – relato de caso

Errata

No artigo Quimioterapia intralesional com carboplatina no tratamento do carcinoma espinocelular em uma gata – relato de caso, publicado na edição n. 98 de 2012, na página 64, os keywords não foram publicados. São eles: cat diseases, skin neoplasms, antineoplastic protocols

@ Na internet FACEBOOK www.facebook.com/ClinicaVet TWITTER www.twitter.com/ClinicaVet Site ww.revistaclinicaveterinaria.com.br

Percutaneous balloon valvuloplasty in a dog with pulmonary valve stenosis – a case report Valvuloplastia percutánea con balón en un perro con estenosis de válvula pulmonar – relato de caso

Animais selvagens

92

Criação artificial de filhotes de lontra neotropical (Lontra longicaudis) em cativeiro – relato de dois casos

Hand rearing neotropical river otter (Lontra longicaudis) pups in captivity – a report of two cases Cría artificial de cachorros de nutria neotropical (Lontra longicaudis) en cautiverio – relato de dos casos

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Contato Editora Guará Ltda. Dr. José Elias 222 - Alto da Lapa 05083-030 São Paulo - SP, Brasil Central de assinaturas: 0800 891.6943 cvassinaturas@editoraguara.com.br Telefone/fax: (11) 3835-4555 / 3641-6845

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, julho/agosto, 2012


Ecologia

• Em setembro, recomeça o tráfico de filhotes de papagaios • Os países latinoamericanos no tráfico internacional de aves • Observação de aves na América do Sul

14

112

Comportamento

114 116

Salmonella zero nas farinhas de origem animal Aspectos físicos e emocionais decorrentes de maus-tratos

Saúde pública

20

Livros

Medicina veterinária do coletivo

22

Medicina veterinária legal

Cientistas usam droga adaptada para tratar leishmaniose visceral • Saúde animal como promoção de saúde humana em coletividades • Curso FOCA – Formação de Oficiais de Controle Animal

Notícias

24

• Associação Mata Ciliar: há 25 anos preservando a vida • Argentina tem boas opções para estudos e para passeios • Mais de 70 palestrantes na 11ª Conferência Sul-americana de Medicina Veterinária • Criada a Associação Brasileira de Neurologia Veterinária • 2º CIABEV – Búzios - RJ

6

Pet Food

• Guia de Conduta para o médico veterinário • Anestesia Veterinária Novo Código Penal: temos SIM que comemorar!

Lançamentos

• Proteção para as articulações • Suplemento palatável • Cosméticos hair & skin care • Dietas especiais

Guia veterinário - www.guiavet.com.br

Produtos e serviços para o mercado pet e veterinário

Vet Agenda - www.vetagenda.com.br

Eventos nacionais e internacionais ligados à medicina veterinária de pequenos animais e ao mercao pet

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, julho/agosto, 2012

118 120 122 130


A

realização da Rio+20 colocou em evidência temas como o desenvolvimento sustentável e a conservação da natureza para a garantia do futuro das próximas gerações. De forma geral, nota-se como tendência nos consumidores a busca por alternativas naturais, tanto para a saúde quanto para a alimentação. Recentemente, alguns eventos com esse perfil foram realizados na capital paulista: Bio Brazil Fair e Natural Tech; Virada Sustentável e Expo Saúde Alternativa. Uma particularidade presente em todos eles é o potencial para promoção de produtos e serviços, tanto para humanos quanto para animais. A empresa JMA J’adore mes amis, por exemplo, participou da Natural Tech e da Virada Sustentável divulgando sua linha pet care Le Bidou Tea Tree, que possui ingredientes selecionados, como o óleo de melaleuca (tea tree). Além disso, na JMA J’adore mes amis toda a etapa de produção é ausente de qualquer sofrimento animal. Por isso, as embalagens contêm a identificação cruelty free/livre de crueldade. Recentemente, o tema crueldade ganhou destaque na mídia brasileira por meio do Crueldade Nunca Mais, movimento que, no dia 21/05/2012, levou até Brasília 160 mil assinaturas recolhidas em todo o país, em apoio à carta aberta denominada "Pelo Avanço da Proteção Penal ao Meio Ambiente e aos Animais" (http://goo.gl/2g2YZ). Todo os esforços do Crueldade Nunca Mais têm sido vitais para que os crimes contra animais não sejam banalizados. Nessa edição, vários artigos tratam desse tema: em Medicina Veterinária Legal, a dra. Rosana Mortari aborda a evolução e a tendência de como poderão ser penalizados os crimes contra animais; em Comportamento, Ceres Berger Faraco orienta como identificar durante o atendimento clínico os crimes contra animais; em Ecologia, o tráfico de filhotes de papagaio é destaque. No momento atual, é urgente a aprovação de leis que de fato protejam os animais de crueldades e que também possam permitir a segurança e conservação de toda a fauna silvestre. Porém, paralelamente, também é fundamental investir na promoção da educação humanitária, na medicina veterinária do coletivo e na saúde da família moderna, que é constituída por diferentes espécies e por tutores que valorizam os direitos de todos os seres sencientes. De imediato, todos já podem ajudar assinando a petição pelo avanço da proteção penal ao meio ambiente e aos animais: crueldadenuncamais.com.br/assine_a_peticao.php.

Arthur de Vasconcelos Paes Barretto

EDITORES / PUBLISHERS

Arthur de Vasconcelos Paes Barretto editor@editoraguara.com.br CRMV-MG 10.684 - www.crmvmg.org.br

Maria Angela Sanches Fessel cvredacao@editoraguara.com.br CRMV-SP 10.159 - www.crmvsp.gov.br

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EDITORAÇÃO ELETRÔNICA / DESKTOP PUBLISHING Editora Guará Ltda.

CAPA / COVER: Shutterstock Images

Clínica Veterinária é uma revista técnico-científica bimestral, dirigida aos clínicos veterinários de pequenos animais, estudantes e professores de medicina veterinária, publicada pela Editora Guará Ltda. As opiniões em artigos assinados não são necessariamente compartilhadas pelos editores. Os conteúdos dos anúncios veiculados são de total responsabilidade dos anunciantes. Não é permitida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta publicação sem a prévia autorização da editora. A responsabilidade de qualquer terapêutica prescrita é de quem a prescreve. A perícia e a experiência profissional de cada um são fatores determinantes para a condução dos possíveis tratamentos para cada caso. Os editores não podem se responsabilizar pelo abuso ou má aplicação do conteúdo da revista Clínica Veterinária.

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Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, julho/agosto, 2012


CONSULTORES CIENTÍFICOS Adriano B. Carregaro

Clair Motos de Oliveira

Hannelore Fuchs

Leonardo Pinto Brandão

Masao Iwasaki

Alceu Gaspar Raiser

Clarissa Niciporciukas

Hector Daniel Herrera

Leucio Alves

Mauro J. Lahm Cardoso

Alessandra M. Vargas

Cleber Oliveira Soares

Hector Mario Gomez

Luciana Torres

Mauro Lantzman

Alexandre Krause

Cristina Massoco

Hélio Autran de Moraes

Lucy M. R. de Muniz

Michele A. F. A. Venturini

Hélio Langoni

Luiz Carlos Vulcano

Michiko Sakate

Heloisa J. M. de Souza

Luiz Henrique Machado

Miriam Siliane Batista Moacir S. de Lacerda

FZEA/USP

DCPA/CCR/UFSM Endocrinovet FMV/UFSM

FMVZ/USP

ANCLIVEPA-SP EMBRAPA

Salles Gomes C. Empresarial

Alexandre Lima Andrade Daisy Pontes Netto

Instituto PetSmile

Univ. de Buenos Aires EMV/FERN/UAB

Dep. Clin. Sci./Oregon S. U. FMVZ/UNESP-Botucatu

Merial Saúde Animal FMV/UFRPE FMVZ/USP

FMVZ/Unesp-Botucatu FMVZ/Unesp-Botucatu

FMVZ/USP

FALM/UENP

Psicologia PUC-SP ODONTOVET

FMVZ/Unesp-Botucatu

CMV/Unesp-Aracatuba

FMV/UEL

Alexander W. Biondo

Daniel C. de M. Müller

Aloysio M. F. Cerqueira

Daniel G. Ferro

Herbert Lima Corrêa

Marcello Otake Sato

Daniel Macieira

Iara Levino dos Santos

Marcelo A.B.V. Guimarães Monica Vicky Bahr Arias FMVZ/USP

FMV/UEL

Iaskara Saldanha

Marcelo Bahia Labruna

Nadia Almosny

FMVZ/USP

FMV/UFF

Marcelo de C. Pereira

Nayro X. Alencar

FMVZ/USP

FMV/UFF

Marcelo Faustino

Nei Moreira

FMVZ/USP

CMV/UFPR

Marcia Kahvegian

Nilson R. Benites

FMVZ/USP

FMVZ/USP

Márcia Marques Jericó

Nobuko Kasai

UAM e UNISA

FMVZ/USP

Janis R. M. Gonzalez

Marcia M. Kogika

Noeme Sousa Rocha

FMVZ/USP

FMV/Unesp-Botucatu

Jairo Barreras

Marcio B. Castro

Norma V. Labarthe

UNB

FMV/UFFe FioCruz

Jean Carlos R. Silva

Marcio Brunetto

Patrícia Mendes Pereira

FMVZ/USP-Pirassununga

DCV/CCA/UEL

João G. Padilha Filho

Marcio Dentello Lustoza

Paulo César Maiorka

Biogénesis-Bagó Saúde Animal

FMVZ/USP

João Pedro A. Neto

Márcio Garcia Ribeiro

Paulo Iamaguti

FMVZ/Unesp-Botucatu

FMVZ/Unesp-Botucatu

Jonathan Ferreira

Marco Antonio Gioso

Paulo S. Salzo

FMVZ/USP

UNIMES, UNIBAN

José de Alvarenga

Marconi R. de Farias

Paulo Sérgio M. Barros

Jose Fernando Ibañez

Maria Cecilia R. Luvizotto Pedro Germano

José Luiz Laus

M. Cristina F. N. S. Hage Pedro Luiz Camargo FMV/UFV

DCV/CCA/UEL

José Ricardo Pachaly

Maria Cristina Nobre

Rafael Almeida Fighera

José Roberto Kfoury Jr.

M. de Lourdes E. Faria

Rafael Costa Jorge

Juan Carlos Troiano

Maria Isabel M. Martins

Regina H.R. Ramadinha

Juliana Brondani

M. Jaqueline Mamprim

Renata Navarro Cassu

Juliana Werner

Maria Lúcia Z. Dagli

Renée Laufer Amorim

Julio C. C. Veado

Marion B. de Koivisto

Ricardo Duarte

Julio Cesar de Freitas

Marta Brito

Ricardo G. de C. Vilani

Karin Werther

Mary Marcondes

Ricardo S. Vasconcellos

UFPR, UI/EUA UFF

Ana Claudia Balda FMU, Hovet Pompéia

Ana P. F. L. Bracarense DCV/CCA/UEL

André Luis Selmi

Anhembi/Morumbi e Unifran

Angela Bacic de A. e Silva FMU

Antonio M. Guimarães DMV/UFLA

Aparecido A. Camacho FCAV/Unesp-Jaboticabal

A. Nancy B. Mariana FMVZ/USP

Arlei Marcili ICB/USP

Aulus C. Carciofi

FCAV/Unesp-Jaboticabal

UFSM/URNERGS

ODONTOVET

ODONTOVET

Koala H. A. e Inst. Dog Bakery

FMV/UFF

Denise T. Fantoni FMVZ/USP

Dominguita L. Graça FMV/UFSM

Edgar L. Sommer PROVET

Edison L. P. Farias UFPR

Eduardo A. Tudury DMV/UFRPE

Elba Lemos FioCruz-RJ

Elisangela de Freitas FMVZ/Unesp-Botucatu

Fabiano Montiani-Ferreira

Aury Nunes de Moraes Ayne Murata Hayashi

DMV/UFRPE

Benedicto W. De Martin

FEJAL/CESMAC/FCBS

Berenice A. Rodrigues

DCV/CCA/UEL

Camila I. Vannucchi

FMVZ/USP

Carla Batista Lorigados

Provet

Carlos Alexandre Pessoa

Univ. Estácio de Sá

FMVZ/USP

FMVZ/USP; IVI

Médica veterinária autônoma FMVZ/USP FMU

Médico veterinário autônomo

Carlos E. S. Goulart FTB

Carlos Roberto Daleck FCAV/Unesp-Jaboticabal

Cassio R. A. Ferrigno FMVZ/USP

Ceres Faraco FACCAT/RS

Fabiano Séllos Costa Fernando C. Maiorino Fernando de Biasi Fernando Ferreira Flávia R. R. Mazzo

FMV/UFF

James N. B. M. Andrade FMV/UTP

Jane Megid

FMVZ/Unesp-Botucatu

FioCruz

UFRPE, IBMC-Triade

FCAV-Unesp-Jaboticabal UAM

Odontovet

FMVZ/USP

FALM/UENP

UNIPAR

Francisco J. Teixeira N.

FMVZ/USP

FMVZ/Unesp-Botucatu FMVZ/Unesp-Botucatu

F. Marlon C. Feijo UFERSA

Franz Naoki Yoshitoshi Provet

Cibele F. Carvalho

Gerson Barreto Mourão

ICB/UFMG

FMVZ/Unesp-Botucatu

FMVZ/UFMG

DMV/UFLA

ESALQ/USP

UBA

Lab. Werner e Werner

Geraldo M. da Costa

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Ismar Moraes

Flavio Massone

Christina Joselevitch UNICSUL

UFLA

FCAV/Unesp-Jaboticabal

César A. D. Pereira IP/USP

Idael C. A. Santa Rosa

Flavia Toledo

Geovanni D. Cassali

UAM, UNG, UNISA

Provet, Lab. Badiglian

FMV/UEL

FMV/UFPR

UESC

FMV/UFRRJ

UEL

FCAV/Unesp-Jaboticabal

FMVZ/Unesp-Botucatu FM/UFTO

PUC-PR

CMV/Unesp-Aracatuba

FMV/UFF

VCA/SEPAH

DCV/CCA/UEL

FMVZ/Unesp-Botucatu FMVZ/USP

CMV/Unesp-Araçatuba FMVZ/USP

CMV/Unesp-Araçatuba

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, julho/agosto, 2012

FMV/UEL UNIUBE

FMVZ/USP FSP/US

FMV/UFSM

Hovet Pompéia FMV/UFRRJ

Unoeste-Pres. Prudente FMVZ/Unesp-Botucatu Hovet Pompéia UFPR

CAV/UDESC


Rita de Cassia Garcia FMV/USP

Rita de Cassia Meneses IV/UFRRJ

Rita Leal Paixão FMV/UFF

Robson F. Giglio

Hosp. Cães e Gatos; Unicsul

Rodrigo Gonzalez

FMV/Anhembi-Morumbi

Rodrigo Mannarino FMVZ/Unesp-Botucatu

Ronaldo C. da Costa CVM/Ohio State University

Ronaldo G. Morato CENAP/ICMBio

Rosângela de O. Alves EV/UFG

Rute C. A. de Souza UFRPE/UAG

Ruthnéa A. L. Muzzi DMV/UFLA

Sady Alexis C. Valdes ICBIM/UFU

Sheila Canavese Rahal FMVZ/Unesp-Botucatu

Silvia E. Crusco UNIP/SP

Silvia Neri Godoy UICMBio Sede

Silvia R. G. Cortopassi FMVZ/USP

Silvia R. R. Lucass FMVZ/USP

Silvio A. Vasconcellos FMVZ/USP

Silvio Luis P. de Souza FMVZ/USP, UAM

Simone Gonçalves Hemovet/Unisa

Stelio Pacca L. Luna FMVZ/Unesp-Botucatu

Suely Nunes E. Beloni DCV/CCA/UEL

Tilde R. Froes Paiva FMV/UFPR

Valéria Ruoppolo

Int. Fund for Animal Welfare

Vamilton Santarém Unoeste

Vania M. de V. Machado FMVZ/Unesp-Botucatu

Viviani de Marco

UNISA, Hosp. Vet. Pompéia

Wagner S. Ushikoshi

FMV/UNISA e FMV/CREUPI

Zalmir S. Cubas Itaipu Binacional

Instruções aos autores Artigos científicos inéditos, como trabalhos de pesquisa, revisões de literatura e relatos de caso, enviados à redação são avaliados pela equipe editorial. Em face do parecer inicial, o material é encaminhado aos consultores científicos. A equipe decidirá sobre a conveniência da publicação, de forma integral ou parcial, encaminhando ao autor sugestões e possíveis correções. Relatos de casos são utilizados para apresentação de casos de interesse, quer seja pela raridade, evolução inusitada ou técnicas especiais, que são discutidas detalhadamente. Revisões são utilizadas para o estudo aprofundado de informações atuais referentes a um determinado assunto, a partir da análise criteriosa dos trabalhos de pesquisadores de todo o meio científico, publicados em periódicos de qualidade. Uma revisão deve apresentar no máximo até 15% de seu conteúdo provenientes de livros e no máximo 20% de artigos com mais de dez anos de publicação. Trabalhos de pesquisa são utilizados para apresentar resultados, discussões e conclusões de pesquisadores que exploram fenômenos ainda não completamente conhecidos ou estudados. Nesses trabalhos, o bemestar animal deve sempre receber atenção especial. Para a primeira avaliação, os autores devem enviar pela internet (revistaclinicaveterinaria.com.br/concurso) um arquivo texto (.doc) com o trabalho, acompanhado de imagens digitalizadas em formato .jpg . As imagens digitalizadas devem ter, no mínimo, resolução de 300 dpis na largura de 9cm. Se os autores não possuírem imagens digitalizadas, devem encaminhar pelo correio ao nosso departamento de redação cópias das imagens originais (fotos, slides ou ilustrações – acompanhadas de identificação de propriedade e autor). Devem ser enviadas tambem a identificação de todos os autores do trabalho (nome completo por extenso, RG, CPF, endereço residencial com cep, telefones e email). Além dos nomes completos, devem ser informadas as instituições às quais os autores estejam vinculados, bem como seus títulos no momento em que o trabalho foi escrito. Todos os artigos, independentemente da sua categoria, devem ser redigidos em língua portuguesa e acompanhados de versões em língua inglesa e espanhola de: título, resumo (de 700 a 800 caracteres) e unitermos (3 a 6). Os títulos devem ser claros e ser grafados em letras minúsculas – somente a primeira letra da primeira palavra deve ser grafada em letra maiúscula. Os resumos devem ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões, de forma concisa, dos pontos relevantes do trabalho apresentado. Os unitermos não devem constar do título. Devem ser dispostos do mais abrangente para o mais específico (eg, “cães, cirurgias, abcessos, próstata). Verificar se os unitermos escolhidos constam dos “Descritores em Ciências de Saúde” da Birem (http://decs.bvs.br/). Revisões de literatura não devem apresentar o subtítulo “Conclusões”. Sugere-se “Considerações finais”. Não há especificação para a quantidade de páginas, dependendo esta do conteúdo explorado. Os assuntos devem ser abordados com objetividade e clareza, visando o público leitor – o clínico veterinário de pequenos animais. Utilizar fonte arial tamanho 10, espaço simples e uma única coluna. As margens superior, inferior e laterais devem apresentar até 3cm. Não deixar linhas em

branco ao longo do texto, entre títulos, após subtítulos e entre as referências. No caso de todo o material ser remetido pelo correio, devem necessariamente ser enviados, além de uma apresentação impressa, uma cópia em CD-rom. Imagens como fotos, tabelas, gráficos e ilustrações não podem ser cópias da literatura, mesmo que seja indicada a fonte. Devem ser utilizadas imagens originais dos próprios autores. Imagens fotográficas devem possuir indicação do fotógrafo e proprietário; e quando cedidas por terceiros, deverão ser obrigatoriamente acompanhadas de autorização para publicação e cessão de direitos para a Editora Guará (fornecida pela Editora Guará). Quadros, tabelas, fotos, desenhos, gráficos deverão ser denominados figuras e numerados por ordem de aparecimento das respectivas chamadas no texto. Imagens de microscopia devem ser sempre acompanhadas de barra de tamanho e nas legendas devem constar as objetivas utilizadas. Evitar citar comentários que constem das introduções de trabalhos de pesquisa para não incorrer em apuds. Procurar se restringir ao "Material e métodos" e às "Conclusões" dos trabalhos. Sempre buscar pelas referências originais consultadas por esses autores. As referências serão indicadas ao longo do texto apenas por números sobrescritos ao texto, que corresponderão à listagem ao final do artigo – autores e datas não devem ser citados no texto. Esses números sobrescritos devem ser dispostos em ordem crescente, seguindo a ordem de aparecimento no texto, e separados apenas por vírgulas (sem espaços). Quando houver mais de dois números em sequência, utilizar apenas hífen (-) entre o primeiro e o último dessa sequência, por exemplo cão 1,3,6-10,13. A apresentação das referências ao final do artigo deve seguir as normas atuais da ABNT 2002 (NBR 10520). Utilizar o formato v. para volume, n. para número e p. para página. Não utilizar “et al” – todos os autores devem ser relacionados. Não abreviar títulos de periódicos. Sempre utilizar as edições atuais de livros – edições anteriores não devem ser utilizadas. De modo geral, não serão aceitos apuds, somente sendo utilizados para literatura não localizada e obras antigas de difícil acesso. As citações de obras da internet devem seguir o mesmo procedimento das citações em papel, apenas com o acréscimo das seguintes informações: “Disponível em: <http://www.xxxxxxxxxxxxxxx>. Acesso em: dia de mês de ano.” Somente utilizar o local de publicação de periódicos para títulos com incidência em locais distintos, como, por exemplo: Revista de Saúde Pública, São Paulo e Revista de Saúde Pública, Rio de Janeiro. De modo geral, não são aceitas como fontes de referência periódicos ou sites não indexados. Não utilizar SID, BID e outros. Escrever por extenso “a cada 12 horas”, “a cada 6 horas” etc. Com relação aos princípios éticos da experimentação animal, os autores deverão considerar as normas do SBCAL (Sociedade Brasileira de Ciência de Animais de Laboratório). Informações referentes a produtos utilizados no trabalho devem ser apresentadas em rodapé, com chamada no texto com letra sobrescrita ao princípio ativo ou produto. No rodapé devem constar o nome comercial, fabricante, cidade e estado. Para produtos importados, informar também o país de origem, o nome do importador/distribuidor, cidade e estado.

Revista Clínica Veterinária / Redação Rua dr. José Elias 222 CEP 05083-030 São Paulo - SP cvredacao@editoraguara.com.br

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ECOLOGIA

Em setembro, recomeça o tráfico de filhotes de papagaios

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www.sosfauna.org

o cerrado brasileiro, a partir dos últimos dias do mês de agosto, tem início a eclosão de ovos da espécie Amazona aestiva, popularmente conhecida como papagaio-verdadeiro, papagaio-curau ou papagaio-trombeteiro. Historicamente, sabe-se que grande número desses filhotes nascidos no cerrado são coletados, inescrupulosamente, diretamente em seus ninhos quando ainda são recém-nascidos, sendo transportados e traficados nos grandes centros urbanos, os maiores pólos receptores. Até fevereiro de 1998, antes da vigência da nova lei dos crimes ambientais – Lei Federal n. 9.605 de 12 de fevereiro de 1998 –, a lei que vigorava em relação os crimes contra nossa fauna silvestre era a Lei Federal n. 5.197 de 3 de janeiro de 1967. A lei n. 5.197 tratava das penas em relação aos crimes contra a fauna silvestre de maneira muito mais rígida, sendo que estas eram de reclusão (regime fechado) e os crimes inafiançáveis. Com a chegada da Lei n. 9.605, em fevereiro de 1.998, tais crimes, por meio do Art. 29 desta lei, tiveram as penalidades amainadas e ainda enquadraram-se na Lei 9.099 de 26 de setembro de 1.995, dos Juizados Especiais Criminais, passando a ser considerados como crimes de menor potencial ofensivo. Tal fato, no decorrer dos anos, foi se tornando de amplo conhecimento entre as pessoas que operavam no comércio ilegal de fauna silvestre em nosso país, e a informação de que não havia possibilidade de serem presos em regime fechado – reclusão – se espalhou entre os praticantes desta atividade criminosa, fomentando ainda mais o cruel e ilegal comércio de animais da nossa fauna silvestre. No ano de 2007, em trabalho realizado pela Sétima Delegacia Seccional de Polícia de São Paulo – Itaquera – e com apoio da Organização Não Governamental SOS Fauna, pela primeira vez após 1998 – e com a participação

www.sosfauna.org

N

Filhotes de Amazona aestiva vítimas do tráfico de aves

do Poder Judiciário Paulista na autorização da implantação de escutas telefônicas em praticantes desta atividade ilegal sob suspeita da prática conjunta e contínua entre mais de três pessoas, ou seja, pelo menos quatro –, foi possível levar à prisão, em regime fechado, mais de dez pessoas envolvidas no comércio ilegal de espécimes da fauna silvestre brasileira, em razão do crime previsto no Art. 288 do Código Penal Brasileiro – FORMAÇÃO DE BANDO OU QUADRILHA para o comércio ilegal de espécimes da fauna silvestre brasileira. Tal fato tirou de circulação da região metropolitana de São Paulo elementos que praticavam o comércio ilegal de nossa fauna silvestre em proporções consideráveis em relação ao número de animais traficados. Infelizmente, tais estratégias policiais

É crucial dar atencão imediata à questão dos animais apreendidos. A alimentação com sonda e a prevenção contra qualquer tipo de estresse são condutas que exigem pessoal capacitado e levam à mortalidade quando não praticadas

também começaram a ser percebidas por pessoas envolvidas no tráfico de animais silvestres, notando-se, então, que por parte destes já havia certa cautela quando da negociação com outras pessoas envolvidas no mesmo crime. Além disso ficou mais difícil detectar os diálogos telefônicos, devido à facilidade que os envolvidos têm de adquirir novos números de celulares e de trocálos constantemente. Para trazer mais problemas e contribuir ainda mais com a degradação de nossa biodiversidade, em julho de 2011 ocorreu uma alteração no Código de Processo Penal Brasileiro, pela qual os crimes com penas previstas inferiores a quatro anos dariam ao agente, sob fiança, o direito de responder aos delitos em liberdade. Tal alteração no Código de Processo Penal teve efeito retroativo, e

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uma das grandes quadrilhas que operavam o tráfico de animais silvestres nos Estados de São Paulo e do Mato Grosso do Sul teve seus elementos colocados em liberdade apenas quatro dias depois da alteração no Código de Processo Penal. O presidente da ONG Sos Fauna destaca que “a possibilidade de levar à prisão um grupo de pessoas que cometa crimes contra a nossa fauna silvestre se torna algo praticamente impossível de acontecer no Brasil, em consequência de sua legislação extremamente flácida, que fomenta de forma explícita, inaceitável e revoltante o tráfico de animais silvestres em qualquer ponto do território brasileiro”. Estima-se que, anualmente, pelo menos 12 mil filhotes são retirados somente do Estado de Mato Grosso do Sul para atender, principalmente, ao comércio ilegal nas regiões metropolitanas dos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro. Nessa estimativa não está sendo contabilizada a retirada de filhotes que também ocorre nos Estados de Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Minas Nome vulgar

Gerais e oeste do Estado da Bahia. Projeto De Volta pra Casa Em 2006, uma barreira policial interceptou na Rodovia Presidente Castelo Branco, município de Quadra – SP, um veículo contendo em seu portamalas CENTO E NOVENTA E DOIS filhotes da espécie papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva). Desse total, 72 filhotes foram encaminhados e ficaram sob a guarda da SOS Fauna, que há quase seis anos os vem mantendo em condições de bemestar e dedicando-se para alcançar o objetivo de reintroduzi-los, pois foi possível, por meio de intensa investigação, localizar a origem geográfica de coleta dos filhotes. Desde 2008 essas aves já poderiam ter sido reintroduzidas, mas isso foi impedido devido às dificuldades impostas pelo próprio sistema. Porém, a reintrodução está próxima e informações atuais podem ser acompanhadas pela página da SOS Fauna: www.sosfauna.org . É importante destacar todo esse empenho porque a maioria dos animais silvestres apreendidos – mais de 95%

Nome científico

Papagaio-verdadeiro Amazona aestiva Periquito-de-encontro-amarelo Brotogeris chiriri Periquito-estrela Aratinga aurea Periquitão-maracanã Aratinga leucophthalma Tucano-toco Ramphastos toco TOTAL DE AVES PREVISTAS PARA SOLTURA

Nº de espécimes previstos 80 24 6 2 2 114

Projeto De Volta pra Casa: espécies e números de espécimes previstos para reintegração em vida livre no bioma de cerrado

são aves – não regressa à natureza e, principalmente, não às suas regiões geográficas de origem. Muitos são encaminhados a criadores comerciais e conservacionistas, principalmente quando se trata de espécies de interesse destes, tanto para reprodução em cativeiro quanto para enriquecer plantéis, salvo raros e isolados casos. Tal fato gera no Poder Público uma espécie de acomodação, ou seja, já que há quem receba esses animais, porque se preocupar com o regresso à natureza? Soma-se o fato de que solturas realizadas com embasamento científico têm custos bastante elevados. Esta realidade não afeta somente os espécimes apreendidos, mas também causa danos aos ecossistemas aos quais pertenciam, pela ausência dos mesmos no cumprimento de suas respectivas funções ecológicas. Detalhamento do Projeto De Volta pra Casa 1. Avaliação de vôo e comportamento (Juquitiba – SP): Todos os indivíduos estão aptos à soltura e não apresentam sinais de humanização. Os indivíduos da espécie Amazona aestiva, durante o tempo de cativeiro, desenvolvem vôo todos os dias, em recinto com 14 metros de comprimento, tendo a musculatura em perfeitas condições para vôos absolutamente seguros de ponto a ponto, inclusive, pelo nível de força muscular de todos eles, praticamente pode-se assegurar que não terão problemas em realizar trânsitos aéreos de ponta a ponta superiores a centenas de metros. Em nenhum momento durante o cativeiro, salvo nos momentos de tratamento, estes papagaios

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, julho/agosto, 2012

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ECOLOGIA

tiveram contato frequente com humanos, apresentando, hoje principalmente face à época do período reprodutivo, nível de agressividade bastante elevado. O restante dos indivíduos, psitacídeos das espécies Aratinga aurea, Aratinga leucophthalma e Brotogeris chiriri, apresentam bom vôo, observado nos últimos dois anos, e força muscular compatível com a espécie, além de bom nível de agressividade e nenhum sinal de humanização. Os dois indivíduos da espécie Ramphastos toco não apresentam nenhum sinal de humanização e têm elevado nível de agressividade. Conseguem realizar vôos ascendentes de subida ao poleiro com inclinação média de 45 a 65 graus, por distância de cerca de dois metros sem nenhuma dificuldade. 2. Avaliação das condições sanitárias antecedentes à soltura: As aves participantes do programa de soltura vêm sendo mantidas em condições sanitárias adequadas desde sua apreensão, contando com manejo diário de limpeza e acompanhamento veterinário, não apresentando problemas clínicos durante o tempo em que estão na SOS FAUNA. 3. Sistema de marcação: Todas as aves serão identificadas com sistema de marcação desenvolvido pela SOS FAUNA e também receberão anilhas de aço numeradas e com o telefone de contato da SOS FAUNA. 4. Recintos de ambientação e soltura: Indivíduos da espécie Amazona aestiva serão acomodados em recinto modular em tela de alambrado fio 14, de 8 metros de comprimento, 3 metros de largura e 3 metros de altura, tendo volume total de 72 metros cúbicos. O recinto foi montado a 285 metros das edificações da unidade, tendo em suas duas extremidades, de quem olha dos alojamentos para o mesmo, árvores dormitórios, de folhagem relativamente densa, e ao fundo mais um grupo de quatro árvores semelhantes, sendo que mais ao fundo, a cerca de aproximadamente 120 metros do recinto, tem início uma pequena mata composta de vegetação 14

nativa do cerrado, com inúmeras árvores que também podem servir de dormitório. A localização do recinto tem boa exposição ao sol e excelente ventilação. O recinto disponibilizará poleiros balançáveis, compatíveis com o diâmetro dos galhos que normalmente as aves encontrarão em vida livre e com a condição destes, além de uma pequena árvore de pequizeiro em uma das extremidades. Também há proteções para as aves e para a alimentação em cativeiro. Indivíduos da espécie Aratinga aurea, Aratinha leucophtalma e Brotogeris chiriri utilizarão um recinto modular com peças de 3 metros de altura, 1 de largura e 3 de comprimento. 5. Alimentação em cativeiro, durante ambientação: As aves receberão tratamento diário. De forma gradual e sob monitoramento e avaliação, serão oferecidos na dieta alimentar das aves itens que são encontrados em vida livre de acordo com a sazonalidade, até que componham pelo menos dois terços da alimentação antecedente à soltura. Os alimentos serão apresentados na sua forma natural, não se retirando cascas, talos, folhas e espinhos. Os outros itens referentes à alimentação permanecerão os mesmos utilizados enquanto estiveram em cativeiro, tendo como principais itens maçã, banana, laranja, mangas e sementes de girassol, em quantidade reduzida. 6. Soltura: A soltura será realizada na aurora, em dia de sol, no período pós-reprodutivo, observando-se que neste o nível de agressividade, tanto dos indivíduos de vida livre como dos objeto da soltura, cai, diminuindo a possibilidade de agressões entre estes. A soltura ocorrerá em período não inferior a trinta dias após a chegada das aves à fazenda/área de soltura. Comedouros serão dispostos no entorno do recinto de soltura, com distâncias variáveis entre 5 e 150 metros, sendo que os de menores distâncias devem permanecer no campo visual das aves, estimulando a saída destas em busca de alimento no dia da soltu-

ra. Outros estarão localizados próximos a grupos de árvores que podem servir de dormitórios iniciais e área de descanso, com distâncias que vão de 10 metros do recinto até cerca de 50 a 200 metros deste. 7. Pós-soltura e monitoramento: O monitoramento das aves ocorrerá duas vezes ao dia, iniciando-se no amanhecer por um período médio de três horas e continuando ao entardecer, cerca de três horas antes do término da luz solar. Terá início no ponto de recinto de soltura em direção aos arredores, obedecendo distâncias em acordo com a ocupação dos indivíduos a partir do início de vida livre. A forma de monitoramento, o curso das tarefas, sempre documentadas (fotografias, vídeos e anotações), serão moldados em função do comportamento das aves em vida livre, buscando a maior quantidade de informações possível e os processos que se tornarem necessários para que a reintegração à natureza possa ser realizada com sucesso. Nos primeiros trinta dias a alimentação suplementar será oferecida duas vezes ao dia, podendo ser alterada de acordo com a avaliação do comportamento alimentar dos espécimes, deslocamentos ou permanência próximo ao ponto de soltura. Posteriormente ao período inicial da soltura, ou seja, após os 30 dias, o oferecimento de alimentação suplementar se dará em função das atividades das aves em vida livre, podendo prolongar-se por mais alguns meses. Cabe lembrar que este grupo de Amazona aestiva teve pouco contato com a espécie humana, e nenhum indivíduo imita voz humana, pois estão sob os cuidados da SOS Fauna desde filhotes e o contato humano com os mesmos foi sempre em silêncio e durante o menor tempo possível. Tais pontos acabam por favorecer o processo de regresso à vida livre em comparação com grupos que tiveram suas apreensões originadas em residências, cujas aves têm contato constante com a espécie humana, imitam sua voz e são mansas. Espera-se que a maior dispersão das aves comece a ocorrer a partir dos primeiros 60 a 90 dias.

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ECOLOGIA

Os países latinoamericanos no tráfico internacional de aves

A

maioria dos países latinoamericanos possui espécies de aves que estão na lista do tráfico internacional. No Peru, por exemplo, os psitacídeos são protegidos pelo Decreto Supremo n. 034-2004-AG (Aprueban categorización de especies amenazadas de fauna silvestre y prohíben su caza, captura, tenencia, transporte o exportación con fines comerciales). A lista completa das espécies ameaçadas no Peru está disponível no sítio web do governo: www.sernanp.gob.pe/sernanp/archivos/imagenes/vida/listado%20fauna %20amenazada.pdf . Por enquanto, o canário-da-terra peruano (Sicalis flaveola valida) não faz parte da lista de espécies ameaçadas no Peru e isso facilita o movimento do tráfico internacional dessa espécie para o Brasil. Em abril desse ano, operação da Polícia Federal (PF) desarticulou quadrilha internacional de tráfico de aves. Segundo Marlon Jefferson de Almeida, superintendente da PF em Pernambuco, o grupo poderia ter traficado até 60 mil animais por ano. A Bolívia, por sua vez, possui parques naturais que abrigam um total de 10 espécies de araras. No entanto,

quatro delas enfrentam sérias ameaças para sua conservação devido à perda de habitat e tráfico. Na Argentina, a espécie Rey del Bosque (Pheucticus aureoventris) está em franca diminuição, consequência tanto da captura indiscriminada que sofre como da modificação de seus ambientes. Na América Latina, apesar de muitas aves

estarem protegidas pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES), na prática isso ainda não acontece.

O DEPAVE e o Parque Ecológico do Tietê se recusaram a receber mais de 1.000 canários (Sicalis flaveola valida), fruto de apreensões no primeiro semestre de 2012. Acabaram ficando sob a guarda da SOS Fauna. Há anos a ONG não recebe nenhuma ajuda governamental e conta com doações e vendas dos bazares que realiza. Confira a enorme variedade de itens a preços abaixo do mercado: www.sosfauna.meubox.com.br

Documento emitido pelo Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo destaca a preocupação com a nossa fauna silvestre em função da dispersão nacional da espécie exótica Sicalis flaveola valida

Recinto criado pelo SOS Fauna para receber canários-da-terra peruanos (Sicalis flaveola valida)

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ECOLOGIA

Observação de aves na América do Sul

N

o Brasil, há alguns anos vem sendo realizado na cidade de São Paulo evento focado na difusão da prática de observação de aves: o Avistar. Além de palestras com diversos especialistas, o evento promove uma feira e atividades de educação ambiental para crianças, entre outras atividades. Este ano o Avistar começou a avançar um pouco mais. Além de realizar tradicionalmente o evento em São Paulo, também foi para a cidade do Rio de Janeiro com o nome de Avistar Rio – a primeira edicão do Encontro Brasileiro de Observação de Aves no Rio de Janeiro. A observação de aves também é bem difundida em outros países da América Latina. Na Argentina, o site Aves Patagonia (www.avespatagonia.com) promove viagens para observação de aves e já está com data agendada para saídas a campo antes e

depois de evento anual focado na observação de aves: a South America Bird Fair / Feria de Aves Sudamérica de www.feriadeaves.com.ar, que ocorrerá em novembro, em San Martín de los Andes, Patagônia, Argentina. No Chile a observação de aves conta com uma wikiaves.com.br - Sítio de conteúdo interativo, excelente ferramenta, o direcionado à comunidade brasileira de observaAtlas das aves nidifican- dores de aves, com o objetivo de apoiar, divulgar e tes do Chile – Guia do promover a atividade de observação de aves, forobservador, desenvolvido necendo gratuitamente ferramentas avançadas para pela Red de Observadores controle de fotos, sons, textos, identificação de espéde Aves y Vida Silvestre de cies, comunicação entre observadores, entre outras Chile (ROC). O projeto teve início em agosto de 2011 e o seu desenvolvimento permitirá avançar no conhecimento da distribuição, população e ameaças que experimentam as mais de 300 espécies de aves que se reproduzem no Chile.

Atlas de las aves nidificantes de Chile – Guía del observador

www.avespatagonia.com 18

www.redobservadores.cl/CENSOS/ATLAS-GUIA-DELOBSERVADOR.pdf Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, julho/agosto, 2012


SAÚDE PÚBLICA

Cientistas usam droga adaptada para tratar leishmaniose visceral m fármaco empregado na clínica U veterinária para tratar determinadas parasitoses demonstrou alta eficá-

cia para o tratamento de leishmaniose visceral em modelos animais, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. O estudo mostrou que a buparvaquona teve eficácia semelhante à do medicamento padrão utilizado contra a leishmaniose, mas com dose 150 vezes menor. De acordo com o coordenador da pesquisa, André Gustavo Tempone, do Instituto Adolfo Lutz, já se sabia que a buparvaquona é um dos fármacos mais ativos contra a leishmania no modelo in vitro, mas sua ação nunca havia sido reportada em modelos in vivo. “Há grande expectativa de que esses resultados levem a futuros testes em humanos, pois o medicamento já se mostrava muito eficaz em testes in vitro. Só que em modelos animais sua ação era muito limitada, pois havia um gargalo: a droga não chegava ao fígado e ao baço do animal, que é onde ocorre a infecção pela leishmania”, disse Tempone à Agência FAPESP. Para driblar o gargalo, os pesquisadores utilizaram lipossomas – vesículas esféricas utilizadas para dirigir o fármaco de forma controlada com maior precisão à célula infectada. “Com o carreador lipossomal, conseguimos pela primeira vez demonstrar que é possível utilizar o medicamento para tratar a leishmaniose visceral”, destacou. A pesquisa foi realizada no âmbito do projeto “Combinações terapêuticas na leishmaniose visceral: o potencial anti-leishmania de bloqueadores de canais de cálcio e o uso de nanoformulações lipossomais”, que teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular e foi encerrado em julho de 2011. O estudo faz parte também da pesquisa de doutorado de Sandra Reimão, realizada com bolsa da FAPESP sob a orientação de Tempone. Além de

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Reimão e Tempone, participaram do artigo os pesquisadores Fábio Colombo e Vera Pereira-Chioccola – todos do Departamento de Parasitologia do Instituto Adolfo Lutz. Atualmente, Tempone coordena o projeto “From trypanosomes to Leishmania: novel drug candidates for the treatment of neglected parasitic diseases”, apoiado no âmbito do acordo de cooperação científica FAPESPKing's College London. Fórmula mais simples Segundo Tempone, o novo trabalho é especialmente importante por se tratar de um estudo de adaptação de fármacos já existentes. “Esse tipo de estudo – conhecido como piggy-back chemotherapy –, embora não traga inovação no aspecto de descoberta de novas drogas, é importante do ponto de vista da saúde pública devido à possibilidade de colocar fármacos no mercado com mais rapidez. Como se trata de uma droga que já está no mercado, podemos dispensar, por exemplo, os testes de toxicidade. Começamos assim a desenvolver a nova aplicação a partir de uma fase mais avançada”, explicou. A buparvaquona, segundo ele, é uma droga de uso clínico veterinário empregada contra uma parasitose, principalmente na Europa. Sua atividade antileishmania foi revelada pela primeira vez em um estudo publicado em 1992. No entanto, os testes na ocasião foram feitos com a leishmaniose visceral provocada pela Leishmania donovani – o parasita predominante em países como a Índia. No Brasil, predomina a Leishmania chagasi. “Essa droga foi perseguida por muitos anos pelo pessoal da área de parasitologia, que a tentava fazer funcionar, pois ela mostrava alta eficiência in vitro. O ineditismo da nossa contribuição consistiu em fazer a droga funcionar em modelos animais com a ajuda dos lipossomas”, contou Tempone. Os pesquisadores utilizaram lipos-

Fonte: Agência Fapesp por Fábio Castro http://agencia.fapesp.br/15133

somas convencionais – e não nanolipossomas – para que a formulação fosse mais simples. “Pensamos nas necessidades da indústria, que poderá no futuro produzir a droga. Por isso, tivemos a preocupação de fazer a formulação mais simples possível, para facilitar o escalonamento”, disse. A formulação utilizada incluiu o uso de um fosfolipídio modificado que confere um direcionamento maior para a célula hospedeira, que na leishmaniose é o macrófago, presente no fígado e baço do animal. “Utilizamos modelos de hamsters infectados com a Leishmania chagasi. Essa formulação lipossomal levou a droga ao fígado e ao baço dos animais. Ela mostrou que pode reduzir em 89% a carga parasitária no baço e em 67% a carga de parasitas no fígado. O mais importante, no entanto, é que para conseguir a mesma eficácia do glucantime – que é a droga padrão contra a leishmaniose – utilizamos uma dose 150 vezes menor. Graças à tecnologia de PCR em tempo real, os pesquisadores conseguiram utilizar a biologia molecular como ferramenta no laboratório. “Utilizando a PCR em tempo real, conseguimos quantificar de forma precisa a ação de uma droga no modelo animal. Isso tem facilitado muito nossos estudos sobre novos fármacos”, disse Tempone. A partir de agora, os pesquisadores trabalharão em novos estudos com modelos animais para definir as melhores vias de administração, a posologia adequada e o tempo de administração ideal. “Vamos investigar também os detalhes sobre a dinâmica de biodistribuição lipossomal desse fármaco no modelo animal”, disse. O artigo Effectiveness of liposomal buparvaquone in an experimental hamster model of Leishmania (L.) infantum chagasi, de Juliana Reimão e outros, pode ser lido por assinantes da Experimental Parasitology em www.journals.elsevier.com/experimental-parasitology .

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MEDICINA VETERINÁRIA DO COLETIVO

Saúde animal como promoção de saúde humana em coletividades

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Programa Cireneu tem como objetivos específicos: educação em saúde – reuniões com a comunidade sobre o tema com filmes, palestras e discussões. Apresentação dos resultados de exames e discussão das ações de controle; caracterização da população canina, atendimento clínico-cirúrgico aos animais – esterilização de machos e fêmeas – e colocação de microchip; diagnóstico de leishmaniose em cães – coleta de sangue para avaliação sorológica e swab de mucosa conjuntival para PCR; acompanhamento da dinâmica populacional dos cães nas comunidades – mortalidade, fugas e renovação (nascimentos e introdução de novos cães); programa de controle do vetor manejo ambiental – mutirão de retirada do lixo orgânico, poda de árvores, cuidados com lotes vagos e terrenos públicos, introdução de plantas repelentes ao vetor nas comunidades e aplicação de inseticidas centrados nos cães – colares impregnados com deltametrina; e vacinação dos cães contra leishmaniose visceral e outras doencas, tais como cinomose, parvovirose e leptospirose. O programa é coordenado pelo prof. dr. Vitor Márcio Ribeiro (PUC Minas) e conta com a participação de professores, acadêmicos de medicina veterinária da PUC Minas – Betim, moradores do município de Igarapé, gestores municipais e agentes do serviço de controle de zoonoses. Ele vem sendo

Programa Cireneu: www.programacireneu.blogspot.com

desenvolvido pelo Departamento de Veterinária da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas Betim e pelo Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais como o projeto de extensão “Saúde animal como promoção de saúde humana em coletividades – ações de controle de doenças em cães com ênfase em leishmaniose visceral”. Na equipe de professores do projeto está: a dra. Marilene Suzan Marques Michalik (UFMG), a dra. Maria Norma de Melo (UFMG), o dr. Sydnei Magno da Silva (UFMG), a dra. Maria

Coeli Gomes Reis Lage (PUC Minas), o MS. Flávio Augusto Salim Nogueira (PUC Minas), o dr. Miguel Houri Neto (UFMG), o MS. Luis Fernando Lucas Ferreira (PUC Minas) e o MS. Alysson Lamounier (PUC Minas). O programa já conta com o apoio da Hertape, fornecendo vacinas Leishtec; da Pfizer, com vacinas as Leishmune e Doramune; da Comunidade dos Frateres de Igarapé apoiando o trabalho dos acadêmicos; da Virbac, que participa com os microchips para os cães inseridos no programa; do Tecsa, com fornecimento de seringas e agulhas; do IDEXX Laboratório; e do Brasileish.

Curso FOCA – Formação de Oficiais de Controle Animal

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erá realizado, na cidade de Jundiaí, SP, entre os dias 10 e 14 de setembro, o próximo Curso FOCA. Entre os tópicos do curso destacam-se: • Como fazer o manejo etológico de cães e gatos baseado nos aspectos comportamentais, de bem-estar animal e segurança do trabalhador e da comunidade?; • Quais estratégias são efetivas para o controle de animais abandonados e soltos nas ruas?; 22

• Como humanizar os serviços de controle de zoonoses e manejo populacional de cães e gatos? O curso, uma realização do Itec (Instituto Técnico de Educação e Controle Animal), é indicado para todos os profissionais que trabalham direta ou indiretamente com cães e gatos ou com manejo populacional. Informações adicionais sobre esse e e outros cursos e eventos promovidos pelo Itec: itecbr@gmail.com

Curso FOCA – resultados positivos em várias cidades brasileiras

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NOTÍCIAS

Associação Mata Ciliar: há 25 anos preservando a vida

N

o dia 17 de maio de 2012, na sede da Associação Mata Ciliar (AMC), em Jundiaí, SP, ocorreu a inauguração da 1ª fase do Centro Jaguaretê – Tecnologia Aplicada para a Conservação da Biodiversidade. Um

centro veterinário que pudesse aprimorar e otimizar o atendimento aos animais silvestres que chegam debilitados e necessitando de cuidados especiais sempre foi um sonho para toda a equipe da AMC. Agora, o sonho começa a se realizar...

Na ocasião ocorreu o pré-lançamento do Laboratório de Reprodução Animal Dr. Renato Campanarut Barnabe e a integração ao Projeto Resgate Animal de uma ambulância adquirida por meio de convênio com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Em 2012 a Associação Mata Ciliar está comemorando 25 anos de atividade e há 17 anos desenvolve trabalhos de reabilitação de animais silvestres em Jundiaí, SP. Associação Mata Ciliar: mataciliar.org.br

Novas instalações e equipamentos para garantir o sucesso no atendimento do constante número de animais silvestres que chegam necessitando de reabilitação e cuidados especiais

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NOTÍCIAS

Argentina tem boas opções para estudos e para passeios

XXI Jornadas Veterinarias en Pequeños Animales, evento realizado em Buenos Aires, Argentina, reuniu grande quantidade de médicos veterinários da região e de outros países

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urante os dias 6 e 7 de maio de 2012 ocorreu na Argentina as Jornadas Veterinarias (www.jornadasveterinarias.com). O evento já é realizado há mais de 20 anos e reune veterinários de diversas regiões da Argentina

Stand da revista Clínica Veterinária nas XXI Jornadas Veterinarias en Pequeños Animales recebeu visita de brasileiros de Santa Catarina

e de outros países latinoamericanos. Além do evento contar com palestrantes de renome internacional, sempre propicia bons negócios em face ao grande número de expositores que todo ano estão presentes.

II Congreso Veterinario Patagónico www.cvp2012.blogspot.com.ar

Programe-se para participar do II Congreso Veterinario Patagónico: 24 e 25 de novembro de 2012, em Bariloche, Argentina

Para os que ainda tem a intenção de viajar para a Argentina este ano, o II Congreso Veterinario Patagónico é uma excelente opção que reúne aperfeiçoamento profissional com turismo em uma cidade tradicional pelos seus encantos: Bariloche. O congresso abordará tanto pequenos quanto grandes animais. Na programação para pequenos animais estão previstas palestras sobre cirurgia, oncologia, dermatologia, endocrinologia, etologia, hemoterapia, traumatologia, emergência e terapia intensiva. Quem quiser desfrutar um pouco mais da região da patagônia pode aproveitar para visitar San Martín de los Andes e conferir a Feria de Aves de Sudaméria (www.feriadeaves.com.ar), evento que terá início no dia 22 de novembro, 3 dias antes do II Congreso Veterinario Patagónico, sendo focado aos interessados em observação de aves. 26

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NOTÍCIAS

Mais de 70 palestrantes na 11ª Conferência Sul-americana de Medicina Veterinária Congresso acontecerá em paralelo à PET Rio VET, feira que marca a parceria inédita entre a NürnbergMesse Brasil e a LK Eventos

E

m agosto, no Centro de Convenções SulAmérica, o Rio de Janeiro será palco da PET Rio VET. Como grande diferencial, em paralelo à feira, acontece a 11ª Conferência Sul-americana de

Medicina Veterinária, que mostrará as inovações e tendências nas áreas de clínica, cirurgia, anestesiologia, ortopedia, oncologia, diagnóstico por imagem, endocrinologia e medicina felina. Serão

Veterinário da família é tema de palestra de Arthur Paes Barretto na sala de medicina veterinária do coletivo (shelter medicine), que ocorre após palestra do prof. Alexander Biondo, da UFPR/PR, um dos responsáveis pela difusão da especialidade no Brasil

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realizados ainda os fóruns sobre dor e leishmaniose – em função dos seus aspectos de grande relevância para os cuidados com os animais e para a saúde pública, entre outros grandes temas. Em paralelo e visando as clínicias veterinárias e petshops, será realizado o Seminário Internacional de Sistematização e Marketing em Clínicas Veterinárias, com uma abordagem inovadora sobre novos modelos de gerenciamento de estabelecimentos comerciais, a cargo de Steve Kornfeld (DVM, CPCC, Veterinary Leadership Coach), um dos maiores especialistas da área na atualidade. Além disso, haverá o Seminário de Tosa e o Seminário de Valorização Profissional, promovido pelo CRMV/RJ. Para compor a grade da conferência, foi escalado um grupo renomado de 70 especialistas de diversas áreas e vertentes da medicina veterinária, como Denise Fantoni, Rodrigo Rabelo, Cassio Auada, Roberto Fecchio, Karine Kleine, Max Freire, Rubens Bittencourt, Wanderlei Severo Jr., Alexander Biondo, Andrigo De Nardi, Jorge Pereira, Kaleizu Rosa, Julio Cesar Cambraia Veado, Stelio Pacca Loureiro Luna, Fernando Ibanez, Archivaldo Reche, entre outros. Cerca de mil participantes dos Estados do RJ, MG, ES e DF, entre outras localidades, são esperados para o evento, que contará também com o Seminário de Lojistas, desenvolvido especialmente para os empreendedores do mercado pet.

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Reprodução Falhas reprodutivas e seu tratamento em cães – relato de casos Reproductive failure and its treatment in dogs – report of cases Fallas reproductivas y su tratamiento en perros – relato de casos Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, p. 34-48, 2012 Guilherme Ribeiro Valle MV, dr. prof. DMV/PUC Minas

guilhermerv@pucminas.br

Cid Bastos Fóscolo

MV, mestre, dir. téc. Divisão Veterinária, Lab. Hermes Pardini veter1@labhpardini.com.b

Resumo: A busca de assistência veterinária para solucionar casos clínicos de falhas reprodutivas caninas é cada dia mais frequente. São apresentados cinco casos clínicos com desfecho bem sucedido. Relatam-se três casos de cadelas com alterações cíclicas que impediam o estabelecimento da gestação: uma pug com cio silencioso, uma buldogue inglesa com anestro persistente e uma poodle com anestro curto. Elas se tornaram gestantes após tratamentos específicos. Relata-se também o caso de um pastor alemão macho com hipotireoidismo, apresentando baixa qualidade seminal e infertilidade, que obteve melhora após tratamento com l-tiroxina. O quinto caso é de um casal de cocker americanos cujo acasalamento não era bem sucedido devido à baixa qualidade seminal do cão senil, sendo obtida a gestação após a utilização de manejo reprodutivo adequado. Unitermos: fertilidade, hipotireoidismo, ciclo estral, manejo reprodutivo Abstract: The search for veterinary assistance in cases of canine reproductive failure has become increasingly more frequent. Five successful clinical cases are presented. Three cases of bitches with cyclic disorders that impaired pregnancy are reported – a Pug with silent heat, an English Bulldog with persistent anestrus and a Poodle with short anestrus, all of which became pregnant after specific treatments. The fourth case is of a German Shepherd male with hypothyroidism accompanied by poor semen quality and infertility, which recovered after treatment with l-thyroxine. The fifth case consists of a couple of American Cockers whose mating was not successful due to low sperm quality of the senile dog. Pregnancy was achieved after adequate reproductive management. Keywords: fertility, hypothyroidism, estrous cycle, reproductive management Resumen: Cada día es mas frecuente la consulta veterinaria para solucionar casos clínicos de fallas reproductivas en perros. En este trabajo se presentan cinco casos donde el tratamiento fue exitoso. Se relatan tres casos de hembras con alteraciones cíclicas que impedían la preñez: una Pug con celo silencioso, una Buldog Inglesa con anestro persistente y una Caniche con anestro corto. Estas perras, luego de tratamientos específicos, quedaron preñadas. Se relata también el caso de un macho Ovejero Alemán con hipotiroidismo que presentaba baja calidad seminal e infertilidad, y que mejoró después del tratamiento con l-tiroxina. El quinto caso es de una pareja de Cocker Americano que no podían cruzarse debido a la baja calidad seminal del macho adulto, donde se obtuvo la preñez después de un manejo reproductivo adecuado. Palabras clave: fertilidad, hipotiroidismo, ciclo estral, manejo reproductivo

INTRODUÇÃO A clínica reprodutiva, especialmente nos casos de problemas de fertilidade, é umas das áreas da medicina veterinária de cães em que muitos clínicos ainda enfrentam dificuldades. Há cerca de dez anos constatava-se no Brasil o grande desconhecimento por parte dos proprietários de cães e clínicos veterinários a respeito das possibilidades terapêuticas para esses casos 1. Felizmente, o panorama tem mudado 2, 34

mas os diagnósticos e tratamentos em casos de falhas reprodutivas, tanto masculina quanto feminina, são ainda pouco frequentes. A subfertilidade no cão macho é definida como a ocorrência de taxas de nascimento menores que 75% quando cadelas com perfil reprodutivo normal são adequadamente acasaladas. A infertilidade é a impossibilidade completa de tornar cadelas normais gestantes, e a esterilidade é a impossibilidade

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Diagnóstico por imagem Ultrassonografia de pescoço – estudo retrospectivo em cães Neck ultrasonography – retrospective study in dogs La ecografía del cuello – estudio retrospectivo en perros Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, p. 58-64, 2012

Camila Novelli Ruivo

aluna de graduação Curso de Medicina Veterinária da UCS camila.nruivo@gmail.com

Carolina Marinho Simão

aluna de graduação Curso de Medicina Veterinária da UCS karol_ms2000@hotmail.com

Cibele Figueira Carvalho

MV, profa. assist. II Curso de Medicina Veterinária da UCS cibelefcarvalho@gmail.com

Daniela Aparecida Ayres Garcia

MV, mestranda Curso de Medicina Veterinária da UFPR daniapag@yahoo.com.br

Tilde Rodrigues Froes

MV, profa. adj. II Curso de Medicina Veterinária da UFPR froestilde@gmail.com

Resumo: Foi realizado um estudo retrospectivo dos resultados de exames ultrassonográficos realizados em cães com sinais clínicos de alterações na região do pescoço, com a finalidade de descrever a distribuição de ocorrência dos principais achados. Os dados foram comparados com o diagnóstico definitivo, obtidos por meio de exames laboratoriais, biópsias e/ou intervenção cirúrgica, em um total de 59 pacientes. Em doze cães não foram observadas alterações na região todavia a exclusão de doenças também é importante para o clínico. Na presente pesquisa, confirmando o descrito na literatura, o exame ultrassonográfico auxiliou na caracterização e determinação da origem de massas, assim como na localização e extensão da lesão. As principais indicações clínicas da ultrassonografia do pescoço foram: diagnóstico diferencial dos aumentos de volumes na região, diferenciação de afecções em tireoide e auxílio nas punções ecodirigidas. Unitermos: ultrassom diagnóstico, cabeça, glândulas salivares, tireoide Abstract: A retrospective study of ultrasonographic results in dogs with clinical signs of diseases in the neck region was performed in order to describe the distribution of main findings with this method. The data were compared with the definitive diagnosis obtained by laboratory panel, biopsy and/or surgery in a sample of 59 patients. No changes were observed in the region in 12 dogs, a finding that nonetheless aids the clinician in excluding diseases. The present study confirms the description in literature that ultrasound assists in characterizing and determining the origin of masses, as well as the location and extent of the lesions. The main clinical indications for ultrasonography of the ventral cervical region were the differential diagnosis of swellings, the differentiation of thyroid disorders and as a tool to guide interventional procedures. Keywords: diagnostic ultrasound, head, salivary glands, thyroid Resumen: Se realizó un estudio retrospectivo de los resultados de exámenes ultrasonográficos de perros con signos clínicos de alteraciones en la región del cuello, con el objetivo de poder obtener la incidencia de las afecciones mas frecuentes. Los datos ecográficos de un total de 59 pacientes fueron confrontados con el diagnostico definitivo, al que se llegó mediante exámenes de laboratorio, biopsias y/o intervenciones quirúrgicas. En doce perros no se observaron alteraciones, aunque fue posible descartar otras patologías, una referencia importante desde el punto de vista clínico. Tal como se ha descrito anteriormente en la literatura, este trabajo permitió comprobar que la ultrasonografía resultó un examen de gran ayuda en la caracterización y determinación del origen de masas, así como en la localización y extensión de la lesión. Las principales indicaciones clínicas de la ecografía del cuello, fueron: diagnóstico diferencial de aumentos de volumen, diferenciación de patologías tiroideas y auxilio en las punciones eco-guiadas. Palabras clave: ultrasonido diagnóstico, cabeza, glándulas salivales, tiroides

Introdução A ultrassonografia da região cervical ventral é a modalidade de diagnóstico por imagem de eleição para o estudo inicial 58

de pacientes com suspeita de doenças de tireoide, de anormalidade nos linfonodos e nas glândulas salivares, por ser um método seguro, rápido e de fácil execução 1,2. O aspecto

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Oftalmologia Achados histopatológicos do glaucoma em cães e gatos Histopathological findings of canine and feline glaucoma Histopatología del glaucoma en perros y gatos Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, p. 66-76, 2012 Letícia Olbertz

MV, mestranda da UFPR leticia.olbertz@gmail.com

Eduardo Perlmann

MV, MsC, doutorando da UFPR perlmann@ig.com.br

Fabiano Montiani-Ferreira MV, MsC, PhD, prof. da UFPR montiani@ufpr.br

Resumo: O glaucoma é a maior causa de remoção cirúrgica dos olhos dos cães. Histopatologicamente o glaucoma é definido como a perda das células ganglionares da retina ou a perda de seus axônios no nervo óptico, sendo diagnosticado por lesões histopatológicas específicas. Embora o diagnóstico clínico do glaucoma seja facilmente evidenciado pela mensuração da pressão intraocular (PIO), a sua causabase muitas vezes não é clinicamente elucidada. O diagnóstico histopatológico do glaucoma pode definir a origem da doença e, por conseguinte, informar sobre o prognóstico do olho contralateral ou, em alguns casos, sobre a presença de doenças sistêmicas que não haviam sido diagnosticadas até então. Este trabalho objetiva familiarizar os médicos veterinários com as principais lesões histopatológicas decorrentes de olhos glaucomatosos. Unitermos: histopatologia ocular, pressão intraocular, olho Abstract: Glaucoma is the main cause of surgical removal of eyes in dogs. Glaucoma is histopathologically defined as loss of retinal ganglion cells or loss of their axons in the optic nerve. It is diagnosed through some specific histopathological findings. Although the clinical diagnosis of glaucoma is easily evidenced by the measurement of intraocular pressure (IOP), the cause of this disease is often clinically impossible to elucidate. The histopathological diagnosis of glaucoma can define the source of the disease and may inform about the prognosis of the contralateral eye. In some cases, histopathological findings may lead to the discovery of undiagnosed systemic diseases. The aim of this study is to familiarize clinicians and surgeons with the main histopathological lesions resulting from glaucomatous eyes. Keywords: ocular pathology, intraocular pressure, eye Resumen: El glaucoma es la principal causa de enucleación en perros y gatos. Desde el punto de vista histopatológico, el glaucoma es diagnosticado a través de lesiones específicas, y se define como la pérdida de las células ganglionares de la retina o la pérdida de sus axones en el nervio óptico. A pesar de que el diagnóstico clínico se puede evidenciar fácilmente mediante la medición de la presión intraocular (PIO), la causa de base, muchas veces, no es detectada. El diagnostico histopatológico del glaucoma puede definir el origen de la enfermedad y así, consecuentemente, dar una idea del pronóstico del ojo contra lateral. En algunos casos también puede detectar la presencia de enfermedades sistémicas que no habían sido diagnosticadas. Este trabajo tiene como objetivo familiarizar a los médicos veterinarios, con las principales sesiones histopatológicas presentes en ojos glaucomatosos. Palabras clave: histopatología ocular, presión intra ocular, ojo

Introdução O glaucoma é a maior causa de remoção cirúrgica dos olhos dos cães (enucleação, evisceração ou exenteração), além de importante causa de dor ocular 1. Caracteriza-se por ser um estado patofisiológico neurodegenerativo no qual a pressão intraocular (PIO) encontra-se, na maioria absoluta das vezes, aumentada além dos níveis compatíveis com a saúde da retina e do nervo óptico 2,3. Histopatologicamente, o glaucoma é definido como perda funcional das células ganglionares da retina e de seus axônios no nervo óptico, podendo ser diagnosticado mediante padrões histopatológicos es pe cíficos 4. 66

A doença é comum nos cães e menos frequente nos gatos 5. Pode ser classificada como primária ou secundária. O glaucoma primário é aquele no qual não há doença ocular adquirida previamente, e sim, uma má-formação congênita na estrutura e, consequentemente, na função do sistema de drenagem do humor aquoso. O glaucoma secundário, por sua vez, decorre da disfunção do ângulo de drenagem, que se apresenta obstruído por doença ocular adquirida previamente. Alguns exemplos de doenças que podem levar ao glaucoma são: neoplasia, luxação da lente, formação de membrana fibrovascular, presença de restos celulares, hemácias ou pigmento

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IV Encontro LABEA:

Consciência e Cognição Animal – Uma homenagem a César Ades

II Congresso Internacional da AMVEBBEA


Cardiologia Valvoplastia percutânea por balão em cão com estenose valvar pulmonar – relato de caso Percutaneous balloon valvuloplasty in a dog with pulmonary valve stenosis – a case report Valvuloplastia percutánea con balón en un perro con estenosis de válvula pulmonar – relato de caso Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, p. 78-90, 2012

Paulo Sérgio Juliani

MV, PhD. colaborador do InCor-USP Centro Clínico Veterinário São Francisco prof. de cirurgia torácica e cardiovascular da ANCLIVEPA-SP psjuliani@usp.br

Rodrigo Nieckel da Costa

médico cardiologista HC do Sanatório Sírio Libanês rncosta@gmail.com

Alessandro R. de Carvalho Martins MV, doutorando pela FM/USP doutorevet@hotmail.com

Maria Cristina Donadio Abduch MV, PhD

Renato Samy Assad

médico cardiologista prof. livre-docente - IC/HC/FM/USP rsassad@cardiol.br

Resumo: A estenose pulmonar valvar encontra-se entre as três primeiras cardiopatias congênitas mais comuns em cães. A valvoplastia percutânea por cateter-balão é uma alternativa terapêutica interessante, podendo apresentar menor taxa de morbimortalidade do que outras técnicas. Este artigo relata o caso de um cão da raça american pit bull terrier, com sinais de insuficiência cardíaca direita desde jovem e recentes episódios de síncope. O ecocardiograma revelou estenose pulmonar valvar de grau importante (gradiente: 90mmHg), com fusão das válvulas e anel pulmonar de bom tamanho (19,1mm). O tratamento clínico foi iniciado com AAS, carvedilol, digoxina e pentoxifilina. Apesar da aparente melhora clínica, houve agravamento da arritmia, com fibrilação atrial. Foi então considerada a valvoplastia pulmonar por cateter-balão, realizada pioneiramente com sucesso no meio latino-americano e descrita em detalhes neste relato. Unitermos: defeitos cardiovasculares congênitos, valvoplastia por balão Abstract: Pulmonary valve stenosis is among the top three most common congenital heart defects in dogs. The percutaneous balloon valvuloplasty is an interesting therapeutic alternative and may have lower rates of morbidity and mortality than other techniques. This article reports the case of a 35-month-old male American Pit Bull Terrier with signs of early right heart failure and recent episodes of syncope. The echocardiogram showed a significant degree of pulmonary stenosis (gradient: 90mmHg) with fusing of the valves and pulmonary ring with a good size (19.1mm). Medical therapy was initiated with aspirin, carvedilol, digoxin, and pentoxifylline. Despite the apparent clinical improvement, arrhythmia worsened and there was atrial fibrillation. Pulmonary balloon valvuloplasty was then considered and performed successfully. This pioneering procedure in Latin America is described in detail in this report. Keywords: congenital cardiovascular defects, balloon valvuloplasty Resumen: La estenosis de válvula pulmonar se encuentra entre las primeras tres cardiopatías congénitas mas comunes de los perros. La valvuloplastia percutánea mediante catéter-balón es una alternativa terapéutica interesante, pudiendo presentar menor tasa de morbi mortalidad que otras técnicas. Este trabajo relata el caso de un perro American Pit Bull Terrier macho, con signos de insuficiencia cardíaca derecha desde su juventud, con episodios recientes de síncope. El ecocardiograma evidenció una estenosis de válvula pulmonar de grado importante (gradiente: 90mmHg), con fusión de las válvulas y anillo pulmonar de buen tamaño (19,1mm). El tratamiento clínico se inició con AAS, carvedilol, digoxina y pentoxifilina. A pesar de una aparente mejoría clínica, la arritmia se agravó, presentando fibrilación atrial. Se consideró entonces la valvulopastia pulmonar mediante cateter-balón, que fue realizada con éxito por primera vez en latinoamérica, y que se relata detalladamente en el presente trabajo. Palabras clave: defectos cardiovasculares congénitos, valvuloplastia con balón

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Animais selvagens Criação artificial de filhotes de lontra neotropical (Lontra longicaudis) em cativeiro – relato de dois casos Hand rearing neotropical river otter (Lontra longicaudis) pups in captivity – a report of two cases Cría artificial de cachorros de nutria neotropical (Lontra longicaudis) en cautiverio – relato de dos casos Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, p. 92-99, 2012 Laura Reisfeld

médica veterinária Aquário de São Paulo

lauravet@aquariodesaopaulo.com.br

Fabiana Lúcia André bióloga Aquário de São Paulo

fabianala2010@hotmail.com

Thaís Susana de Macedo Pereira bióloga Aquário de São Paulo

thais.susana@gmail.com

Rafael Caprioli Gutierrez biólogo Aquário de São Paulo

rafael@aquariodesaopaulo.com.br

Laura I. T. G. Machado de Moura bióloga Aquário de São Paulo

laura@aquariodesaopaulo.com.br

Bruna Silvatti Freitas Silva médica veterinária Aquário de São Paulo

brunasilvatti@yahoo.com.br

Claudia Carvalho do Nascimento médica veterinária UNIMONTE

claudia.nascimento@aiuka.com.br

Resumo: A lontra neotropical é um mamífero pertencente à Ordem Carnivora e à família Mustelidae. Entre as principais ameaças a essa espécie estão às ações antrópicas, como desmatamento, contaminação de habitat, caça e atropelamentos. Consequentemente, o aparecimento de filhotes em centros de triagem e zoológicos é cada vez mais frequente. Em muitos desses casos, a criação artificial é a única alternativa para a sua sobrevivência. Os filhotes de lontras podem desenvolver problemas de saúde subitamente, portanto, qualquer alteração comportamental deve ser notada. Frequentemente se observam distúrbios digestivos em filhotes criados artificialmente, que podem estar associados a fatores como fórmulas lácteas inapropriadas, frequência das refeições, excesso de alimento e mudanças bruscas na dieta. O objetivo deste trabalho é relatar o protocolo de criação artificial de dois filhotes de lontra. Unitermos: mustelídeos, manejo, nutrição Abstract: The neotropical river otter is a mammal that belongs to the order Carnivora, family Mustelidae. Anthropic actions such as habitat loss and degradation, environmental contaminants, hunting and road kills are among the main threats to this species. As a consequence, zoos and rehabilitation centers are receiving pups increasingly often. In most cases, hand rearing is the only chance of survival that these animals have. Because otter pups can develop sudden health problems, any behavioral changes should be noticed. Digestive disturbances are frequently observed in hand-reared pups, which can be associated with inappropriate formulas, feeding frequency, excessive feeding and sudden changes in the diet. The goal of this work is to report a hand-rearing protocol used successfully in two river otter pups. Keywords: mustelids, husbandry, nutrition Resumen: La nutria neotropical es un mamífero que pertenece al Orden Carnívora y a la familia Mustelidae. Entre las principales amenazas a esta especie se cuentan las acciones antrópicas, como la deforestación, la contaminación del hábitat, la caza y los atropellamientos. En consecuencia a estas circunstancias, es cada vez mas frecuente la llegada de cachorros en los centros de rehabilitación y zoológicos. En muchos de estos casos, la cría artificial es la única alternativa para su sobrevivencia. Los cachorros de nutrias pueden desarrollar problemas súbitos de salud y, por lo tanto, se debe estar atento a cualquier alteración de comportamiento. Frecuentemente se observan alteraciones digestivas en cachorros criados artificialmente, que pueden asociarse a factores como el uso de fórmulas lácteas inadecuadas, frecuencia de las comidas, exceso de alimento y cambios súbitos en la dieta. El objetivo de este trabajo es relatar el protocolo de cría artificial de dos cachorros de nutria. Palabras clave: mustélidos, manejo, nutrición

Introdução A lontra neotropical (Lontra longicaudis) é um mamífero pertencente à Ordem Carnivora e à família Mustelidae. As lontras possuem hábito semiaquático, podendo ocupar diversos tipos de ambientes, tanto de água doce quanto salgada 1. 92

Sua distribuição geográfica é ampla, ocorrendo na América desde o norte do México até o norte da Argentina 2. Podem ser encontradas em quase todo o território brasileiro, exceto nos ambientes mais áridos da Região Nordeste 3. Como adaptação ao meio aquático, as lontras possuem

Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, julho/agosto, 2012


Animais selvagens Enfermidades e impactos antrópicos em cetáceos no Brasil Diseases and human impacts in cetaceans in Brazil Enfermedades y impactos antrópicos en cetáceos de Brasil Clínica Veterinária, Ano XVII, n. 99, p. 100-110, 2012 Isabela Guarnier Domiciano bióloga, mestranda PPGCA/UEL

isabela.guarnier@hotmail.com

Ana Paula F. R. L. Bracarense

médica veterinária, profa. associada Depto. de Med. Vet. Preventiva - UEL anauel02@yahoo.com.br

Camila Domit

bióloga, pesquisadora Lab. Ecol. e Conservação - CEM/UFPR cadomit@gmail.com

Milton Cesar C. Marcondes médico veterinário Instituto Baleia Jubarte

milton.marcondes@baleiajubarte.org.br

Resumo: Pouco se conhece sobre as enfermidades e a influência dos impactos antrópicos na saúde dos cetáceos que habitam a costa brasileira. Com o objetivo de avaliar o conhecimento atual sobre as enfermidades em cetáceos no Brasil, esta revisão reúne e acrescenta informações sobre doenças infecciosas e parasitárias, entre outras. Há registro de lesões semelhantes às causadas por poxvírus e papilomavírus, e foram detectados anticorpos para Morbillivirus sp. Bactérias como Aeromonas sobria, Pseudomonas aeruginosa e Pasteurella pneumotropica, o fungo Lacazia loboi, os protozoários Giardia sp e Toxoplasma gondii e diversos metazoários foram associados a lesões. Impactos antrópicos também influenciam nas taxas de mortalidade desses animais. O estado de conservação das carcaças e a ausência de patologistas capacitados nas equipes de pesquisa dificultam a avaliação do estado de saúde dos cetáceos. Unitermos: mamíferos aquáticos, agentes patológicos, atividades humanas Abstract: Little is known about the diseases and how human impact influences the health of cetaceans that inhabit the Brazilian coast. This review gathers and adds information about infectious and parasitic diseases, among others, in order to evaluate the current knowledge about the major diseases that affect cetaceans in Brazil. There are reports of lesions similar to the ones caused by pox- and papillomavirus, and antibodies against Morbillivirus sp have been detected. Bacteria such as Aeromonas sobria, Pseudomonas aeruginosa and Pasteurella pneumotropica, the fungus Lacazia loboi, the protozoa Giardia sp and Toxoplasma gondii, as well as several metazoans have been associated with lesions. The anthropic impact also influences cetacean mortality rate. The state of decomposition and lack of trained pathologists in research teams make it difficult to assess the health status of these animals. Keywords: aquatic mammals, pathologic agents, human activities Resumen: Es poco lo que se conoce sobre las enfermedades y la influencia de los impactos antrópicos en la salud de los cetáceos que habitan la costa brasilera. Con el objetivo de analizar el conocimiento actual sobre las enfermedades de los cetáceos en Brasil, la presente revisión reúne y adiciona informaciones de varias enfermedades, entre ellas aquellas de origen infeccioso y las parasitarias. Existen registros de lesiones parecidas a las ocasionadas por poxvirus y papilomavirus, y también fueron detectados anticuerpos contra Morbillivirus sp. Ciertas bacterias como Aeromonas sobria, Pseudomona aeruginosa y Pasteurella pneumotropica, el hongo Lacazia loboi, protozoarios como Giardia sp y Toxoplasma gondii, y diversos metoazoarios, han sido asociados a lesiones en cetáceos. Los impactos antrópicos también influyen en las tasas de mortalidad de estos animales. El mal estado de conservación de los cadáveres y la ausencia de patólogos capacitados en los equipos de investigación, dificultan la evaluación del estado de salud de los cetáceos. Palabras clave: mamíferos acuáticos, agentes patológicos, actividades humanas

Introdução Os cetáceos são considerados sentinelas ambientais devido à longevidade, à posição de topo da cadeia trófica e à bioacumulação de contaminantes, servindo como indicadores das mudanças de curto a longo prazo no ecossistema aquático 1,2. Pequenos odontocetos, cetáceos dentados como os golfinhos e os botos, podem indicar o estado de contaminação 100

e doenças locais, assim como mudanças no padrão de reprodução e migração de misticetos, baleias com cerdas na boca, podem indicar mudanças globais 3. No Brasil, existem 45 espécies de cetáceos 4 e as informações sobre o estado de saúde desses animais são obtidas por meio de observações e registros fotográficos quando em vida livre, exames clínicos ou necropsias de animais encalhados e,

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